19/03/2009 - 11:53h Bornhausen, o “natural” cabo eleitoral de Serra

Jorge Konder Bornhausen (Rio de Janeiro, 1 de outubro de 1937) é um advogado e político brasileiro.

Foi ministro-chefe da Casa Civil durante o governo de Fernando Collor[1]. Foi também governador biônico de Santa Catarina entre 1979 e 1983 e senador entre 1983 e 1991 e entre 1999 e 2007 pelo estado de Santa Catarina.

Em sua gestão como governador biônico, ocorreu a manifestação popular conhecida como Novembrada, em Florianópolis, quando da visita oficial do general-presidente João Figueiredo à Santa Catarina.

Foi presidente nacional do PFL, atual Democratas. Wikipedia

http://rsurgente.zip.net/images/bornhausen.jpghttp://3.bp.blogspot.com/_4mcHW7wpAUM/STXesNQHEKI/AAAAAAAAGzg/1_SEvv-apOQ/s400/olha_quem_fala%5B1%5D.jpg

”Candidatura natural tem um nome: Serra”

Bornhausen pede ”bom senso” e diz que ”erro não se repete”, numa referência à candidatura de Alckmin em 2006

Christiane Samarco – O Estado SP


Enquanto o PSDB discute prévias para escolher o candidato a presidente, o DEM declara sua preferência pelo governador paulista José Serra e prega o respeito dos tucanos a uma velha regra da política: a candidatura natural. “O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, é um bom nome e merece o maior respeito, mas, como ex-presidente do DEM, membro da Executiva e do Conselho Político, sou obrigado a dizer que há uma candidatura natural e sua tradução é José Serra”, diz Jorge Bornhausen em entrevista ao Estado.

A despeito dos elogios a Aécio na reunião do Conselho Político do DEM, semana passada, em São Paulo, a preferência por Serra vem desde 2006, quando o PSDB optou pela candidatura de Geraldo Alckmin. “Erro não se repete”, adverte. Por isso mesmo, a aposta agora é em Serra.

Bornhausen pede “bom senso” ao tucanato. A seguir, os principais trechos da entrevista.

O DEM recuou da posição inicialmente contrária às prévias do PSDB?

Não. Nós compreendemos a necessidade que tem o PSDB de dar uma boa solução para a escolha de seu candidato. Se eles entenderem que o caminho são as prévias, não há por que contestar. Queremos é que a solução seja boa.

E a preferência do DEM é…

Há uma regra em política sobre contrariar candidaturas naturais. Candidatura natural é aquela que tem a maior possibilidade de vitória e isto está constatado em todas as pesquisas. Se o PSDB vai decidir por prévias, ou não, a maioria do Conselho Político do DEM é pela candidatura natural, que tem um nome: José Serra.

Mas o que define o candidato natural são as pesquisas de opinião?

O candidato se define por pesquisas, pela densidade eleitoral do seu Estado, pela posição do Brasil em relação às circunstâncias da crise. Tudo isso indica a candidatura de Serra. Sem nenhum demérito ao governador Aécio, que faz boa administração em Minas, Serra é o melhor perfil para administrar na crise.

Tem candidato que larga com 3% nas pesquisas e acaba vencendo a eleição, como Fernando Collor (1989). O sucesso de gestão em Minas não torna Aécio competitivo?

Collor era candidato de um partido inexistente. Foi uma aventura política que deu certo, e em seguida deu errado. A escolha, agora, é de um partido grande, sólido, conceituado, com a responsabilidade de ganhar a eleição.

Os aecistas do PSDB dizem que ele é a melhor opção pela capacidade de agregar apoios, sobretudo em uma eleição de dois turnos.

Eu antevejo uma eleição bipolarizada. Tudo caminha na direção da candidata governista (ministra Dilma Rousseff) contra o candidato da oposição. É muito provável que esta eleição se defina no primeiro turno, porque será realmente um plebiscito em torno de quem poderá dirigir melhor o Brasil na crise.

A grande preocupação do PSDB é que Minas Gerais está fechada com Aécio. Tem como trazer Aécio para o projeto Serra sem prévias?

Se o caminho escolhido for o das prévias, será exatamente para atender o sentimento da maioria do partido.

O sr. acredita que a maioria do PSDB é Serra, assim como o DEM?

Eu acredito que a tese da candidatura natural não é a tese de um partido. É uma regra da política, e o bom senso me diz que esta regra será respeitada.

Na condição de parceiro do PSDB na sucessão presidencial, qual é o prazo máximo que o DEM defende para a definição da candidatura?

Os dois governadores – Aécio e Serra – têm suas obrigações de bem administrar seus Estados. Portanto, exigir que haja uma antecipação desta decisão do PSDB não é o caminho mais correto, porque ainda estamos bem distantes da eleição. Se este assunto for resolvido no final do ano, acho que é o tempo hábil para que tenhamos condições de, com a coligação já formada com o DEM e o PPS, acrescentar mais partidos. E acho que a preocupação deve ser a de conquistar uma boa parcela do PMDB.

Sua aposta é que, mesmo em aliança oficial com o PT, na prática o PMDB não fecha com ninguém e uma parcela ficará com o PSDB?

A verticalização acabou (regra que obrigava os Estados a reproduzirem a aliança nacional). Portanto, o PMDB de Estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Pernambuco e Mato Grosso do Sul já está conosco (PSDB-DEM-PPS). Estará, portanto, na coligação do Serra. Isto está claro. O que não sei é que decisão o PMDB vai tomar em convenção.

Com ou sem prévias, o fim da reeleição ajudaria a fechar um acordo no PSDB?

Não acredito em reforma política, nem em reforma da Lei Eleitoral e da Lei Partidária e, muito menos, em mudança na Constituição para acabar com a reeleição. Acho que as regras da próxima eleição serão as mesmas da passada.

Mas pode haver acordo político para acabar com a reeleição, como o que o sr. patrocinou entre o governador José Roberto Arruda (DEM) e o vice Paulo Octávio (DEM) na sucessão do DF?

Acordo pode haver. E aí é um problema do PSDB. Não me compete interferir. Entendemos que precisa mudar a forma de administração que o PT vem dando ao País. Queremos melhorar e, por isto, queremos o candidato natural e, para isto, não estamos exigindo posição na chapa, embora tenhamos nomes à vontade.

O que o sr. acha de uma chapa “puro-sangue”, com Aécio como vice de Serra?

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem sempre lembrado essa hipótese e eu não posso deixar de aceitar a inteligência política de FHC.

O lugar de vice na chapa do PSDB não está em aberto para atrair o PMDB?

A melhor solução para a vitória é a certeza da recuperação do Brasil, que está mal administrado e não está enfrentando a crise como deveria. O presidente não tomou medidas adequadas na hora oportuna.

Mas o povo está satisfeito e nunca houve um presidente com tanta aprovação popular nas pesquisas. Como o sr. explica esta contradição?

Esta popularidade vai começar a escassear. Um protesto dos produtores de café em Varginha reuniu 30 mil pessoas e Lula foi vaiado. O desemprego é grande e o dinheiro do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) está sendo usado para piorar a situação, patrocinando fusões no setor da telefonia. Também há crise na pecuária, na siderurgia e no setor madeireiro.

E a oposição tem sido eficaz?

Há um erro no foco da oposição, concentrada no Congresso, que hoje não é bem visto pela opinião pública. É preciso partir para a sociedade. A atuação do presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), e do presidente da Fundação Liberdade e Cidadania, deputado José Carlos Aleluia (BA), convocando economistas para apresentar soluções construtivas para a crise, é elogiável. Devemos nos pautar por esse caminho e na fiscalização, acompanhando nos locais este plano de marketing denominado PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), e mostrando o que não sai do papel.

13/03/2009 - 15:00h Lula, um ator em 27 palcos

César Felício – VALOR

Não é apenas em relação à própria sucessão presidencial que a ação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se faz notar neste ano de pré-campanha. Além de consolidar o nome da sua preferida, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, dentro do partido, Lula começa a agir em um raio de Porto Alegre a Salvador, de Curitiba a Fortaleza.

A sombra do lulismo paira sobre cada unidade da federação. O presidente é polo aglutinador em alguns Estados e o ponto de equilíbrio em outros, onde há a disputa entre o PT e algum aliado. Serão raras as sucessões estaduais que não terão a sua ação decisiva. Um observador atento da cena petista aponta que até mesmo uniões tidas em passado recente como impensáveis começam a se desenhar, como a aproximação entre o PT e o PMDB no Rio Grande do Sul. Na arena gaúcha, os dois partidos jamais se coligaram em suas histórias. Agora esta aliança entra pela primeira vez no terreno da hipótese, em um cenário onde a governadora tucana Yeda Crusius sofre um desgaste avassalador. O ministro da Justiça, Tarso Genro, pelo PT, e o ex-governador Germano Rigotto, pelo PMDB, podem ser os protagonistas de uma coligação inédita, que, se surgir, nascerá no Planalto Central, e não no Guaíba. É com Lula, e não com líderes regionais petistas, que o PMDB poderá se coligar.

A ação de Lula também desenha uma grande frente no Paraná, onde o governador Roberto Requião (PMDB) e os petistas já tiveram várias aproximações e rompimentos. No ano passado, sob recomendação expressa de Lula, o governador paranaense nomeou o técnico Valter Bianchini para a Secretaria Estadual de Agricultura. Na ocasião, empossou outro petista, Enio Verri, para a Secretaria do Planejamento. É um aliado do ministro do Planejamento, o petista Paulo Bernardo. Não está claro quem poderá ser o candidato ao governo paranaense que una Requião e o petismo, mas é evidente a ofensiva lulista para isolar o PSDB, que caminha para uma divisão entre o senador Álvaro Dias e o prefeito de Curitiba, Beto Richa. O próximo lance do Planalto poderá ser a atração do irmão de Álvaro, o também senador Osmar Dias (PDT) para o governismo, rachando a família.

A depender das conversas com o PSB, o Planalto também poderá ser a chave para uma aliança que isole o senador tucano Tasso Jereissati no Ceará. No desenho imaginado, o governador Cid Gomes poderia disputar a reeleição, apoiado por PT e PMDB, que lançariam respectivamente para o Senado o ministro da Previdência, José Pimentel, e o deputado Eunício Oliveira. Em Pernambuco, o pacto envolveria o apoio petista à reeleição do governador Eduardo Campos e a candidatura do ex-prefeito do Recife João Paulo, ao Senado. Tanto em um caso como no outro, são equações que necessariamente envolvem a desistência do deputado Ciro Gomes (PSB) em tentar a Presidência pela terceira vez.

O quadro é mais delicado na Bahia, onde Lula já começou a agir para diminuir a competição entre o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB) e o governador petista Jaques Wagner. Aos petistas baianos, o presidente pediu que a escalada verbal fosse interrompida. Na disputa pela prefeitura de Salvador, no ano passado, o PMDB baiano aproximou-se muito dos tucanos e dos integrantes do DEM. O lado oposicionista já ofereceu a Geddel o apoio para concorrer ao governo estadual, em troca de seu empenho para impedir que o PMDB apoie o PT na eleição presidencial. Não está claro o que pode ser oferecido a Geddel para que permaneça na trincheira governista.

As maiores dificuldades de atuação presidencial estão nos dois grandes colégios eleitorais. Em Minas Gerais, a divisão do PT entre as possíveis candidaturas do ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel impede uma movimentação por cima. O provável é que se aguarde o resultado da eleição direta dos dirigentes petistas, no fim do ano passado. Um resultado claro a favor de um dos adversários internos em Minas poderá destravar a ação de Brasília. Ao longo dos últimos meses, a atuação do presidente em Minas visou apenas a enfraquecer Aécio: com sucesso, Lula impediu que o governador mineiro tentasse enredar Pimentel na construção de uma candidatura ao governo estadual fora da órbita do PT.

Em São Paulo, está a pior situação. Diante da provável candidatura do governador José Serra à Presidência, é o PT que está isolado. O governador paulista monta uma aliança com lugar para o PMDB de Orestes Quércia e o DEM de Gilberto Kassab, além de todas as alas e subalas do tucanato. Já o PT oscila entre duas possibilidades, inviáveis eleitoralmente cada uma a seu modo: o deputado federal Antonio Palocci e a ex-prefeita paulistana Marta Suplicy. Fato novo, que poderá representar uma saída para o bloco governista, é a articulação de partidos aliados ao Planalto em torno de uma hipotética candidatura do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. A construção de um cenário de dois turnos para a eleição paulista atenua a fraqueza do palanque regional para a virtual candidata presidencial do PT, Dilma Rousseff.

César Felício é correspondente em Belo Horizonte.

E-mail cesar.felicio@valor.com.br

28/11/2008 - 12:20h Marinho defende aliança mais ampla em SP

César Felício, de São Bernardo do Campo – VALOR

http://www.galizacig.com/imxact/2007/02/20070123_brasilia_luiz_marinho_590.jpgPrincipal prefeito eleito pelo PT no Estado de São Paulo, o ex-ministro do Trabalho e da Previdência Luiz Marinho já sinaliza que a correlação de forças dentro da sigla poderá mudar.

Com o enfraquecimento do PT no interior do Estado e a nova derrota na capital, o partido se fortaleceu em seu berço e domicílio eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E pela primeira vez São Bernardo, e não Santo André, torna-se a principal referência petista no cordão industrial que circunda a capital. Marinho exclui a própria candidatura ao governo estadual, mas deixa claro que irá atuar para aumentar o grau de pragmatismo do PT estadual de modo ao partido estabelecer um amplo arco de alianças partidárias para as próximas eleições estaduais.

O prefeito eleito lembra que em 2006 a disputa interna entre o senador Aloizio Mercadante e a ex-ministra do Turismo Marta Suplicy impediu que o partido conseguisse uma coligação de grande porte para enfrentar o tucano José Serra, que se elegeu no primeiro turno. Em 2002, quando Marinho foi candidato a vice na chapa de José Genoino, a perspectiva era apenas garantir um palanque para Lula no segundo turno da eleição presidencial. Nas eleições anteriores nunca foram tentadas alianças fora dos partidos da esquerda.

Para Marinho, o PT tem que seguir a estratégia de José Serra, que usou a eleição municipal para tentar cimentar uma aliança com o PMDB e o DEM para 2010, em torno não só da sua candidatura presidencial, mas das eleições locais, ainda que não estejam definidos os nomes dos candidatos ao governo do Estado e ao Senado. O prefeito eleito citou quatro possíveis candidatos a governador no PT: o ministro da Educação Fernando Haddad, o deputado Antonio Palocci, o senador Aloizio Mercadante e a ex-ministra Marta Suplicy.

Sua candidatura é descartada face à dificuldade de a administração de Marinho mostrar resultados no curto prazo. Entre os colaboradores de Marinho, há bastante pessimismo não só em relação aos efeitos da crise econômica sobre o setor industrial, responsável por quase 40% dos empregos na cidade, como em relação às contas municipais. “Marinho não pode fazer um governo pífio se quiser manter ambições políticas, e as condições que irá encontrar não são nada animadoras. Ele terá que contar com muita ajuda do governo federal”, comenta o coordenador político da campanha, o ex-prefeito Maurício Soares. Os petistas esperam que os investimentos federais do PAC compensem uma eventual perda de receita. A cidade está 9 projetos de saneamento e 4 de habitação que somam R$ 167 milhões.

Cidade com o segundo maior orçamento do país entre municípios do interior (atrás apenas de Campinas), São Bernardo não conta com uma grande dívida fundada, mas tem uma tradição de problemas de dívidas de curto prazo, segundo Soares. Prefeito da cidade entre 1989 e 1992 e entre 1997 e 2002, Soares afirma que assumiu a administração municipal com pagamentos vencidos a fornecedores e prestadores de serviço nas duas ocasiões. “Já há reclamações de atrasos. A gente sabe que existem algumas táticas como o empenho e o posterior cancelamento do empenho. É algo que só ficará claro quando o novo governo assumir”, diz Soares.

A equipe econômica do prefeito Dib contesta a assessoria de Marinho. Segundo dados da secretaria de Finanças, há R$ 248,78 milhões em empenhos a serem liquidados até 31 de dezembro. A receita corrente realizada até 31 de outubro foi de R$ 1,434 bilhão. A previsão é que entrem em novembro e dezembro mais R$ 272,1 milhões, valor suficiente para cobrir os empenhos.

A equipe de transição é comandada por Miriam Belchior, que foi casada com o prefeito de Santo André, Celso Daniel, assassinado em 2001 quando era coordenador de programa de governo da candidatura presidencial de Lula em 2002.

A participação do presidente Lula na campanha de São Bernardo do Campo deu-se em duas etapas. A mais importante foi a das alianças. Passou pelo gabinete presidencial o acordo para que o deputado e cantor Frank Aguiar (PTB-SP), cuja seção local do partido é controlada pelo deputado estadual Campos Machado, ligado aos tucanos, se tornasse vice na chapa de Marinho. E também foi um encontro com Lula que sacramentou o reingresso de Maurício Soares no PT, rompendo a aliança de 20 anos com o prefeito William Dib, do PSB, mas solidamente alinhado ao PSDB e ao DEM.

Por meio de Soares, coordenador político da campanha, Marinho montou uma aliança com 11 partidos, muitos dos quais reunindo a elite política da cidade, formada por um grupo de famílias de origem italiana estabelecidas em São Bernardo desde o início do século passado e cujos sobrenomes batizam vários bairros nos municípios. Com isso, o isolamento petista – que levou o deputado Vicentinho a concorrer sozinho em 2004 e ter apenas 23% dos votos válidos – foi definitivamente para o passado.

Seja em atos públicos de governo ou de campanha, Lula participou cinco vezes de concentrações populares na cidade onde reside, durante a campanha. Criticou tanto ao prefeito William Dib (PSB) quanto o candidato tucano Orlando Morando, chamado de “sujeitinho” pelo presidente em palanque. “Ficou nítido que Lula tem um projeto pessoal que passa por ter nas mãos do PT a Prefeitura de São Bernardo”, comentou Morando, que atribui ao presidente uma das principais razões de sua derrota. Dentro do grupo derrotado, o palpite é que o presidente bancou Marinho porque apostaria em seu ex-ministro do Trabalho e da Previdência como opção para disputar o governo estadual em 2010. Entre os aliados do prefeito eleito, a candidatura na próxima eleição é descartada e razões de ordem pessoal são lembradas. Mas deixam claro que Marinho pode estar sendo preparado como uma espécie de herdeiro para vôos futuros.

“Lula gosta muito de São Bernardo e se incomoda de morar em uma cidade onde o partido não ganhava há muitos anos. Mas acima de qualquer outra coisa, Lula gosta muito de Luiz Marinho. Talvez mais do que qualquer outro político no PT paulista”, comentou um correligionário do prefeito eleito.

A campanha de Marinho também foi vigorosa do ponto de vista financeiro. O candidato petista arrecadou R$ 11,469 milhões para cabalar o voto dos 539 mil eleitores da cidade. Fez um investimento médio de R$ 21,28 por voto da cidade. Em São Paulo, o prefeito reeleito da capital, Gilberto Kassab (DEM), arrecadou por meio de seu comitê financeiro R$ 34,3 milhões, o que significaria um gasto médio por eleitor de R$ 4,19. ” Isso foi produto da pressão sindical. Com o controle que a CUT tem sobre as bases dos trabalhadores, as empresas abriram os cofres para o PT, não só por amor, mas por temor”, diz Morando.

04/11/2008 - 11:11h Subserviências

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A jornalista Dora Kramer, na sua coluna de hoje no Estadão, acusa o prefeito eleito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, de “subserviência”. O motivo é a afirmação de Lacerda caracterizando a coligação de José Serra em São Paulo, de “centro-direita”.

Diferentemente do prefeito de São Paulo, que como todos sabem é um político com brilho e personalidade própria, que nunca manifestou qualquer “subserviência” para com seu “grande comandante”, o de BH e Eduardo Paes, de Rio, não podem manifestar uma opinião política tão manifestamente ultrajante.

Onde se viu tratar de “centro-direita” a aliança demo-tucana pro-Serra?

Políticos despojados até do rótulo de políticos, administradores que agem para serem bons administradores, defendendo os interesses de todos, acima dos partidos, serem etiquetados como… partidários e acima de “direita”? (centro ainda tudo bem, mas a etiqueta vem com “centro-direita”, aí é demais).

O curioso é que não é avançada nenhuma argumentação contra. Vejam o que Dora Kramer escreve:

“Marionete

Os prefeitos eleitos do Rio e Belo Horizonte andam precisando de um bom amigo que lhes informe a diferença entre a fidelidade e a subserviência desmedida.

Para se eleger, Eduardo Paes seguiu a cartilha do governador Sérgio Cabral; correu literalmente atrás de uma palavra amiga do presidente Lula, foi humilhado por Marisa Letícia, pegou na mão de quem antes jamais pegaria.

Depois de eleito, Márcio Lacerda já se fez duas vezes porta-voz de provocações ao governador de São Paulo, José Serra: comparou em tom pejorativo a tendência paulista de “centro-direita” à ação mineira de “centro esquerda” e acusou a existência de “apoio financeiro vindo de São Paulo” na campanha de seu adversário, Leonardo Quintão.

Compreende-se que ambos sejam gratos aos governadores de seus Estados, sem os quais nem sonhariam em chegar à frente das respectivas prefeituras.

Mas, considerando que provocações e bajulações são atos pessoais e intransferíveis, o prestador de serviços corre riscos. Um deles é perder o respeito do público; outro é contratar inutilmente inimigos para o dia de amanhã.”

Ainda bem, volto a repetir, que Kassab não corre esse risco. Ele até ganha mais respeito do público quando declara, como ontem, que “o clamor dos cidadãos pedia para Serra deixar a prefeitura” no meio do mandato e que o “grande comandante” fará o “trabalho de preenchimento de cargos será coordenado pelo governador Serra. Ele é o líder. Então caberá a ele indicar os candidatos às outras vagas, para governador, vice-governador, senador…Quando existe uma aliança, a aliança faz o papel dos diversos partidos.” (entrevista de Kassab ao Correio Braziliense).

Democracia nas decisões e manifestação clara de independência que não merecem qualquer porém da mídia, muito chocada com o rótulo estampado por Márcio Lacerda na testa do grande comandante de Kassab, o de “centro-direita”.

Luis Favre

03/11/2008 - 08:27h ”Campanha do meu adversário teve apoio forte vindo de São Paulo”

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Márcio Lacerda: prefeito eleito de Belo Horizonte;

segundo ele, ajuda financeira para Quintão veio de correntes que não queriam o sucesso de Aécio na eleição

 

 

Eduardo Kattah, BELO HORIZONTE – O Estado SP

O prefeito eleito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), afirma que a campanha de Leonardo Quintão (PMDB), seu adversário no segundo turno, recebeu forte apoio financeiro “vindo de São Paulo”. Em entrevista ao Estado, o prefeito disse que esse apoio veio de correntes “que não queriam o sucesso do governador (Aécio Neves)”, em alusão velada ao governador José Serra (PSDB).

Lacerda disse que seus padrinhos Aécio e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) trabalham por um projeto de centro-esquerda, em contraponto à aliança de centro-direita de PSDB e DEM, simbolizada pela eleição de Gilberto Kassab (DEM) em São Paulo. Aécio e Ciro, diz, não demonstram “aquela fome de ser presidente que Serra tem”.

Não ganhar no primeiro turno comprometeu a aliança que o elegeu?

A vitória no primeiro turno aconteceu por falhas da nossa estratégia, não por falhas de concepção da aliança. Mas no Sudeste eu tive a maior votação (no primeiro turno) entre os candidatos mais bem colocados. Dizer que houve vitórias do Serra e do Sérgio Cabral (governador do Rio), porque os seus candidatos foram para o segundo turno, e uma derrota porque eu não fui (eleito no primeiro turno), é forçar um pouco a barra. Não houve derrota da aliança.

Que influência a eleição de Belo Horizonte teve sobre 2010?

Ela sinalizou que é possível tendências social-democratas dentro do PT e dentro do PSDB se unirem. E se uniram num projeto eleitoral para uma cidade. Não significa que isso aconteceria em outras eleições. Pode acontecer. O mínimo que deveria acontecer é os social-democratas dos grandes partidos se unirem para ter um projeto para o País. Qualquer que seja o novo presidente, o ideal seria que ele tivesse uma ampla coalizão de forças de centro-esquerda o apoiando, tanto na eleição quanto no governo.

O sr. classificou a vitória de Gilberto Kassab em São Paulo como uma aliança de centro-direita…

E é.

Ela não ajudou a desgastar a aliança do governador Aécio e do prefeito Pimentel, de PSDB com PT?

Não estou dizendo que (a aliança) tenha essa importância toda. Estou dizendo que ela sinaliza algo novo na política nacional, pelo ineditismo. O papel do Kassab será municipal, embora a máquina de uma prefeitura como a de São Paulo – Belo Horizonte muito menos – seja importante no apoio para eleição de governador e presidente. Mas eu digo que é de centro-direita na medida em que reflete uma aliança que o PSDB de São Paulo já tinha com o PFL (atual DEM) há mais tempo. O governador (Aécio) falou isso para ele. Ele disse: “Já falei para o meu amigo Serra que se ele quiser ser presidente tem de criar uma ampla coalizão, um movimento de opinião.”

Como assim, um movimento de opinião?

Para que ele possa governar com a base social-política necessária capaz de gerar as transformações de que o País precisa. Ele precisa ganhar essa base ampla de opinião. Mostrar que é capaz de aglutinar. Ninguém pode ser candidato de si mesmo ou de um partido. Se você pensar bem, o Lula não foi eleito pelo PT. A votação dele foi o dobro da capacidade do PT de gerar votos. Acho que o centro do debate é este: que projeto o novo presidente terá para o País e qual a ampla coligação de forças e movimento de opinião que vai ajudá-lo a governar depois.

O sr. disse que a sua aliança enfrentou resistências vindas de fora, de São Paulo. De onde partiram essas resistências?

A cúpula do PT foi amplamente contrária, isso é conhecido. O PSDB nacional apoiou. Mas a gente tem notícias de que a campanha do meu adversário teve um apoio muito forte vindo de São Paulo.

Que tipo de apoio? Dado por quem?

Prefiro não dizer, porque eu tenho notícias de que o apoio financeiro vindo de São Paulo foi muito forte. Apoios ao candidato do PMDB e de correntes que não queriam o sucesso do governador (Aécio) nessa empreitada.

Qual a participação de Ciro na escolha do seu nome? Que tal a dobradinha Aécio-Ciro para 2010?

Ele participou da articulação aqui. Eu soube da participação dele nas articulações em outubro de 2007. Eu não vejo nem Ciro nem Aécio com aquela fome de ser presidente. Eles são até desapegados da idéia. Não têm aquela gana de ser presidente que parece que o governador José Serra tem. Eles querem um projeto para o País. Os dois querem um projeto de centro-esquerda.

02/09/2008 - 23:40h Sentença judicial: propaganda de Kassab proibida por “iludir eleitor” e a do Maluf por “trucagem”

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Coligação Uma Nova Atitude para São Paulo (PT-PCdoB- PDT- PSB- PRB-PTN)

Nota à Imprensa

TRE proíbe “o Presidente já tá junto”, de Kassab, e trucagem de Maluf

A veiculação de material publicitário “o Presidente já tá junto” do candidato da Coligação São Paulo No Rumo Certo está proibida, sob pena de pagamento de multa, conforme liminar assinada pelo juiz eleitoral, Marco Antonio Martin Vargas.

A sentença afirma que a publicidade de Kassab apresenta “evidente intenção de iludir e viciar a avaliação do eleitor, induzindo-o em erro”.

O juiz ainda determina que os representantes de Kassab abstenham-se de veicular novamente a propaganda sob análise, com a expressão ‘o Presidente já tá junto’, sob pena de incidir em multa de R$1000,00 (mil reais) para cada nova inserção”.

Trucagem

Em outra decisão da Justiça Eleitoral, o juiz Claudio Luiz Bueno de Godoy, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, deferiu liminar em representação impetrada pelos advogados da Coligação Uma Nova Atitude para São Paulo (PT-PCdoB-PDT-PSB-PRB-PTN), determinando que a campanha do candidato Paulo Maluf não veicule mais trucagem ou montagem que possa degradar candidato ou desvirtuar a realidade.

22/07/2008 - 18:41h NOTA DE REPÚDIO

Os partidos da coligação “Uma Nova Atitude para São Paulo” (PT-PCdoB-PDT-PSB-PRB-PTN) vêm a público manifestar seu mais profundo repúdio à decisão arbitrária, tendenciosa e leviana da Associação dos Magistrados Brasileiros de divulgar uma lista de candidatos que “respondem a ações penais de improbidade administrativa e eleitoral”, e que atinge, de forma injusta, a imagem de nossa candidata Marta Suplicy.

A lista, que transgride os preceitos mínimos da ética e do direito, faz referência a uma ação movida por oposicionistas contra a então prefeita, ainda sem julgamento em qualquer instância, e na qual Marta Suplicy já obteve uma liminar favorável do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Uma das regras sagradas do Direito é a de que ninguém pode ser considerado culpado antes de julgamento definitivo e de dispor de amplo direito de defesa. Surpreende que uma associação, cujos integrantes têm a responsabilidade de administrar a justiça, cometa um gesto que caracteriza pré-julgamento ou rito simbólico de execução sumária.

Vale ressaltar que a candidatura de Marta Suplicy teve seu registro aprovado pela Justiça Eleitoral, sem sofrer pedido de impugnação do Ministério Público ou dos seus adversários, o que demonstra que a candidata não tem nenhum tipo de problema com a Justiça.

Não por acaso, minutos após a sua divulgação, a tal lista já recebia a contundente reprovação de um grande número de juristas e de membros da Justiça, entre eles o presidente do Supremo Tribunal Federal.

A Coligação Uma Nova Atitude por São Paulo estuda as medidas judiciais que tomará contra os responsáveis pelos danos causados à imagem pública de nossa candidata e pede uma reflexão à sociedade sobre as motivações políticas deste gesto da AMB.

29/06/2008 - 21:15h PT confirma candidatura de Marta em SP e evoca Lula

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Partido usará popularidade do presidente na campanha.
Marta Suplicy terá como candidato a vice o deputado Aldo Rebelo

Roney Domingos Do G1, em São Paulo

O Partido dos Trabalhadores oficializou durante convenção realizada neste domingo (29) a candidatura da ex-ministra do Turismo Marta Suplicy na disputa pela Prefeitura de São Paulo. A legenda deixou claro que usará a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha eleitoral.

Lula está em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, neste domingo, onde participará de evento na montadora Volkswagen, e não compareceu à convenção petista na capital.

Marta Suplicy terá como vice o deputado federal Aldo Rebelo (PC do B). A coligação “Uma nova atitude para São Paulo” terá seis partidos: PT, PC do B, PSB, PDT, PTN e PRB. Neste domingo, convenções do PC do B e do PRB confirmaram apoio a Marta.

A convenção do PT, realizada no Expo Barra Funda, registrou a presença de cerca de 2 mil pessoas, de acordo com funcionários do centro de convenções. O local foi enfeitado com balões vermelhos e decorado por banners que serão utilizados na campanha. Uma câmera de TV suspensa por uma grua registrou imagens do evento e do palco fortemente iluminado.

Um dos materiais de campanha tem a seguinte frase: “Marta e Lula. São Paulo com nova atitude”. O jingle com o bordão “Deixa ela trabalhar” tem a letra e música parecido com o utilizado pela campanha de Lula à reeleição em 2006, baseado no refrão “Deixa o Homem Trabalhar.”


Apoio externo

Marta citou o presidente Lula seis vezes em seu discurso de mais de quatro mil palavras. “São Paulo vai mudar porque estamos fortemente unidos. E São Paulo vai mudar da mesma forma que o presidente Lula está mudando o país”, afirmou. Lula e outras lideranças dos partidos do bloquinho participarão da campanha em São Paulo, descrita na convenção como prévia de 2010 entre os partidos “de esquerda” e os partidos de “de direita”.

“Se quiserem derrubar a Marta, terão de passar por cima do presidente Lula”, disse o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia. “O segundo governo Lula foi muito melhor do que o primeiro. O segundo governo da Marta vai ser muito melhor que o primeiro”, pregou o senador Aloizio Mercadante (PT-SP).

Dirigente do PSB, o deputado federal Márcio França citou que o bloco de esquerda, o chamado “bloquinho”, decidiu apoiar Marta porque viu chances reais de chegar ao segundo turno e por conta de um apelo pessoal do presidente.

“Tivemos um momento importante de Lula que pediu em nome do governo e em nome dele para que ele [Lula] pudesse estar aqui e pudesse fazer campanha. Também foi importante que o outro lado [PSDB e DEM] tem brigado bastante e a gente quis oferecer um exemplo didático de união”, afirmou França. O presidente Lula havia dito que não faria campanha onde houvesse mais de um candidato da base aliada.

França afirmou que o deputado federal Ciro Gomes e os governadores Eduardo Campos, de Pernambuco, e Cid Gomes, do Ceará, todos do PSB, devem atuar na campanha de Marta. Ele também garantiu que a ex-prefeita Luiza Erundina deverá subir no palanque da petista. Erundina chegou a ser convidada para ser vice de Marta. “Luiza Erundina vai estar na campanha”, afirmou.

O candidato a vice, Aldo Rebelo, destacou que a aliança em torno de Marta é a mesma que sustenta o governo federal. “O leque em torno da Marta é o mesmo leque que sustenta o governo Lula. Quando decidimos unir as nossas forças, isso deve ser registrado como triunfo da política, o único espaço de disputa com as forças que não permitem a inclusão social.”

O presidente do diretório municipal do PT, José Américo, afirmou que a aliança entre os partidos “unificou o movimento sindical na cidade de São Paulo pela primeira vez” e lembrou o presidente: “O Lula lidera uma revolução e precisa de São Paulo na sintonia do presidente.”

Até o PTN, partido que cultua a imagem do ex-presidente Jânio Quadros, lembrou a necessidade de ver Lula na campanha. “Jânio Qudros não se submeteu ao Fundo Monetário Internacional. Lula também não. Ele não privatizou. Pagou a dívida com nosso esforço”, afirmou o presidente do partido, José de Abreu.

O PT apresentou neste domingo um esboço do programa de governo. Marta afirmou que os partidos aliados serão chamados a colaborar com “um macroprograma” ambicioso que vai levar em consideração três pontos: ampliar a inclusão social, sustentar o processo de ascenção da nova classe média e consolidação da classe média já existente.

28/06/2008 - 10:44h Jornalismo: Marta consolida apoio eleitoral

Cesar Ogata
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Paulo Liebert/AE
Marta com Aldo: “De um lado, as forças de esquerda, com projeto de inclusão. De outro, demos e tucanos, com o projeto da enrolação”

Durante lançamento da coligação do bloco de “esquerda” em São Paulo, petista cita empenho de Lula na formação da aliança e critica PSDB e DEM. Paulinho da Força diz que sindicatos irão trabalhar na campanha

Alessandra Pereira – Correio Braziliense

São Paulo — Afinados no discurso de que a chapa representa a união das forças de esquerda em torno da retomada da principal capital do país, a pré-candidata do PT à prefeitura paulistana, Marta Suplicy, e seu candidato a vice, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB), apresentaram ontem a coligação batizada de Uma Nova Atitude por São Paulo. Na prática, Marta consolidou o apoio dos maiores partidos do bloquinho (PSB, PDT e PCdoB) aos petistas, depois de uma longa negociação que precisou de intervenções diretas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para chegar a bom termo.

Em ato de lançamento com as presenças do presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, e do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, foi esse o enfoque de consenso. A de que a formação da chapa une as “forças populares” em uma campanha que, na avaliação de Marta Suplicy, será, mais uma vez, polarizada entre dois grupos políticos e projetos distintos.

“São Paulo vai ser palco de uma disputa entre dois projetos. De um lado, as forças de esquerda, com um projeto de inclusão social. De outro, demos e tucanos, com o projeto da enrolação social”, disse a ex-prefeita e ex-ministra do Turismo, em referência às candidaturas do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do atual prefeito da cidade, Gilberto Kassab (DEM), que tenta a reeleição. Com a coligação, a chapa terá cerca de 7,5 minutos de tempo no horário eleitoral gratuito de rádio e televisão.

Marta se disse alegre em poder ter como vice alguém “do porte de Aldo Rebelo”. “Sinto que temos uma dupla afinada, com uma competência bastante complementar”, disse. Questionada sobre a participação de Lula nas negociações, a ex-prefeita, que governou São Paulo entre 2001 e 2004 e perdeu a reeleição para o atual governador do estado, José Serra (PSDB), comentou: “O presidente fazia muito gosto no apoio das esquerdas aqui em São Paulo para o seu partido (PT). Isso eu sei porque foi comentado a mim. O Aldo pode dizer qual foi o peso desse pleito presidencial”.

Segundo o deputado, “houve um empenho grande do presidente Lula” e das lideranças de todos os partidos para que o bloco se unisse ao PT na formação de uma grande chapa de esquerda em São Paulo. Tanto Marta quanto Rebelo foram reticentes quanto à possibilidade de a aliança paulistana se prolongar até as eleições de 2010. “Há expectativa de que seja estratégica”, afirmou o deputado, lembrando que PT e PCdoB estão juntos desde 1988.

Esquema
Marta Suplicy e Aldo Rebelo também negaram constrangimento em relação à presença no ato e ao apoio de Paulo Pereira da Silva, acusado de envolvimento em um esquema de desvio de verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Paulinho abdicou de seus sigilos telefônico, bancário e fiscal e está sendo investigado pelo Conselho de Ética da Câmara e pelo Supremo Tribunal Federal (STF)”, defendeu Rebelo. Marta afirmou não ver problema algum: “Ninguém pode ser julgado antes da hora”.

No ato de ontem, Paulinho foi cumprimentado com abraços por Marta e Rebelo. O deputado, que deixou a presidência do PDT em razão das acusações, mas ainda comanda a Força Sindical, disse que os 52 sindicatos ligados à central irão trabalhar firme por Marta. “Os trabalhadores vão buscar voto por voto nas ruas”, disse.

Segundo Marta, é a primeira vez, em muitos anos, que as centrais
sindicais estão juntas em uma candidatura para a prefeitura de São Paulo. “Isso é motivo de entusiasmo, porque temos todos os sindicatos, temos uma militância com garra, querendo ir para as ruas, temos uma coligação forte e o apoio do presidente Lula”, computou. Lula já confirmou que irá prestigiar a campanha de Marta sempre que possível.

Mais do que a da cúpula do PSB, representado pelo presidente do diretório municipal, o vereador paulistano, Eliseu Gabriel, a maior ausência sentida foi a da deputada federal Luiza Erundina, que chegou a ser cogitada para a vaga de vice de Marta. Representantes dos partidos do bloquinho acreditam que a candidatura teria ainda mais força com Erundina como vice, porque ela já foi prefeita e aparecia com 8% das intenções de voto para prefeita, contra apenas 1% de Rebelo.

Segundo representantes do PSB, Erundina terá participação ativa na campanha e é nome importante também para ocupar posição de destaque em um eventual novo governo de Marta Suplicy na capital paulista. Hoje e amanhã, os partidos do bloquinho e o PT fazem as convenções partidárias para homologar as candidaturas.


Alckmin nas ruas

No mesmo dia em que os adversários desfilaram a tiracolo com cabos eleitorais de peso, o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, o ex-governador Geraldo Alckmin, enfrentou, solitário, o eleitorado. Desacompanhado até de fiéis deputados tucanos, Alckmin fez uma visita breve a uma feira de lojistas de shoppings na Zona Norte da cidade.

O tucano minimizou a maratona de inaugurações às vésperas do início da eleição — promovida pelo prefeito e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM) — e seu impacto nas urnas dizendo que ela não é uma ameaça. “Para mim, está bastante claro que a disputa mais difícil é com o PT”, afirmou.

Mas, mesmo em relação à adversária petista, a ex-ministra Marta Suplicy, o ex-governador adotou um discurso otimista. “Está bom. Estamos num empate técnico com a candidata do PT e, na simulação de segundo turno, temos 9, 10 pontos, uma boa margem de frente”, disse ao citar pesquisas recentes.

Alckmin, rodeado por assessores tucanos e organizadores da feira, percorreu por cerca de uma hora estandes de expositores, distribuiu beijos e apertos de mão e tirou fotos. Já Kassab, pela segunda vez nesta semana, esteve ao lado do governador José Serra (PSDB). Ambos entregaram um viaduto na Zona Leste da cidade. “É natural que todos os candidatos procurem se expor, buscar votos. Isso faz parte do processo democrático”, disse Alckmin.

20/06/2008 - 09:24h PDT, PCdoB e PSB apoiam Marta e sugerem Aldo Rebelo como vice

Aldo Rebelo recua e aceita ser vice de Marta Suplicy

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Valor Econômico

aldo.jpgBRASÍLIA – O PT contrariou o apelo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e decidiu manter o veto à coligação formal do partido com o PSDB na eleição para prefeito de Belo Horizonte. Antes da reunião Comissão Executiva Nacional (CEN) petista, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB), que recebera o mesmo apelo de Lula, autorizou os partidos que integram o chamado ” bloquinho ” a apresentar seu nome para compor a chapa da candidatura de Marta Suplicy a prefeita de São Paulo, na condição de vice.

Segundo Aldo, sua decisão deveria ser entendida como um ” gesto de boa vontade ” em relação ao entendimento da esquerda, conforme pedira Lula numa reunião, na véspera, com os presidentes do PT, PSB, PCdoB e PDT. Aldo então contava, embora sem muito otimismo, que seu gesto provocasse alguma ” reciprocidade ” do PT. Referia-se à retirada do veto à aliança entre PSB, PT e PSDB em Belo Horizonte. O PCdoB já dera por perdida a possibilidade de obter o apoio do PT no Rio de Janeiro.

À noite, Aldo preferiu não comentar a decisão. O deputado, que é ex-ministro de Lula e ex-presidente da Câmara, quer antes conversar com os partidos que integram o ” bloquinho ” , que defendem sua indicação para a chapa de Marta a prefeito. Aldo defendeu o lançamento de candidaturas próprias do bloco nos grandes colégios eleitorais, mas os partidos que integram o bloco, em São Paulo, pensavam de maneira diferente e a divisão entre eles era dada como certa. O PDT, por exemplo, iria com Marta de qualquer maneira.

Ainda assim, Aldo comemorou o fato de os três partidos tomarem a decisão de apresentá-lo como vice. ” O símbolo de São Paulo pesa muito ” , disse. Além da suposta unidade do bloco em São Paulo, Aldo disse que a decisão foi tomada sob condições, como a discussão de uma plataforma de governo com a candidata Marta Suplicy. A decisão do ” bloquinho ” foi aplaudida ao ser anunciada na reunião da executiva petista.

Hoje, as siglas do bloco se reúnem com a direção municipal do PT para debater os pontos que foram apresentados aos petistas como condição de apoio a Marta. São eles: a indicação de Aldo na vice; a formação de um conselho político de campanha constituído por lideranças de todos os partidos e que tenha poder para definir tanto rumos da campanha eleitoral quanto aspectos do programa de governo; e a participação no governo, em caso de vitória na eleição. Ao PCdoB interessa, por exemplo, a área de esportes, assim como ao PDT a área trabalhista.

A coligação na chapa para vereadores ainda não é consenso. O PDT já firmou posicionamento de que não tem interesse em que a aliança seja ampliada também para a chapa de vereadores. Já o PRB tem esse interesse. Os outros dois partidos ainda não firmaram entendimento sobre o assunto. A avaliação é de que a ausência de uma candidatura a prefeito faz com que diminuam os votos de legenda, que costumam ajudar a eleger bancada para a Câmara Municipal. Além disso, uma chapa própria garante a linha de sucessão, na eventualidade de algum vereador desejar se candidatar em 2010 para a Assembléia Legislativa ou a Câmara dos Deputados.

Em reunião anteontem, o PT demonstrou abertura para discutir os pontos. A expectativa é de que já no início da próxima semana seja oficializada a chapa e as questões que demandem mais tempo, como a formação do conselho político, sejam negociadas após a formalização da candidatura. Há também um limite temporal para que isso ocorra: as chapas devem estar constituídas até o fim do mês, uma vez que a campanha se inicia no dia 6 de julho. As convenções desses partidos estão marcadas para o próximo fim de semana.

Fora de São Paulo, o maior problema para a direção do PT continua sendo Minas, pois Lula fizera um apelo ao partido para que não fossem criados problemas para a aliança com o PSDB. Dois recursos à CEN ajudaram a cúpula petista a resolver o problema rapidamente. Um pedia a intervenção prévia no diretório municipal de Belo Horizonte; outro, que o veto à aliança com os tucanos fosse reconsiderado. Por 13 votos, a Executiva decidiu rejeitar os dois recursos. Houve um voto pela intervenção e outro pela reconsideração.

A decisão já era esperada pelos petistas ligados ao prefeito Fernando Pimentel, de Belo Horizonte, que a classificam de ” bolchevismo tardio ” e não têm a menor intenção de cumprir a determinação. A convenção para referendar a aliança com o candidato Márcio Lacerda (PSB) está confirmada para o próximo dia 21. Falta acertar como se dará a participação do PSDB do governador Aécio Neves. Para contar com o tempo de TV dos tucanos, PSB e PT precisam se coligar formalmente com o PSDB.

Para os aliados de Pimentel a decisão do PT tem contornos de ” revanchismo ” , algo pessoal contra o prefeito de Belo Horizonte, que defendia a ” despaulistização ” do PT. Avaliam que dá para fazer a campanha e ganhar a eleição sem o aval da cúpula ” bolchevique ” e que, em dezembro, o que importará é que no final do ano Fernando Pimentel e Aécio Neves terão eleito o prefeito da capital de Minas Gerais e que nada restará ao PT fazer.

A decisão da cúpula petista serve para agastar ainda mais a relação do PT com seus aliados à esquerda, mas demonstra que nenhum deles ainda conseguiu reunir força suficiente para avançar sobre uma porção significativa do espaço petista. Os partidos registraram também que, a exemplo do que ocorreu em outras ocasiões, como a eleição para a presidência da Câmara vencida pelo deputado Arlindo Chinaglia, o PT fez o que quis apesar das manifestações em contrário do presidente Lula.

(Raymundo Costa e Caio Junqueira | Valor Econômico)

05/06/2008 - 14:33h Grupo de Serra reúne assinaturas para deter Alckmin

Nos subterrâneos, PSDB vive sua mais grave crise em SP

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Blog de Josias

O PSDB de São Paulo marcou para 22 de junho sua convenção. Informou-se que o encontro cumpriria a formalidade de homologar a candidatura de Geraldo Alckmin.

Não é bem assim. Sem alarde, o grupo do governador José Serra recolhe assinaturas para levar à convenção tucana um projeto alternativo à candidatura municipal própria.

Trama-se aprovar uma coligação tardia do PSDB com o DEM do prefeito Gilberto Kassab, candidato à reeleição. Ao tucanato caberia a indicação do vice.

Há três dias, reunido com a cúpula nacional do DEM, em seu apartamento, Kassab informou que o abaixo-assinado tucano pró-coligação já reúne 570 jamegões.

A ser verdade, faltariam algo como 30 assinaturas para alcançar a maioria na convenção do PSDB, composta de 1.200 delegados. Um desastre para Alckmin.

Kassab mantém-se informado acerca da coleta de assinaturas por meio de um interlocutor bem-posto: o tucano Aloísio Nunes Ferreira.

Aloísio é secretário de Governo da gestão Serra. Mantém com o governador um relacionamento do tipo unha e cutícula.

Animado, Kassab reuniu-se com Orestes Quércia, presidente do PMDB paulista. Na presença do dirigente ‘demo’ Jorge Bornhausen, combinaram o seguinte:

Na convenção do DEM, marcada para 14 de junho, oito dias antes da reunião do PSDB, só o nome de Kassab será ratificado. A vaga do vice ficará reservada para um tucano.

A combinação com Quércia foi necessária porque Kassab lhe havia prometido a primazia na indicação do vice, caso o plano de desbancar Alckmin fizesse água.

Sentindo o cheiro de queimado, o presidente do diretório paulistano do PSDB, José Henrique Reis Lobo, pôs-se a enviar, há dois dias, carta aos convencionais tucanos.

Aos que ainda não rubricaram a lista urdida no Palácio dos Bandeirantes, o tucano Lobo pede que se esquivem de assinar.

Aos correligionários que já apuseram seus jamegões na lista, Lobo roga para que mandem apagar os rabiscos.

Oficialmente, Serra e Aloísio Nunes negam que a articulação anti-Alckmin traga as suas digitais. Lorota, a julgar pelo que diz Kassab entre quatro paredes.

A simples existência do abaixo-assinado intoxicou de vez as relações dos grupos de Alckmin e Serra. Abriu-se no PSDB paulista crise de desdobramentos imprevisíveis.

No limite, a encrenca pode desaguar na Executiva nacional do partido. Se a lista pró-Kassab vier a prevalecer na convenção tucano do dia 22, o grupo de Alckmin vai agir.

Para assegurar a candidatura de Alckmin, cogita-se requisitar uma intervenção de Brasília no diretório de São Paulo. Algo que, por ora, o senador Sérgio Guerra prefere nem cogitar.

“A direção nacional apóia o encaminhamento que vem sendo dado pelo Lobo, nosso presidente no município de São Paulo”, diz Sérgio Guerra, dirigente máximo do PSDB.

“Nosso candidato será o Geraldo [Alckmin]. A convenção vai sacramentar o nome dele. É com essa perspectiva que estamos trabalhando”, acrescenta o presidente nacional tucano.

Integrantes do grupo de Alckmin dizem que a ala de Serra blefa ao dizer que dispõe de 570 assinaturas. As adesões à composição com Kassab não passariam de 400.

Tenha 570 ou 400 rubricas, a lista que corre os subterrâneos do PSDB expõe um flagelo cada vez mais associado ao tucanato: a divisão interna.

Escrito por Josias de Souza

04/06/2008 - 09:31h O cala boca do Lobo aos tucanos serristas

ELEIÇÕES 2008 / SÃO PAULO

Presidente do PSDB-SP pede fim de disputa

Tucanos reúnem nomes em lista para levar proposta de aliança com Kassab à convenção; José Henrique Lobo ameaça deixar cargo

Lobo diz não querer presidir metade do partido; Alckmin esteve com pré-candidatos a vereador para discutir aliança tucana com o PTB

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FERNANDO BARROS DE MELLO – FOLHA SP

CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL

O presidente do PSDB municipal, José Henrique Reis Lobo, enviou ontem um e-mail pedindo para que delegados do partido não assinem a proposta de manutenção da aliança com o DEM, tendo o prefeito Gilberto Kassab na cabeça de chapa e o PSDB na vaga de vice.
A Folha publicou no último domingo que kassabistas têm assinaturas suficientes de delegados votantes para levar a proposta da aliança à convenção do partido, no dia 22.
“O que eu quero é pedir-lhe para não assinar nenhuma lista de apoio a que se leve à convenção qualquer proposta que não seja a da candidatura de Geraldo Alckmin à prefeito”, escreveu Lobo ontem.
“Se, por qualquer razão, você já assinou, nada impede que reconsidere a sua decisão, simplesmente transmitindo isso a quem o procurou, ou, se isso lhe trouxer algum constrangimento, mandando à Executiva uma carta solicitando que ela, como instância adequada, retire o seu nome da lista de apoiadores da proposta.”
Segundo o presidente municipal, o “PSDB corre o risco de sair ferido mortalmente”. Lobo esteve na noite de anteontem com vereadores e admitiu até mesmo deixar a presidência.
“É uma hipótese, que acho que não vai ser preciso acontecer. Mas eu não gostaria de ser presidente de metade de um partido”, afirmou.
Classificando-se de um “homem de paz”, Lobo escreveu ser amigo daqueles que defendem a tese contrária.
Dos 12 vereadores tucanos, 11 defendem a manutenção da aliança com Kassab, preservando Alckmin para ser o candidato tucano ao governo do Estado, em 2010.
“Quem tem assinado pela tese da aliança está fazendo por livre vontade e por opção política”, disse Gilberto Natalini, líder da bancada.
“Não acredito que o apelo do presidente Lobo terá qualquer resultado sobre a consciência daqueles que assinaram. As circunstâncias marcham para uma disputa democrática na convenção”, completa.

Proporcionalidade
Ontem pela manhã, Alckmin se reuniu com aliados que são pré-candidatos a vereador. Eles discutiram as possíveis dificuldades de uma coligação proporcional com o PTB, que poderia retirar cadeiras do PSDB na Câmara. A Folha apurou que no encontro Alckmin alegou que a aliança pode ser boa para os tucanos e que o próprio PTB pode rever a idéia de coligação proporcional.
O vereador Farhat, líder do PTB, no entanto, rebateu: “Para nós, casamento tem que ser no civil e no religioso”.

02/06/2008 - 11:34h Petistas articulam frente contra Dilma

Katia Lombardi/Valor
Fernando Pimentel: ao conseguir apoio tácito de Lula, reverteu derrota política no Diretório Nacional do partido, que vetaria aliança em Belo Horizonte

Raymundo Costa – VALOR

http://diariodonordeste.globo.com/imagem.asp?Imagem=271394A ofensiva desencadeada pelo ministro Tarso Genro (Justiça) para a construção de um novo campo hegemônico no PT tem objetivo determinado: impedir a consolidação e que se torne irreversível a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ao Palácio do Planalto, com o patrocínio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O veto da Executiva Nacional petista à aliança com o PSDB, na eleição para a prefeitura de Belo Horizonte (MG), é reflexo dessa disputa, na qual está em jogo quem vai conduzir o processo de sucessão de Lula.

Boa parte da cúpula petista julga que o partido deve ter autonomia na escolha do candidato. Mas o presidente não pretende perder o controle do processo e demonstrou força ao levar a direção do PT a ser menos rigorosa em relação à disputa pela prefeitura da capital de Minas Gerais do que na decisão que adotara semana antes.http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/aa/Dilma_Rousseff.jpeg/429px-Dilma_Rousseff.jpeg

Na ocasião, o PT foi taxativo e decidiu “comunicar” a seção mineira que não autorizaria, “em nenhuma hipótese, o PT a participar de qualquer coligação da qual faça parte o PSDB naquela capital”. O tom foi outro na resolução aprovada na última sexta-feira, e em vez de “nenhuma hipótese” o PT resolveu “recomendar” aos mineiros uma nova discussão “afastando a possibilidade de coligação com PSDB e PPS”.

A questão mineira está longe de ser resolvida, mas na segunda-feira passada o Diretório Nacional era majoritariamente favorável ao veto radical da Executiva ao lançamento da candidatura de Márcio Lacerda (PSB) a prefeito de Belo Horizonte numa aliança com o PT – que indicará o candidato a vice – e o PSDB do governador Aécio Neves.

O que aconteceu entre a reunião da Executiva e o encontro Diretório foi a entrada em cena de Lula. E antes disso, uma entrevista do ministro Tarso Genro (Justiça) ao jornal “Zero Hora”, de Porto Alegre, que deu contornos bem delineados ao que antes não passava de um rumor entre os petistas: mais que insatisfação, havia uma reação articulada entre os potenciais presidenciáveis petistas aos privilégios de Lula à eventual candidatura Dilma.

Aliados de Lula acreditam que até então o presidente não havia se dado conta da extensão da ofensiva do gaúcho. Tarso nominou inclusive alguns dos petistas – cerca de 10 – que estariam empenhados na construção desse novo campo hegemônico. Entre eles dois ministros, Luiz Dulci (Secretaria Geral) e Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), e o assessor para Assuntos Internacionais do Palácio do Planalto, Marco Aurélio Garcia.

L'image “http://www.videversus.com.br/fotos/6979/6979_jaques_wagner.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.Entre os governadores, o ministro citou Jaques Wagner, da Bahia. Também não descartou a hipótese dele próprio vir a ser candidato. Sobre Dilma, foi bem claro que, entre as hipóteses possíveis, ela era “uma das”. O manifesto gaúcho levou vários setores do PT a acreditar que estava em formação uma “frente anti-Dilma”. O Valor apurou, no entanto, que há nuances e posições diversas entre os petistas citados.

O discurso de Genro encerra no partido autonomia para decidir sobre a candidatura. Mas Marco Aurélio Garcia, por exemplo, apenas teria dúvidas sobre a oportunidade da escolha – seria ainda cedo – e os métodos de gestão de Dilma Rousseff, mas nenhuma oposição a entrega do comando da sucessão a Lula.

Responsável pelo programa-símbolo do governo Lula, o Bolsa Família, o ministro Patrus Ananias diz que sim, tem debatido questões partidárias, inclusive é parte diretamente interessada na questão de Belo Horizonte, onde preferia uma aliança do PT com o PMDB. Mas definitivamente acha que não é hora de se falar em 2010. Patrus é um dos nomes citados no PT para a sucessão de Lula, para o governo de Minas Gerais, e seu ministério tem boa interação com o de Dilma.

Nesse contexto, Lula decidiu ir a Belo Horizonte no início da semana passada, onde tirou fotos com Lacerda ao lado do governador Aécio Neves e do prefeito Fernando Pimentel, os dois principais articuladores da candidatura. Nesse meio tempo, encontrou com a deputada Maria do Carmo e cobrou “a onda” que o PT estava fazendo. O deputado Ricardo Berzoini, presidente do PT, nega, mas tanto Aécio como Pimentel confirmam que Lula telefonou para o deputado a fim de dizer que apoiava a aliança.

A posição de Lula teve adesões previsíveis, como a de seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, e dos ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e Luiz Marinho (Previdência e Assistência Social; mas também algumas inesperadas para os conhecedores dos meandros da política petista. O exemplo mais ilustrativo é o de Marta Suplicy, ministra do Turismo, e assim como Dilma, Genro, Patrus e Jaques uma das opções consideradas no PT.

Se vencer a eleição para prefeito de São Paulo, Marta Suplicy em dois anos pode se candidatar ao governo do Estado ou até mesmo à Presidência da República, segundo avaliação feita no PT. No embate mineiro, Marta teve como aliado o ex-ministro Antonio Palocci, também citado como opção, na hipótese de conseguir se livrar das ações judiciais em que está envolvido até agora. Marta quer o apoio de Lula na eleição de São Paulo, mas o presidente está inclinado a não participar das eleições onde houver mais de um candidato aliado na disputa, caso de São Paulo.

Na véspera da reunião do Diretório Nacional do PT, no dia 30, o embate sobre o candidato e a condução do processo sucessório presidencial ficou m ais claro aos petistas no decorrer do dia. À noite, Pimentel, que estava em Brasília mas no dia seguinte não participaria da reunião do DN, chegou a dizer em alto e bom som, como se estivesse arrebatado: “Eu prefiro perder com o Lula a ganhar contra ele”. Quatro dias antes, o prefeito achava que seria derrotado no DN.

Um grupo de deputados teve ação decisiva na negociação de uma solução em que parecesse que nenhum dos lados perdeu, especialmente José Genoino (SP), Andre Vargas (PR), João Paulo Cunha (SP) e Maurício Rands (PE). A idéia era recuperar um pouco a força da Executiva, que parecia prestes a uma derrota após a entrada de Lula, e reduzir “um pouco o ímpeto do Pimentel”, segundo esse grupo. Mas a avaliação que fica é que a atual Executiva do PT tem pouca condição de enfrentamento. Depois de rosnar, fincou mansa. Resta esperar a solução para Belo Horizonte, onde o próximo passo é do PSB e será de ratificação da aliança com os tucanos.

01/06/2008 - 12:46h PSDB: Serristas preparam golpe contra Alckmin

Kassabistas têm 382 nomes contra Alckmin

Folha tem acesso a lista de assinaturas de delegados tucanos, com direito a voto na convenção, contrários à candidatura do PSDB

Conforme regimento do partido, tucanos aliados do prefeito da capital paulista já teriam adesão necessária contra o ex-governador

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FERNANDO BARROS DE MELLO e JOSÉ ALBERTO BOMBIG – Folha SP

DA REPORTAGEM LOCAL

A três semanas da convenção que irá decidir os rumos do PSDB na eleição paulistana, tucanos defensores do apoio ao prefeito Gilberto Kassab (DEM) trabalham em busca de adesões para se contrapor ao nome do ex-governador Geraldo Alckmin, até agora único pré-candidato do partido.
A Folha teve acesso a uma lista com ao menos 382 assinaturas de delegados tucanos, com direito a voto na convenção. Isso significa que o grupo pró-Kassab já teria o número necessário de adesões, conforme o regimento, para se contrapor a Alckmin, apresentando na cédula a proposta de aliança com Kassab na cabeça de chapa e um tucano na vice.
De acordo com o PSDB, 1.228 delegados estão aptos a votar no dia 22 deste mês. Todas as assinaturas obtidas pelo grupo pró-Kassab são válidas, dizem os coletores. Conforme o artigo 16 da resolução 1/2008 do PSDB, que regula as eleições deste ano, as propostas de coligação podem ser apresentadas por 30% dos convencionais e dependerão da aprovação da maioria de votos na convenção.
Os aliados de Alckmin afirmam reservadamente que nem todas as assinaturas devem se converter em votos, já que o pleito na convenção é secreto.
Os alckmistas dizem ainda que, no limite, as executivas municipal e nacional poderão referendar a candidatura própria na maior cidade do país.
Outra acusação é a de que os tucanos contrários a Alckmin estão usando o espaço do PSDB na atual gestão de São Paulo, já que Kassab era vice de José Serra (PSDB) até 2006, para pressionar os delegados. Argumento semelhante, no entanto, é usado pelos adversários dos alckmistas. Segundo eles, há pressões que vão de ameaças telefônicas a promessas de retaliações, se Alckmin for eleito.
Até o grupo kassabista, que se define como “aliancista”, faz questão de ressaltar que as assinaturas não significam que a idéia será levada até o fim.
Ontem, o ex-governador minimizou o caso. “Na executiva municipal a proposta de candidatura próprio foi unanimidade. Não tenho preocupação. Após o dia 22, estaremos todos juntos”, afirmou Alckmin.
Anteontem, alckmistas distribuíram uma carta insinuando que foram coagidos a assinar a petição de adesão à aliança com o DEM. Outro militante escreveu um e-mail comparando a atitude à ditadura militar.

14/05/2008 - 13:04h Após convidar Paulo Maluf para inaugurar Ponte da Marta, Kassab procura palanque com PP de Maluf

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Kassab agora tenta atrair PP de Maluf para sua coligação

Se conseguir, prefeito terá metade do tempo de TV destinado aos candidatos

Já aliado ao democrata, o PV deverá ficar com mais uma subprefeitura; o acordo inclui ainda apoio material a candidatos do PV a vereador

Leia na Folha de São Paulo. Aqui, a manchete é suficiente

12/05/2008 - 11:39h ELEIÇÕES 2010: O jogo duplo eleitoral do PMDB

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Nas capitais, o partido se divide entre acordos com legendas da base de apoio a Lula e da oposição. Com isso, mantém as portas abertas para qualquer composição nas eleições presidenciais de 2010

Gustavo Krieger – Correio Braziliense

Da equipe do Correio

Na semana passada, o presidente do PMDB, Michel Temer, encomendou à sua assessoria um estudo sobre as alianças do partido em todas as capitais brasileiras. Buscava mostrar que os peemedebistas continuam a ser parceiros do PT e do governo Lula, apesar do impacto provocado pela adesão da seção paulistana do partido à campanha de reeleição do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM). Na verdade, o mapa das coalizões deixa claro que o PMDB continua a seguir sua política de sempre. Distribui suas forças entre vários palanques e garante a condição de aliado privilegiado de qualquer um que deseja conquistar o poder.

O governo Lula é o “plano A” do partido, ao menos por enquanto. A escolha faz sentido. Os peemedebistas ocupam cinco ministérios e conquistaram cargos estratégicos de segundo escalão e na direção das maiores empresas estatais. Além disso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua a ter altos índices de popularidade, que fazem dele um importante eleitor nas campanhas municipais deste ano. Ao PMDB interessa disputar as eleições com o rótulo de partido governista.

Esse quadro fez com que o PMDB entrasse com boa vontade nas negociações com o PT em diversas capitais. A legenda deve apoiar candidatos petistas às prefeituras de Vitória, Teresina, Fortaleza, Natal, Porto Velho, Maceió e Belém. Pode ainda fechar com os petistas em Curitiba e no Rio de Janeiro. Na contramão, a única capital na qual os petistas apóiam um nome do PMDB é Goiânia. E lá, a adesão à reeleição do prefeito Iris Rezende rendeu confusão. Foi aprovada por uma estreita margem no diretório regional e os derrotados apresentaram recurso à direção nacional do PT.

“Nas eleições de 2004, PT e PMDB foram aliados em 1.260 cidades”, recita Temer, depois de um cuidadoso estudo. “Este ano, o número vai aumentar”, prevê. Tudo bem, mas os números escondem uma relação complicada entre as duas legendas. Os conflitos são mais comuns que os acordos. São Paulo é o caso mais sintomático. O ex-governador Orestes Quércia negociou o apoio a Kassab diretamente com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), principal adversário do PT e do governo Lula. Quércia já anunciou o apoio à candidatura presidencial de Serra em 2010.

Os dois partidos vão se enfrentar nas urnas em outras capitais importantes. Há antigas desavenças, como em Recife, onde o PMDB é controlado pelo senador Jarbas Vasconcelos, um dos poucos parlamentares da legenda que não aderiu ao governo Lula. E há problemas novos, como Salvador. Em 2006, o PMDB baiano apoiou a candidatura do petista Jaques Wagner ao governo. O acordo rendeu ao deputado Geddel Vieira Lima o convite para o ministério da Integração Nacional, mas não resistiu à campanha municipal. O PT deveria ter apoiado a reeleição do prefeito João Henrique (PMDB). Como ele enfrenta dificuldades e está com a popularidade em baixa, os petistas desembarcaram e vão lançar candidato próprio.

Temer minimiza as diferenças. “Conversei com o presidente Lula sobre o caso de São Paulo e de outras capitais. Ele entendeu que são questões locais. Embora nossos partidos sejam nacionais, sua vocação é regional.”

Planalto
A situação é mais complicada e Lula está preocupado em perder o PMDB. As relações entre o partido e o PT são tradicionalmente tensas porque eles disputam o poder em boa parte dos estados. Desde que foi reeleito, Lula atua como uma espécie de árbitro. Para assegurar a fidelidade do PMDB no Congresso cedeu mais ministérios ao partido. O PT perdeu espaços, reclamou mas acabou aceitando.

Um sinal de preocupação foi que nos últimos dias Lula fez dois movimentos para ampliar seu diálogo com o PMDB. Pediu a Temer que ele formasse uma espécie de conselho informal no partido. Além do próprio Temer, esse conselho é integrado pelo líder na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), Geddel Vieira Lima e o ministro da Defesa, Nelson Jobim. O nome-chave nessa operação é Jobim. Lula quer que ele presida a legenda a partir do ano que vem, quando Temer é cotado para disputar a presidência da Câmara. Para isso, precisa reaproximar seu ministro da atual direção partidária. O segundo movimento foi uma reaproximação com o senador Renan Calheiros (AL), importante aliado do governo.

Lula tem dito que quer um candidato único da base governista. O PMDB tenta se cacifar para indicar esse nome. A única alternativa concreta é o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Ele tem sido cortejado a deixar o PSDB, mas é uma operação difícil.

Entre os principais líderes do PMDB, a única certeza é que a fidelidade ao governo Lula tem prazo de validade. Vai até o início de 2010. Se então o governo não apresentar um candidato viável à sucessão de Lula, o partido pode ficar neutro ou mesmo aderir aà Serra. “Já estivemos no palanque com o PSDB e não temos nenhum veto”, diz um ministro de Lula, sob condição de ficar no anonimato.

O PMDB sairá das eleições municipais com todas as portas abertas.

Relações entre pmdb e pt nas capitais

Acordo

Vitória (ES) – O PMDB vai apoiar a reeleição do prefeito João Coser, do PT.

Goiânia (GO) – O PT decidiu apoiar a reeleição do prefeito Iris Rezende (PMDB), mas a decisão rachou o partido e há um recurso ao Diretório Nacional.

Teresina (PI) – O PMDB vai apoiar o candidato do PT, deputado Nazareno Fonteles.

Fortaleza (CE) – O PMDB apoiará a reeleição da prefeita, a petista Luzianne Lins.

Natal (RN) – O PMDB deve apoiar o candidato do PT, que ainda não definiu nome.

João Pessoa (PB) – Os dois partidos integram a coligação para a reeleição do prefeito Ricardo Coutinho (PSB).

Porto Velho (RO) – O PMDB deve apoiar a reeleição do prefeito Roberto Sobrinho, do PT.

Boa Vista (RR) – Os dois partidos devem apoiar a reeleição do prefeito Iradilson Sampaio (PSB)
Lados Opostos

Porto Alegre (RS) – O clima é de confronto. O prefeito José Fogaça, do PMDB, concorre à reeleição. Sua principal adversária é a deputada
Maria do Rosário, do PT.

Florianópolis (SC) – Não há acordo. O prefeito Dário Berger tenta se reeleger e o PT terá candidato próprio.

São Paulo (SP) – O PMDB fechou acordo para apoiar o prefeito Gilberto Kassab, do DEM. O PT quer lançar a candidatura da ministra Marta Suplicy.

Salvador (BA) – A aliança fechada para as eleições de 2006 foi desmontada. O PT terá candidato próprio e não apoiará a candidatura à reeleição do prefeito João Henrique, do PMDB.

Campo Grande (MS) – Haverá disputa. O PMDB quer reeleger o prefeito Nelson Trad Filho, mas o PT terá candidato próprio. Pode ser o ex-governador Zeca do PT.

Palmas (TO) – O PMDB rompeu o acordo que tinha feito para eleição do prefeito Raul Filho (PT) e não vai apoiar sua reeleição. Deve ter candidato próprio, que pode ser o deputado estadual Eli Borges.

Recife (PE) – Vai haver disputa. O PMDB lançou o deputado Raul Henry e o PT está definindo candidato.

São Luiz (MA) – Não há acordo. O PT vai apoiar o deputado Flávio Dino (PCdoB) e o PMDB lançará Gastão Vieira.

Rio Branco (AC) – Os dois partidos são os principais adversários. O PT tenta reeleger o prefeito Ronaldo Angelim e o PMDB está na oposição.

Indefinição

Belo Horizonte (MG) – O PMDB ainda negocia a possibilidade de apoiar
Márcio Lacerda, candidato do PSB, que tem o apoio do governador Aécio Neves (PSDB). O PT local quer entrar na chapa, mas foi vetado pela direção nacional.

Curitiba (PR) – O governador Roberto Requião sinalizou a possibilidade de apoiar a candidata do PT, Gleice Hoffmann, mas as conversas ainda não estão fechadas.

Rio de Janeiro (RJ) – A tendência do PMDB é apoiar o deputado estadual Alessandro Molon, candidato do PT, mas ainda há resistências no grupo do ex-governador Anthony Garotinho.

Cuiabá (MT) – Os dois partidos estão em negociação. O PMDB condiciona a aliança em Cuiabá ao apoio do PT a seus candidatos em cidades do interior. Os peemedebistas negociam em paralelo com o PSDB.

Manaus (AM) – As negociações ainda estão em andamento. O PMDB pode lançar candidato, aliar-se a Amazonino Mendes (PTB) ou com o vice-governador, Omar Aziz. O PT também negocia alianças.

Macapá (AP) – O PMDB deve lançar a deputada Fátima Pelaes. O PT ainda negocia alianças.

Belém (PA) – A tendência é que o PMDB apoie um candidato do PT, mas o deputado Jader Barbalho, que coordena o partido no estado, anda distante da governador Ana Júlia.

Maceió (AL) – O PMDB está próximo do PT, mas ainda não decidiu se apoiará formalmente o deputado Judson Cabral, candidato do PT.

Aracaju (SE) – Há uma disputa interna no PMDB. O senador Almeida Lima quer ser candidato a prefeito e comanda o diretório municipal. Outra ala, comandada por Jackson Barreto, defende o acordo com o PT, em torno da reeleição do prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB).

Aliança de BH avança sem PT

Enquanto o PT não toma a decisão final sobre a aliança com a presença dos tucanos em Belo Horizonte, o que só deve ocorrer em 26 de maio, PSDB e PSB começam a avançar o debate esta semana para as questões programáticas da candidatura do secretário de estado de Desenvolvimento Econômico, Márcio Lacerda (PSB). A primeira conversa neste sentido deve ser marcada para esta sexta-feira.

Sem enfrentar os problemas internos que emperram a participação dos petistas, os dois partidos também seguem com as costuras para o pleito e pretendem trazer outras legendas para a coligação. Segundo o presidente do PSDB no estado, Custódio Mattos, será o início da integração das duas gestões partidárias. O encontro foi marcado para esta semana, faltando confirmar o dia, sem a previsão de participação do PT.

Segundo Mattos, a formalização anteontem do PSDB na aliança pela Executiva municipal petista foi um avanço, mas o partido ainda tem questões internas a resolver. “De nossa parte, o principal é que a coligação com o PSB já está consolidada. Agora, seria muito bom o PT participar”, afirmou.

De acordo com o dirigente tucano, os partidos estão dando um prazo para o PT mas, ao mesmo tempo, precisam avançar nas conversas.

12/05/2008 - 10:58h Com ou sem alianças, Marta disputa prefeitura de SP

As informações, opiniões e desejos de Josias de Souza, jornalista da Folha

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Candidata petista ainda não formou nenhuma parceria

Kassab anuncia nesta 2ª adesão do PR à sua coligação

Alckmin diz à direção do tucanato que fechou com PTB

Nos subterrâneos, a ministra Marta Suplicy (Turismo) age como candidata. Já discutiu a conjuntura paulistana com Lula. Reúne-se com operadores do PT pelo menos uma vez por semana. Encontra-se em segredo com lideranças de outros partidos.

Em público, porém, Marta jamais declarou que vai disputar a prefeitura de São Paulo. Evita ser peremptória. Vale-se de meias palavras. Diz que, até junho, é ministra. Empurra a eliminação da dúvida para o meio do ano.

Nos últimos dias, às voltas com dificuldades para compor alianças com outros partidos, a candidatura não-declarada de Marta passou a ser assediada por uma especulação. Sem uma coligação que lhe ofereça um tempo confortável de propaganda na TV, a ministra poderia desistir de ir às urnas.

“Não há hipótese de isso acontecer”, disse ao repórter um dos petistas que negociam apoios em nome de Marta. “A candidatura dela é irreversível.” Para o PT, a eleição de São Paulo será uma disputa em dois turnos.

Escorado em números de pesquisas, o petismo avalia que, ainda que concorra sozinha, sem aliados, a ministra do Turismo vai ao segundo turno. Uma fase em que os dois candidatos finalistas disporão de tempo de propaganda igual. “O segundo turno é uma outra eleição”, afirma o negociador de Marta.

Nesta segunda-feira, para desassossego do PT, o prefeito Gilberto Kassab (DEM), que disputa a reeleição, anuncia a incorporação de um novo vagão à sua locomotiva partidária. Engancha-se à máquina eleitoral de Kassab o PR. Incorpora-se a uma composição que já inclui, além do DEM do candidato, o PMDB e o PV.

Todos os aliados de Kassab são, em Brasília, sócios do consórcio partidário de Lula. O que não os impediu de dar uma banana para o PT na cidade de São Paulo. Para complicar, também o PTB, outra legenda que dá suporte legislativo a Lula, vai aos braços da oposição.

Neste final de semana, o candidato tucano Geraldo Alckmin informou a integrantes da direção nacional do PSDB que já fechou com o PTB. O anúncio da parceria é ensaiado para os próximos dias. Sem alternativas à vista, Alckmin aceitou entregar o posto de vice na sua chapa a um petebista. Deve ser o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP).

Em movimentação sôfrega, o PT volta-se para as legendas do chamado “bloquinho de esquerda”: PSB, PC do B e PDT. São, por assim dizer, as últimas bolachas do pacote partidário de São Paulo. Exceto pelo PDT, que balança, PSB e PC do B mantêm, por ora, a resistência à composição com Marta.

Com o apoio de um José Serra (PSDB) escondido atrás de manto cada vez mais diáfano, o prefeito Kassab dá um baile nos concorrentes. Amealhou formidáveis 19 minutos de TV, para vender o seu peixe aos eleitores. Esse tempo está distribuído em dois blocos de 8 minutos e meio –um pela manhã e outro à noite.

Fechando com o PTB, Alckmin sobe dos atuais seis minutos diários para algo como dez minutos. Quanto a Marta, a menos que consiga adensar sua candidatura, vai à campanha com o menor tempo de propaganda: cerca de oito minutos.

Se conseguir resistir ao assédio do PT, o bloquinho pode pôr de pé uma candidatura com poucas chances eleitorais, mas com o mesmo potencial televisivo de Marta. Juntos, PSB, PC do B e PDT também dispõem de algo como oito minutos diários. Tempo que o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), um ávido pré-candidato à prefeitura, tenta usufruir.

Sozinha, a propaganda de TV não ganha eleição. É preciso considerar o potencial do candidato, a mensagem dele e a qualidade das peças publicitárias. Mas não há dúvidas de que, cavalgando diariamente 19 minutos, o ‘demo’ Kassab, terceiro colocado nas pesquisas, pode fazer um estrago nos quintais de Marta e, principalmente, de Alckmin.

Segundo o último Datafolha, a petista e o tucano roçam cotovelos no topo. Ela em alta, com 29%. Ele em baixa, com 28%. Kassab, com seus 13%, vem muito atrás. Nesta fase da disputa, para firmar-se como candidato competitivo, tudo o que o prefeito precisava era assegurar um bom tempo de TV. Conseguiu. Com uma locomotiva de quatro vagões, Kassab entra na campanha em alta velocidade.

Escrito por Josias de Souza

07/05/2008 - 11:58h PSDB pró-Kassab irá à convenção do partido para derrubar Alckmin

Tucanos defensores da aliança com o DEM dizem já ter o apoio de 500 dos 1.228 delegados da legenda

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Silvia Amorim e Ricardo Brandt – O Estado de São Paulo

A ala dos tucanos contrária ao lançamento da pré-candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) à Prefeitura de São Paulo vai tentar reverter na convenção do partido, em junho, o resultado da reunião de anteontem que oficializou o nome do ex-governador à sucessão municipal.

“Faremos o que vínhamos anunciando desde o início que é ir para a disputa em convenção com a apresentação de uma outra proposta”, afirmou o secretário de Esportes do município, Walter Feldman – principal defensor da candidatura à reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM).

Os tucanos pró-Kassab vão propor que na convenção sejam colocados em votação o apoio à aliança com o DEM e a desistência da candidatura própria com Alckmin. Os kassabistas dizem já ter o apoio de cerca de 500 dos 1.228 delegados com direito a voto na convenção. O grupo, capitaneado por vereadores e secretários tucanos com cargos no governo Kassab, sustenta que a reunião de anteontem não tinha legitimidade para deliberar sobre a candidatura do ex-governador, mas apenas para discutir a sucessão. “O que o presidente Lobo fez foi apenas uma manifestação política tendo como platéia o Diretório Municipal”, criticou Feldman, em referência a José Henrique Lobo.

Ontem o governador José Serra (PSDB) evitou falar sobre o lançamento do nome de Alckmin pelo Diretório Municipal, mas sugeriu que a decisão não se tratava de uma medida conclusiva. Ao lado de Serra, Kassab foi mais explícito e disse que até as convenções não há nada definido sobre candidaturas. “Independentemente da questão de lançamento de candidaturas, qualquer que seja o partido, até as convenções temos tempo para que haja um esforço para manutenção dessa aliança”, afirmou o prefeito.

Acusado por tucanos pró-Kassab de empreender um projeto pessoal ao lançar-se para a disputa municipal, Alckmin fez questão de dizer ontem que a decisão do Diretório Municipal traduziu a vontade da base do partido. “O presidente do partido fez um trabalho de ouvir a base do partido, sentiu a vontade da maioria partidária e tomou uma posição importante.”

Para o ex-governador, o momento agora é de discussão de alianças. Alckmin, entretanto, foi irônico ao falar sobre a possibilidade de coligação com o DEM no primeiro turno. “Você só pode fazer aliança com quem não tem candidato próprio. Se eles tiverem, fica difícil.”

O ex-governador minimizou o racha no PSDB evidenciado no encontro do Diretório Municipal. “O que existe é vida partidária. Unanimidade existe depois de tomada a decisão.”

Um dia depois da guerra travada entre tucanos pró-Kassab e alckmistas na reunião do diretório do PSDB, Alckmin, Kassab e Serra dividiram o mesmo palco para a inauguração do Instituto do Câncer de São Paulo. A única aproximação pública entre os dois tucanos foi para um aperto de mão.

Pela manhã, Kassab e Serra estiveram juntos para entregar uma outra obra – duas alças de acesso na Rodovia Fernão Dias. A cinco meses das eleições, o ato foi marcado pela disputa entre o PT e o DEM pela paternidade da obra. Do palanque, o prefeito de Guarulhos, Elói Pietá (PT), fez questão de relembrar as cerca de 200 pessoas que acompanhavam os discursos de que a obra havia sido pactuada com o governo federal pela ministra Marta Suplicy quando prefeita da capital – e que deve voltar a disputar o cargo este ano. Já Serra ressaltou que a obra ficou paralisada por 20 anos e que na gestão dele na prefeitura foi retomada e continuada por Kassab.

Na semana em que o PSDB lança seu pré-candidato, a dobradinha Serra-Kassab nos palanques será repetida à exaustão. Eles entregarão até sábado duas grandes obras. Na quinta-feira será a ponte Jurubatuba, em Interlagos. No sábado, a ponte estaiada, que ligará a Marginal do Pinheiros à Avenida dos Bandeirantes.

01/05/2008 - 09:13h Marta diz que coração bate forte por SP e que cidade precisa de mão firme

Márcia Gouthier/ASN

 

Ministra do Turismo, Marta Suplicy durante o lançamento, em Brasília, do Festival Gastronômico Brasil Sabor 2007

 

MARIANA SANT’ANNA – colaboração para a Folha Online

A ministra Marta Suplicy (Turismo) disse nesta quarta-feira que, como paulistana, quer concorrer à Prefeitura de São Paulo nas eleições de outubro. Pré-candidata do PT ao cargo, Marta afirmou que a decisão de deixar o ministério é difícil, a cidade precisa de cuidados.

“É uma decisão difícil, porque São Paulo é a minha cidade, e o estado em que a minha cidade está é um estado que demanda uma mão dura, principalmente em relação ao trânsito. Quando eu vejo o que está hoje acontecendo, como paulistana, o caos que nós estamos vivendo no trânsito é a manifestação mais dramática da falta de planejamento, então isso me comove, também. Não é fácil, porque bate o coração no Ministério, mas está batendo forte o coração da paulistana”, afirmou.

Marta disse que as negociações das alianças da possível candidatura estão sendo conduzidas pelo Diretório Municipal do PT. Ela nega que a manifestação do PR de buscar alianças com outros partidos uma vez que o PT venha se aproximando do “bloquinho” enfraqueça sua pré-candidatura. “Nós temos interesse em coligação com a base aliada do governo. Todos esses partidos fazem parte da base aliada”, disse.

A ministra também negou que o anúncio da candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que aconteceu na última segunda-feira, precipite alguma atitude do PT. “Nós não trabalhamos com o que está acontecendo na seara alheia, não. Nós temos o nosso ritmo e nosso prazo até dia 5 [de junho]. Não nos atemos aos movimentos do outro lado”, afirmou.

Segundo Marta, a possibilidade de o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) rejeitar as contas de sua campanha de 2004 não causa temor. “Não temos nenhuma preocupação, porque isso está sendo tratado pelos advogados do partido, que não manifestaram esse temor”, disse a ministra, que ainda não confirmou se sairá ou não candidata à Prefeitura de São Paulo.

30/04/2008 - 09:36h Não se governa sem PMDB, e menos ainda com ele

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marta_serra.jpgVale a penar ler este editorial do jornal VALOR.

Sibilino, o editorial de fato toma partido em favor de Serra e contra Alckmin.

Seu argumento é um “mata Marta” para abrir o caminho ao retorno da coligação PSDB-PFL(DEM)-PMDB ao poder federal em 2010, com José Serra.

Invoca uma capacidade do PMDB a antecipar para que lado vão os eleitores, esquecendo que em 2002 a cúpula do PMDB ficou na campanha do PSDB e não na do Lula, que sairia vitorioso.

Vê no apoio do PMDB a Serra em São Paulo um pré-anuncio da reviravolta peembdebista e para tanto atribui ao ex-governador Quercia uma representatividade no PMDB nacional, que ainda precisaria ser provada.

E dá como resolvida a disputa interna no tucanato, com a simples aceitação do ultimato de Serra para Alckmin cair fora.

Por último parece ignorar o fator tempo; até 2010 muita água passará embaixo da ponte…

Editorial do jornal VALOR

De fato, como diz o deputado Michel Temer (PMDB-SP), “ninguém governa sem o PMDB”. Mas é igualmente verdadeiro dizer que, com o PMDB, ninguém governa. Essa federação de partidos estaduais, que consegue se manter como uma das maiores legendas do país sem ser diretamente uma alternativa de poder, já que não dispõe de lideranças nacionais competitivas para disputar a Presidência, tem desempenhado ao longo do tempo o papel de aliado fundamental de qualquer governo num cenário partidário pulverizado.

Como é na sua grande bancada que reside a sua força, e também na habilidade de seus líderes (ou na força bruta, dependendo do momento) de usá-la para distribuir poder a lideranças regionais guindadas ao cenário nacional, é fundamental para o PMDB antecipar-se aos movimentos dos eleitores e saber de que lado deve estar para continuar governo. A espetacular virada que o ex-governador Orestes Quércia, cacique do PMDB de São Paulo, deu no quadro eleitoral paulistano, foi, sem dúvida, uma antecipação de 2010. E se num primeiro momento parece apenas mirar o prefeito Gilberto Kassab (DEM), em detrimento do tucano Geraldo Alckmin, na verdade rearruma as forças políticas para as eleições presidenciais, favorecendo a candidatura do governador José Serra e trazendo o epicentro das negociações para o Estado mais rico da Federação, quando elas já haviam se expandido para além das “elites brancas” paulistas (na designação do ex-governador Cláudio Lembro) e ganhado as terras mineiras, atraídas pelas negociações entre o governador tucano Aécio Neves e o prefeito de Belo Horizonte, o petista Fernando Pimentel.

Apesar da rivalidade histórica entre Quércia, que fez o acordo municipal, e o presidente nacional do PMDB, Michel Temer, o acordo paulistano soa como uma articulação bem ensaiada e um golpe de mestre para recolocar o PMDB no centro do poder – e, pelo visto, o partido aposta que o governador Serra tem chances reais de eleger-se sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010. O efeito visível do acordo DEM-PMDB é desestabilizar as pretensões do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) de disputar as eleições para a prefeitura da capital, mesmo contra Kassab. Mas isso está longe de significar um rompimento entre PSDB e DEM – cuja aliança marcou sucessivos governos tucanos em São Paulo e os dois mandatos presidenciais do também tucano Fernando Henrique Cardoso. Se Alckmin recuar e aceitar o oferecimento de se candidatar a um terceiro mandato no Palácio dos Bandeirantes em 2010, numa eleição que teria Serra na cabeça de chapa como candidato a presidente, a petista Marta Suplicy, se for a candidata do PT à prefeitura da capital, teria contra si não apenas Kassab, mas uma poderosa coligação entre PSDB, PMDB e DEM. Uma derrota de Marta nas eleições municipais a inviabilizaria como candidata a presidente pela legenda do presidente Lula em 2010 – e ela é a liderança petista hoje mais visível nacionalmente e com mais chances de cumprir este papel.

A manobra quercista, portanto, está longe de ser antitucana. Tem o poder de colocar um pé do PMDB no governo Lula e outro num eventual futuro governo tucano. Mas, se a jogada política tem o poder de reafirmar a máxima de que “ninguém governa sem o PMDB”, pode também perpetuar o entendimento de que “ninguém governa com o PMDB”. Os governos pós-redemocratização, todos eles, sofreram graves crises de governabilidade. O PMDB esteve atrás de várias delas. Ao longo da história, o partido tem se firmado, eleição após eleição, como aquele que tem a posição mais consolidada – a sua bancada não sofre grandes variações, mesmo não possuindo candidatos com chances de chegar à Presidência. Em compensação, o fato de ser uma soma de interesses de caciques regionais, e o poder que dispõe no Congresso, torna-o uma legenda com votos negociáveis um a um, sem a garantia de sólido apoio a qualquer governante. É esse mesmo PMDB que, depois de fazer um difícil acordo com o presidente Lula e repetir o seu padrão de comportamento político no Legislativo – jamais unido, nunca fazendo uma negociação coletiva, sempre abrindo espaço para chantagens individuais -, prepara-se para cumprir o mesmo papel em 2011, com o novo governo – que, aposta, será de Serra. Lula teve grandes dificuldades com o partido. Serra, se eleito, vai repeti-las.

30/04/2008 - 08:49h Crise tucana: Kassabistas querem levar Alckmin a votação

Tucanos pró-prefeito cogitam submeter ao diretório municipal a proposta de manutenção da aliança com DEM

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CATIA SEABRA – FOLHA DE SÃO PAULO

DA REPORTAGEM LOCAL

Vereadores do PSDB ameaçam abalar o lançamento da candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin à prefeitura na segunda que vem. Reunida ao longo de toda a tarde de ontem, a bancada do PSDB na Câmara Municipal discutiu a hipótese de submeter ao diretório municipal a proposta de manutenção da aliança com o DEM na cidade de São Paulo.

Endossada pelo secretário municipal de Esportes, Walter Feldman, a idéia é enfrentar, no voto, os defensores de candidatura própria à prefeitura. Não é só. O secretário municipal de Governo e ex-ministro Clóvis Carvalho questiona a versão de que a candidatura estará formalizada na segunda-feira. “Quem decide candidatura é a convenção”, alegou.

O diretório foi convocado para oficialização do nome de Alckmin. Mas, segundo o vereador Adolfo Quintas, participante da reunião, a maioria da bancada concorda com a estratégia de submeter a aliança com o DEM ao diretório. “Vamos defender a candidatura de Geraldo Alckmin ao governo do Estado”, disse.

A proposta não conta com o apoio pelo menos do vereador Tião Farias. Ligado a Alckmin, não participou da reunião.

Até por isso, a decisão foi adiada para hoje. “Vamos continuar conversando e tomar uma posição. Mas uma coisa é certa: não movemos um milímetro da defesa da candidatura única”, disse o líder do PSDB, Gilberto Natalini.

Também em resposta à convocação do diretório, Feldman disse que encaminhará à Executiva do PSDB um ofício para que responda à consulta apresentada pelos vereadores. No documento, a bancada cobrava manifestação do partido sobre a aliança com o DEM.

Sem uma resposta, avisa, apresentará a proposta ao diretório. “Vamos para a convenção. Pela primeira vez, o PSDB vai ter que cumprir seu estatuto e submeter aos delegados uma decisão que não foi construída num consenso”, disse Feldman, que lidera coleta de assinaturas pela aliança.

Lágrimas

Enquanto os kassabistas protestam, o comando municipal do PSDB já anuncia a fixação de regras que impeçam declarações de voto em favor do prefeito Gilberto Kassab (DEM).

Oficializada a candidatura no diretório, os tucanos estariam proibidos de manifestações de apoio a Kassab. Os alckmistas também evitariam ataques ao governador de São Paulo, José Serra, a quem atribuem a costura do acordo DEM-PMDB.

O presidente municipal do PSDB, José Henrique Reis Lobo, defendeu essa fórmula ontem num café da manhã com vereadores. No encontro, Lobo chorou ao descrever a pressão a que foi submetido para oficialização da candidatura. Ele já tinha chorado na véspera, durante reunião da Executiva Estadual. No encontro, os vereadores protestaram contra a decisão. “Estou trabalhando para evitar que se quebrem novos cristais e juntar os cacos dos que já se partiram”, disse Lobo, afirmando que a discussão sobre aliança “está superada”.

Em entrevista, Kassab disse que aposta na coligação. “Tenho certeza que vai prevalecer ainda o bom senso dos dirigentes do partido (PSDB).”

28/04/2008 - 09:06h Com apoio nacional, Alckmin estrutura candidatura

César Felício e Cristiane Agostine – VALOR

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Com o aval da direção nacional do PSDB, o ex-governador paulista Geraldo Alckmin pretende oficializar sua candidatura à prefeitura da capital com um ato reunindo toda a cúpula do partido, de modo a conseguir uma manifestação pública de apoio do governador José Serra;

O lançamento da candidatura obedecerá a um ritual: hoje, a Executiva Municipal da sigla, presidida pelo serrista José Henrique Reis Lobo, se manifestará sobre uma proposta a favor da candidatura própria do PSDB à prefeitura. Em paralelo, um ato com a participação de Alckmin e diversas lideranças, deverá ser organizado. No dia 5, é prevista uma reunião do Diretório Municipal para a aclamação de seu nome como candidato. Entre os dias 12 a 20, seria o lançamento oficial, com a presença de governadores, inclusive Serra, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da Executiva Nacional.

A concordância com o roteiro teria sido dada pelo presidente da sigla, o senador Sérgio Guerra (PE), assim que soube da decisão do PMDB paulista de apoiar Kassab. “Ele me disse que tínhamos que atuar imediatamente, que não podíamos perder nem mais um minuto para tratar dos interesses do PSDB”, disse o deputado federal Edson Aparecido , vice-presidente nacional tucano e aliado de Alckmin. Sérgio Guerra está em viagem oficial no Japão. Conversou com aliados de Alckmin e com o próprio Serra por telefone.

Serra tem trabalhado a favor da reeleição do prefeito paulistano, Gilberto Kassab (DEM), vice em sua chapa quando era prefeito. Serra foi um dos principais articuladores da aliança entre DEM-PMDB, selada na semana passada, que reforçou a candidatura Kassab. A aliança pretende dar a Alckmin garantias de que os três partidos -PSDB, DEM e PMDB-apoiariam uma eventual candidatura sua ao governoe stadual. Para atrair alckmistas, o grupo de Serra sinalizou ainda que um dos aliados do ex-governador poderia ser o outro candidato ao Senado na coligação, ao lado do ex-governador pemedebista Orestes Quércia.

O ato em São Paulo pretende caracterizar a candidatura de Alckmin como de interesse estratégico para o partido como um todo. “Será uma demonstração da vontade nacional”, disse o líder tucano na Câmara, José Aníbal (SP). Os próprios adeptos de Alckmin admitem que a proximidade entre Kassab e Serra tornam possível uma “cristianização” da candidatura do ex-governador por parte da ala serrista, mas apostam que o governador procurará evitar as traições partidárias. “Com certeza Serra estará conosco. Sabemos que ele tem compromisso com Kassab e tem de cumpri-lo. Mas agora é o partido que está tomando essa decisão e Serra, como homem de partido, apoiará Alckmin”, considera o deputado federal Júlio Semeghini (SP). “Não tenho dúvidas de que Serra estará conosco”, diz o deputado Silvio Torres (SP).

A aliança do PMDB com o DEM deu a Kassab o maior tempo de televisão e costurou o apoio pemedebista a Serra para a presidência, em 2010. Sem ter avançado a negociação com outros partidos políticos, Alckmin e seus aliados correm para tentar consolidar o apoio do PTB e atrair legendas do bloco de esquerda, composto pelo PSB, PDT e PCdoB. “Quem ficou fora do tempo foi Kassab, que anunciou o apoio do PMDB sem antes ter lançado sua candidatura. Os outros partidos ainda estão abertos para a negociação”, comentou Silvio Torres.

28/04/2008 - 09:01h Alckmin quer invocar Covas contra união Kassab-Quércia

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Estratégia inclui organização de ato com tucanos críticos à aliança com PMDB

A aliados o ex-governador disse que pretende ir hoje a movimento organizado por militantes do partido em defesa de sua candidatura

CATIA SEABRA – Folha de São Paulo

DA REPORTAGEM LOCAL

A semana promete começar quente no PSDB, com a pressão de alckmistas pela consolidação da candidatura própria e ataques à coligação DEM-PMDB. O ex-governador Geraldo Alckmin disse a aliados que pretende participar hoje de movimento organizado por militantes do partido em defesa de sua candidatura.
Apesar do cuidado para que o ato não seja caracterizado como um lançamento de campanha, Alckmin deve se colocar à disposição do partido. Segundo a Folha apurou, o governador José Serra ficou irritado ao saber que os alckmistas deverão reivindicar a oficialização da candidatura no dia 5, embora a data já tenha sido fixada pelo presidente municipal do partido, José Henrique Reis Lobo, em conversa com Alckmin.
Alckmin disse a interlocutores que vai explorar politicamente a adesão de Orestes Quércia à campanha do prefeito Gilberto Kassab (DEM).
A estratégia inclui a organização de um ato que reunirá tucanos históricos, críticos à aliança com o PMDB. A idéia é lembrar de confrontos entre tucanos históricos e o presidente estadual do PMDB para, no mínimo, constranger os kassabistas no partido.
O argumento dos alckmistas é de que a aliança com o DEM representaria a união com um dos principais desafetos de Mário Covas. Aliados de Alckmin, como o deputado Edson Aparecido, foram escalados. Ao defender aliança com o “bloquinho”, o deputado alfineta. “Traria um ar de modernidade à política em São Paulo.”
Em resposta, Kassab não descarta a possibilidade de lembrar que o próprio Alckmin procurou Quércia para uma composição eleitoral. Na madrugada de ontem, num jantar oferecido a jornalistas durante a Virada Cultural, Kassab ressaltou que o próprio PT compôs com Quércia para a eleição do presidente Lula.
Lembrando que essa aproximação está registrada em fotos, passíveis de uso em campanha, Kassab repetiu a frase quando um interlocutor disse que “o PT absolveu Quércia”.
Enquanto Alckmin arregimento militantes para a reunião do dia 5, kassabistas investem em outro lance para inibir sua candidatura. O secretário municipal de Esportes, Walter Feldman, ameaça brigar para que a decisão seja submetida a voto, convocando convenção. “Vamos tentar convencer Alckmin a desistir. A proposta para que seja candidato em 2010 é segura. Se ele não desistir, vamos para convenção. Não tem outro jeito.”

Na TV
Outro ponto com potencial explosivo será o planejamento do programa partidário do PSDB de São Paulo, com dez inserções programadas para ir ao ar a partir da semana que vem. Os alckmistas reivindicam a participação do ex-governador em todos que forem exibidos na capital.
Mas, o secretário de comunicação do partido, Raul Christiano, afirma que, a exemplo dos anos anteriores, o governador do Estado deve ocupar parte do tempo. Nesse caso, Alckmin teria de dividir o espaço com Serra. “Em 2004, o Alckmin também apareceu”, justificou Christiano.

27/04/2008 - 12:03h De costas para os paulistanos

Editorial – O Estado de São Paulo

Política é agregação de interesses e construção de maiorias visando à conquista e à permanência no poder dos agregados e majoritários para a efetivação de objetivos comuns. Dito assim, abstratamente, o enunciado pode induzir o eleitor de espírito desarmado a imaginar que os interesses passíveis de se concertar descendem sempre, legitimamente, da interação, em busca de pontos de convergência, de parcelas das múltiplas forças sociais que competem entre si nas complexas sociedades atuais; o eleitor de boa-fé tenderá igualmente a presumir que as maiorias necessárias à governança hão de se construir com a argamassa de um entendimento que faça prevalecer entre os envolvidos a acomodação e as concessões recíprocas, do contrário os objetivos comuns iriam para o espaço. Por último, o mesmo eleitor saberá que esses objetivos incluem, destacadamente, expectativas de ganhos partidários ou pessoais – aceitáveis, no entanto, por entrelaçarem-se com genuínas intenções de obrar pelo bem público, ao menos como o entendam as maiorias em formação.

Quando a evidência bruta dos fatos põe por terra a teoria alojada na torre de onde se têm essa visão quase ideal da política, o impacto priva o observador dos seus derradeiros vestígios de confiança em que, mesmo nos seus cálculos egoístas, os políticos levem em conta que o povo não é bobo e que, portanto, os seus negócios precisam pelo menos aparentar coerência e decoro. Até esse mínimo dos mínimos acaba de ser ignorado nos consórcios para as eleições de novembro próximo – e não em algum grotão esquecido de Deus, mas em plena capital de São Paulo.

A açodada iniciativa do ex-governador tucano Geraldo Alckmin de se lançar candidato à Prefeitura paulistana, estilhaçando a coligação PSDB-DEM em torno do prefeito Gilberto Kassab (o vice que substituiu José Serra quando ele resolveu migrar para os Bandeirantes, em 2006), criou as condições para transformar ninguém menos do que o ex-governador peemedebista Orestes Quércia em condestável da sucessão municipal. A sua idéia fixa era formar uma aliança com qualquer um que apoiasse a sua candidatura ao Senado em 2010. Antes da desordem armada no ninho tucano, o PT tentou atrair Quércia, de olho nos 4 minutos e meio de que o PMDB disporá no horário eleitoral – o que daria a Marta Suplicy um total de 10 minutos, já incluído o possível 1min30s do PR.

Mas Quércia sabia por experiência própria que os petistas são duros de molejo em negociações, por mais que o presidente Lula queira vê-los unidos ao PMDB para a sua sucessão. Estavam criadas as condições para um acerto, heterodoxo mesmo segundo os sumamente flexíveis padrões brasileiros, unindo Serra, Quércia e o patriciado do antigo PFL, nas figuras do senador Marco Maciel e do ex-senador e ex-presidente da agremiação Jorge Bornhausen. Para ter o peemedebista na canoa de Kassab, o DEM aceitou defenestrar a pré-candidatura senatorial do correligionário Afif Domingos. De seu lado, Quércia designou a sua leal seguidora Alda Marco Antônio como companheira de chapa pro tempore de Kassab. Ou seja, se o PSDB, ao fim e ao cabo, persuadir Alckmin de que a sua hora é a da eleição seguinte para governador de Estado (com o apoio do PMDB), ficará restabelecida a coligação municipal de 2004 e o lugar de vice de Kassab será ocupado por um tucano.

Se Alckmin não desistir, apesar das pressões crescentes, poderá se aliar ao PTB, um dos esteios da base parlamentar de Lula. Antes, também ele tentou a sociedade com Quércia. Um dos alvos de Serra, que deverá abrir espaço para o PMDB quercista no seu governo, é introduzir uma cunha na aproximação do partido com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Os dois são candidatos estampados à sucessão de Lula – e, no que depender da cúpula peemedebista, o mineiro poderá trocar de caderneta partidária quando queira. A se fixar ao redor de Kassab o arco PSDB-PMDB-DEM desejado pelo governador paulista, ele terá demonstrado que o rival não é o único tucano benquisto pelos peemedebistas, sobretudo na facção do partido refratária a Lula. Quércia já anunciou que o apoiará em 2010. Mas o que todos, rigorosamente todos, têm em comum nesse show é a posição no palco político – de costas para os paulistanos.

25/04/2008 - 17:45h Acordo Serra-Kassab-Quercia acirra a crise no PSDB de São Paulo

Sérgio Lima/Folha
alckmin_papeis.JPGUma das particularidades do acordo eleitoral e do apoio do PMDB a candidatura de Kassab é o fato que este acordo foi organizado pelo governador Serra, do PSDB. Ou seja, aparece confirmada a determinação do setor serrista do PSDB em impedir uma candidatura própria à prefeitura, em favor da aliança em favor de Kassab.

O acordo é diretamente um golpe contra Alckmin e indica que o governador Serra não está disposto a ficar a meio caminho na luta contra um candidato tucano à prefeitura. Se Alckmin não obtemperar e manter sua candidatura, teremos um candidato DEM-PMDB trabalhando com o apoio e em favor de José Serra, contra um candidato do PSDB que será adversário direto do governo estadual tucano e da administração municipal demo-tucana. Uma situação ainda mais esdrúxula pois Alckmin, por enquanto, não questiona em nada a política aplicada por Serra-Kassab na prefeitura de São Paulo.

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As declarações de Kassab, Quercia, FHC visam propor a Alckmin uma capitulação e renúncia a suas pretensões, em troca de uma hipotética candidatura ao governo estadual em 2010. Se Alckmin aceitar, o PSDB poderá fazer parte da coligação do DEM-PMDB e segundo Kassab poderá designar o vice. Como o ex-governador Quercia não protestou, fica implícito o acordo do PMDB em abrir mão do lugar de vice na chapa, para ajudar a tirar do páreo o adversário Geraldo Alckmin.

O resultado imediato da jogada de Serra-Kassab terá sido a de debilitar publicamente a candidatura de Alckmin, apresentando-o como um outsider, contrário a união da situação demo-tucana e peemdebistas. Rapidamente Ricardo Noblat no seu blog traduziu este desejo serrista fazendo um chamado para mostrar a porta para Alckmin. Outro resultado da habilidade mostrada por Serra é o entusiasmo que provocou nos articulistas afins nos jornais. Todos saudaram o “trunfo” de Serra , parecendo compartilhar o desejo de Noblat de mostrar o caminho de Pinhamonhangaba para o “gerentão”, que até pouco tempo atrás, todos eles queriam como cunhado.

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Para o PT a decisão do PMDB de apoiar Kassab significa deixar de acrescentar um importante tempo de TV a sua candidatura, mas é também um sinal das dificuldades em assegurar o PMDB na base de apoio do governo federal. No que concerne às eleições municipais, onde o peso regional é muito forte, isto é evidente. No plano nacional o problema começará mais abertamente após o pleito eleitoral de 2008.

De outro lado, que o polo de agrupamento dos serristas, DEM e PMDB tenha como cabeça de chapa o atual prefeito Gilberto Kassab, em terceiro lugar nas pesquisas, e não Geraldo Alckmin, que até pouco tempo atrás se perfilhava como o favorito, reforça a possibilidade de uma vitória da oposição petista. Não só pelo clima de guerra e de golpes baixos que estão desgarrando o PSDB, mas também pelo resultado pifio de sua administração na capital.

Luis Favre