19/07/2009 - 12:09h Gasto público e consumo interno. Dá bom resultado na China… e no Brasil também
PIB da China avança 8%. Graças ao consumo

Alberto Tamer – O estado SP
E a China surpreende novamente. Quando todos, inclusive o governo, esperavam um crescimento de apenas 5%, ela anunciou nesta semana uma expansão do PIB de 7,9%. E isso, graças ao pacote fiscal de US$ 586 bilhões, que incluía recursos orçados para o ano passado não utilizados; mas, por isso mesmo, encontrou projetos prontos que estão sendo imediatamente executados, com excelentes resultados sobre o crescimento.
A ausência desses projetos certamente é uma das causas da baixa eficiência do pacote fiscal americano. Mesmo com mais recursos, US$ 786 bilhões, o governo Obama ainda não sabe onde aplicá-los de forma a gerar mais empregos.
POR QUE O MILAGRE?
Diante desses resultados, surgem perguntas como qual seria o desempenho da economia mundial com ou sem o crescimento da China. Afinal, qual a origem desse milagre?
Para obter respostas a essas dúvidas, a coluna conversou com Rodrigo Tavares Maciel, secretário executivo do Conselho Empresarial Brasil-China, uma entidade privada que trabalha em parceria com o governo brasileiro e dispõe do melhor banco de dados sobre o comércio entre os dois países.
“Eu continuo acreditando que a China não está descolada do mundo, como confirma o impacto provocado pela queda das exportações, principalmente para os EUA e a Europa. A China cresceu acima de 10% ao ano entre 2002 e 2007, e agora 7,9%. O lucro das empresas privadas também caiu”, lembra Maciel.
O MUNDO COM E SEM A CHINA
Qual seria o crescimento da economia mundial sem esse resultado do PIB chinês? Maciel informa que, tomando como base os indicadores divulgados em junho pelo FMI, Banco Mundial e o Consensus Economics, sem o efeito do comércio da China, a economia mundial teria caído 2,1% em março e 3% em junho. Com a China, em março esse declínio foi menor, 1,9% em março e 2,4% em junho. Para 2010, os indicadores de crescimento passam a ser positivos, desde que a economia chinesa mantenha o desempenho atual.
EXPORTAÇÃO NÃO É TUDO
E aqui a surpresa: as exportações não pesam tanto no crescimento chinês. “Poucos atentam para isso, mas a China é menos dependente do exterior do que se imagina. As exportações chinesas não desempenham papel de principal motor da economia.O que verdadeiramente impulsiona hoje são os investimentos em ativos fixos e o consumo interno, incluindo gastos residenciais e públicos”, diz Maciel.
“O grande mito de que exportações líquidas são o principal motor do crescimento tem sido cada vez mais refutada diante do agravamento da crise mundial e consequente retração do mercado mundial.”
“Em 2008, elas contribuíram com apenas 0,5 ponto porcentual para o aumento do PIB e, no primeiro semestre de 2009, essa contribuição foi negativa em 2,9 pontos. Impulsionados pelo pacote de estímulo, aumentou consideravelmente a contribuição do investimento fixo para o crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2009, com 6,2 pontos ante 4,3 pontos em 2008. Já o peso do consumo interno foi de 3,8%.
HÁ ESPAÇO PARA MAIS
Até onde a China consegue manter esse ritmo impressionante de investimento? Para Rodrigo Maciel, o grande superávit fiscal em 2008 vai permitir que ela mantenha a política de incentivo à economia com aumento dos gastos públicos. Os investimentos em ativos fixos cresceram 33,5% no primeiro semestre motivados por grandes obras (rodovias, fábricas, redes de energia, ferrovias) e províncias do interior da China carentes de infraestrutura foram extremamente beneficiadas.
Um número impressionante informado pela correspondente Claudia Trevisan: “Só em junho, os bancos concederam empréstimos no valor de US$ 225 bilhões, o que elevou o crédito no primeiro trimestre a nada menos que US$ 1,5 trilhão, ou seja, 25% do PIB.
Com o grande e crescente superávit fiscal, a China poderá sustentar a atual política de investimento por muito tempo e manter sua enorme demanda por recursos naturais. Continuará, assim, a contribuir cada vez mais para reduzir os efeitos da crise mundial, sobretudo em países fornecedores de matérias primas, como o Brasil.
BRASIL SE APROVEITA BEM
E aqui estamos sendo beneficiados, principalmente pela nova estratégia do governo chinês de aproveitar preços relativamente baixos das commodities para aumentar as compras e os estoques. A China tornou-se o principal parceiro comercial brasileiro, ultrapassando os EUA pela primeira vez, atesta Rodrigo Maciel. E tudo indica que poderemos continuar assim nos próximos trimestres. É uma oportunidade única, num mercado mundial deprimido.
*E mail – at@attglobal.net



Para felicidade dos que apreciam a inteligência, o professor Antônio Barros de Castro, recém-saído de uma delicada sucessão de cirurgias, volta hoje ao debate público, numa participação de última hora no Fórum Nacional promovido pelo ex-ministro Reis Velloso. Barros de Castro apresentará a última revisão do estudo mostrado pela primeira vez durante a comemoração dos 200 anos do ministério da Fazenda, no ano passado. Ele garante que, apesar da crise financeira, inaugurou-se um novo grande ciclo na economia mundial, puxado pela China e favorável a países ricos em recursos naturais. Como o Brasil.