19/06/2008 - 13:30h Chimpanzés fêmeas copulam em silêncio para evitar competição e só emitem sons durante sexo quando há machos ao redor

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macaconao.gif Chimpanzés fêmeas copulam em silêncio para evitar competição

Estudo diz que fêmeas só emitem sons durante sexo quando há machos ao redor.

BBC Brasil - O Estado de São Paulo

Uma pesquisa conduzida por cientistas escoceses sugere que chimpanzés fêmeas deixam de emitir sons durante a cópula caso outras fêmeas estejam ao redor para evitar competição.

Os chimpanzés são conhecidos por terem um comportamento sexual promíscuo e, segundo os pesquisadores, as fêmeas estão mais preocupadas em manter relações com diversos parceiros do que encontrar o macho mais forte.

Os cientistas da Universidade de St. Andrews, na Escócia, observaram um grupo de chimpanzés que vive na Floresta Budongo, em Uganda, na África, e publicaram os resultados da análise na edição desta semana da revista científica Public Library of Science (PLoS).

De acordo com a pesquisa, as fêmeas emitem mais sons de cópula - barulhos emitido durante as relações sexuais - quando vários machos estão ao redor. No entanto, elas permanecem quietas durante a relação quando há fêmeas ao redor para evitar a competição pelos machos da região.

“A competição entre as fêmeas pode ser muito perigosa nos chimpanzés selvagens. Nossa descoberta ressalta o fato de que as fêmeas usam os sons de cópula como uma tática para reduzir os riscos relacionados a esta competição”, disse Simon Townsend, que liderou o estudo.

Paternidade

A função dos sons de cópula nos primatas vem sendo discutida por vários anos.

Uma das principais teorias é que as fêmeas emitiriam sons durante a relação sexual para anunciar a receptividade para os machos. Dessa forma, ela geraria competição entre os machos e poderia escolher o parceiro mais forte para garantir a qualidade de seu filhote.

No entanto, os pesquisadores não encontraram nenhuma prova para apoiar a hipótese de que o som estimularia a competição entre os machos. Além disso, análises dos hormônios das fêmeas indicaram que sua disponibilidade para manter relações não estaria relacionada com seu período fértil, e, portanto, as fêmeas não estariam chamando a atenção dos machos para conceber um filhote.

“As fêmeas observadas na pesquisa parecem muito mais preocupadas em manter relações com vários parceiros diferentes, sem que as outras fêmeas descubram, do que em fazer com que os machos briguem por ela”, afirmou Townsend.

De acordo com os cientistas, as fêmeas emitem os sons durante a cópula para atrair o maior número de parceiros possível e, dessa forma, confundir os machos sobre a paternidade de seu filhote. Isso garantiria à fêmea proteção dos machos e reduziria o risco de infanticídio - comum entre os chimpanzés machos, já que eles criaram uma relação com a fêmea e não saberiam com certeza se são ou não pais do filhote.

Segundo os pesquisadores, chimpanzés fêmeas são expostas a forte pressão social entre outros membros do grupo, principalmente quando os recursos são escassos.

“Nesse contexto, confundir os machos com relação à paternidade, principalmente entre os machos mais importantes, tem duas vantagens. Primeiro, reduz a probabilidade de que os machos irão atacar os filhotes, potencialmente seus. Segundo, pode ajudar a melhorar a disponibilidade dos machos em apoiar a fêmea, até mesmo em brigas com outras fêmas”, diz o estudo.

De acordo com os cientistas, as descobertas são “mais um indício das sofisticadas capacidades mentais e inteligência social dos parentes vivos mais próximos da espécie humana”. BBC Brasil

18/06/2008 - 16:47h Chimpanzés se consolam com abraços e beijos, mostra estudo

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da Associated Press, em Washington
com Folha Online

Funciona com humanos e com chimpanzés também. Os animais com os quais compartilhamos 98% dos genes também usam abraços e até beijos para acalmar os outros, afirma um estudo da Universidade John Moores de Liverpool, na Inglaterra.

Segundo a pesquisa, o estresse dos chimpanzés vítimas de agressão foi reduzido quando outro primata lhe oferecia um abraço ou um beijo. De acordo com Orlaith N. Fraser, do Centro de Pesquisa em Antropologia Evolutiva e Paleontologia da universidade britânica, isso é particularmente interessante porque o comportamento –beijos e abraços– só é visto após um conflito.

“Se é um beijo, o consolador pressiona sua boca aberta contra o corpo do receptor, normalmente no alto da cabeça ou nas costas”, destaca a pesquisadora. Já o abraço é como entre os humanos: dois braços envolvendo o outro.

O resultado desse consolo é uma redução do comportamento que sinaliza estresse, como coçadas ou golpes da vítima em si mesma, aponta o estudo, publicado na última edição do “Proceedings of the National Academy of Sciences”.

“Esse estudo acaba com as dúvidas sobre se o ato de consolar tem efeito, promovendo alívio e tranqüilizando os indivíduos após uma briga”, diz Frans de Waal, do Centro de Primatas Yerkes, da Universidade Emory, em Atlanta. Segundo ela, o ato é mais comum entre os chimpanzés que já se relacionavam anteriormente.

07/06/2008 - 14:37h As mulheres desafiadoras das normas

Frida Kahlo e Simone de Beauvoir
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Rosa Montero traça o perfil de senhoras que decidiram viver com liberdade plena

Ubiratan Brasil - O Estado de São Paulo

Margaret Mead
http://www.colby.edu/personal/e/ebeasley/mead2.jpg Mulheres que tiveram a coragem de lutar contra as convenções sempre fascinaram a escritora e jornalista espanhola Rosa Montero. Autora de opiniões francas sobre os horrores da sociedade, ela se voltou, em Histórias de Mulheres (Agir, tradução de Joana Angélica d’Ávila Melo, 224 páginas, R$ 30), para a trajetória de um grupo de 18 mulheres que, por desejarem viver sob liberdade plena, ajudaram a construir a história da humanidade.

Assim, encontram-se, lado a lado, Frida Kahlo, Simone de Beauvoir, Agatha Christie, Mary Wollstonecraft, Zenobia Camprubí, Lady Ottoline Morrel, Alma Mahler, Maria Lajárraga, Laura Riding, George Sand, Isabelle Eberhardt, Aurora e Hildegart Rodríguez, Margaret Mead, Camille Claudel e as irmãs Charlotte, Emily e Anne Brontë. Mulheres capazes tanto de gestos heróicos como abomináveis, o que expõe suas ambigüidades e revela toda sua complexidade humana.”O que nos reafirma em nossa humanidade cabal e completa: somos capazes, como qualquer pessoa, de todas as excelências e de todos os abismos”, comenta Rosa, que concedeu, por e-mail, a seguinte entrevista.

Qual característica comum a todas essas mulheres?

São todas muito distintas, por isso, tentei oferecer um panorama de mulheres as mais diferentes possíveis. Algumas são boas personas, outras malíssimas; algumas triunfaram na vida, outras foram um completo fracasso. Todas, porém, têm histórias fascinantes. Foi o que despertou minha atenção: suas peripécias vitais são incríveis, interessantíssimas, pouco habituais.

Como essas mulheres te influenciaram?

Não sei como dizer. Todo trabalho que realizamos nos modifica. Convivi por muito tempo com essas mulheres durante as pesquisas, mas não diria que me influenciaram. Adianto que muitas delas são aborrecidas, não gostaria de ser como elas. O que me interessou foi, depois de estudar suas vidas, descobrir que em todas as épocas existiram muitas mulheres heterodoxas fazendo coisas incríveis, apesar das limitações do sexismo.

Por que você sempre se posicionou contra a classificação de literatura feminina?

A literatura feminina não existe. Um autor escreve influenciado por sua língua, leituras, sonhos, medos, sua classe social, experiências, amores, desamores, seu estado de saúde, e também de seu gênero, claro, seja homem ou mulher. Mas isso, ser homem ou mulher, nada mais é que uma variante entre outras. É impossível objetivar uma literatura apenas pelo sexo do escritor. Também é razoável pensar que meus livros mais parecem escritos por um homem da minha idade, espanhol e proveniente de uma metrópole que por uma autora negra de 90 anos, sul-africana, que viveu sob o apartheid. Porque o que me separa de uma sul-africana é muito mais do que nos une.

Histórias de Mulheres foi escrito em 1995. Como a História não se escreve de forma linear, como foi a evolução nesses 13 anos? O momento agora é bom para a mulher?

Sim, tenho a nítida sensação de que, desde a publicação do livro, a situação das mulheres melhorou em todo o mundo, salvo, é claro, nas bolsas do integrismo retrógrado, fundamentalmente islâmico mas também, em alguns casos, cristão. Guardo um exemplar do jornal El País, de 27 de novembro de 2005. As páginas 2 e 3 estão integralmente dedicadas a Michelle Bachelet, então candidata à presidência do Chile, cargo que hoje ocupa. Toda a página 4 é uma entrevista com Ellen Johnson-Sirleaf, presidenta da Libéria, com um enorme retrato de seu rosto. Adiante, na 5, outra grande entrevista com imagem da estupenda Ayaan Iris Ali, ex-deputada holandesa de origem somali. Na página 6, um artigo sobre as eleições na Chechênia, ilustrado casualmente com o retrato de duas mulheres passando em frente a um muro repleto de cartazes. E, em frente, na 7, uma entrevista de página inteira, com sua foto correspondente, de Fayza Aboulnaga, ministra egípcia de Cooperação Internacional. Não se tratava de uma edição especial feminina, como as que fazem no Dia Internacional da Mulher. Era a edição qualquer, de um dia qualquer, cujas sete primeiras páginas da seção internacional estavam ocupadas quase exclusivamente por essas jovens mulheres, responsáveis pelo governo, por ministérios, com funções parlamentares. Uma prova evidente da vertiginosa velocidade das mudanças históricas.

Por que você reivindica a palavra “feminista”? No que ela difere da palavra “machista”?

Reivindico porque é uma charmosa palavra histórica, uma bandeira sob a qual lutaram muitas mulheres e também muitos homens, como o filósofo Condorcet. O que acontece é que parece ser uma palavra semanticamente equivocada porque parece significar o contrário de machismo, ou seja, que reclama a supremacia da mulher sobre o homem, quando não é assim. Em sua quase absoluta maioria, o feminismo reclama pelo fim do sexismo e que nenhum dos dois sexos seja superior ao outro. Assim, por claridade expressiva, prefiro definir-me como anti-sexista.

Você acredita que o homem teme a evolução da mulher? Por quê?

Não todos, mas são muitos. A revolução anti-sexista ou feminista vem se caracterizando como um movimento social profundo e muito rápido, historicamente falando. Em apenas um século, mudaram-se comportamentos básicos que duravam milênios. E alguns homens se sentem perdidos diante dessas mudanças. Acreditam ter perdido seu lugar no mundo. E os piores, os mais miseráveis, os mais cruéis e malvados desses homens convertem essa sensação de desconcerto em violência. Boa parte da violência doméstica se deve a isso, me parece. Assim, os países com maior porcentagem de mortes de mulheres pelos homens são os nórdicos, nos quais a sociedade avançou mais na destruição do sexismo.

Para você, que sentido tem hoje a literatura, que sofre especialmente com a pressão do mercado?

Os romances são os sonhos da humanidade. Sem romances, todos seríamos muito mais loucos. E a literatura em geral, assim como a arte, são as maiores armas que o ser humano dispõe para lutar contra o horror e o caos. Há muita esperança no ato de ler e escrever, esperança na possibilidade de ser entendido e de compreender o outro, esperança na capacidade que temos para comunicarmos, para transmitirmos pensamentos, para compartilhar sentimentos, para criar beleza. A literatura permite que sejamos melhores do que somos. E o mercado não passa de um pequeno acidente nesse percurso.

07/06/2008 - 00:20h Marta Suplicy: Por que quero voltar a ser prefeita

Veja São Paulo entrevista Marta Suplicy

Na primeira de uma série de entrevistas com os principais candidatos à prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, a atual líder nas pesquisas, fala de seus planos para a cidade, do que se arrepende em seu período à frente da administração municipal e por que se julga mais bem preparada que seus dois maiores adversários, o ex-governador Geraldo Alckmin e o prefeito Gilberto Kassab

Por Alessandro Duarte e Alvaro Leme

Mario RodriguesMarta: 30% das intenções de voto e 31% de rejeição

Após um encontro reservado com o presidente Lula, na última quarta-feira, Marta Suplicy deixou o Ministério do Turismo e anunciou oficialmente que é candidata à prefeitura da maior cidade da América Latina. Aos 63 anos, ela deseja voltar ao cargo que ocupou entre 2001 e 2004. “São Paulo é moderna, nervosa, agitada”, afirma. “Precisa de alguém ousado, criativo e inovador.” Para concretizar seu sonho, terá de bater adversários de peso. Segundo pesquisa divulgada pelo Ibope na terça, a petista lidera a corrida com 30% das intenções de voto dos paulistanos. O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) aparece logo atrás, com 28%, e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) vem em terceiro, com 13%. No último levantamento do Datafolha, publicado no dia 18 de maio, o resultado foi bastante parecido. Marta tinha 30%; Alckmin, 29%; e Kassab, 15%. Entre os três, ela também está à frente na medição da rejeição. Dos entrevistados pelo Datafolha, 31% dizem que não votariam nela de jeito nenhum (contra 27% de Kassab e 16% de Alckmin). Embora ainda faltem quase quatro meses para as eleições e esse quadro possa se modificar, já ficou claro quem são os mais fortes candidatos no pleito, cujo primeiro turno vai se realizar em 5 de outubro. O segundo está marcado para 21 dias depois.

Felipe Araujo/Agência Estado/AENa 12ª edição da Parada Gay, em maio: trio elétrico do Ministério do Turismo

Eduardo Knapp/Folha ImagemDurante visita ao Jardim Keralux, na campanha à prefeitura de 2000: elegância, ainda que em meio à lama

Nesta edição, Veja São Paulo apresenta a primeira de uma série de entrevistas com os três principais concorrentes. Marta recebeu a reportagem um dia antes de se desligar do governo, na sede estadual do Partido dos Trabalhadores, no Jardim Paulista. Durante uma hora e meia, ela falou sobre seus planos e tomou cinco xícaras de café com adoçante, servindo-se de uma garrafa térmica. “Antes de entrar para a prefeitura, não tinha esse hábito”, diz ela. “Hoje, bebo mais de dez xícaras por dia.” À frente do Ministério do Turismo, no qual ficou por catorze meses, firmou um convênio de 1 bilhão de dólares com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), criou o programa Viaja Mais – Melhor Idade, que incentiva o turismo de pessoas acima de 60 anos, e deu início aos estudos sobre as necessidades das cidades-sede da Copa de 2014. Mas o momento que ficou marcado foi o da sugestão que deu para quem sofria com as conseqüências do caos aéreo. “Relaxa e goza”, disse. “Foi uma frase infeliz, pela qual pedi desculpas horas depois”, lembra Marta.

Leonardo Wen/Folha ImagemEm junho de 2007, auge do caos aéreo, no lançamento do Plano Nacional de Turismo: “Relaxa e goza”

Marcelo Ximenez/Folha ImagemApresentando o CEU de Campo Limpo ao russo Garry Kasparov, ex-campeão de xadrez, em agosto de 2004: 21 escolões construídos durante sua gestão

Psicanalista, nascida rica e educada em colégios freqüentados pela elite paulistana, ela tornou-se conhecida em 1980, quando apresentava o quadro Compor-ta-mento Sexual no programa TV Mulher, da Rede Globo. Já naqueles tempos mostrava que não tinha papas na língua. Falava sobre orgasmo e masturbação com uma desenvoltura rara à época. No PT desde a década de 80, foi deputada federal entre 1995 e 1998, quando encabeçou projetos como a regulamentação do direito ao aborto e a parceria civil para pessoas do mesmo sexo. Em abril de 2001, numa decisão que chocou parte dos paulistanos e de seus eleitores, divorciou-se do senador Eduardo Suplicy, político com imagem de bom moço e respeitado mesmo entre os não-petistas. Eles foram casados por 36 anos e tiveram três filhos – o advogado André e os cantores Supla e João. Dois anos e meio depois, numa festança para 400 pessoas, Marta Teresa Smith de Vasconcellos – seu nome de nascimento – casou-se, de chapelão e vestido que deixava os ombros à mostra, com o franco-argentino Luis Favre, quatro anos mais jovem, quatro casamentos anteriores e uma vistosa rede de contatos na esquerda internacional.

Ricardo StuckertNo casamento com o franco-argentino Luis Favre, em setembro de 2003: festa para 400 pessoas

José Cruz/Agência BrasilEm encontro no Congresso, em 2003, seu ex-marido, o senador Eduardo Suplicy, lhe dá um beijo na testa: separação causou espanto

Em seu mandato como prefeita, algumas de suas realizações foram a criação dos Centros Educacionais Unificados (CEUs), a instituição do bilhete único – que permitia ao usuário do sistema de transporte público pegar, pelo preço de uma passagem, quantos ônibus quisesse em um período de duas horas –, a transferência de seu gabinete do mal-amado Palácio das Indústrias, no Parque Dom Pedro II, para o Edifício Matarazzo, localizado entre o Viaduto do Chá e a Praça do Patriarca, e a construção de duas polêmicas passagens subterrâneas sob a Avenida Faria Lima. Com a desculpa de que os cofres haviam sido deixados em frangalhos pelos anos de administração Maluf-Pitta, avançou com gosto no bolso dos contribuintes. Em busca de recursos, criou as taxas do lixo e de iluminação, além de conseguir na Câmara a aprovação do IPTU progressivo. Tentou a reeleição, mas perdeu para o tucano José Serra, que dois anos depois se elegeu governador do estado.

Joao SalDe vestido balone, chegando para o casamento de sua amiga Eleonora Rosset, no mês passado: guarda-roupa fabuloso

Silvio FerreiraApresentando o quadro Comportamento Sexual, na TV Mulher, em 1981: sem papas na língua

Quando não está cuidando dos preparativos de sua campanha, a sempre vaidosa Marta Suplicy costuma ir ao cinema (gostou de Um Beijo Roubado e detestou O Melhor Amigo da Noiva), ver os netos (tem quatro e mais um a caminho) e comer as receitas do marido, que costuma cozinhar para ela. “Ele faz um pot-au-feu (cozido francês) ótimo”, conta, com um indisfarçável brilho nos olhos azuis, antes de mais um gole de café, a essa altura morno.

Marcia MayCom os filhos André, João e Supla, no início da década de 80: “Falo com eles quase todos os dias”


Entrevista

Mario Rodrigues“Eu me arrependo de ter criado taxas. Muito. Na minha gestão, 62% dos contribuintes passaram a pagar menos IPTU. Ao mesmo tempo, outros 31% tiveram aumento, e aí acho que a mão pesou”

Veja São Paulo – Por que a senhora quer voltar a ser prefeita?
Marta Suplicy – São Paulo precisa de uma nova atitude. Vejo minha cidade numa situação caótica no trânsito, com uma administração que não ousou o suficiente para atender a suas demandas. Creio ter as condições de dar respostas aos problemas gravíssimos enfrentados pelos paulistanos. Politicamente, tenho mais acesso ao governo federal, por ser do time do presidente.

Veja São Paulo – Qual é o principal problema da cidade hoje e como pretende enfrentá-lo?
Marta – Sem querer ignorar a situação difícil na saúde e na educação, diria que é o trânsito. O que pretendo fazer? Recuperar a capacidade de gestão da CET e ampliar o bilhete único, que pode ganhar duração semanal, mensal ou até anual. A longo prazo, construir mais corredores de ônibus e linhas de metrô. Para a Copa do Mundo de 2014, precisaremos de mais 260 quilômetros de corredores e 65 de metrô.

Mario Rodrigues“Se a mulher é gentil e doce, classificam de incompetente. Se é firme e forte, chamam de arrogante. Se tem poder, então, vira insuportável”

Veja São Paulo – A senhora foi prefeita por quatro anos. Não acha que tem parte da responsabilidade pelo caos no trânsito, que já era um problema na sua gestão?
Marta – Pelo contrário. Enfrentamos a máfia de dirigentes do transporte para reformular os contratos das empresas com a prefeitura. Havia ônibus com mais de dez anos e perueiros clandestinos enlouquecidos pelas ruas. Implantamos o bilhete único, que virou um modelo para todo o Brasil. Criamos 100 quilômetros de corredores, enquanto a atual administração construiu 7. Fizemos túneis importantes e um pedaço significativo da Radial Leste.

Veja São Paulo – A senhora cogita adotar medidas restritivas ao transporte individual, como o pedágio urbano ou a ampliação do rodízio?
Marta – Nossas propostas passam pelo lado oposto. Quero que quem usa o transporte privado se sinta atraído por um transporte de qualidade. Como, por exemplo, na Avenida Rebouças. Muitas pessoas que faziam aquele percurso de carro passaram a usar o ônibus, que é mais rápido. Quanto ao metrô, perdemos muito tempo. Estive recentemente na China e vi que são construídos 20 quilômetros por ano em Pequim. Precisamos implantar esse ritmo alucinante aqui e temos condições de fazer isso por causa do boom econômico. Mas, se tivéssemos hoje 10 bilhões de reais para investir no metrô, não haveria licitações prontas ou projetos. De que chamo isso? Falta de planejamento. Que nome posso dar?

Veja São Paulo – A senhora se compromete a não aumentar impostos como o IPTU ou a não criar outras taxas?
Marta – Vou diminuir as taxas. Já mandei um grupo estudar formas de reduzir a tributação para o cidadão paulistano. Não sei ainda que imposto será usado. A cidade vive outro momento, gente! Quando comecei minha gestão, São Paulo tinha dívidas gigantescas. A receita de que dispunha era metade da atual.

Mario Rodrigues“Quem está no serviço público precisa se apresentar bem porque é visto e fotografado o tempo inteiro”

Veja São Paulo – Caso seja eleita, a senhora se compromete a cumprir o mandato até o fim?
Marta – Assinar papel com uma garantia dessas ficou desmoralizado na última eleição, não? Tenho idéia de, se eleita, pleitear um novo mandato. Oito anos. Em minha experiência como prefeita, vi que dei passos gigantescos no transporte, na saúde e na educação, mas não consegui chegar aonde poderia. Se é para entrar na briga, que seja para deixar uma coisa mais consolidada.

Veja São Paulo – Quer dizer que não deixaria o mandato para se candidatar ao governo ou à Presidência?
Marta – Mais que isso. Estou falando que penso em ficar oito anos na prefeitura.

Veja São Paulo – A senhora gostou, então, de ser prefeita?
Marta – É um trabalho estressante como nenhum outro. Não tem igual. Ao mesmo tempo, é muito gratificante perceber que você pode mudar a vida das pessoas.

Veja São Paulo – Por que a senhora acha que tem melhores condições de administrar São Paulo do que o prefeito Gilberto Kassab e o ex-governador Geraldo Alckmin?
Marta – Pelo perfil. São Paulo é moderna, nervosa, agitada. Precisa de alguém ousado, criativo e inovador. Se for ver o que o Alckmin fez como governador, não daria para aplicar nenhum desses adjetivos à sua gestão. O Kassab continuou, de forma muito modesta, o que eu havia iniciado. Não consigo lembrar de nenhuma ação inovadora e criativa que ele tenha tomado para solucionar os problemas vitais da cidade.

Veja São Paulo – Nem mesmo a Lei Cidade Limpa?
Marta – É um projeto importante, que foi iniciado em nossa gestão com a Operação Belezura. Kassab teve o mérito de implementar e dar uma dimensão para a cidade toda. Foi um bom projeto. Mas não vi nenhuma grande obra que não tenha sido iniciada no meu governo. A Ponte Estaiada Octavio Frias de Oliveira, que é uma obra muito linda, foi licitada por nós. Fizemos também a fundação e os pilares. A gestão Serra-Kassab limitou-se a dizer que era uma obra faustosa e cara. Interrompeu a construção, que só foi retomada quando as empreiteiras entraram na Justiça. Tínhamos pouco dinheiro e fizemos muito. Eles têm muitos recursos e fizeram muito pouco.

Veja São Paulo – Que projeto ou obra seria a marca de um novo governo seu?
Marta – Ainda é cedo para dizer. Estou começando a me debruçar nos problemas da cidade. Mas certamente será marcante a recuperação do transporte. E também a inclusão social. Enquanto o sistema público não consegue tirar uma criança da favela, que seja capaz de tirar a favela de dentro dela com uma escola que ofereça oportunidades. Vou investir em um centro para alavancar a formação dos nossos professores. E conseguir que os alunos fiquem mais tempo na escola, o que é um desafio gigantesco em São Paulo, em razão da quantidade de crianças. Como psicóloga e psicanalista, quero manter um olhar especial sobre as creches. Criança bem-cuidada nos primeiros anos de vida é a que vai ter oportunidades.

Veja São Paulo – Do que a senhora se arrepende de não ter feito em sua gestão?
Marta – Eu me arrependo de algo que fiz. Das taxas. Muito. Mas não havia recursos. Nossa administração foi bem difícil no começo, porque pegamos um momento pós-Maluf e Pitta. Uma cidade completamente depredada, em ruínas. As administrações regionais eram antros e não prestavam nenhum serviço. Criamos um plano diretor, o que não existia em São Paulo havia mais de dez anos. A folha de pagamento da prefeitura era feita a mão! Nós a informatizamos. Agora, olhando em retrospecto, eu me arrependo das taxas, sim. Apesar de termos boa intenção, a população já havia enfrentado aumento no IPTU e se sentiu penalizada. É paradoxal, pois fui a prefeita que menos cobrou impostos em São Paulo. Na minha gestão, 62% dos contribuintes passaram a pagar menos IPTU. Ao mesmo tempo, outros 31% tiveram aumento, e aí acho que a mão pesou.

Veja São Paulo – Por que os paulistanos não a reelegeram?
Marta – É uma questão que me coloquei muitas vezes. Acho que cometemos erros de verdade, como a tributação. E as pessoas acreditaram na proposta do outro, que prometeu fazer melhor o que a gente já fazia.

Veja São Paulo – Também havia e há, segundo as pesquisas, rejeição à sua imagem. Como pretende contornar isso na campanha?
Marta – Acho que você amadurece, em primeiro lugar. E acredito que as pessoas, depois de quatro anos, tenham avaliado melhor a posição que assumiram naquele momento. O machismo também pesa.

Veja São Paulo – Alguns analistas creditam parte dessa rejeição ao fato de a senhora ter se separado do senador Eduardo Suplicy e se casado com o franco-argentino Luis Favre. Acredita que isso possa pesar na campanha deste ano?
Marta – Foi um item a mais num caldeirão que se colocou contra mim, mas não teve peso substancial. Hoje, a maioria das famílias tem alguém separado. Senti falta de pessoas que falassem em meu favor. Que vissem como ato de coragem uma pessoa se apaixonar e, em vez de levar uma vida paralela, assumir e prestar satisfação à sociedade. E, inclusive, se casar. A maioria dos políticos não se porta assim. Fui coe-rente com minha vida e minhas posturas.

Veja São Paulo – Nesta eleição, a senhora vai enfrentar outro problema em relação à imagem, a sugestão para os passageiros vítimas do apagão aéreo: “Relaxa e goza”. Como pretende lidar com essa questão?
Marta – Considero uma página virada, no sentido de que foi uma frase infeliz, pela qual pedi desculpas horas depois. Acho que a grande maioria da população entendeu a situação em que disse aquilo e me perdoou. Uma vida pública de vinte anos não pode ser destruída por uma frase infeliz. Eu me sinto tranqüila. Podem eventualmente usar isso contra mim, mas não creio que vá trazer votos a quem o fizer. E, depois, quem é que nunca disse uma frase infeliz?

Veja São Paulo – Qual é a melhor coisa de ser prefeita de São Paulo?
Marta – Poder fazer.

Veja São Paulo – E a pior?
Marta – O stress.

Veja São Paulo – O que São Paulo tem de melhor?
Marta – O povo.

Veja São Paulo – E o que tem de pior?
Marta – O trânsito.

Veja São Paulo – Qual foi o melhor prefeito que São Paulo já teve?
Marta – Em termos de pensar a cidade, Prestes Maia e Faria Lima. No que diz respeito à inclusão social, nossa gestão foi muito importante.

Veja São Paulo – Como concilia a carreira política com o tempo dedicado a marido, filhos e netos?
Marta – Todos sofrem e eu também, por não conseguir dar a atenção que gostaria, apesar de me desdobrar. Falo com meus filhos todos os dias. Eles às vezes me visitam em horários esdrúxulos, como à meia-noite. Sempre sei o que está acontecendo com eles. Acho que Eduardo (Suplicy) e eu conseguimos construir algo muito bom com nossos filhos. Perco várias gracinhas dos netos. Uma delas, a Laura, ganhou medalha na natação outro dia e eu não estava lá. Vou sempre aos aniversários e, de vez em quando, fazemos algum programa juntos.

Veja São Paulo – Como encontra tempo para se cuidar?
Marta – Não me cuido muito. Tento fazer esteira e algumas outras coisas, quando dá.

Veja São Paulo – Que coisas?
Marta – Prefiro não ficar detalhando. Quero voltar a fazer acupuntura.

Veja São Paulo – Incomoda-a quando comentam seu gosto para se vestir ou seu guarda-roupa?
Marta – Sou uma pessoa vaidosa, então não me provoca incômodo dizerem que estou bem-arrumada. Só quando isso vai além do que devia. É mais uma qualidade e um esforço do que qualquer coisa, mas devia passar despercebido. É “ça va sans dire” (algo como “dispensa comentários”, em francês). Quem está no serviço público precisa se apresentar bem porque é visto e fotografado o tempo inteiro. Mulher sempre paga um preço. Se aparece desarrumada, acham que está deprimida. Se demora a retocar a tintura do cabelo, a chamam de relaxada.

Veja São Paulo – Qual é sua maior tentação gastronômica?
Marta – Massas.

Veja São Paulo – A senhora cozinha?
Marta – Nunca fui boa nisso. O Luis, meu marido, é ótimo cozinheiro. Ele faz muito bem pot-au-feu (cozido francês), saladas, rosbifes, vitelas, coelhos e carnes. Tem também um prato de batata com bacon que adoro. Ele só não sabe fazer sobremesa, mas nem assim me estimulei a aprender.

Veja São Paulo – Vai muito ao cinema?
Marta – Pouco. O último filme que vi foi Um Beijo Roubado, que é bom. Na semana anterior, assisti a um outro que detestei, O Melhor Amigo da Noiva.

Veja São Paulo – E para ler, encontra tempo?
Marta – Toda noite. Acabei recentemente o livro da Maitê Proença (Uma Vida Inventada). No momento não estou lendo nada em português. Leio em inglês, francês e espanhol como uma maneira de praticar essas línguas.

Veja São Paulo – A senhora acha que tem uma imagem de arrogante?
Marta – Às vezes desconfio que sim. Algumas pessoas, depois de me conhecer, contam que me imaginavam muito diferente. Quando tento entender, vejo que era por me acharem arrogante. Mulher é assim: se é gentil e doce, classificam de incompetente. Se é firme e forte, chamam de arrogante. Se tem poder, então, vira insuportável. E você não pode exercer o poder se não for firme. É uma imagem que nós, mulheres, vamos ter de conquistar e mudar. As grandes líderes do século passado, como Golda Meir, Indira Gandhi e Margaret Thatcher, eram todas mulheres travestidas de homens. A geração do século XXI não quer isso. Políticas como Ségolène Royal, Cristina Kirchner e Michelle Bachelet são muito femininas. A Angela Merkel até pôs um decote ousado outro dia. Fui uma desbravadora, primeiro no programa TV Mulher, depois no exercício da política, pagando todos os preços nas duas experiências.

Veja São Paulo – Qual é sua maior qualidade?
Marta – Não tenho medo de pensar o novo. Estou sempre em busca de solução. Eu decido.

Veja São Paulo – E o maior defeito?
Marta – Impaciência. Quero tudo para ontem.

Veja São Paulo – Lê horóscopo?
Marta – Às vezes, mas não que eu abra o jornal para isso. Acho divertido.

Veja São Paulo – A senhora se identifica com alguma característica de Peixes, o seu signo?
Marta – Ah, eu choro muito. Em filme, livro… Durante a prefeitura, quase todo dia. Não houve uma visita a CEU em que eu não tenha chorado.

11/04/2008 - 13:36h CULTURA E REALIDADE BRASILEIRA: PALESTRA ABORDOU ADITIVOS ALIMENTARES

Indicado a este blog por um leitor, reproduzimos a entrevista sobre corantes do Dr. Márcio Bontempo.

Autor de diversos livros sobre alimentação e saúde, o médico Márcio Bontempo ..proferiu, em 28 de junho, a palestra de encerramento da disciplina “Cultura e Realidade Brasileira”, do curso de Pedagogia-Gestão Escolar. A principal questão tratada na palestra foi o papel do administrador escolar em relação à cantina do estabelecimento de ensino, tendo em vista os produtos lá comercializados. Foram comentados também assuntos ligados ao uso de aditivos químicos nos alimentos, ao consumo de carnes e derivados e ao vegetarianismo.

A principal preocupação do professor Amilton de Souza Rocha foi levar os alunos, futuros administradores escolares, a uma reflexão crítica e à tomada de consciência sobre a questão dos alimentos fornecidos na escola, alertando-os para a necessidade de um monitoramento de todos os produtos que chegam à cantina e o que se deve fazer para minimizar os problemas advindos do consumo de alimentos com aditivos químicos. O alerta é feito, sobretudo, tendo em vista a falta de consciência da população adulta quanto à escolha dos alimentos e às conseqüências desse comportamento para crianças e adolescentes, alunos do ensino fundamental e médio.

Por isso, para este evento, foi escolhido um profissional da área médica que, em várias publicações, vem tratando da relação entre a má alimentação e a manifestação de doenças. Para o doutor Bontempo, o problema das patologias que afligem a população tem sido, quase sempre, discutido como fato isolado, ignorando a sua relação com a educação alimentar. O médico considera que os problemas de saúde devem ser tratados em conjunto com o restante das questões humanas, econômicas e sociais.

Entrevista

O doutor Márcio Bontempo, em entrevista à redação do Informação Superior, opinou sobre alimentação, aditivos alimentares e doenças e sobre o papel do administrador escolar na oferta de alimentação aos alunos.

1) IS: O que são aditivos químicos alimentares?
Márcio Bontempo: São substâncias químicas criadas pela indústria dos alimentos, incorporadas aos produtos alimentícios, visando geralmente à conservação, mudança ou estabilização da cor. É sabido que 91% dos corantes e aromatizantes utilizados pela indústria dos alimentos são supérfluos. Temos, assim, 9% de elementos essenciais. Fala-se que os aditivos são importantes e necessários, mas sabemos que não é assim. Eles são perigosos, penetram no âmago celular e hoje representam um perigo para a manutenção da saúde genética da humanidade.

2) IS: Qual é a origem dos aditivos alimentares?
MB: A maior parte dos aditivos principais (corantes e aromatizantes) provém do alcatrão e da ulha, derivados do petróleo, mas existem também os antibióticos e os naturais, de origem vegetal.

3) Como o consumidor pode fugir desses produtos?
MB: Não é difícil. Deve-se consumir frutas, legumes, cereais integrais e compostos mais naturais e evitar alimentos industrializados. As pessoas vêm usando cada vez mais produtos sintéticos e o problema é que se acostumaram a usar itens artificiais, a consumir fast food, alimentos imediatos, de rápido preparo, coisas que tornam artificial a alimentação.

4) Como o administrador escolar pode monitorar esse tipo de comercialização?
MB: Ele pode fazer isso por meio da cantina da escola, munindo-se de muita paciência e procurando ter o máximo de consciência em relação ao que é oferecido. O trabalho e a abordagem, quanto à conscientização, variam de acordo com a faixa etária dos alunos. O administrador escolar pode trabalhar junto à cantina escolar, oferecendo alimentos mais naturais. Não é preciso ter guloseimas coloridas, iogurtes e outros itens ricos em açúcar, corantes, aromatizantes, substâncias perigosas. Isso não é necessário, são coisas muito supérfluas. As crianças na cantina escolar compram geralmente itens supérfluos e o administrador deve saber que elas consomem esses produtos antes das refeições e, quando chegam em casa, comem pouco e absorvem quantidades de nutrientes muito aquém das necessidades, o que é um problema. O administrador escolar tem que formar essa consciência na escola que ele administra. São questões amplas e o bom gestor, interessado em conhecer o assunto, vai cumprir uma função muito maior porque, além de sua função pedagógica, estará também ensinando saúde. E isso é muito importante.

11/04/2008 - 10:47h Corantes sob suspeita

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Autoridades européias querem banir aditivos que causariam hiperatividade em criança

O GLOBO

Autoridades de saúde européias recomendaram a proibição de seis corantes artificiais até 2009. Eles são suspeitos de causar hiperatividade e outros distúrbios de comportamento em crianças suscetíveis. Os aditivos são empregados em doces, bolos e refrigerantes e estão em uso no Brasil. A Agência de Alimentos do Reino Unido (FSA, na sigla em inglês) recomendou aos governos de países da União Européia que peçam as indústrias para banir os seis corantes até o fim de 2009. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), quando há uma decisão internacional como esta, ela costuma levar a medida em consideração para ver se é o caso de adotá-la no Brasil.

A FSA também vai aconselhar e reforçar o alerta aos pais a respeito dos perigos das substâncias tartrazina (E102), amarelo quinolina (E104), amarelo pôr-do-sol (E110) carmoisina (E122), Ponceau 4R (E124) e vermelho allura AC (E129). Estes corantes e o preservativo benzoato de sódio (E211) foram associados à hiperatividade em estudo da Universidade de Southampton, no Reino Unido. As crianças tornaram-se distraídas e falharam em testes de atenção.

No momento, não há qualquer estudo na Anvisa para mudar o uso de corantes em alimentos.

Há apenas uma pesquisa em andamento na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, sobre os efeitos da tartrazina no organismo humano. A suspeita é que a substância pode provocar reações alérgicas.

A relação dessas substâncias é encontrada nos rótulos e os consumidores brasileiros podem conferir se eles estão na lista dos corantes que a FSA considera suspeitos de provocar distúrbios em crianças.

Os autores da pesquisa britânica estimam que 30% dos casos de transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) seriam evitados se a indústria retirasse os corantes dos alimentos. Com essa decisão, grandes fabricantes e distribuidores teriam de reformular centenas de produtos, incluindo sorvetes, doces, shakes e refrigerantes.

Alguns produtos para os quais ainda não foram encontrados substitutos, como bolos, podem ser retirados temporariamente ou de forma definitiva. Os autores do estudo, publicado na revista científica “The Lancet” em setembro, disseram que os aditivos foram tão nocivos quanto o chumbo na gasolina, o qual foi banido depois de baixar em cinco pontos testes de QI em crianças. De acordo com pesquisadores, há evidências de que os aditivos pioram o comportamento de crianças normais e com TDAH.

— É dever da FSA colocar os consumidores em primeiro lugar. Esses aditivos dão cor aos alimentos, mas não apenas isso. Então seria razoável, à luz do estudo, removêlos — disse Deirdre Hutton, diretora da agência.

Substâncias deixam crianças distraídas

 A direção da FSA não tomou qualquer medida contra o benzoato de sódio porque ele é um preservativo, não um corante. O E211, que também está associado a problemas de saúde, é encontrado em refrigerantes e sua retirada iria exigir grandes investimentos e desafios tecnológicos por parte das indústrias.

A agência diz que a decisão não “significa a retirada imediata das substâncias”. Desde a década de 70, o consumo dos chamados aditivos “E” está relacionado com problemas de comportamento, mas esse debate se intensificou com o estudo da Universidade de Southampton.

— Esta decisão é uma notícia importante para as crianças e seus pais. Há muitos anos sabemos que os aditivos alteram o comportamento das crianças — disse Richard Watts, do Children’s Food Campaign.

Já a Federação de Bebidas e Alimentos classificou a decisão do FSA como “bizarra”, e disse que “a maioria dos produtos não contém estes corantes.” Órgãos ligados à saúde criticaram o fato de FSA recomendar o cumprimento voluntário da decisão, em vez de proibir diretamente os compostos

27/01/2008 - 17:30h La nudité, c’est choquant ?


par Agnès Giard

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Avez-vous vu cette affiche ? Seulement vêtue d’une paire de talons-aiguilles, une femme ligotée vous regarde, les fesses posées sur un gros cœur rouge, la bouche sanglante et entrouverte, les seins pointus… Elle s’appelle Marie Menges et dans Secousses Internes, elle se met bien plus nue encore que sur l’affiche.

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Jusqu’au 16 février 2008,
 Secousses Internes —de et avec Marie Mengès— se donne à voir comme un happening intime, le «strip-tease textuel» d’une femme embarquée au bout du monde et de sa féminité «volée en éclat»…

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Les vacances de rêve en Jamaïque, avec un compagnon de rencontre, se transforment en cauchemar gore, l’occasion toute trouvée pour la jeune femme de partir en vrille dans un récit étrange, mâtiné de délire, entre réel et virtuel, normal et pathologique, jusqu’au bout d’un règlement de compte avec les fameux acquis de la libération sexuelle.

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23/01/2008 - 19:36h Tribunal Europeu abre o caminho à adoção para casais homossexuais


Feu vert pour l’adoption homosexuelle en Europe

Karine (D) et Elodie, un couple d'homosexuelles posent avec leur enfant, le 23 janvier 2006.  | AFP/FRANK PERRY

AFP/FRANK PERRY
Karine (D) et Elodie, un couple d’homosexuelles posent avec leur enfant, le 23 janvier 2006.

LE MONDE

La Cour européenne des droits de l’homme de Strasbourg vient de faire un pas important en faveur de l’”homoparentalité” : dans un arrêt rendu mardi 22 janvier, les dix-sept juges, siégeant en grande chambre, ont condamné la France pour discrimination à la suite d’un refus d’agrément opposé à une homosexuelle qui souhaitait adopter un enfant. “La Cour européenne dit haut et fort, dans cette décision, qu’en 2008, l’homosexualité ne peut plus justifier une différence de traitement juridique quant à la possibilité de devenir parent”, résume l’avocate de la requérante, Me Caroline Mécary.
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16/01/2008 - 09:19h A frase do dia


“O peixe morre pela boca”

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13/01/2008 - 21:49h El esplendor de la fealdad

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WINSTON MANRIQUE SABOGAL - EL PAÍS

La estética de lo feo conquista el gusto popular. Varias exposiciones y un ensayo de Umberto Eco demuestran que el abismo no pierde su atractivo.

La luz viene de muy arriba, tamizada, blanca como las altas paredes de donde cuelgan dos cuadros con figuras distorsionadas. Deformes. ¿Feas? ¡Fascinantes! Un picasso y un bacon separados por 22 pasos. Y entre ellos una pareja de pálidos veinteañeros salidos de un carnaval luciferino. Son Birgit y Alain, empecinados en transgredir su belleza natural. Están allí, a orillas del lago de Lucerna, en el Museo de Bellas Artes, en mitad de dos de los artistas que dinamitaron en el siglo XX los cánones estéticos y que han facilitado el pasaporte para que este par de jóvenes sean hoy embajadores de la democratización de la fealdad.

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13/01/2008 - 12:03h Maioria acha que mulheres podem melhorar a política


Foto de passeata nos anos 60 com cartaz do Ziraldo: Vai calar a boca da mmm...

“Eva Tudor, Tônia, Eva Wilma, Leila, Odete e Norma, mulheres do meu tempo, liderando uma passeata em 1968. Minha maior produção são os cartazes de protesto, da retomada dos sindicatos (as famosas Chapas Dois), dos shows estudantis, as camisetas, as marcas e slogans políticos que fiz às centenas, em preto e branco, durante vinte anos que se perdem por aí. Essa foto resgata um deles: um símbolo para mim.” Portal do Ziraldo


Maior aceitação da presença feminina deve-se à gestão Lula e a figuras de destaque internacional, diz analista

Carlos Marchi - O Estado de São Paulo

Existe um amplo espaço na política para ser ocupado pelas mulheres: 67% dos brasileiros acham que uma presença mais forte do público feminino melhoraria o nível da política no País, segundo pesquisa Estado/Ipsos. Num cenário de decepção com os rumos políticos, 58% dos eleitores brasileiros acham que a participação da mulher na política é “menor do que deveria ser”. Em universo similar, 57% dizem que já votaram em alguma candidata. “Nas eleições municipais de 2008 as mulheres terão uma chance especial”, afirma a analista de pesquisas Fátima Pacheco Jordão.

Há um processo de maturação em curso, constata ela, apontando para a gradual aceitação das mulheres no topo do poder. Esse fenômeno, segundo Fátima, é resultado de duas influências. Uma, a atribuição de muitos cargos de poder às mulheres pelo governo Lula; outra, o destaque de mulheres que disputam e, em alguns casos, ganham o poder em seus países, como as presidentes Michelle Bachelet, no Chile, Cristina Kirchner, na Argentina, e a primeira-ministra Angela Merkel, na Alemanha. Mas a influência maior vem da candidata Hillary Clinton, nos Estados Unidos.
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12/01/2008 - 13:59h No sex last year

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Agnès n’a pas fait l’amour depuis un an. Elle se dit «en manque» mais aucun homme ne lui plait suffisamment. Aurélien n’a pas fait l’amour depuis un an et demi. Les deux femmes de sa vie, ce sont ses filles, qu’il élève seul depuis son divorce. Agnès et Aurélien font partie de ces «abstinents», les chômeurs du sexe, qui racontent leur histoire dans No sex last year.

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11/01/2008 - 15:22h Hidropilates não é moleza

Estica e puxa

Nós testamos a aula de hidropilates, modalidade que leva os princípios do pilates para água

 

Christina Fuscaldo - O Globo Online

Aula de hidropilates na academia Stella Torreão / Divulgação

RIO - A idéia era testar uma nova modalidade de exercício na água. O hidropilates não é exatamente a mistura da hidroginástica com o pilates, como pensei ao topar fazer a aula experimental na academia Stella Torreão, na Lagoa. Por ter sido adepta dos exercícios com molas e tiras de couro por quase dois anos, achei que teria os critérios necessários para fazer a comparação. E, bom, acho que consegui sair com uma idéia do que significa optar pela versão aquática do método criado na década de 20 pelo alemão Joseph Pilates.

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10/01/2008 - 15:01h A censura chinesa em ação


A censura chinesa tem problema com sexo, agravada agora que vão acolher os jogos olimpicos.

Acabaram de proibir o filme “Perdidos em Pequim”(Lost in Beijing) realizado por Li Yu.
Isto depois de terem retirado 16 minutos, de amor e de sexo, do filme “Lust Caution”, do reputado cineasta Ang Lee.

No caso de “Perdidos em Pequim”(Ping Guo em chinês) a proibição, segundo os censores, se justifica por terem apresentado o filme no Festival de Berlim, sem os cortes de 15 minutos exigidos pela censura. Além do que, proibiram a empresa produtora de fazer filmes durante dois anos

O filme proibido mostra a situação dos excluídos do sistema, os imigrantes das grandes cidades e isto é tudo o que as autoridades chinesas gostariam de ocultar ao mundo, em momentos em que estarão sob os holofotes pela realização dos jogos.
Ao mesmo tempo, os cortes da censura irritaram sobremaneira a nova classe media que viajou para Hong-Kong assistir à versão integral de “Lust Caution”.

Mais ainda que este filme, ganhador do Leão de Ouro no Festival de Veneza, se baseia na obra de Eileen Chang, livro ambientado em Shangai, antes da chegada ao poder de Mao, cidade faro da China atual e moderna.

Para Cristina Civale, do blog “Civilización y Barbarie”, que assistiu ao filme de Ang Lee na Itália, a temática leva a se interrogar sobre nossa própria vivencia com a sexualidade.

Ela pergunta o que sexo é:

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10/01/2008 - 08:56h Barreira sexual pesa mais que a racial



Gloria Steinem*

A mulher em questão tornou-se advogada depois de alguns anos como organizadora comunitária, é casada com um advogado de corporação e mãe de duas garotinhas de 9 e 6 anos. Ela é filha de mãe americana branca e pai africano negro - neste país preocupado com raça, ela é considerada negra -, serviu num Legislativo estadual por oito anos e se tornou uma voz inspiradora da unidade nacional.

Honestamente: você acredita que essa é a biografia de alguém que poderia ser eleito para o Senado americano? Após menos de um mandato ali, acredita que ela poderia ser uma candidata viável para presidir a nação mais poderosa da terra?
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