13/10/2009 - 10:03h Realizar a inclusão digital é a meta do governo Lula para os próximos meses: Internet para todos

Infraestrutura: Meta é atender 4 mil cidades e 162 milhões de pessoas
Rede estatal de banda larga deve chegar a 76% do país


Ruy Baron / Valor
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Nelson Simões da Silva, diretor da RNP: a infraestrutura não chegou às regiões mais pobres do país, limitando o acesso da população aos serviços de internet

Cristiano Romero, de Brasília – VALOR

Estão avançados os estudos no governo para a criação da rede nacional de banda larga. O plano prevê a implantação de uma rede estatal de fibra ótica de 31.448 quilômetros, interligando 4.245 municípios (o equivalente a 76% do território nacional) e beneficiando 162 milhões de pessoas (87% do total). Trata-se do último grande projeto do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado da anunciada consolidação das leis sociais.

O projeto, segundo informou ao Valor o secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna, está orçado em R$ 1,1 bilhão e pode ser executado em 14 meses. Com o plano, que depende ainda de aprovação do presidente Lula, o governo pretende criar a infraestrutura necessária para viabilizar o acesso da maioria da população à internet. A meta é fazer isso a uma velocidade de conexão considerada rápida – 1 megabyte (1 Mbps). Hoje, 90% das conexões de internet no Brasil são feitas com velocidade inferior a 1 Mbps.

“Vai começar com 1 megabyte real de velocidade nos dois sentidos, ou seja, um mega de ‘upload’ (envio de arquivos) e 1 mega de ‘download’ (recebimento). O custo para elevar depois a capacidade é marginal”, afirmou Santanna, principal idealizador do Plano Nacional de Banda Larga.

O presidente Lula quer, com o projeto, promover inclusão digital. Mesmo sendo o país mais rico da América Latina, o Brasil possui baixo índice de penetração de banda larga. De cada 100 habitantes, apenas 5,2, segundo o Barômetro Cisco publicado em dezembro de 2008, têm acesso a essa tecnologia. No Chile (8,5%), na Argentina (7,8%) e no Uruguai (6,5%), os índices de penetração são maiores.

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Em recente visita ao município de Barra do Piraí, no interior fluminense, o presidente ficou impressionado com o projeto de inclusão digital implantado pela prefeitura com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e da Universidade Federal Fluminense (UFF). Lá, ele viu crianças da rede escolar pública portando computadores individuais.

Em setembro, o presidente encarregou uma comissão interministerial de consolidar, no prazo de 45 dias, uma proposta de um plano nacional de banda larga. A comissão criou dois grupos para analisar o tema – um para tratar de infraestrutura e, outro, de mudanças no marco regulatório. A apresentação da proposta definitiva está prevista para o dia 9 de novembro, quando Lula terá que tomar decisões importantes sobre o projeto.

Uma dessas decisões diz respeito à escolha da entidade que administrará a rede nacional de banda larga. Há quatro possibilidades sendo analisadas. A primeira é usar a antiga holding do Sistema Telebrás, que foi mantida mesmo após a privatização, em 1998, das empresas de telefonia (as teles). Outra opção é criar uma nova empresa.

Uma terceira possibilidade é usar estatais do setor de tecnologia de informação, como o Serpro e a Dataprev, para incorporar as novas atividades. Outra seria encampar a Eletronet, empresa pertencente ao grupo AES que está em processo de falência, e da qual a LightPar, braço de participações acionárias da Eletrobrás, detém 49% do capital.

Das quatro alternativas, a que mais tem ganhado força dentro do governo é ressuscitar a Telebrás. “A Telebrás é uma empresa que já está constituída e tem tudo pronto para tocar essa operação. Para usá-la, basta uma portaria do Ministério das Comunicações, porque a Lei Geral de Telecomunicações (LGT) já atribui ao ministro o poder de dar uma nova função à estatal”, revelou Santanna.

A Telebrás, que é uma empresa de capital aberto com ação cotada em bolsa, tem R$ 283 milhões em caixa. O governo detém 91% das ações. Santanna acredita que, uma vez que a estatal volte a funcionar, o governo poderá promover uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) para captar recursos e destiná-los a futuros investimentos. “Podemos pulverizar o capital, como fez a Deutsche Telecom”, comparou.

A solução Telebrás não agrada a todos no governo. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, por exemplo, tem restrições. “O nosso foco não é a Telebrás. Lamentavelmente, em vez de a gente falar do plano, que é algo extraordinário, está se falando da Telebrás. Ela tem uma participação mínima nesse processo. Não dependemos da Telebrás para fazer isso. Ela pode ser ator, mas não um ator importante ou decisivo”, criticou o ministro em entrevista ao Valor.

Costa defende que o plano de banda larga seja executado em parceria com as grandes empresas de telefonia. Ele cita o acordo firmado, em 2008, entre o governo e as teles para a instalação de internet nas escolas públicas urbanas. Pelo acordo, gestado no Ministério das Comunicações, as empresas trocaram uma obrigação ainda dos tempos de privatização – a instalação de postos de serviços de telecomunicação nas cidades com até 50 mil habitantes – pela implantação de internet em 57 mil escolas, a custo zero para o governo. “Foi um acordo extraordinário”, afirmou o ministro.

As divergências entre Santanna e Costa vão além da Telebrás. A visão do primeiro, que encontra amplo respaldo no governo, é a de que há uma falha de mercado no segmento de banda larga no Brasil, um dos mais caros e deficientes do mundo. As empresas só levam infraestrutura de banda larga às regiões do país onde há forte demanda e dinheiro para pagar pelos serviços.

“É fácil entender por que uma parceria com as teles não vai andar. A lógica da telefonia fixa é cobrar por tempo e distância. A lógica da internet é outra. Você não paga por distância e tempo, mas por capacidade alugada (de banda larga)”, argumentou Santanna, acrescentando que a legislação não prevê a universalização desses serviços. “Quanto mais rápida for a banda larga, mais mercado a empresa de telefonia vai perder em outros negócios, como voz (telefonia fixa). Por isso, em todo o mundo as teles estão procurando outros negócios, como a geração de conteúdo.”

Nelson Simões da Silva, diretor geral da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), sistema que interliga em alta velocidade as universidades e os institutos de pesquisa públicos e privados e foi o responsável pela implantação da internet no Brasil, diz que a privatização do Sistema Telebrás foi muito bem-sucedida ao criar uma infraestrutura de telecomunicação no país. O problema é que essa infraestrutura não chegou às regiões mais pobres do país, limitando o acesso da população aos serviços de internet.

“A RNP não teria a infraestrutura que tem hoje se não fosse o processo de abertura do mercado. Se fosse a Telebrás, no ritmo em que ela vinha (antes da privatização), não teria conseguido. A penetração de telefonia fixa e celular é grande. Estes são os méritos desse processo, mas há falhas. O estímulo para levar infraestrutura onde não há renda não existe”, explicou Simões ao Valor. “A política pública falhou nessa área. Portanto, o novo projeto é uma resposta de política pública que não prescinde de uma atuação da indústria de telecomunicação, de forma alguma, mas ele incorpora um ator novo.”

Costa está convencido de que é possível levar banda larga aos rincões do país de braços dados com as empresas de telefonia. Na semana passada, o ministro convocou os principais dirigentes das teles para uma reunião em Brasília, na qual solicitou a elaboração de um plano de investimento em banda larga.

“O que nós queremos é motivar as empresas, dizendo: ‘Precisamos chegar a todas as cidades, estamos do seu lado, queremos participar com o que nós temos e vocês com o que vocês têm’”, disse o ministro, acrescentando que o governo não vai explorar comercialmente os serviços de banda larga. “Não queremos roubar o espaço comercial de ninguém. O governo não vai contratar as empresas privadas. Vai indicar o caminho onde elas precisam investir.”

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Centros de pesquisa já estão conectados

O Brasil vive, no setor público, o estado da arte dos serviços de banda larga. Trata-se da RNP, a rede do Ministério da Ciência e Tecnologia que interliga, em alta velocidade, os principais centros de conhecimento do país. A rede foi criada em 1989, ajudou a implantar a internet e, há quatro anos, conecta universidades e institutos de pesquisa do Centro-Sul a 10 gigabytes de velocidade (o equivalente a dez mil vezes a banda larga de um mega).

As aplicações da RNP são variadas. Vão do sensoriamento remoto para a realização de serviços meteorológicos a investigações astronômicas, passando por pesquisas no campo da física e da nanotecnologia. A RNP viabilizou, por exemplo, a implantação da Rede Universitária de Telemedicina (Rute), um sistema que permite o acompanhamento remoto de uma cirurgia em tempo real, para efeitos de pesquisa e ensino, com a participação, inclusive, de hospitais privados de excelência do país.

“A RNP é um animal estranho. É uma rede pública, mas é restrita ao uso de instituições que estão fazendo inovação. Não é comercial, ao contrário de redes do governo que vendem serviços, como o Serpro”, explicou o diretor-geral da RNP, Nelson Simões. Principal idealizador do fortalecimento da RNP, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, quer agora que a RNP participe da rede nacional de banda larga.

Foi na gestão de Rezende, iniciada em 2005, que o governo começou a implantar as redes metropolitanas que interligam os centros de pesquisa e ensino. Essas redes já foram implantadas em 14 das 27 capitais. Em 2005, o ministério contratou empresas de telefonia para interligar as redes metropolitanas. Os contratos são anuais e podem ser renovados até 2010. O ministro quer usar a futura rede nacional para fazer essa conexão.

“Fisicamente, essa rede pertence à Oi e à Embratel”, informou Rezende. “Quando uma entidade governamental estiver gerindo o ‘backbone’ nacional, seremos sócios oferecendo as redes metropolitanas, que já têm capilaridade, porque não adianta chegar à cidade num ponto e não distribuir. Oferecemos as redes das capitais e, em contrapartida, queremos um par (de fibra) para usar na RNP e, assim, substituir as redes que estamos contratando das empresas privadas.”

Segundo Rezende, a RNP tem capacidade similar à das teles para levar cabos de fibra ótica a regiões distantes dos grandes centros. “A Telebrás hoje não tem essa expertise. Temos experiência a oferecer para que essa interiorização da banda larga em todo o território nacional seja feita.”

Simões explicou que uma rede de pesquisa, para atender as aplicações mencionadas, é incompatível com o ritmo e as aplicações de uma rede de governo clássica (governo eletrônico, transações administrativas etc). “Eles não precisam de tanta capacidade. Já eu preciso lidar no nível da infraestrutura ótica. Por isso, preciso das fibras apagadas”, assinalou.

“Esta é uma oportunidade de o poder público ser ator também no processo de universalização de banda larga no Brasil”, disse Simões. “É algo extremamente importante para um país que ainda tem tanta assimetria e cujo marco regulatório não vai permitir a correção do problema. Se o poder público não fizer nada, o mercado sozinho não vai fazer.” (CR)

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Falência dificulta uso de fibras óticas da Eletronet
Para evitar atrasos, o governo pretende colocar em execução o Plano Nacional de Banda Larga sem contar com as fibras óticas da Eletronet. A empresa, que possui cerca de 12 mil quilômetros em cabos, vive um intricado processo judicial de falência, cujo desfecho parece distante.

Uma solução possível, segundo o secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna, é o governo encampar a empresa para reaver as fibras que, segundo ele, pertencem à União. “A Eletronet tem que continuar com seu processo de falência, não queremos pegar equipamento nenhum da empresa, apenas as fibras do governo que não estão sendo usadas por eles. Os equipamentos são antigos, sucateados, já não vale nem a pena tê-los de volta.”

Alertado por advogados, o ministro Hélio Costa, das Comunicações, disse ao presidente Lula que usar as fibras óticas da Eletronet na rede nacional poderá criar um contencioso judicial. É mais um argumento do ministro para que o governo opte por um plano de banda larga em parceria com empresas privadas.

Santanna informou que o governo montará a rede a partir de cabos de fibra ótica já existentes e pertencentes a empresas estatais. A ideia é que a infraestrutura de banda larga a ser criada seja estatal e que os serviços de internet sejam prestados por provedores locais – nas cidades onde não houver interesse por parte dos provedores, a alternativa é uma instituição pública fornecer os serviços. (CR)

06/10/2009 - 14:55h Agora, é a classe D que vai ao paraíso digital

Cenário: Fatias mais pobres da população compram PCs e serviços de internet no rastro aberto pela classe C


Gustavo Lourenção / Valor
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Na Associação Santa Cruz, na favela do Jaguaré, em São Paulo, adolescente aprende a usar o computador com a professora Neide Martins; acesso às redes sociais é um do principais atrativos



Talita Moreira e André Borges, de São Paulo – VALOR

Vá até a favela do Jaguaré, na zona Oeste de São Paulo, suba pelas vielas que se abrem em meio aos barracos e entre em qualquer uma das salas de aula do centro cultural Santa Cruz. Pergunte aos alunos que frequentam os cursos de moda, informática ou gastronomia quantos têm computador em casa ou acesso à internet. O número de braços erguidos fica bem abaixo do percentual típico de uma escola de classe média, por exemplo, mas é surpreendentemente alto para o perfil socioeconômico dos moradores.

É uma situação comum a outros bolsões de pobreza das grandes cidades brasileiras. A despeito dos recursos financeiros limitados, essa fatia da população está encontrando maneiras de ganhar acesso a facilidades como o correio eletrônico, as redes sociais e as buscas na internet. Para muitos, o computador parcelado no crediário e a assinatura de um serviço de acesso à internet já não são mero sonho de consumo. Converteram-se em uma ferramenta de estudos e pesquisas para crianças, entretenimento para adolescentes e símbolo de orgulho para os adultos.

Depois da classe C, que nos últimos anos tornou-se um dos principais alvos de empresas dos mais diversos setores, o acesso aos bens de tecnologia da informação (TI) também começa a ser realidade para a classe D – famílias com renda mensal entre R$ 768 e R$ 1.114, segundo os critérios da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

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Os fatores que estão proporcionando esse acesso são basicamente os mesmos que deram impulso ao consumo da classe C: barateamento dos computadores, acesso mais fácil ao crédito e, acima de tudo, a percepção sobre a importância crescente dos PCs e da internet como ferramentas de estudo, trabalho e lazer.

Um ano atrás, o vigilante noturno João José Dias e a esposa, Vera Dias, compraram seu primeiro computador – um modelo da Positivo que custou R$ 1 mil e foi dividido em 15 prestações. O casal também apertou o orçamento para pagar R$ 90 mensais para ter acesso a uma conexão de internet com velocidade de 1 megabit por segundo (Mbps). “Cortamos gastos com roupas e coisas supérfluas”, afirma a dona de casa, que ajuda a bancar as contas da família fazendo artesanato.

O casal decidiu investir num computado de tanto que insistiu o filho mais velho, de dez anos. “É muito importante para fazer as pesquisas de escola”, afirma Vera. Mas ela e o marido também acabaram se interessando pela coisa: ambos se matricularam nas aulas de informática oferecidas no centro cultural. Foi ali, numa tarde de quarta-feira, que o Valor encontrou os dois – ambos carregando suas apostilas.

Histórias como a da família Dias têm são cada vez mais comuns e começam a chamar a atenção das empresas do setor.

“A entrada da classe D no setor de PCs é um movimento muito claro para nós”, afirma César Aymoré, diretor de marketing da Positivo Informática. Essa camada da população já representa entre 6% e 8% das vendas de micros de mesa da companhia, que é o maior fabricante de computadores do país. Grandes varejistas, como a Casas Bahia, também já notam que a movimentação desses consumidores começa a ter impacto nos negócios.

Na Telefônica, 10% das vendas de novas conexões do serviço de acesso Speedy são para a classe D – mais que o dobro do percentual apresentado no ano passado. “A internet está ganhando um papel central na vida das pessoas, na vida em comunidade. Não é uma questão de status”, afirma o diretor de clientes residenciais da operadora, Fabio Bruggioni.

Segundo o executivo, metade dos consumidores da classe D que têm uma conexão de banda larga da Telefônica assina planos com velocidade igual ou superior a 1 Mbps. É uma distribuição parecida com a que se encontra nas classes B e C.

A operadora também lançou, recentemente, um pacote que inclui telefone fixo residencial de uso ilimitado e acesso à internet por meio de uma linha discada dedicada por R$ 54,90 mensais. O produto foi desenhado para atrair clientes que estão começando a usar a web, mas ainda não têm dinheiro ou interesse em pagar por um acesso de banda larga. A Telefônica ainda tem um milhão de internautas adeptos da linha discada e, de acordo com Bruggioni, esse número tem se mantido constante nos últimos anos. Enquanto mais pessoas adquirem um computador e começam a navegar na internet, outras migram para as conexões de alta velocidade.

“O computador é o grande sonho da classe D”, afirma Renato Meirelles, sócio-diretor e analista do instituto de pesquisas Data Popular, especializado em estudos sobre o comportamento das classes C, D e E.

Segundo o pesquisador, os PCs têm uma importância prática, além de ser um objeto de desejo. “Em 73% das famílias da classe D, os filhos têm mais escolaridade que os pais. Com isso, o pai acaba não conseguindo ajudar o filho nas tarefas de escola. O computador é que acaba cumprindo esse papel.”

Por outro lado, os computadores e a internet permitem que jovens de todas as faixas de renda tenham acesso aos mesmos recursos de comunicação, como redes sociais, sites de buscas e programas de mensagens instantâneas.

O acesso à web, na verdade, é o grande propulsor das vendas de computadores. “Sabemos que a compra um PC é motivada pelo acesso à internet. Hoje, 70% das pessoas que compram nosso equipamento são usuários de algum tipo de serviço de banda larga, contra 45% de um ano atrás”, observa Aymoré, da Positivo.

Para incentivar esse processo – e indiretamente estimular suas vendas – a Positivo mantém um acordo com a Vivo. A promoção inclui a oferta gratuita de um modem para o acesso à internet por meio da rede de terceira geração (3G) da operadora de telefonia móvel. Se o consumidor fosse diretamente até a loja da Vivo, por exemplo, pagaria R$ 199 pelo equipamento no plano de 250 megabytes. O custo do serviço, diz Aymoré, é 30% inferior ao valor normal e, nos três primeiros meses, o usuário só paga metade do preço da assinatura.

Um ano atrás, a Positivo também lançou um micro para atender à demanda dos consumidores de menor renda. O “PC da Família” custa entre R$ 999 e R$ 1.299 e é configurado com serviços específicos. Há links para que os pais tenham acesso direto a notícias, oportunidades de emprego, elaboração de currículo e dicas sobre como educar o filho. Para as crianças, o PC traz conteúdo educacional, com dicionário e jogos. O negócio deu certo. “Hoje, é o modelo de desktop que mais vendemos”, afirma o executivo.

Com base nesse resultado, outro modelo voltado à classe D foi lançado há três meses. O “PC Fácil”, comenta Aymoré, é um micro didático. Ao ligar a máquina, o usuário tem informações sobre como navegar na internet, criar um e-mail etc.

A oferta de modelos com linguagem mais básica e a queda nos preços dos computadores têm sido fundamentais no processo de inclusão desses consumidores de baixíssima renda. Hoje, é possível encontrar micros de mesa por R$ 619, bem menos que o valor mínimo de R$ 750 disponível no fim de 2005. Nos notebooks, a redução nesse período foi ainda mais pronunciada, de 41%: o produto mais barato do mercado sai por R$ 815, segundo o site de comparação de preços Buscapé.

Mesmo com as reduções de preço, porém, o valor ainda é alto demais para pessoas como Fabiana Guandalim, moradora da favela do Jaguaré. Casada com um vigia que recebe pouco mais de um salário mínimo por mês e mãe de cinco filhos, não sobra dinheiro para a família adquirir um computador. Mas Fabiana sonha: “É o que eu mais quero, e eu vou conseguir”. Ela já se matriculou nas aulas de informática do centro cultural.

21/02/2009 - 15:08h Nós precisamos de uma ”nova internet”?

Pesquisadores discutem a possibilidade de recomeçar tudo do zero para garantir mais segurança na rede

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John Markoff – O Estado SP

Há duas décadas, um estudante da Universidade Cornell, de 23 anos, levou a internet à beira do desastre com um simples software que saltava de um computador para outro a uma velocidade atroz, obstruindo a então minúscula rede em poucas horas.

A finalidade desse programa era ser uma espécie de “Kilroy esteve aqui” digital. Mas um erro de programação tornou-se um arauto anunciando a chegada de um ciberespaço mais sinistro, que seria mais um espelho de todo o caos e conflitos do mundo físico e não de um utópico refúgio disso tudo.

Desde então as coisas pioraram, e muito. A tal ponto que há uma crença cada vez mais forte entre engenheiros e especialistas da área de que a segurança e a privacidade na internet acabaram se tornando algo tão ilusório que o único meio de solucionar esse problema é recomeçar tudo de novo.

O grande debate é como seria essa nova internet. Uma alternativa seria a criação de uma “comunidade fechada” onde os usuários desistiriam do seu anonimato e de algumas liberdades em troca de segurança.

Hoje isso já ocorre com muitos usuários no âmbito do governo ou empresas. Quando uma nova rede, mais segura, for amplamente adotada, a atual internet acabará sendo a vizinha nociva do ciberespaço.

Você entra nela por sua própria conta e risco, mas sempre muito atento enquanto estiver por ali. “Se não nos dispusermos a repensar a internet de hoje”, diz Nick McKeown, engenheiro de Stanford envolvido na criação da nova rede, “podemos esperar uma série de catástrofes públicas”.

E isso foi bastante martelado no ano passado, quando um software nefasto, que teria sido lançado na rede por uma gangue criminosa da Europa Oriental, surgiu repentinamente, conseguindo enganar facilmente as melhores defesas cibernéticas do mundo.

Conhecido como Conficker, o programa rapidamente contaminou mais de 12 milhões de computadores, fazendo o maior estrago nos sistemas, afetando de centros cirúrgicos da Inglaterra a redes do exército francês.

O Conficker é uma bomba-relógio. Pode ainda hoje atacar todos aqueles computadores infectados e juntá-los numa vasta rede, formando um supercomputador, chamado Botnet, controlado clandestinamente pelos seus criadores.

O que ocorrerá proximamente ainda é um mistério. O Conficker pode ser usado como o mais poderoso mecanismo de spam do mundo, para distribuir programas que servem para lograr os usuários, levando-os a comprar proteção antivírus falsa.

Ou muito pior. Pode também ser usado para apagar seções inteiras da internet. Mas, que qualquer modo, o Conficker demonstrou que a rede continua muitíssimo vulnerável a um ataque concertado.

Os criadores da internet jamais imaginaram que a rede de pesquisa acadêmica e militar um dia teria que suportar o peso de transportar todo o comércio e comunicações do mundo. Não havia nenhum ponto central de controle, e a ideia era que uma rede pudesse trocar dados com qualquer outra rede. A questão da segurança recebeu menos atenção. Mas, desde então, enormes esforços têm sido feitos para ampliar a segurança, com poucos resultados.

“Em muitos aspectos, estamos hoje numa situação muito pior do que há vinte anos, pois todo o dinheiro foi aplicado para resolver os problemas atuais, no lugar de ser investido para redesenhar a nossa infraestrutura”, disse Eugene Spafford, diretor executivo do Centro de Educação e Pesquisa em Segurança da Informação, na universidade de Purdue.

Embora o setor global de segurança de computadores esteja em franca ascensão, com receitas que devem chegar a US$ 79 bilhões no próximo ano, e o fato de que, em 2002, a própria Microsoft iniciou um intenso trabalho para melhorar a segurança do seu software, a segurança na internet continua deteriorando globalmente.

É por isso que os cientistas amparados por fundos federais destinados à pesquisa e trabalhando em colaboração com o setor, estão tentando encontrar o melhor meio para recomeçar tudo novamente. Em Stanford, onde os protocolos de software da internet original foram criados, os pesquisadores desenvolvem um sistema que torne possível introduzir uma rede mais avançada discretamente embaixo da internet de hoje. No final do verão, essa rede estará em funcionamento em oito redes de universidades por todo o país.

A ideia é criar uma nova internet com maior segurança e capacidade para suportar uma nova geração de aplicativos ainda não inventados, e também fazer coisas que a internet atual mal consegue – como dar suporte a usuários de celulares.

O projeto chamado Stanford Clean Slate não vai resolver todos os principais problemas de segurança da internet, mas deve equipar os criadores de software e hardware com um conjunto de ferramentas que farão com que os programas de segurança sejam uma parte mais integral da rede, dando às autoridades policiais recursos mais eficazes para rastrear criminosos no ciberespaço. E só isso já pode ser um meio de dissuasão.

Apesar de todo esse esforço, os limites reais da segurança dos computadores podem estar na natureza humana. O atual design da internet garante virtualmente o anonimato dos usuários. Mas hoje esse anonimato é o desafio mais incômodo para as autoridades. Um agressor na internet pode rotear uma conexão através de muitos países para ocultar a sua localização, que pode ser em uma conta num Internet Café adquirida com um cartão de crédito roubado.

“Logo que você começa a lidar com a internet pública, a noção de confiança se perde num atoleiro”, disse Stefan Savage, especialista em segurança de computadores na Universidade da Califórnia, em San Diego.

Uma rede mais segura quase certamente vai oferecer menos anonimato e privacidade. Esse é o grande dilema dos criadores de uma futura internet. Uma ideia, por exemplo, seria exigir algo equivalente às carteiras de motorista para permitir que as pessoas se conectem a uma rede pública de computador. Mas isso vai contra o espírito libertário, profundamente arraigado, da internet.

O fornecimento de uma identidade será uma dificuldade num mundo onde é comum alguém se apossar do computador de uma pessoa a meio mundo de distância e operá-lo como se fosse seu. Enquanto isso ocorrer, criar um sistema totalmente confiável continuará sendo virtualmente impossível.

19/02/2009 - 15:59h Rio de Janeiro: favela vai ganhar rede sem fio

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Morro Santa Marta, no Rio, terá 16 antenas com sinal de internet via rádio

Alexandre Rodrigues – O Estado SP

Logo depois do carnaval começa a funcionar no Morro Santa Marta, em Botafogo, na zona sul do Rio, o primeiro sistema de banda larga sem fio em uma favela. Já em fase de testes, as 16 antenas que começaram a ser instaladas na comunidade no início de fevereiro darão acesso gratuito aos quase 10 mil moradores com a mesma tecnologia do programa Orla Digital, iniciado no ano passado na Praia de Copacabana, também na zona sul. Há seis meses, cariocas podem navegar no calçadão com um laptop.

O mesmo vai acontecer no Santa Marta, alvo de uma série de ações públicas complementares à ocupação policial que afugentou o tráfico de drogas. A chegada da polícia acabou também com as redes clandestinas de TV a cabo e internet, desconectando a maioria dos moradores. Apesar da pobreza, boa parte das casas nas favelas do Rio tem computador e os jovens enchem todos os dias lan houses improvisadas. Com o sinal de internet transmitido pelo rádio, moradores do Santa Marta poderão usar a rede sem pagar provedores.

“Aqui é uma comunidade de elite, muita gente tem computador. O pessoal compra parcelado. Eu mesmo e vários aqui só lemos jornal pela internet”, conta Nanderson Ribeiro, de 24 anos, monitor do posto de internet gratuita de um centro estadual no pé do morro. Na expectativa da rede sem fio, Vandessa Ellen, de 17 anos, mantém o perfil num site de relacionamentos atualizado no posto. “Tenho computador em casa, mas, como não tem cabo, tenho de vir aqui. Não sei ainda como vai funcionar, mas vou dar um jeito para captar o sinal.”

Segundo o secretário especial de Ciência e Tecnologia do Rio, Rubens Andrade, entre os 40% de cariocas que têm computador em casa, só 34% estão conectados. “Muitas vezes, as pessoas conseguem comprar um computador mas não têm condição de pagar o preço de mercado das operadoras. Acredito que o programa incentivará ainda mais o uso da internet”, disse o secretário. Segundo ele, cursos de inclusão digital serão oferecidos em pontos públicos de acesso a computadores, como um ônibus que vira sala de aula numa praça. “Nosso outro desafio é qualificar o uso, orientar conteúdos”, afirmou.

INVESTIMENTO

Em parceira com a prefeitura, o governo do Estado do Rio investiu R$ 490 mil no projeto que distribui o sinal de internet via rádio. Alguns equipamentos que constituem os 16 módulos de antenas nas regiões da favela foram reaproveitados do sistema de comunicação da Polícia Militar nos Jogos Pan-Americanos de 2007. Com a dificuldade de encontrar postes no emaranhado de becos e casas da comunidade, moradores cederam paredes e lajes para a instalação das antenas.

“Diferentemente de Copacabana, dessa vez tivemos uma interação forte com a comunidade, que ficou entusiasmada com a ideia”, contou Júlio Lagun Filho, subsecretário estadual de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Segundo ele, a ideia é expandir o projeto na orla e em áreas carentes simultaneamente. Leblon, Ipanema, Cidade de Deus e Rocinha são as próximas da lista. Ainda neste ano também serão criados 15 corredores wireless na Baixada Fluminense.

09/02/2009 - 12:22h Cabral aposta em aliança com PT no Rio

Marisa Cauduro/Valor

Cabral: “O presidente tem demonstrado enorme respeito pelo partido. Ele dá dignidade ao PMDB. Por isso apoio a Dilma”

 

Heloisa Magalhães e Ana Paula Grabois, do Rio – VALOR

Aliado político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador do Rio, Sérgio Cabral, (PMDB) pretende se candidatar à reeleição em 2010 e aposta em dobradinha com o PT. “O presidente resumiu essa história num papo informal. Ele disse assim: o Rio vive um momento extraordinário e que não será resolvido em quatro anos. E é o primeiro a me estimular a continuar aqui”, disse o governador, em entrevista ao Valor.

No ano passado, Cabral ganhou evidência no PMDB e seu nome chegou a ser cotado para ser vice na chapa do PT ou até mesmo do PSDB à Presidência da República, mas agora ele defende que o vice da virtual candidata petista à Presidência, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, seja um político do Norte ou do Nordeste do seu partido. “Defendo que o PMDB, que tem cinco ministérios que não são triviais – Saúde, Minas e Energia, Agricultura, Integração e Comunicações – apoie Dilma. O presidente Lula tem mostrado enorme manifestação de respeito ao partido, não é aquela coisa fisiológica, atrasada, é de discutir políticas públicas. O Lula dá dignidade ao partido. A integração com o PT na Câmara foi extraordinária; no Senado, houve um ruído, mas com o Sarney (José Sarney, recém-eleito presidente do Senado), deve voltar.”

O governador do Rio descarta que o PT do Rio lance um nome para o governo do Estado em 2010. Mas um dos nomes mais cotados dentro do partido é o de Lindberg Farias, prefeito reeleito de Nova Iguaçu, município da pobre Baixada Fluminense. AoValor, Lindberg, ex-líder estudantil dos caras-pintadas, disse: “Sou pré-candidato ao governo do Rio. Não existe melhor nome para o vice da Dilma do que o governador Cabral, não há outro nome de peso no PMDB”. Para Cabral, entretanto, Lindberg já teria desistido do projeto e deve tentar uma vaga no Senado. “Não acredito que o PT tenha um candidato para o Rio. Acredito que o PT vá marchar conosco na reeleição”. Cabral avalia que o PT, além de Lindberg, tem outros dois pré-candidatos ao Senado, a secretária de Ação Social do Estado, Benedita da Silva, e o ministro da Igualdade Racial, Edson Santos.

Com pouca capacidade financeira de investimento, Cabral tem recebido generoso apoio federal. As obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Estado – urbanização de favelas, saneamento na Baixada Fluminense e construção do arco rodoviário metropolitano – somam R$ 3,6 bilhões em investimentos, mas o Estado vai financiar apenas cerca de 20%. O restante vem do governo federal, que também tem apoiado Cabral em iniciativas diversas, como os projetos em favelas do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci).

Cabral deve usar o capital político de Lula na campanha, mas diz que vai explorar ações nas áreas de Educação, Saúde e Segurança, além do que chama de “mudança de atitude” na gestão, após dois governos do casal Anthony Garotinho e Rosinha Matheus, ambos do PMDB.

Mas o governador tem que trabalhar a imagem. Seu candidato, Eduardo Paes, foi o vencedor mas enfrentou disputa acirrada contra Fernando Gabeira (PV), na eleição da capital, em 2008. A diferença foi apenas de 55 mil votos num total de 3,6 milhões eleitores que compareceram às urnas. Entretanto, Cabral frisa que, por princípio, não faz propaganda. Avalia que a população vai aos poucos identificar as ações de seu governo.

“Se o P-SOL ou o PSTU forem na porta de uma escola fazer discurso dizendo que o salário do professor é ruim, as condições das escolas são precárias, vai ter gente aplaudindo. Mas os professores também vão ver na bolsa deles o laptop com acesso à internet (disponibilizado pelo governo do Estado) e lembrar que há 12 anos não tinham reajuste tiveram no ano passado, no retrasado e terão este ano. Quando chegar em casa vão pensar no que ouviram e avaliar”, diz .

Na conversa com o Valor informou que nos próximos três meses 12 mil salas da rede estadual terão ar-condicionado e 16 mil computadores portáteis, de um total de 60 mil, começam a ser entregues na próxima semana. As salas de aula terão sistema de autofalante para os professores. Na saúde, cita a implantação das Unidades de Pronto-Atendimento (Upas), espalhadas pelo Estado, que funcionam 24 horas. Foram ponto alto da campanha do prefeito Eduardo Paes.

Na política de Segurança, a mais controversa do seu governo, Cabral defende a manutenção do enfrentamento em comunidades dominadas pelo tráfico de drogas e pela milícia. Ao mesmo tempo, vai adotar o policiamento comunitário e ações de integração propostas pelo Pronasci. “A minha tese sempre foi que há dois tipos de violência nessas comunidades. A do traficante e do miliciano dominando, ditando as regras. A outra é a ausência do Estado em saúde, educação, tratamento sanitário, cultura e lazer. Nós estamos agindo nas duas frentes”, disse.

Na avaliação da equipe de Cabral, o Rio irá sofrer menos com a crise econômica internacional. Joaquim Levy, secretário de Fazenda admite cortes no Orçamento, de R$ 46 bilhões, que haverá queda na arrecadação do ICMS e redução das transferências dos royalties do petróleo de R$ 1,5 bilhão. Mas argumenta que o Rio sofrerá menos porque a participação na economia fluminense, da indústria de transformação, segmento atualmente mais afetado pela crise, é menor do que em outros Estados como São Paulo e Minas.

Julio Bueno, secretário de Desenvolvimento, destaca os efeitos positivos da exploração do petróleo na camada do pré-sal. Reconhece que o processo de perfuração é de longo prazo mas diz que antes disso começarão os investimentos de fornecedores de equipamentos e serviços. Bueno garante que os investimentos privados previstos no Estado estão mantidos mas não descarta que a crise pode adiar novos projetos.

15/12/2008 - 15:49h “Se eu me calasse, seria omissa”

Mãe de vítima ajudou a prender militar, 1.º indiciado por nova lei

 

Pedro Dantas, RIO – O Estado SP

 


Há menos de um mês, a perita civil Fátima Freire, de 45 anos, foi a primeira mãe a romper o silêncio e denunciar à polícia do Rio o assédio de um pedófilo pela internet. A vítima era sua filha V. , de 12 anos, chantageada durante cinco meses por um terceiro-sargento da reserva da Marinha, que acabou preso. Agora, Fátima conta o drama que ela e V. viveram e defende que a luta contra a pedofilia não deve ser uma “guerra envergonhada”. Ela planeja fazer um site para ajudar vítimas e pais que sofrem em silêncio. “Os pais devem sair detrás da cortina. Imagina o número de meninas passando o mesmo que a minha filha e não contam às mães”, afirma.

A filha de Fátima começou a ser assediada em julho, quando passava férias no Recife. No site de relacionamentos Orkut, o militar Francisco Luís Dias, de 49 anos, morador de São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, clonou o perfil de uma colega de escola da menina e a adicionou como amiga. A vítima aceitou e logo o criminoso teve acesso a dezenas de fotos de V. e informações sobre a sua vida.

Sempre se passando pela colega, o militar passou a falar com a menina em um programa de conversa instantânea. V. ligou a webcam sem saber que era gravada. A imagem foi editada em um filme como se a menina aparecesse nua. A falsa amiga virtual começou a chantageá-la. Mostraria o filme aos colegas, caso ela não aceitasse um encontro com um “amigo”.

O tormento durou cinco meses. Em troca da não divulgação do vídeo, a falsa colega pedia que V. mostrasse o corpo. Como recusou o encontro com o militar, o pedófilo divulgou o vídeo para os colegas de V.

Em seguida, diante de novas recusas da vítima, o militar clonou o perfil de V. e se passou por ela para enviar filmes amadores pornográficos em que ele fazia sexo com outras crianças para os amigos da escola da garota. Sob a falsa identidade, ele dizia que os vídeos eram protagonizados por V. A menina começou a ser hostilizada no colégio e entrou em depressão.

Sem saída, no dia 1º de novembro, ela contou tudo para a mãe. “Eu percebia que tinha algo errado. Ela passou a faltar às aulas, tinha febre sem estar doente, mas não falava o que era. Resolvi não pressionar e ela contou tudo, até que mesmo que não agüentava mais e queria se matar”, conta Fátima.

A mãe entrou em ação rapidamente. Procurou a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) e os policiais a orientaram a manter conversas com o pedófilo até marcar um encontro. “O constrangimento de ficar ao lado da minha filha por até três horas, durante quase um mês, vendo obscenidades, foi o sacrifício para livrá-la dessa situação. A pedofilia matou o sonho de ver o sexo entrar na vida da minha filha de forma natural e orientá-la sobre o tema. Hoje, aos 12 anos, ela faz tratamento psicológico e mudou de escola. Não sei por quanto tempo essa sombra estará sobre ela”, lamenta a mãe.

O conteúdo das conversas é impublicável. “Ele se excitava toda vez que ameaçava minha filha. Usava gírias de adolescentes e assumia várias identidades. No fim, se revelou como homem, ligava a câmera, mas só mostrava o sexo e se masturbava. No entanto, notei que o relógio era o mesmo usado pelo homem nos vídeos com outras crianças”, conta a mãe. O militar da reserva Francisco Luis Dias, de 49 anos, foi preso no dia 28 de novembro ao ir ao encontro da menina no estacionamento de um supermercado em Nova Iguaçu, armado com uma pistola PT 380, munição e um laptop com vários vídeos pornográficos amadores.

O militar foi o primeiro brasileiro indiciado na nova lei contra a pedofilia na internet, que pune o armazenamento de imagens pornográficas, criminaliza as fotomontagens com crianças e o assédio ou a incitação de adolescentes à auto-exibição. As punições variam de um a oito anos de prisão, além de multa. No caso de Dias, se condenado, a pena será aumentada em um terço, pois ele é pai de um menino de 6 anos e de uma adolescente de 16.

O drama da filha fez Fátima encarar novamente o pesadelo que enfrentou na infância. Ela diz que foi abusada aos 5 anos por um parente que passou as férias na casa de seus pais. Mais tarde, o abusador foi preso após engravidar a própria filha. “A primeira vez eu era uma criança e não tinha discernimento. Agora, com a minha filha, se me calasse, seria omissa”, avalia.

O delegado-titular da DRCI, Fernando Vila Pouca de Sousa, diz que o medo do julgamento alheio ou de estigmatizar socialmente a criança inibe a denúncia. Há cinco meses no comando do distrito, ele afirma que Fátima foi a primeira a denunciar o assédio. “Ela é uma exceção. As vítimas, pais de classe média e esclarecidos, deveriam buscar Justiça, mas não o fazem com medo de submeterem a filha a um prejulgamento”, afirma o delegado.

Fátima confirma que após denunciar sentiu como é ser julgada mesmo sendo vítima. “Algumas pessoas me perguntaram se a minha filha mostrou ou não o corpo. Não entendo a diferença, pois V. estava sendo chantageada por um adulto em uma luta desigual”, conta.

O mercado da pornografia infantil, de acordo com dados da CPI da Pedofilia, movimenta cerca de R$ 3 milhões por ano no País. Esse montante é gerado pela compra e venda de fotos de material pornográfico com crianças para Estados Unidos e Europa. O crime na internet desconhece fronteiras. Ao tentar identificar as outras vítimas do militar pedófilo, a polícia descobriu entre elas uma adolescente do interior paulista. “A pedofilia é um crime que entra em nossa casa, mesmo com as portas fechadas”, alerta Fátima.

ATENÇÃO, PAIS

Proibir não educa e não previne nada. As tecnologias mais
avançadas para proteger crianças e adolescentes continuam sendo diálogo e orientação

Coloque-se sempre à disposição para que as crianças peçam ajuda quando se sentirem ameaçadas ou receberem conteúdos impróprios online

Alerte os filhos para não divulgarem dados pessoais na internet, não aceitarem convites para encontros com amigos virtuais nem receberem arquivos de estranhos

Espionar e gravar o que os filhos fazem não são boas saídas. Você fere a privacidade e pode fragilizar a confiança

Ensine que não podemos acreditar em tudo nem em todos. A internet é território fértil para pessoas mal-intencionadas e mentirosas

Estabeleça regras e limites para o uso da internet, adequadas à idade da criança. Fixe um horário ou tempo limite de acesso, converse sobre os sites e serviços que ela pode ou não usar e
explique o motivo. Monitore o uso de salas de bate-papo e de comunicadores instantâneos

Mostre às crianças que a internet é apenas mais uma
opção de lazer e educação entre várias. A web não deve substituir opções de interação social realizadas fora do computador

Use os recursos que seu provedor de acesso puser ao seu dispor para bloquear o acesso a sites com conteúdo impróprio para seu filho. Você também pode utilizar programas de filtragem de conteúdo, disponíveis na internet

Fonte: SaferNet Brasil (prevencao@safernet.org.br)

COMBATE AO ABUSO

20/12/2007: Operação Carrossel

A Polícia Federal cumpriu 102 mandados de busca e apreensão de material pornográfico em residências e empresas de suspeitos de crimes sexuais contra crianças, em 14 Estados e no Distrito Federal. Foram detectados cerca de 3,8 mil acessos à material pornográfico infantil na internet. Três pessoas foram presas em flagrante, duas em São Paulo e uma em Fortaleza

25/3/2008: CPI

Senado instala a CPI da Pedofilia para propor projetos de lei para combater os crimes sexuais contra crianças e adolescentes no País

23/3/2008: Orkut

CPI da Pedofilia consegue quebra de sigilo de 3.261 usuários do Orkut, suspeitos de estimularem a pedofilia, com divulgação de material pornográfico com menores

2/7/2008: PF e Google

Polícia Federal e Google assinam o Termo de Ajustamento de Conduta para combater a pedofilia no site de relacionamentos Orkut

9/7/2008: Projeto

Em desdobramento dos trabalhos da CPI da Pedofilia, o Senado aprova projeto de lei que pune com mais rigor os crimes de pornografia infantil e pedofilia na internet. O projeto é encaminhado para votação na Câmara

3/9/2008: Carrossel 2

A Polícia Federal fez buscas e apreensões de material de pornografia infantil em 113 endereços de 17 Estados e do Distrito Federal, de onde o material era distribuído pela internet. O Estado campeão de mandados foi São Paulo, seguido pelo Rio Grande do Sul

11/11/2008: Câmara

Câmara aprova o projeto de lei, que foi, então, para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva

25/11/2008: Lei

O presidente Lula sanciona o projeto de lei que aumenta a punição e a abrangência de crimes de pedofilia na internet, durante o 3.º Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, no Rio

27/11/2008: Quebra de sigilo na internet

PF assina acordo com ONG SaferNet para ter acesso às denúncias de pedofilia na internet no www.denunciar.org.br; ação da PF faz varredura em 3.261 perfis no Orkut e identifica 117 pedófilos no País

29/11/2009: O 1.º indiciado pela nova lei

O militar da reserva da Marinha, Francisco Luís Dias, de 49 anos, foi o primeiro indiciado pela nova lei. Ele foi flagrado em encontro com uma menina de 12 anos que estava sendo chantageada para posar em fotos pornográficas

07/12/2008 - 14:47h Obama vai investir em estrutura

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Para criar empregos, presidente eleito promete maior plano de gastos em infra-estrutura desde a década de 50

Reuters, AP e AFP , Washington – O Estado de São Paulo

O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, disse ontem que planeja implementar o maior investimento em infra-estrutura desde a década de 50, com o objetivo de criar pelo menos 2,5 milhões de empregos e reduzir drasticamente o uso de energia no país. Durante o programa semanal de rádio do Partido Democrata, Obama acrescentou que pretende expandir o acesso à internet de banda larga e modernizar fisicamente as escolas públicas americanas.

“Precisamos de ações – e ações imediatas”, declarou, um dia depois de o governo anunciar que a crise econômica tinha cortado 533 mil empregos de trabalhadores americanos em novembro. O presidente eleito afirmou que detalhes de seu plano serão esclarecidos nas próximas semanas, incluindo a rápida modernização de edifícios escolares e a instalação de novos computadores nas salas de aula.

Obama, que toma posse em 20 de janeiro, disse que pretende agir rapidamente para tirar a economia americana da recessão. O índice de desemprego chegou a 6,7% no mês passado e pode superar os 8% no ano que vem.

Depois de duas semanas em que se apressou para nomear sua equipe econômica e enviar ao mercado sinais claros de como pretende agir nos primeiros meses de governo para conter a crise, Obama afirmou ainda no programa de rádio que pretende convencer o Congresso a aprovar medidas de estímulos à economia já em janeiro. Entre essas medidas estaria o plano de ajuda às três maiores companhias do setor automobilístico do país – a General Motors, a Ford e a Chrysler -, que se encontram hoje em situação pré-falimentar.

“Primeiro, devemos lançar um esforço maciço para tornar os edifícios públicos mais eficientes energeticamente. Nosso governo agora paga as contas mais caras do mundo”, afirmou Obama. Substituir velhos sistemas de aquecimento e instalar lâmpadas eficientes nos prédios federais economizarão bilhões de dólares, e ainda criará novos empregos, afirmou o presidente eleito.

Milhões de novos empregos ainda viriam “do maior esforço de investimento na infra-estrutura do país desde a criação do sistema federal de rodovias na década de 50″, disse Obama, sem anunciar os valores desses investimentos.

ALERTA SOMBRIO

Na véspera, Obama havia lançado o sombrio alerta de que o pior da crise econômica do país ainda estava por vir. A declaração do democrata foi feita em meio ao choque de pessimismo causado pela divulgação dos maus resultados nos indicadores sobre o emprego e pela renovação dos pedidos de socorro das fábricas de automóveis. A perda de 533 mil postos de trabalho em novembro significou o pior resultado desse indicador em 34 anos.

Eleito em 4 de novembro, em parte como conseqüência do cenário de crise econômica, Obama lembrou que em um ano de recessão a economia já tinha perdido 2 milhões de empregos. “Não há conserto fácil ou rápido para esta crise, que passou muitos anos se formando, e provavelmente vai piorar antes de melhorar”, disse ele, numa nota divulgada por sua assessoria, reiterando afirmações de que seus primeiros meses na Casa Branca não serão tranqüilos. “Mas agora é hora de reagir com uma resolução urgente para colocar as pessoas de volta aos seus locais de trabalho e fazer a nossa economia se mexer de novo.”

AGENDA AMBICIOSA

Empregos – Obama pretende criar 2,5 milhões de empregos até 2010

Energia – Presidente eleito quer reduzir gastos com energia melhorando a eficiência do consumo em edifícios públicos

Escolas – Plano de modernizar fisicamente as escolas públicas americanas, incluindo a instalação de computadores em todas as salas de aula

Resgate financeiro – Presidente eleito pretende acelerar a aprovação de pacotes de ajuda a montadoras pelo Congresso

07/12/2008 - 12:02h Crise não abala a confiança na economia

Pesquisa Datafolha mostra que 76% dos brasileiros mantiveram os planos de compra apesar da turbulência mundial

Na opinião de 68%, Brasil não sentirá impacto da crise ou será pouco afetado; para 20% dos entrevistados, país será muito prejudicado

TONI SCIARRETTA – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

A crise financeira internacional ainda não bateu às portas da população brasileira, que segue confiante na economia e na manutenção do emprego e mantém praticamente intacta a mesma disposição de gastar nos próximos meses. Pesquisa Datafolha mostra que 76% dos brasileiros afirmam não ter desistido de comprar nenhum bem ou produto por causa das incertezas financeiras.
Na pesquisa, apenas 21% declaram ter desistido de algum plano de aquisição por causa da crise -6% deixaram de comprar automóveis; 2%, motocicletas; 3%, eletrodomésticos; 2%, computadores ou produtos de informática; e 2%, imóveis, por exemplo. O Datafolha ouviu 3.486 pessoas, com idade acima de 16 anos, em 180 municípios, entre os dias 25 e 28 de novembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Segundo o Datafolha, 58% acham que o Brasil será pouco afetado pela crise e 10%, que o país não sentirá nenhum impacto. Já 20% vêem que o país será muito prejudicado.
O pessimismo é ligeiramente superior entre as pessoas com maior renda e escolaridade e as que moram no Sudeste. O percentual dos que desistiram de comprar algum item chega a 27% entre os que têm renda familiar mensal de cinco a dez salários mínimos e a 25% entre os que têm curso superior ou que moram na região Sudeste.
Segundo o Datafolha, a confiança do brasileiro em relação à economia permanece parecida com a apurada até agosto, antes da piora nos mercados. Em agosto, 86% afirmavam que pretendiam comprar roupas nos próximos 12 meses -agora a taxa é de 85%. O mesmo se repete com itens de consumo como telefone celular, aparelhos de DVD e máquina de lavar roupas (veja quadro acima).
A piora só aparece entre os que pretendiam comprar móveis e eletrodomésticos -passou de 53% para 48% nessa comparação, variação ainda próxima da margem de erro.
“Mais do que não estar preocupada com a crise, a população demonstra um otimismo impressionante. A população está ignorando a crise e se mantém mais otimista do que antes do noticiário econômico negativo”, disse Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha.
Na pesquisa, 39% afirmam acreditar que a situação econômica do país vai, inclusive, melhorar -em março, esse percentual era de 34%. Já os que prevêem piora na economia se mantiveram em 20% de março para o final de novembro.
Questionados sobre a perspectiva para a sua própria situação econômica, 60% afirmaram que ela deverá melhorar nos próximos meses -percentual maior do que os 53% de março. Também diminuíram os que estavam pessimistas em relação a sua própria situação financeira, passando de 11% para 8% os que dizem acreditar em uma piora no quadro.
Para Paulino, uma série de fatores ajuda a explicar o cenário róseo visto pelo brasileiro: o fato de a crise não ser localizada no Brasil, a avaliação positiva do governo Lula e na forma como o presidente lida com as incertezas e o otimismo sazonal com a chegada do 13º salário.
“Há um otimismo que, acredito, até ajuda o governo a administrar a crise. O [presidente] Lula tem uma legitimidade e uma força política neste momento que permite que ele possa lidar com a crise de uma forma privilegiada”, disse Paulino.
O otimismo apurado pelo Datafolha destoa do de outros levantamentos, encomendados por associações do setor produtivo e por institutos de pesquisas econômicas, que focaram sua atenção apenas nas capitais. “Essa é a amostra representativa da população adulta, inclui os grandes e os pequenos municípios e todas as faixas sociais. É um retrato mais abrangente, que não é comparável com outras pesquisas”, disse.
Segundo o diretor do Datafolha, o otimismo varia de acordo com a renda e a escolaridade. Entre os mais pobres, a maioria acha que a vida melhorou e que esse cenário deve continuar. Já os de maior renda acreditam que a situação econômica ou permaneceu igual ou piorou e que as perspectivas não são tão favoráveis assim. “Isso tem uma correlação direta com o grau de informação, que são pessoas com mais escolaridade e com mais acesso à informação sobre a crise”, afirmou.

Desemprego
Na pesquisa, 44% acham que o desemprego vai aumentar, taxa semelhante aos 42% da pesquisa de março. Na região Sudeste, o pessimismo é maior: 51% acreditam que possam aumentar as demissões, sendo que na cidade de São Paulo esse contingente chega a 52%.
Entre os entrevistados, 30% dizem acreditar que o desemprego vai diminuir, e 23%, que ficará no mesmo patamar -em março, os que esperavam queda no desemprego eram 24%, e os que viam estabilidade, 30%.
Entre os empregados, a maioria (71%) acredita que não corre risco de demissão, 17% dizem que correm algum risco e apenas 7% vêem um grande risco de perderem o trabalho.
Para Paulino, o otimismo do brasileiro passa pela manutenção do atual nível de emprego e do poder aquisitivo do brasileiro. “A chave aí é o desemprego. Se o governo não conseguir manter os níveis de emprego e o poder aquisitivo, aí acredito que a ficha cairá e que a população começará a perceber o problema. Mas acredito que o lastro de confiança que o governo tem demora para cair. Precisamos de uma crise bem mais forte para fazer com que a população perca a confiança”, disse.

26/11/2008 - 15:46h Novas medidas de socorro mudam o papel do banco central dos EUA

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Jon Hilsenrath e Deborah Solomon, The Wall Street Journal – VALOR

O governo dos Estados Unidos se comprometeu a injetar mais US$ 800 bilhões nos conturbados mercados de crédito, sendo que desta vez a maior parte do dinheiro virá diretamente do banco central, o Federal Reserve, que assim passa a ser um agente financeiro em quase todos os cantos da vida americana.

Nos próximos meses, o Fed vai comprar até US$ 600 bilhões em dívida emitida ou garantida por empresas de crédito imobiliário com fortes laços com o governo: Fannie Mae, Freddie Mac, Ginnie Mae e Federal Home Loan. As autoridades esperam que isso derrube os juros das hipotecas e ajude o setor imobiliário. Além disso, o Fed, com apoio do Tesouro, que é o Ministério da Fazenda nos EUA, vai oferecer até US$ 200 bilhões em financiamento para investidores para que possam comprar títulos de dívida atados a créditos estudantis, automobilísticos e de cartões e a empréstimos para pequenas empresas.

Essas ações também representam novos passos dados pelo governo de George W. Bush para resolver a crise financeira no fim de seu mandato, e chegam poucos dias depois de o secretário do Tesouro, Henry Paulson, ter sugerido que poderia adiar o comprometimento de mais verbas oriundas do programa de US$ 700 bilhões para alívio de ativos problemáticos, o Tarp, aprovado pelo Congresso em outubro. Os mercados pioraram nos últimos dias, em parte devido a incertezas quanto aos planos do governo.

Paulson disse que as medidas visavam a aumentar a disponibilidade de financiamento para o consumo e aquisição de casa própria. “Nada é mais importante para sair desta correção do mercado imobiliário do que a disponibilidade de financiamento hipotecário acessível”, disse ele. Paulson acrescentou que o mercado para papéis lastreados por dívida de consumidores “paralisou” no mês passado, tornando quase impossível para milhões de americanos encontrar juros palatáveis para financiar desde computadores até cursos universitários.

Esses mercados pioraram bastante nas últimas semanas. No fim da semana passada, por exemplo, a dívida emitida pela Fannie Mae tinha juros 1,8 ponto porcentual acima dos de títulos do Tesouro de igual prazo. Essa diferença era de apenas 0,7 ponto porcentual em setembro, logo depois de o governo ter assumido controle da gigante hipotecária e sua co-irmã, a Freddie Mac.

Conforme aumentava o custo para a Fannie e a Freddie se financiarem, os juros de hipotecas também subiam. Investidores festejaram o novo plano, e as taxas de crédito imobiliário caíram cerca de meio ponto porcentual ontem, após as notícias, algo que pode ajudar quem quer refinanciar sua casa ou comprar uma.

“Isso vai liberar consumo que de outra forma não ocorreria”, disse Susan Wachter, professora de mercado imobiliário da faculdade de administração Wharton, da Universidade da Pensilvânia. “Vai aumentar diretamente a demanda por casas e ajudar com o problema da queda constante dos preços de imóveis.”

O custo de crédito imobiliário tem subido nos EUA em parte porque investidores de outros países, especialmente bancos centrais, recuaram recentemente devido, em parte, a temores quanto ao mercado americano de casas e à ambigüidade do governo. A Fannie e a Freddie também tiveram limitada sua capacidade de comprar títulos lastreados por hipotecas.

Nos últimos meses, o Fed já disponibilizou suas linhas de crédito para corretoras e empresas não-financeiras. E até anunciou planos de começar a comprar alguns dos complexos títulos de dívida que estão no centro da crise financeira – instrumentos conhecidos como obrigações de dívida garantida (CDO, na sigla em inglês) – através de seu resgate da gigante seguradora American Internacional Group Inc.

Conforme o Fed expandia sua atividade de financiamento, seu balanço inflou de US$ 900 bilhões em agosto para mais de US$ 2 trilhões. Com os novos programas, deve ficar ainda maior. O Fed, ao contrário do Tesouro, não precisa tomar emprestado para financiar seus programas de resgate. Um banco central pode na prática criar dinheiro novo injetando recursos – também conhecidos como reservas – no sistema bancário, algo que o Fed está fazendo agora.

É algo parecido com o que o Japão fez nos anos 90 e também nesta década, quando o Banco do Japão injetou dinheiro nos bancos do país num processo conhecido como “afrouxamento monetário quantitativo”. O Fed está levando esse processo um passo à frente. Ele não está apenas injetando dinheiro, mas também decidindo para onde esse dinheiro deve ir por meio de seus próprios programas de financiamento.

“O Fed está indo mercado a mercado, dizendo: ‘Onde o crédito está entupido?’ e tentando lidar com isso de maneira direta”, disse Laurence Meyer, ex-diretor do Fed e hoje vice-presidente da consultoria econômica Macroeconomic Advisers.

Essa abordagem traz vários riscos. Os mercados podem se tornar dependentes do financiamento do Fed, o que pode retardar uma recuperação. Diretores do Fed estão preocupados com a maneira como poderiam sair dessas linhas de crédito, mas acham que isso é um problema que terão de enfrentar só depois que a crise passar, algo que ainda vêem como um futuro distante.

No âmago, a abordagem do Fed – somada ao volumoso estímulo fiscal planejado pelo futuro governo de Barack Obama – também é inflacionária. Mas dados os problemas em formação na economia americana no momento, como alta do desemprego e queda do consumo, as autoridades do Fed não vêem na inflação um risco iminente.

Há outros riscos – especialmente o de nada dar certo e mais dinheiro se tornar necessário. Além do mais, o Fed poderia ter perdas em todos os empréstimos que conceder, especialmente com a economia tão frágil. O banco central está tomando precauções. Por exemplo, o Tesouro aceitou assumir os primeiros US$ 20 bilhões em perdas da nova linha de crédito de US$ 200 bilhões para financiamento de carros, crédito imobiliário e outros empréstimos para consumo.

Pela estrutura dessa linha de crédito, o banco central vai emprestar dinheiro a investidores – por meio de bancos conhecidos como “dealers” – e os investidores, por sua vez, podem usar o dinheiro para comprar títulos de dívida de alto nível atrelados a crédito ao consumidor. Se a inadimplência de consumidores subir bastante e esses títulos ficarem em atraso, a conta vai cair no colo do Fed e do Tesouro.

O programa de crédito imobiliário é mais direto. A partir da próxima semana, o Fed vai começar a comprar US$ 100 bilhões em dívida emitida pela Fannie Mae, Freddie Mac e outras empresas patrocinadas pelo governo. Ele também planeja comprar US$ 500 bilhões em dívida lastreada por hipotecas que essas firmas avalizam.

O Fed espera aumentar a cotação da dívida com suas compras, o que reduziria o rendimento dela e, teoricamente, os juros de hipotecas.

Com o novo plano, o Tesouro na prática comprometeu US$ 330 bilhões dos US$ 700 bilhões do programa de resgate. Ele precisa de autorização do Congresso para ir além de US$ 350 bilhões.

(Colaboraram Serena Ng e James R. Hagerty)

23/09/2008 - 12:33h Tadao Takahashi, pai da Internet no Brasil defende proposta de Marta

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Tadao Takahashi foi quem planejou e conduziu a implantação da Internet no Brasil. Criador e coordenador-geral da Rede Nacional de Pesquisas, do Ministério da Ciência e Tecnologia. Foi membro fundador do Comitê Gestor Internet e, em segundo mandato, co-responsável pela formalização do NIG.BR (grupo que opera a internet brasileira). Foi o coordenador-geral do Programa Sociedade da Informação (1999-2003), da Presidência da República. É presentemente membro do Advisory Panel da Global Alliance on ICTs for Development (GAID) das Nações Unidas e consultor de vários projetos da Comissão Européia (X-CROSS, WINGS, etc.) envolvendo tecnologia, educação e sociedade.

Tadao não vota em São Paulo, mas considera que Marta está no caminho certo propondo internet sem fio, de graça, na cidade.

Respondendo aos detratores e, indiretamente, aos jornais que jogam “dúvidas”, em relação a consistência das propostas defendidas por Marta, Tadeo Takahashi elaborou um texto do qual reproduzo a parte final aqui. LF

(mais…)

22/09/2008 - 08:35h Internet grátis na rua é a cara de Berlim

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Quase 20 anos após a unificação, capital alemã busca imagem de cidade tecnológica e tem internet até nos restos do Muro

Lucas Pretti – Berlim – Caderno LINK – O Estado de São Paulo

Você olha para a frente e vê o Portão de Brandemburgo, uma das antigas entradas do reino da Prússia. Foi ali, em 1987, que o ex-presidente norte-americano Ronald Reagan pediu que a Rússia desistisse da Guerra Fria: “Sr. Gorbachev, abra este portão”. História pura.

Logo atrás está o Bundestag (Parlamento) restaurado, com sua impressionante cúpula de vidro, a nova Chancelaria (governo federal) e, mais além, do outro lado do rio Spree, a Hauptbahnhof.

A construção futurista, que chama atenção pela gigantesca parede de vidro e em arco, foi inaugurada em 2006 e detém o título de maior e mais moderna estação de trem da Europa. Tudo lá dentro é transparente. É um marco da capital alemã pós-unificação (1990), que quer ser associada à modernidade.

Diante de tantos marcos do passado e do presente de Berlim, o visitante baixa os olhos e vê o resultado dessa mistura entre tradição e avanço tecnológico. Dezenas de terminais de acesso gratuito à internet estão espalhados pela cidade, alguns bem aqui, na avenida Unter den Linden.

É só tocar na tela e navegar sem fazer cadastro – pelo tempo que quiser. Nos terminais, colocados em pontos de ônibus e bondes, estações de trem e praças, é possível enviar mensagens de graça, consultar mapas e guias de shows e restaurantes. Agora, a parte “velho mundo”: não há filas nem vandalismo.

Após sucessivos traumas históricos, Berlim levou pouco tempo para mudar. O Muro foi derrubado em 1989 e, menos de 20 anos depois, as referências ao nazismo, a preconceitos de todas as ordens e à violência física, política e moral que dividia as Alemanhas são lembradas com respeito histórico em centenas de memoriais e museus. E só. Tudo o que sobra quer estar ligado à inovação e a um futuro de paz e prosperidade.

A rede de terminais de acesso gratuito à internet Bluespot (www.bluespot.de) foi instalada em 2005 pela empresa Wall AG (www.wall.de), especializada em mobiliário urbano, e conta hoje com 64 computadores em Berlim. Não cobrar pelo uso irrestrito é o que há de revolucionário no serviço, o que fez as lan houses sumirem do mapa e estimulou cibercafés como a rede Dunkin’ Donuts a oferecer redes Wi-Fi gratuitas a clientes.

Isso quando a rede sem fio já não é fornecida pela própria prefeitura. No Sony Center, moderno complexo de lojas, restaurantes, cinemas, hotéis e museus na Potsdamer Platz, é possível se conectar sem pagar nada nem obter senha. É só fazer como a garota da foto ao lado: sentar, abrir o notebook e navegar. Se quiser completar com uma cerveja alemã, há várias choperias em volta.

THE WALL
Um dia, o Muro de Berlim já foi símbolo de separação, mas a coisa mudou tanto que, hoje, a mania é se conectar, por meio do pouco que sobrou dele, a outras pessoas que vivem ou passam pela cidade. Visitantes do mundo todo vão aos resquícios da construção, na East Side Gallery, em Kreuzberg, para deixar gravados na parede e-mails ou endereços de sites e blogs.

Quem garante, porém, que os sites são verdadeiros e representam a intenção de seus autores de “falar” com outros turistas? Pois o Link enviou e-mails para a maioria dos endereços pichados e… o pessoal respondeu.

“Estive lá no ano passado, decidi escrever o e-mail por diversão e para ver se alguém me respondia. Acabei recebendo várias mensagens”, conta a estudante sueca Alma Helgesson, de 16 anos. Jovem, superconectada e impulsionada por algo que ela nem sabe o quê: é o perfil de quem deixa o e-mail no muro.

“Estou feliz que você tenha visto o meu e-mail”, respondeu a alemã Britta Adrians, de 17 anos, moradora de Hamburgo que estuda hoje na Nova Zelândia. E bombardeou este repórter com perguntas e uma simpatia incomum a alemães no contato não-virtual. Mais maduro, o designer e ilustrador espanhol Pablo Vallejo, de 33 anos, usou o Muro para divulgar seu blog yonosoytupadre.blogspot.com.

Aos poucos, numa mescla curiosa entre acaso e políticas oficiais, Berlim passa da dor cinza do passado às cores carregadas de promessas da tecnologia.

16/09/2008 - 17:32h Cidade do Porto com Internet sem fios gratuita

Internet  

Quem se deslocar à Avenida dos Aliados, Palácio de Cristal, Parque da Cidade e envolvente do Edifício Transparente já pode aceder gratuitamente à Internet sem fios a partir de um computador portátil, PDA ou outro equipamento portátil que suporte tecnologia wireless.

O serviço de Wi-Fi gratuito, um projecto desenvolvido pela Associação Porto Digital, será disponibilizado em breve nos Jardins de Serralves, Praça D. João I, Casa da Música e Rotunda da Boavista, pode ler-se no site oficial da CMP.

Está previsto um alargamento da cobertura do serviço no primeiro semestre de 2008, passando a ser abrangidas parte significativa do passeio marítimo e fluvial, Praça da Ribeira, envolventes às estações de S. Bento, Campanhã e Trindade, Rua de Santa Catarina, Batalha, praças dos Leões e de Carlos Alberto, Rua Miguel Bombarda, zonas envolventes aos estádios do Dragão e do Bessa, Praça Francisco Sá Carneiro e Monte Aventino.

O projecto, que prevê a instalação de 50 hotspots, foi concebido de forma a «dispor de capacidade para acomodar os utilizadores, disponibilizando o serviço numa parte significativa da cidade, numa lógica semelhante à da rede Multibanco, próxima e conveniente», afirma o vereador Vladimiro Feliz.

A rede de hotspots utiliza a mais recente tecnologia da Cisco e está estruturada segundo uma malha de canais rádio (mesh) a operar em banda não licenciada (na frequência de 5GHz), sendo disponibilizada uma largura de banda máxima partilhada de 54Mbps.

Quando o projecto foi totalmente implementado, a cidade do Porto poderá contar com a maior rede wireless mesh gratuita da Europa, segundo a CMP. (fonte Ciberia)

03/09/2008 - 12:31h O CEU e a verdade

Em 26 de junho, dois meses atrás, postei aqui no blog (Com os demo-tucanos na prefeitura o CEU fica lá acima, mesmo!) um levantamento mostrando que os 13 CEU’s que Kassab construiu eram menores, com menos piscinas, menos vagas nos teatros, que os 21 CEU’s que Marta realizou na cidade. Mostrei que os CEU’s construidos por Kassab eram, além do que, mais caros. Não só mais caros que os CEU’s que Marta fez. OS CEU’s feitos por Kassab eram incluso mais caros que o preço pelo qual tinham sido licitados no final da gestão de Marta. Kassab pagou de 8% a 54% a mais do preço estipulado na licitação, mesmo mudando o projeto para menor, com menos equipamentos.

A mídia recusou-se a tratar do assunto para não contradizer a campanha demo-tucana. Resultado desta verdadeira “omertá”, onde a mídia finge não ver o interesse no assunto e Kassab finge acreditar no que proclama, hoje em entrevista ao jornal O Globo, Kassab afirmou:


“Todos os CEUs tiveram descontos expressivos de 5%, 4%. Não vou dizer que é irregularidade. Seria leviano.” (Gilberto Kassab, entrevista ao jornal O Globo hoje – 3/9/2008)

Pois bem, a declaração é uma inverdade e os números da própria Prefeitura desmentem a afirmação do candidato demo.

Veja os dados extraidos do site da prefeitura – da Secretaria Municipal de Infra-estrutura Urbana e Obras

As cifras da primeira coluna são os valores previstos na construção desses CEU’s, no fim da gestão Marta Suplicy, seguidos na outra coluna pelos valores pagos pela atual gestão e por último o percentual a mais pago por cada um dos CEU’s.

Vila Rubi R$ 25.000.000 R$ 29.214.443,61 +16,9%
Vila Jaçana (tremembé) R$ 25.000.000 R$ 27.072.436,62 + 8,3%
Água Azul R$ 25.000.000 R$ 31.444.763,14 + 25,8%
Azul da cor do mar R$ 25.000.000 R$ 29.507.944,10 + 18%
Quinta do Sol R$ 20.800.000 R$ 23.144.938,29 + 11,3%
Lajeado R$ 20,400.000 R$ 26.129.122,01 + 28,1%
Guarapiranga R$ 21.700.000 R$ 26.849.571,61 + 23%
Vila do Sol R$ 20.900.000 R$ 28.918.401,07 + 38,4%
Feitiço da Vila R$ 25.000.000 R$ 38.498.811,31 + 54%


 

No post de junho, reproduzido a seguir, manifestei minha credulidade que a mídia trataria do assunto. Hoje fica evidente que não o fará.  

Luis Favre

CEU Vila Rubi inaugurado por Serra e Kassabhttp://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/46/CEUvilarubi.jpg/200px-CEUvilarubi.jpg

Existe hoje um consenso entre os principais candidatos à Prefeitura de São Paulo em favor do desenvolvimento do CEU (Centro Educacional Unificado) na educação municipal de São Paulo.

Em 2004 o DEM e o PSDB eram contrários aos CEU’s. Quando Serra e Kassab assumiram a prefeitura em 2005 suspenderam a expansão dos novos CEU’s já previstos e licitados. Finalmente em novembro 2005 a prefeitura decidiu retomar a construção das unidades planejadas na gestão de Marta Suplicy.

A Folha de São Paulo em artigo sobre a decisão de Serra e Kassab, de retomar os CEU’s, lembrava: ” O projeto dos CEUs centralizou as discussões na campanha eleitoral entre Serra e Marta. Enquanto a petista entregou 21 unidades durante seu primeiro mandato e prometia mais 24 caso fosse reeleita, Serra rebatia que os CEUs consumiam 40% dos gastos de custeio da educação, abrigando 5% dos alunos da rede.” (FSP 26/11/2005). Afirmavam também os demo-tucanos que primeiro construiriam as vagas em creches e só depois, se sobrasse dinheiro fariam os CEU’s. As vagas em creche continuam aguardando, mas pelo menos retomaram os CEUs e, mesmo inacabados, inauguraram vários.

A retomada dos CEU’s foi uma boa decisão, mesmo se acompanhada de uma reformulação dos projetos, mais “feios” na nova versão e com menos equipamentos, justificados pelos demo-tucanos para reduzir os custos dessas unidades, denominadas anteriormente “obras faraônicas”.

“Os novos CEUs serão horizontais e não terão elevadores. “Decidimos substituir por rampas de acesso, pois a manutenção é muito cara e nunca encontrei todos os elevadores funcionando quando visitei os CEUs”, disse Serra.
De acordo com a Secretaria da Educação, as cinco novas unidades manterão o padrão dos construídos na gestão passada, com duas quadras esportivas abertas e uma coberta, teatro, biblioteca, pista de skate e Telecentro (sala com computadores conectados à internet). O número de piscinas será menor: de três para duas.” (FSP idem anterior)
.
Cada vez que este tema volta a pauta os demo-tucanos fazem questão de afirmar que com eles os CEU’s ficariam mais baratos e preencheriam o mesmo objetivo.

Na sua coluna o jornalista Gilberto Dimenstein comentava na época sobre a decisão de Kassab de retomar os CEU’s: ” A construção de CEUs (Centros Educacionais Unificados) é uma bandeira da gestão de Marta Suplicy (PT) que o atual governo, após a posse de José Serra (PSDB), abandonou -com críticas ao projeto, especialmente ao preço de cada unidade, perto de R$ 20 milhões- e que Kassab retomou no ano passado.

O prefeito, que tenta se viabilizar como candidato à reeleição em 2008, aposta na educação como uma de suas bandeiras. A construção de CEUs tem um motivo político, mais até do que educacional: ter base para comparar a sua gestão à de Marta, sua provável e mais forte adversária.”

Os 21 CEU’s construidos durante a gestão Marta Suplicy, inaugurados entre 2003 e 2004 tiveram um custo entre R$17 e R$20 milhões de reais. Até hoje o jornal O Estado de São Paulo considera esses investimentos um absurdo só justificado pelo objetivo eleitoreiro.

Pois bem, os CEU’s “faraônicos” de Marta, na versão menos “luxuosa” e mais ponderada dos bons administradores demo-tucanos, passaram por um processo de aumento do custo que exige explicações convincentes para a opinião pública. TENHO CERTEZA QUE A MÍDIA COBRARÁ COMO SE DEVE ESSAS EXPLICAÇÕES.

No dia 7 de junho Kassab inaugurou o CEU (Centro Educacional Unificado Feitiço da Vila). O custo deste CEU segundo release enviado pela própria prefeitura foi de R$36,9 milhões.

Olhando mais de perto a partir desta informação, só publicada no jornal Diário de São Paulo, descobri, nos CEU’s já inaugurados mesmo muitos deles inacabados, os valores da tabela acima.

 

25/08/2008 - 10:19h País lidera Brics em tecnologia

Estudo da IDC mostra que Brasil investe mais do que outros emergentes, inclusive a China

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Renato Cruz – O Estado de São Paulo

No ano passado, a subsidiária brasileira da HP resolveu encomendar um estudo sobre o Brasil para a consultoria americana IDC. A idéia era mostrar para a matriz e para clientes internacionais as oportunidades que existiam no País, quando comparado a outros emergentes. “Naquela época, existia uma tremenda discussão se o Brasil fazia sentido, ou se o B dos Brics tinha morrido”, diz Denoel Eller, diretor de Marketing e Alianças da HP. “A HP vinha investindo no Brasil, mas menos do que nos outros Brics. Havia uma imagem de que o País não estava crescendo, que tinha violência e instabilidade.”

No meio do caminho, enquanto o estudo era feito, a situação mudou. Em 2007, foram vendidos 10,7 milhões de microcomputadores no País, o que tornou o Brasil o quinto maior mercado de PCs do mundo. A expectativa é que ele se torne o terceiro maior até 2010, atrás somente da China e dos Estados Unidos. Um exemplo da mudança foi o interesse da imprensa internacional em relação ao País.

Neste ano, o atual presidente da subsidiária brasileira, Mário Anseloni, visitou a matriz, nos EUA, e teve de dar uma entrevista coletiva para os americanos. “Eles acabaram surpresos ao saber, por exemplo, que o mercado brasileiro de software e serviços de tecnologia é maior que o de equipamentos”, conta Eller.

O estudo da IDC mostrou que, entre os Brics, o Brasil só perde para a China no volume de investimentos em tecnologia. Quando se analisa, porém, o total de investimentos como porcentual do Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil está à frente, sendo o único entre os emergentes com gastos maiores que 2% do PIB. “Isso coloca o Brasil ao lado de países como Japão, França e Alemanha”, afirma Roberto Gutierrez, diretor de Consultoria da IDC Brasil.

O mercado de tecnologia no País deve crescer três vezes mais que o PIB nos próximos quatro anos, a maior taxa entre os Brics. O da China, por exemplo, deve aumentar 1,43 vez em relação à economia em geral. O estudo da IDC também mostrou que o Brasil está em uma situação melhor no que diz respeito à estabilidade e à liberdade econômica. Como resultado, a HP conseguiu da matriz a contratação de 800 pessoas para o setor de serviços.

A mudança na imagem do Brasil fez com que a fabricante de computadores Dell nomeasse o brasileiro Fernando Loureiro diretor global de Mercados Emergentes, há cerca de um ano e meio. A divisão não existia e foi criada como uma das cinco iniciativas mundiais da empresa para acelerar o crescimento. O executivo continua sediado no Brasil, de onde comanda a divisão. “Pouquíssimos países receberam destaques em todos os relatórios da Dell nos últimos trimestres, como foi o caso do Brasil”, afirma Loureiro.

A situação atual contrasta bastante com o que acontecia há cinco ou seis anos, quando o mercado de PCs era pequeno e dominado pelos chamados fabricantes cinzas, que sonegam impostos e usam peças contrabandeadas. O corte de impostos federais, o câmbio favorável, o avanço do financiamento e a melhora da situação econômica mudaram a situação. “Em 2002, chegamos a pensar em deixar o País”, diz o diretor da Dell.

A Dell, que prosperou com um modelo de venda direta de computadores, começou a ir para o varejo, e o mercado brasileiro foi um dos pioneiros no movimento. “Fizemos uma série de ações fortes com varejistas como o Wal-Mart e o Ponto Frio”, explica Loureiro.

Outra empresa que recebe reflexos positivos do aumento na venda de PCs é a Microsoft. Em julho, o Brasil ganhou um prêmio da corporação como a melhor subsidiária de países emergentes. A redução do chamado mercado cinza levou a uma queda na pirataria de software, que beneficiou a Microsoft.

Além do crescimento do mercado, a diretora de Marketing e Negócios da companhia, Paula Bellizia, afirma que a Microsoft Brasil tem obtido bons resultados por causa de suas estratégias de aumento dos escritórios regionais, do número de empresas-parceiras e de profissionais treinados em suas tecnologias.

“No último ano, abrimos oito escritórios regionais no Brasil, chegando a 13 escritórios”, diz a executiva. “Ainda existe um potencial de crescimento muito grande no Brasil, tanto em tecnologia quanto em educação.”

22/08/2008 - 23:33h Marta chora ao ver situação de índios que vivem em SP

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ANNE WARTH – Agencia Estado

SÃO PAULO – Emocionada, a candidata à Prefeitura de São Paulo pela coligação “Uma Nova Atitude para São Paulo” (PT-PCdoB-PDT-PTN-PRB-PSB), Marta Suplicy, chorou ao ver hoje as precárias condições da aldeia guarani Tekoa Pyau, na zona norte da capital paulista. Na comunidade de 144 famílias, a maioria das crianças andava descalça sobre o chão batido, acompanhada de dezenas de cachorros doentes. Questionada pelas crianças sobre as lágrimas, Marta respondeu estar emocionada por vê-los. “Você é linda”, elogiavam as crianças.

Marta foi recebida pelo líder da aldeia, Pedro Luiz Macena, e abençoada pelo cacique e pajé Zé Fernandes, de quem ganhou colares e brincos de pena. Apesar da ausência de cabos eleitorais, ela foi carinhosamente recebida pelos índios. A maior parte das famílias vive em casas muito humildes, sem água encanada ou iluminação e de chão batido. Apesar disso, muito indígenas tiraram fotos da candidata com telefones celulares. Marta visitou toda a aldeia e assistiu a uma apresentação de crianças que cantaram e dançaram uma música típica.

Na aldeia, em um Centro de Educação e Cultura Indígena (Ceci) – espécie de Centro de Educação Unificada (CEU) para índios -, inaugurado em sua gestão, Marta ficou “decepcionada” ao constatar que os computadores comprados durante sua administração estavam quebrados há um ano. “Fiquei bastante decepcionada porque a situação da aldeia continua a mesma, se não pior”, disse a petista, citando que muitas famílias não foram recadastradas no Programa Renda Mínima e que outras recebem apenas metade do valor do benefício, que é de até R$ 220.

Marta ficou surpresa ao saber que uma das salas do Ceci é usada por um colégio estadual da região, sob alegação de que não havia espaço para todos os alunos na instituição estadual. “Toda a idéia da preservação da cultura indígena parece ter sido abandonada”, disse. A candidata afirmou ter ficado “muito triste” com o descaso com que a aldeia vem sendo tratada pelo poder público, mas ficou aliviada ao ser informada de que as crianças tem recebido quatro refeições por dia no Ceci. “Do contrário a situação poderia ser ainda pior.”

Um dos agravantes da situação da aldeia é o fato de que o terreno onde vivem os indígenas ser de propriedade particular, o que impossibilita a melhoria da infra-estrutura para os índios, mesmo que houvesse recursos. A candidata afirmou que uma de suas propostas é regulamentar essa situação. Além disso, ela pretende recuperar os Cecis, investir na educação e qualificação das crianças e criar meios de as famílias indígenas se estruturarem e emanciparem, pois a comunidade hoje sobrevive apenas do que planta e vende. A petista também visitou o comércio da região do Pirituba, na zona norte.

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Fotos Cesar Ogarta

11/08/2008 - 09:08h Brasília, centro do poder, vai às compras e atrai indústrias

Ruy Baron / Valor
Trânsito caótico na Esplanada dos Ministérios: frota de veículos de Brasília dobrou nos últimos dez anos

Cristiano Romero – VALOR

Cidade mais rica do país, com renda per capita três vezes superior à média, Brasília vive um boom econômico sem precedentes em sua história. Projetada para ter 500 mil habitantes no ano 2000, a capital federal conta hoje, a dois anos de seu cinqüentenário, cinco vezes mais habitantes do que o planejado. Aos poucos, está deixando de ser apenas a sede do poder para se transformar num pólo dinâmico de desenvolvimento econômico.

Uma classe média endinheirada, escolarizada e, em sua grande maioria, estável no emprego graças ao setor público, vai às compras sem pudor. Estima-se que, no Distrito Federal, cerca de 10% da população, o equivalente a 250 mil pessoas, ganha mais de R$ 20 mil por mês. Isso tem atraído a instalação de novos shopping-centers, concessionárias de automóveis, lojas de luxo, filiais de restaurantes de outros Estados.

A rede Iguatemi, pertencente ao grupo La Fonte, está construindo, por exemplo, um novo shopping no Lago Norte, bairro nobre da capital. Uma das lojas-âncoras do novo centro comercial, com inauguração prevista para o ano que vem, será a Livraria Cultura, o que fará de Brasília a única cidade, além de São Paulo, a ter duas livrarias dessa rede no mesmo mercado. A primeira loja, aberta há apenas três anos no shopping Casa Park, superou as expectativas.

Curiosamente, até 2003, portanto, depois de 43 anos de fundação, Brasília não dispunha de livrarias e de lojas de CDs e DVDs de grande porte. Naquele ano, o grupo francês Fnac abriu o caminho, instalando uma filial no Park Shopping, o maior do Distrito Federal, e atraindo a atenção de concorrentes como a Livraria Cultura. “Os resultados são muito positivos. Brasília tem um mercado potencial muito bom”, atesta Pedro Herz, diretor-geral da Cultura.

Um outro exemplo da pujança do comércio local – o crescimento explosivo da frota de veículos – já provoca dor-de-cabeça nos moradores mais antigos da cidade, acostumados a viver numa metrópole sem trânsito. Os números são impressionantes. Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), nos últimos dez anos a frota de Brasília dobrou de tamanho, saltando de 499.049 para 1.020.415 veículos.

Na capital da República, a vida parece imitar uma velha piada, segundo a qual, os brasilienses são feitos de cabeça, tronco e rodas. Há, em média, um veículo para cada 2,5 habitantes. A média nacional é mais folgada: aproximadamente um para cada quatro pessoas. Quando se observa apenas o número de automóveis em circulação, excluindo da conta caminhões, motocicletas, caminhonetes, ônibus e outros veículos, a frota cresceu 89% entre 1998 e junho de 2008, o ritmo mais rápido do país – em São Paulo, o Estado mais rico, o número de carros aumentou 73% no mesmo período.

O resultado dessa corrida sobre rodas foi o surgimento de congestionamentos, especialmente na hora do rush, algo impensável para os criadores de Brasília, os arquitetos Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. Numa entrevista publicada em março deste ano pelo jornal inglês “The Guardian”, Niemeyer afirmou que, por causa de problemas como o trânsito, sua “obra-prima está fora de controle”.

Na verdade, o que a realidade mostra é uma Brasília muito diferente da cidade idealizada na segunda metade dos anos 50. O comércio exuberante, movido pelos altos salários dos funcionários públicos, explica apenas uma parte da mudança de perfil e da recente explosão econômica. Nos últimos anos, empresas de outros Estados começaram a olhar para a capital federal não apenas como uma cidade administrativa, com um forte mercado consumidor, mas também como um bom lugar para instalar unidades de produção e centros de distribuição de mercadorias.

A União Química Farmacêutica Nacional, por exemplo, instalou no Distrito Federal a sua maior planta de fabricação de remédios, com capacidade para mais do que dobrar a produção das outras três fábricas do grupo. O investimento é tão importante para a empresa que seu presidente, Fernando Castro Marques, mudou-se para a capital federal e, daqui, comanda os negócios do grupo em São Paulo e Minas Gerais. “Viemos para cá porque o Centro-Oeste é a região que mais cresce no país e Brasília é a que mais cresce dentro do Centro-Oeste”, justifica Castro Marques.

A Aché Laboratórios Farmacêuticos, o terceiro maior fabricante de remédios genéricos do país, também deve desembarcar em breve na capital federal. A Biosintética, subsidiária da companhia que produz remédios genéricos, já instalou um centro de distribuição, mas, agora, se prepara para dar um passo mais ousado. “Brasília é o centro geográfico do país. Isto facilita muito o aspecto logístico. Como estamos vendo o crescimento da economia brasileira, com novas classes sociais chegando ao mercado consumidor, é cada dia mais importante estar no centro, principalmente, quando há infra-estrutura, e Brasília tem”, explica José Ricardo Mendes da Silva, presidente da Aché.

A decisão sobre o investimento será tomada dentro de 60 dias, quando o conselho de administração da empresa vai se reunir para tratar do assunto. Mendes da Silva está confiante na aprovação. “É totalmente viável”, diz ele. “O mercado de medicamentos está crescendo muito no Brasil. A capacidade produtiva das plantas da Aché na situação atual começa a ficar apertada para fazer frente a esse crescimento. A planta de Guarulhos (SP) está sendo expandida, vai ficar pronta em dois anos, mas a nossa leitura é que a perspectiva de mercado talvez seja maior do aquilo que teremos capacidade de expandir.”

A concretização do negócio, cujo valor a Aché ainda mantém em segredo, tornará Brasília, segundo Engels Rego, o maior pólo farmacêutico do país. Rego é o responsável, na secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo do governo do Distrito Federal, pela política de incentivos fiscais concedidos às empresas interessadas em se instalar na cidade. “A linha-mestra da nossa política é fortalecer nossas vocações, que são logística, atacado, distribuição, serviços de tecnologia da informação e comunicação e educação à distância”, informa o assessor.

A política de atração de empresas, que oferece descontos de até 80% nos valores dos terrenos e o financiamento de até 70% do ICMS por 15 anos, está dando resultados. Na semana passada, a PepsiCo, multinacional americana de alimentos e bebidas, confirmou que construirá três novas unidades no Brasil, uma delas, em Brasília. Segundo o vice-governador do Distrito Federal, Paulo Octavio de Oliveira, a unidade brasiliense será a maior fabricante de alimentos da PepsiCo na América Latina. Vai gerar mil empregos diretos e 5 mil indiretos. Na disputa pelo investimento, Brasília venceu a concorrência de duas cidades ícones do agronegócio – Uberlândia (MG) e Anápolis (GO).

Há muito mais em gestação. A construção civil, que sempre foi forte pela própria natureza de Brasília – uma capital construída no meio do cerrado vasto e desabitado -, vive momento de ouro. Apenas em dois bairros de classe média – Águas Claras e Setor Noroeste – serão edificados, nos próximos meses e anos, 396 prédios. No primeiro caso, as construções já começaram. No segundo, os editais de licitação serão lançados este mês.

Brasília tem indicadores invejáveis, para padrões nacionais, nos setores de tecnologia da informação (TI) e comunicação. Ocupa, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o primeiro lugar no ranking brasileiro de residências com computador, com 36,4% de penetração. É a número um também no de residências com acesso à internet (29,7% das casas) e a campeã em lares com telefone (94,1%). No caso da telefonia celular, para cada 100 habitantes, há 116 telefones.

A fusão da Brasil Telecom (BrT) com a Oi (ex-Telemar) ainda nem saiu do papel, mas seus sócios já planejam tirar vantagem desse mercado. A futura empresa, que será a maior do seu gênero no país, tem planos ambiciosos para Brasília. A expectativa, segundo um executivo ouvido pelo Valor, é gerar 10 mil empregos num projeto que, por enquanto, é tratado como “segredo de Estado”. Aposta-se que o investimento ocorrerá nos segmentos de transmissão de dados, comércio eletrônico e “data-center”, vocações “naturais” da cidade, que já é sede da BrT e de grandes empresas de tecnologia de informação, como a Politec, a Poliedro e a CTIS.

Se o plano vingar, diz um executivo da futura BrT-Oi, a companhia vai se tornar o maior empregador privado da cidade. As autoridades locais têm feito gestões, inclusive com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para que a sede da nova empresa de telecomunicação fique no Distrito Federal, mas os sócios não vêem nisso uma prioridade. “Fazer a sede em Brasília não vai gerar um emprego a mais. O que planejamos é muito mais ousado”, assegura uma fonte envolvida nas negociações da fusão.

O governo de Brasília acredita que, além da política de incentivos, uma lista de indicadores favoráveis tem atraído a atenção de empresários de fora. São mencionados, por exemplo, o ambiente de negócios (primeiro lugar do Brasil, segundo o ranking “Doing Business”, do Banco Mundial), a qualidade de vida (o IDH é 0,936, o maior do país, equivalente ao da Nova Zelândia e superior ao de países como Alemanha e Portugal) e a mão-de-obra qualificada (17% da população adulta tem nível superior, face à média de 8% no restante do país, e a taxa de analfabetismo é 3,4%, inferior à média nacional de 11,1%).

09/08/2008 - 15:38h O ‘jeitinho’ chegou à grande rede

Daniel Pinheiro – Carta Capital

A imagem “http://www.cartacapital.com.br/uploads/destaques/1218221010350.jpg” contém erros e não pode ser exibida. Durante a apuração da reportagem O Brasil cai na rede, publicada na edição 508 e que tenta explicar os impactos sociais e econômicos produzidos por metade da populção brasileira a navegar na internet, CartaCapital ouviu uma série de especialistas em diversas áreas relacionadas à grande rede.

Alguns desses especialistas deram pistas sobre um fenômeno interessante e bastante particular: a existência de um possível “jeito brasileiro” de se navegar pela web.

Marcelo Coutinho, diretor de análise de mercado do Ibope Inteligência, foi talvez a fonte mais enfática ao indicar uma apropriação e transformação das tecnologias disponíveis na rede por parte dos internautas brasileiros.

Para Coutinho, um estudioso das relações de interatividade entre usuários de ferramentas da chamada Web 2.0 –blogs, redes sociais, sites colaborativos, entre outros–, esse “jeito brasileiro” pode colocar o Brasil em uma posição de vanguarda em alguns aspectos da rede.

Em entrevista concedida à CartaCapital, que transcorreu em clima de conversa descontraída, Coutinho tenta explicar melhor o que significa esse fenômeno da presença maciça do brasileiro na internet.

(mais…)

08/08/2008 - 13:50h Na classe média, grande é a demanda

VALOR

A eleição de outubro é a primeira da história brasileira em que a classe média é maioria. A constatação da Fundação Getúlio Vargas traz mais motivos de preocupação do que de regozijo para os candidatos à prefeitura das grandes cidades.

Ascender à classe média, que, na definição da FGV, equivale a um padrão de consumo familiar entre R$ 1 e R$ 4,5 mil, também significa demandar por mais serviços públicos que, em grande parte, são prestados pelas prefeituras. O acesso a bens de consumo antes intangíveis, como celular e computador, pode ajudar a explicar a popularidade do presidente da República, mas não elege prefeito algum.

Um dos melhores profissionais de pesquisa de opinião do país, no ramo há 40 anos, tem aplicado dois tipos de questionários Brasil afora sobre intenção de voto. Num, lista os candidatos e pergunta em quem o eleitor vai votar. Noutro, além da lista, acrescenta que o candidato tem o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A explicitação do apoio não acrescenta mais do que dois pontos percentuais aos candidatos lulistas.

O termômetro para o humor do eleitor funciona melhor nos pontos de ônibus e nas plataformas de trens. A pesquisa é clara. Essa migração para a classe média decorre de emprego formalizado. As políticas de transferência de renda continuam com forte impacto sobre a redução da miséria mas os recordes sucessivos na geração de renda do trabalho já rivalizam há anos como fator de migração social.

Mais gente trabalhando também significa mais demanda por transporte público. Tome-se, por exemplo, Belo Horizonte, cidade em que a FGV traz como aquela que, proporcionalmente, teve maior redução de miséria e o maior ingresso de pessoas na classe média. Entre maio e junho deste ano, o metrô de BH registrou três recordes consecutivos de embarque de passageiros. Em toda parte, o nível de satisfação dos usuários de transporte público compreensivelmente cai quando aumenta a lotação.

Aumenta pressão sobre candidatos

No latifúndio de tempo de TV de que disporá (40% do total), o candidato do PSB, Márcio Lacerda, precisará convencer o eleitor de que tem planos exeqüíveis para adequar o transporte público da capital mineira a este afluxo de novos usuários, para não fazer a trinca mais poderosa de apoio que alguém possa desejar – Lula, o governador Aécio Neves (PSDB) e o prefeito Fernando Pimentel (PT) – passar vexame.

O emprego de carteira assinada também expande o ideário de ascensão social que, sem educação de melhor qualidade, não tem como se realizar. O aumento da classe média também tem sido acompanhado pela expansão das matrículas na rede oficial. E é um fenômeno anterior à adoção de cotas nas universidades para alunos egressos de escolas públicas.

No Rio de Janeiro, por exemplo, entre 1994 e 2005, as escolas públicas de ensino médio triplicaram o número de matrículas enquanto que as particulares perderam 7% de seus estudantes. Com a universalização da matrícula, o foco agora é a qualidade de ensino.

Uma das muitas tragédias do domínio das milícias na campanha eleitoral carioca é que temas como a evasão escolar, a progressão continuada (passar o aluno de ano automaticamente), o salário dos professores, ficam em segundo plano. O que não significa que quem quiser enrolar o leitor se dará bem.

Em São Paulo, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) já demonstrou no primeiro debate de TV que está atento para a necessidade de sair da arapuca em que está metido por não ter conseguido atingir nenhuma das metas a que se propôs para a educação quando esteve no Palácio dos Bandeirantes.

Os governadores devem mesmo conspirar em silêncio contra o piso nacional dos professores (R$ 950) aprovado pelo Congresso Nacional se não quiserem jogar areia na campanha de seus candidatos.

O impacto menos claro dessa maioria eleitoral de classe média sobre a discussão das políticas públicas é na saúde. A clientela da nova classe média é a que tem garantido a proliferação de planos de saúde de baixo custo. As rarefeitas garantias que costumam estar associadas a esses planos mantêm sob pressão a rede pública de hospitais e inflacionam as insatisfações do eleitorado com os serviços que lhe são de direito.

Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras

mcristina.fernandes@valor.com.br

31/07/2008 - 09:54h Lucro do petróleo pode espalhar Ceus e Cieps por todo o país

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Vista aérea do Centro Educacional Unificado – CEU Rosa da China

Paulo Totti, do Rio e São Paulo – VALOR

Ainda não se sabe quanto de petróleo a Petrobras descobriu sob uma camada de sal a 280 quilômetros da costa brasileira no Atlântico Sul. Também não se sabe se haverá mudanças na legislação para adaptá-la à prodigalidade com que a natureza retribui o esforço de técnicos e pesquisadores da estatal. Muito se vai discutir também sobre se é justo a lei de royalties permitir, entre 5.500 municípios, que apenas nove deles, no Rio de Janeiro, fiquem com 62% da distribuição nacional da regalia. Começa, entretanto, a criar-se um consenso em torno do que deve ser feito com o resultado da exploração dessas ultragenerosas reservas.

O dinheiro irá preferencialmente para a educação pública fundamental, num projeto que associará experiências realizadas em países de culturas e sistemas econômicos distintos, como Noruega, Coréia do Sul, Cuba, com duas iniciativas autenticamente nacionais: os Cieps de Leonel Brizola, no Estado do Rio de Janeiro, e os Ceus de Marta Suplicy, na cidade de São Paulo. Não há uma diretriz definida para a utilização desses recursos, mas os senadores Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Cristovam Buarque (PDT-DF) já apresentaram projeto de lei em que propõem a criação de um Fundo Nacional do Petróleo para Formação de Poupança e Desenvolvimento da Educação Básica (Funped). O fundo seria formado com 59,3% do lucro com o aproveitamento das recentes descobertas e, desses recursos, 60% seriam destinados à educação básica. O nome e a sigla do Funped serão obviamente mudados por falta de apelo de marketing e por causa do “n” antes do “p”, erro de ortografia inconcebível num projeto educacional, mesmo se tratando de sigla. Mas o projeto está na comissão de infra-estrutura do Senado para o recebimento de emendas e se espera que, em torno dele, se harmonizem todas as tendências da Casa.

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Piscina do CEU. A vizinhança pensava: “É tudo tão bonito, não deve ser para nós”

Na execução do programa, a inspiração do horário integral, com alunos permanecendo na escola o dia inteiro, virá dos Centros Integrados de Educação Pública (Cieps). Dos Centros Educacionais Unificados (Ceus) virá o conceito de escola como pólo de convivência comunitária em regiões urbanas tão carentes de educação de qualidade quanto de entretenimento e atividades culturais e esportivas.

Confirmadas as previsões de que do fundo do mar jorrará dinheiro para investir no encaminhamento de soluções para as carências nacionais – educação básica em primeiro plano, sem descuidar do ensino médio e superior, com ênfase na inovação e na tecnologia de ponta -, desaparecerão os motivos da principal crítica que Cieps e Ceus atraem até hoje: seu alto custo e a falta de recursos para implementá-los. A educação, como o petróleo, é um ativo que se valoriza à medida que se torna mais necessário e o benefício do seu alto retorno justifica e recompensa o investimento para desenvolvê-lo.

A candidata à prefeitura do Rio, Jandira Feghali (PCdoB), segunda nas pesquisas, diz que o projeto pedagógico dos Cieps “foi perdido no tempo” e promete revivê-lo, abrir as escolas nos fins de semana para integração comunitária, restabelecer a permanente assistência à saúde, dotar a rede municipal de equipamentos de cultura, esporte e inclusão digital. “Nada em educação é tão caro quanto o alto custo de não fazer nada”, diz.

Com maior ou menor entusiasmo, outros candidatos a prefeito do Rio elogiam os Cieps. Fernando Gabeira (PV-PSDB), diz que, por enquanto, está “na fase do pré-pré-sal”, ou seja, ainda não há dinheiro para grandes vôos, mas pretende ampliar em uma hora os turnos atuais de apenas quatro horas diárias na maioria das escolas municipais e também a duração do ano letivo, de 175 para 200 dias, equiparando-as às escolas particulares (o calendário da secretaria da Educação indica que essa equiparação já existe).

A deputada federal Solange Amaral (DEM) diz que a educação em horário integral “é uma absoluta necessidade” a ser satisfeita até o fim do mandato, se eleita, “em estruturas que não precisam, necessariamente, ser as dos Cieps”. O senador Marcelo Crivella (PRB), líder nas pesquisas, diz que o turno único será implantado primeiramente nas áreas mais carentes das zonas Norte e Oeste para, até 2012, chegar a todo o município. É o que pode ser feito no momento com recursos próprios (R$ 1,5 bilhão), royalties (R$ 135 milhões) e os atuais R$ 800 milhões do Fundeb. “Mas todo dinheiro novo será bem-vindo”, diz Crivella.

Dos 515 Cieps que Brizola construiu, 316 ainda são administrados pela secretaria estadual de Educação e o restante foi municipalizado – na capital, são 101 os que passaram à prefeitura; o Estado conserva 31. Os candidatos afirmam que não há necessidade de mais Cieps e nenhum deles, em período eleitoral, parece disposto a condená-los. Sincera ou não, essa unanimidade é explorada por outro candidato, o deputado estadual Paulo Ramos (PDT): “Brizola fez tanto pela educação que, 25 anos depois, os brizolões ainda atendem às necessidades do Rio.”

O dinheiro da exploração dos novos campos de petróleo só entrará para os cofres do governo federal por volta de 2012. A disputa pela repartição desses ainda incalculáveis recursos, porém, já começou e desde agora se poderá visitar o que resta dos Cieps no Estado do Rio e acompanhar o evolução dos Ceus de São Paulo, para avaliar se a experiência tem realmente potencial para transformar o Brasil no primeiro país de economia emergente a usar a riqueza do petróleo na melhora das condições de vida de sua população.

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O Valor visitou Cieps e Ceus e constatou que autoridades da área, professores e outros profissionais da educação, ex-alunos e moradores das comunidades que os hospedam consideram válida a experiência, com plenas condições de servir de modelo à educação básica brasileira no futuro. Existindo dinheiro para sustentá-los, gostariam todos de ver Ceus e Cieps espalhados pelo país – feitas as correções que o passar do tempo e as diferenças regionais impõem. “Unidade não significa uniformidade. A unidade pressupõe multiplicidade. A um centralismo estéril e odioso se opõem as condições geográficas do país e a necessidade de adaptação crescente da escola aos interesses e às exigências regionais”, já proclamava o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, que Anísio Teixeira assinou em 1932, na companhia de educadores como Fernando de Azevedo, Afrânio Peixoto e Roquette Pinto e de intelectuais como Júlio de Mesquita Filho e Cecília Meirelles.

Secretário da Educação e Saúde no governo do udenista Otávio Mangabeira, na Bahia (1947-1951), Anísio Teixeira criou em 1950 a Escola Parque, no bairro da Liberdade, em Salvador, onde implantou o ensino em tempo integral, cuidados médicos e de higiene pessoal, educação artística (entre seus professores, Mário Cravo e Caribé) e “socialização, preparação para o trabalho e para a cidadania”. Estas palavras constavam do ideário da escola baiana e foram repetidas até a exaustão pelos criadores dos Cieps – Darcy Ribeiro à frente, o executor mais brilhante e entusiasta das idéias de Anísio. Cida Perez, secretária municipal da Educação na época da criação dos Ceus, manteve o discurso em São Paulo. Experiências como as da solitária escola de Anísio, já incorporando a idéia de que ” nova educação pede nova arquitetura” – daí a convocação de arquitetos como Oscar Niemeyer, no Rio, e Alexandre Delijaicov, André Takyia e Wanderley Azira, em São Paulo – repetiram-se isolada e esporadicamente pelo país, mas só no Rio e em São Paulo o conceito se transformou em atitude central de um governo estadual ou municipal.

Em dois mandatos (1983-1987 e 1991-1994), Brizola criou uma secretaria especial para cuidar dos Cieps e chegou a comprometer, durante dois anos, 80% do orçamento estadual no seu custeio e investimentos. Marta Suplicy (PT), ao sair da prefeitura de São Paulo, deixou 21 Ceus construídos. Seu sucessor, Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição, inaugurou 12 outros Ceus e tem 13 em obras para entrega até dezembro. O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) assegura que, se o eleito for ele, nada vai mudar. Já Kassab afirma que, reeleito, os Ceus terão turno de sete horas até o fim do futuro mandato. E Marta acrescenta que sua eleição é a garantia de que os Ceus não serão desvirtuados.

Com dinheiro para investimento e custeio desaparecem as razões para condenar projetos como Ceus e Cieps

Cada Ceu tem um custo estimado em R$ 17 milhões em obras civis e mais R$ 2 milhões para equipá-lo. No Rio, não há dados sobre quanto custaria hoje a construção de um Ciep, pois, há duas décadas, os governadores ou prefeitos que se sucederam parecem ter desistido de erguer escolas que os cariocas continuariam insistentemente a chamar pelo apelido: “brizolões”. Sabe-se, porém, quanto custa à prefeitura a manutenção do Ciep nº 001 Tancredo Neves, o mais antigo: R$ 265,39 por aluno/ano. A escola convencional custa pouco menos que a metade: R$ 131,27.

Com pequenas adaptações no projeto – as creches para crianças de zero a três anos estão agora no andar térreo e a quadra de esportes com piso de tábuas não está mais em cima do teatro -, em São Paulo a administração Kassab prossegue a política de sua antecessora, mas não dá a Marta Suplicy, que os implantou, o crédito pelos Ceus. Numa revisão histórica assaz criativa, o mérito pela idéia dos Ceus, segundo assessores do prefeito, pertenceria a Mario de Andrade, poeta e romancista que morreu em 1945 aos 52 anos, depois de ter exercido, entre outros cargos, a direção do Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo (1935-37), onde defendeu que as atividades escolares incluíssem música, folclore e esportes.

Com origem e objetivos comuns, Cieps e Ceus têm, entretanto, diferenças. Os Ceus são um amplo centro comunitário instalado em cerca de 14 mil metros quadrados cada um, que hospeda não uma, mas três escolas – creche (até três anos), educação infantil (de três a cinco anos) e fundamental (da primeira à nona série). Há uma gestora (ou gestor) para o Ceu e uma diretora (diretor) para cada uma das escolas. As diretoras cuidam do currículo escolar, a gestora de todas as outras atividades. Ao contrário dos Cieps originais, os Ceus não têm tempo integral e a carga pedagógica é exatamente igual à das demais escolas da rede.

Criados 20 anos depois de seus primos do Rio, a integração escola/comunidade é o traço característico dos Ceus. Neles tudo parece – e realmente está – à disposição dos alunos, de sua família e da vizinhança: piscinas aquecidas (semi-olímpica, média, infantil), teatro de 450 lugares, com quatro camarins e acústica protegida da habitual algazarra dos corredores – o pianista Arthur Moreira Lima surpreendeu-se: “Mas isto é um teatro de verdade!” -, sala das aulas de balé com grandes barras e espelhos, modernos mesmo para um corpo de baile profissional, quadra poliesportiva, biblioteca de cinco mil a dez mil livros, computadores, bancos nos jardins à sombra das árvores, instalações bem conservadas. Exemplo de zelo: às 11 horas de uma sexta-feira, após barulhento e movimentado recreio, os banheiros estão limpos e cheirosos no Ceu Rosa da China, bairro de Sapopemba, zona Leste, divisa com Santo André.

“No começo”, conta Marlene Zilig, gestora do Ceu Casa Blanca, na Vila das Belezas, entre os bairros de M’Boi Mirim e Campo Limpo, Zona Sul, “as pessoas da comunidade tinham receio de entrar no Ceu. Ficavam olhando pelas grades. Alguns não se arriscavam a passar pelo portão sempre aberto e pulavam o muro. Pensavam: ‘É tudo tão bonito, não deve ser para nós’.”

A gestora Lucimeire de Lima Luiz, do Ceu Jaçanã, Zona Norte, diz que os adolescentes da vizinhança tinham duas razões para resistir à piscina na época da inauguração do Ceu, já no governo Kassab. “Quase ninguém tinha maiô, pois não iam à praia ou freqüentavam piscinas. Algumas tinham vergonha de mostrar o corpo…” Hoje, enquanto a criança está na aula de inglês, sua mãe ou a avó faz hidroginástica na piscina, ou está no curso de culinária. Em 1º de agosto de 2003, quando inaugurou o primeiro Ceu, o Jambeiro, no bairro de Guaianazes, zona Leste, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou: “Marta, você inaugura hoje não só uma escola, você inaugura um padrão de decência, um novo jeito de tratar as pessoas neste país.” Nos fins de semana, entre 1,5 mil e 2 mil moradores da região freqüentam outro Ceu, o Casa Blanca, como se estivessem em um clube, o seu clube.

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“Marta, você inaugura hoje não só uma escola, você inaugura um padrão de decência, um novo jeito de tratar as pessoas neste país.” Lula inaugurando o CEU Jambeiro

“Isso acontece em todos os Ceus. Quanto mais humilde for a população ao seu redor, maior a afluência”, diz Celso Seabra Santiago, assessor da Secretaria Municipal de Educação para projetos especiais. O Casa Blanca tem 256 crianças em sua creche, 551 na pré-escola e 883 no ensino fundamental, um total de 1.690 alunos. Esta é a média de matrículas na rede Ceus. Os Cieps, em instalações menores, abrigam em torno de 600 alunos.

Uma das freqüentadoras da biblioteca do Ceu Jaçanã é Raiane, 9 anos, seis irmãos, aluna de uma escola da rede estadual das imediações. Os pais têm uma barraca de pastéis nas feiras do bairro – “o pai quase não dorme; e minha mãe, coitada, tem úlcera varicosa”, diz Raiane, menos interessada nas perguntas do repórter do que na antologia de Fernando Pessoa, que lia. Raiane diz que chegou tarde e preferiu vir para a biblioteca do Ceu. Ela volta a prestar atenção no livro. Sem emitir som, seus lábios acompanham a cadência dos versos. Faz uma pausa, olha para o teto como a degustar ou a tentar entender o que lê: “De tanto ser, só tenho alma./Quem tem alma não a tem calma”. Raiane é vista com freqüência na biblioteca do Ceu e dá a impressão de preferir o encontro matinal com Fernando Pessoa a uma aborrecida aula na escola convencional. “Meu medo”, diz uma professora de Ceu que não quis se identificar, “é que, com o tempo e a mudança de administrações, desapareça essa atmosfera linda, integradora, dos Ceus. E que só restem os prédios, como aconteceu com os Cieps no Rio”.

Cieps e Ceus não tiveram especial destaque no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) publicado pelo Ministério da Educação no mês passado. Em São Paulo, a Secretaria de Educação do município simplesmente impugnou os resultados por considerá-los errados e, no Rio, sete Cieps da rede estadual figuraram entre as 20 piores quartas séries das escolas públicas no Estado.

A secretária estadual de Educação, Teresa Porto, considera exagero “e certa má vontade” culpar os Cieps pelo fato de algumas escolas com essa denominação terem obtido nota baixa no Ideb. “O Ciep, como foi concebido, não teve continuidade nos governos seguintes. É impossível, hoje, avaliá-lo isoladamente”, diz a secretária, no cargo há cinco meses. Teresa afirma que, nos últimos anos, a preocupação nacional foi a universalização do ensino. “A qualidade não acompanhou a universalização”, diz.

A preocupação com estatísticas é uma das causas do abandono do turno único nos “brizolões”; em São Paulo, há o “turno da fome”, das 11 às 15 horas; criaram-se dois, três turnos e o número de matrículas dobrou ou triplicou. Teresa revela ser “fã de Darcy Ribeiro desde a adolescência”. Seu pai, Carlos Guimarães, foi líder do PDT na Assembléia e na sua casa há uma foto dela com o pai, com Brizola, com o ex-marido (Tito Riff, secretário do Planejamento nos governos do PDT) e uma picanha assando no espeto. Para Teresa, os Cieps são experiência valiosa que necessita de “criteriosa revisão crítica e atualização”: tempo integral, instalações condignas, professores qualificados e contratos de gestão.

Depois de anos de abandono, os Cieps da Prefeitura e do Estado do Rio iniciaram o ano de 2008 com pintura nova, conserto de goteiras, capina do pátio. Alguns até receberam tratamento acústico para reparar sério defeito de origem: por não chegarem ao teto, as paredes divisórias permitiam o vazamento de som de uma sala para outra. As novidades podem ser influência de tempos eleitorais. Ou antevisão da exploração do pré-sal.

29/05/2008 - 09:18h Os seres vivos e as máquinas

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Fernando Reinach* – O Estado de São Paulo

Para explicar como funcionam os seres vivos é comum compará-los com máquinas. É fácil explicar como funciona o olho usando a analogia de uma câmera fotográfica ou como funciona o sistema circulatório comparando o coração a uma bomba. O problema é que a utilização dessas analogias criou um solo fértil para um dos argumentos mais utilizados pelos modernos criacionistas. Os defensores do “desenho inteligente”, ressaltando a enorme sofisticação do olho, afirmam que um sistema tão perfeito só pode ter surgido com o auxílio de um ser inteligente. Da mesma maneira que uma máquina fotográfica foi criada pela inteligência humana, um olho, que é tão superior, teria que ser o resultado da ação de um ser superior.

Entretanto, existem diferenças importantes entre as máquinas e os seres vivos. A primeira e mais conhecida é que os seres vivos constroem a si mesmos, como é o caso do desenvolvimento de um ser humano a partir do óvulo fecundado. O homem não foi capaz de construir máquinas com essa capacidade. Que tal encontrar um embrião de carro no porta-malas? Em vez de comprar um carro novo, bastaria esperar que o novo carro prosseguisse no seu processo embriológico até “parir” um carro novinho em folha. Mas há outra propriedade dos seres vivos que os separa definitivamente das máquinas. É a plasticidade de seu desenho funcional. A característica, que havia sido postulada de maneira teórica e detectada em diversos seres vivos, agora foi demonstrada experimentalmente de modo rigoroso.

As máquinas são construídas com uma arquitetura rígida. Imagine o que acontece com um computador se você cortar alguns fios e os conectar ao acaso. É praticamente certo que a máquina deixa de funcionar. Ela é rígida porque foi desenhada com base em princípios por um ser inteligente. Foi para verificar se o mesmo ocorria com seres vivos que os cientistas fizeram 600 alterações distintas nos mecanismos de regulação de uma bactéria, os “fios” que conectam as diversas partes do seu metabolismo. Após cada alteração, os cientistas verificaram se o funcionamento do organismo era prejudicado.

O resultado é surpreendente. A grande maioria das alterações não provoca nenhum efeito no funcionamento da bactéria. Isso demonstra que elas têm um nível de redundância nos seus mecanismos de controle muito grande. É como se você cortasse o tubo que leva gasolina ao motor e descobrisse que o motor continua a funcionar porque tem diversas maneiras de mandar gasolina para os cilindros. Em um computador, seria o equivalente a reconectar ao acaso diversos componentes e descobrir que tudo continua a funcionar como antes.

É essa redundância presente nos seres vivos que permite que evoluam por seleção natural. Isso permite que uma mutação altere parte da “máquina viva” sem matá-la. Se essa alteração levar a uma melhora de seu funcionamento, ela vai sobreviver e o ser vivo terá evoluído. As máquinas, por terem sido desenhadas por um ser inteligente, não têm essa flexibilidade e não podem evoluir por seleção natural. A demonstração experimental em larga escala dessa plasticidade funcional nos seres vivos reforça a idéia que a evolução darwiniana é realmente o mecanismo que está por detrás do surgimento da vida.

*Biólogo – fernando@reinach.com

15/05/2008 - 09:13h Política industrial: desafio é elevar a qualidade, diz Arbix

Davilym Dourado/valor
Glauco Arbix: pesquisa em inovação exige pessoas formadas e capacitadas

Cibelle Bouças – VALOR

“A cidade ideal dum cachorro, tem um poste por metro quadrado. Não tem carro, não corro, não morro. E também nunca fico apertado. A cidade ideal da galinha tem as ruas cheias de minhoca. A barriga fica tão quentinha que transforma o milho em pipoca.” Como na música “A cidade Ideal” composta em 1977, por Chico Buarque, a composição de uma política industrial de longo prazo que atenda à maioria das exigências do empresariado exige a conciliação de interesses nem sempre convergentes. Mas mesmo no cenário onde é necessário priorizar o desenvolvimento de 25 setores para estimular o avanço tecnológico do parque industrial brasileiro, é possível estabelecer medidas que propiciem benefícios comuns.

Para Glauco Arbix, coordenador geral do Observatório de Inovação e Competitividade do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP) e membro do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia e do Group of Advisers do United Nations Development Programme (PNUD-ONU), “as alamedas verdes”, que atenderão aos anseios de todos, não são o câmbio mais valorizado, nem a redução da taxa básica de juros e tampouco uma infra-estrutura modernizada. “Não nego que sejam problemas que o Brasil precisa enfrentar, mas não acredito que sejam o grande problema do país. O Brasil precisa melhorar a qualidade dos seus serviços, e do que produz, essa é a questão-chave.”

Arbix, que foi presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vê avanços na nova política industrial, em relação ao primeiro projeto lançado em 2004. “A ênfase da política industrial no setor de informática é fundamental porque se trata de uma área sensível, geradora de tecnologia e uma área em que todos os países investem e evoluem rapidamente.”

O sociólogo também considera que o sucesso da política dependerá de ações complementares, entre elas a melhor articulação entre governos estaduais e federal, universidades, órgãos estatais e empresas e investimentos na educação formal. “Para termos pesquisa em inovação precisamos de pessoas formadas e capacitadas. Isso não depende só de investimento em política industrial. A educação formal precisa ser revista.” A seguir, os principais trechos da entrevista.
Valor: Na proposta de política industrial, o governo estabelece a criação do Prosoft, uma linha de crédito no valor de R$ 1 bilhão voltada para financiar projetos na área de softwares e tecnologia da informação. Priorizar estes setores é a melhor escolha neste momento?

Glauco Arbix: A ênfase da política industrial no setor de informática é fundamental porque se trata de área sensível, geradora de tecnologia e uma área em que todos os países investem e evoluem rapidamente. Não se pode esquecer que haverá pressões para que essa política traga resultados à balança comercial no curto e no médio prazos. Mas quando se fala em política industrial, não se trata só do médio prazo. Estamos falando do futuro. Nenhum país pode basear-se em políticas que passem ao largo do desenvolvimento dos setores inovadores, dos setores intensivos em conhecimento. Os setores que trazem inovação atraem investimentos não só para si, mas para áreas correlatas. Uma inovação em nanotecnologia pode ser utilizada na aviação, construção naval, infra-estrutura, área médica. As áreas inovadoras têm uma horizontalidade importante e que deve ser considerada na definição das políticas públicas.


Valor: Nesse caso, a política industrial não deveria priorizar outros setores também considerados inovadores, como o de biotecnologia, no qual o Brasil é reconhecido internacionalmente?


Arbix:
Na política industrial passada, o governo priorizou as áreas de tecnologia da informação, farmacêutica, microeletrônica, bens de capital, biotecnologia, nanotecnologia e biomassa. Essas áreas continuam sendo chave para o desenvolvimento tecnológico do país. Da mesma forma que fez com o setor de software, o governo deve estender os benefícios a essas outras áreas no futuro. Entre os países em desenvolvimento, como China, Índia e Coréia, o Brasil é o que apresenta a linha mais extensa de pesquisas em inovação. Todas essas áreas, a biotecnologia, a nanotecnologia, são altamente intensivas em pesquisa, em geração de conhecimento e formação de mão-de-obra especializada. Mas é preciso definir o que se busca. Essas áreas têm uma horizontalidade enorme. Não cabem no mesmo plano de revitalização da indústria naval. Longe de mim criticar essa revitalização, ela é importante, vai gerar empregos e renda. Mas quando estimulo empresas a desenvolverem compósitos leves – tecnologia utilizada na construção de aviões, nos dutos de águas profundas, em satélites, em equipamentos de medicina -, eu abro uma gama de oportunidades muito maior. São objetivos diferentes.


Valor: A definição dos setores que receberão incentivos à pesquisa deveria ser diferente?

Arbix : Quando o governo decide que precisa avançar na questão dos investimentos e atrair mais recursos a áreas sensíveis precisa deixar claro que áreas são prioritárias. Não tiro o mérito da proposta. Mas eleger 25 setores é muita coisa para dizer o que é prioritário. A tendência que ocorre em outros países é a definição de uma política para setores-chave, que podem atrair investimentos e estimular o desenvolvimento de áreas coligadas.
Valor: É possível que o Brasil, no médio prazo, concorra em pé de igualdade com a Índia em softwares, por exemplo?

Arbix: O Brasil é o único entre os países em desenvolvimento que tem um espectro mais amplo de pesquisa básica. Mas tem dificuldades de unir setores diferentes. No caso dos compósitos, o governo poderia abrir licitação para o desenvolvimento de pesquisas com esses materiais, feitas por empresas e universidades. Mas alguém vê Petrobras e Embraer fazerem juntas uma licitação para uma tecnologia comum? Não. Por que a Índia consegue exportar computadores e nós não? Não me diga que lá em cada esquina existem dois matemáticos conversando, ou que aqui não existe gente capacitada porque não é verdade. É preciso incentivar as relações entre as universidades brasileiras e as empresas para impulsionar as pesquisas. O Projeto Genoma, que a Fapesp liderou, reuniu um grupo de instituições públicas e privadas e em três anos revolucionou a pesquisa em biotecnologia no país. Outro ponto: é essencial que haja articulação das políticas de inovação com a educação formal. Para termos pesquisa em inovação precisamos de pessoas formadas e capacitadas. Isso não depende só de investimento em política industrial. É preciso desenvolver desde a curiosidade pela ciência e pela matemática até rever as grades curriculares da pós-graduação.


Valor: Que tipo de elementos podem atrair investidores em pesquisa no Brasil?

Arbix : Além da oferta de crédito e da desoneração fiscal, é necessário criar um ambiente favorável ao investimento de longo prazo. Nesse caso, é vital estabelecer marcos regulatórios. O que ocorre no Brasil muitas vezes é que se cria um ambiente que atrai o investidor estrangeiro e, após a realização da pesquisa e o lançamento do produto, a empresa descobre que precisa pagar um residual de tributos porque no meio do caminho foi publicado um decreto que estipula outra alíquota. A falta de um marco regulatório reduz a confiança no país no longo prazo. Outro ponto que deve ser fomentado é a oferta de capital de risco. Nos EUA, existe um mercado que oferece linhas de financiamento com mais alto risco, voltadas para financiar pesquisas em inovação. No Brasil, existem algumas sementes, mas ainda é pouco desenvolvido. E há também instrumentos já disponíveis e que são mal utilizados, como o sistema eletrônico de compras. É ótimo que o governo brasileiro faça grandes compras de clips, papel, caneta e economize dinheiro, mas não é para isso que a ferramenta foi criada. O Pentágono divulgou a oferta de US$ 500 milhões para o desenvolvimento de supercomputadores, que serão utilizados pela área de pesquisas em defesa e as empresas terão quatro anos para desenvolver e entregar a tecnologia. Dessa forma, o governo estimula o desenvolvimento econômico e da pesquisa. Não é uma mera compra. Isso já foi feito no Brasil. Não teríamos uma Embraer se não fossem as compras da FAB [Força Aérea Brasileira] no começo da sua história. Temos condições de fazer isso novamente no futuro.


Valor: Além do histórico problema com marcos regulatórios, que outros pontos devem contribuir para o sucesso da política industrial?

Arbix : A qualidade do que se produz e a capacidade de competir em mercados mais sofisticados é que devem ser levados em consideração na hora de se elaborar uma política industrial. Existe um grande mérito deste governo em articular ações para alcançar esses objetivos. Articular ações entre o Estado, governos, órgãos e agências estatais, que também é necessário nesse processo, já é mais difícil. O Brasil conserva o defeito histórico de centralizar as decisões de investimento no Estado. Mesmo as instituições privadas dependem das decisões do Estado e, para atender a todas as demandas, reprimidas e nascentes, é preciso um oceano de investimentos. Por isso digo que a definição de um investimento público voltado à inovação é importante, mas não determinante. É fundamental soltar as amarras que prendem o setor privado. E, para isso é preciso criar infra-estrutura adequada, reduzir impostos, criar um ambiente que estimule os investimentos.

Valor: Alguns críticos da nova política industrial dizem que mudanças na política macroeconômica trariam resultados mais efetivos para as indústrias que os incentivos previstos na proposta. O senhor concorda então com a crítica?


Arbix :
A política industrial voltada à inovação não se refere só a financiamento e desoneração fiscal. Se a política se resumir a isso, daqui a alguns anos vamos ter um país cheio de portos, de pontes e aeroportos, mas incapaz de competir em condições de igualdade com países concorrentes. Estamos falando sobre a qualidade do que se faz, do que se pode fazer e do que deve ser feito para o país competir no mercado internacional. A melhoria da qualidade dos serviços não depende de câmbio, ou de infra-estrutura. Não nego que sejam problemas que o Brasil precisa enfrentar, mas não acredito que o grande problema do Brasil seja o câmbio, ou a infra-estrutura, ou o juro alto. Se as empresas têm tudo isso em condições mais favoráveis e não produzem com a qualidade que se exige no mercado externo, elas não conseguem exportar. O Brasil precisa melhorar a qualidade dos seus serviços e a produtividade, essa é a questão-chave.

30/04/2008 - 19:14h Estadão reconhece: “nunca antes neste País…”

Como o presidente sempre diz, ‘nunca antes neste País…’

Emprego, renda, consumo, entre outros, vêm batendo recordes consecutivos e explicam popularidade de Lula

Da Redação do portal O Estado de São Paulo

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SÃO PAULO – O governo Lula atingiu nos três primeiros meses de 2008 a melhor avaliação positiva desde o início do primeiro mandato, em 2003. O motivo, segundo analistas, seria a seqüência de indicadores socioeconômicos positivos divulgados nos últimos meses. De fato, índices como emprego, renda, consumo, entre outros, vêm batendo recordes consecutivos, numa série de “nunca antes na história desse País” que não parece ter data para terminar. Confira alguns desses recordes:

EMPREGO

A economia brasileira abriu 204,9 mil novos empregos com carteira assinada em fevereiro, um resultado 38,5% superior ao saldo de fevereiro de 2007. Segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. O resultado do mês passado é o novo recorde da série histórica, iniciada em 1992, para os meses de fevereiro.

No primeiro bimestre do ano, estão acumuladas 347,9 mil novas vagas, um saldo 37% maior que o verificado no mesmo período do ano passado. As melhores marcas de geração de empregos formais, tanto em fevereiro quanto no bimestre, eram de 2006. Com as novas vagas abertas em fevereiro, o estoque de empregos formais da economia cresceu 0,7%, para 29,3 milhões de postos.

O Caged é um registro feito pelo Ministério do Trabalho com base nas informações mensais sobre contratações e demissões repassadas por todas as empresas que seguem as regras da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

Todos os setores da economia tiveram resultados positivos em fevereiro, com destaque para os serviços, que criaram 74,4 mil vagas. A indústria, que abriu 46,8 mil, ficou em segundo lugar, seguida da construção civil, com 27,5 mil empregos. Entre os serviços, o segmento ligado ao ensino. O reinício do período letivo permitiu a criação de 31,5 mil empregos. São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul apresentaram os melhores desempenhos.

RENDA

Em 2007, 96% das 715 negociações salariais acompanhadas pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) asseguraram, no mínimo, a incorporação das perdas desde a data-base anterior. É o quarto ano consecutivo em que em mais de 70% das negociações analisadas houve reposição segundo a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Entre 2006 e 2007, a inflação média acumulada foi inferior de 3,9%. Das 715 negociações, apenas em 29 não houve reposição da inflação.

COMÉRCIO

Janeiro de 2008 foi o melhor para o comércio varejista em sete anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As vendas do varejo aumentaram 1,8% ante dezembro e 11,8% ante igual mês do ano passado, a maior variação para o primeiro mês do ano desde o início da série da pesquisa, em 2001. Todas as atividades pesquisadas mostraram crescimento nas vendas ante igual mês de 2007.

O maior impacto no resultado total foi dado por hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo. O grupo tem forte peso na pesquisa e teve expansão de 8,4% nessa base de comparação. A segunda principal influência veio de móveis e eletrodomésticos, que prosseguem mostrando fôlego surpreendente, com crescimento de 16%, uma forte aceleração sobre a alta de 12% de dezembro ante igual mês de 2007. Essas duas atividades responderam por 6,7 ponto porcentual, ou 57% do aumento total de 11,8% do varejo.

CONSUMIDOR

Impulsionado pelo bom momento da economia e aumento na intenção de compras para os próximos meses, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) disparou em março, com alta de 3,5% ante fevereiro. Em janeiro, havia caído 0,4%. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), responsável pelo estudo, a confiança do consumidor em março foi a maior da série histórica, iniciada em setembro de 2005.

ELEVADOR SOCIAL

Pesquisa O Observador Brasil 2008, feita pela financeira francesa Cetelem com o instituto de pesquisas Ipsos Public Affairs, revela que a classe C já é a maioria da população. No ano passado, 46% dos brasileiros pertenciam a essa camada social, ante 36% e 34% em 2006 e 2005, respectivamente. Ela também foi a única que aumentou de tamanho no último ano. De 2006 para 2007, quase 20 milhões de pessoas ingressaram nesse estrato social, um número cinco vezes maior que no período anterior. A classe C reúne hoje 86,2 milhões de brasileiros com renda média familiar de R$ 1.062.

A maior parte do contingente que engordou a classe C vem da base da pirâmide populacional, as classes D e E, perto de 12 milhões de pessoas. Outros 4,7 milhões vieram das camadas A/B, que perderam poder aquisitivo. O restante é proveniente do crescimento vegetativo da população.

Outro dado positivo da pesquisa foi o aumento da renda disponível das classes C e D/E nos dois últimos anos. Em 2005, faltavam R$ 17 para o consumidor da classe D/E pagar as contas no fim do mês. No ano passado, sobraram R$ 22.

Na classe C também houve ganho de renda. Em 2007, sobraram R$ 147, ante uma folga de R$ 122 em 2005. Já para a classe A/B a fôlego diminuiu de R$ 632 em 2005 para R$ 506 em 2007. A renda disponível é a que sobra após os gastos obrigatórios. A enquete mostra que o ritmo acelerado de consumo deve continuar este ano. Celular, computador, itens de decoração e a casa própria tiveram os maiores acréscimos na intenção de compra.

CRÉDITO

A despeito da preocupação do governo, o crédito continua em expansão. Em fevereiro, aumentou 1,1% ante janeiro e atingiu R$ 957,5 bilhões, equivalente a 34,9% do Produto Interno Bruto (PIB), maior marca desde maio de 1995. O Banco Central (BC) estima que chegue a 40% do PIB até o fim do ano.

INADIMPLÊNCIA

Outro motivo para a avaliação positiva é que a inadimplência continua baixa. Em fevereiro, 4,3% dos empréstimos apresentavam atraso superior a 90 dias. O porcentual é ligeiramente menor que o de janeiro, de 4,4%. No caso das pessoas físicas, a taxa de fevereiro manteve-se nos mesmos 7,1% de janeiro e ficou abaixo dos 7,3% de fevereiro de 2007.

DÓLAR BAIXO, BRASILEIROS VIAJAM MAIS

Os brasileiros gastaram como nunca em viagens internacionais nos últimos 12 meses. As despesas com viagens internacionais somaram US$ 8,925 bilhões, enquanto os gastos de estrangeiros no País foram de US$ 5,245 bilhões. Os dados se referem ao período entre março de 2007 e fevereiro de 2008 e são os maiores registrados para um período de 12 meses desde o início da série do Banco Central (BC), em 1947. Nem na época do “populismo cambial”, quando o dólar custava menos de R$ 1, a gastança internacional foi tão elevada. Dois fatores impulsionam as viagens ao exterior: o dólar barato e o aumento da renda do brasileiro.

PAÍS AGORA É CREDOR INTERNACIONAL

O Brasil fortaleceu sua condição de credor internacional, mesmo com a piora no quadro econômico internacional. Segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC), o volume de reservas cambiais e outros ativos superava o da dívida externa em US$ 18,807 bilhões em fevereiro. Na prática, é como se o Brasil fosse credor do mundo nesse valor. Em janeiro, a posição credora era de US$ 6,983 bilhões. Os números de janeiro e fevereiro são preliminares. Em dezembro de 2007, o último dado fechado, a posição credora líquida estava em US$ 10,846 bilhões.

INDÚSTRIA

O faturamento da indústria de transformação – que reflete as vendas reais – cresceu 10,5% em janeiro ante o mesmo mês de 2007. É a maior taxa de expansão na comparação com o mesmo período mensal do ano anterior desde agosto de 2004. O conjunto dos indicadores industriais de janeiro, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), também é o melhor para meses de janeiro nos últimos três anos.

As montadoras vão investir US$ 4,9 bilhões no Brasil este ano, o maior montante já gasto pelo setor em um único ano. A maior parte será aplicada no aumento da capacidade produtiva, que passará dos atuais 3,5 milhões de veículos para 3,85 milhões. Em 2009, a capacidade anual chegará a 4 milhões de unidades, um acréscimo de 500 mil veículos em dois anos.

Juntando empresas de autopeças, o investimento chegará a US$ 20 bilhões até 2010. O triênio anterior que teve maior aporte dos dois segmentos foi de 1996 a 1998, quando foram inauguradas 13 novas fábricas, entre marcas que passaram a produzir localmente e filiais das empresas já instaladas no País. Naquele período, foram investidos US$ 11,7 bilhões.

O anúncio da soma dos investimentos e da nova capacidade produtiva ocorre num momento em que o setor registra sucessivos recordes de vendas e há filas de espera de até três meses para alguns automóveis e de nove meses para caminhões.

12/04/2008 - 19:19h Os limites do Wi-Fi

Un internaute connecté en Wi-Fi dans le jardin du Luxembourg, à Paris. | Mairie de Paris
Un internaute connecté en Wi-Fi dans le jardin du Luxembourg, à Paris

Le Monde

Le Wi-Fi est partout. Cette technologie permet de raccorder par les ondes ordinateurs, imprimantes, et presque tout autre appareil électronique. Si personne ne peut encore affirmer que les ondes émises par le Wi-Fi sont nocives pour la santé, une chose est certaine : c’est le Wi-Fi qui est aujourd’hui malade. “Il est victime de son succès”, résume Yves Nouailhetas, responsable en France de Devolo, une société qui développe et commercialise des solutions de transfert de

Actuellement, la plupart des appareils dotés d’une connexion Wi-Fi fonctionnent sur une douzaine de canaux. Or, “la bande de fréquence utilisée est hyper-saturée dans les grandes villes”, observe Laurent Masia, directeur marketing chez Netgear, fabricant d’équipements de réseau. “Au fur et à mesure que le nombre de canaux utilisés augmente, cela crée une sorte de bruit de plus en plus important, qui perturbe l’émission et la réception”, explique M. Nouailhetas. “Cette saturation nous conduit, parfois, à modifier le canal des bornes que nous avons installées pour maintenir la qualité du service”, constate Joe Brunoli, vice-président de free-hotspot.com, qui gère un des plus grands parcs d’accès Wi-Fi gratuits dans le monde. Les interférences sont d’autant plus importantes que les ondes Wi-Fi sont sensibles à l’environnement : un mur de béton armé, des téléphones sans fil…

Résultat, la vitesse de transmission des données entre deux appareils est susceptible d’être ralentie. Pis, des coupures de réseau peuvent se produire. Les conséquences ne sont pas trop perceptibles lorsque l’on surfe sur Internet mais elles sont plus gênantes quand on regarde une vidéo.

Chez la plupart des fournisseurs d’accès à Internet (FAI), les boîtiers de réception de la télévision par l’ADSL sont connectés par Wi-Fi à la box qui est, elle-même, branchée sur le réseau téléphonique. Quand cette liaison est perturbée, l’image se gèle, ce qui oblige souvent à débrancher le boîtier raccordé à la télévision, plutôt rageant lorsqu’on est pris dans l’action d’un film.

Pour minimiser ces perturbations, on peut tenter de placer en hauteur son émetteur Wi-Fi, d’éviter de le coller contre un mur ou encore de chercher un canal libre pour sa connexion. Mais cela ne suffit pas à résoudre tous les problèmes.

Les constructeurs de matériels électroniques sont conscients des difficultés croissantes du Wi-Fi. De plus en plus de produits intègrent la récente norme Wi-Fi baptisée “n”. Elle multiplie théoriquement par cinq la vitesse de transmission des données. Elle permet surtout d’accéder à une nouvelle bande de fréquence hertzienne qui dispose d’une quarantaine de canaux moins sujets aux interférences. Pour bénéficier de ces améliorations, il faut être équipé d’un matériel compatible avec la nouvelle norme, ce qui est souvent le cas pour les appareils (PC ou Mac) les plus récents. Les derniers produits d’Apple, comme l’ordinateur portable Mac Book Air, le disque dur Time Capsule ou la borne Wi-Fi AirPort utilisent tous cette dernière norme.

En attendant, la cause n’est pas totalement perdue pour ceux qui possèdent un matériel ancien. Une solution toute simple permet de connecter deux appareils sans fil : l’utilisation de son réseau électrique grâce au courant porteur en ligne (CPL).

La technique n’est pas récente. Elle est utilisée depuis les années 1950, notamment pour allumer l’éclairage public à distance. Pour relier ses appareils, il suffit de les connecter, via un câble Ethernet, à un boîtier qui se branche sur n’importe quelle prise de courant. Des kits sont disponibles à moins de 100 euros.

Même s’ils jurent que ce n’est pas en raison des problèmes rencontrés avec le Wi-Fi, les fournisseurs d’accès à Internet se mettent aussi au courant porteur en ligne. Depuis le 22 janvier, l’opérateur Free livre à ses nouveaux abonnés des boîtiers CPL pour relier sa box à son boîtier de télévision. Toutefois le CPL n’est pas non plus sans inconvénients. D’abord, il n’est pas toujours performant sur une vieille installation électrique. Ensuite, certains appareils électriques peuvent venir perturber la transmission du signal.

Joël Morio

31/03/2008 - 05:46h A era do trabalho barato na China acabou

Dexter Roberts – VALOR

banner_china.jpgO empresário Tim Hsu começou a fabricar lâmpadas há mais de 20 anos em Taiwan. E como dezenas de milhares de outros donos de fábricas em Taiwan, Hong Kong e Macau, ele posteriormente transferiu suas operações para a região de Guangdong, no delta do Rio da Pérola, no sul da China. Lá ele estabeleceu sua empresa, a Shan Hsing Lighting, num rincão sonolento de arrozais e granjas de patos denominado Dongguan. De lá para cá, a região cresceu e transformou-se na maior base industrial do mundo em uma série de setores, como os de produtos eletrônicos, sapatos, brinquedos, mobiliário e iluminação. A combinação de baixos salários, regulamentação mínima e uma moeda barata era imbatível. Hsu estava tão confiante no futuro de Guangdong como “fábrica do mundo” que investiu US$ 7 milhões em instalações maiores, que começaram a operar neste ano.

fab_china.jpg

Agora, muitos dos fabricantes chineses – entre eles a Shan Hsing – estão vivendo o tipo de reestruturação que dilacerou o coração dos EUA uma geração atrás. O mercado habitacional americano, que gerou demanda por tudo o que vinha da China – de móveis modulados a louças para banheiros-, despencou. Uma nova lei trabalhista chinesa que entrou em vigor em 1º de janeiro fez subir consideravelmente os custos em um mercado de trabalho já apertado. A disparada nos preços de commodities e energia, assim como o cancelamento, por Pequim, de políticas preferenciais para exportadores, prejudicaram os industriais. A valorização da moeda chinesa já tornou mínimas as margens, levou milhares de fabricantes para a beira da falência e pôs em risco o papel da China como o maior exportador de produtos baratos.

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02/03/2008 - 10:18h Classe C põe País em destaque no mercado global

Brasil já é o 5.º maior em vendas de PCs e celulares; sucesso é atribuído às faixas de menor renda

Fernando Dantas – O Estado de São Paulo

A emergência do consumo popular, especialmente da classe C, explica por que o Brasil está se tornando um dos maiores mercados do mundo para diversos produtos, como chocolates, cosméticos e computadores. No segmento de computadores pessoais, no qual o Brasil já é o quinto maior mercado do mundo, a Positivo Informática, a empresa líder, centra sua estratégia na classe C. ‘É daí que vem essa pujança’, diz César Aymoré, diretor de marketing da Positivo.

A empresa brasileira multiplicou suas vendas anuais de 21.496 unidades, em 2003, para 1,389 milhão em 2007, o que significa um aumento de mais de 60 vezes. O mercado como um todo mais do que dobrou desde 2004, saindo de 4,67 milhões para 10,68 milhões de unidades vendidas em 2007.

Segundo Aymoré, uma das principais causas desse boom é a queda pela metade nos preços dos computadores desde 2004 – de uma média de R$ 2.872 naquele ano para uma média de R$ 1.446 em 2007. Ele nota ainda que os juros baixaram e o número de prestações saiu da faixa de 12 para 20 a 24 nesse período.

‘As pessoas tinham de pagar prestações acima de R$ 100 para comprar um computador, e hoje está oscilando entre R$ 50 e R$ 59′, diz Aymoré. Ele atribui essa queda de preços à desvalorização do dólar (que barateia a importação de componentes) e à chamada Medida Provisória (MP) do Bem, de outubro de 2005, que deu isenções fiscais para os computadores.

O executivo acrescenta que a estratégia da Positivo para as classes populares é ter uma comunicação que facilite o entendimento sobre o equipamento. ‘Os nossos manuais sofreram uma adaptação para a classe C, e são muito fáceis de serem entendidos’, exemplifica. A linha de computadores da empresa vai desde o modelo Futura, de R$ 799, até um notebook por R$ 3.499.

Segundo Aymoré, a penetração dos computadores na classe A está em torno de 88%, e na classe B é de cerca de 65%. Na classe C, com renda familiar mensal média de R$ 1.500, ela é de apenas 20%. ‘Continuamos bastante focados na nossa estratégia de inclusão social, e a classe C ainda tem 80% a serem explorados.’

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