08/01/2009 - 11:56h Mundo confia em Obama, mas…

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Alberto Tamer* – O Estado SP

Há sinais de esperança e reina um clima de alívio no mercado internacional nestes primeiros dias do ano. Obama confirmou na terça-feira o seu plano ousado de investimentos de até US$ 800 bilhões. Destes, US$ 300 bilhões só em redução e devolução de impostos. Começa executá-lo assim que assumir e tiver a aprovação do Congresso. Não é mais hora de debater, falar ou discutir, mas de agir com extrema urgência. O mundo ouviu, espera ansioso e vê sua esperança ganhar corpo de realidade.

SEM ACADEMICISMO

Os pronunciamentos de Obama nesta semana mostram que sua equipe e ele rejeitaram definitivamente a proposta de usar a política monetária, juros e injeção de liquidez, para combater a recessão. Paul Krugman, em mais um artigo excelente publicado ontem no Estado, mostra que essa política fracassou (Ver aqui Combatendo a depressão). O Tesouro está inundando o mercado com dólares, o Fed baixou o juro real a zero, os bancos e as instituições financeiras foram abastecidas com vários trilhões de dólares, mas nada disso adiantou até agora. A recessão apenas se aprofunda e ameaça transformar-se em depressão.

Hoje, Paulson e Bernanke reconhecem que erraram ao se concentrar apenas no socorro ao sistema financeiro. O fato é que os números econômicos recentes são assustadores, não apenas nos Estados Unidos, mas em todo o mundo, afirma Krugman. Os bancos não estão emprestando, as empresas e os consumidores não estão gastando. “Não vamos medir palavras: isso se parece muito com o início da 2ª Grande Depressão.” E Krugman é o Prêmio Nobel de Economia deste ano.

É preciso voltar a Keynes. Para ele, a política monetária é ineficaz na depressão. Só a política fiscal – gastos deficitários do governo em grande escala -, pode combater o desemprego em massa, lembra Krugman.

OBAMA ACERTOU

E é exatamente isso o que Obama está fazendo. Na terça-feira, ele admitiu que os Estados Unidos poderão ter déficit orçamentário de US$ 1 trilhão não só em 2009. Não será nada trágico. Eles recebem investimentos externos anuais de US$ 2 trilhões e todos, no mercado americano e no exterior, continuam comprando os velhos títulos do Tesouro e os que estão sendo emitidos também.

A saída é reanimar a economia mundial com gastos públicos maciços. Estados Unidos e China já anunciam planos trilionários em obras e geração de empregos.O medo agora não é mais de inflação, mas de deflação. Se os preços continuarem a cair, a inflação chegará a zero e ninguém mais vai comprar esperando que baixem ainda mais. Aí estaríamos diante de um quadro de deflação e recessão. O pior dos mundos, que deve ser evitado, mesmo com os déficits dos governos.

DESEMPREGO ASSUSTA

Obama enfrenta a oposição do Partido Republicano. Isso é gravíssimo, pode retardar o início do programa de mais um mês com aumento do desemprego, que já está em 6,7% e ameaça passar de 10%. Dados preliminares estimam que só em dezembro foram demitidas 693 mil pessoas. Somados aos mais de 500 mil de novembro, só em dois meses há mais de 1,2 milhão de desempregados. Demissão em massa é o caminho certo para a recessão e a depressão. Espera-se que o Congresso seja mais responsável diante desses e de outros indicadores negativos que vão surgir.

CONFIA EM OBAMA,MAS…

Nestes primeiro dias do ano, ficou evidente que o mundo confia em Obama mas não no Congresso. Tudo depende de Obama e Obama depende do Congresso americano. Pode ser exagero, mas se a recuperação nos Estados Unidos for retardada por alguns meses pela politicalha dos republicanos conservadores e atrasados,o mundo vai pagar um preço muito caro que hoje eles poderiam evitar.

Esse é o grande temor que Krugman expressa em seu artigo. E deveria ser o temor de todos nós.

*Email – at@attglobal.net

06/11/2008 - 11:30h EUA: Democratas querem mais Estado

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Damian Paletta, The Wall Street Journal, de Washington – VALOR

Os deputados do Partido Democrata planejam usar a maioria ampliada nas eleições desta semana para aprovar o mais rápido possível um papel mais preponderante do governo americano nos mercados financeiros, incluindo maiores direitos para os acionistas, mais restrições no pacote de socorro de US$ 700 bilhões e a criação de uma agência federal para vigiar riscos sistêmicos à economia.

O presidente da Comissão de Serviços Financeiros da Câmara, o democrata Barney Frank, comparou a criação dessa autoridade ao estabelecimento da SEC, a comissão de valores mobiliários americana, durante a Grande Depressão nos anos 30. Ele disse que os democratas planejam pressionar agressivamente por essas medidas e chamou o resultado das eleições de terça-feira de um repúdio às críticas de que o país estava adotando uma política exageradamente intervencionista no livre mercado.

“Esse argumento foi desacreditado pela realidade”, disse Frank ao Wall Street Journal.

O colapso da Lehman Brothers Holdings Inc. e o quase colapso da American International Group Inc. estremeceram os mercados financeiros e expuseram brechas na vigilância feita pelo governo. Esses acontecimentos também aceleraram as negociações para a criação de um tipo de “super policial” do mercado.

“Acho que uma agência de vigilância do risco sistêmico para todas as empresas que agora são cobertas pela regulamentação bancário é o ponto principal”, disse Frank.

O setor bancário americano já se prepara para um 2009 difícil, e as perspectivas ficaram um pouco piores anteontem à noite quando um de seus principais aliados, o deputado republicano Tom Feeney, da Flórida, não conseguiu se reeleger. Feeney defendeu com afinco o setor bancário durante a crise econômica e estava na rara posição de integrar tanto a Comissão de Serviços Financeiros quanto a Judiciária.

31/10/2008 - 10:12h EUA: Chance de avalanche democrata no Congresso

Além de vitória de Obama, pesquisas apontam grande vitória na Câmara e maioria à prova de oposição no Senado

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Marília Martins Correspondente O Globo

NOVA YORK. A contar pelas pesquisas, a noite de 4 de novembro pode ser a maior festa do Partido Democrata nos últimos 30 anos. Tanto assim que muitos republicanos já fazem campanha alertando os eleitores sobre o perigo de se ter um só partido no poder. O alerta leva em conta não só uma vitória de Barack Obama, mas também a conquista de uma grande maioria democrata no Congresso, o que, segundo eles, deixaria o presidente sem uma oposição efetiva, como ocorreu na tripla vitória democrata em 1976.

O Senado tem hoje 49 republicanos, 49 democratas e dois políticos independentes que votam com os democratas. Já na Câmara dos Representantes, a maioria é mais confortável: são 235 democratas e 199 republicanos.

No Senado, das cem cadeiras, 35 estão em disputa. Destas, 23 são controladas por republicanos.

Segundo as sondagens, os democratas são favoritos para tomar sete vagas atualmente republicanas, tendo boas chances em outras três disputas.

— É difícil, mas o vento está a nosso favor. Não posso prometer mais oito senadores democratas, mas vou ficar muito animado se conseguirmos chegar a 57. Não temos maioria assim desde 1979 — avaliou o senador Chuck Schumer, coordenador da campanha para o Senado.

Partido de Obama pode atingir 60 cadeiras no Senado Em três estados — Colorado, Novo México e Virgínia — a conquista de vagas republicanas por democratas é considerada certa. Em outros quatro (Alasca, C a r o l i n a d o N o r t e , N e w Hampshire e Oregon), colegas de Obama são favoritos.

Caso vença estas sete eleições, o Partido Democrata passaria a ter 56 senadores. Somando os dois independentes normalmente aliados, o número subiria para 58. Um destes dois senadores, no entanto, é Joe Lieberman, candidato a vice de Al Gore em 2000, mas que agora apóia John McCain.

Isso torna as eleições em três estados ainda mais decisivas.

Em Minnesota, Geórgia e Kentucky o final da corrida eleitoral é considerado imprevisível. No caso de vitórias em dois destes estados, a legenda atingiria o “mágico” número 60, contando com uma volta de Lieberman.

Segundo as regras, um conjunto de 41 senadores pode, na prática, bloquear qualquer votação.

A manobra é chamada de filibuster.

Antes de um projeto ser votado, a discussão parlamentar deve ser oficialmente encerrada.

Uma minoria de pelo menos 41 senadores pode votar por “continuar debatendo” o projeto, e isso pode continuar indefinidamente, impedindo a votação. Só este ano, os republicanos já fizeram isso 95 vezes.

Na Câmara dos Representantes, que será completamente “renovada” (as eleições nos EUA ocorrem a cada dois anos), os democratas também tendem a conquistar uma maioria ainda maior. Na tradição política americana, o atual congressista tem imensa vantagem sobre seu concorrente.

O partido de Obama não apenas deve manter praticamente todas as suas cadeiras, como pode tomar dos republicanos até 12 vagas de deputado.

Líder republicano no Senado pode perder eleição Além de amargar uma ampla derrota, os republicanos correm o risco de perder alguns de seus representantes mais ativos no Congresso.

No Alasca, estado da candidata a vice Sarah Palin, o senador Ted Stevens pode perder a vaga para o prefeito de Anchorage, Mark Begich. Stevens é o senador republicano há mais tempo no Capitólio, tendo 40 anos de Washington. Mas esta semana ele foi condenado por corrupção e falsidade ideológica. Mesmo que seja eleito ele poderá ser expulso do Senado.

John Sununu, o atuante senador de New Hampshire, também está atrás da ex-governadora Jeanne Shaheem nas pesquisas.

Mas o caso mais alarmante para o partido é o de Mitch McConnell, do Kentucky. Ele é o líder da legenda no Senado e enfrenta uma dura disputa com o milionário Bruce Lunsford.

— Uma vitória democrata no Congresso levaria a impostos elevados, renegociação unilateral de tratados comerciais e a ameaças à segurança nacional — alertou McCain, ontem.

Qualquer que seja o resultado, porém, o maior desafio do próximo Congresso será abrir espaço para mudanças políticas com um orçamento já comprometido, um déficit federal de cerca de US$ 1 trilhão, e em meio à crise econômica. Por isto, já se comenta que, mesmo com vitória esmagadora dos democratas, haverá um período de difíceis negociações entre o novo presidente e o Legislativo, já que há muitas divisões internas.

Muitos analistas acreditam que a maioria democrata vai ser um amálgama de três grupos. O primeiro deles é o dos “esquerdistas clássicos”, apoiados pelas centrais sindicais, que defendem a regulação do mercado, protecionismo e ressalvas nos tratados de livre comércio. A segunda facção é a dos “blue dogs”, conservadores quando o tema é equilíbrio fiscal. Um dos líderes dessa bancada é Mike Ross, de Arkansas, que estima que o grupo vai passar de 49 para 61 na Câmara. O terceiro grupo é o dos “pragmáticos”, que inclui boa parte da liderança do partido que prioriza realizar o programa do partido nas áreas de saúde e energia.