Estatal já vale mais na Bolsa do que empresas como o Google e o Walmart, mas perde para a Exxon e a Microsoft

Márcia De Chiara – O Estado SP
Se a Petrobrás e a Vale fossem americanas, ocupariam a 3ª e a 15ª posição, respectivamente, num ranking que reúne as 20 maiores companhias abertas dos Estados Unidos. O ranking foi elaborado na segunda-feira pela Economática com base no valor de mercado dessas empresas.
A Petrobrás, avaliada em US$ 207,9 bilhões no dia 9, está apenas atrás da Exxon Mobil, cujo valor de mercado era de US$ 345,8 bilhões nessa data, e da Microsoft Corporation, avaliada em US$ 257,4 bilhões. Nessa lista, o valor de mercado da Petrobrás supera, por exemplo, o do Walmart, o maior varejista do mundo (US$ 200,6 bilhões), a Apple, gigante de equipamentos de informática (US$ 181,5 bilhões) e o Google, por exemplo, que vale US$ 178,5 bilhões.
Já o valor de mercado da Vale nesse ranking é de US$ 141,9 bilhões, cinco posições à frente da Coca-Cola, avaliada em US$ 128,6 bilhões. Excluindo a Petrobrás desse ranking, a companhia ocuparia a 14ª posição.
Numa análise comparativa, desde o início do governo Lula até hoje, a Petrobrás subiu 118 posições nesse ranking, enquanto a Vale ascendeu 139 posições, excluindo a Petrobrás.
Segundo o gerente de Relações Institucionais da Economática e responsável pelo estudo, Einar Rivero, dois fatores contribuíram para a ascensão das companhias brasileiras. O primeiro, e o que mais pesou, foi a recuperação do valor de mercado das empresas depois da crise. O segundo fator foi queda do dólar em relação ao real, de 27% neste ano. Com isso, o valor de mercado em dólar das companhias abertas brasileiras cresceu por causa do câmbio.
Apesar da recuperação, o valor de mercado tanto da Petrobrás como da Vale é menor que o estimado em 2007. “O ano de 2008 foi trágico para as companhias abertas”, afirma Rivero. No ano passado, a Petrobrás ocupava 17 ª posição nesse ranking e valia US$ 95,8 bilhões, depois de ter alcançado a 5ª posição em 2008, sendo avaliada em US$ 242,7 bilhões.
No caso da Vale, a companhia estava na 32ª posição no ranking em 2008 e valia US$ 58,5 bilhões. Em 2007, ocupava a 17ª posição e estava avaliada US$ 152,7 bilhões. Mesmo com a recuperação do valor de mercado, a Petrobrás hoje vale quase 15% menos que em 2008. No caso da Vale, o diferencial é bem menor, de 7%.
PICO
Segundo o estudo, entre 31 de dezembro de 2002 e o dia 9 deste mês, a Petrobrás conseguiu ficar sete vezes na segunda posição no ranking das empresas americanas. O pico de valor de mercado da companhia foi atingido nos dias 21 e 22 de maio do ano passado. Nessas datas, a empresa alcançou o recorde histórico de US$ 309,5 bilhões. Com esse valor, a companhia ficou na segunda posição nesse ranking, atrás da Exxon Mobil, que valia US$ 494,9 bilhões no dia 21 de maio de 2008 e US$ 488,8 bilhões no dia 22 de maio de 2008.
Nas contas de Rivero, a valorização da Petrobrás teria de aumentar cerca de 50% em relação ao nível atual para que a companhia atingisse o pico conquistado no ano passado.
A Vale conseguiu alcançar o maior valor de mercado no dia 16 de maio do ano passado. Nessa data, valia US$ 196,5 bilhões. Para repetir esse desempenho, os papéis da companhia teriam de ter uma valorização de cerca de 40%, calcula Rivero.
No período analisado pelo estudo, que vai de 31 de dezembro de 2002 ao dia 9 deste mês, a Vale conseguiu ultrapassar a Petrobrás em valor de mercado em duas oportunidades. A primeira foi em 1º de outubro de 2007 e a segunda, no dia 2 de outubro do mesmo ano.
Estatal também é a 3ª em investimentos, diz relatório da AIE
Em um ambiente de retração dos investimentos no setor de petróleo, os planos da Petrobrás aparecem como a terceira maior cifra do mundo. A estatal investirá US$ 28 bilhões este ano, uma queda de 3,7% em relação a 2008, mas ainda assim um montante somente inferior ao da PetroChina (US$ 34,1 bilhões) e da Shell (US$ 31 bilhões).
O levantamento é da Agência Internacional de Energia (AIE) e faz parte do relatório anual “Perspectiva para Energia Mundial”, divulgado ontem. Conforme a entidade, os projetos de água profunda têm sido menos afetados pela crise porque possuem escala maior e são operados por grandes empresas internacionais. Para a agência, é improvável que as companhias cancelem esses projetos mesmo que o preço do petróleo fique mais baixo por alguns meses.
DANIELA MILANESE

Capitalização da estatal é aprovada
Comissão da Câmara deixou para hoje votação do projeto que define modelo de partilha
Renato Andrade, BRASÍLIA – O Estado SP
O governo conseguiu ontem aprovar o texto básico do projeto de capitalização da Petrobrás na comissão especial da Câmara que analisa o tema. Com isso, concluiu mais uma etapa da tramitação dos quatro projetos de lei que estabelecem o marco regulatório da exploração do petróleo da camada do pré-sal. A oposição, liderada por deputados do DEM e do PSDB, tentou obstruir a votação, mas foi vencida pela maioria da base governista, que aprovou o relatório do deputado João Maia (PR-RN) por 14 votos a favor e 4 contra.
Os integrantes da comissão voltam a se reunir hoje para discutir e votar os nove destaques apresentados. A proposta mais polêmica que a oposição quer incluir no projeto é a permissão de uso do dinheiro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a compra de ações que a Petrobrás emitirá quando a capitalização for autorizada. A possibilidade de aprovação dos destaques, entretanto, é mínima, considerando o placar da vitória do governo na votação do texto base do parecer.
DEM e PSDB devem repetir a estratégia de obstruir os trabalhos na tramitação dos projetos do pré-sal no plenário da Câmara, conforme antecipou o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA). “O partido diverge da orientação que está sendo dado ao pré-sal. Não concordamos filosoficamente com o conjunto de projetos apresentados pela União”, disse o deputado.
Além da capitalização da Petrobrás, as comissões especiais já aprovaram a criação da Petro-Sal, estatal que vai gerenciar os contratos de exploração no novo modelo, e o Fundo Social, espécie de poupança que o governo vai estabelecer com as receitas do pré-sal. O projeto mais importante, que define o modelo de partilha em substituição ao atual sistema de concessões, deve ser votado hoje na comissão especial que analisa a proposta.
No caso da capitalização da Petrobrás, o relator João Maia (PR-RN) manteve praticamente intacto em seu parecer o texto original encaminhado pelo governo ao Congresso no início de setembro. A oposição criticou a decisão de Maia de acatar os pedidos do Planalto para não incluir no texto a possibilidade de uso do FGTS para a compra de ações da Petrobrás.
Em 2000, o governo Fernando Henrique Cardoso autorizou o uso de parte do FGTS para a compra de cotas de um fundo de investimentos que comprou ações da estatal. Várias entidades, incluindo a Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuro de São Paulo (BM&F Bovespa), sugeriram que, no processo de capitalização proposto, os trabalhadores que participaram da operação em 2000 tivessem o direito de usar novamente os recursos do FGTS para subscrever os novos papéis da estatal.
Diante da pressão do Planalto, contrário desde o início à ideia, Maia acabou deixando de fora a medida. “O governo, de forma absurda, tira a possibilidade daquele que comprou ações (em 2000) fazer agora da mesma forma”, criticou Márcio Junqueira (DEM-RR).
Para capitalizar a Petrobrás, a União vai entregar à empresa reservas equivalentes a 5 bilhões de barris. O presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, disse ontem que, após aprovar o projeto no Congresso, a operação financeira deverá ser realizada em, no máximo, três meses.
COLABOROU LEONARDO GOY

OGX amplia previsão de reservas de petróleo
Nicola Pamplona, RIO – O Estado SP
A petroleira OGX, do grupo empresarial de Eike Batista, anunciou ontem um aumento de quase 40% em sua expectativa de reservas de petróleo, para 6,7 bilhões de barris de óleo equivalente (somado ao gás). O volume, chamado pela empresa de “recursos potenciais”, foi calculado pela consultoria especializada DeGolyer & McNaughton (D&M), com base em novos dados obtidos pela companhia nos blocos após o primeiro relatório concluído em março de 2008.
A revisão dos volumes levou a OGX a anunciar mudanças em seu plano de negócios para os próximos anos, ampliando de 51 para 79 o número de poços previstos. Apenas no ano que vem, serão 27 poços – 17 deles na Bacia de Campos, 9 em Santos e 1 na Bacia do Parnaíba. A intenção anterior era perfurar apenas seis poços em 2010. Para cumprir o novo cronograma, a OGX aguarda a chegada de mais duas sondas de perfuração: Ocean Star e Ocean Lexington, no início do ano.
“Daqui para frente, teremos muitas boas notícias. Serão seis sondas operando simultaneamente”, disse o diretor financeiro da empresa, Marcelo Torres. Ele comentava a queda das ações após o anúncio de revisão para cima dos recursos potenciais – no fechamento da Bovespa, os papéis da OGX caíram 6,80%: “(A queda) não preocupa. O aumento de recursos é duradouro e mostra o potencial do portfólio”.
O primeiro relatório de recursos da OGX foi divulgado em março de 2008, com a expectativa de 4,8 bilhões de barris de óleo equivalente.
Desde então, a companhia adquiriu novos dados sísmicos sobre as áreas, além de ter perfurado dois poços – um em Campos e outro em Santos. No novo relatório, a D&M calcula ainda um volume adicional de 212 milhões de barris a título de recursos contingentes, em blocos na Bacia do Parnaíba. O estudo amplia também a probabilidade média de sucesso da empresa, que passou de 27% para 34,5%.
COLABOROU TATIANA FREITAS