27/03/2009 - 14:46h PT pressiona Lula a liberar Carvalho

http://2.bp.blogspot.com/_fwT8XThRCGU/SGzZwi21YBI/AAAAAAAACuM/evDQ_iIVPkg/s320/gilbertocarvalho1_85.jpg

Raymundo Costa, de Brasília – VALOR

A menos que o chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, seja o candidato à presidência do PT, o partido se divide e passará por uma dura disputa, até novembro, que pode até afetar a relação da sigla com a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).

Esse é o recado que a tendência Construindo um Novo Brasil (CNB) – ex-Campo Majoritário – enviou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à própria Dilma. A ministra, aliás, jantou com a executiva nacional do PT na noite de terça-feira, em sua casa, em Brasília. Lula não quer liberar Carvalho.

Na avaliação do CNB, o chefe de gabinete de Lula é hoje o único nome capaz de unir as demais tendências. “A Mensagem”, corrente liderada pelo ministro Tarso Genro, pode compor, se o nome for Carvalho. O mesmo poderia ocorrer com a Articulação de Esquerda de Pedro Pomar, que, em princípio, terá candidato próprio ao cargo.

Além do presidente Ricardo Berzoini (SP), 75% da Comissão Executiva Nacional deve ser renovada em novembro – o estatuto do PT limita a dois os mandatos de seus dirigentes. O prazo para o registro das chapas e da tese está próximo: julho de 2009. A eleição é em novembro. Em março de 2010 um congresso discutirá e aprovará a tese.

Em síntese, o recado enviado Palácio do Planalto diz o seguinte: se não for Gilberto Carvalho o candidato, não haverá unanimidade – ou algo próximo disso, o que só pode ser proporcionado com a candidatura do chefe de gabinete de Lula.

Neste caso, o partido se envolverá numa grande disputa, que vai deixar o PT fragilizado para enfrentar a conjuntura do ano que vem, em particular na relação com Dilma, diferente da relação que foi com o Lula.

A relação do PT com Dilma é diferente da relação do PT com o Lula, segundo avaliações do CNB e, na realidade, é consensual no partido. A lógica por trás da candidatura amplamente majoritária é “quanto mais unido o PT estiver, mais força o partido terá junto a Dilma”.

“Nós entraríamos, assim, em 2010, com uma unidade muito grande para interferir e ajudar a Dilma, inclusive na relação com os aliados”, analisou ao Valor um integrante do CNB.

As opções ao nome de Gilberto Carvalho, no CNB, são o ministro Luiz Dulci (Secretaria Geral), o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, que presidiu o PT na crise dos “aloprados”, em 2006, e o ex-governador do Acre Jorge Viana.

Nenhum dos três, segundo avaliações internas, estaria em condições de impedir uma grande divisão em relação às eleições de novembro. Outro nome que pode surgir é o do atual secretário-geral José Eduardo Cardozo. Integrantes do CNB também raciocinam com a hipótese de que Lula pode viabilizar o nome do ex-senador e ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra.

O presidente da República, até agora, se esquivou das investidas do CNB. Reservadamente, já teria confidenciado a interlocutores que Carvalho ficará no cargo para fazer a transição do atual para o futuro governo de Dilma, caso a ministra seja eleita.

PT e Palácio do Planalto, na prática, já disputam poder num futuro e hipotético governo Dilma. O PT majoritário, por exemplo, defende a volta do ex-ministro Antonio Palocci ao governo, se o Supremo Tribunal Federal recusar a abertura de processo contra o deputado, acusado da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.

Para esses petistas, Palocci deveria ocupar o lugar da ministra Dilma, caso o julgamento do Supremo demore e mesmo que ele não saia candidato ao governo de São Paulo, como deseja Lula. Seria o PT no governo Dilma. A volta de Palocci ao governo, se ele se sair bem no STF, também é defendida por Carvalho.

A maioria dos auxiliares de Lula no Palácio do Planalto, no entanto, é contrária à volta de Palocci ao ministério, por causa do potencial que dispõe de contaminar a candidatura de Dilma a presidente da República. Esse grupo acha que ele nem deveria ser candidato em São Paulo.

Outro argumento do CNB em defesa de uma chapa de unidade à presidência do PT é que isso, se for alcançado, passa um comando para as seções estaduais do partido, que também estão conflagradas. Internamente ou em relação aos aliados do atual governo Lula da Silva.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, não é certo que Tarso Genro seja candidato sem disputa interna: o prefeito de São Leopoldo Ar Vanazzi e o deputado Pepe Vargas estão na disputa. Há inclusive setores que defende uma aliança com o atual prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, que é do PMDB, o adversário tradicional dos petistas no Sul.

Em Minas Gerais, está em curso uma disputa, que pode ser vital para a candidatura Dilma, entre o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e o ex-prefeito da capital, Belo Horizonte, Fernando Pimentel.

O ideal que o PT persegue em Minas é ter candidato próprio ao governo numa aliança com o ministro das Comunicações, Hélio Costa, que é do PMDB e está em primeiro lugar nas pesquisas, e o vice-presidente José Alencar (PR). Esse seria o palanque perfeito para Dilma, mas, por enquanto, difícil de viabilizar.

Em São Paulo, se Palocci não for candidato, a disputa aponta para o ministro da Educação, Fernando Haddad, contra o prefeito de Osasco, Emídio de Souza.

No Rio de Janeiro o imperativo petista é o apoio à reeleição do governador Sérgio Cabral, tendo no mesmo palanque o senador Francisco Dornelles (PP) e o PDT do ministro Carlos Lupi. Mas a candidatura de Lindberg Farias, ex-presidente da UNE e prefeito reeleito de Nova Iguaçu, tem potencial para entusiasmar o partido.

05/12/2007 - 17:56h Carta de Ricardo Berzoini aos filiados do PT



Companheiras e companheiros,

Com grande parcela dos votos do nosso PED apurados, faço um primeiro balanço, iniciando pelas congratulações a toda a nossa militância.
(mais…)

05/12/2007 - 17:51h Carta de Ricardo Berzoini aos filiados do PT


Companheiras e companheiros,

Com grande parcela dos votos do nosso PED apurados, faço um primeiro balanço, iniciando pelas congratulações a toda a nossa militância.

A votação na minha candidatura projeta um crescimento de mais de 10% em relação à de 2005, resultado do apoio da militância das chapas Construindo um Novo Brasil, Movimento Popular e Democracia Pra Valer. Fui o candidato à presidência mais votado em 23 dos 27 estados e o segundo nos outro quatro.

Obtivemos mais de 50% dos votos em 16 unidades da federação, tendo sido mobilizados mais de 300 mil filiados e filiadas, sendo que milhares deles participaram dos debates oficiais sobre os rumos do partido. Neste último domingo, do mais anônimo militante ao Presidente da República, nosso companheiro Lula, nós, petistas, reafirmamos nosso compromisso com a democracia e com o Brasil.

Confirmada a necessidade de um segundo turno, agradeço o apoio recebido e chamo todos e todas à mobilização para o dia 16. A vitória só será alcançada com nosso esforço na busca do apoio dos eleitores de outros candidatos e pela mobilização de nossos eleitores para mais uma votação.

Nosso compromisso com a democracia interna, com a implementação das decisões soberanas de nosso 3º Congresso e com a preparação do PT para ser vitorioso nas eleições de 2008 passa por mais uma grande demonstração de unidade e coesão no segundo turno do PED.

Implementar a Escola Nacional de Formação, os avanços na comunicação partidária, o código de ética, realizar o 1º Congresso da Juventude, apoiar os movimentos sociais em todo o país são algumas das prioridades do PT.

Apoiar o governo Lula, trabalhando para que as propostas programáticas do PT contribuam para seu sucesso é outra demanda fundamental, articulando a ação dos parlamentares, prefeitos, governadores, sindicalistas, dirigentes de movimentos e militantes do PT.

Vamos concluir nossa vitória com toda a fibra que caracteriza nossa luta e trabalhar para que o PT fique mais forte e continue CONSTRUINDO UM NOVO BRASIL.

Um forte abraço petista!

RICARDO BERZOINI

07/08/2007 - 18:07h 3º Congresso do PT: Política e Aritmética

Glauber Piva é secretario nacional de cultura do PT
6/8/2007 – Glauber Piva
Neste final de semana se encerrou a rodada de etapas estaduais do 3º Congresso do PT. Depois de uma longa maratona, que envolveu milhares de debates, encontros municipais e estaduais e a participação de aproximadamente 240 mil filiados, foram eleitos os delegados para a etapa nacional. Sem contar os votos em separado, que serão apurados (ou não) por deliberação do Diretório Nacional, foram eleitos 934 delegados, 100 diretamente da base e outros 834 pelos encontros estaduais.
Esses números, numa leitura fria, permitirão conclusões sobre quais teses aglutinaram mais filiados em torno de suas idéias e lideranças. Por esse método meramente matemático, perceberemos que a tese Construindo um Novo Brasil elegeu 51% dos delegados, a Mensagem ao Partido 12,31%, o Movimento PT 7,39% e por aí vai, numa sucessão de números que pouco dizem. Conclusões advindas daí são enganosas e perigosas. Provavelmente os mais apressados – em geral os mesmos que se permitem ser fontes e porta-vozes da mídia que se empenha em destruir o PT – dirão que há uma retomada do Campo Majoritário e uma derrota das outras correntes. Além de rasa, essa leitura seria uma tentativa de resumir o Congresso do PT num permanente exercício de levantamento de crachás.
Uma análise mais candente, porém, indicará outro caminho e nos induzirá a uma pergunta delicada: de que vale este Congresso e seus montes de delegados (mais especificamente um montão e vários montinhos)?
Como diz a própria tese Construindo um Novo Brasil, “o 3º Congresso não pode exprimir um resultado apenas aritmético, mas tem de representar mudanças reais que confiram ao partido uma grande vitória política, de conteúdo, algo que se torne uma referência consistente para o PT e para a sociedade.” E é sobre essas mudanças, que não devem ser apenas aparentes, e a sempre almejada vitória, que devemos concentrar nosso olhar.
A primeira delas diz respeito ao que os petistas esperam de seu partido. Ao contrário do que publicaram vários jornais e desejavam outros tantos, 90% dos petistas que participaram de todo o processo congressual disseram que não admitem refundar o PT. Com o perdão da licença poética, diria que pudemos ouvir muitas vozes gritando o mesmo grito: “o PT é meu, não quero refundá-lo, quero melhorá-lo”. Essa já é a primeira vitória. Vitória sobre a mídia conservadora que não admite o PT governando o país, que não admite nossos acertos e não perdoa nossos erros. Vitória sobre a elite que, fora do governo federal, se cansou. Mas é uma vitória, também, sobre a hipocrisia daqueles que, de mãos lavadas e olhos tampados, esqueceram o passado e olvidaram o presente, preferindo se declarar cansados do que ajudaram a fazer e preferem refundar.Leia mais aqui