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	<title>Blog do Favre &#187; consumo</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Acelerada, economia do Nordeste atrai grandes empreendimentos</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Nov 2009 13:41:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
		<category><![CDATA[consumo]]></category>
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		<description><![CDATA[Investimentos: Capitais e cidades do interior registram crescimento robusto de vendas

Leo Caldas/Titular/Valor

 Paes Mendonça: &#8220;Temos setor mais profissionalizado, que utiliza as ferramentas de marketing com eficiência e oferece ao consumidor o que há de melhor&#8221; 


Shirley Ribeiro , para o Valor, de Vitória
Os empreendedores do setor de shopping centers seguem com rigor a indicação das [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Investimentos: Capitais e cidades do interior registram crescimento robusto de vendas</strong></p>
<p style="text-align: center;"><em><br />
<span style="font-size: x-small;">Leo Caldas/Titular/Valor</span></em></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><img src="http://www.valoronline.com.br/imagens/impresso/ed_0002391/imagens/foto24rel-norddeste-f12.jpg" border="0" alt="Foto Destaque" /><br />
<em> Paes Mendonça: &#8220;Temos setor mais profissionalizado, que utiliza as ferramentas de marketing com eficiência e oferece ao consumidor o que há de melhor&#8221; </em></span></p>
<p style="text-align: center;"><em><br />
</em></p>
<p style="text-align: center;">Shirley Ribeiro , para o Valor, de Vitória</p>
<p>Os empreendedores do setor de shopping centers seguem com rigor a indicação das pesquisas de mercado e essas, atualmente, têm apontado a direção Nordeste como o rumo certo para bons negócios. A ampliação do poder de compra das classes C e D combinada com a maior capacidade de atração de indústrias são fatores que têm acelerado a economia nordestina, com efeito palpável no comércio.</p>
<p>&#8220;Estamos registrando taxas de crescimento de vendas com índices chineses&#8221;, diz Sérgio Gomes, do grupo cearense North Empreendimentos. &#8220;Em maio de 2009, os shoppings venderam 18% a mais do que no mesmo mês do ano anterior. Em junho essa taxa foi de 16%. Na média do ano, estamos com crescimento de 8% e isso pode ser superado se o Natal ficar dentro das expectativas&#8221;, afirma. O grupo administra, atualmente, três shoppings na região metropolitana de Fortaleza.</p>
<p>Para o presidente do Grupo JCPM, João Carlos Paes Mendonça, que comanda uma das mais bem-sucedidas carteiras de shoppings do Nordeste, esse aquecimento é resultado, também, do trabalho desenvolvido pelos empreendedores e lojistas nos últimos anos. &#8220;Hoje temos um setor mais profissionalizado, que utiliza as ferramentas de marketing com eficiência e oferece para o consumidor o que há de melhor no segmento de shoppings. Por isso, não ocorreu desaceleração nesse segmento no Nordeste em função da crise, e nós continuamos a crescer&#8221;, diz o empresário.</p>
<p style="text-align: center;">O presidente da Associação dos Lojistas de Shoppings do Estado do Ceará (Alshop), Abílio do Carmo, diz que os números são bons e vão ficar ainda melhores. &#8220;Eu não tenho dúvida sobre o potencial de crescimento de shoppings no Ceará e também em outros Estados do Nordeste. A classe C, que sempre foi muito grande na nossa região, melhorou de vida e foi às compras. E os shoppings são a melhor opção, porque são modernos, concentram muitas lojas e oferecem lazer&#8221;, analisa o dirigente. De acordo com ele, ainda há potencial para a instalação de novos empreendimentos na Grande Fortaleza, principalmente nos municípios de Eusébio e Aquiraz. &#8220;Os lojistas estão prontos para investir. É só abrir o shopping&#8221;, garante.<br />
<img class="aligncenter" src="http://www.valoronline.com.br/imagens/impresso/ed_0002391/imagens/arte24rel-nordeste-f12.gif" border="0" alt="Foto Destaque" /></p>
<p>O sucesso dos shoppings nordestinos impulsiona novos investimentos nas capitais e também em algumas cidades do interior e do litoral. Entre 2009 e 2012 serão inaugurados ou expandidos mais de dez, incluindo dois de grande porte que serão âncoras da criação de bairros em Salvador e São Luis. Sobre a oportunidade de novos investimentos, Paes Mendonça reforça a visão de que é preciso ter eficiência. &#8220;O mercado de shoppings é como coração de mãe, sempre cabe mais um. Mas isso não significa que todos darão resultados. Serão bem-sucedidos aqueles que forem adequados à demanda e souberem trabalhar para atender o público certo.&#8221;</p>
<p>Os planos do Grupo JCPM confirmam que há, sim, bastante espaço para novos investimentos. &#8220;Estamos construindo o nosso segundo shopping em Salvador, além de fazer investimentos na requalificação e modernização dos que já temos no Recife e em Aracaju. Outro plano é construir no Recife um shopping tão moderno quanto o Salvador Shopping&#8221;, resume Paes Mendonça. O Norte Shopping, novo empreendimento do grupo na capital baiana, será inaugurado até novembro de 2010, nas imediações do aeroporto, com uma área bruta locável de 41,4 mil metros quadrados.</p>
<p>O grupo North também não para de investir, encorajado pelos resultados do último investimento &#8211; o Via Sul, inaugurado em dezembro de 2008, em Fortaleza. &#8220;Estamos investindo na expansão do Shopping Maracanaú, que incorporamos em 2003, e na remodelação do Shopping Caruaru, que acabamos de adquirir&#8221;, conta Sérgio Gomes. Segundo ele, o Maracanaú terá sua área triplicada e vai se consolidar como shopping regional, atendendo a consumidores de diversas cidades no entorno da capital.</p>
<p>O projeto de investimento no empreendimento adquirido em Caruaru, cidade a cem km de Recife, já começou com o lançamento das promoções de Natal. &#8220;Há um grande potencial não explorado na cidade. Não tem nenhum cinema funcionando, por exemplo. Então, vamos colocar três salas de cinema modernas, lojas âncoras inéditas na região e opções de lazer&#8221;, antecipa o empresário. Ao mesmo tempo, o grupo tira do papel o projeto do Fortaleza Fashion Mall, primeiro shopping de atacado do Ceará. &#8220;Fizemos o lançamento no dia 7 de novembro e já temos 40% dos espaços vendidos&#8221;, diz Gomes, acrescentando que a previsão é de que seja inaugurado ainda no primeiro semestre de 2010.</p>
<p>Entre os diversos investimentos planejados para inflar o setor de shoppings do Nordeste, dois se diferenciam por representarem um conceito ainda novo na região: o empreendimento de uso misto, no qual os shoppings são âncoras de novos bairros.</p>
<p>O grupo Sá Cavalcante escolheu São Luís para realizar seu primeiro empreendimento misto no Nordeste. &#8220;A base do investimento é o Shopping da Ilha, que será o maior do Maranhão e terá lojas-âncora inéditas, como a Renner, a Centauro e a Etna&#8221;, afirma Leonardo Cavalcante, diretor-superintendente da SC2, empresa do grupo que administra a área de shoppings.</p>
<p>No entorno do shopping, implantado em uma área de 176 mil metros quadrados e com previsão de inauguração para abril de 2011, será construído um complexo imobiliário com 1.600 apartamentos e 2.900 salas comerciais. Localizado na avenida Daniel la Touche, que nos últimos anos tem se transformado em um corredor comercial, o empreendimento está com 70% da área de lojas já comercializados. &#8220;Tivemos uma receptividade muito boa para o shopping, o que confirma a nossa expectativa&#8221;, acrescenta o executivo.</p>
<p>Em Salvador, a iniciativa é do grupo JHFS, um dos pioneiros nesse tipo de investimento no Brasil. O Horto Bela Vista ocupará uma área de 340 mil metros quadrados, com 19 torres residenciais e três comerciais, um hotel, centro de convenções, uma escola e o Shopping Bela Vista. &#8220;Um dos fatores que nos levaram a investir em Salvador foi ter encontrado um parceiro local, experiente na área de shoppings, o Grupo Euluz, interessado em integrar o nosso projeto&#8221;, observa Robert Bruce Harley, diretor-executivo de shoppings da JHFS.</p>
<p>A primeira fase do projeto, que engloba cinco torres de apartamentos e o shopping, foi lançada em outubro do ano passado e cerca de 70% das unidades residenciais já foram comercializadas. O Shopping Bela Vista terá 57 mil metros quadrados de área bruta locável, sendo que na primeira fase, a ser inaugurada em 2011, contará com 200 lojas.</p>
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		<title>Ação de Lula afastou crise, apesar de erros do governo</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 12:52:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
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		<description><![CDATA[ENTREVISTA DA 2ª &#8211; ANTONIO DELFIM NETTO
Para ex-ministro, papel pessoal do presidente ao estimular brasileiro a consumir foi decisivo e compensou políticas monetária e fiscal equivocadas
Leticia Moreira/Folha Imagem

Delfim Netto em seu escritório no Pacaembu (SP)
HÁ 50 anos o economista Antonio Delfim Netto publicou &#8220;O Problema do Café no Brasil&#8221;, sua tese de doutorado. Pelo uso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>ENTREVISTA DA 2ª &#8211; ANTONIO DELFIM NETTO</strong></p>
<p><strong>Para ex-ministro, papel pessoal do presidente ao estimular brasileiro a consumir foi decisivo e compensou políticas monetária e fiscal equivocadas</strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><em>Leticia Moreira/Folha Imagem<br />
<img class="alignnone size-full wp-image-16628" title="Delfim_Netto3" src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Delfim_Netto3.jpg" alt="Delfim_Netto3" width="350" height="162" /><br />
Delfim Netto em seu escritório no Pacaembu (SP)</em></span></p>
<p>HÁ 50 anos o economista Antonio Delfim Netto publicou &#8220;O Problema do Café no Brasil&#8221;, sua tese de doutorado. Pelo uso da história na abordagem de um dilema de comércio agrícola, a obra virou um clássico do pensamento econômico brasileiro. Em entrevista à Folha, Delfim diz que, hoje, o texto nem seria publicado. &#8220;Não seria aceito em lugar nenhum. Estamos controlados por uma matemática bastarda. Há um domínio do brilhantismo, da técnica manipuladora sobre o realismo.&#8221; Aos 81 anos, o ex-ministro da Fazenda recupera-se de uma cirurgia para colocação de stents em duas artérias. &#8220;Aprendi a respeitar os médicos. São muito menos ortodoxos do que os economistas formados na visão única&#8221;, diz ele.</p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">MARCIO AITH &#8211; FOLHA SP</span></h2>
<p>DA REPORTAGEM LOCAL</p>
<p>Delfim acha que o Brasil saiu da crise não exatamente por medidas técnicas originais, mas porque Lula, pessoalmente, dissipou o pessimismo. &#8220;Com incrível ousadia, ele pôs todo o seu patrimônio em risco pedindo aos brasileiros que consumissem. Deu certo.&#8221; O ex-ministro, no entanto, enxerga um problema sob a névoa da euforia reinante no país. Segundo ele, será difícil financiar o inchaço de gastos públicos irreversíveis, que se sedimentam &#8220;geologicamente&#8221; no Orçamento. &#8220;Está armado aí um enrosco da maior gravidade, pois temos a mais rápida redução da taxa de fertilidade no Ocidente.&#8221;</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Em um recente artigo, o  senhor tratou o aparelhamento do  Estado brasileiro como um defeito  comum a todos os governos, não  apenas àqueles com DNA sindical,  como o atual. O aparelhamento, então, não tem credo ou ideologia?<br />
ANTONIO DELFIM NETTO -</strong></em> Continuo com a convicção de que  sindicato mais política é igual à  corrupção. Essa fórmula, descoberta no século passado pelo  sociólogo alemão Robert Michels, continua válida. Eu só  quis dizer que cada governo  aparelha a seu modo, por motivos diferentes. Veja o caso de  Brasília. Na primeira leva, a cidade recebeu mineiros. Depois  vieram maranhenses, alagoanos e paulistas. Agora, sindicalistas. O grande drama desse  problema é que ninguém sai, só  entra. É isso. Se fizermos uma  análise geológica de Brasília, fatiagráfica, notaremos camadas  que se superpõem. E qual é a  regra do jogo? É a nova camada  respeitar cuidadosamente os  benefícios recebidos pela que  está sendo substituída.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Qual é o efeito desse acúmulo?<br />
DELFIM NETTO -</strong></em> Isso está levando  o Estado a uma situação de  quase insolvência fiscal. Está  armado aí um enrosco da maior  gravidade. O problema mais  grave é da sustentação do sistema da seguridade social e da  Previdência. Não é possível carregar um país onde o salário  médio do aposentado do Judiciário é mais de 30 vezes o salário do trabalhador aposentado  no INSS. No Legislativo, é 20  vezes; no Executivo, 12 a 14.  Uma casta se instalou em Brasília e, com as camadas de aparelhamento, aprofundou essa  divergência. Não há controle  sobre o serviço público.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Qual é a evidência de que  essa situação é insustentável?<br />
DELFIM NETTO -</strong></em> É simples. O Brasil vai ficar velho antes de ficar  rico. A população brasileira vai  começar a diminuir em 2035  ou 2040. Temos a mais rápida  redução da taxa de fertilidade  no Ocidente. A situação pode  parecer confortável hoje, mas,  olhando dez anos à frente, o  quadro muda. Há, também sob  o ponto de vista da análise demográfica, o risco do câmbio  real fora da posição. Se perdurar, essa disfunção vai alterar a  estrutura produtiva.<br />
O Brasil, daqui a dez anos, vai  ter 250 milhões de habitantes.  Vai ter que dar emprego razoável para 140 milhões de pessoas. Se essa gente não receber  oportunidades de emprego  com remuneração razoável,  não tem solução. Esses empregos não virão da agricultura. Só  a indústria e os serviços podem  dar conta disso. E o câmbio errado destrói esses setores.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Como o governo lida com  essas questões?<br />
DELFIM NETTO -</strong></em> Só agora o governo está se mexendo para resolver o problema do câmbio. Mas  ainda há aqueles que acham,  sem evidência empírica, que  não se pode atuar para consertá-lo. Uma imbecilidade. Quanto aos gastos públicos, o comportamento tanto do Executivo  como do Congresso é apavorante. Estudo feito pelo competente economista José Roberto  Afonso, ligado ao PSDB, aponta  que os projetos malucos em  tramitação no Congresso, além  das maluquices do Executivo,  representam uma despesa pública adicional de mais de R$  100 bilhões por ano.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Mas não é natural aumentar gasto público na crise? Não é disso que se trata a política anticíclica?<br />
DELFIM NETTO -</strong></em> No mundo inteiro a política anticíclica termina  quando a demanda privada volta ao nível anterior. Aqui ela  continua carregando o custeio  depois de terminado o ciclo. No  Brasil, política anticíclica nunca é anticíclica.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Mas e o sucesso do país no  enfrentamento à crise?<br />
DELFIM NETTO &#8211; </strong></em>O país se recuperou mesmo tendo políticas fiscais e monetárias erradas. O diferencial foi o bate-caixa do Lula. O presidente liderou o país ao pedir aos brasileiros que continuassem a consumir. Nenhum economista ousaria fazer isso. Seria considerado um louco heterodoxo. Além disso, o Brasil havia melhorado muito. Na verdade, a Constituição de 1988, apesar de seus exageros, de ter inventado gastos que não cabiam no PIB, criou uma estrutura institucional que está sendo seguida. O Brasil é o país com melhor situação institucional entre os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China). Somos uma democracia constituída.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; E o risco de autoritarismo  popular apontado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso?<br />
DELFIM -</strong></em> O Fernando é um sujeito extremamente inteligente, esperto, e não consegue viver sem um alto protagonismo  público. É um provocador  enorme. Ele se diverte com esse negócio. As pessoas imaginam que ele está empenhado  num estudo sociológico. Que  nada. Ele está empenhado numa diversão. E, quando o sujeito responde agressivamente ao  Fernando, ele está cumprindo  a missão que o Fernando impôs  a ele. Esse alerta que ele fez não  ajuda em nada.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Por que não ajuda?<br />
</strong></em>DELFIM &#8211; Se fosse ele o presidente, teria aceitado o terceiro  mandato e destruído a democracia. Essa foi a inteligência do  Lula. Resistir a um terceiro  mandato a despeito de tudo o  que fizeram para que ele aceitasse. Isso faz uma diferença.<br />
Outra injustiça do Fernando  é ignorar que o Lula teve um  papel decisivo na rápida superação da crise. Nenhum intelectual, nenhuma pessoa que  pretenda ter um conhecimento  maior de economia teria assumido o risco que o Lula assumiu. Todos pediram para encolher, para pisar no freio. Os  banqueiros privados foram os  primeiros. O Lula pôs todo o  seu patrimônio em risco dizendo: consuma, o desemprego só  virá se você não consumir.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Qual é o potencial de  transferência de votos do presidente Lula?<br />
DELFIM -</strong></em> A ministra Dilma é uma administradora competente. Quem duvidar disso vai se decepcionar. Mas a transferência de votos não é segura. Tivemos uma prova empírica disso com a última derrota eleitoral da Marta [Suplicy] em São Paulo (nas eleições municipais de 2008). O Lula passeou de mãos dadas com ela duas vezes na cidade, na zona leste. Na segunda vez, trouxe cinco governadores com ele. E qual foi o resultado? Muito pequeno. Talvez no Nordeste você tenha um efeito maior, mas, na verdade, onde conta, do rio Grande para baixo, o poder de transferência parece não valer tanto.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Como o sr. avalia a cautela  do governador Serra em se atirar na  disputa?<br />
DELFIM -</strong></em> O Serra é sem dúvida  um grande administrador, tem  ideias próprias que são bastante razoáveis e está fazendo um  bom governo. É um competidor muito forte e está se cuidando. Seu problema é que o  PSDB não se decidiu. Tem o Aécio nesse processo, que não é só  um candidato &#8220;redoutable&#8221; [temível], mas um agente político  eficiente, um centrifugador.  Enquanto o PSDB não se decidir, os dois agirão com cuidado.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; O que está em jogo nas  eleições do ano que vem?<br />
</strong></em>DELFIM &#8211; Acho que todos têm  que entender, inclusive a Dilma, que o próximo governo não  será uma continuação do Lula.  O próximo governo terá de enfrentar os problemas do século  21, que embute uma mudança  radical na estrutura produtiva.  Principalmente na maneira como vamos fornecer energia para o desenvolvimento.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Há 50 anos o sr. publicou  &#8220;O Problema do Café no Brasil&#8221;. Como seria recebido hoje um trabalho  econômico com a mesma abordagem histórica?<br />
DELFIM -</strong></em> Não seria aceito em  lugar nenhum. Hoje estamos  controlados por uma matemática bastarda. Há um domínio  do brilhantismo, da técnica  manipuladora sobre o realismo. Naquele tempo eu usava a  matemática de forma moderada. Não havia, como há hoje,  nenhum axioma que viola a  realidade. Não redigi o artigo  com lemas, pois a economia  trata de dilemas. A matemática  é que trata de lemas.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Como essa visão matemática afeta a análise econômica?<br />
DELFIM </strong></em>- Em novembro de 2008, a rainha [Elizabeth 2ª, do Reino Unido] chegou à London School of Economics e disse: &#8220;A única coisa que eu quero saber é o seguinte: há um século os senhores estão aqui estudando. Como é que não previram essa crise?&#8221;. Vários grupos de professores, então, prepararam respostas a ela. Os neoclássicos detectaram problemas de cálculos, erros em fórmulas. Já aqueles de orientação mais keynesiana disseram simplesmente que os economistas haviam abandonado a economia. Substituíram-na por uma matemática exagerada. Esqueceram a história, esqueceram a filosofia, esqueceram a psicologia, a geografia. É isso mesmo.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; O sr. teve um problema de  saúde recente. Teve mais sorte com  médicos do que com economistas?<br />
DELFIM -</strong></em> Nunca tinha entrado  num hospital, nunca tinha feito  uma operação. Aos 81 anos,  costumo dizer, tive minha primeira experiência. Fiquei dois  meses baleado, mas estou bem,  estou voltando a trabalhar.  Aprendi a respeitar os médicos  muito mais do que respeitava.  O médico é muito menos ortodoxo do que um economista  formado na visão única.</p>
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		<title>Pobres já gastam 5% mais que ricos</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 11:02:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
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		<description><![CDATA[
 Estudo mostra avanço do consumo das classes D e E do Norte e Nordeste em relação às classes A e B do Sudeste
Márcia de Chiara &#8211; O Estado SP
Os pobres do Norte e Nordeste estão consumindo mais que os ricos do Sudeste. Nos últimos 12 meses até setembro deste ano, as classes D e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="cursor: -moz-zoom-out;" src="http://www.vivaterra.org.br/consumo_93.1.jpg" alt="http://www.vivaterra.org.br/consumo_93.1.jpg" /><br />
<strong> Estudo mostra avanço do consumo das classes D e E do Norte e Nordeste em relação às classes A e B do Sudeste</strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Márcia de Chiara &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>Os pobres do Norte e Nordeste estão consumindo mais que os ricos do Sudeste. Nos últimos 12 meses até setembro deste ano, as classes D e E das regiões Norte e Nordeste do País gastaram R$ 8,8 bilhões com uma cesta de alimentos, produtos de higiene pessoal e limpeza. Essa cifra é 5% maior que a desembolsada pelas camadas A e B (R$ 8,4 bilhões) que vivem no Sudeste do País no mesmo período com esses itens, revela estudo exclusivo da LatinPanel, maior empresa de pesquisa domiciliar da América Latina.</p>
<p>Em igual período do ano passado, a situação era exatamente inversa: o gasto das camadas que compõem a base da pirâmide social no Norte e Nordeste com bens não duráveis havia sido 5% inferior ao das classes A e B do Sudeste. &#8220;Houve uma reversão&#8221;, afirma Christine Pereira, diretora da empresa e responsável pela pesquisa.</p>
<p>Ela atribui a mudança a fatores conjunturais. Inflação em baixa, que dá mais poder de compra ao consumidor, ganhos de renda dos trabalhadores que recebem salário mínimo e o fato de a crise não ter afetado as camadas de menor renda explicam, segundo Christine, o avanço do consumo dos bens não duráveis pelos mais pobres. Os dados da pesquisa foram obtidos a partir de visitas semanais a 8,2 mil domicílios para auditar o consumo de 65 categorias de produtos.</p>
<p>Embora em maior número, as famílias das classes D e E do Norte e do Nordeste têm renda agregada bem menor que a das famílias das classes A e B do Sudeste. No Norte e no Nordeste, há 6,9 milhões de lares que recebem até quatro salários mínimos (R$ 1.860) por mês, o que corresponde a 40% do total de famílias das classes D e E do País. Já as classes A e B somam 4,9 milhões de domicílios no Sudeste ou 45% dos lares desse estrato social do Brasil. Essas famílias têm renda mensal superior a dez salários mínimos (R$ 4.650).</p>
<p>Para o economista chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, boa parte do avanço do consumo dos mais pobres se deve ao aumento real do salário mínimo de 5,7% concedido neste ano. &#8220;O salário mínimo pesa muito nas regiões Norte e Nordeste&#8221;, diz.</p>
<p>Nas contas dele, a massa real de renda dos ocupados, pensionistas da Previdência e também beneficiários do Bolsa Família cresceu 7,7% no Norte e Nordeste no primeiro semestre deste ano em relação a igual período de 2008. O acréscimo é mais que o dobro do registrado para essa população que vive no Sudeste do País, que foi de 3,1% nas mesmas bases de comparação.</p>
<p>Além disso, Borges ressalta que a inflação dos mais pobres, que ganham até cinco salários mínimos (R$ 2.325), medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), perdeu fôlego este ano. Após fechar 2008 com alta de 6,5%, a maior taxa desde 2003, o INPC deve encerrar 2009 com aumento de 4,5%, prevê.</p>
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		<title>País deve receber reforço de até R$ 500 bilhões para crédito em 2010</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Nov 2009 14:21:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Crédito pode fazer o PIB surpreender, diz economista


Leandro Modé &#8211; O Estado SP
De 2004 para cá, a relação entre crédito e Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil quase dobrou, de 24% para 45,7%. Com isso, o crescimento do País passou a depender mais da concessão de empréstimos, como ficou claro na crise global &#8211; o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="font-size: xx-large;">Crédito pode fazer o PIB surpreender, diz economista</span></strong></p>
<p><strong><span style="font-size: xx-large;"><br />
</span></strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Leandro Modé &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>De 2004 para cá, a relação entre crédito e Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil quase dobrou, de 24% para 45,7%. Com isso, o crescimento do País passou a depender mais da concessão de empréstimos, como ficou claro na crise global &#8211; o crédito secou, a economia despencou. Como a expectativa para 2010 é positiva, a surpresa pode se dar no sentido contrário, disse o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges.</p>
<p>&#8220;O PIB pode surpreender para cima&#8221;, afirmou ele, que hoje projeta uma expansão da economia de 5,6% no ano que vem. Borges fez um estudo, obtido com exclusividade pelo Estado, para medir o impacto do crédito no avanço da economia.</p>
<p>A partir do trabalho, ele criou o que batizou de &#8220;Índice de Potência do Crédito&#8221;. O indicador relaciona o crescimento real das concessões de crédito no País com a penetração dos empréstimos na economia. A conclusão é que há forte correlação entre crédito e a demanda doméstica, principal responsável pela expansão do PIB.</p>
<p>Borges calcula para 2010 uma alta de 6,4% das novas concessões em termos reais, ou seja, descontada a inflação &#8211; ante uma queda de 5% em 2009. &#8220;Assim, tem-se a sinalização de que a demanda interna poderá crescer quase 10% em 2010&#8243;, disse.</p>
<p>O economista Demian Fiocca, presidente do Banco Nossa Caixa, também destaca a relevância cada vez maior do crédito para o crescimento brasileiro. &#8220;Uma expansão de 20% do crédito em 2010, como a que projetamos para o sistema, é muito mais potente do que um crescimento de 25% em 2004, quando o atual ciclo econômico começou&#8221;, observou.</p>
<p>Para ele, se esse ciclo se prolongar pelos próximos 10 anos, a economia brasileira estará, ao seu final, muito mais próxima do nível dos países mais desenvolvidos do que dos países menos desenvolvidos. &#8220;Continuando nessa trilha, é razoável supor que a relação crédito/PIB no Brasil vai se estabilizar ao redor de 80%&#8221;, disse.</p>
<div id="c">
<h3><span style="font-size: xx-large;">País deve receber reforço de até R$ 500 bilhões para crédito em 2010</span></h3>
<p><strong>Previsão dos bancos, de que vão emprestar mais 20%, e ofertas de ações do setor financeiro animam analistas</strong></div>
<div>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Leandro Modé &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p id="ctrl_texto"><span id="tm04" style="color: #155e91;" onclick="sizeFonts(14),selectedFonts('tm04'); return false"><br />
</span></p>
<p><script type="text/javascript">// <![CDATA[
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// ]]&gt;</script></div>
<div style="text-align: center;"><img src="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091101/img/4.1.imagem_creditoeconomia.jpg" alt="" width="554" height="356" /></div>
<div style="text-align: center;"></div>
<p>Depois de um ano difícil, em decorrência da crise internacional, o crédito na economia brasileira tem tudo para &#8220;bombar&#8221; em 2010. A expectativa é tamanha que há quem diga que o desempenho nessa área pode fazer o País crescer mais do que os analistas esperam hoje.</p>
<p>Além do apetite dos bancos, que projetam, em média, expansão de 20% de suas carteiras, o potencial de empréstimos será engordado por operações realizadas recentemente no setor, sendo a principal delas a oferta pública de ações do Santander na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Juntando esses dois fatores, o crédito total pode ter reforço de até R$ 500 bilhões no ano que vem &#8211; para se ter uma ideia, em 2009, o estoque de empréstimos no País deve avançar R$ 180 bilhões.</p>
<p>Aproximadamente 60% dos R$ 500 bilhões decorrem do crescimento esperado para as carteiras. Como o crédito total do País deve encerrar 2009 na casa de R$ 1,4 trilhão, 20% de expansão significa cerca de R$ 280 bilhões adicionados ao sistema. As operações que elevaram o capital (e, portanto, a capacidade de crédito) de Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal resultarão em mais R$ 210 bilhões potenciais.</p>
<p>O pano de fundo para as expectativas positivas é formado, em primeiro lugar, pelas estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), hoje na faixa de 5%. Esse nível garante taxa de desemprego em queda e renda em alta &#8211; vale lembrar que emprego e renda são os pilares de uma concessão de crédito segura. &#8220;Já percebemos, nos últimos meses, que a retomada do emprego leva as pessoas a querer comprar mais, o que, por sua vez, aumenta a demanda por crédito&#8221;, diz o presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Adalberto Savioli.</p>
<p>&#8220;O Brasil está diante de uma grande oportunidade de crescer com fundamentos sólidos. Realmente acreditamos nisso&#8221;, acrescenta o diretor de Controladoria do Itaú Unibanco, Silvio de Carvalho. Segundo ele, as operações de crédito na instituição avançarão de 20% a 25% no ano que vem. Além disso, o sistema financeiro brasileiro está capitalizado. Diferentemente dos seus pares nos EUA e na Europa, os bancos brasileiros passaram incólumes pela crise.</p>
<p>Nos cálculos do analista de instituições financeiras da Austin Rating, Luís Miguel Santacreu, se emprestassem tudo o que podem dentro das regras do Banco Central (BC), as instituições financeiras poderiam colocar na economia mais de R$ 1 trilhão de crédito &#8211; o que elevaria a relação crédito/PIB dos atuais 45,7% para cerca de 80%. Ele ressalta que é uma conta hipotética, pois nenhum banco teria interesse em conceder empréstimos até o limite de suas possibilidades.</p>
<p>O analista de bancos da Lopes Filho, João Augusto Frota Salles, lembra, ainda, que a queda da taxa básica de juros (Selic) para o menor nível da história &#8220;obriga&#8221; os bancos a emprestar mais, para manter os altos índices de rentabilidade.</p>
<p>Outro elemento que colabora para uma oferta de crédito expressiva em 2010 é o provável aumento dos investimentos, por sua vez explicado pela retomada da economia e pelo início da preparação do País para hospedar a Copa do Mundo de 2014. &#8220;A Copa vai aquecer os projetos de infraestrutura no Brasil&#8221;, diz o vice-presidente de crédito do Banco do Brasil, Ricardo Flores.</p>
<p>O aquecimento dos setores imobiliário e automotivo é mais um fator para o otimismo dos bancos. &#8220;Os propulsores do crédito serão o financiamento imobiliário, para o qual projetamos mais 30%, significativamente maior do que a média para pessoas físicas, e o financiamento de veículos, pois o Brasil é um dos grandes produtores mundiais&#8221;, diz o presidente do HSBC no Brasil, Conrado Engel.</p>
<p>Por fim, os bancos privados vão tentar recuperar o terreno perdido para os públicos. &#8220;A concorrência ficará mais acirrada, o que nos obrigará a ser mais ativos, incluindo a criação de produtos&#8221;, diz o vice-presidente de Finanças da Caixa Econômica Federal, Márcio Percival.</p>
<p>&#8220;Estamos atentos. Não queremos ficar fora do mercado&#8221;, diz o diretor do Departamento de Empréstimos e Financiamentos do Bradesco, Nilton Pelegrino, negando que durante a crise o banco tenha puxado o freio do crédito. &#8220;Não queríamos ter perdido participação. O que houve é que o tomador perdeu o apetite.&#8221;</p>
<p>Apesar do discurso politicamente correto, a disputa entre bancos públicos e privados em 2009 parece ter deixado sequelas. &#8220;Eu não tenho o Tesouro atrás de mim. Tenho de ser prudente, proteger o capital do acionista&#8221;, diz um banqueiro. Nessa briga, quem pode ganhar é o consumidor. &#8220;As taxas de juros já estão de volta aos níveis pré-crise. A tendência é continuarem caindo por causa da concorrência&#8221;, diz Engel.</p>
<p>Como em qualquer cenário econômico, o de crédito para 2010 também tem seus riscos. O principal é a possibilidade de o BC elevar a taxa Selic no primeiro semestre. Se isso realmente ocorrer, diz Frota Salles, &#8220;os bancos vão defender seus níveis de rentabilidade, repassando o custo maior ao consumidor&#8221;. &#8220;Isso pode inibir o crescimento acelerado do crédito.&#8221;</p>
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		<title>Crescimento do NE precisa ir além da alta do consumo</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/10/crescimento-do-ne-precisa-ir-alem-da-alta-do-consumo/</link>
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		<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 16:32:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
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		<description><![CDATA[Conjuntura: Evento do Centro Celso Furtado debate modelo para região
Leo Pinheiro/Valor

 Jair do Amaral Filho, da Universidade Federal do Ceará: &#8220;Estamos crescendo, e isso é ótimo. Mas ninguém discute como esse crescimento está acontecendo&#8221;


João Villaverde, do Recife &#8211; VALOR
A retomada do crescimento econômico brasileiro, que já aponta elevação de 5% do PIB em 2010, tem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Conjuntura: Evento do Centro Celso Furtado debate modelo para região</strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: xx-small;"><em>Leo Pinheiro/Valor<br />
</em></span><img src="http://www.valoronline.com.br/imagens/impresso/ed_0002366/imagens/foto19bra-jasir-a6.jpg" border="0" alt="Foto Destaque" /><br />
<span style="font-size: xx-small;"><em> Jair do Amaral Filho, da Universidade Federal do Ceará: &#8220;Estamos crescendo, e isso é ótimo. Mas ninguém discute como esse crescimento está acontecendo&#8221;</em></span></p>
<p><em><br />
</em></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">João Villaverde, do Recife &#8211; VALOR</span></h2>
<p>A retomada do crescimento econômico brasileiro, que já aponta elevação de 5% do PIB em 2010, tem sido sustentada pelo mercado interno. Para isso, programas de transferência de renda e elevação do emprego nos segmentos ligados ao setor de serviços foram decisivos para contrabalançar a retração da indústria, que sofreu com o corte do crédito e o fechamento do mercado externo. O modelo de crescimento do Brasil pós-crise pode ser simbolizado pelo Nordeste, o maior beneficiado pelas transferências sociais de renda e o principal impulsionador do comércio varejista.</p>
<p>Nos primeiros sete meses do ano, as vendas do varejo na região aumentaram 5,6% sobre o mesmo período do ano passado, e um ponto percentual acima do crescimento verificado pelo setor no país. O setor industrial, mais concentrado na produção de alimentos e bebidas, sofreu menos no Nordeste que no resto do país. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), alimentos e bebidas representam cerca de 25% da produção industrial na região. Assim, o crescimento do consumo contribui para que a queda no setor seja menor. Dados de setembro do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho, dão conta que quase 40% dos empregos formais gerados no último mês do terceiro trimestre ocorreram no Nordeste &#8211; ao todo, 100,4 mil postos. No entanto, este modelo de crescimento não é o ideal, avaliam economistas e cientistas sociais que participaram do seminário Desenvolvimento Regional do Nordeste, realizado em Recife pelo Centro Celso Furtado, na semana passada.</p>
<p>&#8220;Estamos crescendo, e isso é ótimo. Mas ninguém discute como esse crescimento está acontecendo&#8221;, afirma Jair Amaral Filho, economista da Universidade Federal do Ceará (UFCE). Os setores que mais empregam na região, segundo Amaral, são comércio varejista e administração pública, além da indústria produtora de alimentos e bebidas. Segundo dados do Caged, metade dos postos criados no setor industrial em setembro no país atendeu o setor de produtos alimentícios e bebidas (62,7 mil), tendo os Estados nordestinos à frente.</p>
<p>Boa parte da renda que tem sustentado o crescimento constante do setor de serviços na economia é oriunda de transferências promovidas pela União. Os Estados e municípios do Nordeste receberam no ano passado quase US$ 40 bilhões por meio de transferências orçamentárias como Cide, Fundeb, Fundo de Participação dos Estados (FPE) e Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Neste ano, com a desaceleração econômica, que achatou as receitas, e políticas de isenções fiscais, como a redução do IPI para montadoras e para eletrodomésticos da linha branca, as transferências orçamentárias serão menores. Mas este efeito, dizem os analistas, será compensado pela elevação do salário mínimo &#8211; que também corrige dois terços dos benefícios previdenciários &#8211; e programas sociais como Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BCP).</p>
<p>Segundo Amaral, fatores antes criticados na região, hoje são apontados como contribuidores do crescimento mais acelerado. &#8220;O Nordeste estava se beneficiando pouco das altas nas commodities antes da crise, além da menor importância da indústria exportadora em comparação a outras regiões&#8221;, afirma. Além disso, o corte nas alíquotas do IPI beneficiou o comércio atacadista e varejista.</p>
<p>O maior receio entre os acadêmicos da região é que se consolide entre as empresas e o governo federal o modelo de crescimento atual, que vê os Estados do Sul e Sudeste com uma política de desenvolvimento industrial e o Nordeste com uma política de consumo de massas. Para Amaral, a política promovida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de fortalecer empresas nacionais por meio de empréstimos para fusões e aquisições &#8211; política de &#8220;campeãs nacionais&#8221; segundo o banco &#8211; poderia incluir empresas da região, e não apenas as sediadas em Estados do Sudeste.</p>
<p>Segundo o chefe do departamento regional do BNDES para o Nordeste, Paulo Ferraz Guimarães, não se trata de uma questão de &#8220;exclusão regional&#8221;, mas de distribuição estrutural da indústria, historicamente concentrada no Sudeste. &#8220;Estamos interessados no desenvolvimento, não há regionalização do financiamento&#8221;, afirma.</p>
<p>De janeiro a agosto deste ano, o BNDES liberou R$ 15,3 bilhões para companhias nordestinas. Segundo Guimarães, esse valor deve alcançar R$ 18 bilhões até o fim do ano. Há maior número de operações também &#8211; 20.300 mil, o equivalente a 91% mais que no mesmo período de 2008. &#8220;Talvez a participação do BNDES na região nunca tenha sido tão boa&#8221;, diz. Estaleiros portuários em Suape (PE) e Pecém (CE) e projetos federais como a rodovia Transnordestina &#8211; que deve integrar sete Estados do Nordeste &#8211; apontam a direção do que o banco pretende fazer na região.</p>
<p>&#8220;O setor de serviços, o maior empregador, é o que necessita de trabalhadores menos instruídos e o que paga os salários mais baixos&#8221;, afirma Lena Lavinas, economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mesmo diante dos avanços na diminuição da pobreza e da miséria nos últimos anos, o Nordeste continua com os piores indicadores sociais. Segundo Lavinas, o Nordeste apresenta os índices mais elevados de indigentes &#8211; 16 milhões de pessoas &#8211; e de pobres que vivem apenas com renda do trabalho &#8211; 48,8%. &#8220;Não é possível sustentar uma família de quatro pessoas com um salário mínimo, por mais que ele tenha se recuperado nos últimos anos&#8221;, afirma a economista.</p>
<p>Para Lavinas, as transferências de renda devem ser ampliadas a fim de garantir eficiência total, uma vez que mesmo sendo o maior receptor dos programas sociais, 42,7% dos moradores pobres do Nordeste ainda não recebem o Bolsa Família. Segundo Tania Bacelar, economista da UFPE, mais de um terço dos que vivem em regiões rurais da região são analfabetos. &#8220;O problema é sério também nas capitais. Metade dos moradores do Recife estão vivendo em favelas&#8221;, afirma. Para a economista, após a dissipação das turbulências financeiras mundiais, a retomada econômica brasileira permite uma &#8220;rediscussão&#8221; quanto ao modelo de crescimento. &#8220;A questão a partir deste último trimestre não é mais sobre o crescimento, já recuperado, mas a maneira como ocorrerá o desenvolvimento, que deve diminuir as desigualdades regionais&#8221;.</p>
<p><strong><br />
<span style="font-size: x-large;">Efeitos do Bolsa Família dividem acadêmicos</span></strong></p>
<p>Numa região em que os níveis de mortalidade infantil ainda são os mais elevados do Brasil &#8211; 34,4% do total &#8211; e com produção industrial pouco diversificada, programas de transferência de renda como o Bolsa Família são uma forma de monetizar comunidades carentes, gerando demanda por bens de consumo. Segundo o Ministério de Desenvolvimento Social, 50,07% dos beneficiários do Bolsa Família vivem no Nordeste. &#8220;O programa é importantíssimo para garantir que um mínimo de dinheiro alcance municípios pobres do interior, onde, historicamente, a circulação de moeda é rara&#8221;, afirma Marcos Costa Lima, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Para ele, o Bolsa Família é crucial para entender a melhora econômica da região, uma vez que, ao proporcionar meio de troca a comunidades carentes, promove o incremento da produção de itens básicos, como alimentos e vestuário, que sentem o fortalecimento do mercado interno na região.</p>
<p>Francisco de Oliveira, sociólogo da Universidade de São Paulo (USP), critica o modelo de desenvolvimento baseado no varejo, mas, diferentemente dos outros analistas, não acredita que programas sociais possam elevar o comércio. &#8220;O Bolsa Família aumenta a compra do quê? De arroz, feijão e farinha? Ele é importante, mas não garante comércio de massas&#8221;, avalia. Para Oliveira, o programa é importante por aliviar a miséria, mas não transcende o assistencialismo, ficando restrito à transferência de dinheiro.</p>
<p>Segundo Amélia Cohn, socióloga da USP que pertenceu à equipe do Ministério de Desenvolvimento Social no começo do Bolsa Família, é preciso avaliar o impacto do programa na renda familiar. &#8220;Em várias regiões do Nordeste o valor mensal do programa é maior do que o que uma família pobre ganha em 12 meses. Isso impulsiona o comércio na região, que estava natimorto&#8221;, diz.</p>
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		<title>Brasil corre riscos se crescer mais de 5%</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Oct 2009 12:33:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Alberto Tamer* &#8211; O Estado SP
O mundo precisa crescer mais em 2010 e o Brasil, menos. O FMI está prevendo apenas 1,3% nos países desenvolvidos e 3,5% aqui. Mas suas estimativas quanto ao PIB brasileiro estão desatualizadas, não levam em consideração os resultados dos últimos trimestres. Tanto governo como institutos de pesquisa e bancos projetam [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="background-color: #ffff99;">Alberto Tamer* &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>O mundo precisa crescer mais em 2010 e o Brasil, menos. O FMI está prevendo apenas 1,3% nos países desenvolvidos e 3,5% aqui. Mas suas estimativas quanto ao PIB brasileiro estão desatualizadas, não levam em consideração os resultados dos últimos trimestres. Tanto governo como institutos de pesquisa e bancos projetam 4,5% a 5% no próximo ano. Alguns admitem até perto de 7%. Não é impossível. Muito contrario, é provável, tendo em vista a forte recuperação dos últimos meses, que só está se acentuando neste trimestre.</p>
<p>Se a previsão do FMI está desatualizada, muito atual o seu alerta para o excesso de investimentos externos que continua entrando no País e a necessidade de rever a política de estímulo tributário e fiscal do governo.</p>
<p>&#8220;O Brasil vai instigar o apetite dos mercados de capitais por causa da solidez de sua economia. O seu problema é como administrar a abundância&#8221;, disse o diretor do FMI Nicolas Eyzaguirre, em Istambul. Segundo ele, se a demanda do setor privado global aumentar, &#8220;o Brasil deve começar a pensar em diminuir o estímulo fiscal para evitar valorização da moeda&#8221;.</p>
<p>São duas vertentes que se cruzam: aumento no afluxo de recursos externos, provocando valorização do real, e incentivos oficiais, criando inflação. Ela não está sendo atendida por causa da defasagem entre consumo e produção e o menor nível de investimento privado na indústria. O alerta não é só do FMI, mas de quase todos os economistas brasileiros: o governo deve administrar o crescimento em 2010, rejeitando a tentação de seguir a China, para a qual o FMI prevê mais de 9%.</p>
<p><strong>AS TENTAÇÕES DE LULA</strong></p>
<p>Mas não é só essa, é outra mais atual, atualíssima: atuar para que a economia cresça menos do que o previsto e se anuncia, num ano em que o presidente pretende fazer sua sucessora.</p>
<p>Aqui, a tentação se transforma em dilema: crescer mais com inflação maior, o que levaria o Banco Central a aumentar os juros? O que seria mais bem recebido pelos eleitores dentro de um ano, nas urnas?</p>
<p>E não digam que esse é um dilema que surgirá apenas no futuro, que vamos deixar como está. Não. Ele existe exatamente agora, sim. E não estou falando só de juros, mas de expansão da demanda também.</p>
<p>Como a economia não está sendo puxada pelas exportações e sim pelo consumo interno, acho que não temos um dilema, mas um &#8220;trilema&#8221;, em que se digladiam crescimento, juros e inflação. Dá para resolvê-lo, já que se errou ao não se dar ao setor privado o mesmo estímulo generosamente oferecido ao consumidor?</p>
<p><strong>O QUE LULA VAI FAZER?</strong></p>
<p>O ex-presidente do BC, Affonso Celso Pastore, sem dúvida um dos melhores economistas do País, afirma que o presidente já mostrou não ser complacente com a inflação. Opôs-se a todos, mesmo no governo, e deu mão forte a Meirelles na alta dos juros. Pastore acredita que o governo manterá a mesma linha, aceitando um crescimento menor para evitar pressões sobre os preços, hoje ajudados pela produção agrícola.</p>
<p>O raciocínio é simples: a inflação tem efeito imediato sobre o assalariado; ele a sente a cada dia, na caixa do supermercado, enquanto crescimento menor só se reflete sobre o emprego e a demanda em médio prazo. Afinal, o desemprego em 8,1% recuou a níveis de antes da crise e com a redução dos estoques as empresas voltarão a empregar.</p>
<p><strong>SEI, SEI, MAS&#8230;</strong></p>
<p>Tudo isso faz sentido, mas será uma decisão, num ano eleitoral, cancelar a redução de impostos e suspender incentivos fiscais. São benefícios que são logo repassados aos preços e aos consumidores.</p>
<p>A questão mais delicada, no momento, é saber se, quando e em que ritmo o governo vai reduzi-los, diluindo seu efeito sobre as eleições de 2010. É verdade que já existem sinais, como no caso do IPI dos veículos, mas os benefícios fiscais são mais amplos, passam de US$ 1 trilhão.</p>
<p>São questões econômicas sobre as quais as decisões políticas devem ter mais peso. Pastore acredita que a solução é ter crescimento mais moderado para evitar alta de juros excessiva, voltando-se a passar 10%.</p>
<p><strong>SEM ESPAÇO MONETÁRIO</strong></p>
<p>Por enquanto, só foi possível crescer mais com juros menores porque a taxa básica real, descontada a inflação, era muito alta. Essa margem de manobra não existe mais. Não se pode contar tanto com a política monetária dos últimos meses, para conter pressões inflacionárias.</p>
<p>É o dilema do presidente. Se levarmos em conta como agiu antes, pode-se prever que vai aceitar crescimento menor para ter a inflação sob controle. O erro maior do governo foi não ter dado ao investimentos privados industriais o estímulo semelhante oferecido à demanda interna. Passamos a consumir mais sem aumentar proporcionalmente a produção, que leva mais tempo para maturar e sempre chega depois.</p>
<p>Um erro que ainda persiste. E será mais difícil corrigir num ano de eleição.</p>
<p><strong>*E mail: at@attglobal.net</strong></p>
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		<title>Agora, é a classe D que vai ao paraíso digital</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 17:55:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[COMPORTAMENTO]]></category>
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		<description><![CDATA[Cenário: Fatias mais pobres da população compram PCs e serviços de internet no rastro aberto pela classe C


Gustavo Lourenção / Valor

 Na Associação Santa Cruz, na favela do Jaguaré, em São Paulo, adolescente aprende a usar o computador com a professora Neide Martins; acesso às redes sociais é um do principais atrativos




Talita Moreira e André [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Cenário: Fatias mais pobres da população compram PCs e serviços de internet no rastro aberto pela classe C</strong></p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: xx-small;"><em>Gustavo Lourenção / Valor<br />
</em></span><img src="http://www.valoronline.com.br/imagens/impresso/ed_0002358/imagens/foto_06emp-internet-b3.jpg" border="0" alt="Foto Destaque" /><br />
<span style="font-size: xx-small;"><em> Na Associação Santa Cruz, na favela do Jaguaré, em São Paulo, adolescente aprende a usar o computador com a professora Neide Martins; acesso às redes sociais é um do principais atrativos</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: xx-small;"><em><br />
</em></span></p>
<p><span style="font-size: xx-small;"><em><br />
</em></span></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Talita Moreira e André Borges, de São Paulo &#8211; VALOR</span></h2>
<p>Vá até a favela do Jaguaré, na zona Oeste de São Paulo, suba pelas vielas que se abrem em meio aos barracos e entre em qualquer uma das salas de aula do centro cultural Santa Cruz. Pergunte aos alunos que frequentam os cursos de moda, informática ou gastronomia quantos têm computador em casa ou acesso à internet. O número de braços erguidos fica bem abaixo do percentual típico de uma escola de classe média, por exemplo, mas é surpreendentemente alto para o perfil socioeconômico dos moradores.</p>
<p>É uma situação comum a outros bolsões de pobreza das grandes cidades brasileiras. A despeito dos recursos financeiros limitados, essa fatia da população está encontrando maneiras de ganhar acesso a facilidades como o correio eletrônico, as redes sociais e as buscas na internet. Para muitos, o computador parcelado no crediário e a assinatura de um serviço de acesso à internet já não são mero sonho de consumo. Converteram-se em uma ferramenta de estudos e pesquisas para crianças, entretenimento para adolescentes e símbolo de orgulho para os adultos.</p>
<p>Depois da classe C, que nos últimos anos tornou-se um dos principais alvos de empresas dos mais diversos setores, o acesso aos bens de tecnologia da informação (TI) também começa a ser realidade para a classe D &#8211; famílias com renda mensal entre R$ 768 e R$ 1.114, segundo os critérios da Fundação Getúlio Vargas (FGV).</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.valoronline.com.br/imagens/impresso/ed_0002358/imagens/arte06emp-internet-b3.gif" border="0" alt="Foto Destaque" /></p>
<p>Os fatores que estão proporcionando esse acesso são basicamente os mesmos que deram impulso ao consumo da classe C: barateamento dos computadores, acesso mais fácil ao crédito e, acima de tudo, a percepção sobre a importância crescente dos PCs e da internet como ferramentas de estudo, trabalho e lazer.</p>
<p>Um ano atrás, o vigilante noturno João José Dias e a esposa, Vera Dias, compraram seu primeiro computador &#8211; um modelo da Positivo que custou R$ 1 mil e foi dividido em 15 prestações. O casal também apertou o orçamento para pagar R$ 90 mensais para ter acesso a uma conexão de internet com velocidade de 1 megabit por segundo (Mbps). &#8220;Cortamos gastos com roupas e coisas supérfluas&#8221;, afirma a dona de casa, que ajuda a bancar as contas da família fazendo artesanato.</p>
<p>O casal decidiu investir num computado de tanto que insistiu o filho mais velho, de dez anos. &#8220;É muito importante para fazer as pesquisas de escola&#8221;, afirma Vera. Mas ela e o marido também acabaram se interessando pela coisa: ambos se matricularam nas aulas de informática oferecidas no centro cultural. Foi ali, numa tarde de quarta-feira, que o Valor encontrou os dois &#8211; ambos carregando suas apostilas.</p>
<p>Histórias como a da família Dias têm são cada vez mais comuns e começam a chamar a atenção das empresas do setor.</p>
<p>&#8220;A entrada da classe D no setor de PCs é um movimento muito claro para nós&#8221;, afirma César Aymoré, diretor de marketing da Positivo Informática. Essa camada da população já representa entre 6% e 8% das vendas de micros de mesa da companhia, que é o maior fabricante de computadores do país. Grandes varejistas, como a Casas Bahia, também já notam que a movimentação desses consumidores começa a ter impacto nos negócios.</p>
<p>Na Telefônica, 10% das vendas de novas conexões do serviço de acesso Speedy são para a classe D &#8211; mais que o dobro do percentual apresentado no ano passado. &#8220;A internet está ganhando um papel central na vida das pessoas, na vida em comunidade. Não é uma questão de status&#8221;, afirma o diretor de clientes residenciais da operadora, Fabio Bruggioni.</p>
<p>Segundo o executivo, metade dos consumidores da classe D que têm uma conexão de banda larga da Telefônica assina planos com velocidade igual ou superior a 1 Mbps. É uma distribuição parecida com a que se encontra nas classes B e C.</p>
<p>A operadora também lançou, recentemente, um pacote que inclui telefone fixo residencial de uso ilimitado e acesso à internet por meio de uma linha discada dedicada por R$ 54,90 mensais. O produto foi desenhado para atrair clientes que estão começando a usar a web, mas ainda não têm dinheiro ou interesse em pagar por um acesso de banda larga. A Telefônica ainda tem um milhão de internautas adeptos da linha discada e, de acordo com Bruggioni, esse número tem se mantido constante nos últimos anos. Enquanto mais pessoas adquirem um computador e começam a navegar na internet, outras migram para as conexões de alta velocidade.</p>
<p>&#8220;O computador é o grande sonho da classe D&#8221;, afirma Renato Meirelles, sócio-diretor e analista do instituto de pesquisas Data Popular, especializado em estudos sobre o comportamento das classes C, D e E.</p>
<p>Segundo o pesquisador, os PCs têm uma importância prática, além de ser um objeto de desejo. &#8220;Em 73% das famílias da classe D, os filhos têm mais escolaridade que os pais. Com isso, o pai acaba não conseguindo ajudar o filho nas tarefas de escola. O computador é que acaba cumprindo esse papel.&#8221;</p>
<p>Por outro lado, os computadores e a internet permitem que jovens de todas as faixas de renda tenham acesso aos mesmos recursos de comunicação, como redes sociais, sites de buscas e programas de mensagens instantâneas.</p>
<p>O acesso à web, na verdade, é o grande propulsor das vendas de computadores. &#8220;Sabemos que a compra um PC é motivada pelo acesso à internet. Hoje, 70% das pessoas que compram nosso equipamento são usuários de algum tipo de serviço de banda larga, contra 45% de um ano atrás&#8221;, observa Aymoré, da Positivo.</p>
<p>Para incentivar esse processo &#8211; e indiretamente estimular suas vendas &#8211; a Positivo mantém um acordo com a Vivo. A promoção inclui a oferta gratuita de um modem para o acesso à internet por meio da rede de terceira geração (3G) da operadora de telefonia móvel. Se o consumidor fosse diretamente até a loja da Vivo, por exemplo, pagaria R$ 199 pelo equipamento no plano de 250 megabytes. O custo do serviço, diz Aymoré, é 30% inferior ao valor normal e, nos três primeiros meses, o usuário só paga metade do preço da assinatura.</p>
<p>Um ano atrás, a Positivo também lançou um micro para atender à demanda dos consumidores de menor renda. O &#8220;PC da Família&#8221; custa entre R$ 999 e R$ 1.299 e é configurado com serviços específicos. Há links para que os pais tenham acesso direto a notícias, oportunidades de emprego, elaboração de currículo e dicas sobre como educar o filho. Para as crianças, o PC traz conteúdo educacional, com dicionário e jogos. O negócio deu certo. &#8220;Hoje, é o modelo de desktop que mais vendemos&#8221;, afirma o executivo.</p>
<p>Com base nesse resultado, outro modelo voltado à classe D foi lançado há três meses. O &#8220;PC Fácil&#8221;, comenta Aymoré, é um micro didático. Ao ligar a máquina, o usuário tem informações sobre como navegar na internet, criar um e-mail etc.</p>
<p>A oferta de modelos com linguagem mais básica e a queda nos preços dos computadores têm sido fundamentais no processo de inclusão desses consumidores de baixíssima renda. Hoje, é possível encontrar micros de mesa por R$ 619, bem menos que o valor mínimo de R$ 750 disponível no fim de 2005. Nos notebooks, a redução nesse período foi ainda mais pronunciada, de 41%: o produto mais barato do mercado sai por R$ 815, segundo o site de comparação de preços Buscapé.</p>
<p>Mesmo com as reduções de preço, porém, o valor ainda é alto demais para pessoas como Fabiana Guandalim, moradora da favela do Jaguaré. Casada com um vigia que recebe pouco mais de um salário mínimo por mês e mãe de cinco filhos, não sobra dinheiro para a família adquirir um computador. Mas Fabiana sonha: &#8220;É o que eu mais quero, e eu vou conseguir&#8221;. Ela já se matriculou nas aulas de informática do centro cultural.</p>
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		<title>Segundo Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia, &#8221;Brasil deve manter medidas de estímulo&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 14:20:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Entrevista &#8211; Joseph Stiglitz: professor da Universidade Columbia e Prêmio Nobel de Economia; ao contrário do que pede o FMI, Brasil ainda não deveria acabar com seus pacotes de ajuda, diz analista
Patrícia Campos Mello, ISTAMBUL
O risco de a economia mundial ter uma recaída e voltar a mergulhar numa recessão é &#8220;muito grande&#8221;, e por isso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.dhi.uem.br/fotos%20home%20e%20eventos/joseph%20stiglitz.jpg" alt="http://www.dhi.uem.br/fotos%20home%20e%20eventos/joseph%20stiglitz.jpg" /></p>
<p><strong>Entrevista &#8211; Joseph Stiglitz: professor da Universidade Columbia e Prêmio Nobel de Economia; ao contrário do que pede o FMI, Brasil ainda não deveria acabar com seus pacotes de ajuda, diz analista</strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Patrícia Campos Mello, ISTAMBUL</span></h2>
<p>O risco de a economia mundial ter uma recaída e voltar a mergulhar numa recessão é &#8220;muito grande&#8221;, e por isso o Brasil ainda não deveria acabar com seus pacotes de estímulo. Essa é a opinião de Joseph Stiglitz, professor da Universidade Columbia e vencedor do Prêmio Nobel de Economia.</p>
<p>Muitos analistas acham que a economia brasileira corre risco de superaquecer e projetam grande alta de juros em 2010. O Fundo Monetário Internacional (FMI) diz que o Brasil é um dos países que deveriam rever seus estímulos econômicos, porque sua economia já está se recuperando e há risco de atrair excesso de dólares.</p>
<p>Mas, para Stiglitz, crítico contumaz do Fundo, o conselho do FMI pode ser precipitado. Stiglitz diz também que ainda não há uma alternativa confiável para a acumulação de reservas nos emergentes como forma de proteção contra crises, divergindo de outra recomendação do Fundo. Abaixo, trechos da entrevista que Stiglitz concedeu ao Estado.</p>
<p><strong>O FMI diz que o Brasil é um dos países que deveria rever seus estímulos econômicos, porque sua economia já está se recuperando e há risco de atrair um excesso de dólares. O senhor acha que está na hora de o Brasil acabar com estímulos fiscais ou monetários?</strong></p>
<p>É difícil para qualquer país ter certeza sobre uma estratégia de saída porque é difícil ter qualquer certeza sobre a economia global. Portanto, é apropriado pensar em estratégias de saída para os pacotes de estímulo, mas não implementar nada ainda.</p>
<p><strong>Há risco de recessão em dábliu (duplo mergulho &#8211; depois de breve recuperação, a economia voltaria a mergulhar na recessão)?</strong></p>
<p>Sim, o risco de uma recessão &#8220;duplo mergulho&#8221; é muito grande. É mais arriscado tirar os estímulos agora, que pode ser prematuro, do que mantê-los até que se tenha mais certeza sobre a recuperação do mundo. O Brasil é menos dependente de exportação que outros países e muitos ficaram surpresos quando o País foi afetado pela crise. Agora o País está em recuperação. Mas não há argumento para se retirarem os estímulos o Brasil neste momento.</p>
<p><strong>O FMI quer atuar como &#8220;banco central mundial&#8221; e recomenda a emergentes como o Brasil que aumentem seus déficits em conta-corrente e reduzam a acumulação de reservas. Seria a maneira de os emergentes colaborarem com o ajuste dos desequilíbrios globais, já que as reservas estão na origem desses desequilíbrios. O que o sr. acha disso?</strong></p>
<p>É preciso reconhecer que os países que estão acumulando reservas não estão consumindo. E há um grande problema na economia mundial hoje, que é recuperar a demanda agregada, já que os EUA estão deixando de ser o consumidor de última instância. Mas a questão é: qual é a melhor forma de reativar a demanda mundial? Não está claro se a melhor maneira de fazer isso é aumentando o consumo, em vez de elevando o investimento. Essa foi a estratégia que deixou os EUA em apuros, então tenho dúvidas de que seja a estratégia certa.</p>
<p><strong>Grande parte dos emergentes foram menos afetados que os países ricos pela recessão, e eles argumentam que um dos motivos foi precisamente o alto nível de reservas.</strong></p>
<p>Exatamente. Se nós tivessemos mecanismos alternativos de proteção ou se criássemos uma economia global mais estável, poderíamos pensar em reduzir reservas. Mas o movimento de desregulamentação dos anos 80 criou um mundo mais instável, que tornou necessária uma maior acumulação de reservas. As reservas são o sintoma, não a causa.</p>
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		</item>
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		<title>&#8221;Lula vai deixar o BC segurar a inflação&#8221;</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Oct 2009 14:58:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Fernando Dantas &#8211; O Estado SP


Recuperando-se de uma cirurgia de coluna, mas já mergulhado nos números da economia brasileira, o economista Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central (BC), dá um voto de confiança ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Para Pastore, Lula é pragmático, sabe que a inflação prejudica a sua [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="background-color: #ffff99;"> </span></h2>
<p style="text-align: center;"><img src="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080602/img/4.12.imagem_pastore.jpg" alt="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080602/img/4.12.imagem_pastore.jpg" /></p>
<p style="text-align: center;">
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Fernando Dantas &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p><span style="background-color: #ffff99;"><br />
</span></p>
<p>Recuperando-se de uma cirurgia de coluna, mas já mergulhado nos números da economia brasileira, o economista Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central (BC), dá um voto de confiança ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Para Pastore, Lula é pragmático, sabe que a inflação prejudica a sua popularidade e não vai impedir o BC de fazer o seu trabalho, mesmo num ano eleitoral. &#8220;Estou assumindo que o governo tenha responsabilidade.&#8221; O economista se alinha ao mercado ao prever que o surpreendente ritmo de reaquecimento da economia brasileira deve levar o BC a aumentar a Selic, a taxa básica de juros, em 2010. Pastore observa também que, como o impulso fiscal do governo que ajudou a tirar o País da crise foi realizado em grande parte com despesas permanentes, como salários e aposentadorias, não há como ajudar o BC agora, reduzindo aqueles gastos. A seguir, a entrevista:</p>
<p><strong>Por que o Brasil está saindo tão rápido da crise?</strong></p>
<p>A crise pegou o Brasil pela indústria. Teve uma queda um pouco menor na agricultura, mas a queda grande foi na produção industrial. No setor dos serviços, não caiu praticamente nada. Esse quadro é corroborado pelo emprego, que caiu na indústria, na agricultura, mas praticamente não caiu no setor de serviços. O grande setor da economia brasileira é o de serviços, empregando quatro vezes mais do que a indústria. Isso explica por que a recessão fez subir o desemprego no mundo inteiro, mas praticamente não fez subir o desemprego no Brasil.</p>
<p><strong>E por que foi desse jeito?</strong></p>
<p>Pode ter várias explicações, mas uma que ficou clara é que nós fomos pegos pelo lado dos &#8220;tradables&#8221; (produtos comercializáveis internacionalmente). A indústria é um setor muito aberto em relação ao comércio internacional, a exportação de manufaturas é mais ou menos 50% do PIB da indústria. Quando a crise jogou para baixo as exportações, jogou para baixo a produção industrial. Mas não jogou para baixo, por exemplo, setores de serviços como o setor bancário, que estava sólido, o comércio varejista, que foi rapidamente ajudado com medidas de isenção fiscal, ou as telecomunicações.</p>
<p><strong>Qual o papel da política econômica em preservar o Brasil dos piores efeitos da crise?</strong></p>
<p>A primeira reação que tinha de ter e teve foi a baixa agressiva de taxa de juros. O Banco Central teve de trazê-la a um nível mínimo histórico, abaixo da taxa de juros neutra. A segunda reação foi a política fiscal, em parte deliberada em reação à crise, como a isenção de impostos para automóveis, geladeiras e material de construção. Outra parte teve efeitos contracíclicos, mas já havia sido tomada antes, como aumentar salário de funcionários, benefícios da Previdência, Bolsa-Família, etc. Essas transferências, no fundo, são renda real que o governo está distribuindo a camadas da sociedade. Não é o único fator, mas explica um bom pedaço do movimento da recuperação da produção industrial de bens de consumo.</p>
<p><strong>Então acabaram sendo corretos esses aumentos?</strong></p>
<p>Esses são aumentos permanentes dos gastos públicos, que tiveram o lado benéfico de criar consumo e estão ajudando a sair rapidamente da crise. Mas tem outro lado: como esses aumentos de salário, de benefícios, são permanentes, você não consegue fazer uma redução gradual disso. E, assim, gera-se um episódio de aceleração da recuperação da atividade, que se soma ao estímulo que vem da política monetária.</p>
<p><strong>E quais as implicações disso?</strong></p>
<p>Eu mencionei que o setor de serviços está mais próximo do pleno emprego. Se você olhar para a indústria, há um hiato do produto (diferença entre o produto potencial e a produção atual) ainda muito grande. Mas, quando se olha para o PIB como um todo, no qual o setor de serviços é maior que o industrial, o hiato fica um pouco menor. Se ele é um pouco menor, isso significa que ele vai fechar um pouco mais depressa. E o risco é de que se tenha de começar o ajuste de taxa de juros antes do que o mercado julgava há três ou quatro semanas. Antes de alguns dados que saíram e mostram a velocidade com a qual a economia vem se recuperando, como o PIB do segundo trimestre e a produção industrial.</p>
<p><strong>Quando deve haver o fechamento do hiato?</strong></p>
<p>Há muita controvérsia, com algumas instituições prevendo já para o fim do primeiro trimestre de 2010, e outra para mais adiante. Na minha visão, independentemente da posição de cada um hoje, todos estão reconhecendo que o fechamento está um pouco mais rápido do que achavam que seria há alguns meses. O mercado está hoje avaliando como uma possibilidade mais alta que a Selic tenha de subir no começo do ano que vem. Em algum ponto do primeiro trimestre.</p>
<p><strong>De quanto precisará ser a alta da Selic?</strong></p>
<p>Se olhar a curva de juros, o mercado está colocando um ciclo total de 400 pontos, 450 pontos de subida de taxa de juros. Aí tem uma segunda controvérsia. Precisa tudo isso? Vai para mais de 12% a taxa de juros de novo, saindo de 8,75%? Ou vai se resolver com menos? É aí entra uma questão simples: se pudesse tirar um pedaço do estímulo fiscal, esse ajuste seria feito com taxa de juros menor. Acontece que estímulos fiscais contracíclicos, para que se possa tirá-los, têm de ser transitórios. No momento em que você não precisa mais deles, você tira. Esse estímulo fiscal tem um pedaço transitório, pequeno, que é a desoneração tributária. Mas tem a faceta permanente, do aumento das transferências. É um aumento dos gastos que você só resolveria se a inflação fosse maior para erodir o salário real dos funcionários. Porque ninguém vai politicamente chegar e baixar salário, não é? Essa componente é grande e permanente, não tem como tirar. Se não sai, se tiver de fazer o ajuste, será feito inteiro em cima de taxa de juros.</p>
<p><strong>O que não é a situação ideal&#8230;</strong></p>
<p>Certamente, não. Ela pode ser positiva para quem olha política de distribuição de renda, ou para quem olha o benefício eleitoral que deriva de uma estratégia como essa. Mas não é positiva como política econômica ótima, porque implica uma taxa de juro maior.</p>
<p><strong>E a expansão de crédito pelos bancos públicos, não é um estímulo que poderia ser controlado?</strong></p>
<p>No meu modelo, coloco o crédito e a parte fiscal juntos, como explicativos de um pedaço da recuperação dos bens de consumo. Quando se olha o crédito, os bancos privados não estão aumentando, a não ser algo em crédito ao consumo. O grosso do aumento de crédito está nos bancos oficiais. Nisso, o governo poderia voltar atrás. Se ele quiser reduzir a taxa de expansão de crédito para o setor privado, ele abre espaço para a taxa de juros ficar mais baixa. Mas não me parece que é essa a determinação do governo. Me parece que a determinação é a de continuar a expansão de crédito dos bancos oficiais.</p>
<p><strong>Quanto o Brasil pode crescer sem risco inflacionário? </strong></p>
<p>Depende de crescimento de produto potencial. Com a taxa de investimento ainda baixa, acho que o produto potencial vai crescer, no máximo, 4,5%. Se estamos indo para 5% de crescimento, isso apressa o fechamento do hiato do produto.</p>
<p><strong>E quanto o sr. acha que o Brasil vai, de fato, crescer em 2010?</strong></p>
<p>Eu já estive no 4,5%, já passei para o 4,7%. Acho que é possivelmente entre 4,5% e 5%. Tem gente com mais do que isso no mercado. Tem gente com 6%. Depende do governo. Se o governo não fizer nada, vai dar 6%. É que eu sou um otimista inveterado, e acho que o governo vai tomar cuidado, não vai deixar ir para 6%. Enfim, cada previsão dessas depende do que pensamos sobre a reação do governo. O cara que acha que cresce 6% acha que o governo vai deixar o pau comer solto e não vai fazer nada. Não acho que o governo vai deixar o pau comer solto. Ele vai ser mais comedido, se precisar subir o juro vai subir o que tiver de subir. Se der para dar uma acertada, dentro do limite do possível, na política fiscal, vai dar. E aí vai ficar com o crescimento mais na faixa do 4,5% a 5%. Estou assumindo que o governo tenha responsabilidade. E que não está olhando só para a eleição.<br />
<strong><br />
O que o sr. pensa da possível saída do Henrique Meirelles do BC?</strong></p>
<p>O Meirelles vai decidir a vida dele, e tem todo o direito de fazer o que ele quiser &#8211; isso não vem ao caso. O que vem ao caso é que, se o Brasil estiver crescendo 5%, e se tiver de subir taxa de juros, acho que o dano é muito pequeno. Raciocine um pouco com a cabeça de um homem pragmático que se chama Luiz Inácio Lula da Silva, que viveu a vida inteira como sindicalista, antes de ser presidente e político, e sabe que o custo da inflação é tirar a popularidade de qualquer governo. E que sabe também que, se você tiver desemprego aberto, a sua popularidade vai embora. Um crescimento de 4,5% ou de 5% não vai gerar desemprego. Mas, se gerar inflação, tem o custo. Se o governo elevar os juros caso tenha de fazê-lo, a Fiesp pode gritar, alguns empresários podem ficar irritados, achando que estão destruindo o País, mas o Brasil estará melhor, com uma inflação contida e com o crescimento mais próximo do PIB potencial. Acho que, no plano do puro pragmatismo, o BC estaria tão livre para subir taxa de juros como jamais foi.<br />
<strong><br />
Preocupa a flexibilização da meta de superávit primário de 3,3% em 2010?</strong></p>
<p>Em primeiro lugar, a meta não é 3,3%. É 3,3% menos o Fundo Soberano, menos o PAC, menos isso, menos aquilo. A dinâmica da dívida pública não responde a essa definição do 3,3% menos o Fundo Soberano, etc. Porque o Fundo Soberano do qual se deduz o superávit é gasto que aumenta a dívida. O dinheiro que está se transferindo para o BNDES, para comprar empresas no exterior, está aumentando a dívida. O que se está deduzindo com o PAC &#8211; e não quero dizer que o PAC não seja uma coisa boa &#8211; está aumentando a dívida. Se a política fiscal é mais expansionista, se vão trabalhar com uma taxa real de juros mais alta, vai haver a necessidade de um superávit primário um pouco maior. Quer dizer, é preciso prestar atenção e se adaptar, e acho que possivelmente o governo está prestando atenção.</p>
<p><strong>Pode haver consequências negativas da redução do superávit?</strong></p>
<p>O temor de não sustentabilidade da dívida pública, que existia no começo do governo Lula, caiu a um mínimo. Isso ocorre em parte porque o Brasil está crescendo. Se o País crescer pouco, cresce 4,5%. Com isso, dá para ter até um superávit de 1,6% do PIB que estabiliza a relação dívida/PIB. Não há risco de o mercado achar que o Brasil vai entrar em &#8220;default&#8221;, fazendo um superávit primário menor. Esse risco desapareceu, o Brasil virou grau de investimento. Não é essa a discussão que interessa, mas sim se estamos fazendo o uso adequado das políticas monetária e fiscal para determinar o melhor balanço de crescimento do ponto de vista do impulso que você gera para o setor privado poder investir, ou do impulso que gera para o setor governamental crescer.</p>
<p><strong>Como o sr. vê as contas externas?</strong></p>
<p>O déficit na conta corrente este ano é muito pequeno, mas vai crescer bem no próximo. O BC, depois de hesitar muito, nesse último relatório de inflação já projeta um déficit na conta corrente para o ano que vem de 1,8% do PIB. Não é enorme, é financiável, porque você pode ter e deve ter fluxos de capital para financiar um déficit desse tamanho. Em primeiro lugar, o Brasil vai crescer mais do que o resto do mundo. Se ficar no intervalo mais baixo das projeções, temos de 4,5% a 5% em 2010 &#8211; é mais que os Estados Unidos, é mais que a Europa, é mais do que qualquer país latino-americano. O Brasil mudou muito a sua corrente de comércio, estamos muito mais integrados na Ásia, e a Ásia está crescendo muito mais depressa do que os Estados Unidos e as Américas. Quando se tem isso e um mercado interno deste tamanho, com sistema bancário sólido, com condições macroeconômicas estáveis, você atrai investimento estrangeiro direto, atrai portfólio de bolsa, tem fluxos de capitais que financiam facilmente o déficit em conta corrente de 1,8%. Agora, para que esse dinheiro entre, o mercado tem de perceber que esse é um crescimento sustentável, que não há nada artificial aqui dentro.</p>
<p><strong>O que o sr. quer dizer com isso?</strong></p>
<p>Suponha que nós podemos crescer 4,5% a 5%, mas o governo resolve crescer 6% para tentar ganhar uma eleição. Para crescer 6%, começa a exagerar no gasto público e &#8211; isto é puramente hipotético &#8211; põe o BC numa camisa de força, na qual ele é impedido de subir a taxa de juros, e deixa a inflação crescer temporariamente. Numa situação dessas, o mercado certamente perceberá que o crescimento é artificial. E o fluxo de capital não entra, e nesse caso deprecia o câmbio e tem inflação. Agora, para evitar correr o risco de deixar o crescimento ir para 6%, pode-se subir um pouco a taxa de juros, cortar um pouco o gasto público, trazer o crescimento de volta para 4,5% a 5%, evitando o custo inflacionário da depreciação cambial e financiando o déficit na conta corrente sem nenhum problema, com o câmbio de equilíbrio que tiver de ter. Nessas circunstâncias, que considero mais prováveis &#8211; porque acho que o governo vai ter juízo &#8211; penso que a tendência do câmbio é a de ficar estável, ou com uma pequena valorização. Mais para estável do que para pequena valorização.</p>
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		<title>Venda de carros bate recorde histórico em setembro</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Oct 2009 18:37:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
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		<description><![CDATA[No último mês de isenção do IPI foram comercializadas 296,6 mil unidades.
Marca anterior era de junho, com 289,7 mil automóveis e comerciais leves.


IPI voltará a ser cobrado de forma gradativa (Foto:                 TV Globo/Reprodução)
   Do G1, em São [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>No último mês de isenção do IPI foram comercializadas 296,6 mil unidades.<br />
Marca anterior era de junho, com 289,7 mil automóveis e comerciais leves.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: xx-small;"><em><br />
<img id="imagem-popin" src="http://g1.globo.com/Noticias/Carros/foto/0,,23502102-EX,00.jpg" alt="IPI voltará a ser cobrado de forma gradativa (Foto:                 TV Globo/Reprodução)" width="353" height="251" /><br />
IPI voltará a ser cobrado de forma gradativa (Foto:                 TV Globo/Reprodução)</em></span></p>
<h2><strong> </strong> <span style="background-color: #ffff99;"> Do G1, em São Paulo </span></h2>
<p>As vendas de automóveis e comerciais leves em setembro alcançaram         um recorde histórico na indústria automobilística. Foi o último         mês do benefício da isenção do IPI para carros novos,         impulsionando a venda de carros para 296.651 unidades de         automóveis e comerciais leves, superando a marca anterior de         junho, quando foram vendidos 289.792 unidades.</p>
<p>O desempenho das vendas de automóveis e comerciais leves no         varejo foi  21,85% maior do que agosto (204,8 mil) e 19,8%         superior em relação a setembro de 2008 (208,3 mil unidades). Os         números foram divulgados nesta quinta-feira (1º) pela Federação         Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).</p>
<div>
<hr /></div>
<p>No acumulado do ano, as vendas deste segmento aumentaram 5,49% em         comparação ao período de janeiro a setembro de 2008, saltando de         2.096.396 unidades para 2.211.421 unidades.</p>
<p>Incluindo os emplacamentos de caminhões e ônibus, o total em         setembro sobe para 308.713 unidades, número também inédito para         o setor. Até então, o recorde mensal havia sido registrado em         junho deste ano, com 300.174 unidades, conforme dados da Fenabrave.</p>
<p>Já o mercado geral de veículos, que engloba automóveis,         comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, implementos         rodoviários e outros produtos tracionáveis, teve alta de 13,59%         em relação a agosto e caiu 1,27% comparando a setembro de 2008.         Foram vendidos 456.477 veículos em setembro e 3.553.272 no ano.</p>
<div>
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</div>
<p><strong>Fim do IPI</strong></p>
<p>“Apesar da crise, o desempenho das vendas de automóveis e         comerciais leves foi positivo, uma conseqüência não apenas da         redução da alíquota do IPI, mas também devido à oferta de         crédito”, afirmou Sérgio Reze, presidente da Fenabrave.</p>
<p>“Com a volta do imposto, as vendas de veículos devem retrair um         pouco devido, inclusive, à antecipação das compras. Mas, não         causará grande impacto. O fim do benefício chega num momento em         que a economia está praticamente restabelecida, há oferta de         crédito e consumidores confiantes”, comentou o presidente da entidade.</p>
<p>A Fenabrave continua mantendo suas projeções de crescimento para         até um dígito este ano, mas o percentual pode sofrer variações         dependendo da resposta dos consumidores à volta gradativa das         alíquotas de IPI. “Estimamos um crescimento em torno de 3%, mas         se obtivermos os mesmo resultados do ano passado, já será um         dado positivo para o setor”, conclui Reze.</p>
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