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	<title>Blog do Favre &#187; contos</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Pouso</title>
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		<comments>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/11/pouso/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 21 Nov 2009 19:21:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[escrita]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[minicontos]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[poesias]]></category>
		<category><![CDATA[tomooka]]></category>
		<category><![CDATA[Valquíria Rabelo]]></category>

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		<description><![CDATA[
 
 


*

adoro          sentir calor
no          inverno
fome na ceia
água na toalha
gelo no café
adoro sentir
que          tudo é possível
na medida
do          improvável.






onde
quero uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote dir="ltr">
<blockquote dir="ltr"><p><strong><em> </em></strong></p>
<p><strong><em> </em></strong></p></blockquote>
</blockquote>
<p align="justify"><span style="color: #ffffff;"><img src="http://www.germinaliteratura.com.br/imagens2009/tomooka.jpg" border="0" alt="" hspace="0" width="556" height="606" align="baseline" /></span></p>
<p align="justify">*</p>
<p align="justify">
<p align="justify">adoro          sentir calor</p>
<p align="justify">no          inverno</p>
<p align="justify">fome na ceia</p>
<p align="justify">água na toalha</p>
<p align="justify">gelo no café</p>
<p align="justify">adoro sentir</p>
<p align="justify">que          tudo é possível</p>
<p align="justify">na medida</p>
<p align="justify">do          improvável.</p>
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify"><strong>onde</strong></p>
<p>quero uma casa em Belo Horizonte,</p>
<p align="justify">c/ vista para Sabará,</p>
<p align="justify">1          corredor que dê em São Paulo</p>
<p align="justify">e porta dos fundos</p>
<p align="justify">para          o mar.</p>
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify">
<p style="text-align: center;" align="justify"><span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"><span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"><span style="color: #000000; font-size: x-small;"><img class="aligncenter" src="http://www.germinaliteratura.com.br/imagens2009/val1.jpg" border="0" alt="" hspace="0" height="327" align="baseline" /></span></span></span></p>
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify"><strong>caldo          de mandioca</strong></p>
<p align="justify">beba, coma, morda</p>
<p align="justify">a          sopa no seu prato.</p>
<p align="justify">vou          abrir pra você</p>
<p align="justify">a          sardinha na lata.</p>
<p align="justify">&#8221;quero          caldo de bar&#8221;</p>
<p align="justify">eu disse</p>
<p align="justify">&#8221;quero você&#8221;.</p>
<p align="justify">me          beija que não amolo</p>
<p align="justify">nem          a faca, nem a palavra.</p>
<p align="justify">branco no branco,</p>
<p align="justify">língua          lambendo língua.</p>
<p align="justify">a          narina no seu rosto,</p>
<p align="justify">superfície          suave e áspera.</p>
<p align="justify">seus          pêlos calados&#8230;</p>
<p align="justify">um,          dois, 3, quatro,</p>
<p align="justify">cinco.<br />
sua pele faz sentido(s)</p>
<p align="justify">quando          me toca.</p>
<p align="justify">me cala a boba</p>
<p align="justify">e          fabrique uma casa amarela</p>
<p align="justify">debaixo          de nossas solas.</p>
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify"><strong>pro          seu baile à fantasia</strong></p>
<p align="justify">
<p align="justify">subo          escadas pra cuspir do alto</p>
<p align="justify">do          mais alto que puder</p>
<p align="justify">e          não sou homem,</p>
<p align="justify">e          não masco tabaco</p>
<p align="justify">escavo a descida escarrando alturas</p>
<p align="justify">até          doer</p>
<p align="justify">até          ser delícia</p>
<p align="justify">amarro meu pé em minhas meias</p>
<p align="justify">passo          boca no meu batom</p>
<p align="justify">pra          cair na sua piscina</p>
<p align="justify">de          terra seca e azul</p>
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify"><strong>Detrás          do traço</strong></p>
<p align="justify">Quando começam, estou perdida. Quando acabam, já se          perderam. Talvez seja o tempo ou as idéias. Ou a respeito dos dois, numa          dimensão qualquer. Talvez seja sobre nada e eu não saiba o que digo.          Corro o risco e assumo o fardo — ainda que fadado. O novo já          envelheceu. Eu também. E é incrível quanta coisa cabe em um parágrafo. E          como aspas podem ser tão mal fechadas. E como poesia pode virar prosa. E          quanta coisa se perde entre o ponto e o traço. Inclusive o tempo. Até a          graça. Voam aviões, traçam em vão. Que me diz dos riscos no céu? Digo          que as coisas e eu somos um. E os riscos também. Nunca e a todo tempo.          Agora já não sei onde foram parar. No fim? Ou no tempo. Quem sabe no          ponto — frágil, único e mal traçado.</p>
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<p align="justify">
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<p align="justify"><strong>Paulo          e o lago</strong></p>
<p align="justify">À esquerda de Hilda, havia a água. Seus pés já tinham          se libertado das sandálias e arriscavam mergulhos. O vento batia em seu          vestido largo e a empurrava pra frente e pra trás, como se ela fosse um          barco. Já à sua direita, havia gente, muita gente – rostos que tentava          guardar, mas que escapavam tão rápidos quanto vinham. Dentre eles,          apenas um era fixo: o de Paulo. Fixo até demais. Não sorria, não falava          e, principalmente, não tirava os olhos de <em>H.</em>. Tanto que, diante          dum pequeno tremor de queixo:</p>
<p align="justify">— Vamos sair daqui, essa água gelada&#8230;</p>
<p align="justify">— Quero          ficar mais — respondeu, sublinhando o ponto final:</p>
<p align="justify"><em>P.</em> compreendeu que não deveria insistir, que          não devia fazer nada além de olhar. Porém, se quando se equilibrava numa          perna só, segurava o corpo inteiro fixando a vista num ponto, sabia que          mirar <em>H.</em> era muito mais que um gesto à distância.</p>
<p align="justify">Sentindo a nuca arrepiada, <em>H.</em> se voltou para          <em>P.</em> e se espantou com o despudor com que era observada. Conferiu,          aliviada, que ao redor ninguém mais dava atenção à cena. Pouco depois,          se achou uma boba. Não fazia nada de errado e não devia se importar com          o que pensavam os rostos voláteis. Abaixando a cabeça, se viu refletida          e envergonhada naquela poça enorme. Afinal, o lago não passava disso,          como ela não passava de uma menina grande. Tinha a impressão de que, se          o vento viesse mais forte, todo o seu disfarce de moça voaria. Pelos          ares iria a postura, o vestido, as sandálias. Restaria, então, apenas          ela e aquilo de que mais gostava.</p>
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify"><strong>neste          lago, H.</strong></p>
<p align="justify">
<p align="justify">hoje          em dia não existe mais isso de lugar longe, H. e não sei porque sinto          sua falta. você deveria estar sempre perto de mim, sua mão sempre ao meu          alcance. mas é possível a distância, desde que se queira — e eu          quis, jurando que a vontade não era minha. logo eu, que há poucos dias          fui tão alegre e genuinamente feliz; logo eu, que aprendi que te olhar          (como eu te olho) não é um gesto sem efeito. verdade que nosso          afastamento é produto do meu desejo teimoso e da sua sonsice, des&#8217;seu          jeito de barco de sem leme, e nada mais. e essa é toda a verdade que          tenho debaixo das mangas, faltando apenas o que nenhum de nós pode          esquecer: quero estar sempre ao seu lado.</p>
<p align="justify">
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<p align="justify">
<p align="justify"><strong>A          aranha</strong></p>
<p align="justify">, de 78 patas, arranha 1900 vezes a minha jarra. Com          suas agulhas, risca também o disco de vinil. Sombras tristes dançam sob          o lustre de duas décadas. Tudo é esquecimento. Vestidos azuis          tornaram-se peça de luto; peles douradas, grafite; olhos de ciúme,          negros. O batom vermelho-vivo que borrava a boca de Roberta também não          escapou — não passa agora de tinta escura.</p>
<p align="justify">Só das teias eu me lembro, sem perder detalhe, pois          são as mesmas e sempre vão ser. Então perguntei à aranha: era isso que          pretendia me mostrar? que vocês resistem? Não tive resposta. Claro, era          uma aranha. Que podia fazer? Transformar-se em moça e me beijar pra          dizer que sim? Bebi o último gole e brindei de taça vazia. Quis esmagar          o bicho, mas correu às minhas mãos e me olhou com cara dócil: me diz o          que faço, por onde começo. Devia ser digitadora. Tem muitas mãos e é          capaz de ouvir indefinidamente sem entender. Estou brincando, sei que me          compreende, só é tímida. Já é hora de ir. Grato pela companhia.</p>
<p align="justify">Não há de quê — respondeu-me, para meu espanto;          mas a voz era de Roberta, que ouvia a conversa como se fosse com ela. De          sobressalto, pediu que esperasse um segundo — o que já estava          fazendo só de susto. Correu, pegou minha mão e disse: começa assim. E,          antes que me desse conta, Roberta me dizia, 1987 vezes, que          sim.</p>
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<p align="justify">
<p align="justify"><strong>Arranha-céu</strong></p>
<p>Quando estou brava, pinto minhas unhas de vermelho. Hoje não é o          caso: estou à francesa, indisposta para despedidas. Infelizmente, lá vem          a caçamba e tenho de dizer adeus à cidade miúda onde moro: mil ruas se          desdobram nos cômodos de meu apartamento e cada porta é uma esquina.          Toda manhã, no trânsito voraz da copa, minhas cadeiras colidem com a          mesa. Em protesto, os sapatos organizam-se em passeata. Desesperado, o          chuveiro chora sem cessar. Já a cama faz o que sempre fez: dorme com          qualquer um, a qualquer hora. E eu, pelo espelho de meu esmalte,          observo-os todos.</p>
<p align="justify">Quando escutei os pés do senhorio, no corredor do 20º          andar, a chave já estava com os dentes cravados em minha mão. Sem nada a          dizer, a entreguei. O homem também não mexeu os lábios. Em silêncio,          desci as muitas escadas, fui até a porta giratória e a empurrei.          Finalmente, dei de cara com a grande cidade, que há muito eu evitava          encontrar. Pelas unhas, vi carros e meretrizes se juntarem a mim.          Depois, homens de barba, velhos descalços, crianças de mochila, uma          pessoa e mais outra e mais outra e mais outra. E o mundo, a partir de          então imenso, não coube mais na ponta dos meus          dedos.</p>
<p align="justify">
<p align="justify">
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<p align="justify">
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<p align="justify"><strong>Meu          prato cheio</strong></p>
<p dir="ltr" align="justify">O que me atormenta é o não dito. Torturo o meu eu para          depois escrever em primeira pessoa. A fuga é o mergulho. A água é azul,          mas só enxergo o cinza. Não adianta praguejar contra as memórias em          preto e branco. Não vejo cores agora. Maldito Almodóvar. Maldita atenção          que presto, imprestável. Uma formiga cinza parece feliz com o suco cinza          derramado. Uma formiga aparece morta. Ainda cinza. Inveja abastada.          Persistência da daltonia psicológica, contudo. Com tudo pronto. Nem          todos os feitos. Fiz o dito, mas não disse o ditado. Mas que importa          tudo, todos, eu? Que importa a formiga, o cinza, o Almodóvar? Benditos          sejam. Mas que sejam ditos.</p>
<p align="right">(imagem ©tomooka)</p>
<p align="right">
<p align="right">
<p align="center">
<p align="right">
<p align="right">
<p align="justify"><a href="mailto:val.rabelo@gmail.com"><strong>Valquíria Rabelo</strong></a> (Belo Horizonte/MG). Editora do Jornal <a href="http://www.a-parada.blogspot.com/" target="_blank"><strong>A Parada</strong></a>, ao lado de Daniel Bilac. Tem poemas publicados no          jornal Dezfaces, na Revista Ato e no folheto Barkaça. Estuda Comunicação          na UFMG e Design Gráfico na UEMG. Edita o blogue <a href="http://formalguma.blogger.com.br/" target="_blank"><strong>Formalguma</strong></a>. Fonte <a href="http://www.germinaliteratura.com.br/">germina</a></p>
<p align="justify">
<div style="text-align: center;"><span style="color: #ffffff;"><img src="http://www.germinaliteratura.com.br/imagens2009/tomooka1.jpg" border="0" alt="" hspace="0" align="baseline" /></span></div>
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		<title>Sarah Forte</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Nov 2009 19:54:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[escrita]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Sarah Forte]]></category>

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		<description><![CDATA[


Possibilidade

Maria Luisa sai do banho de sais aromáticos às doze horas e trinta minutos. De roupão de seda bege, dirige-se à penteadeira de mogno. Abre o roupão. Está nua. Delicadamente, passa creme francês de tartarugas centenárias pelo corpo. Desliza as mãos pelos seios. Acaricia o ventre. Massageia os braços e o pescoço. Adora passar creme [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://www.germinaliteratura.com.br/imagens2009/giselle_salas_eye.jpg" border="0" alt="" hspace="0" width="556" height="417" align="baseline" /></div>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-large;"><strong>Possibilidade</strong></span></p>
<p style="text-align: center;">
<p>Maria Luisa sai do banho de sais aromáticos às doze horas e trinta minutos. De roupão de seda bege, dirige-se à penteadeira de mogno. Abre o roupão. Está nua. Delicadamente, passa creme francês de tartarugas centenárias pelo corpo. Desliza as mãos pelos seios. Acaricia o ventre. Massageia os braços e o pescoço. Adora passar creme no pescoço. Dá uma vontade de rir! Senta-se na cama e massageia as pernas com óleo de amêndoas. Tão perfumada! Sente-se uma rosa do jardim.</p>
<p>A lingerie: branca, simples. Rendada. De marca italiana. O vestido é de pequeninas flores vermelhas, com um suave laço de seda atrás. As sandálias são de couro entrançado, com uma fivela dourada. Está quase na hora do encontro! Ah, que felicidade, todos os dias, de segunda à sexta, das quatorze às dezoito horas, ele a visitava. Tão interessado!!! Era muito silencioso aquele rapaz, mas com o tempo&#8230; Ora, com tempo, tudo se resolve. Além do mais que todo mundo sabe: os calados são os mais perigosos! Os melhores! &#8220;Melhores para quê?&#8221;. Perguntava-se Maria Luisa. E enrubesceu com a resposta que pensou e despensou em segundos. Enrubescer&#8230; &#8220;Hoje em dia ninguém mais enrubesce&#8230;&#8221;. Olha-se ao espelho. São treze horas e trinta minutos. Está linda! Uma belezinha! Olhando-a assim, ninguém lhe diz a idade: oitenta e dois anos.</p>
<p>Som da campainha. Três toques. Maria Luisa demora-se. Não quer que o rapaz suponha que ela está atrás da porta, a esperá-lo. &#8220;Boa tarde, D. Ma&#8230;&#8221;. &#8220;Dona não, você já está vindo aqui tomar lições há um mês, já pode me chamar de você&#8221;. [....] O rapaz nada responde. Maria Luisa solta um risinho. Marcel. O nome do rapaz é Marcel. Viajará para Roma. Precisa melhorar o italiano. A sua avô, hospitalizada, dissera-lhe: &#8220;procure a Maria Luisa, a Lú Lú, minha amiga&#8221;. E ele fora em busca da Maria Luisa. Surpreendera-se: oitenta e dois anos! E facilmente passava por sessenta. A Lú Lú não era de se jogar fora. Cada pensamento imundo que o sujeito às vezes tem. Uma senhora&#8230; com idade para ser sua avó. Acontece que Maria Luisa não era sua avó. Era amiga da sua avó. Casara-se três vezes, romances infelizes, desordenados. Os homens sempre reclamavam que ela não compreendia os sentimentos. Chamavam-na de fria, insensível. Marcel gostava de Maria Luisa. Achava-a bela, mas, mas, ora mais! Pelo amor de Deus, era amiga da sua AVÓ&#8230; Maria Luisa era uma bela senhora. Um retrato antigo. Um retábulo. Marcel, sorrateiramente, pensava: se eu der um abraço, ela se quebra. Ou não.</p>
<p>As &#8220;lições&#8221; eram animadíssimas. Maria Luisa era muito bem informada. Marcel, em silêncio, escutava: &#8220;Se vorrei imparare, devi parlare, ragazzo!&#8221;. &#8220;Ma io già so parlare signorina, mi piace ascoltare&#8221;. Dizia, entre risos, o Marcel. Quando sorria, umas covinhas apareciam nas bochechas do Marcel. Maria Luisa adorava. E o perfume dele, então&#8230; Que marca seria aquela? Era francês. &#8220;Tuo proffumo, di dov&#8217;è?&#8221;. &#8220;Francese, signorina&#8221;. Signorina&#8230; hum, sentia-se ensolarada quando lhe chamavam de signorina.</p>
<p>Dezessete horas e quarenta e cinco minutos da sexta-feira. Última aula. A viagem de Marcel, agendada para a segunda-feira. Maria Luísa, contidamente emocionada, derramando-se por dentro, uma antiga energia atiçava-lhe as rugas, movimentava-lhe a alma. Marcel estava ansioso. Era sua última aula. Estava fluente. Escolhera uma camisa cor vinho, pois Maria Luisa dissera que essa cor lhe caía bem. &#8220;Com essa cor, meu filho, você fica mais forte, suas costas parecem mais largas&#8221;. Marcel fazia-se de distraído, balbuciava algum &#8220;você acha?&#8221;. Ela sorria repartida, meneava a cabeça, alongava o olhar, corava: &#8220;Acho&#8230; mais largo&#8230;&#8221;. E as lições prosseguiam. Maria Luisa encomendava delícias da culinária italiana e dava na boca de Marcel. Falava sobre filmes, artistas, música, perfumes, curiosidades. Gostaria de ter Maria Luisa sempre à disposição, na sua estante. Um dia, mandara rosas vermelhas, em outro, uma caixa de bombons. Gravara um CD com músicas antigas, somente para ter o que conversar com ela. Tudo em vão. Ela fingia não compreender? Ele sofria. Em casa, ficava longas horas calado, melancólico. Seus olhos em constante inverno.</p>
<p>Na sexta-feira, Marcel levantou-se bruscamente da poltrona, interrompendo a lição: &#8220;Pois é, D. Maria Luísa, já vou&#8221;.&#8221;Mas tão cedo?&#8221;. &#8220;É&#8230; tenho que organizar as malas&#8230;&#8221;. Marcel, desconcertado, silenciara. Maria Luisa dissera claramente que ele ficava bem com aquela camisa, mas agora não comentava nada. Parecia desprezá-lo. Sentia-se esquecido. Indignava-se mudamente. Quem ela achava que era? Ríspido, afirmou: &#8220;A senhora foi uma boa professora&#8221;. Aquele &#8220;senhora&#8221; deveria mortificá-la. Mas o rosto de Maria Luisa estava indiferente, imparcial. Marcel baixou o olhar. Velhinha mais inusitada aquela. Ela sorriu, agradeceu o elogio, que não era tão boa assim, que já fora bem melhor em outras épocas. Tudo em tom informacional. A velhinha cumpria um ofício&#8230; o de envelhecer. &#8220;Mas então a senhora não entende?&#8221;. Maria Luisa assustou-se com a pergunta, jogada em seu rosto, quase um tapa. &#8220;Entender o que, meu filho?&#8221;. Filho? Seu filho? Marcel baixou a cabeça, mordeu os lábios, extremamente envergonhado. Resolveu ir embora dali. Estava platônica e irremediavelmente apaixonado.</p>
<p>Depois que Marcel saiu, Maria Luisa olhou-se ao espelho, procurou o batom, para retocar o desenho dos lábios. Gostava de deixá-los carnudos, suculentos. Sorriu, deitou-se: &#8220;Mas o que foi que eu não entendi, meu Deus?&#8221;. Entender era tão custoso. Pensou fixamente em seus três falecidos maridos. Eles afirmavam que ela não entendia. Rosas vermelhas, bombons, músicas, elogios. Mas, súbito, a mão tremeu, a vista turvou-se, o coração, aos galopes, apertou-se contorcionista num muscular abraço. Maria Luisa entendera! E se arrependera de ter pensado tanto. Homens&#8230; Irritada, com o ar que respirava a pesar-lhe no peito, dormiu em estado de perdição. Porém, de tão cansada, esquecera de acordar, para sempre.</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><strong><span style="font-size: x-large;">Açúcar</span></strong></p>
<p style="text-align: center;">
<p>Chocolate. Barras de chocolate ao leite, com flocos de arroz. Brigadeiro. Leite condensado escorrendo. Bananas caramelizadas. Bombons. Trufas. Cerejas ao licor. Chocolate derretido. Churrasco. Carne gorda, mal passada, o sangue pingando. Mesmo que comer um boi todo. O grosso do sal. A coca-cola estupidamente gelada com rum. Cerveja. Vinho. Tantas comidas para tão curta vida. O mundo oprime de tanta vontade de comer. Escorre pela boca o sangue do porco. Tão imponente o porco dourado com a derradeira maçã a distingui-lo dos suínos comuns. A maçã era o que menos interessava. Tenro, o porco oferecia-se, pleno. Enigmático, sussurrava casualmente: &#8220;decifra-me ou te devoro&#8221;. Restava devorá-lo. Sem remorsos. Comê-lo como se fosse o último porco da terra. Depois, abandoná-lo. E comer arroz, feijão, grossas lingüiças vermelhas. A gema do ovo sobre o queijo derretido incitava loucuras. O macarrão encarnado e rico em cebolas atraia irresistivelmente. E os bolos. Os brigadeiros. Os infinitos salgadinhos sobre brancas bandejas. E o desmanchar-se das comidas por entre os dentes. A sutileza do peixe frito e suas espinhas. Lutaria com todas as forças para destrinchá-lo. Guerrearia com aquele robalo, até que um dos dois vencesse!</p>
<p>Em cada esquina, um pastel de frango, de queijo, de carne. Em cada rua, um pouco de caldo com pão de ontem. Na geladeira, muito doce, que é o que salva. Torta de leite condensado, coco ralado e chocolate. Durante o trabalho, bombons variados. Não importava a marca, deveria ser doce, extremamente doce. Então descobrira o incurável problema. Deveria usar expressa e eternamente aspartame.</p>
<p>Mas como é que pode&#8230; logo ele? Ele que vivia para os doces, e também para os salgados? Que passara dois quartos de século mais todos os dedos de uma mão a comer? A viver os alimentos intensamente, como que procurando o melhor sabor? Não&#8230; isso era um pesadelo. Ainda não achara o sabor dos sabores. A vida tem um cerne crocante, ele ainda não conquistara o que havia de mais delicioso.</p>
<p>E continuou a comer. Agora, escondido. Um marginal das comidas. As pessoas vigiavam-no. E os tempos áureos dos churrascos haviam acabado. Somente alimentos pálidos e sem gosto. Alimentos tristes. Chuchus antipáticos. Pepinos depressivos. Ele reclamava. Dizia que preferia a morte. Que sonhava com uma existência entre doces. As pessoas lembravam que no mundo há quem passe fome e que ele deveria dar graças a Deus. Deus? Que Deus é esse que nega ao seu filho o açúcar? Oh, como sofria aquele homem.</p>
<p>Então, numa chuvosa noite, ele saiu. Todos dormiam. Metodicamente, abriu a porta. Tomou as ruas. Livre, enfim livre. Num mercado 24 horas, comprou doces, o que de mais doce havia. Doces crocantes. Salgados de toda a espécie. Bebidas adocicadas. Sentou-se na calçada. E devorou tudo. Depois, saiu correndo no meio do temporal. Estava no ápice da felicidade. Tão feliz. E tonto. Terrivelmente tonto. Desmaiou no meio-fio.</p>
<p>Pastosamente, acordou. Sentia-se como argila despedaçada, massa de pão sem fermento. Cometera um grande crime. O terrível pecado. Comera. Mas não estava arrependido. Faria tudo outra vez. E que não o vigiassem mais. A vida não pode ser insossa. A vida é doce. É caramelizada. É crocante. Por favor, parassem de chateá-lo! Arranjassem logo uma bandejinha de brigadeiros ou ao menos um saco de pipocas. Não tinha tempo a perder. Não tinha doces a perder. As pessoas, sempre as pessoas, olhavam-no incrédulas. Aquele homem queria morrer. Oh, sim, ele morreria por uma causa justa, por um ideal honrado. Se morresse, morreria sem fome. Satisfeito.</p>
<p>Certo dia, para a surpresa de poucos, não mais acordara. Para o velório, a esposa encomendou dois centos de docinhos e salgados sortidos. Quentinhos, fumegantes, no ponto em que gritam: &#8220;devore-nos, porém, antes, mergulhe-nos no molho&#8221;.</p>
<p>Secretamente, todos sorriram, íntimos, irmãos, numa volúpia de sabores. O morto, reflexivo, concentrado, encontrara o cerne crocante da vida.</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-large;"><strong>O Homem</strong></span></p>
<p style="text-align: center;">
<p>Na fila do exame médico, ele esperava. Era moreno. Aquele sim que era homem para se ter numa guerra. Homem que de cara podia se dizer: &#8220;Esse sim! Esse eu quero!&#8221;. Moreno bronzeado, alto, costas largas, uns braços e pernas fortes. Abdômen definido por quatro séries de trezentos abdominais três vezes por semana. E aquele peitoral. Meu Deus, aquele peitoral de pêlos negros, bem divididos e a tatuagem de serpente. Aquele peitoral forte, maciço, orgulhoso. Aquele rapaz inteiro era maciço, duro, forte. Cavanhaque escuro, olhos castanhos, dentes brancos e lábios grossos. Lindo. Corpo de homem, rosto de homem. Mãos fortes e quentes. E beijava de um jeito impossível, uns beijos que arrancavam a alma de tão intensos. Seus beijos pareciam ondas quebrando na areia. Todas as mulheres ficavam tontas. E ele adorava aquela excitação, a loucura que provocava. Sorria. Nunca falhara. No momento certo, lá estava ele: inteiro, uma lança. Ah, as mulheres enlouqueciam! Ele é que não enlouquecia muito.</p>
<p>Verdade seja dita, gostava, sentia prazer, mas definitivamente&#8230; definitivamente, ele talvez desconfiasse que as mulheres não sabiam agradá-lo.  Mas isso era segredo que ele mesmo não aceitava.</p>
<p>Na fila, muitos rapazes, de cueca. Trajes sumários. Estilo box. O moreno surpreendia por sua altura. Um metro e noventa. Fora de cueca branca. Ele mesmo lavava as cuecas. Não tinha mãe, nem irmã, nem avó. Fora criado por homens: pai, avô, tio. Todos que nem ele: morenos, altos e fortes. Meio envergonhado, o moreno mordia o lábio inferior e olhava para os lados, com um jeito muito sério. Quando parava de morder os lábios, surgia uma marquinha branca, que durava uns três segundos. Era a pressão dos dentes no lábio. Ele cruzara os braços e, mudo, esperava sua vez. Olhou para sua cueca, suas pernas fortes e pensou: &#8220;Mas tu é bonito&#8221;. À sua frente, uma fila de gatos secos, uns pretos, outros brancos, alguns amarelos. As nádegas dos outros nem se comparavam com a dele. Aquilo sim que era bunda! A dos rapazes da fila eram murchas, pequenas, umas tinham até pêlos. &#8220;Que porcaria, o cara deixar pêlo na bunda!&#8221;. Outra coisa que ele achava nojenta: pêlo nas costas. Graças a Deus que ele nascera lisinho, lisinho. Somente os pêlos necessários. As mulheres adoravam. Sentiu uma pontada no ombro direito. Olhou. Havia uma marquinha roxa. &#8220;Porra, aquela cachorra me mordeu&#8230;&#8221;. A cachorra era uma menina que ele havia conhecido no bar. &#8220;Sei lá, parece que tem mulher doida&#8230;&#8221;. Pensava. A cachorra era desse tipo. Era uma coisa de morder a orelha, o lábio, morder o ombro, arranhar as costas e sussurrar: &#8220;Me come, me come&#8221;. Imundície, aquilo. O moreno gostava das mais tímidas. Então quem mordia, apertava e sussurrava era ele. Mas nada que fosse real. Ele fazia essas coisas mais para fazer mesmo&#8230; &#8220;Mulher é cheia de frescura, não gosta de nada&#8221;. Sinceramente&#8230; Ele, às vezes, achava as mulheres um saco. Bom mesmo era jogar bola com os caras da rua!</p>
<p>A fila andava muito devagar. Atrás dele tinha um loirinho: baixo, magro, uns cabelos finos, fininhos, desmaiados sobre a cabeça. E uns olhinhos azuis, de um azulzinho fraco. O moreno então lembrou da ex-namorada. A ex era uma santinha: toda delgada e loirinha e educadinha. Mas um dia, há uns dois meses, beliscou a bunda dele. O moreno se enraiveceu!!! &#8220;Na minha bunda ninguém pega!&#8221;. A ex fez cara de choro, tomou coragem e disse: &#8220;Eu acho que você é bicha&#8221;. Ele deu uma tapão na cara da ex. E foi embora. &#8220;Bicha, eu&#8230;&#8221;. Aquele ali não era bicha não! Aquele era homem. E homem MACHO!</p>
<p>A maioria dos rapazes conversava, mas nada de se olharem fixamente. Todos pareciam bem desconfiados uns dos outros. &#8220;Cara, eu quero que me dispensem&#8230; negócio de exército&#8230;&#8221;. &#8220;Mas é dinheiro, rapaz&#8230; dinheiro é bom&#8221;. Diziam. O moreno queria muito ser selecionado. Ele e o exército combinavam. Começaria cabo, mas com paciência conseguiria postos mais elevados. Era bom corredor, excelente nadador e, não se pode esquecer, lindo. Mas estava meio perturbado. Por ser o mais bonito da fila, o único, de fato, inteiramente homem, começou a pensar: &#8220;Esses cara tão me olhando. Tão me olhando mesmo&#8221;. Inicialmente, ficou tímido, mas depois&#8230; depois sentiu um prazer estranho em pensar que estava sendo observado. Olhado por outros rapazes. &#8220;Já pensou, se eu pegasse esse loirinho aqui de trás, eu matava ele numa noite&#8230;&#8221;. MEU DEUS! O que ele estava pensando??? Que tipo de pensamento era aquele? Ele, homem macho, atleta, bonitão, que enlouquecia as mulheres&#8230; Não, ele devia estar era com fome. Saíra muito cedo de casa. O sol estava quente. Estava mesmo com fome e sede. Queria ir embora correndo, sumir dali. Queria comer e beber até desmaiar. &#8220;Comer e beber outro macho!!!&#8221;. Sentiu-se nauseado, vulgar, obscuro. Um calor subia-lhe pelo corpo. Latejava. Endurecia. Procurou acalmar-se.</p>
<p>A paz não durou muito. Do nada, nem ele sabe porque motivo, virou-se impetuosamente para o loirinho que estava atrás. O rapaz assustou-se. O moreno olhou-o profundamente nos olhos, um olhar de devorador, e puxando-o para si deu-lhe um beijo na boca. A fila, em suspenso, olhava os dois. O beijo durou cinco minutos e trinta e dois segundos. O moreno saiu correndo. Alguns dizem que ele ria, outros afirmaram que ele chorava, mas todos confirmam: ele estava excitado, muito excitado. E saíra louco, a correr, e o seu volume denunciava o quanto ele era homem. Excessivamente homem. Um verdadeiro macho.</p>
<p><em>(imagem ©giselle salas)</em></p>
<p><strong><br />
</strong><span style="color: #000000;"><span style="font-size: x-large;"><a href="mailto:sarahfortebr@yahoo.com.br"><span style="color: #ce0000; font-size: xx-large;"><strong>Sarah Forte </strong></span></a></span></span><strong>(Fortaleza/CE). Estudante de Literatura Brasileira. Gosta de escrever contos. Uma iniciante. Fonte Germina</strong></p>
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		<title>NO  BALANÇO  DO  METRÔ</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Nov 2009 22:04:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Lílian Maial
Roberto acordou bem cedo, como de costume. Tomou seu banho, barbeou-se, tudo de sempre – a rotina de um homem comum, beirando os 40 anos, já com algumas “entradas”, alguma barriguinha, na verdade, já gostou bem mais de sua imagem no espelho. Mas até que ainda estava conservado, para um funcionário burocrata de uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="background-color: #ffff99;">Lílian Maial</span></h2>
<p>Roberto acordou bem cedo, como de costume. Tomou seu banho, barbeou-se, tudo de sempre – a rotina de um homem comum, beirando os 40 anos, já com algumas “entradas”, alguma barriguinha, na verdade, já gostou bem mais de sua imagem no espelho. Mas até que ainda estava conservado, para um funcionário burocrata de uma empresa de informática.  Bem casado, com uma mulher adorável, bonita, culta, um casal de filhos adolescentes, uma vida estável e invejada pela maioria dos amigos.<br />
Naquela manhã abafada, saiu de casa apenas com o suco de laranja – não quis comer – o calor o incomodava.<br />
Foi à pé até o metrô, meio desligado, pensando na vida e no alívio do vagão refrigerado. A plataforma já estava cheia e o trem logo chegou, lotado, ocupado por ternos, bolsas, celulares&#8230;  Não havia muita escolha, segurou no suporte de teto, num canto do vagão, espremido entre um jovem mascando chicletes (logo pela manhã?) e uma mulher de média altura, de costas pra ele, cabelos em seu rosto, cheirosa.<br />
O trem saiu da estação e o ar condicionado mal dava a perceber que estava ligado.<br />
Em seu terno impecável, Roberto era um belo homem, notado por algumas secretárias aqui e acolá.<br />
Na parada da estação seguinte, devido a uma freada brusca, Roberto segurou a mulher à sua frente, que desequilibrou-se e soltou a pasta de executiva que carregava sob o braço.   Ao abaixarem-se, entreolharam-se, e ele pôde observar o olhar alegremente surpreso, de aprovação, da mulher ao fitá-lo. Ela corou suavemente, agradeceu e voltou à posição inicial, para a partida do comboio.<br />
Ele ficou embevecido com a delicadeza dos olhos amendoados, que o fitaram de relance, bem maquiados, adornados por longos cílios e uma cabeleira negra, que lhe caía aos ombros. Mulher de uma morenice discreta e elegante, com olhos de feiticeira.<br />
Mais uma estação, o vagão não comportava mais ninguém, mas as pessoas continuavam a entrar. Aquele cheiro de flores que emanava dos cabelos morenos tornou-se mais intenso, e ele percebeu que a moça estava mais perto.  Sentiu-se subitamente excitado com a proximidade e passou a observar seus contornos.<br />
De súbito, a mulher deu um passo para trás e seu corpo roliço tocou o de Roberto e, silenciosamente, assim permaneceram no balanço do metrô.<br />
Na estação seguinte, ninguém desceu e, ao contrário, vários entraram, diminuindo ainda mais o espaço entre ele e a mulher.<br />
Ao partir o vagão, a mulher, inesperadamente, encosta-se completamente em Roberto, e acomoda a cabeça em seu peito, afastando os cabelos, deixando a nuca e o pescoço livres.  Sem pudores, ela começa a roçar seu traseiro arredondado em Roberto que, entre surpreso e maravilhado, sente crescer o volume nas calças. O balanço do trem aumenta o atrito, e ninguém consegue perceber nada, de tão imóveis que estão todos.<br />
Roberto atreve-se e beija aquele pescoço perfumado, sussurra naquela orelhinha delicada, perfurada por uma singela pérola. Introduz a língua naquele pequeno lóbulo e sente a respiração alterada da mulher, que aceita as carícias sem nada dizer.<br />
Naquele balanço, com o sexo resvalando no traseiro provocante da executiva, sente a mão pequena, porém firme, tocar-lhe as partes mais íntimas, apertando e soltando.<br />
Ele estava deliciado, sua estação ainda demoraria, e ela não fazia menção de saltar.<br />
Num ímpeto de valentia e desejo, com sua mão livre acaricia as coxas da morena e foi subindo o quanto pudesse. Ela consente, afastando ligeiramente as pernas, e ele alcança, protegido pelo anonimato da multidão, a umidade abundante daquela desconhecida. Sente seu calor, sente seu pulsar, sente seu cheiro inebriante. Aproxima-se mais e, apoiando-se nela, solta a outra mão, para acarinhar discretamente aqueles seios de pêras suculentas.<br />
E vão assim, nessa sofreguidão disfarçada e gostosa por toda a viagem.<br />
Aquele corpo quente, junto ao seu, aquela mãozinha buscando seu sexo, aqueles seios&#8230;  Ele podia ouvir seus suspiros calados, seus gemidos mudos, seu arfar contido, e isso o excitava ainda mais.<br />
Chegava sua estação, teria que saltar, queria poder falar com ela, trocar telefones, marcar no outro dia, mas não teve coragem. Ajeitou-se como pôde, ela também e, curiosamente, saltaram na mesma estação, mas pegaram direções opostas. Ele pensou em segui-la, mas tinha horário rigoroso no trabalho&#8230;    Assim, apenas ficou a observá-la afastar-se, saia justa, sapatos altos, bolsa, pastinha&#8230;<br />
E ela nem olhou pra trás&#8230;</p>
<p>Fonte <a href="http://www.lilianmaial.com/">Blog de Lílian Maial </a></p>
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		<title>Senhas</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 22:52:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
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		<category><![CDATA[escrita]]></category>
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Você escancara a janela, deixando entrar os primeiros raios solares no quarto modesto. Sob um teto de telhas antigas e ripas quase podres, uma mesa, três tamboretes, um cabideiro pendurado na parede. Água fresca numa moringa e dois copos de vidro que já foram potes de extrato de tomate. No chão, uma esteira fazendo as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;">
<div><span style="font-family: Verdana; color: #ffffff;"><img src="http://www.germinaliteratura.com.br/imagens2007/gg_as.gif" border="0" alt="" hspace="0" width="512" height="196" align="baseline" /></span></div>
</div>
<div style="text-align: center;"></div>
<div style="text-align: center;"><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"><img src="http://www.germinaliteratura.com.br/imagens2007/gg_tit.gif" border="0" alt="" hspace="0" width="377" height="55" align="baseline" /></span></div>
<p>Você escancara a janela, deixando entrar os primeiros raios solares no quarto modesto. Sob um teto de telhas antigas e ripas quase podres, uma mesa, três tamboretes, um cabideiro pendurado na parede. Água fresca numa moringa e dois copos de vidro que já foram potes de extrato de tomate. No chão, uma esteira fazendo as vezes de tapete, sobre o qual dormem dois pares de chinelos. No teto da casa, você vê os pernilongos que jazem presos nos fios quase invisíveis de uma teia. Entra um cheiro de verde e estrume, risos de passarinhos e cores de manga e tamarindo. Uma fímbria de sol lambe os pêlos finos de Isaura, ainda dormindo, nua, sobre o lençol quarado e engomado, cheio de amassos, contrastado pela colcha de retalhos.</p>
<p>Você sente falta do vício. Um cigarro cairia bem. Os dedos indicador e médio se aproximam, ato reflexo, falho, inconsciente. O canto dos lábios ainda guarda o hábito de manter um hiato. Mas você já abandonou os vícios. Todos eles. Um médico, ainda que de bichos, tem o dever de cuidar da própria saúde.</p>
<p>Ela saíra da capital em um ônibus, às dez horas da manhã. Chegara à sede do município às cinco da tarde. Depois, mais uma hora e meia em um jipe, cortando acessos de terra batida, até chegar ao vilarejo. Após vinte minutos caminhando, chegara exausta à casa, sem mandar aviso. No fogão de lenha, carne de porco assada, farofa, arroz e café: um banquete para quem está morrendo de fome. Depois, você faz amor com ela a noite inteira. O seu último contato fora apenas uma carta, em que você informava que iria viajar, passar algumas semanas fora, trabalhando. Você queria ficar sozinho. Mais que isso, você precisava ficar sozinho, para saber o quanto de você restara. Você se pergunta incessantemente o quanto vale a pena insistir na vida que tem levado. Ela entrou em sua vida com a sutileza de um rinoceronte e a leveza de um colibri.</p>
<p>É para sua esposa? Quer que embale para presente? Ela vai gostar. O senhor tem muito bom gosto. Sim, estou trabalhando aqui somente há três semanas. Estou gostando muito. Sabe como é, desde que me casei, parei de trabalhar. Sou, sou casada já há onze anos, estava precisando sair um pouco de casa. Não, não tenho filhos. Ah, ele é muito possessivo, você não sabe o quanto eu tive que brigar para voltar a trabalhar e estudar. Cansei daquela vidinha de dona-de-casa privilegiada. A empregada fazendo tudo. Geralmente eu saio às seis e meia. Acho que sim. Não, não tenho problemas em chegar mais tarde, o Magno está viajando. Combinado, então, às sete na praça de alimentação.</p>
<p>Você hoje se pergunta o porquê daquela abordagem. Claro que ela é linda. Mas isso não é tudo.  Talvez apenas a necessidade de conversar com alguém desconhecido, conhecer uma nova pessoa. Não, você sabe que havia algo além disso. Alguma coisa naquela mulher lhe fazia promessas de fortes sentimentos. Um olhar sensual, como o da professora Dalva, que tanto lhe dera aulas particulares de sexo, no colegial.</p>
<p>Olá! Cheguei na hora! Não, nem sempre eu sou assim tão pontual. A vida sedentária deixa a gente mal-acostumada. Sim, aceito um chope. O que você quiser. Como qualquer coisa. É verdade, sou casada há onze anos. Obrigada, são seus olhos. É que eu casei muito jovem. Não tenho vergonha de dizer minha idade, isso é uma tremenda besteira, o que importa é a nossa saúde física e mental: tenho vinte e nove anos. Acho que é porque sempre me cuidei. Nunca fui de fazer farras, ir para a balada, como dizem hoje. Magno foi meu primeiro namorado pra valer, meu primeiro homem. Sério. Perdi a virgindade com dezoito anos. Dei o cabaço pro Magno e nunca conheci outro homem. Não, não tenho vergonha de falar pornografia. Isso é falso pudor. Além disso, acho cabaço uma palavra sonora, bonita. Soa forte. E é tão simbólica! É sério. Pede mais um chope.</p>
<p>Você sabe, tudo é uma questão de referenciais. E evitar comparações é o caminho mais fácil para ser feliz. Isaura é, possivelmente, a quadragésima mulher que você penetrou: no corpo e na alma. E a melhor de todas. Você sempre acha que a melhor é a última. Não por elas, mas porque você, a cada vez, consegue aumentar a intensidade do seu prazer. Amor?</p>
<p>Hoje eu não sei se amava o Magno. Foi tudo muito rápido. Eu estava louca para ter minha primeira experiência sexual e ele louco para trepar com uma menina de dezoito anos. Ele gostou, eu também, e continuamos transando ao longo destes anos todos. Mas hoje eu não me casaria com um homem como ele. Não, não é que ele seja ruim de cama. Eu não sei o que é um homem bom ou ruim de cama: só tive ele. É que, a cada dia, tenho menos tesão. Claro que variamos! Em onze anos dá para fazer de tudo. Eu não tenho restrições. Já transamos em todos os lugares, em todas as posições, de todos os jeitos. A novidade acabou, está tudo muito igual. Você é casado há quanto tempo? Tem filhos? Um casal? Do primeiro ou do segundo casamento? Eu sempre quis ter um filho, mas o Magno&#8230; Pede outro chope.</p>
<p>Você não tem certeza sobre esse tal de Amor. Isaura se vira na cama, coloca preguiçosamente o travesseiro sobre a cabeça. Está exausta, depois de seis orgasmos. Vai acordar com uma fome felina e morder a sua orelha como se fosse um petisco. Você já conhece cada curva daquele corpo, a profundidade da sua vagina até sentir o DIU, o sabor do seu ânus. Tudo que ela gosta, o que lhe dá mais prazer.</p>
<p>Eu sabia que ia ser delicioso. Estou acostumada com uma um pouco menor. Você me fez sentir uma mulher outra vez. Você me toca com tanta delicadeza! Há tempos eu não tenho um gozo tão maravilhoso! Que bom que você gostou. Eu entendo. Ainda vamos nos ver de novo?</p>
<p>Durante duas semanas vocês se encontram todos os dias. E cada dia foi melhor que o anterior. E a cada vez você se perguntava porquê outra vez e se lembrava de Maura. Se ela descobrisse, como voltar a olhar em seus olhos? Seria o fim. Mas tudo não tem um fim? É possível amar duas pessoas, ao mesmo tempo, com a mesma intensidade?, você se pergunta, ou tudo não passa de sexo e amizade? Completamos nossas carências, afetivas e fisiológicas. Incompletude, esta é a palavra. Você sabe que a provocou, foi você quem a convidou a sentir novas experiências, novas emoções. Você queria comê-la. E continuar comendo-a. Você não lhe deu a menor chance de defesa, enredou-a completamente. O sol já se faz mais presente, o dia espreguiça-se, você vê um cavalo velho que passeia, pisando o capim que devora. Ela viajara algumas centenas de quilômetros para fazer amor com você e gritar amor da minha vida no terceiro gozo.</p>
<p>Magno, eu vou viajar. Viajar, viajar, ora, preciso descontrair um pouco. Pedi uns dias de folga. A Luísa é minha amiga, lógico que ela não iria se importar com minha falta. Não sei. Vou sair por aí, sem destino. Não pirei, não, Magno. Outro? Que outro? Ficou maluco, é? Só preciso ficar sozinha, pensar um pouco sobre minha vida, nossa relação. Não tô a fim de discutir nada agora, Magno, quando eu voltar a gente conversa. Não sei, o tempo que for necessário. Eu te ligo quando estiver voltando. Não, não vou levar a porcaria do celular, Magno. Que saco! Você pode me permitir um pouco de liberdade? Ah! obrigada, meu senhor! Sobre o que eu quero pensar? Ah! agora você quer saber até o que eu penso? Tá bom, não preciso pensar mais. Quero dar um tempo. Agora, pensa você sobre isso. Tchau!</p>
<p>Mas você sabe que a Maura lhe ama. Há algum tempo ela não verbaliza isso, mas você sabe. E isso você não consegue desprezar. Você se lembra que cada uma daquelas mulheres tinha algo em especial: uma cor de pele, um gosto na bunda, um cheiro nas axilas, um jeito diferente de revirar os olhos quando goza. Cada uma, ao seu modo, inesquecível. Maura era todas e nenhuma, não a melhor, mas ela mesma. Plena. Não precisava de você, nem de ninguém. Esperava sua volta, após dias e dias de ausência, e o saudava como se você tivesse saído há meia hora, para comprar remédio. E depois lhe fodia, ou melhor, continuava a foda de onde ela havia parado. Com Maura, a foda nunca acabava, deixando seu corpo eternamente insatisfeito. Você se diz que não a ama. Não as ama. Não ama ninguém</p>
<p>Surpresa! Posso entrar? Será que estou atrapalhando? Não agüentei saber que ia ficar mais tantas semanas sem lhe ver, sem sentir você dentro de mim. Eu preciso de você. Não, ele não sabe pra onde eu fui. Dei uma de louca, chutei o pau-da-barraca. Foi fácil chegar, você deu todas as dicas na carta, quase um mapa. Eu percebi que você queria que eu o seguisse, mas não se sentiu à  vontade pra pedir. A viagem foi longa, mas sei que vai valer a pena. E aí, posso ficar com você? Que bom. Agora, me dá um beijo que eu tô morrendo de saudade. Eu te amo! Não dá mais para viver com o Magno. Eu só quero você.</p>
<p>Isaura faz amor como uma louca, como se cada uma fosse a última trepada da sua vida. Isso a fazia diferente. Isso fazia com que você sempre atendesse aos seus desejos. Você a vê abrir os olhos. Sua primeira expressão é de desejo. Ela contempla o seu corpo nu, de alto a baixo. Espreguiça-se, rola no colchão, fazendo as molas chiarem. Exibe suas formas generosas. Ela percebe a alteração no seu corpo. Apóia-se nas mãos e nos joelhos e lhe chama, quase implorando, vem meu amor, me come de novo, bota aqui na minha bundinha, vai! Você se aproxima lentamente, provocando-a. Lambe suas costas, acaricia-lhe a buceta, puxa-lhe os cabelos.</p>
<p>Depois do café você sabe que vai precisar mandá-la embora. Para sempre. Você sabe que vai ser difícil, você sempre teve dificuldades em terminar relacionamentos. Além disso, Isaura não lhe exige nada, ela sabe dos seus compromissos, só quer fazer amor. E ela é tão doce e apaixonada! Por que não viver, simplesmente, enquanto for bom? Você quer se convencer que esta é a última, como um fumante que sempre pensa que aquele é o ultimo trago. Mas sabe que está mentindo.</p>
<p>— Eu sei que você pensa em terminar comigo, amor. Não precisa. A cada vez que nos despedimos, para mim, é como se fosse a última. Relaxe. Feche a janela e finja que eu nunca estive aqui.</p>
<p>[Conto premiado com o quarto lugar no VII Concurso de Contos da Petros, RJ, 2007)]</p>
<p align="center"><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"><img src="http://www.germinaliteratura.com.br/imagens2007/gg_sp.gif" border="0" alt="" hspace="0" width="35" height="32" align="baseline" /></span></p>
<p><span style="font-size: xx-small;"><span style="font-family: Verdana; font-size: xx-small;"> </span></span><span style="font-size: 10pt; color: black; font-family: Verdana;"> <span style="font-size: xx-small;"><span style="font-family: Verdana; font-size: xx-small;"> </span></span></p>
<div><span style="font-family: Verdana;"><span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: xx-small;"><span style="font-family: Verdana; font-size: xx-small;"><a href="mailto:goulartgomes@hotmail.com"><span style="color: #ce0000; font-size: xx-small;"><strong>Goulart Gomes</strong></span></a><span style="font-size: xx-small;"> (Salvador,          Bahia, 1º/5/1965) é graduado em Administração de Empresas, Especialista          em Literatura Brasileira (UCSAL) e pós-graduando em Comunicação          Integrada (ESPM-RJ). Criador da linguagem poética Poetrix e um dos          fundadores do Grupo Cultural PÓRTICO. Publicou os livrosde          poesia <strong>Anda luz</strong> (1987), <strong>Todo          desejo</strong> (1990), <strong>Sob a pele</strong> (1994),          <strong>Trix, poemetos tropi-kais</strong> (1999), <strong>LinguaJá, o          território inimigo</strong> (2000), <strong>Esfinge lunar e outros          enigmas</strong>; a peça teatral <strong>A greve geral</strong> (1997);          o cordel <strong>A divina comédia</strong> (1989); <strong>Todo tipo de          gente</strong>, contos (2003) e <strong>Matrix revelations — tudo o          que você queria saber sobre o filme</strong>, ensaio (2005). Obteve 63          prêmios em concursos de poesia, prosa e festivais de música,          destacando-se duas Menções pela Academia Carioca de Letras e União          Brasileira de Escritores (RJ, 2000 e 2001) e o Primeiro Lugar no Prêmio          Escribas de Poesia (SP, 2002). Integrou 27 antologias no Brasil, Cuba,          Espanha, USA, Itália e Coréia do Sul e, ainda, trabalhos divulgados no          México, Portugal e França. Sites: </span><a href="http://www.goulartgomes.com/" target="_blank"><span style="color: #ce0000; font-size: xx-small;"><strong>www.goulartgomes.com</strong></span></a><span style="color: #ce0000;"><span style="font-size: xx-small;"> <span style="color: #000000;">e</span><strong> </strong></span></span><a href="http://www.movimentopoetrix.com/"><span style="color: #ce0000; font-size: xx-small;"><strong>www.movimentopoetrix.com</strong></span></a><span style="font-size: xx-small;">.</span></span></span></span></span></div>
<p><span style="font-size: xx-small;"><span style="font-family: Verdana; font-size: xx-small;"> </span></span></p>
<div><span style="font-size: xx-small;"><span style="font-family: Verdana; font-size: xx-small;"> </span></span></div>
<p><span style="font-size: xx-small;"><span style="font-family: Verdana; font-size: xx-small;"> </span></span></p>
<div><span style="font-family: Verdana;"><span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: xx-small;"><span style="font-family: Verdana; font-size: xx-small;"><span style="font-size: xx-small;">Mais <strong>Goulart Gomes</strong> em          <strong>Germina</strong><br />
&gt; </span><a href="http://www.germinaliteratura.com.br/ggomes.htm"><span style="color: #ce0000; font-size: xx-small;"><strong>Conto</strong></span></a><br />
<span style="font-size: xx-small;">&gt; </span><a href="http://www.germinaliteratura.com.br/literaturagg_mai2006.htm"><span style="color: #ce0000; font-size: xx-small;"><strong>Poemúsica, a Palavra          Cantada</strong></span></a></span></span></span></span></div>
<p></span></p>
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		<title>“entre aspas”</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Nov 2009 20:29:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Arte Photographica


Man Ray, Rayography Film strip &#38; sphere, 1922
© Man Ray Trust

“O ajudante de farmácia pediu para falar com o senhor doutor, gostaria que o senhor doutor lhe dissesse se tinha, sobre a doença, uma opinião formada, Não creio que se lhe possa chamar, em sentido próprio, uma doença, começou por precisar o médico, e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3><a href="http://artephotographica.blogspot.com/2009/11/entre-aspas.html"><strong><big>Arte Photographica</big></strong></a></h3>
<p><strong><br />
</strong></p>
<div style="text-align: center;"><a href="http://3.bp.blogspot.com/_y9JCP1wazVo/Rc-nhTFkaTI/AAAAAAAABH0/QQzJB68LQcQ/s400/m197900950012.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 299px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_y9JCP1wazVo/Rc-nhTFkaTI/AAAAAAAABH0/QQzJB68LQcQ/s400/m197900950012.jpg" border="0" alt="" /></a><span style="font-size: 78%;">Man Ray, <span style="font-style: italic;">Rayography Film strip &amp; sphere</span>, 1922<br />
</span><span style="font-size: 78%;">© </span><span style="font-size: 78%;">Man Ray Trust<br />
</span></div>
<p><strong><span style="color: #ff6600; font-size: 180%;">“</span></strong><span style="font-style: italic;">O ajudante de farmácia pediu para falar com o senhor doutor, gostaria que o senhor doutor lhe dissesse se tinha, sobre a doença, uma opinião formada, Não creio que se lhe possa chamar, em sentido próprio, uma doença, começou por precisar o médico, e depois, simplificando muito, resumiu o que investigara nos livros antes de ter cegado. Algumas camas adiante, o motorista escutava com atenção, e quando o médico terminou o seu relato, disse de lá, Aposto que o que sucedeu foi terem-se entupido os canais que vão dos olhos até aos miolos, Forte besta, resmungou indignado o ajudante de farmácia, Quem sabe, o médico sorriu sem querer, na verdade os olhos não são mais do que umas lentes, umas objectivas, o cérebro é que realmente vê, tal como na película a imagem aparece</span> (&#8230;)<span style="font-size: 85%;"><strong><span style="color: #ff6600; font-size: 130%;">”</span></strong></span></p>
<p><span style="font-style: italic;">Ensaio sobre a cegueira</span>, <span style="font-weight: bold;">José Saramago</span></p>
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		<title>Antonio, de novo</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Nov 2009 19:52:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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		<description><![CDATA[Diz
Blog Caminhar


O relicário*
Ela deitou na tábua curtida onde o sol se esgueirava naquela manhã, ia deslizando no assoalho ainda frio.
Resta uma nesga de sol, quase uma linha que desenha um eixo,
corta ao meio seu corpo magro. Imagina que ele está sobre ela, inteiro.Tira a camisola. Fica nua.
Lembra da primeira vez que se deitaram.
Ela acabara de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: large;"><em><strong>Diz</strong></em></span></p>
<h3><a href="http://lauravive.blogspot.com/2009/11/antonio-de-novo.html"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_RCojEL9WAfQ/SteIyufzy4I/AAAAAAAAC8U/YotrfpVyJnE/s1600-R/elianne_foto_sylvie_rosto_normal.JPG" alt="http://3.bp.blogspot.com/_RCojEL9WAfQ/SteIyufzy4I/AAAAAAAAC8U/YotrfpVyJnE/s1600-R/elianne_foto_sylvie_rosto_normal.JPG" />Blog Caminhar</a></h3>
<div style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_RCojEL9WAfQ/R07uXi9h4MI/AAAAAAAABEI/AwFwfnqUMJM/s320/relicario+angela.2.JPG" alt="" /></p>
<div style="text-align: left;"><span style="font-weight: bold;">O relicário</span>*</p>
<p>Ela deitou na tábua curtida onde o sol se esgueirava naquela manhã, ia deslizando no assoalho ainda frio.<br />
Resta uma nesga de sol, quase uma linha que desenha um eixo,<br />
corta ao meio seu corpo magro. Imagina que ele está sobre ela, inteiro.Tira a camisola. Fica nua.<br />
Lembra da primeira vez que se deitaram.<br />
Ela acabara de virar mulher, ele quase menino. Caminhavam na trilha até o açude. Tropeçou. Ele veio ajudá-la. E ali mesmo fizeram amor. Meses depois não era possível esconder mais a barriga. Casaram.<br />
Antonio trouxe o relicário. A mãe, devota, escolheu o nome durante o difícil<br />
parto.<br />
Quando a jogava na cama, viril, cheio de desejo, antes cobria o Santo:<br />
&#8220;Não quero que ele veja nossa sem- vergonhice&#8221;.<br />
Cansado da fome, vai em busca de trabalho:&#8221;Homem que é homem, traz o<br />
sustento pra dentro de casa, Maria&#8221;.<br />
Parece que foi ontem que se despediu do marido encostada na porta, a barriga<br />
grande, o olhar perdido no horizonte.<br />
- &#8220;Pede pra nosso filho vingar, Maria&#8221;, é cantilena no ouvido dela. O filho<br />
não vingou, mas Antonio não sabe.<br />
Certo dia um homem bate na porta:<br />
-Você é Maria?<br />
-Sou.<br />
-Mulher de Antonio?<br />
-É&#8230;<br />
-Ele me falava de você. Pediu que viesse até aqui.<br />
Ela adivinha o que ele tem para dizer. Lágrimas brotam dos seus olhos.<br />
-Pediu para te dizer que arranjou o trabalho e que lá de cima vai cuidar de você e de seu filho.<br />
-Como foi?<br />
-Numa desavença, levou uma facada certeira, só teve tempo de dizer estas últimas palavras.<br />
Ela fica em silêncio, engole o choro e diz:<br />
-Se quiser, entre, lhe dou um copo d&#8217;água.<br />
-Obrigado. Meu nome também é Antonio, Antonio da Silva, ao seu dispor.</p>
<p>*Este conto está <span style="font-style: italic; font-weight: bold;"><a href="http://lauravive.blogspot.com/2007/11/no-serto-o-amor.html">neste</a></span> livro.</div>
</div>
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		<title>Maneiras de ser feliz</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 22:36:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Branca Maria de Paula]]></category>
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		<category><![CDATA[erotismo]]></category>
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		<description><![CDATA[
A DEUSA
Comeu-o com muito gosto, estalando a língua e gemendo de prazer. Mas não o fez de maneira selvagem. Ao contrário, foi bastante cortês.
Comeu-o aos poucos, com requinte e sabedoria. Dispôs igualmente de todas as partes, sem rejeitar nenhum ossinho, por miúdo que fosse. Aproveitou tudo tudo, inclusive os dedos dos pés.
Sugou primeiro os lábios [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;"><img src="http://www.germinaliteratura.com.br/imagens/branca_as.gif" border="0" alt="" hspace="0" width="555" height="200" align="baseline" /></div>
<p><strong>A DEUSA</strong></p>
<p>Comeu-o com muito gosto, estalando a língua e gemendo de prazer. Mas não o fez de maneira selvagem. Ao contrário, foi bastante cortês.</p>
<p>Comeu-o aos poucos, com requinte e sabedoria. Dispôs igualmente de todas as partes, sem rejeitar nenhum ossinho, por miúdo que fosse. Aproveitou tudo tudo, inclusive os dedos dos pés.</p>
<p>Sugou primeiro os lábios carnudos, suspirando delicado.</p>
<p>Quando mordiscava o lombo, gemeu alto. Ao chupar a coxa, quase perdeu a compostura.</p>
<p>Perdeu a compostura ao lamber as partes tenras. Sacrificou-o em grande estilo, arrancando-lhe as vísceras sem sombra de culpa ou tardio remorso. Mas o momento de gozo ela viveu ao devorar-lhe a cabeça.</p>
<p>Ele perdeu a pele, as carnes, ficou nu por fora e por dentro. Mas ela não teve dó. Arrebatara seu coração. Enfim.</p>
<p><strong>DUAS MANEIRAS DE SER FELIZ</strong></p>
<p>Esquizofrenizou-se às seis horas da tarde ao som da Ave-Maria, quando uns anjos lhe disseram que largasse tudo e fosse pro convento seduzir a pequena Flor-de-Liz, enquanto outros aconselharam que ela se dirigisse imediatamente ao shopping mais próximo e comprasse lingerie de cor vermelha — aquela com abertura coincidente com as aberturas de nascimento — e subisse lá pros altos da Avenida Afonso Pena que aí sim, ela estaria perto do céu.</p>
<p>Então Marilene deu dois passos pra frente, dois pra trás e ficou paralisada, ouvindo as vozes cada vez mais perto.</p>
<p>Belo Horizonte, 15/08/02</p>
<p><strong>O SALVADOR</strong></p>
<p>Então ele me tocou e eu fiquei curada.</p>
<p>O véu da cegueira se rasgou e eu vi: o tisnado da pele, o veludo dos olhos. A saturação do melado: rapadura batida e rebatida, em calor absoluto. Os lábios exatos — café claro e duas pitadas de chocolate.</p>
<p>Lembro antílopes e tigres e esquilos.</p>
<p>Meu sorriso rompe o gelo, já não dói.</p>
<p>Meus  membros vencem a crosta de gesso, já não sou uma estátua.</p>
<p>Abro as vidraças.</p>
<p>Ensaio passos de uma nova dança, ouvindo uma música que nem mesmo sei se existe.</p>
<p>Porque ele me assiste.</p>
<p>Fevereiro, 2003</p>
<div style="text-align: center;"><img src="http://www.germinaliteratura.com.br/imagens/pedro_paulo_domingues_muito_prazer.jpg" border="0" alt="" hspace="0" width="555" height="340" align="baseline" /></div>
<p><strong>GOLPE DE NAJA</strong></p>
<p>Eu nem perguntaria o nome dele.</p>
<p>Iria para um canto qualquer, um vão de escada e, na pressa, talvez fizesse em pedaços a camisa azul.</p>
<p>Minhas mãos aflitas procurariam o caminho e abririam o zíper enquanto eu esfregaria minhas tetas no corpo trêmulo e meteria a perna atrevida entre  as pernas do homem, revolucionando os quadris.</p>
<p>Era o que eu pensava naquele carnaval, sentada com os outros em torno da imensa távola redonda, enquanto o macho ao lado, um perfeito estranho, corria a mão pela minha coxa e me lambia a cara com sua língua  fogosa.</p>
<p>Não quis ver-lhe o rosto, não me virei, nada fiz. Apenas imaginava a cena e seus desdobramentos. O golpe de naja, o salto primitivo.</p>
<p>Então, num sobressalto, acordei.</p>
<p>Fevereiro ou março, 2003</p>
<p><strong>LABORES</strong></p>
<p>Ele, um touro de forte. Ela, mignonne, franzina, uma pluma. Criatura mínima, mas disposta, cheia de calores, um vulcão prestes a expelir salsa-ardente.</p>
<p>E assim foi: ele abre caminho na terra revolta e tenra.</p>
<p>Cavouca fundo, com precisão.</p>
<p>Cavouca calmo, mantendo o ritmo certo.</p>
<p>Vai quebrando resistências em meio aos ais, explora a mina, conquista reentrâncias.</p>
<p>Vai umedecendo o túnel estreito, enquanto o fogaréu pouco a pouco se alastra, do centro para outras glebas.</p>
<p>Eventualmente, ele desbloqueia a saída e respira a paisagem. Com volúpia, saboreia os arredores.</p>
<p>Até plantar a semente em jatos tensos, na justa hora.</p>
<p>O gozo germina e ela nunca mais esquece.</p>
<p>Belo Horizonte, 2003</p>
<p>[Do original  "Visões do Paraíso"]</p>
<p>(imagens ©pedro paulo domingues)</p>
<div style="text-align: center;"><img src="http://www.germinaliteratura.com.br/imagens/pedro_paulo_domingues_bolas.jpg" border="0" alt="" hspace="0" width="555" height="401" align="baseline" /></div>
<p><strong> Branca Maria de Paula</strong> (Aimorés-MG). Escritora, fotógrafa e roteirista. Premiada no 3º Concurso Nacional de Contos Eróticos da Revista Status, em 1978, teve o texto censurado na íntegra. Publicou seu primeiro livro — A Mulher Proibida — em 1980. Depois de várias obras direcionadas ao público infanto-juvenil, em 2005, lança Fundo Infinito — contos eróticos. Participa de diversas antologias. Entre elas, Intimidades (Dez contos eróticos de escritoras portuguesas e brasileiras). Vive em Belo Horizonte, Minas Gerais.</p>
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		<title>Vida Xpress 1.0: Pasó una noche</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Oct 2009 21:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
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		<category><![CDATA[Cristina civale]]></category>
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		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Pasó una noche]]></category>
		<category><![CDATA[Vida Xpress 1.0]]></category>

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		<description><![CDATA[
Cristina Civale
Como les prometí cuando terminé la serie de Cuentos alcohólicos -a mediados de noviembre ya en librerías y recibirán la invitación a la presentación-, en noviembre me proponía arrancar con la serie de relatos Vida Xpress, un conjunto de cuentos breves acerca de encuentros efímeros.
Aquí va la primera entrega:


 
  
Noche estrellada, Van [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2></h2>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Cristina Civale</span></h2>
<p>Como les prometí cuando terminé la serie de <em>Cuentos alcohólicos</em> -a mediados de noviembre ya en librerías y recibirán la invitación a la presentación-, en noviembre me proponía arrancar con la serie de relatos <em>Vida Xpress</em>, un conjunto de cuentos breves acerca de encuentros efímeros.</p>
<p>Aquí va la primera entrega:</p>
<p><strong><span style="font-size: xx-large;"><br />
</span></strong><br />
<strong><span style="font-size: xx-large;"> </span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong> </strong> <a href="http://weblogs.clarin.com/itinerarte/archives/vangogh.jpg"><img src="http://weblogs.clarin.com/itinerarte/archives/vangogh-thumb.jpg" alt="vangogh.jpg" width="400" height="318" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Noche estrellada, Van Gogh</em></p>
<p><strong><span style="font-size: xx-large;">Pasó una noche</span></strong></p>
<p>Espiar. Pretender ser como alguna de ellas. Meterse en los baños de los clubes, discos y bares y permanecer más de lo que el retoque del rimel o del gloss demanden. No uno, dos, tres segundos… Largos quince minutos y estirarlos a como dé lugar a media hora. El lapso perfecto. Y tomar nota con los ojos, envidiar y copiar. Quizá excitarse. Sentir el latido entre las piernas que produce la indescifrable belleza ajena. ¿Qué es? ¿El gesto ardiente de un lápiz recorriendo el contorno de los labios? ¿La mano grácil que con una esponja diminuta transmite purpurina en las mejillas? ¿La manos seguras que levantan los pechos y los acomodan como la raya de una cola en el medio de un escote? ¿La insinuación del pubis bajo una minifalda? ¿Los ojos estrellados que se miran con lascivia frente al espejo, deleitándose de sí? ¿La mirada de satisfacción de la armonía conseguida? ¿La cabeza que en un gesto lento y salvaje sacude la cabellera? ¿El cuello que chorrea esa gota casi invisible de sudor? Todo. Cada parte. Cada pequeño momento. La sensualidad ahora intangible de la belleza que espío y no rozo. No todavía. ¿Qué más?</p>
<p>¿El encuentro atrevido de dos cuerpos iguales que unen sus lenguas en un beso fugaz, travieso y apasionado? ¿La palma de la amiga o de la desconocida tocando en una caricia disimulada ese bretel que asoma en una parte inoportuna del hombro y esas miradas que se cruzan, cómplices, quién sabe para qué complicidad? ¿El aliento que no huelo y que destila gin, cigarrillos, tictacs de menta y lujuria en forma de burbuja? También.</p>
<p>Seguir espiando desde el cubículo privado, con la puerta ligeramente entornada o con los pies cargados sobre los bordes del inodoro. Achicando el cuerpo para que apenas asome, con la mayor discreción, la menor parte de la cabeza que permita al ojo entender la construcción de la belleza.</p>
<p>El interior-noche disco no tiene estaciones. No hay primavera ni otoño. Ni invierno ni verano. La estación es la temperatura de la noche misma, el calor exacerbado –frío, caliente, tibio- de los cuerpos que marchan a exhibirse con sus mejores atributos, naturales o impostados, para luego rozarse con otros cuerpos y otros atributos para cualquier fin. No importa cuál.</p>
<p>Ahora mismo estoy espiando. Todavía no llego al baño. Aguardo a mi presa en el salón principal del bar icónico de la noche under, en la esquina mítica y caliente de Godoy Cruz y Güemes. Al fin, ella llega, una ella elegida al azar. La sigo. Desciendo al subsuelo por la escalera estrecha. Me arrastra el perfume que emana de su cuello, allí mismo distingo un tatuaje que reproduce una flor imprecisa. No se qué me inquieta más, si el olor agrio o la flor que no reconozco. Pero me dejo llevar. Apenas bajo la escalera, a la izquierda, dos puertas sin distintivos conducen a los baños. Sigo el cuello, sigo el olor que atraviesa sin titubear la puerta que no dice nada. Me escabullo en el espacio. Es diminuto. Otros cuerpos se baten contra una mesada pequeña y dos lavabos. Las cabezas se mezclan buscando el espejo inmenso. Decido seguir a mi presa, no la miro más que a ella. El cabello largo y negro, de un negro-azul, se alza sobre la nuca en un peinado sin nombre, envuelto por un palito de comida japonesa. Bajo el cuello del tatuaje, más piel. Piel desnuda. Luego de acomodarse el pelo con la inutilidad de un gesto que es excusa para volver a mirarse –estoy segura que ya lo hizo en otros espejos de otros bares- y aprobarse, abre su bolso pequeño y espío ahora del cuello para abajo siguiendo la línea marcada de su espinazo brutalmente marcado por una delgadez que apremia. Hambre, el mío.</p>
<p>Me topo con su cola dura y redonda y bajo hacia las piernas largas y distingo un vello que se insinúa, ese desequilibro: un error, un defecto en la construcción. Ese pequeño desliz acelera mis latidos. Quiero agacharme y arrancarlo con mis dientes para que todo sea perfecto pero me contengo. El cuello se va con su pierna con vello. Y yo me quedo, turbada, perdida en el perfume que todavía huelo o creo o imagino. Quedan otras pero no puedo concentrarme. Me aturden sus susurros.</p>
<p>Estoy embrujada por la imagen de cabello negro-azul, tatuaje y pierna defectuosa. Me obligo y miro, escruto escondida en el cubículo, el único. Hay una cerradura rota. Aprovecho y pego el ojo. Tengo un plano medio de tres cuerpos que se miran. Llega el beso imaginado. Más breve de lo debido, más juguetón, mas amistoso. Un beso consuelo de bocas que buscan otros placeres que allí no encuentran. Ya no late nada en mí. No hay belleza en el gesto falso. Añoro con una exageración que reconozco la presa uno, la primera, la del azar y salgo del baño.</p>
<p>La encuentro en la barra rodeada de dos hombres que le hablan, rifándosela. Ella sonríe con su boca de labios delgados, excesivamente blancos, como de diseño, salidos de la imaginación de las sonrisas hiperbleeching de Hollywood.</p>
<p>Por fin apura su trago transparente –¿gin, vodka, agua?- se despega de los hombres y regresa, como en un rito inevitable, al baño desde cuya puerta me agazapo y espero.</p>
<p>Entra. Entro. Me reconoce y me sonríe con los labios apretados. Estamos solas. En un gesto mecánico trabo la puerta. Ella está entretenida, ahora, con el cinturón que le sostiene la falda breve. Me aproximo y rozo su entrepierna con mi pubis. Allí no hay nada especular. Hay otra cosa. Estaba segura, sólo tenía que comprobarlo, que mi cuerpo tocara el de ella y me lo confirmase. Ella no me dice nada. Me vuelve a mirar y me regala uno sonrisa de labios abiertos.<br />
Las más bella de las bellas de esa noche.</p>
<p><strong>Este relato salió publicado en la revista Ñ, el 24 de octubre de 2009</strong></p>
<p><strong> </strong> <strong> Publicado por Cristina Civale en Civilización &amp; Barbarie<br />
</strong></p>
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		<title>Veja quem são os vencedores do Prêmio Jabuti 2009</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Sep 2009 17:18:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
da Folha Online
A Câmara Brasileira do Livro divulgou hoje a lista com os três primeiros colocados de cada uma das 21 categorias do 51º Prêmio Jabuti. Os vencedores das categorias Livro do Ano Ficção e Livro do Ano Não-Ficção serão revelados durante a cerimônia de premiação, no dia 4 de novembro, na Sala São Paulo.
Tradução
1º [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-13987" title="livros2" src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/09/livros2.jpg" alt="livros2" width="320" height="289" /></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">da <strong>Folha Online</strong></span></h2>
<p>A Câmara Brasileira do Livro divulgou hoje a lista com os três primeiros colocados de cada uma das 21 categorias do 51º Prêmio Jabuti. Os vencedores das categorias Livro do Ano Ficção e Livro do Ano Não-Ficção serão revelados durante a cerimônia de premiação, no dia 4 de novembro, na Sala São Paulo.</p>
<p>Tradução</p>
<p>1º lugar -&#8221;A Morte de Empédocles / Friedrich Hölderlin&#8221;, Marise Moassaba Curioni (Iluminuras).<br />
2º lugar -&#8221;Satíricon&#8221;, Cláudio Aquati (Cosac Naify).<br />
3º lugar -&#8221;Os Irmãos Karamázov &#8211; 2 Volumes&#8221;, Paulo Bezerra (Editora 34).</p>
<p>Arquitetura e Urbanismo, Fotografia, Comunicação e Artes</p>
<p>1º lugar &#8211; &#8220;Coleção Princesa Isabel &#8211; Fotografia do Século XIX&#8221;, Bia e Pedro Corrêa Lago (Capivara Editora)<br />
2º lugar &#8211; &#8220;Árvores Notáveis &#8211; 200 Anos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro&#8221; (livro e guia de bolsa), Andréa Jakobsson Estúdio Editorial (Andréa Jakobsson Estúdio Editorial)<br />
3º lugar &#8211; &#8220;Tarsila do Amaral&#8221;, Lygia Eluf (Imprensa Oficial do Estado)</p>
<p>Teoria/Crítica Literária</p>
<p>1º lugar -&#8221;Monteiro Lobato: Livro a Livro&#8221;, Marisa Lajolo e João Luís Ceccantini (Editora Unesp / Imprensa Oficial)<br />
2º lugar -&#8221;Pensamento e &#8216;Lirismo Puro&#8217; na Poesia de Cecília Meireles&#8221;, Leila V. B. Gouvêa (Editora Universidade de São Paulo)<br />
3º lugar -&#8221;Literatura da Urgência Lima Barreto no Domínio da Loucura&#8221;, Luciana Hidalgo (Annablume Editora)</p>
<p>Projeto Gráfico</p>
<p>1º lugar -&#8221;Fazendas Mineiras&#8221;, Marcelo Drummond &amp; Marconi Drummond (Cemig)<br />
2º lugar -&#8221;A História do Brazil de Frei Vicente de Salvador&#8221;, Maria Lêda Oliveira (Versal Editores)<br />
3º lugar -&#8221;Isay Weinfeld&#8221;, Roberto Cipolla (Bei Editora)</p>
<p>Ilustração de Livro Infantil ou Juvenil</p>
<p>1º lugar -&#8221;O Matador&#8221;, Odilon Moraes (Editora Leitura) &#8211; BH<br />
2º lugar -&#8221;De Passagem&#8221;, Marcelo Cipis (Schwarcz)<br />
3º lugar &#8211; &#8220;Alfabeto de Histórias&#8221;, Gilles Eduar (Editora Ática)</p>
<p>Ciências Exatas, Tecnologia e Informática</p>
<p>1º lugar &#8211; &#8220;Introdução à Quimica da Atmosfera &#8211; Ciência, Vida e Sobrevivência&#8221;, Ervim Lenzi e Luzia Otilia Bortotti Favero (LTC &#8211; Livros Técnicos e Científicos Editora)<br />
2º lugar &#8211; &#8220;Fundamentos de Metrologia Científica e Industrial&#8221;, Armando Albertazzi G. Jr. e André R. de Souza (Editora Manole)</p>
<p>3º lugar &#8211; &#8220;Mapa do Jogo&#8221;, Lucia Santaella e Mirna Feitoza (Cengage Learning Edições)</p>
<p>Educação, Psicologia e Psicanálise</p>
<p>1º lugar -&#8221;A Voz e o Tempo&#8221;, Roberto Gambini (Ateliê Editorial)<br />
2º lugar -&#8221;Religiosidade e Psicoterapia&#8221;, Claudia Bruscagin, Adriana Sávio, Fátima Fontes e Denise Mendes Gomes (Editora Roca)<br />
3º lugar &#8211; &#8220;Educação à distância: o Estado da Arte&#8221;, Fredric Michael Litto (Pearson Education do Brasil)</p>
<p>Reportagem</p>
<p>1º lugar -&#8221;O Livro Amarelo do Terminal&#8221;, Vanessa Bárbara (Cosac Naify)<br />
2º lugar -&#8221;O Sequestro dos Uruguaios &#8211; uma Reportagem dos Tempos da Ditadura&#8221;, Luiz Cláudio Cunha (L&amp;P Editores)<br />
3º lugar -&#8221;1968 &#8211; o que Fizemos de Nós&#8221;, Zuenir Ventura (Editora Planeta do Brasil)</p>
<p>Didático e Paradidático</p>
<p>1º lugar &#8211; &#8220;História e Cultura Africana e Afro-Brasileira&#8221;, Nei Lopes (Barsa Planeta Internacional)<br />
2º lugar &#8211; &#8220;Meu primeiro álbum de piano solo&#8221;, Dulce Auriemo (D.A. Produções Artísticas)<br />
2º lugar &#8211; &#8220;Coleção cidade educadora &#8211; Diário de bordo do aluno 1 &#8211; Volume Amarelo&#8221;, Áureo Gomes Monteiro Júnior, Célia Cris Silva e Júlia Scandiuci Figueiredo (Aymará Edições e Tecnologia)<br />
3º lugar &#8211; &#8220;Literatura Infantil Brasileira: um Guia para Professores e Promotores de Leitura&#8221;, Vera Maria Tietzmann Silva (Cânone Editorial)</p>
<p>Economia, Administração e Negócios</p>
<p>1º lugar &#8211; &#8220;Valores Humanos &amp; Gestão. Novas Perspectivas&#8221;, Maria Luisa Mendes Teixeira (organizadora) (Editora Senac São Paulo)<br />
2º lugar -&#8221;Estratégia e Competitividade Empresarial &#8211; Inovação e Criação de Valor&#8221;, Luiz Carlos Di Serio e Marcos Augusto de Vasconcelos (Saraiva)<br />
3º lugar &#8211; &#8220;Meio Ambiente e Crescimento Econômico: Tensões Estruturais&#8221;, Gilberto Dupas (Editora Unesp)</p>
<p>Direito</p>
<p>1º lugar &#8211; &#8220;Introdução ao Pensamento Jurídico e à Teoria Geral do Direito Privado&#8221;, Rosa Maria de Andrade Nery (Editora Revista dos Tribunais)<br />
2º lugar -&#8221;Execução&#8221;, José Miguel Garcia Medina (Editora Revista dos Tribunais)<br />
3º lugar -&#8221;Código de Processo Civil &#8211; Comentado Artigo por Artigo&#8221;, Daniel Mitidiero e Luiz Guilherme Marinoni (Editora Revista dos Tribunais)<br />
3ºlugar &#8211; &#8220;Atual Panorama da Constituição Federal&#8221;, Carlos Marcelo Gouveia (Saraiva)</p>
<p>Biografia</p>
<p>1º lugar &#8211; &#8220;O Sol do Brasil&#8221;, Lilia Moritz Schwarcz (Schwarcz)<br />
2º lugar -&#8221;José Olympio, o Editor e sua Casa&#8221;, José Mario Pereira (GMT Editores)<br />
3º lugar -&#8221;O Santo Sujo: a Vida de Jayme Ovalle&#8221;, Humberto Werneck (Cosac Naify)</p>
<p>Capa</p>
<p>1º lugar &#8211; Moby Dick&#8221;, Luciana Facchini (Cosac Naify)<br />
2º lugar -&#8221;Jovem Stálin&#8221;, João Baptista da Costa Aguiar (Schwarcz)<br />
3º lugar -&#8221;Introdução à filosofia&#8221;, Rex Design (Editora WMF Martins Fontes)</p>
<p>Poesia</p>
<p>1º lugar -&#8221;Dois em um&#8221;, Alice Ruiz S. (Editora Iluminuras)<br />
2º lugar -&#8221;Antigos e soltos: poemas e prosas da pasta rosa&#8221;, Instituto Moreira Salles (Instituto Moreira Salles)<br />
3º lugar -&#8221;Cinemateca&#8221;, Eucanaã Ferraz (Schwarcz)<br />
3ºlugar &#8211; &#8220;Outros barulhos&#8221;, Reynaldo Bessa (edição do autor)</p>
<p>Ciências Humanas</p>
<p>1º lugar &#8211; &#8220;História do Brasil &#8211; Uma Interpretação&#8221;, Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota (Editora Senac São Paulo)<br />
2º lugar &#8211; &#8220;Veneno Remédio&#8221;, José Miguel Wisnik (Schwarcz)<br />
3º lugar &#8211; &#8220;A Aparição do Demônio na Fábrica&#8221;, José de Souza Martins (Editora 34)</p>
<p>Ciências Naturais e Ciências da Saúde</p>
<p>1º lugar &#8211; &#8220;Fundamentos de Dermatologia&#8221;, Marcia Ramos-e-Silva e Maria Cristina Ribeiro de Castro (Editora Atheneu)<br />
2º lugar -&#8221;Oftalmogeriatria&#8221;, Marcela Cypel e Rubens Belfort Jr. (Editora Roca)<br />
3º lugar &#8211; &#8220;Guia de Propágulos &amp; Plântulas da Amazônia&#8221;, José Luís Campana Camargo et al (Inpa)</p>
<p>Contos e Crônicas</p>
<p>1º lugar -&#8221;Canalha! &#8211; crônicas&#8221;, Fabricio Carpinejar (Editora Bertrand Brasil)<br />
2º lugar -&#8221;Ostra feliz não faz pérola&#8221;, Rubem Alves (Editora Planeta do Brasil)<br />
3º lugar -&#8221;Os comes e bebes nos velórios das gerais e outras histórias&#8221;, Déa Rodrigues da Cunha Rocha (Auana Editora)</p>
<p>Infantil</p>
<p>1º lugar &#8211; &#8220;A Invenção do Mundo Pelo Deus-Curumim&#8221;, Braulio Tavares (Editora 34)<br />
2º lugar -&#8221;No Risco do Caracol&#8221;, Maria Valéria Rezende e Marlette Menezes (Autêntica Editora)<br />
3º lugar &#8211; &#8220;Era Outra Vez um Gato Xadrez&#8221;, Leticia Wierzchowski (Editora Record)</p>
<p>Juvenil</p>
<p>1º lugar -&#8221;O fazedor de velhos&#8221;, Rodrigo Lacerda (Cosac Naify)<br />
2º lugar -&#8221;Cidade dos deitados&#8221;, Heloisa Prieto (Cosac Naify)<br />
3º lugar -&#8221;A distância das coisas&#8221;, Flávio Carneiro (Edições SM)</p>
<p>Romance</p>
<p>1º lugar -&#8221;Manual da Paixão Solitária&#8221;, Moacyr Scliar (Schwarcz)<br />
2º lugar -&#8221;Orfãos do Eldorado&#8221;, Milton Hatoum (Schwarcz)<br />
3º lugar -&#8221;Cordilheira&#8221;, Daniel Galera (Schwarcz)</p>
<p>Tradução de obra literária Francês-Português</p>
<p>1º lugar -&#8221;O Conde de Monte Cristo&#8221;, André Telles e Rodrigo Lacerda (Jorge Zahar Editor)<br />
2º lugar &#8211; &#8220;Topografia Ideal para uma Agressão Caracterizada&#8221;, Flávia Nascimento (Editora Estação Liberdade)<br />
3º lugar &#8211; &#8220;A Elegância do Ouriço&#8221;, Rosa Freire D&#8217;aguiar (Schwarcz)</p>
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		<title>ele e ela</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Sep 2009 21:14:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Claudia Calomeni]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[ele e ela]]></category>
		<category><![CDATA[escrita]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[ Ana Claudia Calomeni

se conhecem num bloco de pierrôs em que ela é a única colombina. Ela bebe cerveja. Ele,             caipirinha. Se vêem, sorriem, se beijam.
Quando nos conhecemos ele disse que gostou da minha ousadia. &#8220;Ousadia? Mas esse      [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="background-color: #ffff99"> <strong><font size="4">Ana Claudia Calomeni</font></strong></p>
<p align="left"><font size="4" face="Arial"><br />
se conhecem num bloco de pierrôs em que ela é a única colombina. Ela bebe cerveja. Ele,             caipirinha. Se vêem, sorriem, se beijam.</font></p>
<p><font size="4" face="Arial"><em>Quando nos conhecemos ele disse que gostou da minha ousadia. &#8220;Ousadia? Mas esse             cara nem me conhece&#8221;, pensei, mas aceitei a cantada. Na verdade, achei aquele elogio             o máximo! Ficamos juntos até o bloco se desfazer no Largo dos Guimarães.</em></font></p>
<p><font size="4" face="Arial">Ele não consegue parar de pensar nela. Gosta de imaginar qual é a forma do seu corpo             sem fantasia. Passa horas olhando vitrines, tentando adivinhar em que tipo de roupa ela se             encaixa melhor, o tamanho, o comprimento&#8230;<br />
<em><br />
Um dia o vi olhando uma vitrine de roupas femininas. Admirava os manequins como se visse             mulheres no lugar dos bonecos. Parei na sua frente, ele me olhou como quem não             acreditasse, sorriu leve, comentou algo sobre &#8220;&#8230;a ressaca daquele dia&#8221;, falou             mais algumas coisas que eu não consegui decifrar, muito menos tentei entender. Meu             pensamento estava preso na imagem dele refletida na vitrine. Escrevi num papel meu             telefone. &#8220;Não&#8230;&#8221;, ele disse, e eu recuei, &#8220;&#8230;esse não é o seu tipo de             roupa&#8221;, continuou, esticando o braço, e eu voltei à posição original, como se             nada tivesse sido dito. Ele dobrou o papel sem reparar que o meu nome não estava lá. Me             beijou no canto da boca.</em></font></p>
<p><font size="4" face="Arial">Ele telefona para ela, sentindo um aperto desconjuntado no peito. Não haviam dito             seus nomes, era como se se conhecessem há muito&#8230;</font></p>
<p><font size="4" face="Arial"><em>Acordei com a voz dele na secretária eletrônica cantando &#8220;colombina onde está             você, eu vou dançar o iê ie iê. Me liga&#8221;. Eu corri pra atender, mas não deu             tempo. Deixou um número. Nos encontramos no Largo. &#8220;Não consigo parar de pensar em             você. Quero continuar o que ainda não começamos&#8221;, ele disse me olhando fundo. Eu             sorri. Sempre gostei de paradoxos.</em></font></p>
<p><font size="4" face="Arial">&#8220;Te amo&#8221;, ela diz, mas ele não acredita, mesmo sabendo que ela não mente.             Ela faz declarações de amor com a mesma tranqüilidade que acende um cigarro depois do             café ou come um prato de filé com fritas. Aos cinqüenta anos um homem já tem opinião             formada sobre o que é o amor e ele sabe que uma pessoa capaz de dizer te amo de forma             tão natural apenas pensa sentir o que diz. &#8220;Você acha que me ama&#8221;, ele             responde. Ela rodopia o corpo leve, inescrupuloso, e sai, batendo a porta do apartamento.             Na esquina da rua se vira e acena para ele, que recua um passo da janela, se protegendo             atrás das cortinas. Ela espera alguns segundos, ele reaparece e acena de volta com um             gesto duro e frio como um espasmo.</font></p>
<p><font size="4" face="Arial">Ela levanta de leve os ombros, dá meia-volta e dobra a esquina.</font></p>
<p><font size="4" face="Arial">Ele se senta na poltrona perto da janela, acende um cigarro e olha a fumaça.</font></p>
<p><font size="4" face="Arial"><em>Ele achava que me conhecia. Dizia que eu pensava que o amava. Acreditava me conhecer             mais do que eu mesma. Sabe como é, coisa de homem que acha que já viveu tudo. Na época             ele preparava uma tese de mestrado sobre o amor. Algo sobre manifestações amorosas à             luz da sociedade pós-moderna. Acho que ele ia ter um bocado de trabalho. Na primeira vez             que transamos, ele jurou que me amaria pra sempre se eu continuasse fazendo sexo oral nele             daquele jeito. Ali eu percebi que ele ia ter que pesquisar muito pra desenvolver uma tese             convincente. Eu não acho que um homem que jura amor eterno a uma mulher só pelo jeito             que ela chupa ele entenda realmente do assunto. Talvez ele só entenda mesmo de sexo oral.             O que, cá pra nós, não deixa de ser uma vantagem.</em></font></p>
<p><font size="4" face="Arial">O cheiro dela. É um cheiro que ele não sabe explicar, um cheiro impossível, que ele             só sente quando não sente direito, só percebe quando não presta atenção, misturado             com cheiro de rosa, incenso, creme hidratante e chiclete de canela, que ela gruda nas             costas da mão quando toma suco de beterraba com laranja. &#8220;Pra saúde&#8221;, ela diz,             brindando o copo num outro imaginário, e bebe o conteúdo quase de um gole só, de olhos             fechados para não sentir o gosto. Abre um sorriso satisfeito, desfaz a careta refletida             no vidro do copo, leva a mão à boca e resgata o chiclete ainda úmido.</font></p>
<p><font size="4" face="Arial"><em>Um dia peguei na mesinha de cabeceira da cama dele uma matéria de jornal: &#8220;Machos             e fêmeas: o poder do cheiro nas relações amorosas&#8221;. Ali explicava que homens mais             velhos se interessam por mulheres mais novas por causa do cheiro delas. É que essas             mulheres, como as fêmeas de qualquer espécie, exalam um cheiro mais forte, e isso             compensa a perda progressiva do olfato dos homens mais velhos, o que também acontece aos             machos de qualquer espécie. Achei aquilo tudo muito primata pro meu gosto, mas entendi             porque ele ultimamente andava cheirando as minhas calcinhas.</em></font></p>
<p><font size="4" face="Arial">Os dois primeiros anos deles juntos são ótimos. Ele gosta da juventude dela, do seu             jeito apressado de encarar as coisas. Olha para ela e se lembra dele.</font></p>
<p><font size="4" face="Arial"><em>Sabe quando uma pessoa te olha tão através de você que alcança aquilo que está lá             atrás e nem você enxerga mais? Pois é, não foram poucas as vezes em que ele me olhou             assim. Uma vez eu virei pra trás e vi que não tinha ninguém. Achei divertido, mas foi             aí que comecei a entender sem ainda saber: eu já estava só.</em></font></p>
<p><font size="4" face="Arial">&#8220;Sinto uma certa pressa&#8221;, ela diz. &#8220;De quê?&#8221;, ele quer saber, mas             ela não sabe responder. Ele gosta de palavras, explicações, e algumas ela não sabe             dar.</font></p>
<p><font size="4" face="Arial"><em>Eu gostava da maturidade dele. Daquele jeito pouco apressado de olhar o mundo. Os             cabelos grisalhos, os olhos por trás dos óculos, a calma, principalmente a calma. Uma             calma típica dos que sabem e não têm medo disso, dos que sabem que nem sempre foi             assim. Era aquela calma dele que eu procurava, mas eu tinha pressa, muita pressa de             encontrá-la. E foi justamente aquela calma que um dia começou a ocupar espaços             desconhecidos em mim e me revelou uma solidão imensa, só minha: a solidão de mim. Tive             medo, muito medo, do silêncio. Era como se de repente não houvesse mais nada além das             paredes daquele apartamento.</em></font></p>
<p><font size="4" face="Arial">Ele a abraça. Eles transam. Ela vai embora, levando a imagem dele refletida na             vitrine.</font></p>
<p><font size="4" face="Arial"><em>Enchi a casa de espelhos, na esperança de que muitos de nós ocupassem espaços nos             quais não conseguíamos mais circular. Eu já não conhecia mais os caminhos, não era             capaz de me distinguir daqueles reflexos, não sabia mais que direção tomar. Minha vida             virou um labirinto povoado de fantasmas de nós dois. Quando os aços dos espelhos             passaram a ser minha única realidade, fui embora.</em></font></p>
<p><font size="4" face="Arial">Hoje é segunda-feira de carnaval. Pierrôs, colombinas, melindrosas, pandeiros e             cuícas se misturam no Largo dos Guimarães e eu aqui, relatando um fato a fria             distância, como se a história nunca tivesse sido minha. Faz tempo que ela foi embora e             ainda sinto uma saudade alucinada de nós. Um fantasma vira aquela mesma esquina ali             embaixo há meses e quanto mais me escondo atrás das cortinas, quanto mais cigarros             acendo tentando moldar com a fumaça uma outra imagem que não a dela, mais me aflijo             neste apartamento incompleto. O apartamento está em pedaços. Os espelhos aumentam um             vazio que parece não ter fim, perpetuam este espaço no qual me perco e eu aqui, sentado             nesta poltrona, desejando vê-la surgir de dentro deles e dizer que tudo não passou de um             inocente pavor.<br />
<em><br />
Outro dia, era uma segunda-feira de carnaval, cuícas, pierrôs, pandeiros, colombinas,             melindrosas, se misturavam no Largo dos Guimarães. Senti saudades. Às vezes tenho             vontade de voltar e explicar o pavor que senti.</em></font></p>
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<p><strong>Ana Claudia Calomeni </strong>(1964) é carioca formada em jornalismo pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Estreou na literatura no final do ano de 2000 com a publicação de um conto e dois mini contos no livro “TOTAL”, antologia de contos, crônicas e poesias organizada pelo poeta Cairo Trindade. No mesmo ano recebeu menção honrosa no 11º Concurso de Contos Paulo Leminski com &#8220;Por um fio de sangue&#8221;, publicado na antologia. Fonte <a href="http://www.releituras.com/ne_accalomeni_eleela.asp">Releituras</a></p>
<p align="justify"><font size="1" face="Verdana"><strong><br />
E-mail:</strong> <a href="mailto:anacalomeni@gmail.com" class="index5">anacalomeni@gmail.com</a></font></p>
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