26/08/2008 - 08:47h De olho na Copa-14, 7 museus recebem R$ 2 milhões

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Museu Nacional de Belas Artes - RJ

Ministérios do Turismo e da Cultura investem para melhorar estrutura e divulgação das instituições

Clarissa Thomé - O Estado de São Paulo

Sete museus de Estados que são candidatos a sediar os jogos da Copa do Mundo de 2014 vão receber, neste ano, R$ 2 milhões dos Ministérios do Turismo e da Cultura para sua reestruturação. A idéia é transformar esses museus em atrações para turistas estrangeiros que virão ao País e ampliar a visitação nacional.

O programa de qualificação de museus para o turismo - que tem como mote “Museu - Descubra um na sua próxima viagem” - prevê o treinamento de profissionais de turismo e dos funcionários das instituições, melhoria nos espaços de exposição, aquisição de equipamentos e mobília, divulgação dos museus, panfletos e identificação trilíngüe de obras (português, espanhol e inglês) além de desenvolvimento de roteiros turísticos em que esses museus estejam inseridos.

Serão beneficiados os museus de Arte Sacra da Universidade Federal da Bahia (UFBA), na Bahia, a Casa das Artes do Divino, em Goiás, o Museu da Inconfidência, em Minas Gerais, o Museu Emílio Goeldi, no Pará, o Museu do Homem do Nordeste, em Pernambuco, o Museu Nacional de Belas Artes, no Estado do Rio, e o Museu Oceanográfico, no Rio Grande do Sul.

DIVERSIFICAÇÃO

“No mundo todo há uma potencialização do museu como atrativo turístico. Infelizmente, isso ainda não acontece no Brasil como gostaríamos. Esse programa é uma primeira iniciativa no sentido de aproximar os museus brasileiro do turismo, melhorar o receptivo desses museus, diversificar os roteiros turísticos. Sol e praia não podem ser as únicas atrações”, disse o ministro do Turismo, Luiz Barretto. Um dos objetivos do programa é ampliar o número de visitas aos museus.

O ministro interino da Cultura, Juca Ferreira, que toma posse na quinta-feira, em substituição a Gilberto Gil, lembrou que as instituições já estão recebendo investimentos para o reforço da segurança, antes mesmo do programa de qualificação. “A segurança dos museus não depende deste programa. Já estamos fazendo investimentos, até mesmo atraindo a iniciativa privada, com incentivos da Lei Rouanet. Temos como meta dotar rapidamente nossos museus de estrutura de segurança que nos permita superar a vulnerabilidade que a gente tem hoje”, disse. Ele citou como exemplo o Museu Nacional de Belas Artes, um dos contemplados pela parceria entre os ministérios, e que já recebeu equipamentos de segurança.

OS MUSEUS

Museu de Arte Sacra:
Aberto em 1958, há no acervo esculturas de madeira e barro e coleção de marfim dos séculos 17 e 18, além de prataria, móveis e pinturas. Salvador (BA). Site: www.mas.ufba.br

Museu da Inconfidência:
Criado em 1938, tem documentos relativos à Inconfidência Mineira, como o volume original com a sentença de Tiradentes. Ouro Preto (MG). Site: www.museudainconfidencia.iphan.gov.br

Museu Emilio Goeldi: Fundado em 1866, tem importante acervo etnográfico e arqueológico, além de coleções de estudos de botânica, zoologia e geologia. Belém (PA). Site: www.museu-goeldi.br

Museu do Homem do Nordeste: Criado em 1979, surgiu a partir das idéias de Gilberto Freyre, que defendia um Museu de Etnografia sertaneja. Reúne acervos oriundos dos museus de Antropologia, de Arte Popular e do Açúcar. Recife (PE). Site: www.fundaj.gov.br

Museu Nacional de Belas Artes:
Criado em 1937, teve origem nas obras trazidas de Portugal por d. João VI, em 1808. São pinturas, gravuras, esculturas de Auguste Rodin, Pablo Picasso, Joan Miró e muitos outros. Rio de Janeiro (RJ). Site: www.mnba.gov.br

Museu Oceanográfico: Fundado em 1953, mantém exposição sobre o oceano, com maquetes e aquários. A coleção de moluscos tem 51 mil lotes. Rio Grande (RS). Site: www.museu.furg.br/museu_oceanografico.html

Casa das Artes do Divino: Não há informações sobre o museu no Sistema Brasileiro de Museus. Pirenópolis (GO)

15/08/2008 - 09:52h Trem-bala à vista

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*JILMAR TATTO - O GLOBO

O BNDES divulgará, nos próximos dias, os estudos técnicos sobre o traçado preliminar do primeiro Trem de Alta Velocidade (TAV) no Brasil. Incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sua conclusão poderá ocorrer até a Copa do Mundo de Futebol, em 2014.

Além dos benefícios econômicos que trará, o TAV resgatará do imaginário a antiga mariafumaça e, paradoxalmente, nos remete a uma perspectiva de futuro e desenvolvimento tecnológico.

Poderemos experimentar algo como uma sinfonia que pontuará o trajeto entre a cidade do Rio de Janeiro, do genial Villa-Lobos e seu “O trenzinho do caipira”, e a Campinas do grande Carlos Gomes, o Nhô Tonico, autor do “O guarani”, tendo a capital paulista como uma das suas principais paradas.

O “novo-velho” meio de transporte, nos seus vindouros 550 quilômetros, precisará de um investimento de 17 bilhões de reais, a viagem entre as capitais poderá ser feita em uma hora e dez minutos e terá a capacidade de transportar 17 milhões de passageiros ao ano. Mas tudo isso não bastará se não for garantida a qualidade do serviço ao usuário. Isso significa eficiência, rapidez, conforto e segurança.

Há um segundo ponto importantíssimo: devemos obter a transferência de tecnologia, considerando-se que a execução da obra será aberta, também, a empresas estrangeiras. E o interesse internacional tem sido marcante por parte de empreendedores de Japão, Alemanha, França, Itália, Coréia, entre outros, como foi demonstrado em recente audiência pública ocorrida na Câmara dos Deputados.

A concretização do TAV poderá, ainda, abrir caminho para a construção da ligação férrea entre Belo Horizonte, São Paulo e Curitiba, com 1.150 quilômetros de extensão, embora não haja definição sobre se será um equipamento de alta velocidade. Com este estímulo e a implementação de linhas para o transporte de carga, previstas no Plano Nacional de Viação (PNV), estaremos criando uma verdadeira e produtiva indústria brasileira do trilho.

Exemplos de eficiência nessa modalidade de transporte não faltam para nos inspirar. Na Europa, há 4.000 quilômetros de ferrovias de alta velocidade, com perspectiva de chegar a 9.000 até o ano 2020. No Japão, está o Shinkansen, inaugurado em 1964 por ocasião dos Jogos Olímpicos de Tóquio, que conta com 2.000 quilômetros de extensão, transporta 340,4 milhões de passageiros por ano e gera US$ 18,6 bilhões de receita.

Se o TAV ainda é estranho para nós, fica ainda mais evidente que temos de buscar a atualização de nossa malha quando nos deparamos com a realidade do modal ferroviário que opera com trens levitando sobre trilhos magnéticos — os maglevs. Em Xangai, na China, este equipamento opera comercialmente em um trecho que permite viagens acima de 400 quilômetros por hora.

Todas as alternativas que garantam nossa mobilidade e a circulação da riqueza que produzimos devem ser consideradas. Com a operação do TAV, que inova e, por isto, desafia, ganharão os usuários do transporte público de passageiros e o país.

*JILMAR TATTO é Deputado Federal (PT-SP)

01/08/2008 - 11:24h O blog e o debate

Fernando Donasci / Folhaimagem

Os diversos temas que foram abordados no debate ontem, na Band, tiveram tratamento aqui no blog.

Os leitores do blog podem assim confrontar os temas e argumentos dos candidatos com os dados fornecidos em vários post que relacionarei por tema aqui.

Coleta seletiva: Cidade limpa ; Um bom debate para no jogar o lixo embaixo do tapete; Os graves problemas do lixo no Brasil

Ponte Estaiada: Ponte da Marta: recordar é viver

Iluminação:Mais luz no apagão demo-tucano;   Seminário PT: Contribuição de Marta Suplicy ao debate sobre segurança ;   TV Globo põe luz sobre o apagão demo-tucano em São Paulo

Educação: Após 13 anos de governo tucano: De 0 a 10, ensino médio de SP tira 1,4; Cadê o gerentão? ; Educação SP: Serra denuncia herança maldita de Alckmin ;
Lucro do petróleo pode espalhar Ceus e Cieps por todo o país
; Com os demo-tucanos na prefeitura o CEU fica lá acima, mesmo! ; As variações da mentira

Transporte: Contribuição de Marta Suplicy para o seminário do PT sobre transporte e mobilidade urbana (integral) ; Tragédia do metrô deixou 7 mortos: Secretário de Serra disse que Metrô de Alckmin optou por fiscalizar menos ; Até que em fim. Grupo Folha põe Alstom e PSDB no seu lugar ;Cara de paisagem ; Governo prevê R$ 38,5 bilhões em investimento no transporte para Copa ; 14 anos de governo tucano com falta de planejamento e pouco investimento: Metrô de SP é mais lotado que o de Tóquio ; Quem o pariu, que o embale

Saúde: Contribuição de Marta Suplicy sobre saúde no seminário do PT ; Datafolha: 53% consideram os demo-tucanos “ruim e péssimo” na Saúde. Saiba porque? ; Desnutrição infantil cai 46% no pais e 74% no Nordeste ; JORNAL DA TARDE: Crise na saúde municipal de São Paulo

Finanças: Já que falam em impostos… ; Supremo Tribunal Federal desmente ataque de Kassab ; Estou anonadado ! ; Cai mais uma mentira contra Marta

28/07/2008 - 15:50h Diário de São Paulo entrevista Marta

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João Carlos Moreira, Diário de S.Paulo

SÃO PAULO - Líder nas pesquisas de intenção de votos no primeiro turno das eleições para a Prefeitura de São Paulo, a ex-ministra Marta Suplicy (PT) conta que entrou na campanha pela Prefeitura de São Paulo, após avaliar com cuidado o quadro sucessório e até admite a pressão do partido, mas garante que o principal motivo foi a certeza sobre o que pode ser feito no cargo que já ocupou de 2001 a 2004.

- Sou paulistana, sei o que fiz pela cidade e sei que dá para fazer muito mais. Assumi a Prefeitura com orçamento de R$ 9 bilhões e fiz muito. Eles (PSDB-DEM) têm R$ 25 bilhões e fizeram pouco - diz ela, criticando a administração PSDB/DEM e o prefeito Gilberto Kassab (DEM), que concorre à reeleição para o cargo.

Em entrevista ao jornal “Diário de S.Paulo”, Marta reclama do que chama de falta de planejamento de tucanos e democratas e promete retomar projetos que, segundo ela, foram abandonados pela atual gestão, iniciada por José Serra (PSDB) e continuada por Kassab. A petista cita como exemplos os centros educacionais unificados (CEUs), o bilhete único e os corredores de ônibus. “Os CEUs têm pouca programação, pouco teatro. O bilhete único já não pode ser carregado na catraca, e a lentidão nos corredores é cada vez maior”. A seguir, os principais trechos da entrevista.
Saúde

“Nossa idéia é não desconstruir. Vamos manter as OSs (organizações sociais) que já estão na gestão de hospitais municipais, mas com controle. A crítica principal que é feita a esse sistema é a falta de transparência do modelo. Vamos dar total transparência à aplicação de verbas do município. Quando assumi a Prefeitura, pegamos a saúde sucateada, com o PAS (Plano de Atendimento à Saúde) já acabando, e tivemos que reconstruir tudo. A atual gestão fez muito pouco. As AMAs (assistências médicas ambulatoriais) têm que ser o local de acolhimento do paciente, mas tem que ter especialidades médicas, dar continuidade ao tratamento. Também precisamos construir hospitais, criar leitos”.
Creches

“Precisamos ter mais vagas, não tem jeito. Há sempre uma demanda muito grande pelo serviço. A Prefeitura tem que dar mais condições de trabalho às creches conveniadas e a administração precisa aumentar sua rede própria. Tem também uma idéia, que achei muito boa quando vi em outros países, de um serviço para atender aquela mãe que mantém o filho em casa. Às vezes essa mãe precisa que a criança fique um dia ou algumas horas sob cuidados de alguém, porque ela precisa resolver um assunto, ir ao médico. É uma espécie de serviço de baby-sitter, oferecido pelo poder público, que a pessoa agendaria. É algo que vamos estudar”.
Transportes

“Trânsito e transportes exigem ações de curto, médio e longo prazo. Precisamos integrar a CET e a SPTrans, que hoje trabalham sem integração alguma. É preciso recuperar a CET, contratar marronzinhos, dar condições de trabalho a eles. A médio prazo, temos que investir na construção de corredores de ônibus, que foram abandonados pela atual gestão. A lentidão nos corredores é cada vez maior. Você poderia construir baias, para permitir a ultrapassagem do ônibus, instalar catracas em algumas paradas para agilizar o embarque dos passageiros e facilitar a partida do ônibus, mas nada é feito hoje. Também temos que investir no Metrô. Quando estive no Ministério do Turismo, apresentamos o plano para construção de 65 quilômetros de linhas até 2014, ano da Copa do Mundo. Quando assumi a Prefeitura, não tínhamos recursos (para investir no Metrô), não era prioridade. Tínhamos que resolver o problema dos ônibus, que viviam uma situação de caos, e resolvemos. Quando finalmente conseguimos dinheiro da Operação Faria Lima, quisemos investir na Linha 4, numa estação no Largo da Batata (em Pinheiros, na Zona Oeste). Fui até o governador Alckmin e ele me disse: ‘Não temos projeto’. Como pode uma cidade do tamanho de São Paulo não ter projetos para o Metrô?”
Educação

“Vamos retomar o projeto original dos CEUs. Eles tiveram um impacto grande nas regiões em que foram criados, reduzindo a violência, dando esperança e opção de lazer e cultura à população mais pobre, mas hoje estão funcionando mal. Tenho visitado bairros em que os moradores me dizem que já não há peças de teatro como antes. Alguns CEUs também não têm mais atividades para os idosos. Vamos retomar o projeto, abrindo novas unidades e oferecendo também qualificação profissional. Claro que não é possível ter um CEU, por exemplo, no Bixiga, até porque não há espaço. Neste caso, podemos ter um sistema de vai-e-volta para levar os alunos a atividades de lazer e cultura”.
Rodízio

“O rodízio de carros tem que ser mantido, mas vou rever completamente o de caminhões. Essa restrição aos caminhões tem que ser planejada, não feita de qualquer maneira, sem estudar o impacto na vida da cidade. Quando estávamos no governo, chamamos todo o pessoal do setor de cargas para conversar, fizemos estudo para cada segmento, como o de perecíveis e outros. Deixamos tudo planejado, pronto para ser implementado. Mas nada foi feito, tudo foi abandonado quando saímos”.
Impostos

Escaldada com a derrota para José Serra em 2008, a candidata do PT, Marta Suplicy, está ciente da rejeição que sofre junto a parte do eleitorado de classe média da cidade, mas acredita na possibilidade de reverter a situação a seu favor. Ela entende que sua administração não soube explicar à população a mudança feita no cálculo do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), aplicando uma tabela progressiva de correção, e ainda foi afetada pela impopularidade de criação da taxa do lixo.

“O IPTU progressivo é justo. Não faz sentido o morador de um bairro pobre pagar como se morasse nos Jardins. Quando fizemos a alteração, concedemos isenção a um milhão de imóveis. Isso foi esquecido, enquanto a oposição criticava a taxa do lixo”, disse. Segundo ela, a criação da taxa foi um erro, algo que ela pretende deixar claro. “Tenho que pedir desculpas e mostrar o que vamos fazer”, disse.

Marta promete estudar a possibilidade de até mesmo reduzir algum dos tributos municipais, já que a Prefeitura teve um aumento na arrecadação e afastando de vez a rejeição devido à antiga taxa. Ela argumenta, no entanto, que houve exagero nas críticas. “Sofri também pelo machismo”, afirmou

02/07/2008 - 14:40h Os anos de chumbo

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Martín Kohan e Nathan Englander falam na Flip, que começa hoje, sobre a ditadura argentina

Ubiratan Brasil - O Estado de São Paulo


Os anos de chumbo sofridos pela sociedade argentina nos anos 1970 e 80 inspiraram dois autores de origem distinta, que estarão juntos na Festa Literária Internacional de Paraty, que começa hoje - de um lado, o argentino Martín Kohan, autor de Duas Vezes Junho (Amauta, tradução de Marcelo Barbão, 148 páginas, R$ 25) e Ciências Morais (Companhia das Letras, tradução de Eduardo Brandão, 192 páginas, R$ 38), obras que retratam a pesada atmosfera que imperava no país; e, de outro, o americano Nathan Englander, cujo Ministério de Casos Especiais (Rocco, tradução de Paulo Reis) conta a história de uma família de judeus nada ortodoxos às voltas com os desaparecimentos ocorridos na “Guerra Suja” na Argentina, em 1976.

Adolescente durante a ditadura, Kohan observa aquele momento sempre a partir de um ponto de vista aberto. Em Duas Vezes Junho, ele se prende à única derrota sofrida pela Argentina na Copa do Mundo de 1978 para mostrar que também o país perdia com a própria situação. E, em Ciências Morais, o trabalho de inspeção de alunos do Colégio Nacional é o ponto de partida para reproduzir os momentos em que o regime totalitário agonizava. Sobre isso, ele conversou com o Estado.

A ditadura militar argentina tem um peso fundamental em suas obras Duas Vezes Junho e Ciências Morais. Que importância a política tem na literatura e, mais especificamente, nos seus escritos?

Tenho minhas reservas a respeito de certa convenção do romance político que, em geral, tende ao realismo ou à explicitação de sentidos. Busco afastar-me dessas formas. No entanto, encontro em alguns aspectos da história política recente alguns elementos que me interessam questionar. Não faço para dar conta de uma realidade, tampouco para fixar um sentido como “mensagem”. Utilizo a política como um campo de significação do que me interessa questionar a partir de outro campo de significação, o da literatura.

Em Duas Vezes Junho, a Copa do Mundo de 1978 é lembrada a partir da única derrota da Argentina no torneio, contra a Itália. No momento em que são lembrados os 30 anos daquele Mundial, você acredita que a Copa foi o primeiro símbolo de aprovação popular da ditadura?

Não, não foi. A ditadura utilizou evidentemente o Mundial para se prestigiar, sobretudo diante dos olhos estrangeiros. Os festejos populares não implicaram necessariamente uma adesão política ao regime. Em todo caso, expressaram, segundo meu ponto de vista, a eficácia do fervor nacionalista, do triunfalismo pátrio, todas essas mitologias. Daí minha decisão de narrar, não uma vitória, mas uma derrota argentina.

A história de Ciências Morais se passa no Colégio Nacional, onde você estudou. Mas você aprofunda o mundo das autoridades e não dos estudantes. Por quê?

Nada poderia me interessar menos que uma obra autobiográfica, do tipo “memórias de estudante”. Minha motivação foi justamente contrária: imaginar a vida das autoridades, pessoas que pareciam não ter uma vida íntima. Conceber essas vidas, inventá-las, construí-las e narrá-las, justamente porque em minha passagem pelo colégio era o detalhe mais opaco e mais insondável - isso me interessou. Como já conhecia o mundo dos estudantes, não tive nenhum desejo de descrevê-lo.

Sua intenção foi criar, no colégio, um microcosmo do ambiente então vivido na época pela Argentina? Os preceptores e sua função de delatar erros dos alunos representam o poder que era tão enigmático e violento naquela época?

O Colégio Nacional sempre foi visto como uma versão concentrada do que havia de melhor na Argentina. Não digo que fosse assim, mas era o que se dizia a respeito. Ou seja, faz parte de uma mitologia da argentinidade, que me interessa interrogar pela literatura. Como funciona esse mito, como se fortalece e também como se enfraquece. Durante os anos de repressão, o colégio, o mais tradicional do país, funcionou igualmente a partir dessa relação de correspondência ou de metáfora.

A ditadura e a questão com as Malvinas aparecem, em geral, separadas nos livros de história. Você, ao contrário, preferiu mostrar a relação entre elas. A derrota de uma implicaria também a derrota da outra?

Parece evidente que o final da ditadura militar está diretamente ligado à derrota na guerra das Malvinas. Não vejo como se poderia separar um fato do outro. Por isso que a tal derrota nos deva parecer positiva e proveitosa: uma sorte ter perdido. O que implica uma verdadeira rachadura nos fundamentos do fervor do nacionalismo. Mas para ninguém esse conflito é tão terrível como para os ex-combatentes: eles arriscaram suas vidas em uma guerra que nem sequer convinha ganhar. Não era um conflito perdido, resultado que poderia ser suportável, mas uma guerra que era melhor perder e não ganhar.

Os detalhes com que mostra os mecanismos de controle disciplinar da escola são impressionantes. Por que eles lhe interessam tanto?

Minha escrita tende à lentidão, obrigando uma leitura com minuciosidade. Por isso, os detalhes me atraem: são objeto privilegiado da minha maneira de escrever, que tende mais à cadência e à pausa que à ligeireza. No caso particular desse romance, creio que tal característica sustenta um traço concreto: a obsessão maníaca de quem quer exercer o controle total, aquele que não deixa nada escapar.

Há, também, o falso moralismo do “cumprimento do dever” dos preceptores, em que os fins justificam os meios. Qual sua opinião sobre isso?

Eu me interesso mais pelos fatos comuns do que por aqueles aberrantes, cometidos não em nome do mal mas em nome do bem. Os valores aparentemente mais sólidos e rígidos, o moralismo proclamado a toda voz, estão sempre à frente de coisas abomináveis. Eu me questionei sobre isso e alguns de meus romances se devem a isso: como funciona a obediência, como se forma um obediente e como os dispositivos que ativam as piores causas necessitam dessa classe de mecanismos.

Os preceptores mostravam-se como sinistros mas eram, na verdade, pobres tipos. O mesmo poderia ser dito do general Jorge Videla?

Essa superposição me parece reveladora: ele é, ao mesmo tempo, um criminoso e um infeliz. Sem que o segundo isente o primeiro, nem o debilite em absoluto. Parece-me um aspecto da criminalidade política a considerar: o substrato do miserável. Não digo que funcione sempre, mas sim em alguns casos. Videla pareceria ser um. Às vezes, penso como seria uma tarde na vida de Videla, na prisão domiciliar de sua triste região. Buscar a maneira em que essa imagem completamente patética não amorne a do criminoso, mas o inverso: que o revele em sua verdade mais profunda.

A crise familiar durante o horror da ditadura

Em Ministério dos Casos Especiais, Nathan Englander mostra os efeitos de um momento de exceção

Ubiratan Brasil - O Estado de São Paulo


Foram dez anos de preparação, cuidados, reescrita. Nesse período, o escritor americano Nathan Englander montou um paralelo entre a Buenos Aires martirizada pela ditadura militar (1976-1983)e Jerusalém, cidade onde esse jovem nova-iorquino nascido em 1970 viveu durante alguns anos. O resultado é O Ministério de Casos Especiais, seu primeiro romance (o anterior, Para Alívio dos Impulsos Insuportáveis, reúne contos de admirável firmeza) que acompanha a trajetória de Kaddish Poznan, judeu de temperamento difícil, que ganha a vida apagando lápides de prostitutas e cafetões de um cemitério, a pedido das famílias. A ditadura militar o afeta diretamente com o ”desaparecimento” de seu filho Pato.

”Minha idéia foi criar uma história sobre uma família que é forçada a se unir por conta da dor comum”, conta Englander, que conversou com o Estado por telefone. ”Também me interessei em falar de uma comunidade na qual certos membros encaram os demais como párias.” Foi com o passar do tempo, aliás, que o escritor notou que O Ministério de Casos Especiais era, na verdade, uma metáfora sobre o período em que viveu em Jerusalém. ”Quando me mudei para lá, buscava a paz, mas logo conheci momentos de grande tensão. O mesmo se parece com os cidadãos de Buenos Aires - eles gostam de sua cidade, se dedicam a ela, mas decisões do governo nem sempre colaboram para seu bem-estar.”

Englander passou uma pequena temporada, em 1991, na capital argentina, período em que começou a fermentar tal semelhança. Época também em que descobriu alguns meandros do período de ditadura militar, que aparece no livro sob seu aspecto mais terrível - em uma passagem, por exemplo, Poznan conversa com o piloto de avião que confessa ter jogado jovens prisioneiros no Rio da Prata.

Tal detalhe explica o longo tempo de gestação do romance - Englander cuidou de cada frase, encadeando-as de forma a compor um relato seco mas eletrizante. ”Não posso negar que gosto de relatos sobre paranóia”, conta ele, lembrando-se do mistério envolvendo Pato que, de resto, ainda deixa obscura uma série de assassinatos cometidos a mando dos militares. ”Seria ele realmente um revolucionário ou apenas teria aprendido algumas idéias subversivas na escola? Eis uma questão sem uma resposta definitiva.”

Englander, no entanto, faz questão de frisar que não pretendeu escrever um livro político - tampouco uma história sobre a relação entre pai e filho. ”Trata-se de um relato que acontece durante uma fase obscura da Argentina e que, por acaso, trata de dificuldades familiares.”

A passagem pela Argentina, aliás, contribuiu para a veracidade da história narrada por Englander. Lá, ele conheceu o desespero sem-fim das Mães da Praça de Maio, que ainda clamam por notícias de seus filhos desaparecidos. ”Ainda fico chocado com a persistência dessas mulheres, que visitam repartições do governo, que fazem testes de DNA, em busca de seus entes. É quando se observa a que caos uma sociedade pode chegar.”

27/06/2008 - 13:46h Turismo com vento em popa no Rio de Janeiro

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Mais incentivo ao turismo
Convênios para estradas e centros de convenções

O ministro do Turismo, Luiz Barretto, e o governador Sérgio Cabral assinam hoje no Palácio da Guanabara dois convênios no valor total de R$ 25,3 milhões. Parte dos recursos será destinada à elaboração de estudos de viabilidade técnica da construção de centros de convenções em municípios fluminenses. A maior parcela (R$ 25 milhões) será para a construção de estradas na região de Visconde de Mauá e da estrada-parque Paraty-Cunha. Os recursos para estudos e obras têm origem no Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur).

Em abril o governo do estado apresentou carta-consulta no valor de US$ 187 milhões, sendo US$ 112 milhões para serem financiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o restante (US$ 75 milhões) como contrapartida do estado. O pedido de crédito do Rio foi aprovado pela Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex) no início deste mês.

Cinco mil quartos para receber
Indústria hoteleira deve investir R$ 1 bi no Rio e em Niterói nos próximos 5 anos

Isabela Bastos - O Globo

Investimentos privados da ordem de R$ 1 bilhão serão aplicados, nos próximos cinco anos, na construção e reestruturação de pelo menos 18 hotéis na cidade do Rio e em Niterói. Dos empreendimentos licenciados, em processo de análise ou já em andamento, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio (ABIHRJ), nove ficam na Barra da Tijuca, cinco em Copacabana, um no Recreio dos Bandeirantes, um no Centro da cidade e dois em Niterói. Os empreendimentos devem agregar pelo menos mais cinco mil novos quartos à rede hoteleira, que já conta hoje com 38 mil unidades no estado, sendo 28 mil na capital.
O detalhamento dos investimentos do setor deverá constar do dossiê de candidatura do Rio às Olimpíadas de 2016, que será entregue ao Comitê Olímpico Internacional (COI) até 12 de fevereiro de 2009.
Apesar de a enxurrada de novos hotéis ter no horizonte distante as olimpíadas e a Copa de 2014 no Brasil, é no curto prazo que reside a maior motivação do setor. Segundo o presidente da ABIH-RJ, Alfredo Lopes, o boom hoteleiro se deve mais à demanda crescente provocada pelo desenvolvimento econômico do estado, que já responde por 60% da ocupação dos quartos.
De acordo com Lopes, a criação de pólos de desenvolvimento econômico — como o metal-mecânico de Resende, o siderúrgico de Itaguaí, o petroquímico de Itaboraí e o petrolífero de Macaé — vem atraindo para o Rio grandes empresas e, conseqüentemente, eventos de negócios que geram procura por hotéis.
Dados da ABIH-RJ mostram que o número de quartos no estado vem crescendo na razão de duas mil unidades por ano, sendo a metade na cidade do Rio.

— As Olimpíadas e a Copa são eventos temporários, e ninguém constrói quartos se a estrutura não se sustentar depois que tudo passar.

O COB (Comitê Olímpico Brasileiro) estimou a necessidade para 2016 em 39 mil quartos. Se com mil quartos ao ano no Rio não chegarmos lá, chegaremos muito perto. E o que faltar podemos suprir com a contratação de transatlânticos que seriam fundeados na orla — disse Lopes.

Maioria deverá ser de quatro estrelas

A maioria dos novos empreendimentos deverá ser de quatro estrelas, porte médio da hotelaria fluminense. O foco na Barra, diz o presidente da ABIH-RJ, é resultado da carência de espaços de grandes dimensões — capazes de abrigar empreendimentos de 300 a 400 unidades, padrão internacional para que os hotéis sejam viáveis economicamente — em outros trechos da orla.

— No mundo inteiro, os hotéis têm que ter um número elevado de quartos. A economia do turismo receptivo se desenvolve junto ao mar.

E a Barra é o único lugar com espaços ainda generosos para essa função — explicou Lopes.
Dos nove hotéis previstos para a Barra, segundo a lista da associação, seis ficam à beira-mar, na Avenida Lúcio Costa. Três deles nos números 5.210, 5.400 e 5.700, nas imediações do Condomínio Golden Green; outro no número 34.087, já perto do Recreio; um outro na Área de Proteção Ambiental (APA) de Marapendi; e um sexto que não teve a sua numeração divulgada. As outras áreas são a Avenida do Pepê 56; a Rua José Silva de Azevedo Neto 200, na entrada da Península; e a Rua Franco Zampari 100.
De acordo com a Secretaria municipal de Urbanismo (SMU), dos 16 empreendimentos do Rio, sete estão com o processo de licenciamento em fase de análise, sete já receberam licença — três já estão em construção — e um deverá ser licenciado até fevereiro de 2010. Um dos empreendimentos da lista da ABIH para a Rua Aires Saldanha 54, em Copacabana, não foi identificado pela SMU.
se concretizar da forma esperada pela ABIH. Isto porque a lista de hotéis previa inicialmente 19 empreendimentos e já teve baixa: um hotel da Brascan, num endereço na Barra não divulgado. Segundo a SMU, a empresa tem um licenciamento para hotel aprovado no Centro Metropolitano, na Avenida Abelardo Bueno, com 796 unidades. Mas a empresa informou ontem, através de sua assessoria, que desistiu de construir um hotel no local.
Outro fator que deverá criar empecilho aos planos do setor é a polêmica legislação urbanística da APA de Marapendi. Os parâmetros na área estão sub judice desde 2005, quando a legislação foi modificada pela Câmara dos Vereadores.
Naquele ano, a aprovação de um projeto de lei abriu precedente para a construção de centros de convenções, prédios comerciais e residenciais e hotéis com até cinco andares no local — onde só eram permitidos prédios de até três andares.
O projeto modificou ainda de 15% para 30% o percentual máximo de ocupação dos terrenos edificáveis.
Vetado pelo prefeito Cesar Maia na ocasião, o projeto teve esse veto cassado pela Câmara. Cesar entrou então com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra a lei. Segundo o prefeito, a Adin já foi julgada e a prefeitura perdeu parcialmente a causa, em relação ao chamado Lote 27, que fica na divisa da Barra com a APA. Enquanto a questão não se resolve, os processos estão parados.

— Estamos discutindo o alcance dessa decisão e entendemos que cabe uma indenização à prefeitura por impacto urbano. Espero que até o fim de julho tenhamos resolvido esta questão — disse Cesar.

Ainda em 2005, a APA chegou a ser tombada pela Alerj, mas o governador Sérgio Cabral acabou vetando o tombamento no ano passado, medida mantida pelos deputados.
Na semana passada, o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Alerj, deputado André do PV, anunciou a criação de um grupo de trabalho para acompanhar os licenciamentos na APA.
Outra sombra sobre os projetos pode ser a própria Lei do Sombreamento, de 2000, que condiciona a aprovação de empreendimentos imobiliários a estudo prévio da Secretaria municipal de Meio Ambiente.
Apesar de os empreendimentos na orla da Barra poderem explorar um gabarito de até 15 pavimentos, fora cobertura e pavimento de acesso e serviços, esse parâmetro pode diminuir caso o estudo do sombreamento comprove que o empreendimento lançaria sombra sobre a areia e o calçadão da praia, o que é proibido por lei.

— No Pepê há um prédio que foi construído em forma de pirâmide por conta da Lei do Sombreamento.

Essa lei se sobrepõe ao gabarito da área — explica o advogado especialista em direito ambiental Rogério Zouein.

11/06/2008 - 09:42h Contribuição de Marta Suplicy para o seminário do PT sobre transporte e mobilidade urbana (integral)

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Minhas amigas, meus amigos,

Inicialmente, gostaria de agradecer a presença da ministra Dilma Rousseff, dos engenheiros e especialistas em transporte Marcos Bicalho e Jaime Waisman, do mediador desse debate, professor Jorge Wilheim e de todos vocês, deputados, vereadores, lideranças comunitárias, moradores da cidade de São Paulo.

Estamos iniciando hoje o seminário São Paulo, Novos Caminhos.

Não tenho dúvida que ele vai prestar uma grande contribuição a todos aqueles que desejam fazer de São Paulo uma cidade mais justa e mais humana e, também, mais arrojada e preparada para enfrentar os desafios do presente e do futuro.

Nos próximos dias, vamos debater aqui temas relacionados com a mobilidade urbana, a saúde, a educação, a segurança, os programas sociais, a habitação e o desenvolvimento urbano.

Temas que, por sua complexidade e abrangência, definem o que São Paulo é hoje e para onde pode caminhar.

Hoje, abrindo esse ciclo de debates, vamos abordar o tema da mobilidade urbana. Não foi uma escolha aleatória, pelo contrário: atualmente nada é mais revelador dos problemas paulistanos do que a dificuldade de se locomover.

A verdade é que São Paulo, a locomotiva do Brasil, a cidade que não pode parar, está parando. A cada dia, a cada semana, se ouve falar de um novo congestionamento recorde.

E, quando falamos em congestionamento, não estamos falando de um transtorno qualquer. Estamos falando de perda de produção, de aumento da poluição e, acima de tudo, de queda na qualidade de vida das pessoas.

O trânsito, hoje, em São Paulo, é o emblema da democratização do prejuízo. É o inferno particular e coletivo de todo paulistano. Afeta a todos indistintamente, mas principalmente a população de baixa renda, as pessoas que moram longe do centro, têm menos recursos para se deslocar e, quando o fazem, levam muito mais tempo para chegar ao seu destino.

(more…)

09/06/2008 - 09:39h Marta e cinco ministros de Lula participam de seminário

Marta escala ministros para ajudar campanha

Cinco membros do primeiro escalão do governo Lula participarão de debates com petista

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Clarissa Oliveira - O Estado de São Paulo

Em mais um esforço para aproximar sua imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ex-ministra Marta Suplicy (PT) vai trazer o governo para dentro do debate sobre os principais problemas da cidade de São Paulo. A convite da petista, cinco ministros de Lula virão a São Paulo nas próximas semanas para discutir alguns dos principais temas que estarão no programa de governo que está sendo desenvolvido pelo PT para as eleições deste ano.

Todas as terças-feiras por um período de cinco semanas, um representante do governo virá à Capital. De acordo com articuladores da campanha de Marta, os debates fazem parte de uma ampla estratégia para aproximar a imagem da pré-candidata petista à do presidente Lula e usufruir ao máximo dos altos índices de popularidade do governo. Um dos principais pontos do plano para a corrida municipal é colocar Marta como a candidata ideal para aprofundar na cidade as mesmas mudanças realizadas pelo governo Lula na esfera federal.

Oficialmente, o convite aos ministros foi feito pelo Diretório Municipal do PT. Mas petistas reconhecem que Marta conversou pessoalmente com cada um para pedir a presença. Além disso, consultou Lula, que deu carta branca para a realização dos eventos.

Adicionalmente, dirigentes do PT avaliam que será possível formar uma “massa crítica” sobre os principais problemas da cidade. Além disso, parte das idéias surgidas nos debates poderá ser aproveitada no programa de governo de Marta, que está em fase de finalização.

O primeiro debate será realizado amanhã, com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, além de Marta e especialistas. Elas discutirão o tema central da campanha: mobilidade urbana, transportes e trânsito.

A base do debate será o projeto de mobilidade para a Copa de 2014, elaborado por Marta quando estava no Ministério do Turismo. A proposta prevê medidas como a construção de 65 km de metrô e 279 km de corredores de ônibus em São Paulo.

No dia 17, Marta receberá o ministro Fernando Haddad para falar sobre educação. No dia 24, será a vez do ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Em 1 de julho, o ministro da Justiça, Tarso Genro, tratará de violência urbana. O ciclo será encerrado com um debate sobre habitação, com o ministro das Cidades, Márcio Fortes.

Zarattini deve ser coordenador

Clarissa Oliveira

O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), membro do time de aliados da ex-ministra Marta Suplicy na capital paulista, deverá ser o coordenador da campanha petista pela Prefeitura de São Paulo. A escolha, segundo articuladores da candidatura de Marta, será sacramentada em reunião marcada para hoje à noite, pela Executiva Municipal.

Até agora encarregado de coordenar as negociações da campanha de Marta, o vereador e presidente municipal do PT, José Américo Dias, chegou a ser visto como a escolha ideal para a vaga. Américo, entretanto, é candidato a mais um mandato na Câmara Municipal e não poderia se dedicar com o mesmo empenho aos preparativos da disputa pela prefeitura paulistana. Com Zarattini, afirmam petistas, Marta contará com alguém “em tempo integral” na posição.

07/06/2008 - 00:20h Marta Suplicy: Por que quero voltar a ser prefeita

Veja São Paulo entrevista Marta Suplicy

Na primeira de uma série de entrevistas com os principais candidatos à prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, a atual líder nas pesquisas, fala de seus planos para a cidade, do que se arrepende em seu período à frente da administração municipal e por que se julga mais bem preparada que seus dois maiores adversários, o ex-governador Geraldo Alckmin e o prefeito Gilberto Kassab

Por Alessandro Duarte e Alvaro Leme

Mario RodriguesMarta: 30% das intenções de voto e 31% de rejeição

Após um encontro reservado com o presidente Lula, na última quarta-feira, Marta Suplicy deixou o Ministério do Turismo e anunciou oficialmente que é candidata à prefeitura da maior cidade da América Latina. Aos 63 anos, ela deseja voltar ao cargo que ocupou entre 2001 e 2004. “São Paulo é moderna, nervosa, agitada”, afirma. “Precisa de alguém ousado, criativo e inovador.” Para concretizar seu sonho, terá de bater adversários de peso. Segundo pesquisa divulgada pelo Ibope na terça, a petista lidera a corrida com 30% das intenções de voto dos paulistanos. O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) aparece logo atrás, com 28%, e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) vem em terceiro, com 13%. No último levantamento do Datafolha, publicado no dia 18 de maio, o resultado foi bastante parecido. Marta tinha 30%; Alckmin, 29%; e Kassab, 15%. Entre os três, ela também está à frente na medição da rejeição. Dos entrevistados pelo Datafolha, 31% dizem que não votariam nela de jeito nenhum (contra 27% de Kassab e 16% de Alckmin). Embora ainda faltem quase quatro meses para as eleições e esse quadro possa se modificar, já ficou claro quem são os mais fortes candidatos no pleito, cujo primeiro turno vai se realizar em 5 de outubro. O segundo está marcado para 21 dias depois.

Felipe Araujo/Agência Estado/AENa 12ª edição da Parada Gay, em maio: trio elétrico do Ministério do Turismo

Eduardo Knapp/Folha ImagemDurante visita ao Jardim Keralux, na campanha à prefeitura de 2000: elegância, ainda que em meio à lama

Nesta edição, Veja São Paulo apresenta a primeira de uma série de entrevistas com os três principais concorrentes. Marta recebeu a reportagem um dia antes de se desligar do governo, na sede estadual do Partido dos Trabalhadores, no Jardim Paulista. Durante uma hora e meia, ela falou sobre seus planos e tomou cinco xícaras de café com adoçante, servindo-se de uma garrafa térmica. “Antes de entrar para a prefeitura, não tinha esse hábito”, diz ela. “Hoje, bebo mais de dez xícaras por dia.” À frente do Ministério do Turismo, no qual ficou por catorze meses, firmou um convênio de 1 bilhão de dólares com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), criou o programa Viaja Mais – Melhor Idade, que incentiva o turismo de pessoas acima de 60 anos, e deu início aos estudos sobre as necessidades das cidades-sede da Copa de 2014. Mas o momento que ficou marcado foi o da sugestão que deu para quem sofria com as conseqüências do caos aéreo. “Relaxa e goza”, disse. “Foi uma frase infeliz, pela qual pedi desculpas horas depois”, lembra Marta.

Leonardo Wen/Folha ImagemEm junho de 2007, auge do caos aéreo, no lançamento do Plano Nacional de Turismo: “Relaxa e goza”

Marcelo Ximenez/Folha ImagemApresentando o CEU de Campo Limpo ao russo Garry Kasparov, ex-campeão de xadrez, em agosto de 2004: 21 escolões construídos durante sua gestão

Psicanalista, nascida rica e educada em colégios freqüentados pela elite paulistana, ela tornou-se conhecida em 1980, quando apresentava o quadro Compor-ta-mento Sexual no programa TV Mulher, da Rede Globo. Já naqueles tempos mostrava que não tinha papas na língua. Falava sobre orgasmo e masturbação com uma desenvoltura rara à época. No PT desde a década de 80, foi deputada federal entre 1995 e 1998, quando encabeçou projetos como a regulamentação do direito ao aborto e a parceria civil para pessoas do mesmo sexo. Em abril de 2001, numa decisão que chocou parte dos paulistanos e de seus eleitores, divorciou-se do senador Eduardo Suplicy, político com imagem de bom moço e respeitado mesmo entre os não-petistas. Eles foram casados por 36 anos e tiveram três filhos – o advogado André e os cantores Supla e João. Dois anos e meio depois, numa festança para 400 pessoas, Marta Teresa Smith de Vasconcellos – seu nome de nascimento – casou-se, de chapelão e vestido que deixava os ombros à mostra, com o franco-argentino Luis Favre, quatro anos mais jovem, quatro casamentos anteriores e uma vistosa rede de contatos na esquerda internacional.

Ricardo StuckertNo casamento com o franco-argentino Luis Favre, em setembro de 2003: festa para 400 pessoas

José Cruz/Agência BrasilEm encontro no Congresso, em 2003, seu ex-marido, o senador Eduardo Suplicy, lhe dá um beijo na testa: separação causou espanto

Em seu mandato como prefeita, algumas de suas realizações foram a criação dos Centros Educacionais Unificados (CEUs), a instituição do bilhete único – que permitia ao usuário do sistema de transporte público pegar, pelo preço de uma passagem, quantos ônibus quisesse em um período de duas horas –, a transferência de seu gabinete do mal-amado Palácio das Indústrias, no Parque Dom Pedro II, para o Edifício Matarazzo, localizado entre o Viaduto do Chá e a Praça do Patriarca, e a construção de duas polêmicas passagens subterrâneas sob a Avenida Faria Lima. Com a desculpa de que os cofres haviam sido deixados em frangalhos pelos anos de administração Maluf-Pitta, avançou com gosto no bolso dos contribuintes. Em busca de recursos, criou as taxas do lixo e de iluminação, além de conseguir na Câmara a aprovação do IPTU progressivo. Tentou a reeleição, mas perdeu para o tucano José Serra, que dois anos depois se elegeu governador do estado.

Joao SalDe vestido balone, chegando para o casamento de sua amiga Eleonora Rosset, no mês passado: guarda-roupa fabuloso

Silvio FerreiraApresentando o quadro Comportamento Sexual, na TV Mulher, em 1981: sem papas na língua

Quando não está cuidando dos preparativos de sua campanha, a sempre vaidosa Marta Suplicy costuma ir ao cinema (gostou de Um Beijo Roubado e detestou O Melhor Amigo da Noiva), ver os netos (tem quatro e mais um a caminho) e comer as receitas do marido, que costuma cozinhar para ela. “Ele faz um pot-au-feu (cozido francês) ótimo”, conta, com um indisfarçável brilho nos olhos azuis, antes de mais um gole de café, a essa altura morno.

Marcia MayCom os filhos André, João e Supla, no início da década de 80: “Falo com eles quase todos os dias”


Entrevista

Mario Rodrigues“Eu me arrependo de ter criado taxas. Muito. Na minha gestão, 62% dos contribuintes passaram a pagar menos IPTU. Ao mesmo tempo, outros 31% tiveram aumento, e aí acho que a mão pesou”

Veja São Paulo – Por que a senhora quer voltar a ser prefeita?
Marta Suplicy – São Paulo precisa de uma nova atitude. Vejo minha cidade numa situação caótica no trânsito, com uma administração que não ousou o suficiente para atender a suas demandas. Creio ter as condições de dar respostas aos problemas gravíssimos enfrentados pelos paulistanos. Politicamente, tenho mais acesso ao governo federal, por ser do time do presidente.

Veja São Paulo – Qual é o principal problema da cidade hoje e como pretende enfrentá-lo?
Marta – Sem querer ignorar a situação difícil na saúde e na educação, diria que é o trânsito. O que pretendo fazer? Recuperar a capacidade de gestão da CET e ampliar o bilhete único, que pode ganhar duração semanal, mensal ou até anual. A longo prazo, construir mais corredores de ônibus e linhas de metrô. Para a Copa do Mundo de 2014, precisaremos de mais 260 quilômetros de corredores e 65 de metrô.

Mario Rodrigues“Se a mulher é gentil e doce, classificam de incompetente. Se é firme e forte, chamam de arrogante. Se tem poder, então, vira insuportável”

Veja São Paulo – A senhora foi prefeita por quatro anos. Não acha que tem parte da responsabilidade pelo caos no trânsito, que já era um problema na sua gestão?
Marta – Pelo contrário. Enfrentamos a máfia de dirigentes do transporte para reformular os contratos das empresas com a prefeitura. Havia ônibus com mais de dez anos e perueiros clandestinos enlouquecidos pelas ruas. Implantamos o bilhete único, que virou um modelo para todo o Brasil. Criamos 100 quilômetros de corredores, enquanto a atual administração construiu 7. Fizemos túneis importantes e um pedaço significativo da Radial Leste.

Veja São Paulo – A senhora cogita adotar medidas restritivas ao transporte individual, como o pedágio urbano ou a ampliação do rodízio?
Marta – Nossas propostas passam pelo lado oposto. Quero que quem usa o transporte privado se sinta atraído por um transporte de qualidade. Como, por exemplo, na Avenida Rebouças. Muitas pessoas que faziam aquele percurso de carro passaram a usar o ônibus, que é mais rápido. Quanto ao metrô, perdemos muito tempo. Estive recentemente na China e vi que são construídos 20 quilômetros por ano em Pequim. Precisamos implantar esse ritmo alucinante aqui e temos condições de fazer isso por causa do boom econômico. Mas, se tivéssemos hoje 10 bilhões de reais para investir no metrô, não haveria licitações prontas ou projetos. De que chamo isso? Falta de planejamento. Que nome posso dar?

Veja São Paulo – A senhora se compromete a não aumentar impostos como o IPTU ou a não criar outras taxas?
Marta – Vou diminuir as taxas. Já mandei um grupo estudar formas de reduzir a tributação para o cidadão paulistano. Não sei ainda que imposto será usado. A cidade vive outro momento, gente! Quando comecei minha gestão, São Paulo tinha dívidas gigantescas. A receita de que dispunha era metade da atual.

Mario Rodrigues“Quem está no serviço público precisa se apresentar bem porque é visto e fotografado o tempo inteiro”

Veja São Paulo – Caso seja eleita, a senhora se compromete a cumprir o mandato até o fim?
Marta – Assinar papel com uma garantia dessas ficou desmoralizado na última eleição, não? Tenho idéia de, se eleita, pleitear um novo mandato. Oito anos. Em minha experiência como prefeita, vi que dei passos gigantescos no transporte, na saúde e na educação, mas não consegui chegar aonde poderia. Se é para entrar na briga, que seja para deixar uma coisa mais consolidada.

Veja São Paulo – Quer dizer que não deixaria o mandato para se candidatar ao governo ou à Presidência?
Marta – Mais que isso. Estou falando que penso em ficar oito anos na prefeitura.

Veja São Paulo – A senhora gostou, então, de ser prefeita?
Marta – É um trabalho estressante como nenhum outro. Não tem igual. Ao mesmo tempo, é muito gratificante perceber que você pode mudar a vida das pessoas.

Veja São Paulo – Por que a senhora acha que tem melhores condições de administrar São Paulo do que o prefeito Gilberto Kassab e o ex-governador Geraldo Alckmin?
Marta – Pelo perfil. São Paulo é moderna, nervosa, agitada. Precisa de alguém ousado, criativo e inovador. Se for ver o que o Alckmin fez como governador, não daria para aplicar nenhum desses adjetivos à sua gestão. O Kassab continuou, de forma muito modesta, o que eu havia iniciado. Não consigo lembrar de nenhuma ação inovadora e criativa que ele tenha tomado para solucionar os problemas vitais da cidade.

Veja São Paulo – Nem mesmo a Lei Cidade Limpa?
Marta – É um projeto importante, que foi iniciado em nossa gestão com a Operação Belezura. Kassab teve o mérito de implementar e dar uma dimensão para a cidade toda. Foi um bom projeto. Mas não vi nenhuma grande obra que não tenha sido iniciada no meu governo. A Ponte Estaiada Octavio Frias de Oliveira, que é uma obra muito linda, foi licitada por nós. Fizemos também a fundação e os pilares. A gestão Serra-Kassab limitou-se a dizer que era uma obra faustosa e cara. Interrompeu a construção, que só foi retomada quando as empreiteiras entraram na Justiça. Tínhamos pouco dinheiro e fizemos muito. Eles têm muitos recursos e fizeram muito pouco.

Veja São Paulo – Que projeto ou obra seria a marca de um novo governo seu?
Marta – Ainda é cedo para dizer. Estou começando a me debruçar nos problemas da cidade. Mas certamente será marcante a recuperação do transporte. E também a inclusão social. Enquanto o sistema público não consegue tirar uma criança da favela, que seja capaz de tirar a favela de dentro dela com uma escola que ofereça oportunidades. Vou investir em um centro para alavancar a formação dos nossos professores. E conseguir que os alunos fiquem mais tempo na escola, o que é um desafio gigantesco em São Paulo, em razão da quantidade de crianças. Como psicóloga e psicanalista, quero manter um olhar especial sobre as creches. Criança bem-cuidada nos primeiros anos de vida é a que vai ter oportunidades.

Veja São Paulo – Do que a senhora se arrepende de não ter feito em sua gestão?
Marta – Eu me arrependo de algo que fiz. Das taxas. Muito. Mas não havia recursos. Nossa administração foi bem difícil no começo, porque pegamos um momento pós-Maluf e Pitta. Uma cidade completamente depredada, em ruínas. As administrações regionais eram antros e não prestavam nenhum serviço. Criamos um plano diretor, o que não existia em São Paulo havia mais de dez anos. A folha de pagamento da prefeitura era feita a mão! Nós a informatizamos. Agora, olhando em retrospecto, eu me arrependo das taxas, sim. Apesar de termos boa intenção, a população já havia enfrentado aumento no IPTU e se sentiu penalizada. É paradoxal, pois fui a prefeita que menos cobrou impostos em São Paulo. Na minha gestão, 62% dos contribuintes passaram a pagar menos IPTU. Ao mesmo tempo, outros 31% tiveram aumento, e aí acho que a mão pesou.

Veja São Paulo – Por que os paulistanos não a reelegeram?
Marta – É uma questão que me coloquei muitas vezes. Acho que cometemos erros de verdade, como a tributação. E as pessoas acreditaram na proposta do outro, que prometeu fazer melhor o que a gente já fazia.

Veja São Paulo – Também havia e há, segundo as pesquisas, rejeição à sua imagem. Como pretende contornar isso na campanha?
Marta – Acho que você amadurece, em primeiro lugar. E acredito que as pessoas, depois de quatro anos, tenham avaliado melhor a posição que assumiram naquele momento. O machismo também pesa.

Veja São Paulo – Alguns analistas creditam parte dessa rejeição ao fato de a senhora ter se separado do senador Eduardo Suplicy e se casado com o franco-argentino Luis Favre. Acredita que isso possa pesar na campanha deste ano?
Marta – Foi um item a mais num caldeirão que se colocou contra mim, mas não teve peso substancial. Hoje, a maioria das famílias tem alguém separado. Senti falta de pessoas que falassem em meu favor. Que vissem como ato de coragem uma pessoa se apaixonar e, em vez de levar uma vida paralela, assumir e prestar satisfação à sociedade. E, inclusive, se casar. A maioria dos políticos não se porta assim. Fui coe-rente com minha vida e minhas posturas.

Veja São Paulo – Nesta eleição, a senhora vai enfrentar outro problema em relação à imagem, a sugestão para os passageiros vítimas do apagão aéreo: “Relaxa e goza”. Como pretende lidar com essa questão?
Marta – Considero uma página virada, no sentido de que foi uma frase infeliz, pela qual pedi desculpas horas depois. Acho que a grande maioria da população entendeu a situação em que disse aquilo e me perdoou. Uma vida pública de vinte anos não pode ser destruída por uma frase infeliz. Eu me sinto tranqüila. Podem eventualmente usar isso contra mim, mas não creio que vá trazer votos a quem o fizer. E, depois, quem é que nunca disse uma frase infeliz?

Veja São Paulo – Qual é a melhor coisa de ser prefeita de São Paulo?
Marta – Poder fazer.

Veja São Paulo – E a pior?
Marta – O stress.

Veja São Paulo – O que São Paulo tem de melhor?
Marta – O povo.

Veja São Paulo – E o que tem de pior?
Marta – O trânsito.

Veja São Paulo – Qual foi o melhor prefeito que São Paulo já teve?
Marta – Em termos de pensar a cidade, Prestes Maia e Faria Lima. No que diz respeito à inclusão social, nossa gestão foi muito importante.

Veja São Paulo – Como concilia a carreira política com o tempo dedicado a marido, filhos e netos?
Marta – Todos sofrem e eu também, por não conseguir dar a atenção que gostaria, apesar de me desdobrar. Falo com meus filhos todos os dias. Eles às vezes me visitam em horários esdrúxulos, como à meia-noite. Sempre sei o que está acontecendo com eles. Acho que Eduardo (Suplicy) e eu conseguimos construir algo muito bom com nossos filhos. Perco várias gracinhas dos netos. Uma delas, a Laura, ganhou medalha na natação outro dia e eu não estava lá. Vou sempre aos aniversários e, de vez em quando, fazemos algum programa juntos.

Veja São Paulo – Como encontra tempo para se cuidar?
Marta – Não me cuido muito. Tento fazer esteira e algumas outras coisas, quando dá.

Veja São Paulo – Que coisas?
Marta – Prefiro não ficar detalhando. Quero voltar a fazer acupuntura.

Veja São Paulo – Incomoda-a quando comentam seu gosto para se vestir ou seu guarda-roupa?
Marta – Sou uma pessoa vaidosa, então não me provoca incômodo dizerem que estou bem-arrumada. Só quando isso vai além do que devia. É mais uma qualidade e um esforço do que qualquer coisa, mas devia passar despercebido. É “ça va sans dire” (algo como “dispensa comentários”, em francês). Quem está no serviço público precisa se apresentar bem porque é visto e fotografado o tempo inteiro. Mulher sempre paga um preço. Se aparece desarrumada, acham que está deprimida. Se demora a retocar a tintura do cabelo, a chamam de relaxada.

Veja São Paulo – Qual é sua maior tentação gastronômica?
Marta – Massas.

Veja São Paulo – A senhora cozinha?
Marta – Nunca fui boa nisso. O Luis, meu marido, é ótimo cozinheiro. Ele faz muito bem pot-au-feu (cozido francês), saladas, rosbifes, vitelas, coelhos e carnes. Tem também um prato de batata com bacon que adoro. Ele só não sabe fazer sobremesa, mas nem assim me estimulei a aprender.

Veja São Paulo – Vai muito ao cinema?
Marta – Pouco. O último filme que vi foi Um Beijo Roubado, que é bom. Na semana anterior, assisti a um outro que detestei, O Melhor Amigo da Noiva.

Veja São Paulo – E para ler, encontra tempo?
Marta – Toda noite. Acabei recentemente o livro da Maitê Proença (Uma Vida Inventada). No momento não estou lendo nada em português. Leio em inglês, francês e espanhol como uma maneira de praticar essas línguas.

Veja São Paulo – A senhora acha que tem uma imagem de arrogante?
Marta – Às vezes desconfio que sim. Algumas pessoas, depois de me conhecer, contam que me imaginavam muito diferente. Quando tento entender, vejo que era por me acharem arrogante. Mulher é assim: se é gentil e doce, classificam de incompetente. Se é firme e forte, chamam de arrogante. Se tem poder, então, vira insuportável. E você não pode exercer o poder se não for firme. É uma imagem que nós, mulheres, vamos ter de conquistar e mudar. As grandes líderes do século passado, como Golda Meir, Indira Gandhi e Margaret Thatcher, eram todas mulheres travestidas de homens. A geração do século XXI não quer isso. Políticas como Ségolène Royal, Cristina Kirchner e Michelle Bachelet são muito femininas. A Angela Merkel até pôs um decote ousado outro dia. Fui uma desbravadora, primeiro no programa TV Mulher, depois no exercício da política, pagando todos os preços nas duas experiências.

Veja São Paulo – Qual é sua maior qualidade?
Marta – Não tenho medo de pensar o novo. Estou sempre em busca de solução. Eu decido.

Veja São Paulo – E o maior defeito?
Marta – Impaciência. Quero tudo para ontem.

Veja São Paulo – Lê horóscopo?
Marta – Às vezes, mas não que eu abra o jornal para isso. Acho divertido.

Veja São Paulo – A senhora se identifica com alguma característica de Peixes, o seu signo?
Marta – Ah, eu choro muito. Em filme, livro… Durante a prefeitura, quase todo dia. Não houve uma visita a CEU em que eu não tenha chorado.

06/06/2008 - 00:08h Marta anuncia estudos para melhorar o transporte em São Paulo e diminuir impostos

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A ex-ministra Marta Suplicy concedeu ontem (5), em São Paulo, sua primeira entrevista coletiva como pré-candidata a prefeita. Ela anunciou a realização de um seminário para estudar saídas para a crise vivida no transporte público e no trânsito na capital paulista. A ex-prefeita revelou ainda que encomendou um estudo sobre a possibilidade de redução da carga de tributos que a população paga à prefeitura.

“O município arrecada hoje duas vezes mais do que no meu tempo (2001-2004). Graças ao presidente Lula, que arrumou a economia do Brasil”, afirmou. Leia abaixo os principais pontos da coletiva.

Negociação com outros partidos e a vaga de vice
“Quem está em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto não se sente isolada, sozinha. Até as convenções partidárias, nenhum martelo está batido. Continuamos conversando com o PSB, PDT e PC do B. Se não der certo, iremos para outra etapa, mas esse momento não chegou”.

Críticas do prefeito e avaliação dos adversários
“O debate é bom quando é feito com bom nível e ética. Acho que conseguiremos isso discutindo propostas. Vamos fazer um seminário sobre a questão do transporte. É assim que São Paulo tem que ser discutida e que vamos resolver seus problemas. Não com bate-boca, mas com propostas concretas. Do Kassab ainda não ouvi nenhuma proposta e também não vi do (Geraldo) Alckmin. Ele ainda briga dentro do seu próprio partido. Eu tenho proposta. São Paulo é nervosa e precisa de gente com propostas ousadas”.

Lula e a candidatura a prefeita
“O presidente foi muito gentil. Ele virá a São Paulo quantas vezes forem necessárias, pois sabe a importância da cidade para o PT. O presidente tem uma sensibilidade muito grande para questões sociais. O Bolsa-Família (programa do governo federal) começou em São Paulo, quando implantamos o Renda Mínima no meu governo”.

Classe média e a eleição de 2004
“Nós fizemos muito, com muito pouco. Eles (José Serra e Gilberto Kassab) fazem muito pouco, com muito. A prefeitura tem mais dinheiro graças ao presidente Lula, que arrumou a economia do Brasil e o país está crescendo”.
“Tive muito voto junto à classe média, mas uma faixa dessa população ficou desgostosa com algumas das nossas ações. Por isto, pedi um estudo sobre o orçamento da cidade para avaliar a possibilidade de propor uma diminuição da carga de tributos. A prefeitura arrecada duas vezes mais atualmente do que na minha época”.
“Hoje, a preocupação da população é com o transporte. No meu tempo a situação era difícil, mas demos um salto enorme com pouquíssimos recursos disponíveis. Agora, temos todas as condições de dar um incremento no setor. A primeira coisa a fazer é retomar a capacidade de gestão da CET, que está sem funcionários e com poucos recursos técnicos e de equipamentos”.
“O mais complicado será recuperar o atraso existente na malha do Metrô. São Paulo começou a construir o Metrô junto com a Cidade do México. Lá eles têm mais de 200 quilômetros de linhas e aqui apenas 60 kms. Apresentei um projeto ao presidente Lula, tendo em vista a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, de fazer em parceria mais 65 kms de Metrô e 279 kms de corredores exclusivos”.

Fonte Bancada de vereadores do PT

20/05/2008 - 18:35h Marta diz que trânsito é a cruz do paulistano

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CARMEN MUNARI - REUTERS - AGENCIA ESTADO

SÃO PAULO - Mesmo ressalvando que não falava como candidata à prefeitura de São Paulo, a ministra do Turismo, Marta Suplicy, afirmou que o trânsito recorde na cidade é a “cruz do paulistano”. Para ela, faltou planejamento e investimento no transporte público da capital.

“São Paulo é uma preocupação para o paulistano. Como ministra do Turismo, eu acho que para ser ultrapassada essa situação precisa de um esforço de guerra”, disse Marta a jornalistas ao apresentar o Plano de Mobilidade Urbana para a Copa de 2014, que prevê investimentos de 15,3 bilhões de reais em metrô e ônibus na capital paulista.

“Nós vivemos situação de calamidade no trânsito porque não foram feitos os investimentos necessários na cidade de São Paulo, nem em corredor de ônibus, nem em metrô”, acrescentou, comentando que o paulistano está vivendo com muito sofrimento.

Marta afirmou que os planos de transporte que apresentou nesta segunda-feira para São Paulo e outras 10 cidades foram feitos pelo Ministério do Turismo. Se ela se decidir pela candidatura a prefeita, apresentará suas próprias propostas.

“Isso (o trânsito) tem sido a cruz da maioria dos paulistanos por falta de planejamento”, enfatizou.

Marta disse ainda que ficou emocionada com o resultado da pesquisa Datafolha divulgada no domingo, que lhe confere a liderança na intenção de voto do paulistano (30 por cento), tecnicamente empatada com o tucano Geraldo Alckmin, com 29 por cento.

“É um reconhecimento do trabalho, fiquei até emocionada, me sentindo muito satisfeita.”

20/05/2008 - 10:31h Governo prevê R$ 38,5 bilhões em investimento no transporte para Copa

Rio receberá R$ 5 bilhões para metrô e corredores exclusivos de ônibus

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Adauri Antunes Barbosa - O Globo

SÃO PAULO. A ministra do Turismo, Marta Suplicy, apresentou ontem em São Paulo o Plano de Mobilidade Urbana para a Copa de 2014, que prevê investimentos de R$ 38,51 bilhões em obras nas linhas de metrô, trem e corredores de ônibus, em 11 cidades. São Paulo e Rio, as cidades que mais recebem investimentos, R$ 35,65 bilhões do total, são, segundo a ministra, “quase certas” como sedes. O Plano foi apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, na semana passada.
— O presidente e a ministra disseram que vamos fazer isso — garantiu a ministra.
Marta disse que os jogos acontecerão em várias cidades, mas a maioria entre as que podem sediar os jogos tem sistemas de transporte precários.
Segundo ela, esse benefício é um legado muito importante da Copa: — Ou se faz um esforço de guerra (para resolver o problema) ou não vamos ter como nos locomover.
São Paulo e Rio são prioridades por serem “portas de entrada e saída”. No Rio estão previstos investimentos de R$ 5,05 bilhões para a implantação de 26 quilômetros de metrô e 111 quilômetros de corredores de ônibus. Outro projeto, orçado em R$ 15,3 bilhões, será o Trem de Alta Velocidade (TAV), o trem-bala, de 550 quilômetros entre Rio, São Paulo e Campinas, com acesso a São José dos Campos e aos aeroportos internacionais de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, e de Viracopos, em Campinas.

Iniciativa privada vai disputar concessões Também está prevista a construção de 28,8 quilômetros de corredores de ônibus em Niterói, que devem absorver R$ 40 milhões.

Em São Paulo, estão previstos investimentos de R$ 15,3 bilhões para a construção de 65,6 quilômetros de metrô e 279,5 quilômetros de corredores de ônibus. Porto Alegre terá investimentos de R$ 1,208 bilhão para 82,2 quilômetros de corredores de ônibus, 9,3 quilômetros de trem metropolitano e 1,2 quilômetro de aeromóvel.
Outros investimentos serão feitos em Brasília (R$ 710 milhões para 5,8 quilômetros de metrô), Belo Horizonte (R$ 211,7 milhões para 5,5 quilômetros de corredores de ônibus), Fortaleza (R$ 189 milhões para 45 quilômetros de corredores de ônibus), Recife/Olinda (R$ 198 milhões para 15 quilômetros de VLT), Natal (R$ 167 milhões para 3,5 quilômetros de metrô, 43,2 quilômetros de recuperação de linhas) e Maceió (R$ 141,3 milhões para 36 quilômetros de trem metropolitano).
A ministra disse que os recursos terão origem no governo federal, principalmente obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), nos governos estaduais, nas prefeituras e na iniciativa privada.

Governos dos estados e prefeituras entram com as contrapartidas e a iniciativa privada vai disputar concessões, como a do trem-bala.
Ainda não existe data prevista para o começo das obras. Se demorarem, garantiu Marta, será por falta de entendimento entre os governos municipais e estaduais, já que a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, que comanda o PAC, está decidida: — A ministra é muito decidida.
A data de início vai depender das conversas com os estados e as prefeituras.

20/05/2008 - 10:14h Globo News dá amplo espaço ao plano de transporte para a Copa 2014

19/05/2008 - 18:50h Ministério do Turismo lança plano para investir R$ 38,5 bi em transportes até a Copa

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MARIANA SANT’ANNA - Colaboração para a Folha Online

A ministra Marta Suplicy (Turismo) apresentou nesta segunda-feira o Plano de Mobilidade Urbana para a Copa de 2014. O projeto prevê investimentos de R$ 38,51 bilhões em linhas de metrô, trem e corredores de ônibus em dez cidades que podem ser sedes da Copa do Mundo de 2014.

Segundo Marta, o plano foi apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à ministra Dilma Roussef (Casa Civil) na semana passada. “O presidente e a ministra disseram que nós vamos fazer isso”, afirmou.

A ministra justificou a preocupação com o transporte explicando que os jogos da Copa acontecerão em diferentes locais, e que as cidades brasileiras têm sistemas de transporte precários. “O Brasil investiu muito pouco em transportes”, afirmou.

Além disso, segundo ela, a melhoria nos transportes é um legado muito importante que a Copa do Mundo pode deixar para o país.

Marta classificou São Paulo e Rio como prioridades no plano porque serão “portas de entrada e saída” dos turistas na Copa. Por isso, as duas cidades são as que têm maior previsão de investimento.

Para São Paulo, está previsto um investimento de R$ 15,3 bilhões para a construção de 65,6 quilômetros de metrô e 279,5 quilômetros de corredores de ônibus. A cidade também vai se beneficiar da construção do Trem de Alta Velocidade, ou trem-bala, até o Rio de Janeiro, passando por Campinas e São José dos Campos, que deve consumir R$ 13,5 bilhões.

No Rio de Janeiro, o Plano de Mobilidade Urbana prevê a construção de 26 quilômetros de metrô e 111 quilômetros de corredores de ônibus, a um custo total de R$ 5,05 bilhões. Marta prevê ainda a construção de 28,8 quilômetros de corredores de ônibus em Niterói, cidade da região metropolitana, que devem consumir R$ 40 milhões.

A ministra afirmou que ainda não sabe de onde virá o dinheiro para pagar pelas obras. “Provavelmente vai sair pouquíssimo do Ministério do Turismo”, afirmou Marta. Segundo ela, os custos das obras serão divididos entre o governo federal, os governos estaduais e as prefeituras envolvidas nos projetos. Há, ainda, a possibilidade de investimento da iniciativa privada, por meio de concessões.

Marta também não soube precisar quando as obras devem começar, mas afirma que, pela disposição do governo, podem começar logo. Segundo ela, se as obras demorarem a sair, será por falta de entendimento com governos municipais e estaduais.

“A ministra [Dilma Roussef] é muito decidida. A data de início vai depender das conversas com os Estados e as prefeituras”, afirmou Marta, acrescentando que essas conversas vão ser sempre feitas por meio da Casa Civil.

19/05/2008 - 14:58h Ministra do Turismo apresenta hoje à imprensa projeto de mobilidade urbana para a Copa de 2014

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A ministra do Turismo, Marta Suplicy, vai apresentar à imprensa, hoje, segunda-feira (19), em São Paulo, o projeto de mobilidade urbana para a Copa de 2014 que entregou ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. O projeto prevê investimentos de R$ 38,5 bilhões, a serem aplicados em São Paulo, Rio de Janeiro, Niterói, Belo Horizonte, Porto Alegre, Fortaleza, Recife, Olinda, Natal, Maceió e Brasília.

Esta ação parte do interesse do turismo, mas agrega contribuições de projetos elaborados nos ministérios dos Transportes, das Cidades e dos Esportes. O projeto tem o acúmulo das discussões contidas no Plano Nacional de Turismo (PNT) 2007-2010, que prioriza a logística de transporte em um de seus macroprogramas; também resulta do estudo contratado pelo Ministério do Turismo sobre competitividade dos 65 destinos prioritários definidos pelo PNT e da observação de investimentos realizados na Alemanha (Copa de 2006), na China (que este ano sedia os jogos olímpicos) e ainda das ações que estão em andamento na África do Sul (Copa de 2010). O Ministério do Turismo realizou visitas técnicas nesses países e promoveu no dia 25 de abril (passado), no Rio de Janeiro, o Seminário Internacional: Perspectivas e Desafios para o Turismo – Copa do Mundo 2014. No evento, especialistas internacionais e brasileiros discutiram questões de infra-estrutura, competitividade e promoção turística, e houve o relato de experiências em países e cidades-sedes de grandes eventos.

No conjunto de informações apuradas pelo Ministério do Turismo, observou-se que o planejamento de países que realizaram ou realizarão eventos do porte da Copa de 2014 prioriza infra-estrutura de transporte e meios de transporte como investimentos fundamentais. Por isso, dentre as dimensões analisadas no estudo entregue ao Presidente e à ministra da Casa Civil, a questão dos meios de transportes urbanos é apontada para que possa ser incorporada nas ações do PAC.

Fonte MinTur