27/10/2009 - 14:28h Respiração boca a boca reduz chances de sobrevivência

Diretrizes excluem procedimento da ressuscitação cardíaca e mantêm somente compressão no peito

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JULLIANE SILVEIRA – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Antes preconizada como parte importante da ressuscitação cardiopulmonar, a respiração boca a boca prejudica o procedimento e reduz as chances de sobrevivência do paciente com parada cardíaca.
Estudos apontam uma taxa de sobrevivência três vezes maior em pessoas submetidas apenas às compressões contínuas no peito até a chegada de socorro. Por esse motivo, a Ilcor (Aliança Internacional dos Comitês de Ressuscitação, na sigla em inglês), entidade que reúne as principais associações de cardiologia, mudará a partir de 2010 as diretrizes para procedimentos de emergência em parada cardíaca. De acordo com a nova orientação, somente a massagem cardíaca deverá ser aplicada pelo leigo.
“É simples entender por quê. Quando o coração para, o mais importante é manter o fluxo sanguíneo com a compressão. A respiração boca a boca é uma das causas que levam a diminuição do fluxo,” afirma o cardiologista Sérgio Timerman, do InCor (Instituto do Coração).
O consenso será publicado nos principais periódicos internacionais de cardiologia em outubro de 2010, mas já vem sendo discutido em vários países, incluindo o Brasil.
O voluntário deve ficar ao lado do paciente e iniciar as compressões, pressionando a região entre os mamilos 4 cm para baixo e retornando à posição inicial até a ajuda chegar.
“O leigo deve esquecer a respiração boca a boca e aplicar somente compressão a partir de agora. Essa é uma das maiores descobertas da emergência cardiovascular dos últimos tempos. Para médicos, a orientação é que a massagem deve ser prioridade, antes de se preocuparem com choque, medicamentos etc.”, afirma o cardiologista Manoel Canesin, coordenador do Centro de Treinamento em Emergências Cardiovasculares da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
Haverá mudanças também com relação ao uso do desfibrilador. A aplicação de choque pode ocorrer antes da massagem somente até cerca de quatro minutos após a parada do coração. Depois desse tempo, a compressão deve preceder o uso de desfibrilador. Isso porque, após esse período, há alterações metabólicas no organismo e o coração precisa ser preparado com a compressão antes de receber o choque.

10/09/2009 - 19:06h Solidão

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07/09/2009 - 17:30h Novo tipo de colesterol provoca mais risco cardíaco do que LDL

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CLÁUDIA COLLUCCI
DA REPORTAGEM LOCAL

Um novo tipo de colesterol, o oxicolesterol, pode representar um risco cardiovascular ainda maior do que o LDL (colesterol “ruim”) no aumento do colesterol total no sangue e na formação de placas de gordura nas artérias, revela um dos primeiros estudos sobre o tema, apresentado no congresso da Sociedade Americana de Química, no fim do mês passado.
No organismo, o oxicolesterol é fabricado por meio de reações entre as gorduras e o oxigênio, processo conhecido como oxidação. Quando alimentos ricos em gorduras são aquecidos a altas temperaturas, a oxidação também ocorre. O uso de gordura trans ou óleo vegetal parcialmente hidrogenado em alimentos processados também gera oxicolesterol.
O novo estudo mediu os efeitos de uma dieta rica em oxicolesterol em camundongos. Nos animais alimentados com altas quantidades dessa gordura, o nível de colesterol no sangue subiu 22% a mais. Também foram observados maiores depósitos de gordura nas paredes das artérias.
Para o coordenador do estudo, Zhen-Yu Chen, o mais importante são os efeitos do oxicolesterol na função arterial: ele reduz a elasticidade das artérias e afeta a capacidade de transportar mais sangue, o que aumenta o risco de coágulos.
O cardiologista e nutrólogo Daniel Magnoni, do HCor (Hospital do Coração), explica que o colesterol oxidado é aquele que mais provoca doenças. “Tem gente com colesterol alto, LDL alto e que não tem doenças. Já outras pessoas têm LDL normal, mas têm doenças. Talvez seja em razão dessa oxidação”, explica.
Não se sabe se as estatinas, medicamentos mais usados para reduzir o colesterol, reduzem as taxas de oxicolesterol. A recomendação é investir em dietas antioxidantes, com frutas, vegetais e cereais integrais.

11/05/2009 - 15:00h Cintura e risco cardíaco

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Um novo e abrangente estudo trouxe mais evidências que apontam que uma circunferência abdominal grande, mesmo em pessoas de peso normal, eleva de forma significativa o risco de doenças cardíacas.

Pesquisadores avaliaram 80.360 homens e mulheres suecos de 45 a 83 anos entre 1997 e 2004. Durante esse período, 1.100 dessas pessoas foram hospitalizadas ou morreram em decorrência de doenças cardíacas.

A pesquisa mediu a circunferência da cintura, a proporção entre cintura e quadris, cintura e altura e IMC (índice de massa corporal), a proporção entre peso e altura. Mas só a circunferência da cintura previu o risco de doenças cardíacas independentemente das outras medições. O IMC previu males cardíacos entre mulheres apenas quando estas tinham circunferência de cintura grande.

O estudo, publicado em abril no periódico “Circulation: Heart Failure”, constatou que um aumento de 10 cm na circunferência da cintura é associado a um aumento de 15% no risco de doenças cardíacas, tanto para pessoas de peso normal, com IMC de 25, quando para obesos, com IMC superior a 30.

NICHOLAS BAKALAR

16/02/2009 - 18:23h Cientistas tentam decifrar o complexo caminho das lágrimas

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Por BENEDICT CAREY

Elas são consideradas um alívio, um tônico psicológico e, para muitos, a visão de algo mais profundo: a linguagem gestual do coração, a transpiração emocional vinda do poço de uma humanidade comum.
As lágrimas lubrificam o amor e as canções de amor, os casamentos e os funerais, os rituais públicos e a dor privada, e talvez nenhum estudo científico possa algum dia capturar todos os seus muitos significados.
“Choro quando estou feliz, choro quando estou triste e talvez chore quando estou compartilhando algo que é de grande significado para mim”, disse Nancy Reiley, 62, que trabalha em um albergue feminino na Flórida. “E por alguma razão às vezes eu choro quando estou numa situação de falar em público. Não tem nada a ver com me sentir triste ou vulnerável. Não há motivo que eu possa imaginar pelo qual isso aconteça, mas acontece.”
Agora, alguns pesquisadores dizem que a sabedoria popular sobre o choro -que o associa a uma saudável catarse- é incompleta e enganadora. Um “bom choro” habitualmente permite que a pessoa recupere parte do equilíbrio mental após uma perda. Mas nem sempre, e não para todos, argumenta um artigo na atual edição da revista “Current Directions in Psychological Science”. Depositar tamanha expectativa sobre um ataque de pranto possivelmente predisporá algumas pessoas a uma confusão emocional posterior.
Esse apelo por uma visão mais nuançada do choro deriva em parte de uma crítica a estudos prévios. Ao longo dos anos, os psicólogos confirmaram muitas observações corriqueiras a respeito do choro. Ele é contagioso. As mulheres o liberam mais facilmente que os homens, por razões muito provavelmente bioquímicas e também culturais. E a experiência física reflete a psicológica: a frequência cardíaca e a respiração disparam durante a tempestade e se amenizam quando o céu se abre.
Questionadas sobre episódios de choro, a maioria das pessoas, previsivelmente, insiste que chorar é permitido para absorver um golpe, para se sentir melhor ou mesmo para pensar mais claramente sobre algo ou alguém que se perdeu.
Pelo menos é assim que as pessoas lembram -e aí está o problema, segundo Jonathan Rottenberg, psicólogo da Universidade do Sul da Flórida e coautor do estudo. “Muitos dados apoiando o saber convencional se baseiam na rememoração e se contaminam da crença das pessoas sobre o que o choro deveria fazer”, disse.
Em um estudo publicado na edição de dezembro da revista “The Journal of Social and Clinical Psychology”, Rottenberg e dois colegas, Lauren Bylsma (Universidade do Sul da Flórida) e Ad Vingerhoets (Universidade de Tilburg, Holanda), pediram a 5.096 pessoas de 35 países que detalhassem as circunstâncias do seu choro mais recente. Cerca de 70% disseram que as reações dos demais à crise foram positivas e reconfortantes. Mas cerca de 16% citaram reações ruins, que obviamente em geral lhes fizeram se sentir piores.
Como a função social mais óbvia do choro é atrair apoio e empatia, o impacto emocional das lágrimas depende parcialmente de quem está ao redor e do que essas pessoas fazem. O estudo descobriu que chorar com uma só outra pessoa presente tem mais chance de produzir um efeito catártico do que fazê-lo diante de um grupo. “Quase todas as emoções são, em algum nível, dirigidas para os outros, então a resposta deles será muito importante”, disse o psicólogo James Gross, da Universidade Stanford, na Califórnia.
A experiência de chorar também varia de pessoa para pessoa, e algumas são mais propensas à catarse. Em estudos de laboratório, psicólogos induziam ao choro mostrando aos participantes clipes com cenas de filmes muito tristes. Cerca 40% das mulheres choravam; pouquíssimos homens o faziam. Esse tipo de estudo, embora não passe de uma simulação, sugere que as pessoas com sintomas de depressão e ansiedade não se comovem tanto nem se recuperam tão rápido quanto a maioria. Nas pesquisas, elas se mostram menos propensas a relatar benefícios psicológicos do choro.
Em seu livro “Seeing Through Tears: Crying and Attachment” (”Vendo através das lágrimas: choro e ligação”), a terapeuta e professora Judith Kay Nelson argumenta que a experiência de chorar está arraigada na primeira infância e na relação da pessoa com seu cuidador, em geral mãe ou pai. Filhos de pais atentos, que apaziguavam o choro quando necessário, tendiam quando adultos a encontrarem mais consolo no choro.
“Chorar, para uma criança, é uma forma de chamar o cuidador, manter a proximidade e usar o cuidador para regular o humor ou a agitação negativa”, disse Nelson.
Quem cresce inseguro sobre se e quando esse consolo virá pode, quando adulto, ficar preso àquilo que ela chama de choro de protesto -o berro impotente da criança para que alguém conserte o problema ou desfaça a perda.
“Você não pode elaborar a dor se está preso ao choro de protesto, que diz respeito apenas a consertar, consertar a perda”, afirmou Nelson. “E na terapia -assim como nas relações íntimas- o choro de protesto é muito difícil de consolar, porque você não consegue fazer nada direito, não consegue desfazer a perda. Por outro lado, o choro triste, que é um apelo por um conforto de alguém que se ama, é um caminho para a proximidade e a cura.”

27/09/2008 - 18:39h População desconhece doença do coração como principal causa de morte, mostra pesquisa

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CAROLINA FARIAS da Folha Online

Pesquisa realizada pela Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo) mostra que os paulistas desconhecem que os problemas cardiovasculares são as principais causas de mortes no Estado. De acordo com a organização, o infarto é a principal causa de morte em São Paulo, seguida de derrames, câncer e causas externas –como as relacionadas à violência e ao trânsito, por exemplo. A população demonstrou desconhecer os dados e apontou a violência como a principal causa de morte no Estado.

Durante dois dias no mês de junho, 2.096 pessoas, entre 14 e 70 anos, foram entrevistadas em 85 cidades do Estado. O objetivo da pesquisa, realizada pelo Datafolha, foi documentar o grau de conscientização da população sobre os fatores de risco de doenças do coração.

“Apesar de ser a principal causa [doenças cardiovasculares], a população não percebe. O Estado tem maior nível de educação [do país], mesmo assim a população desconhece”, afirmou o diretor da divisão de pesquisas da Socesp, Álvaro Avezum.

Foram apresentados para os entrevistados dois tipos de questionamentos. Um em que questionava, no geral, a principal causa de morte, e outra que perguntava quais os fatores de risco que se associam a doenças cardiovasculares. O que mais foi citado, segundo Avezum, foi o tabagismo –32%. “Isso significa que 68% da nossa população no Estado não identifica o cigarro como fator de risco cardiovascular. É muito pobre o conhecimento, bem abaixo do que gostaríamos que a população tivesse”, afirmou o médico.

Pesquisas realizadas na América Latina apontam que os fatores de risco que mais levam aos problemas no coração são, em primeiro a obesidade abdominal, seguida de tabagismo e alterações do colesterol.

De acordo com a pesquisa, a população praticamente ignora os principais contribuintes das doenças cardiovasculares. Depois dos 32% que disseram acreditar que o cigarro é o que mais mata aparecem 18% que apontaram como maior causa da pressão alta, 17% citaram o alcoolismo, 16% sedentarismo e somente 15% apontaram o colesterol como principal fator.

“O grau de conscientização sobre os fatores é inferior a 30%. Significa que 70% da população do Estado não reconhece os fatores de risco associados a infartos, derrames, que são responsáveis por mortes no Estado”, disse Avezum.

Segundo o médico, a Socesp não imaginava que detectaria níveis tão baixos de conhecimento sobre problemas do coração. Para a organização, a falta de campanhas adequadas sobre os riscos de doenças cardíacas e a maior divulgação de casos de violência.

“Para mudar [de hábitos], a população tem de conhecer. Quem desconhece, não vai buscar prevenção”, afirmou o médico.

Mortes

Por ano, no Brasil, cerca de 300 mil pessoas sofrem infarto, segundo Avezum. Um quarto desse volume é do Estado de São Paulo.

A cada dez pessoas que infartam, três morrem em casa ou a caminho do hospital. Dos sete que chegam ao hospital, um morre. Dos seis que recebem alta hospitalar, um morre em um ano. “Ou seja, é uma doença que mata metade de suas vítimas”, explica o médico.

De acordo com Avezum, se houver a prevenção da obesidade, evita-se 46% dos casos de infarto, ou seja, cerca de 140 mil casos a menos por ano. Se proibir o tabagismo no país diminuiria 38% no número de infartos.

“Evitando isso diminui o número de cirurgias, angioplastias, etc. O impacto é brutal”, afirmou Avezum.

Seis fatores que aumentam os riscos de doenças cardiovasculares e dois que diminuem são aceitos em todo mundo, segundo o médico.

Os elementos que contribuem para os riscos, na ordem, são a alteração do colesterol –LDL alto, chamado de colesterol ruim, e o HDL baixo, chamado de colesterol bom–, cigarro, diabetes, pressão alta, obesidade abdominal e estresse e/ou depressão.

Os fatores protetores são a atividade física regular, no mínimo três vezes por semana durante uma hora, e o segundo ponto é comer verduras e legumes diariamente.

21/09/2008 - 14:30h Da boca para dentro

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Novas pesquisas relacionam boa saúde oral à prevenção de várias doenças

Antônio Marinho* – O GLOBO

Imagine despejar todos os dias a maior parte de seu lixo no manancial de um rio. Com o tempo, lagos e fontes que recebem seu fluxo serão poluídos e podem morrer. É mais ou menos isso que ocorre ao negligenciarmos a higiene bucal. O acúmulo de bactérias em estruturas que envolvem os dentes causa inflamações e aumenta o risco de infecções em todo o corpo. Agora, novos estudos confirmam que cuidar da saúde oral protege contra infarto e derrame. Há quem afirme que a prevenção vai além. Pessoas que escovam mal os dentes e raramente visitam o dentista correm maior risco de cânceres, demência e até de parto prematuro.
O problema começa com o acúmulo de bactérias ao redor dos dentes, formando placas que atacam as gengivas e outras estruturas.
Aos poucos, os germes invadem tecidos e produzem substâncias tóxicas que inflamam as gengivas (gengivite), e alguns chegam à corrente sangüínea. Daí pegam carona para o coração e outros órgãos. Em casos graves (periodontites), os tecidos de suporte são afetados — com destruição de colágeno e de ligamentos — , responsáveis por manter os dentes nos ossos. De 7% a 15% da população mundial sofrem desse mal.

— Mais pesquisas sugerem associação entre infecções orais e doenças sistêmicas — diz a dentista americana Sally Cram.
Um exemplo é o estudo da Universidade de Bristol, de Howard Jenkinson. Na reunião da Sociedade Geral de Microbiologia, ele disse que centenas de cepas de bactérias vivem na boca e algumas entram no sangue. Isso pode causar problema cardíaco, mesmo em saudáveis. Elas produzem agrupamento de plaquetas, formando escudo contra o sistema imunológico e antibióticos.

Sem tratamento, risco de parto prematuro aumenta

Maurizio Tonetti, chefe da Divisão de Periodontologia da Universidade de Connecticut, investigou se um tratamento para anular a produção de bactérias e toxinas da boca seria benéfico em pacientes com aterosclerose.
Os resultados foram animadores. Em artigo na revista “New England Journal of Medicine”, ele mostrou que indivíduos submetidos por seis meses a intenso tratamento de doença das gengivas não apenas se livraram desse mal, mas melhoraram a função do endotélio (a camada interna dos vasos).
E pesquisa na Grã-Bretanha, com 366 gestantes, publicada no “Journal of Periodontology”, indicou que o tratamento de infecção de tecidos da gengiva reduziu o índice de nascimentos prematuros em 84%. Segundo os autores, essa doença eleva a produção de prostaglandina, substância que pode induzir ao parto. As grávidas que receberam cuidados dentários antes da 35ª semana tiveram menor chance de dar à luz antes da hora. Em outro trabalho, na revista “The Lancet Oncology”, autores associaram doenças das gengivas a maior chance de tumores de pulmão, fígado, rim e pâncreas, além de Alzheimer.
Porém não souberam explicar essa relação.

— Dados apontam risco adicional de até 2,8 para infarto em pessoas com periodontites.

Já encontraram traços de bactérias das gengivas em placa ateromatosa retirada em cirurgias. A forte resposta imune estimulada por periodontites parece ser o principal mecanismo na relação com doenças sistêmicas, como diabetes, artrite, a doença pulmonar obstrutiva crônica, úlceras, pneumonias, além de indução a parto prematuro e problema cardiovascular — diz Luciano Oliveira, doutorando em periodontia pela Uerj e membro da Sociedade Brasileira de Diabetes.
Mau hálito, retração e sangramento gengival podem ser os primeiros sinais, explica a dentista Cristiane Vivacqua. Ela diz que pessoas com gengivas doentes são duas vezes mais susceptíveis a queixas cardíacas.

— Doença periodontal pode piorar males cardíacos já existentes. Às vezes é necessária a profilaxia antes de tratamentos dentários, como uso de antibióticos. Isso é avaliado pelo dentista e médico — alerta.
Já a dentista Flávia Rabello de Mattos, especialista em implantes, lembra que diabetes, síndrome de Down, doença de Crohn e Aids favorecem a periodontite: — Habitualmente, doença da gengiva não causa dor, até que dentes se afrouxem ao mastigar ou se forme abcesso. Em fumantes, sinais iniciais são mascarados e eles só percebem o problema quando a perda óssea é grave. Sem tratamento, a perda óssea poderá ser de 1mm/ano.

* Com ‘The Washington Post’ e agências de notícias Existem cerca de 700 cepas de diferentes bactérias (como estafilococo e estreptococo) em uma boca saudável, metade ainda não classificada. Em agosto foi descoberta uma nova espécie, Prevotella histicola, que pode estar relacionada a cáries e doenças da gengiva. Se as bactérias entrarem na corrente sangüínea, podem causar problemas cardíacos e até derrame, mesmo que a pessoa esteja em boa forma física.

Há cerca de cem milhões de bactérias em cada mililítro de saliva. Vírus, fungos e protozoários também vivem na boca. Segundo cientistas, microorganismos procedentes de gengivas infectadas interagem com as plaquetas (elas participam do processo de coagulação, evitando hemorragias) provocando a inflamação das artérias, levando a seu estreitamento.

As bactérias também se unem aos depósitos de gorduras presentes nas artérias, o que pode facilitar a formação de coágulos. Outra explicação é que, ao se movimentar pelo corpo por meio do sangue, a bactéria estimula o sistema imunológico, causando inflamações que entopem as artérias.

Estudos americanos dizem que doenças das gengivas e outras infecções na boca estão associadas à maior incidência de câncer de pulmão, de sangue e de rim, além de pancreatites.

Exame da saliva ajuda a prevenir perda de dentes


Alteração no fluido pode ser sinal de doença, mas dentistas ignoram avaliação

Prestar atenção na saliva ajuda a melhorar a qualidade de vida já que o fluido pode revelar alterações no organismo. No entanto, estudo coordenado pela dentista Denise Falcão, do Departamento de Odontologia da Universidade de Brasília (UnB), diz que apenas 7% dos dentistas costumam fazer o exame, que é simples. E pelo menos 69% dos profissionais entrevistados disseram não ter assistido à aula sobre saliva em cursos de especialização e/ou mestrado.
A saliva desempenha funções no equilíbrio da orofaringe. A falta desse fluido torna o pH bucal ácido e favorece a cárie.
Além disso, a saliva contém uma substância que estimula a cicatrização da mucosa bucal e do esôfago. Portanto, sua deficiência predispõe a esofagites e aftas.

— Em outro estudo na UnB, vimos que a pessoa com saliva viscosa tem mais chances de sofrer mau hálito. Verificamos que portadores de doença periodontal costumam apresentar pH alcalino e saliva viscosa — disse Denise. — Não há como estabelecer relação de causa/efeito, mas as alterações dos padrões da saliva são indicadores de riscos para doenças.
Ela cita, por exemplo, a doença autoimune síndrome de Sjögren, que se caracteriza pela redução de saliva e lágrimas, entre outros sintomas. Geralmente é diagnosticada após anos, o que compromete muito a saúde. Entretanto, se o exame da saliva fosse feito rotineiramente, a doença seria detectada precocemente.

— Outro exemplo é que a saliva muito fluida e/ou a falta de saliva pode ser uma das causas de ardência bucal, situação muito comum principalmente nas mulheres na pós-menopausa, e isso costuma causa depressão. Mudança na coloração pode indicar descamação excessiva da mucosa, inflamações e infecções — alerta Denise.
Até mesmo o sono é ruim quando há pouca saliva. Isso porque a pessoa tende a se levantar com freqüência para beber água.
Outros problemas são a maior chance de ter aftas e outras lesões em mucosa da boca; menor fixação de restaurações dentárias, alteração de paladar e até dificuldade para falar. Segundo Denise, o teste — mostra a quantidade, a cor, a viscosidade e o pH — dura 30 minutos e deve ser feito uma vez ao ano, ou a critério do dentista. A coleta e a seqüência de avaliação deverá ser repetida em um outro dia e no mesmo horário para verificar a média dos valores.

— Carregada de imunoglobulinas ou anticorpos, a saliva tem participação decisiva em algumas doenças — diz o dentista Luciano Oliveira. — Embora seja um bom método auxiliar de diagnóstico, é pouco difundido em consultórios.
A dentista Flávia Rabello afirma que o aumento da produção de saliva, quando necessário, poderá ser conseguido com técnicas para estimulação e uso de medicamentos.
Há ainda a possibilidade de receitar substitutos desse fluido.
Outro estudo na UnB investiga a possibilidade de usar células-tronco na regeneração de tecidos com infecções bacterianas.
E cientistas do King’s College, de Londres, tentam produzir dentes a partir de células-tronco e realizaram pesquisas em camundongos. As células seriam programadas para se transformar em dentes e depois transplantadas para a mandíbula.

15/09/2008 - 16:10h Brócolis pode proteger pulmão de fumantes, diz estudo

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da BBC e Folha Online

Um estudo conduzido nos Estados Unidos sugere que o brócolis pode ajudar a reduzir os danos causados nos pulmões de pacientes que sofrem de uma séria doença pulmonar geralmente associada ao fumo.

A equipe, da John Hopkins School of Medicine, em Maryland, acredita que um composto produzido pelo brócolis, o sulforafano, aumenta a atividade da proteína NRF2 –conhecida por ser um potente antioxidante e componente de defesa dos pulmões contra inflamações.

Essa ação protegeria as células dos danos causados pela doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), normalmente causada pelo fumo e que engloba um conjunto de problemas pulmonares, entre eles a bronquite crônica e o enfisema.

Segundo o estudo, essa proteína aciona vários mecanismos que removem toxinas e poluentes que podem danificar as células pulmonares.

“Aumentar a atividade do NRF2 pode levar à tratamentos úteis que previnem a evolução da DPOC”, disse Shyam Biswal, que coordenou a pesquisa.

Efeitos

O estudo foi publicado na edição desta segunda-feira da revista científica “American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine”.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores examinaram amostras de tecido dos pulmões de fumantes infectados e não-infectados pela DPOC para determinar os níveis de NRF2 nos dois grupos.

Quando comparados com fumantes que não sofriam da doença crônica, os pacientes de DPOC em estágio avançado demonstraram níveis muito menores da proteína.

Por isso, os pesquisadores acreditam que tratamentos direcionados a aumentar os níveis de NRF2 podem atenuar os efeitos do estresse oxidativo provocado pela DPOC nos pulmões.

Segundo o estudo, o sulforafano é capaz de restaurar os níveis reduzidos do NRF2 nas células expostas à fumaça do cigarro.

Tratamento

Pesquisas anteriores já haviam demonstrado que o mesmo composto encontrado no brócolis era capaz de reverter os danos causados pela diabetes aos vasos sangüíneos do coração.

“Pesquisas futuras devem ser direcionadas ao NRF2 como uma nova estratégia para aumentar a proteção antioxidante nos pulmões e testar sua habilidade em melhorar a função pulmonar de pacientes com DPOC”, disse Biswal.

Um porta-voz da Fundação Britânica dos Pulmões afirmou que o estudo é importante para mostrar o desequilíbrio entre oxidantes e antioxidantes nos pulmões.

“Sabemos que o brócolis contém compostos naturais, mas por enquanto os estudos foram feitos apenas em laboratórios e são necessárias mais pesquisas para descobrir se pode produzir os mesmos efeitos em humanos”, disse.

A doença pulmonar obstrutiva crônica foi considerada a quinta mais letal do Brasil, segundo dados recolhidos pelo Projeto Platino, que investigou a incidência da doença no Brasil em 2003.

Segundo os dados, a DPOC provoca cerca de 270 mil hospitalizações anualmente, e é causa crescente de morte no país.

14/09/2008 - 10:26h Musculação fortalece o cérebro

Estudos mostram que exercícios físicos melhoram o funcionamento dos neurônios

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Antônio Marinho – O Globo

Ter um corpo com músculos definidos é sinal de inteligência. Pesquisas americanas indicam que os exercícios de força associados a treinamento aeróbio ativam os neurônios e retardam o envelhecimento do cérebro. Um dos motivos é que a atividade física estimula genes que regulam o órgão. Os dados foram apresentados este fim de semana no III Congresso Brasileiro de Nutrição Esportiva Funcional e IV Congresso Internacional de Nutrição Clínica Funcional, na sede da Fecomércio, em São Paulo. Especialistas discutiram ainda como usar os alimentos para prevenir e controlar desequilíbrios do organismo.

De acordo com estudos, a prática de exercícios aumenta a oxigenação no cérebro. Este é apenas um dos benefícios da malhação.

Segundo o pesquisador Michael Colgan, do American College of Sports Medicine e da British Society for Nutritional Medicine, o esforço produz novas mitocôndrias, organela responsável pela produção de energia.

Para fabricar mais mitocôndrias, o cérebro acaba estimulando a formação de neurônios, a neurogênese.

— Antes se dizia que isso era impossível, que as pessoas nasciam com certo número de neurônios e eles morreriam com os anos. Hoje sabemos que o cérebro cria novas células o tempo todo — diz Colgan, autor de livros sobre o tema, como “Save your brain” (Salve o seu cérebro), ainda não lançado no Brasil.

É por essa razão que o foco da pesquisa em atividade física tem sido quais genes ela regula e como eles afetam a expressão de DNA, a síntese de RNA, entre outras reações.

— Não se trata apenas de oxigenar o cérebro, mas como os exercícios afetam a base de nosso código genético e a sua expressão — afirma Colgan.

Malhação, portanto, é um dos melhores combustíveis para os neurônios. Se a pessoa tem pouca massa muscular tem dificuldade em oxidar as gorduras.

— Quando se perde músculos, há aumento de peso e maior risco de doenças, como diabetes, síndrome metabólica, problemas cardiovasculares, mal de Alzheimer e outros males crônicos. Os músculos são os principais órgãos capazes de oxidar a gordura.

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Má nutrição afeta a libido e causa impotência

Colgan recomenda o equilíbrio nas séries para obter mais vantagens. Os músculos têm duas fibras básicas: a de contração rápida, que oxida carboidratos, e a lenta, que oxida gorduras. Exercícios aeróbicos, como caminhada, corrida, ciclismo e natação, aumentam o número de fibras de contração lenta.

Já exercícios de força aumentam a massa muscular e o número de fibras de contração rápida, de explosão. Estas ajudam a queimar os açúcares (carboidratos). Se a pessoa pratica muito exercício de força, perde fibras lentas. Ao exagerar no treino aeróbico, perde massa muscular.

Outros estudos confirmam a teoria de que exercício físico é bom para o cérebro. Pesquisa realizada com 138 voluntários na Universidade de Melbourne, na Austrália, e publicada no “Journal of the American Medical Association”, indicou que a atividade física melhora a função cognitiva de pessoas acima de 50 anos e com leve falha de memória.

Porém, só malhar é pouco. Colgan e especialistas reunidos no congresso recomendam a nutrição funcional, que visa a recuperar o equilíbrio bioquímico nas células. A partir de uma boa história clínica, de exames laboratoriais, mapeamento genético e polimorfismo enzimático — quando necessários — é possível traçar o perfil nutricional de cada um. Os exames são feitos no exterior, principalmente nos Estados Unidos, por meio de laboratórios conveniados no Brasil (cobram a partir de R$ 800). Há testes que avaliam a hipersensibilidade a nutrientes, numa lista de 94 a 270 alimentos.

Essa hipersensibilidade muitas vezes é responsável por doenças crônicas, alergias, fibromialgia, obesidade, hiperatividade e até depressão e demência. A idéia da nutrição funcional é regular os desequilíbrios orgânicos de acordo com a individualidade bioquímica e controlar o estresse oxidativo.

Nem sempre é necessário se submeter a exames caros para descobrir isso. O mineralograma, por exemplo, muito usado em medicina ortomolecular não é reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina e só mostra a contaminação por metais tóxicos.

— Não há exame específico que aponte a necessidade exata de nutrientes em cada organismo.

O acompanhamento clínico permite observar a reação do organismo a determinados alimentos. Isto leva tempo e requer adesão do paciente. Até o aspecto das unhas revela deficiência ou excesso de nutrientes.

Há pessoas com testes laboratoriais normais que se sentem mal, o que pode ser causado por nutrição inadequada — diz Valéria Paschoal, diretora da VP Consultoria Nutricional e organizadora do Congresso de Nutrição Clínica Funcional.

Má nutrição afeta até a vida sexual. Valéria explica que a disfunção erétil e a frigidez ou falta de desejo sexual podem piorar ou serem desencadeadas por falta de nutrientes que produzem óxido nítrico, como alimentos ricos em arginina (soja e oleaginosas, por exemplo) que melhoram o fluxo de sangue.

Fontes de resveratrol, como chocolate amargo, suco de uva e vinho (sem excessos) e magnésio, encontrado em vegetais de folhas escuras, frutos do mar e peixes, são outros bons alimentos para produzir o óxido nítrico.

A frigidez na mulher pode estar associada à deficiência de zinco, que atua em hormônios. Mas a nutricionista lembra que um alimento bom para uma pessoa, pode fazer mal a outra.

— As dietas que focam apenas na contagem de calorias e açúcares não fazem mais sentido. É preciso escolher os alimentos de acordo com as características individuais. Até as queixas menos graves, como cansaço e falta de ânimo, são resultado de um estresse oxidativo por do desequilíbrio nutricional — diz Valéria.

Receitas para vida saudável

Nos dois congressos de nutrição especialistas discutiram ainda o uso de nutrientes no controle do estresse, no bem-estar físico e mental, na prevenção do envelhecimento precoce e em tratamentos de beleza

CORPO EM FORMA: Para o organismo funcionar bem é preciso consumir 54 nutrientes variados todos os dias, e muita gente não segue esta recomendação, segundo o pesquisador Michael Colgan.

Uma parcela grande da população ingere pouca quantidade necessária de todas as vitaminas e minerais. Por isso, a Academia Nacional de Ciências dos EUA e o Instituto de Medicina recomendam que a maioria dos americanos tome suplementos vitamínicos diariamente. Esses suplementos também devem ser usados pelas crianças e por mulheres durante a gravidez.

http://cache02.stormap.sapo.pt/fotostore01/fotos//90/50/6e/1723151_PU0pl.jpegMENOS ESTRESSE: O estresse físico e emocional causa desequilíbrio hormonal e gera um processo chamado fadiga adrenal, no qual as glândulas supra-renais funcionam mal. Hábitos alimentares e dieta inadequada pioram a situação, segundo a nutricionista Patrícia Davidson. Ela recomenda evitar produtos industrializados e com agrotóxicos, consumo exagerado de adoçantes (têm alta carga tóxica e não auxiliam a supra-renal a produzir hormônios), baixo consumo de alimentos ricos em vitamina C e de gorduras (deve-se evitar as saturadas) — os hormônios da suprarenal são obtidos a partir de colesterol —; pouco consumo de vitaminas do complexo B (principalmente B5 que ajuda na produção de hormônios e está presente em cereais integrais e leguminosas) e de alimentos ricos em magnésio (encontrado em maior quantidade em cereais integrais, leguminosas, folhas verdes escuras), importante para produzir os hormônios adrenais. Deve-se evitar abuso de carboidratos de alto índice glicêmico (pão francês, biscoito, massas, açúcar, arroz branco, batata, mel e doces) que elevam rapidamente a glicose e causam perda de energia. O álcool reduz a capacidade de o fígado lidar com as toxinas, fazendo com que elas permaneçam no sistema e levem ao acúmulo de gordura no coração e ao enfraquecimento do sistema imunológico. Para aliviar o estresse, Patrícia recomenda alimentos como aipo, gengibre e grãos integrais, que auxiliam na absorção de nutrientes, reduzem a liberação de hormônios estressantes e melhoram a concentração.

http://eyoga.uol.com.br/imagens/materia/semente-de-linhaca.jpgPLANTAS ANTIOXIDANTES: Uma maneira de neutralizar o dano oxidativo é fazer dieta rica em fitoquímicos com propriedades antioxidantes, encontrados em vegetais. A nutricionista e bioquímica Lucyanna Kalluf explica que o alho, por exemplo, previne o envelhecimento cerebral e a demência por ser rico em fitoquímicos antioxidantes. O chá verde tem potencial antiinflamatório e anticâncer graças ao componente EGCG. Ela destaca ainda a linhaça, que tem alto teor de lignanas que agem no equilíbrio dos receptores hormonais e diminuem a agregação de placas.

CÉREBRO SAUDÁVEL: O cientista Colgan diz que existem cerca de 20 nutrientes essenciais na prevenção do mal de Alzheimer. Os mais importantes são o ácido glicólico, o aminoácido L-carnitina, o ácido retinóico e a acetilcisteína. Deve-se consultar nutricionista ou médico para saber como consumir essas substâncias de forma saudável.

http://www.cienciapt.info/pt/images/stories/noticias/Saude/not9806.jpgREJUVENESCIMENTO: A nutrição influencia diretamente a saúde da pele, ao modular a síntese do colágeno e de hormônios. Segundo a nutricionista Eliane Tagliari, a recomendação diária deve ser de acordo com individualidade bioquímica de cada um, mas há nutrientes com um papel mais importante, como silício, selênio, coenzima Q10, ácido alfalipóico, quercetina, resveratrol, silimarina, magnésio, cálcio e complexo B. Mesmo os idosos podem se beneficiar, quando melhoram a absorção desses nutrientes através da recuperação da flora intestinal e da produção de enzimas digestivas. Uma boa hidratação é fundamental.

06/07/2008 - 22:07h Leite: tomar ou não tomar, eis a questão…

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Dilema de mamífero


Especialistas se dividem sobre tomar leite na idade adulta: para uns, é fundamental; para outros, prejudicial à saúde

Antônio Marinho – O Globo

A polêmica em relação aos benefícios do leite para a saúde de adultos parece não ter fim. De um lado estão os mais radicais, como o Comitê para Educação de Laticínios nos Estados Unidos, que condenam o alimento e o classificam como um veneno capaz de causar cânceres. Do outro, especialistas que afirmam que o leite é bom até para o coração por ser rico em cálcio, proteína e vitaminas.

O único consenso, pelo menos entre nutricionistas, é que ele faz bem quando usado de forma adequada.

Além de anti-hipertensivo, o leite teria efeito reidratante após exercícios, segundo a revista “British Journal of Nutrition”.

Outro estudo mostrou que ele proporciona maior crescimento muscular em comparação com uma bebida de proteína de soja.

— O cálcio ajuda a controlar a pressão. O efeito na massa muscular é associado à boa qualidade dos seus aminoácidos — diz Virgínia Nascimento, diretora da Clínica de Orientação Nutricional.

Mineral é essencial para a contração cardíaca Para Vilma Blondet, do Departamento de Nutrição e Dietética da UFF, não precisamos especificamente de leite, mas do cálcio. E ele pode ser obtido em iogurtes, queijos e outros laticínios. A recomendação para crianças de 1 ano a 3 anos é de 500mg / dia ; de 4 anos a 8 anos é de 800mg/dia; de 9 anos a 18 anos é de 1.300mg/dia.

— No adulto é de 1 mil mg/dia (quatro copos de leite).

Como qualquer nutriente, em excesso é prejudicial. O abuso de cálcio, por exemplo, pode formar cálculos renais — diz Vilma.

Com relação à ação anti-hipertensiva do cálcio, Vilma diz que há controvérsia e não se receita suplementação do mineral nesses casos: — Parece haver correlação entre hipertensão e dieta com menos de 600mg/dia de cálcio.

Hipertensos devem fazer alimentação rica nesse mineral.

A contração muscular, inclusive cardíaca, também precisa de cálcio, segundo Ana Beatriz Rique, co-autora de “Alimentação saudável, tabela de equivalências” (Tecmedd): — Um dos benefícios de consumir laticínios é que eles aumentam a saciedade por mais horas. E muitas pessoas intolerantes à lactose se dão bem com iogurte e queijos.

Mariana Schievano Danelon, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP, lembra que o “Guia Alimentar para a População Brasileira”, do Ministério da Educação, recomenda o consumo diário de três porções de leite e derivados. São a melhor fonte de cálcio, mas outros alimentos têm esse mineral, como as verduras escuras, soja, amêndoas, sardinha e laranja.

E apesar de alguns pesquisadores dispensarem o leite em adultos, Mariana diz que ele é essencial para a massa óssea, tendo em vista que há perda de minerais pela urina: — Cerca de 99% do cálcio no nosso organismo está nos ossos e nos dentes. E 1% encontrase no plasma, exercendo funções como coagulação e contrações musculares. Quando os níveis de cálcio começam a baixar no sangue, ele é retirado dos ossos.

O alerta é importante. Um estudo de 1996 em cinco cidades brasileiras continua atual, segundo Mariana. Ele revelou que 48,9% dos homens e 61,3% das mulheres acima de 18 anos ingeriam pouco cálcio. E levantamento recente, de abrangência nacional, da Faculdade de Saúde Pública da USP, confirmou a reduzida ingestão do mineral no país: 700mg, quase metade das necessidades diárias.

Argumentos contra o leite são antigos. O humano adulto não foi programado para digerir este alimento. Isto só ocorreu com adaptações da espécie.

Um estudo britânico na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences” comprovou que o homem neolítico tinha deficiência do gene da enzima da lactase. Ela quebra as moléculas de lactose (açúcar natural do leite) na digestão.

Sem o gene nossos ancestrais sofriam de intolerância.

A pesquisa foi feita em esqueletos de adultos que viveram na Europa entre 5.480 a 5 mil a.C.

A Humanidade surgiu na África há 200 mil anos e ficou restrita a este continente por dois terços de sua história evolucionária, só tendo saído de lá há 60 mil anos, lembra o professor Sérgio Danilo Pena, da UFMG e do GENE — Núcleo de Genética Médica.

Durante esse período, os humanos eram intolerantes à lactose após o desmame.

Com a domesticação do gado na Europa nos últimos sete a dez mil anos, a capacidade de digerir lactose passou a ser significativa, seletiva, porque o leite era fonte de calorias, proteína e cálcio.

Hoje não temos mais limitações de aporte de calorias e proteínas, a não ser em populações carentes.

— Com abundância de outras fontes de nutrientes, o leite integral perde importância porque contém de 3% a 4% de gorduras animais que aumentam o colesterol. Por outro lado, o desnatado é boa fonte de cálcio para adultos — diz.

A evolução não acabou de vez com a intolerância ao leite, incômodo que afeta metade dos adultos. Hoje já existem até produtos sem lactose.

Outra queixa é a alergia causada pela principal proteína do leite (a caseína), mal que atinge até 5% das crianças. E não são os problemas mais graves.

Segundo o Comitê para Educação de Laticínios, o leite destrói células. Eles até criaram o site www.notmilk.com para alertar os consumidores.

Porém, estudos sobre malefícios do leite precisam de mais análises.

Assim como são inconclusivos dados sugerindo que o alimento reduz o risco de síndrome metabólica (diabetes, aumento de gorduras no sangue e hipertensão). A hipótese foi apontada em artigo na “Journal of Epidemiology and Community Health”. Médicos do Brigham and Women’s Hospital também defendem o leite, e afirmam que meio litro por dia reduz em 12% o risco de câncer de intestino, graças ao efeito protetor do cálcio.


Saiba mais sobre o alimento

NUTRIENTES: O leite é uma das melhores fontes de cálcio e energia, contém proteínas de alto valor biológico e vitaminas lipossolúveis como a D (essencial para a absorção do cálcio) e A (auxilia no crescimento e desenvolvimento ósseo, manutenção da visão normal e na imunidade), e hidrossolúveis, como a B1 e B2 (importantes para a integridade do sistema nervoso e uso de proteínas, gorduras e carboidratos). O leite integral contém 3,5g de gordura em 100ml; o semidesnatado contém até 2g de gordura e o desnatado até 0,5g. Adultos devem optar por desnatados. Para gestantes e crianças recomendase o leite integral, que possui maior quantidade de vitaminas A, D, E e K.

PROTEÇÃO CONTRA DOENÇAS:
A professora Mariana Danelon diz que alguns estudos, na maioria epidemiológicos (avaliam a relação entre os hábitos alimentares e a incidência de doenças na população), associam o consumo de leite à redução de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, câncer no intestino e obesidade. Mas o mecanismo pelo qual o leite propiciaria esses benefícios ainda não está totalmente esclarecido.
A seqüência de aminoácidos das proteínas do leite, a cadeia de ácidos graxos poliinsaturados (presentes no leite materno), as propriedades das proteínas do soro do leite e o cálcio teriam ação contra as doenças crônicas.

04/07/2008 - 19:25h Fonte da juventude

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Cientistas de Harvard isolam substância do vinho e rejuvenescem coração de roedores

Reuters – Portal Globo

WASHINGTON – Um novo estudo da Universidade de Harvard comprova os benefícios do resveratrol, um composto químico presente no vinho tinto, e levanta a hipótese de que a suplementação desta substância isolada melhoraria consideravelmente a saúde dos seres humanos. A expectativa é tanta que a indústria farmacêutica já investe no desenvolvimento de medicamentos à base de resveratrol. De acordo com a pesquisa, publicada na revista “Cell metabolism”, a substância evitaria uma série de problemas de saúde relacionados com o envelhecimento, ao beneficiar o coração e fortalecer os ossos, além de prevenir a catarata.

O estudo, realizado com ratos alimentados com uma dieta acrescida de resveratrol, é o primeiro a dar esperanças de que medicamentos com a substância possam melhorar a saúde das pessoas. A maioria dos roedores que receberam resveratrol não viveu muito mais do que os outros animais, no entanto, eram muito mais saudáveis.

- A boa notícia é que podemos melhorar a saúde. Creio que isso é mais importante do que estender a vida – diz David Sinclair, da Escola de Medicina de Harvard, que coordenou o estudo com Rafael de Cabo, do Instituto Nacional sobre Envelhecimento, órgão do governo americano.

Os animais foram divididos em três grupos. O primeiro recebeu uma dieta de baixa caloria. Os outros dois foram tratados com dieta altamente calórica, sendo que um deles recebeu suplementação de resveratrol. Este terceiro grupo sobreviveu ao que não recebeu o composto. A substância só foi ministrada quando os animais completaram um ano, o que equivale a 35 anos de uma pessoa.

- O resveratrol acabou com o efeito negativo das altas taxas de gordura – afirma De Cabo.

A substância, presente nas uvas e no vinho tinto, tem despertado o interesse da comunidade científica e da indústria farmacêutica. Este ano a GlaxoSmithKline pagou US$ 720 milhões pela Sirtris Pharmaceuticals Inc, uma empresa que desenvolve farmácos que imitam os efeitos do resveratrol. Especialistas da empresa participaram do estudo.


Benefícios concretos

Os ratos tratados com resveratrol apresentaram menor deterioração cardiovascular, relacionada à obesidade ou à idade. Também houve redução no colesterol total e as artérias aortas estavam em melhores condições. A substância, acrescentam os autores, pareceu moderar as inflamações cardíacas. Os animais também tinham melhor saúde óssea e menor incidência de catarata nos olhos. Os cientistas observaram que os ratinhos também apresentavam melhor equilíbrio e coordenação motora.

Os genes dos ratos que tomaram resveratrol estavam ativos de modo similar aos que foram alimentados com dieta de baixa caloria. Estudos anteriores já haviam demonstrado que a redução da ingesta calórica favorece a desaceleração do processo de envelhecimento e aumenta a expectativa de vida em alguns animais.

O estudo foi uma continuidade de uma outra pesquisa, publicada em 2006, que revelou que o resveratrol melhorava a saúde e a longevidade dos ratos com sobrepeso. Segundo De Cabo, apesar de os novos resultados serem alentadores, seria imprudente que as pessoas começassem a tomar suplementos de resveratrol para melhorar sua saúde, já que não se sabe ainda como este composto interage com outros medicamentos.

02/06/2008 - 14:49h Células-tronco e medicina regenerativa

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Por Reinaldo Guimarães* – VALOR

O tema é relevante, logrou mobilizar argumentos e paixões de importantes segmentos da sociedade e, uma vez mais, reiterou o caráter laico do Estado brasileiro. Com a decisão do Supremo Tribunal Federal de 29/05, a Lei de Biossegurança prosseguirá tendo vigência integral e os pesquisadores continuarão a trabalhar com células-tronco de todos os tipos, inclusive as embrionárias humanas.

A utilização experimental de células-tronco humanas adultas, embrionárias ou adultas induzidas à totipotência é apenas um capítulo de um conjunto maior de tecnologias denominadas terapias celulares. Essas, por sua vez, são parte de um novo e promissor campo da medicina denominado medicina regenerativa, que ainda engatinha em suas potencialidades. Confirmadas, talvez se possa falar no estabelecimento de um novo paradigma no cuidado à saúde humana.

A modernidade instituiu um paradigma crescentemente intervencionista sobre os corpos dos indivíduos cujo epítome são as grandes e heróicas contribuições da cirurgia e o crescente número de dispositivos mecânicos e eletroeletrônicos introduzidos nesses corpos. Foi desse paradigma que derivaram os mitos dos andróides e do homem biônico. A medicina regenerativa caminha em sentido oposto: a regeneração do corpo pela utilização de sua matéria original. A recuperação do princípio hipocrático do “Vis Medicatrix Naturae” – o viés curativo da natureza -, agora num enquadramento molecular e conduzido para alvos determinados e previamente estabelecidos. Quando colocamos a questão das células-tronco nessa perspectiva mais ampla, vê-se que as possibilidades são imensas.

Ainda de um outro ponto de vista, a medicina regenerativa pode estabelecer uma mudança de rumos nas práticas de cuidado à saúde. O paradigma intervencionista é intensivo em tecnologias “duras” e seus custos, faz tempo, tendem a crescer exponencialmente. Até onde a vista alcança – e devemos reconhecer que ela ainda não alcança muito longe -, as terapias celulares, por serem quase nada invasivas, tendem a impor menos sofrimento aos pacientes e a serem muito mais custo-efetivas.

Mas qual é o estado da arte das terapias celulares com células-tronco? Onde está a fronteira mundial? Como já foi dito, engatinha-se e, em resumo, o que se tem é: 1) muitas evidências experimentais em modelos animais; 2) muitas evidências clínicas derivadas de estudos destinados a estabelecer a segurança dos procedimentos (estudos clínicos fases I e II, com poucos pacientes); 3) poucas evidências clínicas referentes à efetividade dos procedimentos (estudos fase III controlados e randomizados, com muitos pacientes); 4) muitas interrogações sobre o mecanismo de ação das células-tronco nos tecidos lesados; 5) pouca compreensão sobre os mecanismos que governam os processos de diferenciação celular. É certo que, sem avançar bastante nesses aspectos, os estudos continuarão a ser experimentais. Não poderão ser incorporados nas práticas ordinárias de saúde.


As terapias celulares, por serem pouco invasivas, tendem a serem mais custo-efetivas, impondo muito menos sofrimento

Essa visão realista coloca para os pesquisadores e profissionais de saúde uma grande responsabilidade. Em conjunto com as instâncias de revisão ética da pesquisa em seres humanos (sistema CEP’s/Conep), eles serão os principais fiadores da decisão do STF. Estarão na alça de mira da sociedade que, agora que foi chamada a debater o assunto, tomou posição e certamente ficará atenta aos abusos que eventualmente vierem a ocorrer. E já há algum tempo abusos são apontados, em particular envolvendo profissionais que, fora de protocolos devidamente controlados e aprovados por uma comissão de ética, injetam células em pacientes que não mais dispõem de opção terapêutica regular. Mediante alta retribuição financeira, naturalmente.

Do mesmo modo, o sistema brasileiro de revisão ética de pesquisas – criado na esfera do Conselho Nacional de Saúde – deve ser fortalecido. Muito embora bem organizado (uma comissão nacional e comissões locais descentralizadas), ele apresenta dois problemas importantes: não está dando conta do crescimento da pesquisa clínica no país e não é sustentado por uma norma de nível legal que, na opinião da maioria dos juristas, é necessária para dar segurança jurídica às suas decisões.

Por que um país como o Brasil deve investir num terreno ainda tão movediço e tão cheio de interrogações? A produção de conhecimento científico no mundo é brutalmente assimétrica e a geração de inovações é ainda mais. Mais de dois terços de todas as publicações científicas em saúde são oriundas de cinco países do hemisfério norte. Apenas cerca de 3% dos recursos financeiros mundiais utilizados em pesquisa e desenvolvimento em saúde são oriundos dos cerca de 140 países de renda média e baixa. Essa assimetria é fruto de muitas variáveis, dentro e fora do terreno estritamente científico e tecnológico. Mas é certo afirmar duas coisas: 1) há um lugar para o Brasil no campo da produção científica e tecnológica em saúde; 2) esse lugar será tanto mais confortável quanto menor for a distância que nos separa da fronteira mundial num tema determinado. Esse é exatamente o caso das terapias celulares e da medicina regenerativa. Todos estão começando. Nossa distância dos líderes ainda não é muito grande. É importante não deixá-la crescer.

Qual é a responsabilidade dos governos federal e estaduais? Estimular a formação de novos grupos de pesquisa, apoiar a atividade dos grupos existentes, contribuir para a formação de pesquisadores nessa área e prover infra-estrutura de pesquisa. Qual a responsabilidade do sistema brasileiro de revisão ética de pesquisa com seres humanos? Atuar conscienciosa e eficientemente no exame dos protocolos enviados para seu exame.

O Ministério da Saúde vem apoiando grupos de pesquisa em células-tronco desde 2004. Até agora foram 45 projetos de pesquisa, selecionados em cooperação com o Ministério da Ciência e Tecnologia. Dentre estes, há um grande estudo multicêntrico para avaliar a efetividade de células-tronco adultas autólogas em quatro doenças do coração. No total, até agora, foram despendidos cerca de R$ 24,5 milhões. Ainda este ano, será lançada a Rede Nacional de Terapia Celular, cujo objetivo é o de coordenar e potencializar as atividades de pesquisa nos grupos já atuantes no país e fornecer infra-estrutura para a derivação de linhagens brasileiras de células-tronco para pesquisas. Também em cooperação com o Ministério de Ciência e Tecnologia, os investimentos nesse projeto chegarão a cerca de R$ 21 milhões em dois anos.


Reinaldo Guimarães é secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde.

29/05/2008 - 09:18h Os seres vivos e as máquinas

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Fernando Reinach* – O Estado de São Paulo

Para explicar como funcionam os seres vivos é comum compará-los com máquinas. É fácil explicar como funciona o olho usando a analogia de uma câmera fotográfica ou como funciona o sistema circulatório comparando o coração a uma bomba. O problema é que a utilização dessas analogias criou um solo fértil para um dos argumentos mais utilizados pelos modernos criacionistas. Os defensores do “desenho inteligente”, ressaltando a enorme sofisticação do olho, afirmam que um sistema tão perfeito só pode ter surgido com o auxílio de um ser inteligente. Da mesma maneira que uma máquina fotográfica foi criada pela inteligência humana, um olho, que é tão superior, teria que ser o resultado da ação de um ser superior.

Entretanto, existem diferenças importantes entre as máquinas e os seres vivos. A primeira e mais conhecida é que os seres vivos constroem a si mesmos, como é o caso do desenvolvimento de um ser humano a partir do óvulo fecundado. O homem não foi capaz de construir máquinas com essa capacidade. Que tal encontrar um embrião de carro no porta-malas? Em vez de comprar um carro novo, bastaria esperar que o novo carro prosseguisse no seu processo embriológico até “parir” um carro novinho em folha. Mas há outra propriedade dos seres vivos que os separa definitivamente das máquinas. É a plasticidade de seu desenho funcional. A característica, que havia sido postulada de maneira teórica e detectada em diversos seres vivos, agora foi demonstrada experimentalmente de modo rigoroso.

As máquinas são construídas com uma arquitetura rígida. Imagine o que acontece com um computador se você cortar alguns fios e os conectar ao acaso. É praticamente certo que a máquina deixa de funcionar. Ela é rígida porque foi desenhada com base em princípios por um ser inteligente. Foi para verificar se o mesmo ocorria com seres vivos que os cientistas fizeram 600 alterações distintas nos mecanismos de regulação de uma bactéria, os “fios” que conectam as diversas partes do seu metabolismo. Após cada alteração, os cientistas verificaram se o funcionamento do organismo era prejudicado.

O resultado é surpreendente. A grande maioria das alterações não provoca nenhum efeito no funcionamento da bactéria. Isso demonstra que elas têm um nível de redundância nos seus mecanismos de controle muito grande. É como se você cortasse o tubo que leva gasolina ao motor e descobrisse que o motor continua a funcionar porque tem diversas maneiras de mandar gasolina para os cilindros. Em um computador, seria o equivalente a reconectar ao acaso diversos componentes e descobrir que tudo continua a funcionar como antes.

É essa redundância presente nos seres vivos que permite que evoluam por seleção natural. Isso permite que uma mutação altere parte da “máquina viva” sem matá-la. Se essa alteração levar a uma melhora de seu funcionamento, ela vai sobreviver e o ser vivo terá evoluído. As máquinas, por terem sido desenhadas por um ser inteligente, não têm essa flexibilidade e não podem evoluir por seleção natural. A demonstração experimental em larga escala dessa plasticidade funcional nos seres vivos reforça a idéia que a evolução darwiniana é realmente o mecanismo que está por detrás do surgimento da vida.

*Biólogo – fernando@reinach.com

12/05/2008 - 14:29h A pesquisa em células-tronco


Alegar que certos avanços eliminam a necessidade de estudos com células-tronco embrionárias contraria o bom senso científico

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TENDÊNCIAS/DEBATES – FOLHA DE SÃO PAULO

ÁLVARO MONTEIRO e MARCELO O. DANTAS

CÉLULAS-TRONCO são células não especializadas com a capacidade de se renovarem, mediante a divisão celular, e de se tornarem, sob certas condições fisiológicas ou experimentais, células com funções especiais, tais como as células do músculo cardíaco ou do sistema nervoso. Entre as células-tronco, três grupos se distinguem: as células-tronco germinativas, que dão origem aos óvulos e espermatozóides; as células-tronco embrionárias (CTEs); e as células-tronco adultas (CTAs). A principal diferença entres esses grupos é a capacidade de diferenciação em células especializadas.

As células-tronco germinativas podem formar um organismo inteiro. Porém, à medida que o organismo se desenvolve, o leque de possibilidades de diferenciação se reduz.

As CTEs, objeto da controvérsia no STF, têm potencial ilimitado de proliferação e alta capacidade de diferenciação. Para chegar às CTEs, é preciso extraí-las do embrião em estágio inicial, que ainda não passa de um conjunto microscópico de células.

Já as CTAs são células não diferenciadas, que se encontram em pequenas quantidades em certos tecidos do corpo e são capazes de se diferenciar em células especializadas. O leque de possibilidades de diferenciação delas é extremamente reduzido, limitando-se em geral à manutenção e ao reparo dos tecidos em que são encontradas.

A pesquisa com células-tronco tem longa história, mas ganhou impulso a partir da década de 1980. Trata-se de esforço internacional, que tem por objetivo central esclarecer os processos normais da célula e entender seus estados patológicos. Há também interesses terapêuticos com implicações econômicas e de saúde pública.

Lesões da coluna vertebral, mal de Parkinson e doenças crônicas do coração são problemas que poderão, no futuro, ser tratados com ferramentas desenvolvidas a partir das investigações com células-tronco. Não se trata de uma panacéia. Mas é sem dúvida um capítulo importante da pesquisa biomédica.

Os estudos até aqui realizados utilizam tanto CTEs quanto CTAs. Dada a capacidade limitada das CTAs, vários grupos concentraram esforços na chamada “reprogramação” de células especializadas (derivadas de diferentes tecidos adultos) em células pluripotentes, similares às CTEs.

Em 2007, esses esforços culminaram na identificação de combinações de genes que, ao serem transferidos para as células e ativados, são capazes de transformar células de pele em células pluripotentes. A essa técnica chama-se pluripotência induzida.

A alegação de que os avanços nessa área eliminam a necessidade de estudos com CTEs contraria o bom senso científico. A natureza das células obtidas por pluripotência induzida é pouco conhecida e precisaremos de vários anos para chegar ao nível de conhecimento hoje existente sobre as CTEs. Além disso, diversos obstáculos terão de ser superados. Por exemplo, a ativação de um dos genes usados na indução está freqüentemente associada ao câncer em humanos e em modelos experimentais. Os vetores virais usados para a inserção desses genes nas células a serem reprogramadas também apresentam potencial tumorigênico.

Em contraste, a pesquisa com CTEs poderá chegar muito mais rapidamente às aplicações terapêuticas ou mesmo concluir que essas aplicações não serão possíveis.

O conhecimento científico caminha por múltiplas vertentes, que se relacionam e se complementam. Não pode haver avanço seguro na área da pluripotência induzida sem a comparação com as CTEs, células livres de modificações genéticas. De fato, as CTEs constituem o “padrão-ouro” com respeito ao qual todos os resultados são comparados. É também notório que os trabalhos em pluripotência induzida surgiram a partir da observação de que a fusão de CTEs com células de tecidos adultos levava à reprogramação. Possivelmente, sem a pesquisa em CTEs, a pluripotência induzida não teria sido descoberta.

A disciplina da bioética, que lida com os critérios da boa pesquisa, informou o legislador na elaboração da Lei de Biossegurança. Segundo esse texto legal, os embriões a serem utilizados na pesquisa científica devem ser inviáveis ou estar congelados por ao menos três anos, fazendo-se necessário o consentimento expresso dos genitores. São eles que decidem, em última instância, se desejam manter o embrião congelado, implantá-lo, descartá-lo ou doá-lo à ciência. A fertilização “in vitro” gera embriões excedentes. Quem doa um deles à ciência age no mesmo espírito humanitário que norteia a doação de órgãos.


ÁLVARO MONTEIRO , 43, biólogo molecular, pós-doutorado pela Rockfeller University (EUA), é chefe do laboratório de genética de câncer do Moffitt Cancer Center (Tampa, Flórida). MARCELO O. DANTAS , 44, é escritor, economista e diplomata. Responsável pelos temas de Unesco no Ministério das Relações Exteriores, acompanhou a negociação da Declaração Universal de Bioética e Direitos Humanos.


Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

13/04/2008 - 05:33h Vamos deixar de correr assustados

O Estado de São Paulo – Shannon Brownlee*

esports.gifEu me senti um pouco sem fôlego outro dia, subindo uma colina. Uma ponta de preocupação alojou-se por instantes em minha mente. Aos 50 e poucos anos de idade, estou numa forma bastante satisfatória. Não fumo. Caminho vários quilômetros quase todos os dias, e ainda consigo vencer minha amiga de 40 e tantos no tênis. Não sou exatamente uma candidata a um ataque cardíaco. Mas ainda assim, tenho ouvido todas essas histórias de mulheres como eu – as sem nenhum fator de risco de doenças do coração -, que foram subitamente atingidas por um ataque cardíaco.

Talvez você tenha tido as mesmas preocupações – imaginado se alguma fisgadinha era azia ou um ataque, se aquela horrível dor de cabeça era causada por tensão ou por um derrame. Quase todo o mundo que conheço que atingiu a meia-idade gasta uma certa quantidade de tempo preocupando-se com esse ou aquele distúrbio. Meu marido, meus amigos e eu costumávamos falar de política, ciência, religião, filhos. Agora, nenhum jantar está completo sem pelo menos alguns minutos de discussão sobre níveis de colesterol, os méritos de andar versus correr ou se roncar é ou não um sinal de apnéia.

Não é que estivéssemos realmente doentes. Claro, duas pessoas de nosso grupo sofrem de hipertensão, e uma amiga querida tem uma doença crônica grave. Cada um de nós conhece pelo menos uma pessoa da nossa idade que morreu de câncer ou enfarte. Como jornalista da área médica, encontrei muitas pessoas que sofrem terrivelmente de doenças debilitantes ou mortais, e sei que quase todos nós acabaremos topando com uma enfermidade grave.

Mas a maioria dos meus amigos e eu, como a maioria dos americanos de meia-idade, somos uma turma bastante saudável. Se eu perguntasse a meus amigos quanto tempo eles planejam viver, aposto que responderiam como muitos entrevistados de uma recente pesquisa da UPI, que concluiu que a maioria dos americanos acredita que passará dos 80 anos. Não é que temamos correr um perigo iminente de morte, mas achamos que precisamos estar hipervigilantes em relação às doenças para postergá-las ao máximo.

AFLIÇÃO

É isso que me preocupa. Por estar constantemente lembrando que devemos estar sempre à espreita de possíveis doenças, os médicos e a mídia têm feito muitos se sentirem mais aflitos. Não tenho certeza se essas advertências têm nos tornado mais saudáveis, mas decididamente têm arruinado nossa sensação de bem-estar. A gente se preocupa com qualquer dorzinha ou mal-estar, fica atormentado com o menor sinal de tristeza num adolescente, pensando ser um sintoma de depressão clínica.

Mas, ao encararmos tantos aspectos comuns da experiência humana como doenças tratáveis, podemos estar conferindo à medicina mais poderes do que ela merece. Pense em todas as mensagens que recebemos constantemente do mundo médico e da mídia: “Vigie seu peso.” “Verifique seu colesterol.” “Conheça os sinais da iminência de um derrame.” “Durma mais ou você sofrerá um acidente de carro.” “Essa mancha na suas costas? Pode ser um melanoma.” “Está se sentindo constipado? Talvez seja câncer de ovário.” “Faça exames.”

Há manchetes como essa, da revista Forbes: “Sintomas médicos que você não deve ignorar.” Já o livro Body Signs: From Warning Signs to False Alarms… How to Be Your Own Diagnostic Detective (Sinais emitidos pelo organismo: De sinais de advertência a alarmes Falsos… Como ser seu próprio detetive de diagnóstico), por exemplo, é um compêndio de sintomas que vão desde pele seca a soluços em excesso – tudo pode sinalizar doenças graves. A missão expressa da obra: “alertá-lo, adverti-lo, talvez até assustá-lo para que você vá ao médico.”

A idéia é mesmo assustar as pessoas. Grupos de defesa de pacientes, como a Sociedade Americana do Câncer, há muito acreditam que a forma de melhorar a saúde das pessoas é aumentar a “conscientização” sobre essa ou aquela doença, e a melhor forma de aumentar a conscientização é atemorizar as pessoas para que freqüentem consultórios médicos. Já em 1936, essa entidade usava slogans do tipo “Ninguém está livre de um câncer”, na tentativa de fazer com que as mulheres se submetessem a exames de mama.

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EXAGEROS

Hoje em dia, organizações de defesa de pacientes costumam disparar alarmes sobre a enfermidade que tentam erradicar, seja inflando o número de pessoas afetadas, seja exagerando o perigo. A Fundação Nacional sobre Sono, por exemplo, entidade dedicada a incentivar os americanos a descansar mais, recentemente divulgou uma pesquisa alegando que uma colossal porcentagem – 75% – tem tanta privação de sono que isso está interferindo na vida sexual. É muita gente sonolenta e com pouca atividade sexual, algo bem difícil de acreditar, dado que para o Instituto Nacional de Saúde no máximo 21% da população tem insônia recorrente.

Há poucos anos, ao menos um grupo de defesa de pacientes de câncer de mama andou alegando que a doença deles era a que mais matava as mulheres. Na realidade, morrem muito mais mulheres por doenças cardíacas e câncer de pulmão.

Provocar o medo também interessa às empresas farmacêuticas, que querem que você se preocupe com doenças porque as pessoas preocupadas tendem a consultar mais médicos e a consumir remédios. Acontece que muito do que nós – e nossos médicos – acreditamos saber sobre muitos problemas de saúde foi definido pelos fabricantes de medicamentos e seus especialistas em marketing. Vejamos a “fixação da marca para tratar uma doença”, uma das mais brilhantes e amplamente usadas técnicas de marketing para vender medicamentos. Os fixadores da marca usam “informações” sobre condições médicas para forjar ligações entre a doença e o tratamento na mente tanto dos pacientes quanto dos médicos. Se eles tiverem um medicamento, mas não tiverem uma doença, simplesmente inventam uma doença. Venho denunciando isso há anos.

Um dos melhores exemplos é a “osteopenia”, um diagnóstico que milhões de mulheres da minha idade recebem anualmente. A osteopenia é supostamente a precursora da osteoporose, a perda gradual de massa óssea que ocorre à medida que envelhecemos. A osteoporose avançada pode tornar as mulheres vulneráveis a uma fratura de fêmur, um problema grave se você for idosa e frágil, porque freqüentemente prenuncia uma série de complicações, tais como pneumonia, que pode, em última análise, levar à morte.

Milhões de mulheres são tratadas de osteoporose com medicamentos que podem desacelerar a perda de massa óssea, reduzindo, assim, o risco de fratura no quadril. Ou é isso que diz a lógica. O problema é que a osteoporose e a osteopenia não são realmente doenças.

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PARA AMPLIAR MERCADO

Antes da década de 1990, os médicos decidiam que você tinha osteoporose se fosse idosa e fraturasse um osso. Quando a empresa farmacêutica Merck surgiu com seu medicamento contra perda de massa óssea, o Fosamax, queria um mercado mais amplo do que apenas as idosas pacientes de fraturas. A solução? A empresa ajudou a financiar uma junta de especialistas médicos para definir os critérios para diagnóstico da osteoporose de forma que o diagnóstico fosse feito antes que a paciente quebrasse um osso.

A primeira providência do comitê foi definir a densidade óssea “normal” como sendo a de uma mulher saudável de 30 anos. A seguir, os especialistas escolheram como número mínimo de densidade óssea para provocar a osteoporose um ponto estatístico ligeiramente abaixo da densidade óssea da sua “mulher normal” de 30 anos – um critério que eles mesmos admitiram que foi “um tanto arbitrário”. Por fim, apresentaram uma doença totalmente nova – a osteopenia – representada por uma densidade óssea que se encaixasse entre aquela normal da mulher de 30 anos e a definição arbitrária, criada por eles, de osteoporose.

De repente, 30% das mulheres no período pós-menopausa tinham uma doença que precisava ser tratada com antecedência para prevenir um problema – a fratura do fêmur – que demoraria muitos anos para ocorrer, se ocorresse. Segundo as novas diretrizes, agora milhões de mulheres têm osteopenia, que seus médicos precisam vigiar como falcões para que as pacientes possam ser tratadas antes que progrida para uma osteoporose. A Merck, então, tomou a medida adicional de ajudar os médicos a comprarem scanners Dexa, aparelhos de raio X necessários para esquadrinhar os ossos e conseguir o tão importante diagnóstico.

Além da osteoporose e da osteopenia, os médicos agora querem nos examinar para saber se temos um monte de pré-doenças – e que as empresas farmacêuticas estão felicíssimas em curar. Há a pré-pressão alta e a pré-diabete, que nosso médico supostamente pode diagnosticar mesmo quando nosso nível de açúcar no sangue estiver perfeitamente normal. Se você esteve recentemente num dermatologista, é provável que este tenha removido algumas manchas “pré-cancerosas”. Elas podem muito bem ter sido queratoses actínicas que, apesar de seu nome assustador, quase nunca se tornam uma forma agressiva de câncer de pele.

Remova-as se a má aparência delas incomodar, mas não fique alarmado se não tirá-las.

Depois, vem a mãe de todas as pré-doenças, o colesterol alto, que é, sim, um fator de risco, mas não uma sentença de morte. Mesmo assim, um anúncio horripilante da Pfizer de um medicamento de combate ao colesterol alto, o Lipitor, surgido há alguns anos, usava o cadáver de uma mulher para exortar as mulheres na casa dos 50 anos a verificar seu nível de colesterol. Saiba seus dados clínicos. Pergunte ao seu médico. Tenha medo – tenha muito medo.

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O que está perdido em tudo isso é a crença de que podemos enfrentar a vida, que podemos viver diante de suas permanentes incertezas. Em nosso desejo desesperado de proteção contra a natureza ambígua e invisível da doença, temos permitido que nossos médicos e a indústria farmacêutica transformem tudo em doença, desde a azia até a dor de cabeça.

Queremos respostas mesmo quando elas não existem. Recorremos à medicina para que nos traga alívio das terríveis incógnitas do envelhecimento e suas perdas inevitáveis, mesmo quando as respostas podem ser forjadas para vender remédio. E, agora, estamos tão completamente convencidos do poder da medicina que qualquer um que duvide da sensatez da medicação se arrisca a ser rotulado de “niilista terapêutico”, aquele que rejeita a medicina na sua totalidade. Mas você não pode passar a maior parte da sua carreira fazendo reportagens sobre medicina, como eu passei, e deixar de se maravilhar com muitos prodígios nem de sentir compaixão por aqueles que estão realmente doentes.

Não pretendo monitorar meu colesterol, indubitavelmente, para a consternação do meu médico. Por que me incomodar? Já estou vigiando meu peso, exercito-me regularmente e alimento-me de forma saudável. Não quero tomar medicamentos que oferecem pouca proteção – se alguma – contra ataques cardíacos para pessoas cujo único fator de risco é o colesterol elevado. Se na noite passada eu não consegui dormir oito horas, sempre posso recuperar nesta noite. Meus ossos terão de simplesmente se esfarelar tranqüilamente por conta própria, porque não tenho a mínima intenção de tomar um medicamento cujos benefícios são incertos e cujos riscos são muito reais.

E quanto à ansiedade? Acho que vou cuidar disso desligando a conversa assustadora dos médicos.

*Shannon Brownlee é jornalista e autora do livro Overtreated: Why Too Much Medicine Is Making Us Sicker and Poorer. Artigo originalmente publicado pelo jornal The Washington Post

12/04/2008 - 12:31h Sem o menor sentimento de culpa

DRAUZIO VARELLA

A preguiça humana

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Se você é daqueles que esperam a visita da disposição física para fazer exercícios, desista

MAL DESEMBARQUEI no aeroporto Santos Dumont, dei de cara com uma jibóia contorcida que avançava em passo de procissão. Era uma fila longa e grossa constituída por mulheres com trajes formais e homens de terno escuro, ejetados pelos aviões que aterrissavam no primeiro horário da manhã.
Usuário contumaz da ponte aérea que liga São Paulo ao Rio, jamais havia me deparado com aquela aglomeração ordeira.
Assim que a jibóia fez a curva, saí de lado para enxergar a origem do congestionamento. Não pude acreditar: a fila desembocava na boca da escada rolante. Ao lado dela, a escada comum, deserta como o Saara.
Imaginei que houvesse alguma razão para tanta espera, quem sabe a escada mecânica estivesse obstruída; mas, como não percebi nenhum obstáculo, caminhei em direção a ela. Não fosse a companhia de um rapaz de mochila nas costas, dois degraus à minha frente, eu teria descido no desamparo.
Se ainda fosse para subir a escada rolante, o esforço maior e a transpiração àquela hora da manhã talvez justificassem a falta de iniciativa. Os enfileirados, no entanto, berrando em seus celulares, em pleno vigor da atividade profissional, recusavam-se a movimentar as pernas mesmo para descer.
Se perguntássemos para aquele povo se a vida sedentária faz bem à saúde, todos responderiam que não. Pessoas instruídas estão cansadas de ler a respeito dos benefícios que a atividade física traz para o corpo humano: melhora as condições cardiorrespiratórias, reduz o risco de doenças cardiovasculares, reumatismo, diabetes, hipertensão arterial, câncer, degenerações neurológicas etc.
Por que, então, preferem aguardar pacientemente a descer um lance de degraus às custas das próprias pernas?
Por uma razão simples: o exercício físico vai contra a natureza humana. Que outra explicação existiria para o fato de o sedentarismo ser praticamente universal entre os que conseguem ganhar a vida no conforto das cadeiras?
A preguiça para movimentar o esqueleto não é privilégio de nossa espécie: nenhum animal adulto gasta energia à toa. No zoológico, leitor, você jamais encontrará uma onça dando um pique aeróbico, um gorila levantando peso, uma girafa galopando para melhorar a forma física. A escassez milenar de alimentos na natureza fez com que os animais adotassem a estratégia de reduzir o desperdício energético ao mínimo.
A necessidade de poupar energia moldou o metabolismo de nossa espécie de maneira tal que toda caloria ingerida em excesso será armazenada sob a forma de gordura, defesa do organismo para enfrentar as agruras dos dias de jejuns prolongados que porventura possam ocorrer.
Por causa dessas limitações biológicas, se você é daquelas pessoas que esperam a visita da disposição física para começar a fazer exercícios com regularidade, desista. Ela jamais virá. Disposição para sair da cama todos os dias, calçar o tênis e andar até o suor escorrer pelo rosto nenhum mortal tem.
Encare a atividade física com disciplina militar ou esqueça-se dela. Na base do “quando der, eu faço”, nunca dará.
Falo por experiência própria. Sou corredor de distâncias longas há muitos anos. Às seis da manhã, chego no parque, abro a porta do carro e saio correndo. Não faço alongamento antes, como deveria, porque, se ficar parado, esticando os músculos, volto para a cama. Durante todo o percurso do primeiro quilômetro, meu cérebro é refém de um pensamento recorrente: não há o que justifique um homem passar por esse suplício.
Daí em diante, as endorfinas liberadas na corrente sangüínea tornam o sofrimento mais suportável. Mas o exercício só fica bom, de fato, quando termina. Que sensação de paz e tranqüilidade! Que prazer traz a certeza de que posso passar o resto do dia sentado, sem o menor sentimento de culpa.
Se eu perguntasse às pessoas daquela fila por que razão levam vidas sedentárias, todas apresentariam justificativas convincentes: excesso de trabalho, filhos que precisam ir para a escola, obrigações familiares, trânsito, falta de dinheiro, violência urbana.
No passado, diante desses argumentos, eu ficava condoído e me calava. Os anos de profissão mudaram minha atitude, entretanto: escuto as explicações em silêncio, mas não me comovo com elas. O coração vira uma pedra de gelo. No final, quando meu interlocutor pergunta como poderia encontrar tempo para a atividade física regular, respondo:
“Isso é problema seu.”

13/03/2008 - 11:55h Mesmo em níveis ’seguros’, poluição de São Paulo causa doença cardíaca

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Incor detecta alta de casos de arritmia em dias nos quais a qualidade do ar é considerada boa pelo Conama

Fernanda Aranda – O Estado de São Paulo

Mesmo quando a qualidade do ar é classificada como boa em São Paulo, os paulistanos respiram poluição suficiente para provocar um colapso no coração. O alarme foi dado após divulgação da pesquisa do Instituto do Coração (Incor), do Hospital das Clínicas. Ficou comprovado que ainda que a concentração de gases tóxicos não ‘incomodem’ as estações de medição, a ocorrência de ataques cardíacos já aumenta entre 7% e 12% por causa dos níveis de poluentes.

O estudo avaliou 3.300 pessoas, que recorreram, nos últimos 20 meses, ao Pronto-Socorro do Incor com diagnóstico de arritmia (aceleração exacerbada dos batimentos cardíacos). Os pesquisadores atestaram que os dias mais movimentados de pacientes com ‘pane no coração’ eram também os mais poluídos. Para promover um aumento de 12% dos casos de descompasso na freqüência cardíaca, bastou a concentração média de monóxido de carbono, principal poluente emitido pelos veículos, chegar a 1,5 ppm (parte por milhão). Na escala oficial, só quando a concentração atinge nível superior a 9 ppm o ar é classificado como ruim pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama).

As partículas inaláveis – outro poluente comum na atmosfera de São Paulo – também fizeram crescer em 7% a ocorrência de arritmia no Pronto-Socorro do Incor. Da mesma forma, a concentração necessária para culminar em problemas foi de 22 mg por metro cúbico, bem menor do que a faixa de 50 mg/m3 considerada imprópria. ‘Ficou evidente que valores de poluentes muito inferiores do que o tolerável são suficientes para provocar danos severos à saúde’, afirma o coordenador da pesquisa, Ubiratan Santos.

Os padrões para considerar o ar bom ou ruim, explica o Conama, foram estipulados em 1990 e até agora não passaram por atualização. No ano passado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) sugeriu que o Brasil reduzisse pela metade esses indicadores. ‘Somos favoráveis à redução. Mas isso exigiria uma mudança brusca na indústria e na economia’, afirma o assessor da Secretaria de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Carlos Alberto Santos.

Para Paulo Saldiva, diretor do Laboratório de Poluição da Universidade de São Paulo, os gases tóxicos voltaram a ser os principais vilões dos paulistanos justamente porque as questões econômicas se sobrepõem às de saúde . ‘Na Região Metropolitana, a poluição é responsável por oito mortes diárias. Entre 1996 e 2005, conseguimos reduzir a mortalidade, mas voltamos a uma escala crescente’, lamenta. Para se ter uma idéia, as mortes causadas por poluentes superam as vidas perdidas nos acidentes de trânsito (4 por dia) e homicídios (6,5 diários) na capital.

Segundo relatório da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb), em 2007 a poluição voltou a crescer, depois de uma década contínua de queda. Todos os poluentes registram alta de 2%. Combinado às condições climáticas – tempo quente e dias secos – o repique ampliou em 54% os dias considerados impróprios.

O principal responsável pelo problema é o crescimento explosivo da frota automotiva, que chegou aos 6 milhões de veículos na capital. ‘Ainda é prematuro afirmar que a poluição voltou a crescer. O que se sabe é que há uma estagnação nas melhoras. Os benefícios trazidos pela renovação dos veículos e melhora dos equipamentos estão sendo suprimidos pelo aumento contínuo da frota de carros e motos’, afirma a diretora de qualidade do ar da Cetesb, Maria Helena Martins.

‘Como prejuízo, a população costuma citar os congestionamentos. Ainda não há a percepção de que a saúde é a principal comprometida’, complementa o professor de pediatria ambiental da Universidade Santo Amaro, Alfésio Braga. ‘São 200 doenças relacionadas à poluição, principalmente cardiovasculares e respiratórias, que fazem vítimas fatais diariamente.’

ALERTAS

O motorista que fica 20% de tempo a mais que o habitual nos congestionamentos dobra as chances de ter um enfarte

A poluição provoca efeitos parecidos com os do cigarro também para quem não fuma. Em SP, os gases tóxicos matam mais do que acidentes e homicídios

O movimento em hospitais aumenta até 30% em dias de alta concentração de poluentes

12/02/2008 - 09:41h Contra infarto, Inglaterra incentiva sexo

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Serviço de saúde do governo inglês recomenda exercícios sexuais como forma de prevenir doenças cardiovasculares

Endorfinas liberadas durante o ato ajudam a viver mais; produção de hormônios extras mantém ossos sadios e previne rugas

DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA DE SÃO PAULO

O serviço de saúde inglês (NHS), uma espécie de SUS britânico, tem feito uma recomendação pouco ortodoxa como forma de prevenir doenças cardiovasculares: a prática de exercícios sexuais.
Em seu site oficial, o órgão diz que “sexercise” (exercício sexual) pode diminuir os riscos de ataques cardíacos e ajudar as pessoas a viver mais. “As endorfinas liberadas durante o orgasmo estimulam as células do sistema auto-imune.”
Segundo o NHS, durante a relação sexual são usados todos os grupos musculares, o que faz com que “o coração e os pulmões trabalhem duro e haja uma queima de cerca de 300 calorias por hora”.
O serviço afirma ainda que a produção extra dos hormônios estrógeno e progesterona, envolvida na relação sexual, ajuda a manter os ossos e os músculos sadios e previne rugas.
O NHS também dá dicas de como otimizar a vida sexual. Sobre orgasmo, aconselha: “Passe algum tempo consigo mesmo para aprender o que o excita”. Também ensina exercícios para os músculos da pélvis. “Pare e reinicie seu fluxo de urina quando for ao banheiro. Depois disso, é possível se exercitar em qualquer lugar, a qualquer momento, em seqüências de dez a 20 contrações.”
Sobre masturbação, o serviço diz que a prática é útil para explorar o próprio corpo. “Para homens, ajuda a conter a ejaculação, para que não ocorra cedo demais; para mulheres, facilita a chegada ao orgasmo.”
Para a psiquiatra Carmita Abdo, professora da Faculdade de Medicina da USP, a iniciativa tem “tudo a ver” com a prevenção de doenças cardiovasculares. “É um bom exercício, libera endorfina. Tem muita gente que detesta exercício em academia porque se sente excluído, um robô. O sexo é um tipo de exercício que inclui, que envolve afeto, carinho. Um é o personal trainer do outro”, afirma a médica.
Para ela, sexo problemático pode estar associado a doenças cardíacas. “O coração é feito do mesmo tecido interno [endotélio] que reveste os órgãos sexuais. No homem, a disfunção erétil pode, muitas vezes, sinalizar uma doença cardíaca.”
O cardiologista Otávio Rizzi Coelho, da Unicamp (Universidade de Campinas), afirma que existe um mito entre as pessoas que sofreram infartos ou outras doenças cardíacas de que o sexo seria contra-indicado. “Não faz mal. A quantidade de energia despendida não é muito grande. Pode, sim, ter uma vida sexual sem riscos adicionais.”
Para ele, as orientações do serviço inglês são fundamentais para cardiopatas e para quem quer prevenir eventos cardiovasculares.
(CLÁUDIA COLLUCCI)

22/12/2007 - 13:51h Le Viagra fait aussi bander les muscles des sportifs

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09/10/2007 - 18:48h Un mal matrimonio puede dañar el corazón

Un estudio publicado por Archives of Internal Medicine reveló que las personas que tienen malas relaciones son un 34% más propensas a padecer un episodio cardíaco. Los investigadores creen que eso puede estar motivado en el estrés que provoca una disputa familiar.

La calidad de la relación de pareja tiene incidencia en la salud cardíaca de la persona. Así lo establece un reciente estudio que reveló que un mal matrimonio puede elevar el riesgo de sufrir enfermedades del corazón.

Los científicos que llevaron adelante el trabajo indicaron que probablemente esto se deba al estrés, que –se sabe- provoca muchos problemas de salud y puede ser generado por las malas relaciones.

El estudio se realizó entre 9.011 empleados públicos británicos, en su mayoría casados, a quienes se les realizó un seguimiento durante 12 años. Aquellos que tuvieron las peores relaciones cercanas mostraron ser un 34% más propensos a sufrir infartos y otros problemas cardíacos que aquellos que gozaban de buenas relaciones, entre parejas, familiares cercanos y amigos.

El trabajo, publicado por los Archives of Internal Medicine, se enfocó en la calidad del matrimonio y otras relaciones cercanas. El autor principal del estudio, Roberto De Vogli, investigador del University College de Londres, explicó: “El estar casado en general está bien, pero hay que tener cuidado con el tipo de persona con la que uno se ha casado, pues la calidad de la relación sí importa”.

Otro estudio reciente que también se enfocó en la calidad de las relaciones arrojó resultados diferentes. No hubo relación entre los problemas matrimoniales en general y los riesgos de enfermedad cardíaca o de muerte temprana. Sin embargo, descubrió tras un seguimiento de 10 años que las mujeres que callaron durante discusiones matrimoniales tuvieron un mayor riesgo de morir que las que expresaron sus sentimientos durante las peleas.

(Fuente: AP)