16/02/2009 - 15:43h Ópera nos cinemas

A primeira das óperas no cinema, domingo passado nas salas de São Paulo, foi um êxito de público. Sala lotada para a transmissão de Orfeu e Eurídice, de Gluck sob a batuta de James Levine, no MET de New York. (nova apresentação prevista terça-feira).

Até maio, outros quatro espetáculos têm exibições digitais previstas em sete cidades brasileiras, sempre aos domingos, com reprise nas terças.
Rio, Santos, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba e Porto Alegre são as outras cidades que participam.

A próxima será Lucia de Lammermoor, de Donizetti. Domingo 1 de março. Vale a pena reservar, pois domingo passado a sala estava cheia. A qualidade tecnológica permite uma sonoridade e um visual quase perfeito, alem de ser legendada em português. Reproduzo a seguir algumas informações sobre Orfeu e Eurídice, assim como um resumo da ópera. Espero encorajá-los a assistir, vale a pena. No final encontrarão uma ária da ópera, alem das já publicadas neste blog no domingo.

No dia 15 de fevereiro, a MovieMobz leva aos cinemas de São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Porto Alegre e Rio a ópera “Orfeu e Eurídice”, de Gluck, conduzida pelo maestro James Levine e interpretada por Stephanie Blythe e Danielle de Niese .

Os 584 espectadores que lotaram a sessão única da ópera “La Rondine”, de Puccini, na abertura da temporada brasileira do Metropolitan Opera de NY, em 1º de fevereiro, no Cine Odeon Petrobras, no Rio, mostraram que a fórmula de sucesso responsável por levar mais de um milhão de pessoas aos cinemas de 30 países e 850 salas do mundo pode dar certo por aqui também.

No dia 15 de fevereiro, por intermédio da distribuidora MovieMobz e com patrocínio da Ford, os espetáculos em alta definição e som 5.1 estreiam nas telonas de São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba e Porto Alegre.

Juntamente com os cinemas do Rio, as cinco capitais exibem a segunda ópera da programação, “Orfeu e Eurídice”, de Christoph Willibald Gluck, conduzida pelo diretor artístico do Met Opera, o maestro James Levine. As vozes principais são da mezzo-soprano Stephanie Blythe, no papel de Orfeu, e a soprano Danielle de Niese, interpretando Eurídice. O espetáculo terá reprise nas seis cidades no dia 17 de de fevereiro.

“A sessão de La Rondine no Odeon, num domingo de sol a pino, comprovou que existe um público fiel e apaixonado por ópera no Rio”, constata Marco Aurélio Marcondes, sócio-diretor da MovieMobz. “Vamos aumentar o número de salas em cada cidade e vamos torcer para que as próximas sessões obtenham o mesmo êxito”, aposta Marcondes.

Mais quatro espetáculos, com exibição sempre aos domingos e reapresentações nas terças-feiras seguintes, compõem a programação da primeira temporada brasileira do Met Opera, que termina em maio: “Lúcia de Lamermoor”, de Donizetti, dia 1/3; “Madame Butterfly”, de Puccini, 22/03; “La Sonnambula”, de Bellinni, 5/4; e “La Cenerentola”, de Rossini, 24/5.

SOBRE ORFEU E EURÍDICE

De Christoph Willibald Gluck
Libreto de Ranieri de Calzabigi
Première mundial: Viena, Burgtheater, 5 de outubro de 1762

Orfeu: Stephanie Blythe
Eurídice: Danielle de Niese
Eros: Heidi Grant Murphy

Condutor: James Levine
Produção: Mark Morris
Set Designer: Allen Moyer
Figurino: Isaac Mizrahi
Iluminação: James F. Ingalls
Coreografia: Mark Morris

O mito do músico Orfeu, que viaja ao mundo inferior para resgatar sua esposa morta, Eurídice, explora as questões mais profundas do desejo, da angústia e do poder (e limites) da arte. Sua história é tema da trilha para ópera mais antiga registrada (Euridice, de Jacopo Peri, 1600) e a ópera mais antiga ainda sendo apresentada (Orfeu, de Monteverdi).

Gluck e seu libretista, Calzabigi, transformaram essa lenda na base de uma obra que almejava mais do que servir apenas de entretenimento – era um novo ideal operístico. Desiludido com o formato inflexível da ópera em seu tempo, Gluck procurou reformular a encenação da ópera com uma visionária e consistente união de música, poesia e dança. Especificamente, ele planejou que os cantores servissem ao drama, e não o contrário. Não há como negar que Orfeu e Eurídice, com sua música de irresistível e transcendente beleza, ajudou a expandir a ideia do público sobre o potencial teatral de uma ópera. Mozart e Wagner estão entre os sucessores de Gluck que admitiram abertamente suas influências dessa visão.

Os criadores

Christoph Willibald Gluck (1714-1787) nasceu na Bavária e estudou música em Milão. Foi nessa cidade que ele se juntou a uma orquestra e aprendeu a arte da produção de uma ópera, inclusive compondo os seus primeiros trabalhos. Gluck viajou extensivamente pela Europa, atraindo estudantes e discípulos para sua filosofia de maior interação entre ópera e teatro.

Após notável sucesso em Londres, Praga, Dresden e especialmente Paris, Gluck realizou seus grandes êxitos em Viena, onde faleceu em 1787.

Seu libretista para Orfeu e Eurídice foi o extraordinário poeta italiano Ranieri de Calzabigi (1714-1795). Graças a uma longa estadia em Paris, Ranieri sofreu influência do teatro francês e compartilhou com Gluck seu ideal de teatro musical. O prefácio de Calzabigi contido no libreto da colaboração seguinte da dupla, Alceste, expressa o ideal dos criadores em reformular a ópera. Na verdade, sem o apoio de Calzabigi, muito do legado atual de Gluck permaneceria desconhecido ao público.

O cenário

A obra é ambientada no interior da Grécia e no mundo inferior mitológico. Na obra, esses ambientes são mais conceituais que geográficos, e a noção de como eles se parecem pode (e certamente irá) variar a cada época.

A música

Gluck conscientemente evitou vocais excessivamente delicados, por considerar que estes comprometiam a dramaticidade da ópera durante a época dos castrati – cantores que sofriam intervenções cirúrgicas antes da puberdade para assim preservarem suas vozes agudas. Os castrati dominavam a ópera de tal maneira que os compositores, segundo Gluck, se sentiam obrigados a comprometer seus talentos para evidenciar suas habilidades técnicas.

Originalmente, ele não dispensou os castrati, mas seus papéis em Orfeu tinham mais a finalidade de causar uma impressão mais dramática e refinada musicalmente (uma “simplicidade digna”, nas palavras de Calzabigi) do que servir de mero exibicionismo vocal. Esse efeito é bem aparente nos dois solos mais notáveis da obra, “Che puro ciel”, no segundo ato e “Che faro senza Eurídice?”, no terceiro. Ambos são árias emocionantes, sem apresentar nenhum momento de exagero. “Che puro ciel” tem como acompanhamento um oboé que é típico da elegância econômica da orquestra durante a trilha. Até mesmo a música dançante é convincentemente apresentada para causar certo efeito perturbador e original, ao mesmo tempo em que mantém uma notável simplicidade.

Orfeu e Eurídice no Met

Orfeu e Eurídice estreou cedo na história do Met: primeiro em uma única apresentação em turnê em Boston em 1885, e em seguida em oito performances na temporada de 1891-1892. Foi também a atração de abertura para a première de Pagliacci, em 11 de dezembro de 1893. Arturo Toscanini era um grande admirador da ópera e a apresentou por conta própria de 1909 a 1914, estrelando a grande contralto americana Louise Homer.

George Balanchine criou uma versão com ênfase na coreografia em 1936, que fora rapidamente substituída por outra em 1938. Risë Stevens estrelou uma outra versão em 1955, que também incluía Hilde Gürden e Roberta Peters, e Richard Bonynge conduziu uma notável produção em 1970, com Grace Brumbry no papel de Orfeu. Quando a ópera foi remontada duas temporadas depois, Marilyn Horne cantou o papel. A produção atual é de Mark Morris, e teve sua estréia em maio de 2007 com James Levine conduzindo e Davis Daniels e Maija Kovalevska nos papéis principais.

Sinopse

Ato I

Cena 1 – Um bosque solitário – o túmulo de Eurídice. Ninfas e pastores lamentam a morte de Eurídice, mordida por uma cobra (Coro: “Ah, se intorno a quest” urna funesta”). Abandonado, Orfeu, marido de Eurídice, junta sua voz ao ritual (“Chiamo il mio ben così”), mas apenas a ninfa Eco responde. Orfeu promete resgatar Eurídice do reino de Hades, o mundo inferior (“Numi! barbari numi”).

Cena 2 – Eros, deus do amor, aparece com a palavra de Júpiter, que, por misericórdia de Orfeu, permitirá que ele desça ao mundo inferior para recuperar Eurídice. Para tornar a provação ainda mais arriscada, Orfeu não poderia olhar na direção de sua amada, ou mesmo explicar porque isso lhe era proibido. Do contrário, ele a perderia para sempre (“Gli sguardi trattieni”). Orfeu concorda e começa a sua jornada.

Ato II

Cena 1 – Os Portões de Hades. Fúrias e fantasmas tentam impedir a passagem de Orfeu para o mundo inferior (“Chi mai dell”Erebo”). Mas seu lamento comove e pacifica as entidades. Ele finalmente tem permissão de atravessar os Campos Elísios.

Cena 2 – Elísio. Orfeu se encanta com a beleza da paisagem (“Che puro ciel, che chiaro sol”). Heróis e heroínas trazem Eurídice para ele (“Torna, o bella, al tuo consorte”). Sem olhar para ela, Orfeu a leva embora.

Ato III

Cena 1 – Um labirinto sombrio. Orfeu conduz Eurídice em direção ao mundo superior, proibido de olhar para ela (“Vieni, segui i miei passi”). Ele não pode explicar o motivo (“Vieni, appaga il tuo consorte!”). Eurídice se desespera com a idéia de uma vida sem o amor de Orfeu (“Che fiero momento”). Aterrorizado, ele volta seu olhar para ela. Eurídice morre novamente. Aflito, Orfeu se questiona como poderá viver sem sua amada (“Che farò senza Euridice?”). Ele decide suicidar-se.

Cena 2

Eros reaparece e paira na mão de Orfeu. Em resposta ao seu amor devoto e profundo, Eros revive Eurídice novamente. Os três retornam à Terra.

Cena 3 – O Templo do Amor. Orfeu, Eurídice, Eros, as ninfas e os pastores celebram reunidos o poder do Amor com música e dança (“Trionfi Amore!”).

Trio “Tendre Amour” (1774 version) from act 3 of C. W. Gluck’s opera “Orphée et Eurydice”. Orphée: Magdalena Kožená Eurydice: Madeline Bender Amour: Patricia Petibon Châtelet, 2000

Orfeu e Eurídice
Anote os cinemas

Rio de Janeiro

Unibanco Arteplex – sala 3
Dia 15.02 às 17h. e dia 17.02 às 21h.
Preço: R$ 30,00

Estação VIVO – Gávea – sala 4
Dia 15.02 às 17:50h.
Preço: R$ 30,00

Estação VIVO – Gávea – sala 1
Dia 17.02 às 21h.
Preço: R$ 30,00

Estação Ipanema
Dia 15.02
Preço: R$ 30,00
SALA 1 às 11h15
SALA 2 às 11h

São Paulo

Cine Bombril – sala 1
Dia 15.02 às 17h. e dia 17.02 às 19h.
Preço: R$ 25,00

Espaço Unibanco de Cinema Pompéia – sala 5
Dia 15.02 às 17h.
Preço: R$ 30,00

Unibanco Arteplex – sala 3
Dia 15.02 às 17h. e dia 17.02 às 20h.
Preço: R$ 30,00

Santos

Espaço Unibanco Miramar – sala 1
Dia 15.02 às 17h.
Preço: R$ 25,00

Belo Horizonte

Espaço Unibanco Ponteio – sala 1
Dia 15.02 às 17h. e 17.02 às 19:30h.
Preço: R$ 25,00

Ubiminas Belas Artes – sala 2
Dia 15.02 às 17h.
Preço: R$ 25,00

Curitiba

Unibanco Arteplex – sala 1
Dia 15.02 às 17h. e dia 17.02 às 19:30h.
Preço: R$ 30,00

Porto Alegre

Unibanco Arteplex – sala 2
Dia 15.02 às 17h. e dia 17.02 às 20h.
Preço: R$ 30,00

Brasília

Cine Academia – sala 3
Dia 15.02 às 17h. e dia 17.02 às 20h.
Preço: R$ 30,00

Casa Park – salas 4 e 6
Dia 15.02 às 17h.
Preço: R$ 30,00

PROGRAMAÇÃO DO ÓPERA NO CINEMA

ORFEU e EURÍDICE
De Christoph Willibald Gluck

RIO DE JANEIRO, SÃO PAULO, BELO HORIZONTE, PORTO ALEGRE, CURITIBA, BRASÍLIA

- Dias 15 e 17 de fevereiro

Regência: James Levine
Estrelada por Stephanie Blythe e Danielle de Niese

LÚCIA DE LAMMERMOOR, de Gaetano Donizetti

- Dias 01 e 03 de março

RIO DE JANEIRO, SÃO PAULO, BELO HORIZONTE, PORTO ALEGRE, CURITIBA, BRASÍLIA E POSSIVELMENTE EM OUTRAS CIDADES

Regência: Marco Armiliato
Estrelada por Anna Netrebko e Rolando Villazón 

28/01/2009 - 20:35h Dança do fogo fátuo

Dança do fogo fátuo, do filme de Carlos Saura Amor bruxo. Coreografia de Antonio Gades, música de Manuel de Falla cantada por Rocio Jurado. Bailarinos Cristina Hoyos e Antonio Gades

01/01/2009 - 20:46h O amor bruxo

Coreografia de Antonio Gades no filme El amor brujo de Carlos Saura

12/11/2008 - 18:22h Não se fazem mais homens assim

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Último grande romântico da ópera italiana e influenciador dos musicais modernos, Puccini é homenageado pelos 150 anos

Eduardo Fradkin – O Globo

Dois gênios se encontram e fazem um mexerico que entra para o anedotário da música clássica. A iniciativa é do russo Dmitri Shostakovich, que inquire o inglês Benjamin Britten sobre sua opinião a respeito do italiano Giacomo Puccini. O interpelado responde: “Eu acho as óperas dele horrorosas”. Shostakovich retruca: “Não, Ben, você está errado. Ele fez óperas maravilhosas, mas música horrorosa”. Esse talvez seja o exemplo mais notório do desprezo de alguns modernistas do século XX por Puccini. Ele viveu até 1924, mas estilisticamente nunca se afastou muito de meados do século anterior, no qual nascera. Mais especificamente há 150 anos, a serem festejados no próximo dia 22 de dezembro.

Festejados por quem? Todos os amantes de doces melodias e enredos sentimentais baseados em dramas de cunho realista. Essas eram as especialidades do aniversariante e os principais motivos para ataques num século em que tais atributos foram considerados populismo de apelo fácil.

Chegou a ser taxado de efeminado, logo ele que cultivava fama de galanteador (“sou um caçador de aves selvagens, libretos operísticos e mulheres atraentes”, dizia). Parte da vanguarda e da crítica podem ter esnobado seu romantismo, mas não as platéias, que têm prestigiado suas óperas ao longo do tempo. Esta semana, dois recitais gratuitos o homenageiam.

O primeiro é hoje, às 18h30m, no Istituto Italiano di Cultura (Av. Antônio Carlos 40), com vários cantores e uma pianista num programa que traz árias de seis óperas. Na sexta, às 19h30m, a série “Ópera nas igrejas” apresenta uma versão para vozes e piano de “Suor Angelica”, de um só ato, na Paróquia Santa Mônica, no Leblon (Rua José Linhares 96).

Em tempos recentes, a reputação de Puccini foi bastante reabilitada.

Ironicamente, para alguém às vezes chamado de retrógrado, ele se mostra afinado com os dias atuais. Sua influência é palpável em musicais popularíssimos.

E isso é reconhecido por autores do gênero. A dupla Claude-Michel Schönberg e Alain Boublil, por exemplo, recontou a história da ópera “Madama Butterfly” em “Miss Saigon” e usou uma melodia dessa mesma fonte em outra famosa produção, “Les misérables” (na canção “Bring him home”).

O musical “Rent”, de 1996, é inspirado em “La bohème”, composta exatamente um século antes.

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Operista criticava obras de colegas

Quem melhor, portanto, do que um cantor que transita entre o mundo da ópera e o dos musicais para opinar sobre o que o compositor tem de melhor? Com a palavra o barítono astro da Broadway Paulo Szot: — Puccini amava sopranos e tenores….
para barítono e mezzo-soprano não tem muita coisa. Mas eu adoro mesmo assim. Eu tive a oportunidade de cantar “La bohème” muitas vezes, por esse motivo é minha favorita.

A última montagem em que cantei foi em Bordeaux, em 2007. Quem sabe um dia encaro “Gianni Schicchi”? Opa, melhor seguir o conselho de Szot e procurar sopranos e tenores, então. A japonesa Eiko Senda cita “Madama Butterfly” — sobre uma conterrânea abandonada com um filho no colo por seu amante americano — como a ópera mais completa do italiano. Mas não é sua preferida.
— Eu gosto especialmente de “Edgar”, que é pouco montada no Brasil.

Adoro as melodias e a história — afirma a cantora, citando a segunda ópera da carreira de Puccini, um retumbante fracasso. — Já fiz “Madama Butterfly” muitas vezes. Sempre perco cinco quilos em cada apresentação.

É cansativa física e emocionalmente.

É muito dolorosa para qualquer mulher, ainda mais para quem tem um filho, como eu.

— Os personagens de Puccini equivalem aos personagens das novelas de hoje — diz o tenor Fernando Portari, que atuará numa montagem de “La bohème” na Deutsche Oper de Berlim em dezembro.

— Ele foi um profundo conhecedor da alma feminina — elogia a soprano Céline Imbert, cuja ópera favorita é “Suor Angelica”.

Uma das críticas mais comuns que se faz a Puccini é também um dos maiores deleites de seus fãs: o abuso das cordas em uníssono. Ele explorou a técnica da violinata, em que as cordas da orquestra, em diferentes oitavas, vão se agregando a uma melodia cantada pelo solista num crescendo de intensidade. O maestro Ricardo Prado rejeita a acusação de sacaroso que ocasionalmente ainda recai sobre o compositor por conta disso: — Uma de suas qualidades era a orquestração. Para lembrar apenas um exemplo, as cordas que acompanham Scarpia e Tosca no dueto “E qual via scegliete?”, no segundo ato da “Tosca”, são de uma escrita sofisticada e beleza extraordinária.

Em algumas óperas tardias, Puccini usa harmonias mais arrojadas, com dissonâncias e bitonalidade, sob influência de inovações trazidas por Debussy, Stravinsky e outros. Isso é particularmente notado em “La fanciulla del West” (elogiada por Anton Webern) e em “Turandot”, sua última grande obra-prima que ficou incompleta devido a um tratamento experimental para câncer na garganta que lhe tirou a vida. Embora tivesse reclamado das tendências mais radicalmente modernas de seu tempo (“música sem lógica que não faz sentido”, disse certa vez), Puccini se manteve antenado com as novidades.

Numa viagem a Florença em seu último ano de vida, assistiu a “Pierrot Lunaire”, obra atonal de Schoenberg. O musicólogo Luiz Paulo Sampaio lembra outros casos: — Sua correspondência com Giulio Ricordi (editor de suas óperas) mostra bem como ele reagiu aos modernistas, seus contemporâneos. Após ouvir “Pelléas et Mélisande”, destacou as “extraordinárias qualidades harmônicas e os delicados efeitos instrumentais” de Debussy. E concluiu: “Interessante, apesar de seu colorido sombrio e sem relevos, como o hábito de um monge franciscano”. Em relação à “Salomé” de Strauss, registrou o sucesso da obra mas disse que “a orquestra parecia uma salada russa mal misturada”. Sua reação à “Sagração da primavera” foi de choque: “a coreografia é ridícula e a música, mera cacofonia. Há alguma originalidade e um certo talento, mas, no todo, mais parece a criação de um louco”.

Sorte de Shostakovich e Britten que Puccini não tenha vivido para ouvir algumas de suas obras mais iconoclastas. Provavelmente retribuiria os comentários cáusticos que os dois lhe dirigiram.

Madama Butterfly de Puccini – Ópera imaginária

23/09/2008 - 17:22h Pilates: associação defende método tradicional

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Tatiana Clébicar – O Globo

RIO – Preocupada com a oferta desordenada de cursos Brasil afora, a Associação Brasileira de Pilates promove um curso de pilates tradicional para profissionais formados em Educação Física ou Fisioterapia. O objetivo é ensinar os 34 movimentos desenvolvidos pelo alemão Joseph Hubertus Pilates nas décadas de 20 e 30.

- Alguns professores agregam novos conhecimentos à técnica e a formação original se perde. Alterações em relação à respiração e à contração do abdômen e a fragmentação do método não traduzem as propostas de Pilates – diz o professor Hamilton Scherer, secretário geral da associação.

Segundo ele, a idéia do é que o indivíduo pudesse exercitar o corpo como um todo em 34 exercícios que trabalham todos os grupos musculares. A ordem dos movimentos obedece a uma seqüência determinada pelo criador do método.

- A aula é uma coreografia que não pode ser interrompida. Há uma sincronia que não pode ser quebrada para que o aluno beba água, por exemplo – completa ele, dizendo que no Brasil, ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos, bailarinos não podem ser instrutores. – É necessária uma formação em saúde. Especialmente porque o pilates é um exercício pesado. Não é nada suave.

  ” Alterações em relação à respiração e à contração do abdômen e a fragmentação do método não traduzem as propostas de Pilates “

A força vem do músculo transverso do abdômen. Scherer explica que apesar de a atividade ser pesada pode e deve ser praticada por pessoas com desvios posturais e dores lombares.

- O pilates aumenta a flexibilidade e tonifica a musculatura – enfatiza, lembrando que o método está baseados nos princípios da respiração, centralização, concentração, alongamento axial, coordenação e fluidez. – Muitos alunos asmáticos têm menos crises porque aprendem a tirar proveito de toda sua capacidade respiratória. Isso significa mais qualidade de vida.

07/08/2008 - 16:16h Les uns et les autres – Bolero – Retratos da Vida

A pedido de Deolinda, leitora do blog, um pedaço do filme “Les uns et les autres” de Claude Lelouche. A música é o Bolero de Maurice Ravel, a coreografia é de Maurice Bejart e o dançarino é Jorge Donn. No filme atua Geraldine Chaplin e tem ainda canção de Michel Legrand et Francis Lai, mas é todo uma questão de gosto. Aqui vão os dois. Acrescentei também o trailer em inglês, com sub-títulos em português, com o nome Bolero. A versão que passou no Brasil com o nome de Retratos da Vida, esta apresentada no Youtube pelo comentário que reproduzo a seguir.LF

“Enquanto o mundo batalhava entre si durante a Segunda Guerra Mundial, quatro família de distintos países – Estados Unidos, França, Alemanha e Rússia – se cruzam em circunstâncias históricas e se unem através da dança e do drama. Este clássico decalca o Bolero de Ravel, com um coreografia marcante de Jorge Donn em pleno Trocadero parisiense. A música tornou-se uma verdadeira febre na época lançada sendo quase impossível ouvir a música e não associá-la ao filme. Composto de um elenco de extraordinários atores – James Caan, Robert Houssein, Geraldine Chaplin, Nicole Garcia, Fanny Ardant – sob a direção do renomado diretor Claude Lelouch, destacado pela criação de diversas obras primas do cinema de arte, Retratos da Vida é, sem dúvida, um dos filmes mais marcantes de sua época e continua encantando platéias do mundo inteiro.
Agenda da Danca de Salao Brasileira.
www.dancadesalao.com/agenda”

24/07/2008 - 15:18h Cia. argentina dança tango sob a perspectiva do casal moderno

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da Folha Online

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Cia. No Bailarás leva tango moderno ao Teatro Municipal de SP nesta sexta e sábado

A companhia argentina No Bailarás vem pela primeira vez ao país para duas apresentações em São Paulo. Na sexta-feira (25) e sábado (26), os argentinos estréiam a coreografia “Grotesca Pasión Trasnochada” (”Paixão Grotesca de uma Noite sem Sono”, em tradução livre), no Teatro Municipal de São Paulo, às 21h.O espetáculo da coreógrafa e diretora Silvana Grill propõe um novo olhar sobre as relações entre os casais modernos que possuem vínculos cada vez mais flexíveis, mesmo sem abrir mão do compromisso. O enfoque é a maneira como estas relações se constroem especificamente nos salões de baile ou milongas (locais onde as pessoas se reúnem para dançar o tango).

 

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“Grotesca Pasión Trasnochada” é o nome do espetáculo de tango da cia. No Bailarás

No palco, três casais interpretam com sensualidade cada um dos 17 temas originais do programa, compostos em sua maioria por Ramiro Gallo e interpretados ao vivo no espetáculo pelo Ramiro Gallo Quinteto.Participam dos espetáculos os bailarinos Julieta Biscione, Mariano Bielak, Paula Gurini, Roberto Castillo, Gimena Aramburu e Juan Fossati.A companhia No Bailarás, fundada em 2004, em Buenos Aires, vem ao Brasil depois de apresentações bem recebidas pelo público na Itália, França e Tailândia.O nome da companhia foi escolhido com o propósito de soar como uma provocação. Segundo o grupo, quando alguém te diz para não fazer alguma coisa, essa é a primeira pessoa que vai fazer.Teatro Municipal – pça. Ramos de Azevedo, s/nº, Centro, centro, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/ 3222-8698. 80 min. Sex. (25) e sáb. (26).: às 21h. Ingr.: R$ 30 (setor 1), R$ 20 (setor 2) e R$ 10 (setor 3). www.ticketmaster.com.br.

11/06/2008 - 22:18h “Mon amour”

Nilda Fernandez e Mercedes Sosa, coreografia de Julio Bocca. Em espanhol: Mi Amor en Tu Querer

11/05/2008 - 12:50h Le Sacre Du Printemps, coreografia de Pina Bausch e Wuppertal Dance Theater

10/05/2008 - 20:21h Festival debate coletivos de dança e traz a São Paulo obras inéditas

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Ricardo Marinelli em ‘Quase nu’. Foto: divulgação

Coletivo Corpo Autônomo

O Globo Online

SÃO PAULO – Os coletivos de dança estão no centro das discussões do festival Coletivo Corpo Autônomo, que acontece até 18 de maio no Itaú Cultural. O evento propõe uma reflexão sobre a formação e organização dos grupos, reunindo representantes como o Couve-Flor Minicomunidade Artística Mundial (Curitiba, PR), Núcleo de Criação do Dirceu (Teresina, PI), Hibridus (Ipatinga, MG), O 12 (Votorantin, SP), Coletivo Dança Rio (RJ) e Movimento Dança Recife (PE).

Seguindo a tendência mundial de fortalecimento da idéia de coletivos iniciada na década de 90, que buscam estudar as questões da arte e de sua inserção sociopolítica, os coletivos de dança ganharam força como alternativa de organização, sem as práticas tradicionais de liderança e hierarquia. Os grupos se organizam com novas formas colaborativas, com um novo posicionamento estético e político em relação à arte, buscando sustentabilidade financeira e conceitual.

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Núcleo do Dirceu. Foto: divulgação

A partir de discussões e apresentações de espetáculos que resultam dessa prática, Coletivo Corpo Autônomo procura entender o percurso de tal tendência no Brasil. Até domingo, dia 11 de maio, Couve-Flor e o Núcleo do Dirceu dividem o palco da Sala Itaú Cultural com estréias e mostra de processos de investigação. As apresentações são inéditas em São Paulo.

O coreógrafo piauiense radicado na Holanda, Marcelo Evelin, encerra a programação com a estréia de “Mono”, que fica em cartaz de 14 a 18 de maio. No espetáculo, três homens em situações e espaços distintos têm em comum o corpo exposto, destituído e constantemente alterado.

Veja a programação completa no site www.itaucultural.org.br

Coletivo Corpo Autônomo – Até 18 de maio no Itaú Cultural. Grátis. Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô. Fones: 11. 2168-1776/1777

21/01/2008 - 08:59h “Europa parece un barrio cerrado”



ESTILO. Macras crea sus obras a partir de temas sociales:
la inseguridad, el encierro, la discriminación

Bailarina y coreógrafa, nació en la Argentina y vive en Berlín desde 1995. Está considerada como una de las directoras de danza contemporánea más vanguardistas de Europa. Estrenó en Alemania su última pieza, Brickland, sobre la vida en los countries

(mais…)