16/02/2009 - 15:43h Ópera nos cinemas
A primeira das óperas no cinema, domingo passado nas salas de São Paulo, foi um êxito de público. Sala lotada para a transmissão de Orfeu e Eurídice, de Gluck sob a batuta de James Levine, no MET de New York. (nova apresentação prevista terça-feira).
Até maio, outros quatro espetáculos têm exibições digitais previstas em sete cidades brasileiras, sempre aos domingos, com reprise nas terças.
Rio, Santos, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba e Porto Alegre são as outras cidades que participam.
A próxima será Lucia de Lammermoor, de Donizetti. Domingo 1 de março. Vale a pena reservar, pois domingo passado a sala estava cheia. A qualidade tecnológica permite uma sonoridade e um visual quase perfeito, alem de ser legendada em português. Reproduzo a seguir algumas informações sobre Orfeu e Eurídice, assim como um resumo da ópera. Espero encorajá-los a assistir, vale a pena. No final encontrarão uma ária da ópera, alem das já publicadas neste blog no domingo.

No dia 15 de fevereiro, a MovieMobz leva aos cinemas de São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Porto Alegre e Rio a ópera “Orfeu e Eurídice”, de Gluck, conduzida pelo maestro James Levine e interpretada por Stephanie Blythe e Danielle de Niese .
Os 584 espectadores que lotaram a sessão única da ópera “La Rondine”, de Puccini, na abertura da temporada brasileira do Metropolitan Opera de NY, em 1º de fevereiro, no Cine Odeon Petrobras, no Rio, mostraram que a fórmula de sucesso responsável por levar mais de um milhão de pessoas aos cinemas de 30 países e 850 salas do mundo pode dar certo por aqui também.
No dia 15 de fevereiro, por intermédio da distribuidora MovieMobz e com patrocínio da Ford, os espetáculos em alta definição e som 5.1 estreiam nas telonas de São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba e Porto Alegre.
Juntamente com os cinemas do Rio, as cinco capitais exibem a segunda ópera da programação, “Orfeu e Eurídice”, de Christoph Willibald Gluck, conduzida pelo diretor artístico do Met Opera, o maestro James Levine. As vozes principais são da mezzo-soprano Stephanie Blythe, no papel de Orfeu, e a soprano Danielle de Niese, interpretando Eurídice. O espetáculo terá reprise nas seis cidades no dia 17 de de fevereiro.
“A sessão de La Rondine no Odeon, num domingo de sol a pino, comprovou que existe um público fiel e apaixonado por ópera no Rio”, constata Marco Aurélio Marcondes, sócio-diretor da MovieMobz. “Vamos aumentar o número de salas em cada cidade e vamos torcer para que as próximas sessões obtenham o mesmo êxito”, aposta Marcondes.
Mais quatro espetáculos, com exibição sempre aos domingos e reapresentações nas terças-feiras seguintes, compõem a programação da primeira temporada brasileira do Met Opera, que termina em maio: “Lúcia de Lamermoor”, de Donizetti, dia 1/3; “Madame Butterfly”, de Puccini, 22/03; “La Sonnambula”, de Bellinni, 5/4; e “La Cenerentola”, de Rossini, 24/5.
SOBRE ORFEU E EURÍDICE
De Christoph Willibald Gluck
Libreto de Ranieri de Calzabigi
Première mundial: Viena, Burgtheater, 5 de outubro de 1762
Orfeu: Stephanie Blythe
Eurídice: Danielle de Niese
Eros: Heidi Grant Murphy
Condutor: James Levine
Produção: Mark Morris
Set Designer: Allen Moyer
Figurino: Isaac Mizrahi
Iluminação: James F. Ingalls
Coreografia: Mark Morris
O mito do músico Orfeu, que viaja ao mundo inferior para resgatar sua esposa morta, Eurídice, explora as questões mais profundas do desejo, da angústia e do poder (e limites) da arte. Sua história é tema da trilha para ópera mais antiga registrada (Euridice, de Jacopo Peri, 1600) e a ópera mais antiga ainda sendo apresentada (Orfeu, de Monteverdi).
Gluck e seu libretista, Calzabigi, transformaram essa lenda na base de uma obra que almejava mais do que servir apenas de entretenimento – era um novo ideal operístico. Desiludido com o formato inflexível da ópera em seu tempo, Gluck procurou reformular a encenação da ópera com uma visionária e consistente união de música, poesia e dança. Especificamente, ele planejou que os cantores servissem ao drama, e não o contrário. Não há como negar que Orfeu e Eurídice, com sua música de irresistível e transcendente beleza, ajudou a expandir a ideia do público sobre o potencial teatral de uma ópera. Mozart e Wagner estão entre os sucessores de Gluck que admitiram abertamente suas influências dessa visão.
Os criadores
Christoph Willibald Gluck (1714-1787) nasceu na Bavária e estudou música em Milão. Foi nessa cidade que ele se juntou a uma orquestra e aprendeu a arte da produção de uma ópera, inclusive compondo os seus primeiros trabalhos. Gluck viajou extensivamente pela Europa, atraindo estudantes e discípulos para sua filosofia de maior interação entre ópera e teatro.
Após notável sucesso em Londres, Praga, Dresden e especialmente Paris, Gluck realizou seus grandes êxitos em Viena, onde faleceu em 1787.
Seu libretista para Orfeu e Eurídice foi o extraordinário poeta italiano Ranieri de Calzabigi (1714-1795). Graças a uma longa estadia em Paris, Ranieri sofreu influência do teatro francês e compartilhou com Gluck seu ideal de teatro musical. O prefácio de Calzabigi contido no libreto da colaboração seguinte da dupla, Alceste, expressa o ideal dos criadores em reformular a ópera. Na verdade, sem o apoio de Calzabigi, muito do legado atual de Gluck permaneceria desconhecido ao público.
O cenário
A obra é ambientada no interior da Grécia e no mundo inferior mitológico. Na obra, esses ambientes são mais conceituais que geográficos, e a noção de como eles se parecem pode (e certamente irá) variar a cada época.
A música
Gluck conscientemente evitou vocais excessivamente delicados, por considerar que estes comprometiam a dramaticidade da ópera durante a época dos castrati – cantores que sofriam intervenções cirúrgicas antes da puberdade para assim preservarem suas vozes agudas. Os castrati dominavam a ópera de tal maneira que os compositores, segundo Gluck, se sentiam obrigados a comprometer seus talentos para evidenciar suas habilidades técnicas.
Originalmente, ele não dispensou os castrati, mas seus papéis em Orfeu tinham mais a finalidade de causar uma impressão mais dramática e refinada musicalmente (uma “simplicidade digna”, nas palavras de Calzabigi) do que servir de mero exibicionismo vocal. Esse efeito é bem aparente nos dois solos mais notáveis da obra, “Che puro ciel”, no segundo ato e “Che faro senza Eurídice?”, no terceiro. Ambos são árias emocionantes, sem apresentar nenhum momento de exagero. “Che puro ciel” tem como acompanhamento um oboé que é típico da elegância econômica da orquestra durante a trilha. Até mesmo a música dançante é convincentemente apresentada para causar certo efeito perturbador e original, ao mesmo tempo em que mantém uma notável simplicidade.
Orfeu e Eurídice no Met
Orfeu e Eurídice estreou cedo na história do Met: primeiro em uma única apresentação em turnê em Boston em 1885, e em seguida em oito performances na temporada de 1891-1892. Foi também a atração de abertura para a première de Pagliacci, em 11 de dezembro de 1893. Arturo Toscanini era um grande admirador da ópera e a apresentou por conta própria de 1909 a 1914, estrelando a grande contralto americana Louise Homer.
George Balanchine criou uma versão com ênfase na coreografia em 1936, que fora rapidamente substituída por outra em 1938. Risë Stevens estrelou uma outra versão em 1955, que também incluía Hilde Gürden e Roberta Peters, e Richard Bonynge conduziu uma notável produção em 1970, com Grace Brumbry no papel de Orfeu. Quando a ópera foi remontada duas temporadas depois, Marilyn Horne cantou o papel. A produção atual é de Mark Morris, e teve sua estréia em maio de 2007 com James Levine conduzindo e Davis Daniels e Maija Kovalevska nos papéis principais.
Sinopse
Ato I
Cena 1 – Um bosque solitário – o túmulo de Eurídice. Ninfas e pastores lamentam a morte de Eurídice, mordida por uma cobra (Coro: “Ah, se intorno a quest” urna funesta”). Abandonado, Orfeu, marido de Eurídice, junta sua voz ao ritual (“Chiamo il mio ben così”), mas apenas a ninfa Eco responde. Orfeu promete resgatar Eurídice do reino de Hades, o mundo inferior (“Numi! barbari numi”).
Cena 2 – Eros, deus do amor, aparece com a palavra de Júpiter, que, por misericórdia de Orfeu, permitirá que ele desça ao mundo inferior para recuperar Eurídice. Para tornar a provação ainda mais arriscada, Orfeu não poderia olhar na direção de sua amada, ou mesmo explicar porque isso lhe era proibido. Do contrário, ele a perderia para sempre (“Gli sguardi trattieni”). Orfeu concorda e começa a sua jornada.
Ato II
Cena 1 – Os Portões de Hades. Fúrias e fantasmas tentam impedir a passagem de Orfeu para o mundo inferior (“Chi mai dell”Erebo”). Mas seu lamento comove e pacifica as entidades. Ele finalmente tem permissão de atravessar os Campos Elísios.
Cena 2 – Elísio. Orfeu se encanta com a beleza da paisagem (“Che puro ciel, che chiaro sol”). Heróis e heroínas trazem Eurídice para ele (“Torna, o bella, al tuo consorte”). Sem olhar para ela, Orfeu a leva embora.
Ato III
Cena 1 – Um labirinto sombrio. Orfeu conduz Eurídice em direção ao mundo superior, proibido de olhar para ela (“Vieni, segui i miei passi”). Ele não pode explicar o motivo (“Vieni, appaga il tuo consorte!”). Eurídice se desespera com a idéia de uma vida sem o amor de Orfeu (“Che fiero momento”). Aterrorizado, ele volta seu olhar para ela. Eurídice morre novamente. Aflito, Orfeu se questiona como poderá viver sem sua amada (“Che farò senza Euridice?”). Ele decide suicidar-se.
Cena 2
Eros reaparece e paira na mão de Orfeu. Em resposta ao seu amor devoto e profundo, Eros revive Eurídice novamente. Os três retornam à Terra.
Cena 3 – O Templo do Amor. Orfeu, Eurídice, Eros, as ninfas e os pastores celebram reunidos o poder do Amor com música e dança (“Trionfi Amore!”).
Orfeu e Eurídice
Anote os cinemas
Rio de Janeiro
Unibanco Arteplex – sala 3
Dia 15.02 às 17h. e dia 17.02 às 21h.
Preço: R$ 30,00
Estação VIVO – Gávea – sala 4
Dia 15.02 às 17:50h.
Preço: R$ 30,00
Estação VIVO – Gávea – sala 1
Dia 17.02 às 21h.
Preço: R$ 30,00
Estação Ipanema
Dia 15.02
Preço: R$ 30,00
SALA 1 às 11h15
SALA 2 às 11h
São Paulo
Cine Bombril – sala 1
Dia 15.02 às 17h. e dia 17.02 às 19h.
Preço: R$ 25,00
Espaço Unibanco de Cinema Pompéia – sala 5
Dia 15.02 às 17h.
Preço: R$ 30,00
Unibanco Arteplex – sala 3
Dia 15.02 às 17h. e dia 17.02 às 20h.
Preço: R$ 30,00
Santos
Espaço Unibanco Miramar – sala 1
Dia 15.02 às 17h.
Preço: R$ 25,00
Belo Horizonte
Espaço Unibanco Ponteio – sala 1
Dia 15.02 às 17h. e 17.02 às 19:30h.
Preço: R$ 25,00
Ubiminas Belas Artes – sala 2
Dia 15.02 às 17h.
Preço: R$ 25,00
Curitiba
Unibanco Arteplex – sala 1
Dia 15.02 às 17h. e dia 17.02 às 19:30h.
Preço: R$ 30,00
Porto Alegre
Unibanco Arteplex – sala 2
Dia 15.02 às 17h. e dia 17.02 às 20h.
Preço: R$ 30,00
Brasília
Cine Academia – sala 3
Dia 15.02 às 17h. e dia 17.02 às 20h.
Preço: R$ 30,00
Casa Park – salas 4 e 6
Dia 15.02 às 17h.
Preço: R$ 30,00
PROGRAMAÇÃO DO ÓPERA NO CINEMA
ORFEU e EURÍDICE
De Christoph Willibald Gluck
RIO DE JANEIRO, SÃO PAULO, BELO HORIZONTE, PORTO ALEGRE, CURITIBA, BRASÍLIA
- Dias 15 e 17 de fevereiro
Regência: James Levine
Estrelada por Stephanie Blythe e Danielle de Niese
LÚCIA DE LAMMERMOOR, de Gaetano Donizetti
- Dias 01 e 03 de março
RIO DE JANEIRO, SÃO PAULO, BELO HORIZONTE, PORTO ALEGRE, CURITIBA, BRASÍLIA E POSSIVELMENTE EM OUTRAS CIDADES
Regência: Marco Armiliato
Estrelada por Anna Netrebko e Rolando Villazón







