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	<title>Blog do Favre &#187; corpo</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>A turba da Uniban</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 17:01:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[CONTARDO CALLIGARIS &#8211; FOLHA SP


As turbas têm um ponto em comum: detestam a ideia de que a mulher tenha desejo próprio
NA SEMANA passada, em São Bernardo, uma estudante de primeiro ano do curso noturno de turismo da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo) foi para a faculdade pronta para encontrar seu namorado depois das aulas: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="background-color: #ffff99;">CONTARDO CALLIGARIS &#8211; FOLHA SP</span></h2>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em><span style="font-size: x-large;">As turbas têm um ponto em comum: detestam a ideia de que a mulher tenha desejo próprio</span></em></strong></p>
<p>NA SEMANA passada, em São Bernardo, uma estudante de primeiro ano do curso noturno de turismo da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo) foi para a faculdade pronta para encontrar seu namorado depois das aulas: estava de minivestido rosa, saltos altos, maquiagem -uniforme de balada.<br />
O resultado foi que 700 alunos da Uniban saíram das salas de aula e se aglomeraram numa turba: xingaram, tocaram, fotografaram e filmaram a moça. Com seus celulares ligados na mão, como tochas levantadas, eles pareciam uma ralé do século 16 querendo tocar fogo numa perigosa bruxa.<br />
A história acabou com a jovem estudante trancada na sala de sua turma, com a multidão pressionando, por porta e janelas, pedindo explicitamente que ela fosse entregue para ser estuprada. Alguns colegas, funcionários e professores conseguiram proteger a moça até a chegada da PM, que a tirou da escola sob escolta, mas não pôde evitar que sua saída fosse acompanhada pelo coro dos boçais escandindo: &#8220;Pu-ta, pu-ta, pu-ta&#8221;.<br />
Entre esses boçais, houve aqueles que explicaram o acontecido como um &#8220;justo&#8221; protesto contra a &#8220;inadequação&#8221; da roupa da colega. Difícil levá-los a sério, visto que uma boa metade deles saiu das salas de aula com seu chapéu cravado na cabeça.<br />
Então, o que aconteceu? Para responder, demos uma volta pelos estádios de futebol ou pelas salas de estar das famílias na hora da transmissão de um jogo. Pois bem, nos estádios ou nas salas, todos (maiores ou menores) vocalizam sua opinião dos jogadores e da torcida do time adversário (assim como do árbitro, claro, sempre &#8220;vendido&#8221;) de duas maneiras fundamentais: &#8220;veados&#8221; e &#8220;filhos da puta&#8221;.<br />
Esses insultos são invariavelmente escolhidos por serem, na opinião de ambas as torcidas, os que mais podem ferir os adversários. E o método da escolha é simples: a gente sempre acha que o pior insulto é o que mais nos ofenderia. Ou seja, &#8220;veados&#8221; e &#8220;filhos da puta&#8221; são os insultos que todos lançam porque são os que ninguém quer ouvir.<br />
Cuidado: &#8220;veado&#8221;, nesse caso, não significa genericamente homossexual. Tanto assim que os ditos &#8220;veados&#8221;, por exemplo, são encorajados vivamente a pegar no sexo de quem os insulta ou a ficar de quatro para que possam ser &#8220;usados&#8221; por seus ofensores. &#8220;Veado&#8221;, nesse insulto, está mais para &#8220;bichinha&#8221;, &#8220;mulherzinha&#8221; ou, simplesmente, &#8220;mulher&#8221;.<br />
Quanto a &#8220;filho da puta&#8221;, é óbvio que ninguém acredita que todas as mães da torcida adversa sejam profissionais do sexo. &#8220;Puta&#8221;, nesse caso (assim como no coro da Uniban), significa mulher licenciosa, mulher que poderia (pasme!) gostar de sexo.<br />
Os membros das torcidas e os 700 da Uniban descobrem assim um terreno comum: é o ódio do feminino -não das mulheres como gênero, mas do feminino, ou seja, da ideia de que as mulheres tenham ou possam ter um desejo próprio.<br />
O estupro é, para essas turbas, o grande remédio: punitivo e corretivo. Como assim? Simples: uma mulher se aventura a desejar? Ela tem a impudência de &#8220;querer&#8221;? Pois vamos lhe lembrar que sexo, para ela, deve permanecer um sofrimento imposto, uma violência sofrida -nunca uma iniciativa ou um prazer.<br />
A violência e o desprezo aplicados coletivamente pelo grupo só servem para esconder a insuficiência de cada um, se ele tivesse que responder ao desejo e às expectativas de uma parceira, em vez de lhe impor uma transa forçada.<br />
Espero que o Ministério Público persiga os membros da turba da Uniban que incitaram ao estupro. Espero que a jovem estudante encontre um advogado que a ajude a exigir da própria Uniban (incapaz de garantir a segurança de seus alunos) todos os danos morais aos quais ela tem direito. E espero que, com isso, a Uniban se interrogue com urgência sobre como agir contra a ignorância e a vulnerabilidade aos piores efeitos grupais de 700 de seus estudantes. Uma sugestão, só para começar: que tal uma sessão de &#8220;Zorba, o Grego&#8221;, com redação obrigatória no fim?<br />
Agora, devo umas desculpas a todas as mulheres que militam ou militaram no feminismo. Ainda recentemente, pensei (e disse, numa entrevista) que, ao meu ver, o feminismo tinha chegado ao fim de sua tarefa histórica. Em particular, eu acreditava que, depois de 40 anos de luta feminista, ao menos um objetivo tivesse sido atingido: o reconhecimento pelos homens de que as mulheres (também) desejam. Pois é, os fatos provam que eu estava errado.</p>
<p><strong>ccalligari@uol.com.br</strong></p>
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		<title>Tatuagens</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Jun 2009 23:38:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[COMPORTAMENTO]]></category>
		<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
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		<description><![CDATA[  											 
Kim Joon &#8211; body art

Publicado em artes e letras Obvius




Esqueçamos as negras tatuagens no braço, no ombro ou no peito. O artista coreano Kim Joon usa-se do corpo todo e das mais variadas cores. E vai mais além: agrupa corpos masculinos ou femininos entrelaçados em posições sensuais sobre os quais desenha padrões [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- ini content -->  											 <!-- ini item --></p>
<h1 class="title">Kim Joon &#8211; body art</h1>
<div class="subtitle"></div>
<div style="background-color: #ffff99" class="subtitle">Publicado em <a href="http://blog.uncovering.org/archives/artes_e_letras/" title="go to the category">artes e letras</a> Obvius</div>
<div class="subtitle"></div>
<div style="text-align: center"></div>
<div style="text-align: center"><img src="http://blog.uncovering.org/archives/uploads/2007/071109_blog.uncovering.org_kim-joon_1.jpg" alt=" Kim Joon Body Art Painting Pintura Tatuagens Corpo Homens Mulheres Nus Erotismo Sexo " width="518" height="389" /></div>
<div style="text-align: center"></div>
<p>Esqueçamos as negras tatuagens no braço, no ombro ou no peito. O artista coreano Kim Joon usa-se do corpo todo e das mais variadas cores. E vai mais além: agrupa corpos masculinos ou femininos entrelaçados em posições sensuais sobre os quais desenha padrões contínuos que os fundem numa massa corporal única, subjugados pelo desenho e pela cor!</p>
<p>Apesar do seu estilo denunciar um cunho vincadamente oriental, Joon não se limita aos costumeiros dragões e serpentes. Ao invés, qualquer material lhe serve como padrão pictórico, sejam motivos florais, logótipos de marcas comerciais ou <em>comics</em> do Superman, cujo potencial gráfico é enorme e é inteligentemente explorado pelo artista.</p>
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<div align="left"></div>
<p align="left">Obra original e, ousamos dizê-lo, profundamente humana&#8230;</p>
<div style="text-align: center"><img src="http://blog.uncovering.org/archives/uploads/2007/071109_blog.uncovering.org_kim-joon_2.jpg" alt=" Kim Joon Body Art Painting Pintura Tatuagens Corpo Homens Mulheres Nus Erotismo Sexo " width="518" height="357" /></div>
<div style="text-align: center"><img src="http://blog.uncovering.org/archives/uploads/2007/071109_blog.uncovering.org_kim-joon_3.jpg" alt=" Kim Joon Body Art Painting Pintura Tatuagens Corpo Homens Mulheres Nus Erotismo Sexo " width="518" height="355" /></div>
<div style="text-align: center"><img src="http://blog.uncovering.org/archives/uploads/2007/071109_blog.uncovering.org_kim-joon_4.jpg" alt=" Kim Joon Body Art Painting Pintura Tatuagens Corpo Homens Mulheres Nus Erotismo Sexo " width="518" height="355" /></div>
<div style="text-align: center"><img src="http://blog.uncovering.org/archives/uploads/2007/071109_blog.uncovering.org_kim-joon_5.jpg" alt=" Kim Joon Body Art Painting Pintura Tatuagens Corpo Homens Mulheres Nus Erotismo Sexo " width="518" height="390" /></div>
<div style="text-align: center"><img src="http://blog.uncovering.org/archives/uploads/2007/071109_blog.uncovering.org_kim-joon_6.jpg" alt=" Kim Joon Body Art Painting Pintura Tatuagens Corpo Homens Mulheres Nus Erotismo Sexo " width="518" height="329" /></div>
<div style="text-align: center"><img src="http://blog.uncovering.org/archives/uploads/2007/071109_blog.uncovering.org_kim-joon_7.jpg" alt=" Kim Joon Body Art Painting Pintura Tatuagens Corpo Homens Mulheres Nus Erotismo Sexo " width="518" height="518" /></div>
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		<title>Pilates ajuda definir a barriga e a aliviar dores nas costas e nos ombros</title>
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		<pubDate>Mon, 18 May 2009 20:36:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Livro exercícios rápidos para praticar pilates em qualquer lugar
da Folha Online
O pilates, um sistema de exercícios que coordena movimentos com a respiração, foi criado pelo alemão Josef Pilates. Quando criança, ele tinha uma saúde muito frágil e durante a vida, ele praticou vários esportes com intenção de melhorar sua condição física e percebeu que ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/05/pilates-ajuda-definir-a-barriga-e-a-aliviar-dores-nas-costas-e-nos-ombros/11303/" rel="attachment wp-att-11303" title="pilates_livro.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/05/pilates_livro.jpg" alt="pilates_livro.jpg" /></a></p>
<p align="center"><a href="http://publifolha.folha.com.br/catalogo/livros/136246/">Livro exercícios rápidos para praticar pilates em qualquer lugar</a></p>
<p style="background-color: #ffff99">da Folha Online</p>
<p>O pilates, um sistema de exercícios que coordena movimentos com a respiração, foi criado pelo alemão Josef Pilates. Quando criança, ele tinha uma saúde muito frágil e durante a vida, ele praticou vários esportes com intenção de melhorar sua condição física e percebeu que ao integrar mente e corpo conseguia bons resultados. Foi assim que surgiu o pilates.</p>
<p>De acordo com o livro &#8220;Saúde em 5 Minutos: Pilates&#8221;, editado pela Publifolha, os benefícios do pilates são muitos: alívio de dores nas costas, ombros, pescoço e de cabeça; alinhamento da postura; além do fortalecimento e tonificação dos músculos.<br />
<strong><br />
Veja abaixo trecho do livro que explica a história do pilates e as vantagens oferecidas pela prática. </strong></p>
<p>O pilates é um sistema de exercícios estruturados cuidadosamente, que coordenam os movimentos dos músculos com a respiração. Tonifica todos os grupos musculares do organismo, melhorando a postura, a definição dos músculos e a força.</p>
<p>O fundador do sistema, Joseph Pilates, nasceu em Düsseldorf, na Alemanha, em 1880. Foi uma criança frágil, de saúde fraca. Pilates usou uma abordagem sistemática para melhorar sua condição física. Experimentou as artes marciais, a ioga e a meditação, além de esportes aeróbicos e condicionamento de força. Ele percebeu que, ao integrar essas técnicas usando a mente e o corpo, conseguia fortalecer os músculos, condicionando todo o corpo e melhorando o bem-estar geral. Seu sistema se revelou tão eficiente que, apesar da dificuldade física dos primeiros anos, Pilates se tornou ótimo esportista, ginasta, esquiador, boxeador e artista de circo.</p>
<p>Tendo se mudado para a Inglaterra em 1912, foi internado no início da Primeira Guerra Mundial. Na enfermaria do acampamento, experimentou amarrar molas em camas hospitalares para que, à medida que se recuperavam, os pacientes pudessem tonificar e alongar os músculos com exercícios de resistência. Suas técnicas foram muito bem-sucedidas. Depois da guerra, Pilates voltou à Alemanha e, em 1926, emigrou para os Estados Unidos. Com a esposa, Clara, montou um estúdio em Nova York, que logo começou a atrair dançarinos, atores, atletas e ginastas. Pilates chamou seu novo e revolucionário método de trabalho corporal de &#8220;contrologia&#8221;. Seu sistema &#8211; que após sua morte, em 1967, ficou conhecido como &#8220;pilates&#8221; &#8211; já é praticado há mais de 80 anos. No entanto, só nas últimas duas décadas se popularizou nas academias, que oferecem aulas individuais ou em grupo. Médicos, osteopatas e fisioterapeutas também descobriram a eficácia do sistema pilates e agora o usam para evitar ou curar contusões, como tratamento complementar.</p>
<p align="center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/05/pilates-ajuda-definir-a-barriga-e-a-aliviar-dores-nas-costas-e-nos-ombros/11305/" rel="attachment wp-att-11305" title="pilates_bola.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/05/pilates_bola.jpg" alt="pilates_bola.jpg" width="554" height="356" /></a></p>
<p><strong>Para quem o pilates é indicado?</strong></p>
<p>Qualquer pessoa que queira melhorar a aptidão física geral, a postura e a aparência pode se beneficiar com a prática dos exercícios de pilates. Eles se concentram no corpo como um todo e trabalham com as pessoas como indivíduos. Os praticantes podem adaptar os exercícios a suas necessidades cotidianas ou semanais. Com o pilates, o mais importante não é o que você faz, mas sim como faz.</p>
<p>Seja para o iniciante, a pessoa mais velha ou apenas alguém que pretende ser menos sedentário, o pilates oferece uma forma de exercício segura e eficiente para todas as idades e níveis de aptidão, sendo também muito usado por esportistas, atletas, dançarinos, músicos e outros artistas para quem a boa postura é essencial. Pode ser especialmente benéfico para quem sofre de traumas por esforço repetitivo e para os que pretendem evitar ou aliviar a osteoporose. O pilates também é útil para aqueles que têm dores crônicas nas costas, no pescoço e nos ombros.</p>
<p><strong>Quais são os benefícios do pilates?</strong></p>
<p>Praticado regularmente, o pilates pode restabelecer a flexibilidade das articulações, aumentar a eficiência da circulação e tonificar os músculos flácidos. Você poderá sentir o organismo se fortalecer e os níveis de estresse diminuírem. Perceberá que a postura, a coordenação, o equilíbrio e o alinhamento melhoram, propiciando uma sensação de autoconfiança. Como a postura e o alinhamento corretos também possibilitam que o organismo funcione com mais eficiência, você provavelmente descobrirá que as dores de cabeça relacionadas à postura e as outras dores vão desaparecer. Finalmente, o fortalecimento dos músculos abdominais centrais propiciará obter uma barriga lisa!</p>
<p><strong>O pilates para as dores nas costas, nos ombros e no pescoço</strong></p>
<p>Cerca de 80 por cento dos meus clientes de pilates me procuraram por causa de dores nas costas, no pescoço ou nos ombros. Eu mesma comecei a praticá-lo por ter sofrido uma pancada séria no pescoço num acidente de carro. Talvez você tenha escolhido este livro por sofrer de dores nessas regiões ou por conhecer alguém nessa situação.</p>
<p>A dor nas costas aliada ao resfriado está entre as causas principais das faltas ao trabalho. Embora parte das dores nas costas decorra de traumas no esporte ou num acidente, a forma como usamos o corpo é o motivo principal. Se ficamos sentados todo dia durante horas, a parte superior do corpo pode se cansar e desenvolver inchaço nas articulações e tensão nos músculos. A longo prazo, isso pode prejudicar a condição óssea e muscular de todo o corpo e levar à dor nas costas.</p>
<p>Além do mais, muitos problemas nas costas são provocados por fraqueza nos músculos abdominais, que não conseguem sustentar adequadamente as costas, sobrecarregando a coluna e os músculos dorsais. Para fortalecer os abdominais, melhorando a postura e aliviando a pressão nas costas, é preciso substituir padrões repetitivos e nocivos na postura e nos movimentos por outros mais seguros para o organismo. Isso demanda tempo e esforço, pois envolve o desenvolvimento da autoconsciência do corpo.</p>
<p>O sistema pilates foi criado para melhorar todos os aspectos da consciência corporal, ajudando a obter precisão no controle dos músculos, na coordenação e na fluidez dos movimentos. Dessa forma, ele é maravilhoso para ajudar a superar a dor lombar crônica e qualquer desconforto associado aos músculos, como os do pescoço e dos ombros, e às articulações. Muitas pessoas que começaram a praticar pilates por causa de dor nas costas já usufruem seus benefícios só de trabalhar com o princípio da estabilidade central.<br />
<strong><br />
&#8220;Saúde em 5 Minutos: Pilates&#8221;<br />
Autora: Karen Smith<br />
Editora: Publifolha<br />
Páginas: 128<br />
Quanto: R$ 24,90<br />
Onde comprar: nas principais livrarias, pelo telefone 0800-140090 ou no site da Publifolha </strong></p>
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		<title>O tédio</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Jan 2009 19:05:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[La epidemia del aburrimiento
Lo consideran el mal por excelencia del hombre de hoy. Quien lo padece, siente el vacío abrumador de la vida. ¿Aceptarlo o huir?

clique na tira para ler

Humano, demasiado humano
Muchos lo consideran el mal por excelencia del hombre de hoy. Quien lo padece, siente el vacío abrumador de la vida. Para huir de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>La epidemia del aburrimiento</strong></p>
<p>Lo consideran el mal por excelencia del hombre de hoy. Quien lo padece, siente el vacío abrumador de la vida. ¿Aceptarlo o huir?</p>
<div style="text-align: center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/01/fastio_nik.jpg" title="fastio_nik.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/01/fastio_nik.jpg" alt="fastio_nik.jpg" width="551" height="202" /><br />
</a><em>clique na tira para ler</em><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/01/fastio_nik.jpg" title="fastio_nik.jpg"><br />
</a></div>
<p><strong>Humano, demasiado humano</strong><br />
Muchos lo consideran el mal por excelencia del hombre de hoy. Quien lo padece, siente el vacío abrumador de la vida. Para huir de él, algunos se alienan con el trabajo, y así se ganan, a la vez, aprobación social y desdicha; otros creen que la solución es satisfacer los deseos, pero pronto advierten que el deseo asegura el infierno. Heidegger piensa que aburrirse hace tomar conciencia de que se tocó fondo y permite así alcanzar la autenticidad. ¿Habrá que aceptar ese molesto estado de ánimo?</p>
<div style="text-align: center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/01/fastio_tute.jpg" title="fastio_tute.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/01/fastio_tute.jpg" alt="fastio_tute.jpg" width="553" height="238" /><br />
</a><em>clique na tira para ampliar e ler</em><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/01/fastio_tute.jpg" title="fastio_tute.jpg"><br />
</a></div>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Por Diana Cohen Agrest</strong> Para LA NACION &#8211; Buenos Aires, 2009</p>
<p>Cómo se nos habrá hecho carne que hasta Kierkegaard hace del aburrimiento la piedra fundacional de la Creación, imaginando que &#8220;los dioses estaban tan aburridos que entonces crearon a los seres humanos&#8221;. No sólo los dioses. También &#8220;Adán estaba aburrido porque estaba solo, entonces crearon a Eva. Desde entonces, el aburrimiento ingresó en la Creación&#8221;. Nietzsche no le fue en zaga cuando, con su demoledor sarcasmo, sugirió que en su descanso sabatino Dios se habría aburrido espantosamente. Y Kant aportó lo suyo cuando, a modo de consuelo del devenir de la historia misma, advirtió que, de permanecer en el Paraíso, Adán y Eva se habrían aburrido soberanamente.</p>
<p>Tantas citas ilustres prueban que, parafraseando a Camus, si hay un problema verdaderamente filosófico, es el del aburrimiento. Raramente reconocido en su magnitud, el tema no suele ser un objeto de reflexión de la filosofía académica ni del común de los mortales. Se trata, sin embargo ,de una experiencia inescindible de la existencia humana.</p>
<p>También la escritura en torno al aburrimiento corre el riesgo de resultar, precisamente, aburrida. Sin embargo, la histórica y sospechosa omisión de este asunto nos convoca a su examen: ¿Qué es? ¿Cuándo aparece? ¿Por qué aparece? ¿Por qué nos afecta? ¿Cómo nos afecta?</p>
<p>Aun cuando, por una suerte de reduccionismo, rotulamos con la etiqueta de &#8220;aburrido&#8221; todo aquello que no despierta nuestro interés, lo cierto es que convivimos con el aburrimiento de una manera tan atroz como imperceptible, como con &#8220;una especie de polvo. Uno va y viene sin verlo, un respira en él, uno lo come, lo bebe, y es tan fino que ni siquiera cruje entre los dientes. Pero si uno se detiene un momento, se extiende como una manta sobre el rostro y las manos&#8221;, en la descarnada descripción que de él hace Georges Bernanos en su Diario de un cura rural . El aburrimiento se apodera de nosotros, penetrando en cada intersticio con la sutileza de un escalpelo en manos de un hábil cirujano y termina por ser vivido como una compañía tan fastidiosa como irreconocible.</p>
<p>El aburrimiento irrumpe cuando el deseo se divorcia de los hechos, en pocas palabras, cuando no podemos hacer lo que queremos hacer o cuando debemos hacer aquello que no queremos hacer. Pero también se cierne, amenazador, cuando no tenemos ni idea de lo que queremos hacer. Podemos estar aburridos de cosas (el hastío es el alimento por excelencia de la sociedad de consumo) o de personas (de otros o hasta de nosotros mismos), aunque también podemos sentirnos aburridos cuando nada en particular nos aburre. Lo peor es que, enunciado tautológicamente, el aburrimiento es aburrido.</p>
<p>Pese a esta caracterización intimista, el aburrimiento no es un mero estado subjetivo sino también una característica del mundo: es tan verdad que todos los hombres son mortales como que todos, absolutamente todos, participamos en prácticas sociales saturadas de aburrimiento.</p>
<p><strong>No hay nada nuevo bajo el sol</strong></p>
<p>Hay quienes creen que se trata de un fenómeno relativamente reciente. Sin embargo, su origen se remonta a la Antigüedad tardía, cuando apareció un fenómeno que en griego se designó athymía y en latín, accidia (en castellano, acedia), expresiones que aludían a una condición subsumible en lo que tiempo después se difundiría con un nombre tan vago como indefinible: la melancolía. Curiosamente, los monjes eran particularmente proclives a la acedia. Alertados de un fenómeno tenido por obra del Demonio, hasta los mismos Padres de la Iglesia consideraron la acedia el peor de los pecados, no sólo porque de ella brotaban todos los demás sino porque era la expresión de cierto descontento ante la Creación de Dios, ante cuya sombra amenazadora hasta San Jerónimo exhortaba con festiva piedad: &#8220;Bebed, hermanos, bebed, para que el diablo no os halle ociosos&#8221;.</p>
<p>A partir del Renacimiento, la acedia enclaustrada en los muros de la vida monacal fue desplazada por la melancolía, cuya sede era un alma indisociable de un cuerpo carnal, que había sido celebrado en la Antigüedad clásica y era redescubierto por el Humanismo. Fue precisamente un médico y hombre de ciencia inglés, Robert Burton, quien condensó su novedosa concepción en un célebre ensayo publicado en 1621. En su Anatomía de la melancolía , con un espíritu más científico que apocalíptico, diagnosticó que lejos de ser atribuible a Satanás, la melancolía es una enfermedad que suele atacar particularmente a las gentes consagradas al estudio, cuyas meditaciones pueden fácilmente caer en un mórbido rumiar. A modo de fármacos anímicos, Burton recomendaba un tratamiento tan natural como placentero: diversificar las actividades y frecuentar menos los libros y más las mujeres hermosas, cuya vista regocija el corazón, siempre y cuando el trato con ellas se ejerciera -se cuidaba de aclarar el galeno- en el marco de una vida equilibrada. Sin embargo, pese a sus tan floridos consejos, su autor terminaba por admitir que no existe un remedio universal para ese mal.</p>
<p>La melancolía perduraría en la obra de Freud, quien en Duelo y melancolía declaró que el melancólico vive la pérdida del objeto de amor como una pérdida del Yo. Este empobrecimiento del Yo es vivido por la subjetividad como una confrontación con una vida vaciada de su sentido. En el mismo campo del psicoanálisis, Lacan finalmente reconoce en el aburrimiento su estatuto bien ganado en Televisión , donde, frente a las clásicas seis pasiones del alma propuestas por Descartes en el siglo XVII (la admiración, el amor y el odio, el deseo, el gozo y la tristeza), despliega otras tantas en versión aggiornata : la felicidad, el gay saber, la beatitud, el mal humor, la tristeza y, pues no podía faltar, el aburrimiento. Semejante linaje teórico no es suficiente, sin embargo, para dotar al aburrimiento de un bien ganado estatuto epistémico: exonerado del campo de las patologías, el aburrimiento no suele ser de interés ni para los psicológos ni para los psiquiatras, aun cuando es vivido como una pérdida de identidad que denuncia el corte entre el sentido y el vacío de sentido.</p>
<p>Aunque dignas de atención, acedia y melancolía se distinguen sutilmente del aburrimiento: mientras que la primera era una noción moralmente demoníaca, atribuible a unos pocos elegidos, el aburrimiento es una condición psicológica que nos afecta a todos. Y mientras que la melancolía hunde sus raíces en una tradición aristocrática, asociada a la sensibilidad y a la belleza, el aburrimiento es un descastado.</p>
<p>En Filosofía del tedio (Tusquets, 2006), Lars Svendsen baraja la hipótesis de que, visto desde la historia de las ideas, el Romanticismo sentaría las bases del aburrimiento contemporáneo, exacerbado por la proclama de la muerte de Dios, en cuya estela el sujeto pierde el sentido de la trascendencia y comienza a verse como un individuo que debe realizarse a sí mismo. Al hombre, confrontado con ese mandato inmanente, la vida cotidiana se le antoja ni más ni menos que una prisión.</p>
<p>Los méritos (o, nunca mejor dicho, los deméritos) del aburrimiento no son pocos, en particular si nos guiamos por el juicio de Kierkegaard, para quien &#8220;es la raíz de todo mal&#8221;, desde las adicciones hasta los desórdenes de la alimentación, pasando por el vandalismo, la depresión, la violencia y las conductas de riesgo, placebos sociales que funcionan como efímeros remedios que, al fin de cuentas, justifican el imaginario medioeval en el que la acedia figuraba entre los frutos de poderes demoníacos. Cuando se perpetúa, se transforma en el taedium vitae , el tedio de la vida ante el cual la jurisprudencia de la antigua Roma legitimaba el derecho al suicidio. Pues así como se ha dicho que el aburrimiento aportó más infelicidad al mundo que todas las pasiones juntas, incluso más que el Mal provocado por todas las guerras juntas, se ha dicho a su favor que ha puesto fin a numerosos males, por la simple razón de que terminaron por resultar aburridos. En Prejudices: A Philosophical Dictionary (1983), Robert Nisbet sostiene que la quema de brujas fue abandonada como práctica no por motivos legales, morales o religiosos, sino simplemente porque la gente pensó: &#8220;Una vez que viste una quema, viste todas&#8221;.<br />
<strong><br />
El undécimo mandamiento: &#8220;Diviértete&#8221;</strong></p>
<p>Si la fórmula para superar el aburrimiento parece hoy empujar al yo más allá de sí, es porque el yo quiere encontrar algo novedoso, algo distinto de lo mismo que amenaza hundirlo en el aburrimiento. Según una lógica transgresora, todo placer impulsa la búsqueda de un nuevo placer para evitar la rutina de lo mismo, en un movimiento que persigue la búsqueda de nuevos límites que puedan ser transgredidos. Vivimos arrojándonos a lo nuevo, con la ilusión de que eso nuevo nos proporcionará, generosa y finalmente, un sentido personal. Pero ese intento está destinado, una y otra vez, al fracaso, pues esa promesa de un sentido personal jamás se cumple. Y además, porque lo nuevo rápidamente se torna una rutina. George Bernard Shaw ilustró lúcidamente esta imposibilidad de origen cuando reconoció que &#8220;hay dos catástrofes en la existencia: la primera, cuando nuestros deseos no son satisfechos. La segunda, cuando lo son&#8221;, coronando esa existencia pendular denunciada por Schopenhauer, quien notaba que cuando deseo lo que no tengo, sólo obtengo sufrimiento, y que cuando el deseo es satisfecho, sólo obtengo aburrimiento.</p>
<p>Esta exacerbación del deseo insatisfecho ha sido un caldo de cultivo del aburrimiento, &#8220;privilegio&#8221; por excelencia del sujeto de la Posmodernidad, quien sumido en la cultura del ocio corre en procura de divertimentos para matar el tiempo superfluo. Su maleabilidad se explica porque el aburrimiento no se conecta con necesidades reales sino con el deseo. Y el deseo suele traducirse en una constante búsqueda de estímulos sensoriales, lo único que, hoy por hoy, parece resultar &#8220;interesante&#8221;. En su manifestación más perversa, la exhibición obscena de violencia gratuita se sostiene en la premisa marketinera de sacudirnos el aburrimiento. A propósito de los efectos mediáticos sobre el deseo, Orrin Klapp exploró el impacto de la información en la calidad de vida de la cultura contemporánea. En Overload and Boredom: Essays on the Quality of Life in the Information Society , Klapp sostiene que, pese a todos sus esfuerzos para escapar de ese destino, la sociedad de la información se ha tornado una cultura tan saturada de pseudoconocimientos como aburrida. De la metralla constante de flashes &#8220;en vivo y en directo&#8221;, resulta un desgaste del sentido. El ruido y la redundancia, añade, reemplazaron la resonancia y la diversidad del mundo nacido de la Ilustración. Así pues, traicionando los ideales dieciochescos, en lugar de emular el Progreso, la sociedad de la información se ha vuelto entrópica, desordenada, de lo que resulta un déficit en la calidad de vida.</p>
<p>En una línea semejante, en La tragedia educativa, Guillermo Jaim Etcheverry observó que los hijos -cuando no los mismos padres- suelen tildar a la escuela de &#8220;aburrida&#8221;, calificativo más apropiado para un programa de televisión o para un festival de rock. Banalmente, se aspira a imitar el modelo Disneylandia, aun a costa de que el mandato de ser divertido penetre, como un fluido viscoso, en actividades tradicionalmente no asociadas a la diversión. Traducido en el registro discursivo, participamos directa o indirectamente de esta suerte de reduccionismo infantojuvenil, dominado por una retórica empobrecida donde todo es &#8220;divertido&#8221; o, con suerte, &#8220;redivertido&#8221;.</p>
<p>El vacío del tiempo en el aburrimiento no es un vacío de acción porque, en verdad, siempre acontece algo: el vacío del tiempo es el vacío del sentido. No importa tanto lo que hacemos o el objeto al que nos dirigimos (mirar una y otra vez el reloj) sino estar ocupados en algo sin importar cuán intrascendente sea (como puede serlo el mero contar cuántas moscas hay adheridas al vidrio de la ventana). Y aunque mejor vistos, los &#8220;pasatiempos&#8221;, expresión autorreferencial si la hay, son medidas paliativas toda vez que el tiempo, en lugar de aparecérsenos como un horizonte de oportunidades, se nos antoja como algo que ha de ser engañado, ocupándolo ilusoriamente en la creencia de que nos liberaremos del vacío del aburrimiento.</p>
<p>Si cada cosa tiene su propio tiempo, Heidegger observa que el aburrimiento aparece cuando el tiempo cronológico y el tiempo subjetivo no coinciden. Una circunstancia casual viene a cuento: cuando, consternados, nos enteramos de que un vuelo fue reprogramado y despegará con siete horas de retraso, nos vivimos anclados e impotentes en un bloque temporal que se nos ha impuesto, más allá de nuestra voluntad, y sobre el que no ejercemos control alguno. Sin consulta previa con nuestro deseo, se nos ha robado un tiempo que sólo atinamos a llenar con actos tan irrisorios como devaluados en cuanto no elegidos: en el peor de los casos, vagabundear por el duty free o comer una hamburguesa, en el mejor, leer de un tirón una novela que queríamos disfrutar sin ser forzados a hacerlo por factores extemporáneos.</p>
<p><strong>Taxonomías del aburrimiento</strong></p>
<p>En Bouvard y Pécuchet , Flaubert distingue el aburrimiento común del aburrimiento moderno, el &#8220;común&#8221; es el anhelo de poseer un objeto deseado (un amor perdido, un objeto suntuario, cualquier cosa que por el momento se me presenta inalcanzable), mientras que el llamado &#8220;moderno&#8221; es el anhelo mismo de deseo que se siente una vez perdida la capacidad de sentir deseo (propio del abúlico a quien el mundo se le antoja aburrido y desea, simplemente, recuperar la capacidad de desear). Kundera complejiza esta clasificación, pues en La identidad se refiere a tres clases de aburrimiento: el aburrimiento pasivo (la chica que baila y bosteza), el aburrimiento activo (los aficionados a los hobbies , al sudoku, a los crucigramas y a los rompecabezas) y por último, el aburrimiento rebelde (los jóvenes que incendian autos y rompen vidrieras).</p>
<p>Una última clasificación que atiende a sus modalidades, distingue el aburrimiento situacional, semejante al aburrimiento común de Flaubert, que es aquel que sentimos durante una actividad especifica (esperamos a alguien, escuchamos una conferencia); el aburrimiento de la saciedad (cuando uno tiene demasiado de lo mismo); el aburrimiento creativo, caracterizado no por su contenido sino por sus resultados (nos sentimos obligados a hacer algo nuevo). Y por último, el aburrimiento existencial -otro nombre para el aburrimiento moderno de Flaubert- que es siempre un estado de ánimo que nos invade toda vez que nos resulta aburrido el mundo como tal.</p>
<p><strong>Terapéutica del aburrimiento</strong></p>
<p>A menudo no puedo identificar exactamente qué me aburre. Heidegger lo ilustra con una situación por la cual, quien más, quien menos, todos pasamos alguna vez: una vez concluida una agradable velada con amigos, vuelvo a casa y me doy cuenta de que, en verdad, me aburrí espantosamente toda la noche. El &#8220;pasatiempo&#8221; no se dio en una situación, era la situación. Y la conciencia tardía del aburrimiento es la conciencia del vacío revelado en la toma de conciencia de que podría haber hecho otra cosa durante ese tiempo. En ese escenario, piensa el filósofo alemán, la tarea del aburrimiento es llamar la atención sobre esta ausencia. Este &#8220;tocar fondo&#8221;, precisamente, puede ser el inicio del retorno hacia una dimensión existencial, haciendo del aburrimiento una experiencia que conduzca hacia la autenticidad. Pese a los esfuerzos heiedeggerianos redentores de ese estado del ánimo, se le ha criticado al filósofo que, con su optimismo residual de creer que puede ser superado, permanece preso de la lógica de la transgresión.</p>
<p>A la solución de Heidegger de rescatar el aburrimiento como fuente redentora de sentido, se han contrapropuesto un puñado de terapias más pedestres. Por ejemplo, nos repetimos hasta el cansancio que el aburrimiento se cura a fuerza de sudor. Sin embargo, quien recurre al trabajo como remedio confunde la desaparición temporaria de los síntomas con la cura de la enfermedad. Ya Theodor Adorno asoció el aburrimiento a la alienación en el trabajo, idea ilustrada magníficamente por la célebre escena del clásico Tiempos modernos , donde Chaplin encarna risueña y lúcidamente al obrero que, reiterando una y otra vez un único movimiento, se ha metamorfoseado en una mera prótesis de la máquina, con la cual comparte la ausencia de autodeterminación en el proceso productivo. Incluso la expresión &#8220;tiempo libre&#8221; alude al lapso en que no se trabaja, cuando en rigor de verdad no se es ni más ni menos libre en un tiempo que en otro, ni necesariamente tiene más sentido uno que otro. Lo que cambia es el rol, en uno somos productores y en el otro, consumidores. Milan Kundera, en La identidad , observa que antiguamente los oficios se ejercían con pasión, el zapatero conocía de memoria cuánto calzaba cada uno de los habitantes del pueblo, y cada ocupación creaba una forma de ser. &#8220;Hoy somos todos iguales, mancomunados por nuestra apatía compartida hacia el trabajo. Esa apatía se ha tornado una pasión. La única gran pasión colectiva de nuestro tiempo.&#8221; El trabajo ya no ofrece una respuesta, y cuando parece serlo, es apenas un vano intento de huir del tiempo.</p>
<p>Una vez desestimada la cura a través del trabajo, ¿acaso puede ser superado por un acto de la voluntad? Bien mirado, estimular a quien siente un profundo aburrimiento diciéndole algo así como &#8220;ponele ganas&#8221; es como ordenarle a un enano ser más alto de lo que es. Porque lo cierto es que el aburrimiento es más una cuestión de sentido que de pereza, desocupación o vagancia.<br />
<strong><br />
La aceptación</strong></p>
<p>En lugar de hacer del aburrimiento, su destino, otros rescataron el ideal filosófico de la ataraxia, esa imperturbabilidad de ánimo gracias a la cual alcanzaríamos cierto equilibrio emocional, mediante la disminución de la intensidad de nuestras pasiones y deseos. Lejos de ser malo, proclaman, es un sentimiento natural que nos asalta cuando sentimos que no somos productivos. Pero lo cierto es que si no se tolera cierto grado de ese mal, se vive una vida reducida a huir del aburrimiento. Frente a esa amenaza, y una vez resignados ante el factum del aburrimiento, se dice que en lugar de ser abolido, debería ser incorporado como un dispositivo tan funcional a la psiquis como lo suelen ser el temor, la ira o la indignación.</p>
<p>En una suerte de apología, lejos de buscar un antídoto, tal vez se trate de hacer del aburrimiento una parte esencial a la condición humana. Como el nacimiento, el sexo o la muerte, una más entre las tantas otras por aceptar. O, por qué no, tal vez hasta por celebrar. Reconciliándonos con él, como cuando redescubrimos a un antiguo y entrañable amigo de quien, con el tiempo, aprendimos a querer sus defectos.</p>
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		<title>Gotas</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Jan 2009 14:46:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Mais ou menos grana?

 A nomeação de Rodrigo Garcia é noticiada de maneira diferente na Folha e no Estadão. Veja os dois artigos reproduzidos aqui no blog (Kassab reforça sua turma; Ex-sócio de prefeito é “promovido” de secretaria). No Estado SP, Rodrigo Garcia tem pasta reforçada mas perde verba; na Folha SP ele sai [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <font size="5"><strong>Mais ou menos grana?<br />
</strong></font></p>
<p><strong> </strong><a href="http://images.google.fr/imgres?imgurl=http://bp2.blogger.com/_Nj7k-NFjuzA/R6E21PtfM8I/AAAAAAAAAYA/80GtamivgJY/s400/rodrigo-kassab.jpg&amp;imgrefurl=http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2008_01_13_archive.html&amp;usg=__vl9M1KkYiayUWfo7lOZJARk38Ig=&amp;h=286&amp;w=280&amp;sz=12&amp;hl=pt-BR&amp;start=1&amp;um=1&amp;tbnid=OiFYSzjft-_sWM:&amp;tbnh=115&amp;tbnw=113&amp;prev=/images%3Fq%3Drodrigo%2Bgarcia%2Bkassab%26um%3D1%26hl%3Dpt-BR%26rlz%3D1B3GGGL_frUS225BR226%26sa%3DN"><img src="http://tbn0.google.com/images?q=tbn:OiFYSzjft-_sWM:http://bp2.blogger.com/_Nj7k-NFjuzA/R6E21PtfM8I/AAAAAAAAAYA/80GtamivgJY/s400/rodrigo-kassab.jpg" style="border: 1px solid " width="113" align="left" height="115" /></a>A nomeação de Rodrigo Garcia é noticiada de maneira diferente na <strong>Folha</strong> e no <strong>Estadão</strong>. Veja os dois artigos reproduzidos aqui no blog (<a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/01/kassab-reforca-sua-turma/" title="Kassab reforça sua turma" rel="bookmark">Kassab reforça sua turma</a>; <a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/01/ex-socio-de-prefeito-e-promovido-de-secretaria/" title="Ex-sócio de prefeito é “promovido” de secretaria" rel="bookmark">Ex-sócio de prefeito é “promovido” de secretaria</a>). No <strong>Estado SP,</strong> Rodrigo Garcia tem pasta reforçada mas perde verba; na <strong>Folha SP</strong> ele sai de uma pasta sem orçamento para mais dinheiro e poder na máquina. A <strong>Folha</strong> informa que Rodrigo Garcia foi sócio de Gilberto Kassab, omitido pelo <strong>Estadão</strong>. Já este último informa sobre o cargo atribuído ao tesoureiro da campanha de Kassab, Flávio Chuery, que coordenará a pasta de Garcia.</p>
<p>A importância desta promoção, completada com a de Miguel Bucalem na nova Secretaria de Desenvolvimento Urbano, aparecerá sem dúvida nos grandes assuntos empresariais da cidade: revisão do Plano Diretor, Habite-se, alvarás, mobília urbana que reintroduzira a publicidade nas ruas da cidade etc.</p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p align="left">&nbsp;</p>
<p><strong><font size="5">Sexismo</font><br />
</strong></p>
<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/12/gotas-4/8888/" rel="attachment wp-att-8888" title="sorria.jpg"><img src="http://tribunadonorte.com.br/fotos/29454.jpg" alt="http://tribunadonorte.com.br/fotos/29454.jpg" width="113" align="left" height="102" /></a>Estão de parabéns a Embratur e o Ministério de Turismo (foto Luiz Barretos, ministro da pasta) em requerer da justiça a retirada de um folheto sexista que procura promover o turismo no Rio de Janeiro apelando parte das brasileiras como &#8220;máquina de sexo bunduda&#8221;.</p>
<p>A publicação &#8220;Rio For Partiers&#8221; (Rio para festeiros) trata as mulheres como objetos sexuais e as divide em categorias segundo a dificuldade ou facilidades em leva-las para a cama. Segundo a Embratur, o guia &#8220;viola a dignidade humana e expõe o povo brasileiro a situação vexatória&#8221;. A publicação, vendida pela internet, é editada em inglês pela Solcat Publishing Editora e está em sua 7ª edição.</p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p align="left">&nbsp;</p>
<p><font size="5"><strong>Folha médio orientada<br />
</strong></font></p>
<p><font size="5"> </font></p>
<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/01/uri_avneri.jpg" title="uri_avneri.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/01/uri_avneri.jpg" alt="uri_avneri.jpg" width="306" align="left" height="198" /></a>A <strong><em>Folha</em></strong> aproveitou os equívocos da nota assinada por Ricardo Berzoini e Valter Pomar, acusando os israelenses de <strong>&#8220;prática típica do Exército nazista&#8221;</strong>, para procurar no governo de Israel alguém que desqualifique a disposição do governo brasileiro em contribuir para a mediação do conflito.</p>
<p>Depois de pedir a opinião do Ministro de Assuntos Sociais de Israel, procurado pela <strong><em>Folha</em></strong> na cidade israelense de Ashkelon, sobre a nota do PT (que o entrevistado aparentemente desconhecia até encontrar o repórter da <em><strong>Folha</strong></em>), o jornalista pede para o ministro considerar se seria &#8220;relevante&#8221; a oferta de mediação do governo do Brasil. Como o ministro considera positiva a iniciativa brasileira, o jornalista volta à carga para saber se a nota do PT não descredencia o Brasil como mediador.</p>
<p>Apesar dos seus esforços, a <strong><em>Folha</em></strong> não consegue transformar a nota dos dois dirigentes petistas em atrito diplomático entre o governo brasileiro e o governo de Israel. Ainda bem.</p>
<p>O desatino da comparação feita pelos petistas não é um monopólio, como bem mostra Marcos Guterman no artigo <a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/01/a-hitler-o-que-e-de-hitler/" title="A Hitler o que é de Hitler" rel="bookmark">A Hitler o que é de Hitler</a>. Uri Avneri, o conhecido pacifista israelense, fez comparação semelhante (na foto) durante passeata em Tel-Aviv dizendo que os pilotos israelenses agem como os pilotos nazistas (<a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/01/israelenses-e-palestinos-manifestam-pela-paz/" title="Israelenses e palestinos manifestam pela paz" rel="bookmark">Israelenses e palestinos manifestam pela paz</a>). Minha concordância com Marcos Guterman não me impede considerar a tentativa da <strong><em>Folha</em></strong> um desserviço à informação e uma tentativa torpe de tentar fabricar incidentes.</p>
<p align="center"><font size="5"><font size="5"> </font></font></p>
<p align="left">&nbsp;</p>
<p><font size="5"><strong>Drummond</strong></font></p>
<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/12/gotas-4/8903/" rel="attachment wp-att-8903" title="amante.jpg"><span style="font-size: 24px"><font color="#d61b7d"><img src="http://www.daily-events.com/resources/_wsb_195x213_JeanloupSieff23.jpg" style="width: 195px; height: 213px" width="195" align="left" border="0" height="213" /></font></span></a></p>
<p align="right"><strong><font size="4">A língua girava no céu da boca</font></strong></p>
<p align="right"><font size="4">A língua girava no céu da boca. Girava! Eram duas bocas, no céu único. O sexo desprendera-se de sua fundação, errante imprimia-se nos seus traços de cobre. Eu, ela, elaeu. Os dois nos movíamos possuídos, trespassados, eleu. A posse não resultava de ação e doação, nem nos somava. Consumia-nos em piscina de aniquilamento. Soltos, fálus e vulva no espaço cristalino, vulva e fálus em fogo, em núpcia, emancipados de nós. A custo nossos corpos, içados do gelatinoso jazigo, se restituíram à consciência. O sexo reintegrou-se. A vida repontou: a vida menor.</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><strong><font size="4">Carlos Drummond de Andrade</font></strong></p>
<p align="right">&nbsp;</p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p align="right"><img src="http://www.germinaliteratura.com.br/imagens/jeanloup_sieff_ass.jpg" width="231" align="left" border="0" height="324" hspace="0" /><strong><font size="4">Amor — pois que é palavra essencial</font></strong></p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">Amor — pois que é palavra essencial</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">comece esta canção e tudo a envolva.</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">Reúna alma e desejo, membro e vulva.</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">Quem ousará dizer que ele é só alma?</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">Quem não sente no corpo a alma a expandir-se</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">até desabrochar em puro grito</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">de orgasmo, num instante de infinito?</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">O corpo noutro corpo entrelaçado,</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">Fundido, dissolvido, volta à origem</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><img src="http://www.s-y-s.cn/text/ewebeditor/UploadFile/200687194325578.jpg" style="cursor: -moz-zoom-in" alt="http://www.s-y-s.cn/text/ewebeditor/UploadFile/200687194325578.jpg" width="231" align="left" height="336" /><font size="4">Dos seres, que Platão viu contemplados:</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">é um, perfeito em dois; são dois em um.</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">Integração na cama ou já no cosmo?</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">Onde termina o quarto e chega aos astros?</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">Que força em nossos flancos nos transporta</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">a essa extrema região, etérea, eterna?</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">Ao delicioso toque do clitóris,</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">já tudo se transforma, num relâmpago.</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">Em pequenino ponto desse corpo,</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">a fonte, o fogo, o mel se concentram.</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font><font color="#999999"><span style="color: silver; font-family: Tahoma" lang="EN-US"><img src="http://www.s-y-s.cn/text/ewebeditor/UploadFile/200687194235145.jpg" width="229" align="left" border="0" height="331" /></span></font></font><font size="4">Vai a penetração rompendo nuvens</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">e devassando sóis tão fulgurantes</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">que nunca a vista humana os suportara</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">mas, varado de luz, o coito segue.</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">E prossegue e se espraia de tal sorte</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">que, além de nós, além da própria vida,</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">como ativa abstração que se faz carne,</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">a idéia de gozar está gozando.</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">E num sofrer de gozo entre palavras,</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">menos que isto, sons, arquejos, ais,</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">um só espasmo em nós atinge o clímax:</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">é quando o amor morre de amor, divino.</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><img src="http://henrikaufman.typepad.com/photos/uncategorized/2008/06/02/ysl_m7_samuel_de_cubber.jpg" alt="Photo" width="231" align="left" height="309" /><font size="4">Quantas vezes morremos um no outro,</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">no úmido subterrâneo da vagina,</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">nessa morte mais suave do que o sono:</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">a pausa dos sentidos, satisfeita.</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">Então a paz se instaura. A paz dos deuses,</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">estendidos na cama, qual estátuas</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">vestidas de suor, agradecendo</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><font size="4">o que a um deus acrescenta o amor terrestre.</font></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><strong><font size="4">Carlos Drummond de Andrade</font></strong></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><strong><font size="4">Fotos Jean-Loup Sieff</font></strong></p>
<div align="right"></div>
<p align="right"><strong><font size="4">Fonte portal Germina</font></strong></p>
<p align="right"><font size="4"><br />
</font></p>
<p><span style="font-size: 78%"></span></p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p><em><strong>Gotas,</strong> por Luis Favre</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>O câncer da próstata num olhar médico</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Jan 2009 18:58:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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O diagnóstico do tumor da próstata está longe de ser circundado por ideias consensuais; médicos e pacientes devem escolher o melhor tratamento de acordo com cada caso

MIGUEL SROUGI ESPECIAL PARA A FOLHA SP
O PASSAR dos anos, com suas desfigurações incontornáveis, é acompanhado de tamanha deterioração dos nossos genes que, se fosse dado ao homem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong><br />
O diagnóstico do tumor da próstata está longe de ser circundado por ideias consensuais; médicos e pacientes devem escolher o melhor tratamento de acordo com cada caso</strong></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.plugbr.net/wp-content/uploads/2007/07/cancer_prost.gif" alt="http://www.plugbr.net/wp-content/uploads/2007/07/cancer_prost.gif" /><img src="http://www.laprp.com/images/surg3B.jpg" style="cursor: -moz-zoom-in" alt="http://www.laprp.com/images/surg3B.jpg" width="179" height="292" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">MIGUEL SROUGI ESPECIAL PARA A FOLHA SP</p>
<p>O PASSAR dos anos, com suas desfigurações incontornáveis, é acompanhado de tamanha deterioração dos nossos genes que, se fosse dado ao homem o privilégio da imortalidade, o mundo seria inundado por seres altamente imperfeitos. Talvez por isso, a pressão evolucionista ou Deus (na ordem ou exclusividade que você preferir) tenha criado um mecanismo impiedoso para conter os anseios de perenidade da mente humana: o câncer da próstata, que atinge cerca de 10% dos homens com 50 anos, 30% daqueles com 70 anos e 100% dos que chegam aos cem anos.</p>
<p>Vivem atualmente no Brasil cerca de 12 milhões de homens com mais de 50 anos, e 2 milhões deles serão atingidos pelo câncer da próstata. Essa estatística alarmante contrapõe-se a outra mais alentadora. De cada 14 pacientes acometidos pelo mal, apenas 1 morrerá pela doença, o que produz uma conclusão óbvia. A maioria dos pacientes sobrevive ao câncer, alguns por portarem tumores indolentes, que não progridem, muitos outros graças às ações médicas reparadoras.</p>
<p>Duas condições aumentam os riscos de contrair o câncer da próstata: a raça e a ocorrência de casos na família. A frequência desse tumor é 70% menor em homens orientais. Por outro lado, negros têm o dobro da incidência e neles o tumor costuma ceifar mais vidas. Estudos recentes patrocinados pela American Cancer Society sugerem que esse comportamento está relacionado com certa tendência hereditária e com marginalização social e menor acesso aos tratamentos curativos, fenômeno perverso que, certamente, se repete numa sociedade tão injusta como a nossa.</p>
<p>Sabe-se, há muito, que a incidência do câncer da próstata aumenta entre duas e cinco vezes quando o pai ou o irmão são portadores do mal. Nos casos hereditários, o tumor manifesta-se em idades mais precoces. Por isso, homens com histórico familiar devem realizar exames preventivos da próstata a partir dos 40 anos, e não após os 45, como se recomenda hoje.</p>
<p>Obesidade, vasectomia e excesso de atividade sexual, lembrados como possíveis causadores do câncer da próstata, não parecem ter vínculo com a doença. Contudo o tumor em homens obesos costuma evoluir de forma mais desfavorável. Por outro lado, maior frequência de atividade sexual talvez até iniba o aparecimento do câncer da próstata. Uma pesquisa que foi patrocinada pelo National Institute of Health dos EUA e envolveu 29 mil homens revelou que a incidência desse câncer é 33% menor nos indivíduos que ejaculam mais do que cinco vezes por semana. Alegro-me em relatar esse estudo, enfim uma boa notícia no meio de linhas tão áridas, lembrando que, ao se exercitar bastante, o homem também evita a obesidade, atenuando a gravidade da doença se ela insistir em aparecer.</p>
<p><strong>Diagnóstico</strong><br />
Para explorar a presença de câncer da próstata, os especialistas recorrem ao exame de toque e às dosagens de PSA no sangue. Esses dois exames devem ser feitos conjuntamente, já que o toque e o PSA, isolados, falham, respectivamente, em 50% e 25% dos casos atingidos pela doença. Executando-se os dois testes, deixam de ser identificados apenas 7% ou 8% dos pacientes acometidos. A simplicidade dessas estatísticas poderia indicar que o diagnóstico do câncer da próstata é circundado por ideias consensuais. Infelizmente, isso está longe de ser real.</p>
<p>Em primeiro lugar, o toque da próstata gera assombros na mente masculina, sobre os quais têm sido dedicadas incontáveis linhas e intrincadas interpretações psicológicas. A verdade é que o toque costuma ser realizado em quatro ou cinco segundos, de forma indolor; para os mais recalcitrantes, gostaria de dizer que muito pior do que o desconforto psicológico de alguns segundos é o flagelo que perdura por anos quando um câncer é descoberto tardiamente. Em segundo lugar, o PSA, produzido exclusivamente pela próstata, encontra-se aumentado nos pacientes com câncer, mas também pode elevar-se em alguns casos de crescimento benigno, de infecção da glândula ou até em homens sem nenhuma doença local. Níveis alterados de PSA exigem avaliação médica, mas não indicam, necessariamente, a existência de câncer. Conhecendo-se as taxas de PSA no sangue e o resultado do toque, é possível calcular as chances de câncer da próstata.</p>
<p>Em terceiro lugar, novos exames para identificar a doença vêm sendo testados. Incluem-se aqui as proteínas PCA3, PGC e EPCA-2, que estão alteradas nos homens portadores da doença e que, talvez, sejam mais precisas do que o PSA. Confirmadas essas observações, estarão criados instrumentos adicionais para descortinar os novos casos de câncer da próstata. De forma auspiciosa para alguns, os urologistas talvez possam anunciar o fim do toque prostático. Finalmente, uma recomendação recente do Inca (Instituto Nacional de Câncer) desaconselhou os exames preventivos anuais da próstata. Segundo a nota, muitos casos de câncer da próstata são indolentes e, por isso, não progridem nem precisariam ser identificados.</p>
<p>Ações médicas contundentes nesses casos seriam desnecessárias e produziriam um sem-número de homens com a qualidade de vida comprometida pelas sequelas do tratamento.</p>
<p>Embora não tenha sido totalmente descabida, a recomendação do Inca, no mínimo, foi precipitada. Realmente, uma pesquisa publicada no ano passado pelo National Cancer Institute dos EUA concluiu que, entre os casos de câncer da próstata descobertos em exames preventivos, cerca de 15% são do tipo indolente, 25% já são avançados e incuráveis e 60% têm doença agressiva, mas curável se tratada a tempo. Fica claro que, sob o argumento de evitar tratamentos desnecessários em 15% dos pacientes, serão prejudicados 60% dos homens com tumores potencialmente curáveis e que deixarão de ser identificados no momento propício.</p>
<p>Com a esperança de reduzir a incidência do câncer da próstata, dieta e suplementos têm sido recomendados pelos especialistas. Infelizmente, dados emergentes indicam que os três agentes mais difundidos, o licopeno (encontrado no tomate), a vitamina E e o selênio, não têm a ação protetora que lhes foi atribuída e, pior, talvez sejam nocivos. Pesquisas das Universidades do Texas (EUA) e McMaster (Canadá) demonstraram um aumento nos riscos de complicações cardíacas e de diabetes nos indivíduos que já tinham propensão a esses problemas e que receberam vitamina E e selênio para prevenir o câncer da próstata.</p>
<p><strong>Tratamento</strong><br />
Os casos indolentes de câncer da próstata não precisam ser tratados. Por outro lado, quando se chega à conclusão de que a doença deve ser combatida, a terapêutica é selecionada em função da extensão do câncer. Os pacientes com doença restrita à próstata são tratados com cirurgia (prostatectomia radical) ou radioterapia. Já os tumores que se estendem para outros órgãos do corpo são controlados com medicações hormonais, orientação que também é usada nos casos mais simples, que não precisam de terapêutica radical.</p>
<p>Uma certa polêmica envolve o tratamento dos pacientes com câncer circunscrito à próstata, gerando aflição nos portadores da doença. Cirurgiões e radioterapeutas proclamam que a prostatectomia radical e a radioterapia representam, respectivamente, a melhor maneira para tratar tais casos. Na verdade, até o presente, não foram publicados estudos convincentes comparando diretamente esses dois métodos. Pesquisas antigas e indiretas sugerem que as chances de cura com a cirurgia radical são cerca de 10% a 15% maiores do que as obtidas com a radioterapia. Ademais, dados recentes demonstraram que, quando o tumor está totalmente contido na glândula, os riscos de o paciente morrer em decorrência da doença são, respectivamente, de 2% e de 5% após o emprego da cirurgia e da radioterapia.</p>
<p><strong>Novas técnicas</strong><br />
Outras angústias permeiam a mente dos homens atingidos pelo câncer da próstata. A prostatectomia radical é acompanhada de impotência sexual em 80% dos homens com 70 anos, em 50% dos indivíduos com 65 anos e em 15% dos pacientes com menos de 55 anos. Ademais, produz incontinência urinária em 3% a 35%, dependendo da experiência do cirurgião e da idade do paciente. A radioterapia associa-se a riscos um pouco inferiores de problemas sexuais, mas, em 10% a 15% dos casos, surgem complicações intestinais e urinárias que podem persistir por anos.</p>
<p>Conscientes desses problemas, os cirurgiões introduziram duas novas técnicas para executar a prostatectomia radical: o método laparoscópico e as intervenções auxiliadas por um robô, conhecido como &#8220;da Vinci&#8221;. Os dois métodos são executados através de pequenos orifícios, evitando as incisões maiores. A cirurgia assistida por robô permite, adicionalmente, uma visão tridimensional ampliada da próstata e adjacências, é facilitada pela existência de um terceiro braço manipulado pelo cirurgião e permite manobras mais precisas, já que a mão do robô realiza sete movimentos, e a mão humana, apenas quatro. Apesar do apelo que envolve o uso dessas técnicas, ditas minimamente invasivas, existem questões relacionadas que não foram ainda respondidas.</p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.fapex.org.br/images/upload/robo1207136616.jpg" alt="http://www.fapex.org.br/images/upload/robo1207136616.jpg" /></div>
<p>Complicações pós-operatórias mais graves têm sido observadas após a cirurgia laparoscópica, uma vez que o acesso mínimo nem sempre se traduz pela agressão mínima aos tecidos.</p>
<p>No caso da prostatectomia radical robótica, a principal limitação para a disseminação do seu uso é o elevado custo do equipamento. Seu valor atual, da ordem de US$ 2,5 milhões, torna-o inacessível à maioria dos centros brasileiros. Por isso, e enquanto não surgirem dados consistentes que demonstrem índices mais elevados de cura e de preservação da qualidade de vida dos pacientes tratados, deve continuar prevalecendo, em nosso meio, a indicação da cirurgia aberta. Por outro lado, é razoável que sejam instalados no país cinco ou dez centros dotados de robô, envolvendo cirurgiões experimentados, de modo que a técnica seja avaliada cientificamente. Comprovada sua superioridade, estaria justificada, dos pontos de vista médico e econômico, sua dispersão.</p>
<p>Como corolário, vale lembrar uma ideia consensual entre os especialistas: o sucesso na execução da prostatectomia radical está mais ligado à experiência do cirurgião e menos ao método cirúrgico utilizado. Lida de outra forma, mais importante do que a técnica escolhida é o técnico envolvido.</p>
<p>Os pacientes tratados com medicações hormonais podem deixar de reagir a esses tratamentos após alguns anos e, para eles, existe uma notícia auspiciosa. Uma nova droga, a abiraterona, foi recentemente testada na Inglaterra em pacientes com formas agressivas de câncer da próstata e mostrou intensa atividade antitumoral, inclusive nos casos resistentes aos tratamentos convencionais. Com baixa toxicidade, a droga fez a doença regredir em quase 70% dos pacientes, e muitos se mantinham bem quando o estudo foi publicado, em outubro último. Ainda indisponível, constitui uma esperança real na luta contra o mal.</p>
<p>Nestas linhas, fica claro que, ao dirigir um olhar para o câncer da próstata, vislumbram-se boas e más notícias, números decifráveis e estatísticas emblemáticas. Mais do que isso, percebe-se que, no entorno do câncer da próstata, existem seres humanos inseguros com o porvir, com aflições exacerbadas pelas divergências entre os especialistas e pelas incertezas dos tratamentos, que curam um grande número de pacientes, mas que podem comprometer a qualidade de vida desses indivíduos. Por esses motivos, um médico só exercerá com grandeza o seu papel de guardião do corpo e da alma se, tanto na saída como na chegada, levar em conta não apenas a doença mas também os sentimentos e os direitos de todos os seres de controlar seu próprio destino. Com isso, quero dizer que médicos e doentes, num certo conluio durante a travessia, devem optar pela terapêutica mais eficiente quando a sobrevida for a questão mais relevante e escolher o tratamento menos agressivo quando as complicações possíveis forem intoleráveis para esse paciente -realidade que Riobaldo, o jagunço filósofo de Guimarães Rosa, sabia muito bem como descortinar: &#8220;Digo, o real não está na saída ou na chegada, ele se dispõe para a gente no meio da travessia&#8221;.</p>
<p><strong>MIGUEL SROUGI , 62, é pós-graduado em urologia pela Harvard Medical School (EUA) e professor titular de urologia da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo)</strong></p>
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		<title>Pornografia e Erotismo</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Dec 2008 22:04:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fonte Germina Literatura — Revista virtual de literatura e arte editada por Lucia Farias,  Silvana Guimarães e Mariza Lourenço. Publica ensaios, resenhas e tem excelentes antologias de poesia e contos em seções como Uns, Outros, Poucos, Raros. Estes textos a seguir são da seção eróticos&#38;pornográficos
por Dirceu Villa
Introdução
Tendo em vista evitar uma distinção de valor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Fonte Germina Literatura — Revista virtual de literatura e arte editada por Lucia Farias,  Silvana Guimarães e Mariza Lourenço. Publica ensaios, resenhas e tem excelentes antologias de poesia e contos em seções como Uns, Outros, Poucos, Raros. Estes textos a seguir são da seção eróticos&amp;pornográficos</em></p>
<p style="background-color: #ffff99">por Dirceu Villa</p>
<p><strong>Introdução</strong></p>
<p>Tendo em vista evitar uma distinção de valor absolutamente ridícula, que vários teóricos e artistas propuseram (Boris Vian e José Paulo Paes, por exemplo) entre pornográfico e erótico, em que o pornográfico se destinaria pura e simplesmente ao estímulo sexual e o erotismo abocanharia a parte “nobre“, refinada e artística<font size="4"><strong>¹</strong></font>, entendamo-nos: erótico é um texto de poses, calculados subterfúgios que representam a sexualidade, e pornográfico é aquele que fala francamente, com todas as tão temidas palavras. Ambos igualmente artísticos, ambos podem igualmente ser bons ou maus, como o gentil leitor e a não menos gentil leitora poderão julgar adiante.</p>
<p><span id="more-9025"></span> <font size="2"></font></p>
<div style="text-align: center"><font size="2"><font size="2"><img src="http://www.germinaliteratura.com.br/imagens/erosporno_log.jpg" width="397" border="0" height="459" hspace="0" /></font></font></div>
<p><font size="2"></font><br />
<font size="4"><strong>Marquês de Sade, da Histoire de Juliette</strong></font></p>
<p>(Tradução de Dirceu Villa)</p>
<p>Ó, meus amigos! eu lhes pergunto: um homem cheio de bondade plantaria em seu jardim uma árvore que fosse produzir frutos deliciosos, mas envenenados, e se contentaria em impedir seus filhos de comer deles, dizendo-lhes que morreriam se ousassem tocá-los? Se sabia que havia uma tal árvore em seu jardim, esse homem prudente e sábio não demonstraria ser mais atencioso derrubando-a, sobretudo sabendo bastante bem que, sem essa precaução, seus filhos não deixariam de perecer comendo de seu fruto, nem de arrastar sua posteridade à miséria? Entretanto, Deus sabe que o homem vai pôr a perder a si e à sua raça se comer do fruto, e não apenas coloca nele o poder de ceder, mas leva a malícia ao ponto de lhe fazer seduzir. Ele sucumbe e está perdido; faz aquilo que Deus permite que faça, o que Deus o anima a fazer, e ei-lo eternamente infeliz. Não há nada no mundo mais absurdo e cruel! Sem dúvida, e eu repito, não pegaria da pena para combater um tal absurdo se o dogma do inferno, de que desejo aniquilar a vossos olhos o mais ligeiro traço, não fosse sua horrenda conseqüência.</p>
<p><font size="4"><strong>Arquíloco</strong></font></p>
<p>(Tradução de Antonio Medina Rodrigues)</p>
<p>Voraz tesão, mofino, arfante, inclina-me<br />
Na areia as moles carnes, e mais nada:<br />
Pois a ossatura já moeram os deuses na porrada.</p>
<p><a href="http://bp0.blogger.com/_roIxafo4W4w/Rs3yLbcALRI/AAAAAAAABtQ/0N_oJxy3gbI/s1600-h/Safo_by_Mengin.jpg"><img src="http://bp0.blogger.com/_roIxafo4W4w/Rs3yLbcALRI/AAAAAAAABtQ/0N_oJxy3gbI/s400/Safo_by_Mengin.jpg" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5102000231038332178" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center" border="0" /></a></p>
<p><font size="4"><strong>Safo de Lesbos</strong></font></p>
<p>(Tradução de Antonio Medina Rodrigues)</p>
<p>Igual a um deus esse homem me parece,</p>
<p>O que sentado está, defronte a ti,</p>
<p>E a voz te ouvindo, nela se entorpece,</p>
<p>E tal por ti,</p>
<p>Pela visão de um riso aos lábios teus,</p>
<p>Meu peito se consome, e a teu olhar,</p>
<p>Que finge vir-me, a voz e o verbo meu</p>
<p>Sinto que somem.</p>
<p>E se me parte a língua, e em tez e pele</p>
<p>Espalha-se um tremor por mil sentidos,</p>
<p>Embaçam-me as pupilas, e um zumbir</p>
<p>Me implode ouvidos,</p>
<p>Um suor o seio e púbis me percorre,</p>
<p>E presa eu sou da angústia, e em mais palor</p>
<p>Me pinto que uma ervilha, e morte ocorre</p>
<p>Em mim ansiada.</p>
<p>Mas tudo, ó Agálida, se irá tentar.</p>
<p><font size="4"><strong>Marcial, dos Epigramas</strong></font></p>
<p>(Tradução, Dirceu Villa)</p>
<p><strong>Livro III, 51</strong></p>
<p>Quando cubro de elogios</p>
<p>tuas pernas, tuas mãos,</p>
<p>“Nua agrado mais”, Galla,</p>
<p>você me diz então.</p>
<p>Mas um banho, nós dois,</p>
<p>está fora dos seus planos.</p>
<p>Acaso, Galla, o medo é</p>
<p>me ver sem estes panos?</p>
<p><strong>Livro IX, 69</strong></p>
<p>Quando fode, Polycarmo costuma cagar.</p>
<p>quando é fodido, o que Polycarmo fará?</p>
<p><strong>Livro XII, 86</strong></p>
<p>Trinta garotos e mais tantas garotas tens pra ti:</p>
<p>e tens um só pau que não está nem aí.</p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.verdestrigos.org/sitenovo/imagens/cronica/sda.jpg" alt="http://www.verdestrigos.org/sitenovo/imagens/cronica/sda.jpg" /></div>
<p><font size="4"><strong>Petronio, do Satyricon</strong></font></p>
<p>(Tradução de Paulo Leminski)</p>
<p>Ofendido com minha perfídia, o garoto fechou a cara pra mim. Mas dali a dias, voltei a atacar. De novo, o acaso voltou a nos favorecer, ouvi que o pai roncava, e comecei a implorar ao garoto que fizesse as pazes comigo, vale dizer, me deixasse voltar às delícias de antes. Gastei, nisso, toda a lábia que o desejo costuma ditar.</p>
<p>Ele, no entanto, furioso, só sabia dizer:</p>
<p>— Volte a dormir, senão eu conto pro meu pai.</p>
<p>Nada é tão difícil que a teimosia não consiga atingir. Ele dizia “vou acordar meu pai“, e eu já estava em cima dele, agarrando-o à força e satisfazendo meu tesão. Não resistiu muito. Não parecia aborrecido com minha violência. Disse que tinha sido objeto da zombaria dos colegas da escola, por causa da minha avareza.</p>
<p>— Mas eu não sou avarento com você. Pode me comer de novo, se quiser.</p>
<p>Eu, feitas as pazes, fiz com o garoto o que o meu desejo queria, e caí no sono. Mas o garoto, com toda sua disposição juvenil, queria levar mais.</p>
<p>Me despertou de repente:</p>
<p>— Não quer mais?</p>
<p>Eu ainda tinha um restinho de tesão, fiz o melhor que pude, e, suando e resfolegando, consegui satisfazê-lo mais uma vez. Exausto, voltei a dormir, cansado de tanto gozar. Dormi só um pouquinho, ele me cutucou:</p>
<p>— Vamos transar de novo.</p>
<p>Acordando furioso, devolvi sua ameaça:</p>
<p>— Ou você dorme, ou eu conto tudo pro seu pai.</p>
<p><font size="4"><strong>Francesco Colonna, do Hypnerotomachia Poliphili</strong></font></p>
<p>(Tradução de Dirceu Villa)</p>
<p>“Agora prove este beijo apaixonado,“ (aqui ele me abraçou de modo virginal) “como prova do meu coração em flamas, concebido pelo meu amor excessivo“. E assim que nos abraçamos fortemente, minha pequena e redonda boca púrpura misturou sua umidade com a umidade da dele, saboreando, sugando, e aplicando doces mordidas enquanto nossas línguas se entrelaçavam, após eu tê-lo abraçado como um pólipo“.</p>
<p><font size="4"><strong>Pietro Aretino, dos Sonetos Luxuriosos</strong></font></p>
<p>(Tradução de José Paulo Paes)</p>
<p>Gentis espectadores que admirais</p>
<p>Esta que em cona e cu pode saciar-se,</p>
<p>Em mil modos de foder deleitar-se</p>
<p>E a seu modo gozar na frente e atrás.</p>
<p>Os três contentes, certo, bem estais.</p>
<p>Por minha fé que escassos de encontrar-se</p>
<p>São o gosto, o gozar, o deleitar-se.</p>
<p>Eis que os três a um só tempo desfrutais.</p>
<p>Podes os três a um tempo comprazer,</p>
<p>Dama gentil. Será coisa excelente,</p>
<p>Gostosa e delicada. É só querer.</p>
<p>Tola não te achará a sábia gente</p>
<p>De a dois amantes dar igual prazer,</p>
<p>Um por detrás e o outro pela frente.</p>
<p>É coisa inteligente</p>
<p>Ao mesmo tempo três serem servidos,</p>
<p>Eles e tu, em ambos os sentidos.</p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.pentrace.net/fph_images/CASANOVA.jpg" style="cursor: -moz-zoom-in" alt="http://www.pentrace.net/fph_images/CASANOVA.jpg" width="256" height="385" /></div>
<p><font size="4"><strong>Giacomo Casanova, “Aventura da religiosa de Aix-en-Savoie“</strong></font></p>
<p>(Tradução de Álvaro Gonçalves)</p>
<p>Tirou a touca e deixou cair a cabeleira; desatei-lhe o corpinho, e, num piscar dolhos, tive diante dos meus uma dessas sereias como se vêem nos mais belos quadros de Corregio. Não pude contemplá-la por mais tempo sem a cobrir com meus ardentes beijos, e, comunicando-lhe dêsse modo meu ardor, vi-a prontamente chamar-me para junto de si. Senti que não era o momento de refletir, que a natureza falava e que o amor exigia que eu agisse no instante de tão doce fraqueza. Precipitei-me sôbre ela, e, os lábios colados à sua boca, apertei-a em meus braços amorosos, preludiando assim a suprema felicidade.</p>
<p>Mas, no meio de meus ardentes preparativos, ela tombou a cabeça, cerrou as belas pálpebras e adormeceu. Afastei-me um pouco, afim de melhor poder contemplar os admiráveis tesouros que o amor punha à minha disposição. A divina freira dormia: não podia aproveitar-me do sono; mas mesmo que estivesse apenas fingindo, podia eu, mau grado, saber que era astúcia de sua parte? Não, certamente; pois verdadeiro ou fingido, o sono de uma mulher que se adora deve ser respeitado por um amante delicado, sem todavia se privar dos gozos que êle permite. Se o sono é verdadeiro, não corre nenhum perigo; se é apenas simulado, é responsável pelos desejos que o inflamam. É perigo sómente medir suas carícias de maneira a assegurar que são doces ao objeto. M. M., porém, dormia realmente; o clarete havia entorpecido seus sentidos, e ela cedera à ação sem segunda intenção. Enquanto a contemplava, percebí que sonhava; seus lábios articulavam palavras incompreensíveis, mas a volutuosidade que se desenhava em sua fisionomia radiosa fez adivinhar o motivo de seu sonho. Despí-me e em dois minutos encontrei-me colado ao seu belo corpo, sem saber muito bem se imitaria seu sono, ou se tentaria despertá-la para tentar o desfecho de um drama que me parecia não poder mais adiar.</p>
<p>Não fiquei por muito tempo na incerteza, pois os movimentos instintivos que ela fez assim que sentiu junto ao santuário do amor o ministro que devia concluir o sacrifício, me convencera de que acompanhava seu sonho, e que eu só a podia tornar feliz transformando-o em realidade. Desviando docemente os obstáculos e acompanhando os movimentos que minhas carícias imprimiam ao seu belo corpo, levei a cabo o doce furto; e quando, no fim, não podendo mais me governar, abandonei-me com tôdas as fôrças do sentimento, ela acordou com um suspiro de felicidade, dizendo:</p>
<p>— Ah! Deus! então é verdade!</p>
<p>— Sim, deliciosa verdade. Sentes-te feliz, meu anjo?</p>
<p><strong>Voltaire, de Cândido, ou O Otimismo</strong></p>
<p>(Tradução de Dirceu Villa)</p>
<p>Um dia, Cunegundes, passeando perto do castelo, num pequeno bosque a que chamavam parque, viu entre os arbustos o doutor Pangloss, que dava uma lição de física experimental à aia de sua mãe, pequena morena bem alegre e bem dócil. Como a senhorita Cunegundes tinha bastante disposição para as ciências, ela observou, sem fôlego, as experiências reiteradas de que foi testemunha; viu claramente a razão suficiente do doutor, os efeitos e as causas, e retornou toda agitada, toda pensativa, toda repleta do desejo de ser douta, sonhando que ela bem podia ser a razão suficiente do jovem Cândido, que podia, por sua vez, ser a sua.</p>
<p>Voltando ao castelo, encontrou Cândido e enrubesceu; Cândido enrubesceu também; ela lhe disse “bom-dia“ com uma voz conturbada, e Cândido lhe falou sem saber o que dizia. No dia seguinte, ao deixarem a mesa após o jantar, Cunegundes e Cândido se encontraram atrás de um biombo; Cunegundes deixou cair seu lenço, Cândido o apanhou; ela inocentemente apertou sua mão; o rapaz beijou inocentemente a mão da jovem senhorita com uma vivacidade, uma sensibilidade, uma graça toda particular; suas bocas se encontraram, seus olhos se inflamaram, seus joelhos tremeram, suas mãos vaguearam. O senhor barão de Thunder-ten-tronckh passou perto do biombo, e, vendo esta causa e aquele efeito, expulsou Cândido do castelo com belos chutes no traseiro; Cunegundes desmaiou: levou umas bofetadas de madame baronesa assim que voltou a si; e todos ficaram consternados no mais belo e mais agradável dos castelos possíveis.</p>
<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_6ltyBmYZn_g/RusWPyPiHXI/AAAAAAAABvk/hEjYLS_mW_U/s1600-h/bocage2%5B2%5D.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_6ltyBmYZn_g/RusWPyPiHXI/AAAAAAAABvk/hEjYLS_mW_U/s400/bocage2%5B2%5D.jpg" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5110202662622731634" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center" border="0" /></a></p>
<p><font size="4"><strong>Bocage, dos Sonetos</strong></font></p>
<p><strong>SONETO VI</strong></p>
<p>Não lamentes, oh Nise, o teu estado;</p>
<p>Puta tem sido muita gente boa;</p>
<p>Putíssimas fidalgas tem Lisboa,</p>
<p>Milões de vezes putas têm reinado.</p>
<p>Dido foi puta, e puta dum soldado;</p>
<p>Cleópatra por puta alcança a coroa;</p>
<p>Tu, Lucrécia, com toda a tua proa,</p>
<p>O teu cono não passa por honrado:</p>
<p>Essa da Rússia imperatriz famosa,</p>
<p>Que inda há pouco morreu (diz a Gazeta)</p>
<p>Entre mil porras expirou vaidosa:</p>
<p>Todas no mundo dão a sua greta:</p>
<p>Não fiques pois, oh Nise, duvidosa</p>
<p>Que isto de virgo e honra é tudo peta.</p>
<p><strong>SONETO XIII</strong></p>
<p>É pau, e rei dos paus, não marmeleiro,</p>
<p>Bem que duas gamboas lhe lobrigo;</p>
<p>Dá leite, sem ser árvore de figo,</p>
<p>Da glande o fruto tem, sem ser sobreiro:</p>
<p>Verga, e não quebra, como o zambujeiro;</p>
<p>Oco, qual sabugueiro, tem o umbigo;</p>
<p>Brando às vezes, qual vime, está consigo;</p>
<p>Outras vezes mais rijo que um pinheiro:</p>
<p>À roda da raiz produz carqueja:</p>
<p>Todo o resto do tronco é calvo e nu;</p>
<p>Nem cedro, nem pau-santo mais negreja!</p>
<p>Para carvalho ser falta-lhe um u;</p>
<p>Adivinhe agora que pau seja,</p>
<p>E quem adivinhar meta-o no cu.</p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.gwu.edu/%7Eerpapers/humanrights/timeline/wilde-oscar.jpg" style="cursor: -moz-zoom-in" alt="http://www.gwu.edu/~erpapers/humanrights/timeline/wilde-oscar.jpg" width="266" height="385" /></div>
<p><font size="4"><strong>Oscar Wilde, de Salomé</strong></font></p>
<p>(Tradução de Dirceu Villa)</p>
<p>Salomé — Ah! não permitirias que eu beijasse tua boca, Iokanaan. Bem, eu vou beijá-la agora. Eu vou mordê-la com meus dentes como se morde uma fruta fresca. Sim, eu vou beijar tua boca, Iokanaan. Foi o que eu disse; não foi? Foi o que eu disse. Ah! eu vou beijá-la agora… Mas por que não olhas para mim, Iokanaan? Teus olhos que eram tão terríveis, tão cheios de raiva e desprezo, estão fechados agora. Por que estão fechados? Abre teus olhos! Ergue tuas pálpebras, Iokanaan! Por que não olhas para mim? Tens tanto medo, Iokanaan, que não olharás para mim?… E tua língua, que era como uma cobra vermelha espalhando veneno, já não se move, não diz uma palavra, Iokanaan, aquela víbora escarlate que cuspia seu veneno sobre mim. É estranho, não achas? Como pode a víbora rubra não mais se mexer?… Nada querias comigo, Iokanaan. Me rejeitaste. Disseste palavras más contra mim. Punha-te diante de mim como se diante de uma puta, como se diante de uma vadia; eu, Salomé, filha de Herodias, princesa da Judéia! Bom, ainda estou viva, mas tu estás morto, e tua cabeça me pertence. Posso fazer com ela o que quiser. Posso jogá-la aos cães e aos pássaros do ar. O que os cães deixarem os pássaros do ar devoram… Ah, Iokanaan, Iokanaan, foste o único a quem amei entre os homens! Todos os outros me eram odiosos. Mas tu eras belo! Teu corpo era uma coluna de marfim posta sobre pés de prata. Era um jardim cheio de pombas e lírios de prata. Era uma torre de prata adornada com anteparos de marfim. Nada havia no mundo de tão branco quanto teu corpo. Nada havia no mundo de tão negro quanto teus cabelos. No mundo todo nada havia de tão vermelho quanto tua boca. Tua voz era um incensário que esparzia estranhos perfumes, e quando olhava para ti eu ouvia uma estranha música. Ah! Por que não olhaste para mim, Iokanaan? Com o manto das tuas mãos, e com o manto das tuas blasfêmias, escondeste teu rosto. Puseste sobre teus olhos o velame daquele que via seu Deus. Bem, tu viste teu Deus, Iokanaan, mas a mim, a mim nunca viste. Se me tivesses visto, tu me amarias. Eu te vi e te amei. Oh, como te amei! Eu te amo ainda, Iokanaan. Amo apenas a ti… eu tenho sede da tua beleza; eu tenho fome do teu corpo; e nem vinho nem maçãs podem aplacar o meu desejo. O que devo fazer agora, Iokanaan? Nem as cheias nem as grandes águas podem saciar minha paixão. Eu era uma princesa, e me desprezaste. Era uma virgem, e não quiseste tomar de mim a minha virgindade. Era casta, e encheste minhas veias de fogo… Ah! ah! por que não olhaste para mim? Se me tivesses olhado, tu me amarias. Sei bem que me terias amado, e o mistério do Amor é maior do que o mistério da Morte (…)</p>
<p>Ah! Beijei tua boca, Iokanaan, Beijei tua boca. Havia um sabor amargo nos teus lábios. Seria o sabor de sangue?…Não; mas talvez fosse o sabor do amor… Dizem que o amor tem um sabor amargo… Mas o que importa? o que importa? Beijei tua boca, Iokanaan, beijei tua boca.</p>
<p><font size="4"><strong> </strong></font></p>
<p><font size="4"><strong>Guillaume Apollinaire, dos Poemas para Lou</strong></font></p>
<p>(Tradução de Paulo Hecker Filho)</p>
<p>Minha querida Lou eu te amo</p>
<p>Minha cara estrelinha palpitante eu te amo</p>
<p>Corpo deliciosamente elástico eu te amo</p>
<p>Vulva que aperta como um quebra-nozes eu te amo</p>
<p>Seio esquerdo tão rosa e tão insolente eu te amo</p>
<p>Seio direito tão suavemente rosado eu te amo</p>
<p>Mamilo esquerdo como o ressalto na testa dum veadinho que nasce eu te amo</p>
<p>Mamilos feitos ninfas pelos contatos eu os amo</p>
<p>Nádegas lindamente ágeis que se empurram bem para trás eu as amo</p>
<p>Umbigo como uma lua vazia na sombra eu te amo</p>
<p>Tosão claro como uma floresta no inverno eu te amo</p>
<p>Axilas penugentas como um cisne ao vir ao mundo eu as amo</p>
<p>Caída de ombros tão pura eu te amo</p>
<p>Coxas de contorno estético como colunas de templo antigo eu as amo</p>
<p>Orelhas orladas com pequenas jóias mexicanas eu as amo</p>
<p>Pés sábios pés que se retesam eu os amo</p>
<p>Rins cavalgadores rins potentes eu os amo</p>
<p>Busto que nunca usou espartilho busto flexível eu te amo</p>
<p>Costas maravilhosamente feitas e que se curvam para mim eu as amo</p>
<p>Boca ó minha delícia meu néctar eu te amo</p>
<p>Olhar único olhar-estrela eu te amo</p>
<p>Mãos de que adoro o movimento eu as amo</p>
<p>Nhariz singularmente aristocrático eu te amo</p>
<p>Andar onduloso e dançante eu te amo</p>
<p>Ó pequena Lou te amo te amo te amo</p>
<p><font size="4"> </font></p>
<p><font size="4"><strong>De As Façanhas de um Jovem Don Juan</strong></font></p>
<p>(Tradução de Mônica Stahel)</p>
<p>De onde estávamos víamo-nos inteiros no espelho. Levei-a para a cama, onde ela se sentou, dizendo:</p>
<p>— Sei que quer me ver inteira.</p>
<p>Ergueu as pernas e mostrou sua xoxota peluda até a bunda. Meti-lhe a língua demoradamente. Os lábios se incharam. Quando quis enfiar-lhe o pau, ela disse, rindo:</p>
<p>— Assim, não, deite-se na cama, sr. Roger.</p>
<p>Pedi-lhe que me chamasse de você e que me permitisse chamá-la assim também. Deitei-me na cama. Ela se colocou por cima de mim e fiquei com todo o seu belo corpo diante dos olhos. Pediu-me que mexesse com seus peitos. Depois segurou minha verga, passou-a um pouco pela xoxota suplicando-me que não ejaculasse em seu interior e então, bruscamente, enfiou meu pau para dentro, até os colhões. Cavalgava com tal arrebatamento, que quase me causava dor. Enquanto isso, ela gozou; senti o calor de sua xoxota, ouvi-a gemer e seus olhos se reviraram.</p>
<p>Também estava chegando para mim; ela notou e levantou-se prontamente.</p>
<p>— Contenha-se, meu amigo — disse ela, com a voz ainda trêmula de volúpia —, sei de mais uma coisa que lhe dará prazer sem me engravidar.</p>
<p>Ela se virou. Sua bunda estava agora diante de meus olhos. Curvou-se e pôs meu pau na boca. Fiz como ela, minha língua entrou-lhe na xoxota. Lambi o esperma feminino, que tinha sabor de ovo cru. O movimento de sua língua em minha glande tornava-se cada vez mais vigoroso, uma de suas mãos roçava-me os culhões enquanto a outra me apertava o pau.</p>
<p>O prazer era tão grande, que me retesei inteiro. Ela enfiou meu pau na boca até onde era possível. Suas partes mais secretas estavam diante de meus olhos.</p>
<p>Agarrei-lhe as coxas e minha língua mergulhou no seu cu. Perdo os sentidos e ejaculei dentro de sua boca.</p>
<p>Quando me recuperei do êxtase momentâneo, ela estava deitada ao meu lado e puxara as cobertas sobre nós. Acariciava-me, agradecendo pelo prazer que eu lhe dera e perguntava se também gostara. Fui obrigado a admitir que aquela posição me dera mais prazer ainda que o coito normal.</p>
<p><font size="4"><strong>Jean Cocteau</strong></font></p>
<p><font size="4"><strong>DE SÓCRATES</strong></font></p>
<p>(Tradução de Dirceu Villa)</p>
<p>O que distingue essa tumba</p>
<p>Das outras, dito de passagem,</p>
<p>É que aqui não vêm as pombas,</p>
<p>Mas dois cordeiros da pastagem.</p>
<p>Visitadora, não vos vexe</p>
<p>Esta sábia vítima dos tolos:</p>
<p>Foi a graça do vosso sexo</p>
<p>Que ele amou nos garotos.</p>
<p><font size="4"> </font></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.capivari.sp.gov.br/images/cultura/obras_tarsila/retrato_de_oswald_de_andrade.jpg" width="372" height="450" /></div>
<p><font size="4"><strong>Oswald de Andrade, do Serafim Ponte Grande</strong></font></p>
<p><strong>PROPICIAÇÃO</strong></p>
<p>Eu fui o maior onanista de meu tempo</p>
<p>Todas as mulheres</p>
<p>Dormiram em minha cama</p>
<p>Principalmente cozinheira</p>
<p>E cançonetista inglesa</p>
<p>Hoje cresci</p>
<p>As mulheres fugiram</p>
<p>Mas tu vieste</p>
<p>Trazendo-me todas no teu corpo</p>
<p><font size="4"><strong> </strong></font></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.fantasticfiction.co.uk/images/n19/n97407.jpg" style="cursor: -moz-zoom-in" alt="http://www.fantasticfiction.co.uk/images/n19/n97407.jpg" width="253" height="385" /></div>
<p><font size="4"><strong>Anaïs Nin, de A casa do incesto</strong></font></p>
<p>(Tradução de Isabel Hub Faria)</p>
<p>Não existe troça entre as mulheres. Cada uma se deita em paz como se no próprio peito.</p>
<p>Vem comigo, Sabina, vem para a minha ilha. Vem para a minha ilha de pimentões que crepitam em lentos braseiros, de potes de cerâmica mourisca guardando a água dourada, de palmeiras, de gatos bravos em luta, de um burro que soluça na alvorada, os pés entre os recifes de coral e anémonas-marinhas, o corpo coberto de algas longas, cabeleira de Melisande sobre o varandim da Opéra Comique, diamante inexorável de luz do dia, horas pesadas e flácidas nas sombras-violeta, rochas cor de cinza e oliveiras, limoeiros de limões suspensos como lampiões num garden party, rebentos de bambu em constante vibração, som macio das alpergatas, romãs explodindo sangue, o canto-flauta mouro, longo e persistente dos homens que lavram a terra, trinando, blasfemando, louvando e injuriando, lançando na terra o suor e as sementes.</p>
<p>A tua beleza submerge-me, submerge o mais fundo de mim. E quando a tua beleza me queima, dissolvo-me como nunca, perante um homem, me dissolvera. De entre os homens eu era a diferente, era eu própria, mas em ti vejo a parte de mim que és tu. Sinto-te em mim. Sinto a minha própria voz tornar-se mais grave como se tivesse bebido, como se cada parcela da nossa semelhança estivesse soldada pelo fogo e a fissura não fosse detectável.</p>
<p><font size="4"><strong> </strong></font></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.cantareira.br/thesis/wp-content/uploads/2008/06/abre1.jpg" alt="http://www.cantareira.br/thesis/wp-content/uploads/2008/06/abre1.jpg" /></div>
<p><font size="4"><strong>Allen Ginsberg, de A Queda da América</strong></font></p>
<p>(Tradução de Paulo Henriques Britto)</p>
<p><strong>DEPOIS DO ATO</strong></p>
<p>Quando ele beijou meu mamilo</p>
<p>senti arrepio no cotovelo -</p>
<p>Quando lábios tocaram meu ventre</p>
<p>cócega chegou até a orelha</p>
<p>Quando tomou a cabeça do meu pau para lamber</p>
<p>um tremor contraiu esfíncter, júbilo</p>
<p>estremeceu minhas veias</p>
<p>Respirei fundo suspirando ahh!</p>
<p>~~~~~</p>
<p>Me espelholhando, penteando</p>
<p>barba grisalha luzidia</p>
<p>Eu considerado olhar penetrante</p>
<p>atraente pros jovens?</p>
<p>Mágica má ou coisa assim —</p>
<p>Mágica besta provavelmente.</p>
<p>novembro 1969</p>
<p><font size="4"><strong> </strong></font></p>
<p><font size="4"><strong>Hilda Hilst, dos Contos D‘Escárnio</strong></font></p>
<p>Eu já havia completado dezoito anos, mas sempre fui muito tímido, talvez por causa do nome, talvez por causa do nome, talvez por causa do jeito que papai morreu. Todo quando me via dizia: lá vai o Crasso, filho daquela crassa putaria. Eu ficava com os olhos úmidos mas logo em seguida, apesar da minha timidez, mostrava o pau.</p>
<p>Otávia tinha pêlos de mel.</p>
<p>A primeira vez que me beijou a caceta</p>
<p>Entendi que jamais seria anacoreta</p>
<p>Não me beijou com a boca</p>
<p>Me beijou com a boceta.</p>
<p>Dessa Otávia me lembro agora. E já nem sei se devo continuar a minha história aí de cima. Otávia é um nome muito bonito. Um nome-mulherão. Ah, tudo que eu fiz com e por Otávia. Ela tinha trinta anos e todas as sugestões que o nome carrega: altivez, um pouco de fúria, cabelos negros, olhos grandes, escuros, e dizer Otávia na hora do gozo é como gozar com mulher e ao mesmo tempo com general romano, com rapagão e com Otávia inteira mulher de general. Gosto muito de mulheres grandalhonas e peitudas, como papai gostava, e belas e consistentes mãos que saibam acolher um caralho. Na minha primeira bandalheira a mãozinha fofa e curta de Lina foi insuficiente. Tive que sobrepor a minha mão à sua porque a cadelinha além de dizer que nunca havia visto uma pica também se recusava a ver. Virava a loira cabeça para o lado e fazia cara de nojo. Era uma poetisa lá da minha terra. Rimava balões com sultões, meio metidinha a sebo, magra mas com umas tetas de gente grande. Como aquela punheta a quatro mãos não dava certo, espremi minha cara entre os dois suculentos melões e fui metendo desengonçado e suarento. Ela não dava um pio. Nem suspirava nem gemia. Assim que esporrei quis ver a cara de Lina. Estava de olhos abertos olhando o teto. Quero dizer o céu, porque foi no campo essa insossa trepada. Ao lado de uma amoreira. Não fiquei embaixo da amoreira de medo que aquelas frutinhas despencassem e se esborrachassem nas minhas nádegas. Sempre me impressionei com a cor vermelha.</p>
<p>foi bom pra você, Lina?</p>
<p>doeu.</p>
<p>só isso?</p>
<p>Aí veio a surpresa. A Lina magricela poetisa e peituda desabotoou uma linguagem digna de estivador:</p>
<p>puta que pariu, caralho, eu era uma donzela seu bastardo escroto!</p>
<p><strong>1</strong><em> O medo da pornografia se vê por toda parte. E é inútil, porque enraizado em convicções muito específicas, de grupos muito específicos, e depois generalizado a toda a sociedade como uma espécie de “moral“. A literatura pornográfica de Catulo, Aretino, Sade, Belli, Ginsberg, Hilst e uma porção de outros surge magnífica diante desse estado de coisas porque simplesmente ignora o postiço social. Basta ler “Erotismo e Poesia“, de José Paulo Paes, na ótima antologia que compilou e traduziu (Poesia Erótica em Tradução, Editora Schwarcz/Círculo do Livro, São Paulo, 1992), para se perceber o torneio de palavras necessário para dar volta ao termo pornográfico. O que não acontece, evidente, na também ótima Antologia Pornográfica, selecionada por Alexei Bueno e publicada recentemente (Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 2004).</em></p>
<p align="center"> <font size="3" face="verdana,geneva"><img src="http://www.germinaliteratura.com.br/imagens/dirceu_ep_sep.gif" width="49" align="center" border="0" height="111" hspace="0" /></font></p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p><strong>Dirceu Villa</strong>. Poeta, tradutor, ensaísta e professor de literatura. Publicou MCMXCVIII (São Paulo: Selo Badaró, 1998), Descort (São Paulo: Hedra, 2003) e tem inédito o novo livro de poemas, Icterofagia. Apresentou o programa da rádio CR37, da Casa das Rosas, na internet, sob direção de R. H. Jackson, e editou a revista Gargântua (1998-1999); foi publicado na antologia nova-iorquina Rattapallax 9 (2003); tem poemas publicados nas revistas Ciência &amp; Cultura e Ácaro, na qual publicou também traduções de e.e.cummings e Ezra Pound; traduziu e anotou Lustra, de Ezra Pound, para o mestrado (2004); tem ensaio sobre Fernando Pessoa publicado no “Dossiê” da revista Cult (2005); fez o roteiro e desenhou a HQ “O Entardecer de um Fauno”, baseada em poema de Stéphane Mallarmé, e recentemente prefaciou os Contos Indianos, do mesmo autor (São Paulo: Hedra, 2006), além de A Trágica História do Doutor Fausto, de Christopher Marlowe (São Paulo: Hedra, 2006). Traduziu Imagens de um mundo trêmulo, de John Milton (São Paulo: Hedra, 2006). Leciona no curso de extensão universitária da USP (Poesia &#8211; 2003/2004/2006) e faz parte do corpo editorial da revista Cadernos de Tradução, FFLCH-USP.</p>
<p class="MsoNormal" dir="ltr" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" align="justify"><span style="font-size: 7.5pt; color: black; font-family: Verdana"><font size="3" face="verdana,geneva"><font size="2"><font color="#000000"><font color="#000000"><font size="1">Mais <strong>Dirceu Villa</strong> em <strong>Germina</strong><o:p></o:p></font></font></font></font></font></span></p>
<p class="MsoNormal" dir="ltr" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" align="justify"><span style="font-size: 7.5pt; color: black; font-family: Verdana"><font size="3" face="verdana,geneva"><font size="2"><font color="#000000"><font color="#000000"><font size="1">&gt; <a href="http://www.germinaliteratura.com.br/dirceu_villa_agosto06.htm"><font color="#ce0000"><strong>Poemas<o:p></o:p></strong></font></a></font></font></font></font></font></span></p>
<p class="MsoNormal" dir="ltr" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" align="justify"><span style="font-size: 7.5pt; color: black; font-family: Verdana"><font size="3" face="verdana,geneva"><font size="2"><font color="#000000"><font color="#000000"><font size="1">&gt; <a href="http://www.germinaliteratura.com.br/officina.htm"><font color="#ce0000"><strong>Officina          Perniciosa<o:p></o:p></strong></font></a></font></font></font></font></font></span></p>
<p class="MsoNormal" dir="ltr" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" align="justify"><span style="font-size: 7.5pt; color: black; font-family: Verdana"><font size="3" face="verdana,geneva"><font size="2"><font color="#000000"><font color="#000000"><font size="1">&gt; <a href="http://www.germinaliteratura.com.br/dirceuvilla_capa.htm"><font color="#ce0000"><strong>O Poeta de Trinta          Anos<o:p></o:p></strong></font></a></font></font></font></font></font></span></p>
<p class="MsoNormal" dir="ltr" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" align="justify"><span style="font-size: 7.5pt; color: black; font-family: Verdana"><font size="3" face="verdana,geneva"><font size="2"><font size="1">&gt; <a href="http://www.germinaliteratura.com.br/artes_entrevista.htm"><font color="#ce0000"><strong>Um Inferno de <font size="1">Puro          Gozo<o:p></o:p></font></strong></font></a></font></font></font></span></p>
<p class="MsoNormal" dir="ltr" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" align="justify"><span style="font-size: 7.5pt; color: black; font-family: Verdana"><font size="3" face="verdana,geneva"><font size="2"><font size="2"><font size="1"><font size="1">&gt; </font><a href="http://www.germinaliteratura.com.br/literatura_esp_froes14.htm"><font color="#ce0000"><strong><font size="1">A Vida          Inclassificável</font></strong></font></a></font></font></font></font></span></p>
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		<title>A nova onda feminista</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Dec 2008 19:19:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ele já foi chamado de movimento das “mal-amadas” e associado a mulheres homossexuais. Recebeu mais ataques do que elogios, mas foi o motor de conquistas inegáveis para as mulheres. Gostem ou não, o feminismo, termo usado pela primeira vez nos anos 30 do século 19, continua a todo vapor
Edma Cristina de Góis Revista do Correio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Ele já foi chamado de movimento das “mal-amadas” e associado a mulheres homossexuais. Recebeu mais ataques do que elogios, mas foi o motor de conquistas inegáveis para as mulheres. Gostem ou não, o feminismo, termo usado pela primeira vez nos anos 30 do século 19, continua a todo vapor</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Edma Cristina de Góis Revista do Correio Braziliense</strong></p>
<p><font size="1"><em>Monique Renne/CB/D.A Press<br />
</em></font><img src="http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20081214/fotos/r-1412-2201.jpg" border="1" /><br />
<font size="1"><em> Mãe solteira e independente, Eliane acredita que sua maior conquista foi a autonomia</em></font></p>
<p>Eliane Maria de Carvalho, 38 anos, é solteira, tem um filho de 12 anos, trabalha dois expedientes e faz faculdade de administração à noite. Diariamente, caminha três quadras até sua casa para almoçar com o filho Leonardo. Ele já não precisa da mãe para ir à escola e desde os 8 anos fica sozinho em casa quando ela sai para trabalhar. Mesmo sem se declarar feminista, Eliane acumula em sua trajetória conquistas e desafios desse movimento: o direito à educação, a inserção no mercado de trabalho, a opção pela maternidade solteira e a autonomia, uma vez que é a chefe de um lar. “Eu fugi da linhagem da minha família, na qual as mulheres ficavam casadas ou, quando separadas, voltavam para a casa dos pais. Sou feliz porque sou dona da minha vida e tomo minhas próprias decisões”, explica.</p>
<p>Como Eliane, a maioria das mulheres, pelo menos as ocidentais, vive uma realidade que hoje só é possível graças a feministas que, na contramão do preconceito de suas épocas, arregaçaram as mangas por um ideal coletivo. Estigmatizado e, na maior parte das vezes, mal interpretado, o movimento se reconfigurou mais uma vez na primeira década do século 21. Hoje, ele é marcado como um movimento mais plural, bem diferente daquele da época em que Betty Friedan lançou A mística feminina (1963), que retratou a realidade das mulheres americanas, brancas e de classe média — período conhecido como a segunda onda do feminismo e que permaneceu no imaginário mundial graças ao ato em praça pública da queima de sutiãs.</p>
<p>A complexidade do feminismo hoje deve-se à conciliação de bandeiras de lutas de muitas mulheres: brancas, negras, de classe média e baixa, indígenas, homossexuais, heterossexuais etc. Nesse contexto, estão temas como o direito à educação de qualidade, ainda um entrave sobretudo para as mulheres negras, e a violência doméstica. Além disso, é preciso levar as conquistas adquiridas no mercado de trabalho para dentro de casa. Nesse ponto, houve pouco avanço e algumas correntes acusam o próprio movimento de sobrecarregar as mulheres e de ser preconceituoso com aquelas que optam por serem donas-de-casa ou priorizam a maternidade.</p>
<p>Feministas e pesquisadoras de gênero de diversas áreas — história, sociologia e literatura — afirmam que nunca houve nem há um movimento feminista homogêneo. O movimento de mulheres, no Brasil e no mundo, é marcado pelas diferentes vozes. Na prática, elas desejam transformar a realidade do espaço público e privado marcado por um modelo sexista. “Toda mulher é um pouco feminista, mesmo quem não assume”, afirma a pedagoga Marta de Paula, 48, uma das nove mulheres com quem a Revista do Correio conversou sobre o assunto.</p>
<p><font size="4"><strong>Por que se luta hoje</strong></font></p>
<p>*Pelo combate a todas as formas de discriminação no mercado de trabalho, no sistema educacional, na saúde, na representação política etc.)<br />
*Pela aceitação da pluralidade de mulheres (negras, indígenas, jovens, idosas, lésbicas, mulheres do campo, da floresta etc.)<br />
*Pela discussão sobre os direitos sexuais e reprodutivos, incluindo a descriminalização do aborto, a ética nas pesquisas científicas e o acesso ao atendimento para garantir a saúde da mulher.<br />
*Pelo combate à violência contra as mulheres.<br />
*Pela reorganização dos papéis dentro de casa, de modo a evitar a sobrecarga de trabalho.<br />
*Para que a mídia não reproduza padrões sexistas, como a exploração do corpo feminino.</p>
<p><font size="4"><strong>O que já foi conquistado</strong></font></p>
<p><u>Voto</u><br />
Em 1932, as mulheres passam a ter direito ao voto no Brasil.<font class="texto"><u>Trabalho fora de casa</u><br />
Nos anos 1950, as mulheres vivem a dicotomia do trabalho em casa e fora. Ainda assim são poucas as que conseguem se lançar no mercado de trabalho e conciliar as duas jornadas. A partir dos anos 1970, percebe-se maior participação delas no mercado de trabalho.<br />
As diferenças salariais, no entanto, perduram até hoje.</font></p>
<p><u>Representação política</u><br />
30% das candidaturas a cargos eletivos devem ser de mulheres desde 1990.</p>
<p><u>Costumes e sexualidade</u><br />
O Brasil também participou da revolução sexual e de comportamento dos anos 1960. Um dos símbolos nacionais dessa fase foi a atriz Leila Diniz, cuja imagem dela, grávida na praia, marcou época.</p>
<p><u>Serviços de saúde</u><br />
No Brasil, os primeiros programas de atendimento à saúde da mulher são dos anos 1980.</p>
<p><u>Combate à violência</u><br />
As primeiras manifestações são dos anos 1970. Na década seguinte são criados serviços de atendimento à mulher vítima de violência. Também é fundada a primeira delegacia da mulher. No primeiro governo Lula, é criada uma secretaria especial para as mulheres e, em 2006, é promulgada a Lei Maria da Penha.</p>
<p><strong>Sem conceitos</strong></p>
<p>O movimento feminista é dividido por etapas de acordo com a inclusão de novas bandeiras ou pelo reforço de alguns desafios. Sobre esse assunto, não há consenso entre especialistas. Alguns acreditam que haja apenas duas fases: a primeira onda, no início do século passado, com a luta pelo acesso à educação como principal slogan, e a segunda onda, marcada pelo lançamento da obra A mística feminina, da norte-americana Betty Friedan, uma das mais importantes feministas do século 20.<br />
No entanto, há quem defina a terceira onda feminista no Brasil como sendo a fase de luta das mulheres contra a ditadura e pela redemocratização. A quarta seria a fase atual, em que se discutem temas como violência contra a mulher, democratização da vivência da sexualidade, a laicidade do Estado e a igualdade racial.</p>
<table width="120" align="right" border="0" cellpadding="1" cellspacing="1">
<tr>
<td><em><font class="credito" size="1">War Production/Reprodução</font></em></td>
</tr>
<tr>
<td class="imagem"><img src="http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20081214/fotos/r-1412-2205.jpg" border="1" /></td>
</tr>
<tr>
<td>&nbsp;</td>
</tr>
</table>
<p><font class="legenda"> </font></p>
<p><strong>NA GUERRA</strong></p>
<p>O cartaz Rose the Riveter acima, com a inscrição “We can do it”, virou um dos símbolos do movimento feminista nos Estados Unidos. Durante a 2ª Guerra Mundial, a publicidade foi usada para convocar as mulheres a trabalharem em fábricas, porque muitos homens estavam no front de combate. Elas acataram o pedido e muitas foram trabalhar nas fábricas dos aviões B-29. Foram esses aviões que soltaram as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki. É por essa razão que parte do movimento feminista vê o cartaz de modo negativo e não o reconhece como referência à luta das mulheres.</p>
<p><strong>AUTONOMIA, A GRANDE CONQUISTA</strong></p>
<p>Quando a assessora administrativa Eliane Maria de Carvalho, 38 anos, terminou o segundo grau, começou logo a trabalhar. Tentou vestibular na época, mas como não foi aprovada acabou adiando o sonho de se formar. Depois veio a gravidez inesperada e a mudança radical da vida. A família não recebeu bem a notícia, mas apoiou a decisão de Eliane de ter o filho mesmo sem o apoio do pai. Leonardo nasceu quando ela tinha 26 anos. Há cinco anos em Brasília e há dois estudando administração, Eliane faz um balanço positivo de suas conquistas. A maior delas, sua autonomia.</p>
<p>A independência de Eliane tornou-se real graças à soma de educação e trabalho. As primeiras defensoras dos direitos da mulher no Brasil apostavam na educação como corredor de acesso para a emancipação feminina e a melhoria de status. A justificativa era óbvia: com formação superior, as mulheres poderiam ter uma profissão e conquistar sua independência. A educação superior virou realidade para as mulheres brasileiras com a lei da reforma educacional de 1879, embora a primeira legislação em relação à educação feminina date de 1827. Com isso, elas reivindicavam o direito ao voto, o que foi debatido e negado pelo Congresso Constituinte de 1891.</p>
<p>Mais de um século depois, a presença das mulheres no mercado de trabalho, nos mais diversos cargos, nas universidades e nas esferas de poderes, dão a impressão de que tudo foi ganho, logo o feminismo perderia sua razão de existir. A historiadora Céli Pinto, autora de Uma história do feminismo no Brasil, rebate essa tese. “O movimento mudou com o tempo. No Brasil, a onda do feminismo dos anos 1960 chega com atraso devido à ditadura militar, no entanto as lutas feministas florescem junto com a campanha pela redemocratização”, explica. Por essa razão, os movimentos de mulheres brasileiras surgem próximos às Comunidades Eclesiais de Base (CEB) e aos movimentos populares.</p>
<p><strong>O feminismo no Brasil e no mundo</strong></p>
<p><u>1832 </u><br />
Nísia Floresta publica Direitos das mulheres e Injustiça dos homens</p>
<p><u>1873 </u><br />
O jornal O sexo feminino é lançado. No mesmo ano, surge o Jornal das Senhoras, primeira publicação editada exclusivamente por mulheres no Brasil, por Joana Paula M. Noronha</p>
<p><u>1915 a 1932 </u><br />
A luta pelo sufrágio universal mobiliza as mulheres no país e no mundo</p>
<p><u>1921 </u><br />
É fundada a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino</p>
<p><u>1929 </u><br />
Criada a Aliança Nacional de Mulheres</p>
<p><u>1948 </u><br />
Surge a Federação de Mulheres do Brasil</p>
<p><u>1949 </u><br />
Simone de Beauvoir publica O Segundo Sexo, influência para gerações de feministas.</p>
<p><u>1963 </u><br />
Betty Friedan publica<br />
A mística feminina, marco do feminismo de segunda onda</p>
<p><u>1969 </u><br />
Helieth Saffioti publica<br />
A mulher na sociedade de classes</p>
<p><u>1972 </u><br />
Aparecem no Brasil os primeiros grupos da segunda onda feminista</p>
<p><u>1975 </u><br />
É declarado pela ONU o Ano Internacional da Mulher e a Década da Mulher. É realizada a I Conferência Mundial sobre a Mulher (México)</p>
<p><u>1975 </u><br />
Terezinha Zerbini cria o Movimento Feminino pela Anistia</p>
<p><u>1976 </u><br />
O assassinato de Ângela Diniz por Doca Street coloca a questão da violência contra as mulheres na agenda política brasileira</p>
<p><u>1979 </u><br />
Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres</p>
<p><u>1980 </u><br />
Criação dos serviços de atendimento às mulheres vítimas de violência no Brasil</p>
<p><u>1983 </u><br />
Instituído o PAISM, Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher</p>
<p><u>1984 </u><br />
Criação do Conselho Nacional de Direitos da Mulher (CNDM)</p>
<p><u>1985 </u><br />
É realizada a III Conferência Mundial sobre a Mulher (Nairóbi)</p>
<p><u>1995 </u><br />
IV Conferência Mundial sobre a Mulher (Beijin)</p>
<p><u>1985 </u><br />
É fundada a I Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (DEAM), em São Paulo</p>
<p><u>1990 </u><br />
É realizado o I Encontro Nacional de Mulheres Negras, no Rio de Janeiro</p>
<p><u>1994 </u><br />
Aprovada a primeira lei de cotas. Ela estabelece que 20% de candidaturas nas listas partidárias para as eleições de 1996 devem ser ocupadas por mulheres. Esse número é ampliado para 30%<br />
em 1997</p>
<p><u>1994 </u><br />
É realizada em Belém a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher. No mesmo ano, foi criado o movimento Ciranda da Articulação da Mulher Brasileira</p>
<p><u>2006 </u><br />
Criação da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, primeiro órgão institucional com a missão de articular políticas públicas para as mulheres, vinculada à Presidência da República. No mesmo ano, é promulgada a Lei Maria da Penha para coibir a violência doméstica contra as mulheres no país</p>
<table width="120" align="right" border="0" cellpadding="1" cellspacing="1">
<tr>
<td><em><font class="credito" size="1">Monique Renne/CB/D.A Press</font></em></td>
</tr>
<tr>
<td class="imagem"><img src="http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20081214/fotos/r-1412-2202.jpg" border="1" /></td>
</tr>
<tr>
<td><font class="legenda"><font size="1"><em>Marcela Addario não largou o emprego, mas não quer cargos de chefia para se dedicar à maternidade: decisão difícil</em></font><br />
</font></td>
</tr>
</table>
<p><font class="legenda"><br />
</font></p>
<p><strong>TODA MULHER É MEIO FEMINISTA</strong></p>
<p>A feminista Camile Paglia costuma causar polêmica e suscitar reações inflamadas quando sugere, como fez recentemente no Brasil, que o feminismo pode ter pavimentado o caminho que tornou o sexo feminino sujeito a um regime estressante de tripla jornada e negação da maternidade. Alguns a classificam como pós-feminista, outros como uma dissidente cujo pensamento pode comprometer a imagem de um movimento que trouxe conquistas importantes. “Não há equívoco no feminismo. A opção pela maternidade é que é uma novidade, porque ser mãe era função. Nesse momento, as mulheres optam por serem ou não mães, essa é a diferença”, esclarece a historiadora Céli Pinto, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).</p>
<p>A diferença, na prática, vai um pouco mais além. Mesmo longe dos movimentos organizados, algumas mulheres exercem um papel transgressor, embora não pareça. Tão naturalmente como Leila Diniz exibiu seu barrigão de grávida na praia em 1971, a economista Marcela Addario, 37 anos, contrariou sua vocação de executiva, abrindo mão de cargos de chefia no emprego para exercer a maternidade de forma mais plena — o que nos dias de hoje não deixa de ter um viés revolucionário, ainda que ele esteja circunscrito às quatro paredes de um lar.</p>
<p>Depois de morar quase uma década na Alemanha, ocupando cargos executivos na área financeira da empresa em que trabalhava, voltou ao Brasil, casou-se pela segunda vez e teve um filho, Matheus, hoje com 1 ano. Ela acredita que fez suas escolhas na hora certa, vivendo intensamente a profissão e agora priorizando a maternidade. “Fiz tudo o que quis na minha carreira e ainda desejo voltar a ter cargo de chefia, mas hoje o mais importante é meu papel de mãe. Foi uma decisão muito difícil e demorada”, afirma.</p>
<p>Embora consciente de suas escolhas, Marcela admite que, mesmo abrindo mão das responsabilidades de executiva, há uma sobrecarga ao se dividir entre o trabalho atual e as obrigações de casa. “A mulher só consegue conciliar o público e o privado se tiver uma estrutura de apoio, porque em casa continua tudo igual, por mais que os maridos de hoje ajudem mais do que os de antigamente.”</p>
<p>É exatamente por isso que as feministas recusam-se a aceitar a idéia de um novo feminismo, pois acreditam que o acúmulo de funções das mulheres que decidem ser mães e continuam trabalhando é uma bandeira renovada quando se trata de inserção no mercado de trabalho e das idéias de igualdade. “O termo pós-feminismo é um equívoco porque muitos temas não foram superados no Brasil. Além disso, não há igualdade de posições”, comenta a socióloga Fernanda Bittencourt, da Secretaria Especial das Mulheres.</p>
<table width="120" align="right" border="0" cellpadding="1" cellspacing="1">
<tr>
<td><font size="1"><em><font class="credito">Monique Renne/CB/D.A Press</font></em></font></td>
</tr>
<tr>
<td class="imagem"><img src="http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20081214/fotos/r-1412-2501.jpg" border="1" /></td>
</tr>
<tr>
<td><font class="legenda"><em><font size="1">Marta fez curso superior e pós-graduação, realidade distante para negras, mas ainda luta contra o racismo  e a tripla jornada</font></em><br />
</font></td>
</tr>
</table>
<p><font class="legenda"><br />
</font></p>
<p><strong>A COR DO PLURALISMO</strong></p>
<p>Marta de Paula, 48 anos, acorda às 6h, passa o dia inteiro no trabalho e, à noite, cuida da casa, faz o almoço do dia seguinte e ainda dá atenção às filhas e ao marido. A rotina de dedicação ao lar de certa forma a aproxima das donas-de-casa retratadas no livro A mística feminina, escrito por Betty Friedan há 45 anos e que se tornou uma espécie de bíblia do movimento feminista. Naquela época, a publicação causou comoção, pois refletiu as insatisfações das mulheres com aquela vidinha aparentemente feliz. Mas a semelhança de Marta e de outras mulheres desse tempo com as do livro pára por aí. “Era um problema no singular, da mulher branca e de classe média. Nesses mais de 40 anos, o feminismo vê o plural”, define a socióloga Fernanda Bittencourt, da Secretaria Especial das Mulheres.</p>
<p>Nesse sentido, Marta encarna os novos rumos do movimento, que procura incluir os diferentes tipos de mulheres e suas reivindicações. O combate ao racismo é um exemplo. Desde os anos 1980, as negras se associaram para reivindicar suas lutas, pois não se sentiam representadas nem no movimento feminista nem no movimento negro. Hoje, elas combatem a violência doméstica e batalham pelo acesso ao serviço de saúde, uma vez que há doenças específicas dos negros que precisam ser tratadas com garantias do Estado. Apesar de haver um programa nacional para atender a população negra, muitos gestores de municípios e cidades não o incorporaram. “Há um racismo institucional, por isso em muitas cidades o programa só existe no papel”, alerta Eliana Maria Custódio, coordenadora-executiva do Geledés — Instituto da Mulher Negra, criado há 20 anos no Brasil.</p>
<p>Marta de Paula lembra: “Já fui discriminada na faculdade por conta da minha cor”. Da família de seis irmãos, apenas Marta e uma irmã conseguiram entrar na universidade. Ela se formou pedagoga e cursou pós-graduação em secretariado executivo. Mas ainda é exceção. Por isso, a educação permanece como um dos principais temas para os movimentos de mulheres negras no país.</p>
<p>De acordo com Eliana Custódio, a educação é um fator fundamental para a mobilidade social e a inserção no mercado de trabalho. “A maior parte dos alunos do ensino médio e fundamental públicos é de negros e sabemos sobre a qualidade desse ensino”, diz. A feminista acrescenta que, mesmo com acesso à educação, a mulher negra sofre preconceito de raça no mercado de trabalho, o que faz com que as demandas dessas mulheres sejam um pouco diferentes das mulheres brancas.</p>
<table width="120" align="right" border="0" cellpadding="1" cellspacing="1">
<tr>
<td>&nbsp;</td>
</tr>
<tr>
<td class="imagem"><img src="http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20081214/fotos/r-1412-2203.jpg" border="1" /></td>
</tr>
<tr>
<td><font class="legenda"><em><font size="1">Maura descende de uma linhagem de mulheres autônomas e conseguiu conciliar emprego e maternidade</font></em><br />
</font></td>
</tr>
</table>
<p><font class="legenda"> </font></p>
<p><strong>NOVAS MULHERES, NOVOS TEMAS </strong></p>
<p>A avó, viúva aos 21 anos, foi tentar a vida no Rio de Janeiro com os dois filhos a tiracolo. Casou-se de novo quando e com quem quis. A mãe entrou na faculdade de direito depois dos 40 anos. A empresária Maura Alvim, 46, casou-se aos 22, foi mãe aos 24, hoje tem duas filhas, de 19 e 22, que moram em São Paulo. A relação aberta com as filhas é resultado das experiências das mulheres que a antecederam. “Me beneficiei porque minha mãe era antenada. Vim de uma família de mulheres especiais”, avalia.</p>
<p>A empresária conta que sempre trabalhou, mas optou por fazer intervalos para ser mãe. Na vida pública, ela acredita que a mulher ainda é colocada à prova. Para Maura, a violência contra a mulher é o tema mais importante dessa geração. “O homem jovem já percebeu os direitos das mulheres e quanto mais escolarizado, mais respeita a parceira”, compara.</p>
<p>“Ser alheio a essa discussão é dito como politicamente incorreto hoje”, afirma uma das coordenadoras do Católicas pelo Direito de Decidir, Regina Jurkewicz. Depois da promulgação da Lei Maria da Penha, ela acredita que o desafio das mulheres é pelo cumprimento da legislação. Além da questão da violência, Regina aponta outras bandeiras de luta, como a discussão em torno da laicidade do Estado, do avanço das tecnologias reprodutivas e da democracia na prática da sexualidade.</p>
<p><strong>“O espartilho mental”</strong><br />
A socióloga Fernanda Bittencourt, da Secretaria Especial das Mulheres, aponta o racismo e a diversidade sexual como alguns dos temas mais debatidos. Mas, além deles, são importantes a violência contra a mulher, não só física, e os direitos reprodutivos. “Em outros países, a discussão sobre o aborto foi garantida. O Brasil não superou isso.”</p>
<p>A pesquisadora de gênero na literatura Lélia Almeida lembra que as reivindicações das mulheres são crescentes porque elas inserem novas bandeiras de luta com o passar dos anos. Enquanto a ética nas pesquisas científicas é um tema relativamente novo, a sexualidade é um assunto que não saiu do cardápio feminista. “Muito pouco mudou em relação aos direitos reprodutivos. Continuamos vivendo um ‘espartilho mental’, um manual de como ser legitimado pelos diversos saberes”, afirma.</p>
<p>Regina Jurkewicz acredita que houve avanços, inclusive a institucionalização das lutas feministas. Um exemplo disso é a criação da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, no primeiro governo Lula. “É um reconhecimento de que não se trata de questões sobre as mulheres, mas de políticas públicas para todo o país”, explica Regina. Outra vitória foi a Lei Maria da Penha (11.340/06), que alterou o Código Penal, coibindo a violência doméstica e familiar contra a mulher. Os agressores podem ser presos em flagrante ou ter a prisão preventiva decretada (detenção por três anos).</p>
<p>Apesar do reconhecimento unânime sobre a ação do governo na defesa de direitos das mulheres, Lélia Almeida, que coordena o projeto Mulheres da Paz, lançado semana passada pelo Ministério da Justiça, alerta que o movimento feminista pode perder com essa aproximação com o Estado caso deixe tudo por conta do governo. “Ganhou-se por um lado e se perdeu por outro. O movimento feminista sempre brigou por sua autonomia.”</p>
<p><strong><em>Produção: Bianca Assunção \\ Cabelo e Maquiagem: Rose Paz, do Espaço Rose Paz, com produtos Mary Key</em></strong></p>
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		<title>Modalidade de pilates melhora a coordenação, a força e o equilíbrio</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Dec 2008 17:46:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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RIO &#8211; A maior bola, com 75cm de diâmetro, suporta até 300 quilos, a menor mede 20cm e agüenta 200kg. A combinação das duas em exercícios de pilates é uma excelente ginástica para corrigir a postura e fortalecer os músculos, melhorando o equilíbrio e a coordenação motora. Com treino e concentração, dá para praticar em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://oglobo.globo.com/fotos/2008/12/12/12_MHG_viv_pilatescombola.jpg" galleryimg="no" id="lightboxImage" width="549" height="352" /></div>
<p><img src="http://oglobo.globo.com/_img/bt_hj_fch.gif" style="position: absolute; z-index: 200" id="closeButton" width="1" border="0" height="1" />RIO &#8211; A maior bola, com 75cm de diâmetro, suporta até 300 quilos, a menor mede 20cm e agüenta 200kg. A combinação das duas em exercícios de pilates é uma excelente ginástica para corrigir a postura e fortalecer os músculos, melhorando o equilíbrio e a coordenação motora. Com treino e concentração, dá para praticar em casa, informa reportagem de Antônio Marinho, publicada na edição deste domingo do Globo.</p>
<p>Professora Luiza Diniz mostra sequência de fotos de uma aula de Pilates com bolas para o verão / Foto: Ricardo LeoniNo início, equilibrar-se nas bolas é desconfortável, mas vale a pena. Como a técnica trabalha todos os músculos, o resultado é um corpo forte e flexível. Até a respiração melhora. Para alcançar mais benefícios, a dica é associar o pilates com bolas a outras atividades, como musculação, exercícios aeróbios e esportes aquáticos, segundo a professora e personal trainer Luiza Diniz. A modalidade deixa o corpo mais bem preparado para enfrentar a tensão por estresse e previne lesões:</p>
<p>- Pode-se praticar pilates com bolas diariamente, desde que exista um planejamento de treino. O correto, especialmente no caso de iniciantes, é que os exercícios sejam acompanhados de perto por profissional de educação física.</p>
<p>Ela tem razão. Dependendo da posição na bola, ou com a bola, é fácil desconcentrar, errar o movimento, desequilibrar-se e respirar aceleradamente. Daí para o chão, é um piscar de olhos. Para diminuir o risco de contusões, é bom colocar um tapete ou colchonete para proteger joelhos, coluna e outras articulações de inevitáveis quedas. O gasto calórico varia de acordo com a intensidade de treino e corresponde a uma sessão de musculação mais leve.</p>
<p>- Treinos intensos, numa hora de aula, levam a um gasto de até 400kcal (quilocalorias) ou mais &#8211; comenta a professora.</p>
<p><strong>Veja a íntegra desta reportagem na edição digital do GLOBO (só para assinantes) </strong></p>
<p><strong><font size="4">  ( <a href="http://oglobo.globo.com/vivermelhor/video/2008/9678/">Assista ao vídeo com movimentos para fazer em casa</a><a href="http://oglobo.globo.com/vivermelhor/video/2008/9678/"> </a> )  </font></strong></p>
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		<title>Seios proibidos</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Dec 2008 20:01:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Cachez ces seins que la police ne saurait voir dans une piscine



Par Camille &#124; Mauvais genre &#124; Rue89






Un groupe de féministes (hommes et femmes) nommés les Tumul-Tueuses avait prévu de longue date de faire une action &#8220;seins nus&#8221; à la piscine pour dénoncer ce qu&#8217;ils et elles appellent &#8220;le contrôle sexiste, normatif et hétérocentriste pesant sur le corps [...]]]></description>
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<div style="background-color: #ffff99" class="submitted">Par Camille | Mauvais genre | Rue89</div>
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<div style="text-align: center"><img src="http://www.rue89.com/files/20081211Piscine.jpg" alt="Dans une piscine en Auvergne en 2004 (Pascal Aimar/TF)" title="Dans une piscine en Auvergne en 2004 (Pascal Aimar/TF)" /></div>
<p>Un groupe de féministes (hommes et femmes) nommés les Tumul-Tueuses avait <a href="http://www.rue89.com/rue69/2008/09/30/des-femmes-revendiquent-le-droit-de-montrer-leurs-seins">prévu de longue date</a> de faire une action &#8220;seins nus&#8221; à la piscine pour dénoncer ce qu&#8217;ils et elles appellent &#8220;le contrôle sexiste, normatif et hétérocentriste pesant sur le corps des femmes&#8221; et les inégalités qui amènent à considérer que &#8221; se baigner torse-nu est une tenue décente seulement pour les hommes &#8220;.</p>
<p>L&#8217;action a finalement eu lieu ce mercredi 10 décembre à 20h30, à la piscine municipale Pailleron, dans le XIXe arrondissement de Paris, où une vingtaine de femmes se sont baignées torse-nu accompagnées de quelques hommes portant des hauts de maillots de bain. Les porte-paroles ont expliqué:</p>
<blockquote><p>&#8220;Marre de se couvrir et de se découvrir sur commande! Ras-le-bol d&#8217;un système discriminant et hypocrite qui demande d&#8217;être pudiques en imposant le devoir de plaire! Il faut être belle (féminine et hétérosexuelle), et malheur à celles qui ont l’audace de montrer un corps gros, ridé ou poilu: elles font preuve de mauvais goût ou ne sont pas des &#8216;vraies&#8217; femmes.&#8221;</p></blockquote>
<p>Si les réactions des nageuses présentes étaient plutôt des messages de sympathie ou d&#8217;amusement, selon le récit que m&#8217;en ont fait les organisatrices, la direction de l&#8217;établissement, elle, a jugé qu&#8217;il y avait là un trouble à l&#8217;ordre publique (et que les seins nus pourraient choquer les enfants) et a appelé la police. Cette dernière est venue (mater une rebelion de femmes dangereuses ou mater des participantes dénudées?) et a menacé des femmes dans les vestiaires de poursuites pour exhibition sexuelle&#8230;.</p>
<p>Agnès Giard, qui tient le blog &#8220;<a href="http://sexes.blogs.liberation.fr/agnes_giard/" target="_blank">les 400 culs</a>&#8221; titrait récemment un article &#8220;<a href="http://sexes.blogs.liberation.fr/agnes_giard/2008/09/photos-de-seins.html" target="_blank">photos de seins: un crime en France</a>&#8221; et expliquait:</p>
<blockquote><p>&#8220;Pour avoir osé envoyer quatre cartes postales représentant des seins nus, l’artiste de mail-art Philippe Pissier est aujourd’hui passible de trois ans d’emprisonnement. Il est accusé de trouble à l’ordre public.&#8221;</p></blockquote>
<p>Ah la la, on n&#8217;a pas assez conscience du danger de montrer des seins de femmes pour l&#8217;ordre public!</p>
<p><em>Photo: dans une piscine en Auvergne en 2004 (Pascal Aimar/TF)</em></p>
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