17/07/2008 - 17:27h Bilhete-Único de 3 horas: parabéns, Marta!

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É verdade que a decisão de ampliar a duração do Bilhete-Único para 3 horas é uma manifestação desesperada e improvisada de Kassab perante os resultados das pesquisas que mostram que 58% desconfiam dele e que só 11% estariam dispostos a votar pela sua reeleição.

Também é verdade que medidas improvisadas, sem planejamento e com o único intuito de provocar um estelionato eleitoral têm um retorno amargo. Não sem razão o superintendente da Associação Nacional de Transporte Público (ANTP), Marcos Bicalho, declarou que essa decisão, feita sem planejamento, pode causar até um aumento futuro da tarifa (O Estado de SP).

Para o especialista em Direito Eleitoral Everson Tobaruela a atitude de Kassab é essencialmente eleitoreira e provoca um desequilíbrio entre os candidatos. A decisão, segundo ele, deveria ser vista com atenção pela Justiça Eleitoral. “É vedada a conduta de utilizar qualquer prática do serviço público para se favorecer.”

“É um ato de desespero. Por que não foi feito há seis meses?”, indaga Tobaruela (O Estado de SP).

Mesmo assim e com todas essas ponderações que a mídia não deixará de destacar, a decisão de Kassab vai no bom sentido proposto por Marta Suplicy e constitui um reconhecimento claro que Marta está certa quando defende prioridade total ao transporte público.

A decisão de Kassab reforça a necessidade de restituir ao bilhete único seu objetivo: ampliar a utilização dos transportes coletivos reduzindo o custo para a população trabalhadora e os usuários. Isto exige, como tem defendido Marta, construir, ampliar e melhorar os corredores e Passa-Rápido (que foram abandonados por Kassab), restabelecer a possibilidade de utilização do Bilhete-Único quantas vezes a pessoa precisar no horário de validade como era na época da Marta, agora durante 3 horas, e também a possibilidade de comprar na catraca.

Tudo o que será realizado nesta direção pela atual administração será uma conquista das realizações que Marta Suplicy semeou e plantou na cidade de São Paulo.

É bom para São Paulo que os demo-tucanos tenham abandonado a idéia de acabar com os CEU’s e, mesmo menores e mais caros, tenham feito alguns mais. É bom para São Paulo que tenham mantido o Bilhete-Único e agora cedam as pressões de Marta e do PT ampliando sua duração, mesmo se motivados por vontade demagógica de manipulação da opinião pública.

Tudo isto, feito a revelia das próprias posições demo-tucanas, facilitará o trabalho do próximo governo para melhorar, ampliar e inovar no caminho do combate a desigualdade social, do progresso e da recuperação de uma cidade mais justa. LF

04/07/2008 - 17:06h Factóide eleitoral

Kassab encara caminhões para virar candidato

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Cristiane Agostine - VALOR

Foi a necessidade de se associar a uma imagem forte, de governante que enfrenta obstáculos, que moveu a decisão do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), de editar medidas que restringem a circulação de caminhões.

À medida somam-se a proibição de outdoors, o fechamento de bares e casas de prostituição, a retirada de camelôs e o fechamento de estabelecimentos comerciais irregulares.

No governo e no DEM, a avaliação das medidas é que foi uma decisão “de risco”, mas “necessária” para Kassab. A equipe de campanha está preocupada com o fato de o prefeito não conseguir transformar a avaliação positiva de sua gestão em votos. Como o trânsito será o grande tema da campanha, o candidato à reeleição precisa mostrar que está empenhado em buscar soluções.

O consenso dos especialistas de que a restrição dos caminhões não será suficiente para melhorar o trânsito na cidade é reconhecido pelos conselheiros do prefeito. “Mas a população está irritada com o trânsito, que só tende a piorar, e ele precisava tomar uma medida enérgica”, conta um articulador do prefeito.

Nas pesquisas de opinião encomendadas pelo DEM, Kassab ainda não conseguiu elevar significativamente a intenção de votos. “Essa foi uma decisão arriscada, mas tomada pelo prefeito junto com seu conselho político. Não é uma decisão tomada só com marqueteiro”, diz um conselheiro. Segundo as últimas avaliações do Datafolha, 39% consideram a administração de Kassab ótima ou boa e 38%, regular. Já na intenção de voto, o prefeito está em terceiro lugar, com 15%, atrás de Marta Suplicy (PT), com 30%, e Geraldo Alckmin (PSDB), com 29%.

Preocupada em mensurar o impacto das medidas para o tráfego, a equipe de campanha de Kassab encomendou uma pesquisa quantitativa, com mil entrevistas, cujo resultado sairá no fim de semana.

O prefeito aposta que o resultado para sua imagem será semelhante ao que teve quando implementou o Cidade Limpa, que deu novas regras à publicidade e proibiu outdoors. Apesar de brigas com o setor publicitário, Kassab saiu fortalecido do episódio e ganhou projeção. Até então, era considerado apenas o vice de José Serra. O Cidade Limpa tornou-se a grande bandeira da gestão, a ponto de ter sua continuidade prometida tanto por Alckmin (PSDB) quanto por Marta (PT).

Certo de que as medidas projetarão seu governo, ontem Kassab anunciou a ampliação das restrições. Os caminhões terão de obedecer às mesmas regras do rodízio válido para os carros. A partir de 1 de agosto, os caminhões de pequeno porte acumularão duas restrições: farão parte do rodízio anunciado e não poderão circular de com outro rodízio, que leva em consideração se a placa é par ou ímpar (caminhão com placa par só circula em dia par). Segundo Kassab, a medida é “a mais branda entre todas as analisadas” e outras restrições poderão ser feitas.

Nos quatro primeiros dias com as novas regras a prefeitura aplicou 3.445 multas. Segundo o secretário de Transportes, Alexandre de Moraes, houve redução média de 40% no s índices de congestionamento nos três primeiros dias de julho em comparação com a média do mesmo mês de 2007.

Apesar da confiança do prefeito nas medidas, sua equipe de governo e de campanha eleitoral está cautelosa com o impacto econômico que pode ter no setor produtivo. O coordenador do programa de governo de Kassab é o secretário estadual de Trabalho, Guilherme Afif Domingos, ex-presidente da Associação Comercial de São Paulo. Além do possível aumento do preço de serviços e mercadorias, empresários e comerciários ameaçam a prefeitura dizendo que a medida poderá causar desemprego. Se antes ele teve de enfrentar o setor de publicidade, agora terá de mediar conflitos com representantes de toda a cadeia produtiva.

A mesma cautela têm os adversários de Kassab. Tanto Alckmin quanto Marta dizem que é preciso regulamentar o transporte de carga em São Paulo, mas questionam se a diminuição do trânsito com a restrição à circulação dos caminhões valerá o impacto econômico. Eles esperarão até agosto para avaliar se defenderão as medidas nas campanhas. Até lá, dizem, não é possível mensurar o quanto da melhora no trânsito se deve às férias escolares ou à medida.

A equipe de Alckmin, cuja área de transporte será coordenada pelo ex-secretário estadual Jurandir Fernandes, aprova o decreto, mas defende que haja uma redução de taxas e impostos, dos governos municipal e estadual, para os empresários e comerciários prejudicados. “Se for bem sucedido, seremos os primeiros a aplaudir. Se não tiver sucesso, não usaremos na campanha”, disse Fernandes. “O que não pode deixar de ter é uma forma de compensação pelos prejuízos”, apontou.

As críticas de Alckmin a Kassab serão focadas na falta de investimentos em corredores de ônibus e na construção de garagens subterrâneas no centro da cidade, para elevar a área de circulação dos automóveis. “O problema do trânsito não se resolve só com a carga pesada. Se não olhar para o todo, a cidade poderá ter só carros circulando e mesmo assim continuar parada.”

Já os articuladores de Marta não sabem se manterão as medidas na plataforma de governo e questionam a forma como estas foram implementadas. O coordenador da campanha de Marta, deputado Carlos Zarattini (PT), reclama da falta de diálogo com a sociedade. “Estamos muito preocupados com o impacto no setor produtivo, porque pode haver aumento de preços. Não pode haver inflação por conta de uma medida de trânsito. A medida foi adotada sem ampla negociação”.

Ex-secretário de Transportes na gestão de Marta, Zarattini diz que o atual governo acabou com os principais avanços da gestão petista na regulamentação do transporte de carga. “Na gestão Marta nós fizemos escalonamento de entrega. Cada setor tinha um horário. Fizemos um grande pacto com o setor produtivo. Quando Serra entrou, acabou com isso, jogou fora”, critica Zarattini.

Apesar de seguir as principais linhas deixadas por José Serra (PSDB) antes dele sair da prefeitura para o governo do Estado, Kassab foi mais ousado na alteração das regras de circulação de transporte de carga na cidade. No primeiro ano de governo, Serra assinou um decreto limitando a circulação de caminhões, mas sob pressão de empresários e comerciantes, o tucano recuou pelo menos três vezes nas medidas propostas antes mesmo de o governo começar a aplicar multas. Na época, a prefeitura alegou que não era um “recuo”, mas sim uma “correção”.

O decreto publicado por Serra em abril de 2005 mirava nos caminhões que faziam entregas para grandes comércios, como shoppings, supermercados, lojas de material de construção, concessionárias e hospitais e postos de combustível. A carga e descarga poderia ser feita entre 22h e 6h; aos sábados, das 14h à meia-noite. Com isso, a previsão era que fossem retirados 3% dos caminhões em circulação. Os pequenos comerciantes não seriam afetados. Um mês depois, a prefeitura abrandou e autorizou a circulação de caminhões com até 5,5 metros. No mês seguinte, estendeu a permissão aos veículos com até 6,3 metros. Depois, isentou parte dos caminhões que abasteciam postos de combustíveis. A crítica feita à época por especialistas era que as transportadores trocariam um caminhão grande por três ou quatro menores, aumentado a frota em circulação.

O projeto de Kassab mira justamente nos caminhões com até 6,3 metros e afetará os pequenos comerciantes, que antes haviam sido poupados. Os caminhões estão proibidos de circular no centro expandido, que corresponde a 100 quilômetros quadrados, entre as 5h e 21h e sábado das 10h às 14h. Até o fim do mês, além da ampliação do trecho de restrição veículos de carga com até 6,3 metros passaram a ser atingidos por um rodízio de placas. De 01 de agosto até novembro, a proibição de circulação será para todos nas horas de pico, mas das 10h às 16h podem se revezar segundo a placa.

As medidas mais severas, que proíbem a circulação de caminhões no centro expandido, passam a valer em novembro, depois das eleições. Mas podem até serem suspensas, segundo o governo anunciou ontem. A primeira etapa das restrições servirá de teste nas negociações com as entidades do setor de transporte. As paralisações, como a que fechou a marginal do Tietê no primeiro dia de funcionamento das normas, não afetaram tanto o trânsito, que é mais tranqüilo no período. De agosto até outubro, mês da eleição, o prefeito terá um período para negociar com empresários e comerciários e remodelar o decreto, se o trânsito não melhorar. Se o resultado for positivo, será sentido pela população e entrará na campanha de Kassab.

Com o decreto, empresários e comerciários ameaçaram o governo com demissões nos setores e elevação do preço de mercadorias. “Se subir, é o preço que temos que pagar”, respondeu o prefeito. Mas às vésperas das eleições, o prefeito não descuidou do contato com os empresários. A negociação com entidades de classe começou há cerca de três meses. Na primeira reunião, o governo queria que a restrição total à circulação de caminhões no centro expandido passasse a valer imediatamente após a publicação do decreto. Diante das reclamações, postergou o prazo e acatou sugestões.

Para evitar novas paralisações, tanto o prefeito quanto o secretário de Transportes passaram os últimos dias em fiscalizações pela cidade e em encontros com empresários e sindicalistas. “Antes não queriam nos atender. Foi só fazer uma paralisação para isso mudar”, disse o secretário-geral do sindicato dos Condutores de Cargas Próprias, Luiz Nascimento.

O temor de caminhoneiros e comerciários é de que as demissões não sejam só uma ameaça ao prefeito. “Se as entregas forem feitas só à noite, isso pode elevar o custo das empresas, que terão de pagar um adicional aos funcionários. Isso levaria a demissões, para equilibrar a folha de pagamentos”, disse Nascimento. Na segunda-feira, o governo fará nova reunião com representantes do setor de transporte de cargas.

01/07/2008 - 11:56h Em programa, Marta aposta em comparação

Petista contrapõe sua gestão à de Serra e Kassab

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Clarissa Oliveira - O Estado de São Paulo

A candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, se antecipou em relação aos adversários e divulgou a versão preliminar do seu programa de governo. O documento de 95 páginas, apresentado no fim de semana, na convenção do PT, deixa clara a intenção de Marta de comparar a sua gestão à do hoje governador José Serra (PSDB) e do atual prefeito Gilberto Kassab (DEM). No campo das propostas, o documento mostra que a petista já avançou em idéias para áreas como transporte e educação.

Para cada segmento abordado, o texto faz uma avaliação crítica da gestão Serra-Kassab, seguida de um resumo do que Marta fez quando esteve na prefeitura. “O balanço da gestão de Marta não deixa dúvidas quanto à necessidade de retomarmos os rumos de nossa complexa metrópole, cujas soluções superam em muito as expectativas de síndicos de jardins, no que se apequenaram os autopropalados eficientes gestores demo-tucanos”, diz o texto.

Na área educação, o programa tem como foco os Centros Educacionais Unificados (CEUs), que Marta criou. O texto fala em montar a “Rede CEU” - além de construir novos centros, o plano é integrar o ensino municipal de regiões centrais da cidade a atividades culturais e esportivas em museus, bibliotecas e clubes públicos. Marta quer ainda incluir nos CEUs a capacitação profissional de jovens.

O programa propõe, ainda, a criação do programa ProCriança, que daria acesso a creches particulares para menores carentes. A idéia é utilizar o mesmo modelo adotado pelo governo federal no ProUni, que oferece bolsas de estudos em universidades particulares.

No setor dos transportes, o programa fala em chegar a 300 quilômetros de corredores de ônibus até 2014 e liberar investimentos para o metrô. O texto prevê ainda a reestruturação da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e da São Paulo Transportes (SPTrans).

PREPARATIVOS

O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e Kassab estão na fase de preparativos. O coordenador do programa tucano, Dalmo Nogueira, começou a montar grupos de trabalho e a extrair idéias de seminários temáticos. “A campanha só começa oficialmente na semana que vem”, afirma. Segundo ele, a elaboração do programa deverá envolver entre 1.000 e 1.500 pessoas.

O secretário de Trabalho do Estado, Guilherme Afif Domingos, que cuidará do programa de Kassab, diz que o prefeito está em situação diferenciada. “Somos governo. Não podemos chutar”, disse ele, destacando que planos de curto prazo estão em andamento. “Mas temos um slogan: os problemas de curto prazo de hoje são problemas de longo prazo de ontem, que nossos adversários não equacionaram.”

29/06/2008 - 10:28h “Todos os brasileiros estão numa situação melhor, especialmente os mais pobres”

Novamente em campanha para uma disputa acirrada
 

Daniel Bramatti e Clarissa Oliveira do jornal O Estado de São Paulo fizeram uma excelente entrevista de Marta Suplicy.

A sra. concorda com a avaliação de que o trânsito será questão central da campanha? Como enfrentar o problema?

Acho que esse governo executou muito pouco em relação à saúde e à educação. Mas o trânsito deve provocar um debate mais acirrado, porque é disso que as pessoas estão reclamando. Fizemos 100 quilômetros de corredores e deixamos 200 quilômetros programados. Foram feitos só 7,5. A curto prazo, é preciso recuperar a capacidade de gestão da CET, que está sucateada. O segundo ponto são os corredores. Isso demora um ano e meio para fazer. E a longo prazo é investir em metrô, pois hoje há recurso para fazer.

Por que só agora?

Em 2003, quando poderíamos ter investido na linha 4, não tinha projeto. Nós governamos com poucos recursos. Quando entrei, eram R$ 9 bilhões (Orçamento municipal). Em 2005, eram R$ 15 bilhões, e hoje são R$ 21 bilhões. Os tucanos estão no poder há 16 anos, não podem dizer que o metrô não anda por causa da prefeitura.

Como o presidente Lula participará da campanha?

O presidente só não é unanimidade hoje porque isso não existe em política. Ele desfruta de um prestígio enorme graças à gestão econômica. Todos os brasileiros estão numa situação melhor, principalmente os mais pobres. A presença dele será muito positiva.

Seu mapa de votação em 2004 mostra um apoio maior na periferia e uma resistência muito forte nas áreas mais nobres. Por que essa rejeição ao PT ou ao seu nome na classe média?

Houve muitas campanhas amedrontadoras em relação ao PT que depois se mostraram absolutamente infundadas. O presidente Lula cumpriu todos os contratos, ao contrário do que fez Serra na prefeitura. Um preconceito de classe ainda existe contra o PT. O governo que eu fiz adicionou algo a isso. Fiz um governo de inclusão social. Vários setores, principalmente a classe média que vive de um salário mais contado, perceberam que tinham de fazer um esforço gigantesco para colocar seu filho num colégio particular que não chegava aos pés de um CEU, que era feito para os mais pobres. Para muitas pessoas foi visto como se (a prefeitura) estivesse tirando delas. Pensavam: “Eu me mato para pagar o balé para a minha filha, ou a aula de violino para o meu filho, e meu imposto está indo para essas pessoas que provavelmente nem pagam nada e estão tendo acesso a bens e a luxos de que não precisam.” Muitos se engajaram nessa campanha. O próprio PSDB, que, depois, devido à pressão da população beneficiada, teve de voltar atrás e continuar o projeto dos CEUs. Eles poderiam ter inaugurado os novos CEUs com um ano e meio de governo, porque as obras estavam contratadas.

Houve resistências?

Houve, eles não queriam fazer. Mas o importante é recuperar o conceito de CEU. O conceito de que uma criança pobre não tem de ter acesso só a aulas de matemática e português. Ela precisa de uma janela para algo que na sua vivência familiar é impossível, teatro, instrumento musical, filme, clube. A idéia é que todas as crianças possam ter isso.

Qual a sua avaliação do projeto Cidade Limpa?

Acho um bom projeto e nós vamos continuar, talvez ouvindo mais os pequenos comerciantes, que se sentiram prejudicados, vendo como podemos ajudá-los a recuperar as fachadas que ficaram deterioradas com a retirada de painéis.

O PMDB diz que não fez aliança com o PT porque o partido teria sido incapaz de oferecer garantias para um acordo. Mesmo a aliança com tradicionais aliados demorou para ser fechada. Houve erros?

Não creio. Estamos com os aliados que deveríamos ter. São os partidos de esquerda, que têm uma proposta programática mais afim. E a conversa com Aldo Rebelo (candidato a vice-prefeito) foi extremamente positiva. É uma pessoa que acrescenta em termos de competência, experiência, por sua bagagem e sua origem, ele é do Nordeste. Está bom demais do jeito que acabou saindo.

Dentro do próprio PT há pessoas que dizem que a sra. poderia sair da prefeitura em 2010 para se candidatar a governadora. Há possibilidade de isso acontecer?

Não cogito nada nessa direção. Resolvi ser candidata para consolidar políticas públicas. Recebemos 12 hospitais sem aparelhos. A saúde era um deserto, uma coisa muito difícil recuperar. Nós começamos a reconstruir e deixamos tudo pronto para o passo seguinte. Íamos fazer os centros de especialidades, o que esse governo não aproveitou. O gargalo que nós deixamos é exatamente o que hoje continua: a pessoa demora dois anos para marcar um exame, oito meses para marcar outro… Se tivesse havido continuidade no transporte, teríamos 200 quilômetros de corredores. Na educação teríamos feito os CEUs em um ano e meio. É muito duro ter um governo de quatro anos. Quando decidi ser candidata, pensei: vou ser por quatro anos e vou tentar ficar oito. Porque aí eu consolido, deixo na cidade uma marca que fica.

Dois flancos que seus adversários tendem a explorar: aumento de impostos e a declaração do “relaxa e goza”, da qual a sra. já se desculpou. Existe o temor de que isso seja usado na campanha?

Tudo pode ser usado. Pode ser usado contra o Alckmin que caiu o metrô que ele construiu, que o Kassab chamou de vagabundo (um manifestante contra o projeto Cidade Limpa). Mas não sei o que isso acrescenta para a avaliação do eleitor. Não espero que eles usem, nem pretendo usar. Em relação a impostos, reconheço que a mão pesou quando se quis fazer muita coisa ao mesmo tempo. Houve reavaliação da planta genérica, IPTU progressivo e as taxas. Muitos foram isentos do IPTU, mas para outros pesou. Hoje eu não faria do mesmo jeito.

Há espaço para cortar impostos?

Acho que sim, já pedi para estudar. Isso seria importante.

Qual a sua posição em relação a aborto, pena de morte e casamento gay?

Ninguém pode ser a favor do aborto como método, mas não se pode ignorar o grave problema de saúde pública dos abortos clandestinos. Sou a favor da aplicação da lei que já garante assistência às mulheres e à ampliação em alguns casos, como, por exemplo, de anencefalia. Sou contra a pena de morte e a favor da parceria civil de homossexuais, como já tem sido reconhecida em sentenças judiciais.

24/06/2008 - 15:58h Os medos do Estadão

A imagem “http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080624/img/capadodia.jpg” contém erros e não pode ser exibida.O Editorial do Estadão de hoje é uma peça de ficção. Um exercício de wishful thinking, de “criação ilusória de fatos que se desejaria fossem realidade”, na tradução precisa do dicionário Michaelis.

O editorial do jornal O Estado de São Paulo lança hoje um sonoro ufa, de alívio prematuro, pela escolha de Alckmin como candidato do PSDB e pelo suposto apoio de Serra a esta escolha.

“o PSDB de São Paulo chegou à melhor solução possível. E isso, especialmente, porque o governador Serra soube enfatizar a possibilidade real de restabelecer a aliança PSDB-DEM no muito provável segundo turno entre um deles e a candidata do PT. “Se a aliança não se traduziu agora numa candidatura única, tem que se traduzir, sim, numa unidade no segundo turno” - disse o governador em seu pronunciamento na Convenção.”

O editorial finge ignorar que os serristas opostos a candidatura Alckmin eram uma minoria e não tinham nenhuma possibilidade de impedir o PSDB de lançar Alckmin candidato, mesmo que quisessem.

O editorial desestima também que essa candidatura nasce marcada pela divisão tucana e sem o consenso dos caciques, consenso que sempre pautou as decisões tucanas. Pior, ela concorre diretamente com Kassab, o candidato de José Serra, da maioria dos vereadores do PSDB e dos quadros que exercem funções no aparelho municipal e estadual. Todos eles continuarão fazendo campanha por Kassab, mesmo se a formalidade da propaganda eleitoral obrigatória falará outra coisa. Mais ainda, é Kassab que ficou com os apoios do PMDB, do PR e demais aliados de Serra e dos serristas.

Vale lembrar, o que o editorial não faz, que quando Ulysses Guimarães foi candidato contra o desejo do então poderoso Quercia, o PMDB mostrou-se unido de fachada, crucificando o candidato.

Os movimentos de Serra não deixam nenhuma dúvida sobre o objetivo dele. Liquidar o perigo que Alckmin representa para suas ambições, tentando salvar na medida do possivel a face. O editorial participa desta tentativa de “limpar” a cara de Serra e faz de conta que a mão de gato não é a dele.

Segundo o Editorial : “Da forma como conduziu as facções divergentes do PSDB paulistano no complicado impasse, o “presidenciável” paulista de 2010 sem dúvida tem tudo para consolidar o apoio geral de seu partido, a começar pelo de um agradecido Geraldo Alckmin, que fez questão de repetir em seu discurso: “Sempre estive com ele (Serra) em todas as campanhas e estarei nas futuras.” Os próprios líderes da dissidência tucana kassabista poderão não se transformar em batalhadores entusiasmados da campanha de Alckmin, mas mostraram-se convencidos da necessidade de ceder posição em favor de um “objetivo maior”, qual seja, o da candidatura de Serra à Presidência, daqui a dois anos. “

É o que se denomina confundir os desejos do Estadão, com a realidade. Nem os autores acreditam no que escrevem.

Como constata o editorial da Folha, também de hoje: (O PSDB) “Sempre preferiu ostentar um consenso que já não possui e no qual não crêem nem sequer os tucanos mais ingênuos, hoje atarantados em meio a tantas rivalidades.”

A bem da verdade, é o Alckmin que precisa vender a idéia que não está sendo crucificado e que o racha acabou. O bom senso fez todos se reconciliarem e ele já se vê aspergindo de água bendita o rebanho rejuntado, incluso das ovelhas negras. Para isso serve o editorial do Estadão.

Vã ilusão!

O próximo passo será tentar transformar a candidata do PT na encarnação do mal absoluto. Para preservar a continuidade que “os paulistanos podem esperar(…) (e que) em muitos aspectos tem sido eficiente e inovador.” (dixit editorial do Estadão)

Estranha acusação para incentivar o maniqueismo. Quem asseguraria melhor a continuidade dos CEU’s por exemplo: Marta, Alckmin ou Kassab? Os três hoje são a favor do que Marta soube criar, implantar e que o PSDB com apoio de uma parte da mídia, o Estadão especialmente, atacou e prometeu parar. Hoje existe consenso em favor deles. Como também ninguém questiona agora os uniformes, o material escolar, a merenda de qualidade, a criação de vagas em creches e escolas, a revalorização dos professores e o Vai e Volta.

Mas como atribuir ao PT os resultados péssimos na educação, se a própria Secretária de Educação de Serra, do PSDB, diz que jogaram fora R$ 2 bilhões de reais (segundo o Estadão é o equivalente de todo o dinheiro da educação básica do Brasil, um ano do orçamento do FUNDEB) e que os resultados após 14 anos de tucanato no Estado são esse desastre monumental?

Como acusar a candidata do PT se o caos no trânsito, outro problema crucial, está diretamente ligado ao pouco investimento do Estado no metrô, que avançou a passos de tartaruga, segundo o próprio Estadão em concordância com idêntica avaliação de Serra. Ou o quase nulo investimento de Kassab nos corredores para os ônibus é culpa do PT que criou o Bilhete-Único, construiu terminais e mais de 110 Km de corredores?

Seria “solução de continuidade” (ainda o editorial do Estadão) o plano apresentado por Marta e o governo federal para dar um salto na implantação do metrô en vistas da copa de 2014? Neste caso até que seria bem vinda essa “solução de continuidade” perante o pouco que o governo do PSDB avançou no transporte público. O Estadão ousaria estar contra um choque de investimento no metrô como propõe Marta com apoio do governo federal? o governador Serra recusaria? Agora, se a preocupação do Estadão é com a continuidade do Bilhete-Único criado e implantado por Marta, pode ficar sossegado, o Bilhete-Único continuará e ampliará sua duração com ela na prefeitura. Ou alguém dúvida disto?

O Estadão estaria preocupado com a continuidade do que? da ética?

Como evitará que Geraldo Alckmin seja carimbado de “Geraldo Alstom”, vista a grossa propina recebida durante seu mandato e de Covas, para manipular as licitações no metrô em favor da empresa francesa? Como não constatar que, como os jornais tem mostrado nas últimas semanas, o tratamento de Alstom como empresa-camarada dos tucanos teve uma perfeita continuidade no Estado de São Paulo desde 1990 até agora? Ou impedir CPI para este caso público e claro de suborno é prova de ética?

Ou o Estadão está com medo de Marta parar obras, não pagar fornecedores como fiz José Serra, ela que deu continuidade a programas que o PT não apoiou, como o Fura-Fila de Pitta-Kassab, ou que criado por outros o PT defendeu e melhorou, como o Leva-leite de Paulo Maluf?

Lamentavelmente para a identificação ideológica do Estadão com o PSDB, nem na questão da carga tributária poderá atribuir a Marta uma fúria arrecadatoria da qual estariam desprovidos os tucanos. Os números são claros no que concerne o aumento da carga tributária no pais, no Estado e na cidade de São Paulo durante os governos do PSDB, de par com o endividamento gigantesco promovido por eles em todas as esferas, para pretender que o problema é uma invenção ideológica da esquerda. Sem falar que Marta reconheceu publicamente ter cometido alguns erros neste item.

Pela primeira vez existe a possibilidade que estas eleições em São Paulo, ao contrário do que gostaria o Estadão, possam escapar a um certo maniqueismo. De sorte que a polarização poderá explicitar as reais divergências sobre às questões de fundo. E não estou convencido que dependendo do tema, não apareçam convergências que uma visão maniqueista ignora. Para isso é necessário que a mídia contribua não só com isenção, mas participando do debate democrático, sem simplismo redutor e sem tomar partido.

Se isto acontecer, a divisão do PSDB terá contribuído, sem que seus dirigentes percebessem, para o progresso do debate político durante anos escamoteado no pais.

Mas alguns persistem na tentativa de exorcizar o real, para adequá-lo a sua visão ideológica. O editorial do Estadão é a prova.

Luis Favre

14/06/2008 - 12:04h Constatações

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Constatação mutua: a culpa é do outro

Respondendo a uma pergunta do Estadão que invocou a crítica de Alckmin sobre a falta de iluminação na cidade, o candidato demo Gilberto Kassab respondeu: “Não foi uma crítica a minha gestão. Foi uma constatação.”

Em resposta a outra pergunta, na mesma entrevista, sobre o trânsito e as críticas dos demais candidatos sobre o tema, Kassab respondeu: “Concordo com todos. É uma unanimidade na cidade que o trânsito é um grave problema. Mas não vi ninguém acusando o prefeito Kassab de não ter feito o planejamento correto.”

A primeira constatação é que Gilberto Kassab, que fala dele próprio em terceira pessoa como acostumam os monarcas, ao cabo de 4 anos de gestão não considera ter qualquer responsabilidade na situação sob a qual ele devia agir. Os entrevistadores registram a constatação e todos são unânimes: não tem luz e o trânsito é um caos. C’est la vie, poderia acrescentar Kassab.

A “constatação” é acompanhada de uma afirmação: “não vi ninguém acusando o prefeito Kassab de não ter feito o planejamento correto.” Os entrevistadores registraram a inverídica proclamação, inverídica porque é precisamente esta a principal acusação que a líder nas pesquisas eleitorais, Marta Suplicy, lançou contra o governo demo-tucano: falta de planejamento!

Se a cidade está a escuras é porque entre outras coisas o programa do Reluz, que a administração anterior utilizou para troca de lâmpadas e ampliação da iluminação pública ficou parado durante quase três anos na atual administração e agora entendemos o motivo: Kassab considerá que o problema não é com ele. Ele é um simples observador que constata.

Se o trânsito é um caos unanimemente reconhecido é porque o atual prefeito e o governo estadual demo-tucano pouco investiram em transporte público, nada planejaram para diminuir o impacto do aumento do número de carros, sucatearam a CET, foram incapaces de contratar guinchos, quase nada construíram de corredores, não implantaram os semáforos inteligentes e deixaram a expansão do metrô e o Rodoanel em ritmo de tartaruga.

Mas se Kassab é mestre em constatações, fingindo que não o concernem, na entrevista a Folha também hoje, ele vai além quando se trata de Alckmin. Para Kassab é bom comparar Alckmin com Serra: “vamos comparar o que ele (Serra) está investindo e a velocidade com quem está executando as obras no Rodoanel. O governo do Estado investiu muito pouco no metro nas últimas décadas.”

Resumindo as constatações de Kassab chegamos a conclusão que Marta Suplicy tem o apoio de Kassab quando atribui a Geraldo Alckmin não ter feito o planejamento necessário à expansão do metrô e do Rodoanel. E, como diz Marta, Kassab não fez a parte dele no transporte coletivo da cidade, nem na iluminação pública, como constatou acertadamente Geraldo Alckmin.

Marta Suplicy poderá constatar assim, com o apoio de cada um dos seus adversários que o caos no transporte público é falta de planejamento e descaso com o problema central da população por parte dos demo-tucanos. Bastará repetir o que Kassab e Alckmin dizem sobre suas responsabilidades respectivas.

Luis Favre

14/06/2008 - 09:54h O Globo alerta Rio: em cinco anos o caos será igual a São Paulo

Contagem regressiva para o caos


Detran diz que, em cinco anos, trânsito da cidade ficará igual ao de São Paulo

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Ediane Merola - O GLOBO

Dentro de cinco anos, os cariocas correm o risco de sair às ruas e ficar reféns dos engarrafamentos, como já ocorre hoje em São Paulo. O prognóstico nada animador é do presidente do Detran-RJ, Sebastião Faria, que sentencia: se não forem feitas melhorias principalmente na estrutura e na oferta do transporte coletivo do Rio, em 2013 os motoristas ficarão à mercê de grandes congestionamentos.

De acordo com dados do órgão, entre janeiro de 2001 e maio deste ano, o município ganhou 520 mil novos veículos. O número, segundo o prefeito Cesar Maia, é equivalente ao dobro do crescimento da população da cidade: no mesmo período, o Rio ganhou quase 260 mil habitantes.

Os números do Detran mostram que o trânsito do Rio pode estar na direção do caos. Em janeiro de 2001, havia 1.579.267 veículos no município.
Em maio passado, já eram 2.099.974. Já nos últimos 12 meses, o número de carros subiu 21,5%.
Considerando-se um crescimento médio da frota de 20% ao ano, ao fim de 2008 a capital terá 2,5 milhões de veículos. Em 2013, serão 4,1 milhões.
São Paulo tem aproximadamente 5,4 milhões de carros.

— Nossa malha metroviária é muito menor do que a de São Paulo, por exemplo. Se nada for feito para mudar esse quadro, teremos o mesmo problema aqui no Rio, com longos congestionamentos — avalia Faria, que assumiu a presidência do Detran no início deste mês.

A cada mês, 11 mil novas habilitações

Já no Estado do Rio, segundo ele, nos últimos 12 meses o número de carros cresceu 28,32%. Além disso, nos primeiros cinco meses de 2008, foram registrados 126.874 novos veículos, sendo 63.762 na capital.
No ano passado, foram concedidas em todo o estado 11 mil novas habilitações por mês.

Apesar de os números serem impactantes, a engenheira Eva Vider, especialista em transportes urbanos da Escola Politécnica da UFRJ, espera que a cidade não chegue à situação que é vivida hoje pela capital paulista. Ela ressalta, porém, que o Rio não pode dar chance para o azar: — Se não se fizer investimento em transporte coletivo, podemos ter problemas. Ainda mais com a possibilidade de sediarmos os Jogos Olímpicos. Por outro lado, o morador do Rio é diferente do de São Paulo. Uma pesquisa de 2003, do Plano Diretor de Transportes Urbanos, mostra que 46% das pessoas da Região Metropolitana do Rio usam transporte coletivo. Em São Paulo, o índice é 33%. As pessoas usam muito mais carro lá.

Especialista em engenharia de transportes, Fernando Mac Dowell lembra que, quando foi adotado o rodízio de veículos em São Paulo, em vez de aderir ao sistema, as pessoas acabaram comprando um segundo veículo: — O poder aquisitivo em São Paulo é outro. Temos soluções viáveis no Rio para evitar o caos. Só não podemos ficar parados, repetindo o discurso de que o trânsito vai travar daqui a tantos anos. É preciso melhorar o sistema do metrô, que em 1984 transportava cerca de 400 mil usuários e hoje leva 500 mil. Em 1974, as barcas serviam a 164 mil pessoas por dia, hoje são 45 mil. A Auto-Estrada LagoaBarra pode ser duplicada. Em dez anos, o Rio só teve uma obra importante: a Linha Amarela.

O prefeito Cesar Maia, porém, rebate as críticas: — Não conhecem a cidade. A Avenida Brasil, principal tronco do município, foi reconstruída de Irajá a Santa Cruz. Isso ocorreu há pouco tempo. Reestruturamos os corredores de Lins de Vasconcelos e Santa Cruz. Duplicamos a Avenida Abelardo Bueno (na Barra da Tijuca), eliminando um nó insuportável.

Introduzimos sistemas de integração com o metrô na Zona Sul, na Tijuca, em Vila Isabel.

Eles não sabem que, junto a Linha Amarela, duplicamos a Estrada Marechal Alencastro (que vai de Deodoro a Anchieta), a Bulhões Marcial (liga Cordovil a Vigário Geral), as estradas da Posse (Santíssimo) e de Campinho.

Segundo Eva Vider, é importante que os governos encontrem uma solução para o trânsito, pois o custo com o transporte está cada vez mais alto: — Segundo o Ipea, cada carro gera um gasto de R$ 27 por dia, que pode ser o do tratamento médico por conta do estresse, o da poluição.

Multiplica isso por dois milhões de veículos — disse a engenheira, acrescentando que o congestionamento não é o único problema causado pelo aumento de carros nas ruas. — Pior mesmo é o aumento do número de acidentes.

Segundo o Detran-RJ, já estão sendo feitas campanhas de educação para o trânsito, inclusive para os motoristas respeitarem mais os ciclistas.

13/06/2008 - 09:34h Uma questão de vida ou morte

Atenção, após anos de investimento pífio no metrô por parte dos governos estaduais e do desinteresse da gestão Kassab na CET, nos corredores e no transporte, eles cogitam para depois das eleições o pedágio urbano. Ou se inverte a lógica demo-tucana de privilegiar os ricos e se investe pesado no transporte público, ou só os ricos poderão circular de carro e os outros irão engrossar o capenga sistema de transporte atual. As conseqüências da falta de planejamento e o descaso com o transporte público estão nos pulmões de todos, no agravamento da saúde e na violência no transito. A questão do trânsito e o transporte público é, sem exageros, uma questão de vida ou morte.

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Cetesb cogita retomar rodízio estadual contra alta da poluição

Proposta será encaminhada ao governo e à Prefeitura; pedágio urbano também é opção

Daniel Gonzales - O Estado de São Paulo

A tendência de aumento da poluição do ar da cidade de São Paulo e da região metropolitana, por causa do crescimento exagerado da frota de veículos, já faz a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) cogitar a volta do rodízio estadual, experiência que durou de maio a setembro de 1997 e 1998. Nas duas ocasiões, de acordo com o final de placa os veículos ficavam proibidos de circular uma vez por semana, das 7 horas às 20 horas, na capital e em mais dez cidades da Grande São Paulo.

O presidente da Cetesb, Fernando Rei, disse ontem que a volta do rodízio estadual pode ser uma das alternativas para brecar a poluição do ar, que apresentou queda contínua de 1997 (com a adoção de catalisadores e injeção eletrônica nos carros) a 2005, mas voltou a subir a partir de 2006. O rodízio estadual sempre teve como meta diminuir a poluição nos meses mais secos. Já o municipal, em vigor desde 1997, visa diminuir o trânsito.

“Consideramos a restrição”, afirmou, acrescentando que essa e outras medidas para melhorar a qualidade do ar devem ser propostas a autoridades municipais e estaduais ainda neste ano. Não há definição sobre o formato que um novo rodízio estadual teria, nem sobre datas. Tudo ainda é estudo.

Relatório da Cetesb, apresentado ontem, mostra que quantidades de ozônio e materiais particulados emitidos por escapamentos tiveram aumento significativo no ar em 2007, em relação a 2006, com a ressalva de que o ano teve 50 dias desfavoráveis para a dispersão dos poluentes. Já a quantidade de outros gases tóxicos, como monóxido de carbono, está estável desde 2005 - o que não significa melhora, pois havia uma curva de queda que parou.

OZÔNIO

Segundo os dados, as concentrações de ozônio, poluente que causa inversões térmicas e é formado na atmosfera em reações químicas dos gases emitidos pelos carros, ultrapassaram os níveis aceitáveis 72 vezes na Grande São Paulo em 2007 - 56% a mais do que em 2006, quando haviam sido 46 ultrapassagens.

Já por causa da presença de material particulado, exalado pelos veículos,* a qualidade do ar ultrapassou o mínimo aceitável quatro vezes no ano passado, frente a duas em 2006. Rei disse que, além do rodízio, outras alternativas consideradas são a adoção de pedágios urbanos e investimentos em transporte coletivo.

“Isso é necessário, não podemos mais ser escravos do carro. Ele não pode ser mais visto como símbolo de status e a sociedade precisa reorganizar sua agenda e sua forma de deslocamento”, afirmou.

O presidente da Cetesb acrescentou que o Estado “precisa agir” para “evitar que o indivíduo use o carro como lhe convém”. “Vemos carros tipo sedan, de 4, 5 lugares, usados por uma só pessoa”.

O presidente da Cetesb considera que medidas adotadas nos últimos anos, como a tecnologia da indústria automotiva que criou carros menos poluentes, já correm risco de serem perdidas, tal a quantidade de veículos em circulação. “Foram ganhos pequenos, que podem ficar insuficientes por causa do aumento da frota”, disse. “Essa situação que temos em São Paulo, de 1 automóvel para cada 1,4 habitante é insustentável.”

Na região metropolitana, circulam 8,5 milhões de veículos. Na semana passada, o Estado mostrou que 48.571 veículos foram emplacados em março pelo Detran apenas na capital, mês que bateu o recorde histórico de aumento da frota: foram 1.566 por dia.

Carlos Eduardo Komatsu, gerente de Tecnologia do Ar da Cetesb, afirmou que a situação já está chegando “no limite”. “É uma bola de neve: com mais veículos em circulação, há mais trânsito e mais poluentes jogados no ar”, disse.

ÁGUA

A Cetesb também apresentou ontem os relatórios de qualidade das águas (rios e praias) e sobre as emergências com produtos químicos que atendeu em 2007.

O destaque foi para a melhora na qualidade das águas do Rio Tietê, principalmente no trecho da capital, entre São Miguel Paulista e a Ponte dos Remédios. A concentração de poluentes caiu pela metade entre 2006 e 2007. Já 47% das praias da Baixada Santista apresentaram melhora na qualidade da água.

QUALIDADE DO AR

72 foram
as vezes em que a alta concentração de ozônio na Grande SP fez com
que a qualidade do ar ficasse má ou inadequada

56% foi o aumento
de dias em que a concentração de ozônio superou o máximo recomendado, em 2007, em relação ao ano anterior, na Região Metropolitana de SP

8,5 milhões de veículos

É a frota registrada na Capital e Grande São Paulo. Na Cidade de São Paulo, a proporção aproximada é de 1 carro para cada 1,4 habitante

13/06/2008 - 09:16h Kassab escolhe um bode expiatório para os congestionamentos

L'image “http://www.bestiario.com.br/5_arquivos/O%20SANTO%20BODE%20FREDERICO.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs. Desgastado, Scaringella deixa a CET após 3 anos

Técnico estava isolado das decisões da cúpula dos Transportes

Diego Zanchetta e Bruno Tavares - O Estado de São Paulo

Sem participar das decisões sobre mudanças no trânsito de São Paulo desde o fracasso das faixas para motos na Avenida 23 de Maio, em janeiro passado, o presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Roberto Scaringella, de 66 anos, deixou ontem, após três anos e meio, o cargo. O secretário municipal dos Transportes, Alexandre de Moraes, acumulará a função a partir de hoje.

A saída de Scaringella reflete o isolamento do engenheiro fundador da CET junto à cúpula dos Transportes e do próprio prefeito Gilberto Kassab (DEM). Nos últimos meses, Scaringella, autor da idéia das faixas para motos, abandonada em menos de uma semana após o trânsito ficar caótico no eixo norte-sul da capital, também ficou de fora do projeto que resultou no pacote para o trânsito, divulgado há dois meses.

Entre as medidas, a Zona Máxima de Restrição para caminhões passará de 25 km² para 100 km². Nessa área, veículos pesados só poderão circular das 21 às 5 horas a partir do dia 30 de junho. Scaringella sequer foi consultado sobre a medida, tomada por Moraes em conjunto com técnicos da CET e da secretaria.

O rodízio para caminhões nas Marginais e na Avenida dos Bandeirantes, também planejado pelo governo para ser implantado neste ano, foi decisão de Moraes, que agora se consolida como o “homem-forte” dos Transportes na gestão Kassab.

O atual secretário também descartou neste ano outro plano anunciado em 2007 por Scaringella: os corredores exclusivos para ônibus nas Avenidas Brás Leme, em Santana, na zona norte, e na Sumaré, em Perdizes, na zona oeste. As intervenções foram descartadas após moradores reclamarem do projeto, que poderia degradar o comércio das duas regiões.

Apesar de ter sido um dos maiores críticos das gestões anteriores da CET, Scaringella teve a permanência no cargo marcada por sucessivos recordes de congestionamentos, como no dia 9 de maio deste ano, quando São Paulo parou ao registrar 266 quilômetros de lentidão. “Peguei a companhia sucateada”, discursava sempre o então presidente.

ISOLAMENTO

O primeiro presidente da CET, de 1976 a 1982, também não era mais consultado pelo prefeito - quando Kassab assumiu o cargo, em abril de 2006, Scaringella era chamado pelo prefeito em todas as decisões a serem tomadas no trânsito. Procurado ontem por diversas vezes, Scaringella não atendeu aos telefonemas da reportagem do Estado.

Scaringella também já dirigiu o Metrô, presidiu o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e foi secretário municipal dos Transportes entre 1986 e 1987. Ele ainda foi diretor superintendente do Instituto Nacional de Segurança de Trânsito (INST), de 1992 a 2001.

Agora, o técnico vai permanecer no Conselho de Administração da CET. Scaringella também é integrante do Conselho Diretor da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA).

O secretário dos Transportes ainda não se pronunciou sobre a mudança. COLABOROU RODRIGO BRANCATELLI

11/06/2008 - 12:39h Em debate: Propostas para enfrentar o caos atual no trânsito de São Paulo (3)

Marta Suplicy e a ministra Dilma Roussef durante o seminário sobre transporte em São Paulo
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“O terceiro ponto que colocamos em discussão neste seminário é o PROGRAMA DE OBRAS que São Paulo necessita. São quatro pontos principais:

INVESTIMENTO NO METRÔ,
CONSTRUÇAO DE NOVOS CORREDORES
NOVAS OBRAS VIÁRIAS
E IMPLANTAÇÃO DE CICLOVIAS

Em relação ao metrô, a meta é construir mais de 47,4 km de linhas até 2012. Com isso, a rede saltaria dos atuais 62,1 km para 109,5 km. As obras prioritárias, nesses quatro anos, contemplariam a expansão das linhas já existentes. Destacaria, aqui, três delas: a extensão da Barra Funda até a Freguesia do Ó; a de Vila Madalena até Cerro Corá e a de Capão Redondo até o hospital de M’Boi Mirim, no Jardim Ângela.

Em paralelo, seriam iniciadas as obras de expansão mais complexas, com prazo de conclusão para 2014. Elas acrescentariam outros 31,3 km à rede, que passaria então a ter um total de 140,4 km. Entre as obras previstas, está a implantação da linha entre Cachoeirinha e Conceição, que teria 22 km, passaria pelo aeroporto de Congonhas e pela Faria Lima e integraria bairros comerciais e residenciais. Outra linha muito importante seria criada entre a Vila Prudente e a Vila Maria, que teria 8,6 km e atenderia a zona norte.

Para viabilizar essa expansão, os investimentos seriam distribuídos da seguinte maneira:

PREFEITURA – 490 milhões de reais/ano.
ESTADO – 980 milhões de reais/ano
E UNIÃO – 490 milhões de reais/ano, totalizando 1,960 bilhão ao ano.

Em relação aos CORREDORES DE ÔNIBUS, a solução proposta é criar mais 228 km até 2012 e mais 72 km até 2014. Ou seja, um total de 300 km de novos corredores de ônibus.

Esses 300 km seriam distribuídos por 31 CORREDORES. Entre os mais importantes, pela extensão e população beneficiada, eu citaria: o trecho entre a Vila Prudente e a Cidade Tiradentes; o trecho entre a 23 de Maio e o Grajaú; e entre a Celso Garcia e São Miguel.

Além desses 31 corredores, as soluções pensadas para a mobilidade urbana incluem a construção de 8 TERMINAIS nos seguintes pontos: Vila Prudente, Itaim Paulista, Campo Limpo, Pinheiros, Raposo Tavares, Vila Sônia, Água Espraiada e Jardim Mirim.

Assim, com essas obras, chegaríamos a 2014, com 140,4 km de linhas de metrô, mediante um investimento de 11,8 bilhões; e com 416,5 km de corredores de ônibus, mediante um investimento de 3,7 bilhões.

Em relação as OBRAS VIÁRIAS, os estudos já realizados recomendam a complementação de 16 CORREDORES DE ÔNIBUS e a realização de 12 OBRAS ESTRUTURANTES. A mais importante delas seria a que denominamos de Apoio Norte-Oeste: uma avenida que ligaria a Dutra e a Bandeirantes, servindo de alternativa a marginal Tietê.

Além disso, seriam realizadas quatro grandes obras em PARCERIA COM O ESTADO: a ampliação da marginal Tietê, a ligação Jacu Pêssego – Mauá, o alargamento da Bandeirantes e a conclusão de Águas Espraiadas.

Em relação as ciclovias, estamos iniciando os estudos de viabilidade. A topografia de São Paulo é complicada, mas na medida do possível elas serão implantadas em zonas estratégicas da cidade.

Essas são, em síntese, as soluções estudadas para melhorar a mobilidade urbana em São Paulo. Volto a dizer que não se trata de um pacote pronto e, sim, de uma contribuição para abrirmos o debate sobre este que é, hoje, um problema gravíssimo da nossa cidade.

Eu disse, no início da minha fala, que o trânsito é o atual emblema da democratização do prejuízo.

O que nós queremos, para São Paulo, é a democratização dos benefícios.

Bem-estar e qualidade de vida para todos.” (da contribuição de Marta Suplicy ao seminário do PT sobre transporte e mobilidade urbana).

11/06/2008 - 12:18h Em debate: Propostas para enfrentar o caos atual no trânsito de São Paulo (2)

Marta Suplicy e o deputado federal Carlos Zarattini na mesa do seminário sobre transporte
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“O segundo ponto que queremos discutir é a GESTÃO DO TRANSPORTE PÚBLICO. Aqui, apontamos três medidas.

A GESTÃO E FISCALIZAÇÃO DOS CORREDORES: temos que adotar várias medidas para recuperar a velocidade nos corredores de ônibus. A primeira delas é garantir uma gestão e uma fiscalização eficientes, para garantir cumprimento de horários, a não invasão de veículos particulares, etc.

ESTRATÉGIAS OPERACIONAIS: a principal delas é garantir que o acompanhamento do trânsito nas ruas e nos corredores seja feito em tempo real, por uso de câmeras e radares. Isso garante muito mais agilidade na tomada de decisões.

BILHETE ÚNICO: com os atuais níveis de congestionamento, os benefícios oferecidos pelo Bilhete Único foram diluídos. Estamos estudando medidas como aumentar o tempo de duração do bilhete ou o número de viagens permitidas. Também está sendo avaliada a criação de bilhetes com validade diária, mensal e até anual.

MODERNIZAÇÃO DOS CORREDORES EXISTENTES: essa é outra providência que não pode ser adiada. O fundamental, aqui, é identificar os atuais gargalos dos corredores e tomar as providências necessárias para eliminá-los, como criar passagens elevadas e realizar obras de alargamento.

QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL: a meta é treinar cobradores e motoristas para que eles possam atender melhor o usuário que tem dúvida sobre em que ponto descer, qual ônibus tomar, etc.

INFORMAÇÃO AO USUÁRIO: a idéia, aqui, é que os terminais e os próprios ônibus possam a oferecer todas as informações necessárias para a orientação dos usuários, como mapas, horários de chegadas, etc.” (da contribuição de Marta Suplicy ao seminário do PT sobre transporte e mobilidade urbana).

11/06/2008 - 11:35h Em debate: Propostas para enfrentar o caos atual no trânsito de São Paulo

O público acompanhou com interesse o debate sobre transporte organizado pelo PT

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“Hoje, o caos na mobilidade urbana de São Paulo se expressa de três maneiras:

RECORDES DE CONGESTIONAMENTO,
DIMINUIÇÃO DE VELOCIDADE NOS CORREDORES,
E VELOCIDADE MÉDIA NA CIDADE.

Para se ter uma idéia da dimensão desses problemas, cito aqui três fatos. Em maio deste ano, chegamos a ter 265 quilômetros de congestionamento, um recorde absoluto. A velocidade média nos corredores é, hoje, 33% menor em relação à de quatro anos atrás. E a velocidade média na cidade é 25% menor, também comparando com a situação de quatro anos.

As soluções propostas para enfrentarmos esse caos se baseiam, em primeiro lugar, na GESTÃO DO TRÃNSITO. Nesse sentido, propomos as seguintes soluções:

O FORTALECIMENTO DA CET: significa aumentar o número de marronzinhos e melhorar as suas condições de trabalho, além de recuperar o serviço de guincho.

OPERAÇÃO INTEGRADA TRANSPORTE E TRÂNSITO: aqui, a proposta é integrar o planejamento da CET e da SPTrans em torno de um único objetivo: melhorar a fluidez do trânsito e do transporte público.

INVESTIMENTO EM TECNOLOGIA: o que defendemos é a implantação de semáforos inteligentes em toda a cidade e de câmeras de monitoramento nos corredores de ônibus e em pontos vitais da cidade.

POLÍTICA DE ESTACIONAMENTO: nossa proposta é incentivar a construção de estacionamentos subterrâneos na região central e de novos estacionamentos nas proximidades de terminais de ônibus e estações do metrô.

POLÍTICA DE CARGAS: Esse é um ponto vital. Na semana passada, nós vimos que um caminhão acidentado despejou 34 mil litros de solvente no rio Tietê. No mesmo dia, outro caminhão atravancou a 23 de Maio. Isso não dá pra aceitar. Temos que fiscalizar com muito rigor o transporte de cargas perigosas e, ao mesmo tempo, investir na criação de terminais de cargas e na restrição de horários para a circulação de caminhões.

FISCALIZAÇÃO DE PÓLOS GERADORES: para quem não sabe, pólos geradores são shoppings, clubes, grandes lojas que, ao serem criados, impactam o trânsito no seu entorno. Portanto, fiscalizar e exigir contrapartidas é fundamental se queremos evitar o surgimento de novos pontos de estrangulamento do trânsito.

MULTIPLICAÇÃO DE PEQUENAS OBRAS: muitas vezes, pequenas intervenções já melhoram o trânsito na região. Como exemplo, podemos citar a eliminação de faróis e ilhas que são desnecessários e a criação de baías para os ônibus estacionarem.

CAMPANHAS EDUCATIVAS: esse é outro ponto fundamental. Os acidentes e os atropelamentos causam milhares de vítimas no trânsito paulistano. Também é grande o número de pessoas que reagem com violência ao menor transtorno. Por isso, há de se investir em campanhas de segurança, de direção defensiva e de educação no trânsito.” (da contribuição de Marta Suplicy ao seminário do PT sobre transporte e mobilidade urbana)

11/06/2008 - 09:42h Contribuição de Marta Suplicy para o seminário do PT sobre transporte e mobilidade urbana (integral)

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Minhas amigas, meus amigos,

Inicialmente, gostaria de agradecer a presença da ministra Dilma Rousseff, dos engenheiros e especialistas em transporte Marcos Bicalho e Jaime Waisman, do mediador desse debate, professor Jorge Wilheim e de todos vocês, deputados, vereadores, lideranças comunitárias, moradores da cidade de São Paulo.

Estamos iniciando hoje o seminário São Paulo, Novos Caminhos.

Não tenho dúvida que ele vai prestar uma grande contribuição a todos aqueles que desejam fazer de São Paulo uma cidade mais justa e mais humana e, também, mais arrojada e preparada para enfrentar os desafios do presente e do futuro.

Nos próximos dias, vamos debater aqui temas relacionados com a mobilidade urbana, a saúde, a educação, a segurança, os programas sociais, a habitação e o desenvolvimento urbano.

Temas que, por sua complexidade e abrangência, definem o que São Paulo é hoje e para onde pode caminhar.

Hoje, abrindo esse ciclo de debates, vamos abordar o tema da mobilidade urbana. Não foi uma escolha aleatória, pelo contrário: atualmente nada é mais revelador dos problemas paulistanos do que a dificuldade de se locomover.

A verdade é que São Paulo, a locomotiva do Brasil, a cidade que não pode parar, está parando. A cada dia, a cada semana, se ouve falar de um novo congestionamento recorde.

E, quando falamos em congestionamento, não estamos falando de um transtorno qualquer. Estamos falando de perda de produção, de aumento da poluição e, acima de tudo, de queda na qualidade de vida das pessoas.

O trânsito, hoje, em São Paulo, é o emblema da democratização do prejuízo. É o inferno particular e coletivo de todo paulistano. Afeta a todos indistintamente, mas principalmente a população de baixa renda, as pessoas que moram longe do centro, têm menos recursos para se deslocar e, quando o fazem, levam muito mais tempo para chegar ao seu destino.

(more…)

09/06/2008 - 09:39h Marta e cinco ministros de Lula participam de seminário

Marta escala ministros para ajudar campanha

Cinco membros do primeiro escalão do governo Lula participarão de debates com petista

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Clarissa Oliveira - O Estado de São Paulo

Em mais um esforço para aproximar sua imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ex-ministra Marta Suplicy (PT) vai trazer o governo para dentro do debate sobre os principais problemas da cidade de São Paulo. A convite da petista, cinco ministros de Lula virão a São Paulo nas próximas semanas para discutir alguns dos principais temas que estarão no programa de governo que está sendo desenvolvido pelo PT para as eleições deste ano.

Todas as terças-feiras por um período de cinco semanas, um representante do governo virá à Capital. De acordo com articuladores da campanha de Marta, os debates fazem parte de uma ampla estratégia para aproximar a imagem da pré-candidata petista à do presidente Lula e usufruir ao máximo dos altos índices de popularidade do governo. Um dos principais pontos do plano para a corrida municipal é colocar Marta como a candidata ideal para aprofundar na cidade as mesmas mudanças realizadas pelo governo Lula na esfera federal.

Oficialmente, o convite aos ministros foi feito pelo Diretório Municipal do PT. Mas petistas reconhecem que Marta conversou pessoalmente com cada um para pedir a presença. Além disso, consultou Lula, que deu carta branca para a realização dos eventos.

Adicionalmente, dirigentes do PT avaliam que será possível formar uma “massa crítica” sobre os principais problemas da cidade. Além disso, parte das idéias surgidas nos debates poderá ser aproveitada no programa de governo de Marta, que está em fase de finalização.

O primeiro debate será realizado amanhã, com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, além de Marta e especialistas. Elas discutirão o tema central da campanha: mobilidade urbana, transportes e trânsito.

A base do debate será o projeto de mobilidade para a Copa de 2014, elaborado por Marta quando estava no Ministério do Turismo. A proposta prevê medidas como a construção de 65 km de metrô e 279 km de corredores de ônibus em São Paulo.

No dia 17, Marta receberá o ministro Fernando Haddad para falar sobre educação. No dia 24, será a vez do ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Em 1 de julho, o ministro da Justiça, Tarso Genro, tratará de violência urbana. O ciclo será encerrado com um debate sobre habitação, com o ministro das Cidades, Márcio Fortes.

Zarattini deve ser coordenador

Clarissa Oliveira

O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), membro do time de aliados da ex-ministra Marta Suplicy na capital paulista, deverá ser o coordenador da campanha petista pela Prefeitura de São Paulo. A escolha, segundo articuladores da candidatura de Marta, será sacramentada em reunião marcada para hoje à noite, pela Executiva Municipal.

Até agora encarregado de coordenar as negociações da campanha de Marta, o vereador e presidente municipal do PT, José Américo Dias, chegou a ser visto como a escolha ideal para a vaga. Américo, entretanto, é candidato a mais um mandato na Câmara Municipal e não poderia se dedicar com o mesmo empenho aos preparativos da disputa pela prefeitura paulistana. Com Zarattini, afirmam petistas, Marta contará com alguém “em tempo integral” na posição.

06/06/2008 - 12:04h A Guerra das Rosas

“A Guerra das Duas Rosas foi uma série de longas e intermitentes lutas dinásticas pelo trono da Inglaterra, ocorridas ao longo de trinta anos de batalhas esporádicas (1455 e 1485). (…) Esta série de guerras civis iniciou-se com a disputa da aristocracia pelo controle do Conselho Real, por causa da menoridade de Henrique VI. Havia uma rivalidade entre dois aspirantes ao trono: Edmundo Beaufort (1406-1455), duque de Somerset, da casa de Lancaster, e Ricardo Plantageneta, terceiro duque de York. O primeiro apoiava Henrique IV e a rainha Margarida de Anjou. O segundo pôs em causa o direito ao trono de Henrique VI de Lencastre, um homem pio mas fraco, sujeito a fases de insanidade. Henrique VI, ao assumir o poder em 1442, teve o apoio dos Beaufort e do duque de Suffolk, aliados da casa de York.” (wikipedia).

“Apos quatro anos de casamento, Oliver e Barbara Rose explodem. Frustrados por anos de casamento, se declaram a guerre pelo divorcio, o espolio dos bens e da casa. Nesta guerra todos os golpes são permitidos, como chantagem e violência de todo tipo… no final os dois sucumbem juntos. Filme realizado por Danny DeVito com: Michael Douglas (Oliver Rose), Kathleen Turner (Barbara Rose), Danny DeVito (Gavin D’Amato).”

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Tudo indica que a decisão do governador José Serra é ir até o fim na guerra para destruir a candidatura de Geraldo Alckmin.

A determinação de solicitar a desencompatibilização de Ricardo Montoro para poder bater chapa contra Alckmin na convenção é prova disto. Montoro foi o candidato de Serra a presidente da Câmara Municipal quando foi eleito prefeito, derrotado na época pelo vereador Tripoli.

A idéia parece ser a de levar o abaixo assinado contra a candidatura própria do PSDB a convenção tucana, tentar reverter a decisão da executiva municipal em favor da candidatura própria e, se não vingar, propor Montoro como candidato contra Alckmin, para marcar a candidatura Alckmin como representativa de só um pedaço do PSDB.

A réplica dos partidários de Alckmin é a lei da mordaça, no típico estilo stalinista de proibir e punir. Longe de qualquer consulta democrática aos filiados, com voto em urna, debate contraditório e escolha, o aparelho de Alckmin que controla a executiva municipal pratica o rolo compressor. Inquietante concepção da democracia e mal augúrio sobre o futuro convívio no mesmo partido. Quanta modernidade!

Esta postura autoritária vai acompanhada de ataques cada vez mais abertos ao governo Kassab, controlado por uma maioria de tucanos serristas. O próprio Alckmin já se manifestou ácido em relação ao trânsito e a iluminação da cidade e ontem seu braço-direito, o deputado federal Edson Aparecido concordou com Marta Suplicy em taxar a administração Kassab de “medíocre”. (estranho, nenhum jornal reproduziu esta declaração publicada ontem na Folha Online e reproduzida aqui no blog). Os limites desta postura é que dificilmente poderá evitar que a responsabilidade do próprio governo Alckmin seja posta na comparação da campanha eleitoral. Foi ele o governador que menos metrô construiu em São Paulo e que deixo a CPTM e o próprio metrô no abandono. Foi ele que retirou a PM do trânsito na cidade, restabelecido só agora pelo governo Serra.

A violência autoritária dos alckministas se explica também por uma constatação: perceberam que o caso Alstom está sendo instrumentalizado por seus adversários tucanos para associar Alckmin e Alstom. Não por acaso o editorial do Agora começa lembrando que “as investigações começaram na França e na Suíça e abrangem o período de 1995 a 2003″ (mesmo se a própria Folha já mostrou contratos irregulares feitos agora pelo governador Serra). Sabendo que esta associação poderá ser mortal para as pretensões do candidato que posou de udenista roxo contra Lula, os alckministas estão a mil para escapar da carapuça.

A esta altura da leitura você leitor deve estar se perguntando: e eu que tenho a ver com tudo isso?

Se você tiver alguma simpatia pelos tucanos deve estar se perguntando, qual é a divergência política, administrativa, de governo ou ética que justifica esta violenta divisão tucana? É só boquinha como argumentam os alckministas? ou e só ambição pessoal e egoísta como retrucam os serristas?

Pois é, o debate sobre os rumos da cidade, sobre as propostas para resolver os inúmeros problemas do trânsito caótico, da falta de médicos e o abandono das UBS, das filas para atendimento na saúde, do quase nulo investimento em corredores necessários quando se pretende privilegiar o transporte público; da qualidade da merenda escolar e do baixo nível da educação no estado mais rico do pais e dos problemas de moradia ou da violência; tudo é passado para um plano menor e substituído por ataques, bate-boca, ironias e desprezo pela inteligência do eleitor.

Talvez esta verdadeira cortina de fumaça sobre os reais problemas do cidadão tenha por objetivo evitar uma escolha clara, para melhor preservar as ambições pessoais e a boquinha, comum denominador do objetivo da guerra das rosas no tucanato. É que a guerra atual entre eles é decisiva para que ambição pessoal e boquinha possam se alçar ao patamar federal em 2010.

Luis Favre

04/06/2008 - 17:11h Cara de paisagem

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Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab estão numa disputa feroz.

O que faz esta disputa tão violenta é o confronto entre a ambição pessoal do primeiro e a força tucana que sustenta o segundo.

Sem o apoio do governador Serra e de seus partidários, qual seria a base de sustentação de uma candidatura pefelista em São Paulo?

Alguém pensa que os veículos de comunicação dariam tanto espaço a promoção do atual prefeito, se por trás não estivesse a força do aparelho tucano que alavanca a pretensão presidencialista da candidatura Serra?

Mas os dois candidatos que se combatem ferozmente, guardam semelhanças que vale a pena destacar.

Uma delas é a capacidade a fingir que os problemas não têm a ver com eles.

Vejamos um exemplo na questão do trânsito em São Paulo e o descaso com o transporte público.

Outro dia o candidato Alckmin disse que esta questão é dramática e vai ser sua prioridade.

Eis um ex-governador que teve a responsabilidade sobre a expansão do metro, o transporte público interurbano e a CPTM e que é membro do partido que governa o Estado faz mais de 13 anos e no qual exerceu como vice e como titular por quase o mesmo tempo. Que tem como balanço ter sido quem menos metrô construiu. Agora, como candidato, exclama sua vontade para resolver o que, com tudo na mão, foi incapaz de realizar. Pior, finge que o problema não tem a ver com ele e sim com Kassab, que governa a cidade com o próprio partido do qual o ex-governador é o candidato.

No outro lado, vemos um prefeito, ex-secretário de planejamento de Pitta (aquele que destruiu São Paulo), e que em quatro anos não investiu quase nada em corredores de ônibus, nem na CET, nem na educação no trânsito, nem em semáforos inteligentes e nem em aportes financeiros para o metrô, clamar que o problema foram os prefeitos anteriores. Será que ele pensa ser suficiente um cheque gigante em fim de mandato (gigante no tamanho da foto, não no valor) e muita publicidade, para poder ludibriar os eleitores sobre o que não fez?

Reparem no espetáculo que os dois inimigos estão montando: 14 anos governando o Estado de São Paulo, durante os quais, 8 anos governaram o Brasil, além de mais 4 anos governando a cidade, que já tinham governado também no passado. E o balanço de tudo é: não é comigo, a culpa é dos outros.

Entre eles não se bicam e a guerra é total, mas quando se trata de mostrar a cara para assumir seus feitos, é só cara de paisagem.

LF

04/06/2008 - 09:43h “Daremos um choque de gestão no trânsito”, diz Marta candidata do PT a Prefeitura de São Paulo

FOLHA DE SÃO PAULO ENTREVISTA

MARTA SUPLICY

Quero reconquistar a classe média que eu perdi em 2004

Candidata à prefeitura pelo PT, Marta prega “choque de gestão” no trânsito e afirma que gestão Kassab só faz “enrolação social”

Fernando Donasci/Folha Imagem
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RENATA LO PRETE
EDITORA DO PAINEL

FERNANDO DE BARROS E SILVA
EDITOR DE BRASIL

Lançando mão de uma expressão que marcou o adversário Geraldo Alckmin (PSDB) em 2006, Marta Suplicy declara que um “choque de gestão” no trânsito paulistano é sua prioridade e diz ter a intenção de “reconquistar a classe média” que ajudou a elegê-la em 2000 e foi decisiva para sua derrota em 2004.
A petista deixa hoje o Ministério do Turismo e assume oficialmente a candidatura à Prefeitura de São Paulo. A saída do governo federal será formalizada após uma conversa a sós com o presidente Lula. Na entrevista exclusiva que concedeu à Folha, anteontem à noite, na sede do PT paulista, Marta, 63, diz que a gestão Gilberto Kassab (DEM), “tímida e medíocre”, não faz inclusão, mas apenas “enrolação social”.

FOLHA - A sra. se declarou repetidas vezes muito satisfeita no Ministério do Turismo. Por que decidiu deixar o cargo e disputar novamente a prefeitura?

MARTA SUPLICY - Porque tive uma conversa política com o meu partido e com o presidente Lula. E também por uma percepção de paulistana de que a cidade precisa de uma nova atitude. Por fim, nos últimos meses, com o caos no transporte, não só achei que não tinha condição de titubear como me deu vontade. Eu sei que posso fazer. Já peguei a cidade em condição muito pior. Eu fiz muito com muito pouco. E eles fizeram muito pouco com muito.

FOLHA - Como foi a conversa com o presidente Lula?
MARTA
- Privada.

FOLHA - Ele a estimulou?
MARTA
- O presidente é sempre muito respeitoso com o sentir do outro. Mas é a cidade politicamente mais importante do Brasil, e a conversa seguiu para a conclusão de que eu seria a candidata ideal para o partido.

FOLHA - Se eleita, que garantia está disposta a dar de que não deixará o cargo em 2010 para disputar o governo de São Paulo ou a Presidência?
MARTA
- Assinar papel eu acho que ficou completamente desmoralizado depois da última eleição… O que posso dizer é que pretendo, tendo o privilégio de ser eleita, fazer um bom governo e ficar oito anos.

FOLHA - Serra errou ao sair em 2006 para disputar o governo?
MARTA
- É a consciência dele que tem de responder. Mas fiquei triste. No dia da transmissão do cargo, eu olhava e dizia: “Ele não vai ficar. Vai ficar essa pessoa que ninguém conhece”.

FOLHA - Em 2004, muitos apontaram falta de apoio do PT federal e de Lula em sua campanha à reeleição. Acha que ele vai se engajar agora?
MARTA
- Acho que a partir de nossa conversa ele já se engajou. Sinto bastante apoio dele.

FOLHA - Como explica o fato de o PT, aliado a tantos partidos no plano federal, estar em São Paulo diante da hipótese de marchar sozinho?
MARTA
- Fiquei decepcionada de o PMDB não ter vindo, porque o PT fez um esforço grande para trazê-lo, mas o esforço feito pelo governador José Serra foi mais convincente.

FOLHA - Como assim?
MARTA
- Houve empenho do prefeito Kassab e do governador Serra para atrair o PMDB. O PT tem conversado com o PC do B, o PDT, o PSB… Acredito que nós vamos ter parceiros.

FOLHA - Uma aliança com o PDT do deputado Paulinho, alvo de investigação da PF, seria constrangedora?
MARTA
- Que eu saiba, o Paulinho era da base do FHC. Na eleição que eu disputei contra o Serra, ele apoiou o Serra. Até recentemente, estava na administração Kassab. Hoje existe uma acusação. Mas noto que, enquanto ele era da base do governador, do atual prefeito, não se falava tanto do Paulinho.

FOLHA - Alguns petistas se movimentaram para dar o posto de vice em sua chapa à ex-prefeita Luiza Erundina (PSB). Como vê essa possibilidade?
MARTA
- É uma pessoa pela qual tenho apreço e que honraria qualquer chapa.

FOLHA - E a sugestão do presidente de que seu vice seja um empresário?
MARTA
- Acho uma idéia interessante, e cabe ao partido buscar um vice adequado.

FOLHA - A maioria dos analistas aposta que a sra. estará no segundo turno. Nesse caso, aceitaria o apoio do DEM, se Kassab ficar de fora da etapa final, ou do PSDB, se o eliminado for Geraldo Alckmin?
MARTA
- Será que eles vão brigar a ponto de isso acontecer?

FOLHA - A sra. aceitaria?
MARTA
- Não sei se poderia acontecer. Me deixaria em situação difícil. Eu falaria coisas tão horríveis deles, e já está tão feio o que está acontecendo…

FOLHA - A sra. se refere à divisão entre tucanos pró-Alckmin e pró-Kassab?
MARTA
- Essa briga é deles. Eu não vou entrar.

FOLHA - Na campanha de 2004, a sra. disse em entrevista à Folha que Alckmin era, “de longe, o melhor quadro do PSDB”. E agora?
MARTA
- Em 2006 eu disse que ele era de plástico. Mas não me compete dar opiniões sobre adversários. É uma situação muito feia. E acho que o eleitor, na medida em que acompanhar, vai formar sua opinião.

FOLHA - Que avaliação faz da gestão Serra/Kassab?
MARTA
- Tímida e medíocre. O que continuaram, antes tentaram interromper, como os CEUs, a ponte estaiada [Octavio Frias de Oliveira]. Disseram que era faustosa. No fim, custou o dobro do que consideravam faustoso. No trânsito, não construíram corredores. Não é um governo de inclusão social, mas de enrolação social.

FOLHA - Por que enrolação social?
MARTA
- O Bilhete Único perdeu a possibilidade de fazer o que se fazia em duas horas por causa da piora no trânsito. Isso eu achei muito perverso, por tirar a possibilidade de renovar o Bilhete Único na catraca, e obrigar a pessoa a encher o bilhete lá fora. Se você me contar um gesto social, eu agradeceria. É só enrolação social.

FOLHA - A atual gestão afirma ter poupado R$ 350 milhões barateando contratos de sua época. Argumenta que fez mais CEUs a custo mais baixo.
MARTA
- As medidas dos CEUs não são as mesmas, a infra-estrutura não é a mesma. A Folha tem que ir lá ver o que é um CEU feito na nossa gestão e o que é um CEU feito por eles. Provavelmente eles estão fazendo uniforme mais barato. Só que as mães vão à Câmara levar uniformes que depois de três meses estão rasgados.

FOLHA - Seus aliados dizem que o recém-inaugurado hospital de M’Boi Mirim, na zona sul, foi iniciado pela sra., mas a atual gestão sustenta que lá havia uma fábrica.
MARTA
- Se nós não tivéssemos enfrentado a disputa judicial para desapropriar o terreno, e depois não tivéssemos arrumado o dinheiro, eu queria saber em quanto tempo eles conseguiriam fazer o hospital. As escolas de lata. Foram feitas na gestão Pitta. O secretário do Planejamento se chamava Kassab. Herdamos 66. Substituímos 13. Deixamos 33 em construção e 11 licitadas, que ele acabou recentemente. Desconheço qualquer iniciativa importante deste governo.

FOLHA - E a Lei Cidade Limpa?
MARTA
- Acho um desenrolar interessante do Belezura, do projeto de cidade limpa que começamos com outro nome. Ele teve o mérito de levar adiante.

FOLHA - Mudaria a Cidade Limpa?
MARTA
- Não, foi positivo. Mas deixe eu voltar à ponte estaiada. Nós licitamos, fizemos a fundação e as pilastras. Eles disseram que a ponte era faustosa, e agora dizem que é a maior obra do governo deles. Fiz um modelo novo no transporte, com o Bilhete Único. Na educação, com o CEU. Na inclusão, com o Renda Mínima. O que eles fizeram de novo?

FOLHA - A sra. não considera que o atendimento de saúde melhorou com o modelo das AMAs?
MARTA
- As filas continuam, e as especialidades não foram colocadas. Elas atendem uma parcela da população que busca, muita aflita, uma solução rápida. Atendem, mas não resolvem efetivamente o problema.

FOLHA - O PT tem defendido mais investimento municipal em metrô. A atual gestão alega, porém, que a sra. não fez isso quando prefeita.
MARTA
- Nos primeiros dois anos e meio, a condição financeira da cidade não permitia. No final de 2003, tínhamos juntado o dinheiro da operação urbana na Faria Lima. Ou eu usava para fazer os túneis, ou para o metrô. Fomos conversar com o governador Alckmin. A gente queria fazer a estação no largo da Batata, junto ao corredor Rebouças. Mas eles não tinham projeto executivo, então não havia como pôr o dinheiro. Aí era manter o dinheiro guardado ou fazer os túneis.
Eu sabia que a obra poderia incomodar muitas pessoas. O que eu não imaginava eram ONGs que teriam como razão de vida o combate ao corredor da Rebouças e aos túneis. E que depois essas pessoas iriam todas trabalhar no governo eleito.

FOLHA - Se eleita, qual será a prioridade de sua nova gestão?
MARTA
- Transporte. Neste momento, não dá para pensar em outra. O paulistano não tem mais condição de viver no caos.

FOLHA - Qual é a sua proposta?
MARTA
- Será um esforço de guerra. No longo prazo, vamos unir esforços para superar 20 anos de atraso no metrô. Apresentei ao presidente a proposta de unir município, Estado e União num investimento de R$ 12 bilhões em seis anos para mais do que dobrar a atual rede. No médio prazo, faremos 200 km de corredores -no nosso primeiro governo fizemos 100 km. Paralelamente, faremos obras viárias para melhorar a fluidez do trânsito. No curto prazo, revitalizaremos os corredores existentes para retomar a velocidade que possuíam quando implantados. Daremos um choque de gestão no trânsito. Precisamos investir pesado em tecnologia, informatizando todos os corredores e ampliando significativamente os semáforos inteligentes, colocando mais marronzinhos na rua para garantir fluidez e cumprimento da lei, restringindo o estacionamento nas principais vias. Diferentemente do que ocorreu no meu primeiro governo, a prefeitura hoje tem dinheiro, graças à situação econômica do país.

FOLHA - A sra. ampliaria o rodízio?
MARTA
- Rodízio é medida de quem não tem plano.

FOLHA - A taxa do lixo, que tanto desgaste lhe trouxe, foi extinta. Não consta que a prefeitura esteja com problema de arrecadação. Foi um erro criá-la?
MARTA
- Não faria novamente. Foi um erro. Na época não conseguimos dimensionar o impacto para a classe média. Nada como um dia depois do outro para poder reconhecer.

FOLHA - Em 2004, embora tenha perdido a eleição, a sra. foi a mais votada no cinturão periférico da cidade. Durante a campanha, disse que preferia vencer com o voto da periferia. Qual será sua estratégia desta vez?
MARTA
- Acho que