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	<title>Blog do Favre &#187; cotas</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Em prol das cotas para a população negra nas universidades</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Aug 2009 14:51:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Natália Maria Alves Machado &#8211; Correio Braziliense
Fórum de Mulheres Negras do DF
É muito evidente que, embora haja momentos de confluência, a questão da população negra no Brasil não é unicamente socioeconômica, uma vez que essa mesma população carrega em seus corpos as marcas de uma história e de um presente de desumanização; corpos que [...]]]></description>
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<p style="background-color: #ffff99">Natália Maria Alves Machado &#8211; Correio Braziliense</p>
<p>Fórum de Mulheres Negras do DF</p>
<p>É muito evidente que, embora haja momentos de confluência, a questão da população negra no Brasil não é unicamente socioeconômica, uma vez que essa mesma população carrega em seus corpos as marcas de uma história e de um presente de desumanização; corpos que são continuamente desqualificados por sua origem cultural e suas características. Os reflexos disso, não apenas ditos por mim, mas pelas estatísticas, são uma enorme ausência de pessoas negras em postos de poder/relevância/mídia/padrões hegemônicos e de elevada presença destas pessoas nos índices de marginalização.</p>
<p>A mobilidade social no Brasil é dificílima, mas pode-se aumentar a renda, também troca-se de roupa, mas nunca de corpo. Não basta matemática financeira para resolver algo tão complexo e, ainda que ocorra uma revolução de valores que reveja esse fenômeno, são necessárias medidas emergenciais. Trata-se de vidas tolhidas, a lentidão de processos históricos arbitrários não dá conta da urgência dessas demandas de humanidade.</p>
<p>Mesmo sanada a questão econômica, o que geralmente não ocorre e torna tudo ainda mais difícil, as marcas da discriminação continuam a prejudicar a trajetória de quem passa por isso. Não se está apenas diante de condenação a uma natureza inferior, mas de uma socialização inferiorizante. A questão é sociológica e não biológica, não custa reafirmar. É como se uma/um negro tivesse que correr uma maratona com toneladas nas costas, toneladas impostas, as toneladas do racismo. As cotas são uma espécie de corretor dessa distorção.</p>
<p>O sistema de cotas é um sucesso. Em todo o país, tem formado profissionais excelentes e com o adicional da diversidade de origens culturais. Isso é fato irrefutável! Ganham os/as cotistas, ganham as universidades, ganha-se em conhecimento, toda a sociedade se beneficia.</p>
<p>Ações contrárias são mostras da reação de quem não enxerga o diferente como digno e quer manter a exclusão para assim também manter privilégios. Todos (as) cotistas são aprovadas no vestibular. Não há critérios facilitadores, há apenas concorrência específica: negros concorrem com negros dentro daquele percentual de vagas. As provas e os critérios são os mesmos. E mesmo assim, além do mérito da prova, pessoas negras, assim como outras pessoas de grupos preteridos, possuem o mérito de uma trajetória de superação. Há menos de 150 anos, o Brasil mantinha senzalas e ainda hoje as mantém em seus padrões de exclusão desumanizadora. Não há esforço individual capaz de ignorar a força das condicionantes de origem estrutural.</p>
<p>Se as cotas são importadas dos EUA? Absolutamente não, e ainda que fossem, importa-se tudo, moda e teorias científicas, inclusive vícios e dominação. Por que agora é errado importar medidas positivas? Não há importação e sim esforço transnacional conjunto e adaptado à realidade de cada país. O Brasil é signatário de acordos internacionais que preveem essas medidas e que aqui representam força de lei. Não há aí inconstitucionalidade, mas sim reparação de uma dívida histórica.</p>
<p>Cotas mudam imagens, possibilidades profissionais, padrões culturais, dinâmica de espaços de poder; criam combinações intelectuais mediante a proximidade de pessoas antes apartadas, podendo inclusive gerar ideias e resoluções; afetam toda uma estrutura e não apenas sujeitos individualizados, levam a sociedade a rever suas regras e a experimentar o poder de nelas intervir; não desqualificam outros grupos ou outras questões, antes abrem espaço para a ampliação da noção de igualdade em todas as formas que esta pode assumir; não excluem outras medidas como a melhoria do ensino no geral, ou distribuição de renda e sim fazem parte desse esforço conjunto para superação das desigualdades de todas as origens.</p>
<p>Nada disso é fácil de ser alcançado, assim como não é fácil dar continuidade ao atual estado das coisas. Para coabitarmos nste mundo não há saídas possíveis fora do esforço de transformação.</p>
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		<title>As cotas desmentiram as urucubacas</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Jun 2009 14:39:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ELIO GASPARI &#8211; FOLHA SP
Os negros desorganizariam as universidades, como a Abolição destruiria a economia brasileira
QUEM ACOMPANHASSE os debates na Câmara dos Deputados em 1884 poderia ouvir a leitura de uma moção de fazendeiros do Rio de Janeiro:
&#8220;Ninguém no Brasil sustenta a escravidão pela escravidão, mas não há um só brasileiro que não se oponha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="background-color: #ffff99">ELIO GASPARI &#8211; FOLHA SP</p>
<p><img src="http://envolverde.ig.com.br/fotos/32811.jpg" alt="http://envolverde.ig.com.br/fotos/32811.jpg" align="left" /><strong><font size="4">Os negros desorganizariam as universidades, como a Abolição destruiria a economia brasileira</font></strong></p>
<p>QUEM ACOMPANHASSE os debates na Câmara dos Deputados em 1884 poderia ouvir a leitura de uma moção de fazendeiros do Rio de Janeiro:<br />
&#8220;Ninguém no Brasil sustenta a escravidão pela escravidão, mas não há um só brasileiro que não se oponha aos perigos da desorganização do atual sistema de trabalho.&#8221;<br />
Livres os negros, as cidades seriam invadidas por &#8220;turbas ignaras&#8221;, &#8220;gente refratária ao trabalho e ávida de ociosidade&#8221;. A produção seria destruída e a segurança das famílias estaria ameaçada.<br />
Veio a Abolição, o Apocalipse ficou para depois e o Brasil melhorou (ou será que alguém duvida?).<br />
Passados dez anos do início do debate em torno das ações afirmativas e do recurso às cotas para facilitar o acesso dos negros às universidades públicas brasileiras, felizmente é possível conferir a consistência dos argumentos apresentados contra essa iniciativa.<br />
De saída, veio a advertência de que as cotas exacerbariam a questão racial. Essa ameaça vai completar 18 anos e não se registraram casos significativos de exacerbação. Há cerca de 500 mandados de segurança no Judiciário, mas isso nada mais é que a livre disputa pelo direito.<br />
Num curso paralelo veio a mandinga do não-vai-pegar. Hoje há em torno de 60 universidades públicas com sistemas de acesso orientados por cotas e nos últimos cinco anos já se diplomaram cerca de 10 mil jovens beneficiados pela iniciativa.<br />
Havia outro argumento: sem preparo e sem recursos para se manter, os negros entrariam nas universidades, não conseguiriam acompanhar as aulas, desorganizariam os cursos e acabariam deixando as escolas.<br />
Entre 2003 e 2007 a evasão entre os cotistas na Universidade Estadual do Rio de Janeiro foi de 13%. No universo dos não cotistas, esse índice foi de 17%.<br />
Quanto ao aproveitamento, na Uerj, os estudantes que entraram pelas cotas em 2003 conseguiram um desempenho pouco superior aos demais. Na Federal da Bahia, em 2005, os cotistas conseguiram rendimento igual ou melhor que os não cotistas em 32 dos 57 cursos. Em 11 dos 18 cursos de maior concorrência, os cotistas desempenharam-se melhor em 61 % das áreas.<br />
De todas as mandingas lançadas contra as cotas, a mais cruel foi a que levantou o perigo da discriminação, pelos colegas, contra os cotistas.<br />
Caso de pura transferência de preconceito. Não há notícia de tensões nos campus. Mesmo assim, seria ingenuidade acreditar que os negros não receberam olhares atravessados. Tudo bem, mas entraram para as universidades sustentadas pelo dinheiro público.<br />
Tanto Michelle Obama quanto Sonia Sotomayor, uma filha de imigrantes portorriquenhos nomeada para a Suprema Corte, lembram até hoje dos olhares atravessados que receberam ao entrar na Universidade de Princeton. Michelle tratou do assunto em seu trabalho de conclusão do curso. Ela não conseguiu a matrícula por conta de cotas, mas pela prática de ações afirmativas, iniciada em 1964. Logo na universidade onde, em 1939, Radcliffe Heermance, seu poderoso diretor de admissões de 1922 a 1950, disse a um estudante negro admitido acidentalmente que aquela escola não era lugar para ele, pois &#8220;um estudante de cor será mais feliz num ambiente com outros de sua raça&#8221;. Na carta em que escreveu isso, o doutor explicou que nem ele nem a universidade eram racistas.</p>
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		<title>Para OMC, Brasil é exemplo a ser seguido</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Mar 2009 13:37:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Assis Moreira, de Genebra &#8211; VALOR
O Brasil indicou ontem na Organização Mundial do Comércio (OMC) que uma proposta de aumento da Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul para produtos lácteos, de couro, têxteis e de madeira, se for aprovada e implementada terá &#8220;abrangência muito limitada e para resolver situações muito específicas&#8221;. A proposta está em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="background-color: #ffff99">Assis Moreira, de Genebra &#8211; VALOR</p>
<p><img src="http://www.ofir4news.com.br/wp-content/uploads/2009/02/6jpg8.jpg" alt="http://www.ofir4news.com.br/wp-content/uploads/2009/02/6jpg8.jpg" align="left" />O Brasil indicou ontem na Organização Mundial do Comércio (OMC) que uma proposta de aumento da Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul para produtos lácteos, de couro, têxteis e de madeira, se for aprovada e implementada terá &#8220;abrangência muito limitada e para resolver situações muito específicas&#8221;. A proposta está em discussão no bloco desde novembro e vários parceiros comerciais pediram esclarecimentos sobre sua aplicação, durante o exame da política comercial brasileira, encerrada ontem com a entrega de 316 páginas de respostas de Brasília.</p>
<p>Segundo o mediador do exame, o embaixador húngaro Istvan Major, o sentimento geral dos parceiros foi de que o Brasil, apesar da desaceleração econômica, &#8220;tem muito boas chances de resistir muito melhor na crise do que os outros&#8221;. Para ele, &#8220;o Brasil é um modelo a ser seguido&#8221;.</p>
<p>Uma &#8220;apreciação generalizada&#8221; foi manifestada sobre a decisão do país de &#8220;resistir a pressões protecionistas&#8221; ao não expandir a abrangência de licenças de importação não-automáticas. Mas várias delegações questionaram demandas atuais de licença. O Brasil respondeu que está tomando medidas para minimizar o impacto das licenças e que não tem intenção de impor novas exigências sobre uma lista maior de produtos.</p>
<p>Países pobres se manifestaram em peso elogiando o Brasil, mas também cobraram a promessa de acesso livre de cotas e tarifas para seus produtos no mercado brasileiro, feita no âmbito da Rodada Doha, que está longe de terminar.</p>
<p>O relatório dos economistas da OMC, que inclui o brasileiro Alberto Bueno, apontou o aumento da presença do Estado nos financiamentos e a suspeita de que as taxas de juros cobradas pelos bancos oficiais embutem subsídios que atropelariam as regras internacionais. Mas a reação foi bem tímida, no rastro da crise atual. Segundo o mediador, poucos países indagaram sobre os programas de financiamento à exportação que teriam &#8220;algumas distorções no comércio&#8221;.</p>
<p>Em relação ao exame realizado em 2004, a conclusão foi de que a política comercial hoje é mais aberta, que a burocracia persiste, mas diminuiu, e a modernização está em curso nas aduanas. Sobre a pouca transparência em regulações técnicas e medidas sanitárias e fitossanitárias, o mediador disse que &#8220;são problemas não só do Brasil, mas de outros países também&#8221;.</p>
<p>O exame do Brasil provocou 800 questões, muitas delas refletindo preocupações bem específicas. A China recusa há meses prorrogar um acordo com o Brasil pelo qual restringe voluntariamente exportações de têxteis e vestuário para o país. O resultado é que aumentarão as medidas antidumping contra os chineses. Assim, sem surpresas Pequim indagou sobre uma suposta cláusula de &#8220;interesse nacional&#8221; que a Câmara de Comércio Exterior usaria para decisão final nos casos de dumping. O Brasil respondeu que as sobretaxas só visam combater o dumping que causa prejuízos à indústria nacional.</p>
<p>Os Estados Unidos, o Canadá e o México, sócios no Nafta, apareceram com um extenso comentário sobre a importância de países produtores de aço &#8220;não influírem nas exportações&#8221;, nem limitarem as importações. O Brasil retrucou que só monitora o preço do aço importado. E que está preocupado com a implementação do &#8220;Buy America&#8221; aplicado aos siderúrgicos.</p>
<p>Entre as inúmeras perguntas da União Europeia, uma foi sobre o que o Brasil está fazendo para assegurar produção sustentável de biocombustível, incluindo respeito a padrões trabalhistas e implicação na mudança do uso da terra. A resposta foi de que a ocorrência de &#8220;práticas de trabalho ilegal em plantações de açúcar são residuais&#8221;, que a expansão da cana de açúcar é em áreas degradadas e que o governo tem um plano agroecológico que dirá onde o cultivo de cana será proibido, autorizado ou encorajado.</p>
<p>A UE quis saber em detalhes também o estado e as condições de negociações de acordos do Mercosul com a Índia, a África do Sul e outros países. E perguntou se o bloco pretende incluir cláusulas sociais e trabalhistas nos acordos. A resposta foi &#8220;não&#8221;.</p>
<p>Cingapura, um paraíso fiscal, quis saber porque o Brasil cobra 25% na repatriação de ganhos para países com baixos impostos, comparado a 15% para outros países. O Brasil explicou que carrega mais na taxa no fluxo de capital com os paraísos fiscais para prevenir evasão fiscal.</p>
<p>O Canadá, um dos grandes exportadores agrícolas, perguntou sobre o impacto da crise atual sobre os produtores agrícolas brasileiros. A delegação brasileira respondeu que a liquidez está melhorando, mas a produção de grãos cairá 6,4% e há preocupações sobre a demanda e preços externos.</p>
<p>A Nova Zelândia, um dos maiores exportadores de lácteos, quis saber a racionalidade de o Mercosul, hoje exportador desses produtos, aplicar taxa bem maior na importação, de 18,8%. O Brasil respondeu que enquanto persistirem os subsídios para lácteos no comércio internacional, a taxa não diminuirá.</p>
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		<title>75% dos brasileiros são favoráveis a cotas para mulheres na política, diz pesquisa</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Mar 2009 19:04:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Marta Suplicy foi a autora do projeto que estabeleceu cotas para mulheres na política. O projeto de Marta virou lei, mas mesmo assim as mulheres continuam subrepresentadas na política. Na época em que Marta defendia o projeto poucas vozes ecoavam esta exigência, hoje apoiada por 75% da população. Valeu, Marta!


da Folha Online

Um pesquisa divulgada nesta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Marta Suplicy foi a autora do projeto que estabeleceu cotas para mulheres na política. O projeto de Marta virou lei, mas mesmo assim as mulheres continuam subrepresentadas na política. Na época em que Marta defendia o projeto poucas vozes ecoavam esta exigência, hoje apoiada por 75% da população. Valeu, Marta!</em></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://oglobo.globo.com/fotos/2009/03/08/08_MHG_pais_passeata_atlantica.jpg" galleryimg="no" id="lightboxImage" width="553" height="354" /></div>
<div id="articleBy"></div>
<div style="background-color: #ffff99" id="articleBy">da <strong>Folha Online</strong></div>
<div id="articleBy"></div>
<p>Um pesquisa divulgada nesta segunda-feira pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres indica que 75% dos brasileiros são favoráveis a cotas para mulheres na política.</p>
<p>Segundo o levantamento, 86% apoiam a punição dos partidos políticos que não cumprem a atual legislação, que prevê 30% de candidaturas femininas.</p>
<p>A secretaria informou que, hoje, o Brasil conta com apenas 8,9% de mulheres no Congresso Nacional, cerca de 12% nas Assembleias Legislativas e 12% nas Câmaras Municipais.</p>
<p>De acordo com a UIP (União Interparlamentar), organização internacional com sede em Genebra, na Suíça, o Brasil ocupa a 141ª colocação em relação à presença de mulheres nos Parlamentos, num ranking de 188 países. Entre os países da América Latina, o país só fica à frente da Colômbia.</p>
<p>O estudo mostra ainda que a maioria dos brasileiros (83%) concorda com a ideia de que a presença de mulheres no poder melhora a política; enquanto 75% admitem que só há democracia, de fato, se elas estiverem nos espaços de poder e 73% confirmam que a população brasileira ganha com a eleição de um maior número de mulheres.</p>
<p>A pesquisa Ibope/Instituto Patrícia Galvão/Cultura Data foi realizada entre os dias 13 e 17 de fevereiro, com 2.002 pessoas em 142 municípios do país.</p>
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		<title>A nova onda feminista</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Dec 2008 19:19:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ele já foi chamado de movimento das “mal-amadas” e associado a mulheres homossexuais. Recebeu mais ataques do que elogios, mas foi o motor de conquistas inegáveis para as mulheres. Gostem ou não, o feminismo, termo usado pela primeira vez nos anos 30 do século 19, continua a todo vapor
Edma Cristina de Góis Revista do Correio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Ele já foi chamado de movimento das “mal-amadas” e associado a mulheres homossexuais. Recebeu mais ataques do que elogios, mas foi o motor de conquistas inegáveis para as mulheres. Gostem ou não, o feminismo, termo usado pela primeira vez nos anos 30 do século 19, continua a todo vapor</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Edma Cristina de Góis Revista do Correio Braziliense</strong></p>
<p><font size="1"><em>Monique Renne/CB/D.A Press<br />
</em></font><img src="http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20081214/fotos/r-1412-2201.jpg" border="1" /><br />
<font size="1"><em> Mãe solteira e independente, Eliane acredita que sua maior conquista foi a autonomia</em></font></p>
<p>Eliane Maria de Carvalho, 38 anos, é solteira, tem um filho de 12 anos, trabalha dois expedientes e faz faculdade de administração à noite. Diariamente, caminha três quadras até sua casa para almoçar com o filho Leonardo. Ele já não precisa da mãe para ir à escola e desde os 8 anos fica sozinho em casa quando ela sai para trabalhar. Mesmo sem se declarar feminista, Eliane acumula em sua trajetória conquistas e desafios desse movimento: o direito à educação, a inserção no mercado de trabalho, a opção pela maternidade solteira e a autonomia, uma vez que é a chefe de um lar. “Eu fugi da linhagem da minha família, na qual as mulheres ficavam casadas ou, quando separadas, voltavam para a casa dos pais. Sou feliz porque sou dona da minha vida e tomo minhas próprias decisões”, explica.</p>
<p>Como Eliane, a maioria das mulheres, pelo menos as ocidentais, vive uma realidade que hoje só é possível graças a feministas que, na contramão do preconceito de suas épocas, arregaçaram as mangas por um ideal coletivo. Estigmatizado e, na maior parte das vezes, mal interpretado, o movimento se reconfigurou mais uma vez na primeira década do século 21. Hoje, ele é marcado como um movimento mais plural, bem diferente daquele da época em que Betty Friedan lançou A mística feminina (1963), que retratou a realidade das mulheres americanas, brancas e de classe média — período conhecido como a segunda onda do feminismo e que permaneceu no imaginário mundial graças ao ato em praça pública da queima de sutiãs.</p>
<p>A complexidade do feminismo hoje deve-se à conciliação de bandeiras de lutas de muitas mulheres: brancas, negras, de classe média e baixa, indígenas, homossexuais, heterossexuais etc. Nesse contexto, estão temas como o direito à educação de qualidade, ainda um entrave sobretudo para as mulheres negras, e a violência doméstica. Além disso, é preciso levar as conquistas adquiridas no mercado de trabalho para dentro de casa. Nesse ponto, houve pouco avanço e algumas correntes acusam o próprio movimento de sobrecarregar as mulheres e de ser preconceituoso com aquelas que optam por serem donas-de-casa ou priorizam a maternidade.</p>
<p>Feministas e pesquisadoras de gênero de diversas áreas — história, sociologia e literatura — afirmam que nunca houve nem há um movimento feminista homogêneo. O movimento de mulheres, no Brasil e no mundo, é marcado pelas diferentes vozes. Na prática, elas desejam transformar a realidade do espaço público e privado marcado por um modelo sexista. “Toda mulher é um pouco feminista, mesmo quem não assume”, afirma a pedagoga Marta de Paula, 48, uma das nove mulheres com quem a Revista do Correio conversou sobre o assunto.</p>
<p><font size="4"><strong>Por que se luta hoje</strong></font></p>
<p>*Pelo combate a todas as formas de discriminação no mercado de trabalho, no sistema educacional, na saúde, na representação política etc.)<br />
*Pela aceitação da pluralidade de mulheres (negras, indígenas, jovens, idosas, lésbicas, mulheres do campo, da floresta etc.)<br />
*Pela discussão sobre os direitos sexuais e reprodutivos, incluindo a descriminalização do aborto, a ética nas pesquisas científicas e o acesso ao atendimento para garantir a saúde da mulher.<br />
*Pelo combate à violência contra as mulheres.<br />
*Pela reorganização dos papéis dentro de casa, de modo a evitar a sobrecarga de trabalho.<br />
*Para que a mídia não reproduza padrões sexistas, como a exploração do corpo feminino.</p>
<p><font size="4"><strong>O que já foi conquistado</strong></font></p>
<p><u>Voto</u><br />
Em 1932, as mulheres passam a ter direito ao voto no Brasil.<font class="texto"><u>Trabalho fora de casa</u><br />
Nos anos 1950, as mulheres vivem a dicotomia do trabalho em casa e fora. Ainda assim são poucas as que conseguem se lançar no mercado de trabalho e conciliar as duas jornadas. A partir dos anos 1970, percebe-se maior participação delas no mercado de trabalho.<br />
As diferenças salariais, no entanto, perduram até hoje.</font></p>
<p><u>Representação política</u><br />
30% das candidaturas a cargos eletivos devem ser de mulheres desde 1990.</p>
<p><u>Costumes e sexualidade</u><br />
O Brasil também participou da revolução sexual e de comportamento dos anos 1960. Um dos símbolos nacionais dessa fase foi a atriz Leila Diniz, cuja imagem dela, grávida na praia, marcou época.</p>
<p><u>Serviços de saúde</u><br />
No Brasil, os primeiros programas de atendimento à saúde da mulher são dos anos 1980.</p>
<p><u>Combate à violência</u><br />
As primeiras manifestações são dos anos 1970. Na década seguinte são criados serviços de atendimento à mulher vítima de violência. Também é fundada a primeira delegacia da mulher. No primeiro governo Lula, é criada uma secretaria especial para as mulheres e, em 2006, é promulgada a Lei Maria da Penha.</p>
<p><strong>Sem conceitos</strong></p>
<p>O movimento feminista é dividido por etapas de acordo com a inclusão de novas bandeiras ou pelo reforço de alguns desafios. Sobre esse assunto, não há consenso entre especialistas. Alguns acreditam que haja apenas duas fases: a primeira onda, no início do século passado, com a luta pelo acesso à educação como principal slogan, e a segunda onda, marcada pelo lançamento da obra A mística feminina, da norte-americana Betty Friedan, uma das mais importantes feministas do século 20.<br />
No entanto, há quem defina a terceira onda feminista no Brasil como sendo a fase de luta das mulheres contra a ditadura e pela redemocratização. A quarta seria a fase atual, em que se discutem temas como violência contra a mulher, democratização da vivência da sexualidade, a laicidade do Estado e a igualdade racial.</p>
<table width="120" align="right" border="0" cellpadding="1" cellspacing="1">
<tr>
<td><em><font class="credito" size="1">War Production/Reprodução</font></em></td>
</tr>
<tr>
<td class="imagem"><img src="http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20081214/fotos/r-1412-2205.jpg" border="1" /></td>
</tr>
<tr>
<td>&nbsp;</td>
</tr>
</table>
<p><font class="legenda"> </font></p>
<p><strong>NA GUERRA</strong></p>
<p>O cartaz Rose the Riveter acima, com a inscrição “We can do it”, virou um dos símbolos do movimento feminista nos Estados Unidos. Durante a 2ª Guerra Mundial, a publicidade foi usada para convocar as mulheres a trabalharem em fábricas, porque muitos homens estavam no front de combate. Elas acataram o pedido e muitas foram trabalhar nas fábricas dos aviões B-29. Foram esses aviões que soltaram as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki. É por essa razão que parte do movimento feminista vê o cartaz de modo negativo e não o reconhece como referência à luta das mulheres.</p>
<p><strong>AUTONOMIA, A GRANDE CONQUISTA</strong></p>
<p>Quando a assessora administrativa Eliane Maria de Carvalho, 38 anos, terminou o segundo grau, começou logo a trabalhar. Tentou vestibular na época, mas como não foi aprovada acabou adiando o sonho de se formar. Depois veio a gravidez inesperada e a mudança radical da vida. A família não recebeu bem a notícia, mas apoiou a decisão de Eliane de ter o filho mesmo sem o apoio do pai. Leonardo nasceu quando ela tinha 26 anos. Há cinco anos em Brasília e há dois estudando administração, Eliane faz um balanço positivo de suas conquistas. A maior delas, sua autonomia.</p>
<p>A independência de Eliane tornou-se real graças à soma de educação e trabalho. As primeiras defensoras dos direitos da mulher no Brasil apostavam na educação como corredor de acesso para a emancipação feminina e a melhoria de status. A justificativa era óbvia: com formação superior, as mulheres poderiam ter uma profissão e conquistar sua independência. A educação superior virou realidade para as mulheres brasileiras com a lei da reforma educacional de 1879, embora a primeira legislação em relação à educação feminina date de 1827. Com isso, elas reivindicavam o direito ao voto, o que foi debatido e negado pelo Congresso Constituinte de 1891.</p>
<p>Mais de um século depois, a presença das mulheres no mercado de trabalho, nos mais diversos cargos, nas universidades e nas esferas de poderes, dão a impressão de que tudo foi ganho, logo o feminismo perderia sua razão de existir. A historiadora Céli Pinto, autora de Uma história do feminismo no Brasil, rebate essa tese. “O movimento mudou com o tempo. No Brasil, a onda do feminismo dos anos 1960 chega com atraso devido à ditadura militar, no entanto as lutas feministas florescem junto com a campanha pela redemocratização”, explica. Por essa razão, os movimentos de mulheres brasileiras surgem próximos às Comunidades Eclesiais de Base (CEB) e aos movimentos populares.</p>
<p><strong>O feminismo no Brasil e no mundo</strong></p>
<p><u>1832 </u><br />
Nísia Floresta publica Direitos das mulheres e Injustiça dos homens</p>
<p><u>1873 </u><br />
O jornal O sexo feminino é lançado. No mesmo ano, surge o Jornal das Senhoras, primeira publicação editada exclusivamente por mulheres no Brasil, por Joana Paula M. Noronha</p>
<p><u>1915 a 1932 </u><br />
A luta pelo sufrágio universal mobiliza as mulheres no país e no mundo</p>
<p><u>1921 </u><br />
É fundada a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino</p>
<p><u>1929 </u><br />
Criada a Aliança Nacional de Mulheres</p>
<p><u>1948 </u><br />
Surge a Federação de Mulheres do Brasil</p>
<p><u>1949 </u><br />
Simone de Beauvoir publica O Segundo Sexo, influência para gerações de feministas.</p>
<p><u>1963 </u><br />
Betty Friedan publica<br />
A mística feminina, marco do feminismo de segunda onda</p>
<p><u>1969 </u><br />
Helieth Saffioti publica<br />
A mulher na sociedade de classes</p>
<p><u>1972 </u><br />
Aparecem no Brasil os primeiros grupos da segunda onda feminista</p>
<p><u>1975 </u><br />
É declarado pela ONU o Ano Internacional da Mulher e a Década da Mulher. É realizada a I Conferência Mundial sobre a Mulher (México)</p>
<p><u>1975 </u><br />
Terezinha Zerbini cria o Movimento Feminino pela Anistia</p>
<p><u>1976 </u><br />
O assassinato de Ângela Diniz por Doca Street coloca a questão da violência contra as mulheres na agenda política brasileira</p>
<p><u>1979 </u><br />
Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres</p>
<p><u>1980 </u><br />
Criação dos serviços de atendimento às mulheres vítimas de violência no Brasil</p>
<p><u>1983 </u><br />
Instituído o PAISM, Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher</p>
<p><u>1984 </u><br />
Criação do Conselho Nacional de Direitos da Mulher (CNDM)</p>
<p><u>1985 </u><br />
É realizada a III Conferência Mundial sobre a Mulher (Nairóbi)</p>
<p><u>1995 </u><br />
IV Conferência Mundial sobre a Mulher (Beijin)</p>
<p><u>1985 </u><br />
É fundada a I Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (DEAM), em São Paulo</p>
<p><u>1990 </u><br />
É realizado o I Encontro Nacional de Mulheres Negras, no Rio de Janeiro</p>
<p><u>1994 </u><br />
Aprovada a primeira lei de cotas. Ela estabelece que 20% de candidaturas nas listas partidárias para as eleições de 1996 devem ser ocupadas por mulheres. Esse número é ampliado para 30%<br />
em 1997</p>
<p><u>1994 </u><br />
É realizada em Belém a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher. No mesmo ano, foi criado o movimento Ciranda da Articulação da Mulher Brasileira</p>
<p><u>2006 </u><br />
Criação da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, primeiro órgão institucional com a missão de articular políticas públicas para as mulheres, vinculada à Presidência da República. No mesmo ano, é promulgada a Lei Maria da Penha para coibir a violência doméstica contra as mulheres no país</p>
<table width="120" align="right" border="0" cellpadding="1" cellspacing="1">
<tr>
<td><em><font class="credito" size="1">Monique Renne/CB/D.A Press</font></em></td>
</tr>
<tr>
<td class="imagem"><img src="http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20081214/fotos/r-1412-2202.jpg" border="1" /></td>
</tr>
<tr>
<td><font class="legenda"><font size="1"><em>Marcela Addario não largou o emprego, mas não quer cargos de chefia para se dedicar à maternidade: decisão difícil</em></font><br />
</font></td>
</tr>
</table>
<p><font class="legenda"><br />
</font></p>
<p><strong>TODA MULHER É MEIO FEMINISTA</strong></p>
<p>A feminista Camile Paglia costuma causar polêmica e suscitar reações inflamadas quando sugere, como fez recentemente no Brasil, que o feminismo pode ter pavimentado o caminho que tornou o sexo feminino sujeito a um regime estressante de tripla jornada e negação da maternidade. Alguns a classificam como pós-feminista, outros como uma dissidente cujo pensamento pode comprometer a imagem de um movimento que trouxe conquistas importantes. “Não há equívoco no feminismo. A opção pela maternidade é que é uma novidade, porque ser mãe era função. Nesse momento, as mulheres optam por serem ou não mães, essa é a diferença”, esclarece a historiadora Céli Pinto, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).</p>
<p>A diferença, na prática, vai um pouco mais além. Mesmo longe dos movimentos organizados, algumas mulheres exercem um papel transgressor, embora não pareça. Tão naturalmente como Leila Diniz exibiu seu barrigão de grávida na praia em 1971, a economista Marcela Addario, 37 anos, contrariou sua vocação de executiva, abrindo mão de cargos de chefia no emprego para exercer a maternidade de forma mais plena — o que nos dias de hoje não deixa de ter um viés revolucionário, ainda que ele esteja circunscrito às quatro paredes de um lar.</p>
<p>Depois de morar quase uma década na Alemanha, ocupando cargos executivos na área financeira da empresa em que trabalhava, voltou ao Brasil, casou-se pela segunda vez e teve um filho, Matheus, hoje com 1 ano. Ela acredita que fez suas escolhas na hora certa, vivendo intensamente a profissão e agora priorizando a maternidade. “Fiz tudo o que quis na minha carreira e ainda desejo voltar a ter cargo de chefia, mas hoje o mais importante é meu papel de mãe. Foi uma decisão muito difícil e demorada”, afirma.</p>
<p>Embora consciente de suas escolhas, Marcela admite que, mesmo abrindo mão das responsabilidades de executiva, há uma sobrecarga ao se dividir entre o trabalho atual e as obrigações de casa. “A mulher só consegue conciliar o público e o privado se tiver uma estrutura de apoio, porque em casa continua tudo igual, por mais que os maridos de hoje ajudem mais do que os de antigamente.”</p>
<p>É exatamente por isso que as feministas recusam-se a aceitar a idéia de um novo feminismo, pois acreditam que o acúmulo de funções das mulheres que decidem ser mães e continuam trabalhando é uma bandeira renovada quando se trata de inserção no mercado de trabalho e das idéias de igualdade. “O termo pós-feminismo é um equívoco porque muitos temas não foram superados no Brasil. Além disso, não há igualdade de posições”, comenta a socióloga Fernanda Bittencourt, da Secretaria Especial das Mulheres.</p>
<table width="120" align="right" border="0" cellpadding="1" cellspacing="1">
<tr>
<td><font size="1"><em><font class="credito">Monique Renne/CB/D.A Press</font></em></font></td>
</tr>
<tr>
<td class="imagem"><img src="http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20081214/fotos/r-1412-2501.jpg" border="1" /></td>
</tr>
<tr>
<td><font class="legenda"><em><font size="1">Marta fez curso superior e pós-graduação, realidade distante para negras, mas ainda luta contra o racismo  e a tripla jornada</font></em><br />
</font></td>
</tr>
</table>
<p><font class="legenda"><br />
</font></p>
<p><strong>A COR DO PLURALISMO</strong></p>
<p>Marta de Paula, 48 anos, acorda às 6h, passa o dia inteiro no trabalho e, à noite, cuida da casa, faz o almoço do dia seguinte e ainda dá atenção às filhas e ao marido. A rotina de dedicação ao lar de certa forma a aproxima das donas-de-casa retratadas no livro A mística feminina, escrito por Betty Friedan há 45 anos e que se tornou uma espécie de bíblia do movimento feminista. Naquela época, a publicação causou comoção, pois refletiu as insatisfações das mulheres com aquela vidinha aparentemente feliz. Mas a semelhança de Marta e de outras mulheres desse tempo com as do livro pára por aí. “Era um problema no singular, da mulher branca e de classe média. Nesses mais de 40 anos, o feminismo vê o plural”, define a socióloga Fernanda Bittencourt, da Secretaria Especial das Mulheres.</p>
<p>Nesse sentido, Marta encarna os novos rumos do movimento, que procura incluir os diferentes tipos de mulheres e suas reivindicações. O combate ao racismo é um exemplo. Desde os anos 1980, as negras se associaram para reivindicar suas lutas, pois não se sentiam representadas nem no movimento feminista nem no movimento negro. Hoje, elas combatem a violência doméstica e batalham pelo acesso ao serviço de saúde, uma vez que há doenças específicas dos negros que precisam ser tratadas com garantias do Estado. Apesar de haver um programa nacional para atender a população negra, muitos gestores de municípios e cidades não o incorporaram. “Há um racismo institucional, por isso em muitas cidades o programa só existe no papel”, alerta Eliana Maria Custódio, coordenadora-executiva do Geledés — Instituto da Mulher Negra, criado há 20 anos no Brasil.</p>
<p>Marta de Paula lembra: “Já fui discriminada na faculdade por conta da minha cor”. Da família de seis irmãos, apenas Marta e uma irmã conseguiram entrar na universidade. Ela se formou pedagoga e cursou pós-graduação em secretariado executivo. Mas ainda é exceção. Por isso, a educação permanece como um dos principais temas para os movimentos de mulheres negras no país.</p>
<p>De acordo com Eliana Custódio, a educação é um fator fundamental para a mobilidade social e a inserção no mercado de trabalho. “A maior parte dos alunos do ensino médio e fundamental públicos é de negros e sabemos sobre a qualidade desse ensino”, diz. A feminista acrescenta que, mesmo com acesso à educação, a mulher negra sofre preconceito de raça no mercado de trabalho, o que faz com que as demandas dessas mulheres sejam um pouco diferentes das mulheres brancas.</p>
<table width="120" align="right" border="0" cellpadding="1" cellspacing="1">
<tr>
<td>&nbsp;</td>
</tr>
<tr>
<td class="imagem"><img src="http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20081214/fotos/r-1412-2203.jpg" border="1" /></td>
</tr>
<tr>
<td><font class="legenda"><em><font size="1">Maura descende de uma linhagem de mulheres autônomas e conseguiu conciliar emprego e maternidade</font></em><br />
</font></td>
</tr>
</table>
<p><font class="legenda"> </font></p>
<p><strong>NOVAS MULHERES, NOVOS TEMAS </strong></p>
<p>A avó, viúva aos 21 anos, foi tentar a vida no Rio de Janeiro com os dois filhos a tiracolo. Casou-se de novo quando e com quem quis. A mãe entrou na faculdade de direito depois dos 40 anos. A empresária Maura Alvim, 46, casou-se aos 22, foi mãe aos 24, hoje tem duas filhas, de 19 e 22, que moram em São Paulo. A relação aberta com as filhas é resultado das experiências das mulheres que a antecederam. “Me beneficiei porque minha mãe era antenada. Vim de uma família de mulheres especiais”, avalia.</p>
<p>A empresária conta que sempre trabalhou, mas optou por fazer intervalos para ser mãe. Na vida pública, ela acredita que a mulher ainda é colocada à prova. Para Maura, a violência contra a mulher é o tema mais importante dessa geração. “O homem jovem já percebeu os direitos das mulheres e quanto mais escolarizado, mais respeita a parceira”, compara.</p>
<p>“Ser alheio a essa discussão é dito como politicamente incorreto hoje”, afirma uma das coordenadoras do Católicas pelo Direito de Decidir, Regina Jurkewicz. Depois da promulgação da Lei Maria da Penha, ela acredita que o desafio das mulheres é pelo cumprimento da legislação. Além da questão da violência, Regina aponta outras bandeiras de luta, como a discussão em torno da laicidade do Estado, do avanço das tecnologias reprodutivas e da democracia na prática da sexualidade.</p>
<p><strong>“O espartilho mental”</strong><br />
A socióloga Fernanda Bittencourt, da Secretaria Especial das Mulheres, aponta o racismo e a diversidade sexual como alguns dos temas mais debatidos. Mas, além deles, são importantes a violência contra a mulher, não só física, e os direitos reprodutivos. “Em outros países, a discussão sobre o aborto foi garantida. O Brasil não superou isso.”</p>
<p>A pesquisadora de gênero na literatura Lélia Almeida lembra que as reivindicações das mulheres são crescentes porque elas inserem novas bandeiras de luta com o passar dos anos. Enquanto a ética nas pesquisas científicas é um tema relativamente novo, a sexualidade é um assunto que não saiu do cardápio feminista. “Muito pouco mudou em relação aos direitos reprodutivos. Continuamos vivendo um ‘espartilho mental’, um manual de como ser legitimado pelos diversos saberes”, afirma.</p>
<p>Regina Jurkewicz acredita que houve avanços, inclusive a institucionalização das lutas feministas. Um exemplo disso é a criação da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, no primeiro governo Lula. “É um reconhecimento de que não se trata de questões sobre as mulheres, mas de políticas públicas para todo o país”, explica Regina. Outra vitória foi a Lei Maria da Penha (11.340/06), que alterou o Código Penal, coibindo a violência doméstica e familiar contra a mulher. Os agressores podem ser presos em flagrante ou ter a prisão preventiva decretada (detenção por três anos).</p>
<p>Apesar do reconhecimento unânime sobre a ação do governo na defesa de direitos das mulheres, Lélia Almeida, que coordena o projeto Mulheres da Paz, lançado semana passada pelo Ministério da Justiça, alerta que o movimento feminista pode perder com essa aproximação com o Estado caso deixe tudo por conta do governo. “Ganhou-se por um lado e se perdeu por outro. O movimento feminista sempre brigou por sua autonomia.”</p>
<p><strong><em>Produção: Bianca Assunção \\ Cabelo e Maquiagem: Rose Paz, do Espaço Rose Paz, com produtos Mary Key</em></strong></p>
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		<title>Ações afirmativas aumentaram elite negra nos EUA</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Nov 2008 13:46:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Jesse Jackson e Obama, o primeiro abriu o caminho para um presidente negro nos EUA
Para pesquisadora, carreira de Obama &#8220;deve muito&#8221; às conquistas dos movimentos pelos direitos civis
FABIANO MAISONNAVE &#8211; FOLHA SP
EM BOSTON
Em artigo publicado logo após a eleição de Barack Obama nos EUA, o colunista Dennis Byrne relembrou no jornal &#8220;Chicago Tribune&#8221; um episódio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://atlasshrugs2000.typepad.com/atlas_shrugs/images/2008/03/31/obama_jackson.jpg" alt="http://atlasshrugs2000.typepad.com/atlas_shrugs/images/2008/03/31/obama_jackson.jpg" /></div>
<div align="center"><em><font size="1">Jesse Jackson e Obama, o primeiro abriu o caminho para um presidente negro nos EUA</font></em></div>
<p><strong>Para pesquisadora, carreira de Obama &#8220;deve muito&#8221; às conquistas dos movimentos pelos direitos civis</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">FABIANO MAISONNAVE &#8211; FOLHA SP</p>
<p>EM BOSTON</p>
<p>Em artigo publicado logo após a eleição de Barack Obama nos EUA, o colunista Dennis Byrne relembrou no jornal &#8220;Chicago Tribune&#8221; um episódio de 1967, quando era professor para alunos negros num curso supletivo no Estado sulista da Geórgia. Depois de dizer a eles que poderiam ser &#8220;o que quisessem&#8221;, viu uma aluna arrancar risadas dos colegas ao anunciar ironicamente que seria procuradora-geral.</p>
<p>Para Byrne, a aluna estava certa há 40 anos -hoje, não. Ecoando uma visão crescente nos EUA, ele crê que a eleição de Obama comprova que as políticas de ações afirmativas implantadas a partir da Lei dos Direitos Civis, em 1964, cumpriram o papel de assegurar igualdade de oportunidades aos negros e, portanto, deveriam deixar de existir.</p>
<p>&#8220;Como sabemos quando os tipos de desequilíbrios impostos por alguns programas de ação afirmativa não são mais necessários? Se um dos sinais de que devemos estar indo nessa direção não é a eleição de um presidente afro-americano, então o que é?&#8221;, escreveu Byrne.</p>
<p>Promulgada pelo presidente democrata Lyndon Johnson sob forte pressão do movimento negro, a Lei dos Direitos Civis proibia a segregação em escolas, espaços públicos e no trabalho. Entre outras medidas, determinou que as instituições que recebem fundos públicos, como universidades privadas, eliminassem toda forma de discriminação racial.</p>
<p>Desde então, os processos de seleção universitários e de trabalho passaram a criar mecanismos -ações afirmativas- para que o ambiente escolar ou de trabalho refletisse a composição racial norte-americana, onde os negros representam 12%. Ao contrário do que se pensa no Brasil, não há cotas nos EUA -estão proibidas pela Suprema Corte desde 1978.</p>
<p><strong>Nova elite</strong></p>
<p>Desde então, afro-americanos passaram a ocupar cargos cada vez mais altos nos setores público e privado e aumentaram sua presença nas universidades, mas as estatísticas mostram que o abismo entre brancos e negros continua em áreas como renda e educação. De acordo com o Departamento de Educação, 19,5% dos negros entre 25 e 29 anos tinham diploma superior em 2007, contra 35,5% dos brancos.</p>
<p>A última grande discussão sobre ações afirmativas nos Estados Unidos ocorreu em 2003, quando, por 5 votos a 4, a Corte Suprema manteve a constitucionalidade dessas políticas.</p>
<p>Na decisão, houve o entendimento de que a Universidade de Michigan pode fazer &#8220;uso estrito de raça&#8221; para &#8220;obter os benefícios educacionais que emergem de um corpo estudantil diversificado&#8221;, mas com a ressalva de que é um recurso com tempo de vida limitado.</p>
<p>Dentro desse discurso da &#8220;diversidade&#8221;, onde fica Obama, filho de um queniano com uma norte-americana branca nascido no Havaí e casado com uma afro-americana?</p>
<p>&#8220;A sua história certamente não é a de uma afro-americano crescido no Sul&#8221;, afirma a cientista política afro-americana Melissa Nobles, do MIT (Massachusetts Institute of Technology). &#8220;Mas a sua carreira profissional se deve muito às conquistas do movimentos pelos direitos civis. E ele nunca teria vencido se Jesse Jackson não tivesse introduzido a idéia de um presidente negro&#8221;, completa, lembrando que Obama trabalhou por vários anos na comunidade negra de Chicago.</p>
<p>Para brasilianistas especialistas em relações raciais ouvidos pela reportagem, um fenômeno similar ao de Obama dificilmente ocorreria no Brasil num curto prazo. Entre os motivos está a trajetória ainda pequena das ações afirmativas em comparação com os EUA.</p>
<p>Na avaliação do cientista político americano branco Seth Racusen, do Anna Maria College, o movimento negro brasileiro teve um enfoque inicial concentrado no racismo como um problema principalmente criminal, tendência que vem sido revertida nos últimos anos.</p>
<p>Há mais de 30 anos estudando relações raciais no Brasil, o ganense Anani Dzidizienyo, da Universidade Brown, vê dificuldades para reconhecer o que chama de &#8220;racismo institucional&#8221;. &#8220;No Brasil, a discussão sobre ações afirmativas provoca reações histéricas, existe certa inabilidade para reconhecer o racismo institucional.&#8221;</p>
<p>Dzidizienyo completa: &#8220;A ironia é que este país racista produziu um Obama. Nem vou começar a pensar se isso é possível no Brasil; está completamente fora de cogitação&#8221;.</p>
<p><strong>Leia o caderno especial sobre a questão racial no Brasil na Folha SP</strong></p>
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		<title>Cotas para alunos pobres</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Nov 2008 11:07:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Câmara decide que reserva de vagas em universidades federais não obedecerá só a critérios raciais

Isabel Braga e Demétrio Weber BRASÍLIA &#8211; O Globo
De afogadilho, a Câmara aprovou ontem projeto que cria reserva de vagas para alunos de escolas públicas em instituições federais de ensino superior e de educação técnica. Na última hora, os deputados [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong>Câmara decide que reserva de vagas em universidades federais não obedecerá só a critérios raciais</strong></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/06/igualdade.jpg" alt="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/06/igualdade.jpg" width="551" height="271" /></div>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Isabel Braga e Demétrio Weber BRASÍLIA &#8211; O Globo</strong></p>
<p>De afogadilho, a Câmara aprovou ontem projeto que cria reserva de vagas para alunos de escolas públicas em instituições federais de ensino superior e de educação técnica. Na última hora, os deputados fizeram uma mudança importante no projeto, que já fora aprovado pelo Senado: além das cotas raciais, haverá uma cota social, baseada na renda familiar, para beneficiar os estudantes mais pobres.</p>
<p>O texto estabelece a reserva de, no mínimo, 50% das vagas (por curso e turno) oferecidas pelas instituições a estudantes que tenham cursado, integralmente, os três anos do ensino médio em escolas públicas. Dentro desses 50%, agora há outros dois critérios a serem obedecidos: a renda familiar (metade dessas vagas será preenchida por estudantes com renda familiar de até um salário e meio per capita) e a questão racial.</p>
<p>Por causa da mudança — proposta pelo ex-ministro da Educação, deputado Paulo Renato Souza (PSDB-SP) —, o projeto voltará ao Senado.</p>
<p>Em cada estado, as vagas destinadas às cotas serão divididas de acordo com a proporção da variável étnica, tendo por base o último Censo do IBGE. Assim, se uma universidade oferece 200 vagas para Direito, cem serão reservadas para estudantes de escolas públicas que prestam o vestibular. Dessas, 50 serão ocupadas por estudantes de baixa renda, negros ou não. No caso do critério de raça, é preciso saber qual a porcentagem de negros, pardos e índios no estado.</p>
<p>Em 2004, o governo enviou ao Congresso proposta que previa a reserva de vagas para os estudantes do ensino público e a cota racial.</p>
<p>Desde 2006, o projeto estava pronto para ir a plenário, mas PSDB e o DEM resistiam à proposta.</p>
<p>Os tucanos queriam trocar o critério racial pelo de renda. Uma proposta da senadora Ideli Salvatti (PT-SC), de mesmo teor, foi aprovada este ano no Senado e enviada à Câmara.</p>
<p>O projeto foi anexado aos que já tramitavam na Casa, mas ontem prevaleceu o substitutivo do deputado Carlos Abicalil (PT-MS).</p>
<p>Para viabilizar a votação ontem, líderes do PT e do PSDB tentaram encontrar um texto de consenso. Foram incluídas emendas, escritas à mão, como a da reserva de vagas para os estudantes de baixa renda, de Paulo Renato.</p>
<p>— Minha tese era de que, com o critério de renda, o problema racial estaria resolvido. Mas parte do governo reiterou o compromisso com os movimentos raciais. O que se vota hoje são dois critérios: o racial e o de renda. Não é o ideal, na minha opinião, mas, para garantir o acordo, concordamos — disse Paulo Renato.</p>
<p>Artigo polêmico sobre dispensa de vestibular</p>
<p>O projeto, no entanto, segue para o Senado com um artigo polêmico e considerado inconstitucional.</p>
<p>Ele acaba com a exigência de exame de seleção e diz que serão consideradas, para a ocupação das vagas, as notas dos estudantes nos três anos do ensino médio. Abicalil, que não estava ontem em Brasília, acreditava que este artigo tinha sido retirado do texto.</p>
<p>— Ninguém é dispensado do vestibular, esse critério fere a autonomia das universidades — disse Abicalil, sinalizando que o artigo deverá ser retirado no Senado.</p>
<p>O ministro da Educação, Fernando Haddad, participou ativamente da negociação que permitiu a aprovação do projeto. De seu gabinete, por telefone, orientava o líder do governo, Henrique Fontana (PT-RS). O tom da conversa era tenso: num dos diálogos, Haddad quase gritava, a ponto de ser ouvido na sala ao lado, onde jornalistas o aguardavam para uma entrevista.</p>
<p>Ele interrompeu a entrevista três vezes para falar com Fontana.</p>
<p>— A discussão é sobre o corte de renda. O ingrediente novo é esse. Acho cabível — afirmou o ministro.</p>
<p>Haddad defendeu que o limite de renda familiar fosse o mesmo do programa Universidade para Todos (ProUni): um salário mínimo e meio por pessoa, no caso de quem ganha bolsa de 100% para estudar em instituições privadas.</p>
<p>Em relação à resistência de universidades federais contra a definição de uma regra nacional de cotas, já que diversas instituições adotam modelos distintos de reserva de vagas, o ministro lembrou que foi acertado um prazo de transição de quatro anos, o que garantiu o apoio da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).</p>
<p>O coordenador nacional do Movimento dos Sem Universidade (MSU), Sérgio Custódio, comemorou a votação na Câmara: — O Brasil caminha para se equiparar ao resto do mundo, que vive um momento pósracista, após a eleição do presidente americano Barack Obama. Um mundo onde há espaço para a diferença — disse Custódio</p>
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		<title>Prefeitura RJ: lei cria cota racial para cargos de confiança</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Nov 2008 12:00:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Medida valerá nos órgãos da prefeitura, que destinarão 20% das vagas para os negros

Eduardo Maia &#8211; O Globo
O sistema de cotas raciais chegou aos cargos de confiança dos órgãos da administração direta e indireta do Rio. A Câmara Municipal derrubou anteontem o veto do prefeito Cesar Maia ao Projeto de Lei 1.268/2007, que determina que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><br />
Medida valerá nos órgãos da prefeitura, que destinarão 20% das vagas para os negros</strong></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.terrabrasileira.net/folclore/manifesto/oficios/engenho2.jpg" alt="http://www.terrabrasileira.net/folclore/manifesto/oficios/engenho2.jpg" width="480" height="340" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">Eduardo Maia &#8211; O Globo</p>
<p>O sistema de cotas raciais chegou aos cargos de confiança dos órgãos da administração direta e indireta do Rio. A Câmara Municipal derrubou anteontem o veto do prefeito Cesar Maia ao Projeto de Lei 1.268/2007, que determina que 20% das vagas dos cargos comissionados em todos os órgãos da prefeitura sejam destinados a afro-descendentes.</p>
<p>O texto especifica que 10% das vagas sejam para negros e 10% para negras.</p>
<p>A lei entra em vigor imediatamente após sua publicação na Casa. Segundo o autor, o vereador Roberto Monteiro (PCdoB), a lei vale para todas as esferas dos poderes Executivo e Legislativo municipais. Os órgãos que ainda não tiverem esses percentuais mínimos deverão se adequar.</p>
<p>— O veto foi derrubado dois dias antes da comemoração da Consciência Negra. Acho que é uma oportunidade de incluirmos os negros nos níveis mais altos da sociedade, o que ainda não aconteceu totalmente 120 anos após a abolição da escravidão no Brasil.</p>
<p>Não estamos falando de concursados e sim de pessoas capacitadas para cargos de confiança.</p>
<p>Não é tão difícil encontrar negros capacitados para exercerem essas atividades por aí — disse o vereador.</p>
<p>Cesar: questão será decidida pelo futuro prefeito A lei vale ainda para empresas que participam de disputas de contratos para prestação de serviço com o Município.</p>
<p>— A partir da publicação da lei, todas os contratos de licitação da administração municipal deverão exigir essa cota mínima. A empresa que não cumprir, inclusive entre o contingente de funcionários destinados a trabalhar nesses serviços contratados, estará fora da lei — acrescentou Roberto.</p>
<p>Cesar já afirmou que a prefeitura pode recorrer da decisão na Justiça, mas que deixará a questão para ser decidida pela próxima administração municipal.</p>
<p>Em viagem de férias com a família à Europa, o prefeito eleito Eduardo Paes não se pronunciou sobre a nova lei.</p>
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		<title>Universitários das cotas conquistam sucesso no mercado</title>
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		<pubDate>Sun, 09 Nov 2008 16:17:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Vindos de comunidades pobres, os estudantes negros precisam superar o preconceito na sala de aula
Márcia Vieira &#8211; AE
RIO &#8211; Jocelene de Assis Ignácio, 37 anos, ainda lembra com tristeza do dia em que, há 13 anos, entrou no banheiro da PUC, universidade de elite da zona sul do Rio, e viu símbolos nazistas desenhados na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://palavrassussurradas.files.wordpress.com/2008/01/negrofaculdade.jpg" alt="http://palavrassussurradas.files.wordpress.com/2008/01/negrofaculdade.jpg" /></div>
<p><strong>Vindos de comunidades pobres, os estudantes negros precisam superar o preconceito na sala de aula</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Márcia Vieira &#8211; AE</strong></p>
<p>RIO &#8211; Jocelene de Assis Ignácio, 37 anos, ainda lembra com tristeza do dia em que, há 13 anos, entrou no banheiro da PUC, universidade de elite da zona sul do Rio, e viu símbolos nazistas desenhados na parede ao lado da frase &#8220;os alunos da Baixada vão baixar o coeficiente de notas da PUC&#8221;. &#8220;Eles, brancos de classe média, eram os filhos da PUC. Nós éramos os filhos bastardos da PUC&#8221;, compara. &#8220;Mas eles se deram mal. Ninguém ia sair lá do pé da serra de Petrópolis, gastar quatro horas por dia no trem e no ônibus, para tirar cinco na universidade. A gente sempre estudou muito e perseguiu a nota alta.&#8221;</p>
<p>Negra, caçula dos sete filhos de uma servente, órfã de pai desde os nove meses de idade e moradora de Mesquita, na Baixada Fluminense, um bolsão de pobreza na periferia do Rio, Jocelene foi da primeira turma de alunos pobres a entrar para PUC, em 1995, num programa que precedeu a discussão sobre cotas nas universidades brasileiras. Foi um acordo entre Frei David Santos, fundador do Pré-Vestibular para Negros e Carentes, e a PUC que garantiu a bolsa para os alunos que passassem no vestibular.A discussão sobre a política de cotas nas universidades brasileiras ainda está longe de acabar. Tramita no Congresso Nacional há nove anos, sem prazo para votação, um projeto que reserva 50% das vagas nas universidades federais para alunos da rede pública. O debate é acalorado. De um lado, fala-se em racismo e justiça social. De outro, argumenta-se com o medo que a reserva de cotas baixe o nível do ensino nas universidades brasileiras. Mesmo nas 35 instituições que já aderiram às cotas para inclusão de alunos pobres, ainda não há estudos suficientes sobre a eficácia do sistema.</p>
<p>Nas duas universidades cariocas, PUC (privada), e UERJ (pública), com sistema de cotas há cinco anos, há alguns sinais do resultado da convivência entre alunos pobres, de classe média e da elite carioca dentro do campus. As taxas de aprovação nas disciplinas e de evasão dos alunos pobres são iguais as dos outros alunos. A convivência dentro da universidade entre bolsistas ou cotistas, de um lado, e professores e alunos tradicionais, de outro, ainda é conflituosa. E não resta dúvida de que a passagem pela universidade transforma a vida, para melhor, dos alunos beneficiados.</p>
<p>Andréia Clapp Salvador, professora de Serviço Social da PUC, acabou de apresentar sua tese de doutorado sobre o assunto. Em &#8220;Estudo da Política de Inserção de Alunos Pobres e Negros na PUC-Rio&#8221; ela conta como foi a passagem pela universidade e o que aconteceu com os jovens que entraram pelo sistema de bolsas entre 1993 e 2001. &#8220;Eles passaram por muitas dificuldades, sobretudo econômicas, e sofreram o que eles chamam de preconceito de nota porque achavam que alguns professores não confiavam na capacidade de aprendizado deles. Mas se formaram no prazo normal e saíram daqui trabalhando nas profissões que escolheram&#8221;, diz. &#8220;Chama atenção também o fato de eles serem muito politizados e extremamente solidários entre eles.&#8221;</p>
<p>Os primeiros alunos bolsistas da PUC, todos da área social ou de humanas, formaram uma espécie de rede de proteção para sobreviver dentro do campus. Quem tinha dinheiro pagava um prato no bandejão, que era dividido com mais dois amigos. Quem era chamado para um estágio levava junto outro bolsista. Um lia o trabalho do outro. Alugavam um quitinete de 30 metros quadrados no edifício Minhocão, ao lado da PUC, onde dormiam até nove alunos que não tinham dinheiro para passagem. Andavam sempre juntos. Juntos organizaram a Semana de Consciência Negra na PUC, despertando manifestações dos alunos tradicionais, que ameaçaram fazer a Semana de Consciência Branca.</p>
<p>Jocelene é uma das lideranças desta rede. Entrou para Serviço Social, assim como a maioria dos alunos do PVNC daquele ano. &#8220;Só duas alunas na turma não eram bolsistas&#8221;, lembra. Tomou tanto gosto pelo estudo que depois fez especialização na UFRJ, mestrado na UniRio e agora estuda no doutorado da PUC. Com tantos diplomas passou no concurso da prefeitura do Rio para assistente social. Ganha algo em torno de R$ 2,5 mil, um salário inimaginável para todas as suas amigas de infância. Umas são empregadas domésticas. Outras caixas de farmácia. A maioria está desempregada. Jocelene, que agora vive num apartamento alugado na Lapa, centro do Rio, convenceu duas irmãs a fazerem faculdade (uma em biologia e outra em geografia). Sonha ainda em fazer pós-doutorado na França e comprar um apartamento próprio. Mas acha que nunca vai  parar de brigar. &#8220;Não tenho paz nunca. O tempo todo eu tenho que provar que sou capaz. Foi assim na PUC. É assim no mercado de trabalho.&#8221;</p>
<p>A vida não é mais fácil na UERJ. Mariana Ferreira, aluna de direito da primeira turma de cotistas, lembra dos embates em sala. &#8220;As aulas eram muito efervescentes. A gente chegou com o pé na porta. Não entramos pedindo licença&#8221;, lembra. &#8220;Em algumas turmas no curso de direito ainda hoje existe uma divisão. De um lado da sala ficam os cotistas, do outro os não cotistas. É muito triste.&#8221; Mesmo assim, continua achando que o sistema é o melhor para promover mudança social. Mas reconhece que a vida fora da universidade é difícil. &#8220;O diploma de direito da UERJ abre muitas portas, mas mulher negra, de cabelo trançado como eu não consegue estágio fácil em escritório. Só consegui em setor público.&#8221;</p>
<p>A batalha de Johny Fernandes Giffoni, branco, morador da comunidade do Anil, na zona oeste do Rio, é para entrar no mercado de trabalho. Filho de um motorista e de uma dona de casa, entrou para um dos cursos mais disputados da PUC, o de direito. No vestibular de 1999, passou na reclassificação junto com outros oito bolsistas numa turma de 40 alunos. No mesmo ano montou uma chapa de bolsistas e não bolsistas para o DCE (Diretório Central de Estudantes). Ganhou, mas na festa da vitória, sentiu na pele a primeira manifestação contra a sua presença na faculdade. &#8220;Uma galera, que tinha sido derrotada, cercou a gente e começou a gritar ‘seu bando de favelados, voltem para o lugar de onde vieram’. Um amigo meu partiu para cima, mas a gente segurou a onda, os seguranças apareceram e não rolou pancadaria.&#8221;</p>
<p>Na sala, quase apanhou dos amigos no debate sobre pena de morte. Ele e os outros bolsistas eram contra. Uma grande parcela dos outros alunos a favor. As divergências eram corriqueiras. &#8220;Eles queriam discutir leis de debêntures. Eu queria discutir direito do favelado construir na laje&#8221;, lembra com bom humor. Tempos difíceis, mas inesquecíveis. &#8220;Foi a melhor fase da minha vida. Eu tinha que estudar três vezes mais do que o aluno tradicional, mas cresci intelectualmente, aprendi uma profissão e no meu reboque virão mais uns dez jovens da minha comunidade que antes achavam ser impossível fazer universidade.&#8221; O único problema é que a família e os vizinhos esperam que Johny fique rico depois de estudar cinco anos na PUC. &#8220;Dizem que se eu não ficar rico, ninguém mais fica no Anil.&#8221;</p>
<p>Mais do que ficar rico, seu sonho é ser defensor público. &#8220;Não posso colocar terno e gravata e ir trabalhar num escritório. O lugar de onde eu vim continua igual. A milícia e o tráfico dominam, o esgoto não é tratado, falta água, a escola pública é ruim. Ser defensor é um projeto ideológico-político.&#8221; Desde 2005 vem tentando um lugar na defensoria estadual. Não passou nas provas do Rio e de São Paulo. Mas insiste. Todo dia estuda pelo menos oito horas uma sala da PUC para o concurso em Mato Grosso do Sul e em Belo Horizonte. Vive com os R$ 400 que ganha dando aulas num curso técnico e no pré-vestibular comunitário. &#8220;Se eu passar vou ganhar um ótimo salário (cerca de R$11 mil no Mato Grosso do Sul) e ainda trabalhar no que eu gosto. Não existe um defensor público vindo da pobreza. Temos que abrir mais esse caminho.&#8221;</p>
<p>O diploma de geógrafo pela PUC garantiu a Carlos Humberto da Silva, um ex-office boy, morador de Nova Iguaçu, até uma passagem por Harvard, a universidade americana. &#8220;Fui o primeiro brasileiro que participou do programa piloto promovido pela Harvard e a PUC.&#8221; Passou também seis meses no México trabalhando numa ONG. Agora trabalha no Museu do Índio, no Rio. Só não consegue é explicar para a mãe, dona Léa, cozinheira de um hospital, o que um geógrafo faz. &#8220;Ela confunde até hoje. Disse para uma amiga, toda orgulhosa, que eu sou físico&#8221;, ri.</p>
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		<title>NAÇÃO FURTA-COR</title>
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		<pubDate>Sun, 09 Nov 2008 15:33:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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 VITÓRIA DEMOCRATA REVELA PESO DA COMUNIDADE LATINA NOS EUA E MOSTRA COMO O BRASIL PERDEU O BONDE DA HISTÓRIA NA QUESTÃO RACIAL 



 


Anja Niedringhaus &#8211; 4.nov.08/Associated Press






Correligionários do então candidato do Partido Democrata fazem campanha do Hariem, em Nova York
        LUIZ FELIPE DE ALENCASTRO
  COLUNISTA [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<table width="435" height="123">
<tr>
<td>
<hr size="2" noshade="noshade" /> <font size="4"><strong><em>VITÓRIA DEMOCRATA REVELA PESO DA COMUNIDADE LATINA NOS EUA E MOSTRA COMO O BRASIL PERDEU O BONDE DA HISTÓRIA NA QUESTÃO RACIAL </em></strong></font></p>
<hr size="2" noshade="noshade" /></td>
</tr>
</table>
<p><!--Fotografia/Auto/Inicio--> <!--FOTO--></p>
<table width="350">
<tr>
<td><font size="-2">Anja Niedringhaus &#8211; 4.nov.08/Associated Press</font><br />
<a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/nacao-furta-cor/8382/" rel="attachment wp-att-8382" title="obama_letras.jpg"></a></p>
<div style="text-align: center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/nacao-furta-cor/8382/" rel="attachment wp-att-8382" title="obama_letras.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/11/obama_letras.jpg" alt="obama_letras.jpg" /></a></div>
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<p><font size="-1"><em>Correligionários do então candidato do Partido Democrata fazem campanha do Hariem, em Nova York</em></font></p>
<p><!--/FOTO--> <!--Fotografia/Auto/Final-->     <strong>  LUIZ FELIPE DE ALENCASTRO</strong><br />
<font size="-1">  COLUNISTA DA FOLHA </font></p>
<p>No jogo barra-pesada da política em  Chicago, onde  Obama se elegeu  para o Senado Federal, Kirk Dillard, velha raposa do Partido Republicano, já  havia topado com o perigo  ameaçando seus correligionários: &#8220;Sempre tivemos medo de  ver Barack tornar-se um &#8220;rock  star&#8221; da política americana&#8221;.<br />
A frase não foi dita na semana passada. Ela apareceu em  maio de 2004, no artigo de William Finnegan na revista  &#8220;New Yorker&#8221; que, pela primeira vez na grande imprensa,  apontava a garra política de Barack Obama.<br />
Dois meses depois, Obama  atraiu a atenção do país com o  seu notável discurso &#8220;supra-racial&#8221; na convenção democrata  de Boston. Em novembro do  mesmo ano, foi eleito para o  Senado Federal.<br />
O resto é a história que  transcorre agora sob os olhos e  as expectativas dos norte-americanos e do mundo inteiro.<br />
Quais as implicações da eleição altamente simbólica de  Obama na política do Brasil,  país que contém a maior população afrodescendente das  Américas?  Culturalmente globalizado,  Obama conhece a Europa, a  Ásia e a África. Mas nunca pôs  os pés na América Latina.<br />
Persiste ainda nos EUA o  embaciamento que cobriu a  América Latina depois da reorganização da agenda internacional americana na seqüência  do 11 de Setembro.<br />
Isto posto, a revista londrina  &#8220;The Economist&#8221; extraiu dos  votos no Senado e dos discursos de campanha elementos  que configuram a política de  Obama com relação à América  Latina. No tocante aos tópicos  que podem impactar o Brasil,  há dois pontos principais.</p>
<p><strong>Ambivalência</strong><br />
O primeiro é ambivalente.<br />
Obama é favorável aos acordos  sobre biocombustíveis, mas  prega a inclusão de cláusulas  sobre o ambiente e as condições de trabalho envolvendo  produtos exportados para os  EUA. O segundo ponto se refere à imigração.<br />
Obama propõe uma legislação mais liberal, dando aos imigrantes ilegais a oportunidade  de se tornarem cidadãos norte-americanos.<br />
Calcula-se que cerca de 900  mil brasileiros vivam legal e ilegalmente nos EUA. Apesar da  crise econômica americana, a  imigração clandestina brasileira continua ativa.<br />
De modo mais geral, o voto  dos latinos -incluindo o voto  dos milhares de brasileiros com  cidadania americana- constituiu um dos pilares da vitória  de Obama.<br />
Ao lado dos jovens (66% dos eleitores entre 18 e 29 anos votaram em Obama), dos negros, tradicionais eleitores democratas (97% em Obama), dos americano-asiáticos (62% em Obama), dos judeus (78% em Obama), dos habitantes das grandes cidades (70% em Obama), os latinos (67% em Obama) renovaram o eleitorado democrata no país.<br />
Nesse contexto, os latinos tiveram um peso decisivo, pois  compuseram boa parte dos novos eleitores e porque abandonaram os candidatos republicanos. Sobretudo por causa da  crise dos subprimes e da política imigratória do governo de  George W. Bush.<br />
O feitio multicultural da vitória democrata, garantia de uma  dominação partidária duradoura, responde ao objetivo  perseguido com determinação  por Barack Obama: posicionar  sua candidatura acima das clivagens raciais.<br />
Aqui se situa um outro ponto  de impacto na política brasileira. Em que medida a eleição de  um negro à Presidência dos  EUA influencia o atual debate  sobre a discriminação racial e  as cotas no Brasil?<br />
De saída, é preciso salientar  as semelhanças e as diferenças  entre os EUA e o Brasil.<br />
Os dois países tiveram um escravismo arraigado na sociedade e consubstancial à formação  nacional. As elites das independências americana e brasileira  nacionalizaram e modernizaram o escravismo de origem colonial. Daí o racismo que perpetuou-se -de maneira distinta-  tanto nos EUA como no Brasil.<br />
Apoiando as medidas de  &#8220;ação afirmativa&#8221; contra as discriminações raciais, o futuro  presidente americano é, no entanto, desfavorável ao sistema  de cotas. Obviamente, Obama  se beneficiou das políticas que  favoreciam a promoção dos jovens afro-americanos.</p>
<p><strong>Contraste gritante</strong><br />
Ora, os negros e mulatos  americanos formam uma das  minorias demográficas do país,  representando 12% da população. Menos, portanto, que os  15% de latinos (descendentes  de latino-americanos brancos,  negros ou de origem indígena),  cuja taxa de natalidade é duas  vezes maior que a da restante  da população americana.<br />
No Brasil, os afrodescendentes são, desde este ano, mais  numerosos que os brancos e, a  partir de 2010, formarão a  maioria absoluta da população  brasileira. O fato de que ainda  constituam uma minoria política faz ainda mais cortante o  contraste com a situação americana.<br />
Há 50 anos, o estatuto dos  negros americanos nos Estados  racistas do Sul era, em muitos  aspectos, pior que a dos negros  brasileiros. O quadro mudou,  na seqüência das decisões da  Corte Suprema, das campanhas pelos direitos civis e pelas  políticas afirmativas, fixando  dispositivos legais em favor da  minoria negra.<br />
No Brasil, permaneceu tudo  igual, e multiplicam-se as estatísticas desenhando o quadro  aberrante da desigualdade racial. Hoje, guardadas as devidas  proporções, a situação dos negros brasileiros é pior que a dos  negros americanos.<br />
Em algumas décadas, a sociedade americana transformou-se, e Barack Obama será o 44º  presidente dos EUA.  Quantos presidentes haverá  ainda no Brasil antes que um  negro vista a faixa presidencial  no Palácio do Planalto?</p>
<p><font size="-1"><strong>LUIZ FELIPE DE ALENCASTRO</strong> é historiador,  professor na Universidade de Paris 4. É autor de  &#8220;O Trato dos Viventes&#8221; (Cia. das Letras) e escreve regularmente na seção &#8220;Autores&#8221;, do <strong>Mais!</strong>.</font></p>
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