12/03/2009 - 10:04h A crise, o comércio e a culpa dos emergentes

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Maria Clara do Prado – VALOR

Há pouco mais de um ano, a moda dos fundos de riqueza soberana espalhava-se pelos países em desenvolvimento. Apanhados de repente em situação de extraordinária fartura, os governos das economias “nouveaux riches” tiveram de enfrentar uma realidade anômala: o boom dos preços das commodities fizeram com que nadassem em recursos financeiros, mas não dispunham de ativos próprios para aplicar toda a “riqueza” acumulada.

Os fundos soberanos surgiram então como uma espécie de panacéia. Os recursos reunidos ali seriam aplicados em oportunidades de investimento mundo afora, e não era pouco: há dois anos projetava-se que o total naqueles fundos atingiria cerca de US$ 10 trilhões em 2018. Até o Brasil, com reservas internacionais modestas face a outros emergentes, cogitou a criação do seu fundo soberano sem que nunca se tenha conseguido saber muito bem como isso seria operado.

São águas passadas. A fonte que alimentava aqueles fundos secou com a drástica queda nos preços das commodities em geral. A crise do setor bancário-financeiro dos Estados Unidos tem sido suficientemente grande e persistente para afetar o comércio internacional.

O processo é fácil de entender. Simplesmente a crise levou consigo uma multiplicidade de ativos financeiros, gerados a partir da liquidez barata no mundo desenvolvido, realimentados em boa parte pelos recursos gerados nas economias emergentes. Tudo se sustentava em mercado superalavancado, onde as próprias commodities eram negociadas como ativos financeiros. Os preços de uns reforçavam os preços de outros.

Com a desconstrução do processo, o mundo todo empobreceu e os países menos ricos, como o Brasil, voltaram à sua real dimensão. É verdade que entre os emergentes a situação brasileira não é das piores. Tem a seu favor – por incrível que pareça – a alta taxa de juro de curto prazo. Como bem indicou a economista Teresa Ter-Minassian, do FMI, em palestra proferida em São Paulo na terça-feira (ver matéria na página C1 da edição de ontem do Valor) o Brasil tem a seu favor a política monetária para enfrentar a crise.

Há de fato bastante gordura para cortar, mas isso tem limite. É dado pelo risco de se acentuar a saída de capitais ou a depreciação do câmbio, como ela notou ao comentar a falta de certeza na efetividade das políticas.

Na mesma palestra, Ter-Minassian apresentou o mais completo e profundo panorama da situação mundial com o qual foi brindada uma audiência brasileira desde a eclosão da crise. O gráfico ao lado dá uma ideia da deterioração das linhas de financiamento para o comércio externo, sem que nenhum país tenha sido poupado. O contágio, iniciado com a crise de crédito americano, ganha agora um reforço adicional com as projeções cada vez mais pessimistas para o Produto Interno Bruto (PIB).

Se os Estados Unidos não forem às compras – teme-se que o dinheiro liberado por Obama tome o rumo da poupança e não do consumo – e se a Europa continuar mergulhada na apatia (com problemas crescentes nas economistas do Leste), o comércio do mundo continuará atravancado.

Os economistas Ricardo Caballero, Emmanuel Farhi e Pierre-Olivier Gourinchas publicaram no NBER, em dezembro, o trabalho “Financial Crash, Commodity Prices and Global Imbalances” (”Crash Financeiro, Preços de Commodities e Desequilíbrios Globais”) – www.nber.org/papers/w14521.pdf -, no qual tentam explicar o comportamento dos preços das commodities (usam o petróleo como referência). Sua tese é de que os preços dos produtos agrícolas e dos minerais são extremamente sensíveis ao valor da riqueza financeira nos Estados Unidos. Uma redução nesta, equivalente a 10% do PIB, desencadearia significativo declínio de 58% nos preços das commodities.

No modelo que desenvolveram, aquilo significa um ajuste na balança comercial americana de cerca de 2,2% do PIB. Os efeitos sobre o comércio tenderiam a piorar com a “persistência da crise financeira e seus vários multiplicadores que severamente afetam as perspectivas de crescimento”, dizem.

Mas a reversão terá de ocorrer um dia. Quando o momento chegar, o trio de economistas prevê nova rodada de aumentos de preços, com a volta da situação de crônica escassez de ativos. “O ciclo vai começar de novo”, dizem, avaliando que a regulação (financeira) não tem condições de enfrentar as forças de mercado.

Para eles, o problema concreto é macroeconômico e não vai desaparecer até que a habilidade da economia mundial em gerar sólidas reservas de valor esteja em linha com o crescimento potencial da renda. Para eles, isso depende largamente da China e de outros países emergentes. Estes precisam criar ativos próprios confiáveis para absorverem um eventual novo processo de expansão da riqueza. Sem isso, acreditam que haveria fortes possibilidades do mundo voltar a vivenciar o recente processo de incremento nos preços dos ativos com forte componente especulativo. Mas isso, claro, é algo por enquanto inimaginável.

Maria Clara R. M. do Prado, jornalista, é sócia diretora da Cin – Comunicação Inteligente e autora do livro “A Real História do Real”. Escreve quinzenalmente, às quintas-feiras. E-mail: mclaraprado@ig.com.br

01/03/2009 - 11:36h Política de impostos é a espinha do projeto

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DO “NEW YORK TIMES”, EM WASHINGTON

A história da economia dos EUA nos últimos 70 anos pode ser dividida a grosso modo em dois períodos: as décadas imediatamente seguintes à Segunda Guerra, quando a desigualdade diminuiu muito, e as últimas três décadas, quando as forças econômicas globais e a política governamental a fizeram aumentar em ritmo vertiginoso. Barack Obama se prepara para iniciar um terceiro período, mais semelhante ao primeiro do que ao segundo.

A agenda começa com os impostos. Nas últimas três décadas, a renda pré-impostos das famílias ricas subiu muito mais que a das demais, enquanto as alíquotas dos setores que mais ganham foram as que mais caíram, segundo o Escritório Orçamentário do Congresso. Como resultado, a renda média pós-imposto do 1% das famílias mais ricas saltou aproximadamente US$ 1 milhão desde 1979 (contada a inflação), chegando a US$ 1,4 milhão. Já a renda média geral subiu apenas um pouco mais que a inflação. Antes de tornar-se o principal assessor econômico de Obama, Lawrence Summers dizia que, com o aumento na desigualdade, era como se cada família que integrava os 80% inferiores do bolo de renda na prática estivesse remetendo anualmente um cheque de US$ 10 mil ao 1% mais rico. O Orçamento de Obama reflete essa percepção. Os especialistas ainda estão estudando os detalhes, mas parece que os vários cortes e créditos tributários voltados à classe média e aos pobres vão aumentar a renda final da família média em cerca de US$ 800.

Enquanto isso, o aumento dos impostos sobre o 1% mais rico provavelmente custará a eles US$ 100 mil por ano. “O código fiscal ficará mais progressista, com índices relativamente altos cobrados dos ricos e relativamente mais baixos da classe média e dos pobres”, disse Roberton Williams, membro sênior do Centro de Política Tributária, em Washington. “Isso é uma inversão da política de Bush.” E, assim como o aumento de taxação sobre os ricos imposto por Franklin Roosevelt se seguiu a um crash da Bolsa, que já tinha deprimido a renda deles, as propostas de Obama, se forem aprovadas, farão o mesmo.

Essa combinação tem o potencial de reverter uma parte importante da tendência de desigualdade das últimas décadas. Mas, para que o país repita o padrão pós-Segunda Guerra, será preciso que a renda da maioria das famílias também suba mais rápido do que tem subido desde a década de 70. Essa hipótese ainda é incerta. Economistas dizem ser pouco provável, nos próximos anos, que a economia americana cresça como nos anos 50 ou 60.

Saúde e educação

Obama pretende elevar a renda da classe média e dos pobres por dois canais principais. O primeiro é reformar a saúde para reduzir o valor gasto com seguro -hoje uma parcela grande a pesar nos salários. O outro canal é a educação. Nas últimas três décadas, os salários de profissionais com formação universitária subiram muito mais que os dos trabalhadores menos instruídos. Obama quer levar os trabalhadores para a primeira categoria, ampliando a assistência financeira federal e simplificando os programas de assistência.

E, nos últimos anos, os EUA perderam a posição como país em que mais adultos jovens se formam na universidade. “Os jovens de famílias de renda baixa e média frequentemente não aspiram a fazer faculdade”, disse o diretor do Escritório de Administração e Orçamento, Peter Orszag. “Eles ouvem falar das “taxas anuais de US$ 40 mil” e acham impossível.”

Tradução de CLARA ALLAIN – FONTE FOLHA SP

08/01/2009 - 15:55h Aguardando só deus sabe o que

Waiting for God-only-knows-what

Jan 8th 2009 | WASHINGTON, DC
From The Economist print edition

America’s grim fiscal outlook could either be a nightmare or an opportunity for Barack Obama

Rex Features

DURING one of his debates with Barack Obama, John McCain, the Republican candidate, kept referring to the “fiscal crisis” when he meant “financial crisis”. Perhaps he was on to something.

On January 7th the Congressional Budget Office (CBO), a non-partisan outfit, released projections that show the financial crash and the resulting recession are already wreaking havoc with America’s finances. It reckons that the budget deficit will soar from $455 billion in fiscal 2008 (which ended last September 30th) to an astonishing $1.2 trillion in the current year. At 8.3% that would be the most as a share of gross domestic product since the second world war. (The CBO does, however, see it dropping to 1.1% of GDP by 2019.)

The reality is both better and worse than these numbers imply. Of this year’s total, $420 billion represents the one-off subsidy implicit in the Treasury’s planned $700 billion of injections of capital and loan guarantees into the financial system and its “effective” guarantees of the two big mortgage agencies, Fannie Mae and Freddie Mac. Neither is a cash outlay in the usual sense.

But the underlying picture is worse for several reasons. First, it does not include any estimate of the cost of Mr Obama’s planned fiscal stimulus, which he will seek from Congress soon after being inaugurated. Second, the CBO assumes all of George Bush’s tax cuts will expire as scheduled at the end of next year and that the Alternative Minimum Tax, a parallel levy aimed at the wealthy, is allowed to ensnare a growing share of the middle class each year. True, that is what current law, as opposed to current practice, lays down; but neither is at all likely to happen. (The AMT has repeatedly been “patched” to lessen its baleful effects, and surely will be again.)

But the real problem is that the first baby-boomers retired last year. In coming decades spending on entitlements—the three main ones being Social Security (pensions), Medicare (health care for the elderly) and Medicaid (health care for the poor)—will drive deficits and so debt up sharply. Publicly held debt will climb from 41% of GDP last year to 54% next year, the CBO predicts, then decline (on the assumption that the recession will start to come to an end). But the CBO has previously said that, as America ages and if current policies continue, it could theoretically hit an otherworldly 400% by mid-century.

The situation sounds like a nightmare for Barack Obama. The figures hang over his negotiations with Congress on a fiscal stimulus plan. As currently envisioned, it would include business and individual tax cuts and, for those who pay little or no tax, tax credits. That would include a $500 per worker or $1,000 per household credit that was a centrepiece of Mr Obama’s campaign. It would include substantial funds for public works spending, additional Medicaid funds and other aid for cash-strapped states, and money to broaden the availability of unemployment insurance and provide health benefits to the unemployed. On January 7th Mr Obama said the package would be at the high end of estimates—which his team had previously pegged at $675 billion to $775 billion over two years—but not as high as some economists have urged.

Mr Obama faces three sceptical constituencies: Republicans, fiscal conservatives in his own party, and the markets. The addition of so many tax breaks to the package appears to have won over the co-operation of Republican leaders, although lengthy negotiations remain.

 Fiscal conservatives are resigned to a big expansion of deficits in the short term but they want an early commitment to deal with entitlements as well. This is where the confluence of the economic and budgetary crises creates an opportunity. Since Mr Bush’s tax cuts expire at the end of next year, Mr Obama could try to reform the tax and entitlement systems simultaneously, which makes economic sense since so many aspects of health care and retirement impact the tax code.

Politically, a reform that antagonises so many constituencies is hardly appetising. “When you start making choices, you start losing friends,” says Kent Conrad, the Democratic Senate Budget Committee chairman and a leading fiscal hawk. He argues the job should be handed over to a bipartisan task force. But Thomas Kahn, the top staffer on the House Budget Committee, notes that some legislators worry that such mechanisms undermine the democratic process by limiting the opportunity for amendment and debate.

For his part, Mr Obama has acknowledged the urgency of addressing entitlements, but said more specifics would have to await his draft budget proposal, due for submission in mid-February. He has aimed his anti-deficit rhetoric, both before the election and since, principally at waste and earmarks, the pet projects legislators insert into spending bills. But as Maya MacGuineas of the Committee for a Responsible Federal Budget, a watchdog group, notes, such spending is at most $30 billion a year, or 1% of total expenditures. By contrast, entitlements amount to $1.2 trillion, or 41% of the whole; and, left unreformed, will grow to 60% by 2030.

Still, Ms MacGuineas thinks Mr Obama has to start with waste and earmarks to build the necessary credibility for bigger steps. “Before you say, ‘Ladies and gentlemen, your Social Security and Medicare benefits are going down and your taxes are going up,’ they want to know there are no more bridges to nowhere.”

Will the markets co-operate? Since November stock and credit markets have rallied partly as previous initiatives gain traction and partly in anticipation of more aggressive actions by the incoming administration. Record deficit projections have not spooked investors: the dollar has strengthened as the overseas outlook turns grimmer, and deflation worries have driven Treasury yields to their lowest in over half a century. But as financial panic subsides, the prospect of huge current deficits combined with the coming entitlements crunch could cause investors to worry America will one day inflate its way out of the debt or even, in the extreme, default. The resulting higher interest rates would elevate the cost of servicing the federal debt, further aggravating the deficit. The threat of such dangerous debt dynamics is ample incentive for Mr Obama to hurry up and explain how he will tame the deficit once the recession is over.

07/12/2008 - 15:11h O GASTO DE HOJE PREJUDICARÁ A ECONOMIA DE AMANHÃ?

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por Paul Krugman* – Zero Hora

krugman_paul.jpgNeste momento, há um intenso debate sobre quão agressivo deve ser o governo dos Estados Unidos na tentativa de recuperar a economia. Muitos economistas, inclusive eu, estão clamando por uma grande expansão fiscal para evitar que a economia siga em queda livre. Outros, no entanto, preocupam-se com o fardo que o enorme déficit orçamentário irá colocar sobre as futuras gerações.

Mas as preocupações com o déficit estão totalmente equivocadas. Sob as condições atuais, não há conflito entre o que é bom no curto prazo e o que é bom no longo prazo; uma forte expansão fiscal pode, na verdade, melhorar as perspectivas de longo prazo da economia.

A alegação de que os déficits orçamentários enfraquecem a economia a longo prazo é baseada na crença de que o financiamento governamental desloca o investimento privado – o governo, ao emitir muita dívida, eleva rapidamente a taxa de juro, deixando as empresas pouco dispostas a investir em novas plantas e equipamentos, e isso, por sua vez, reduz a taxa de crescimento da economia a longo prazo. Sob circunstâncias normais, esse argumento faz muito sentido.

Mas as atuais circunstâncias estão muito além da normalidade. Imagine o que poderia ocorrer no próximo ano se a administração Obama capitulasse frente aos falcões do déficit e encolhesse seus planos fiscais. Isso levaria a taxas de juro mais baixas? Certamente, não conduziria à redução das taxas de juro de curto prazo, que são mais ou menos controladas pelo Federal Reserve. O Fed já está mantendo essas taxas o mais baixas possível – virtualmente, em zero – e não mudará essa política a menos que veja sinais de que a economia está ameaçada de superaquecimento. E essa não parece ser uma perspectiva realista em breve.

E sobre o juro de longo prazo? Essas taxas, já no nível mais baixo em meio século, refletem principalmente taxas futuras de curto prazo. Austeridade fiscal pode empurrá-las ainda mais para baixo – mas somente criando expectativas de que a economia poderia se manter profundamente deprimida por um longo tempo, o que iria reduzir, não elevar, o investimento privado.

A idéia de que apertar a política fiscal quando a economia está deprimida na verdade leva à redução do investimento privado não é apenas um argumento hipotético: é exatamente o que ocorreu em dois importantes episódios da história. O primeiro ocorreu em 1937, quando Franklin Roosevelt equivocadamente deu ouvidos aos preocupados com déficit de sua própria era. Ele reduziu de forma acentuada o gasto do governo, entre outras coisas cortando o Works Progress Administration (agência criada em 1935 para gerar empregos e sair da Grande Depressão) pela metade, e ainda elevando impostos. O resultado foi uma severa recessão, e uma queda abrupta no investimento privado. O segundo episódio teve lugar 60 anos depois, no Japão. Em 1996-97, o governo japonês tentou equilibrar seu orçamento cortando gastos e elevando impostos. E outra vez a recessão que se seguiu conduziu a uma queda drástica no investimento privado.

Apenas para ser claro, não estou afirmando que a tentativa de reduzir déficits orçamentários sempre é ruim para o investimento privado. Você pode se basear no caso da restrição fiscal de Bill Clinton nos anos 90, que ajudou a abastecer o maior boom de investimentos dos EUA da década, o que por sua vez ajudou a provocar uma recuperação no crescimento da produtividade.

O que torna a austeridade fiscal tão má idéia, tanto nos EUA de Rooselvet quanto no Japão dos anos 90, foram circunstâncias especiais: nos dois casos, o governo recuou frente a uma armadilha de liquidez, uma situação na qual a autoridade monetária cortou taxas de juro tão rápido como possível, e a economia ainda continuou a funcionar bem abaixo de sua capacidade. E nós estamos no mesmo tipo de armadilha hoje – motivo pelo qual preocupações com déficit estão deslocadas.

Mais uma coisa: expansão fiscal será ainda melhor para o futuro dos EUA se uma grande parte dessa expansão tomar a forma de investimento público – construção de estradas, reforma de pontes e desenvolvimento de novas tecnologias, iniciativas que tornam a nação mais rica no longo prazo.

O governo deve ter uma política permanente de grandes déficits orçamentários? Claro que não. Embora a dívida pública não seja tão ruim como a maioria das pessoas acredita – é basicamente dinheiro que nós devemos a nós mesmos –, no longo prazo o governo, como os indivíduos, tem de equilibrar o gasto e a receita.

Mas neste momento temos um rombo no gasto privado: os consumidores estão redescobrindo as virtudes de poupar no mesmo momento em que as empresas, escaldadas por excessos passados e limitadas pelos problemas no sistema financeiro, estão cortando investimento. Com o tempo, essa lacuna poderá fechar, mas até que isso ocorra o gasto do governo terá de ser feito da forma mais eficiente possível. Caso contrário, o investimento privado e a economia como um todo irão despencar ainda mais.

A questão essencial, então, é que as pessoas que consideram a expansão fiscal de hoje ruim para as futuras gerações entenderam tudo errado. O melhor plano de ação, tanto para os trabalhadores de hoje quanto para seus filhos, é fazer o que for necessário para conduzir a economia no rumo da recuperação.

Paul Krugman – New York Times News Service

- Professor de Economia e Assuntos Internacionais da Universidade de Princeton e colunista do The New York Times, Paul Krugman passa a integrar o time de colunistas do Dinheiro por meio do New York News Service.

Formado na Universidade de Yale em 1974, foi integrante do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca do ex-presidente Ronald Reagan e assessor do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional (FMI), da Comissão Trilateral e da Organização das Nações Unidas (ONU). Ganhador do Prêmio Nobel de Economia deste ano por ter formulado uma nova teoria sobre o comércio, Krugman é conhecido mundialmente por suas duras críticas ao presidente norte-americano, George W. Bush. Por exemplo, atacou o engajamento na guerra do Iraque e, recentemente, o modo como Bush administrou o resgate do sistema financeiro. Para o colunista, a atual crise é a maior já vivida pelos Estados Unidos desde o crash de 1929.

04/12/2008 - 10:42h Por qué los profetas no lo vieron venir

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Los ‘gurús’ de la economía no anticiparon la crisis por miedo a disentir y por interés – Muchos analistas también viven del negocio

DAVID FERNÁNDEZ – EL PAÍS

Imagínese que usted forma parte de una de las instituciones económicas más influyentes del mundo como es la London School of Economics. Imagínese también que ejerce de anfitrión junto con sus colegas durante una visita de la reina Isabel II a la sede del centro. En principio, uno de tantos actos protocolarios de guante blanco. Imagínese que la soberana de todo un Imperio se salta el protocolo para lanzar al aire una pregunta que seguro también se la hace el tendero de la esquina: “¿Por qué nadie ha sido capaz de anticipar la que se nos ha venido encima?”. Deje de imaginar. La situación es real, ocurrió el pasado noviembre y ejemplifica cómo la crisis económica ha puesto en evidencia los pronósticos económicos. Hasta tal punto han fallado las previsiones que uno de los pocos que anticipó el crash, Nouriel Roubini, ha traspasado la línea que separa al economista de la estrella del pop y ahora va impartiendo doctrina por medio mundo en conferencias avaladas con cheques de varios ceros.

Simples turbulencias, desaceleración, crisis, recesión, ¿depresión? Ésta es la secuencia que han seguido las previsiones de Gobiernos (incluido el español, que hasta bien entrado 2008 se negó a hablar de crisis), organismos internacionales, escuelas de negocios, reputados consultores y gurús de la gestión empresarial. Nadie tiene una bola de cristal para anticipar el futuro. Como decía Karl Popper, “predecir el nacimiento de la rueda es inventarla”. Además, una crisis económica como la actual, la peor para muchos desde 1929, presenta varias raíces inéditas que han aflorado al mismo tiempo, lo que complica cualquier análisis. Sin embargo, estas dificultades no deben servir de excusa para esconder que los modelos de estimación económica presentan algunos vicios que limitan sus probabilidades de éxito. Conflictos de intereses, falta de transparencia, miedo a ir contracorriente (”fuera del consenso hace mucho frío”, ironiza un experto) o la resistencia a dar voz a los críticos con el sistema económico durante el largo periodo de bonanza porque sus teorías no venden son algunos de estos vicios.

Hace un año este periódico pidió a 15 casas de Bolsa que dijeran en qué nivel se situaría el Ibex 35 en diciembre de 2008. El precio objetivo medio situaba el índice bursátil español en 17.300 puntos. El Ibex 35 está hoy por debajo de los 9.000 enteros. En defensa de los analistas hay que decir que en ese momento la crisis financiera aún no había mostrado su cara más violenta y que la economía real no se había contagiado. Lo que ya tiene menos explicación es que el pasado junio, cuando la metástasis de las hipotecas basura se había extendido por todo el sistema, la venta de optimismo seguía siendo la tónica dominante.

Credit Suisse, UBS, Citigroup, JPMorgan, Deutsche Bank, Goldman Sachs y Exane BNP Paribas son algunas de las firmas de Bolsa más importantes del mundo. En conjunto analizan las acciones de más de 10.000 compañías cotizadas. Pues bien, en junio sólo un 13% de sus consejos eran de vender acciones. El resto de recomendaciones a sus clientes eran de comprar o en el peor de los casos de mantener los títulos en cartera.

¿Por qué cuesta tanto escribir en un informe de Bolsa la palabra vender? “Por la propia estructura del mercado. Una entidad financiera suele tener conflictos entre el análisis y el negocio. Esta situación puede significar que la independencia de los analistas a la hora de emitir sus opiniones se vea limitada”, reconoce Rafael Sarandeses, secretario general del Instituto Español de Analistas Financieros. A pesar de entonar el mea culpa, Sarandeses matiza que esta crisis no se debe a los errores de los analistas sino “a los fallos de los supervisores financieros y a las malas prácticas de las agencias de calificación de riesgos”.

Sería injusto centrar todas las críticas en los analistas de Bolsa. Sus colegas macroeconómicos tampoco han estado muy finos. En enero de 2007 el consenso de mercado (bajo este concepto se engloban organismos supranacionales como el FMI, el Banco Mundial o la OCDE cuyos juicios deberían estar a salvo de las tentaciones que acechan a las instituciones privadas) preveía un crecimiento del PIB en EE UU y en la zona euro del 3% y del 2,1%, respectivamente. En noviembre de 2008 esas expectativas habían caído al 1,4% y al 1%. “Las crisis ocurren porque son inesperadas. Si todo el mundo las esperase no se materializarían. Además, en este caso nos hemos topado no con una crisis, sino con tres al mismo tiempo: la financiera, la hipotecaria y la económica”, se defiende José Luis Martínez, economista jefe de Citigroup en España. Entonces, ¿no cree que haya que ajustar en nada los modelos económicos? “Todos los economistas manejamos varios escenarios. Quizás esta crisis lo que nos enseñe es que debemos aprender a asignar una determinada probabilidad al escenario elegido. No es lo mismo que digamos que va a producirse determinado acontecimiento cuando el margen de acierto que manejamos es de sólo el 40% que cuando asignamos a nuestro pronóstico el 80% de probabilidades. Esta crisis va a forzar una mayor transparencia en las previsiones”.

Al calor de cada burbuja suelen surgir teorías que hablan de cambios revolucionarios que transformarán por completo el sistema económico. Estos planteamientos, sin embargo, suelen desinflarse casi a la misma velocidad que la burbuja que los amparó. A finales del siglo pasado se popularizó el concepto de Nueva Economía según el cual el desarrollo de Internet y otras tecnologías harían que pasásemos de una economía industrial a una economía del conocimiento y, como consecuencia de ello, se acabarían los ciclos económicos. Que le pregunten a las personas que hacen cola a cientos a las puertas del Inem si todavía existen los altibajos en economía… Con la burbuja financiera de los últimos años, diferentes think tanks han puesto de moda otra teoría no menos visionaria bautizada con el nombre de decoupling. La corriente de pensamiento que está detrás de este vocablo viene a decir que las reformas estructurales acometidas por los países emergentes les permitirán seguir con su senda de crecimiento con independencia de lo que ocurra en las economías desarrolladas. En los últimos dos meses se ha vuelto a comprobar que cuando las economías occidentales tosen, el resto, como mínimo, se resfría. China echa el freno a su espectacular crecimiento, los inversores castigan las divisas de México y Brasil, Rusia se ve forzada a cerrar en varias ocasiones sus mercados, Argentina desempolva medidas confiscatorias… En fin, todo un déjà vu.

“No creo en los gurús. Es una tendencia a abolir”, sentencia José de Rafael, director de la Asociación Española de Empresas de Consultoría. “No se puede opinar más que con altos conocimientos de la situación. Se han corrido muchos riesgos por la proliferación de los mal llamados gurús. Siempre están los arribistas que tiene más pico que los demás, y en un determinado momento sus teorías pueden llegar a convencer”. A pesar de la fuerte crítica a los analistas estrella, De Rafael opina que las previsiones económicas en esta crisis no han resultado tan erróneas. “La crisis se veía venir desde hace 14 meses. Lo que los expertos no han sabido anticipar ha sido su intensidad. Además, la raíz de la crisis no es financiera, sino de valores, y esto es imposible de predecir. La codicia y la corrupción han prevalecido sobre la ética empresarial”, añade este experto.

El escritor especializado en temas de management Peter Drucker solía decir que el término gurú se había convertido en una palabra bastante popular debido a que la etiqueta alternativa de charlatán era demasiado larga para usarla en un titular periodístico. En los últimos años las conferencias de los grandes expertos en gestión empresarial han desbordado todos los aforos. Cientos de discursos y power points para encontrar la receta del éxito, pero pocas voces que alarmasen sobre lo que se estaba gestando. “Que yo recuerde, de los economistas extranjeros sólo adelantaron la crisis Nouriel Roubini y Paul Krugman mientras que entre los españoles destacan Ignacio Garikano y Xabier Mena”, recuerda Alberto Saiz, director de HSM España, empresa especializada en contenidos de gestión empresarial y organizadora de Expomanagement. “Es más fácil subirse a la ola del pensamiento reinante que hacer un estudio profundo de la situación. En este sentido, yo también criticaría la actitud de los medios de comunicación por popularizar algunos mensajes”, añade. “La verdad absoluta no la tiene nadie. Nuestra misión es inspirar a los ejecutivos para que encuentren alternativas para desarrollar sus estrategias, no decirles lo que tienen que hacer”.

Tanto Saiz como el resto de expertos consultados para este reportaje reconocen que ante el tema de las previsiones, sean estas económicas o de otra índole, las personas se mueven con un marcado sentido gregario y que, al igual que hace dos años era un milagro que un libro de management o un economista crítico se abrieran paso, ahora se corre el peligro, por la ley del péndulo, de que sólo quede espacio para los agoreros. “Los seres humanos queremos oír aquello que se adecúa a nuestros patrones mentales. Si antes lo único que parecía vender eran las noticias buenas, ahora parece que triunfan las previsiones pesimistas”, señala el director de HSM. “Tanta incertidumbre obliga a converger en posiciones, se traduce en una cierta opinión consensuada. Aunque con puntuales discrepancias, todos buscamos saber la opinión del de al lado. Ahora puede que corramos el riesgo de irnos al otro extremo: caer en el pesimismo absoluto y no valorar las cosas buenas que se están haciendo”, añade José Luis Martínez.

Pero, cuidado, conviene no pasarse de frenada en la teoría del caos. La realidad es tozuda y el éxito efímero. Y si no que se lo pregunten a Ariun Murti, experto de materias primas en Goldman Sachs. En marzo de 2005 Murti predijo que el precio del petróleo daría el salto de 50 dólares a 105 en sólo cuatro años. Se desvió sólo unos meses. La situación del mercado le llevó a doblar su apuesta en mayo pasado, situando el barril de crudo en 200 dólares en sólo dos años. Coincidiendo con este segundo augurio de Murti, el petróleo inició un vertiginoso descenso que le ha devuelto de nuevo a la zona de los 50 dólares.

Otra consecuencia de la crisis actual es que se ha puesto en duda un dogma de fe económico de los últimos años: el poder casi religioso del libre mercado. Incluso en el santa sanctorum del capitalismo como es Wall Street han tenido que hincar la rodilla y rogar una inyección de dinero público para resolver sus pecados. El retorno a políticas de corte más intervencionista ha vuelto a poner de moda al economista británico John Maynard Keynes, partidario de la intervención del Gobierno para estimular la economía.

Pero incluso él también erraba a veces en sus previsiones. Un día tuvo que salir del paso de las críticas de un economista rival que le acusaba de inconsistencia en sus argumentos. “Cuando los hechos cambian, yo cambio mi opinión, ¿qué hace usted, caballero?”. Habría sido interesante oír la respuesta que hubiera dado Keynes a la pregunta de la reina Isabel II.

29/10/2008 - 17:03h Apertem os cintos

Blog de Paul Krugman

The mother of all currency crises

I invented currency crises. No, really — not the thing itself, of course, but I did publish the first paper in the modern academic literature on the subject, back in 1979. And as I like to say, business has been good ever since.But I never anticipated anything like what’s happening now.I’ve been reading reports from Stephen Jen, a former student of mine who’s now the chief currency strategist at Morgan Stanley. He points out that since the fall of Lehman, we’ve been seeing clear signs of currency crises throughout the world of emerging markets, including Eastern Europe. This time, it’s not an Asian crisis or a Latin American crisis, it’s a global crisis. He adds,

So far,the US financial sector has been the epicentre of the global crisis. I fear that a hard landing in EM assets and economies will become the second epicentre in the coming months, with very damaging feedback effects on the developed world.

Right now I feel like the guy who was told, “Cheer up — things could be worse!” So he cheered up, and sure enough, things got worse.

29/10/2008 - 16:30h Onde buscar sinais de duração da crise

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Justin Lahart e Kelly Evans, The Wall Street Journal – VALOR

Em meio ao tumulto financeiro mundial, economistas estão se debatendo para estimar por quanto tempo a economia ficará fraca. Medidas habituais, como o produto interno bruto e dados trabalhistas, dão idéia do que tem ocorrido, mas não dizem muito sobre o que ainda está para acontecer. Economistas estão usando outras medidas menos óbvias para ter indicações de quando a economia vai sair do buraco.

Nos Estados Unidos, os bancos estão reduzindo empréstimos, os consumidores gastando menos, as empresas cortando empregos por causa do naufrágio dos lucros e a crise no mercado imobiliário, que provocou a desaceleração, persiste. Aqui, uma visão das cinco áreas que os economistas estão observando e os indicadores que estão acompanhando.

Bancos

O plano do governo americano de injetar US$ 250 bilhões nas instituições financeiras, assim como a garantia que ele deu aos empréstimos interbancários, diminuíram parte do estresse que dilacerava os mercados de crédito no início deste trimestre.

Num sinal de que os bancos estão menos desconfiados de emprestar dinheiro uns aos outros, a Libor, a taxa do interbancário de Londres, referência para muitos empréstimos em dólar, caiu bastante nas duas últimas semanas. Contudo, ela ainda está mais alta do que o habitual em relação à taxa do Federal Reserve, o banco central americano.

As taxas interbancárias são uma condição importante para a recuperação dos mercados de crédito, mas elas não vão causar uma retomada automática dos empréstimos. “Não importa se um banco vai emprestar para outro banco”, diz o economista paul Kasriel, do Northern Trust. “Interessa se o banco vai emprestar” para o homem comum.

Os bancos estão cautelosos para conceder crédito, em parte porque foram atingidos fortemente pela queda do mercado imobiliário e pela bagunça do mercado financeiro, mas também porque é mais arriscado emprestar num período de desaceleração. Na pesquisa trimestral do Fed em julho com diretores de crédito, uma grande porcentagem dos bancos relatou que está aumentando as exigências para conceder empréstimos. Um primeiro sinal de que a economia está a caminho da recuperação, segundo Kasriel, será quando mais bancos as estiverem diminuindo e não aumentando.

Residências

O mercado imobiliário terá um papel importante na flexibilização dos empréstimos. Enquanto o preço dos imóveis residenciais continuar caindo, mais mutuários vão se ver devendo mais em suas hipotecas do que suas casas valem. Isso abre caminho para que haja mais inadimplência e que os credores continuem cautelosos. No segundo trimestre, o índice de preços de imóveis residenciais da S&P ficou 18% abaixo de seu ponto mais alto, em 2006.

Para saber quanto os imóveis ainda vão cair, diz o economista Jan Hatzius, da Goldman Sachs, a chave é a velocidade de absorção do excesso de oferta de imóveis.

No início de 2005, 1,8% dos imóveis residenciais americanos, excluídos os destinados a locação, estavam vazios e esperando ser vendidos. Ontem, o Censo informou que o índice de vacância no terceiro trimestre de 2008 foi de 2,8% – igual ao do segundo trimestre e quase o mesmo do primeiro, que foi de 2,9%. Com tantos imóveis no mercado, os proprietários têm baixado os preços para atrair compradores.

“Se você vir o excesso de oferta diminuir, é elementar que os preços vão acabar se estabilizando”, diz Hatzius.

Consumidores

A preocupação com a economia tem feito os consumidores fechar a carteira. O consumo move mais de dois terços da economia dos EUA e não diminuía trimestralmente desde o fim de 1991. Aquele espasmo de quase 20 anos de crescimento no consumo acabou no período entre julho e setembro, avaliam os economistas, arrastando com ele o crescimento econômico.

Um sinal de atitude positiva dos consumidores será a intenção que eles tenham de comprar coisas caras, como carros, móveis, eletrodomésticos e eletrônicos – categorias que foram atingidas duramente nos últimos meses porque aumentaram os requisitos para financiamento e o consumidor se afastou de grandes compras.

Empregos

Os americanos provavelmente não estarão a fim de tais compromissos até vislumbrarem melhora no mercado de trabalho. Os números sobre folhas de pagamento e índice de desemprego são indicadores que mostram mudanças no setor de empregos muito depois dos fatos.

Muitos economistas monitoram mais de perto o relatório semanal do Departamento de Trabalho sobre pedidos iniciais de auxílio-desemprego, que calcula o número de pessoas que se inscrevem para receber o benefício pela primeira vez. Por experiência, quando os pedidos ficam acima de 400.000, a economia está entrando em recessão. Isso começou a acontecer em julho. O número mais recente foi 478.000.

Bolsas

As empresas têm o papel principal no panorama de empregos: se elas estão preocupadas com prejuízos, é mais provável que cortem força de trabalho do que contratem. Apesar de todas as suas imperfeições, o mercado acionário é um dos melhores indicadores da saúde das empresas. Milhões de investidores se dedicam a calcular onde vão ter lucro e a opinião deles se reflete nas cotações da bolsa.

Mas, numa época em que a saúde das empresas depende altamente do clima econômico global, observar a Média Industrial Dow Jones pode não dar a melhor idéia. Em vez disso, o estrategista Richard Bernstein, da Merrill Lynch, segue o Índice Composto de Ações da Coréia, mais conhecido como Kospi. As empresas sul-coreanas são exportadoras por excelência, o que as deixa muito sensíveis ao crescimento mundial. O Kospi registrou seu ponto mais alto no ano passado. Ontem, ele estava 52% abaixo daquele nível.

29/10/2008 - 15:50h Prioridade é evitar um colapso global

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Martin Wolf – Financial Times – VALOR

É preciso dar crédito a quem de direito: Nouriel Roubini, da Escola de Negócios Stern da Universidade de Nova York, estava certo. Em 20 de fevereiro de 2008, escrevi uma coluna intitulada “Apocalipse Now” (Valor de 20/02), baseada na sua análise dos 12 passos até o desastre. Infelizmente, os EUA não só deram esses passos, como também – com a ajuda de outros, incluindo o Reino Unido – arrastaram o mundo atrás de si.

Em nota mais recente, o professor Roubini prevê uma combinação de estagnação e deflação (The Coming Global Stag-Deflation [A vinda da estag-deflação global], 25 de outubro de 2008, www.rgemonitor.com). Ao fazê-lo, ele aponta, com certo júbilo, para a mais recente análise do panorama global do JPMorgan Chase, que já esteve entre os analistas mais otimistas. Agora, sob a rubrica – “Péssima semana no inferno”, o JPMorgan afirma que: “Mais uma vez, cortamos as projeções de crescimento de curto prazo para o mundo desenvolvido e provavelmente prosseguiremos com revisões adicionais para baixo para as economias emergentes nas próximas semanas. Agora mesmo, as nossas projeções indicam que o Produto Interno Bruto global se contrairá a uma taxa anual de 1% no quarto trimestre de 2008 e no primeiro trimestre de 2009″.

O JPMorgan estima o encolhimento neste trimestre a uma taxa anualizada de 4% nos EUA, 3% no Reino Unido e 2% na zona do euro. Ele está projetando crescimento global de 0,4% em 2009, com as economias avançadas encolhendo 0,5% e as emergentes, em 4,2%.

Dada a quase desintegração do sistema bancário ocidental, a fuga rumo a ativos seguros, o aperto do crédito para a economia real, o colapso nos preços das ações, turbulência nos mercados cambiais, contínuas quedas acentuadas nos preços das moradias, o veloz saque de recursos dos fundos de hedge e o colapso em andamento do chamado “sistema bancário paralelo”, essas projeções até parecem ser bem otimistas. O resultado no próximo ano poderá ser muito pior.

Se os governos ocidentais não tivessem feito intervenções para garantir e recapitalizar os sistemas bancários, a situação certamente teria sido pior. Apesar disso, mesmo isto não parou a confusão. Consideremos apenas duas estatísticas: a capitalização dos mercados acionários mundiais caiu à metade; além disso, segundo o mais recente “Relatório sobre a Estabilidade Financeira” do Banco da Inglaterra, as perdas a marcação de preços de mercado em instrumentos de dívida vulneráveis agora equivalem a imponentes US$ 2,8 trilhões (www.bankofengland.co.uk).

Então, o que deve ser feito? Alguns dirão: absolutamente nada. Existe uma opinião muito generalizada, especialmente nos EUA, de que o mundo precisa fazer uma grande purificação dos excessos do passado. As recessões, por essa linha de pensamento, são benéficas. As pessoas que detêm esta opinião também sustentam que os governos causaram todos os erros. Os mercados, eles insistem, seriam incapazes de cometer os erros que testemunhamos. Para eles, a confissão de Alan Greenspan na semana passada, de que “eu cometi um erro ao supor que o interesse próprio das organizações, especificamente de bancos e outros, era de tal ordem que eles seriam os mais capazes de proteger os seus próprios acionistas” foi tão bem-vinda quanto foi o punhal de Brutus para Cesar.

Curiosamente, o “Relatório sobre a Estabilidade Financeira” do Banco oferece algum respaldo a essa opinião: nos idos de 1900, os bancos dos EUA possuíam quatro vezes mais capital, relativo a ativos, do que detêm hoje. Igualmente, a liquidez dos ativos detidos pelos bancos do Reino Unido desmoronou ao longo do meio século que passou. Garantias implícitas e explícitas de governos realmente tornaram o sistema mais perigoso do que antes. A combinação dessas garantias com desregulamentação comprovou ser letal. O risco moral está longe de ser insignificante.

Apesar disso, a noção de que uma recessão rápida purificaria o mundo dos excessos passados é ridícula. O perigo é, ao contrário, o de ocorrer um colapso, à medida que uma montanha de dívida privada – nos EUA, igual a três vezes o PIB – desaba e se transforma em falência em massa. A espiral descendente começaria com uma deterioração adicional dos sistemas financeiros e continuaria através da desconfiança generalizada, desaparecimento do crédito, fechamento de grande número de empresas, desemprego ascendente, preços de commodities despencando, quedas progressivas nos preços das ações e despejos em alta. A globalização semearia a catástrofe por todos os lugares.

Grande parte das vítimas seria inocente dos excessos passados, ao passo que os mais culpados reteriam os seus ganhos obtidos de forma ilícita. Esta seria a receita, não para um ressurgimento to “laissez-faire” do século XIX, mas para xenofobia, nacionalismo e revolução. Nessas circunstâncias, estas conseqüências são concebíveis. Optar por arriscar um desfecho assim seria como decidir deixar uma cidade arder para punir alguém que tenha fumado na cama. Arriscar enormes prejuízos agora na esperança de diminuir o risco moral mais tarde é insano.

Todo o possível deve ser feito para evitar que a inescapável recessão se transforme em algo pior. Um grande número destas ações necessárias foi apresentado na coluna de Jeffrey Sachs, da Universidade de Colúmbia, anteontem (Valor, Finanças, 26 de outubro de 2008). Eu destacaria cinco pontos.

Primeiro, como argumenta John Muellbauer da Universidade de Oxford, a deflação é um perigo real (”The folly of the central banks of Europe” [a insensatez dos bancos centrais da Europa], 27 de outubro de 2008, www.voxeu.org). A deflação, porém, é letal para as economias endividadas. Hoje, as taxas de juros de curto prazo parecem demasiado elevadas na zona do euro e no Reino Unido. Os bancos centrais precisam reexaminar as suas economias e reduzir taxas em pelo menos um e, idealmente, em dois pontos percentuais.

Segundo, a única forma de deixar o setor privado se desalavancar, sem falências em massa e enormes quedas nos gastos, é substituindo o ativo que todos querem: dívida do governo. Ao contrário do professor Sachs, acredito que cortes de impostos são de fato parte da solução.

Terceiro, é crucial que a concessão de empréstimos seja mantida tanto dentro como entre economias. Depois de terem passado por tantos problemas para recapitalizar os bancos, os governos deveriam insistir que seus recursos sejam usados para suprir linhas de crédito aos mais propensos a permanecer solventes. Se os bancos se recusarem a fazer isso, os bancos centrais deverão substituí-los, como o Federal Reserve está fazendo agora.

Quarto, está no vital interesse próprio dos países de alta renda afetados manter as duramente castigadas economias emergentes solventes durante a crise.

Por fim, é igualmente evidente que o mundo não voltará ao equilíbrio se países em sólidas posições financeiras não ampliarem a demanda interna. O dia das bolhas habitacionais e de enormes déficits em conta corrente nos gastadores países de alta renda acabou. Aqueles que dependem de superávits em conta corrente para sustentar a demanda precisam pensar de novo.

Decisões tomadas ao longo dos próximos meses provavelmente moldarão o mundo por uma geração. A legitimidade da própria economia de livre mercado pode estar em risco. Aqueles que consideram a liquidação dos excessos passados como a solução não compreendem os riscos. O mesmo se aplica aos que sonham com novas ordens mundiais. Atravessemos primeiro essa crise. O perigo continua imenso e o tempo é curto.

26/10/2008 - 10:20h El mundo después del ‘crash’

La crisis financiera ha acabado con los dogmas dominantes de los últimos 25 años

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JOAQUÍN ESTEFANÍA – El País

Hay en economía un concepto más enérgico que el de recesión para explicar lo que está sucediendo: depresión. La depresión es más grave y duradera que la recesión, y se manifiesta en el frenazo en seco de la actividad, la debilidad de la demanda, la contracción del comercio internacional, el incremento del paro, la caída del poder adquisitivo, etcétera, todos ellos procesos muy dolorosos y contrarios al progreso. Pues bien, el profesor de Economía de la Universidad de Nueva York Nouriel Roubini, el gurú que se ha hecho famoso por haber anticipado la crisis financiera que se inició con el estallido de las hipotecas tóxicas, ya ha utilizado el concepto de depresión como síntoma de lo que ocurre en la economía a escala planetaria. Hace unos días escribía Roubini: “No podemos descartar un fracaso sistémico y una depresión global. (…) Se corre el riesgo de un desplome del mercado, una debacle financiera y una depresión mundial”. El economista plantea que más que una coyuntura en forma de V (caída y pronta recuperación) estamos en otra en forma de U (caída en la que la economía se mantiene un tiempo, para luego ascender), o quizá en forma de L (caída y letargo a largo plazo).

Un arranque ciertamente tenebroso sobre la coyuntura quizá pueda compensar el optimismo del titular de este que parece llevar implícito -y no es así, como se ha visto la semana pasada- la superación del desplome bursátil que, en otras ocasiones históricas, ha sido la antesala de una recesión o de una depresión. Crash y depresión se retroalimentan. Hay muchas similitudes -y bastantes diferencias- con la Gran Depresión de 1929. Es urgente desempolvar los viejos manuales de entonces y establecer las comparaciones. “Pensar el presente desde un punto de vista histórico” (Walter Benjamin).

En diciembre de 2006 caía el Ownit Mortgate Solutions, un pequeño banco hipotecario de California especializado en productos de alto riesgo. Es el antecedente más cercano del estallido de la burbuja inmobiliaria y de las hipotecas subprime, que devendría en la norma a partir de julio de 2007. Desde entonces hay muchas víctimas sin enterrar. Entre ellas, la economía real en forma de estrangulamiento del crédito (que es su sistema sanguíneo), desaparición de los bancos de inversión y nacionalización de otras entidades que formaban parte de la aristocracia financiera internacional, desprestigio de los organismos reguladores nacionales y de las agencias de calificación de riesgos, profundísima descapitalización bursátil de muchas empresas financieras y no financieras, parón de la actividad económica y de la inversión, contracción de la demanda, suspensiones de pagos, desempleo, etcétera. Y sobre todo, un escalofrío en muchos ciudadanos en forma de inseguridad: no sólo miedo al terrorismo y a otras formas de inquietud ciudadana, sino a la inseguridad económica y el temor al otro, al diferente, al que compite con el puesto de trabajo y carga de obligaciones al Estado de bienestar.

Otra víctima de la crisis es una forma de entender el mundo, un modo de pensar que se identifica ampliamente con la ideología neoliberal. La máxima acuñada por la revolución conservadora de Margaret Thatcher y Ronald Reagan, que ha durado un cuarto de siglo, de que el Estado es el problema y no la solución, ha saltado hecha trizas en cuanto se han acumulado las dificultades. La “destrucción creativa” de Schumpeter sólo se hizo realidad cuando las autoridades americanas dejaron hundirse al que era cuarto banco de negocios estadounidense, Lehman Brothers (y casi todos los analistas califican esta inacción como un grave error y el principio del pánico); las demás instituciones financieras con problemas han sobrevivido con una u otra fórmula de intervención pública, con paquetes de rescates a babor o a estribor, en forma de avales públicos, compras de activos o directamente de acciones. Lo explica resignado un economista español: “Hemos generado mucho riesgo moral para evitar el riesgo sistémico”. Ahora, la retórica del libre mercado se utiliza con más soltura, más selectivamente: se asume cuando sirve a intereses especiales y se descarta cuando no es así. Sin complejos, el presidente de la patronal española llegó a exigir “un paréntesis” a la economía de mercado.

Hace escasamente año y medio, todavía la economía mundial continuaba en la senda de crecimiento más larga y profunda de la historia contemporánea. La teoría de los ciclos económicos parecía extinguida y el planeta se instalaba en el denominado ciclo Kondratief, una onda larga de prosperidad debida -se decía- a la confluencia de las nuevas tecnologías de la información y la comunicación (TIC) con la flexibilidad empresarial y la innovación financiera. Los mantras más citados eran los de la desregulación y la autorregulación. Hasta tal punto que cuando se encienden las primeras luces rojas de las dificultades hay una generación de jóvenes ejecutivos, los que mandan en muchas empresas y en bastantes Gobiernos, que no tienen puntos de referencia para saber lo que es una crisis y qué tratamiento preventivo darle.

Es muy interesante seguir las mutaciones que ha sufrido la naturaleza de esta crisis en apenas 18 meses: primero se identificó con el estallido de la burbuja inmobiliaria y el abuso en la concesión de hipotecas de alto riesgo; a ello se le añadió un tsunami protagonizado por las materias primas alimentarias y los elevadísimos precios de la energía, de modo que entonces se habló de “tormenta perfecta” y se hizo una equivalencia con los primeros años setenta del anterior siglo, al aparecer la estanflación (alta inflación y crecimiento cero). Cuando se hicieron sentir los primeros efectos de la sequía crediticia en forma de reducción del crecimiento económico bajaron los precios de las materias primas; como consecuencia de ello, la inflación dejó de estar en primer plano, pero a las víctimas de la coyuntura se añadieron los países emergentes, principales productores de materias primas, y de los que se había dicho que en esta ocasión estarían exentos del efecto contagio. Conforme pasaban las semanas y dejaba de funcionar el mercado interbancario debido a la desconfianza que las entidades se tenían entre sí (¿cuál de ellas tenía en su interior la metástasis de los productos estructurados y colaterales sin valor alguno en el mercado?), la crisis hipotecaria devino en crisis financiera y los Gobiernos salieron al rescate en el entendido de que la desconfianza de los ciudadanos en las entidades de crédito es la antesala de una catástrofe en la economía real. Hubo un momento en que en algunas plazas y sucursales bancarias los clientes, después de hacer colas para sacar sus ahorros, intentaban transmutar sus depósitos en lingotes de oro, en la creencia de que este metal precioso era la inversión más segura.

Sólo cuando los ciudadanos, airados, comenzaron a preguntarse en alto por qué habían de rescatar a quienes habían sido víctimas de su codicia, es cuando se sofisticó un poco el discurso: la mayor inyección de dinero público utilizada en la historia para salvar a los bancos en dificultades era tan sólo una etapa intermedia para salvar a la economía real. Lo que es bueno para Wall Street es también bueno para la calle. Proteger a Wall Street es proteger a Main Street. Así lo ve el grupo de banqueros con chistera y puro que aparecen en la tira satírica del New Yorker. Uno de ellos grita indignado: “¡Maldita sea, para nosotros Wall Street es Main Street”.

Las ayudas oficiales a la banca (”Aportaremos todo lo que sea necesario”, ha declarado Berlusconi, el más desvergonzado de los políticos actuales) han servido hasta ahora para detener el pánico de los clientes y para que emerja un hilillo de liquidez en los mercados, que se ha concretado en una pequeña baja de los tipos de interés (Euríbor y Líbor). Pero sigue sin saberse si tanto dinero aportado por el Estado se trasladará del sistema financiero al conjunto de las empresas con inmediatez, para que la situación tienda a normalizarse, y a qué precio. Esto era así hasta anteayer. Pero resuelta al menos en parte la dificultad financiera más urgente, los mercados bursátiles han reaccionado extraordinariamente a la baja cuando en el frontispicio ha aparecido el problema de fondo: el colapso de la economía real. La mayor parte de los países de la Organización de Cooperación y Desarrollo Económico (OCDE) -los 30 países más ricos del mundo- han entrado en recesión o están a punto de hacerlo (dos trimestres seguidos de reducción de sus productos brutos), y sin visos de salida. Además, el contagio afecta a muchos países emergentes, que han tenido que gastar las reservas de divisas en defensa de sus monedas, mientras aumenta su riesgo país y ven bajar los precios de sus exportaciones. Se ha llegado a la madre de todas las crisis. Cada uno de los pronósticos que han ido elaborando las organizaciones multilaterales (OCDE, Fondo Monetario Internacional, etcétera) se han tirado a la papelera en el mismo momento en que se hacían públicas. La velocidad de la metástasis es tal que todas las explicaciones de la coyuntura se han quedado antiguas en tiempo real. Aun hace dos fines de semana, en su asamblea semestral, el FMI preveía un ligero crecimiento en 2009 para el conjunto de las economías avanzadas y del orden del 6% en las emergentes. Sin embargo, el pasado miércoles, el Foro Económico Mundial sentenciaba: “La crisis financiera afecta ya a la economía real en un nivel alto y el riesgo de una profunda y prolongada recesión crece”.

Con esta crisis multiforme y poliédrica ha desaparecido también una forma de hacer la política económica, que ha sido dominante en el último cuarto de siglo. Aquella que había formalizado el dogma de que los mercados son los que mejor saben qué hacer. Del mismo modo que hay ciclos en la coyuntura también hay ciclos ideológicos que conceden el énfasis a las distintas herramientas económicas. Y ha comenzado otro. En el año 1936, el que probablemente ha sido el economista más influyente del siglo XX (y lo vuelve a ser ahora), John Maynard Keynes, escribió en su obra magna Teoría general de la ocupación, el interés y el dinero: “Las ideas justas o falsas de los filósofos de la economía y de la política tienen más importancia de lo que en general se piensa. A decir verdad, ellas dirigen casi exclusivamente el mundo. Los hombres de acción que se creen plenamente eximidos de las influencias doctrinales son normalmente esclavos de algún economista del pasado”. Las ideas keynesianas, tan menospreciadas en el último cuarto de siglo, están siendo aplicadas ahora por quienes tratan de sacar a la economía de la camisa de fuerza de la revolución conservadora y de la desregulación permanente. No por casualidad, sino como un signo de los tiempos, la Academia Sueca ha concedido hace unos días el Nobel de Economía a quien es uno de los neokeynesianos más insignes: Paul Krugman.

El New Deal del presidente Franklin Delano Roosevelt, respuesta a la Gran Depresión de 1929, inauguró un ciclo progresista de intervención en la económía que duró casi medio siglo y que ha sido denominado la edad dorada del capitalismo: el mundo creció mucho y los países más avanzados construyeron su Estado de bienestar. El 31 de diciembre de 1933, 10 meses después del inicio del New Deal, Keynes escribe una carta abierta al presidente en The New York Times, en la que le aconseja actuaciones adicionales, entre las que sobresale “una atención predominante en el más alto grado al incremento de la capacidad de compra resultante de los gastos públicos, financiados mediante créditos”.

A finales de los años setenta y principios de los ochenta se inició la revolución conservadora, que tuvo sus principales ideólogos en Margaret Thatcher y Ronald Reagan, y su continuidad en los neocons que han gobernado en la Casa Blanca y en la Reserva Federal. Francis Fukuyama, el constructor del concepto del fin de la historia, ha matizado aquella forma de entender el mundo y recientemente ha hecho un balance de ese tiempo: la revolución conservadora perdió su rumbo porque se convirtió en una ideología irrebatible, y no en una respuesta pragmática a los excesos del Estado de bienestar. En ella había dos conceptos sacrosantos: que las reducciones de impuestos se autofinanciarían y que los mercados financieros podrían autorregularse. Pues bien, el balance es clarificador: Reagan y Bush dejan a EE UU con gigantescos déficit, la economía creció tanto con Clinton como con Reagan y con superávit público, y de las secuelas de la autorregulación del mercado financiero tenemos suficientes ejemplos catastróficos en los últimos meses.

La crisis traza una frontera, la del final (por ahora) de otra edad dorada: el crédito fácil, la liquidez extrema, los riesgos fuera del balance, los sueldos astronómicos de los grandes ejecutivos ligados a la creación de valor a corto plazo y no a la calidad de lo que se fabrica o con lo que se trabaja, los cambios legales para facilitar la especulación sin límites y las zonas de sombra (el capitalismo gris), una psicología mediante la cual los ahorradores se convirtieron en inversores y los inversores en activos apalancados, la autorregulación como pretexto para administrar sin límites, etcétera.

Cada ciclo ideológico en economía está provocado por una crisis. El New Deal llegó por la Gran Depresión; la revolución conservadora, como reacción a la estanflación; y el paradigma que parece instalarse a principios del siglo XXI, por la crisis iniciada con las hipotecas subprime llevada al paroxismo. Las matrices que lo componen son las de la intervención del Estado siempre que sea necesaria, la regulación financiera, quien contamina paga (en relación a los activos tóxicos) y la necesidad de dotar de gobernanza a la globalización realmente existente. Por ello se ha dado tanta significación a la construcción de un nuevo Bretton Woods, en analogía con la Conferencia Monetaria y Financiera de las Naciones Unidas, celebrada en New Hampshire del 1 al 22 de julio de 1944, al final de la II Guerra Mundial, y que ha constituido hasta ahora el intento más ambicioso por configurar un nuevo orden económico internacional. Entonces participaron 44 países. Hoy se trata, como se declara con ampulosidad, de “refundar el capitalismo”: cambiar todo para que nada cambie.

Se trata de evitar otra Gran Depresión e ir, por el contrario, a una Gran Transformación, como tituló su libro de referencia Karl Polanyi en 1943. En él demostraba, acudiendo a la historia y a los datos empíricos, que no existe nada parecido a una mano invisible que ordene a los mercados; éstos se regulan por la acción del Estado. Hay que actualizar la Gran Transformación a la era de la globalización en la que los Estados tan sólo son entes intermedios.

11/10/2008 - 17:44h Retour au réel par la case désastre

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Editorial jornal Le Monde

Aux heures noires de la Grande Crise à New York, raconte le célèbre économiste John Kenneth Galbraith dans son livre sur le krach de 1929, les hôteliers demandaient aux clients réservant une chambre si c’était pour dormir ou pour sauter. Dans la tourmente de cet automne, ce ne sont plus des individus qui sautent, mais des banques entières, des établissements de crédit naguère follement prospères au point de léviter dans des bulles d’or redevenues citrouilles au minuit sombre des marchés mondiaux.

Le site du Guardian pointait vendredi que l’immeuble de Time Square, au coeur de Manhattan, affichant sur son fronton le montant de la dette publique américaine, n’a plus assez de place pour loger la quantité astronomique de milliards de dollars, précisément 10 299 050 383, une énormité due notamment au financement du plan Paulson et à la mise sous perfusion des agences Freddie Mac et Fannie Mae. Il a même fallu éliminer le symbole “$”, qui occupait la dernière case de l’affichage, pour que le passant puisse boire ce chiffre jusqu’à la lie… C’est à se demander si aucun banquier a seulement pris une fois la peine de lever les yeux pour regarder en face la “National Debt Clock”, trop occupé sans doute par le mirage du crédit facile et du risque prétendument éliminé par la titrisation des créances pourries.

Un poison à retardement courait dans les veines de la finance. Les secours étatiques sont restés impuissants à administrer le bon sérum. Comble de la maladie du capitalisme, les injections massives d’argent ne soulagent pas la douleur des banques ni ne ravivent les marchés.

Cette purge est avant tout la sanction du réel qui cogne à la porte sans ménagement. Il faut dire qu’il avait déjà prévenu. En août 2007, avec le véritable déclenchement de la crise des subprimes. Mais, à l’époque, la plupart des financiers éludaient le danger, ignorant la complexité perverse des outils circulant sur les marchés au point de s’affranchir des contraintes de prudence. Le réel avait encore frappé début 2008 avec la flambée des prix alimentaires et les tensions sur les énergies fossiles. Rien vu, rien dit, rien appris.

Devant pareil désastre, on ne peut que s’inquiéter des transgressions de nos sociétés que dévore le virtuel. N’existent pas, sauf dans les jeux vidéo, les guerres aux soldats qui ressuscitent. N’existent pas, sauf chez les apprentis sorciers, les femmes qui enfantent en plusieurs exemplaires à l’approche de la soixantaine. On peut aimer l’interrogation de Valéry : “Que serions-nous sans le secours des choses qui n’existent pas ?”, et crier gare devant un monde qui se construit sur des mirages. Des banques d’affaires qui prêtent plus de quarante fois leurs fonds propres, cela n’existe pas. Des ménages accédant sans effort financier à la propriété, cela n’existe pas davantage. La crise qui éclate le prouve : à posséder si peu de lest, bien des banques ont sacrifié la réalité à l’imaginaire, quitte à dérégler le thermomètre pour l’empêcher d’indiquer la fièvre. Inconscience, ivresse, cupidité, fuite en avant, l’affaire est entendue.

Et maintenant ? Comme dans les puits de pétrole en flammes que seule une énorme charge de dynamite parvient à éteindre par l’effet de souffle, seule une action concertée équivalente à l’attaque réussira. Qui peut la mener ? Pas les Etats-Unis uniquement, disqualifiés par l’échec d’un modèle libéral à l’anglo-saxonne. Après avoir longtemps cru à l’autorégulation des marchés, ils viennent de les anéantir par les pratiques intégristes de l’ère Bush.

La remise en cause de l’hyperpuissance américaine ne signifie pas le renforcement d’une Europe aux égoïsmes tenaces, comme l’illustre le refus allemand d’un plan commun. Pour autant, le capitalisme d’Etat façon russe ou chinoise ne saurait devenir le modèle à suivre, tant il se paie d’autoritarisme et d’inégalités aussi criantes qu’en Occident. La question reste entière : qui va poser la règle ? Qui la fera respecter ? Qui va nous ancrer au réel ? La sécurité financière doit devenir un droit mondial, garanti par des instances mondiales. Pour préserver la paix. Et une prospérité partagée, conciliable avec les ressources d’un monde fini.
Eric Fottorino

25/09/2008 - 08:29h Brics podem indicar saída para atoleiro

JIM O’NEILL ESPECIAL PARA O “FINANCIAL TIMES” – FOLHA SP

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A DESPEITO da magnitude dos desafios atuais, se já houve um bom momento para que os Estados Unidos e o mundo enfrentassem as notáveis dificuldades que vivemos, é este. E isso porque o consumo dos principais países de mercado emergente Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) parece capaz de compensar a desaceleração nos Estados Unidos. Um grande volume de demanda mundial continua a ser criado pelos Brics. Isso é especialmente válido no que tange à China, que em agosto viu uma aceleração de 15,9% nas vendas do varejo, já considerada a inflação. Os consumidores chineses estão contribuindo mais para o PIB (Produto Interno Bruto) mundial do que os infames consumidores dos Estados Unidos. Enquanto isso, o Brasil registrou crescimento muito mais forte que o esperado em seu PIB, no trimestre passado, com 6,1%.

Demanda

De acordo com as nossas mais recentes estimativas, até agora nesta década os países Brics apresentaram quase tanta demanda quanto os Estados Unidos. No futuro, a porção deles na demanda mundial começará a se encaminhar ao mesmo patamar ocupado pelas economias agregadas do G7 (grupo dos 7 países mais industrializados). Os Estados Unidos estão empreendendo uma dramática mudança de equilíbrio. Era óbvio há algum tempo que os consumidores norte-americanos estavam distendidos e que uma razão de consumo superior a 70% do PIB é insustentável. A tendência começou a se reverter no último ano. É bastante concebível que, ao longo dos próximos dez anos, o consumo caia para perto dos 60% do PIB, nos Estados Unidos. Para que o PIB mundial seja capaz de enfrentar a queda no consumo norte-americano, o consumo precisa subir em outros lugares. O consumo norte-americano, em 70% do PIB do país, equivale a 21% do PIB mundial. Caso caia a 60% do PIB dos Estados Unidos, equivalerá a apenas 18% do PIB mundial. O consumidor dos Brics pode ajudar a compensar esse fator e pode também receber alguma ajuda dos consumidores alemães e japoneses, ainda que de forma mais limitada. Isso significa que, no início desse período de ajuste, um crescimento mundial da ordem de 3,5% é perfeitamente viável, mesmo que não sejamos capazes de sustentar os 5%. Embora muita gente no setor de serviços financeiros, que compreensivelmente vem concentrando suas preocupações nos próprios problemas, acredite agora que existe uma compressão de crédito em toda parte, é improvável que todos os demais países enfrentem a mesma situação que os Estados Unidos. De fato, o que acontecer quanto ao preço do petróleo e de outras commodities provavelmente será muito mais importante, certamente para os grandes países de mercado emergente e talvez para alguns dos países desenvolvidos nos quais as restrições de crédito sejam menores, como na Alemanha e no Japão. Quanto a isso, os desdobramentos das últimas semanas parecem positivos. Os preços menores do petróleo são bons para a renda real disponível em muitos desses lugares, e isso quase certamente significa que a inflação cairá de forma acentuada nos próximos meses. Uma das grandes lições do crash das Bolsas em 1987, e também da crise da Long-Term Capital Management em 1998, é que, ao agir com rapidez, as autoridades conseguiram isolar os mercados financeiros do restante da economia. A economia dos Estados Unidos e a mundial não entraram em recessão, nos dois casos. As lições deveriam ser lembradas quanto às ações que estão sendo empreendidas pelas autoridades dos Estados Unidos. Apoiar a Fannie Mae e a Freddie Mac, apoiar a AIG e agora propor uma versão modernizada do resgate às instituições de poupança e empréstimos pela RTC são as medidas necessárias a garantir que os males do setor bancário não causem crise econômica mundial generalizada.

Condições melhoram

Prever para onde vamos nos próximos dias e semanas seria ousadia. Mas as condições para uma recuperação significativa nos mercados de capitais melhoraram dramaticamente, não menos por efeito do senso de “crise”, que facilita as ações das autoridades. As ações das autoridades norte-americanas e chinesas na semana passada mostram que os líderes das duas economias possivelmente mais importantes do mundo estão agindo de maneira proativa para conter a crise. Agora, todas as atenções estarão concentradas nos demais países dos quais se espera resposta igualmente proativa. No Reino Unido, por exemplo, onde os empréstimos hipotecários caíram de maneira dramática e a economia é mais fraca que a dos Estados Unidos, algumas medidas econômicas criativas para mitigar os efeitos de desaceleração cíclica de outro modo severos deveriam ser consideradas seriamente.

JIM O’NEILL é economista-chefe do Goldman Sachs

17/09/2008 - 20:16h Crise se agrava e bancos nos EUA correm para fechar acordos

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JACK REERINK – REUTERS – AGENCIA ESTADO

NOVA YORK – Uma onda de desesperadas negociações entre instituições financeiras invadiu Wall Street nesta quarta-feira, dia em que as ações atingiram mínimas em três anos em meio a novos sinais sobre a fragilidade do setor.

O Morgan Stanley estava discutindo uma fusão com a potência bancária Wachovia, segundo noticiou o New York Times. O presidente-executivo John Mack recebeu um telefonema do Wachovia nesta quarta-feira, mas também está em busca de outras opções, segundo o jornal.

“Neste mercado, qualquer coisa é possível. Parece que o mercado quer que o modelo de banco de investimento desapareça”, disse Danielle Schembri, analista de corretoras do BNP Paribas em Nova York.

O Washington Mutual, maior banco de poupança do país, colocou-se à venda, segundo fontes, confirmando uma notícia do New York Times. Potenciais interessados incluem Citigroup, JPMorgan, Wells Fargo e HSBC, de acordo com as fontes.

Mais tarde o chairman do Wells Fargo disse que não iria revelar no que “nós estamos ou não interessados”.

Já a concessora de hipotecas britânica HBOS chegou a um acordo em ações com o Lloyds TSB para criar uma gigante hipotecária de 28 bilhões de libras (50 bilhões de dólares).

A onda de acordos em potencial segue o resgate surpresa, no valor de 85 bilhões de dólares, da seguradora AIG pelo Federal Reserve na véspera, um movimento que não conseguiu acalmar os mercados.

“Parem a insanidade”, pediu um relatório do UBS quando as ações financeiras estavam em queda livre.

O resgate da AIG segue o colapso do Lehman Brothers Holdings e a venda da Merrill Lynch para o Bank of America Corp, além de movimentos de bancos centrais em todo o mundo para inundar o sistema financeiro com recursos.

“O medo agora é sobre quem será o próximo”, afirmou John O’Brien, vice-presidente sênior do MKM Partners. “Quase parece que as pessoas pegam um livro e dizem qual será o próximo alvo. E isso espalha um temor contínuo.”

As ações do Morgan Stanley caíram 43 por cento e as do Goldman recuaram 27 por cento, mesmo após ambos divulgarem resultados trimestrais acima do esperado na terça-feira.

Isso levantou comentários de que os dois principais bancos de investimentos dos Estados Unidos que ainda restam podem ter que se juntar a um banco comercial para sobreviver à turbulência.

“Acho que o Goldman Sachs e o Morgan Stanley se tornarão parceiros de dança. Eles não querem ser… a vítima desta semana”, disse William Larkin, gestor de renda fixa do Cabot Money Management.

O custo de proteção da dívida do Morgan Stanley e do Goldman saltou, refletindo os temores dos investidores de que seus títulos não sejam mais seguros que aquelas considerados como “junk”. O porta-voz do Goldman Lucas van Praag disse que a queda dos papéis da empresa é “resultado de um temor completamente irracional e não é baseado em fundamentos”. O Morgan Stanley culpou os investidores de curto prazo.

Enquanto isso, a Casa Branca disse estar “preocupada sobre mais empresas”.

E em um sinal de uma ação regulatória com pouco efeito aparente, a SEC, o órgão regulador do mercado de capitais dos EUA, restringiu as vendas a descoberto.

“Parece que a SEC está um dia atrasada… O Morgan Stanley claramente está na mira dos vendedores a descoberto”, disse Andrew Brenner, vice-presidente sênior do MF Global.

As autoridades norte-americanas já gastaram 900 bilhões de dólares para aliviar os problemas dos setores financeiro e imobiliário. Grande parte desse dinheiro pode ser recuperado, se os ativos não caírem ainda mais.

Neste ano, o governo já socorreu as agências hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac e o Fed estruturou a venda do falido banco de investimento Bear Stearns ao JPMorgan Chase .

(Colaboraram Svea Herbst-Bayliss, Jon Stempel, Jennifer Ablan, Joseph Giannone, Jeffrey Hodgson e Kevin Plumberg)

22/03/2008 - 12:17h Atuando como em 1929

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Paul Krugman – O Globo

Se Ben Bernanke conseguir salvar o sistema financeiro do colapso, será — corretamente — elogiado pelo esforço heróico. Mas o que devemos nos perguntar é: como chegamos até aqui? Por que o sistema financeiro precisa de salvação? A resposta é que estamos pagando o preço por uma amnésia intencional. Optamos por esquecer o que aconteceu nos anos 1930 — e, tendo nos recusado a aprender com a História, estamos repetindo-a.

Ao contrário da crença popular, o crash de 1929 não foi o marco da Grande Depressão.

O que transformou uma recessão normal em um colapso ameaçador foi a onda de corrida aos bancos que varreu a América em 1930 e 1931. A crise bancária mostrou que mercados não regulamentados também podem sofrer um colapso catastrófico. Com o passar do tempo, porém, a lição foi esquecida. Estamos reaprendendo, do pior modo.

Os bancos existem porque ajudam a conciliar desejos de poupadores e devedores. Às vezes — com base, freqüentemente, em boatos —, enfrentam corridas, em que muitas pessoas tentam retirar seu dinheiro ao mesmo tempo. E um banco que sofre uma corrida pode quebrar mesmo se o rumor for falso. Pior, as corridas podem ser contagiosas.

Isto, em suma, foi o que aconteceu em 1930-1931. O Congresso, então, tentou garantir que isso nunca mais ocorreria, criando um sistema de regras e garantias para fornecer uma rede de segurança.

E vivemos felizes por um tempo — mas não para sempre.

Wall Street operou sob regras que limitavam o risco, mas também o lucro. Pouco a pouco, libertou-se — em parte, persuadindo políticos a relaxar as regras, mas, sobretudo, criando “um sistema bancário sombrio”, com base em complexos arranjos financeiros para contornar os regulamentos.

Hoje, de fato, estamos atuando como se fosse 1929 — mas agora é 1930.

A atual crise é, basicamente, uma versão atualizada daquela onda de corrida aos bancos.

O resultado é um círculo vicioso de restrição financeira.

O Sr. Bernanke está fazendo o que pode para encerrar esse círculo. Podemos apenas torcer pelo sucesso. Caso contrário, os próximos anos serão muito desagradáveis. Mas, ainda que o Sr. Bernanke resolva, esta não é a maneira de gerir uma economia. É hora de reaprender as lições dos anos 30, e fazer com que o sistema opere, de novo, sob controle.

17/03/2008 - 15:30h Economia USA: tem um piloto no avião?

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A coisa esta para lá de feia. O FED esta esgotando sua capacidade de intervenção na crise e os instrumentos monetários já não parecem surtir efeito. Estamos assistindo a uma queda acelerada dos valores em bolsa um subida fulgurante do oro, típico refugio perante a depreciação generalizada das ações e das moedas. Não é só um guindaste que esta desabando em Manhatam, mas uma boa parte dos bancos, do sistema financeiro e da economia norte-americana.

Mais que nunca a crise do “lidership”, da pusilanimidade e incompetência do governo Bush reforça o pânico e sem uma ação a altura do buraco, as coisas podem estourar de vez.

Estamos ante a pior crise financeira dos Estados-Unidos desde os anos 30. Será ilusão pensar que nada temos a ver com isso. Seus efeitos, como ondas no mar, atingirão nossa praia.

Ainda bem que nossos fundamentos foram reforçados e que nosso mercado é menos dependente da recessão brava que tem como epicentro os USA. Dito isto, é bom reforçar esses fundamentos com uma boa dose de ortodoxia e de calma “palocciana”, porque tudo mundo vai sentir a turbulência.

Vai ser das bravas.

09/08/2007 - 14:58h La crise américaine des subprime mortgage, nul ne peut prédire aujourd’hui quel sera l’impact

Analyse

Une mondialisation heureuse mais heurtée

Le Monde

C’était peut-être trop beau pour durer. Après plusieurs années d’une croissance sans précédent, profitant aux pays les plus riches comme aux nations les plus pauvres, l’économie mondiale, entraînée dans un cycle vertueux dont on pensait qu’il ne finirait jamais, se trouve brutalement menacée par la crise immobilière américaine.

Les experts avaient pourtant espéré, voire prédit, que celle-ci resterait cantonnée aux Etats-Unis, qu’elle ne provoquerait de dégâts que dans de petites institutions spécialisées punies pour avoir pris des risques inconsidérés en accordant des prêts à des personnes à peine solvables. Mais voilà qu’elle touche maintenant de grandes banques prestigieuses, américaines mais aussi asiatiques et européennes.

En Allemagne, le ministre des finances Peer Steinbrück a dû interrompre ses vacances pour voler au secours d’une banque en perdition, IKB, une déroute qualifiée de “plus grave crise bancaire depuis 1931″ par le patron du régulateur boursier d’outre-Rhin.

Devant ces nouvelles inquiétantes, les investisseurs prennent peur, ce qui fait grimper les taux d’intérêt et fait chanceler les Bourses. Et c’est tout le système financier international qui est déstabilisé et, avec lui, l’économie mondiale.

Celle-ci allait pourtant si bien. Fin juin, le directeur général de la Banque des règlements internationaux (BRI), Malcolm Knight, évoquait même un “âge d’or”. Dopée par le décollage des BRIC (Brésil, Russie, Inde, Chine), pays de moins en moins émergents, la croissance économique mondiale s’est élevée à 5,4% en 2006. La planète n’avait pas connu une augmentation aussi rapide de sa richesse depuis les années 1960. Surtout, jamais celle-ci n’a été aussi équitablement redistribuée. Même l’Afrique, laissée-pour-compte économique des deux dernières décennies, a vu son PIB progresser de 5,5% en 2006.

N’en déplaise aux détracteurs de la mondialisation, cette croissance exceptionnelle permet une diminution spectaculaire de la pauvreté dans le monde : 985millions de personnes vivaient avec moins de 1dollar par jour en 2004, contre 1,25 milliard en 1990.

De façon tout aussi inédite, cette forte croissance ne s’est accompagnée d’aucune poussée d’inflation, malgré la flambée des cours des matières premières. Cette sagesse des prix apparaît là aussi comme une conséquence bénéfique de la mondialisation, la concurrence effrénée à laquelle se livrent les entreprises les empêchant d’augmenter le prix de leurs produits.

Autre élément nouveau, les déséquilibres commerciaux gigantesques sont absorbés sans difficultés – en particulier sans crise de change –, les excédents des uns venant financer les déficits des autres : pour acheter des T-shirts made in China, les Américains creusent des trous que Pékin s’empresse de combler en acquérant massivement des emprunts du Trésor des Etats-Unis.

Dernier volet de ce panorama de rêve : malgré la concurrence des pays émergents et les mouvements de délocalisations industrielles, le chômage est tombé à des taux historiquement bas dans les pays industrialisés (4,6 % aux Etats-Unis, 3,7 % au Japon, 6,9 % dans la zone euro). Des niveaux qui démentent l’idée selon laquelle la mondialisation est l’ennemie de nos emplois et les Chinois et les Indiens nous volent notre travail.

“LES ÉPISODES SPÉCULATIFS NE SE TERMINENT JAMAIS EN DOUCEUR”

Après avoir évoqué l’âge d’or de l’économie mondiale, le directeur de la BRI indiquait en juin que l’excellence de la conjoncture économique était “si insolite” qu’il fallait s’interroger sur sa “pérennité”. Un doute prémonitoire.

Car, si la mondialisation est heureuse, elle est aussi heurtée, pleine de chocs et d’ondes de choc. Que le moral des ménages américains flanche parce que la valeur de leur logement baisse, et ils consommeront moins. Dans ce cas, les exportations chinoises baisseront, Pékin achètera moins d’emprunts d’Etat américains, les taux d’intérêt s’envoleront aux Etats-Unis, le dollar plongera, l’euro s’envolera, étranglant les exportations européennes. Tout le monde, au final, souffrira. L’enchevêtrement des échanges commerciaux, des participations capitalistiques et des intérêts financiers a une conséquence : aussi sûrement que la croissance des uns fait la prospérité des autres, la crise économique chez les uns entraîne presque fatalement de fortes turbulences chez les autres.

La mondialisation est pleine de chocs car elle est pleine de bulles spéculatives. La financiarisation de l’économie favorise leur apparition (les actifs financiers représentent 160 000 milliards de dollars [115 976 milliards d'euros], soit trois fois le PIB de la planète), tout comme le laxisme des banques centrales, très dures en paroles mais très généreuses dans les faits, ce qui permet aux spéculateurs de se livrer à leur sport favori.

Après les bulbes de tulipe en Hollande au XVIIe siècle ou le krach de 1929, voilà donc la crise américaine des subprime mortgage, dont nul ne peut prédire aujourd’hui quel sera l’impact.

Certains rêvent déjà d’un grand soir financier qui remettrait en question une libéralisation économique qu’ils jugent débridée et l’omnipotence des marchés, qu’ils estiment antidémocratique. D’autres affirment au contraire que l’économie mondiale a récemment démontré sa résilience, sa capacité à corriger ses excès et à surmonter les chocs : les pays d’Asie affichent des performances économiques exceptionnelles, dix ans après la crise financière qui les avait mis à terre; le gigantesque krach des valeurs technologiques de 2000 n’est plus qu’un lointain souvenir.

“Ce que nous savons avec certitude, expliquait l’économiste américain John Kenneth Galbraith, c’est que les épisodes spéculatifs ne se terminent jamais en douceur. Il est sage de prédire le pire, même s’il est, selon la plupart des gens, peu probable.”

Pierre-Antoine Delhommais