02/10/2008 - 12:04h Kassab esconde fila de espera em creches e escolas

JT (Jornal da Tarde)

24/09/2008 - 18:35h Folha sabatinou Marta

foto Cesar Ogata
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Na sabatina da Folha, Marta deixou claro o centro das divergências que opõem o PT a administração demo-tucana.

Para estes últimos, o Estado deve ser reduzido a sua mínima expressão. Não é por acaso que sempre se comparam com “gerentes” ou administração de empresa. Uma boa administração pública para eles, é a que dá lucro, no caso dinheiro aplicado no banco. Hoje mais de R$ 4 bi da prefeitura estão no banco: falta remédios, médicos, creches, habitação, e investimentos; mas o dinheiro está no banco. Mas isto não significa que sejam ecônomos ou comedidos em matéria de endividamento, carga tributária ou contratos a preços acima do mercado. Basta ver o endividamento em que deixaram o Brasil após 8 anos de FHC e o patamar em que deixaram a carga tributária, para perceber que é lorota o de austeros administradores.

Para o PT o Estado é um instrumento de redistribuição, permitindo que os impostos recolhidos na base de quem ganha mais e paga mais, sejam investidos em serviços a população “corrigindo” assim, em parte, a desigualdade social existente na sociedade.

As reduções de impostos não devem ser em detrimento da ação do Estado e sim para ampliar a geração de riqueza que sustente a ação redistributiva do próprio Estado.

Marta mostrou que a atual administração é incompetente para gastar, apesar das necessidades crescentes da população e da cidade, privilegiando as aplicações financeiras. Foi assim, incluso com o dinheiro federal, que não foi utilizado no SAMU por exemplo. Os exemplos, que Marta forneceu foram vários.

Marta mostrou que deixou as finanças em melhores condições que quando ela assumiu a prefeitura. Explicitando ao mesmo tempo, o esforço que significou recuperar São Paulo após a passagem de Pitta e tendo que pagar 13% do orçamento pela dívida negociada entre Pitta e FHC.

Mesmo assim, com R$ 10 Bilhões a menos em valores atualizados, Marta criou 800 equipes de Saúde da Família, contra 200 mais na atual gestão 150 das quais sem médicos. Construiu 45 UBS novas e municipalizou a saúde, iniciando a construção dos dois hospitais, M’BoiMirim e Cidade Tiradentes (Kassab transformou 99 UBS em AMA e criu 13 AMAS novas); Marta construiu 21 CEU’s (contra 13 da atual gestão), construiu mais de 100 Km de corredores de ônibus, contra 8 Km da atual gestão; deu uniforme e material escolar; Vai e Volta; 8 programas sociais como o Renda Mínima, para quase 300 mil famílias.

Convidada a comentar o único programa implantado em 4 anos pela atual gestão, o Cidade Limpa, Marta mostrou que para ser limpa, a cidade precisa mais que proibir outdoors, ela precisa coleta seletiva, aterros sanitários, centrais de compostagem e recolher o lixo das favelas.

Nestas questões as concepções divergentes indicadas no começo desta nota foram ilustradas praticamente. Kassab pediu para reduzir o valor dos contratos e em contrapartida abriu mão destas exigências impostas por Marta nos contratos. A “economia”, pífia, em troca de deixar o lixo nas favelas, com conseqüências ambientais e de saúde pesadas, não compensa.

Por último, Marta mostrou a importância de internet para entrar de cheio na era digital, combatendo a exclusão digital das maiorias e de propulsar significativamente a construção de metrô para recuperar o atraso gigantesco nesta área, após 14 anos de governos demo-tucanos dos quais 8 anos com FHC como presidente. LF

23/09/2008 - 09:06h A cada dia o nariz alonga mais

Clique na imagem para ampliar e ler o jornal AGORA SP
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22/09/2008 - 10:05h Clóvis Carvalho não deveria rir à toa

Moacyr Lopes Jr. - 15.set.08/Folha Imagem
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Secretário Clóvis Carvalho (esq.), fundador do PSDB, ao lado do prefeito Gilberto Kassab (DEM), ataque a Alckmim e apoio a Kassab


“Quando o Geraldo diz “vou criar 150 mil vagas”, faz-me rir. É ingenuidade ou oportunismo. Ou ele quer enganar ou está enganado.” (Clóvis Carvalho, tucano pro-Kassab em entrevista a Folha SP, hoje).

O Clóvis tem razão de rir, para não chorar, pois a coisa é séria. Deveríamos enviar telegramas e cartas a todos os jornais para manifestar nosso apoio a Clóvis e em coro dizer que uma promessa como essa é oportunismo, sim. É querer enganar, sim.

Clóvis deveria dizer mais claro ainda. Ele deveria proclamar:  Não vote em quem propõe tamanha mentira e demagogia.

“Assumi o compromisso de que, no futuro governo, não ficará uma única criança sem creche” ( Sabatina de Kassab no jornal O Estado de São Paulo).

“Na sabatina, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) prometeu zerar o déficit de 110 mil vagas em creches. Para isso, foi questionado se vai entregar cerca de 700 novas unidades em quatro anos, o que representaria uma a cada dois dias de mandato. Hoje, em média, cada creche atende 160 crianças. Se for seguido esse número, seriam necessárias 687 unidades.” (Folha SP, Sabatina de Kassab).

Clóvis vai rir amarelo. O único que prometeu que vai criar “150 mil vagas em creche” é o candidato dele, Gilberto Kassab.


Luis Favre

15/09/2008 - 08:20h Siraque, Oswaldo e Marta prometem gestão integrada


Aline Bosio - Repórter Diário

Osvaldo Ventura
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Comício petista na região do Jardim Sônia Maria.

Os candidatos petistas a prefeito Vanderlei Siraque, de Santo André, Oswaldo Dias, de Mauá, e Marta Suplicy, de São Paulo, realizaram neste sábado (13) um comício em conjunto na região do Jardim Sônia Maria, onde as divisas dos três municípios se encontram. Na ocasião, os prefeituráveis reafirmaram o compromisso de implantarem uma gestão conjunta para toda a Região Metropolitana. Apesar da manhã chuvosa, cerca de 500 militantes acompanharam o evento.

“Vamos fazer uma gestão integrando as três cidades para resolver problemas em comum, como drenagem do solo nas áreas de enchente, problemas com o IPTU, saúde e vagas na creche”, lembrou Marta. A mesma opinião é dividida por Siraque, que afirmou ainda que a parceria será fundamental para a segurança pública. “Não podemos ficar espantando os bandidos para cidades vizinhas. Já que o governo do Estado não faz a parte dele, os prefeitos eleitos podem trabalhar para acabar com os ambientes propícios para o crime”, completa.

Já Oswaldo Dias quer fazer com que os trens da CPTM se tornem metrôs de superfície. “A Marta pode nos ajudar nesta reivindicação, já que esse seria um benefício para cinco das sete cidades do ABC, pois a linha férrea passa pela maioria delas”, acrescentou. Para a alegria de Dias, Marta assumiu o compromisso de completar a extensão da Jacu Pêssego até a cidade, interligando Guarulhos a Mauá, contribuindo para o desenvolvimento econômico da região a partir da chegada de novas empresas.

O comício serviu ainda para que os candidatos comemorassem a descoberta do pré-sal e do alto nível de aceitação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Com a descoberta do pré-sal vamos nos tornar um país rico, mas para que isso ocorra precisamos investir na tecnologia, assim como já vem sendo feito pelo atual presidente”, disse Marta. “Vamos conquistas as prefeituras para darmos força ao futuro candidato à presidência da República em 2010″, finalizou.

Também participaram do ato político o senador Aloizio Mercadante, o deputado federal José Genoíno e o deputado estadual Donisete Braga, além de candidatos ao Legislativo das três cidades.

11/09/2008 - 12:13h Confissão tucana

“Diante de Serra, Alckmin listou carências da cidade, como falta de vagas em creches e de escolas. Não poupou o trânsito: “Vou à Varginha, 6h, e no ônibus, duas horas e meia, naquele aperto, naquele sofrimento, uma mulher diz: “Dr Geraldo, estamos levando cinco horas para ir e voltar do trabalho’”. (Folha SP - “Ao lado de Serra, Alckmin ataca Kassab”)

 

Foto: J.F Diório/ Agência Estado
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04/09/2008 - 12:46h Os “flagras” mais grosseiros da sabatina de Kassab no Estadão

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METRO

KASSAB: “Nós estamos colocando R$ 1 bilhão em metrô”.

GASTO REAL: R$ 275 MILHÕES ENTREGUE AO GOVERNO ESTADUAL DOIS MESES ATRÁS.

CORREDORES

KASSAB: “Eu não vou ser leviano aqui de dizer que vou fazer 200, 300 quilômetros de corredor. Vou fazer bons corredores. (…) Foram 62 quilômetros. Se ao longo da próxima gestão fizer mais dois corredores com essas características, eu terei deixado, em 6 anos de gestão, 120 quilômetros de bons corredores”.

EM 4 ANOS A GESTÀO SERRA-KASSAB FEZ 10 QUILÔMETROS DE CORREDOR, INCLUINDO A FINALIZAÇÀO DE 8 KM DO FURA-FILA.

 

CRECHES

KASSAB: “Marta fez 15 mil vagas em creches, nós fizemos 43 mil. Assumi o compromisso de que, no futuro governo, não ficará uma única criança sem creche”.

MARTA FEZ 38.446 VAGAS EM CRECHES (24.955 nas diretas e 13.491 nas creches conveniadas). EM 4 ANOS A GESTÀO SERRA-KASSAB FEZ 37.867 VAGAS CONVENIADAS E O NÚMERO DE CRIANÇAS MATRICULADAS EM CRECHES DIRETAMENTE DA PREFEITURA É MENOR QUE NA ËPOCA DE MARTA.

O DEFICIT DE DEMANDAS DE VAGA EM CRECHE É HOJE, SEGUNDO A PREFEITURA DE 110 MIL. SÓ NO GRAJAU NASCEM MAIS DE 400 CRIANÇAS POR DIA, OU SEJA PARA CUMPRIR A PROMESSA KASSAB DEVERÁ ENTREGAR A CADA DIA,  DURANTE 4 ANOS,  TRÊS CRECHES DE 150 VAGAS  POR DIA ; SÓ NO GRAJAÚ.

 

CEU

KASSAB: “Por exemplo, os CEUs, foi um bom projeto para a cidade. Até fiz mais CEUs que ela, acho que melhores, com capacidade para mais alunos, renegociei a licitação que ela tinha feito e reduzi, em média, 25% dos valores.”


MARTA FEZ 21 CEU E DEIXOU TODOS ELES FUNCIONANDO. ARRUMOU OS LOCAIS E LICITOU A CONSTRUÇÃO DE MAIS 25. KASSAB FEZ 13 CEUs NESSES LOCAIS, COM PREÇO SUPERIOR AO ESTABELECIDO NAS LICITAÇÕES, ENTRE 8% e 54%.
(VER O CEU e a verdade
)

Luis Favre

03/09/2008 - 12:31h O CEU e a verdade

Em 26 de junho, dois meses atrás, postei aqui no blog (Com os demo-tucanos na prefeitura o CEU fica lá acima, mesmo!) um levantamento mostrando que os 13 CEU’s que Kassab construiu eram menores, com menos piscinas, menos vagas nos teatros, que os 21 CEU’s que Marta realizou na cidade. Mostrei que os CEU’s construidos por Kassab eram, além do que, mais caros. Não só mais caros que os CEU’s que Marta fez. OS CEU’s feitos por Kassab eram incluso mais caros que o preço pelo qual tinham sido licitados no final da gestão de Marta. Kassab pagou de 8% a 54% a mais do preço estipulado na licitação, mesmo mudando o projeto para menor, com menos equipamentos.

A mídia recusou-se a tratar do assunto para não contradizer a campanha demo-tucana. Resultado desta verdadeira “omertá”, onde a mídia finge não ver o interesse no assunto e Kassab finge acreditar no que proclama, hoje em entrevista ao jornal O Globo, Kassab afirmou:


“Todos os CEUs tiveram descontos expressivos de 5%, 4%. Não vou dizer que é irregularidade. Seria leviano.” (Gilberto Kassab, entrevista ao jornal O Globo hoje - 3/9/2008)

Pois bem, a declaração é uma inverdade e os números da própria Prefeitura desmentem a afirmação do candidato demo.

Veja os dados extraidos do site da prefeitura - da Secretaria Municipal de Infra-estrutura Urbana e Obras

As cifras da primeira coluna são os valores previstos na construção desses CEU’s, no fim da gestão Marta Suplicy, seguidos na outra coluna pelos valores pagos pela atual gestão e por último o percentual a mais pago por cada um dos CEU’s.

Vila Rubi R$ 25.000.000 R$ 29.214.443,61 +16,9%
Vila Jaçana (tremembé) R$ 25.000.000 R$ 27.072.436,62 + 8,3%
Água Azul R$ 25.000.000 R$ 31.444.763,14 + 25,8%
Azul da cor do mar R$ 25.000.000 R$ 29.507.944,10 + 18%
Quinta do Sol R$ 20.800.000 R$ 23.144.938,29 + 11,3%
Lajeado R$ 20,400.000 R$ 26.129.122,01 + 28,1%
Guarapiranga R$ 21.700.000 R$ 26.849.571,61 + 23%
Vila do Sol R$ 20.900.000 R$ 28.918.401,07 + 38,4%
Feitiço da Vila R$ 25.000.000 R$ 38.498.811,31 + 54%


 

No post de junho, reproduzido a seguir, manifestei minha credulidade que a mídia trataria do assunto. Hoje fica evidente que não o fará.  

Luis Favre

CEU Vila Rubi inaugurado por Serra e Kassabhttp://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/46/CEUvilarubi.jpg/200px-CEUvilarubi.jpg

Existe hoje um consenso entre os principais candidatos à Prefeitura de São Paulo em favor do desenvolvimento do CEU (Centro Educacional Unificado) na educação municipal de São Paulo.

Em 2004 o DEM e o PSDB eram contrários aos CEU’s. Quando Serra e Kassab assumiram a prefeitura em 2005 suspenderam a expansão dos novos CEU’s já previstos e licitados. Finalmente em novembro 2005 a prefeitura decidiu retomar a construção das unidades planejadas na gestão de Marta Suplicy.

A Folha de São Paulo em artigo sobre a decisão de Serra e Kassab, de retomar os CEU’s, lembrava: ” O projeto dos CEUs centralizou as discussões na campanha eleitoral entre Serra e Marta. Enquanto a petista entregou 21 unidades durante seu primeiro mandato e prometia mais 24 caso fosse reeleita, Serra rebatia que os CEUs consumiam 40% dos gastos de custeio da educação, abrigando 5% dos alunos da rede.” (FSP 26/11/2005). Afirmavam também os demo-tucanos que primeiro construiriam as vagas em creches e só depois, se sobrasse dinheiro fariam os CEU’s. As vagas em creche continuam aguardando, mas pelo menos retomaram os CEUs e, mesmo inacabados, inauguraram vários.

A retomada dos CEU’s foi uma boa decisão, mesmo se acompanhada de uma reformulação dos projetos, mais “feios” na nova versão e com menos equipamentos, justificados pelos demo-tucanos para reduzir os custos dessas unidades, denominadas anteriormente “obras faraônicas”.

“Os novos CEUs serão horizontais e não terão elevadores. “Decidimos substituir por rampas de acesso, pois a manutenção é muito cara e nunca encontrei todos os elevadores funcionando quando visitei os CEUs”, disse Serra.
De acordo com a Secretaria da Educação, as cinco novas unidades manterão o padrão dos construídos na gestão passada, com duas quadras esportivas abertas e uma coberta, teatro, biblioteca, pista de skate e Telecentro (sala com computadores conectados à internet). O número de piscinas será menor: de três para duas.” (FSP idem anterior)
.
Cada vez que este tema volta a pauta os demo-tucanos fazem questão de afirmar que com eles os CEU’s ficariam mais baratos e preencheriam o mesmo objetivo.

Na sua coluna o jornalista Gilberto Dimenstein comentava na época sobre a decisão de Kassab de retomar os CEU’s: ” A construção de CEUs (Centros Educacionais Unificados) é uma bandeira da gestão de Marta Suplicy (PT) que o atual governo, após a posse de José Serra (PSDB), abandonou -com críticas ao projeto, especialmente ao preço de cada unidade, perto de R$ 20 milhões- e que Kassab retomou no ano passado.

O prefeito, que tenta se viabilizar como candidato à reeleição em 2008, aposta na educação como uma de suas bandeiras. A construção de CEUs tem um motivo político, mais até do que educacional: ter base para comparar a sua gestão à de Marta, sua provável e mais forte adversária.”

Os 21 CEU’s construidos durante a gestão Marta Suplicy, inaugurados entre 2003 e 2004 tiveram um custo entre R$17 e R$20 milhões de reais. Até hoje o jornal O Estado de São Paulo considera esses investimentos um absurdo só justificado pelo objetivo eleitoreiro.

Pois bem, os CEU’s “faraônicos” de Marta, na versão menos “luxuosa” e mais ponderada dos bons administradores demo-tucanos, passaram por um processo de aumento do custo que exige explicações convincentes para a opinião pública. TENHO CERTEZA QUE A MÍDIA COBRARÁ COMO SE DEVE ESSAS EXPLICAÇÕES.

No dia 7 de junho Kassab inaugurou o CEU (Centro Educacional Unificado Feitiço da Vila). O custo deste CEU segundo release enviado pela própria prefeitura foi de R$36,9 milhões.

Olhando mais de perto a partir desta informação, só publicada no jornal Diário de São Paulo, descobri, nos CEU’s já inaugurados mesmo muitos deles inacabados, os valores da tabela acima.

 

02/09/2008 - 08:31h Marta expõe suas idéias em sabatina do grupo Estado

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Marta admite meta diferenciada de desempenho escolar na periferia

Durante sabatina promovida pelo Grupo Estado, candidata do PT à prefeitura prometeu dar autonomia para que as escolas do município estabeleçam seus objetivos e façam sua própria avaliação

Daniel Bramatti e Guilherme Scarance - O ESTADO DE SÃO PAULO

A candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, revelou que, se eleita, dará autonomia às escolas municipais, para que elas próprias definam as metas de desempenho dos alunos e apontem as carências de formação de seus professores. O anúncio foi feito ontem, durante sabatina promovida pelo Grupo Estado, no seu auditório. Hoje será a vez de o tucano Geraldo Alckmin responder às questões de jornalistas e do público. O evento será transmitido ao vivo pela TV Estadão, no portal www.estadao.com.br, das 11 às 13 horas.

link Assista à íntegra da sabatina com a candidata Marta Suplicy, do PT

Marta não quis se comprometer com a eliminação do déficit de creches na cidade. “Vou fazer o máximo que o dinheiro der”, disse a ex-prefeita, sem citar números.

A petista admitiu ter abandonado uma promessa que fez em 2004, quando era prefeita e concorreu à reeleição - a criação do chamado CEU Saúde, estrutura semelhante aos Centros Educacionais Unificados, mas voltada para o atendimento médico. Para Marta, a idéia era “perfeita”, mas “ficou como um factóide”. Segundo ela, a execução do projeto ficou inviabilizada porque a gestão de José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM) na priorizou outro modelo, o das AMAs.

A seguir, os principais trechos da sabatina:

REGIÃO METROPOLITANA

“Temos a perfeita consciência de que isso aqui é o coração do Brasil e você não pode administrar essa região toda sem ter uma conversa entre os responsáveis por cada município. (…) O que sempre dificulta é quando você é o mais poderoso e quer mandar. Então, temos de fazer uma coisa muito equânime, conversada, muito bem dialogada. Agora tem uma coisa boa que eu notei. O PT está com muita possibilidade de ganhar em várias cidades importantes, as que têm mais peso. Isso facilita.”

META PARA CRECHES

“Acho que é bobagem. Quando cria essas metas, primeiro, são aleatórias. Pode dizer: vou zerar o déficit de creches na cidade. Seriam duas creches por dia. Então, eu nunca fui de prometer o que não posso fazer. As pessoas que acompanharam minha administração sabem o quanto fiz de creche - fiz mais creche que as gestões Maluf e Pitta juntas. Eu sou mulher, sei da importância da creche para a mulher e sei da importância do salário a mais da mãe. E sei, principalmente, como psicóloga, da importância para a criança de uma creche decente. Vou fazer o máximo que o dinheiro der.”

AUTONOMIA DAS ESCOLAS

“Vamos dar autonomia para as escolas e condições para que os professores trabalhem numa escola só. A escola faz a sua própria avaliação e cria a sua meta. E ela vai ser cobrada. Vai dizer qual é a sua carência em termos de formação. Vamos fazer isso nos primeiros meses de governo. A partir disso, vamos fazer centros de formação continuada, para que o professorado da nossa cidade possa ter acesso à continuação de sua formação.”

“Essa é a realidade (possibilidade de escolas da periferia terem metas inferiores às de bairros nobres). Provavelmente, uma escola de uma região mais periférica não tem o mesmo nível da região daqui. Nós vamos exatamente tentar transpor isso.”

ESCOLAS DE LATA

“Quem fez as escolas de lata foi o Kassab, porque ele foi secretário de Planejamento do Pitta. Ele ajudou a planejar as escolas de lata. Quando eu entrei já havia várias ações do Ministério Público para tirar as escolas de lata, porque haviam sido feitas em áreas de proteção ambiental. (…) Foi uma briga com o Ministério Público, que depois se convenceu que a questão social era preponderante e a escola poderia ser feita de alvenaria. Retiramos 13 ou 17 e deixamos todas as outras licitadas. Então ele (Kassab) fez a obrigação dele, já estava tudo licitado e ele acabou de retirar. E demorou muito, poderia ter feito mais rápido.”

INVESTIMENTO EM METRÔ

“Quem é responsável pelo metrô na cidade de São Paulo é o Estado. O Estado está há 14 anos nas mãos dos tucanos. Nesses 14 anos, eles tiveram 8 anos no governo federal e 4 anos na Prefeitura de São Paulo. Então, me parece um pouco estranho eu hoje ser responsável, como ex-prefeita, que peguei essa cidade falida, pela não-existência de metrô razoável na cidade.”

“Se o Kassab está pondo dinheiro agora - e não está pondo tudo que está dizendo, disse que vai pôr R$ 1 bi e já estamos em setembro e até agora pôs R$ 270 milhões; eu vou pôr R$ 480 milhões/ano, R$ 2 bi quase em quatro anos - por que não colocou antes? Por que deixou R$ 2 bilhões de superávit em 2003, 2004, e esse dinheiro não foi para o metrô? Eles não tiveram a percepção da crise de transportes. Enquanto todo o Brasil se preparou para o boom econômico, a Prefeitura de São Paulo não acreditou. Não investiu em transporte. Essa é a realidade.”

PROCESSO

“Nós tivemos as contas aprovadas pelo Tribunal de Contas e pela Câmara Municipal. Depois tivemos as contas aprovadas e arquivado processo, o Supremo arquivou, dizendo que eu tinha cumprido a Lei de Responsabilidade Fiscal, que tinha deixado a cidade em condição muito melhor do que recebi, que tinha deixado com R$ 91 milhões de superávit.”

RODÍZIO 24 HORAS/PEDÁGIO

“Pensei e descartei, porque isso realmente é sinônimo de incompetência. (…) Você vai tirando o direito do cidadão e, daqui a pouco, você não consegue sair de casa. Tem alternativas. Temos de ter uma clareza do que fazer.”

SOLUÇÕES PARA O TRÂNSITO

“Eu tenho três propostas para essa situação. De curto, médio e longo prazo, todas a ser feitas no primeiro dia. Curto prazo é investir direto na SPTrans e na CET. Isso é a primeira coisa e já tem respostas rápidas, além de fazer pequenas obras - às vezes tirando uma calçada, já agiliza. Em segundo lugar, médio prazo, é corredor de ônibus. Pode investir no primeiro dia, mas vai levar um ano e meio, dois. E depois o metrô, que uma cidade como São Paulo, uma metrópole desse porte tem de ter metrô.”

MINISTRA DE LULA

“Eu, como ministra do Turismo, tive essa percepção. Comecei a analisar o que o turismo tinha de organizar como responsabilidade. Mas também a questão da mobilidade urbana. Fiz um projeto para as principais capitais que vão ser escolhidas - São Paulo está entre elas - e levei para o presidente Lula e para a ministra Dilma. Colocando que, se não fosse feito esse investimento, não chegamos a 2014 com os 63 quilômetros de metrô que necessitamos e 279 quilômetros de corredores de ônibus que necessitamos em função da Copa de 2014. Na China deu para ver o que é uma organização. Lá é mais fácil do que aqui, certamente. Não tem problemas de impugnação de licitação.”

CORREDORES DE ÔNIBUS

“A fiscalização está muito ruim hoje. Vou dar um exemplo concreto: o corredor Vila Nova Cachoeirinha. Quando a gente implantou, fazia 23 quilômetros por hora, agora faz 9. O Rebouças, que estão dizendo ?olha como está ruim?, quando foi implantado, funcionou que era uma beleza. Por que não funciona agora? Primeiro, permitiram o ônibus intermunicipal - um desastre. Depois, metade dos radares no corredor está quebrada, não tem fiscalização. E aí os corredores que tinham fluxo estão parados. Agora, a culpa é do corredor? Não tem fiscalização, não tem gestão. E estão gritando que a culpa é minha, que deveria ter investido no metrô. É insano.”

CRISE NA SAÚDE

“Quando investe como foi investido no PAS, foi muito ruim. Oito anos que a cidade ficou sem os repasses do Estado e os repasses da União. Os hospitais foram todos privatizados e, uma coisa muito perversa, os contratos não tinham obrigatoriedade de investimento. (…) Tive de recuperar todos os hospitais, que estavam absolutamente depredados. Aí recebemos as unidades básicas do Estado, que também estavam sucateadas. (…) Na hora que PAS acabou, ficamos sem médico. Tivemos de contratar 23 mil profissionais para todas áreas da saúde. Então, foi uma reconstrução de um sistema dilapidado de saúde.”

CEU SAÚDE

“Eu teria feito (se reeleita). Não dá para fazer mais o que eu tinha pensado. Exatamente porque aprendi que a saúde é uma construção e a cidade de São Paulo está cansada de ser desconstruída. Eu teria feito o CEU Saúde. Ele teria exatamente tudo acoplado. Não dá (para retomar agora). Fizeram muitas AMAs. Foi uma pena, eu concordo com você. Ficou como um factóide, foi um erro ter posto o nome. Porque a idéia é perfeita, tanto é que em Diadema o prefeito inaugurou o Quarteirão de Saúde, com as mesmas pessoas que planejaram o CEU Saúde daqui e é o maior sucesso. (…) O Serra optou por AMA, não vou parar as AMAs. Tem de melhorar. ”

INVESTIMENTO EM SAÚDE

“Não tenho decidido quanto vai ser investido. Depois vocês vão cobrar. Não vou dar esse prazer a vocês. Quero fazer um compromisso. Depois de quatro anos, eu ter melhorado de forma considerável - que as pessoas possam ter uma diminuição muito grande no tempo de consulta e exame médico.”

METAS DO SAÚDE DA FAMÍLIA

“Não dava. Isso foi uma das divergências minhas com (o ex-secretário) Eduardo Jorge. A meta era 1.200. Eu ficava muito aflita - a gente tentou fazer muita coisa ao mesmo tempo, com muito pouco dinheiro. Aumentávamos o Programa de Saúde da Família com excelentes resultados. (…) Não dá para fazer tudo de uma única vez - isso é uma coisa que às vezes frustra.”

FHC X LULA

“Quando ganhei, eram os dois últimos anos de Fernando Henrique. Aquela história dos 10 milhões de desempregados, recessão grande no País, dívida externa gigantesca. São Paulo ficou a pão e água na gestão Fernando Henrique. E os dois primeiros anos do Lula, que foram muito difíceis também. Se hoje estamos vivendo esta bonança, é muito pelo que foi feito nos dois primeiros anos do governo. Hoje, a situação é completamente diferente - os aportes que o governo Lula está fazendo não só para o governo Serra, como também para o governo Kassab. A cidade só não tem mais, segundo os ministros com quem eu tenho conversado, porque a cidade de São Paulo não faz projetos em busca de recursos federais.”

“RELAXA E GOZA”

“Mau para eles (se usarem declaração no horário eleitoral). A população não gosta de baixaria, desse tipo de golpe baixo. Em relação a isso, já me desculpei com a população e a população quer discutir proposta. Quem vai à tela com uma coisa dessas, é que está se sentindo muito acuado, senão não apelaria para isso.”

PARCERIA COM LULA

“Acho que a relação é institucional (entre município e União). Mas vai além. Passa pelas propostas e pela ideologia. O que o Lula disse, com toda clareza? Nós temos projetos semelhantes, pensamos da mesma forma. Ele trabalha melhor comigo, não porque sou amiguinha dele. Ele trabalha melhor comigo porque construímos um partido juntos, com as mesmas propostas. Não vejo Kassab nem o Alckmin terem as mesmas preocupações que o presidente tem.”

SUPERÁVIT EM CAIXA

“A propaganda contra foi tão pesada, que o Serra fez naquele momento, que as pessoas ficam com isso na cabeça - que a cidade estava quebrada. Eu não entreguei a cidade quebrada. (…) Não era preciso ter feito o carnaval que ele fez.”

01/09/2008 - 15:19h Marta descarta pedágio urbano e rodízio maior em São Paulo

Em sabatina do ‘Grupo Estado’, candidata petista também criticou Kassab por não planejar transporte na cidade

Andréia Sadi, do estadao.com.br

Anne Warth e Elizabeth Lopes, da Agência Estado


Marta participa de sabatina no Grupo Estado
Wilson Pedrosa/AE

Marta participa de sabatina no Grupo Estado

SÃO PAULO - A candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, disse nesta segunda-feira, 1º, que não pensa em adotar medidas mais drásticas para melhorar o trânsito na cidade, como o pedágio urbano ou o aumento do tempo do rodízio municipal para um dia inteiro, no lugar da atuais seis horas diárias. “Pensei e descartei, porque isso é realmente um sinônimo de incompetência”, afirmou, ao participar nesta manhã da primeira das sabatinas que o Grupo Estado promove com os candidatos que concorrem à maior Prefeitura do País. “Temos alternativas. Se não tivesse, eu seria a primeira a concordar”, acrescentou. O vídeo da sabatina pode ser visto na TV Estadão (clique aqui).Veja também:

linkEspecial: Perfil de Marta Suplicyespecial

linkMarta chora ao dizer que sofreu ao perder eleição para Serra

linkMarta assume compromisso de não criar taxas, mas desonerar
linkGaleria de fotos da sabatina com Marta Suplicy mais imagens

linkBlog: confira as principais declarações de Marta na sabatina

linkVeja gráfico com a última pesquisa Ibope/Estado/TV Globo

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linkAs regras para as eleições municipais especial

Ao falar de seus planos para a área de transportes, Marta lembrou um dos feitos de sua gestão na Prefeitura, o fim do transporte clandestino na cidade. E destacou que teve de usar colete à prova de balas para enfrentar a chamada máfia dos transportes. “Quando digo que vou melhorar o que está acontecendo na cidade, estou dizendo que vou fazer. E tenho idéias novas”, destacou.Marta afirmou que possui um plano de ações na área de transporte com impactos no curto, médio e longo prazo. No curto prazo, a candidata promete investir nas empresas municipais mais envolvidas com a pasta, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e a São Paulo Transporte (SPTrans).Além disso, ela citou que fará pequenas obras, de baixo custo, que devem elevar a fluidez do trânsito e ter impacto imediato na cidade.No médio prazo, com prazo entre 1,5 e 2 anos para ter efeito, Marta disse que construirá novos corredores de ônibus e tomará medidas para que os atuais possam ter mais velocidade, como o aumento da fiscalização.E no longo prazo, a candidata garantiu que fará investimentos para ampliar as linhas de Metrô da Capital paulista. Marta aproveitou para criticar o PSDB, partido que governa o Estado há 14 anos e que, na avaliação dela, não investiu o suficiente nessa área. “É incompreensível que em 14 anos os tucanos tenham construído apenas 12 km de metro. Nos últimos seis anos, a média foi de menos de 1 km por ano”, alfinetou.

Crítica a Kassab

Ainda sobre transportes, Marta disse que o prefeito e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM), não teve a percepção da crise de transportes que atinge a cidade. “Todo mundo acreditou que São Paulo iria crescer, menos a Prefeitura de São Paulo”, alfinetou ela, destacando que houve falta de planejamento neste setor. “Deixaram a CET sucatear”, emendou a petista, classificando de “horror” a tentativa fracassada da atual administração em fazer um corredor exclusivo para motos na Avenida 23 de Maio.

Além da crítica à atual gestão municipal, Marta disse que o Estado de São Paulo é governado há 14 anos pelo PSDB e, além disso, o partido governou o País por oito anos (gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso) e nem por isso houve melhorias significativas na área de transporte na Capital.

E eximiu sua administração (quando foi prefeita) de responsabilidade por não ter alocado recursos para a expansão do Metrô, sob argumento de que herdou uma Prefeitura muito endividada e teve que organizar as finanças. E voltou a criticar o atual prefeito, dizendo que Kassab preferiu acumular superávit (de cerca de R$ 2 bilhões, em vez de investir mais nos transportes, sobretudo no Metrô.

Na sabatina, a candidata do PT disse também que fez mais creches do que as gestões anteriores. “Sei, como psicóloga, da importância de uma creche decente, vou fazer o máximo que puder”, disse Marta, reiterando que não pretende fazer promessas que não pode cumprir, mas pretende fazer o melhor que puder.

As sabatinas do Grupo Estado terão transmissão ao vivo pela TV Estadão. O Portal Estadão divulgará flashes noticiosos e disponibilizará a íntegra dos vídeos, para consulta posterior. O segundo convidado será o ex-governador e candidato do PSDB Geraldo Alckmin. Pela ordem, virão em seguida o prefeito Gilberto Kassab (DEM) na quarta-feira, Paulo Maluf (PP) na quinta, Soninha Francine (PPS) na sexta e Ivan Valente (PSOL), que fechará o ciclo na segunda-feira, dia 8.

26/08/2008 - 10:32h A cidade de verdade faz mal aos tucanos

O artigo de Dora Kramer é muito lúcido. A analise está focada na política e na briga interna no PSDB. Mas não deixa de ser interessante a referência a apresentação que Alckmin faz da situação da cidade de São Paulo. Dora constata o conteúdo no plano político, não é o objeto do artigo julgar se a descrição é verdadeira ou não.

No mundo da fantasia, presente na publicidade eleitoral de Kassab e na cabeça dos jornalistas afins ao serrismo, trata-se de um exagero de Alckmin quase que provocada pela dor-de-cotovelo ou da sua vontade deliberada de atacar Kassab. Evidentemente que o cálculo político está presente no fato de Alckmin condenar a administração demo-tucana. Mas, ele travestiu a realidade? A constatação de Alckmin é mentira?

Não é estranho, por exemplo, que até hoje a Folha não tenha publicado a avaliação da administração Kassab por setor, da última pesquisa Datafolha, como costuma fazer? De quanto mudou a avaliação na saúde, que era considerada ruim e péssima por 55% da população? e a do trânsito que era ruim e péssimo para 76%? ou a do transporte público? LF

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Virado à paulista

Dora Kramer - O Estado de São Paulo

Nessa altura não interessa mais de quem é a culpa: se do governador José Serra, ao planejar a eleição de prefeito sem um candidato com a marca do partido, mas ao molde do roteiro de sua campanha presidencial, ou se do antecessor, Geraldo Alckmin, ao atropelar o projeto e se impor ao PSDB como candidato do partido à Prefeitura de São Paulo.

Importa apenas o fato: de posse das duas máquinas, estadual e municipal, das melhores alianças partidárias (incluindo a captura do PMDB da área de influência do PT) e de uma adversária com alto grau de rejeição e baixa densidade político-eleitoral em sua coalizão, o PSDB constrói uma derrota.

Mas não uma derrota qualquer, daquelas normais, cujas conseqüências nefastas têm prazo de validade e volta por cima no cenário do amanhã.

Dessas, o presidente Luiz Inácio da Silva só em eleições presidenciais sofreu três. O governador José Serra outras tantas e a então prefeita Marta Suplicy uma especialmente impactante: em 2004 perdeu a reeleição para Serra que dois anos antes fora derrotado por Lula, que não conseguiu convencer o paulistano a dar o bis a Marta, que foi ao fundo, emergiu e hoje é líder absoluta nas pesquisas.

A derrota em construção não se limita ao resultado eleitoral. Este pode até virar, não se sabe. Ninguém está livre de um milagre, nem Geraldo Alckmin nem Gilberto Kassab. Ou de um imprevisto, nem Marta Suplicy.

O estrago bordado com esmero em São Paulo - com a participação de artesãos de fora - é de natureza política.

Isso ocorre quando o fracasso independe do resultado. A situação já se desenhava assim desde o começo, quando Marta patinava na largada, Kassab reunia uma vistosa aliança e Alckmin exibia patrimônio eleitoral suficiente para inibir qualquer movimento mais brusco do grupo do governador Serra para matar sua candidatura na marra.

Com a mudança de ventos e o registro da queda de Alckmin em duas pesquisas consecutivas, o quadro deu uma piorada considerável. Candidato oficial do PSDB, o ex-governador desceu do altar do bom-mocismo e partiu para o ataque direto à atual administração de São Paulo.

No programa eleitoral diz que sobra dinheiro e falta competência. Aponta carências de toda sorte: de vagas nas creches, nas escolas, de transporte púbico decente, de moradias, de hospitais, de médicos, de iluminação nas ruas, enfim, a cidade mostrada por Geraldo Alckmin é um horror em matéria de desmazelo e abandono.

Com isso, não ataca Kassab, um ex-deputado do DEM, vice deixado na cadeira por Serra para representá-lo na prefeitura toda montada à base de tucanos. Desde que assumiu a vaga, o substituto não deu um passo nem um pio em desacordo com a concepção de Serra, política e administrativamente falando.

Quando diz ao eleitor de 2008 que a Prefeitura de São Paulo é mal gerida, está informando ao eleitorado de 2010 no Brasil todo que o principal candidato de seu partido à Presidência da República é um mau gestor.

Um caminho que nem o PT nacional, adversário oficial na sucessão de Lula, havia ousado trilhar.

É difícil, embora seja possível, acreditar que a campanha de Geraldo Alckmin não tenha pensado em todas as conseqüências - entre elas a perda do papel da vítima - e atue nessa direção apenas por aflição eleitoral.

Seja qual for o fator, não altera o produto: um candidato a prefeito que se apresenta à disputa para afirmar a marca do partido e depois tenta se credenciar subtraindo credenciais do candidato a presidente do próprio partido.

Algo nunca visto nem no PT das memoráveis guerras de extermínio interno.

Leia a integra da coluna de Dora Kramer no jornal O Estado de São Paulo

31/07/2008 - 12:51h O dilema da repetência e da evasão

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Por Sérgio Garschagen, de Brasília - Revista Desafios do Ipea

A baixa qualidade do ensino básico brasileiro, traduzida pelos altos índices anuais de repetência e evasão escolar, reflete os defeitos históricos da própria sociedade brasileira, que é excludente. “Nosso desafio, em pleno século XXI, é estruturar uma escola republicana que seja realmente para todos, o que muitos países fizeram no século XIX, outros no século XX e o Brasil, infelizmente, não conseguiu até hoje”.Esta dura avaliação é da secretária de Ensino Básico do Ministério da Educação (MEC), Maria do Pilar Lacerda Almeida e Silva. Ela defende a mudança da cultura arraigada no país, que impede a adoção definitiva da progressão continuada nas escolas.

O sistema de progressão continuada, que consiste na identificação das dificuldades de cada aluno no ano letivo e sua pronta resolução, de modo a evitar a reprovação, não significa aprovação automática. É uma alternativa que está sendo adotada com sucesso por diversos países, segundo o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Sergei Suarez Dillon Soares, que avaliou as políticas educacionais de 49 nações de todos os continentes.

“Todas as pessoas que analisaram a pesquisa também ficaram surpresas com o resultado”, diz Sergei Soares. Sua conclusão é que as melhores notas e os resultados mais efetivos obtidos no ensino básico foram observados exatamente entre os que adotaram o regime de progressão continuada. Ele descobriu também que o percentual de repetência escolar brasileira é o segundo mais alto do mundo, menor apenas que o de Angola. “A repetência afeta a auto-estima das crianças, além de ser uma das principais causas do baixo rendimento e da evasão escolar”, diz o pesquisador.

Além do desgaste emocional, a repetência tem um custo financeiro.”Para cada ano repetido na escola, o custo da educação aumenta em pelo menos 50%. Embutido nesse custo há uma mina de ouro a ser explorada racionalmente pelas escolas, capaz de aumentar em igual percentual, só com o fim da repetência, os investimentos destinados à educação”, diz - uma argumentação também defendida pela secretária de Ensino Básico.

COMPARAÇÕES Para o pesquisador do Ipea, forçar um aluno a repetir o ano, após meses de esforço a fim de aprender algo, em escolas com professores desmotivados e mal pagos, significa carimbá-lo com um atestado de incompetência, o que é ainda mais dramático quando o aluno tem origem social humilde, com pais analfabetos, e percebe que a maior parte de seus colegas progride. “Essas crianças, discriminadas e desmotivadas, aprendem menos ainda quando repetem a mesma série e acabam por abandonar a escola, mesmo quando gostam de freqüentá- la, pela convivência com outras crianças da mesma idade”, afirma.

Outros estudos e vasta literatura especializada a respeito do tema comprovam que a evasão escolar ocorre realmente após múltiplas repetências. Os pais das crianças têm consciência da importância do ensino para o futuro dos filhos e,antes da desistência definitiva, insistem em mantê-los nas salas de aula, mesmo que desmotivados.

Especialista em educação há pelo menos dez anos e com base nos resultados da pesquisa, Sergei Soares advoga a tese de que a repetência escolar deveria ser imediatamente proibida, pelo menos até o quarto ano do ensino fundamental, em todo o país, nas escolas públicas e privadas.

Os dados dos levantamentos são claros: nos países que aprovaram a adoção da política de progressão continuada, sem repetência, independentemente de serem ou não desenvolvidos, em geral os alunos apresentam as melhores notas em testes padronizados destinados a medir a qualidade de ensino em diferentes países. O estudo identificou apenas quatro exceções - Cingapura, Hong Kong, Bélgica e Lituânia, que adotam o regime de repetência parcial.

A conclusão é de que essa política de progressão não tem qualquer impacto negativo sobre o desempenho escolar.Ao contrário, o que ocorre mesmo é um impacto positivo sobre os resultados dos exames e uma elevação da qualidade educacional.

HADDAD No lançamento do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), em abril deste ano, o ministro da Educação, Fernando Haddad, destacou em discurso no Palácio do Planalto que gostaria de “desmontar duas indústrias criadas no país”, referindo-se ao que chamou de indústrias da repetência e da progressão continuada. “Nenhuma das duas nos interessa. Queremos a progressão dos alunos, mas aprendendo de acordo com as suas possibilidades”, destacou o ministro.

A secretária Maria do Pilar acrescenta que a melhoria do ensino nacional depende também de outros fatores, como a remuneração dos profissionais envolvidos. Nesse sentido, se mostra confiante na aprovação, pelo Congresso Nacional, da proposta de emenda constitucional que fixa o piso salarial dos professores em R$ 950 mensais, com jornada de 40 horas semanais.

Outro aspecto abordado pela secretária é a democratização das escolas de ensino básico. Nos anos 1990, diz ela, houve o esforço para garantir direito de matrícula para todas as crianças, o número de crianças matriculadas aumentou consideravelmente em todo o país e o governo federal, à época, focou a educação básica como prioridade. “Não houve qualquer investimento na educação infantil e muito menos no ensino médio”, diz.

Até hoje, explica a secretária, isso se reflete no fato de que apenas 15% das crianças de zero a três anos de idade têm acesso às creches, segmento em que o atendimento privado é superior ao das escolas públicas, com 50% das crianças entre quatro e cinco anos de idade fora da escola. Elas entram no ensino fundamental sem nunca terem passado por uma escolinha infantil.

FUNDEB O pesquisador Jorge Abrahão de Castro, do Ipea, ressalta que a criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), em 1996, transformado em janeiro deste ano em Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), transferiu de forma rápida e crescente o ensino fundamental das esferas estadual e federal para os municípios. As matrículas nas escolas municipais aumentaram de 14,1 milhões em 1995 para 23,2 milhões em 2005. Segundo ele, essa velocidade gerou desequilíbrios e perda de qualidade.

A secretária Maria do Pilar reforça esse argumento. Segundo ela, a democratização do direito de matrícula não foi acompanhada por uma mudança da cultura histórica e elitista das escolas públicas brasileiras.”O inchaço das salas de aula, a maioria com média de 40 alunos,e o baixo salário do corpo docente fizeram com que a classe média mudasse os filhos para as escolas privadas e as crianças oriundas das classes sociais menos favorecidas passaram a conviver com a baixa qualidade de ensino, as repetências e a exclusão escolar”, acrescenta.

Segundo números divulgados em setembro deste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 1996 a 2006, a taxa oficial de analfabetismo no Brasil, entre maiores de dez anos, caiu de 13,7% para 9,6%, o que não foi suficiente para tirar o país do penúltimo lugar no ranking de alfabetização da América do Sul. Proporcionalmente, o número de brasileiros que não sabem ler nem escrever é inferior apenas ao da Bolívia, onde a taxa de analfabetismo era de 11,7% em 2005.

Outra pesquisa, do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), mostra que em São Paulo, Estado mais rico do país, 43% dos estudantes concluem o ensino médio com uma bagagem em escrita e leitura que se esperava encontrar em alunos da oitava série. A prova é aplicada pelo Saeb a cada dois anos nas quardústrias tas e oitavas séries do ensino fundamental e no terceiro ano do curso médio. A deste ano será em novembro.

NOVA ESCOLA Desde 1996, quando a atual Lei de Diretrizes e Bases estabeleceu as normas fundamentais da educação nacional, se fala no fim da repetência escolar - uma das principais causas da evasão - e na adoção do sistema denominado de “progressão continuada”. Para a secretária Maria do Pilar, esse sistema não significa aprovação automática, como está sendo entendido por vasta parcela da população. “Aprovar estudantes que nada aprenderam em um ano de estudo para uma série seguinte é uma política tão excludente quanto o modelo atual, de repetência de ano, pois ambos, mais cedo ou mais tarde, vão levar o aluno a abandonar a escola”, diz. O objetivo da progressão continuada é permitir que os professores concentrem esforços nas deficiências dos alunos desde as primeiras semanas de aula, impedindo assim, de forma natural, a reprovação, defende a secretária.

“As escolas que têm feito mudanças positivas e radicais, como nos municípios de Nova Iguaçu (RJ) e Belo Horizonte, são as que aboliram o velho sistema de ensino elitista, excludente, e se organizaram a partir das necessidades dos alunos, e não dos professores. São crianças que, mal ou bem, se informam pela televisão e via internet em tempo real sobre o que está acontecendo em qualquer outro lugar do mundo,mesmo que de forma superficial. Não se pode mais pensar em uma escola em que o professor é o dono da verdade e mantém o controle por meio da ameaça de reprovação?, diz.

O cientista político Alexandre Barros, pró-reitor de mestrado da Universidade Euro-Americana de Brasília, aponta uma contradição no ensino brasileiro, principalmente no segmento privado, que, segundo ele, faz um estudante conviver, diariamente, com realidades típicas de épocas distintas.”Pela manhã, ele sofre em uma escola com ensino retrógrado, professores mal pagos e que ministram aulas exatamente como se fazia no século XIX - quadro negro, giz e nenhuma interação entre os sentidos, pois é obrigado a ficar quieto e ouvir um monólogo desinteressante. É claro que ele se rebela”, diz.

“À tarde, em casa, esse mesmo jovem manipula softwares sofisticados desenvolvidos por técnicos de altíssimo nível, muito bem pagos, sejam japoneses, coreanos ou americanos. Participa de torneios e jogos que envolvem jovens de outros países e dialoga com outras crianças de todo o mundo por e-mail, Messenger, etc. Está inserido nos avanços propiciados pela tecnologia do século XXI. Isto é uma contradição terrível e desfavorável ao conceito de escola como centro irradiador de conhecimentos”, completa.

LÓGICA A realidade conflitante explica parte da indisciplina das escolas atuais, segundo a secretária de Ensino Básico do MEC. Nas raras aulas em que o professor é sintonizado com a realidade dos alunos, é possível capturar a atenção da classe, diz.”Mudar a lógica na escola é muito difícil, é um processo lento, porque a escola trabalha com a lógica do ensino, e não do aprendizado. O professor se considera o eixo organizacional, quando o correto seria levar em consideração a realidade social do aluno”, afirma a secretária Maria do Pilar.

Para ela, a progressão continuada sofre com a resistência da sociedade porque a cultura da reprovação, já abolida em diversos países, sempre foi método de controle no Brasil. “Mudá-la significa tirar poder dos professores que ganham mal e têm de trabalhar em três ou quatro escolas diariamente”.

O pesquisador Sergei Soares diz que “a ameaça de não passar de ano é argumento terrorista utilizado pelos professores dos países que não investem na qualificação dos seus profissionais de ensino fundamental e, por isso, eles desconhecem metodologias modernas, que adotam princípios lúdicos ou baseados no prazer do aprendizado e do conhecimento”.

Atualmente, dos 4 milhões de estudantes que ingressam no ensino básico, em todo o Brasil, apenas 3 milhões iniciam o ensino médio. “O normal seria que todos que entram no ensino fundamental concluíssem o ensino médio”, diz a secretária. Segundo as estatísticas do MEC, o país deveria ter 12 milhões de alunos no ensino médio, mas tem apenas 9 milhões. A diferença de 3 milhões de estudantes constitui a evasão escolar, que o deputado federal Alceni Guerra (DEM-PR) denomina de contribuição escolar à geração anual de marginais sociais.

Quando era prefeito do município de Pato Branco (PR), Guerra implantou aulas de oito horas diárias “sem investir um centavo em novas salas,porque todo o recurso foi destinado à atividade fim, o ensino”, com as horas adicionais preenchidas por meio de convênios firmados pela prefeitura com salões paroquiais, clubes de serviços, esportivos e sociais, entre outros, para oferecer atividade física, artística e musical às crianças.O índice de aprovação, em Pato Branco, diz ele, chegou a 95%, com um resultado inesperado no nível de empregos femininos na cidade.”As mães dos alunos, livres da atividade de babás dos próprios filhos, passaram a contribuir com o orçamento doméstico”, diz o parlamentar. A experiência, porém, não prosseguiu.A secretária Maria do Pilar diz que algo semelhante está sendo realizado em Nova Iguaçu (RJ) e em Belo Horizonte. Nessas cidades, os gestores das escolas buscam parcerias com a comunidade. “Infelizmente, ainda não foi realizada qualquer avaliação sobre os resultados”, diz. Para acabar com a exclusão, “timidamente, há dez anos, se idealiza a implantação desse sistema de progressão, em que São Paulo é o Estado que mais avançou nesse sentido”.Matemático e consultor da Fundação Cesgranrio, no Rio de Janeiro, o professor Rubens Klein prega uma mudança na mentalidade brasileira, que aceita a repetência. “Raramente um repetente é recuperado”, diz. Para Klein, é preciso idealizar um processo de acompanhamento contínuo dos alunos, a fim de que haja recuperação imediata assim que se perceba a existência de problemas no aprendizado, o que não é realizado no Brasil.

Além disso, a educação básica precisa ter foco que garanta a qualidade do que se vai ensinar e de como se vai ensinar, acabando ainda com o currículo global para todos os níveis, que varia de ano para ano e de uma escola para outra, o que dificulta a continuidade do aprendizado, sobretudo se o aluno muda de uma escola para outra. “A evasão só vai acabar quando houver garantias de que o aluno está aprendendo. Quem aprende não sai”, garante Klein.

Colaborou: Fátima Belchior, do Rioarquivo na íntegraLeia o arquivo na íntegra>>

31/07/2008 - 09:54h Lucro do petróleo pode espalhar Ceus e Cieps por todo o país

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Vista aérea do Centro Educacional Unificado - CEU Rosa da China

Paulo Totti, do Rio e São Paulo - VALOR

Ainda não se sabe quanto de petróleo a Petrobras descobriu sob uma camada de sal a 280 quilômetros da costa brasileira no Atlântico Sul. Também não se sabe se haverá mudanças na legislação para adaptá-la à prodigalidade com que a natureza retribui o esforço de técnicos e pesquisadores da estatal. Muito se vai discutir também sobre se é justo a lei de royalties permitir, entre 5.500 municípios, que apenas nove deles, no Rio de Janeiro, fiquem com 62% da distribuição nacional da regalia. Começa, entretanto, a criar-se um consenso em torno do que deve ser feito com o resultado da exploração dessas ultragenerosas reservas.

O dinheiro irá preferencialmente para a educação pública fundamental, num projeto que associará experiências realizadas em países de culturas e sistemas econômicos distintos, como Noruega, Coréia do Sul, Cuba, com duas iniciativas autenticamente nacionais: os Cieps de Leonel Brizola, no Estado do Rio de Janeiro, e os Ceus de Marta Suplicy, na cidade de São Paulo. Não há uma diretriz definida para a utilização desses recursos, mas os senadores Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Cristovam Buarque (PDT-DF) já apresentaram projeto de lei em que propõem a criação de um Fundo Nacional do Petróleo para Formação de Poupança e Desenvolvimento da Educação Básica (Funped). O fundo seria formado com 59,3% do lucro com o aproveitamento das recentes descobertas e, desses recursos, 60% seriam destinados à educação básica. O nome e a sigla do Funped serão obviamente mudados por falta de apelo de marketing e por causa do “n” antes do “p”, erro de ortografia inconcebível num projeto educacional, mesmo se tratando de sigla. Mas o projeto está na comissão de infra-estrutura do Senado para o recebimento de emendas e se espera que, em torno dele, se harmonizem todas as tendências da Casa.

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Piscina do CEU. A vizinhança pensava: “É tudo tão bonito, não deve ser para nós”

Na execução do programa, a inspiração do horário integral, com alunos permanecendo na escola o dia inteiro, virá dos Centros Integrados de Educação Pública (Cieps). Dos Centros Educacionais Unificados (Ceus) virá o conceito de escola como pólo de convivência comunitária em regiões urbanas tão carentes de educação de qualidade quanto de entretenimento e atividades culturais e esportivas.

Confirmadas as previsões de que do fundo do mar jorrará dinheiro para investir no encaminhamento de soluções para as carências nacionais - educação básica em primeiro plano, sem descuidar do ensino médio e superior, com ênfase na inovação e na tecnologia de ponta -, desaparecerão os motivos da principal crítica que Cieps e Ceus atraem até hoje: seu alto custo e a falta de recursos para implementá-los. A educação, como o petróleo, é um ativo que se valoriza à medida que se torna mais necessário e o benefício do seu alto retorno justifica e recompensa o investimento para desenvolvê-lo.

A candidata à prefeitura do Rio, Jandira Feghali (PCdoB), segunda nas pesquisas, diz que o projeto pedagógico dos Cieps “foi perdido no tempo” e promete revivê-lo, abrir as escolas nos fins de semana para integração comunitária, restabelecer a permanente assistência à saúde, dotar a rede municipal de equipamentos de cultura, esporte e inclusão digital. “Nada em educação é tão caro quanto o alto custo de não fazer nada”, diz.

Com maior ou menor entusiasmo, outros candidatos a prefeito do Rio elogiam os Cieps. Fernando Gabeira (PV-PSDB), diz que, por enquanto, está “na fase do pré-pré-sal”, ou seja, ainda não há dinheiro para grandes vôos, mas pretende ampliar em uma hora os turnos atuais de apenas quatro horas diárias na maioria das escolas municipais e também a duração do ano letivo, de 175 para 200 dias, equiparando-as às escolas particulares (o calendário da secretaria da Educação indica que essa equiparação já existe).

A deputada federal Solange Amaral (DEM) diz que a educação em horário integral “é uma absoluta necessidade” a ser satisfeita até o fim do mandato, se eleita, “em estruturas que não precisam, necessariamente, ser as dos Cieps”. O senador Marcelo Crivella (PRB), líder nas pesquisas, diz que o turno único será implantado primeiramente nas áreas mais carentes das zonas Norte e Oeste para, até 2012, chegar a todo o município. É o que pode ser feito no momento com recursos próprios (R$ 1,5 bilhão), royalties (R$ 135 milhões) e os atuais R$ 800 milhões do Fundeb. “Mas todo dinheiro novo será bem-vindo”, diz Crivella.

Dos 515 Cieps que Brizola construiu, 316 ainda são administrados pela secretaria estadual de Educação e o restante foi municipalizado - na capital, são 101 os que passaram à prefeitura; o Estado conserva 31. Os candidatos afirmam que não há necessidade de mais Cieps e nenhum deles, em período eleitoral, parece disposto a condená-los. Sincera ou não, essa unanimidade é explorada por outro candidato, o deputado estadual Paulo Ramos (PDT): “Brizola fez tanto pela educação que, 25 anos depois, os brizolões ainda atendem às necessidades do Rio.”

O dinheiro da exploração dos novos campos de petróleo só entrará para os cofres do governo federal por volta de 2012. A disputa pela repartição desses ainda incalculáveis recursos, porém, já começou e desde agora se poderá visitar o que resta dos Cieps no Estado do Rio e acompanhar o evolução dos Ceus de São Paulo, para avaliar se a experiência tem realmente potencial para transformar o Brasil no primeiro país de economia emergente a usar a riqueza do petróleo na melhora das condições de vida de sua população.

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O Valor visitou Cieps e Ceus e constatou que autoridades da área, professores e outros profissionais da educação, ex-alunos e moradores das comunidades que os hospedam consideram válida a experiência, com plenas condições de servir de modelo à educação básica brasileira no futuro. Existindo dinheiro para sustentá-los, gostariam todos de ver Ceus e Cieps espalhados pelo país - feitas as correções que o passar do tempo e as diferenças regionais impõem. “Unidade não significa uniformidade. A unidade pressupõe multiplicidade. A um centralismo estéril e odioso se opõem as condições geográficas do país e a necessidade de adaptação crescente da escola aos interesses e às exigências regionais”, já proclamava o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, que Anísio Teixeira assinou em 1932, na companhia de educadores como Fernando de Azevedo, Afrânio Peixoto e Roquette Pinto e de intelectuais como Júlio de Mesquita Filho e Cecília Meirelles.

Secretário da Educação e Saúde no governo do udenista Otávio Mangabeira, na Bahia (1947-1951), Anísio Teixeira criou em 1950 a Escola Parque, no bairro da Liberdade, em Salvador, onde implantou o ensino em tempo integral, cuidados médicos e de higiene pessoal, educação artística (entre seus professores, Mário Cravo e Caribé) e “socialização, preparação para o trabalho e para a cidadania”. Estas palavras constavam do ideário da escola baiana e foram repetidas até a exaustão pelos criadores dos Cieps - Darcy Ribeiro à frente, o executor mais brilhante e entusiasta das idéias de Anísio. Cida Perez, secretária municipal da Educação na época da criação dos Ceus, manteve o discurso em São Paulo. Experiências como as da solitária escola de Anísio, já incorporando a idéia de que ” nova educação pede nova arquitetura” - daí a convocação de arquitetos como Oscar Niemeyer, no Rio, e Alexandre Delijaicov, André Takyia e Wanderley Azira, em São Paulo - repetiram-se isolada e esporadicamente pelo país, mas só no Rio e em São Paulo o conceito se transformou em atitude central de um governo estadual ou municipal.

Em dois mandatos (1983-1987 e 1991-1994), Brizola criou uma secretaria especial para cuidar dos Cieps e chegou a comprometer, durante dois anos, 80% do orçamento estadual no seu custeio e investimentos. Marta Suplicy (PT), ao sair da prefeitura de São Paulo, deixou 21 Ceus construídos. Seu sucessor, Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição, inaugurou 12 outros Ceus e tem 13 em obras para entrega até dezembro. O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) assegura que, se o eleito for ele, nada vai mudar. Já Kassab afirma que, reeleito, os Ceus terão turno de sete horas até o fim do futuro mandato. E Marta acrescenta que sua eleição é a garantia de que os Ceus não serão desvirtuados.

Com dinheiro para investimento e custeio desaparecem as razões para condenar projetos como Ceus e Cieps

Cada Ceu tem um custo estimado em R$ 17 milhões em obras civis e mais R$ 2 milhões para equipá-lo. No Rio, não há dados sobre quanto custaria hoje a construção de um Ciep, pois, há duas décadas, os governadores ou prefeitos que se sucederam parecem ter desistido de erguer escolas que os cariocas continuariam insistentemente a chamar pelo apelido: “brizolões”. Sabe-se, porém, quanto custa à prefeitura a manutenção do Ciep nº 001 Tancredo Neves, o mais antigo: R$ 265,39 por aluno/ano. A escola convencional custa pouco menos que a metade: R$ 131,27.

Com pequenas adaptações no projeto - as creches para crianças de zero a três anos estão agora no andar térreo e a quadra de esportes com piso de tábuas não está mais em cima do teatro -, em São Paulo a administração Kassab prossegue a política de sua antecessora, mas não dá a Marta Suplicy, que os implantou, o crédito pelos Ceus. Numa revisão histórica assaz criativa, o mérito pela idéia dos Ceus, segundo assessores do prefeito, pertenceria a Mario de Andrade, poeta e romancista que morreu em 1945 aos 52 anos, depois de ter exercido, entre outros cargos, a direção do Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo (1935-37), onde defendeu que as atividades escolares incluíssem música, folclore e esportes.

Com origem e objetivos comuns, Cieps e Ceus têm, entretanto, diferenças. Os Ceus são um amplo centro comunitário instalado em cerca de 14 mil metros quadrados cada um, que hospeda não uma, mas três escolas - creche (até três anos), educação infantil (de três a cinco anos) e fundamental (da primeira à nona série). Há uma gestora (ou gestor) para o Ceu e uma diretora (diretor) para cada uma das escolas. As diretoras cuidam do currículo escolar, a gestora de todas as outras atividades. Ao contrário dos Cieps originais, os Ceus não têm tempo integral e a carga pedagógica é exatamente igual à das demais escolas da rede.

Criados 20 anos depois de seus primos do Rio, a integração escola/comunidade é o traço característico dos Ceus. Neles tudo parece - e realmente está - à disposição dos alunos, de sua família e da vizinhança: piscinas aquecidas (semi-olímpica, média, infantil), teatro de 450 lugares, com quatro camarins e acústica protegida da habitual algazarra dos corredores - o pianista Arthur Moreira Lima surpreendeu-se: “Mas isto é um teatro de verdade!” -, sala das aulas de balé com grandes barras e espelhos, modernos mesmo para um corpo de baile profissional, quadra poliesportiva, biblioteca de cinco mil a dez mil livros, computadores, bancos nos jardins à sombra das árvores, instalações bem conservadas. Exemplo de zelo: às 11 horas de uma sexta-feira, após barulhento e movimentado recreio, os banheiros estão limpos e cheirosos no Ceu Rosa da China, bairro de Sapopemba, zona Leste, divisa com Santo André.

“No começo”, conta Marlene Zilig, gestora do Ceu Casa Blanca, na Vila das Belezas, entre os bairros de M’Boi Mirim e Campo Limpo, Zona Sul, “as pessoas da comunidade tinham receio de entrar no Ceu. Ficavam olhando pelas grades. Alguns não se arriscavam a passar pelo portão sempre aberto e pulavam o muro. Pensavam: ‘É tudo tão bonito, não deve ser para nós’.”

A gestora Lucimeire de Lima Luiz, do Ceu Jaçanã, Zona Norte, diz que os adolescentes da vizinhança tinham duas razões para resistir à piscina na época da inauguração do Ceu, já no governo Kassab. “Quase ninguém tinha maiô, pois não iam à praia ou freqüentavam piscinas. Algumas tinham vergonha de mostrar o corpo…” Hoje, enquanto a criança está na aula de inglês, sua mãe ou a avó faz hidroginástica na piscina, ou está no curso de culinária. Em 1º de agosto de 2003, quando inaugurou o primeiro Ceu, o Jambeiro, no bairro de Guaianazes, zona Leste, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou: “Marta, você inaugura hoje não só uma escola, você inaugura um padrão de decência, um novo jeito de tratar as pessoas neste país.” Nos fins de semana, entre 1,5 mil e 2 mil moradores da região freqüentam outro Ceu, o Casa Blanca, como se estivessem em um clube, o seu clube.

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“Marta, você inaugura hoje não só uma escola, você inaugura um padrão de decência, um novo jeito de tratar as pessoas neste país.” Lula inaugurando o CEU Jambeiro

“Isso acontece em todos os Ceus. Quanto mais humilde for a população ao seu redor, maior a afluência”, diz Celso Seabra Santiago, assessor da Secretaria Municipal de Educação para projetos especiais. O Casa Blanca tem 256 crianças em sua creche, 551 na pré-escola e 883 no ensino fundamental, um total de 1.690 alunos. Esta é a média de matrículas na rede Ceus. Os Cieps, em instalações menores, abrigam em torno de 600 alunos.

Uma das freqüentadoras da biblioteca do Ceu Jaçanã é Raiane, 9 anos, seis irmãos, aluna de uma escola da rede estadual das imediações. Os pais têm uma barraca de pastéis nas feiras do bairro - “o pai quase não dorme; e minha mãe, coitada, tem úlcera varicosa”, diz Raiane, menos interessada nas perguntas do repórter do que na antologia de Fernando Pessoa, que lia. Raiane diz que chegou tarde e preferiu vir para a biblioteca do Ceu. Ela volta a prestar atenção no livro. Sem emitir som, seus lábios acompanham a cadência dos versos. Faz uma pausa, olha para o teto como a degustar ou a tentar entender o que lê: “De tanto ser, só tenho alma./Quem tem alma não a tem calma”. Raiane é vista com freqüência na biblioteca do Ceu e dá a impressão de preferir o encontro matinal com Fernando Pessoa a uma aborrecida aula na escola convencional. “Meu medo”, diz uma professora de Ceu que não quis se identificar, “é que, com o tempo e a mudança de administrações, desapareça essa atmosfera linda, integradora, dos Ceus. E que só restem os prédios, como aconteceu com os Cieps no Rio”.

Cieps e Ceus não tiveram especial destaque no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) publicado pelo Ministério da Educação no mês passado. Em São Paulo, a Secretaria de Educação do município simplesmente impugnou os resultados por considerá-los errados e, no Rio, sete Cieps da rede estadual figuraram entre as 20 piores quartas séries das escolas públicas no Estado.

A secretária estadual de Educação, Teresa Porto, considera exagero “e certa má vontade” culpar os Cieps pelo fato de algumas escolas com essa denominação terem obtido nota baixa no Ideb. “O Ciep, como foi concebido, não teve continuidade nos governos seguintes. É impossível, hoje, avaliá-lo isoladamente”, diz a secretária, no cargo há cinco meses. Teresa afirma que, nos últimos anos, a preocupação nacional foi a universalização do ensino. “A qualidade não acompanhou a universalização”, diz.

A preocupação com estatísticas é uma das causas do abandono do turno único nos “brizolões”; em São Paulo, há o “turno da fome”, das 11 às 15 horas; criaram-se dois, três turnos e o número de matrículas dobrou ou triplicou. Teresa revela ser “fã de Darcy Ribeiro desde a adolescência”. Seu pai, Carlos Guimarães, foi líder do PDT na Assembléia e na sua casa há uma foto dela com o pai, com Brizola, com o ex-marido (Tito Riff, secretário do Planejamento nos governos do PDT) e uma picanha assando no espeto. Para Teresa, os Cieps são experiência valiosa que necessita de “criteriosa revisão crítica e atualização”: tempo integral, instalações condignas, professores qualificados e contratos de gestão.

Depois de anos de abandono, os Cieps da Prefeitura e do Estado do Rio iniciaram o ano de 2008 com pintura nova, conserto de goteiras, capina do pátio. Alguns até receberam tratamento acústico para reparar sério defeito de origem: por não chegarem ao teto, as paredes divisórias permitiam o vazamento de som de uma sala para outra. As novidades podem ser influência de tempos eleitorais. Ou antevisão da exploração do pré-sal.

28/07/2008 - 15:50h Diário de São Paulo entrevista Marta

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João Carlos Moreira, Diário de S.Paulo

SÃO PAULO - Líder nas pesquisas de intenção de votos no primeiro turno das eleições para a Prefeitura de São Paulo, a ex-ministra Marta Suplicy (PT) conta que entrou na campanha pela Prefeitura de São Paulo, após avaliar com cuidado o quadro sucessório e até admite a pressão do partido, mas garante que o principal motivo foi a certeza sobre o que pode ser feito no cargo que já ocupou de 2001 a 2004.

- Sou paulistana, sei o que fiz pela cidade e sei que dá para fazer muito mais. Assumi a Prefeitura com orçamento de R$ 9 bilhões e fiz muito. Eles (PSDB-DEM) têm R$ 25 bilhões e fizeram pouco - diz ela, criticando a administração PSDB/DEM e o prefeito Gilberto Kassab (DEM), que concorre à reeleição para o cargo.

Em entrevista ao jornal “Diário de S.Paulo”, Marta reclama do que chama de falta de planejamento de tucanos e democratas e promete retomar projetos que, segundo ela, foram abandonados pela atual gestão, iniciada por José Serra (PSDB) e continuada por Kassab. A petista cita como exemplos os centros educacionais unificados (CEUs), o bilhete único e os corredores de ônibus. “Os CEUs têm pouca programação, pouco teatro. O bilhete único já não pode ser carregado na catraca, e a lentidão nos corredores é cada vez maior”. A seguir, os principais trechos da entrevista.
Saúde

“Nossa idéia é não desconstruir. Vamos manter as OSs (organizações sociais) que já estão na gestão de hospitais municipais, mas com controle. A crítica principal que é feita a esse sistema é a falta de transparência do modelo. Vamos dar total transparência à aplicação de verbas do município. Quando assumi a Prefeitura, pegamos a saúde sucateada, com o PAS (Plano de Atendimento à Saúde) já acabando, e tivemos que reconstruir tudo. A atual gestão fez muito pouco. As AMAs (assistências médicas ambulatoriais) têm que ser o local de acolhimento do paciente, mas tem que ter especialidades médicas, dar continuidade ao tratamento. Também precisamos construir hospitais, criar leitos”.
Creches

“Precisamos ter mais vagas, não tem jeito. Há sempre uma demanda muito grande pelo serviço. A Prefeitura tem que dar mais condições de trabalho às creches conveniadas e a administração precisa aumentar sua rede própria. Tem também uma idéia, que achei muito boa quando vi em outros países, de um serviço para atender aquela mãe que mantém o filho em casa. Às vezes essa mãe precisa que a criança fique um dia ou algumas horas sob cuidados de alguém, porque ela precisa resolver um assunto, ir ao médico. É uma espécie de serviço de baby-sitter, oferecido pelo poder público, que a pessoa agendaria. É algo que vamos estudar”.
Transportes

“Trânsito e transportes exigem ações de curto, médio e longo prazo. Precisamos integrar a CET e a SPTrans, que hoje trabalham sem integração alguma. É preciso recuperar a CET, contratar marronzinhos, dar condições de trabalho a eles. A médio prazo, temos que investir na construção de corredores de ônibus, que foram abandonados pela atual gestão. A lentidão nos corredores é cada vez maior. Você poderia construir baias, para permitir a ultrapassagem do ônibus, instalar catracas em algumas paradas para agilizar o embarque dos passageiros e facilitar a partida do ônibus, mas nada é feito hoje. Também temos que investir no Metrô. Quando estive no Ministério do Turismo, apresentamos o plano para construção de 65 quilômetros de linhas até 2014, ano da Copa do Mundo. Quando assumi a Prefeitura, não tínhamos recursos (para investir no Metrô), não era prioridade. Tínhamos que resolver o problema dos ônibus, que viviam uma situação de caos, e resolvemos. Quando finalmente conseguimos dinheiro da Operação Faria Lima, quisemos investir na Linha 4, numa estação no Largo da Batata (em Pinheiros, na Zona Oeste). Fui até o governador Alckmin e ele me disse: ‘Não temos projeto’. Como pode uma cidade do tamanho de São Paulo não ter projetos para o Metrô?”
Educação

“Vamos retomar o projeto original dos CEUs. Eles tiveram um impacto grande nas regiões em que foram criados, reduzindo a violência, dando esperança e opção de lazer e cultura à população mais pobre, mas hoje estão funcionando mal. Tenho visitado bairros em que os moradores me dizem que já não há peças de teatro como antes. Alguns CEUs também não têm mais atividades para os idosos. Vamos retomar o projeto, abrindo novas unidades e oferecendo também qualificação profissional. Claro que não é possível ter um CEU, por exemplo, no Bixiga, até porque não há espaço. Neste caso, podemos ter um sistema de vai-e-volta para levar os alunos a atividades de lazer e cultura”.
Rodízio

“O rodízio de carros tem que ser mantido, mas vou rever completamente o de caminhões. Essa restrição aos caminhões tem que ser planejada, não feita de qualquer maneira, sem estudar o impacto na vida da cidade. Quando estávamos no governo, chamamos todo o pessoal do setor de cargas para conversar, fizemos estudo para cada segmento, como o de perecíveis e outros. Deixamos tudo planejado, pronto para ser implementado. Mas nada foi feito, tudo foi abandonado quando saímos”.
Impostos

Escaldada com a derrota para José Serra em 2008, a candidata do PT, Marta Suplicy, está ciente da rejeição que sofre junto a parte do eleitorado de classe média da cidade, mas acredita na possibilidade de reverter a situação a seu favor. Ela entende que sua administração não soube explicar à população a mudança feita no cálculo do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), aplicando uma tabela progressiva de correção, e ainda foi afetada pela impopularidade de criação da taxa do lixo.

“O IPTU progressivo é justo. Não faz sentido o morador de um bairro pobre pagar como se morasse nos Jardins. Quando fizemos a alteração, concedemos isenção a um milhão de imóveis. Isso foi esquecido, enquanto a oposição criticava a taxa do lixo”, disse. Segundo ela, a criação da taxa foi um erro, algo que ela pretende deixar claro. “Tenho que pedir desculpas e mostrar o que vamos fazer”, disse.

Marta promete estudar a possibilidade de até mesmo reduzir algum dos tributos municipais, já que a Prefeitura teve um aumento na arrecadação e afastando de vez a rejeição devido à antiga taxa. Ela argumenta, no entanto, que houve exagero nas críticas. “Sofri também pelo machismo”, afirmou

25/07/2008 - 13:51h Informação relevante para o eleitor

” A campanha de reeleição do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), começou a distribuir ontem pelas ruas da cidade um panfleto intitulado “Sujou!”, no qual explora a inclusão do nome da adversária Marta Suplicy (PT) na lista de candidatos que respondem a processos, divulgada nesta semana pela AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros).
O material inclui a reprodução de uma série de manchetes de jornais com a notícia da divulgação da lista de candidatos com “ficha suja”, na qual também aparece o candidato Paulo Maluf (PP). No verso, há o slogan “Marta nunca mais”, seguido de títulos de reportagens críticas à gestão da ex-prefeita.
A tiragem do impresso é de 120 mil unidades. A coligação do prefeito, comandada pelo DEM, assina o material de maneira discreta, com letras minúsculas no pé do panfleto.
Procurados pela Folha, assessores da campanha de Kassab disseram, inicialmente, desconhecer a iniciativa. Depois, confirmaram a autoria do panfleto. Eles justificaram sua produção alegando se tratar “de uma informação relevante para o eleitor”. Ressaltaram que não há ilegalidade na divulgação de materiais do gênero.”
(Folha SP).

Já que se trata de informação relevante para o eleitor, porque Kassab não faz um panfleto com esta nota do JT (Jornal da Tarde) de hoje. Kassab têm processo na justiça e já foi condenado em duas instâncias pela justiça. Agora o processo corre no STF. No mesmo panfleto ele poderia acrescentar que foi Secretário de Planejamento de Pitta, assim os eleitores ficam informados de questões relevantes.

A imagem “http://imp.4news.com.br/200807/250720080003a12d.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

Penso porem que os eleitores vão preferir discutir de outras questões relevantes. Como, por exemplo, porque a falta de vagas em creches aumentou 46% em 6 meses. Para tratar desta questão relevante, o Jornal da Tarde dedicou uma página ao tema hoje. LF

Clique na imagem para ampliar e ler

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