08/10/2009 - 10:29h BB amplia limite de consignado em R$ 4 bilhões. A medida vai beneficiar aposentados e servidores

Fernando Nakagawa, BRASÍLIA – O Estado SP

O Banco do Brasil aumentou em R$ 4 bilhões o limite pré-aprovado para o crédito consignado de 2 milhões de clientes. A medida vai beneficiar aposentados que recebem pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e servidores do Ministério do Planejamento – entidades que assinaram convênio com o banco. Em nota, o BB informa que a ampliação dos valores é resultado de um processo que teve “refinamento das metodologias de análise de crédito”. Medidas semelhantes já foram anunciadas para micro e pequenas empresas e outras linhas de financiamento para pessoas físicas.

Alinhado com a política do governo de ampliar empréstimos para manter a economia aquecida, o BB refez cálculos e observou que um grupo de clientes tinha possibilidade de tomar mais crédito. São correntistas com bom histórico e baixo perfil de risco e, por isso, ganharam o limite extra.

O vice-presidente de Crédito, Controladoria e Risco Global do BB, Ricardo Flores, destaca que a medida é feita automaticamente, sem que os funcionários tenham de analisar caso a caso. “Nosso objetivo é expandir a carteira de crédito com qualidade e eficiência, buscando a automatização de processos que desonerem a rede de atendimento e possam liberar os funcionários das agências para a realização de negócios”, disse o executivo, em nota.

Atualmente, o BB tem R$ 20 bilhões em empréstimos com desconto em folha de pagamento, principalmente com aposentados e servidores públicos. A instituição é líder no segmento, com 32,6% de todo o consignado. Esse tipo de operação já representa 36% de todos os empréstimos para as pessoas físicas no banco federal.

Desde maio, essa é a quarta vez no ano que o Banco do Brasil eleva o crédito pré-aprovado para os clientes. Nas ocasiões anteriores, o valor havia sido ampliado, no total, em R$ 61,3 bilhões. Aumentar os limites, porém, não significa que o financiamento será tomado rapidamente pelos clientes. De maio até o início de setembro, o banco só emprestou efetivamente 8,7% do novo limite oferecido aos correntistas.

A investida do BB no crédito consignado tenta abocanhar parte do segmento de crédito que apresentou a melhor reação após o tombo provocado pela crise. Em agosto, bancos emprestaram R$ 6 bilhões em crédito consignado. O valor é 115% maior que o de dezembro de 2008. Nessa mesma base de comparação, o crédito pessoal cresceu 46% e o cartão de crédito avançou 14%.

Além disso, a preferência dada pelo banco federal aos aposentados e servidores públicos é explicada porque esse segmento concentra 86,8% de todos os empréstimos com desconto em folha. A iniciativa privada, portanto, respondeu apenas por 13,2% das operações. Em agosto, brasileiros deviam R$ 67 bilhões aos bancos apenas no consignado.

22/08/2009 - 09:09h Crise encolhe bancos pequenos e médios


Instituições de menor porte perderam espaço e tiveram lucros mais apertados no primeiro semestre, aponta estudo

Ativos totais dos maiores tiveram crescimento de 21,5% nos 12 meses até junho, mas os dos médios e pequenos encolheram 1,7%

FABRICIO VIEIRA – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

A crise mostrou sua face nos balanços do setor bancário recém-divulgados. E os bancos de menor porte foram os que sentiram mais fortemente os efeitos nocivos da deterioração econômica. No primeiro semestre, as instituições de menor tamanho mostraram, na média, evolução pior de seus números do que as de grande porte. Em vários tópicos -crédito, lucro, depósitos, ativos- seus resultados foram piores.
O reflexo desse movimento tende a ser uma maior concentração bancária -ou seja, os bancos maiores dominando uma parcela mais expressiva do sistema financeiro.
Um exemplo são os ativos totais. Enquanto os maiores registraram crescimento médio de 21,5% nos 12 meses encerrados em junho, os médios e pequenos encolheram 1,7%.
“Algumas instituições menores chegaram a ter pequenos problemas de insolvência, mas isso acabou resolvido após medidas tomadas pelo governo”, afirma Luis Miguel Santacreu, analista financeiro da consultoria Austin Rating. “E, dentre os menores, há casos diferentes. Os que dependiam mais de oferta de crédito à pessoa jurídica foram os que mais sentiram a crise. Outros, que tinham uma base forte no consignado e mesmo em veículos, saíram-se melhor”, afirma.
O estudo feito pela Austin Rating a pedido da Folha considerou instituições que já apresentaram seus balanços. Entraram no levantamento 7 dos maiores bancos do país e outros 19 de menor porte.
A evolução das carteiras de crédito ilustra bem o impacto da crise nas instituições financeiras. Para os bancos maiores, a carteira total de crédito se expandiu em 24,1% em 12 meses. No caso dos menores, houve recuo de 3,3% no período.
“Nesses períodos de crise, é quase inevitável o aumento da concentração no sistema bancário. Os bancos menores, que não têm exposição no segmento de varejo, com uma ampla carteira de clientes, acabam sendo os que mais sentem a crise e encolhem mesmo nesses momentos”, avalia Luiz Antonio Vaz das Neves, analista da KNA Consultores.

Lucro menor
Um bom exemplo do que ocorreu no segmento é o BicBanco. A instituição viu seu lucro recuar 20,5% entre o primeiro semestre de 2008 e o mesmo período de 2009 -caiu de R$ 197 milhões para R$ 156 milhões. As pessoas físicas, que ajudaram os grandes bancos a manter o ritmo de concessão de crédito, representam apenas 5,6% da carteira de crédito do BicBanco.
No Banco do Brasil, que voltou a ser a maior instituição financeira do país após os últimos balanços conhecidos, o crédito concedido à pessoa física cresceu 8,5% entre o primeiro e o segundo trimestres deste ano. Para a pessoa jurídica, a expansão foi de apenas 1,9% nesse período.
Há também o caso de bancos menores, como o BMG, que se saíram melhor que seus pares. Focada no empréstimo consignado (que tem baixo risco e manteve a demanda aquecida em meio à crise), a instituição financeira teve resultado crescente nos últimos meses. O lucro do banco cresceu 16,3% no primeiro semestre sobre o mesmo período de 2008, alcançando R$ 175,7 milhões.
“O retrato mais feio do sistema financeiro é esse que vimos no fim do primeiro semestre. Daqui para a frente, a tendência é de a expansão do crédito retomar ritmo e o provisionamento [dinheiro reservado para calotes] diminuir”, avalia Santacreu.

12/08/2009 - 13:59h Consignado garante lucro a bancos médios

Mudança de regras no crédito para pensionistas ajudou instituições

Ivana Moreira, BELO HORIZONTE

A mudança nas regras do empréstimo consignado para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) garantiu números recordes para bancos focados na modalidade. O mineiro Bonsucesso divulga hoje um lucro líquido de R$ 51,3 milhões no primeiro semestre. O resultado é 571,48% maior que os R$ 7,6 milhões apurados no mesmo período do ano passado. É o melhor resultado da história da instituição financeira.

“Para quem saiu de uma crise, é um número fantástico”, comentou o presidente do banco, Paulo Pentagna Guimarães. A margem consignável, valor máximo da renda que pode ser comprometida pelas parcelas do empréstimo, estava limitada a 20%. O aposentado podia comprometer outros 10% com o cartão de crédito consignado, produto com demanda menor. Para estimular o crédito no pós-crise, o governo liberou os 30% para empréstimo direto.

Como outros bancos médios, o Bonsucesso chegou a demitir 100 funcionários, prevendo tempos difíceis em 2009. Mas a tempestade não veio. A carteira total de crédito do Bonsucesso subiu de R$ 1,466 bilhão, em junho de 2008, para R$ 1,931 bilhões em junho de 2009.

O BMG, líder da modalidade, demitiu em torno de 500 trabalhadores no fim do ano passado. Mas também cresceu no semestre. O banco, que também é mineiro, divulgou um lucro líquido de R$ 176 milhões no primeiro semestre , resultado 16,3% superior ao do mesmo período do ano passado. A produção do semestre chegou a R$ 3,640 bilhões. A carteira total cresceu 12,4%, atingindo R$ 15 bilhões.

O empréstimo para aposentados e pensionistas representa entre 60% e 70% da carteira dos bancos focados na modalidade do crédito consignado. Segundo o presidente do Bonsucesso, o aumento da produção dos bancos provou que havia uma “demanda reprimida” por empréstimo.

Para Guimarães, a criação, por parte do Banco Central, dos Depósitos a Prazo com Garantia Especial (DPGE), também contribuiu para os lucros. “A medida restabeleceu a confiança e a liquidez para os bancos médios.”

O Mercantil do Brasil, outro banco aposta no consignado, ainda não divulgou seus resultados. Mas surpreendeu ao arrematar cinco lotes no leilão da folha de pagamento do INSS.

16/07/2009 - 12:18h A volta dos bancos médios

Editorial O Estado SP

Surtiram efeito positivo, segundo os números disponíveis, as medidas do Banco Central e do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) destinadas à recuperação da liquidez dos bancos de pequeno e médio portes, evitando o desaparecimento dessas instituições e um aumento ainda maior da concentração bancária. Eliminou-se, sobretudo, um dos fatores de desconfiança dos investidores em aplicações financeiras, com repercussão favorável tanto sobre os bancos médios como sobre seus clientes.

Em março, o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou os bancos a captar até R$ 40 bilhões em depósitos com a garantia do FGC, cujo capital provém dos bancos em geral. Estes depósitos são garantidos pelo FGC até R$ 20 milhões, valor muito superior aos R$ 60 mil garantidos a quaisquer depositantes.

Para fornecer a garantia adicional, o FGC recebe o pagamento de 1% ao ano sobre o valor das captações. Entre abril e junho, a medida beneficiou 48 instituições, que captaram R$ 9,16 bilhões em depósitos a prazo com garantia especial (DPGEs). O dinheiro permitiu recompor o capital dos bancos, também beneficiados pelo aumento da confiança dos investidores, como observou ao jornal Valor o diretor executivo do FGC, Antonio Carlos Bueno.

No segundo semestre do ano passado, os depósitos nos bancos pequenos e médios caíram 18,8%, porcentual alto o bastante para criar uma crise bancária localizada. Muitas instituições ficaram sem recursos para atender às necessidades de saques de clientes e investidores. Algumas medidas emergenciais foram adotadas pelo CMN, como a liberação de depósitos compulsórios. Para evitar a insolvência, alguns bancos preferiram vender suas carteiras de crédito ao FGC e à Caixa Econômica Federal ou associar-se a bancos maiores, caso do Votorantim.

Os resultados do mês passado mostram que a ameaça aos bancos médios foi afastada. Com a venda dos DPGEs, os bancos removeram da sua contabilidade a ameaça do descasamento entre ativos e passivos. Ou seja, deixou de ser um problema o fato de que os empréstimos costumam ser concedidos em prazos mais dilatados do que os da captação de recursos, o que pode ser fatal em hora de crise.

Os DPGEs têm prazo médio de 744 dias, propiciando uma folga de liquidez a médio e longo prazos. O custo, estimado pela Cetip, onde são registradas as operações de balcão, oscila entre 95% e 138% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), que acompanha a taxa Selic. Os bancos consideram alta a remuneração, mas, com os recursos obtidos, conseguiram restabelecer seus depósitos e alongar as captações, revelou o presidente do Banco Bonsucesso, Paulo Henrique Pentagna Guimarães.

Houve outros resultados positivos: o FGC já conseguiu vender 75% das carteiras adquiridas dos bancos, aos quais havia liberado R$ 8,7 bilhões; o BC está prestes a eliminar os incentivos (liberação de compulsórios) que concedeu aos adquirentes das carteiras; e os bancos já não precisam se socorrer no mercado externo. “Com o aparecimento do DPGE, bastante atraente, a dívida externa ficou relativamente cara”, afirmou o diretor de finanças do Banco Mercantil do Brasil, Cristiano Gomes. A instituição pagou antecipadamente parte de uma colocação de papéis no montante de US$ 175 milhões. Segundo Gomes, “o pior já passou”. O caixa de alguns bancos chega a ser superior às necessidades.

Com a recomposição do capital e a retomada das captações, os bancos médios já ampliam a oferta de crédito – e isto significa mais empréstimos para as pequenas e médias empresas, sobretudo aquelas que não operavam com os grandes bancos varejistas e que, nas últimas semanas, reclamavam da falta de recursos para expandir as atividades. Também as linhas de crédito consignado, operadas por esses bancos, começaram a crescer em abril e maio.

A captação de R$ 9,2 bilhões via DPGEs é pequena em relação ao saldo total de títulos privados vendidos a investidores, quase R$ 596 bilhões em maio. Mas, nas crises, a existência de crédito, onde quer que esteja, pode ser a diferença entre a sobrevivência e a morte de empresas.

12/12/2007 - 11:52h Mais pacotes no turismo do idoso

Governo vai incorporar 12 Estados ao programa, criar 12 destinos e credenciar outras 1.529 agências


Jornal da Tarde – JT

CHARLISE MORAIS, charlise.morais@grupoestado.com.br

O programa Viaja Mais Melhor Idade – que permite aos aposentados viajar em condições facilitadas – será ampliado. A ministra do Turismo, Marta Suplicy, anunciou ontem que, a partir de março de 2008, quando terá início a segunda fase do programa, os pacotes turísticos terão 12 destinos a mais, passando de 23 para 35. O número de localidades de origem das viagens e o número de operadoras e agências turísticas que organizam e vendem os roteiros também vai aumentar.

(mais…)

12/12/2007 - 11:41h Mais pacotes no turismo do idoso

Governo vai incorporar 12 Estados ao programa, criar 12 destinos e credenciar outras 1.529 agências


Jornal da Tarde – JT

CHARLISE MORAIS, charlise.morais@grupoestado.com.br

O programa Viaja Mais Melhor Idade – que permite aos aposentados viajar em condições facilitadas – será ampliado. A ministra do Turismo, Marta Suplicy, anunciou ontem que, a partir de março de 2008, quando terá início a segunda fase do programa, os pacotes turísticos terão 12 destinos a mais, passando de 23 para 35. O número de localidades de origem das viagens e o número de operadoras e agências turísticas que organizam e vendem os roteiros também vai aumentar.

Os 12 novos destinos ainda não foram definidos pelo Ministério do Turismo, mas irão proporcionar maior diversidade de roteiros aos beneficiados do programa.

Na primeira fase do Viaja Mais, as viagens tinham como ponto de partida o Estado de São Paulo e o Distrito Federal. Mas, a partir de março, os pacotes terão como origem também os Estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco, Bahia e Amazonas.

“Em 2008, nossa meta é atingir a marca de 50 mil pacotes vendidos”, disse a ministra. Para isso também serão ampliados o número de operadores turísticos que organizam os pacotes – dos atuais13 para 25. Já as agências, que vendem as viagens, ganharão um reforço, passando de 971 para 2.500.

O programa

O Viaja Mais Melhor Idade é um programa do Ministério do Turismo que permite aos aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) adquirir pacotes de viagem em período de baixa temporada, a destinos nacionais predefinidos e pagar as despesas por meio do crédito consignado – descontado diretamente do benefício – em até 12 vezes. Os juros são de 0,75% a 0,95% ao mês. Mas, para isso, o aposentado não pode comprometer mais do que 30% do rendimento mensal.

Para viajar pelo programa , o interessado deve ligar para o telefone 0800-7707202 ou acessar o site www.viajamais.com.br e escolher a agência credenciada mais próxima. Depois é só comparecer na agência com RG, CPF, comprovante de endereço e de renda (original e cópia) e escolher entre os pacotes oferecidos. O valor máximo da viagem para financiar pelo crédito consignado é de R$ 3 mil.

Mas não serão apenas os aposentados e pensionistas que serão beneficiados. Quem não quiser viajar pelo programa e tiver acima de 60 anos também terá a chance de pagar menos em época de baixa temporada. A ministra Marta Suplicy assinou um acordo com a associações hoteleiras, de resorts e de bares, restaurantes e similares para oferecer descontos de até 50% no preço das tarifas cobradas nesses locais ao público dessa faixa etária, também durante o período de baixa ocupação.

“Nossa expectativa é que a partir de março de 2008, início do período de baixa ocupação, tenhamos a adesão de mil hotéis. A meta é chegarmos a setembro com mais de 2,5 mil meios de hospedagens oferecendo vantagens para o público da terceira idade” afirmou Marta.

O QUE MUDA NO VIAJA MAIS MELHOR IDADE

Os destinos dos pacotes turísticos serão ampliados dos atuais 23 para 35 – serão inseridos mais 12 destinos para as viagens

As localidades de origem, que atualmente são apenas duas (São Paulo e Distrito Federal) passarão a ser 12, com a inclusão dos Estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco, Bahia e Amazonas

Serão incluídas mais 12 operadoras de turismo para organizar os pacotes de viagem, passando de 13 para 25

1.529 novas agências de turismo serão incluídas para vender os pacotes. Passam das atuais 971 para 2.500 em 2008

22/10/2007 - 11:40h Governo Lula: País tem ciclo mais longo de crescimento em 30 anos

Sergio Lamucci
Valor

Julio Bittencourt/Valor

Alexandre Schwartsman, ex-diretor do BC: ajuda das contas externas

O Brasil cresce há 22 trimestres consecutivos. Mesmo não sendo muito extenso, é o ciclo mais longo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) pelo menos desde o início dos anos 80. Ele supera os 15 trimestres registrados entre 1984 e 1987, e os 12 que ocorreram entre 1993 e 1995, período turbinado pelo Plano Real. Por enquanto, o ciclo perde para o milagre dos anos 70, embora falte ao país uma única série de PIB capaz de olhar a evolução trimestral em prazos mais dilatados.

Além de longo para padrões brasileiros, o atual ciclo tem outra boa característica: ele combina investimento e consumo. As empresas têm investido em ampliação da capacidade produtiva há 14 trimestres e o aumento simultâneo de crédito, renda e emprego tem permitido às famílias manter seu consumo em alta há 15 trimestres – em todos os casos, na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.
É essa tripla combinação de PIB em alta, ampliação da capacidade produtiva e expansão da demanda interna – amparada por contas externas sólidas e inflação sob controle – que faz os analistas estimarem que esse ciclo pode se sustentar por muitos mais trimestres, ainda que o ritmo do crescimento esteja aquém do obtido por colegas emergentes como China e Índia.
O investimento em alta firme é a característica mais celebrada do atual ciclo de crescimento, como aponta o economista Juan Jensen, da Tendências Consultoria Integrada. O aumento deve ficar próximo de 10% neste ano, seguindo-se ao avanço de 8,7% de 2006. Para o ex-diretor do Banco Central (BC) Alexandre Schwartsman, economista-chefe para a América Latina do ABN AMRO, a queda consistente dos juros reais, num cenário de inflação mais baixa e controlada, é fundamental para explicar o crescimento do investimento na construção civil e em máquinas e equipamentos.
Depois de passar anos muito acima dos 10%, os juros reais (descontada a inflação) estão na casa de 7%. Projetos que não eram viáveis com juros reais de 13% ou 14% se tornam atrativos quando a taxa cai pela metade. “Houve aumento significativo da previsibilidade no país”, diz o economista Bráulio Borges, da LCA Consultores. Com a expectativa de inflação tranqüila e expansão firme da demanda por muito tempo, as empresas ganharam confiança para apostar na ampliação da capacidade produtiva.
Ainda que seja vista como excessivamente rigorosa por vários analistas, a política monetária teve papel importante na tarefa de alongar os horizontes de planejamento na economia de 2002 para cá, por ajudar a derrubar a inflação e manter sob controle as expectativas inflacionárias. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que atingiu 12,3% em 2002, deve fechar 2007 na casa de 3,9%.
Schwartsman destaca a virada espetacular nas contas externas como um dos pontos que conferem mais sustentabilidade ao atual ciclo de crescimento. “O balanço de pagamentos deixou de ser um problema. A demanda doméstica e as importações podem aumentar com força, sem prejuízo para as contas externas”, resume ele.
O resultado em conta corrente, que mostrou um déficit de 4,5% do PIB em 2001, se tornou superavitário a partir de 2003, e atualmente está na casa de 1% do PIB, graças principalmente aos saldos comerciais superiores a US$ 40 bilhões por ano. O cenário externo benigno, com crescimento expressivo da economia global e baixa aversão ao risco, foi decisivo nesse processo. “Em agosto, os preços das exportações brasileiras estavam 65% acima da média de 2002″, nota Schwartsman.
Ao exportar mais, o país pôde passar a importar mais, permitindo que a demanda interna cresça com força sem pressionar a inflação, como diz Jensen. Outra boa notícia é que as importações de bens de capital estão entre as que mais crescem, sustentando a ampliação da capacidade produtiva das empresas. De janeiro a agosto, aumentaram 33%.
O consumo das famílias também mostra um bom desempenho, impulsionado em grande parte pela expansão impressionante do crédito. Com juros menores e prazos cada vez maiores, o total de empréstimos e financiamentos acumula alta de 24,8% nos 12 meses até agosto, mantendo um ritmo forte mesmo depois do crescimento anual na casa de 20% registrado entre 2004 e 2006.
Para o economista-chefe do Morgan Stanley, Marcelo Carvalho, há espaço para o crédito continuar a crescer nesse ritmo nos próximos anos. Ele diz que, com a consolidação da estabilidade macroeconômica, os prazos puderam aumentar significativamente. “Há financiamento de automóveis de sete anos e empréstimos imobiliários de 30″, reforça Borges.
Carvalho lembra que os juros dos empréstimos, ainda que elevados, estão em queda. Para completar, houve inovações institucionais importantes, como a do crédito com desconto em folha de pagamento e as relacionadas aos financiamentos imobiliários, caso da alienação fiduciária (medida que permite a retomada do imóvel em caso de inadimplência). “O papel do crédito no atual ciclo de crescimento é muito importante”, diz Carvalho.
Borges ressalta ainda o aumento consistente do emprego e da renda para sustentar a expansão de 15 trimestres consecutivos do consumo das famílias. Segundo cálculos da Tendências, a massa salarial real (descontada a inflação) está em alta, no acumulado em 12 meses, desde abril de 2004. Para este ano, a expectativa é de um crescimento entre 5,5% e 6%. Os trabalhadores se sentem mais seguros para consumir e entrar em empréstimos e financiamentos. Outro ponto positivo do atual ciclo é que a indústria voltou a dar sinais de vitalidade, estimulada pelo desempenho do mercado interno.
O economista Alexandre Mathias, diretor de renda fixa da Unibanco Asset Management (UAM), diz que o atual ciclo rompeu com o padrão de arrancadas e freadas que predominou a partir de 1980 porque foram corrigidos ou atenuados os principais problemas macroeconômicos do país. “Nos ciclos anteriores, o próprio crescimento acentuava os desequilíbrios externos, inflacionários ou fiscais, o que levava a crises. Desta vez, o quadro é diferente.” Se ainda há muito o que avançar, não parece haver nenhum risco iminente de que a fase atual de expansão seja detida no médio prazo, avalia Mathias.

05/09/2007 - 11:44h Governo lança pacote de turismo; setor vê timidez

Medidas incluem crédito consignado para viagem e incentivo tributário a hotéis

Agências elogiam iniciativa, mas afirmam que não irá recuperar perdas com o apagão aéreo; hotelaria diz que ganhou “centavos”

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Folha de São Paulo (para assinantes)

O governo quer incentivar o turismo de idosos em períodos de baixa temporada usando o crédito consignado. A iniciativa anunciada ontem pela ministra Marta Suplicy (Turismo) pretende aumentar a ocupação dos hotéis. Também foi divulgada a ampliação do programa de benefícios tributários para o segmento. O setor diz, porém, que as iniciativas serão insuficientes para reverter os estragos causados pela crise aérea.
O programa “Viaja Mais” foi lançado como um das principais iniciativas para o setor no segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Para a ministra, a ação vai permanecer “nos próximos governos, por várias décadas”. A ação começa com vendas em São Paulo e Brasília e, segundo o governo, os pacotes já podem ser encontrados em agências de turismo.
Governo e operadoras prometem pacotes com preços mais baixos que a média. O desconto viria por causa das vendas na baixa estação. A maioria deve ter embarques entre agosto e meados de novembro ou entre março e junho.
Além do preço, o pagamento pode ser parcelado, com juros, em até 12 vezes, e a prestação, descontada no benefício da Previdência Social, o chamado crédito consignado. A modalidade já é usada pelas financeiras -que oferecem crédito pessoal- e pelo varejo -principalmente de eletrodomésticos. A concorrência não preocupa Marta: “Não queremos competir com os eletrodomésticos. Mas imagina se uma aposentada de 75 anos vai se lembrar de uma geladeira que comprou ou de uma grande viagem”.
Em São Paulo, o governo acredita ser possível incluir até 800 mil novos viajantes aos 2,4 milhões de turistas paulistas com mais de 60 anos. Segundo Marta, esse grupo deixa de viajar atualmente porque não tem estímulo ou financiamento.
O presidente da Abav (Associação Brasileira de Agências de Viagem), João Martins Neto, elogia a iniciativa. “Vai ter impacto positivo, é uma ação inteligente. Mas não vai ser isso que vai cobrir os prejuízos” com a crise aérea.
Já o ministro Guido Mantega (Fazenda) anunciou medidas tributárias para o setor hoteleiro, como a devolução mais rápida de créditos. As medidas nessa área foram consideradas tímidas pelos hoteleiros. “Pedimos uma ajuda, mas só conseguimos tirar uns dois centavos da Receita Federal”, disse o presidente da Abih (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis), Erardo da Cruz.

14/08/2007 - 10:26h Turismo a juros menores

Ministra anuncia taxas de 0,6% ao mês para prazo de 6 meses e estuda pacote para professor da rede pública

Charlise Morais, charlise.morais@grupoestado.com.br

Os aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)terão novas condições para viajar por meio do crédito consignado, aquele cujas parcelas de pagamento são descontadas diretamente do benefício. A ministra do Turismo, Marta Suplicy, anunciou ontem que essas pessoas poderão contrair empréstimos para essa finalidade com juros de 0,6% ao mês e prazo de seis meses para quitá-los. Pelas regras divulgadas anteriormente, havia somente a taxa de 0,95% para pagamento em 12 meses.

Marta também garantiu ontem que está em estudo a criação do turismo com crédito consignado para professores da rede pública de ensino, no mesmo molde do programa para aposentados.

O Programa Viaja Mais Brasil Melhor Idade, do Ministério do Turismo, previsto para ter início no começo de setembro, permite a segurados do INSS financiar pacotes turísticos, com destino dentro do País, no valor máximo de R$ 3 mil.

Mas, para viajar pelo programa, os aposentados precisam aceitar algumas limitações, como viajar apenas em grupo e para os destinos oferecidos pelo programa. Além disso, as viagens somente poderão ser feitas em épocas de baixa temporada. Ou seja, quem adquirir um dos pacotes na primeira fase do programa só poderá viajar até novembro.

Os pacotes terão roteiros aéreos e terrestres, mas, todos eles têm saída a partir de São Paulo, Capital ou Brasília. É permitido levar um acompanhante e incluir as despesas no mesmo financiamento, mas é preciso que essa pessoa tenha mais de 60 anos. As despesas de ambos, depois de acrescidos os juros, não podem ultrapassar o limite máximo de endividamento do aposentado, que é de 30% do valor do benefício. Não pode recorrer a esse tipo de crédito quem tiver alguma inadimplência em outros empréstimos consignados nem dívidas com o setor público. A linha também não contempla quem recebe benefício temporário como auxílio-doença e salário maternidade.

Procedimento

Para viajar pelo programa, o aposentado deve ir a a uma das agências de turismo identificadas com o selo do programa portando carteira de identidade, CPF, comprovante de endereço e de renda e escolher um dos roteiros determinados. O pacote deve oferecer café da manhã e mais uma refeição e também deve ter uma programação específica para o grupo de idosos. O programa já qualificou mais de 700 profissionais de serviços turísticos, desde o início do treinamento em 23 de julho afim de preparar esses profissionais para atender os idosos.

COMO FUNCIONARÁ O TURISMO CONSIGNADO

Essa modalidade deverá estar disponível a partir de setembro

O aposentado ou pensionista deve procurar uma agência de turismo credenciada – e identificada com o selo do Programa Viaja Mais – Melhor Idade

Escolher entre os destinos definidos pelo programa e número de meses para pagar (taxas de juros variam conforme prazo – de 0,6% a 0,95% ao mês)

É preciso apresentar RG, CPF, comprovante de endereço e de renda e preencher ficha cadastral

A ficha é enviada ao banco pela agência e depois ao INSS, que aprova o crédito

Depois de aprovado, o aposentado vai até a agência e retira as passagens

Fonte Jornal da Tarde