23/11/2009 - 12:24h A merenda de Kassab continua cheirando mal

Fornecedora de merenda de SP admite uso de empresas fantasmas

Alvo de procedimento do MPE, o próprio Geraldo Coan confessou irregularidade para ”reduzir base de imposto”

Bruno Tavares e Marcelo Godoy – O Estado SP

Uma rede de empresas fantasmas, laranjas e notas fiscais frias envolve uma das maiores fornecedoras de refeições prontas do País, a Geraldo J. Coan & Ltda. Investigação feita pelo Estado descobriu que o imóvel onde deveria funcionar uma representante da Coan abriga uma igreja evangélica. Dados bancários indicam depósitos periódicos da Coan nas contas de empresas fantasmas. Tudo confirmado pelo Ministério Público Estadual (MPE) a tal ponto que a empresa se viu obrigada a admitir sonegação fiscal. Promotores, no entanto, desconfiam de que o esquema tinha outra serventia: disfarçar o pagamento de propina a autoridades municipais. A Coan tem contratos com diversas prefeituras paulistas, incluindo a da capital.

A investigação começou em 2008, quando uma denúncia levou a 2ª Delegacia de Crimes Fazendários a abrir inquérito sobre o caso. Insatisfeito com a atuação policial, o mesmo informante procurou o Estado em outubro de 2008. Trazia nomes, endereços e documentos que, segundo ele, levariam à descoberta de um grande esquema de fraude.

A reportagem confirmou os indícios de que duas empresas dessa trama seriam fantasmas: a Carsena Representação Comercial, que indica o endereço de uma igreja como seu escritório, e a CJM – Representação Comercial de Gêneros Alimentícios e Refeições Prontas, também registrada com endereço frio na Junta Comercial. Os promotores descobriram que a CJM havia mudado do endereço falso na Rua Barão de Itapetininga, no centro de São Paulo, para outro lugar inexistente. Dessa vez, a sede ficava em Belo Horizonte (MG).

O acesso a papéis da Coan, obtidos em operação conjunta do MPE com a Secretaria Estadual da Fazenda, confirmou a denúncia de que ela fazia pagamentos para as empresas que nada lhe forneciam. Exemplo disso é um recibo de R$ 54,7 mil da Coan para a Carsena, datado de 31 de julho de 2007. A nota fiscal de número 17, emitida pela Carsena, mostra pagamento de R$ 144,7 mil em 24 de junho de 2007. Entre setembro e dezembro de 2007, cerca de R$ 900 mil entraram nas contas da Carsena. Outro tanto circulou pelas contas da CJM.

Para se defender das acusações, há dois meses o empresário Geraldo João Coan apresentou ao MPE declaração de duas folhas em que assume que a CJM e a Carsena foram “utilizadas em transações que não correspondiam à efetiva prestação de serviço”. O documento isenta de responsabilidade as pessoas que emprestaram seus nomes e alega que o objetivo do esquema era diminuir a base tributável do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). A Receita Estadual ainda não apurou quanto a Coan teria sonegado nem o valor da multa a que a empresa está sujeita.

A Coan e as demais fornecedoras de merenda escolar da capital estão desde o ano passado na mira do MPE. Elas são acusadas de terem formado um cartel para fraudar licitações e corromper agentes públicos. Atualmente, a Coan é responsável por fornecer merenda para o lote 3, que engloba as unidades municipais de ensino em Pirituba e Freguesia do Ó, nas zonas oeste e norte.

Em agosto, o MPE propôs ação civil pública para tentar impedir que as empresas sob suspeita participassem de novos pregões, mas o pedido acabou indeferido pela Justiça. O mérito da ação ainda não foi julgado.

Além da Prefeitura paulistana, a Coan mantém contratos com mais 20 municípios paulistas, além de hospitais e presídios do Estado. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) já julgou irregular os contratos com dois Centros de Detenção Provisória (CDPs), um hospital e oito prefeituras, como Piracicaba, São Caetano do Sul, Ribeirão Preto e Itu.

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Merenda de Kassab mantém má qualidade

Após quatro meses da assinatura de novos contratos, vistoria acha alimentos vencidos e mofados nos refeitórios de alunos

Fiscalização vê falhas em 22 das 25 escolas; em 3 foram encontrados pombos nos refeitórios; prefeitura diz que erros “são pontuais”

ALENCAR IZIDORO E JOSÉ ERNESTO CREDENDIO – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Relatórios de fiscalização da merenda escolar de São Paulo revelam que a presença de pombos nos refeitórios onde os alunos comem, excesso de moscas, alimentos vencidos no estoque e ovos mofados são problemas que persistem na rede municipal de ensino.
Falhas diversas, que vão da falta de higiene nas cozinhas à infraestrutura deficiente das unidades, foram flagradas neste semestre, mesmo depois de a gestão Gilberto Kassab (DEM) assinar novos contratos de fornecimento da merenda.
As deficiências afetam inclusive empresas estreantes nesse segmento na capital paulista.
A Folha acompanhou nos últimos quatro meses os balanços de vistorias realizadas pelo CAE (Conselho de Alimentação Escolar) -órgão oficial de fiscalização formado por pais, servidores e professores. Entrevistou agentes, consultou relatórios de visita e fotografias sobre parte dos problemas.
Das 25 escolas fiscalizadas, foram encontradas falhas em 22 -em metade delas, já a partir da vigência dos novos contratos com quatro empresas estreantes e com quatro que já prestavam os serviços antes.
Os problemas mais emblemáticos foram identificados em escolas atendidas pela Nuttriclass (nova, ligada ao grupo Puras) e pela Terra Azul (que já estava no contrato anterior).
A cargo da primeira, por exemplo, os ovos embolorados e a “grande quantidade de pães vencidos” no CEU Parque São Carlos. Ou então, na EMEF José Lins do Rego, as moscas que dominam a cozinha sem telas de proteção de janelas e de portas e a presença de embalagem violada de peito de frango -dentro, havia uma parte diferente da ave, condição considerada suspeita pelos agentes.
A fiscalização também verificou que algumas escolas atendidas não tinham a comprovação dos exames médicos das merendeiras -exigência contratual para evitar a manipulação de alimentos por quem tem alguns tipos de doença.

Granola

Em unidades atendidas pela Terra Azul, além das falhas de higiene (como fezes de pombo no refeitório e “pano imundo e mau cheiroso” em cima do fogão), dois problemas chamaram a atenção dos fiscais.
Na EMEI Laura F. de Leceur, os membros do CAE constataram que havia uma única funcionária para fazer tudo -e que, por isso, não dava conta.
Já na EMEI Enio Correia, as reclamações das crianças sobre a granola muito dura levou a fiscalização a recolher uma amostra. Resultado: a empresa dava aos alunos uma marca de cereal diferente da autorizada e aprovada pela prefeitura.
Os relatórios do CAE apontam que, das 25 escolas, em 3 os conselheiros flagraram a presença de pombos dentro do refeitório dos alunos -justamente no momento da vistoria.
Esse problema já havia sido detectado em visitas realizadas em meses anteriores pelo órgão -sinalizando uma situação que está longe de ser pontual.
A gestão Gilberto Kassab afirma que os problemas identificados pela fiscalização não são generalizados.
Embora admita os riscos, a prefeitura afirma que as empresas só podem ser punidas contratualmente se as aves estiverem na cozinha -e não no refeitório, cujo controle deve ficar a cargo dos próprios servidores. Ela diz orientar as escolas para evitar essa situação.

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Nutricionistas veem risco de contaminação

Para especialistas, a vistoria nas merendas das escolas municipais evidenciam uma falta de controle da prefeitura

Fiscalização também achou deficiências e infraestrutura precária em escolas onde a refeição é preparada pelos servidores municipais

DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA SP

Nutricionistas especializadas em alimentação escolar ouvidas pela Folha avaliam que as situações registradas pelo CAE (Conselho de Alimentação Escolar) apontam para riscos de contaminação da merenda dos alunos da rede municipal e devem ser objeto de um plano para corrigir as falhas.
“Os problemas levantados pela fiscalização evidenciam uma falta de controle e oferecem algum risco de contaminação. Os pombos (localizados dentro do refeitório dos alunos), por exemplo, circulam em locais contaminados e suas próprias fezes são perigosas”, afirma Manuella de Souza Machado, agente do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar).
Segundo Manuella, há possibilidade de distúrbios intestinais e até doenças mais graves, como no caso do ovo podre. “O ovo é muito propenso, por si só já tem patogênicos de grande risco, como a salmonella”, diz.
Para a professora da Unifesp Cristina Gaglianone, coordenadora do Cecane (Centro Colaborador em Alimentação e Nutrição do Escolar) da Região Sudeste, os casos citados mostram situações em que alunos podem ficar doentes.
“Todos os problemas têm algum tipo de risco, maior ou menor, mas pode haver contaminação”, afirma Cristina.

Por servidores
A fiscalização da merenda também constatou deficiências em escolas onde a refeição é preparada pelos próprios servidores (modelo chamado de autogestão). Nessas unidades, já houve diversos flagrantes de falta de uniformes e toucas das merendeiras, além da infraestrutura precária -como fogão em más condições.
Numa vistoria no CEI Cidade 4º Centenário, no dia 21 de outubro, a fiscalização do CAE constatou falta de comida. Além do baixo estoque, não havia leite em pó nem macarrão. A prefeitura admite a falha pela falta do leite em pó (alega um problema no contrato de fornecimento), mas considera não haver motivos para a ausência do macarrão. E diz que os estoques da unidade foram reabastecidos dois dias depois.
Os dois modelos de fornecimento da merenda (terceirizado e autogestão) são motivo de uma disputa de mercado entre empresas de cada segmento e constante troca de acusações entre elas.

Receita alta
A disputa é por uma receita estimada em R$ 2 bilhões por ano no país. Na capital paulista, os contratos com as terceirizadas atingem R$ 35 milhões por mês. Com base em relatório da Fipe/USP, a Promotoria já tentou barrar na Justiça a continuidade do sistema terceirizado em São Paulo, afirmando que ele é mais caro e de pior qualidade -além de acusações de conluio entre as empresas.
Essa avaliação é questionada pela prefeitura e pelas empresas terceirizadas -que alegam ser vítimas de uma campanha de atacadistas, interessados em vender só os alimentos, e não os serviços de preparo e distribuição da merenda.
Numa ação trabalhista, um advogado que tentou barrar diversas licitações nos últimos anos disse que era pago por um grupo de 11 empresários atacadistas para fazer lobby contra a terceirização.

10/11/2009 - 13:26h “Gestão” Kassab: Assistência social em SP está estagnada

Desde 2008, fundo e atendimento congelaram; entidades protestam

Filipe Vilicic – O Estado SP

As contas do Instituto Rogacionista Santo Aníbal, que tem quatro convênios com a Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS) de São Paulo e atende cerca de 600 pessoas em abrigos e centros para crianças e adolescentes, estão fechando no vermelho. Para cortar os gastos, a organização demitiu cinco funcionários, trocou 30 por trabalhadores com salários mais baixos e cancelou duas oficinas para cerca de 100 jovens. Um dos diretores chegou a utilizar a herança familiar para cobrir parte das dívidas da instituição (que, mesmo assim, alcançam R$ 25 mil). “O problema é que as despesas aumentaram nos últimos anos, mas o repasse da Prefeitura não cresceu no mesmo tom”, aponta a assistente social Dulcinéa Pastrello. “Não conseguimos acompanhar os dissídios impostos pelo sindicato do setor. E passamos a comprar produtos, como alimentos, de pior qualidade.”

As queixas do instituto retratam a atual situação da assistência social na cidade de São Paulo. De acordo com o Fórum da Assistência Social (FAS), que representa 500 organizações paulistanas, o problema é comum a todas as 360 entidades conveniadas com a SAS, que administram serviços como abrigos, centros de convivência para crianças e núcleos para pessoas com deficiências. “Nos últimos dois anos, houve uma estagnação na verba destinada à pasta, o que impossibilitou os reajustes e prejudicou os centros”, afirma o coordenador da associação, William Lisboa.

Desde 2008, o orçamento do Fundo da Assistência Social (FMAS), que também conta com repasses federais e estaduais, é praticamente o mesmo. O que contrasta com a política que vinha sendo adotada para o setor. Entre 2005 e 2008, o aumento do valor foi de cerca de 120%. A capacidade de atendimento da rede também congelou, em 165 mil pessoas assistidas – o crescimento de 2005 para 2008 foi de quase 50%.

Pelo FAS, reajustes anuais são necessários para acompanhar a inflação dos produtos e os dissídios impostos pelo sindicato dos trabalhadores. Em 2007, foi estipulado aumento de 10% aos 30 mil funcionários do setor. Os valores dos repasses cresceram 5%. No ano seguinte, o dissídio foi firmado em 8% e a Prefeitura negou reajustes. Para 2010, o sindicato propõe 6% e não se sabe se haverá mudanças nos convênios. “Ao todo, os gastos inflaram ao menos 19% e as instituições tiveram de arcar sozinhas com esses aumentos”, diz Lisboa.

A falta de verba resultou em demissões. “Dispensam os funcionários com salários altos para contratar outros mais baratos”, relata Maria Gusmão, presidente do sindicato dos trabalhadores do setor. “Para piorar, como os centros estão ruins de caixa, não pagam nem as verbas rescisórias.” Segundo o sindicato, desde 2008 foram registradas 4.877 demissões na rede. “Outra consequência é que não conseguimos aumentar o número de assistidos”, afirma William Lisboa. “Hoje, calculamos que há ao menos 100 mil indivíduos que esperam por atendimento nas conveniadas.”

Para a próxima sexta, o FAS planeja uma manifestação com cerca de mil pessoas na frente da Prefeitura, no centro. Reivindicarão os reajustes, uma 13ª parcela nos convênios firmados e reclamarão de recentes atrasos nos pagamentos. O fórum também faz lobby na Câmara para aumentar a verba para a assistência social em 2010. A soma dos caixas da SAS e do FMAS deve ser de R$ 704 milhões. Para regularizar serviços, as entidades demandam o dobro desse valor.

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Entidades cancelam convênios

Secretaria diz que contratos foram assumidos por outros parceiros; fórum prepara ação para exigir reajustes

Filipe Vilicic – O Estado SP

O congelamento dos repasses da Secretaria de Assistência Social fez entidades desistirem de convênios e demitirem funcionários. A Associação Evangélica Beneficente, que tem nove trabalhos com a pasta, deixou um abrigo que mantinha em Santana para mais de 20 crianças abandonadas. “Não tínhamos recursos para manter o serviço”, diz um integrante da associação, que pediu para não ser identificado. “As despesas aumentaram, mas os repasses não. E a situação nos pegou despreparados, sem condições para continuar o trabalho.”

De acordo com o Fórum da Assistência Social, ao menos outras duas entidades paulistanas desistiram de serviços prestados por problemas financeiros. “Há ainda dezenas que pretendem cancelar contratos no ano que vem, se os reajustes não forem feitos”, declara o coordenador da associação, William Lisboa. Segundo Lisboa, o fórum prepara uma ação judicial para exigir da Prefeitura ajustes nos convênios. “Essa situação não pode continuar”, diz. “Se o governo persistir em desprezar as necessidades do setor, os serviços logo serão sucateados e aumentará o número de pessoas carentes, como mendigos e crianças abandonadas, nas ruas.”

A assistente social Paula Lusa Soares, gerente da Promove Ação Sócio Cultural, que possui três contratos com a secretaria, receia perder o emprego com a crise. “Sem as mudanças necessárias nos repasses, pode ser que me troquem por alguém com um salário menor, mas com menos experiência”, diz Paula, que tem um soldo superior aos cerca de R$ 2 mil estipulados pela Prefeitura para seu cargo. “Os aumentos vieram principalmente com os dissídios da categoria.”

Paula se formou em Serviço Social em 1982 e administra há oito anos o centro de desenvolvimento social e produtivo para adolescentes em Vila Albertina. Ela relata que há uma demanda reprimida na região: cerca de 500 jovens estariam esperando por assistência. E, para Paula, se o orçamento municipal destinado à área não aumentar esse grupo permanecerá sem atendimento.

Mesmo entidades saudáveis financeiramente protestam. “Felizmente, temos uma boa poupança e muitos doadores, o que nos faz depender menos da boa vontade do governo”, afirma Carlos Nambu, representante da Rede Salesiana, instituição com cinco convênios. “Mas se não tivéssemos esse respaldo, estaríamos sofrendo.”

A assistente social Neiri Bruno, integrante do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Seguridade e Assistência Social da PUC-SP, analisa que demissões e dificuldades financeiras prejudicam a qualidade dos trabalhos. “Relações entre o Estado e organizações filantrópicas deveriam ser mais benéficas, já que essas entidades ajudam com um serviço público que é de responsabilidade do governo”, diz. “Conflitos entre a Prefeitura e as entidades têm como consequência a estagnação do setor e o aumento da demanda reprimida.”

Para o vereador Ítalo Cardoso (PT), criador da Frente Parlamentar em Defesa da Política de Assistência Social, há descaso da atual gestão com o tema. “Os mais prejudicados são os assistidos e a população, que sofre, por exemplo, com o agravo dos problemas sociais”, defende.

OUTRO LADO

Segundo a secretaria municipal, 12 organizações encerraram convênios neste ano. “Por irregularidades na documentação apresentada ou porque não tinham interesse em continuar o serviço”, alega a chefe de gabinete, Maria Luiza Gomes de Azevedo. “Não tenho ciência de centros que deixaram a parceria por problemas financeiros.” A Prefeitura ainda diz que os contratos cancelados foram imediatamente assumidos por outras entidades e os serviços não foram descontinuados.

Secretaria cobra contrapartida das entidades

A Secretaria de Assistência Social admite que o repasse dado às conveniadas não é suficiente, por si só, para manter a qualidade dos serviços. “É necessária uma contrapartida financeira das organizações”, diz a chefe de gabinete da pasta, Maria Luiza Gomes de Azevedo.

“Quando firmamos um convênio, não existe previsão para readequação de valores. As organizações precisam se programar para cobrir dissídios sindicais e outros gastos.” Ela aponta, ainda, que os contratos destinam parte do dinheiro enviado pela Prefeitura para esses imprevistos.

Maria Luiza acrescenta que o último orçamento não previa o montante suficiente para atender às demandas das entidades, como os reajustes nos repasses. “Nossa boa vontade é limitada pelas nossas restrições financeiras”, afirma.

Frente à estagnação da capacidade de atendimento das conveniadas, a chefe de gabinete diz que não foi possível atender a uma demanda maior neste ano. “Pela situação econômica, focamos em ao menos manter os trabalhos que fazemos”, justifica.

A secretaria planeja publicar um novo modelo de convênio ainda neste ano. “Estudamos o que será possível fazer com o Orçamento de 2010″, diz Maria Luiza. “Esperamos atender a alguns dos pedidos das entidades.”

Entre as mudanças estudadas, a pasta quer aumentar a verba destinada aos salários dos funcionários e incluir uma 13.ª parcela nos convênios. “E evitaremos os atrasos nos repasses, como ocorreu neste ano por causa de problemas burocráticos e de irregularidades de algumas das parceiras”, conta Maria Luiza.

08/11/2009 - 13:20h O leite de Kassab não é entregue nas casas dos alúnos

Leve-leite

Leite atrasa e entrega é feita nas subprefeituras

Léo Arcoverde do Agora
Cerca de 10 mil pais de alunos da rede municipal de ensino, que deveriam receber em casa o leite em pó oferecido pelo programa Leve-Leite, tiveram de ir ontem até as subprefeituras. No Campo Limpo (zona sul de SP), eles enfrentaram fila e o forte calor para pegar o alimento, que não chega desde agosto para muitas famílias.

A Prefeitura de São Paulo alterou a maneira de entregar o leite neste ano ao fazer uma parceria com os Correios. A ideia é entregar as latas na casa dos estudantes, mas muitos pais têm reclamado com frequência que ainda não receberam o alimento e que são obrigados a comprar o leite dos filhos. Na rede municipal, tem direito ao alimento quem tem mais de 90% de frequência nas aulas.

  • Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora, nas bancas neste domingo, 8 de novembro

22/10/2009 - 13:03h Kassab cria duas filas de espera para as creches de SP. Me engana que eu gosto

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Uma das filas concentra os pais que têm preferência por determinadada unidade. Regra vale desde julho.

Adriana Ferraz do Agora

O número de crianças que aguardam vaga em uma creche específica da rede municipal cresceu 121% no último trimestre, que é a chamada demanda preferencial. O período coincide com a publicação de uma nova portaria que organiza a fila na cidade. Desde julho, os pais devem responder, na ficha de inscrição, se têm preferência por uma unidade. A indicação leva a criança a uma fila paralela e ajuda a reduzir a demanda geral, cuja a atual gestão promete zerar até 2012.

A portaria 3.440 permite que os responsáveis escolham a creche ou a região preferencial para a matrícula, mas exclui essa criança da demanda geral, podendo aumentar o tempo de espera por atendimento. “Muitos pais não sabem dessa condição. Eles acabam escolhendo uma creche sem saber que entrarão para outra fila, que não se sabe como funciona”, diz a advogada Ester Rizzi, da ONG Ação Educativa. A prefeitura nega que tenha uma fila dupla na rede municipal.

A mudança de regras fez o cadastro preferencial saltar de 3.883 para 8.591, em apenas três meses. O novo balanço, divulgado ontem, mostra esse aumento. Antes da portaria, essa demanda registrava o total de crianças cujos pais negavam uma vaga ofertada pela prefeitura por desejarem matricular seus filhos em uma determinada creche, normalmente perto de casa.

A nova característica da demanda preferencial virou objeto de análise na Defensoria Pública de São Paulo, que vê riscos aos direitos da criança. “Ao fazer essa opção, a família deixa de constar no cadastro geral e corre o risco de não ser chamada”, diz o defensor público Bruno Dias Napolitano, do núcleo especializado da infância e juventude.

A prefeitura ainda define na mesma portaria que, ao indicar uma escola municipal de educação infantil ou setor, o responsável pela criança será avisado de que “renuncia ao transporte escolar gratuito.” Para a Ação Educativa, o direito de ter transporte para ir à escola é irrenunciável e a norma, inconstitucional.

Demanda

Enquanto a demanda preferencial aumentou de forma significativa, a lista geral seguiu ordem oposta. Nos últimos três meses, o aumento no cadastro municipal foi de apenas 2,42%. É o menor percentual do ano. De março para junho, o crescimento foi de 25%. O número de crianças que atualmente estão à espera de matrícula praticamente estagnou: passou de 84.807 para 86.858.

Ainda assim, a promessa de zerar o deficit continua está longe de ser cumprida pela gestão Gilberto Kassab (DEM). O prefeito prometeu, em campanha eleitoral, que a fila seria extinta até 2012. A demanda por uma vaga em pré-escola também caiu. Em junho, havia 33.265 crianças aguardando vaga em Emeis (escolas de educação infantil). Hoje, são 28.524. Não existe fila de espera no ensino fundamental.

19/10/2009 - 15:20h Após denúncia do vereador Donato, MP abre inquérito sobre contratos do Leve Leite

http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/foto/0,,14403079,00.jpghttp://4.bp.blogspot.com/_Iv3aM_MaU04/SPd5HONu87I/AAAAAAAAATA/LHVenKvQ-f8/s400/kassab.bmp

O Ministério Público instaurou inquérito civil (nº 121/09) para investigar o contrato (no valor de R$ 34 milhões), celebrado sem licitação entre a Prefeitura de São Paulo e os Correios, para a entrega de latas do programa Leve Leite na casa das crianças matriculadas na rede municipal de ensino.

A decisão do MP se baseou em denúncia formulada pelo vereador Donato. No mesmo inquérito será investigado também o contrato da prefeitura com a Nestlé, que igualmente foi contratada sem licitação e cobrou no preço um valor referente à entrega do produto.

Em pronunciamento da tribuna da Câmara Municipal semana passada, Donato observou que os Correios só poderiam ser contratados sem concorrência pública apenas para distribuição de correspondência, já que detém o monopólio do serviço. No caso do Leve Leite, a prefeitura deveria ter feito licitação para escolher quem faria a distribuição, assim como aconteceu para a entrega de remédios e de uniformes escolares nas casas dos beneficiários destes programas.

Quanto ao preço do quilo de leite em pó (R$ 8,50) cobrado pela Nestlé, o vereador lembrou que no custo estava embutida a despesa com a distribuição nas escolas. Após Donato ter protocolado a representação no MP para que fosse investigado o caso, a prefeitura baixou de R$ 8,50 para R$ 8,21 o valor pago pelo quilo do produto.

“Sou a favor de que o leite não seja distribuído pelos professores, cujo tempo deve ser dedicado à sala de aula, ao ensino dos alunos, algo que não ocorre mesmo com a retirada do leite. Temos notícias de que professoras atuam como costureiras, tirando as medidas dos alunos para a confecção de uniformes. Essas atividades deveriam ser desenvolvidas por pessoas do apoio da escola ou terceirizadas. Nos parece que o custo de R$ 34 milhões é excessivo em relação ao contrato de distribuição do leite, de R$ 120 milhões. Será que não existe alternativa mais barata do que R$ 34 milhões, que onera as verbas de assistência social na área de educação”, questionou Donato.

Fonte Boletim da liderança da bancada de vereadores do PT

15/10/2009 - 08:39h Kassab expulsa crianças das creches para fingir que reduz déficit. Dano às crianças faz Ministério Público intervir

Promotoria quer aluno com até 4 anos na creche

Aline Mazzo e Adriana Ferraz do Agora

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O Ministério Público Estadual quer impedir que alunos menores de quatro anos sejam matriculados na pré-escola em vez de creches. Para isso, entrou com uma ação civil pública pedindo à Justiça que a prefeitura, a partir de 2010, matricule obrigatoriamente crianças dessa faixa etária em creches.

Desde o início do ano, a gestão Gilberto Kassab (DEM) tem enviado alunos de três anos de idade para Emeis (Escolas Municipais de Ensino Infantil), na tentativa de reduzir a demanda de creche, que é de 84.807 vagas.

Segundo a Promotoria de Defesa dos Interesses da Criança e da Juventude da Capital, as Emeis não possuem espaço adequado, além de reunirem um número excessivo de alunos em sala de aula, o que é incompatível levando em conta os cuidados que eles necessitam nesta faixa etária.

A mudança foi feita por uma portaria, que diminuiu a idade mínima de entrada nas Emeis para três anos. A prática, considerada irregular pela Promotoria, foi denunciada pelo Agora em junho deste ano. Nas Emeis, as salas podem ter até 35 alunos, cuidados por professor. Na creche, esse número cai para 18. Pelo menos 48 mil alunos de três anos foram colocados em escolas pela prefeitura.

O documento, assinado pelas promotoras Dora Martin Strilicherk, Laila Said Abdel Qader Shukair e Carmen Lucia de Mello Cornacchioni, pede que seja respeitada nas creches a proporção de um professor para cada 15 alunos. As vagas para crianças menores de quatro anos “criadas de forma ilegal na Emeis”, diz a Promotoria, ainda devem ser incluídas no cadastro de demanda não atendida nas creches.

Multa
Em caso de descumprimento, a prefeitura pagará multa diária de R$ 1.000 por cada sala de Emei com criança menor de quatro anos. De acordo com o documento, por mais que a demanda seja grande, isso “não autoriza o sucateamento de serviço de educação infantil” na rede municipal.

O Ministério Público também levou em conta um parecer dos professores da Faculdade de Educação da USP, que aponta a falta de infraestrutura das Emeis para atender crianças menores de três anos, já que sua estrutura é inadequada até para alunos de quatro e de cinco anos.

Os docentes ainda chamam atenção para o fato de as Emeis terem turnos de quatro horas, contra as dez horas das creches, e a falta de condições para descanso das crianças e um atendimento individualizado. A Promotoria também realizou visitas em Emeis para verificar os problemas. A ação civil pública tem pedido de tutela antecipada, para que comece a valer assim que a liminar for concedida, independente de a prefeitura entrar com recurso.

Ministério Público flagra alunos dormindo sentados

Aline Mazzo e Fernanda Barbosa do Agora

Salas superlotadas, pouco espaço e condições inadequadas para atender às crianças foram os problemas encontrados pelas promotoras e assistentes sociais do Ministério Público em visita a duas Emeis da cidade.

Na Emei Regente Feijó, no Cambuci (zona sul de SP), a sala de alunos de três anos (primeiro estágio) tinha 40 crianças, que se apertavam para ouvir a professora contar história. Algumas até dormiam sentadas, debruçadas sobre as mesas, pois não havia espaço para que elas descansassem.

A professora ainda disse que os pais não podem enviar os medicamentos dos filhos, pois ela não tem possibilidade de controlar as doses devido ao número excessivo de crianças.

Na Emei Ângelo Martino, na Bela Vista (centro de SP), a sala, segundo o documento, não comportava seus 30 alunos mais a professora, a diretora e os integrantes da Promotoria. E criança de três anos vão ao banheiro sozinhas, pois a professora não pode deixar o local. Mesmo assim, alguns pais se contentam por ter a vaga. “Meu filho tem muitos amiguinhos e sempre fala deles”, diz Volmir Adriano dos Santos, 35 anos.

14/10/2009 - 09:30h “Gestão” Kassab: Nas creches, de mal à pior

Tribunal de contas vai investigar acusações contra creches de SP

Aline Mazzo do Agora

O Tribunal de Contas do Município vai fiscalizar as creches mencionadas no relatório feito pelo Movimento de Mães Sem Creche para verificar as irregularidades apontadas no documento.

Em matéria publicada pelo Agora no dia 10, a entidade relatou ter encontrado creches municipais diretas e conveniadas com superlotação em salas de aula, problemas trabalhistas, cobrança indevida de materiais e dificuldade de acesso para deficientes.

O conselheiro corregedor do tribunal, Edson Simões, determinou uma inspeção nas unidades mencionadas na reportagem e a verificação junto à Secretaria Municipal de Educação sobre as denúncias. O tribunal também deverá checar se a pasta está fiscalizando o cumprimento do contrato firmado por parte das creches conveniadas.

Segundo a entidade, 84% dos professores de creches acompanhados são registrados como auxiliares de desenvolvimento infantil e ganham R$ 810 por 40 horas semanais, enquanto os registrados como professores na rede direta ganham R$ 1.237 por jornada de 30 horas. No Cei (Centro de Educação Infantil) Raio de Luz, na Vila Nova Cachoeirinha (zona norte de SP), a direção cobra uma lista mensal de materiais a serem levados, que inclui papel higiênico. A entidade entregará o relatório ao Ministério Público e ao Ministério do Trabalho hoje.

EDITORIAL DO JORNAL AGORA

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Descaso com as creches

Na campanha pela Prefeitura de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM) prometeu que acabaria com o deficit de vagas nas creches. Foi reeleito, o primeiro ano de mandato está na reta final e ainda falta muito chão para cumprir a promessa. Há cerca de 80 mil crianças na cidade à espera de uma creche municipal.

A situação é, na verdade, ainda pior. Não só faltam unidades, como as existentes enfrentam uma série de deficiências. Levantamento realizado pelo Movimento de Mães sem Creche apontou irregularidades trabalhistas, cobrança indevida de material e superlotação das salas.

Em uma amostragem de 16 creches, 84% de 131 funcionárias atuam como professoras, mas têm registro de “auxiliar de desenvolvimento infantil”. E, assim, recebem um salário menor.

Outra falha: em uma creche sem rampas de acesso, um aluno cadeirante precisa ser carregado o tempo todo. Cuidar bem das crianças que necessitam das creches municipais não é um gesto de generosidade da prefeitura. É sua obrigação. Enquanto isso, os gastos em publicidade da gestão Kassab não param de crescer.

Se a administração municipal não quer ficar à mercê de críticas e pesquisas feitas pelas associações de mães, então precisa criar seus próprios indicadores de qualidade para as creches. E, a partir deles, cobrar resultados e melhoria de suas unidades.

14/10/2009 - 08:53h “Gestão” Kassab: Pais reclamam que leite não chega em casa

André Vicente/Folha Imagem
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O vendedor Cristiano Prata diz que filha não recebe leite


Flávia Martins y Miguel do Agora

Alunos da rede municipal de ensino, que deveriam receber o leite em pó oferecido pelo programa Leve-Leite, estão sem o benefício desde o início deste semestre. A falha coincide com a mudança na distribuição do alimento, que deixou de ser feita nas escolas e passou a ser realizada pelos Correios desde o dia 17 de agosto passado.

A alteração no sistema de entrega também afetou a periodicidade do recebimento do auxílio, que passou de mensal a bimestral, com o dobro da quantidade. Desde então, segundo relataram alguns pais de alunos, o leite não é mais distribuído em várias regiões da cidade.

O Agora chegou a mostrar a falha na distribuição em agosto, e a Secretaria Municipal da Educação informou que as entregas seriam regularizadas na semana seguinte. A pasta disse ainda que “nenhuma criança ficaria sem leite”.

O problema, no entanto, continua, o que tem obrigado os pais a comprar leite para os filhos. É o caso do vendedor Cristiano Doria Prata, 36 anos. Ele conta que já cansou de reclamar na escola e com a prefeitura e afirma que, desde junho, sua filha de dez anos, aluna do colégio Coronel Hélio Franco, no Jardim Corisco (zona norte de SP), não recebe o leite em pó. “Não sei o que acontece. Já mandei cinco vezes o meu endereço para confirmação. Disseram na escola que no dia 25 de setembro eu receberia. E nessa história são seis latas perdidas”, reclamou o comerciante.

De acordo com o manual do Leve-Leite, devem ser feitas seis entregas, sendo três a cada semestre. Até o mês de outubro, alunos de algumas Emeis (Escolas Municipais de Educação Infantil) e Emefs (Escolas Municipais de Ensino Fundamental) da capital não receberam nenhuma entrega referente ao benefício. A copeira Renata Soares de Resende, 30 anos, mãe de três alunos da rede municipal, diz que os filhos não faltam à escola, mas pararam de receber o benefício em junho. “Foi feita uma reunião na escola, uma semana antes das férias, para dizer que iriam entregar pelos Correios. Preenchi os dados e meu endereço foi confirmado, mas até agora não chegou. Pergunto na escola, e eles não sabem o motivo da demora.”

Na casa da desempregada, Loide Carvalho, 40 anos, o filho e o sobrinho também não recebem o leite em pó desde julho. Ambos estudam na Emef Brigadeiro Correia de Mello, no Jardim Eliane (zona leste de SP), e dizem que a escola alega que a demora é responsabilidade dos Correios. “Depois que passou a entregar em casa, nunca mais chegou.”

O metalúrgico Leandro Custódio, 24 anos, lamenta a falta da ajuda do programa nos últimos três meses. Ele diz que aperta o orçamento ao não ter o leite doado. “Compro o [leite] de caixinha, porque o em pó não tenho condições.”

18/07/2009 - 11:01h Nas escolas de Kassab:”Você gostaria que seu filho comesse essa merenda?”


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Blitz flagra falta de higiene na merenda

Relatórios de fiscalização apontam que em escolas da Prefeitura de São Paulo há alimento vencido e pombos em refeitórios

Problemas foram achados tanto nas escolas onde as merendas são feitas por servidores como naquelas onde o serviço é terceirizado

ALENCAR IZIDORO
DA REPORTAGEM LOCAL

Numa escola, a marmita de plástico da merendeira era aquecida em cima do arroz dos alunos. Em outras, havia carne vencida, frutas estragadas na cozinha e pombos no refeitório.
Relatórios das blitze realizadas nos últimos quatro meses pelo órgão que fiscaliza as merendas revelam a má qualidade de alguns alimentos e a falta de higiene em várias escolas da Prefeitura de São Paulo.
As vistorias foram feitas pelo CAE (Conselho de Alimentação Escolar), órgão oficial formado por pais, professores e servidores -que voltou a fiscalizar a merenda na capital paulista após ter ficado praticamente parado no ano passado.
Segundo 40 relatórios aos quais a Folha teve acesso e que já foram entregues à gestão Gilberto Kassab (DEM), a comida por vezes vem fria e com falta de recheio no pão. Há legumes e frutas “passados”, macarrão “borrachudo” e cereal para crianças “muito duro”.
Os problemas foram encontrados tanto nas escolas onde as merendas são feitas por servidores como naquelas em que o serviço é terceirizado.
Os relatórios mostram que os problemas apontados pela Folha em 2007 não foram sanados, ao contrário do que dizem as empresas. Em 38 das 40 escolas foi apontada alguma falha no serviço (em 15% delas a merenda não era terceirizada).
Às vezes, são detalhes, como falta de vedação adequada do freezer e utensílios de cozinha quebrados. Mas, em mais de um terço, problemas estão ligados às condições de higiene ou à qualidade dos alimentos.
Seis empresas prestam serviço em São Paulo: Convida, Nutriplus, SP Alimentação, Terra Azul, Sistal e Geraldo J Coan. Todas são investigadas pelo Ministério Público por suspeita de conluio na concorrência pública e de superfaturamento de preços, além de má qualidade dos serviços. Elas negam.
Nesta semana, tiveram seus contratos (que, num ano, passam de R$ 250 milhões) prorrogados por 15 dias pela prefeitura, que não conseguiu concluir nova licitação.

Equipamento quebrado
Nas vistorias, conselheiros do órgão recolheram indícios de que nem algumas merendeiras gostam da merenda.
Na Emef Dom Paulo Rolim Loureiro, na zona leste, a marmita de plástico misturada ao arroz pertencia a uma cozinheira que se dizia cansada de comer na escola, conforme relatou aos membros do CAE.
Em outra escola, havia coxinhas congeladas na geladeira (produto que não faz parte do cardápio, mas que havia sido levado por algum funcionário).
No quesito limpeza, a fiscalização do CAE também identificou flagrantes de falta de luva e touca pelas merendeiras (nesse caso, inclusive em escolas sem merenda terceirizada), falta de higienização da geladeira e ausência de telas de proteção.
As vistorias também verificaram falta de infraestrutura adequada -como coifas e torneiras elétricas quebradas. Algumas empresas afirmam que esses equipamentos não são obrigatórios. Já a prefeitura declara ter aplicado multas.
A presidente do órgão de fiscalização, Margarida Prado Genofre, representante da Aprofem (sindicato dos professores e funcionários), avalia que tudo precisa ser corrigido com urgência, mas que não classifica os problemas como “gritantes”.
O vice-presidente, Alfredo Ramon Richter, representante dos pais, afirma que “não há cabimento” em diversas falhas.
“Imagine uma marmita de plástico, que você segura com a mão, misturada no arroz dos alunos.

Suco é diluído, e aluno não pode repetir comida DA REPORTAGEM LOCAL

Tanto as vistorias das escolas municipais como os relatos obtidos pela Folha de crianças, pais e servidores levantam a suspeita de que algumas fornecedoras da merenda em São Paulo fazem economia em detrimento da qualidade da alimentação dos alunos.
No dia 8 do mês passado, a fiscalização do Conselho de Alimentação Escolar verificou que funcionárias da empresa Convida misturavam água no suco de laranja dos estudantes da CEI Prof. Evanir Aparecida Hilário, na zona leste.
A justificativa delas, na ocasião, era que a prática visava reduzir a acidez do produto. Mas a prefeitura afirma que “essa ocorrência é irregular”, tendo sido motivo de multa.
Há dois anos, a Folha revelou outros casos flagrados pela fiscalização na época e que sugeriam procedimentos semelhantes de outras empresas -como a adição de muita água no molho de tomate, entrega de só meia maçã aos alunos e de prêmio para merendeiras por economia de comida. A reportagem conversou na última quarta-feira com alunos, pais e servidores de escolas da zona leste de São Paulo e também identificou uma reclamação unânime entre quase 20 entrevistados: as empresas que preparam a merenda não permitem a repetição de alguns itens do cardápio.
Por exemplo: de pão com queijo, de bisnaga com requeijão e de bolo. “Não pode haver restrição à repetição”, afirma a Secretaria da Educação.
Os mesmos entrevistados têm avaliações diferentes sobre a qualidade da comida fornecida aos alunos. Alguns criticam, outros elogiam.
“Ela reclama que a quantidade é bastante regulada mesmo. Na minha época, era à vontade”, diz Williams Coelho Santos Oliveira, 32, que estudou na mesma escola onde hoje sua filha de dez anos cursa a quinta série do ensino fundamental.
Uma aluna da mesma idade disse que já viu “as tias da merenda” espirrando na comida. Outra vez, disse, ela quase quebrou seu dente porque havia uma pedra no feijão. Um menino de 11 anos disse que adora a comida fornecida por uma empresa da zona leste, principalmente quando tem bisnaguinha e bolo. Só reclama porque não pode pegar mais de um “de jeito nenhum”. (ALENCAR IZIDORO)

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outro lado

Falhas na merenda foram punidas, diz prefeitura

DA REPORTAGEM LOCAL

A Secretaria da Educação diz ter punido as empresas devido a irregularidades na merenda escolar e problemas apontados nas vistorias do CAE (Conselho de Alimentação Escolar).
Entre as penalidades está a retenção do pagamento do dia em que foi constatada a falha (e abertura de processo de multa).
Já as empresas que responderam ontem aos questionamentos da reportagem contestam algumas falhas apontadas -ou as consideram como situações pontuais já corrigidas.
A Secretaria da Educação ressaltou que, além do CAE, há outros instrumentos de vigilância para garantir a qualidade da comida, como a própria exibição prévia dos cardápios (na escola e na internet) para controle dos pais e alunos, além da fiscalização feita diariamente pela direção da escola e visitas técnicas de nutricionistas.
A pasta diz orientar os diretores a avisá-la sobre eventual restrição à repetição da merenda -para que haja punição.
Relatou a retenção do pagamento, por exemplo, na escola onde a marmita era aquecida em cima do arroz ou devido à presença de moscas. Sobre as frutas deterioradas, disse que elas não são servidas aos alunos e, portanto, não são pagas.
A Convida disse desconhecer a ocorrência de marmita de sua merendeira em cima do arroz e de água adicionada ao suco de laranja. Afirmou que todos os problemas de manutenção (como sifão com vazamento) foram sanados no mesmo dia e que não tem obrigação de utilizar torneira elétrica ou colocar telas -exceto em janelas.
A SP Alimentação disse que as frutas deterioradas foram encontradas porque a visita ocorreu depois de um feriado -mas que elas seriam jogadas fora. Questionou, por exemplo, haver sujeira em azulejos. Disse que eventual problema na qualidade de algum produto pode ter sido algo esporádico.
A Nutriplus diz que “todas” as diretoras das escolas em que atende relatam satisfação com os serviços. Sobre um melão reprovado em vistorias, disse se tratar de “uma porção de 100 gramas no montante de 45 quilos servidos aos 459 estudantes”. Negou também a responsabilidade sobre equipamentos como coifa e torneira elétrica -embora a Secretaria Municipal da Educação informe ter feito a retenção dos pagamentos (e abertura de procedimento para a aplicação de multa) por esse tipo de deficiência.
A Terra Azul informou nunca ter presenciado pombos na parte externa da coifa (fora da cozinha), “porém colocamos tela na mesma para evitar a entrada” dos pombos na cozinha.
As empresas Geraldo J Coan e Sistal foram procuradas ontem no começo da tarde, mas não responderam aos pedidos de entrevista. (AI)

13/07/2009 - 16:46h Mesmo após recadastramento para reduzir as filas e transferindo crianças de 3 anos para as Emeis, aumenta a falta de vaga nas creches de Kassab

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Kassab precisa abrir 4 vezes mais vagas de creche

Gilberto Yoshinaga e Marcela Fonseca do Agora

A gestão Gilberto Kassab (DEM) precisa intensificar o ritmo de geração de vagas nas creches da cidade caso queira cumprir a promessa de campanha de zerar a fila de espera até o fim de seu mandato. Segundo projeção matemática feita pelo Agora, para poder zerar o déficit de vagas até o final de dezembro de 2012, a prefeitura precisa ter quatro vezes mais matrículas do que vem fazendo neste ano.

Nos seis primeiros meses de governo, a atual gestão permitiu que a fila de espera crescesse 47,21% –de 31 de dezembro passado a 28 de junho deste ano, o número de crianças sem vaga em creche saltou de 57.607 para 84.807 (foram 27.200 nomes a mais). O número só não é maior porque, nesses seis meses, 10.030 crianças foram matriculadas. Assim, 37.230 pais pediram uma vaga no primeiro semestre para seus filhos.

Com base nas médias diárias de matrículas e de novas inscrições feitas no ano, o Agora fez uma projeção matemática de quantas crianças ainda poderão precisar de creche, na capital, até o final de 2012. Segundo essa conta, a fila de espera poderá ganhar mais 268.117 nomes. Como já existem 84.807 crianças sem vaga em creche, até lá poderá haver 352.924 crianças na fila.

Ao dividir esse contingente pelos 1.282 dias restantes para o final do governo, é possível obter a média de quantas vagas Kassab teria de criar, por dia, para cumprir sua promessa: 275. Dessa forma, em um mês, 8.260 crianças teriam de ser matriculadas –o que corresponde a quatro vezes mais a média deste ano, de 1.672 matrículas por mês.

Vale lembrar que, em outubro do ano passado, a então candidata Marta Suplicy (PT), que disputava com Kassab o segundo turno da eleição, afirmou não ser possível zerar o déficit de vagas em creches. Na ocasião, Kassab manteve a promessa de acabar com a fila.

População
Pelo menos uma estimativa numérica deverá trabalhar a favor de Kassab: a média de crescimento da população na faixa etária de zero a quatro anos, que tende a diminuir.

É o que explica a demógrafa Tirza Aidar, do Núcleo de Estudos de População da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). “O número de nascimentos vem diminuindo desde o ano 2000, assim como a população entre zero e quatro anos, a partir de 2006″, afirma ela, ao mencionar dados da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados).

Para Tirza, essa tendência de diminuição pode ser favorável para a cidade. “Não deixa de ser um momento ideal para planejamento que inclua quantidade de vagas e qualidade do atendimento, já que tudo indica que a demanda tenderá a diminuir num futuro próximo”, avalia.

Segundo números do IBGE, em 2007 a cidade de São Paulo registrou 184.683 crianças nascidas vivas –ou uma média de 506 crianças a cada dia.

03/07/2009 - 10:40h Fila de vaga na creche ganha 152 nomes por dia

Andre Vicente/Folha Imagem
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Vanessa Santos tenta há um ano a vaga para a filha

 

Gilberto Yoshinaga e Aline Mazzo do Agora

A fila de espera por vagas nas creches públicas de São Paulo ganhou, neste ano, uma média de 152 novos nomes por dia. A demanda, que era de 57.607 crianças em 31 de dezembro do ano passado, chegou a 84.807 crianças sem vaga no relatório fechado em 28 de junho, divulgado anteontem pela Secretaria Municipal da Educação. A alta corresponde a 47,21%.

Se o número de crianças na fila de espera não crescer mais, a gestão Gilberto Kassab (DEM) ainda precisará abrir 66,41 vagas por dia, a partir de hoje, para conseguir cumprir sua promessa de campanha de zerar o déficit nas creches até o final de seu mandato –em dezembro de 2012. Ou seja: só para atender à demanda atual, seria necessário oferecer cerca de 2.000 vagas por mês, sem incluir a média diária de 152 novos nomes que aumentam a fila.

Sete distritos da zona sul lideram o ranking da demanda por vagas. Juntas, essas regiões concentram quase 25 mil crianças sem creche, ou 29,4% da fila de espera dos 96 distritos do município.

Em dezembro do ano passado, o déficit nesses sete distritos era de 17 mil vagas.

À espera
Há um ano à procura de uma vaga para a filha de um ano e nove meses, Vanessa Santos, 21 anos, mora no Capão Redondo (zona sul de SP) e conta que, quando vai à creche municipal, ocorre sempre a mesma coisa. “Eles me mostram uma lista imensa de nomes que estão na minha frente e dizem que no ano que vem vão me chamar”, afirma. Enquanto isso, ela não tem como procurar emprego.

Já a promotora de vendas Juliana dos Santos, 21, do Campo Limpo (zona sul de SP), conta com a ajuda da mãe, que cuida da filha enquanto ela trabalha. Ela está há um ano e meio na fila de espera da creche, que fica a cinco minutos de sua casa. “A promessa era que neste ano teria vaga, mas não ocorreu.”

Há 34 novas unidades

A Secretaria Municipal da Educação afirmou ontem que, neste ano, foram abertas quatro creches, que geraram 634 vagas.

A pasta disse também que, no primeiro semestre, foram firmados mais 30 parcerias com ONGs para o gerenciamento de creches conveniadas, mas o número de vagas geradas não foi divulgado. A prefeitura diz haver sete creches próprias em construção, mas também não passou o número de vagas que serão criadas.

Sobre o excesso de crianças sem vaga na zona sul, a secretaria disse se tratar de uma “região prioritária”, mas alegou que é difícil encontrar terrenos disponíveis nessa região.

03/07/2009 - 10:20h Enquanto Kassab “inaugura” factoides, a fila… cresce!

Capa do AGORA

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02/07/2009 - 11:33h O método é o homem

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Kassab é um bom inaugurador de ideias, as quais ocupam generoso espaço na mídia. Algumas das ideias, Kassab as inaugura várias vezes, ao ponto que alguns já chegaram a noticiar realidades inexistentes, basados exclusivamente na força das ideias inauguradas por Kassab.

O exemplo da Cracolândia ilustra bem o método, pois mesmo que cinco anos após a inauguração da ideia da Nova Luz a escuridão continuar a mesma, Kassab passa a ideia de estar executando um projeto urbanístico renovador, e a coisa não andou quase nada.

Enquanto isto, no mundo real da moradia, transporte, saúde, educação e trânsito, a prefeitura de Kassab é de uma mediocridade surpreendente.

Voltemos ao exemplo da questão das vagas em creches, já abordado ontem, e que voltou ao noticiário do jornal AGORA (o único a tratar hoje do assunto).

O ponto de partida é o conflito entre as necessidades das mães de deixar as crianças na creches e a falta de vagas na cidade. A resposta de Kassab foi o da promessa demagógica de acabar com a falta de vagas. Sendo completamente fantasiosa e perante a incredulidade da mídia, Kassab insistiu na sua promessa.

Poderia se esperar que todo o esforço do prefeito estaria voltado para construir mais e mais creches, ampliar a rede das conveniadas e mesmo sem poder atingir a sua promessa irrealista, dar grandes passos na via de melhorar a situação.

Mas é o contrário o que acontece. Enquanto as obras e os investimentos estão parados, os esforços de Kassab são os de encontrar o jeito de manipular os dados para vender a ideia de resultados.

Fez uma nova lista recadastrando as solicitudes de vagas e eliminando uma boa parte da demanda. Depois retirou mais de 40 mil crianças de 3 anos das creches e as passou para as Emeis (leia o editorial do jornal AGORA, reproduzido embaixo).

Mesmo assim, a demanda aumentou (ver artigo após o editorial do AGORA). A situação piora e o Ministério Público intervém para que Kassab não provoque, com suas manipulações grosseiras, danos irreparáveis na formação das crianças e para que amplie realmente as vagas ofertas em creches.

O método de Kassab não é novidade, a direita populista usou e abusou desse estilo, aproveitando o conservadorismo do eleitorado de São Paulo.

Dos mesmos que engoliram Maluf e Pitta, os que elegeram o caçador de marajás em 89, que votaram a contra-mão do Brasil em 2006 e que estão entre os que recebem o maior volume de informações da mídia.

“Me engana, que eu gosto” parece ser o lema e pouco importa a realidade dos que mais precisam do poder público. Enquanto esse conservadorismo continuar a influenciar a ampla maioria dos eleitores de São Paulo, o “método” de Kassab continuará a reinar entre nós.

Sem as creches. LF

02/07/2009 - 10:54h Apesar da manipulação de Kassab, cresce a demanda por creche na cidade

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EDITORIAL DO JORNAL AGORA

Todo mundo na pré-escola

A matrícula de crianças de três anos na pré-escola fez a Promotoria da capital mandar a prefeitura preparar um estudo sobre a situação. Dentro de um mês, o material tem que estar pronto. Outro estudo, da USP, foi levado em maio à Promotoria e defende a matrícula das crianças de três anos em creches. Há 48 mil dessas crianças na pré-escola –elas farão quatro anos, segundo a prefeitura, ainda neste ano. Normalmente, está no pré quem tem entre quatro e cinco anos de idade.

A principal diferença entre as duas etapas é o limite de crianças por sala. Enquanto no pré pode haver até 35 alunos, nas creches, o máximo são 18. Quem é contra o ingresso das crianças de três diz que essa é uma manobra para reduzir a demanda por educação infantil. A fila para vaga em creche hoje tem 84 mil crianças.

Até 2007, o município determinava que crianças de três anos tinham de ser matriculadas em creches. No ano passado, reduziu para dois, e hoje não há definição.

A barbeiragem, que pega uma brecha da principal lei da educação, prejudica também as mães, já que nas creches as crianças podem ficar por até dez horas, enquanto a carga horária da pré-escola é de quatro a seis horas/dia.

Ainda que a prefeitura mude as regras para tentar se manter dentro delas, deve saber que está mexendo no problema errado. Seria melhor se concentrar em melhorar e ampliar as creches municipais. É um dos problemas mais graves da gestão de Gilberto Kassab (DEM) e não pode ser resolvido só na base da canetada.

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Cresce em 17 mil a demanda por creche

Gilberto Yoshinaga do Agora

A fila de espera por uma vaga nas creches de São Paulo ganhou 17.188 novos nomes em apenas três meses, segundo balanço divulgado ontem pela Secretaria Municipal da Educação. No último levantamento, em março, havia 67.619 pessoas na fila de espera. Hoje, segundo a prefeitura, são 84.807 crianças fora das creches. O aumento, de mais de 25%, segue em direção contrária à promessa de campanha do prefeito Gilberto Kassab (DEM), que pretende zerar esse número até 2012.

Dos 96 distritos da cidade, conforme divisão feita pelo relatório da prefeitura, a fila de espera só diminuiu em cinco: Água Rasa, Limão, Pinheiros, República e Vila Leopoldina. Em todas as outras localidades da cidade, a procura por vagas em creches municipais aumentou.

A maior demanda está no Grajaú (zona sul de SP), onde 4.945 crianças estão na fila. No ranking das regiões mais preocupantes, também estão outros dois bairros na zona sul. No Jardim Ângela, há 3.678 bebês na fila de espera e, no Jardim São Luís, 3.622.

Mas o verdadeiro número de mães que aguardam uma vaga para colocarem seus filhos em creches é ainda maior. Segundo a prefeitura, outras 3.883 crianças que estão na lista de demanda preferencial –pessoas que conseguiram a vaga em uma creche, mas solicitaram a transferência para outra unidade e estão sem atendimento.

A prefeitura não explicou por que a fila de espera aumentou. Em nota, a Educação compara o número atual ao registrado em junho do ano passado, quando a demanda era de 110 mil. A pasta fala apenas em “permanente redução da demanda”, sem citar os dados atuais.

01/07/2009 - 19:13h MP dá um mês para Kassab rever matrícula crianças de três anos em Emeis

A notícia reproduzida embaixo é a manifestação de mais um “incomodo”, como diria o jornal VALOR, provocado pelo Ministério Público contra Kassab.

O assunto merece destaque quando se cumprem 6 meses do segundo mandato demo-tucano na cidade. Ele é o mais fiel retrato do jeito Kassab de enfrentar os desafios provocados pelas necessidades da população, na metrópole mais rica do país e também uma das mais desiguais.

A falta de investimento em vagas para creche provocou uma explosão de demandas não atendidas durante o primeiro mandato demo-tucano. Mesmo com recursos financeiros muito superiores, o número de vagas em creches criadas por Serra-Kassab foi menor que durante os 4 anos de Marta Suplicy.

Tendo prometido durante a campanha pela releição que acabaria com o deficit de vagas em creche, muitos eleitores confiaram que a promessa seria seguida de pelo menos um começo de execução dando prioridade a resolução deste problema.

Mas qual foi a atuação de Kassab neste assunto?

Primeiro, proceder a exigir o recadastramento das mães solicitantes procurando assim diminuir a lista, sem satisfazer a demanda.

Após ter conseguido reduzir a lista, Kassab reivindicou assim a redução do deficit para 60 mil.

Agora transferiu perto de 40 mil crianças de três anos, das creches para as emeis. “Reduzindo” novamente o deficit, pelo menos no papel e sem medir as consequências destas transferências para a educação e o equilibro emocional das crianças.

Daqui a pouco pretende lançar campanha publicitária pretendendo ter cumprido sua promessa. Os que não tem crianças em creche, os que não precisam de vagas em creches, os que não utilizam os serviços municipais de ensino, os que acreditam nos balanços fajutos que alguns jornais apresentam como isentos, aplaudiram com duas mãos. Para uma parte do eleitorado da cidade, e para alguns jornais, o que conta é o que parece e não o que é.

Restam os “neobobos” ou os que “incomodam”, como o Ministério Público. A nota a seguir mostra que este último não parece disposto a aceitar tamanha manipulação e descaso com as crianças. Cabe aos “neobobos” não deixar cair a peteca e cobrar o cumprimento real das promessas de campanha alertando a população sobre o engodo. LF

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MP dá um mês para Kassab rever matrícula crianças de três anos em Emeis

A Prefeitura de São Paulo tem um mês para preparar um estudo sobre a política de matricular crianças de três anos em Emeis (Escolas Municipais de Educação Infantil) –a pré-escola. O prazo foi dado pela Promotoria de Justiça de Defesa dos Interesses da Infância e Juventude da capital ao secretário da Educação, Alexandre Schneider, em audiência na última sexta-feira.

O Ministério Público investiga qual modelo é adequado para atender a essa faixa etária. “Pedi um parecer à USP para conhecer os aspectos pedagógicos da questão”, disse a promotora de Justiça Dora Martin Strilicherk. O documento foi entregue em maio.

Professoras da Faculdade de Educação da universidade são contra o ingresso de crianças de três anos em salas com até 35 alunos –limite aceito na pré-escola. Nas creches, o máximo permitido são 18. Elas também afirmam que a mudança se trata de uma manobra para reduzir a demanda por educação infantil. A fila para conseguir vaga em creche hoje é de 67 mil.

Reportagem publicada pelo Agora no domingo mostrou que há 48 mil crianças com três anos matriculadas em pré-escolas –elas farão quatro, segundo a secretaria, ainda neste ano. A prefeitura tem alterado as portarias de matrícula anualmente. Até 2007, o município estipulava que crianças de três anos tinham de ser matriculadas em creches. No ano passado, reduziu para dois anos e, hoje, não há definição sobre a “preferência”.

Segundo a presidente do Conselho Nacional de Educação, Clélia Brandão, os parâmetros seguidos pela capital antecipam a escolaridade. “O município precisa estudar a questão não apenas do ponto de vista das vagas, mas da maturidade da criança. O correto é colocar crianças de quatro anos na pré-escola”, afirma.

A promotora Dora Martin Strilicherk disse que vai aguardar a chegada do estudo para decidir que medida tomar. “Uma possibilidade é a assinatura de um TAC [Termo de Ajustamento de Conduta] com a prefeitura para que novas normas passem a valer em 2010. Vamos esgotar todas as vias administrativas”, disse. O ingresso de uma ação civil pública não está descartado.

O secretário Schneider disse que vai elaborar o estudo solicitado e verificar de que forma pode elevar gradativamente a carga horária oferecida às crianças nas Emeis (quando há transferência, o período de atendimento pode cair de dez para quatro horas). “Foi isso que ficou combinado”, disse.
A promotora Dora Strilicherk, porém, deixou claro que o inquérito foi instaurado para investigar o por quê de crianças de três anos estarem na pré-escola, não em creches.

Fonte Boletim Bancada de vereadores do PT

24/06/2009 - 11:36h Kassab enfrenta MP e lança outra licitação para merenda

Empresas suspeitas podem concorrer; para secretário, edital possibilita qualidade a alunos

Bruno Tavares e Diego Zanchetta – O Estado SP

A Prefeitura passou por cima da recomendação do Ministério Público (MP) e publicou ontem novo edital para escolha das fornecedoras de merenda para a rede municipal de ensino. Os seis grupos que detêm hoje os contratos são alvo de investigação por suspeita de formação de cartel (conluio entre empresas) e pagamento de propina para funcionários públicos. O promotor Silvio Antonio Marques, encarregado da apuração na esfera cível, reiterou ser contrário à terceirização e advertiu que “tomará as medidas cabíveis” para impedir que a licitação prossiga.

O MP diz já ter reunido indícios de fraudes em contratos na capital e em vários municípios do interior. “De acordo com testemunhas, em São Paulo e outras cidades, a propina paga a servidores era de 10% do valor faturado por mês”, afirmou Marques. “Estamos diante de duas máfias – a das empresas terceirizadas e da venda de produtos.” O promotor também questiona o fato de as empresas investigadas não terem sido impedidas de participar da nova concorrência. “A Prefeitura já teve tempo e indícios suficientes para declarar esses seis grupos inidôneos.”

Entretanto, o secretário da Educação, Alexandre Schneider, diz não ter instrumentos jurídicos para impedir que as empresas voltem a prestar o serviço, mas assegura que o novo edital prevê rescisão unilateral do contrato, caso qualquer empresa seja declarada inidônea ou condenada na Justiça. “É um edital que possibilita maior competição entre os participantes, mais qualidade para os alunos e instrumentos mais eficazes de fiscalização”, afirmou Scheneider, que passou a gerenciar o fornecimento de merenda para as escolas neste ano – o antigo contrato foi firmado pela Secretaria de Gestão.

Menos restritiva, a nova licitação dividiu a cidade em 14 lotes e exigirá das concorrentes comprovação de capacidade técnica de 30% em relação ao volume de serviços que será prestado. Pela concorrência anterior, a capital era dividida em seis lotes e o atestado de capacidade técnica atingia 50%. O edital exige ainda que as empresas controlem o número de refeições entregues por meio de catracas ou fichas, altera a tabela nutricional dos alimentos e transforma alunos em “fiscais” (eles terão acesso a um prato de referência), entre outras medidas. “Respeito o MP, mas tenho de colocar merenda na mesa”, diz o secretário.

15/06/2009 - 15:57h Alterar tom de voz para conversar com criança prejudica aprendizado da fala

ouça

VANESSA TEODORO da Folha Online

O aprendizado da comunicação pode ser prejudicado se os pais falarem constantemente com tom de voz infantilizado ou se usarem o diminutivo quando conversarem com as crianças. É o que afirma Débora Maria Befi Lopes, professora associada do curso de fonoaudiologia da USP (Universidade de São Paulo).

A fonoaudióloga diz que os pais são o modelo das crianças para a o conhecimento da linguagem oral, por isso a comunicação deve ser a mais natural possível.

“Ninguém precisa falar difícil nem fácil, é falar normalmente. Você não fala com uma criança com palavras que ela não conhece, você vai usar um vocabulário básico, expondo ela às coisas do dia-a-dia. Sem mudar o padrão de entonação para uma coisa mais infantil”, recomenda.

Lopes afirma, porém, que o fato de os pais “darem voz a brinquedos” não é condenado, o problema é quando o adulto altera sua entonação toda vez que conversa com seus filhos.

“Existem pessoas que falam como se a criança não tivesse noção de compreensão, falam tudo no diminutivo, com um padrão articulatório incorreto. Isso você pode fazer em um momento, é natural que ocorra, mas não é natural você passa o dia todo falando assim”, explica.

13/06/2009 - 10:03h Kassab sem remédio para às crianças sem médicos

Editorial do jornal AGORA

Crianças sem médico

Para tentar resolver problemas de saúde, mães e crianças passam horas nas filas dos ambulatórios da periferia de São Paulo. Muitas vezes, a espera é inútil.

Nas AMAs (Assistências Médicas Ambulatoriais), da prefeitura, faltam médicos –principalmente pediatras, que cuidam das crianças. Em algumas unidades, as mães são mandadas de volta para casa, pois não havia profissionais para atendê-las. Onde há médico, a fila de espera passa de quatro horas. Tudo isso o Agora mostrou na quarta-feira.

No outono, com resfriados e problemas alérgicos, as crianças costumam precisar ainda mais de atendimento. Nas salas de espera, choram e deixam as mães nervosas. E isso justo nas AMAs, prometidas por Kassab durante a campanha eleitoral como uma solução para as longas filas e para a falta de médicos.

A Secretaria Municipal da Saúde afirma que há poucos pediatras no mercado. Não diz, no entanto, o que vai fazer para solucionar o problema. Não dá para deixar por isso mesmo.

Se existe resistência dos médicos em trabalhar na periferia, talvez fosse necessário pensar em oferecer melhores condições, salários ou gratificações para preencher as vagas. E cobrar rigorosamente a presença de quem já é contratado, um procedimento óbvio que nem sempre é seguido.

Ninguém pode ganhar sem trabalhar, especialmente quando o pagamento é feito com dinheiro público. A prefeitura precisa se mexer. Deixar criança sem atendimento em áreas carentes da cidade não é aceitável.

10/06/2009 - 14:04h “Crianças doentes chorando, mães irritadas, salas de espera cheias e filas intermináveis de atendimento”, é a “gestão” Kassab na saúde

Sem médico, AMA de Kassab deixa crianças na fila

Aline Mazzo e Gilberto Yoshinaga do Agora

Crianças doentes chorando, mães irritadas, salas de espera cheias e filas intermináveis de atendimento. Essa cena é comum na periferia de São Paulo, onde as AMAs (Assistências Médicas Ambulatoriais), postos de saúde básica, sofrem com a falta de médicos, principalmente pediatras. Segundo usuários e funcionários, a situação piora a cada dia.

Robson Ventura /Folha Imagem
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Fila de espera para o atendimento na AMA Anhanguera

A reportagem do Agora visitou nesta semana 18 AMAs nas zonas sul, norte e leste da cidade (são 115 no total). Em pelo menos oito faltavam pediatras, sendo que em algumas as mães eram mandadas de volta para casa, já que não havia médicos. Mesmo nas unidades em que o quadro de profissionais estava completo, a demanda era grande, o que causava fila de espera.

O próprio prefeito Gilberto Kassab (DEM), ao explorar a criação das AMAs na eleição, afirmava que elas reduziriam as filas e acabariam com a falta de médicos na cidade.

Demissões, faltas
A situação mais caótica era na AMA Parelheiros, extremo sul da cidade. Ontem de manhã, nenhum dos três pediatras tinha ido trabalhar. “Um deles pediu demissão semana passada porque foi agredido pela mãe de uma criança. Ele era muito bom”, lamentou uma funcionária, que pediu para não ser identificada.

Cerca de 50 mães aguardavam atendimento às 12h30. “Meu filho está muito resfriado, com febre e tosse. Ele é alérgico. Não posso dar qualquer remédio”, disse a dona de casa Josefa Torres, 37 anos, com o filho de seis anos.

Segundo funcionários, a coordenação conseguiu um pediatra que chegaria às 13h.

Nos postos City Jaraguá e Elísio Teixeira Leite, ambos no Jaraguá (zona norte de SP), o atendimento para pediatria, anteontem, acabou às 13h. Os funcionários avisavam os usuários que só haveria médico no dia seguinte. “Saí do serviço para trazer meu filho aqui. Ele está com dor de estômago e vomitando. Agora me mandaram para o hospital de Taipas. Não tenho como ir”, reclamou a costureira Isabel Roque Moreira, 50 anos.

Em muitas unidades, o atendimento fica prejudicado pela ausência de médicos. Geralmente, o quadro é formado por dois pediatras. Quando um falta, o outro não consegue dar conta da demanda. “Na maioria das vezes somos avisados da falta assim que a AMA abre. É muito difícil conseguir um médico rápido. O pessoal não gosta de vir para a periferia”, afirmou a gerente de uma unidade, que não quis se identificar.

No posto do Jardim da Conquista 3 (zona leste de SP), havia cerca de 40 pessoas esperando pela consulta, por volta das 12h de ontem. Apenas um pediatra fazia o atendimento clínico. “Aqui demora de quatro a cinco horas para ser atendido”, disse uma moradora que estava na fila.

Garoto leva 7 horas para ser atendido

Gilberto Yoshinaga do Agora

Foram quase sete horas de peregrinação, em dois dias, para que a dona de casa Valdirene Pereira de Souza, 37 anos, garantisse que seu filho Gabriel, 7, fosse atendido por um pediatra. “Para driblar a falta de médicos tem que ter paciência”, afirma ela.

Preocupada com uma inflamação na garganta do filho, Valdirene o levou à AMA Jardim Etelvina, em Guaianases (zona leste de SP), no início da tarde de anteontem. “Disseram que eu deveria tentar outro hospital ou voltar outro dia”, conta. Ela, então, decidiu ir a pé para o pronto-socorro municipal Júlio Tupy, a dois quilômetros dali. “Lá, esperei mais de duas horas e desisti, porque também não tinha médico”, lembra.

A dona de casa fez o filho faltar às aulas, ontem, e voltou à mesma AMA às 9h. O garoto só foi atendido depois de quatro horas e meia de espera, pelo único pediatra que estava no local. “Só não demorou mais porque muitas mães que estavam na fila desistiram”, afirma ela. “O duro é a gente esperar sem almoço, enquanto vê os funcionários fazendo pausa para fumar ou para bater papo”, desabafa.

Com sintomas de pneumonia, o metalúrgico Rafael Lira de Sales, 35 anos, teve de esperar três horas, anteontem, até ser atendido na AMA Parque Anhanguera. “O pior é ficar passando mal debaixo do sol, porque não cabe mais gente lá dentro”, comentou. A sala de espera tem 33 assentos, mas cerca de 80 pessoas aguardavam atendimento.

Sua mulher, Valéria Bianchi Sales, de 32 anos, afirma que o atendimento só foi rápido nos primeiros meses seguintes à inauguração da unidade, em março do ano passado. “Ultimamente, o atendimento tem sido bem demorado. Às vezes, não tem pediatra aqui”, reclama ela.

Pediatras estão em falta

Aline Mazzo e Gilberto Yoshinaga do Agora

A Secretaria Municipal da Saúde afirmou que a falta de pediatras acontece porque há poucos profissionais dessa especialidade no mercado –tanto na rede pública quanto na privada. Segundo nota enviada pela pasta, esse déficit é constatado pela baixa oferta de recém-formados.

As vagas para pediatras são oferecidas pelas entidades parceiras que gerenciam as AMAs, por meio de processos seletivos, com ampla divulgação na mídia, afirmou a secretaria.

Apesar de mencionar que a contratação de profissionais é uma preocupação constante, a pasta não diz o que fará para solucionar o problema. Além disso, diz que, das 18 unidades visitadas, apenas 8 são gerenciadas por organizações sociais. Ou seja, as outras dez são administradas pela própria gestão Kassab.

Quanto à agressão aos médicos, a secretaria afirmou que os seguranças das unidades cuidam da proteção do patrimônio e dos funcionários.

08/06/2009 - 09:02h “Gestão” Kassab: nunca conseguiram entregar os uniformes escolares na data. É o que eles chamam “planejamento”

Atraso deixa aluno sem uniforme no frio

Jéssika Torrezan do Agora

Os alunos da rede municipal passaram a semana mais fria do ano até agora sem os uniformes de inverno. Apenas 48 das 1.026 escolas –menos de 5%– haviam recebido os kits até a última quinta. Só 30 mil dos 730 mil estudantes receberam os uniformes até o final da semana passada.

Assim como ocorreu com os kits de verão e os materiais, a secretaria atrasou a entrega do conjunto de frio e mudou novamente o prazo da conclusão da distribuição.

Segundo a administração Gilberto Kassab (DEM), até o dia 23 de junho as crianças receberão os uniformes. Se o prazo for cumprido, a entrega dos kits terminará a menos de um mês do fim do primeiro semestre letivo, que será encerrado no dia 22 de julho.

“Nem espero mais. Já sei que, quando as aulas começam, tenho de comprar roupa e material”, dia a mãe Lusinete Teixeira, 38 anos, cujo filho estuda em uma escola da Bela Vista (região central).

Os uniformes de frio –cinco pares de meia, um par de tênis e um agasalho de tactel– começariam a ser entregues no dia 18 de maio, mas a distribuição só começou na semana passada por conta de problemas com o fabricante dos tênis. Antes do dia 18, a primeira data era 1º de abril. O término estava marcado para 31 de maio.

Apesar de o uso do uniforme ser obrigatório, as escolas permitem que as crianças usem outros agasalhos para frequentar as aulas.

A entrega dos kits de verão atrasou quatro vezes neste ano, até ser concluída, no dia 15 de maio. “O meu menino estava vindo de sandália até esses dias. Agora, com o frio, comprei um tênis para ele, já que, pelo jeito, o tênis da prefeitura vai chegar só no verão”, afirma a diarista Keila Farias, 32 anos.

Avó de duas meninas que estão no ensino fundamental, a aposentada Severina Regina da Silva, 58 anos, resume a situação: “Se a gente for depender das datas de distribuição do governo, as crianças vão usar o uniforme de frio no verão e camiseta e sandália no inverno.”

André Vicente/Folha Imagem
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Severina com as netas Juliana (à esq.) e Julia

27/05/2009 - 10:10h “Gestão” demo-tucana: perto do fim do semestre, alunos não tiveram nenhuma aula de matemática

Crise da educação


Unidade recém-aberta pela gestão Gilberto Kassab não tem professores de matemática. Os pais dos alunos pedem providências para que o ano letivo dos filhos não seja perdido.

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Escola não teve aula de matemática neste ano

Gilberto Yoshinaga e Gabriela Gasparin do Agora

Inaugurada neste ano pela gestão Gilberto Kassab (DEM), a Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) Vila Santa Maria, localizada em Cidade Dutra (zona sul de SP), está prestes a encerrar o primeiro semestre letivo com falta de professores. Alguns alunos de 5ª, 6ª e 7ª séries não têm tido aulas de matemática, história, português, geografia, informática e leitura.

“Só tive aulas de matemática na primeira semana de aula. Depois disso, o professor entrou de licença e não apareceu nenhum substituto”, conta o estudante João Gabriel Silva Latuner Antunes, 12 anos, da 7ª série. “Não sei quando vou ter de repor essas aulas. Também fico preocupado com o que vai acontecer no ano que vem, porque neste ano ainda não aprendi nada”, acrescenta.

Também na 7ª série, mas em outra classe, um estudante de 13 anos tem sido ainda mais prejudicado. “Além de matemática, não tenho professores de informática e leitura”, diz ele. “Às vezes, essas aulas vagas são ocupadas por algum professor de outra matéria. Em outros casos, temos de ficar sem fazer nada dentro da sala de aula, porque não aparece nenhum professor substituto”, relata.

Outro estudante, de 11 anos, vive situação semelhante na 5ª série. Ele afirma que, em 2009, só teve algumas aulas de história e português, disciplinas que no momento estão sem professor. “Neste ano, ainda não tive nenhuma aula de matemática. Meu caderno está todo em branco e nunca usei o livro, que deixo em casa”, afirma.

A falta de professores também incomoda os pais. A técnica Rosinda Maria da Silva, 43 anos, mãe de João Gabriel, já procurou a diretoria da escola para pedir explicação, mas não obteve resposta convincente. “A diretora admitiu que faltam professores, mas disse que os pais é que têm de se unir e reivindicar uma atitude da Secretaria da Educação”, diz ela. “Não acho que isso seja responsabilidade dos pais, mas sim da prefeitura.

Declínio
Apesar de a escola ser nova, a falta de professores na Emef Vila Santa Maria ilustra a queda do rendimento dos alunos de 6ª e 8ª séries em matemática, dado revelado na última Prova São Paulo, cujos resultados foram divulgados em abril. Os alunos da escola nova, no entanto, ainda não passaram pelo exame.

O índice de alunos com nível satisfatório nesta disciplina caiu entre 2007 e 2008. Entre os alunos de 6ª série, o percentual de aprovação caiu de 47,2% para 41,2%. Já entre os alunos de 8ª série, a queda foi maior: de 60,3%, em 2007, para 47%, no ano seguinte. A avaliação é aplicada anualmente na rede municipal de ensino e avalia os alunos em português e em matemática.

09/05/2009 - 10:46h “Gestão” Kassab: em 5 anos os uniformes escolares sempre atrasaram

Capa do jornal AGORA
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Pela 4ª vez, Kassab atrasa entrega de uniforme

Jéssika Torrezan do Agora

Quase três meses depois do início do ano letivo na rede municipal de São Paulo, ainda há alunos que não receberam o uniforme nem o material.

São 44 escolas administradas pela gestão Gilberto Kassab (DEM), de um total de 1.026, onde as crianças ainda nem receberam as roupas de verão –em pleno outono.

Ontem, aliás, foi o último dia do prazo dado pela Secretaria Municipal da Educação para que a entrega dos uniformes terminasse. É o quarto atraso na entrega das roupas.

A primeira data de distribuição da prefeitura foi 11 de fevereiro, início do ano letivo na rede. Depois, a entrega foi adiada para 2 de março e, posteriormente, para o dia 9 do mesmo mês, quando começou a distribuição dos uniformes, pela zona leste.

Mas, mesmo naquela região, ainda existem colégios que não receberam os kits, como o CEU Vila Formosa (leia texto nesta página).

Além de prejudicar os alunos e os pais –que gastam grana comprando material por causa da demora da prefeitura–, a lentidão na distribuição dos uniformes deve atrasar também a entrega das roupas de inverno: um conjunto de tactel, tênis e cinco pares de meia. A secretaria afirma que o prazo para esses uniformes está mantido.

Centro, zona sul, leste…
Além do atraso no CEU Vila Formosa, na zona leste, falta uniforme em outras regiões da cidade. Na escola Celso Leite Ribeiro Filho, na Bela Vista (centro), pais contaram que a escola exige o uso do uniforme, mesmo sabendo que as crianças não os receberam. “Pedem para vir com o do ano passado, apesar de saberem que as crianças sujam, rasgam os uniformes, essas coisas. O jeito foi dar uma remendada na calça para ela poder usar, apesar de estar curta”, conta Ronaldo Nascimento, 32, cuja filha, Renata Nascimento, 7 anos, cursa o segundo ano do ensino fundamental.

Selma Correia, 25 anos, reclama que o sobrinho Marcus, 9, tem de ir à escola com a camiseta curta na barriga e esgarçada na gola. “Nem sei como vai ser quando esfriar, a roupa de frio não serve mais.” De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão é que, na média, a temperatura mínima entre maio e junho fique em 11C na cidade de São Paulo.

A escola Brigadeiro Faria Lima, na Aclimação (zona sul), também não tinha recebido os uniformes. Os materiais começaram a ser entregues na quinta. “É um dinheiro que ninguém irá devolver. Quando chega o material, nem temos mais o que fazer com eles”, diz Claudia Maria de Souza Bento, 48 anos, mãe do aluno Lucas Souza, 12. Pai de uma estudante, o caseiro Leonildo Vieira, 62, não reclama mais. “Já me acostumei, todo ano é assim. Eu compro o material e pronto.”

Charge da capa do jornal AGORA

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06/05/2009 - 12:27h Bolsa-Creche para crianças sem vaga, projeto do vereador Arselino Tatto (PT) é aprovado na Câmara Municipal

Séria cômico, se o problema não fosse sério demais.

A falta de vagas em creches não parou de aumentar na administração demo-tucana. As vagas criadas são majoritariamente fruto de convênios entre a prefeitura e creches privadas. A falta de construção de creches municipais é gritante e a “gestão” Kassab só consegue diminuir a fila, tirando as mães da lista por meio do recadastramento.

Para compensar a falta de vagas e o descaso da administração Kassab, o vereador Arselino Tatto (PT) apresentou um projeto de ajuda financeira as mães que não obtiverem vagas em creches. Um sistema semelhante ao existente na cidade de Paris. A bolsa-creche permitirá a essas mães pagar uma ajuda a domicilio para compensar a falta de vagas.

O cômico é que os representantes de Kassab -que ainda não diz se vetará o projeto adotado-, criticam a iniciativa do vereador petista, mesmo votando à favor. A crítica é hilária: “A base governista aprovou, mas criticou o projeto. Segundo o vereador Floriano Pesaro (PSDB), o projeto não é solução. “O PT, quando não acha uma solução para determinado problema, apela para transferência de renda. Não há vagas nem em creches particulares. Precisamos é investir na construção de novas unidades”, afirmou (Folha 6/5/2009).

Os próprios responsáveis do pouco investimento “na construção de novas unidades”, os que não aportam a “solução” para o problema que eles mesmo geram, não priorizando o investimento em creches municipais, criticando os que buscam uma solução ao descaso.

En passant, como diria Lula, os demo-tucanos mostram o despreço que eles tem pela “transferência de renda”. O que é bastante logico. Confrontados com o “problema” da enorme desigualdade social do Brasil, nenhuma solução fora aportada durante o período em que governaram o país. Foi necessário o PT chegar ao governo para que os programas sociais mostrem sua força na diminuição desta desigualdade. Como diria o vereador tucano “quando não acha solução para o problema, o PT apela para a transferência de renda”.

Ainda bem!

Luis Favre

Bolsa-Creche para crianças sem vaga avança

Adriana Ferraz e Jéssika Torrezan do Agora

Após acordo entre líderes de partidos, a Câmara Municipal aprovou, ontem, projeto de lei que institui a Bolsa-Creche, destinada a todas as mães cadastradas na fila por uma vaga na rede municipal. O valor, segundo o vereador Arselino Tatto (PT) –autor do projeto–, é de R$ 232,50 por mês, equivalente a meio salário mínimo. Se virar lei, pode beneficiar mais de 67 mil crianças de até três anos.

Pelo texto, a grana seria usada para pagar uma vaga em creches da rede particular ou para contratar uma babá para cuidar da criança cadastrada. A aprovação foi em primeira votação. Isso quer dizer que o texto precisa ser votado novamente. Se confirmado o aval dos vereadores, o projeto segue para sanção do prefeito Gilberto Kassab (DEM) e aí pode ou não virar lei.

Segundo Tatto, a Bolsa-Creche é necessária diante da demora da prefeitura em oferecer vaga às crianças que aguardam na fila. De acordo com o vereador, as mães precisam trabalhar para compor o orçamento doméstico e, muitas vezes, ficam impossibilitadas porque não têm com quem deixar os filhos.

“A prefeitura não tem tido condições para suprir a demanda. Precisamos de mecanismos que possibilitem esse direito. Com esse projeto, podemos ainda gerar empregos, com distribuição de renda”, defendeu Tatto, que não soube explicar como seria feita a fiscalização do uso da verba ou a divisão dela.

“O Legislativo lança a lei, mas é o Executivo que cria as regras”, afirmou, ao não responder detalhes, como prazo para implementação ou critério para a distribuição do auxílio. Tatto reconheceu, porém, que a administração não poderia assumir todo o gasto.

“Por isso, vou apresentar um substitutivo [complemento ao texto original] propondo que parte dos recursos venha dos governos federal e estadual.” Se fosse aplicado hoje, o projeto teria custo, aproximado, de R$ 15,5 milhões a cada mês. O valor estimado para a construção de uma creche, segundo projeto elaborado com a iniciativa privada, é de R$ 1 milhão.

Base aliada critica
A base governista aprovou, mas criticou o projeto. Segundo o vereador Floriano Pesaro (PSDB), o projeto não é solução. “O PT, quando não acha uma solução para determinado problema, apela para transferência de renda. Não há vagas nem em creches particulares. Precisamos é investir na construção de novas unidades”, afirmou.

Para Claudio Fonseca (PPS), a bolsa acarretaria um aumento na demanda. “Muitas mães que não estão cadastradas iriam se interessar. E a fiscalização, como seria feita?”, questionou, ao sinalizar ser contrário ao projeto.

Procurada, a prefeitura não se manifestou sobre o projeto.

Mães se sacrificam para pagar escola

Lívia Sampaio do Agora

Sem poder deixar o trabalho, mães da zona sul, região que tem a maior fila por vagas em creches municipais, se viram como podem para deixar as crianças aos cuidados de unidades particulares.

Com o marido desempregado por mais de um ano, a educadora Maria Fabiana Santos, 29 anos, não paga a faculdade de pedagogia desde o ano passado.

“Ganho R$ 420 e a creche é R$ 150. Fica muito pesado”, afirma ela, que aprova a bolsa-creche, mas não dispensa a sonhada vaga no CEU Feitiço da Vila, no Capão Redondo. A filha dela, Lívia, está com um ano e sete meses e espera uma vaga desde os dois meses. Além do CEU, a mãe também inscreveu a menina em uma unidade municipal do Jardim Guarujá.

Enquanto vende balas e chocolates em um semáforo de Moema (zona sul), Paola Fernanda Sanches Bruno, 22 anos, paga R$ 100 por mês para que cuidem de cada um de seus dois filhos (no total, R$ 200) em uma escola do Jardim Varginha, onde mora.

O pagamento é feito com ajuda da mãe e do padrasto de Paola, que é separada e diz não ter ajuda do pai das crianças. “Faço o que posso. Preciso muito das vagas, mas me inscrevi há mais de seis meses e nada.”

04/05/2009 - 07:21h Porque chorei hoje de manhã, lendo o jornal

”Agora, crianças ficam chutando lata ou brigando”

Moradores reclamam dos CEUs

Mônica Cardoso, O Estado SP

Os Centros Educacionais Unificados (CEUs) foram criados com a proposta de ser um espaço de lazer e esporte a toda a comunidade que mora no seu entorno. O teatro das unidades foi pensado para reunir a maior parte das atividades culturais, como a projeção de filmes, espetáculos de dança, shows e peças de teatro. Os moradores, no entanto, dizem que o número de eventos está diminuindo desde a gestão anterior de José Serra (PSDB) e de Gilberto Kassab (DEM).

“Eu ia muito quando o CEU foi inaugurado. Uma vez por semana, eu assistia a algum filme”, diz a cabeleireira desempregada Raquel Elaine Barbosa, de 36 anos, que mora próximo ao CEU Butantã. A região não conta com nenhum teatro. O cinema mais próximo, no Shopping Raposo Tavares, está desativado para reforma. “E, mesmo assim, o ingresso é muito caro, em torno de R$ 18″, diz. “Antes, você não via nenhuma criança nas ruas durante o fim de semana. Agora, elas ficam chutando latas ou brigando.”

Sua vizinha, Adriana Marilaque Costa, de 32 anos, concorda. “Muitas vezes, o tema dos filmes não interessa e as crianças já os assistiram. O teatro é bonito, grande, cabem 400 pessoas, e tem uma boa estrutura”, diz. Adriana conta que havia uma maior divulgação da programação, até mesmo nos pontos de ônibus do bairro.

Na outra ponta da cidade, no CEU São Mateus, na zona leste, a situação é semelhante. “Muita gente da comunidade nunca tinha assistido a uma peça ou a um espetáculo de dança”, conta Laércio José de Souza, presidente da Associação dos Moradores do Jardim da Conquista. Ele terminou o ensino fundamental no CEU, em 2005. “Eu já assisti aqui a peças com (as atrizes) Tônia Carrero e Regina Duarte e a show com a (cantora) Alcione. Os espetáculos eram tão procurados que os ingressos se esgotavam em pouco tempo. Não era todo mundo que gostava ou entendia espetáculos de dança contemporânea, mas eu assistia a todos. O filme Carandiru, por exemplo, passou aqui antes de estrear nos cinemas”, conta Laércio.

Segundo o líder comunitário, os shows agora são feitos por artistas da própria comunidade, quando querem lançar um CD. “O governo constrói muitos prédios de CEU, mas não dá continuidade ao trabalho que já era feito.”

Público das atividades culturais dos CEUs cai 42% na gestão Kassab

Por mês, frequentadores das escolas passaram da média de 165 mil, na gestão Marta, para 96,4 mil, atualmente

 

Bruno Paes Manso – O Estado SP

 


A quantidade de pessoas que assistiu a sessões de cinema, peças de teatro, eventos musicais e outras atividades culturais nos Centros Educacionais Unificados (CEUs) de São Paulo diminuiu 42% na gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) se comparada à frequência ao longo da administração de Marta Suplicy (PT). A queda de espectadores ocorreu apesar da ampliação da rede – de 21 para 42 unidades.

Entre agosto de 2003 e dezembro de 2004, quando Marta era prefeita, o público em eventos culturais nos 21 CEUs era em média de 165 mil pessoas por mês. Entre agosto e dezembro do ano passado, período escolhido pela assessoria da gestão Kassab, a média numa rede que na época tinha 32 CEUs diminuiu para 96,4 mil.

Os dados de público nas atividades culturais durante a administração de Marta Suplicy foram feitos em 2004 e entregues para a equipe de transição que viria a assumir a Secretaria de Cultura na administração de José Serra (PSDB). Os dados atuais são da Secretaria Municipal da Educação.

A diminuição na grade da programação cultural entre as duas gestões é uma das causas da redução de público. Em 2004, conforme o relatório feito pela equipe de transição, cada unidade dos CEUs tinha nove sessões regulares de cinema por semana, sendo seis para crianças e três para adultos. No ano passado, o cinema nos CEUs teve uma média de 330 exibições gratuitas por mês, o que significa cerca de 2 filmes por semana em cada CEU.

Na programação de teatros infantis, durante a gestão petista, havia oito apresentações mensais em cada CEU: duas sessões quinzenais às quintas-feiras e uma aos domingos. Na gestão Kassab foram realizadas 125 apresentações de teatro, música e circo ao longo de cinco meses nos 32 CEUs, o que não garante uma grade permanente de eventos para as escolas.

“É difícil comparar os dados porque não existe na Secretaria de Educação registro da frequência dos CEUs durante a administração petista. Outro fato importante a ser lembrado é que, quando assumimos, tivemos protestos de pessoas que trabalhavam em atividades culturais e que não recebiam havia meses. Mas o fundamental é comemorar que o projeto está sendo realizado e foi ampliado durante a atual gestão”, defende o secretário municipal da Educação, Alexandre Schneider.

A professora Maria Aparecida Perez, que foi secretária municipal da Educação na gestão Marta, afirma que a atual administração não entendeu o projeto pedagógico dos CEUs, apesar da ampliação da quantidade de escolas na rede. “Os filmes, teatros e eventos culturais eram ações articuladas com as aulas, que faziam parte do currículo na busca de uma educação que ampliasse os horizontes. Não era mero entretenimento.”

A principal mudança estrutural ocorrida durante as duas gestões foi a mudança da responsabilidade de autoria da programação cultural dos CEUs: na gestão de Marta, era feita pela Secretaria da Cultura; quando Serra assumiu, a programação passou para as mãos da Secretaria da Educação, situação que permanece na gestão atual.

Na Agenda 2012 de Kassab, entre as metas da educação programadas até o fim da gestão, nada consta em relação ao aumento de atividades culturais nos CEUs. Mas Schneider garante que quer levar mais eventos para a rede, principalmente por meio de parcerias.

Originalmente pensados para atender as escolas municipais do entorno e a comunidade local, com o papel de dinamizar a cultura em bairros com poucas opções de lazer, além da missão pedagógica, os CEUs correm o risco de virar simples “escolões”, afirmam os críticos. “Um prédio grande e lindo não funciona sozinho. Tem de ter gente com projeto trabalhando nele. Não adianta ter o hardware sem o software “, diz Mirca Bonano, coordenadora cultural na gestão petista.

Celso Santiago, responsável pelos CEUs na Secretaria da Educação, diz que a atual administração busca contato mais próximo com a comunidade para saber os eventos que ela quer nas escolas. “Estamos descobrindo o gosto e as preferências das populações de cada região. A intenção é avançar.”

NÚMEROS

482 mil
foi o público de eventos culturais entre agosto e dezembro do ano passado

2,8 milhões
foi o público entre outubro de 2003 e dezembro de 2004

9 filmes
por semana eram projetados em 2004, na gestão petista

2 filmes
por semana eram projetados em 2008, na gestão Kassab

17/04/2009 - 12:19h “Havia alimentos em descomposição e salsicha cortada em três para render mais”, Folha SP

A Merenda Escolar de Kassab na mira do MP e da Polícia

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(…)

“Os indícios de que as empresas pagavam propina para obter os contratos aumentaram ainda mais depois que uma delas, que também teve o nome preservado, apresentou movimentações bancárias de R$ 22 milhões colocadas sob suspeita pelo Coaf, órgão federal especializado no combate à lavagem de dinheiro.

Ou seja, o dinheiro pode ter sido usado para corromper funcionários públicos e, eventualmente, bancar campanhas políticas, possibilidade que também está sob investigação.

O promotor declarou que uma das empresas sob suspeita está negociando uma forma de “entregar todo o esquema”. Com isso, as penas contra ela seriam reduzidas.

Os funcionários que controlavam a merenda, de acordo com o Ministério Público, podem ser responsáveis pela paralisação de 400 processos de fiscalização da qualidade da merenda. Esses processos poderiam ter levado à aplicação de multas contra as empresas.

A Polícia Civil, por sua vez, ainda apura o sumiço de documentos de dentro de um prédio da prefeitura que tratam da alimentação escolar.

O conteúdo dos relatórios, preparados pelo CAE (Conselho de Alimentação Escolar, órgão independente que fiscaliza a merenda), aponta irregularidades em vistorias (realizadas em 2006 e 2007, num total de 135 unidades visitadas). Havia alimentos em decomposição e salsicha que era cortada em três para render mais.”

(JOSÉ ERNESTO CREDENDIO – FOLHA SP 17/04/2009)