17/11/2009 - 15:40h Comerciante é assassinado após reclamar de multa em subprefeitura de SP

A Máfia dos Fiscais voltou na “gestão” Kassab?  LF

Plantão | Publicada em 17/11/2009 às 08h57m

Jornal da Globo e SPTV

SÃO PAULO – A polícia procura um fiscal da prefeitura que pode esclarecer o assassinato do comerciante Obdulio Gomes dos Reis, em Pirituba, na região Noroeste da cidade de São Paulo. Na manhã de segunda-feira, ele foi à subprefeitura da Casa Verde e Cachoeirinha reclamar de uma multa de R$ 21 mil a uma obra na casa dele. Segundo um funcionário da subprefeitura, a vítima estava furiosa, porque teria pago propina para liberar a obra.(…)

31/10/2009 - 11:27h Serra não comenta: Violência continua a crescer em São Paulo. Os sequestros, por exemplo, subiram 136%; Secretaria da Segurança Pública da gestão José Serra (PSDB) não se manifestou sobre os índices

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A comparação entre o 3º trimestre de 2008 com o deste ano aponta aumento nos crimes contra a vida e o patrimônio


ANDRÉ CARAMANTE – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Pelo terceiro trimestre seguido neste ano, a violência continuou a crescer no Estado de São Paulo. Dados divulgados na noite de ontem pela Secretaria da Segurança Pública da gestão José Serra (PSDB) apontam o aumento em praticamente todos os tipos de crime.
A comparação do 3º trimestre de 2008 com o mesmo período deste ano revela que subiram os crimes de sequestro, homicídio doloso (intencional), estupro, roubo, furto, roubo e furto de veículos e também o roubo de cargas e de bancos.
Em todo o Estado, foram assassinadas 1.119 pessoas nos meses de julho a setembro deste ano -um aumento de 3% em relação a 2008. Na cidade de São Paulo, porém, houve queda de 8,2% -de 317 para 291, mais de três assassinatos por dia.
A variação mais alta foi contabilizada nos crimes de sequestro: 136% -11 casos em 2008 e 26 agora. O total de pessoas mortas em latrocínios (roubo seguido de morte) subiu 14% -74 para 82 vítimas.
Principal bandeira do atual secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, que assumiu a pasta em março com a promessa de combater os crimes contra o patrimônio, roubos e furtos tiveram alta de 18% e 6%, respectivamente.
Em maio, quando os números referentes ao 1º trimestre do ano já apontavam para o aumento da criminalidade no Estado, o governo atribuiu o problema à crise econômica.
Com 64.399 roubos registrados, o 3º trimestre deste ano entrou para a história como o período em que mais crimes desse tipo ocorreram em todo o Estado. A marca negativa anterior (63.729) havia sido registrada no 2º trimestre deste ano. Na comparação com o 3º trimestre do ano passado, os roubos aumentaram 18% agora.
O total de roubos (64.399) não inclui os casos de roubo de veículos, a bancos e de cargas.
O furto, delito que historicamente sempre foi o mais registrado nas estatísticas da criminalidade, subiu 6%.
No caso de crimes de estupro, houve aumento de 52% (de 863 para 1.311), mas a variação, segundo nota oficial da Segurança Pública, ocorreu por causa da mudança na lei, que passou a considerar estupro também casos de “atos libidinosos” e “atentados violentos ao pudor”.

Ninguém fala
Logo após a divulgação dos dados da violência na noite de ontem, na página da pasta, o porta-voz da Secretaria da Segurança Pública, Enio Lucciola Lopes Gonçalves, disse à Folha que ninguém do órgão iria se manifestar sobre os dados “por causa do horário”.
Segundo Gonçalves, parte das explicações foi dada em uma “nota explicativa” no site www.ssp.sp.gov.br/estatisticas. Mas, na própria nota, há divergências. Pelo texto, foram 62.308 roubos no Estado. No quadro abaixo da informação, porém, o total que aparece é de 64.399.

16/10/2009 - 11:25h Governo Serra: Nº de latrocínios já supera o de 2008

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Josmar Jozino, JORNAL DA TARDE – O Estado SP

Os casos de latrocínios (roubos seguidos de morte) registrados de janeiro a setembro deste ano superaram os de todo o ano passado na capital paulista – 73 neste ano, ante 69 em 2008. Na comparação entre os três primeiros trimestres de 2009 com igual período do ano passado (51 ocorrências), o crescimento foi de 43%. O número, porém, pode aumentar, pois pelo menos dois boletins de ocorrência foram elaborados como roubo consumado e homicídio doloso.

A reportagem apurou que a Polícia Civil registrou 21 latrocínios na capital de julho a setembro deste ano. Os dados são do Infocrim, uma importante ferramenta desenvolvida pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) para mapear e combater a criminalidade no Estado. No primeiro trimestre de 2009, houve 27 casos e no segundo trimestre, 25. As estatísticas oficiais devem ser divulgadas somente no dia 20.

Segundo o sociólogo Ignácio Cano, professor e coordenador de pesquisas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), o latrocínio é um assalto que deu errado e um crime difícil de ser combatido. Segundo ele, para diminuir os casos é necessário combater com sucesso os roubos. “Se houver uma política de prevenção aos assaltos, com mapeamento, investigação e policiamento ostensivo, haverá, automaticamente, redução nos roubos seguidos de morte. A maioria desses crimes é cometida com arma de fogo.” No entanto, o pesquisador destaca que o aumento de casos, em números absolutos, é pequeno, o que dificulta uma análise mais detalhada.

Os números obtidos pela reportagem mostram que a maioria dos latrocínios registrados no terceiro trimestre de 2009 na capital ocorreu na zona leste. Foram nove casos no Belém, Penha, Vila Matilde, Carrão, São Mateus (dois), Parque São Jorge, Vila Formosa e Cidade A.E. Carvalho.

Uma das vítimas na zona leste foi o aposentado Evaldo Sebastião Lago Branco, de 58 anos. Ele foi morto a tiros por três ladrões na porta de casa, na Rua Rodovalho Júnior, Penha, na madrugada de 28 de setembro. Os assaltantes queriam o Peugeot 206 dele. O aposentado não reagiu e entregou o carro, mas ainda assim foi baleado.

Procurada, a Polícia Militar informou, por meio do capitão Emerson Massera, da Assessoria de Imprensa da corporação, que a maior parte das vítimas de latrocínio é atacada em veículos. “A prevenção desse tipo de crime realmente é difícil. O assaltante, geralmente, é um pequeno criminoso, desastrado e despreparado. Não tem equilíbrio emocional e quase sempre está mais nervoso do que a vítima”, acrescentou.

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Crime pode ter subnotificação na capital

Quando vítima não morre no local do ataque, registro acaba sendo feito como roubo ou homicídio

JOSMAR JOZINO – O Estado SP

Pelo menos duas ocorrências em que as vítimas morreram durante assalto se encontram registradas de forma diferenciada pela polícia. Isso significa que os casos de latrocínio somados na capital no terceiro trimestre deste ano podem passar dos 21 e superar os registrados pela polícia em igual período do ano anterior.

Em 19 de julho, o estudante Fred Chua, de 28 anos, conversava com a namorada no carro dela, um Toyota Corolla, na Aclimação, região central de São Paulo. Um assaltante se aproximou, mandou o casal descer e exigiu a chave do veículo. Estudante do último ano de Engenharia de Minas e Petróleo na Poli-USP, Chua foi baleado ao descer. O ladrão levou a carteira da vítima. O boletim de ocorrência 4.805/09 do 5º Distrito Policial (Aclimação) foi registrado como roubo consumado. O BO 4.807 comunicou o óbito e o terceiro, 4.811, foi confirmado como roubo consumado – e não como latrocínio, o que ocorreu.

Já o BO 3.583/09, da morte do executivo Fernando Ferro Antunes de Siqueira, de 38 anos, assassinado em assalto no Morumbi, zona sul, em 7 de julho, foi registrado no 34º DP como roubo tentado. O BO 3.588 informava o óbito da vítima e o BO 3.592 acabou elaborado como homicídio doloso. Nos dois casos, apesar dos vários BOs, não ocorreu a identificação correta. A reportagem procurou a Secretaria da Segurança para falar sobre os problemas de notificação e os números de latrocínios, mas a pasta preferiu não se manifestar e disse que vai esperar a divulgação dos dados no dia 20.


PARA EVITAR CRIMES

Não reaja: A principal orientação da polícia é nunca reagir

Ao volante, fique atento: A maioria dos latrocínios acontece quando a vítima está em um carro

Abordado, evite ações bruscas: A vítima deve avisar o ladrão sobre o que vai fazer (tirar o cinto de segurança ou pegar a carteira)

Deixe o carro preparado: O veículo deve estar sempre engatado e o motorista, preparado para deixar logo o local, se pressentir o assalto. As portas devem ficar travadas e as janelas, fechadas

Não deixe bens à vista: Evite pôr bolsas, carteiras, celular e outros objetos nos bancos, em locais visíveis para os ladrões

Não se distraia, não use celular: Ao parar, evite se distrair falando ao celular ou retocando a maquiagem. Fique atento ao que está em volta

05/10/2009 - 14:24h Roubos crescem em bairros vizinhos da cracolândia

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Cracolândia: Trabalho de longo prazo e persistente ou pirotecnia?

Em Santa Cecília, alta foi de 342% se comparados trimestres de julho a setembro de 2008 e 2009; em Higienópolis foi de 25%

Para moradores, ações desenvolvidas pela polícia na cracolândia levaram usuários de drogas a migrar para áreas próximas

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AFONSO BENITES DA REPORTAGEM LOCAL E TAI NALON – COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Três homens armados entram em uma casa lotérica do bairro Santa Cecília, na região central de São Paulo. Após alguns minutos tentando convencer as funcionárias, protegidas por um vidro à prova de balas, a darem o dinheiro do caixa, eles mudam de tática. Usam um cliente como refém e apontam a arma para sua cabeça.
A cena aconteceu em 30 de setembro, na rua das Palmeiras. Foi um dos 31 roubos registrados nos últimos três meses no bairro, segundo a polícia.
Vizinhos da cracolândia, os bairros de Santa Cecília e Higienópolis tiveram um aumento em dois índices de criminalidade (furtos de veículos e roubos) e queda em um (furto), entre os meses de julho e setembro deste ano, na comparação com o mesmo período de 2008.
No trimestre, foram 342% mais roubos que no mesmo período de 2008 em Santa Cecília (de 7 para 31) e 25% mais em Higienópolis (de 8 para 10).
Os dados são do Infocrim, sistema usado pelas polícias para mapear crimes.
As mudanças nesses índices de violência coincidem com o período da ação Centro Legal, com a qual a polícia e a prefeitura tentam reduzir os índices de violência na região conhecida como cracolândia, na Luz.
Nesse trabalho, iniciado em julho, 65 pessoas foram presas e ao menos cem foram atendidas por órgãos assistenciais.
Até agora, apenas o índice de roubos apresentou uma redução significativa na cracolândia -caiu 35% (de 142 para 92).
Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, do início da operação até 29 de setembro, foram realizadas 16.007 abordagens a usuários de drogas -1.070 foram encaminhados para unidades de saúde e 94 precisaram de internação.

Novo endereço
Em uma reunião do Conseg (Conselho Comunitário de Segurança) da região, na última quarta, era consenso entre os moradores que a criminalidade e o aumento do número de mendigos em Santa Cecília e Higienópolis foram fruto da ação na cracolândia.
“Está muito claro que a cracolândia saiu de um lugar e se mudou para outro”, afirmou um morador que não quis se identificar.
Segundo Fuad Sallum, presidente do Conseg, com a migração, os pontos mais perigosos do centro passaram a ser o largo do Arouche, a rua das Palmeiras, a praça Marechal Deodoro, a avenida Angélica e o entorno da faculdade Mackenzie e do shopping Higienópolis.
Na reunião, o capitão Mário Sérgio Delfini disse que a PM tem notado um aumento de moradores de rua nos bairros vizinhos da cracolândia, mas não de usuários de drogas.
Para o comandante da Polícia Militar na região central, coronel Marcos Roberto Chaves, a migração dos moradores de rua e viciados já era esperada. No entanto, segundo ele, ainda não é possível atribuir o aumento da criminalidade às mudanças.
“Estamos avaliando se há alguma relação com a migração. Se tiver, vamos atuar”, disse.


Comerciantes reclamam da falta de segurança

Ao menos oito estabelecimentos comerciais da rua Barão de Tatuí, famosa pelos bares, restaurantes e lanchonetes na Santa Cecília, foram assaltados em setembro. Com isso, comerciantes já pensam em se mudar.
Um deles é o francês Jean Raquin, que tem há quatro anos a casa de vinhos Le Tire-Bouchon. “Investi e estou me arrependendo. Não temos segurança.”
Vizinho de Raquin, o comerciante Mário Melilli, que mora há 52 anos na rua, diz que nos últimos dois meses tem aumentado significativamente o número de mendigos na região. “Nunca vi tanto como agora.”
Dono de um bar na rua das Palmeiras, Antônio Pires diz que também invadiram a região viciados em drogas que vieram da cracolândia.
Priscila Andréia, vendedora no shopping Higienópolis, mudou de turno por medo de sair do trabalho à noite. Ela foi assaltada há um mês perto da estação Marechal Deodoro do metrô, quando um homem levou seu celular.

30/09/2009 - 10:35h Insegurança pública: “Gestão” Kassab desmonta GCM e moradores temem os assaltos

Luisa Alcalde – JT e O Estado SP

luisa.alcalde@grupoestado.com.br

Moradores temem os assaltos

Moradores e comerciantes da Vila Nova Iorque, na zona leste, estão irritados com a Prefeitura. Há uma semana a base comunitária da Guarda-Civil Metropolitana (GCM), que existia há nove anos na Praça Eulália de Carvalho, está sendo desmontada. A comunidade diz não ter recebido nenhuma explicação para o fechamento e nem o que a Prefeitura pretende fazer com a estrutura.

Segundo a dona de uma banca de jornais e revistas instalada ao lado da antiga base da GCM, Maria Conceição da Fonseca, de 72 anos, foi a comunidade que colocou os vidros e mobiliou a base, nove anos atrás. “Ninguém sequer nos ouviu. Simplesmente tiraram os guardas daí”. Ela acrescenta que antes da base, o comércio era sempre assaltado.

“Minha lotérica chegou a ser assaltada duas vezes em um mesmo dia”, conta Júlia Mourão Pozzani, 57. “Me renderam com silenciador, metralhadora”, lembra.

Reginaldo Teixeira, 47 anos, dono de um depósito de material de construção diz que os problemas já começaram. “Um vendedor de gás foi rendido na semana passada em frente ao meu comércio com arma na cabeça”.

Os moradores também reclamam do vandalismo e pichações no entorno da base.

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Prefeitura fecha 23 bases da GCM

Sindicato diz que em 4 anos 56% das bases comunitárias foram desativadas na capital

A Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU) fechou 56% das bases comunitárias na capital em quatro anos. Segundo o Sindicato dos Guardas Municipais da Cidade de São Paulo (Sindguardas), das 41 existentes quatro anos atrás, 18 funcionam hoje.

Oito foram fechadas nos últimos meses. E mais duas, há uma semana, uma na Praça São João Vecenzotto, no Jardim Aricanduva, e outra na Praça Eulália de Carvalho, na Vila Nova Iorque, ambas na zona leste. Moradores e comerciantes criticam os fechamentos das bases

Segundo a Prefeitura, serão desativadas as bases onde os índices de violência urbana foram reduzidos. A secretaria afirma que as desativadas serão substituídas por bases móveis por serem mais versáteis e por permitirem a localização dos GCMs onde os problemas exigirem. E algumas das bases fechadas serão assumidas pela Polícia Militar. Caso da base da Chácara Klabin, na zona sul.

O efetivo das bases extintas deve ficar na mesma região, nas bases móveis ou trabalhando. “Essa gestão está, pouco a pouco, desmontando a GCM. Primeiro foi o canil, depois as armas e agora as bases”, diz Carlos Augusto Souza e Silva, presidente da entidade.

“A Prefeitura quer que a gente cuide apenas de prédio, estátua e entulho”, critica um GCM, que trabalhava em uma das bases fechadas, que não quis se identificar. Segundo ele, a ausência do efetivo da base comunitária extinta já reflete no aumento da criminalidade e do vandalismo no entorno dos bairros onde elas ficavam.

Esse mesmo relato é contado por comerciantes e frequentadores da Praça São João Vecenzotto, no Jardim Aricanduva.

A base da GCM que foi fechada funcionava no local há oito anos. “Domingo roubaram uma adega próxima daqui e uma senhora na calçada perto da drogaria. No sábado, a praça já estava cheia de noias (usuários de drogas)”, afirma Reginaldo Aguiar, de 32 anos, caixa de uma lanchonete que fica na esquina da praça com a Avenida Rio das Pedras.

O dono do bazar Estrela da Manhã, Adriano Uechi, de 35 anos, faz coro. “Ficou muito ruim sem a GCM. Agora tememos assaltos, que eram frequentes”, afirma o comerciante. Aposentados que jogavam tranca ontem na praça disseram ter ouvido boatos de que a antiga base comunitária da GCM será transformada em uma unidade do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). “Se for isso mesmo, não será ruim”, disse José Davantel Filho, de 73 anos.

Como a população acolheu as primeiras bases comunitárias da GCM

video


29/08/2009 - 12:56h “Os Jardins estão sob ataque”

Ladrões invadem e roubam casa de secretário de Serra

http://2.bp.blogspot.com/_Nj7k-NFjuzA/SCS1iD5nPpI/AAAAAAAAA4g/3BzRXzhzQHA/s320/serra_afif.jpgCriminosos levaram joias e dinheiro da residência de Guilherme Afif no Jardim Paulistano

Secretário estava na casa com a mulher, um dos filhos e duas funcionárias; ocorrência mobilizou a cúpula da polícia paulista

MÔNICA BERGAMO

COLUNISTA DA FOLHA

A casa do empresário Guilherme Afif Domingos (DEM-SP), secretário de Estado do Emprego e Relações do Trabalho do governo José Serra (PSDB), foi invadida por seis ladrões na manhã de ontem, numa ocorrência que mobilizou a cúpula da polícia paulista.
De acordo com Afif, o grupo chegou a sua casa, no Jardim Paulistano, afirmando ter uma “encomenda” para o “senhor Afif”. Uma das empregadas tentou pegar o pacote. Mas, como ele era pesado, abriu o portão. A casa foi então invadida.
Armados, os assaltantes recolheram relógio, joias “do dia a dia usadas por minha mulher” e dinheiro vivo, “aquela reserva que a gente já guarda em casa para o ladrão”, diz o secretário. Afif afirma que na casa estavam também sua mulher, duas funcionárias e um dos filhos, que chegou a sofrer ameaças.
Os ladrões ficaram na residência por 20 minutos e sabiam detalhes da vida do secretário. “Além de me chamarem pelo nome, eles disseram que, se eu não indicasse em que lugar guardava o cofre, iriam para a casa em que mora a minha outra filha. Eles sabiam o endereço dela e fizeram a ameaça.”
O grupo fugiu.
Pelo menos outras duas residências próximas à de Afif -uma delas, em sua própria rua- foram assaltadas na última semana. Numa delas, os ladrões se apresentaram como funcionários da Sky. Como o dono, um publicitário, tinha de fato chamado a empresa para um conserto, abriu a porta.
O próprio Afif, um dia antes do assalto, solicitou os serviços da NET, outra empresa de TV por assinatura, mas teve medo quando os funcionários chegaram a sua residência. Antes de permitir a entrada deles, confirmou com a empresa se eram de fato os empregados enviados por ela para o conserto.
“É preciso cuidado. O bairro tem tido uma rotina de assaltos. E eles estão ocorrendo não apenas em casas mas em apartamentos da região. Parece que é uma onda, que [os assaltantes] migraram de outro setor para os Jardins”, disse Afif.
“Os Jardins estão sob ataque”, diz o empresário Marcos Arbaitman, vice-presidente da Ame Jardins, entidade que reúne moradores da região. Ele reverbera o sentimento de outros vizinhos. “O governo acha que aqui só moram ricos que podem pagar segurança particular e retirou a polícia do bairro”, diz outro dirigente da Ame.
A criminalidade vem crescendo no Estado nos últimos meses. No segundo trimestre de 2009, o número de roubos aumentou 18% em relação ao mesmo período de 2008, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública.
Na semana passada, os moradores se reuniram com o secretário Antonio Ferreira Pinto e pediram o reforço no policiamento, a instalação de câmeras e a volta de uma base móvel da PM para o bairro. O prefeito Gilberto Kassab (DEM-SP), morador da região, estava presente e deu sugestões.

15/08/2009 - 16:02h Fazendo a notícia

L’audimat était presque parfait

Le Monde

Wallace Souza, célèbre présentateur de télévision brésilien, est soupçonné d'avoir commandité des meurtres pour doper les audiences de son émission sur la criminalité.
AP/Antonio Menezes

Wallace Souza, célèbre présentateur de télévision brésilien, est soupçonné d’avoir commandité des meurtres pour doper les audiences de son émission sur la criminalité.

Dans son émission choc sur la criminalité, le présentateur vedette brésilien Wallace Souza se targuait d’arriver sur les lieux des crimes avant même la police. Lorsque ses caméras débusquaient un cadavre calciné dans un sous-bois, le corps fumait encore. Il est même arrivé à ses téléspectateurs d’assister, par écran interposé, à un meurtre par balle (voir le reportage d’Al Jazeera ci-dessous).

Wallace Souza, ancien policier reconverti dans la politique et la téléréalité, justifie le succès de “Canal Livre”, son émission quotidienne depuis vingt ans, par une formule : “responsabilité journalistique”. Sans doute las d’avoir été systématiquement doublés par les journalistes “responsables” de M. Souza pendant deux décennies, les policiers de l’Etat d’Amazonas, où était diffusée l’émission, ont fini par se poser des questions. Et ont commencé à trouver des réponses : ils le soupçonnent d’avoir commandité au moins cinq meurtres pour doper l’audience de son émission en se garantissant l’exclusivité des premières images.

En perquisitionnant le domicile du présentateur, qui se trouve également être député de l’Etat d’Amazonas, les policiers ont découvert un arsenal d’armes illégales et 100 000 dollars en liquide. Ce qui leur a permis d’affiner leur hypothèse et d’ajouter une casquette à Wallace Souza. Ancien policier, député, présentateur, ce cinquantenaire touche-à-tout est également soupçonné de verser dans le trafic de drogues. Les cinq meurtres qu’on lui reproche visaient tous des trafiquants de drogue. Il en aurait donc profité pour faire d’une pierre deux coups : doper ses audiences et descendre la concurrence.

Il faut dire que le mélange des genres est chez Wallace Souza plus qu’un art de vivre : une seconde nature. Le sujet de ses émissions, la dénonciation de la criminalité de la ville de Manaus, capitale de l’Amazonas, s’est révélé un thème de campagne des plus porteurs, puisqu’il lui valut d’être réélu trois fois député de l’Etat. “Manaus ne peut plus continuer à endurer tous ces crimes“, aimait-il à répéter sur le plateau de son show entre deux courses-poursuites. “Aujourd’hui, tout le monde tue”, se permettait-il d’ajouter d’un ton grave.

Une quinzaine de personnes de son entourage – dont son fils – ont été arrêtées. Selon le parquet, l’instruction devrait être achevée d’ici quinze à vingt jours. Wallace Souza, qui jouit d’une immunité en tant que député, est pour le moment toujours en liberté. Il en a profité pour clamer son innocence mercredi devant l’Assemblée législative de l’Etat d’Amazonas. “Je suis chrétien et j’ai une foi énorme, mais si le Christ était à nouveau crucifié, le coupable serait le député Wallace Souza”, s’est-il écrié devant ses pairs, selon des déclarations reprises par un site du groupe d’information Globo.

Il a également demandé à ses collègues d’envoyer un représentant de l’Assemblée législative pour suivre les enquêtes de la police et du parquet, et a mis en cause la véracité des témoignages des personnes arrêtées dans le cadre des enquêtes. Car c’est le témoignage d’un de ses complices, interpellé l’an dernier, qui a porté un coup fatal à l’irrésistible ascension de M. Souza. Cet ancien policier chargé de sa sécurité a fini par avouer qu’un des neuf meurtres pour lequel il était inculpé avait été commis pour faire un sujet de “Canal Livre”. Ou quand la téléréalité dépasse la fiction.

Soren Seelow (avec AFP)

04/08/2009 - 10:19h Latrocínio cresce 79% na capital paulista

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Crime foi o que mais aumentou no 1º semestre, em comparação com o mesmo período de 2008, seguido de sequestros

 

Secretaria da Segurança relaciona crescimento, na capital e no Estado, com crise econômica mundial, que começou em setembro

AFONSO BENITES E ANDRÉ CARAMANTE – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Os crimes de latrocínio e sequestro foram os que mais cresceram no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado na capital paulista.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, a alta tem relação direta com a crise econômica internacional iniciada em setembro passado.
Os dados da Secretaria da Segurança Pública mostram que de janeiro a junho deste ano ocorreram 52 latrocínios (roubos seguidos de morte) em São Paulo, contra 29 em 2008 -diferença de 79,3%. No total do Estado, esse crime subiu de 126 casos para 172 -36,5%.
Os sequestros subiram 58,3% na capital. Foram 12 casos no primeiro semestre de 2008; agora houve 19.
Em “nota explicativa” divulgada ontem em seu site com os dados da violência, a secretaria afirma que “o aumento da criminalidade no Estado também foi notado nas crises [econômicas] de 98/99, 2001/2002 e 2003.” Segundo o texto, “quando o desemprego aumenta, o potencial de criminalidade tende a crescer; quando cai, esse potencial tende a declinar, porém de forma mais lenta”.
Nos seis meses analisados, no entanto, o aumento do desemprego na capital paulista foi inferior a um ponto percentual, aponta o relatório do Dieese.
Indicado pela Segurança Pública para falar sobre o aumento da violência, o delegado-geral da Polícia Civil, Domingos Paulo Neto, disse que não é possível apontar um motivo para o aumento dos crimes de latrocínio e sequestro na capital.
“Não consigo afirmar o que motivou o aumento dos crimes de latrocínio, por exemplo. Não sei se mais pessoas reagiram a um assalto ou se o ladrão matou a vítima por pura maldade”, disse Paulo Neto.
Dados sobre os esclarecimentos dos latrocínios e sequestros não foram fornecidos pela gestão do governador José Serra (PSDB).
Um dos latrocínios ainda sem solução, por exemplo, é o que vitimou José Francisco Fappi, 47. Gerente de uma multinacional de alimentos, ele foi morto dia 25 de maio num assalto na Aclimação (zona sul).
Anteontem, um pai morreu ao tentar salvar o filho de assalto, na rodovia Anchieta, em São Bernardo do Campo (ABC).

Homicídios e roubos
Enquanto capital e Grande São Paulo registraram queda nos homicídios dolosos (intencionais), de 0,1% e 8,8%, respectivamente, no interior, houve uma alta de 21,3%.
As regiões que puxaram esse aumento foram as de Santos, Ribeirão Preto e São José dos Campos. No comparativo, o Estado teve aumento de quase 6%. No interior, as regiões de Presidente Prudente e de Bauru tiveram queda nesse quesito.

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Não foi a crise que elevou a violência, dizem analistas

DA REPORTAGEM LOCAL

A crise econômica global não afeta o crime tão rapidamente como sugeriu o governo do Estado, afirmam estudiosos da violência. E o maior número de latrocínios, sustentam eles, não pode ser dissociado de crimes como roubo e tráfico de drogas.
Para o cientista social José dos Reis Santos Filho, do Núcleo de Estudos sobre Violência e Políticas Alternativas da Unesp (Universidade Estadual Paulista), latrocínio e sequestro não são crimes normalmente praticados por pessoas que, “em razão de uma crise econômica ou do desemprego, por exemplo”, entraram há pouco tempo na criminalidade.
“A crise econômica não provoca de uma hora para outra o aumento da criminalidade como está acontecendo.”
“É preciso olhar como essa criminalidade está relacionada ao tráfico de drogas, com consumidores ou com as pessoas que estão no mercado das drogas”, continuou ele.
O sociólogo Ignácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), vê o crescimento dos latrocínios em São Paulo como consequência da alta de 19% nos roubos.
“O latrocínio é um roubo malsucedido. Temos de olhar para o roubo.” Tanto o cientista social Santos Filho quanto o sociólogo Cano concordam que o aumento dos casos de sequestro no Estado não está relacionada à crise econômica.
(AB e AC)

31/07/2009 - 12:32h Governo Serra: crime em SP cresce pelo 2º trimestre seguido

Homicídios subiram 11,5% em relação ao mesmo período de 2008 e roubos bateram recorde; estupros e latrocínios também aumentaram

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Delegado-geral afirma que, apesar de crescimento no total, números tiveram queda em junho; “vamos trabalhar para manter essa inversão”, diz

DA REPORTAGEM LOCAL FOLHA SP

A violência voltou a crescer em todo o Estado de São Paulo pelo segundo trimestre seguido. De abril a junho deste ano, os casos de assassinatos subiram 11,5% em relação ao mesmo período do ano passado -um aumento que não ocorria desde 1998. O total de roubos bateu mais um recorde histórico. Também ocorreram mais casos de estupro e latrocínios (roubo seguido de morte).
Ao todo, no período foram 1.168 homicídios (a secretaria não divulgou o total de vítimas, apenas de casos) e 68.524 registros de roubo -até então, o recorde era de 65.635 nos primeiros três meses deste ano.
Os dados foram divulgados ontem pelo delegado-geral da Polícia Civil, Domingos Paulo Neto. Ele, porém, afirmou que o crescimento da violência no Estado, em números absolutos, é “insignificante”.
“Embora tenha havido um aumento em relação ao segundo trimestre do ano passado, já registramos uma queda em junho. Vamos trabalhar para manter essa inversão”, disse.
Segundo Domingos Neto, em maio foram registrados 427 homicídios em todo o Estado, enquanto em junho foram 327. Uma redução de 23,4%.
“O crime de homicídio em São Paulo está controlado. O que temos que combater é o crime contra o patrimônio, principalmente o roubo”, disse o delegado-geral.
Os casos de roubo tiveram queda de apenas 1,25% de maio para junho deste ano.
O delegado lembrou que, em 2000, ocorriam, em média, 15 assassinatos por dia na capital paulista. Agora, são 3,5. Mas uma alta superior a 11% nos casos de homicídio não ocorria desde 1998. Naquele ano houve aumento de 19% em comparação com igual período de 1997.

Latrocínios
Apesar de terem aumentado em relação ao ano passado, os latrocínios sofreram uma queda em comparação com o primeiro trimestre deste ano. Foram de 94 para 78, segundo o levantamento.
Após registrar um maior número de estupros em quatro trimestres consecutivos, neste houve uma ligeira queda em relação ao anterior. Foi de 1.055 para 948. Queda de 9,7%.
De acordo com Domingos Neto, o governo estadual tem atuado em três frentes para reduzir a criminalidade: aproximação da polícia da comunidade, aumento da quantidade de prisões e investimento em tecnologia da informação.
Ontem, a Secretaria da Segurança da gestão José Serra (PSDB) não divulgou os dados de violência por regiões do Estado. Segundo a assessoria do órgão, esse detalhamento será apresentado na segunda-feira.
Alegando não ter ainda todos os dados, o delegado-geral evitou dar uma justificativa para o aumento da violência. “Não dá para falar sem uma análise nas regiões do Estado. Com quase 40 milhões de habitantes, fica difícil analisar sem ter um conhecimento específico do que teria motivado esse aumento.”

31/05/2009 - 12:40h Serraluf na segurança: a receita que dá voto em São Paulo

Pouco importa se os latrocino estão em alta ou se cada dois dias um condomínio é assaltado na cidade.

O que conta é mais o que faz de conta. No caso fazer de conta que o governo estadual aplica a mão de ferro contra a bandidagem.

Pensando bem, é até necessário que o clima de insegurança e de violência persista e se espalhe, pois permite que o faz de conta tenha maior impacto eleitoral (depois é só manipular B.O. e alinhavar estadísticas para mostrar eficiência).

Pouco importa se os pobres são aterrorizados, pelo faz de conta da segurança, é o que parece pensar uma parte da classe média abastada da cidade.

Pouco importa lei, justiça, direitos para fazer prevalecer… o faz de conta.

Assim age o PSDB em matéria de segurança. Como trogloditas a serviço de sua própria propaganda.

A mão de ferro contra a criminalidade é necessária sim.

A repressão e a luta ao crime organizado deve ser prioridade, sim.

Aterrorizar a população indefesa para fazer de conta que o governo estadual age contra a delinquência é o recurso patético dos incompetentes. LF

http://www.rc.unesp.br/igce/planejamento/gpapt/paraisopolis.jpg

Aterrorizar a esquerda (Paraisópolis) para vender o faz de conta a direita (Morumbi).

82 dias de medo em Paraisópolis

Moradores denunciam violência da PM l Barracos foram invadidos sem mandados judiciais l Trabalhadores, crianças e idosos relatam sessões de tortura l Comando da PM nega abusos e agressões na favela

Bruno Paes Manso – O Estado SP

Os números oficiais da Operação Saturação da Polícia Militar em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, são chocantes. De acordo com a Prefeitura, moram 60 mil pessoas no bairro. Durante pouco menos de três meses de operação, entre 4 de fevereiro e 26 de abril, 400 policiais em 100 viaturas e um helicóptero, com 20 cavalos e 4 cachorros, aplicaram 51.994 revistas a moradores do bairro.

A operação teve início depois dos tumultos provocados por algumas dezenas de moradores, em 2 de fevereiro, que deixaram três PMs baleados. Entre os agitadores havia integrantes do tráfico de drogas local. Como resposta, nos dias que se seguiram ao quebra-quebra, parte da tropa deixou rastros de abusos e violência. “Durante a ocupação, tentativas de desestabilização das forças de segurança foram levadas a efeito por parte de pessoas que se sentiam incomodadas com a presença da polícia”, defende o capitão Emerson Massera, da Seção de Comunicação Social da PM. Segundo ele, não há provas de abusos e agressões.

Na semana passada, o Estado esteve em Paraisópolis. Ouviu dezenas de histórias chocantes, em diferentes pontos do bairro. Testemunhos semelhantes já foram ouvidos por entidades como Associação dos Juízes pela Democracia, Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo e Associação Paulista dos Defensores Públicos.

De acordo com a polícia, no balanço da operação constaram 93 flagrantes, captura de 61 procurados, 31 armas e 9,9 kg de cocaína apreendidos. Mas o saldo final vai além: sobrou raiva, humilhação, revolta, indignação que ninguém ainda é capaz de dizer o que isso de fato pode significar para a cidade. Seguem os testemunhos de moradores colhidos pelo Estado:

EM DEFESA DOS FILHOS

Auxiliar administrativa em uma empresa de telefonia, Gisele Cristina dos Santos, de 28 anos, teve o barraco invadido seis vezes pela polícia. Em nenhuma delas havia autorização judicial. Na primeira, um domingo de manhã, ela, marido e seis filhos, crianças de 1 a 12 anos, estavam em casa. O marido esticava um novo varal e chamou a atenção dos policiais por causa de uma tatuagem. Perguntaram se ele tinha “passagem”. Ele informou que estava sob condicional, mas não devia na Justiça. Os policiais chutaram o portão e invadiram o quintal perguntando por drogas. Em seguida, entraram na casa e rasgaram o sofá. O pai apanhou na frente dos filhos. Em outras duas vezes, policiais entraram quando só havia crianças em casa. Falaram para a mais velha que o pai havia pedido a eles que buscassem o revólver. “Onde está a arma?”, perguntavam os policiais. “Meu pai não rouba”, a criança respondeu. A casa também foi invadida quando não havia ninguém. Dois baldes de água com latas de leite que ela recebeu do programa da Prefeitura, misturadas com detergente e pó de café, foram espalhados pelo chão e paredes. Gisele teve seu MP5 furtado. Depois das seguidas sessões de abuso, ela fundou o movimento “Paraisópolis Exige Respeito!”, com um blog na internet. Perguntada se o nome dela podia aparecer no jornal, Gisele foi categórica: “Coloque em negrito, com letras maiúsculas.”

CHAMADA ORAL DA BÍBLIA

Nos cálculos da aposentada Maria Alves da Rocha, de 59 anos, policiais invadiram a casa onde ela mora com a neta de 17 anos e dois filhos por cerca de 15 vezes. Nunca apresentaram mandado. Na primeira invasão, eles entraram com um pontapé na porta. Os vizinhos avisaram ao filho, que é pedreiro e trabalhava na vizinhança, que chegou em instantes e sugeriu para a mãe que deixasse a polícia trabalhar. “Quem não deve não teme”, disse. A polícia depois não se cansou de voltar. Bagunçavam o guarda-roupa, xingavam e humilhavam os que estavam em casa. Dona Maria contou aos policiais que era evangélica. Um deles solicitou uma Bíblia para perguntar o que estava escrito em dado versículo do Evangelho de João. “Sou analfabeta, mas entendo a palavra dos pastores e consegui responder”, diz Maria. O pé de capim-santo que ela cultivava no quintal para fazer chá foi arrancado pelos policiais, para checarem se não era droga.

É PROIBIDO CHORAR

Quando viu o movimento de policiais na viela em que mora, Antonio, de 13 anos, entrou em casa correndo. Os policiais o seguiram. Na porta do barraco, um anúncio escrito a giz pela mãe oferece: “Fais chapinha.” Dentro de casa, Antonio teve a arma apontada para cabeça. “Por que estava correndo? Onde é a boca?”, perguntava um deles, enquanto o estapeava. Outro policial revistava a casa. Antônio, que aparenta 10 anos, estava sozinho com o irmão, de 9. Os dois choravam muito. “Cala a boca vacilão. Vamos levar você para um quartinho escuro na Febem”, ameaçava o policial. Com os braços cruzados, esfregando os ombros, Antonio explica que ficou ainda mais assustado porque há alguns anos teve um tio assassinado por policiais. Os vizinhos, do lado de fora, viam tudo sem poder intervir porque temiam apanhar.

ESPINGARDA DE BRINQUEDO

Agnaldo Jesus Viana teve o sobrado em que mora, em cima do bar de sua propriedade, invadido quatro vezes. Os policiais cismaram com o jogo eletrônico que ficava na frente do estabelecimento e tinha uma espingarda a laser como acessório. Perguntaram para ele onde estavam as armas e quem fazia o tráfico na favela. Ele respondeu que “não mexia com isso”. A arma do videogame foi quebrada pelos policiais. A mulher de Agnaldo, nervosa, para tentar intimidar, disse que as câmeras que ficam dentro do bar estavam gravando os abusos. Eles obrigaram o casal a retirar o material do vídeo e entregar a eles. As visitas se repetiram. Agnaldo conta que a câmera digital e o notebook do vizinho foram roubados.

QUEM APANHA É A MÃE

Solange conta que estava bêbada no dia em que apanhou da polícia. Foi reprimida depois de chegar chorando e pedindo para não baterem no filho, que estava sendo revistado. Eles se irritaram com a cena e pediram a ela que os levasse em casa para ver se não havia drogas. O filho foi junto, sob tapas e socos. Na confusão, ela acabou levando uma cabeçada do filho agredido pelos policiais. Ficou com o olho roxo. “Hoje eu só sinto ódio”, diz o filho de Solange.

COMPENSADO DE MADEIRA

O ajudante geral Luiz Claudio Carlos, de 23 anos, estava na viela perto de casa sem documentos quando foi abordado por três policiais. Sem poder provar quem era, foi esculachado. Os policiais pegaram um compensado de madeira, jogaram em cima dele e começaram a pular em cima. Perguntavam sobre drogas e davam tapas no seu rosto. A alguns metros de distância, um menino jogava bolinhas de gude. Uma delas desceu em direção ao local onde ocorria a sessão de tortura. O policial perguntou o que menino queria e começou a estapeá-lo. O garoto apanhou sem dizer nada. Quando foi liberado, disse ao policial: “Muito obrigado.” O soldado ficou irritado e voltou a agredir o menino.

RODÍZIO PARA BATER

Sílvio de Moraes Pereira, de 21 anos, quer ser tatuador. Tem piercings, sobrancelhas cortadas e tatuagens. Fez estágio na Galeria do Rock. Andava pela viela às 8 horas da manhã quando foi abordado e obrigado a tirar a roupa e ficar de cueca. Sentou em cima da mão e o acusaram de trabalhar no tráfico. Ele negou a ligação. Os seis homens perguntaram se ele teria coragem de levá-los à sua casa. Pereira topou. Jogaram o jovem em cima da cama e ele apanhou em rodízio: um dava socos na cara, outros nos rins e todos chutaram ao mesmo tempo com coturnos de bico de ferro, quando ele caiu no chão. Com medo de novas represálias, acabou se mudando.

CABEÇA DE MENINO

José Maria Lacerda, de 54 anos, coordenador da União de Defesa dos Moradores, revoltou-se com a prisão de William, que é deficiente mental. “Tem corpo de homem, mas cabeça de menino”, explica . Em um sábado de março, policiais viram a porta da casa do jovem aberta e a invadiram, enquanto William dormia. Ele apanhou, tomou um soco na boca e foi levado como traficante e até hoje se encontra preso no CDP de Osasco. Lacerda decidiu brigar em defesa do rapaz, que trabalhava como ajudante de carretos. Pediu ao amigo e advogado Gilberto Tejo Figueiredo, que atua na associação em processos imobiliários de usucapião, para defender William. “As testemunhas sempre são apenas os policiais que efetuam a prisão. Nunca levam os moradores que presenciaram a cena. É uma covardia”, diz Figueiredo. Mineiro, há tempos na luta por moradias, Lacerda é daqueles que preferem evitar conversas sobre crime, como se não fosse assunto de pessoa correta. Mas observa que os moradores de Paraisópolis estão sendo estigmatizados e ganharam na cidade a pecha de ladrões. “Para conseguir emprego precisamos evitar dizer o nome do bairro em que moramos”, diz.

OUTROS OLHOS PARA O MUNDO

Extrovertida, vaidosa, unhas pintadas de vermelho, a cabeleireira Aurenice Soares dos Santos sempre gostou de policiais. Na última eleição, fez campanha para Gilberto Kassab. “O Kassab é um homem lindo!”, diz. Passou a enxergar o mundo com outros olhos em uma manhã de março. Na viela onde mora, quatro casas foram invadidas. O marido estava no andar de cima do sobrado, com a máquina de lavar ligada. Um grupo de 11 policiais chegou ordenando que ela abrisse a casa. Nervosa, disse que não conseguia encontrar a chave. Os policiais quebraram a janelinha da porta, colocaram a cabeça para dentro e tentaram forçar a entrada. Aurenice aguardou calada. Os policiais desistiram quando parte do grupo começou a entrar na casa de baixo. No vizinho, a polícia abriu a janela com um soco, assustando as duas irmãs de 16 e 17 anos que estavam de pijama e acordaram com o barulho. Ela ouviu o choro do outro irmão, de 3 anos, com deficiência nas pernas. Viu o filho da vizinha ser humilhado e obrigado a se sentar em cima de uma poça d?água. Enquanto a operação durou, Aurenice evitou sair de casa. Permanece em depressão e toma diazepam, clonazepan, Tofranil e Diurex.

IZAQUE CIRIACO MARTINS

Izaque Ciriaco Martins, de 26 anos, trabalha como copeiro em uma churrascaria do Morumbi e chega todo dia em casa após a 1 hora da manhã. Cansou de ser revistado nas operações da polícia. Foram pelo menos cinco vezes em que era tratado como bandido por viver em Paraisópolis. Em certas madrugadas, teve de dar longas caminhadas a pé para chegar em casa porque o caminho mais curto estava bloqueado pela polícia.

A POSIÇÃO DA POLÍCIA

O capitão Emerson Massera, da Seção de Comunicação Social da PM diz: “A presença de criminosos na comunidade exigiu uma pronta ação, que culminou na estratégia de ocupação, objetivando criar um clima de segurança às pessoas de bem. E foi o que efetivamente ocorreu! Duas denúncias chegaram a ser feitas formalmente.” E completa: “Restou provado que não houve abuso ou agressão.”

18/05/2009 - 13:00h Ou São Paulo está nas mãos do crime organizado ou as autoridades são incompetentes. Ou as duas coisas

Faz um certo tempo pipocam nos jornais matérias que atribuem à ação de criminosos as dificuldades encontradas pelos governantes de São Paulo para responder convenientemente às reclamações da população.

Hoje no Estadão, a justificativa para deixar ruas sem luz na periferia é à ação de criminosos. O outro dia, a manifestação de moradores de uma favela foi ação do PCC. A não construção das moradias previstas no Jardim Edite? o mesmo responsável.

Em todos estes casos e outros, como na escola que sofreu intervenção da polícia, o mesmo argumento se repete.

A tese que tudo isto é ação da criminalidade é transmitida pelas autoridades para os jornais. Quando a população é interrogada pelos jornalistas, a informação é outra.

Difícil saber onde está a verdade. O descaso dos governos de São Paulo, estadual e municipal, com as necessidades dos mais pobres não significa que o crime organizado não esteja efetivamente por trás de todos esses problemas. O descaso das mesmas autoridades para com a segurança, explicaria este fato.

Ou é só pretexto para justificar a incompetência e o abandono da periferia?

Em ambos os casos, a responsabilidade da gestão Serra – Kassab fica em evidência, mas o jogo de esconde-esconde permite de preservar as apariencias. LF

Para moradores, ameaças de bandidos são desculpa para atraso e preconceito

Camilla Haddad – O Estado SP

Na Rua Padre Francisco de Moura Roli, em Artur Alvim, zona leste, moradores contestam a informação do Departamento de Iluminação Pública (Ilume) de que técnicos teriam sido impedidos por criminosos na primeira tentativa de trocar as lâmpadas da rua. Para eles, o envolvimento de bandidos seria uma “desculpa” para a demora do órgão em devolver luz à via. “Que eu saiba, é desculpa da empresa para justificar a demora no atendimento. Ficamos três meses sem enxergar o chão”, diz uma moradora, que pediu anonimato.

Rafael Jesus Santos foi um dos primeiros que reclamaram das lâmpadas quebradas da rua. Foi ele quem recebeu do Ilume a resposta de que técnicos não iam ao local por causa de “maus elementos” que impediam os reparos. “A luz voltou no dia 3, mas com muito custo.”

Segundo a dona de casa Josefa dos Santos, que vive na Rua Padre Francisco há 30 anos, mais de cinco postes estavam sem lâmpadas. Apesar de dizer que o local é tranquilo, ela diz que tinha medo da escuridão. “Meu marido voltava muito tarde e dava preocupação”, afirma a moradora.

Ao lado dela, um grupo de vizinhos jogava baralho e tomava cerveja na segunda-feira passada, por volta das 15 horas. “Não sabemos de violência aqui. Nessa região não tem”, garantiu um dos rapazes, Pedro Luiz. Segundo ele, já as lâmpadas queimam com frequência na rua.

Para o pedreiro Aluísio Soares, em São Paulo, todas as ruas e bairros representam perigo à noite. “Isso é preconceito dos técnicos com o pessoal da periferia. A demora para trocar as lâmpadas sempre rende desculpa diferente. Nós já estamos acostumados”, ironizou.

Traficantes impedem prefeitura de iluminar ruas de São Paulo

Em alguns locais das zonas norte e leste, funcionários só trocam lâmpadas com escolta da Polícia Militar

Camilla Haddad – O Estado SP

Traficantes de drogas têm impedido a restauração da iluminação pública em ruas da cidade de São Paulo. A fim de manterem as vias às escuras, bandidos proíbem a troca de lâmpadas e o conserto de transformadores, entre outros serviços, segundo o Departamento de Iluminação Pública (Ilume). Para trabalhar, os funcionários do órgão têm recebido escolta da Polícia Militar ou da Guarda Civil Metropolitana. Quem ousa realizar a manutenção sozinho sofre ameaças e abandona a atividade.

Ocorrências do tipo foram registradas em pelo menos sete ruas da capital, a maioria nas zonas leste e norte. O caso mais recente de represália aconteceu na Rua Padre Francisco de Moura Roli, em Artur Alvim, na zona leste. A via ficou sem iluminação por dois meses, depois de todas as lâmpadas queimarem. O serviço de troca dos equipamentos foi realizado no dia 3, quando técnicos do Ilume trabalharam escoltados por PMs. Antes disso, os moradores da rua só tinham a lamentar pela demora do serviço. Para eles, o medo do tráfico é uma desculpa.

Assim que a reclamação foi registrada, funcionários do Ilume visitaram o local. A resolução do problema, por sua vez, foi adiada. Na ocasião, o departamento alegou aos moradores que a equipe responsável pela manutenção foi expulsa sob a ameaça de “maus elementos”. Após essa justificativa para a não realização do serviço, os moradores continuaram a apelar até que os técnicos voltaram ao local. A PM confirmou que recebe chamados do Ilume pelo telefone 190.

Por questão de segurança, empresas que prestam serviço ao Ilume não comentaram o caso. O Ilume informou apenas que os técnicos normalmente saem às ruas em dupla. Eles utilizam caminhonetes ou caminhões para casos de reparos maiores, como a troca de um transformador. O trabalho, muitas vezes arriscado, é realizado durante as 24 horas do dia.

No total, são 47 equipes, que atuam distribuídas em seis áreas e cobrem toda a cidade, incluindo os túneis, que também sofrem com a ação de vândalos que furtam os fios de cobre nas madrugadas. Também procurada, a Eletropaulo não quis manifestar-se sobre o assunto. Um técnico da empresa, flagrado na rua pela reportagem, contou que colegas já foram impedidos por bandidos de entrar com caminhão de trabalho em bairros da cidade.

O sistema de iluminação pública da cidade é o maior do mundo, segundo a Prefeitura. São 560 mil pontos de luz, distribuídos por 17 mil quilômetros de rede – o equivalente ao trajeto entre o Brasil e o Japão. Cerca de 300 lâmpadas da iluminação pública queimam diariamente por causa do término de sua vida útil, ação do tempo ou vandalismo.

RECLAMAÇÕES

Para reclamações sobre o serviço prestado pelo Ilume ou pedidos de troca de lâmpadas queimadas, os moradores devem ligar para o Ligue-Luz, no telefone 0800-7220156. Esse mesmo número registra sugestões e oferece informações sobre iluminação pública.

Só em abril, de acordo com o Ilume, foram registrados 800 pedidos de reparos por dia. O prazo de atendimento é de quatro dias para a troca de lâmpadas. No caso de substituição de um transformador, a demora é maior – de dez a 15 dias. Para pedidos de instalação de iluminação pública, a orientação é procurar a subprefeitura.


NÚMEROS

560 mil pontos de
luz estão instalados na cidade de São Paulo

17 mil quilômetros é o
tamanho da rede de energia elétrica, distância equivalente ao trajeto entre Brasil e Japão

800 pedidos de reparo por dia foram feitos ao
Departamento de Iluminação Pública, da Prefeitura, em abril

300 lâmpadas
de rua queimam diariamente na capital por causa do
término de sua vida útil, ação do tempo ou vandalismo

03/05/2009 - 12:00h Não teve destaque na mídia, mas a população sabe da insegurança no Estado SP

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“NA QUINTA-FEIRA , foi divulgada oficialmente a pior notícia de toda a gestão Serra: o aumento de roubos e mortes em São Paulo, interrompendo uma queda de vários anos -o indicador de homicídios diminuía desde 1999. Os roubos bateram, agora, um recorde: crescimento de 19% nos três primeiros meses deste ano, em comparação com o mesmo período de 2008.”

Assim começa Gilberto Dimenstein sua coluna na Folha hoje. Para o jornal AGORA, que dedica ao assunto seu editorial, “São preocupantes os últimos números divulgados para a violência no Estado de São Paulo. Como o Agora noticiou, os roubos, latrocínios e estupros na capital aumentaram no primeiro trimestre de 2009. Como é o segundo trimestre seguido de dados ruins, fica claro que a tendência é negativa.”

Como já tinha noticiado o Diário de São Paulo e O Globo, São Paulo registra um arrastão a prédio a cada 15 dias.

Hoje, a Folha de São Paulo dedica o editorial a este assunto com um alerta na segurança: “COM DOIS trimestres seguidos de evidência, confirma-se inflexão preocupante na segurança pública do Estado de São Paulo. No final de 2008 e no início deste ano, parou de cair e voltou a aumentar a ocorrência de homicídios dolosos, depois de uma queda firme e contínua ao longo de sete anos.
Soma-se a isso o avanço no número de roubos e estupros e se terá um quadro que justifica o alerta das autoridades. Já sobre os latrocínios, ora em alta, e os roubos a bancos, em queda, não se podem tirar conclusões peremptórias, dado o baixo número dessas ocorrências, o que favorece bruscas variações.”
(Folha SP 3/5/2009)

Ao mesmo tempo em que aumenta a insegurança no Estado, o governo Serra procede a instalação de presídios, na base de critérios estabelecidos e conhecidos só por eles sem qualquer consulta aos prefeitos das cidades escolhidas e sem qualquer contrapartida para enfrentar os desdobramentos destas implantações.

Ou seja a política de segurança no Estado é errática, os índices da criminalidade (mesmo com as “maquiagens” das estatísticas estaduais) aumentam e nenhum debate sobre o assunto é promovido pelo governo estadual, que prefere evitar os holofotes sobre o assunto.

A substituição dos Secretários, por conta das acusações de corrupção, não consegue ocultar um certo descontrole nesta área sensível.

A sobriedade necessária no tratamento destes assuntos, não deveria ser sinônimo de encobrimento da perigosa situação da segurança pública no Estado de São Paulo. LF

14/02/2009 - 15:41h É intolerável!

Jogo simula estupro e aborto de mulher e filhas

Blog Page not found de  Fernando Moreira

 

Rapelay

Os criadores garantem que é apenas diversão. Para mim, um terrível equívoco. A produtora japonesa Illusion lançou um jogo em que o objetivo é estuprar uma mulher e suas duas jovens filhas em uma estação de metrô. E não fica só nisso. Depois do ataque sexual, o jogador tem que fazer com que as suas vítimas abortem. O nome do game bizarro é “Rapelay”.

Se o jogador não conseguir que as suas vítimas abortem ele perde e o seu personagem é jogado na linha do metrô. O game permite que vários jogadores “brinquem” ao mesmo tempo contra apenas uma mulher.

Inicialmente restrito ao mercado japonês, onde foi lançado em 2006, o jogo começou a chegar ao Ocidente em versões piratas ou por sites de venda. A Amazon, que chegou a vender o “Rapelay”, tirou o game das suas prateleiras.

Estupro e aborto viraram brincadeira?

11/02/2009 - 12:05h O aumento dos assassinatos nos roubos

O JT dedica seu editorial ao aumento dos latrocínios no Estado de São Paulo. Apesar do esforço que o jornal faz para diminuir o fato e defender a politica de segurança do governo estadual, os dados são claros: os roubos seguidos de morte aumentaram na capital 64% em relação a 2007. O editorial destaca que os números absolutos dos latrocínios são pequenos, mas oculta quais são os números absolutos dos sequestros quando reivindica que diminuíram em 40%. É aquela história, o que é ruim para os tucanos a gente esconde e o que é bom, mostra.

O que é grave na questão do aumento dos roubos seguidos de morte é que são eles, junto com outras modalidades de crimes, os que requerem presença e ação da polícia para coibir e reprimir, assim como do trabalho de inteligência e prevenção para desmantelar as quadrilhas.

Os homicídios, na maioria dos casos, são produto de brigas familiares, incidentes entre vizinhos ou produto de altercações em bares. A diminuição dos homicídios é uma boa notícia e nesses dados é que se expressa com maior força o resultado do emprego e dos projetos sociais, na redução desse índices que pouco devem a ação estritamente policial. Não se trata de desmerecer os esforços nesse sentido das autoridades, pois a redução dos homicídios é também fruto da ação pelo desarmamento, da luta contra o tráfico de drogas, do combate ao alcoolismo e indiretamente da luta contra a criminalidade em geral.

Mas o que deve provocar um alerta de toda a sociedade e do poder público é esse aumento dos assassinatos ligados ao roubo, ou seja a ação organizada de profissionais do crime. Mais ainda que, como já foi denunciado pelos jornais, os BO nas delegacias teriam sofrido algumas formas de maquiagem visando a obter boas notas… nas estatísticas. O aumento de 64% no latrocínio, em apenas um ano, exige uma reação dos governos estadual e municipal que não seja limitada a uma melhor leitura estatística dos BO e sim ao policiamento, a inteligência policial e a repressão.

Desse ponto de vista é de lamentar que muitas das bases comunitárias na capital tenham sido desmanteladas, que a Guarda Civil Metropolitana esteja sucateada (leiam embaixo, após o editorial do JT, o artigo de hoje do jornal AGORA sobre a GCM) e dedicada a combater ambulantes e que a segurança das escolas seja “terceirizada”. LF

Editorial do JT

O aumento dos latrocínios

O crescimento do número de latrocínios (roubos seguidos de morte) na capital é sem dúvida preocupante, mas ele deve ser considerado dentro do contexto mais amplo dos vários tipos de crime, a maior parte dos quais vem diminuindo de forma sensível e consistente nos últimos anos.

O aumento no ano passado – como mostrou reportagem de Josmar Jozino, publicada pelo Jornal da Tarde – foi de 64% em relação a 2007, um salto de 42 para 69 ocorrências. Foram 15 latrocínios no primeiro trimestre de 2008, 14 no segundo, 22 no terceiro e 18 no quarto. No ano anterior, registraram-se 8 casos no primeiro trimestre, 8 no segundo, 11 no terceiro e 15 no quarto. O primeiro sinal de alarma com relação a esse tipo de crime foi dado em novembro do ano passado, quando a Secretaria da Segurança Pública apresentou dados mostrando que ele havia aumentado 88% nos nove primeiros meses de 2008 em relação a igual período de 2007.

É preciso observar em primeiro lugar, como diz o coronel da reserva da PM José Vicente da Silva, que em números absolutos o aumento é pequeno, acrescentando que para se ter uma ideia mais precisa sobre a tendência de crescimento em caso como esse é preciso uma perspectiva de cinco anos. Outro especialista na questão, o presidente do Instituto Sou da Paz, Denis Mizne, também chama a atenção para o fato de o número absoluto ser pequeno. Para ele, embora o aumento dos casos de latrocínio seja motivo de preocupação, é preciso levar em conta a redução dos índices de criminalidade nos últimos anos, com destaque para os homicídios, que caíram 70% entre 1999 e 2008.

Progressos foram obtidos também no caso dos sequestros com uso de cativeiro e pedido de resgate à família da vítima, um dos crimes que mais colaboraram para semear o medo e a insegurança na população da capital. Entre os crimes violentos, a queda mais significativa foi a dos sequestros, superando até mesmo a dos homicídios, porque ocorreu em espaço de tempo bem menor. Entre 2007 e 2008, a redução foi de 40%. No ano passado, em apenas um de cada quatro sequestros houve pagamento de resgate. Segundo estatísticas da Polícia, houve ainda avanço significativo na repressão a desmanches de carros roubados e na luta contra o contrabando e a falsificação.

Tudo indica, portanto, que pelo menos até agora o aumento dos latrocínios é um fato isolado. E, como diz Denis Mizne, um mapeamento das áreas de maior incidência, para promover melhor distribuição dos efetivos policiais, assim como um reforço de outras medidas já adotadas para prevenir com êxito os homicídios, podem produzir bons resultados. Já se sabe, por exemplo, como apurou o Jornal da Tarde, que é a zona sul que lidera os casos de latrocínio.

Falta de combustível deixa guardas a pé em São Paulo

Adriana Ferraz do Agora

Carros da Guarda Civil Metropolitana e de setores administrativos da Prefeitura de São Paulo estão parados por falta de combustível. Há uma semana, as bombas do posto de abastecimento da Mooca, que atende a frota da área central, estão sem gasolina. Desde sábado, também falta diesel e, segundo funcionários, o álcool acaba hoje.

Com o racionamento, muitos guardas-civis têm de fazer o patrulhamento a pé. A fiscalização dos camelôs do centro também não tem sido feita. Hoje, com a volta às aulas na rede municipal, a ronda escolar pode ser prejudicada.

O governo Gilberto Kassab (DEM) diz que houve um problema na gestão das cotas de combustível, mas não detalhou qual é a falha.

Ontem, na região central, não havia carros na praça do Patriarca, no viaduto do Chá nem na praça da Sé. O único veículo visto pela reportagem na área estava em frente à prefeitura. O guarda que trabalhava no local afirmou que estava sem retaguarda e que o tanque só estava cheio porque o carro fica parado.

A prefeitura não disse exatamente quantos carros são afetados. O Sindicato dos Guardas Civis Metropolitanos de São Paulo calcula que sejam 120 veículos e 300 guardas atingidos -a grande maioria no centro.

O restante atua na Mooca e na Vila Prudente, onde o posto de abastecimento reduziu a cota para economizar. São liberados 20 litros diários por carro. Antes, eram 30.

“Não temos falta de gasolina desde 1999, quando o prefeito era o [Celso] Pitta. O problema afeta diretamente a população, que fica sem atendimento completo, e também os guardas, que ficam sem segurança nas ruas”, disse o presidente do sindicato, Carlos Augusto Souza.

A diretoria da entidade diz ter avisado a gestão Kassab no final do ano passado, quando a cota foi alterada. “Eles não fizeram nada. No setor de fiscalização do comércio irregular [na Sé], contei mais de 40 carros sem uso”, diz uma guarda-civil que não quis se identificar por temer represálias. Os veículos só podem rodar até atingirem 1/4 do tanque; aí seguem para a Mooca, para o reabastecimento.

O Agora esteve ontem no setor de fiscalização e flagrou o pátio lotado, às 16h. Até os ônibus de transporte de guardas estavam parados, além de uma base móvel da GCM.

Cerca de três horas depois, parte dos carros seguiu, em comboio, para o posto da Barra Funda (zona oeste de SP), que emprestou 4.000 litros para amenizar o problema.

No final da tarde, um aviso passado pelo rádio avisava que o patrulhamento de hoje poderia enfrentar novas dificuldades. A notícia era de que o álcool acabaria até o meio-dia no posto da Mooca, deixando a frota flex -que representa 30% do total- também sem função.

03/02/2009 - 13:32h Popularidade de Lula bate recorde. Dilma cresce e Serra e Aécio caem

Pesquisa

Aprovação a Lula bate novo recorde e chega a 84%, diz CNT/Sensus

Rodrigo Vizeu – O Globo

BRASÍLIA – Em meio à crise financeira internacional, a aprovação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu para 84% e bateu novo recorde em janeiro, segundo pesquisa do Instituto Sensus divulgada nesta terça-feira pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). Na pesquisa anterior , realizada em dezembro, o índice de aprovação ao presidente era de 80,3%. No mesmo período, o índice de desaprovação caiu de 15,2% para 12,2%.


De acordo com a pesquisa, a avaliação positiva do governo também bateu mais um recorde, chegando a 72,5% em janeiro. O índice de “ótimo ou bom” supera os 71,1%, registrados em dezembro. A avaliação regular oscilou de 21,6% para 21,7% em janeiro, enquanto a negativa (”ruim ou péssima”) caiu de 6,4% para 5%.

Em queda, Serra e Aécio mantêm liderança para 2010. Dilma cresceO levantamento mostra ainda que tanto o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), quanto o de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), sofreram queda nas intenções de voto para as eleições presidenciais de 2010 . Por outro lado, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, preferida do presidente Lula para a sucessão pelo PT, teve crescimento na pesquisa.

Pode ter sido causado por divergências internas dentro do PSDB, elas não favorecem o partido


O pesquisador do Instituto Sensus Ricardo Guedes aponta as divergências internas no PSDB para definir o candidato de 2010 como uma das razões para a piora do desempenho dos governadores:

- Pode ter sido causado por divergências internas dentro do PSDB, elas não favorecem o partido – disse Guedes.

População espera aumento de renda e emprego, apesar da crise

Diante da crise financeira, mais da metade da população acredita que o emprego e a renda vão melhorar nos próximos seis meses. Segundo a pesquisa, 51,1% dos entrevistados afirmaram em janeiro que o emprego vai melhorar, índice superior ao divulgado em dezembro, quando 47,3% diziam o mesmo. Outros 21,7% afirmaram que o emprego vai continuar igual, contra 20,3% que preveem piora.

O presidente Lula é a âncora da esperança. O povo acredita em Lula e nas medidas do governo contra a crise


Quanto à renda, 51,7% acham que ela vai melhorar nos próximos seis meses, contra 31,4% que não preveem mudança e 11,1% que apostam em redução. O pesquisador Ricardo Guedes associa a esperança da população à alta popularidade do presidente Lula:

- O presidente Lula é a âncora da esperança. O povo acredita em Lula e nas medidas do governo contra a crise. O cidadão percebe o desemprego, mas acredita que as medidas anunciadas por Lula vão funcionar – afirmou o analista.

O presidente da CNT, Clésio Andrade, faz, no entanto, um alerta:

- Mas isso não se sustenta se a crise continuar. Não tem como sustentar essa popularidade em cima de uma crise.

Mais de 70% acham que Obama será bom para o Brasil e para o mundo

O levantamento mostrou que 76,6% da população brasileira considera o novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, positivo para o mundo, enquanto 72,8% o consideram bom para o Brasil. De acordo com a pesquisa, 56,4% dos entrevistados afirmam que o democrata vai resolver os problemas políticos dos EUA, enquanto 24,5% afirmam que talvez ela resolva, contra 6,6% que acham que ele não o fará.

O otimismo se mantém quanto à economia americana: 56,4% dos entrevistados acham que Obama vai resolver a crise financeira do país, contra 26,9% que consideram que talvez ele resolva e 5,5% que descartam a possibilidade. O levantamento mostrou que 79,8% da população brasileira viu pela imprensa, pelo menos em parte, a posse do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, contra 18,4% que não o fizeram.

Para 71,4%, violência e criminalidade estão fora do controle

A pesquisa mostrou também que o percentual da população que acha que a violência e a criminalidade no país estão fora do controle caiu, mas continua sendo majoritário: 71,4% dos entrevistados acham que a situação foge do controle, contra 76,1% do registrado em junho de 2007, última vez que o questionamento foi feito. Outros 23,2% consideram que a violência e o crime estão razoavelmente controlados, contra 18,7% em 2007. Apenas 4% acham que eles estão bastante controlados. Há um ano e meio, 3,7% diziam o mesmo.

Entre as formas de violência consideradas mais ameaçadoras, 37,3% citam o tráfico de drogas, seguido de 31,7% que lembram de assalto em casa ou na rua. Em seguida aparecem estupro (10,2%), briga em locais públicos (8%) e violência na família (5,9%).

População culpa madeireiras por desmatamento da Amazônia

A pesquisa mostrou ainda que quase metade da população – 49,9% – tem acompanhado o desmatamento da Amazônia, contra 38,9% que apenas ouviram falar e 8,9% que nem têm acompanhado nem ouviram falar. Os entrevistados culparam as madeireiras como principal responsável pelo problema, com 40%, das citações. Em seguida aparecem o governo brasileiro (16,7%), as empresas estabelecidas na região (10,8%), os governantes e políticos locais (10,8%) e a população local (8,3%). Por último aparecem as ONGs (1,4%), os índios (1,5%) e os países estrangeiros (2,5%).

Para 27%, as ONGs são as que mais trabalham pela preservação da região. Depois aparecem os índios (22,5%), o governo brasileiro (16,7%) e a população local (9,4%).

Para 70,9% dos entrevistados, o Brasil deve preservar a Amazônia, mas sob regras nacionais. 10,9% creem que o país devem fazer o mesmo, mas seguindo diretrizes internacionais. Apenas 5,9% acham que o Brasil pode fazer o que quiser com a floresta, mas menos ainda defendem que ela deve ser internacionalizada (2,3%).

A pesquisa foi realizada entre 26 a 30 de janeiro em 136 municípios de 24 estados do país. Foram entrevistados 2 mil eleitores, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.

31/01/2009 - 11:23h Cresce nº de estupros no Estado. Roubo seguido de morte teve aumento de 21% em 2008

http://3.bp.blogspot.com/_KVtk_JkprN8/R_QQuV2HSQI/AAAAAAAAAUQ/D0Cq10SXMJc/s320/Armado%2Bdiante%2Blatrocinio%2BL%C3%BAcio%2BT%C3%A1vora%2BAT.JPG

Cresce nº de estupros no Estado

Roubo seguido de morte teve aumento de 21% em 2008, segundo Secretaria da Segurança

Fernanda Aranda e Camilla Haddad – O Estado SP

O estupro está na lista dos três crimes que mais cresceram no Estado de São Paulo em 2008. Foram 3.387 casos ante 3.223 no ano anterior, um acréscimo de 5%. Os dados foram divulgados ontem pela Secretaria da Segurança Pública (SSP). A violência sexual só perde em aumento para o latrocínio – roubo seguido de morte -, crime que subiu 21% em igual período (veja mais no quadro ao lado).

Para o capitão e assistente militar da Coordenadoria de Assistência e Planejamento (CAP), Márcio da Silva, os estupros são mais difíceis de combater por serem comuns em residências. “É um crime que acontece em ambiente familiar e não depende tanto da segurança pública”, diz. O oficial observou que a Lei Maria da Penha fez com que as vítimas passassem a comunicar as agressões. “A lei estimulou as mulheres a denunciar.”

As pesquisas científicas sobre estupro endossam que os autores das agressões, no geral, conhecem as vítimas. E apesar da SSP não separar os registros por faixa etária nem por bairro, os estudos mostram que são as crianças o alvo preferencial deste tipo de criminoso.

No Hospital Pérola Byington, no centro de São Paulo – referência nacional para atendimento de violentados -, meninas entre 0 e 11 anos são maioria entre os atendidos. Um perfil realizado com 1.926 pacientes recebidos em 2007 mostrou que, antes de completar o 12º aniversário, elas respondem por 43% dos casos.

Levantamento semelhante feito pelo Ministério da Saúde com base em registros de atendimento em hospitais públicos de 27 municípios do País também constatou que a violência sexual é predominante entre os meninos e meninas que dão entrada nas unidades vítimas de maus-tratos. Em 2007, 4.309 prontuários foram analisados e a proporção de estupro foi de 43,7% dos casos. Na parcela acima de 10 anos, o índice chegou a 56,3%.

O capitão Silva justificou que, em comparação com outros anos, o crime de estupro vem caindo. Segundo ele, a taxa de queda em 1999 foi de 28,7% e de 3,2% em 2006.

LATROCÍNIO

Reportagem na quinta-feira mostrou, com exclusividade, que o latrocínio (roubo seguido de morte), crime hediondo, aumentou 64% na capital no ano passado, em relação a 2007. Para o delegado-geral adjunto da Polícia Civil, Paulo Bicudo, o crime, na maioria das vezes, ocorre porque a vítima esboça alguma tipo de reação. “No latrocínio não é intenção do bandido provocar a morte, é um roubo que não deu certo”, diz. Segundo o delegado, a arma no bandido está cada vez mais sofisticada por se tratar de peças automáticas que são disparadas com mais facilidade.

Ele diz que o porcentual de esclarecimento desses crimes cresceu 47,2% em 2008 em relação ao ano anterior. A polícia, que pede para as pessoas nunca reagirem ao assalto, não divulga os bairros com maior índice de latrocínio nem o perfil das vítimas. Em 2008, foram registradas 69 ocorrências desse tipo de crime na capital, ante 42 no ano anterior. No total, foram 69 ocorrências – em 2007, foram 42. Em todo o Estado, o número foi de 267 no ano passado e 218 em 2007.

Houve redução na ocorrência de outros crimes

Os dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) mostram que houve redução na soma dos outros crimes durante o comparativo com os anos de 2007 e 2008 por 100 mil habitantes.

A maior queda foi a de roubo de carros: 13,41%, seguido por lesão corporal com intenção, 12,5%. As tentativas de homicídio caíram 11,57% e lesão corporal sem intenção, 6,07%. Furtos de carros foram reduzidos em 7,52%, enquanto furto caiu 7,46%. Homicídio sem intenção caiu 10,05% e com intenção, 3,63%. Roubos a banco reduziram em 1,05% e roubo, 0,06%.

A SSP informou que a redução nos índices de criminalidade se deve ao trabalho conjunto das polícias civil e militar. Entre as atribuições para a queda a pasta destacou ainda o reforço do policiamento feito com a Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicleta (Rocam) e também o policiamento de trânsito, realizado pelo 34.º Batalhão da Polícia Militar. Policiais ficam em viaturas nos cruzamentos considerados perigosos da cidade. Outros cruzamentos recebem a visita frequente de viaturas que fazem ronda de dia e de noite. Os endereços desses locais não são informados por questão estratégicas.

15/12/2008 - 15:49h “Se eu me calasse, seria omissa”

Mãe de vítima ajudou a prender militar, 1.º indiciado por nova lei

 

Pedro Dantas, RIO – O Estado SP

 


Há menos de um mês, a perita civil Fátima Freire, de 45 anos, foi a primeira mãe a romper o silêncio e denunciar à polícia do Rio o assédio de um pedófilo pela internet. A vítima era sua filha V. , de 12 anos, chantageada durante cinco meses por um terceiro-sargento da reserva da Marinha, que acabou preso. Agora, Fátima conta o drama que ela e V. viveram e defende que a luta contra a pedofilia não deve ser uma “guerra envergonhada”. Ela planeja fazer um site para ajudar vítimas e pais que sofrem em silêncio. “Os pais devem sair detrás da cortina. Imagina o número de meninas passando o mesmo que a minha filha e não contam às mães”, afirma.

A filha de Fátima começou a ser assediada em julho, quando passava férias no Recife. No site de relacionamentos Orkut, o militar Francisco Luís Dias, de 49 anos, morador de São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, clonou o perfil de uma colega de escola da menina e a adicionou como amiga. A vítima aceitou e logo o criminoso teve acesso a dezenas de fotos de V. e informações sobre a sua vida.

Sempre se passando pela colega, o militar passou a falar com a menina em um programa de conversa instantânea. V. ligou a webcam sem saber que era gravada. A imagem foi editada em um filme como se a menina aparecesse nua. A falsa amiga virtual começou a chantageá-la. Mostraria o filme aos colegas, caso ela não aceitasse um encontro com um “amigo”.

O tormento durou cinco meses. Em troca da não divulgação do vídeo, a falsa colega pedia que V. mostrasse o corpo. Como recusou o encontro com o militar, o pedófilo divulgou o vídeo para os colegas de V.

Em seguida, diante de novas recusas da vítima, o militar clonou o perfil de V. e se passou por ela para enviar filmes amadores pornográficos em que ele fazia sexo com outras crianças para os amigos da escola da garota. Sob a falsa identidade, ele dizia que os vídeos eram protagonizados por V. A menina começou a ser hostilizada no colégio e entrou em depressão.

Sem saída, no dia 1º de novembro, ela contou tudo para a mãe. “Eu percebia que tinha algo errado. Ela passou a faltar às aulas, tinha febre sem estar doente, mas não falava o que era. Resolvi não pressionar e ela contou tudo, até que mesmo que não agüentava mais e queria se matar”, conta Fátima.

A mãe entrou em ação rapidamente. Procurou a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) e os policiais a orientaram a manter conversas com o pedófilo até marcar um encontro. “O constrangimento de ficar ao lado da minha filha por até três horas, durante quase um mês, vendo obscenidades, foi o sacrifício para livrá-la dessa situação. A pedofilia matou o sonho de ver o sexo entrar na vida da minha filha de forma natural e orientá-la sobre o tema. Hoje, aos 12 anos, ela faz tratamento psicológico e mudou de escola. Não sei por quanto tempo essa sombra estará sobre ela”, lamenta a mãe.

O conteúdo das conversas é impublicável. “Ele se excitava toda vez que ameaçava minha filha. Usava gírias de adolescentes e assumia várias identidades. No fim, se revelou como homem, ligava a câmera, mas só mostrava o sexo e se masturbava. No entanto, notei que o relógio era o mesmo usado pelo homem nos vídeos com outras crianças”, conta a mãe. O militar da reserva Francisco Luis Dias, de 49 anos, foi preso no dia 28 de novembro ao ir ao encontro da menina no estacionamento de um supermercado em Nova Iguaçu, armado com uma pistola PT 380, munição e um laptop com vários vídeos pornográficos amadores.

O militar foi o primeiro brasileiro indiciado na nova lei contra a pedofilia na internet, que pune o armazenamento de imagens pornográficas, criminaliza as fotomontagens com crianças e o assédio ou a incitação de adolescentes à auto-exibição. As punições variam de um a oito anos de prisão, além de multa. No caso de Dias, se condenado, a pena será aumentada em um terço, pois ele é pai de um menino de 6 anos e de uma adolescente de 16.

O drama da filha fez Fátima encarar novamente o pesadelo que enfrentou na infância. Ela diz que foi abusada aos 5 anos por um parente que passou as férias na casa de seus pais. Mais tarde, o abusador foi preso após engravidar a própria filha. “A primeira vez eu era uma criança e não tinha discernimento. Agora, com a minha filha, se me calasse, seria omissa”, avalia.

O delegado-titular da DRCI, Fernando Vila Pouca de Sousa, diz que o medo do julgamento alheio ou de estigmatizar socialmente a criança inibe a denúncia. Há cinco meses no comando do distrito, ele afirma que Fátima foi a primeira a denunciar o assédio. “Ela é uma exceção. As vítimas, pais de classe média e esclarecidos, deveriam buscar Justiça, mas não o fazem com medo de submeterem a filha a um prejulgamento”, afirma o delegado.

Fátima confirma que após denunciar sentiu como é ser julgada mesmo sendo vítima. “Algumas pessoas me perguntaram se a minha filha mostrou ou não o corpo. Não entendo a diferença, pois V. estava sendo chantageada por um adulto em uma luta desigual”, conta.

O mercado da pornografia infantil, de acordo com dados da CPI da Pedofilia, movimenta cerca de R$ 3 milhões por ano no País. Esse montante é gerado pela compra e venda de fotos de material pornográfico com crianças para Estados Unidos e Europa. O crime na internet desconhece fronteiras. Ao tentar identificar as outras vítimas do militar pedófilo, a polícia descobriu entre elas uma adolescente do interior paulista. “A pedofilia é um crime que entra em nossa casa, mesmo com as portas fechadas”, alerta Fátima.

ATENÇÃO, PAIS

Proibir não educa e não previne nada. As tecnologias mais
avançadas para proteger crianças e adolescentes continuam sendo diálogo e orientação

Coloque-se sempre à disposição para que as crianças peçam ajuda quando se sentirem ameaçadas ou receberem conteúdos impróprios online

Alerte os filhos para não divulgarem dados pessoais na internet, não aceitarem convites para encontros com amigos virtuais nem receberem arquivos de estranhos

Espionar e gravar o que os filhos fazem não são boas saídas. Você fere a privacidade e pode fragilizar a confiança

Ensine que não podemos acreditar em tudo nem em todos. A internet é território fértil para pessoas mal-intencionadas e mentirosas

Estabeleça regras e limites para o uso da internet, adequadas à idade da criança. Fixe um horário ou tempo limite de acesso, converse sobre os sites e serviços que ela pode ou não usar e
explique o motivo. Monitore o uso de salas de bate-papo e de comunicadores instantâneos

Mostre às crianças que a internet é apenas mais uma
opção de lazer e educação entre várias. A web não deve substituir opções de interação social realizadas fora do computador

Use os recursos que seu provedor de acesso puser ao seu dispor para bloquear o acesso a sites com conteúdo impróprio para seu filho. Você também pode utilizar programas de filtragem de conteúdo, disponíveis na internet

Fonte: SaferNet Brasil (prevencao@safernet.org.br)

COMBATE AO ABUSO

20/12/2007: Operação Carrossel

A Polícia Federal cumpriu 102 mandados de busca e apreensão de material pornográfico em residências e empresas de suspeitos de crimes sexuais contra crianças, em 14 Estados e no Distrito Federal. Foram detectados cerca de 3,8 mil acessos à material pornográfico infantil na internet. Três pessoas foram presas em flagrante, duas em São Paulo e uma em Fortaleza

25/3/2008: CPI

Senado instala a CPI da Pedofilia para propor projetos de lei para combater os crimes sexuais contra crianças e adolescentes no País

23/3/2008: Orkut

CPI da Pedofilia consegue quebra de sigilo de 3.261 usuários do Orkut, suspeitos de estimularem a pedofilia, com divulgação de material pornográfico com menores

2/7/2008: PF e Google

Polícia Federal e Google assinam o Termo de Ajustamento de Conduta para combater a pedofilia no site de relacionamentos Orkut

9/7/2008: Projeto

Em desdobramento dos trabalhos da CPI da Pedofilia, o Senado aprova projeto de lei que pune com mais rigor os crimes de pornografia infantil e pedofilia na internet. O projeto é encaminhado para votação na Câmara

3/9/2008: Carrossel 2

A Polícia Federal fez buscas e apreensões de material de pornografia infantil em 113 endereços de 17 Estados e do Distrito Federal, de onde o material era distribuído pela internet. O Estado campeão de mandados foi São Paulo, seguido pelo Rio Grande do Sul

11/11/2008: Câmara

Câmara aprova o projeto de lei, que foi, então, para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva

25/11/2008: Lei

O presidente Lula sanciona o projeto de lei que aumenta a punição e a abrangência de crimes de pedofilia na internet, durante o 3.º Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, no Rio

27/11/2008: Quebra de sigilo na internet

PF assina acordo com ONG SaferNet para ter acesso às denúncias de pedofilia na internet no www.denunciar.org.br; ação da PF faz varredura em 3.261 perfis no Orkut e identifica 117 pedófilos no País

29/11/2009: O 1.º indiciado pela nova lei

O militar da reserva da Marinha, Francisco Luís Dias, de 49 anos, foi o primeiro indiciado pela nova lei. Ele foi flagrado em encontro com uma menina de 12 anos que estava sendo chantageada para posar em fotos pornográficas

08/12/2008 - 11:44h Promotoria vai investigar gastos de gabinete

 http://www.sampaonline.com.br/reportagens/fotos/alckmin2002jun24florianopeitoxo01.jpg

Cheques usados para sacar dinheiro de verba de operações sigilosas também serão verificados

Marcelo Godoy – O Estado SP

A Promotoria de Justiça da Cidadania vai investigar os gastos com as verbas de operações policiais sigilosas na Secretaria da Segurança Pública. Os promotores querem saber os motivo de setores burocráticos da secretaria terem feito gastos com essas verbas e a razão de o dinheiro de operações ter sido usado para a compra de fuzis para a Polícia Civil, equipamentos para o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), da Polícia Militar, e até para a compra de CDs que foram gravados com dados de criminalidade e distribuídos para a imprensa.

“Esse caso deve ser distribuído para um promotor na terça-feira”, afirmou o promotor Silvio Antônio Marques. Os promotores também devem verificar os cheques da chefia de gabinete da secretaria que foram usados para sacar o dinheiro da verba de operações sigilosas.

O Estado teve acesso a cópias de 119 cheques usados pelo gabinete do secretário em 2004 (gestão Saulo Abreu). Eles mostram que 111 deles têm valores redondos e apenas oito têm valores exatos e quebrados, como o de número 000046, usado para retirar R$ 2.059 da conta 13-0000485-6, da agência 0935 da Nossa Caixa, na Rua da Quitanda, 78/80, no centro de São Paulo. Todos eram nominais e foram sacados no caixa para cobrir despesas de R$ 610 mil por meio de adiantamento.

Os saques foram feitos em duas contas correntes da Nossa Caixa: a de números 13-001143-1, agência 0847 (Avenida Angélica, 2.310), e a 13-000485-6, da agência 0935 (Rua da Quitanda, 78/80). As contas estavam em nome da secretaria e dos ordenadores de despesas nomeados pelo então chefe de gabinete Luiz Hélio da Silva Franco, que ocupou o cargo durante toda a gestão de Saulo Abreu (2002-2006).

Quem efetuava saques era um auxiliar de gabinete, em nome de quem eram feitos os cheques. Trata-se de Carlos Jorge Santana, o Jorginho. A mesma prática se manteve no primeiro ano da gestão de Ronaldo Marzagão, quando o chefe de gabinete era Tadeu Sérgio Pinto de Carvalho. O Estado procurou Luiz Hélio. Pediu que sua cunhada, Elaine Mansano, intermediasse o pedido de entrevista. Recebeu como resposta que ele só falaria depois de saber o que o Estado havia apurado.

Os ordenadores de despesa são funcionários nomeados para cuidar dos gastos das verbas. O principal deles no período foi Marlene da Silva Santos Rocha – ela assina a maioria dos cheques. Assinam ainda esses documentos Djanira Rodrigues da Silva, Mariângela Franca Godinho e José Antônio de Lima.

Entre 4 de fevereiro e 16 daquele mês, foram feitos saques no valor de R$ 39 mil com os cheques 000716, 000718, 000138 e 000139 da agência da Avenida Angélica. Na semana de 14 a 18 de junho, foram retirados R$ 23 mil em quatro cheques – 000024, 000026, 000005 e 000003, da agência da Rua da Quitanda.

O menor valor sacado é R$ 1 mil e o maior foi o cheque 000718, de R$ 25 mil. O recorde de gastos no gabinete em operações reservadas ocorreu em 2004. “A maioria das vezes era feito saque em dinheiro mesmo. Essa verba, como era usada em coisa sigilosa, dificilmente se fazia o pagamento com cheques. Eram coisas que deviam ser pagas em dinheiro, pois se você pagar com cheque, você está comprovando o gasto”, afirmou Elaine Mansano, principal assessora de Saulo. Ela mostrou decisões do Tribunal de Contas do Estado (TCE), dizendo que as contas foram aprovadas e disse que, na época, os gastos em dinheiro deviam ser feitos em no máximo 24 horas após o saque. “Se não, o dinheiro tinha de ser devolvido. Ninguém ficava com o dinheiro na mão.”

07/12/2008 - 10:19h Governo PSDB: Verba secreta comprou fuzis e CDs

Especialistas apontam vício orçamentário e falta de licitação

Marcelo Godoy – O Estado SP

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/images/20060309-dupla.jpgO dinheiro para operações policiais reservadas foi usado para finalidades que não eram sigilosas nem operacionais. Esse seria o caso da compra de equipamentos para o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), de fuzis para o Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) sem licitação e até de CDs para divulgar dados de criminalidade. Quem afirma que o dinheiro foi gasto com esses equipamentos é Elaine Ramos Mansano, ex-assessora especial do secretário Saulo Abreu, entrevistada duas vezes pela reportagem.

Quatro professores de Direito ouvidos pelo Estado (Adilson Dallari, Maria Sylvia Zanella Di Pietro, Floriano de Azevedo Marques e Edson Cosac Bortolai) disseram que o uso dessa verba para a compra de materiais que não eram sigilosos nem para operações policiais “é uma irregularidade, um vício na execução orçamentária”. Eles afirmaram que era preciso efetuar a compra por meio de licitação. Elaine, ex-assessora de Saulo, contou, por exemplo, que oficiais da PM teriam comparecido a uma feira de equipamentos de segurança em novembro de 2002, em São Paulo. Entusiasmados com um robô desativador de bombas e a maleta de negociação com microcâmera para crises com reféns (como a que poderia ter sido usada no caso Eloá), os oficiais fizeram o pedido ao gabinete.

“O Luiz Hélio (da Silva Franco, chefe de gabinete na gestão Saulo, de 2002 a 2006) comprou. Era lá, estava na feira. Era comprar ou não. Essas coisas eram para pagar com dinheiro mesmo porque se você pagar com cheque você está comprovando e deixa de ser sigilo.” O dinheiro vivo serviu para o Gate “fazer os testes”. O material foi comprado e exibido à imprensa em 26 de fevereiro de 2003.

O Estado teve acesso a cópias desse tipo de cheque para retirada de dinheiro vivo. Os saques foram feitos em duas contas correntes da Nossa Caixa: números 13-001143-1, agência 0847 (Avenida Angélica, 2.310), e a 13-000485-6, da agência 0935 (Rua da Quitanda, 78/80). As contas estavam em nome da secretaria e dos ordenadores de despesas nomeados por Luiz Hélio, o então chefe de gabinete. O de número 000718 da conta 13-001143- 1 tem o valor de R$ 25 mil.

Quem efetuava os saques era um auxiliar de gabinete, em nome de quem eram feitos os cheques. Trata-se de Carlos Jorge Santana, o Jorginho. Ele também fez isso nos primeiros 15 meses da gestão de Ronaldo Marzagão, quando o chefe de gabinete era Tadeu Sérgio Pinto de Carvalho.

A mesma verba de operações teria abastecido a Coordenadoria de Análise e Planejamento (CAP) com CDs para a gravação de dados de criminalidade distribuídos à imprensa. “Na verdade não é correto isso aí, porque a verba é de operação, mas como o assunto é correlato e era pouco valor, a gente fazia isso”, disse Elaine. No caso dos fuzis, ela conta que o então diretor do Deic, delegado Godofredo Bittencourt, queria adquirir “um ou dois fuzis” que, diz ela, seriam usados “em uma operação”.

O delegado teria tentado fazer uma licitação internacional, como a que o Gate fez recentemente para adquirir equipamentos da empresa Berkana. “Mas ele (Bittencourt) não conseguiu e aí o Luiz Hélio deu o dinheiro e ele comprou”, diz ela. O dinheiro foi sacado da verba de operações, e a compra, segundo a ex-assessora especial, foi feita. “Para a Polícia Civil, algumas vezes a gente comprou armamentos. Esporadicamente.” Ela disse que algumas dessas armas eram de calibres diferentes dos usados pela polícia para operações sigilosas.

Elaine ainda justificou os gastos com a verba de operações policiais dizendo que era usada para cobrir despesas com a escolta de juízes e personalidades ameaçadas. “Outra coisa que tinha muito era proteção ou escolta de juiz. Eles pediam aos montes. E você não vai usar dinheiro da rotina da polícia para isso, né? Então a gente fazia isso para pagar hotel, almoço dos policiais.”

13/11/2008 - 15:18h Perícia: Eloá levou tiros no momento da invasão

http://www.cosmo.com.br/multimidia/imagens/2008%5C10%5C19%5C10995082411G.jpg

Resultado contraria versão da polícia, de que só entrou em apartamento após ouvir disparo

O Globo

SÃO PAULO. O Instituto de Criminalística de Santo André, no ABC, concluiu que os dois tiros que mataram Eloá Cristina Pimentel foram dados no momento em que a PM invadiu o apartamento onde ela e Nayara Rodrigues eram mantidas reféns por Lindemberg Alves Fernandes. Eloá morreu ao ser atingida na cabeça e na virilha, em 17 de outubro, após ser mantida refém por mais de cem horas pelo ex-namorado.

O resultado da perícia confirma o depoimento de Nayara, que afirmou não ter ocorrido tiro antes de a polícia invadir.

O coronel Eduardo José Félix, que comandou a operação, garantiu que a polícia só invadiu porque teria ouvido tiros momentos antes.

A arma apreendida com Lindemberg tinha quatro cartuchos deflagrados. Segundo a perícia, três dos disparos foram efetuados no momento da invasão.

Dois atingiram Eloá, o outro, Nayara. O quarto disparo teria ocorrido em outro momento.

Em depoimento, Nayara disse que, cerca de duas horas antes da invasão, Lindemberg atirou para o teto. Um quinto tiro chegou a ser feito, mas picotou, porque a munição era velha.

O diretor do Instituto de Criminalística de Santo André, Nelson Gonçalves, explica que os dois tiros atingiram Eloá no mesmo ângulo, de cima para baixo, o que indica terem sido disparados na mesma hora.

23/10/2008 - 10:15h O que está em jogo nas eleições municipais

Expansão do transporte público e CEU em toda a rede municipal: instrumentos de integração social

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O Grupo Abril organizou uma sabatina com Marta sobre educação. Um debate de extrema importância pois a educação é um elemento central para o progresso social e a redução das desigualdade.

Segundo o jornal O Globo um diálogo significativo aconteceu durante o evento entre Roberto Civita, presidente do Grupo Abril, e Marta.

O empresário queria saber porque Marta fazia propostas apenas para as classes menos favorecidas, deixando de lado a maioria da população de São Paulo.

- Para você ficar vivo, respondeu Marta.

Marta não se estendeu e Civita não fez mais perguntas, diz O Globo que acrescenta, “mas a ex-ministra do Turismo sugeriu que, sem políticas sociais, os pobres poderiam fazer uma revolução:

- Você sabe do que eu estou falando. Não ficariam nem as paredes”, completou Marta.

Este diálogo é um resumo concentrado do que está em jogo nestas eleições municipais e também das eleições de 2010.

Basta ler os dois post precedentes aqui no blog para entender o abismo político que separa as alternativas presentes na disputa municipal de domingo.

São Paulo é uma das cidades mais desiguais do mundo, segundo relatório da ONU (Ver País tem as cidades mais desiguais do mundo). Violência e criminalidade são os resultados palpáveis dessa realidade. A redução da desigualdade tem efeito direto na redução da violência, mas tem efeito direto também na economia e na saúde da população.

Educação e formação profissional, integrando ensino com cultura e lazer, contribui conjuntamente para reduzir a criminalidade e para melhorar a produtividade e a expansão das empresas e do mercado. Transporte público de qualidade, economiza tempo, reduz poluição e reverte em melhor qualidade de vida e maior produtividade para a economia. Só para ficar em dois exemplos.

Significativamente, na sabatina do Grupo Abril, no dia anterior com a participação de Kassab, o candidato do PFL declarou que os CEU não serão sua prioridade. Como constatou o jornal AGORA SP (ver Kassab vai abandonar o CEU), Kassab vai acabar com os CEU e nenhum a mais será construído.

Para Marta a construção dos CEU’s e sua expansão, construindo mais 20, além de concluir os que não foram feitos por Kassab, visa a criar a Rede CEU municipal permitindo que todas as crianças da rede pública municipal tenham acesso, combinando assim ensino, cultura e esporte com integração à comunidade.

Os demo-tucanos sempre foram contra o projeto do CEU. Fizeram alguns pressionados pela população e como cálculo eleitoral, para manipular o eleitorado. Convictos que já conseguiram este resultado, assumem agora sem escrúpulos seu verdadeiro programa de regressão social.

Manipulação por parte da direita e ilusões na propaganda do liberais por parte das classes trabalhadoras não são novidade, nem aqui, nem no resto do mundo.

As eleições municipais no país mostram que São Paulo não é o Brasil, mas para a direita será a ponta de lança para tentar retomar o poder.

As classes menos favorecidas que se cuidem, estão avisadas.

Luis Favre

11/09/2008 - 17:52h Estado policial e desigualdade social

Pedro Estevam Serrano – Site Última Instância

http://www.uma.pt/blogs/box-m/wp-content/uploads/2007/01/justica_cega.jpgEm minha última coluna publicada neste espaço, tive a oportunidade de tratar do gravíssimo caso do grampo ilegal realizado contra o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal).

Como já tivemos a oportunidade de ressaltar, a gravidade do caso exige séria, independente e rigorosa apuração.

Por causa do ocorrido, contudo, produziu-se um rumoroso alarido oposicionista, entoando discurso que imputa ao governo federal a “criação” de um Estado policial que, com suas forças policiais e de inteligência, só realizaria prisões espetaculosas, faria grampos de legalidade duvidosa e cometeria outros abusos.

Em verdade, há que ir devagar nessa análise estrepitosa e prenhe de adjetivos porque o santo é de barro e o tema é mais complexo.

É verdade que a Polícia Federal cometeu certos abusos, que deixou a vaidade de alguns de seus integrantes superar os interesses públicos que lhes cabia curar, pondo-se, inclusive, em conflito com direitos fundamentais assegurados em nossa Carta Magna.

Mas não é menos verdadeiro que jamais tivemos em nossa história PF tão atuante no combate à criminalidade, em especial àquela que se mantinha intangível ao “jus puniendi” do Estado pelo fato de ser constituída por marginais pertencentes à nossa mais abastada elite política, econômica e financeira, que sempre teve no Estado um instrumento de satisfação de seus interesses corruptos e jamais o autor da devida persecução a suas malfeitorias.

A construção de um Estado Democrático de Direito é tarefa não-retilínea. Passa por caminhos tensos, de conflito dialético e da necessária ponderação entre princípios e direitos. Não há Estado de Direito sem observância dos direitos fundamentais das pessoas, em especial dos acusados, mas também ele não se realiza sem que todos, inclusive as elites política, econômica e intelectual, sejam submetidos ao rigor de suas leis.

É natural que, ao passar a agir contra elites antes intangíveis à força da lei, alguns agentes estatais cometam abusos ocasionais e episódicos. Devem ser punidos para que não mais ocorram tais abusos, mas jamais devem servir de arrimo à pretensão de retorno à situação anterior de impunidade.

Obviamente, é grave abusar da espetacularização midiática de prisões, utilizar abusivamente do grampo, exceder no uso público de algemas em detidos que nem julgados foram etc.

Mas, se há Estado Policial no Brasil, este não tem nessas condutas seus momentos mais abusivos e autoritários. O mais trágico na ação abusiva da polícia no Brasil não se dá no combate federal aos crimes de colarinho-branco, mas, sim, no uso da tortura e do homicídio pelas polícias estaduais como método cotidiano de ação —a tortura e os homicídios praticados não contra nossas elites, mas contra o povo pobre das favelas e das periferias, abusos verdadeiramente criminosos praticados contra os excluídos do mundo do consumo.

Se é verdade que causa indignação algemar pública e abusivamente um detido sobre o qual recai apenas ordem de prisão provisória, sem qualquer culpa formada, mais indignação ainda se origina quando, no morro, um cidadão é violentado por quem lhe põe um saco na cabeça para lhe suprimir a respiração, sem qualquer ordem judicial de detenção ou sequer realização de depoimento formal.

Inegavelmente, a construção de nosso Estado Democrático de Direito se dá principalmente pela superação do Estado policial no cotidiano da ação das forças públicas repressivas, mas há óbvia manipulação político-ideológica em querer localizar os abusos contra os direitos fundamentais apenas no âmbito federal, como se eles não ocorressem em todos os rincões de nossa federação.

Nossa grande tragédia é nossa imensa desigualdade social. Não há Estado de Direito que se construa no meio da injustiça social.

A maior razão para a sobrevivência no interior de nosso Estado Democrático de Direito de práticas próprias de um Estado de Polícia é o fosso social imenso, que deixa grande parte da população desprovida de tudo, até do interesse da mídia e de nossas elites políticas e econômicas em denunciar os abusos cometidos contra ela, que constitui parcela majoritária de nossa cidadania.

Grande avanço da cidadania foi alcançado nas recentes decisões do STF favoráveis às garantias e aos direitos fundamentais das pessoas. Nossa Corte Maior cumpriu seu papel com denodo. Cumpre agora aos demais poderes do Estado e às demais instâncias da federação universalizar esses mesmos direitos, efetivando-os como realidade usufruída também pela maioria pobre e esquecida da nação.

04/09/2008 - 14:39h Especialista critica proposta de 18 mil câmeras

http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/foto/0,,14566207-EX,00.jpg

Ana Paula Scinocca – O Estado de São Paulo

A instalação de 18 mil câmeras de vídeo para combater as ações de criminosos em São Paulo demandaria a contratação de cerca de 6 mil funcionários, praticamente todo o contingente de 6.800 homens da atual Guarda Civil Metropolitana (GCM), o que, segundo o ex-secretário nacional de Segurança Pública, José Vicente da Silva Filho, seria inviável.

A proposta foi apresentada na terça-feira pelo candidato do PSDB à prefeitura paulistana, Geraldo Alckmin, em sabatina no Estado. A sugestão faz parte do programa de governo do tucano para a área e foi espelhada no modelo de Bogotá, cidade colombiana que conseguiu reduzir seus índices de criminalidade adotando modelo semelhante.

Os principais adversários de Alckmin na corrida pela prefeitura – o prefeito e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM), e a petista Marta Suplicy – não quiseram se comprometer com números acerca da instalação de câmeras na cidade. Kassab tem projeto, que ainda não entrou sequer na fase de licitação, segundo ele próprio, prevendo a instalação de 12 mil delas e Marta considera a utilização dos equipamentos uma medida auxiliar no combate à criminalidade.

Atualmente, segundo a administração municipal, a prefeitura dispõe de 3.585 câmeras na cidade, incluindo as da GCM, da Companhia de Engenharia e Tráfego (CET), da SPTrans e das escolas.

Nas contas do especialista, cada homem consegue, no máximo, monitorar 18 câmeras, trabalhando seis horas por dia. “Se fizermos as contas, precisaríamos de mil homens para 18 mil câmeras, mas como cada um só trabalha seis horas, e todo mundo tem direito a folga e férias, seriam cerca de 6 mil homens”, observou Silva Filho. “A câmera é um instrumento auxiliar, mas nada decisivo. Acho que esse número é inviável”, completou o ex-secretário.

Na outra ponta, o também especialista em segurança e procurador de Justiça, Carlos Henrique Mund, um dos formuladores do programa de Alckmin para o setor, contesta. Ele explica que não se trata apenas da instalação das câmeras, mas da criação de um sistema de monitoramento que vai contar com uma central.

“A idéia é que por meio de softwares a gente integre o sistema com os sistemas de segurança da iniciativa privada, como de bancos. O custo-benefício é animador e dá certo. Bogotá é prova disso”, justificou Mund. O custo e o projeto fechado de Alckmin devem ser finalizados ainda nesta semana.

Líder nas pesquisas, Marta disse que só a câmera não é a resposta para combater a criminalidade. “Só estou dizendo que só pôr câmera não resolve nada. Assim como pôr só polícia.”

15/08/2008 - 17:09h “O crime em São Paulo aumentou a taxas extravagantes” segundo dados publicados por César Maia (DEM)

O prefeito do Rio, Cesar Maia é demo. Kassab é demo também. O governador José Serra é tucano e o Estado de São Paulo é governado pelos demo-tucanos faz 14 anos.

Cesar Maia tem um ex-blog onde expõe suas opiniões. No de hoje, ele fez uma comparação entre a criminalidade no Rio e em São Paulo. Segundo ele, e segundo seus dados, a criminalidade está igual a antes no Rio, mas aumentou uma barbaridade em São Paulo. Ele diz que só os homicídios em SP diminuíram, por conta da centralização do crime organizado numa única fração, o PCC. Há controvérsia sobre os homicídios. Ver aqui  em Maquiagem

Reproduzo alguns dados do texto de César Maia que concernem a cidade de São Paulo. Motivo de inquietação sobram. LF


“(…) Em SP, a média mensal de roubos de 2007 foi de 11.935 roubos e passou em 2008 para 24.160.(…)

(…) Finalmente o Total de Registros de Ocorrência. Em 2007, SP tinha taxa maior que o RIO em 26%. Mas no primeiro trimestre de 2008 a diferença pró-SP foi de 146%. No Rio 1.282,1 por 100 mil habitantes e em SP foram 3.155,9 por 100 mil habitantes. Em 2007 houve em SP 688.419 ocorrências e em 2008 se anualizarmos, serão 1.373.384, seguindo a mesma tendência, ou 2,65 por minuto.

(…) O Rio não melhorou, ficou na mesma. SP piorou e muito e a taxas extravagantes. As tabelas entre 2005 e 2008 mostram que os delitos (não homicídios) em SP são sistemática e cronicamente maiores que os do Rio, por 100 mil habitantes. O que houve agora foi uma abertura gigantesca nesta diferença. (…)

(…) O crime não diminuiu em SP-Capital, ao contrário.(…)”

10/08/2008 - 17:23h Acertar no Centro

Programa de reconstrução do centro, breve balanço e perspectivas

Contribuição de B.K.

A partir de 2001 a Prefeitura articulou uma série iniciativas para a qualificação do Centro de São Paulo. O programa tinha como pressuposto a existência de riquezas econômicas e culturais importantes, que poderiam levar a uma nova dinâmica numa região de problemas. Destacavam-se então:
a) a existência de grandes marcos arquitetônicos e urbanísticos (o Teatro Municipal, o Mercado e as Praças da Sé e República etc.),
b) uma densa economia composta por ruas comerciais (25 de março, José Paulino e Oriente entre diversas), aglomerações produtivas (confecções e gráfica) e novos serviços (educação superior, call centers e entes públicos).
c) Infra-estrutura urbana consolidada;

Como principais problemas:
a) A perda acelerada de população residente no centro, o que reduz a vitalidade da região fora dos horários comerciais,
b) Degradação urbana pelas más condições de conservação e manutenção das vias e prédios públicos;
c) Sensação de insegurança (embora até hoje as estatísticas a apontem como uma área de baixos índices de criminalidade e violência).

Contando com parcos recursos do orçamento municipal em virtude endividamento legado, a Administração optou pela contratação de um grande empréstimo junto ao BID e pela intensificação de ações de zeladoria. Estas tiveram como foco o Centro Histórico com a melhora da limpeza e coleta, manutenção de calçadas, iluminação pública, a presença da guarda municipal, restrição aos camelôs e a assistência aos moradores de rua.

O programa acordado com o BID em 2003 (de U$ 100 milhões mais U$ 60 milhões de contrapartida, então R$ 450 milhões) abarcava um amplo leque de ações. Os projetos mais importantes: a restauração do Mercado Municipal, a renovação urbana no Parque D. Pedro, investimentos nas praças públicas (Sé, República, Roosevelt); nos corredores de tráfego, transporte e em drenagem urbana. Adicionalmente iniciativas de moradia popular foram também conduzidas com ampla aprovação do BID em especial a área conhecida como Favela do Gato e o Edifício São Vito. A convicção de que era importante trazer população residente ao centro, combinada à questão social do acesso à moradia pelas famílias de baixa renda (menos de 3 mínimos) na cidade fundamentou ações de estímulo de projetos para este público.

O conjunto da obra em 2004 apontava o seguinte balanço:
a) Uma reconhecida melhora na área de zeladoria;
b) Investimentos financiados ou utilizados como contrapartida ao BID: Mercado Municipal, Parque D. Pedro, Favela do Gato, Oficina Boracéia.
c) Investimentos na área cultural como a Biblioteca Mário de Andrade, a Galeria Olido, o Teatro Municipal entre outros.
d) Programas de estímulo à moradia popular;

O Governo Serra/Kassab interrompeu por completo o programa e os desembolsos do financiamento do BID, pagando por isso multas sobre o saldo do empréstimo (U$ 70 milhões), além de perder recursos pela valorização da moeda nacional em relação ao dólar. Apostou num programa de re-qualificação da Cracolândia com base na atração de empresas de tecnologia da informação (TI). Os resultados foram pouco relevantes até aqui, conforme balanços divulgados pela grande imprensa. Abandonou as ações do governo anterior nas áreas de manutenção e no investimento em infra-estrutura.

Passados sete anos da iniciativa, que perspectivas apontar para o futuro?

Em primeiro lugar, é possível aferir claramente os danos da descontinuidade. O Governo Marta respeitou os contratos assinados da gestão anterior que autorizavam o empréstimo do BID para o Centro. Aproveitou também os poucos projetos e estudos existentes. Com isso conseguiu resultados mais imediatos. Isso nos deixa por outro lado uma nova lição: a frágil iniciativa da Cracolândia deve ser mantida, embora repensada. Adensar a economia local é correto, mesmo que a aposta das TIs tenha falhado. Cabe neste caso avaliar como dar continuidade à idéia e conferir um tratamento social e não exclusivamente policial à questão do consumo de drogas na região. Trata-se de um espaço do Centro próximo à Luz, que concentra investimentos públicos importantes, economia dinâmica e marcos arquitetônicos.

Em segundo lugar, a melhora da qualidade da zeladoria traz resultados sociais rápidos e deve ser retomada como eixo fundamental e prioritário. Resolver questões de infra-estrutura tem um custo mais baixo do que em outras regiões e o saldo do financiamento do BID poderia dar conta dos problemas mais urgentes (basicamente drenagem e tráfego).

Em terceiro lugar, a vida cultural pode ser facilmente animada desde que haja facilidades de acesso. A retomada de planos de concessão e construção de garagens e estacionamentos é fundamental. Isto ajudaria a estimular áreas como a Moda, design, artes e entretenimento, que têm sido motores da revitalização de áreas centrais de várias Metrópoles Mundiais, uma experiência que deve ser levada em conta pela próxima administração.

Finalmente, a questão chave da moradia no Centro precisa ter seu foco ampliado. Hoje a construção civil e o mercado imobiliário vivem um momento muito melhor. As novas regulações estabelecidas pelo governo Lula, somadas à expansão da economia e à melhor distribuição de renda desencadearam uma grande demanda por imóveis. Ademais, a imprensa repercutiu a elevação de milhões de pessoas ao padrão de consumo e comportamento das classes médias. Sabemos que boa parte deste contingente vive em São Paulo. Ë possível supor que famílias, jovens e profissionais de renda média vejam no centro um novo modo de conviver com a cidade. A Prefeitura de São Paulo pode mobilizar instrumentos para isso: uma nova Operação Urbana e uma legislação fiscal para o Centro que favoreçam os empreendimentos para esse público. A outorga não onerosa para a construção somada à redução do ISS para novos projetos e reformas seriam incentivos importantes para a construção. IPTU e taxas mais baixas ajudariam atrair novos moradores.

Em suma, não há muito a inventar. Aproveitar os bons resultados do passado e aprender com os erros é um bom ponto de partida. Em 2009 o novo Governo contará com maiores recursos do erário e com a economia nacional em crescimento. Basta ter mais foco, determinação e sintonia com as novas dinâmicas da sociedade e da economia paulistana.

B.K.