11/06/2009 - 13:51h A atual política anticrise do governo Lula está dando certo e a recessão começa a passar


A recessão começa a passar no mundo

Alberto Tamer* – O Estado SP

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Já existe um consenso entre os economistas e instituições internacionais: a recessão deve terminar neste ano e a recuperação se iniciará em 2010. Mas será uma recuperação lenta e desigual, maior nos EUA e nos países emergentes e irrisória na Europa. Até mesmo um economista sempre severo em suas análises, como Paul Krugman, afirmou nesta semana que a recessão nos EUA deve terminar no segundo semestre. O crescimento do PIB deve fechar o ano em torno de 0%. Pouco interessa se for um pouco mais ou menos, o importante são os sinais de que a economia americana e grande parte da mundial deixou de afundar.Não se devem repetir PIBs de 6%. A confirmar-se isso, teremos passado por uma recessão profunda, mas curta. Ou, podemos dizer, uma recessão grande, mas não uma grande recessão.

BRASIL NA LINHA DE FRENTE

brasil_olho.jpgO resultado menos negativo do PIB no primeiro trimestre mostra que isso é ainda mais válido no Brasil. Previa-se uma retração de até 2% e foi de 0,8%. Tendo em vista a queda de 3,6% no último trimestre de 2008, é difícil ver algum crescimento significativo nos próximos meses, mas está claro que estamos saindo da recessão. Insisto, porém, em reafirmar que não há muita diferença entre recuar 1% ou crescer 1%; ambos resultados significam uma economia frágil,ainda exposta a crises externas, o que exige do governo intensificar a atual política anticrise, que está dando certo. É a ela que devemos esse desempenho menos negativo do PIB e à perspectiva de que estamos em condições de superar tudo ainda neste ano.

Vejam, somente as medidas de estímulo ao consumo estão injetando na economia cerca de R$ 100 bilhões neste ano. E, mais acertadamente ainda, o governo anuncia que estuda redução do imposto sobre salários para aumentar o poder de compra do consumidor.

NEM TUDO É MENOS MAU

minhacasa1.jpgO resultado do IBGE apresenta pontos altamente negativos, como a queda de 12,6% nos investimentos, a forte e resistente retração da produção industrial e o recuo das exportações. Isso certamente vai afetar o crescimento nos próximos meses.

Cabe ao governo insistir em três pontos básicos: intensificar as medidas de incentivo ao consumo, pôr em pratica uma política de comércio exterior por meio de impostos sobre a produção e incentivos diretos às exportações; e, finalmente, continuar estimulando o setor de construção civil, grande gerador de demanda de emprego. Cumpre, assim, a meta social, de oferecer casa à população, e econômica, de reativar o crescimento. Felizmente, já vem fazendo uma boa parte disso.

DÁ PARA CONFIAR NELES?

dinheirocorrendo.gifMas, de qualquer forma, continuamos na dependência do que vier a acontecer lá fora. Será que as economias desenvolvidas e outras emergentes, que representam a maior parte do PIB mundial, não vão desandar novamente, impedindo que voltemos a crescer?

Pode ser, mas, pelo menos no momento não parece muito provável, principalmente em países que têm hoje um papel decisivo na recuperação mundial, como os EUA e a China.

E o que estamos vendo? Nos EUA, dez grandes bancos devolveram ao Tesouro US$ 68 bilhões recebidos em momento de extrema urgência. E insinuam que é só o começo. Levantaram recursos no mercado, até mesmo vendendo ativos, para livrar-se da fiscalização direta e da intervenção do governo em suas atividades e decisões. Mas o Tesouro mostrou que continua vigilante: só aceitou o pagamento depois de analisar as contas e ver se não iria enfraquecê-los, expondo-os a novos problemas. Não quer que comece tudo de novo… Assim, até ontem recusavam receber devoluções de grandes bancos. Entre estes, o Citi e o Bank of American, que pretendia repagar US$ 90 bilhões. O fato de o sistema financeiro começar a buscar soluções de mercado é um indício de mudança em relação ao pânico de há alguns meses.

OBAMA CAUTELOSO

obama_caricatura.gifO presidente americano, a cuja política anticrise devemos tudo isso, mostrou-se cauteloso diante desses fatos. “Não é sinal de que nossos problemas passaram. Muito longe disso. A crise que esta administração herdou ainda está criando efeitos dolorosos nas empresas e nas famílias. Mas é um sinal positivo.”

Foi esse também o tom do seu secretário do Tesouro, para quem há ainda um longo e difícil caminho pela frente. Haverá avanços e recuos, mas o caminho de saída está sendo aberto.

VEJAM OS NÚMEROS!

A coluna concorda, e aproveita para responder a leitores que nos criticam por estarmos sendo otimistas demais. Não. Estamos apenas confrontando situações de há algumas semanas com a atual e registrando os sinais não para o futuro distante, mas para os próximos meses, a curto prazo. Para mim, isso é realismo, é não se deixar impressionar e influenciar por fatores altamente negativos do passado, desde que eles não estejam se repetindo no presente. Bastam duas estatística do IBGE: o PIB do último trimestre de 2008 despencou catastróficos 3,6% e no primeiro trimestre deste ano apenas 0,8%. Será que isso não significa nada? Não é sinal de recuperação? Não há como negar.

No cenário externo, a economia americana recua menos e a da China – o grande mercado – não deverá crescer neste ano apenas 5%, como o governo previa, mas 7,5%, pela estimativa oficial divulgada ontem. Estão injetando trilhões na economia. Ambos são nossos mercados preferenciais e projetam um cenário de relativa esperança.

Só resta a Europa, o “Continente Perdido”, onde o BC recusa-se a baixar o juro mesmo com inflação 0. Mas isso não afetará nosso crescimento. Ele vai depender ainda por algum tempo do mercado interno, que hoje representa 60% do PIB. Ele vai bem. E o governo tem ainda espaço para continuar intensificando a política anticíclica de incentivo ao consumo.

*E-mail: at@attglobal.net

10/06/2009 - 11:26h Nada como um dia depois do outro

Previsões

“O desempenho do PIB do primeiro trimestre acima das expectativas fez com que os analistas começassem a revisar as previsões para 2009.
A LCA Consultores elevou a sua projeção de alta de 0,5% para expansão de 0,7%. Para Bráulio Borges, economista da LCA, o consumo deve crescer 3% neste ano e compensar a retração de investimentos. A expansão desse indicador no começo do ano sinaliza crescimento do PIB já no segundo trimestre. Os gastos do governo, em alta, também ajudarão.”
(Folha de São Paulo)

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10/06/2009 - 10:29h Gastos do governo, aumento do funcionalismo e do salário mínimo, Bolsa-Família e desoneração nos impostos; graças a eles o PIB foi melhor que o esperado. É o que dizem os especialistas!

Conjuntura: Retração de 0,8% sobre o fim do ano passado eleva chances de um resultado positivo em 2009

Consumo interno suaviza queda do PIB

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Ana Paula Grabois, do Rio – VALOR

Menos negativo do que o esperado, o resultado da economia no primeiro trimestre reforçou a possibilidade do Produto Interno Bruto (PIB) fechar positivo em 2009. Nos três primeiros meses do ano, o PIB caiu 0,8% na comparação com o quarto trimestre de 2008 e 1,8% sobre o mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a segunda queda consecutiva – houve retração de 3,6% no último trimestre de 2008. Pelo conceito mais aceito, essa dupla queda configura a recessão econômica.

A boa surpresa veio do consumo das famílias, cujo peso no PIB é o maior entre os componentes da demanda. As famílias gastaram mais 0,7% no primeiro trimestre em relação ao quarto trimestre, quando o consumo caiu 1,8%. Em relação ao primeiro trimestre de 2008, o consumo das famílias avançou 1,3%, pela 22º trimestre consecutivo. Esse resultado atenuou o pior dado do PIB do primeiro trimestre: a segunda forte queda consecutiva no investimento. A Formação Bruta de Capital Fixo (que mede o gasto em máquinas e na construção civil) recuou 12,6% sobre o final de 2008, na série com ajuste sazonal. Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, a queda foi de 14%, interrompendo um ciclo de forte crescimento iniciado em 2004.

Sustentado pela massa salarial em alta, especialmente pelo ganho das famílias de menor renda, o mercado doméstico continuou a segurar a economia brasileira, diz o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale. Contribuiu para o resultado o aumento de 12% do salário mínimo em março, a redução do IPI sobre os automóveis, os reajustes do funcionalismo federal e a manutenção relativa dos empregos.

A gerente de Contas Trimestrais do IBGE, Rebeca Palis, cita o crescimento de 22,1% do crédito para pessoas físicas no período como mais um fator para manter em alta o consumo das famílias. A taxa de crescimento da massa salarial real medida nas seis maiores regiões metropolitanas abrangidas pela Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE desacelerou, mas manteve-se em nível elevado, de 5,2%. O consumo do governo também ajudou a deixar o PIB menos negativo. Subiu 0,6% em relação ao final de 2008 e 2,7% sobre o primeiro trimestre do ano passado.

O resultado do primeiro trimestre, avaliam os analistas, aumentou as chances do país encerrar o ano com um PIB positivo ou com uma retração pequena. Nas contas da Tendências Consultoria, o PIB pode encerrar o ano entre zero e menos 0,3%. Para chegar nesse resultado, as variações nos próximos trimestres seriam de 0,9%, 1,5% e 0,9% sempre considerando a série com ajuste e comparando o trimestre com o período imediatamente anterior. Estes resultados viriam, portanto, na sequência da queda de 0,8% do primeiro trimestre sobre o quarto de 2008.

A MB Associados aposta em variação nula (zero) do PIB de 2009. Nesta conta, e olhando para os mesmos trimestres de 2008, o PIB do segundo trimestre ainda cairia 1,35% (menos que a queda de 12,8% dos primeiros três meses), e depois começaria a recuperação com 0,2% e 2,9% no terceiro e quarto trimestres, respectivamente.

No primeiro trimestre, no setor externo, foi apurada redução forte no volume de exportações e importações de bens e serviços. As vendas externas caíram 15,2% sob efeito das forte retração no comércio mundial. Já as importações apresentaram diminuição de 16% como reflexo da baixa na atividade econômica interna, seja pela desaceleração do consumo como pela redução dos investimentos em máquinas e equipamentos.

Sob a ótica da oferta, o setor de serviços foi o único a crescer nos três primeiros meses do ano – 0,8% em relação ao quarto trimestre e 1,7% sobre o primeiro trimestre de 2008. O departamento de pesquisas econômicas do Bradesco ressalta que o segmento tem forte relação com o bom desempenho do consumo das famílias, estimulado pelo crescimento ainda forte da renda real . Além disso, metade dos gastos das famílias é feito em serviços.

O Bradesco identifica uma mudança no comportamento de consumo recente do brasileiro, que teria deixado de aquirir bens duráveis, mais caros, e passado a consumir mais serviços. Na avaliação do banco, este setor, com maior peso entre os componentes da produção, de 60%, foi o principal responsável para o relativo bom número do PIB. A expectativa do banco é dos serviços e do consumo das famílias continuarem em expansão devido aos reajustes do salário mínimo, Bolsa Família e aposentadorias vinculadas ao mínimo e da política de corte de alíquotas no IPI. A maior alta do setor, de 7%, ocorreu com o segmento “outros serviços” – serviços prestados a empresas, domésticos, de saúde, educação e cuidados pessoais.

A indústria acentuou a queda registrada no último trimestre de 2008. Na comparação com igual período do ano anterior, o tombo chegou a 9,3% no primeiro trimestre de 2009, depois de cair 2,1% no fim de 2008.

10/06/2009 - 09:44h Tsunami e marolinha

Quadro do jornal O Globo

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Brasil se retrai menos que outros países

De São Paulo – VALOR

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro recuou 4,5% no acumulado do quarto trimestre de 2008 e do primeiro de 2009, uma queda bastante expressiva, mas inferior à registrada por vários outros países. No período, o PIB da Rússia caiu 9%, o do México, 8,3% e o da Tailândia, 7,8%. No primeiro trimestre deste ano, o Brasil teve o sexto melhor desempenho de um grupo de 21 países analisados pelo Valor Data – o PIB brasileiro encolheu, nesse intervalo, 0,8% em relação ao trimestre anterior, feito o ajuste sazonal.

“O Brasil mostrou-se mais resistente do que vários outros países emergentes”, diz Robert Wood, analista sênior para a América Latina da Economist Intelligence Unit (EIU), destacando que o consumo privado conseguiu compensar ao menos em parte o tombo dos investimentos e das exportações.

02/06/2009 - 10:39h Reagan provocou isso

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Paul Krugman, THE NEW YORK TIMES* – O Estado SP

“Esta é a mais importante legislação já aprovada para as instituições financeiras nos últimos 50 anos. E provê uma solução a longo prazo para as instituições de poupança em apuros… Definitivamente, acho que acertamos em cheio na sorte.” Foi essa a declaração de Ronald Reagan em 1982, ao assinar o Garn-St.Germain Depository Institutions Act, lei que regulamentou as instituições de depósito e poupança.

Como se verificou, ele estava errado no que se refere a resolver os problemas das instituições de poupança. Pelo contrário, essa lei transformou os problemas ainda modestos das instituições de empréstimo e poupança numa verdadeira catástrofe. Mas estava certo quanto ao significado da lei. E, no que se refere a acertar em cheio, isso ocorreu 25 anos mais tarde, na forma da pior crise econômica desde a Grande Depressão.

Quanto mais examinamos as origens do atual desastre, mais claro fica que o erro primordial – que tornou essa crise inevitável – ocorreu no inicio da década de 80, no governo Reagan.

Os ataques às teses econômicas adotadas por Reagan em geral se concentram no aumento das desigualdades e da irresponsabilidade fiscal que elas engendraram. Com efeito, Reagan governou numa era em que uma pequena minoria enriqueceu imensamente, enquanto famílias trabalhadoras só tiveram alguns ganhos muito magros. E ele também rompeu com regras há muito tempo aceitas de prudência fiscal.

Sobre este último ponto: tradicionalmente, o governo dos EUA sempre teve déficits orçamentários significativos apenas em tempos de guerra e de emergência econômica. A dívida federal como porcentagem do Produto Interno Bruto (PIB) caiu drasticamente do fim da 2ª Guerra até 1980. Mas o endividamento começou a crescer nos anos Reagan; retrocedeu de novo na era Clinton, porém retomou a trajetória de alta no governo Bush, deixando-nos mal preparados para superar uma emergência como a atual.

Mas o aumento da dívida pública, que parece pequena diante do endividamento privado, foi possível pela desregulamentação financeira. A mudança das regras financeiras nos EUA foi o maior legado de Reagan. Um presente indesejável que precisamos ainda manter.

O efeito imediato da Lei Garn-St.Germain, como disse, foi transformar o problema das instituições de poupança numa catástrofe. Essa crise foi apagada da biografia de Reagan, mas o fato é que a desregulamentação de fato deu ao setor – cujos depósitos eram garantidos pelo governo federal -, no melhor dos casos, uma licença para apostar com o dinheiro dos contribuintes, ou saqueá-lo, no pior. Quando o governo concluiu suas contas sobre o caso, os contribuintes tinham perdido US$ 130 bilhões, numa época em que era muito dinheiro.

Mas houve também um efeito a longo prazo. As mudanças legislativas da era Reagan eliminaram as restrições do New Deal aos empréstimos hipotecários, que, em especial, impediam as famílias de comprar uma casa sem dar uma boa entrada. Essas restrições foram estabelecidas nos anos 30 por líderes políticos que acabaram de vivenciar uma terrível crise e queriam evitar outra.

Mas, em 1980, a lembrança da Grande Depressão foi diluindo. O governo – declarou Reagan – é o problema, e não a solução; a magia do mercado tem de ser libertada. E assim todas as normas preventivas foram eliminadas. E isso, juntamente com padrões de empréstimos mais indulgentes a outros tipos de crédito ao consumidor, provocou uma mudança radical no comportamento americano.

Sempre fomos uma nação de grandes dívidas e pequenas poupanças; na década de 70, os americanos economizaram quase 10% da renda, pouco mais do que nos anos 60. Foi somente depois da desregulamentação sancionada por Reagan que a poupança desapareceu do modo de vida americano, culminando numa taxa quase zero, que prevalecia na véspera da atual crise. A dívida familiar era de apenas 60% da renda quando Reagan assumiu a presidência, praticamente o mesmo nível da era Kennedy. Em 2007, chegava a 119%.

Foi-nos assegurado que tudo era bom; os americanos, certamente, estavam acumulando dívidas e não estavam poupando nada da sua renda, mas suas finanças pareciam saudáveis, levando-se em conta os valores cada vez mais altos das propriedades e dos portfólios de ações. Oops.

Agora, as causas da crise econômica atual são atribuídas a fatos ocorridos bem depois de Reagan deixar o governo – ao excesso de poupança, no plano global, gerado pelos superávits na China e em outras partes, e à gigantesca bolha imobiliária que essa superabundância de poupanças ajudou a inflar.

Mas foi a explosão da dívida no último quarto de século que tornou a economia americana tão vulnerável. Um grande número de mutuários, sob pressão das dívidas, se tornou inadimplente com a explosão da bolha imobiliária e o aumento do desemprego.

Essa inadimplência, por outro lado, devastou um sistema financeiro que, especialmente por causa da desregulamentação da era Reagan, assumiu riscos demais com pouco capital.

Ultimamente, acusa-se muita gente e muita coisa. Mas os principais vilões por trás da atual desordem foram Reagan e seu círculo de assessores – homens que esqueceram as lições aprendidas na última grande crise financeira dos EUA, e nos condenaram a repeti-la.

*O autor é Prêmio Nobel de Economia

03/05/2009 - 11:37h Otimismo, não. Apenas alívio cauteloso

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Alberto Tamer – O Estado SP

Parece estranho, mas a economia mundial vai indo mal, mas vai bem também simplesmente porque não piorou. A coluna faz essa afirmação recorrente para esclarecer a um grande numero de leitores insatisfeitos. Eles perguntavam, nesta semana, porque mudo tanto de um pessimismo tenebroso para um otimismo surpreendente. Afinal, você está pessimista ou otimista, perguntam eles?

Meus amigos, não estou otimista porque não sou irresponsável e não estou pessimista porque vejo – todos que querem podem ver – que as coisas estão mudando no mercado financeiro e na economia mundial. Se quiserem, posso dizer que estou aliviado.

Na verdade, o que vemos hoje no Brasil e no mundo é uma espécie de tímido alivio que não pode de forma alguma se classificar de otimismo. Não param de surgir vozes aqui e no exterior alertando para não pensar que esse alívio veio para ficar, que a economia já chegou ao fundo do poço e agora vai começar a crescer. Parece que ele apenas deixou de aumentar.

A RECESSÃO PERMANECE

Nem Obama nem ninguém com com mínimo de senso de responsabilidade duvida de que a recessão americana e mundial não vai acabar neste ano. Mas ninguém responsável pode negar que seu ímpeto, até agora avassalador, vem se arrefecendo com a avalanche de recursos que está sendo despejados no mercado. Entre assistência aos grandes bancos nos EUA e dinheiro para reanimar a demanda interna nos dois países, são quase US$ 3 trilhões.

Foi por isso que a recessão mundial está se aprofundando menos, ou, como preferem os analistas americanos, “piora mais devagar”.Essa a razão do alívio e para o alerta da coluna e quase todos, aqui e no exterior, para não se cair num otimismo nocivo. Isso levará a reduzir o que já vem vendo feito no caminho certo. Liquidez no mercado financeiro, aumento de renda e financiamento mais fácil , rápido e a juros menores para os consumidores e compradores de imóveis.

Quanto ao Brasil, não há como negar que a economia deixou de afunda e dá sinais de estabilização. Em conversa com a coluna, o respeitado consultor de finanças públicas Amir Antonio Khair apresenta um cenário conservadoramente animador.

“O Brasil passou por um longo período de ajuste em suas contas públicas, cujos resultados podem ser sintetizados nos dois principais indicadores da saúde fiscal do País: dívida líquida sobre o PIB caiu de 52,2% no final de 2003 para 36% no final de 2008 e o déficit fiscal (ou nominal) foi reduzido de 3,3% do PIB para 1,6% do PIB, sem falar na economia de 0,5% que foi para o Fundo Soberano.”

SUPERÁVIT PODE CAIR

Após realizar uma série de cálculos matemáticos complexos projetando os vários cenários do que pode ocorrer com as contas públicas, Amir Khair chega a uma conclusão que pode surpreender a muitos: “Com aqueles ajustes, o Brasil criou as condições para executar, sem riscos, uma política contracíclica de estímulo. O governo poderá reduzir meio ponto porcentual do PIB a cada ano no superávit primário do setor público nos próximos quatro anos sem causar problemas para as finanças públicas.”

Na verdade, acrescenta ele, os dois principais indicadores da saúde fiscal devem ficar praticamente estabilizados ou até melhorar.

“O estímulo à atividade econômica por seu turno poderá fortalecer a arrecadação pública, que acompanha a evolução do PIB, podendo até crescer acima do PIB com a massa salarial, lucro das empresas e redução da inadimplência.”

Para fechar esse quadro positivo, Amir Khair assinala que “o Brasil tem a rara felicidade de poder baixar sua taxa básica de juros, que é ainda alta. Lá fora eles já rasparam o tacho”.

Baixando a Selic caem as despesas com juros, que integram as despesas do setor público. Nos países da OCDE elas giravam nos últimos anos no em torno de 1,7% do PIB. Aqui nos últimos 14 anos (1995 a 2008) foram de 7,7% do PIB em média por ano.

Nos últimos anos essa despesa vem caindo, pois a Selic foi sendo reduzida e o único devedor da Selic é o governo federal. Em 2008 foram de 5,7% do PIB e neste ano podem cair para perto de 4%.

Resumindo, o Brasil tem ainda armas de defesa contra a recessão que os outros já queimaram. Mesmo assim, não somos otimistas, mas sentimos um alivio cauteloso.Afinal, a luta apenas começou.

*E mail – at@attglbal.net

16/04/2009 - 11:29h Agronegócio terá pacote de ajuda de R$ 10 bilhões

Lula deve anunciar hoje uma linha de financiamento, por meio do Banco do Brasil e do BNDES, que vai beneficiar principalmente os frigoríficos

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João Domingos – O Estado SP

O governo federal vai lançar hoje um pacote de ajuda à agroindústria. Por intermédio do Banco do Brasil e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), deve ser criada uma linha de crédito de R$ 10 bilhões para o setor melhorar seu capital de giro.

As taxas de juros serão especiais, muito menor do que as que são oferecidas hoje pelo mercado, informou um auxiliar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O presidente tem pressa em definir logo as regras para a ajuda à agroindústria, no momento em dificuldades por causa da queda das exportações, causada pela crise global. O setor que mais sentiu o impacto da crise foi o da pecuária. Frigoríficos têm sido fechados seguidamente e outros estão em dificuldades financeiras. As perspectivas são de novas demissões na indústria da carne.

Na correria para resolver os problemas da falta de crédito para a agroindústria, o presidente Lula convocou para hoje à tarde uma reunião com os ministros da Fazenda, Guido Mantega, da Agricultura, Reinhold Stephanes, e do Planejamento, Paulo Bernardo, além do presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine.

De acordo com auxiliares de Lula, o presidente quer anunciar hoje o valor da ajuda ao setor da agroindústria. A proposta a ser levada pelos ministros será de R$ 10 bilhões.

Na semana passada, Lula conversou com Stephanes, Bernardo e Mantega e disse que não via por que não criar logo uma linha de crédito e capital de giro para a agroindústria. “Há mercado interno e externo, e os produtores continuam trabalhando. O que eles precisam é ter acesso a crédito e capital de giro”, disse Lula aos ministros.

Logo em seguida, o presidente disse a eles que queria dentro de uma semana uma solução para o setor. O prazo termina hoje.

Do Rio de Janeiro, onde participou ontem da abertura do Fórum Econômico Mundial na América Latina, Lula tornou a cobrar dos ministros se já tinham a solução para apresentar à agroindústria. Disseram que sim. Só falta definir a taxa de juros dos empréstimos subsidiados.

FRIGORÍFICOS

A situação dos frigoríficos hoje é muito ruim. Muitos precisam mais do que capital de giro. Como a Perdigão anunciou que não comprará os que estão falindo ou se encontram em grandes dificuldades, a solução para o setor da carne ficou mais difícil.

Uma das soluções pensadas para os frigoríficos poderá sair da forma como são tributados. Numa visita à Câmara dos Deputados, ontem, Mantega disse que o governo está estudando uma “mudança na estrutura tributária” dos frigoríficos, com alívio da carga de impostos.

O ministro disse ainda que há uma disputa de interesses entre os grandes e os pequenos, mas o governo encontrará uma forma de contentar a todos.

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que não participará da reunião de hoje com o presidente Lula, quer pôr no pacote de ajuda aos frigoríficos medidas relacionadas com a preservação do meio ambiente.

Poderá ser incluída a exigência de que só receberão ajuda os que se comprometerem a não comprar gado criado ilegalmente em áreas de proteção ambiental.