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	<title>Blog do Favre &#187; crise</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Gestão é isso aí</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Nov 2009 14:23:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Mundial]]></category>
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		<category><![CDATA[Guido Mantega]]></category>
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		<description><![CDATA[&#8216;Brasil é exemplo de recuperação rápida&#8217;
O vice-presidente do Banco Mundial, Otaviano Canuto, disse ontem, durante o 4º Encontro Nacional da Indústria, que o Brasil é um caso exemplar de recuperação rápida, após a crise global. Ele disse concordar com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que &#8220;vamos entrar em um ciclo mais forte da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: xx-large;"><strong>&#8216;Brasil é exemplo de recuperação rápida&#8217;</strong></span></p>
<p><span style="font-size: large;">O vice-presidente do Banco Mundial, Otaviano Canuto, disse ontem, durante o 4º Encontro Nacional da Indústria, que o Brasil é um caso exemplar de recuperação rápida, após a crise global. Ele disse concordar com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que &#8220;vamos entrar em um ciclo mais forte da economia&#8221;. Canuto também concordou com Mantega em relação ao aumento dos gastos correntes do governo. Ele disse que caberá ao governo examinar o custo benefício e o efeito de cada gasto. Segundo Canuto, o Brasil tem hoje um potencial de crescimento mais rápido, o que é reflexo da boa qualidade de gestão. </span></p>
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		<title>Vigor no emprego</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Nov 2009 13:55:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
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		<description><![CDATA[Celso Ming &#8211; O Estado SP
celso.ming@grupoestado.com.br
Mais um contraste com o resto do mundo. Enquanto lá fora a recuperação da atividade econômica depois da maior crise desde os anos 30 se faz com aumento do desemprego, no Brasil, vem com forte criação de postos de trabalho.
Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><img class="size-full wp-image-16354 alignleft" title="celso_ming" src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/celso_ming.jpg" alt="celso_ming" width="70" height="100" /><span style="background-color: #ffff99;">Celso Ming &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>celso.ming@grupoestado.com.br</p>
<p>Mais um contraste com o resto do mundo. Enquanto lá fora a recuperação da atividade econômica depois da maior crise desde os anos 30 se faz com aumento do desemprego, no Brasil, vem com forte criação de postos de trabalho.</p>
<p>Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, apontam para um aumento recorde de contratações de pessoal com carteira de trabalho assinada (emprego formal) em meses de outubro: 231 mil novos postos. Esse número perfaz para os primeiros dez meses do ano quase 1,2 milhão de empregos novos no Brasil, fato que fortalece o ambiente de recuperação.</p>
<p>São quatro os principais motivos desse aumento do emprego:</p>
<p>(1) A relativa estabilização da economia brasileira que, por sua vez, tem a ver com juros mais baixos e regras do jogo mais previsíveis. O pior inimigo do emprego é a falta de horizontes no jogo econômico. Mesmo em ambiente de crise, se as regras são mais estáveis, o empresário investe.</p>
<p>(2) A expansão do crédito, que alcançou 9,8% no período de janeiro a setembro deste ano em relação a igual período do ano passado. A expansão do crédito pressupõe certo controle sobre a dívida pública, o que permite que os bancos tenham condições de canalizar menos recursos para a subscrição de títulos públicos e mais para o financiamento de empresas e pessoas físicas.</p>
<p>(3) O aumento das transferências de recursos para as áreas carentes (Bolsa-Família). Foi o que garantiu certo aumento do consumo e, portanto, a necessidade de contratações de pessoal para garantir o fluxo de produção.</p>
<p>(4) O aumento da demanda na economia mundial, especialmente no setor de commodities. Esse fator se deve muito às políticas de afrouxamento fiscal e monetário levadas adiante nos países ricos para combater a crise.</p>
<p>Não dá para dizer ainda que a recuperação do emprego no Brasil seja sustentável. Há notória insegurança no mercado internacional. Os bancos centrais dos países ricos estão diante de uma encruzilhada. Têm de trazer de volta os recursos que despejaram para enfrentar a crise e que agora ameaçam produzir novas bolhas. Mas não sabem ainda nem a partir de que momento nem em que intensidade fazê-lo, porque temem empurrar a economia para uma grave recaída. Ontem, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, avisou mais uma vez que o crédito apertado e o desemprego crescente nos Estados Unidos deverão limitar a recuperação (veja o Confira). E, se houver uma recaída lá fora, o emprego também será atingido no Brasil.</p>
<p>Em todo o caso, daqui para a frente a economia brasileira recebe força total do setor das obras públicas, que é manejado pelos governadores e pelo governo federal de maneira que mostre serviço meses antes das eleições. Enfim, é também a política empurrando o emprego.</p>
<p>Se a retomada da atividade econômica interna se consolidar, será inevitável a melhora da arrecadação que, nos últimos dez meses, foi uma das principais fontes de debilidade da economia brasileira.</p>
<p><strong>Confira</strong></p>
<p>Recuperação lenta &#8211; Em pronunciamento feito no Clube Econômico de Nova York, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, mostrou que não está impressionado com as previsões dos analistas que vêm denunciando a formação de novas bolhas.</p>
<p>Avisou que a recuperação da atividade econômica dos Estados Unidos é lenta e que o mercado de trabalho vai continuar fraco durante muito tempo.</p>
<p>Ficou claro que os juros não subirão tão cedo e que os investidores continuarão despejando dólares nas aplicações de risco, o que favorece a alta das ações, do ouro e das commodities.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: xx-large;"><strong>***</strong></span></p>
<p style="text-align: left;"><strong><span style="font-size: xx-large;">Serra alfineta Lula por desemprego alto</span></strong></p>
<p style="text-align: left;">&#8220;O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), tentou desviar a atenção do acidente nas obras do Rodoanel, durante a inauguração de uma usina, em Mirante do Paranapanema, região de Presidente Prudente. Em seu discurso, de cerca de 20 minutos, ele alfinetou o governo Lula, dizendo que a taxa de 8% de desemprego é alta para um país em desenvolvimento. &#8220;O emprego não cresce satisfatoriamente e, quando cresce, falta gente qualificada&#8221;, afirmou ontem.&#8221; (Primeiro caderno do jornal <em>O Estado SP</em>)</p>
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		<title>Criação de empregos formais supera a marca de 1 milhão no ano</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Nov 2009 13:39:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
		<category><![CDATA[CAGED]]></category>
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		<description><![CDATA[Abertura de 230.956 postos de trabalho em outubro foi o melhor resultado para o mês na série histórica do Caged
Renata Veríssimo, BRASÍLIA &#8211; O Estado SP
A recuperação da atividade industrial ajudou o País a bater novo recorde na geração de empregos com carteira assinada. Em outubro, foram abertos 230.956 postos de trabalho, o melhor resultado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Abertura de 230.956 postos de trabalho em outubro foi o melhor resultado para o mês na série histórica do Caged</strong></p>
<p><span style="background-color: #ffff99;">Renata Veríssimo, BRASÍLIA &#8211; O Estado SP</span></p>
<p>A recuperação da atividade industrial ajudou o País a bater novo recorde na geração de empregos com carteira assinada. Em outubro, foram abertos 230.956 postos de trabalho, o melhor resultado para o mês na série histórica iniciada em 1992 do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego.</p>
<p>O resultado mensal elevou para 1,164 milhão o número de empregos formais criados entre janeiro e outubro de 2009. Embora o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, tenha comemorado a superação da marca de 1 milhão, o acumulado no ano é o pior para o período desde 2003, quando foram gerados apenas 910.547 vagas.</p>
<p>Em razão da sazonalidade de dezembro, quando ocorrem as demissões de funcionários contratados temporariamente para a demanda de fim de ano, Lupi previu que a criação de empregos formais em 2009 ficará entre 1 milhão e 1,1 milhão.</p>
<p>Ele estimou, entretanto, cerca de 200 mil dispensas em dezembro que, se confirmadas, será o menor resultado negativo para o mês. Com exceção de 2008, quando o País enfrentava o auge da crise internacional, as demissões em dezembro de anos anteriores giraram em torno de 300 mil. Para novembro, Lupi espera bater novo recorde, com a geração de cerca de 150 mil empregos formais. O melhor resultado, até então, foi em novembro de 2007, quando foram criados 125 mil vagas.</p>
<p>Lupi aposta na recuperação do mercado de trabalho e da atividade econômica em 2010. Segundo ele, serão abertas 2 milhões de vagas. Se a marca for atingida, será o maior número de geração de empregos formais em um ano no País.</p>
<p>Para o ministro, os dados do Caged no segundo semestre já mostram o início de um novo ciclo do emprego. Em agosto, setembro e outubro, a abertura de vagas superou em mais de 200 mil o número de demissões.</p>
<p>&#8220;O Brasil foi o único país do G-20 que gerou mais de 1 milhão de empregos formais este ano&#8221;, afirmou Lupi. Ele acredita que a economia brasileira crescerá em torno de 2% este ano, o dobro da previsão da equipe econômica.</p>
<p>O ministro destacou o aumento da massa salarial de janeiro a outubro, 4,4% acima da inflação pelo INPC. Lupi disse que anunciará, nos próximos dias, um recorde no pagamento do abono salarial, pago a trabalhadores com renda média de até dois salários mínimos no ano anterior.</p>
<h3><span style="font-size: xx-large;">Indústria lidera pela 2ª vez abertura de vagas</span></h3>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Renata Veríssimo, BRASÍLIA &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>A indústria de transformação liderou pelo segundo mês consecutivo a abertura de novos empregos formais no País. Em outubro, o setor foi responsável pela criação de 74.552 postos de trabalho. É o melhor resultado para meses de outubro. Segundo o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, o desempenho do setor mostra uma recuperação da indústria, setor mais atingido pela crise global.</p>
<p>&#8220;Os estoques terminaram e já tem indústria trabalhando em três turnos para atender a demanda&#8221;, disse Lupi. As indústrias de produtos alimentícios, têxtil, metalúrgica e química são as que mais contrataram no mês passado. Segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), além da indústria mais quatro setores registraram desempenho recorde em outubro.</p>
<p>O setor de serviços teve 69.581 contratações a mais do que as demissões. O comércio ampliou em 68.516 os postos de trabalho e a construção civil, em 26.156. O setor de extração mineral abriu 1.157 vagas.</p>
<p>O único setor que demitiu mais do que contratou foi a agropecuária, que fechou 11.569 postos de trabalho. Segundo o Ministério do Trabalho, essa redução se deve à entressafra, principalmente, no Sudeste do País.</p>
<p>O número de contratações em outubro foi de 1,433 milhão, enquanto 1,202 milhão de trabalhadores foram demitidos no período.</p>
<p>O saldo líquido, de 230.956 novos empregos, embora seja o melhor resultado para meses de outubro, é menor que o resultado de setembro, quando foram criadas 252.617 vagas. De janeiro a outubro, o setor de serviços foi o que o mais empregou, com um saldo positivo de 481.007 vagas este ano, seguido pela construção civil, comércio e indústria.</p>
<p>Segundo o Ministério do Trabalho, desde janeiro de 2003, quando começou o governo Lula, a outubro de 2009, 8.884.579 vagas formais foram criadas.</p>
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		<title>Diagnóstico correto da crise permitiu reação adequada</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Nov 2009 14:52:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
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		<description><![CDATA[EDITORIAL DO JORNAL VALOR
A realidade da crise que se abateu sobre o Brasil, a partir da turbulência financeira internacional, foi muito mais sombria do que o discurso oficial fazia crer. A economia brasileira assistiu a uma corrida bancária em outubro de 2008, sofreu um ataque especulativo em dezembro daquele ano e, por muito pouco, não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="background-color: #ffff99;">EDITORIAL DO JORNAL VALOR</span></h2>
<p>A realidade da crise que se abateu sobre o Brasil, a partir da turbulência financeira internacional, foi muito mais sombria do que o discurso oficial fazia crer. A economia brasileira assistiu a uma corrida bancária em outubro de 2008, sofreu um ataque especulativo em dezembro daquele ano e, por muito pouco, não viu a ruína de suas maiores empresas exportadoras, envolvidas com operações cambiais especulativas. Estas e outras histórias foram reveladas com exclusividade, pelo Valor, na edição de sexta-feira.</p>
<p>Até então, o que se sabia é que, do lado financeiro, ocorreu uma crise de liquidez nos mercados e, do lado real da economia, uma parada súbita no crescimento, provocando uma recessão que durou dois trimestres. Agora, sabe-se que a crise foi muito mais séria do que se imaginava.</p>
<p>Se a gravidade dos fatos foi bem além do triunfalismo adotado em Brasília, as informações agora divulgadas também mostram que o governo, por meio do Banco Central (BC) e do Ministério da Fazenda, soube enfrentar aquela que é considerada a crise financeira mais grave desde a Grande Depressão de 1929. Mesmo exibindo fundamentos sólidos, o Brasil escapou de uma ruptura que poderia ter desorganizado a economia, solapando as conquistas obtidas nos últimos anos.</p>
<p>Desde o início da fase aguda da crise global, deflagrada pela quebra do banco americano Lehman Brothers, sabia-se que os fatores que provocaram a turbulência lá fora não estavam presentes na economia brasileira. Os países avançados viviam, desde julho do ano anterior, os efeitos danosos de uma crise de crédito. Seus bancos, abarrotados de créditos podres, se tornaram frágeis da noite para o dia, enquanto, aqui, os bancos gozavam de saúde financeira invejável.</p>
<p>Apesar disso, o Brasil sofreu um contágio inesperado. O sufoco começou com grandes empresas exportadoras, que haviam feito apostas no mercado futuro de câmbio. A suposição era a de que o real se valorizaria de forma permanente frente ao dólar. O problema é que, depois da quebra do Lehman, os investidores estrangeiros tiraram seus recursos do país para cobrir prejuízos em suas nações de origem. O movimento provocou desvalorização abrupta do real.</p>
<p>A partir daí, houve um efeito-dominó. As linhas de financiamento do comércio exterior secaram. Internamente, os bancos cortaram o crédito. Os investidores, por sua vez, trataram de resgatar antecipadamente papéis emitidos por bancos pequenos e médios, criando um problema sério no caixa dessas instituições. O pânico se generalizou.</p>
<p>Em consequência desses fatos, em apenas uma semana de outubro do ano passado houve migração de R$ 40 bilhões em depósitos dos bancos menores para os estatais, como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. O diretor de política monetária do BC, Mário Torós, qualificou esse momento como o mais grave da crise. De fato, se o governo não tivesse agido rapidamente e de forma eficaz, o país poderia ter sofrido uma crise bancária.</p>
<p>Mas os problemas prosseguiram. No dia 5 de dezembro, um fundo de hedge americano liderou um ataque especulativo contra o real, apostando que o problema dos derivativos ainda não tinha sido solucionado. O BC, depois de muito custo, descobriu que a posição especulativa das companhias exportadoras montava a US$ 38 bilhões (cerca de 18% das reservas cambiais na ocasião).</p>
<p>A reação do governo se mostrou acertada porque o diagnóstico estava correto: a crise no Brasil era de liquidez e não de crédito. As iniciativas foram na direção de normalizar o funcionamento dos mercados de real e dólar. Num segundo momento, procurou-se resolver a escassez de crédito, decorrente das incertezas dos agentes financeiros. Colocou-se em prática, inclusive, uma medida ousada &#8211; usar as reservas cambiais para financiar os exportadores.</p>
<p>É importante verificar que, enquanto o BC atuou na linha de frente, combatendo a crise de liquidez, o Ministério da Fazenda trabalhou na retaguarda, adotando medidas que ajudaram a economia real a voltar a funcionar. Para esse propósito, foram cruciais as desonerações de impostos, além dos aportes de recursos do Tesouro para o BNDES, cuja carteira de crédito vem batendo recordes sucessivos.</p>
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		<title>Livre para perder</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Nov 2009 12:38:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
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		<category><![CDATA[empregos EUA]]></category>
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		<description><![CDATA[Paul Krugman* &#8211; O Estado SP
Considerem, por um momento, uma história de dois países. Ambos sofreram severa recessão e perderam empregos &#8211; não na mesma escala. No país A, o emprego caiu mais de 5% e a taxa de desemprego mais que dobrou. No país B, o emprego caiu apenas 0,5% e o desemprego é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><img class="size-full wp-image-16156 alignleft" title="Krugman_paul" src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Krugman_paul.jpg" alt="Krugman_paul" width="190" height="201" /><span style="background-color: #ffff99;">Paul Krugman* &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>Considerem, por um momento, uma história de dois países. Ambos sofreram severa recessão e perderam empregos &#8211; não na mesma escala. No país A, o emprego caiu mais de 5% e a taxa de desemprego mais que dobrou. No país B, o emprego caiu apenas 0,5% e o desemprego é apenas ligeiramente mais alto que antes da crise.</p>
<p>Vocês não acham que o país A poderia ter algo a aprender com o B? Essa história não é hipotética. O país A são os Estados Unidos, onde os preços das ações estão em alta, o PIB está crescendo, mas a situação terrível do desemprego continua se agravando. O país B é a Alemanha, que sofreu um grande golpe no PIB, quando o comércio mundial desmoronou, mas tem sido extremamente bem-sucedido em evitar perdas de emprego em massa.</p>
<p>O milagre dos empregos na Alemanha não recebeu muita atenção nos EUA, mas ele é real e suscita questões sérias sobre se o governo americano está fazendo as coisas certas para combater o desemprego.</p>
<p>Nos EUA, a filosofia por trás da política de emprego pode ser resumida em &#8220;se crescermos, eles virão&#8221;. Isto é, nós não temos uma efetiva política de emprego, temos uma política de PIB. A teoria é que, ao estimular o consumo em geral, podemos fazer o PIB crescer mais depressa, e isso induzirá as companhias a deixar de demitir e retomar as contratações.</p>
<p>A alternativa seriam políticas que enfrentem a questão do emprego. Poderíamos, por exemplo, ter programas de frentes de trabalho, no estilo do New Deal, do governo do presidente Roosevelt, na época da Depressão. Uma coisa dessas talvez seja impossível agora, mas deveríamos anotar, para registro, que em seu auge esses programas empregaram milhões de americanos a custo relativamente baixo para o orçamento.</p>
<p>Alternativamente, ou além disso, poderíamos ter políticas que apoiem o emprego no setor privado. Essas políticas poderia variar de regras trabalhistas que desestimulem demissões a incentivos financeiros a companhias que contratem trabalhadores ou reduzam as horas trabalhadas.</p>
<p>E foi isso que os alemães fizeram. A Alemanha entrou na Grande Recessão com uma forte legislação de proteção ao emprego. Essa foi suplementada por um &#8220;esquema de trabalho de curto prazo&#8221; que fornece subsídios a empregadores que reduzem as jornadas dos trabalhadores em vez de dispensá-los. Essas medidas não impediram uma perversa recessão, mas a Alemanha atravessou a recessão com perdas de empregos notavelmente baixas.</p>
<p>Os EUA deveriam fazer algo nessa linha? Numa entrevista recente, Lawrence Summers, o economista de maior peso no governo Obama, desdenhou: &#8220;Pode ser desejável ter uma dada quantidade de trabalho dividida entre mais pessoas. Mas isso não é tão desejável quanto expandir a quantidade total de trabalho&#8221;. É fato. Mas a verdade é que nós não estamos expandindo a quantidade total de trabalho &#8211; e o Congresso não parece estar disposto a gastar o suficiente em estímulo para mudar esse fato lamentável.</p>
<p>A objeção usual a políticas de emprego ao estilo europeu é que elas são ruins para o crescimento no longo prazo &#8211; que proteger empregos e encorajar a partilha do trabalho torna as companhias de setores em expansão menos propensas a contratar e reduz os incentivos para trabalhadores se transferirem para ocupações mais produtivas. E, em tempos normais, há algo a se defender nos mercados de trabalho &#8220;livres para perder&#8221; no estilo americano, em que os empregadores podem demitir à vontade mas também enfrentam poucas barreiras para contratar.</p>
<p>Mas estes não são tempos normais. Neste momento, os trabalhadores que perdem empregos não estão se transferindo para os empregos do futuro; estão entrando nas filas dos desempregados e ficando nelas. O desemprego prolongado já está nos níveis mais altos desde os anos 1930, e continua crescendo.</p>
<p>E o desemprego prolongado inflige danos prolongados. Os trabalhadores que estão fora de um emprego por muito tempo encontram dificuldade para voltar ao mercado de trabalho mesmo quando as condições melhoram. E existem custos ocultos também &#8211; não menos para as crianças, que sofrem física e emocionalmente quando seus pais passam meses ou anos desempregados.</p>
<p>Então, já é hora de tentar algo diferente.<br />
<strong><br />
* Paul Krugman é Prêmio Nobel de Economia </strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Brasil criou mais de um milhão de empregos em 2009</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 19:02:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Para o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, dado mostra que País já superou a crise econômica, que hoje só afeta os &#8216;gringos&#8217;



Nicola Pamplona, de O Estado de S.Paulo
RIO DE JANEIRO &#8211; O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, anunciou nesta segunda-feira, 9, que o Brasil ultrapassou, em outubro, a marca de 1 milhão de empregos formais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Para o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, dado mostra que País já superou a crise econômica, que hoje só afeta os &#8216;gringos&#8217;</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><img class="size-full wp-image-15894 aligncenter" title="Bandeira_emprego" src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Bandeira_emprego.gif" alt="Bandeira_emprego" width="432" height="280" /></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><br />
</strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Nicola Pamplona, de O Estado de S.Paulo</span></h2>
<p>RIO DE JANEIRO &#8211; O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, anunciou nesta segunda-feira, 9, que o Brasil ultrapassou, em outubro, a marca de 1 milhão de empregos formais gerados desde o início do ano. O dado fechado, disse Lupi, será anunciado nos próximos dias, junto às estatísticas do Caged. &#8220;Quando eu disse, em janeiro, que criaríamos mais de um milhão de empregos este ano, cheguei a ser ridicularizado, só faltaram me chamar de louco&#8221;, disse o ministro, em palestra na abertura da feira Fenashore, em Niterói, região metropolitana do Rio.</p>
<p>Segundo Lupi, o número de empregos gerados é um sinal de que o Brasil já superou a crise econômica, com o apoio das medidas anticrise postas em prática pelo governo federal durante o ano. &#8220;Já estamos vendo a crise pelo retrovisor. A crise, hoje, é só para gringo&#8221;, afirmou, em rápida entrevista após sua participação no evento.</p>
<p>Em setembro, o desemprego nas seis maiores regiões metropolitanas do País caiu para 7,7% da População Economicamente Ativa (PEA), o menor índice do ano, ante 8,1% em agosto, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mesmo assim, o gerente da pesquisa do IBGE, Cimar Azeredo, ressaltou que ainda não é possível falar em plena recuperação do mercado de trabalho após a crise. Economistas, entretanto, avaliam que o desempenho foi favorável.</p>
<p>Segundo o IBGE, a melhora do emprego em setembro decorre de um esperado movimento sazonal. De acordo com ele, é positivo que o mercado esteja respondendo às características desse período do ano, durante o qual normalmente a taxa cai em relação ao mês anterior. Para que houvesse recuperação de fato, a taxa deveria ser inferior à de setembro de 2008, também de 7,7%.</p>
<p><em>(com Jacqueline Farid e Francisco Carlos de Assis, de O Estado de S. Paulo)</em></p>
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		<title>Brasil se antecipa e desfaz política anticíclica</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Nov 2009 14:23:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Alberto Tamer* &#8211; O Estado SP
Afinal, retira-se ou não a política de incentivos à economia para sair da recessão? Esse é um dilema dos países ricos. Do Brasil, não. Nós já estamos desfazendo as medidas anticíclicas em ordem, com redução de juros e impostos. Eles voltam aos poucos, de forma gradual e seletiva, sem afetar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="background-color: #ffff99;">Alberto Tamer* &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>Afinal, retira-se ou não a política de incentivos à economia para sair da recessão? Esse é um dilema dos países ricos. Do Brasil, não. Nós já estamos desfazendo as medidas anticíclicas em ordem, com redução de juros e impostos. Eles voltam aos poucos, de forma gradual e seletiva, sem afetar a demanda e aumentando a arrecadação. Mas a pergunta, quase acadêmica, voltou no cenário mundial, este fim de semana, com a reunião dos ministros das Finanças do G-20, na Escócia.</p>
<p>Barack Obama e Ben Bernanke dizem que não. O Banco Central Europeu diz que sim. Chega de ajuda ao sistema financeiro a partir do próximo ano, afirmou o seu presidente Jean-Claude Trichet, na quinta-feira. E só não aumentou os juros por pressão dos governos, principalmente da França. O juro permanece em 1%, com sinais de alta. O BCE tem medo da inflação que não é inflação, mas deflação. Menos 0,3% em setembro.</p>
<p>Nos EUA, o desemprego de 10,2% se antecipa às previsões. Não era para acontecer agora, mas no início do ano. Janeiro ou fevereiro. Preocupa, mas era esperado, pois a economia, que havia dado um salto no último trimestre, continua frágil. Ainda não se sustenta.</p>
<p>O governo estava preparado. No mesmo dia em que se anunciou esse índice, Obama estendeu os benefícios federais aos desempregados, que se acumulam aos estaduais, e prorrogou medidas de estímulo ao setor imobiliário. A Casa Branca informou também que novas medidas anticíclicas estão sendo estudadas e poderão ser anunciadas em breve.</p>
<p>Um dia antes, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano), também veio a público para informar que não muda a política monetária, vai manter ainda por algum tempo o juro básico em torno de 0,25%, praticamente negativo em termos reais. Vai continuar ativo na compra de títulos do Tesouro e imobiliários. Ou seja, mais dólares vão entrar no mercado.</p>
<p>Para Obama e Bernanke, a economia só reage com mais estímulos. Tudo o mais, déficit, dívida, fica para depois</p>
<p>Na Europa, nada muda, apesar de o desemprego já estar em 9,7%, e a inflação crescendo. Não seria grave se ela não tivesse o mesmo que os EUA no Produto Interno Bruto (PIB) mundial. US$ 14 trilhões.</p>
<p>Quem está certo, os americanos ou os europeus? Trichet ou Bernanke?</p>
<p>É isso que estava na pauta da reunião dos ministros do G-20, encerrada ontem. Foi a terceira do ano ? um balanço com resultados previsíveis. A conclusão é que vão continuar estimulando a economia, mas cada um do seu modo. Só que isso não funciona porque alguns querem agir mais, outros menos. E a economia mundial vai continuar se arrastando ainda por muitos e muitos meses.<br />
<strong><br />
RETOMADA NÃO CONVENCE</strong></p>
<p>Eles deveriam ouvir quem não foi ouvido no passado, e acertou ao prever a recessão: Nouriel Roubini, da Universidade de Nova York. Para ele, a retomada é ainda incerta e não se mantém porque está sendo sustentada pelos estímulos fiscais e monetários, gastos dos governos e pela política de juros baixos. Quanto dura? Roubini arrisca. Quando muito, não mais de seis meses. É mais ou menos o prazo para que os estímulos do governo não se transformem em déficits insuportáveis. Em determinado momento, o setor privado, as empresas, terão de substituir o governo. Há ainda muitos desequilíbrios. O mercado financeiro está se recuperando mais rapidamente que a atividade econômica. Sinal, o desemprego continua aumentando. E permanece a pergunta. Quando o governo deve começar a sair? Roubini não responde, mas insinua que o setor privado ainda não está preparado. E cabe aos governos dos países desenvolvidos continuar a tarefa de prepará-los. Só devem tentar administrar melhor seus déficits. E antecipar-se a bolhas previsíveis.</p>
<p><strong>QUEM ESTÁ CERTO?</strong></p>
<p>Acho que nós. Estamos indo devagarzinho nas duas frentes, fiscal e monetária. Sem a ousadia dos dias que antecederam a crise e se enfrentou, com êxito, a recessão. Agora, não há pressa. O governo está começando a remover as medidas anticíclicas de forma gradual. Na área tributária, com o restabelecimento do IPI no setor automobilístico, o mais afetado pela crise. Nessa área, grande empregadora de mão de obra, evitou-se o pior. Mas esse imposto está sendo restabelecido gradualmente para que empresas e compradores se adaptem à nova realidade. E a realidade é uma economia na qual o crédito volta, o desemprego recua e o rendimento das famílias aumenta. No final da linha, isso vai representar maior arrecadação.</p>
<p>O mesmo está sendo feito ainda com mais cuidado na linha branca por causa do seu componente social.</p>
<p>Na área monetária, lembra Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, o Banco Central mantém sua posição, também com medidas graduais, sem precipitações. Reduziu o juro básico para 8,75% e o mantém nesse nível.</p>
<p>Não temos pressa porque nos apressamos antes, aproveitando um terreno já preparado no governo anterior e neste. A inflação caiu de 12,5% em 2002 para 4,3% neste ano.</p>
<p>O juro nominal em 2002 era de 19,1%, teve de ser aumentado para 23,3% no ano seguinte para conter a inflação e agora está em 8,7%.</p>
<p>Sabedoria? Não. Apenas soubemos aproveitar esse cenário, que nós mesmos preparamos, para nos sobrepormos aos outros, que afundaram na recessão.<br />
<strong><br />
*Email: at@attglobal.net </strong></p>
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		<title>Obama enfrenta sua batalha de Anzio</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Nov 2009 15:34:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Paul Krugman* &#8211; O Estado SP
Lembram de quando os republicanos se gabavam de que transformariam o problema da reforma da saúde na derrota de Waterloo do presidente Obama? Bem, as pesquisas de opinião sugerem que a questão trabalhou a favor dos democratas nas eleições de terça-feira. Mas, embora não deva constituir o Waterloo de Obama, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://economico.sapo.pt/public/uploads/articles/foto_pagina/obama15_PAGINA.jpg" alt="O Presidente Barack Obama tem até ao fim do seu mandato para reduzir o défice orçamental dos EUA, o maior do mundo." width="320" height="209" /><img class="alignnone size-full wp-image-15721" title="krugman" src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/krugman.jpg" alt="krugman" width="139" height="209" /></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Paul Krugman* &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>Lembram de quando os republicanos se gabavam de que transformariam o problema da reforma da saúde na derrota de Waterloo do presidente Obama? Bem, as pesquisas de opinião sugerem que a questão trabalhou a favor dos democratas nas eleições de terça-feira. Mas, embora não deva constituir o Waterloo de Obama, a política econômica começa a se parecer com o drama americano na batalha de Anzio.</p>
<p>Evidentemente, as eleições não foram um plebiscito sobre Obama. Na realidade, a maioria dos eleitores concentrou-se nos problemas locais &#8211; e os que se concentraram nas questões de âmbito nacional tenderam a favorecer a política democrata. Em Nova Jersey, o eleitorado que considerou a saúde o aspecto fundamental, votou no governador Jon Corzine por uma margem de 4 a 1; e Chris Christie conquistou os eleitores preocupados com os impostos sobre bens imóveis e a corrupção.</p>
<p>Entretanto, nessas eleições o que pesou foi um elemento de âmbito nacional. O eleitorado de todo o país está de péssimo humor, em grande parte por causa da situação econômica que continua sombria. E quando o eleitorado está mal-humorado, volta-se contra quem está no governo. O próprio Michael Bloomberg, prefeito de Nova York, viu sua reeleição supostamente fácil transformar-se numa competição muito acirrada.</p>
<p>Por outro lado, os concorrentes saíram-se bem, mesmo quando não tinham uma alternativa coerente para oferecer. Christie jamais explicou de que maneira pretende reduzir os impostos sobre bens imóveis, considerando a situação calamitosa de Nova Jersey &#8211; mas, apesar disso, os eleitores resolveram correr o risco.</p>
<p>Isso não é nada auspicioso para os democratas nas eleições de meio de mandato, no ano que vem &#8211; não porque os eleitores rejeitarão seu programa, mas porque tudo indica que, daqui a um ano, o desemprego continuará dolorosamente elevado. E os republicanos poderão beneficiar-se disso, apesar de terem se tornado o partido sem ideias.</p>
<p>O que me traz de volta à analogia com o episódio de Anzio.</p>
<p>A batalha de Anzio, na Segunda Guerra Mundial, foi um exemplo clássico dos perigos de uma excessiva cautela. As forças aliadas desembarcaram muito atrás das linhas inimigas, apanhando de surpresa seus adversários. Em vez de aproveitar da vantagem, o comandante americano ficou parado em sua cabeça de praia, e logo foi atacado pelas forças alemãs do alto das colinas à sua volta, sofrendo pesadas baixas.</p>
<p>O paralelo com a atual política econômica é o seguinte: no início deste ano, o presidente Obama assumiu o cargo com um forte mandato, proclamando a necessidade de agir de maneira ousada no campo da economia. No entanto, suas medidas concretas foram mais cautelosas do que ousadas. Embora suficientes para tirar a economia da beira do precipício, não bastaram para reduzir o desemprego.</p>
<p>Assim, o pacote de estímulo não chegou a ser o que muitos economistas &#8211; entre eles alguns do próprio governo &#8211; consideravam necessário.</p>
<p>Segundo o jornal The New Yorker, Christina Romer, presidente do Conselho de Assessores Econômicos da presidência, avaliou que seria justificável um pacote superior a US$ 1,2 trilhão.</p>
<p>No meio tempo, o governo recuou diante das propostas de injetar enormes somas de capital suplementar nos bancos, exigindo provavelmente a estatização temporária das instituições mais frágeis. Ao contrário, adotou uma estratégia de negligência benevolente &#8211; basicamente, esperando que os bancos conseguissem se recuperar e reencontrar o caminho da saúde financeira.</p>
<p>Funcionários do governo poderão alegar que não dispunham de campo de manobra por causa da realidade política, e que uma estratégia mais ousada não seria aprovada pelo Congresso. Mas nunca puseram à prova esse pressuposto e também nunca apresentaram indicação de que estavam fazendo menos do que queriam. A linha oficial foi que a sua política era correta, o que torna difícil explicar, agora, o motivo pelo qual há necessidade de fazer mais.</p>
<p>E é preciso fazer mais. De fato, a economia cresceu bastante rapidamente no terceiro trimestre &#8211; mas não o suficiente para que houvesse um progresso significativo em relação ao emprego. E não há muitos motivos para se esperar que as coisas possam melhorar daqui para frente. O estímulo já produziu seu efeito máximo no que se refere ao crescimento. O próprio Timothy Geithner, o secretário do Tesouro, admite que os bancos continuam relutando a conceder empréstimos. Muitos economistas preveem que a expansão da economia, na sua situação atual, desaparecerá no decorrer do próximo ano.</p>
<p>O problema é que não está claro o que Obama poderá fazer diante desta perspectiva. Em Washington, o senso comum parece estar congelado na ideia de que os déficits orçamentários impedem um novo estímulo fiscal &#8211; ideia totalmente errada do ponto de vista da economia, mas aparentemente não importa. Ao mesmo tempo, a base democrata, tão vibrante no ano passado, perdeu grande parte do seu ímpeto e paixão, em parte porque aparentemente muitos consideraram a estratégia pouco enérgica do governo a respeito de Wall Street uma traição aos seus ideais.</p>
<p>Então, como o presidente não explorou suas oportunidades iniciais, está preso em sua cabeça de praia excessivamente limitada.</p>
<p>Se os democratas sofrerem uma pesada derrota nas eleições de meio de mandato, os gurus da mídia dirão que Obama quis fazer demais, que afinal esta é uma nação de centro-direita e assim por diante. Mas a verdade é que Obama pôs em risco seu programa ao fazer pouco demais. A decisão fatal, no início do ano, de adotar meias medidas econômicas poderá perseguir os democratas nos anos que virão.</p>
<p><strong>*Paul Krugman é Prêmio Nobel de Economia </strong></p>
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		<title>Conceição, a crise e o Brasil</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Nov 2009 19:22:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
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		<description><![CDATA[Valor: Como é sua avaliação do governo Lula?
Conceição: Muito boa. Esta é a minha avaliação e de 70% da população. Na verdade, só a classe média dita ilustrada e a grande imprensa são contra. Contra também não sei o quê. Caiu a inflação. Portanto, mantiveram a política econômica dura que diziam que não iam manter, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="font-size: large;"><strong>Valor</strong>: Como é sua avaliação do governo Lula?</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: large;"><strong>Conceição:</strong> Muito boa. Esta é a minha avaliação e de 70% da população. Na verdade, só a classe média dita ilustrada e a grande imprensa são contra. Contra também não sei o quê. Caiu a inflação. Portanto, mantiveram a política econômica dura que diziam que não iam manter, mas mantiveram. Contra meu ponto de vista. Perdi a parada, mas fico contente que tenha perdido, porque naquela altura ia ser complicado. Como estava tudo fora do lugar, era muito ousado fazer uma política alternativa no início do primeiro mandato. Do ponto de vista da política macro, eles começaram a fazer coisas no segundo mandato. Mas não creio que vão terminar. Fizeram o correto na infraestrutura, contemplando obras nas regiões Norte e Nordeste, como a ferrovia Transnordestina, a Norte-Sul, a transposição do rio São Francisco e portos. O PAC é uma seleção de projetos muito pesada e muito boa, de que não convém desviar. Também acertaram na política social, com o Bolsa Família. O governo Lula está tocando três coisas importantes: crescimento, distribuição de renda e incorporação social. E ainda por cima fez uma política externa independente. Por que acha que ganhamos a Olimpíada? [a escolha do Rio de Janeiro para sede dos jogos, em 2016]. Porque passamos a ter prestígio de fato lá fora.</span></p>
<p style="margin: 0px 0px 10px; color: #2e5368; font-size: 14px; font-weight: bold;">
<h2><span style="font-style: italic; color: #2e5368;"><span style="background-color: #ffff99;">Valor Economico /<span style="font-style: italic; color: #2e5368;">06 de novembro de 2009</span></span></span></h2>
<h2><span style="font-style: italic; color: #2e5368;"> </span></h2>
<p style="margin: 0px 0px 10px; color: #2e5368; font-size: 14px; font-weight: bold;"><span style="font-style: italic; color: #2e5368;"><br />
</span></p>
<p style="margin: 0px 0px 10px; color: #2e5368; font-weight: bold;"><img class="alignleft" src="http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/destaque/imagens/maria_da_conc_tavares_4.jpg" alt="http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/destaque/imagens/maria_da_conc_tavares_4.jpg" /></p>
<p style="margin: 0px 0px 10px; color: #2e5368; font-size: 14px; font-weight: bold;"><span style="font-style: italic; color: #2e5368;"></p>
<p></span><span style="color: #cc0000;">Maria da Conceição Tavares, pessimista com os Estados Unidos e o mundo, tem crítica menos dura para o Brasil, &#8220;que vai bem na crise&#8221;.</span></p>
<p><span style="color: #cc0000;"> </span></p>
<p><strong><span style="color: #cc0000;">É ela mesmo, 55 anos depois</span></strong></p>
<p><span style="color: #cc0000;"> </span></p>
<h2><span style="color: #cc0000;"><span style="background-color: #ffff99;">Por Vera Saavedra Durão, do Rio &#8211; VALOR</span></span></h2>
<p><span style="color: #cc0000;"><br />
Fiel ao seu estilo questionador e arrebatado, a economista Maria da Conceição Tavares continua contestando as apostas dos mercados financeiros. &#8220;A crise não acabou&#8221;, alerta a decana dos economistas brasileiros e representante da tradição crítica do pensamento econômico latino-americano, no melhor estilo de Celso Furtado. &#8220;Com a subida das bolsas, fica todo mundo no oba-oba e parece que passou. O mau sintoma é justamente a bolsa ter refluído, os bancos terem voltado a ganhar dinheiro. Isso é simplesmente aparência.&#8221;</span></p>
<p><span style="color: #cc0000;">Conceição, como é sempre chamada, fala com ceticismo sobre as perspectivas da economia americana. &#8220;O Estado está tendo de sustentar como um Hércules todo um sistema falido, mas não consegue fazer as coisas mudarem de rumo, não tem se mostrado ativo. Está fraco e isso é ruim.&#8221;</span></p>
<p><span style="color: #cc0000;">A seu ver, o governo Obama não está tendo apoio suficiente para fazer as mudanças necessárias. &#8220;Não dá para fazer reforma da saúde porque os laboratórios e os seguros de saúde não querem. Não dá para fazer reforma financeira porque os bancos não querem. Como é uma sociedade de lobby pesado, fica difícil reformar.&#8221;</span></p>
<p><span style="color: #cc0000;">Os Estados Unidos não têm, aparentemente, uma &#8220;saída boa&#8221;, diz. Para ela, todas as indicações de estagnação mais longa estão presentes na economia americana, o que coloca a liderança do país sobre a economia mundial em xeque. &#8220;Eles não têm mais liderança nenhuma. Têm peso político, diplomático e militar. Mas isso não é liderança. É império. Não têm como resolver seus problemas [financeiros e militares], nem conseguem avançar. São um império congelado.&#8221;</span></p>
<p><span style="color: #cc0000;">Conceição se diz pela primeira vez otimista com o Brasil de Lula. &#8220;Ele é um gênio político.&#8221; Mas adverte que o problema básico da economia brasileira, no momento, é o câmbio. &#8220;O Brasil não pode continuar engolindo dólares.&#8221;<br />
</span></p>
<p align="justify"><span style="color: #cc0000;">Conceição tem 55 anos de Brasil. Chegou em fevereiro de 1954, casada com o engenheiro português Pedro Soares. A filha Laura nasceria meses depois. Naturalizou-se em 1957. Seu segundo marido, Antonio Carlos Macedo, professor de ciências biológicas da UFRJ, é o pai de Bruno, 44 anos. É amistoso seu relacionamento com os ex-maridos.</span></p>
<p align="justify"><span style="color: #cc0000;">Portuguesa de Anadia, nascida em 24 de abril de 1930, formada em matemática em Lisboa, Conceição conta que optou pela economia influenciada por três clássicos do pensamento econômico brasileiro: Celso Furtado (1920-2004), Caio Prado Jr. (1907-1990) e Ignácio Rangel (1908-1994) &#8211; que a despertou para as questões relacionadas ao capital financeiro. &#8220;Eles marcaram profundamente minhas ideias.&#8221;</span></p>
<p align="justify"><span style="color: #cc0000;">Na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Conceição foi aluna de Octávio Gouvêa de Bulhões (1906-1990) e Roberto Campos (1917-2001). Escreveu centenas de artigos e vários livros, dos quais o clássico dos clássicos é &#8220;Auge e Declínio do Processo de Substituição de Importações no Brasil &#8211; Da Substituição de Importações ao Capitalismo Financeiro&#8221;, de 1972. O texto original foi escrito no fim dos anos 1960, quando chefiava o escritório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) no Brasil. Na época da ditadura militar, autoexilou-se no Chile, depois de escapar da prisão graças à intervenção de Mario Henrique Simonsen, seu ex-aluno, ministro do governo Geisel.</span></p>
<p><span style="color: #cc0000;">Teve rápida passagem pelo MDB, então partido de oposição à ditadura militar. Em 1994, foi eleita deputada federal pelo PT do Rio de Janeiro, ao qual continua filiada. Aposentou-se como catedrática do Instituto de Economia da UFRJ, onde é professora emérita, e da Universidade de Campinas (Unicamp). Mas permanece ativa, dando cursos de economia internacional no Instituto Rio Branco e aulas na pós-graduação da UFRJ.</span></p>
<p><span style="color: #cc0000;">No momento, Conceição trabalha num ensaio sobre a América do Sul para um livro que José Luís Fiori, também professor na UFRJ, ex-aluno, a quem conhece desde o exílio, pretende lançar em 2010 sobre questões econômicas, financeiras e sociais da região, temas aos quais sempre esteve ligada.</span></p>
<p><span style="color: #cc0000;"> </span><span style="color: #cc0000;">Mesmo com problemas de bronquite por causa do cigarro &#8211; quando deputada, operou um nódulo benigno no pulmão &#8211; Conceição ainda consome dois maços por dia. Não tem intenção de parar. Diz que morrerá se deixar de fumar. &#8220;Para minha idade, estou ótima&#8221;, avalia a economista de palavra sempre apaixonada, que pretende comemorar seus 80 anos, em 2010, com os dois filhos, dois netos e os muitos amigos e admiradores.</span></p>
<p><span style="color: #000099;"><strong>A seguir, os principais trechos da entrevista que Maria da Conceição Tavares concedeu ao Valor.</strong></span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Quais lições podemos tirar da crise ?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Maria da Conceição Tavares: A crise ainda não passou e não deu as lições . Nos Estados Unidos já tem um pessoal dizendo que o gasto fiscal é muito, que isso acaba dando inflação e tem que parar. Se parar o gasto fiscal, como é a única componente ativa que vem sendo acionada pelo governo Obama, as coisas não vão melhorar. Todos os sintomas estão ainda muito embaralhados. E aí sobe a Bolsa de Valores, porque houve uma pequena bolha e o pessoal já começa a dar vivas . O desemprego também não terminou, e há muita capacidade ociosa. Então, todas as indicações que apontam para uma estagnação mais longa estão lá presentes. Não houve nenhuma mudança estrutural até agora para reverter a crise.</span></p>
<p><span style="color: #000000;"> </span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Como fica, então, o papel do Estado neste momento?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: O Estado americano está fraco. Não está ativo. E está botando o dinheiro todo em cima dos bancos e também em cima do seguro social, do desemprego que subiu muito. Todo o sistema falido, ele sustentando, feito um Hércules, e não está fazendo essa coisa tomar rumo. É um estado fraco, desse ponto de vista. E isso é ruim, porque denota que o governo americano não tem realmente força. Não tem apoio, nem na sociedade, que é dilapidada pelo neoliberalismo, nem no &#8220;establishment&#8221;. Então, não dá para fazer a reforma da saúde porque os laboratórios e os seguros-saúde não querem. Não dá para fazer reforma financeira porque os bancos não querem. Como é uma sociedade de lobby pesado, não tem como reformar. E não tem mecanismos de demanda efetiva do lado do setor privado para aumentar o emprego. O que não é bom.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Isso significa que a liderança dos Estados Unidos sobre a economia mundial está em xeque?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: Está. Não tem mais liderança nenhuma. Eles têm peso político, diplomático e militar. Mas isso não é liderança. É império. Eles têm um poder imperial sustentado num poder militar e financeiro. A iniciativa diplomática e militar só visa manter com mão de ferro o que já conquistaram. Mas não têm como resolver os problemas, nem avançar . Os Estados Unidos não podem tomar iniciativa militar em mais lugar nenhum. Primeiro, quem vai pagar e, depois, quem vai dar o apoio? É o império congelado.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Essa fraqueza americana pode arrastar o mundo para onde?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: É uma fraqueza sistêmica. O sistema era todo estruturado por eles. Como estão débeis, o sistema fica com um peso morto muito grande. Só tem possibilidade de sair quem tem dimensão para sair, como os BRICs. O que vão fazer o México, a Argentina, o Chile? São todos atrelados à economia mundial. Quem está puxando o comércio é a Ásia. A Alemanha não está puxando mais nada. Se a Europa e os Estados Unidos puxam para baixo, só sobra a Ásia.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: E a China, especificamente?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: Os chineses estão tentando substituir os americanos nos investimentos em matérias-primas que eles precisam. Estao investindo em toda parte. Em petróleo, em infraestrutura na África. Aqui na América Latina estão vindo para tudo. Siderurgia, portos. Estão fazendo um movimento de expansão não pelo comércio apenas, mas principalmente via investimento direto. Isso é que é novidade. Sobretudo na África. Coitados dos africanos. Saem de um imperialismo e entram em outro.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: A China teria a liderança?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: O mundo caminha para uma multipolaridade.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Então, nesse mundo a China pode vir a ser uma liderança ?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: Aí entra outra questão. Como se resolve o nó do entrelaçamento entre China e Estados Unidos? É uma simbiose. A China tem resolvido não ser agressiva com os Estados Unidos. Do ponto de vista diplomático e militar, tem estado &#8220;low profile&#8221;. Não está dizendo que os Estados Unidos são um &#8220;tigre de papel&#8221;, como na época do Mao. É consenso em Pequim que não é para enfrentar os Estados Unidos. Mas eles têm que resolver esse impasse. O que fazem? Compram ativos dos Estados Unidos? Foi o que o Japão fez e se deu mal. E é claro que eles viram o Japão fazer isso e não vão fazer. Então, estão vindo pela periferia. Que é o correto. O Japão saiu da periferia para investir nos Estados Unidos, disparado. Os chineses não estão fazendo isso. Eles têm participação daqueles fundos soberanos em várias coisas. No Citi, por exemplo. Fazem essas aplicações para sustentar os dólares que têm, para ter alguma aplicação.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: China e Estados Unidos vão se pôr de acordo para garantir uma saída da crise?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: Difícil. Não vejo nenhuma semelhança de estrutura política e ideológica. São muito dessemelhantes. Se não vão se pôr de acordo, como vai ser? A China abre mão crescentemente do mercado americano e aumenta o mercado no resto do mundo. Ela pode fazer isso. Os Estados Unidos vão fazer o quê? Estão no mundo inteiro, mas são uma potência comercial declinante.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Vão se voltar para o mercado interno?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: É o que deveriam fazer, como prometeu Obama, mas aí têm que resolver primeiro a situação da regulação do sistema bancário, das empresas e do desemprego.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Qual o papel dos BRICs na recuperação da economia global?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: Vão ter papel importante, porque têm peso específico. Não podem estabelecer uma política comum, porque são estruturas diferentes. Somos uma economia mista, a China é estatal, a Rússia era tudo privado, quebrou tudo, e está em processo de reconstrução pelo Estado. O Brasil não é potência militar, mas tem tomado muitas iniciativas na política externa e vai bem na crise.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Ben Bernanke, presidente do Fed, anunciou que pode aumentar os juros.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: Coisa sem pé nem cabeça. A dívida externa e a dívida pública deles, gigantescas, vão ficar caríssimas. Eles estão querendo fazer isso porque estão com medo da inflação. Inflação de demanda não é, porque não tem demanda efetiva. Inflação de custos de matéria-prima também não é, pois não está tendo nenhuma explosão de matéria-prima. Acho que o Bernanke está com medo é de que rejeitem a dívida pública. Ninguém está querendo comprar aqueles papéis [títulos do Tesouro]. Uma forma de atrair investidores seria subir os juros. Mas tudo isso são perfumarias. Não vai para lugar nenhum. A raiz do problema seria a reforma do sistema bancário.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: O que mais, além dessa reforma, o governo americano teria que fazer?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: Reforçar o papel do Estado e fazer um ajuste global que teria que ser negociado com a China. Os dois países teriam que acertar um acordo na área comercial. Mas não há negociação entre os dois. Os Estados Unidos não têm aparentemente uma saída boa. O Obama está falando no vazio. É por isso que os conservadores prenunciam um golpe.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Existe esse risco?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: O primeiro risco que existe é que o matem. Esse é um risco clássico nos Estados Unidos. E existe o risco de ele não se reeleger. Fico com muita pena. Ele seguramente não é o cara. Parecia, mas não é.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Como as dificuldades vividas pelo Estado americano podem impactar o mundo?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: Vai depender do resto do mundo. Vamos tentar esquecer um pouco os Estados Unidos. Temos que buscar construir outras lideranças. O ideal é que houvesse um acordo mínimo entre todos os grandes, para aliviar a crise e resolver o problema global. Bastava o G-20, bastavam os 20 se porem de acordo. Mas não há acordo.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: E o dólar?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: Não dá ainda para tirar o dólar [de seu papel de moeda de reserva internacional]. O dólar está fraco. Os países, em geral, se pudessem, saiam do dólar. Está ruim acumular reservas em dólar. O problema é com os que já estão acumulados, como os BRICs, sobretudo a China.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: O que a China vai fazer com US$ 2 trilhões de reservas?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: Está empacada. E os títulos americanos que ela detém servem de lastro às reservas. Ela não tem como vendê-los no mercado. Está com um mico na mão. É um patrimônio morto. Não tem o que fazer com as reservas. É como se tivesse no cofre, de um lado, o patrimônio futuro, de fábricas, de realizações etc. e, do outro, um montão de estrume que não pode jogar fora.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: O que pode vir daí ?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: Prevejo uma coisa arrastada, prolongada, com crises que vêm uma atrás da outra, uma bolha disso, uma bolha daquilo.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Qual a próxima bolha?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: A bolsa. Já temos uma aí montada, é a bolsa, que voltou a subir. O pessoal está investindo pesado. Mas isso mostra que o sistema está frágil, ao contrário do que julgam, não é um bom sinal. É um mau sinal. Aqui, no Brasil, por exemplo, na Bovespa, o grosso do dinheiro que está vindo de fora pra cá é pra bolsa. Não é para investimento direto no sentido autêntico da palavra. Direto, vieram US$ 11 bilhões e para a bolsa vieram US$ 17 bilhões, este ano.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Qual seria a consequência dessa bolha?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: Volta de novo a afundar. Aí vem nova bolha. Se o mercado de commodities estiver melhor, vão fazer bolha de commodities. Podem fazer outra vez bolha em cima do petróleo. Acho que vamos de bolha em bolha.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Então, a crise não acabou&#8230;.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: É uma falsa euforia. Provavelmente o governo americano vai ter que parar de ajudar o setor privado, pois o déficit fiscal já está em 17% do PIB. Como já socorreram no limite, já gastaram trilhões de dólares, na próxima crise não vão poder socorrer. Foi o que aconteceu no decorrer da crise de 1929. Em 1931 e 1932, nada mudou. Só ocorreu mudança no sistema financeiro depois, quando teve outra crise bancária, em 1933. Na primeira crise ninguém se deu conta, pois despejaram toneladas de dólares em cima dos bancos. Como agora.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: A história pode se repetir?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: A crise atual começou em 2007 com os empréstimos &#8220;subprime&#8221;. Em 2008 foi o auge. E agora, neste segundo semestre, está com ares de que se vai respirar. Em 2010 pode haver uma recuperação, mas em 2011 ninguém sabe o que pode acontecer.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Como o Brasil ficaria com uma reforma bancária nos Estados Unidos?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: O Brasil tem um sistema financeiro público e privado. E os bancos privados não entraram em crise. Já tinham entrado em crise com o Fernando Henrique. Aí limparam e não deixaram de manter o controle. Não temos um sistema financeiro que opera &#8220;à la livre&#8221;. Não existe isso. Temos regulação. Nosso problema básico é o câmbio. Tem que dar um jeito. A coisa cambial vai mudar no próximo governo. Não teremos mais esse presidente no Banco Central, e nem Dilma, nem Serra estão a favor dessa política cambial.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Obama disse que o cara é o Lula&#8230;</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: É. O Lula, um gênio político, mistura de Vargas e JK, uma liderança do povo brasileiro que tem uma sorte danada, ademais de ser muito competente. Tem que ter competência e sorte. As coisas têm que estar a favor.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Como é sua avaliação do governo Lula?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: Muito boa. Esta é a minha avaliação e de 70% da população. Na verdade, só a classe média dita ilustrada e a grande imprensa são contra. Contra também não sei o quê. Caiu a inflação. Portanto, mantiveram a política econômica dura que diziam que não iam manter, mas mantiveram. Contra meu ponto de vista. Perdi a parada, mas fico contente que tenha perdido, porque naquela altura ia ser complicado. Como estava tudo fora do lugar, era muito ousado fazer uma política alternativa no início do primeiro mandato. Do ponto de vista da política macro, eles começaram a fazer coisas no segundo mandato. Mas não creio que vão terminar. Fizeram o correto na infraestrutura, contemplando obras nas regiões Norte e Nordeste, como a ferrovia Transnordestina, a Norte-Sul, a transposição do rio São Francisco e portos. O PAC é uma seleção de projetos muito pesada e muito boa, de que não convém desviar. Também acertaram na política social, com o Bolsa Família. O governo Lula está tocando três coisas importantes: crescimento, distribuição de renda e incorporação social. E ainda por cima fez uma política externa independente. Por que acha que ganhamos a Olimpíada? [a escolha do Rio de Janeiro para sede dos jogos, em 2016]. Porque passamos a ter prestígio de fato lá fora.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Como vê a questão ambiental no mundo e no Brasil, às vésperas da reunião de Copenhague?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: Para variar, os Estados Unidos não assinam meta nenhuma. O país de Obama, digo, o Departamento de Estado, não assina nada. O problema ambiental está complicado e complexo. No Brasil, independente do desmatamento da Amazônia, a floresta vai sofrer com o aquecimento global. Mas a coisa da Amazônia, no nosso caso, é importante e é difícil. Mas não somos decisivos para o aquecimento global. Decisivos são os Estados Unidos e a China.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: A exploração do petróleo das camadas do pré-sal pode impactar as boas intenções ambientais do Brasil?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: Começamos com a ideia do verde, o álcool combustível, mas, agora que veio o pré-sal, ninguém fala mais nisso. Agora, tudo vai depender do próximo governo.</span></p>
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		<title>Na contramão de outros países, salários no Brasil sobem mais</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 16:51:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
		<category><![CDATA[Crescimento]]></category>
		<category><![CDATA[crise]]></category>
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Assis Moreira, de Genebra &#8211; VALOR
O Brasil é um dos poucos países onde os salários têm aumentado mais em termos reais, enquanto declinam na maior parte dos outros países, mesmo com os sinais de recuperação econômica global, avalia a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
O crescimento mundial dos salários declinou de 4,3% em 2007 para 1,4% [...]]]></description>
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<h2><span style="background-color: #ffff99;">Assis Moreira, de Genebra &#8211; VALOR</span></h2>
<p style="text-align: left;">O Brasil é um dos poucos países onde os salários têm aumentado mais em termos reais, enquanto declinam na maior parte dos outros países, mesmo com os sinais de recuperação econômica global, avalia a Organização Internacional do Trabalho (OIT).</p>
<p style="text-align: left;">O crescimento mundial dos salários declinou de 4,3% em 2007 para 1,4% em 2008, em termos reais, com o corte das horas trabalhadas e pode ser ainda pior este ano, segundo estudo da entidade.</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.valoronline.com.br/imagens/impresso/ed_0002377/imagens/arte04bra-oit-a3.gif" border="0" alt="Foto Destaque" /></p>
<p style="text-align: center;">
<p>Já no caso do Brasil, a OIT calcula que o país registrou o maior crescimento real de salários entre oito dos países que fazem parte do G-20, e também fez um dos maiores aumentos no salário mínimo.</p>
<p>O aumento médio foi de 2,8% do salário real em 2008, enquanto o México ficou na lanterna, com queda de 3,5% no mesmo período. O salário mínimo teve o sétimo maior aumento na categoria entre os países examinados, com alta real de 6%.</p>
<p>Segundo a OIT, no primeiro trimestre o ritmo de expansão dos ganhos caiu no país, mas a situação se estagnou no segundo trimestre e se espera alta de salários de novo no segundo semestre.</p>
<p>&#8220;O Brasil está num círculo vicioso, as políticas econômica e social dão resultado e isso se reflete nos salários&#8221;, disse o economista Patrick Belser. Em entrevista à imprensa, ontem, em Genebra, a OIT colocou de fato o Brasil no centro da discussão, como um dos melhores resultados em meio à crise global.</p>
<p>Comparado com a média de 2008, a alta de salários mensais reais no primeiro trimestre deste ano caiu pela metade em mais de 35 países. Dados sobre o desemprego indicam que a pressão sobre os salários vai aumentar no futuro.</p>
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