06/05/2009 - 09:45h Brasileira é a quarta mais admirada

petrobras
Petrobrás passou do vigéssimo para o quarto lugar no ranking mundial das empresas mais admiradas. Lula e Sérgio Gabrielli, presidente da estatal brasileira, podem festejar à vontade
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Do Rio – VALOR

A Petrobras galgou de vigésimo para quarto lugar entre as empresas mais admiradas do mundo entre 200 listadas no ranking do Reputation Institute. A pesquisa, realizada em 32 países, foi divulgada à meia-noite de ontem no site da revista “Forbes”. A primeira colocada foi a italiana Ferrero, da área de alimentação, seguida pela sueca Ikea e a americana Johnson & Johnson.

Este é o quarto ano consecutivo que o levantamento é realizado. Todas as empresas são avaliadas dentro de seu próprio país entre pessoas de todas as classes. Com base nas respostas é calculada uma média de pontos relativos a produtos e serviços, inovação, ambiente de trabalho, governança, cidadania, liderança, desempenho financeiro, entre outros itens.

A brasileira Sadia ficou em quarto lugar, logo após a Petrobras, no ranking mundial apesar dos problemas que vem enfrentando e as dificuldades financeiras criadas por arriscados contratos de derivativos. Segundo uma das responsáveis pela pesquisa, a professora Ana Luisa Almeida, diretora do Reputation Institute do Brasil, mesmo o público tendo conhecimento dos problemas da Sadia a confiabilidade de seus produtos permanece, o que pesou na avaliação.

Outras brasileiras também estão entre as 200 mais bem avaliadas: a Votorantim (20ª), a Vale (28ª), Gerdau (63ª), Usiminas (84ª), Pão de Açúcar (113ª), Banco do Brasil (124ª), CSN (180ª) e Embraer (197ª).

Mas, segundo Ana Luisa, a pesquisa mostra que marcas fortes podem não ser tão bem avaliadas. Entre os exemplos estão a Coca Cola e a Microsoft que receberam a 79ª e 32ª posição respectivamente. “Grandes multinacionais já não tem identidade nacional muito forte, em especial nos Estados Unidos, diferentemente de países emergentes como o Brasil, onde há um uma relação de grande afetividade como, por exemplo, com a estatal Petrobras. (HM)

06/03/2009 - 09:49h Indústria tem recuperação localizada

 

Silvia Costanti / Valor

Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit: “Os estoques já acabaram no varejo e é hora da reposição”

Sergio Lamucci, Sergio Bueno e Vanessa Jurgenfeld, de São Paulo, Porto Alegre e Florianópolis – VALOR

Os impactos da crise financeira sobre a atividade industrial foram díspares em fevereiro. Segmentos cuja demanda está ligada à renda da população, como calçadistas e têxteis, já sentiram claramente uma recuperação de encomendas e consideram que a pior fase da crise passou. Para empresas e setores cuja produção é alimentada por crédito ou investimento, as realidades são distintas. Ao mesmo tempo em que grandes usinas siderúrgicas desligam alto-fornos, fabricantes de máquinas e equipamentos, como Randon e Marcopolo, já sentiram uma melhora nas encomendas em fevereiro e março. Mesmo as empresas e setores que relatam uma recuperação em fevereiro e neste começo de março, contudo, indicam queda de produção em relação ao mesmo período do ano passado.

Hoje o IBGE divulga o resultado da produção industrial de janeiro. Os analistas esperam forte crescimento em relação a dezembro de 2008, feito o ajuste sazonal. A LCA Consultores projeta alta de 9,2%. Na comparação com janeiro do ano passado, contudo, a estimativa é de recuo de 10,2%. O Santander aposta em crescimento de 11% sobre dezembro e queda de 9,5% em relação janeiro de 2008.

Entre os indicadores já conhecidos, venda de automóveis e consumo de energia indicam que fevereiro voltou a crescer sobre janeiro. O licenciamento de automóveis e comerciais leves atingiu a média diária de 10,9 mil unidades, mais que os 10,1 mil de janeiro deste ano e os 10,4 mil de fevereiro do ano passado, na série com ajuste sazonal calculada pela LCA. O resultado é efeito da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), destacam analistas e empresários do setor. O consumo diário de energia elétrica, por sua vez, atingiu a média de 50,2 MW em fevereiro, 2,7% a mais do que no mês anterior, também na série livre de influências sazonais. Em relação ao mesmo mês de 2008, houve queda de 0,59%.

O setor têxtil brasileiro acredita que o pior da crise já passou e vê sinais de melhora das encomendas nos últimos dias, após um primeiro bimestre fraco. “O varejo retomou os pedidos, está conseguindo girar seus estoques. Ainda vai levar algum tempo para que esse movimento ganhe velocidade, mas há bons indicativos para março”, diz Zeno Fischer, diretor de controladoria e planejamento da Lepper, de Joinville (SC). Indústria de cama, mesa e banho, a Lepper fechou o primeiro bimestre com queda de 10% nas vendas em relação ao igual período de 2008. Em fevereiro, até registrou uma melhora de vendas em relação a janeiro deste ano em torno de 20%, mas as vendas ficaram 10% abaixo do mesmo mês do ano passado. Segundo Fischer, apesar de um começo de ano de vendas em queda, a Lepper projeta crescimento de 10% no faturamento do ano, para R$ 145 milhões em 2009.

Para o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, há sinais melhores no setor, mas fevereiro foi um período de vendas menores do que igual mês do ano passado. “Mas há um clima de retomada da atividade, os estoques já acabaram no varejo e é hora da reposição. Nossa expectativa é que o pior (da crise) tenha passado”, diz. Na sua avaliação, as empresas do setor não farão mais paradas de ajuste de estoques, e embora exista um crédito ainda caro e restrito, as têxteis poderão ter um desempenho no ano melhor do que outros setores porque as compras de vestuário dependem pouco de crédito.

Na Indústria São Roberto, que atua no segmento de papelão ondulado, as vendas em fevereiro caíram 10% em relação ao mesmo mês do ano passado, uma queda ligeiramente inferior aos 12% registrados em janeiro na comparação com janeiro de 2008. A expectativa do presidente da empresa, Roberto Nicolau Jeha, é de que em março haja uma queda de 5% sobre o mesmo mês de 2008. “Março começou um pouco melhor do que fevereiro”, diz ele, acrescentando que só acredita numa melhora mais consistente no segundo semestre. Jeha diz que a demanda por papelão ondulado caiu menos por parte de empresas de alimentos e produtos de limpeza. No caso das companhias que dependem mais do crédito, como fabricantes de televisores e eletrodomésticos, o tombo foi maior.

O presidente da distribuidora de aço Rio Negro, Carlos Loureiro, diz que houve uma melhora na demanda por parte da indústria automobilística, beneficiada pela redução do IPI para veículos. Segundo ele, montadoras e empresas de autopeças voltaram a comprar com mais força, o que ajudou um pouco nas vendas de fevereiro e continua a auxiliar nas de março. “Mas não houve melhora nos outros segmentos”, diz ele, dizendo que continua fraca a procura por parte de empresas de máquinas agrícolas, rodoviárias e equipamentos para infraestrutura.

A indústria calçadista iniciou o ano com cenários distintos no mercado interno e nas exportações. As vendas domésticas arrancaram bem, turbinadas em alguns casos por descontos e aumentos de prazos de pagamento. Os fabricantes aguardam a reposição dos estoques dos lojistas, em maio, para confirmar a tendência. As exportações recuaram 23,9% no primeiro bimestre em comparação com igual período de 2008, para
US$ 280,6 milhões, mas o setor espera algum crescimento em 2009, impulsionado pela desvalorização do real, após a queda em volume e faturamento no ano passado.

Segundo o diretor comercial da gaúcha Piccadilly, Marlon Martins, em janeiro e fevereiro a empresa aumentou prazos de pagamento em 30 dias e concedeu descontos de 5% a 15% em algumas linhas para estimular os negócios no mercado interno. O resultado foi um aumento de três vezes no volume de vendas em fevereiro na comparação com janeiro, para mais de 600 mil pares. Em relação ao mesmo período de 2008, a alta foi de 2,5 vezes, informa o executivo.

No mercado externo, o recuo das vendas apontado pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) no bimestre deveu-se à demora na reposição dos estoques dos importadores em função da desaceleração econômica na América do Norte e Europa, avalia o diretor da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Ricardo Wirth. “Não esperávamos uma queda tão alta, mas não chegou a ser surpreendente.” Em fevereiro, as exportações renderam US$ 138 milhões, 3,3% a menos do que em janeiro e 29,3% abaixo do mesmo mês de 2008. Para o empresário, março ainda será um mês de “transição” entre as encomendas das coleções de verão e de inverno para o hemisfério norte.

Alguns setores e empresas ainda não sentiram recuperação da atividade, como a Usiminas e a CSN. A primeira anunciou que vai paralisar, a partir de segunda-feira e por tempo indeterminado, o alto-forno n 1 da usina de Cubatão na Baixada Santista. A CSN, que também produz aços planos, vai paralisar por 40 dias o alto-forno n 2, que responde por 40% da produção da usina de Volta Redonda (RJ). O presidente da Usiminas, Marco Antônio Castello Branco, justificou a decisão pela falta de sinais mais consistentes de demanda para o segundo trimestre.

Por outro lado, a Marcopolo, maior fabricante brasileira de carrocerias para ônibus, após fechar o primeiro bimestre com vendas 10% menores, sentiu recuperação em março. A Randon, que produz implementos agrícolas, também espera retomada das vendas.

04/02/2009 - 11:46h A crise e o investimento público

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Cristiano Romero – VALOR

Preocupado com o aprofundamento da crise econômica no Brasil, o governo Lula anuncia hoje medidas para ampliar o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC). O plano é elevar em cerca de R$ 100 bilhões, neste e no próximo ano, os investimentos do setor público no programa, incluídos nessa conta os recursos de empresas estatais, como a Petrobras e a Eletrobrás. Um dos setores que mais receberão atenção nesta nova fase do PAC é o ferroviário.

Por meio de concessões ao setor privado, o governo pretende licitar a construção de novas ferrovias e também de trechos de ferrovias existentes ou em construção. Um exemplo é a ligação da Ferrovia Norte-Sul entre Anápolis (GO) e Panorama (SP). Outro projeto prevê a construção de uma ferrovia entre Ilhéus (BA) e o Estado de Tocantins – a chamada Ferrovia Leste-Oeste – e de uma outra de lá até Rondônia, cujo objetivo é fazer a ligação do Brasil com o Oceano Pacífico, porta de saída das exportações ao continente asiático.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, deve anunciar hoje uma mudança importante no modelo de concessão. A ideia é que os ganhadores de concessões no setor ferroviário sejam obrigados a investir num determinado prazo, do contrário, perderão a permissão. Hoje, não existe a obrigatoriedade. Assessores do governo informaram que a nova regra valerá também para os casos antigos, de empresas que receberam a concessão de um serviço, mas cruzaram os braços.

“Vamos acabar com essa história da empresa que ganha uma concessão apenas com o objetivo de que seu concorrente não possa explorá-la”, disse um ministro do núcleo decisório do governo em Brasília. Um exemplo de concessão não-explorada, mas já superado, segundo o governo, é o da Ferrovia Transnordestina, a cargo da Companhia Ferroviária do Nordeste, uma subsidiária da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). “Agora, quem quiser uma concessão será obrigado a explorá-la.”

Ainda no setor ferroviário, a menina dos olhos do governo é o trem de alta velocidade que deverá ser construído entre o aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), e o Rio de Janeiro. A obra será incluída hoje no PAC. Como o governo vai promover uma licitação internacional e exigir transferência de tecnologia, o plano é criar o Instituto Ferroviário, uma pequena estatal voltada para a administração dessa tecnologia e a elaboração do planejamento estratégico do setor, a exemplo do que faz a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) no setor elétrico.

Há uma explicação óbvia para o esforço do governo em aumentar os investimentos públicos. Os investimentos do setor privado, que vinham crescendo, antes da crise, a uma velocidade 2,5 vezes superior à do Produto Interno Bruto (PIB), estão evaporando. Os dados da produção industrial divulgados ontem pelo IBGE mostram que a categoria de uso que mais caiu em dezembro foi a de bens de capital (máquinas e equipamentos) – 22,2% em relação a dezembro de 2007 (resultado já dessazonalizado).

As empresas, portanto, pisaram no freio no que diz respeito à compra de máquinas para sustentar a expansão da produção. Os números do último trimestre de 2008, justamente a fase mais aguda da crise, até agora, para o Brasil, vão certamente mostrar forte recuo da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), o indicador que mede a taxa de investimento da economia.

Para se ter uma ideia, no terceiro trimestre do ano passado, a FBCF expandiu 19,69% em relação ao mesmo período de 2007, levando a taxa de investimento nominal a 20,42% do PIB. É verdade que, como a economia vinha crescendo de forma acelerada – entre julho e setembro passados, avançou 6,8% em termos anualizados -, as empresas estão agora desovando estoques, num processo que pode levar alguns meses ainda para ser concluído – quando isso acontecer, presume-se que a produção volte a crescer, embora não nos níveis anteriores ao da crise.

Não é à toa, portanto, que o governo conte com a Petrobras para alavancar investimentos no setor produtivo. Em 2007, a Petrobras respondeu, sozinha, por 9% da Formação Bruta de Capital Fixo do país. Neste ano, com os US$ 28,6 bilhões (cerca de R$ 66,3 bilhões) em novas aplicações já anunciados, a estatal deverá aumentar a sua proporção na FBCF, uma vez que o setor privado está retraído.

De sua parte, o governo quer ampliar, em 2009, os investimentos da administração direta. Em 2008, o PAC (excluído o dinheiro de estatais e empresas privadas) representou apenas 24% do investimento pago pela União, em meio a um total que chegou a 0,9% do PIB (cerca de R$ 27 bilhões). A meta, agora, é elevar esse valor para pelo menos 1,2% do PIB. Já a Petrobras investiu, no último ano, o equivalente a 1,1% do PIB e pretende aumentar sua fatia neste ano para algo em torno de 2% do PIB.

O esforço do governo para ampliar os investimentos, desde mantendo o curso da responsabilidade fiscal, é louvável. Por causa da crise, Brasília tomou a si a responsabilidade de fazer os investimentos para manter a economia crescendo. O problema é que o governo, qualquer governo, não tem as condições operacionais para fazer muito mais do que já se tem feito.

Estima-se que uma obra pública de infra-estrutura leva, na melhor das hipóteses, ou seja, quando não enfrenta nenhum óbice de natureza judicial ou administrativa, 33 meses para sair do papel. Quando se acrescenta a isso o tempo de execução do projeto, fica claríssimo que não se trata de um prazo razoável – para ficar num exemplo, a usina hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira, deve consumir dez anos desde a concepção até a conclusão da obra.

Hoje em dia, há interferências de toda ordem nas decisões de investimento do Poder Executivo. Entidades, como o Tribunal de Contas de União, que deveriam analisar os projetos após a execução, se transformaram em órgãos consultivos. Isto, evidentemente, atrasa as obras, quando não as bloqueia. Embora tenha o mérito de ser um projeto que estrutura a logística do país, o PAC é marcado pela lentidão, e o país tem pressa.

Cristiano Romero é repórter especial e escreve às quartas-feiras.

E-mail cristiano.romero@valor.com.br

27/01/2009 - 10:54h Investimento estrangeiro é recorde

Em 2008, apesar da crise global, IED no País somou US$ 45 bilhões, melhor resultado desde 1947, segundo o BC

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Sérgio Gobetti – O Estado SP

O Investimento Estrangeiro Direto (IED) no Brasil bateu o recorde em 2008, atingindo a surpreendente cifra de US$ 45 bilhões, apesar de todo o pessimismo decorrente da crise financeira internacional. Foi o melhor resultado desde 1947, segundo os registros do Banco Central (BC).

O IED reúne todas as transações financeiras de entrada de dólares para investimentos produtivos ou aquisição de empresas no Brasil. Com esse resultado, o valor do IED mais do que compensou o déficit em transações correntes do ano passado, que atingiu US$ 28,3 bilhões, o pior resultado desde 1998.

A conta de transações correntes registra o saldo das operações de comércio, serviços e rendas do País com o exterior. Em2007, ela havia registrado superávit de US$ 1,5 bilhão.

Em 2008, a conta corrente foi deficitária tanto porque o saldo da balança comercial diminuiu – de US$ 40 bilhões em 2007 para US$ 24,7 bilhões no ano passado – quanto porque o déficit da balança de serviços piorou, com o aumento das remessas de lucros e dividendos ao exterior.

REMESSAS

No ano passado, as empresas multinacionais instaladas no Brasil aproveitaram os altos lucros obtidos no País e transferiram US$ 33,8 bilhões para tentar melhorar as contas de suas matrizes no exterior.

Levaram mais vantagem as empresas que fizeram essas remessas antes da desvalorização do real, a partir de setembro, mas muitas ainda faziam transferências em dezembro por causa da necessidade de ajudar as matrizes no fechamento de balanço anual.

Os analistas esperavam que, a partir do agravamento da crise financeira internacional, o movimento do IED acompanhasse a saída de dólares decorrente de remessa de lucros e dividendos e do refluxo de investimentos em títulos públicos e ações.

Nos últimos quatro meses, o Brasil perdeu mais de US$ 10 bilhões de investimentos especulativos. O IED, ao contrário, se manteve em alta e chegou a somar, em dezembro, US$ 8,1 bilhões – o segundo maior valor mensal da série do Banco Central.

Até mesmo o Banco Central foi surpreendido por esses números. Até agosto, quando o IED acumulava um valor de US$ 24,6 bilhões, projetava-se um ingresso de total de US$ 35 bilhões no ano – ou seja, mais US$ 10 bilhões. Desde setembro, entretanto, o movimento se intensificou e houve um ingresso de mais US$ 20,5 bilhões, principalmente para participação no capital de empresas.

“A despeito da crise, o investidor estrangeiro continua acreditando nos fundamentos da economia brasileira e essa credibilidade é disseminada por vários setores econômicos”, disse o chefe do Departamento Econômico do Banco Central , Altamir Lopes.

AGRICULTURA

O maior crescimento de Investimento Estrangeiro Direto ocorreu no setor de agricultura, pecuária e extração mineral, que pulou de US$ 4,7 bilhões em 2007 para US$ 13 bilhões em 2008. O alto valor de investimento verificado em dezembro (US$ 8 bilhões), por exemplo, foi influenciado por uma operação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que vendeu 40% da subsidiária Namisa para uma companhia formada por acionistas japoneses.

A venda da Namisa somou US$ 3,08 bilhões, segundo comunicado da CSN enviado à Bolsa de Valores de São Paulo. Mesmo descontando essa operação, o valor dos Investimento Estrangeiro Direto em dezembro foi substancial.

Altamir observou que esses recursos ingressaram no País pelo negócio, mas saíram em seguida em um investimento da CSN no exterior. Isso fez com que o Investimento Brasileiro Direto (IBD) somasse US$ 3,148 bilhões em dezembro.

Ou seja, essa operação teve um efeito nulo sobre o resultado global da balança de pagamentos, que terminou o ano com um superávit de US$ 2,9 bilhões. O balanço de pagamentos é resultado de todas as transações correntes e financeiras realizadas pelo País com o resto do mundo.

No ano passado, o Investimento Estrangeiro Direto ajudou o Brasil a ter um superávit financeiro ligeiramente maior do que o déficit corrente.

ONDE ESTÁ O DINHEIRO

Investimento Estrangeiro Direto (IED) nos principais setores, segundo levantamento do Banco Central

Extração de Minerais Metálicos: US$ 10,645 bilhões

Serviços Financeiros: US$ 5,109 bilhões

Metalurgia: US$ 4,984 bilhões

Comércio (Exceto veículos): US$ 2,564 bilhões

Produtos Alimentícios: US$ 2,226 bilhões

Atividades Imobiliárias: US$ 1,721 bilhões

Coque, derivados de Petróleo e Biocombustíveis: US$ 1,568 bilhões

Construção de edifícios: US$ 1,386 bilhões

Extração de Petróleo e gás natural: US$ 1,339 bilhões

26/01/2009 - 15:37h Investimento estrangeiro bate recorde em 2008, com o melhor resultado desde 1947

EDUARDO CUCOLO da Folha Online, em Brasília

Os investimentos estrangeiros no setor produtivo do país registraram em 2008 o valor inédito de US$ 45,06 bilhões. O resultado supera o recorde anterior, de 2007 (US$ 34,5 bilhões).

Esse é o melhor resultado da série histórica do Banco Central, iniciada em 1947. A previsão do BC para este ano é de investimentos no valor de US$ 30 bilhões.

“O investidor estrangeiro tem uma visão de longo prazo e vislumbra uma melhora no futuro”, diz o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.

O resultado superou em US$ 5 bilhões a previsão do BC para 2008 e foi impulsionado pelo resultado de dezembro. No mês passado, os investimentos estrangeiros somaram US$ 8,1 bilhões, o melhor resultado desde junho de 2007, quando foram de US$ 10,3 bilhões.

“Nesse mês de dezembro, nós tivemos uma operação no setor de mineração da ordem de US$ 3 bilhões, resultado de venda de uma parte de um empreendimento. A empresa que vendeu essa participação aplicou isso em sua filial no exterior”, afirmou Altamir.

Um consórcio de siderúrgicas sul-coreanas e japonesas comprou 40% da Namisa (National Minérios S.A.), vendida pela CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) por US$ 3,12 bilhões, pagos à vista. O dinheiro foi reinvestido pela empresa brasileira no Panamá.

Em janeiro, o BC já registra uma entrada de mais US$ 2,1 bilhões até o dia 26 e espera terminar o mês com US$ 2,5 bilhões.

Ações

Com a piora da crise, os investimentos estrangeiros em ações e títulos públicos terminaram o ano negativos em US$ 767 milhões. Os investimentos em ações ficaram negativos em US$ 7,6 bilhões, depois de registrarem uma entrada de US$ 26 bilhões em 2007. As aplicações em renda fixa, positivas em US$ 6,8 bilhões.

Impulsionados pelo processo de internacionalização das empresas brasileiras, os investimentos brasileiros no exterior chegaram a US$ 20,457 no ano, quase três vezes o resultado do ano passado (US$ 7 bilhões). Esse é o segundo melhor resultado da série, atrás apenas do valor de US$ 28,2 bilhões registrados em 2006.

O aumento dos investimentos estrangeiros atrai dólares para o país e ajuda a compensar o déficit nas transações correntes, que registraram em 2008 o pior resultado em dez anos.

“O investimento direto é mais que suficiente para compensar as transações correntes”, disse Altamir.

19/12/2008 - 08:30h Lula critica empresários que demitem

Capa Folha de S.Paulo - Edição São Paulo

Para presidente, empresa deve usar lucros acumulados para manutenção de emprego em tempo de crise econômica

Petista afirma que governo não aceita flexibilizar leis trabalhistas, mas que pode facilitar entendimento entre empresa e empregado

SIMONE IGLESIAS E IURI DANTAS – FOLHA DE SÃO PAULO

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou ontem um recado claro aos empresários: o governo não irá se engajar na flexibilização das relações de trabalho, não aceita pagar seguro-desemprego durante suspensão temporária de contrato de trabalho e não vê motivo para demissões neste momento.

Em reunião com Lula na semana passada, os presidentes da Vale, Roger Agnelli, e da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Armando Monteiro Neto, defenderam mudanças na legislação para permitir a suspensão de salários por dez meses, período em que o empregado receberia só seguro-desemprego, pago pelo governo, e manteria o vínculo empregatício.

Grandes empresas como Vale e CSN já anunciaram demissões nas últimas semanas, com o agravamento da crise, e muitas outras deram férias coletivas.

“Eu acho que é muito engraçado. Os empresários poderiam pagar [os funcionários] com parte dos lucros que acumularam. O governo não vai deixar de assumir a responsabilidade de cuidar dos trabalhadores, mas nenhum empresário tem motivo para mandar trabalhador embora”, disse Lula.

E acrescentou: “É só analisar os números do comércio, é só ver como está o final de ano, o que aconteceu na feira do automóvel no fim de semana passado. O papel do empresário agora não é ficar encontrando um jeito de continuar mantendo o mesmo lucro, mas trabalhar de forma muito rápida junto com o governo para que a gente evite que a crise chegue a toda a sociedade”, afirmou.

Lula disse que está “pronto” para se envolver nas negociações, mas como forma de auxiliar o lado mais fraco: “Se em alguma situação os trabalhadores quiserem a participação ou a intermediação do governo, estaremos prontos”, afirmou, mas insistiu em dizer que o “problema” é de trabalhadores e empresários, não do governo.

“Eu não sei de onde saiu essa notícia [que o governo vai propor a flexibilização da legislação trabalhista]. De vez em quando alguém cria uma coisa e passa a ter o tom de verdade. Não fiquem esperando que o governo faça tudo. O governo vai fazer de tudo para evitar que a crise não atinja o mercado de trabalho. Agora, se por qualquer circunstância uma empresa tiver em crise, essa empresa e o sindicato se coloquem de acordo e, com muita maturidade, evitem que os trabalhadores sejam penalizados”, afirmou. (…)

Leia mais na Folha SP

16/12/2008 - 08:58h Pressão contra direitos trabalhistas

Procurado por empresários, presidente Lula se dispõe a intermediar conversas com sindicatos para flexibilizar legislação

http://www.jornalmudardevida.net/wp-content/uploads/2007/12/desemprego8_72dpi.jpg

Leonencio Nossa, Marcelo Rehder, Patrícia Cançado e Paulo Justus – O Estado SP

A sugestão do presidente da Vale, Roger Agnelli – de flexibilização temporária das leis trabalhistas, como forma de evitar mais demissões em massa -, publicada pelo Estado na edição de domingo, trouxe à tona uma discussão que tem ganhado corpo no governo e entre grandes empresas e sindicatos.

Os empresários já pressionam o governo por mudanças. As propostas foram apresentadas na última quinta-feira, em reunião com o presidente Lula. “É melhor reduzir temporariamente a jornada e os salários do que perder o emprego”, afirma Armando Monteiro Neto, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI). “O governo dialoga tanto com empresários quanto com os trabalhadores e, diante dessa crise, tem papel fundamental.”

Lula ouviu, mas nada disse aos empresários. Um fonte do governo, no entanto, informou que ele está disposto a intermediar a discussão com ministros, empresários e centrais sindicais. A reunião, ainda sem data marcada, dependerá da eficácia das medidas para ajudar as empresas a enfrentar a crise mundial. Na avaliação do presidente, trata-se de proposta complexa, que precisa ser analisada com “segurança jurídica”, segundo interlocutores do governo. Uma das preocupações é a possibilidade de demissões em massa com a volta das férias coletivas dos trabalhadores. Técnicos dos ministérios da Fazenda, da Previdência e do Trabalho já estudam a questão, que pode significar renúncia fiscal e desoneração.

A Constituição permite redução de salário e de jornada desde que negociada com os sindicatos. Em 1998, a Volkswagen conseguiu alterar temporariamente as regras da legislação, lembra o economista José Pastore, consultor da CNI. “São medidas de emergência. Se o Brasil tivesse feito as mudanças necessárias, não estaria passando por isso agora.”

Numa atitude considerada incomum no País, a CSN convocou sindicatos para propor a redução do porcentual de férias dos atuais 70% para 33,33% do salário-base, o aumento do turno de 6 para 8 horas e licença remunerada com redução de base salarial. “Não é uma negociação simples, mas seria salutar se outras empresas brasileiras fizessem o mesmo em vez de demitir”, afirma o diretor-técnico do Dieese, Clemente Ganz Lucio. “Em setores onde a crise é mais grave, os sindicatos nunca deixaram de negociar para preservar o emprego.”

A discussão não foi bem recebida pelas duas principais centrais sindicais do País. Para o presidente da CUT, Arthur Henrique, as empresas que recebem recursos do BNDES devem “diminuir os lucros e manter os empregos”. Embora não seja favorável, o dirigente da Força Sindical , Paulo Pereira da Silva, acredita que essas medidas ficarão mais freqüentes no próximo ano.

09/11/2008 - 17:35h CSN 20 anos depois da greve histórica

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Episódio impulsionou organização sindical, mas valeu pouco a seus personagens

Alexandre Rodrigues - O Estado de S. Paulo

 


RIO - Pouco mais de um mês depois da promulgação da Constituição de 1988, chamada “cidadã” por institucionalizar a democracia e direitos como o de greve, mais de 20 mil metalúrgicos decidiram cruzar os braços e ocupar o interior da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) para exigir a correção dos salários e as condições de trabalho previstas na Carta. Sabiam que desafiariam o autoritarismo que se recusava a sair de cena, mas não esperavam que a invasão do Exército para cumprir o mandado judicial de reintegração de posse os faria deixar a usina de Volta Redonda, marco do impulso industrializador getulista, com os corpos de três “companheiros” nos braços.Veja também:

Galeria de imagens

A reação do País àquele 9 de novembro impulsionou a organização política dos trabalhadores na redemocratização, mas deu muito pouco aos operários. Vinte anos depois, a memória do episódio que ganhou repercussão internacional se diluiu em meio à impunidade, ao desamparo das vítimas e às disputas internas do sindicalismo de Volta Redonda – que não conseguiu evitar o desemprego e as conseqüências sociais da privatização da CSN em 1993.

William Fernandes Leite, de 23 anos, foi baleado no pescoço quando observava a incursão militar do alto da aciaria, coração da siderúrgica, onde a maior parte dos grevistas se refugiou. Walmir Freitas de Monteiro, de 28, teve o tórax atravessado por uma bala de fuzil quando deu de cara com os militares na saída de um refeitório. O corpo de Carlos Augusto Barroso, de 19, foi encontrado com sinais de espancamento e afundamento de crânio.

Apesar da abertura de um inquérito militar, não houve culpados. Nenhum militar foi autorizado a depor na Justiça comum, que rejeitou as denúncias do Ministério Público. Em vez de réu, o general José Luís Lopes da Silva, que comandou a invasão, tornou-se juiz em 1999, indicado ministro do Superior Tribunal Militar pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na ocasião, diante do mal-estar provocado por sua nomeação, defendeu a ação em Volta Redonda, classificando-a de “bem-sucedida”. Ele se aposentou em 2004.

Revezes

Os líderes sindicais que mobilizaram os operários, conquistando toda a cidade para a causa, tiveram recentemente seus revezes reconhecidos pelo governo. Cerca de 70 ingressaram com pedido de reparação na Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e pelo menos 18 já obtiveram julgamento favorável este ano pelas perseguições e demissões decorrentes da série de greves anteriores, iniciada em 1984. A comissão não divulgou a lista dos beneficiados, mas segundo alguns deles as indenizações vão de R$ 25 mil a R$ 200 mil.

Já pelo assassinato dos três operários, o Estado não foi responsabilizado. Os familiares receberam na época uma compensação financeira da estatal a título de “acidente de trabalho”. Parte do acordo que pôs fim à greve, a indenização foi calculada cruzando seus modestos salários de 75 mil cruzados e suas expectativas de vida. João Campanário, advogado do sindicato até hoje, diz que o acordo foi fechado às pressas para abreviar o desamparo das famílias.

No 1.° de Maio de 1989, o sindicato reforçou o culto a William, Barroso e Walmir como mártires da luta operária ao inaugurar na cidade um monumento aos mortos projetado por Oscar Niemeyer. Não ficou 24 horas de pé. Na madrugada do dia seguinte, tombou sob o impacto de explosivos, num atentado atribuído a militares descontentes que nunca foi totalmente esclarecido. A pedido do arquiteto, o monumento não foi reformado para que as marcas servissem de alerta e memória para as próximas gerações.

Aos 77 anos, aposentado da indústria naval, Manoel Monteiro, pai de Walmir, trabalha como barbeiro num pequeno salão na periferia de Volta Redonda. Ele perdeu a mulher logo depois do filho. A nora, Luciene, mergulhou na depressão que a levou ao alcoolismo, e morreu há cinco anos na pobreza. “Ela era apaixonada pelo Walmir. Ficou sem rumo.” Ele ainda sofre ao lembrar da afinidade que tinha com o filho. Sempre que passa pela praça onde estão os escombros do memorial, pára para reler a placa que o homenageia, mas não tem orgulho: “Herói? Não foi. Ele foi vítima.”

Helvécio Alves, de 53 anos, detesta o monumento. Exibindo o punho direito sem movimento desde que uma bala de fuzil o atravessou na verdadeira batalha que se instalou com a tomada da usina pelos militares naquela noite de novembro, ele lembra que as seqüelas interromperam sua carreira à frente da locomotiva que pilotava na aciaria. Desistiu de buscar uma indenização depois de anos na Justiça sem sucesso. Amargurado, não enxerga benefícios para os trabalhadores depois da greve. Sente-se usado pelos sindicalistas e injustiçado pelo País.

“Briguei por um direito e me negaram, como se eu fosse culpado. Todos se beneficiaram: general, sindicalista, juiz, presidente da CSN. Quem perdeu foi o trabalhador, que ficou esquecido”, reclama Helvécio, que dá expediente num box do camelódromo de Volta Redonda para complementar a aposentadoria, que não chega a R$ 2 mil. Até hoje não tem casa própria. “Não tenho nada.”

Pintura da guerra

Dispostos a resistir, os operários receberam com paus, pedras e instrumentos de trabalho os 2 mil soldados das brigadas de Infantaria Motorizada da capital e de Petrópolis, deslocadas pelo comando do Exército para reforçar as tropas do batalhão de Barra Mansa. Os militares, que tinham o rosto pintado para o combate, responderam com bombas e tiros de fuzil. Ao ver que as balas eram de verdade, os grevistas se embrenharam na escuridão dos galpões que conheciam como a palma da mão. Quando um se mostrava, os soldados atiravam.

Atordoado pelo barulho, Helvécio buscava abrigo quando foi visto por soldados entrincheirados. “Eu ouvi uma voz dizer: ‘atacar!’ Aí foi aquela explosão no meu ouvido e a pancada no braço, que tinha levantado. Eles queriam acertar minha cabeça, atiraram para matar”, relembra Helvécio, que não tinha parado de trabalhar.