02/06/2009 - 11:17h Em posse, salvadorenho diz se espelhar em Lula e Obama

Como primeiro ato no poder, Mauricio Funes, da ex-guerrilha FMLN, reata com Cuba

Agora, dos países da região, só os EUA não têm laços formais com Havana; “não temos direito de errar”, diz presidente, citando petista

 El presidente de El Salvador Mauricio Funes y su esposa Vanda Pignato.
AP
El presidente de El Salvador Mauricio Funes y su esposa Vanda Pignato.

 

EDUARDO SCOLESE ENVIADO ESPECIAL A SAN SALVADOR – FOLHA SP

Ao tomar posse ontem na Presidência de El Salvador, Mauricio Funes confirmou a retomada das relações diplomáticas do país com Cuba.
Eleito pela ex-guerrilha marxista FMLN (Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional), Funes fez uma ode à esquerda moderada citando o presidente dos EUA, Barack Obama, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como exemplos de líderes que não significam “ameaça, mas um caminho novo e seguro”.
“Vivemos um tempo de crise de ideologias e falência de modelos”, disse o ex-jornalista da rede americana CNN, ante a notada ausência dos também esquerdistas Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e Daniel Ortega (Nicarágua) -todos se dizem seguidores do “socialismo do século 21″.
Chávez, que cancelou nos dois últimos dias seu programa de TV na Venezuela, não informou por que desistiu de comparecer à cerimônia. Morales alegou motivos de agenda.
Funes foi ovacionado quando fez o anúncio pró-Cuba, o ato final de 50 anos de isolamento diplomático da ilha na região. Agora, só os EUA, representados na plateia pela secretária de Estado, Hillary Clinton, não têm relações formais com o país comunista.
O reatamento diplomático com Cuba foi uma das promessas de Funes logo após a eleição na qual derrotou a Arena, partido de direita que governava o país desde 1989, ainda em meio à guerra civil que matou 75 mil pessoas entre 1980 e 1992.
Funes há apenas dois anos filiou-se à FMLN , convertida em partido em 1992, quando um acordo da ONU colocou fim à guerra civil. Ele não pegou em armas, mas indicou um ex-guerrilheiro como vice.

Sem direito de errar
A posse de Funes atraiu muita gente ao menor país da América Latina. Além do presidente Lula, compareceram a chilena Michelle Bachelet, o equatoriano Rafael Correa e o colombiano Álvaro Uribe. “A população pediu mudança, e a mudança começou agora”, disse Funes.
O novo presidente prometeu governar para os mais pobres (40% da população vive abaixo da linha de pobreza), ampliar o atendimento de saúde e criar 100 mil empregos. Dependente das remessas de imigrantes nos EUA, El Salvador sofre com a crise financeira numa economia dolarizada e enfrenta crise na segurança pública.
Diante de um auditório superlotado, Funes citou sua proximidade com Lula e até copiou fala do petista do início do mandato. “Não temos o direito de errar”, disse, em referência à expectativa criada pela chegada da esquerda ao poder.
Funes é casado com uma brasileira, a petista Vanda Pignato, e a cerimônia contou com uma delegação do partido, entre os quais o ex-ministro José Dirceu e a ex-prefeita paulistana Marta Suplicy.
Durante a campanha e o período de transição logo após a eleição, Funes contou sempre com o apoio do PT e do Palácio do Planalto. Seu marqueteiro, por exemplo, foi João Santana, o mesmo da reeleição de Lula. O chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, ajudou pessoalmente Funes, depois de eleito, no período de transição para a montagem do gabinete presidencial.

13/04/2009 - 09:53h ”América Latina agora diz o que pensa”

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Especialista em relações internacionais crê que era Obama vai permitir a construção de agenda conjunta entre AL e EUA

 

Fernando Dantas – O Estado SP

 


A relação dos Estados Unidos com a América Latina não é mais uma questão meramente regional. Deve se constituir numa agenda conjunta para temas globais, na opinião de Peter Hakim, presidente do Diálogo Interamericano, centro de estudos das relações entre os EUA e a América Latina e o Caribe, baseado em Washington. Para ele, os principais países latino-americanos, como o Brasil, estão mais afirmativos e independentes, e o presidente americano, Barack Obama, deveria tratar de assuntos mundiais, como a relação com China e Oriente Médio, na Cúpula das Américas, em Porto of Spain, em Trinidad Tobago, de 17 a 19 de abril. Hakim será uma das principais atrações da reunião regional no Rio do Fórum Econômico Mundial na América Latina, cuja programação de debates começa na quarta-feira. Ele falou ao Estado por telefone.

Quais as expectativas sobre as relações entre Brasil e Estados Unidos na era Obama?

Obama começa com a grande vantagem de não ser o (ex-presidente George W.) Bush. O novo presidente tem um imagem muito especial na América Latina, na Europa, no mundo inteiro. Ele criou expectativas altas e é bem-recebido onde quer que vá. Mas há restrições. Com a crise, faltam recursos e a atenção do governo americano está fixada no cenário interno. O segundo problema é que a atitude na América Latina agora é ambivalente sobre o papel dos Estados Unidos.

Como assim?

A América Latina mudou nos últimos 10 a 15 anos e agora é mais independente, mais afirmativa, não aceita simplesmente o que vem de fora. A região agora diz o que pensa. Os Estados Unidos ainda são primordiais para muitas nações latino-americanas, mas países como Chile, Brasil e Peru têm uma diversidade inédita de parceiros comerciais e políticos. Na Cúpula de Trinidad e Tobago, Obama deveria falar do Oriente Médio, das relações com a China. A América Latina quer participar dessa conversação. O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, elogiou as palavras de Obama de que não está programando uma agenda para América Latina, mas sim uma agenda com a América Latina. Talvez acabe sendo muito semelhante, mas eu diria que, em política externa, 50% é simbólico.

O que o sr. prevê em relação à Cuba no governo Obama?

O primeiro passo de Obama é positivo, ao levantar restrições aos cubano-americanos, que passam a poder visitar familiares de forma ilimitada. Tudo indica que o Obama quer liberalizar mais a relação, mas depende de como reagem os cubanos americanos e os cubanos em Cuba. Não se pode imaginar que os Estados Unidos façam mudanças contínuas nessa relação sem que haja uma reação de Cuba, seja liberando prisioneiros, ou facilitando viagens ao exterior, por exemplo.

A química entre Obama e Lula parece estar funcionando bem.

Bem, é preciso lembrar que a relação na época do Bush foi boa para o Brasil e para os EUA. Os dois países tinham uma afeição mútua, toleravam as diferenças, e os EUA deixaram o Brasil assumir uma certa liderança na América do Sul, com poucas críticas até quando os dois países estavam em desacordo. O Brasil é um país que não gosta de fazer alianças muito fortes, que busca uma relação equidistante dos seus parceiros, que preza sua independência. O Brasil é importante para os EUA. Se não fosse pelo Brasil, a Venezuela seria o país mais notório na América do Sul, com uma liberdade de ação muito maior do que tem agora. Há muitos temas para se avançar, agora com o Obama, mas uma grande oportunidade é a questão dos biocombustíveis.

A relação dos Estados Unidos com Hugo Chávez deve melhorar?

Acho que Obama está seguindo mais ou menos o caminho de Bush nos últimos dois anos – não é necessário abraçar Chávez, mas tampouco confrontá-lo. A crítica de Obama a Chávez deve ficar limitada à ajuda às Farcs e a intervenções fora do próprio país, isso é, enfatizar mais a política externa venezuelana do que a questão interna.

Haverá continuidade entre Bush e Obama, apesar das grandes diferenças entre os dois?

Acho que há uma agenda incompleta de Bush que Obama deve seguir, como regionalizar a iniciativa Mérida (plano de apoio americano de combate ao narcotráfico no México), ser mais afirmativo em relação aos biocombustíveis com o Brasil, completar os tratados de livre-comércio com Colômbia e Panamá, a questão de Cuba. Mesmo nos seus sucessos, como os acordos de livre-comércio com Peru, Chile e América Central, Bush deixou um sabor amargo nos outros países, com posições exigentes, inflexíveis. Isso vai mudar, e os EUA devem reconhecer que a América Latina é um ator mundial.

17/03/2009 - 10:52h EUA e Brasil em lua-de-mel, mas sem álcool

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foto de capa do caderno especial do jornal Valor
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Patrick Brock, The Wall Street Journal, de Nova York – VALOR

Numa reunião na Câmara de Comércio de Nova York, em 2 de novembro de 1863, o pastor James Cooley Fletcher se desdobrou para convencer os empresários locais sobre a importância de estreitar os laços com o Brasil, segundo registro de um jornal da época. Acompanhado dos diplomatas brasileiros Joaquim de Azambuja e Luis Fleury, que traziam uma elogiosa carta da Câmara de Comércio do Rio de Janeiro, Fletcher, um entusiasmado brasilianista, celebrava o início da primeira rota direta de vapores entre as duas principais cidades das jovens nações, Rio de Janeiro e Nova York.

Da pequena frota de vapores subsidiados pelos governos dos dois países, as relações comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos evoluíram desde então para uma balança comercial de pouco mais US$ 53 bilhões em 2008, com saldo positivo de US$ 1,8 bilhão para o Brasil. O diálogo transnacional também passou para esferas muito mais altas e hoje o Brasil é considerado pelos EUA como um importante parceiro no desenvolvimento de relações multilaterais, dizem especialistas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi apenas o terceiro chefe de Estado a ser recebido pelo presidente americano Barack Obama, e o primeiro da América Latina, em um encontro sábado na Casa Branca.

Não há nenhum Fletcher hoje pressionando o governo americano a melhorar o relacionamento com o Brasil, mas o momento atual é favorável, segundo vários especialistas. Embora ainda ocorram embates sobre questões comerciais, há boas perspectivas de cooperação em áreas como combate ao tráfico de drogas, mudanças climáticas e relações multilaterais. O governo Obama também tem sinalizado um posicionamento mais flexível em relação a Cuba, o que provavelmente agradaria o governo Lula. Além disso, o Brasil é visto como um país que desfruta de boas relações na América Latina de maneira geral, o que pode ajudá-lo a servir de ponte para um novo diálogo entre os EUA e a região, dizem os especialistas. Após uma reunião com Lula sábado, Obama disse que pretende usar o relacionamento com o Brasil para reforçar os laços com a América Latina.

É claro que a grandiosidade da crise econômica nos EUA e no mundo, e os conflitos no Iraque e no Afeganistão podem dificultar que o governo de Obama dê prioridade à América Latina em sua agenda internacional num futuro próximo, diz o cientista político Riordan Roett, da Universidade Johns Hopkins. “A atitude atual é benigna, mas a escalada da violência no México, fruto da guerra contra o narcotráfico, o policiamento da fronteira com esse país e os efeitos da queda nas remessas de imigrantes devem ganhar mais destaque na agenda do governo Obama” em se tratando de relações com a América Latina, diz Roett, que recebeu em 2000 a medalha da Ordem de Rio Branco das mãos de Fernando Henrique Cardoso.

O convite de Obama para Lula visitar Washington também é um bom sinal, diz Roett, para quem a cooperação entre os dois países no contexto atual é muito mais abrangente do que as questões bilaterais, especialmente com o papel preponderante do Brasil na construção de mecanismos multilaterais. “Se Obama quiser ativar a Rodada Doha, vai precisar do Brasil.” Brasil e EUA se reúnem novamente no início de abril, na conferência do G-20 em Londres, e em 17 de abril para a V Cúpula das Américas, em Port of Spain, Trinidad e Tobago.

Segundo Luiz Alberto Moniz Bandeira, professor aposentado de política exterior do Brasil da Universidade de Brasília, os dois países “não podem deixar de se considerar, (pois) são as duas maiores massas geográficas, demográficas e econômicas do continente”. Moniz aponta também a diminuição na importância dos EUA para as exportações brasileiras, que passaram a ser dominadas pela União Europeia e países emergentes. “O Brasil quer se aproximar dos EUA apenas na medida em que os EUA queiram se aproximar do Brasil”, diz Moniz.

Em entrevista coletiva em 25 de fevereiro, logo após se reunir em Washington com Hillary Clinton, o chanceler Celso Amorim disse que uma prioridade para reativar as negociações multilaterais para o comércio mundial é a confirmação pelo Congresso do indicado para o cargo de representante comercial dos EUA, Ron Kirk. A nomeação ainda está pendente, enquanto pesam sobre Kirk questões relativas a sua declaração de renda.

“O diálogo entre os dois governos realmente evoluiu nos últimos anos e acredito que o governo Obama continuará desenvolvendo isso”, diz Julia E. Sweig, diretora de estudos latino-americanos do Council on Foreign Relations, um centro de pesquisas que tem sede em Nova York e se descreve como não-partidário e independente. A política comercial entre os dois países, contudo, ainda “não foi bem resolvida”. Embora haja muito interesse no Brasil, diz Sweig, especialmente em relação às recentes descobertas petrolíferas e à indústria do etanol, a falta de conhecimento aprofundado sobre o país pode ser um obstáculo para as relações entre os dois países. “O pessoal da política exterior (do governo Obama) está preocupado com México, Cuba e, em terceiro lugar, o Brasil. Mas ainda existe um grande déficit de conhecimento sobre o Brasil e como dialogar com o país em meio à classe política em Washington”, diz.

Questões comerciais também se interpõem entre os dois países. Um dos pontos de debate é a tarifa de US$ 0,14 por litro de álcool combustível importado do Brasil nos EUA. Ela foi mantida na legislação agrícola aprovada em 2008 e está em vigor até o fim de 2010. A demanda por álcool combustível nos EUA vem crescendo, mas o país tem sua própria produção, à base de milho, e os produtores locais têm bastante influência em Washington.

“Barack Obama quer expandir a produção de energia renovável na América Latina de uma maneira que promova a auto-suficiência e crie mais mercados para fabricantes e produtores americanos de biocombustíveis”, diz o plano para a América Latina divulgado ano passado pelo então candidato. Obama reafirmou sua posição ao dizer após a reunião com Lula que o etanol é um “tema tenso” entre os dois países, que não vai mudar de um dia para o outro.

Joel Velasco, representante-chefe para a América do Norte da União da Indústria de Cana-de-Açúcar do Brasil (Unica), tem esperança de que políticos contrários à tarifação apresentem novas emendas que modifiquem a legislação agrícola. Velasco diz que os senadores e deputados das regiões costeiras tendem a apoiar a redução da tarifa, já que não produzem etanol e geralmente são obrigados a pagar mais caro pelo produto. Ele cita como favoráveis à redução da tarifa os senadores republicanos Richard Lugar e Judd Gregg.

Representantes dos senadores confirmaram que eles apoiam a redução da tarifa, mas disseram que no momento não há planos de introduzir nova legislação. Gregg chegou a apresentar em junho do ano passado um projeto de lei para reduzir a tarifa para US$ 0,12 por litro, sob o argumento de que a medida baixaria o preço da gasolina – na época o barril de petróleo estava acima de US$ 140, enquanto agora flutua na casa dos US$ 40. O projeto acabou morrendo no Congresso.

Gregg tinha sido indicado para ocupar a Secretaria de Comércio, um cargo que vem rendendo dor de cabeça a Obama, mas acabou desistindo sob a alegação de que havia “diferenças irresolúveis” com a política do novo presidente. O cargo em questão ainda está vago e Obama indicou recentemente o ex-governador do Estado de Washington Gary Locke, que aguarda confirmação.

12/03/2009 - 11:08h Lula pedirá a Obama menos protecionismo durante a crise global

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Presidentes do Brasil e dos EUA se encontrarão no sábado; brasileiro insistirá no fim de restrições à importação de etanol

Pauta do encontro incluirá o estreitamento de laços com países da América Latina; Planalto espera que ocorra “boa química” entre os dois

KENNEDY ALENCAR E LETÍCIA SANDER DA SUCURSAL DE BRASÍLIA – FOLHA SP

No primeiro encontro pessoal com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende propor que o americano se empenhe para concluir a Rodada Doha, evite medidas protecionistas da maior economia do mundo no momento de crise e tenha ação mais efetiva sobre os bancos- sem descartar eventual estatização temporária.
No Palácio do Planalto, há preocupação em que ocorra uma “boa química” no encontro deste sábado em Washington, no qual Lula pretende insistir no fim das restrições americanas à importação do etanol brasileiro e sugerir a Obama que faça gestos de boa vontade para a América Latina, sobretudo para países com forte sentimento anti-EUA.
Ontem, o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) demonstrou otimismo quanto a este aspecto, porque há, segundo ele, uma “afinidade indiscutível de pensamento” entre Lula e Obama. “Nós identificamos até semelhanças, às vezes, nas frases usadas em relação à esperança, à mudança. Há uma afinidade, eu diria, intelectual, que vai permitir que esta relação [entre EUA e Brasil], que já é boa, possa ser muito mais aprofundada”, afirmou.
Ministros e assessores de Lula disseram à Folha que o brasileiro tem na carreira aspectos simbólicos como Obama. Lula é um retirante que conheceu a pobreza, fez carreira sindical e chegou à Presidência. O americano é o primeiro negro a presidir os Estados Unidos.

Pauta

Na pauta de Lula e Obama, segundo Amorim, deve entrar um debate sobre “os remédios para a crise financeira”, o que inclui a necessidade de aumentar e facilitar o crédito para o comércio entre países em desenvolvimento. Segundo Marco Aurélio Garcia, assessor da Presidência para assuntos internacionais, “será uma agenda de poucos pontos”.
Lula pretende pedir a Obama que se empenhe e não faça exigências excessivas para viabilizar a conclusão da Rodada Doha, as negociações para liberalização do comércio internacional que estão paradas no âmbito da OMC (Organização Mundial do Comércio).
O brasileiro também aconselhará Obama a tomar uma atitude mais definitiva em relação aos bancos americanos que estão em dificuldade. A intenção é sugerir que ele não descarte a estatização.
No campo energético, Lula priorizará o álcool. O Brasil levará mais uma vez aos EUA o pleito sobre a necessidade de eliminar, ainda que gradualmente, as tarifas de importação sobre o álcool combustível.
Por ora, o governo manterá o discurso de que não tem como substituir a Venezuela como fornecedor de óleo cru aos EUA, já que não tem excedente para exportar. O petróleo do pré-sal ainda vai demorar a ser explorado em larga escala, e a prioridade do país é agregar valor -refinar aqui e criar uma indústria do petróleo.
O terceiro ponto da agenda desejada pelo Itamaraty será a América Latina. Hugo Chávez, presidente da Venezuela, pediu a Lula que o ajude a melhorar relação com EUA e o aproxime de Obama. Lula pretende fazer isso, mas num contexto de maior “conciliação” com a América Latina, no sentido de ajudar Obama a olhar para cá “com a lógica certa”, nas palavras de Amorim.
Sobre Cuba, o presidente deve sinalizar que são positivas as medidas para suavizar ou encerrar o bloqueio americano.
A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) integrará a comitiva de Lula nos EUA. A Casa Branca reservou pouco mais de uma hora para o encontro, segundo o chanceler Amorim.

11/03/2009 - 09:53h “Brasil está talhando um papel poderoso no comércio internacional”, escreve o Wall Street Journal

Lula diz que pedirá a Obama combate ao protecionismo

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John Lyons, The Wall Street Journal, de Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou ontem que uma crescente onda de protecionismo por parte dos países ricos ameaça as economias do mundo emergente, e prometeu fazer lobby para que os Estados Unidos adotem um acordo de livre comércio com a Colômbia, ainda que isso possa prejudicar parte das exportações de seu próprio país aos EUA.

Numa entrevista ao Wall Street Journal que antecede uma visita de Estado aos EUA no fim de semana, Lula foi bastante crítico quanto a uma recente onda de medidas protecionistas em países que normalmente promovem o livre comércio. Um exemplo: a cláusula para compra de produtos americanos incluída no mais recente pacote de estímulo aprovado pelo Congresso dos EUA, ainda que ela tenha sido modificada para assegurar que o país cumpra regras de comércio internacional.

Lula advertiu que a crise financeira global ameaça prejudicar o desenvolvimento e reivindicou ajuda financeira e outras medidas para prevenir a maior disseminação da crise.

“Não podemos aceitar a ideia de que por conta da irresponsabilidade de banqueiros, e por conta da irresponsabilidade de uns governantes, que não fiscalizaram e não regulamentaram, o mundo pague a conta, sobretudo o povo mais pobre”, disse.

O Brasil é um defensor inusitado do comércio mais aberto. Altas tarifas de importação tornam muitas mercadorias caras demais para boa parte dos brasileiros. O país se opôs aos esforços americanos para unir o continente num enorme acordo de livre comércio, argumentando que as condições propostas pelos EUA eram duras demais para os parceiros comerciais latino-americanos.

O Brasil está pressionando agressivamente pela retomada das negociações no âmbito da Organização Mundial do Comércio por um acordo comercial global. Mas os argumentos de Lula ressaltam a profundidade com que a crise financeira está mudando o panorama até de países que pareciam estar sobrevivendo à crise melhor que outros. Lula disse acreditar que o Brasil evitará a recessão este ano, ainda que EUA, Europa e Japão se contraiam. Mas novos dados divulgados ontem mostraram a economia brasileira desacelerando rapidamente – com crescimento de apenas 1,3% no quarto trimestre de 2008, ante igual período do ano anterior.

Lula disse que conter o protecionismo é sua grande prioridade numa reunião que tem programada com Obama, no sábado. “Qualquer protecionismo poderá, no curto prazo, parecer favorável, mas no longo prazo será uma lástima para os países, e sobretudo na economia global, levando em conta necessidades que os países mais pobres têm de vender produtos para os países mais ricos.”

O ex-líder trabalhista tem se posicionando cada vez mais como um defensor global de países emergentes como África do Sul, Índia e outros em fórums como a reunião dos líderes do Grupo das 20 maiores economias em Londres, no mês que vem.

Na reunião com Obama, disse Lula, ele também planeja discutir propostas que podem ser debatidas na reunião do G-20. Entre essas medidas, disse Lula, estão a revitalização das negociações na Organização Mundial do Comércio, maior compromisso em evitar políticas comerciais protecionistas, diretrizes mais rígidas para a regulamentação de instituições financeiras, incluindo limites à alavancagem, e compromissos por parte dos países ricos de aumentar o crédito para exportações e outras atividades nas nações em desenvolvimento.

Não muito tempo atrás, a tentativa do Brasil de influenciar questões globais poderia ser ignorada. Mas o país, maior exportador mundial de açúcar, café, minério de ferro, carne e frango, está lentamente talhando um papel poderoso em áreas como comércio internacional.

As relações com o Brasil estão se tornando uma prioridade para os EUA. Enormes descobertas de petróleo no litoral podem fazer do país um importante fornecedor do combustível para os EUA num momento em que a produção do México e da Venezuela declina. O Brasil também pode exercer um papel importante na melhora das relações dos EUA com a América Latina, que atingiu novos pontos baixos no ano passado quando a Venezuela e a Bolívia expulsaram embaixadores americanos e o Equador declarou que acabaria com o uso pelos EUA de uma base militar no país.

Lula, por exemplo, disse que está exortando o presidente venezuelano, Hugo Chávez, a reduzir a intensidade de sua retórica anti-EUA e ver a mudança na Casa Branca como uma oportunidade de reformar as relações. Em contraparte, ele está reivindicando que os EUA também desmanchem o embargo comercial contra Cuba, uma mancha há bastante tempo nas relações regionais.

“Não existe mais nenhuma razão humana, sociológica ou política (para manter o embargo a Cuba). Precisa ter um olhar pelo futuro, e não pelo passado. Não podemos ficar fazendo política no século XXI sobre os fatos que (aconteceram) no século 20.”

Os EUA já declararam que esperam reduzir as restrições a viagens e transferências de dinheiro para Cuba.

Operário que não concluiu os estudos e perdeu um dedo num acidente de trabalho, a inusitada ascensão de Lula ao poder lhe dá uma enorme reserva de boa vontade numa região com uma profunda divisão entre ricos e pobres.

Embora boas, as relações entre os EUA e o Brasil são relativamente subdesenvolvidas. A pedra angular é um acordo para desenvolver tecnologia para biocombustíveis – uma área na qual o Brasil é forte.

O passado pobre de Lula aumentou as expectativas de que ele será capaz de estabelecer um relacionamento especialmente produtivo com Obama, cujo próprio passado não pressagiava o poder. O brasileiro foi efusivo em seus elogios ao presidente americano.

“Rezo por Obama mais do que por mim mesmo”, disse Lula. “As políticas de Bush para o Brasil eram dignas. Mas acho que podem ser infinitamente melhores com Obama.”

O desdém de Lula por bancos de investimento remonta ao período imediatamente posterior a sua eleição, em 2002, quando firmas dos EUA e da Europa puxaram uma forte baixa dos títulos da dívida externa brasileira, prevendo que Lula arruinaria a economia. A economia brasileira permaneceu sobre bases sólidas, e seu sistema financeiro está intacto.

De fato, Lula disse que a crise ofereceu uma oportunidade para se criar uma economia na qual os financistas de Wall Street tenham um papel menor.

“O mundo será menos falso”, disse. “A economia que vai contar é a que produz milho, arroz, um parafuso, um carro, um terno, um relógio.”

10/01/2009 - 18:14h Hip Hop, La Habana y el Bronx

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Un argentino que nació en San Martín de los Andes que ahora vive en México y que estudió cine en La Habana es el encargado de enlazar dos mundos aparentemente antagónicos a través de un ritmo musical, el Hip Hop. Lo hace a través de un documental, Havanayork, que comenzó a rodar con vaguedad y ansia en 2001 en La Habana y que continuó, luego de mucha fatiga, dos años después en Nueva York.

El Bronx se cruza con las calles tumultuosas de Centro Habana; la Plaza de la Revolución con la Estatua de la Libertad, mulatos de aquí y de allá prestan sus voces en dos lenguas que parecen traducidas sin leerse, dos mundos que generan sus propios márgenes de protesta y descontento. Allí donde las fronteras se borran y hermanan con la palabra “revolución” declinada: de qué manera.

Estoy hablando de la obra de Luciano Larobina, el director que sumó empeño y talento para este documental que conocerá el mundo en el próximo Festival de Cine de Tribeca, ese capricho inventado por Robert de Niro.

Así me contó Luciano la gesta de su película de la que me entero mientras yo misma transito las calles de La Habana, luego de dar mis clases de verano en la escuela de cine (la EICTV) donde él y yo estudiamos con algunos años de distancia.

-¿Cómo llega esta idea de cruce musical entre La Habana y Nueva York?

La idea llegó como un pretexto que me permitió filmar en La Habana y releerla con nuevos ojos después de ocho años de no visitarla. Yo viví en la Cuba de 1993 a 1995 y esta idea surgió hacia finales del 2001. El Hip Hop nació en esta ciudad en 1995 con temas de un grupo llamado “Los Reyes de la Calle” y todo eso coincidió con el final del ciclo de mis estudios en Cuba, así que esa historia fue algo que no me tocó vivir y me generaba una curiosidad muy grande saber qué pasó, cómo nació y de dónde vino el Hip Hop. La premisa era simple: quedarme en La Habana el mayor tiempo posible para retratar y comprender el Hip Hop de la Isla con todas sus raíces para crear un puente que lo conecte con su lugar de origen en Nueva York.


¿Por qué tanto empeño con esta idea?

Me sonaba muy seductora la idea de un país como Cuba que enarbola la “Revolución” desde hace 50 años y un género musical que en su origen fue una voz “revolucionaria” que habló desde los márgenes de Nueva York soñando con la emancipación de la marginación. Aunque el documental es más musical que político, los antagonismos de ambos países crean conflictos y dilemas muy interesantes que pueden ser puntos de partida parte la realización de un documental que los haga “dialogar”.


¿De qué modo pudiste producir en un país y otro? ¿Encontraste trabas en tu trabajo?

La primera etapa de producción fue financiada con mis recursos porque sentía una necesidad visceral de documentar La Habana y aún no tenía claro qué estaba haciendo realmente, pero sabía que necesitaba filmar todo lo posible sobre el movimiento en las calles, las casas, los clubes y otros lugares. De manera que viajé ligero y con el equipo técnico mínimo. Casi siempre fuimos dos personas las que filmamos y grabamos todo, eso nos permitió meternos casi hasta la cocina sin ser realmente invasivos, tratábamos de ser livianos, Me tocó filmar en Cuba justo antes de las nuevas leyes que son mucho más estrictas sobre las cámaras y las filmaciones en la calle, así que puedo decir que fui totalmente libre de meterme en todos lados y filmar todo lo que me diera la gana, hasta logramos filmar en la Plaza de la Revolución que es un lugar muy custodiado y vigilado por la seguridad del estado. La única dificultad que tuve en Cuba es que cuando terminé de filmar en La Habana no pude viajar de regreso porque mi visa había expirado hacía más de un mes, entonces presencié con angustia como despegaba mi vuelo mientras agentes de la seguridad del estado y policías me escoltaban en una patrulla a una comisaría. Después de charlar con el jefe a cargo de la comisaría y pasar por un ligero interrogatorio me dieron la luz verde para regresar a México y me escoltaron nuevamente hasta el aeropuerto al otro día.

En México organicé lo grabado y filmado, me puse a escribir y aterricé las cosas con más elegancia, concursé por una y la conseguí y así pude seguir trabajando.


¿Cómo fue esa segunda etapa, la de New York?

Fue un poco más complicada porque la embajada de los Estados Unidos en México me negó el visado en dos ocasiones y tenía mucho miedo de pedir la visa por tercera vez y que me la negaran porque eso implicaba no poder viajar a Nueva York en 5 años… así se estancó la producción durante dos años y comencé a pensar cómo darle la vuelta a la historia. Una amiga me llamó un día y me dijo que el embajador adjunto de la Embajada estaría en una fiesta, así que me puse las pilas y llegué a la fiesta a conocerlo con la firme determinación de conseguir mi visado y el fue la llave maestra para ello, redactó una carta de recomendación que presenté en la Embajada y eso funcionó como magia, los oficiales hicieron el trámite como robots y salí del lugar con luz verde y sonrisa en el alma. Para la suerte del proyecto en paralelo lo propusieron para concursar por la beca Rockefeller de Nueva York y nos ganamos el apoyo justo antes de viajar a los Estados Unidos. Así que después de dos años de espera y sufrimientos nos bendijo la sincronía y llegamos a Nueva York en el marco del festejo de los 20 años del nacimiento del Hip Hop. Logramos contactar a los “pioneros” y “fundadores” del inicio de todo el movimiento, entrevistamos a los Fantasics Aleems, míticos gemelos guitarristas de Jimmy Hendrix, grabamos al DJ Tony Tone que tocaba con los famosos Cold Crush Brothers, protagonista del primer documental de Hip Hop llamado “Wild Style”, entrevistamos a Umar y Abiodun de la agrupación The Last Poets, considerados los verdaderos padrinos del Hip Hop, herederos de las luchas civiles de los Black Panthers y activistas políticos que iniciaron en los 70’s la crítica política y la voz consciente usando como herramienta la poesía “spoken word” y la música, estuvimos con Dani Hoch que es un reconocido activista del Hip Hop contemporáneo, asistimos a la fiesta de Zulu Nation y conocimos a Afrika Bamabata y muchos pioneros de los barrios del Bronx que festejaban 20 años de resistencia y contra cultura. Nos bendijo el buen timming y logramos entrevistar a la gente correcta justo a tiempo.

En Nueva York no pedimos permiso para filmar porque no usamos nunca trípodes y siempre viajamos ligeros, únicamente en una ocasión un oficial me preguntó mientras entrevistaba en Central Station a un sacerdote musulmán Hip Hopero muy llamativo si tenía permiso para hacerlo, mi reacción instantánea fue decir “Of course”!!! y eso nos salvó de tener un problema mayor, usamos los recursos de las Becas para terminar de filmar en Nueva York y regresamos a México con mucho material para editar y trabajar.

Países con gobiernos enemigos, pero con músicos y ciudadanos afines. ¿Cuáles son las afinidades que encontraste?

Hay muchas afinidades y contrastes, siento que son dos ciudades que están prohibidas entre sí por sus gobiernos y sus sistemas, pero en lo profundo siento que se desean… Son dos puertos cosmopolitas llenos de magnetismo musical y si soy honesto creo que hay muchas más diferencias que afinidades.

En Cuba la gente tiene mucho tiempo libre y eso les da chance de “dialogar” consigo mismos de una manera muy profunda, entonces te encuentras en La Habana personajes únicos y originales que no se parecen a nadie; en Nueva York la gente no tiene casi tiempo para nada, el valor del tiempo está muy relacionado con el dinero y la gente tiene una gran presión para poder vivir y salir adelante, en cambio en Cuba casi nadie tiene dinero y no existe esa gran presión de tener que pensar en cubrir la renta, comprar la comida básica, pagar la educación y la salud; en Nueva York todo está saturado de publicidad y hay muchos “modelos” que la gente usa para pertenecer a tal o cual grupo, ese “modelo” permite que la gente use códigos de vestimenta para reconocerse y juntarse, mientras que en Cuba es tan cara la ropa que se valora muchísimo un pantalón o unos buenos zapatos, en la Isla solo hay unos cuantos carteles con publicidad y mensajes políticos de tanto en tanto y no hay un concepto claro de mercado.

En Nueva York existen miles de celulares encendidos en todos lados y los ciudadanos pueden tener acceso a Internet si pagan el servicio, Cuba es otro mundo, el Internet es algo que aún está filtrado y protegido por razones políticas y económicas y poca gente puede tener acceso total al servicio, en Nueva York se respira una especie de “concentrada distracción” que no se detiene, cada cual vive en su canal, escuchando su iPod o sumergido en los jueguitos que le ofrece su servicio celular mientras que en Cuba existe una “distracción concentrada” y hay muchas menos “distracciones”, hay muy pocos canales de televisión, en uno solo se habla de béisbol y deportes y en los otros hay noticias, películas nocturnas y política, las relaciones sociales son muy distintas por estos motivos y ambos modelos generan patologías y singularidades totalmente distintas.

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¿Qué significan para vos estas las fronteras geopolíticas en ese mundo que pintas sin fronteras?

Las fronteras para mi significan control, guerra, comercio, sueños, límites, divisiones… Pero la música es tan fuerte y poderosa que nunca ha respetado ninguna frontera, la siento como un factor que erosiona todo mapa geopolítico con su canto lleno de magia, historia, cultura, ritmo y armonía. Para mi es uno de esos “genes culturales” que hacen mutar la dirección y el pulso de las sociedades, ayudando a barrer las barreras que se levantan para contener lo que nos contiene y nos da identidad.

La música es una especie de DNA todopoderoso que viaja en espiral y se alimenta de todos en todas latitudes, así que el mundo que pinto sin fronteras hace alusión a ese mundo musical… Es complicado realmente entender las fronteras, porque inclusive dentro de Cuba hay fronteras que separan a los distintos tipos de Cubanos, de igual forma que hay muchas fronteras en los Estados Unidos y en cada uno de nuestros países que nos dividen, inclusive hay fronteras dentro de las familia y los individuos. No se realmente que significan las fronteras, son quizás como grandes diques para contener toda la energía potencial que humanamente podemos compartir, pero existen tantas regulaciones y divisiones haciéndonos pensar que somos de tal o cual lugar que al final nos olvidamos que todos somos humanos y formamos parte de la tierra, la tierra no nos pertenece, somos tan solo una especie más un poco más depredadora que todas las demás.

25/12/2008 - 11:29h A chance de Obama e o desafio de Lula

*Antônio Palocci – O Estado SP

O ano termina sombrio para os EUA: a recessão se instalou sem cerimônia, o desemprego assusta as famílias e o socorro às instituições privadas consome bilhões de dólares em meio à grande perplexidade. Mas o novo ano começará com a posse de Barack Obama, eleito com a força da mudança: “change” foi a palavra das urnas.

Mas Obama pode vencer? Provavelmente, sim. Porque a economia americana tem uma grande capacidade de dar a volta por cima quando há uma indicação da estratégia a ser seguida. E aí, a contar pela montagem do governo, a possibilidade de um período de acertos é muito provável.

Obama escolheu bem, posicionando corretamente experiências de diferentes fases positivas da história recente dos EUA. Na economia, um jovem brilhante como Tim Geithner dará as cartas. Mas na mesa de Obama pousa uma coruja observadora, Paul Volcker, aquele que fez a terra rodar ao contrário para conter a inflação décadas atrás.

Para enfrentar o problema fiscal que virá com os exorbitantes gastos com a crise, Obama trouxe Larry Summers, responsável pelo recorde fiscal do governo Clinton. O desprendimento para o melhor o fez chamar Hillary Clinton, com funções de grande envergadura. Na energia, um Nobel de Física entusiasta das energias renováveis, Steven Chu, o que cria a possibilidade de um ciclo de crescimento atento aos riscos do aquecimento global e à preservação do planeta.

Se desse grupo sair uma agenda coerente, a economia captará os sinais e se ajustará com mais rapidez. Ela pode ainda afundar um pouco mais, por conta da situação do sistema financeiro – agravada pelos escândalos recentes e pelo enorme endividamento das famílias. Mas uma visão sólida para o futuro poderá encurtar bastante a retração. E não é impossível que o mundo mostre sinais positivos a um bom governo de Obama mais cedo do que a própria economia americana.

Também na geopolítica, as atitudes de Obama poderão ser decisivas. O Iraque, o Afeganistão, as relações com Cuba, entre outros temas, poderão ter um tratamento novo. Por filosofia própria ou pela observação dos desastres recentes, Obama parece entender a distinção entre liderança e hegemonismo, o que pode ter efeitos, inclusive econômicos, de grande impacto.

Obama tem uma chance. Talvez não tenha duas. Mais do que nós, ele sabe bem disso!

No Brasil, outra liderança inovadora, que vem surpreendendo o mundo pela racionalidade econômica e capacidade de interpretar e intervir na questão social, tem, agora, um novo e enorme desafio. Lula enfrenta uma realidade em que o mundo, que antes nos ajudou, agora só envia ventos frios e perspectivas sombrias.

Muitos criticam o presidente por ser otimista, como se com isso tentasse esconder a dura realidade dos efeitos da crise. Mas, se a um presidente cabe reconhecer as dificuldades, trabalhar os desafios e enfrentá-los com serenidade, o que seria de um país cujo presidente vendesse frustração e pânico?

Aliás, o presidente Lula não enfrenta seu primeiro teste de resistência. Ao assumir o governo, ele apostou todo o seu capital político na racionalidade das duras medidas econômicas, tão indispensáveis naquele momento.

A crise financeira global, cuja dimensão ainda é difícil de perceber, foi absorvida de forma notável pelo Brasil. A variação do câmbio não gerou uma quebradeira, porque todos sabem que ele é flexível, e poucos deixaram de se precaver. O mundo não se assustou com o Brasil, porque as contas fiscais são transparentes e as reservas internacionais, volumosas. Mas a desorganização da arquitetura financeira global fez o crédito internacional sumir e isso tem um impacto inevitável sobre a economia real.

O governo agiu com um cardápio apropriado: ampliou a liquidez do sistema financeiro, ofereceu linhas de crédito para o comércio exterior, baixou tributos e ampliou o prazo de recolhimento de outros. As medidas têm surtido efeito e o crédito tem melhorado. Mas, como as linhas externas secaram e o mercado de capitais parou, cresceu muito a demanda sobre o sistema bancário. As decisões de investimento sofreram um choque e há enormes dificuldades para obter capital de giro, que é o oxigênio das empresas. Será preciso olhar com atenção para que sua falta não crie situações cuja reversão seria muito mais cara.

Neste ambiente de incerteza e com o comércio internacional desordenado, é fundamental um cenário que inspire confiança, inclusive em relação ao setor externo. Dúvidas nessa área podem afetar de maneira sutil, mas muito concreta, a confiança do consumidor, que hoje é quem dá as cartas. Atenção nessas áreas é essencial para que as coisas se acomodem e seja possível retomar a previsibilidade e o planejamento de produção e vendas.

O governo acerta ao fortalecer o PAC. Em momento de retração, o investimento público em infra-estrutura é a melhor maneira de estimular a atividade econômica, com efeitos benéficos de longo prazo à competitividade e ao bem-estar do País. Os novos prefeitos e prefeitas, que assumem em janeiro, poderiam priorizar a troca de gastos de custeio por investimentos em saneamento e urbanismo, aumentando o emprego, ajudando a combater os efeitos sociais da crise e melhorando a qualidade de vida das cidades.

Enfim, 2009 será um ano de grandes desafios. O mundo estará atento às palavras e ações das lideranças que atuarão no novo cenário. Lula precisará pôr em ação toda a sua racionalidade e a capacidade de comando para ajudar o Brasil a atravessar a tempestade. Obama, postado no epicentro da crise, terá os olhos do mundo a acompanhá-lo. Cada um de nós terá muito a fazer pelo País. Um bom 2009 para todos!

Antônio Palocci, deputado federal (PT-SP), foi ministro da Fazenda

07/12/2008 - 18:03h Cuba – 50 anos


Girl in a brothel, Havana, Cuba, 1954
© Eve Arnold/Magnum

A Magnum organizou uma exposição em Londres para assinalar o 50º aniversário da Revolução cubana que se comemora no dia 1 de Janeiro de 2009. A mostra reúne provas vintage e contemporâneas do período pré-revolucionário captado por Eve Arnold, dos acontecimentos que destronaram o regime de Fulgencio Batista registados por Burt Glinn e dos principais protagonistas da Revolução (Fidel e Che) fixados por Rene Burri e Elliott Erwitt. Os trabalhos de Alex Webb, David Alan Harvey e Christopher Anderson mostram já o dia-a-dia cubano durante a liderança de Fidel Castro. E há ainda fotografias dos correspondentes Andrew Saint George e Bob Henriques, que a Magnum classifica como “rarely seen”, dos avanços das tropas de Castro rumo a Havana.
O site da Magnum tem uma galeria com algumas imagens da exposição aqui

Cuba, 1998
© David Alan Harvey/Magnum

Cuba: 50 Years of Revolution
Magnum Print Room, Londres
Até 30 de Janeiro de 2009

Fonte Arte Photographica

16/11/2008 - 15:05h House em Havana

O diretor cubano Tomás Piard fala de seu filme “o viajante imóvel”, sobre o romance “Paradiso”, de Lezama Lima, e diz que a juventude “revolucionária” do país assiste aos enlatados norte-americanos


Cuba não tem uma economia sólida; nos acostumamos a ter o Estado nos provendo e perdemos o espírito do que é trabalho

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MALU DELGADO – FOLHA SP

DE LONDRES

A transição em Cuba -ou a ausência dela- sob o olhar do cineasta cubano Tomás Piard, 60, é elucidativa. Piard lançou em Cuba seu novo filme, “El Viajero Inmóvil” (O Viajante Imóvel), sobre a vida de José Lezama Lima, autor de “Paradiso” (1966), um dos principais romances do século 20. O filme, como Piard esclarece, não é nenhuma pretensa adaptação do romance de Lezama, mas sim uma homenagem a ele -a quem o cineasta chama de “pai espiritual”.

Amigos? Não. Tomás Piard se encontrou com Lezama uma única vez, numa exibição de cinema em Havana, quando era estudante. Ambos iriam assistir a “As Noites de Cabíria” (1957), de Federico Fellini. Talvez a duradoura identificação de Piard com a história de Lezama -que nunca deixou a ilha- seja reflexo de uma certa simbiose com a história da Cuba que “transcende”, “e não a Cuba que vendem aos turistas”, explica o diretor cubano.

Após uma espécie de “exílio” cultural na Galícia por três anos, negociado pelo governo cubano após ter feito um filme considerado “imoral”, Piard considera que lançar seu último filme em Londres, patrocinado pelo Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica (Icaic), é um claro sinal dos tão esperados novos tempos em Cuba.

O país que os turistas não vêem tem uma péssima qualidade educacional e um sistema de saúde flagrantemente falido -os dois pilares da Revolução de 1959. Vive entre a divergência praticamente diária e explícita entre Fidel e Raúl Castro. Alimenta uma geração de jovens com seriados norte-americanos como “Lost”, “House” e “CSI Miami”. É o país com uma massa de revolucionários ressentidos, mas ao mesmo tempo incapazes de criticar abertamente Fidel Castro. Para Piard, um revolucionário, Fidel cometeu “erros”, mas com as melhores intenções.

Um marciano, diz ter absoluta certeza de que “a Aids é uma doença fabricada em laboratório pelos EUA”. Um transcendente, que se emociona com a eleição de Barack Obama e, sobretudo, por tê-la assistido longe do controle midiático de Cuba. Um artista assustado com a globalização e que quase decreta o fim do cinema.

FOLHA – “O Viajante Imóvel” começa com uma frase de Lao Tsé [sábio taoísta]: “Quando mais distante se vai, menos se aprende”. O sr. pensa da mesma forma?
TOMÁS PIARD
– Do ponto de vista de Lezama Lima, sim. Porque Lezama viajava por intermédio das suas leituras, da cultura da humanidade. E, assim, difundia valores extraordinários da cultura humana à cultura cubana. Nelson Pereira dos Santos, por exemplo, quando fez “Vidas Secas”, fez algo de valor universal. Ou seja, quanto mais se apegar à sua terra, honestamente, artisticamente, mais essa obra terá transcendência universal. Foi o que aconteceu com “Paradiso”.

FOLHA – É essa transcendência que busca em suas obras?
PIARD
– Sim, sou ambicioso. Por quê? Porque é muito provável que eu não o alcance, mas se sou ambicioso terei a oportunidade de chegar ao mais alto ponto possível. Nunca entenderei os diretores de cinema que dizem: estou fazendo um filme que “não é nada de outro mundo”. Não consigo fazer isso. Cada filme, para mim, é uma obra de grande transcendência artística, sobretudo após a morte do meu filho. A dor parte. O ponto de partida de grandes obras humanas é a dor, não a alegria, a felicidade. A perda do meu filho foi a coisa de mais importante que vivi e me deu coragem e impulso para fazer obras que transcenderam as outras que fizera.

FOLHA – Quando a arte transcende, não é preciso ir tão longe?
PIARD
– É que tudo o que é necessário está dentro de mim. Você é que precisa ser capaz de descobrir. E precisamos lutar para que a globalização não destrua isso.

FOLHA – Em Cuba não se pode ver cinema latino-americano?
PIARD
– Cuba não tem dinheiro para comprar filmes. Em Cuba, todos os filmes são em DVD. Com os países com os quais temos relações diplomáticas e comerciais podemos tentar o direito de exibição. Na TV, às quartas-feiras, passam-se filmes latino-americanos. Mas não se estréiam filmes estrangeiros normalmente em Cuba porque temos que pagar os direitos e, quase sempre, os direitos são norte-americanos. A televisão de Cuba é norte-americana, porque o resto da programação da TV é norte-americana. É um paradoxo, mas fazemos isso porque não temos produção nacional suficiente para preencher todo o espaço da programação. É contraditório, porque os jovens “revolucionários”, por exemplo, estão assistindo aos filmes norte-americanos. E eles também assistem a “Lost”, “House”, “CSI”, todos os seriados norte-americanos recentes. As produções norte-americanas são todas DVDs piratas.

FOLHA – Como imagina usar sua arte para mostrar o que se passa hoje em Cuba para o resto do mundo?
PIARD
– “O Viajante Imóvel” é uma mensagem apenas para os cubanos. Meu objetivo era mostrar aos cubanos o romance de Lezama Lima, que é conhecido em qualquer lugar do mundo, menos pelos cubanos.

FOLHA – O sr. disse, em uma palestra para estudantes, que, quando começou a trabalhar com cinema em Cuba, rechaçava os filmes americanos e procurava refúgio nos russos. Agora, diante do que se passa em Cuba e com a nova realidade do mundo, qual é sua definição de cinema e como sua mente processa os filmes no resto do mundo, especialmente com a globalização?
PIARD
– Infelizmente, o cinema americano tem monopolizado todas as salas de cinema do mundo, inclusive as cubanas. Ou seja, praticamente nós não assistimos a produções de outros lugares. Somado a isso, os grandes autores do cinema estão morrendo. E creio que não há nenhum diretor de cinema de relevo mundial que esteja hoje à altura de Antonioni, Fellini, Bergman e Bertolucci -ainda que ele não seja o que foi no início da sua carreira. Há Wim Wenders, Theo Angelopoulos na Grécia e outros, mas não o que existiu antes.

FOLHA – O momento é novo em Cuba e agora há várias expectativas em relação à política externa norte-americana, com a eleição de Barack Obama. O sr. vê alguma conexão entre esse momento cubano e a eleição norte-americana?
PIARD
– Não creio que possa ser feita uma conexão. Em Cuba são feitos esforços; esse filme, por exemplo, é um esforço [de transição], mas a vida política, econômica e social cubana está toda paralisada. Fidel Castro não é o presidente, mas está presidente. Há coisas que Raúl Castro tenta fazer para mudar a situação de Cuba, mas Fidel, que publica diariamente suas reflexões, às vezes o contradiz. O país foi vítima de dois furacões enormes. O país está arrasado, destruído. Casas, indústrias e escolas foram destruídas. E Cuba não tem uma economia sólida. Não há produção. Nós nos acostumamos a ter o Estado nos provendo e, por isso, perdemos o espírito do que é o trabalho. E só o trabalho pode criar riquezas e dar estabilidade econômica.

FOLHA – Há em Cuba um visível confronto de idéias entre a sociedade que participou da revolução e os jovens, que querem outro regime?
PIARD
– Há sim um confronto. Parte quer que se mantenha o espírito da revolução, mas as novas gerações não têm nenhum compromisso com a realidade histórica que se passou há 50 anos. Os jovens pensam de outra maneira. No entanto, ao longo de todos esses anos, Cuba criou um espírito de “não opinião”. Ninguém quer pensar, porque isso pode prejudicá-lo. Fidel pensa por todos nós. Creio que Fidel pense com a melhor intenção para com o povo, mas que cometeu muitos erros econômicos e destruiu a economia de Cuba gradualmente.

FOLHA – Como a sua geração se sente em relação ao atual momento de Cuba, já que esses ideais da revolução provavelmente nortearam sua vida e sua carreira?
PIARD
– Sinto muita dor. Eu me recordo dos meus pais, que, como toda uma geração, deram o melhor da sua vida pelo triunfo da revolução e para que a vida do povo cubano melhorasse. E o que aconteceu depois? Vivemos hoje na maior miséria que se pode imaginar. Criou-se uma idéia de que vivemos o melhor dos mundos em Cuba. Não é assim. E as melhores coisas que tivemos na revolução, que são a educação e a saúde, também estão destruídas. Esses eram os dois pilares da revolução. Hoje em dia, além de todos os desastres, isso também está arrasado.

FOLHA – Por quê?
PIARD
– No caso da educação, os professores não ganham quase nenhum dinheiro, não se sentem estimulados.

FOLHA – E com a saúde?
PIARD
– Os médicos estão deixando Cuba. Também ganham muito mal e percebem que podem trabalhar na Venezuela ou em qualquer outro lugar, e a vida deles melhora. Em Cuba, então, não temos mais médicos.

FOLHA – Como o sr. aspira a ter liberdade de criação e produção num país que não é livre?
PIARD
– Pelas metáforas. A diferença é que eu, agora, não toco na realidade diretamente. Por exemplo, um dos temas que mais me interessam é o da família, da desintegração da família enquanto um núcleo essencial da sociedade. Em Cuba, todas as famílias estão desgarradas. Há pessoas que foram para outros países ou, mesmo na ilha, muitos membros vivem em outras Províncias. Neste meu último filme, por exemplo, há um símbolo muito importante do que é a agregação da família: a comida, o jantar, a mesa. Ou seja, a família se senta junta para comer. Quando isso acontece, existe a família.

FOLHA – O sr. conhece algo do cinema brasileiro?
PIARD
– Creio que uma proposta da magnitude de Nelson Pereira dos Santos, de Glauber Rocha e de Rui Guerra não existe no momento. “Memórias do Cárcere” [de Nelson Pereira dos Santos] é algo excepcional que não se verá todo dia. Vi recentemente “Central do Brasil”, de Walter Salles, que é muito bom. E gosto muito também de “Diários de Motocicleta”, apesar de achar que idealiza muito Che Guevara. O personagem que não é o protagonista é muito mais sólido. Mas Salles é um bom diretor. Ah, e tem também aquele dos meninos, como se chama? “Cidade de Deus”!

FOLHA – O que achou da vitória de Barack Obama nos Estados Unidos?
PIARD
– Me emocionei muito. E me emocionei sobretudo por poder tê-la visto fora de Cuba, porque lá os meios de comunicação manipulam tudo.

19/10/2008 - 15:31h Aos 45 anos, a atriz Emmanuelle Béart aparece nua no livro “Cuba Libre”

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© Fotos de Sylvie Lancrenon. Atriz Emmanuelle Béart.

Aos 45 anos, Emmanuelle Béart aparece nua no livro “Cuba Libre”, da fotógrafa Sylvie Lancrenon e causa furor na Europa. As fotos foram feitas em um quarto de hotel, em Havana. Todo o estoque para venda do álbum na internet foi vendido e a crítica local compara o trabalho ao livro “Sex”, que Madonna lançou em 1992. Musa do cinema francês, a atriz Emmanuelle Béart lançou o livro com a amiga Sylvie Lancrenon. As duas se conheceram em 2002, quando Emmanuelle posou nua para a capa da ‘Elle’ francesa, na edição mais vendida pela revista até hoje. Fonte: Destak

10/10/2008 - 19:28h A revolução cubana de labios pintados

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Autorretrato

La revolución cubana de los labios pintados

Fotos inéditas revelan la faceta mundana de Korda, el retratista del Che y de Castro

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Esposa 1: musa y modelo
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Esposa 2: musa y modelo

MAURICIO VICENT – La Habana – El País (Espanha)

Alberto Korda es el fotógrafo cubano más conocido… y a la vez el más desconocido. Sus imágenes legendarias del Che Guevara y de Fidel Castro forman parte de la iconografía y del mito de la revolución cubana, pero Korda fue mucho más que el hombre que retrató a sus líderes. “Sólo el 10% de su obra tiene que ver con el tema de la revolución”, asegura su hija Diana Díaz, feliz porque, por fin, una exposición y un libro descubren al otro Korda: al gran creador que convirtió la belleza femenina en arte e hizo de la publicidad y la moda un espacio de vanguardia que sobrevive hoy.

“Korda no sólo fue testigo de excepción de aquellos años épicos de la revolución, fue un artista increíble y moderno. Sus fotos de mujeres, que retrató en su estudio en los años cincuenta son revolucionarias; y ese trabajo de composición con modelos lo reelaboró e incorporó al que hizo después con los líderes guerrilleros”, cuenta Cristina Vives, amiga personal del fotógrafo y responsable de la edición del libro y de una exposición que bate records de asistencia en La Habana.

El título en ambos casos es el mismo: Korda Conocido Desconocido. También podría haber sido Korda definitivo, pues ofrece una visión integral -y nada oficial- de la trayectoria de Alberto Díaz Gutiérrez, verdadero nombre del artista, fallecido en París en 2001.

Exposición y libro están divididos en cinco grandes temas: Studios Korda, Los líderes, El pueblo, La mujer y El mar. Casi todas las fotografías son inéditas o cuando menos muy poco conocidas, incluidas las de la revolución, donde aparecen, por ejemplo, Fidel y el Che comiéndose un helado, o Castro en pijama o rodeado de unas extasiadas Reinas de la Radio de Nueva York.

“Korda retrató a los líderes de la revolución entre 1959 y 1968, pero sólo se conoce una parte ínfima de esos diez años de trabajo”, afirma Diana. Su padre nunca fue el fotógrafo oficial de Castro, sino una especie de “electrón libre”. Su amistad con Fidel era “otra cosa” y eso le permitió hacer fotos que nadie hizo, algo que queda claro en la exposición que se exhibe en la Fototeca de La Habana, y que viajará en diciembre a la Casa de América, en Madrid. “Hasta sus fotos más conocidas tienen un ángulo distinto: se comprueba lo meticuloso de su trabajo de edición, que convertía las imágenes originales en otro material”, indica Vives.

Lo importante del libro y de la exposición es lo nuevo que revela del artista. En los años cincuenta Korda retrató en su estudio de La Habana a las bellezas más impresionantes de la época. “Yo quería convertirme en un famoso fotógrafo de moda porque de esa manera podría conocer a las mujeres más hermosas de Cuba”, confesó en la última entrevista con Marck Sanders, coeditor del libro. Su adicción a las mujeres bellas se transformó en una estética e hizo que su trabajo con maniquíes exuberantes se convirtiera en arte, más que en publicidad o moda.

Algunas de sus modelos, como Norka o Julia, se convirtieron en sus esposas. En la sección Cine Bellezas de la revista Carteles, Korda publicó sus fotos durante años junto a textos de Guillermo Cabrera Infante, firmados con el seudónimo de G. Caín. Korda siguió con el trabajo de su estudio después de 1959, al tiempo que retrataba a la revolución triunfante. Según Diana y Cristina, no se puede entender su obra sin Studios Korda, pues en sus fotos de la revolución y de otros temas reprodujo el espíritu del estudio.

Paseando por la Fototeca se advierte que Aberto Korda captó y trató a los guerrilleros como si fueran modelos. Y se entiende también por qué no podía ser fotógrafo oficial de la revolución. En 1968, al comienzo de la época dura en Cuba, Studios Korda fue nacionalizado como otros miles de negocios privados. Los 50.000 negativos de la revolución se salvaron porque pasaron al archivo histórico del Consejo de Estado, pero el resto, el 90% del trabajo de Korda y de los fotógrafos del estudio, desapareció.

Korda fundó en 1968 el departamento subacuático de la Academia de Ciencias de Cuba y durante 10 años fotografió los fondos submarinos de su país. La mayor parte de esa obra, como la de publicidad y moda, en la que algunos quisieron ver pornografía, también se perdió. Al celebrarse este año el 80 aniversario de su nacimiento, su hija Diana, junto a Vives, el fotógrafo José Figueroa y Sanders han buceando en revistas y archivos personales y familiares para rescatar al Korda más completo y auténtico. El resultado: una exposición y un libro (editado en España por La Fábrica ) que podría resumirse en el retrato de una miliciana con pendiente y anillo en primer plano, cuyos labios pintados son la revolución de Korda.

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Autorretrato con modelo

El fotógrafo cubano se retrató en esta imagen con la cámara y una mujer, sus dos grandes pasiones.
La exposición de La Habana y el libro están divididos en cinco temas: Studios Korda, Los líderes, El pueblo, La mujer y El mar.

 

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La foto de Korda que dio vuelta al mundo

01/06/2008 - 10:35h A luta pela qualidade da informação

O sociólogo espanhol Ignacio Ramonet defende a pressão pacífica pela verdade

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Ubiratan Brasil – O Estado de São Paulo

Jornalista e sociólogo espanhol, Ignacio Ramonet tornou-se uma das vozes mais vibrantes contra a globalização no formato atual. Diretor desde 1991 da publicação francesa Le Monde Diplomatique e fundador das organizações Media Watch Global e ATTAC, ele escreveu vários livros sobre geopolítica e crítica da comunicação mundial, nos quais relaciona os meios de comunicação com o projeto estratégico da globalização.

Sua defesa da esquerda e, em especial, do governo cubano de Fidel Castro, provocou diversas críticas pelo mundo, especialmente contra seu livro Biografia a Duas Vozes (Boitempo, 624 págs., R$ 66, tradução de Emir Sader), considerado dócil e servil ao ex-ditador cubano. ‘Ramonet tem a companhia de Noam Chomsky, caso flagrante de esquizofrenia intelectual, que é inspirado e até genial quando limita-se à lingüística transformacional e um ‘idiota’ irredimível quando desata a falar de política’, observou Vargas Llosa, em artigo publicado no Estado no ano passado.

Controverso, Ramonet esteve em São Paulo na semana passada, quando participou de um debate, no Instituto Cervantes, ao lado do sociólogo Emir Sader. Juntos, discutiram sobre o poder dos meios de comunicação frente aos sistemas econômicos. Antes, Ramonet respondeu as seguintes perguntas.

Como enfrentar os perigos dos conglomerados de mídias, que podem ameaçar a informação de qualidade?

Os conglomerados de mídia dominam hoje a informação. Sua preocupação básica não é a qualidade da informação. Nem sequer sua veracidade. O que mais lhe interessa é a rentabilidade da empresa. Essa é sua obsessão principal. Por isso, dão absoluta prioridade à informação-espetáculo, à informação-entretenimento. Concebem a notícia como uma variedade da cultura de massas e não como item da formação e educação do cidadão. O que importa é um maior número de pessoas consumindo essa informação-lixo. Porque, hoje em dia, o negócio noticioso não consiste em vender novidades aos cidadãos, mas vender cidadãos aos anunciantes. Essa é a nova equação, que constitui uma regressão copernicana. A população precisa tomar consciência dessa mudança radical. E defender seu direito a ser bem informada, porque a qualidade da informação depende da qualidade da democracia.

O crescimento da internet está diretamente ligado à formação desses conglomerados?

A internet foi apresentada, em princípio, como uma possibilidade para os cidadãos se livrarem da dominação dos conglomerados de mídia. Mas hoje, na prática, a internet foi integrada ao império desses conglomerados. Ainda assim, todos podemos abrir um blog, que nos permite falar com todo o planeta. Na realidade, se consideramos o ranking dos sites de informação mais freqüentados em qualquer país, vemos que os primeiros lugares são ocupados por empresas de mídia que dominam a informação nesse país. Por isso, a internet só veio a reforçar o poderio dos conglomerados.

Na França, dois grupos de imprensa, Dassault e Lagardère, têm ligação com atividades militares. Qual o perigo disso quando se travam guerras como a do Iraque?

Sim, na França, os grupos Lagardère e Dassault, cujas atividades industriais principais são militares, estão entre os que dominam o setor de mídia. O perigo é que a informação difundida por esses grupos (como acontece nos Estados Unidos com os meios dominados pela General Electric) seja, em caso de conflitos, favorável, independente do pretexto, a uma intervenção francesa com a única intenção de que, dessa forma, as empresas proprietárias conquistem maiores benefícios. Até o momento, isso não aconteceu, tampouco em 2003 quando se comentava sobre a possibilidade de a França integrar a coalizão que invadiu o Iraque no dia 20 de março daquele ano.

Como os cidadãos devem atuar contra este desvio da liberdade de imprensa?

Os cidadãos devem se organizar como fizeram os consumidores, durante os anos 1960, contra os abusos dos construtores de automóveis ou contra o uso de produtos cancerígenos nos alimentos. Consumimos a informação com nossa mente e, se ela é de má qualidade, acaba por envenenar nosso espírito e nossa personalidade. Devemos criar observatórios dos meios – no Brasil, já existem e são muito sérios e profissionais – para denunciar mentiras, manipulações ou o silêncio dos meios de comunicação. Essa denúncia não tem caráter ideológico (meios de qualquer ideologia podem errar), mas unicamente a busca da perfeição da qualidade da informação. Os cidadãos devem mobilizar-se e fazer pressão pacífica e democrática para os meios melhorarem a informação.

O senhor conversou muito com Fidel Castro e até escreveu um livro sobre esse relacionamento. O senhor acredita que o destino de Cuba, agora sem Fidel, depende diretamente de quem será o próximo presidente dos Estados Unidos?

Sim. Fala-se muito, nos meios de comunicação, sobre a ‘necessidade de Cuba mudar’. Mas inúmeros jornalistas se esquecem da enorme responsabilidade que têm os Estados Unidos em algumas das dificuldades, particularmente econômicas, sofridas por Cuba. A manutenção do cruel bloqueio durante quase 50 anos é um grande crime. Por isso, os Estados Unidos devem iniciar uma mudança em relação a Cuba, no sentido de reconhecer os direitos daquele país de descobrir seu próprio destino. Mudar no sentido de respeitar Cuba e considerá-lo um Estado soberano. Se o republicano John McCain vencer a eleição presidencial de novembro, a atitude de Washington pode endurecer ainda mais – mesmo que essa atitude beligerante não tenha frutificado em meio século. Por outro lado, a eleição de um candidato como o democrata Barack Obama abre certas perspectivas positivas. O temor de muitos observadores é o de que, especificamente sobre essa opinião a respeito de Cuba, Obama seja simplesmente assassinado antes de novembro pela máfia anticubana de Miami.

Qual a melhor herança deixada por Fidel? E a pior?

Fidel Castro é o maior latino-americano da história, ao lado de Simon Bolívar. Ainda que sua contribuição continue muito valiosa, sua herança é imensa. Não apenas material (educação, saúde, cultura, ciência, emprego pleno) mas também espiritual: latinoamericanidade, ética, independência real, resistência. Graças a ele e à revolução, Cuba foi depositária, durante o período negro da repressão e das ditaduras (1964-1979), dos grandes valores latinos de independência, soberania e republicanismo. Valores que hoje estão no auge em todo o continente, democraticamente aprovados pela maioria dos cidadãos.

07/04/2008 - 13:57h Nicolás Casullo: “a briga dos Kirchner com a mídia é positiva”

El pensador argentino sostiene en Las cuestiones (Fondo de Cultura Económica) que las utopías pertenecen al pasado. En esta entrevista, dice que el fracaso de la revolución socialista ha cancelado en cierto modo no solo el futuro de las sociedades, sino también el de la historia. Pero las marcas de esa tradición han hecho que en la Argentina subsista un fuerte sentido de reivindicación social


Casullo Foto: Rafael Calviño

Por Alejandra Folgarait – Para LA NACION – BUENOS AIRES, 2008

En una vieja casa con escaleras de mármol que se resiste a formar parte del Barrio Norte porteño, Nicolás Casullo tiene su hogar y su escritorio tapizado de libros. Con amabilidad y calma que contrastan con su fama de polemista rebelde, recibe a adn CULTURA en un día caluroso. En cuanto se sienta en su sillón de trabajo, el hombre de letras rinde homenaje a los autores que ama: Sartre y Cortázar, Martínez Estrada y Faulkner, Marx y Borges, Macedonio Fernández y Shakespeare iluminan la mirada del profesor de Historia de las Ideas y de Historia del Arte de la Universidad de Buenos Aires y de la Universidad de Quilmes.

El autor del libro Las cuestiones (FCE, 2007) recupera el concepto de memoria para ubicar la utopía no en lo que vendrá sino en el pasado, en esos aconteceres que narran con distintas voces lo vivido. En esa memoria histórica, que puede remontarse tanto a Antígona como a la Revolución Francesa o los años setenta en la Argentina, Casullo busca desentrañar los problemas latentes del país y del mundo. Desde una perspectiva sociológica y filosófica, el erudito apasionado por el fútbol pronostica que los medios de comunicación serán el tema central durante los próximos 25 años.

-Escribir un libro de ensayos de 500 páginas en una época en la que apenas se lee por Internet ¿es un acto de audacia o de resistencia?

-Hay una audacia, porque no es un remedio que alguien está pidiendo. Nadie le pide a uno que escriba. Hay cierta soberbia en el autor que dice: “Tomá, acá tengo 500 páginas, y me las tenés que leer porque yo pienso esto”, en una sociedad a la que hasta los textos de los diarios le parecen un poco largos. Siempre digo que es una resistencia romántica. Porque los románticos resistían sabiendo que iban a perder, iban a ser derrotados. Pero ellos querían dejar testimonio de que habían dado batalla. Cuando viene el mundo moderno, con sus máquinas y sus técnicas, el romántico que ama los grandes valores tradicionales enfrenta ese mundo sabiendo que va a perder. El libro tiene algo de esa resistencia, de plantear cosas y saber que, frente a otras cosas potentes, va a ser arrasado, que es una gota en el mar. Es que la tarea intelectual es básicamente confrontar, partir siempre de que hay cosas en el mundo que lo hacen injusto, irracional y que habría otra posibilidad de mundo. Entonces uno insiste.

-En Las cuestiones usted sostiene que el futuro queda cancelado cuando la revolución es derrotada, ya que era la revolución marxista la que planteaba un horizonte a la humanidad. ¿Cómo se piensa ahora, entonces, lo que vendrá?

-En términos personales, lo pensamos siempre por esa pasión humana por la que nos vemos en la vida: nos vemos casados, nos vemos pensando que el hijo va a ser más grande en términos personales, el futuro nunca está cancelado. En términos de situarnos en una cultura, en una civilización, sí está bastante cancelado. Porque la revolución, la revolución socialista, adscribiera uno a ella o no, era la forma en que la modernidad iba a resolver su propia invención, en un mundo donde, además de los adelantos técnicos, todo se iba a realizar en igualdad, fraternidad, en el fin de las diferencias entre los hombres. Eso estaba ahí latente: la idea de que el mundo marchaba hacia una mayor igualdad. Hoy podemos decir que el resultado de esa revolución fue tan catastrófico que no el futuro sino el desarrollo de la historia está cancelado. Hoy no existe en el mundo una respuesta para la pregunta “¿Hacia dónde vamos?”. Es una situación confusa. La historia perdió un sentido muy fuerte. Hoy la historia es lo que hay, como dicen los jóvenes.

-¿Esto afecta tanto a la derecha como a la izquierda?

-Sí, exactamente. La izquierda era la que asumía la responsabilidad y el compromiso de un mundo posterior al capitalismo, un mundo que, como decía Marx, iba a ser el pasaje de la prehistoria a la historia definitiva. Una cosa casi bíblica, un camino hacia la realización plena de la humanidad. Hoy eso lo tenemos más en duda. Hoy no sabemos si la historia tiene un sentido. Tampoco sabemos si la historia se realiza con una felicidad para todos, como decía el liberalismo. O con una igualdad general, como decía el Estado de Bienestar keynesiano. Esto no está muy pensado. Seguimos viviendo como si siguiese existiendo. Y si nos damos cuenta de que no existe más, nos distraemos un poco y hablamos de otra cosa.

-¿Y Cuba?

-Cuba creo que forma parte de la misma crisis de este paradigma. Creo que es un ejemplo de todo el recorrido de esta historia que culmina en la revolución como pasado. Hace 30, 35 años, aparecía como un elemento fuerte de vanguardia en el cambio histórico. Acontecidos estos años, no solo Cuba sino también la Unión Soviética, China y las izquierdas derrotadas en América latina -tanto las violentas como las no violentas- forman parte de ese derrumbe de un paradigma, de un horizonte fuerte que impulsaba. Ojalá que Cuba pueda asumir un socialismo de corte plural. De todos modos, creo que la idea de que la revolución estaba adelante permitió, con sus errores y horrores, hacer crecer los reclamos y las conquistas de masas. Y también ese modelo ayudó a afianzar la democracia, a integrar masas marginadas en el escenario de la historia y a lograr conquistas sociales que mi abuelo no hubiera concebido lograr. Por ejemplo, la Argentina es un país de enorme capacidad de reivindicación social.

-¿Hoy dónde está puesta esa capacidad?

-Se la ve permanentemente. No es una sociedad que se calme, que acepte. Es una sociedad con un fondo de justicia y de reclamo social muy fuerte y muy consciente, que no retrocede en sus demandas, a menos que venga una dictadura. En democracia, es una sociedad donde si dos chicos mueren porque no hay un semáforo, ahí hay quinientas personas reclamando un semáforo. Es una sociedad que se destaca en ese sentido del resto de América latina. Yo he conversado allá por 1998 con piqueteras jujeñas que estaban toda la noche en la ruta con las antorchas y decían: “Yo quiero que mis dos hijos vayan a la universidad, por eso estoy peleando”. En otros países de América Latina, nadie va a escuchar ese reclamo. En este sentido, creo que hay que revalorizar lo que de justicia social y de política de conciencia planteó el peronismo.

-¿Esa es la herencia del peronismo?

-Es un piso en el cual los ya no peronistas o los jóvenes que no vivieron el peronismo dicen: “Yo esa injusticia no la voy a padecer”. Lo mismo ocurre con cualquier reclamo. Las protestas que hay en las ciudades de este país por la violencia son una herencia de la típica protesta social del peronismo. Es la lógica: se sale y se protesta y se reclama. Y yo tengo derecho.

-Hoy parece encarnarse esa protesta en los piqueteros

-Hay piqueteros que son hacendados, que también salen a cortar las rutas. Salen [los argentinos] con Blumberg, salen con el piquete, salen porque en la escuela apareció un olor raro, porque hay un violador en el barrio. Eso tiene un fondo, tiene una historia en 1945 que generó una conciencia, un piso de protesta muy fuerte. Hay un reclamo de justicia permanente.

-También puede verse como una queja permanente, típicamente argentina, y una incapacidad de hacer, de formular soluciones en vez de protestar tanto.

-Sí, exactamente. También hay otras circunstancias dignas de ser atendidas, como la victimización. Parece que la víctima tiene un derecho superior. La indignación se transforma en una verdad y no necesariamente es así. Una madre puede estar reclamando indignada, expresando un dolor que le comprendo, pero puede no tener la verdad. Hay un producto de una Argentina que se siente víctima, que fue víctima de violencia, de guerras perdidas, de frustraciones democráticas, que ha hecho de la victimización una ideología peligrosa. Si todos nos ponemos en el espacio de víctima, es casi imposible gobernar la Argentina, porque estamos reclamando algo de manera patológica.

-¿Tiene esto relación con el tratamiento que les dan los medios de comunicación a las víctimas de robos, accidentes, asesinatos?

-Sí, totalmente. Soy un investigador en medios de comunicación y puedo decir que tienen una llegada mucho mayor que un senador, un diputado o el propio presidente. En ese sentido, encuentro una enorme irresponsabilidad, una enorme falta de compromiso, una enorme incapacidad de educar, de formar. Más bien veo una competencia por ver quién encuentra en el peor momento al peor sujeto para que diga las peores cosas, a los gritos, y con eso tiñe el día. El día se transforma en el asesinato de una muchacha o en un motoquero caído. Hay una búsqueda permanente de la víctima. Y más: muchas veces es la víctima la que cuenta todo, la que da la noticia. Lo que no es víctima es aburrido, es chato.

-Pero los medios también reflejan una sociedad que busca ese tipo de noticias

-Ya no estamos en etapa de los medios como cuarto poder, como importantes. Hoy estamos en una sociedad mediática. Los alumnos de la facultad esperan a los canales de televisión para salir a hacer una marcha, y son cien, no tienen por qué ser mil. Lo mismo el tipo que va a ser entrevistado: no se asusta del canal; por el contrario, dice: “Vení que yo te voy a contar cómo fue”. Una sociedad mediática es una sociedad cuya única lógica es lo mediático, solo puede hablar de algo que está mediado. Hablamos de algo que vimos en televisión o escuchamos en la radio. Y todo el tiempo estamos predispuestos a intervenir en eso. En una sociedad mediática, lo que menos importa es lo que dice el diputado. El problema de una sociedad mediatizada es el del narrador omnisciente: alguien te está escribiendo la historia y vos no te das cuenta. Los medios son como la verdad natural. Pero deben rendir cuenta de lo que están haciendo.

-También cada uno elige cómo le cuentan la historia. Por eso compra un diario y no otro .

-Eso, en la prensa gráfica. Pero en la televisión, es una misma lógica la que atraviesa todo. Los medios de comunicación son la gran temática de los próximos 25 años. De acuerdo con cómo encaren los medios su propia responsabilidad informativa y formativa, va a haber sociedades patologizadas o sociedades sabias. Y ahí adentro va a estar el político, como un dato más.

-Si vivimos por los medios y para ellos, ¿cómo se puede actuar fuera de su lógica?

-Es muy difícil. La sociedad de masas, acelerada, tecnificada, con crisis brutales, parecería que necesitara de un adormecimiento, de entretenimiento, de vaciado, que lo dan los medios. Por otra parte, los noticieros de televisión son los que hoy manejan la tragedia, con sus locutores ubicados allá lejos y arriba, como en el Olimpo. El noticiero es el gran teleteatro diario. La política aparece en un 10 a 15% del contenido. El 85% restante es la mujer muerta por el marido, el choque violento, una protesta. Creo que es una falta de cultura periodística, que no se ve en otros noticieros del mundo. La CNN puede mostrar catástrofes en todo el mundo y no lo hace. El noticiero argentino es populista en el peor sentido de la palabra; es agitador.

-En su libro, valora como positiva la pelea de Kirchner con los medios para ver quién impone la agenda pública. ¿Es así?

-Claro, yo creo que el gran logro de Kirchner es que volvió a hacer presente el sillón de Rivadavia. Dijo: “Esta es la política”. La política está por encima de los ganaderos, de los formadores de precios, de las empresas privatizadas. Lo hizo en una Argentina donde todo estaba invertido, todo eran lobbies , donde la política tenía un peso nulo. Si mañana es presidente Macri, va a hacer lo mismo. Es un corte epocal. Es decir: “El que está en la Rosada tiene el poder”. En particular, tiene el poder sobre los grandes poderes en la Argentina: el gran empresariado, el establishment , la Iglesia, las Fuerzas Armadas. En este sentido, me parece que Kirchner le devolvió al sillón de Rivadavia una estatura, una jerarquía que en la Argentina no había. Gobierna la política. Y hay que discutirles la agenda a los medios, que no pueden ser los partidos opositores.

-¿En qué medida el populismo tiene que ver con el peronismo?

-En mucho. El peronismo fue una experiencia populista fuerte, que generó formas de actuación y, sobre todo, una relación con la idea de pueblo, de sociedad, que en la Argentina es muy precisa. El peronismo santificó al pueblo. Para bien o para mal, lo puso como una figura donde acontece la verdad. Esto es típico del populismo: la idea de que el pueblo tiene la verdad. Hoy los medios inventaron una palabra: lagente . Es la gente la que tiene la verdad. Eso es lo que yo llamo populismo y hoy podríamos decir que todos somos populistas. Hay una historia latinoamericana muy fuerte en relación con los caudillos, la constitución de la política a través de la figura, la masa, el síganme. Yo defiendo el populismo latinoamericano más allá de sus errores porque pienso que es la única historia popular que tuvo América latina.

-¿Y el kirchnerismo?

-El kirchnerismo es un populismo que trata de dejar atrás el populismo. Es muy difícil situarse dentro del peronismo sin plantearse las viejas formas populistas que constituyen la historia. Hay una intencionalidad, pienso, de organizar el Partido Justicialista en términos más modernizados, con internas Creo que le conviene al país que el peronismo se discipline, se parezca un poco a un partido socialdemócrata, porque sino, es un movimiento imprevisible.

27/02/2008 - 08:33h Desafio para Cuba é atrair investimento estrangeiro

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Marcos de Moura e Souza – VALOR

Depois de quase 50 anos “protegendo” Cuba do capitalismo, o regime cubano, agora sob nova direção, alimenta expectativas de algum tipo de abertura econômica. Mas o que, na prática, Raúl Castro poderá fazer nessa área? Que projeto de desenvolvimento pode ajudar o país a melhorar seu desempenho econômico?

Analistas ouvidos pelo Valor acham improvável uma abertura no estilo chinês, com um processo forte de industrialização, pois faltam pressupostos básicos. Eles recomendam medidas graduais de estímulo à iniciativa privada e de atração de capital estrangeiro, que pode inicialmente vir de países amigos, como o Brasil. Mas vêem um enorme obstáculo no embargo econômico americano.

Nas ruas de Havana, muitos cubanos acalentam a idéia de que o país poderia se espelhar na China e no Vietnã, que mantêm governos comunistas controlando a vida política, mas deixaram que o mercado, em grande medida, ditasse as regras da economia.

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27/02/2008 - 08:19h Cuba

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VALOR

Foi logo depois da conquista da Flórida, em 1819. Os Estados Unidos só tinham 40 anos de idade e seu território não ia além do Rio Mississipi. James Monroe era o presidente dos EUA, mas foi seu secretário de Estado, John Quincy Adams, quem falou, pela primeira vez, da atração americana por Cuba. Quando disse, numa reunião ministerial do governo Monroe, que “existem leis na vida política que são iguais às da física gravitacional: e, por isto, se uma maçã for cortada de sua árvore nativa – pela tempestade – não terá outra escolha senão cair no chão; da mesma forma que Cuba, quando se separar da Espanha, não terá outra alternativa senão gravitar na direção da União Norte-Americana. E por esta mesma lei da natureza, os americanos não poderão afastá-la do seu peito” [W.C. Ford (ed), The Writings of John Quincy Adams, Mac Millan, NY, VII, p: 372-373]. Naquele momento, o desejo de Adams não era conquistar a ilha, era preservá-la, e por isso deu ordem ao seu embaixador em Madrid que comunicasse ao governo espanhol a “repugnância americana à qualquer tipo de transferência de Cuba para as mãos de outra potência”.

Atração precoce e obsessão permanente dos EUA por Cuba não autorizam grandes ilusões, nesse momento de mudança dos dois países

Em 1819, a capacidade americana de projetar seu poder para fora de suas fronteiras nacionais ainda era muito pequena, mas a declaração de Adams explicitou um desejo e antecipou um projeto que se realizaria plenamente a partir de 1890. Logo no início da década, o almirante Alfred Thayer Mahan publicou um livro clássico [Mahan, A.T. (1890/1987) The Influence of Sea Power upon History 1660-1873, Dover Publication, NY] que exerceu imensa influência sobre a elite dirigente americana, sobre a importância do poder naval e das ilhas do Caribe e do Pacífico para o controle dos oceanos e a expansão das grandes potências. Logo em seguida, os EUA anexaram o Havaí, em 1897, e venceram a Guerra Hispano-Americana, em 1898, conquistando Cuba, Filipinas e algumas outras ilhas caribenhas, onde estabeleceram um sistema de “protetorados” como forma de governo compartido destes territórios.

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16/12/2007 - 11:46h ENTREVISTA: CANEK SÁNCHEZ GUEVARA Nieto del Che y editor

“Ahora se lleva al Che del altar del bien al del mal”

CARLES GELI – Barcelona El País

Ernesto Che Guevara

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Ernesto Che Guevara

Por su envergadura (alto, algo encorvado, corpulento), parece más pariente de Fidel Castro, pero la larga perilla rizada y su discurso le devuelve a su abuelo, Che Guevara. Hijo de Hilda, primogénita del comandante, Canek Sánchez Guevara (La Habana, 1974), acaba de editar, junto a Radamés Molina, Diario de Bolivia (Linkgua), anotaciones del revolucionario en su última batalla. La edición cuenta con 400 notas, de una objetividad casi contranatura. “No puedo hablar del Che como mi abuelito; mi madre tenía 10 años cuando murió; hay que encontrar siempre la distancia real”, afirma desde Barcelona, ciudad que alterna con Francia como residencia y donde hace de editor. El gen intelectual del abuelo es, adaptado a los tiempos, más notorio de lo que parece.

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16/12/2007 - 11:41h ENTREVISTA: CANEK SÁNCHEZ GUEVARA Nieto del Che y editor

“Ahora se lleva al Che del altar del bien al del mal”

CARLES GELI – Barcelona El País

Ernesto Che Guevara

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Ernesto Che Guevara-

 

Por su envergadura (alto, algo encorvado, corpulento), parece más pariente de Fidel Castro, pero la larga perilla rizada y su discurso le devuelve a su abuelo, Che Guevara. Hijo de Hilda, primogénita del comandante, Canek Sánchez Guevara (La Habana, 1974), acaba de editar, junto a Radamés Molina, Diario de Bolivia (Linkgua), anotaciones del revolucionario en su última batalla. La edición cuenta con 400 notas, de una objetividad casi contranatura. “No puedo hablar del Che como mi abuelito; mi madre tenía 10 años cuando murió; hay que encontrar siempre la distancia real”, afirma desde Barcelona, ciudad que alterna con Francia como residencia y donde hace de editor. El gen intelectual del abuelo es, adaptado a los tiempos, más notorio de lo que parece.

Pregunta. ¿Qué idea quedó en su madre sobre el episodio de Bolivia?

Respuesta. De entrada, la de la muerte del padre, en cualquier sitio o circunstancia que fuese. En otro estadio, no puedo hablar por mi familia, pero creo que se valora como el triste resultado de una decisión apresurada.

P. ¿Y las causas? ¿Una traición de Fidel, un Che desengañado que optó por una acción suicida o una chapuza militar?

R. Incidieron los tres factores, con el protagonismo de Fidel: la obsesión del Che era la revolución, el ideal; la de Fidel, el poder, el pragmatismo; en algún momento tenía que haber un choque. Es evidente que había celos profesionales.

P. En Occidente se revisa ahora la figura de su abuelo, casi acusándole de ser el culpable del surgimiento de las dictaduras en América Latina.

R. Es un giro coperniquiano ridículo: se hace bajar al Che del altar del bien para llevarlo al del mal. Cierto que, a pesar del fracaso, con su postura dio el banderazo de salida de los grupos armados en América Latina, pero nadie les obligó a seguir ese camino. Ningún hombre es absolutamente bueno o malo, claro… El problema está en el mismo término: revisionismo. El revisionismo del Holocausto es la negación de las masacres; algo similar está sucediendo con el del Che. Es un error historiográfico analizar según qué con los parámetros de hoy; uno de los mitos de la posmodernidad es que la imparcialidad no existe; viendo cómo están las democracias actuales, no es de extrañar que se vean como extremismos cosas que antes eran naturalmente asumidas por la izquierda.

P. En parte de Oriente pasa al revés: Bin Laden es equiparado al Che.

R. Como en todo icono, al volverse símbolo pierde parte de su esencia, de su ser real y sólo quedan ciertos valores más o menos universales que pueden ser utilizados en cualquier contexto. Y eso es válido para iluminados, desde Bin Laden a Hugo Chávez.

P. Usted se marchó de Cuba en 1996 y no ha vuelto.

R. En los noventa Cuba estaba muy mal y a ese estado general se unió una crisis personal y laboral, una imposibilidad para hacer mi vida; siempre me moví en ámbitos contraculturales y ya se sabe en tiempos de crisis: primero, comer y luego, la poesía.

P. ¿Actuaba en una banda de heavy con una camiseta con la bandera americana?

R. No, pero sí es cierto que lo hacía con un billete de un dólar pegado en la guitarra… Era una broma personal. El rock estaba ya despenalizado, pero nunca fue legalizado del todo, siempre había un policía jodiendo.

P. Hace tres años atacó duramente a Fidel. ¿En qué ha traicionado la revolución?

R. La primera traición es que no se quería hacer tanto una revolución como recuperar la Constitución de 1940 y llegar a unas elecciones. Luego el proceso revolucionario se radicalizó, pero la propiedad privada pasó toda al Estado, que se convirtió en el nuevo patrón: los ciudadanos trabajan para el Estado, cobran del Estado y acaban gastando en el Estado; es el sueño de todo oligarca.

P. Sus críticas pueden servir a los grandes enemigos de la revolución cubana.

R. El acriticismo militante ha sido nefasto para la izquierda: sin ser crítico no se puede ir a ningún lado, se estanca y se reproduce lo peor; para mí, ser de izquierdas no significa estar en contra de la derecha, sino del poder, sea quien sea quien lo ejerza. Me costó mucho distanciarme de todo lo aprendido en Cuba… Quizá se acabó la lucha armada revolucionaria, pero no la lucha como tal.

P. ¿Existen canales para ello en las sociedades actuales?

R. Si no los hay, debemos crearlos. Existen organizaciones sociales, ONG y otras de carácter cívico-personales, como los colectivos lésbico-gays, o los antimilitaristas, que no aspiran al poder, pero que con su presión acaban forzando leyes.

P. ¿La lucha armada está ya descartada como vía?

R. Por ahora, sí. Por siempre sólo está la muerte. Hoy no forma parte de las obsesiones sociales.

P. ¿Qué siente cuando ve el merchandising sobre su abuelo?

R. Soy un iconoclasta, pero siempre impresiona ver que un hombre que eligió el capitalismo para ponérselo al frente como enemigo haya acabado así.

P. ¿Algún objeto especialmente hiriente?

R. Mi único choque visceral es con una camiseta con un rostro con la mitad de la cara de Jesucristo y la otra, la del Che. Soy ateo y esas santificaciones…

08/10/2007 - 18:25h Le "Che", de la révolution au mythe vu par Le Monde

L’iconographie d’Ernesto Guevara est assez succinte mais les quelques photos disponibles ont été énormément diffusées. La plus célèbre d’entre elles, le représentant avec son béret, a été réalisée par le photographe cubain Alberto Korda. Elle est devenue le symbole de ce culte voué au “Che”. Elle a été reproduite un nombre incalculable de fois sur des vêtements, des drapeaux ou même sur la façade du ministère de l’industrie cubain.

Dans cette vidéo par exemple, un artiste trace une esquisse du Che, tel que l’a photographié Alberto Korda.

Le réalisateur Ricardo Vega propose ici une biographie “à l’envers” du “Che”, de son lit de mort à sa jeunesse. Intitulée Régression, cette œuvre montre des images peu connues du “Che”, rythmées par un chant révolutionnaire qui exhorte “les guerilleros à aller de l’avant”.

Il est difficile d’évoquer la mémoire d’Ernesto Guevara sans évoquer la chanson Hasta Siempre, Commandante (”Pour toujours, commandant”) du chanteur cubain Carlos Puebla. Cette chanson, écrite en 1965, après un discours du “Che” est devenue un véritable hymne à sa mémoire.

06/10/2007 - 20:30h Fidel Castro, Cuba e os Cubanos, um dossier do Le Monde

06/10/2007 - 20:17h "Le Rideau de sucre", une génération heureuse à Cuba

Le Rideau de sucre, de Camila Guzman Urzua (Epicentre films).

La documentariste Camila Guzmán Urzúa vit en Europe depuis près de quinze ans. Elle est retournée à Cuba sur les traces de son enfance. Un témoignage d’un passé joyeux qui contraste brutalement avec la situation actuelle de l’île.

“Je voulais retrouver le pays de mon enfance, le point de vue d’une enfant qui voyait Cuba comme un paradis, comme toute une partie de sa génération. C’est un souvenir collectif”, explique Camila Guzmán Urzúa, réalisatrice et scénariste de “El telon de azucar” (”Le rideau de sucre”).

Un premier opus pour cette jeune documentariste de 35 ans, la fille de Patricio Guzmán, auteur de nombreux films sur le Chili. Née à Santiago du Chili, elle est arrivée à l’âge de 2 ans à La Havane, sa famille fuyant la dictature d’Augusto Pinochet.

“Le Rideau de sucre” revient sur l’enfance cubaine de Camila Guzmán Urzúa à travers les lieux (l’école, la colonie de vacances, les musées, les champs) et les interviews de ses camarades de l’époque, qu’ils soient restés ou de passage sur l’île.

Les frigos sont bien remplis, l’éducation et la santé gratuites

C’est le portrait d’une génération qui revendique le bonheur, des valeurs solides comme la justice, l’égalité, la tolérance, l’honnêteté. L’époque est celle des “années dorées” de la révolution (entre 1970 et 1980), de “l’homme nouveau”, des “bâtisseurs de l’avenir”, avec le Che en toile de fond jusqu’à la nausée.

Les frigos sont bien remplis, l’éducation et la santé gratuites, l’URSS et le bloc de l’Est exportent pétrole et nourriture à tour de bras. La génération de la réalisatrice est instruite, ouverte, pleine de projets… mais à l’étranger.

“J’ai quitté Cuba quand tout allait bien”. En 1990, Camila Guzmán Urzúa part travailler et étudier en Europe. En 1991, deux ans après la chute du Mur, Moscou coupe les robinets. A partir de 1992, c’est la crise économique. “Nous ne savions pas que nous étions aussi dépendant de l’Union soviétique”, s’exclame face à la caméra Juan Carlos, un ami d’enfance.

Cuba manque dramatiquement de médicaments et de produits alimentaires. La jeune femme confie:

“A cette époque, j’ai ressenti une grande angoisse. Je suis revenue en 1994. C’était en pleine crise des ‘balseros’ [les embarcations de fortune sur lesquels les Cubains s'embarquaient pour gagner les Etats-Unis, ndlr], et il ne restait plus rien.”

“Il y a quelque chose à sauver”

Depuis, elle fait régulièrement des allers-retours. En 2003, elle revient caméra au poing, avec la conviction que du Cuba de son enfance, “il y a quelque chose à sauver”. “Parce que nous avons été heureux. Evidemment que nous avons aussi été déçus.”

Tout au long du film, le contraste est saisissant entre le passé souriant des photos et le présent, fait d’immeubles en ruine, de pénurie générale et de crise. “La nuit, je répare les baskets de mon fils. Je fais à manger sans matière grasse. On s’habitue à tout. Nous nous adaptons”, raconte Loraine à la caméra de Camila Guzmán Urzúa. Juan Carlos, lui aussi, refuse de partir. Ses parents ont quitté l’île: “Ils ont donné, le bénévolat, les cours d’alphabétisation, les travaux agricoles… pour rien. Mais si tout le monde part, qui va rester ici?”

Tourné en quatre mois, monté en deux ans, le film connaît un joli succès depuis sa première diffusion en 2006 au Festival international du film de Toronto au Canada. Cette année, il est récompensé au Festival du cinéma du réel, aux 19e rencontres Cinémas d’Amérique Latine de Toulouse et au Festival du film insulaire de l’Ile de Groix.

Camila Guzma Urzua ignore si “Fidel” a vu son documentaire mais elle a inscrit “Le Rideau de sucre” au Festival international du nouveau cinéma latino-américain de La Havane, qui se déroule en décembre. Elle attend la réponse.

Le Rideau de sucre - Extrait 1 (Espagnol sous-titré)Le Rideau de sucre - Extrait 1 (Espagnol sous-titré)

Le Rideau de sucre – Extrait 1 (Espagnol sous-titré)
“Enfants Pionniers” – Souvenirs d’enfant du régime cubain…

Le Rideau de sucre documentaire de Camila Guzmán Urzúa (Chili, France) – 1h30 – sortie le 10 octobre, notamment au Latina et au Saint-Michel à Paris, au Comoedia à Lyon, au Concorde à Nantes, à l’ABC à Toulouse, au Café des images d’Hérouville-Saint-Clair, au Diagonal de Montpellier, au Royal à Biarritz, au Ciné Movida à Perpignan,bande-annonce.

29/09/2007 - 20:02h LA LEYENDA DEL CHE: INTRODUCCION AL MITO – REVISTA Ñ

La Pasión del Che Guevara


En esta edición se exploran las razones por las que la imagen del Che ha devenido simbólica y a la vez objeto de consumo. El proceso posiblemente comenzó antes de su muerte, con lo que ya tenían de mítico la revolución cubana y sus héroes. Pero el sacrificio convirtió al Che en emblema de desinterés, de férrea adhesión a los ideales, justamente en una sociedad donde ese desapego estoico y principista parece cada vez más un objeto de museo.



JORGE AULICINO jaulicino@clarin.com.
La conjunción de una derrota sublime, de un craso error táctico y estratégico, y de dos imágenes que se difundieron casi simultáneamente hicieron de Ernesto Guevara un símbolo de desinterés, coraje, absoluto desapego, incluso por el objetivo, y emblema de una victoria metafísica.La historia debe aún decir mucho sobre las razones que llevaron a Guevara y sus ideales al callejón sin salida de la Quebrada de Churo, en la selva de Ñancahuazú, en el sudeste boliviano. El modo incluso en que el Che cayó en manos del ejército boliviano, herido, andrajoso, con su arma rota, debería ser tan significativo como su cuerpo tendido sobre una angarilla colocada a su vez sobre dos piletones en el lavadero del hospital de Vallegrande.”No se preocupe, capitán, esto se acabó”, dice Gary Prado que le dijo Guevara al entregarse. Prado es hoy general y se mueve en silla de ruedas, baleado por la espalda por error cuando desalojaba, años después, un pozo petrolero tomado por comandos ultraderechistas. Ese “esto se acabó” no significó más que la confesión casi sarcástica de una impotencia que nunca fue explicada. No es la frase que Guevara pronuncia desde el terreno del mito, al que lo enviaron para siempre las dos ráfagas de fusil automático disparadas por el sargento Mario Terán, mientras estaba prisionero en una escuela del poblado de La Higuera. Las palabras que el mito pronuncia son: “Apunte bien y dispare. Va usted a matar a un hombre”. Terán se encargó de repetirlas. Ellas resuenan hoy de un modo extraño. Guevara parece estar diciendo: “Va usted a matar a un valiente”, pero también: “Va a matar a un hombre, no a su leyenda”.

¿Cómo se construyó ese mito ante el que no valían de nada ayer, y valen bien poco hoy, las protestas de equivocación, de pertinaz error, de profunda y quizá definitiva ceguera?

Hoy, los campesinos de esa región de Bolivia han hecho un santuario no del lugar en el que fue fusilado -la escuelita de La Higuera- sino del lavadero de Vallegrande, en el que fue exhibido su cadáver. El campesinado que entonces no se unió a él ni lo apoyó, en parte lo tiene como un santo. Ese es el resto de religiosidad verdadera que aún inspira el Che. El resto es un aluvión de imágenes de las que no es posible establecer el contenido ni el significado. Las llevan sobre sus remeras, sobre su piel o en las lunetas de sus automóviles miles de jóvenes que no habían nacido cuando el Che murió, que no son socialistas ni lo serán y que ignoran casi todo sobre el tipo de revolución que el Che quería.

El Che partió de Cuba en 1965. Es inocultable que había perdido allí varias batallas políticas y que no era demasiado apto para librarlas. En 1967, el año de su muerte, el editor marxista italiano Giangiacomo Feltrinelli, quien en 1972 murió víctima de una explosión mientras se supone intentaba sabotear una torre de alta tensión cerca de Milán, obtuvo regalada una foto de Alberto Korda, de 1960. El fotógrafo cubano la había tomado en un acto callejero cuando el Che se acercó a la baranda del palco para echar una mirada a la multitud. La descartó. Feltrinelli vio las posibilidades de esa imagen de una especie de ángel severo y visionario. En pocas semanas alumbraba el primer póster del Che. La imagen invadió pancartas y carteles. Meses después, el Che moría.

La construcción del héroe

Casi simultáneamente otra foto se sobrepuso: la que obtuvo el fotógrafo de UPI Freddy Alborta en la lavandería del hospital de Vallegrande, que lo haya querido o no recuerda a Cristo. Las fotos del Che que sacó Freddy Alborta; la pintura de Andrea Mantegna, La lamentación sobre Cristo Muerto, de 1490, y la pintura de Rembrandt, La lección de Anatomía del doctor Nicolás Tulp, de 1632, han dotado aquella muerte de una iconografía de martirio. Un cierto modo de vincular estas imágenes producidas por la pintura y la historia dieron pávulo a discusiones que se suceden desde que el escritor inglés John Berger relacionó el cuadro de Rembrandt con las fotografías de Vallegrande.

En realidad, los hechos, las casualidades, la pintura, la religión católica, parecen haberse complotado para que la imagen de Guevara saliera de la historia e ingresara en el terreno del mito, en el instante preciso en que murió. El ángel en 1960 y el mártir en 1967 son dos rostros para un mismo sacrificio, puesto que la foto de Korda da la vuelta al mundo impregnada ya del aire sacrificial de la foto de Alborta. Décadas después, ubicado por el realizador argentino Leandro Katz para su documental El día que me quieras (1997), el fotógrafo boliviano dijo: “Me conmovió la mirada de Guevara. Tenía la impresión de estar fotografiando a un Cristo, y en ese entorno me moví. No era simplemente un cadáver, era algo extraordinario”. Si Alborta sintió realmente que se movía en un “entorno” místico, entonces estaba instintivamente unido a la corriente pictográfica que desde el Renacimiento ha puesto un poder sobrenatural en las imágenes del Cristo y del cuerpo de Cristo.

Ni el comando militar boliviano ni Terán que no hirió la cara del Che ni el agente de la CIA Félix Rodríguez que le ordenó evitar la desfiguración del rostro pudieron prever cómo la cámara del fotógrafo cavaría en la oscuridad hasta encontrar un cuerpo humano abatido y una mirada sobrehumana, al punto de que se comparara la escena con la de un Cristo bajado de la cruz y con una obra de Rembrandt en la que luces y sombras unen la carne detestable y perecedera, el olor de morgue y hospital, con un hálito cósmico. Hay mucha poesía en eso, pero una poesía de la que se hicieron cargo y dieron por buena sucesivas generaciones. La lente fotográfica, el arte mecánico del siglo, produjo el efecto de todo gran arte, desde el principio hasta el final del mito del Che.

El resto parece literatura. Y lo que siguió, una reproducción al infinito de una silueta que no tiene ya contenido propagandístico, puesto que no queda qué propagandizar, ni político, sino meramente ideológico en términos de mistificación.

Que el Che se haya estrellado contra la pared de hierro de la realidad lo hizo inmortal. En su momento, no sólo no detuvo el guerrillerismo juvenil, sino que lo alentó. Hoy no sirve de nada decir que su incursión en Bolivia fue un fracaso, militar y político, un error de trágicas dimensiones para él y para el movimiento revolucionario. La cuestión por la que el Che moría no era importante. El estadounidense Peter Bourne en su biografía Fidel ha señalado la causa por la que, en tanto fracaso político, la muerte del Che es éticamente estimulante: “El Che, un revolucionario purista, romántico, creía que estar moralmente en lo correcto era, en última instancia, más importante que lograr la victoria”.

Hay ideas que la imagen del Che ya no conlleva. Ideas que por otra parte serían muy difíciles de entender para los jóvenes que portan esas imágenes. Son de un período de la historia cuyo discurso resulta incomprensible. En La vida en rojo (1997) el ensayista mexicano Jorge Castañeda anota: “Las ideas del Che, su vida, su obra, incluso su ejemplo, pertenecen a otra etapa de la historia moderna, y como tales, difícilmente recobrarán algún día su actualidad. Las principales tesis teóricas y políticas vinculadas al Che -la lucha armada, el foco guerrillero, la creación del hombre nuevo y la primacía de los estímulos morales, el internacionalismo combatiente y solidario- carecen virtualmente de vigencia. La revolución cubana -su mayor triunfo, su verdadero éxito- agoniza o sólo sobrevive gracias al rechazo de buena parte de la herencia ideológica de Guevara. Pero la nostalgia persiste”.

El “clima de época” está en toda esta historia que al correr de los años pareció desmesurada e imposible. Tenía el sello de la revolución cubana, que también en principio pareció imposible y que fue juzgada en todo el mundo de la izquierda como un suceso excepcional en el que habían concurrido una incorrecta información de los Estados Unidos, la congénita debilidad del ejército cubano, la bandera nacionalista de fuerte arraigo en la isla y un coraje fuera de lo común. Un golpe de dados.

29/09/2007 - 16:10h José Lezama Lima, Último viaje del peregrino inmóvil


El escritor cubano se hizo famoso en 1966 con Paradiso, una novela celebrada hasta por quienes estaban en sus antípodas estéticas. Esta evocación del final de su vida lo muestra como un coloso rabelesiano, cautivo del asma, la gula y el estilo gongorino de sus frases

Por Tomás Eloy Martínez
Para LA NACION Buenos Aires

A mediados de abril de 1968, cuando lo conocí en La Habana, no había escritor más parecido a la eternidad que José Lezama Lima. Julio Cortázar solía repetir “Lezama vaut le voyage “, la misma frase con que Drieu La Rochelle había anunciado el descubrimiento de Borges en 1932. Y Severo Sarduy, otro cubano tan luminoso entonces como postergado ahora, iniciaba a sus amigos de París en el culto del gran Lezama, recitándoles en los cafés de la rue Bonaparte fragmentos de “Telón lento para arias breves”, un poema inédito que circulaba en volantes mimeografiados.

Lo que había hecho famoso a Lezama, sin embargo, no eran sus poemas, barrocos e intrincados como los de Góngora, sino una novela monumental, Paradiso , cuya primera edición había sido retirada de las librerías habaneras por las alarmas que causaban las demasías homosexuales de su capítulo octavo. Fidel Castro en persona debió levantar la sanción para aplacar el coro internacional de protestas. Ya no quedaba un solo ejemplar cuando llegué para entrevistar al autor legendario después de un viaje de treinta horas desde Buenos Aires. José Bianco me había entregado ampollas de Dyspne-Inhal, de las que se valía el poeta para aplacar su asma incesante. Y Gabriel García Márquez, al que vi de paso en Barcelona, me advirtió que podía quedar enredado para siempre en las lianas de un lenguaje sin pies ni cabeza. Ese invierno, García Márquez había estado ayudando a Enrico Cicogna en la traducción al italiano de Paradiso y tuvo que abandonar la empresa cuando quedó varado en una frase que cambiaba de género y de número varias veces en el breve curso de diez líneas.

Lezama era tan imponente como su novela. En 1968 medía un metro noventa, pesaba 130 kilos y adolecía de un hambre perpetua, que nada saciaba. Dos días antes de mi partida, me citó a la hora del almuerzo en el Floridita, el célebre café frecuentado por Hemingway. Disfrutó, con un placer que nunca he vuelto a ver en nadie, de un menú que comenzaba con una sopa de brevas tibias, seguía con una pierna de cerdo trufada, puré de castañas, langostas con salsa de manteca negra, natilla con frutos del bosque, helados de chocomenta, más un misterioso café a la diabla del que solo Lezama conocía el secreto. Nunca supe de dónde salieron aquellos manjares en la Cuba racionada de aquel entonces, y el dueño nos advirtió desde el principio que la cuenta saldría cara. Fue así. Dejé en el Floridita todo el dinero que llevaba para el viaje y viví de prestado hasta que tomé el avión que me llevó de regreso a Buenos Aires, luego de una escala obligatoria en Madrid.

Virgilio Piñera, el gran cuentista cubano que era también amigo de Pepe Bianco, me dijo que el banquete de aquel mediodía no era una excepción en los hábitos desmesurados de Lezama. Se alimentaba con el mismo entusiasmo a la mañana y a la noche, sin contar el “desayuno tardío” con tortas de chocolate y pasteles de crema que tomaba a las cinco de la tarde. “En los últimos cinco años ha engordado”, contó Piñera. “Pero cuando los médicos le aconsejan que se cuide, se indigna. Nadie le ha dicho gordo en la cara. …l se considera un gourmet , para quien la calidad de las comidas es inseparable de la cantidad.”

Lezama Lima era famoso en el mundo entero pero seguía resistiéndose a salir de Cuba. Solo había estado fuera de la isla una vez, en 1951, cuando exploró durante una semana la bahía de Montego, en Jamaica. En 1968 vivía pendiente de una invitación italiana que no llegaba, soñaba con caminar por Saint-Germain en París y comer una morcilla con nueces en la Plaza Real de Madrid. Temía, sin embargo, que si se iba no lo dejarían volver. Imaginaba que poner un pie fuera del mar Caribe equivalía a la muerte para alguien que, como él, ocupaba tanto espacio. Sus vecinos de la calle Trocadero 162, donde había vivido durante más de treinta años -y seguiría viviendo hasta morir- lo llamaban el peregrino inmóvil . A Lezama le encantaba la metáfora porque, en verdad, viajaba con la imaginación a todas partes.

“Estar en un avión no es viajar”, me dijo. “Lo único que se puede hacer durante la travesía es caminar de proa a popa. El viaje verdadero es un paseo del deseoso. Goethe y Proust, hombres de inabarcable diversidad, no viajaron casi nunca. La imago fue su navío. Soy como ellos. No viajo. Por eso, resucito.”

Durante los tres días que pasé conversando con él no le oí una sola frase lisa y llana, de esas que impregnan el aire de las calles. Se quejaba, por ejemplo, de que a su edad no tenía derecho sino a un cuarto litro de leche al día. Para completar el litro debía apropiarse de la ración de su criada Baldomera. “Mi naturaleza humana se nutre de los inocentes que tienen ya un pie en el Hades”, me dijo. “En este país fogoso solo hay leche para los mayores de setenta y los menores de siete; cifras cabalísticas, enigmas deuteronómicos. Yo, como viejo de 58, salgo a roer la leche ajena, cual sierpe gongorina.” Así hablaba Lezama. Alargaba las vocales, enrulándolas: su acento era intraducible, gongoriiinooo . García Márquez tenía razón: le brotaban lianas de la garganta y, sin advertirlo, cualquiera se perdía en esa selva verbal.

La imaginación de Lezama empezaba en la puerta de su casa de la calle Trocadero. Dos columnas torneadas flanqueaban la entrada de hierro y vidrio. A un lado y otro, sendos balcones se inclinaban sobre la vereda. Detrás del zaguán, en armarios cuyas vitrinas atraían un polvo insistente, Lezama exhibía sus tesoros: figurillas japonesas, dracmas griegos, distracciones de anticuarios. A un guerrero de jade que no medía más de un palmo, el poeta le asignaba cinco siglos. “Fue una ofrenda desechada por el shogun Yoshimasa en las postrimerías de la guerra de Onin”, se enorgulleció. No le creí. Esa tarde, sin embargo, Virgilio Piñera confirmó que Lezama no exageraba: “Lo que te mostró no es de jade ni es tampoco un guerrero”, dijo. “Es una de esas figuras que se vendían antes en los mercados, en la época de Batista. Los datos que te dio Lezama son falsos pero tienen asidero en la historia. Entre 1467 y 1476 hubo una guerra civil en Kyoto, conocida como la guerra de Onin. El árbitro de los combatientes era un shogun , Ashikaga Yoshimasa.”

Resurrección y viaje

Lezama era católico, creía en la resurrección de la carne. Pero en La Habana oficialmente atea de 1968 no se atrevía a decirlo en alta voz. Fue bautizado la Navidad de 1910 con los nombres de José María Andrés Fernando, a los cinco días de nacer. Se casó a los 54 años con María Luisa Bautista en la iglesia del Espíritu Santo, rodeado de morados y de encajes episcopales. “Me uní a ella”, le escribió a su hermana Eloísa, exiliada en Miami, “por mandato de mamá, para enfrentarme a la soledad que me anegó después de su muerte”.

Cuando lo vi en La Habana de 1969 suponía que en el más allá los muertos navegaban por largos mares de dicha: una felicidad interminable por cada breve pena. La resurrección era completa en el paraíso, como quería san Pablo. “Resucitaremos”, me dijo Lezama, “con las vísceras, huesos y dientes perdidos en el camino”. El cuerpo, enunciado por él, parecía un recodo del infinito: los hueesos , las arteriaas , los oojos .

Tenía razón el poeta. No necesitaba viajar, porque su vida fue siempre un ida y vuelta de la madre, Rosa Lima y Rosado, a la que tributaba devoción, sumisión, paciencia. Doña Rosa había muerto en 1965, tres años antes de mi llegada a La Habana, pero parecía no haberse ido de la casa. El poeta hablaba de ella en tiempo presente y, de a ratos, la reprendía por vivir tan pendiente del padre. “Le repito que deje de esperarlo a la hora de la comida”, me dijo. “Pero no se equivoca cuando lo espera. Deja la silla libre para que él se siente y, cuando lo oímos llegar, conversamos con Padre como en los mitos pitagóricos. Siempre sentimos ella y yo el latido de su ausencia. Ahora los latidos son dos.”

El padre, José María Lezama y Rodda, coronel de artillería, murió de una gripe arrolladora en 1919, cuando el poeta tenía 9 años. Desde entonces, los hijos y la madre lo invocaron de las maneras más raras. “Una tarde -contó Lezama- mi madre nos puso a jugar a los yaquis, a mí, el varón único, y a mis dos hermanas.” Los yaquis es un juego infantil que consiste en levantar pequeñas crucetas del suelo al compás de una pelota, y en irlas desparramando sobre el piso. “Esa tarde, las crucetas formaron al caer un dibujo que era la cara de nuestro padre. ¿Ves, Joseíto?, me dijo mamá. Tu padre, el coronel está ordenando que cuentes la historia de la familia. Tú tienes que, tú vas a, tú debes. Así era ella, un nido de órdenes tiernas.” Las amarguras aparecen, disimuladas, en el poema de 1942 que Lezama tituló “Llamado del deseoso”: Deseoso es aquel que huye de su madre,/ Despedirse es cultivar un rocío para unirlo en la secularidad de la saliva./ La hondura del deseo no va por el secuestro del fruto./ Deseoso es dejar de ver a su madre . Lo que me dijo en 1968 tenía, en cambio, el acento de una elegía: “Ella es lo invisible que continúa trabajando sobre mí. Todo lo que hago le está dedicado. Su acento me acompaña en las noches cuando me duermo. Al despertar en las mañanas, oigo su voz de criolla fina que repite: Escribe, Joseíto, no dejes de escribir”.

Cumplió al pie de la letra todos los mandatos familiares. Se doctoró en Derecho Civil a fines de 1939, abrió un bufete en el que nunca trabajó, fundó revistas que se volverían mitológicas como Verbum (1937), Espuela de Plata (1939-41) y la ejemplar Orígenes (1944-57), que despertaría la admiración de Victoria Ocampo. De esos días le quedaron pocos rastros: un diploma amarillo de abogado en el fondo de la casa, ejemplares viejos de revistas que volaban por el patio “abrigándonos -como el poeta dijo- con su aroma a trigo fresco, a luz de tinta, a saludo de la mañana”.A mediados de abril de 1968, cuando lo conocí en La Habana, no había escritor más parecido a la eternidad que José Lezama Lima. Julio Cortázar solía repetir “Lezama vaut le voyage”, la misma frase con que Drieu La Rochelle había anunciado el descubrimiento de Borges en 1932. Y Severo Sarduy, otro cubano tan luminoso entonces como postergado ahora, iniciaba a sus amigos de París en el culto del gran Lezama, recitándoles en los cafés de la rue Bonaparte fragmentos de “Telón lento para arias breves”, un poema inédito que circulaba en volantes mimeografiados.

Lo que había hecho famoso a Lezama, sin embargo, no eran sus poemas, barrocos e intrincados como los de Góngora, sino una novela monumental, Paradiso, cuya primera edición había sido retirada de las librerías habaneras por las alarmas que causaban las demasías homosexuales de su capítulo octavo. Fidel Castro en persona debió levantar la sanción para aplacar el coro internacional de protestas. Ya no quedaba un solo ejemplar cuando llegué para entrevistar al autor legendario después de un viaje de treinta horas desde Buenos Aires. José Bianco me había entregado ampollas de Dyspne-Inhal, de las que se valía el poeta para aplacar su asma incesante. Y Gabriel García Márquez, al que vi de paso en Barcelona, me advirtió que podía quedar enredado para siempre en las lianas de un lenguaje sin pies ni cabeza. Ese invierno, García Márquez había estado ayudando a Enrico Cicogna en la traducción al italiano de Paradiso y tuvo que abandonar la empresa cuando quedó varado en una frase que cambiaba de género y de número varias veces en el breve curso de diez líneas.

Lezama era tan imponente como su novela. En 1968 medía un metro noventa, pesaba 130 kilos y adolecía de un hambre perpetua, que nada saciaba. Dos días antes de mi partida me citó a la hora del almuerzo en el Floridita, el célebre café frecuentado por Hemingway. Disfrutó, con un placer que nunca he vuelto a ver en nadie, de un menú que comenzaba con una sopa de brevas tibias, seguía con una pierna de cerdo trufada, puré de castañas, langostas con salsa de manteca negra, natilla con frutos del bosque, helados de chocomenta, más un misterioso café a la diabla del que sólo Lezama conocía el secreto. Nunca supe de dónde salieron aquellos manjares en la Cuba racionada de aquel entonces, y el dueño nos advirtió desde el principio que la cuenta saldría cara. Fue así. Dejé en el Floridita todo el dinero que llevaba para el viaje y viví de prestado hasta que tomé el avión que me llevó de regreso a Buenos Aires, luego de una escala obligatoria en Madrid.

Virgilio Piñera, el gran cuentista cubano que era también amigo de Pepe Bianco, me dijo que el banquete de aquel mediodía no era una excepción en los hábitos desmesurados de Lezama. Se alimentaba con el mismo entusiasmo a la mañana y a la noche, sin contar el “desayuno tardío” con tortas de chocolate y pasteles de crema que tomaba a las cinco de la tarde. “En los últimos cinco años ha engordado”, contó Piñera. “Pero cuando los médicos le aconsejan que se cuide, se indigna. Nadie le ha dicho gordo en la cara. …l se considera un gourmet, para quien la calidad de las comidas es inseparable de la cantidad”.

Lezama Lima era famoso en el mundo entero pero seguía resistiéndose a salir de Cuba. Sólo había estado fuera de la isla una vez, en 1951, cuando exploró durante una semana la bahía de Montego, en Jamaica. En 1968 vivía pendiente de una invitación italiana que no llegaba, soñaba con caminar por Saint-Germain en París y comer una morcilla con nueces en la Plaza Real de Madrid. Temía, sin embargo, que si se iba no lo dejarían volver. Imaginaba que poner un pie fuera del mar Caribe equivalía a la muerte para alguien que, como él, ocupaba tanto espacio. Sus vecinos de la calle Trocadero 162, donde había vivido durante más de treinta años -y seguiría viviendo hasta morir- lo llamaban el peregrino inmóvil. A Lezama le encantaba la metáfora porque, en verdad, viajaba con la imaginación a todas partes.

“Estar en un avión no es viajar”, me dijo. “Lo único que se puede hacer durante la travesía es caminar de proa a popa. El viaje verdadero es un paseo del deseoso. Goethe y Proust, hombres de inabarcable diversidad, no viajaron casi nunca. La imago fue su navío. Soy como ellos. No viajo. Por eso, resucito”.

Durante los tres días que pasé conversando con él no le oí una sola frase lisa y llana, de ésas que impregnan el aire de las calles. Se quejaba, por ejemplo, de que a su edad no tenía derecho sino a un cuarto litro de leche al día. Para completar el litro debía apropiarse de la ración de su criada Baldomera. “Mi naturaleza humana se nutre de los inocentes que tienen ya un pie en el Hades”, me dijo. “En este país fogoso sólo hay leche para los mayores de setenta y los menores de siete; cifras cabalísticas, enigmas deuteronómicos. Yo, como viejo de 58, salgo a roer la leche ajena, cual sierpe gongorina”. Así hablaba Lezama. Alargaba las vocales, enrulándolas: su acento era intraducible, gongoriiinooo. García Márquez tenía razón: le brotaban lianas de la garganta y, sin advertirlo, cualquiera se perdía en esa selva verbal.

La imaginación de Lezama empezaba en la puerta de su casa de la calle Trocadero. Dos columnas torneadas flanqueaban la entrada de hierro y vidrio. A un lado y otro, sendos balcones se inclinaban sobre la vereda. Detrás del zaguán, en armarios cuyas vitrinas atraían un polvo insistente, Lezama exhibía sus tesoros: figurillas japonesas, dracmas griegos, distracciones de anticuarios. A un guerrero de jade que no medía más de un palmo, el poeta le asignaba cinco siglos. “Fue una ofrenda desechada por el shogun Yoshimasa en las postrimerías de la guerra de Onin”, se enorgulleció. No le creí. Esa tarde, sin embargo, Virgilio Piñera confirmó que Lezama no exageraba: “Lo que te mostró no es de jade ni es tampoco un guerrero”, dijo. “Es una de esas figuras que se vendían antes en los mercados, en la época de Batista. Los datos que te dio Lezama son falsos pero tienen asidero en la historia. Entre 1467 y 1476 hubo una guerra civil en Kyoto, conocida como la guerra de Onin. El árbitro de los combatientes era un shogun, Ashikaga Yoshimasa”.

Resurrección y viaje

Lezama era católico, creía en la resurrección de la carne. Pero en La Habana oficialmente atea de 1968 no se atrevía a decirlo en alta voz. Fue bautizado la navidad de 1910 con los nombres de José María Andrés Fernando, a los cinco días de nacer. Se casó a los 54 años con María Luisa Bautista en la iglesia del Espíritu Santo, rodeado de morados y de encajes episcopales. “Me uní a ella”, le escribió a su hermana Eloísa, exiliada en Miami, “por mandato de mamá, para enfrentarme a la soledad que me anegó después de su muerte”.

Cuando lo vi en La Habana de 1969 suponía que en el más allá los muertos navegaban por largos mares de dicha: una felicidad interminable por cada breve pena. La resurrección era completa en el paraíso, como quería san Pablo. “Resucitaremos”, me dijo Lezama, “con las vísceras, huesos y dientes perdidos en el camino”. El cuerpo, enunciado por él, parecía un recodo del infinito: los hueesos, las arteriaas, los oojos.

Tenía razón el poeta. No necesitaba viajar, porque su vida fue siempre un ida y vuelta de la madre, Rosa Lima y Rosado, a la que tributaba devoción, sumisión, paciencia. Doña Rosa había muerto en 1965, tres años antes de mi llegada a La Habana, pero parecía no haberse ido de la casa. El poeta hablaba de ella en tiempo presente y, de a ratos, la reprendía por vivir tan pendiente del padre. “Le repito que deje de esperarlo a la hora de la comida”, me dijo. “Pero no se equivoca cuando lo espera. Deja la silla libre para que él se siente y, cuando lo oímos llegar, conversamos con Padre como en los mitos pitagóricos. Siempre sentimos ella y yo el latido de su ausencia. Ahora los latidos son dos”.

El padre, José María Lezama y Rodda, coronel de artillería, murió de una gripe arrolladora en 1919, cuando el poeta tenía 9 años. Desde entonces, los hijos y la madre lo invocaron de las maneras más raras. “Una tarde -contó Lezama- mi madre no puso a jugar a los yaquis, a mí, el varón único, y a mis dos hermanas”. Los yaquis es un juego infantil que consiste en levantar pequeñas crucetas del suelo al compás de una pelota, y en irlas desparramando sobre el piso. “Esa tarde, las crucetas formaron al caer un dibujo que era la cara de nuestro padre. ¿Ves, Joseíto?, me dijo mamá. Tu padre el coronel está ordenando que cuentes la historia de la familia. Tú tienes que, tú vas a, tú debes. Así era ella, un nido de órdenes tiernas”. Las amarguras aparecen, disimuladas, en el poema de 1942 que Lezama tituló “Llamado del deseoso”: Deseoso es aquel que huye de su madre,/ Despedirse es cultivar un rocío para unirlo en la secularidad de la saliva./ La hondura del deseo no va por el secuestro del fruto./ Deseoso es dejar de ver a su madre. Lo que me dijo en 1968 tenía, en cambio, el acento de una elegía: “Ella es lo invisible que continúa trabajando sobre mí. Todo lo que hago le está dedicado. Su acento me acompaña en las noches cuando me duermo. Al despertar en las mañanas, oigo su voz de criolla fina que repite: Escribe, Josesito, no dejes de escribir”.

Cumplió al pie de la letra todos los mandatos familiares. Se doctoró en Derecho Civil a fines de 1939, abrió un bufete en el que nunca trabajó, fundó revistas que se volverían mitológicas como Verbum (1937), Espuela de Plata (1939-41) y la ejemplar Orígenes (1944-57), que despertaría la admiración de Victoria Ocampo. De esos días le han quedado pocos rastros: un diploma amarillo de abogado en el fondo de la casa, ejemplares viejos de revistas que vuelan por el patio “abrigándonos -como el poeta dijo- con su aroma a trigo fresco, a luz de tinta, a saludo de la mañana”.

La publicación de Paradiso a fines de 1966 le cambió la vida. Lezama se consagró entonces a la tarea imposible de poner orden en el vértigo de lo que él llamaba su sistema poético y a la escritura de otra novela que no pudo terminar, Oppiano Licario, cuya primera versión se llamaba Inferno. En 1966 era uno de los seis vicepresidentes de la Unión de Artistas y Escritores de Cuba, uneac, y trabajaba -es un decir- como asesor del Centro de Investigaciones Literarias. Su primera novela fue editada por la uneac con una repercusión tan instantánea que casi en seguida fue reimpresa por Ediciones Era en México, por Alianza en Madrid y por De la Flor en Buenos Aires. Julio Cortázar la celebró con un extenso ensayo incluido en La vuelta al día en ochenta mundos, que circuló como una consigna de gloria en los agonizantes ´60s.

“Paradiso -escribió Cortázar- es una ceremonia, algo que preexiste a toda lectura con fines y modos literarios”. Y la incorporó al club de grandes novelas secretas, junto a El hombre sin atributos de Robert Musil y La muerte de Virgilio de Hermann Broch. Mario Vargas Llosa, que defendía un arte de narrar situado en las antípodas de Paradiso, no vaciló sin embargo en compararla con Finnegans Wake de Joyce, Bouvard y Pecuchet de Flaubert y, otra vez, con la obra magna de Musil.

La eternidad parecía asegurada y así lo vivía, incrédulo, el propio Lezama. “Creo -me dijo- que Paradiso permitirá valorar con más justicia mis olvidadas obras anteriores. Para un poeta que ya ha cumplido sus días y sus ejercicios, el centro del paraíso es la novela. Me siento como esos reyes egipcios que acaban de morir y cuya partida es explicada por los cortesanos con una frase luminosa: El faraón se ha hundido en la línea del horizonte”.

En la cueva de Polifemo

Quisiera regresar al mismo día de abril en la calle Trocadero, cuando lo conocí. La anciana Baldomera, en el patio, remienda un lienzo perfecto sin agujeros ni desgarros. María Luisa, la esposa, que hasta entonces nos ha seguido en silencio, me muestra el certificado de matrimonio religioso que la unió a Lezama en 1965, poco después de la muerte de Doña Rosa. Es una dama apacible, profesora jubilada de castellano, que parece bondadosa y dispuesta al sacrificio. Cuando se casaron, cuenta Lezama, visitaron la catedral, “cuyas curvas de piedra remedan el oleaje”, la calle del Obispo, el café La lluvia de oro y la estatua de Fernando VII, con la nariz tronchada y los ojos libidinosos.

“Luego -sigue el poeta- María Luisa afrontó las anfractuosidades de esta cama. Vengan a verla. Es Polifemo, caracol torcido”. No resistiéndose a la tentación de rimar otro endecasílabo, añade: “Caverna de murciélago aterido”.

Veo la cama: es cóncava, los elásticos fueron vencidos hace ya mucho por un cuerpo de huevo pascual. Cualquiera pensaría que quien caiga en ella podría no levantarse. Pero María Luisa es ágil, delgada, un junco de cincuenta años que nada pide, nada dice. Alrededor de la cama hay altas columnas de libros y daguerrotipos. Desde un marco de nácar, Eloísa, la abuela del poeta, sonríe con malevolencia, cofia bordada y barbilla enhiesta; desde otro, de madera, un coronel de kepís -el padre- vigila con severidad el buen orden de la casa. Las fotos de la madre sonríen en casi todos los rincones. “Mamá”, dice Lezama, “deja su luz en cada orilla. Vivo por mamá. Mi vida es esa muerta”.

Entre los fantasmas familiares canta el óleo de un gallo que vaticina maldades. Si hay sombras en el cuarto, es porque los libros de poetas no dejan pasar la luz: T. S. Eliot, Mallarmé, René Char, Michaux y, por todas partes, Góngora; Góngora y Quevedo.

A hurtadillas, como escondiéndose, Lezama aspira el rocío de una ampolla de vidrio. Contiene Dyspne-Inhal y, si le faltara, el asma no lo dejaría respirar. Uno de los temas centrales de sus cartas a Cortázar es el Dyspne-Inhal. Ahora, de pie en la atmósfera asfixiante del dormitorio, el poeta recita el nombre de sus remedios como si fueran -él lo dice- estribillos etruscos: “Celestone, Ilosone, Raudaxin/ Himrod, fumigatorios, Nebulina”.

Años después leí la descripción que Lezama hizo del Dyspne-Inhal: “No un atomizador, no te confundas, sino un nebulizador de cristal. Irriga levedad, rocío, diríase un suspiro que humedece las paredes del árbol bronquial y me dilata el aire como si en mí estuviera entrando la mañana”.

Aquella misma tarde de 1968, aún perseguido por el concierto de sus bronquios, anoto en el cuaderno que he llevado conmigo: “Las volutas de la escritura de Lezama son las volutas de su respiración. Un lenguaje de rulos, doblado por infinitos desvíos, un lenguaje sinfónico, que se despliega como humo en los tubos de un órgano. Su lenguaje es el asma invadiendo la salud del castellano”.

El poeta lleva tres días sin dormir. “Por el asma”, me dice. “El médico supone que se debe a un fungus, una maleza sacrílega que flota en el aire. El asma llega hasta mí en dos ondas: primero, desaparece debajo del mar; luego, sube a los jaspes líquidos del gran acuario donde los peces desatan nieblas y en pendiente vagan”. Reconozco el eco de otra voz en lo que dice y él se da cuenta en el acto. “Ya lo sabe. Canté la música de Góngora”. “Góngora”, repite. O más bien: “Goongoraa”. Y sigue: “Yo también soy un pez. A falta de bronquios, respiro con branquias. Me consuelo pensando en la cofradía larga de asmáticos que me ha precedido: Séneca el primero; Proust, que fue de los últimos, moría tres veces cada amanecer para resucitar tres veces por la noche. Si alguien soy, soy el asma. A la disnea de la enfermedad he sumado la disnea de la inmovilidad. Carezco de otro carruaje que el de la imaginación, pero mis ruedas son rápidas: tienen ojos de lince. A todo he sobrevivido. Ahora me dispongo a sobrevivir también a la muerte”.

Telón lento para un aria breve

Cuando la eternidad de Lezama Lima empezó -si acaso las eternidades empiezan- eran los tiempos de amor desenfrenado por la música de los Beatles y de amor desenfrenado, punto. Las parejas cantaban por la calle las canciones de Sgt Pepper , “With a Little Help From my Friends”y “Lucy in the Sky With Diamonds”, se abrazaban y cantaban con una libertad que parecía inagotable. Cuba estaba entonces en el centro del mundo, pero también estaba fuera del mundo. Los escritores llegaban en oleadas desde todas partes a participar en los banquetes de la revolución.

En La Habana, la imagen del Che caído hacía pocos meses en Bolivia se multiplicaba en las plazas, en las esquinas, en los lienzos que atravesaban las calles. Había largas filas en los puestos que vendían helados Coppelia, y la revista Casa de las Américas -cuyo mentor era el poeta Roberto Fernández Retamar- se entregaba gratis a los viajeros en el aeropuerto. No había señales del conflicto que dos años más tarde desataría la detención del poeta Heberto Padilla y su posterior confesión staliniana, Fidel tampoco había lanzado sus denuestos contra “los intelectuales burgueses y agentes de la cia ” que habían comido de su mano y denunciado luego sus censuras. Las aguas de la solidaridad con la revolución cubana se partieron y Lezama Lima quedó en el medio. El silencio cubrió entonces su obra como -él lo diría- “una sábana negra”.

Los intelectuales disidentes estaban convirtiéndose en el hecho maldito de la revolución. Virgilio Piñera y José Rodríguez Feo -principal mecenas de la revista Orígenes- vivían enclaustrados, muertos de miedo, tratando de captar emisiones de Miami que les acercaran noticias del mundo. En su refugio de la calle Trocadero, Lezama seguía ajeno a todo. Apenas sobrepasaba los sesenta años, pero se sentía enfermo y sin ganas de nada.

Le escribí varias cartas desde entonces, pero jamás las contestó y nunca supe si le llegaron. Durante largo tiempo, y hasta que tuve la noticia de su muerte, ocho años después de nuestro encuentro en La Habana, quise conocer las oscuridades de su destino. Sólo tuve noticias de la acentuación de su asma y de su doloroso final cuando Margarita Sánchez, una de mis estudiantes de doctorado en la universidad de Rutgers, viajó a La Habana y se puso en contacto con el doctor José Luis Moreno del Toro, que había heredado la casa de la calle Trocadero.

Moreno le contó que, meses antes de morir, Lezama había engordado otros veinte kilos y apenas se movía. La atmósfera de su dormitorio, siempre irrespirable, se tornó más espesa cuando el poeta ordenó encender un sahumerio de polvos de Abisinia e instaló un vaporizador perpetuo de Dyspne-Inhal. Aabisiniaa, recitaba, alzando la garganta hacia el desvencijado techo. Y desde lo alto descendía un eco de fantasmas: Aabisiniaa.

Aunque la salud empeoraba velozmente, Lezama daba pretextos cada vez más imaginativos para que no lo internaran. Sobrevivió de milagro a una infección en los bronquios y a otra en las vías urinarias. Moreno del Toro le sugirió radiografías y ecografías. “Hoy me siento muy mal”, decía el poeta. “Hagamos esos exámenes mañana”. Y al día siguiente reclamaba que llevaran las máquinas de radiología a su casa. “En el hospital murieron mi padre y mi madre. No quiero ser yo también cordero de sacrificio. No iré, no iré. A la puerta de los hospitales está siempre anclada la nave de Proserpina”.

El doctor Moreno lo visitaba todos los miércoles por la tarde, cuando el poeta devoraba su “desayuno nocturno”. El 4 de agosto de 1976, un miércoles, le sorprendió que nadie lo atendiera cuando llamó a la puerta. Entró y vio a María Luisa en la penumbra del vestíbulo, bañada en llanto. “No sé qué hacer, doctor”, dijo. “Joseíto tuvo fiebre toda la noche, y ahora la fiebre le ha subido a 39″. Moreno imaginó una infección agravada, acaso una neumonía, y decidió esperar otra noche. Al amanecer del jueves, cuando regresó a la casa, Lezama dormía plácidamente. Se había negado a tomar líquidos para no desconcertar -como él decía- a los corpúsculos de Malpighi mientras estuvieran atareados en el filtrado renal. También rechazaba los antibióticos y sólo aceptaba tés caseros de pelo de choclo y de cepacaballo. Al mediodía, la fiebre volvió a remontar: 39,5, 40 grados.

“Estamos cerca de un desastre, María Luisa”, se quejó Moreno. “No puede seguir sin antibióticos. Si se niega a la vía oral, habrá que dárselos de otra manera”. El poeta se despertó invocando con terror a todos los “símbolos anunciadores de muerte. “Aléjenme de la casa del Hades”, suplicaba. “No menten a Plutón. Pónganme lejos del pantano de Estigia”. Moreno insistió en que fueran al hospital y se quedó a su lado hasta las tres de la mañana del sábado. Cuando el poeta se adormeció, vencido por la fiebre, le inyectó antibióticos en el brazo. Antes de que amaneciera corrió al hospital Calixto García, reservó un cuarto y ordenó que enviaran una ambulancia a primera hora.

De todos modos, Lezama no quería salir de la cama y nadie se atrevía a desplazarlo por la fuerza. El par de enfermeros que conducían la ambulancia quedaron amedrentados por la corpulencia de aquel rinoceronte que se inflaba sin que nadie supiera por qué. “Hoy no estoy para hospitales”, dijo al amanecer del domingo 8. “Hoy no tengo intención de morir”. Hacia el mediodía lo llamó por teléfono el presidente Osvaldo Dorticós. El poeta tuvo un ataque de tos mientras hablaba y le pasó la comunicación al doctor Moreno. “Que nadie se preocupe, doctor”, dijo Dorticós. “Aquí resolveremos hasta la menor dificultad”.

Quedaba poco por resolver, sin embargo. Al caer la tarde llegó a la casa Roberto Fernández Retamar, el hombre fuerte de la cultura cubana. “¿Tú también vienes a verme morir?”, bromeó el poeta. “No pienso darles el gusto. Hasta Fidel imagina que ya he bajado a la mansión del Hades, pero estoy en Guanabacoa, bailando una rumba en cueros”. La papada se le plegaba enorme sobre el pecho. Cada tanto, el poeta se la palpaba y repetía, con la voz entrecortada: Hinchado está el mulo, valerosa hinchazón/ que le lleva a caer hinchado en el abismo.

Cuando Retamar se marchó, Lezama trató de levantarse. Un desmayo fulminante lo derrumbó en la cama. El doctor Moreno se dio cuenta que ya no podía perder tiempo y que ésa era una oportunidad de providencia. La neumonía estrangulaba los pulmones del enfermo y le apagaba la vida. Los camilleros que montaban guardia intentaron llevarlo a la ambulancia pero fueron vencidos por el cuerpo descomunal del poeta. Los vecinos más fuertes del barrio acudieron a socorrerlos. Aun así, se les quedaba estancado a cada paso. Les cerraban el paso los muebles, las figuritas de porcelana, las torres de libros. Tuvieron que quitar las persianas del balcón y abrir un hueco en la mampostería porque el cuerpo afiebrado seguía hinchándose.

Antes de las seis de la tarde, Lezama despertó en una cama del hospital. Lo primero que hizo fue pedir que le llevaran un flan con crema. Apenas podía respirar y, por primera vez en la vida, una sola cucharada lo sació. Cuando el poeta Cintio Vitier entró en el cuarto para darle un abrazo, Lezama le dijo que los médicos exageraban lo que era “un simple catarrito”. El doctor Moreno contó que ya estaba en agonía y no se daba cuenta. Las flemas aumentaban y le enrarecían la respiración. Tuvieron que entubarlo, inyectarle más antibióticos, ponerle broncodilatadores. La abnegada María Luisa lo tenía de las manos y lloraba tragándose las lágrimas. A las dos de la mañana del lunes 9 de abril le oyó decir, con el hilo de voz que le quedaba: “Ave María, me cubre la manta negra”. Tenía los ojos muy abiertos, llenos de curiosidad por el mundo que dejaba. La eternidad que había empezado con Paradiso ahora también tenía un fin.

23/08/2007 - 11:43h Newton dorme

ALOIZIO MERCADANTE

Jornalistas e políticos não têm o rigor científico de Newton. Mas todos têm de ter um compromisso mínimo com os fatos

“Hypothesis non fingo” (Isaac Newton)

ISAAC NEWTON era um cientista tão genial quanto rigoroso. Formulou as teorias que, pela primeira vez, explicaram o mundo do ponto de vista lógico-matemático. Contudo, não conseguiu explicar como a gravidade funciona, como um corpo atua sobre outro à distância.
Indagado exaustivamente sobre o assunto, escreveu, no “Scholium Generale”, que não conseguia deduzir a natureza da gravidade a partir dos fenômenos que observava e que não teceria hipóteses. Na sua privacidade, Newton especulou muito sobre o tema e chegou até a criar o conceito do éter espacial para tentar explicar a ação à distância. Porém, fiel ao seu rigor científico, nunca publicou uma página sobre suas especulações.
Jornalistas e políticos não têm, entretanto, o rigor científico newtoniano. É natural, são ofícios diferentes, que não requerem o uso de métodos científicos. Mas, independentemente do ofício, todos têm de ter um compromisso mínimo com os fatos.
Em primeiro lugar, é questão de bom senso: o desapego aos fatos conduz necessariamente ao erro. Em segundo, é uma questão de espírito público: falta de objetividade e de imparcialidade nos ofícios que formam a opinião pública faz mal à democracia.
Apesar disso, parte da mídia e classe política oposicionistas vem sendo assolada por um febril “modus speculandi” que faria corar a pitonisa de Delfos e o barão de Munchausen. Tornou-se moda testar hipóteses.
Ante qualquer acontecimento, tece-se, de imediato, uma hipótese para explicá-lo. Tudo bem, é normal que se tente explicar os acontecimentos, mesmo quando não se sabe nada sobre eles. Mas não é normal nem desejável que se tente explicar algo sem sequer fazer uma investigação minimamente rigorosa sobre o assunto.
Também não é normal nem desejável que, ante as múltiplas hipóteses que podem explicar um fenômeno, se escolha só a que serve ao interesse próprio. E absolutamente não é normal nem salutar para a democracia que a hipótese arbitrariamente escolhida seja apresentada como fato. Por último, é no mínimo curioso que as hipóteses escolhidas sejam todas contrárias ao governo federal.
Há fatos inquietantes. O incêndio ainda consumia o avião da TAM quando os jornais televisivos afirmaram, em uníssono, que a aeronave havia “derrapado” na pista escorregadia. Assim, foi testada a hipótese de que o acidente fora provocado pela falta de ranhuras em Congonhas.
Os mais exaltados chegaram a testar a hipótese de que o governo Lula tinha assassinado 199 pessoas. Uma conhecida agência entrevistou um “consultor de aviação” que acusou peremptoriamente a Infraero de “assassinato coletivo”. Perdeu-se toda a cautela e a compostura, e surgiram as manchetes falando da “tragédia anunciada”. Na onda de histeria especulativa, até mesmo psicoanalistas, aparentemente com grandes conhecimentos técnicos sobre aeronáutica, se permitiram aderir à hipótese do assassinato coletivo.
Porém, com a revelação de que o avião operava sem um dos reversos e que os manetes não estavam na posição correta no momento do pouso, tal como acontecera em dois outros bem conhecidos acidentes com o mesmo tipo de aeronave, subitamente minguaram as especulações e se passou a exigir, tardiamente e com o grande estrago já feito, o aguardo dos resultados do inquérito e a proibição dos julgamentos precipitados.
Talvez frustrado pelo malogro, esse jornalismo isento voltou à ira imparcial para o teste de outras hipóteses.
Quando dois pugilistas cubanos que haviam fugido de sua delegação procuraram a polícia e pediram para voltar ao seu país, testou-se, de imediato, a hipótese de que o governo Lula, “amigo do governo Fidel Castro”, negou-lhes insensivelmente o refúgio de que precisavam. No Senado, chegou-se mesmo a testar a hipótese de que o episódio dos pugilistas era igual ao de Olga Benário, entregue por Getúlio aos seus carrascos nazistas.
Ante a revelação de que eles recusaram as reiteradas ofertas de asilo, fato testemunhado pela OAB-RJ, e que outros dois atletas cubanos que pediram refúgio foram acolhidos pelas autoridades brasileiras, testa-se, agora, a hipótese de que os pugilistas foram “ameaçados por Havana” e que o governo brasileiro deveria ter feito alguma coisa. Sabe-se lá o quê.
Exemplos como esses se avolumam na história recente do Brasil. São tantos que já dá até para aventar uma hipótese: parte da mídia oposicionista não se preocupa muito com a investigação isenta dos fatos e atua de forma parcial e tendenciosa, maculando a enorme contribuição que a imprensa livre deu à consolidação da nossa democracia.
Tudo bem, não se exaltem, estamos apenas exercendo o péssimo costume de testar hipóteses no campo da política e do jornalismo. Newton dorme.


ALOIZIO MERCADANTE, 53, economista e professor licenciado da PUC-SP e da Unicamp, é senador da República pelo PT-SP.

06/08/2007 - 14:48h Fidel, o Itamaraty e os boxeadores cubanos

Seqüencias Parisienses

Blog de Luiz Felipe de Alencastro

Guillermo Rigondeaux, arquivo Folha de São Paulo

O Itamaraty e o governo brasileiro decidiram deportar os dois boxeadores cubanos que se encontram no Brasil. Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara desertaram do Pan no Rio. Segundo um delegado da PF, eles agora querem voltar para casa e recusam o estatuto de refugiados políticos. Numa texto publicado hoje, Fidel anunciou que não punirá Rigondeaux e Lara.
Nos países democráticos há um princípio jurídico básico na matéria. Nenhum suspeito, e nem mesmo um criminoso julgado à revelia no seu país de origem, pode ser deportado ou extraditado para este país, se a pena ali aplicada for maior que a pena prevista no país ao qual foi solicitada a extradição. Na União Européia, onde não há pena de morte, o problema já ocorreu várias vezes com estados dos EUA que admitem a pena capital. No caso, a UE só admite a extradição de foragidos dos EUA quando os promotores americanos comprometem-se a não requerer a pena máxima.
Nos aeroportos de nosso país, desembarcam regularmente brasileiros deportados dos EUA e da UE por delito de ausência de visto ou de passaporte. Aqui chegados, eles pegam a mala e vão para casa: nenhuma lei brasileira pune a emigração ilegal se não houver falsificação de documentos.
Aplicado rigorosamente, este princípio isentaria Rigondeaux e Lara de deportação. De fato, é sabido que o regime cubano, malgrado as promessas de Fidel, cai de pau nos que tentam emigrar ilegalmente e nas suas famílias.
O Ministério Público Federal pediu a abertura de inquérito e quer ouvir os dois atletas antes de autorizar a deportação. Deveria pedir também o engajamento formal das autoridades judiciárias cubanas de que não haverá perseguição aos atletas e à suas famílias. É o mínimo que se espera.

03/07/2007 - 20:06h VERDADES


Chico Mattoso

Ainda não sei como olhar para esta cidade. Conforme o esperado, a Havana que fabriquei na minha cabeça é completamente diferente da Havana real. Me sinto observando uma fotografia borrada. Quando as coisas parecem começar a ganhar sentido, sou assaltado por uma impressão absolutamente diferente da primeira — e tudo volta a se esfacelar.

O verbo talvez seja apropriado. Havana, em boa parte de sua extensão, é uma cidade esfacelada. Ando rumo à casa de um amigo, aqui mesmo no bairro de Vedado, e a paisagem parece ter sido vítima de um bombardeio. Há calçadas arrebentadas, prédios carcomidos, fachadas desfiguradas. Entro num edifício, subo alguns lances de escada e à minha volta não há nada que não esteja remendado ou corroído.

A visão destes destroços fica mais irreal com a óbvia constatação de que não estão abandonados. Muito pelo contrário. Lá dentro vivem estudantes, médicos, advogados, artistas, aposentados, taxistas, funcionários públicos, todos levando sua vida, indo ao trabalho, ao cinema, à sorveteria, ao beisebol.

Ou a uma exposição de arte. No início da tarde, sou levado ao Museu de Belas Artes, onde acontece a abertura da mostra de Raúl Martínez, um dos precursores da — sim, ela existe — pop art cubana. O espaço do museu é moderno, limpo, acolhedor, e a exposição um sucesso. Saio dali e, depois de um chop-suey matador, completo a jornada num pequeno teatro onde se apresenta a peça Chamaco, de autoria de um jovem dramaturgo cubano. O espaço, mais uma vez, está apinhado de gente. A peça trata de prostituição, miséria, violência, e não há nenhuma referência à revolução ou ao regime. O espetáculo é ovacionado, e na saída, sentindo pela primeira vez uma brisa fresca em meio ao forno industrial que é esta cidade, fico tentando conjugar cada uma das realidades que testemunhei ao longo do dia. Leia mais aqui…