04/09/2008 - 10:52h Greve por salário paralisa montadoras

Trabalhadores aprovando estado de greve no pátio da Ford

Cibelle Bouças - VALOR

Na segunda-feira, 8 mil metalúrgicos do Paraná que trabalham nas montadoras Volkswagen, Renault e Nissan fizeram uma paralisação de 24 horas em resposta à falta de uma nova contraproposta de reajuste salarial pelas empresas, prazo que foi estendido em 48 horas e, na ausência de uma nova oferta das montadoras, será convertida em greve por tempo indeterminado. Ontem, no Estado de São Paulo, 14,2 mil metalúrgicos fizeram paralisação de 24 horas em cinco fábricas, para forçar as indústrias a reverem suas propostas de reajuste salarial, cuja data-base é setembro - em um dos casos, com ameaça de greve por tempo indeterminado, dependendo da proposta feita pelas indústrias.

O risco de greve de cunho nacional - estratégia adotada pela última vez pela categoria em 2001 e substituída em anos recentes pelas chamadas greves-pipoca, localizadas e de curta duração - parece ter voltado a rondar as montadoras. Não existe um acordo entre Conlutas, Intersindical, Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Força Sindical para criar um movimento de paralisação unificado mas, individualmente, essas lideranças sindicais seguem a mesma estratégia. E um ponto que deve preocupar as montadoras: a paralisação feita ontem na Mercedes-Benz de São Bernardo do Campo (SP) por 3 mil metalúrgicos com indicativo de greve por tempo indeterminado pode estimular a disseminação do movimento no ABC Paulista, que não passa por uma greve por reajuste salarial desde 2003.

“Com a paralisação, os trabalhadores estão mandando um recado. A intensidade dos protestos só vai aumentar se não houver avanço nas negociações”, disse Moisés Selerges, diretor-executivo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A paralisação na Mercedes foi feita em desagravo à proposta do Sindicato dos Fabricantes de Veículos Automotores (Sinfavea) de aumento de 1,25 ponto percentual sobre a inflação - menos da metade do reajuste acordado em 2007 e aquém do pedido dos metalúrgicos neste ano, de 5% de ganho real.

Na manhã de hoje, sindicalistas realizam assembléias na porta das fábricas da Volkswagen, Ford e Scania para discutir a possibilidade de paralisações nessas montadoras. Ontem, a Mercedes deixou de produzir 150 veículos e, no fim de semana, outros 400 deixarão de ser fabricados, já que os trabalhadores decidiram paralisar os três turnos extras implantados no fim de semana, para a acelerar a produção das linhas 2009. No fim de semana, 9 mil metalúrgicos da montadora deixarão de trabalhar em São Bernardo do Campo.

As greves ocorrem no primeiro momento do ano em que a euforia crescente trouxe sinais de acomodação. De janeiro a julho, as montadoras produziram 2,01 milhões de veículos, volume 21,8% superior ao de igual período do ano passado. Em licenciamentos (vendas internas), o aumento chegou a 30%, também na comparação com os primeiros oito meses de 2007. Depois desse forte avanço, contudo, as vendas de agosto mostraram um crescimento mais tímido em comparação com o mesmo mês de 2007, de 4,05%. A indústria já esperava índices menores (por causa da base de comparação mais forte), mas o resultado veio abaixo do esperado e, junto com o aumento de estoques (com a média de veículos disponíveis para venda passando de 216 mil para 250 mil unidades), acendeu sinais de alerta no setor.

Enquanto os metalúrgicos miram os resultados até julho para ancorar seu pedido de aumento real de 5%, as montadoras usam agosto e as recorrentes notícias de que o governo pode adotar medidas para conter o financiamento de automóveis para justificar a cautela e oferecer 0,5% de aumento real. Neste ano, ao contrário de outros momentos, os metalúrgicos têm a seu favor a recuperação do emprego. Dados da Anfavea mostram que, em julho, as montadoras estavam empregando 129,4 mil metalúrgicos, número 13% superior ao de igual mês de 2007.

No Paraná, por conta da paralisação iniciada segunda-feira, a Volkswagen-Audi deixou de produzir cerca de 1,7 mil automóveis. Na Renault, a perda foi de 1,6 mil veículos, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba. Uma unidade da Volvo ficou parada por 24 horas e voltou a operar terça-feira, à espera de uma nova proposta até hoje. “Se não houver proposta, o movimento vai se encaminhar para a greve por tempo indeterminado a partir de quinta-feira [hoje]”, afirmou Sérgio Butka, presidente do sindicato.

No interior paulista, a estratégia dos sindicatos está concentrada nas greves-pipoca. Ontem, na região de Campinas, metalúrgicos das montadoras Honda (3.500), Toyota (1.900) e Mercedes Benz (800) realizaram paralisação de 24 horas. “Nos últimos anos, adotamos a greve-pipoca como estratégia. Estoura aqui e ali e logo todos voltam a trabalhar. Mas passou a ser importante ampliar esse movimento porque os empresários estão muito resistentes a aceitar as propostas dos metalúrgicos”, afirmou Eliezer Mariano da Cunha, diretor do sindicato de Campinas.

Na segunda-feira, a metalúrgica Wirex Cable, do setor de eletroeletrônicos, ficou parada. Ontem, foi a vez dos 5 mil metalúrgicos da General Motors. A paralisação afetou a produção de 950 a 1 mil veículos. Hoje, disse Vivaldo Moreira Araújo, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, outras empresas terão sua atividade parada sem aviso prévio. “Cada dia será uma fábrica. E se o patronato não melhorar a proposta, não vamos ter outra opção que não seja a greve por tempo indeterminado”, afirmou Moreira. Os metalúrgicos do interior de São Paulo pedem aumento real de 9,17% e garantia de gatilho salarial quando a inflação atingir 3% em 12 meses. A última proposta feita pelo Sinfavea foi de 1,25% de aumento real. Procurada, a assessoria de imprensa da entidade informou que não comenta detalhes das discussões com os trabalhadores.

22/07/2008 - 10:03h ABC e D: 40% dos postos de trabalho recuperados e novos horizontes para a região

ABC recupera vigor, mas perde poder sindical

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Marli Olmos e Raquel Landim, de São Paulo, São Bernardo do Campo e Diadema - VALOR

Regiane Maria da Silva, 22 anos, casada, trocou de emprego no começo do ano e está trabalhando na linha de montagem da Federal Mogul, em Diadema. Passam por sua mãos 220 faróis de moto por hora. O trabalho é corrido, mas ela não reclama. Regiane aproveitou as contratações da indústria automotiva para ganhar mais. Com a mudança, o salário aumentou 25%, para R$ 926. Ela conta que utiliza o dinheiro extra para pagar dívidas, comprar roupas e passear com o filho, Gustavo - um luxo praticamente impossível antes.

A operária ocupa uma das mais de 22 mil vagas abertas na base metalúrgica que abrange São Bernardo do Campo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra nos últimos cinco anos, período em que o nível de emprego nesse setor industrial na região do ABC paulista voltou a crescer.

Desde 2003 a categoria metalúrgica dessas cidades recuperou em torno de 37% dos postos de trabalho perdidos na década de 90. Os números oficiais serão divulgados pelo sindicato hoje. O último dado oficial da entidade mostrava 97,6 mil trabalhadores em março. Como a média de abertura de novas vagas está em mil empregos por mês, a categoria dessa base já passa de 100 mil.

A capacidade de o ABC voltar a criar empregos e atrair investimentos, inclusive como berço de novos projetos de veículos, coincide, porém, com um momento de enfraquecimento político daquele que já foi o principal sindicato do país e onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou a atividade de líder sindical.

Disputas de poder moldaram um novo mapa na representação dos trabalhadores. O grupo de São Bernardo, onde nasceu o Partido dos Trabalhadores (PT) e seu braço sindical, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), perdeu em agosto do ano passado uma parte importante da base. Depois de uma disputa na Justiça, que se estendeu de 1996 a agosto do ano passado, a Força Sindical tomou o controle da base de Santo André.

Para evitar que o impasse se arrastasse ainda mais na Justiça, os sindicalistas resolveram fazer uma partilha da base de forma consensual. O grupo de São Bernardo continuou com Diadema e levou mais dois pequenos municípios: Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. A turma de Santo André ficou com Mauá e mais um prédio de treinamento que também estava na disputa.

A Força Sindical comanda também o Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul, que há anos está totalmente descolado do resto do movimento sindical da região. Outro ponto de enfraquecimento é que, uma vez feita essa divisão de grupos, surgiram três datas-base na região: agosto, setembro e novembro, o que, por si só já contrapõe com as históricas mobilizações que reuniam milhares dentro de um estádio durante as negociações trabalhistas dos tempos de Lula.

Dessa forma, a entidade que leva o nome Sindicato dos Metalúrgicos do ABC representa cada vez menos o ABC, apesar de ser a maior entidade, a mais estruturada e a mais afinada com as poderosas comissões de fábrica, especialmente das montadoras.

Os sete municípios que compõem o ABC têm, juntos, mais de 140 mil trabalhadores. O atual presidente do Sindicato do ABC, José López Feijóo, argumenta que a sua base é a maior. De fato, essa entidade é dona de 72% da categoria na região, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), subseção ABC. Santo André e Mauá, a segunda maior base, reúne 23 mil.

No próximo dia 2, Feijóo será substituído por um novo presidente, Sérgio Nobre, um empregado da Mercedes-Benz. Nobre tem a própria história ligada aos momentos de crise na região. Seu pai trabalhou na Brastemp , uma das empresas que desistiram da região na década de 90 e ele, aprendiz do Senai, começou a trabalhar na indústria automobilística quando só se falava em demissões .

As empresas que não desistiram do ABC hoje crescem junto com a região. José Carlos Ferreira Catib, diretor geral da ZF Sachs, uma multinacional do setor de autopeças, conta que a empresa chegou a cogitar a possibilidade de sair da região 15 anos atrás. Na época, pesavam a ação sindical e os custos, afirma Catib. “Mas a mudança nessa postura sindical nos levou a ficar”, destaca. “Os sindicalistas perceberam que tinham que atuar em conjunto com as empresas”, destaca.

Do seu lado, os sindicalistas dizem que as empresas também mudaram. “Antigamente as empresas não aceitavam sequer receber uma pauta de reivindicações e, por isso, tínhamos que partir logo para a greve”, destaca Adilson Torres dos Santos, diretor do Sindicato de Santo André.

Catib lembra que a região tem mão-de-obra qualificada e proximidade do porto de Santos. Mas o que freia um pouco esse crescimento é o esgotamento da capacidade. A própria ZF instalou uma nova unidade em Araraquara, no interior paulista, porque precisava ampliar a produção.

Em São Bernardo, a ZF faz componentes de embreagem , que são, posteriormente montados em Araraquara. Dali, as peças seguem para as montadoras do Brasil e do exterior. Qualquer paralisação pode pôr a perder essa sintonia.

“O setor automotivo é a porta na nossa cadeia produtiva. Ainda é o alicerce da economia”, diz Fernando Longo, secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo de São Bernardo. Ele recebe solicitações diárias de empresas procurando área livre para se instalar na cidade, mas ressalta que é bastante complicado.

Graças aos novos empregos, a região voltou a crescer e atrair investimentos imobiliários e do comércio. Dimitrios Markakis, presidente da Dicico, está investindo na região do ABC paulista. Ele instalou uma loja em Diadema em 2007 e vai abrir outra em São Bernardo este ano. Em 2009, será a vez de Santo André. O executivo encomendou pesquisas sobre a região e, apesar do alto custo dos imóveis, a indicação é de retorno positivo, porque o potencial econômico é promissor.

“Quando abrimos uma loja, não podemos errar, porque o custo chega a R$ 12 milhões”, diz. Markakis avalia que, com o boom do setor automotivo, a tendência é de melhora do poder aquisitivo. Ele não duvida de que será seguido pelos concorrentes em breve. “Provavelmente todos os grandes varejistas de material de construção estarão em todas as cidades do ABC”.

Com 100% de ocupação nas lojas e alta de 14% nas vendas em 2007, o ABC Plaza Shopping, em Santo André, faz planos de ampliação. Segundo Márcia Pacheco, gerente de marketing do shopping, serão construídas mais 86 lojas - quase um terço das atuais 305. A incorporadora Cyrella vai investir R$ 30 milhões no projeto. “Com o boom imobiliário, as pesquisas detectaram a necessidade de novas lojas”, diz Márcia. Ela explica que o objetivo não é elitizar o shopping, cujo público majoritário é das classes B e C, mas atender à sofisticação nos hábitos de consumo.

Augusto Toldo, diretor e um dos donos da Super Mad, varejista de madeiras, está em São Bernardo desde 1951. Hoje a rede possui sete lojas no Estado. “O ABC sempre foi o carro-chefe, porque temos tradição aqui”, diz. Toldo se lembra das crises econômicas, mas afirma que sempre acreditou na região e agora está mais animado com o crescimento da construção civil nas cidades do ABC paulista.

O carinho com o ABC não impede que o empresário tente a sorte em outros lugares, mas sempre atento à movimentação das montadoras. Toldo tira da gaveta uma matéria de jornal recortada sobre a fábrica da Toyota em Sorocaba. “Veja isso. Vai gerar muito emprego. Nós vamos para lá no ano que vem”, diz.

Uma conseqüência do crescimento econômico é o aumento de arrecadação e folga no caixa das prefeituras do ABC para investir. Entre 2000 e 2007, o repasse estadual de ICMS aumentou 85% para Santo André, 53% para São Bernardo, 119% para São Caetano e 72% para Diadema, conforme dados da secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo.

Fábio Piangentini, secretário de Desenvolvimento Econômico de Santo André, afirma que a prefeitura investiu R$ 28 milhões em um complexo viário para reduzir o trânsito na cidade e facilitar a logística para as empresas. Além disso, a cidade vai inaugurar um novo hospital na periferia, voltado para a saúde da mulher.

16/07/2008 - 23:05h Todas as Centrais Sindicais apoiam Marta em São Paulo

União sindical por Marta

Candidata recebe apoio da CUT, da Força e de outras quatro centrais sindicais

Foto destaque

Pela primeira vez na história política de São Paulo as duas maiores centrais sindicais do País se uniram para apoiar o mesmo candidato à Prefeitura de São Paulo. Num ato solene realizado no auditório do Hotel Jaraguá, no Centro, CUT e Força Sindical anunciaram publicamente o apoio à candidatura de Marta Suplicy.

Além das duas principais centrais, a candidata também recebeu o apoio da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), a União Geral dos Trabalhadores (UGT) e a Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST).

“Esse é um momento histórico. Nem na eleição de Lula - um presidente operário - essas que são as principais representantes do sindicalismo do País estiveram unidas em São Paulo. Isso nos deixa orgulhosos e, cada vez mais, confiantes na vitória” afirmou o vice de Marta, deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB).

No encontro, os sindicalistas divulgaram um documento declarando união pela vitória de Marta. “Da mesma forma que Lula redesenhou a face do Brasil, São Paulo será outra com Marta. Ela resgatará os CEUs, que foram transformados pelo atual prefeito em purgatórios; voltará a investir no transporte coletivo, melhorando o trânsito, retirando os trabalhadores dos engarrafamentos monstros do PSDB-DEMO”, diz o documento.

Marta ficou feliz e agradeceu o apoio do movimento sindical. Num pronunciamento bastante aplaudido pelos sindicalistas, ela contou que já fez muita campanha em porta de fábrica e que agora será bem melhor, pois será a primeira vez que terá ao seu lado todas as centrais. “Esse é meu compromisso: o do diálogo permanente, que esta cidade perdeu”, disse.

Fonte http://www.marta13.can.br/

16/07/2008 - 09:26h CUT e Força confirmam hoje apoio a Marta

 

Clarissa Oliveira - O Estado de São Paulo

Além de contar com a militância petista na eleição paulistana, a ex-ministra  (PT) terá a seu lado as duas principais centrais sindicais do País. Marta, que pela primeira vez reuniu a Força Sindical e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) na capital, tem encontro hoje com as duas entidades, para definir a estratégia de campanha.

Somente a Força Sindical, que era aliada ao tucanato em São Paulo, diz ser capaz de agregar à candidatura petista o apoio de 90% de seus cerca de 130 sindicatos na cidade - algo em torno de 1,6 milhão de trabalhadores. Os demais 10% manterão o apoio ao ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB). Alinhada ao PT, a CUT diz contar com 500 mil trabalhadores na capital.

Os dirigentes da CUT e da Força avaliam que a união de forças ajudará a derrubar rejeição de Marta. “Nós é que fazíamos essa rejeição, falando mal dela por aí”, disse o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força. “Ela ganha muito com o apoio conjunto”, conclui o presidente da CUT-SP, Edilson de Paula.

Marta comandou ontem mais um seminário temático, dessa vez sobre saúde. Com a desistência do ministro José Gomes Temporão de participar, ela acabou debatendo propostas com o presidente do Hospital Albert Einstein, Cláudio Lottenberg, ex-secretário de Saúde do hoje governador José Serra (PSDB). “Sou amigo pessoal da prefeita Marta”, justificou o palestrante. No discurso, Marta disse que manterá medidas da gestão atual, como as organizações sociais na gestão de hospitais e a rede de Assistência Médica Ambulatorial (AMA).

03/07/2008 - 09:27h Porta de fábrica no ABC regula as preocupações de Lula com inflação

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Raymundo Costa - VALOR

Mais que o ministro Guido Mantega (Fazenda), o termômetro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a inflação são os “peões do ABC”, segundo a expressão de dirigentes petistas com livre trânsito no Palácio do Planalto. A inflação preocupa mais o presidente, no momento, que o advogado Roberto Teixeira, a venda da VarigLog ou a compra da BrT pela Oi, de acordo com os mesmos informantes.

É o ABC paulista, especialmente os metalúrgicos de São Bernardo do Campo, que serve de parâmetro para Lula medir a repercussão da inflação no que o PT chama de “base social do presidente”. Seja por intermédio de líderes sindicais ou de candidatos até bem pouco tempo servindo ao governo, que Lula fica sabendo das preocupações com o aumento de preços manifestadas pelos “peões do ABC”.

Essas manifestações aumentaram nas últimas semanas. Um dia a reclamação é sobre o preço da carne, no outro, o aumento do preço do arroz. O mesmo arroz que já foi símbolo do acerto do governo na economia. Quando Lula tomou posse, em 2003, a saca de cinco quilos do arroz Tio João custava cerca de R$ 11, caiu ao longo do mandato para os R$ 7 de antes da eleição e agora já superou a barreira dos R$ 12.

Entre os interlocutores do presidente estão sindicalistas como José Lopez Feijóo, dos metalúrgicos do ABC, e o ex-presidente da CUT Luiz Marinho, que deixou o governo em em maio para concorrer à prefeitura de São Bernardo. Recentemente, Marinho fez chegar ao Planalto que fora “fazer porta de fábrica” e o assunto não era outro que a inflação do preço dos alimentos.

Esse é um dos motivos para as demonstrações de aborrecimento do presidente com o ministro da Fazenda: enquanto Guido Mantega transpira confiança, na base social dele, os sindicalistas estão reclamando. E o presidente, mais que que qualquer outro no Planalto, está convencido que é a inflação que pode corroer o governo dele.

“O assunto dele é inflação”, conta um desses petistas, corroborando a entrevista que o chefe de gabinete de Lula concedeu à edição desta semana da revista “Veja”. Na Fazenda, afirma-se que é mentira que Lula tenha se aborrecido porque Carvalho disse que o presidente se irritara com uma observação casual de Mantega sobre a inflação - que estaria restrita aos alimentos. Lula, de fato, ficou de início aborrecido. Mas pelo fato de Carvalho, sempre discreto, ter começado a dar entrevistas e não por ter deixado Mantega mal.

A voz rouca dos “peões do ABC” sempre foi ouvida por Lula no governo. Um caso típico é o do crédito consignado. Os metalúrgicos também sempre pressionaram em favor de medidas que aumentassem a venda de carros, o que aumentaria também a participação nos lucros (PLR) da categoria. No domingo, o presidente esteve numa fábrica em São Bernardo. Como sempre, tratado com veneração pelos metalúrgicos, que, no entanto, não deixam de registrar suas preocupações - como a inflação - via os líderes sindicais.

Quanto mais se incomoda e demonstra receio com a volta do processo inflacionário, mais Lula demonstra que sente a ausência do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que voltou para a Câmara dos Deputados, em março de 2006, depois que foi acusado de quebrar o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. No PT e em setores do Palácio do Planalto, a volta de Palocci ao governo é dada como certa, na hipótese de o Supremo Tribunal Federal não acatar a denúncia feita contra ele pelo Ministério Público.

Numa das variações apresentadas para a eventual volta de Palocci, o ex-ministro recuperaria o antigo posto, o Ministério da Fazenda. Guido Mantega seria então deslocado ou para o Ministério do Turismo, atualmente ocupado pelo segundo de Marta Suplicy no posto, Luiz Barreto, ou para o Ministério do Planejamento, cargo que ocupou no início do governo. Neste caso, o atual ministro Paulo Bernardo é que seria deslocado para o Turismo. Mas no PT também circula outra variação do tema.

Por ela, Mantega ficaria na Fazenda e Palocci iria para o Turismo. É certo que Lula quer redimir Palocci, no caso de o deputado e ex-ministro não vir a ser processado pelo STF - argumenta-se em setores da direção partidária -, mas por outro lado Mantega não tem porque ser punido, de vez que não é responsável pelo pique inflacionário, resultado de uma inflação importada, segundo se argumenta na sigla.

Há uma certa desconfiança da real extensão da inflação, que segundo esses setores poderia estar sendo superdimensionada pela mídia com o objetivo de desgastar politicamente o governo Lula. “A inflação está dentro da meta e o consumo não se alterou muito, explica um deputado da cúpula petista, um dos que avaliam que o noticiário sobre a inflação está recebendo de parte da grande imprensa um tratamento mais político que econômico.

Não é certamente o que pensa o presidente da República, como tem deixado claro em reiteradas conversas com amigos e aliados políticos. Nessas conversas, Lula tem prometido que, se for detectado risco de volta da ciranda inflacionária, o governo recorrerá ao remédio que for necessário, por mais amargo que seja, mesmo que isso implique em alguma perda nas eleições para prefeito a serem realizadas em outubro.

No que se refere especificamente ao julgamento de Palocci no Supremo Tribunal Federal, nos últimos dias aumentou a confiança do PT num resultado favorável ao ex-ministro da Fazenda. Não que o STF vá declarar o deputado inocente da acusação. A aposta é que o tribunal não receberá a denúncia devido a erros processuais na peça remetida pelo Ministério Público Federal. De certo, só há uma coisa: está em curso a “Operação Volta Palocci”.

01/07/2008 - 20:02h CUT define apoio à candidatura de Marta Suplicy em São Paulo

Marta Suplicy no comício da CUT em 1 de maio
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MARINA NOVAES
colaboração para a Folha Online

A CUT decidiu nesta terça-feira apoiar formalmente a candidatura de Marta Suplicy (PT) à Prefeitura de São Paulo. A petista participou de encontro com dirigentes da central sindical e representantes dos 18 sindicatos ligados à entidade na capital paulista.

Segundo o presidente da CUT em São Paulo, Edilson de Paula de Oliveira, a previsão é que outras centrais, como a Força Sindical e a CTB (Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) também apóiem Marta, uma vez que são ligadas ao PDT e ao PC do B, partidos que se coligaram PT.

“Depois do fechamento da coligação com o PSB, PDT e PC do B, basicamente as três centrais sindicais já vêm junto: a CUT, a Força Sindical e a CTB. Isso é um fato inédito. Nem o presidente Lula teve os três apoio quando concorreu à Presidência da República no primeiro turno”, afirmou Edilson de Paula.

Segundo Edilson, os sindicatos ligados às centrais têm liberdade para apoiar outros candidatos a prefeito mas a tendência é que trabalhem pela eleição de Marta.

Somente em São Paulo, os sindicatos ligados à CUT representam cerca de um milhão de trabalhadores de diversas áreas, como metalúrgicos, bancários e funcionários públicos.

Edilson disse que a expectativa é que toda a liderança da CUT trabalhe na campanha petista. “Não vamos falhar com a Marta”, afirmou.

Marta preferiu não comentar o apoio da central sindical. Segundo Edilson, a petista pediu apoio na organização de atos políticos com os sindicatos ligados a CUT.

23/05/2008 - 09:18h Os motivos declarados por Serra para vender Nossa Caixa ao Banco do Brasil

Serra quer investir mais com venda da Nossa Caixa

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Raymundo Costa e César Felício, de Brasília e São Paulo - VALOR

O governador José Serra quer mais dinheiro para investir em São Paulo com a transferência do controle acionário da Nossa Caixa ao Banco do Brasil (BB). “As contas estão arrumadas, mas não há dinheiro suficiente para investimento”, disse Serra a interlocutores depois que foi anunciada, quarta-feira última, a abertura das negociações .

Ao falar das necessidades de investimento para São Paulo, Serra costuma dizer que “só o programa do metrô e CPTM (240 quilômetros de trilhos que o governo estadual está transformando em metrô de superfície)” prevê recursos de R$ 17 bilhões, até 2011. Isso além do Rodoanel - após a conclusão do trecho Leste, Serra promete começar imediatamente o trecho Sul.

“Metade do Estado está engarrafado”, costuma argumentar José Serra, quando se refere aos programas estaduais que precisa tocar na área de transporte. Além do eventual dinheiro da transferência do controle da Nossa Caixa, Serra em junho também assinará acordos de financiamento com organismos internacionais como BID, Banco Mundial e JBIC (banco japonês para cooperação internacional).

Nas conversas com assessores, José Serra prevê que as negociações com o Banco do Brasil serão demoradas, pois tudo terá de ser pactuado, e será discutido qual o melhor valor que ela tem (a Nossa Caixa não será vendida pelo valor em bolsa). “Se não valer a pena, não vende”, advertia ontem o governador a amigos, enquanto brincava com o neto.

Em 2006, o governo de São Paulo suspendeu a alienação de 20% das ações da Nossa Caixa, programada no governo de Geraldo Alckmin para ser executada por seu sucessor, Claudio Lembo. Serra pediu e Lembo suspendeu a operação. Na época, Serra comentou que, da forma como fora configurada, a venda seria feita a “preço de banana”.

Nos dias seguintes à suspensão da operação, como as ações da Nossa Caixa subiram 10%, Serra concluiu que foram confirmadas suas previsões. Os tucanos ligados a Serra também não concordavam com o argumento segundo o qual a venda era necessária para fechar o Orçamento estadual, como foi então divulgado à época.

Alckmin havia projetado para o ano de 2006 um valor recorde de investimentos no Estado, da ordem de R$ 9 bilhões, e a alienação era essencial para o cumprimento das ordens de serviço. Ao decidir suspender a operação de venda da Nossa Caixa, Lembo não comunicou previamente os então secretários de Fazenda e Planejamento do Estado, Luiz Tacca e Fernando Braga, pessoas de confiança de Alckmin. Para impedir que um rombo se formasse nas contas do Estado, Tacca e Braga planejaram campanhas de arrecadação, em troca da anistia de débitos, além da suspensão de investimentos ainda não empenhados. As manobras foram bem-sucedidas e não houve déficit.

A Nossa Caixa voltou à mesa de negociação quando o secretário da Fazenda de São Paulo foi procurado pelo Banco do Brasil. Quem informou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva da negociação em curso foi o BB. Até o anúncio do “fato relevante”, na quarta-feira, Serra acompanhou o desenrolar das conversas, que autorizou.

O governador recusa qualquer interpretação política da negociação. Avalia que são coisas complementares: o Banco do Brasil tem interesse no negócio para ampliar a distância que o separa dos outros grandes bancos e entrar num mercado - o de São Paulo, o maior do país -, do qual detém apenas a quarta posição. Ou seja, o BB ganha poder maior de competição no Estado.

A Nossa Caixa, por outro lado, havia acusado o golpe de sentenças judiciais determinando o pagamento de correções de antigos planos econômicos, o que levou a uma queda no valor de suas ações. Ela também comprara a folha de pagamentos do governo por R$ 2 bilhões (folha que dividira com o Santander e que, antes de Serra, geria sozinha e de graça), o que não deixa de constituir um peso.

Serra poderia simplesmente privatizar a Nossa Caixa, como fez com a venda da folha de pagamentos da prefeitura da capital, arrematada pelo Itaú por cerca de R$ 500 milhões. Isso, no entanto, jogaria para baixo o valor do banco, porque o melhor produto da Nossa Caixa são os depósitos judiciais, que somam R$ 12 bilhões, e por determinação constitucional devem ser feito em banco oficial.

Ou seja, no caso de privatização da Nossa Caixa, os R$ 12 bilhões de depósitos judiciais teriam de ser transferidos para o próprio Banco do Brasil ou para a Caixa Econômica Federal (CEF). A transferência do controle - Serra lembra, com freqüência - requer aprovação da Assembléia Legislativa, assim como ocorreria também no caso de privatização. No plano administrativo, precisaria ser avalizada pelo Banco Central .

A proposta do Banco do Brasil surpreendeu o PT paulista, que tentará se reunir hoje para discutir o tema. “Sabíamos da ênfase privatizante do governo Serra desde que ele determinou a modelagem para a venda de todas as empresas controladas pelo Estado. Mas achávamos que a Cesp e talvez a Sabesp fossem a bola da vez. O que não podíamos esperar era o interesse do BB em fazer esta aquisição”, comentou o vice-líder do PT na Assembléia Legislativa, deputado Simão Pedro.

Segundo o deputado, nesta sexta o presidente estadual da sigla, o prefeito de Araraquara Edinho Silva, tentará reunir-se com a bancada do PT na Assembléia “para tentar compreender o significado disso”. Os petistas se preocupam com o grau da aproximação entre o governador e o Palácio do Planalto.

A negociação ata as mãos do PT em relação ao tema, já que atacar a incorporação significaria contrapor-se ao Banco do Brasil e, por tabela, ao Ministério da Fazenda. Mas os integrantes do partido apostam que a fusão necessariamente acarretará demissões, dado a superposição de estruturas, o que deve mobilizar o Sindicato dos Bancários e a CUT contra o BB.

01/05/2008 - 19:11h Marta Suplicy nas festas sindicais do 1° de Maio

A Ministra de Turismo, Marta Suplicy, se fez presente nos comicios de comemoração da festa do trabalhador. Pela primeira vez convidada, Marta participou da festa da Força Sindical, onde recebeu vaias e aplausos. Na tarde também esteve na festa da CUT. Em ambos eventos Marta Suplicy destacou o compromisso do presidente Lula com sua origem e a identificação do seu governo com o combate a desigualdade social.

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24/04/2008 - 09:10h Farmacêuticos terão jornada de 40 horas semanais

Carol Carquejeiro/ Cia de Foto/ Valor


Clemente Ganz Lucio, do Dieese: decisão resulta da atividade aquecida
e reflete temor de perder funcionários

Cibelle Bouças - VALOR

Pela primeira vez desde a Constituição de 1988, uma categoria profissional obteve em convenção coletiva a redução da jornada de trabalho. Ontem, representantes da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (Fequimfar), da Federação dos Trabalhadores do Ramo Químico da CUT no Estado de São Paulo (Fetquim) e do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos do Estado de São Paulo (Sindusfarma) assinaram convenção que estipula, entre as cláusulas, a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais a partir de 2009 sem redução de salário.

Desde que a nova Constituição estabeleceu a redução da jornada legal de trabalho de 48 para 44 horas semanais, conquistas semelhantes só foram obtidas em negociações individualizadas entre empresa e sindicato. A convenção foi aprovada pelas 300 empresas do setor farmacêutico de São Paulo. “O assunto já era discutido no setor há quatro anos e as indústrias, que já adotavam uma jornada de 42 horas semanais, consideraram que há condições de absorver essa mudança neste momento”, afirmou Arnaldo Pedace, gerente de relações sindicais e trabalhistas do Sindusfarma. O ajuste será feito em duas etapas, com a redução de uma hora por semana a partir de janeiro de 2009 e nova diminuição da carga horária em dezembro do mesmo ano. “O prazo é suficiente para as empresas ajustarem suas linhas de produção e fazerem contratações”, disse Pedace.

Para o consultor João Guilherme Vargas Neto, a decisão envolvendo uma classe profissional representa uma “maturação” das negociações sindicais e abre um precedente para que a reivindicação da jornada de trabalho, que faz parte da campanha da Força Sindical e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), seja estendida para outros segmentos. “Em 1945, os eletricitários da Light ganharam um abono de Natal de 8%, que equivaleu à inflação daquele ano e outras empresas aplicaram a mesma regra. A iniciativa mais tarde virou lei. Assim se estabeleceu o 13º salário no Brasil. A convenção dos químicos pode criar uma tendência no mercado”, diz Vargas.

De acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socio-Econômicos (Dieese), desde 1996, houve 28 negociações de sindicatos para flexibilização da jornada de trabalho, sendo que as empresas normalmente optaram pela adoção de banco de horas ou a redução da jornada de 48 para 47 ou 44 horas - mas sempre em acordos entre empresa e sindicato. “Essa decisão é resultado da retomada da atividade econômica. As empresas estão preocupadas em perder funcionários para as concorrentes”, avalia Clemente Ganz Lucio, diretor-técnico do Dieese.

Geraldo Melhorine, coordenador político da Fetquim, observou que a redução da jornada possibilitará o aumento de contratações no setor químico e reduzirá o risco de acidentes, tendo em vista que a maioria ocorre no fim do expediente ou nos fins de semana, em função do estresse. “Um projeto nacional de redução da jornada, envolvendo todos os setores, poderia gerar 2 milhões de empregos no país. A meta agora é conseguir a aprovação de um projeto de lei que reduza a carga legal para 40 horas semanais”, disse.

Antes de uma nova legislação, no entanto, CUT e Força Sindical negociarão com sindicatos de trabalhadores químicos de outros estados para que a decisão seja estendida para a categoria em todo o país. “No momento político em que as centrais estão numa grande luta pela redução da jornada essa é uma prova de que não é um ideal impossível”, disse Sergio Luiz Leite, secretário-geral da Fequimfar.

A redução da jornada não foi a única decisão inédita. Também foi incluída na convenção da categoria recomendação para que as empresas reconheçam a união estável de casais homossexuais. Pedace, do Sindusfarma, disse que as empresas estenderão para cônjuges de funcionários homossexuais benefícios como descontos em medicamentos e nos planos de saúde.

O setor, que reúne 37 mil trabalhadores, obteve ainda reajuste de 6,5% de salário, com aumento real de 0,95 ponto sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado em 12 meses até março. Na semana passada, a Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação do Estado de São Paulo também fechou reajuste salarial em 6,5%. O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo (Sintracon-SP) obteve o reajuste mais expressivo, de 8,51%.

23/04/2008 - 19:46h Acordo trabalhista reconhece direto de casal homossexual

Farmacêuticos acertam convenção que prevê benefícios a companheiros e dependentes

Dieese afirma que convenção abre espaço para mais categorias discutirem medidas semelhantes em suas negociações coletivas

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CLAUDIA ROLLI - Folha de São Paulo

DA REPORTAGEM LOCAL

Os trabalhadores farmacêuticos vão assinar hoje uma das primeiras convenções coletivas do país que recomendam às empresas do setor estenderem benefícios sociais e direitos trabalhistas para companheiros e dependentes de trabalhadores homossexuais.

A iniciativa deve abrir espaço para outras categorias profissionais adotarem medidas semelhantes, segundo o Dieese.

Chamado entre os sindicalistas de “acordo cor-de-rosa”, deve beneficiar farmacêuticos de 300 empresas paulistas. O número de empregados nesse setor chega a 37 mil no Estado.

A convenção, que também prevê redução da jornada para 40 horas semanais em dezembro de 2009, será assinada pelo Sindusfarma (sindicato da indústria) e pelas federações de trabalhadores da CUT e da Força Sindical. Ela prevê que se reconheçam direitos como seguro de vida, plano médico, convênio odontológico e outros.

A decisão de incluir na convenção coletiva uma recomendação para reconhecer a união estável entre empregados do mesmo sexo foi tomada após e-mails e cartas anônimas chegarem no ano passado às mãos dos sindicalistas. Feito o pedido, foram iniciadas as negociações com o setor patronal químico e farmacêutico.

“Apesar de não ser ainda uma cláusula que obriga as empresas a adotarem essa medida, mas sim uma “recomendação expressa” na convenção, é um passo importante para acabar com o preconceito no ambiente de trabalho e no meio sindical”, afirma Sérgio Luiz Leite, secretário-geral da Fequimfar (filiada à Força), federação que reúne 33 sindicatos paulistas.

Arnaldo Pedace, gerente de relações sindicais e trabalhistas do Sindusfarma, diz acreditar que as empresas do setor irão acatar a recomendação. “Nosso segmento é muito receptivo para buscar o lado social do trabalhador. Existe essa preocupação, e a idéia é que as empresas dêem oportunidade a trabalhadores com união estável com pessoas do mesmo sexo e aos seus dependentes.”

Bancários, enfermeiros e funcionários de processamento de dados são algumas das categorias que já conseguiram incluir em acordos coletivos algum benefício a trabalhadores homossexuais e a seus dependentes. A diferença é que acordos são feitos entre sindicatos e empresas. Convenções são firmadas entre entidades patronais e de trabalhadores.

“A tendência é que categorias mais qualificadas e de maior escolaridade se sensibilizem com o tema. Depois, a convenção servirá de modelo para as demais categorias”, diz José Silvestre Prado de Oliveira, supervisor do Dieese em São Paulo.

09/04/2008 - 04:24h Produtividade sobe acima do salário este ano

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Sergio Lamucci e Cibelle Bouças - Valor

Nos 12 meses até fevereiro, a produtividade do trabalho na indústria cresceu 4,6%, acelerando o ritmo em relação ao ano de 2007, quando o indicador subiu 4,1%. Esse aumento de eficiência - tanto em 2007 como nos 12 meses até fevereiro - superou o ganho real médio dos salários, que ficou em 3,1% no ano passado e agora recuou para 2,85%, segundo pesquisa divulgada ontem pelo IBGE. É mais um sinal de que o crescimento da indústria ocorre de modo sustentável, sem pressões inflacionárias relevantes.

Magdalena Gutierrez/Valor
Bráulio Borges, economista da LCA Consultores: aumento firme de produtividade mostra um cenário favorável para a evolução da inflação

A diferença entre produtividade e salário passou de 1 ponto percentual no ano passado para 1,8 ponto. Isso equivale a uma queda de 1,7% do custo unitário do trabalho (CUT) em termos reais, uma boa notícia para o controle da inflação. Há algumas pressões localizadas, como em indústrias extrativas e no setor de coque, refino de petróleo e álcool, mas o quadro geral é bastante favorável.

“O CUT negativo mostra que os ganhos de produtividade das empresas superam os reajustes acima da inflação concedidos aos trabalhadores”, diz o economista Bráulio Borges, da LCA Consultores. Em 2007, o CUT, que mede o custo da mão-de-obra para produzir uma determinada mercadoria, teve queda de 0,96%, descontada a inflação. Para ele, isso é fundamental num momento em que as companhias enfrentam outras pressões de custos, como eventuais elevações dos preços de matérias-primas e insumos. “É uma tendência que ajuda a reduzir repasses do atacado para o varejo.”

Para o Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos do Bradesco, a trajetória do CUT mostra que, ainda que os salários estejam aumentando - um reflexo do aquecimento no mercado de trabalho - , a expansão da produtividade na indústria é mais intensa, o que minimiza os impactos da alta salarial em diferentes setores. O CUT tem ficado em terreno favorável para a inflação de bens industriais. Para os economistas do Bradesco, isso não quer dizer, porém, que a demanda não esteja extremamente aquecida e que não seja necessário um ajuste nos juros. Na avaliação do banco, a indústria enfrenta fortes pressões de custos por conta do aumento nos preços das commodities. O Bradesco aposta em um aumento na taxa Selic, começando por uma alta de 0,25 ponto percentual já na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana que vem.

Borges destaca o fato de o crescimento da produtividade ocorrer com aumento simultâneo da produção, que cresceu 6,85% nos 12 meses até fevereiro, e do número total de horas pagas aos trabalhadores, com alta de 2,12% no período. Não há destruição de emprego, pelo contrário. É um aumento de eficiência virtuoso, que ocorre com mais força na indústria de transformação. No segmento, a produtividade subiu 4,7%, enquanto que as indústrias extrativas tiveram elevação de 3,5%.

Para Borges, a maturação do investimento é importante para explicar os fortes ganhos de eficiência da indústria. Com o forte crescimento das compras de máquinas e equipamentos, as empresas apostam na modernização dos processos produtivos, diz Borges.

Os maiores destaques são os segmentos de máquinas e equipamentos e fabricação de meios de transporte. No primeiro, a produtividade cresceu 8,3%, ao passo que o salário médio caiu 5,9%, descontada a inflação. Nesse caso, a diferença entre a produtividade e os salários ficou em 14,2 pontos percentuais, uma situação muito confortável do ponto de vista da inflação. A produtividade na fabricação de meios de transporte (onde está a indústria automobilística) avançou 8%, bem mais que o 1,71% do ganho real médio dos salários. Para o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, isso indica que, nesses dois segmentos, uma parcela maior dos ganhos de produtividade está indo para a empresa. “Em tempos de altas generalizadas dos preços de commodities, o aumento dos salários compete com os aumentos de custo de matéria-prima. Se os custos de matéria-prima não tivessem subido tanto, talvez os ganhos salariais pudessem ser maiores nessas empresas.”

Em comparação com fevereiro do ano passado, o ritmo de expansão da produtividade mais do que dobrou, saindo de um crescimento de 2,1% para 4,7%, observa Thaís Zara, economista da Rosenberg Consultores Associados. A variação da folha de salário médio real foi menor, saindo de 1,6% para 2,85%. “O ganho de produtividade acima do aumento da folha mostra que parte dos ganhos ficaram retidos na indústria, não se traduziram totalmente em poder de compra extra para os trabalhadores, pelo menos na maioria das áreas.” Pelos cálculos do Valor, as diferenças entre produtividade e salário mais significativas ocorreram nos setores de máquinas e equipamentos, borracha e plástico, meios de transporte, madeira, vestuário, calçados e couro.

Fernando Sarti, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), avalia os números com mais otimismo. Para ele, as indústrias estão conseguindo responder à demanda aquecida com ganhos de produtividade, mas elevando pouco os custos trabalhistas, o que ajuda a contrabalançar o aumento dos custos com insumos. “As indústrias estão conseguindo responder com produção sem ter tantas pressões.” Sarti também considera que a expansão de produtividade em alguns setores, como o de máquinas e equipamentos e minerais não-metálicos - que elevaram mais a produção que as horas pagas e não registraram aumento significativo no uso de capacidade instalada nos últimos meses - também pode refletir a maturação de investimentos iniciados em anos anteriores.

No setor de coque, refino de petróleo e álcool a situação é menos favorável. A produtividade caiu 5,4% nos 12 meses até fevereiro, período em que a produção aumentou 4,7% e o número de horas pagas, 10,7%. Vale diz que o segmento “teve vários problemas de produção no ano passado, com paradas técnicas em plataformas que atrapalharam o refino também”. Borges lembra que o setor também sofreu com o atraso no aumento esperado da capacidade instalada. As empresas contrataram mais, mas não houve a expansão produtiva no tempo que se esperava. O salário médio real cresceu 1,75% no segmento, mas, como a produtividade teve queda, o CUT registrou alta de 7,6%, indicando pressão de custo.

As indústrias extrativas também viram a produtividade, com alta de 3,5%, crescer menos do que os salários (aumento de 8,1%). Para Borges, o problema aí é a falta de mão-de-obra qualificada, enfrentada por empresas como a Vale do Rio Doce. Ele acredita, porém, que são problemas localizados. A situação geral da indústria é positiva, e os salários não aparecem como ameaça inflacionária consistente.

10/03/2008 - 08:41h UMA CONQUISTA SINDICAL

Entidade firma acordos coletivos que atendem a reivindicações de trabalhadores homossexuais

“Uniões estáveis homossexuais não podem ser ignoradas, não se tratando de fato isolado ou de frouxidão dos costumes como querem os moralistas, mas de opção pessoal que o Estado deve respeitar ”, sentença da Justiça Federal do RS em 2006

Cássia Almeida - O Globo

O movimento sindical se curvou às mudanças da família e começa a incluir políticas para o trabalhador homossexual no rol de reivindicações.
Programas de combate à discriminação e inclusão de parceiros nos planos de saúde e de previdência entram nas negociações dos dissídios. O Sindicato dos Enfermeiros do Estado de São Paulo, filiado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), conseguiu fixar essa obrigação para os patrões em setembro. Afastamento para cuidar do parceiro doente e inclusão do companheiro no plano foram garantidos em três convenções coletivas, atingindo 15 mil pessoas: — É o único sindicato do Brasil que conseguiu incluir essa cláusula. Em 2006, também houve acordo nesse sentido, mas com apenas duas entidades — explicou Solange Aparecida Caetano, presidente do Sindicato.

A Federação dos Químicos de São Paulo, ligada à Força Sindical, tentará incluir tratamento igualitário aos homossexuais na convenção da indústria farmacêutica em abril. A entidade fez uma primeira tentativa no fim de 2007, mas não conseguiu. Segundo Sérgio Luiz Leite, secretário-geral da Federação dos Químicos e primeiro secretário Nacional da Força Sindical, a idéia é permitir a inclusão de quem apresentar declaração pública registrada ou reconhecimento do INSS.

— O sindicato patronal alegou que não teria noção do alcance econômico da medida — explica.

O tema está na pauta da CUT há quatro anos, numa determinação para três mil sindicatos filiados, conta Elaine Leoni, da comissão GLBTT (gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais) da CUT estadual.

— No estado, a maioria dos sindicatos já incluiu as cláusulas de igualdade — disse Elaine, lembrando que pode haver resistência em atividades onde a presença masculina é maior, como a dos metalúrgicos.

A Força Sindical não faz recomendação oficial para que os sindicatos incluam a questão na pauta, mas caminha para isso, diz Leite. Chefe foi advertido por discriminação

Recentemente, o Ministério Público do Trabalho interveio numa discriminação.

Funcionária de uma indústria da Zona Franca de Manaus teve seu relacionamento com uma colega exposto e foi transferida. Um termo de ajustamento de conduta fez a empresa rever a decisão, implantar programa de combate à homofobia e punir o superior que tomou a medida com advertência por escrito.

— Tivemos essa denúncia, o que não é comum. A denúncia acaba aumentando a exposição do trabalhador — disse a procuradora do trabalho, Valdirene Silva de Assis.

No site www.pgt.mpt.gov.br, é possível fazer denúncias de discriminação.

14/12/2007 - 22:53h Marta Suplicy discute Viaja Mais Trabalhador com centrais sindicais

Marta Suplicy discute Viaja Mais Trabalhador com centrais sindicais A ministra do Turismo, Marta Suplicy, reuniu-se na tarde desta sexta-feira, em São Paulo, com sindicalistas de cinco centrais brasileiras: CUT, Força Sindical, UGT, CGTB e NCST. O objetivo do encontro foi discutir propostas para fomentar viagens de trabalhadores brasileiros pelo país, e também o intercâmbio de viagens dos Estados Unidos para o Brasil, e vice-versa.

Este foi o primeiro encontro com as centrais sindicais brasileiras, e acontece já como resultado de uma conversa, nos EUA, da ministra com Stanley Gacek, representante da AFL-CIO (Federação Americana do Trabalho e Congresso das Organizações Industriais). Maior central sindical americana, a AFL-CIO também tem interesse em promover viagens de lazer entre trabalhadores.

A idéia é incentivar o turismo de lazer durante a baixa ocupação, estratégia que se soma à do Viaja Mais Melhor Idade, programa voltado às viagens para pessoas com 60 anos ou mais.

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14/12/2007 - 22:49h Marta Suplicy discute Viaja Mais Trabalhador com centrais sindicais

Marta Suplicy discute Viaja Mais Trabalhador com centrais sindicais A ministra do Turismo, Marta Suplicy, reuniu-se na tarde desta sexta-feira, em São Paulo, com sindicalistas de cinco centrais brasileiras: CUT, Força Sindical, UGT, CGTB e NCST. O objetivo do encontro foi discutir propostas para fomentar viagens de trabalhadores brasileiros pelo país, e também o intercâmbio de viagens dos Estados Unidos para o Brasil, e vice-versa.

Este foi o primeiro encontro com as centrais sindicais brasileiras, e acontece já como resultado de uma conversa, nos EUA, da ministra com Stanley Gacek, representante da AFL-CIO (Federação Americana do Trabalho e Congresso das Organizações Industriais). Maior central sindical americana, a AFL-CIO também tem interesse em promover viagens de lazer entre trabalhadores.

A idéia é incentivar o turismo de lazer durante a baixa ocupação, estratégia que se soma à do Viaja Mais Melhor Idade, programa voltado às viagens para pessoas com 60 anos ou mais.

Lançado este ano, o Viaja Mais Melhor Idade obteve bons resultados em sua primeira fase: a meta era vender 7 mil pacotes, e o mercado comercializou 9 mil. “Agora que temos uma economia estabilizada, com aumento da massa salarial, está na hora de o governo, entidades de trabalhadores e empresários pensarem em suprir essa falta no Brasil, ou seja, criar a cultura de lazer para os nossos trabalhadores”, explicou a ministra aos sindicalistas.

Uma primeira sugestão desse encontro entre a ministra e as centrais sindicais brasileiras foi a utilização da infra-estrutura das colônias de férias dos sindicatos filiados, quando ociosas, na baixa ocupação. A mesma proposta de se pensar na estrutura já existente também será dirigida à central norte-americana.

Os representantes das centrais brasileiras explicaram à ministra que existem acomodações para trabalhadores de diversos segmentos econômicos – do mais simples ao mais confortável.

Em fevereiro de 2008 acontecerá a próxima reunião, quando as centrais deverão apresentar o levantamento dos leitos existentes nas colônias de férias de trabalhadores, além de propostas para incrementar o programa.

“É importante essa primeira ação de conversas com as centrais sindicais para fazermos o planejamento conjunto, ou seja, a preparação de uma proposta que venha resultar em ofertas de viagens atraentes para trabalhadores brasileiros e americanos”, explicou Marta.

“Consideramos também muito importante essa preocupação em se criar a cultura de lazer entre os trabalhadores brasileiros”, afirmou Denise Motta Dau, secretária nacional de organização da CUT. “A proposta de unir o esforço das centrais brasileiras com a norte-americana é bastante interessante e deve baratear custos”, acrescentou Marcos José Bulgarele, diretor do Sindicato dos Aposentados, ligado à Força Sindical.

Para João Pedro Apolinário, tesoureiro do Sintaema (Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente de São Paulo), o encontro com a ministra foi proveitoso: “a gente já vislumbra a oportunidade de fazer um planejamento de viagens para o exterior, beneficiando o relacionamento de trabalhadores e permitindo o conhecimento de diferentes realidades”.

VIAJA MAIS MELHOR IDADE – Depois do encontro com os sindicalistas, a ministra Marta Suplicy participou no Novotel Center Norte, também em São Paulo, de um encontro com grupos da terceira idade, organizado pelo Ministério do Turismo e Braztoa, para aproximar o público final das ações no planejamento da próxima fase do programa, a partir de março de 2008.

05/09/2007 - 11:53h Fundações unem Temporão e Marta

Paulo de Tarso Lyra e Thiago Vitale Jayme

Os ministros da Saúde, José Gomes Temporão, e do Turismo, Marta Suplicy, reuniram-se na tarde de ontem para acertar um esforço conjunto na tramitação do projeto que cria Fundações Públicas de Direito Privado para administrar diversas áreas do serviço público. O encontro atende ao interesse de ambos: Marta pretende transformar a Embratur em fundação, vislumbrando a possibilidade de conseguir mais recursos, de maneira mais ágil. Já Temporão ganha uma aliada de peso dentro do PT, legenda que resiste ao projeto, acusando o Ministério da Saúde de querer privatizar os hospitais públicos.

Temporão admitiu, durante o anúncio do projeto há quase um mês, que as negociações iriam acontecer durante a tramitação da proposta no Legislativo. As maiores resistências, por enquanto, partem do PT e da CUT. Os dois aliados temem um processo de privatização, demissões em massa e ausência de critérios na contratação, já que uma fundação tem liberdade para contratar sem a necessidade de concursos públicos.

Representantes das diversas centrais sindicais chegaram a pedir ao presidente Lula que o projeto fosse retirado da pauta do Congresso. Sem êxito, foram chamados para um encontro com Temporão. O ministro tentou explicar seus pontos de vista, a importância do projeto e, admitiu aos sindicalistas que uma das críticas “que mais lhe doía era acusar a iniciativa de privatista”.

De olho nos votos do Congresso, Temporão sabe que a ministra Marta, forte dentro do PT, pode ser uma importante aliada. Ele também pediu uma audiência com o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) para pedir celeridade ao projeto. Chinaglia, que segundo assessores do Ministério demonstrou certa resistência ao projeto, prometeu, contudo, que não colocaria obstáculos na tramitação, podendo criar, inclusive, uma comissão especial para debater a matéria.

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