05/11/2009 - 20:00h Tango, uma forma de caminhar pela vida

Blog de Ariel Palacios

por Ariel Palacios, O Estado SP

piernas

A herança afro no tango argentino fica evidente pela sensualidade dos passos desta forma de “caminhar pela vida”


Um relatório elaborado por Cynthia Quiroga, psicóloga colombiana (o cantor Carlos Gardel morreu em 1935 na colombiana Medellín), integrante da Universidade de Frankfurt (Alemanha, terra onde foi inventado o bandonenón) afirma que o tango eleva o desejo sexual.
A Universidade recomenda o tango para casais com problemas de baixa testosterona
Sexo à parte, o tango – ritmo musical do rio da Prata (pois é praticado em ambas margens, a uruguaia e a argentina) – foi declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, no mês passado.

maozinhassd “O tango é uma dança que não é dorsal como o flamenco. O tango é postero-pélvico…sua representação é um simulacro erótico”. (do escritor espanhol Rafael Salillas em 1898)

“…Dança-se entre um homem e uma mulher, mas sem cópula”.(Salillas, 1898)

Para o escritor Jorge Luis Borges, o tango era “uma forma de caminhar pela vida”. Para o poeta Enrique Santos Discépolo, “um pensamento triste que pode ser dançado”. No exterior, o tango é a música emblemática que representa a Argentina, embora o mesmo gênero musical também seja símbolo do vizinho do outro lado do rio da Prata, o Uruguai. Os argentinos se ufanam da definição dada pelo filósofo americano Waldo Frank, que sustentou que o tango é “a dança popular mais profunda do mundo”.

A palavra tango talvez seja a mais associada à Argentina em todo o planeta. A crise econômica de dezembro de 2001 foi chamada de “efeito tango” pela imprensa mundial. O caráter fatalista e pessimista que muitos argentinos exercem diariamente sobre a política, a economia e suas próprias vidas pessoais também é apontado como “um tango”.

Mais do que triste, o tango é introvertido e introspectivo, ao contrário de outras danças populares que são extrovertidas e eufóricas. Para o escritor Ernesto Sábato, “somente um gringo pode fazer a palhaçada de aproveitar um tango para conversar e se divertir”. Segundo o autor, “um napolitano dança a tarantela para se divertir. O portenho dança um tango para meditar sobre seu destino”.

O tango é multifacético. Suas letras falam da mãe “santa”, da turma de amigos, das ruas do bairro e da pérfida – e perdida – mulher que os abandonou. Mas além disso, o tango também fala do hedonismo e da aparência, das divisões sociais e dos picaretas. Ele também é frequentemente satírico, com letras que disparam ácidas farpas contra tudo e contra todos.

NASCIMENTO
Na Argentina (no Uruguai a História é outra), mais do que ‘argentino’, o tango é portenho, já que o interior da Argentina seria melhor representado por outros ritmos, como o chamamé, o malambo e a zamba.

O bairro da Boca não foi o berço do tango, ao contrário do que indicam certas lendas, especialmente de guias turísticos estrangeiros.

mondongo
Tango nasceu no ‘barrio del Mondongo’, atual bairro de Montserrat. O bairro está marcado em vermelho nesse mapa antigo de Buenos Aires.


O tango surgiu ao redor de 1877 no bairro de Montserrat, situado entre a Casa Rosada e o atual Congresso Nacional. Na época, ali residiam os descendentes dos escravos negros que haviam sido liberados em 1813.
Em Montserrat, também chamado de “barrio del Mondongo”, os afro-argentinos organizaram-se em associações beneficentes, que de noite – em barracos de sapé – preparavam festas para angariar fundos.

Nesses eventos, tocavam batucadas lânguidas, que para os escandalizados vizinhos brancos da área eram danças “luxurientas” e “indecentes” na coreografia.

As reuniões em Monserrat-Mondongo muitas vezes acabavam subitamente com a intervenção da polícia, que aparecia para “colocar ordem” no lugar.

Na época de carnaval as associações de afro-argentinos saíam às ruas para dançar ao som da batucada, denominada na região do rio da Prata como “candombe”.

A rivalidade dos grupos – cada um queria mostrar que era melhor na coreografia – provocava confrontos sangrentos nas ruas. Por este motivo, depois de anos de incidentes, o governo ordenou a dissolução das associações.

Sem poder sair às ruas, os afro-portenhos organizaram lugares exclusivos de dança, os “tambos”. Com esta palavra começa a polêmica sobre a origem do tango. Para alguns “tangólogos”, “tango” viria de “tambo”. Para outros, vem de “Xango”, ou “Xangô”, deus africano da guerra.

A própria palavra “tango”, com essa grafia, apareceu em 1836 no “Diccionario Provincial de Voces Cubanas”. O livro define “tango” como “a reunião de negros para dançar ao som de seus tambores ou atabaques”. Outra teoria indica que “tango” vem de “tambor”.

A polêmica e a discussão são elementos altamente cotados na mesa dos argentinos. Portanto, abundam versões sobre o assunto. Uma teoria indica que “tango” vem de “tang”, palavra pertencente a um dialeto africano que poderia ser traduzida como “aproximar-se, tocar”.

tangopassos
Uma forma de caminhar pela vida com raízes africanas que posteriormente foram europeizadas


Curiosamente, outra versão sustenta que a palavra vem do latim “tangere”, que também significa “tocar”. No espanhol antigo, “tangir” equivale a tocar um instrumento.

Para complicar, no século XIX existia na Espanha um “tango andaluz”. E no México, no século XVIII, uma dança com o mesmo nome.
Nenhuma dessas teorias (há várias teorias adicionais sobre a origem da palavra) foi comprovada. Os argentinos continuam dançando este gênero sem se preocupar por sua etimologia.

Desta forma, os afro-portenhos tiveram que resignar-se a ficar dentro de seus “tambos”, dançando o embrião daquilo que em poucas décadas seria o tango tal como o conhecemos hoje em dia.

A forma de dançar era – de certa forma – vagamente similar ao samba brasileiro atual: dança solta, eventualmente segurando o/a parceiro/a, além de muito requebro.

Mas, nesse momento em que essa forma prototípica do tango está em plena ebulição nos lugares de encontros dos afro-argentinos, ocorre uma guinada que seria fundamental para o desenvolvimento do tango: o surgimento do “compadrito” nos “tambos”.

gabino
Gabino Ezeiza, um dos expoentes agro-argentinos do tango em seus primórdios


(Veremos o surgimento do compadrito no tango nos próximos dias e também a vida de Gabino Ezeiza)

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28/10/2009 - 21:00h Le Cabaret de Filles de Joie, no Grand Magic Tekno Circus


Le Cabaret des Filles de Joie au Grand Magic Tekno Circus

Inspirado no musical Le Cabaret de Filles de Joie de 1930

La complainte des Filles de Joie – George Brassens


La complainte des filles de joie

de Georges Brassens

Bien que ces vaches de bourgeois {x2}
Les appell’nt des filles de joie {x2}
C’est pas tous les jours qu’ell’s rigolent
Parole, parole
C’est pas tous les jours qu’elles rigolent

Car, même avec des pieds de grues {x2}
Fair’ les cents pas le long des rues {x2}
C’est fatigant pour les guibolles
Parole, parole
C’est fatigant pour les guibolles

Non seulement ell’s ont des cors {x2}
Des œils-de-perdrix, mais encor {x2}
C’est fou ce qu’ell’s usent de grolles
Parole, parole
C’est fou ce qu’ell’s usent de grolles

Y a des clients, y a des salauds {x2}
Qui se trempent jamais dans l’eau {x2}
Faut pourtant qu’elles les cajolent
Parole, parole
Faut pourtant qu’elles les cajolent

Qu’ell’s leur fassent la courte échelle {x2}
Pour monter au septième ciel {x2}
Les sous, croyez pas qu’ell’s les volent
Parole, parole
Les sous, croyez pas qu’ell’s les volent

Ell’s sont méprisées du public {x2}
Ell’s sont bousculées par les flics {x2}
Et menacées de la vérole
Parole, parole
Et menacées de la vérole

Bien qu’tout’ la vie ell’s fass’nt l’amour {x2}
Qu’ell’s se marient vingt fois par jour {x2}
La noce est jamais pour leur fiole
Parole, parole
La noce est jamais pour leur fiole

Fils de pécore et de minus {x2}
Ris par de la pauvre Vénus {x2}
La pauvre vieille casserole
Parole, parole
La pauvre vieille casserole

Il s’en fallait de peu, mon cher {x2}
Que cett’ putain ne fût ta mère {x2}
Cette putain dont tu rigoles
Parole, parole
Cette putain dont tu rigoles

13/09/2009 - 19:28h My heart belongs to Daddy

Marilyn Monroe e Yves Montand

04/09/2009 - 19:47h A tarde de um fauno

Rudolf Nureyev dança “L’Après-midi d’un Faune”, de Debussy

02/09/2009 - 19:45h Romeu e Julieta

PROKOFIEV – Romeu e Julieta – Nureyev – Ballet de l’Opera National de Paris – Monique Loudieres – Manuel Legris

25/08/2009 - 19:43h Oblivion de Astor Piazzolla

1vln: Fernando Travassos
2vln: Heitor Fujiname
3vln: Oxana Dragos
4vln: Flávio Geraldini
1vla: Silvio Catto Ribeiro
2vla: Tânia Kier
1vc: Mauro Brucoli
2vc: Joel Souza

Dançando Oblivion
Milva canta Piazzolla – Oblivion … J’oublie


J’Oublie (Oblivion) (Piazzolla/McNeal)

Lourds, soudain semblent lourds
les draps, les velours, de ton lit
quand j’oublie jusquà notre amour…
Lourds, soudain semblent lourds tes bras,
qui mentourent déjà dans la nuit
Un bateau part, s’en va quelque part
des gens se séparent
J’oublie, j’oublie…

Tard autre part dans un bar d’acajou,
des violons nous rejouent notre mélodie
Mais j’oublie…

Tard, dans ce bar dansant
joue contre joue
tout devient flou et j’oublie, j’oublie…

Court, le temps semble court
le compte à rebours de nos nuits
quand j’oublie jusquà notre amour…

Court, le temps semble court
tes doigts qui parcourent ma ligne de vie…
Sans un regard
des amants s’égarent sur un quais de gare

j’oublie, j’oublie…

20/08/2009 - 19:45h J’ai perdu mon Eurydice

Ária de Orfeu e Eurídice de Gluck na interpretação de Vesselina Kasarova.
Dança

17/08/2009 - 15:58h Festival de tango em Buenos Aires

18 dias de puro tango e um tour gardeliano

por Ariel Palacios – Blog Os Hermanos

passos
Segundo Jorge Luis Borges, o tango é uma forma de caminhar pela vida

hands Desde a sexta-feira 14 até o dia 31 de agosto Buenos Aires viverá jornadas intensas de tango. No total, serão 18 dias de tango com mais de 90 concertos, 50 aulas de baile e duas competições de dança nas categorias de salão e cenário.

Até o dia 23 Buenos Aires será embalada pelo XI Festival de Tango (na sequência virá o Campeonato de Baile). O epicentro dos espetáculos é o histórico edifício da Harrod’s, na calle Florida. Música, dança, mas também conferências, documentários, lançamento de livros. A cidade estará imersa em no ritmo imortalizado por Carlos Gardel e Astor Piazzolla.

Link para o festival:
http://www.mundialdetango.gob.ar/home09/web/es/index.html

O Festival começou neste ano com a Orquestra Típica El Porvenir, grupo musical composto por 60 músicos das orquestras infantis das areas favelizadas dos bairros de Villa Lugano e o Baixo Flores, além da favela Villa 31.

Ao longo desta semana dançarão figuras como Carlos Copes e Iñaki Urlezeaga, cantará Elena Roger (uma argentina que fez sucesso em Londres com a montagem britânica de “Evita” e que agora está em B.Aires com “Piaf”) e interpretarão tangos personalidades de alto calibre como Rodolfo Mederos e Chico Novarro, entre outros.

2008
O campeonato do ano passado foi eletrizante. Na foto, o casal vencedor na categoria “Tango Cenário”: Melany Celati e José Fernández

Outras estrelas: Leopoldo Federico e sua orquestra a cantora Susana ‘la tana’ Rinaldi, o Sexteto Mayor.

O festival pretende também recuperar velhos tangos esquecidos e também dar oportunidades às novas tendências desse gênero musical do Rio da Prata.

Na sequência do Festival de Tango começará o Campeonato Mundial de Dança, que será encerrado no dia 31. Mais de 400 casais – de todas as partes do planeta – foram selecionados.

entus
“En tus brazos”, uma animação francesa sobre o tango. O link para o desenho:
http://www.entusbrazos.fr/

E, para quem quiser aprofundar a semana do tango, aqui embaixo segue um tour gardeliano de Buenos Aires.

cgardel
Gardel, em um dos diversos filmes que rodou para a Paramount

TOUR GARDELIANO
handbsd Uruguaio de Tacuarembó? Francês de Toulouse? Os argentinos não se preocupam muito com o lugar de nascimento de Carlos Gardel (embora a maioria acredite que nasceu na França e descartem a teoria uruguaia). Todos admitem que o cantor que fez o tango famoso em todo o planeta não nasceu em Buenos Aires. Mas, da mesma forma que Carmem Miranda, nascida em Portugal, agiu em relação ao Brasil, Gardel fez de seu país de adoção sua pátria. De quebra, ele declarou seu amor à cidade em uma miríade de tangos, desde o clássico “Mi Buenos Aires querido” até o “Anclao em Paris”, no qual relata a vida de um portenho em Paris que olhando os boulevards sente uma profunda saudade das ruas de Buenos Aires.

Link do Youtube para Anclao en Paris:
http://www.youtube.com/watch?v=5n3_5ELv0-Y&feature=PlayList&p=6D2C7FDD629C87E9&playnext=1&playnext_from=PL&index=5

O que está fora de discussão é que Gardel – francês ou uruguaio – cresceu no portenho bairro do Abasto, próximo do centro de Buenos Aires.
Ali, segundo as boas línguas, ele teria sido um garoto prestativo, preocupado com a mãe viúva. Essa versão indica que teria trabalhado como ajudante no mercado de alimentos do Abasto, carregando caixas de legumes e frutas.
Mas, a más línguas sustentam que o garoto teria, na verdade, sido um ladrãozinho que batia carteiras. O velho mercado onde Gardel realizava indefinidos afazeres em seus tempos de teenager, foi substituído nos anos 30 por outro, um marco da arquitetura portenha. E, esse edifício, nos anos 90 foi transformado em um shopping center. O antigo Mercado del Abasto é hoje o Shopping do Abasto, sobre a Avenida Corrientes, número 3247.

O bairro tenta manter uma imagem “gardeliana”, embora já diste muito de ter as características dos tempos de Gardel. Hoje em dia, a maior parte do bairro engloba uma substancial comunidade peruana, além de concentrar grande parte dos judeus ortodoxos de Buenos Aires.
Ali perto, na rua Jean Jaurés, número 735, Gardel morou com sua mãe entre 1927 e 1933. O casarão, abandonado durante décadas, foi tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional e transformado no Museu Carlos Gardel, que além de objetos que o cantor utilizou, realiza exposições sobre sua vida e obra (e do tango, de forma geral).

Na vizinhança também está o “Pasaje” (Beco) Carlos Gardel, onde estava o restaurante “Chanta Cuatro”, onde o cantor costumava reunir-se com seus amigos para comer (ele era bom garfo) e cantar tangos e milongas. Hoje, no mesmo lugar, está a “Esquina Carlos Gardel”. No beco também está uma estátua do cantor, inaugurada há três anos.

estatua
Gardel na frente do Abasto. ‘Carlitos’ cresceu nesse bairro (hoje, aliás, um bairro com um interessantíssimo mix: judeus ortodoxos e imigrantes peruanos

No centro da cidade está o Café Tortoni, na Avenida de Mayo 825, do qual Gardel era habitué. Ali, cantando tangos, homenageou o escritor italiano Luigi Pirandello. Gardel também era um habitué do Palais de Glace, um salão de baile (hoje transformado em museu) em plena Recoleta, na rua Posadas 1725. Ele nunca cantou ali. Mas, o Palais foi o cenário de uma briga que resultou em um tiro que colocou uma bala em um dos pulmões de Gardel.

Anos depois, em 1935, essa bala seria reencontrada na autópsia realizada em Medellín, após o acidente de avião que causou a morte de Gardel. Uma das especulações surgidas na época – e e que ainda tem vários seguidores – é que dentro do avião no qual Gardel partia da Colômbia, houve uma violenta discussão, com troca de tiros. O caos teria causado o desvio do avião da pista, e sua posterior colisão com outro aparelho.

Outro ponto do tour gardeliano é o Hipódromo de Palermo, ao qual dedicou vários tangos (um dos versos diz “Palermo, me tenés loco y enfermo”, ou, “Palermo, vocês me deixa louco e doente”, em alusão ao vício do cantor de apostar nas corridas de cavalo). Ele também dedicou tangos aos jóckeis, especialmente a seu amigo Irineo Leguizamo, que galopava o cavalo de Gardel, “Lunático”.

Link do Youtube para ver Gardel cantando “Por una cabeza”, un tango de conteúdo hípico-amoroso:
http://www.youtube.com/watch?v=xG_ilGAPhzk

Um endereço gardeliano, no entanto, não passa de mito, especialmente para aqueles que não residem em Buenos Aires. O famoso “Corrientes, 348″, é apenas um endereço poético. Gardel nunca morou na avenida Corrientes, número 348, nem teve uma garçonière, tal como indica a letra do tango de “A media luz” (A meia luz, ou, Na penumbra). O endereço, na verdade, é um prosaico estacionamento.

O tango, de 1925, tem música de Edgardo Donatto e letra de Carlos Lenzi.
Este é o link do Youtube com Gardel cantando “A media voz”:
http://www.youtube.com/watch?v=TwEAF3clZys&feature=related

Após sua morte trágica em Medellín, o corpo de Gardel foi levado à Buenos Aires, onde foi velado no “Luna Park” (uma espécie de mini-estádio coberto, onde realizavam-se disputas de boxe, ciclismo e shows musicais), que ainda hoje está na esquina das ruas Corrientes e Bouchard, em pleno centro da cidade.

gardelchacarita
Estátua de Gardel no cemitério de La Chacarita. ‘El bronce que sonríe’ é um dos apelidos de Gardel, isto é, “O bronze (pela estátua) que sorri”

Dali, Gardel foi transportado, acompanhado por centenas de milhares de pessoas, até o cemitério de La Chacarita, no bairro homônimo, onde repousa pela eternidade. O mausoléu é vigiado por uma estátua do cantor, que sempre conta com flores frescas a seus pés, especialmente cravos. De quebra, com frequência (mas não sempre, ao contrário do que diz o mito) um fã coloca um cigarro aceso entre os dedos de uma das mãos. O dia 24 de junho, data de sua morte, é um evento que reúne admiradores de todo o planeta em La Chacarita.

GASTRONOMIA GARDELIANA

gordito
Gardel nos tempos em que estava ‘rellenito’ (gorduchinho)

Gardel – que durante breve tempo chegou a pesar 118 quilos – oscilava de peso com muita frequência. Por questões artísticas, policiava-se, e tentava manter-se dentro do peso aceitável para exibir uma figura elegante. A maior parte dos restaurantes que Gardel frequentava fecharam ou transformaram-se radicalmente, não mantendo as características nem os menus dos tempos de Gardel.

Mas, o turista que deseje seguir os passos da gastronomia gardeliana, poderá pedir, em outros restaurantes, os pratos que deliciavam o cantor. Entre os quitutes preferidos estavam os raviólis com recheio de carne de vitela, risoto com funghi e açafrão, além do “puchero criollo”, o mais típico cozido da Argentina.

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Gardel em filme com uma de suas parceiras preferidas, Rosita Moreno

09/08/2009 - 20:33h Quien será la que me quiera a mi? quien sera?

 


Sway – Rosemary Clooney

 

 


Julie London

 

 


Dean Martin

 

When marimba rhythms start to play
Dance with me, make me sway
Like the lazy ocean hugs the shore
Hold me close, sway me more

Like a flower bending in the breeze
Bend with me, sway with ease
When we dance you have a way with me
Stay with me, sway with me

Other dancers may be on the floor
Dear, but my eyes will see only you
Only you have that magic technique
When we sway I grow weak

I can hear the sound of violins
Long before it begins
Make me thrill as only you know how
Sway me smooth, sway me now

Other dancers may be on the floor
Dear, but my eyes will see only you
Only you have that magic technique
When we sway I grow weak

I can hear the sound of violins
Long before it begins
Make me thrill as only you know how
Sway me smooth, sway me now

 


German Valdez, chamado Tin Tan

 

Quien será la que me quiera a mi?
Quien será?, quien será?
Quien será la que me de su amor?
Quien será?, quien será?
Yo no se si la podré encontrar
Yo no se, yo no se
Yo no se si volveré a querer
Yo no se, yo no se
He querido volver a vivir
La pasión y el calor de otro amor
Otro amor que me hiciera sentir
Que me hiciera feliz como ayer lo fui

Ay quien será la que me quiera a mi?
Quien será?, quien será?
Quien será laque me de su amor?
Quien será?, quien será?
He querido volver a vivir
La pasión y el calor de otro amor
Otro amor que me hiciera sentir
Que me hiciera feliz como ayer lo fui

Quien será la que me quiera a mi?
Quien será?, quien será?
Quien será la que me de su amor?
Quien será?, quien será?
Yo no se si la podré encontrar
Yo no se, yo no se
Yo no se si volveré a querer
Yo no se, yo no se

 


ORQUESTRA DE PABLO BELTRAN RUIZ

 

28/07/2009 - 16:58h O adeus de Mercê

http://www.ballet-dance.com/200403/articles/images/merce-leibovitz.jpg

Mestre da dança de vanguarda, o americano Merce Cunningham morre aos 90 anos

 

Helena Katz – O Estado SP

 


Ele inventou uma dança que contava como o mundo, de fato, é. Perder Merce Cunningham (16-abril-1919/26-julho-2009), logo depois que Pina Bausch se foi, estanca a produção dos dois pensamentos mais transformadores que a dança teve no século 20. Aos 90 anos, ele morreu no domingo à noite, serenamente em casa e de causas naturais, segundo comunicado oficial divulgado por sua fundação e sua companhia.

Com a mistura de lucidez e inovação que marcou tudo o que fez, Merce Cunningham continuou a surpreender quando, no mês passado, convocou uma entrevista para tornar público o que desejava para o futuro do seu legado. Nesse mesmo dia, 9 de junho, Trevor Carlson, diretor executivo da companhia, enviou um e-mail aos amigos da Cunningham Dance Foundation anunciando o The Legacy Plan (O Planejamento do Legado). Embora ativo, tendo acabado de estrear obra nova como celebração de seus 90 anos, Merce decidiu propor um “plano visionário” para o futuro do seu trabalho quando não mais estivesse cuidando dele.

Tinha enorme preocupação com a dificuldade que toda obra de coreógrafo enfrenta quando ele não mais conduz a companhia. Tinha horror do que acontecera com Martha Graham, cuja morte, em 1991, colocou sua vasta produção debaixo de processos e disputas legais.

No seu plano, a companhia sobreviverá à sua morte por dois anos, realizando uma turnê mundial como uma “conclusão triunfante” da sua criação, que se encerrará em Nova York, com ingressos a US$ 10. A companhia desaparecerá e a Cunningham Dance Foundation se transformará em trust, que cuidará da preservação e difusão das obras. Para essa transição serão necessários US$ 8 milhões, já em arrecadação.

Não se resume a importância de um gênio que mudou o curso da história da dança sem o risco de se realizar uma operação muito rasa. Porque Cunningham criou uma dança capaz de conversar com a ciência. Ela materializou os conceitos de acaso, a libertação da perspectiva renascentista, a independência entre coreografia, música, figurino e cenário, e problematizou a tirania da causalidade e do determinismo. Separou o corpo em partes para propor outras recombinações.

Todo o tempo, distinguiu-se por estar interessado no agora. Por isso, trabalhou sempre com artistas nos quais reconhecia uma inquietação. Muito cedo agregou o computador como um instrumento de criação. Softwares foram criados para atendê-lo (Life Forms e, depois, Dance Forms) e sua dança avançou mais no propósito de explorar tempo e espaço com a matemática da indeterminação.

Sua vasta obra cuidou sempre de aproximar o palco dos fenômenos da natureza, e agora, quando ele morre, vale lembrar o que disse, ao propor o The Legacy Plan: “Compreendo que as minhas obras podem, muito facilmente, ser esquecidas, não somente por causa do jeito como foram feitas, mas porque o tempo continua. Há algo que continua a acontecer e vai empurrar a dança em direções diferentes.” É o último dos fundamentais ensinamentos de Merce. Seu desapego nos faz pensar que quem trabalhou toda a vida com a transformação, não poderia mesmo morrer sem deixar de falar nela.

Repercussão

“Está sendo um ano bem pesado para a dança. Primeiro, a Pina Bausch, agora o Merce. Cada um com sua contribuição, foram dois revolucionários. Merce formou toda uma nova geração. Desde que estou aqui, no Balé da Cidade, há 25 anos, tenho contato com as contribuições de gente como Merce, Balanchine, Martha Graham. Eles têm sido fundamentais. Merce é uma presença forte, mas ainda não tão usada no Brasil, pelo menos não na formação de bailarinos, que só vão ter contato com as técnicas dele mais na fase profissional.”

LUMENA MACEDO
DIRETORA INTERINA E DE ENSAIOS DO BALÉ DA CIDADE DE SÃO PAULO

“É lamentável duas pessoas tão importantes para a dança, como Pina Bausch e Merce Cunningham, partirem em um espaço de tempo tão curto. É uma perda universal. Ele tinha um estilo muito pessoal, usava tudo o que achava que podia ajudar a compor uma coreografia, com uma linguagem muito atual. Seu maior legado foi não ter tido medo de inventar, fazendo coisas que jamais tinham sido inventadas. Ele foi um grande inovador, que se propôs a criar uma nova linguagem, que é sucesso até hoje.”

HULDA BITTENCOURT
DIRETORA ARTÍSTICA DA CISNE NEGRO CIA. DE DANÇA

“Sua maior característica foi a liberdade. Isadora Duncan e Marta Graham estruturaram uma nova linguagem na dança. Merce Cunningham veio justamente para quebrar normas e regras que estavam estabelecidas. Tanto John Cage, na música, quanto Cunningham, na dança, quebraram padrões. A maior virtude dele foi ter ousado sempre. Ele foi a pessoa que mais ousou na dança, trazendo experimentos com vídeos e com computadores.”

RODRIGO PEDERNEIRAS
COREÓGRAFO DO GRUPO CORPO

“Cunningham foi um ícone da dança moderna americana, que acabou influenciando o mundo todo. Ele criou um carimbo muito forte para a dança moderna. As coreografias eram muito fáceis de serem identificadas. Tinha-se a impressão de que os bailarinos que trabalhavam com Cunningham precisavam de muito tempo para absorver a técnica do coreógrafo. Era um jeito de se movimentar muito próprio, muito específico, que exigia muito apuro técnico dos bailarinos para expressar as ideias do mestre Cunningham. Com a morte de Bausch e Cunningham, o elenco dos deuses da dança está sendo repentinamente esvaziado.”

SANDRO BORELLI
COREÓGRAFO DA CIA. BORELLI DE DANÇA

“A dança perde a maior referência do século 20. Ele foi o grande responsável por uma mudança na maneira de pensar a dança, que se divide em antes de Cunningham e depois de Cunningham. Ao lado do John Cage, ele deixou um legado muito importante. Nos anos 1970, ele já era um dos precursores da videodança. Ultimamente ele vinha trabalhando com um software para composição coreográfica, algo completamente inovador. Cunningham foi irrequieto até o fim da vida. Foi o grande nome da dança contemporânea do século 20.”

PAULO CALDAS
COREÓGRAFO DA CIA. DE DANÇA STACATTO

“Merce viu o belo no ordinário, e isso fez dele extraordinário. Ele não deixava que as convenções o guiassem, era um artista verdadeiro, honesto e avançado em tudo que fez.”

TREVOR CARLSON
DIRETOR EXECUTIVO DA FUNDAÇÃO DE DANÇA CUNNINGHAM

“Ele foi um coreógrafo que via muito à frente de seu tempo. Hoje vemos muitos trabalhos que parecem inovadores, mas já tinham sido feitos pelo Cunningham havia muito tempo. Ele era um gênio que brincava com as técnicas e englobava todas as artes.”

MIRIAM DURWE
COREÓGRAFA DA CIA. DRUW

The Coast Zone – do filme The Collaborators

 

Coreógrafo criou uma ponte com a pintura

Cunningham teve colaboradores artistas como Rauschenberg e Jasper Johns

 

Antonio Gonçalves Filho – O Estado SP

 


Se Merce Cunningham tivesse apenas revolucionado a dança moderna como o coreógrafo que descentralizou o espaço do palco, subvertendo a perspectiva renascentista, já estaria de bom tamanho. No entanto, Cunningham fez muito mais. Revelou para o mundo artistas como os pintores Robert Rauschenberg e Jasper Johns, além de ter lançado aquele que é considerado o principal compositor experimental nascido nos EUA, John Cage (1912-1992), seu companheiro por muitos anos. Os dois se conheceram quando Cunningham ainda estudava na Cornish School of Performing and Visual Arts de Seattle, onde Cage tocava como pianista acompanhante e o coreógrafo ainda aprendia a técnica da coreógrafa Martha Graham, antes que essa o convidasse pessoalmente para integrar a sua companhia de dança.

Cage foi muito importante na vida e na carreira de Cunningham. Ambos tinham certa reserva ao derramado emocionalismo de Martha Graham. O coreógrafo queria descobrir o que era, de fato, o movimento, qual a autonomia da dança em relação à música. Cage, igualmente rebelde, não queria subordinar suas composições a gestos expressionistas ou apenas ilustrar piruetas. Ambos sabiam que a dança era muito mais. Queriam, enfim, trazer para o palco todas as artes, da performance à pintura, passando pelo cinema. E foi isso que fizeram. Além dos nomes já citados, Cunningham teve como colaboradores cineastas como Stan Van der Brook e Charles Atlas.

O primeiro grande colaborador visual de Cunningham foi Rauschenberg (1925-2008), que se tornou o primeiro conselheiro artístico de sua companhia em 1954, posição mantida até 1964. Em 1967, assumiu seu posto Jasper Johns, um dos principais representantes da arte pop e hoje, aos 79 anos, considerado o maior pintor vivo norte-americano. Os dois trabalharam com Cunningham justamente no período mais criativo da companhia – e também o mais rico da cultura americana, que via nascer não só a arte pop como os movimentos de contracultura, o novo cinema de Scorsese, Coppola, Cassavetes e companhia.

Essa história começou, porém, no verão de 1953, quando Cunningham e Cage foram convidados para dar aulas no Black Mountain College, uma espécie de Bauhaus americana onde os professores eram arquitetos como Buckminster Fuller e pintores como Josef Albers – além de outros artistas de diferentes tendências como Willem de Kooning e Rauschenberg. O clima cultural da época contribuiu. Rauschenberg levou para o palco pneus velhos, pilhas de jornais e suas “collages”, obrigando os dançarinos de Cunningham a interagir com a sucata. Cage, então já fascinado pelo I Ching, convenceu Cunningham a tentar coreografias baseadas em números randômicos. O aleatório foi, então, incorporado à dança na mesma época em que Cage passou a usar os hexagramas do oráculo chinês para compor, integrando som ambiente e música.

Rauschenberg criou cenários incríveis para coreografias de Cunningham, entre eles os painéis pintados de Minutiae (1954) e um conjunto de caixas brancas para Noturnos (1955). Coube, porém, a Jasper Johns a tarefa de traduzir para o palco a mais difícil obra do artista conceitual Marcel Duchamp (1887-1968), o Grande Vidro, sete gigantescas estruturas infláveis reproduzindo imagens dessa peça hoje pertencente ao Museu da Filadélfia. A obra original é constituída por dois painéis de vidros emoldurados em alumínio, em que a parte superior se contrapõe à inferior como a natureza feminina à masculina. Johns assumiu a tarefa de “traduzir” o hermético Duchamp e, dois dias antes da estreia de Walkaround Time (1968), quase desistiu, alegando que a estrutura iria desabar sobre os bailarinos.

Cunningham não pararia de usar infláveis. No mesmo ano viu uns travesseiros do pop Andy Warhol, que virariam a instalação de nuvens prateadas do cenário de Rain Forest (1968). Aguns dos travesseiros ficavam sobre o palco. Outros, enchidos com hélio, flutuavam – e os bailarinos tiveram de aprender a técnica de lidar com eles sem perder a concentração nos movimentos.

Outros cenários utilizados pela companhia de dança de Cunningham viraram obras de arte disputadas pelo mercado. Os painéis de Rauschenberg usados em Minutiae – e que eram transportados numa Kombi nas turnês pelos EUA – foram parar em Paris, comprados por um colecionador na Suíça. Cunningham, irônico, riu quando soube da transação. Não parou de experimentar até a sua morte. Anteontem, para azar da dança.

O Que Disse Mercê

SOBRE A NATUREZA DA DANÇA: “Você deve amar a dança para permanecer com ela. A dança não dá a você nada de volta: nenhum manuscrito para guardar, nenhum quadro para pendurar na parede ou, talvez, no museu, nenhum poema para ser impresso e vendido, nada; apenas aquele específico e fugaz momento em que você se sente vivo. A dança não é para almas inconstantes.”

SOBRE INCORPORAR O ACASO NAS COREOGRAFIAS: “Dançar é uma ação visível da vida. E levar em conta o acaso permite que a dança não seja um produto dependente exclusivamente da minha vontade, nem da de ninguém, mas sim uma energia e uma lei que também eu devo obedecer.”

SOBRE O USO DA MÚSICA: “Música e dança são elementos individuais que não precisam necessariamente seguir juntos. As minhas coreografias suportam-se sozinhas. A única ligação entre a música e dança é o fato de que as duas ocorrem no mesmo espaço e começam e terminam ao mesmo tempo.”

SOBRE SONS INCIDENTAIS: “Quando você ouve um som na rua, como o barulho de um carro passando, você tem a escolha de dançar ou não junto com esse som.”

SOBRE USO DE COMPUTADOR NA CRIAÇÃO DAS COREOGRAFIAS: “O começa foi difícil. As possibilidades são infinitas. Mais complicado é saber se elas funcionam fora da tela. Se pelo menos um dos dançarinos aprender, é sinal de que é possível fazer o movimento; muitas vezes é difícil, é preciso forçar, mas eu não ligo, esse é o jeito que é”

SOBRE UM LIVRO QUE ANALISOU SUA CARREIRA: “O livro é lindo, com fotos ótimas, mas eu não estou interessado em olhar o meu passado”

SOBRE SEU OFÍCIO : “Eu gosto do que faço, mesmo que me fatigue e possa me irritar. Minha energia vem da minha sede de saber.”

SOBRE A MESMICE DA DANÇA CONTEMPORÂNEA: “Procuro não ver mais nada. Hoje, os dançarinos fazem uma frase e então a repetem exatamente do mesmo jeito. Costumo dizer: não façam de novo, mas mudem o espaço, mudem o ritmo, para que o olho receba algo diferente.”

SOBRE A PASSAGEM DO TEMPO: “Compreendo que as minhas obras, independentemente de por que existiram, podem, muito facilmente, ser esquecidas, não somente do jeito como foram, mas porque o tempo continua. Há algo que continua a acontecer e que muda, e que vai empurrar a dança em direções diferentes.”

SOBRE A COMPLEXIDADE DO CORPO: “Eu me interesso por formas de agregar complexidade ao corpo. Por exemplo, precisei descobrir como tratar o timing fisicamente. Não me interesso pela batida, pela pulsação do ritmo, que entendo como hábitos do corpo. O timing a que me refiro é mais perto dos nervos do que dos músculos.”

Channels/Inserts

Coreógrafo deu liberdade para a arte

RODRIGO PEDERNEIRAS ESPECIAL PARA A FOLHA

Merce Cunningham foi o nome que mudou tudo na dança no século passado. O coreógrafo foi o responsável por criar a ponte entre a dança moderna e a contemporânea, levando em frente, de uma maneira diferente, o que a bailarina Martha Graham (1894-1991) havia iniciado na primeira metade do século. Se Graham criou a técnica e estruturou um método didático para a dança moderna, trabalhando muito a partir da mitologia grega, Cunningham teve o mérito de ir além de uma metodologia e de permitir à dança uma liberdade muito maior, trombando de frente com regras e conceitos mais ou menos estabelecidos. Cunningham abriu as comportas para a liberdade na dança. Ele não via, por exemplo, a necessidade de se contar uma história a partir das coreografias, algo que perdurava desde o balé clássico. Para o coreógrafo, os movimentos não precisavam ter uma finalidade ou uma explicação. E experimentava de tudo. Foi provavelmente o criador de dança que mais ousou na história, levando a ela, inclusive, a possibilidade de explorar novas mídias. Entre outras coisas, conduziu elementos do vídeo para dentro das coreografias. Mas foi a parceria com o compositor John Cage (1912-1992), seu companheiro de vida e de trabalho, a responsável pela maior inovação na obra de Cunningham. Juntos, os dois levaram o silêncio para a dança e reviraram tudo para criar uma nova ordem. É possível dizer que hoje, na dança contemporânea, não exista ninguém que não tenha sido, de certa forma, influenciado por Merce Cunningham.

RODRIGO PEDERNEIRAS , 54, é coreógrafo do Grupo Corpo. Fonte Folha SP

27/07/2009 - 11:08h Faleceu Merce Cunningham

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18/07/2009 - 17:25h Herdeiros de Pina: próximos passos

http://accosta.files.wordpress.com/2009/06/pina-bausch.jpg

Daniel J. Wakin – O Estado SP

O súbito desaparecimento da coreógrafa alemã Pina Bausch no mês passado deixou um buraco arrasador nas vidas dos dançarinos que se dedicavam à obra dela em Wuppertal, pequena cidade a leste de Düsseldorf. E levantou uma pergunta essencial para todas as companhias de dança que existem para servir a uma solitária voz criativa: o que acontece quando essa voz é silenciada?

Representantes da companhia dela, a Tanztheater Wuppertal, dizem que, a curto prazo, os dançarinos vão continuar com as turnês e as apresentações das coreografias de Pina, ao menos até o final da próxima temporada. Neste fim de semana, por exemplo, a companhia está em Moscou. Volta aos palcos de Wuppertal em setembro e em junho fará paradas em São Paulo, Cairo, Paris, Madri, Berlim, Santiago, Seul, Londres, Munique, Tóquio, Istambul e Atenas. Alguns dos programas incluirão aquela que se revelou a última obra de Pina Bausch, trabalho sem título criado para um festival chileno (no Chile, será apresentado só em janeiro).

“Vamos prosseguir”, disse Cornelia Albrecht, diretora administrativa da cia., em Spoleto, Itália, onde o grupo estava se apresentando. “Isso estaria de acordo com a vontade e o desejo de Pina.” Cornelia destacou que os dançarinos não cancelaram nem a apresentação na Polônia, no dia em que ela morreu, 30 de junho. “Foi uma decisão de partir o coração, mas fizemos a escolha certa”, disse Cornelia. “A dança era a vida dela. Não há nada que demonstre mais respeito pelo seu trabalho do que dançarmos sua obra.”

A questão maior diz respeito à sobrevivência da Tanztheater Wuppertal. Cornelia disse que os dançarinos e membros da equipe se reuniriam nos próximos meses para debater o assunto. “Nunca podemos dizer ‘para sempre’ e nem ‘nunca’ “, disse ela. “São palavras grandes demais. Vamos ver o que o futuro nos trará.” De acordo com Cornelia, a certeza é que “a companhia está pronta para preservar o legado de Pina”.

Enquanto isso, funcionários da administração pública de Wuppertal e do estado da Renânia do Norte-Westfália, que fornecem praticamente todo o financiamento da companhia, disseram que continuarão oferecendo recursos, ao menos por enquanto, segundo Cornelia. Em troca, a companhia realiza 30 apresentações em Wuppertal a cada temporada.

Declarações de representantes do poder público confirmam o otimismo de Cornelia. “O mundo anseia mais do que nunca pela obra de Pina Bausch”, disse Hans-Heinrich Grosse-Brockhoff, secretário de Cultura do Estado. “Continuaremos mantendo esse gasto.” Ele previu que a demanda internacional pelas visitas da companhia permaneceria alta. “Assim, não há motivos que nos levem a dizer, ‘Vamos recuar agora’”, disse Grosse-Brockhoff.

Pina Bausch sempre falava a respeito da preservação de sua dança, mas não deixou planos definitivos para tal fim. “Só posso dizer que ela tinha grande interesse em disponibilizar seu trabalho para o público do futuro”, disse Cornelia. A questão remanescente é como preservá-lo de uma forma na qual ela pudesse “reconhecer a si mesma na própria obra”.

Já existe uma variedade de registros físicos, entre eles videoteipes das danças, gravações em áudio, roteiros, fotografias, cenários e as anotações de Pina Bausch. A memória partilhada pelos dançarinos da companhia é também uma fonte.

Cornelia não quis discutir quem seria o novo responsável pela liderança artística. Pina Bausch tinha assistentes que transmitiam seus desejos aos dançarinos, e alguns dos dançarinos são veteranos de longa data na companhia. “No momento a companhia está suficientemente forte”, disse Cornelia.

Diferentemente do coreógrafo americano Merce Cunningham, de 90 anos, cuja companhia recentemente divulgou um plano detalhado, segundo o qual o grupo seria fechado, mas um truste cuidaria de manter a obra do seu coreógrafo, Pina Bausch não enxergava a necessidade imediata de fazer um plano semelhante. “As pessoas encaravam essa questão como algo que aconteceria um dia, e não como algo urgente”, disse Rena Shagan, responsável pela organização de turnês.

O plano de Cunningham prevê uma turnê final de dois anos de duração que deve começar após a sua morte ou depois que ele decidir fechar a companhia; o pagamento de taxas de desligamento aos dançarinos; e a transferência dos direitos de licenciamento para o truste, para garantir que outras companhias montem produções autênticas de Cunningham. Por exemplo: uma disputa por direitos arrastou a Companhia de Dança Martha Graham para dificuldades financeiras.

A próxima pergunta envolve a exequibilidade de se administrar o que seria essencialmente um museu de Pina Bausch. A coreógrafa criou um trabalho a cada ano e supervisionou as releituras, com frequência passando semanas ao lado de seus dançarinos durante longas temporadas de apresentações em festivais e casas de espetáculos favoritas, como o Théâtre de la Ville, em Paris.

O administrador deste teatro, Michael Chase, não quis confirmar se o compromisso do teatro com a companhia seria o mesmo sem a própria Pina Bausch. Seja como for, disse ele, ainda era cedo para saber. “É difícil pensar num futuro sem Pina”, disse ele. Ela visitou o teatro todos os anos durante três décadas. “Muitos de nós”, acrescentou Chase, “tínhamos a sensação de que Pina estaria conosco para sempre.” Outra incógnita é a permanência em Wuppertal de todos os dançarinos, muitos dos quais vieram de diversas partes do mundo para estar com Pina Bausch. “Não estamos falando do lugar mais atraente do mundo”, disse Chase, ao menos em comparação com Paris, Londres ou Nova York, onde os dançarinos têm outras oportunidades.

Pina Bausch era também uma visitante habitual da Academia de Música do Brooklyn, seu lar nos Estados Unidos. Joseph V. Melillo, produtor executivo da escola, disse que havia um “argumento legítimo” em favor da continuidade do trabalho da academia: a necessidade de apresentar o legado de Pina Bausch àqueles que ainda não foram iniciados na sua arte.

Cornelia disse que os dançarinos decidiram não dar entrevistas por enquanto. A família de Pina Bausch, comunicando-se por meio da sua assistente pessoal, Sabine Hesseling, também não quis ser entrevistada.

TRADUÇÃO DE AUGUSTO KALIL

15/07/2009 - 22:00h Boa noite

West Side Story (no Brasil Amor, sublime amor), o filme – abertura

14/07/2009 - 19:55h O amor é filho da boêmia

Maria Ewing – “L’amour est enfant de bohème” da ópera Cármen de Bizet
Balé de Roland Petit

01/07/2009 - 20:02h A Sagração da Primavera

Le Sacre Du Printemps – Wuppertal Tanztheater de Pina Bausch

01/07/2009 - 17:00h O adeus de Pina Bausch

As artes cênicas perdem a revolucionária inventora da dança-teatro, que morreu ontem de câncer, aos 68 anos, na Alemanha

Beth Néspoli – O Estado SP

Morreu ontem pela manhã aos 68 anos a coreógrafa alemã Pina Bausch, a artista que dissolveu os limites entre teatro e dança, sem dúvida uma das mais importantes e influentes personalidades da artes cênicas no século 20. Pina, que faria 69 anos no dia 27, morreu no hospital “de forma rápida e inesperada apenas cinco dias após ter recebido o diagnóstico de câncer”, informou Ursula Popp, a porta-voz do Tanztheater Wuppertal.

A companhia, fundada por Pina Bausch em 1973, cujo raio de influência atingiu dançarinos do mundo inteiro, estava em apresentação na Polônia e viria ao Brasil em setembro com dois programas: Café Müller, obra para seis bailarinos, considerada marco na carreira da coreógrafa e da qual ela ainda participava, eventualmente, como bailarina; e A Sagração da Primavera, criada para 42 bailarinos. Os dois espetáculos integram a programação de segundo semestre da Temporada de Dança do Teatro Alfa, e as apresentações devem ser mantidas, apesar da perda da criadora e mestra Pina Bausch.

Pina nasceu em Solingen, na Alemanha, em 27 de julho de 1940. Estudou na mais importante escola moderna de seu país, a Folkwang, em Essen, dirigida por Kurt Jooss, onde recebeu e transformou a herança dos mestres do expressionismo como Laban. Estudou também na conceituada escola de dança norte-americana Juilliard. Logo alçou voo autoral. Um de seus méritos, apontam especialistas, foi recuperar o pensamento do coreógrafo Jean-Jacques Noverre (1727 -1810) cujo trabalho recebeu o nome de balé de ação.

A retomada da arte de Noverre, por ela aprimorada ao longo dos anos, levou à implosão da fronteira entre dança e teatro. Fenômeno estético que os brasileiros puderam conferir com seus próprios olhos no palco do mesmo Teatro Alfa, em 2007, quando Pina Bausch e seus bailarinos (entre eles, duas brasileiras, Regina Advento e Ruth Amarante), apresentaram o balé Água, que tinha o Brasil como fonte de inspiração.

Num dos números, uma bailarina entrava solitária no palco com um travesseiro na mão e se acomodava para dormir. A atmosfera era bucólica, um bangalô em meio à natureza no qual se ouviam grilos e aves noturnas. Ocorre que os sons pouco a pouco aumentavam de volume e se diversificavam num coral altissonante, não deixando a moça dormir. Entre risos, o espectador se dava conta que compreenderia seu desejo de cortar todas as árvores. Humor, sinal de inteligência, estava entre as qualidades dessa artista que revolucionou a dança.

Pina Bausch veio ao Brasil pela terceira vez em 1997 para apresentar pela primeira vez no País uma ópera, Ifigênia em Tauris, de Gluck, e a coreografia Cravos, ambas no Teatro Municipal do Rio. O impacto visual da segunda – o palco era inundado por 8 mil cravos vermelhos – foi tão intenso que, ao contrário das visitas anteriores, desta vez sua obra agradou ao grande público. Essa coreografia inaugurou uma parceria jamais desfeita, entre Pina Bausch, Marion Cito nos figurinos e Peter Pabst nos cenários. E mais. Nessa ocasião a coreógrafa conheceu o brasileiro Caetano Veloso, a quem convidou para participar da festa de comemoração, na Alemanha, dos 25 anos da Tanztheater Wuppertal, em 1998.

Na programação de aniversário, estavam sete peças: Ifigênia em Tauris (1974), Café Müller (1974), Arien (1979), Viktor (1986), Palermo, Palermo (1989), Nur Du (1996), coreografia que consagrou mundialmente a dançarina brasileira Regina Advento, e Der Fenstputzer (1997). Caetano participou com dois concertos. Em comum com o cantor e compositor brasileiro, Pina Bausch tem a participação num filme de Pedro Almodóvar, Fale com Ela.

Café Müller é uma das primeiras e mais importantes peças de Pina. Ela tem apenas 30 minutos, seus espetáculos sempre duram no mínimo duas horas, e é representada apenas por seis bailarinos, outra característica rara. Infelizmente, não terá mais a participação da coreógrafa. Ainda assim, os brasileiros poderão assistir à essa peça em setembro, apenas um mês antes do aniversário de 36 anos da Tanztheater Wuppertal. Pina foi casada com o cenógrafo holandês Rolf Borzik, morto em 1980, e atualmente com o chileno Ronald Kay.

Leia mais sobre Pina Bausch no caderno do Estadão

30/06/2009 - 18:04h Morre a coreógrafa de vanguarda alemã Pina Bausch

http://www.curatingthelibrary.org/en/download/Pina_Bausch_02-6754.jpg

SARAH MARSH – REUTERS – Agencia Estado

BERLIM – A coreógrafa alemã Pina Bausch, que revolucionou a linguagem da dança moderna, morreu na terça-feira, depois de ter recebido um diagnóstico de câncer dias antes. Ela tinha 68 anos.

Diretora artística do Teatro de Dança Wuppertal, Bausch ganhou fama internacional por suas performances e coreografias de vanguarda misturando dança, som e narrativas fragmentadas.

“No penúltimo domingo, ela estava aqui, no palco do Teatro de Ópera de Wuppertal, com sua companhia”, disse em seu site na Internet a companhia de dança e teatro, que Bausch liderava desde 1973.

A companhia disse que Bausch recebeu o diagnóstico de câncer apenas cinco dias antes de sua morte.

“Diferentemente de quase todos os outros, ela se libertou das estruturas tradicionais da dança, modernizou o balé clássico e cunhou seu estilo próprio e idiossincrático”, disse o vice-chanceler alemão Frank-Walter Steinmeier em comunicado.

Pina Bausch coreografou e encenou suas próprias obras, como “Café Mueller” e “Viktor”, e atuou em filmes de ícones do cinema como Federico Fellini e Pedro Almodóvar.

A coreógrafa vinha se preparando para trabalhar com o diretor Wim Wenders em um filme descrito como o primeiro filme de dança em 3D, intitulado “Pina”.

Em Paris, onde ela se apresentava com frequência, o prefeito Bertrand Delanoe e o ministro da Cultura francês, Frederic Mitterrand, expressaram suas condolências.

“O mundo da dança está de luto hoje após a perda de uma de suas representantes mais brilhantes”, disse Mitterrand.

Pina Bausch iniciou seus estudos de dança aos 14 anos de idade na Escola Folkwang, em Essen, onde estudou com vários mestres, incluindo o coreógrafo expressionista alemão Kurt Jooss.

Em 1960 ela foi a Nova York estudar na Juilliard School, mais tarde tornando-se membro da companhia de balé do Metropolitan Opera.

Em 1962 ela retornou à Alemanha, onde se tornou solista do recém-formado Folkwang Ballett. Em 1973 ela se tornou diretora artística e coreógrafo da companhia de dança e teatro Wuppertal, que acabava de ser fundada.

“Pina Bausch ampliou continuamente os limites do que chamamos de dança”, comentou John Neumeier, diretor da companhia de balé de Hamburgo. “Simplesmente não consigo imaginar um sucessor para ela.”

25/06/2009 - 19:55h Vamos nos sacudir

do filme Don’t Knock The Rock – Bill Haley Let’s Rip It Up

18/06/2009 - 22:00h Boa noite

Bejart – Queen “the show must go on”

18/06/2009 - 19:53h A solidão

de “Brel Barbara par Béjart” (filmado em abril 2005) de Maurice Béjart, com a canção de Barbara “La Solitude” dançarinos Keisuke Nasuno e Gil Roman.

 

La solitude

Barbara

Je l’ai trouvée devant ma porte,
Un soir, que je rentrais chez moi.
Partout, elle me fait escorte.
Elle est revenue, elle est là,
La renifleuse des amours mortes.
Elle m’a suivie, pas à pas.
La garce, que le Diable l’emporte !
Elle est revenue, elle est là

Avec sa gueule de carême
Avec ses larges yeux cernés,
Elle nous fait le cœur à la traîne,
Elle nous fait le cœur à pleurer,
Elle nous fait des mains blêmes
Et de longues nuits désolées.
La garce ! Elle nous ferait même
L’hiver au plein cœur de l’été.

Dans ta triste robe de moire
Avec tes cheveux mal peignés,
T’as la mine du désespoir,
Tu n’es pas belle à regarder.
Allez, va t-en porter ailleurs
Ta triste gueule de l’ennui.
Je n’ai pas le goût du malheur.
Va t-en voir ailleurs si j’y suis !

Je veux encore rouler des hanches,
Je veux me saouler de printemps,
Je veux m’en payer, des nuits blanches,
A cœur qui bat, à cœur battant.
Avant que sonne l’heure blême
Et jusqu’à mon souffle dernier,
Je veux encore dire “je t’aime”
Et vouloir mourir d’aimer.

Elle a dit : “Ouvre-moi ta porte.
Je t’avais suivie pas à pas.
Je sais que tes amours sont mortes.
Je suis revenue, me voilà.
Ils t’ont récité leurs poèmes,
Tes beaux messieurs, tes beaux enfants,
Tes faux Rimbaud, tes faux Verlaine.
Eh ! bien, c’est fini, maintenant.”

Depuis, elle me fait des nuits blanches.
Elle s’est pendue à mon cou,
Elle s’est enroulée à mes genoux.
Partout, elle me fait escorte
Et elle me suit, pas à pas.
Elle m’attend devant ma porte.
Elle est revenue, elle est là,
La solitude, la solitude…

 

01/06/2009 - 22:00h Boa noite

Ekaterina Maximova e Vladimir Vasiliev em Anjuta

10/05/2009 - 19:41h A noite de Walpurgis


Ekaterina Maximova e o bale do Bolshoi

09/05/2009 - 19:52h A escada de Jacob

Jacob’s Ladder com a música de Stairway to Heaven

16/04/2009 - 18:44h Merce

cunningham.jpg
Merce Cunningham © Barbara Morgan

Ainda a propósito de fotografia e dança: o bailarino e coreógrafo Merce Cunningham, um dos nomes maiores da dança do século XX, faz hoje 90 anos. Fixei mais o olhar nesta fotografia de Barbara Morgan. Interessa-me a impossibilidade deste movimento tornada possível pela fixação fotográfica. E interessa-me a suspensão neste gesto de clamor que associamos à superfície, ao chão, ao solo. Merce não acusa a gravidade e faz-nos levitar.

Post de Sérgio B. Gomes para Arte photographica

13/04/2009 - 19:02h Puttin’ On the Ritz

 


Taco

 

 


Harry Richman

 

 


Fred Astaire

 

 


Clark Gable