25/07/2012 - 09:23h Saúde é prioridade para os eleitores


Datafolha mede os temas que os eleitores querem que o próximo prefeito de São Paulo, Rio, BH, Recife, Curitiba e Porto Alegre deem prioridade

Por Raphael Di Cunto | VALOR

De São Paulo

O principal problema e a maior prioridade para o próximo prefeito na visão dos eleitores de seis capitais brasileiras é o sistema de saúde da cidade, mostra pesquisa do Instituto Datafolha realizada entre 19 e 20 de julho.

O problema é, de longe, o mais citado em Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo nesta campanha. Só rivaliza com outro tema em Curitiba, onde o prefeito Luciano Ducci (PSB), candidato à reeleição, tem a segurança como maior problema para 31% da população – próximos dos 37% que citaram saúde.

Entre as seis cidades pesquisadas, aquela em que os entrevistados dão maior prioridade à melhoria na rede de hospitais e postos de atendimento é o Rio, do prefeito e também candidato à reeleição Eduardo Paes (PMDB). Favorito na disputa, o pemedebista, que já chamou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), de “incompetente” devido ao resultado de uma avaliação da Pasta sobre a eficiência do Sistema Único de Saúde (SUS) que deu ao Rio a menor nota entre as capitais, vê 54% dos eleitores colocarem a área como prioridade.

Como é a primeira vez que o Datafolha faz o levantamento das prioridades e problemas na visão dos eleitores de seis capitais, não é possível comparar com anos anteriores. O percentual de moradores preocupados com a Saúde, porém, aumentou nas duas cidades que mediram este índice: São Paulo e Recife.

Em novembro de 2007, 45% dos recifenses diziam que a falta de segurança e criminalidade eram os principais problema da cidade, que era a terceira capital mais violenta do país. Saúde, na época, era apenas o terceiro item mais lembrado, com 6% das respostas, atrás de saneamento básico, que tinha 11%.

A cinco meses do fim da gestão do prefeito João da Costa (PT), o índice mudou. Agora, os moradores da capital pernambucana acreditam que a saúde é o maior problema, lembrado por 19% dos recifenses. A violência ficou com 11% das citações, em quarto lugar, atrás de calçamento (16%) e saneamento básico (14%).

Situação semelhante ocorreu com os paulistas. Em agosto de 2007, a preocupação com saúde rivalizava com a falta de segurança – cada uma era citado por 16% dos eleitores como maior problema. Desde então, a cidade registrou um aumento no número de moradores preocupados com a rede de hospitais e postos de saúde, que chegou a 29% na pesquisa do fim de semana. A violência manteve-se estável como o principal problema para 14% dos paulistanos.

O resultado pode mostrar uma insatisfação não apenas com a rede pública, mas também com os hospitais privados. Na capital paulista, o número de conveniados a planos de saúde cresceu 13% desde 2009, enquanto a rede de atendimento privado diminuiu no período com o fechamento de oito hospitais. Na avaliação dos eleitores, seria prioridade para o novo prefeito, então, dar incentivos ou estímulos à instalação de novas unidades.

05/03/2012 - 08:27h No embalo da pesquisa

05 de março de 2012

JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO – O Estado de S.Paulo

O termômetro esquenta ou esfria o objeto cuja temperatura ele pretende medir. Assim também, a pesquisa eleitoral influi na disputa que ela acompanha. A sondagem do Datafolha sobre a eleição paulistana criou um fato positivo para José Serra e praticamente liquidou as já remotas chances dos outros pré-candidatos do PSDB a prefeito de São Paulo. Mais do que isso, aumentou o magnetismo do tucano no jogo das alianças partidárias.

Na atual fase da corrida eleitoral, o mais importante para cada um dos principais candidatos é unir seus partidos em torno de seu nome e conseguir o máximo de coligações com outras siglas, de preferência com aquelas que têm direito a pelo menos uma inserção diária durante o horário eleitoral obrigatório. Serra largou na frente.

Ao bater em 30% das intenções de voto no Datafolha, ele tornou-se líder e – mais relevante – passou a ser percebido como o favorito. Nada mais atraente para os políticos do que a perspectiva de poder. Não importa que Serra cresceu por um evento efêmero – o tumulto causado pela sua entrada tardia na disputa e a grande exposição na mídia que se seguiu – , nem que parte de sua intenção de voto seja, de fato, efeito memória. A pesquisa criou um fato político e deu impulso a Serra.

Antes que obscurantistas venham clamar contra a liberdade de informação, é bom lembrar que isso é do jogo. Assim como ajudou, a pesquisa poderia ter atrapalhado se o resultado fosse diferente. Em 2010, quando Dilma Rousseff, em ascensão, começou a encostar no tucano, em queda, cada pesquisa era uma dose de vitamina para a campanha da petista e um tormento para Serra. Neste momento, os papéis se inverteram.

Para o PT e para Fernando Haddad, a pesquisa Datafolha foi uma notícia duplamente ruim. A estagnação do petista em 3% mostrou que a estratégia de Lula não deu certo. Ao atropelar as prévias do partido e impor um nome que ele escolheu sozinho, o ex-presidente pretendia ganhar tempo para tornar seu candidato conhecido e evitar rachas internos. Aconteceu o oposto.

O ressentimento de petistas alijados da disputa, como Marta Suplicy, é cada vez mais notório, e Haddad continua patinando no desconhecimento, apesar de estar em campanha há meses. Sem adversário interno, o pré-candidato petista mal aparece no noticiário. Ao mesmo tempo, a doença de Lula não permitiu que ele propagandeasse o nome de seu pupilo à exaustão, como fez com Dilma em 2009 e 2010.

Desconhecimento e inexperiência são defeitos que não pioram com o tempo. Ainda há muito chão pela frente e o PT tem um eleitorado cativo que levou seu candidato ao segundo turno nas últimas cinco eleições de prefeito em São Paulo. O problema petista imediato são as coligações perdidas.

É muito mais difícil – e caro – convencer um partido a apoiar o 7.º colocado do que o líder da pesquisa. Especialmente quando Dilma enfrenta uma rebelião na base de apoio ao seu governo. O PTB só é aliado do PT em Brasília. O PDT, cada vez menos. O PP malufista tucanou. O PSD kassabista também. PRB, PC do B e PMDB têm candidatos próprios mais bem colocados que o petista. O PR ameaça com Tiririca. Sobra o PSB, talvez.

Serão necessários muitos ministérios e muita verba federal para o PT seduzir outras siglas e levá-las para sua coligação. Sem isso, Haddad, que precisa de tempo na TV para o eleitor descobrir que ele existe, corre alto risco de ficar com menos tempo de propaganda do que o principal rival, o universalmente conhecido Serra.

Se não fizer amigos e influenciar outros partidos, Haddad pode ficar empatado em inserções publicitárias com Gabriel Chalita (PMDB), que corre por fora e não perdeu pontos com a entrada de Serra: tem 7% das intenções de voto (tinha 6%).

A dificuldade petista de arrumar coligações para seu candidato em São Paulo se deve aos aliados de Dilma terem caído na real. Perceberam que jogam, em 2012, a sua sobrevivência daqui a dois anos, quando serão renovadas as bancadas na Câmara dos Deputados e um terço do Senado. Os principais cabos eleitorais em 2014 serão – como sempre foram – os prefeitos que ganharem a eleição no próximo mês de outubro. E está difícil elegê-los.

Os aliados acham que o PT é o bicho-papão. Mas foi o recém-criado PSD que bagunçou a base aliada de Dilma. Das suas 272 prefeituras, o partido de Gilberto Kassab “roubou” a maioria (153) de partidos que apoiam a presidente no Congresso: 31 do PMDB, 30 do PP, 23 do PR, 15 do PTB e 10 do PSB, por exemplo.

Como resultado, PMDB, PP, PDT, PR e PTB têm menos prefeitos hoje do que elegeram em 2008.

Ao mesmo tempo, PT e PSB conseguiram cooptar novas prefeituras e estão jogando pesado para engordar ainda mais esse número nesta eleição.

São Paulo é apenas o caso mais visível de um problema nacional: a disputa pelo poder municipal entre partidos que só são aliados no plano federal por força do presidencialismo de coalizão brasileiro.

O mau desempenho no Datafolha e a busca pelas coligações perdidas mostram que não será apenas na base da ligação direta com o eleitor e seu bolso que Lula vai conseguir eleger Haddad, nem que Dilma vai conseguir governar. A política é necessária, como sempre foi.

28/08/2010 - 08:19h Governistas lideram em 14 estados


Já os da oposição estão à frente em sete; tucanos venceriam hoje em SP e, em Minas, candidato de Aécio surpreende


Marcelo Déda discursa em Itabaiana, Sergipe. O petista lidera com 48% dos votos. Seu rival do DEM tem 32%


Chico de Gois e Luiza Damé – O GLOBO

BRASÍLIA. A onda favorável à candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, está ajudando a impulsionar também candidaturas aliadas aos governos estaduais.

As mais recentes pesquisas Ibope e Datafolha demonstram que, entre os 26 estados mais o Distrito Federal, os governistas mantêm a frente em 14, contra sete da oposição. Se a eleição fosse hoje, os governadores de pelo menos 12 estados seriam eleitos em primeiro turno.

Desses 12, oito são governistas e quatro, da oposição.

Em sete estados, como Mato Grosso, Piauí e Amapá, por exemplo, a disputa está acirrada e há empate técnico entre os concorrentes. E um dado curioso e único entre todos os estados: a pouco mais de um mês das eleições, os eleitores indecisos do Mato Grosso (32%) superam a pontuação individual dos dois principais candidatos.

PSDB conta com virada em Minas Gerais Em dois estados, não há levantamento recente disponível pelos dois institutos: Pará e Roraima.

Ontem à noite, o Ibope divulgou a primeira pesquisa da campanha deste ano em Sergipe.

O governador Marcelo Déda (PT) aparece com 48% das intenções, contra 32% de João Alves (DEM). No Maranhão, segundo pesquisa Ibope também divulgada ontem à noite, a governadora Roseana Sarney (PMDB) caminha para a reeleição.

Ela tem 47% das intenções; Jackson Lago (PDT), 25%; e Flávio Dino (PCdoB), 13%.

Se a eleição fosse hoje, além de eleger Dilma sua sucessora, o presidente Lula veria aliados vitoriosos na Bahia, em Pernambuco, no Rio Grande do Sul, em Minas Gerais, no Rio, no Acre, no Amazonas, no Tocantins, no Ceará, na Paraíba, em Alagoas, no Espírito Santo, em Sergipe e no Maranhão. Mas o PSDB conta ainda com virada em Minas.

Já a oposição elegeria os governadores de Goiás, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte, São Paulo, Distrito Federal, Rondônia e Paraná.

Os candidatos a governador com Lula e Dilma no palanque ganhariam hoje com folga de votos, por exemplo, no Rio, onde Sérgio Cabral (PMDB) soma 56% das intenções, e Fernando Gabeira (PV) patina em 17%, segundo o Datafolha. Em Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) venceria facilmente Jarbas Vasconcelos (PMDB), por 67% contra 19%.

No Acre, onde a família Viana domina a cena política desde os anos 1990, Tião Viana (PT) seria eleito no primeiro turno com 63% das intenções, contra 21% de Tião Bocalom (PSDB), conforme pesquisa Ibope.

Outro estado onde os governistas têm boa dianteira é o Espírito Santo. Lá, Renato Casagrande (PSB) é o preferido de 51% dos eleitores, e o ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) tem a simpatia de 18%, segundo o Ibope.

Ontem, após novos resultados do Ibope, petistas como José Eduardo Dutra e Alexandre Padilha comemoravam, no Twitter, o favoritismo de candidatos do PT e aliados — o que eles chamam de “a onda da vitória”.

A oposição vai bem no maior colégio eleitoral do país, São Paulo. Geraldo Alckmin (PSDB), ex-governador, está bem à frente de Aloizio Mercadante (PT). O tucano venceria no primeiro turno. Segundo o Datafolha, ele é citado por 54% dos entrevistados, enquanto o petista tem apenas 20%.

De acordo com o Ibope, em Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, do PMDB oposicionista, venceria o ex-governador Zeca do PT por 52% a 33%. No Paraná, pela pesquisa Ibope divulgada ontem, o tucano Beto Richa (PSDB) alcançou 50% das intenções de voto e Osmar Dias (PDT), 34%. Na próxima semana, Lula deve ir ao estado para compromissos oficiais, mas aproveitará parte do tempo para reforçar a campanha de Dias.

Em alguns estados, Dilma tem mais de um palanque e ambos os aliados vão bem nas intenções de voto. É o que ocorre, por exemplo, em Alagoas, onde Fernando Collor de Mello (PTB) e Ronaldo Lessa (PDT) estão tecnicamente empatados, embora o atual governador, Teotonio Vilela Filho (PSDB), esteja no calcanhar dos dois. Lessa, segundo o Ibope, tem 29% das intenções de votos; Collor, 28%; e Teotônio, 24%. Por causa da polarização, Lula resolveu não gravar apoio a nenhum dos dois no horário eleitoral gratuito.

No Amazonas, os dois candidatos à frente nas intenções de voto também são governistas. O governador Omar Aziz (PMN), que tem 49%, disputa com o exministro dos Transportes Alfredo Nascimento (PT), que está com 37%, segundo o IBope.

Em outros lugares, apesar de os governistas estarem numericamente à frente, há empate técnico.

É o que ocorre no Piauí, por exemplo, onde o governador Wilson Martins (PSB) soma 24% na pesquisa Ibope, enquanto o ex-prefeito de Teresina Silvio Mendes (PSDB) tem 22%. Isso se dá também no Amapá. Lucas Barreto (PTB) está tecnicamente empatado com Jorge Amanajás (PSDB) — o petebista tem 25%, e o tucano, 24%.

Em Mato Grosso, a pesquisa Ibope revelou que os eleitores indecisos superam os candidatos mais bem posicionados. Dos entrevistados, 32% se disseram indecisos, contra 28% de Sinval Barbosa (PMDB), 21% de Wilson Santos (PSDB) e 15% de Mauro Mendes (PSB).

13/08/2010 - 20:57h Dilma confirma seu primeiro lugar

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27/07/2010 - 09:38h Cai para 11 pontos a vantagem de Serra em São Paulo. Na “espontânea” o tucano empata com Dilma no Estado

Tucano tem 11 pontos à frente em SP

VALOR

Pesquisa Vox Populi/Band/iG divulgada ontem mostra o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, na liderança das intenções de voto em São Paulo, maior colégio eleitoral do país. Serra tem 11 pontos de vantagem sobre a candidata Dilma Rousseff (PT). O tucano tem 42% e a petista, 31%. Marina Silva (PV) aparece com 10%. Os demais candidatos somam 1%. Brancos e nulos, 7%. Os indecisos são 10%.

Na pesquisa anterior, Serra tinha 14 pontos acima da petista: 44% a 30%. Na pesquisa espontânea, Serra e Dilma estão tecnicamente empatados, com 23% a 22% respectivamente. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. Os dois aparecem tecnicamente empatados no quesito rejeição. O tucano tem 23% e a petista, 25%. Marina é rejeitada por 18%. Em um eventual segundo turno, Serra seria eleito com 48% e Dilma, 36%.

Dilma ainda é menos conhecida no Estado – 85% conhecem bem ou têm alguma informação sobre o tucano. Ela tem taxa de 65%. Entre os conhecem os candidatos só de nome, ela tem 30% e Serra 14%. Apenas 1% não conhece Serra. Dilma é desconhecida por 5%. A petista é citada como candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por 81% contra apenas 1% de Serra e 17% que desconhecem o apoio de Lula a Dilma.

Na disputa estadual, Geraldo Alckmin (PSDB) lidera com 47% e seria eleito no primeiro turno. Aloizio Mercadante (PT) tem 18% e Celso Russomanno (PP) 8%. Paulo Skaf (PSB), Fabio Feldmann (PV) e Paulo Búfalo (P-Sol) têm 1%. Mancha (PSTU) e Anaí Caproni (PCO) não pontuaram. Os votos brancos e nulos somam 9%. Os indecisos são 15%.

Marta lidera disputa pelo Senado em SP, revela pesquisa

Tuma, Quércia e Ciro Moura aparecem empatados em segundo lugar em levantamento do instituto Datafolha

Daniel Bramatti – O Estado de S.Paulo

Pesquisa Datafolha sobre a eleição para o Senado mostra Marta Suplicy (PT) na liderança em São Paulo e uma disputa acirrada pela segunda vaga em aberto.

A pesquisa, feita em outros seis Estados e no Distrito Federal, revela que há mais candidatos ao Senado com possibilidade de se eleger entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidenciável petista Dilma Rousseff.

Em São Paulo, Marta tem 32% das intenções de voto. A seguir, em situação de empate técnico, aparecem o petebista Romeu Tuma (22%), o peemedebista Orestes Quércia (21%) e o candidato do PTC, Ciro Moura (19%). O vereador Netinho de Paula, do PC do B, está em quinto lugar, com 15% das preferências.

Tuma é senador desde 2003 e disputa a reeleição. Quércia foi governador de São Paulo de 1986 a 1990. Ciro Moura, por sua vez, concorre por um partido “nanico” e, há dois anos, teve 0,06% dos votos válidos na eleição para a Prefeitura de São Paulo – conquistou menos de 4.000 eleitores em um universo de quase 7 milhões de votantes.

O representante do PTC pode estar se beneficiando do fato de ser “xará” de Ciro Gomes, deputado pelo Ceará e ex-presidenciável pelo PSB. Nos primeiros meses do ano, o presidente Lula estimulou Ciro a transferir o domicílio eleitoral para São Paulo e a concorrer ao governo do Estado.

Governistas. Das 16 vagas para o Senado em disputa nos oito colégios eleitorais avaliados pelo Datafolha, 10 ficaram nas mãos de aliados de Lula e Dilma, se a eleição fosse realizada hoje.

Governistas aparecem como favoritos para ocupar as duas vagas em disputa na Bahia, no Paraná e no Distrito Federal. César Borges (PR), 34%, e Lídice da Mata (PSB), com 26%, são os primeiros na preferência do eleitorado baiano. Entre os paranaenses, o peemedebista Roberto Requião (50%) e a petista Gleisi Hoffmann (28%) são os favoritos. Na capital da República, estão à frente Cristovam Buarque (PDT) e Rodrigo Rollemberg (PSB).

Em Minas Gerais, é a oposição quem lidera nas duas primeiras colocações. O ex-governador Aécio Neves (PSDB) tem 62% e o ex-presidente Itamar Franco (PPS), 41%.

No Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB, com 42%) e Cesar Maia (DEM, com 31%) são os líderes. No Rio Grande do Sul, o eleitorado se divide entre Germano Rigotto (PMDB, 41%) e Paulo Paim (PT, 37%).

Em Pernambuco, há um empate técnico entre o ex-ministro da Saúde Humberto Costa (PT, 42%) e o senador Marco Maciel (DEM, 40%).

27/07/2010 - 09:15h Dilma sobe ao aparecer como candidata de Lula

Últimas seis pesquisas do Datafolha mostram relação direta entre o grau de informação sobre a opção do presidente e a performance da petista

Daniel Bramatti – O Estado de S.Paulo

As duas subidas de Dilma Rousseff nas pesquisas eleitorais desde o fim do ano passado coincidiram com um aumento significativo no porcentual de eleitores informados sobre o fato de que ela é a candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A série das últimas seis pesquisas do instituto Datafolha mostra uma relação direta entre o grau de informação sobre a opção de Lula na campanha e a performance de Dilma. Colocadas em um gráfico, as duas variáveis têm linhas de evolução praticamente idênticas (veja quadro).

Datafolha_lula_dilma

Desde dezembro, o índice de intenção de voto na petista equivale a cerca da metade do porcentual do eleitorado bem informado sobre a posição de Lula na campanha.

A intenção de voto na candidata do PT subiu de 26% para 31% entre dezembro de 2009 e fevereiro deste ano. No mesmo período, o grau de percepção de que Dilma é a escolhida por Lula subiu de 52% para 59%.

Logo a seguir, houve um período de estagnação. Foram dois meses em que o eleitorado bem informado sobre a opção de voto do presidente empacou na faixa dos 60%. Da mesma forma, a preferência por Dilma se manteve na faixa dos 30%.

Mudança. A candidata petista só ganhou impulso novamente em maio, quando subiu sete pontos porcentuais e, com 37%, empatou com o adversário José Serra, candidato do PSDB. Na época, a parcela dos que sabiam quem Lula apoiava aumentou de 61% para 71%.

De lá para cá, o eleitorado bem informado passou para 75% em junho e voltou para 70% em julho, enquanto a intenção de voto na ex-ministra da Casa Civil oscilou para 38% e depois para 36%.

Os dois movimentos de subida de Dilma foram captados pelas pesquisas logo após momentos de grande exposição da candidata ao lado do presidente.

Em fevereiro, o PT investiu cerca de R$ 6,5 milhões em um megaevento para lançar a pré-candidatura de Dilma, em Brasília. O palco petista foi armado para que Lula apresentasse a então ministra como a pessoa responsável por dar continuidade a seu governo.

Em maio, Dilma cresceu ao aparecer com Lula em outro “palco” preparado pelo PT: o programa partidário de 10 minutos exibido em rede nacional de rádio e televisão. Na peça de propaganda, Lula atribuiu a Dilma o crédito por vitrines de sua gestão e chegou a compará-la ao líder sul-africano Nelson Mandela.

Cabo eleitoral. Segundo a última pesquisa Datafolha, Lula exerce influência sobre quase dois terços do eleitorado – 42% dizem que votarão “com certeza” no candidato apoiado pelo presidente e 23% afirmam que “talvez” o façam.

Na parcela dos 42% de lulistas convictos ainda há certo grau de desinformação. Nada menos do que um quinto dos eleitores de Serra afirmam que pretendem votar “com certeza” na pessoa apoiada por Lula.

l Dados técnicos
A última pesquisa Datafolha, registrada no TSE sob o número 20.140/2010, foi feita entre 20 e 23 de julho. A margem de erro do levantamento é de dois pontos porcentuais.

26/07/2010 - 09:55h Vox e Datafolha convergem na espontânea

Eleições: Abordados sem o estímulo de uma lista, entrevistados colocam Dilma entre cinco e sete pontos à frente

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Fonte Blog Edvaldo Oliveira

Maria Cristina Fernandes, de São Paulo – VALOR

Significativas nos resultados estimulados, quando os leitores são chamados a responder em quem pretendem votar diante de uma ficha com o nome dos candidatos, as diferenças trazidas entre as pesquisas de intenção de voto do Datafolha e do Vox Populi do fim de semana são muito mais reduzidas no cenário em que o eleitor fala espontaneamente em quem vai votar. A começar pela indefinição.

A dois meses e meio do primeiro turno, metade dos eleitores, quando o entrevistador começa a abordagem, ainda não sabe em quem votar. No Datafolha, a indefinição crava 50% e, no Vox Populi, fica em 45%. O alheamento do eleitor diante das eleições é medido ainda por uma das perguntas incluídas na pesquisa do Vox Populi. “Que você se lembre, esta semana você conversou sobre política, governo, partidos ou eleições? (Se sim) Com quem você conversou?”. Oito em cada dez entrevistados não conversaram sobre política naquela semana em que os jornais trouxeram profusões de notícias sobre as acusações da chapa José Serra/Indio da Costa de envolvimento do PT com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Entre aqueles que, espontaneamente, declaram ter candidato, as divergências são menores do que nas perguntas estimuladas, quando o Datafolha apresenta a vantagem de Serra por um ponto percentual e o Vox Populi vê Dilma Rousseff oito pontos à frente.

Espontaneamente instados a se pronunciar sobre seu voto, o eleitor, em ambas as pesquisas, coloca Dilma à frente, por 21% (Datafolha) ou 28% (Vox Populi). O Datafolha colhe ainda respostas no “candidato do Lula” e no “candidato do PT” em separado que somam quatro pontos percentuais. Na suposição de que esses eleitores descobrirão nos próximos 75 dias que Dilma é a candidata que se encaixa nesta resposta, a adesão espontânea a seu nome pularia para 25%, o que deixa o Datafolha ainda mais próximo do Vox Populi.

Serra tem 16% na espontânea do Datafolha e 21% na do Vox Populi. Ambas as pesquisas ainda colhem 4% para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e também praticamente coincidem no que registram para Marina (PV) – 4% (Datafolha) e 5% (Vox Populi).

Um ponto importante nas diferenças metodológicas é que o Datafolha faz entrevistas na rua e o Vox Populi vai à casa dos entrevistados. Ambos os institutos utilizam dados do IBGE para montar suas amostras.

O Vox Populi argumenta contra a pesquisa feita na rua que não há como checá-la – e 20% dos questionários tem que passar por esse processo para cumprir padrão internacionalmente estabelecido – a não ser por telefone, o que restringe a amostra. Nos cruzamentos do Vox, os resultados colhidos exclusivamente junto ao universo de eleitores com telefone coincidem com os da pesquisa geral do Datafolha. Ao fazer essa amostra, o Vox Populi avalia excluir 35% do eleitorado.

Em defesa da pesquisa de rua, o Datafolha argumenta que a sondagem em domicílio exclui moradores de alguns prédios e favelas que não permitem a entrada do entrevistador e que há outros meios de checagem além do telefone.

Ainda que estas metodologias distintas ajudem a explicar as diferenças, não há uma extraordinária relevância estatística nos números da discórdia. Além disso, margens de erro não são um simples colchão de conforto para os institutos, e sim a admissão de que a metodologia não é imune a falhas.

As equipes dos candidatos, que, neste momento da disputa, usam os números para passar o chapéu entre os financiadores, sempre vão achar que a pesquisa que os favorece é a melhor. Em qualquer lugar do mundo, é natural que pesquisas divirjam, especialmente a esta altura da campanha, com tamanho grau de indefinição do eleitorado.

Os institutos de pesquisa vivem de sua credibilidade e o restrospecto das campanhas eleitorais no Brasil ensina que os erros mais abissais são nela debitados. É pelo acúmulo de erros e acertos que as metodologias são afinadas em busca de um resultado mais fidedigno. Exatidão mesmo, só no resultado das urnas e este, felizmente, não há como prever.

02/07/2010 - 09:25h O jogo

É o secretário de redação da Folha quem foi escalado para analisar os números da pesquisa DATAFOLHA.

Lembremos que ela registra empate entre Dilma e Serra, produto da influência dos comerciais tucanos veiculados na TV durante o período en que a pesquisa foi à campo, na interpretação bastante plausível feita pelo jornalista Fernando Rodrigues, da Folha.

Um analise mais apurado precisa ser feito para explicar o crescimento do tucano registrado na região Sul, onde ele sobe 12 pontos percentuais. A performance acontece pela segunda vez na mesma região, e exclusivamente nela, com semelhantes taxas.

Serra sobe 3 pontos no Sudeste e Dilma cresce no Nordeste – subiu de 44% para 47% -, e Norte/Centro-Oeste, onde foi de 40% para 42%. Fato significativo, apesar do empate, Dilma lidera quando o eleitor é questionado sobre a expectativa de vitória. Para 43%, Dilma será eleita, contra 33% dos que apostam em Serra.

Todas as pesquisas, mesmo as de Vox Populi e Ibope que colocam Dilma na dianteira com 5 pontos de vantagem em relação ao tucano, mostram que o “jogo da sucessão” será acirrado e polarizado entre ambos candidatos.

Tanto as eleições de 2002, como a de 2006, foram resolvidas no segundo turno. Em ambas o favoritismo de Lula era perceptível, mas a disputa foi levada para o segundo turno pelos candidatos tucanos, em ambos os pleitos.

Não existe determinismo nenhum em considerar que a situação da economia é um “cabo eleitoral” central em qualquer eleição presidencial. Em toda eleição outros fatores também participam como componentes que influenciam seu desfecho, com maior ou menor peso, segundo os casos. Mas a economia não decide sozinha, nem automaticamente, o resultado eleitoral que mobiliza situações, esperanças e paixões no eleitorado.

Relembrar estas questões são úteis, particularmente para evitar o chamado “salto alto” que já surpreendeu mais de um a se olhar no espelho como ungido antes da hora, e acordar com sorriso amarelo depois da abertura das urnas, perante um final adverso.

FHC que o diga, que confiando nas pesquisas e os números em seu favor, sentou na cadeira antes da hora, na eleição municipal de 1982.

Mas estas digressões, feitas em termos aparentemente semelhantes, permitem ao secretário de redação da Folha, Vinicius Mota, de operar um contrabando de opiniões para as quais vale a pena atentar.

Utilizando a diferença registrada nas eleições de 2002 e 2006, e na pesquisa Datafolha entre o Sul-Sudeste mais favoráveis aos tucanos e o Nordeste onde o favoritismo dos petistas tem sido maior, Vinicius Mota se pergunta se o crescimento econômico registrado pelas classes populares não teria “sudestizado” o eleitorado.

Qual seria o conteúdo dessa “sudestização”? uma maior disponibilidade, proporcionada pela melhora alcançada, para que outros “valores” influenciem a escolha. Os valores culturais, morais e sociais, são invocados e pela mágica tendenciosa do articulista, são atributos que passam a ser do eleitorado do sudeste, o que “explica” que o automatismo econômico não funcionária com ele.

Trata-se de uma maneira um pouco mais sofisticada e camuflada com interrogações, do grosseiro argumento tucano paulista que explica seu isolamento nacional pelo “atraso” e assistencialismo alimentado pelo “Bolsa-esmola”, alem do escaso “conhecimento”, que dão seu voto ao carismático Lula. Por oposição ao educado, melhor informado e mais propenso ao julgamento ético, do eleitorado do Sudeste que por isso se reconhece nos candidatos do PSDB.

Precisamente porque os valores éticos, morais e sociais, junto com a realidade das mudanças intervídas nas condições de vida da população, são um elemento central de suas inclinações eleitorais; é que o processo eleitoral em 2006 consagrou o fim da dominação demo-tucana no Nordeste do país.

Essa “nordestização” positiva da nação brasileira reduziu o poder político do tucanato e foi ganhando corpo em todo o país. O melhor exemplo é o processo de crescimento da aprovação do presidente Lula no Estado e na cidade de São Paulo, que a reboque do resto do país, acabou se rendendo ao reconhecimento dos resultados obtidos pelo governo petista.

A medida que esse eleitorado acrescente a esse reconhecimento “social e econômico”, os valores morais e éticos ofuscados pela ignorância do verdadeiro lamaçal em que uma parte de sua representação política mergulha, amparado pela cobertura tendenciosa da dimensão de suas falcatruas, seguramente os resultados no sudeste ficaram mais harmoniosos com o do resto do país.

Talvez seja um sinal promissor deste processo, a escassa pontuação amargada pela candidata tucana e atual governadora de Rio Grande do Sul, em todas as pesquisas eleitorais. Assim como o crescimento cada vez maior nas intenções de voto de Dilma Rousseff no Sudeste. Sendo a região dominante do neocoronelismo tucano, esse crescimento estaria antecipando o avanço da informação e dos valores morais e éticos presentes no coração da inmensa maioria do povo brasileiro?

Se assim fôr, Vinicius Mota terá obtido uma resposta positiva a suas interrogações sobre o “relevo” de esse valores que todos nós apreciamos.

Luis Favre


A seguir o artigo de Vinicius Mota

***


O jogo da sucessão ainda não está jogado

Nas eleições de 2002 e 2006, apesar de as condições objetivas serem favoráveis a Lula, não houve uma lavada


Se imperasse o determinismo econômico, era de esperar que Dilma estivesse a ponto de liquidar a fatura


VINICIUS MOTA,  SECRETÁRIO DE REDAÇÃO da FOLHA SP

Ao final de 2010, a atividade econômica ao longo do segundo mandato de Lula terá crescido, em média, perto de 4,5%ao ano, cifra que cai para 4%, considerados os oito anos. Desde a ditadura militar -no quarto de século até 1980, o Brasil cresceu 7,5% ao ano- não se registra resultado tão positivo. Quanto menor a renda, mais depressa ela cresce, o que diminui a desigualdade de salários.
A recente Pesquisa de Orçamentos Familiares, do IBGE, mostrou que a pobreza é menor que se imaginava. Há uma geração não se vê taxa de desemprego, em torno de 7%, tão baixa. A popularidade do presidente da República bateu novo recorde de alta.
Se imperasse o determinismo econômico em eleição, era de esperar que a candidata da situação estivesse a ponto de liquidar a fatura no primeiro turno.Mas, a 94 dias do pleito, Dilma Rousseff continua empatada com José Serra.
As eleições de 2002 e de 2006 mostraram a dificuldade de ocorrerem lavadas na eleição presidencial brasileira.
Nos dois pleitos- em ambos as chamadas condições objetivas favoreciam Lula-, o tucano derrotado teve pouco menos de 40% dos votos válidos no segundo turno. Serra é competitivo porque mantém frente de 11 pontos percentuais no Sudeste, na hipótese de segundo turno contra Dilma. Em 2006, Lula bateu Geraldo Alckmin por 14 pontos na região.
Serra também supera o desempenho de Alckmin no Nordeste. Tem 35% (39%, desprezadas intenções de voto em branco, nulo e indecisos), contra 54% (ou 61%, fazendo a mesma subtração) da petista.
No 2º turno de 2006, o candidato tucano obteve apenas 23 de cada 100 votos válidos nordestinos. É muito mais difícil explicar o fenômeno sociológico que sustenta uma divisão quase ao meio do eleitorado brasileiro.
Circulou, faz pouco tempo, a tese de que os petistas souberam cativar um certo conservadorismo das classes populares que iam ganhando poder de consumo -e isso teria desequilibrado a balança o suficiente para reeleger Lula.
Não terá, contudo, esse ganho de status recente operado uma certa “sudestização” de todo o eleitorado brasileiro?
Quando as necessidades mais básicas da maioria das famílias deixam aos poucos de ser um tema central, não terá a disputa eleitoral mudado de parâmetros? Aspectos como os valores (culturais, morais, sociais) não passariam a ter mais relevo?
Não sabemos. Sabemos apenas que o jogo que vai definir o sucessor de Lula, apesar da impressionante maré favorável da economia, não está jogado.

05/06/2010 - 17:19h Ibope: Dilma sobre, Serra desce

Estadão.com.br



19/04/2010 - 10:37h Pesquisas: Média dá 4,4 pontos de frente para Serra

Pesquisas mostram tucano na faixa de 33% a 35% e, na média, Dilma tem hoje 30,5%

José Roberto de Toledo – O Estado de S.Paulo

ESPECIAL PARA O ESTADO
Com as pesquisas cada vez mais divergentes, a média das intenções de voto torna-se um instrumento ainda mais valioso para analisar a sucessão presidencial. Incluindo-se a recente sondagem do Datafolha, José Serra (PSDB) segue à frente de Dilma Rousseff (PT), agora com 4,4 pontos de vantagem. Na média anterior, a diferença era de 4,1 pontos.

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A média móvel revela tendências mais suaves e permanentes, aplainando vales e picos. Comparando-se o gráfico das pesquisas ponto a ponto com o da média móvel, o que se parece com um jacaré abrindo a boca se transforma em uma garrafa com um gargalo afunilado e comprido.

Observando-se as curvas dos candidatos, nota-se que Serra está consolidado no patamar entre 33% e 35% das intenções de voto estimuladas desde o final de janeiro, sem sofrer alterações significativas. Tem sido o suficiente para lhe assegurar a liderança da corrida eleitoral. O tucano tem hoje, na média, 34,9%.

Dilma vem se aproximando desde o ano passado. Teve uma ascensão mais rápida entre setembro de 2009 e janeiro de 2010. Desde então, quando ultrapassou o patamar dos 25%, o ritmo de crescimento diminuiu, mas nunca parou. A petista tem hoje, em média, 30,5%, que é a média histórica de presidenciáveis do PT nesta época da corrida eleitoral.

Na primeira fase, a petista cresceu convertendo eleitores de Serra, de Ciro Gomes (PSB) e que não tinham candidato. Parte dessa fonte secou depois que a maior parte dos eleitores que davam nota 9 ou 10 ao governo Lula descobriu que Dilma é a candidata do presidente e trocaram Serra por ela.

Tendo que conquistar eleitores menos interessados no processo eleitoral e ir além dos simpatizantes do PT, a intensidade do crescimento de Dilma diminuiu. Ao mesmo tempo, ela deixou o governo e reduziram-se suas atividades públicas ao lado de Lula. Menor exposição juntos implica menor identificação de Dilma como proxy eleitoral de Lula. Ou seja, ela não consegue se beneficiar da alta aprovação do governo como gostaria.

O outro terço do eleitorado é dividido entre Ciro Gomes, Marina Silva (PV) e os eleitores que pretendem votar em branco, anular o voto ou que estão indecisos. Esse grupo está diminuindo lentamente, seja porque a candidatura de Ciro está perdendo força, seja porque está caindo o porcentual de eleitores sem candidato (soma dos que anulam, votam em branco ou não sabem responder).

Novo cenário. Ciro pode ser o próximo fato novo da eleição. Ele está cada vez mais dependente dos votos do eleitorado do Nordeste, justamente onde o PT e Lula mais têm investido para associar a imagem do presidente à de Dilma.

Se o pré-candidato do PSB sair da disputa, haverá uma reacomodação de seus eleitores. Se ela ocorresse hoje, Serra seria o maior beneficiado. Mas isso vai depender da atitude de Ciro numa eventual desistência: se ele declarar voto em Dilma e for para seu palanque, talvez revertesse mais eleitores em favor da petista.

Marina Silva, por sua vez, pode também sair do marasmo em que vinha até agora nas pesquisas. Sua campanha, pobre de recursos, tem se concentrado no seu eleitorado cativo, e acrescentado poucos novos eleitores. Mas, à medida que se torna mais conhecida de outros grupos, talvez consiga romper a barreira dos 10% de intenção de voto.

Esse é o quadro da pré-campanha, que talvez se estenda por mais algumas semanas. Após a Copa do Mundo e as convenções partidárias, a campanha começa para valer. Aí, mais eleitores se interessarão em comparar os candidatos, em analisar seus perfis e em descobrir quem é o candidato de Lula, por exemplo.

Logo em seguida, em meados de agosto, começa o horário eleitoral. Será a reta de chegada da campanha, e só então as tendências vão se definir.

PARA ENTENDER
Método é muito usado nos EUA e na Europa

A média móvel das pesquisas eleitorais é uma técnica usada há anos nos Estados Unidos e na Europa para detectar tendências mais permanentes do eleitorado. Foi muito usada na campanha que elegeu Barack Obama presidente norte-americano, nas últimas eleições.
A vantagem da média das pesquisas é eliminar as oscilações bruscas dos porcentuais entre os institutos. No caso da média calculada pelo Estado levam-se em conta a intenção de voto estimulada – quando o instituto mostra aos eleitores entrevistados o cartão com opções de nomes – de todos os candidatos nas três últimas pesquisas publicadas.

13/04/2010 - 18:43h Sensus aponta Serra e Dilma em empate técnico

Sensus 2010-04-13 at 17.09.30

por Jose Roberto de Toledo – VOX PÚBLICA – ESTADÃO


Pesquisa Sensus feita na semana passada mostra José Serra (PSDB) e Dilma Roussef (PT) em empate técnico. Levando-se em conta apenas as pesquisas Sensus, o tucano ficou onde estava desde janeiro, com 33%, enquanto a petista oscilou de 28% para 32%. Segundo a Sensus, Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV) também estão empatados tecnicamente, com 10% e 8% das intenções de voto, respectivamente.

A pesquisa Sensus foi feita entre os dias 5 e 9 de abril, antes da festa de lançamento da pré-candidatura de Serra à Presidência, que aconteceu no sábado, em Brasília. A pesquisa foi feita por encomenda do Sintrapav, sindicato ligado à Força Sindical. A margem de erro máxima divulgada é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O Sensus divulga seus resultados com uma casa decimal. Este blog, como de hábito, arredondou o resultados, pois as casas decimais sugerem uma precisão que nenhuma pesquisa de intenção de voto tem.

No seu questionário, o Sensus, como sempre, incluiu a pergunta de avaliação do governo federal antes da pergunta de intenção de voto, bem como a pergunta de preferência partidária. Outra diferença metodológica em relação aos outros institutos é que o cartão do Sensus inclui o partido do candidato.

Essas particularidades do questionário do Sensus ajudam a explicar diferenças em relação aos resultados de outros institutos. Segundo o Sensus, Serra nunca teve mais do que 33% nem menos de 32%. Pelo Vox Populi, por exemplo, o tucano chegou a ter 40% e nunca caiu abaixo de 34%.

Mas as diferenças metodológicas não são suficientes para explicar divergências mais dramáticas, como a intenção de voto dos dois principais candidatos na região Sul. Pesquisa Datafolha concluída no dia 26 de março apontou grande vantagem do tucano sobre Dilma na soma de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná: 48% a 20%. Já o Sensus concluído duas semanas depois dá vantagem da petista: 40% a 33% nos mesmos Estados.

Não houve nenhum evento tão dramático nesse período que explicasse uma reviravolta dessa monta. E as diferenças estão muito além da margem de erro (que, no caso, está em torno de 4 pontos percentuais). Um dos institutos deve ter errado.

04/04/2010 - 12:46h As pesquisas

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Com maior ou menor intensidade, as pesquisas mostram Serra à frente, com Dilma crescendo, mas em ritmo mais lento do que até o começo de fevereiro. Fonte José Roberto de Toledo

28/03/2010 - 09:33h Uma abordagem diferente das pesquisas eleitorais

por Jose Roberto de Toledo – Blog do Estadão

Já há alguns anos, o site norte-americano Real Clear Politics (RLP) vem fazendo uma interessante cobertura política e eleitoral nos EUA. Seus editores compilam o que há de mais importante e criam sínteses analíticas para os leitores. Essa fórmula se mostrou especialmente eficiente quando aplicada às pesquisas de opinião pública, porque consegue resumir em um único número médio os resultados mais recentes.

A comparação da média calculada pelo RLP com o resultado das eleições para presidente de 2008 mostra a acurácia do método desenvolvido pelo site. O objetivo da média RLP é eliminar oscilações fora da curva entre um instituto e outro, normalizar os dados e filtrar a quantidade assombrosa de pesquisas que surge em uma eleição presidencial norte-americana.

No Brasil, alguns estudiosos experientes das pesquisas de opinião, como Fátima Pacheco Jordão, vêm advogando uma adaptação dessa metodologia às nossas sondagens eleitorais. O pesquisador do Iuperj Marcus Figueiredo desenvolveu um estudo com vários métodos de cálculo de tendência (polinominais, logarítimico, potenciais) e apresentou um resumo no mais recente congresso da Abep (Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa).

Apresento, abaixo, um gráfico de tendências elaborado a partir das médias móveis das três pesquisas mais recentemente divulgadas. Como a frequência com que são feitas as sondagens no Brasil é muito inferior à norte-americana, tive que limitar a média a três pesquisas para evitar que o intervalo entre elas superasse um mês.

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Como sempre acontece quando se aplica uma média, as oscilações das curvas tornam-se muito menos dramáticas. Isso não é muito bom para produzir manchetes, mas facilita uma análise mais desapaixonada das tendências eleitorais. As linhas pontilhadas coloridas representam as médias de intenção de voto dos candidatos. Os pontos coloridos isolados são os resultados das pesquisas dos quatro principais institutos.

O gráfico mostra dois movimentos em duas fases distintas. Na primeira delas, Dilma Rousseff (PT), ao tornar-se mais conhecida como candidata do governo, conseguiu reduzir a distância que a separava de José Serra (PSDB) a quase um terço, entre meados de dezembro e fins de janeiro: de 21 pontos para 7,7 pontos, na média. Parte de seu crescimento saiu de intenções de voto do tucano.

De fevereiro até agora, a tendência mudou. Serra conseguiu, sempre considerando-se a média, sustentar sua intenção de voto em torno de 34%. Ao mesmo tempo, o crescimento da média de Dilma desacelerou significativamente, o que levou a distância média entre tucano e petista cair pouco, para 6%. Hoje, a intenção média de voto de Serra é 34,3%, e a de Dilma, 28,3%.

A terceira linha, em verde, mostra de onde saiu a maior parte dos votos conquistados pela petista: de Ciro Gomes (PSDB) e dos eleitores sem candidato (que pretendem votar em branco, anular ou que não souberam responder). A média desse consolidado tem mostrado uma queda persistente ao longo de todo o período analisado: caiu 10 pontos, de 39,7% em novembro para 29,7% entre março.

Marina Silva (PV) não entrou no gráfico porque sua média tem se mantido estável, sem ganhar nem perder eleitores de modo a constituir uma tendência.

O método de análise por médias móveis ainda precisa ser testado no Brasil. O principal problema é o pequeno volume de pesquisas divulgadas. As diferenças de metodologia entre institutos não é impeditiva: não é porque a marca do termômetro é diferente que a febre do paciente vai mudar. Esta eleição é uma boa oportunidade para testar as médias móveis. É o que pretendo fazer, sem abrir mão das abordagens mais ortodoxas.

PS: Você encontrará outros gráficos, com vários tipos de visualização dos resultados das pesquisas eleitorais, aqui.

***

Datafolha mostra Serra na frente e parada de Dilma

por Jose Roberto de Toledo

Dilma Rousseff (PT) consolidou-se no eleitorado cativo do seu partido, mas parou de crescer. José Serra (PSDB) manteve a liderança e vai começar sua campanha com os ânimos renovados pela diferença de nove pontos percentuais em relação à principal adversária. Todas as pesquisas mostram que a eleição deve ser polarizada entre os dois, com Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV) em papéis secundários.

O gráfico abaixo mostra os resultados de todos os principais institutos. A linha tracejada representa a média móvel das últimas três pesquisas. Nesta fase da campanha, em que a grande maioria dos eleitores ainda não consegue nem citar um candidato presidencial espontaneamente, as tendências são mais relevantes do que as flutuações pontuais. Os valores dentro dos círculos são os divulgados pelos institutos. O raio da circunferência corresponde à margem de erro.

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Primeiro estágio
Dilma deu um salto entre dezembro e fevereiro, à medida que ficou claro para os simpatizantes do PT que ela é a candidata do partido. Ela conseguiu galvanizar esse eleitorado cativo e chegou ao patamar histórico de Lula no mês de março. Mas a pesquisa mostra que para ir além dos 27% a que chega agora, ela terá um terreno mais difícil, o do eleitorado “independente”.

Resiliência tucana
Serra mostrou resiliência: de dezembro a fevereiro, o governador paulista caiu de um patamar próximo aos 40% para uma faixa pouco acima de 30%. Voltou agora para 36%. Isso mostra que ele se beneficia pelo fato de ser o mais conhecido dos presidenciáveis. Bastou aparecer em um programa nacional de TV (Datena) se afirmando como candidato para recuperar parte da intenção de voto perdida no período que antecedeu o lançamento de sua candidatura.

Prestidigitação e salto alto
A pesquisa também joga água fria nas prestidigitações eleitorais que pregavam uma ultrapassagem iminente de Dilma sobre Serra. Embora o pano de fundo, dada a popularidade de Lula, seja o de uma eleição governista, não será calçando saltos altos que os petistas conseguirão eleger sua candidata.

Dilma tem um adversário que sai de um patamar bem mais alto do que partiu na eleição de 2002. Serra tem 36% agora, contra os 22% de oito anos atrás. E a recuperação do tucano, nesse momento, vai energizar o lançamento de sua candidatura, previsto para 10 de abril.

Quem define a eleição
O eleitorado que não é nem cativo do PT (entre 1/4 e 1/3 do total), nem francamente oposicionista (outro 1/3 ou 1/4) é quem vai decidir a eleição. Esses cerca de 40% de “independentes”, na sua maioria, aprovam o governo Lula. Mas não será apenas porque o presidente disse que Dilma é sua candidata que automaticamente decidirão votar nela. Apesar de poderem ser convencidos disso, esses eleitores estarão também abertos aos argumentos de Serra. Por isso que existe campanha, e ela só se define no dia da eleição.

Câmbio no Sul
Sem ter acesso aos relatórios completos desta pesquisa Datafolha, o que só deve ocorrer nesta segunda-feira, é difícil determinar as causas exatas das oscilações das intenções de voto dos candidatos. Mas chama a atenção que grande parte da recuperação de Serra tenha se devido a um salto de 10 pontos percentuais, de 38% para 48%, na região Sul. É provável que a campanha de Dilma reforce a agenda da candidata nesses Estados nas próximas semanas.

PMDB em alta
Outra consequência da pesquisa Datafolha é que o cacife do PMDB volta a crescer. Com Serra na frente, é essencial para o PT somar o tempo de TV dos peemedebistas ao da sua candidata. Os líderes do PMDB sabem disso e ficarão, agora, em uma posição de força na hora de negociar espaço não apenas na chapa de Dilma, mas em postos neste e no futuro governo (seja ele de quem for).

Grid de largada
O Datafolha volta a mostrar a grande dificuldade que Ciro Gomes e Marina Silva enfrentarão para conseguir entrar de fato na disputa. Apenas um imprevisto (e eles acontecem) poderia lhes dar chances reais nesse páreo. Serra larga na frente. Dilma corre atrás dos independentes.

Esse é o grid de largada da campanha presidencial de 2010. Ainda tem muito chão pela frente.

A pesquisa Datafolha foi realizada entres os dias 25 e 26 de março, com 4.158 eleitores, em todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Foi registrada no TSE com o número de protocolo 6617/2010.

24/03/2010 - 18:25h O eleitor é insondável, mas o eleitorado é previsível

por Jose Roberto de Toledo – Blog do Estadão

A chance de você ser entrevistado numa pesquisa de intenção de voto para presidente no Brasil é de uma em 66 mil. Se morar em São Paulo, você corre dez vezes mais risco de morrer assassinado do que de ser abordado por um pesquisador. Logo, dizer que não acredita em pesquisa eleitoral apenas porque nunca foi entrevistado equivale a sair dizendo por aí que não acredita em homicídio porque continua vivo.

A maior parte de quem está lendo esta nota jamais terá sido entrevistada por Ibope, Datafolha, Vox Populi ou Sensus. Não se sinta só. Somos maioria.

As amostras não são proporcionais ao tamanho do universo pesquisado. Não precisam ser. Vale mais um amostra bem feita com duas mil entrevistas do que uma enquete na internet com dois milhões de respostas. As pesquisas de opinião usam critérios estatísticos para garantir que todos os estratos do eleitorado brasileiro estejam representados. Ao contrário das enquentes, nas quais responde quem está mais interessado no assunto.

Assim como não é preciso tirar todo o sangue do paciente para fazer um exame, nem tomar todo o caldeirão para sentir se a sopa está salgada, basta uma amostra bem temperada para saber o que pensa o eleitorado. Se bem feitas, cerca de duas mil entrevistas costumam produzir resultados com uma margem de erro máxima de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Calcule você mesmo clicando aqui.

Isso não quer dizer que seja possível prever o resultado da eleição. Ninguém sabe, por exemplo, se um candidato cometerá haraquiri político durante uma campanha. Ou se uma crise econômica súbita mudará o humor de quem vota. Mas, em função desses eventos, é possível monitorar o pensamento dos vários conjuntos de eleitores e prever, se a eleição ocorresse naquele momento, como eles se comportariam diante da urna eletrônica.

Embora os puristas digam que as pesquisas de opinião no Brasil não sejam científicas porque não são 100% probabilísticas, a série histórica de acertos mostra que elas funcionam. Nas eleições em que há mais de um instituto pesquisando a intenção de voto, os resultados de véspera tendem a ter 95% de acerto ou mais em comparação às urnas (se considerada a margem de erro).

Aliás, a sondagem eleitoral é o único tipo de pesquisa que pode ser confrontado com a realidade, pois se tira a prova dos nove nas urnas. Mesmo assim, muito menos gente questiona a validade das pesquisas sobre taxa de desemprego, por exemplo. E elas também são amostrais. O motivo para isso talvez seja a paixão despertada pelas eleições.

O mesmo eleitor que usa a pesquisa do Ibope ou do Datafolha para gritar que o governo Lula tem 75% de aprovação, questiona o resultado da pesquisa quando seu candidato está atrás do adversário. É natural, até esperado. Estudos sobre as razões do voto mostram que o eleitor se move mais pelas entranhas do que pelo cérebro. Claro, é modo de dizer. O cérebro é quem decide, mas não seu lado racional, e sim aquele que comanda as emoções -ou é comandado por elas.

Na verdade, se você tem uma opinião visceral contra as pesquisas de intenção de voto, é provável que neste exato momento seu cérebro esteja ativando uma série de redes neurais para racionalizar as suas emoções e encontrar argumentos que o farão ainda mais convicto de que as pesquisas são todas fajutas. Ao final, estará satisfeito com sua capacidade de argumentação, fruto de uma descarga de dopamina auto-recompensadora.

Acredite ou não nos argumentos, lembre-se de Arthur Conan Doyle: “Enquanto o indivíduo sozinho é um quebra-cabeças insolúvel, agregado ele se torna uma certeza matemática. Nunca se pode prever o que um homem sozinho fará, mas é possível dizer com precisão o que, na média, muitos deles farão”. Dito assim, parece até elementar, meu caro eleitor.

Datafolha vai a campo pesquisar qualidades e defeitos de Serra e Dilma

por Jose Roberto de Toledo


23.março.2010 02:14:09

Os pesquisadores do Datafolha vão a campo nesta quarta e quinta-feiras para mais uma rodada de pesquisa sobre a eleição presidencial. Os resultados devem ser divulgados no fim-de-semana. O levantamento foi contratado pela Folha da Manhã S/A, ao custo de R$ 194 mil. Serão 4.120 entrevistas, e a margem de erro máxima prevista é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O registro no TSE tem o número 6617/2010.

A pesquisa do Datafolha permitirá avaliar se a tendência de crescimento de Dilma Rousseff (PT) se mantém e se José Serra (PSDB) conseguiu ou não reverter a queda de sua intenção de voto após admitir, no programa do Datena, na TV, que é candidato a presidente. Na pesquisa anterior do instituto, feita em fevereiro, Serra tinha 32% e Dilma, 28%, na intenção de voto estimulada.

O questionário aplicado tem duas novidades. A primeira delas é que um dos cenários inclui seis candidatos de pequenos partidos, os chamados “nanicos”. Embora só fosse obrigado a incluí-los a partir de julho, o Datafolha resolveu pesquisar esse cenário desde já, imagino, para poder usá-lo como termo de comparação da evolução dos candidatos principais nas pesquisas futuras, com um cenário mais próximo do real quando todas as candidaturas estiverem registradas.

A outra novidade é que o instituto pergunta para o eleitor qual a principal qualidade e qual o principal defeito de José Serra e de Dilma Rousseff. É uma pergunta espontânea, sem opções apresentadas aos eleitores. Vai ser curiosos ver o que eles pensam sobre ambos.

Clique no link a seguir para ver a íntegra do questionário registrado pelo Datafolha no TSE: Questionario-Datafolha 24 e 25 março/2010

23/03/2010 - 10:53h ‘Não é impossível imaginar que a Dilma ganhe no 1º turno’, diz diretor do Vox Populi

Diretores dos quatro principais institutos de pesquisa do País veem cenário favorável à Dilma

Jair Stangler, do estadão.com.br

SÃO PAULO – O crescimento nas pesquisas eleitorais da pré-candidata do PT à Presidência, ministra Dilma Rousseff, ante a estagnação de seu provável adversário, o governador de São Paulo José Serra (PSDB) tem impressionado os diretores dos quatro principais institutos de pesquisa do País. Márcia Cavallari, do Ibope, João Francisco Meira, do Vox Populi, Mauro Paulino, do Datafolha e Ricardo Guedes, do Sensus, estiveram reunidos em São Paulo na tarde desta segunda-feira, 22, para debater o cenário eleitoral, em evento da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas. O professor Marcus Figueiredo, do Iuperj também esteve no debate, mediado mediado pela jornalista Cristiana Lôbo.

Meira deu o palpite mais ousado da tarde: “não é impossível imaginar que a Dilma ganhe a eleição já no primeiro turno”, afirmou. Segundo ele, quando há candidatos carismáticos, a disputa se concentra mais entre as personalidades desses candidatos. Mas, para ele, nem Dilma nem Serra são carismáticos. ‘Carisma não é o nome dessa eleição’, afirmou.

Ele listou alguns fatores que, na sua avaliação, devem decidir a disputa eleitoral. O primeiro seria a economia: se estiver ruim, a tendência é de mudança – mas a economia é o principal trunfo do governo Lula. Em segundo, o aspecto ideológico – nesse caso, diz ele, 56% das pessoas se definem como sendo de esquerda e 30% como eleitores do PT.

Além disso, ele lembra o tempo de TV como decisivo – e a construção das alianças deve garantir um tempo maior à candidata governista. Por último ele cita algum acidente, debate ou fato inesperado que possa alterar a opinião dos eleitores.

Sua avaliação é parecida com a de Ricardo Guedes, do Sensus. Segundo ele, “Dilma tem produto para mostrar, a economia. O Serra não tem. Hoje a tendência é muito mais pró-Dilma”.

Cautela

Já Márcia Cavallari, do Ibope, e Mauro Paulino, do Datafolha, adotaram um pouco mais de cautela em suas exposições, embora tenham admitido cenário favorável à Dilma. Os dois usaram a mesma expressão para definir o caso: “pesquisa é diagnóstico, não prognóstico”.

“O comportamento do eleitor não é matemático. A campanha ainda tem muita coisa para acontecer. O que a gente sabe é que o eleitor se sente muito confortável de ter votado no Lula e agora fazer essa avaliação de que acertou. Ele pensa: ‘Acertei, e o País está tendo avanços’. O eleitor considera que os avanços foram muito mais profundos no governo Lula. A comparação com o governo FHC é prejudicial para o Serra”, afirmou a diretora do Ibope.

De acordo com Márcia, um terço está com Serra, um terço está com Dilma e um terço que vai decidir a eleição. Reservadamente, porém, ela destacou que não só a Dilma está crescendo, como há tendência de queda de Serra, ainda que dentro da margem de erro.

Já Paulino lembrou que na pesquisa Datafolha de dezembro de 2009, 15% dos eleitores não sabiam que a Dilma era a candidata do Lula, mas queriam votar na candidata do Lula. “E o que nós observamos em fevereiro, é que ainda há margem de crescimento para Dilma”, afirmou.

Segundo ele, a dúvida é saber se Dilma vai transmitir ao eleitorado que tem a mesma capacidade de administração que o Lula tem.”O eleitor vai poder comparar Serra com Dilma, Dilma com Lula”.

Paulino ainda defendeu que os institutos divulguem sempre sua base de dados, sua metodologia. “A pesquisa não faz prognóstico, mostra o que acontece naquele dia. Na pesquisa de véspera, [Paulo] Maluf ainda estava na frente da [Luíza] Erundina [na eleição para a prefeitura de São Paulo, em 1988, vencida por Erundina]. Deixar de iludir quem consome pesquisa: a gente faz diagnóstico”, afirmou.

Já o professor Marcus Figueiredo, do Instituto Universitário do Rio de Janeiro (Iuperj), também presente ao debate, previu um repeteco de 2002, caso o deputado federal Ciro Gomes (PSB) continue na disputa, com o cearense brigando com Serra. Para Figueiredo, “Serra e Dilma são igualmente antipáticos e igualmente feios. Ideologicamente estão muito próximos. O projeto deverá ser exatamente o mesmo”.

Erros em pesquisa

Meira foi questionado também pelo fato de o Vox Populi ter apontado, em 2006, vitória de Paulo Souto (então PFL) no primeiro turno, contra o petista Jaques Wagner, que acabou vencendo as eleições em segundo turno. “Às vezes você erra. Só que você nunca ouve um médico dizendo qual a margem de erro de uma operação de apendicite. O pessoal respondia que queria Paulo Souto, mas já estava pensando em mudar de ideia. Mas eu não estava perguntando para ele se ele queria mudar de ideia”, justificou.

28/02/2010 - 14:25h Porque Serra hiberna?

Dirigentes tucanos apreensivos consideram que o crescimento de Dilma nas pesquisas, exige o adiantamento do lançamento de José Serra como candidato. Eliane Cantanhede (ver post de hoje de manhã, embaixo) considera que o resultado do Datafolha “Significa que o tempo de hibernação de José Serra se esgotou e que ele tem de se lançar já à Presidência, antes que seja tarde.”

Ansiedade natural, porem injustificada, na minha opinião. Penso que Serra esta agindo corretamente, do seu ponto de vista -que não é o meu- e os resultados das pesquisas só traduzem o inexorável processo eleitoral, na conjuntura atual.

Não sem razão, Clovis Rossi, disse que a surpresa do Datafolha é Serra ainda estar em primeiro lugar. Pois tudo “conspira” contra uma candidatura de oposição. Como diz Clovis: “o fator predominante é o que os ingleses chamam de “feel good”. Quase dá para segurar com as mãos esse “sentir-se bem”.
Daí a votar no governista de turno é um passo. O trabalho de Lula, portanto, é apenas o de gravar a fogo no sentimento do público que Dilma é a sua parceira no “feel good”.
(Folha SP 28/2/2010 Clovis Rossi). Para o articulista da Folha a conjuntura é favorável ao governo e a continuidade. E conclui que a candidatura terá que ser empurrada “ladeira acima” pelo PSDB, ou seja a contra-corrente.

Em defesa da atitude de Serra vale também acrescentar que ele tem feito tudo o possível para alavancar sua campanha. Utilização abrumadora do dinheiro público, em campanhas publicitárias no Estado de São Paulo e também, via estatais paulistas, em outros Estados. Périplo carnavalesco no Nordeste. Terceirização dos ataques ao governo e a Dilma (via bancadas ou FHC).

Serra também foi meticuloso para preservar sua imagem do catástrofe de sua gestão, tanto na questão relativa as enchentes -não fez dessassoreamento do Tietê durante 2 anos-; como na questão da criminalidade -a curva de todos os delitos no Estado é ascendente-; como na educação -o Saresp registra piora em matemática e pouca melhora em português- mas ele não comentou o assunto. A mídia tem preservado sua “hibernação” relacionada a todos estes assuntos, pelo qual seu desgaste é o produto natural de seus resultados governamentais, percebidos como medíocres e não de erros de marketing dele.

Podemos acrescentar que seu aliado privilegiado, o DEM, ocupou o noticiário negativamente, envolvidos em corrupção e inépcia nas suas duas figuras de proa: José Roberto Arruda e Gilberto Kassab. E para completar o quadro, a atitude inicial de Aécio reforça seu isolamento como candidato paulista, em detrimento de uma representação nacional (o vice sairá de onde?).

No que, o anuncio antecipado de sua candidatura teria modificado alguma coisa do que descrevo acima? Fora de assumir uma formalidade, mas da qual depois é impossível recuar sem gravíssimos prejuízos, o lançamento antecipado nada teria modificado nas relações de forças eleitorais tal e qual aparecem fotografadas nos resultados do Datafolha.

O problema de Serra não é assumir ou não sua candidatura. É ter o que dizer.

Como candidato da oposição ele não ganha a eleição, por isso Serra não assume o discurso demo-tucano destes últimos 8 anos. Como candidato do retorno da era FHC, ele tampouco ganha a eleição, ninguém tem saudades e Serra falar bem da política de Malan soaria esquisito. Como candidato da continuidade sem continuismo, -a única opção que ele e seus marqueteiros vem como possível- ela apresenta a dificuldade de Serra ser uma figura do passado e não uma promessa de futuro e mesmo assim para ser implementada é necessário tempo de TV que só existirá mais para frente. Adiantar sua saída do governo estadual em nada ajudaria.

Acuado e sem discurso, Serra faz o que toda pessoa inteligente faria. Aguardar e ver o que acontece, antes de decidir qualquer coisa.

Ele chama isso “nervos de aço”, outros pensam que é “cagaço”.

Eu penso que é só compasso de um mês, para Serra decidir se ele é ou não é.

Luis Favre

24/01/2010 - 11:54h Uma nova pesquisa Datafolha sobre São Paulo

A data comemorativa da cidade motivou que a Folha SP realizasse uma pesquisa sobre o estado de animo dos paulistanos.

Todos sabem que a Folha sempre vê o lado positivo das coisas, o que explica a manchete sobre a pesquisa: “SP, 456 – Apesar dos problemas, cresce amor pela cidade. Pesquisa datafolha mostra que, mesmo em tempos de chuvas e caos, 47% dos habitantes de São Paulo estão muito satisfeitos.”

Para justificar esse entusiasmo a Folha -eterna positiva-, destaca na capa de sua revista: “57% não cogitam se mudar; em 2001, o índice era 38%”. O elemento de comparação é janeiro de 2001, após 4 anos de governo Pitta, o que explica os resultados e o progresso consignado pela Folha.

Acontece que a Folha poderia ter comparado a pesquisa de hoje, não só a de janeiro 2001, mas a aquela realizada em janeiro de 2004 pelo mesmo Datafolha (janeiro de 2004, após 3 anos de administração Marta Suplicy).

Neste caso, será que a analise seria a mesma?

Vejamos alguns elementos da comparação:

Nota para São Paulo

Janeiro 2001 – 6,1
Janeiro 2004 – 7,7
Janeiro 2010 – 7,4

Grau de satisfação com a cidade

Nada satisfeito

Janeiro 2001 – 21%
Janeiro 2004 – 7%
Janeiro 2010 – 6%

Um pouco satisfeito

Janeiro 2001 – 53%
janeiro 2004 – 46%
Janeiro 2010 – 47%

Muito satisfeito

Janeiro 2001 – 25%
Janeiro 2004 – 46%
Janeiro 2010 – 47%

Um quesito está aparentemente ausente da pesquisa publicada hoje, se eu li corretamente. Trata-se da questão “Você diria que tem mais orgulho do que vergonha ou mais vergonha do que orgulho de morar em São Paulo?”.
Em janeiro de 2004 a Folha informava com orgulho:

“Outro indicador indiscutível do aumento da auto-estima do paulistano está contido nas respostas à seguinte pergunta, apresentada pelo Datafolha: “Você diria que tem mais orgulho do que vergonha ou mais vergonha do que orgulho de morar em São Paulo?”.
A resposta é um verdadeiro “presente” para a cidade: nada menos que 83% dos entrevistados responderam que têm mais orgulho do que vergonha de residir na metrópole.
O instituto de pesquisa já havia apresentado essa mesma questão em levantamento realizado em abril de 2000. Na ocasião, o índice atingido foi de 59%.” (Folha SP – Paulistano tem orgulho de SP – Luiz Caversan 25/1/2004 ver
A arte de esconder o essencial de uma pesquisa).

Não vi a mesma pergunta agora, mas vale registrar que 57% afirmam hoje que não se mudariam de São Paulo, contra 41% que manifestam o desejo de sair da cidade.

Poderiamos dizer, com base nos números das pesquisas que após uma espectacular melhora na avaliação dos paulistanos sobre a sua cidade, registrada em janeiro de 2004; os seis anos seguintes não aportaram qualquer melhora significativa. Mas, eu também sou um incorrigível otimista, São Paulo, na opinião dos seus habitantes, não voltou para a pessima imagem da época de Pitta e o progresso atingido em 2004 persiste até hoje.

Um bom presente para a cidade é constatar que a maioria de seus habitantes sente esse orgulho de morar aqui. Eu compartilho do mesmo orgulho.

Luis Favre

19/01/2010 - 13:27h Avaliação positiva da prefeitura na gestão Kassab cai de 46% para 28%. Para 26% ela é ruim ou péssima

Pesquisa Ibope

Nota média de avaliação da cidade, de zero a 10, foi 4,8; avaliação negativa da Prefeitura mais que dobrou

Gabriel Vituri e Renato Machado, do estadao.com.br

SÃO PAULO – A aprovação da gestão de Kassab (DEM) foi fortemente abalada no último ano, segundo dados da pesquisa Ibope, encomendada pelo movimento Nossa São Paulo. A pesquisa foi realizada em dezembro de 2009 e os resultados foram divulgados na manhã desta terça-feira, 19.

Em relação à pesquisa anterior, de novembro de 2008, passou de 12% para 26% a quantidade de pessoas que avalia a administração municipal como ruim ou péssima. Dentre os que a consideram ótima ou boa, o percentual caiu de 46% para 28%.

Os números coincidem com a queda nos índices de outros indicadores de bem-estar na cidade. Por exemplo, aumentou de 6% para 28% a quantidade de pessoas que afirma temer alagamentos.

Também apresentaram altas o receio em relação ao trânsito (16% para 18%), atropelamentos (7% para 13%), assaltos ou roubos (57% para 65%) e torcidas de futebol (6% para 11%).

documento Confira o resultado completo da avaliação de SP

25/12/2009 - 09:01h Datafolha: Aécio (MG) é líder no ranking de governadores, seguido de Eduardo Campos (PE) e Cid Gomes (CE); Arruda (DF) é o 9º e Yeda (RS) é a última colocada

Mensalão do DEM faz governador do DF despencar da sexta para a penúltima posição

Serra, Luiz Henrique e Cabral têm melhora em avaliação; Yeda segue última colocada, e 50% consideram governo da tucana ruim ou péssimo

MALU DELGADO – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O mineiro Aécio Neves (PSDB) é o mais popular do ranking de dez governadores avaliados pelo Datafolha, em pesquisa realizada entre os dias 14 e 18 deste mês. O governador, que no dia 17 anunciou a decisão de retirar seu nome da disputa presidencial, obteve nota média de 7,5 numa escala de 0 a 10. Entre os moradores de Minas entrevistados na sondagem, 73% consideram o governo de Aécio ótimo ou bom, ante 19% que o avaliam como regular e 6% que acham péssima ou ruim sua administração.
O mineiro já liderava o ranking na sondagem anterior, feita em março deste ano, quando obteve 75% de aprovação e nota média 7,6. A alta popularidade de Aécio em Minas, segundo maior colégio eleitoral do país, explica a intenção de parte do PSDB de convencê-lo a disputar a eleição de 2010 como vice-presidente, com o governador José Serra (PSDB), numa chapa “puro-sangue”.
Os dois governadores com pior avaliação são José Roberto Arruda (sem partido-DF), na nona posição, e Yeda Crusius (PSDB-RS), que se manteve no décimo lugar. Ambos tiveram os nomes envolvidos em recentes escândalos de corrupção nos Estados que governam.
Arruda sofreu o desgaste político mais visível. Apontado como o protagonista de escândalo que supostamente arrecadava propinas de empresas que tinham contratos com o governo do Distrito Federal -esquema batizado de mensalão do DEM-, Arruda caiu da sexta posição na sondagem feita em março para a nona.
A nota média obtida pelo governador, que se desfiliou do DEM no dia 10 para evitar ser expulso, foi 4,8. Em março, ele obteve 6,4. Hoje, 40% acham o governo de Arruda ótimo ou bom, enquanto 22% o consideram regular e 37% acham a administração ruim ou péssima.
Antes do escândalo, Arruda era apontado como uma das estrelas do DEM com chances reais de ser reeleito. Sem partido, ele não poderá disputar a eleição de 2010 ao governo.

Ascensão e queda
Com o nome consolidado para disputar a Presidência da República pelo PSDB, o governador de São Paulo, José Serra, subiu da quinta para a quarta posição. A nota média obtida pelo tucano é 6,6, a mesma da sondagem feita em março. A avaliação do governo, porém, melhorou: 55% consideram a administração tucana ótima ou boa, 32% dizem que é regular, e 11% que é ruim ou péssima.
Também estão mais bem avaliados os governadores peemedebistas de Santa Catarina, Luiz Henrique, passando da oitava para a quinta colocação, e do Rio, Sérgio Cabral, que foi do nono para oitavo lugar. Já o peemedebista Roberto Requião, do Paraná, caiu da quarta para a sétima posição.
Embora os tucanos possam comemorar as boas posições de Aécio e Serra, a governadora Yeda Crusius, última colocada, é o pesadelo do PSDB.
Com nota média de 3,9, 50% dos entrevistados consideram o atual governo do Rio Grande do Sul péssimo ou ruim. Somente 12% acham o governo Yeda ótimo ou bom, e para 37% a administração da governadora é regular.
Relatório da CPI da Corrupção, instaurada na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul para apurar denúncias de irregularidades na administração de Yeda, isenta a governadora de participação em atos ilícitos. A Polícia Federal investiga suposto esquema de fraudes em contratos do governo do Rio Grande do Sul.

Nordeste

Os governadores de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e do Ceará, Cid Gomes (PSB), permanecem bem avaliados e ocupam, respectivamente, a segunda e terceira colocação no ranking do Datafolha. Ambos são os pré-candidatos favoritos nos respectivos Estados até o momento e disputarão a reeleição em 2010.
Antes sétimo colocado, o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), subiu uma posição. Sua nota média passou de 6,4 em março para 6,5.

22/12/2009 - 09:59h Dois institutos, dois cenários para Dilma

Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil

Celso Junior/AE Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil


JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO

A diferença entre os resultados das duas pesquisas de intenção de voto divulgadas em dezembro está fora da margem de erro para os porcentuais alcançados por Dilma Rousseff e Aécio Neves. A candidata do PT está cinco pontos abaixo e o governador de Minas Gerais, nove pontos acima no Vox Populi em comparação ao Datafolha. Há duas explicações possíveis, afora o erro puro e simples de um dos institutos: data e metodologia distintas.

O Vox Populi, contratado pela revista IstoÉ, ouviu 2 mil eleitores pelo telefone entre 11 e 14 de dezembro. O Datafolha fez entrevistas pessoalmente e teve uma amostra maior, 11.429 entrevistas, mas isso porque o instituto aumentou-a em 10 Estados para pesquisar também a intenção de voto para governador nesses locais. Na prática, as amostras nacionais se equivalem, o que fica evidenciado pela mesma margem de erro divulgada: 2 pontos porcentuais no caso do Datafolha, e 2,2 pontos para o Vox Populi. As principais diferenças foram o período de pesquisa e o método de captação.

O Datafolha foi a campo mais tarde, e isso pode ter influenciado o resultado, por dois motivos: houve mais tempo para que os eventuais efeitos boca-a-boca da propaganda do PT no rádio e na TV, quando o partido lançou extra-oficialmente a candidatura presidencial de Dilma, alavancassem a intenção de voto na ministra. Do mesmo modo, a pesquisa teve tempo de captar o impacto da desistência anunciada por Aécio de disputar a Presidência. O governador fez o anúncio na quinta-feira, e as entrevistas da pesquisa Datafolha só terminaram na sexta.

Pesquisas feitas por telefone, no Brasil, geralmente têm dificuldade para captar a opinião dos eleitores das classes D e E, que não têm acesso a telefone fixo, apenas, e quando muito, a celular. Como não há lista telefônica de telefones móveis, é difícil organizar pesquisas ligando para esse tipo de aparelho, salvo em painéis fixos de acompanhamento de uma mesma amostra de eleitores.

O diretor do Vox Populi, Marcos Coimbra, diz que seu instituto comparou resultados de pesquisas pessoais e telefônicas, e que os resultados foram semelhantes o suficiente para trocar a pesquisa de campo pela telefonia. Datafolha e Ibope não fazem pesquisa que pretenda espelhar o total do eleitorado brasileiro pelo telefone.

Diferenças metodológicas à parte, resta a pergunta: Dilma apresenta algum sinal de crescimento, como sugere o Datafolha? O instituto não divulgou quadros evolutivos, pois não havia pesquisado cenários idênticos em agosto, data do levantamento anterior. Mesmo assim, nunca antes na corrida presidencial Dilma havia alcançado, em nenhum cenário ou instituto, os 31% que obteve em uma das hipóteses testadas (disputa contra Aécio e Marina Silva, sem Ciro Gomes). Seus 26% contra José Serra (40%) também são inéditos no histórico do Datafolha.

Some-se o fato de que Dilma tem maior potencial de crescimento entre os mais pobres, justamente aqueles eleitores que não têm telefone fixo em casa, e a dúvida aumenta. Segundo o Datafolha, a ministra ainda tem menos da metade da intenção de voto dos eleitores que declaram preferência pelo PT (entre 44% e 48% nas disputas contra Serra), o que é mais um sinal de potencial de crescimento. Ao mesmo tempo, a candidatura do líder absoluto, José Serra (PSDB), está oscilando há meses entre 35% e 40%.

A resposta à pergunta sobre o crescimento de Dilma só virá na próxima rodada de pesquisas, quando mais pontos na curva poderão confirmar ou não a evolução da candidatura governista. Mas há um ponto em comum entre as pesquisas Datafolha e Vox Populi: a provável polarização entre Dilma e Serra, com Marina e Ciro atuando como coadjuvantes cujo papel é evitar a definição da eleição ainda no 1º turno.

* É jornalista especializado em reportagens com uso de estatísticas e coordenador da Abraji

04/06/2009 - 09:52h Uma boa notícia para Kassab

Pesquisa Datafolha indica que a avaliação de Kassab parou de cair. Depois de passar de 61% em outubro 2008, para 45% de ótimo e bom em março, o recente levantamento indica uma estabilização neste patamar de aprovação, hoje com 46%. (A margem de erro da pesquisa é de 3 pontos).

Para Kassab é uma boa notícia que reforça sua perspetiva de ser candidato ao governo de Estado em 2010. Seus amigos do DEM não escondem este projeto e são adversários da candidatura Alckmin, repetindo o conflito das eleições municipais passadas.

A outra boa notícia, que os índices da pesquisa mostram para Kassab, é que também ele se beneficia, como seu padrinho José Serra, da continuidade do clima existente durante as eleições municipais do ano passado, favorável a releição dos titulares dos cargos por conta da boa avaliação geral da situação econômica, com o aumento do consumo e do emprego. Só que, diferentemente de Lula e Serra, o patamar de apoio de Kassab é hoje bem menor.

A Folha, que dá conta dos resultados da pesquisa na sua edição de hoje (ver embaixo), escolheu destacar as oscilações internas à segmentação da pesquisa, ignorando que a margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos é sobre o total do universo pesquisado, e aumenta quando a amostragem é segmentada por conta do número menor de formulários em consideração. Ou seja em cada categoria tomada isoladamente a margem de erro é bem superior aos 3 pontos da pesquisa global. Sendo assim, oscilações maiores em tal ou qual segmento tem seu significado bem reduzido, por conta da margem de erro bem superior.

Especificamente, tanto na oscilação no segmento de até dois salários e mais ainda na do segmento ensino superior, a margem de erro é imensamente superior à margem de 3 ponto para mais ou para menos, contrariamente ao afirmado na matéria.

Significa isto que estas oscilações não podem nem ser tomadas em conta? Não estatisticamente, mas se juntássemos 3 ou 4 pesquisas, poderia se verificar uma eventual tendencia na oscilação para além da enorme margem de erro. Mas só comparando duas amostras isto é impossível.

Resumindo: Kassab pode não ter necessariamente caído entre os universitários e nem tampouco subido entre os mais pobres. O que a pesquisa mostra, com uma margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, é que a avaliação de Kassab não sofreu mudanças entre a pesquisa de março e a de finais de maio.

Uma boa notícia para Kassab que não precisa ser amelhorada por interpretações complacentes e estatisticamente inconsistentes.

LF

http://campanhanoar.folha.blog.uol.com.br/images/KASSAB.jpg

Kassab cai entre mais escolarizados e sobe entre mais pobres

Segundo pesquisa Datafolha feita em maio, gestão tem 46% de aprovação, mantendo o nível do levantamento de março

Apoio entre eleitores com renda de até 2 salários mínimos foi de 39% para 45%; entre os com ensino superior, caiu de 57% para 49%

EVANDRO SPINELLI
DA REPORTAGEM LOCAL

A gestão do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), manteve seu índice de aprovação, segundo pesquisa Datafolha. O apoio, no entanto, caiu entre os eleitores mais escolarizados e cresceu entre aqueles mais pobres.
No levantamento feito entre 26 e 28 de maio, 46% dos entrevistados apontaram como ótimo ou bom o governo Kassab, um ponto percentual acima do índice de março -variação dentro da margem de erro da pesquisa, que é de três pontos.
O apoio à gestão atingiu seu pico no início de outubro do ano passado, com 61%, na semana seguinte ao primeiro turno da eleição, no qual Kassab ficou em primeiro lugar.
Desde o pleito, a aprovação vinha em queda até atingir os 45% de março, índice semelhante ao do início de setembro do ano passado.
Disseram considerar ruim ou péssimo o atual governo 19% dos entrevistados. Em março, índice era de 23%. Mais uma vez, a variação ocorreu dentro da margem de erro da pesquisa.
A pesquisa Datafolha ouviu 1.091 moradores de São Paulo com mais de 16 anos de idade.

Segmentos
O apoio à gestão Gilberto Kassab entre os entrevistados com renda de até dois salários mínimos passou de 39% para 45% -no limite da margem de erro. A reprovação nesse mesmo segmento caiu sete pontos, de 28% para 21%.
Já entre os entrevistados com ensino superior, a aprovação caiu de 57% para 49% e a reprovação variou seis pontos para cima, de 12% para 18%.
Desde o início do mandato, Kassab sempre teve melhores índices de aprovação entre os eleitores mais ricos e mais escolarizados. Conquistou o apoio dos mais pobres e de menor escolaridade somente no período eleitoral.

Desgaste
Nestes pouco mais de dois meses entre a pesquisa de março e a atual, a gestão Kassab enfrentou desgaste pelo atraso na distribuição dos uniformes para alunos da rede municipal e pelas falhas na varrição das ruas no centro da cidade.
O prefeito também foi atingido por acusações do Ministério Público sobre supostas irregularidades em suas contas de campanha em 2008.
Por outro lado, neste período foi anunciada uma linha de “metrô leve” que ligará a Vila Prudente à Cidade Tiradentes (zona leste).
Também foi realizada, no início de maio, a quinta edição da Virada Cultural, que reuniu 4 milhões de pessoas, segundo a prefeitura.
Parte da aprovação ao governo pode ser atribuída à propaganda. Nos primeiros cinco meses de 2009, Kassab gastou R$ 32,2 milhões em publicidade e já reservou mais R$ 45,1 milhões para este ano.

25/03/2009 - 17:55h Aguardando o resto do Datafolha

A Folha SP está publicando parcelada a pesquisa Datafolha. Na sexta-feira passada foi a avaliação do governo Lula. No domingo e segunda, intenções eleitorais e hoje ranking de governadores.

Amigos tem me dito que é tudo o que a Folha publicará. Outros, ao contrário, dizem que nos próximos dias aparecerá o resultado completo da pesquisa, com a avaliação do governo Serra e até da administração Kassab.

Penso que se o Datafolha fez esses levantamentos, a Folha certamente os publicará, incluso os números da avaliação da gestão Kassab.

Por isso decidi aguardar a publicação completa da pesquisa para emitir uma opinião sobre seus resultados. LF

22/03/2009 - 12:18h Datafolha: aguardando segunda-feira

Domingo é o dia em que os jornais vendem mais. A Folha de hoje traz pesquisa Datafolha sobre intenção de voto em alguns Estados, a 19 meses das eleições. Não tem qualquer sorte de importância, como prova entre outros exemplos, o fato de Geraldo Alckmin liderar com mais de 50% das intenções de voto a 8 meses das eleições municipais em São Paulo e acabou fora do segundo turno.

A escolha dos nomes para configurar os cenários eventuais deixou de lado o nome de Gilberto Kassab, que os demos gostariam de ver como candidato a governador em 2010, assim como o nome de Aloizio Mercadante que foi candidato a governador pelo PT nas últimas eleições. No caso de Kassab, a sua ausência da pesquisa permite a Alckmin atingir um patamar de intenção de voto superior, pois é o único candidato do campo demo-tucano. Já no campo da oposição de centro-esquerda o Datafolha incluiu em todas as simulações o nome de Luiza Erundina e a dos eventuais nomes do PT, com a consequente divisão das intenções de voto do eleitorado. Na última eleição na capital paulista, Luiza Erundina não foi candidata e apoiou Marta Suplicy. Para dar um exemplo do significado da eliminação do nome de Kassab e a de manter Erundina, basta olhar as intenções de voto na capital, onde Alckmin aparece com 34%, Marta com 20% e Erundina com 10%.

Em fim, como já escrevi pesquisa eleitoral com 19 meses de antecipação serve só para alimentar a projeção de nomes e as disputas internas nos partidos. Carece de qualquer outro valor ou interesse. Bem diferente de avaliar a situação dos governantes, particularmente em momentos delicados como os de hoje com o impacto da crise econômica. Teria sido interessante sim, a Folha publicar hoje os resultados da avaliação do governo estadual e do prefeito de São Paulo, que seguramente o Datafolha fez. A questão é de atualidade e permitiria comparar com a avaliação feita sobre o governo Lula.

Provavelmente ficará para segunda-feira, dia em que os jornais vendem menos. LF

http://jovemnerd.ig.com.br/wordpress/wp-content/2006/09/urna_eletronica_66.jpg

DATAFOLHA

Alckmin lidera com folga e opositor está indefinido

Tucano obtém de 41% a 46% das intenções de voto para o governo de SP em 2010

Ex-governador obtém pior resultado em confronto com Marta; Datafolha diz que favoritismo de Alckmin está ligado a “recall” de eleições

JOSÉ ALBERTO BOMBIG- Folha SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O tucano Geraldo Alckmin, derrotado ainda no primeiro turno da eleição do ano passado para prefeito de São Paulo, é o preferido dos paulistas na corrida para governador, segundo o Datafolha. Trata-se da primeira pesquisa de intenção de voto nas eleições de 2010 para governos estaduais.
Atual secretário de Desenvolvimento do governador José Serra (PSDB), ele obtém entre 41% e 46% das intenções de voto -sempre na liderança- em todos os cenários em que ele foi citado.
Serra, nome mais cotado entre os tucanos para disputar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também em 2010 e líder nas pesquisas, não aparece em nenhum deles.
A 19 meses da eleição, nenhum dos adversários de Alckmin atinge sequer a metade de suas intenções de voto nos cenários em que ele é apresentado. Os mais bem posicionados são os ex-prefeitos Marta Suplicy (PT) e Paulo Maluf (PP).
O melhor desempenho do tucano (46%), que governou São Paulo de 2001 a 2006, ocorre quando o candidato do PT é o ministro da Educação de Lula, Fernando Haddad. Contra Marta, o tucano obtém seu pior resultado (41%).
Na hipótese de o deputado federal e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci concorrer pelo PT, Alckmin chega a 45%.
O outro nome tucano apresentado pelo Datafolha, o do secretário da Casa Civil de Serra, Aloysio Nunes Ferreira, oscila de 2% a 3% das intenções. Ele e Alckmin já travam uma batalha dentro do partido e do Palácio dos Bandeirantes pelo direito de concorrer em 2010.
A pesquisa foi realizada entre 16 e 19 deste mês. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

“Recall”
O diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, diz que o levantamento mostra “amplo favoritismo de Alckmin”. Mas ele ressalva que Aloysio, Haddad e o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf -também testado em todos os cenários-, ainda são pouco conhecidos.
“Os demais já concorreram nas urnas muitas vezes e recentemente. A campanha para o governo costuma ficar escondida por conta da disputa pela Presidência, e o eleitor, por causa disso, só se lembra dela mais adiante”, afirma Paulino.
Como exemplo, ele cita o desempenho de Paulo Maluf (PP), que chega a liderar com 20% quando Alckmin sai da disputa. Também sem o ex-governador tucano, a ex-prefeita Luiza Erundina (PSB) atinge 14%, seu melhor índice.
O resultado da pesquisa deve servir de combustível para Marta na disputa interna do PT. Derrotada por Gilberto Kassab (DEM) no segundo turno da eleição para a Prefeitura de São Paulo, ela chegou a ser apontada como nome descartado do processo.
No entanto, Palocci e Haddad, que seriam os preferidos de Lula, ainda mostram pouca viabilidade. O ex-ministro da Fazenda oscila de 3% a 5%.
O ministro da Educação não passa de 2%. Já Marta chega a liderar com 19% no cenário sem Alckmin e com Aloysio.
Além de Skaf (sem partido), também foram apresentados em todos os cenários Campos Machado (PTB), Ivan Valente (PSOL), Paulinho (PDT) e Soninha (PPS).

08/12/2008 - 11:21h “É mole, mas sobe” como diria o Macaco Simão

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/cp08122008.jpg

macaconao.gif“No cenário com Serra como nome do partido, o tucano subiu de 38% para 41%, enquanto Ciro caiu de 20% para 15%.” Para a Folha SP este resultado da pesquisa Datafolha justifica como manchete de capa: “Serra amplia vantagem para 2010 (…)”

É verdade que a margem de erro é de 2 pontos para mais ou para menos e Serra teve 3 pontos a mais que na pesquisa anterior.

O que é curioso é que a Folha não considera 3 pontos a menos em pesquisa Datafolha -com iguais margens de erro de 2 pontos-, como queda e sim como estabilidade. Veja por exemplo na pesquisa sobre Kassab, há dois dias: “O prefeito fechou a eleição com 59% de aprovação à sua gestão e 15% de rejeição. Chegou agora a 56% e 17%, respectivamente. Nos dois casos, há uma variação dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.”(Kassab encerra 1º mandato com 56% de aprovação, segundo Datafolha)

Ou seja se Kassab passa de 59% pra 56%, ele não caiu, para a Folha está igual. Já se Serra fica com 3 a mais, segundo a Folha ele sobe e não ficou igual.

Mas a Folha poderá argumentar que na medida em que Ciro caiu 5 pontos em relação ao levantamento anterior, Serra ampliou sua vantagem. Em relação a Ciro, o que a manchete não diz. Já em relação a Dilma, por exemplo, Serra não ampliou nada e até diminuiu  sua vantagem (“No cenário 1, Serra subiu de 38% para 41%, enquanto Ciro caiu de 20% para 15%. Heloísa Helena manteve seus 14%, e Dilma subiu de 3% para 8%.” Folha SP, hoje).

Vá entender a lógica do tratamento dos números que a Folha faz!

Seguramente os leitores deste blog têm uma explicação para esta “curiosidade”.

E os leitores da Folha?

LF

07/12/2008 - 12:02h Crise não abala a confiança na economia

Pesquisa Datafolha mostra que 76% dos brasileiros mantiveram os planos de compra apesar da turbulência mundial

Na opinião de 68%, Brasil não sentirá impacto da crise ou será pouco afetado; para 20% dos entrevistados, país será muito prejudicado

TONI SCIARRETTA – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

A crise financeira internacional ainda não bateu às portas da população brasileira, que segue confiante na economia e na manutenção do emprego e mantém praticamente intacta a mesma disposição de gastar nos próximos meses. Pesquisa Datafolha mostra que 76% dos brasileiros afirmam não ter desistido de comprar nenhum bem ou produto por causa das incertezas financeiras.
Na pesquisa, apenas 21% declaram ter desistido de algum plano de aquisição por causa da crise -6% deixaram de comprar automóveis; 2%, motocicletas; 3%, eletrodomésticos; 2%, computadores ou produtos de informática; e 2%, imóveis, por exemplo. O Datafolha ouviu 3.486 pessoas, com idade acima de 16 anos, em 180 municípios, entre os dias 25 e 28 de novembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Segundo o Datafolha, 58% acham que o Brasil será pouco afetado pela crise e 10%, que o país não sentirá nenhum impacto. Já 20% vêem que o país será muito prejudicado.
O pessimismo é ligeiramente superior entre as pessoas com maior renda e escolaridade e as que moram no Sudeste. O percentual dos que desistiram de comprar algum item chega a 27% entre os que têm renda familiar mensal de cinco a dez salários mínimos e a 25% entre os que têm curso superior ou que moram na região Sudeste.
Segundo o Datafolha, a confiança do brasileiro em relação à economia permanece parecida com a apurada até agosto, antes da piora nos mercados. Em agosto, 86% afirmavam que pretendiam comprar roupas nos próximos 12 meses -agora a taxa é de 85%. O mesmo se repete com itens de consumo como telefone celular, aparelhos de DVD e máquina de lavar roupas (veja quadro acima).
A piora só aparece entre os que pretendiam comprar móveis e eletrodomésticos -passou de 53% para 48% nessa comparação, variação ainda próxima da margem de erro.
“Mais do que não estar preocupada com a crise, a população demonstra um otimismo impressionante. A população está ignorando a crise e se mantém mais otimista do que antes do noticiário econômico negativo”, disse Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha.
Na pesquisa, 39% afirmam acreditar que a situação econômica do país vai, inclusive, melhorar -em março, esse percentual era de 34%. Já os que prevêem piora na economia se mantiveram em 20% de março para o final de novembro.
Questionados sobre a perspectiva para a sua própria situação econômica, 60% afirmaram que ela deverá melhorar nos próximos meses -percentual maior do que os 53% de março. Também diminuíram os que estavam pessimistas em relação a sua própria situação financeira, passando de 11% para 8% os que dizem acreditar em uma piora no quadro.
Para Paulino, uma série de fatores ajuda a explicar o cenário róseo visto pelo brasileiro: o fato de a crise não ser localizada no Brasil, a avaliação positiva do governo Lula e na forma como o presidente lida com as incertezas e o otimismo sazonal com a chegada do 13º salário.
“Há um otimismo que, acredito, até ajuda o governo a administrar a crise. O [presidente] Lula tem uma legitimidade e uma força política neste momento que permite que ele possa lidar com a crise de uma forma privilegiada”, disse Paulino.
O otimismo apurado pelo Datafolha destoa do de outros levantamentos, encomendados por associações do setor produtivo e por institutos de pesquisas econômicas, que focaram sua atenção apenas nas capitais. “Essa é a amostra representativa da população adulta, inclui os grandes e os pequenos municípios e todas as faixas sociais. É um retrato mais abrangente, que não é comparável com outras pesquisas”, disse.
Segundo o diretor do Datafolha, o otimismo varia de acordo com a renda e a escolaridade. Entre os mais pobres, a maioria acha que a vida melhorou e que esse cenário deve continuar. Já os de maior renda acreditam que a situação econômica ou permaneceu igual ou piorou e que as perspectivas não são tão favoráveis assim. “Isso tem uma correlação direta com o grau de informação, que são pessoas com mais escolaridade e com mais acesso à informação sobre a crise”, afirmou.

Desemprego
Na pesquisa, 44% acham que o desemprego vai aumentar, taxa semelhante aos 42% da pesquisa de março. Na região Sudeste, o pessimismo é maior: 51% acreditam que possam aumentar as demissões, sendo que na cidade de São Paulo esse contingente chega a 52%.
Entre os entrevistados, 30% dizem acreditar que o desemprego vai diminuir, e 23%, que ficará no mesmo patamar -em março, os que esperavam queda no desemprego eram 24%, e os que viam estabilidade, 30%.
Entre os empregados, a maioria (71%) acredita que não corre risco de demissão, 17% dizem que correm algum risco e apenas 7% vêem um grande risco de perderem o trabalho.
Para Paulino, o otimismo do brasileiro passa pela manutenção do atual nível de emprego e do poder aquisitivo do brasileiro. “A chave aí é o desemprego. Se o governo não conseguir manter os níveis de emprego e o poder aquisitivo, aí acredito que a ficha cairá e que a população começará a perceber o problema. Mas acredito que o lastro de confiança que o governo tem demora para cair. Precisamos de uma crise bem mais forte para fazer com que a população perca a confiança”, disse.