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	<title>Blog do Favre &#187; deflação</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Rubini alerta contra corte prematuro de gastos públicos e Celso Ming replica: agora há governo!</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Aug 2009 15:34:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
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		<description><![CDATA[ Advertências valem, mas agora há governo
Análise
Celso Ming &#8211; O Estado SP
As advertências de Nouriel Roubini têm de ser levadas em conta. O grande reparo que se pode fazer a elas é o de que não está dando a devida importância à condução de corações e mentes pelos dirigentes políticos.
Se houve um elemento novo nesta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/08/rubini-alerta-contra-corte-prematuro-de-gastos-publicos-e-celso-ming-replica-agora-ha-governo/12964/" rel="attachment wp-att-12964" title="celso_ming1.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/08/celso_ming1.jpg" alt="celso_ming1.jpg" align="left" /></a><font size="5"><strong>Advertências valem, mas agora há governo</strong></font></p>
<p><font size="4"><strong><em>Análise</em></strong></font></p>
<p style="background-color: #ffff99">Celso Ming &#8211; O Estado SP</p>
<p>As advertências de Nouriel Roubini têm de ser levadas em conta. O grande reparo que se pode fazer a elas é o de que não está dando a devida importância à condução de corações e mentes pelos dirigentes políticos.</p>
<p>Se houve um elemento novo nesta crise foi a percepção de que a motivação das pessoas e, mais do que isso, a capacidade das autoridades em conduzir o processo cumpre papel decisivo. O futuro das pessoas não está abandonado ao sabor de forças irracionais.</p>
<p>Ficou bem mais difícil, por exemplo, enfrentar a crise a partir do momento em que prevaleceu o pânico e as pessoas perderam a capacidade de tomar decisões com um mínimo de racionalidade. O derretimento de um grande número de patrimônios pessoais e familiares foi, em grande parte fruto do efeito manada e não da irresponsabilidade dos senhores de Wall Street. E, no entanto, num segundo momento, quando o pânico foi embora, ficou bem mais fácil procurar por saídas.</p>
<p>Em outras palavras, a principal percepção pós-crise é a de que agora tem governo. Se falhou no início de tudo, quando deixou que as bolhas se formassem e, em seguida, estourassem, num segundo momento, o governo não se omitiu, tomou decisões difíceis e passou um mínimo de segurança que não existiu em setembro de 2008.</p>
<p>Há, sim, razões técnicas para acreditar que a recuperação será mais demorada e sujeita a recaídas, como diz Roubini, mas já não há mais lugar para uma situação em que toda a sociedade se considere desamparada, à beira de uma catástrofe. E isso muda muita coisa.</p>
<p>Muda, por exemplo, a avaliação que as pessoas fazem agora dos ativos. Ninguém mais espera que seu patrimônio vire pó. Ele perdeu valor, sim. Mas é valor recuperável, como mostra o comportamento das bolsas e até do mercado imobiliário.</p>
<p>Muda também a visão sobre os bancos. Tão cedo eles não voltarão às irresponsabilidades de antes. Ninguém mais espera que um grande banco afunde e arraste um montão de contas bancárias junto com ele.</p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p align="center"><em><font size="1">Jin Lee / Bloomberg News Foto Destaque<br />
</font></em><img src="http://www.valoronline.com.br/imagens/impresso/ed_0002329/imagens/foto_25fin-roubini-c5.jpg" alt="Foto Destaque" border="0" /><br />
<em><font size="1"> Nouriel Roubini: crescimento “anêmico” e “abaixo da tendência”</font></em></p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p align="left">&nbsp;</p>
<p align="left">&nbsp;</p>
<p><strong><font size="5">Roubini alerta para &#8221;duplo mergulho&#8221;</font></strong></p>
<p><strong>Em artigo, economista aponta risco de que, depois de ligeira melhora, economia volte a mergulhar em uma crise</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">Patrícia Campos Mello, WASHINGTON &#8211; O Estado SP</p>
<p>O economista Nouriel Roubini, um dos primeiros a prever a crise financeira, acredita que o risco de recaída da economia mundial está crescendo. &#8220;A recuperação provavelmente será anêmica e há um grande risco de termos uma recessão ?duplo mergulho?&#8221;, afirma Roubini em artigo no Financial Times de domingo. Para ele, aumentaram as chances de um &#8220;duplo mergulho&#8221;, ou recessão em W &#8211; ou seja, depois de uma ligeira melhora, a economia voltaria a mergulhar em uma crise.</p>
<p>Roubini cita Brasil, Austrália, Alemanha, França, Japão, China e Índia como países onde a recuperação já começou. Mas ele acha que a recuperação será &#8220;anêmica por pelo menos dois anos&#8221;. Para o economista, o mundo vive apenas dois trimestres de rápido crescimento movido pela reposição de estoques e recuperação de produção.</p>
<p>&#8220;O nível de emprego ainda está caindo rapidamente nos EUA e outros lugares, e isso é má notícia para demanda, resultados de bancos, e também para a qualificação dos trabalhadores, um fator essencial para o crescimento da produtividade a longo prazo&#8221;, diz Roubini.</p>
<p>O economista acredita que esta é uma crise de solvência, e não apenas de liquidez. Segundo ele, &#8220;o processo de desendividamento ainda não começou, porque os prejuízos nas instituições financeiras foram socializados e transferidos para o balanço dos governos&#8221;. &#8220;Isso restringe a capacidade dos bancos de emprestar, dos lares de gastar e das empresas de investir.&#8221;</p>
<p>Além disso, nos países com déficit em conta corrente, como os EUA, os consumidores precisam cortar os gastos e poupar muito mais &#8211; mas esses mesmos consumidores estão endividados e sofreram perdas com a queda nos preços dos imóveis.</p>
<p>O sistema financeiro, apesar da injeção de recursos, continua muito danificado, diz Roubini. &#8220;A maioria do sistema financeiro não bancário desapareceu, os bancos tradicionais esperam prejuízo de trilhões de dólares por causa de calote em empréstimos e estão seriamente subcapitalizados.&#8221;</p>
<p>O crescimento da dívida dos governos, por sua vez, ameaça a disponibilidade de crédito para o setor privado. &#8220;E os efeitos do estímulo vão acabar até o início do ano que vem, exigindo mais investimento privado para sustentar o crescimento.&#8221;</p>
<p>Para Roubini, o principal motivo para uma recessão em W são os riscos na chamada estratégia de saída da maciça expansão fiscal e afrouxamento monetário adotados pelos governos contra a crise. Com ou sem estratégia de saída, os países terão problemas. Se os formuladores de políticas levarem a sério os déficits do orçamento e elevarem impostos, reduzirem gastos e enxugarem liquidez, vão sabotar a recuperação e jogar a economia em estagdeflação (recessão e deflação). Mas, se mantiverem os déficits do orçamento, as expectativas de inflação vão subir, a remuneração dos títulos do governo vai aumentar e as taxas de juros vão acabar nas alturas, levando a uma estagflação.</p>
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		<title>Cresce o risco de nova contração</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Aug 2009 15:43:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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NOURIEL ROUBINI &#8211; ESPECIAL PARA O &#8220;FINANCIAL TIMES&#8221; &#8211; FOLHA SP
A ECONOMIA mundial está começando a se recuperar da pior recessão e crise financeira desde a Grande Depressão. No quarto trimestre de 2008 e nos primeiros três meses de 2009, o ritmo de contração na maioria das economias avançadas era semelhante à queda livre do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://a.abcnews.com/images/Business/abc_Nouriel-Roubini_081106_mn.jpg" alt="http://a.abcnews.com/images/Business/abc_Nouriel-Roubini_081106_mn.jpg" align="left" /></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>NOURIEL ROUBINI &#8211; ESPECIAL PARA O &#8220;FINANCIAL TIMES&#8221; &#8211; FOLHA SP</strong></p>
<p>A ECONOMIA mundial está começando a se recuperar da pior recessão e crise financeira desde a Grande Depressão. No quarto trimestre de 2008 e nos primeiros três meses de 2009, o ritmo de contração na maioria das economias avançadas era semelhante à queda livre do PIB que os países registraram nos estágios iniciais da Depressão. No entanto, no final do ano passado, as autoridades econômicas, que até aquele momento estavam agindo tardiamente, enfim começaram a usar a maioria das armas disponíveis em seus arsenais.<br />
Os esforços deram frutos, e a queda livre da atividade econômica se atenuou. Existem agora três questões em aberto quanto às perspectivas. Quando a recessão mundial vai acabar? Que forma tomará a recuperação econômica? Existem riscos de recaída?<br />
Quanto à primeira questão, parece que a economia mundial chegará ao fim da queda no segundo semestre de 2009. Em muitas economias avançadas (Espanha, Estados Unidos, Itália, Reino Unido e em alguns países da zona do euro) e em alguns emergentes (principalmente na Europa), a recessão não se encerrará formalmente antes do final do ano, já que os brotos verdes da recuperação ainda estão cercados de ervas daninhas. Em algumas outras economias avançadas (Alemanha, Austrália, França e Japão) e na maioria dos mercados emergentes (China, Índia, Brasil e outras partes da Ásia e América Latina), a recuperação já começou.<br />
Quanto à segunda questão, o debate se trava entre aqueles -a maioria do consenso econômico- que antecipam uma recuperação em forma de V, com rápida retomada de crescimento, e aqueles -como eu- segundo os quais a recuperação será em U e se manterá anêmica e abaixo da tendência por ao menos dois anos, após um par de trimestres de rápido crescimento alimentado por reposição de estoques e recuperação da produção ante os níveis quase tão desfavoráveis quanto os da Grande Depressão.<br />
Existem diversos argumentos que apontam para uma recuperação fraca e em forma de U. O emprego continua a cair acentuadamente nos Estados Unidos e em vários mercados -em economias avançadas, o desemprego estará acima dos 10% em 2010. Isso é má notícia não só em termos de demanda e prejuízos bancários mas também em termos de capacitação profissional, um fator chave para o crescimento da produtividade em longo prazo.<br />
Segundo, temos uma crise de solvência, e não apenas de liquidez, mas ainda não começou uma redução real no endividamento, porque os prejuízos das instituições financeiras foram socializados e transferidos aos balanços dos governos. Isso limita a capacidade de empréstimo das instituições financeiras, a capacidade de gasto dos domicílios e a capacidade de investimento das empresas.<br />
Terceiro, nos países que operam com deficit em conta corrente, os consumidores precisam começar a cortar gastos e poupar mais, em um momento em que as pessoas endividadas enfrentam um choque de patrimônio causado pela queda nos preços das casas e dos mercados de ações e pela retração na renda e no emprego.<br />
Quarto, o sistema financeiro -a despeito do apoio das autoridades- continua severamente danificado. A maior parte do sistema bancário paralelo desapareceu, e os bancos tradicionais estão sobrecarregados com trilhões de dólares em prejuízos inesperados com empréstimos e títulos, enquanto ainda se mantêm perigosamente subcapitalizados.<br />
Quinto, os lucros fracos (causados por dívidas elevadas e riscos de inadimplência, crescimento baixo e persistentes pressões deflacionárias sobre as margens de ganhos empresariais) restringirão a disposição das companhias de produzir, contratar trabalhadores e investir.<br />
Sexto, o endividamento do setor público por meio do acúmulo de pesados deficits fiscais ameaça dificultar a recuperação nos gastos do setor privado. Os efeitos das políticas de estímulo, além disso, se dissiparão no começo do ano que vem, o que vai requerer maior demanda privada para sustentar o crescimento.<br />
Sétimo, a redução nos desequilíbrios mundiais implica em que os deficits em conta corrente de economias perdulárias, como a dos EUA, vão reduzir os superávits das economias que poupam em excesso (Japão, Alemanha, China e outros emergentes). Mas, caso a demanda interna não se expanda rapidamente o bastante nos países superavitários, resultará em recuperação mais lenta do mundo.</p>
<p>Recessão em forma de W<br />
Também existem duas razões para que exista risco ascendente de uma recessão de duplo mergulho, em forma de W. Para começar, existem riscos associados às estratégias de saída para o grande relaxamento da política monetária e de estímulo fiscal: as autoridades serão criticadas por agir e também por não agir. Caso decidam levar a sério os grandes deficits fiscais e decretem aumento de impostos, corte de gastos e redução da liquidez excessiva, poderão solapar a recuperação e levar a economia a uma estagdeflação (recessão e deflação).<br />
Mas, caso mantenham grandes deficits orçamentários, os ativistas dos mercados de títulos públicos punirão as autoridades econômicas. As pressões inflacionárias subirão, os rendimentos dos títulos públicos de longo prazo terão de subir e as taxas de empréstimo dispararão, gerando estagflação.<br />
Outro motivo para temer uma recessão de duplo mergulho é que os preços de petróleo, energia e alimentos agora estão subindo mais rápido do que os fundamentos econômicos justificam e podem ser propelidos a alta ainda maior pela liquidez excessiva em busca de ativos e pela demanda especulativa.<br />
No ano passado, o petróleo a US$ 145 por barril marcou um ponto de inflexão para a economia mundial, ao criar termos negativos de comércio internacional e um choque na renda disponível para as economias importadoras da commodity. A economia mundial não suportaria outro choque contrativo caso especulação semelhante conduza o preço do petróleo a um rápido retorno para a marca dos US$ 100.<br />
Em resumo, a recuperação deve ser anêmica e abaixo da tendência nas economias avançadas e existe forte risco de uma recessão de duplo mergulho.</p>
<p><strong>O autor é professor de Economia na Escola Stein de Administração de Empresas na Universidade de Nova York.</strong></p>
<p><em>Tradução de PAULO MIGLIACCI</em></p>
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		<title>Roubini, profeta da crise, espera onda de recessão</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Aug 2009 14:59:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Jin Lee / Bloomberg News Foto Destaque

 Nouriel Roubini: crescimento &#8220;anêmico&#8221; e &#8220;abaixo da tendência&#8221;
Shamim Adam, Bloomberg News, de Cingapura &#8211; VALOR
Nouriel Roubini, o professor da Universidade de Nova York que previu a crise financeira, disse que a probabilidade de um segundo surto de recessão está aumentando, devido às possíveis consequências negativas do fim do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><em><font size="1">Jin Lee / Bloomberg News Foto Destaque<br />
</font></em><img src="http://www.valoronline.com.br/imagens/impresso/ed_0002329/imagens/foto_25fin-roubini-c5.jpg" alt="Foto Destaque" border="0" /><br />
<em><font size="1"> Nouriel Roubini: crescimento &#8220;anêmico&#8221; e &#8220;abaixo da tendência&#8221;</font></em></p>
<p style="background-color: #ffff99">Shamim Adam, Bloomberg News, de Cingapura &#8211; VALOR</p>
<p>Nouriel Roubini, o professor da Universidade de Nova York que previu a crise financeira, disse que a probabilidade de um segundo surto de recessão está aumentando, devido às possíveis consequências negativas do fim do incentivo monetário e fiscal mundial.</p>
<p>A economia mundial vai chegar ao seu ponto mínimo, a partir do qual começa a melhorar, neste segundo semestre do ano, escreveu Roubini em comentário publicado ontem pelo jornal &#8220;Financial Times&#8221;. A recessão dos EUA, Reino Unido e alguns países europeus não terá &#8220;acabado formalmente&#8221; antes do final deste ano, enquanto a recuperação de países como China, França, Alemanha, Austrália e Japão já começou, disse.</p>
<p>Os governos de todo o mundo prometeram cerca de US$ 2 trilhões em medidas de incentivo em meio à recessão global, a pior desde a Grande Depressão, iniciada em 1929. O presidente do Federal Reserve, Ben S. Bernanke, e outras autoridades mundiais de política monetária advertiram que a recuperação tende a ser tímida, numa indicação de que eles não vão eliminar em breve todas as medidas de estímulo inoculadas no sistema financeiro.</p>
<p>&#8220;Há riscos associados às estratégias de retirada do enorme abrandamento monetário e fiscal&#8221;, escreveu Roubini. &#8220;As autoridades serão amaldiçoadas se fizerem e serão amaldiçoadas se não fizerem.&#8221;</p>
<p>Os funcionários graduados dos governos e BCs deverão minar a recuperação e reconduzir suas economias à &#8220;estagdeflação&#8221; se elevarem impostos, reduzirem os gastos e enxugarem o excesso de liquidez em seus sistemas a fim de diminuir os déficits públicos, disse Roubini. Ele define a &#8220;estagdeflação&#8221; como recessão com deflação.</p>
<p>Os que mantêm grandes déficits públicos serão punidos por patrulheiros do mercado de bônus, com a alta das expectativas inflacionárias e dos rendimentos dos bônus governamentais de longo prazo e o aumento significativo do custo do dinheiro, escreveu ele. Isso, por sua vez, levará à estagflação, afirmou o economista.</p>
<p>Roubini atualmente prevê uma recuperação em U, em que o crescimento será &#8220;anêmico e ficará abaixo da tendência por pelo menos alguns anos&#8221;, disse. Uma recuperação mundial plena em relação à recessão atual deverá levar dois anos ou mais, disse o prêmio Nobel Paul Krugman, no início do mês.</p>
<p>A alta do desemprego, um sistema financeiro mundial ainda &#8220;severamente deteriorado&#8221; e uma lucratividade corporativa fraca estão entre os motivos pelos quais qualquer recuperação não será em forma de V, disse Roubini.</p>
<p>&#8220;Persistem desgastes em muitos mercados financeiros de todo o mundo&#8221;, disse Bernanke em discurso pronunciado na última sexta-feira em Jackson Hole. &#8220;A recuperação da economia tende a ser relativamente lenta de início, com uma queda apenas gradual do desemprego em relação a seus altos níveis.&#8221;</p>
<p>Os preços dos combustíveis e alimentos também estão aumentando mais rápido que o justificável pelos fundamentos econômicos. Isso deverá também elevar o risco de um novo surto de recessão, escreveu Roubini, acrescentando que eles poderão ser puxados por transações especulativas.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Bancos centrais temem deflação crônica</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Aug 2009 14:44:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Na Alemanha, produtos têm hoje o mesmo valor de maio de 2007

Gustavo Chacra &#8211; O Estado SP
Os bancos centrais de países desenvolvidos começam a enfrentar o risco de a deflação se intensificar nos próximos meses, com recordes sendo anunciados nos Estados Unidos e na Europa. Na sua maior queda em seis décadas, o índice [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong>Na Alemanha, produtos têm hoje o mesmo valor de maio de 2007</strong></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://img.timeinc.net/time/daily/2009/0901/deflation_0116.jpg" alt="http://img.timeinc.net/time/daily/2009/0901/deflation_0116.jpg" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">Gustavo Chacra &#8211; O Estado SP</p>
<p>Os bancos centrais de países desenvolvidos começam a enfrentar o risco de a deflação se intensificar nos próximos meses, com recordes sendo anunciados nos Estados Unidos e na Europa. Na sua maior queda em seis décadas, o índice de preços ao consumidor da Alemanha despencou 7,8% em julho em relação ao mesmo mês no ano passado. Na variação mensal, a diminuição foi de 1,5%.</p>
<p>Segundo o Escritório Federal de Estatísticas, os produtos alemães têm hoje o mesmo valor de maio de 2007. Os preços para o consumidor na Alemanha registraram a sua primeira baixa desde a reunificação do país, em 1990, ao caírem 0,5%. A redução é dois décimos menor do que a média da zona do euro.</p>
<p>Do outro lado do Atlântico, o índice de preços ao consumidor americano também atingiu o seu menor nível desde 1950, ao se reduzirem 2,1% em julho, quando comparado ao mesmo mês no ano passado &#8211; em relação a junho, a inflação se manteve estável -, de acordo com dados do Departamento do Trabalho divulgados na semana passada. Assim como na Alemanha, os piores números vieram do setor produtivo, com uma redução de 6,8% nos preços desde julho de 2008, e 0,9% em junho .</p>
<p>A deflação tem como principal causa a redução nos preços da área energética, especialmente do barril do petróleo &#8211; apesar da elevação de ontem, que não está embutida no índice -, ao longo do último ano. Na Alemanha, a deflação anual é de 3,6% quando não se leva em conta os preços deste setor.</p>
<p>O Fed (banco central dos EUA) indicou que não existe risco de inflação por enquanto, o que eliminaria a necessidade de elevar os juros, evitando uma possível estagflação (inflação e recessão simultaneamente). O problema, segundo dizem alguns economistas, é que, com a deflação, há pouca margem de manobra para o Fed. Os juros já estão próximos de zero e o risco seria de um círculo vicioso como no Japão dos anos 1990.</p>
<p>A saída seria o aumento da demanda para o fim da deflação. Por enquanto, os sinais não indicam que isso venha ocorrendo. Ao contrário, o índice de confiança dos consumidores está em queda nos Estados Unidos por três motivos &#8211; elevado desemprego (9,4%), endividamento e maior propensão a poupar em vez de consumir.</p>
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		<item>
		<title>Krugman vê um &#8216;colapso coordenado&#8217;</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Mar 2009 14:40:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Bloomberg &#8211; VALOR
O Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman disse que o mundo atravessa um &#8220;colapso mundial coordenado&#8221;, cuja aparência &#8220;é pior na Europa e no Japão&#8221; do que nos Estados Unidos.
&#8220;O que começou como uma recessão relativamente branda&#8221; nos EUA &#8220;se tornou uma queda vertical&#8221;, disse Krugman em evento realizado em Bruxelas. &#8220;Esta é [...]]]></description>
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<p style="background-color: #ffff99">Bloomberg &#8211; VALOR</p>
<p>O Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman disse que o mundo atravessa um &#8220;colapso mundial coordenado&#8221;, cuja aparência &#8220;é pior na Europa e no Japão&#8221; do que nos Estados Unidos.</p>
<p>&#8220;O que começou como uma recessão relativamente branda&#8221; nos EUA &#8220;se tornou uma queda vertical&#8221;, disse Krugman em evento realizado em Bruxelas. &#8220;Esta é uma crise que está afetando gravemente a indústria de transformação.&#8221;</p>
<p>Krugman, que defendeu o aumento dos incentivos fiscais, disse que os instrumentos convencionais dos BCs não são suficientes para revitalizar o crescimento da economia. O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, e o do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), Ben S. Bernanke, &#8220;não conseguem empregar suas ferramentas convencionais para enfrentar o colapso&#8221; econômico, disse o economista, da Universidade de Princeton.</p>
<p>Para o BCE, &#8220;toda a base intelectual do euro repousa na hipótese de que a política monetária pode, por si só, dar conta do recado&#8221;, disse Krugman. &#8220;O BCE ainda não cortou tudo o que podia (em termos de juros), mas ficarei surpreso se não acabar fazendo isso.&#8221;</p>
<p>&#8220;Trichet ainda está dizendo que não há risco de deflação na Europa, afirmação que, na minha opinião, expressa um estranho excesso de autoconfiança&#8221;, disse Krugman.</p>
<p>&#8220;Os Estados Unidos não estão fazendo o suficiente para combater a crise e a Europa está fazendo um pouco menos da metade do realizado pelos Estados Unidos&#8221;, disse Krugman. &#8220;Corremos um grave perigo.&#8221;</p>
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		<title>Europa: um continente à deriva</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Mar 2009 16:41:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Paul Krugman, The New York Times*
Estou preocupado com a Europa. Na verdade, estou preocupado com o mundo todo &#8211; não existem refúgios a salvo dessa tormenta econômica global. Mas a situação da Europa preocupa-me mais do que a dos Estados Unidos.
Não vou repetir a velha queixa americana de que, na Europa, os impostos são muito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://www.agal-gz.org/blogues/media/users/maria/Europa.jpg" alt="http://www.agal-gz.org/blogues/media/users/maria/Europa.jpg" /></div>
<p>Paul Krugman, The New York Times*</p>
<p>Estou preocupado com a Europa. Na verdade, estou preocupado com o mundo todo &#8211; não existem refúgios a salvo dessa tormenta econômica global. Mas a situação da Europa preocupa-me mais do que a dos Estados Unidos.</p>
<p>Não vou repetir a velha queixa americana de que, na Europa, os impostos são muito altos e os benefícios muito generosos. Os enormes programas de bem-estar social não são a causa da atual crise. São um fator atenuante.</p>
<p>O perigo claro e presente vem de uma direção diferente: é o fracasso do continente em responder eficazmente à crise financeira. A Europa carece de uma política fiscal e monetária. Enfrenta uma crise no mínimo tão severa quanto os EUA, porém está fazendo muito menos.</p>
<p>No aspecto fiscal, a comparação com os EUA é assombrosa.</p>
<p>Para muitos economistas, eu inclusive, o plano de estímulo do governo Obama era muito tímido diante da gravidade da crise. Mas as medidas adotadas pelos EUA fazem parecer insignificante qualquer coisa que os europeus estejam fazendo.</p>
<p>A diferença em termos de política monetária é igualmente assombrosa. O Banco Central Europeu (BCE) tem se mostrado muito menos dinâmico do que o Federal Reserve; tem demorado para cortar as taxas de juros (elevou em julho do ano passado) e evitou adotar medidas vigorosas para desbloquear os mercados de crédito.</p>
<p>A única coisa que pesa em favor da Europa é exatamente aquilo pelo qual é mais criticada: o porte e a generosidade dos seus programas de bem-estar social, que atuam como amortecedor do impacto dessa retração econômica.</p>
<p>E isso não é pouco. O auxílio-desemprego e a assistência à saúde garantida asseguram que, pelo menos até agora, não se veja na Europa o sofrimento humano tão nítido como nos EUA. Esses programas também vão ajudar a sustentar os gastos nessa crise. Contudo, esses &#8220;estabilizadores automáticos&#8221; não são substituto de uma ação positiva.</p>
<p>Por que a Europa não está conseguindo enfrentar a crise? Em parte por causa de uma liderança medíocre. As autoridades dos bancos europeus, que se omitiram quanto à profundidade da crise, ainda parecem estranhamente complacentes. E para ouvir alguma coisa nos EUA que seja comparável aos ataques ignorantes do ministro das Finanças da Alemanha, você deve ouvir os republicanos.</p>
<p>Mas há um problema mais profundo: a integração monetária e econômica da Europa avançou muito mais do que as suas instituições políticas. As economias de muitas nações estão tão estreitamente ligadas quanto as economias de muitos Estados, nos EUA, &#8211; e a maior parte da Europa compartilha uma moeda comum. Mas, ao contrário dos EUA, a Europa não tem instituições que cubram todo o continente, necessárias para lidar com uma crise com essa envergadura.</p>
<p>Essa é uma importante razão da ausência de uma uma ação fiscal. Não existe nenhum governo em posição de assumir a responsabilidade pela economia europeia como um todo. Em vez disso, o que há são governos nacionais, cada um relutando em acumular enormes dívidas para financiar um plano de estímulo que poderia levar muitos, senão a maior parte, dos seus benefícios para os eleitores em outros países.</p>
<p>Você poderia pensar então que a política monetária é mais convincente. Afinal, apesar de não existir um governo europeu, há um BCE. Mas ele não é como o Fed, que pode se permitir correr riscos porque tem o suporte de um governo nacional unitário.</p>
<p>Em outras palavras, a Europa vem se revelando estruturalmente fraca num período de crise. A maior dúvida é o que vai ocorrer com aquelas economias europeias que prosperaram tanto na fase do dinheiro fácil dos últimos anos, particularmente a Espanha.</p>
<p>Durante grande parte da década passada, a Espanha foi a Flórida da Europa, com uma economia animada por um enorme boom especulativo imobiliário. Como na Flórida, esse boom transformou-se em um fiasco. A Espanha agora precisa encontrar novas fontes de renda e emprego.</p>
<p>No passado, o país teria procurado ser competitivo desvalorizando sua moeda. Mas agora a sua moeda é o Euro &#8211; e o único meio de avançar parece ser pelo doloroso processo de corte de salários. O que seria difícil nos melhores tempos, mas será incrivelmente doloroso se, como parece provável, a economia europeia como um todo entrar numa depressão e se encaminhar para uma deflação nos próximos anos.</p>
<p>Isso significa que a Europa errou ao se tornar tão estreitamente integrada? E, especialmente, que a criação do Euro foi um equívoco? Talvez.</p>
<p>Mas a Europa ainda pode mostrar para os céticos que eles estão errados, se os seus políticos começarem a mostrar mais liderança.</p>
<p>Mostrarão?</p>
<p><strong>*Paul Krugman é articulista </strong></p>
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		<title>Brasil é &#8220;vítima acidental&#8221; da crise global, diz Roubini</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Mar 2009 12:05:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Economista defende maior intervenção dos governos para combater a crise
Para ele, Brasil está em melhores condições na crise, deve elevar gasto público e ao mesmo tempo se comprometer com reformas
SÉRGIO MALBERGIER &#8211; FOLHA SP
EDITOR DE DINHEIRO
O Brasil é uma &#8220;vítima acidental&#8221; da crise econômica global, que ainda vai piorar, evoluindo para uma &#8220;recessão global severa&#8221;. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/03/brasil-e-vitima-acidental-da-crise-global-diz-roubini/10055/" rel="attachment wp-att-10055" title="mundo_deconstruction.jpg"></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/03/mundo_deconstruction.jpg" alt="mundo_deconstruction.jpg" width="555" height="464" /></div>
<p></a></p>
<p><strong>Economista defende maior intervenção dos governos para combater a crise</strong></p>
<p><strong>Para ele, Brasil está em melhores condições na crise, deve elevar gasto público e ao mesmo tempo se comprometer com reformas</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">SÉRGIO MALBERGIER &#8211; FOLHA SP</p>
<p>EDITOR DE DINHEIRO</p>
<p>O Brasil é uma &#8220;vítima acidental&#8221; da crise econômica global, que ainda vai piorar, evoluindo para uma &#8220;recessão global severa&#8221;. A opinião é do economista mais badalado destes tempos econômicos sombrios, o turco-americano Nouriel Roubini, em São Paulo para disputadas palestras.<br />
&#8220;O Brasil está em condições muito melhores hoje&#8221;, pondera Roubini, que ganhou a alcunha de &#8220;Mr. Doom&#8221; (Sr. Apocalipse) por causa das previsões catastrofistas que vem fazendo, com precisão muito acima da média nesta era de incertezas.</p>
<p>Em evento ontem em São Paulo do BTG, a nova empresa de investimentos de André Esteves e Persio Arida, ele disse que o Brasil deve ter neste ano um crescimento próximo de zero ou, mais provavelmente, &#8220;ligeiramente negativo&#8221;.</p>
<p>Embora ressalte que a situação brasileira é menos desconfortável que a de vizinhos como Venezuela e Argentina e que ainda existe &#8220;bastante espaço&#8221; para corte de juros por aqui, diz que o país enfrenta &#8220;problemas [externos] sobre os quais não tem controle&#8221;. E adverte que o governo brasileiro, com os problemas históricos do país, não deveria apenas elevar seus gastos para combater a crise, mas ao mesmo tempo se comprometer com &#8220;reformas estruturais&#8221; para reduzir a burocracia, o custo da mão-de-obra e o peso dos impostos sobre a atividade econômica, além de melhorar a infraestrutura física.</p>
<p>Roubini defende mais gastos estatais contra a crise, &#8220;a única demanda que cresce hoje no mundo&#8221;, mas lamenta o fato de que as ações oficiais estejam sempre &#8220;atrás da curva&#8221;, apenas reagindo aos problemas. Isso, para ele, será insuficiente para tirar as economias do caminho da catástrofe. &#8220;É preciso agir antes&#8221;, afirma.</p>
<p>Roubini acha ainda tímido o pacote fiscal do governo americano, já superando US$ 800 bilhões, pois só cerca de US$ 200 bilhões serão gastos no curto prazo. E mais tímido ainda o da Europa, criticando a resistência de sua maior economia, a Alemanha, em elevar gastos.</p>
<p>Ele critica também o socorro aos bancos na forma atual e diz que talvez, &#8220;infelizmente, sejam necessárias estatizações temporárias&#8221;. Rechaça que a maior economia do planeta seja a única culpada pela crise e aponta para Reino Unido, Austrália, Espanha, Irlanda, países bálticos, Cingapura e outros como responsáveis por bolhas financeiras e/ou habitacionais, na raiz dos problemas globais.</p>
<p>Diz ainda que há países hoje em situação pior que os EUA, citando Japão, Alemanha, Coreia do Sul, o sul e o leste da Europa. E que a China está rodando com crescimento zero ou mesmo negativo na comparação de trimestre contra trimestre anterior. &#8220;Antes se dizia que, quando os EUA espirravam, o mundo pegava gripe. Os EUA estão com pneumonia.&#8221;</p>
<p>Ele acredita que, se os governos não atuarem com mais eficiência contra o &#8220;ciclo vicioso&#8221; da economia, coisas muito piores podem acontecer, como uma deflação global após &#8220;gasto excessivo na expansão da produção, que agora encontra a contração da demanda&#8221;.<br />
Resumindo seu receituário, Roubini recomenda mais gasto fiscal, ação mais agressiva no resgate aos bancos e dobrar os recursos do FMI para socorrer países emergentes.</p>
<p>&#8220;Ainda é possível evitar o pior&#8221;, diz, com otimismo inesperado diante de sua fama. &#8220;Se fizermos tudo certo, teremos uma recuperação lenta no ano que vem&#8221;, prevê Roubini. &#8220;Se não, depressão global&#8221;, conclui, voltando ao estilo apocalíptico.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Consumo interno e ativação da economia</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Mar 2009 16:29:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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*Amir Khair &#8211; O Estado SP
Quaisquer que sejam os desdobramentos da crise internacional, é quase certo prever a queda nas exportações dos países, em razão de medidas protecionistas, queda de preços das commodities e dos preços internacionais, em geral, pelo acirramento da concorrência e a diminuição da demanda interna de cada país.
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			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2007/12/129_2337-com%C3%A9rcio.bmp" alt="http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2007/12/129_2337-com%C3%A9rcio.bmp" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">*Amir Khair &#8211; O Estado SP</p>
<p>Quaisquer que sejam os desdobramentos da crise internacional, é quase certo prever a queda nas exportações dos países, em razão de medidas protecionistas, queda de preços das commodities e dos preços internacionais, em geral, pelo acirramento da concorrência e a diminuição da demanda interna de cada país.</p>
<p>Impactada pela redução de exportações, parcela dos produtos será direcionada para o mercado interno dos países, que junto com os fatores acima poderá gerar um processo de deflação nos países desenvolvidos e redução da inflação nas economias emergentes.</p>
<p>No caso brasileiro, embora seja desejável a continuidade do estímulo às exportações, mediante reduções tributárias, oferta de crédito e redução de custos de logística, é necessário que o País adote medidas para estimular o consumo interno como motor de arranque e caminho para a ativação da economia. Dispomos de um grande potencial de consumo, não explorado por causa da má distribuição de renda. A possibilidade de consumo pelo acesso a maior renda geraria compras no comércio, demandas por aumento da produção, investimento e geração de empregos, podendo formar, então, um círculo virtuoso.</p>
<p>Vários poderão ser os estímulos ao consumo: maior oferta de crédito com redução das taxas de juros, desonerações tributárias e tarifárias (transporte coletivo, energia elétrica, gás, água e telefone), especialmente dirigidas à população de média e de baixa rendas, aumentos no salário mínimo, programas de distribuição de renda e inflação baixa, entre outros.</p>
<p>A expansão do crédito já está ocorrendo, mas ainda as taxas de juros estão elevadas. A injeção de recursos aos bancos &#8211; da ordem de R$ 100 bilhões &#8211; realizada pelo Banco Central, pela redução dos depósitos compulsórios, pouco serviu para aumentar a oferta de crédito dos bancos privados, que preferiram investir em compras de títulos do governo federal atraídos pela alta taxa de juros básicos (Selic).</p>
<p>Indo na direção correta, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal elevaram substancialmente a oferta de crédito e, com isso, registraram fortes lucros.</p>
<p>Outras medidas podem induzir o aumento da oferta de crédito e o rebaixamento de juros pelo setor bancário. Além da redução da Selic, duas podem ser destacadas: reduções adicionais seletivas de depósitos compulsórios, de acordo com as taxas de juros praticadas e a implantação, pelo governo, do cadastro positivo de clientes, ainda dependendo de aprovação pelo Congresso Nacional. O arsenal de medidas de que dispõem o Conselho Monetário Nacional, o Ministério da Fazenda e o Banco Central é considerável.</p>
<p>O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), caso cumpra parte significativa de suas metas, terá forte impacto para reativar a economia, ao gerar empregos, com melhorias na infraestrutura e redução de custos de logística.</p>
<p>A Petrobrás poderia reduzir os preços do diesel, que impacta os custos do transporte coletivo e de cargas, do gás de cozinha &#8211; que pesa no orçamento familiar das populações de baixa renda &#8211; e da gasolina, que atinge a classe média. Em geral os preços dos combustíveis, especialmente da gasolina e do diesel, estão 50% acima do nível internacional.</p>
<p>Governos municipais e estaduais podem implantar medidas de políticas públicas que resultam em aumento do poder aquisitivo da população, tais como o barateamento do transporte coletivo, da alimentação, do gás, da energia elétrica, da água e de medicamentos, itens que constituem parte importante das despesas familiares da população de rendas média e baixa.</p>
<p>Políticas de abastecimento que aproximam produtores e consumidores e reduzem custos de intermediação têm demonstrado sua eficácia em vários municípios brasileiros e podem contribuir para a expansão do consumo popular e impactar positivamente as condições de vida da população.</p>
<p>É de grande complexidade o enfrentamento desta crise e não existem respostas mágicas e previsões certeiras. O fomento ao debate é desejável e oportuno, diante da expectativa de que um conjunto ágil, articulado e coordenado de políticas seja implantado.<br />
<strong><br />
*Amir Khair, mestre em Finanças Públicas, é consultor</strong></p>
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		<title>Crise afunda economia espanhola</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Feb 2009 14:34:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Após anos de crescimento alto, puxado por abundância de crédito, desemprego explode no país
Adoção do euro limita ação do governo; empresários querem reforma trabalhista e economistas preveem retomada lenta e dolorosa
VICTOR MALLET DO &#8220;FINANCIAL TIMES&#8221; &#8211; FOLHA SP
Quando um dos maiores clubes de futebol de um país tão fanático pelo esporte quanto é a Espanha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://www.reflejosocial.com/wp-content/uploads/2009/01/esp_laboral-desempleo.jpg" style="cursor: -moz-zoom-out" alt="http://www.reflejosocial.com/wp-content/uploads/2009/01/esp_laboral-desempleo.jpg" /></div>
<p><strong>Após anos de crescimento alto, puxado por abundância de crédito, desemprego explode no país</strong></p>
<p><strong>Adoção do euro limita ação do governo; empresários querem reforma trabalhista e economistas preveem retomada lenta e dolorosa</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">VICTOR MALLET DO &#8220;FINANCIAL TIMES&#8221; &#8211; FOLHA SP</p>
<p>Quando um dos maiores clubes de futebol de um país tão fanático pelo esporte quanto é a Espanha deixa de pagar seus jogadores, é um aviso de que algo pode estar drasticamente errado em uma das economias mais bem sucedidas na Europa.<br />
David Villa é um dos jogadores do Valencia cujo último salário está atrasado por tempo indeterminado pelo clube, fortemente endividado. Villa é apenas mais um entre o número crescente de vítimas, ricas e pobres, de um mergulho na recessão que se encaminha para ser uma das piores da Europa.<br />
As tensões estão começando a se manifestar na sociedade espanhola, normalmente tranquila e tolerante. Vendedores de rua e africanos residentes no país fizeram duas manifestações neste mês em Lavapiés, em Madri, protestando contra o alegado racismo e as investidas policiais; subsequentemente, veio à tona que a polícia da capital recebeu cotas semanais de imigrantes ilegais que deve prender. Em Andaluzia, no sul, milhares de imigrantes sem comida ou abrigo invadiram cidades procurando em vão trabalhos na colheita de azeitonas já tomados por espanhóis.<br />
Guindastes estão parados em obras na costa espanhola e nas periferias. Muitas lojas pequenas no centro de Madri fecharam. Um dono de construtora arruinado é acusado de cinco assaltos a bancos.<br />
&#8220;Não vamos ter uma recessão. Vamos ter uma depressão, como nos anos 1930&#8243;, diz o economista Lorenzo Bernaldo de Quirós, presidente da Freemarket International Consulting. Quirós é um dos analistas mais pessimistas, mas se justifica apontando previsões quase consensuais: o desemprego atingindo 19% até o final do ano (contra mais de 14%, ou 3,3 milhões de pessoas, hoje); um déficit orçamentário de ao menos 6,5% do PIB; contração econômica de 3% ou mais em 2009, e, possivelmente, uma deflação. &#8220;Somado à crise financeira, este é o quadro perfeito para definir uma depressão&#8221;, conclui.<br />
Essa depressão pode atingir a economia espanhola -uma das dez maiores do planeta e a quarta da zona do euro- com tanta gravidade que pode fazê-la perder muitos dos ganhos conquistados na década passada desde a adoção do euro.<br />
Até a chegada da crise global, a Espanha tinha desempenho elogiável. Seu retorno à democracia e à prosperidade após uma guerra civil e a ditadura Franco é, afinal, uma das grandes histórias de sucesso da Europa do pós-guerra. Nos dez anos terminados em 2006, o crescimento real chegou à média anual de 3,7%, contra 2,1% na zona do euro. O PIB per capital subiu para mais de 90% da média dos 15 principais países ocidentais da União Europeia.<br />
Essa expansão ajudou a gerar mais de 5 milhões de empregos e a atrair mais imigrantes, como proporção relativa à população, que qualquer outro país da Europa. A construção civil, financiada pelo crédito fácil, foi o motor principal da economia durante uma década -e aí está a origem das dificuldades. Como nos EUA e no Reino Unido, a bolha imobiliária se rompeu, com grande força.<br />
Estimados 1 milhão de casas e apartamentos recém-construídos estão desocupados. A construção residencial -que respondeu diretamente por 7,5% do PIB em 2006- está quase parando. O lobby que representa 14 grandes construtoras anunciou que não iniciou a construção de uma única casa nova em dezembro e só 135 em todo o quarto trimestre de 2008. &#8220;Durante 15 anos, o padrão de crescimento da economia espanhola foi baseada em mercados financeiros com alto grau de liquidez &#8211; e liquidez barata&#8221;, diz Rafael Doménech, economista-chefe para a Europa do banco espanhol BBVA. &#8220;Foi ótimo para a economia espanhola que as famílias e as empresas usassem essa liquidez para aumentar sua dívida.&#8221;<br />
E foi o que elas fizeram. A dívida do setor privado dobrou em uma década, chegando a 120% do PIB. Com boa parte do crédito vindo de aposentados alemães e outros poupadores, através de títulos de crédito espanhóis avalizados por hipotecas, o déficit de conta corrente chegou a mais de 10% do PIB. Com o novo ambiente dos mercados financeiros, diz Doménech, &#8220;não podemos esperar usar o mesmo modelo de crescimento dos últimos dez anos&#8221;.<br />
Teoricamente, a Espanha poderia substituir a atividade da construção com o aumento da produção em outros setores. O país é uma das economias mais abertas do mundo, e suas empresas nos setores de moda, energia renovável, infraestrutura e bancos têm sido investidores externos e exportadores ativos. Mas outras economias não estão em condições de assumir o lugar da construção. A indústria automotiva espanhola, responsável por um quinto das exportações do país e 6% de seu PIB, está lutando para fazer frente à queda na demanda doméstica e externa. O turismo, que movimenta 50 bilhões, caiu 3% no ano passado -a primeira queda anual desde 97.<br />
O premiê socialista José Luis Rodríguez Zapatero seguiu o mesmo caminho que outros líderes na crise, anunciando uma enxurrada de planos de gastos governamentais, numa tentativa de combater o aumento do desemprego e evitar uma depressão prolongada. Miguel Sebastián, seu ministro da Indústria, vem flertando com o protecionismo -embora negue a acusação-, lançando uma campanha de &#8220;compre produtos espanhóis&#8221;.<br />
Mas não há certeza alguma de que as medidas de gastos -algumas anunciadas apesar das objeções do ministro das Finanças e ex-responsável pela restrição fiscal, Pedro Solbes- terão os efeitos desejados. O que é certo é que a margem fiscal de manobra do governo, com o déficit orçamentário projetado já sendo mais que o dobro do teto de 3% do PIB permitido pela UE, é fortemente limitada. Embora a dívida pública acumulada ainda seja relativamente modesta, a deterioração das finanças públicas levou a agência de classificação Standard &amp; Poor&#8217;s, no mês passado, a tirar da Espanha sua classificação AAA.<br />
Em crises anteriores, a Espanha simplesmente desvalorizou a peseta para aumentar a competitividade das exportações e atrair investimentos -o caminho seguido agora pelo Reino Unido-, mas uma desvalorização unilateral deixou de ser uma opção possível para um membro da zona do euro.<br />
Quase todos os executivos, economistas ortodoxos e políticos da oposição de direita concluem que a única maneira de a Espanha emergir da crise mais forte -ou sobreviver a ela dentro dos limites da zona do euro- é aumentar sua produtividade e competitividade, adotando reformas estruturais. O que querem dizer é que empregados possam ser contratados e demitidos mais facilmente, a um custo menor, e que os salários sejam definidos por empresas, não por setores.<br />
Na semana passada, o presidente do Banco Central, Miguel Angel Fernández Ordóñez, irritou o governo ao descrever a reforma trabalhista como a medida &#8220;mais importante&#8221; contra o desemprego.<br />
Enquanto isso, o fim da alta performance econômica deixa a dúvida: será que o país poderá retomá-la ao final da crise global? Para os economistas, a construção foi uma parte tão importante que a recuperação inevitavelmente será lenta. &#8220;A economia espanhola levará cerca de sete anos para crescer a 3% ao ano novamente&#8221;, diz Bernardo Quirós. &#8220;Os espanhóis perderão metade de sua riqueza. É horrível.&#8221;</p>
<p><strong>Tradução de CLARA ALLAIN</strong></p>
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		<title>À beira da catástrofe</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Feb 2009 13:08:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Paul Krugman * &#8211; O Estado SP
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			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://www.lefigaro.fr/medias/2008/11/24/9d93fe6c-ba1a-11dd-b624-25a59f9e7c80.jpg" alt="Ce lundi, le 44e président doit tenir une conférence de presse destinée à présenter son équipe économique. (AFP)" border="0" /></div>
<p style="background-color: #ffff99"><font size="4"><strong>Paul Krugman * &#8211; O Estado SP</strong></font></p>
<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/a-beira-da-catastrofe/9545/" rel="attachment wp-att-9545" title="krugman_paul.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/02/krugman_paul.jpg" alt="krugman_paul.jpg" align="left" /></a>Uma coisa não muito engraçada ocorreu no caminho da recuperação econômica. Nas duas últimas semanas, o que deveria ter sido um debate extremamente sério sobre como salvar uma economia em situação desesperadora, se transformou num teatro político trivial com republicanos despejando todos os velhos clichês sobre gastos perdulários do governo e as maravilhas dos cortes de impostos.</p>
<p>É como se o pavoroso fracasso econômico dos últimos oito anos não houvesse acontecido &#8211; e, no entanto, por incrível que pareça, os democratas ficaram na defensiva. Mesmo que um grande pacote de estímulo seja aprovado no Senado, existe um risco concreto de que partes importantes do plano original, em especial a ajuda a governos estaduais e municipais, sejam amputadas.</p>
<p>De alguma maneira, Washington perdeu qualquer senso do que está em jogo &#8211; da realidade de que podemos perfeitamente estar caindo num abismo econômico, e que se o fizermos, será muito difícil sair dele.</p>
<p>É difícil exagerar o tamanho das dificuldades econômicas que enfrentamos. A crise começou no setor imobiliário, mas o estouro da bolha imobiliária da era Bush acionou a queda das pedras de dominó não apenas nos Estados Unidos, mas em todo o mundo.</p>
<p>Os consumidores, com a sua riqueza dizimada e seu otimismo abalado pelo colapso dos preços das moradias e um mercado acionário em queda, cortaram seus gastos e aumentaram fortemente sua poupança &#8211; uma boa coisa no longo prazo, mas um golpe enorme na economia neste momento. Os incorporadores de imóveis comerciais, observando a queda dos aluguéis e a escalada dos custos do financiamento, estão cortando seus planos de investimento. Empresas estão cancelando planos para expandir a capacidade por não estarem vendendo o suficiente para usar a capacidade de que dispõem. E as exportações, uma das poucas áreas fortes da economia americana no último par de anos, estão despencando agora na medida em que a crise financeira atinge nossos parceiros comerciais.</p>
<p>Enquanto isso, nossa linha principal de defesa contra recessões &#8211; a capacidade habitual do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de amparar a economia cortando taxas de juros &#8211; já foi ultrapassada. O Fed cortou as taxas que controla basicamente a zero, mas a economia continua em queda livre.</p>
<p>Não é de surpreender, portanto, que a maioria das projeções econômicas advirtam que na falta de uma ação governamental estaremos a caminho de uma recessão profunda e prolongada. Alguns analistas privados preveem um desemprego de dois dígitos. O Escritório de Orçamento do Congresso está um pouco mais otimista, mas ainda assim seu diretor advertiu recentemente que &#8220;na falta de uma mudança na política fiscal&#8230; o déficit na produção nacional em relação aos níveis potenciais será o maior &#8211; em duração e profundidade &#8211; desde a Depressão dos anos 30&#8243;.</p>
<p>O pior de tudo é a possibilidade de que a economia se veja, como aconteceu nos anos 30, presa numa prolongada armadilha deflacionária.</p>
<p>Já estamos mais perto de uma deflação que em qualquer ponto desde a Grande Depressão. Em particular, o setor privado está experimentando cortes generalizados de salários pela primeira vez desde os anos 30, e haverá muito mais disso se a economia continuar se debilitando.</p>
<p>Como assinalou o grande economista americano Irving Fischer, há quase 80 anos, a deflação, uma vez iniciada, tende a se autoalimentar. À medida que as receitas em dólar caem em face de uma economia deprimida, o peso da dívida se torna mais difícil de suportar, enquanto a expectativa de novas quedas de preços desestimula os gastos com investimento. Esses efeitos de deflação deprimem ainda mais a economia, provocando mais deflação, e assim sucessivamente.</p>
<p>E armadilhas deflacionárias podem durar muito tempo. O Japão teve uma &#8220;década perdida&#8221; de deflação e estagnação nos anos 90 &#8211; e a única coisa que permitiu que o Japão escapasse de sua armadilha foi um boom global que intensificou as exportações do país.</p>
<p>Quem salvará os Estados Unidos de uma armadilha parecida agora que o mundo todo está em retração ao mesmo tempo? Será que o plano econômico de Obama, se aprovado, garantirá que os Estados Unidos não tenham sua década perdida?</p>
<p>Não necessariamente: alguns economistas, eu inclusive, acham que o plano é insuficiente e deveria ser substancialmente maior. Mas o plano de Obama certamente melhoraria nossa sorte. E é por isso que os esforços de republicanos para tornar o plano menor e menos eficaz &#8211; para transformá-lo em pouco mais que outra rodada de cortes de impostos ao estilo Bush &#8211; são tão destrutivos.</p>
<p>O que Barack Obama deveria fazer então? Eu me incluo entre os que acham que o presidente cometeu um grande erro em sua atitude inicial, de que suas tentativas de transcender o partidarismo terminaram fortalecendo políticos que recebem ordens de marcha de Rush Limbaugh. O que importa agora, porém, é o que ele fará em seguida.</p>
<p>Já é hora de o presidente Barack Obama partir para a ofensiva. Ele precisa, sobretudo, não se esquivar de assinalar que os que se colocam no caminho do seu plano em nome de uma filosofia econômica desacreditada, estão colocando em risco o futuro da nação. A economia americana está à beira da catástrofe, e boa parte do Partido Republicano está tentando empurrá-la por sobre essa beira.</p>
<p><strong>*Paul Krugman é articulista </strong></p>
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