30/03/2012 - 09:38h Quando tirarem Demóstenes da sala

Maria Cristina Fernandes – VALOR

Uma das mais eloquentes lideranças da oposição virou reú no Supremo Tribunal Federal na mesma semana em que o governo saiu vitorioso em dois dos principais projetos de sua pauta legislativa do ano, a criação do fundo de previdência complementar dos servidores e a Lei Geral da Copa.

Não há causalidade entre um e outro fato. E isso explica por que uma crise que parecia tão aguda nas relações da presidente Dilma Rousseff com o Congresso se desfez de uma hora para outra.

O ocaso do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) pouco afeta a governabilidade de Dilma. E não apenas pela condição minoritária de seu partido, mas porque não é na oposição que o projeto de poder da presidente é posto em xeque, mas dentro de sua própria base. Quando um parlamentar como Demóstenes cai em desgraça, as bandeiras que defende passam a depender mais de seus simpatizantes na base aliada do governo, o que lhes aumenta os antagonismos.

Bravatas prosperaram no vazio de propostas

Ao virar o jogo no Congresso, Dilma mostrou que ainda dispõe dos recursos políticos – e orçamentários – para conter essa soma de interesses antagônicos que a sustenta.

À distância, deu condições aos seus novos líderes na Câmara e no Senado de promover a troca de guarda e autonomia aos ministros para negociar com os parlamentares. Articulados com o presidente da Câmara, Marco Maia, e a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, promoveram os acordos que levaram à aprovação dos projetos.

A chance dessa pax parlamentar perdurar é diretamente proporcional à disposição do governo de cumprir acordos como aquele que fixou para depois da Páscoa a votação do Código Florestal. O entendimento também tem mais chance de prosperar se os compromissos firmados entre os ministros e os parlamentares forem cumpridos.

Isso certamente passa pela liberação de emendas. Enquanto não inventarem outro jeito de os parlamentares influenciarem num naco de investimentos do governo em benefício de comunidades que garantem a continuidade de sua carreira política vai continuar sendo assim.

A faxina de Dilma pode não passar de discurso mas não é na liberação de emenda que mora o engodo, e sim na triangulação entre parlamentares, seus indicados na máquina de governo e fornecedores públicos que recebem pelo serviço que não prestam.

É dos lucros dessa triangulação que vivem muitos políticos deste e de outros governos. É mais simples coibi-los quando são miudezas que estão em jogo, como nos contratos prestados por Ongs. É a esse fim que parece se destinar o projeto de criação do fundo para o financiamento dessas entidades que o governo vai enviar ao Congresso.

Mas difícil de fechar é o ralo por onde passam os grandes contratos. Basta ver o histórico de entreveros entre o Executivo e o Tribunal de Contas da União. E mesmo que haja alguma disposição real em fechar o ralo, a torneira jorra mais forte à medida que crescem a economia e a capacidade de investimento do governo.

A corrupção pode até ser um problema do tamanho que Demóstenes Torres costumava pintar da tribuna, mas o que os indícios de seu processo no STF parecem indicar é que a contravenção tem laços que extrapolam o governo de plantão. Alicia parlamentares de de todos os matizes, desde que influentes no aparato policial e na cúpula do judiciário.

Demóstenes Torres não era um denunciante qualquer. Chegou ao Senado no mesmo ano em que o PT alcançou o Planalto foi um de mais implacáveis críticos até ser acusado de receber mesada do mesmo contraventor que detonou o escândalo Waldomiro Diniz, o primeiro da era petista.

Nesse meio tempo jogou no descrédito um dos mais operantes policiais do governo Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-delegado geral da Polícia Federal e ex-superintendente da Abin, Paulo Lacerda, ao acusá-lo de um grampo nunca provado no Supremo Tribunal Federal..

Arrematou a cultivada imagem de paladino da moralidade ao tornar-se um dos grandes defensores da Lei da Ficha Limpa e dos poderes de investigação do CNJ.

O senador foi alçado à condição de ideólogo conservador ao encabeçar a resistência parlamentar à política de cotas raciais. Numa audiência promovida pelo Supremo chegou a dizer que a escravidão teria beneficiado o continente africano por ter sido o primeiro item de sua pauta de exportações. E que, por isso, faria pouco sentido para o Brasil adotar políticas compensatórias para os negros que, além do mais, haviam proliferado por meio de relações consensuais entre escravas e brancos.

O apoio que recebeu na pregação anticotas o encorajou a prosseguir na cruzada de ideólogo do conservadorismo com um projeto que trata o viciado em drogas como um deliquente e institui uma política nacional de internação compulsória.

Acabou angariando o respeito e a admiração de seus pares pela coragem de assumir essas posições num país crescentemente marcado por políticas inclusivas.

Foi a dificuldade de a oposição oferecer uma agenda alternativa ao crescimento econômico que deu fermento às bravatas de Demóstenes. De tão dependente de bandeiras moralistas, os oposicionistas perderam a capacidade de se aglutinar mesmo face a um tema tão crucial para o futuro quanto a desindustrialização.

Foi com esse tema que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) subiu à tribuna na quarta-feira passada. Face à recomposição da base governista, urgia recuperar iniciativa à oposição. Dali a pouco o PSDB daria seus votos à aprovação da Funpresp, em nome de uma reforma iniciada pelo governo tucano e sequenciada pelos petistas. O discurso de Aécio teve pouca ressonância, mas os governistas bateram bumbo com a aprovação quase unânime.

Se a pauta legislativa se aprofundar na agenda da indústria nacional, focada em questões tributárias e trabalhistas, o consenso, como mostrou levantamento de Caio Junqueira (Valor, 28/03/2012), tem dias contados. Agora que tiraram Demóstenes da sala bem que o jogo podia começar.

Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras

E-mail: mcristina.fernandes@valor.com.br

29/03/2012 - 08:21h Ao sabor do próprio veneno

Por Raquel Ulhôa – VALOR

Demóstenes Torres sempre agiu em público como se não tivesse rabo preso. Articulado, conhecedor da Constituição e das leis, costumava tratar com firmeza colegas acusados de corrupção ou irregularidade. Todo mundo tem uma história para contar, ilustrando a “coragem” e a “ousadia” do senador.

Como quando atuou pela cassação de Renan Calheiros, então presidente da Casa. Ou por ter sido o primeiro a usar a expressão “mensalão do DEM”, seu próprio partido, e pedir a expulsão do então governador José Roberto Arruda (DF) da legenda. Mais recentemente, por ter dito que ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estavam “dançando na boquinha da garrafa”, na análise do registro do PSD.

Até o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, foi vítima. Quando as representações contra Antonio Palocci foram arquivadas, Demóstenes disse que Gurgel havia se “acovardado”, com receio de não ser reconduzido ao cargo.

Em dezembro, o senador, ao microfone, acusou José Sarney, presidente do Senado, de “burlar”, de maneira “torpe”, acordo entre as lideranças, para facilitar a votação da Desvinculação de Receitas da União (DRU). Dedo em riste, Sarney cobrou “respeito”. A reação foi um pedido de desculpas.

Colegas do senador falaram em renúncia ou cassação

O presidente do Senado já havia sido cutucado com vara curta por Demóstenes, quando a imprensa revelou que, sob seu comando, a administração do Senado adotou “atos secretos” para nomear parentes, criar cargos e aumentar salários. Da tribuna, o demista defendeu que Sarney se afastasse do caso, porque não ter condições de comandar a apuração.

Ex-procurador-geral de Justiça de Goiás por duas vezes e secretário de Segurança Pública do Estado em gestão anterior de Marconi Perillo (PSDB), Demóstenes foi eleito a primeira vez senador em 2002, aos 41 anos. Articulado, logo ganhou espaço na mídia. Sua gestão à frente da Comissão de Constituição e Justiça é elogiada até por adversários.

Por essas e outras, Demóstenes cumpria papel importante para a oposição, já abatida pela drástica redução numérica em 2010 e pela perda de figuras destacadas no enfrentamento ao governo, como Arthur Virgílio, Tasso Jereissati e Heráclito Fortes. Aliados mais empolgados falavam até em candidatura de Demóstenes para presidente da República.

Hoje, ele luta para não perder o mandato. Quem o vê, constrangido, envergonhado, quatro quilos mais magro desde que surgiram os primeiros vazamentos de informação mostrando sua proximidade com Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira – acusado de chefiar exploração ilegal de jogos em Goiás -, pensa que Demóstenes não tem estrutura para aguentar o que vem por aí: inquérito no STF e provável processo por quebra de decoro parlamentar.

A hipótese mais considerada é a de uma renúncia. Ou cassação, se ele enfrentar o processo. O demista se indispôs com tantos colegas, que há um gostinho – inconfessável- de vingança por parte de alguns. Ele está nas mãos de quem acusou e de outros que se sentem traídos. Por telefone, está pedindo compreensão e prometendo dar, em momento oportuno, explicações para os sinais de proximidade com Cachoeira e ter tirado vantagem dessa relação.

A contratação de Antônio Carlos de Almeida Castro, mais conhecido como Kakay, advogado de políticos bem encrencados, revelou o tamanho da preocupação. Não se sabe o que revelam as cerca de 300 escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal de conversas entre ele e Cachoeira. O volume de ligações, por si só, é estranhíssimo. O senador não explicou por que ganhou celular habilitado nos Estados Unidos, com sistema antigrampo, exclusivamente para falar com o “amigo”, a quem pede dinheiro em uma conversa.

Para Randolfe Rodrigues, líder do PSOL, é grave o “provável envolvimento junto a uma organização criminosa”. Ontem, protocolou representação na Mesa Diretora para que o Conselho de Ética abra processo disciplinar, que pode levar à cassação. O conselho nem tem presidente. E o regimento dá brechas a várias manobras protelatórias. Mas, lançar ou não mão delas depende dos interesses políticos.

Demóstenes está isolado. Depende da proteção de Sarney, que comanda a Casa, e Renan, líder da maior bancada. O DEM tem apenas cinco senadores e o comando do partido, abatido por mais esse escândalo, não está disposto a sofrer o desgaste da defesa do seu ex-líder.

Para a oposição, a ruína de Demóstenes – que já aconteceu, independentemente do seu destino – é mortal. “Não podia ser pior para a gente”, diz Jarbas Vasconcelos, único pemedebista que é oposição ao governo do PT. Jarbas lembra a redução numérica da oposição em 2010, a perda de pessoas importantes no enfrentamento do governo – como Arthur Vigílio, Tasso Jereissati e Heráclito Fortes – e a morte do ex-presidente Itamar Franco, com seis meses de mandato, período no qual se destacou na oposição.

“E agora acontece isso com Demóstenes? É de clamar aos céus”, diz o pernambucano.

O Senado já deu muito vexame. Um presidente da Casa aliou-se ao então líder do governo para fraudar a violação do painel eletrônico, na votação de uma cassação de mandato. Outro presidente sofreu processo por quebra de decoro ao ser acusado de ter contas pessoais pagas por lobista de empreiteira. Um senador foi cassado e vários renunciaram. Cada novo caso aumenta o descrédito nos políticos. E fica a expectativa sobre quem será o próximo a ter que deixar o Senado pela garagem, para fugir dos fotógrafos.

Raquel Ulhôa é repórter de Política em Brasília. Escreve mensalmente às quinta-feiras

E-mail raquel.ulhoa@valor.com.br

08/03/2012 - 09:22h Aliança entre DEM e PSDB corre risco em SP

Por Vandson Lima | VALOR

De São Paulo

Dada como certa desde a entrada de José Serra (PSDB) na disputa, a aliança entre PSDB e DEM na eleição à Prefeitura de São Paulo corre sério risco de naufragar por conta do desacerto entre as siglas em outras praças Brasil afora.

É o que garantem lideranças do DEM, insatisfeitas que estão com a maneira como o presidente nacional tucano, deputado federal Sérgio Guerra (PE) tem tocado as negociações. O DEM considera fundamental para sua sobrevivência no cenário político eleger os prefeitos de Salvador (BA) e Recife (PE), onde pretende lançar como candidatos os deputados federais Antônio Carlos Magalhães Neto e Mendonça Filho, respectivamente.

A sigla cobra dos tucanos apoio nas duas cidades como contrapartida à coligação com Serra, na qual teria de aceitar a incômoda companhia do PSD, partido cuja criação, em 2011, lhe arrancou dezenas de deputados e centenas de prefeitos.

Em Salvador, DEM, PSDB e PMDB, partidos de oposição ao governador Jaques Wagner (PT), conversam desde o ano passado sobre a possibilidade de estarem em uma mesma chapa. O PSDB levou à mesa a pré-candidatura do deputado federal e ex-prefeito Antônio Imbassahy. O PMDB ofereceu outro ex-prefeito, o radialista Mário Kertész. Nos bastidores, partidários de DEM e PMDB dizem que o quadro mais provável hoje é de que PSDB e DEM se acertem, Imbassahy deixe o páreo e os tucanos apoiem ACM Neto, enquanto o PMDB iria às urnas sozinho.

Na capital pernambucana a costura é ainda mais complicada. Segundo colocado na eleição municipal de 2008, Mendonça Filho (DEM) tem avançado nas conversas para convencer PMDB e PPS a apoiarem sua candidatura, mas com o PSDB a negociação travou. Sérgio Guerra prefere lançar o deputado estadual Daniel Coelho (PSDB) à disputa por enxergá-lo como um nome novo e com potencial para fazer frente ao candidato da frente PSB/PT, que domina as máquinas estadual e municipal.

Para demistas, a motivação de Guerra é outra: ele não quer se indispor com o governador Eduardo Campos (PSB) apoiando uma candidatura da oposição que tenha chances reais de vencer. Logo, prefere usar o pleito para dar visibilidade a um correligionário promissor, mas que não ameaçaria realmente os planos do governador e possível parceiro em 2014.

Todo o imbróglio tem reflexos diretos na sucessão paulistana. Cortejado pelo PMDB para ficar com a vice na chapa do deputado federal Gabriel Chalita, o DEM lançou em fevereiro a pré-candidatura do secretário estadual de Desenvolvimento Social, Rodrigo Garcia, mas a possibilidade de sua ida às urnas é dada como praticamente descartada no quadro atual. “As alternativas estão claras. Se o PSDB ceder e nos apoiar em Recife e Salvador, apoiaremos Serra. Caso contrário, aceitaremos a oferta de Chalita”, afiança um líder do DEM.

Se unidos, DEM e PMDB terão outro desafio além de tentar eleger Chalita, cujos índices de intenção de voto variam entre 7% e 15%, segundo pesquisa do Datafolha. Vitimados pelo PSD, que arrancou vereadores de ambos, precisam recuperar espaço na Câmara Municipal paulistana. Atualmente, o DEM tem apenas três vereadores. O PMDB, nenhum.

10/02/2012 - 13:27h Chalita prepara-se para ser a principal candidatura de oposição

Gabriel Chalita: negociação entre PMDB e DEM avança e Alexandre de Moraes, ex-aliado de Kassab, pode ser o vice


Por Cristiane Agostine e Caio Junqueira | VALOR

De São Paulo e Brasília

A pré-candidatura de Gabriel Chalita (PMDB) na disputa pela Prefeitura de São Paulo deverá ser a principal oposição ao prefeito Gilberto Kassab (PSD) nesta eleição. O PMDB considera a eleição municipal na capital paulista tão importante quanto a sucessão presidencial para consolidar o partido no país e espera fazê-lo contrapondo-se ao prefeito. A negociação com o DEM está avançada e, se confirmada, deverá reforçar o discurso crítico ao prefeito.

A avaliação do PMDB é que, caso se concretize a aliança entre PT e PSD, os petistas terão o discurso contra Kassab esvaziado, apesar de o partido ter feito oposição ao prefeito durante os dois mandatos dele. O acordo entre PT e PSD permitiria a imediata polarização da campanha com a máquina do governo municipal e, consequentemente, daria a Chalita a possibilidade de ser o candidato antigoverno municipal, já que Kassab estaria representado na chapa de Fernando Haddad (PT) e o PSDB na outra aliança.

A indefinição sobre o candidato do PSDB coloca em xeque o discurso a ser apresentado pelos tucanos na disputa municipal. Na avaliação da cúpula do PMDB, se o candidato for o secretário estadual Andrea Matarazzo, ligado ao ex-prefeito e ex-governador José Serra (PSDB), a crítica ao prefeito também poderá ser esvaziada. Kassab foi vice na chapa de Serra, na disputa municipal de 2004, e assumiu em 2006, quando o tucano deixou o cargo para disputar o governo estadual.

Diante da crescente pressão petista para que o PMDB desista da candidatura à prefeitura, o presidente nacional licenciado do partido e vice-presidente da República Michel Temer decidiu intensificar sua atuação em favor de Chalita. Fará, assim, dois movimentos para não deixar dúvidas de que a candidatura é para valer.

Primeiro, vai convencer o vice-presidente da Caixa Econômica Federal e principal nome da legenda na Bahia, Geddel Vieira Lima, de que é melhor recuar da candidatura própria em Salvador e apoiar o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), favorito nas pesquisas.

Isso facilitaria levar o partido para a candidatura Chalita, com direito até mesmo a indicar o vice, que seria Alexandre de Moraes, o ex-supersecretário de Kassab, hoje com ele rompido politicamente. Temer, porém, não quer vincular um apoio a outro, uma vez que entende que isso pode estancar as negociações nos dois lados.

Em outro movimento, pretende levar Chalita para uma viagem ao exterior em março. Juntos, iriam proferir palestras no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). O deputado também aproveitaria a ocasião e se reuniria com o ex-prefeito de Nova Iorque Rudolph Giuliani e com o atual, Michael Bloomberg. Em ambas ocasiões, seriam gravadas imagens para o horário gratuito de televisão.

O cenário ideal para os articuladores da campanha de Chalita é ter um tempo de televisão semelhante ao que Kassab teve em 2008. A aposta é que isso será possível com a coligação em formação: PMDB, PTB, PSC, PDT e DEM. O primeiro passo nesse sentido já foi dado, após o acerto com o PSC, que será anunciado oficialmente hoje, em um evento com a presença de Temer. A aliança com o PSC deve aumentar em um minuto o tempo de televisão de Chalita, fazendo com que o pemedebista passe a ter cerca de cinco minutos no horário eleitoral gratuito, o maior tempo de TV por enquanto. A aliança com o PSC é importante também para atrair o apoio de evangélicos.

Com PTB e PDT há avanços, dentro de uma estratégia usada pelo PMDB de atrair os insatisfeitos com a presidente Dilma Rousseff. O PTB virou alvo nos últimos dias, com as denúncias na Casa da Moeda. O PDT há tempos aguarda uma definição no Ministério do Trabalho e o presidente nacional da sigla, Carlos Lupi, saiu contrariado do comando da Pasta.

O parceiro preferencial, contudo, é mesmo o DEM. A negociação com Alexandre de Moraes, presidente do diretório municipal e possível vice de Chalita, e com Jorge Tadeu Mudalen, presidente do diretório estadual, tem avançado. A aliança entre PMDB, DEM e PSC poderia garantir a Chalita o maior tempo de TV entre os candidatos, cerca de oito minutos, nas contas do PMDB. A resistência, em São Paulo, vem do secretário estadual Rodrigo Garcia, que lançou sua pré-candidatura nesta semana.

Só que para o DEM integrar-se, além de conversas com Geddel, é preciso esperar a definição do PSDB, do PT e de Kassab. Temer tem dito a aliados que aposta em dois cenários: Serra não ser candidato e Kassab fechar aliança com o PT.

Trata-se, segundo ele, do melhor dos cenários. Sem Serra, o nome mais conhecido dos paulistanos estará fora da disputa e em seu lugar entra o pré-candidato favorito nas prévias: o serrista Andrea Matarazzo. Segundo o PMDB, é ele quem lidera o embate interno tucano e mais tem trabalhado para se viabilizar. Conta, para tanto, com o apoio dos também serristas, o ex-vice governador Alberto Goldman e o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP).

06/02/2012 - 12:25h Maiores apostas da oposição estão no Norte e Nordeste

Por Cristian Klein | VALOR

De São Paulo

Reduzida progressivamente desde a chegada do PT à Presidência em 2003, a oposição fará suas maiores apostas na disputa municipal deste ano em capitais do Norte e Nordeste. São justamente as duas regiões que se transformaram em redutos eleitorais dos petistas e de fortes aliados, como o PSB.

A concentração de candidaturas nestas “regiões minadas” pode tornar a sobrevivência dos adversários do governo federal nas capitais uma missão ainda mais difícil. Hoje apenas uma entre as 26 cidades é administrada pela oposição: São Luís, no Maranhão.

Sérgio Guerra (PSDB-PE), deputado federal e presidente do maior partido da oposição, aponta sete capitais como a linha de frente nas expectativas dos tucanos. Seis delas estão nestas regiões: João Pessoa, Maceió, Teresina e São Luís, no Nordeste; e Rio Branco e Belém, no Norte. A outra é Goiânia, no Centro-Oeste.

As maiores esperanças do DEM, segunda maior sigla oposicionista, estão em seis candidaturas, cinco das quais no Norte e Nordeste. Seu presidente nacional, o senador José Agripino Maia (RN), destaca as chances nas nordestinas Salvador, com o deputado federal ACM Neto; Aracaju, com o ex-governador João Alves;

Fortaleza, com o ex-deputado federal Moroni Torgan; e Recife, com o deputado federal Mendonça Filho), além de Macapá, com o deputado federal Davi Alcolumbre, no Norte. A sexta cidade, como para o PSDB, também está no Centro-Oeste: Campo Grande, com o deputado federal Mandetta.

Na quinta-feira, os dois partidos anunciaram uma aliança em quatro capitais do Nordeste. Em três delas, Aracaju, Fortaleza e Salvador, a chapa será encabeçada pelo DEM, e em Natal, pelo PSDB, com o deputado federal Rogério Marinho. A capital potiguar, contudo, é a única entre as nove da região que não foi apontada como promissora pela oposição. Ali, os favoritos são o ex-prefeito Carlos Eduardo (PDT) e a ex-governadora Wilma de Faria (PSB).

José Agripino Maia considera uma “mera circunstância” a concentração geográfica. “A oposição não é nordestina, está bem distribuída, como os outros partidos”, diz o senador, embora aponte a criação do PSD, pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, como uma das explicações. Kassab saiu do DEM e levou dele parte importante. “Em Santa Catarina, se não tivéssemos sido abandonados, seríamos hegemônicos em Florianópolis. [O PSD] nos tirou essa expectativa sulista. O próprio prefeito de São Paulo foi eleito pelo Democratas”, justifica Maia. Em Santa Catarina, o governador Raimundo Colombo levou praticamente todos os integrantes do DEM para o PSD.

Pela primeira vez com uma política de alianças mais flexível, o pequeno PSOL – que faz oposição à esquerda do governo federal do PT – pode surpreender neste ano. E seus dois trunfos estão na região Norte. A legenda lidera em Belém, com o ex-prefeito e ex-petista Edmilson Rodrigues, e tem chances com o vereador Clécio Luís, em Macapá, que conta com o senador e correligionário Randolfe Rodrigues como cabo eleitoral.

O PPS – que nas últimas quatro eleições só fez o prefeito de duas capitais, Boa Vista e Porto Alegre, em 2004 – é o único que aponta uma cidade do eixo Sul-Sudeste: Vitória, com o deputado estadual Luciano Rezende, além de Belém, com o federal Arnaldo Jordy.

“É curioso esse dado, porque o Norte e o Nordeste são os lugares onde fomos massacrados [na corrida presidencial] e os vitoriosos foram Lula e Dilma. E no Sul, onde ganhamos, a oposição tem fragilidades”, surpreende-se o deputado federal Roberto Freire, presidente do PPS.

O declínio tem sido progressivo. O retrospecto das siglas da oposição nas últimas eleições tem mostrado um processo de definhamento nas capitais das regiões Sul e Sudeste, as mais ricas do país.

Em 2004, quatro das seis cidades conquistadas pela oposição estavam nessas regiões: São Paulo (José Serra), Curitiba (Beto Richa) e Florianópolis (Dário Berger), com o PSDB, e Rio de Janeiro (Cesar Maia), com o PFL.

A diminuição acompanha a do cômputo geral: de seis capitais, em 2004, passou para cinco, em 2008, e hoje chega a uma. A perda em relação à última disputa municipal deve-se à saída de Kassab do DEM e à dança das cadeiras depois da eleição para os governos estaduais, em 2010.

Em virtude disso é que Sérgio Guerra argumenta que o PSDB detém apenas uma capital, pois dos quatro prefeitos eleitos em 2008, três deles – os de Cuiabá, Teresina e Curitiba – decidiram tentar a eleição para governador. Dois perderam – Wilson Santos e Silvio Mendes – e um ganhou, Beto Richa. “No Paraná, não temos mais a prefeitura, mas ganhamos o governo do Estado”, ressalta.

Com tantas fichas postas em regiões dominadas por PT e PSB, o deputado minimiza a possibilidade de o resultado da corrida municipal representar novo golpe para a oposição.

“O central não é a eleição de prefeitos; é a [disputa] proporcional, para vereadores”, diz. Guerra alega que a conquista de prefeituras tem o potencial de aumentar a bancada dos partidos na Câmara dos Deputados, mas não necessariamente influencia a corrida presidencial.

Apesar disso, o líder tucano acredita que a legenda aumentará seu número de prefeituras. Nas sete capitais citadas, Guerra diz que os candidatos do PSDB são favoritos. No entanto, esta condição nem sempre se confirma – seja pelas pesquisas ou pelo cenário eleitoral que se desenha.

É o caso de João Pessoa, na Paraíba. Ali, a esperança é de vitória do senador Cícero Lucena. Ele lidera, mas terá pela frente a candidatura da secretária de Planejamento da capital, Estelizabel Bezerra (PSB) – que representa as máquinas estadual e municipal, ambas comandadas pelo PSB -, e o ex-governador José Maranhão (PMDB), que perdeu a reeleição em 2010 por 53,7% a 46,3% para Ricardo Coutinho.

Em São Luís, João Castelo tem direito à reeleição, mas encontra enormes obstáculos. Castelo é acossado pelas máquinas federal e estadual – união entre o PT e o PMDB da família Sarney – e está mais de 30 pontos percentuais atrás do líder das pesquisas, o ex-deputado federal e presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Flávio Dino (PCdoB).

Em Maceió, o nome é o do deputado federal Rui Palmeira. O governador Teotônio Vilela Filho é tucano, mas a disputa volta-se para concorrentes do bloco de partidos ligados aos governos federal e municipal, como o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT), que lidera as pesquisas.

Os tucanos esperam ter bom desempenho em três capitais dos sete Estados que governam: além de Maceió, há Belém e Goiânia, com o deputado federal Zenaldo Coutinho e o secretário estadual Leonardo Vilela, respectivamente. Mas também contam com Rio Branco, onde tanto a prefeitura quanto o governo estadual estão com o maior adversário, o PT. A expectativa no Acre deve-se ao recall de Tião Bocalom – que perdeu por 50,5% a 49,2% para Tião Viana – e à suposta falta de candidatos expressivos da base petista. “Está praticamente ganha”, acredita o presidente do PSDB.

Em Teresina, com o ex-prefeito Firmino Filho, o PSDB tentará retomar o comando da capital depois que Elmano Ferrer (PTB), que tem direito à reeleição, se aproximou do grupo do governador Wilson Martins (PSB), que também deve lançar candidato. Ferrer era vice do tucano Silvio Mendes, que saiu para disputar e perder o governo do Estado para Martins.

As maiores expectativas do PSDB se concentram nas regiões Norte e Nordeste, redutos do PT e do PSB, mas cujas nove capitais estão fragmentadas entre sete partidos. Curiosamente, a única aposta tucana fora destas regiões, Goiânia, no Centro-Oeste, também tem o PT – do prefeito Paulo Garcia, que tenta a reeleição – como maior adversário.

No Sul e no Sudeste, onde os tucanos têm tido seus melhores desempenhos à Presidência e aos governos estaduais, São Paulo é a única capital em que o partido, segundo Sérgio Guerra, “está na disputa”. Neste grupo, ele inclui ainda Campo Grande, Palmas, Natal, Recife e, talvez, Salvador.

Na capital paulista, o presidente do PSDB minimiza a pouca densidade eleitoral dos quatro pré-candidatos tucanos. “O do PT também é”, diz. A diferença é que o ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, terá como grande cabo eleitoral o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas Guerra diz que a transferência de votos como a ocorrida na eleição da presidente Dilma Rousseff não deve se repetir. “O Lula já perdeu várias eleições em São Paulo. E o passivo do Haddad é conhecido: o Enem [Exame Nacional do Ensino Médio]“, afirma.

Em outros dois Estados governados pelo PSDB, apesar de não estarem na cabeça de chapa, os tucanos esperam colher vitórias tendo como aliado o PSB: Curitiba e Belo Horizonte.

No quadro geral de municípios, a meta da sigla é aumentar para mil o número de prefeituras. Uma tarefa complicada, já que a tendência tem sido de queda. Em 2000, o partido elegeu 989; em 2004, foram 870; e na última disputa, chegou a 790. O número, no entanto, é ainda menor, depois da debandada de prefeitos para o PSD de Kassab, no ano passado. “Não foram tantos, por volta de uns 30. No Ceará, sim, a perda foi grande”, diz Guerra. Um dos principais incentivadores da saída de prefeitos no Ceará foi o ex-tucano e ex-governador Ciro Gomes (PSB).

O objetivo de eleger mil prefeitos, portanto, significaria um improvável aumento de 30% no desempenho do partido, que tem perdido em torno de 10% a cada eleição. A taxa seria próxima à alcançada, em 2008, pelo PT, que cresceu 36%, embora ainda distante à do PSB, que aumentou em 79%. As duas legendas, de longe, são as que mais expandiram o número de prefeituras em relação a 2000: 199% (PT) e 136% (PSB).

O DEM foi a que mais definhou no período. De 1.026 para 494 (queda de 52%), isso sem levar em conta o êxodo para o PSD, no ano passado. José Agripino Maia afirma que o partido ainda está fazendo a contabilidade de quantas prefeituras estão sob seu controle.

19/01/2012 - 09:49h Oposição terceiriza seu projeto de poder

Cristian Klein – VALOR

Que a oposição está perdida não é novidade. A última evidência é a confusão no PSDB sobre qual avaliação o partido faz sobre o primeiro ano de governo da presidente Dilma Rousseff. Um diagnóstico mais virulento, produzido pelo ex-governador de São Paulo, Alberto Goldman, foi desautorizado e substituído por uma versão bem mais amena da direção nacional. Há tempos, os tucanos não sabem para onde apontar o bico.

A diferença agora é que fica mais claro o vácuo de poder. O PSDB parece acéfalo. O senador mineiro Aécio Neves frustrou as previsões de que seria a voz da oposição e teve uma atuação apagada em sua volta ao Congresso. Não deu outra. Com o ex-governador de São Paulo, José Serra, no ostracismo depois da derrota à Presidência em 2010, e o atual, Geraldo Alckmin, voltado para defender seu território contra uma eventual e forte aliança entre o PT e o PSD que ameaça seus planos para 2014, até o senador Alvaro Dias (PR) apresenta-se como pré-candidato da sigla à corrida presidencial.

A doença por que passa a oposição é a de não criar expectativa de poder. Sua estratégia agora é se misturar ao grande condomínio da coalizão liderada pelo PT, e tentar se infiltrar e abrir fissuras no bloco. A criação do PSD pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e sua “sociedade” com o governador de Pernambuco e presidenciável, Eduardo Campos, líder do PSB, é um exemplo desse movimento.

Em Campos deságua expectativa de voltar ao governo

A resistência do PSDB em bater no governo Dilma e o flerte de Alckmin com a presidente – visitante assídua de cerimônias no Palácio dos Bandeirantes – são outras evidências. Dilma, espertamente, encostou na oposição. E a oposição mantém o contato, que segue o plano de embolar com o adversário.

A ideia de que parcerias com programas federais ajudam na solução dos problemas da população é só uma mal disfarçada forma de mascarar a realidade. Quanto maior é a proximidade da oposição com o governo, mais ela revela a perda de sua força como alternativa. Não sem razão, o movimento foi intensificado depois de 2010.

O fracasso de Serra renovou a perspectiva de um governo petista pelo menos até 2018. A reeleição no Brasil, como nos Estados Unidos, criou um sistema em que o mandato praticamente é de oito anos, confirmado em sua metade, salvo um desastre. Hoje, a única esperança para a oposição é o agravamento da crise europeia a ponto de abalar seriamente a economia brasileira. Quanto pior, melhor. Mas a administração petista soube contornar, com destreza, até a crise de 2008. Então, haja paciência. E nem todos estão dispostos a esperar.

A perspectiva pessimista deixa a oposição muito mais longe de seu objetivo e exposta ao processo de definhamento. O DEM já passava por ele, antes da debandada para o PSD. O PSDB teme a mesma desidratação. Os rumores de que Serra pode sair para o PPS ou para o PSD (com menos probabilidade) para disputar a Presidência em 2014 é um retrato do desencanto.

A aproximação da oposição com o governo se dá, não por coincidência, no momento em que ela já percebe que está mais longe de ser a primeira via, o primeiro colocado, e mais perto de ser alcançada por quem vem atrás. Sua preocupação hoje é a de não ceder esse lugar ou minimizar a perda de espaço, negociando-o com a terceira via.

Por isso evitou agredir o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra (PSB), acusado de privilegiar seu Estado, Pernambuco, com verbas de combate a enchentes. Tudo para não melindrar Eduardo Campos, fiador de Bezerra.

Em Campos deságua hoje a principal expectativa de poder, fora do PT. Ele está na base do governo federal, mas habilmente constrói inúmeras pontes com a oposição, em alianças estaduais (São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Alagoas, Paraíba). A ida do deputado Márcio França para o governo Alckmin teve entre seus objetivos ajudar os tucanos e evitar que os petistas dominem São Paulo.

“O único foco real de oposição é São Paulo, Estado que impõe muito respeito e sozinho já assusta. Se o PT ganhar a capital e o governo, acabou o PSDB. O PT vira partido único, hegemônico”, diz um dirigente do PSB.

Há quem aponte que o destino da oposição (PSDB, DEM, PPS) passe por Campos, como garantia de um período de estancagem da hemorragia, para só então haver uma volta ao poder, em 2023. É um exercício de futurologia, ainda que autointeressado. “A oposição vai ficar no pé do Eduardo. Ele vai ser a salvação”, defende outro dirigente do PSB.

Eduardo Campos, no entanto, também tem suas dificuldades. Em primeiro lugar, precisa defender o que conquistou. Reelegeu-se com 83% dos votos, é o governador mais bem avaliado do país, mas, diante do fim do ciclo de dois mandatos, precisa fazer bem a transição. Tem o PT em seu calcanhar, no comando de Recife, e enfrenta o desafio da sucessão – sempre uma operação de risco, pela possibilidade de traição do apadrinhado. Sair do governo e eleger-se ao Senado é entrar numa trajetória declinante, como a de Aécio. Daí sua pressa de mostrar poder de fogo enquanto tem condições – como governador. Esforço evidente foi a força-tarefa montada na Câmara para eleger sua mãe, Ana Arraes, ministra do Tribunal de Contas da União.

Eduardo Campos quer influir como ator de peso em 2014. Seja como vice numa chapa de situação ou na cabeça de uma candidatura própria tendo Kassab como vice e/ou com apoio da oposição. Nos acordos para a eleição municipal, não quer discutir 2012 sem negociar 2014. A transferência do título eleitoral de Fernando Bezerra, de Petrolina para Recife, como ameaça ao PT, faz parte do jogo.

Em segundo lugar, Eduardo Campos carece de maior inserção no empresariado. Sem o mesmo enraizamento social e nacional, como os petistas, ou o poder econômico que mantém em São Paulo o polo da oposição, Campos procura abrir canais com o eixo Sul-Sudeste.

Pelo Brasil, o PSB já tem filiado nomes como Mauro Mendes, dono da Bimetal, no Mato Grosso, e José Batista Júnior, o Júnior Friboi, proprietário do grupo JBS, em Goiás. Mas em São Paulo, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, entrou na legenda e saiu para o PMDB. A aliança com Kassab, conhecedor do patronato paulista, pode ter, neste sentido, mais utilidade do que parece à primeira vista.

Cristian Klein é repórter de Política. Escreve mensalmente às quintas-feiras

E-mail cristian.klein@valor.com.br

17/01/2012 - 09:06h Tucanos podem ficar sem PTB na capital de São Paulo


Trabalhistas articulam com PMDB um vice para Chalita na corrida à Prefeitura; vaga também interessa ao DEM, outro aliado do PSDB

17 de janeiro de 2012

JULIA DUAILIBI – O Estado de S.Paulo

Sob a ameaça de perder o apoio do DEM na eleição deste ano para a Prefeitura de São Paulo, o PSDB assiste agora à possível migração de outro partido aliado para uma candidatura “adversária”. O PTB articula aliança com o PMDB, do deputado federal Gabriel Chalita, pressionado pelos líderes nacionais da legenda.

Em dezembro, Chalita participou de encontro da bancada do PTB num hotel em Brasília. Foi à reunião acompanhado do senador Gim Argello (PTB-DF), entusiasta da aliança com o PMDB. Argello é amigo de Chalita e conhece o deputado da Canção Nova, rede de TV católica.

O deputado também esteve com o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, no final do ano passado. O petebista deu aval para discutir uma eventual aliança entre as duas legendas.

O PTB pleiteia a vice de Chalita e um dos cotados para o cargo é o deputado Arnaldo Faria de Sá, que está no sexto mandato e poderia fazer um contraponto à imagem de Chalita, que tem 42 anos e está no primeiro mandato como deputado federal.

O PMDB também tem na mira o DEM, outro aliado dos tucanos. Com o patrocínio do vice-presidente, Michel Temer, o partido negocia a vice na chapa de Chalita. Em troca, o PMDB se dispõe a apoiar candidaturas do DEM pelo País. A ação conta ainda com a simpatia dos democratas paulistas.

Na mesa de negociação, o PMDB colocou a coligação na chapa de vereadores. Os líderes do partido lembram que em 2004 fizeram a aliança com o PT na proporcional e conseguiram eleger 6 vereadores. Na eleição de 2008, não fecharam o acordo com os tucanos, que apoiaram apenas na majoritária, e emplacaram apenas três parlamentares.

Segundo líderes do PSDB, a ação dos partidos aliados não incomoda o governador Geraldo Alckmin, já que o tucano é próximo de Chalita e não vê com maus olhos a candidatura do aliado, que foi seu secretário de Educação (2003 a 2006).

Entrave. A aliança PTB-PMDB precisa , no entanto, do aval do deputado estadual Campos Machado, presidente petebista em São Paulo. Ele defende o lançamento de candidatura própria, encabeçada pelo presidente da seção paulista da OAB, Luiz Flávio Borges D’Urso. Petebistas lembram que, na eleição de 2004, Jefferson conseguiu convencer o PTB a apoiar Marta Suplicy (PT), apesar da proximidade de Campos com o PSDB.

Temer e o deputado estadual Baleia Rossi, presidente do PMDB no Estado, devem conversar com Campos sobre a possibilidade dessa aliança.

O petebista chegou a ser candidato a vice na chapa de Geraldo Alckmin, na disputa municipal de 2008. Costumava chamar o governador de “irmão”. Nos últimos meses, investidas do governo paulista no Detran, área na qual Campos tem influência, acabaram estremecendo essa relação.

DEM. O Palácio dos Bandeirantes acha que é possível manter o apoio do DEM ao candidato tucano. A legenda detém o comando da Secretaria de Desenvolvimento Social, mas pode ter ganhar uma pasta de peso maior na reforma do secretariado prevista para fevereiro.

Além do DEM, os tucanos têm como foco o PP, do neoaliado Paulo Maluf. As duas siglas são donas do quarto e quinto maiores tempo de TV, respectivamente, atrás de PT, PMDB e PSDB.

29/06/2011 - 08:43h “Problema de Dilma não é a base mas a falta de rumo do governo”

Silvia Costanti/Valor

Afif: “Mexer para trás na Previdência, uma medida radical, é um erro que FHC e os outros governos cometeram”

Vandson Lima e Cristian Klein | VALOR

O vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, já foi do Partido Liberal (PL), pelo qual concorreu à Presidência da República, em 1989, e obteve a sexta colocação, com 3,2 milhões de votos. Seguiu a maior parte de sua trajetória política pelo Partido da Frente Liberal (PFL, desde 2007 como DEM), sempre associado ao ideário do Estado mínimo. Agora às voltas com a criação do PSD, partido que servirá para muitos como janela de adesão ao governo do PT em âmbito federal, Afif, em entrevista ao Valor, revisa sua trajetória e faz a defesa de um Estado forte, embora “não gordo”, que atenda às necessidades da nova classe média emergente no Brasil, consumidora de saúde e educação públicas. Diz não ser favorável a privatizações nestas áreas.

Avalia que as dificuldades enfrentadas pela presidente Dilma Rousseff junto ao Congresso Nacional, onde tem maioria, se dão pela ausência de rumo do governo: “Você tem uma base ampla sem um objetivo claro. Por falta de objetivo, essa base acaba trabalhando muito mais te pressionando. Eu já previa isso”.

Afif evita críticas ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que o demitiu, em abril, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico. E diz que, em São Paulo, “por uma questão histórica”, muito dificilmente PSD e PT estarão juntos na eleição pela prefeitura da capital, em qualquer um dos turnos. Abaixo, os principais trechos da entrevista:

Valor: O senhor foi do Partido Liberal (PL, hoje PR), depois do Partido da Frente Liberal (PFL, hoje DEM) e agora cria o PSD, que não se diz de direita, nem de esquerda. O Estado mínimo, defendido por partidos liberais, está ultrapassado?

“[Aliança] com o PT [em São Paulo] é mais difícil, pela tradição, mas pode acontecer em outros Estados”

Guilherme Afif Domingos: A minha tese sempre foi a de fazer um Estado forte, que não é Estado gordo. É aquele que cumpre a missão fundamental. Eu quero a educação nas mãos do Estado, distribuída nos seus níveis. Porque eu não passo toda a educação fundamental para os municípios, com recursos, tecnologia, para efetivamente atenderem essa demanda? É papel do Estado, não estou falando em privatização ou terceirização do ensino, de jeito nenhum. Estou falando de delegação de ensino nos vários níveis de poder. Na saúde, fazer prevalecer um sistema de SUS com mais recursos, e não recursos desviados para uma série de outras funções que não deveriam estar aqui [no Estado]. Função da Justiça é indelegável e precisamos de uma Justiça que funcione. Segurança pública então, meu Deus, o cidadão não vai andar armado. É o maior investimento que você tem que fazer para garantir os direitos e obrigações. E infraestrutura básica, esta sim delegável, fazendo PPPs, concessões, levando em conta que o que é público, eu posso ter concessão desde que eu faça o subsídio da tarifa. Agora, porque eu tenho que pegar grandes recursos públicos para fazer hidrelétricas? Para fazer ferrovia, se eu poderia atrair os capitais privados e só trabalhar em cima de subsídio? É porque tem muita mamata nesse jogo, tem muito consultor [irônico] nesse jogo.

Valor: PT e PSDB estão de olho no eleitorado da nova classe média. Como o senhor avalia o impacto político destes novos estratos?

Afif: É uma classe que ascende ao consumo. Que antes só consumia leite. Agora toma iogurte. É uma classe que passa a aspirar uma casa própria, uma geladeira, um fogão novo. Mas tenho quase certeza que é uma consumidora de educação pública. De saúde pública. É a principal consumidora de segurança pública. Que, por sinal, formam os quatro deveres fundamentais do Estado, além da Justiça, de trabalhar por igualdade de oportunidades. Em segundo lugar, há a consciência de que ele é um pagador de impostos. Tudo que você carregar em cima da empresa vai compor o custo de um produto final. No fim das contas, quem paga é o consumidor. Esta máquina arrecadadora pesa em cima de quem consome.

Valor: E como o PSD vai propor melhorar a prestação de serviços do Estado coibindo a sanha arrecadatória?

Afif: Você não parte para a ideia de reduzir impostos de cara. Se não atacar antes o problema de custos e desperdício do Estado, você vai criar uma condição terrível, que é a volta da inflação – menos arrecadação com o mesmo gasto. Aí a classe que mais sofre é essa, porque ela volta ao consumo básico, porque é a que menos tem condição de se defender.

Valor: O corte de gastos deveria ser onde?

Afif: Primeiro na estrutura dos desperdícios e aí eu volto ao princípio de você chamar Estados e municípios para nós estudarmos delegações específicas para efeito daquilo que deve ser feito. É racionalizar o processo de gastos.

Valor: Mas o que pesa nos gastos do governo é Previdência, programas sociais. Vai cortar aí?

Afif: Previdência no Brasil era superavitária, portanto o Brasil tinha investimento. O superávit da Previdência era carreado para o processo de investimento. Hoje é zero. Qual foi a atitude tomada para mudar o desbalanceamento total da previdência do funcionalismo público em relação à do cidadão comum? Partir para uma medida radical, mexer para trás. Isso é um erro que o [ex-presidente] Fernando Henrique [Cardoso] cometeu lá em 1994 e os governos continuam cometendo. Quando você mexe para frente, não berram, porque ninguém entrou. Nesses últimos 16 anos, o que não entrou de gente na máquina pública com os mesmos privilégios agravados do problema da aposentadoria?

Valor: Com que prefeitos o PSD já fechou para as eleições de 2012?

Afif: É cedo para falar. A primeira etapa foi trazer lideranças, especialmente do Congresso, porque o deputado federal é a medida de fundo partidário, tempo de TV. E cada um está trazendo os seus estaduais e seus prefeitos.

Valor: Mas, se pensarmos em um prefeito do DEM, por exemplo, que queira mudar para o PSD, porque vislumbra ser parceiro da base de governo, está cansado de viver à míngua, sem contatos com ministérios, como convencê-lo que poderá fazer isso se a principal liderança, o prefeito Gilberto Kassab, bate de frente com um homem forte do governo, Gilberto Carvalho, como no caso do ex-ministro Antonio Palocci?

Afif: Não acredito que tenha havido qualquer estremecimento por causa disso. O Kassab é o cara que tem mais diálogo com o governo. O PT mesmo falou pra parar de discriminar o PSD. Só o PT municipal [de São Paulo] continua. O PT veio pro centro, acabou esse negócio de radicalismo, sabem que, para crescer, tem que fazer aliança.

Valor: E a briga com o Alckmin? O PSD tem aliciado aliados preferenciais dos tucanos nos municípios paulistas?

Afif: Não é verdade. Vou explicar por quê. Foi o Estado onde nós menos fizemos carga. Para acabar com essa história de que é mais um partido paulista. O PSD está nascendo forte em 20 Estados. Será forte em São Paulo, mas acho que a equipe do governador [Alckmin] fez uma má-avaliação, quando do surgimento do partido, de que ele seria oposição ao governo, quando era na verdade uma dissidência ao DEM, não ao PSDB. Todo este carnaval está sendo feito pelo remanescente do DEM. É o medo que eles têm de surgir um partido forte, porque se decretou, efetivamente, a decadência do DEM. Nós mexemos com as placas tectônicas da política brasileira.

Valor: É verdade que o governo de São Paulo está ameaçando deixar à míngua os prefeitos que migrarem para o PSD?

Afif: Pode estar acontecendo no nível das lideranças regionais, mas, por iniciativa do governador, duvido. Tanto que tenho o melhor relacionamento com o Alckmin. As circunstâncias que me afastaram da secretaria foram muito mais por pressão do DEM e do entorno do governador. Eu tenho diálogo permanente com o [secretário da Casa Civil, Sidney] Beraldo. O meu diálogo com o governador vai logo, logo permitir a ele entender que o PSD é um parceiro importante em São Paulo.

Valor: Mas vai ser um possível parceiro tanto do PSDB quanto do PT em São Paulo?

Afif: Com o PT é mais difícil, pela tradição, mas pode acontecer em outros Estados como, por exemplo, na Bahia, onde o Otto Alencar é vice-governador de Jaques Wagner. Em São Paulo pode acontecer em prefeituras pelo interior, como já acontecia com o DEM. Em Carapicuíba, por exemplo, o prefeito é do PT e o vice, do DEM. No interior, só há dois partidos: “nós” contra “eles”. Na capital é mais difícil. Mas numa eventualidade de segundo turno é possível.

Valor: Em 2012, supondo que o candidato do PSD não chegue a segundo turno, que seja entre Serra e um candidato do PT, quem vocês apoiarão?

Afif: José Serra, sem dúvida.

Valor: Então não tem essa chance de aproximação com o PT?

Afif: Depende. E se for o contrário? E se um candidato da nossa coligação for ao segundo turno e o PT vier conosco? Pode acontecer.

Valor: Eduardo Jorge seria esse candidato?

Afif: É um exemplo. É uma figura adorável, amigo do Serra e defende, com equilíbrio, a causa ambiental em meio a um bando de desequilibrados da bandeira verde. Mesmo não sendo do partido, pode fazer parte do nosso bloco.

Valor: E se o segundo turno for entre um candidato do PT e um tucano do secretariado de Alckmin, como Bruno Covas ou José Aníbal, vocês apoiarão quem?

Afif: Eu acho mais difícil partir para hipótese do PT, por ser um adversário mais histórico.

Valor: Como o senhor vê o embate dentro do PSDB, entre os grupos de Serra e Aécio Neves?

Afif: Eu gosto muito do Serra, o acho uma grande figura, mas ele arriscou o tudo ou nada na candidatura à presidência. Não tinha nem plano B. As reivindicações dos dois lados são legítimas.

Valor: Como o senhor rebate as críticas à falta de ideologia do PSD?

Afif: Sempre disse que esses carimbos, de esquerda e direita, são coisas do século passado. Onde já se viu o PT defendendo privatização de aeroporto? Estão acanhados pra burro, mas defendendo.

Valor: Que prejuízos o senhor viu e que consequências teve ou terá para a base do governo Dilma essa crise pela qual o governo federal passou com a saída do Palocci?

Afif: Uma vez eu li [o livro] “A tirania do status quo”, do [casal] Milton e Rose Friedman, no qual eles diziam que nas democracias os governos têm um ano de estado de graça, que é o primeiro, no qual ele está vindo da transfusão de votos, então tem força. E vejo que o governo Dilma perdeu muito rapidamente este primeiro ano. Com esta visão errática. Se for tentar fazer no segundo ano já não consegue. As reformas fundamentais estão sendo rapidamente sacrificadas.

Valor: Isso não prejudica o projeto do PSD, que surgiu muito como um partido parceiro?

Afif: Mas quem disse que ele é parceiro de um projeto? Ele pode ser parceiro de um projeto que venha ao encontro do anseio de um partido emergente. Primeiro, não somos beligerantes. Segundo, não somos automaticamente adeptos. Queremos ser um partido com uma visão de independência, não beligerante.

Valor: Qual é sua opinião sobre uma das teses correntes que afirma que essa primeira crise do governo Dilma ocorreu porque a base é ampla demais e difícil de satisfazer? Uma base tão grande acaba levando à paralisia?

Afif: Se você sabe para onde quer ir você consegue usar uma base tão ampla para traçar o caminho. Então, isso é que preocupa. Você tem uma base ampla sem um objetivo claro. Por falta de objetivo, essa base acaba trabalhando muito mais te pressionando do que você a pressionando.

Valor: Esse é um dos problemas do governo Dilma?

Afif: Acho que é o maior. A ausência de rumo. Eu já previa isso. É uma manutenção, um “déjà vu”, aquilo que já estava sendo feito, os programas sociais…

Valor: Que rumo o senhor esperava que ela tomasse e está demorando a tomar?

Afif: Ter um controle dos gastos públicos visando o enxugamento de estrutura, abrindo campo para o investimento.

15/06/2011 - 09:47h DEM lança ”guerra jurídica” contra assinaturas do PSD

Julia Duailibi / SÃO PAULO e Júlio Castro / FLORIANÓPOLIS – O Estado de S.Paulo

ESPECIAL PARA O ESTADO

O DEM prepara-se para deflagrar a guerra jurídica contra o PSD, partido a ser criado pelo prefeito Gilberto Kassab. Os advogados da legenda foram orientados a questionar a coleta de assinaturas para criação da nova sigla nos cartórios eleitorais e fazer denúncias sobre quaisquer indícios de irregularidades aos Ministérios Públicos Eleitorais.

Para ser criado, o PSD precisa coletar 482 mil assinaturas em pelo menos nove Estados. A lei determina que, para concorrer a uma eleição, o registro no Tribunal Superior Eleitoral deve ser feito até um ano antes da disputa. Se o PSD quiser concorrer na eleição de 2012, tem de obter o registro até outubro.

Após perder quadros para o PSD, o DEM quer inviabilizar o registro da sigla neste prazo, o que traria incerteza para os políticos que pretendem disputar a eleição no novo partido. A estratégia se baseia na experiência recente do PRB, que teria demorado mais de um ano para obter o registro – isso sem contar com a “atuação” de adversários.

Santa Catarina. A ideia é retardar o processo, a exemplo do que ocorreu em Santa Catarina. Anteontem, a Justiça Eleitoral pediu à Polícia Federal abertura de inquérito após indícios de fraude na coleta de assinaturas para criar o PSD no Estado – o governador Raimundo Colombo anunciou sua saída do DEM rumo ao PSD.

Pessoas que foram incluídas em listas alegam que não assinaram o documento. Outras assinaturas de pessoas analfabetas também foram questionadas. De uma lista de 246 assinaturas, 11 foram consideradas irregularidades. O juiz eleitoral Manoel Donizete de Souza deve pedir exames grafotécnicos e a identificação de quem colheu as assinaturas. O inquérito, com prazo de conclusão de 30 dias, pode apontar crime com pena de reclusão de 1 a 5 anos, além de multa, segundo o artigo 350 do Código Eleitoral. O presidente da comissão provisória no Estado, Nelson Serpa, disse desconhecer o fato. “Faremos o que estiver ao nosso alcance para colaborar nas investigações.”

17/05/2011 - 09:21h Salvador: PSDB, DEM e PMDB devem se unir contra o PT em 2012

VALOR

De Salvador

No segundo turno das eleições municipais de 2004, os petistas apoiaram João Henrique (PP) para ser opor aos carlistas, representados por César Borges (PFL). Em 2008, foi a vez de o carlismo apoiar João Henrique em contraposição à candidatura de Walter Pinheiro (PT). Com o prefeito fora da disputa em 2012, finalmente os dois grupos poderão se enfrentar, sem intermediários, pelo comando de Salvador.

No PT, o deputado federal Nelson Pellegrino deve encabeçar a chapa. É o preferido do governador Jaques Wagner e já foi candidato à prefeitura outras três vezes. Seu desafio será acalmar os ânimos de petistas da Executiva municipal e da Câmara de Vereadores, que ficaram revoltados com suas declarações recentes de que aceitará qualquer apoio, inclusive de João Henrique. Além disso, Pellegrino defende, assim como o prefeito, a adoção do Bus Rapid Transit (BRT) como transporte de massa para a cidade. Os vereadores do PT preferem o Veículos Leves sobre Trilhos (VLT). O senador Walter Pinheiro (PT), que concorreu em 2008, não descarta nova candidatura.

PSB, PCdoB, PTB e PDT, partidos da base governista no Estado e habituais aliados do PT, estudam a possibilidade de irem às urnas com nomes próprios. A deputada federal Alice Portugal (PCdoB) e a ex-prefeita Lídice da Mata (PSB) são pré-candidatas. Marcos Medrado, deputado federal pelo PDT, também deseja se lançar à disputa e teria o aval do ministro do Trabalho e presidente da sigla, Carlos Lupi. Os partidos têm se reunido periodicamente para definir uma agenda política conjunta. Caso um deles chegue ao segundo turno, ganharia o apoio dos demais.

Do outro lado, DEM, PSDB, PMDB e PPS se articulam para marchar unidos. Geddel Vieira Lima (PMDB) e ACM Neto se dizem dispostos à candidatura, desde que a escolha seja consensual: “Não seria o meu plano imediato, mas se houver um entendimento de que sou o melhor nome, aceito”, diz Geddel, que vislumbra a sucessão estadual em 2014. Na mesma linha, ACM Neto diz que não se impõe como candidato, mas espera que as circunstâncias – de vitória, inclusive – lhe sejam favoráveis: “A cidade vai precisar de um prefeito que transforme o estilo de governar, pois vive um problema sério de gestão. O ideal é que a oposição de Wagner ofereça um só candidato”. Nas eleições de 2010, ACM Neto, reeleito deputado federal, recebeu mais votos em Salvador (134.360) do que Geddel como candidato ao governo (131.398 votos).

Há ainda a chance, a depender da situação política do prefeito, de João Leão (PP), chefe da Casa Civil, concorrer à sucessão. Em um evento para empresários em Vitória da Conquista, o ministro Mário Negromonte (PP) “lançou” Leão, saudando-o como “prefeito de Salvador”. (VL)

11/05/2011 - 11:26h DEM pressiona Maciel a escolher sigla ou Kassab


Convite do prefeito para ex-senador do DEM integrar conselhos de CET e SPTuris irritam comando do partido

Eduardo Bresciani – O Estado de S.Paulo

A nomeação do presidente do Conselho Político do DEM, o ex-vice presidente da República Marco Maciel, para cargos em conselhos de empresas da prefeitura de São Paulo causou desconforto dentro do DEM. Apesar de o presidente da legenda, José Agripino, dizer não desconfiar da postura do colega, parlamentares do partido defendem uma pressão para forçar Maciel a escolher entre o DEM e o prefeito Gilberto Kassab, que deixou a legenda para fundar o PSD.

Marco Maciel receberá salário de R$ 12 mil para participar de uma reunião por mês dos conselhos da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e da São Paulo Turismo (SPTuris). O ex-vice-presidente é ligado ao grupo de Jorge Bornhausen, que na semana passada também anunciou seu desligamento do DEM.

Integrantes do DEM reagiram pedindo que a cúpula do partido pressione Maciel a decidir se ficará com a legenda ou com Kassab. “Não dá para ficar com um pé em cada canoa. Ele tem que se decidir”, disse um parlamentar.

O presidente do partido afirma que o DEM não vai se manifestar sobre a nomeação de Maciel. “Eu não tenho nenhuma desconfiança da postura política partidária do Marco Maciel. Quem vai falar sobre esse assunto é ele.” O Estado não conseguiu localizar Maciel.

09/05/2011 - 08:25h A agonia de um partido

Renato Janine Ribeiro – VALOR

Dez anos atrás, analistas conservadores previam que um terceiro partido, grande e ideológico, se somaria ao PSDB, do centro, e ao PT, de esquerda. Seria o PFL (atual DEM), pela direita. Na ocasião, ele já havia perdido seu presidenciável por excelência, Luis Eduardo Magalhães, precocemente falecido. Mas Roseana Sarney, então filiada a ele, no começo de 2002 despontou como candidata favorita ao Planalto. Com o poder de ACM, na Bahia, e a inteligência de Cesar Maia, no Rio, o partido parecia ter um futuro promissor.

Assistimos agora a sua possível agonia. Fala-se em sua fusão com o PSDB, mas ela cheira mais a incorporação ou anexação do que a uma união em condições de igualdade. Com 43 deputados eleitos em 2010, o DEM se manteve como a quarta bancada na Câmara – mas decaiu muito desde a eleição de 1998, quando com 105 deputados o então PFL compunha o maior grupo parlamentar, por sinal com um número de deputados que nenhum partido conseguiu de lá para cá. Há poucas semanas, ele foi também abandonado pelos próximos do prefeito de São Paulo. A situação é ainda mais grave, se lembrarmos que o DEM já não conta com nenhum governador (o último, José Roberto Arruda, teve de renunciar em condições vergonhosas), nem prefeito de cidade importante, depois de perder Gilberto Kassab. O PSDB pode ter eleito apenas dez deputados a mais que o DEM em 2010, mas governa vários Estados, inclusive os dois maiores, e dispõe de lideranças capazes de disputar a presidência do país.

O DEM poderia ser, mas não é, o partido do Simples

Por que o DEM está se perdendo? Uma razão importante pode ser o realinhamento que o governo Lula promoveu do voto dos pobres, no Brasil. Durante muito tempo, eles votaram nos coronéis, na direita, no clientelismo. Mas, no governo Lula, os programas sociais fizeram que os pobres não organizados começassem a sufragar candidatos mais próximos de seus interesses econômicos e sociais. Isso certamente esvaziou o grande partido conservador. Outra causa pode ser a dificuldade de viver na oposição. Seus detratores diziam, maldosos, que o DEM tinha “500 anos no governo”; desde 2003, porém, ele se manteve corajosamente na oposição, mas talvez não estivesse muito preparado para isso. Porém, para analisar o esvaziamento do DEM, há cientistas políticos mais capacitados do que eu. Aqui, o que pretendo expor é por que ele não conseguiu ocupar o espaço ideológico que seria de uma direita inteligente e moderna, de um partido liberal consistente.

A visão que os liberais têm da sociedade não inclui simpatia por uma igualdade de resultados. Eles não consideram justo que pessoas que se empenharam pouco ganhem o mesmo que pessoas realmente dedicadas ao trabalho. Mas um liberal consistente defenderá, de maneira intransigente, a igualdade de oportunidades. O ponto de chegada é diferente e depende de cada um de nós. Já o ponto de partida requer ações, inclusive do Estado, para que ninguém tenha desvantagens excessivas – ou sequer vantagens exageradas. Jean-Jacques Servan-Schreiber, um dos grandes liberais do século XX, defendia até a abolição da herança. Mesmo liberais mais modestos procuram zerar as dificuldades com que muitos nascem. Por isso, a ação afirmativa e até as cotas sociais e étnicas podem se adequar bastante bem ao que chamo de liberalismo autêntico. Nada disso, porém, sequer se vislumbrou no PFL-DEM, que foi e é um partido, simplesmente, conservador.

Um liberal quer que todos comecem sem vantagens ou prejuízos imerecidos, mas com a finalidade de que cada um possa empreender o máximo possível. O verbo “empreender” tem tudo a ver com “empresário” – mas, cada vez mais, se liga a empreendedor. Há muito mais empreendedores do que empresários. Estes, geralmente, têm mais dinheiro e atuam essencialmente na economia. Já o empreendedor é com frequência um pequeno empresário e pode atuar em inúmeros setores, inclusive o social. Em outras palavras, um partido liberal de verdade deveria incentivar enormemente os pequenos empresários. Seria o partido do Simples. Não seria o partido dos ricos, das grandes empresas ou do PIB. Seria o partido dos pequenos que querem crescer com base na iniciativa e trabalho pessoais.

Mas essa categoria, ou talvez classe, social está politicamente órfã no Brasil, por assim dizer. Nenhum partido se interessa demais por ela – quando muito, o PSDB ou o PT no governo evitam prejudicá-la demais e tentam atraí-la um pouco – e ela também não se empenhou em se organizar do ponto de vista político.

Talvez o pior de tudo seja a incapacidade do DEM – e, por que não dizer, de nossos partidos – em assumir o empreendedorismo social como causa. Não, talvez me engane ao criticar todos os partidos: Ruth Cardoso, com suas ações na Comunidade Solidária, ia por aí; é possível que a franja empresarial da candidatura Marina Silva também tomasse esse rumo. Mas é digno de nota que justamente o partido que mais brandiu o termo “liberal” em nosso período republicano – o Partido da Frente Liberal, que com esse nome viveu de 1985 a 2007 – não se tenha interessado por isso. Se assim foi e assim é, lamento dizer que não se empenhou em promover o que seria seu diferencial específico, sua missão histórica.

Pode ser que o DEM sobreviva, sem fusão. Tudo indica, porém, que já perdeu seu lugar no Clube dos 4 Grandes que, a exemplo do futebol, define a política partidária brasileira. Curiosamente, parece que sua vaga foi para o PSB, que soma a uma bancada congressual não tão grande um elenco, esse sim, significativo de governadores. Mas o problema, com ou sem o DEM, é que continua nos faltando um partido autenticamente liberal.

Renato Janine Ribeiro é professor titular de ética e filosofia política na Universidade de São Paulo. Escreve às segundas-feiras

E-mail rjanine@usp.br

07/05/2011 - 10:31h Laboratório paulista

A partir de uma briga regional, políticos de vários partidos promovem uma reforma que não passa pelo Congresso e nem atende aos interesses dos eleitores

Alan Rodrigues – Istoé

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EXPERIÊNCIA
Serra, FHC, Alckmin, Marta, Temer, Lula, Mercadante, Chalita e Kassab (da esq.
para a dir.) são protagonistas dos bastidores de 2012 com reflexos em 2014

São Paulo, o maior colégio eleitoral do País e principal bunker da oposição demo-tucana, vem funcionando nos últimos meses como o laboratório para uma movimentação partidária de repercussão nacional. Com o governo federal colecionando índices de popularidade cada vez mais altos e uma oposição dividida e sem bandeiras, uma briga paroquial que coloca de um lado o governador Geraldo Alckmin e do outro o prefeito Gilberto Kassab e o ex-governador José Serra acabou se transformando, na prática, em uma espécie de reforma política que se alastra para todo o País. O problema é que essa reforma não passa pelo Congresso e desconsidera o interesse do eleitor. Seus protagonistas movem-se motivados apenas pela própria sobrevivência político-eleitoral. “Como o Congresso não fez a reforma necessária e nossos partidos não são agremiações ideológicas, os políticos estão fazendo a seu sabor e particularidade aquilo que melhor lhes cabem”, avalia o consultor Gaudêncio Torquato, professor da Universidade de São Paulo (USP). “Eles perderam a biruta e a falta de projetos coletivos permite a formação de um partido que se transforma rapidamente na tábua de salvação dos náufragos de diversas legendas, que, sem um discurso definido, procuram se aproximar daquilo que tem agradado ao eleitor nas mais diferentes regiões do País”, explica Torquato, referindo-se ao Partido Social Democrático (PSD), criado pelo prefeito paulistano Gilberto Kassab, sob as bênçãos do tucano José Serra e a batuta do veterano democrata Jorge Bornhausen.

O recado que saiu das urnas no ano passado foi decisivo para a gestação do novo partido. O eleitor de São Paulo escolheu o tucano Alckmin, decepcionou o cacique José Serra, sinalizou alguma convergência com a popularidade de Lula e do PT e, a exemplo do que fez boa parte do Brasil, repudiou o DEM. Para sobreviver e poder, se preciso, acolher o padrinho político Serra (cada vez mais isolado no PSDB), Kassab anunciou a formação do PSD, aglutinando tucanos que não se bicam com Alckmin e líderes que agonizam junto com o DEM. O laboratório paulista mostrou que realmente repercute e rapidamente passou a acolher interesses de todas as regiões, independentemente de qualquer preceito ideológico. O próprio Kassab afirma em sua peregrinação na busca das assinaturas necessárias para a formalização do partido: “O PSD não é de direita, nem de centro, nem de esquerda.” Com importantes líderes deixando o ninho tucano paulista em direção às fileiras kassabistas, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Alckmin e outros dirigentes do PSDB batalham para unir formalmente o partido ao pouco que resta do DEM. Seria uma forma de manter espaço na oposição. O problema é que a tarefa de segurar correligionários parece cada vez mais difícil. “Eles formaram um partido que é aliado do PT no plano nacional, em Minas se aproximam de Aécio Neves e do governador Anastasia, e nos outros Estados e municípios recebem todos os que querem aderir a qualquer que seja o governo local”, disse Alckmin a líderes do PSDB e do DEM na última semana.

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TENDÊNCIA
“O que acontece em São Paulo é fruto de uma mudança no cenário
político nacional e envolve todos os partidos” Jorge Bornhausen

“É lamentável o enfraquecimento das legendas para um partido que ninguém sabe o que quer”, avalia o cientista político Fábio Wanderley, doutor pela Universidade de Harvard e professor da UFMG. “Estamos vivendo uma grande crise partidária e isso não favorece a democracia”, lamenta. Principal orientador político de Kassab, o ex-senador Jorge Bornhausen reconhece a repercussão do movimento paulista. “O que acontece em São Paulo é fruto de uma mudança no cenário político nacional e envolve praticamente todos os partidos”, diz o veterano político catarinense. Ele não admite que o que move essas peças não é ideologia ou projetos para o País, mas tem razão ao dizer que a movimentação não se limita a uma oposição que saiu das urnas em frangalhos. A prova disso é que mesmo na base aliada do governo federal os movimentos no laboratório paulista não param de ocorrer, colocando em risco o projeto do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff de, em 2012, conquistar um dos principais redutos tucanos. No início do mês, o vice-presidente Michel Temer, conseguiu tirar do PSB e trazer para o PMDB o deputado Gabriel Chalita, aliado de Alckmin e um dos maiores puxadores de votos em São Paulo. Na semana passada, foi a vez de o PSB perder de sua fileiras o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que também migrará para o PMDB. Skaf e Chalita querem disputar a prefeitura paulistana em 2012. Com essa movimentação, o PMDB, principal aliado do PT no plano nacional, tenta ser mais respeitado e cria condições para eventualmente não repetir no maior colégio eleitoral do País a parceria federal, caso não seja saciado. “O PMDB precisa deixar de ser coadjuvante nas grandes cidades e assumir a condição de estrela de real grandeza”, tem dito Temer àqueles que pretendem buscar outras legendas.

Os movimentos são intensos, mas, nas próximas semanas, os experimentos que partem de São Paulo poderão encontrar um obstáculo difícil: o Judiciário. Ao fazerem uma espécie de reforma que não passe pelos trâmites legais, os políticos estão desafiando a Constituição e poderão ter seus desejos barrados no STF, órgão já consultado por alguns deputados paulistas, que por enquanto pedem para não ser citados, mas que não admitem o papel de cobaia.

03/05/2011 - 09:53h ”Temos de superar a crise rapidamente”

Ex-aliado de Kassab afirma que partido tem conseguido estancar saída de filiados e que prefeito ‘busca caminho’

O Estado de S.Paulo

ENTREVISTA – Rodrigo Garcia, secretário estadual de desenvolvimento social

Para o secretário de Desenvolvimento Social, Rodrigo Garcia, o DEM “vive uma crise” que deve ser superada “o mais rápido possível”. Sobre a investida do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, sobre quadros do DEM e do PSDB para fortalecer o seu PSD, diz: “Ele está buscando o caminho dele”. / J.D. e G. U.

A entrada do sr. no governo é a confirmação da aliança DEM-PSDB?

Mostra o reforço da aliança em São Paulo, que ela tem uma nova cara no governo, que é o meu nome. É o reforço do compromisso com o PSDB e com o governador, e mostra que o partido está forte no Estado. A impressão que se deu é que o partido tinha desmanchado. Perdeu grandes figuras, mas a maioria dos deputados e prefeitos permanece. É essa força que pretendemos reforçar no ano que vem, para o DEM disputar o maior número possível de cidades.

A aliança entre os partidos se estende para 2012 e 2014?

Acho que sim. Temos papel na oposição importante e acredito que é natural. Mas respeitando características de cada cidade.

Tucanos criticam Kassab, dizendo que ele não tem sido leal ao tirar quadros do DEM e PSDB.

Vejo que é um partido que está se formando e quer ser o maior possível. O DEM vive uma crise, temos que superar o mais rápido possível essa crise e encontrar as bandeiras que nos trouxeram até aqui. O partido está fazendo um papel importante de oposição no Congresso. Isso está reverberando pouco na sociedade, porque estamos no começo do governo, e o grande desafio é a eleição de 2012.

Mas como o sr. avalia essa investida de Kassab sobre os partidos da oposição ao Planalto?

Ele está buscando o caminho dele. Em São Paulo, meu esforço e o dos que ficaram é não deixar o partido diminuir nem perder quadros. Estamos sendo bem-sucedidos.

DEM e PSDB vão se fundir?

A fusão não está colocada de maneira concreta.

03/05/2011 - 09:38h Aécio se aproxima do novo PSD para consolidar candidatura à Presidência


Hoje principal nome do PSDB para 2014, senador mineiro conta com auxílio do ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen para se aproximar de Kassab; movimento visa neutralizar José Serra, que é o padrinho político do prefeito de São Paulo

Christiane Samarco – O Estado de S.Paulo

Até agora mero espectador do inchaço do PSD e do definhamento do DEM, o senador tucano Aécio Neves (MG), aspirante a candidato do PSDB à Presidência em 2014, colocou o partido criado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, no centro de seu radar de alianças. Com isso, o mineiro, que já tem o “espólio” do DEM, busca alargar sua rede de segurança política.

Ontem, um dia depois de criticar ataques de tucanos ao PSD e de defender a tese de que é preciso “conversar e manter vínculos” com os líderes do novo partido, o senador deu um passo concreto para se aproximar da cúpula da legenda. Jantaria em Uberaba com o ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen, linha de frente do prefeito de Kassab nas articulações para criar o PSD.

“Todos os que têm pretensão política devem manter as portas abertas. Acho inteligente a posição de Aécio de evitar críticas ao PSD”, disse o ex-senador Bornhausen ao Estado no final da tarde de ontem, quando se preparava para o jantar na casa do deputado Marcos Montes (DEM-MG), parlamentar aecista. “A gente pode amanhã estar junto. Então, por que fazer crítica mais ácida?”, emendou o ex-senador.

Com o incentivo de Bornhausen, Aécio se movimenta para fincar um pé na nova legenda, evitando que seu concorrente no PSDB – o ex-governador José Serra, que também tem um pretensões presidenciais em 2014 – tenha um canal exclusivo de diálogo com os dissidentes do DEM que estão migrando para o PSD, já que Kassab é afilhado político do ex-governador paulista.

O que abriu espaço para a aproximação em meio ao tiroteio de tucanos contra o PSD foi a declaração de Aécio na comemoração do 1.º de Maio em São Paulo. Ele aproveitou a festa organizada pelas centrais sindicais para falar do “apreço” por Kassab, embora observando que o novo partido “nasce sem identidade”.

Com Alckmin. Anteontem Aécio conversou com o governador, Geraldo Alckmin, sobre a crise no PSDB paulista, intensificada pela criação do PSD. Os dois se encontraram antes do evento e seguiram juntos para o encontro dos sindicalistas. Apesar de ter minimizado o racha no partido, o governador teria demonstrado desconforto com a ação de tucanos que estariam atuando contra a unidade.

Anfitrião do jantar de ontem em Minas, o deputado Marcos Montes informou que a senadora Kátia Abreu (TO), outra que está trocando o DEM pelo PSD, também era aguarda. Embora a lista de convidados fosse extensa – em torno de 60 pessoas – ele adiantou que Bornhausen e Aécio seriam acomodados à mesma mesa. “Eles são bons amigos. Bornhausen tem grande admiração pelo Aécio”, justificou.

Mais do que afirmar que, hoje, Aécio está “naturalmente” melhor posicionado do que Serra no PSDB, com vistas ao projeto presidencial de 2014, Bornhausen diz que não vê “nenhum impedimento de natureza ideológica nem de ordem ética” para uma parceria futura.

O ex-presidente do DEM já saiu da legenda, mas deixará a tarefa de se filiar ao PSD reservada ao filho e deputado federal, Paulo Bornhausen (SC), hoje licenciado da Câmara para comandar a Secretaria de Desenvolvimento Econômico sustentável do governo de Santa Catarina.

“O futuro é deles. Eu serei um torcedor”, afirmou o ex-senador, hoje apontado como braço direito de Kassab. “Participamos de uma etapa importante do País, com a redemocratização, e depois compartilhamos o bem sucedido governo Fernando Henrique, de mudanças. Minha função terminou”, despista.

Nos bastidores, porém, sua atuação mostra que ele está bem longe da aposentadoria. No último fim de semana, acompanhou o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, a uma visita ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), para tratar do PSD. As conversas sobre fusão entre as duas legendas encerraram, mas o descarte desta hipótese não significa afastamento entre as siglas.

Muito ao contrário, Campos e Colombo acertaram parceria nas eleições municipais de 2012. O grande desafio do PSD é garantir a sobrevivência sem o tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, que é calculado de acordo com o desempenho da legenda nas eleições anteriores e o tamanho de suas bancadas no Congresso.

Em Santa Catarina, os candidatos a prefeito pelo PSD deverão disputar em aliança com os socialistas de forma a poderem contar com o tempo de televisão do PSB na campanha. / COLABOROU JULIA DUAILIBI

03/05/2011 - 09:16h Governador deixa DEM e leva grupo para sigla de Kassab


Raimundo Colombo, de SC, confirma ida ao PSD com aliados das bancadas estadual e federal; partido será maior que o Democratas

Christiane Samarco – O Estado de S.Paulo

O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, deixou o DEM para se filiar ao PSD do prefeito de São Paulo Gilberto Kassab. E não vai só: parlamentares das bancadas estadual e federal do partido vão acompanhá-lo. Apesar da divisão interna alimentada pela insegurança de migrar para uma nova legenda a um ano das eleições municipais de 2012, há expectativa de que a regional catarinense do PSD possa ficar maior do que o DEM estadual.

Colombo vinha trabalhando para agregar à nova legenda comandada por Kassab quadros de outros partidos e já contabiliza vitórias. Um deputado federal do PSDB, Jorginho Mello, já avisou ao governador que está de malas prontas para seguir com ele para o PSD e as adesões não param aí. O deputado estadual do PT, Kennedy Nunes, também sinalizou a disposição de aderir à nova sigla que poderá reunir cinco deputados federais.

De passagem por Florianópolis no final de semana, para prestigiar o casamento de um amigo, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), acabou ajudando Colombo a convencer seu grupo a acompanhá-lo.

Abordado pela imprensa antes da cerimônia, Geraldo Alckmin descartou a fusão com o PSDB que o DEM catarinense considerava fundamental para a sobrevivência do partido, com a opção de descartar a mudança para o PSD.

Influência tucana. Quem se aproveitou da declaração foi o prefeito Gilberto Kassab, que havia desembarcado em Florianópolis para participar da reunião do grupo de Colombo realizada domingo à noite, na casa do presidente da Assembleia Legislativa, Gelson Merísio. O prefeito paulista usou as palavras de Alckmin para convencer o grupo de que não havia outro caminho para a sobrevivência de todos fora do PSD.

“Vamos parar de ser subsidiários do PSDB e tocaremos nosso projeto com parcerias que possam nos fortalecer no futuro. O DEM, com o atrelamento único e exclusivo ao PSDB, acabou virando filial dos tucanos”, disse o deputado e secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Paulo Bornhausen (DEM-SC), animado com a mudança.

Ao final, os parlamentares presentes ao encontro marcado para analisar o quadro político local e nacional avaliaram que a fala do governador paulista teve peso no contexto. “Foi o que faltava para sacramentar rapidamente a decisão de mudar de partido”, avalia um dos participantes da reunião.

Como a saída de Raimundo Colombo era vista pela direção do próprio DEM como uma espécie de golpe final que inviabilizaria a sobrevivência do partido, dirigentes nacionais do DEM ainda tentaram uma operação de última hora para segurar o governador. Sem a alternativa da fusão, no entanto, não tiveram força para demovê-lo da ideia.

Novo rumo. Em nota oficial, o governador catarinense afirmou que “a sociedade nos mostra a necessidade de um novo caminho” e registra as dificuldades de sensibilização da cúpula partidária em relação a uma mudança de rumo no DEM.

O governador argumentou ainda que a falta de uma resposta levou os correligionários do DEM em Santa Catarina a “formar forte convicção da necessidade de se construir um novo partido político no Brasil”.

O próximo passo, ainda segundo a nota oficial divulgada por Colombo, será de contato com as bases sobre os motivos da decisão tomada na noite do último domingo.

01/05/2011 - 09:04h Prefeito é irônico e fala em ‘angústia’ do DEM

Anna Ruth Dantas Natal – O Estado de S.Paulo

No lançamento do PSD no Rio Grande do Norte, Estado natal do presidente nacional do DEM, José Agripino Maia, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (ex-DEM), foi irônico ao rebater ontem críticas do ex-correligionário. Para Kassab, o presidente do DEM vive um “momento de angústia”. Quando questionado sobre uma recente declaração do senador Agripino, que acusou o PSD de ser “um partido a serviço do Palácio do Planalto”, Kassab disse: “Eu desejo muita sorte ao senador José Agripino. Sei que ele vive um momento difícil, de angústia”.

A criação do PSD já retirou políticos expressivos do DEM, além do próprio Kassab, como o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos.

Kassab evitou comentar sobre articulações oposicionistas em prol da fusão do PSDB e DEM, que foi defendida pelo ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. “Não gostaria de comentar isso, porque já estive nesse partido”, observou.

O futuro PSD, disse Kassab, já conta com 38 deputados federais. Sobre a filiação do governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo (DEM), ele foi evasivo: “Não posso aqui dizer sobre a filiação. Claro que gostaria que ele estivesse com a gente”.

O prefeito negou que esteja se alinhando ao governo federal. “Nosso partido terá uma posição de independência. Aqui estão colegas que tiveram posições diferentes na eleição passada, por isso seremos independentes. Até 2014 iremos formar nossa posição”, disse.

No Rio Grande do Norte, décimo Estado visitado por Kassab para fundar o PSD, o partido terá a maior bancada da Assembleia, com cinco deputados. O vice-governador, Robinson Faria, comandará o PSD. A governadora, Rosalba Ciarlini, segue no DEM.

01/05/2011 - 08:44h Aliança PSDB-DEM será ‘compulsória’


Ideia de fusão, vista com resistência nos dois lados, não será posta em prática antes de oposição testar união obrigatória em 2012

Julia Duailibi e Daniel Bramatti – O Estado de S.Paulo

O DEM e o PSDB estudam a formalização de uma “união compulsória” entre os dois partidos já na eleição de 2012. Os planos de fusão entre as duas legendas, que encontram resistência em ambos os lados, serão discutidos apenas depois das disputas municipais no ano que vem.

A ideia é “dogmatizar” as alianças municipais entre os dois partidos: nas cidades em que o PSDB for mais forte, o DEM apoiará o candidato a prefeito, assim como os tucanos defenderão as candidaturas dos democratas nos locais onde estes tiverem mais chances de vitória.

“A fusão remete a uma discussão de médio prazo. Neste momento, vamos debater a compulsoriedade (das alianças)”, afirmou o senador José Agripino Maia (RN), presidente do DEM. Para ele, a tese da aliança obrigatória deve ser colocada num documento a ser ratificado pelos partidos. “A solução adequada agora é fazer alianças para a disputa pelas prefeituras”, disse o líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira, para quem a fusão permitirá aos partidos atuarem mais “nacionalmente”.

Na semana passada, líderes tucanos trouxeram a público a discussão sobre uma eventual fusão, que já se arrasta nos bastidores desde a eleição de 2010, quando os dois partidos perderam cadeiras no Congresso e viram seu poder de fogo diminuir.

Uma eventual fusão faria da legenda resultante a mais “rica”, ao menos em termos de repasses do Fundo Partidário. Unidos, PSDB e DEM abocanhariam cerca de R$ 56 milhões do fundo em 2010, mais do que o PT (R$ 49 milhões) e o PMDB (R$ 37,6 milhões). Na divisão do tempo de propaganda eleitoral, o partido resultante também ficaria em primeiro lugar – mas essa vantagem é relativa, pois os tempos de TV de PSDB e DEM já são somados quando se coligam.

Entraves. As desvantagens de uma eventual fusão foram enumeradas recentemente em artigo do ex-prefeito Cesar Maia (DEM). Para ele, seria extremamente complexo definir o espaço de cada dirigente de um novo partido nas 27 unidades da Federação e 5.556 municípios. As principais disputas por espaço entre tucanos e integrantes do DEM se dão em Estados como Bahia, Goiás e Rio Grande do Sul.

“Além disso, existem as listas de vereadores por município e de deputados federais e estaduais por Estado, cuja agregação produzirá riscos maiores ou menores (nas eleições) para centenas de parlamentares”, argumentou Maia. O risco maior, para o ex-prefeito, é que a fusão sirva como brecha para uma debandada de políticos. “A legislação autoriza parlamentares e detentores de cargos executivos que se sintam prejudicados a mudar de partido. Alguns deputados federais e vários deputados estaduais e vereadores usarão essa circunstância. O novo partido ficará menor.”

Apesar de Maia considerar as discussões sobre a fusão “pura perda de tempo”, elas estão em andamento. Neste ano, integrantes das bancadas do PSDB e do DEM analisaram o tema na casa do deputado Pauderney Avelino (DEM-AM).

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também tratou recentemente do tema com o ex-senador Jorge Bornhausen (DEM). O governador Geraldo Alckmin (PSDB) também sinalizou ser favorável à fusão. “Eu acho que é um tema a ser discutido”, afirmou em evento realizado na quinta-feira.

Embora haja manifestações favoráveis, o único consenso, neste momento, é jogar a discussão para depois da eleição. “Para a eleição de prefeito não dá”, afirmou o advogado Tito Costa, autor do livro Recursos em Matéria Eleitoral. Para ser válida na eleição de 2012, a fusão entre as duas legendas teria de sair até setembro, o que está fora da pauta.

Do lado tucano, há quem ache que o partido tem mais a perder, principalmente do ponto de vista de imagem. Para esses, o DEM estaria demasiadamente vinculado à direita, enquanto o PSDB deveria reforçar seu ideário social-democrata.

No DEM também há avaliações de que o assunto é prejudicial ao partido, porque enfraqueceria a legenda no momento em que está sofrendo um desfalque para o PSD, sigla a ser criada pelo prefeito Gilberto Kassab.

Alheios a esses argumentos, os defensores da fusão dizem que os partidos, unidos, ganharão massa crítica para projetar a oposição. Também se fortalecerão e terão mais capilaridade pelo País. A situação do DEM, que perdeu mais musculatura que o PSDB, tornaria a fusão uma questão de sobrevivência.

29/04/2011 - 09:18h Alckmin defende debate ’sem pressa’ sobre fusão

Gustavo Uribe – O Estado de S.Paulo

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), mostrou-se favorável ao debate sobre a fusão entre PSDB, DEM e PPS e destacou que este é um tema a ser discutido por essas legendas de oposição ao governo Dilma Rousseff. “Eu acho que é um tema a ser discutido”, disse ontem, após participar de evento para divulgar a campanha de vacinação 2011, na capital paulista.

Apesar da garantia de que “vê com bons olhos” a proposta, o governador ponderou que a fusão não precisa ocorrer agora. “Isso não tem pressa, não precisa ser feito agora. Enfim, é uma discussão partidária.”

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu nesta semana que existe a possibilidade de fusão entre PSDB e DEM, mas destacou que as conversas são “preliminares”. O presidente nacional do DEM, senador Agripino Maia (RN), também considerou a hipótese, mas disse que as conversas ainda são informais.

Evasivas. O governador também fez um alerta nesta semana sobre o papel da oposição no Brasil e destacou que o País não tem vocação para a existência de um partido único. Indagado sobre a crise que atinge sua legenda em São Paulo, Alckmin tergiversou: “O PSDB não está em crise, é natural esse procedimento que ocorre. As pessoas têm liberdade (para sair da legenda)”.

Alckmin também foi evasivo quando perguntado sobre o papel do vice-governador Guilherme Afif Domingos, que foi afastado da Secretaria de Desenvolvimento Econômico para acomodar o DEM no governo estadual. “O doutor Afif fez um bom trabalho na pasta e combinei com ele que teremos atribuições relevantes e importantes para nos ajudar no governo”, afirmou, sem detalhar quais seriam as funções.

O tucano também evitou comentar as críticas feitas pelo ex-deputado estadual Ricardo Montoro, publicadas pelo Estado. O filho do ex-governador Franco Montoro assumiu que cogita deixar a sigla e que teme pelo futuro da legenda. “Nenhum comentário”, respondeu.

29/04/2011 - 08:56h Ex-tucanos de SP rumam para aliados federais

Partidos: Bancada do DEM na Câmara paulistana perde mais um e defecção já atinge seis vereadores do partido

Ana Paula Grabois | VALOR

De São Paulo

Em um cenário de enfraquecimento da oposição, a maioria dos seis vereadores do PSDB de São Paulo de saída da sigla deve migrar para partidos da base do governo federal. Apenas dois vereadores tucanos da capital paulista pretendem rumar para a legenda que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, decidiu fundar, o PSD – o presidente da Câmara Municipal, José Police Neto, e Souza Santos.

O vereador Juscelino Gadelha acertou sua ida ao PMDB e deve formalizar sua filiação na semana que vem. “Sou um tucano de pouca penagem que volta para o seu ninho, o PMDB”, disse Gadelha, que foi do partido entre 1998 e 2003. “Se o PMDB apoia o governo Dilma, vou acompanhar a agremiação”, disse. Ligado ao ex-governador de São Paulo, José Serra, o futuro pemedebista explicou que sua saída do PSDB tem como única razão o tratamento dispensado pelo grupo do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). “A nova direção do PSDB queria que a gente perdesse na urna no ano que vem, iam dar o troco”, afirmou. Em 2008, na disputa para prefeito da capital, os vereadores tucanos não seguiram com Alckmin e apoiaram Kassab, conforme acordo fechado com Serra.

O vereador Ricardo Teixeira também está em conversas avançadas com o PSB, outra legenda governista. Gilberto Natalini e Dalton Silva têm conversado com o PV. “É o partido que mais se aproxima do que eu penso. O PSD não é uma opção que se alinhe à minha história de vida ou ao meu futuro político”, disse Natalini. Da bancada de 13 vereadores, o PSDB ficará com apenas 7.

No DEM, o número de dissidentes aumentou ontem. O vereador Carlos Apolinário anunciou que pretende sair do seu partido. Será o sexto vereador do DEM a deixar a legenda. A bancada do partido na Casa ficará reduzida a dois parlamentares: Milton Leite e Sandra Mudalen. Apolinário se disse decepcionado com a direção nacional do DEM por não ter sido convidado à reunião de ontem da executiva nacional, em Brasília. “Não mereço o tratamento que tive, não abro mão disso. Ou me respeitam ou não sou democrata. Como me sinto à vontade em um partido onde sou inexistente?”, completou. ” Parece que estamos repetindo os erros do PSDB”, completou.

Apolinário disse que ainda vai pensar para qual partido migrará. “Vários partidos me convidam”, afirmou. Ele negou que irá para a sigla de Kassab, ao contrário dos cinco colegas da bancada que irão para o provável PSD. “Não vislumbro no PSD espaço para fazer política agora”, disse.

Apolinário fez críticas à escolha de Alexandre de Moraes para a presidência do diretório municipal paulista. Moraes foi secretário de Kassab até junho do ano passado e saiu brigado com o prefeito. “Ele nunca foi dirigente partidário, nunca foi eleito. Basta ser inimigo declarado do Kassab para ser escolhido”, afirmou.

O vereador Milton Leite, que ameaçou sair do DEM caso não conseguisse a presidência do diretório estadual, resolveu se manter na sigla. Na quarta-feira, convenceu o presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN), a abrir espaço nas executivas estadual e municipal a ele e a seus filhos, o deputado federal Alexandre Leite e o deputado estadual Milton Leite Filho. Saiu da reunião com a vice-presidência da executiva estadual paulista. O filho Alexandre foi para a vice-presidência municipal. O outro filho virou representante nos dois diretórios. Desde a saída de Kassab do DEM, há cerca de um mês, os diretórios da capital e estadual estavam vagos. “Se eu saísse, meus filhos também sairiam e o DEM perderia o direito de verificação de presença na Câmara Federal, porque a bancada cairia de 32 para 31.”

27/04/2011 - 08:58h FHC lamenta racha tucano e não descarta fusão com DEM

Ex-presidente admite que ”existem propostas” para criar PSDB/Democratas e faz apelo à unidade e coesão de oposicionistas

Jose Patricio/AE

Jose Patricio/AE
‘Convicção’. FHC e a oposicionista venezuelana Maria Corina


Gabriel Manzano – O Estado de S.Paulo

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu ontem que “existem propostas” em andamento para a fusão entre o PSDB e o DEM, mas acrescentou que não sabe “qual a tendência, se vai ou não ser feita” essa fusão. Foi o primeiro dirigente importante, entre os tucanos, a tocar no assunto sem descartar automaticamente a ideia.

A frase foi dita durante debate realizado no Instituto FHC sobre a situação política na Venezuela, da qual participaram vários líderes da oposição ao governo Hugo Chávez.

As propostas sobre fusão, segundo o ex-presidente, têm “aspectos delicados”. Para ele, “mais importante é manter a coesão dos partidos”. A propósito, considerou “lamentável” a saída do secretário Walter Feldman do PSDB e fez um “apelo à unidade” entre os oposicionistas. “Ninguém pode pregar a democracia se não a praticar internamente”, disse ainda. Condenou o que chama de “falta de aceitação da diversidade” (na oposição) e afirmou: “Divergências entre pessoas são normais, o que não é normal é a ruptura”.

“É lamentável a saída de qualquer pessoa, sobretudo uma pessoa importante”, avaliou, sem mencionar nomes. “Dentro de um partido é preciso se aprender a conviver com a diversidade, tem de haver pluralidade interna”. E repetiu seu apelo à união: “Faço até um apelo ao partido: temos de nos esforçar para continuar unidos”.

Deu como exemplo o grupo de palestrantes venezuelanos, entre os quais a deputada Maria Corina Machado. “Me surpreendeu a convicção deles”, observou. Sobre as relações de seu governo com Hugo Chávez, afirmou que “poderia ter sido um pouco mais efetivo”. Mas lembrou que Chávez “era mais manso” na época. / COLABOROU GUILHERME RUSSO

19/04/2011 - 09:34h Dias de agonia

Panorama Político – O GLOBO

● O DEM continua sangrando. Ontem, o tesoureiro do partido, Saulo Queiroz, deixou a sigla. O próximo pode ser o governador Raimundo Colombo (SC). Ele sofre intensa pressão de Jorge Bornhausen, prefeitos, vereadores e deputados estaduais para entrar no PSD de Gilberto Kassab. Eles alegam que o DEM não tem futuro e que o PSD, que “não é de direita, nem de esquerda, nem de centro”, cria a perspectiva de um projeto novo e viável.

Leia a integra da coluna Panorama Político, no jornal O GLOBO

04/04/2011 - 09:45h Indio anuncia entrada no PSD de Kassab

Clarissa Thomé / RIO – O Estado de S.Paulo

O ex-deputado Indio da Costa, que disputou a vice-presidência da República na chapa de José Serra (PSDB) indicado pelo DEM, anunciou ontem à tarde, pelo Twitter, que vai participar da criação do PSD. “Vou para o PSD fazer política moderna, independente, sem rancores, por um Brasil melhor. Levo comigo os valores que sempre defendi”, escreveu. A criação da nova legenda vem sendo articulada pelo prefeito paulistano Gilberto Kassab, que, como o ex-deputado, se desligou do DEM.

Sem mandato, Indio se disse “absolutamente tranquilo” para se engajar na criação do PSD. Ele afirmou ter cogitado entrar no PPS ou no PSDB – , “bons partidos”, segundo ele -, mas notícias sobre uma possível fusão dessas siglas com o DEM teriam feito o ex-deputado mudar de ideia.

Futuro. Indio deixou o DEM na semana passada, após divergências com o ex-prefeito do Rio Cesar Maia e o filho dele, o deputado Rodrigo Maia. Ele é cotado como um dos nomes para disputar a Prefeitura do Rio em 2012. Questionado sobre uma eventual candidatura, disse: “Não tenho a menor ideia”.

Segundo Indio, “questões locais” provocaram sua saída do DEM. “A falta de democracia interna do partido é uma delas. Não se pode pregar democracia para o País e dentro da própria casa não ter democracia.”

O ex-deputado acertou a adesão ao PSD em reunião com o Kassab, no sábado. “O PSD tem toda a condição de ser um partido moderno, com discussões conectadas com a sociedade brasileira”, avaliou.

Questionado se a nova legenda poderia vir a integrar a base do governo, respondeu que o partido “nasce independente para contribuir com o Brasil”. “As propostas que são boas para a sociedade terão todo apoio nosso. O que a gente achar que não é bom para sociedade vai ter uma crítica”, desconversou.

Indio refutou as críticas de que o PSD nasce sem linha ideológica – em entrevista à rádio Estadão ESPN, na semana passada, Kassab, disse que a legenda “não será de direita, não será de esquerda, nem de centro”.

“Eu me sinto num partido muito moderno. Essa linha ideológica a que se referem caiu por terra quando Tony Blair fez a terceira via, que colocava que você pode ter um governo com políticas de direita e de esquerda, sendo colocado como tese de maneira consistente. E isso acontece hoje no Brasil – um governo de esquerda, com políticas econômicas em grande parte de direita”, alegou Indio. O ex-deputado disse que foi procurado por “muita gente” – entre deputados, vereadores e prefeitos – interessados em ingressar no PSD.

01/04/2011 - 08:49h DEM tira de Kassab posse da marca JK e devolve para família

DEM tira de Kassab posse da marca JK e devolve para família
Prefeito havia usado CNPJ do partido para registrar endereços eletrônicos, incluindo o de sua futura sigla, PSD

Marcelo de Moraes / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

A disputa entre o DEM e o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, chegou ao campo virtual. Antes de sair da legenda para deflagrar o processo de criação do PSD, Kassab registrou vários endereços na internet para vinculá-los à nova sigla. Só que ele usou dados vinculados a sua antiga legenda, que foi à forra e ficou com a posse das marcas registradas, incluindo o domínio jk.org.br, que o DEM vai devolver à família do presidente Juscelino Kubitschek.

Para registrar os endereços virtuais, Kassab usou o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) da comissão provisória do diretório paulista do DEM. Na semana passada, a cúpula nacional do partido destituiu a regional paulista após a saída do prefeito, que havia deixado os diretórios estadual e municipal sob o comando de seu vice, Alfredo Cotait. Com a destituição da regional, a Executiva do DEM passou a ter direito legal sobre os sites registrados por Kassab, incluindo o www.psd.org.br e o endereço www.jk.org.br.

Este último tinha sido registrado pelo prefeito sem autorização da família de Juscelino. A cúpula do DEM comunicou à família que está desfazendo a operação e lhe devolvendo a posse da marca.

Ao registrar a posse desse endereço eletrônico, a ideia de Kassab era tentar vincular seu novo partido, que tem a mesma sigla usada por JK quando foi eleito presidente, em outubro de 1955, à imagem de um dos políticos mais reconhecidos do Brasil. Kassab alegou que tinha sido autorizado pelos herdeiros a fazer o movimento, mas foi desmentido por uma filha e uma neta de Juscelino. Além de desautorizar Kassab, elas cogitaram entrar na Justiça contra o uso das iniciais.

Marcas famosas. O DEM ficou também com a posse de outras marcas registradas por Kassab. São eles o www.democraciabrasileira.org.br; www.democraciasocialbrasileira.org.br; www.partidosocialdemocrata.org.br; www.partidosocialdemocratico.org.br; www.psd-sp.org.br; e www.psdsp.org.br.

A tendência é que o DEM repasse as marcas para o novo partido quando ele for oficialmente constituído, mas, como a saída de Kassab da legenda acabou sendo feita num clima turbulento, esse processo deverá demorar a ser concretizado. Para viabilizar candidaturas pelo PSD na eleição de 2012, o partido precisa ter registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até outubro.

24/03/2011 - 08:09h Indio anuncia saída do DEM e Rio passa a ser prioridade de líderes

Executiva quer evitar debandada para partido de Kassab; ex-deputado deve disputar a prefeitura carioca no próximo ano

Marcelo de Moraes / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

Surpreendida na noite de ontem com a saída do ex-deputado Indio da Costa (RJ), a nova Comissão Executiva Nacional do DEM se reúne hoje em Brasília para neutralizar eventual efeito dominó nas fileiras do partido no Rio de Janeiro, um dos centros de gravidade da legenda.

A missão é estancar novas baixas, materializadas após o movimento liderado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, com a criação do PSD (Partido Social Democrático). Na contabilidade do partido, o DEM deverá perder pelo menos 7 de seus 43 deputados federais, mas existe a avaliação de que, à exceção de Kassab, os quadros perdidos não faziam parte da linha de frente da legenda.

A caminho do partido de Kassab, o candidato a vice na chapa presidencial de José Serra (PSDB) é o nome do PSD para disputar a prefeitura do Rio, em 2012. “Saio do DEM para continuar na política. Defenderei, onde estiver, as mesmas ideias, valores e princípios que defendi em 2010″, escreveu Indio no Twitter, à noite.

À tarde, após encontrar Kassab, Indio havia dito que sua situação no DEM estava complicada, principalmente pela decisão do do ex-prefeito Cesar Maia de assumir pessoalmente o comando do diretório municipal do partido. “Essa atitude dificulta a convivência”, desabafou o ex-deputado, após almoço com o prefeito paulistano.

Indio classificou a decisão de Maia como “catastrófica”. “Se tem um partido que se diz democrata, a primeira coisa que se tem de fazer é praticar a democracia partidária.” No Rio, a tendência é que Cesar Maia defenda a candidatura de seu filho, deputado Rodrigo Maia, à prefeitura.

Estancamento. No radar do DEM, além de movimentos de insatisfação detectados no Rio, aparece o deputado Vilmar Rocha (GO), que também estaria de malas prontas para o PSD. Fora ele e os quatro parlamentares paulistas que já decidiram acompanhar Kassab, o DEM já contabiliza a iminente desfiliação dos deputados Paulo Magalhães e Fernando Torres, ambos da Bahia.

Outra que pode deixar a legenda é a deputada Nice Lobão (MA). Ela é casada com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, que pertence ao PMDB, mas ainda mantinha laços políticos com o DEM. Nice também deverá trocar o partido pelo PSD de Kassab.

Diante desse cenário, os dirigentes do DEM avaliam que conseguiram interromper a sangria na legenda. Especialmente por conta da troca do comando do partido, agora presidido pelo senador José Agripino Maia (RN), e pelo apoio recebido de aliados do PSDB, como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o senador mineiro Aécio Neves, que ajudaram a segurar políticos no partido.

Na reunião de hoje, a tendência é que o DEM se organize para prestigiar os políticos que preferiram continuar na legenda, em vez de atenderem ao convite feito por Kassab para mudarem para o PSD. Assim, esses partidários passariam a ocupar espaços nas comissões mais nobres do Congresso (no caso de deputados federais e senadores) e vagas importantes nos diretórios regionais e municipais, no caso de prefeitos e vereadores. / COLABORARAM DAIENE CARDOSO e LILIAN VENTURINI