22/03/2009 - 12:18h Datafolha: aguardando segunda-feira

Domingo é o dia em que os jornais vendem mais. A Folha de hoje traz pesquisa Datafolha sobre intenção de voto em alguns Estados, a 19 meses das eleições. Não tem qualquer sorte de importância, como prova entre outros exemplos, o fato de Geraldo Alckmin liderar com mais de 50% das intenções de voto a 8 meses das eleições municipais em São Paulo e acabou fora do segundo turno.

A escolha dos nomes para configurar os cenários eventuais deixou de lado o nome de Gilberto Kassab, que os demos gostariam de ver como candidato a governador em 2010, assim como o nome de Aloizio Mercadante que foi candidato a governador pelo PT nas últimas eleições. No caso de Kassab, a sua ausência da pesquisa permite a Alckmin atingir um patamar de intenção de voto superior, pois é o único candidato do campo demo-tucano. Já no campo da oposição de centro-esquerda o Datafolha incluiu em todas as simulações o nome de Luiza Erundina e a dos eventuais nomes do PT, com a consequente divisão das intenções de voto do eleitorado. Na última eleição na capital paulista, Luiza Erundina não foi candidata e apoiou Marta Suplicy. Para dar um exemplo do significado da eliminação do nome de Kassab e a de manter Erundina, basta olhar as intenções de voto na capital, onde Alckmin aparece com 34%, Marta com 20% e Erundina com 10%.

Em fim, como já escrevi pesquisa eleitoral com 19 meses de antecipação serve só para alimentar a projeção de nomes e as disputas internas nos partidos. Carece de qualquer outro valor ou interesse. Bem diferente de avaliar a situação dos governantes, particularmente em momentos delicados como os de hoje com o impacto da crise econômica. Teria sido interessante sim, a Folha publicar hoje os resultados da avaliação do governo estadual e do prefeito de São Paulo, que seguramente o Datafolha fez. A questão é de atualidade e permitiria comparar com a avaliação feita sobre o governo Lula.

Provavelmente ficará para segunda-feira, dia em que os jornais vendem menos. LF

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DATAFOLHA

Alckmin lidera com folga e opositor está indefinido

Tucano obtém de 41% a 46% das intenções de voto para o governo de SP em 2010

Ex-governador obtém pior resultado em confronto com Marta; Datafolha diz que favoritismo de Alckmin está ligado a “recall” de eleições

JOSÉ ALBERTO BOMBIG- Folha SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O tucano Geraldo Alckmin, derrotado ainda no primeiro turno da eleição do ano passado para prefeito de São Paulo, é o preferido dos paulistas na corrida para governador, segundo o Datafolha. Trata-se da primeira pesquisa de intenção de voto nas eleições de 2010 para governos estaduais.
Atual secretário de Desenvolvimento do governador José Serra (PSDB), ele obtém entre 41% e 46% das intenções de voto -sempre na liderança- em todos os cenários em que ele foi citado.
Serra, nome mais cotado entre os tucanos para disputar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também em 2010 e líder nas pesquisas, não aparece em nenhum deles.
A 19 meses da eleição, nenhum dos adversários de Alckmin atinge sequer a metade de suas intenções de voto nos cenários em que ele é apresentado. Os mais bem posicionados são os ex-prefeitos Marta Suplicy (PT) e Paulo Maluf (PP).
O melhor desempenho do tucano (46%), que governou São Paulo de 2001 a 2006, ocorre quando o candidato do PT é o ministro da Educação de Lula, Fernando Haddad. Contra Marta, o tucano obtém seu pior resultado (41%).
Na hipótese de o deputado federal e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci concorrer pelo PT, Alckmin chega a 45%.
O outro nome tucano apresentado pelo Datafolha, o do secretário da Casa Civil de Serra, Aloysio Nunes Ferreira, oscila de 2% a 3% das intenções. Ele e Alckmin já travam uma batalha dentro do partido e do Palácio dos Bandeirantes pelo direito de concorrer em 2010.
A pesquisa foi realizada entre 16 e 19 deste mês. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

“Recall”
O diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, diz que o levantamento mostra “amplo favoritismo de Alckmin”. Mas ele ressalva que Aloysio, Haddad e o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf -também testado em todos os cenários-, ainda são pouco conhecidos.
“Os demais já concorreram nas urnas muitas vezes e recentemente. A campanha para o governo costuma ficar escondida por conta da disputa pela Presidência, e o eleitor, por causa disso, só se lembra dela mais adiante”, afirma Paulino.
Como exemplo, ele cita o desempenho de Paulo Maluf (PP), que chega a liderar com 20% quando Alckmin sai da disputa. Também sem o ex-governador tucano, a ex-prefeita Luiza Erundina (PSB) atinge 14%, seu melhor índice.
O resultado da pesquisa deve servir de combustível para Marta na disputa interna do PT. Derrotada por Gilberto Kassab (DEM) no segundo turno da eleição para a Prefeitura de São Paulo, ela chegou a ser apontada como nome descartado do processo.
No entanto, Palocci e Haddad, que seriam os preferidos de Lula, ainda mostram pouca viabilidade. O ex-ministro da Fazenda oscila de 3% a 5%.
O ministro da Educação não passa de 2%. Já Marta chega a liderar com 19% no cenário sem Alckmin e com Aloysio.
Além de Skaf (sem partido), também foram apresentados em todos os cenários Campos Machado (PTB), Ivan Valente (PSOL), Paulinho (PDT) e Soninha (PPS).

31/10/2008 - 13:41h Eleições municipais

Agrupei as três notas que escrevi sobre as eleições municipais, para facilitar a leitura e agrupá-las no arquivo.

27/10/2008 – 09:42h

Ir além da aritmética eleitoral (I)

Concluídas as eleições municipais corresponde avaliar a situação política e as novas relações de força que emergiram do escrutínio.

Com a mesma ênfase com que pretendia que as eleições municipais eram essencialmente locais e não tinham qualquer relação com o plano federal, os jornais hoje procuram projetar os resultados em sentido inverso, procurando destacar uma suposta derrota eleitoral do governo e uma vitória da oposição.

Essencialmente os resultados das eleições municipais de 2008 (os números, tanto de votos, como de prefeituras) repetem o mapa das eleições de 2004, mas amplificando a votação e as conquistas dos partidos da base do governo, em detrimento dos partidos da oposição (DEM-PSDB-PPS).

Sem desprezar as vitórias obtidas pela oposição, sua força simbólica e seus desdobramentos políticos, a aritmética eleitoral mostra uma diminuição de sua influência e dos municípios por ela governados, particularmente nas cidades acima de 200 mil habitantes e nas capitais.

As eleições municipais confirmaram o quase desaparecimento do DEM-PFL das prefeituras. Perdeu Rio de Janeiro, onde contrariando a tendência que favoreceu a continuidade, Cesar Maia não fez seu sucessor. Afastou o “carlismo” de um retorno com ACM Neto em Salvador e ganhou sobrevida com a vitória de Kassab, porem estreitamente limitada as decisões de José Serra. O PPS virou pó e o PSDB conseguiu manter sua força, diminuída de muitas prefeituras, em cidades já governadas por eles. No plano nacional, a oposição e a mídia não podem sustentar na aritmética eleitoral uma vitória, de fato inexistente, ou uma derrota de Lula e do governo federal. O PT foi o segundo partido mais votado no país e passou a governar 566 prefeituras, 143 a mais que em 2004 . O PMDB, por sua vez, cresceu 54% em termos eleitorais em relação a 2004 (Fonte jornal VALOR).

Mas entre a aritmética eleitoral e a política, as percepções e suas repercussões nos partidos, não existe automaticamente equivalência ou identidade. Por isso não é suficiente constatar os ganhos e perdas, requer-se ir além e aprofundar a analise política sobre as projeções dos resultados eleitorais.

Vou tentar aportar minha opinião em várias notas sobre diversos elementos destas eleições, sem a pretensão de aportar respostas a uma série de problemas revelados nesta campanha. Em outras notas tratarei especificamente das eleições em São Paulo.

Se no plano geral do cômputo municipal, os partidos da base do governo federal obtiveram as maiores vitórias, um analise pormenorizado mostra que destes partidos, é o PMDB quem mais se fortalece e o crescimento dos municípios conquistados pelo PT não compensa este fato, diminuído assim o peso do partido do presidente, na disputa política no campo da base aliada.

A diminuição do voto e dos municípios controlados pela oposição, não deve ocultar a importância política da vitória de Serra na cidade de São Paulo. Não só por ter conseguido a reeleição de Kassab, mas por ter obtido este resultado derrotando ao mesmo tempo seu principal adversário no PSDB, o ex-governador Alckmin e impedido assim o crescimento em São Paulo de seu rival Aécio Neves. A vitória de Serra é por isso uma vitória política muito significativa, reforçada mais ainda pela derrota de Marta e do PT, por uma margem grande e significativa.

Ao mesmo tempo, os limites desta vitória inegável de José Serra é que ela não conseguiu se projetar fora do Estado, na vitória de Gabeira no Rio, candidato do Serra e maior esperança deste segundo turno, após Kassab, para a oposição e a mídia. A vitória do candidato de Aécio em BH também constituí um limitador da vitória do paulista e de suas pretensões para 2010.

O PT deverá proceder a uma avaliação aprofundada sobre sua situação. Ele não pode limitar sua avaliação dos resultados a constatar o simples crescimento em prefeituras e em votos obtido pela legenda, ou no crescimento dos partidos da base do governo. Em primeiro lugar porque o PMDB é um aliado muito dividido nos diferentes Estados (em São Paulo está na oposição). Em segundo lugar, porque o PT, como partido, não conseguiu resolver o divorcio com uma parte significativa do eleitorado, particularmente da região sudoeste e sul e nestas regiões, de seu afastamento de contingentes significativos de eleitores da classe média urbanizada. Isto é particularmente válido nas capitais, como em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre.

27/10/2008 – 14:52h

Ir além da aritmética eleitoral (II)

Quando os dirigentes do PT, os senadores Mercadante e Suplicy, os deputados federais e estaduais de São Paulo e os vereadores do partido, foram a Brasília pedir para Marta ser novamente candidata à prefeitura, as pesquisas e as analises eleitorais indicavam uma vitória quase certa para o ex-governador Geraldo Alckmin. Mesmo assim era impossível para Marta recusar esta convocatória unânime do seu partido, na medida em que só ela podia assegurar um resultado eleitoral expressivo em São Paulo.

O curso dos acontecimentos mudaram em parte esta analise, tirando Alckmin do segundo turno, mas não o favoritismo do centro-direita que acabou vitorioso na cidade.

A vitória de Serra se reveste de uma força maior, pois conseguiu ao mesmo tempo eliminar seu adversário tucano e derrotar a candidata petista com uma avalanche de votos.

Esta vitória de Kassab e Serra na cidade de São Paulo foi contundente. Ela só tem equivalente na vitória de Pitta e Maluf em 1996. O paralelo não é só numérico, mas político e social.

A estrutura econômica, social, política e midiática que tem como eixo e expressão partidária o tucanato, conseguiu uma importante vitória, preservando assim seu projeto de recuperar o poder, perdido para Lula e o PT em 2002.

A decadência do malufismo foi substituída pela emergência e consolidação do PSDB na cidade. A evolução do PSDB para o centro-direita permitiu que ele incorporasse as bases de sustentação social e política do malufismo, o conservadorismo e o anti-petismo.

Esta substituição foi facilitada pela ação militante da mídia, que no passado foi reticente ao malufismo e que hoje faz corpo e alma com o tucanato contra o PT.

Mas este processo que hoje manifesta com força sua consolidação, só foi possivel pela incapacidade do PT em conquistar a hegemonia na cidade a partir da vitória de Marta em 2000. Evidentemente que intervém nesta dificuldade a sadia recusa do PT a virar um partido do conservadorismo e do status quo, mas também sua dificuldade a superar suas limitações programáticas e administrativas, em favor de uma visão mais moderna da esquerda e da luta contra a desigualdade social.

A hegemonia da direita em São Paulo tem uma longa tradição e história. As vitórias eleitorais da esquerda foram exceção, só duas, e diretamente ligadas à conjunturas eleitorais (divisão da direita e modo de escrutínio que permitiu a eleição de Erundina em 1988; experiência Pitta e declínio do malufismo, combinado com apoio eleitoral do centro-esquerda tucano em favor da Marta em 2000). A divisão também se fez presente nesta eleição, mas com carateristicas diferentes, é suas conseqüencias podiam ter pesado no resultado do pleito se tivessem servido para ampliar a base social de apoio da candidata petista o que não foi conseguido pela campanha e pela candidata.

Romper esta hegemonia exige muito mais que uma vitória eleitoral como foi a de 2000, requer a consolidação de um governo com ampla base de sustentação social e política, além de uma disputa de valores com muito peso numa cidade conservadora como São Paulo.

Ter governado São Paulo na difícil situação econômica e financeira deixada por Pitta na cidade, e de FHC no país, permitiu que o PT consolidasse seu cacife eleitoral no patamar de 40%, mas não permitiu ir além. Ele fincou firme sua força e sua inserção na periferia e entre os mais pobres, porém não conseguiu mudar suas relações com setores médios arrastados pelos conservadorismo para um anti-petismo reacionário.

A incapacidade do PT aqui mencionada, combinou-se com as conseqüências dos erros cometidos por quadros e dirigentes do PT com relação as questões de financiamento irregular dos partidos, amplamente explorados pela mídia e a direita nos últimos anos contra o PT.

Um fator importante em São Paulo é o peso do poder da mídia aqui, diferente do resto do Brasil. Esse peso está a serviço do PSDB contra o PT e quando os demo-tucanos ficam inaudíveis a mídia os substitui como partido de oposição, visando a desestabilizar o governo federal. Mas este peso é maior em São Paulo porque o discurso de direita encontra respaldo no conservadorismo das classes médias que são diretamente influenciadas pela mídia em um processo no qual um alimenta o outro dialeticamente.

Penso que é a partir de esta reflexão que deverá ser elaborado um balanço específico do processo eleitoral, de seus erros e acertos. Evidentemente isto inclui o papel da política eleitoral, do marketing, dos dirigentes e da candidata.

Neste aspecto reproduzo como conclusão desta nota um parágrafo de um e-mail que recebi hoje de um jornalista conhecido que prefere ficar no anonimato: “Oi Luis, poucas certezas foram tão repetidas ontem à noite na TV quanto o encolhimento político da Marta. Blá-blá-Blá, não vou perder tempo. Bem, essa mesma turma disse que Marta estava morta ao perder a reeleição em 2004. E depois quando não foi escolhida candidata ao governo em 2006. E ainda quando disse o famoso ‘relaxa e goza’ no ano passado. É estranho que tantos analistas tão inteligentes, tão isentos, tão preocupados com a correção de suas previsões errem tanto. Talvez seja o fato de que 40% dos paulistanos não estão nem aí para o que eles dizem. Quem consegue a confiança de 2,5 milhões de paulistanos apenas com a sua militância…”

30/10/2008 – 12:34h

Ir além da aritmética eleitoral (III)

No começo do segundo turno da eleição municipal em São Paulo, em ato que contou com a participação de 11 ministros, Marta lançou um manifesto “Compromisso com São Paulo”.

Relendo esse manifesto percebo agora que ele não ocupou nenhum lugar na campanha e que provavelmente ele tenha chegado tarde demais. O manifesto, que reproduzo novamente aqui embaixo, deveria ter ocupado um lugar central no momento em que Marta aparecia com crescimento nas pesquisas no primeiro turno, enquanto o noticiário estava ocupado pela disputa brava entre Alckmin e Kassab.

Esse manifesto poderia ter balizado uma série de iniciativas em direção à sociedade civil e também em direção à setores das classes médias. O conjunto teria ampliado a base de apoio e o diálogo da candidata do PT, com provável desdobramento na queda da taxa de “rejeição”. As referências nesse documento à Carta ao povo brasileiro do então candidato Lula põe em evidência, na minha opinião, o erro de “timing” no lançamento deste manifesto e o lugar marginal que acabou ocupando esta orientação na própria campanha.

Esse erro político ma parece importante, porque a orientação do manifesto teria dado substância à linha de conquistar a maioria, intervindo assim na crise dos adversários. Ao contrário me parece que ficamos simplesmente aguardando que o eleitorado decidisse qual dos dois passaria para o segundo turno, sem apresentar uma alternativa aos eleitores de ambos e à franja de eleitores indecisos.

A questão da “rejeição” ao PT ou a seus candidatos não será resolvida com iniciativas só de marketing e sim por iniciativas políticas que rompam o “isolamento” (utilizo “isolamento” em relação a um percentual maior de eleitores, que a nossa base eleitoral de 30-40% que está longe de ser pouca coisa ou isolada).

Outro elemento crítico foram as conseqüências políticas do comercial que foi transformado pela mídia e nossos adversários em instrumento de paralisia e crise. O erro reconhecido por João Santana, de não ter detectado nenhuma carga particular nos grupos “qualis” e de não ter previsto o significado que a mídia colaria no mesmo, provém de uma subestimação do papel da mídia paulista como força política organizada em favor da direita. Basta pensar qual teria sido a opinião da própria candidata, se tivesse sido consultada antes, para perceber que as “qualis” não podem ter a palavra final quando as decisões incumbem à política.

Pensar que a mídia, tendo permanentemente feito campanha sobre a vida privada da Marta, não sairia em defesa de Kassab, é atribuir a ela “princípios éticos ou deontológicos”, que evidentemente ela não tem. Como duvido que alguém na campanha tenha esta ilusão, penso que o questionamento válido -ninguém sabe qual é a trajetória de Kassab-, levou à perguntas que serviram de pretexto para uma campanha anti-Marta. O erro é grave, paralisou a agenda da candidata durante vários dias e mesmo se não teve maior conseqüência no plano eleitoral, reforçou os argumentos contra o PT no curso final do pleito.

O conteúdo da famosa “rejeição” ao PT deve ser avaliado corretamente, recusando a manipulação da mídia. Esta manipulação se apóia no termo rejeição e sua ambigüidade. A pergunta que os institutos fazem é: “em quem o senhor (a) não votaria de jeito nenhum?”. Alguns institutos a formulam perguntando sobre o nome de cada candidato: “votaria, poderia votar, não votaria de jeito nenhum” seguido de cada nome; ou apresentando a tabela inteira com os nomes dos candidatos.

Nenhuma pergunta sobre a motivação é feita. O Datafolha não formulou esta questão no segundo turno, pois é pouco relevante na medida em que só tem dois candidatos e a “rejeição” é mais ou menos equivalente à decisão do voto (está determinado em votar em fulano).

A mídia e seus articulistas, anos a fio construíram em parte essa “rejeição” e, em relação a “rejeição” dos principais líderes do PT, forneceram e fornecem em permanência seus desejos, como conteúdo desta rejeição. Sem nenhuma base em pesquisas, anos a fio atribuíram à falta de diploma de Lula sua rejeição, ou ao fato de ser operário. Não que estes argumentos não existissem, mas eles eram reiterados e propagados com o intuito de serem transformados em barreira intransponível. Agindo assim a mídia procura destruir os dirigentes do PT, pois ela sabe que eles não se improvisam do dia para a noite. Se o fato dele ser operário, falar português com erros e não ter diploma motivou as três derrotas seguidas de Lula (1989-1994-1998), logicamente o PT deveria trocar de líder ou transformá-lo em alguém  ‘diplomado” (as duas coisas aconteceram, em 1999 alguns petistas começaram a organizar outro candidato e Eduardo Suplicy aconselhou Lula a fazer um curso nos Estados-Unidos).

Como Marta é “rejeitada” por ser mulher ou arrogante, divorciada de “senador querido”, casada com argentino, defender os gay’s, ser do PT, ser rica, ou defender os pobres…

Luis Favre

A seguir o documento Compromisso com São Paulo que foi publicado aqui no blog com o título “A palavra de Marta”

A palavra de Marta

 Compromisso com São Paulo

Quero agradecer de todo o coração a cada um dos mais de dois milhões de paulistanos que me deram sua confiança no primeiro turno destas eleições. E de tudo vou fazer para estar à altura deste apoio firme e caloroso.

Tenho certeza de que cada um desses votos vai se confirmar no próximo dia 26. Mas peço ainda um pouco mais a todos vocês: vamos trabalhar juntos, com garra e vitalidade, para que novos votos venham se somar aos nossos, no caminho para a vitória.

Nesses poucos dias que faltam para o momento decisivo, quero me comprometer com a população de São Paulo de que continuarei a fazer uma campanha sem ataques pessoais. Meu propósito é apresentar e debater propostas capazes de melhorar a vida de nosso povo.

Minha agenda vem desde o meu primeiro mandato. Com as coisas boas que fizemos na educação, nos transportes, na habitação, na saúde, na cultura e em nossas demais áreas de atuação. Até mesmo nossos tropeços, que reconheço com humildade, nos deram ensinamentos.

Depois da desastrosa experiência que atormentou São Paulo, ao longo da gestão de Celso Pitta, entendi que, para enfrentar o imenso desafio de reconstruir São Paulo, era necessária a união de todas as forças vivas da cidade. O apoio que recebi de Mário Covas e do PSDB, no segundo turno das eleições municipais de 2000, me fez ver que a união era possível e que poderíamos realizar um governo de reconstrução com a participação de todos. Isso só não se concretizou, na dimensão pretendida, por atropelos do processo das eleições presidenciais que se avizinhavam.

Mas em 2002, em sua Carta ao Povo Brasileiro, o então candidato Lula convocou o espírito da parceria e do consenso, assumindo compromissos que respondiam com clareza à vontade de união e mudança. Espírito e compromissos que dariam, em seguida, a marca de sua ação governamental. De que foi exemplo maior, desde logo, a criação do Conselho Econômico e Social, reunindo representantes de todos os setores sociais – para começarem juntos, sob a presidência de Lula, a construção de um novo caminho nacional.

Por esse caminho, o Brasil reencontrou o rumo do crescimento, da superação da dependência do FMI, da diminuição da pobreza, da geração de emprego e renda, da promoção da ascensão social e da ampliação de oportunidades educacionais para jovens de baixa renda. O avanço foi possível – e sensível – porque a disposição do presidente, no combate à desigualdade, se firmou na convergência do esforço de todos.

Não estou na disputa política para dividir. Mas, sim, para unir e construir. Não virão de mim apelos ao ódio, à destruição ou à rejeição de adversários. O que farei será mostrar com firmeza, ao povo de São Paulo, a alternativa que represento para a cidade. Seu voto indicará o destino que se deseja. E vou me empenhar para que tal destino coincida com o caminho que o presidente Lula traçou para o país.

Como primeiro passo no sentido da união de São Paulo, assumo aqui o compromisso de, se eleita, constituir um Conselho da Cidade. Um conselho de representantes de todos os segmentos da população. Das entidades representativas da sociedade civil, dos empresários e dos sindicalistas, do comércio e da universidade, das igrejas, da cultura, do esporte e dos usuários dos serviços públicos. Com um só objetivo: realizar uma cruzada – e canalizar o esforço de todos, a fim de enfrentar as questões mais cruciais do município, a começar pelo transporte coletivo.

Tenho apoio do presidente Lula para, na articulação das três instâncias de governo, construir 228 km de corredores de ônibus e 47 km de metrô, nos próximos quatro anos. Para, assim, dar um salto de qualidade na vida paulistana, superando um problema crítico que vem prejudicando fortemente a economia urbana e a saúde da cidade e do cidadão. E assim como, para combater a segregação dos mais carentes, o metrô deve chegar a mais lugares da periferia, me comprometo a não criar qualquer pedágio urbano, que atingiria em cheio os menos privilegiados, sem resolver o problema do trânsito, como já ficou demonstrado em grandes cidades do mundo.

Quero também assumir uma nova atitude na questão tributária. Os níveis recordes de arrecadação da prefeitura permitem um amplo programa de incentivos à produção e ao empreendedorismo, tão forte em nossa capital, com desoneração dos impostos municipais e desburocratização dos procedimentos. E reafirmar meu compromisso de isentar os profissionais liberais autônomos do pagamento do ISS.

Com a união de todos os setores sociais, poderemos projetar São Paulo na era digital. Segmentos empresariais da área de informática já manifestaram interesse em participar do programa de acesso gratuito à internet banda larga em nossa cidade. O governo federal assinou convênio para equipar, com esse fim, 800 escolas municipais. E pretendo combinar esta ação com investimento em qualificação profissional no espaço dos CEUs, que, com a construção de mais 20 unidades, irão configurar a Rede-CEU.

Uma outra ofensiva do governo de união por São Paulo deverá se desenvolver no campo da saúde, diante da realidade da falta de médicos e de atendimento em especialidades. Venho propondo a criação de 31 policlínicas na cidade, uma em cada subprefeitura. E quero agora incorporar, ao desenho dessa rede, a proposta de criação de centros de atendimento aos idosos, apresentada pelo candidato Geraldo Alckmin.

Para finalizar, quero dizer que, para governar São Paulo e superar a crise que estamos vivendo, será fundamental a mobilização de nossas melhores energias. A coragem de ousar e inovar, combinando planejamento e imaginação. Generosidade e rigor.

São Paulo precisa crescer. Mas crescer com inclusão social. Crescer em benefício de todos. E é para isso que a todos convoco, no sentido da construção de um governo de união por São Paulo. Um governo voltado para construir uma cidade melhor, mais forte e mais justa.