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	<title>Blog do Favre &#187; depressão</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Com medo do medo</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Nov 2009 18:59:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[HISTÓRIA


A advogada Silvana Prado, 51, percorreu um longo caminho até encontrar uma resposta para suas crises de pânico e aprender a controlá-las; hoje coordena um grupo de autoajuda 
 



Caio Guatelli/Folha Imagem





A advogada Silvana Prado, 51, que superou as crises de pânico


  GABRIELA CUPANI &#8211; FOLHA SP

 DA REPORTAGEM LOCAL
A advogada paulista Silvana  [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: x-large;"><strong><span style="color: #000080;">HISTÓRIA</span></strong></span></p>
<p><span style="font-size: large;"><strong><br />
</strong></span></p>
<p><strong>A advogada Silvana Prado, 51, percorreu um longo caminho até encontrar uma resposta para suas crises de pânico e aprender a controlá-las; hoje coordena um grupo de autoajuda </strong></p>
<p><!--Fotografia/Auto/Inicio--> <!--FOTO--></p>
<table border="0" width="320">
<tbody>
<tr>
<td>Caio Guatelli/Folha Imagem<br />
<img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/h0811200901.jpg" border="0" alt="" /></td>
<td valign="bottom"></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><em>A advogada Silvana Prado, 51, que superou as crises de pânico</em></p>
<p><em><br />
</em></p>
<h2><!--/FOTO--> <!--Fotografia/Auto/Final--> <span style="background-color: #ffff99;"><strong>GABRIELA CUPANI &#8211; FOLHA SP</strong></span></h2>
<p><strong><br />
</strong> DA REPORTAGEM LOCAL</p>
<p>A advogada paulista Silvana  Prado, 51, não esquece seu primeiro encontro com o pânico:  estava com seus pais numa loja  de material esportivo quando,  sem nenhum motivo aparente,  começou a sentir um medo terrível. Seu coração disparou.  Tentava respirar e não conseguia, faltava-lhe o ar. Começou  a suar frio e a sentir tonturas.<br />
Ela já havia experimentado,  com menos intensidade, alguns  desses sintomas -sempre os  atribuía ao cansaço. Da mesma  forma súbita como começava, o  desconforto desaparecia.<br />
Silvana saiu da loja para respirar e decidiu ir até o carro na  tentativa de espantar a sensação ruim. Com os pais preocupados, foram todos embora.<br />
Em vez de diminuir, ao chegar em casa o medo se transformou em pavor. A advogada não  conseguia conversar, sentia um  aperto no peito. Deitada, a sensação piorou. Com as mãos geladas, a visão embaçada e os lábios dormentes, teve certeza de  que estava morrendo. Deitou  no chão e esperou pelo pior.<br />
A agonia durou 20 minutos e,  inexplicavelmente, desapareceu. A sensação tinha sido tão  devastadora que, ao final, Silvana mal conseguia andar.<br />
Passados 17 anos de seu encontro com o pânico, como diz,  ela ainda é capaz de se lembrar  dos detalhes daquele dia.<br />
Mãe de uma adolescente na  época, Silvana tinha acabado de  se mudar para os Estados Unidos em função de uma transferência de trabalho do marido.  Além de viver o estresse da  adaptação ao novo país, ela  convivia com uma tragédia recente: em dois anos havia perdido dois filhos com poucos  meses de vida, vítimas de uma  doença congênita rara.<br />
Silvana sobreviveu àquele  ataque de pânico, mas vieram  muitos outros. Era sempre a  mesma coisa: de repente, sem  motivo nenhum, o coração disparava, sentia-se sufocada pela  falta de ar, a cabeça parecia estourar, sentia náuseas, achava  que estava ficando louca.<br />
As crises também aconteciam à noite. &#8220;Acordava com o  coração disparado e as mãos  dormentes.&#8221; Chegou a ter três  ataques desses por dia.<br />
&#8220;O terror era meu companheiro constante. Depois da  primeira crise, ficou o pavor de  ter outra&#8221;, conta. &#8220;Quanto mais  medo sentia, mais fraca ficava,  mais alimentava o medo e mais  poderosa a crise se tornava.&#8221;<br />
As crises eram tão assustadoras que ela ficou três meses sem  sair de casa, com receio de sofrer um ataque na rua e de se  descontrolar. &#8220;Tinha medo de  ter medo. Eu, que antes era capaz de dirigir até Toronto [no  Canadá], não conseguia mais ir  ao supermercado&#8221;, diz.<br />
Como havia passado por um  &#8220;check-up&#8221; pouco tempo antes,  a advogada sabia que não tinha  problemas cardíacos. Sua médica, então, lhe receitou remédios contra depressão.<br />
Mas, há quase 20 anos, a síndrome do pânico era um enigma até para os médicos. A  doença não era tão estudada  nem estava tão em evidência.  Poucos especialistas sabiam  como diagnosticá-la e tratá-la.<br />
O tempo passava e Silvana  não sentia melhoras. Um dia,  folheando uma revista que falava da síndrome do pânico, a foto de uma mulher lhe chamou a  atenção. &#8220;Me identifiquei imediatamente com a expressão de  pavor de seu rosto. Ali descobri  qual era meu problema.&#8221;</p>
<p><strong>Por conta própria<br />
</strong> Silvana resolveu, então, buscar respostas por conta própria. Largou os remédios para  depressão e começou a frequentar bibliotecas e livrarias  em busca dos artigos mais recentes sobre o tema.<br />
&#8220;Eu tinha ouvido dizer que  pânico não tinha cura e pensei:  &#8220;Bem, vou ser a primeira a me  curar disso&#8221;. Fui criando meu  tratamento de maneira intuitiva. Li sobre os benefícios da atividade física e comecei a me  exercitar. Li sobre os benefícios  da meditação e comecei a meditar, a respirar corretamente. A  partir daí minhas leituras e estudos nunca pararam. Li tudo o  que havia nos Estados Unidos  sobre pânico, fiz entrevistas  com especialistas e vi que meus  passos estavam corretos&#8221;, diz.<br />
Silvana também usou técnicas da terapia cognitivo-comportamental. &#8220;Comecei a prestar atenção aos meus pensamentos, a analisar o que era verdadeiro ou não, usando pensamentos lógicos para corrigir as ideias distorcidas.&#8221;<br />
Foi assim, por conta própria,  que Silvana aprendeu que a síndrome do pânico pode ser desencadeada por um evento estressante, que se trata de um  transtorno de ansiedade e que  as crises podem ser controladas  com exercícios de relaxamento  e mudanças de comportamento, além dos remédios.<br />
&#8220;A maioria dos pacientes precisa de medicamentos, mas ela  parece ter descoberto, de maneira intuitiva, estratégias para  mudar pensamentos e crenças&#8221;, avalia o psiquiatra Acioly  Lacerda, da Universidade Federal de São Paulo. &#8220;Além disso,  por se tratar de um transtorno  de ansiedade, medidas que diminuam os níveis de tensão  servem como coadjuvantes.&#8221;<br />
A melhora foi surpreendente. Já na primeira semana as  crises noturnas sumiram. Em  seis meses, o problema estava  sob controle. &#8220;Mas nem todo  mundo melhora sem medicamentos&#8221;, enfatiza ela.<br />
Em 1999, de volta ao Brasil,  foi convidada a dar palestras  contando sua experiência. Ao  perceber o interesse de pessoas  que não tinham a quem recorrer, montou um grupo de autoajuda, o Apoiar, numa sala  emprestada pela igreja, em  Franca, no interior paulista.<br />
Na primeira reunião apareceram cerca de 50 pessoas, com  males como pânico, depressão  e ansiedade. &#8220;Logo estávamos  atendendo 600 pessoas por  mês. Uma equipe de voluntários, entre acupunturistas, professores de ioga e psicólogos,  trabalhavam para dar apoio a  essas pessoas, ensinando técnicas de relaxamento e respiração, entre outros.&#8221;<br />
Nesse meio tempo, lançou  um livro contando sua experiência e passou a editar um  jornal sobre saúde mental.<br />
Após quase dez anos de atividade, em outubro do ano passado o grupo encerrou os trabalhos por falta de recursos.  Atualmente, Silvana está negociando um acordo com uma  empresa que vai possibilitar a  retomada do trabalho.<br />
&#8220;Eu me curei e isso é possível  se você está disposto a dar os  passos necessários em direção  à recuperação&#8221;, diz.</p>
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		<title>Mentalidades monetárias equivocadas</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 14:50:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Paul Krugman*, THE NEW YORK TIMES &#8211; O Estado SP
Uma lição da Grande Depressão é que não se deve subestimar o poder destruidor das más ideias. E algumas más ideias que ajudaram a causar a Depressão mostraram-se, ai de nós, extremamente duráveis: em forma modificada, elas continuam a influenciar o debate econômico hoje.
O historiador econômico [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><img class="size-full wp-image-14641 alignleft" title="Krugman_paul" src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/Krugman_paul1.jpg" alt="Krugman_paul" width="190" height="201" /><span style="background-color: #ffff99;">Paul Krugman*, THE NEW YORK TIMES &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>Uma lição da Grande Depressão é que não se deve subestimar o poder destruidor das más ideias. E algumas más ideias que ajudaram a causar a Depressão mostraram-se, ai de nós, extremamente duráveis: em forma modificada, elas continuam a influenciar o debate econômico hoje.</p>
<p>O historiador econômico Peter Temin argumentou que a principal causa da Depressão foi o que ele chama de &#8220;mentalidade de padrão ouro&#8221;. Com isso, quer dizer não somente a crença na importância sagrada de manter o valor em ouro de uma moeda, mas um conjunto de atitudes afins: medo obsessivo de inflação, mesmo em face de deflação; oposição ao crédito fácil, mesmo quando a economia precisa desesperadamente dele, com base em que isso seria de alguma forma deturpador; afirmações de que mesmo que o governo pudesse criar empregos, ele não deveria, pois seria uma recuperação &#8220;artificial&#8221;.</p>
<p>No início dos anos 1930, essa mentalidade levou governos a elevar juros e cortar gastos, a despeito do desemprego em massa, na tentativa de defender as reservas em ouro. E, mesmo quando países ficavam sem ouro, a mentalidade prevalecente os deixava relutantes em cortar impostos e criar empregos.</p>
<p>Os EUA não vão retornar ao padrão ouro. Mas uma versão moderna da mentalidade do padrão ouro esta exercendo uma influência crescente em nosso discurso econômico. E essa nova versão de uma ideia antiga ruim poderá minar nossas chances de recuperação plena.</p>
<p>Considere-se, em primeiro lugar, o alarido sobre o declínio do dólar. A verdade é que isso é uma boa notícia. Por um lado, ela é sobretudo resultado do aumento da confiança: o dólar subiu no auge da crise porque investidores em pânico buscavam proteção nos Estados Unidos, e está caindo agora que o medo está cedendo.</p>
<p>E um dólar mais baixo é bom para os exportadores americanos, ajudando-nos a fazer a transição de déficits comerciais imensos para uma posição internacional mais sustentável. Mas, na página de opiniões do The Wall Street Journal, o que se vê é que a queda do dólar é uma coisa terrível, sinal de que o mundo está perdendo a fé nos EUA (em especial, é claro, no presidente Barack Obama).</p>
<p>Fica-se pensando que alguma coisa precisa ser feita para conter a descida do dólar. E, na prática, o declínio do dólar se tornou uma vara com a qual os conservadores do Congresso pressionam o Federal Reserve (Fed) a recuar no esforço de sustentar a economia. Só podemos esperar que o Fed suporte a pressão. Mas há sinais de uma mentalidade equivocada dentro do próprio Fed. Nas últimas semanas, surgiram declarações, principalmente de presidentes regionais do Fed, mas não só, pedindo o retorno do endurecimento monetário, incluindo juros mais altos.</p>
<p>Funcionários do Fed são, normalmente, cautelosos ao comentar a política monetária futura para não prejudicar os esforços da instituição de moldar as expectativas. Assim, é extraordinário ver esses funcionários quebrando regras, até instruindo a ação do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Fed, que fixa a taxa de juros.</p>
<p>Mais extraordinária é a ideia de que elevar o juro no curto prazo faz sentido. Afinal, ao desemprego alcançou 9,8% e continua subindo, enquanto a inflação está bem abaixo da meta de longo prazo do Fed.</p>
<p>Para evitar uma &#8220;Grande Inflação&#8221;, diz Charles Plosser do Fed da Filadélfia, &#8220;teremos de agir bem antes que a taxa de desemprego e outras medidas de utilização de recursos tenham voltado a níveis aceitáveis&#8221;.</p>
<p>Não sei que análise está por trás desses dedos nervosos no gatilho. Provavelmente, não se tratem de análises, mas de mentalidade. E é crucial que não deixemos essa mentalidade guiar a política.</p>
<p><strong>* O autor é Nobel de Economia</strong></p>
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		<title>Dieta pode agir contra depressão</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 19:38:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Pesquisa com 10.094 espanhóis mostrou que cardápio mediterrâneo tem efeito protetor no cérebro
De acordo com o estudo, os voluntários com maior adesão a essa dieta tinham risco cerca de 30% menor de desenvolver o distúrbio


JULLIANE SILVEIRA &#8211; FOLHA SP
DA REPORTAGEM LOCAL
Fortemente relacionada à redução de risco para doenças cardiovasculares, a dieta mediterrânea mostrou efeito protetor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14400" title="dieta_mediterranea" src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/dieta_mediterranea.jpg" alt="dieta_mediterranea" width="460" height="504" /></p>
<p><strong>Pesquisa com 10.094 espanhóis mostrou que cardápio mediterrâneo tem efeito protetor no cérebro</strong></p>
<p><strong>De acordo com o estudo, os voluntários com maior adesão a essa dieta tinham risco cerca de 30% menor de desenvolver o distúrbio</strong></p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">JULLIANE SILVEIRA &#8211; FOLHA SP</span></h2>
<p>DA REPORTAGEM LOCAL</p>
<p>Fortemente relacionada à redução de risco para doenças cardiovasculares, a dieta mediterrânea mostrou efeito protetor contra a depressão em um estudo realizado com 10.094 pessoas. O trabalho foi publicado na edição de outubro do &#8220;Archives of General Psychiatry&#8221;, um dos periódicos da Associação Médica Americana.<br />
Pesquisadores das universidades de Las Palmas de Gran Canaria e de Navarra (ambas na Espanha) avaliaram dados desses espanhóis, que preencheram questionários de 1999 a 2005 sobre a própria ingestão alimentar. Eles calcularam a adesão à dieta mediterrânea baseados em nove itens: maior ingestão de gorduras monoinsaturadas em comparação às saturadas, consumo moderado de álcool e laticínios, baixa ingestão de carne vermelha e alto consumo de legumes, frutas, oleaginosas (como nozes e castanhas), cereais e peixes.<br />
Após acompanharem os voluntários por cerca de quatro anos, identificaram 480 novos casos de depressão -a maioria (324 ocorrências) em mulheres. Os que seguiram a dieta apresentaram risco 30% menor de desenvolver depressão. Para chegar aos resultados, foram ajustados outros fatores influenciáveis, como estilo de vida, estado civil, doenças crônicas e uso de antidepressivos.<br />
&#8220;Algumas variáveis, como os que não desenvolveram depressão serem mentalmente mais saudáveis e mais propensos a aderir a uma dieta mais saudável, não foram medidas. Mas é um estudo benfeito, com metodologia adequada&#8221;, pondera a psiquiatra Andrea Feijó de Mello, da Associação Brasileira de Psiquiatria e pesquisadora da Unifesp.<br />
Trabalhos anteriores mostram que populações que consomem altas quantidades de peixes apresentam menores índices de depressão. Uma das explicações é que o ácido graxo ômega 3 (presente em peixes de água fria, como o salmão) influencia na estrutura do sistema nervoso central e no transporte de neurotransmissores.<br />
Os ácidos graxos ajudam na formação da membrana celular, tornando-a mais fluida. A fluidez das membranas dos neurônios contribui para uma melhor plasticidade cerebral (capacidade de os neurônios se comunicarem), fator importante para o equilíbrio emocional do paciente.<br />
&#8220;Quando há empobrecimento da comunicação, há prejuízos na memória, fluência verbal, criatividade e iniciativa, que são sintomas da depressão, fazendo a pessoa se tornar mais vulnerável à doença&#8221;, diz Renério Fráguas Jr., supervisor da residência médica do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.</p>
<p><strong>Vitaminas</strong><br />
A dieta mediterrânea também oferece bons teores de folato e vitamina B12 (presentes em vegetais, peixes e ovos), nutrientes que participam como cofatores na sintetização de serotonina no cérebro, neurotransmissor relacionado às alterações no humor.<br />
Segundo Fráguas Jr., alguns estudos mostram resultados significativos da suplementação em pacientes que têm depressão e não apresentam melhora com medicamentos.<br />
&#8220;É um dos mecanismos para explicar a associação entre questões nutricionais e depressão. Na prática, já oferecemos suplementos, principalmente para idosos que podem ter uma diminuição na absorção desses nutrientes e podem ser mais vulneráveis à depressão.&#8221;</p>
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		<title>Lula teve &#8216;visão correta&#8217; ao falar que crise era &#8216;marolinha&#8217;, diz &#8216;Le Monde&#8217;</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Sep 2009 14:39:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Segundo jornal, governo foi &#8216;preciso em estratégia concentrada no apoio do mercado interno&#8217;.
- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve uma visão &#8220;bastante correta&#8221; ao dizer, no ano passado, que a crise no Brasil provocaria apenas uma &#8220;marolinha&#8221;, diz artigo publicado no jornal francês Le Monde nesta quinta-feira.
O diário argumenta que a recessão no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/09/lula-teve-visao-correta-ao-falar-que-crise-era-marolinha-diz-le-monde/13407/" rel="attachment wp-att-13407" title="lula_positivo.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/09/lula_positivo.jpg" alt="lula_positivo.jpg" align="left" height="309" width="214" /></a></p>
<p><strong>Segundo jornal, governo foi &#8216;preciso em estratégia concentrada no apoio do mercado interno&#8217;.</strong></p>
<p>- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve uma visão &#8220;bastante correta&#8221; ao dizer, no ano passado, que a crise no Brasil provocaria apenas uma &#8220;marolinha&#8221;, diz artigo publicado no jornal francês Le Monde nesta quinta-feira.</p>
<p>O diário argumenta que a recessão no Brasil durou apenas um semestre, citando o aumento de 1,9% do PIB no segundo trimestre de 2009, após queda nos dois trimestres imediatamente anteriores, além da recuperação da Bolsa de Valores de São Paulo e do real.</p>
<p>&#8220;A rápida recuperação do Brasil demonstra a precisão da estratégia adotada pelo governo e concentrada no apoio do mercado interno. As reduções de impostos a favor das indústrias de automóveis e de eletrodomésticos mantiveram as vendas nestes nestes dois setores cruciais&#8221;, afirma o jornal, lembrando ainda que a confiança do consumidor brasileiro jamais chegou a ser abalada.</p>
<p>No artigo, intitulado &#8220;A retomada do crescimento mundial se baseia nos Brics&#8221;, o Le Monde traça o panorama econômico dos países do grupo &#8211; Brasil, Rússia, Índia e China &#8211; um ano após a queda do banco Lehman Brothers, considerada o marco da atual crise financeira global.</p>
<p>Outros países</p>
<p>&#8220;É para os grandes países emergentes que se direciona hoje a esperança de que a fase de recuperação do nível de vida vai se acelerar. E que seus modelos de crescimento, até hoje essencialmente baseados nas exportações, vão progressivamente dar lugar a um novo modelo de desenvolvimento, garantindo mais importância à demanda interna&#8221;, diz o jornal.</p>
<p>Sobre a China, o Le Monde afirma que a previsão de crescimento de 8% para o PIB de 2009 deve ser atingida, mas ressalta que o modelo econômico do país favorece o investimento em detrimento do consumo.</p>
<p>O diário francês lembra que a Índia conseguiu manter um crescimento sustentado, principalmente nos setores de indústria e serviços.</p>
<p>Já a Rússia, tida como o país mais atingido dos Brics pela crise, também parece estar se recuperando, de acordo com o Le Monde, com um aumento do PIB nos últimos meses. BBC</p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p align="left">&nbsp;</p>
<p align="left">&nbsp;</p>
<p><strong><font size="5">Le rebond de la croissance mondiale repose sur les BRIC</font></strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">16/09/2009 &#8211; LE MONDE</p>
<p>Le président de la Réserve fédérale américaine (Fed), Ben Bernanke, a célébré à sa manière le premier anniversaire de la faillite de la banque d&#8217;affaires Lehman Brothers en annonçant, mardi 15 septembre, que la récession économique était &#8220;très probablement terminée&#8221; aux Etats-Unis.</p>
<p>Le même jour, confirmant ses propos, le département du commerce américain a fait savoir que les ventes de détail avaient progressé de 2,7 % au mois d&#8217;août, leur plus forte hausse depuis janvier 2006. Si c&#8217;est le signe que le consommateur américain retrouve un peu d&#8217;appétit, les économistes sont aussi d&#8217;accord pour dire que la ménagère du Texas ne pourra plus jouer le rôle de moteur de croissance de l&#8217;économie mondiale, comme elle l&#8217;était depuis deux décennies. Le temps du désendettement et de l&#8217;épargne est venu pour les Américains. Ce n&#8217;est guère non plus sur la vieille Europe, engluée dans ses problèmes structurels de dettes publiques, de prélèvements obligatoires record et de retard technologique, que l&#8217;économie mondiale peut compter pour retrouver son dynamisme passé.</p>
<p>C&#8217;est vers les grands pays émergents, les fameux BRIC (Brésil, Russie, Inde, Chine) que l&#8217;espoir se porte aujourd&#8217;hui &#8211; l&#8217;espoir que la phase de rattrapage de leur niveau de vie vis-à-vis des pays occidentaux va se poursuivre, voire s&#8217;accélérer. Et que leurs modèles de croissance, jusqu&#8217;à présent essentiellement basés sur les exportations, qu&#8217;il s&#8217;agisse de T-shirts ou de matières premières, va progressivement céder la place à un nouveau mode de développement, faisant la part belle à la demande intérieure. Etat des lieux dans les économies des BRIC, un an après le séisme.</p>
<p>Chine. Avec des ventes de voitures en hausse de près de 30 % sur les huit premiers mois de l&#8217;année, une reprise soutenue des importations de matières premières et une Bourse en surchauffe, la Chine ne donne pas vraiment l&#8217;impression de souffrir de la crise mondiale. Le taux de croissance annuel de 8 % du PIB, l&#8217;objectif initial du gouvernement pour 2009, devrait être atteint, a récemment déclaré le Bureau national des statistiques.</p>
<p>La robustesse de la croissance chinoise s&#8217;explique par le méga-plan de relance de 4 trillions de yuans (400 milliards d&#8217;euros) sur deux ans annoncé fin 2008, source d&#8217;une frénésie d&#8217;investissement en infrastructures sans pareil dans l&#8217;histoire économique mondiale. Dans l&#8217;urgence, le gouvernement chinois a ordonné aux banques d&#8217;ouvrir toutes grandes les vannes du crédit. Et après un fort ralentissement en juillet, les crédits sont repartis en août.</p>
<p>Cette stratégie de relance aux stéroïdes, qui a permis d&#8217;amortir le choc sur l&#8217;emploi et d&#8217;éviter que n&#8217;explose le chaudron social, est aussi porteuse de déséquilibres : une partie de l&#8217;argent des banques s&#8217;est visiblement dirigée vers la spéculation (bourse, immobilier et matières premières), tandis que de futures mauvaises créances s&#8217;accumulent. Le modèle économique chinois, ont dénoncé plusieurs économistes chinois réunis vendredi 12 et samedi 13 septembre, au Davos chinois, à Dalian, penche un peu plus du mauvais côté, celui de l&#8217;investissement au détriment de la consommation.</p>
<p>Inde. Malgré la crise mondiale survenue il y a un an, la croissance indienne s&#8217;est poursuivie à un rythme soutenu. Elle a atteint 6,7 % sur l&#8217;année fiscale qui se termine au 31 mars 2009, et devrait descendre aux alentours de 6 % lors de l&#8217;exercice suivant. La mauvaise mousson de cet été, avec la moitié du pays touchée par la sécheresse, explique ce léger fléchissement. Hormis l&#8217;agriculture, tous les secteurs sont épargnés par la crise. La production industrielle a connu en juin sa meilleure performance en un an et demi. Et le secteur des services a maintenu son rythme de croissance de 6,3 % au premier trimestre 2009. L&#8217;Inde doit sa bonne performance à la robustesse de sa demande intérieure et à la résistance de son système financier, &#8220;peu connecté au reste du monde&#8221;, comme le note Rajiv Kumar, directeur du Conseil indien pour la recherche sur les relations économiques internationales (Icrier).</p>
<p>Dans un pays où seuls 15 % de l&#8217;économie dépendent des exportations, la demande intérieure a été peu affectée par la récession mondiale, surtout dans les zones rurales, qui constituent la moitié du revenu national. Grâce aux programmes sociaux et à la hausse des investissements publics dans les infrastructures, les campagnes ont, au contraire, vu leurs revenus augmenter. L&#8217;Etat en paie le prix fort, avec un déficit budgétaire représentant 6,8 % du PNB. Et l&#8217;agence de notation Standard &amp; Poor&#8217;s a ramené de &#8220;stable&#8221; à &#8220;négatif&#8221; sa notation souveraine sur l&#8217;Inde. Le pays reste toutefois une destination attirante pour les investisseurs du monde entier, car il est perçu comme un relais de croissance idéal aux marchés saturés, et touchés par la crise, des pays développés.</p>
<p>Brésil. En prédisant avec ironie il y a un an que &#8220;le tsunami&#8221; de la crise provoquerait dans son pays une simple &#8220;vaguelette&#8221;, le président brésilien, Luiz Inacio Lula da Silva, avait vu assez juste : la récession n&#8217;aura duré qu&#8217;un semestre.</p>
<p>Le produit intérieur brut a augmenté de 1,9 % au deuxième trimestre 2009, après avoir régressé pendant deux trimestres consécutifs : &#8211; 3,4 % (octobre-décembre 2008) et &#8211; 1 % (janvier-mars 2009).</p>
<p>Selon le ministre de l&#8217;économie, Guido Mantega, le géant sud-américain devrait, sur sa lancée, retrouver en 2010 sa vitesse de croisière d&#8217;avant la crise, autour de + 4,5 %.</p>
<p>Happé par la récession plus tard que la plupart des pays du monde, le Brésil en sort plus tôt, comme l&#8217;attestent deux autres indices : la bourse de Sao Paulo a retrouvé son très haut niveau d&#8217;il y a un an et la monnaie, le real, a reconquis toute sa vigueur face au dollar et à l&#8217;euro.</p>
<p>La rapide récupération du Brésil témoigne de la justesse de la stratégie adoptée par le gouvernement et axée sur le soutien du marché intérieur. Des réductions d&#8217;impôts en faveur de l&#8217;automobile et de l&#8217;électroménager ont maintenu les ventes dans ces deux secteurs industriels cruciaux.</p>
<p>La banque centrale a aidé les banques en difficulté, puisant dans ses grosses réserves &#8211; 200 milliards de dollars &#8211; pour irriguer le marché asséché. De grosses entreprises, comme le géant minier Vale, ont pris peur, en gelant leurs investissements, ce que le président Lula leur reproche aujourd&#8217;hui. Mais la confiance des consommateurs, elle, n&#8217;a guère été ébranlée : &#8220;L&#8217;économie a survécu grâce aux plus pauvres&#8221;, souligne Lula.</p>
<p>Russie. Bien plus touchée par la crise que les autres pays du BRIC (Brésil, Inde, Chine), la Russie connaît un semblant de reprise. Son PIB a augmenté, en glissement mensuel, de 0,4 % en juin et de 0,5 % en juillet.</p>
<p>Le ministre russe des finances, Alexeï Koudrine, se veut optimiste : le pays émergera &#8220;complètement&#8221; au troisième trimestre 2009. &#8220;Sur le long terme et pour de multiples raisons, la Russie restera dotée d&#8217;une solide croissance&#8221; qui lui permettra de se hisser &#8220;au sixième rang de l&#8217;économie mondiale&#8221;.</p>
<p>Après un essor économique sans précédent ces dix dernières années, la Fédération russe a subi la crise de plein fouet. Son PIB a chuté de 9,8 % au premier trimestre sur un an, et de 10,9 % au deuxième trimestre.</p>
<p>Cet atterrissage brutal s&#8217;explique par le modèle russe de croissance, axé sur les exportations de matières premières et le recours massif aux crédits étrangers. La crise a révélé l&#8217;échec des autorités à mettre en place des réformes structurelles au moment où l&#8217;Etat engrangeait les recettes de la vente du pétrole. Conscientes de ces faiblesses, les autorités russes ont plaidé ces derniers mois en faveur d&#8217;une diversification et d&#8217;une modernisation des infrastructures.</p>
<p>Ces bonnes résolutions risquent d&#8217;être vite oubliées. Le frémissement actuel de l&#8217;économie a une seule cause, la remontée des prix du pétrole, passés de 33 dollars en décembre 2008 à 70 dollars ces derniers mois. Quant au recours aux emprunts à l&#8217;étranger, il s&#8217;est tari, ce qui signe la fin de la consommation effrénée et des projets de développement. &#8220;Vingt années de tumultueux changements dans notre pays n&#8217;ont pas changé son humiliante dépendance aux matières premières. (&#8230;) A de rares exceptions près, nos entreprises ne créent pas les biens et la technologie nécessaires à la population&#8221;, a récemment souligné le président, Dmitri Medvedev.</p>
<p><strong><em>Jean-Pierre Langellier (à Rio), Marie Jégo (à Moscou), Julien Bouissou (à New Delhi), et Brice Pedroletti (à Shanghaï)<br />
</em></strong></p>
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		<title>Como puderam os economistas</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Sep 2009 18:40:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Paul Krugman* &#8211; O Estado SP 
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1. Confundindo beleza com verdade É difícil acreditar agora, mas pouco tempo atrás os economistas estavam parabenizando a si mesmos pelo sucesso da própria profissão.
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<p style="background-color: #ffff99" class="fonte"><strong><font size="4">Paul Krugman* &#8211; O Estado SP </font></strong></p>
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<p>1. Confundindo beleza com verdade É difícil acreditar agora, mas pouco tempo atrás os economistas estavam parabenizando a si mesmos pelo sucesso da própria profissão.</p>
<p>Este &#8211; suposto &#8211; sucesso era tanto teórico quanto prático, proporcionando à profissão uma era dourada.</p>
<p>Do ponto de vista teórico, eles pensaram ter resolvido suas disputas internas. Assim, num estudo publicado em 2008 intitulado &#8220;O estado da macro&#8221; (ou seja, a macroeconomia, o estudo de questões econômicas mais amplas, como as recessões por exemplo), Olivier Blanchard do MIT, atual economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, declarou que teríamos chegado a uma &#8220;ampla convergência de visões&#8221;.</p>
<p>E no mundo real, os economistas acreditavam ter tudo sob controle: o &#8220;problema central da prevenção das depressões foi resolvido&#8221;, declarou em 2003 Robert Lucas, da Universidade de Chicago, no seu pronunciamento presidencial endereçado à Associação Econômica Americana. Em 2004, Ben Bernanke, ex-professor de Princeton e atual presidente do Federal Reserve(o BC dos EUA), celebrou a era da Grande Moderação no desempenho econômico durante as duas décadas anteriores, a qual ele atribuiu, em parte, a melhores decisões tomadas na política econômica.</p>
<p>No ano passado, tudo desabou.</p>
<p>Na sequência da crise, as fissuras na profissão dos economistas aumentaram, tornando-se fendas jamais vistas antes. Lucas chamou os planos de estímulo do governo Obama de &#8220;charlatanice econômica&#8221;, e seu colega de Chicago, John Cochrane, diz que tais planos têm como base &#8220;contos de fadas&#8221; já descartados. Como resposta, Brad DeLong, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, escreveu sobre o &#8220;colapso intelectual&#8221; da Escola de Chicago, e eu mesmo já escrevi que os comentários feitos pelos economistas de Chicago são o produto de uma Idade das Trevas da macroeconomia, durante a qual foi esquecido um conhecimento adquirido a um custo muito elevado.</p>
<p>O que houve com a profissão dos economistas? E para onde ela vai a partir do ponto atual?</p>
<p>2. De Smith até Keynes, voltando ao princípio O nascimento da economia enquanto disciplina costuma ser creditado a Adam Smith, que publicou A riqueza das nações em 1776. Nos 160 anos seguintes, um extenso volume de teorias econômicas foi desenvolvido a partir de uma mensagem central: confie no mercado. Esta era a premissa básica da economia &#8220;neoclássica&#8221; (batizada a partir dos economistas do fim do século 19 que refinaram os conceitos de seus predecessores &#8220;clássicos&#8221;).</p>
<p>Esta fé foi, no entanto, esmagada pela Grande Depressão. Ao final, a maioria dos economistas se voltou para as propostas de John Maynard Keynes, tanto para explicar o que acontecera quanto para encontrar uma solução para as depressões futuras.</p>
<p>Apesar do que dizem alguns, Keynes não queria que o governo administrasse a economia. Ele descreveu como &#8220;moderadamente conservador em suas implicações&#8221; o raciocínio publicado em 1936 na sua obra-prima, Teoria geral do emprego, do juro e da moeda. Keynes queria consertar o capitalismo, e não substituí-lo. Mas ele de fato desafiou a ideia de que as economias de livre mercado possam funcionar na ausência de um zelador. E ele defendeu uma intervenção governamental ativa &#8211; imprimir mais dinheiro e, caso necessário, gastar muito com obras públicas &#8211; para combater o desemprego durante os períodos de declínio.</p>
<p>A história da economia enquanto disciplina ao longo dos últimos 50 anos é, em boa medida, a história do recuo do keynesianismo e do retorno do neoclassicismo. A retomada neoclássica foi inicialmente liderada por Milton Friedman, da Universidade de Chicago, que afirmou já em 1953 que a ciência econômica neoclássica funciona bastante bem enquanto descrição da maneira pela qual a economia de fato funciona, fazendo desta teoria &#8220;ao mesmo tempo extremamente frutífera e merecedora de grande confiança&#8221;. Mas e quanto às depressões? O contra-ataque de Friedman a Keynes começou com a doutrina conhecida como monetarista. Os monetaristas não discordavam, em princípio, da ideia de que uma economia de mercado necessite de estabilização deliberada. Entretanto, os monetaristas afirmavam que uma forma bastante limitada e circunscrita de intervenção governamental &#8211; qual seja, instruir aos bancos centrais que mantenham em crescimento constante o suprimento de dinheiro do país (a soma do dinheiro em circulação e dos depósitos nos bancos) &#8211; seria suficiente para evitar as depressões.</p>
<p>Friedman combateu com grande credibilidade a ideia de iniciativas governamentais deliberadas para empurrar o desemprego até um patamar inferior ao seu nível &#8220;natural&#8221; (atualmente estimado em 4,8% para os Estados Unidos): de acordo com a previsão dele, medidas excessivamente expansionistas levariam a uma combinação entre inflação e alto desemprego &#8211; uma previsão confirmada pela estagflação da década de 1970, a qual contribuiu muito com o aumento da credibilidade do movimento antikeynesiano. Entretanto, a posição de Friedman acabou vista como relativamente moderada em comparação com a de seus sucessores.</p>
<p>Enquanto isso, alguns macroeconomistas enxergaram as recessões como algo positivo, parte do ajuste da economia às mudanças. E mesmo aqueles que não se dispunham a ir tão longe argumentavam que qualquer tentativa de combater um declínio econômico acabaria provocando mais males do que benefícios.</p>
<p>Muitos macroeconomistas se tornaram novos keynesianos autoproclamados, que continuaram a acreditar num papel ativo desempenhado pelo governo.</p>
<p>Mas mesmo eles aceitavam a noção de que investidores e consumidores são racionais e os mercados em geral costumam acertar.</p>
<p>É claro, alguns economistas desafiaram o pressuposto do comportamento racional, questionaram a crença na confiabilidade dos mercados financeiros e sublinharam o longo histórico de crises financeiras de consequências econômicas devastadoras. Mas eles não foram capazes de avançar muito contra uma complacência difusa e, retrospectivamente, tola.</p>
<p>3. O cassino das finanças</p>
<p>Na década de 1930, os mercados financeiros, por motivos óbvios, não eram muito respeitados. Keynes considerava péssima ideia permitir que tais mercados &#8211; nos quais os investidores gastavam seu tempo correndo uns atrás do rabo dos outros &#8211; ditassem importantes decisões de negócios: &#8220;Quando o desenvolvimento do capital de um país se torna o subproduto das atividades de um cassino, é provável que o serviço resulte mal feito&#8221;.</p>
<p>Entretanto, perto de 1970, os debates sobre a irracionalidade dos investidores, sobre as bolhas e sobre a especulação destrutiva tinham virtualmente desaparecido do discurso acadêmico. A disciplina foi dominada pela &#8220;hipótese do mercado eficiente&#8221;, promulgada por Eugene Fama, da Universidade de Chicago, teoria que afirma a capacidade dos mercados financeiros de estabelecer com precisão o preço dos ativos exatamente no seu valor intrínseco como produto de todas as informações disponíveis publicamente.</p>
<p>E na década de 1980, os economistas financeiros, principalmente Michael Jensen, da Escola de Administração Harvard, argumentavam que devido ao fato de os mercados financeiros sempre acertarem ao definir os preços, o melhor que os caciques corporativos podem fazer, não apenas pelo seu próprio bem como pelo bem de toda a economia, é maximizar o preço de suas ações. Em outras palavras, os economistas financeiros acreditavam que deveríamos entregar o desenvolvimento do capital do país àquilo que Keynes chamara de &#8220;cassino&#8221;.</p>
<p>O modelo teórico desenvolvido pelos economistas financeiros ao suporem que cada investidor busca um equilíbrio racional entre o risco e a recompensa &#8211; o chamado Modelo de Precificação de Ativos Financeiros (CAPM, em inglês) &#8211; é de uma maravilhosa elegância. E para quem aceita suas premissas, o modelo é também muito útil. O CAPM não apenas ajuda a escolher o portfólio &#8211; ele ensina a atribuir preços aos derivativos financeiros, títulos sobre títulos, o que é ainda mais importante do ponto de vista da indústria financeira. A elegância e a aparente utilidade da nova teoria levou seus criadores a receberem uma sequência de prêmios Nobel, e muitos professores da faculdade de administração se tornaram cientistas brilhantes de Wall Street, recebendo cheques dignos deste centro financeiro.</p>
<p>Somos obrigados a reconhecer que os teóricos das finanças produziram boa quantidade de provas estatísticas, o que, de início, pareceu ser uma sólida base de apoio para suas hipóteses. Mas tais provas eram curiosamente limitadas. Os economistas financeiros raramente fizeram a pergunta, aparentemente óbvia (e de resposta difícil), de se os preços dos ativos faziam sentido quando eram levados em consideração fundamentos econômicos do mundo real, como a renda. Em vez disso, eles perguntavam apenas se o preço dos ativos fazia sentido em relação ao preço de outros ativos.</p>
<p>Mas os teóricos das finanças continuaram acreditando que seus modelos estavam essencialmente corretos, e o mesmo pensaram muitas pessoas que tomavam decisões no mundo real. Entre estas pessoas estava Alan Greenspan, que na época era presidente do Fed e defensor de longa data da desregulamentação financeira, cuja rejeição dos apelos por um maior controle sobre os empréstimos subprime ou por medidas para combater o inchaço da bolha imobiliária se deveu principalmente à crença de que a ciência econômica financeira moderna tinha tudo sob controle.</p>
<p>Em outubro do ano passado, Greenspan admitia estar em estado de &#8220;choque e descrença&#8221;, porque &#8220;todo o edifício intelectual&#8221; tinha &#8220;desabado&#8221;.</p>
<p>4. Ninguém poderia prever&#8230;</p>
<p>Em recentes e pesarosos debates econômicos, &#8220;ninguém poderia prever&#8230;&#8221; se tornou uma das principais frases de efeito multiuso. É o que dizemos em relação a desastres que poderiam ser previstos, deveriam ser previstos e de fato foram previstos por alguns economistas, os quais foram ridicularizados pelo seu esforço.</p>
<p>Tomemos como exemplo a aguda alta e queda no preço dos imóveis. Alguns economistas, principalmente Robert Shiller, de fato identificaram a bolha e alertaram para as dolorosas consequências do seu estouro. Ainda assim, em 2004 Alan Greenspan rejeitou comentários sugerindo que uma bolha imobiliária estivesse em formação: a existência de &#8220;uma aguda distorção nacional dos preços&#8221;, declarou ele, era &#8220;muito improvável&#8221;. O aumento no preço dos imóveis, segundo disse Bernanke em 2005, &#8220;reflete principalmente a solidez dos fundamentos econômicos&#8221;.</p>
<p>Como puderam eles deixar de reparar na bolha? É verdade que as taxas de juros estavam abaixo do normal, o que possivelmente explicaria parte do aumento nos preços. Pode ser também que Greenspan e Bernanke quisessem comemorar o sucesso do Fed em tirar a economia da recessão de 2001; admitir que boa parte deste sucesso se deveu à criação de uma monstruosa bolha teria esfriado as festividades.</p>
<p>Mas havia algo mais acontecendo: uma crença generalizada no princípio de que as bolhas simplesmente não se formam. O mais chocante, ao relermos as garantias de Greenspan, é que elas não foram feitas com base em provas &#8211; elas tinham como base a suposição, a priori, de que simplesmente não pode haver uma bolha no mercado imobiliário.</p>
<p>E os teóricos das finanças foram ainda mais inflexíveis neste ponto.</p>
<p>Em entrevista concedida em 2007, Eugene Fama, pai da hipótese do mercado eficiente, declarou que &#8220;a palavra ?bolha? me deixa louco&#8221;, e na sequência explicou por que podemos confiar no mercado imobiliário: &#8220;O mercado imobiliário apresenta menor liquidez, mas as pessoas são muito cuidadosas quando compram casas. Trata-se provavelmente do maior investimento que farão, e portanto elas pesquisam atentamente e comparam preços&#8221;.</p>
<p>De fato, os compradores de imóveis costumam comparar cuidadosamente o preço de suas potenciais aquisições com os preços de outras casas. Mas isto não nos diz se o preço dos imóveis se justifica.</p>
<p>Em resumo, a crença nos mercados financeiros eficientes cegou muitos economistas, se não todos, para a emergência da maior bolha financeira já vista. E a teoria do mercado eficiente também desempenhou um papel significativo na criação da bolha em primeiro lugar.</p>
<p>Agora que o verdadeiro risco associado aos ativos supostamente seguros foi revelado, os lares norte-americanos testemunharam a evaporação de US$ 13 trilhões no valor de suas propriedades. Mais de 6 milhões de empregos foram perdidos e a taxa de desemprego parece rumar para o nível mais alto registrado desde 1940. Assim, que tipo de orientação a ciência econômica moderna tem a oferecer diante do nosso apuro atual? Será que podemos confiar nesta orientação?</p>
<p>5. A querela do estímulo</p>
<p>Durante uma recessão normal, o Fed responde por meio da compra de notas do Tesouro &#8211; títulos de curto prazo da dívida do governo &#8211; que estejam em poder dos bancos. Isto provoca uma redução nas taxas de juros sobre a dívida do governo; investidores em busca de uma maior proporção de retorno procuram outros ativos, provocando uma redução nas demais taxas de juros ; e normalmente estas taxas de juros mais baixas provocam, afinal, uma reversão no declínio econômico. O Fed combateu a recessão que teve início em 1990 derrubando de 9% para 3% as taxas de juros para os títulos de curto prazo. Combateu a recessão que teve início em 2001 cortando as taxas de juros de 6,5% para 1%. E tentou lidar com a recessão atual baixando as taxas de 5,25% para zero.</p>
<p>Mas a taxa zero revelou-se alta demais para pôr fim à recessão. E o Fed não pode reduzir as taxas de juros para menos do que zero já que, com mais taxas próximas do zero, os investidores simplesmente açambarcam o dinheiro em vez de emprestá-lo. Assim, perto do fim de 2008, com as taxas de juros basicamente definidas como aquilo que os macroeconomistas chamam de &#8220;patamar menor ou igual a zero&#8221; enquanto a recessão continuava a se aprofundar, a política monetária convencional tinha perdido todo o seu poder de tração.</p>
<p>E agora? Esta é a segunda vez que os EUA enfrentam juros menores ou iguais a zero, sendo que a primeira vez foi a Grande Depressão. E foi precisamente a observação de que existe um limite inferior para as taxas de juros o que levou Keynes a defender um maior gasto governamental: quando a política monetária é ineficaz e o setor privado não pode ser convencido a gastar mais, o setor público deve assumir seu lugar no apoio à economia. O estímulo fiscal é a resposta keynesiana para o tipo de situação econômica semelhante a uma depressão &#8211; como a que vivemos atualmente.</p>
<p>Tal pensamento keynesiano forma a base das medidas econômicas do governo Obama. Cochrane, da Escola de Chicago, indignado diante da ideia de que os gastos governamentais pudessem aliviar a mais recente recessão, declarou: &#8220;Isto não faz parte daquilo que se ensina aos estudantes de economia desde 1960. Elas (ideias keynesianas) são contos de fadas que já foram desacreditadas pelas provas. Em tempos de crise, é muito confortável voltar aos contos de fadas que ouvíamos quando crianças, mas isto não faz deles menos falsos&#8221;.</p>
<p>Mas como destacou Brad DeLong, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, a posição atual da escola pode ser resumida também numa rejeição completa das ideias de Milton Friedman. Friedman acreditava que as medidas do Fed &#8211; e não as mudanças nos gastos governamentais &#8211; deveriam ser usadas para estabilizar a economia, mas nunca afirmou que um aumento no gasto governamental seria incapaz, sob quaisquer circunstâncias, de aumentar o emprego. Na verdade, ao relermos o resumo elaborado por Friedman em 1970 de suas próprias ideias, Contexto teórico para a análise monetária, o que mais impressiona é a aparência keynesiana do seu pensamento.</p>
<p>E Friedman certamente jamais comprou a ideia de que o desemprego em massa represente uma redução voluntária no esforço de trabalho e nem a ideia de que as recessões sejam de fato benéficas para a economia.</p>
<p>Ainda assim, Casey Mulligan, da Escola de Chicago, sugere que o desemprego esteja tão alto porque muitos trabalhadores tem optado por não aceitar empregos. Ele sugeriu, em especial, que os trabalhadores estejam optando por permanecerem desempregados porque isto melhora suas chances de receber a concessão de alívios para suas hipotecas. E Cochrane declara que o alto desemprego é, na verdade, algo positivo: &#8220;Precisamos de uma recessão. Pessoas que passam suas vidas martelando pregos em Nevada precisam de algo diferente para fazer.&#8221; Particularmente, acho que isto é loucura. Por que seria necessário o desemprego maciço em todo o país para tirar os carpinteiros de Nevada? Será que alguém é capaz de afirmar com seriedade que perdemos 6,7 milhões de empregos porque um número menor de americanos deseja trabalhar? Mas se partirmos do princípio que as pessoas são perfeitamente racionais e os mercados, perfeitamente eficientes, temos de concluir que o desemprego é voluntário e as recessões são desejáveis.</p>
<p>6. Falhas e atritos</p>
<p>A economia, enquanto ciência, enfrentou problemas porque os economistas foram seduzidos pela visão de um sistema de mercado perfeito e desprovido de atrito. Se a profissão almeja a redenção, ela terá de conciliar-se com uma visão menos deslumbrante &#8211; a de uma economia de mercado que apresenta muitas virtudes, mas que também está repleta de falhas e atritos.</p>
<p>Já existe um exemplo relativamente desenvolvido do tipo de ciência econômica que tenho em mente: a escola de pensamento conhecida como behaviorismo financeiro. Os adeptos desta abordagem enfatizam duas coisas. Primeiro, muitos investidores do mundo real em pouco se assemelham aos frios e calculistas investidores da teoria do mercado eficiente: eles são bastante sujeitos ao comportamento de manada, a surtos de exuberância irracional e a pânicos injustificados. Segundo, mesmo aqueles que tentam basear suas decisões no cálculo frio com frequência descobrem que não são capazes de fazê-lo, pois problemas de confiança, credibilidade e garantias reais limitadas os obrigam a seguir o restante da manada.</p>
<p>Enquanto isso, como fica a macroeconomia? Acontecimentos recentes refutaram de maneira bastante decisiva a ideia de que as recessões sejam uma resposta ideal à flutuação no ritmo do progresso tecnológico; uma visão mais ou menos keynesiana é a única possível no momento. Ainda assim, os modelos padronizados do novo keynesianismo não deixaram espaço para uma crise como a que estamos vivendo, pois estes modelos aceitaram de maneira geral a visão do setor financeiro promovida pela teoria do mercado eficiente.</p>
<p>Uma linha de pesquisas, cujos pioneiros foram o próprio Ben Bernanke e seu colega Mark Gertler, da Universidade de Nova York, enfatizava a maneira pela qual a falta de garantias reais suficientes pode prejudicar a capacidade das empresas de arrecadar fundos e buscar oportunidades de investimento. Uma linha de pesquisas parecida, em boa parte estabelecida por meu colega de Princeton, Nobuhiro Kiyotaki, em parceria com John Moore, da London School of Economics, argumenta que os preços de ativos como propriedades imobiliárias podem sofrer declínios autoacentuantes que, por sua vez, provocam uma depressão na economia como um todo. Mas até o momento, o impacto das finanças disfuncionais não esteve no centro nem mesmo da ciência econômica keynesiana. Isto, claramente, precisa mudar.</p>
<p>7. Recuperando Keynes</p>
<p>Eis o que acho que os economistas precisam fazer. Primeiro, eles precisam enfrentar a inconveniente realidade de que os mercados financeiros estão muito aquém da perfeição; que eles estão sujeitos a extraordinários delírios e à loucura das multidões. Segundo, eles precisam admitir que a ciência econômica keynesiana ainda é o melhor arcabouço teórico de que dispomos para compreender as recessões e depressões. Terceiro, eles terão de se esforçar ao máximo para incorporar as realidades das finanças à macroeconomia.</p>
<p>A visão que deve emergir conforme a profissão repensa seus fundamentos pode não ser muito clara; certamente não será arrumada; mas temos de manter a esperança de que ela terá a virtude de estar, ao menos, parcialmente correta.</p>
<p><strong>*O autor é colunista do New York Times e ganhador do prêmio Nobel da economia de 2008. Seu livro mais recente é O retorno da economia da depressão e a crise de 2008</strong></div>
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		<title>Rubini alerta contra corte prematuro de gastos públicos e Celso Ming replica: agora há governo!</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Aug 2009 15:34:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Advertências valem, mas agora há governo
Análise
Celso Ming &#8211; O Estado SP
As advertências de Nouriel Roubini têm de ser levadas em conta. O grande reparo que se pode fazer a elas é o de que não está dando a devida importância à condução de corações e mentes pelos dirigentes políticos.
Se houve um elemento novo nesta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/08/rubini-alerta-contra-corte-prematuro-de-gastos-publicos-e-celso-ming-replica-agora-ha-governo/12964/" rel="attachment wp-att-12964" title="celso_ming1.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/08/celso_ming1.jpg" alt="celso_ming1.jpg" align="left" /></a><font size="5"><strong>Advertências valem, mas agora há governo</strong></font></p>
<p><font size="4"><strong><em>Análise</em></strong></font></p>
<p style="background-color: #ffff99">Celso Ming &#8211; O Estado SP</p>
<p>As advertências de Nouriel Roubini têm de ser levadas em conta. O grande reparo que se pode fazer a elas é o de que não está dando a devida importância à condução de corações e mentes pelos dirigentes políticos.</p>
<p>Se houve um elemento novo nesta crise foi a percepção de que a motivação das pessoas e, mais do que isso, a capacidade das autoridades em conduzir o processo cumpre papel decisivo. O futuro das pessoas não está abandonado ao sabor de forças irracionais.</p>
<p>Ficou bem mais difícil, por exemplo, enfrentar a crise a partir do momento em que prevaleceu o pânico e as pessoas perderam a capacidade de tomar decisões com um mínimo de racionalidade. O derretimento de um grande número de patrimônios pessoais e familiares foi, em grande parte fruto do efeito manada e não da irresponsabilidade dos senhores de Wall Street. E, no entanto, num segundo momento, quando o pânico foi embora, ficou bem mais fácil procurar por saídas.</p>
<p>Em outras palavras, a principal percepção pós-crise é a de que agora tem governo. Se falhou no início de tudo, quando deixou que as bolhas se formassem e, em seguida, estourassem, num segundo momento, o governo não se omitiu, tomou decisões difíceis e passou um mínimo de segurança que não existiu em setembro de 2008.</p>
<p>Há, sim, razões técnicas para acreditar que a recuperação será mais demorada e sujeita a recaídas, como diz Roubini, mas já não há mais lugar para uma situação em que toda a sociedade se considere desamparada, à beira de uma catástrofe. E isso muda muita coisa.</p>
<p>Muda, por exemplo, a avaliação que as pessoas fazem agora dos ativos. Ninguém mais espera que seu patrimônio vire pó. Ele perdeu valor, sim. Mas é valor recuperável, como mostra o comportamento das bolsas e até do mercado imobiliário.</p>
<p>Muda também a visão sobre os bancos. Tão cedo eles não voltarão às irresponsabilidades de antes. Ninguém mais espera que um grande banco afunde e arraste um montão de contas bancárias junto com ele.</p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p align="center"><em><font size="1">Jin Lee / Bloomberg News Foto Destaque<br />
</font></em><img src="http://www.valoronline.com.br/imagens/impresso/ed_0002329/imagens/foto_25fin-roubini-c5.jpg" alt="Foto Destaque" border="0" /><br />
<em><font size="1"> Nouriel Roubini: crescimento “anêmico” e “abaixo da tendência”</font></em></p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p align="left">&nbsp;</p>
<p align="left">&nbsp;</p>
<p><strong><font size="5">Roubini alerta para &#8221;duplo mergulho&#8221;</font></strong></p>
<p><strong>Em artigo, economista aponta risco de que, depois de ligeira melhora, economia volte a mergulhar em uma crise</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">Patrícia Campos Mello, WASHINGTON &#8211; O Estado SP</p>
<p>O economista Nouriel Roubini, um dos primeiros a prever a crise financeira, acredita que o risco de recaída da economia mundial está crescendo. &#8220;A recuperação provavelmente será anêmica e há um grande risco de termos uma recessão ?duplo mergulho?&#8221;, afirma Roubini em artigo no Financial Times de domingo. Para ele, aumentaram as chances de um &#8220;duplo mergulho&#8221;, ou recessão em W &#8211; ou seja, depois de uma ligeira melhora, a economia voltaria a mergulhar em uma crise.</p>
<p>Roubini cita Brasil, Austrália, Alemanha, França, Japão, China e Índia como países onde a recuperação já começou. Mas ele acha que a recuperação será &#8220;anêmica por pelo menos dois anos&#8221;. Para o economista, o mundo vive apenas dois trimestres de rápido crescimento movido pela reposição de estoques e recuperação de produção.</p>
<p>&#8220;O nível de emprego ainda está caindo rapidamente nos EUA e outros lugares, e isso é má notícia para demanda, resultados de bancos, e também para a qualificação dos trabalhadores, um fator essencial para o crescimento da produtividade a longo prazo&#8221;, diz Roubini.</p>
<p>O economista acredita que esta é uma crise de solvência, e não apenas de liquidez. Segundo ele, &#8220;o processo de desendividamento ainda não começou, porque os prejuízos nas instituições financeiras foram socializados e transferidos para o balanço dos governos&#8221;. &#8220;Isso restringe a capacidade dos bancos de emprestar, dos lares de gastar e das empresas de investir.&#8221;</p>
<p>Além disso, nos países com déficit em conta corrente, como os EUA, os consumidores precisam cortar os gastos e poupar muito mais &#8211; mas esses mesmos consumidores estão endividados e sofreram perdas com a queda nos preços dos imóveis.</p>
<p>O sistema financeiro, apesar da injeção de recursos, continua muito danificado, diz Roubini. &#8220;A maioria do sistema financeiro não bancário desapareceu, os bancos tradicionais esperam prejuízo de trilhões de dólares por causa de calote em empréstimos e estão seriamente subcapitalizados.&#8221;</p>
<p>O crescimento da dívida dos governos, por sua vez, ameaça a disponibilidade de crédito para o setor privado. &#8220;E os efeitos do estímulo vão acabar até o início do ano que vem, exigindo mais investimento privado para sustentar o crescimento.&#8221;</p>
<p>Para Roubini, o principal motivo para uma recessão em W são os riscos na chamada estratégia de saída da maciça expansão fiscal e afrouxamento monetário adotados pelos governos contra a crise. Com ou sem estratégia de saída, os países terão problemas. Se os formuladores de políticas levarem a sério os déficits do orçamento e elevarem impostos, reduzirem gastos e enxugarem liquidez, vão sabotar a recuperação e jogar a economia em estagdeflação (recessão e deflação). Mas, se mantiverem os déficits do orçamento, as expectativas de inflação vão subir, a remuneração dos títulos do governo vai aumentar e as taxas de juros vão acabar nas alturas, levando a uma estagflação.</p>
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		<title>Cresce o risco de nova contração</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Aug 2009 15:43:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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NOURIEL ROUBINI &#8211; ESPECIAL PARA O &#8220;FINANCIAL TIMES&#8221; &#8211; FOLHA SP
A ECONOMIA mundial está começando a se recuperar da pior recessão e crise financeira desde a Grande Depressão. No quarto trimestre de 2008 e nos primeiros três meses de 2009, o ritmo de contração na maioria das economias avançadas era semelhante à queda livre do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://a.abcnews.com/images/Business/abc_Nouriel-Roubini_081106_mn.jpg" alt="http://a.abcnews.com/images/Business/abc_Nouriel-Roubini_081106_mn.jpg" align="left" /></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>NOURIEL ROUBINI &#8211; ESPECIAL PARA O &#8220;FINANCIAL TIMES&#8221; &#8211; FOLHA SP</strong></p>
<p>A ECONOMIA mundial está começando a se recuperar da pior recessão e crise financeira desde a Grande Depressão. No quarto trimestre de 2008 e nos primeiros três meses de 2009, o ritmo de contração na maioria das economias avançadas era semelhante à queda livre do PIB que os países registraram nos estágios iniciais da Depressão. No entanto, no final do ano passado, as autoridades econômicas, que até aquele momento estavam agindo tardiamente, enfim começaram a usar a maioria das armas disponíveis em seus arsenais.<br />
Os esforços deram frutos, e a queda livre da atividade econômica se atenuou. Existem agora três questões em aberto quanto às perspectivas. Quando a recessão mundial vai acabar? Que forma tomará a recuperação econômica? Existem riscos de recaída?<br />
Quanto à primeira questão, parece que a economia mundial chegará ao fim da queda no segundo semestre de 2009. Em muitas economias avançadas (Espanha, Estados Unidos, Itália, Reino Unido e em alguns países da zona do euro) e em alguns emergentes (principalmente na Europa), a recessão não se encerrará formalmente antes do final do ano, já que os brotos verdes da recuperação ainda estão cercados de ervas daninhas. Em algumas outras economias avançadas (Alemanha, Austrália, França e Japão) e na maioria dos mercados emergentes (China, Índia, Brasil e outras partes da Ásia e América Latina), a recuperação já começou.<br />
Quanto à segunda questão, o debate se trava entre aqueles -a maioria do consenso econômico- que antecipam uma recuperação em forma de V, com rápida retomada de crescimento, e aqueles -como eu- segundo os quais a recuperação será em U e se manterá anêmica e abaixo da tendência por ao menos dois anos, após um par de trimestres de rápido crescimento alimentado por reposição de estoques e recuperação da produção ante os níveis quase tão desfavoráveis quanto os da Grande Depressão.<br />
Existem diversos argumentos que apontam para uma recuperação fraca e em forma de U. O emprego continua a cair acentuadamente nos Estados Unidos e em vários mercados -em economias avançadas, o desemprego estará acima dos 10% em 2010. Isso é má notícia não só em termos de demanda e prejuízos bancários mas também em termos de capacitação profissional, um fator chave para o crescimento da produtividade em longo prazo.<br />
Segundo, temos uma crise de solvência, e não apenas de liquidez, mas ainda não começou uma redução real no endividamento, porque os prejuízos das instituições financeiras foram socializados e transferidos aos balanços dos governos. Isso limita a capacidade de empréstimo das instituições financeiras, a capacidade de gasto dos domicílios e a capacidade de investimento das empresas.<br />
Terceiro, nos países que operam com deficit em conta corrente, os consumidores precisam começar a cortar gastos e poupar mais, em um momento em que as pessoas endividadas enfrentam um choque de patrimônio causado pela queda nos preços das casas e dos mercados de ações e pela retração na renda e no emprego.<br />
Quarto, o sistema financeiro -a despeito do apoio das autoridades- continua severamente danificado. A maior parte do sistema bancário paralelo desapareceu, e os bancos tradicionais estão sobrecarregados com trilhões de dólares em prejuízos inesperados com empréstimos e títulos, enquanto ainda se mantêm perigosamente subcapitalizados.<br />
Quinto, os lucros fracos (causados por dívidas elevadas e riscos de inadimplência, crescimento baixo e persistentes pressões deflacionárias sobre as margens de ganhos empresariais) restringirão a disposição das companhias de produzir, contratar trabalhadores e investir.<br />
Sexto, o endividamento do setor público por meio do acúmulo de pesados deficits fiscais ameaça dificultar a recuperação nos gastos do setor privado. Os efeitos das políticas de estímulo, além disso, se dissiparão no começo do ano que vem, o que vai requerer maior demanda privada para sustentar o crescimento.<br />
Sétimo, a redução nos desequilíbrios mundiais implica em que os deficits em conta corrente de economias perdulárias, como a dos EUA, vão reduzir os superávits das economias que poupam em excesso (Japão, Alemanha, China e outros emergentes). Mas, caso a demanda interna não se expanda rapidamente o bastante nos países superavitários, resultará em recuperação mais lenta do mundo.</p>
<p>Recessão em forma de W<br />
Também existem duas razões para que exista risco ascendente de uma recessão de duplo mergulho, em forma de W. Para começar, existem riscos associados às estratégias de saída para o grande relaxamento da política monetária e de estímulo fiscal: as autoridades serão criticadas por agir e também por não agir. Caso decidam levar a sério os grandes deficits fiscais e decretem aumento de impostos, corte de gastos e redução da liquidez excessiva, poderão solapar a recuperação e levar a economia a uma estagdeflação (recessão e deflação).<br />
Mas, caso mantenham grandes deficits orçamentários, os ativistas dos mercados de títulos públicos punirão as autoridades econômicas. As pressões inflacionárias subirão, os rendimentos dos títulos públicos de longo prazo terão de subir e as taxas de empréstimo dispararão, gerando estagflação.<br />
Outro motivo para temer uma recessão de duplo mergulho é que os preços de petróleo, energia e alimentos agora estão subindo mais rápido do que os fundamentos econômicos justificam e podem ser propelidos a alta ainda maior pela liquidez excessiva em busca de ativos e pela demanda especulativa.<br />
No ano passado, o petróleo a US$ 145 por barril marcou um ponto de inflexão para a economia mundial, ao criar termos negativos de comércio internacional e um choque na renda disponível para as economias importadoras da commodity. A economia mundial não suportaria outro choque contrativo caso especulação semelhante conduza o preço do petróleo a um rápido retorno para a marca dos US$ 100.<br />
Em resumo, a recuperação deve ser anêmica e abaixo da tendência nas economias avançadas e existe forte risco de uma recessão de duplo mergulho.</p>
<p><strong>O autor é professor de Economia na Escola Stein de Administração de Empresas na Universidade de Nova York.</strong></p>
<p><em>Tradução de PAULO MIGLIACCI</em></p>
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		<title>Brasil pode gastar mais se for responsável</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Aug 2009 13:02:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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&#160;
Alberto Tamer* &#8211; O Estado SP
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Por que a economia mundial está saindo da recessão mais cedo do que se previa? Paul Krugman, prêmio Nobel de Economia, responde refletindo o pensamento de quase todos: basicamente por causa da grande intervenção governamental. Os países em que ela foi mais intensa, Estados Unidos, China, Brasil, estão se livrando [...]]]></description>
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<h3></h3>
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<div class="grupoC2">
<p class="fonte">&nbsp;</p>
<p style="background-color: #ffff99" class="fonte">Alberto Tamer* &#8211; O Estado SP</p>
<p class="fonte">&nbsp;</p>
<p class="tmTexto" id="ctrl_texto"><span style="color: #155e91" id="tm04" onclick="sizeFonts(14),selectedFonts('tm04'); return false"><br />
</span></p>
<p><script>Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto")</script></div>
<div id="corpoNoticia">
<div class="ImagemMateria"></div>
<p>Por que a economia mundial está saindo da recessão mais cedo do que se previa? Paul Krugman, prêmio Nobel de Economia, responde refletindo o pensamento de quase todos: basicamente por causa da grande intervenção governamental. Os países em que ela foi mais intensa, Estados Unidos, China, Brasil, estão se livrando antes. Os que tardaram ou foram tímidos, todos na União Europeia, vão demorar e sofrer ainda muito. Esse é um fato insofismável. Foi isso que evitou a segunda grande depressão da história, afirma Krugman.</p>
<p><strong>HÁ UM LIMITE. QUAL?</strong></p>
<p>O Brasil antecipou-se ao lançar uma política fiscal ousada e consistente que está funcionando bem, mas chegou a hora de perguntar: qual foi o custo e até quando o governo poderá mantê-la sem pôr em risco o equilíbrio fiscal e a sua credibilidade externa? Esse tema tem provocado discussões acaloradas entre economistas e a equipe econômica. Até o sempre tranquilo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, perdeu a calma e chamou de especuladores os que condenam a política anticíclica e a acusam de pouco responsável por seus efeitos negativos na estabilidade fiscal.</p>
<p>A resposta mais consistente e bem documentada veio, em artigo de Affonso Celso Pastore e Maria Cristina Pinotti, no Valor desta segunda-feira. &#8220;Há espaço ainda para manter o estímulo, mas há riscos de gastos permanentes de difícil reversão&#8221;, como vem ocorrendo, afirmam.</p>
<p>O estímulo do governo à economia foi significativo. Em 12 meses, o superávit fiscal primário situava-se pouco acima de 4% do Produto Interno Bruto (PIB). Em julho, recuou para 2% e a projeção é que feche o ano entre 1,5% e 1,8%.</p>
<p>&#8220;Há, assim, um estímulo fiscal superior a 2% do PIB.&#8221;</p>
<p>Comparando com o esforço de outros países para impedir uma recessão profunda, poder-se-ia argumentar que o estímulo fiscal brasileiro é até modesto. Nos Estados Unidos, o déficit &#8211; não superávit &#8211; passou de 3% do PIB em 2008 para 13% neste ano; a dívida pública, que era de 41% do PIB em 2008, está perto de 55% neste ano, segundo o Congresso. Estima-se que, se nada for feito, poderá chegar a 85% do PIB em 2019.</p>
<p>&#8220;Os EUA podem elevar até fortemente a dívida pública porque têm uma reputação de disciplina fiscal e nunca tiveram um default. As mudanças macroeconômicas dos últimos anos permitem ao Brasil realizar uma política fiscal contracíclica (a atual), mas nosso passado nos obriga a fazê-lo em dimensões muito mais modestas&#8221;, afirmaram Pastore e Pinotti.</p>
<p>Para eles, o fantasma do crescimento explosivo da dívida pública não é mais tão aterrador como no passado. Hoje, a dívida pública consolidada é apenas um pouco acima de 40% do PIB mas as taxas de juros, que incidem sobre ela, vêm caindo continuamente, reduzindo seu peso.</p>
<p>Eles estimam que se for deduzida a inflação, de 4,5%, dos juros e um crescimento mesmo modesto de 3,5% no próximo ano, &#8220;serão necessários superávits fiscais inferiores a 2% do PIB para estabilizar a dívida líquida. Conclusão: não se ressuscita o fantasma do default, que já tivemos, &#8220;mas aumenta a tentação de elevar os gastos e reduzir mais o superávit primário&#8221;. Isto é, o risco não está em manter a atual política de estímulo fiscal, mas de usá-la mal com gastos permanentes. E essa tentação de gastar mais e com menos responsabilidade é ainda maior num ano eleitoral em que o governo já tem um candidato. Gastar mais aumenta a demanda, ajuda sair da recessão, mas a eleger o novo presidente também. Este é o risco. Gastar mais em áreas que dão mais resultado eleitoral, mas tem retorno pouco sustentável e efeitos fiscais danosos.</p>
<p><strong>ENTÃO É MUDAR TUDO?</strong></p>
<p>Não. Nem aqui nem nos Estados Unidos, onde só há notícias positivas. Graças aos benefícios fiscais e tributários a economia americana que estava caindo 6%, recuou apenas 1% no segundo trimestre. Está saindo do fundo do poço. Na China, o enorme pacote de estímulo essencialmente à demanda interna e, mais ainda, empréstimos bancários de mais de US$ 1 trilhão em alguns meses, estão fazendo que a economia cresça 7% neste ano. Em ambos, o objetivo que está sendo alcançado, é restabelecer a confiança do consumidor e reanimar o mercado interno. No Brasil, também. Poucos duvidam que o PIB será positivo neste trimestre e poderemos terminar um ano com um índice pelo menos de estabilização após dois trimestres negativos.</p>
<p>Por isso, não há como condenar a política fiscal, mesmo que ela reduza o superávit. É o preço que estamos pagando para evitar que o desemprego aumente e a recessão se prolongue. Todos os indicadores econômicos de consumo, emprego, construção civil são positivos. Essa política deve ser mantida.</p>
<p>O risco, alertam Pastore e Pinotti, com muita propriedade e comprometer-se com gastos permanentes que não podem ser desfeitos quando a situação voltar à normalidade; o risco é acreditar que simplesmente o aumento do consumo, mesmo ao custo de uma redução do superávit e do equilíbrio fiscal, representa uma solução permanente para voltar a crescer.</p>
<p>O governo está acertando com política anticíclica mas precisa resistir à enorme tentação de gastar mais já que o superávit fiscal ainda permite. Mas será isso possível num ano eleitoral? O que acha o leitor?</p>
<p><strong>*E-mail: at@attglobal.net</strong></div>
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		<title>Lula tinha razão, foi uma &#8220;marolinha&#8221;</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Aug 2009 12:12:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Bem na foto

Celso Ming &#8211; O Estado SP
À medida que se consolida a percepção de que a crise global não foi tão destruidora como parecia e que, afinal, a virada está a caminho, é preciso perguntar quais as consequências de tudo isso para o Brasil.
Sortudo ou o que for, o presidente Lula ficou com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <font size="5"><strong>Bem na foto</strong></font></p>
<p><font size="5"></font><img src="http://www.rnnoticias.com.br/SPN/bancoimagem/Cultura/lula-e-marolinha-surf-obama.bmp" alt="http://www.rnnoticias.com.br/SPN/bancoimagem/Cultura/lula-e-marolinha-surf-obama.bmp" align="left" /></p>
<p style="background-color: #ffff99">Celso Ming &#8211; O Estado SP</p>
<p>À medida que se consolida a percepção de que a crise global não foi tão destruidora como parecia e que, afinal, a virada está a caminho, é preciso perguntar quais as consequências de tudo isso para o Brasil.</p>
<p>Sortudo ou o que for, o presidente Lula ficou com a razão. Comparada com as projeções feitas pelo Morgan Stanley e seu economista-chefe, Marcelo Carvalho, de que o PIB do Brasil mergulharia 4,5% neste ano, a afirmação de Lula de que isso não passaria de &#8220;marolinha&#8221; estava bem mais correta.</p>
<p>Terça-feira, o presidente executivo do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, avisava que o PIB brasileiro no segundo semestre avança ao ritmo de 4% ou 5%. Assim, ainda que o resultado líquido do ano fique perto de zero por cento, para 2010 já se pode esperar números próximos dos 4%.</p>
<p>Como esta coluna já fez em outras oportunidades, não dá para fechar os olhos para a atual deterioração das contas públicas. Em apenas nove meses, o déficit do setor público saltou de 1,8% do PIB para 3,2%. E o enorme despejo de recursos na economia, que o governo alardeia como sendo política anticíclica, baseou-se em despesas de má qualidade, na medida em que se concentraram não em investimentos, que trariam retorno, mas em despesas correntes, com o funcionalismo público e aposentadorias, que ficam nisso.</p>
<p>Mas não se pode negar a qualidade do resto. Fato inédito, a economia brasileira sai dessa crise com reservas externas superiores às que tinha no seu início. Os juros básicos (Selic) estão em seu nível mais baixo desde 1999. A inflação ficou enquadrada na meta (e em queda). O desemprego está mais baixo do que nos países ricos. E o crédito segue em expansão e já permite o esticamento dos financiamentos habitacionais para além de 20 anos. São condições que, por si sós, constituem credenciais de grande validade para novas decolagens.</p>
<p>A crise e as circunstâncias trouxeram outros benefícios de longo prazo. Acabou, por exemplo, o risco de apagão no sistema de energia elétrica, um pouco porque a derrubada da atividade industrial reduziu o consumo e outro pouco porque o extraordinário período de chuvas encheu os reservatórios e ficou afastada a ameaça de insuficiência de energia elétrica por pelo menos mais três anos.</p>
<p>É provável que o crescimento do PIB deste ano seja alguma coisa acima de zero por cento, como novas projeções estão indicando. Mas, mesmo que seja zero, será o quinto ou o sexto melhor desempenho do planeta, atrás apenas da China, Índia, Indonésia, África do Sul e, talvez, Colômbia.</p>
<p>Assim como o governo americano terá de enfrentar a estratégia de saída da crise, o governo brasileiro terá de normalizar o regime tributário dos setores que foram beneficiados com isenção de IPI.</p>
<p>A queda das vendas da indústria automobilística em julho, de 4,9% em relação a junho, parece comprovar que os benefícios se limitaram a antecipar as compras; não criaram mercado novo. E, se foi assim, a indústria voltará a ter dificuldades nos próximos meses.</p>
<p>Em todo o caso, se o governo Lula não fizer nenhuma grande besteira, a economia brasileira tem tudo para mostrar bom resultado no ano que vem.</p>
<p><strong>CONFIRA</strong></p>
<p>Como o mercado esperava, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) manteve os juros básicos entre 0% e 0,25% ao ano. O que surpreendeu muitos analistas foi o tom brando com que o Fed tratou da recuperação da economia.</p>
<p>Muitos acreditavam que a recente melhora da atividade levaria o BC americano a acabar com o afrouxamento no primeiro semestre de 2010.</p>
<p>No entanto, o Fed fala em garantir um nível excepcionalmente baixo para os juros por um período prolongado. Uma das prováveis consequências disso é a desvalorização do dólar ante outras moedas, como o real.</p>
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		<title>Recessão nos EUA chegou ao fim, dizem economistas</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Aug 2009 11:52:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
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De 52 economistas ouvidos pelo WSJ, 38 dizem que país está saindo da crise
O Estado SP
A recessão nos Estados Unidos iniciada em dezembro de 2007 já terminou, segundo a maioria dos economistas consultados em um levantamento do Wall Street Journal publicado ontem. Na pesquisa, que entrevistou 52 economistas, 27 disseram que a crise já acabou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><br />
</strong><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/08/recessao-nos-eua-chegou-ao-fim-dizem-economistas/12739/" rel="attachment wp-att-12739" title="criseusa.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/08/criseusa.jpg" alt="criseusa.jpg" align="left" /></a><font size="4"><strong>De 52 economistas ouvidos pelo WSJ, 38 dizem que país está saindo da crise</strong></font></p>
<p style="background-color: #ffff99">O Estado SP</p>
<p>A recessão nos Estados Unidos iniciada em dezembro de 2007 já terminou, segundo a maioria dos economistas consultados em um levantamento do Wall Street Journal publicado ontem. Na pesquisa, que entrevistou 52 economistas, 27 disseram que a crise já acabou e outros 11 acreditam que chegará ao fim neste mês ou no próximo.</p>
<p>Eles também são quase unânimes na aprovação de Ben Bernanke como presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e desejam que ele seja nomeado para mais um mandato. Para os economistas americanos, há 71% de chance de o presidente dos EUA, Barack Obama, pedir que ele continue no posto.</p>
<p>O combate à desaceleração da economia definiu boa parte do mandato de Bernanke, que começou no início de 2006 e termina em janeiro de 2010, segundo os economistas. Eles disseram que a forma com que Bernanke lidou com a crise o faz merecer mais quatro anos no comando do Fed.</p>
<p>&#8220;Ele merece bastante crédito por estabilizar os mercados financeiros&#8221;, disse Joseph Carson, da AllianceBernstein. &#8220;A confiança na recuperação seria prejudicada se ele não fosse renomeado.&#8221; Muitos dos economistas consultados acreditam que há pouco a se ganhar com uma mudança no comando do Fed, especialmente considerando a tarefa maciça nas mãos do banco central, conforme a economia sai da recessão.</p>
<p>&#8220;Uma continuidade é crítica conforme emergimos desta crise. Do contrário, podemos cair nela de novo&#8221;, disse Diane Swonk, economista da Mesirow Financial. &#8220;O Bernanke é o melhor indicado para desfazer o que foi feito quando chegar a hora.&#8221; O Fed tomou medidas sem precedentes para evitar outra Grande Depressão e a estratégia de saída continua sendo uma questão-chave.</p>
<p>A taxa básica de juros não deve ser alterada tão cedo. Apenas seis economistas esperam que o Fed eleve este ano o juro &#8211; hoje na faixa entre zero e 0,25%. Muitos preveem um aumento em algum momento em 2010, mas mais de um quarto não vê mudança até 2011 ou mais.</p>
<p>&#8220;A estratégia de saída será muito, muito lenta e cautelosa&#8221;, disse John Silvia, do Wells Fargo. &#8220;O Fed vai desmontar o balanço antes de elevar o juro&#8221;, acrescentou. O balanço do Fed &#8211; o valor total dos empréstimos e títulos que possui &#8211; mais que dobrou durante a crise, para mais de US$ 2 trilhões, em meio à expansão das linhas de crédito, na tentativa de descongelar os mercados de crédito.</p>
<p>AGÊNCIAS INTERNACIONAIS</p>
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