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	<title>Blog do Favre &#187; derivativos</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Diagnóstico correto da crise permitiu reação adequada</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Nov 2009 14:52:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[EDITORIAL DO JORNAL VALOR
A realidade da crise que se abateu sobre o Brasil, a partir da turbulência financeira internacional, foi muito mais sombria do que o discurso oficial fazia crer. A economia brasileira assistiu a uma corrida bancária em outubro de 2008, sofreu um ataque especulativo em dezembro daquele ano e, por muito pouco, não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="background-color: #ffff99;">EDITORIAL DO JORNAL VALOR</span></h2>
<p>A realidade da crise que se abateu sobre o Brasil, a partir da turbulência financeira internacional, foi muito mais sombria do que o discurso oficial fazia crer. A economia brasileira assistiu a uma corrida bancária em outubro de 2008, sofreu um ataque especulativo em dezembro daquele ano e, por muito pouco, não viu a ruína de suas maiores empresas exportadoras, envolvidas com operações cambiais especulativas. Estas e outras histórias foram reveladas com exclusividade, pelo Valor, na edição de sexta-feira.</p>
<p>Até então, o que se sabia é que, do lado financeiro, ocorreu uma crise de liquidez nos mercados e, do lado real da economia, uma parada súbita no crescimento, provocando uma recessão que durou dois trimestres. Agora, sabe-se que a crise foi muito mais séria do que se imaginava.</p>
<p>Se a gravidade dos fatos foi bem além do triunfalismo adotado em Brasília, as informações agora divulgadas também mostram que o governo, por meio do Banco Central (BC) e do Ministério da Fazenda, soube enfrentar aquela que é considerada a crise financeira mais grave desde a Grande Depressão de 1929. Mesmo exibindo fundamentos sólidos, o Brasil escapou de uma ruptura que poderia ter desorganizado a economia, solapando as conquistas obtidas nos últimos anos.</p>
<p>Desde o início da fase aguda da crise global, deflagrada pela quebra do banco americano Lehman Brothers, sabia-se que os fatores que provocaram a turbulência lá fora não estavam presentes na economia brasileira. Os países avançados viviam, desde julho do ano anterior, os efeitos danosos de uma crise de crédito. Seus bancos, abarrotados de créditos podres, se tornaram frágeis da noite para o dia, enquanto, aqui, os bancos gozavam de saúde financeira invejável.</p>
<p>Apesar disso, o Brasil sofreu um contágio inesperado. O sufoco começou com grandes empresas exportadoras, que haviam feito apostas no mercado futuro de câmbio. A suposição era a de que o real se valorizaria de forma permanente frente ao dólar. O problema é que, depois da quebra do Lehman, os investidores estrangeiros tiraram seus recursos do país para cobrir prejuízos em suas nações de origem. O movimento provocou desvalorização abrupta do real.</p>
<p>A partir daí, houve um efeito-dominó. As linhas de financiamento do comércio exterior secaram. Internamente, os bancos cortaram o crédito. Os investidores, por sua vez, trataram de resgatar antecipadamente papéis emitidos por bancos pequenos e médios, criando um problema sério no caixa dessas instituições. O pânico se generalizou.</p>
<p>Em consequência desses fatos, em apenas uma semana de outubro do ano passado houve migração de R$ 40 bilhões em depósitos dos bancos menores para os estatais, como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. O diretor de política monetária do BC, Mário Torós, qualificou esse momento como o mais grave da crise. De fato, se o governo não tivesse agido rapidamente e de forma eficaz, o país poderia ter sofrido uma crise bancária.</p>
<p>Mas os problemas prosseguiram. No dia 5 de dezembro, um fundo de hedge americano liderou um ataque especulativo contra o real, apostando que o problema dos derivativos ainda não tinha sido solucionado. O BC, depois de muito custo, descobriu que a posição especulativa das companhias exportadoras montava a US$ 38 bilhões (cerca de 18% das reservas cambiais na ocasião).</p>
<p>A reação do governo se mostrou acertada porque o diagnóstico estava correto: a crise no Brasil era de liquidez e não de crédito. As iniciativas foram na direção de normalizar o funcionamento dos mercados de real e dólar. Num segundo momento, procurou-se resolver a escassez de crédito, decorrente das incertezas dos agentes financeiros. Colocou-se em prática, inclusive, uma medida ousada &#8211; usar as reservas cambiais para financiar os exportadores.</p>
<p>É importante verificar que, enquanto o BC atuou na linha de frente, combatendo a crise de liquidez, o Ministério da Fazenda trabalhou na retaguarda, adotando medidas que ajudaram a economia real a voltar a funcionar. Para esse propósito, foram cruciais as desonerações de impostos, além dos aportes de recursos do Tesouro para o BNDES, cuja carteira de crédito vem batendo recordes sucessivos.</p>
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		<title>Fuga para emergentes pode ser opção</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Mar 2009 13:06:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Catherine Vieira e Nelson Niero, Valor, do Rio e de São Paulo
Os títulos do tesouro americano não são mais o parâmetro de &#8220;risco zero&#8221; no mercado global? Conceitos como &#8220;fuga para qualidade&#8221; estão sob revisão, desde que a bússola econômica perdeu o norte? O Primeiro Mundo não é mais o mesmo depois da implosão de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://unipmarques.files.wordpress.com/2008/06/pregao_bovespa.jpg" alt="http://unipmarques.files.wordpress.com/2008/06/pregao_bovespa.jpg" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">Catherine Vieira e Nelson Niero, Valor, do Rio e de São Paulo</p>
<p>Os títulos do tesouro americano não são mais o parâmetro de &#8220;risco zero&#8221; no mercado global? Conceitos como &#8220;fuga para qualidade&#8221; estão sob revisão, desde que a bússola econômica perdeu o norte? O Primeiro Mundo não é mais o mesmo depois da implosão de ícones de seu poderio empresarial?</p>
<p>Se questões como essas começaram a perturbar o sono do investidor estrangeiro, ele pode estar suscetível a uma ideia que começa a ganhar força entre economistas e gestores: talvez esta seja a hora dos chamados emergentes, e uma suposta comprovação da teoria é que empresas e bancos que têm operações fortes em países como China, Índia e Brasil vêm conseguindo respirar melhor na crise financeira global. Mas vamos aos fatos.</p>
<div style="text-align: center"></div>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.valoronline.com.br/imagens/impresso/ed_0002218/imagens/arte16wsj-ritmo-f8.gif" border="0" /></div>
<div style="text-align: center"></div>
<p>Os efeitos práticos dessa que é a percepção de muitos formadores de opinião de investidores globais ainda não são completamente nítidos, mas há quem já vislumbre alguns sinais, como o fluxo positivo de investidores estrangeiros no mercado de ações brasileiro em fevereiro. Óbvio que esse suspiro ainda é muito pouco para sustentar uma direção para os ativos ou sinalizar uma reabertura do mercado como alternativa de financiamento para as companhias. No entanto, nesses tempos de dureza, não há muito a que se apegar.</p>
<p>É preciso ponderar que a torcida é grande. Mais que uma simples retomada do mercado brasileiro, a volta das captações das empresas por meio do lançamento de títulos e, principalmente, de ações seria a confirmação de que os quatro anos de sucessivas emissões recordes não foram apenas um ponto fora da curva &#8211; apesar da euforia excessiva do mercado em 2007.</p>
<p>Entre 2004 e 2007, cerca de cem companhias foram à bolsa e um recorde absoluto de ofertas públicas foi registrado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Foi uma experiência e tanto para um país no qual o mercado de capitais como opção de financiamento de longo prazo parecia uma lenda.</p>
<p>Agora, há aquela sensação incômoda de que voltamos ao zero. A relação entre valor de mercado das empresas e o Produto Interno Bruto (PIB) sugere isso: depois de chegar perto de 100% em 2007, voltou aos níveis de 2004 no ano passado (47,6%). O número de operações em análise e já registradas em 2009 é extremamente desanimador e os prognósticos são de que pelo menos até o fim do ano não se verá um cenário muito diferente.</p>
<p>Mas se estamos com dificuldades de passar pela &#8220;marolinha&#8221; do presidente Lula e o ano será praticamente nulo para o mercado de capitais, há indícios de que o país está mais bem preparado para a crise do que em outras épocas.</p>
<p>A euforia da fase anterior deixou como herança um caixa gordo em algumas companhias e também em muitas carteiras de fundos de participações em empresas. O sistema financeiro, depois da crise da década de 90, também parece mais sólido do que seus pares no exterior (sem esquecer que os bancos brasileiros ganham muito com títulos públicos e não precisam de muita ousadia para sobreviver).</p>
<p>A expectativa entre gestores e analistas é que, passados estes momentos de nebulosidade, as emissões voltem a florescer no Brasil &#8211; mesmo que em ritmo menor que 2007. &#8220;Apesar das nossas qualidades, não dá para superar o fato de que a liquidez secou&#8221;, observa a presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Maria Helena Santana. Ela diz que os instrumentos foram testados e que os eventuais problemas que surgiram foram sendo contornados.</p>
<p>Entre esses problemas, um dos cruciais é a questão de governança empresarial no país. Muitas novatas foram à bolsa sem o devido preparo, empurradas por bancos de investimento, e companhias tradicionais, consideradas exemplares, envolveram-se em operações arriscadas com derivativos, para a surpresa de seus acionistas.</p>
<p>A queda do PIB no quarto trimestre, que projeta um número anualizado entre os piores do mundo, foi outro balde de água fria, já que as empresas podem não crescer no ritmo esperado. Ainda assim, há um certo otimismo entre os participantes do mercado, especialmente porque o país, assim como China e Índia, vem sendo escalado entre os que reúnem melhores condições competitivas no tumultuado cenário global de hoje.</p>
<p>&#8220;Passada a tormenta inicial, os diferenciais positivos do Brasil neste novo cenário começam a ser visualizados com mais clareza&#8221;, observa Marcelo Mesquita, que após mais de dez anos no UBS abriu sua própria gestora de recursos, a Leblon Equities. O estrategista assinala que a presença estatal já é forte também por aqui, inclusive no setor financeiro e nas empresas listadas, como a Petrobras.</p>
<p>A petroleira, aliás, que é a principal &#8216;blue chip&#8217; da Bovespa, é vista como um trunfo para alguns, já que as ações caíram muito. Apesar das mazelas de governança nas quais anda tropeçando nos últimos tempos, a Petrobras tem, por conta dos projetos do pré-sal, uma perspectiva como nenhuma outra do setor. &#8220;A Petrobras vai ser uma Exxon&#8221;, compara Mesquita.</p>
<p>Uma Exxon estatal pode até parecer atraente no momento em que o governo americano vira sócio de bancos, mas esse viés estatizante pode cobrar seu preço mais adiante, principalmente no que diz respeito à governança.</p>
<p>Mesquita lembra que os bancos locais também sofreram na bolsa por conta da revoada sem critério que ocorreu no pós-crise, apesar de muitas das instituições locais terem fundamentos sólidos. A atratividade nos preços desses ativos já levou a Leblon a montar duas posições relevantes em dois bancos médios, por exemplo.</p>
<p>O estrategista global de câmbio do HSBC, David Bloom, é um dos que acreditam que os emergentes são o futuro. Mas não de forma generalizada: China, Brasil e Índia encabeçam a lista. Este momento poderá ser lembrado como o ponto de virada para um período em que essas economias passarão a ter mais importância no xadrez global. &#8220;Já não dá para dizer que os EUA são seguros e o resto do mundo não. Nada mais é intocável.&#8221;</p>
<p>O banco inglês amorteceu as perdas com crédito nos Estados Unidos com os resultados robustos obtidos no Brasil e em países do oriente. A General Electric, pouco à vontade com seus números em sua terra, declarou recentemente que os emergentes são prioridade, fazendo coro ao que vem se tornando um mantra empresarial.</p>
<p>A forte regulação e o juro ainda alto também são vantagens competitivas do Brasil. Esses fatores ajudaram os investidores locais a ficarem menos vulneráveis aos ativos tóxicos que causaram perdas mundo afora, embora não tenha evitado as perdas com derivativos.</p>
<p>Os bancos de investimento são regulados e supervisionados pelo Banco Central e a CVM. As ofertas de ativos securitizados também passam pelo crivo dos reguladores. &#8220;Há uma atuação muito coordenada, que busca evitar zonas de sombra e manter sempre a transparência&#8221;, afirma Maria Helena</p>
<p>No entanto, pode não funcionar exatamente assim. O Novo Mercado, que tinha como princípio garantir os direitos dos investidores, registrou em 2008 operações no mínimo polêmicas, que colocaram em xeque vantagens consideradas certas pelos acionistas.</p>
<p>Os fundos de pensão, que possuem uma carteira de R$ 415 bilhões e investem pelo longo prazo, são impedidos de aplicar no exterior e têm uma participação média baixa no mercado de ações. Isso não evitou rentabilidades reduzidas em 2008, mas ainda mantém esse grupo com um colchão de segurança e apetite pelos projetos de longo prazo. &#8220;Temos aproveitado oportunidades em infraestrutura e na bolsa&#8221;, diz Wagner Pinheiro, presidente da Petros, o segundo maior fundo de pensão do país.</p>
<p>Os fundos de participação em empresas também estão em situação confortável. Nos últimos anos, captaram cerca de R$ 50 bilhões para investir, mas a concorrência das ofertas públicas iniciais elevou os preços dos ativos e dificultou a efetiva aplicação desses recursos em projetos. Em meados de 2008, estimava-se que mais de R$ 20 bilhões ainda estavam disponíveis. Na semana passada, o empresário Eike Batista anunciou que criará um fundo de até US$ 10 bilhões.</p>
<p>Os chamados administradores de fortunas optaram, com a crise, por ficar com os recursos mais líquidos, esperando por um momento de maior clareza para voltar a alocar os ativos. &#8220;Visitamos quase todos e em média estão com 70% a 80% dos recursos em caixa&#8221;, contou Mesquita, convicto de que os valores voltarão a ser aplicados no mercado, em algum momento.</p>
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		<title>Os intelectuais e os 84%</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Feb 2009 14:18:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Delfim Netto

Conhecido tucanuçu (agora apenas papagaio) não escondeu, em um programa de televisão, inconformismo com o resultado da pesquisa Sensus/CNT de janeiro, que deu ao presidente Lula avaliação positiva de 84% e ao governo a aprovação de 72,5% da população. Uma liderança empresarial que o acompanhava demonstrou, por motivos óbvios, revolta menos sanguínea com o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/os-intelectuais-e-os-84/9651/" rel="attachment wp-att-9651" title="lula_madri.jpg"></a></p>
<div style="text-align: center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/os-intelectuais-e-os-84/9651/" rel="attachment wp-att-9651" title="lula_madri.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/02/lula_madri.jpg" alt="lula_madri.jpg" width="554" height="408" /></a></div>
<p style="background-color: #ffff99"><font size="4"><a href="javascript:showDiv(%20'box-perfil'%20)" class="autor">Delfim Netto</a></font></p>
<p><font size="4"><a href="javascript:showDiv(%20'box-perfil'%20)" class="autor"></a></font><img src="http://www.cartacapital.com.br/uploads/colunistas/1226436202175.jpg" class="foto" width="112" align="right" height="131" /></p>
<p>Conhecido tucanuçu (agora apenas papagaio) não escondeu, em um programa de televisão, inconformismo com o resultado da pesquisa Sensus/CNT de janeiro, que deu ao presidente Lula avaliação positiva de 84% e ao governo a aprovação de 72,5% da população. Uma liderança empresarial que o acompanhava demonstrou, por motivos óbvios, revolta menos sanguínea com o resultado. Como é possível que o povo (ah, o povo, que teima em não nos entender) avalie tão equivocadamente um presidente que cometeu o bárbaro crime de dizer que a crise seria uma marolinha quando é um tsunami?</p>
<p>Afinal de contas, o que eles queriam que Lula dissesse? Lembremos que na antevéspera da barbeiragem do Lehman Brothers, produzida pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, dominava no mundo a crença de que as patifarias feitas pelo sistema financeiro seriam administráveis pelas velhas e conhecidas manobras monetárias e fiscais. Qual era o quadro brasileiro naquele momento? Um sistema financeiro hígido (talvez marginalmente comprometido com derivativos tóxicos), cujo funding externo (no crédito interbancário e no comércio) era da ordem de 20% do financiamento total. A política econômica mantinha a maior taxa real de juro e o maior compulsório do universo. Era beneficiada por um sistema de câmbio flutuante e tinha uma reserva externa substancial. Tínhamos, pois, razoáveis condições iniciais para nos acomodar, relativamente bem, à complexa crise que estávamos importando.</p>
<p>A resposta da nossa política monetária ao problema foi na direção correta, mas, infelizmente, sempre atrasada e em doses homeopáticas incapazes de dar conforto ao nosso sistema bancário. Este, por precaução (e não sem alguma razão), produziu a morte súbita do crédito interno. Todos os agentes, seguindo o seu exemplo, saíram em busca de liquidez, produzindo aqui o mesmo efeito da quebra de confiança que lá fora, por outros motivos, interrompera o circuito econômico.</p>
<p>No Brasil, em um caso ou noutro, operações bancárias mais ousadas (agora congeladas como empréstimos e ocupando o espaço de novos créditos) talvez venham a exigir, no futuro, a capitalização de algumas instituições financeiras. Isso é exatamente o oposto do que ocorre nos EUA e na Europa, onde o sistema financeiro faliu. O problema é que aqui, como lá, o simples suprimento de liquidez prova ser incapaz de restabelecer a confiança no mercado interbancário, sem a qual não se voltará à normalidade. Principalmente depois que a nossa autoridade monetária construiu uma filosofia darwiniana a sugerir que banco grande é melhor do que banco pequeno e que ambos são piores do que bancos oficiais.</p>
<p>A dramática queda do nível de atividade de meados de setembro em diante é a demonstração de que há um problema de confiança, prematuramente importado, que só será resolvido com o tempo: o trabalhador não gasta seus incentivos fiscais porque teme ficar desempregado. O empresário, temendo a queda da demanda, ajusta com a maior rapidez os estoques, reduz o ritmo de encomendas, tenta acelerar as vendas, sacrifica a margem e usa o incentivo fiscal para ficar líquido. O banqueiro senta na liquidez que lhe deu o Banco Central, reduz o crédito e, paradoxalmente, de forma suicida, piora a qualidade dos seus ativos. A tragédia é que a quebra de confiança que interrompeu o circuito econômico torna aparentemente racional o comportamento de cada um, acomodando-os na irracionalidade geral. É apenas mais um claro exemplo da falácia da composição: o que parece bom para cada agente é ruim para todos. Foi isso que Lula intuiu instantaneamente.</p>
<p>É evidente, e não há dúvida, que o governo poderia ter feito muito melhor nos últimos catorze anos: 1. Na política monetária, campeã olímpica do juro real, que usou oportunistamente a taxa de juro para valorizar o câmbio. 2. Na política fiscal, que privilegia os gastos de custeio e blinda, em detrimento dos gastos de investimento em infraestrutura, os direitos adquiridos do corporativismo que parasita Brasília. 3. Na ênfase maior nas reformas. É hora de reconhecer, tristemente, que não há como tapar o sol com a peneira: a relação custo-benefício do Estado no Brasil é, talvez, a maior do mundo.</p>
<p>Um mínimo de análise objetiva obriga-nos, entretanto, a aceitar o fato de que a crise do subprime só adquiriu a virulência atual depois de 15 de setembro de 2008, com a desastrada intervenção no Lehman Brothers. Será possível levar a sério a hipótese de que a crise no Brasil se agravou porque Lula a chamou de marolinha, e ela, por vingança, transformou-se em um tsunami? E será possível culpá-lo, ou ao povo, porque ele diz que a crise é importada e o povo até agora acredita? Claramente, não.</p>
<p>Como tudo isso vai terminar é cedo para saber, mas parece que o povo, quando deu sua opinião sobre Lula e seu governo, tinha razões que escaparam aos dois intelectuais.</p>
<p><img src="http://www.cartacapital.com.br/uploads/colunistas/1226435840130.jpg" align="left" /> 						<strong>Delfim Netto</strong></p>
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		<title>Despencou</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Feb 2009 11:53:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Celso Ming, O Estado SP
celso.ming@grupoestado.com.br
A queda forte da produção industrial em dezembro eram favas contadas, mas ninguém esperava um tombo espantoso de nada menos que 12,4% em relação a novembro e de 14,5% em relação a dezembro de 2007, o maior desde 1991, que atingiu praticamente todos os ramos da indústria.
Foi um recuo exagerado e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090204/img/economia.jpg" width="267" height="472" /></div>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Celso Ming, O Estado SP</strong></p>
<p>celso.ming@grupoestado.com.br</p>
<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/despencou/9506/" rel="attachment wp-att-9506" title="celso_ming.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/02/celso_ming.jpg" alt="celso_ming.jpg" align="left" /></a>A queda forte da produção industrial em dezembro eram favas contadas, mas ninguém esperava um tombo espantoso de nada menos que 12,4% em relação a novembro e de 14,5% em relação a dezembro de 2007, o maior desde 1991, que atingiu praticamente todos os ramos da indústria.</p>
<p>Foi um recuo exagerado e rápido demais. Isso pode significar que a recuperação virá também rapidamente. Não há uma única explicação para o sucedido. Há várias, intensificadas com o concurso de certas coincidências.</p>
<p>Em primeiro lugar, houve a quebra do Lehman Brothers, em setembro de 2008, em Nova York. O crédito global estancou de repente, as empresas brasileiras não puderam mais rolar seus financiamentos externos e recorreram maciçamente ao crédito interno, que ficou rarefeito. Até a Petrobrás buscou financiamentos da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, deixando milhares de pequenas e médias empresas, e sabe-se lá quantas pessoas físicas, com falta de ar.</p>
<p>Uma das coincidências que só pioraram as coisas foi a revelação, em outubro, de que meia dúzia de grandes empresas brasileiras e centenas de outras médias apostaram na perna errada do mercado de derivativos e perderam bilhões no câmbio. Como se desconhecia então a extensão dos estragos, os bancos trancaram momentaneamente o crédito e as vendas estancaram.</p>
<p>Dois dos três bancos mais atuantes no mercado de carros usados, o Votorantim e o Safra, estão envolvidos nessas operações de derivativos de câmbio e deixaram de repente sem financiamento o mercado de carros usados, o que precipitou tudo.</p>
<p>Depois, veio a paralisação das linhas de montagem e a concessão de férias coletivas para escoamento dos estoques. E, nessas condições, a produção mergulhou, como se vê no gráfico.</p>
<p>Mas o estancamento abrupto do crédito não foi a única coisa que aconteceu. O financiamento ao consumidor crescia acima dos 30% ao ano, graças à nova modalidade do crédito consignado, por meio do qual assalariados e aposentados puderam obter recursos mais baratos, desde que as prestações fossem diretamente descontadas do salário ou da aposentadoria. Foi o que permitiu que muitos comprassem carro novo, trocassem a TV e garantissem viagem de cruzeiro. Essa gente se endividou, ainda está pagando o carro e não pode enfrentar novas extravagâncias.</p>
<p>O terceiro fator foi a virulência da crise externa que levou faixa importante da população a temer pelo futuro de sua renda e, portanto, a se comportar conservadoramente no consumo.</p>
<p>Entre as consequências desse recuo da indústria está o avanço mais modesto do PIB, já em 2008. Como a atividade econômica do quarto trimestre deve ter sido negativa, provavelmente o crescimento do PIB em 2008 ficará nos 4% e não acima dos 5%, conforme o placar das apostas. E é preciso mais cuidado com as projeções do PIB em 2009. Podem estar certos os que esperam não mais do que um avanço de 2%.</p>
<p>Talvez seja prematuro contar com rápida recuperação da indústria, mas ela faz sentido não só pela intensidade excessiva da queda anterior, mas porque os números recentes apontam boa recuperação das vendas de produtos de consumo durável e no uso industrial de energia elétrica. Veja ainda o Confira.</p>
<p><strong>Confira</strong></p>
<p>Selic não é tudo &#8211; Restrição monetária que paralisa a indústria não é apenas a alta da Selic. Quando os bancos paralisam o crédito, quando cobram spreads exagerados ou quando reduzem o prazo dos financiamentos (o que aumenta a prestação mensal), estão sendo mais restritivos do que a Selic.</p>
<p>O comércio e a indústria também têm culpa nesse jogo porque cobram dos seus clientes juros (embutidos no preço à vista) tão escorchantes quanto cobram os bancos.</p>
<p>O FMI prepara nova linha de financiamento de prazo curto para restabelecer o crédito internacional. A conferir.</p>
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		<title>Setor empresarial americano espera uma nova era de regulamentação</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Jan 2009 12:14:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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AP




Barack Obama e sua mulher, Michelle, participam de evento no Memorial Lincoln, ontem em Washington

John Carey e Theo Francis, BusinessWeek &#8211; VALOR
Nas salas da Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês), em Washington, alguns funcionários estão planejando festas comemorativas da posse presidencial. O entusiasmo é um prenúncio de amplas mudanças de regulamentação empresarial [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div align="center"><span id="ctl00_Conteudo_LblConteudo"></p>
<div style="text-align: center"><font size="1"><em>AP<br />
</em></font><img src="http://www.valoronline.com.br/Imagens/Impresso/ed_0002179/imagens/foto_19int-eua-a12.jpg" /></div>
<p></span></div>
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<div class="descricao_foto_legenda"><font size="1"><em>Barack Obama e sua mulher, Michelle, participam de evento no Memorial Lincoln, ontem em Washington</em></font></div>
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<p style="background-color: #ffff99">John Carey e Theo Francis, BusinessWeek &#8211; VALOR</p>
<p>Nas salas da Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês), em Washington, alguns funcionários estão planejando festas comemorativas da posse presidencial. O entusiasmo é um prenúncio de amplas mudanças de regulamentação empresarial que virão, para melhor ou para pior, com o presidente Barack Obama.</p>
<p>O fato de o governo democrata que assume amanhã o poder estar defendendo controles mais rigorosos sobre o setor privado não surpreende. Mas, desta vez, o retorno do pêndulo não é puramente ideológico. Só em 2008 houve o derretimento financeiro, brinquedos contaminados com chumbo, aeronaves com registros de inspeção duvidosos e vegetais contaminados com salmonela, entre outros casos que afetaram empresas tanto grandes como pequenas. &#8220;Há evidente percepção no país de que a era de desregulamentação prejudicou os EUA&#8221;, diz David Michaels, diretor de saúde ambiental na Faculdade de Saúde Pública, da Universidade George Washington.</p>
<p>Agora que os ventos da política sugerem mudanças inevitáveis, muitas empresas declaram apoiar maior rigor na regulamentação. A nova mentalidade em Washington, diz William Morin, diretor de assuntos governamentais na Applied Materials, fabricante de semicondutores em Santa Clara, Califórnia, &#8220;é a diferença entre as pessoas que querem fazer o governo funcionar e um pessoal que via o governo como sendo o problema&#8221;.</p>
<p>Algumas companhias estão até mesmo pedindo supervisão mais rigorosa. Laboratórios farmacêuticos estão pedindo uma FDA (agência de alimentos e medicamentos dos EUA) revitalizada. Algumas companhias de eletricidade estão pedindo limites para as emissões de carbono. &#8220;Somos favoráveis a regulamentação forte&#8221;, diz James C. Greenwood, diretor da Organização do Setor de Biotecnologia.</p>
<p>Mas, nos bastidores, muitos executivos temem que agências competentes avancem demais, impondo novas regras tão duras que possam ameaçar a economia. &#8220;Não se deve reagir excessivamente e estrangular as inovações&#8221;, diz R. Bruce Josten, vice-presidente da Câmara de Comércio americana para questões governamentais.</p>
<p>Item prioritário na agenda do governo Obama: dar sustentação ao sistema financeiro. O Congresso e as agências responsáveis pela regulamentação bancária considerarão propostas para ajudar mutuários da casa própria sob risco de perder seu imóvel por falta de pagamento. Eles provavelmente tornarão mais rigorosas as regras para concessão de empréstimos e elevarão o requisito mínimo de capital exigido dos bancos &#8211; dinheiro mantido em reserva para garantir os empréstimos que concedem. E poderão, pela primeira vez, impor novos requisitos de capital a alguns fundos de hedge. De fato, amplas áreas do sistema financeiro &#8220;sombra&#8221; &#8211; os mercados de derivativos escassamente regulamentados &#8211; poderão vir a ser submetidos a supervisão federal mais severa, especialmente o mercado de swaps de risco de crédito.</p>
<p>Mais no longo prazo, disse Obama, a regulamentação financeira precisa ser reformulada. Algumas agências deveriam ser consolidadas, e os riscos que as grandes empresas criam para o sistema financeiro deveriam ser monitoradas melhor. São prováveis propostas de consolidação da Comissão de Negócios Futuros com Commodities (CFTC), que regulamenta os mercados de futuros, com SEC (a comissão de valores mobiliários). E alguns analistas estão defendendo a criação de uma agência fiscalizadora interdepartamental para policiar produtos financeiros oferecidos ao consumidor pessoal.</p>
<p>Outras agências regulamentadoras também estão se sentindo revigoradas. Na Osha (agência de segurança e saúde ocupacional), que publicou apenas um novo regulamento sobre saúde ocupacional em 10 anos, &#8220;existem algumas normas que estão engavetadas há muito tempo e que poderiam rapidamente ser atualizadas e promulgadas&#8221;, diz Adam Finkel, que trabalhou na Osha. Em outras áreas, a criação de normas poderá ser substancial nos próximos anos. Novos limites são esperados para a presença de mercúrio e outros poluentes. É possível que, nas empresas de transportes por caminhão, os motoristas tenham de trabalhar em turnos mais curtos e que os veículos sejam obrigados a cumprir critérios mais rigorosos de economia de combustível. O setor de agronegócios poderá ter de respeitar novas normas para que agricultores evitem contaminações.</p>
<p>É claro que poucas normas serão oficializadas sem oposição. John Castellani, presidente da organização Business Roundtable, está muito preocupado com a questão envolvendo mudanças climáticas. &#8220;Há muita incerteza sobre qual será o regime regulatório, como a tecnologia será disponibilizada e qual será o impacto sobre a economia&#8221;, diz ele. &#8220;Será uma batalha prolongada e difícil.&#8221;</p>
<p>Como as empresas devem se preparar? Em nível mais básico, &#8220;a melhor coisa a fazer é assegurar que seu setor de cumprimento de normas esteja em ordem, para que estejam preparadas quando chamadas por agências de fiscalização federal&#8221;, diz Scott H. Segal, sócio na Bracewell &amp; Giuliani, firma de advocacia e atividades lobistas.</p>
<p>Mas as empresas não deveriam só jogar na defensiva. Normas mais severas e repressão mais intensa também podem criar oportunidades. Poderá haver menos competição de empresas que driblam as regras e menor probabilidade de que escândalos devastem um setor inteiro. Por exemplo, na esteira dos surtos de doenças causadas por alimentos, que custaram centenas de milhões de dólares às empresas, &#8220;o setor se deu conta de que é tão saudável quanto o seu elo mais fraco&#8221;, diz William K. Hubbard, ex-funcionário da FDA. Além disso, as companhias podem favorecer suas marcas mantendo-se à frente das normas. &#8220;Uma empresa que exceda os padrões federais tem algo a alardear, como a Honda em termos de economia de combustível&#8221;, diz Joan Claybrook, presidente da Public Citizen e ex-diretor da Agência Nacional de Segurança do Tráfego Rodoviário.</p>
<p>As empresas também devem estar dispostas a encarar uma fiscalização mais dura, o que não é necessariamente negativo. &#8220;O governo Obama estará cheio de gente inteligente, que fará perguntas oportunas&#8221;, diz Segal. Por exemplo, ele cita que seus clientes empresariais freqüentemente conseguiam obter fáceis acordos com o governo Bush envolvendo provisões ambientais, mas então o processo empacava no Congresso ou em outra instância, devido à falta de credibilidade do governo em questões ambientais. Agora &#8220;vejo com simpatia este novo governo, porque uma vez negociado um acordo, poderemos efetivamente firmar compromissos duradouros&#8221;. As empresas também estão aliviadas diante da escolha do professor Cass Sunstein, da Faculdade de Direito de Harvard, para supervisionar as normas e regulamentos, porque ele é um firme defensor de análises custo/benefício, o que é defendido pelas empresas.</p>
<p>Acima de tudo, o setor privado espera que o governo Obama abra as portas para uma era de melhor, e não só mais regulamentação. Um passo simples é tornar o processo mais transparente. Gary D. Bass, diretor executivo do organização fiscalizadora OMB Watch, sempre ouve de executivos de pequenas empresas sobre o quanto é difícil saber quais normas precisam cumprir. &#8220;De uma hora para outra, recebem uma multa&#8221;, diz. O repositório central de regras federais do governo &#8220;é assombroso. Ele precisa de uma enorme reformulação&#8221;. Um avanço maior seria mais colaboração entre agências reguladoras. O conflito entre elas é comum.</p>
<p>Em Washington, lobistas e burocratas de carreira dizem que o clima mudou perceptivelmente. &#8220;Provavelmente, a maior mudança será um respeito emergente pelo governo como parte da solução&#8221;, diz Bass, da OMB Watch. &#8220;Nós vamos regulamentar em excesso&#8221;, prevê Edward B. Cohen, vice-presidente da Honda para relações com o governo. &#8220;A esperança é que a cada vai-vem do pêndulo regulatótio, aprendamos alguma coisa.&#8221; (Tradução de Sergio Blum)</p>
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		<title>Terra sem lei</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Jan 2009 14:08:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Celso Ming, O Estado SP
celso.ming@grupoestado.com.br
Vai-se espalhando a percepção de que os bancos e outras instituições que também são chamadas de quase-bancos, estão soltas demais. Assim como deitaram e rolaram nas operações que precipitaram a crise, continuam deitando e rolando com os recursos que vêm recebendo dos bancos centrais e dos Tesouros nacionais.
Domingo, em entrevista à [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="background-color: #ffff99">Celso Ming, O Estado SP</p>
<p>celso.ming@grupoestado.com.br</p>
<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/01/terra-sem-lei/9256/" rel="attachment wp-att-9256" title="celso_ming1.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/01/celso_ming1.jpg" alt="celso_ming1.jpg" align="left" /></a>Vai-se espalhando a percepção de que os bancos e outras instituições que também são chamadas de quase-bancos, estão soltas demais. Assim como deitaram e rolaram nas operações que precipitaram a crise, continuam deitando e rolando com os recursos que vêm recebendo dos bancos centrais e dos Tesouros nacionais.</p>
<p>Domingo, em entrevista à rede ABC News, o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, declarou que está desapontado com a qualidade de gerenciamento dos primeiros US$ 350 bilhões de recursos do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp, na sigla em inglês). Este é o plano de US$ 700 bilhões do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, para salvar os bancos. Obama pediu prestação de contas sobre o uso dos recursos.</p>
<p>E ontem, na sede do Banco de Compensações Internacionais (BIS), na Basileia, dirigentes dos bancos centrais nacionais da região do euro criticaram a supervisão bancária do bloco. O problema é tanto de flacidez na fiscalização como de falta de transparência.</p>
<p>Enfim, a questão central é de regulação precária, de fiscalização omissa e de supervisão falha. É um tema que tem sido genericamente tratado como &#8220;inexistência de regulação&#8221; ou como &#8220;terra sem lei&#8221;.</p>
<p>Antes, é preciso delimitar os campos. Uma coisa é falta de regulação e outra, bem diferente, falta de supervisão. Não dá para negar que muita coisa está sob a lei da selva. Os bancos de investimento não são considerados bancos e, no entanto, operam no crédito. O Morgan e o Lehman mostraram que essas instituições vinham excessivamente alavancadas. Seus ativos chegavam a 30 ou 40 vezes seu patrimônio líquido (o máximo tolerado pelos Acordos de Basileia é 10 vezes). Não tinham condições de cobrir os rombos se os tomadores de crédito não honrassem seus compromissos, como ocorreu.</p>
<p>E, no entanto, há uma quantidade enorme de subsetores que direta ou indiretamente operam no crédito e, no entanto, não estão regulados: sociedades de crédito imobiliário, fundos de hedge, seguradoras de crédito, agências de avaliação de risco e empresas que trocam grandes volumes de títulos de dívida (commercial papers). Estão também de fora os mercados de derivativos e os paraísos fiscais, que o primeiro-ministro da Inglaterra, Gordon Brown, quer controlados.</p>
<p>A encrenca é mais profunda. Os mercados estão muito globalizados, funcionam à velocidade da luz, 24 horas por dia e, no entanto, as instituições que os deveriam controlar, além de serem excessivamente pulverizadas (há dezenas de organismos de supervisão nos Estados Unidos, por exemplo), têm alcance apenas local. Quem, afinal, deverá fiscalizar um fundo de hedge ou uma seguradora de crédito que opera em 20 mercados diferentes?</p>
<p>Problema igualmente intrincado é o de que nem mesmo a supervisão regular está sendo feita. O Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos) deixou que os bancos americanos fizessem o que fizeram. A Securities and Exchange Commission (SEC) não conseguiu enxergar a lambança que o estelionatário Bernard Madoff armou sob suas pernas. As agências de classificação de risco distribuíram fartamente certificados AAA para títulos que, na verdade, não passavam de fumaça.</p>
<p><strong>Confira</strong></p>
<p><strong>Dureza</strong> &#8211; Desta vez, o presidente Lula deixou de lado o diagnóstico da &#8220;marolinha&#8221; e não escondeu que a situação do emprego nos primeiros três meses do ano &#8220;é preocupante&#8221;.</p>
<p>Mas não dá para saber qual será a força do desemprego no Brasil e até que ponto o consumo interno está rateando.</p>
<p><strong>Ele vem aí</strong> &#8211; O centro da crise ainda são os Estados Unidos e é de lá que vem a incerteza. Mas muito dessa incerteza pode ser dissipada em prazo relativamente curto se o novo presidente Barack Obama conseguir inspirar confiança. Por isso, seus primeiros cem dias de governo serão decisivos.</p>
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		<title>O escândalo Madoff e o delírio da economia</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Dec 2008 13:25:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Paul Krugman * &#8211; O Estado SP
A revelação de que Bernard Madoff &#8211; brilhante investidor (ao menos era o que todos pensavam), filantropo, um pilar da comunidade &#8211; é um impostor chocou o mundo, e com razão. A dimensão do seu esquema fraudulento de supostos US$ 50 bilhões é difícil de compreender.
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/12/o-escandalo-madoff-e-o-delirio-da-economia/9015/" rel="attachment wp-att-9015" title="dinheiro_sacos.gif"></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/12/dinheiro_sacos.gif" alt="dinheiro_sacos.gif" /></div>
<p></a></p>
<p>Paul Krugman * &#8211; O Estado SP</p>
<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/12/o-escandalo-madoff-e-o-delirio-da-economia/9014/" rel="attachment wp-att-9014" title="krugman_paul.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/12/krugman_paul.jpg" alt="krugman_paul.jpg" align="left" /></a>A revelação de que Bernard Madoff &#8211; brilhante investidor (ao menos era o que todos pensavam), filantropo, um pilar da comunidade &#8211; é um impostor chocou o mundo, e com razão. A dimensão do seu esquema fraudulento de supostos US$ 50 bilhões é difícil de compreender.</p>
<p>Mas certamente eu não sou a única pessoa a fazer a pergunta óbvia: qual é a diferença entre a história de Madoff e a história da indústria de investimentos como um todo? A indústria de serviços financeiros abocanhou uma fatia cada vez maior da renda nacional durante a última geração, tornando as pessoas que comandam essa indústria incrivelmente ricas. Mas, a esta altura, parece que boa parte da indústria financeira estava destruindo valor, em vez de criá-lo. E não se trata apenas de dinheiro: a vasta riqueza obtida por aqueles que administravam o dinheiro dos outros teve como efeito a corrupção da nossa sociedade como um todo.</p>
<p>Vamos começar pela remuneração dos altos executivos. No ano passado, o salário médio dos empregados do setor de &#8220;valores mobiliários, contratos de venda de commodities e investimentos&#8221; era equivalente a mais de quatro vezes o salário médio no restante da economia. Ganhar US$ 1 milhão não era nada de especial, e mesmo rendas de US$ 20 milhões eram relativamente comuns. A renda dos americanos mais ricos aumentou vertiginosamente durante a última geração, enquanto o salário dos trabalhadores comuns estagnou; a remuneração exorbitante de Wall Street foi uma das principais causas dessa disparidade cada vez maior.</p>
<p>Mas é claro que essas superestrelas do mundo dos investimentos faziam por merecer todos aqueles milhões, certo? Não necessariamente. O sistema de remuneração de Wall Street recompensa grandiosamente a aparência do lucro, mesmo que esta se revele posteriormente mera ilusão.</p>
<p>Consideremos o exemplo hipotético de um administrador financeiro que alavanca o dinheiro do seu cliente por meio de enormes dívidas, e então investe o montante aumentado em ativos de grande retorno e imenso risco, como por exemplo valores mobiliários atrelados a hipotecas.</p>
<p>Durante algum tempo &#8211; digamos, enquanto a bolha da casa própria continuar inflando &#8211; ele (trata-se quase sempre de um homem) conseguirá grandes lucros e receberá imensos bônus. Então, quando a bolha estourar e seus investimentos forem transformados em lixo tóxico, seus investidores perderão muito dinheiro &#8211; mas ele manterá aqueles bônus.</p>
<p>Está bem, quem sabe meu exemplo não seja hipotético.</p>
<p>Então qual seria a diferença entre aquilo que Wall Street como um todo andou fazendo e o caso de Madoff? Bem, Madoff supostamente pulou algumas etapas, simplesmente roubando o dinheiro dos seus clientes em vez de cobrar taxas administrativas altíssimas enquanto expunha seus investidores a riscos que eles não eram capazes de compreender. E enquanto Madoff tinha aparentemente consciência da fraude que praticava, muitas pessoas em Wall Street acreditavam na própria balela. Ainda assim, o resultado final foi o mesmo (exceto pela prisão domiciliar): os administradores financeiros enriqueceram; os investidores viram seu dinheiro desaparecer.</p>
<p>Estamos falando de muito dinheiro. Nos últimos anos, o setor financeiro foi responsável por 8% do PIB americano, um aumento em relação aos quase 5% na geração anterior. Se esses 3% adicionais foram constituídos por dinheiro sem valor- o que provavelmente é verdade -, estamos falando de um rombo anual de US$ 400 bilhões em fraudes, abusos e desperdício.</p>
<p>Mas o custo da era das falcatruas americanas certamente vai muito além do desperdício direto de dólares e centavos.</p>
<p>No seu aspecto mais tosco, os lucros de origem maléfica de Wall Street corromperam e seguem corrompendo a política, demonstrando ter alcance bipartidário. Desde funcionários da administração Bush como Christopher Cox, presidente da comissão de valores mobiliários que fez questão de ignorar provas cada vez mais gritantes da existência de fraudes financeiras, até democratas que ainda não solucionaram as inconsistências fiscais que beneficiam os executivos dos fundos de hedge e das firmas de private equity, os políticos agiram quando falou o dinheiro.</p>
<p>Enquanto isso, quanto do nosso futuro foi danificado pela força magnética do rápido enriquecimento pessoal, a qual durante anos atraiu muitos dos nossos melhores e mais brilhantes para os bancos de investimento, em detrimento da ciência, do serviço público e de praticamente tudo o mais?</p>
<p>E, o que é ainda pior, a vasta riqueza obtida &#8211; aparentemente sem merecimento &#8211; na nossa inchada indústria financeira prejudicou nosso senso de realidade e degradou nossa capacidade de julgamento.</p>
<p>Pense na maneira com que quase todos os nomes importantes deixaram de reparar nos sinais de advertência da iminência de uma crise. Como isso foi possível? Como, por exemplo, pôde Alan Greenspan declarar, há poucos anos, que &#8220;o sistema financeiro como um todo tornou-se mais sólido&#8221; graças aos derivativos? A resposta, creio eu, é que existe uma tendência nata, por parte até mesmo da elite, de transformar em ídolos aqueles que ganham muito dinheiro, acreditando que eles saibam o que estão fazendo.</p>
<p>Afinal, é por isso que tanta gente confiou em Madoff.</p>
<p>Agora, conforme vasculhamos os destroços e tentamos compreender como as coisas puderam dar tão errado tão rapidamente, a resposta é na verdade bastante simples: estamos vendo as conseqüências de um mundo que embarcou no delírio de homens como Madoff.</p>
<p><strong>*Paul Krugman é articulista </strong></p>
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		<title>Para Moody&#8217;s, &#8220;Brasil não está em crise&#8221; e nota de crédito fica estável</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Dec 2008 13:03:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Leos, da Moody&#8217;s: &#8220;Quando o ambiente geral não é tão positivo é que percebemos se o país tem fundamentos sólidos&#8221;
Cristiane Perini Lucchesi &#8211; VALOR
Apesar dos &#8220;choques externos&#8221; no câmbio, nos preços dos commodities e no crescimento econômico, &#8220;o Brasil não está em crise&#8221; e a qualidade de crédito do governo brasileiro não piorou. Essa é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"> <span id="ctl00_Conteudo_LblConteudo"><img src="http://www.valoronline.com.br/Imagens/Impresso/ed_0002153/imagens/foto_08fin-mauroleos-c2.jpg" /></span></p>
<div class="descricao_foto_legenda"><font size="2"><em>Leos, da Moody&#8217;s: &#8220;Quando o ambiente geral não é tão positivo é que percebemos se o país tem fundamentos sólidos&#8221;</em></font></div>
<p style="background-color: #ffff99">Cristiane Perini Lucchesi &#8211; VALOR</p>
<p>Apesar dos &#8220;choques externos&#8221; no câmbio, nos preços dos commodities e no crescimento econômico, &#8220;o Brasil não está em crise&#8221; e a qualidade de crédito do governo brasileiro não piorou. Essa é a visão de Mauro Leos, analista de rating soberano brasileiro da Moody&#8217;s. &#8220;É uma boa notícia e mostra que o país realmente passou por mudanças importantes nos últimos anos&#8221;, diz. &#8220;Antes, uma desvalorização cambial sempre trazia problemas para o crédito do governo&#8221;, conta.</p>
<p>Logo no início da entrevista ao Valor ele destacou que a nova realidade se deve, principalmente, à posição líquida ativa em dólar do governo. Em outro momento, no entanto, Leo alegou que não vê restrições ao uso das reservas internacionais para amortizar os choques no câmbio. E completou: &#8220;Ser credor externo líquido não é condição para o grau de investimento&#8221;.</p>
<p>Entre as três maiores agências de classificação de risco de crédito, a Moody&#8217;s é a única que considera a dívida do governo federal do Brasil ainda como investimento especulativo. Na escala da Moody&#8217;s, o Brasil tem nota &#8220;Ba1&#8243;, o último degrau antes de chegar ao grau de investimento. Desde meados deste ano, o crédito do Brasil é considerado investimento não-especulativo pela Standard &amp; Poor&#8217;s e pela Fitch Ratings. Segundo Leos, apesar dos &#8220;choques&#8221; aos quais o Brasil foi submetido, não há razões para alterar a nota do governo e nem a &#8220;perspectiva&#8221; da nota, que permanece estável.</p>
<p>De acordo com ele, 2009 será um ano de desafios e importantes testes para o governo brasileiro. &#8220;Poderemos ter uma idéia mais clara se todos os elementos estarão presentes para consolidar o grau de investimento&#8221;, afirma. Leos diz que evita elevar a nota de um país para o grau de investimento quando as condições econômicas são mais favoráveis. &#8220;Quando o ambiente geral não é tão positivo é que percebemos se o país realmente tem fundamentos sólidos e dá respostas corretas à crise&#8221;, justifica.</p>
<p>Segundo ele, o Brasil passa neste momento por um segundo choque cambial. &#8220;O primeiro, em setembro e outubro, trouxe implicações mais sérias e algumas empresas perderam com posições em derivativos e tiveram ratings rebaixados&#8221;, comenta. Ele acredita que a volatilidade no câmbio deve prevalecer e não somente no final deste ano como também no primeiro semestre de 2009. &#8220;Mas, agora, o governo, as empresas e os bancos já sabem disso e se preparam para responder a esse novo ambiente&#8221;, diz.</p>
<p>Os impactos da crise externa sobre o crescimento econômico do país e sobre as contas externas preocupam mais, diz ele. &#8220;Será importante observar como o governo e o Banco Central vão responder a isso e que medidas vão adotar para tentar estimular a economia.&#8221; Ele vê o crescimento do PIB em 2% em 2009, na comparação com os 5% deste ano.</p>
<p>De acordo com o analista, é importante que o BC mostre que continua comprometido com a política de metas de inflação. &#8220;Índices um pouco mais altos um mês ou outro não preocupam&#8221;, comenta. &#8220;Mas é necessário evitar que a inflação de um prazo médio no futuro saia do controle&#8221;, comenta. Hoje, o BC tem credibilidade suficiente para atuar de forma positiva sobre as expectativas do mercado e pode e deve se manter assim, diz.</p>
<p>Para o analista, os governos têm habilidade limitada em promover o crescimento econômico. &#8220;Governantes que adotam políticas monetárias e fiscais agressivas demais não conseguem forçar a economia a crescer e podem comprometer as finanças públicas e a estabilidade futura&#8221;, diz.</p>
<p>Leos não vê preocupação na redução do superávit fiscal primário de 4% do PIB neste ano para níveis em torno de 3,75% do PIB, como tem sinalizado o governo. Mas reduções drásticas demais nesse superávit podem impactar ratings, diz. Ele frisa que não apenas o tamanho, mas também o perfil da dívida do setor público distanciam o Brasil do grau de investimento e que apertos de liquidez podem piorar esse perfil no curto prazo.</p>
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		<title>Um novo ciclo com novos parâmetros</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Nov 2008 15:01:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ O objetivo é um crescimento menos dependente do uso de energias fósseis
ANTÔNIO PALOCCI &#8211; O GLOBO
Embora a atual crise financeira ainda tenha muita história para contar e seus efeitos para a economia real estejam apenas no início, nos melhores círculos do pensamento econômico há pelo menos dois temas que ganham força.
O primeiro diz respeito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <font size="4"><strong>O objetivo é um crescimento menos dependente do uso de energias fósseis</strong></font></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>ANTÔNIO PALOCCI &#8211; O GLOBO</strong></p>
<p><img src="http://www.estadao.com.br/fotos/apalocci.jpg" alt="http://www.estadao.com.br/fotos/apalocci.jpg" align="left" />Embora a atual crise financeira ainda tenha muita história para contar e seus efeitos para a economia real estejam apenas no início, nos melhores círculos do pensamento econômico há pelo menos dois temas que ganham força.</p>
<p>O primeiro diz respeito à nova regulamentação das finanças. O segundo, à necessidade de projetar um novo ciclo de crescimento incorporando os desafios das mudanças climáticas.</p>
<p>A questão da nova regulamentação financeira não é um assunto banal. Não fazê-la significará a certeza de que caminharemos para uma próxima bolha.</p>
<p>Após os escândalos financeiros corporativos ocorridos nos Estados Unidos, onde o caso da Enron foi o mais vistoso, os reguladores americanos entraram em ação para aperfeiçoar os controles de gestão e a transparência das empresas. Isso culminou na aprovação, em junho de 2002, da lei de autoria do senador democrata Paul Sarbanes e do deputado republicano Michael Oxley, conhecida como Lei Sox, ou Sarbox.</p>
<p>De implementação cara e complexa, a Sarbox acabou mostrando pouca eficácia para evitar a atual crise, que se iniciou no mercado imobiliário americano, atingindo todo o sistema de crédito global. É certo que não era esse seu foco principal, mas esperavase mais de seu desempenho.<br />
Por isso, novas regulamentações não deverão ser apenas um conjunto extenso e custoso de regras e procedimentos.</p>
<p>Ao contrário, elas deverão ser — ao mesmo tempo — eficientes e leves, resolvendo questões como níveis de alavancagem, limites e registros adequados de derivativos, sem, entretanto, impedir que o sistema crie produtos financeiros inovadores de redução de custos e mobilização de investimentos.</p>
<p>Além do o que fazer, haverá também muita polêmica sobre o quem deve fazer, na medida que a crise atual mostrou uma integração intensa das finanças em termos intercontinentais, deixando claro que sistemas de regulação de âmbito nacional são insuficientes.</p>
<p>A outra questão, referente à busca de um novo ciclo de crescimento em novas bases ambientais, é tema de preocupação de importantes líderes globais.</p>
<p>O presidente Lula tem atuado fortemente nessa temática, dado a importância do Brasil em termos de reservas florestais e fontes renováveis de energia. Gordon Brown é um líder natural para esses assuntos, dado que o Reino Unido tradicionalmente está muito presente no debate sobre as mudanças climáticas.</p>
<p>Barack Obama tratou com freqüência desse tema em sua campanha e em sua primeira entrevista como presidente eleito, ao se referir a combustíveis renováveis.</p>
<p>A França e a Alemanha mostram avanços importantes na busca de alternativas tecnológicas livres de carbono, enquanto que o Japão pratica políticas de mobilização social de razoável impacto na redução do desperdício de energia, como o “Cool Biz”.</p>
<p>Esses e muitos outros países discutem, agora, a oportunidade de conceber um novo ciclo de crescimento mundial sob novas bases, incluindo o uso de fontes alternativas ao carbono nos sistemas de energia, de construção civil e da indústria em geral, com um forte sistema de incentivos para tecnologias limpas, além do esforço para uma maior preservação das reservas florestais e outras riquezas naturais. O objetivo é construir um padrão de crescimento menos dependente do uso de energias fósseis, emissoras de gases de efeito estufa, responsáveis pelo agravamento do aquecimento global.</p>
<p>Para muitos, pode parecer uma preocupação um tanto romântica, ou pouco vinculada à realidade dos desafios que estarão diante das lideranças mundiais, dado a profundidade da crise atual.</p>
<p>Mas o fato é que os relatórios mais recentes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU têm confirmado riscos importantes para a temperatura global, caso o processo de desenvolvimento econômico continue desprezando tão solenemente os temas ambientais.</p>
<p>Hoje, ainda é muito difícil prever o resultado dos esforços para essa temática pós-crise. Mas o fato de elas estarem presentes na agenda dos formuladores de políticas e de lideranças mundiais significativas já é um bom começo.</p>
<p><strong>ANTÔNIO PALOCCI é deputado federal (PT-SP) e foi ministro da Fazenda.</strong></p>
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		<title>Maldades e bondades</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Nov 2008 12:03:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ CELSO MING &#8211; O Estado SP
A discussão da hora é se o governo deve ou não adotar políticas anticíclicas.
Trata-se de decisões de política econômica contra a paradeira da economia. A idéia é: se tudo vai bem, é melhor aplicar políticas de austeridade para equilibrar as finanças públicas. Se vai mal, é preciso gastar mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="background-color: #ffff99"> CELSO MING &#8211; O Estado SP</p>
<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/maldades-e-bondades/8466/" rel="attachment wp-att-8466" title="celso_ming2.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/11/celso_ming2.jpg" alt="celso_ming2.jpg" align="left" /></a>A discussão da hora é se o governo deve ou não adotar políticas anticíclicas.</p>
<p>Trata-se de decisões de política econômica contra a paradeira da economia. A idéia é: se tudo vai bem, é melhor aplicar políticas de austeridade para equilibrar as finanças públicas. Se vai mal, é preciso gastar mais para ajudar na recuperação do sistema produtivo.</p>
<p>O Fundo Monetário Internacional, que sempre se bateu pelo rigor fiscal, agora recomenda o aumento das despesas públicas para ajudar a enfrentar a recessão que vem vindo braba.</p>
<p>Aqui essas políticas são mais conhecidas como sacos de maldades ou de bondades. O que se pede agora é que o governo despeje o conteúdo de sacos de bondades. Essas coisas estão chegando mais com propósitos eleitorais do que técnicos. O horizonte das manobras são as eleições presidenciais de 2010. E o quadro de fundo é o de que o presidente Lula não tem candidato vendável ao eleitor enquanto a oposição tem pelo menos dois nomes.</p>
<p>Isso posto, o governo Lula mandou que a Caixa Econômica Federal despejasse R$ 3 bilhões para reforçar o capital de giro das imobiliárias e que o Banco do Brasil (BB) enfiasse outros R$ 4 bilhões no crédito para compra de veículos.</p>
<p>Mas tanto o governador de São Paulo, José Serra, como o de Minas, Aécio Neves, ambos do PSDB, estão empenhados em mostrar serviço em escala nacional. As bondades de Serra prevêem R$ 4 bilhões da Nossa Caixa para financiar veículos.</p>
<p>E aí vai um lance especial de esperteza de Serra, que faz cumprimentos com chapéu alheio. Se o dinheiro é da Nossa Caixa, que será repassada ao BB, fica óbvio que os financiamentos acabarão sendo ativos do BB, com prazo de vencimento superior a dois anos.</p>
<p>O pacote de Aécio é mais modesto, de R$ 470 milhões, a serem distribuídos pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais para ajudar o setor produtivo a enfrentar a crise.</p>
<p>Boa pergunta consiste em saber se a paradeira das vendas da indústria automobilística é devida à falta de financiamento ou a certo esgotamento do mercado. Há boas razões para acreditar que é falta de mercado.</p>
<p>Em 2007, as vendas de automóveis cresceram 28% e, neste ano até outubro, 23%, avanços tão fantásticos como insustentáveis. Na maior parte desse período, os financiamentos foram feitos por mais de 36 meses. No início do ano, chegaram a ultrapassar 90 meses, o que levou o ministro Mantega a anunciar a intenção de intervir para reduzir os prazos. Isso significa que uma larga fatia do mercado parece atendida. O consumidor ainda está pagando seu carro e não pretende voltar tão cedo à concessionária.</p>
<p>Além disso, o estancamento do crédito ocorrido há cerca de um mês não se deveu a problemas nos bancos, como aconteceu no exterior. Apareceu com o estouro das operações com derivativos de câmbio, que lançaram dúvidas sobre a capacidade de pagamento de muitas empresas. Como o problema já está equacionado, o fluxo do crédito começa a ser restabelecido.</p>
<p>Dentro de algumas semanas saberemos até que ponto mais crédito à compra de veículos será suficiente para a retomada da produção. E, se for para combater a recessão que vem vindo aí, convém perguntar se o segmento a ser atendido prioritariamente é o de veículos.</p>
<p><strong>Confira</strong></p>
<p>Erro de foco &#8211; Vai ser difícil para o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, livrar-se da pecha de incompetente.</p>
<p>Há menos de um mês, praticamente chantageou o Congresso para que aprovasse o pacote de US$ 750 bilhões, mas ontem reconheceu que o pacote não está funcionando. Ele quer agora mudar o foco e passar a financiar o consumo.</p>
<p>O problema é que as demandas estão aumentando: é o resgate das hipotecas, o socorro à indústria de veículos, a capitalização dos bancos, a recessão fazendo estrago&#8230; E o governo Bush com sua credibilidade quase zero.</p>
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