18/11/2009 - 16:37h Desemprego entre negros cai para 16%, mas é maior do que entre brancos


http://4.bp.blogspot.com/_FtvI14u6klU/SkZM6TtC11I/AAAAAAAABGE/DvKw0m16kWk/s320/Constru%2520o%2520Civil%2520-%2520Geral%2520-%2520Pedreiro%252002.jpg

da Folha Online

O desemprego entre os negros caiu mais de 6 pontos percentuais entre 2004 e 2008, período de maior dinamismo da economia brasileira, mas ainda supera a falta de ocupação entre os brancos, segundo pesquisa do Seade/Dieese divulgada nesta quarta-feira.

De acordo com o levantamento, as disparidades na forma de inserção produtiva de negros e não-negros no mercado de trabalho da região metropolitana de São Paulo registraram queda entre 2004 e 2008.

No período, a PEA (População Economicamente Ativa) negra diminuiu sua participação de 37,3% para 36,6%, mas aumentou sua proporção de ocupados, de 77,5% para 84,0% e caiu a de desempregados, de 22,5% para 16%.

No caso dos não-negros, o desemprego caiu de 16,4% para 11,9% no mesmo intervalo.

O levantamento apontou ainda uma redução dos negros nos serviços domésticos (de 8,7% para 7,7%), o que aproxima a participação das raças nesse segmento, já que a participação dos não-negros caiu de 12,9% para 12%.

A pesquisa também indica diminuição das diferenças entre negros e não-negros nas formas de inserção associadas a graus mais elevados de escolaridade e qualificação, mas ainda prevalece uma diferença bastante elevada.

Entre os negros ocupados, 5% ocupavam em 2008 cargo de direção, gerência e planejamento –contra 4,7% registrado em 2004.

No caso dos não-negros, a participação em tais cargos caiu de 18,7% para 17,4%, na mesma comparação.

“Tais fatos repercutiram no crescimento do rendimento médio real dos negros (6,1%) e na relativa estabilidade para os não-negros (0,1%) e, ainda que isto represente alteração muito pequena do diferencial de renda, mostra tendência de lenta aproximação na relação entre os dois grupos”, afirma a pesquisa.

17/11/2009 - 11:55h Vigor no emprego

celso_mingCelso Ming – O Estado SP

celso.ming@grupoestado.com.br

Mais um contraste com o resto do mundo. Enquanto lá fora a recuperação da atividade econômica depois da maior crise desde os anos 30 se faz com aumento do desemprego, no Brasil, vem com forte criação de postos de trabalho.

Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, apontam para um aumento recorde de contratações de pessoal com carteira de trabalho assinada (emprego formal) em meses de outubro: 231 mil novos postos. Esse número perfaz para os primeiros dez meses do ano quase 1,2 milhão de empregos novos no Brasil, fato que fortalece o ambiente de recuperação.

São quatro os principais motivos desse aumento do emprego:

(1) A relativa estabilização da economia brasileira que, por sua vez, tem a ver com juros mais baixos e regras do jogo mais previsíveis. O pior inimigo do emprego é a falta de horizontes no jogo econômico. Mesmo em ambiente de crise, se as regras são mais estáveis, o empresário investe.

(2) A expansão do crédito, que alcançou 9,8% no período de janeiro a setembro deste ano em relação a igual período do ano passado. A expansão do crédito pressupõe certo controle sobre a dívida pública, o que permite que os bancos tenham condições de canalizar menos recursos para a subscrição de títulos públicos e mais para o financiamento de empresas e pessoas físicas.

(3) O aumento das transferências de recursos para as áreas carentes (Bolsa-Família). Foi o que garantiu certo aumento do consumo e, portanto, a necessidade de contratações de pessoal para garantir o fluxo de produção.

(4) O aumento da demanda na economia mundial, especialmente no setor de commodities. Esse fator se deve muito às políticas de afrouxamento fiscal e monetário levadas adiante nos países ricos para combater a crise.

Não dá para dizer ainda que a recuperação do emprego no Brasil seja sustentável. Há notória insegurança no mercado internacional. Os bancos centrais dos países ricos estão diante de uma encruzilhada. Têm de trazer de volta os recursos que despejaram para enfrentar a crise e que agora ameaçam produzir novas bolhas. Mas não sabem ainda nem a partir de que momento nem em que intensidade fazê-lo, porque temem empurrar a economia para uma grave recaída. Ontem, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, avisou mais uma vez que o crédito apertado e o desemprego crescente nos Estados Unidos deverão limitar a recuperação (veja o Confira). E, se houver uma recaída lá fora, o emprego também será atingido no Brasil.

Em todo o caso, daqui para a frente a economia brasileira recebe força total do setor das obras públicas, que é manejado pelos governadores e pelo governo federal de maneira que mostre serviço meses antes das eleições. Enfim, é também a política empurrando o emprego.

Se a retomada da atividade econômica interna se consolidar, será inevitável a melhora da arrecadação que, nos últimos dez meses, foi uma das principais fontes de debilidade da economia brasileira.

Confira

Recuperação lenta – Em pronunciamento feito no Clube Econômico de Nova York, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, mostrou que não está impressionado com as previsões dos analistas que vêm denunciando a formação de novas bolhas.

Avisou que a recuperação da atividade econômica dos Estados Unidos é lenta e que o mercado de trabalho vai continuar fraco durante muito tempo.

Ficou claro que os juros não subirão tão cedo e que os investidores continuarão despejando dólares nas aplicações de risco, o que favorece a alta das ações, do ouro e das commodities.

***

Serra alfineta Lula por desemprego alto

“O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), tentou desviar a atenção do acidente nas obras do Rodoanel, durante a inauguração de uma usina, em Mirante do Paranapanema, região de Presidente Prudente. Em seu discurso, de cerca de 20 minutos, ele alfinetou o governo Lula, dizendo que a taxa de 8% de desemprego é alta para um país em desenvolvimento. “O emprego não cresce satisfatoriamente e, quando cresce, falta gente qualificada”, afirmou ontem.” (Primeiro caderno do jornal O Estado SP)

17/11/2009 - 11:39h Criação de empregos formais supera a marca de 1 milhão no ano

Abertura de 230.956 postos de trabalho em outubro foi o melhor resultado para o mês na série histórica do Caged

Renata Veríssimo, BRASÍLIA – O Estado SP

A recuperação da atividade industrial ajudou o País a bater novo recorde na geração de empregos com carteira assinada. Em outubro, foram abertos 230.956 postos de trabalho, o melhor resultado para o mês na série histórica iniciada em 1992 do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

O resultado mensal elevou para 1,164 milhão o número de empregos formais criados entre janeiro e outubro de 2009. Embora o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, tenha comemorado a superação da marca de 1 milhão, o acumulado no ano é o pior para o período desde 2003, quando foram gerados apenas 910.547 vagas.

Em razão da sazonalidade de dezembro, quando ocorrem as demissões de funcionários contratados temporariamente para a demanda de fim de ano, Lupi previu que a criação de empregos formais em 2009 ficará entre 1 milhão e 1,1 milhão.

Ele estimou, entretanto, cerca de 200 mil dispensas em dezembro que, se confirmadas, será o menor resultado negativo para o mês. Com exceção de 2008, quando o País enfrentava o auge da crise internacional, as demissões em dezembro de anos anteriores giraram em torno de 300 mil. Para novembro, Lupi espera bater novo recorde, com a geração de cerca de 150 mil empregos formais. O melhor resultado, até então, foi em novembro de 2007, quando foram criados 125 mil vagas.

Lupi aposta na recuperação do mercado de trabalho e da atividade econômica em 2010. Segundo ele, serão abertas 2 milhões de vagas. Se a marca for atingida, será o maior número de geração de empregos formais em um ano no País.

Para o ministro, os dados do Caged no segundo semestre já mostram o início de um novo ciclo do emprego. Em agosto, setembro e outubro, a abertura de vagas superou em mais de 200 mil o número de demissões.

“O Brasil foi o único país do G-20 que gerou mais de 1 milhão de empregos formais este ano”, afirmou Lupi. Ele acredita que a economia brasileira crescerá em torno de 2% este ano, o dobro da previsão da equipe econômica.

O ministro destacou o aumento da massa salarial de janeiro a outubro, 4,4% acima da inflação pelo INPC. Lupi disse que anunciará, nos próximos dias, um recorde no pagamento do abono salarial, pago a trabalhadores com renda média de até dois salários mínimos no ano anterior.

Indústria lidera pela 2ª vez abertura de vagas

Renata Veríssimo, BRASÍLIA – O Estado SP

A indústria de transformação liderou pelo segundo mês consecutivo a abertura de novos empregos formais no País. Em outubro, o setor foi responsável pela criação de 74.552 postos de trabalho. É o melhor resultado para meses de outubro. Segundo o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, o desempenho do setor mostra uma recuperação da indústria, setor mais atingido pela crise global.

“Os estoques terminaram e já tem indústria trabalhando em três turnos para atender a demanda”, disse Lupi. As indústrias de produtos alimentícios, têxtil, metalúrgica e química são as que mais contrataram no mês passado. Segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), além da indústria mais quatro setores registraram desempenho recorde em outubro.

O setor de serviços teve 69.581 contratações a mais do que as demissões. O comércio ampliou em 68.516 os postos de trabalho e a construção civil, em 26.156. O setor de extração mineral abriu 1.157 vagas.

O único setor que demitiu mais do que contratou foi a agropecuária, que fechou 11.569 postos de trabalho. Segundo o Ministério do Trabalho, essa redução se deve à entressafra, principalmente, no Sudeste do País.

O número de contratações em outubro foi de 1,433 milhão, enquanto 1,202 milhão de trabalhadores foram demitidos no período.

O saldo líquido, de 230.956 novos empregos, embora seja o melhor resultado para meses de outubro, é menor que o resultado de setembro, quando foram criadas 252.617 vagas. De janeiro a outubro, o setor de serviços foi o que o mais empregou, com um saldo positivo de 481.007 vagas este ano, seguido pela construção civil, comércio e indústria.

Segundo o Ministério do Trabalho, desde janeiro de 2003, quando começou o governo Lula, a outubro de 2009, 8.884.579 vagas formais foram criadas.

16/11/2009 - 20:38h Serra se nega a responder aos jornalistas sobre o Rodoanel e critica o governo federal por desemprego

O governador Serra reage irritado a questões sobre o acidente do Rodoanel, recusando-se a responder às perguntas dos jornalistas.

Ao mesmo tempo ataca o desemprego, no mesmo dia em que a criação de empregos bate recorde histórico para o mês de outubro. A taxa de desemprego é ainda elevada? sem dúvida. Ela é de 7,7% após um ano de crise mundial só comparavel à Grande Depressão de 1929. Mesmo assim ela esta mais baixa que os 8% de 1999, quando Serra era governo com FHC.

Será que algum jornalista perguntou para ele, por exemplo, porque não reduziu  o ICMS da indústria têxtil, para incentivar a criação de empregos no Estado? Ou mais prosaicamente, que medidas de incentivo a criação de emprego foi realizada no Estado a imagem das medidas tomadas pelo governo federal? LF

http://quemtemmedodolula.files.wordpress.com/2009/04/649-jose-serra.jpg

Serra critica governo e diz que desemprego de 8% é alto

SANDRO VILLAR – Agencia Estado

PRESIDENTE PRUDENTE – A taxa de desemprego no Brasil ainda é alta para um País em desenvolvimento, argumentou hoje o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Em discurso com tom de candidato, ele falou das realizações de seu governo e alfinetou o governo Lula. “O emprego não cresce satisfatoriamente e, quando cresce, falta gente qualificada”, disse. “Duzentos mil empregos não são preenchidos por falta de qualificação”, disse o governador, durante inauguração da Usina Conquista do Pontal, da ETH Bioenergia, do grupo Odebrecht, em Mirante do Paranapanema.

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de outubro registrou a criação de 230.956 empregos formais, um resultado recorde para o mês, segundo informou hoje o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. De janeiro a outubro deste ano, segundo dados do ministério, foram criadas 1.163.607 vagas formais.

Serra se entusiasmou e até parafraseou o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao falar das Faculdades de Tecnologia (Fatecs). “Nunca antes neste Estado se investiu tanto em educação”, afirmou, acrescentando que, até agora, foram instaladas 49 unidades. O governador não respondeu às perguntas dos jornalistas sobre o acidente envolvendo o Rodoanel, na sexta-feira.

A Odebrecht controla 60% da Usina Conquista do Pontal, que custou mais de R$ 400 milhões. Para a obra, foram contratados 1,3 mil funcionários e, numa área de 80 mil hectares, a usina vai processar em torno de 2,7 milhões de toneladas de cana por safra. O parceiro da Odebrecht na usina é o grupo japonês Sojitz Corporation.

23/10/2009 - 09:53h Desemprego cai e renda aumenta

Clique na imagem para ampliar

http://brasiliaconfidencial.inf.br/wp-content/uploads/BsBConfidencial_78-1.gif

13/10/2009 - 11:50h Mentalidades monetárias equivocadas

Krugman_paulPaul Krugman*, THE NEW YORK TIMES – O Estado SP

Uma lição da Grande Depressão é que não se deve subestimar o poder destruidor das más ideias. E algumas más ideias que ajudaram a causar a Depressão mostraram-se, ai de nós, extremamente duráveis: em forma modificada, elas continuam a influenciar o debate econômico hoje.

O historiador econômico Peter Temin argumentou que a principal causa da Depressão foi o que ele chama de “mentalidade de padrão ouro”. Com isso, quer dizer não somente a crença na importância sagrada de manter o valor em ouro de uma moeda, mas um conjunto de atitudes afins: medo obsessivo de inflação, mesmo em face de deflação; oposição ao crédito fácil, mesmo quando a economia precisa desesperadamente dele, com base em que isso seria de alguma forma deturpador; afirmações de que mesmo que o governo pudesse criar empregos, ele não deveria, pois seria uma recuperação “artificial”.

No início dos anos 1930, essa mentalidade levou governos a elevar juros e cortar gastos, a despeito do desemprego em massa, na tentativa de defender as reservas em ouro. E, mesmo quando países ficavam sem ouro, a mentalidade prevalecente os deixava relutantes em cortar impostos e criar empregos.

Os EUA não vão retornar ao padrão ouro. Mas uma versão moderna da mentalidade do padrão ouro esta exercendo uma influência crescente em nosso discurso econômico. E essa nova versão de uma ideia antiga ruim poderá minar nossas chances de recuperação plena.

Considere-se, em primeiro lugar, o alarido sobre o declínio do dólar. A verdade é que isso é uma boa notícia. Por um lado, ela é sobretudo resultado do aumento da confiança: o dólar subiu no auge da crise porque investidores em pânico buscavam proteção nos Estados Unidos, e está caindo agora que o medo está cedendo.

E um dólar mais baixo é bom para os exportadores americanos, ajudando-nos a fazer a transição de déficits comerciais imensos para uma posição internacional mais sustentável. Mas, na página de opiniões do The Wall Street Journal, o que se vê é que a queda do dólar é uma coisa terrível, sinal de que o mundo está perdendo a fé nos EUA (em especial, é claro, no presidente Barack Obama).

Fica-se pensando que alguma coisa precisa ser feita para conter a descida do dólar. E, na prática, o declínio do dólar se tornou uma vara com a qual os conservadores do Congresso pressionam o Federal Reserve (Fed) a recuar no esforço de sustentar a economia. Só podemos esperar que o Fed suporte a pressão. Mas há sinais de uma mentalidade equivocada dentro do próprio Fed. Nas últimas semanas, surgiram declarações, principalmente de presidentes regionais do Fed, mas não só, pedindo o retorno do endurecimento monetário, incluindo juros mais altos.

Funcionários do Fed são, normalmente, cautelosos ao comentar a política monetária futura para não prejudicar os esforços da instituição de moldar as expectativas. Assim, é extraordinário ver esses funcionários quebrando regras, até instruindo a ação do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Fed, que fixa a taxa de juros.

Mais extraordinária é a ideia de que elevar o juro no curto prazo faz sentido. Afinal, ao desemprego alcançou 9,8% e continua subindo, enquanto a inflação está bem abaixo da meta de longo prazo do Fed.

Para evitar uma “Grande Inflação”, diz Charles Plosser do Fed da Filadélfia, “teremos de agir bem antes que a taxa de desemprego e outras medidas de utilização de recursos tenham voltado a níveis aceitáveis”.

Não sei que análise está por trás desses dedos nervosos no gatilho. Provavelmente, não se tratem de análises, mas de mentalidade. E é crucial que não deixemos essa mentalidade guiar a política.

* O autor é Nobel de Economia

03/10/2009 - 14:35h Krugman: Gastar dinheiro agora significa fortalecer a economia, no curto e no longo prazos

Krugman_paulMissão não cumprida

Paul Krugman*

As ações estão em alta. Segundo Ben Bernanke, a recessão acabou. Eu sinto uma crescente disposição entre os formadores de opinião a declarar: missão cumprida no combate à crise. E há quem afirme que está na hora de deixarmos de nos preocupar com o estímulo econômico para nos concentrarmos no déficit do orçamento. Mas não está, não. A autocomplacência que começa a se instaurar em relação ao estado da economia é insensata e perigosa.

Sim, o Federal Reserve (Fed) e o governo Obama nos tiraram da Beira do Precipício – título de um novo ensaio de Christina Romer, diretora do Conselho de Assessores Econômicos, no qual argumenta, de maneira convincente, que a política de forte expansão dos gastos públicos nos salvou de uma possível reedição da Grande Depressão.

Mas, embora evitar outra depressão seja muito bom, tudo indica que, se o governo não fizer muito mais do que planeja atualmente para promover a recuperação da economia, a situação do mercado de trabalho – no qual, hoje, a procura de emprego é seis vezes maior que a oferta – continuará sendo angustiante nos anos vindouros.

Na realidade, a projeção econômica do próprio governo – em que são levados em conta os novos empregos que suas medidas criarão – mostra que a taxa de desemprego, que há apenas dois anos estava abaixo de 5%, será em média 9,8% em 2010, 8,6% em 2011 e 7,7% em 2012.

Não podemos considerar aceitável essa perspectiva, em primeiro lugar, porque ela implica enorme sofrimento nos próximos anos. Além disso, se o desemprego permanecer nesse nível por tanto tempo, lançará uma sombra negra sobre o futuro dos Estados Unidos.

Os que acham que estamos fazendo o bastante para criar empregos devem ler o relatório apresentado recentemente por John Irons, do Instituto de Política Econômica, que descreve a “devastação” produzida por um desemprego persistente. Entre outras coisas, Irons destaca que o desemprego persistente na escala hoje prevista levaria a um enorme aumento da pobreza – e que existem evidências esmagadoras de que as crianças que crescem em meio à pobreza muito provavelmente terão uma vida miserável.

Esse custo humano deveria constituir nossa maior preocupação, mas suas implicações em termos de recursos também são assustadoras. As projeções do Departamento do Orçamento do Congresso, por exemplo, mostram que, no período de 2010 a 2013 – sem contar os prejuízos que já sofremos – o “déficit de produção”, a diferença entre tudo o que a economia poderia ter produzido e tudo o que ela realmente produz, será superior aos US$ 2 trilhões. O que significa que são trilhões de dólares de potencial produtivo que se perderão.

Mas a coisa é muito pior. Um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostra que o tipo de recessão que tivemos, causada por uma crise financeira, costuma causar danos no longo prazo em termos das perspectivas de crescimento de um país. “O caminho da produção tende a se estreitar substancialmente e de maneira persistente depois das crises do setor bancário.”

Entretanto, o mesmo relatório sugere que esse desfecho não é inevitável. “Concluímos que uma resposta mais firme de uma política fiscal no curto prazo” – medida pela qual se entende um aumento temporário dos gastos do governo – “está significativamente associada a menores perdas da produção no médio prazo.”

Portanto, deveríamos fazer muito mais do que estamos fazendo para promover a recuperação econômica, não apenas porque isso reduziria nosso sofrimento atual, como também porque melhoraria nossas perspectivas no longo prazo.

Mas será que podemos fazer mais – no sentido de oferecer mais ajuda a combalidos governos estaduais e aos desempregados, de aumentar os gastos em infraestrutura, de oferecer incentivos fiscais aos empregadores para que criem empregos? Sim, nós podemos.

O senso comum diz que ajudar a economia agora produzirá ganhos no curto prazo à custa de sofrimento no longo prazo. Mas, como acabamos de ressaltar, do ponto de vista da nação como um todo não é assim que funciona. A crise está produzindo danos no longo prazo para a economia e a sociedade e, se pudermos abrandá-la, teremos um futuro melhor.

É verdade que um aumento dos gastos com a recuperação e a reconstrução piorará a própria posição fiscal do governo. Mas mesmo neste caso, o bom senso exagera. Os verdadeiros custos fiscais desse respaldo para a economia são surpreendentemente baixos.

Gastar dinheiro agora significa fortalecer a economia, no curto e no longo prazos. E uma economia mais forte implica maiores receitas, para compensar uma considerável parcela dos custos iniciais. Segundo cálculos aproximados, a compensação chegaria a quase 100%, de forma que o estímulo fiscal não é um almoço grátis completo. Mas custa muito menos do que imaginaríamos de acordo com um suposto debate informado.

Sei que um aumento do estímulo é algo difícil de vender em termos políticos, mas é urgentemente necessário. A questão não é se podemos fazer mais para promover a recuperação, mas se podemos optar por não fazê-lo. E a resposta é não.

*Paul Krugman é Prêmio Nobel de Economia de 2008

25/09/2009 - 11:53h Indústria de SP tem contratação recorde, diz IBGE

http://www.jsd.pt/novoportugal/img/causas/1250694795652190051.jpg

Taxa de desemprego, no entanto, sobe de 8% para 8,1% com mais pessoas procurando emprego

Jacqueline Farid, RIO – O Estado SP

A indústria paulista puxou a ocupação industrial do País em agosto para nível recorde, segundo dados revelados ontem pela pesquisa de emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de desemprego apurada pelo IBGE em agosto ficou estável, em 8,1%, ante 8,0% em julho.

O número de ocupados no setor industrial subiu 3,9% nas seis principais regiões metropolitanas do País em agosto ante julho, na maior alta ante mês anterior apurada pelo IBGE desde abril de 2004. A indústria paulista registrou alta recorde nas contratações, de 5,8% ante o mês anterior. Nessa base de comparação, é a maior alta para a região da série histórica da pesquisa, iniciada em março de 2002.

Nas seis regiões pesquisadas, foram gerados 135 mil postos na indústria de um mês para o outro, sendo que desse total, 106 mil em São Paulo. “Esse aumento na indústria em São Paulo é bem-vindo porque a região tende a ser um sinalizador do que vai acontecer nas outras regiões. O mercado de trabalho paulista sempre dá o primeiro passo”, observou o gerente da pesquisa mensal de emprego, Cimar Azeredo.

Ainda segundo ele, o resultado do emprego na indústria corrobora a avaliação de que há uma recuperação na economia brasileira. “Os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) e do PIB (Produto Interno Bruto) mostram que o efeito da crise passou e isso pode estar se refletindo na pesquisa mensal de emprego, como mostram os dados industriais de São Paulo, que são um sinal claro de que o cenário econômico está mais favorecido. Mas é um primeiro resultado positivo mais significativo no setor e será preciso aguardar os próximos meses”, disse Azeredo.

O gerente da pesquisa ressaltou, entretanto, que o emprego na indústria prossegue em queda em relação a igual mês do ano passado. Em agosto, a ocupação no setor caiu 3,4% nas seis regiões ante agosto de 2008, sendo que, em São Paulo, a queda foi de 1,7% nessa comparação. “A indústria foi dos setores mais afetados pela crise e era de se esperar queda em relação a igual mês do ano passado, em que havia forte alta na geração de empregos no setor”, disse Azeredo.

Mas a alta do setor industrial não foi suficiente para evitar uma pequena alta no desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País. A taxa de desemprego apurada pelo IBGE ficou em 8,1%, ante 8,0% em julho. Azeredo considerou o levantamento como a confirmação da recuperação econômica após a crise. O aumento da taxa de desocupação reflete, em sua avaliação, a maior procura por trabalho.

A população desocupada (sem trabalho e procurando emprego) aumentou 1,9% em agosto ante julho e subiu 7,8% na comparação com igual mês do ano passado. O número de desempregados chegou a 1,89 milhão nas seis principais regiões do País. Para Azeredo, a alta pode estar revelando o aumento da procura por uma vaga após a divulgação de notícias de reaquecimento da economia, já que as pessoas ficam mais estimuladas a buscar emprego.

O número de ocupados também aumentou em julho, com variação de 0,5% ante o mês anterior e de 0,9% comparativamente a agosto de 2008, mas o incremento não foi suficiente para atender à demanda.

Para Azeredo, os efeitos da crise, que ainda permanecem sobre os dados do mercado de trabalho, estão refletidos especialmente na resistência da taxa de desemprego em cair em relação a iguais períodos do ano passado. Em agosto de 2008, a taxa nas seis regiões havia sido de 7,6%.

“Se não houvesse a crise, se a economia não tivesse passado pelas turbulências, talvez a taxa tivesse prosseguido na trajetória de queda em que vinha no ano passado e estivesse, agora, em patamar abaixo de 2008”, acredita.

O rendimento médio real dos trabalhadores teve desempenho mais favorável do que o emprego em agosto, favorecido pelo ritmo menor de reajustes de preços no mês. A renda dos ocupados ficou em R$ 1.336,80 na média das seis regiões, com aumento de 0,9% ante julho e alta de 2,2% na comparação com igual mês do ano anterior.

24/08/2009 - 09:27h A crise financeira um ano depois

O problema agora é que o desemprego continua em alta tanto nos EUA como na Europa.

http://blog.environnemental.info/wp-content/uploads/2007/05/Eoliennes.jpg

Por Jeffrey D. Sachs – VALOR

Um ano depois do início da crise, ela parece estar sanada. Mas o desemprego continua em alta

Já transcorreu quase um ano desde que a economia mundial balançou à beira da calamidade. No espaço de três dias, de 15 a 18 de setembro de 2008, o Lehman Brothers apresentou seu pedido de falência, o controle da mega-seguradora AIG foi assumido pelo governo dos EUA e o Merrill Lynch, ícone falido de Wall Street, foi absorvido pelo Bank of America numa transação intermediada e financiada pelo governo dos EUA. Sobreveio o pânico e o crédito parou de circular. Companhias não conseguiam capital de giro, quanto mais recursos para investimentos de longo prazo. Uma depressão parecia possível.

Hoje, a tempestade foi domada. Meses de ações emergenciais promovidas pelos principais bancos centrais do mundo impediram o colapso dos mercados financeiros. Quando os bancos pararam de fornecer liquidez de curto prazo a outros bancos e companhias industriais, os bancos centrais preencheram a lacuna. Consequentemente, as principais economias evitaram um colapso do crédito e da produção. A sensação de pânico diminuiu. Os bancos estão mais uma vez emprestando uns aos outros.

Apesar de o pior ter sido evitado, muitas aflições persistem. A crise culminou no colapso dos preços dos ativos no fim de 2008. Famílias ricas e de classe média em todo o mundo se sentiram mais pobres e, portanto, reduziram suas despesas radicalmente. Os preços de alimentos e de petróleo nas alturas se somaram às aflições e, por conseguinte, à depressão econômica. Empresas não conseguiam vender a sua produção, o que acarretou cortes de produção e demissões. O desemprego crescente agravou a perda de riqueza familiar, arremessando famílias em profundo perigo econômico e levando a reduções adicionais nos gastos dos consumidores.

O grande problema agora é que o desemprego continua aumentando nos EUA e na Europa, já que o crescimento é lento demais para gerar suficientes postos de trabalho novos. Deslocamentos continuam sendo sentidos por todo o mundo.

Seguiu-se um enorme debate em torno do chamado “gasto de estímulo” nos EUA, Europa e China. Esse gasto tem como objetivo usar os maiores gastos ou incentivos fiscais do governo para compensar a queda no consumo das famílias e no investimento empresarial. Nos EUA, por exemplo, praticamente um terço do pacote de estímulo de US$ 800 bilhões consiste em redução de impostos (para estimular gastos de consumidores); um terço é composto por despesas públicas em estradas, escolas, energia elétrica e outros tipos de infraestrutura; e um terço assume a forma de transferências federais a governos locais e estaduais para serviços de saúde, seguro-desemprego, salários para escolas.

Os pacotes de estímulo são controversos, pois aumentam o déficit orçamentário e, consequentemente, implicam na necessidade de reduzir gastos ou elevar impostos no futuro próximo. A pergunta é se eles estimulam a produção e a geração de empregos com êxito no curto prazo, e, caso afirmativo, se fazem o suficiente para compensar os inevitáveis problemas orçamentários que virão.

A real eficácia desses pacotes não está clara. Suponhamos que o governo conceda uma redução de imposto para aumentar o salário líquido dos consumidores. Se os consumidores decidirem poupar essa redução em vez de estimular o consumo. Nesse caso, o estímulo terá pouco efeito positivo sobre o gasto da família, mas agravará o déficit orçamentário.

Uma avaliação inicial dos pacotes de estímulo sugere que o programa da China funcionou bem. A queda acentuada nas exportações da China para os EUA tem sido compensada por uma queda expressiva nos gastos do governo chinês com infraestrutura, digamos, na construção de metrôs nas maiores cidades da China.

Nos EUA, o veredicto é menos claro. O corte de impostos foi mais provavelmente economizado que gasto. O componente de infraestrutura ainda não foi gasto devido a longas demoras para transformar o pacote de estímulo dos EUA em projetos de construção reais. A terceira parte – a transferência para governos locais e estaduais- quase certamente tem sido bem sucedida, na manutenção das despesas com escolas, saúde e desempregados.

Em suma, os efeitos do estímulo sobre os gastos nos EUA provavelmente têm sido positivos, mas reduzidos, e sem um efeito decisivo sobre a economia. Além disso, temores em torno do enorme déficit orçamentário dos EUA, agora na casa dos US$ 1,8 trilhão (12% do PIB) por ano, tendem a aumentar, não só gerando enormes incertezas no meio político e nos mercados financeiros, mas também diminuindo a confiança dos consumidores.

Quando a crise se aprofundou há um ano, Barack Obama inseriu na campanha presidencial o tema de uma “recuperação verde”, baseada num surto de investimentos em energias renováveis, novos veículos elétricos, edifícios “verdes” ambientalmente eficientes e agricultura ecologicamente segura. No calor da batalha contra o pânico financeiro, a atenção das políticas públicas se afastou daquela recuperação verde. Agora, os EUA precisam retornar a essa ideia importante.

As políticas públicas do governo nos EUA e em outros países ricos deveriam estimular aqueles investimentos por meio de incentivos especiais. Esses incentivos incluem um sistema de teto e mercado para emissões de gás estufa, subsídios para pesquisa e desenvolvimento em tecnologias sustentáveis, tarifas do tipo “feed-in” (que visam estimular tecnologias de geração de energia limpa alternativa) e incentivos reguladores para energia renovável e outros atrativos para a absorção de tecnologias. “verdes”.

O mundo rico também deveria fornecer aos países mais pobres subsídios e empréstimos a juros baixos para comprar tecnologias energéticas sustentáveis, como energia solar e geotérmica. Fazê-lo se somaria à recuperação global, melhoraria a sustentabilidade ambiental de longo prazo e aceleraria o desenvolvimento econômico. A crise ainda pode ser uma oportunidade para sair de uma rota de bolhas financeiras e consumo excessivo rumo a uma rota de desenvolvimento sustentável. Na verdade, aproveitar essa oportunidade é a única receita para crescimento genuíno que nos resta.

Jeffrey D. Sachs é professor de Economia na Universidade Columbia e consultor especial do secretário-geral das Nações Unidas para as Metas de Desenvolvimento do Milênio. Copyright: Project Syndicate, 2009.

20/08/2009 - 11:44h Bancos centrais temem deflação crônica

Na Alemanha, produtos têm hoje o mesmo valor de maio de 2007

http://img.timeinc.net/time/daily/2009/0901/deflation_0116.jpg

Gustavo Chacra – O Estado SP

Os bancos centrais de países desenvolvidos começam a enfrentar o risco de a deflação se intensificar nos próximos meses, com recordes sendo anunciados nos Estados Unidos e na Europa. Na sua maior queda em seis décadas, o índice de preços ao consumidor da Alemanha despencou 7,8% em julho em relação ao mesmo mês no ano passado. Na variação mensal, a diminuição foi de 1,5%.

Segundo o Escritório Federal de Estatísticas, os produtos alemães têm hoje o mesmo valor de maio de 2007. Os preços para o consumidor na Alemanha registraram a sua primeira baixa desde a reunificação do país, em 1990, ao caírem 0,5%. A redução é dois décimos menor do que a média da zona do euro.

Do outro lado do Atlântico, o índice de preços ao consumidor americano também atingiu o seu menor nível desde 1950, ao se reduzirem 2,1% em julho, quando comparado ao mesmo mês no ano passado – em relação a junho, a inflação se manteve estável -, de acordo com dados do Departamento do Trabalho divulgados na semana passada. Assim como na Alemanha, os piores números vieram do setor produtivo, com uma redução de 6,8% nos preços desde julho de 2008, e 0,9% em junho .

A deflação tem como principal causa a redução nos preços da área energética, especialmente do barril do petróleo – apesar da elevação de ontem, que não está embutida no índice -, ao longo do último ano. Na Alemanha, a deflação anual é de 3,6% quando não se leva em conta os preços deste setor.

O Fed (banco central dos EUA) indicou que não existe risco de inflação por enquanto, o que eliminaria a necessidade de elevar os juros, evitando uma possível estagflação (inflação e recessão simultaneamente). O problema, segundo dizem alguns economistas, é que, com a deflação, há pouca margem de manobra para o Fed. Os juros já estão próximos de zero e o risco seria de um círculo vicioso como no Japão dos anos 1990.

A saída seria o aumento da demanda para o fim da deflação. Por enquanto, os sinais não indicam que isso venha ocorrendo. Ao contrário, o índice de confiança dos consumidores está em queda nos Estados Unidos por três motivos – elevado desemprego (9,4%), endividamento e maior propensão a poupar em vez de consumir.

20/08/2009 - 11:17h Desemprego tem quarta queda seguida e fica em 8% em julho

Taxa medida é a menor para meses de julho desde o início da série da pesquisa mensal, que começou em 2002

http://4.bp.blogspot.com/_NXocOi3_Fh4/SKhQaEHlbsI/AAAAAAAAAzM/PvhMlnE42hE/s400/primeiro-emprego.jpg

Adriana Chiarini e Clarice Spitz, da Agência Estado

RIO – A taxa de desemprego apurada nas seis principais regiões metropolitanas do País ficou em 8,0% da População Economicamente Ativa em julho, ante 8,1% em junho, divulgou nesta quinta-feira, 20, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio levemente abaixo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que iam de 8,1% a 9,0%, com mediana de 8,35%.

A taxa medida é a menor para meses de julho desde o início da série da pesquisa mensal de emprego do IBGE, que começou em 2002.

Em julho de 2008, a taxa havia sido de 8,1%. O rendimento médio real dos trabalhadores registrou alta de 0,5% em julho ante junho e cresceu 3,4% ante julho de 2008. A pesquisa é realizada nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre.

Número de ocupados cresce 0,9%

O número de ocupados nas seis principais regiões do País cresceu 0,9% em julho ante junho, com geração de 185 mil postos de trabalho. Na mesma comparação, o número de desocupados (sem trabalho e procurando emprego) caiu 0,7%, para 1,9 milhão.

Na comparação com julho do ano passado, o número de ocupados subiu 1,1%, com ganho de 222 mil vagas, e o número de desocupados caiu 0,7%, com redução de 13 mil. O número de trabalhadores com carteira assinada em julho foi de 9,6 milhões pessoas, aumento de 1,5% em relação a junho e um acréscimo de 4,2% ante julho do ano passado.


Massa de rendimento real efetivo em junho/maio sobe 0,9%

A massa de rendimento real efetivo dos ocupados em junho subiu 0,9% em relação a maio e foi de R$ 28,2 bilhões. Essa massa teve alta de 4,3% em comparação a junho de 2008.

O rendimento domiciliar per capita em julho ficou estável (-0,1%) em relação a junho e teve alta de 2,5% em relação a julho de 2008.

18/08/2009 - 13:48h Ganhos salariais na crise

Editorial O Estado SP

Contrariando conselhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e previsões de dirigentes sindicais, mais categorias profissionais pediram e obtiveram ganhos reais de salários no primeiro semestre deste ano do que em igual período do ano passado, quando a crise internacional ainda não havia atingido sua fase mais aguda.

Mais do que pedir aumento, os trabalhadores devem contribuir para que as empresas vendam, recomendava há poucos meses o ex-dirigente sindical Lula da Silva. Na época, o mercado de trabalho apresentava um quadro sombrio, com o aumento contínuo do desemprego e estagnação da massa salarial, o que parecia justificar a recomendação, pois, explicava Lula, quanto mais as empresas vendessem, mais emprego poderiam oferecer, o que abriria o caminho para reivindicações de melhores salários.

Os dados do primeiro quadrimestre, que mostravam uma clara mudança na tendência observada nos últimos anos – quando o emprego aumentava e a renda do trabalhador crescia -, levavam empresários, dirigentes sindicais e economistas a prever um cenário ruim para as negociações salariais. “Será um ano difícil e com poucas perspectivas de ganhos salariais para os trabalhadores”, dizia em maio o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio.

Mas, com a concordância dos empregadores, muitos trabalhadores preferiram não seguir os conselhos do presidente da República e não acreditar nas previsões dos sindicalistas. Assim, as negociações realizadas pelas 245 categorias profissionais com data-base no primeiro semestre tiveram resultados melhores para os trabalhadores do que as concluídas nos seis primeiros meses do ano passado.

Segundo o Dieese, 77% das negociações do primeiro semestre deste ano resultaram em ganho real de salário, isto é, tiveram reajustes superiores à inflação de 12 meses medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que baliza as correções salariais, contra 72% no ano passado. Do total de acordos deste ano, apenas 7% tiveram reajuste menor do que o INPC (isto é, resultaram em perda salarial), contra 13% em 2008. Os demais repuseram a inflação.

São números surpreendentemente positivos que devem, porém, ser analisados com cuidado. Dos três setores analisados pelo Dieese, a indústria é a que apresenta os piores resultados com relação a emprego e renda. Embora em outros setores já surjam sinais fortes de recuperação, na indústria os dados mais recentes ainda indicam a continuação do processo de deterioração do mercado de trabalho. Segundo a Fiesp, o nível de emprego na indústria paulista caiu 0,32% em julho, na décima queda mensal consecutiva.

As demissões, que ocorreram também em outros setores, permitiram que as empresas concedessem aumentos reais aos empregados, sem necessariamente aumentar seus gastos com pessoal. Ou seja, o custo dos aumentos reais dos salários foi repartido entre os próprios trabalhadores; para parte deles, o preço foi a perda do emprego. “Não ocorreu aumento da massa salarial dos trabalhadores do setor formal”, observou o coordenador de relações sindicais do Dieese, José Silvestre Prado de Oliveira, ao apresentar os dados das negociações do primeiro semestre. De todo modo, esses dados mostram que os efeitos da crise sobre o mercado de trabalho brasileiro foram menores do que os registrados nos países industrializados e do que se previa no fim do ano passado e no início deste.

O comportamento da inflação, que se manteve baixa nos últimos meses, ajudou a melhorar os resultados gerais das negociações salariais, pois, mesmo com índices de correção relativamente baixos, muitos acordos resultaram em ganhos reais. Por isso, em valores, os ganhos registrados neste ano são modestos, em média menores do que o de anos anteriores.

Mesmo assim, eles levam à previsão de que, no segundo semestre, as negociações devem ser ainda mais favoráveis para os trabalhadores. Com certeza, elas serão mais tranquilas do que as do segundo semestre de 2008, quando ninguém podia prever como a crise afetaria a economia brasileira.

10/08/2009 - 12:36h Indústria brasileira interrompe demissões e já começa a contratar

http://www.farolcomunitario.com.br/img_jpg/petrobras_p_51g.jpghttp://2.bp.blogspot.com/_3IpWDXPqiK0/SOpBkpFXwpI/AAAAAAAACJY/VevVV_Q31vA/s320/montadoras_thumbnail.jpg

Um quarto das empresas do setor quer ampliar os quadros até setembro; montadoras abriram 300 vagas em julho

Márcia De Chiara e Cleide Silva – O Estado SP

A indústria parou de demitir e começa a contratar. Os resultados de junho de pesquisas, tanto de órgãos do governo como de entidades privadas, indicam que o emprego industrial ou tem uma pequena queda, ou dá sinais de recuperação em relação a meses anteriores.

Em julho, pela primeira vez em oito meses, o emprego na indústria automobilística cresceu: foram abertos 300 postos de trabalho, conforme será divulgado hoje pela Anfavea. Além disso, a partir do mês passado, foram anunciadas perto de 2 mil vagas nas montadoras.

Assim como na indústria automobilística, há contratações significativas nas siderúrgicas, nas fábricas de eletrodomésticos e até na indústria calçadista. Em razão da reversão no quadro, é consenso entre empresários, sindicalistas e economistas que a fase de demissões em massa ficou para trás. Com os estoques ajustados e o mercado doméstico aquecido, as indústrias se preparam para a temporada de contratações.

Quase um quarto (23,2%)das 1.115 indústrias consultadas pela Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da FGV em julho pretende ampliar as contratações até setembro, enquanto 15,3% delas planejam demitir.

Pela primeira vez desde outubro de 2008, a fatia de empresas que quer contratar supera a que planeja demitir. Em dezembro, no auge da crise, a situação era inversa: 32,5% planejavam cortes e 15,5%, contratações.

Também pela primeira vez desde outubro de 2008, o indicador de emprego previsto para os próximos três meses em julho superou a média desde 1995, aponta a FGV. No mês passado, esse indicador ficou em 107,9 pontos, ante a média histórica de 101,4 pontos e do resultado de junho (97,2). O indicador de emprego previsto é calculado a partir do saldo entre o porcentual de empresas que pretendem contratar e as que planejam demitir, somado 100 e descontada a sazonalidade.

Dos 14 gêneros pesquisados, 13 registraram crescimento no indicador de emprego previsto em julho ante junho, apesar de continuar abaixo do mesmo período de 2008. Só no setor químico não houve crescimento no indicador de emprego previsto. “A recuperação do emprego previsto em julho ante junho é quase generalizada”, afirma o coordenador técnico da pesquisa, Jorge Ferreira Braga.

A indústria de material de transporte, que inclui as montadoras, é a que teve maior recuperação no emprego previsto para três meses. A Valeo Iluminação, por exemplo, que fornece para grandes montadoras, contratou 70 trabalhadores entre maio e julho. Neste mês, 40 foram efetivados.

“Entre agosto e outubro, há perspectiva de mais 30 contratações”, conta o diretor de Recursos Humanos, Francisco Cuesta. Para ele, o cenário é claro até setembro. “O que preocupa é como vai ficar o mercado com a volta do IPI .”

10/08/2009 - 12:03h Tendência de demissão se reverte

Tanto o indicador do IBGE quanto o da FGV mostram que a indústria pretende contratar mais empregados

bandeira_emprego.gif

Márcia De Chiara – O Estado SP

Mais importante do que a intensidade da recuperação do emprego industrial que começa a se desenhar para os próximos meses é a reversão na tendência: de aumento nas demissões para ampliação nas contratações. Três indicadores de junho, dos quais dois apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além do indicador de emprego previsto para três meses para o emprego industrial da Fundação Getúlio Vargas (FGV), confirmam a mudança de rota.

Pela primeira vez desde novembro do ano passado, a população ocupada na indústria nas seis regiões metropolitanas do País cresceu 1,7% em relação ao mês anterior, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE. Foram criadas 58 mil vagas em junho. “Sem dúvida, é um primeiro sinal de recuperação”, afirma o gerente da PME do IBGE, Cimar Azeredo.

Apesar da reação em junho ante maio, ele pondera que a população ocupada na indústria caiu 4,2% no primeiro semestre, 5,2% de outubro de 2008 a junho deste ano e 5% em junho deste ano ante o mesmo mês de 2008. Para ele, o crescimento da ocupação no mês é importante porque a indústria, que responde por 16,4% da ocupação total, incluindo os demais setores, “dá o tom” do emprego.

Outra pesquisa, também do IBGE, que apura apenas o emprego industrial, porém em todas as regiões do País, revela que o emprego na indústria caiu 0,1% em junho ante maio. No mês anterior, o recuo havia sido maior, de 0,5% na comparação com abril. O resultado confirma, de certa forma, um arrefecimento no ritmo de queda.

Também revela que a mudança na trajetória do emprego industrial começou antes nas grandes cidades, já que o outro indicador do IBGE, que cresceu em junho ante maio, mede a ocupação industrial nas seis regiões metropolitanas.

O indicador de emprego dessazonalizado da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em queda mês a mês desde novembro do ano passado, está diminuindo o ritmo de contração. Entre dezembro e abril, a queda média mensal havia sido de 0,9%; em maio, o recuo foi de 0,4% e, em junho, o último mês disponível, a retração foi de apenas 0,2%. “É o oitavo recuo seguido, mas, nos últimos dois meses, a queda perdeu força”, afirma o economista da CNI Marcelo de Ávila.

Segundo o economista, a expectativa da CNI é de que o emprego industrial volte a crescer em algum momento neste semestre porque o ajuste mais forte nos estoques está terminando. Na opinião de Ávila, essa retomada do emprego em pouco mais de um semestre não indica que as demissões feitas pelas empresas foram precipitadas, quando a crise se acirrou a partir de setembro do ano passado. “É caro demitir”, argumenta.

SINDICATOS

Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, Miguel Torres, a fase mais aguda de cortes da mão de obra terminou. “Faz um mês que as indústrias pararam de demitir e só estão contratando.” Apesar de ainda não ter números consolidados, ele notou uma movimentação positiva, com contratações pulverizadas. “Há empresas contratando cinco, outras dez. É o reflexo da retomada.” O sindicato representa 260 mil metalúrgicos, distribuídos em 11 mil empresas.

17/07/2009 - 09:37h A boa e a má notícia. A mesma

VALOR

País já recuperou 50% dos postos de trabalho fechados durante a crise

Conjuntura: Entre janeiro e junho foram criadas 401 mil novas vagas com carteira assinada

Cibelle Bouças, de São Paulo – VALOR

O mercado formal de trabalho encerrou junho com recuperação de metade das vagas fechadas entre novembro e janeiro, quando foram cortados no país 797,5 mil postos com carteira assinada – a fase mais crítica para o mercado de trabalho a partir do agravamento da crise externa. No período de fevereiro a junho foram criados 401,3 mil novas vagas no país, garantindo a recuperação de 50,3% do total de postos fechados na virada de 2008 para 2009. Economistas preveem recuperação mais significativa do emprego no terceiro trimestre, período em que indústria e varejo iniciam os preparativos para o Natal. Mas ainda há dúvidas se essa melhora será suficiente para recompor as perdas remanescentes da crise.(leia a continuação no jornal VALOR)

FOLHA SP

País deixa de criar 1 milhão de vagas no ano

De janeiro a junho foram gerados 300 mil postos de trabalho formais, ante 1,36 milhão no mesmo período de 2008

Saldo é o mais baixo desde 1999; recuperação lenta na indústria, especialmente entre exportadoras, puxou o resultado para baixo

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O número de empregos criados no país no primeiro semestre deste ano ficou 1,06 milhão abaixo do que foi registrado no mesmo período do ano passado. Entre janeiro e junho, foram gerados 300 mil postos de trabalho com carteira assinada, ante 1,36 milhão nos primeiros seis meses de 2008. (Leia mais no caderno dinheiro do jornal Folha SP)

14/07/2009 - 09:26h Escaldando o sapo

krugman_paul.jpg

Paul Krugman, The New York Times * – O Estado SP

Será que os Estados Unidos estão a caminho de se tornar um sapo escaldado? Estou me referindo àquele sapo que, segundo o ditado, seria colocado num recipiente com água fria, a qual, gradualmente aquecida, acaba escaldando o sapo vivo, sem que ele perceba o perigo que corria.

Na verdade, os sapos reais saltam para fora do recipiente antes que isto aconteça – mas não importa. O hipotético sapo escaldado é uma metáfora útil para descrever um problema concreto: a dificuldade de responder aos desastres que se aproximam pouco a pouco. E desastres que se aproximam pouco a pouco são o que mais enfrentamos hoje em dia.

Comecei a pensar no sapo escaldado recentemente enquanto observava o estado deprimente do debate acerca das medidas econômicas e ambientais.

São duas áreas nas quais existe um lapso de tempo significativo entre a adoção das medidas e o impacto do efeito pretendido – um ano ou mais, no caso da economia, décadas no caso do planeta. Ainda assim, é muito difícil convencer as pessoas a fazer o necessário para evitar uma catástrofe anunciada.

No momento, tanto o sapo econômico quanto o sapo ambiental estão imóveis enquanto a água continua a esquentar.

Vamos começar com a economia: no fim do ano passado, a economia passava por uma crise aguda. E houve uma resposta relativamente forte sob a forma do plano de estímulo de Obama, mesmo que este plano não tenha sido tão forte quanto acreditamos que devesse ser.

No momento a crise aguda deu lugar a uma ameaça muito mais insidiosa. A maioria das previsões econômicas espera que o Produto Interno Bruto volte a crescer logo, caso isso ainda não esteja ocorrendo. Mas tudo indica que se trate de uma “recuperação sem empregos”: na média, analistas entrevistados pelo The Wall Street Journal acreditam que a taxa de desemprego vai continuar aumentando até o ano que vem.

Já é ruim o bastante ficar desempregado por algumas semanas; é muito pior ficar desempregado por meses ou anos. Mas é exatamente isso o que vai acontecer com milhões de americanos se a previsão média se confirmar – o que significa que muitos dos desempregados perderão poupanças, lares e mais.

Para evitar esse resultado – lembre-se, não são as Cassandras da economia que estão dizendo isso; a previsão é consenso entre os analistas – precisamos adotar uma nova rodada de estímulo. Mas nem Congresso nem a administração Obama estão se mostrando inclinados a agir. O sentido de urgência parece ter desaparecido.

É provável que isso mude quando a realidade da recuperação sem empregos se tornar aparente demais. Mas, então, será demasiado tarde para evitar um desastre em câmera lenta. Ainda assim, o problema do sapo escaldado da economia não se compara ao problema de mobilizar-se contra a mudança climática.

Consideremos o seguinte: se o consenso entre os especialistas na economia é desanimador, o consenso entre os especialistas no clima é simplesmente aterrador. A previsão central dos principais modelos climáticos é uma catástrofe.

Evitar essa catástrofe deveria ser o tema central debatido pelos governos da nossa época.Mas não é o que ocorre, porque a mudança climática é uma ameaça que se aproxima lentamente. A verdadeira dimensão da catástrofe só se tornará aparente daqui a décadas, talvez gerações. Na realidade, devem provavelmente faltar anos até a tendência ascendente nas temperaturas ser tão perceptível para os observadores casuais a ponto de calar os céticos.

Infelizmente, se esperarmos até a crise ficar tão óbvia para tomar as medidas necessárias, a catástrofe já terá se tornado inevitável.

E, apesar de uma grande legislação ambiental ter sido aprovada no Congresso, a qual representa uma conquista política impressionante e inspiradora, essa legislação ficou muito aquém daquilo que o planeta realmente necessita – apesar disso, a proposta enfrenta dificuldades para garantir sua aprovação no Senado.

O que faz dessa paralisia nas medidas tão alarmante é o fato de tão pouco estar ocorrendo quando a situação política parece, ao menos na superfície, tão favorável à ação.

Afinal, os adeptos da economia do lado da oferta e os céticos da mudança climática não controlam mais a Casa Branca nem as principais comissões do Senado. Os democratas contam com um presidente popular à sua liderança, uma grande maioria na Câmara dos Deputados, e 60 votos no Senado. Não se trata da antiga maioria democrata, composta pela estranha coalizão formada entre liberais do norte e conservadores do sul. Em termos históricos, trata-se de um bloco progressista relativamente sólido.

Para que não haja dúvidas, tanto o presidente quanto a liderança do partido no Congresso compreendem as questões econômicas e ambientais perfeitamente bem. Assim, se não conseguirmos agir agora para evitar o desastre, o que será necessário para mobilizar a todos? Não sei a resposta. E é por isso que fico pensando em sapos escaldados.

*Paul Krugman é prêmio Nobel de Economia

07/07/2009 - 08:59h A retomada econômica e os iates de luxo

http://www.boatbookings.com/temp/oasis-lurssen-1-main.jpg

Gilles Lapouge * – O Estado SP

Não se sabe se a retomada econômica é para hoje ou amanhã. Alguns políticos acham que ela se aproxima, mas os melhores especialistas da Europa, reunidos em Aix, jogaram um balde de água gelada nos otimistas: em um ano, o desemprego aumentou 40% nos países ricos. De 2007 a 2010, esses países terão 26 milhões de desempregados a mais. Como esperar uma retomada diante disso?

Mas o economista Olivier Jay destaca três “boas notícias”: os Estados Unidos, a China e o Brasil. Na sua opinião, os EUA já estão saindo do precipício, mas parece que ele é o único que pensa assim. As duas outras boas notícias são mais fundamentadas: a China resiste. “E o Brasil é a grande surpresa”, diz. “Sua economia se sustenta graças à combinação de um rigor orçamentário e uma política social-democrata de apoio à renda”.

Dentro de um mês, vai se realizar em Cannes a 32ª feira de iates de luxo. É um dos eventos mais seletos das fortunas mundiais. Luxo, esbanjamento, insolência e frivolidade se comprimem no cais de Cannes.

Mas será que os bilionários vão se precipitar a Cannes, como ocorre sempre? Chegou-se a temer que ela seria anulada, pois o mercado de barcos de luxo despencou de 50% para 60% em 2009.

Mas, após muita hesitação, o Salão vai ser aberto na data prevista. Só que, pela primeira vez, os bilionários se fazem de rogados. Houve duas hecatombes no círculo dessa gente riquíssima. Os primeiros a serem atingidos pela crise foram os russos e ucranianos. Portanto, nada de russos este ano. Há alguns anos eles eram os principais interessados, e competiam pela compra do barco mais incrível.

No lugar deles, os organizadores estão de olho nos italianos e nos franceses. O que prova a que ponto chegou o pessimismo. Claro que na França e na Itália, como na Rússia, nos Estados Unidos e no Brasil, existem fortunas fabulosas. Mas este ano, os ricaços estão se escondendo. E compreende-se: há seis meses os luxuosos patrões franceses estão despedindo muitos dos seus empregados, fechando ou transferindo suas fábricas, pedindo ajuda do Estado. Seria chocante se, ao mesmo tempo, fossem vistos na esplanada de Cannes comprando iates de marajás.

Acredita-se, assim, que o Salão será menos frenético. Certamente lá poderão ser vistos belíssimos iates. Mas no geral a principal atração do evento é o desfile de bilionários em visita a esses fabulosos barcos. Ocorre que neste ano eles estão receosos. Mesmo se comprarem um barco, o farão às escondidas. Estão discretos, tímidos. É o cúmulo! A organização do Salão em Cannes já preveniu oficialmente: “este ano será impossível vê-los. Eles chegarão de helicóptero ao ponto mais próximo do pontão. Visitarão o barco que pretendem comprar e em seguida partirão”. Talvez até alguns desses compradores se disfarcem de mendigos, para não serem linchados.

É o mundo ao reverso: quando alguém adquire um barco de 200 milhões, é para deixar claro que pertence ao “jet set” planetário. Mas que prazer terá em desembolsar esse dinheiro, se não vai conseguir provocar inveja nos amigos?

A crise pelo menos teve esse efeito estranho, mas talvez saudável: criou um novo modelo de bilionário: o bilionário recatado.

04/07/2009 - 10:46h EUA: números mostram que os anos 30 voltaram

krugman.jpgANÁLISE

PAUL KRUGMAN DO “NEW YORK TIMES” – FOLHA SP

Bem, os números sobre o emprego divulgados na quinta-feira confirmam: vamos precisar de um estímulo maior. Será que o presidente está informado? Façamos as contas. Desde que a recessão começou, a economia dos EUA perdeu 6,5 milhões de empregos, e essa queda continua em ritmo acelerado. Se considerarmos os cerca de 100 mil ou mais empregos novos necessários a cada mês para acompanhar o crescimento populacional, temos um déficit de cerca de 8,5 milhões de postos de trabalho.
Os números do emprego não foram a única má notícia do relatório da quinta-feira, que mostrou ainda estagnação de salários e a chance de um declínio aberto. Isso representa uma receita para deflação ao estilo japonês. Alguém se interessa por uma década perdida? Há mais notícias ruins: a crise fiscal dos Estados, por exemplo. Ao contrário do governo federal, os estaduais têm a obrigação de manter Orçamentos equilibrados. Diante da severa queda na arrecadação, muitos dos governos estaduais preparam cortes selvagens em seus Orçamentos, muitos dos quais prejudicarão as pessoas mais vulneráveis. Além de serem diretamente responsáveis por gerar muito sofrimento, esses cortes deprimirão a economia ainda mais.
O que temos de fazer para combater essa assustadora perspectiva? Temos o plano de estímulo de Obama, cujo objetivo é criar 3,5 milhões de empregos até o fim do ano que vem. Isso é bem melhor do que nada, mas nem de longe é o bastante. Você se lembra do plano do governo para reduzir o número de execuções de hipotecas ou do plano que estimularia os bancos a retomar seus empréstimos ao assumir os ativos tóxicos de seus balanços? Eu tampouco.
Tudo parece deprimentemente familiar para quem estudou a política econômica dos EUA nos anos 30. Uma vez mais um presidente democrata impôs a aprovação de políticas de criação de empregos que mitigarão a queda, mas não são agressivas o bastante para resultar em plena recuperação. Uma vez mais boa parte do estímulo em nível federal está sendo prejudicada pela reacomodação orçamentária nos Estados e nos municípios.
Será, portanto, que não aprendemos com a história e por isso estamos condenados a repeti-la? Não necessariamente cabe ao presidente e à sua equipe econômica garantir que desta vez as coisas sejam diferentes. O presidente Barack Obama e seus assessores precisam acelerar seus esforços, a começar de um plano que ampliaria as medidas de estímulo. Eu gostaria de deixar claro que estou ciente de o quanto seria difícil implementar um plano desse tipo.

Falta de cooperação
Não haverá nenhuma cooperação dos líderes republicanos, que decidiram por uma estratégia de completa oposição. Esses lideres reagiram ao anúncio dos mais recentes dados sobre o emprego proclamando o fracasso do plano econômico de Obama. Isso é ridículo. O governo avisou desde o começo que seriam necessários alguns trimestres para que o plano apresentasse efeitos positivos importantes. Mas isso não impediu o Comitê de Estudos Republicano de divulgar um comunicado cujo título perguntava: “Onde Estão os Empregos?”.
Não está claro, tampouco, que ajuda o governo receberá dos “centristas” do Senado, que mutilaram parcialmente o plano original de estímulo ao exigir cortes na assistência aos governos estaduais e locais. Um auxílio que, como estamos vendo agora, era necessário. Foi um choque desagradável ver economistas respeitados reciclando velhas falácias como a alegação de que qualquer aumento nos gastos do governo automaticamente desloca igual montante de gasto privado, mesmo que exista desemprego em massa -e emprestando seus nomes a alegações absurdamente exageradas quanto aos malefícios de déficits orçamentários de curto prazo (no momento, os riscos associados a elevar o endividamento público são muito inferiores aos ligados a não oferecer à economia o apoio requerido).
Além disso, a exemplo dos anos 30, os oponentes contam histórias assustadoras sobre o perigo de inflação, enquanto a deflação nos ronda. Assim, será difícil promover uma nova rodada de estímulo. Mas é uma tarefa essencial.
Os economistas do governo Obama compreendem o que está em jogo. Apenas algumas semanas atrás, Christina Romer, presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca, publicou um artigo sobre as “lições de 1937″ -o ano em que o presidente Franklin Roosevelt cedeu à pressão da linha-dura quanto à inflação e ao déficit, com consequências desastrosas para a economia. O que não sei é se o governo reconheceu que aquilo que fez até agora foi insuficiente.
Por isso, eis minha mensagem ao presidente: é preciso colocar tanto sua equipe econômica como seus assessores políticos em ação para promover novas medidas de estímulo, e já. Porque, se isso não acontecer, em breve o senhor estará enfrentando o seu 1937.

PAUL KRUGMAN, economista, é colunista do “New York Times” e professor na Universidade Princeton (EUA).

Tradução de PAULO MIGLIACCI

25/06/2009 - 17:13h Brasil deve crescer 4% no próximo ano, prevê OCDE

“As políticas fiscal e monetária implementadas pelo governo criaram condições domésticas favoráveis para a retomada do crescimento”

Retomada da expansão deverá começar já neste 2º semestre; para 2009, entidade estima que haverá retração de 0,8%

Ao constatar que os ricos já teriam superado a pior fase, estudo traça um cenário otimista das perspectivas do Brasil nos próximos meses

MARCELO NINIO – FOLHA SP

ENVIADO ESPECIAL A PARIS

A economia brasileira sofrerá contração de 0,8% em 2009, mas já deve retomar o crescimento no segundo semestre do ano e ter forte expansão em 2010, sustentada pela demanda doméstica e pela recuperação da atividade industrial.
As projeções fazem parte do relatório anual da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), divulgado ontem em Paris.
O estudo traça um cenário otimista das perspectivas econômicas do Brasil nos próximos meses, em meio à avaliação de que o pior da crise nos países ricos provavelmente está perto do fim.
Levando em conta a queda no PIB no primeiro trimestre, a OCDE reavaliou negativamente a previsão anterior sobre a economia brasileira, divulgada em março, de contração de 0,3% em 2009. Mas elevou a previsão de crescimento em 2010: de 3,8% para 4%.
“A produção industrial está se expandindo, especialmente no setor automotivo. A demanda interna tende a ganhar força no segundo semestre de 2009″, diz o estudo da entidade, da qual o Brasil não faz parte.
As condições para a concessão de crédito no país permanecem restritas, observa o relatório, mas começam a dar “sinais de melhora”. Os empréstimos de bancos a indivíduos já se aproximam dos níveis anteriores à crise e os custos do crédito estão caindo em relação ao pico registrado no fim de 2008.
Sobre a inflação, o estudo prevê índice de 4,2% para este e o próximo ano, pouco abaixo do centro da meta do governo, de 4,5%. “As pressões inflacionárias derivadas da significativa depreciação do câmbio ocorrida no segundo semestre de 2008 foram reduzidas pela desaceleração econômica.”

Políticas
Para o economista Luiz de Mello, responsável pela parte brasileira do estudo, as políticas fiscal e monetária implementadas pelo governo criaram condições domésticas favoráveis para a retomada do crescimento. Os principais riscos para o Brasil são externos, diz ele, sobretudo o aperto no crédito e a queda do comércio.
“A composição dos riscos é predominantemente de fontes externas, mas elas podem afetar a dinâmica interna, como a retomada das exportações de setores importantes, como a indústria automobilística e a agricultura”, disse ele.
Entretanto, Mello crê que a forte contração do comércio mundial -segundo a OCDE, deve chegar neste ano a 16%, a maior desde a Segunda Guerra- não terá necessariamente impacto significativo no Brasil.
A OCDE lembra que o BC cortou as taxas de juros em 4,5 pontos percentuais, de 13,75% para 9,25% ao ano, e afirma que há espaço para novas reduções. Para a entidade, o “relaxamento” da política fiscal, com a redução da meta de superávit primário para este ano, é recomendável, mas só como medida temporária.
Isenções de impostos pontuais, como as aplicadas sobre veículos, são alvo de críticas da organização.
“Não somos fãs de políticas seletivas”, disse à Folha o economista-chefe da OCDE, Jorgen Elmeskov, que, no entanto, reconhece o bom desempenho do governo em matéria fiscal. “No plano geral, o Brasil é um exemplo de país emergente que, graças a um comportamento virtuoso no passado, abriu espaço para alguma flexibilidade fiscal na situação atual”, afirmou.

12/06/2009 - 10:00h A meta de um milhão de empregos será alcançada, avalía Lupi

Indústria retoma crescimento em julho, prevê Lupi

Para o ministro, meta de um milhão de empregos será alcançada

http://epistemevirtual.files.wordpress.com/2009/05/primeiro-emprego.jpg

Jamil Chade – O Estado SP

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, afirmou ontem que o mercado de trabalho deve melhorar a partir do segundo semestre. “Já atravessamos o fundo do poço e superamos a pior fase”, garantiu Lupi, que está em Genebra para reuniões da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Na segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva será um dos principais convidados da conferência da OIT sobre emprego e insistirá que não está na hora de flexibilizar os direitos trabalhistas.

Ele acredita que o atual trimestre já registrará um aumento do PIB de cerca de 1%, recuperando a queda do primeiro trimestre. “No ano, teremos um crescimento do PIB de 2%”, afirmou Lupi. No primeiro trimestre, a queda foi de 0,8% e o País entrou em recessão técnica.

Lupi garante que essa recessão não terá vida longa. “A queda do PIB já foi menor do que se esperava”, disse. “Nesses meses antes o final do primeiro semestre já teremos uma expansão da economia e vamos recuperar a perda de 0,8% e ainda ter um pequeno salto.”

A volta do crescimento, porém, está relacionada ao trimestre anterior, que havia sido negativo. Em comparação ao mesmo período de 2008, a queda deve continuar.

SEGUNDO SEMESTRE

Um crescimento mais consistente, porém, viria apenas no segundo semestre, segundo Lupi. “A segunda parte do ano será o período da recuperação”, disse. Ontem, em um outro evento, o diretor da OIT, Juan Somavia, alertou ministros e embaixadores de vários países: “Não abram a champagne, pois a situação é ainda muito séria”.

Lupi aposta na redução acelerada da taxa de juros no restante de 2009. Nesta semana, o Banco Central cortou a taxa em 1%, fazendo com que o índice esteja pela primeira vez abaixo de 10% em 13 anos.

Lupi acredita que o BC não deverá mudar o rumo da política monetária. “A queda na taxa de juros vai ajudar muito e incentivar empresas a investir na produção”, disse.

Quanto à criação de empregos, Lupi insiste que o Brasil vai conseguir gerar 1 milhão de novos postos de trabalho no ano. Só em dezembro, 600 mil trabalhadores ficaram sem emprego no País.

“O Brasil já entrou na fase de crescimento contínuo de geração de empregos”, disse o ministro. Somos o único país do G-20, salvo a China, que está criando postos de trabalho na recessão”, afirmou.

NOVOS NÚMEROS

Para o ministro, maio registrará uma nova alta na geração de empregos, superando os números de abril. “Mais de 106 mil postos de trabalho serão criados em maio”, garantiu.

“A indústria, que era o setor que mais demitia, já registrou em abril um equilíbrio entre demissões e contratações”, disse.

Lupi admite que vários setores levarão alguns meses para se recuperar . “Setores como o de máquinas agrícolas ainda estão registrando dados que são muito fracos. No setor da siderurgia, a recuperação ainda pode demorar também”, alertou. “O bom momento para a indústria virá a partir de julho.”

No setor automotivo, nem a isenção do IPI acabou com as demissões. “A dependência externa dificulta mais alguns setores”. Ele não acha necessário ampliar o seguro desemprego. Até agora, 300 mil pessoas foram beneficiadas com o prazo maior do seguro.

03/06/2009 - 15:08h Adeus, GM

http://www.aim.org/wls/wp-content/themes/wls/photos/michaelmoore.jpg
Michael Moore

Michael Moore *, GLOBAL VIEW POINT – O Estado SP

Escrevi isso na manhã do fim da antes poderosa General Motors. Por volta do meio-dia, o presidente dos Estados Unidos tornaria oficial: a GM, tal como a conhecemos, teve perda total.

Enquanto estou aqui sentado no berço da GM, em Flint, Estado de Michigan, estou cercado de amigos e famílias cheios de ansiedade pelo que acontecerá com eles e com sua cidade. Quarenta por cento das casas e negócios da cidade foram abandonados. Imaginem como seria viver numa cidade em que quase metade das casas está vazia. Qual seria seu estado de espírito? É uma triste ironia que a companhia que inventou a “obsolescência planejada” – a decisão de construir carros que se desmantelariam após alguns anos para que o consumidor tivesse de comprar um novo – agora se tornou obsoleta.

Ela se recusou a fabricar automóveis que o público queria, carros mais econômicos, que fossem tão seguros quando poderiam, e fossem expressivamente confortáveis de dirigir. Oh… e que não começariam a se desmanchar depois de dois anos. A GM teimosamente combateu regulamentos ambientais de segurança. Seus executivos arrogantemente ignoraram os carros japoneses e alemães “inferiores”, carros que se tornariam o padrão ouro para compradores de automóveis. E ela foi determinada em punir sua força de trabalho sindicalizada, cortando milhares de empregos por nenhuma boa razão além de “melhorar” os resultados financeiros de curto prazo da corporação.

A partir dos anos 80, quando a GM registrou lucros recordes, ela deslocou incontáveis empregos para o México e outros lugares, destruindo assim as vidas de dezenas de milhares de americanos que trabalhavam duro. A flagrante estupidez dessa política foi que, quando eles eliminaram a renda de tantas famílias de classe média, quem vocês acham que seria capaz de comprar seus carros? A história registrará essa trapalhada da mesma maneira como escreve hoje sobre a construção francesa da Linha Maginot ou de como os romanos envenenaram inadvertidamente seu próprio sistema de água com chumbo letal em seus canos.

Então, aqui estamos ao pé do leito de morte da GM. O corpo da companhia ainda não esfriou, e eu me vejo cheio de – ousaria dizê-lo – alegria. Não é a alegria da vingança contra uma corporação que arruinou minha cidade natal e trouxe miséria, divórcio, alcoolismo, sem-teto, debilitação física e mental, e vício em drogas para as pessoas com as quais cresci. Eu não tenho, obviamente, nenhuma alegria em saber que mais 21 mil trabalhadores da GM serão informados de que também eles estão sem trabalho.

Mas os Estados Unidos agora possuem uma empresa automobilística! Eu sei, eu sei… quem, na terra, quer gerir uma montadora de carros? Quem de nós quer 50 bilhões de nossos dólares atirados no buraco sem fundo para tentar ainda salvar a GM? Salvar a nossa preciosa infraestrutura industrial, porém, é outra questão e deve ser uma alta prioridade. Se permitirmos o fechamento e desmantelamento de nossas plantas automotivas, nós dolorosamente desejaremos ainda as possuir quando percebermos que essas fábricas poderiam ter construído os sistemas de energia alternativa de que hoje desesperadamente precisamos. E quando percebermos que a melhor maneira de nos fazer transportar é em trens-bala e de superfície e ônibus mais limpos, como faremos isso se tivermos permitido que nossa capacidade industrial e sua força de trabalho especializada desapareçam?

Tal como fez o presidente Roosevelt após o ataque a Pearl Harbor, o presidente Obama precisa dizer à nação que estamos em guerra e precisamos imediatamente converter nossas fábricas de automóveis em fábricas que produzam veículos de transporte de massa e dispositivos de energia alternativa. Em poucos meses de 1942, em Flint, a GM paralisou toda a produção de carros e usou imediatamente as linhas de montagem para construir aviões, tanques e metralhadoras. A conversão não tomou nenhum tempo. Todos se empenharam. Os fascistas foram destruídos.

Estamos agora num tipo diferente de guerra – uma guerra que foi conduzida contra os ecossistemas e foi movida por nossos líderes corporativos. Essa guerra atual tem duas frentes. Uma tem seu quartel-general em Detroit. Os produtos construídos nas fábricas de GM, Ford e Chrysler estão entre as maiores armas de destruição em massa responsáveis pelo aquecimento global e o derretimento de nossas calotas polares. As coisas a que chamamos “carros” podiam ser divertidas de guiar, mas são como um milhão de adagas no coração da mãe natureza”.

Persistir na sua fabricação só levará à ruína de nossa espécie e de boa parte do planeta.

A outra frente nessa guerra está sendo travada pelas companhias de petróleo contra você e eu. Elas estão empenhadas em nos depenar sempre que puderem, e têm sido as gerentes implacáveis da quantidade finita de petróleo que está localizado sob a superfície da terra. Elas sabem que o estão sugando até o bagaço. E como os magnatas da madeira no início do século 20, que não davam a mínima para futuras gerações quando derrubaram as florestas, esses barões do petróleo não estão dizendo ao público o que eles sabem que é verdade – que existem apenas algumas poucas décadas de petróleo aproveitável. E à medida que os últimos dias do petróleo se aproximam, nos preparar para algumas pessoas muito desesperadas dispostas a matar e ser mortas apenas para pôr as mãos num galão de gasolina.

Há 100 anos, os fundadores da GM convenceram o mundo a desistir de seus cavalos, selas e carruagens para tentar uma nova forma de transporte. Agora chegou a hora de nós dizermos adeus ao motor de combustão interna. Ele pareceu nos servir tão bem por tanto tempo. Nós gostávamos de fazer malabarismos com os carros, tanto sentados no banco da frente como no de trás. Assistíamos filmes em grandes telas ao ar livre, íamos as corridas da Nascar por todo o país. E víamos o Oceano Pacífico pela primeira vez através da janela na Highway 1. E agora isso acabou. Este é um novo dia e um novo século.

*Michael Moore é o cineasta americano de Roger and Me sobre a indústria automotiva americana e Fahrenheit 9/11 sobre a guerra do Iraque. Este artigo foi escrito para o Huffington Post.

21/05/2009 - 11:00h O desemprego diminui

Mercado de trabalho

Taxa de desemprego surpreende e tem leve recuo para 8,9% em abril

 

O Globo

RIO – A taxa de desemprego no Brasil chegou a 8,9% da população economicamente ativa (PEA) em abril, praticamente estável ante a taxa de 9% registrada no mês de março , o maior nível desde 2007, segundo informou nesta quinta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O desempenho de abril interrompe um período de três meses consecutivos de alta no desemprego no país. Na comparação com o ano passado, no entanto, a taxa de desemprego avançou 0,4 ponto percentual diante da taxa de 8,5% de abril de 2008.

O desempenho surpreendeu, já que a expectativa era de uma alta na taxa de desemprego. Vinte e seis analistas ouvidos pela Reuters esperavam taxa de 9,3% em abril, com os prognósticos variando de 9% a 9,8%. Segundo o IBGE, a taxa ficou “praticamente estável” entre os meses de março e abril.



De acordo com a Pesquisa Mensal do Emprego (PME), realizada em seis regiões metropolitanas do país, o número de trabalhadores desempregados no país era de 2,046 milhões no mês passado, pouco abaixo dos 2,082 milhões registrados no mês anterior. Março foi o primeiro mês em que o contingente de desempregados ultrapassou a marca de dois milhões em 18 meses.

O contingente de ocupados também não variou de forma significativa de março para abril: passou de 20,953 milhões para 20,913 milhões. Segundo a pesquisa, a distribuição da ocupação também permanece a mesma: 45% da população ocupada é de trabalhadores com carteira assinada, 12,5% de empregados sem carteira assinada do setor privado, 7,6% de militares e funcionários públicos e 18,6% de trabalhadores por conta própria.

No início desde semana, dados do Cadastro Geral de Emprego (Caged) do Ministério do Trabalho, mostraram que o Brasil criou 106 mil vagas de trabalho formal no mês de abril.

Segundo a PME, o rendimento médio real dos trabalhadores (descontada a inflação) em abril foi de R$ 1.318,40 em abril, queda de 0,7% ante o mês anterior e alta de 3,2% na comparação com igual período do ano passado. Já a massa de rendimento real habitual dos ocupados (R$ 27,9 bilhões) caiu 0,7% na comparação com março, mas cresceu 3,7% em relação a abril de 2008.

Entre março e abril, a taxa de desemprego cresceu em Salvador (11,9% para 12,4%), Recife (10,4% para 10,6%), e Belo Horizonte (6,6% para 6,8%). No Rio de Janeiro, a taxa passou de 6,9% para 6,8% e em São Paulo foi de 10,5% para 10,2%. Em Porto Alegre a leitura registrado ficou em 6,2% em abril contra os 6,4% de um mês antes.

Leia mais: Governo anuncia ampliação das parcelas do seguro-desemprego para mais 143 mil trabalhadores

19/05/2009 - 14:44h Meirelles vê retorno da taxa de desemprego aos níveis de 2007

http://www.revistaportuaria.com.br/arquivos/noticia_12253705744909abce238a5.jpg

CIRILO JUNIOR da Folha Online, no Rio

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, projetou nesta terça-feira que o nível de desemprego retornará ao patamar observado em 2007. Para Meirelles, o dado é preocupante, mas em comparação com outros países o desempenho do Brasil será superior.

“A previsão do desemprego no segundo semestre vai levar a uma trajetória, a partir do meio do ano, comparável a 2007. É preocupante e estamos retrocedendo dois anos, mas não devemos esquecer que existem países que estão com níveis de desemprego comparáveis à década de 40 ou 60. E que 2007, naquela época, era um nível mais baixo [naquela época]“, disse ele.

A taxa de desemprego atingiu 9% em março, segundo levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), acima dos 8,6% registrados em março do passado. Em março de 2007, a taxa de desemprego havia sido de 10,2%, a mais baixa da década para esse mês até aquele ano.

Meirelles destacou que dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados ontem indicam a recuperação, na margem, da criação de empregos formais em relação ao período mais agudo da crise mundial. Analistas consideram que a crise dos créditos “subprimes” ganhou nova dinâmica, a partir do dia 15 de setembro, com a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers.

A economia brasileira registrou a criação de 106.205 vagas com carteira assinada em abril. Trata-se do melhor resultado desde setembro do ano passado. Por conta do saldo de abril, no acumulado do quadrimestre o resultado está positivo em 48.454 vagas.

Ele reafirmou que o Brasil já apresenta um quadro de recuperação mas que ainda “há muito trabalho a frente”. “Temos que trabalhar duro. Não dá para ser leniente e ter excesso de otimismo”, afirmou, durante intervenção no 21º Forum Nacional, na sede do BNDES.

18/05/2009 - 08:41h Corte de IPI reanima mercado de trabalho

Acordo de redução de jornada e salário é suspenso antes do prazo

 

http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2008/12/174_86-montadora.jpg

Márcia De Chiara – O Estado SP

 


Cerca de 20% dos acordos de redução de jornada e salário fechados no início do ano entre empresas e sindicatos para evitar demissões foram suspensos antes do fim do prazo de vigência previsto, apontam dados dos sindicatos dos metalúrgicos de São Paulo e do ABC paulista. A área de atuação dos dois sindicatos concentra o maior número de montadoras e fabricantes de autopeças do País, setor que foi beneficiado pela isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para estimular o consumo.

Dos 27 acordos fechados entre o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e empresas desde janeiro, seis foram revogados antes do prazo estipulado. No caso do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, dos 44 acordos fechados, nove foram suspensos antecipadamente, informa a entidade.

A Valeo Sistemas Automotivos, por exemplo, fabricante de faróis e lanternas para a indústria automobilística, suspendeu em abril o acordo que deveria expirar só em maio. “Sentimos uma recuperação do mercado, que está voltando à condição normal”, diz o diretor de Recursos Humanos da Valeo Iluminação, Francisco Cuesta. Ele lembra que a empresa foi a primeira a fechar um acerto nesses termos na capital paulista.

Pelo acordo fechado em janeiro, os 800 trabalhadores da empresa teriam a jornada e o salário reduzidos em 15% até maio. Sem o acordo, a empresa teria demitido 200 funcionários. Mas, já em abril, a companhia voltou a trabalhar em ritmo normal.

Segundo Cuesta, o corte no IPI para os carros foi o fator fundamental para reanimar as vendas. “Queremos acreditar que a redução de IPI vá até o final do ano.”

Já o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Miguel Torres, não acredita que o benefício fiscal seja prorrogado. “O mercado está se movimentando e a fase do pânico foi superada”, diz o sindicalista.

Na opinião de Torres, muitas empresas do setor metalúrgico se assustaram com a queda nas vendas no fim de 2008 e fizeram acordos preventivos em janeiro. Agora a situação está voltando ao ritmo normal no setor automobilístico. O problema hoje, diz ele, está no setor de bens de capital, que tem 40% de ociosidade nas fábricas e registra queda de 50% nas vendas. “A questão agora é acertar esse setor.”

Sérgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, acrescenta mais dois setores problemáticos: o de caminhões e de ônibus, que são produtos ligados à exportação. Assim como Torres, Nobre não acredita na prorrogação do prazo para o benefício do IPI. “O IPI cumpriu um papel importante na recuperação do mercado interno.”

Para ele, a retirada do benefício para os carros, que expira em junho, deveria ser gradual para não provocar uma brusca elevação nos preços e o travamento no mercado de automóveis.

14/05/2009 - 16:01h Desemprego equivalente à pobreza?

Marcio Pochmann – VALOR

Em toda sociedade em que não há democratização plena da propriedade, a possibilidade de auferir renda para sobrevivência tende a limitar-se ao mero funcionamento do mercado de trabalho, sobretudo quando não complementado por políticas de proteção social.

O acesso às rendas do trabalho não se restringe necessariamente à quantidade e qualidade dos trabalhadores, uma vez que depende fundamentalmente do ritmo de expansão, dimensão e diversidade da estrutura produtiva que realmente define a demanda e o perfil da força de trabalho. Geralmente, o mercado de trabalho não termina expressando a efetiva competição entre a oferta de mão-de-obra, pois prevalecem distintos segmentos de trabalhadores constituídos pelas cadeias de produção de bens e serviços.

Nas classes sociais de maior poder aquisitivo, por exemplo, a existência do financiamento familiar para a educação por maior tempo permite a postergação do ingresso no mercado de trabalho, compatível com a captura das melhores ocupações e mais altas remunerações. Na ausência do financiamento público para o acesso à educação, os filhos das famílias pobres não dispõem de alternativas que não sejam o trabalho precoce, geralmente condicionado pela ocupação precária e reduzida remuneração.

Em função disso, o mercado de trabalho transforma-se no produtor da pobreza e reprodutor das desigualdades entre ricos e pobres. Ao invés de estudantes que trabalham, difundem-se trabalhadores que buscam frequentar a escola com um conjunto de atividades diárias somente comparáveis às jornadas de trabalho do Século XIX, com oito horas de trabalho, quatro horas na escola e mais o tempo necessário de deslocamento entre casa, trabalho e escola. Na circunstância do desemprego, a pobreza se manifesta e a escola termina sendo abandonada.

Sem a garantia de renda básica para todos, seja pelo pleno emprego, seja pelas políticas de proteção social, a pobreza e a desigualdade encontram limites claros para a sua necessária redução. O desempenho econômico pode melhorar, ainda que a determinação da pobreza e desigualdade permaneçam circunscritas à existência ou não de emprego ou garantia de renda básica a todos. No Brasil metropolitano contata-se que dois a cada três desempregados são pobres, indicando a quase equivalência entre desemprego e pobreza. Quando não há garantia de emprego a todos que precisam do mercado de trabalho para auferir renda à sobrevivência, somente o financiamento público pode romper com a igualdade entre desemprego e pobreza.

Isso, de alguma forma, parece ser possível de se verificar na dinâmica do mercado de trabalho no período recente. No mês de março de 2009, por exemplo, menos de 54% do total dos desempregados das regiões metropolitanas podiam ser considerados pobres, enquanto em março de 2002 eram mais de 66% nesta condição. A queda de 18,8% na taxa de pobreza entre os desempregados pode indicar o efeito conjunto do avanço das políticas de proteção social, como o Bolsa Família, elevação do salário mínimo e demais medidas de atenção social.

De certa forma, as mudanças mais importantes começam a aparecer a partir de 2005. Entre janeiro de 2005 e março de 2009, por exemplo, a taxa de pobreza entre os desempregados caiu 16,3%, enquanto o contingente de desempregados diminuiu somente 5,5%. Mesmo com a contaminação do Brasil pela crise internacional não houve modificação clara na taxa de pobreza entre os desempregados. De outubro de 2008 a março de 2009, a taxa de pobreza entre os desempregados caiu 2,5%, enquanto o número de desempregados aumentou 16,5%.

Ademais do colchão protetor da base da pirâmide social, pode também estar em curso uma modificação importante na composição do desemprego. Noutras palavras, o desemprego pode estar se manifestando mais acentuadamente no interior da população não-pobre. Mas as diferenças no Brasil ainda são abissais. Entre a população pobre, por exemplo, a taxa de desemprego nas regiões metropolitanas chega a 24,8%, ao passo que para a população não pobre a taxa de desemprego alcança somente 5,2%. De outubro de 2008 a março de 2009, a taxa de desemprego entre a população pobre aumentou 18,5%. Para a população não-pobre, a taxa de desemprego cresceu 24,8%. Nos próximos meses, o avanço do desemprego poderá permitir uma melhor avaliação a respeito da mudança do perfil do trabalhador sem emprego, bem como a efetividade das políticas de proteção social. Pelo menos até o momento, a base da pirâmide social não tem sido a mais atingida negativamente pela contaminação da economia brasileira pela crise internacional.

Ademais dos esforços em defesa da produção e do emprego, necessárias para o enfrentamento das dificuldades atuais, o Brasil precisaria refletir melhor sobre as políticas de proteção social. Neste cenário de crise, uma reformulação das ações, próprias da construção do sistema público de emprego e avanço no desenvolvimento de políticas de garantia de emprego e renda, poderia contribuir ainda mais para o rompimento da quase igualdade existente no país entre desemprego e pobreza.

Marcio Pochmann é presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e professor licenciado do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas. Escreve mensalmente às quintas-feiras.