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	<title>Blog do Favre &#187; desenvolvimento</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Crescimento do NE precisa ir além da alta do consumo</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/10/crescimento-do-ne-precisa-ir-alem-da-alta-do-consumo/</link>
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		<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 16:32:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Conjuntura: Evento do Centro Celso Furtado debate modelo para região
Leo Pinheiro/Valor

 Jair do Amaral Filho, da Universidade Federal do Ceará: &#8220;Estamos crescendo, e isso é ótimo. Mas ninguém discute como esse crescimento está acontecendo&#8221;


João Villaverde, do Recife &#8211; VALOR
A retomada do crescimento econômico brasileiro, que já aponta elevação de 5% do PIB em 2010, tem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Conjuntura: Evento do Centro Celso Furtado debate modelo para região</strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: xx-small;"><em>Leo Pinheiro/Valor<br />
</em></span><img src="http://www.valoronline.com.br/imagens/impresso/ed_0002366/imagens/foto19bra-jasir-a6.jpg" border="0" alt="Foto Destaque" /><br />
<span style="font-size: xx-small;"><em> Jair do Amaral Filho, da Universidade Federal do Ceará: &#8220;Estamos crescendo, e isso é ótimo. Mas ninguém discute como esse crescimento está acontecendo&#8221;</em></span></p>
<p><em><br />
</em></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">João Villaverde, do Recife &#8211; VALOR</span></h2>
<p>A retomada do crescimento econômico brasileiro, que já aponta elevação de 5% do PIB em 2010, tem sido sustentada pelo mercado interno. Para isso, programas de transferência de renda e elevação do emprego nos segmentos ligados ao setor de serviços foram decisivos para contrabalançar a retração da indústria, que sofreu com o corte do crédito e o fechamento do mercado externo. O modelo de crescimento do Brasil pós-crise pode ser simbolizado pelo Nordeste, o maior beneficiado pelas transferências sociais de renda e o principal impulsionador do comércio varejista.</p>
<p>Nos primeiros sete meses do ano, as vendas do varejo na região aumentaram 5,6% sobre o mesmo período do ano passado, e um ponto percentual acima do crescimento verificado pelo setor no país. O setor industrial, mais concentrado na produção de alimentos e bebidas, sofreu menos no Nordeste que no resto do país. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), alimentos e bebidas representam cerca de 25% da produção industrial na região. Assim, o crescimento do consumo contribui para que a queda no setor seja menor. Dados de setembro do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho, dão conta que quase 40% dos empregos formais gerados no último mês do terceiro trimestre ocorreram no Nordeste &#8211; ao todo, 100,4 mil postos. No entanto, este modelo de crescimento não é o ideal, avaliam economistas e cientistas sociais que participaram do seminário Desenvolvimento Regional do Nordeste, realizado em Recife pelo Centro Celso Furtado, na semana passada.</p>
<p>&#8220;Estamos crescendo, e isso é ótimo. Mas ninguém discute como esse crescimento está acontecendo&#8221;, afirma Jair Amaral Filho, economista da Universidade Federal do Ceará (UFCE). Os setores que mais empregam na região, segundo Amaral, são comércio varejista e administração pública, além da indústria produtora de alimentos e bebidas. Segundo dados do Caged, metade dos postos criados no setor industrial em setembro no país atendeu o setor de produtos alimentícios e bebidas (62,7 mil), tendo os Estados nordestinos à frente.</p>
<p>Boa parte da renda que tem sustentado o crescimento constante do setor de serviços na economia é oriunda de transferências promovidas pela União. Os Estados e municípios do Nordeste receberam no ano passado quase US$ 40 bilhões por meio de transferências orçamentárias como Cide, Fundeb, Fundo de Participação dos Estados (FPE) e Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Neste ano, com a desaceleração econômica, que achatou as receitas, e políticas de isenções fiscais, como a redução do IPI para montadoras e para eletrodomésticos da linha branca, as transferências orçamentárias serão menores. Mas este efeito, dizem os analistas, será compensado pela elevação do salário mínimo &#8211; que também corrige dois terços dos benefícios previdenciários &#8211; e programas sociais como Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BCP).</p>
<p>Segundo Amaral, fatores antes criticados na região, hoje são apontados como contribuidores do crescimento mais acelerado. &#8220;O Nordeste estava se beneficiando pouco das altas nas commodities antes da crise, além da menor importância da indústria exportadora em comparação a outras regiões&#8221;, afirma. Além disso, o corte nas alíquotas do IPI beneficiou o comércio atacadista e varejista.</p>
<p>O maior receio entre os acadêmicos da região é que se consolide entre as empresas e o governo federal o modelo de crescimento atual, que vê os Estados do Sul e Sudeste com uma política de desenvolvimento industrial e o Nordeste com uma política de consumo de massas. Para Amaral, a política promovida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de fortalecer empresas nacionais por meio de empréstimos para fusões e aquisições &#8211; política de &#8220;campeãs nacionais&#8221; segundo o banco &#8211; poderia incluir empresas da região, e não apenas as sediadas em Estados do Sudeste.</p>
<p>Segundo o chefe do departamento regional do BNDES para o Nordeste, Paulo Ferraz Guimarães, não se trata de uma questão de &#8220;exclusão regional&#8221;, mas de distribuição estrutural da indústria, historicamente concentrada no Sudeste. &#8220;Estamos interessados no desenvolvimento, não há regionalização do financiamento&#8221;, afirma.</p>
<p>De janeiro a agosto deste ano, o BNDES liberou R$ 15,3 bilhões para companhias nordestinas. Segundo Guimarães, esse valor deve alcançar R$ 18 bilhões até o fim do ano. Há maior número de operações também &#8211; 20.300 mil, o equivalente a 91% mais que no mesmo período de 2008. &#8220;Talvez a participação do BNDES na região nunca tenha sido tão boa&#8221;, diz. Estaleiros portuários em Suape (PE) e Pecém (CE) e projetos federais como a rodovia Transnordestina &#8211; que deve integrar sete Estados do Nordeste &#8211; apontam a direção do que o banco pretende fazer na região.</p>
<p>&#8220;O setor de serviços, o maior empregador, é o que necessita de trabalhadores menos instruídos e o que paga os salários mais baixos&#8221;, afirma Lena Lavinas, economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mesmo diante dos avanços na diminuição da pobreza e da miséria nos últimos anos, o Nordeste continua com os piores indicadores sociais. Segundo Lavinas, o Nordeste apresenta os índices mais elevados de indigentes &#8211; 16 milhões de pessoas &#8211; e de pobres que vivem apenas com renda do trabalho &#8211; 48,8%. &#8220;Não é possível sustentar uma família de quatro pessoas com um salário mínimo, por mais que ele tenha se recuperado nos últimos anos&#8221;, afirma a economista.</p>
<p>Para Lavinas, as transferências de renda devem ser ampliadas a fim de garantir eficiência total, uma vez que mesmo sendo o maior receptor dos programas sociais, 42,7% dos moradores pobres do Nordeste ainda não recebem o Bolsa Família. Segundo Tania Bacelar, economista da UFPE, mais de um terço dos que vivem em regiões rurais da região são analfabetos. &#8220;O problema é sério também nas capitais. Metade dos moradores do Recife estão vivendo em favelas&#8221;, afirma. Para a economista, após a dissipação das turbulências financeiras mundiais, a retomada econômica brasileira permite uma &#8220;rediscussão&#8221; quanto ao modelo de crescimento. &#8220;A questão a partir deste último trimestre não é mais sobre o crescimento, já recuperado, mas a maneira como ocorrerá o desenvolvimento, que deve diminuir as desigualdades regionais&#8221;.</p>
<p><strong><br />
<span style="font-size: x-large;">Efeitos do Bolsa Família dividem acadêmicos</span></strong></p>
<p>Numa região em que os níveis de mortalidade infantil ainda são os mais elevados do Brasil &#8211; 34,4% do total &#8211; e com produção industrial pouco diversificada, programas de transferência de renda como o Bolsa Família são uma forma de monetizar comunidades carentes, gerando demanda por bens de consumo. Segundo o Ministério de Desenvolvimento Social, 50,07% dos beneficiários do Bolsa Família vivem no Nordeste. &#8220;O programa é importantíssimo para garantir que um mínimo de dinheiro alcance municípios pobres do interior, onde, historicamente, a circulação de moeda é rara&#8221;, afirma Marcos Costa Lima, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Para ele, o Bolsa Família é crucial para entender a melhora econômica da região, uma vez que, ao proporcionar meio de troca a comunidades carentes, promove o incremento da produção de itens básicos, como alimentos e vestuário, que sentem o fortalecimento do mercado interno na região.</p>
<p>Francisco de Oliveira, sociólogo da Universidade de São Paulo (USP), critica o modelo de desenvolvimento baseado no varejo, mas, diferentemente dos outros analistas, não acredita que programas sociais possam elevar o comércio. &#8220;O Bolsa Família aumenta a compra do quê? De arroz, feijão e farinha? Ele é importante, mas não garante comércio de massas&#8221;, avalia. Para Oliveira, o programa é importante por aliviar a miséria, mas não transcende o assistencialismo, ficando restrito à transferência de dinheiro.</p>
<p>Segundo Amélia Cohn, socióloga da USP que pertenceu à equipe do Ministério de Desenvolvimento Social no começo do Bolsa Família, é preciso avaliar o impacto do programa na renda familiar. &#8220;Em várias regiões do Nordeste o valor mensal do programa é maior do que o que uma família pobre ganha em 12 meses. Isso impulsiona o comércio na região, que estava natimorto&#8221;, diz.</p>
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		<title>Projeto Interminável, bis</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Apr 2009 14:24:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O jornal O Estado SP publicou ontem um excelente editorial, com o título &#8220;Projeto interminável&#8221; mostrando como a revitalização do Centro ficou paralisada durante mais de 4 anos, em razão exclusivamente da vontade política dos demo-tucanos ciosos de apagar o trabalho feito por Marta Suplicy (ver o editorial aqui).
Muito me temo que o jornal deverá [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O jornal <strong>O Estado SP</strong> publicou ontem um excelente editorial, com o título <em>&#8220;Projeto interminável&#8221;</em> mostrando como a revitalização do Centro ficou paralisada durante mais de 4 anos, em razão exclusivamente da vontade política dos demo-tucanos ciosos de apagar o trabalho feito por Marta Suplicy <strong>(ver o editorial <a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/04/um-editorial-do-estadao-que-desnuda-a-gestao-serra-kassab/">aqui</a>)</strong>.</p>
<p>Muito me temo que o jornal deverá escrever um outro editorial, do mesmo teor e quase com as mesmas palavras em relação a Zona Leste.</p>
<p>Como bem diz o <strong>Jornal da Tarde</strong> de hoje, &#8220;Pela segunda vez em cinco anos, a Prefeitura irá lançar um programa de incentivos fiscais para atrair investimentos.&#8221;</p>
<p>Da mesma maneira que em relação ao Centro, a &#8220;gestão&#8221; Serra-Kassab parou o programa de desenvolvimento da Zona Leste iniciado pela administração de Marta Suplicy, perdendo mais de 4 anos por pura politicagem.</p>
<p>É bom lembrar que já em 2007, dois anos atrás, Kassab tinha anunciado um programa igual ao da Marta. Agora, dois anos mais tarde, a mesma proposta que não saiu do papel durante todo o primeiro mandato dos demo-tucanos, é apresentada como novidade. Em outubro de 2007 o jornal DCI tinha avaliado o &#8220;plano&#8221; da &#8220;gestão&#8221; de Kassab sobre a Zona Leste, assim:</p>
<div class="entry"><a href="http://bp3.blogger.com/_zOAxGMzhbJ4/RyH3Vz_17mI/AAAAAAAABO0/wZU3cHGY3rA/s1600-h/Zona_leste_DCI.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"><img src="http://bp3.blogger.com/_zOAxGMzhbJ4/RyH3Vz_17mI/AAAAAAAABO0/wZU3cHGY3rA/s400/Zona_leste_DCI.jpg" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5125649805031632482" width="324" border="0" height="397" /></a></p>
<p style="text-align: center"><span style="font-weight: bold">Clique na imagem para ampliar e ler</span></p>
</div>
<p>Vale a pena repetir: o programa de desenvolvimento da Zona Leste, de Marta Suplicy, foi implementado durante dois anos, em 2003 e 2004. Ficou abandonado em 2005, 2006 e 2007. Ressuscitado para fins mediáticos em 2007 (é uma caraterística da &#8220;gestão&#8221; demo-tucana, a propaganda), ficou engavetado em 2008 e hoje é novamente &#8220;vendido&#8221; como novidade.</p>
<p>O programa, lançado em meados de 2003 por Marta Suplicy era composto pelas seguintes intervenções:</p>
<p>1) No plano da infra-estrutura a extensão da Av. Jacu Pêssego até Guarulhos ao norte e até Mauá ao Sul, cortando as Rodovias Dutra, Airton Senna e conectando-as ao centro de Itaquera e ao Rodoanel Sul em Mauá. B) a extensão da Av. Radial Leste até Guaianases. Uma ligação entre o extremo leste e o centro por um lado e entre o Guarulhos e o ABC por outro, aproximando pelo Rodoanel Sul o Porto de Santos ao Aeroporto de Cumbica traria condições básicas de infra-estrutra para o fortalecimento da economia da Zona Leste e de todo o ABC e Alto Tietê.</p>
<p>2) A criação de uma rede de ensino profissional e superior pública na região da Prefeitura com unidades na Cidade Tiradentes(saúde pública); Itaquera(Administração de Empresas e Administração Pública) e São Miguel(Engenharia).</p>
<p>3) O estímulo ao investimento privado na região autorizados por um programa de incentivos fiscais e uma lei de operação urbana ao longo da Av. Jacu Pêssego que privilegiasse a instalação de nova atividade econômica e ampliação da já existente.</p>
<p>Estas ações se objetivaram durante o governo Marta no início das obras de extensão da Jacu e obras complementares, com a inauguração da Radial até Guaianases. A criação de uma rede de ensino profissional, de um programa de incentivos fiscais e da operação urbana foi aprovada pela Câmara Municipal em meados de 2004.</p>
<p>A Escola de Saúde Pública da Cidade Tiradentes funciona hoje com 600 alunos em seu nível médio. Deixamos em 2004 os equipamentos adquiridos, e os concursos de admissão de alunos e contratação de professores realizados. A escola de Itaquera da qual tínhamos um convênio com o Governo da Região da Île-de-France e de São Miguel, ambas com projetos desenvolvidos pela VUNESP e Escola Politécnica foram abandonadas pelo Governo Serra/Alckmin.</p>
<p>O programa de incentivos fiscais ganhou vida num Conselho Paritário com representantes dos trabalhadores (CUT) e empresários (FIESP/CIESP) concedeu incentivos para 10 projetos de investimento para indústria, comércio e serviços de diversos portes, também ignorados pelo governo que se seguiu, malgrado protestos das entidades e de vereadores da própria base governista.</p>
<p>A Operação Urbana Jacu-Pêssego tinha dois objetivos imediatos: permitir a regularização de imóveis comerciais e industriais na região, incentivando a construção para estes usos num eixo de 10 Kms ao longo da Avenida. Proponha uma nova configuração para o sistema viário local dando segurança para quem fosse investir: onde haveria desapropriações e onde as ruas favoreceriam expansão de determinados usos econômicos. Adicionalmente, a Lei criava um Escritório Técnico, incumbido de emitir aprovações e alvarás, funcionando como uma única porta de entrada para o investidor. Esta iniciativa foi abandonada.</p>
<p>Em contraste as obras complementares da Radial (túnel sob o Metrô Itaquera) e a ligação da Jacu Pêssego com Guarulhos foram feitas, esta última depois de dois anos paralisada, apesar da disponibilidade de recursos em caixa transferidos pelo Governo Federal em 2004. Obviamente nenhuma menção ao fato de se tratarem de projetos de Marta, que deixou recursos consignados para sua execução. Tampouco se vêem na mídia menções ao custo final de cada uma delas e o fato de que no caso da travessia sobre a Airton Senna o projeto original previa uma ponte com o mesmo design e técnica daquela da Av. Roberto Marinho. Já haviam sido gastos mais R$ 7 milhões para equipamentos e ferragens quando se decidiu por um viaduto convencional, talvez porque a região não merecesse também um cartão postal.</p>
<p>Todo novo governo pode e deve legitimamente rever e adaptar programas a sua visão política e técnica. Mas fazê-lo com desperdício de recursos públicos, sem respostas claras sobre eventuais desacordos ou deficiências não passa de oportunismo. Ademais, a descontinuidade de projetos que tiveram força de lei é subordinar o ato de governar aos interesses de uma luta política que visa unicamente desqualificação e destruição do adversário. Trata-se da pura confirmação do udenismo rasteiro que continua marcando parte da cultura política brasileira, felizmente com baixa taxa de sucesso até aqui.</p>
<p>O Programa da Zona Leste é por excelência metropolitano, pois se relaciona também com os Municípios fronteiriços, participantes do arco da vulnerabilidade social e do desemprego que abrangiam a parte mais populosa do Município de Guarulhos, o extremo leste de São Paulo, Mauá e toda a parte sul do ABC, além da Zona Sul de São Paulo. 80% da pobreza e desemprego da Metrópole se localizam neste espaço. Como ilustra o mapa abaixo:</p>
<div style="text-align: center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/07/desenvolver-a-zona-leste-e-uma-prioridade-para-sao-paulo/6305/" rel="attachment wp-att-6305" title="zonaleste1.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/07/zonaleste1.jpg" alt="zonaleste1.jpg" /></a></div>
<p>O Programa foi lançado com a retomada da construção de dois grandes eixos viários que são a base da reformulação do sistema de mobilidade da região: ligação metropolitana, integração de polos econômicos e melhor acesso das regiões distantes ao centro da Zona Leste, conforme mapa abaixo.</p>
<p>VISÃO REGIONAL DO EIXO JACU PÊSSEGO/RODOANEL:</p>
<div style="text-align: center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/07/desenvolver-a-zona-leste-e-uma-prioridade-para-sao-paulo/6306/" rel="attachment wp-att-6306" title="zonaleste.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/07/zonaleste.jpg" alt="zonaleste.jpg" /></a></div>
<p>Hoje os jornais reproduzem novamente as promessas reiteradas de implementar um plano de desenvolvimento para a Zona Leste. O preposto de Kassab para o assunto, José Alexandre Sanches, nos anuncia que a proposta &#8220;cria uma nova realidade econômica na zona leste&#8221;. Aleluia!</p>
<p>Parece que o edital está previsto para o segundo semestre, diz o <strong>JT</strong>. Falta indicar o ano.</p>
<p>Editorialistas do <strong>Estadão</strong> afiem suas canetas e refaçam o editorial. basta trocar o Centro pela Zona Leste, o resto podem deixar igual.</p>
<p><strong>Luis Favre</strong></p>
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		<title>Prêmio Nobel defende contrato social global</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Mar 2009 14:17:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[DE GENEBRA &#8211; FOLHA SP

Há anos o economista  americano Joseph Stiglitz  alerta de que uma globalização sem freios e regras será o  aumento do fosso entre ricos  e pobres. Em seus livros, o  Nobel de Economia de 2001  defende um contrato social  global, em que as nações desenvolvidas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font size="5"></font><font size="-1">DE GENEBRA &#8211; FOLHA SP<br />
</font></p>
<p>Há anos o economista  americano Joseph Stiglitz  alerta de que uma globalização sem freios e regras será o  aumento do fosso entre ricos  e pobres. Em seus livros, o  Nobel de Economia de 2001  defende um contrato social  global, em que as nações desenvolvidas abririam seus  mercados aos emergentes  em favor de um regime de comércio com mais igualdade.  Mas a crise financeira reforça o risco de que ocorra  justamente o contrário, deflagrando uma onda de protecionismo a partir dos países desenvolvidos. Se isso  ocorrer, diz Stiglitz, os maiores prejudicados serão os  países em desenvolvimento.  &#8220;A crise não começou nos  países pobres, mas são eles  que pagarão a parte mais pesada da conta&#8221;, disse o economista à <strong>Folha</strong>, em recente  passagem por Genebra. <font size="-1"><strong> (MN)</strong></font></p>
<p><font size="-1"><strong> </strong></font></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.sanfranciscosentinel.com/wp-content/uploads/2008/09/joseph-stiglitz.jpg" alt="http://www.sanfranciscosentinel.com/wp-content/uploads/2008/09/joseph-stiglitz.jpg" /></div>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; O sr. concorda com o  premiê Gordon Brown, sobre o  risco de desglobalização?<br />
JOSEPH STIGLITZ</strong></em> &#8211; O risco é  substancial. A globalização  gerou benefícios para muitos  países, mas também criou  riscos enormes. Caso não haja as reformas necessárias, os  benefícios da integração dos  mercados desaparecerão, e  só permanecerá o lado negativo da globalização, que é a  dependência excessiva de  fluxos externos de capital.  Seria o pior dos mundos.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Qual a consequência?<br />
STIGLITZ</strong></em> &#8211; Se o Ocidente aumentar o protecionismo, isso criará grande instabilidade e poderá reverter os avanços dos últimos anos. As reações serão inevitáveis. Com o aumento da pobreza, muitos governos terão argumentos bastante convincentes para resistir à globalização.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Há protecionismo?<br />
STIGLITZ</strong></em> &#8211; Algumas das coisas  que os Estados Unidos estão  fazendo podem não provocar  efeitos concretos, mas têm  um enorme poder simbólico.  Um bom exemplo disso é a  cláusula &#8220;Buy American&#8221;.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Quem vai se prejudicar?<br />
</strong></em>STIGLITZ &#8211; Os países em desenvolvimento. Espero que  os mais ricos tenham sensibilidade para evitar isso.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O Brasil que incomoda</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/03/o-brasil-que-incomoda/</link>
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		<pubDate>Fri, 13 Mar 2009 14:21:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Ruy Baron / Valor





 O presidente Lula, que se encontra com Barack Obama neste fim de semana em Washington, reflete a imagem de um país que já não é confundido com republiquetas 


Por Marta Barcellos, para o Valor, do Rio
É pouco provável que Barack Obama cometa gafes ao referir-se ao Brasil no encontro com o [...]]]></description>
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<td><em><font size="1"><span class="autorMateriaNova">Ruy Baron / Valor</span></font></em></td>
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<td style="font-style: italic; font-weight: bold"><span class="autorMateriaNova"> O presidente Lula, que se encontra com Barack Obama neste fim de semana em Washington, reflete a imagem de um país que já não é confundido com republiquetas </span></td>
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<p style="background-color: #ffff99"><font size="4"><strong>Por Marta Barcellos, para o Valor, do Rio</strong></font></p>
<p>É pouco provável que Barack Obama cometa gafes ao referir-se ao Brasil no encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Washington, neste sábado. Os tempos em que um presidente americano podia confundir o país com a Bolívia, como fez Ronald Regan em 1982, parecem fazer parte de um passado distante, especialmente quando um líder de reconhecido porte intelectual chega à Casa Branca. No entanto, pode-se afirmar que o mérito de distinguir o Brasil, agora, não é apenas de Obama. Ao ganhar relevância econômica e política, nos últimos anos, o país deixou para trás a difusa imagem de mais uma &#8220;república das bananas&#8221; para ganhar contornos nítidos no noticiário internacional. Nas últimas semanas, por exemplo, os correspondentes estrangeiros não tiveram muito tempo para reportagens pitorescas sobre verão ou carnaval: precisavam também analisar o impacto da crise financeira internacional no país e explicar a estratégia adotada pelo governo para enfrentá-la.</p>
<p>Mas a ideia de que bastaria nos livrarmos dos olhares preconceituosos, folclóricos ou desinformados para cairmos nas graças da opinião pública internacional revelou-se uma falácia. Estar em evidência pode significar também contrariar interesses e dar munição para que apontem, com embasamento, nossas mazelas. É o que mostra uma pesquisa do instituto GlobeScan, de Londres, realizada em 21 países. Mesmo bem cotado em relação aos demais, o Brasil viu aumentar a percepção negativa sobre sua influência no mundo justamente em quatro países ricos: Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e França.</p>
<p>Segundo o levantamento, a visão predominantemente negativa dos americanos em relação ao Brasil aumentou de 19% para 23% no último ano. No caso da França, essa percepção subiu de 23% para 33% dos entrevistados, e no Reino Unido, de 31% para 35%. O resultado negativo mais surpreendente veio da Alemanha, onde 40% das pessoas disseram que o Brasil exerce má influência no mundo, proporção que estava em 28% na pesquisa anterior. Na perspectiva alemã, ao contrário dos outros três países, a visão negativa passou a superar a positiva, de apenas 30%. O quadro é bem diferente, por exemplo, do radiografado nos Estados Unidos, onde, embora maior, a visão negativa do Brasil corresponde à metade das opiniões favoráveis, de 47%.</p>
<p>O Brasil segue o padrão verificado na avaliação da China, Rússia e Índia, seus companheiros no grupo de principais economias emergentes (o chamado Bric) &#8211; com o detalhe de que os dois primeiros foram destacados na pesquisa divulgada globalmente pelo instituto, pois a visão negativa sobre ambos passou de uma média de 33% para 40%, e de 34% para 42%, respectivamente. Na avaliação feita pelos alemães, China, Rússia e Índia registraram pioras na imagem mais expressivas do que no caso brasileiro.</p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.valoronline.com.br/imagens/impresso/ed_0002216/imagens/arte13cul-lula-d11.gif" border="0" /></div>
<p>Para Sam Mountford, diretor de pesquisas da GlobeScan, os efeitos da crise econômica na pesquisa são difíceis de mensurar, já que a maior parte das entrevistas aconteceu no final do ano passado, quando a dimensão real da turbulência ainda não fora percebida pelo público. Mesmo assim, ele acredita que a avaliação mais negativa recebida pelo Brasil nos Estados Unidos, Alemanha, França e Reino Unido deve estar relacionada ao desenvolvimento econômico do país. &#8220;O Brasil é cada vez mais notícia&#8221;, diz Mountford. &#8220;Há muita discussão sobre o crescimento do Brasil, China, Rússia e Índia na mídia desses países e é bastante provável que essas pessoas estejam começando a se sentir ameaçadas &#8211; do ponto de vista econômico, não político&#8221;, ressalta.</p>
<p>&#8220;Existe um preço para a maior exposição internacional&#8221;, concorda o cientista político Amaury de Souza, consultor da MCM Associados. &#8220;Na América do Sul, por exemplo, já somos vistos como os novos yankees.&#8221;</p>
<p>O publicitário Nizan Guanaes, presidente do Grupo ABC, acredita que a imagem do Brasil não poderia estar melhor no exterior, por consequência das conquistas econômicas e institucionais dos últimos anos, e atribui qualquer variação nessa percepção ao incômodo causado pela competição internacional. &#8220;Talvez fosse mais fácil gostar do Brasil do mulato faceiro do que do gigante&#8221;, diz. &#8220;Não dá para querer ser sempre o queridinho, ainda mais quando se está travando embates de mercado, em um mundo cada vez mais protecionista.&#8221;</p>
<p>A maior visibilidade do país aconteceu principalmente em função de a sigla Bric ter caído no gosto popular, lembra Amaury de Souza. Ao surfar na promissora onda das nações que seriam os &#8220;tijolos&#8221; (&#8221;bricks&#8221;, em inglês) a sustentar o crescimento global, o Brasil conseguiu projeção e distinção, mas também passou a ser visto como parte de um bloco. É justamente a imagem desse conjunto de países que pode estar em questão, diz Matias Spektor, doutor em relações internacionais pela Universidade de Oxford e coordenador do MBA de relações internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Segundo ele, os países do Bric tendem a perder espaço com a crise econômica, enquanto os Estados Unidos veem aumentar sua própria importância &#8211; o que estaria implícito na pesquisa da GlobeScan. Na média, a visão negativa sobre os Estados Unidos caiu de 47% para 43%, enquanto a positiva aumentou de 35% para 40%, refletindo também a eleição de Barack Obama. &#8220;A opinião pública espera que a solução da crise venha por meio da liderança americana, e não que passe pelo Bric, cuja imagem agora está mais próxima da de tijolos desmoronando&#8221;, compara Spektor. Ele destaca que a situação da economia internacional hoje é mais hostil, e o clima de tormenta aumenta a tensão entre os países.</p>
<p>Mas a imagem do Brasil vai além de sua identificação como integrante do Bric, o que é evidenciado pela sexta posição ocupada na média de avaliações feitas sobre 15 países, atrás apenas de Alemanha, Canadá, Grã-Bretanha, Japão e França. Essa é a boa notícia do levantamento, diz o professor da FGV. Spektor observa que, nesse ranking geral, o Brasil está acompanhado justamente por países que também pleiteiam uma cadeira no Conselho de Segurança das Nações Unidas: Alemanha, Japão, Índia e África do Sul. A pretensão brasileira, ressalta, não pode ser vista apenas como uma forma de aumentar o status ou a visibilidade do país. &#8220;Ganhar influência e poder nas relações internacionais sempre vem junto com um custo.&#8221;</p>
<p>Um exemplo de responsabilidade que aparece com a conquista de status internacional é a questão ambiental, apontada como uma das fragilidades da imagem brasileira por uma pesquisa qualitativa paralela ao estudo, na qual os entrevistados explicaram sua opinião sobre o país. Nessa pequena amostra, conta Mountford, foi detectada uma forte preocupação com as perdas da floresta amazônica e a percepção de que o governo brasileiro, apesar do desenvolvimento econômico, não combate o problema como deveria. Nesse grupo de pessoas, entrevistadas pela BBC, também foram mencionados problemas como a corrupção e a desigualdade na distribuição da riqueza no país. A democracia e o desenvolvimento econômico foram os destaques positivos.</p>
<p>Os comentários mostram um conhecimento da realidade brasileira impensável algumas décadas atrás, quando os correspondentes estrangeiros tentavam explicar planos econômicos estapafúrdios, nas reportagens, enquanto seus leitores imaginavam índios andando pelas ruas das cidades. &#8220;Isso mudou radicalmente&#8221;, diz Mery Galanternick, que começou a trabalhar na sucursal brasileira do &#8220;New York Times&#8221; na década de 1960. &#8220;O Brasil agora chama a atenção pelo que está fazendo de relevante. Passou a ser considerado um &#8216;player&#8217; global.&#8221;</p>
<p>Jens Glüsing, correspondente da &#8220;Der Spiegel&#8221;, acredita que a redução do Brasil a um país de mulheres bonitas e futebol ocorre na mesma proporção em que muitos brasileiros veem os alemães apenas como bebedores de cerveja. &#8220;As pessoas com mais formação são bem informadas sobre o Brasil, conhecem detalhes da economia e da política. A imagem do presidente Lula, entre os formadores de opinião, é melhor lá fora do que aqui, até porque há uma comparação com o [presidente da Venezuela] Hugo Chaves.&#8221;</p>
<p>O calcanhar de Aquiles brasileiro, que poderia explicar a virada na visão alemã do país na pesquisa GlobeScan, é a política ambiental. &#8220;Nesse aspecto, e acredito que somente nele, a imagem do país deve estar realmente piorando na Alemanha&#8221;, diz Glüsing. O jornalista foi a Brasília no ano passado para cobrir a visita da primeira-ministra Angela Merkel, e recorda-se da &#8220;saia justa&#8221; que representou a coincidência entre a chegada da governante alemã e a renúncia da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Para o cientista político Amaury de Souza, a sensibilidade ao tema ambiental extrapola os limites da Alemanha, berço do primeiro partido verde do planeta. &#8220;Não nos damos conta da reação que as notícias negativas sobre ambiente geram no exterior&#8221;, afirma Souza. &#8220;O que para nós é tolerável, para eles é execrável.&#8221;</p>
<p>Preocupado com a imagem externa, o governo brasileiro contratou no fim do ano passado a Companhia da Notícia (CDN) para trabalhar de forma integrada à Secretaria de Comunicação Social (Secom) em ações voltadas principalmente aos Estados Unidos, Europa e Ásia. &#8220;Faremos um trabalho de divulgação dos esforços do governo para combater o desmatamento&#8221;, diz Rodrigo Baena, diretor internacional da Secom. Em um primeiro momento, o trabalho na área ambiental será direcionado para o monitoramento do que é publicado pela imprensa internacional, explica Andrew Greenlees, vice-presidente da CDN. &#8220;Percebemos que existem muitos equívocos em relação a dados, que são divulgados ou interpretados de forma incorreta.&#8221;</p>
<p>Na licitação para a contratação da agência, em abril do ano passado, o governo demonstrou preocupação com duas áreas, que deveriam ser alvo de propostas detalhadas por parte das candidatas: etanol e tecnologia da informação (TI). Vencedora da concorrência, a CDN constatou em seus estudos um alto grau de conhecimento do etanol brasileiro, ao contrário do setor de TI. A crise internacional, porém, acabou por mudar o foco e a agenda econômica do país, tornando o assunto menos relevante. &#8220;Estamos discutindo agora quais temas serão prioridade&#8221;, diz Greenlees. &#8220;Mas já percebemos algumas oportunidades de divulgação, como na área de energia, na qual há muito interesse e veículos especializados.&#8221;</p>
<p>O alcance de ações de divulgação, no entanto, tornou-se motivo de controvérsia desde que o governo anunciou o gasto anual de R$ 15 milhões no projeto. &#8220;O Brasil não vai conseguir controlar o que é publicado sobre a Amazônia, onde estão muitos pesquisadores estrangeiros&#8221;, diz Glüsing, da &#8220;Der Spiegel&#8221;, lembrando do impacto das reportagens sobre a região feitas pela &#8220;Nature&#8221;, uma das revistas científicas mais conceituadas do mundo. &#8220;Mais importante do que melhorar a imagem, é melhorar a realidade&#8221;, diz ele. Nesse sentido, a próxima reunião das Nações Unidas sobre mudança climática, marcada para o fim do ano em Copenhagen, poderia ser uma oportunidade efetiva para o Brasil, diz Matias Spektor. &#8220;Mas somente se houver uma mudança de atitude&#8221;, ressalta. &#8220;Para ser um &#8216;player&#8217; importante, é preciso assumir um custo, fazer coisas que não são necessárias quando se é um jogador secundário.&#8221;</p>
<p>No caso do ambiente, o Brasil não tem como fugir do papel de líder, acredita o professor Celso Lafer, presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e ministro das Relações Exteriores durante o governo Fernando Henrique Cardoso. A floresta, a matriz energética limpa, a biodiversidade e o etanol tornam as decisões do país fundamentais para o resto do planeta, independentemente do desejo de assumir essa liderança. &#8220;É um caso em que se mistura o &#8217;soft power&#8217; e o &#8216;hard power&#8217; &#8220;, afirma, referindo-se aos conceitos celebrizados pelo cientista político americano Joseph Nye, e que também servem para classificar as formas de inserção internacional de um país.</p>
<p>Quando ministro, Lafer teve uma conversa com o jornalista americano Larry Rohter transcrita no livro &#8220;Deu no New York Times&#8221;, no qual o correspondente conta histórias de sua experiência no Brasil. Nela, ambos concordavam com vocação do Brasil para exercer atração e influência por meio do &#8220;soft power&#8221;, mais relacionado à cultura, ao esporte e aos valores. O outro caminho, o &#8220;hard power&#8221;, seria o do poder militar ou econômico &#8211; impensável naqueles anos, em que a estabilidade da moeda ainda não se traduzira em crescimento. Para Lafer, as duas formas de poder são cada vez mais complementares. &#8220;A eleição de Obama representou a recapitalização do &#8217;soft power&#8217; para os Estados Unidos&#8221;, exemplifica.</p>
<p>Da mesma forma, governantes que deveriam discutir questões bilaterais de impacto acabam pautados por casos que mobilizam a opinião pública de seus países, como o da brasileira Paula Oliveira, que afirmou ter sido agredida por neonazistas na Suíça, ou do menino Sean Goldman, cuja guarda é disputada pelo pai americano e avós brasileiros.</p>
<p>Casos assim são importantes na construção da imagem de um país? Para Matias Spektor, assuntos dessa natureza são passageiros, e não dominam de fato as agendas dos países. Já Lafer acha que essas questões são relevantes, e os governos não têm como fugir delas. &#8220;É a velha história: todo presidente quer pautar a imprensa, e toda imprensa quer pautar o presidente.&#8221;</p>
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		<title>Planos de estímulo podem aumentar aquecimento global</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Mar 2009 14:49:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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AP

Steve Howard, do Climate Group: &#8220;Se a crise financeira produziu algo, foi a noção de US$ 50 bilhões parecem pouco&#8221;

Fiona Harvey, Financial Times &#8211; VALOR
Os planos de estímulo econômico que estão sendo implementados em todo o mundo poderão impor aos países um crescimento rápido das emissões de gases que provocam o efeito estufa, anulando em [...]]]></description>
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<div class="descricao_foto_credito"><font size="1">AP</font></div>
<p><img src="http://www.valoronline.com.br/Imagens/Impresso/ed_0002211/imagens/foto06int-climda-a16.jpg" /></p>
<div class="descricao_foto_legenda">Steve Howard, do Climate Group: &#8220;Se a crise financeira produziu algo, foi a noção de US$ 50 bilhões parecem pouco&#8221;</div>
<p></span></font></em></p>
<p style="background-color: #ffff99">Fiona Harvey, Financial Times &#8211; VALOR</p>
<p>Os planos de estímulo econômico que estão sendo implementados em todo o mundo poderão impor aos países um crescimento rápido das emissões de gases que provocam o efeito estufa, anulando em parte as iniciativas verdes neles incluídas. É o que apontam algumas análises.</p>
<p>Os pacotes de corte de impostos, créditos e gastos extras têm sido propagandeados por suas credenciais ambientalistas pelos governos que os estão propondo, mas um exame mais detido mostra que os &#8220;gastos verdes&#8221; respondem por apenas uma pequena parte das iniciativas maiores.</p>
<p>&#8220;Essa é uma oportunidade que aparece uma vez na vida e que está sendo mal aproveitada&#8221;, disse Ben Stewart, porta-voz do Greenpeace, grupo internacional de defesa do ambiente.</p>
<p>Boa parte dos gastos irá para projetos que, na realidade, incrementarão as emissões de poluentes, como novas estradas ou usinas de eletricidade alimentadas a combustíveis fósseis, ao passo que muito pouco dinheiro será dedicado a projetos geradores de baixo teor de carbono para que produzam uma diferença real, acreditam especialistas.</p>
<p>Por exemplo, Barack Obama, o presidente dos EUA, deseja que US$ 27 bilhões sejam gastos em novas rodovias, o que elevará as emissões do tráfego. Embora algumas verbas serão gastas no desenvolvimento de veículos que emitem baixos teores de carbono, como carros elétricos ou a hidrogênio, os benefícios ganhos serão superados pelas emissões geradas pelos carros adicionais movidos a gasolina.</p>
<p>Esses aumentos nos gastos governamentais em atividades altamente emissoras de carbono são uma grave ameaça, segundo um número crescente de economistas, políticos e grupos de defesa do meio ambiente.</p>
<p>Eles estão preocupados com o fato de que &#8211; por não &#8220;pintar suficientemente de verde&#8221; as enormes propostas de expansão fiscal &#8211; o mundo estará condenado a décadas de crescimento econômico com altas emissões de carbono, prometendo um desastre para o planeta.</p>
<p>Andy Atkins, diretor-executivo da ONG ambientalista Friends of the Earth, diz que os governos precisam empenhar-se mais para evitar aprisionar a economia mundial em décadas de crescimento com altos teores de carbono. &#8220;Necessitamos ações verdes urgentes e abrangentes; chega de intenções e palavreado vazios.&#8221;</p>
<p>O Programa Ambiental da Nações Unidas (ONU) estima que apenas a Coreia do Sul está hoje gastando o suficiente de seu estímulo em investimentos verdes para reduzir os custos futuros das mudanças climáticas.</p>
<p>O Japão e a Índia gastarão verbas insignificantes em investimentos verdes como energia renovável, eficiência energética e tecnologias que emitem baixos teores de carbono.</p>
<p>Tóquio dedicará 2,6% de seus gastos em investimentos verdes, principalmente eficiência energética em edifícios, de um pacote total de estímulo de US$ 486 bilhões, segundo uma análise do HSBC.</p>
<p>Nova Déli não tem planos para gastar um centavo sequer de seu pacote fiscal de US$ 14 bilhões em atividades visando reduzir as emissões de carbono.</p>
<p>A mesma análise sugere que a China gastará 38% de seus US$ 586 bilhões em temas verdes. Entretanto, a dimensão e os detalhes do estímulo chinês ainda não estão claros, e muitos economistas acreditam que o impacto verde será muito mais modesto e poderá ser mais que compensado por projetos de infraestrutura poluentes.</p>
<p>Com base nos planos atuais, a Europa e os EUA estão um pouco mais bem posicionados do que a Ásia em termos de proteção ambiental.</p>
<p>Obama acenou com a perspectiva de milhões de novos empregos de &#8220;colarinho verde&#8221;, em atividades como a reforma de edifícios federais para dotá-los de maior eficiência energética, e para renovar as envelhecidas redes de transmissão de eletricidade no país. Segundo o HSBC, cerca de 10% das propostas isenções tributárias, gastos extras e outros incentivos propostos nos EUA podem ser classificados como verdes.</p>
<p>França e Alemanha estão dando o exemplo na Europa, sendo que 20% dos US$ 34 bilhões do pacote francês e 13% do pacote alemão focados em setores cujas emissões contêm baixo teor de carbono. No Reino Unido, onde ministros prometeram centenas de milhares de novos empregos verdes, cerca de 7% irão para bens e serviços ambientais.</p>
<p>Por seu turno, a Itália canalizará apenas 1% de seus planejados US$ 100 bilhões para iniciativas verdes e a Polônia, altamente dependente de eletricidade à base da queima de carvão, não planeja incluir qualquer item verde em sua agenda de estímulo.</p>
<p>Nicholas Stern, ex-economista-chefe do Banco Mundial que escreveu o histórico estudo que concluiu que os custos de enfrentar as mudanças climáticas seriam muito menores do que os custos de nada fazer contra o aquecimento mundial, liderou as exortações em defesa do posicionamento de iniciativas verdes no cerne das iniciativas mundiais de estímulo.</p>
<p>Ele disse: &#8220;É vital que esses investimentos não se fixem durante muitas décadas mais a uma insustentável economia baseada em altas emissões de carbono&#8221;.</p>
<p>Os investimentos em tecnologias com baixas emissões de carbono melhorariam as perspectivas econômicas mundiais de longo prazo, disse ele. &#8220;Se vamos promover essa expansão, analisemos qual será a história futura de crescimento. Crescimento com baixas emissões de carbono será a única história de crescimento do futuro&#8221;.</p>
<p>Stern calcula que os governos precisam gastar US$ 400 bilhões em iniciativas verdes para cumprir os cortes de emissões exigidos e ajudar a recuperar economia mundial.</p>
<p>Somente se os gastos forem centrados em tecnologias com baixas emissões de carbono, o mundo escapará às perspectivas de intensificação das emissões por muitos anos à frente, e de, &#8220;assim, ter de gastar muito mais no futuro para trazê-las de volta para níveis seguros&#8221;, disse Lord Stern.</p>
<p>Apesar disso, as companhias verdes estão, de modo geral, esperançosas em relação aos pacotes, e é fácil ver porquê. A ordem de grandeza das verbas contempladas nos planos de estímulo são enormemente maiores do que os valores dedicados a subsídios verdes e outros incentivos governamentais em anos recentes.</p>
<p>&#8220;Se a crise financeira produziu algo, foi a noção de US$ 50 bilhões parece pouco&#8221;, disse Steve Howard, do Climate Group, influente organização que se empenha em articular empresas para combater as mudanças climáticas.</p>
<p>Assim, ainda que uma proporção dos pacotes de estímulo propostos fosse gasto em projetos como o de geração de eletricidade mais renovável, eficiência energética e desenvolvimento de tecnologias com baixas emissões de carbono, isso representaria um enorme crescimento para as companhias envolvidas em tais planos.</p>
<p>Pavan Sukhdev, um executivo bancário sênior do Deutsche Bank que trabalhou com ideias verdes na ONU, disse: &#8220;Investimentos logo estarão sendo reinjetados na economia mundial. A questão é se serão destinados à velha economia extrativa de curto prazo do passado ou a uma nova economia verde&#8221;.</p>
<p>(Tradução de Sergio Blum)</p>
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		<title>Presidente a empresários: &#8220;Não me peçam para fazer com que os trabalhadores paguem a crise arrochando os salários&#8221;</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Mar 2009 12:30:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Lula descarta contingenciar verbas e quer aumentar gastos contra a crise
Ribamar Oliveira, BRASÍLIA &#8211; O Estado SP
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que a crise não será vencida com o contingenciamento das verbas orçamentárias, com o corte de gastos ou de salários, mas com ousadia, com investimentos e com disponibilidade de crédito.
&#8220;Nós [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <a href="http://www.clicrbs.com.br/canalrural/jsp/default.jsp?uf=2&amp;local=18&amp;action=noticias&amp;id=2427811&amp;section=noticias#" title="Fechar"></p>
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<p></a></p>
<p><strong>Lula descarta contingenciar verbas e quer aumentar gastos contra a crise</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">Ribamar Oliveira, BRASÍLIA &#8211; O Estado SP</p>
<p>O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que a crise não será vencida com o contingenciamento das verbas orçamentárias, com o corte de gastos ou de salários, mas com ousadia, com investimentos e com disponibilidade de crédito.</p>
<p>&#8220;Nós não teremos medo de dizer em alto e bom som: tudo o que tem que acontecer nessa crise, não é o presidente da República se trancar em seu gabinete, os ministros resolverem fazer contingenciamento cada vez maior, cada vez gastar menos, cortar salários, em nome de que a gente vai vencer a crise. Não&#8221;, afirmou Lula, durante discurso na abertura de um seminário realizado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). &#8220;Nós iremos vencê-la diferentemente de outras crises. Essa é com investimentos, é com ousadia, é com coragem, é disponibilizando crédito&#8221;, acrescentou.</p>
<p>Lula chegou a dizer aos participantes do seminário &#8211; empresários, em sua maioria &#8211; que não lhe pedissem &#8220;para fazer com que os trabalhadores paguem a crise outra vez, arrochando os salários&#8221;.</p>
<p>O presidente afirmou que &#8220;agora é a hora da gente aproveitar essa crise para fazer o que nós não tivemos coragem de fazer nos últimos 20 anos&#8221;. Lula não chegou a explicitar que coisas seriam essas, mas insinuou que elas envolvem gastos públicos. &#8220;Nós não temos problemas de déficit público, pois o País está totalmente equilibrado&#8221;, afirmou.</p>
<p>As palavras de Lula mostram que a área econômica está seguindo orientação do presidente quando estuda reduzir o superávit primário de 3,8% para até 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme o Estado antecipou na quarta-feira.</p>
<p>Como a crise derrubou a receita tributária, a área econômica acredita que somente com a redução do superávit primário o governo poderá manter os investimentos públicos e pagar as despesas decorrentes do aumento de 12% do salário mínimo e dos reajustes ao funcionalismo concedidos no ano passado.</p>
<p>Em seu discurso no seminário , o ministro Guido Mantega (Fazenda) foi contraditório quando tratou da questão fiscal. Inicialmente, o ministro disse que &#8220;se enganam aqueles que acham que iremos enfraquecer a política fiscal&#8221;. Segundo ele, o governo vai cortar gastos correntes para poder compensar a queda nas receitas derivada da crise econômica. Depois, disse que com o acúmulo de solidez fiscal nos últimos anos, o Brasil pode adotar uma política fiscal anticíclica.</p>
<p>Lula voltou ontem a defender a estatização dos bancos pelos países ricos , como forma de resolver a crise financeira e restabelecer o crédito internacional. Lula criticou ainda a volta do protecionismo comercial em vários países. &#8220;Não podemos passar do vale-tudo financeiro, que jogou o planeta na situação atual, para um vale-tudo protecionista, que certamente nos jogaria numa crise ainda pior do que aquela que resultou na Segunda Guerra&#8221;, disse.</p>
<p><em>COLABOROU FABIO GRANER </em></p>
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		<title>Crise revela algo imprevisto: quem resistiu à globalização agora sai em vantagem</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Feb 2009 13:30:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Gerenciando riscos
 


tony cenicola/The New York Times




   FLOYD NORRIS
ANÁLISE ECONÔMICA
Nas últimas décadas, enquanto a globalização se disseminava, o ritmo do crescimento econômico mundial aumentou. As economias abertas, como se vê, conseguem crescer mais depressa que as fechadas.
Mas hoje, quando a crise financeira se transforma em econômica, parece que os países com economias fechadas [...]]]></description>
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<p><font size="5"><strong>Gerenciando riscos</strong></font></p>
<p><!--Fotografia/Auto/Inicio--> <!--FOTO--></p>
<table width="350">
<tr>
<td><font size="-2">tony cenicola/The New York Times</font><br />
<img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/ny1602200901.jpg" border="0" /></td>
<td valign="bottom"></td>
</tr>
</table>
<p><!--/FOTO--> <!--Fotografia/Auto/Final-->  <strong>FLOYD NORRIS</strong><br />
<font size="-1">ANÁLISE ECONÔMICA</font></p>
<p>Nas últimas décadas, enquanto a globalização se disseminava, o ritmo do crescimento econômico mundial aumentou. As economias abertas, como se vê, conseguem crescer mais depressa que as fechadas.<br />
Mas hoje, quando a crise financeira se transforma em econômica, parece que os países com economias fechadas talvez estejam em melhores condições de suportar os tempos difíceis.<br />
O economista de Harvard Kenneth S. Rogoff notou, no mais recente Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça, que a Índia, que tem &#8220;restrições comparativamente estritas ao fluxo de capitais internacionais&#8221;, também parecia ser a mais otimista e mais preparada para o crescimento econômico em um ano em que poucos países estão.<br />
&#8220;Graças aos céus por nossa forte estrutura regulatória do sistema financeiro&#8221;, disse um executivo indiano a Rogoff.<br />
Em comparação, países que se abriram mais aos mercados de capital internacionais e que tentaram atrair empresas com regulamentos relativamente frouxos hoje estão sofrendo mais. A Islândia foi a economia-prodígio do mundo; hoje está falida.<br />
Esta crise mostrou que o ponto fraco de um sistema financeiro globalizado é a falta de regulamentação consistente para evitar que banqueiros excessivamente confiantes assumam riscos irresponsáveis. Um ano e meio atrás, quando parecia ser apenas uma questão de hipotecas de baixa qualidade nos EUA, a maioria dos países pensou que pudesse passar ao largo. Mas todos no sistema globalizado estavam vulneráveis.<br />
&#8220;Precisamos de um regulador global com dentes afiados, para impedir o problema do mínimo denominador comum&#8221;, disse Rogoff. Antes da crise, o capital fluía para onde fosse menos regulamentado, e alguns países competiam para ser esse lugar. Vale a pena lembrar que o governo de George W. Bush tentou usar a ameaça da concorrência estrangeira para abrandar a regulamentação antes da explosão do sistema financeiro.<br />
Se isso não acontece, o mais racional para muitos países talvez seja isolar-se da economia globalizada. &#8220;Os países vão se sentir obrigados a impor mais controles de capital para não se expor a riscos&#8221;, disse Rogoff.<br />
A metáfora que vem à mente é a de um grande navio: um de casco simples custa menos para construir e operar do que um navio semelhante com um casco duplo. Portanto, ganhará mais dinheiro em cada viagem, mas tem maior probabilidade de afundar se encontrar uma tempestade severa ou um grande iceberg.<br />
Permitiu-se que o sistema financeiro escapasse ao controle exatamente na época em que poderia causar mais danos ao mundo. Antes da crise, as evidências pareciam demonstrar que os países em desenvolvimento poderiam se beneficiar da abertura financeira, supondo que outros fatores estivessem presentes. &#8220;A abertura total das contas de capital, na ausência de condições de apoio essenciais, pode viciar a realização de lucros, enquanto torna um país mais vulnerável a súbitas interrupções dos fluxos de capital&#8221;, escreveu há alguns anos Rogoff, que foi chefe de pesquisa do FMI.<br />
Essas condições essenciais, o trabalho acrescentou, &#8220;incluem políticas macroeconômicas estáveis, assim como fortes instituições financeiras, regulamentação e governança&#8221;.<br />
Quando Rogoff e seus colegas escreveram esse texto, tinham em mente a regulamentação no país que fazia a abertura, e não nos EUA e no Reino Unido, onde estava sediada a maioria dos principais bancos do mundo.<br />
Mas são exatamente esses países que provaram a verdade da advertência. &#8220;Fomos incrivelmente irresponsáveis&#8221;, disse Rogoff sobre os reguladores americanos. &#8220;Todas as luzes vermelhas estavam piscando. Nossos líderes foram cegos para o que estava acontecendo.&#8221;<br />
Rogoff é um economista sério demais para achar que a solução é fechar as economias. &#8220;A lição não é que se deve rumar para a autarquia financeira&#8221;, disse. Mas o mundo poderia estar em melhores condições hoje se mais países tivessem escolhido esse rumo e estivessem mais isolados da tempestade de crédito, que deixou empresas e países temerosos de que não conseguirão os financiamentos necessários.<br />
Certamente, de tudo isso sairá uma nova arquitetura regulatória americana, e haverá mais esforços de colaboração internacional.</p>
<table width="339" height="125">
<tr>
<td>
<hr size="2" noshade="noshade" /> <font size="4"><strong><em>Economias fechadas estão mais protegidas da crise generalizada</em></strong></font></p>
<hr size="2" noshade="noshade" /></td>
</tr>
</table>
<p>Entre os reguladores, uma palavra frequente hoje em dia é &#8220;contracíclico&#8221;, e haverá esforços para incorporá-la em qualquer novo sistema. Na essência, significa que os reguladores deveriam forçar os bancos a assumir menos riscos quando as coisas estão muito boas e a relaxar os padrões quando as coisas estiverem muito ruins e o mundo precisar desesperadamente de crédito.<br />
Adotar medidas para impedir que mais países se isolem ajudaria a economia global e, em longo prazo, as instituições regulamentadas. Realizar isso será muito mais difícil e menos popular politicamente do que impor limites aos bônus dos executivos. Mas poderia causar um bem muito maior.</p>
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		<title>Empresários e sindicalistas querem articulação com Estados e municípios</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Feb 2009 13:16:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Anna Carolina Negri / Valor

Artur Henrique, presidente da CUT, defende benefícios fiscais às micro e pequenas empresas e Refis das prefeituras

Cibelle Bouças, de São Paulo &#8211; VALOR
A aceleração dos investimentos públicos e das medidas de apoio ao setor imobiliário, somadas à redução das taxas de juros e à desburocratização dos financiamentos pelo BNDES são apontados [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div align="center"><em><span id="ctl00_Conteudo_LblConteudo"></p>
<div class="descricao_foto_credito"><font size="1">Anna Carolina Negri / Valor</font></div>
<p><img src="http://www.valoronline.com.br/Imagens/Impresso/ed_0002194/imagens/foto09bra-arthudr-a4.jpg" /></p>
<div class="descricao_foto_legenda">Artur Henrique, presidente da CUT, defende benefícios fiscais às micro e pequenas empresas e Refis das prefeituras</div>
<p></span></em></div>
<p style="background-color: #ffff99">Cibelle Bouças, de São Paulo &#8211; VALOR</p>
<p>A aceleração dos investimentos públicos e das medidas de apoio ao setor imobiliário, somadas à redução das taxas de juros e à desburocratização dos financiamentos pelo BNDES são apontados por representantes de indústrias e da área sindical como medidas que poderiam minimizar com mais eficácia os efeitos da crise financeira internacional. Redução temporária de tributos estaduais e municipais, medidas setoriais e a aprovação do programa de parcelamento de dívidas de contribuições em atraso com a Previdência Social para municípios também são apontados como medidas complementares às ações que o governo federal vem tomando para dirimir os efeitos da crise global.</p>
<p>O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique dos Santos Silva, divide com o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, a tese de que é necessário reduzir, por tempo determinado, a carga tributária incidente sobre as micro e pequenas empresas, que juntas empregam em torno de 70% da mão-de-obra ocupada no país. Ele observa que o Simples reduziu a carga tributária dessas empresas em até 70% mas, desde que foi adotado, estados retiraram outras desonerações fiscais que havia. &#8220;Temos um papel fundamental que é cobrar também prefeitos e governadores, para que trabalhem com a desoneração temporária do ISS e do ICMS para empresas que são grandes empregadoras&#8221;, afirma.</p>
<p>A Fiesp defende a revisão da tabela para enquadramento das empresas no Simples, com ampliação do limite de receita bruta anual de R$ 2,4 milhões para R$ 3,2 milhões e prorrogação do prazo de 15 dias para recolhimento de tributos.</p>
<p>O sindicalista também apoia, mas com restrições, o programa de parcelamento de dívidas de contribuições em atraso com a Previdência Social para municípios, que será discutido entre prefeitos e governo federal nos dias 10 e 11. Muitos prefeitos pedem que débitos já renegociados em programas anteriores sejam consolidados com novas dívidas e parcelados em até 20 anos. &#8220;Não tenho nada contra renegociar as dívidas das prefeituras com o INSS, desde que coloquem como contrapartida investimentos em obras que gerem emprego e renda e paguem pelo menos o salário mínimo aos funcionários públicos&#8221;, afirma.</p>
<p>Artur Henrique e Skaf também concordam que as medidas já adotadas pelo governo federal foram positivas, mas insuficientes para anular os efeitos da crise. Ambos defendem a redução da taxa básica de juros a menos de 10% ao ano, redução do spread bancário e ampliação das linhas de crédito, sobretudo para pequenas e médias empresas. &#8220;As medidas já adotadas foram boas. Se não fosse a redução do IPI, a situação do setor automotivo estaria pior. Mas é preciso adotar mais medidas e rapidamente, principalmente para manter o nível do emprego&#8221;, afirma Skaf.</p>
<p>Para o economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) Rogério César de Souza, o governo demorou muito para agir. &#8220;O Banco Central perdeu por não sinalizar taxas menores de juros&#8221;, afirma. Para ele, a Selic alta não só prejudica os negócios atuais, mas também ajuda a reduzir o interesse das empresas em investir no médio prazo. Para Souza, a aceleração dos investimentos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a elevação dos aportes na Petrobras e a rápida divulgação de medidas para estimular o setor imobiliário podem contribuir para elevar a confiança do empresariado e reaquecer a economia. &#8220;São segmentos que empregam muita gente e cuja cadeia envolve grandes indústrias de transformação&#8221;, afirma. Ele defende a redução da Selic para 9%.</p>
<p>O professor da Unicamp Júlio Gomes de Almeida considera que as medidas para destravar o crédito &#8220;salvaram os bancos, mas não os empregos&#8221; e as medidas setoriais trouxeram resultados &#8220;pontuais&#8221;. &#8220;O governo demorou muito para mudar o seu diagnóstico da economia, que permaneceu muito otimista quando a crise já havia se agravado no exterior&#8221;, observa. Para ele, o reforço do caixa do BNDES e o pacote da habitação são medidas que terão impacto mais significativo na economia.</p>
<p>Almeida defende ainda que o BNDES universalize a oferta de crédito. &#8220;Há muitas empresas, sobretudo de porte médio, que querem investir, mas estão fora dos setores definidos como prioritários. O banco precisa se adaptar à crise. Não há porque selecionar setores, é hora de estender o tapete vermelho para quem quer investir.&#8221;</p>
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		<title>Lula assina artigo na &#8221;Newsweek&#8221;</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jan 2009 12:55:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Rolf Kuntz &#8211; O Estado de SP
Chegou a hora da política e de os governos aumentarem o controle sobre os mercados &#8220;para deter a anarquia econômica&#8221;, afirma o presidente Luiz Inácio Lula da Silva num artigo publicado numa edição da revista americana ?Newsweek? preparada para a reunião do Fórum Econômico Mundial. O artigo de Lula [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="background-color: #ffff99"><strong>Rolf Kuntz &#8211; O Estado de SP</strong></p>
<p>Chegou a hora da política e de os governos aumentarem o controle sobre os mercados &#8220;para deter a anarquia econômica&#8221;, afirma o presidente Luiz Inácio Lula da Silva num artigo publicado numa edição da revista americana ?Newsweek? preparada para a reunião do Fórum Econômico Mundial. O artigo de Lula é o único assinado por um chefe de Estado ou de governo, numa edição recheada de textos com nomes tão conhecidos quanto os do professor Joseph Stiglitz, ganhador do Prêmio Nobel de Economia, do presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, do diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, e do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, entre outros.</p>
<p>&#8220;Os abusos e erros que vêm à luz são evidências de que o atual sistema de governança econômica internacional faliu&#8221;, segundo Lula. Ele defende a participação dos países em desenvolvimento na reorganização das finanças mundiais</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Petrobras: no Brasil, estatal acelera e planeja US$ 174 bi de investimentos até 2013</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jan 2009 13:16:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Do Rio &#8211; VALOR
A partir desta segunda-feira, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, começa uma maratona de viagens, conferências com analistas e entrevistas para detalhar o monumental plano de investimentos de US$ 174,4 bilhões até 2013. Esse valor é 55% maior do que o previsto no plano estratégico anterior.
Depois de adiamentos e da interferência [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.seplan.ba.gov.br/bahiainvest/port/images/petrobras_g.jpg" /></div>
</h2>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Do Rio &#8211; VALOR</strong></p>
<p>A partir desta segunda-feira, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, começa uma maratona de viagens, conferências com analistas e entrevistas para detalhar o monumental plano de investimentos de US$ 174,4 bilhões até 2013. Esse valor é 55% maior do que o previsto no plano estratégico anterior.</p>
<p>Depois de adiamentos e da interferência direta do presidente Luis Inácio Lula da Silva, Gabrielli apresentou na sexta-feira o plano de negócios para o período 2009-2013, no qual, ao invés de pisar no freio adiando investimentos como os de refino, a companhia pisou no acelerador.</p>
<p>&#8220;É um plano robusto e importante para a continuidade do crescimento da Petrobras e de toda a cadeia de supridores&#8221;, disse o presidente da estatal.</p>
<p>O executivo frisou que os valores refletem ainda os altos preços do petróleo no ano passado. &#8220;Mas já notamos uma queda dos custos e queremos reduzir esses investimentos para realizar todos os projetos a um custo menor&#8221;, disse Gabrielli.</p>
<p>Para isso a Petrobras irá, segundo seu presidente, modificar processos de contratação, criar novas formas de editais e iniciar uma &#8220;nova abordagem&#8221; com fornecedores. &#8220;Vamos batalhar com fornecedores para garantir o emprego e a renda, mas a custos competitivos&#8221;.</p>
<p>Foram confirmadas as obras das refinarias de Pernambuco (2011), Maranhão (em 2013 e 2014), Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj, em 2012), Ceará, Rio Grande do Norte. São todos projetos da área de Abastecimento para onde foram direcionados US$ 46,9 bilhões. A área de Exploração e Produção receberá quase o dobro desse valor. Serão US$ 92 bilhões (53% do total), sendo US$ 47,9 bilhões para novos projetos, dos quais US$ 28 bilhões para o pré-sal.</p>
<p>Ali a Petrobras prevê produzir 219 mil barris de petróleo por dia em 2013, com o início da produção comercial nos campos Tupi e Guará em 2012 e Iara em 2013. O volume aumenta para 582 mil barris/dia em 2015 e para 1,8 milhão de barris/dia em 2020, o que equivale a quase toda a produção atual da Petrobras no Brasil, que demorou 55 anos para ser atingida.</p>
<p>Para todo o país, o plano da Petrobras é fechar 2013 produzindo 2,68 milhões de barris, volume que aumenta para 3,34 milhões em 2015 e para 3,92 milhões de barris/dia em 2020, sem incluir o gás.</p>
<p>A meta de produção foi considerada &#8220;surreal&#8221; por um analista especializado de um grande banco que pediu para não ter seu nome divulgado.</p>
<p>&#8220;Minha leitura é que o plano não vale muita coisa. Dizer que vai investir US$ 174 bilhões e depois que não vai gastar isso se os custos não caírem é uma forma elegante de dizer: por razões políticas estou falando um número alto, mas não vou gastar, então esquece isso&#8221;. Na avaliação desse analista o ponto mais importante é 2009. Este ano a Petrobras planeja investimentos de US$ 28,6 bilhões, do quais US$ 18,1 bilhões terão que ser financiados considerando um preço médio de US$ 37 por barril de petróleo do tipo Brent.</p>
<p>A companhia informou que já obteve US$ 11,9 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), equivalentes a R$ 25 bilhões, que correspondem a um quarto dos R$ 100 bilhões que o banco recebeu do Tesouro Nacional para injetar no setor produtivo a custos subsidiados. Gabrielli informou que esse empréstimo pode ser maior. Outros US$ 5 bilhões, equivalentes a R$ 11 bilhões, virão de bancos nacionais e estrangeiros.</p>
<p>O plano estratégico prevê ainda US$ 10,6 bilhões para gás e energia, US$ 16,8 bilhões para a área internacional, US$ 2,4 bilhões para biocombustíveis e US$ 2,1 bilhões para a distribuição. Para a área corporativa foram destinados US$ 3,5 bilhões. (CS)</p>
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