22/06/2009 - 09:55h ABCD Maior e Diário do Grande ABC entrevistam Marta

Marta: ‘Dilma conhece o Brasil, é sensível e não fala só de PAC’

Por: Walter Venturini  - ABCD Maior

(walter@abcdmaior.com.br)

Marta Suplicy deve ser candidata nas eleições de 2010; o cargo não está definido. Foto: Amanda Perobelli
Marta Suplicy deve ser candidata nas eleições de 2010; o cargo não está definido. Foto: Amanda Perobelli

Ex-prefeita da Capital diz que Região ainda sofre bastante por não ter autonomia em relação ao Estado

A ex-ministra do Turismo Marta Suplicy é talvez a mais ardorosa defensora da eventual candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República. Semanas atrás, organizou em sua casa um encontro da ministra com um grupo de mulheres com projeção nacional. Marta garante que Dilma conseguiu seduzir toda a plateia com suas propostas e, principalmente, pela sensibilidade feminina que expôs no bate-papo informal que ganhou as páginas dos jornais de todo o País. Nesta entrevista exclusiva ao ABCD MAIOR, Marta fala sobre a reunião, as eleições e a Região. Veja abaixo os principais trechos da entrevista.

ABCD MAIOR – Qual a razão de sua visita ao ABCD?
MARTA SUPLICY
– Estou “campanhando”. Não pessoalmente, porque a única decisão que tenho, de que vou ser candidata, mas o cargo ainda não está estabelecido. Mas estou levando o nome da Dilma pela importância da continuação de um projeto de tudo que Lula conseguiu fazer nesses oito anos e que temos de preservar. O nome da Dilma é o que vai permitir a manutenção da expansão, do aumento do salário mínimo. Permitirá também o aumento do emprego, porque no próprio ABCD, se a gente for lembrar na época do Fernando Henrique Cardoso, tínhamos três cidades do ABCD de desempregados, isto é, se somássemos todos os desempregados. Agora temos duas. Ainda tem muita gente desempregada, mas em um governo que se preocupou em gerar emprego. São 10 milhões de empregos novos no Brasil todo, com carteira assinada e tudo o mais. Acreditamos também no (papel positivo) Bolsa Família, as conquistas do crédito para todas as classes sociais. Não adianta os partidos de oposição (protestarem), a gente sabe que eles acham horrível, que eles criticam, que acham esmola.

ABCD – É o confronto de dois projetos, que a atual crise internacional atualizou?
MARTA
– Acho que não só atualizou, mas mostrou como cada partido lida com a crise. O que fez o Lula com a crise? Aumentou recursos para o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que é infraestrutura e gera emprego para mão-de-obra com pouca qualificação. Aumentou o número de usuários do Bolsa Família e também o valor do Bolsa Família. Por que? Porque são pessoas que não vão colocar o dinheiro no banco. Vão comprar comida e um tênis novo para a criança. Isso é a economia girando e o emprego mantido. Lula diminuiu o IPI (Imposto sobre Produção Industrial), para os veículos. Para cá teve uma repercussão muito boa, mas também para o Brasil todo. Reduziu o IPI para a linha branca (geladeiras, fogões e máquinas de lavar) e agora o (programa) Minha Casa, Minha Vida. São ações muito concretas, que permitiram que a economia mantivesse o giro. Ao mesmo tempo, vemos o que o governo do Estado de São Paulo fez. Contingenciou (reteve os recursos) todos os projetos sociais. Em relação aos carros, só agora reduziu o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviço). Demorou! Só deu resposta por causa da pressão. Fico perguntando: onde estão os investimentos da Nossa Caixa, os investimentos do governo de São Paulo? São Paulo é o Estado mais rico do Brasil. O que poderia estar fazendo? Na Educação você só vê esse vexame que nós paulistas temos de enfrentar, de estarmos em uma posição horrorosa no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Na Saúde, só vemos escândalos, de falta de atendimento. O Transporte, não vou nem falar. São 16 anos de tucanato em São Paulo. O metrô começou, no final dos anos 1960, junto com o da Cidade do México, que hoje tem uma rede com 240 quilômetros, enquanto o de São Paulo tem apenas 60. E isso foi construído antes de os tucanos entrarem.

ABCD – Inclusive o metrô não chegou até agora no ABCD. O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, está defendendo a vinda do metrô para a Região.
MARTA
– É uma atitude muito importante que o prefeito assuma a liderança nisso. Porque o governo do Estado precisa ter a percepção da importância que é o Consórcio Intermunicipal.

ABCD – Entre 2001 e 2004, a senhora governou a cidade de São Paulo e trabalhou com o então prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), que foi o idealizador do Consórcio Intermunicipal. Como a senhora vê essa experiência de integrar as sete cidades?
MARTA
– Sempre disse que o Consórcio Intermunicipal foi uma coisa pioneira. A Região deve isso, ao menos, a ele. Aqui teve um prejuízo grande com falta de autonomia e de recursos alocados pelo governo do Estado, que sempre foi muito centralizador em relação ao ABCD. Isso acabou diminuindo a importância que o Consórcio poderia vir a ter. Fiquei muito triste quando soube sobre o recurso que enviei à Região, quando era ministra, em 2007, R$ 400 mil para fazer um projeto para o turismo para o ABCD. Por não fazerem o projeto, deixaram de receber os R$ 2 milhões que estavam liberados.

ABCD – Como avalia a reunião de mulheres que a senhora organizou semanas atrás com a ministra Dilma Rousseff, para começar a conversar a proposta de a ministra disputar no ano que vem a Presidência da República?
MARTA
– Ela convenceu as mulheres. Quando se tem a possibilidade de um contato com a Dilma percebe-se uma mulher com preocupações que nós mulheres temos, que são diferentes das dos homens. Não somos melhores nem piores. Somos diferentes e pagamos um preço muito alto por isso que foi de termos ficado alijadas do poder. Nos mantivemos centenas de anos cuidando de crianças, de doentes, dos idosos, com a capacidade de “costura” que uma mulher tem dentro de casa, de articular, de conversar, de ser a intermediária, características muito femininas. Mas nos custaram um preço, que foi ficar dentro de casa. Quando fomos para a rua, tivemos de mudar um pouco o jeito. Mas a maioria tem isso ainda porque ainda sobrou muita coisa nas costas da mulher. Essa delicadeza e sensibilidade, a Dilma tem. Ela cativou muito pela competência e conhece muito o Brasil. Ao mesmo tempo, elas perceberam que pode ser uma pessoa muito sensível. Isso no jornal, não aparece. Aparece ela falando do PAC.

ABCD – Seu nome é apontado como um dos prováveis para disputar o governo do Estado. Agora surge a proposta de lançar o nome do ex-ministro e deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE). Como a senhora vê essa chegada do Ciro em São Paulo?
MARTA
– Não temos de começar a discutir nomes, mas partidos. Nesse sentido, o PSB, em especial, em São Paulo, apoia o Serra. Aqui no ABCD, o (William) Dib apoia  o Serra com tudo, não tem subterfúgio. Então, você põe o Ciro, que é uma pessoa interessante, como candidato, mas como é que faz com o partido? Fora que o PT tem candidatos muito bons. Não descarto, mas acho que temos de considerar a força que o PT tem no Estado e, mais que tudo, os partidos. Como é que fica o PSB? Fazemos o que com o Dib e os outros que apoiam o Serra?

Marta Suplicy ‘light’, mas ainda Marta

Beto Silva do Diário do Grande ABC

A ex-ministra e ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy vive uma fase tranquila. Em suas próprias palavras, está num momento “light”. Mas esse período “à vontade”, “leve”, “sem tensão”, não evita que mantenha sua característica de frases polêmicas e de críticas aos adversários. Ela ainda é Marta.Os principais alvos da petista são o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), virtual candidato tucano à presidência em 2010, e o prefeito paulistano, Gilberto Kassab (DEM), adversário na corrida pelo Paço da Capital no ano passado. Sobre Serra e PSDB, é taxativa: “São maus administradores.” Quando analisa a gestão do democrata, é categórica: “Não faz nenhum enfrentamento.” Em campanha declarada em prol da candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), à sucessão do presidente Lula, Marta afirma que tentará um cargo eletivo no ano que vem, mas ainda não decidiu se ao Senado ou à Câmara Federal. Ao mesmo tempo, diz não estar “nem aí” para sua candidatura.”Não tenho de ter preocupação em ser conhecida”, observa a famosa petista. Entretanto, ao contrário de Marta, Dilma precisa expor sua imagem ao eleitorado brasileiro. Essa é uma das missões da ex-prefeita, que terá o papel de disseminar “a fibra da nossa candidata”.

Em entrevista exclusiva ao Diário, Marta Suplicy fala também dos desafios do País para os próximos anos, nos acordos políticos para garantir a continuidade do PT no governo federal e da receita para que seu partido conquiste pela primeira vez na história o comando do Palácio dos Bandeirantes em 2010.

DIÁRIO – Já decidiu se disputará a eleição do ano que vem?
MARTA SUPLICY – Vou disputar, só não sei para qual cargo: senadora ou deputada federal. Para o governo do Estado apoio o (deputado federal Antônio) Palocci (PT-SP). Vai depender da conjuntura, do partido e da candidatura majoritária (à presidência), que é a que estou mais interessada, pois a prioridade é a Dilma. Acho que nunca tive isso na vida, ter a oportunidade de escolher.

DIÁRIO – Mas essa indefinição é melhor ou pior?
MARTA – Não penso assim. Na verdade estou me sentindo tão light. Estou me dedicando a fazer a campanha da Dilma no Interior (de São Paulo). Tem certas coisas que uma mulher expõe melhor do que os homens. Estou me sentindo confortável em fazer isso. A maioria aos companheiros partidários falam mais em conjuntura econômica, projetos estruturantes, eu falo em continuação do projeto Lula por meio de uma mulher diferente como a Dilma. O presidente sabe que teve uma questão peculiar, de entender que é uma mulher com perfil totalmente diferente que pode fazer a diferença no Brasil de hoje. Ela tem uma história, lutou contra a ditadura, tem uma vida pessoal interessante, uma mulher que tem posição de luta, é de esquerda. E ao mesmo tempo é completamente diferente dele, porque é mulher, tem outra formação, outra cultura, outro preparo. Está preparada para o futuro, para o século 21. Porque daqui a 30 anos não estaremos mais trabalhamos do jeito que a gente trabalha. A Dilma tem a competência de vislumbrar esse novo rumo.

DIÁRIO – A sra. parece estar mais à vontade trabalhando em bastidores do que na linha de frente, como executora…
MARTA – Estou mais à vontade, não estou tensa. Não sou candidata, não estou sob pressão. Estou leve, não tenho greve para resolver, não tenho de solucionar o trânsito, não estou respondendo por um cargo. Estou do jeito que sou. Espero que isso dure até março, porque depois vai haver dedicação maior à política.

DIÁRIO – Como ‘vender” Dilma à população no pleito?
MARTA – Qualquer candidato teria o problema de comparação com Lula, que tem uma popularidade enorme. E é o mesmo problema que a oposição enfrenta. Se ela apoia o Lula, o eleitor vai dizer: ‘por que é que vou votar num grupo que apoia o Lula? Vou votar no candidato dele”. Se não apoia o Lula, não ganha a eleição. A posição da oposição é muito difícil. Uma mulher como a Dilma tem espertezas. Quando saiu do hospital e foi indagada sobre a peruca (a ministra passa por tratamento de um câncer linfático), ela disse: ‘uma peruquinha básica!”. Essa é a fibra da nossa candidata que tem de ser mostrada. Meu papel é disseminar isso. Tenho de mostrar outra Dilma que o Brasil pode ter como presidente, que é fantástica. Temos de chegar com uma competência dessas, mas com a sensibilidade para sofrimento, para dor, e a Dilma tem isso.

DIÁRIO – Esse esforço pessoal para eleger Dilma presidente pode atrapalhar sua candidatura?
MARTA – Não estou nem aí com a minha candidatura (risos). Não tenho de ter preocupação de ser conhecida. Tenho de decidir a que cargo concorrerei. A partir daí, vou para televisão e quem vota em mim vota e quem não vota, não vota. Mas se for ma governadora é diferente.

DIÁRIO – Para o governo do estado, o Lula já falou em Palocci, agora Zé Dirceu fala em apoiar o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE). O PT está sem rumo nesse momento?
MARTA – Não. Temos de aguardar o Palocci ser uma questão concreta. Depois temos de aguardar a posição pessoal dele e acatar a mudança de conjuntura. A candidatura do Ciro apareceu do nada. A gente está falando de um nome e esquecemos do partido PSB, que em São Paulo apoia o Serra. Como teremos candidato nessas condições? Se conseguir que o PSB seja enquadrado por uma candidatura da Dilma, agregando outras forças, acho que o PT pode até considerar. Mas me parece distante.

DIÁRIO – O que tem de ser feIto para ganhar o governo do Estado?
MARTA – Uma coisa que o Ciro faria bem (risos). Desconstruir o mito de bom gestor do PSDB, que é muito mau administrador. Se formos ver o transporte, não evoluiu do jeito que poderia. Na Habitação, com o poderio econômico do Estado não houve avanço. Em menos de dois anos o Serra teve três secretários de Educação. No desenvolvimento da indústria, não houve nenhuma ação contundente para incentivar a permanência o setor produtivo no Estado. O Rodoanel, uma bela proposta, só saiu do papel quando o governo federal entrou com recursos. Em São Paulo tem de fazer as melhorias.

DIÁRIO – Divulgar cargos e salários na internet tem de fazer?
MARTA – Não sou contra isso. Acho que saber quanto as pessoas ganham é um serviço público. No Senado seria melhor ainda.

DIÁRIO – O PMDB pode ser o grande fiel da balança, tanto na eleição de âmbito federal quanto a estadual?
MARTA – Pode. O peso do PMDB é fundamental. Temos de mantê-lo como aliado nacional. Já em São Paulo, é ruim não termos o PMDB. Aqui o PT é mais fechado e essa permanência de poder do PSDB, aliada à Prefeitura paulistana, coloca mais dificuldade ainda para termos esse partido conosco.

DIÁRIO – Qual sua análise do governo Kassab?
MARTA – Na primeira gestão Serra-Kassab (prefeito e vice da Capital, 2007- 2008), poderia ter organizado muita coisa, principalmente na área de transporte. E quando vejo o nada que foi feito e o trânsito que o cidadão enfrenta, fico muito triste. Fizemos corredor de ônibus, chegamos ao bilhete único e agora regredimos. Não há gestão, o trânsito não flui, a CET não conversa com a SP Trans e não há controle. É uma incompetência muito grande, porque há recurso. É um governo que não faz enfrentamento. Quando se faz corredor de ônibus, existe dificuldade. O comércio reclama, causa transtorno. E aí, para eles, é melhor não fazer.

DIÁRIO – E sobre a atual situação do Senado, que apresenta uma polêmica atrás da outra?
MARTA – Acho muito triste, porque vai criando um desapontamento da população em relação à instituição. Que é muito mais grave se fosse contra as pessoas. Hoje vemos os cidadãos desiludidos com a política, sentido-se impotentes, com raiva. As ações de transparência ajudam a diminuir os erros. A rotatividade de cargos importantes, como diretor-geral por exemplo, já evitaria a formação de relações escusas. Com mudanças podemos ter esperança de um Senado melhor.

DIÁRIO – A sra. teme a candidatura de Dilma fracasse e o adversário assuma Brasília?
MARTA – Tenho a percepção que o Brasil pode ir para trás se isso ocorrer. Se analisar o que o Serra discursa, é sempre a mesma coisa: vamos melhorar o que já existe. Como ele não fala. As diferenças de atuação do PT e do PSDB diante da crise também têm de ser mostrada. O Lula manteve os investimento do PAC, aumentou o número de beneficiados e o valor do bolsa-família, tirou o IPI dos carros e da linha branca de eletrodomésticos, aumentou a massa salarial por meio do aumento do salário mínimo e agora lançou o programa Minha Casa Minha Vida. O que o PSDB fez? Contingenciou o social e disse que continuou a aplicação dos recursos do Metrô. A redução do ICMS que lhe competia só ocorreu há pouco tempo. Foram duas propostas para enfrentar a crise muito claras.

13/12/2008 - 09:15h ABC: empresários de ônibus querem tarifa a R$ 2,80 em abril

Leandro Amaral – Repórter Diário

Felipe Logli
A tarifa dos ônibus em cinco cidades passa a ser de R$ 2,50, mas empresários querem alterar para R$ 2,80

Antes mesmo de entrar em vigor neste domingo (14) o reajuste na tarifa de ônibus no ABC, o empresariado já sonha com mais um aumento em um curto espaço de tempo: R$ 2,80 em abril de 2009. “Queremos mais em abril”, sentencia o presidente do SETC/ABC (Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo do ABC), Baltazar de Souza, durante entrevista ao Repórter Diário.

Segundo ele, as prefeituras não cumpriram o acordo de reajustar a tarifa anualmente. “Nós temos um compromisso de repassar a tarifa de ano em ano. Em abril deste ano venceu o prazo e nada. No ano passado foi só R$ 0,10 de reajuste que também não resolveu muito”, reclama o empresário justificando a própria reivindicação. “Nós tivemos aumento de salário, do óleo diesel e nós vamos ficando com defasagem”.

A idéia inicial era que os atuais prefeitos “cobrissem a defasagem” com o reajuste da passagem para R$ 2,80, porém o “presente de Natal” dos empresários do transporte não foi atendido. “Quando nós contávamos com R$ 2,80 eles deram R$ 2,50″, lamenta Baltazar.

A força dos empresários em relação à elevação da tarifa deu provas claras de quem “dirige o transporte” na região. Enquanto as prefeituras ainda se reviravam entre planilhas e cálculos, Baltazar já anunciava em alto e bom som, aos quatro ventos, a novidade ao bolso do usuário.

Somente no dia seguinte, as administrações municipais se pronunciaram. O Executivo andreense confirmou, por meio de nota, o que o empresário já havia antecipado. O único a falar publicamente sobre o assunto, também no dia seguinte, foi o prefeito de São Caetano. “Continuaremos com a menor tarifa do ABC”, cravou José Auricchio Júnior (PTB), referindo-se à cobrança atualde R$ 2 contra R$ 2,30 dos outros municípios.

A partir deste domingo (14), o valor da tarifa de ônibus passará de R$ 2,30 para R$ 2,50 nos municípios do ABC. O reajuste de 9%, resultará em um valor maior que o cobrado em São Paulo (R$ 2,30). As exceções ficam por conta de São Caetano e Rio Grande da Serra, onde a passagem será R$ 2,30. O último reajuste foi repassado aos usuários em abril de 2007, subindo de R$ 2,10 para R$ 2,30 – aumento de 9,25%. A variação do IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) desde o último acréscimo até novembro deste ano foi de 17,12%. Em maio passado a AETC/ABC tentou negociar junto ao Consórcio reajuste mínimo de R$ 0,10, mas a proposta não foi aceita.

Critérios
Segundo o presidente da ANTP – Associação Nacional de Transportes Públicos – Ailton Brasiliense, a elevação do preço da passagem deve seguir critérios, entre os quais o principal item é a contrapartida ao usuário. “Existe uma planilha criada há mais de 20 anos por um órgão já extinto, mas que ainda é muito utilizada. Nela constam os custos fixos e variáveis, tipo de frota, idade da frota, entre muitos outros itens. Depende, portanto, do que está sendo negociado entre o poder público e o grupo empresarial. Haverá renovação de frota? Racionalização da oferta? Ampliação da oferta? Como a gratuidade está considerada na formação da planilha? Enfim, a decisão final deve considerar um grande número de parâmetros, para definição da tarifa”, detalha o engenheiro.

O empresário Baltazar de Souza garante que as melhorias ocorrem. “As empresas renovam a frota, estão sempre comprando e se estruturando melhor. Santo André e Diadema já renovaram a frota e São Bernardo, até o fim do ano, receberá mais 20 coletivos”, cita, destacando também o investimento no capital humano. Segundo ele, um motorista de ônibus no ABC recebe hoje cerca de R$ 1,8 mil. Valor este, segundo Baltazar, maior que em outras localidades.

Porém, não é isso que dizem os usuários dos coletivos. A estudante Valdimaria Santos de Souza, 15 anos, usa o ônibus todo dia para ir à escola em Santo André. Segundo ela, entre ida e volta, gastará R$ 10 a mais por mês. “Isso não é legal. Eles aumentam, mas o transporte continua precário. Isso sem falar que somos tratados como cachorro”, diz. A dona de casa Claudete Câmara, 58, concorda. “Utilizo o ônibus todo dia. Esse aumento vai atrapalhar no orçamento doméstico. Pagar tudo isso para entrar em um ônibus lotado e sem qualidade não vale”, reclama.

“Eu avisei”, lembra Alvarez
O ex-vereador de Santo André, Ricardo Alavarez, que disputou a sucessão do Paço pelo PSol, durante a campanha eleitoral já havia sinalizado para a “dor no bolso sempre que termina uma eleição”. “Faz 20 anos que isso acontece: termina a eleição e logo em seguida vem o aumento. Não é bola de cristal e sim uma relação promíscua entre o transporte e a eleição”, critica. “Todo mundo sabe que tem relação e que não é mera coincidência”, observa Alvarez.

Aliás, esta não é a primeira vez que a relação transporte e eleição é citada no meio político. Nos últimos dias cogitou-se a possibilidade do aumento estar atrelado a acordos firmados entre empresários e políticos para o pagamento das dívidas de campanha. “Eu desafio os empresários abrirem as planilhas de contas”, cutuca. “Eu afirmo que os empresários da região retiram no mínimo R$ 2 milhões líquido todo mês”, dispara.

E, por falar em período eleitoral, quem não se lembra da promessa do deputado estadual Orlando Morando (PSDB) que disputou o embate sucessório em São Bernardo contra Luiz Marinho. Dias antes da eleição, o tucano prometeu que a tarifa seria reduzida a R$ 2 na cidade, caso ele fosse o vitorioso nas urnas. Ele perdeu, e agora, o atual chefe do Executivo, William Dib (PSB) – seu principal apoiador – permitiu o reajuste.

28/11/2008 - 12:20h Marinho defende aliança mais ampla em SP

César Felício, de São Bernardo do Campo – VALOR

http://www.galizacig.com/imxact/2007/02/20070123_brasilia_luiz_marinho_590.jpgPrincipal prefeito eleito pelo PT no Estado de São Paulo, o ex-ministro do Trabalho e da Previdência Luiz Marinho já sinaliza que a correlação de forças dentro da sigla poderá mudar.

Com o enfraquecimento do PT no interior do Estado e a nova derrota na capital, o partido se fortaleceu em seu berço e domicílio eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E pela primeira vez São Bernardo, e não Santo André, torna-se a principal referência petista no cordão industrial que circunda a capital. Marinho exclui a própria candidatura ao governo estadual, mas deixa claro que irá atuar para aumentar o grau de pragmatismo do PT estadual de modo ao partido estabelecer um amplo arco de alianças partidárias para as próximas eleições estaduais.

O prefeito eleito lembra que em 2006 a disputa interna entre o senador Aloizio Mercadante e a ex-ministra do Turismo Marta Suplicy impediu que o partido conseguisse uma coligação de grande porte para enfrentar o tucano José Serra, que se elegeu no primeiro turno. Em 2002, quando Marinho foi candidato a vice na chapa de José Genoino, a perspectiva era apenas garantir um palanque para Lula no segundo turno da eleição presidencial. Nas eleições anteriores nunca foram tentadas alianças fora dos partidos da esquerda.

Para Marinho, o PT tem que seguir a estratégia de José Serra, que usou a eleição municipal para tentar cimentar uma aliança com o PMDB e o DEM para 2010, em torno não só da sua candidatura presidencial, mas das eleições locais, ainda que não estejam definidos os nomes dos candidatos ao governo do Estado e ao Senado. O prefeito eleito citou quatro possíveis candidatos a governador no PT: o ministro da Educação Fernando Haddad, o deputado Antonio Palocci, o senador Aloizio Mercadante e a ex-ministra Marta Suplicy.

Sua candidatura é descartada face à dificuldade de a administração de Marinho mostrar resultados no curto prazo. Entre os colaboradores de Marinho, há bastante pessimismo não só em relação aos efeitos da crise econômica sobre o setor industrial, responsável por quase 40% dos empregos na cidade, como em relação às contas municipais. “Marinho não pode fazer um governo pífio se quiser manter ambições políticas, e as condições que irá encontrar não são nada animadoras. Ele terá que contar com muita ajuda do governo federal”, comenta o coordenador político da campanha, o ex-prefeito Maurício Soares. Os petistas esperam que os investimentos federais do PAC compensem uma eventual perda de receita. A cidade está 9 projetos de saneamento e 4 de habitação que somam R$ 167 milhões.

Cidade com o segundo maior orçamento do país entre municípios do interior (atrás apenas de Campinas), São Bernardo não conta com uma grande dívida fundada, mas tem uma tradição de problemas de dívidas de curto prazo, segundo Soares. Prefeito da cidade entre 1989 e 1992 e entre 1997 e 2002, Soares afirma que assumiu a administração municipal com pagamentos vencidos a fornecedores e prestadores de serviço nas duas ocasiões. “Já há reclamações de atrasos. A gente sabe que existem algumas táticas como o empenho e o posterior cancelamento do empenho. É algo que só ficará claro quando o novo governo assumir”, diz Soares.

A equipe econômica do prefeito Dib contesta a assessoria de Marinho. Segundo dados da secretaria de Finanças, há R$ 248,78 milhões em empenhos a serem liquidados até 31 de dezembro. A receita corrente realizada até 31 de outubro foi de R$ 1,434 bilhão. A previsão é que entrem em novembro e dezembro mais R$ 272,1 milhões, valor suficiente para cobrir os empenhos.

A equipe de transição é comandada por Miriam Belchior, que foi casada com o prefeito de Santo André, Celso Daniel, assassinado em 2001 quando era coordenador de programa de governo da candidatura presidencial de Lula em 2002.

A participação do presidente Lula na campanha de São Bernardo do Campo deu-se em duas etapas. A mais importante foi a das alianças. Passou pelo gabinete presidencial o acordo para que o deputado e cantor Frank Aguiar (PTB-SP), cuja seção local do partido é controlada pelo deputado estadual Campos Machado, ligado aos tucanos, se tornasse vice na chapa de Marinho. E também foi um encontro com Lula que sacramentou o reingresso de Maurício Soares no PT, rompendo a aliança de 20 anos com o prefeito William Dib, do PSB, mas solidamente alinhado ao PSDB e ao DEM.

Por meio de Soares, coordenador político da campanha, Marinho montou uma aliança com 11 partidos, muitos dos quais reunindo a elite política da cidade, formada por um grupo de famílias de origem italiana estabelecidas em São Bernardo desde o início do século passado e cujos sobrenomes batizam vários bairros nos municípios. Com isso, o isolamento petista – que levou o deputado Vicentinho a concorrer sozinho em 2004 e ter apenas 23% dos votos válidos – foi definitivamente para o passado.

Seja em atos públicos de governo ou de campanha, Lula participou cinco vezes de concentrações populares na cidade onde reside, durante a campanha. Criticou tanto ao prefeito William Dib (PSB) quanto o candidato tucano Orlando Morando, chamado de “sujeitinho” pelo presidente em palanque. “Ficou nítido que Lula tem um projeto pessoal que passa por ter nas mãos do PT a Prefeitura de São Bernardo”, comentou Morando, que atribui ao presidente uma das principais razões de sua derrota. Dentro do grupo derrotado, o palpite é que o presidente bancou Marinho porque apostaria em seu ex-ministro do Trabalho e da Previdência como opção para disputar o governo estadual em 2010. Entre os aliados do prefeito eleito, a candidatura na próxima eleição é descartada e razões de ordem pessoal são lembradas. Mas deixam claro que Marinho pode estar sendo preparado como uma espécie de herdeiro para vôos futuros.

“Lula gosta muito de São Bernardo e se incomoda de morar em uma cidade onde o partido não ganhava há muitos anos. Mas acima de qualquer outra coisa, Lula gosta muito de Luiz Marinho. Talvez mais do que qualquer outro político no PT paulista”, comentou um correligionário do prefeito eleito.

A campanha de Marinho também foi vigorosa do ponto de vista financeiro. O candidato petista arrecadou R$ 11,469 milhões para cabalar o voto dos 539 mil eleitores da cidade. Fez um investimento médio de R$ 21,28 por voto da cidade. Em São Paulo, o prefeito reeleito da capital, Gilberto Kassab (DEM), arrecadou por meio de seu comitê financeiro R$ 34,3 milhões, o que significaria um gasto médio por eleitor de R$ 4,19. ” Isso foi produto da pressão sindical. Com o controle que a CUT tem sobre as bases dos trabalhadores, as empresas abriram os cofres para o PT, não só por amor, mas por temor”, diz Morando.

12/09/2008 - 10:31h Marinho afirma que iniciou investigação que resultou na prisão de peritos do INSS em S.Bernardo

Leandro Amaral – Repórter Diário

Marinho afirma que investigação começou quando ainda era ministro.
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Felipe Logli
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O pleiteante ao Paço de São Bernardo Luiz Marinho afirmou que a operação da Polícia Federal deflagrada nesta quinta-feira (11), a qual prendeu 21 pessoas – entre elas três bernardenses (um vereador e dois candidatos ao Legislativo) suspeitos de fraudar benefícios do INSS- foi iniciada em 2007, quando o petista ainda comandava o Ministério da Previdência.

“Eu estava em uma caminhada no ano passado quando recebi um cartão de uma pessoa que eu não conheço me pedindo para investigar o escritório da Dra. Otília (Azevedo), pois apresentava irregularidades. Eu pedi para investigar e constatamos, realmente, os problemas”, explicou Marinho citando o nome de uma das possíveis envolvidas no caso, pois a ação ocorre em sigilo. “O passo seguinte foi passar o problema, como sempre fazemos, para a Polícia Federal”, emendou durante caminhada no bairro Baeta Neves.

Além da candidata a vereadora pelo PPS, o prefeiturável citou que um membro da base de sustentação do prefeito William Dib (PSB), na Câmara Municipal, também está envolvido. “O vereador preso, o Dr. Alberto Raposo (PSB), todo mundo sabe é uma liderança do prefeito e, aliás, eu tinha recebido várias denúncias dele”, afirmou o ex-ministro referindo-se ao correligionário socialista que é supervisor da Perícia Médica do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).

Luiz Marinho fez questão de ressaltar que cabe agora ao Ministério dar continuidade as ações que ele, como ministro, iniciou. “É o caminho da limpeza que o presidente Lula conduz e eu, na época ministro, botei para quebrar”, destacou. “Aqui em São Bernardo está muito claro que tem problemas, de forma que eu espero que a Previdência reveja os benefícios para não prejudicar ninguém”, observou.

Questionado sobre as conseqüências eleitorais que o caso poderia ter, uma vez que os supostos envolvidos são filiados aos partidos que apóiam os dois principais concorrentes, o petista foi taxativo. “Temos que separar as coisas e ter muita cautela, até porque podem ser filiados mas isso não significa que os meus concorrentes estejam envolvidos”, ressaltou garantindo não vai utilizar o episódio na disputa eleitoral.

Polícia desarticula quadrilha acusada de fraudar INSS em São Bernardo

A Polícia Federal desencadeou nesta quinta-feira (11) a Operação Providência, com o objetivo de desmantelar um esquema de fraude em benefícios previdenciários, especialmente os de auxílio doença e de aposentadoria por invalidez, requeridos na Agência da Previdência Social em São Bernardo. De acordo com estimativa da PF, as quadrilhas, que atuavam desde 2003, tenham intermediado cerca de 3.500 benefícios previdenciários fraudulentos, gerando um prejuízo à Previdência Social de aproximadamente R$ 200 milhões.

As quadrilhas corrompiam médicos peritos e outros servidores da agência da Previdência Social de São Bernardo para que estes concedessem benefícios de auxílio-doença e aposentadoria por invalidez para pessoas saudáveis e com plena capacidade laboral.

Participam da operação 204 Policiais Federais e 10 servidores do Previdência Social, para cumprir 21 mandados de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão contra servidores públicos, médicos peritos da Previdência Social, advogados, agenciadores e beneficiários que buscavam os serviços dos grupos criminosos.

As ações são realizadas nos município de São Bernardo, São Paulo, Santo André, Diadema, Mogi das Cruzes, Guareí, Americana, Campos do Jordão, Guarujá, Bertioga, Santos, Itanhaém e Montes Claros, em Minas Gerais. Segundo a PF, as investigações constataram que diversas empresas, empresários e advogados domiciliados em São Bernardo estariam intermediando a concessão fraudulenta dos benefícios previdenciários.

A Força Tarefa Previdenciária analisou 349 benefícios previdenciários intermediados pela quadrilha, com indícios de fraudes, cujo prejuízo aos cofres da União estão estimados em R$ 8,720 milhões. Os titulares desses benefícios com indícios de fraudes deverão ser submetidos a novos exames periciais pela Previdência Social.

Também serão cumpridas ordens de bloqueio de contas bancárias, seqüestro de imóveis e veículos automotores utilizados pelos grupos criminosos, bem como a realização de perícias por junta médica da Previdência Social em segurados que participaram do esquema delituoso. (AE)

01/09/2008 - 15:00h Lula afirma que fará todo esforço para eleger Luiz Marinho

Osvaldo Ventura
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Ao lado de Marinho, Lula não poupou críticas ao grupo governista comandado por Dib

Leandro Amaral – Repórter Diário

“É o começo da redenção em São Bernardo. Farei todo o esforço que puder para eleger o Marinho”. Foi com essa afirmação, durante o comício do prefeiturável em São Bernardo, neste sábado (30), que o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva esquentou ainda mais a disputa sucessória.

Nem mesmo o frio e até a garoa que se fez presente em alguns momentos foram capazes de desanimar a militância – formada pela coligação de 11 partidos – que tomou conta da praça Giovanni Breda (Área Verde) no bairro Assunção e testemunhou o primeiro ato oficial do cabo eleitoral mais disputado atualmente: Lula. Segundo a organização do evento cerca de nove mil pessoas estiveram no local.

“Eu como presidente, agradeço a Deus pelo Marinho e o Frank Aguiar (vice de Marinho) serem candidatos”, diz. “Falo isso porque, em 2011, quando terminar meu mandato, vou morar em São Bernardo e quero um prefeito do bem, com dignidade. Esse homem é o Luiz Marinho”, discursou Lula em tom inflamado.

O presidente reafirmou durante toda sua oratória as virtudes do seu ex-ministro. E, por falar em ministério, Lula disse que não queria a saída de Marinho do comando da Previdência. “Ele fez um extraordinário trabalho”, disse. Mas, o desafio de administrar a maior cidade do ABC, berço do PT e do novo sindicalismo fez o ícone do Partido dos Trabalhadores mudar de idéia. “ Vários companheiros me disseram que era importante eu liberar o Marinho porque ele reunia todas as chances de ganhar a prefeitura”, ponderou Lula.

O chefe da nação, além de enaltecer o ex-integrante ministerial fez citações acaloradas ao ex-prefeito Maurício Soares (PT) – que foi eleito ao comando do Paço pela primeira vez quando era filiado ainda ao PT- que rompeu com o grupo governista para apoiar a candidatura de Marinho. “Estou feliz pelo fato do Maurício estar conosco. Não era para ele ter saído nunca. O retorno dele é uma extraordinária alegria”, vibrou.

Outro que também recebeu atenção especial de Lula foi o deputado federal Frank Aguiar, candidato à vice da chapa encabeçada por Luiz Marinho. “O Frank tinha tudo para não estar aqui, mas largou a vida de sucesso para se dedicar a São Bernardo. Esse homem não esqueceu a cidade que o acolheu”, ressaltou.

Marinho, que antes e depois de discursar foi homenageado com uma sonora queima de fogos, relembrou que não foi fácil tomar a decisão de deixar o Ministério da Previdência para concorrer ao Executivo bernardense. No entanto, o prefeiturável destacou que o abandono da atual administração foi o fator preponderante na escolha. “Aqui tem relação de autoritarismo. Os pequenos são massacrados. Nessa cidade está implantado o monopólio de prestação de serviços”, criticou.

Retomando a indignação contra a falta de políticas principalmente as áreas periféricas do município, o postulante rechaçou o “boicote” protagonizado pela gestão do prefeito William Dib (PSB). “Todo esforço do presidente Lula com os projetos sociais não atingem a meta em São Bernardo porque a administração não é séria e não aceita iniciativas federais como o programa Brasil Sorridente”, afirmou o petista.

O presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT), também participou do comício. O parlamentar disse que Marinho alcançará o seu objetivo da mesma forma que Lula . “É preciso lembrar que São Bernardo é o berço daquele que ficou conhecido como o novo sindicalismo. Foi desta luta que fizemos Maurício Soares prefeito e o Lula presidente. E agora nós faremos Marinho prefeito”, previu.

Além do presidente da Câmara Federal, também estiveram presente no ato político o senador Eduardo Suplicy e o deputado federal Vicentinho.

Críticas aos adversários

Lula não poupou críticas ao grupo governista comandado por Dib. Primeiro, o presidente, em forma de desabafo, disse que o chefe do Executivo de São Bernardo nunca procurou parceria com o governo federal em prol de programas para a cidade. “Eu desafio um prefeito deste Brasil dizer que eu o destratei. Mas, estranhamente, mesmo eu morando em São Bernardo, o prefeito daqui nunca me pediu uma audiência”, disse. “Quando eu tomei a iniciativa de dialogar com ele para buscar um terreno para a Universidade Federal ele queria me dar um lá na (Rodovia) Índio Tibiriçá. Mas eu disse que lá era perigoso para os jovens. Então ele disse que só poderia me vender e, por isso, nós compramos”, emendou Lula já anunciando que o campus em São Bernardo será inaugurado em outubro do ano que vem. “No dia 27 de outubro seria um bom dia, pois é a data do meu aniversário e eu quero ganhar como presente este equipamento para a população da cidade”, completou.

Entretanto, o momento mais inflamado do discurso, foi quando Lula, sem citar o nome, atacou o deputado estadual Orlando Morando (PSDB), postulante ao paço que representa o grupo governista com o apoio do prefeito Dib. “Eu sei quantas vezes esse sujeitinho, adversário do Marinho, passou me xingando em 2005. Mas quando a gente chega à presidência da República, a gente não fica chutando aqueles que fazem o jogo rasteiro. Nestes, a gente dá uma lição de comportamento. Nunca vou citar o nome dele, o que vou fazer é derrotá-lo aqui e eleger o Marinho como prefeito de São Bernardo. Essa será a minha vingança”, exclamou Lula.

Maurício Soares

Outro que não poupou alfinetadas a atual adminsitração foi Maurício Soares (PT). Recebido de maneira acalorada pelas autoridades e pela militância, o ex-prefeito – usando uma boina por causa do frio – afirmou que alertou Dib sobre a periferia, mas não foi ouvido. “Eu insisti para ele mudar as políticas e olhar para a periferia”, lembrou. “Como não fui ouvido, estou fazendo política ao lado do Marinho para que a cidade mude. Essa mudança começa hoje com a resposta que o Dib e sua turma vão ter nas urnas. A tirania está com os dias contados”, discursou arrancando aplausos entusiasmados dos militantes.

Agenda no ABC

O presidente Lula ainda participou do comício do candidato a prefeito pelo PT em Diadema, Mário Reali. Neste domingo (31), Lula encerra o ciclo de apoio em Santo André. Ele fará campanha ao lado do petista Vanderlei Siraque. O evento será realizado na região da Vila Luzita, com expectativa de público de pelo menos 5 mil pessoas.

15/08/2008 - 15:12h Depois de 12 anos, S.Bernardo revive disputa acirrada

Leandro Amaral – Repórter Diário

Natália Fernandjes
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O ex-prefeito de São Bernardo, Maurício Soares (esq) e o atual prefeito de São Bernardo, William Dib

 

 

Nos últimos dois pleitos (2000/2004), a corrida eleitoral em São Bernardo nem de longe chegou a despertar um clima de disputa. Nos dois casos, os candidatos governistas – Maurício Soares e William Dib – não deram a menor chance para a oposição representada pelo candidato petista Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho.

Porém, esse ano a empreitada rumo ao Paço será mais árdua. Três dos cinco prefeituráveis polarizam os holofotes do cenário eleitoral bernardense: o ex-ministro da Previdência e do Trabalho Luiz Marinho (PT) e os deputados estaduais Orlando Morando (PSDB) e Alex Manente (PPS).

Para apimentar ainda mais o contexto, dois personagens renomados da política local travam uma verdadeira queda de braço, na qual duelam na busca de saber quem tem mais poder e status perante os munícipes. De um lado o atual prefeito William Dib e do outro o também um ex-prefeito Maurício Soares. Para se ter uma idéia de como a política é dinâmica, ninguém imaginava, em um passado recente, que os dois protagonizariam uma disputa paralela e em lados opostos.

A divergência começou em agosto do ano passado. Na ocasião, Dib indicou a pré-candidatura governista que disputaria a sua sucessão com Maurício Soares como prefeito e Orlando Morando vice. A dobrada escolhida pelo prefeito caiu como uma bomba entre os aliados. Prova disso, foi que mesmo anunciando aos quatro ventos que o grupo situacionista estava unido, Maurício e Orlando romperam a chapa em janeiro deste ano.

De lá pra cá o que se viu foi uma série de tentativas dos governistas de tentar maquiar a ruptura entre os aliados. Mas os planos de esconder a “sujeira debaixo do tapete” não durou muito e acabou com uma seqüência pública de troca de farpas entre os até então amigos inseparáveis Maurício Soares e William Dib.

No fim desta história aconteceu o que nem mesmo os mais utópicos imaginavam. Maurício voltou às origens e filiou-se novamente ao PT – sigla que o elegeu prefeito em São Bernardo pela primeira vez no fim da década de 80 – e trabalha como coordenador político e homem de confiança do prefeiturável Luiz Marinho.

Dib, por sua vez, concentra todos os esforços na candidatura de Orlando Morando com o objetivo de fazer o afilhado político seu sucessor e de quebra manter a dinastia governista que perdura 12 anos.

A resposta para quem é o maior cabo eleitoral entre os dois virá no dia 5 de outubro. Mas, se até lá os números da pesquisa realizada pelo Instituto Opinião (veja págs. 5, 6, e 7) – contratada pelo Repórter Diário em um pool com mais três jornais – forem mantidos, a reposta para os ex-aliados será adiada até o fim de outubro. Pois, ao que tudo indica, depois de 12 anos a cidade será, mais uma vez, protagonista de um segundo turno. E, segundo os especialistas no assunto, uma das disputas mais acirradas da história.

13/08/2008 - 17:43h Fundador do PT volta ao partido e reforça campanha de Marinho em São Bernardo

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Soares disse que lamenta saída do PSB mas volta contente ao PT após 14 anos

 

REGIANE SOARES da Folha Online

Ex-prefeito de São Bernardo (Grande São Paulo) por três vezes e um dos fundadores do PT, o advogado Maurício Soares volta nesta quarta-feira para os quadros petistas após romper com o comando do PSB na cidade. Agora oficializa seu apoio para o ex-ministro Luiz Marinho (Previdência), que disputa a prefeitura pelo PT.

O ex-prefeito será recebido em uma festa hoje à noite em um dos mais tradicionais restaurantes da cidade que contará com a presença de Marinho. A filiação será um dos atos da campanha petista.

“Volto ao PT depois de 14 anos e ajudando o Marinho. Estou contente em poder ajudar”, disse o ex-prefeito, que saiu do PT 1994 acusado de ter traído o partido por não ter apoiado o candidato a prefeito indicado pela Executiva Municipal.

Soares já trabalhava extra-oficialmente na campanha de Marinho há pelo três meses, quando começou a disputa interna pela indicação do sucessor do prefeito William Dib (PSB). O ex-prefeito havia recebido a promessa de Dib de ser indicado para a disputa tendo o deputado Orlando Morando (PSDB) como vice. Mas depois o tucano decidiu se candidatar e Soares perdeu o apoio de Dib.

“Houve uma encrenca grande com o Dib, que me designou como seu sucessor e o Orlando como vice. No fim, o Orlando decidiu se candidatar e, embora o Dib fosse do meu partido, apoiou o Orlando e eu fiquei sozinho”, disse Soares.

A briga em São Bernardo foi parar na Executiva Nacional do PSB. Soares entrou com recurso questionando o fato de o PSB, que faz parte da base de apoio do governo federal, ter se coligado com o PSDB, que faz oposição. “Até hoje ninguém me respondeu”, afirmou.

Soares assumiu seu primeiro mandato em 1989 pelo PT. Ao deixar o governo, em 1992, reassumiu o cargo de advogado do Sindicato dos Metalúrgicos e fui surpreendido com uma carta de demissão, entregue por Luiz Marinho. Já no PSDB, voltou a administrar a cidade de 1997 a 2000, quando foi reeleito.

O ex-prefeito disse que lamenta a disputa com o PSB e com Dib, que foi seu vice quando administrou São Bernardo entre 2001 e 2003. Na ocasião, Soares alegou problemas de saúde e renunciou ao mandato, deixando o cargo para o socialista.

“Brigas não fazem bem pra alma da gente, Fico magoado, mas são águas passadas”, disse o agora petista, que pretende transferir seu prestígio político para Marinho.

“Não sei o quanto eu posso transferir o meu patrimônio político. Talvez não consiga transferir tudo, porque voto é muito pessoal. Mas vou trabalhar para isso”, afirmou.

William Dib disse por meio de sua assessoria que não vai comentar a saída de Soares do PSB porque foi uma decisão pessoal.

Marinho disse que Soares é um líder histórico em São Bernardo que vai agregar valor à sua campanha. “Pra mim é um motivo de grande alegria [ter o Maurício no PT]. É como um filho que andou por outros partidos. Creio que ele pode ajudar muito, porque é uma grande referência na cidade”, afirmou o petista.

13/08/2008 - 16:01h São Bernardo: Maurício Soares rompe a ‘última ligação’ com Dib

Leandro Amaral – Repórter Diário

 

MAURICIO SOARES

Depois de pedir exoneração do cargo de secretário de ações especiais e romper politicamente com o prefeito de São Bernardo William Dib (PSB) para unir-se à candidatura do ex-ministro da Previdência Luiz Marinho (PT), o ex-chefe do Executivo, Maurício Soares, pediu desfiliação do Partido Socialista Brasileiro (PSB), nesta terça-feira (12), e quebrou o último resquício de ligação que ainda tinha com os ex-aliados.

O pedido foi protocolado pelo juiz da 283ª Zona Eleitoral e também pelo diretório municipal do partido às 15h. No texto, Maurício alegou motivos “pessoais e políticos”. “Ficou claro que o meu partido não sustentou minha candidatura. Ainda tentei intervenção, mas para se ter uma idéia até hoje não sei a resposta. Aí culminou no que eu não queria, que foi a coligação com o PSDB”, explicou Maurício Soares.

O ex-socialista afirmou ainda que não guarda mágoas do agora ex-ninho político. “Fiquei triste porque acredito que só eu segui a resolução nacional do partido, mas eles optaram por outro caminho… Foi melhor eu sair”, ressaltou Maurício admitindo que pode voltar ao grupo socialista desde que com um quadro de correligionários bem diferentes. “Tudo é possível. Mas, agora acho quase impossível pelas pessoas, como o atual prefeito, que estão na liderança da legenda”, concluiu.

Por outro lado, os socialistas bernardenses receberam sem surpresa a iniciativa. “Nós respeitamos o nome dele, só até estranhamos a demora com que ele tomou essa atitude”, disse o presidente municipal do PSB, Luiz Carlos Erédia, ressaltando que “as portas estarão sempre abertas para acolher o ex-prefeito”. “O dia que ele quiser voltar será um prazer”, emendou Erédia.

Histórico

Maurício Soares chegou a ser indicado por Dib, no ano passado, para encabeçar a chapa governista que tinha como vice Orlando Morando (PSDB). No entanto, por incompatibilidade de gênios, uma briga no início deste ano frustrou o sonho do atual prefeito em ter na dobrada seus dois maiores aliados.

A partir de então, Maurício começou a flertar uma reaproximação com o PT que foi confirmada meses depois. Orlando Morando, de imediato, lançou-se como pré-candidato a prefeito, fato também confirmado meses depois na convenção dos tucanos bernardenses.