21/02/2009 - 15:08h Nós precisamos de uma ”nova internet”?

Pesquisadores discutem a possibilidade de recomeçar tudo do zero para garantir mais segurança na rede

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John Markoff – O Estado SP

Há duas décadas, um estudante da Universidade Cornell, de 23 anos, levou a internet à beira do desastre com um simples software que saltava de um computador para outro a uma velocidade atroz, obstruindo a então minúscula rede em poucas horas.

A finalidade desse programa era ser uma espécie de “Kilroy esteve aqui” digital. Mas um erro de programação tornou-se um arauto anunciando a chegada de um ciberespaço mais sinistro, que seria mais um espelho de todo o caos e conflitos do mundo físico e não de um utópico refúgio disso tudo.

Desde então as coisas pioraram, e muito. A tal ponto que há uma crença cada vez mais forte entre engenheiros e especialistas da área de que a segurança e a privacidade na internet acabaram se tornando algo tão ilusório que o único meio de solucionar esse problema é recomeçar tudo de novo.

O grande debate é como seria essa nova internet. Uma alternativa seria a criação de uma “comunidade fechada” onde os usuários desistiriam do seu anonimato e de algumas liberdades em troca de segurança.

Hoje isso já ocorre com muitos usuários no âmbito do governo ou empresas. Quando uma nova rede, mais segura, for amplamente adotada, a atual internet acabará sendo a vizinha nociva do ciberespaço.

Você entra nela por sua própria conta e risco, mas sempre muito atento enquanto estiver por ali. “Se não nos dispusermos a repensar a internet de hoje”, diz Nick McKeown, engenheiro de Stanford envolvido na criação da nova rede, “podemos esperar uma série de catástrofes públicas”.

E isso foi bastante martelado no ano passado, quando um software nefasto, que teria sido lançado na rede por uma gangue criminosa da Europa Oriental, surgiu repentinamente, conseguindo enganar facilmente as melhores defesas cibernéticas do mundo.

Conhecido como Conficker, o programa rapidamente contaminou mais de 12 milhões de computadores, fazendo o maior estrago nos sistemas, afetando de centros cirúrgicos da Inglaterra a redes do exército francês.

O Conficker é uma bomba-relógio. Pode ainda hoje atacar todos aqueles computadores infectados e juntá-los numa vasta rede, formando um supercomputador, chamado Botnet, controlado clandestinamente pelos seus criadores.

O que ocorrerá proximamente ainda é um mistério. O Conficker pode ser usado como o mais poderoso mecanismo de spam do mundo, para distribuir programas que servem para lograr os usuários, levando-os a comprar proteção antivírus falsa.

Ou muito pior. Pode também ser usado para apagar seções inteiras da internet. Mas, que qualquer modo, o Conficker demonstrou que a rede continua muitíssimo vulnerável a um ataque concertado.

Os criadores da internet jamais imaginaram que a rede de pesquisa acadêmica e militar um dia teria que suportar o peso de transportar todo o comércio e comunicações do mundo. Não havia nenhum ponto central de controle, e a ideia era que uma rede pudesse trocar dados com qualquer outra rede. A questão da segurança recebeu menos atenção. Mas, desde então, enormes esforços têm sido feitos para ampliar a segurança, com poucos resultados.

“Em muitos aspectos, estamos hoje numa situação muito pior do que há vinte anos, pois todo o dinheiro foi aplicado para resolver os problemas atuais, no lugar de ser investido para redesenhar a nossa infraestrutura”, disse Eugene Spafford, diretor executivo do Centro de Educação e Pesquisa em Segurança da Informação, na universidade de Purdue.

Embora o setor global de segurança de computadores esteja em franca ascensão, com receitas que devem chegar a US$ 79 bilhões no próximo ano, e o fato de que, em 2002, a própria Microsoft iniciou um intenso trabalho para melhorar a segurança do seu software, a segurança na internet continua deteriorando globalmente.

É por isso que os cientistas amparados por fundos federais destinados à pesquisa e trabalhando em colaboração com o setor, estão tentando encontrar o melhor meio para recomeçar tudo novamente. Em Stanford, onde os protocolos de software da internet original foram criados, os pesquisadores desenvolvem um sistema que torne possível introduzir uma rede mais avançada discretamente embaixo da internet de hoje. No final do verão, essa rede estará em funcionamento em oito redes de universidades por todo o país.

A ideia é criar uma nova internet com maior segurança e capacidade para suportar uma nova geração de aplicativos ainda não inventados, e também fazer coisas que a internet atual mal consegue – como dar suporte a usuários de celulares.

O projeto chamado Stanford Clean Slate não vai resolver todos os principais problemas de segurança da internet, mas deve equipar os criadores de software e hardware com um conjunto de ferramentas que farão com que os programas de segurança sejam uma parte mais integral da rede, dando às autoridades policiais recursos mais eficazes para rastrear criminosos no ciberespaço. E só isso já pode ser um meio de dissuasão.

Apesar de todo esse esforço, os limites reais da segurança dos computadores podem estar na natureza humana. O atual design da internet garante virtualmente o anonimato dos usuários. Mas hoje esse anonimato é o desafio mais incômodo para as autoridades. Um agressor na internet pode rotear uma conexão através de muitos países para ocultar a sua localização, que pode ser em uma conta num Internet Café adquirida com um cartão de crédito roubado.

“Logo que você começa a lidar com a internet pública, a noção de confiança se perde num atoleiro”, disse Stefan Savage, especialista em segurança de computadores na Universidade da Califórnia, em San Diego.

Uma rede mais segura quase certamente vai oferecer menos anonimato e privacidade. Esse é o grande dilema dos criadores de uma futura internet. Uma ideia, por exemplo, seria exigir algo equivalente às carteiras de motorista para permitir que as pessoas se conectem a uma rede pública de computador. Mas isso vai contra o espírito libertário, profundamente arraigado, da internet.

O fornecimento de uma identidade será uma dificuldade num mundo onde é comum alguém se apossar do computador de uma pessoa a meio mundo de distância e operá-lo como se fosse seu. Enquanto isso ocorrer, criar um sistema totalmente confiável continuará sendo virtualmente impossível.

29/09/2008 - 09:08h É possível instalar internet sem fio grátis em toda SP?

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O jornal O Estado de São Paulo tem um caderno semanal dedicado a tecnologia digital, computação, internet etc. feito por gente que entende do assunto, jornalistas especializados em novas tecnologias.

Hoje uma parte do caderno esta dedicada ao debate do assunto novas tecnologias e eleições à prefeitura de São Paulo. Vou reproduzir aqui os diversos artigos cheios de informações e que respondem as dúvidas sobre as diferentes propostas (A Folha vai poder aproveitar o rico material e dissipar algumas das dúvidas que ela tem).  LF

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Rodrigo Martins – O Estado de São Paulo

Sinal dos tempos. Pela primeira vez em uma eleição para a Prefeitura de São Paulo, a tecnologia teve um papel protagonista nos programas eleitorais dos principais candidatos.

Líder nas pesquisas, Marta Suplicy (PT) prometeu conectar toda a cidade à internet sem fio. Foi a deixa para os demais candidatos bombardearem o eleitor com propostas hi-tech.

Para consolidar as diversas propostas, o Link convidou os seis principais candidatos a prefeito a apresentar suas idéias de governo eletrônico. E entrevistou especialistas para mostrar qual é a situação atual de São Paulo e outras prefeituras e quais são as prioridades.

Se você gosta de tecnologia, agora tem mais um elemento para decidir em quem votar.

Marcus Vinícius Brasil – Caderno Link – O Estado de São Paulo

Será que acessar a internet a partir de qualquer ponto de São Paulo, sem fio e gratuitamente, é mais uma daquelas propostas de campanha impossíveis de realizar? Segundo a maioria dos especialistas ouvidos pelo Link, a resposta é não. Tecnicamente, dá para ser feito.

O projeto ganhou os holofotes nesta campanha por conta da promessa da candidata Marta Suplicy (PT) de instalar 3 mil pontos de Wi-Fi ao custo de R$ 64,4 milhões. Os outros principais candidatos também fazem promessas similares.

A idéia não parece absurda para quem já executou empreitadas similares em cidades do interior do Brasil, como Piraí, no Rio de Janeiro. “É possível”, garante Franklin Dias Coelho, pesquisador da Universidade Federal Fluminense e responsável pelo projeto Piraí Digital.

Apesar da população de 23 mil habitantes ser centenas de vezes inferior à de São Paulo, e da paisagem do pequeno município não contar com amontoados de edifícios, Piraí pode servir como medida de comparação, segundo o pesquisador. “Em São Paulo é necessário uma rede mais complexa, mas é possível aproveitar a estrutura dos prédios para instalar os pontos de Wi-Fi”, diz Coelho.

Segundo Franklin, o sistema de transmissão de internet é comparável ao de distribuição de água. “Construímos um grande duto de conectividade que passa pelo meio da cidade. A partir dele, espalhamos pequenos veios que alimentam os bairros.” Em Piraí, o custo foi de R$ 900 mil.

Leonardo Mendes, pesquisador da Unicamp e responsável pelo projeto de cidade digital do município de Pedreira (interior de São Paulo), concorda que a proposta é viável, mas afirma que, com o orçamento de R$ 64,4 milhões sugerido por Marta, seria possível cobrir cerca de 50% da capital, segundo dados utilizados em Pedreira.

“No modelo que utilizamos, o valor por habitante fica entre R$ 12 e R$ 16. Mas vale lembrar que São Paulo possui características diferentes. Só um estudo aprofundado daria números exatos”, explica Mendes.

No Brasil, já há um exemplo de grande cidade que está construindo sua “bolha de conexão”.

Belo Horizonte (MG), com 2,5 milhões de habitantes, deve inaugurar no fim de outubro uma rede sem fio que cobrirá toda a cidade. Só que a rede não estará aberta aos internautas em todos os lugares para “não competir com as concessionárias de banda larga”.

A tecnologia usada será WiMAX, que permite enviar o sinal por quilômetros, mas que não pode ser captada pela maioria dos desktops e notebooks da atual geração. Em 300 órgãos municipais, oito praças e uma favela, o sinal será convertido para WiMesh (tecnologia semelhante ao Wi-Fi). Daí sim será possível captar o sinal. “O projeto custará R$ 5 milhões”, explica Pedro Ernesto, presidente da Prodabel, órgão municipal de tecnologia que implementa o projeto.

A conexão já está aberta experimentalmente, embora haja apenas cerca de 800 usuários até agora. Maysa de Castro, de 30 anos, que mantém um blog sobre tecnologia (www.maysadecastro.com.br), é uma delas. “A velocidade da conexão é bem satisfatória”, garante.

Segundo Diniz, a experiência de Belo Horizonte poderia ser replicada em São Paulo. “Mesmo em áreas com prédios, a antena de WiMAX irradia o sinal por 8 quilômetros. Já o WiMesh, em áreas abertas como periferias, alcança até 200 metros. Em regiões mais densas, com prédios e árvores, há mais interferência.”

A Prefeitura de São Paulo afirma que faz testes há um ano com a tecnologia WiMAX. “Ainda não chegamos a conclusões com relação à transmissão, segurança da conexão e qual público irá atender”, explica João Octaviano Machado Neto, presidente da Prodam, órgão municipal de tecnologia.

Ele diz que, “pelas normas internacionais”, seria necessário instalar 30 mil antenas Wi-Fi para levar à população esse sinal transmitido via WiMAX. Em teste, estão previstas conexões no parque do Ibirapuera e no Centro Cultural São Paulo.

WiMAX é alternativa ao Wi-Fi

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O Wi-Fi não é a única resposta para a internet gratuita em São Paulo. Apesar de ser a tecnologia de acesso sem fio mais disseminada, há opções para um sistema público de grandes proporções.“A proximidade dos prédios torna mais fácil o uso de um modelo baseado em cabeamento, por exemplo. Mas, por outro lado, ela dificulta a propagação de sinais transmitidos via rádio”, diz Leonardo Mendes, pesquisador da Unicamp.

Além da questão geográfica, o Wi-Fi esbarra em outros problemas. Um sistema aberto, sem codificação, permite que invasores tenham fácil acesso aos dados transmitidos. Consultar contas bancárias ou trocar informações sigilosas em redes desse tipo é uma prática bastante arriscada.

Por esse motivo, outros serviços de internet paga dificilmente perderiam seu espaço. Quem precisa de uma conexão robusta, segura e muito veloz, não poderia depender do sistema público.

Questionada se a implementação de uma rede gratuita afetaria a estratégia de vendas de seus pacotes 3G, a assessoria da operadora Vivo disse que “a empresa acredita que qualquer meio de popularizar o acesso à internet é benéfico e não altera as estratégias de venda”.

O uso do WiMAX – uma variação de internet sem fio de maior alcance e velocidade – é outra alternativa aos problemas do Wi-Fi. Apesar dos computadores de hoje ainda não estarem adaptados à tecnologia, o pesquisador Franklin Coelho, do projeto Piraí Digital, apresenta uma solução possível.

“Dá para utilizar o WiMAX para fornecer o veio principal de conexão. Os custos seriam menores, já que seu sinal possui maior alcance. A partir dele, seria possível puxar ramificações com tecnologia Wi-Fi, já que a maioria dos computadores (principalmente notebooks) já vêm adaptados a ela.”

VER TAMBÉM NO SITE DA CAMPANHA MARTA SOBRE INTERNET SEM FIO 

23/09/2008 - 12:33h Tadao Takahashi, pai da Internet no Brasil defende proposta de Marta

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Tadao Takahashi foi quem planejou e conduziu a implantação da Internet no Brasil. Criador e coordenador-geral da Rede Nacional de Pesquisas, do Ministério da Ciência e Tecnologia. Foi membro fundador do Comitê Gestor Internet e, em segundo mandato, co-responsável pela formalização do NIG.BR (grupo que opera a internet brasileira). Foi o coordenador-geral do Programa Sociedade da Informação (1999-2003), da Presidência da República. É presentemente membro do Advisory Panel da Global Alliance on ICTs for Development (GAID) das Nações Unidas e consultor de vários projetos da Comissão Européia (X-CROSS, WINGS, etc.) envolvendo tecnologia, educação e sociedade.

Tadao não vota em São Paulo, mas considera que Marta está no caminho certo propondo internet sem fio, de graça, na cidade.

Respondendo aos detratores e, indiretamente, aos jornais que jogam “dúvidas”, em relação a consistência das propostas defendidas por Marta, Tadeo Takahashi elaborou um texto do qual reproduzo a parte final aqui. LF

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16/09/2008 - 17:32h Cidade do Porto com Internet sem fios gratuita

Internet  

Quem se deslocar à Avenida dos Aliados, Palácio de Cristal, Parque da Cidade e envolvente do Edifício Transparente já pode aceder gratuitamente à Internet sem fios a partir de um computador portátil, PDA ou outro equipamento portátil que suporte tecnologia wireless.

O serviço de Wi-Fi gratuito, um projecto desenvolvido pela Associação Porto Digital, será disponibilizado em breve nos Jardins de Serralves, Praça D. João I, Casa da Música e Rotunda da Boavista, pode ler-se no site oficial da CMP.

Está previsto um alargamento da cobertura do serviço no primeiro semestre de 2008, passando a ser abrangidas parte significativa do passeio marítimo e fluvial, Praça da Ribeira, envolventes às estações de S. Bento, Campanhã e Trindade, Rua de Santa Catarina, Batalha, praças dos Leões e de Carlos Alberto, Rua Miguel Bombarda, zonas envolventes aos estádios do Dragão e do Bessa, Praça Francisco Sá Carneiro e Monte Aventino.

O projecto, que prevê a instalação de 50 hotspots, foi concebido de forma a «dispor de capacidade para acomodar os utilizadores, disponibilizando o serviço numa parte significativa da cidade, numa lógica semelhante à da rede Multibanco, próxima e conveniente», afirma o vereador Vladimiro Feliz.

A rede de hotspots utiliza a mais recente tecnologia da Cisco e está estruturada segundo uma malha de canais rádio (mesh) a operar em banda não licenciada (na frequência de 5GHz), sendo disponibilizada uma largura de banda máxima partilhada de 54Mbps.

Quando o projecto foi totalmente implementado, a cidade do Porto poderá contar com a maior rede wireless mesh gratuita da Europa, segundo a CMP. (fonte Ciberia)

09/09/2008 - 09:17h Cada um no seu quadrado

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NELSON VASCONCELOS – O Globo

Há quem diga que a última edição impressa do gigante “New York Times” vai circular em algum momento de 2014, como estima um trabalho da Universidade de Columbia. Ou, no melhor dos cenários, o fim chegará em 2043, como assegura Philipe Meyer, da Universidade da Carolina do Norte, em “The vanishing newspaper”, de 2004.

Chutometria pura ou terror fundamentado?

Difícil saber, porque são muitas variantes e porque bola de cristal não é meu forte. O “NYT” atravessa tremenda crise, como se sabe, mas ainda está muito longe de se tornar uma empresa desprezível. De qualquer maneira, até mesmo seu publisher, Arthur Sulzberger Jr., já chegou a admitir que esse hipotético momento marcante para a imprensa mundial poderia chegar em 2013 — mostrando ainda mais pessimismo que o pessoal de Columbia. E tem mais: Sulzberger Jr. ainda teria declarado, numa conversa privada, que ele mesmo não estaria exatamente preocupado com esse problema.

Essas e outras histórias estão presentes em “The last issue of The New York Times The future of newspapers” (Vittorio Sabadin, www.sol90.com). O autor faz uma longa análise sobre as transformações que a imprensa, em geral, tem vivido em tempos de internet.
Recomendo sua leitura, porque é um assunto que interessa não só a jornalistas, como também a muita gente que acompanha a tal da cultura digital, ou seja, esta época acelerada em que vivemos, puxada pelo largo acesso às tecnologias da informação e, claro, à internet. Afinal, o que está acontecendo no mercado de jornal-papel pode se repetir, mais cedo ou mais tarde, em outros setores da economia envolvidos com o que outrora foi chamado de Nova Economia. Basta ver o quanto a indústria de entretenimento anda apanhando.

Discussões a respeito não têm fim.
Ontem, por exemplo, esteve aqui no GLOBO o Rosental Calmon Alves, que acompanha de perto as relações entre o jornalismo e a era digital. Ele é professor da Universidade do Texas e tem acesso a fontes graduadas em jornais de todo o mundo. Muito do que ele falou à platéia presente certamente interessa aos leitores que estão ligados nesta coluna.

Disse ele, por exemplo, que o sistema de mídia industrial (aquele a que estamos acostumados) deverá ser substituído por um novo sistema de mídia, bem mais competitivo. Motivos? Basta dizer, por exemplo, que os indivíduos conectados, convivendo em rede, ganham mais poder e mais controle sobre a informação (a propósito, Rosental indicou o site ).

Estamos, pois, falando de uma reviravolta. Muito resumidamente, digamos que a imprensa tradicional tinha o privilégio do broadcasting.
Comporta-se ou comportava-se, com freqüência, como um ser superior, irradiando suas notícias e idéias, com pouco espaço para a interação com os leitores. Como sabemos todos, esse tempo está ficando rapidamente para trás. O leitor ganha cada vez mais destaque.

Creiam, a propósito, que esse exercício de desprendimento não é exatamente moleza, sob qualquer ponto de vista. Mas não cabe contestar o avanço da revolução digital, via internet — que, como bem lembrou o Rosental, é uma força que transforma profundamente todos os outros meios.

Taí o paralelo com a indústria fonográfica. Desde o advento do Napster, no início desta década, a venda de CDs caiu, e nasceram o tráfego e o tráfico gratuito de conteúdo. Alguém morreu? Não, mas o cenário mudou, e o poder da indústria de música, intocável até então, continua sendo questionado.

E a indústria da TV? Já comentei aqui na coluna que, nos EUA, as crianças estão cada vez mais ligadas em YouTube, e não nos canais tradicionais. E isso já a partir de 2 anos de idade! Será que elas vão aceitar a TV tranqüilamente quando crescerem? Ou vão querer uma programação sob medida para seus interesses? E voltemos aos jornais, nessa conversa toda. Se você lembrar que a intocável indústria de música está-se reestruturando, pode-se perguntar por que o jornal não vai viver algo parecido.

Vai, não. Já está vivendo nesse meio termo, nessa transição em que a mídia tradicional vai perdendo espaço para a mídia online.
“A audiência passiva transforma-se em redes de comunicação (particip)ativas”, registra Rosental. Nessa comunidade multidirecional, o que interessa chega ao leitor que está devidamente ligado às suas próprias redes. Isso vale para o leitor, para o telespectador, para o consumidor de música etc. Tá todo mundo ligado, cada qual na sua praia, cada um no seu quadrado.

Cabe às empresas que os querem abarcar o maior número possível de nichos, oferecendo o máximo possível de conteúdo, sempre diversificando, sempre à espera de novidades.
E isso dá um trabalho danado…

Haveria mais a comentar sobre as reflexões do Rosental.
Mas nós aqui desta velha mídia, do velho papel, lidamos com uma verdade física chamada espaço. Mas o importante é: me diz aí o que você acha disso tudo.
Sinta-se à vontade para fazer seu comentário em .

POR FALAR NISSO: Na coluna passada, errei o endereço brasileiro da Monster.com, maior empresa pontocom de recrutamento e seleção, que começou suas operações por aqui. O site correto é o . Mil perdões.

E-mail para esta coluna: nelsonva@oglobo.com.br

09/08/2008 - 15:38h O ‘jeitinho’ chegou à grande rede

Daniel Pinheiro – Carta Capital

A imagem “http://www.cartacapital.com.br/uploads/destaques/1218221010350.jpg” contém erros e não pode ser exibida. Durante a apuração da reportagem O Brasil cai na rede, publicada na edição 508 e que tenta explicar os impactos sociais e econômicos produzidos por metade da populção brasileira a navegar na internet, CartaCapital ouviu uma série de especialistas em diversas áreas relacionadas à grande rede.

Alguns desses especialistas deram pistas sobre um fenômeno interessante e bastante particular: a existência de um possível “jeito brasileiro” de se navegar pela web.

Marcelo Coutinho, diretor de análise de mercado do Ibope Inteligência, foi talvez a fonte mais enfática ao indicar uma apropriação e transformação das tecnologias disponíveis na rede por parte dos internautas brasileiros.

Para Coutinho, um estudioso das relações de interatividade entre usuários de ferramentas da chamada Web 2.0 –blogs, redes sociais, sites colaborativos, entre outros–, esse “jeito brasileiro” pode colocar o Brasil em uma posição de vanguarda em alguns aspectos da rede.

Em entrevista concedida à CartaCapital, que transcorreu em clima de conversa descontraída, Coutinho tenta explicar melhor o que significa esse fenômeno da presença maciça do brasileiro na internet.

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08/06/2008 - 14:43h O futuro dos jornais

FOLHA SP

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Blog de política mais popular dos EUA, Huffington Post radicaliza a noção de interatividade, mas ainda depende das reportagens dos grandes diários; para sua fundadora, falar da morte dos jornais é “ridículo”

ERIC ALTERMAN

O jornal norte-americano está na praça há mais ou menos 300 anos. A folha veemente de Benjamin Harris “Publick Occurrences, Both Foreign and Domestick” [Ocorrências Públicas Estrangeiras e Domésticas], só conseguiu tirar um número, em 1690, antes de ser fechada pelas autoridades de Massachusetts.
Harris sugerira uma linha dura e politicamente incorreta quanto à remoção dos indígenas e chocara as suscetibilidades locais ao informar que o rei da França tomava liberdades com a mulher do príncipe.
Mas foi apenas em 1721, quando o impressor James Franklin lançou o “New England Courant”, que as colônias britânicas na América do Norte viram surgir algo semelhante aos jornais de hoje.
Irmão mais velho de Benjamin, Franklin se recusava a aderir às praticas costumeiras de direitos autorais e atacava os poderes estabelecidos na Nova Inglaterra, logrando assim tanto independência editorial como sucesso comercial.
Preenchia seu jornal com cruzadas (contra tudo, dos piratas ao poder dos pastores puritanos Cotton e Increase Mather), ensaios literários, vinhetas e ruminações filosóficas.
Três séculos depois do “Courant”, já não é preciso ter uma imaginação distópica para cogitar quem terá a honra ambígua de publicar o último jornal de verdade nos EUA.
Pouca gente acredita que os jornais, na forma impressa de hoje, tenham chance de sobreviver. Eles estão perdendo anunciantes, leitores, valor de mercado e, em alguns casos, o próprio senso de missão, num ritmo que teria sido difícil imaginar meros quatro anos atrás.
Num discurso recente em Londres, Bill Keller, editor-executivo do “New York Times”, declarou: “Onde quer que editores e publishers se encontrem, a atmosfera é funérea. Os editores perguntam “como você está?” naquele tom que se usa com um amigo que acaba de sair de uma desintoxicação ou um divórcio”.
Seu discurso foi publicado no site de seu anfitrião, o “Guardian”, sob a manchete “Vivo ainda”. Ainda. Mas as tendências de circulação e publicidade, a ascensão da web, que faz o jornal diário parecer lento e lerdo, e o advento da Craigslist, que está extinguindo os classificados, criaram uma sensação palpável de fim iminente.
Nos últimos três anos, os jornais americanos independentes perderam 42% de seu valor de mercado, segundo o empresário de mídia Alan Mutter.
Poucas companhias foram tão punidas em Wall Street quanto aquelas que ousaram investir no ramo jornalístico. A McClatchy Company, a única a dar um lance pela cadeia Knight Ridder quando ela foi a leilão em 2005, perdeu 80% de seu valor acionário desde que concluiu a aquisição de US$ 6,5 bilhões. As ações da Lee Enterprises caíram 75% desde que ela adquiriu a cadeia Pulitzer, naquele mesmo ano.
As companhias jornalísticas mais prezadas começaram, de repente, a parecer um fardo empresarial. Em vez de competir numa era de transformação, as famílias que controlavam o “Los Angeles Times” e o “Wall Street Journal” venderam a maior parte de suas ações.
A New York Times Company viu suas ações caírem 54% desde 2004, em especial no último ano; em fevereiro, o Deutsche Bank recomendou que seus clientes vendessem ações do “New Tork Times”. A Washington Post Company só evitou o mesmo destino ao se apresentar como “empresa de educação e comunicação”; seu braço didático, a Kaplan, agora responde por pelo menos metade do faturamento total.

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07/04/2008 - 15:11h Pensar la contemporaneidad: arte digital, cómo preservar lo efímero

¿Cómo se pueden conservar piezas creadas en soportes inestables?
¿Qué parte de estas piezas pueden preservarse y quién debería hacerlo?
¿Cómo la necesidad de preservar el arte electrónica, el arte contemporáneo por excelencia, puede cambiar la relación entre artistas, curadores y consevadores?
¿Con qué medios cuenta América Latina?

Estas preguntas cruciales son el punto de debate de un seminario que tendrá lugar el miércoles 16 en el Espacio Fundación Telefónica. en Buenos Aires

Especialistas de España, Argentina y Chile estarán allí para intentar responder a estos interrogantes.

Timenotes.jpg

Timenotes, obra de NetArt de Gustavo Romano, artista
argentino a la vanguardia de esta expresión.

La entrada es libre y gratuita y no se necesita inscripción previa.

Las tecnologías, veloces, no se demoran en crecer y generar nuevas modalidades de crear un arte que no se sitúa en un ningún sitio: el espacio virtual se discontinúa y cae. El debate no es menor: cómo preservar el arte por excelencia que caracteriza el siglo XXI.

¿O nos quedaremos sin registros de las creaciones de estos tiempos?

31/03/2008 - 04:03h Conectados na rede

Projeto deve conectar rede escolar do País

O governo federal deve anunciar em abril a instalação de internet banda larga em todas as escolas do País. O coordenador do programa federal de Inclusão Digital, Cezar Alvarez, declarou na Câmara Americana de Comércio, na sexta-feira, que os acordos com operadoras de telefonia, responsáveis pela infra-estrutura tecnológica do projeto, estão em fase final de negociação. O programa receberá R$ 1 bilhão.

27/05/2007 - 12:13h Reflexões pessoais sobre internet e a revolução digital

Internet esta provocando uma gigantesca mudança no comportamento das pessoas com desdobramentos no plano cultural, da mídia, da informação e da política, de vasta dimensão.

As novas tecnologias permitem que internet se transforme na principal mídia, englobando televisão, radio e jornais impressos. Os investimentos em publicidade na internet já demonstram esta importância crescente e diversos estudos indicam que eles atingiram rapidamente os 50 bilhões de dólares.

A TV como ela existe ate hoje, vai desaparecer em beneficio de uma multiplicidade de imagens e conteúdos a disposição sobre uma forma interativa. Nos Estados-Unidos os jovens vêm cada vez menos à televisão e passam cada vez mais tempo na internet. Na França os canais de TV, o telefone e internet passam pelo mesmo operador numa assinatura única. Na tela assistimos indistintamente a um filme trazido pela internet ou de um canal de TV, ao mesmo tempo em que lemos e intercambiamos mensagens por escrito ou ao vivo.

O sociólogo francês Jean-Louis Missika em seu livro “La fin de la télévision” (editora Seuil) disse que entramos em um mundo em que a imagem estará onipresente e a mídia ausente; cada vez mais imagens e menos televisão. Ora uma grande diferencia consiste precisamente no caráter da relação entre essas mídias e internet, pois as primeiras repousam sobre uma relação de dominação sobre o espectador ao qual se impõe a programação e, ao contrario, internet cria um espaço maior e deixa autonomia aos indivíduos. Internet permite, além da liberdade quase infinita de escolha, a interação, ausente antes da revolução digital.

Porem, a profusão de informação e sua dispersão, exigirão cada vez mais credibilidade como grande diferencial dentro desta grande mídia “globalizante” e integradora que é internet. Esta credibilidade decorrerá menos da “monopolização” pela grande mídia da difusão da informação, ou exclusivamente do poderio financeiro dos grupos de imprensa, e cada vez mais nitidamente de sua capacidade a estar “em fase” com as aspirações da sociedade e a “veracidade” da informação veiculada.

Em certa medida, apesar da pequena difusão de internet no Brasil, estes elementos influíram na recente disputa eleitoral presidencial quebrando o relativo monopólio da mídia, pelo menos na sua forma escrita, sobre uma parte dos formadores de opinião confrontados ao questionamento via internet do tratamento dado por alguns jornais ao presidente Lula e ao PT. É que as pessoas dispõem agora de instrumentos accessíveis e de fácil utilização que permitem emitir imagem e transmitir informação com capacidade a competir com os grandes veículos atingindo milhares de pessoas. Tudo isto a um custo baixo.

O poder público pode contribuir grandemente a que este processo não gere uma nova forma de apartheid social, o analfabetismo digital. Não só introduzindo internet e o computador na sala de aula, ou generalizando os telecentros nas periferias dos grandes centros urbanos, como fez Marta Suplicy na cidade de São Paulo. A tecnologia permite hoje que cidades inteiras possam ter internet sem fio (via Win-Max, por exemplo) e pode-se pensar em permitir que esse aceso, gratuito ou a um custo mínimo, seja oferecido pelas prefeituras como um serviço aos cidadãos. Isto permitiria também, com a redução dos custos do computador e a generalização de seu uso um salto gigantesco na libertação provocada por este fabuloso instrumento chamado internet.

Luis Favre