20/09/2009 - 09:18h “Só tupiniquim usa tese falida do Estado mínimo”, diz Dilma

Para ministra, quem defende mercado como solução para tudo está “contra a realidade’

Petista diz que Lula “não pode dar uma opiniãozinha que é intervencionista”, mas aceita rótulo de que governo é “nacionalista e estatizante”

 

Sérgio Lima/Folha Imagem
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A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), em seu gabinete no CCBB, em Brasília

 

VALDO CRUZ – FOLHA SP

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Candidata à Presidência em 2010, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) diz que o Estado mínimo é uma “tese falida”, que “só os tupiniquins” aplicam. Em sua opinião, quem defendia que o mercado solucionava tudo “está contra a corrente” e “contra a realidade”. Principal auxiliar do presidente Lula, escolhida por ele para ser a candidata à sua sucessão, Dilma sai em defesa do chefe diante das críticas de que ele adotou uma política “intervencionista e estatizante”. “Os empresários podem falar o que quiserem, que é democrático. O presidente da República não pode dar uma opiniãozinha que é intervencionista. Diríamos assim, não é justo”, protestou Dilma, num tom exaltado, em entrevista à Folha, na última quinta-feira, em seu gabinete, todo ornamentado com imagens de santos.
Bem-humorada, a ministra afirmou não aceitar a pecha de “intervencionista”, mas não escondeu o sorriso ao dizer que “aceita” e “concorda” que o governo Lula seja classificado de nacionalista e estatizante.
“Esse país não pode ter vergonha mais de ser patriota” ou “que história é essa de nacionalista ser xingamento?” foram algumas de suas frases, sinalizando o tom que os petistas devem usar na disputa de 2010. Apesar de refutar a classificação de intervencionista, ela, a exemplo de Lula, cobra da Vale, uma empresa privada, maior compromisso com o país. “É uma empresa privada delicada”, que não pode sair por aí “explorando recursos naturais do país e não devolver nada”.

FOLHA – O ex-presidente FHC disse que é preciso fazer um país mais aberto, não ter uma pessoa só que manda, porque hoje parece que o Brasil depende de um homem só. O que a sra. acha?
DILMA ROUSSEFF
– A quem ele está se referindo?

FOLHA – Ao presidente Lula.
DILMA
- Se você acha isso, eu não tenho certeza. Se tem um presidente democrático, é o presidente Lula. Agora, ele jamais abrirá mão de suas obrigações. Entre as obrigações está mandar algumas coisas. Por exemplo, fazer o Bolsa Família. Ele mandou que não fizéssemos aventura nenhuma com a taxa de inflação.

FOLHA – A declaração de FHC embute a análise de que no governo Lula houve uma maior intervenção na economia, nas estatais, na vida das empresas.
DILMA
- Tinha gente torcendo para ficarmos de braços cruzados na crise. Diziam: “o governo Lula sempre deu certo, mas nunca enfrentou uma crise internacional”. Apareceu a maior crise dos últimos tempos, que estamos superando. Eu acho que quem defendia que o mercado solucionava tudo, o mercado provê, é capaz de legislar e garantir, está contra a corrente e contra a realidade. O que se viu no mundo nos últimos tempos é que a tese do Estado mínimo é uma tese falida, ninguém aplica, só os tupiniquins. Nós somos extremamente a favor do Estado que induz o crescimento, o desenvolvimento, que planeja.

FOLHA – Pela declaração do ex-presidente, a sra. avalia que eles não teriam seguido a mesma receita de vocês nessa crise?
DILMA
– Eu não gosto de polemizar com um presidente, porque ele tem outro patamar. Agora, os que apostam e ficam numa discussão, que, além de enfadonha, é estéril, de que há uma oposição entre iniciativa privada e governo, gostam de discussão fundamentalista. É primário ficar nessa discussão de que o governo, para não ser chamado de intervencionista, seja um governo omisso, de braços cruzados, que não se interessa por resolver as questões da pobreza nem do desenvolvimento econômico.

FOLHA – Essa maior interferência do governo não levou a uma visão estatizante da economia e a um discurso eleitoreiro, como no pré-sal?
DILMA
- As acusações são eleitoreiro, estatizante, intervencionista e nacionalista. Tem algumas que a gente aceita. Nacionalista a gente aceita. Esse país não pode ter vergonha mais de ser patriota. Eu não vi um americano ter vergonha de ser patriota, nunca vi um francês. Que história é essa de nacionalista ser xingamento?

FOLHA – Nacionalista vocês aceitam. E estatizante?
DILMA
– Se é o aumento da capacidade de planejar o país, de ter parcerias com o setor privado, de o Estado ter se tornado o indutor do desenvolvimento, concordo.

FOLHA – Intervencionista?
DILMA
- Não somos.

FOLHA – Mas eleitoreiro?
DILMA
– Não. Sabemos que quem não tem projeto vai achar tudo eleitoreiro.

FOLHA – Quando o presidente pressiona um dirigente de empresa privada, como Roger Agnelli, da Vale, não é uma ingerência indevida?
DILMA
– Você acha certo exportar minério de ferro e importar produtos siderúrgicos? Ela é uma empresa privada delicada. Porque ela está explorando recursos naturais do Brasil. Você não pode sair por aí explorando os recursos naturais e não devolver nada. O presidente ficou chocado com empresas que demitiram bastante na crise sem ter consideração pelos empregos do país.

FOLHA – Isso representa prejuízo para uma empresa privada.
DILMA
– Não se trata de prejuízo, se trata do tamanho do lucro, a mesma coisa da Petrobras. O que vale para a Petrobras vale para a Vale. A preocupação com a riqueza nacional é uma obrigação do governo. Eu não acho que o presidente foi lá interferir na Vale. O presidente manifestou, assim como muitas vezes os empresários manifestam, seu descontentamento, e não implica uma interferência, a gente tem de democraticamente aceitar as observações, ser capaz inclusive de aprender com críticas. Por que o presidente não pode falar?

FOLHA – A sra. acha que uma empresa privada tem de abrir mão de uma parte do lucro…
DILMA
- Não estou discutindo isso. Estou discutindo é que ela, assim como a Petrobras, nem sempre pode. Se a Petrobras quiser o lucro dela só, vai fazer uma coisa monotônica.

FOLHA – O presidente pensou em tirar o Agnelli da Vale?
DILMA
- Que eu saiba não. Ele não tem poder para isso. Como você disse, é uma empresa privada. O que ele fez foi externar seu descontentamento com a forma que demitiram gente. Ele não fez só para a Vale. Eu acho interessante essa história, os empresários podem falar o que quiserem que é democrático, o presidente não pode dar uma opiniãozinha que é intervencionista. Isso, diríamos assim, não é justo.

FOLHA – Durante o governo houve um grande processo de fusões de empresas no Brasil. Deu-se por um estímulo direto do governo Lula?
DILMA
– São sinais dos tempos. Não tem nada de artificial. Ninguém falou “eu vou ali criar uma empresa fortíssima”. As empresas estavam maduras. As que não se fundiram aqui compraram coisas lá fora.

FOLHA – A sra. defende um Banco Central independente, por lei?
DILMA
– Não acho que seja necessário isso. Não vejo nenhum motivo para criar esse tipo de problema agora no Brasil, abrir esse tipo de discussão.

09/09/2009 - 13:51h Financial Times entrevista Dilma Rousseff

Blog de Azenha

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A entrevista de Dilma ao Financial Times (1)

Atualizado em 09 de setembro de 2009 às 09:17 | Publicado em 08 de setembro de 2009 às 22:58

Primeira parte de entrevista publicada na edição de 7 de setembro do diário britânico Financial Times:

Jonathan Wheatley: Primeiro, por que é este o melhor modelo para o Brasil e para o pré-sal?

Dilma Rousseff: Por que o que?

FT: Por que escolher esse modelo?

DR: Porque esse modelo é certo para a quantidade de petróleo que temos, para o pequeno risco exploratório e por causa dos altos níveis de retorno. Nós queremos manter uma parte maior dos lucros do petróleo.

FT: Vocês se inspiraram em outros modelos de outros lugares do mundo?

DR: Nós estudamos todos os modelos existentes. Cada país escolheu o modelo certo para sua própria história na indústria do petróleo e o que melhor se encaixa em suas necessidades. Somos um país com características próprias.

Desde o início de nossa história na indústria do petróleo havia uma grande interrogação sobre se tinhamos ou não petróleo. As pessoas diziam geralmente que não e que nossas condições geológicas significavam que não tínhamos petróleo. Por nossa conta e risco nós começamos a buscar petróleo em terra. E de fato foi um processo muito difícil. Nós fomos para a água e foi uma longa jornada, primeiro em águas rasas, depois em águas profundas, e agora em águas ultraprofundas.

Não tivemos transferência de tecnologia como outros países tiveram. Nós criamos as circunstâncias para chegar onde estamos, com o pré-sal. Ao produzir petróleo criamos uma grande companhia de petróleo com sua própria tecnologia. Ao mesmo tempo somos um país com uma base industrial diversificada e um grande mercado consumidor.

Agora temos uma oportunidade dupla. Podemos transformar a riqueza natural em riqueza social, para avançar a luta contra a pobreza. Nós acabaríamos com a pobreza no Brasil de qualquer forma, mas o pré-sal vai adiantar isso em anos porque teremos mais recursos para fazê-lo. Teremos educação de alta qualidade, vamos investir em ciência e tecnologia. E ao mesmo tempo temos a chance de criar um indústria de serviços e equipamentos para acrescentar valor ao nosso petróleo.

Assim, a grande pergunta é, o que deveríamos fazer para ficar com uma parte maior da renda do petróleo? Quando você tira petróleo do chão você cria riqueza, já que o custo de produção é muito menor que seu preço final. Quando você recupera os custos e dá um bom retorno ao capital investido, ainda sobra renda. A questão é quem deve ficar com essa renda extra. Escolhemos o modelo de produção compartilhada como forma de ficar com essa renda extra. Ao mesmo tempo temos claro os aspectos da geopolítica do petróleo.

FT: O que isso significa?

DR: O que isso significa? Que países produtores e países consumidores tem interesses distintos. E que hoje 77% das reservas estão nas mãos de companhias nacionais de petróleo, companhias estatais. É de nosso interesse garantir que quaisquer parcerias que o país fizer sejam de grande importância.

FT: Parcerias com?

DR: Com outros países, para fornecer petróleo. Para vender petróleo.

FT: Há algumas coisas que…

DR: Para suprir o mercado internacional de petróleo. Nós somos um país com instituições estáveis, com regras claras, que não rompe contratos, que estamos no Ocidente, e portanto somos um fornecedor de quem se pode depender. Eu não acredito que haja alguém que não queira uma relação conosco. Não estamos em uma área de turbulência, não temos conflitos étnicos e respeitamos contratos. Então, penso que somos extremamente atrativos.

FT: Qual será o papel de outras companhias na indústria de petróleo?

DR: Elas terão um papel importante. Por que? Porque essa é uma parceria que é de interesse para nós, mas é de nosso interesse em nossos termos. Não temos razão para acreditar que toda a renda tem de ser transferida para companhias internacionais de petróleo ou companhias nacionais de petróleo de outros países para atraí-las ao Brasil.

Sabemos que as companhias internacionais de petróleo sabem que as regras do jogo podem mudar quando se passa a uma situação de baixo risco exploratório e de grande lucratividade. Considere os dois grandes blocos que encontramos, Tupi e Iara. Em Tupi temos entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris; em Iara temos entre 2 e 4 bilhões de barris. Então eu te pergunto, por que não seria atrativo para as companhias internacionais de petróleo participar no processo do pré-sal se a questão estratégica de acesso às reservas é garantida por nós? Se você tiver 10 por cento de um bloco de 8 bilhões de barris você tem 800 milhões de barris. Quando você considera que um bloco é considerado grande de 500 a 600 milhões de barris, não vejo qual é o problema.

FT: Uma problema que me foi apresentado é de que as companhias estrangeiras não serão operadoras, elas serão convidadas para ser pouco mais que investidoras de capital.

DR: Não. Não. Elas serão convidadas a participar nos blocos de operação. Hoje, por exemplo, no pré-sal, por que uma companhia internacional de petróleo quer ser parceira da Petrobras?

FT: Para participar do risco e da recompensa?

DR: Não. Não. Porque elas ganham com a transferência de tecnologia da Petrobras. Qual é a diferença entre a Petrobras e qualquer outra grande companhia internacional de petróleo? A Petrobras faz 22% por cento da exploração em águas profundas do mundo. As outras duas companhias privadas mais próximas tem 14% cada. Assim, a Petrobras está no mesmo nível das grandes companhias internacionais de petróleo em termos de conhecimento das águas profundas. Mas aqui no Brasil qual é o grande diferencial? Você sabe qual é?

FT: Qual?

DR: Que a Petrobras conhece os campos sedimentários brasileiros em águas profundas. Já os conhece. E esse conhecimento, você sabe o que produz? Reduz riscos. Se você reduz o risco, você sabe o que isso produz? Alta rentabilidade. Por que argumentamos que a Petrobras deve ser a operadora? Porque ser a operadora significa ter acesso a tecnologia, ditar o ritmo de produção e, ao mesmo tempo, a adoção da tecnologia específica mais apropriada àquela área.

Não vemos qualquer obstáculo a que as companhias internacionais de petróleo participem conosco. Elas terão um papel ativo nos comitês operacionais, op com. Por que elas terão um papel fundamental? Porque… como trabalha o comitê operacional? Todo mundo se senta, certo? E discute o melhor… o operador vai, apresenta seu projeto operacional. E os outros, que tem conhecimento, sem qualquer dúvida, eles discutem se deveria ser desse jeito ou daquele. A Petrobras obviamente vai usar empresas de serviços como qualquer outra companhia internacional.  As companhias tradicionais de serviços, como a Halliburton e outras.

FT: Um comentário que ouvi é de que no Golfo do México, nos Estados Unidos, há mais de 100 companhias operando e que elas se entenderam enquanto faziam. Elas desenvolveram tecnologia em parcerias, atuando, e há uma preocupação de que desde que essas companhias serão minoritárias em qualquer comitê de operação [no pré-sal] vão se dispor menos a trocar tecnologia.

DR: Posso dizer algo? Eu não penso que as tecnologias existentes e disponíveis são segredos tecnológicos. O que faz a diferença entre uma companhia e outra é o conhecimento que ela tem daquele campo, daquela região. Não temos exatamente uma companhia de baixa tecnologia na Petrobras. Se fosse assim não haveria explicação para o número de premios que a Petrobras ganhou da OTC (Conferência de Tecnologia Offshore); na verdade fui a um OTC em Houston para receber um deles, como presidente do conselho.

Assim, não acredito que haja qualquer questão sobre se a Petrobras será excluída de acesso a tecnologia. É muito pouco provável, se você é uma companhia que tem um campo e o que está em jogo é a renda de 600 milhões de barris, que você não vá investir nas melhores práticas. É pouco provável, ninguém dá tiro no próprio pé nessa área, ninguem. De outro parte, estou certa de que nessas parcerias, hoje, as pessoas estão minimizando o papel que todas essas companhias internacionais de serviços jogam. Elas estão sendo subestimadas. Porque nenhuma dessas companhias de petróleo opera sem elas, não que eu saiba.

FT: Ok. Outra dúvida que as pessoas tem é sobre a capacidade de investimento da Petrobras. De onde virá o dinheiro? E gostaria de entender essa questão do…

DR: De onde vem o dinheiro de uma companhia internacional de petróleo? O que você pensa?

FT: Dos acionistas, dos lucros…

DR: Uh uh, na na na. Do tamanho de suas reservas. Se você é um banco, a quem empresta? A uma que tenha reservas. Por que você acha que as pessoas emprestam à Petrobras? Hoje. Por que você acha que nós, no meio de uma crise, temos acesso a dinheiro? Esse argumento não tem base. A idéia de que as companhias de petróleo não vão investir… não acredito nisso por um minuto. Você acredita?

FT: Bem, não tenho opinião, mas pessoas expressaram dúvidas.

DR: Estou te perguntando se é plausível. É o que estou perguntando. A Petrobras terá acesso a financiamentos? Penso que sim. E acho que as companhias internacionais de petróleo vão participar desse investimento.

FT: Explique como a capitalização da Petrobras vai funcionar. São 5 bilhões de barris…

DR: Deixe-me voltar à questão do financiamento. Não estamos tirando as companhias internacionais de petróleo do investimento. É por isso que perguntei a você se é plausível. Estamos dizendo, olhe, venha e participe conosco porque você terá acesso a reservas enormes. A Petrobras será a operadora, o que reduz o risco por causa do conhecimento dela sobre os campos, e você terá um retorno adequado porque as reservas são grandes e você, a companhia internacional de petróleo, será capaz de colocar em seu balanço essas reservas às quais ganhará acesso nos leilões.

Vamos supor que a companhia obtém 600 milhões de barris, poderá registrá-los e será capaz de se financiar da mesma forma que a Petrobras. Então não acreditamos que o financiamento virá só da Petrobras, nem só das companhias internacionais de petróleo, nem só dos bancos. Virá da melhor combinação possível entre os três. É por isso que digo que não acredito ser plausível supor que se o arranjo é dessa forma ou daquela outra, isso vá reduzir o acesso ao capital. O que garante o acesso ao capital para uma companhia de petróleo e permite que ela se financie é precisamente a quantia de reservas de que dispõe.

FT: Mas a dúvida é…

DR: É um círculo virtuoso.

FT: Mas a dúvida é sobre de onde vem o capital que colocará esses poços em produção. Por exemplo, Tupi tem de 5 a 8 bilhões de barris. Se o custo de extração é de 10 dólares por barril, estamos falando de algo entre 50 e 80 bilhões de dólares, o que é um monte de dinheiro.

DR: Para um período de 35 anos. Ninguem tira tudo aquilo em um ano.

FT: Não, com certeza, mas…

DR: Seria fisicamente impossível. Deixa eu explicar.

FT: Mas há uma companhia [a Petrobras] que fica com de 30% a 100% de todo bloco…

DR: Deixa eu explicar. Tupi e Iara já estão sob concessão. Ok? Para a Petrobras, Tupi e Iara estão sob concessão. Assim, não fazem parte desse novo modelo regulatório.

FT: Sim…

DR: Na sua parte de Tupi e Iara, a Petrobras está investindo 174 bilhões de dólares até 2013. Certo?

FT: Não, é o total para tudo….

DR: São 174 bilhões de dólares sem contar o pré-sal. Isso é antes do pré-sal. Você sabe quanto a Petrobras levantou durante esse ano de crise? Foram 31 bilhões de dólares. Você sabe como levantou 31 bilhões de dólares? Vendeu petróleo adiantado à China [U$ 10 bilhões]. Ok? Nós colocamos 12,5 bilhões de dólares; 12,5 bilhões. O resto [a Petrobras] levantou no mercado. Levantou 31 bilhões de dólares. Ninguem no mundo levantou 31 bilhões de dólares. Entre fundos próprios, vendas adiantadas e acesso ao financiamento — e não estou falando do pré-sal, que é um processo que vai levar décadas, isso é o pré-pré-sal.

FT: Mas o pré-sal em si vai requerer centenas de bilhões.

DR: Vai. Parte disso, vamos capitalizar. Estamos dando à Petrobras 5 bilhões de barris. Dos 5 bilhões de barris que a Petrobras terá, parte será de sua própria renda. Outra parte, vai mostrar a qualquer banco internacional que tem 5 bilhões de barris extras para dar de garantia. E [a Petrobras] tem um bom acesso às reservas do Brasil. O rating da Petrobras será bom.

FT: E…

DR: E te digo mais. Não há país no mundo com o qual conversamos recentemente onde… a grande pergunta é, como eu participo do pré-sal?

FT: Estive lendo a lei que você mandou para o Congresso e há um parágrafo dizendo que a União, através de um fundo criado por lei, pode participar em investimentos e atividades de produção. Que fundo é esse e como vai funcionar?

DR: Você tem familiaridade com o mecanismo norueguês?

FT: Sim.

DR: Quando eles ainda tinham grandes reservas, a Statoil era obrigada a ficar com 50%. Em alguns casos a União pôs dinheiro, em outros não. Em nosso modelo, em princípio, não adiantamos qualquer dinheiro. Mas, caso a caso, se decidirmos participar, poderemos. É assim que funciona. Deixe-me explicar o fundo. Todo o dinheiro que extrairmos do pré-sal irá para um fundo. Esse fundo vai gastar sua renda em várias atividades. Lutar contra a pobreza, investir em educação, ciência e tecnologia. Mas ao mesmo tempo também vai investir.

FT: Então é o mesmo fundo.

DR: Esse mesmo fundo precisa criar renda, tem que fazer seu dinheiro funcionar. Então pode investir em ações, em vários bônus internacionais, você pode fazer investimentos diretos. E quando esse fundo atingir um grande volume, pode ser que o investimento mais atrativo no Brasil seja no setor do petróleo. Por que não? Assim, em princípio, a União não coloca qualquer dinheiro, mas no futuro, se quiser, poderá.

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Full text: Dilma Rousseff interview

Published: September 7 2009 18:15 | Last updated: September 7 2009 22:13

Jonathan Wheatley, the FT’s Brazil correspondent, interviewed Dilma Rousseff, chief minister to President Luiz Inácio Lula da Silva of Brazil on September 2. Ms Rousseff is a former mines and energy minister and remains chairman of the board of Petrobras, the government-owned but publicly-traded oil company. She is one of the architects of the government’s proposed new regulatory regime for the oil industry that will govern operations in the pre-salt fields, Brazil’s potentially enormous off-shore oil deposits discovered over the past two years.

FT: First, why is this the best model for Brazil and the pre-salt?

DR: Why what?

FT: Why choose this model?

DR: Because this model is right for the amount of oil we have, for the low level of exploratory risk, and because of the high levels of returns. We want to keep a bigger part of the oil revenues.

FT: Were you inspired by other models around the world?

DR: We studied all the models in existence. Each country has chosen the model that is right for its own history in the oil industry and best suits its needs. We are a country with characteristics very much our own. From the beginning of our history in the oil industry there was a big question mark over whether we had any oil. People often said we didn’t have any and that our [geological] conditions meant that we couldn’t have. At our own cost and risk we began to look for oil on land. And indeed it was a very difficult process. We moved off land and underwent a long journey, to shallow water, then to deep water, and now to ultra deep water.

There was no transfer of technology in the way that other countries have had. We created the circumstances for us to get to where we are now, with the pre-salt. By producing oil we created a great oil company with its own technology. At the same time we are a country with a diversified industrial base and a large consumer market.

Now we have a double opportunity. We can transform natural wealth into social wealth, to advance the fight against poverty. We were going to end poverty in Brazil anyway, but the pre-salt will bring that forward by years because we will have more resources to do it. We will have high quality education, we will invest in science and technology. And at the same time we have the chance to create a supplies and services industry and add value to our oil.

So the big question is, what should we do to appropriate a greater share of the oil revenues? When you bring oil out of the ground you create revenues, because the cost of producing oil is much less than its final price. So once you have recovered the costs, and delivered an adequate return on the capital invested, there are still revenues left over. The question is who should have this extra. We chose the shared production model as a way of appropriating this extra revenue. At the same time we are very clear about the geopolitical aspects of oil.

FT: What does that mean?

DR: What does that mean? That producing countries and consuming countries have different interests. And that today 77 per cent of reserves are in the hands of national oil companies, state oil companies. It is in our interest to ensure that whatever partnerships the country might enter into are of great importance.

FT: Partnerships with?

DR: With other countries, to supply oil. To sell oil.

FT: There are some things that…

DR: To supply the international oil market. We are a country with stable institutions, with clear rules, that doesn’t break contracts, that is in the west, and is therefore a reliable supplier. I don’t believe that anybody won’t want to have a relationship with us. We are not in an area of turbulence, we don’t have ethnic conflicts, we don’t have religious conflicts and we respect contracts. So we think we are extremely attractive.

FT: What will be the role of other companies in the oil industry?

DR: They will have an important role. Why? Because this is a partnership that is of interest to us, but it is of interest to us on our terms. We have no reason to think that the revenue has to be entirely transferred to international oil companies or to national oil companies in other countries in order to attract them to Brazil. We know that international oil companies know the rules of the game change when you move to a situation with low exploratory risk and high profitability. Take the two biggest blocks we have found, Tupi and Iara. In Tupi we have between 5bn barrels and 8bn barrels; in Iara we have between 2bn barrels and 4bn barrels. So, I ask you, why would it not be attractive for an international oil company to take part in the pre-salt process if the strategic question of access to the reserves is guaranteed by us? If you have 10 per cent of a block of 8bn barrels you have 800m barrels. When you consider that a block is considered large from 500m to 600m barrels, I don’t see what the problem is.

FT: One problem that has been put to me is that foreign operating companies won’t actually be operators, they are going to be invited to be little more than capital investors.

DR: No. No. They will be invited to take part in the operating blocks. Today, for example, in the pre-salt, why would an international oil company want to be a partner with Petrobras?

FT: To participate in the risk and reward?

DR: No. No. Because they gain from technology transfer from Petrobras. What is the difference between Petrobras and any other big international oil company? Petrobras does 22 per cent of the world’s exploration in deep waters. The other two nearest who are private international companies have 14 per cent [each]. So Petrobras is on a level with big international oil companies in terms of knowledge of deep waters. But here in Brazil what is its big differential? Do you know what it is?

FT: What?

DR: That it knows the Brazilian sedimentary fields in deep waters. It knows them. And this knowledge, do you know what it produces? Reduced risk. If you reduce the risk, do you know what you produce? Higher profitability. Why do we argue that Petrobras should be the operator? Because being the operator means having access to technology, setting the rate of production, and at the same time, adopting the specific technology most appropriate for that area. We don’t see any obstacle to the international oil companies that will participate with us. They will have an active role in the operational committee, the op com. Why will they have this fundamental role? Because, how does the operational committee work? Everyone sits down – right? – and discusses the best… the operator goes in and presents its operational project. And the others, who have knowledge, without a doubt, they discuss if it should be like this or like that. Petrobras obviously will contract service companies like any other international company. The traditional service companies, like Halliburton and the others.

FT: One comment I’ve heard is that in the US Gulf of Mexico there are more than 100 companies operating and they have worked out how best to operate while actually doing it. They develop technology in partnerships on the job, and there is a concern that since these companies will be minorities in any operating committee that they will be less willing to share technology.

DR: Can I say something? I don’t think that the technologies in existence and available are technological secrets. What makes the difference between one company and another is the knowledge that it has over that field, that region. We don’t exactly have a low technology company in Petrobras. If it was like that there would be no explanation for the number of prizes that Petrobras has won from the OTC [Offshore Technology Conference], in fact I went to an OTC in Houston to receive one of them, as chairman of the board. So I don’t believe there’s any question of Petrobras being excluded from access to technology. It’s very unlikely, if you are a company that has a field and what is at stake is the income from 600m barrels, that you won’t invest in the best practices. It’s very unlikely, nobody shoots themselves in the foot in this area, nobody. On the other hand I’m sure that in these partnerships, today, people are minimising the role that all these international oil service companies play. They are underestimating it. Because none of these companies operate without them, not that I know of.

FT: OK. Another doubt that people have is over the capacity of Petrobras to invest. Where will the money come from? And I’d like to understand this question of…

DR: Where does the money come from for any international oil company? Where do you think?

FT: From its shareholders, its profits…

DR: Uh uh, na na na. From the size of its reserves. If you are a bank, which company do you lend to? The one with the reserves. What do you think is the reason people lend to Petrobras? Today. Why do you think that we, in the middle of the crisis, have had access to money? That argument has no basis. The idea that oil companies won’t invest… I don’t believe that for a minute. Do you believe it?

FT: Well, I don’t have any opinion, but people have expressed doubts.

DR: But I’m asking you if it’s plausible. That’s what I’m asking. Will Petrobras have access to finance? I think it will. And I think the international oil companies will take part in the investment.

FT: Explain to me how the capitalisation of Petrobras will work. It’s 5bn barrels…

DR: Let me go back to the question of funding. We’re not taking the international oil companies out of the investment. That’s why I asked you if it’s plausible. We’re saying look, come and participate with us because you will have access to enormous reserves. Petrobras will be the operator, which reduces the risk because of its knowledge of the fields, and you will get an adequate return because the reserves are large and you, the international oil company, will be able to put onto your books those reserves you gain access to in the auction. Let’s suppose the company gets 600m barrels, it will be able to register them and it will be able to leverage itself in the same way Petrobras will. So we don’t think the funding will come only from Petrobras, nor only from the international oil companies, nor only from the banks. It will come from the best possible combination between them. That’s why I say I don’t believe that it’s plausible to suppose that if the arrangement is this one or that one it reduces the amount of access to capital. What guarantees access to capital for an oil company and allows it to finance itself is precisely the amount of reserves that it has.

FT: But the doubt is…

DR: So it’s a virtuous circle.

FT: But the doubt is over where the capital comes from to bring these wells into production. For example, Tupi has 5bn to 8bn barrels. If the cost of extraction is $10 per barrel, that’s $50bn to $80bn in one field, which is a lot of money.

DR: Over a period of 35 years. Nobody takes all this out in a year.

FT: No indeed, but there is….

DR: That would be physically impossible. Let me explain.

FT: But there is one company taking between 30 per cent and 100 per cent of every block…

DR: Let me explain. Tupi and Iara are already under concession. OK? To Petrobras, Tupi and Iara are under concession. So they are not part of this new regulatory model.

FT: Yes…

DR: In its part of Tupi and Iara, Petrobras is investing $174bn up to 2013. Right?

FT: No, that’s the total in everything…

DR: $174bn, without the pre-salt. This is before the pre-salt. Do you know how much Petrobras raised during this year of crisis? $31bn.

Do you know how it raised $31bn? It sold 10bn in advance to China. OK? $12.5bn we put in. $12.5bn. The rest, it raised in the market. It raised $31bn. Nobody else in the world raised $31bn. Between internal funds, advance sales and access to finance, and I’m not talking about the pre-salt, which is a process that will take decades, this is pre-pre-salt.

FT: But the pre-salt itself will require hundreds of billions.

DR: It will. Part of it, we are capitalising. We are giving Petrobras 5bn barrels. Of the 5bn barrels Petrobras will have, part of this will be its own income. Another part, it will show any international bank that it has 5bn barrels extra as guarantee. And it has good access to Brazil’s reserves. Its rating will be good.

FT: And…

DR: And I’ll tell you something else. There is no country in the world that we have talked to recently where…. the big question is, how can I take part in the pre-salt?

FT: I’ve been reading the bill you sent to Congress and there’s this paragraph saying the Union [the Republic of Brazil] through a fund created by law may take part in the investments and activities of production. What fund is this and how will it work?

DR: Are you familiar with the Norwegian mechanism?

FT: Yes

DR: When they still had a lot of reserves, Statoil was obliged to take 50 per cent. In some cases the Union put in money and in some cases they didn’t. In our model, in principle, we won’t advance any money. But in case, in case, we decide to take part, we can do so. That’s what this is about. So let me explain the fund. All the money that we extract from the pre-salt will go to a fund. This fund will spend its income on various activities. Fighting poverty, education, science and technology. But at the same time it will invest.

FT: So it’s the same fund.

DR: This same fund has to create income, it has to make its money work. So you can invest in shares, in various international bonds, you can make direct investments. And when this fund has reached a large volume, it could be that the most attractive investment available in Brazil is in the oil sector. Why not? So in principle the Union doesn’t put in any money but if in the future it wants to put money in, it can.

FT: And it puts in via Petro-Sal, via Petrobras?

DR: No, it puts it in directly, it’s the fund that invests, in the consortia. Let’s suppose the Union takes a 60 per cent share in a consortium. It puts its money in. The fund joins the consortium.

FT: There’s another doubt about this comparison with the Norwegian model, where…

DR: No, it’s different.

FT: No, exactly, it’s different. In Norway there is a very strong separation between the government, the regulator and StatoilHydro. Here the government is capitalising Petrobras and it can come in as an investor, so it’s coming in on both sides…

DR: I’m sorry but I don’t think this is the difference. In Norway, they don’t do auctions. There, the criteria for choice of partnerships are more subjective. Who makes the choice is the ministry, it’s not a manner, let’s say, in which there is no subjectivity. Because for us, the winner is the one that offers the biggest share [of oil to the government]. In Norway, no. There’s no tendering and no auction. This is a substantial difference.

The second substantial difference is that in Norway, the reserves are in decline, so they can’t be compared with us because we are in the phase of rising reserves. The North Sea can no longer be compared with the pre-salt. But in Norway, Statoil used to be guaranteed 50 per cent. We are giving 30 per cent [to Petrobras] of the investment and less [than that] of the profit. In Norway Statoil had 50 per cent of the investment. There are various other differences I could list.

FT: And what is happening with the ANP [Brazil’s independent oil industry regulator]?

DR: The ANP has a central role.

FT: But there are some functions that the new law gives to the CNPE [the national council on energy policy, a government body] that used to be the ANP’s. The choice of the blocks…

DR: No, no. We never gave that to the ANP. For example when the pre-salt was taken out of the last auction round, it was done by the CNPE.

FT: The management of the auctions…

DR: No. Look. What is the role of the ANP? Who does the auctions? The ANP. The auction process is handled by the ANP and the ANP does the contracts. The contracts are signed by the ministry of mines and energy, because they are signed in name of the Union. How does this model work? It’s a system of checks and balances. Petro-Sal, which represents the Union in the management of the blocks, enters the consortium in the name of the Union to oversee the cost of the oil and investment decisions. Because the cost of the oil is a strategic variable. Right?

FT: Right.

DR: And inside the consortium, in the operating committee, an operating plan is approved. Then the ANP has to approve this plan just as it approved them before. The ANP looks at Petro-Sal like any other agent. So there are checks and balances because Petro-Sal does one thing, but the ANP above it is the regulator. OK? So, it’s a very good question because it could seem that we were doing away with the role of the ANP, but it’s the contrary.

On the other hand, the rate of production isn’t decided by the ANP. The ANP doesn’t make policy. It regulates. The interests of the Union are defined by the CNPE which is an organ linked to the Presidency of the Republic. And it defines at what rate we will produce oil and the amount of local content that we want in the supply of goods and services. And that isn’t a role for the ANP because it’s a political role.

FT: Understood. Now, explain the capitalisation of Petrobras, which is something I don’t understand. Petrobras will be able to sell these exploration rights at a certain price, and the higher the price, the more money the government puts into Petrobras, correct? And what happens to the minority shareholders? If the price is high, they have to pay a higher price as shareholders and also pay to take part in the capitalisation or else be diluted?

DR: Let me explain. There are various separate stages. That’s why it’s a good question. First, we authorise the transfer of 5bn barrels of oil equivalent to Petrobras, and to do this transfer we will do a contract under which Petrobras will pay us for the 5bn, OK? And we will use this money to capitalise Petrobras, OK? There are two parallel operations.

I’ll explain how. What will we do? We will contract an independent evaluator to set the price per barrel. That price will have to be certified by the ANP. Then, Petrobras and the government will have up to 24 months – the first evaluation is a simpler one – Petrobras and the government will have 24 months to contract out a definitive valuation.

FT: OK…

DR: If the definitive evaluation is bigger than the first one, Petrobras will pay the Union. If it’s smaller, the Union will pay Petrobras. We know that the price of oil under the ground is one thing, and the price of oil above ground is another. Why will there be these two stages? Because we will discount here, at the second stage, the operating costs.

In any event, when you increase the company’s capital, minority shareholders have the right, because Petrobras is a public company, to exercise their option in full or in part in proportion to their shareholding. This is company law anywhere in the world. At every increase in capital, the minority shareholders have to be called to take part. Either they pay more or they are diluted. This is under any hypothesis, whether its done with oil or money or government bonds.

FT: So Petrobras and the government will decide together…

DR: No, no, we will contract out an independent evaluation and the ANP will certify the contract. When the ANP certifies it, the operation with Petrobras is completed. Petrobras takes government bonds, or money, it can pay any way it likes and we, once we have received this, will deliver it back to Petrobras.

FT: So the minority shareholders…

DR: They will have to be called, that’s an obligation, or you would be damaging their rights.

FT: And the higher the price, the more the minorities will be called on to pay…

DR: That’s life, isn’t it? The more money we put in, the more the minorities will be asked to contribute. And the less we put in, the less they will be invited to contribute.

FT: What is the logic of the Union capitalising Petrobras as an operator, to increase its ability to operate, instead of having the new fund put money in so that the cost of operation is less?

DR: Good question. First, the fund doesn’t have any money.

FT: But the government does…

DR: In the future. Second, Petro-Sal idem, it doesn’t have any money. The government has, but it hasn’t got so much money that it can go out capitalising Petrobras in that way. As it is highly advantageous for Petrobras to be paid in barrels, it’s much better for the government to capitalise it in barrels. There’s no disadvantage to Petrobras.

FT: But the question is about the relation between a company that is basically government-owned but has most of its capital in the hands of minorities…

DR: Of course, if it was a private company, if we were putting 5bn barrels into the hands of a private company, it would like that a lot. So we are neither damaging the rights of Petrobras nor of the minorities.

FT: But I want to understand the logic. The government will put in money to reduce the cost of production and it could put it in via Petro-Sal to reduce the cost for all operators, Petrobras and the rest.

DR: But we don’t have any money at all in Petro-Sal. We don’t want to transform Petro-Sal into an operating company.

FT: OK, but I mean either via the fund or directly, since you’re putting public money into Petrobras…

DR: But why would we put in public money?

FT: To lower the cost of production and get more oil flowing more quickly.

DR: Only if we gave subsidised money. What for? Why would we take Brazilian money and give subsidised funding to Petrobras or any other oil company, Brazilian or not?

FT: In the way you described that the fund can come in as an investor.

DR: Be we won’t be subsidising anything.

FT: No, I don’t mean as a subsidy, I mean as a way of reducing the overall cost for the operators.

DR: But look, this will happen at different stages. In the first stage, there is no money in the fund. And we won’t give any money to Petrobras. We will give it funding the form of barrels of oil. Petrobras can convert this into money. We can’t but Petrobras can, it’s an oil company. And I’ll tell you, I think this is very creative. I’m taking wealth that exists, that everybody knows is there, I’m taking this wealth and capitalising Petrobras. I’m doing a contract to transfer rights to Petrobras. And Petrobras has to pay me. At what price will it pay me? At a price related to the profit from the production of these 5bn barrels. I’ll hire an evaluation and I’ll say, look, the price per barrel down there under the sea is one thing, I’ll pay a certain amount, let’s say it’s 1. So I’m paying you 1. Then this price is certified. At the current stage of our knowledge, it’s 1. This will help Petrobras to raise finance, improve its international standing, its balance sheet will get better, when the banks look at it’s accounts they’ll say, ah, they’re much better. Fine. Based on this I drill several wells, one here, one there, one over there, and I say, ah, I have 5bn barrels here. My seismic says this, my exploration study says this, I have all this knowledge about this field, and this value isn’t 1. It’s 12. OK? So my contract, with this clause about the adjustment, goes to 12. So it’s not 5bn, its 5bn times this and Petrobras owes me X. It does a capital call and pays me with shares. I call the minority shareholders and they put in money. Great for me, because money has come in, it’s primary income, excellent. If the minorities don’t come in I have shares in Petrobras that are worth X amount on the international market. If the minority shareholders don’t come in of course their share will be diluted. It’s like that anywhere in the world.

Now, there’s one thing that I didn’t answer. Why don’t we do it with money? Because, as I was saying, at stage one in the capitalisation process: investments are always made in advance. It takes years before you arrive at the point of bringing up oil. So at the beginning we don’t have money in the fund, we don’t have any resources from the pre-salt. Nothing. What do we have? We have the reserves that Brazil has accumulated. But it makes no sense for the government to do this now if it can hand over 5bn barrels and with that put Petrobras in a better situation, ensure that it can raise funding on international markets, given that it has this access.

FT: So who will pay for the first years of investment?

DR: We will. With the 5bn barrels of oil.

FT: But who will lend the money?

DR: Today, if you look at this year, coming out of the crisis, there are $12.5bn that we guaranteed. $10bn from the contract with China, in which we supply oil and China advances the money. So that’s $22.5bn. So to get to $31 leaves $8.5, OK? And we got that on the international market. So there are various ways to capitalise Petrobras. Without a shadow of a doubt, Petrobras will become because of the pre-salt, a large and interesting player to do partnerships with, to do investments and loans. With the return to economic growth in the developed countries and the performance of the emerging countries we are certain that Petrobras will offer extremely attractive greenfield investments. We have no doubt of that, from the traditional international financiers, the banks, especially if their situation improves, and form other international partners that will appear. But we are certain of one thing. This stress test that the Brazilian government and Petrobras have gone through, which is that after the fall of Lehman Brothers and the absolute closure of international credit lines, we survived. So if we have survived the worst scenario of recent times I don’t have the slightest doubt that Petrobras will have every possibility of raising finance on international markets. If you look at the performance of the oil industry, only Petrobras and one other company reported profits.

FT: When will the next auction round for new blocks take place?

DR: We have to wait for this [the new regulatory framework] to be approved in Congress. Minister Lobão [mines and energy] said in a press conference that he was looking at the possibility of doing a round of concessions this year. Concessions, not production sharing, not the pre-salt. For the pre-salt we have to wait for the regulatory framework. That’s why the government is using the urgency system in Congress [which gives it 90 days to approve or reject the bills]. Now, we are confident that Congress will evaluate this quickly so that we can beginning work on the pre-salt.

FT: What will be the impact of all this on the elections next year?

DR: It’s like this. In Brazil we have a difficult situation, and I’m glad you asked the question. Life is difficult, we have a cycle of four years at the federal and state government level, and a separate four-year cycle for the municipal governments that gives us elections every two years. So you’ve either just been elected, or you’re in the municipal cycle, or you’re in the intermediate year or you’re in election year again. So it’s not possible to imagine that things can only be done in Brazil in years with no election, or else there would be very little time to get anything done. And we’re not in a situation where the people can be kept waiting. This year they’re saying that everything we are doing is electoral, and this year is an intermediate year. Imagine next year.

FT: Well, it’s next year that the bills are likely to be approved.

DR: Yes, it has to be approved next year.

FT: And your candidacy?

This candidacy, this is something, I don’t know if you’ll understand the Brazilian expression, but I always say to the Brazilian press that I won’t talk about my candidacy not even tied up.

But let me tell you one thing about the pre-salt. We looked at all the other regulatory systems in the world. Not me, we commissioned a study for the BNDES. We looked at Angola, everything about Norway, the United States, what was done in the North Sea, the Middle East. We looked at contracts, auction systems, and I’ll tell you something. In few places were there pure auction, in very few places.

FT: Do you think you’ve created a new model?

DR: We adapted various things for Brazil, but we had to adapt them, because here, for example, if you compare Brazil and Norway, there are enormous differences because of each country’s history. We began in Brazil with everybody saying there was no oil. And Petrobras has grown with each step that we’ve taken, side by side. It hasn’t made any great leaps, it has grown alongside the knowledge that we have about our reserves. And it’s Petrobras that has made the discoveries, in contrast with what happened in Norway, where part was discovered by international oil companies. And then Statoil came later and took over control of the reserves. Here the process was different. We began in great difficulties, because the oil in the Campos Basin is heavy, it has high sulphur content, and it’s hard to find. So the concession regime was right for that moment.

And it attracted medium sized companies, like Galp – Chevron came but it was the only big one. But the big ones appeared in strength on the day that we sold concessions in the pre-salt area. And the reason they were attracted was the size of the reserves and the quality of the oil. That’s what explains the presence of big oil companies in some strange parts of the world. Of course operating conditions are a factor but not to the extent that people would have you believe. Of course the companies would like us to keep the concessions system. But that’s not what attracts them. It is the quantity and quality of the oil. One oil company executive said to me the other day, what matters to us is clear and stable rules. And Brazil has clear and stable rules. And he didn’t say that to make me happy. It’s what will happen. We will deliver clear and stable rules. And it is possible in these conditions for an international oil company and a national oil company, as other national oil companies do in other countries, to enter a contract and take their profit.

Today it’s not a trivial matter to have access to reserves. We think we have created a stable and attractive market and international oil companies will want to operate under these rules, which we hope will be approved by Congress. At least this is what we have proposed. Congress can always change it.

But let me tell you: for us the pre-salt is a passport. It’s a passport out of the condition of being the most unequal country in the world.

16/08/2009 - 11:41h Pesquisa traz preocupações a Serra e Dilma

KENNEDY ALENCAR colunista da Folha Online

 

 

A mais recente pesquisa Datafolha sobre a sucessão presidencial mostra um quadro de estabilidade que deverá preocupar os dois principais pré-candidatos ao Palácio do Planalto: o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT).

Aos olhos de hoje, a pesquisa reforça a ideia de que o mais provável será um duelo entre Serra e Dilma no segundo turno de outubro do ano que vem. Por ora, apostar nesse cenário parece ser o mais sensato.

Mas faltam quase 14 meses para a disputa em primeiro turno. É tempo suficiente para surpresas. E há fatos novos em campo.

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Efeito Marina no PSDB

Primeiro, vamos ao resultado do levantamento. Serra continua a liderar com 37%. Teve oscilação negativa de um ponto percentual em relação à última pesquisa, realizada no final de maio. Em março de 2008, ele marcou 38%. Foi a 41% no final de novembro do ano passado. Manteve esse índice até meados de março deste ano. Caiu para 38% no final de maio. E agora marcou os 37% acima citados.

Não dá para falar em tendência de queda de Serra. Ele permanece estável na liderança, mas a oscilação negativa pode ter algo a ver com a entrada da senadora Marina Silva (AC) no jogo presidencial. Ela vai deixar o PT para disputar a Presidência pelo PV.

Os tucanos comemoraram a eventual candidatura de Marina. Avaliam que ela prejudicará mais Dilma do que Serra. Pode ser uma avaliação precipitada.

O discurso de Marina tem potencial para atrair parte do eleitorado mais rico e mais escolarizado que, insatisfeito com o PT no poder, estacionou sua preferência no tucanato.

Oscilações negativas de um ou dois pontos, dentro da margem de erro, se mantidas nas próximas pesquisas, afetarão o cenário de favoritismo de Serra. Essas oscilações não devem ser descartadas.

Marina tirará votos do PT, mas também do PSDB.

*

Parou por quê?

A pesquisa vai gerar preocupação entre os estrategistas de Dilma. Candidata de Lula, a ministra vinha crescendo de março de 2008 ao final de maio de 2009. Agora parou. Parou por quê? Eis a questão.

Vamos aos números da petista _em pesquisas, vale mais a curva, a tendência, do que o número absoluto de um levantamento.

Dilma saiu de 3% no final de março de 2008 para 8% quando novembro terminou. Foi a 11% em março deste ano. E voltou a subir, conquistando 16%, no final de junho. De lá para cá, manteve essa marca.

É justo reconhecer que a candidatura de Dilma ganhou fôlego.

Especulação: os efeitos negativos da crise econômica podem ter freado sua ascensão, que tenderia a ser retomada com a recuperação da economia já em curso neste momento. Pode ser. Mas também pode ser que Dilma tenha se aproximado de um teto ao qual chegou embalada pelo suporte do presidente Lula, cuja popularidade é alta. Agora, ela teria de mostrar serviço por conta própria. Nessa hora, surgiu Marina.

*

O fato novo

Os três pontos percentuais da senadora do Acre não podem ser considerados uma marca ruim. Ela estava totalmente fora do debate presidencial, o que significa não aparecer na mídia e nas conversas do meio político.

A 14 meses da eleição, Marina tem tempo para se tornar conhecida e crescer. Convenhamos: quem viu Dilma sair de 3% para 11% em um ano poderá ver Marina repetir o trajeto.

É fato que o PV é um partido sem estrutura nacional. Tem pouco tempo de TV e rádio no horário eleitoral gratuito. Enfrentará dificuldade para arrecadar recursos financeiros. E há muita gente com currículo esquisito na legenda.

Mas Marina é um fato novo, tem bom apelo para ser vendida, diria um marqueteiro. Ambientalista com os pés no chão e com uma história pessoal semelhante à de Lula, ela pode se apresentar como diferente dos políticos tradicionais porque isso é um fato.

Quem acompanha política sabe que Marina é diferente. Não fez tudo para ficar no poder. Não atua na base do é dando que se recebe. Enfim, há predicados que vão gerar simpatia numa faixa do eleitorado, sobretudo na mais escolarizada e mais rica. Será preciso, claro, combinar com os russos: o grosso do eleitorado, fatia menos escolarizada e de menor renda.

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De volta ao jogo principal?

Ciro Gomes (PSB) manteve os 15% da última pesquisa. Sua trajetória no Datafolha é a seguinte: 20% em março de 2008, 15% no final de novembro, 16% em março de 2009, 15% no final de maio deste ano e 15% agora.

Tem peso, mas não é o preferido de Lula, que ainda deseja mais que ele concorra ao governo paulista do que à Presidência. O presidente continua a apostar num confronto plebiscitário entre Serra e Dilma.

Essa é uma visão arrogante. Lula não enxerga ou finge não enxergar o fator Marina. Talvez seja interessante manter Ciro na contenda presidencial, a fim de que dois candidatos do atual campo governista defendam a sua administração.

Não vale um centavo furado a história de que Marina não vai atacar o governo. Basta ler suas declarações aos jornais.

Talvez seja interessante o presidente esquecer essa possível candidatura de Ciro ao governo paulista, algo artificial demais para funcionar. Alguns petistas acham melhor contar com mais uma opção numa eleição presidencial que vai ser dura. Ciro já entendeu isso e se reposicionou. Tirou gás do projeto paulista.

O governo confia na recuperação da economia e no conjunto de suas realizações para eleger Dilma. É uma estratégia respeitável e correta. Será suficiente?

*

Aliança PSOL-PV sairá?

A senadora Heloisa Helena (PSOL), que marcou 12%, mantém um bom patamar no Datafolha. Tinha 14% no final de maio de 2008 e repetiu a taxa em novembro. Caiu para 11% em março deste ano. Oscilou negativamente para 10%. E agora obteve 12%.

HH está no jogo, mas pode fazê-lo ficar mais interessante se fechar uma aliança do PSOL com o PV. Ela reforçaria Marina.

*

O jogo vai esquentar

Falando da própria senadora do Acre, já foram abordadas as vantagens e dificuldades. Por ora, ela é o novo. Vamos ver que discurso construirá. O eixo ambiental numa candidatura ao Palácio do Planalto é desejável, é inovador, mas não pode virar samba de uma nota só.

Se quiser entrar no jogo para valer, ela terá de convencer o eleitorado de que tem propostas melhores do que as de Serra e de Dilma.

Ele é um candidato respeitável, com boas passagens pelo Ministério da Saúde, pelo Congresso, pela Prefeitura de São Paulo e pelo governo paulista.

Ela é a representante de um partido que faz uma boa administração. Lula honrou o compromisso essencial de melhorar a vida dos mais pobres, o que é muita coisa num país como o Brasil.

Parece que vai ser uma eleição legal.

Kennedy Alencar, 41, colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre bastidores do poder, aos domingos. É comentarista do telejornal “RedeTVNews”, de segunda a sábado às 21h10, e apresentador do programa de entrevistas “É Notícia“, aos domingos à meia-noite.

E-mail: kennedy.alencar@grupofolha.com.br

16/08/2009 - 09:23h Intenções eleitorais não foram afetadas pela crise do Senado

Serra mantém liderança na disputa pela Presidência, mostra Datafolha

Dilma Rousseff e Ciro Gomes estão tecnicamente empatados.
Em dois cenários diferentes, Marina Silva teria 3% se disputasse.

Do G1, em São Paulo – A pesquisa Datafolha, que será divulgada na edição deste domingo (16) do jornal “Folha de S.Paulo”, mostra que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), mantém a liderança na disputa pela Presidência da República, que será no ano que vem.
Serra, que tinha 38% das intenções de voto no levantamento anterior, realizado entre 26 e 28 de maio, oscilou um ponto para baixo e está com 37%.
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), manteve os 16% registrados na pesquisa anterior.
O ex-minsitro e deputado federal Ciro Gomes (PSB) também manteve o percentual do levantamento anterior, 15% das intenções de voto.
A ex-senadora Heloisa Helena, do PSOL, oscilou positivamente dentro da margem de erro, e passou de 10% para 12% das intenções de voto. Brancos, nulos ou nenhum registraram 12% e 7% não souberam responder.
A pesquisa Datafolha foi realizada com 4.100 eleitores entre os dias 11 e 13 de agosto em 171 municípios do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Cenário 2
Em cenário com a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, que pode trocar o PT para se candidatar pelo PV, Serra teria 36% das intenções de voto contra 17% de Dilma Rousseff e 14% de Ciro Gomes. Heloisa Helena aparece com 12% e Marina Silva, com 3%.
Brancos, nulos ou nenhum somam 11%. Não souberam 7% dos entrevistados.

Cenário 3
Quando o candidato do PSDB é o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), Ciro é líder na disputa, aponta o Datafolha.
Ciro Gomes aparece com 23%, Dilma com 19%, Heloisa Helena com 17% e Aécio Neves com 16%. Brancos, nulos e nenhum são 16% e 9% não sabiam.

Cenário 4
Ainda com Aécio Neves pelo PSDB e a ex-ministra Marina Silva disputando contra Dilma, Ciro Gomes tem 21%, Dilma 19%, Heloisa Helena 17%, Aécio Neves 15% e Marina Silva, 3%.
Brancos, nulos e nenhum somam 16% e 8% não sabem.

Cenário 5
O Datafolha pesquisou um cenário em que Serra e Aécio disputam a eleição, nesse caso o governador de São Paulo também lidera, com 32%.
Dilma aparece em segundo com 16%, Ciro tem 14%, Heloisa Helena aparece com 12% e Aécio, 10%. Brancos e nulos são 9% e 6% não sabem quem escolheriam.

16/08/2009 - 09:06h Datafolha: aprovação a Lula continua em patamar histórico

 

Com 67% de ótimo e bom, equivalente a taxa de novembro de 2008 (70%)

DATAFOLHA

Lula passa por crise sem perder alta aprovação

Governo petista é avaliado como ótimo/bom por 67%

DA REPORTAGEM LOCAL

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva consegue, até o momento, atravessar a mais nova crise política nacional e manter sua popularidade entre os brasileiros no mesmo patamar.
Para 67%, seu governo é ótimo ou bom, variação dentro da margem de erro na comparação com a última pesquisa, feita em maio, quando Lula atingiu 69% de aprovação.
Segundo o instituto, 25% dos brasileiros acham o governo regular, ante 24% na última pesquisa. Para 8%, a administração do petista é ruim ou péssima; eram 6% no levantamento anterior. “O Lula conseguiu passar incólume pela crise, o Congresso, não”, diz Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha.
Com os 67% de ótimo ou bom que registra agora, Lula está a apenas três pontos de seu recorde pessoal (70%), atingido em novembro de 2008 e que foi o melhor resultado obtido por um presidente desde que o Datafolha começou a fazer esse tipo de pesquisa, em 1990.
O presidente foi o principal fiador da permanência de José Sarney (PMDB-AP) na Presidência do Senado. Em 17 de junho, chegou a declarar que o senador não poderia ser tratado como “uma pessoa comum”. Depois, amenizou o apoio público, mas manteve a sustentação ao aliado nos bastidores.
A pesquisa mostra a dissociação entre a popularidade de Lula e a crise no Senado. Mesmo entre os que consideram o governo ótimo ou bom, a maioria (73%) defende a saída ou afastamento temporário de Sarney.
Também entre os que aprovam o governo, 65% acreditam que Sarney está envolvido nas denúncias feitas contra ele.

07/06/2009 - 12:14h Dilma diz que 3º mandato é só para o “projeto”

Marlene Bergamo/Folha Imagem
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ENTRE MULHERES
A ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (em pé) recebe em sua casa a ministra Dilma Rousseff para um almoço com mulheres interessadas em conhecer a candidata de Lula à Presidência

Para a ministra, não é possível seguir com o mesmo governante por mais uma gestão, mas sim com o mesmo governo

Dilma disse, no entanto, que o governo não pode impedir que outras pessoas sugiram uma proposta que permita uma segunda reeleição

ANA FLOR – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) afirmou ontem em São Paulo que o que está em discussão não é a possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disputar um terceiro mandato, mas sim de o atual projeto de governo continuar por mais quatro anos.

“O que estão dizendo é o seguinte: “Olha, não tem terceiro mandato para a mesma pessoa, tem terceiro mandato para o mesmo projeto”. É diferente”, disse, ao chegar a um almoço com mulheres organizado pela ex-prefeita Marta Suplicy.

Dilma afirmou, ao ser recebida por volta das 13h por Marta na porta da casa da ex-prefeita, no Jardim Europa, que “a democracia brasileira é algo ainda frágil. Insipiente não, porque, afinal de contas, já temos 20 anos [de regime democrático]“.

Segundo ela, a modificação do cenário institucional neste momento não é recomendável. “Isso não é o projeto do governo. O governo pode continuar sem ser terceiro mandato.”

A ministra disse, porém, que o governo não tem como impedir que pessoas tomem a iniciativa como a de propor uma mudança na Constituição que permita um terceiro mandato.

Dilma afirmou ainda, quando questionada sobre a possibilidade de concorrer a um cargo eletivo -o que nunca fez-, que “passar pelo crivo do eleitor é algo muito importante”.

A ministra disse que não se nega a isso, mas escapou de se comprometer com uma candidatura à Presidência. “Acho que é algo [candidatar-se] a que qualquer pessoa que atua na política e que tem compromisso com a cidadania aqui no Brasil tem de se submeter.”

A ministra comentou a importância que São Paulo tem em seus projetos. O Estado -reduto eleitoral do tucano José Serra- foi descrito por ela como local onde surgem “atividades bastante modernas que são e que trazem consigo as perspectivas do futuro”.

Nesse momento, Dilma cometeu uma gafe. Chamou Marta, que é psicanalista, de Marcia. Ela se corrigiu em seguida.

Participaram do almoço, cujo menu foi cuscuz de camarão, picadinho de carne e saladas, as apresentadoras Ana Maria Braga, Adriane Galisteu e Luciana Gimenez, a atriz Maria Paula, as editoras Luciana Villas Boas e Maria Laura Neves, a escritora Walnice Galvão, a filósofa Marilena Chauí, as dramaturgas Marta Góes e Leilah Assumpção, a cineasta Monique Gardenberg, a psicanalista Eleonora Rosset, a empresária Viviane Senna, a ex-jogadora de basquete Hortência, as jornalistas Patricia Zaidan e Mônica Waldvogel e a advogada Helena Maria Diniz.

Segundo a Folha apurou, a doença da ministra, que faz tratamento contra um câncer linfático, só foi abordada em conversas paralelas. O grupo discutiu pré-sal, Lei de Imprensa e Bolsa Família. O assunto eleição foi colocado em pauta pela anfitriã, mas a ministra não se prolongou no tema.

Ao comentar sobre o grupo feminino eclético que participou do almoço, Dilma disse que “são todas mulheres especiais, que simbolizam mulheres profissionais, mulheres que, nas diferentes áreas de atividade, são mulheres bem-sucedidas”.

07/06/2009 - 11:51h Terceiro mandato não é meta do governo, diz Dilma

Ministra participou de almoço com mulheres na casa de Marta Suplicy

Fausto Macedo e Roberto Almeida – O Estado SP

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, participou ontem de um almoço na casa da ex-ministra do Turismo, Marta Suplicy. Na entrada do evento – somente para mulheres -, Dilma mandou um recado para os deputados que apoiaram a nova proposta de emenda constitucional (PEC) do terceiro mandato. “O que é que a gente pode fazer? Esperamos que num determinado momento entendam que não é isso que é o projeto do governo. O governo pode continuar sem ter terceiro mandato”, disse a ministra.

Segundo Dilma, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera a democracia brasileira “ainda frágil” e, por isso, nega a possibilidade de se manter no poder. Ele afirma que a tese de terceiro mandato está fora de cogitação. “Afinal de contas, temos 20 anos (de Constituição)”, completou a ministra. “Daí porque ele defende que o mandato termine dia 31 de dezembro. Agora, nós não temos como impedir que as pessoas tomem iniciativas.”

Embora Dilma tenha reiterado ontem que não fala “nem amarrada” de sua candidatura à Presidência, ela disse estar disposta a enfrentar as urnas pela primeira vez. “De fato, nunca concorri a nenhum cargo eletivo. Eu acho que passar pelo crivo do eleitor é algo muito importante, nunca me neguei, não tive oportunidade. Não me nego a isso não, algo que qualquer pessoa que tem compromisso com a cidadania e com o Brasil tem de se submeter.”

Dilma disse achar “normal” que muitas das convidadas do almoço – apresentadoras de TV, jornalistas, filósofas e empresárias – digam que ela é candidata à sucessão de Lula. “É uma conversa com mulheres que têm projeto, perspectiva, capacidade de sonhar e pensar o Brasil”, destacou.

De acordo com a ministra, são “todas mulheres especiais” porque simbolizam “mulheres bem-sucedidas”. “É um momento muito importante, muito significativo para mim. São pessoas que têm algo a dizer, é um encontro de diálogo.”

No entanto, ela apressou-se em dizer que o nome do PT para a Presidência ainda está em aberto. “Acho que ainda não tem um processo oficial de escolha de candidatos dentro do PT”, avisou. Indagada se Marta teria lugar em um ministério, Dilma elogiou a anfitriã. “Acho que ela tem todas as qualidades”, anotou.

Ela chegou à casa de Marta Suplicy, no Jardim Europa, em São Paulo, às 12h30 – bem disposta, mesmo após ter enfrentado a terceira sessão de quimioterapia quinta-feira para tratamento de um câncer linfático. Entre as convidadas estavam as apresentadoras Ana Maria Braga, Adriane Galisteu, Luciana Gimenez e Maria Paula. Da academia, a psicanalista Eleonora Rosset, a filósofa Marilena Chauí e a dramaturga Marta Góes.

À saída, às 17 horas, Dilma contou que as convidadas a questionaram sobre a candidatura. “Elas perguntaram, mas todas tiveram a mesma reação que vocês (jornalistas): riram bastante do “nem amarrada”. Uma hora dessas vocês vão me vaiar. Mas não vale vaia, ainda, viu!”

Este é o segundo evento oferecido pela ex-ministra a Dilma. Em fevereiro, ela organizou um jantar para a titular da Casa Civil com objetivo de dissipar especulações de que o PT paulista resistiria à pré-candidatura.

Cuscuz e Bolsa-Família à mesa

Cuscuz de camarão, picadinho com batata palha e saladas à mesa, mas o prato preferido foi mesmo política e sucessão presidencial. Dilma Rousseff negou até o fim que seja candidata, mas teve ares de campanha o almoço na casa de Marta Suplicy, por ela definido como reunião “alegre, informal”. Dilma ouviu sugestões e respondeu a questionamentos sobre educação, pré-sal, emprego e também discorreu sobre violência doméstica. Alguém cobrou até quando fica o Bolsa-Família. “O governo pretendia acelerar a redução do Bolsa se não tivesse a crise internacional.”

Ouviu incentivos por sua candidatura. Falou do pré-sal como meta a ser alcançada no governo Lula. “É preciso um marco regulatório. O pré-sal é riqueza para antecipar o combate à pobreza.”

“Ela é muito franca, objetiva”, resumiu Viviane Senna, do Instituto Airton Senna. “É muito preparada”, anotou a advogada Helena Maria Diniz. “Eu disse que é a primeira vez que a gente tem uma candidata com condição de vitória, mas Dilma não mordeu”, contou Patrícia Zaidan, jornalista. “O cuscuz estava muito gostoso”, avaliou Luciana Gimenez, apresentadora de TV.

07/06/2009 - 11:26h Pré-sal tempera almoço de Marta Suplicy para a ministra Dilma Rousseff e convidadas

 

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A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, é recebida pela ex-prefeita Marta Suplicy para um almoço em sua casa, na capital paulista. Na foto, além da ministra e da ex-prefeita, as apresentadoras Luciana Gimenez (primeira à direita), Maria Paula (segunda à direita); e Adriane Galisteu (terceira à direita). (Foto: José Luís da Conceição/Agência Estado

Assessoria de imprensa de Marta Suplicy

 

 



Mulheres de destaque na sociedade, jornalistas, artistas, empresárias e estudiosas conhecem a ministra da Casa Civil e ficam bem impressionadas

 

A ex-ministra do Turismo, Marta Suplicy, ofereceu neste sábado, dia 6 de junho, um almoço para a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e 17 convidadas. Apresentadoras de TV, como Ana Maria Braga, Adriane Galisteu, Luciana Gimenez, a jornalista Mônica Waldvogel, artistas, como Maria Paula, empresárias, promotoras de arte, filósofas, enfim, mulheres com projeção profissional e que têm opiniões bem diferentes sobre vários assuntos foram conhecer Dilma.

 

Ao final do encontro, a impressão que Dilma causou, na melhor definição da tarde, partiu de uma assumida simpatizante de uma eventual candidatura do governador José Serra a Presidente, em 2010, a dramaturga Leilah Assunção: “Ela é uma grande mulher. Uma pessoa séria mesmo; não é pesada. Talvez, a gente precise disso, né?”

 

O que Dilma falou para agradar tanto? Um pouco de tudo, saúde, educação, Bolsa Família, cultura, mas, principalmente, de pré-sal – assunto que poucos entendem, mas que a ministra Dilma sabe muito e considera chave para que o Brasil dê adeus à pobreza. 

 

Todas ouviram, perguntaram, trocaram idéias, atentas a tudo. Participaram muito da reunião. E o que parecia um encontro entre pessoas tão diferentes acabou convergindo na opinião a respeito de muitos pontos, sobretudo na defesa de um Brasil com mais qualidade de ensino, saúde e direitos na proteção de crianças e promoção da mulher na sociedade.

 

Virou, mexeu: pré-sal. Também saiu uma conversa  sobre uma eventual candidatura da ministra da Casa Civil a Presidente, no ano que vem. A isto Dilma foi enfática. Dentro –para as convidadas– e fora da casa de Marta –para os jornalistas– descartou hipóteses: “não falo sobre isto nem amarrada”, brincou.

 

Do pré-sal? Falou. E muito. Mas, o que é isto? A chamada camada pré-sal é uma faixa que se estende ao longo de 800 quilômetros entre os Estados do Espírito Santo e Santa Catarina, abaixo do leito do mar, e engloba três bacias sedimentares (Espírito Santo, Campos e Santos). O petróleo encontrado nesta área está a profundidades que superam os 7 mil metros, abaixo de uma extensa camada de sal que, segundo geólogos, conservam a qualidade do petróleo.

 

No Brasil, vários campos e poços de petróleo já foram descobertos no pré-sal, entre eles o de Tupi, na bacia de Santos, o principal.

 

O que a ministra disse de tão importante sobre o pré-sal? Dilma explicou que o governo do Presidente Lula trabalha para deixar estabelecido o marco regulatório, ou seja, as regras para que o dinheiro que o Brasil tem a ganhar com o petróleo seja em parte aplicado em um fundo para que ele reverta em favor de políticas que a sociedade brasileira entenda serem fundamentais para o crescimento econômico, combate à desigualdade e melhores condições de vida para todos.

 

“Este é o grande debate que temos de ter na sociedade brasileira. Vamos usar esse dinheiro para antecipar o combate a pobreza? Para melhorar a educação neste país? É uma riqueza volumosa. Temos de discutir isso hoje, pois é o que vai garantir amanhã que o conjunto da população seja beneficiado. Faremos isso o mais rápido possível”, explicou aos jornalistas, a ministra Dilma, no final do encontro.

 

A anfitriã, Marta Suplicy,  comentou que o encontro com Dilma  rendeu muito porque “o grupo era muito heterogêneo e conseguiu trazer assuntos diferenciados”. Não havia pauta nem assunto proibido. A proposta do almoço era possibilitar que mulheres de representatividade pudessem “trocar idéias sobre o Brasil”. O resultado do bate-papo, cada uma comentou a seu modo, na saída da casa de Marta. Segue abaixo a lista das participantes, ‘aspas’ da ministra Dilma, ao chegar na casa de Marta e ao sair do almoço. Também ‘aspas’ das participantes que comentaram o encontro aos jornalistas que cobriram a pauta.

Convidadas
Ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff
Adriane Galisteu Apresentadora (BAND)
Ana Maria Braga Apresentadora (Globo)
Eleonora Rosset Psicanalista
Helena Maria Diniz – OAB Presid. OAB Mulher /SP
Hortência Atleta
Leilah Assumpção Dramaturga
Luciana Gimenez Apresentadora (RedeTV)
Luciana Villas Boas Editora Record
Maria Laura Revista Marie Claire
Maria Paula Casseta e Planeta
Marilena Chauí Filósofa USP
Marta Góes Dramaturga
Mônica Waldvogel Jornalista e apresentadora
Monique Gardenberg Produtora de eventos
Patrícia Zaidan Revista Cláudia (Abril)
Viviane Senna Instituto Airton Senna
Walnice Galvão Escritora e professora de Literatura


Aspas de Marta, pouco antes de receber a ministra Dilma Rousseff

Sobre o almoço

“A idéia foi reunir mulheres com representatividade em diversos setores, para que  pudessem conhecer pessoalmente a Dilma, trocar idéias, idéias do Brasil, sobre tudo e qualquer coisa. Propiciar que mulheres formadoras de opinião pudessem ter uma conversa informal de algumas horas com a ministra. Não sei o que vão querer saber ou conversar. Não sei.”

 

Aspas da ministra Dilma Rousseff na chegada para o almoço na casa de Marta Suplicy

Sobre as convidadadas
“São todas mulheres especiais. Simbolizam mulheres profissionais. Mulheres que nas mais diferentes áreas são bem-sucedidas. Então, é um momento muito importante. Eu acho muito significativo para mim e acho que essa iniciativa da Marta (Suplicy) foi uma iniciativa que permite contato mais próximo com pessoas que têm algo a dizer. É, sobretudo, um encontro de diálogo, de conversas. Conversa que nós temos essa imensa capacidade de fazer, ao mesmo tempo íntima e ao mesmo tempo que aborda os diversos aspectos da vida, da sociedade, os problemas do país. Eu acho que hoje nós teremos, a partir da 1 hora, um encontro muito importante.

Sobre ser candidata a Presidente em 2010
“Eu acho que é normal que muitas delas pensem isso. Agora, não é só isso. Acho que é uma conversa entre pessoas, que são mulheres, que têm projetos, perspectivas,  capacidade de sonhar e pensar o Brasil.”

PEC do terceiro mandato
“Eu acho que o presidente tem razão. O presidente considera que a democracia brasileira é algo ainda incipiente, frágil. Daí, então, o Presidente defende que o mandato dele acaba em 31 do 12. Mas, não temos como impedir que as pessoas tomem iniciativas. Afinal de contas, vivemos em uma democracia. Apesar das reiteradas negativas, o que a gente pode fazer. Olhamos e esperamos para que em um determinado momento entendam que não é esse o projeto do governo. O governo pode continuar sem ser terceiro mandato.”

Terceiro mandato é Dilma
“Eu entendo que digam isto. É uma colocação política. Estão dizendo que não tem terceiro mandato para uma mesma pessoa, tem terceiro mandato para um mesmo projeto. É diferente. Eu pretendo voltar muitas vezes aqui para São Paulo não só para essa conversa que a Marta está me propiciando, mas também para dialogar com a militância do PT, com os movimentos sociais. O Estado de São Paulo tem no cenário nacional uma importância muito grande, não só do ponto de vista econômico, que é o que todo mundo diz. Eu acho que são Paulo tem um outro papel. Tem um grande papel cultural e tem um grande papel nos rumos do futuro. Quando você pensa nos rumos do país, você tem de olhar para São Paulo. Aqui surgem atividades bastante modernas que são e que trazem consigo as perspectivas do futuro. É lógico que o Brasil é São Paulo e todos os outros 26 estados da federação, mas sem dúvida São Paulo integra nessa constelação tem um papel importante”

Marta num eventual ministério
“Eu acho que ela tem todas as qualidades para fazer parte de qualquer ministério de governos petistas e governos progressistas no Brasil. Agora, como eu disse, nós não estamos discutindo a questão nem de candidatura, muito menos de ministério”

Primeiro cargo eletivo
“De fato, eu nunca concorri a nenhum cargo eletivo. A minha atividade se circunscreveu mais ao Executivo e a minha experiência maior foi em atividades ligadas diretamente ao Poder Executivo. Fui secretária de Fazenda municipal, depois secretária de Energia e Comunicação no Rio Grande do Sul, depois ministra de Minas e Energia e agora ministra-chefe da Casa Civil. Eu acho que passar pelo crivo do eleitor é algo muito importante. Nunca tive a oportunidade, mas eu não me nego a isso. É algo que qualquer pessoa que atua na política e tem compromisso com o Brasil tem de se submeter”

 

Depois do almoço, a repercussão do encontro com Dilma:


Marta Suplicy:

“Era um grupo muito heterogêneo que conseguiu trazer muitos assuntos diferenciados e todos prestaram atenção. Fizeram muitas perguntas.”

 

Viviane Senna, diretora do Instituto Ayrton Senna:

Ela (Viviane) questionou Dilma sobre assuntos ligados à educação. “Foi uma conversa franca e objetiva e informal. Conversamos sobre assuntos ligados à educação e ela falou do esforço do governo para enfrentar o problema. Ela falou como membro do governo e não como candidata”, disse.

 

 

Luciana Villas Boas, editora da Record:

“Falamos muito, de política, educação, saúde, PAC,  Petrobras. Teve também muito papo que é conversa de mulher. Filho, marido, tudo. Essas coisas. Eu perguntei sobre educação. Comentei que houve um salto muito grande na indústria editorial.”

 

 

Hortência, atleta, ex-jogadora de basquete:

“É sempre bom você ouvir, saber. Eu gosto de falar com gente inteligente. A gente aprende muito. É muito boa candidata porque é mulher forte. E nós precisamos ter mulheres fortes na política.”

 

 

Helena Maria Diniz, Presidente da Comissão da Mulher da OAB/SP:
“Achei inédita a possibilidade de dividir espaço com mulheres dos mais diferentes nichos. Cada uma falando a sua linguagem. A todas, Dilma respondeu com muita clareza. É uma mulher muito bem preparada. Tem projetos interessantes na nossa área. Acho que ela convenceu a maioria ali. Houve incentivos de algumas, pedindo para ela se candidatar. Ela encara bem a conversa. Mas não abriu. Respondeu as questões levantadas e demonstrou muito conhecimento em cada área. Eu fiz um pedido para ela. Eu cuido, na OAB, da violência doméstica. Então, como temos poucas delegacias da mulher, pedi que ela colocasse um projeto que preparasse mais o delegado, aquele pessoal de porta de entrada no atendimento à mulher vítima de violência, em vez de construir novas delegacias da mulher. Ter nas delegacias um espaço próprio para o atendimento à mulher vítima de violência, sempre acompanhada de advogada, psicólogo para que saiam da delegacia com maior amparo. Ela adorou a idéia e eu espero que ela não esqueça.”

 

Leilah Assunção, dramaturga:

“Eu sou simpatizante do Serra. Agora, eu acho que a gente nunca pode se fechar a coisas novas e a mudar de opinião. Ainda não mudei porque é muito cedo, né? Mas ela é uma grande mulher.” Sobre o encontro: “achei interessante –os temas conversados– e bem representativas as mulheres que vieram –elas têm colunas em jornais, televisão–    e o resultado foi muito bom. Ela é uma pessoa séria mesmo. Não é pesada, não. Mas é séria. Talvez a gente precise disso, né? Não sei.” Perguntada se contaria ao governador Serra como foi o encontro, disse: “se eu tiver a oportunidade, mas não sou íntima dele”.

 

 

Mônica Waldvogel, apresentadora de TV:

“No começo ela falou sobre vários temas de interesse das pessoas que estavam lá. Umas quiseram falar sobre educação, outras sobre questões culturais. Ela falou muito sobre pré-sal e esse marco (regulatório) e o que isto significa para o desenvolvimento brasileiro. A Luciana Villas Boas e a Viviane Senna queriam muito falar sobre educação e sistemas de avaliação, formação de professores, a idéia de estimular a leitura. A Marilena Chauí queria detalhes do pré-sal. A conversa foi sobre os temas gerais de governo.”

 

Ana Maria Braga, apresentadora de TV:

“Nossa! Tinha um cuzcuz que vocês não fazem idéia: uma delícia – referindo-se ao cardápio do almoço, montado por Marta: cuscuz de camarão, picadinho com batata palha, saladas. “Falamos de tudo. Ela é uma mulher muito inteligente, muito interessante. Falamos de saúde, de educação, da vida. Ela é ótima!” Perguntada se teria dado algum conselho à ministra Dilma, respondeu: “quem sou eu?”

 

Adriane Galisteu, apresentadora de TV:

Comentou que também gostou do cuzcuz e chegou a pedir a receita na cozinha. Sobre o encontro com ministra Dilma, falou:  “A iniciativa da Marta, acima de qualquer coisa, foi para que a gente conhecesse melhor a Dilma. Tudo o que a gente tem de contato com a Dilma é através do que vocês trazem para a gente –dirigindo-se aos jornalistas. Nada como falar, olhar nos olhos e perguntar. Ela foi questionada sobre Petrobras. Eu questionei coisas de teatro, meia-entrada. Enfim, não vivo de teatro, mas faço teatro. Sou muito amiga de quem vive de teatro, caso de Bibi Ferreira, Juca de Oliveira. Falamos de televisão, de educação, de livros. Acho que foi muito importante esse almoço para que a gente se aproximasse dela. Eu trouxe para ela um recado especial da minha mãe. Minha mãe falou: – Adriane, fala uma coisa para a Dilma: ‘- Eu passei a prestar muita atenção nela, depois que ela assumiu a doença dela e a maneira como ela encarou a doença dela publicamente.’ Acho que esse é um recado da minha mãe, mas que representa muita gente que não tem muito ouvidos para política e que não acredita muito em ninguém e pensa que todo mundo mente muito. O fato de ela ter assumido, da forma como ela assumiu foi muito importante, como mulher. Ela amou ouvir. Ficou super emocionada. A Ana (Ana Maria Braga) estava do lado. Acho que a Ana é uma mulher que também conseguiu mostrar e destruir esse monstro que é essa doença que aterroriza qualquer pessoa, mulher, homem, criança. As duas estavam juntas nesse momento. Elas se emocionaram muito. Mas eu falei um recado que dona Ilma pediu. Pedi para ela ir ao programa. Gostaria muito que ela fosse. Conversei com a Marta sobre isso e acho que ela vai. Nas próximas semanas, teremos, então, Dilma ao vivo no programa.”

 

Patrícia Zaidan, jornalista – Revista Claudia (Abril):

“Perguntei a ela (ministra Dilma) quanto tempo mais o Brasil precisaria recorrer ao Bolsa Família e sobre o pré-sal. Ela havia explicado o quanto iria representar para a economia e eu perguntei de que forma se endereçaria para a saúde, a educação porque a gente não tem uma legislação permitindo isto. Então, ela (Dilma) disse que ainda no segundo semestre o governo vai mandar para o Congresso um projeto de lei para alterar a legislação para que seja possível. Dos benefícios do pré-sal, ela destacou o quanto isto vai significar em termos de independência não só do produto, especificamente falando, mas quanto dinheiro poderá trazer. Ela disse que o projeto de lei –que informou a todas– tem de ser muito bem olhado porque não é só para este momento, mas para o histórico do pré-sal. Não é uma lei para fazer de vapt-vupt, mas um projeto pra chegar no segundo semestre no Congresso. Do Bolsa Família, ela disse que, no ritmo que o crescimento do país vinha ocorrendo, se esperava que o Brasil independesse do Bolsa Família muito rapidamente, mas que a surpresa da crise econômica no final do ano atrasou os projetos. O Brasil precisa voltar a crescer aquilo que estava crescendo até setembro, para poder ver essa questão.”

 

Sobre candidatura a Presidente, Patrícia Zaidan disse que “muitas mulheres falaram que era hora de ter uma mulher na Presidência porque a gente é quase 52% do eleitorado. A primeira pergunta que fiz foi essa: – Se ela estava inaugurando uma nova era no país porque era a primeira vez que a tinha uma candidata com condição de vitória. E disse que, em geral, o empresário não põe dinheiro em campanha de mulher porque acha que mulher não se elege. Isso a gente vê no interior. Ela parou, pensou, pensou, pensou e disse: – ‘Eu não sou candidata. O partido vai ter que decidir isso na convenção’”. Patrícia foi perguntada sobre o que Marta teria dito a respeito da dificuldade no financiamento de campanha de mulheres.“Ela disse que é uma realidade no Brasil. Mas, Dilma não mordeu (a isca – para comentar o assunto)”.

 

Maria Luiza, jornalista, Revista Marie Claire (Globo):

“Gostei (do encontro). Achei que era um balaio de gato. Poderia dar errado, mas houve interação e funcionou bem.”

 

Luciana Gimenez, apresentadora de TV:

“Foi muito, muito bom! Cuzcuz, salada… Muito gostosa (a comida). Eu achei a Dilma fantástica, incrível. A gente é suspeita porque, sendo mulher, achamos que há uma sensibilidade maior. Conversa super sensível. Gostei bastante dela. Consegui expor algumas coisas que achava importante. Falamos algumas coisas sobre animais, lei de imprensa, criança, aquelas coisa que eu estou sempre falando. Então, achei interessante a conversa. A Adriane (Galisteu) convidou – para o programa dela – e eu nem fiz discurso, disse ‘estou como ela, na cola”. Falei de um problema sério que é a integração de banco de dados da Polícia. Se você quer levantar informações sobre ficha policial, só vai saber o que tem aqui em São Paulo, não saberá de outros estados. É preciso integrar. Rápido. Ela comentou que é um problema sério, mas que tem projeto para isso. Falei que o direito à privacidade de crianças deveria ser igual. Se meu filho sair do carro, agora, todo mundo vai tirar foto dele. Se  fosse o Champinha –citando um caso de menor infrator–, não poderia aparecer. Acho que a regra deveria ser para todos. É desleal –ter diferenças no tratamento.”

 

Eleonora Rosset, psicanalista:

“O almoço foi uma oportunidade de ouro para os dois lados se conhecerem. Quem não conhecia a Dilma e esteve neste almoço ficou conhecendo intimamente. Ela falou de assuntos importantes, nacionais, de cultura, de educação. Acho que todas que estiveram aqui fizeram as perguntas que quiseram e saíram entusiasmadas com a Dilma. Ela não é uma candidata oficial, mas, se for, todas –tanto pessoal da educação, como da cultura, da universidade– gostamos muito do que ouvimos hoje. Ela falou que somos um país rico. E nos disse o que podemos esperar para as próximas gerações. No final, conversamos amenidades. Ela é uma pessoa que tem uma característica muito doce. Escuta muito e a gente não achou ela diferente, achou que ela é uma mulher como nós. Muito gostoso o papo. Falamos de igual para igual.”

 

Maria Paula
”Achei excelente. Uma ótima oportunidade de ver a mulher de fibra que é a Dilma é. Fiquei muito bem impressionada, uma mulher muito corajosa, neste momento que está passando. É uma mulher muito inteligente, que sabe muito do que está falando e do que está fazendo. Foi bem impactante, para a gente, ter contato tão direto com essa pessoa tão preparada, como é a Dilma. Estou feliz. Havia mulheres de segmentos diferentes, pessoas que formam opinião, cada uma muito diferente da outra, mas eu senti, pela harmonia lá dentro, que todo mundo entrou muito na sintonia dela. Ela conseguiu harmonizar idéias diferentes. Ela é uma mulher muito, segura, direta e competente. Ela falou bastante de educação e do que o pré-sal pode representar no nosso país, em curto e médio prazos. Foi muito esperançosa. Achei que a gente tem um futuro favorável pela frente. Como mãe de um bebê pequeno me deu um conforto ver a possibilidade de um Brasil melhor.

 

Dilma Roussef, comentando suas impressões do almoço:

 

“Foi muito agradável. Uma conversa com muita diversidade. As mulheres que compareceram aqui, todas elas, são lutadoras. Mulheres vitoriosas e que têm uma experiência de vida para compartilhar muito grande. Cada uma, do seu ponto de vista, deu sua contribuição. Foi uma conversa leve, agradável, que fluiu. A Marta fez, de fato, um almoço muito gostoso. O ambiente era muito agradável. Foi muito bom, hoje à tarde.”

 

Sobre ser candidata, a ministra Dilma Rousseff comentou que foi questionada: “Elas perguntaram e tiveram a mesma reação de vocês –jornalistas–, quando respondi: – Nem amarrada…(riram)”.

 

Sobre pré-sal e o futuro do Brasil

“Falamos de pré-sal, marco regulatório do tema. E expliquei que não é uma riqueza para a gente transformar só em petróleo, mas em educação, antecipar o combate à pobreza. Vamos acabar com a pobreza no Brasil. O pré-sal pode antecipar esse fim da dívida que temos com uma parte da população brasileira. Conversamos sobre saúde. A questão de a nova classe média não ter comprado apenas carro, computador, celular ou casa, mas também mais livros –um ponto abordado por Luciana Villas Boas (da Editora Record). Quando você melhora as condições de vida das pessoas, você melhora a demanda. Passa a ter demanda por entretenimento, por cultura. Literatura, cultura brasileira é muito rica. Foi uma conversa diversificada. A questão da criança, da violência. As mulheres estão antenadas e se preocupam com todos os aspectos da vida e da sociedade. Falamos muito sobre mulher. Da violência doméstica. Como tornar mais efetiva a Lei Maria da Penha, que penaliza o agressor. Outro ponto, interessante, como a cultura pode incluir. Houve diálogo e sugestões… “

 

Sobre Bolsa Família

Disse que Bolsa Família implica revolução nas questões familiares. A mulher passa a ter importância central. É a mulher que recebe –o benefício– porque é ela que cuida da família. Vínhamos num processo em que aceleraríamos a redução do Bolsa Família, se nós não tivéssemos tido esse interregno agora que estamos da crise internacional, que afetou o Brasil. Acho que o Brasil retoma a tendência de diminuir recurso para o Bolsa Família quando o crescimento retornar, de forma sustentável, e as pessoas  forem sendo incorporadas a trabalhos. Mas, até lá, tem de ser mantido porque não é só uma rede de proteção social. É uma forma, também, pela qual se reconhece que não se pode adiar para daqui a um ano, dois, ou cinco, as pessoas terem direitos fundamentais garantidos. A família precisa ter uma renda mínima, decente, para poder se alimentar. O Bolsa Família, no governo Lula, é um eixo dos programas sociais e articula outras políticas, como o Mais Alimentos, toda a questão da agricultura familiar, os Territórios da Cidadania.

 

Luz para Todos – comentário aos jornalistas, na entrevista após o almoço.

Estamos chegando ao fim de uma exclusão, a da luz elétrica. Três estados do Brasil atingiram a meta de 2004 – do Luz para Todos. Tenho uma consideração especial pelo Luz para Todos porque era ministra das Minas e Energia, quando o programa foi lançado. Os ministros Silas e Lobão levaram adiante. Isto é importante para a questão de as pessoas saírem do Bolsa Família. Como é que o pescador vai resfriar o peixe, poder congelar? Como resfriar o leite? Fazer a farinha de mandioca, sem eletricidade, ou qualquer atividade, sem eletricidade? 

 

Pré-sal

O pré-sal é promessa no governo Lula porque é preciso deixar marcos para que ocorra. Para que parte do que nos cabe da renda petrolífera fique conosco, com a nação brasileira, com  o povo brasileiro. O que nós vamos deixar é um marco, dizendo o seguinte: os recursos do pré-sal não vêm só de royalties, nós vamos dividir quando o petróleo sai. Quando sai da boca do poço passa a valer US$ 88. Abaixo da boca do poço só paga de US$ 5 a US$ 15. Então, o que queremos é o acesso a esse diferencial. É daí que poderemos ter um fundo. E vamos usar para o quê? Este é o grande debate que temos de ter na sociedade brasileira. Vamos usar esse dinheiro para antecipar o combate a pobreza? Para melhorar a educação neste país? É uma riqueza volumosa. Temos de discutir isso hoje, pois é o que vai garantir amanhã que o conjunto da população seja beneficiado. Faremos isso o mais rápido possível”, explicou aos jornalistas, a ministra Dilma, no final do encontro.

 

Sobre o terceiro mandato

O presidente tem a convicção de que a democracia brasileira precisa de renovação sistemática. As declarações do presidente são autodefinidoras: da posição dele e da posição do governo.

 

Assessoria de imprensa de Marta Suplicy

06/06/2009 - 21:33h O almoço das mulheres com Dilma

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Fotos Cesar Ogata

02/06/2009 - 14:06h A enésima oportunidade

Foto Alon

Blog do Alon

A política é jogo de forças, soma de vetores. E não há uma contranarrativa visível para neutralizar vetorialmente a narrativa que Lula, dia sim outro também, reforça com vigor

As pesquisas Sensus e Datafolha confirmam não apenas que estamos em plena campanha eleitoral para a Presidência da República. Mostram que ela, como já alertava o ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais), apresenta características de segundo turno, dada a tendência de polarização. Outra constatação: a oposição caminha para desperdiçar a janela de oportunidade aberta com a eclosão da crise econômica mundial, em setembro. E que janela!

Por que Luiz Inácio Lula da Silva vai bem, assim como a candidata dele à sucessão, Dilma Rousseff? Porque o eleitor avalia que o presidente da República está fazendo o melhor possível, nas circunstâncias. Daí que talvez valha a pena considerar a hipótese de mais um voto de confiança. Parece simples? E é. Lula vende bem o peixe dele, o que vem incomodando a oposição, que se queixa da “máquina de propaganda” do governo federal. Um queixume que só revela impotência. Propaganda sozinha não sustenta governos, precisa estar ancorada em fatos.

A abordagem é recorrente aqui. Não há novidade para quem lê esta coluna. Em 2009, a economia brasileira vai apresentar resultados pífios. Na melhor das hipóteses, pousamos no fundo do poço. O juro real empurra a produção para baixo, quebra as exportações e ameaça o emprego. O investimento privado afundou, sem que o investimento público possa compensar a queda. E de quem é a culpa? De qualquer um, menos do chefe do governo. Nem fomos o último país a entrar na crise, nem seremos o primeiro a sair dela. E daí? E daí nada.

Não que o cidadão comum esteja em busca de debates complexos, sobre o spread bancário ou sobre o desenho da nova ordem internacional. O que falta é uma contranarrativa para tentar neutralizar vetorialmente a narrativa que Lula, dia sim outro também, reforça com vigor. A política é jogo de forças, soma de vetores. Uma oposição competente culpa o governo por tudo, exige dele o impossível, descobre defeitos até no que parece não ter e promete o paraíso se chegar ao poder.

Mas dá trabalho e exige obstinação, além de método e vontade de correr riscos. Pressupõe agarrar-se a alguma utopia e não subestimar o oponente. Você enxerga traço disso nas atitudes e atividades da oposição brasileira nos últimos seis anos e meio? Eu não enxergo. No que um Brasil governado por tucanos e democratas seria melhor do que o Brasil do PT? Nem eles próprios parecem saber. Daí que há tempos Lula esteja a falar sozinho.

Culpa dele? Não, culpa de quem deseja retirá-lo e a seu partido do poder mas que espera isso acontecer como manifestação da vontade divina, como efeito das resistências do establishment a Lula, como consequência de uma suposta superioridade intelectual ou como produto da miraculosa descoberta daquele caso de corrupção que, agora sim, vai dar um jeito de colar no presidente. Ou como a soma de tudo isso.

O eleitor é pragmático. Adversários de Lula também estão bem avaliados na área de responsabilidade deles. E o eleitor é também desconfiado. Sabe que a política não se divide entre santos e demônios. Daí que tentativas de demonização tenham efeito apenas parcial. Só quem se ocupa de política 24 horas por dia são alguns jornalistas, os políticos e as pessoas cujo emprego ou cujo negócio dependem diretamente da política. É gente que trata o tema com paixão e gosto. Já a maioria tem com a política uma relação funcional. Quer saber o que vai ganhar ou perder. Quem é, entre as possibilidades, o melhor líder na situação.

2010 está perdido para a oposição? Óbvio que não. Eleição não se ganha de véspera. E a oposição tem um capital eleitoral respeitável, duas pernas bem fincadas nos dois maiores estados do país e boa capilaridade nacional. Por esse ângulo, talvez o choque trazido pelas últimas pesquisas tenha vindo em boa hora para os adversários de Lula. É a enésima oportunidade de tomarem contato com a realidade. E, diferente de 2006, o choque veio quando ainda falta um bom tempo para a eleição.

Até porque a travessia de 2009 para 2010 não será mesmo um mar de rosas. Enquanto as pesquisas mostram uma população mais otimista, o mercado anda cada vez mais pessimista, como mostrou ontem o boletim Focus. A esperança de Lula é que os profissionais da economia estejam errados. A da oposição, que estejam certos.

Alon Feuerwerker
Brasília, DF – Brasil

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

02/06/2009 - 09:26h Dilma reduz vantagem de Serra: o tucano está melhor nos eleitores com renda acima de 20 salários e Dilma nos que ganham até 1 salário mínimo

Distância entre pré-candidatos cai 12,5 pontos porcentuais em período marcado por maior exposição de ministra

Daniel Bramatti – O Estado SP

A vantagem do tucano José Serra sobre a petista Dilma Rousseff na corrida pela Presidência da República caiu 12,5 pontos porcentuais nos últimos dois meses, segundo pesquisa CNT/Sensus divulgada ontem.

A intenção de voto no governador de São Paulo diminuiu de 45,7% para 40,4% entre março e maio, enquanto as preferências pela ministra da Casa Civil subiram de 16,3% para 23,5%. Isso no cenário em que também foi apresentado aos entrevistados o nome de Heloísa Helena (PSOL), que aparece estável, com 10,7%. Quando Aécio Neves aparece na cédula como o candidato tucano, Dilma lidera, com 27,8%.

O crescimento da pré-candidata petista ocorreu em um período de maior exposição na mídia, por conta da revelação de que se trata contra um câncer no sistema linfático. Como “gerente” do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Dilma também costuma acompanhar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em eventos por todo o País. Ainda assim, permanece desconhecida para mais de um quarto do eleitorado, de acordo com o levantamento encomendado pela Confederação Nacional dos Transportes.

Indagados se conhecem ou ouviram falar de Dilma Rousseff, 26,1% dos entrevistados responderam que não. Já Serra é desconhecido por apenas 3,7%. O tucano disputou sete eleições desde 1986, entre elas a presidencial, em 2002. Dilma, por sua vez, nunca concorreu a cargos eletivos.

A vantagem de Serra na pesquisa, de quase 17 pontos percentuais, cai para apenas 4,4 quando são considerados apenas os votos consolidados. Do total de entrevistados, 18,4% afirmam que o tucano é o único candidato em quem votariam. Outros 14% manifestam apoio incondicional à ministra.

Na pesquisa espontânea – modalidade em que os eleitores manifestam sua preferência sem ler o nome dos candidatos em um cartão -, Serra e Dilma aparecem empatados, com 5,7% e 5,4%, respectivamente, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera, com 26,2%. Lula, porém, está impedido legalmente de disputar uma nova reeleição.

Os dois pré-candidatos também estão em situação de empate técnico no quesito rejeição – 24,6% dizem que não votariam em Serra de jeito nenhum, e 23,3% respondem o mesmo em relação a Dilma.

CRUZAMENTOS

Governador do principal Estado da região Sudeste, é no Sul que Serra alcança seu melhor desempenho. Lá o tucano tem 44,3% das intenções de voto, no cenário em que também aparecem Dilma e Heloísa Helena.

Já a petista tem mais simpatizantes no Nordeste, onde conquista 29% das preferências. Também é no Nordeste que a ministra é menos conhecida: um terço dos entrevistados da região nunca ouviu falar dela.

A rejeição a Serra varia pouco entre as diferentes regiões do País, oscilando de 22,6% a 25,7%. Dilma enfrenta resistência significativamente maior no Sudeste e no Sul (28,8% e 27%) que no Nordeste e Norte/Centro-Oeste (16% e 17,6%).

Na divisão por faixas de renda, o tucano vai melhor entre os eleitores com renda familiar mensal acima de 20 salários mínimos (47,5% das preferências). Já Dilma tem seu principal nicho no extremo oposto da escala social – alcança 28,3% entre os que ganham até um salário mínimo por mês. Nessa faixa, a que concentra mais simpatizantes do presidente Lula, a pré-candidata petista praticamente dobrou seu índice de intenção de voto desde março. Sua desvantagem em relação ao pré-candidato do PSDB caiu de 31,5 pontos porcentuais para apenas 8,2 entre os mais pobres.

O instituto Sensus entrevistou 2.000 moradores de 136 municípios de 25 a 29 de maio. A margem de erro da pesquisa é de três pontos porcentuais para mais ou para menos.

21/05/2009 - 10:40h É Vox Populi: Dilma já está acima de 20% de intenção de voto

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Painel

RENATA LO PRETE – painel@uol.com.br

Meio cheio…

Na tentativa de afastar a incógnita introduzida pela doença de Dilma Rousseff na equação de 2010, lideranças petistas discutem desde o início da semana dados preliminares de pesquisa feita pelo instituto Vox Populi para o partido, na qual a ministra da Casa Civil ultrapassa pela primeira vez a barreira dos 20% de intenção de voto. Levantamentos encomendados pela oposição teriam chegado a número semelhante. Como o discurso oficial sempre foi o de que essa marca deveria ser atingida até o final do ano, o resultado é apresentado como superior à expectativa.
Duas outras conclusões preliminares animam o PT: a) menos de metade dos entrevistados já entendem Dilma como “a candidata do Lula”; b) a liderança folgada do próprio presidente na pergunta espontânea.


…meio vazio. O PT sabe, porém, que o atual patamar de Dilma nas pesquisas sobre a sucessão presidencial foi obtido à custa de meses de superexposição, receita que não poderá ser repetida enquanto durar a quimioterapia. Em espera. Marta Suplicy mantém a intenção de reunir em sua casa um grupo de comunicadoras, “mulheres poderosas em suas áreas”, em torno de Dilma. O almoço, que aconteceria neste sábado, será remarcado quando a ministra julgar conveniente.

18/05/2009 - 22:44h Blog de Noblat: Dilma está sendo levada para o Hospital Sírio Libanês

Enviado por Ricardo Noblat -18.5.2009| 22h05m

Em primeira mão

Dilma está sendo levada para o Hospital Sírio Libanês

A ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, está voando neste momento em um jatinho da AMIL de Brasília para São Paulo. Ao chegar, irá direto para o Hospital Sírio Libanês onde a aguardam os médicos que cuidam dela desde a descoberta há mais de 30 dias de um nódulo linfático debaixo da axila do braço esquerdo. O nódulo foi retirado.

Pela manhã, Dilma estava bem e trabalhou normalmente no Centro Cultural Banco do Brasil, onde funciona o governo por causa da reforma do Palácio do Planalto. Recebeu em audiência o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Começou a sentir dores em uma das pernas pouco antes do meio-dia. E a dor só fez aumentar até o fim da tarde – apesar de por orientação dos médicos paulistas ela ter ido a um hospital de Brasília tomar remédios diretamente na veia. Auxiliares da ministra temem que ela tenha tido uma trombose.

Na semana passada, a ministra se submeteu à segunda de uma bateria inicial de seis sessões de quimioterapia.

Atualização das 22h23m – Em torno das 16h, Dilma saiu Centro Cultural Banco do Brasil às pressas dentro de um Peugeot sem placa oficial. Foi a um hospital tomar a injeção prescrita pelos médicos paulistas. Mais tarde, em contacto com eles, queixou-se de que a dor se tornara “lancinante”. Foi quando os médicos decidiram que ela deveria embarcar para São Paulo.

07/04/2009 - 11:08h Dilma e Aécio travam duelo por Minas

Bruno Figueiredo/O Tempo/ Folha Imagem

Dilma e Aécio, observados por Alencar: discursos em louvação ao vice

 

César Felício, de Montes Claros (MG) – VALOR

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), ambos presidenciáveis, travaram ontem um duelo para ocupar a cena política em uma maratona de eventos em Montes Claros, na região do semi-árido mineiro, que envolveu a inauguração de uma usina de biodiesel, a reunião do Conselho Deliberativo da Sudene e uma homenagem ao vice-presidente José de Alencar, em tratamento contra câncer e um dos maiores empreendedores da região, com a Coteminas.

Coube à ministra fazer o anúncio de maior impacto, na única ocasião em que discursou, ao saudar Alencar. “É importante assegurar que as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) saiam. Não podemos deixar que as questões da crise recaiam de forma mais pesada no Nordeste. Vamos de Estado em Estado fazer um balanço do PAC. E iremos analisar a possibilidade de criar mais um turno de trabalho nas obras do PAC, gerando assim mais empregos”, afirmou. No fim do ano passado, em um evento empresarial, Dilma chegou a dizer que o fato de ter nascido em Belo Horizonte não diminuía o seu sentimento de ser uma gaúcha por adoção.

Ontem, a ministra redescobriu-se mineira. “Os mineiros geralmente olham o Brasil de uma forma diferente. Aqui em Minas o saudoso presidente Juscelino Kubitschek sempre teve um olhar para o Brasil desenvolvido e um olhar para o Nordeste, e não podíamos agora estar em melhor lugar do que em Minas. São muitas as Minas. Nada mais justo do que promover esta reunião em um Estado tão desenvolvido, mas com tanta desigualdade”, disse. Ao dirigir-se a José Alencar, travou a voz, que passou a sair trêmula e embargada, como que contendo o choro: “José Alencar, pelo seu compromisso com o país, é um orgulho tê-lo como conterrâneo”. Alencar nasceu em Muriaé, na zona da Mata mineira.

Segundo a saudar Alencar, Aécio Neves também guardou para o último discurso do dia sua maior investida para tentar capitalizar o sentimento do Estado que governa e identificar-se com o próprio Alencar, com Juscelino e com o avô, o presidente Tancredo Neves. Antes de seu discurso, enquanto um coro entoava uma seresta, três criancinhas, vestidas com o logotipo da Coteminas entregaram uma bandeira de Minas Gerais a Aécio.

O governador abraçou a bandeira e em seguida entregou-a a Alencar. Ao discursar de início procurou rebater Dilma: “Ouvimos com atenção a dissertação tão bem preparada pela ministra Dilma. Devo dizer, por dever de ofício, que em Minas também fazemos nosso esforço”, disse, para em seguida relacionar uma série de obras do Estado. Finalmente, dirigiu-se ao vice: “Caro Alencar, falo como cidadão, em nome do povo montanhês, dos lavradores das várzeas e do chão profundo, dos moradores das cidades sagradas, a força de seu fazer se espalhou pelo país. Os homens fazem a história, mas só os grandes pertencem a ela”.

A disputa velada entre os dois perpassou todo o dia de ontem. Já pela manhã, houve uma guerra de claques na cerimônia de inauguração da usina de biodiesel “Darcy Ribeiro”, em Montes Claros, no norte de Minas, em ato com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de Alencar, de nove ministros e nove governadores. Manifestantes com camisas e bandeiras vermelhas vaiaram Aécio, aplaudido por um número menor de militantes tucanos que gritavam “Aécio, Aécio”. Dilma não discursou, mas em momento algum foi hostilizada. Os mesmos que vaiaram o governador mineiro puxaram o coro de ´Olê, Olá, Dilma, Dilma”, imitando um refrão utilizado por Lula em suas campanhas eleitorais, todas as vezes em que o nome da ministra era mencionado. Dilma é a provável candidata presidencial do PT em 2010 e Aécio disputa esta condição no PSDB com o governador de São Paulo, José Serra.

A inauguração da usina antecedeu a realização da reunião do Conselho Deliberativo da Sudene, com a presença de todos os governadores nordestinos, além do de Minas. Há algumas semanas, o governo mineiro pretendia realizar na cidade um ato de forte apelo político. Foi em uma reunião como essa, em junho de 1984, que o avô do governador, o falecido presidente Tancredo Neves, foi lançado para a eleição presidencial direta que aconteceria no ano seguinte. Mas a decisão do governo federal de aproveitar a reunião para realizar a entrega da usina obrigou Aécio a dividir a cena.

Antes de confirmada a presença de Lula, o prefeito de Montes Claros, Luiz Tadeu Leite (PMDB) havia anunciado em entrevistas que organizaria um lançamento da candidatura de Aécio. Com a ida de Lula e Dilma, não só a operação foi desmontada como o próprio Leite fez um lançamento conjunto, de Aécio e Dilma. “Agradeço a Aécio, governador que reduziu as desigualdades. Agradeço a Dilma, ministra e mineira. Posso dizer, sem medo de errar, que virá de Minas o próximo presidente ou presidenta da República”, afirmou o prefeito, que lembrou do peso pemedebista como partido aliado do PT no plano federal e lembrou que Lula era ligado a cidade por questões familiares: em 1969 o hoje presidente casou-se com Maria Lúcia, mineira de Montes Claros, que morreria em trabalho de parto no ano seguinte.

Contrariado com a recepção hostil de parte da plateia, Aécio em seu discurso criticou os que se guiam “por frases feitas e palavras de ordem” e fazem com que “a divergência se imponha à tolerância”. Lula evitou qualquer alusão às eleições do próximo ano.

Algumas horas mais tarde, na reunião da Sudene, o governador mineiro fez a evocação do avô. Ao saudar os colegas e o presidente, leu parte do discurso que Tancredo fez em 1984. Na ocasião, o então governador mineiro fez um discurso de cunho social, afirmando que o Polígono da Seca, com sua coalizão entre a opressão e a insensibilidade das regiões mais prósperas com a miséria, travava uma guerra contra o Brasil. Aécio procurou colocar-se como um homem que elimina antagonismos regionais, afirmando que os mineiros “trazem em suas veias o sangue de todos os brasileiros” e lembrando que a Sudene foi criada em 1959 por Juscelino Kubitschek, último mineiro que se elegeu presidente pela via direta.

09/06/2008 - 23:27h Ciclo de seminários do PT São Paulo

O Diretório Municipal do PT convida para participar do Ciclo de Seminários

1º tema Mobilidade Urbana

Dia: 10 de junho – terça-feira
Horário: 18h

Local: Sindicato dos Engenheiros, Rua Genebra 25
Informações: 3215-1313

11/05/2008 - 09:51h ‘Aécio não é obcecado pela idéia de ser candidato como Serra’

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Vera Rosa – O Estado de São Paulo

Disposto a selar uma aliança com o PSDB do governador Aécio Neves para a eleição, o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), desistiu de brigar com a Executiva Nacional do PT, que vetou a coligação. Trocou a luva de boxe pelo tom conciliador e garantiu que a parceria com Aécio, criticado um dia sim e outro também pelo PT, não tem impacto na sucessão do presidente Lula, em 2010.

“Aécio não é obcecado pela idéia de ser candidato a presidente, como José Serra”, diz Pimentel, referindo-se ao governador de São Paulo. Com fala mansa e discurso sob medida para convencer a cúpula do PT a voltar atrás na decisão de proibir o casamento com os tucanos em Belo Horizonte, ele não desiste. “Não podemos transformar a política num eterno Fla-Flu, numa disputa do bem contra o mal”, insiste. “Aécio é um adversário político, mas não é um inimigo.”

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Ex-guerrilheiro que militou em organizações de esquerda com Dilma Rousseff, hoje ministra da Casa Civil, o prefeito defende a amiga de juventude do escândalo do dossiê com gastos do governo FHC: “Com todo respeito à oposição, o dossiê é um episódio secundário.”
Para arrepio dos que o consideram o mais tucano dos petistas, Pimentel diz que Dilma – a favorita de Lula na corrida ao Planalto – é tão qualificada para ser presidente quanto Aécio e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). Não falta a ela jogo de cintura política? “Eu acho que Dilma tem treinado com aquele bambolê que o PMDB deu para ela de presente”, diverte-se. E, mesmo com todas as divergências no PT, Pimentel jura que não fará as malas para deixá-lo. “Se eu sair do PT, é só para ir para casa”, garante.

Por que o sr. defende uma coligação do PT com o PSDB para a Prefeitura de Belo Horizonte?

Precisávamos buscar uma solução eleitoral que contemplasse aquilo que a cidade quer. Belo Horizonte quer esse modelo de governança, de gestão compartilhada, que tem obtido resultados excepcionais porque criamos um clima político-administrativo de bom entendimento com os governos estadual e federal. As pesquisas indicam que até 85% da população vê com absoluta naturalidade uma candidatura que ponha na mesma campanha o prefeito e o governador. Não acha isso nenhuma aberração.

A Executiva do PT diz que a gestão Aécio é comprometida com políticas distintas das que estão no ideário petista e no programa de governo. Em que o sr. diverge disso?

Eu respeito a posição da Executiva, mas não concordo.O governador Aécio Neves é um adversário político nosso, mas não é um inimigo. Não temos nenhuma grande divergência de fundo. Estou mencionando Aécio, e não o PSDB. Eu acho que o PSDB é, sim, em âmbito nacional, um adversário incontornável do PT. E daqui até 2010 isso não vai mudar.

Qual é a saída para o impasse na eleição em Belo Horizonte?

Agora é o momento de decantação das paixões. Reconhecemos que a Executiva Nacional tem obrigação de acomodar num grande eixo de políticas todas as realidades do Brasil, o que não é tarefa fácil e merece o nosso respeito. Mas é preciso haver alguma flexibilização, tanto da nossa parte quanto da parte dos nossos companheiros da Executiva. Nós também não vamos recorrer à Justiça de nenhuma decisão. É um episódio que devemos superar sem que haja vencidos nem vencedores.

Para a aliança em Belo Horizonte vingar é preciso que o PSB apóie a candidatura da ministra do Turismo, Marta Suplicy, em São Paulo?

Eu quero crer que há interesse do PSB em abrir com o PT um campo de entendimento que contemple várias cidades. Isso pode incluir São Paulo, Belo Horizonte, Rio, Natal, Manaus.pimentel.jpg

O presidente Lula vai ajudar?

Ele já tem problemas demais. Eu vi com muita alegria as declarações que ele deu, dizendo que vê com naturalidade o que estamos fazendo em Minas. Por dever de lealdade, sempre dei ciência ao presidente de todos os meus movimentos. Mas nunca usei o nome dele para endossar nada.

Se o sr. for derrotado, vai sair do PT? Integrantes do PSB disseram que será bem recebido se sua situação ficar insustentável no PT.

Eu não tenho para onde ir se eu sair do PT. Sou militante do PT desde a fundação do partido e sempre busquei resolver as questões pela via do entendimento. Se eu sair do PT é só para ir para casa. Tenho respeito pelo PSB, mas não cogito deixar o meu partido.

A aliança em Belo Horizonte não fortalece a candidatura de Aécio para a Presidência em 2010, como alega o PT?

Em primeiro lugar, 2010 está muito longe e não devemos trabalhar com essas ilações. É um erro porque sequer sabemos se o governador Aécio vai ser candidato a presidente ou não. É uma superestimação do papel que esse episódio tem. Aécio é um homem público qualificado para ser presidente da República. É capaz, honrado, um bom gestor. Mas está num partido adversário, o que significa que, se for candidato, nós não poderemos marchar juntos. Serei fiel ao meu partido.

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A coligação em Minas poderia ser eficaz para se contrapor à candidatura de Serra ao Planalto?

O governador Aécio nunca mencionou que essa construção nossa faça parte de uma grande estratégia para fortalecê-lo ou enfraquecer Serra. Não quero cometer inconfidências, mas percebo que Aécio trabalha a questão da candidatura num diapasão um pouco diferente de Serra.

Por quê?

Ele não vê essa candidatura como uma coisa inevitável. Não vai forçar o destino. O governador Aécio não é obcecado pela idéia de ser candidato a presidente, como o governador Serra. Acho que Serra, com quem também tenho boas relações, trabalha com mais determinação. Tem uma boa obsessão. Ele, sim, está determinado a ser candidato a presidente e trabalha 24 horas por dia para isso. São posturas diferentes.

No PT, os comentários são de que o sr. atropelou o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, ao fechar acordo com Aécio que pressupõe o apoio tucano à sua candidatura ao governo de Minas. Em troca, o sr. seria cabo eleitoral de Aécio para a Presidência ou para o Senado…

Não atropelei ninguém, muito menos Patrus, que é meu amigo dileto. Patrus seria o nosso candidato natural a prefeito se esse tivesse sido o seu desejo. E não foi. Por isso começamos a construir esse outro caminho, que é a candidatura do Márcio Lacerda, do PSB, com um vice do PT, o deputado Roberto Carvalho.

Mas o senhor é candidato a governador de Minas…

Está cedo para a gente dizer isso. Se na ocasião houver um conjunto de forças organizadas em torno dessa idéia, não vou ser hipócrita de dizer que não aceito. Mas não existe acordo com o governador Aécio. Existe, sim, um entendimento comum sobre como conduzir a administração pública. Nós achamos que a política é para construir convergências e não para aprofundar divergências. Mas é um entendimento pragmático. O PT vai ter candidato à Presidência em 2010, e eu certamente estarei na campanha desse candidato.

E se Aécio for para o PMDB, um partido da base aliada?

Acho isso muito difícil. Hoje nós temos quatro nomes colocados no cenário: a ministra Dilma Rousseff, do PT, o ex-ministro Ciro Gomes, do PSB, e os governadores Aécio Neves e José Serra, do PSDB.

Dilma saiu do depoimento no Senado fortalecida, mas o caso do dossiê não que pode prejudicar a candidatura dela mais à frente?

Não acho que haja dano maior. Esse assunto está sendo esclarecido de maneira adequada.Com todo respeito à oposição, esse é um episódio secundário, que não mereceria tanta dedicação dos parlamentares.

Mas o sr. não acha grave terem sido usados dados de gastos do governo FHC para municiar aliados na disputa na CPI dos Cartões?

É grave, mas não é suficientemente grave para paralisar a vida política em torno de um tema desses, porque nós temos instituições que funcionam, como a Polícia Federal. Eu não quero ser juiz moral de ninguém, mas, fosse eu um senador que tivesse recebido material sigiloso, teria imediatamente procurado a ministra, entregue os documentos a ela e pedido que abrisse investigação para saber quem vazou.

O sr. acha que o senador Álvaro Dias deveria agir assim? O PT, na oposição, nunca fez isso.

É o que eu faria fosse eu um senador. Felizmente eu não sou. Sou apenas prefeito e o senador sabe o que faz.

dilma.jpgNão falta jogo de cintura à ministra para ser candidata?

Acho que Dilma tem treinado com aquele bambolê que o PMDB deu para ela de presente (risos). Isso é um aprendizado. Eu também era um técnico quando fui para o governo do Patrus, como secretário da Fazenda. A vida vai ensinando. Temos sorte de ter uma pessoa qualificada como ela para ser candidata a presidente. Se vai ser mesmo ou não é outra história. Se for, fará bonito.

Desde quando o sr. a conhece?

Fomos companheiros de militância em 1968, 1969. Primeiro numa organização menor, em Minas, chamada Colina. Depois formou-se a VAR-Palmares. Passei alguns meses como militante da VAR e a Dilma também. Depois eu saí, fui para a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária). Ela continuou na VAR. E depois fomos presos. Sou amigo da ministra desde essa época, ainda na luta contra a ditadura. Dilma talvez seja o melhor quadro que minha geração política produziu.

Ainda é possível uma aproximação entre o PT e o PSDB mais adiante, no plano nacional?

Nem no longo prazo consigo vislumbrar uma confluência entre PT e PSDB. Os dois têm identidades e características muito definidas e caminham paralelamente. Então, não vão se encontrar. Agora, tem de haver um território em que os homens públicos do PSDB e do PT conversem sobre uma agenda de temas para o Brasil.

Que pontos teria essa agenda?

Podemos trabalhar juntos na questão da reforma tributária. Não vejo por que a gente precise ter uma divergência com o PSDB nesse aspecto. Também acho que não há dificuldade em estabelecer identidades em torno da reforma política.

O PT é seu maior adversário?

É uma maldade dizer isso. O PT é minha casa. Às vezes você também tem incompreensões dentro de casa. Já me disseram que sou o mais tucano dos petistas. Não é verdade. Nem eu quero ser tucano nem estou querendo convencer nenhum tucano a virar petista. Mas não podemos transformar a política num eterno Fla-Flu, numa disputa do bem contra o mal. Tenho uma frase que eu mesmo cunhei e gosto muito: a política é o território onde a virtude paga tributo ao interesse para construir o bem comum. Em todos os partidos existem homens de bem, corretos, honestos.

O senhor é favorável a um terceiro mandato para o presidente Lula?

Não. Ele também não quer. A reeleição foi uma coisa boa. O ciclo hoje é de oito anos, dá estabilidade ao sistema político e ao horizonte econômico de investimento. Mais do que isso seria uma violência.

Quem é: Fernando Pimentel

Um dos fundadores do PT, elegeu-se prefeito de Belo Horizonte em 2004.

Foi secretário de Fazenda de Patrus Ananias (1993 a 1996).

Economista, chegou a ser sondado em 2006 para ocupar o Ministério da Fazenda na vaga de Antonio Palocci.

24/02/2008 - 13:47h Direito de voto feminino completa 76 anos no Brasil

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Alzira Soriano foi eleita prefeita de Lajes (RN) em 1928 e Carlota Pereira de Queiroz foi eleita deputada federal em 1933

da Folha Online

Faz só 76 anos que a mulher brasileira ganhou o direito de votar nas eleições nacionais. Esse direito foi obtido por meio do Código Eleitoral Provisório, de 24 de fevereiro de 1932. Mesmo assim, a conquista não foi completa. O código permitia apenas que mulheres casadas (com autorização do marido), viúvas e solteiras com renda própria pudessem votar.

As restrições ao pleno exercício do voto feminino só foram eliminadas no Código Eleitoral de 1934. No entanto, o código não tornava obrigatório o voto feminino. Apenas o masculino. O voto feminino,sem restrições, só passou a ser obrigatório em 1946.

O direito ao voto feminino começou pelo Rio Grande do Norte. Em 1927, o Estado se tornou o primeiro do país a permitir que as mulheres votassem nas eleições.

Naquele mesmo ano, a professora Celina Guimarães –de Mossoró (RN) se tornou a primeira brasileira a fazer o alistamento eleitoral. A conquista regional desse direito beneficiou a luta feminina da expansão do “voto de saias” para todo o país.

(mais…)