17/08/2008 - 13:38h Manual de auto-ajuda

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A ministra Dilma Russeff, junto com Fernando Pimentel(esq) e Aécio Neves

Dora Kramer - O Estado de São Paulo

Reza a mais recente lenda eleitoral que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, cumpre uma frenética agenda de palanques para ajudar o PT a eleger seus candidatos a prefeito e vereador.

Depois de muita insistência do partido, o presidente Luiz Inácio da Silva teria “concordado” - contrariado, certamente - em liberar Dilma da regra imposta aos outros ministros, restritos à participação em campanhas nos respectivos domicílios eleitorais, para correr o País para ajudar os petistas a conquistar o coração do eleitorado.

Na mesma toada - menos enfeitada no tocante a devaneios, é verdade - segue o PSDB querendo fazer crer que a presença do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, é imprescindível para eleger tucanos aos magotes nesse Brasil varonil.

Aécio desembarcou outro dia em São Paulo para dar seu aval à candidatura de Geraldo Alckmin e, segundo consta, já gravou participação em programas no horário gratuito de mais de 50 candidatos.

Ao fato: Marta Suplicy disparou na dianteira com 15 pontos porcentuais de diferença sem que Dilma pusesse os pés em São Paulo, eleitoralmente falando; na seara tucana, entre as duas últimas pesquisas e a passagem do governador mineiro pela cidade, Alckmin caiu de 31% para 26% na preferência do eleitor.

E o que Aécio Neves tem a ver com isso? Tanto quanto Dilma Rousseff tem a ver com o desempenho de Marta: nada.

Antes que se diga que São Paulo é um caso à parte, combinemos que a assertiva não influi nem contribui para a análise do tema em tela simplesmente porque não quer dizer nada.

Só não se pode afirmar que a presença dos dois pretendentes a presidente nos palanques municipais de Norte a Sul, de Leste a Oeste, é também desprovida de significado porque, no tocante aos respectivos projetos políticos, quer dizer muito.

A oportunidade de aparecer em palanques reais e virtuais durante mais de 40 dias no País inteiro é uma chance de diamante para quem tem muito capital - próprio ou potencialmente transferível -, mas precisa construir popularidade e disseminar sua imagem para poder pensar em 2010 com objetividade.

Não há nada de errado no movimento de ambos. Ao contrário. Dariam o jogo por entregue ao adversário (os internos e os externos, explícitos e ocultos) se não aproveitassem a campanha de 2008 para, como se dizia na esquerda, acumular forças.

Principalmente no caso da ministra, só não fica bem falar à sociedade na base do sinal trocado, tentando transparecer uma força política que não tem, mas nada impede que possa vir a ter.

No presente momento, se alguém ajuda alguém de verdade são os candidatos municipais quando abrem espaço para seus correligionários com pretensão a dirigentes nacionais.

A ministra da Casa Civil e o governador de Minas quando correm o País não o fazem em auxílio a outrem. Se ajuda há, é em prol da causa própria.

Dilma não é “puxadora” de votos - nem sequer viveu a experiência de produzir alguma quantidade deles na vida - muito menos tem o condão de transferi-los, tarefa árdua até para um ás na captura de mentes como o presidente Lula.

Ao fato: em 2006, Roseana Sarney perdeu a reeleição para o governo do Maranhão, a despeito do apoio de um Lula reeleito.

Merece atenção o que disse o cientista político Jairo Nicolau ao jornal Valor dias atrás: “O presidente influencia, mas o que define votos nessas eleições são os temas locais”.

E mesmo assim, alguns referenciais de competência local não conseguiram impor seus pesos nas respectivas províncias no período inicial das campanhas.

Dois fatos: no mais conhecido, Aécio Neves com mais de 80% de avaliação positiva e o prefeito Fernando Pimentel, popular na casa dos 70%, ainda não fizeram seu candidato sair do terceiro lugar.

No menos, a candidata do PT em Natal tem o apoio de Lula, do presidente do Senado, da governadora, do prefeito, todos maravilhosamente bem avaliados, mas está levando um baile de 20 pontos da adversária sustentada por uma esquisita aliança do PV com o DEM.

Ora, sendo o eleitor um imprevisível, pode virar um rebelde diante de imposições muito explícitas.

Ubaldo

Mãe de criação da paranóia no mundo dos negócios e da política, a grampolândia desenfreada tem deixado espíritos habitualmente atormentados em petição de miséria.

O governador José Serra, por exemplo. Se o assunto requer reserva, põe o indicador sobre os lábios pedindo silêncio e aponta para as paredes em volta sinalizando cuidado com escutas ambientais.

Há quem já tenha presenciado Serra pedir ao interlocutor que retirasse o chip do celular antes de conversar.

Fernando Henrique Cardoso contou o caso a um deputado, mas ele achou a coisa com jeito de intriga da oposição. Até conferir com dois secretários do governo de São Paulo, que confirmaram a história.

11/06/2008 - 12:39h Em debate: Propostas para enfrentar o caos atual no trânsito de São Paulo (3)

Marta Suplicy e a ministra Dilma Roussef durante o seminário sobre transporte em São Paulo
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“O terceiro ponto que colocamos em discussão neste seminário é o PROGRAMA DE OBRAS que São Paulo necessita. São quatro pontos principais:

INVESTIMENTO NO METRÔ,
CONSTRUÇAO DE NOVOS CORREDORES
NOVAS OBRAS VIÁRIAS
E IMPLANTAÇÃO DE CICLOVIAS

Em relação ao metrô, a meta é construir mais de 47,4 km de linhas até 2012. Com isso, a rede saltaria dos atuais 62,1 km para 109,5 km. As obras prioritárias, nesses quatro anos, contemplariam a expansão das linhas já existentes. Destacaria, aqui, três delas: a extensão da Barra Funda até a Freguesia do Ó; a de Vila Madalena até Cerro Corá e a de Capão Redondo até o hospital de M’Boi Mirim, no Jardim Ângela.

Em paralelo, seriam iniciadas as obras de expansão mais complexas, com prazo de conclusão para 2014. Elas acrescentariam outros 31,3 km à rede, que passaria então a ter um total de 140,4 km. Entre as obras previstas, está a implantação da linha entre Cachoeirinha e Conceição, que teria 22 km, passaria pelo aeroporto de Congonhas e pela Faria Lima e integraria bairros comerciais e residenciais. Outra linha muito importante seria criada entre a Vila Prudente e a Vila Maria, que teria 8,6 km e atenderia a zona norte.

Para viabilizar essa expansão, os investimentos seriam distribuídos da seguinte maneira:

PREFEITURA – 490 milhões de reais/ano.
ESTADO – 980 milhões de reais/ano
E UNIÃO – 490 milhões de reais/ano, totalizando 1,960 bilhão ao ano.

Em relação aos CORREDORES DE ÔNIBUS, a solução proposta é criar mais 228 km até 2012 e mais 72 km até 2014. Ou seja, um total de 300 km de novos corredores de ônibus.

Esses 300 km seriam distribuídos por 31 CORREDORES. Entre os mais importantes, pela extensão e população beneficiada, eu citaria: o trecho entre a Vila Prudente e a Cidade Tiradentes; o trecho entre a 23 de Maio e o Grajaú; e entre a Celso Garcia e São Miguel.

Além desses 31 corredores, as soluções pensadas para a mobilidade urbana incluem a construção de 8 TERMINAIS nos seguintes pontos: Vila Prudente, Itaim Paulista, Campo Limpo, Pinheiros, Raposo Tavares, Vila Sônia, Água Espraiada e Jardim Mirim.

Assim, com essas obras, chegaríamos a 2014, com 140,4 km de linhas de metrô, mediante um investimento de 11,8 bilhões; e com 416,5 km de corredores de ônibus, mediante um investimento de 3,7 bilhões.

Em relação as OBRAS VIÁRIAS, os estudos já realizados recomendam a complementação de 16 CORREDORES DE ÔNIBUS e a realização de 12 OBRAS ESTRUTURANTES. A mais importante delas seria a que denominamos de Apoio Norte-Oeste: uma avenida que ligaria a Dutra e a Bandeirantes, servindo de alternativa a marginal Tietê.

Além disso, seriam realizadas quatro grandes obras em PARCERIA COM O ESTADO: a ampliação da marginal Tietê, a ligação Jacu Pêssego – Mauá, o alargamento da Bandeirantes e a conclusão de Águas Espraiadas.

Em relação as ciclovias, estamos iniciando os estudos de viabilidade. A topografia de São Paulo é complicada, mas na medida do possível elas serão implantadas em zonas estratégicas da cidade.

Essas são, em síntese, as soluções estudadas para melhorar a mobilidade urbana em São Paulo. Volto a dizer que não se trata de um pacote pronto e, sim, de uma contribuição para abrirmos o debate sobre este que é, hoje, um problema gravíssimo da nossa cidade.

Eu disse, no início da minha fala, que o trânsito é o atual emblema da democratização do prejuízo.

O que nós queremos, para São Paulo, é a democratização dos benefícios.

Bem-estar e qualidade de vida para todos.” (da contribuição de Marta Suplicy ao seminário do PT sobre transporte e mobilidade urbana).

18/04/2008 - 06:44h Dilma, uma boa adversária

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anda eufórico. Razões não lhe faltam. Popularidade alta, governo bem avaliado, oposição buscando rumo. E, de quebra, está conseguindo emplacar a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) como pré-candidata à sua sucessão, quando ela parecia abatida pelo caso do dossiê com dados sigilosos de gastos da gestão Fernando Henrique Cardoso.

Pesquisas de intenção de voto que circulam entre governistas e oposicionistas mostram que Dilma saiu da sombra e tem conseguido um lugar ao sol entre os presidenciáveis. Quanto mais a oposição tenta responsabilizá-la pelo dossiê, mais ela é defendida publicamente por Lula. As imagens estão coladas. Como o presidente nega sistematicamente a pretensão ao terceiro mandato, seu eleitor começa a enxergar na ministra uma alternativa.

Não só o eleitor. A própria Dilma, surpresa com seu crescimento em pesquisas de intenção de voto, cada vez mais age como candidata e já participa de conversas com pessoas próximas sobre o assunto.

Tem feito consultas ao marqueteiro João Santana. E, a amigos, lamenta sua dificuldade para abraçar quem se aproxima e se lançar no corpo-a-corpo de campanha.

A oposição também começa a se preparar para enfrentar a ministra em 2010. Até então vista como “bode na sala”, inviável pela falta de carisma e jogo de cintura, Dilma agora já é tratada na cúpula tucana como potencial opositora na campanha eleitoral - seja de José Serra, seja de Aécio Neves. Seus pontos fracos têm sido analisados. Para os tucanos, a ministra não é má adversária. Não tem empatia, tem discurso técnico e se exalta, quando confrontada.

“Nossos candidatos são melhores. Ela é uma pessoa pouco democrática, claramente autoritária. e o povo não gosta disso”, afirma o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). Ele está certo de que Dilma é a opção de Lula - até pela falta de outras dentro do PT. Essa não é a avaliação do presidente do Democratas, deputado Rodrigo Maia (RJ). Ele diz não acreditar na candidatura de Dilma.

Para ele, o PT não lançará alguém que, como a ministra, não tem história no partido. Além disso, acha que Dilma não está livre de envolvimento no caso do dossiê anti-FHC. Prevê que fatos novos podem atingi-la, tirando-a definitivamente do páreo. No Senado, a oposição continua mantendo a mira em Dilma. Por enquanto, o tiro tem saído pela culatra. Mas a busca é por digitais que a comprometam com o dossiê. Senadores do PSDB conseguiram aprovar a convocação da ministra pela Comissão de Infra-Estrutura para falar sobre o episódio. Governistas tentam anular a convocação.

Ainda falta conquistar o PMDB

O casamento da filha de Dilma, hoje, em Porto Alegre, vai ser transformado em demonstração de força da ministra. Lula estará presente, assim como oito ministros e outras autoridades e aliados. Até o senador José Sarney (PMDB-AP), que enfrentou queda-de-braço com Dilma na nomeação de ocupantes de cargos no setor elétrico, irá ao casamento. A senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), líder do governo, também.

Se começa a ser vista como pré-candidata por ela própria, pelo eleitor e pela oposição, Dilma, por outro lado, ainda enfrenta resistências no PT e desconfiança no PMDB, partido com tal capilaridade nacional e poder congressual que torna-se imprescindível a qualquer governo.

Formalmente, o presidente do partido, deputado Michel Temer (SP), mantém o discurso da candidatura própria. Mas o partido não tem nomes. A preferência é por uma aliança com o governador Aécio Neves - caso ele viabilize sua candidatura no PSDB ou mude para o PMDB, sonho não abandonado por dirigentes da legenda.

Os pemedebistas não têm simpatia por uma candidatura de Dilma, que sentou em cima de indicações do partido para o setor elétrico. Ela também não faz afagos ao partido. Com a maior bancada da Câmara e do Senado, sete governadores, 1.300 prefeitos e mais de 8 mil vereadores, o PMDB assiste de camarote à definição do cenário eleitoral. Nada está previamente descartado. Se Dilma se impuser, Aécio não sair candidato e nenhum pemedebista conseguir se viabilizar, o partido vai com a ministra mesmo.

Situação difícil é a do PT. Dilma não é uma opção natural do partido para a sucessão de Lula. Mas, por enquanto, nenhum outro postulante aparece como alternativa a ela. O partido avalia quem mantém 25% do eleitorado nacional - o percentual não é desprezível, mas é insuficiente. A cúpula anda no “fio da navalha”, segundo definição de um dirigente do partido, para manter a aliança com o PMDB e com o chamado bloquinho (PSB/PDT/PCdoB/PMN/PRB) em 2010.

O primeiro teste acontecerá nas definições das alianças para as eleições municipais de outubro, principalmente nas cidades de maior visibilidade. O bloquinho tem buscado se distanciar do PT, planejando lançar candidaturas próprias. O segundo teste será na escolha do próximo presidente da Câmara dos Deputados, em 2009. O PT tem compromisso público com o presidente do PMDB. Mas há movimentação no bloquinho para apoiar Ciro Nogueira (PP-PI).

Se esse cenário de disputa se confirmar, a cúpula do PT defende a opção por Temer. “Há uma lei no Brasil: ninguém governa sem o PMDB”, define uma liderança petista. O PT precisará agir com habilidade para não se isolar.

Publicamente, os dirigentes partidários dizem ser precipitado falar em 2010. Mas todos só agem pensando nisso. A fase atual é de movimentação das peças em torno de Dilma. Para chegar até 2010, no entanto, ela precisará ser mais do que a preferida de Lula. Precisará de fôlego e jogo de cintura. Saindo forte do episódio dossiê, terá de neutralizar resistências do PT e seduzir o PMDB.

Raquel Ulhôa é repórter de Política em Brasília - VALOR

23/01/2008 - 12:28h ‘As águas estão turbulentas, mas o PAC funciona como âncora’



Dilma Rousseff: ministra-chefe da Casa Civil

Ribamar Oliveira e Beatriz Abreu, BRASÍLIA

O Estado de São Paulo

A ministro-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, entende que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é “uma espécie de vacina” contra a turbulência internacional. Uma eventual redução da demanda global poderá, segundo ela, ser compensada pela “robustez do mercado interno” e pelos investimentos previsto no PAC. Ela não vê necessidade de o governo brasileiro adotar medidas preventivas. “Quais seriam essas medidas?”, questionou. “Por que nós haveríamos, num quadro desses, de puxar a demanda para baixo, derrubar o crescimento do PIB e provocar uma recessão?” Dilma afirmou que o Brasil será sempre “dependente de São Pedro”, pois é um país com grande dependência da energia hidrelétrica. Ela disse que usar as térmicas não deve ser visto “como um crime” e elas passarão a fazer parte do sistema. A seguir, os principais trechos da entrevista.
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13/01/2008 - 12:32h Políticas reclamam que têm pouco espaço



Senadora aponta bloqueio; Erundina critica machismo

O Estado de São Paulo

A bênção do eleitorado se justifica. As mulheres não apenas acham que talvez possam melhorar o Brasil - elas têm certeza. Quase unânimes, elas fazem coro com o eleitorado: o Brasil será melhor se for comandado por mulheres. “O mundo é comandado pelas gravatas”, protesta a escritora Nélida Piñon. “As mulheres no poder reduziriam a corrupção”, assegura a atriz Beatriz Segall, concordando com a manifestação popular.

Uma lei obriga os partidos brasileiros a dedicarem 30% das vagas a que têm direito em cada eleição a candidatas mulheres. Mas o mundo político tem outra dimensão. No Senado, elas são 10, em 81 vagas (12,3%); na Câmara, são 45, em 513 deputados (8,8%). Uma mulher nunca participou da Mesa Diretora da Câmara nem nunca presidiu as mais importantes comissões técnicas Casa, a de Constituição e Justiça e a de Economia.
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18/12/2007 - 09:13h Canteiro de obras

O jornal Valor de hoje traz um suplemento especial consagrado ao PAC. De leitura obrigatoria para todos aqueles que se interessam no desenvolvimento econômico do país e na geração de emprego e renda. A iniciativa do jornal Valor permite uma reflexão sobre a política do governo federal em um patamar diferente do que tem caracterizado esse debate na mídia em geral. A seguir o artigo de capa do suplemento.

Por Ediane Tiago, para o Valor


Antonio Rogério Cazzali/Valor

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18/12/2007 - 08:58h Canteiro de obras

O jornal Valor de hoje traz um suplemento especial consagrado ao PAC. De leitura obrigatoria para todos aqueles que se interessam no desenvolvimento econômico do país e na geração de emprego e renda. A iniciativa do jornal Valor permite uma reflexão sobre a política do governo federal em um patamar diferente do que tem caracterizado esse debate na mídia em geral. A seguir o artigo de capa do suplemento.Por Ediane Tiago, para o Valor


Antonio Rogério Cazzali/Valor

Depois de um ano dedicado à identificação de oportunidades de investimentos, gestão de obras que já estavam em andamento e realização de uma uma série de leilões e licitações, principalmente nas áreas de energia e de transporte, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) promete ganhar ritmo em 2008. Vários projetos devem começar efetivamente, segundo as projeções do governo. A perspectiva, na definição da ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, é que o Brasil se transforme em “um grande canteiro de obras”.

O grande volume de trabalho em 2007, ano de lançamento do programa, ficou concentrado em planejamento das obras, atração de investidores privados, estudos de viabilidade financeira e análises de impacto ambiental. Por isso, a expectativa do governo e dos setores envolvidos é de que as obras agora deslanchem. “O PAC está saindo do papel. Os municípios e os governos estaduais entregaram seus projetos, a Caixa Econômica Federal (CEF) está avaliando os pedidos de crédito e as licitações ocorrem conforme o planejado”, afirma Dilma Roussef.

O governo considera que o andamento das obras está dentro do esperado, embora diferentes entidades empresariais critiquem o ritmo do programa, considerado lento. No último balanço, divulgado em setembro, das mais de 2 mil iniciativas previstas pelo programa, 60% estavam em estágio de obras e 40% se encontravam em fase de projeto. Na leitura do governo, isso significa que 90,3% delas estão dentro do cronograma. “Estamos transformando todo o país. Os reflexos do PAC estão apenas começando”, diz a ministra.

Antonio Rogério Cazzali/Valor

O pátio de contêineres do Rio Grande será ampliado para atender a demanda

Segundo Paulo Resende, professor de logística da Fundação Dom Cabral, o balanço positivo de 2007 está no fato de o governo ter demonstrado capacidade para a realização de leilões na área de energia e de rodovias. Em energia, ele cita o exemplo do leilão da usina Santo Antônio, em 10 de dezembro, para a construção de uma hidrelétrica no rio Madeira, em Rondônia. Vencido pelo consórcio liderado pelo Grupo Odebrecht e Furnas, a obra, orçada em R$ 10 bilhões, traz novas perspectivas para a matriz energética e deve atrair investimentos para a região Norte.

Já na área de logística, ele destaca o arremate, pela espanhola OHL em outubro, de cinco lotes para operação de estradas federais, no leilão que privatizou mais de 2 mil quilômetros de rodovias nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais. “Depois de atrair investimentos, o governo terá de provar sua capacidade de gestão. Botar a mão na massa e acompanhar de perto as obras, com foco na aceleração dos empreendimentos”, destaca.

Nos municípios onde as obras já começaram, os efeitos sobre a economia local e regional começam a aparecer. Novos negócios surgem, empregos são criados e há aumento de consumo. “A construção civil é peça fundamental do PAC e tem uma capacidade enorme de irradiação, em função dos elevados índices de geração de trabalho e renda”, diz Luiz Alberto Petitinga, professor de economia da Universidade Federal da Bahia e presidente da Desenbahia - agência de fomento do Estado. Para ele, o programa está ajudando a transformar municípios baianos e tem sido um agente importante também para o desenvolvimento do Nordeste. “O cenário é oportuno. Vivemos uma época de expansão mundial e temos de aproveitar.”

O cenário macroeconômico não poderia ser melhor para a execução de um plano como o PAC. O PIB brasileiro registra 22 trimestres consecutivos de crescimento, há estabilidade na inflação, o mercado interno responde com crescimento contínuo há 15 trimestres e o acesso ao crédito avança em velocidade impressionante. “O PAC não tem a pretensão de ser um programa de desenvolvimento nacional, por estar focado em infra-estrutura e ter a função de eliminar gargalos. Mas o governo pode construir, a partir dele, um projeto ambicioso para o crescimento do país”, analisa João Paulo dos Reis Velloso, coordenador-geral do Fórum Nacional do Instituto Nacional de Altos Estudos, presidente do Ibmec - Mercado de Capitais e professor da EPGE da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Ele destaca ainda que o programa traz para o Brasil uma visão de planejamento, principalmente no que diz respeito ao desenvolvimento regional, marginalizado nas últimas décadas. “É de extrema importância identificar oportunidades em regiões como a Norte e Nordeste para fomentar o crescimento econômico em todo o país”, afirma.

Antonio Rogerio Cazzali/Valor

Marcelo Zocolotto, da Zacotec: ” A cidade de Santa Maria deverá crescer muito e quem estiver preparado para essa explosão vai se sair bem”

Resende lembra que no rastro das obras surgem oportunidades de negócios para diversos setores. Além de abrir mercado para grandes empreiteiras, as regiões beneficiadas testemunham o aumento do número de empresas por conta da formação de cadeias de fornecedores locais, pequenas empresas que surgem para atender à demanda. “O setor de serviços também ganha com as obras, uma vez que os municípios buscam mão-de-obra qualificada para atuar em muitas etapas”, exemplifica.

Petitinga complementa dizendo que as atividades comerciais também são beneficiadas com os investimentos. De acordo com ele, obras em localidades distantes dos grandes centros urbanos garantem a desconcentração espacial dos efeitos do programa, levando o ciclo de expansão para todas as regiões. “Municípios importantes como Vitória da Conquista (BA) terão sua economia revitalizada com as obras da BR 101. Essa estrada também traz à tona a importância de Feira de Santana na logística do Nordeste”, comenta.

Luis Morais/Valor

Marconi Lapenda: expectativa de mais vendas com a duplicação da BR 101

A duplicação da BR 101 é um dos principais projetos em execução. No Nordeste, a obra deve beneficiar, além da Bahia, os Estados de Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco e pode gerar nesse trecho 4 mil empregos diretos e 12 mil indiretos, segundo levantamento do Ministério dos Transportes. “Esta rodovia receberá investimentos da ordem de R$ 2,8 bilhões, melhorando a logística no Nordeste”, afirma Petitinga.

No trecho Sul da BR 101, que envolve Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o investimento está transformando a vida dos municípios em torno da rodovia. Nas contas do governo, até o final das obras, 11,5 mil empregos diretos serão criados e o número de vagas indiretas deve ser três vezes maior. No município catarinense de Sombrio, as obras criaram 300 novos postos de trabalho e aqueceram o setor de aluguéis de imóveis e as vendas de máquinas e equipamentos. O número de vagas pode parecer pequeno diante, mas é o suficiente para trazer benefícios para a economia da cidade de 22 mil habitantes. “Os impactos são sentidos no comércio e também no número de negócios de pequeno porte que estão surgindo”, diz o prefeito José Milton Scheffer.

25/11/2007 - 08:52h "Não vamos melhorar a saúde pública sem contratar médicos. Não vamos melhorar a educação sem contratar professor", diz Lula em entrevista para O Globo

Luiz Inácio Lula da Silva

Com a irritação de um apaixonado torcedor e se queixando do desempenho da seleção brasileira no jogo da noite anterior contra o Uruguai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizia repetidas vezes, na quinta-feira de manhã, que sem ousar, arriscar, não se faz gol.
— A palavra de ordem deveria ser: pegou bola fora da área, mete ela pro gol. Mete. Chuta dez, uma entra — disse antes de começar a desfiar, na entrevista de uma hora e 15 minutos ao GLOBO, números sobre a economia, e reafirmar a convicção de que sem aumento de gastos públicos não consegue governar. — Se fosse possível fazer a máquina funcionar diminuindo dinheiro, seria ótimo. Munido de folhas de papel com dados, Lula poucas vezes precisou consultá-los — cita-os praticamente todos os dias. Estava acompanhado, à mesa, por dois assessores. E um terceiro, à distância.

Ao longo da entrevista, gravada por uma equipe de TV da Radiobrás, o presidente tomou um café expresso, fumou duas cigarrilhas e encerrou com um copão de chá verde (a última moda no gabinete presidencial). Evocou Deus dezenas de vezes, inclusive quando falou da descoberta da Petrobras, tão badalada por sua “sombra”, como ele mesmo definiu a ministra Dilma Rousseff. O compromisso seguinte de Lula, naquela manhã, era a reunião do Conselho Político. A última com a participação do então ministro Walfrido dos Mares Guia, acusado pelo Ministério Público de lavagem de dinheiro e peculato no valerioduto tucano. No início da entrevista, Lula fez uma introdução livre e disse que 2008 terá, talvez, um Natal nunca antes visto neste país. Na retrospectiva do primeiro mandato, afirmou: — Tínhamos que aproveitar o momento em que o governo tinha muita credibilidade política para fazer o arrocho, porque assim poderíamos dar uma chance ao Brasil. Estamos prontos para o passo seguinte.

Sergio Fadul, Diana Fernandes, Luiza Damé e Luiz Antônio Novaes

O Globo

O GLOBO: O arrocho não é mais necessário?

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA: Não é. Já foi todo feito, enquanto arrocho; enquanto outras políticas e reformas, vamos continuar fazendo. Anunciamos um conjunto de programas que vão desabrochar a partir de fevereiro ou março de 2008. Vamos ter um 2008 melhor do que 2007. Vamos procurar outros assuntos para discutir e não discutir mais a inflação, por exemplo, que vai ficar em 4%. Vou trabalhar com todo o rigor para que a inflação se mantenha na faixa dos 4%, se puder, até um pouco menos.

Economistas falam da vulnerabilidade da economia brasileira para enfrentar uma crise mundial. O Brasil está forte?

LULA: Temos US$ 175 bilhões de reservas. O mercado interno brasileiro está se fortalecendo. Este ano, vamos ter talvez um Natal dos melhores de toda a história, porque uma camada imensa de seres humanos que ficaram marginalizados está entrando na sociedade que compra.

O avanço de camadas que antes não consumiam existe, mas se dá muito com base no crédito. Isso pode criar uma bola de neve? Esse foi o problema da bolha americana…

LULA: O problema dos Estados Unidos é outro. Qual era a lógica? Você comprava uma casa por US$ 300 mil, passados dois anos, aquela casa aumentava em US$ 100 mil o valor dela e você poderia fazer um crédito de mais US$ 100 mil. Na hora em que desvalorizou os imóveis, você ficou pendurado. Esse não é o nosso modelo. As pessoas estão se endividando para comprar coisas que precisam dentro de casa; querem comprar uma geladeira, uma televisão, um telefone, um carrinho, mais roupas… É só vocês irem, não sei se lá no Saara no Rio de Janeiro, na 25 de Março em São Paulo, para ver uma população de causar inveja à China. Um caminhão está demorando quatro, cinco meses para ser entregue.
Ora, é um problema gostoso.

O senhor mencionou a demora nos caminhões. Existe limitação para o crescimento, de bater num teto e não expandir mais?

LULA: Não existe.

Nem pelos gargalos de infra-estrutura…

LULA: Não existe.

A infra-estrutura comporta o crescimento? Tem crise energética, a Aneel disse que pode voltar a faltar gás…

LULA: Lançamos o PAC, mas essas coisas não acontecem em um dia. No ano que vem, quem mora nas 13 principais capitais vai ter o privilégio de ver a quantidade de obras de saneamento básico que vai acontecer nessas cidades. São R$ 40 bilhões.

E a questão do gás?

LULA: De vez em quando no Brasil a gente tenta mistificar as coisas. Estamos com o sistema elétrico muito mais preparado do que em qualquer outro momento, porque estamos fazendo uma interligação de todo o sistema. Em 2001, você tinha excesso de água no Sul e falta de água no Sudeste. O Sul não tinha como transferir energia, porque não tinha linhas de transmissões.

Não haverá racionamento?

LULA: Não acredito. O gás é uma matériaprima em que não temos auto-suficiência.
Se Deus ajudar e esse anúncio da Petrobras se confirmar, enfim, estará resolvido o problema do gás.

A falta de gás pode comprometer o crescimento?

LULA: Não. O Brasil tem álcool, gasolina, biodiesel, gás. O cidadão pode achar ruim ter de pagar uma coisa mais cara do que outra, mas não vai ficar parado por falta de combustível.

Os investimentos em infra-estrutura crescem, mas há um crescimento ainda maior dos gastos públicos. Vê possibilidade de redução?

LULA: Não acontece isso. Saímos de R$ 2 bilhões do orçamento do Ministério de Transporte para R$ 10 bilhões.

Em 2003, a gente gastava do PIB 4,6% com pessoal. Em 2006, estamos gastando 4,6% também. Em 95 se gastava 5,3%. Vejo as pessoas dizerem que o funcionalismo público ganha muito. Fico com inveja do salário da iniciativa privada para as funções que eles acusam que aqui no Brasil ganham muito.

Os gastos têm mesmo que aumentar?

LULA: Se fosse possível fazer a máquina funcionar diminuindo dinheiro, seria ótimo. Não vamos melhorar a saúde pública sem contratar médicos. Não vamos melhorar a educação sem contratar professor.

O histórico do crescimento dos gastos no Brasil, nos últimos dez anos, está sempre acima do PIB. Há possibilidade de crescer menos?

LULA: Se você quiser comparar o PIB, vou dizer que em 1995, se gastava 5,3% do PIB com pessoal. Hoje, 4,6%.

Pode diminuir? Ainda está acima do crescimento do país …

LULA: Não, não está acima. O crescimento do PIB vai ser mais.

Ah, vai ser …

LULA: Eu não sei. Estou otimista.

Estamos trabalhando com dados existentes. Estamos encurralados, porque se gasta mais do que se cresce, como o país cresce assim?

LULA: Você vai cada vez mais melhorar a arrecadação do Estado, vai melhorar a gestão do Estado à medida que melhora a qualidade das pessoas que trabalham.

O presidente do Ipea, Márcio Pochmann, disse que o Estado é raquítico. É uma opinião parecida com a sua? O Estado ainda tem o que crescer?

LULA: O Estado brasileiro vai crescendo à medida que o país vai necessitando de um Estado que precise crescer mais. A tese do Márcio Pochmann é correta. Se se comparar o número de funcionários públicos com a população brasileira, percebe-se que o Brasil é um dos países que tem menos. O problema é que a gente tem uma parcela de funcionários mal-remunerados e, portanto, desmotivada.

Está havendo um trabalho de recomposição desses salários desde o primeiro mandato …

LULA: Estamos recompondo e cada vez precisa mais.

O senhor acha que os resultados disso estão aparecendo…

LULA: É só olhar o resultado do país. É evidente que estão aparecendo.

Eu digo em relação ao atendimento à população.

LULA: Melhorou muito. E ainda falta melhorar muito.

O que achou da polêmica em torno da troca de dirigentes do Ipea? Pessoas da comunidade acadêmica acham que houve perseguição política, enquadramento do Ipea…

LULA: Engraçado isso. Se tivesse um mínimo de verdade, o Márcio Pochmann não estaria no Ipea.

Por quê?

LULA: Porque ele escreveu vários artigos criticando o governo. Ora, meu Deus do céu, o mínimo de direito que tem alguém que é colocado num cargo de presidente de uma instituição como o Ipea é colocar quem ele queira colocar, trocar quem ele queira.

Mas são pesquisadores …

LULA: Mas você há de convir que o Pochmann tem direito de dizer: “Eu quero tal pesquisador comigo e não quero esse”. É o mínimo.

O senhor se incomodou com estudos e críticas desses pesquisadores?

LULA
: Nunca me incomodei e não vou me incomodar.

O senhor descarta completamente patrulhamento, de novo pensamento único no Ipea?

LULA: É só ver o resultado. Há uma coisa que faz a minha cabeça, desde o tempo em que eu era dirigente sindical. Trabalho com o conceito de que a máquina pública é máquina pública, e ninguém pergunta para o cidadão concursado se ele é religioso, se gosta de futebol ou se pertence a partido. Ele faz o concurso, passa e vai trabalhar.

E a polêmica de imposto sindical? O senhor é bastante produto da luta contra o imposto. Como se vê, diante da História, depois que sair do governo como aquele que teve a oportunidade de fazer a mudança que sempre pediu, mas, no momento em que a discussão surgiu, viu seu partido e sua base agirem ao contrário?

LULA: Aquela proposta que foi aprovada é uma proposta complicada, porque tira o imposto sindical dos trabalhadores e não tira dos empresários. É importante saber que milhares de sindicatos não têm condições de sobreviver sem imposto sindical.

Mas o imposto deve continuar obrigatório?

LULA: Minha filosofia sindical é que quem deve determinar a forma de arrecadação e a quantidade de contribuição são os trabalhadores em assembléia. Por isso, historicamente, eu fui contra o imposto sindical. Só acho que é preciso dar um tempo de transição para que as pessoas se ajustem à nova realidade.

Qual transição? O Congresso fala em três anos.

LULA: É dar um prazo. Não sei.

O imposto sindical não produz mais pelegos?

LULA: Não estou discutindo a filosofia do que vai ser o dirigente sindical.
Tenho uma briga histórica contra o imposto sindical. Isso faz parte da minha matriz como sindicalista.

O senhor falou que na oposição fazia bravatas. Quando voltar para a oposição e fizer críticas, o que vai acontecer? A imprensa vai dizer que o senhor está fazendo bravata?

LULA: É preciso saber quando a oposição faz oposição em torno de propostas concretas e quando faz bravata. São coisas distintas. Não misture oposição com bravata. Bravata é quando o cara propõe coisas ou ameaça coisas que ele sabe que não pode fazer. Agora, fazer oposição, ser contra um projeto do governo, é legítimo e não tem restrição. Quando falo da economia, falo porque vivi 30 anos do outro lado, e todo ano a gente era pego de surpresa com um pacote, alguém anunciava um milagre. Agora, não. O Guido Mantega é meu ministro, e falo para ele: “Olha gente, não tem mágica, não tem mágica, não inventem! Em política econômica a gente não inventa”. Tenho discutido política cambial. A verdade é que escolhemos a forma correta, o câmbio flutuante. E o câmbio flutuante flutua. Ele vai flutuar, para cima ou para baixo. Em time que está ganhando a gente não mexe

Por mais criticado que seja pelas defesas que faz do colega Hugo Chávez e por mais polêmicas que o venezuelano protagonize mundo afora, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não arreda pé de sua posição em relação à Venezuela e ao seu presidente. Diz que a política da Venezuela é uma questão do povo venezuelano e que Hugo Chávez não representa risco para a democracia no continente. E que Chávez terá de acatar o resultado da consulta popular sobre a reforma da Constituição da Venezuela, que, entre outras mudanças, permite a reeleição indefinida. E, num recado velado à oposição no Brasil, diz que os brasileiros têm de perder a mania de dar palpites na vida dos outros. — Como maior economia, nós temos que ter responsabilidade de fazer com que as coisas vão bem. Eu dizia que o irmão mais velho, o irmão maior sempre tem de ter generosidade com os outros irmãos.

Sergio Fadul, Diana Fernandes, Luiza Damé e Luiz Antônio Novaes
BRASÍLIA

O GLOBO: A relação política do Brasil com a Venezuela tem algum problema, neste momento, em razão de críticas do presidente Hugo Chávez ao Brasil e ao Congresso? E sobre a questão de democracia na Venezuela?

LULA: Eu sou defensor da autodeterminação dos povos. Cada país determina o regime político que quer. A Suécia determina o seu, os Estados Unidos determinam o seu, o Brasil determina o seu, a Venezuela determina o seu. Por que eu vou ficar criticando ou aplaudindo a decisão da maioria do povo de um país? O regime político da Venezuela, o mandato do presidente é um problema do povo venezuelano. Ao Brasil, interessa ter uma relação do Estado brasileiro com o Estado venezuelano. Isso tem que ser construído quase que de forma definitiva. Agora, minha relação pessoal com o Chávez é outra coisa, minha relação pessoal com o Kirchner é outra coisa. Eu acho que nós aqui no Brasil precisamos parar com essa mania de dar palpite na vida dos outros. No regime parlamentarista, tem primeiro-ministro que fica 18 anos, 16 anos. Em alguns países, o primeiroministro manda de verdade, e o presidente é apenas o chefe de Estado, é solene.

Mas é um regime diferente. O primeiro-ministro pode ficar um mês também.

LULA
: No regime presidencialista, quando o povo quer, o presidente sai do mandato.

É mais difícil.

LULA: Não é mais difícil. Nós já vimos nos Estados Unidos, já vimos no Brasil. Eu acho é que nós devemos cuidar do nosso quintal, que já é grande: são quase 190 milhões de habitantes, 8,5 milhões de quilômetros quadrados e problemas muito grandes. O Brasil precisa ter uma boa relação com a Venezuela independentemente de quem seja o presidente do país.

O Brasil tem de ter investimento na Venezuela, fazer parceria com a Venezuela, porque interessa ao Brasil, como país mais rico da América Latina, como a maior economia da América Latina, que a gente tenha tranqüilidade no continente. Essa foi minha conversa com o presidente (George W.) Bush, em Camp David. Eu disse ao presidente Bush que está na hora de os Estados Unidos olharem para a América Latina com outro olhar, com olhar de investimento, com olhar de ajudar os países da América Central a crescerem, porque é a única oportunidade de ter paz. Da década de noventa para cá, com exceção das FARCs, que existem há 40 anos, não tem hoje nenhum país da América Latina falando em luta armada. Os países entraram no jogo democrático. Eu dizia ao Bush que é preciso valorizar isso.

Então o senhor acha que não há risco com Chávez?

LULA: Não há risco nenhum com Chávez, não há risco nenhum com a Bolívia.

Há uma consulta popular sobre as mudanças na Constituição e pesquisas indicam que Chávez pode não ganhar. Há risco de ruptura?

LULA: Quem se submete a uma eleição tem de se submeter ao resultado dela. O Chávez está convocando um plebiscito. Se ele ganhar, ótimo; se ele perder, ótimo. Ele vai acatar o resultado. Vocês esquecem que aqui no Brasil nós fizemos um plebiscito para saber se o povo queria monarquia, se queria parlamentarismo? E se o povo escolhesse a monarquia, quem seria o rei? Nós já passamos por isso.

Algumas pessoas dizem que o senhor tem essa relação de carinho, de não confrontar, porque realmente acredita na política do Chávez ou porque não quer partir para o confronto com a Venezuela, pois interessa ao Brasil. As duas versões são verdadeiras? Onde está a verdade?

LULA: É porque eu compreendo bem as razões dos conflitos que aconteceram no século XIX, e a gente não pode, no século XXI, repetir os mesmos erros. Às vezes, as guerras se dão por palavras. Quando fui à Guiné Bissau, tinha tido uma tentativa de guerra civil, e a Guiné Bissau é um dos países mais pobres do mundo, eu dizia para o primeiroministro e para os deputados, guerra para quê? Primeiro você tem de construir esse país. Na América Latina, os países precisam ser construídos. A Venezuela é um país rico, com potencial extraordinário, e eu tenho dito ao presidente Chávez: é preciso cuidar urgentemente de industrializar a Venezuela. Tem muitos empresários brasileiros trabalhando na Venezuela, fazendo investimentos e parcerias.

O senhor vai lá agora…

LULA: Vou lá dia 13 de dezembro e vai uma série de empresários.
A Venezuela tem potencial grande, a Colômbia tem potencial grande. Para nós, se todos os países da América Latina, sobretudo os que fazem fronteira com o Brasil, estiverem bem, o Brasil está bem. Então, como maior economia, nós temos que ter responsabilidade de fazer com que as coisas vão bem. Eu dizia que o irmão mais velho, o irmão maior sempre tem de ter generosidade com os outros irmãos. Se não for assim, você vive em conflito permanente.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva jura que não pensa em sucessão, mas já traçou seu cronograma político-eleitoral até 2010. Ao contrário do que falou aos aliados, disse que não subirá em palanque ano que vem, e que tratará de sua sucessão a partir de 2009. Ele insiste em candidatura única da base, mas evita citar nomes, com cuidado maior com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), apontada por governistas e oposicionistas como aposta para 2010.— Ela é minha sombra — diz Lula sobre Dilma.

Na esperança de afastar especulações, afirma que não incentivará mudanças para conquistar o direito de disputar o terceiro mandato em 2010, mesmo que todos os fatores conspirem a seu favor.

Sergio Fadul, Diana Fernandes, Luiza Damé e Luiz Antônio Novaes
BRASÍLIA

GLOBO: O senhor tem desautorizado que falem em terceiro mandato. Diante da possibilidade de que a oposição fique dividida, o PT sem candidato natural e o senhor com popularidade alta, resiste a um terceiro mandato?

LULA: Resisto. Resisto. Eu tinha feito promessa de não discutir o assunto. Fiz uma profissão de fé de dizer que não toco mais nesse assunto. Ninguém me ouviu falar em terceiro mandato. Todo mundo sabe que eu era contra a reeleição. Só não mando um projeto acabando com a reeleição porque fui reeleito. Mas todo mundo sabe que era contra reeleição, que prefiro mandato de cinco anos, sem reeleição.

Por quê?

LULA: Acredito na alternância de poder. Não sei de onde surgiu essa história (terceiro mandato). A história do plebiscito não aconteceu no meu governo, não.
Aconteceu em 2001. É só irem ao Congresso, vão perceber que a história do plebiscito não é minha. Não quero que publiquem isto, é apenas informação: quem defendeu terceiro mandato foi Fernando Henrique Cardoso, que defendeu o terceiro mandato do Fujimori (ex-presidente do Peru). Ou vocês esquecem que publicaram isso? Então, eu sou contra, como filosofia.

Há amigos seus a favor do terceiro mandato.

LULA: Não, não são a favor de terceiro mandato. O que o Devanir (deputado Devanir Ribeiro, do PT paulista) propôs, querido, era o direito de o presidente da República convocar plebiscito.Não falou em terceiro mandato.

Mas o que se diz é que por trás do plebiscito tem a idéia do terceiro mandato.

LULA: Membros da oposição que me conhecem sabem que não exercito brincadeira com democracia. A democracia precisa se transformar num valor para a sociedade brasileira. Somos um país em formação. Alternância de poder é muito bom, porque o povo tem a cada eleição a chance de escolher o melhor. Pode dar certo ou não, mas tem a chance. Quer coisa mais extraordinária do que esse exercício da democracia? Não quero mais falar nesse assunto.

Com o PT sem candidato, teria dificuldade em apoiar candidato de outro partido? Enfrentaria o PT para apoiar Ciro Gomes? Além de Dilma e Patrus, que nomes teria na equipe em condições de ser presidenciável?

LULA: A sorte de eu ter participado de muitas eleições é que essa pergunta me foi feita muitas vezes. Deixa eu dizer o que o presidente da República pensa: só irei pensar na minha sucessão a partir de 2009. Quero cuidar de ver este país fazer as eleições municipais com tranqüilidade — é importante ter claro que o presidente não participará das eleições municipais…

Não vai subir em palanque de ninguém?

Lula: Não vou subir em palanque. Não vou subir. A partir das eleições municipais, quando entrar 2009 eu começarei a me preocupar com a sucessão. E a oposição também. Por enquanto só quem tem nome, ou nomes, é o PSDB. Pois bem. O que posso dizer é que a base aliada, essa é a minha convicção, terá que ter uma candidatura única.

O senhor acha isso possível no primeiro turno?

LULA: Acho possível construir isso no primeiro turno. Acho possível que cada partido queira ter candidato. Acho legítimo. Não é o que gostaria. Não estou discutindo candidaturas, muito menos nomes. Cada nome que eu citar vai ficar cravado que estou pensando naquele nome.

Não está pensando em um partido, ao falar em base…

LULA: Isso, não estou pensando em um partido. É a base.

Pode ser do PSB , do PMDB…

LULA: Pode ser de outro partido. Não tem que ser do PT. O PT pode querer ter candidato, é legítimo. O PCdoB pode querer, o PMDB pode querer. O PMDB tem ministros, senadores, a maioria dos governos, um estado como o Rio de Janeiro. Acho legítimo. Da minha parte não terá briga. Vou tentar convencer a base de que o prudente é que a gente tente candidatura única. Isso vou discutir mais para frente.

A ministra Dilma Rousseff é apontada como a presidenciável do momento.

LULA
: Eu nunca apontei. Nunca nem perguntei.

Mas é apontada por aliados, por petistas. O que acha disso?

LULA: Não tem, não tem. Como sou favorável à liberdade de expressão, cada um fala o que quer e responde pelo que falar. Posso dizer que não tenho nomes, nem interno nem externo.

Pela quinta vez, o senhor perde seu articulador político.

É uma área problemática? (pergunta enviada por e-mail, após a queda do ministro)

LULA: Não é problemática. É importante e, por ser importante, é complicada, porque tem relação política. É importante saber por que trocamos cinco vezes. Quando começamos, a articulação política estava na Casa Civil, com o Zé Dirceu. Resolvi separar e coloquei o Aldo Rebelo para ser coordenador político. O Aldo saiu para voltar a ser deputado e foi eleito presidente da Câmara.
Veio o Jaques Wagner, que saiu para ser governador da Bahia.
Veio o Tarso Genro, que saiu para ser ministro da Justiça.
Veio o Walfrido (dos Mares Guia), que saiu por causa desse problema das eleições de 98. E agora tem o Zé Múcio (Monteiro). Esse cargo de coordenação é um dos mais importantes do governo, é sensível porque você tem de ter relações com Câmara e Senado, partidos políticos, prefeitos e governadores.

Tem uma diversidade política extraordinária. Lamento profundamente o que aconteceu com o Walfrido, reconheço a indignação do Walfrido, porque ser indiciado por um processo que já tem nove anos sem que ele tenha sido ouvido em algum momento e, mesmo quando ele prestou depoimento, não foi perguntado a ele nada sobre o assunto, ou seja, foi perguntado sobre outro assunto, é motivo de ficar indignado mesmo. Espero que se faça justiça, que esse problema se resolva logo. O governo está extremamente bem representado com a figura do deputado José Múcio — é um dos mais brilhantes do Congresso, foi líder nesses últimos tempos, com atuação impecável, e certamente manterá essa atuação como coordenador político. Acredito.

O presidente Lula refuta a idéia de que há solidão no poder, mas se ressente de não ter vida pessoal em Brasília. Confessa que, se pudesse, passaria um dia no Planalto e sete viajando pelo Brasil. Foi um ato falho, mas Lula bem que gostaria de uma semana de oito dias, a julgar pelo pouco tempo que diz ter para a família. Na rotina no Planalto, normalmente de 9 da manhã às dez da noite, com almoço no Alvorada, Lula diz que não tem tempo para conversas amenas. Brincando, diz que dona Marisa cobra que ele cuide da agenda em casa. Isso quando está em Brasília.Lula fala em erros e acertos — considera que mais acertou do que errou. Perguntado se teria cometido um grande erro, responde:
— Não. Não.

O senhor sabe o nome de seus 37 ministros?

LULA: Até dos que já foram ministros.

Qual entra aqui sem bater na porta?

LULA: Não, ninguém entra sem bater na porta.

Já teve algum que entrou sem bater, metia a mão na maçaneta e entrava?

LULA: Nenhum.

Que ministros têm mais acesso ao gabinete?

LULA: Os da Casa. Fora os da Casa, o ministro da Fazenda, com quem despacho toda semana, às vezes mais de uma vez por semana, para saber como é que está acontecendo, por que tal setor não está indo bem. O Paulo Bernardo, para discutir o Orçamento, por que é que o Orçamento não está sendo executado. A ministra Dilma Rousseff, não só porque está aqui do lado. É que ela é a minha sombra na administração. É coordenadora do PAC, tem que prestar conta todo dia. O Dulci, porque cuida de políticas sociais. O Itamaraty, porque ando demais, sabe? E tem outros que têm rotina de uma reunião por mês.

Quem traz notícias boas e ruins?

LULA: Deixa eu falar uma coisa triste… Se pudesse escolher, eu ficaria um dia neste gabinete e sete viajando o Brasil. Sabe por quê? Ninguém traz notícia boa a este gabinete.
Quando a notícia é boa, festejam sem precisar eu saber. Quando a notícia é ruim, quando as coisas não estão acontecendo, eles vêm pra cá. Sobretudo quando precisam de mais dinheiro. Todo mundo quer mais, as pessoas não se conformam com o que têm.

O senhor tem momentos de conversas amenas, brincadeiras, piadas?

LULA: Não, não tenho. Esse é um problema de agenda que tenho que resolver. Já estou velhinho, com 62 anos.

Onde encontra energia para ficar aqui das 9 da manhã às dez da noite?

LULA: Motivação, motivação. Sou um cara que estou feliz pelas coisas que estão acontecendo no Brasil. E triste pelas que não estão acontecendo. Mas quero fazer acontecer.

Está virando bordão, em programa humorístico e em propaganda, a expressão que o senhor usa muito, ‘nunca antes neste país’. O que acha disso?

LULA: Sabe o que eu acho importante? Não é mais o governo que fala, são as pessoas que falam agora. No lançamento do programa de ciência e tecnologia, uma pessoa falou que é a primeira vez…
Então, é a primeira vez que tratam os catadores de papel com respeito, a primeira vez que tratam os quilombolas com respeito. Quer saber de uma coisa? É a primeira vez que essas pessoas entraram no Palácio.

O senhor disse no discurso de vitória, em 2002, que jamais poderia errar. A pergunta é: qual o seu maior erro? Cometeu algum grande erro no governo?

LULA: Devo ter cometido erros, cometido acertos. Temos muito mais acertos do que erros.

Mas o senhor não se lembra de um grande erro, daquele que morde até hoje, que não podia ter feito…

LULA: Não, não. Até porque vou fazer meu julgamento quando terminar 2010. Eu vou fazer uma reflexão.

(Já de pé, Lula conversa informalmente com os jornalistas): LULA: Não falamos de Sérgio Cabral…. Que diferença! Como mudou a relação do governo federal com o Rio! O Sérgio Cabral é incrível. Vocês percebem que ele não tem ranço? Está muito bem.

Já estão dizendo que ele pode ser uma opção do senhor para 2010…

LULA: Por enquanto, ele pode ser opção primeiro do PMDB…

E a vida em Brasília, sem filhos e netos, muito ruim?

LULA: Eu confesso que não tenho vida.

Solidão do poder não é bem o termo ?

LULA: Não tenho solidão para tomar decisão. Mas, veja, levanto às 6h da manhã todo dia. Faço uma hora de ginástica todo dia, faço musculação. Chego aqui todo dia às 9h e não tem hora para sair. Pode ser 9, 10, 11, 11 e meia… Chego em casa, e aí dona Marisa, como todas as mulheres, diz que eu tenho que cuidar da minha “agenda”. E eu não vou à casa de ninguém dia de sábado e domingo porque eu… Em Brasília às vezes tem muita futrica, e eu prefiro não… Eu nunca fui a um aniversário, nunca fui a um casamento, eu nunca fui a um jantar. De vez em quando eu convoco…
eu convido um companheiro para ir em casa para conversar um pouco comigo, para jantar…

O senhor dizia na campanha que o segundo mandato seria mais fácil porque tinha aprendido os caminhos do poder. Está sendo mais fácil?

LULA: O medo que eu tinha do segundo mandato era da mesmice.
Lembro que, no enterro do Octavio Frias, o Fernando Henrique Cardoso me falou: “Você vai ver depois do segundo ano, quando os ministros estiverem pensando nas suas candidaturas”. Graças a Deus, sabe, é um desafio para mim… Todo dia tenho que me motivar para fazer o segundo mandato ser melhor que o primeiro. Todo dia. É uma profissão de fé que fiz.

Todo dia eu me motivo. Graças a Deus essa quantidade de programas que lançamos são um oxigênio extraordinário para o presidente fazer um segundo mandato melhor que o primeiro.

16/11/2007 - 14:35h All this and oil too

God may indeed be Brazilian after all

Illustration by Claudio Munoz

From The Economist print edition

WHEN Francisco Suares, a Portuguese explorer, wrote home to his brother in Lisbon about Brazil’s natural bounty in 1596, he declared himself “ashamed to write it, fearing that I shall not be believed.” And so it remains today. Brazil’s forests are bigger than anywhere else’s. Its soil is so fertile that some trees grow to full maturity quicker than people do. Beneath the soil lie huge mineral deposits that are raw material for China’s double-digit growth. Brazil is already on its way to becoming an alternative-energy superpower. And as if to prove a popular saying that “God is Brazilian”, it now seems that there are billions more barrels of oil than previously thought lying beneath deep waters off the country’s coastline.

Just how many billions is unclear, but Petrobras, Brazil’s state-controlled oil company, announced earlier this month that it reckons the Tupi oilfield contains between 5 billion and 8 billion barrels. That may not quite yet put Brazil in the same league as Venezuela and Saudi Arabia, as Dilma Rousseff, President Luiz Inácio Lula da Silva’s chief of staff who also chairs Petrobras’s board, excitedly proclaimed. But the higher estimate would make the Tupi field alone equal to all of Norway’s reserves. It contains light crude, which is less expensive to refine and therefore worth more. And there may be other big deposits to be found nearby.

José Sergio Gabrielli, Petrobras’s chief executive, refuses to speculate about how big an oil power Brazil might become. But he does concede that there is the potential for many more discoveries on the scale of Tupi—which itself is the world’s second-biggest strike in 20 years, after Kazakhstan’s 12 billion-barrel Kashagan field, discovered in 2000.

Most of Brazil’s oil comes from the Campos basin, in the waters off Rio de Janeiro. It is typically found at depths of 1,000-2,000 metres below the seabed. Below that lies a huge layer of salt, at some points more than a mile thick. This stretches both north and south to the hitherto less prolific basins of Espirito Santo and Santos. It is below the salt, in the Santos basin, that Petrobras discovered Tupi. The company has also found “sub-salt” oil in Espirito Santo, although it has not yet assessed the scale of this. Mr Gabrielli believes that the two basins have yielded relatively little oil to date not because it is not there, but because it lies deeper underground, below the salt.

Tupi’s oil will be hard to extract. Petrobras is a world leader in deep-water oil production, but Tupi is farther down than any of its existing fields. Drilling through the salt layer and the hard rock beneath brings further technical difficulties. The first test-well alone cost $240m. Moreover, there is a shortage of skilled labour and equipment throughout the oil industry at the moment—although Mr Gabrielli says Petrobras can transfer staff and resources from other projects if necessary.

Despite these caveats, it is reasonable to assume that Brazil’s economy and currency will get a boost when the oil starts flowing, it is hoped, in 2010. The discovery might also tip the balance of power in South America further in Brazil’s favour. Already self-sufficient in oil, Brazil is now likely to become a significant exporter. That may reduce the clout of Venezuela’s oil-rich president, Hugo Chávez, in the region. As if to underline this, Petrobras announced on November 13th that it was pulling out of a joint venture in Venezuela.

Brazil’s drive towards oil self-sufficiency follows the opening up of the industry to foreign investment in the 1990s, when the government also floated some 40% of Petrobras’s shares on the stockmarket. Britain’s BG Group has a 25% stake in the Tupi field, and Portugal’s Galp Energia holds 10%.

The government followed up the announcement of the Tupi field by withdrawing neighbouring blocks from an auction of exploration rights due later this month. That might signal rising petro-nationalism. But it also looked prudent, since those blocks may be worth much more as more becomes known about Tupi.

Amid the euphoria, which included an instant leap of 26% in Petrobras’s share price, came suspicion about the timing of the announcement. Less than a week after it was made, the company announced a poor set of results, with operating profit down 22% compared with the same quarter last year.

Petrobras has also faced mounting difficulties in supplying natural gas to thermal power plants, especially since its fields in Bolivia were quasi-nationalised last year. Some see the Tupi announcement as an attempt to distract attention from this. “It is like throwing a second ball onto a football pitch when the game is going against you,” says Alexandre Marinis of Mosaico, a political consultancy.

Electricity rationing under the previous government in 2001-2 helped Lula to win office. One solution now would be to raise the price of gas, but officials are worried that this would feed into inflation, and jeopardise the scope for further cuts in interest rates. Mario Pereira, an energy consultant, reckons that the risk of electricity shortages should wane after 2008, if Petrobras completes a planned liquefied natural-gas terminal on time.

That may be a big if. Lula and Ms Rousseff, a former Trotskyist who is sometimes touted as a potential presidential candidate for the ruling Workers’ Party, were keen to associate the government with Petrobras’s strike. But the oil may not start flowing until after the next presidential election in 2010. Energy may be an electoral headache rather than a boon for the government, if not for the country.

12/11/2007 - 15:07h Brazil’s oil discovery to boost industry

By Jonathan Wheatley in São Paulo and Dino Mahtani in London

Financial Times

The discovery of what could be massive oil reserves off the coast of Brazil, announced last week, has the potential to transform its oil industry and catapult the country up the league table of oil-producing nations.

“We could be heading to the same level as Saudi Arabia and Venezuela,” said Dilma Rousseff, chief of staff to President Luiz Inácio Lula da Silva.

She was, perhaps, letting herself be carried away by the euphoria of the moment. Nevertheless, many analysts agree that the discovery has the potential to transform Brazil’s role in the region and the world, making it more confident in the pursuit of goals such as a permanent seat on the United Nations Security Council and membership of the G8 group of leading industrialised nations.

Last week’s news centred on the Tupi field – at present, little more than a couple of exploratory wells 280km off Brazil’s coast in the Santos Basin. But those two wells have confirmed that the field holds between 5bn and 8bn barrels of oil, not far short of the entire reserves of Norway, which were 8.5bn last year, according to figures from BP. The field, potentially, would add more than 50 per cent to Brazil’s 14.4bn barrels of proven reserves of oil and natural gas equivalent.

Yet Tupi could be just the start. Its oil is trapped under a giant salt shelf, 800km long, 200km wide and up to 2,000 metres thick. Its average thickness is about 500 metres, according to Nilo Azambuja of HRT, a Rio de Janeiro company that provides geological services to Petrobras, Brazil’s publicly controlled oil company.

The Tupi field lies at a depth of 6,000 metres, beneath 2,000 metres of sea and 4,000 metres of rock and salt.

“The salt presents enormous operational difficulties,” Mr Azambuja says. The first is that it absorbs seismic waves, making it much harder to “see” what lies beneath. The second is that, under great heat and pressure, the salt is “plastic”, meaning that wells are hard to drill and collapse easily.

Nevertheless, Petrobras and its partners have sunk 15 wells through the salt layer and analysed the results of eight: four in the Santos Basin, one in the neighbouring Campos Basin and three further north off the coast of Espírito Santo state.

“All the wells tested have given positive results,” Sergio Gabrielli, president of Petrobras, told the FT last week. “All of them confirmed the same conditions and structures as Tupi.”

The discovery suggests that all the oil so far produced off Brazil’s coast has seeped through the salt layer, picking up impurities along the way – which is why it is low-quality, heavy crude. The oil under the salt is lighter, high-quality oil. And there is a lot of it. “It’s very big. I can’t say more than that,” Mr Gabrielli said.

Matthew Shaw, an analyst at energy consultants Wood Mackenzie, says the Tupi find opens the possibility of exploiting “tens of billions of barrels” in the area – although the truth can only be known with more drilling.

The Brazilian government is nevertheless taking precautions now, removing 41 blocks from an exploration acreage auction planned for this month, to assess their true potential and perhaps consider asking for better terms from companies that might consider developing them. The blocks removed are all located over the salt shelf.

Mr Gabrielli said production from Tupi could begin in 2011, with a pilot project producing 100,000 barrels a day. Production would scale up to several times that amount over later years.

But industry analysts say the task ahead is complex and that the cost of developing Tupi could reach $50bn. Across the industry, oil companies are already straining under the burden of escalating costs and a scarcity of skilled engineers and rigs.

Mr Gabrielli told the FT in August that it would be a “real challenge” to pull off the management of his company’s projects. “Supply chains are under stress,” he said.

10/11/2007 - 07:09h Risco maldito

* Celso Ming para O Estado de São Paulo

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, antevê um belo futuro para o Brasil enquanto potência energética: “Seremos grandes exportadores de petróleo.”

Para o presidente da Petrobrás,Sérgio Gabrielli, o petróleo e o gás recuperáveis das jazidas compreendidas nas novas fronteiras de petróleo, abaixo da camada de sal, puxarão as reservas,hoje entre 17 bilhões e 20 bilhões de barris, para algo entre 70 bilhões e 100bilhões de barris.

São apostas. É como contar com os ovos da galinha ao longo de certo tempo. Os ovos não estão lá,mas podem vir a estar,desde que tudo se comporte como imagina o dono do galinheiro.

Em todo o caso, há justificativas para as projeções da ministra e do presidente da Petrobrás. O que já se sabe é suficiente para produzir conseqüências econômicas – algumas imediatas. Uma delas é a de que,uma vez confirmadas perspectivas tão promissoras para o petróleo e o gás, num quadro de escassez global, crescerá o nível de interesse por sua exploração. Só isso deverá trazer enxurrada de capitais novos para o Brasil, além dos que já vinham sendo aguardados, só porque, dentro de alguns meses,a dívida do Brasil será promovida na tabela de qualificação de risco e terá o grau de investimento.

Ontem, o economista-chefe da corretora Hedging Griffo (Grupo Credit Suisse), Elsom Yassuda, quantificou a condição exportadora anunciada pela ministra Dilma Rousseff. Avaliou que, em alguns anos, o Brasil poderá faturar US$ 20 bilhões por ano (cerca da metade do superávit comercial deste ano) apenas com exportações de petróleo.

Se essas expectativas se confirmarem,será preciso ver como essas receitas não se tornarão “riqueza maldita”, como aconteceu em outras paragens.

Para ser mais específico, a forte entrada de recursos em moeda estrangeira leva o risco de causar exagerada valorização do real e, mais do que já possa estar ocorrendo, prejudicar a competitividade do produto brasileiro.

Um dos principais objetivos da anunciada criação de um fundo de riqueza soberana no Brasil é desviar do câmbio interno certo volume de recursos em moeda estrangeira e, assim, evitar novas valorizações do real.

Essa é a principal razão pela qual não faz sentido usar esses recursos nos investimentos em infra-estrutura no País, como algumas autoridades aventaram. Se tivessem essa finalidade, esses recursos teriam de ser convertidos em reais e, outra vez, produziriam impacto sobre o câmbio,justamente o que se quer evitar.

O ministro Guido Mantega afirmou que esse fundo será criado tão logo as reservas externas do Brasil atingirem US$ 180 bilhões.Como,em novembro,as reservas têm crescido acima de US$ 900 milhões por dia útil e ontem estavam em US$ 172,5 bilhões, conclui-se que, antes do fim do mês, esse nível poderá ser ultrapassado.

Não estão claras as fontes de recursos em reais com os quais o Tesouro ou o Banco Central comprarão os dólares que formarão o fundo. No Chile, na Noruega e na Rússia, essa transferência direta de receitas de exportação para fundos soberanos administrados no exterior é facilitada porque as receitas são obtidas por empresas públicas. No Brasil, a maior parte dessas receitas e os recursos de investimento são do setor privado.

CELSO MING

09/11/2007 - 07:17h Tupi field a boost for Brazil’s Petrobras

By Sheila McNulty in Houston and agencies - FINANCIAL TIMES

Published: November 8 2007 22:43 | Last updated: November 9 2007 08:38

Petroleo Brasileiro, or Petrobras, Brazil’s state-owned oil company, on Thursday said well tests revealed its Tupi field may contain as much as 8bn barrels of oil and natural gas, which would considerably bolster the country’s energy clout.

The estimate, if correct, would raise the country’s reserves by 62 per cent and just about put Tupi on par with Norway’s 8.5bn barrels of proved oil reserves.

Brazil has 14.4bn barrels of proved reserves of oil and natural-gas equivalent.

The news pushed up Petrobras’ shares 9.95 reais, or 14.2 per cent, to 80.2 on the São Paulo stock exchange, the biggest rise in more than nine years.

It also lifted the share price of BG Group, which holds a 25 per cent stake in the field for a second day. BG shares opened 33p higher at £10.22, following Thursday’s 10 per cent advance.

Shares in Galp Energia of Portugal, which holds 10 per cent, also rose for a second session. The shares, which had their biggest one-day gain in Lisbon on Thursday, rose 21 per cent €2.60 on Friday to €14.95.

Petrobras’ news release contained few details beyond the fact that the estimates were made after analysis of the formation tests for a second well in the area.

The company also said the oil within was light, which is more valuable because it is cheaper to refine than the heavier crude oil that Brazil mostly produces.

“Tupi changes everything for Brazil and Petrobras,’’ said Carlos Renato Nunes, an oil analyst with São Paulo-based brokerage Coinvalores CCVM who has a buy recommendation on Petrobras shares.

“Tupi is not only huge, its light oil offers huge cost advantages.’’

And at a time when oil is heading towards $100 a barrel, and energy security is high on the agenda of many governments, the news is sure to boost Brazil’s economic influence. Petrobras, already a well-respected national oil company on the world stage, is likely to receive a further boost from the discovery.

“Brazil needs time to evaluate its new oil potential,’’ Dilma Rousseff, president Luiz Inacio Lula da Silva’s cabinet chief, said at a news conference in Rio de Janeiro.

“This could make Brazil jump from an intermediate producer to among the world’s largest producers.’’

Tupi is three-quarters the size of Kazakh­stan’s Kashagan field, which holds 12bn barrels of recoverable crude and was the biggest find in the past 30 years.

There have only been a few gas discoveries in the past 20 years that would rival it, including the Shtokman field in Russia at 23bn barrels of oil equivalent, and two other Russian finds in the 5bn to 10bn range, Andy Latham, vice-president of exploration services at Wood Mackenzie Consultants in London, said.

09/11/2007 - 06:50h Reservas do Brasil podem superar 70 bilhões


Francisco Góes, Rafael Rosas e Ana Paula Grabois
Valor

A Petrobras anunciou ontem a descoberta de uma nova província petrolífera, situada em mar a grandes profundidades, abaixo de uma camada de sal, capaz de colocar o Brasil, no futuro, entre os maiores países do mundo em termos de reservas de óleo e gás. O anúncio foi acompanhado pela aprovação de uma resolução no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) determinando a exclusão de 41 blocos que seriam leiloados na 9 Rodada de licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), nos dias 27 e 28 deste mês. Estes blocos estão na área de influência da nova fronteira exploratória e têm grande potencial de descobertas.

No campo de Tupi, na Bacia de Santos, que fica dentro da nova província petrolífera, a Petrobras estimou volume recuperável de óleo leve de alto valor comercial (28 graus API) entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de petróleo e gás natural. Só esta descoberta poderá aumentar em mais de 50% as atuais reservas de petróleo e gás natural do país, que somam 14,4 bilhões de barris de óleo equivalente (Boe).

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse que quando toda a nova província petrolífera estiver sendo explorada, o Brasil deve ficar entre as oito ou nove maiores reservas do mundo. Hoje, a 8 posição no ranking de reservas mundiais de óleo e gás é da Venezuela, com 107 bilhões de barris de óleo equivalente. A Nigéria, 9 colocada, aparece com 69 bilhões de Boe. O Brasil ocupa a 24 posição, com 14,4 bilhões de Boe.

O diretor de exploração e produção da Petrobras, Guilherme Estrella, adiantou que a intenção da estatal é implantar um projeto-piloto de produção na área de Tupi, associado à produção de gás, de cerca de 100 mil barris/dia, a partir de 2010-2011. A Petrobras é a operadora do campo de Tupi, no qual tem participação de 65%. O restante está nas mãos da britânica BG, com 25%, e da Petrogal - Galp Energia, com 10%.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que a decisão do CNPE de retirar os 41 blocos da rodada da ANP se baseou no interesse nacional: “É a preservação dos interesses do país diante da descoberta de uma riqueza de proporções significativas”, afirmou a ministra, após participar, na sede da Petrobras, no Rio, de reunião extraordinária do CNPE, que contou com a presença do presidente Lula. Dos 312 blocos previstos na rodada, sobram agora 271.

Dilma negou que a medida tenha viés estatizante e comparou a situação ao cancelamento das concessões rodoviárias que, depois de terem as condições modificadas, foram leiloadas. “O mesmo nos propomos a fazer para os blocos retirados da rodada”, disse a ministra. A ação representa, segundo ela, a preservação da soberania do país, do desenvolvimento da indústria. O objetivo será analisar como irá se explorar a nova riqueza petrolífera. Dilma avaliou que a nova província petrolífera fará o país mudar de patamar, saindo de uma posição intermediária para o primeiro escalão na produção de petróleo, passando a exportador.

A resolução n 6 do CNPE, aprovada ontem, também determina ao Ministério de Minas e Energia e à ANP a adoção das providências necessárias para a conclusão da 8 Rodada de Licitações, que foi interrompida por decisões judiciais. Dos 284 blocos previstos, com foco em gás natural e óleo leve, só 38 foram arrematados devido a duas liminares judiciais. As liminares, derrubadas depois pelo Supremo Tribunal Federal (STF), foram motivadas pela limitação imposta pela ANP no edital ao número de blocos que uma empresa operadora poderia arrematar.

O ministro de Minas e Energia. Nélson Hubner, presidente do CNPE, disse que a resolução do conselho determina rigorosa observação dos direitos adquiridos e atos jurídicos perfeitos, relativos às áreas concedidas ou arrematadas em leilões da ANP. A resolução também levará o Ministério de Minas e Energia a avaliar, a curto prazo, as mudanças necessárias no marco legal que contemplem “um novo paradigma de exploração e produção de petróleo e gás natural” em decorrência da nova província petrolífera.

A nova fronteira exploratória se estende por mais de 800 quilômetros, de Santa Catarina ao Espírito Santo, e tem até 200 quilômetros de largura. Inclui as bacias do Espírito Santo, Campos e Santos, em rochas denominadas pré-sal, espécie de “segundo subsolo” das bacias petrolíferas. Segundo a Petrobras, o pré-sal são rochas reservatórios que se encontram abaixo de extensa camada de sal. Os reservatórios situam-se em lâmina d´água que varia de 1,5 mil a 3 mil metros de profundidade. Para chegar até eles, é preciso furar ainda 3 mil a 4 mil metros de rocha.

Para atingir as camadas de pré-sal, entre 5 mil e 7 mil metros de profundidade, a Petrobras desenvolveu novos projetos de perfuração. Nos últimos dois anos, foram perfurados 15 poços, com investimentos de US$ 1 bilhão, que atingiram as camadas pré-sal. Do total, oito poços responderam de forma positiva em produção. Os reservatórios perfurados na Bacia de Santos são semelhantes aos da Bacia do Espírito Santo, o que, para a Petrobras, reforça a hipótese de extensão dos reservatórios na área.

Gabrielli disse que o plano de investimentos da empresa, que prevê aplicação de US$ 112 bilhões até 2012, não contempla investimentos no pré-sal. “Provavelmente o valor vai subir.” O diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, disse que a entrada em operação do campo de Tupi, em camada de pré-sal na Bacia de Santos, prevista para acontecer em até seis anos, contribuirá para redução das importações de óleo leve e diesel feitas pela companhia.

Hoje, segundo o executivo, a Petrobras importa 300 mil barris diários de óleo leve. Gabrielli disse que das áreas com possibilidade de ocorrência de hidrocarbonetos na camada de pré-sal do litoral brasileiro, cerca de 25% estão atualmente sob concessão. Desses 25%, a Petrobras atua em 70% dos blocos, sozinha ou em parceria. Segundo Guilherme Estrella, a previsão é declarar a “comercialidade” de um primeiro campo na área do pré-sal, no Espírito Santo, em 2009. “Confirmando-se os testes na área de Parque das Baleias, vamos interligar o poço à plataforma já instalada no Espírito Santo.”.

O diretor disse que a tecnologia de produção para operar neste tipo de campo está disponível, mas o custo é alto. “A tecnologia vai ser aplicada na redução de custos”, disse Estrella. Ele salientou que os campos estão situados a 250 quilômetros da costa. Ele também informou que a Petrobras está em contato com empresas que detêm tecnologia para aproveitamento do gás dos campos no próprio local. Uma alternativa é instalar térmicas flutuantes que poderiam enviar energia para o continente por meio de cabos submarinos. (* Do Valor Online)

24/10/2007 - 13:42h Consenso ou enxaqueca

Foi necessária uma firme declaração da Ministra Dilma Rousseff, em Washington, proclamando que o debate sobre 2010 visava acabar com o governo, para que o próprio presidente e seus ministros - incluída a própria - caíssem na real.

Incentivar o debate sucessório, encorajar a pre-candidatura de Ciro e pesquisas sobre Dilma, plantar notinhas permanentemente sobre esse tema e ao mesmo tempo ignorar a construção de uma pauta política de governo e inclusive as eleições municipais de 2008, foi a manifestação de um clima de palanque, inimigo da agenda de governo.

A impasse sobre a votação da CPMF e o terrorismo verbal acabariam desaguando para uma derrota séria do governo amputado de um imposto absolutamente indispensável.

O bom senso aparentemente prevaleceu e o bom sinal veio também da própria Dilma, sobre os novos paradigmas a serem construidos entre governistas e oposição. Mereceu elogios até do editorial do Estadão.

Do lado do PSDB, a predisposição ao confronto antecipado sobre 2010 beneficiava o lado falcão dos tucanos, em detrimento dos governadores interessados numa pauta de governo. Este interesse de Serra e Aécio não está motivado exclusivamente pelo favoritismo deles para 2010. Intervém também um cálculo sobre o impacto de um clima de confronto acirrado com uma figura popular como a de Lula e fundamentalmente, com o céu de brigadeiro da economia brasileira nos próximos anos. O desgaste na opinião pública seria conseqüente e maior ainda entre os empresários e banqueiros. E como se sabe, não é por acaso que tucano tem bico d’oro e ele é pesado. Opinião das elites valem o dobro!

Um bom acordo sobre a CPMF é tão importante para o governo como para esses presidenciáveis tucanos, ajudando a isolar os partidários da radicalização. Se FHC e Alckmin seriam postos no escanteio, o mesmo acontecera com os “xiitas tucanófagos” no próprio PT.

A construção de consensos, além de benéfica para o pais, será um elemento de decantação nos partidos políticos com impacto em todas as forças, da situação e da oposição. Abriria espaço para um debate sério sobre a agenda de reformas que o Brasil aguarda e seguramente influenciaria setores da mídia hoje empenhada na agenda negativa.

Talvez eu esteja confundindo meus desejos com a realidade. É possível. Às vezes as pessoas confundem mão estendida com fraqueza e no lugar de espreitar a mão, cospem nela.

Nesse caso eu acordarei logo desinebriado, já a enxaqueca da ressaca acompanhará o brasileiro durante longos três anos, pelo menos.

Luis Favre

22/10/2007 - 19:55h Discutir sucessão agora é agir contra governo, diz Dilma

BRUNO GARCEZ
da BBC Brasil, em Washington

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse nesta segunda-feira em Washington que discutir a sucessão presidencial neste momento é ir contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

”Eu não concordo com essa discussão. Acho que uma discussão que coloca a questão da candidatura em 2010 é uma discussão contra o governo. Nós temos oito meses de governo no segundo mandato”, afirmou a ministra, após ter discursado em um evento promovido pela Câmara do Comércio Brasil-Estados Unidos.

”Por que nos interessa e a quem interessa colocar em debate a sucessão? Colocar em debate a questão da sucessão é tentar reduzir o nosso mandato. O mandato constitucional é de quatro anos.”

De acordo com a ministra, o debate sucessório ‘’só interessa a quem quer que o governo, em vez de quatro anos, tenha oito meses”. Ela acrescentou: ”Temos ainda três anos para realizar e vamos fazer muita coisa pelo Brasil”.

Dilma voltou a colocar de lado a especulação em torno de seu nome como potencial candidata petista à sucessão do presidente Lula. ”Eu não sou candidata. Se eu não sou, é porque eu não quero ser candidata.”

Discurso e prática

Mas apesar de negar suas intenções de disputar a Presidência, Dilma em diversos momentos soou não apenas como candidata, como também adotou um discurso de união nacional.

”Hoje, o Brasil caminha para uma grande estabilidade, porque a antiga oposição é governo. E o antigo governo é oposição. Isso é que pode levar daqui para a frente a essa ciclo virtuoso. Todos são responsáveis por uma condução de Estado, apesar de diferentes governos.”

A ministra defendeu que o Brasil deve chegar a uma ”nova etapa”, um consenso nacional similar aos quais passaram países como o Chile e a Espanha, nos quais governo e oposição se uniram em torno de temas prioritários. No caso brasileiro, esses temas seriam crescimento econômico, distribuição de renda, gasto social e infra-estrutura.

CPMF

É essa postura de ir além das divergências político-partidárias, defendeu a ministra, que deve nortear a oposição a votar pela aprovação da prorrogação da CPMF.

”A questão da CPMF é uma questão estratégica para o país. É um imposto que você cobra de 18 milhões e que beneficia 200 milhões. A oposição, principalmente a oposição responsável que existe no Brasil, sabe perfeitamente que não pode fazer isso (votar contra a prorrogação).”

Dilma disse acreditar que o governo deverá fazer concessões para obter a aprovação, mas que só deve ceder até certo ponto. ”O governo está em processo de discussão sobre a CPMF. O processo vai implicar em conversas, mas quanto a qual será o nível de negociação, acredito que ele não pode comprometer o orçamento público.”

A ministra foi diplomática quando lembrada que, no passado, ela já fez críticas a supostas negociações fisiológicas entre Executivo e Legislativo. ”Não acho correto o Executivo opinar a respeito do Legislativo nesses termos. O governo sempre procurou e tem conseguido uma relação bastante qualificada com o Congresso, seja o Senado, seja a Câmara.”

Reforma política

Mas ela sinalizou que, a fim de pôr fim a práticas equivocadas, é preciso implantar a reforma política no país. ”Nós temos um desafio, que é a reforma política para o Brasil. É crucial. É impossível com a estrutura de financiamento de campanha e a forma como a eleição se dá, ter práticas mais modernas no Brasil.”

De acordo com a ministra, parte da iniciativa de promover a reforma cabe ao Congresso. ”Mas isso não significa que seja no Congresso que está o problema. O problema está em todos os lugares. Então, você não pode pegar uma instituição de demonizá-la.”

Dilma aproveitou para fazer ainda alusões a seu passado político, quando combateu o regime militar, na clandestinidade, como militante de diferentes organizações guerrilheiras de esquerda, como a Política Operária, o Comando de Libertação Nacional e a Vanguarda Armada Revolucionária.

”A gente vem de um processo de ditadura no Brasil, eu venho. E acho o Congresso uma das melhores coisas do Brasil, mesmo um congresso com deficiências. É melhor do que tê-lo fechado. Eu tenho grande apreço pelo Congresso.”