20/10/2009 - 12:11h Lula: Dilma lá e Ciro aqui

A analise feita por Maria Inês Nassif (ver post embaixo) é pertinente. Lula decidirá o candidato de sua base em São Paulo e terá o apoio do PT-SP.

A posição defendida pelo presidente é que a eleição presidencial será plebiscitária -por ou contra o seu governo- procurando um desfecho favorável no primeiro turno. Dilma será ele na urna eletrônica, o julgamento dos seus dois mandatos. O terceiro mandato será esse, o da continuidade, ou a ruptura da volta ao passado. Esse é, esquematicamente, o desenho da disputa em 2010.

Para Lula a entrada de Marina Silva não muda esse cenário, mesmo persistindo Ciro Gomes na sua postura de pleitear o cargo de presidente em 2010. A lógica da articulação de Lula é que ambas candidaturas, sem espaço político na polarização, sem alianças substanciais e sem tempo de TV, serão desidratadas e acopladas aos dois candidatos fortes: Dilma e Serra.

No caso de Ciro, aliado de Lula durante todos estes anos, o presidente abre uma perspectiva mais que conveniente para ambos. Em troca de sua desistência e apoio a Dilma, uma candidatura turbinada ao governo de São Paulo.

A vantagem da proposta é que ela resolve favoravelmente a disputa entre duas candidaturas tentando ocupar o mesmo espaço nacional, pondo ao mesmo tempo em xeque a candidatura de José Serra no próprio bastião da oposição, São Paulo.

Não é a toa que cada vez mais a candidatura Serra é questionada na própria oposição, -uma parte do DEM e do próprio PSDB prefere Aécio- e o próprio Serra parece hesitar entre a reeleição mais tranqüila e uma derrota nacional cada vez mais provável.

A candidatura Ciro em São Paulo obriga Serra a reconsiderar suas próprias escolhas estaduais, pois nem Aluisio Nunes, nem Kassab e nem Alckmin teria um percurso tranqüilo na disputa para governador, tendo que enfrentar uma candidatura turbinada de Ciro Gomes (fora que Alckmin é um desafeto do governador de São Paulo).

Para o PT estadual, para seus candidatos ao senado e seus deputados, o efeito de não contar com o 13 na campanha majoritária, pesa negativamente na aceitação da estratégia de Lula. Pesa também para alguns os desdobramentos no futuro (2012) desse apoio a Ciro agora.

Sendo estes os argumentos e motivações da resistência a proposta de Lula, é evidente que elas não se sustentarão perante o desafio maior de vencer a eleição presidencial, a “mãe de todas as batalhas”. Os dirigentes e quadros do PT de São Paulo sabem disto.

Por isso, o PT-SP será provavelmente unânime em apoiar a candidatura Ciro… se ele, Ciro, aceitar a proposta de Lula, o que ainda ele não fez.

Descontando que isto é uma questão de tempo e nem Lula, nem Ciro, têm pressa para uma definição que pode perfeitamente acontecer em março (com vantagens indiscutíveis como a de não se expor prematuramente ao ataque tucano); a indicação de Palocci para ser um dos principais coordenadores da campanha da Dilma (mesmo cogitado por Lula para ser o candidato em São Paulo, no caso de Ciro não aceitar) é um sinal da orientação do presidente.

Salvo recusa definitiva de Ciro de sair candidato em São Paulo, qualquer outra alternativa que tente contrapor à linha presidencial, estará condenada ao ostracismo e por isso dificilmente emplacará.

O artigo de Maria Inês Nassif mostra em filigrana que os principais atores no PT começaram a entender e digerir este fato.

Quando mais cedo melhor, até para evitar multiplicar atritos que são verdadeiros tiro-no-pé dos afobados.

Luis Favre

15/10/2009 - 19:47h Lula defende candidato único e eleição plebiscitária

ANGELA LACERDA – Agencia Estado

FLORESTA, PE – “Gostaria que tivéssemos apenas um candidato, que fizéssemos uma eleição plebiscitária – pão pão, queijo queijo”. A defesa incisiva foi feita hoje pelo presidente Luiz Inácio da Silva durante sua visita a Floresta, no sertão pernambucano, onde vistoriou o canteiro de obras na tomada d”água do eixo leste da transposição do São Francisco.

“Se não for possível, paciência”, completou ele, ao deixar claro, no entanto, que no que depender dele, sua sucessão será disputada por um representante da situação e um da oposição.

Indagado sobre a possibilidade de dois palanques presidenciais em Pernambuco – com as candidaturas da ministra Dilma Rousseff (PT) e do deputado federal Ciro Gomes (PSB) – ele brincou: “não vê que a Dilma e o Ciro estão sempre juntinhos?”

Confiante na relação construída com os governadores de Pernambuco, Eduardo Campos, e do Ceará, Cid Gomes, ambos do PSB, acredita que haverá entendimento nacional em torno de um só candidato. “Não me vejo indo a Pernambuco sem estar no palanque de Eduardo, não me vejo indo ao Ceará sem estar no palanque de Cid”.

“Vamos trabalhar, temos seis meses para maturar, muita coisa vai acontecer, vamos maturar”, observou na expectativa de poder anunciar um só candidato.

Obra irreversível

O presidente considerou a obra da transposição do São Francisco “irreversível”, independente de quem venha a sucedê-lo. “Vamos ter (em 2010) um canal pronto (eixo leste) e outro com mais ou menos 70% (eixo norte) pronto”, observou.

“Acho que as pessoas que vierem depois de mim vão terminar e fazer outras obras mais importantes ainda”, afirmou ao destacar que pretende deixar “uma prateleira de projetos e dinheiro previsto no orçamento para que quem vier possa começar bombando, trabalhando muito, porque o Brasil aprendeu a gostar de crescer, o povo aprendeu a gostar de trabalhar”.


Crescimento

“Não há possibilidade de o Brasil parar de crescer”, destacou ao citar que o Brasil irá gerar mais de um milhão de empregos neste ano, de recessão internacional. “Aprendemos que este País só se transformará numa grande potência se não parar de crescer e para não parar de crescer o Estado tem que ter capacidade de investimento, de planejamento, precisa trabalhar junto com governadores e com prefeitos”. Por isso, segundo ele, agora será necessário um novo PAC – 2011/2015 – para a Copa do Mundo e a Olimpíada. “Até 2016, vamos ter tarefas incomensuráveis para fazer neste País”, afirmou. “E agora com o pré-sal nem me fale”. “O próprio Banco Mundial estima que em 2016 o Brasil será a quinta economia do mundo”, lembrou.

Oposição

Lula voltou a criticar seus opositores ao afirmar que se dependesse da oposição ele não faria nem o primeiro PAC. “O que a oposição quer é que o País pare para eles terem razão e o que a situação quer é trabalhar mais para não dar razão para a oposição”. O dado concreto, segundo o presidente, é que a oposição teve chance de fazer e não fez. “Nós estamos fazendo”.

Ainda sobre a obra da transposição, o presidente disse ser possivelmente a obra mais importante do Nordeste, mais do que a Transnordestina e mais do que a refinaria de Pernambuco, e as refinarias que serão instaladas em Fortaleza e São Luís do Maranhão. “Por uma razão: trata de um direito elementar e básico do mundo animal e do ser humano que é água para beber. Não é possível que as pessoas não se deem conta que a gente não pode ficar a cada verão chorando a seca no Nordeste brasileiro”.

07/10/2009 - 14:54h A opção do PT paulista por candidatura própria

Blog do Zé Dirceu

Algumas lideranças do PT de São Paulo…

ImageAlgumas lideranças do PT de São Paulo, apesar da resolução do seu diretório regional de não excluir o apoio a candidato de partido aliado – no caso, Ciro Gomes, do PSB – e exatamente quando o deputado cearense transferiu seu domicilio eleitoral para a capital paulista, acreditaram ser necessário  reafirmar a disposição de lançar candidatura própria e apresentá-la às legendas aliadas.

Com a decisão, anunciada após reunião da Executiva regional na 2ª feira (05.10), acreditam estar expressando a vontade amplamente majoritária da militância, um universo bem diferente do eleitorado e base social do PT, nada desprezíveis em São Paulo, onde o partido já capitaliza 1/3 desse que é o maior colégio eleitoral do país.

Assim, quando se esperava um aceno ou mesmo um movimento do PT em direção ao PSB e a Ciro, o que aconteceu foi a reafirmação da candidatura própria. Pelo menos é o que se pode concluir das entrevistas de lideranças como a ex-prefeita Marta Suplicy.

O fato é que a situação no Estado não é nada boa em se tratando da base do governo Lula. O  PSB,  PMDB, PV e PTB,  além do PPS e do DEM, apóiam o governo Serra. O PSB e o PTB, aliás, tem uma longa tradição de apoio aos tucanos, iniciada com o governo Mário Covas, passando pelo de Geraldo Alckmin e agora com José Serra.

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Petistas não aceitam PSB-SP, diz Marta

No PT paulista não faltam nomes…

No PT paulista não faltam nomes para disputar o governo do Estado,  começando pelo prefeito reeleito de Osasco, Emídio de Souza e pelo deputado Antonio Palocci (SP). A ex-ministra e prefeita Marta Suplicy também é uma opção, mas hoje apóia Palocci.

Se tomarmos suas declarações como posição da direção estadual e o resultado da reunião a que me referi (leia nota acima), o partido em São Paulo não aceita a hipótese da candidatura Ciro a governador, uma possibilidade concretizada com a transferência de seu domicilio eleitoral para São Paulo.

Na prática, se as declarações de Marta expressam a posição da maioria dos dirigentes – não importam suas boas intenções ou manifestações de faz de conta – o PT de São Paulo descarta o apoio a uma provável candidatura Ciro no Estado e fortalece a tendência do deputado de optar pela disputa do Palácio do Planalto.

O PSB vive uma contradição

O partido já teve candidato à presidência da República uma vez (Anthony Garotinho, em 2002) e o deputado Ciro foi candidato ao Planalto duas vezes, em 1998 e 2002, pelo PPS, partido que trocaria pela legenda socialista em 2003.  Agora, a legenda socialista tende a apoiar a decisão de Ciro de ser candidato a presidente em 2010, mas tem que compatibilizá-la com os palanques estaduais, com a eleição e reeleição de governadores que dependem da aliança com o PT e do apoio de Lula.

A opção do PSB por uma candidatura própria contraria a avaliação do presidente Lula e da direção nacional do PT que defendem uma eleição plebiscitária já no 1º  turno. Mais do que isso: de acordo com a avaliação de alguns líderes petistas de São Paulo, Ciro no páreo ajudará inevitavelmente a levar o pleito presidencial para um 2º turno.

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07/10/2009 11:54

Duas táticas nunca deram certo

Como tenho escrito e repetido…Como tenho escrito e repetido o problema da candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), insisto, são os palanques estaduais e a campanha. Até quando Ciro manterá um discurso só de oposição a José Serra e como se comportará o PSB nos Estados – em vários, como SP, PB, PR, AM, AL e MA – nos quais já se aliou ou pode se aliar ao PSDB?

Ou o PT caminha para uma eleição plebiscitária ou aceita a candidatura Ciro a presidente e trabalha para resolver suas conseqüências, que serão graves. Examine-se SP, por exemplo, onde Ciro poderá ter um palanque com o presidente da FIESP, Paulo Skaf, para governador; e o vereador Gabriel Chalita (PSB) para senador.

Citei SP,  mas as consequências serão ruins em toda parte. Basta ler o mapa dos palanques estaduais começando pelo CE, PE, RN, BA, SE e PI que governamos juntos (PSB-PT)

Concretizada a candidatura Ciro, o PT deve se preparar, então, para disputar o 1º turno em três frentes: contra Serra, a senadora Marina Silva (PV-AC) e Ciro. Sem ilusões, é certo que, em busca de um lugar no 2º  turno, todos estarão contra Dilma e o PT.

Ciro terá, ainda, a vantagem de se apresentar – com legitimidade e razão – como governo,  mesmo que não conte com o apoio do presidente Lula. Esse é o grande diferencial, mas não o impede de se apresentar como tal.

Outra tática que o PT poderia seguir, e à qual sou favorável,  é disputar o apoio do PSB e convencê-lo a fechar com Dilma  e a lançar Ciro candidato a governador de São Paulo. Essa é uma estratégia que exigiria uma ação conjunta das direções do PT paulista e nacional, coordenada pelo presidente Lula e pela nossa candidata, Dilma Rousseff.

Em ação, Dilma reforça seu cacife

Enquanto observamos o panorama…
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Dilma Rousseff

Enquanto observamos o panorama e alternativas (leia as três nota acima), a pré-candidata do PT e ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, jantou com a direção nacional do PDT, cujo presidente, Carlos Lupi (ministro do Trabalho) reafirmou a decisão de apoiar a candidatura do PT. E mais do que isso: reiterou o apoio a uma candidatura única na base do governo para uma disputa plebiscitária no 1º turno.

O PDT encampa, assim, uma posição exatamente oposta à expressada por lideranças do PT de São Paulo após a reunião de sua direção estadual na última 2ª feira (05.10).

Já o presidente Lula reforçou sua decisão de priorizar a união com o PMDB para compor uma ampla coalizão de apoio a Dilma, sua candidata. Esta, por sua vez, iniciou uma série de reuniões e o cumprimento de agendas para consolidação de seu nome e formalização de alianças.

Nesse esforço, além da direção nacional do PDT, Dilma recebeu deputados do PRB; esteve no Rio comemorando nossa vitória como país-sede das Olimpíadas de 2016; e esteve, também, no Paraná (Londrina) e São Paulo. Uma movimentação de pré-campanha que vai a pleno vapor.Foto: Fábrio Rodrigues Pozzebom/ABr

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07/10/2009 10:38

Tucanato está com medo de Ciro Gomes

Faz tempo que o tucanato paulista…Faz tempo que o tucanato paulista está com medo do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), porque ele os conhece bem. O parlamentar foi durante muito tempo filiado ao PSDB, partido pelo qual se elegeu governador do Ceará (1991-1994). Aliás, foi o único, dentre os 27 governadores, eleito pelo PSDB em 1990.

Agora os tucanos paulistas estão apelando, levantando a tese absurda de que a transferência de domicílio eleitoral (de Fortaleza para SP) pode acarretar a perda do seu mandato de deputado porque o Ceará, com 22 representantes na Câmara ficará com 21.

A transferência de domicílio eleitoral, da mesma forma que a mudança de partido para quem não tem mandato, segundo a lei, é legal desde que feita um ano antes das eleições.

Haja casuísmo! Essa tese tucana é pura apelação! Mas, como eles não tem coragem de pedir (à Justiça eleitoral a cassação do mandato de Ciro), plantaram a notícia – e a mídia engoliu – para ver, como eles mesmo dizem, se algum eleitor do Ceará pede.

Sugestão: por que Tasso não pede a cassação?

Dou uma sugestão: a direção do PSDB pode pedir para seu senador, Tasso Jereissati (CE) pedir a cassação do mandato de Ciro. Como senador, ex-governador do Ceará e ex-presidente nacional do partido, Tasso tem todos os títulos para isso. Baixaria pura! O fato é que os tucanos começaram mal.

Pior foi o que escreveu o deputado e chefe da Casa Civil de Serra, Aloysio Nunes Ferreira Filho, pré-candidato a governador de São Paulo, no seu Twitter: “Imagine se o presidente da República resolve mudar para o Paraguai”. Uma grosseria sem tamanho!.

Temos aí os mesmos que aplaudiram a mudança de partido da senadora Marina Silva (PV-AC) e receberam de volta, de braços abertos, o tucano Flávio Arns (PR), eleito senador pelo PT em 2002 graças ao apoio de Lula e de nossa militância.

19/09/2009 - 10:20h Brasil será 3ª, 4ª ou 5ª economia, diz Lula

Elder Ogliari, PORTO ALEGRE – O Estado SP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva previu ontem que o Brasil será a terceira, quarta ou quinta economia do mundo em 15 anos. E assegurou que com o petróleo do pré-sal e o fundo criado para cuidar dos pobres, o País não vai repetir o erro de outros, que exportam óleo e não derivados, e não distribuem a riqueza.

“Mas (o Brasil) não será a quinta economia se não tiver mais pobres na classe média, mais gente na universidade e não melhorar definitivamente a qualidade de ensino neste País”, disse o presidente, na divisa dos municípios gaúchos de Esteio e Sapucaia do Sul em cerimônia de assinatura das ordens de serviço para início das obras da BR-448.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que acompanhava Lula, disse ainda que o governo tem sido testado e respondido bem às provas. “Estamos passando pelo maior teste de estresse que a economia brasileira já passou”, afirmou, em entrevista, depois da solenidade. “Até porque diziam que a gente só tinha sorte e agora está provado que não só somos capazes e competentes de gerir o País na bonança, como também na crise.”

Ao citar indicadores positivos, Dilma destacou a previsão de criar um milhão de empregos em 2009, “no ano da crise”.

Na visão da ministra, o Brasil conta com destaque internacional porque “o mundo reconhece que o presidente Lula levou desenvolvimento social a um nível no Brasil que não existia”.

20/08/2009 - 13:46h Coragem rara. Parabéns Marcelo Coelho!

bola fora

Pela quantidade de comentários negativos, acho que errei feio no meu post sobre Dilma Rousseff e Lina Vieira. Peço desculpas pelo machismo da ideia toda, em especial no último parágrafo. Uma boa coisa dos blogs é a possibilidade de receber críticas, e não pretendo estar certo o tempo todo. Acontece que encaro o blog mais como exercício de subjetividade do que como missão jornalística. Minha subjetividade, em todo caso, foi clara demais naquele post, e terminou ferindo a subjetividade alheia… Paciência.

Escrito por Marcelo Coelho

18/08/2009 - 15:01h Mercadante diz que currículo de Serra também está errado

mercadanteserra.jpg
foto Flavio Florido

Publicada em 18/08/2009 às 13h48m Portal O Globo

O Globo

RIO – O líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), saiu em defesa da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, durante depoimento da ex-secretária da Receita Lina Vieira na CCJ do Senado, e minimizou a polêmica em torno do seu currículo. Mercadante disse que também já cometeu equívocos e citou como exemplo o caso do governador José Serra (SP), que, segundo ele, tem o título de engenheiro no currículo, sem ter concluído o curso.

- Serra colocou engenheiro e economista. Ele não é engenheiro, porque não se formou na graduação. E no Chile, não concluiu o mestrado na escola latina – afirmou Mercadante.

Recentemente, foi divulgado que, diferentemente do que afirmava em seu currículo, Dilma não tem o título de mestre nem estava fazendo doutorado.

10/08/2009 - 10:27h Retomada do crescimento alavanca candidatura do Planalto em 2010

http://oglobo.globo.com/fotos/2009/02/18/18_MHG_lula-dilma.jpg

Sergio Lamucci, de São Paulo – VALOR

Crescimento na casa de 4%, inflação ao consumidor abaixo de 4,5%, juros de um dígito durante o ano inteiro, massa salarial em alta razoável e desemprego em queda. Esse é o cenário econômico que se desenha para 2010, um prato cheio para o candidato do governo à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Visto de hoje, a combinação de avanço mais firme do Produto Interno Bruto (PIB), índices de preços sob controle e mercado de trabalho robusto está contratada, após a estagnação ou leve contração da economia esperadas para este ano. Segundo analistas, existem ameaças a esse panorama róseo, como uma nova onda de deterioração global, mas os riscos de que elas se concretizem parecem pequenos (ver nesta página).

Para o cientista político Marcus Figueiredo, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), um cenário econômico em 2010 nessa linha – ou até mesmo um pouco pior – será sem dúvida o grande trunfo para a provável candidata do governo à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Numa eleição presidencial, o desempenho da economia é um fator chave, diz Figueiredo. “A ideia de que o eleitor vota com o bolso não é simplista; é altamente sofisticada.” Com isso, o fato de o país sair da crise com retomada firme do crescimento, aumento de empregos e expansão da renda torna Dilma “cada vez mais competitiva”. Para a oposição, ficará muito difícil encontrar um discurso de oposição no campo econômico. “É evidente o peso da questão econômica na eleição. Se havia um cenário de crise e ele se desfaz rapidamente, isso passa a ser um importante ativo para o candidato do governo”, concorda Amauri Teixeira, diretor da MCI Estratégia.

Nas últimas semanas, surgiram previsões apontando para um crescimento próximo a 5% em 2010. A Tendências Consultoria Integrada aposta em expansão do PIB de 4,8% e o Bradesco, de 4,9%. O ex-presidente do Banco Central (BC) Gustavo Loyola, sócio da Tendências , acredita que a economia, em 2010, terá mais uma vez o consumo das famílias como um dos grandes destaques, prevendo alta de 5% para o principal componente da demanda. A Tendências vê um avanço de 7,1% do investimento, de 7,1%, um número forte, mas em grande parte uma reação ao tombo de 14,4% esperado para 2009. O Bradesco aposta numa alta um pouco menor do consumo das famílias – de 4% -, mas em expansão mais robusta do investimento, de 13,2%.

“Mesmo se a expansão do PIB ficar em 4%, já será um número bastante positivo”, diz Loyola, que espera queda de 0,6% neste ano. Segundo ele, o crédito deverá estar normalizado e a massa salarial tende a crescer a uma taxa mais forte em 2010, dando muito fôlego ao consumo. A Tendências estima que a massa salarial crescerá 4,5% acima da inflação no ano que vem, mais que os 3% previstos para 2009.

Loyola observa ainda que o salário mínimo deve subir quase 10% no ano que vem, mais uma vez um reajuste robusto. “Do ponto de vista fiscal, o aumento do mínimo pode ser um desastre [dois terços dos benefícios do INSS são atrelados ao piso salarial], mas ele ajuda a demanda, ao fazer a renda real crescer. E será um ativo importante para o governo num ano de eleições.”

O ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros, sócio da Quest Investimentos, aposta num crescimento menos robusto em 2010, considerando mais provável algo entre 3% e 3,5%. “Mesmo assim, a economia deverá ser de fato o grande trunfo da candidata do governo.” Para o tucano Mendonça de Barros, Dilma adotará o discurso “em time que está ganhando não se mexe”, já que não teria “currículo” suficiente para se colocar numa posição competitiva na eleição.

Sergio Zacchi / Valor – 13/8/2008 Foto Destaque
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Mendonça de Barros: “A economia deverá ser o grande trunfo da candidata do governo”

O economista diz que o investimento e as exportações devem atrapalhar um pouco o crescimento em 2010, o que justifica a sua previsão de um PIB mais fraco do que o da Tendências e do Bradesco. Um termômetro fundamental para ver a reação do eleitorado, segundo Mendonça de Barros, será a evolução do varejo. Para ele, as perspectivas para o comércio em 2010 são boas, mas provavelmente não tão positivas quanto nos últimos anos, em especial de 2006 a 2008 – em 2007, o comércio varejista teve alta de 9,7% e em 2008, de 9,1%. “O quadro para a massa salarial e o consumo não será tão brilhante em 2010.”

O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, vê um cenário bastante favorável para a economia em 2010. “Na história recente da economia brasileira nenhum presidente da era democrática conseguiu entregar a economia relativamente saudável como Lula vai entregar. É realmente impressionante a quantidade de números positivos que podem ser apresentados no ano que vem”, diz ele, que projeta um crescimento do PIB de 4% e alta de 8% para as vendas no varejo. “A indústria pode dar um rebote enorme em 2010.”

Para Vale, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve ficar em 4% em 2010, o que vai permitir ao BC manter os juros em 8,75% durante todo o ano que vem. Como há capacidade ociosa na economia, há espaço para o crescimento não causar pressões relevantes sobre os preços, segundo ele. O Bradesco, que estima uma expansão do PIB mais forte, acredita que os juros terão de subir um pouco no fim do ano que vem, levando a Selic para 9,5%. “É importante destacar, porém, que a magnitude de elevação será menor do que a verificada no passado recente, justamente pela melhora de fundamentos nos últimos anos e pela queda do patamar neutro de juros [que permite um crescimento sem pressões inflacionárias]“, dizem os analistas do Bradesco, em relatório. O banco prevê taxa de desemprego média de 8% em 2010, abaixo dos 8,7% esperados para este ano.

Com a perspectiva de que os juros sigam abaixo de dois dígitos ao longo de 2010, as tradicionais críticas à política monetária tendem a perder espaço na eleição. “É provável que haja mais ataques aos bancos, por causa dos altos spreads, do que aos juros básicos”, diz Mendonça de Barros. Loyola pondera que falar mal da política monetária é um esporte nacional, mas que pode ficar de fato “envelhecido” por causa da própria atuação do BC, que reduziu a taxa Selic de 13,75% em janeiro para os atuais 8,75%.

Por tudo isso, a oposição terá de buscar o discurso “pós-Lula”, e não “antiLula”, diz Figueiredo. É uma tarefa árdua, para a qual o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), lhe parece mais talhado que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), mais bem colocado nas pesquisas de intenção de voto. Segundo ele, Serra, ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso, é identificado com o projeto tucano paulista, de oposição a Lula, uma estratégia que deve ter baixo ibope nas eleições do ano que vem. Aécio teria como ir por outros caminhos, avalia. Teixeira, da MCI, também vê pouco espaço para críticas ao governo no campo econômico em 2010. Nesse front, Dilma terá, tudo indica, o seu grande trunfo em 2010, avaliam economistas e analistas políticos.

10/08/2009 - 09:51h Um setor do PTB manda recados

Partidos: Rumos do ministro José Múcio e do senador Romeu Tuma afetarão definição do partido

Ruy Baron / Valor – 2/8/2005 Foto Destaque
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Roberto Jefferson: “Para conciliar o país o nome é o Aécio. Ele não é o candidato do confronto como é o Serra”

 

PTB busca alternativa para desembarcar do governismo em 2010

Caio Junqueira, de São Paulo

A definição do lado em que o PTB estará na disputa pela Presidência da República em 2010 passa pelo futuro de dois de seus principais integrantes, o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro (PE), e o senador Romeu Tuma (SP).

Dono da principal Pasta do partido no governo Lula, Múcio espera ser indicado para uma vaga no Tribunal de Contas da União. A nomeação tiraria o único nome da legenda da Esplanada e principal apoiador do governo federal dentro da legenda. Simultaneamente, abriria espaço para que o restante do PTB apoie o candidato da oposição em 2010. Se ele não for o nomeado, a legenda se manteria no governo ainda por alguns meses, embora seja grande a probabilidade de que o próprio Múcio, ressentido, deixe o governo.

Hoje, a chance de que a nomeação não ocorra é grande e deve levar às outras correntes do partido a aderir, juntas, à candidatura oposicionista em 2010. O PTB é dividido em três forças, cada uma com cerca de um terço do partido: o ex-deputado federal e presidente nacional da sigla, Roberto Jefferson (RJ), uns dos protagonistas do escândalo do mensalão que acabou tendo seu mandato cassado pela Câmara; Campos Machado (SP), deputado estadual desde 1990 e o mais votado das Assembleias do país em 2006; e o chamado “PTB do Nordeste”, que tem em Múcio sua principal liderança, além do ex-presidente da República e atual senador Fernando Collor (AL), trazido à legenda em 2006 por Jefferson. Dos atuais sete senadores petebistas, três são do Nordeste, ao passo que dos vinte deputados federais, sete são nordestinos.

Os grupos de Jefferson e Campos tendem a ser oposição na campanha presidencial em 2010, ao contrário do de Múcio, que pretende embarcar na candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Roussef. Para Jefferson, porém, o xadrez político de 2010 está completamente indefinido. Antipetista, diz acreditar que um cenário em que prevaleça entre os tucanos a candidatura do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, sobre o de São Paulo, José Serra (PSDB), seja mais agregador. “Para conciliar o país o candidato teria que ser o Aécio. Ele sintetiza o pós-Lula. Até o PMDB, se Aécio se lançar, não vai de Dilma. Com Aécio, a campanha seria mais tranquila, mais serena. Ele não é o candidato do confronto contra o Lula como é o Serra”, afirma.

Ele afirma haver risco na estratégia de Lula de tentar consolidar Dilma como candidata. “Foi muito precoce o lançamento da Dilma e isso leva a uma grande exposição do presidente. Por exemplo, dizer que quem está contra o Bolsa Família é um imbecil quando muitos que estavam com ele não estão mais justamente devido ao Bolsa Família é um grande risco”, diz. Também aposta que por enquanto há uma proteção de Lula em relação a Dilma e que a ministra pode ser prejudicada quando tiver de encarar a campanha sozinha. “Ele está muito exposto e a Dilma também está muito exposta. Por enquanto tem essa proteção do Lula, mas a hora em que ela estiver sozinha na campanha pode complicar, pelo pavio curto”.

Além disso, dentro de um quadro de imprevisões para 2010, Jefferson avalia danos a Dilma com a aventada candidatura da ex-ministra do meio Ambiente, Marina Silva (PT), pelo PV. “A Marina é um torpedo na Dilma”. Ele também diz acreditar que o deputado federal Antonio Palocci (PT-SP) não está fora do jogo para a disputa presidencial pelo PT.

“Você veja que em qualquer espaço que abra um cargo o Lula cogita a hipótese de Palocci ocupá-la. Em todo lugar tem espaço para o Palocci. Além disso, a classe empresarial paulista que detém o poder real no país prefere o Palocci a Dilma. Palocci está no jogo.”

Um outro fator que pode alterar o jogo interno no PTB é a candidatura à reeleição de Romeu Tuma (SP) ao Senado. Sua mudança de partido há dois anos, do DEM (então PFL) para o PTB, impulsionada por Campos Machado, teve como uma de suas condicionantes a candidatura à reeleição.

O partido no Estado de São Paulo é aliado do PSDB, mas são muitos os candidatos para as duas vagas existentes na chapa que deve ter Geraldo Alckmin como candidato ao Palácio dos Bandeirantes. Além de Tuma, há quatro tucanos (o presidente estadual do PSDB, deputado federal Mendes Thame; o líder do partido na Câmara, José Aníbal; o vereador em São Paulo, Gabriel Chalita; e o secretário paulista de Educação, Paulo Renato Souza) e um pemedebista, Orestes Quércia.

Se Tuma não for candidato, o partido pode debandar para uma candidatura adversária em São Paulo, hipótese reforçada se o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) for o candidato a governador no Estado, dentro de uma aliança com PT, PDT, PSB e PCdoB. Campos Machado é amigo de Ciro de longa data.

Mesmo com a indefinição que deve se arrastar até 2010, Tuma aproveitou o recesso parlamentar para fazer campanha pelo interior, contando com a grande capilaridade que o partido tem no Estado, um atrativo a mais e tão importante quanto o tempo de televisão. A legenda é a que mais cresce no Estado. O número de filiados (277,6 mil) se aproxima do PT (314,5 mil) e já passou o PSDB (230,2 mil), mediante um sistema de metas de filiações estruturada pelo seu presidente estadual, Campos Machado.

A capilaridade do PTB no Estado é tamanha que sua estrutura alcança todos os 645 municípios paulistas. Até o fim do ano serão inaugurados 25 escritórios regionais. Desde 2008, já foram formados onze departamentos partidários segmentados para setores da sociedade, como afrodescendentes, mulheres, inter-religioso e sindical. “Não tenho a menor dúvida de que Tuma será candidato à reeleição. O partido que caminha para ser o mais forte do Estado não pode ficar sem candidato”, afirma Campos Machado.

Egresso da política nas mãos do ex-presidente Jânio Quadros, que, segundo ele, afirmou que Campos Machado fora “o filho que não teve”, a estrutura que o deputado estadual arma no partido visa resultados eleitorais efetivos nas eleições de 2012 e 2014, quando o partido não deve mais acompanhar o PSDB em São Paulo. “Deixaremos de entrar como vagão nas eleições dentro de três anos”, afirma Campos, que foi candidato a vice de Alckmin em 2008 e 2000 para a Prefeitura de São Paulo.

A intenção é de que a partir de São Paulo o PTB deixe de ser coadjuvante, fato que tem feito com que, nacionalmente, o partido perca cadeiras tanto no Legislativo como no Executivo. Atualmente, os principais nomes que ocupam cadeiras no Executivo são os prefeitos de Manaus (AM), Amazonino Mendes, e de Belém, Duciomar Costa (PA). Entretanto, nenhum dos 27 governadores é filiado ao partido.

10/08/2009 - 08:50h “Marina implode candidatura Dilma”

“Se engana redondamente quem imagina que eu, eventualmente aceitando o desafio de ser candidato a governador de São Paulo, vou cumprir uma tarefa mesquinha de atacar o Serra. Ao contrário: acho ele um grande governador” (Ciro Gomes)

Entrevista: Ciro diz que só define rumo que tomará em abril de 2010

Gustavo Miranda / Agência O Globo – 17/12/2008 Foto Destaque
Foto Destaque
Ciro: “Há um passo que está na mão do PSDB, que é o Serra resolver ser candidato à reeleição em São Paulo e apoiar o Aécio. Nesse caso, a eleição está perdida”

Raquel Ulhôa, de Brasília – VALOR

O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) considera hoje o risco de derrota do governo nas eleições presidenciais de 2010 “muito maior” do que a possibilidade de vitória. Como sinal da fragilidade da estratégia do Palácio do Planalto, cita o potencial de estrago de uma possível candidatura da senadora Marina Silva (PT-AC) à Presidência da República. Se aceitar o convite do PV e entrar na disputa, Marina, na opinião de Ciro, “implode” a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).

Ciro ainda não decidiu se vai concorrer a presidente ou a governador de São Paulo. Acha que a decisão só deve ser tomada em abril de 2010, após análise da evolução do processo eleitoral. A prioridade, diz ele, continua sendo a Presidência da República. Não descarta a disputa ao governo de São Paulo, desde que isso faça parte de uma estratégia nacional para dar continuidade ao projeto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mas, se decidir concorrer ao governo de São Paulo, Ciro avisa que não vai cumprir a “tarefa mesquinha de atacar” José Serra, a quem avalia como “um grande governador”, embora mantenha as críticas à sua participação no governo Fernando Henrique Cardoso.

Em entrevista ao Valor, Ciro diz que as pesquisas mostram a limitação da transferência de voto de Lula a Dilma. Prevê que, na campanha, ela terá dificuldades de defender os avanços necessários ao país. Sobre a crise do Senado, situa o senador José Sarney (PMDB-AP) apenas como “parte” do problema.

“O problema é a hegemonia moral e intelectual frouxa que preside hoje o Congresso brasileiro. Não é só o Senado não”, diz.

Na quarta-feira da semana passada, depois de conversar com Lula, o presidente do PSB, governador Eduardo Campos (PE), reuniu-se com Ciro, o secretário-geral do PSB, senador Renato Casagrande (ES), e o primeiro vice-presidente, Roberto Amaral.

Avaliaram que o processo sucessório está incerto e a evolução da candidatura Dilma é uma incógnita. Por isso, o partido ainda não deve abrir mão, a mais de um ano da eleição, da possibilidade de Ciro ser lançado candidato a presidente. Parte do PSB acha que Lula não deve colocar todas as fichas num candidato só.

Essa avaliação deverá ser levada para Lula no encontro de quarta-feira, do qual o PT também participará. Segundo Ciro, não há chance de a questão da disputa ao governo de São Paulo ser decidida na reunião. A seguir, a entrevista.

Valor: As articulações em torno da possibilidade de sua candidatura ao governo paulista cresceram. Sua opção hoje é a Presidência da República ou São Paulo?

Ciro Gomes: A Presidência. Claramente. Sem qualquer tipo de dubiedade e vacilação. Agora nós compreendemos que está em jogo o futuro do Brasil. E o futuro do Brasil exige que todas as pretensões pessoais e partidárias, legítimas que sejam, sejam postas em segundo plano. Nossa avaliação unânime no PSB é que, da forma como as coisas estão postas, hoje a tendência é que esse projeto que defendemos está ameaçado de perder as eleições.

Valor: De que coisas o senhor fala?

Ciro: A se dar crédito à notícia média dominante de que o presidente Lula resolveu escolher a Dilma candidata, compor a chapa com o PMDB e convocar os correligionários, parceiros e aliados para um plebiscito contra o candidato do PSDB, que hoje seria o governador José Serra, achamos que o risco de perder a eleição hoje é muito maior do que a possibilidade de ganhar.

Valor: Por que?

Ciro: Há um conjunto de fatores. Primeiro, fadiga de material. Segundo, as contradições, que não são pequenas, desta coalizão PT-PMDB. Essa crise do Senado é só uma caricatura disso. Só quem suporta isso é o Lula, porque tem um capital político único. O risco de perder a eleição é real nessas bases, como de ingovernabilidade para qualquer um de nós, sem o capital político e a interação que o presidente Lula tem com a população. Isso guarda coerência com a história do Brasil. Juscelino não fez o Lott [marechal Henrique Lott, ministro da Guerra no governo Juscelino Kubitschek e candidato a presidente derrotado, em 1960, por Jânio Quadros, candidato da oposição]. Não fez o sucessor, tendo sido o presidente mais popular do país. E as pesquisas são eloquentes na indicação do que estou querendo dizer.

Valor: Mostrando dificuldades da candidatura da ministra?

Ciro: Claramente, porque há um limite para essa coisa da transferência de voto. A eficiência da transferência dos 70% de apoio ao Lula a ela está pela metade. Então, ela pode ir a 35%. Tudo bem, é muita coisa. A Dilma tem grandes virtudes, vai agregar outros atributos além do apoio do Lula. Não tem nenhuma crítica a Dilma. Pelo contrário. Ela é uma pessoa maravilhosa, perfeitamente votável para qualquer tarefa. A questão é que o Brasil mudou. É uma questão delicada, porque somos parceiros. Mas queremos que o presidente nos ouça e pense no que vamos dizer para ele. Eu, especialmente, falarei com a maior clareza e franqueza, porque acho que é um momento crítico para o Brasil. Está marcada uma grave crise política em 2010.

Valor: O senhor pode explicar?

Ciro: É uma maioria amorfa a que temos na base aliada do Congresso e na coalizão partidária, cujo cimento é fisiologia, clientelismo e, infelizmente, muita corrupção. Isto é compensado pela exuberância do Lula, da liderança legítima que ele tem. Qualquer outro vai viver essa crise, se começar em cima de uma estrutura esclerosada como essa, sem renovação, sem nova utopia, sem novos projetos, sem uma nova agenda. O PMDB tem cinco ministros, tem o presidente da Câmara e do Senado e está com Lula. Se o Serra ganhar, no dia seguinte essa gente vai aderir a ele contra seis ministérios, presidência do Senado, da Câmara, do Supremo, da CNBB [Conferência Nacional dos Bispos do Brasil]. A governabilidade será garantida, mas mediante a manutenção desta hegemonia moral e intelectual fisiológica e clientelista.

Valor: Como é que a crise do Senado, que atinge o senador José Sarney (PMDB-AP) e divide a base, pode ser interpretada nesse contexto?

Ciro: Revela com grande força caricatural o que estou tentando dizer. Este segundo semestre será tumultuado para nós. Hoje tem essa novela em cima do Senado e do Sarney. Acabando essa novela, tendo acumulado um desgaste, vem a novela da Petrobras, que será muito quente. Depois virão outros. Vai estourar em 2010. O Lula já precificou isso e aguenta. Está provado. Ele defende o Sarney e aguenta. Defende o Renan e aguenta. Confraterniza com Collor e aguenta. Quero saber se eu aguento, se o Serra aguenta, se a Dilma aguenta. Ninguém mais aguenta.

Valor: O PSB liberou seus senadores para tomar a posição que considerar conveniente na crise do Senado. O senhor acha que o senador Sarney deve ser defendido?

Ciro: Não me sinto obrigado a isso. Apenas lembro que Sarney não é o problema. Pode ser parte dele. O problema é a hegemonia moral e intelectual frouxa que preside hoje o Congresso brasileiro. Não é só o Senado não.

Valor: Essa avaliação sobre os problemas da coalizão será feita ao presidente na reunião desta semana, da qual o PT vai participar?

Ciro: Algumas coisas direi a ele só pessoalmente. Essa questão é a pragmática. Mas tem uma outra, não menos grave, ou mais grave ainda, que deriva de uma constatação que eu tenho de que a presença do Lula no governo brasileiro melhorou o Brasil em todos os aspectos, sem exceção de nenhum. Porém, essa é uma constatação que se faz olhando para o retrovisor. Ou seja, comparado com o que era, tudo melhorou. Porém, o que vai estar em discussão em 2010 não é o Lula, não é a avaliação do Lula, é o futuro do país. E aí você tem graves problemas. Primeiro, o presidente conciliou, na minha opinião de forma muito frouxa, o segundo mandato, para esconjurar essa escalada golpista que o ameaçou no primeiro mandato, e não conseguiu institucionalizar nenhum dos grandes avanços que promoveu.

Valor: Quais foram?

Ciro: Só para citar os mais importantes para a vida do povo: a política de salário mínimo, a estratégia da Petrobras, as políticas compensatórias, a política de crédito (saiu de 13% para 43% a proporção de crédito no PIB brasileiro). Mas era o Lula contra o governo. Nada disso é institucional. A segunda questão é o avanço. É natural um governante, tanto mais do principal partido da esquerda brasileira que está no governo há oito anos, perder um pouco a energia de propor reformas e mudanças. É quase uma contradição em termos. Como é que a Dilma vai falar em mudança, se ela é a continuação? E a questão é: o Brasil pode parar? A educação pública está boa? A saúde pública está boa? A segurança do povo está boa? A mobilidade urbana nas cidades está boa? As essencialidades da vida do povo estão boas? A proporção de manufaturados na plataforma de exportação, a velocidade com que o Brasil supera seu hiato tecnológico-científico está correta? São essencialidades. E aí você pode correr o risco – provavelmente estamos já correndo o risco – de a turma que quer voltar ao passado, a turma do Fernando Henrique, assumir esse discurso. Mais do que o pós-Lula: a reforma, a ética, a eficiência do serviço público, as mudanças que o país precisa… Não é uma mudança para negar nada do Lula. É uma mudança que só se viabilizará porque o Lula avançou extraordinariamente.

Valor: O senhor acha que a ministra Dilma não teria condições de conduzir esses avanços?

Ciro: A Dilma pode. Qualquer um de nós pode. A questão é que tipo de coalizão política, que tipo de debate será feito. Nossa preocupação no PSB é que ela terá grandes dificuldades. Veja como seria, de forma caricata, esse debate: a Dilma, que tem todos os dotes para isso, pode dizer que o Brasil precisa manter o que está bom e avançar em tais e tais mudanças. O Serra, de lá, diz: ´vocês tiveram oito anos, por que não fizeram?´ Aí ela responde de cá: ´e porque vocês em oito anos não fizeram?´.

Valor: O senhor acha, então, que o presidente está errando na estratégia da sucessão?

Ciro: Vou refletir sobre a notícia média. Acho que ele está fazendo de forma genial certo. Por que? Ponto número 1: na contramão da tradição de todo governante, que quer postergar sua sucessão, o Lula antecipou ineditamente. Porque ele, mais do que ninguém, conhece o PT. Se ele não põe a mão numa pessoa que pode dispor politicamente como aliada, para ficar ou para sair, para compor ou descompor, para brigar ou para conciliar, uma hora dessa os diversos grupos em que se reparte o PT estariam tentando, com dossiês e caneladas por baixo da mesa, impor ao Lula nomes. Segundo: naquela data, quando ele fez isso, havia uma cogitação de terceiro mandato. Ele nunca quis, nunca pediu, mas imaginou a possibilidade. Ele era obrigado a imaginar isso. Tinha que ter uma candidatura que poderia, amanhã, dizer que houve uma mudança constitucional e que tenho dever com o país de continuar.

Valor: Com o senhor sendo vice da ministra, mudando o perfil da chapa, seria mais fácil assumir o discurso da mudança?

Ciro: Eu acho temerário. Não há razão, do meu ponto de vista, para que se ponha o país no risco de um mano a mano para deslindar essas coisas no primeiro turno.

Valor: Qual seria o efeito da entrada da senadora Marina Silva (PT-AC) na disputa?

Ciro: Esta variável nova mostra as dificuldades (da candidatura governista) com precocidade. Está na mão da Marina. Se ela aceitar a convocação do PV, ela implode a candidatura da Dilma. Implode. Então, tem muitas variáveis por acontecer. O Serra recua ou não recua? A Marina é candidata ou não?

Valor: É por isso que o senhor diz que a decisão do PSB sobre a candidatura presidencial ou o governo do Estado não deve ser tomada agora?

Ciro: Essa é a posição do PSB. Nós nos reunimos ontem à noite (quarta-feira), fizemos uma avaliação e há uma convergência de percepção do momento. Todos nós achamos que o tempo é essencial para que a gente deslinde essa vontade que nós temos de convergir com o Lula nesta ou naquela direção. Há um ano eu disse que a tendência era a gente perder a eleição. E essa tendência está se consolidando. Há um passo que está na mão do PSDB, que é o Serra resolver ser candidato à reeleição em São Paulo e apoiar o Aécio. Nesse caso, a eleição está perdida, na minha opinião. É simples entender. Não é profecia. O Serra apoiar o Aécio significa que recuou voluntariamente. Dá vitória para Aécio em São Paulo. O Aécio sai com 80% em Minas – que o Serra não tira nem com apoio do Aécio – e entra mais fácil no Rio de Janeiro, no Norte e no Nordeste. E no Sul os níveis de aprovação do governo Lula estão bem mais baixo.

Valor: Em que condições o senhor disputaria o governo de São Paulo?

Ciro: Eu estou com a vida ganha. Não preciso ser candidato a nada. Posso ser candidato a presidente ou cumprir uma tarefa como candidato a governador do Rio ou São Paulo – mas desde que seja dentro de uma estratégia que consulte o melhor interesse do povo brasileiro. Senão eu não topo. A prioridade do partido é a Presidência. Eu não sou candidato a governador de São Paulo. Nunca pretendi. Considero extremamente honroso a lembrança do meu nome, um desafio que não sei sequer se estou à altura, e cumpro tarefas.

Valor: Como, por exemplo, disputar em São Paulo para minar a candidatura de Serra a presidente?

Ciro: Quero dizer isso formalmente: se engana redondamente quem imagina que eu, eventualmente aceitando o desafio de ser candidato a governador de São Paulo, vou cumprir uma tarefa mesquinha de atacar o Serra. Ao contrário: acho ele um grande governador. Já estou adiantando aqui: acho ele um grande governador. E acho que deveria continuar governador. Acho que seria um péssimo presidente da República, não porque tenho animosidade pessoal, mas porque foi ministro do Planejamento por quatro anos do governo FHC, data na qual o país quebrou, a divida pública quase dobrou, a carga tributária explodiu. Depois foi ministro da Saúde e não fez rigorosamente nenhuma transformação institucional, como, a rigor, nós também não fizemos.

Valor: O senhor tem até o fim de setembro para trocar o domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo, se quiser disputar a eleição lá. Pode disputar governo, Presidência ou qualquer outro mandato. O senhor admite como opção candidatar-se novamente a deputado federal para puxar uma grande bancada?

Ciro: Não serei. E ponto final.

Valor: Qual a chance de sua candidatura a governador do São Paulo ser definida na reunião desta semana?

Ciro: Nenhuma chance. Pode botar isso com exclamação. E a remota chance de eu ser candidato a governador de São Paulo exige que eu entenda de que grande projeto nós estamos falando.

09/08/2009 - 10:54h Dilma e Lobão divergem no pré-sal

Casa Civil defende papéis da ANP e da Petrobrás, enquanto Minas e Energia quer criar estatal superpoderosa

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Kelly Lima, Nicola Pamplona e Tatiana Freitas – O Estado SP

A falta de consenso na apresentação das propostas do novo marco regulatório do petróleo expôs a existência de duas correntes na comissão interministerial criada para debater o tema. De um lado, liderados pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata à sucessão de Lula, estão a Petrobrás e Agência Nacional do Petróleo (ANP), na defesa da ampliação de seus papéis como principais operadores da política petrolífera brasileira.

De outro, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, quer garantir superpoderes à nova estatal do petróleo, reduzindo o raio de ação principalmente do órgão regulador. Segundo fontes próximas à comissão interministerial, as principais divergências estão relacionadas mais ao campo político do que a questões técnicas.

O embate não ocorre entre a competição de mercado e a “estatização”. Tanto a corrente PT-PCdoB, da ala de Dilma, quanto a do PMDB de Lobão defendem ampliar o poder do Estado no setor, cada qual com suas prioridades estratégicas. O primeiro round foi vencido por Lobão, com concordância em torno da criação da nova estatal, proposta rechaçada desde início pelo presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli.

O segundo, e mais decisivo, foi vencido na semana passada por Dilma, que emplacou a ANP como responsável, ao lado da Petrobrás, pelos trabalhos de perfuração que mapearão as áreas não concedidas do pré-sal. Como pano de fundo, a capitalização que o governo pretende promover na companhia, com a anexação de áreas e reservas a seu portfólio. Inicialmente, seriam apenas os blocos contíguos às descobertas de Tupi. Dilma já deixou claro que pode ser qualquer bloco, nos 160 milhões de metros quadrados que delimitam a região do pré-sal.

Gabrielli, sugeriu numa das reuniões do conselho, que a companhia ficasse com a integralidade dos blocos na região. O executivo teria dito, quando questionado sobre o porcentual que a empresa estaria pleiteando nas áreas, que a empresa tinha condições de tocar sozinha os projetos. Não foi levado a sério. Acabou optando pelo mínimo de 30%, que justifica a mobilização de recursos humanos e financeiros necessária à operação de um projeto desse porte.

As diferenças foram expostas com visível desconforto por Lobão após a reunião com Lula. Dias antes, ele havia informado a criação de dois fundos para gerir recursos do pré-sal. No encontro, ficou definido que será apenas um, com cunho social. “Qualquer coisa que eu disser hoje está sujeita a ser desmentida amanhã”, afirmou o ministro na sexta-feira.

Ontem, depois de participar de reunião com prefeitos de municípios produtores de petróleo, em Búzios, Lobão afirmou: “Não houve conflito (na reunião com Lula). Foi apenas um ajuste de posições”.

Atenuando as divergências, representantes da comissão disseram que se tratam de debates normais em decisões importantes para o País. Segundo fontes, porém, Lula não ficou satisfeito com os resultados do trabalho de mais de um ano da comissão e vai ouvir outras partes para dar a palavra final.

O processo de avaliação das áreas do pré-sal, hoje em mãos da União, será iniciado antes da mudança na lei, sendo elaborado por um grupo conjunto entre ANP e Petrobrás. “Acho a estratégia interessante, desde que vise a promover licitações e estimular o interesse de investidores”, disse o consultor Jean-Paul Prates, atual secretário de Energia do Rio Grande do Norte. O consultor John Forman, ex-diretor da ANP, lembra que pela legislação atual a única forma de o governo entregar uma área exploratória a empresas privadas é por licitação.

08/08/2009 - 12:59h Hoje, Dilma e o PT na quadra dos bancários

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PT encerra Caravanas, no sábado (8), com presença de Dilma na Quadra dos Bancários, a partir das 14h00, à Rua Tabatinguera, 192, próximo ao metrô Sé

Após percorrer as 18 macrorregiões do interior do Estado, as Caravanas do PT de São Paulo se encerram no sábado, dia 8 de agosto, num grande evento que contará com a participação da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que fará uma análise sobre conjuntura nacional.

A Plenária ocorrerá na Quadra dos Bancários, a partir das 15h, e deve reunir militantes, dirigentes e as grandes lideranças do PT. Os movimentos populares e centrais sindicais também devem marcar presença. A Quadra dos Bancários localiza-se à Rua Tabatinguera, 192, próximo ao metrô Sé.

As Caravanas Estaduais, iniciativa do Diretório do PT-SP, começaram em abril. Todas as regiões do estado foram visitadas, mobilizando milhares de militantes. O objetivo foi debater as conjunturas nacional, estadual e regional, além das perspectivas que aguardam o PT para o próximo período, com destaque para as eleições de 2010. A organização partidária também foi centro das discussões.

Para o presidente do PT-SP, Edinho Silva, o balanço das Caravanas é muito positivo, já que cumpriu o papel de organizar a militância e debater propostas para a construção de um programa de governo alternativo para o estado de São Paulo com base na realidade de cada região. As Caravanas também discutiram as profundas mudanças realizadas pelo governo Lula no país e a necessidade de consolidar e aprofundar essas transformações por meio da continuidade do projeto do PT e partidos aliados. “As Caravanas mobilizaram a nossa militância, dirigentes e lideranças. Temos mostrado a força que o PT tem quando se unifica”, afirmou o dirigente.

Militante: Participe da última Caravana! Organize os companheiros do seu diretório. Venha com camisetas do PT e traga suas bandeiras

Caravana da Capital
Data: 8 de agosto – sábado
Hora: a partir das 14 horas
Local: Quadra dos Bancários – Rua Tabatinguera, 192, Centro – São Paulo
(próximo ao Diretório Nacional do PT e do Metrô Sé)

06/08/2009 - 10:46h Áreas já licitadas vão gerar R$ 18 bi em 2017

De Brasília – VALOR

Cálculos do governo indicam que os campos já licitados do pré-sal deverão render R$ 8 bilhões aos cofres públicos em royalties, participações especiais e impostos em 2015. A tendência é de crescimento quase geométrico da arrecadação, que subirá para R$ 12,5 bilhões em 2016 e para R$ 18 bilhões no ano seguinte, segundo números compilados pelo Ministério de Minas e Energia. Esses campos continuarão sendo explorados no regime de concessão e seus recursos serão divididos entre a União, Estados e municípios.

Em 2015, nos cálculos oficiais, pelo menos sete blocos do pré-sal operados pela Petrobras estarão produzindo em torno de 1,5 milhão de barris por dia – mais de 70% da produção atual de petróleo. A maior parte virá de Tupi e de Carioca. O primeiro está no projeto-piloto de produção.

Foto Destaque

Tudo leva a crer que os Estados e municípios produtores, ou que possuem alguma infraestrutura relacionada às atividades de exploração e produção, terão um ganho líquido muito pequeno com os recursos da camada pré-sal. A nova fronteira petrolífera renderá royalties e participações especiais – tributo cobrado dos campos com alta produtividade – suficientes somente para compensar a brutal queda de receita com o declínio dos campos que estão localizados em águas rasas ou profundas, mas acima da camada de sal.

Liderados pelo governo do Rio e por um pequeno conjunto de prefeituras fluminenses, os Estados e municípios produtores receberão R$ 2,6 bilhões em 2015 e R$ 5,9 bilhões em 2017, em recursos do pré-sal no sistema atual de concessão. Mas isso deverá apenas compensar as quedas de arrecadação dos campos “maduros” e em declínio, que geraram cerca de R$ 13 bilhões no ano passado. Em 2015, esse montante passará para R$ 10 bilhões. Em 2017, diminuirá ainda mais, para R$ 8 bilhões.

Os números constam do Plano Decenal de Energia, recém-aprovado pelo Ministério de Minas e Energia, que analisa o cenário do setor para o período 2008-2017. A queda de receita com royalties e participações do pós-sal dá munição aos governadores de Estados como Rio de Janeiro e Espírito Santo, hoje privilegiados com recursos vindos da produção de petróleo.

O novo marco regulatório do pré-sal prevê a destinação da renda gerada pela exploração de novos campos (ainda não-licitados) a um fundo voltado para investimentos sociais, sob controle da União. Para esses campos, não haverá mais distribuição de royalties e participações especiais aos Estados e municípios produtores, o que despertou a reação imediata do governador Sérgio Cabral (PMDB).

Os estudos do Ministério de Minas e Energia apontam ainda um vertiginoso crescimento da demanda por profissionais, especialmente de nível técnico e superior. O pico da demanda será a partir de 2010, com a necessidade de contratação de 63 mil profissionais por ano, patamar que será mantido até 2012. Depois disso, deve cair a demanda por profissionais, supõem os estudos oficiais, elaborados antes, porém, da decisão de fortalecer a Petrobras no desenvolvimento do pré-sal, como única operadora dos futuros blocos. (DR e DF)

06/08/2009 - 10:23h Divergências no governo atrasam definição de regras para o pré-sal

Ruy Baron/Valor Foto Destaque
Foto Destaque
Edison Lobão, ministro das Minas e Energia: não existe projeto fechado

 

Daniel Rittner e Danilo Fariello, de Brasília – VALOR

O governo admitiu que ainda existem “divergências” nas novas regras para a exploração e produção de petróleo na camada pré-sal, mas definiu a Petrobras como única operadora dos futuros blocos licitados e dona de uma participação acionária mínima em todos eles. A informação foi dada pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, depois de três horas de reunião em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu três anteprojetos de lei com o novo marco regulatório, mais de um ano depois de iniciadas as discussões técnicas. “Houve muitas divergências, ele (Lula) levantou muitas questões”, relatou Lobão.

Lula pretende agora ouvir lideranças empresariais, trabalhistas e políticas antes de encaminhar as propostas de novas regras ao Congresso. O ministro ponderou que elas poderão sofrer ajustes e ainda não são projetos fechados.

O primeiro texto muda a Lei do Petróleo, de 1997, e estabelece o sistema de partilha para os novos campos do pré-sal. O segundo cria a Nova Empresa de Petróleo (NEP), como tem sido provisoriamente chamada a estatal que administrará as reservas petrolíferas. O terceiro institui um fundo social, com os recursos da comercialização do óleo, que terá “papel de fundo soberano” e investirá “no Brasil e no exterior”.

“Não são projetos acabados”, afirmou Lobão, em rápida entrevista depois da reunião, que teve a presença de outros três ministros, do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, e de todos os assessores que trabalharam diretamente no assunto ao longo dos últimos meses.

Lobão negou a informação, veiculada ontem, de que a União pretende ficar com 80% do petróleo explorado no pré-sal.

O fatiamento do novo marco regulatório em três projetos permitirá que as regras avancem em ritmos diferentes no Congresso. A oposição, que defende o atual regime de concessões, introduzido no governo Fernando Henrique Cardoso, tende a dificultar a tramitação da proposta do sistema de partilha, mas resiste menos à nova estatal.

Antes tida como uma perdedora das discussões do pré-sal, a Petrobras sai fortalecida com as novas regras. O temor inicial do governo era afastar o investimento privado e que a empresa ganhasse dimensões gigantescas com o desenvolvimento do pré-sal, assumindo uma condição de espécie de “Estado paralelo”, como a venezuelana PDVSA ou a russa Gazprom.

Há menos de um mês, depois de apresentado o primeiro rascunho do marco regulatório ao presidente, Lula foi convencido a mudar radicalmente o rumo das discussões e reforçar o papel da empresa. O principal artífice do movimento foi o diretor de exploração e produção da Petrobras, Guilherme Estrela.

Despertando curiosidade por reconhecer “divergências” no governo, o ministro deu apenas algumas pistas, mas fugiu dos detalhes. Ele comentou que ainda não há definição, por exemplo, sobre a necessidade de especificar, no projeto instituindo o fundo, os destinos dos investimentos em áreas sociais. “Foi uma parte que demandou muita discussão e ainda não se deliberou sobre isso”, afirmou.

A nova estatal “será uma empresa pública, com características de empresa privada, regida pela CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas)”, segundo o ministro. Mas não houve definição sobre a capitalização da Petrobras, com aumento da participação acionária da União, hoje em 32% do capital total.

A ideia em gestação é que, sem recursos do Tesouro, esse aumento da participação seja feito em troca da cessão de áreas vizinhas aos blocos do pré-sal que a Petrobras já explora, no regime de concessão.

Também não houve decisão sobre um ponto polêmico e de interesse direto dos governadores: se os recursos provenientes do pré-sal serão divididos, em parte, com Estados e municípios produtores ou com alguma atividade relacionada à exploração. “Esses são detalhes que foram discutidos e não foram deliberados”, disse Lobão, sem entrar em detalhes.

A intenção do governo era que toda a arrecadação ficasse com a União, diferentemente do sistema atual, em que royalties e participações especiais são compartilhados com Estados e municípios. Mas o lobby político, principalmente do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), ainda pode mudar o plano original.

Entre os detalhes discutidos na reunião de ontem, mas sobre os quais o ministro não fez nenhum anúncio, estão a participação acionária da nova estatal nos futuros blocos do pré-sal e a forma como a Petrobras será dispensada de licitação para, além de operar, ser majoritária no controle dos novos blocos.

24/07/2009 - 12:53h Apoio do Planalto à candidatura Ciro em São Paulo desagrada PT e PSB

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Raquel Ulhôa, de Brasília – VALOR

A defesa feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) a governador de São Paulo parece ainda insuficiente para minar as resistências de boa parte do PT estadual a esse projeto, ao mesmo tempo em que desperta desconfiança em setores da cúpula nacional do PSB.

No partido de Ciro, há quem veja na movimentação de Lula apenas um objetivo: afastar o deputado cearense do caminho da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ao Palácio do Planalto. Para essa ala do PSB, as conversas sobre São Paulo enfraquecem a candidatura de Ciro a presidente e não garantem apoio do PT na disputa estadual.

O cancelamento da reunião de Lula com petistas de São Paulo, que aconteceria na quarta-feira, em Brasília, evitou uma conversa difícil, sem possibilidade de desfecho positivo naquele dia. No grupo que desembarcou na capital, havia defensores da aliança com o PSB em São Paulo em torno da candidatura de Ciro, mas havia também, quem estivesse disposto a convencer Lula das dificuldades que o nome enfrenta no PT estadual. O deputado é considerado uma incógnita, um parceiro que pode surpreender politicamente. Além do comportamento impulsivo, algumas vezes marcado por destempero verbal, o jogo político do ex-governador do Ceará é visto com suspeita entre os petistas.

Recente atitude de Ciro que prejudicou os entendimentos com o PT foi seu encontro com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), em Belo Horizonte. Apesar de fazer ataques ao governador de São Paulo, José Serra (PSDB) – nome mais forte do PSDB para a disputa presidencial -, o deputado também fez acenos a Aécio que desagradaram aos petistas. “O governador Aécio, sendo candidato a presidente da República, descomprime gravemente a necessidade estratégica de eu apresentar uma candidatura”, disse Ciro, na ocasião. Se caiu mal no PT, o encontro também causou desconforto no PSDB, pelo fato de Ciro ser um dos maiores oponentes de Serra.

Os defensores de uma aliança em São Paulo entre PT e PSB – que reuniria PDT, PCdoB e poderia atrair PP e PR – com Ciro para governador apontam várias vantagens dessa estratégia ao projeto prioritário ao partido: eleger Dilma sucessora de Lula. Uma delas seria o exemplo que o PT paulista – criticado como hegemonista, não aliancista – daria aos outros diretórios do partido, abrindo mão de ser cabeça-de-chapa em prol das alianças. Se o PT insistir em nome próprio, corre o risco de ficar isolado no Estado. O PSB, por exemplo, que tem correntes ligadas ao PSDB no Estado, poderia até apoiar um candidato tucano. Outra vantagem seria apresentar ao eleitor uma candidatura competitiva, com chance de enfrentar a hegemonia tucana em São Paulo.

Além disso, o discurso combativo de Ciro contra o PSDB é visto como arma poderosa para enfraquecer a candidatura presidencial de Serra. Pesquisa do Ibope encomendada por aliados que testa 12 nomes dos partidos de oposição ao PSDB, mostram Ciro com melhores chances. Embora tenha feito carreira no Ceará, o deputado nasceu em Pindamonhangaba (SP), terra de Geraldo Alckmin – tucano que aparece nas pesquisas com chance de vitória em primeiro turno na disputa para o governo.

As articulações para que Ciro troque seu projeto de concorrer (pela terceira vez) ao Planalto pela corrida ao Palácio do Bandeirantes intensificaram-se nos últimos dias. Ontem, Lula afirmou, em entrevista à rádio AM de São Paulo, que a candidatura de Ciro é uma “grande possibilidade” e defendeu que o PT paulista construa uma “aliança política forte” no Estado. No PT, porém, sobram dúvidas. Há quem prefira que Ciro seja candidato a governador pelo PSB e o PT lance outro nome. O mais forte é o do prefeito de Osasco, Emídio de Souza. A aliança seria feita em um eventual segundo turno. Essa opção é afastada pelo PSB. O partido quer um projeto inserido numa estratégia nacional, que una os aliados. Por isso, uma ala do PSB quer preservar a candidatura de Ciro a presidente. O grupo lembra que o deputado só é considerado opção paulista por causa de sua importância no cenário nacional.

24/07/2009 - 11:26h ”Eu não vou enfrentar o presidente”, diz Emídio

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Emídio de Souza: prefeito de Osasco; Sem descartar plano de disputar governo de SP, prefeito afirma que PT deve aceitar Ciro se ele ajudar a eleger Dilma

 

Vera Rosa, BRASÍLIA – O Estado SP

 


Sem abandonar o sonho de ser candidato ao governo de São Paulo, o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, não vai bater o pé pela indicação do PT se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disser a ele que o melhor é apoiar o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), em 2010. Embora afirme que é preciso julgar “a conveniência e a oportunidade” do aval a Ciro para a sucessão do governador José Serra (PSDB), Emídio destaca que a continuidade do projeto petista no Planalto está em primeiro lugar.

“Eu não vou enfrentar Lula”, diz ele. “Se a candidatura Ciro for fundamental para a eleição de Dilma, temos de aceitar”, emenda, numa referência à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência.

No segundo mandato como prefeito de Osasco, Emídio constata que “Lula é pragmático” e sabe onde o calo aperta. “Seria irresponsabilidade nossa escolher o candidato em São Paulo de costas para o cenário nacional”. Discreto, o prefeito esteve na quarta-feira à noite em Brasília e conversou com auxiliares do presidente sobre o jogo do PT em São Paulo, onde o partido perdeu o apoio do PMDB.

O sr. gostaria de ser candidato do PT ao governo de São Paulo?

Meu nome está à disposição do PT para disputar a eleição com os tucanos, defender o governo do presidente Lula e renovar a política de São Paulo.

Mas o presidente não parece muito entusiasmado com a candidatura própria. O sr. sente que seu nome é vetado por Lula?

De forma alguma. Temos de considerar que o mais importante é a estratégia para a candidatura da ministra Dilma (Rousseff) à Presidência, em 2010. Eu não vou contrariar nem enfrentar o presidente Lula. Quero ajudá-lo.

O que o sr. acha da tentativa do presidente de fazer o PT desistir da candidatura em São Paulo para apoiar o deputado Ciro Gomes?

Lula está tentando montar os palanques estaduais com os partidos que dão sustentação ao governo. Ciro é peça importante nesse tabuleiro e eu o respeito pelos serviços prestados ao País. Ele tem estatura política e faz campanha contra Serra (governador de São Paulo, José Serra). O que precisamos avaliar é a conveniência dessa candidatura agora. É oportuna nesse momento? Se a candidatura Ciro for fundamental para a eleição de Dilma, temos de aceitar.

E o que o sr. acha? É oportuna?

É preciso uma sondagem aos outros partidos. Não sei como a opinião pública receberia.

Mas a alternativa Ciro sofre forte resistência no PT.

É natural que um partido com a força do PT tenha o desejo de lançar candidato próprio. Mas Lula é pragmático: sabe dos problemas que tem pela frente e onde o calo aperta. Ele é o condutor desse processo.

O PT precisa apoiar candidato de outro partido para ultrapassar a barreira dos 30% das intenções de voto em São Paulo?

Não. O PT tem preparo não só para manter esse patamar como para conquistar votos da classe média. Mas seria irresponsabilidade nossa escolher o candidato em São Paulo de costas para o cenário nacional.

O PMDB virou as costas para o PT em São Paulo. O sr. acredita ser possível reverter esse quadro?

Acredito e vou insistir nessa aliança. O PT apoiou Michel Temer na eleição para a presidência da Câmara e o vice de Dilma pode sair do PMDB de São Paulo ou de Minas Gerais.

Dizem que o sr. não é conhecido para ser candidato ao governo. Esse comentário é aceitável para um partido que pretende lançar à Presidência a ministra Dilma, que nunca disputou uma eleição?

É verdadeiro, mas não impeditivo. O maior adversário de um candidato são os problemas que ele carrega. Se tudo do que me acusam é o desconhecimento, podem ter certeza de que podemos superar isso.

21/07/2009 - 12:02h Lula convoca PT paulista para discutir sucessão estadual

Yan Boechat, de São Paulo – VALOR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou a cúpula paulista do Partido dos Trabalhadores para discutir os rumos da sigla na disputa pelo governo de São Paulo. O encontro ocorrerá na noite desta quarta-feira em um jantar em Brasília, onde estarão presentes a bancada paulista do partido, as principais lideranças políticas da sigla no Estado e o prefeito de Osasco, Emídio Souza, pré-candidato do PT à sucessão do governador José Serra (PSDB). As convocações para o encontro foram feitas pelo presidente estadual do PT e ex-prefeito de Araraquara, Edinho Silva, a pedido do próprio Lula.

Este será o primeiro encontro entre a cúpula paulista do partido e o presidente da República para tratar exclusivamente da sucessão no Estado, que segue indefinida. Lula vai ouvir pessoalmente os argumentos de uma boa parte do partido que defende a candidatura própria e o nome de Emídio, na presença do prefeito de Osasco, que vem fazendo campanha para se tornar o escolhido do PT na disputa estadual desde o início do ano.

Apesar de contar com o apoio de uma parcela considerável do partido em São Paulo – apenas quatro dos 19 deputados estaduais não o apoiam -, Emídio de Souza ainda está longe de ter seu nome definido como o candidato do PT. Em uma eleição estratégica para a manutenção do poder nacional, a definição do candidato ao governo do maior Estado da federação passa muito mais por Brasília do que pelo diretório do partido em São Paulo. “O tabuleiro de xadrez é outro, enquanto aqui nós vemos uma realidade estadual, lá o Lula vê o jogo de alianças nacional”, diz o prefeito de Osasco, resignado com o fato de apesar de ter o apoio da maior parte do partido ainda assim não ser o escolhido para a disputa no Estado.

No fim, o que contará será a decisão que for tomada pelo presidente da República. Será Lula quem dará a palavra final sobre quem vai enfrentar a hegemonia tucana de 14 anos em São Paulo. Lula queria o deputado federal Antônio Palocci (PT-SP) como o candidato, mas o adiamento do julgamento do ex-ministro da Fazenda no Supremo Tribunal Federal obrigou o presidente a buscar uma nova opção. O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) continua sendo uma das apostas de Lula, mas a indefinição por parte do próprio ex-governador cearense mantém o posto vago. “O cenário ainda está muito indefinido, há muitas variáveis em aberto”, diz Emídio.

É em cima exatamente de todas essas variáveis que a conversa entre Lula e a cúpula paulista do PT deve se concentrar na noite de amanhã. Sem um nome forte no Estado para disputar a eleição ao governo, o partido estaria aberto para, pela primeira vez nos últimos 20 anos, não ter um candidato próprio em prol de um projeto maior, a eleição da ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff.

Aberto, porém relutante. A parcela que apoia Emídio vai defender que mesmo com Ciro saindo como candidato, o PT deve ter um nome próprio. Na avaliação de lideranças que estão ao lado do prefeito de Osasco, duas candidaturas de oposição ao PSDB poderiam levar as eleições para o segundo turno. “E se o candidato for o Aloisyo Nunes Ferreira, como achamos que será, a disputa fica mais aberta”, afirma um dirigente petista.

10/07/2009 - 10:16h “O PP não tem hoje tamanho para alterar o centro de uma hegemonia moral-intelectual boa”, disse Ciro

Ciro não descarta aliança com Maluf em SP

Julia Duailibi, GUARUJÁ – O Estado SP

O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) voltou a mencionar ontem a possibilidade de concorrer ao governo de São Paulo, em 2010, e admitiu ter mantido conversas com o ex-prefeito e deputado Paulo Maluf (PP-SP) sobre a disputa. “O que pega é catapora, conversar com as pessoas não faz mal nenhum”, declarou o deputado, ao participar de palestra, no Guarujá, litoral paulista, onde foi saudado como “governador”.

Ao dizer que tem uma relação de “cordialidade” com Maluf, que respondeu a acusações de mau uso de recursos públicos, Ciro disse não descartar uma aliança com o PP.. “Faço aliança até com Satanás se for para fazer a obra de Deus.”

O PSB paulista e parte do PT querem Ciro na disputa estadual , como uma saída para o fato de o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não ter um candidato natural. A articulação tem apoio junto ao comando nacional petista, que teria Ciro longe da disputa presidencial.

“Há um punhado de pessoas com quem trabalho que tem me pedido para refletir sobre isso. Considero uma responsabilidade muito honrosa, muito grave. Se eu tiver de fazer a transferência do título, não quer dizer que seja candidato a governador. Posso ser candidato a presidente tendo domicílio eleitoral em São Paulo”, respondeu Ciro, que terá de mudar o domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo até o final de setembro para disputar o Palácio dos Bandeirantes. Ele disse, no entanto, que as definições só ocorrerão em abril de 2010.

Ciro citou o cientista político italiano Antonio Gramsci (1891-1937), referência do pensamento de esquerda, para criticar alianças políticas em que há ” perda de hegemonia moral e intelectual”. Esse seria o caso da aliança entre PT e PMDB no plano federal, avaliou. Mas não da aliança com o PP de Maluf. “O PP não tem hoje tamanho para alterar o centro de uma hegemonia moral-intelectual boa”, disse.

Ciro disse que não se aliaria ao PMDB de Orestes Quércia. “Não vou para uma aliança com o Quércia. Não vou. Ponto final”, afirmou. Para setores do PT e do PMDB, Ciro critica a aliança porque teria interesse na vaga de vice na chapa da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência.

Ele disse que estão colocando “a faca no pescoço” de Dilma ao fazerem com que ela defenda o presidente do Senado, José Sarney (PMDB). “Obrigar a Dilma a defender o Sarney? Que isso? O Lula, na Presidência da República, que se obrigue a essa tarefa institucional, eu entendo. E a Dilma, que é uma persona política em formação, pessoa de valor extraordinário? É uma exigência de faca no pescoço.”

22/06/2009 - 09:55h ABCD Maior e Diário do Grande ABC entrevistam Marta

Marta: ‘Dilma conhece o Brasil, é sensível e não fala só de PAC’

Por: Walter Venturini  - ABCD Maior

(walter@abcdmaior.com.br)

Marta Suplicy deve ser candidata nas eleições de 2010; o cargo não está definido. Foto: Amanda Perobelli
Marta Suplicy deve ser candidata nas eleições de 2010; o cargo não está definido. Foto: Amanda Perobelli

Ex-prefeita da Capital diz que Região ainda sofre bastante por não ter autonomia em relação ao Estado

A ex-ministra do Turismo Marta Suplicy é talvez a mais ardorosa defensora da eventual candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República. Semanas atrás, organizou em sua casa um encontro da ministra com um grupo de mulheres com projeção nacional. Marta garante que Dilma conseguiu seduzir toda a plateia com suas propostas e, principalmente, pela sensibilidade feminina que expôs no bate-papo informal que ganhou as páginas dos jornais de todo o País. Nesta entrevista exclusiva ao ABCD MAIOR, Marta fala sobre a reunião, as eleições e a Região. Veja abaixo os principais trechos da entrevista.

ABCD MAIOR – Qual a razão de sua visita ao ABCD?
MARTA SUPLICY
– Estou “campanhando”. Não pessoalmente, porque a única decisão que tenho, de que vou ser candidata, mas o cargo ainda não está estabelecido. Mas estou levando o nome da Dilma pela importância da continuação de um projeto de tudo que Lula conseguiu fazer nesses oito anos e que temos de preservar. O nome da Dilma é o que vai permitir a manutenção da expansão, do aumento do salário mínimo. Permitirá também o aumento do emprego, porque no próprio ABCD, se a gente for lembrar na época do Fernando Henrique Cardoso, tínhamos três cidades do ABCD de desempregados, isto é, se somássemos todos os desempregados. Agora temos duas. Ainda tem muita gente desempregada, mas em um governo que se preocupou em gerar emprego. São 10 milhões de empregos novos no Brasil todo, com carteira assinada e tudo o mais. Acreditamos também no (papel positivo) Bolsa Família, as conquistas do crédito para todas as classes sociais. Não adianta os partidos de oposição (protestarem), a gente sabe que eles acham horrível, que eles criticam, que acham esmola.

ABCD – É o confronto de dois projetos, que a atual crise internacional atualizou?
MARTA
– Acho que não só atualizou, mas mostrou como cada partido lida com a crise. O que fez o Lula com a crise? Aumentou recursos para o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que é infraestrutura e gera emprego para mão-de-obra com pouca qualificação. Aumentou o número de usuários do Bolsa Família e também o valor do Bolsa Família. Por que? Porque são pessoas que não vão colocar o dinheiro no banco. Vão comprar comida e um tênis novo para a criança. Isso é a economia girando e o emprego mantido. Lula diminuiu o IPI (Imposto sobre Produção Industrial), para os veículos. Para cá teve uma repercussão muito boa, mas também para o Brasil todo. Reduziu o IPI para a linha branca (geladeiras, fogões e máquinas de lavar) e agora o (programa) Minha Casa, Minha Vida. São ações muito concretas, que permitiram que a economia mantivesse o giro. Ao mesmo tempo, vemos o que o governo do Estado de São Paulo fez. Contingenciou (reteve os recursos) todos os projetos sociais. Em relação aos carros, só agora reduziu o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviço). Demorou! Só deu resposta por causa da pressão. Fico perguntando: onde estão os investimentos da Nossa Caixa, os investimentos do governo de São Paulo? São Paulo é o Estado mais rico do Brasil. O que poderia estar fazendo? Na Educação você só vê esse vexame que nós paulistas temos de enfrentar, de estarmos em uma posição horrorosa no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Na Saúde, só vemos escândalos, de falta de atendimento. O Transporte, não vou nem falar. São 16 anos de tucanato em São Paulo. O metrô começou, no final dos anos 1960, junto com o da Cidade do México, que hoje tem uma rede com 240 quilômetros, enquanto o de São Paulo tem apenas 60. E isso foi construído antes de os tucanos entrarem.

ABCD – Inclusive o metrô não chegou até agora no ABCD. O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, está defendendo a vinda do metrô para a Região.
MARTA
– É uma atitude muito importante que o prefeito assuma a liderança nisso. Porque o governo do Estado precisa ter a percepção da importância que é o Consórcio Intermunicipal.

ABCD – Entre 2001 e 2004, a senhora governou a cidade de São Paulo e trabalhou com o então prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), que foi o idealizador do Consórcio Intermunicipal. Como a senhora vê essa experiência de integrar as sete cidades?
MARTA
– Sempre disse que o Consórcio Intermunicipal foi uma coisa pioneira. A Região deve isso, ao menos, a ele. Aqui teve um prejuízo grande com falta de autonomia e de recursos alocados pelo governo do Estado, que sempre foi muito centralizador em relação ao ABCD. Isso acabou diminuindo a importância que o Consórcio poderia vir a ter. Fiquei muito triste quando soube sobre o recurso que enviei à Região, quando era ministra, em 2007, R$ 400 mil para fazer um projeto para o turismo para o ABCD. Por não fazerem o projeto, deixaram de receber os R$ 2 milhões que estavam liberados.

ABCD – Como avalia a reunião de mulheres que a senhora organizou semanas atrás com a ministra Dilma Rousseff, para começar a conversar a proposta de a ministra disputar no ano que vem a Presidência da República?
MARTA
– Ela convenceu as mulheres. Quando se tem a possibilidade de um contato com a Dilma percebe-se uma mulher com preocupações que nós mulheres temos, que são diferentes das dos homens. Não somos melhores nem piores. Somos diferentes e pagamos um preço muito alto por isso que foi de termos ficado alijadas do poder. Nos mantivemos centenas de anos cuidando de crianças, de doentes, dos idosos, com a capacidade de “costura” que uma mulher tem dentro de casa, de articular, de conversar, de ser a intermediária, características muito femininas. Mas nos custaram um preço, que foi ficar dentro de casa. Quando fomos para a rua, tivemos de mudar um pouco o jeito. Mas a maioria tem isso ainda porque ainda sobrou muita coisa nas costas da mulher. Essa delicadeza e sensibilidade, a Dilma tem. Ela cativou muito pela competência e conhece muito o Brasil. Ao mesmo tempo, elas perceberam que pode ser uma pessoa muito sensível. Isso no jornal, não aparece. Aparece ela falando do PAC.

ABCD – Seu nome é apontado como um dos prováveis para disputar o governo do Estado. Agora surge a proposta de lançar o nome do ex-ministro e deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE). Como a senhora vê essa chegada do Ciro em São Paulo?
MARTA
– Não temos de começar a discutir nomes, mas partidos. Nesse sentido, o PSB, em especial, em São Paulo, apoia o Serra. Aqui no ABCD, o (William) Dib apoia  o Serra com tudo, não tem subterfúgio. Então, você põe o Ciro, que é uma pessoa interessante, como candidato, mas como é que faz com o partido? Fora que o PT tem candidatos muito bons. Não descarto, mas acho que temos de considerar a força que o PT tem no Estado e, mais que tudo, os partidos. Como é que fica o PSB? Fazemos o que com o Dib e os outros que apoiam o Serra?

Marta Suplicy ‘light’, mas ainda Marta

Beto Silva do Diário do Grande ABC

A ex-ministra e ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy vive uma fase tranquila. Em suas próprias palavras, está num momento “light”. Mas esse período “à vontade”, “leve”, “sem tensão”, não evita que mantenha sua característica de frases polêmicas e de críticas aos adversários. Ela ainda é Marta.Os principais alvos da petista são o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), virtual candidato tucano à presidência em 2010, e o prefeito paulistano, Gilberto Kassab (DEM), adversário na corrida pelo Paço da Capital no ano passado. Sobre Serra e PSDB, é taxativa: “São maus administradores.” Quando analisa a gestão do democrata, é categórica: “Não faz nenhum enfrentamento.” Em campanha declarada em prol da candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), à sucessão do presidente Lula, Marta afirma que tentará um cargo eletivo no ano que vem, mas ainda não decidiu se ao Senado ou à Câmara Federal. Ao mesmo tempo, diz não estar “nem aí” para sua candidatura.”Não tenho de ter preocupação em ser conhecida”, observa a famosa petista. Entretanto, ao contrário de Marta, Dilma precisa expor sua imagem ao eleitorado brasileiro. Essa é uma das missões da ex-prefeita, que terá o papel de disseminar “a fibra da nossa candidata”.

Em entrevista exclusiva ao Diário, Marta Suplicy fala também dos desafios do País para os próximos anos, nos acordos políticos para garantir a continuidade do PT no governo federal e da receita para que seu partido conquiste pela primeira vez na história o comando do Palácio dos Bandeirantes em 2010.

DIÁRIO – Já decidiu se disputará a eleição do ano que vem?
MARTA SUPLICY – Vou disputar, só não sei para qual cargo: senadora ou deputada federal. Para o governo do Estado apoio o (deputado federal Antônio) Palocci (PT-SP). Vai depender da conjuntura, do partido e da candidatura majoritária (à presidência), que é a que estou mais interessada, pois a prioridade é a Dilma. Acho que nunca tive isso na vida, ter a oportunidade de escolher.

DIÁRIO – Mas essa indefinição é melhor ou pior?
MARTA – Não penso assim. Na verdade estou me sentindo tão light. Estou me dedicando a fazer a campanha da Dilma no Interior (de São Paulo). Tem certas coisas que uma mulher expõe melhor do que os homens. Estou me sentindo confortável em fazer isso. A maioria aos companheiros partidários falam mais em conjuntura econômica, projetos estruturantes, eu falo em continuação do projeto Lula por meio de uma mulher diferente como a Dilma. O presidente sabe que teve uma questão peculiar, de entender que é uma mulher com perfil totalmente diferente que pode fazer a diferença no Brasil de hoje. Ela tem uma história, lutou contra a ditadura, tem uma vida pessoal interessante, uma mulher que tem posição de luta, é de esquerda. E ao mesmo tempo é completamente diferente dele, porque é mulher, tem outra formação, outra cultura, outro preparo. Está preparada para o futuro, para o século 21. Porque daqui a 30 anos não estaremos mais trabalhamos do jeito que a gente trabalha. A Dilma tem a competência de vislumbrar esse novo rumo.

DIÁRIO – A sra. parece estar mais à vontade trabalhando em bastidores do que na linha de frente, como executora…
MARTA – Estou mais à vontade, não estou tensa. Não sou candidata, não estou sob pressão. Estou leve, não tenho greve para resolver, não tenho de solucionar o trânsito, não estou respondendo por um cargo. Estou do jeito que sou. Espero que isso dure até março, porque depois vai haver dedicação maior à política.

DIÁRIO – Como ‘vender” Dilma à população no pleito?
MARTA – Qualquer candidato teria o problema de comparação com Lula, que tem uma popularidade enorme. E é o mesmo problema que a oposição enfrenta. Se ela apoia o Lula, o eleitor vai dizer: ‘por que é que vou votar num grupo que apoia o Lula? Vou votar no candidato dele”. Se não apoia o Lula, não ganha a eleição. A posição da oposição é muito difícil. Uma mulher como a Dilma tem espertezas. Quando saiu do hospital e foi indagada sobre a peruca (a ministra passa por tratamento de um câncer linfático), ela disse: ‘uma peruquinha básica!”. Essa é a fibra da nossa candidata que tem de ser mostrada. Meu papel é disseminar isso. Tenho de mostrar outra Dilma que o Brasil pode ter como presidente, que é fantástica. Temos de chegar com uma competência dessas, mas com a sensibilidade para sofrimento, para dor, e a Dilma tem isso.

DIÁRIO – Esse esforço pessoal para eleger Dilma presidente pode atrapalhar sua candidatura?
MARTA – Não estou nem aí com a minha candidatura (risos). Não tenho de ter preocupação de ser conhecida. Tenho de decidir a que cargo concorrerei. A partir daí, vou para televisão e quem vota em mim vota e quem não vota, não vota. Mas se for ma governadora é diferente.

DIÁRIO – Para o governo do estado, o Lula já falou em Palocci, agora Zé Dirceu fala em apoiar o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE). O PT está sem rumo nesse momento?
MARTA – Não. Temos de aguardar o Palocci ser uma questão concreta. Depois temos de aguardar a posição pessoal dele e acatar a mudança de conjuntura. A candidatura do Ciro apareceu do nada. A gente está falando de um nome e esquecemos do partido PSB, que em São Paulo apoia o Serra. Como teremos candidato nessas condições? Se conseguir que o PSB seja enquadrado por uma candidatura da Dilma, agregando outras forças, acho que o PT pode até considerar. Mas me parece distante.

DIÁRIO – O que tem de ser feIto para ganhar o governo do Estado?
MARTA – Uma coisa que o Ciro faria bem (risos). Desconstruir o mito de bom gestor do PSDB, que é muito mau administrador. Se formos ver o transporte, não evoluiu do jeito que poderia. Na Habitação, com o poderio econômico do Estado não houve avanço. Em menos de dois anos o Serra teve três secretários de Educação. No desenvolvimento da indústria, não houve nenhuma ação contundente para incentivar a permanência o setor produtivo no Estado. O Rodoanel, uma bela proposta, só saiu do papel quando o governo federal entrou com recursos. Em São Paulo tem de fazer as melhorias.

DIÁRIO – Divulgar cargos e salários na internet tem de fazer?
MARTA – Não sou contra isso. Acho que saber quanto as pessoas ganham é um serviço público. No Senado seria melhor ainda.

DIÁRIO – O PMDB pode ser o grande fiel da balança, tanto na eleição de âmbito federal quanto a estadual?
MARTA – Pode. O peso do PMDB é fundamental. Temos de mantê-lo como aliado nacional. Já em São Paulo, é ruim não termos o PMDB. Aqui o PT é mais fechado e essa permanência de poder do PSDB, aliada à Prefeitura paulistana, coloca mais dificuldade ainda para termos esse partido conosco.

DIÁRIO – Qual sua análise do governo Kassab?
MARTA – Na primeira gestão Serra-Kassab (prefeito e vice da Capital, 2007- 2008), poderia ter organizado muita coisa, principalmente na área de transporte. E quando vejo o nada que foi feito e o trânsito que o cidadão enfrenta, fico muito triste. Fizemos corredor de ônibus, chegamos ao bilhete único e agora regredimos. Não há gestão, o trânsito não flui, a CET não conversa com a SP Trans e não há controle. É uma incompetência muito grande, porque há recurso. É um governo que não faz enfrentamento. Quando se faz corredor de ônibus, existe dificuldade. O comércio reclama, causa transtorno. E aí, para eles, é melhor não fazer.

DIÁRIO – E sobre a atual situação do Senado, que apresenta uma polêmica atrás da outra?
MARTA – Acho muito triste, porque vai criando um desapontamento da população em relação à instituição. Que é muito mais grave se fosse contra as pessoas. Hoje vemos os cidadãos desiludidos com a política, sentido-se impotentes, com raiva. As ações de transparência ajudam a diminuir os erros. A rotatividade de cargos importantes, como diretor-geral por exemplo, já evitaria a formação de relações escusas. Com mudanças podemos ter esperança de um Senado melhor.

DIÁRIO – A sra. teme a candidatura de Dilma fracasse e o adversário assuma Brasília?
MARTA – Tenho a percepção que o Brasil pode ir para trás se isso ocorrer. Se analisar o que o Serra discursa, é sempre a mesma coisa: vamos melhorar o que já existe. Como ele não fala. As diferenças de atuação do PT e do PSDB diante da crise também têm de ser mostrada. O Lula manteve os investimento do PAC, aumentou o número de beneficiados e o valor do bolsa-família, tirou o IPI dos carros e da linha branca de eletrodomésticos, aumentou a massa salarial por meio do aumento do salário mínimo e agora lançou o programa Minha Casa Minha Vida. O que o PSDB fez? Contingenciou o social e disse que continuou a aplicação dos recursos do Metrô. A redução do ICMS que lhe competia só ocorreu há pouco tempo. Foram duas propostas para enfrentar a crise muito claras.

21/06/2009 - 11:11h Vice de Requião flerta com Dilma e Serra para 2010

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Orlando Pessuti, pré-candidato do PMDB ao governo do Paraná, busca apoio para suceder atual governador

Evandro Fadel, CURITIBA – O Estado SP

O vice-governador do Paraná, Orlando Pessuti (PMDB), candidato declarado à sucessão do atual governador do Estado, Roberto Requião (PMDB), disse flertar com o PT e com o PSDB para compor alianças e criar palanques para a corrida eleitoral do ano que vem. Ele não esconde a preferência pela pré-candidata petista, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, mas afirma ter mantido contatos com o chefe da Casa Civil do governo paulista, Aloysio Nunes Ferreira, que tem buscado apoio à possível candidatura do governador tucano José Serra.

O vice de Requião buscou reforçar a presença de Dilma no Paraná em contatos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Atualmente, o PT tem pouca receptividade no Estado e um palanque limitado. O partido nunca conseguiu eleger o prefeito da capital, Curitiba, dominada pelo DEM e pelo PSDB. Tampouco obteve votação expressiva em nível estadual para o cargo de governador. Uma aliança abriria a possibilidade de crescimento da legenda no Paraná.

Sobre um possível acerto com os tucanos, Pessuti esbarra na forte aprovação do prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), reeleito para o cargo com ampla margem de votos. Richa não assume a pré-candidatura para o governo do Paraná, mas seu nome é cogitado para suceder Requião, ao lado do senador Álvaro Dias (PSDB), que já colocou seu nome à disposição do partido. “A dificuldade é grande porque temos dois bons candidatos”, disse o presidente do PSDB no Paraná, o deputado estadual Valdir Rossoni.

A luta do vice de Requião para reunir forças para 2010 tem alvo definido. É o senador Osmar Dias (PDT), que já articula um projeto de governo para o Paraná. Pesa ainda o fato de que Osmar tem experiência em disputas pelo governo do Estado. Ele perdeu a última eleição para Requião por apenas 10 mil votos.

Osmar Dias, que é irmão do tucano Álvaro Dias, licenciou-se da presidência regional do PDT para se dedicar a reuniões pelo Estado. “Estou com minha candidatura na estrada e não tenho como recuar”, afirmou. O nome de Osmar é bem aceito por lideranças petistas. “Houve uma aproximação grande”, afirmou o senador. “As conversas com o PT avançam na mesma velocidade da candidatura própria do PSDB.”

“É um nome bem posicionado”, afirmou a presidente do PT no Paraná, Gleisi Hoffmann, mulher do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. “O PDT faz parte da base do governo, sempre foi nosso aliado e agora busca uma reaproximação, por isso não é nenhum absurdo um apoio”, disse.

Apesar do cenário positivo para uma candidatura de Osmar Dias, será preciso uma definição rápida do PSDB. O senador não admite que haja uma disputa familiar com o irmão e colega de senado. “Gostaria de uma definição até agosto”, disse Álvaro.

DEBATE FRUSTRADO

A primeira tentativa de reunir os postulantes ao governo do Paraná partiu do próprio governador, Roberto Requião. Ele propôs, em convite, um debate a ser transmitido pela TV estatal, a Educativa, que está sob seu controle.

A intenção, porém, foi frustrada. Apenas seu vice, Orlando Pessuti, e Álvaro Dias toparam de imediato. O senador Osmar Dias e o prefeito Beto Richa (PSDB), não aceitaram participar.

Sabendo que suas propostas nem sempre são vistas com bons olhos pelos adversários políticos, Requião tratou de esclarecer o convite. “Esse programa não é nenhuma armadilha”, assinalou. Segundo ele, o objetivo seria “dar outra dimensão à política do Paraná”.

Álvaro Dias disse que está disposto ao debate entre todos ou com apenas um, e que aceita participar também de uma entrevista individual. “Mas sem qualquer vinculação com candidatura”, salientou.

Mas, de acordo com a assessoria de Richa, o convite fala em “pré-candidatos ao governo”. E o prefeito de Curitiba justificou a recusa dizendo que em nenhum momento apresentou-se como candidato.

Já Osmar Dias acentuou que ainda não é o momento para se fazer debate político. “Se for uma entrevista sobre qualquer tema, posso ir”, dispôs-se.

Mas ele, que está entre os adversários mais aguerridos de Requião, ressaltou a importância do convite. “Fico feliz que a televisão esteja se abrindo para todas as pessoas. Deveria ter sido assim sempre”, disse. Até agora, a TV Educativa é vista pelos adversários como propriedade do governo.

18/06/2009 - 12:54h Bancada paulista do PT resiste a Ciro

estrela_sobe2.jpgWilson Dias/ABr – 9/9/2008

Deputados estaduais fecham posição em favor da candidatura própria da legenda ao Palácio dos Bandeirantes

 

Clarissa Oliveira, Elder Ogliari e Roberto Almeida – O Estado SP

Em meio à crise que se abriu no PT paulista, a bancada do partido na Assembleia Legislativa engrossou ontem o coro contra a possibilidade de apoio a uma eventual candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) ao governo estadual. Reunidos na manhã de ontem, os deputados fecharam posição em favor da candidatura própria do PT ao Palácio dos Bandeirantes.

A decisão dá caráter formal às reações que surgiram no partido nos últimos dias. “Constrange um pouco o PT a ideia de importar um candidato para uma eleição tão importante”, afirmou o deputado estadual Simão Pedro, ex-líder do PT na Assembleia. Segundo o deputado Roberto Felício, petistas já planejam elaborar um novo documento em defesa da candidatura própria, para se somar a uma resolução aprovada pelo Diretório Estadual em abril. “Já me comprometi a assinar.” Para manifestar a posição, a bancada escolheu o momento em que se reunia com o prefeito de Osasco, Emidio de Souza, que já anunciou sua pré-candidatura.

Favorito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a vaga, o deputado Antonio Palocci (PT-SP) esquivou-se de comentar ontem a possível candidatura de Ciro. “Os nomes ventilados são bons, mas ainda é muito cedo para falar nisso, falta mais de um ano para a eleição”, disse, num seminário em São Paulo.

Já Ciro aproveitou uma visita a Porto Alegre para classificar como “fofoca” a possibilidade de sair candidato no Estado. Mesmo assim, não fechou as portas para a proposta. O parlamentar se disse “obrigado a pensar num assunto que jamais esteve em cogitação”.

Para explicar o lado “fofoca” da questão, afirmou que a possibilidade é ventilada por um grupo, que não identificou, “claramente interessado” em tirá-lo do caminho. Sobre o fato de pensar no assunto, disse que há pessoas que, de boa-fé, acreditam que sua candidatura ofereceria uma alternativa a um projeto que “cansou”.

Ciro citou como integrantes desse grupo o presidente do PSB paulista, Márcio França, e os deputados Aldo Rebelo (PC do B), Paulo Pereira da Silva (PDT) e Cândido Vaccarezza (PT). Indagado sobre a possibilidade de ser convencido, emendou: “Quando eu penso, sempre posso ser convencido, depende do mérito da ideia, mas estou falando em tese”. Sobre a sucessão nacional, Ciro foi bem menos evasivo. Sustentou que deve concorrer à Presidência em 2010 como aliado de Lula. Segundo ele, no quadro atual, a tendência é que as forças favoráveis a Lula percam a eleição. Para reverter a situação, acredita, há necessidade de duas candidaturas do mesmo campo.