10/10/2008 - 15:55h A palavra de Marta

Candidata estabelece seu compromisso com São Paulo

foto: Luciano Andrade.  Marta, Dilma Rousseff, Carlos Luppi e Luiz Dulci

Quero agradecer de todo o coração a cada um dos mais de dois milhões de paulistanos que me deram sua confiança no primeiro turno destas eleições. E de tudo vou fazer para estar à altura deste apoio firme e caloroso.

Tenho certeza de que cada um desses votos vai se confirmar no próximo dia 26. Mas peço ainda um pouco mais a todos vocês: vamos trabalhar juntos, com garra e vitalidade, para que novos votos venham se somar aos nossos, no caminho para a vitória.

Nesses poucos dias que faltam para o momento decisivo, quero me comprometer com a população de São Paulo de que continuarei a fazer uma campanha sem ataques pessoais. Meu propósito é apresentar e debater propostas capazes de melhorar a vida de nosso povo.

Minha agenda vem desde o meu primeiro mandato. Com as coisas boas que fizemos na educação, nos transportes, na habitação, na saúde, na cultura e em nossas demais áreas de atuação. Até mesmo nossos tropeços, que reconheço com humildade, nos deram ensinamentos.

Depois da desastrosa experiência que atormentou São Paulo, ao longo da gestão de Celso Pitta, entendi que, para enfrentar o imenso desafio de reconstruir São Paulo, era necessária a união de todas as forças vivas da cidade. O apoio que recebi de Mário Covas e do PSDB, no segundo turno das eleições municipais de 2000, me fez ver que a união era possível e que poderíamos realizar um governo de reconstrução com a participação de todos. Isso só não se concretizou, na dimensão pretendida, por atropelos do processo das eleições presidenciais que se avizinhavam.

Mas em 2002, em sua Carta ao Povo Brasileiro, o então candidato Lula convocou o espírito da parceria e do consenso, assumindo compromissos que respondiam com clareza à vontade de união e mudança. Espírito e compromissos que dariam, em seguida, a marca de sua ação governamental. De que foi exemplo maior, desde logo, a criação do Conselho Econômico e Social, reunindo representantes de todos os setores sociais – para começarem juntos, sob a presidência de Lula, a construção de um novo caminho nacional.

Por esse caminho, o Brasil reencontrou o rumo do crescimento, da superação da dependência do FMI, da diminuição da pobreza, da geração de emprego e renda, da promoção da ascensão social e da ampliação de oportunidades educacionais para jovens de baixa renda. O avanço foi possível – e sensível – porque a disposição do presidente, no combate à desigualdade, se firmou na convergência do esforço de todos.

Não estou na disputa política para dividir. Mas, sim, para unir e construir. Não virão de mim apelos ao ódio, à destruição ou à rejeição de adversários. O que farei será mostrar com firmeza, ao povo de São Paulo, a alternativa que represento para a cidade. Seu voto indicará o destino que se deseja. E vou me empenhar para que tal destino coincida com o caminho que o presidente Lula traçou para o país.

Como primeiro passo no sentido da união de São Paulo, assumo aqui o compromisso de, se eleita, constituir um Conselho da Cidade. Um conselho de representantes de todos os segmentos da população. Das entidades representativas da sociedade civil, dos empresários e dos sindicalistas, do comércio e da universidade, das igrejas, da cultura, do esporte e dos usuários dos serviços públicos. Com um só objetivo: realizar uma cruzada – e canalizar o esforço de todos, a fim de enfrentar as questões mais cruciais do município, a começar pelo transporte coletivo.

Tenho apoio do presidente Lula para, na articulação das três instâncias de governo, construir 228 km de corredores de ônibus e 47 km de metrô, nos próximos quatro anos. Para, assim, dar um salto de qualidade na vida paulistana, superando um problema crítico que vem prejudicando fortemente a economia urbana e a saúde da cidade e do cidadão. E assim como, para combater a segregação dos mais carentes, o metrô deve chegar a mais lugares da periferia, me comprometo a não criar qualquer pedágio urbano, que atingiria em cheio os menos privilegiados, sem resolver o problema do trânsito, como já ficou demonstrado em grandes cidades do mundo.

Quero também assumir uma nova atitude na questão tributária. Os níveis recordes de arrecadação da prefeitura permitem um amplo programa de incentivos à produção e ao empreendedorismo, tão forte em nossa capital, com desoneração dos impostos municipais e desburocratização dos procedimentos. E reafirmar meu compromisso de isentar os profissionais liberais autônomos do pagamento do ISS.

Com a união de todos os setores sociais, poderemos projetar São Paulo na era digital. Segmentos empresariais da área de informática já manifestaram interesse em participar do programa de acesso gratuito à internet banda larga em nossa cidade. O governo federal assinou convênio para equipar, com esse fim, 800 escolas municipais. E pretendo combinar esta ação com investimento em qualificação profissional no espaço dos CEUs, que, com a construção de mais 20 unidades, irão configurar a Rede-CEU.

Uma outra ofensiva do governo de união por São Paulo deverá se desenvolver no campo da saúde, diante da realidade da falta de médicos e de atendimento em especialidades. Venho propondo a criação de 31 policlínicas na cidade, uma em cada subprefeitura. E quero agora incorporar, ao desenho dessa rede, a proposta de criação de centros de atendimento aos idosos, apresentada pelo candidato Geraldo Alckmin.

Para finalizar, quero dizer que, para governar São Paulo e superar a crise que estamos vivendo, será fundamental a mobilização de nossas melhores energias. A coragem de ousar e inovar, combinando planejamento e imaginação. Generosidade e rigor.

São Paulo precisa crescer. Mas crescer com inclusão social. Crescer em benefício de todos. E é para isso que a todos convoco, no sentido da construção de um governo de união por São Paulo. Um governo voltado para construir uma cidade melhor, mais forte e mais justa.

25/09/2008 - 09:38h Folha edita Marta

A Folha SP traz como chamada de capa sobre a sabatina de Marta: “Metrô sai das promessas de Marta, e ônibus entra”.

Jogo de palavras para propalar uma inverdade. Desde o primeiro dia em que foi apresentado o tema do transporte, no seminário com Dilma Rousseff sobre mobilidade urbana ou no programa de governo de Marta, por exemplo, a questão da expansão dos corredores, da validade do Bilhete-Único, do congelamento da tarifa em 2009 etc. esteve presente junto com a expansão do metrô. Não foi diferente na sabatina de ontem.

Marta e o PT tem propostas para o metrô, mesmo sendo este de alçada estadual. As propostas de Marta vão além de aportar recursos, junto com o governo federal e incluem a proposta de construir mais metrô e de abranger a periferia, dobrando, para a Copa de 2014, a rede existente em São Paulo. Na sabatina Marta simplesmente afirmou o obvio, que está presente em todos os documentos e propostas: os detalhes serão discutidos e definidos na base do entendimento entre as três esferas financiadoras, União, Estado e Município.

O título inveridico da capa da Folha e reforçado pela manchete da cobertura da sabatina: “Marta admite que sua promessa para metrô depende do Estado”. Aqui a inverdade da Folha procura apresentar como admissão o que sempre esteve presente em todos os documentos, propostas, entrevistas e afirmações de Marta e do PT. A proposta de expansão do metrô implica financeiramente uma contribuição de R$ 400 e poucos milhões por ano da prefeitura e da União e R$ 1 Bi do Estado. O que Marta disse é que o governador não recusará a proposta pois não vai desdenhar tamanha parceria financeira. A Folha pretende que Marta “admite” o que sempre ela apresentou e defendeu.

No lide da matéria a Folha pretende ainda que Marta repete promessa de Kassab sobre o congelamento da tarifa de ônibus em 2009. Os leitores deste blog já devem ter sacado, é o contrário que é verdadeiro: Kassab negociou com as empresas de ônibus o adiamento do aumento da passagem para novembro, como a própria Folha noticiou. Marta assumiu o compromisso de congelar a tarifa em 2009. Kassab então, copiou. Como copiou, só que mal, o aumento que Marta propôs de validade do Bilhete-Único para três horas (ele excluiu o Vale-transporte e os estudantes).

Por último a Folha volta a questionar, sem fundamento, os dados sobre o número de quilômetros de corredores feitos na administração Marta. Desta vez, pelo menos, ela fornece as explicações que mostram que Marta construiu mais de 100 Km de corredores (e, acrescento eu, Kassab pouco mais de 8 km).

Em relação ao “Cidade limpa” a manipulação tomou a seguinte forma: “Houve, no entanto, elogios da ex-prefeita à Lei Cidade Limpa, que retirou outdoors das ruas, entre outras medidas. “A cidade ficou mais bonita. Foi um grande progresso. Foi muito difícil fazer chegar onde chegou. Qualquer flexibilização é complicada. Mas vejo a Cidade Limpa como uma amplitude diferente”, afirmou Marta, citando o atraso dos investimentos das concessionárias responsáveis pela coleta de lixo.”

Marta falou outra coisa, dizendo que cidade limpa não é só tirar outdoor e sim retirar o lixo da favela (ver Folha sabatinou Marta) o que não é feito (não é que está atrasado e sim foi anulado por Kassab), coleta seletiva, centrais de reciclagem, aterros. Ou seja, Marta criticou Kassab, mesmo afirmando que foi bom tirar os cartazes e que ela manterá esse aspecto também, a Folha omite.

A edição feita pela Folha não surpreende os que acompanham a evolução do jornal.

Luis Favre

MARTA SUPLICY

Marta admite que sua promessa para metrô depende do Estado

Ex-prefeita afirma que decisão sobre novas estações requer “bom senso do governador”

Lalo de Almeida/Folha Imagem
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Marta Suplicy na sabatina da Folha, ontem

A CANDIDATA do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, 63, admitiu ontem em sabatina da Folha que, a despeito de sua propaganda prometer insistentemente metrô em pontos específicos do município, a decisão de como, onde e quando novas estações serão construídas dependerá do “bom senso do governador”. Sabatinada pelos jornalistas Rogério Gentile (editor de Cotidiano), Nilson Camargo (editor responsável do jornal “Agora”), Mônica Bergamo e Gilberto Dimenstein (colunistas da Folha), Marta repetiu a promessa do atual prefeito e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM), de não aumentar no ano que vem a tarifa de ônibus da capital, hoje em R$ 2,30.

DA REPORTAGEM LOCAL - FOLHA SP EM SÃO PAULO

Na TV e no rádio, Marta promete levar o metrô a bairros como M’Boi Mirim, Vila Nova Cachoeirinha e Sapopemba, mas, ontem, afirmou que tudo dependerá da palavra final do governador José Serra (PSDB).

METRÔ
“Quando fui prefeita [2001-2004], obtivemos recursos com a Operação Faria Lima, uma operação urbana, mas só poderíamos usar o dinheiro na região. Procurei o [então] governador [Geraldo] Alckmin, mas não tinha projeto pronto para o largo da Batata, para onde o dinheiro poderia ir, então não foi colocado. [Local de construção de estações] é uma questão de bom senso. Não faço disso um cavalo de batalha, porque quem vai decidir é o governo do Estado. A prefeitura e a União vão levar R$ 1 bilhão. O metrô, em 14 anos, não teve investimento adequado com o PSDB. Desses 14 anos, 8 anos eles foram governo federal e 8 anos foram prefeitura. E investiram pouco.
Acredito que temos agora que agilizar. Vamos conversar com o governador, que não vai mandar passear R$ 1 bilhão. O importante não é a questão do recurso, são os planos.”

TARIFA DE ÔNIBUS
“Eu acho que é possível não aumentar [em 2009]. E banco mais: “Recarregar na catraca, na catraca, na catraca” [cantando o jingle de campanha], porque essa foi uma maldade, uma perversidade o que fizeram.” A gestão Kassab proibiu o usuário de recarregar o bilhete único na catraca dos ônibus sob alegação de haver fraudes.

PEDÁGIO URBANO
“É o contrário do que eu penso. Acho que pedagiar o centro vai privilegiar pessoas com mais recurso. Acho que temos que investir como eu investi na minha gestão, num transporte de qualidade, rápido, barato e com bilhete único.”

ATUAL GESTÃO
“O presidente tem sido muito republicano na distribuição de seus recursos. Só que o atual prefeito não utiliza os recursos.
O recurso do Samu [ambulâncias] não foi utilizado. Ficou no banco. O recurso do Projovem, que é um programa de qualificação, também não foi usado.”
Além de repetir que os adversários copiam suas propostas, ela criticou medidas do prefeito, Gilberto Kassab (DEM). “Outra coisa que digo que me deixa indignada é o bilhete [único] ter três horas. Sabe o que descubro? Que essas três horas [para usar o bilhete único pagando uma passagem] não vale para estudante nem para vale-transporte. É lindo, [Kassab] vai à televisão e fala que são três horas. O povo que não é estudante ou que não usa vale-transporte acha que é para todo mundo. É tudo assim, a mesma coisa eles fazem com a saúde.”
Houve, no entanto, elogios da ex-prefeita à Lei Cidade Limpa, que retirou outdoors das ruas, entre outras medidas.
“A cidade ficou mais bonita. Foi um grande progresso. Foi muito difícil fazer chegar onde chegou. Qualquer flexibilização é complicada. Mas vejo a Cidade Limpa como uma amplitude diferente”, afirmou Marta, citando o atraso dos investimentos das concessionárias responsáveis pela coleta de lixo.

INTERNET GRÁTIS
Marta defendeu seu projeto de dar internet grátis. “Acho que o que estamos propondo é concreto e de bom senso.
Quando a gente chega com alguma proposta que eles [adversários] não pensaram, eles desqualificam. O povo não é bobo, o povo percebe isso. E o povo tem lembrança de como era a prefeitura quando eu peguei, o que a gente conseguiu fazer com tão pouco recurso. A criatividade que nós tivemos, a determinação para chegar ao bilhete único, a inovação que foi o CEU, com toda a oposição que o DEM e o PSDB fizeram.”

EDUCAÇÃO
“A grande conquista do nosso governo na educação foi colocar quase um consenso na sociedade civil de que a educação não é só matemática, português e geografia, também tem que ser complementada com acesso a esportes, lazer e cultura. O desafio da qualidade é gigantesco. Nossa proposta é criar um centro de formação continuada para o professor. O que menos ajuda o professor é ficar em várias escolas. O maior passo que podemos dar, e é tão revolucionário quanto o CEU, é dar condição para o professor ficar numa escola só.”
Ao falar de creches, Marta evitou estipular metas. “Vamos construir nova creches, depois aumentar os convênios, depois fazer o ProUni das crianças, igual Lula fez com os universitários que não podiam pagar faculdade. Vai ser o pró-criança”, disse ela sobre o projeto pelo qual promete pagar para usar vagas de creches particulares.

SAÚDE
Marta citou a saúde, ao lado do trânsito, como o principal problema da cidade. “A crise da saúde não atinge a classe média. Quem usa serviço público sabe que a propaganda que está na televisão é enganosa. Quem não usa, fala: “Puxa, que bom, remédio em casa”. Sabe quanto remédio em casa é distribuído? Não chega nem a 15 mil. Agora, se eu não uso o serviço público, eu fico impactada com isso.
[Quando assumi], a situação da saúde não era igual à da educação. A educação era situação de abandono. Na saúde, gente, não pode esquecer. Eu tinha o PAS. Esqueceram o que era o PAS? Começamos a municipalização, a recuperação dos hospitais. Tenho muito orgulho de dizer que São Paulo não tinha um Programa de Saúde da Família, recebemos 200 do Estado, fizemos 600, deixamos a cidade com 800 equipes, a maior do Brasil.” Marta aproveitou para acusar a atual gestão de não fiscalizar as parcerias feitas com fundações de saúde que cuidam das AMAs de Kassab.

LULA
“Muitas propostas que o governo federal desencadeou foram iniciadas aqui. O próprio Renda Mínima, que teve todo o aporte de experiências já acumuladas do senador [Eduardo] Suplicy, depois foi para o governo federal. E não é só a popularidade do presidente, é também o que o presidente transmite como o que ele quer para o Brasil. Não é só em relação à questão social. O Brasil hoje é o país dos emergentes que mais investe em tecnologia. Há uma política desenvolvida nacionalmente para o Brasil dar um salto tecnológico. E eu já tinha feito. Criamos os telecentros em São Paulo já pensando que a cidade tinha que ter mais acesso à informática.”
Ela aproveitou o tema para criticar Kassab. “São Paulo não está acompanhando esse salto que o Brasil está dando em tecnologia. Vamos fazer um centro tecnológico de ponta em São Paulo para ser como é o Vale do Silício, nos EUA, ou Bangalore, na Índia. A América Latina não tem. E eu já estou conversando com as organizações internacionais. E todo mundo apóia. Agora pergunto a você: em quatro anos, não se percebeu na cidade que o Brasil estava caminhando nessa direção?”


Assista ao vídeo da sabatina
www.folha.com.br/082685

Petista aponta descontrole na terceirização da saúde; Promotoria a acusa do mesmo erro

FLÁVIO FERREIRA
DA REPORTAGEM LOCAL

Marta Suplicy acusou ontem a atual administração de não realizar um controle sobre as entidades privadas que gerenciam unidades de saúde municipais, mas o Ministério Público diz que as instituições também não foram fiscalizadas durante a gestão da petista, de 2001 a 2004.
Ao falar sobre a terceirização na saúde, Marta disse que as “entidades não estão tendo transparência e o controle social devido. Os recursos vão para lá [instituições], mas não estão tendo controle nenhum”.
A ex-prefeita foi responsável pela transferência da gerência de equipes e unidades do PSF (Programa Saúde da Família) para instituições privadas em 2001, por meio de convênios.
Os acordos previam que a administração faria repasses de recursos às entidades, que, em contrapartida, deveriam cumprir metas de atendimento médico e prestar contas das verbas públicas utilizadas.
Porém, não há comprovação documental de que as gestões de Marta e a atual realizaram a fiscalização sobre as instituições, segundo o Ministério Público de São Paulo. A promotora de Justiça Anna Trotta Yaryd apresentou em 2007 uma ação civil pública à Justiça para exigir que a atual administração criasse mecanismos efetivos de controle para as terceirizadas. A gestão Kassab apresentou defesa na ação na qual alega que criou órgãos internos de controles para as entidades particulares. O processo ainda tramita em primeira instância.
Procurada pela Folha após a sabatina, a coordenação da campanha de Marta afirmou que a gestão da petista fiscalizava os convênios de terceirização. “O controle de pagamentos dos convênios do PSF, quase a totalidade para a folha de pessoal, era feito a partir de dados da gestão básica, com verificação, por exemplo, de quantas pessoas estavam trabalhando, e quantos equipamentos em operação”, segundo nota da assessoria da candidata. Além disso, “foram observadas recomendações para aprimoramento da gestão feitas pelo TCM (Tribunal de Contas do Município), tanto que as contas dos quatro anos da gestão passada foram aprovadas pelo TCM e pela Câmara Municipal”, de acordo com a nota.

Corredores de ônibus
A petista também voltou a esticar o número de quilômetros de corredores de ônibus construídos na gestão dela. Ontem na sabatina ela reafirmou que fez 100 quilômetros de vias exclusivas em seu mandato.
Porém, para chegar a esse cálculo, Marta contabilizou 35 quilômetros de corredores que passaram por reformas na gestão. A direção da campanha afirmou que obras de grandes proporções realizadas em vias exclusivas que já existiam também podem ser consideradas como construções.
“Dos 39 quilômetros [de corredores] existentes quando assumiu o governo, [Marta] reformou 35 quilômetros, como foi o caso do velho e deteriorado corredor Nove de Julho, que foi demolido e reconstruído, ganhando nova estrutura de funcionamento, novas pistas, calçadas, canteiros e pontos de ônibus, num processo que resgatou a avenida. Esta intervenção é uma construção”, disse a assessoria da candidata.

22/09/2008 - 11:23h Asas cortadas

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FERNANDO DE BARROS E SILVA

Folha SP


SÃO PAULO - Com contornos de novela mexicana e ingredientes de briga de rua, a disputa entre Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab deu sinais de que saiu de controle e desandou de vez nos últimos dias, a menos de duas semanas do primeiro turno, quando um dos dois será excluído do jogo por obra do rival.

Crônica anunciada, se dirá, com razão. Mas cujo enredo, deve-se acrescentar, vai se revelando mais envenenado -degradante e degradado- do que previam no início da campanha mesmo os que já contabilizavam o desgaste de um enfrentamento que se mostrou inevitável.

Fica a sensação de que a feição raivosa assumida pelo racha demo-tucano (ou tucano-tucano, para ser exato) está a ponto de inviabilizar (ou já o fez) qualquer possibilidade de envolvimento real do perdedor contra o PT no segundo turno.

Alckmin deve ter alguma noção de que, derrotado agora por Kassab, não lhe sobrará muita opção além de abrir uma clínica de acupuntura em Pindamonhangaba.

E Serra sabe que um eventual fiasco de seu afilhado em prol do tucano representará um obstáculo a mais, entre tantos outros, a seu projeto de suceder Lula em 2010. O governador se vê entre a alternativa de esmagar Alckmin ou, na prática, ficar fora da disputa pela maior capital do país no seu próprio Estado.

Enquanto isso, Aécio amarrou o PT a si na capital mineira e deve eleger já no primeiro turno um candidato de consenso, Marcio Lacerda, coelho tirado da cartola do PSB que tem como padrinho e avalista ninguém menos que Ciro Gomes.

É ainda uma incógnita se essa “concertação” à mineira terá condições de voar além das montanhas das Gerais, apresentando-se como opção viável de poder para o pós-Lula, mas é certo que Aécio sabe alimentar sua ave de rapina na relação de ambígua cordialidade que mantém com o presidente.

E nem se falou aqui de Dilma, a cada dia que passa mais articulada com o grande capital, pronta para roubar para si a bandeira de candidata “da produção”. Pois é.

07/09/2008 - 11:03h Lula, en exclusiva con Clarín: “No existe ninguna hipótesis de que Brasil se juegue solo”

El análisis de Marcelo Cantelmi e imágenes de la entrevista exclusiva de Clarín.


“Brasil deberá ayudar a la Argentina a recuperar su industrializacion para integrarla como socia”. (En Portugués)

El presidente brasileño, montado en su voz grave y áspera, habla con tal pasión que sus respuestas parecen arengas. Hace ademanes, ríe, se levanta para sostener sus puntos. Y enciende un cigarrito de hoja divirtiéndose con el desafío a su ministro de Salud que quiere tabaco cero en los edificios públicos: “Aquí se fuma”, dice y acerca ceniceros a los periodistas. Un reportaje a este político tan peculiar es una experiencia única. Un equipo de Clarín lo entrevistó en Brasil durante bastante más de una hora con una agenda en la que no eludió ningún tema. El encuentro, el primero in extenso que da a un medio argentino desde que es jefe de Estado, tuvo una primera, inevitable, dosis de fútbol. “No hay nadie de Boca aquí, Presidente, así que podemos hablar tranquilos”, le dijimos. Lula tomó el desafío y lanzó un elogio a Argentina por los Juegos Olímpicos pero remató con un sonoro: “Yo sinceramente siento vergüenza”. Ayer siguió por la misma línea con una reivindicación encendida de Messi. Y el arquero de la selección, Julio Cesar le devolvió con pocos cuidados: “Por qué no se va a vivir a Argentina, renuncie a la presidencia”.

Hay mucho más que fútbol en estas pasiones. Pero para Lula, quien pocas horas después recibía a la presidenta argentina Cristina Kirchner, la rivalidad binacional sólo tiene que estar ahí, en el deporte. En el resto “todo lo que deseo en la vida es que Brasil y Argentina crezcan cada vez más”, dirá. Defenderá luego la posición de su país en Doha, lanzará críticas y desconfianzas a EE.UU. y aconsejará que no sirve confrontar todo el tiempo. “Cuanto menos conflictos, mejor”.

La impresión que hay en Argentina es que Brasil juega en otra liga y que sobre todo, como lo demostraría la ronda de Doha, decidió tomar decisiones autónomas.

No existe esta posibilidad. Primero porque personalmente creo, trabajo y apuesto a la integración de América del Sur y con más empeño todavía en el fortalecimiento del Mercosur. Segundo, como dije en el seminario que se hizo en Buenos Aires, es muy importante que Brasil y Argentina no se miren como competidores, sino como socios. Argentina tiene que mirar a Brasil como un mercado de 190 millones de habitantes, que tiene frontera con Argentina. No son precisos barcos y vuelos de 14 horas para exportar. Basta atravesar un puente. Lo importante es que los dos países alcanzarán este año un flujo comercial de más de 30.000 millones de dólares. Y es más: el lunes (mañana) firmaremos con la presidenta Cristina Kirchner el acuerdo que lanza oficialmente el empleo de reales y pesos en nuestro intercambio comercial. Vamos a abolir el dólar como moneda en nuestro comercio. Es importante recordar que más del 70% de lo que Argentina exporta para Brasil son productos manufacturados. Eso significa más valor agregado, más producción, más empleo. Y eso es un potencial extraordinario, porque Argentina está en un proceso de reindustrialización. En función de esa realidad argentina, Brasil tiene conciencia del papel que juega en la Ronda de Doha y de cómo combinar eso con la cooperación con Argentina para su recuperación industrial. Por eso, no existe ninguna hipótesis ni posibilidad de que Brasil se juegue sólo. Brasil tiene claridad que su relación con Argentina cuanto más armónica y más productiva sea, más contribuiremos para fortalecer el Mercosur y la integración sudamericana.

¿Por qué entonces hubo diferencias conceptuales explícitas cuando se negociaba la mayor apertura del mercado para bienes industriales en la Ronda de Doha?

No hubo diferencia de conceptos. Vea, por más que usted trabaje en un proceso de integración, sea de la Unión Europea o de América del Sur, o del mundo asiático, en algunos momentos usted tiene que tomar en cuenta la situación de su Estado nacional. No debemos ver, en nuestras divergencias, situaciones de conflicto sino situaciones de diferencias; diferencias económicas y de potencial industrial. Vea, cuando Brasil estuvo dispuesto en la Ronda de Doha a realizar un acuerdo con los términos negociados para agricultura y productos industriales, es porque el país estaba dispuesto a realizar, en el ámbito del Mercosur, las compensaciones que exigiera Argentina para no tener problemas. Esto lo conversamos con la presidenta Cristina. Muchas veces me he quedado en mi gabinete viendo las noticias de Doha (por TV) y me he sentido muy inquieto porque lo que aparece no es lo que sucedió allí. En un ambiente de negociación llega una hora en que usted acepta o rechaza, no tiene términos intermedios. Ocurre que Brasil trabajó todo el tiempo teniendo en cuenta que Doha debería tener un instrumento: favorecer a los más pobres del mundo, que dependen casi exclusivamente de la agricultura y con un mercado europeo prácticamente cerrado
para ellos. Lo que nosotros queríamos es que ese mercado se abriese un poco.

Pero la realidad es que Doha no parecía traer una gran ventaja para Argentina y Brasil

En la realidad, ni Brasil ni Argentina le deben algo a Europa desde el punto de vista de la capacidad productiva, de los avances tecnológicos en agricultura. Nosotros disputamos con ellos en cualquier situación. Pero otros países no. Lo que queríamos entonces, por un lado, un poco más de oportunidad para esos países y, por el otro, exigir que EE.UU. disminuya los subsidios. Nuestra contrapartida era flexibilizar los productos industriales en un acuerdo a 10 años y que daba el tiempo suficiente para que pudiéramos en el ámbito de la relación Brasil-Argentina hacer las compensaciones que fueran necesarias para no poner obstáculos a nuestra industrialización. Ellos son países industrializados, nosotros somos países más o menos industrializados. Brasil, en cierto modo, está mejor todavía que Argentina porque no hemos sufrido la devastación que sufrió Argentina. Nosotros entendemos que cuanto más crezca la industria argentina, más exportará Argentina para Brasil y más vamos a poder equilibrar la balanza comercial bilateral. Nosotros trabajamos siempre con la idea de que la balanza comercial debe ser una vía de dos manos: tiene que haber cierto equilibrio; uno puede tener una diferencia pequeña, un año tener déficit comercial y al siguiente superávit. Al gobierno brasileño no le interesa que haya una consumación de un superávit comercial grande a favor de Brasil. Es preciso el equilibrio y es por eso que estamos trabajando. Por eso, muchas empresas brasileñas compran empresas argentinas, incluso para exportar a Brasil lo que fuera un excedente, que Argentina no precise usar en su política de industrialización.

Hubo una versión en la Argentina respecto de la eventual renuncia de la presidenta Cristina tras la crisis por las retenciones. Se rumoreó muy fuerte en ese momento que usted intervino para que ella no renunciara ¿Es verdad?

No. No es verdad. Mire, el sentido común no me permitiría tal osadía; semejante interferencia en la política argentina. No es verdad que Cristina Kirchner me llamó y no es verdad que yo la llamé. Conversé con Cristina para prestarle mi solidaridad pero nunca tuve la imprudencia de dar ninguna impresión personal sobre la política argentina.

En febrero, usted y la Presidenta argentina firmaron un plan de acción de 17 puntos. Ahora se lanza el intercambio pesos por reales, pero todo lo demás está pendiente: obras energéticas, el acuerdo con Embraer y el Banco del Sur. Tampoco avanzó la sociedad entre el BNDES, el Banco Nación y el BICE.

Está claro y nadie puede negar que tenemos un problema energético en la región. Sobre todo, un problema que perjudica más a unos países y menos a otros. Por eso, analizamos con Argentina la posibilidad de construir la hidroeléctrica binacional Garabí que dará 3.000 megavatios de energía para repartir entre ambos. Y si llegara a hacer frío en la Argentina, podría ir la totalidad para allí.

¿Y qué pasa con el gas? ¿Hay algún proyecto conjunto?

No podemos depender del gas porque no hay suficiente para explotar. La última vez que estuve con la presidenta Kirchner y con Evo Morales (de Bolivia) fue claro que Bolivia, en este momento, no tiene cómo cumplir los contratos con Argentina. Por otro lado, Argentina no puede construir un gasoducto (para aumentar la capacidad de transporte) sin la certeza de que tendrá ese gas. Bolivia debe proveer a Brasil 30 millones de metros cúbicos diarios; a Argentina debe entregarle 7 millones y a su vez Bolivia usa 6 millones. La suma da 43 millones; pero Bolivia produce sólo 40 millones.

Y por eso nunca llega a entregarle a la Argentina lo acordado por contrato…

Vea, hay inversiones de Petrobras para intentar aumentar la capacidad de Bolivia de producir más gas. El presidente Evo debe estar atrás de otras empresas para conseguir nuevas inversiones. Ahora, para que esas inversiones vayan a Bolivia es preciso que haya contratos con respaldo internacional. Porque ningún país hará inversiones si quedara sujeto a las eventualidades cotidianas de un país. Y en cuanto a la Argentina, lo que hicimos fue establecer una política de compensación porque el gobierno de la presidenta Cristina se quejó de que cuando compró energía de Brasil pagó precios más caros que cuando se la vende. Entonces decidimos eliminar el dinero de la negociación: se entrega megavatio y se devuelve megavatio. Gracias a Dios, este año no tuvimos problemas. Argentina devolvió la energía que le mandamos antes de lo acordado porque el invierno no fue tan violento.

¿El ex presidente Néstor Kirchner le pidió que Brasil cediera gas a la Argentina?

El año pasado, o el antepasado (no recuerdo bien), el presidente Kirchner me reclamó que tenía una urgencia de energía. En aquel momento que él me reclamaba algunos millones más de metros cúbicos de gas, Brasil por cuenta de los juegos Panamericanos (que se realizaron en julio de 2007) precisaba la totalidad de los 30 millones y por lo tanto no podía ceder gas. ¿Qué hice? Cuando volví a Brasilia, un viernes a las 8 de la noche, hice una reunión a las 22 y el sábado, Marco Aurelio García encabezó una delegación de nueve ingenieros del sistema eléctrico brasileño y en la semana siguiente le ofrecimos a la Argentina los megavatios que necesitaba para resolver el problema.

¿Esa estrategia se repite?

Es con esa visión que precisamos trabajar la cuestión energética: o sea, relevar el potencial de los cuatro socios del Mercosur y tratar de explotarlo al máximo. Es urgente porque cada año que pasa tenemos más necesidad de energía y, cada año que pasa, tenemos menos energía para consumir. Es un problema que resolveremos sólo si tenemos la firme convicción de que vamos a hacer sociedades. Y ahí entra la cuestión de la integración sudamericana. La verdad es que durante medio siglo la Argentina y Brasil se miraban preocupados. Nuestros hombres de defensa se veían como enemigos o como eventuales invasores. Sólo hay una forma de recuperar el tiempo perdido: es mirarnos como amigos, como socios, como economías complementarias. Esa cultura está cambiando en Brasil, dentro de Itamaraty, dentro del gobierno y dentro del Congreso. Y tengo certeza que en Argentina también está cambiando en la visión del gobierno, de la diplomacia y de sus políticos. Tenemos que construir los puentes que faltan, las rutas, los trenes, los vínculos en comunicación. Cuanto más trabajemos juntos más fuertes seremos en el escenario internacional.

El gobierno de Cristina Kirchner quisiera ver a Embraer en Argentina ¿Es posible?

La cuestión es que Embraer, aunque esta sea una empresa privada, tiene una relación muy productiva con el gobierno brasileño. Y nosotros tenemos interés que Embraer monte un brazo en Argentina para producir algunas partes. Sé que hubo una reunión del ministro Julio De Vido y de la ministra Dilma Roussef y con la dirección de Embraer. En la conversación posterior que tuve con De Vido él se mostró muy optimista. Pido a Dios que eso resulte y podamos tener a Argentina produciendo algunas cosas de los aviones que se fabrican en Brasil.

¿El Banco Nacional de Desarrollo Económico y Social podría financiar empresas argentinas y extranjeras fuera de Brasil?

Hoy el BNDES no puede invertir en una empresa extranjera porque los recursos que financian sus inversiones provienen del Fondo de Amparo al Trabajador. Nosotros enviamos un proyecto al Congreso Nacional para crear un área internacional del BNDES y ya colocamos una agencia en Uruguay. Segundo, estamos creando un “fondo soberano”, un proyecto que está dentro del Congreso Nacional. Con este fondo podremos tener una parte de ese dinero direccionado hacia el BNDES para que él pueda realizar préstamos inclusive a empresas extranjeras. Financiar esas empresas, financiar nuevas plantas y financiar sociedades entre empresas. El Congreso brasileño puede aprobar antes de fin de año ese proyecto que mandamos con “urgencia urgentísima”, o sea urgencia constitucional. Espero que el Parlamento lo vote y así podremos consolidar el BNDES como una agencia de financiación más allá de Brasil.

¿Y qué ocurre con el Banco del Sur?

Este ya es una realidad. Ya está configurado como institución financiera y se está en la etapa de discutir cuánto va a aportar cada país. Al mismo tiempo se realiza el proceso para la elección de la dirección de ese banco. Esas cosas tienen que ser hechas con mucha seriedad. No vale sólo la pasión. Tiene que tener un sistema estructural para que pueda ganar credibilidad en su funcionamiento y establecer relaciones con otros bancos con finalidades iguales. Entonces tendremos el dinero para financiar la infraestructura en América del Sur. Yo soy optimista con relación al banco.

¿Venezuela entiende al Banco del Sur igual que Brasil? ¿O subsisten diferencias?

Venezuela lo entiende así. Tenemos que comprender que muchas veces mi amigo Chávez, con quien hablo mucho, es impetuoso. Es muy audaz. Desde que lo conocí hasta ahora hubo una evolución extraordinaria. Chávez comprende que dentro de Venezuela los tiempos no son los de Brasil ni los de Argentina. Cada país debe lidiar con su propia realidad económica, política, con la realidad de su Congreso. Todos percibimos hoy que es posible construir sin supremacía de un país sobre otro, sino con un consenso de finalidades. Por eso soy optimista con el Banco del Sur. Hoy tengo claridad, al igual que Chávez y Cristina, de que debemos hacer las cosas muy seriamente para que el resultado sea exitoso.

¿Brasil tiene deudas con Paraguay, por ejemplo con Itaipú?

Es importante comprender la relación entre Brasil y Paraguay. Tenemos un Tratado de 1973 y que establece que mitad de la energía es brasileña y mitad es de Paraguay. Y fija que toda la energía excedente que Paraguay no use, debe vendérsela a Brasil; no puede venderla para otro país. Y esto porque fue Brasil quien financió prácticamente Itaipú. La cuestión del precio que le pagamos a Paraguay por el excedente que nos vende es siempre relativo: hoy Brasil paga más la energía que compra a Paraguay que lo que se paga aquí dentro. Estoy aguardando al presidente Fernando Lugo que vendrá a Brasilia el 17 y debemos comenzar conversaciones. Brasil tiene que hacer todo el esfuerzo necesario para facilitar la vida de Paraguay, un país pequeño. No encuentro justificación que Paraguay, con una hidroeléctrica que genera 12.000 megavatios, todos los días tengan apagones en Asunción. Entonces, Brasil asumió el compromiso de hacer una línea de transmisión, financiada por la parte brasileña de Itaipú, hasta Asunción. Voy a esperar que Lugo presente las demandas paraguayas para empezar a conversar lo que puede ser hecho. Ya dije a Lugo lo mismo que le decía a (ex presidente Duarte Frutos) Nicanor: cambiar el tratado significa hacerlo pasar por el Congreso Nacional y no pasa. En el Parlamento brasileño no aceptará discutir esa cuestión. Hay otras formas en que Brasil puede ayudar a Paraguay. Los brasileños tenemos que asumir que tenemos responsabilidades con Paraguay.

Hay una propuesta del presidente Rafael Correa de que el ex presidente Néstor Kirchner presida el Unasur ¿Brasil apoya?

Estamos de acuerdo.

Usted dijo que para que Brasil y Argentina inviertan en Bolivia se necesitan seguridades jurídicas internacionales ¿Qué significa eso en el contexto actual de problemas internos bolivianos?

Cualquier inversión que podemos hacer en Bolivia no tiene ninguna implicación en la disputa política interna de ese país. Estoy convencido que cualquier país tiene más chances de progresar y de crecer económicamente si estuviera tranquilo y en paz. Si uno gasta la mitad de las energías para los conflictos internos, tendremos menos capacidad productiva para pensar un futuro para nuestro país.

Hubo dificultades con Bolivia…

Cuando Evo asumió, tuvimos problemas con él. Pero no hubo ninguna reacción de nuestra parte a no ser las concesiones que Evo quería. Porque los conservadores brasileños querían un Brasil duro con Evo Morales. Entre tanto, él quería la refinería y se la vendimos. Quería aumentar los impuestos y nosotros aceptamos. No olviden que yo nací en la política creyendo que las riquezas del suelo y del subsuelo son de soberanía del país. En aquel momento sugerí a Evo: “Mira compañero, no es suficiente con hacerse cargo de los lugares, es preciso tener tecnología para explorar porque si se queda sentado encima del gas, él no produce riqueza para nadie”. Fue entonces que fui a La Paz e hicimos un acuerdo de inversiones y lo vamos a cumplir. Es obvio que cualquier empresario argentino que fuera invitado a invertir en Brasil, en Bolivia, en Venezuela y en Ecuador, va a realizar la pregunta de rigor: ¿cuál es la garantía?. Un empresario que va a invertir quiere un retorno de su inversión. Creo que Evo Morales tiene todas las posibilidades de conducir Bolivia para una política que no existió en todo el siglo pasado: de más justicia social, de ayudar a la parte más pobre de la población. Ahora, es preciso combinar esa voluntad y esa determinación con la política de desarrollo del país porque si no, usted no tiene qué distribuir.

Brasil, que tiene un desarrollo tan pujante ¿podría jugar un papel al estilo de Alemania en la Unión Europea, con Bolivia o ahora Paraguay donde resuena la inestabilidad y denuncias de golpismo?

Déjeme decirle una cosa. Ustedes siguieron la crisis brasileña de 2005 y nunca me oyeron hablar de golpe. Nunca. Yo tenía claridad de lo que querían los conservadores de este país. Sabía que una pequeña parcela de la elite brasileña no se conformaba con que yo hubiera llegado al poder. Tenía claridad sobre lo que querían los partidos de oposición y en vez de quedarme diciendo que era un golpe fui completamente político con ellos. El resultado es que nosotros estamos aquí y Brasil vive el mejor momento histórico. Es casi un momento mágico, donde se combina crecimiento económico con distribución de renta, donde mejoró la calidad de vida de los pobres y muchos se elevaron a la condición de clase media. Por otro lado tenemos reservas en el Banco Central de más de 200.000 millones de dólares y no le debemos nada más al FMI. O sea, yo diría que estamos viviendo un momento glorioso. A las inversiones contratadas de obras planificadas. habrá que sumar inversiones por causa de la Copa del Mundo de 2014. En marzo de 2009 hacemos la licitación del tren bala que vincule Río, San Pablo y la ciudad de Campinas. Brasil había pasado 22 años sin construir un nuevo polo siderúrgico; ahora vamos a construir 5. Brasil no tenía desde hace 18 años una nueva fábrica de cemento; ahora tenemos 10 grandes y varias pequeñas en construcción.

Y alguna en Argentina….

También alguna en Argentina para que Brasil pueda adquirir el excedente y Argentina exportar para Brasil. Todo lo que deseo en la vida es que Brasil y Argentina crezcan cada vez más y uno pueda vender para el otro.

El Mercosur está buscando una asociación con Africa, ¿por qué el objetivo en ese continente?

Miren, Africa tendrá en 30 años 1.300 millones de habitantes. Y si el continente continúa pobre como hasta hoy, no habrá océano Atlántico que evite la inmigración. No tenemos que aceptar que nos pase en el futuro lo que ocurre hoy en Europa, que no deja entrar a nadie que no tenga ojos verdes. Porque si sigue así, dentro de poco argentinos y brasileños no querremos que negros africanos visiten nuestros países. Pero además, fíjense que Angola crece a 20% anual, todos los países africanos están creciendo. Y nuestros empresarios precisan descubrir los nichos de oportunidades. Mientras miramos a Europa y Estados Unidos, los chinos ocupan Asia. No hay un único país en el mundo donde usted va donde no encuentre chinos en los hoteles, en las calles, en los bares y restaurantes. No hay lugar que tenga materia prima donde el presidente de China no haya estado. Y nosotros estamos parados.

¿Qué se debería hacer?

Precisamos hacer lo mismo que hicieron nuestros descubridores: buscar nuevos socios de nuestros mercados y vender lo que producimos a quienes nos puedan comprar. No vamos a vender máquinas en Alemania porque este país tiene más tecnología que Brasil. Argentina tampoco puede vender sus máquinas en Francia. Pero sí podemos vender en Angola, Africa del Sur, Mozambique, Ghana, en el Congo, en Argelia, en Nigeria. Lo que nosotros precisamos es hacer el papel del turco que va casa por casa vendiendo sus productos hasta que la dueña de casa decide comprar. Argentina también tiene que hacer eso. Yo le dije a la presidenta Cristina: tenemos que hacer dos grandes ferias por año, una en Buenos Aires y otra en San Pablo, con música, comida, teatro. Nosotros estamos muy distantes.

¿Cómo se logra eso en el poco tiempo que tienen los presidentes para ejercer mandatos?

Un mandato de presidente es muy corto. Parece largo para la oposición, pero para el oficialismo cuatro años pasan muy rápido. Por eso, no hay tiempo que perder. Es preciso trabajar con mucho ahínco. Por eso, tenemos que trabajar para que haya acuerdos entre los bloques asiáticos, africanos y el Mercosur. Tenemos que tener mucha urgencia, porque las cosas demoran en ser aprobadas por los Congresos. Yo no me conformo con llegar a un país pobre de Africa, que está más cerca nuestro que de EE.UU. o de Japón, y sin embargo ellos compran autos norteamericanos. Eso es porque no les vamos a vender, no insistimos. El desafío no es quedarnos esperando que nos vengan a comprar.

06/09/2008 - 12:02h Dilma anuncia verba para metrô em programa eleitoral de Marta

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“Oposição vai à Justiça contra ajuda eleitoral de Dilma Rousseff ao PT”, é manchete de capa do jornal O Estado de São Paulo. Será que não tem notícia. Os demo-tucanos, segundo o corpo da matéria do Estadão, estudam a possibilidade de questionar na justiça eleitoral o direito da Ministra Dilma de apoiar publicamente Marta e de aparecer no programa eleitoral de Marta dizendo que dinheiro federal não faltará a São Paulo para investir no metrô. De aí?

Uso da máquina é enviar e-mail aos funcionários da prefeitura convidando para inauguração de comite eleitoral de Kassab, como fez um subprefeito, e depois dizer que foi erro. Uso da máquina é enviar e-mail aos subprefeitos, como fez Kassab, pedindo para fazer ações visando influenciar pesquisa Datafolha. Uso da máquina é ir nas escolas como prefeito e fazer nos estabelecimentos públicos campanha eleitoral.

O problema é que os demo-tucanos quiseram utilizar a LDO federal para dizer que a proposta de Marta para investimento no metrô não tem respaldo do governo federal. A proposta de Marta é de contribuir com dinheiro da prefeitura, à altura de R$ 450 milhões por ano, para o investimento estadual no metrô. Pela proposta o governo federal deve aportar soma equivalente e o governo estadual R$ 1 bilhão. O Plano de Mobilidade Urbana será anunciado após o pleito municipal, para evitar acusação de “eleitoralismo” ou “uso da máquina”, como diz a Ministra Dilma Roussef.

No que diz respeito a arrogância tucana, mistura de fanfarronaria, preconceito e machismo, basta lembrar que responsaveis pelo metrô faz 14 anos, dos quais 8 controlando o governo federal, construíram menos de 1 Km por ano. Acumularam uma quantidade gigantesca de questionamentos do Ministério Público e o Tribunal de Contas de Estado (TCE) pelos contratos irregulares nesse setor, muitos deles com a empresa Alstom, investigada pela polícia francesa, suíça e brasileira por propina para o metrô de São Paulo.

Eles sabem tudo sobre o metrô, cuidam tão bem, que o buraco que matou 7 pessoas na linha 4 é responsabilidade, segundo o laudo, da falta de fiscalização… deles!

É querem dar lição.

Luis Favre

Oposição quer que Justiça barre o que considera uso indevido da máquina em favor da candidatura do PT

Ana Paula Scinocca - O Estado de São Paulo

A oposição reagiu ontem indignada à promessa da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, feita no horário eleitoral gratuito da candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, de que o governo federal vai investir no transporte público da capital paulista, o que inclui o metrô. A propaganda de Marta tem destacado que prefeitura e União vão colaborar para a construção de 47,4 quilômetros de novas linhas para o metrô. Para líderes do PSDB e do DEM, a afirmação da ministra evidencia o uso da máquina pública federal em favor da candidatura da ex-prefeita. Os tucanos estudam acionar a Justiça Eleitoral contra Marta.

A declaração de Dilma no horário eleitoral petista foi enfática. “Essa questão do transporte urbano em São Paulo, eu te asseguro que o governo federal não tem só todo interesse, mas como ele compõe o nosso programa. Como nós não trataríamos um dos problemas mais graves?”, argumentou a ministra, pela manhã, no programa de rádio petista. “O item não está no Orçamento, pois os primeiros recursos que nós vamos usar não são do Orçamento Geral da União, e sim financiamentos a serem liberados através dos recursos públicos que nós temos via BNDES e Caixa Econômica Federal. São Paulo pode ficar tranqüila no que depender do governo Lula.” Dilma é a candidata preferencial do Planalto para a sucessão de Lula em 2010.

Líderes da oposição protestaram. “Isso é o uso escancarado da máquina. Só posso imaginar que a ministra Dilma vai desmentir isso”, afirmou o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), ao ser informado do contexto e das circunstâncias que levaram Dilma a aparecer fazendo promessas no programa de Marta. O tucano é a favor de que o PSDB acione a Justiça contra o PT. “Vou conversar com o partido em São Paulo para acionarmos a Justiça. Temos de cobrar correção nisso.”

Guerra falou em “desrespeito ao povo de São Paulo”. E prosseguiu: “O povo precisa do investimento, mas utilizar isso dessa maneira é um absurdo. Um claro e escancarado uso da máquina”. Na mesma linha reagiu o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ). “Essa gente não tem nenhum pudor. De um governo que faz grampo se pode esperar, infelizmente, de tudo”, disse Rodrigo Maia. Foi uma referência ao grampo supostamente feito pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O governo nega envolvimento.

Ele ressaltou ainda ser mentirosa a promessa de Dilma e cobrou atenção da Justiça Eleitoral para o caso. “Espero que a Justiça Eleitoral, sempre tão atenta a tudo, também esteja atenta para esse caso”, afirmou o presidente do DEM.

“POLÍTICA DE GOVERNO”

Os petistas, por sua vez, contestaram as acusações. O presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), negou uso da máquina federal na campanha de Marta. “Se a ministra Dilma falasse ?vote na Marta que o governo vai fazer metrô em São Paulo? poderiam falar em uso da máquina. Mas não foi nada disso o que aconteceu. A ministra falou da política do governo e ela apareceu como apoiadora, que é, da Marta”, defendeu Berzoini.

O coordenador da campanha da ex-prefeita, deputado estadual Carlos Zarattini (SP), fez coro a Berzoini e disse não ver problema algum no fato de Dilma ter aparecido no programa da petista para dizer que o governo aplicará recursos no metrô. “Ela está dando a opinião dela como pessoa. Além disso, ela apenas disse que o dinheiro virá, independentemente de quem for o prefeito.”

As declarações de Dilma vão servir de munição de ataque para os principais adversários de Marta, Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM), segundo o comando das duas campanhas. Ontem mesmo, eles já criticaram a presença de Dilma na eleição paulistana. “Acho um grande equívoco e não acredito que o presidente Lula vá discriminar a cidade de São Paulo se o prefeito não for do PT”, afirmou Kassab.

Alckmin considerou “estranha” a participação de Dilma. “A Caixa e o BNDES fazem financiamento. Isso não é recurso federal para o metrô”, afirmou.

Até aqui distante da campanha, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), um dos principais nomes do partido para a sucessão de 2010, também entrou na polêmica. Ele disse acreditar que Marta tenha se confundido. “Fazer metrô não é como fazer uma linha de ônibus. Eu acho que a Marta Suplicy, às vezes por causa da assessoria dela, está se confundindo. Ela não sabe bem o que significa metrô e está sendo mal assessorada.”

04/09/2008 - 11:33h ‘Kassab não tem confiabilidade e faz um governo medíocre’

“O que o Cidade Limpa trouxe? Um visual mais limpo? Sim. A pessoa conseguiu escola melhor para sua criança? Não.
Conseguiu ser atendida melhor na saúde? Não. Melhor transporte? Não. O Cidade Limpa não mudou nada estrutural. A cidade de São Paulo não comporta governo medíocre.”

“A mulher, quando é dura, é arrogante.
Quando é bem arrumada, só pensa em ir ao cabeleireiro.
Quando é gentil e generosa, é boba. Ser mulher não é simples. Na política, menos ainda. Por isso há tão poucas.”

“Pode estar envolvido (em escândalos). Em relação ao Paulo, ele simboliza a Força Sindical e tenho, pela primeira vez na História — nem Lula teve —, o apoio de todas as centrais sindicais. Tenho muito orgulho do apoio da Força Sindical.

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Em primeiro nas pesquisas, Marta Suplicy concentra seus ataques no prefeito, que começa a crescer e tem o apoio do governador

SÃO PAULO. Marta Suplicy parece ter aprendido a lidar com o tabuleiro eleitoral. A um mês da eleição, mexe cada peça conforme o avanço inimigo. Embora o tucano Geraldo Alckmin apareça estagnado em segundo lugar nas pesquisas, é o prefeito Gilberto Kassab (DEM) que a incomoda, porque sobe na preferência do eleitor, e Marta concentra ataques contra ele. “Ele está abusado. Não tem confiabilidade”. Diz que Kassab não planejou a cidade para o boom econômico propiciado pelo governo Lula e que “São Paulo, a locomotiva do Brasil, está parando”.
Contra Alckmin, críticas genéricas, como as de que tucanos pouco fizeram. Maluf atiça o forte temperamento dela, quando perguntada sobre o uso da frase “relaxa e goza” na campanha do ex-prefeito. “É um fim melancólico”, responde. Marta diz estar mais madura, mas não a ponto de controlar os impulsos.
“Sua pergunta é ridícula”, reage quando indagada sobre a acusação de que não pagou parcelas da dívida pública municipal.
Refeita, faz projeções para a eleição presidencial e diz que a vitória seria muito importante para o PT. Na seara dos inimigos, vai além: “Gente, todo mundo sabe que, se ganhar o Alckmin, Serra não será candidato a presidente”. E distribui panfletos sobre seu livro, no qual descreve a experiência como prefeita e fala da derrota para Serra em 2004. Psicanalista, diz às gargalhadas que não é de perder o eixo, mas que a derrota a abalou e que superou o trauma. “Adoro fazer terapia.”

Flávio Freire, Soraya Aggege, Ricardo Galhardo, Germano Oliveira, Silvia Fonseca e Ascânio Seleme - O GLOBO

SÃO PAULO

O GLOBO: A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), ao falar do metrô de SP, disse que, com ou sem Marta, a ampliação do metrô sairá. Ela foi inábil?
MARTA SUPLICY: Ela foi corretíssima.

Ela faz parte de um governo que é republicano.

Mas atrapalha sua candidatura?
MARTA: De jeito nenhum, a afinidade é comigo. O que tem que ser visto é que quando o presidente Lula vem aqui e diz que tem lado, e o lado dele é a Marta, está falando mais do que um companheirismo de 30 anos. Ele fala de um projeto único.

Kassab disse que a senhora foi omissa na educação e na saúde.
MARTA: É uma inverdade. Me choca a coragem dele de dizer inverdades.
Ele diz que os CEUs dele são mais baratos.
Deixe a cidade com contratos para os 24 CEUs prontos, licitados e com preço. Os 13 que ele construiu variam de 2% a 50% a mais do que o preço licitado. É só olhar os preços.
Que confiabilidade tem uma pessoa que fala uma coisa dessa? Usam uma terminologia da “ilha da fantasia” em relação ao que é a realidade de uma prefeitura. Eles (os adversários) não investiram. Pior: não se deram conta do momento que o Brasil estava vivendo: não tem falta de televisão, de geladeira nem de carro. Eles não acreditaram no boom econômico do governo Lula e não prepararam a cidade.
São Paulo não se preparou nestes quatro anos, não teve visão e a mediocridade dominou estes quatro anos. A atual administração não planejou São Paulo para essa nova realidade da economia. São Paulo é a locomotiva do Brasil e está parando por falta de planejamento.

Kassab escolheu a senhora como adversária de modo a se incluir no segundo turno, excluindo Alckmin? A senhora engoliu a isca?
MARTA: Ele não pode fazer diferente, né? Está todo atrapalhado com o lado dele. Se escolhesse o Alckmin ficaria constrangedor para ele.

Gostaria de tê-lo como adversário no segundo turno?
MARTA: Tanto faz, adversário não se escolhe.

Mas a senhora está polarizando com ele, mordendo a isca…
MARTA: Não é morder a isca. Quando a pessoa acusa você e fala inverdades, você rebate. E ele está muito abusado em termos de inverdades.

Disse que a senhora gosta de pôr placas sem fazer obras.
MARTA: O que vou responder para ele? O que ele fez na cidade que não tenha sido iniciado por mim? O que o Cidade Limpa trouxe para o cotidiano das pessoas? Um visual mais limpo? Sim. A pessoa conseguiu escola melhor para sua criança? Não. Conseguiu ser atendida melhor na saúde? Não. Melhor transporte? Não. O Cidade Limpa é bom? É. Mas não mudou nada estrutural. A cidade de São Paulo não comporta governo medíocre, que não tenha mudança.

Alckmin e Kassab usam o governador José Serra como cabo eleitoral.
A senhora acha que pode enfrentar um terceiro turno contra Serra?
MARTA: Eles estão muito atrapalhados.

Não sei como vão resolver.

Falando que Kassab é medíocre, como poderá conquistá-lo num segundo turno?
MARTA: Não estou falando dele pessoalmente, mas do governo dele.

No 2° turno, procuraria Kassab?
MARTA: Não vou antecipar quem será meu adversário. Deixa acontecer, vamos ver como vão estar, se vão estar se falando ou se estapeando até o segundo turno… Porque a situação hoje é péssima.

A senhora prevê uma antecipação de 2010?
MARTA: Não. Está uma campanha bem disputada aqui, com muita confusão do lado de lá. Tentam tapar o sol com a peneira, mas a confusão existe. Eles estão atrapalhados. O eleitor está mais atrapalhado ainda e não é problema do PT.

A senhora se credenciará para 2010 se vencer agora?
MARTA: Não estou pensando nisso…
Por que é importante ganhar aqui? Porque vamos dar força para a eleição de 2010. Aí que é a importância dessa eleição. Todo mundo sabe que, se ganhar o Alckmin, o Serra não é candidato a presidente.

A senhora diz que se ganhar o Alckmin, o Serra não será candidato?
MARTA: Provavelmente.

Quem seria o candidato? Aécio (Neves, governador de Minas)?
MARTA: É melhor deixar para a frente a discussão. Nem devia ter mencionado isso, não faz parte da nossa preocupação.

A senhora fala que se arrependeu de ter taxado a classe média e acena com a redução de impostos. Deixará de fazer algum serviço por isso?
O GLOBO: Não, não. Fizemos o erro, sim, porque a vontade de reconstruir a cidade e a falta de dinheiro eram tamanhas, que não pesei que poderia pesar para uma parcela significativa da classe média. E pesou. Acho que aprendi. Estamos propondo a redução de impostos (para os autônomos), porque a cidade tem condições.
Vai dar mais ou menos R$ 30 milhões, o que não é algo relevante, mas para as pessoas que vão pagar pode ser. Outra coisa: vamos voltar a ter um milhão de casas isentas de IPTU, porque o governo do PSDB não atualizou o teto, então as casas isentas passaram para 800 mil casas.

Paulo Maluf usou o “relaxa e goza” contra a senhora. Ele pode estar sendo usado por alguém?
MARTA: Não sei. De qualquer maneira, é um fim melancólico (de Maluf).

Atrapalha muito essa exposição?
MARTA: Não, porque acho que é uma frase já bastante conhecida da população. Foram pedidas desculpas.
Não vai afetar. Foi ruim para ele.
Pegou mal. Para ele, para mim não.

Algumas pessoas a consideram como de temperamento forte. Outras interpretam como arrogância. E vêem essas frases… A senhora vê sua personalidade como adversária? MARTA: Tem ônus e bônus. É o que me fez enfrentar a situação de São Paulo. Precisa ter personalidade forte, capaz de dizer coisas que têm que ser ditas. Como mulher, é imprescindível.
Agora, a mulher, quando é dura, é arrogante. Quando é bem arrumada, só pensa em ir ao cabeleireiro.
Quando é gentil, é boba. Ser mulher não é simples. Na política, menos ainda.
Por isso há tão poucas.

A senhora tenta mudar?
MARTA: Não. A maturidade vai levando você a ser mais sábia, mas não necessariamente a mudar o jeito de ser. O jeito de ser me permitiu estar na política. Você vai aprendendo que prefeito não reage a cidadão. Você vai aprendendo. Mas não muda a personalidade. Faz você mostrar que tem capacidade de aprendizagem.

Na derrota, perdeu o eixo?
MARTA: Imagina (gargalhadas). Que é isso! Não poder lembrar uma situação sem ficar muito triste é uma coisa.
Perder o eixo é outra. Não sou o tipo de pessoa de perder o eixo.

Se eleita, prevê algum problema com o governador Serra?
MARTA: Não vejo por quê. Ele vai ter interesse, principalmente se almeja ser candidato em 2010. O que pudermos fazer de produtivo para São Paulo, ele terá bônus também em 2010.

Os adversários a acusam de multiplicar a folha de pagamentos, sucatear a CET. Como vê as críticas?
MARTA: Fizemos concursos porque a cidade estava abandonada. Tivemos de fazer contratações. Da CET é piada o que estão falando. Kassab agride cada vez que percebe que seus pés são de barro. Ele pode acusar o que quiser, mas deixamos a CET numa condição boa. É fácil acusar.

O fato de a senhora ter se separado e casado de novo teve algum impacto na eleição de 2004?
MARTA: Talvez. No meu livro (“Minha vida de prefeita”, Editora Agir), falo sobre isso. Tem preconceito. São Paulo é paradigmática, pois tem um setor muito conservador, mas um muito avançado. Parte da diversidade e da riqueza, são forças contínuas na cidade. Acho interessante.

Descarta o apoio do Maluf?
MARTA: Dos eleitores dele, não. Eu gostaria de tê-los.

Aliança com ele, não?
MARTA: Não. Nós estamos do outro lado do rio.

Mas ele a apoiou em 2004.
MARTA: Não vivi isso. Não vivi. Foi partidário. Soube por um filho, que ligou quando viu uma camioneta na Avenida Brasil: “Mãe, olha! Tem uma camioneta do Maluf com você”. Liguei para o partido e soube que tinha um apoio partidário. Temos perfil diferente.
Visão de mundo diferente.
Não acrescenta para mim o apoio dele formal. Somos como água e vinho.

Mas também está do outro lado do rio o (deputado) Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical. E sentou na mesa da senhora.
É conveniência eleitoral?
MARTA: Não estou do outro lado do rio com o Paulo. O Paulo simboliza a Força Sindical e estamos juntos.

Ele foi envolvido em escândalos…
MARTA: Pode estar envolvido, mas estou falando em relação ao Maluf, não falei desse aspecto.

Não acha que está sujando as mãos?
MARTA: Paulo simboliza a Força Sindical e tenho, pela 1ª vez — nem Lula teve —, o apoio de todas as centrais.
Tenho orgulho do apoio da Força.

04/09/2008 - 11:26h Mais esclarecimentos

cartas-mail1.jpg“Em relação à carta da leitora Mara Montezuma Assaf, publicada na edição de ontem do Valor, esclarecemos que a proposta de Orçamento da União de 2009 ainda não está aprovada. Existe a concordância do presidente Lula em apoiar a expansão do metrô de São Paulo. Como o governo do Estado (responsável pelo Metrô), ainda não formulou proposta sobre o plano de expansão apresentado pela candidata Marta Suplicy de construir mais 63,1 km de metrô até 2014, além das expansões já previstas e em andamento, o governo federal, evidentemente, não incluiu esses recursos na proposta de Orçamento de 2009. Marta tem reiterado que, caso seja eleita, detalhará proposta com o Metrô e o governo do Estado, para levar, ainda este ano, uma proposta de emenda ao projeto de Orçamento. Acrescente-se a isso que, mesmo depois de aprovado o Orçamento, há a possibilidade de remanejamento de recursos em 2009. A disposição política por parte do presidente e da ministra Dilma Roussef em apoiar o projeto apresentado pela então ministra Marta Suplicy para a Copa de 2014 pode ser atestada pelo fato de o presidente ter liberado recursos, em maio deste ano, de R$ 1,58 bilhão para financiamento da expansão da Linha 2 do Metrô de São Paulo.”

Mário Moysés - Coordenador da Assessoria de Imprensa da campanha Marta

02/09/2008 - 14:44h Presidente Lula participou da primeira coleta de petróleo da camada de pré-sal da Petrobras

Campo de Jubarte

Ramona Ordoñez - O Globo - G-1

http://oglobo.globo.com/fotos/2008/09/02/02_MHB_lula03.jpglula_petroleo.jpg

VITÓRIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, no Espírito Santo, na plataforma P-34, a primeira coleta da camada de pré-sal no campo de Jubarte.

Ele mostrou o óleo retirado da plataforma e posou para fotos. Em seguida, Lula sujou as mãos com o óleo, que será utilizado para pesquisas, e marcou o macacão do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, e o do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão

Além de Lobão, Lula estava acompanhado dos ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Franklin Martins (Comunicação Social).

Antes, o presidente havia descerrado a placa alusiva à coleta do óleo na plataforma P-34. Lula segue para Vitória, onde participará da cerimônia de início da produção na camada do pré-sal

O poço da P-34 está a cerca de 4.700 metros de profundidade total, dos quais cerca de 1.300 metros são da distância do nível do mar ao fundo.

Esse poço vai produzir cerca de 18 mil barris diários de petróleo de boa qualidade abaixo da camada de sal. Essa camada, contudo, está a apenas 200 metros de profundidade, contra os dois mil metros de camada de sal na Bacia de Santos.

A Petrobras inicia uma produção simbólica de petróleo na camada e já acelera o processo exploração dessa região. O gerente-executivo de pré-sal da Petrobras, José Formigle, informou que a companhia terá mais quatro sondas de perfuração em águas profundas nas áreas do pré-sal.

As sondas vão se somar a outras três que já estão operando atualmente. Duas delas estão na Bacia de Santos, uma perfurando o poço na área de Júpiter, onde a Petrobras descobriu reservas gigantes de gás natural, e a segunda na área de Iara, no mesmo bloco onde foi descoberto Júpiter. A terceira plataforma de perfuração atual está neste momento na Bacia de Campos no litoral do Espírito Santo, onde a Petrobras descobriu petróleo também na área do pré-sal.

Para o diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella, este primeiro poço que vai funcionar como uma espécie de escola para se avaliar o comportamento dos reservatórios no pré-sal. O diretor disse que ainda não se sabe o volume de reservas nessa área do pré-sal em Jubarte, mas para isso estão programadas as perfurações de dois poços.

A Petrobras encontrou petróleo abaixo da camada do pré-sal no campo de Jubarte, no litoral paulista da Bacia de Campos. Esse campo já está produzindo, atualmente, cerca de 35 mil barris por dia acima do pré-sal, com a plataforma P-34.

Leia também:

Petrobras não está preocupada com regras do pré-sal.

02/09/2008 - 09:50h Folha põe em dúvida dinheiro da União para Marta investir no metrô

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O jornal Folha de São Paulo requenta críticas à proposta de Marta sobre metrô feitas pelo jornal em julho passado. A matéria de hoje retoma os questionamentos que o jornal fez em 1/7/2008, quando o PT lançou seu ante-projeto de programa para as eleições.

Naquele momento o eixo do ataque da Folha era que “Marta usava verbas de Lula para obras no metrô”. No meu post daquele dia comentei:

“De contrabando a Folha procura desconsiderar o plano elaborado para o transporte público na cidade. O faz com uma curiosa acusação: o plano conta com verbas do governo Lula ainda não aprovadas. Poderíamos acrescentar que o plano de transporte para a cidade conta inclusive com verbas do governo estadual e municipal, que ainda não foram aprovadas.”

Hoje novamente a Folha volta ao assunto. Apresenta o orçamento federal em fase de discussão no congresso para tentar desmentir a participação da União nos investimentos que Marta propõe para o metrô de São Paulo.

Está questão já tinha sido evocada pela Ministra Dilma Roussef nas próprias páginas da Folha na ocasião da sua participação, junto com Marta, do seminário sobre mobilidade urbana organizado pelo PT:


“Ela (Dilma) disse que o “PAC da mobilidade” seguirá em linhas gerais o projeto trabalhado por Marta e outros ministérios, mas que será lançado após as eleições.
Além disso, elogiou o Bilhete Único, falou sobre a promessa de construção de um trem-bala entre São Paulo e Rio e disse que o governo estuda criar um “ferroanel” para acabar com o transporte de cargas no centro da cidade.” (Folha SP - 11/6/2008).

No mesmo sentido o jornal VALOR destacou na sua cobertura do evento de Marta e Dilma em São Paulo a  seguinte ponderação da Ministra chefe da Casa Civil:

“Especificamente em relação a transporte, Dilma disse que o investimento federal é de R$ 6,3 bilhões, do qual o Rodoanel é a obra de maior vulto. Dilma acenou com o lançamento de um novo PAC sobre a mobilidade urbana a ser lançado após as eleições. “Não vamos dar margens a acusações sobre uso eleitoral”, lembrando que o PAC estava pronto desde meados de 2006 e só foi lançado em janeiro de 2007, depois das eleições gerais.”(Valor 11/6/2008).

Em defesa da Folha é oportuno indicar que ela tinha também destacado, quando Kassab começou a falar que planejava investir dinheiro no metrô, que o orçamento municipal só previa mil reais para esses investimentos, o que não impidiu Kassab dois meses antes do horário eleitoral entregar um cheque com uma quantia substancialmente superior aos R$1.000 previstos. Na época a Folha questionou Kassab assim:
Kassab promete R$ 1 bi para metrô e previu no orçamento mil reais (Folha SP 27/3/2008)

Convém reafirmar o conteúdo das propostas apresentadas por Marta, até para marcar com clareza seu plano de metas e o financiamento na área de transporte:

“Em relação ao metrô, a meta é construir mais de 47,4 km de linhas até 2012. Com isso, a rede saltaria dos atuais 62,1 km para 109,5 km. As obras prioritárias, nesses quatro anos, contemplariam a expansão das linhas já existentes. Destacaria, aqui, três delas: a extensão da Barra Funda até a Freguesia do Ó; a de Vila Madalena até Cerro Corá e a de Capão Redondo até o hospital de M’Boi Mirim, no Jardim Ângela.

Em paralelo, seriam iniciadas as obras de expansão mais complexas, com prazo de conclusão para 2014. Elas acrescentariam outros 31,3 km à rede, que passaria então a ter um total de 140,4 km. Entre as obras previstas, está a implantação da linha entre Cachoeirinha e Conceição, que teria 22 km, passaria pelo aeroporto de Congonhas e pela Faria Lima e integraria bairros comerciais e residenciais. Outra linha muito importante seria criada entre a Vila Prudente e a Vila Maria, que teria 8,6 km e atenderia a zona norte.

Para viabilizar essa expansão, os investimentos seriam distribuídos da seguinte maneira:

PREFEITURA – 490 milhões de reais/ano.
ESTADO – 980 milhões de reais/ano
E UNIÃO – 490 milhões de reais/ano, totalizando 1,960 bilhão ao ano.

Em relação aos CORREDORES DE ÔNIBUS, a solução proposta é criar mais 228 km até 2012 e mais 72 km até 2014. Ou seja, um total de 300 km de novos corredores de ônibus.

Esses 300 km seriam distribuídos por 31 CORREDORES. Entre os mais importantes, pela extensão e população beneficiada, eu citaria: o trecho entre a Vila Prudente e a Cidade Tiradentes; o trecho entre a 23 de Maio e o Grajaú; e entre a Celso Garcia e São Miguel.

Além desses 31 corredores, as soluções pensadas para a mobilidade urbana incluem a construção de 8 TERMINAIS nos seguintes pontos: Vila Prudente, Itaim Paulista, Campo Limpo, Pinheiros, Raposo Tavares, Vila Sônia, Água Espraiada e Jardim Mirim.

Assim, com essas obras, chegaríamos a 2014, com 140,4 km de linhas de metrô, mediante um investimento de 11,8 bilhões; e com 416,5 km de corredores de ônibus, mediante um investimento de 3,7 bilhões.

Em relação as OBRAS VIÁRIAS, os estudos já realizados recomendam a complementação de 16 CORREDORES DE ÔNIBUS e a realização de 12 OBRAS ESTRUTURANTES. A mais importante delas seria a que denominamos de Apoio Norte-Oeste: uma avenida que ligaria a Dutra e a Bandeirantes, servindo de alternativa a marginal Tietê.

Além disso, seriam realizadas quatro grandes obras em PARCERIA COM O ESTADO: a ampliação da marginal Tietê, a ligação Jacu Pêssego – Mauá, o alargamento da Bandeirantes e a conclusão de Águas Espraiadas.

Em relação as ciclovias, estamos iniciando os estudos de viabilidade. A topografia de São Paulo é complicada, mas na medida do possível elas serão implantadas em zonas estratégicas da cidade.

Essas são, em síntese, as soluções estudadas para melhorar a mobilidade urbana em São Paulo. Volto a dizer que não se trata de um pacote pronto e, sim, de uma contribuição para abrirmos o debate sobre este que é, hoje, um problema gravíssimo da nossa cidade. (Discurso de Marta no Seminário sobre transporte realizado com a participação de Dilma Rousseff em 11/6/2008).

Pois bem, os orçamentos de 2009, tanto no plano municipal (esse orçamento é apresentado por Kassab e deve corresponder aos planos dele e não aos planos de Marta), no plano estadual e federal, não contemplam esta proposta que Marta apresenta ao eleitorado da cidade.

Para sua execução será necessária portanto, primeiro e antes de mais nada, a vitória eleitoral de Marta no pleito municipal. Ela é que defende esse plano, ela que apresentou o plano mais global ao governo federal sobre o assunto em relação a Copa de 2014.

Se eleita, Marta poderá, apenas apurado o resultado retomar com o presidente Lula e a ministra Dilma os encaminhamentos necessários à assegurar as contrapartidas da União. De igual maneira deverá ser encaminhada a discussão com o governo de Estado responsável direto sobre o metrô e igualmente com a Câmara Municipal atual para adequar o orçamento a nova administração. Tudo isto exigirá negociação, consertação e adequação. Mas o ponto crucial, prévio a todos estes é que Marta seja eleita.

Luis Favre

 

 

 

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25/08/2008 - 12:49h Vagas para todos

Blog de Alon

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

A vaga de presidente iria para o PT. A do vice, para o bloco, possivelmente para o PSB. E o Legislativo ficaria sob o comando do PMDB, garantindo-se quatro anos de mandato para os próximos comandantes peemedebistas das duas casas

Por Alon Feuerwerker
alon.feuerwerker@correioweb.com.br

O som do amolar de facas nos bastidores é indicação de luta acirrada pela vice na chapa de Dilma Rousseff em 2010. De um lado, o PMDB, que se julga candidato natural à vaga, pelo tamanho no Congresso e fora dele. Do outro, o bloco PSB-PDT-PCdoB, que se vê em vantagem devido ao relacionamento histórico com o PT.

O bloco vem de marcar um gol, por ter conduzido as coisas em São Paulo de modo a fortalecer a candidatura Marta Suplicy. A recusa do PMDB a oferecer o vice de Marta e a aliança dos peemedebistas com Gilberto Kassab acendeu uma luz amarela no Palácio do Planalto. Por que jogar todas as fichas num partido que pode criar surpresas desse tipo?
Sabe-se que o PT é sigla com fortes traços e interesses paulistas. Daí que o desfecho da montagem da chapa Marta-Aldo Rebelo tenha robustecido a posição relativa do bloco. São as idas e vindas da política. O PMDB cativou o PT e o Planalto ao decidir a parada na eleição de Arlindo Chinaglia à Presidência da Câmara dos Deputados. Agora os ventos sopram no sentido oposto.

As novas brisas introduzem elementos de complicação, por exemplo, na sucessão das duas casas do Congresso, no começo do próximo ano. O PT tem um acordo no papel para dar ao PMDB a cadeira de Chinaglia. O mais lógico é que seja cumprido. Mas para que isso aconteça será necessária a intervenção direta do governo, já que a movimentação de candidatos independentes vai bem, obrigado. Para complicar, a operação deverá estar casada com a entrega do comando do Senado a um minoritário PT.

Mas não há problema insolúvel na política. Articula-se embrionariamente nos bastidores a assim chamada solução das quatro vagas. Ela leva em conta que os sucessores de Chinaglia e Garibaldi Alves poderão ser reconduzidos em 2011. Assim, haveria em 2010 uma tétrade de lugares no grid: presidente e vice da República e presidentes da Câmara e do Senado.
A fórmula ruminada é simples. A vaga de presidente iria para o PT. A do vice, para o bloco, possivelmente para o PSB. E o Legislativo ficaria sob o comando do PMDB, garantindo-se quatro anos de mandato para os próximos comandantes peemedebistas das duas casas. Se der certo, a equação dará ao candidato de Lula uma ampla base de apoio para a eleição e o possível mandato.

Mas, como não se pode agradar a todos, há resistências já detectadas. Existe no governo e no PT quem desconfie de um cenário de controle total do PMDB sobre o Congresso, exatamente pela dificuldade de prever com alguma margem de segurança o comportamento da legenda. Contra essas desconfianças, argumenta-se que o PMDB já está ultracontemplado no consórcio lulista da Esplanada dos Ministérios e que dificilmente o partido, conhecido pelo seu pragmatismo, trocaria o certo pelo duvidoso, não migraria para a barca tucana. Ainda mais se o certo incluísse o poder efetivo sobre um dos vértices da Praça dos Três Poderes.

Existe também no PMDB quem não queira abrir mão da vice em 2010, mas esses têm um problema: a incapacidade crônica de fechar a sigla em torno de um único projeto de poder. Assim, a destinação de não uma, mas duas vagas das quatro para o PMDB estaria mais de acordo com a realidade, por acomodar melhor os apetites num barco historicamente conduzido a muitas mãos.

Restaria então o bloco, que precisaria unir-se em torno de um nome para a vice de Dilma. Quem sai na frente é Ciro Gomes, pela musculatura eleitoral e pela fidelidade ao projeto liderado por Luiz Inácio Lula da Silva. Mas não está descartado que a abertura do segundo lugar na primeira fila desperte outras ambições entre os hoje alinhados ao deputado federal do Ceará. Ainda que um dos nomes possíveis, o governador pernambucano, Eduardo Campos, tenha claramente apontado a proa de seu navio rumo à reeleição, congelando por enquanto os projetos nacionais.

A única certeza é que a decisão final sobre o cardápio caberá a Lula. Até o PT parece pacificado, conformado. O ministro da Justiça, Tarso Genro, volta seus olhos para o Rio Grande do Sul. E o peso da participação de Lula na tentativa de eleger Marta Suplicy à prefeitura indica que ela não deverá marchar em 2010 num passo diferente do ditado pelo presidente.

24/08/2008 - 10:16h O século 21 e as prefeitas


ROSE MARIE MURARO

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FOLHA SP


Vem aumentando a consciência de que existe uma diferença entre a forma de governar de mulheres e homens

NESTE INÍCIO de século, já podemos ver como ele é contraditório. Por um lado, o aumento da consciência humana de uma justiça social e ecológica, incluindo a subida paulatina das mulheres ao poder, e, por outro lado, a rápida deterioração do meio ambiente, o aumento da fome, o desenvolvimento de ciências sofisticadíssimas, como a nanotecnologia (ciência do infinitamente pequeno), a biologia sintética (a criação de vida artificial) e o crescimento desenfreado da riqueza e da miséria.
Tudo isso sem nenhuma regulamentação, baseado na lei da competição bruta, que trouxe a desregulamentação econômica e a globalização em favor dos mais fortes. Cada vez mais aceleradamente, fica clara a destruição do meio ambiente em favor também dos mais ricos e o aumento da fome dos mais pobres. Com esse tipo de globalização, todos teremos a perder, ricos e pobres.
Isso me faz agradavelmente surpresa com o fato de que há mulheres candidatas a prefeitas nas 15 maiores capitais do Brasil com peso suficiente para serem eleitas. Esse fato não está aí por acaso, mas porque vem aumentando a consciência de que existe uma diferença entre a forma de governar de mulheres e homens.
Em artigo anterior, citamos uma pesquisa do Banco Mundial (”Engendering Development”, 2000) que constatou a existência de uma correlação significativa entre o aumento de mulheres nos sistemas de poder e a diminuição da corrupção e da violência, o decréscimo das desigualdades socioeconômicas e o crescimento do bem-estar social.
Essa pesquisa foi feita em 121 países, incluindo ricos e menos ricos. A mulher, mais do que o homem, em todos esses países, tende a pensar mais nos interesses comuns do que nos seus próprios, o que a faz não procurar, tanto quanto o homem, privatizar o Estado em seu benefício e em detrimento da população. Assim, os fluxos de dinheiro público chegam com maior intensidade às camadas mais desfavorecidas, fazendo com que, no decorrer das gerações, o país alcance um alto nível de desenvolvimento social e econômico.
Isso aconteceu, por exemplo, em alguns países do norte da Europa (Suécia, Dinamarca, Noruega, Islândia, Finlândia e outros em menor escala). O que já faz uma massa critica para que possamos concluir que o incentivo à candidatura de mulheres para todos os níveis de poder seja fundamental para que consigamos reverter esse processo de autodestruição da espécie, que é muito mais profundo do que podemos imaginar.
Não tanto no que se refere à deterioração ambiental, já bastante publicizada, mas principalmente à não-regulamentação do uso das diversas tecnologias específicas do século 21, como as que citamos, já com emprego acelerado no mundo inteiro e completamente ignoradas pela população de todos os países. Essas ciências poderão acabar com a espécie humana muito mais rapidamente do que as alterações climáticas.
Por exemplo, em muitos países, agrotóxicos e transgênicos estão acabando com as abelhas, mortas por doenças misteriosas, o que pode fazer com que a polinização das plantas, dentro de poucos anos, esteja irremediavelmente comprometida. Quanto à nanotecnologia, já existem mais de 500 produtos patenteados no mundo, inclusive no Brasil, e ninguém sabe ainda qual o dano que esses produtos trazem para o solo e para as pessoas que os utilizam nos alimentos, nos cosméticos, em alguns fármacos e em praticamente tudo o que venha afetar a vida cotidiana em um futuro próximo.
Com a biologia sintética, pode-se construir vida artificial. Já existem firmas nos Estados Unidos que vendem pedaços de DNA construídos em laboratórios (como a Blue Heron e muitas outras, basta ver na internet) para cientistas de universidades ou quem queira comprá-los e acoplá-los a outros pedaços de DNA a fim de construir bactérias, microorganismos e, quem sabe, formas superiores de vida num futuro talvez não muito distante.
Sobre tudo isso ninguém sabe aqui no Brasil e, por isso, nem sequer se cogita da regulamentação dessa ciência. Espero que muitas prefeitas sejam eleitas e, depois, essa massa crítica possa tornar viável a candidatura de uma mulher à Presidência da República, mas que seja sensível a esses problemas tão sofisticados e tão fundamentais a nossa existência. Quem sabe Dilma Rousseff, viável a meu ver, não se interesse por essa pesadíssima missão?


ROSE MARIE MURARO, 77, formada em física e em economia, é editora, escritora e membro fundadora do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. Está finalizando o livro “Querendo Ser Deus - Uma Introdução à Tecnologia do Século 21″.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

18/08/2008 - 08:10h Pré-sal e Daniel Dantas

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Kennedy Alencar - Pensata - Folha Online

As novas regras de exploração do petróleo e o depoimento de Daniel Dantas na CPI dos Grampos foram assuntos de destaque nos últimos dias.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está certo em discutir o que o Brasil fará com uma descoberta capaz de transformá-lo num grande exportador de petróleo. Países que descobriram riquezas dessa magnitude alteraram regras de exploração. Até agora não houve quebra de nenhum contrato, apesar da mistificação que o assunto já vem gerando.

No ano passado, quando Lula soube do potencial de petróleo da camada pré-sal, excluiu tais lotes de um leilão. Os lotes já leiloados terão os contratos respeitados.

Até especialistas que criticam a eventual revisão de regras não negam o óbvio: a União tem de ganhar mais dinheiro com essa descoberta do que vem ganhando até hoje. Esses especialistas chegam a dizer que não é preciso mudar a lei para o governo aumentar sua participação, o que é um reconhecimento de que do jeito que está não dá para ficar.

É claro que certos cuidados devem ser tomados. A idéia de uma nova estatal não soa simpática. Ela será um cabide de empregos do PMDB e do PT? Que tamanho e funções teria? É mesmo necessária? Não são suficientes as