17/08/2012 - 09:37h Ibope SP: Gestão Kassab é ruim ou péssima para 43% dos moradores da cidade


Presidente Dilma Rousseff e governador Geraldo Alckmin têm avaliação positiva de 55% e 41%, respectivamente, segundo pesquisa Ibope

17 de agosto de 2012

Daniel Bramatti, de O Estado de S.Paulo

O Ibope também perguntou aos entrevistados como avaliam as administrações do prefeito Gilberto Kassab (PSD), do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e da presidente da República, Dilma Rousseff (PT). A gestão de Kassab é considerada boa ou ótima por 18% e ruim ou péssima por 43%. Em relação à pesquisa anterior, feita há duas semanas, o saldo negativo passou de 22 para 25 pontos porcentuais.

O governador Alckmin é aprovado por 41% dos paulistanos, enquanto apenas 16% veem sua administração como ruim ou péssima – o saldo positivo é de 25 pontos, o mesmo resultado obtido no início deste mês.

Já Dilma tem 55% de ótimo e bom e 11% de ruim e péssimo. Seu saldo positivo é de 44 pontos porcentuais, e também não variou desde a última pesquisa.

Entre os que aprovam a administração de Kassab, Serra – candidato apoiado pelo prefeito – tem 42% das intenções de voto. Esse índice cai para 15% entre os que consideram a gestão ruim ou péssima.

Entre os que consideram a administração Dilma boa ou ótima, é Celso Russomanno (PRB) quem lidera, com 31%. Serra vem a seguir, com 26%, o dobro do índice obtido pelo petista Fernando Haddad, correligionário da presidente.

Dilma tem afirmado que vai se manter distante da campanha em São Paulo, ao menos no segundo turno, já que entre os concorrentes há outros candidatos de partidos de sua base.

14/08/2012 - 14:12h Haddad resgata motes de Marta e promete obras de R$ 20 bilhões

Alexandre Moreira/Folhapress / Alexandre Moreira/Folhapress
Haddad, em evento de sua candidatura: mote da campanha será o de desenvolver áreas da periferia da capital, com incentivos fiscais a empresários


Por Cristiane Agostine | Valor

De São Paulo

Anunciado como uma celebridade, o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, subiu ao palco de uma universidade e, com o microfone em mãos, começou a explicar quais são os problemas da capital paulista. “Nossa cidade é rádio-concêntrica. Toda as radiais levam para os mesmos lugares. Não há infraestrutura que suporte essa sobrecarga de mobilidade, que é fruto da irracionalidade do desenvolvimento”, disse. “O modelo que desenvolvemos é rodoviarista e tinha como pressuposto o automóvel”, comentou, logo nos primeiros minutos da apresentação. Na plateia, algumas pessoas se mexeram nas poltronas, com um olhar de interrogação. Atrás de Haddad, um enorme “H” vermelho é projetado. “O fator-chave de uma metrópole é o tempo e ele tem que ser liberado. É sinônimo de liberar as energias criativas de cada cidadão”, completou, dizendo que é com “essa variável” que trabalhará, se eleito.

Nas duas horas seguintes, Haddad falou sem parar sobre seu plano de governo, lançado oficialmente ontem. Na plateia, a grande ausência foi a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, patrocinador da candidatura do petista. A presença do ex-presidente, que ainda se recupera de tratamento contra um câncer na laringe, era tida como certa pelo comando da campanha. O lançamento das propostas chegou a ser adiado para contar com Lula. O candidato, no entanto, minimizou a ausência.

Em meio a lembranças da gestão da ex-prefeita petista Marta Suplicy (2001-2004), Haddad disse que “pela primeira vez” um candidato “rompia o paradigma de repensar a forma de organizar a cidade” e anunciou o mote de sua campanha: o “arco do futuro”. A proposta, explicou, é de desenvolver a periferia a partir de investimentos no entorno de grandes vias da capital. No eixo central está um pacote de obras de infraestrutura no valor de R$ 20 bilhões para os próximos quatro anos. O nome do programa foi dado pelo marqueteiro da campanha, João Santana, e o arco é formado pela avenida Cupecê, as marginais dos rios Pinheiros e Tietê e a avenida Jacu Pêssego. “Quero transformar a Cupecê e a Jacu Pêssego em uma nova [avenida] Faria Lima”, disse.

O petista prometeu reduzir a alíquota do ISS de 5% para 2% para empresas que forem para as áreas mais distantes do centro. O candidato disse também que poderá zerar o IPTU para essas empresas e isentar a outorga onerosa do direito de construir nessas regiões. Segundo Haddad, essas medidas ajudariam a levar empresas para a periferia e gerar mais empregos.

Haddad resgatou bandeiras da gestão Marta, como o Bilhete Único, os corredores de ônibus e os Centros Educacionais Unificados (CEUs). O petista reciclou também uma das propostas apresentadas por Marta em 2008, de dar internet gratuita para todos os bairros.

O ex-ministro afirmou que fará 20 novos CEUs e criará 150 mil vagas em creches. Haddad disse que resgatará o programa de transporte escolar “Vai e Volta”, outra marca da gestão Marta. O candidato do PT prometeu ensino integral a 100 mil alunos, em quatro anos.

Em transportes, o candidato do PT disse que o Bilhete Único terá três versões: diário, semanal e diário. O usuário poderá realizar quantas viagens quiser em um período de tempo que será determinado pela prefeitura.

O petista prometeu construir 150 quilômetros de corredores de ônibus, o dobro do que foi construído por Marta. Haddad disse que fará também 150 quilômetros de faixas exclusivas para ônibus. Haddad afirmou que fará repasses ao Metrô, mas disse que o aporte só será feito se a prefeitura puder intervir nas metas do governo estadual e na escolha das estações que serão entregues.

O petista disse que pretende firmar convênios com o governo estadual, comandado por Geraldo Alckmin (PSDB), e ironizou os tucanos ao dizer que eles não gostam de fazer parcerias com o PT. “Mas eu não tenho preconceito com parceria”, disse.

Ao defender parcerias com o governo federal, o petista afirmou que levará a Universidade Federal de São Paulo para a Itaquera, na zona leste, e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, para a zona norte.

Na saúde, área com a pior avaliação segundo pesquisas de opinião, Haddad disse que fará três hospitais na periferia, em Parelheiros (zona sul), Vila Matilde (zona leste) e Brasilândia (zona oeste) e que entregará em quatro anos 1 mil leitos. Em meio a críticas à gestão de Gilberto Kassab (PSD), o petista lembrou que o prefeito prometeu na campanha de 2008 construir os hospitais, mas não deverá entregá-los até o fim do ano.

Apesar das críticas a Kassab, o candidato afirmou que não vai abandonar nenhuma licitação feita pela atual gestão.

O petista defendeu a construção de moradias na região central, para diferentes classes sociais. Disse que construirá 55 mil unidades habitacionais na capital e que atenderá 70 mil famílias com obras de urbanização de favelas.

Em tom professoral, Haddad expôs suas propostas a cerca de 500 pessoas. Depois de uma hora de apresentação, diante do silêncio da plateia, pediu aplausos. O nome de Lula e da presidente Dilma Rousseff foram pouco citados.

Em diversos momentos, Haddad fez propostas mais afeitas a um candidato a governador. O petista disse que sua proposta de desenvolver a periferia em torno de grandes vias da capital beneficiaria as cidades do ABCD paulista, além de Osasco e Guarulhos, na região metropolitana. Ao falar sobre o aporte de recursos ao metrô, Haddad apresentou propostas de extensão de linhas do metrô e da CPTM e de entrega de estações, apesar de a gestão desse sistema ser da competência do governo estadual. Questionado, disse que o prefeito tem que participar da definição do cronograma do metrô.

10/05/2012 - 08:57h Veja os principais números da pesquisa Ibope em SP

10.maio.2012 03:32:12

Eleição paulistana: 10 candidatos e só 2,5 candidaturas

José Roberto de Toledo – O Estado SP

A eleição paulistana tem dez candidatos, mas só duas candidaturas e meia. Com 31% no Ibope, José Serra (PSDB) catalisa, por ora, o eleitorado anti-petista. A outra candidatura é a do PT, mesmo que só 3% do eleitorado declare voto em Fernando Haddad por enquanto. O PT tem a simpatia de 31% do eleitorado paulistano e nunca ficou fora de um segundo turno na cidade. A terceira candidatura está em fase de projeto: há espaço, mas falta um nome. Oito candidatos tentam ser o tertius, a alternativa à bipolarização tucano-petista. Juntos, os oito têm 44% de intenção de voto estimulada.

A pesquisa Ibope dá pistas de quem tem mais chances de ser a terceira via da eleição paulistana. Mais importante do que a intenção de voto nesta fase fria da campanha, é o potencial de crescimento. E isso depende de uma baixa rejeição dos eleitores e de mais oportunidade de exposição quando a campanha chegar à TV.

À esta altura, quando 4 em cada 5 eleitores não têm o nome de nenhum dos candidatos na ponta da língua, as intenções de voto são mais um exercício de memória do que a decisão definitiva do eleitor. Hoje, a pesquisa espelha o grau de conhecimento do eleitorado sobre os candidatos. É algo que tende a mudar muito à medida que a propaganda se intensificar e a eleição se tornar uma preocupação real para os eleitores.

Entre os candidatos a tertius, Celso Russomanno (PRB) é o mais conhecido. Tem 16% no Ibope, mas bateu no teto e lhe falta tempo de propaganda eleitoral. Ele é alavancado pela exposição constante na TV, especialmente na Record, onde trabalha. Mas a partir de 10 de junho -manda a lei- Russomanno não poderá mais apresentar seu quadro de defesa do consumidor. Para ele se manter com chances, precisaria se aliar a partidos que têm muitas inserções na TV. Está difícil.

Netinho de Paula (PC do B) também deve seus 8% no Ibope à TV. Na eleição para senador, ele largou bem, mas perdeu terreno à medida que a rejeição a seu nome aumentava. Desta vez, será obrigado a se afastar dos programas televisivos sem a contrapartida da propaganda eleitoral que a aliança com o PT lhe garantiu dois anos atrás. É um caso semelhante ao de Russomanno, agravado por uma rejeição três vezes maior: 38%, contra 13% do rival.

Por sua origem petista, Soninha (PPS) teria chances de se viabilizar como terceira via pela esquerda. Mas a aliança do PPS com o PSDB em São Paulo, além de sua participação pessoal no mal-avaliado governo do prefeito Gilberto Kassab (58% desaprovam), fragilizam o discurso oposicionista. Soninha tende a ficar espremida pela candidatura de Serra. Também lhe falta tempo de propaganda. A seu favor, é a única mulher na disputa.

Na terceira via, Gabriel Chalita (PMDB) tem o maior potencial. Sua rejeição (11%) é a mais baixa. Ele patina em 6% de intenção de voto desde janeiro, mas tem algo que nenhum outro candidato a tertius tem: tempo de TV. Como Haddad, o peemdebista dependerá de um bom desempenho na TV. Sua missão é duplamente difícil: em 45 dias de horário eleitoral, precisará se firmar como terceira via e suplantar uma das candidaturas supostamente favoritas.

Se chegar ao segundo turno, Chalita tem potencial para roubar votos de Serra ou de Haddad. Pode posar de aliado tanto de Dilma Rousseff (PT) quanto de Geraldo Alckmin (PSDB). O difícil é chegar lá.

Em SP, Dilma tem a aprovação de 65%

10 de maio de 2012

DANIEL BRAMATTI – Agência Estado

Poucos dias após atacar os bancos em rede nacional de rádio e televisão e em meio a uma campanha para reduzir os juros cobrados dos consumidores e tomadores de empréstimos, a presidente Dilma Rousseff obteve índice de 65% de aprovação a seu governo na cidade de São Paulo.

Segundo a pesquisa Ibope, as taxas de “ótimo” e “bom” obtidas por Dilma entre os paulistanos superam as do prefeito Gilberto Kassab (PSD) e as do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Apenas 8% dos eleitores da cidade apontaram a gestão de Dilma como ruim ou péssima, e 25% a consideraram regular.

Entre os moradores mais pobres – com renda de até um salário mínimo – e com escolaridade mais baixa – até quatro anos de estudo -, a aprovação a Dilma é ainda maior (73% e 71%), respectivamente.

No caso de Alckmin, 42% consideram a administração do governador tucano ótima ou boa. Para 38%, a gestão é regular, e ruim e péssima na avaliação de outros 18%.

Dilma e Alckmin, que têm se mostrado próximos em termos administrativos, estarão em campos opostos na eleição paulistana, onde Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB) ocupam posição de destaque.

Fator eleitoral

Os altos índices de aprovação à presidente a credenciam como cabo eleitoral na cidade, em um momento que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresenta dificuldades para entrar na campanha de Haddad.

Recém-saído de um tratamento contra o câncer na laringe, Lula ainda se recupera dos efeitos da quimioterapia e da radioterapia. Fernando Haddad, que nunca disputou eleições, contava com a colaboração ativa do ex-presidente para conquistar o eleitorado paulistano.

Gestão Kassab é mal avaliada por paulistanos

10 de maio de 2012

O Estado de S.Paulo

Principal aliado de José Serra na corrida eleitoral, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) tem sua gestão considerada ruim ou péssima por 39% dos paulistanos, segundo a pesquisa Ibope feita nos primeiros dias de maio.

Outros 38% consideram a administração regular, e apenas 22% a apontam como ótima ou boa. A maior taxa de reprovação (49%) é verificada entre os moradores da região norte da cidade.

Os entrevistados pelo Ibope também foram convidados a apontar o que consideram os três principais problemas da cidade. A área da saúde ficou em primeiro lugar, com 64%, seguida por educação (46%), segurança pública e transporte coletivo. Os índices representam a soma das três áreas que o entrevistado poderia mencionar.

21/09/2011 - 09:49h Maioria prefere que Lula concorra à Presidência

Por Cristian Klein | VALOR

De São Paulo

A maioria da população brasileira (57%) gostaria que a presidente Dilma Rousseff desistisse de tentar uma reeleição para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se candidatasse em seu lugar. Apenas 29% preferem que Dilma busque um novo mandato em 2014. Esse é um dos principais resultados de pesquisa do Instituto Análise, que entrevistou 2 mil pessoas entre os dias 5 e 11 deste mês, em cem municípios de todas as regiões do país.

A pesquisa mostra como, depois de oito meses de governo Dilma, a boa lembrança de Lula e sua administração predomina a avaliação do eleitorado e pode influenciar o tabuleiro político e eleitoral.

Para o cientista político Alberto Almeida, coordenador do instituto, um dos dados que chamam mais atenção é a permanência da popularidade de Lula – o que o torna um fator de extremo desequilíbrio no jogo presidencial.

No auge de sua popularidade, Lula alcançou 80% de aprovação (ótimo + bom), quando a campanha de Dilma Rousseff divulgava os feitos de seu governo. Agora, depois de cair um pouco pela falta de exposição na mídia, a aprovação do ex-presidente, de acordo com a pesquisa, chegaria a 82%.

“Isso significa não apenas um reconhecimento de bom desempenho, mas também que parte importante do eleitorado está com ’saudades de Lula’”, afirma Alberto Almeida.

A aprovação ao governo Dilma Rousseff é exatamente a metade da de seu antecessor: 41% de respostas “ótimo” e “bom”. A desaprovação é ainda mais contrastante: enquanto apenas 3% dos entrevistados consideram que o governo Lula foi ruim ou péssimo, 16% avaliam a administração Dilma como tal. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais.

Outro fator que reforçaria a imagem e o peso de Lula é a transformação de seu governo numa espécie de referência à qual a população toma como medida. Ao serem questionados por que avaliam a administração Dilma Rousseff boa ou ótima, a principal justificativa (25%) dos entrevistados é que a presidente “está dando continuidade ao que o Lula fez”. A manutenção do Bolsa-Família é a segunda razão e apareceu em 14% das respostas.

O modelo desenvolvimentista, marca do segundo mandato Lula, também ressurge como uma preferência do eleitorado. Em três questões, os entrevistados se mostraram mais tolerantes, em relação a pesquisa feita no ano passado, com um leve aumento da inflação desde que isso gere mais empregos (62% a 46%), com o risco de crescimento da inflação, se isso acelerar a geração de empregos (56% a 45%) ou se implicar mais gastos na solução dos problemas sociais (45% a 32%). Os resultados deste ano são semelhantes aos de 2009.

A pesquisa também traça cenários eleitorais para a disputa presidencial de 2014 nas quais Lula aparece na liderança absoluta, seja com que candidato for.

Enquanto Dilma, numa simulação de segundo turno, venceria o senador Aécio Neves (PSDB-MG) por 57% a 18% (diferença de 39 pontos percentuais), Lula elevaria essa vantagem para 65 pontos percentuais: 76% a 11%.

Numa hipotética disputa entre Lula e Dilma, criador venceria criatura por 65% a 18%.

Almeida afirma que pesquisas com comparações como estas serão cada vez mais comuns e, caso os resultados se mantenham, farão com que cresçam as pressões para que Lula volte a disputar a Presidência da República, mesmo que Dilma Rousseff esteja bem avaliada pela opinião pública.

“O importante para o cálculo dos políticos é a expectativa de poder. A candidatura Lula significa minimizar os riscos”, diz.

Para Almeida, a pressão virá de governadores, deputados federais e estaduais, que preferirão ter Lula como seu puxador de votos do que a presidente Dilma.

Por outro lado, diz o cientista político, a enorme popularidade de Lula, que põe o PT em situação confortável para 2014, permite a ela mais margem de manobra no governo, seja para arriscar mais, ou pelo, contrário, para adotar um estilo mais conservador.

30/04/2011 - 10:47h A trabalhadores, Dilma promete fim da miséria e da inflação

Em pronunciamento do 1º de Maio, ela diz que manterá poder de compra do mínimo

Leonencio Nossa e Rafael Moraes Moura – O Estado de S.Paulo

Em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV na noite de ontem, às vésperas do 1.º de Maio, a presidente Dilma Rousseff anunciou o lançamento do programa Brasil Sem Miséria e defendeu “jogo duro” contra a inflação. Numa fala de 9 minutos e 45 segundos ela ressaltou que distribuição de renda, crescimento e combate à inflação e à miséria são “políticas permanentes” e que respeito à democracia e aos direitos humanos são “compromissos sagrados”.

A presidente citou quatro vezes o problema da inflação, destacando a importância de garantir o poder de compra do salário. “Garantir o poder de compra do salário significa jogar duro contra a inflação”, afirmou. “Esse é um dos fundamentos da nossa política econômica e dele jamais abriremos mão. Estamos, por exemplo, melhorando a qualidade do gasto público, com o desafio de fazer mais e melhor com menos recursos.”

Dilma disse que o País reagiu bem à crise financeira de 2008 e está preparado para “enfrentar as pressões inflacionárias que rondam, no momento, a economia mundial”. “Nada vai conseguir deter a marcha harmônica do Brasil para o futuro”, enfatizou. Disse que não haverá interrupção nos canteiros de obras dos principais programas de infraestrutura do governo – PAC e Minha Casa, Minha Vida.

No pronunciamento, Dilma “convocou” os brasileiros para vencer “a batalha contra a miséria”. “Essa é uma grande bandeira do meu governo”, afirmou. “Nas próximas semanas, daremos um passo importante para concretizá-la com o lançamento do programa Brasil Sem Miséria. Ele vai articular e integrar novos e antigos programas sociais, ampliar recursos e oportunidades e, muito especialmente, mobilizar todos os setores da sociedade para a luta decisiva de acabar com a pobreza extrema em nosso país.”

Dilma afirmou que o desafio é crescer de “forma harmônica e sustentável, sem gerar inflação ou outros tipos de desequilíbrio”. “Mas o maior de todos os desafios é não deixar milhões de brasileiros fora dessa era de prosperidade que se amplia e se consolida”. Esse foi o segundo pronunciamento da presidente em cadeia nacional de rádio e TV desde que assumiu o governo.

Festa. Em São Paulo, os preparativos para a comemoração do 1.º de Maio deixam evidente que o imposto sindical é o divisor de águas entre as centrais sindicais. Cinco entidades se uniram para organizar um evento único, mas a Central Única dos Trabalhadores (CUT) não aderiu. Resolveu bater firme na tecla de que é o momento de eliminar o imposto, principal fonte de financiamento do movimento sindical.

Assim, a festa unificada – promovida pela Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores, Central Geral dos Trabalhadores do Brasil, Nova Central Sindical de Trabalhadores e Central Geral dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, será na Barra Funda, zona oeste da capital. Já o ato da CUT será no Parque da Independência, no Ipiranga. / COLABOROU MARCELO REHDER

10/04/2011 - 08:43h Nos discursos, a valorização da mulher

Além de citar a questão de gênero em metade de seus pronunciamentos, Dilma destacou a importância da independência financeira

Roldão Arruda – O Estado de S.Paulo

Nos 33 pronunciamentos que fez desde a posse, em 15 deles a presidente Dilma Rousseff relembrou o fato de ser a primeira mulher no cargo ou homenageou as mulheres. Proporcionalmente, ela fala mais de mulheres do que seu antecessor. Isso poderia, por si só, ser motivo de deleite para feministas, que não perdem de vista o valor simbólico do fato e a influência que terá nas gerações de meninas que vêm por aí. Mas o que está atraindo mais a atenção delas nos discursos é um detalhe que, embora desapercebido para a maioria, encanta seus ouvidos mais atentos.

Trata-se da ênfase que Dilma dá à questão da independência econômica das mulheres – como assalariadas ou empreendedoras. Isso representaria um avanço em relação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que valorizou as mulheres por outros caminhos, o combate à violência contra elas.

Um dos momentos sinalizadores dessa mudança verificou-se no dia 1.º de março, durante a cerimônia de anúncio do reajuste nos valores do Bolsa Família, em Irecê, interior da Bahia. Após os elogios de praxe à relevância social do programa, Dilma disse que ele constitui apenas uma parte de sua política para resolver os problemas sociais: “A outra parte é, necessariamente, a oportunidade de participar produtivamente da vida da sociedade”.

Em seguida, passou a falar de mulheres, destacando, por se encontrar numa região agrícola, as trabalhadoras rurais: “É importante aumentar o valor e quantidade do crédito para as mulheres terem o seu Pronaf (programa de financiamento da agricultura familiar). Porque com o Pronaf ela pode ter acesso a financiamento para o seu artesanato. Ela pode costurar, pode fazer doce, pode contribuir para a melhoria de renda de sua família”.

Empolgada, citou outras profissões: “Uma quantidade grande de mulheres virou enfermeiras, professoras, empregadas domésticas, médicas, agentes de saúde, e deve ser valorizada”.

Creches ajudam. A mesma preocupação já apareceu em outros discursos. Durante homenagem a educadoras, no Palácio do Planalto, mencionou que as mulheres constituem 81% do total de 1,9 milhão de professores em atividade no País – e que é “fundamental” valorizar essa profissão. Ao assinar um termo de compromisso para a construção novas creches, destacou que as mulheres que trabalham podem se tornar mais eficientes em suas atividades se souberem que os filhos estão bem cuidados.

Para a educadora Silvia Camurça, da coordenação da SOS Corpo, uma das mais tradicionais entidades feministas do País, com sede em Recife, a ênfase na promoção das mulheres sob o ponto de vista econômico, é a mais importante novidade do governo Dilma nesta área.

“Sem abrir mão do combate à violência, ela recoloca no centro do debate a questão da autonomia econômica”, diz. “Esse eixo de combate à pobreza é importante, porque a falta de autonomia favorece a violência. Muitas se sujeitam a violências físicas e psicológicas no âmbito doméstico por falta de independência econômica.”

Diferenças. Para a professora e socióloga Maria José Rosado, da organização Católicas pelo Direito de Decidir, ainda é cedo para avaliar o governo. Mas ela diz que considera positivos os sinais dados até agora no sentido de valorização do trabalho da mulher.

“As pesquisas demonstram que, mesmo desempenhando as mesmas atividades, as mulheres ganham menos que os homens”, observa Maria José. “Por outro lado, também existem pesquisas indicando que o número de mulheres que sustentam as famílias aumenta. Diante disso, é fundamental o desenvolvimento de políticas de valorização do trabalho feminino.”

Em relação ao papel simbólico de uma mulher na Presidência, a socióloga Fátima Pacheco Jordão, consultora e especialista em pesquisas de opinião, observa que isso deve, efetivamente, favorecer a ampliação da presença de mulheres nos espaços de poder. Por outro lado, também diz que os bons níveis de aceitação de Dilma e a naturalidade da transição no Planalto demonstram que a sociedade estava mais preparada para aceitar uma mulher no comando do País do que se supunha na campanha eleitoral. “Tinha-se a impressão de que o fato de ser mulher seria um obstáculo imenso. Mas não se verificou isso na prática.”

30/03/2011 - 07:41h “Ele era bom em vida”, diz ex -presidente

Lula entre Marisa e Dilma em Coimbra: lembrança da carreata em novembro em que Alencar ficou em pé por 4 horas


Assis Moreira | VALOR

De Coimbra

Foi em meio a momentos de prantos que a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentaram a morte de José Alencar, pouco depois de serem informados pelo médico do ex-presidente.

A visita de ambos em Portugal foi encurtada, e retornam a Brasília logo depois de Lula receber titulo de doutor honoris causa na Universidade de Coimbra, hoje cedo.

Com a voz embargada e os olhos marejados, a presidente Dilma Rousseff anunciou luto oficial por sete dias e velório no Palácio do Planalto para Alencar como chefe de Estado.

“Estamos num momento de muita dor e sofrimento, José Alencar vai deixar uma marca indelével na vida de cada um de nós”, disse a presidente, enquanto Lula ao seu lado caia literalmente no choro.

“Todo mundo fica bom depois de morto, mas José Alencar era bom em vida”, disse Lula, estimando que não podia ter tido um vice-presidente melhor e mais leal, sem “nenhuma divergência”. Qualificou a relação de ter sido mais que política e sim de “irmãos e companheiros e a gente funcionava como um orquestra”.

Lula declarou-se ainda mais agradecido ao lembrar que, depois de ter perdido eleições porque não passava de 35% dos votos, foi com ajuda de José Alencar que encontrou o restante. “Quando vi o discurso de José Alencar em Minas Gerais, comemorando os 50 anos de vida empresarial, sai de lá falando que encontrara meu vice.”

O ex-presidente lembrou a resistência ao nome do empresário mineiro. Mas os dois viajaram o Brasil inteiro. “Tinha muita gente mais à esquerda que achava que não devia chamá-lo para vice. Mas quando ele falava e contava sua vida, o mais esquerdista ficava chorando.”

Lula lembrou com Dilma de um episódio da campanha dela em Belo Horizonte. Alencar não tinha mais força nem sequer para levantar a mão de tão fragilizado. Mas subiu num carro e os três fizeram a carreata por Belo Horizonte por quatro horas. “Ele dizia que tinha de fazer isso porque queria eleger a Dilma.”

O ex-presidente disse que falava com Alencar praticamente toda semana. “O otimismo dele era uma coisa que causava na gente até uma inveja de ver sua força.” Antes de partir para Lisboa, ele telefonou para Alencar do carro. O ex-vice presidente sabia que do ponto de vista clínico não tinha mais muita expectativa, mas mantinha a fé.

Depois que chegou em Portugal, Lula ligou de novo para o médico de Alencar e soube que ele estava sedado. Mais tarde, o médico Raul Cutait informou sobre a morte. “Foi um descanso para ele, estava sofrendo há seis meses. Alencar não se contentava de ficar no hospital o tempo inteiro”, disse Lula, de novo chorando. Alencar pedira a opinião de Lula sobre se deveria parar de tomar remédios. “Achei que sim, ele devia viver da maneira mais prazerosa os dias que restavam”, contou. Depois interrompeu a entrevista aos prantos.

23/03/2011 - 10:22h Com 3 meses, saldo de aprovação de Dilma supera até o de Lula

José Roberto Toledo – Blog do Estadão

O saldo de popularidade de Dilma Rousseff supera o de Lula no começo do seu segundo mandato e é o maior entre todos os presidentes desde a redemocratização, se forem comparados apenas as avaliações de cada um após os três primeiros meses de governo.

Os que aprovam Dilma, segundo o Datafolha, são 47%, contra 7% que reprovam: saldo de 40%, portanto. Em março de 2007, no início do seu segundo governo, Lula tinha 48% de ótimo/bom, mas 14% de ruim/péssimo, com saldo de 34%.

Dilma supera Lula em saldo porque é uma incógnita ainda para 12% dos brasileiros, segundo o Datafolha. Esses não sabem o que dizer do governo da atual presidente. Lula, ao contrário, já havia governado por mais de quatro anos em março de 2007 e apenas 1% da população não tinha opinião sobre sua gestão.

Como se vê no gráfico abaixo, o saldo inicial de Dilma supera os de Lula (também no primeiro governo), de Fernando Henrique Cardoso (nos dois mandatos), de Itamar Franco e de Fernando Collor. Nenhum deles começou sua administração surfando uma onda de crescimento de 8% na economia.

pesquisa_Dilma

À medida que mais pessoas passem a ter uma opinião sobre o governo Dilma, talvez esse saldo caia (ou aumente). Aconteceu a mesma coisa com Itamar e Lula: um porcentual relativamente alto de eleitores não sabia avaliar seus governos três meses depois de eles terem tomado posse.

As pessoas que ainda não sabem avaliar o governo Dilma estão distribuídas em proporções muito similares entre ricos e pobres, entre quem não passou do fundamental e quem tem diploma universitário. Ou seja, não parece ser desconhecimento, mas o pouco tempo que a presidente passou no poder o principal motivo dessa taxa recorde de “não sei”.

O saldo positivo de Dilma é sensivelmente maior entre quem tem renda familiar mensal até 5 salários mínimos (42%) do que entre os que estão na faixa mais alta de renda (25%). Também é maior entre quem cursou até o fudamental (43%), do que entre os que foram à faculdade (34%).

As diferenças por renda e escolaridade são mais significativas do que as diferenças regionais. A presidente tem saldo positivo de 40% no Sudeste contra 43% no Nordeste, por exemplo.

17/03/2011 - 08:16h Alckmin elogia Dilma e discute dívida

Tucano vai pedir em maio que governo federal amplie teto de endividamento de SP em R$ 15 bilhões, para aumentar investimentos

Roberto Almeida e Leonencio Nossa – O Estado de S.Paulo

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou ontem que a solicitação para ampliação do teto da dívida paulista em R$ 15 bilhões, pretendida pelo Palácio dos Bandeirantes para aumentar a capacidade de investimento do Estado, será encaminhada ao governo federal em maio, quando a União discute o Programa de Ajuste Fiscal de São Paulo. O aumento do limite de endividamento do Estado foi discutido ontem pelo governador com a presidente Dilma Rousseff, em Brasília.

No encontro, o tucano defendeu a ampliação do teto em virtude da queda da relação entre a dívida e a receita corrente líquida da Fazenda paulista.

Num momento de perda de espaço do ex-governador paulista José Serra para o senador Aécio Neves (MG) no PSDB, e de mudanças no comando do também oposicionista DEM, Alckmin se valeu da “relação institucional” com o Planalto para se colocar como interlocutor da oposição e de São Paulo com Dilma, avaliaram auxiliares da presidente.

O tucano tentou ontem dar o máximo de visibilidade à primeira audiência com Dilma. Questionado sobre a postura discreta da presidente, que chegou a ser comparada, como ele, a um “picolé de chuchu”, o governador riu e elogiou a petista: “Nós torcemos muito por ela, por seu trabalho. Ela tem conhecimento de Estado e de gestão. São Paulo será um parceiro deste trabalho”.

Convencimento. “Em relação à questão do endividamento, mostrei que São Paulo melhorou muito a relação da dívida sobre a receita corrente líquida. A relação, que a Lei de Responsabilidade (Fiscal) estabelece como dois, nós estamos hoje em 1,5. Isso abre um espaço grande para novos financiamentos”, afirmou Alckmin à noite, após receber o cônsul-geral do Japão, Kazuaki Obe, e a comunidade japonesa no Palácio dos Bandeirantes.

De acordo com dados da Secretaria da Fazenda de São Paulo, a dívida paulista saltou de R$ 120 bilhões no final de 2007 para R$ 152,7 bilhões no fim do ano passado. Alckmin quer chegar a 2014 com um total de R$ 80 bilhões em investimentos. Indagado se Dilma acenou positivamente sobre o montante pretendido por São Paulo, não respondeu.

O Programa de Ajuste Fiscal, que definirá se São Paulo pode ampliar o teto de sua dívida, foi assinado por 25 governadores no final da década de 1990 como parte do refinanciamento da dívida dos Estados.

O Palácio dos Bandeirantes terá de apresentar, em maio, um balanço das contas estaduais e metas para o triênio. Os dados ainda passarão por avaliação do Ministério da Fazenda e análise do Tesouro Nacional.

Infraestrutura. Na reunião com Dilma, Alckmin exemplificou investimentos que pretende fazer. O tucano destacou a execução da asa norte do Rodoanel, que, segundo ele, será feita inteiramente com dinheiro público, da hidrovia Tietê-Paraná, do Ferroanel paulista e do trem-bala.

Após o encontro, Alckmin fez questão de ressaltar que suas posições sobre obras de infraestrutura em São Paulo contam com o apoio da “presidenta” Dilma. “A presidenta foi receptiva com as obras do Rodoanel”, “a presidenta defendeu também o trem de alta velocidade”, “Dilma se preocupa com a logística”, repetiu o tucano, como um mantra.

A petista, o tucano e a ”nova” gerência

Julia Duailibi – O Estado de S.Paulo

Depois de uma relação conturbada com o inquilino anterior do Palácio do Planalto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), deu indícios ontem de que pretende ter convivência administrativa mais próxima com Dilma Rousseff.

Após encontro com a presidente no Palácio do Planalto, Alckmin seguiu para um almoço com oito deputados da bancada paulista do PSDB, em um clube de golfe, durante o qual afirmou ter ficado bem impressionado com Dilma. De acordo com relato dos presentes, o governador teria sido surpreendido pelo cardápio colocado pela presidente: concessões, parcerias público-privadas, choque de gestão e outros assuntos que fazem parte da pauta tucana.

No encontro, Dilma disse que, se não investisse nada neste ano, já gastaria um orçamento inteiro somente com os restos a pagar de 2010. Defendeu concessões nos aeroportos e o papel das parcerias público-privadas como forma de aumentar os investimentos em infraestrutura. Falou ainda sobre a renovação dos contratos de concessão de energia e gás, de modo que haja uma queda na tarifa para os consumidores.

Alckmin destacou que a reunião durou uma hora a mais do que o previsto. Após o encontro, o governador concluiu que Dilma tem uma dinâmica de trabalho bem diferente da do ex-presidente. Para ele, a petista opera mais como uma “gerente”, característica que, curiosamente, atribuiu a si mesmo durante a campanha presidencial de 2006, quando enfrentou Lula.

26/01/2011 - 12:17h José Alencar recebe homenagem em São Paulo

Governo : Medalha 25 de Janeiro foi entregue pela presidente Dilma


Ana Paula Grabois e Fernando Taquari | VALOR

Homenageado ontem pela Prefeitura de São Paulo, o ex-vice-presidente José Alencar disse que continua na luta para sobreviver. Há três meses internado no hospital Sírio-Libanês, no centro da capital paulista, Alencar disse ontem que se morrer, será “um privilégio”. “Se eu morrer agora, é um privilégio para mim. Não posso me queixar. A situação está tão boa que não tem como melhorar, todo mundo está rezando e torcendo por mim, tenho que continuar a minha parte, lutando para não morrer”, disse.

Nos cerca de 30 minutos da cerimônia na qual recebeu a medalha comemorativa 25 de Janeiro pelo aniversário de 457 anos de São Paulo, Alencar permaneceu sentado em uma cadeira de rodas entre a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O ex-vice-presidente, que luta contra o câncer há mais de uma década, disse que não está totalmente bem, mas que já se recupera e segue em tratamento de quimioterapia. No discurso, lembrou que completava ontem 90 dias de internação hospitalar, período no qual passou por algumas complicações sérias, como um edema pulmonar e um infarto do miocárdio.

Liberado pelos médicos apenas para participar da homenagem, Alencar voltaria ao hospital logo após deixar a Prefeitura de São Paulo, mas seu médico, Roberto Kalil Filho, permitiu que ele dormisse ontem em sua casa, em São Paulo. Segundo Kalil, Alencar apresenta quadro estável e deve voltar ao hospital hoje.

O ex-vice-presidente disse ter chorado de emoção ao saber que Dilma e Lula participariam da cerimônia e agradeceu a Kassab pela homenagem. Lula ficou ao lado de Alencar durante toda a cerimônia e não discursou.

Alencar brincou com o público que acompanhava a solenidade. “Como me ensinou Lula, os discursos devem ser como vestido de mulher. Nem tão curtos que possam escandalizar, nem tão longos que possam entristecer”, afirmou o ex-vice.

Dilma entregou a medalha 25 de Janeiro para Alencar. Disse que o ex-vice é um exemplo de dignidade na luta pela vida. Ela classificou como simbólica a homenagem em São Paulo, Estado empreendedor, assim como Alencar, empresário do ramo têxtil.

A presidente lembrou a trajetória de vida do homenageado. “Saiu de baixo e construiu um império econômico, mas não perdeu o compromisso com o país no resgate de milhões de brasileiros da miséria”, afirmou.

Dilma disse que Alencar foi fundamental para o governo Lula na tarefa de fazer o Brasil voltar a crescer. “Lá de Minas, lá do fundo do nosso Estado, ele trouxe também aquela sabedoria cotidiana de perceber que o país devia, podia e ia crescer, e foi um parceiro nessa trajetória”, afirmou a presidente. Ao lembrar a gestão anterior, ela destacou que Alencar foi o vice-presidente que mais ocupou o cargo de presidente das últimas décadas, em função das viagens de Lula.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, fez o discurso de entrega da medalha. “Trata-se de uma justa homenagem a um grande brasileiro, que honrou nosso país como um homem público, empreendedor e apaixonado pela vida.”

Kassab, por sua vez, cometeu uma gafe ao chamar Dilma de vice-presidente. A petista foi rápida na resposta. “Ele [José Alencar] hoje é, de fato, a figura do protocolo mais importante aqui presente”, disse a presidente.

Depois da entrega da medalha, Kassab foi alvo de manifestação. Na reinauguração da biblioteca pública Mário de Andrade, estudantes contrários ao aumento da tarifa de ônibus de R$ 2,70 para R$ 3, os manifestantes furaram o bloqueio da segurança e invadiram o local, interrompendo o discurso de um aliado do prefeito, o ex-governador José Serra (PSDB). Na cerimônia, Kassab disse que devia a Serra a iniciativa de reforma da biblioteca. (Com agências noticiosas)

10/01/2011 - 09:27h Diplomacia de Dilma precisa lidar com Lula

Sergio Leo – VALOR

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será um dos desafios da política externa de Dilma Rousseff. A tese é defendida por um conhecedor do Itamaraty, ex-aliado do governo, e as notícias saídas das proximidades de Lula a confirmam. O próprio Lula anunciou que não deixaria a política, e que sua futura fundação tratará de assuntos da África e América do Sul. Na semana passada, fez saber que pretende visitar em breve o amigo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que anda às voltas com pressões políticas e econômicas. Lula não quer sair de cena.

O presidente mais popular da história do país é, também, um dos mais respeitados lá fora, questões com o Irã à parte. Os telegramas da diplomacia americana vazados pelo site Wikileaks mostram que até o Departamento do Estado dos EUA considera legítima, ainda que critique, a ambição brasileira de um perfil internacional próprio, independente. Diplomatas com acesso às mesas reservadas do G20, grupo das economias mais influentes, garantem que a palavra de Lula era ouvida atentamente, em silêncio respeitoso, pelos presentes, do francês Nicolas Sarkozy ao americano Barack Obama.

Mas se há algo na atuação mundial de Lula que não deixa dúvidas é sua disposição para tratar delicados problemas globais com uma ligeireza vocabular capaz de dar taquicardia ao mais treinado dos diplomatas. A dois dias de deixar o governo, ao apontar a ironia embutida na recessão dos países ricos, antes arrogantes nas recomendações aos países emergentes, Lula não precisava dizer que “foi gostoso” ver a crise que tirou emprego e perspectivas de milhões de trabalhadores na Europa, Estados Unidos e Japão, por exemplo.

Boa parte das críticas ao relacionamento entre Brasil e Irã, também, fundamentou-se em declarações de Lula, como a que atribuía ao chefe de Estado iraniano a condição de “companheiro” e amigo fraterno. Ou a esdrúxula ideia de comparar as denúncias de repressão contra a oposição iraniana a “uma coisa entre flamenguistas e vascaínos”. Os conflitos de rua em Teerã reprimidos violentamente causaram até mortes, e os vazamentos do Wikileaks indicam que poderia ter sido pior: segundo relato da diplomacia americana, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, teria sido esbofeteado pelo comandante da poderosa Guarda Revolucionária após uma discussão em que ele, Ahmadinejad, foi acusado de excessiva complacência com a oposição.

Ex-presidente pode ser um desafio para a política externa

Lula se considera traído pelos aliados ocidentais que, na avaliação corrente no Palácio do Planalto e no Itamaraty, o estimularam a assumir o papel de mediador na crise envolvendo o Irã e seu mal conduzido programa nuclear. E pensa que o escândalo em torno da iraniana condenada à morte, Sakineh Ashtiani, (outro alvo de declarações impensadas do ex-presidente) faz parte do jogo tradicional de demonizar adversários das grandes potências, como foi feito com o ex-aliado dos EUA no Iraque, Saddam Hussein.

Na verdade, o governo brasileiro desprezou os recados da secretária de Estado, Hillary Clinton, contra a aproximação com o Irã, possivelmente imaginando haver na Casa Branca uma divisão entre o moderado Obama, que enviou uma carta encorajadora a Brasília, e os falcões encabeçados pela ex-senadora. A ousadia brasileira ao tratar de Irã tinha até uma racionalidade compreensível, defendida pelo então ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, com base na tradição de mediação internacional, nos contatos múltiplos do Brasil na cena internacional, nos ganhos políticos que o Brasil teria se conseguisse de fato trazer o Irã à mesa de negociação para conter seu programa nuclear. Se essa racionalidade era ingênua ou muito otimista pode ser motivo de discussão, mas não se duvida que as declarações mal calibradas de Lula a desmoralizavam, inclusive no Brasil.

Entre as razões apontadas por pessoas bem informadas no governo para o desembarque de Amorim, com a chegada de Dilma Rousseff, está a relação ambígua estabelecida entre ele e Lula: o presidente, ao mesmo tempo em que admirava a capacidade e inteligência do ministro, irritava-se profundamente com o desembaraço com que ele o interrompeu, algumas vezes, em encontros com chefes de Estado, para dar opiniões ou dirigir a conversa. Conhecendo-se o tipo de metáforas fora de lugar que Lula usava em público, e mesmo sabendo que o presidente era capaz de traduzir questões complexas de relações internacionais em recados diretos e bem colocados, como fez nas reuniões privadas do G20, é fácil imaginar que as intervenções de Amorim não se davam apenas pelo gosto do protagonismo.

Lula, com seu talento metafórico, seu hábito de personalizar as relações com chefes de Estado, suas ideias próprias sobre como conduzir as relações do Brasil com outros países, promete permanecer em cena durante a presidência Dilma. E a agenda internacional é de tamanho interesse para o Brasil que, apesar das especulações sobre a falta de vocação internacional por parte de Dilma, ela já decidiu, na primeira semana de governo, que viajará, neste ano, a Argentina, Uruguai, Paraguai, Peru, Chile, Venezuela, Colômbia, China, EUA e, provavelmente, Turquia. Além da Bulgária, por motivos sentimentais.

Dilma terá de disputar atenções, no palco internacional, com o charmoso antecessor? Será obrigada a explicar declarações ou opiniões eventualmente manifestadas por Lula, ainda visto como grande líder do seu partido e fiador do governo? São questões como essas que acompanharão Lula e Dilma, nos passeios de ambos pelos acidentados caminhos da diplomacia internacional. A primeira parada: Venezuela.

Sergio Leo é repórter especial e escreve às segundas-feiras

E-mail sergio.leo@valor.com.br

02/01/2011 - 08:24h “Não haverá discriminação, privilégios ou compadrio”

Dilma faz tributo a Lula, garante a defesa do interesse público e fala em continuidade, união e consolidação de projetos sociais

Discurso da presidenta Dilma Rousseff no Congresso Nacional – O Estado de S.Paulo

Queridas brasileiras e queridos brasileiros,

Pela decisão soberana do povo, hoje será a primeira vez que a faixa presidencial cingirá o ombro de uma mulher.

Sinto uma imensa honra por essa escolha do povo brasileiro e sei do significado histórico desta decisão.

Sei, também, como é aparente a suavidade da seda verde-amarela da faixa presidencial, pois ela traz consigo uma enorme responsabilidade perante a nação.

Para assumi-la, tenho comigo a força e o exemplo da mulher brasileira. Abro meu coração para receber, neste momento, uma centelha de sua imensa energia.

E sei que meu mandato deve incluir a tradução mais generosa desta ousadia do voto popular que, após levar à presidência um homem do povo, decide convocar uma mulher para dirigir os destinos do país.

Venho para abrir portas para que muitas outras mulheres, também possam, no futuro, ser presidenta; e para que – no dia de hoje – todas as brasileiras sintam o orgulho e a alegria de ser mulher.

Não venho para enaltecer a minha biografia; mas para glorificar a vida de cada mulher brasileira. Meu compromisso supremo é honrar as mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos!

Venho, antes de tudo, para dar continuidade ao maior processo de afirmação que este país já viveu.

Venho para consolidar a obra transformadora do Presidente Luis Inácio Lula da Silva, com quem tive a mais vigorosa experiência política da minha vida e o privilégio de servir ao país, ao seu lado, nestes últimos anos.

De um presidente que mudou a forma de governar e levou o povo brasileiro a confiar ainda mais em si mesmo e no futuro do seu País.

A maior homenagem que posso prestar a ele é ampliar e avançar as conquistas do seu governo. Reconhecer, acreditar e investir na força do povo foi a maior lição que o presidente Lula deixou para todos nós.

Sob sua liderança, o povo brasileiro fez a travessia para uma outra margem da história.

Minha missão agora é de consolidar esta passagem e avançar no caminho de uma nação geradora das mais amplas oportunidades.

Quero, neste momento, prestar minha homenagem a outro grande brasileiro, incansável lutador, companheiro que esteve ao lado do Presidente Lula nestes oito anos: nosso querido Vice José Alencar. Que exemplo de coragem e de amor à vida nos dá este homem!! E que parceria fizeram o PR Lula e o vice-Pr José Alencar, pelo Brasil e pelo nosso povo!!

Eu e Michel Temer nos sentimos responsáveis por seguir no caminho iniciado por eles.

Um governo se alicerça no acúmulo de conquistas realizadas ao longo da história. Ele sempre será, ao seu tempo, mudança e continuidade. Por isso, ao saudar os extraordinários avanços recentes, é justo lembrar que muitos, a seu tempo e a seu modo, deram grandes contribuições às conquistas do Brasil de hoje.

Vivemos um dos melhores períodos da vida nacional: milhões de empregos estão sendo criados; nossa taxa de crescimento mais que dobrou e encerramos um longo período de dependência do FMI, ao mesmo tempo em que superamos nossa dívida externa.

Reduzimos, sobretudo, a nossa histórica dívida social, resgatando milhões de brasileiros da tragédia da miséria e ajudando outros milhões a alcançarem a classe média.

Mas, em um país com a complexidade do nosso, é preciso sempre querer mais, descobrir mais, inovar nos caminhos e buscar novas soluções.

Só assim poderemos garantir, aos que melhoraram de vida, que eles podem alcançar mais; e provar, aos que ainda lutam para sair da miséria, que eles podem, com a ajuda do governo e de toda sociedade, mudar de patamar.

Que podemos ser, de fato, uma das nações mais desenvolvidas e menos desiguais do mundo – um país de classe média sólida e empreendedora.

Uma democracia vibrante e moderna, plena de compromisso social, liberdade política e criatividade institucional.

Queridos brasileiros e queridas brasileiras,

Para enfrentar estes grandes desafios é preciso manter os fundamentos que nos garantiram chegar até aqui.

Mas, igualmente, agregar novas ferramentas e novos valores.

Na política é tarefa indeclinável e urgente uma reforma política com mudanças na legislação para fazer avançar nossa jovem democracia, fortalecer o sentido programático dos partidos e aperfeiçoar as instituições, restaurando valores e dando mais transparência ao conjunto da atividade pública.

Para dar longevidade ao atual ciclo de crescimento é preciso garantir a estabilidade de preços e seguir eliminando as travas que ainda inibem o dinamismo de nossa economia, facilitando a produção e estimulando a capacidade empreendedora de nosso povo, da grande empresa até os pequenos negócios locais, do agronegócio à agricultura familiar.

É, portanto, inadiável a implementação de um conjunto de medidas que modernize o sistema tributário, orientado pelo princípio da simplificação e da racionalidade. O uso intensivo da tecnologia da informação deve estar a serviço de um sistema de progressiva eficiência e elevado respeito ao contribuinte.

Valorizar nosso parque industrial e ampliar sua força exportadora será meta permanente. A competitividade de nossa agricultura e da pecuária, que faz do Brasil grande exportador de produtos de qualidade para todos os continentes, merecerá toda nossa atenção. Nos setores mais produtivos a internacionalização de nossas empresas já é uma realidade.

O apoio aos grandes exportadores não é incompatível com o incentivo à agricultura familiar e ao microempreendedor. As pequenas empresas são responsáveis pela maior parcela dos empregos permanentes em nosso país. Merecerão políticas tributárias e de crédito perenes.

Valorizar o desenvolvimento regional é outro imperativo de um país continental, sustentando a vibrante economia do nordeste, preservando e respeitando a biodiversidade da Amazônia no norte, dando condições à extraordinária produção agrícola do centro-oeste, a força industrial do sudeste e a pujança e o espírito de pioneirismo do sul.

É preciso, antes de tudo, criar condições reais e efetivas capazes de aproveitar e potencializar, ainda mais e melhor, a imensa energia criativa e produtiva do povo brasileiro.

No plano social, a inclusão só será plenamente alcançada com a universalização e a qualificação dos serviços essenciais. Este é um passo, decisivo e irrevogável, para consolidar e ampliar as grandes conquistas obtidas pela nossa população.

É, portanto, tarefa indispensável uma ação renovada, efetiva e integrada dos governos federal, estaduais e municipais, em particular nas áreas da saúde, da educação e da segurança, vontade expressa das famílias brasileiras.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros,

A luta mais obstinada do meu governo será pela erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos.

Uma expressiva mobilidade social ocorreu nos dois mandatos do Presidente Lula. Mas, ainda existe pobreza a envergonhar nosso país e a impedir nossa afirmação plena como povo desenvolvido.

Não vou descansar enquanto houver brasileiros sem alimentos na mesa, enquanto houver famílias no desalento das ruas, enquanto houver crianças pobres abandonadas à própria sorte. O congraçamento das famílias se dá no alimento, na paz e na alegria. E este é o sonho que vou perseguir!

Esta não é tarefa isolada de um governo, mas um compromisso a ser abraçado por toda sociedade. Para isso peço com humildade o apoio das instituições públicas e privadas, de todos os partidos, das entidades empresariais e dos trabalhadores, das universidades, da juventude, de toda a imprensa e de das pessoas de bem.

A superação da miséria exige prioridade na sustentação de um longo ciclo de crescimento. É com crescimento que serão gerados os empregos necessários para as atuais e as novas gerações.

É com crescimento, associado a fortes programas sociais, que venceremos a desigualdade de renda e do desenvolvimento regional.

Isso significa – reitero – manter a estabilidade econômica como valor absoluto. Já faz parte de nossa cultura recente a convicção de que a inflação desorganiza a economia e degrada a renda do trabalhador. Não permitiremos, sob nenhuma hipótese, que esta praga volte a corroer nosso tecido econômico e a castigar as famílias mais pobres.

Continuaremos fortalecendo nossas reservas para garantir o equilíbrio das contas externas. Atuaremos decididamente nos fóruns multilaterais na defesa de políticas econômicas saudáveis e equilibradas, protegendo o país da concorrência desleal e do fluxo indiscriminado de capitais especulativos.

Não faremos a menor concessão ao protecionismo dos países ricos que sufoca qualquer possibilidade de superação da pobreza de tantas nações pela via do esforço de produção.

Faremos um trabalho permanente e continuado para melhorar a qualidade do gasto público.

O Brasil optou, ao longo de sua história, por construir um estado provedor de serviços básicos e de previdência social pública.

Isso significa custos elevados para toda a sociedade, mas significa também a garantia do alento da aposentadoria para todos e serviços de saúde e educação universais. Portanto, a melhoria dos serviços é também um imperativo de qualificação dos gastos governamentais.

Outro fator importante da qualidade da despesa é o aumento dos níveis de investimento em relação aos gastos de custeio. O investimento público é essencial como indutor do investimento privado e como instrumento de desenvolvimento regional.

Através do Programa de Aceleração do Crescimento e do Minha Casa Minha Vida, manteremos o investimento sob estrito e cuidadoso acompanhamento da Presidência da República e dos ministérios.

O PAC continuará sendo um instrumento de coesão da ação governamental e coordenação voluntária dos investimentos estruturais dos estados e municípios. Será também vetor de incentivo ao investimento privado, valorizando todas as iniciativas de constituição de fundos privados de longo prazo.

Por sua vez, os investimentos previstos para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas serão concebidos de maneira a dar ganhos permanentes de qualidade de vida, em todas as regiões envolvidas.

Este princípio vai reger também nossa política de transporte aéreo. É preciso, sem dúvida, melhorar e ampliar nossos aeroportos para a Copa e as Olimpíadas. Mas é mais que necessário melhorá-los já, para arcar com o crescente uso deste meio de transporte por parcelas cada vez mais amplas da população brasileira.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros,

Junto com a erradicação da miséria, será prioridade do meu governo a luta pela qualidade da educação, da saúde e da segurança.

Nas últimas duas décadas, o Brasil universalizou o ensino fundamental. Porém é preciso melhorar sua qualidade e aumentar as vagas no ensino infantil e no ensino médio.

Para isso, vamos ajudar decididamente os municípios a ampliar a oferta de creches e de pré escolas.

No ensino médio, além do aumento do investimento publico vamos estender a vitoriosa experiência do PROUNI para o ensino médio profissionalizante, acelerando a oferta de milhares de vagas para que nossos jovens recebam uma formação educacional e profissional de qualidade.

Mas só existirá ensino de qualidade se o professor e a professora forem tratados como as verdadeiras autoridades da educação, com formação continuada, remuneração adequada e sólido compromisso com a educação das crianças e jovens.

Somente com avanço na qualidade de ensino poderemos formar jovens preparados, de fato, para nos conduzir à sociedade da tecnologia e do conhecimento.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros,

Consolidar o Sistema Único de Saúde será outra grande prioridade do meu governo.

Para isso, vou acompanhar pessoalmente o desenvolvimento desse setor tão essencial para o povo brasileiro.

Quero ser a presidenta que consolidou o SUS, tornando-o um dos maiores e melhores sistemas de saúde pública do mundo.

O SUS deve ter como meta a solução real do problema que atinge a pessoa que o procura, com uso de todos os instrumentos de diagnóstico e tratamento disponíveis, tornando os medicamentos acessíveis a todos, além de fortalecer as políticas de prevenção e promoção da saúde.

Vou usar a força do governo federal para acompanhar a qualidade do serviço prestado e o respeito ao usuário.

Vamos estabelecer parcerias com o setor privado na área da saúde, assegurando a reciprocidade quando da utilização dos serviços do SUS.

A formação e a presença de profissionais de saúde adequadamente distribuídos em todas as regiões do país será outra meta essencial ao bom funcionamento do sistema.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros,

A ação integrada de todos os níveis de governo e a participação da sociedade é o caminho para a redução da violência que constrange a sociedade e as famílias brasileiras.

Meu governo fará um trabalho permanente para garantir a presença do Estado em todas as regiões mais sensíveis à ação da criminalidade e das drogas, em forte parceria com Estados e Municípios.

O estado do Rio de Janeiro mostrou o quanto é importante, na solução dos conflitos, a ação coordenada das forças de segurança dos três níveis de governo, incluindo – quando necessário – a participação decisiva das Forças Armadas.

O êxito desta experiência deve nos estimular a unir as forças de segurança no combate, sem tréguas, ao crime organizado, que sofistica a cada dia seu poder de fogo e suas técnicas de aliciamento de jovens.

Buscaremos também uma maior capacitação federal na área de inteligência e no controle das fronteiras, com uso de modernas tecnologias e treinamento profissional permanente.

Reitero meu compromisso de agir no combate as drogas, em especial ao avanço do crack, que desintegra nossa juventude e infelicita as famílias.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros,

O Pré-Sal é nosso passaporte para o futuro, mas só o será plenamente se produzir uma síntese equilibrada de avanço tecnológico, avanço social e cuidado ambiental.

A sua própria descoberta é resultado do avanço tecnológico brasileiro e de uma moderna política de investimentos em pesquisa e inovação. Seu desenvolvimento será fator de valorização da empresa nacional e seus investimentos serão geradores de milhares de novos empregos.

O grande agente desta política é a Petrobrás, símbolo histórico da soberania brasileira na produção energética.

O meu governo terá a responsabilidade de transformar a enorme riqueza obtida no Pré Sal em poupança de longo prazo, capaz de fornecer às atuais e às futuras gerações a melhor parcela dessa riqueza, transformada, ao longo do tempo, em investimentos efetivos na qualidade dos serviços públicos, na redução da pobreza e na valorização do meio ambiente. Recusaremos o gasto apressado, que reserva às futuras gerações apenas as dívidas e a desesperança.

Meus queridos brasileiros e brasileiras,

Muita coisa melhorou em nosso país, mas estamos vivendo apenas o início de uma nova era. O despertar de um novo Brasil.

Recorro a um poeta da minha terra: ”o que tem de ser, tem muita força”.

Pela primeira vez o Brasil se vê diante da oportunidade real de se tornar, de ser, uma nação desenvolvida. Uma nação com a marca inerente da cultura e do estilo brasileiros – o amor, a generosidade, a criatividade e a tolerância.

Uma nação em que a preservação das reservas naturais e das suas imensas florestas, associada à rica biodiversidade e a matriz energética mais limpa do mundo, permitem um projeto inédito de país desenvolvido com forte componente ambiental.

O mundo vive num ritmo cada vez mais acelerado de revolução tecnológica. Ela se processa tanto na decifração de códigos desvendadores da vida quanto na explosão da comunicação e da informática.

Temos avançado na pesquisa e na tecnologia, mas precisamos avançar muito mais. Meu governo apoiará fortemente o desenvolvimento científico e tecnológico para o domínio do conhecimento e a inovação como instrumento da produtividade.

Mas o caminho para uma nação desenvolvida não está somente no campo econômico. Ele pressupõe o avanço social e a valorização da diversidade cultural. A cultura é a alma de um povo, essência de sua identidade.

Vamos investir em cultura, ampliando a produção e o consumo em todas as regiões de nossos bens culturais e expandindo a exportação da nossa música, cinema e literatura, signos vivos de nossa presença no mundo.

Em suma: temos que combater a miséria, que é a forma mais trágica de atraso, e, ao mesmo tempo, avançar investindo fortemente nas áreas mais sofisticadas da invenção tecnológica, da criação intelectual e da produção artística e cultural.

Justiça social, moralidade, conhecimento, invenção e criatividade, devem ser, mais que nunca, conceitos vivos no dia-a-dia da nação.

Queridos brasileiros e queridas brasileiras,

Considero uma missão sagrada do Brasil a de mostrar ao mundo que é possível um país crescer aceleradamente, sem destruir o meio-ambiente.

Somos e seremos os campeões mundiais de energia limpa, um país que sempre saberá crescer de forma saudável e equilibrada.

O etanol e as fontes de energia hídricas terão grande incentivo, assim como as fontes alternativas: a biomassa, a eólica e a solar. O Brasil continuará também priorizando a preservação das reservas naturais e das florestas.

Nossa política ambiental favorecerá nossa ação nos fóruns multilaterais. Mas o Brasil não condicionará sua ação ambiental ao sucesso e ao cumprimento, por terceiros, de acordos internacionais.

Defender o equilíbrio ambiental do planeta é um dos nossos compromissos nacionais mais universais.

Meus queridos brasileiros e brasileiras,

Nossa política externa estará baseada nos valores clássicos da tradição diplomática brasileira: promoção da paz, respeito ao princípio de não-intervenção, defesa dos Direitos Humanos e fortalecimento do multilateralismo.

O meu governo continuará engajado na luta contra a fome e a miséria no mundo.

Seguiremos aprofundando o relacionamento com nossos vizinhos sul-americanos; com nossos irmãos da América Latina e do Caribe; com nossos irmãos africanos e com os povos do Oriente Médio e dos países asiáticos. Preservaremos e aprofundaremos o relacionamento com os Estados Unidos e com a União Européia.

Vamos dar grande atenção aos países emergentes.

O Brasil reitera, com veemência e firmeza, a decisão de associar seu desenvolvimento econômico, social e político ao de nosso continente.

Podemos transformar nossa região em componente essencial do mundo multipolar que se anuncia, dando consistência cada vez maior ao Mercosul e à UNASUL. Vamos contribuir para a estabilidade financeira internacional, com uma intervenção qualificada nos fóruns multilaterais.

Nossa tradição de defesa da paz não nos permite qualquer indiferença frente à existência de enormes arsenais atômicos, à proliferação nuclear, ao terrorismo e ao crime organizado transnacional.

Nossa ação política externa continuará propugnando pela reforma dos organismos de governança mundial, em especial as Nações Unidas e seu Conselho de Segurança.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros,

Disse, no início deste discurso, que eu governarei para todos os brasileiros e brasileiras. E vou fazê-lo.

Mas é importante lembrar que o destino de um país não se resume à ação de seu governo. Ele é o resultado do trabalho e da ação transformadora de todos os brasileiros e brasileiras. O Brasil do futuro será exatamente do tamanho daquilo que, juntos, fizermos por ele hoje. Do tamanho da participação de todos e de cada um:

Dos movimentos sociais,
dos que labutam no campo,
dos profissionais liberais,
dos trabalhadores e dos pequenos empreendedores,
dos intelectuais,
dos servidores públicos,
dos empresários,
das mulheres,
dos negros, dos índios e dos jovens,
de todos aqueles que lutam para superar distintas formas de discriminação.

Quero estar ao lado dos que trabalham pelo bem do Brasil na solidão amazônica, na seca nordestina, na imensidão do cerrado, na vastidão dos pampas.

Quero estar ao lado dos que vivem nos aglomerados metropolitanos, na vastidão das florestas; no interior ou no litoral, nas capitais e nas fronteiras do Brasil.

Quero convocar todos a participar do esforço de transformação do nosso país.

Respeitada a autonomia dos poderes e o princípio federativo, quero contar com o Legislativo e o Judiciário, e com a parceria de governadores e prefeitos para continuarmos desenvolvendo nosso País, aperfeiçoando nossas instituições e fortalecendo nossa democracia.

Reafirmo meu compromisso inegociável com a garantia plena das liberdades individuais; da liberdade de culto e de religião; da liberdade de imprensa e de opinião.

Reafirmo que prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras. Quem, como eu e tantos outros da minha geração, lutamos contra o arbítrio e a censura, somos naturalmente amantes da mais plena democracia e da defesa intansigente dos direitos humanos, no nosso País e como bandeira sagrada de todos os povos.

O ser humano não é só realização prática, mas sonho; não é só cautela racional, mas coragem, invenção e ousadia. E esses são elementos fundamentais para a afirmação coletiva da nossa nação.

Eu e meu vice Michel Temer fomos eleitos por uma ampla coligação partidária. Estamos construindo com eles um governo onde capacidade profissional, liderança e a disposição de servir ao país serão os critérios fundamentais.

Mais uma vez estendo minha mão aos partidos de oposição e as parcelas da sociedade que não estiveram conosco na recente jornada eleitoral. Não haverá de minha parte discriminação, privilégios ou compadrio.

A partir deste momento sou a presidenta de todos os brasileiros, sob a égide dos valores republicanos.

Serei rígida na defesa do interesse público. Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito. A corrupção será combatida permanentemente, e os órgãos de controle e investigação terão todo o meu respaldo para aturem com firmeza e autonomia.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros,

Dediquei toda a minha vida a causa do Brasil. Entreguei minha juventude ao sonho de um país justo e democrático. Suportei as adversidades mais extremas infligidas a todos que ousamos enfrentar o arbítrio. Não tenho qualquer arrependimento, tampouco ressentimento ou rancor.

Muitos da minha geração, que tombaram pelo caminho, não podem compartilhar a alegria deste momento. Divido com eles esta conquista, e rendo-lhes minha homenagem.

Esta dura caminhada me fez valorizar e amar muito mais a vida e me deu sobretudo coragem para enfrentar desafios ainda maiores. Recorro mais uma vez ao poeta da minha terra:

”O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”

É com esta coragem que vou governar o Brasil.

Mas mulher não é só coragem. É carinho também.

Carinho que dedico a minha filha e ao meu neto. Carinho com que abraço a minha mãe que me acompanha e me abençoa.

É com este mesmo carinho que quero cuidar do meu povo, e a ele – só a ele – dedicar os próximos anos da minha vida.

Que Deus abençoe o Brasil!

Que Deus abençoe a todos nós!

01/01/2011 - 18:54h Presidenta

Dilma_faixa
Já com a faixa presidencial, Dilma discursa ao público no parlatório do Palácio do Planalto

Foto: Ricardo Matsukawa/Terra

06/12/2010 - 08:35h Dilma defende corte de gastos e reaproximação com os EUA

«Somos muito cautelosos. Temos um objetivo

em mente: que nossas taxas de juros sejam

convergentes com os índices internacionais.

Para chegar lá, uma das questões mais

importantes é reduzir a dívida pública. Outra

questão importante é melhorar a competitividade

de nossos setores manufatureiro e agrícola.

E também é muito importante que o Brasil racionalize seu sistema de impostos »


«Eu não endosso o apedrejamento.

Não concordo com as práticas que têm

características medievais para as mulheres.

Não há nuances, não vou fazer qualquer

concessão a esse respeito. Minha posição não

mudará quando assumir a Presidência.

Não concordo com a maneira como o Brasil votou.

Não é a minha posição»


Em entrevista ao ‘Washington Post’, ela discorda de posição do Brasil sobre Irã

Fernando Eichenberg – O GLOBO – Correspondente • WASHINGTON

A presidente eleita, Dilma Rousseff, manifestou especial apreço pelo líder americano Barack Obama e defendeu uma política de reaproximação entre os dois países. Em entrevista ao jornal americano “The Washington Post”, publicada neste fim de semana, ela também afirmou a necessidade de uma redução da dívida pública brasileira com um corte de despesas que permita manter o crescimento econômico e evitar o aumento da inflação.

As relações entre Brasil e Estados Unidos foram recentemente esfriadas, em grande parte, por causa de profundas discordâncias na abordagem sobre o controle do programa nuclear iraniano — Brasil e Turquia acertaram um acordo à parte com o Irã, enquanto Washington insistiu na aprovação de sanções no Conselho de Segurança da ONU. Dilma pretende, pelo menos no discurso, reaquecer as ligações entre Washington e Brasília.

— Considero a relação com os EUA muito importante para o Brasil. Vou tentar construir laços próximos com os EUA. Eu tenho uma grande admiração pela eleição do presidente Obama. Acredito que os EUA, naquele momento, revelaram uma enorme capacidade de mostrar que são uma grande nação, e isso surpreendeu o mundo. Talvez seja muito difícil eleger um presidente negro nos EUA, como era difícil eleger uma mulher presidente do Brasil — disse Dilma ao “Washington Post”.

Segundo ela, Brasil e EUA possuem “grande potencial” para atuarem em conjunto na África, nas áreas de desenvolvimento de tecnologia em agricultura, produção de biocombustíveis e ajuda humanitária.

No encontro com a jornalista Lally Weymouth, na manhã da última quinta-feira, em Brasília, Dilma procurou marcar algumas diferenças com o governo do presidente Luiz

Inácio Lula da Silva. Garantiu, por exemplo, que, se já tivesse tomado posse, o Brasil não teria se abstido na votação da resolução das Nações Unidas de condenação à violação de direitos humanos no Irã. — Eu não endosso o apedrejamento. Não concordo com as práticas que têm características medievais para as mulheres. Não há nuances, não vou fazer qualquer concessão a esse respeito — disse, numa referência à condenação à morte por apedrejamento da iraniana Sakineh Ashtiani, acusada de adultério e de cumplicidade no assassinato do marido. — Minha posição não mudará quando assumir a Presidência. Não concordo com a maneira como o Brasil votou. Não é a minha posição.

Desvalorização do dólar é criticada

● Numa tentativa de obter um posicionamento mais amplo da presidente eleita em relação ao apoio do Brasil a um país — o Irã — que “permite o apedrejamento e encarcera jornalistas”, Lally perguntou se ela, como ex-presa política, não sentia simpatia por indivíduos em dificuldades e sofrimentos similares. Dilma declarou ter um “compromisso histórico” com todos os demais prisioneiros políticos, mas preferiu responder à questão de uma forma geral sobre a necessidade de se alcançar a paz no Oriente Médio. — O que vemos no Oriente Médio é a falência de uma política, de uma política de guerra. Estamos falando do Afeganistão e do desastre que foi a invasão do Iraque. Nós não conseguimos construir a paz nem resolver os problemas do Iraque. Hoje, o Iraque está em guerra civil. A cada dia morrem soldados dos dois lados. Tentar construir a paz e não entrar em guerra é o melhor caminho — disse ao jornal.

Ao tratar da crise econômica que afeta os países desenvolvidos, Dilma lançou um recado direto a Washington: — Ninguém ficará confortável se os EUA tiverem elevados índices de desemprego. A recuperação dos EUA é importante para o Brasil porque os EUA possuem um extraordinário mercado de consumo. Hoje, o maior superavit de comércio dos EUA é com o Brasil — observou. Ela aproveitou para criticar a atual desvalorização do dólar americano, o que é prejudicial ao comércio mundial e ao Brasil. — Para nós, uma política de dólar fraco não é compatível com o papel que os EUA desempenham devido ao fato de que a moeda dos EUA serve como uma reserva internacional. E uma política de desvalorização sistemática do dólar pode desencadear reações de protecionismo, o que nunca é uma boa política a ser seguida — alertou.

Na economia, Dilma sinalizou a continuidade ao “bem-sucedido governo Lula”: — Conseguimos controlar a inflação, ter um regime flexível de taxa de câmbio e consolidação fiscal de modo que, hoje, estamos entre os países que possuem a proporção mais baixa da dívida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Além disso, não temos um deficit significativo. Não quero me gabar, mas temos um deficit de 2,2%. Nos próximos quatro anos, pretendemos reduzir a razão entre dívida e PIB e garantir a estabilidade inflacionária — prometeu. Segundo ela, não há como cortar as taxas de juros sem reduzir o deficit do governo: — Somos muito cautelosos. Temos

um objetivo em mente: que nossas taxas de juros sejam convergentes com os índices internacionais. Para chegar lá, uma das questões mais importantes é reduzir a

dívida pública. Outra questão importante é melhorar a competitividade dos setores manufatureiro e agrícola. E também é muito importante que o Brasil racionalize seu

sistema de impostos — resumiu.

Seu projeto econômico é o de “racionalizar os gastos” e, ao mesmo tempo, “aumentar o PIB”. — Não estamos em recessão aqui. Não temos de cortar gastos do governo. Nós vamos cortar despesas, mas continuar a crescer.

Na entrevista ao diário americano, Dilma garantiu que está totalmente curada do câncer, e sustentou que seu governo será diferente do governo do presidente Lula: — Não vou repetir o governo dele, porque a situação do país hoje é muito melhor do que era em 2002. (…) Meus desafios serão outros. Terei de resolver questões como a

qualidade dos serviços de saúde e encontrar soluções para a segurança pública. Para melhorar a infraestrutura e os serviços públicos no país, ela prometeu usar recursos da exploração do pré-sal em educação, saúde, ciência e tecnologia.

Se forem confirmadas suas declarações ao “Washington Post”, Dilma Rousseff viajará aos EUA ainda em janeiro, logo após a posse, para um encontro com Barack Obama. No ano que vem, o titular da Casa Branca deverá desembarcar em Brasília, numa turnê oficial pela América do Sul. ■

06/12/2010 - 08:05h Apoio a Irã na ONU foi erro, diz Dilma

Declaração ao ‘Washington Post’ foi divulgada pouco depois da notícia de que Celso Amorim deve mesmo deixar comando do Itamaraty


Celso Junior/AE
Celso Junior/AE
Diplomacia. Dilma defendeu negociações de paz no Oriente Médio e sugeriu que manterá estratégia de intermediar conflitos

Luciana Xavier CORRESPONDENTE NOVA YORK, Lucas de Abreu Maia – O Estado de S.Paulo

A presidente eleita Dilma Rousseff criticou, em entrevista publicada ontem no jornal The Washington Post, o comportamento do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), em 18 de novembro, ao se abster de votar uma condenação às violações de direitos humanos no Irã. “Não concordo com o modo como o Brasil votou. Não é a minha posição”, afirmou Dilma, que vinha evitando fazer comentários sobre a decisão do Itamaraty.

Na votação, a ONU aprovou uma censura ao regime iraniano por violações de direitos humanos e pediu o fim dos apedrejamentos, da perseguição a minorias e de ataques a jornalistas.

O Brasil foi um dos 57 países que se abstiveram na votação – outros 80 votaram a favor da condenação e 44 foram contrários. A aproximação do Brasil com o Irã tem sido vista com preocupação por Estados Unidos e Europa.

A censura da ONU a Teerã foi motivada pela condenação à morte por apedrejamento de Sakineh Achtiani, acusada de adultério e de envolvimento no assassinato do marido. Em sua primeira entrevista como presidente eleita, Dilma havia criticado a sentença.

Na entrevista ao Post, ela voltou a condenar o apedrejamento de mulheres no Irã. “Não concordo com as práticas medievais características que são aplicadas quando se trata de mulheres. Não há nuances e eu não farei nenhuma concessão em relação a isso”, garantiu. “Não sou a presidente do Brasil (hoje), mas ficaria desconfortável, como uma mulher eleita presidente, em não me manifestar contra o apedrejamento. Minha posição não vai mudar quando assumir.”

As declarações de Dilma foram antecipadas no site do jornal americano na sexta-feira, pouco depois da notícia de que o atual chanceler, Celso Amorim, deve mesmo deixar o comando do Itamaraty. O ministério das Relações Exteriores provavelmente será comandado por Antônio Patriota – que já foi embaixador do Brasil em Washington.

A despeito da inflexão do discurso em relação ao Irã, a presidente eleita defendeu o diálogo com o governo dos aiatolás e criticou a política externa americana para a região. “O que vemos no Oriente Médio é a falência de uma política de guerra: estamos falando do Afeganistão e o desastre que foi a invasão do Iraque”, criticou. A presidente eleita defendeu as negociações de paz na região, sugerindo que seu governo manterá a estratégia atual de intermediar conflitos.

Economia. Dilma reconheceu que o momento internacional é de grande instabilidade global por causa da crise econômica e é fundamental estimular a retomada das economias desenvolvidas a fim de garantir o equilíbrio do mundo. “Ninguém no Brasil se sentirá confortável se os EUA continuarem com altas taxas de desemprego. A recuperação dos Estados Unidos é importante para o Brasil porque são um extraordinário mercado consumidor.”

A presidente eleita fez questão de reiterar seu compromisso com a estabilidade econômica. “Essa foi a maior conquista do nosso país”, comentou.

“Acredito que o meu governo será diferente do governo do presidente Lula. Não poderei repetir sua gestão, porque a situação atual é muito melhor que em 2002. Meus desafios são outros. Tenho de encontrar soluções para problemas como a qualidade da saúde pública no Brasil, a questão da segurança e o déficit de infraestrutura”, destacou.

18/11/2010 - 09:29h Friendly fire

Dilma_Lula_Palocci

O Globo escruta e alimenta a fogueira das vaidades

15/10/2010 - 09:43h Entre os dois turnos

Fábio Wanderley Reis | VALOR

Entre um turno e outro, alguns aspectos da eleição presidencial em curso. Um deles é a tentativa de deslegitimar a atuação do presidente da República como propagandista de Dilma Rousseff, como parte das denúncias de risco de autoritarismo, “mexicanização” e quejandos. Tivemos, por certo, os excessos frequentes na retórica de Lula, que às vezes embrulham em desregramento mesmo posições corretas. Mas, se implantamos até a reeleição, em que o presidente pode fazer sua própria campanha sem deixar a cadeira presidencial, é patente a impropriedade de negar que ele possa legitimamente empenhar-se, como presidente, na campanha de uma parceira de partido e de governo e presumível continuadora. Quanto à “mexicanização”, a bobagem envolvida recebeu a pá de cal com a vitória do PSDB nas disputas para o governo de alguns dos mais importantes estados e a projeção no cenário nacional de líderes oposicionistas de claro potencial, sem falar das perspectivas abertas na disputa da Presidência já no segundo turno, em especial diante da onda de temas negativos de que o “autoritarismo” do governo não pode proteger sua desajeitada candidata.

Outro aspecto é de maior interesse na análise do processo que experimentamos. Falou-se com insistência do caráter “despolitizado” da eleição presidencial, supostamente expresso no fato de que os candidatos não apresentam “programas”. Ora, é fácil redigir programas, cujo destino costuma ser a lata de lixo. Em contraste, é impossível não reconhecer que há temas substantivos de grande alcance político subjacentes à eleição, e essa é mesmo a razão da feição de convergência e “não evento” que a campanha vinha exibindo, com Serra impedido de opor-se às políticas de Lula e levado até a prometer mantê-las e expandi-las, ao ponto da demagogia. O grande e óbvio tema é a “questão social”, trazida ao processo eleitoral em particular com o acesso de Lula à Presidência – e com força inédita, que não se reduz aos velhos e fraudulentos acenos populistas dirigidos ao “povão” por figuras alheias a ele, mas se expressa na correlação entre o voto e a posição socioeconômica dos eleitores, com suas projeções regionais, e na demanda de continuidade. A penetração mais extensa do apoio a Lula em camadas de classe média atenuou a nitidez com que a correlação apareceu em 2006, mas é inegável o conteúdo social e distributivo que segue marcando a luta político-eleitoral. Sem embargo do alto risco, que o segundo turno evidenciou, da aposta em Dilma para levar o bastão.

Os votos de Marina, é claro, complicam o quadro. Mas, descontada a parcela de apoiadores sensíveis ao problema ambiental e os atraídos por sua fé evangélica, a candidata do PV pode ser lida na mesma chave do fenômeno Lula: suas origens humildes e história de vida corroboram a relevância eleitoral da questão social, sendo parte das razões a tornarem atraente a alternativa representada por sua candidatura – e, afinal, uma candidata verde à Presidência não pode ser somente verde, tem de dirigir-se aos diversos problemas que interessam ao cidadão como tal. Isso importa para as indagações sobre a posição a esperar de Marina no segundo turno e os desdobramentos quanto à sua consolidação como liderança real no futuro. Dificilmente caberia esperar de uma líder desejosa de consolidar-se como tal que ela simplesmente declare nada ter a ver com a crucial decisão pendente no segundo turno e convide seu eleitor a escolher por si mesmo.

É lamentável ver agora golpes eleitorais rasteiros, beijos no rosário para as câmeras e visitas ecumênicas

Dá-se ainda, porém, que o êxito de Marina ocorre em conjunto com a emergência surpreendentemente intensa de temas religiosos na virada do primeiro turno para o segundo. Nas condições em que tais temas emergiram, envolvendo o difuso ativismo político na internet, não há por que ligar o fenômeno, sem mais, às crenças religiosas da própria Marina. Seja como for, a importância político-eleitoral que eles adquirem, se parece introduzir um eixo ortogonal à questão social, é de fato a manifestação da fatal face atrasada do substrato em que se assenta sua afirmação tardia entre nós. Vimos, dois anos atrás, o retrógrado fundamentalismo religioso dos Estados Unidos levar Obama, como candidato, a ter de responder de público à pergunta de em quantos dias Deus fez o mundo. É lamentável ver agora, aqui, golpes eleitorais rasteiros combinados com beijos no rosário para as câmeras e visitas ecumênicas a basílicas e pastores, em vez do debate lúcido das complicações do problema do aborto – ou do debate real da própria questão social que o cerca.

E quem vence? A guerra aberta na imprensa em torno de posições e circunstâncias de Dilma, com seu componente de manipulação ao lado do de registro de fatos, aparentemente acabou não só por despertar o ânimo militante dos petistas, mas também por mobilizar em seu apoio até gente que em princípio a repelia como candidata. A ver se o que isso agrega basta para compensar os efeitos eleitorais negativos de suas limitações. E se a força de Lula se retempera.

Fábio Wanderley Reis é cientista político e professor emérito da UFMG.

07/10/2010 - 15:54h ‘Lula prevalecerá’ em 2011, diz revista ‘The Economist’

Sílvio Guedes Crespo – Radar Econômico

A revista britânica “The Economist” reafirma na edição desta semana que a candidata Dilma Rousseff (PT) será provavelmente a próxima presidente do Brasil e diz que o atual, Luiz Inácio Lula da Silva, deve continuar influente em 2011. O fato de a eleição ter ido para o segundo turno, avalia a revista, serviu para Lula perceber que seu poder tem limite.

“Lula, que transformou a senhora Rousseff de uma tecnocrata de bastidores em uma vitoriosa eleitoral ao fazer campanha ao lado dela, percebeu que o seu poder de fazer uma rainha tem limite. Mas no final ele provavelmente prevalecerá”, diz a “Economist”.

Para a revista, Dilma terá um Congresso “mais amigável” do que o atual governo tem, mas ela pode ter dificuldade para manter os petistas mais esquerdistas em linha com o seu programa de governo, e aí entraria o papel de Lula.

As afirmações estão em uma das duas reportagens que a revista traz sobre o Brasil nesta semana. O hebdomadário repete uma análise que tem sido feita no Brasil, a de que foi Marina Silva (PV), e não José Serra (PSDB), a responsável pela queda de Dilma nas eleições, e avalia que essa é uma “má notícia” para o tucano.

“Ele [Serra] não conseguiu atrair jovens que não se lembram da hiperinflação que o seu partido resolveu nos anos 1990, nem os pobres do Nordeste em cujos corações Lula reina”, diz a reportagem.

O outro texto da revista sobre o Brasil critica a Justiça devido à demora no julgamento sobre a Lei Ficha Limpa, além de outros recursos de parlamentares, o que faz com que as eleições permaneçam incertas até agora. No total, 11 milhões de votos foram para postulantes cuja candidatura estava indeferida. Se a Justiça as deferir, pessoas que já comemoraram a vitória acabarão ficando de fora do Legislativo.

Estado grande, populismo baixo

O Brasil foi o tema principal também da análise que a Economist Intelligence Unit, empresa do mesmo grupo da revista “The Economist”, divulga semanalmente a seus clientes. O relatório parte do pressuposto de que Dilma será eleita e analisa como tende a ser o seu governo.

Com o título “Política no Brasil: rumo à presidência de Rousseff”, texto diz que a EIU “não prevê que ela [Dilma] persiga políticas significativamente populistas a ponto de colocar em perigo a estabilidade macroeconômica que o Brasil conquistou duramente”.

A análise, no entanto, afirma que a tendência de crescimento do Estado, vista recentemente, deve continuar. Em um governo Dilma, o setor privado continuaria avançando em áreas que antes eram totalmente controladas pelo setor público, como rodovias, portos e aeroportos, mas o Estado tende a aumentar sua influência em indústrias estratégicas, a exemplo do avanço da participação estatal na Petrobrás verificada após a capitalização.

Leia no site da ‘Economist’ (em inglês):

Eleições presidenciais Brasileiras

Leis eleitorais do Brasil

Política no Brasil: rumo à presidência Rousseff

30/09/2010 - 17:47h Programa de TV – Tarde – 30/09

23/09/2010 - 08:27h “Ódio é como droga, quem entra não sai mais”, diz Dilma

Marli Lima e Paulo de Tarso Lyra – VALOR

De Curitiba e Brasília

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, atribuiu ontem ao “desespero” a onda de denúncias contra o governo das duas últimas semanas. Em comício realizado à noite em Curitiba, a petista disse que “quando aumenta o desespero, eles levantam falsidades e mentiras. Usam o desespero para tentar criar um clima de ódio. Mas o Brasil não tem capacidade de ser um país que odeia”.

Dilma lembrou que, no passado, o PT teve que combater o medo que as pessoas tinham de votar no então líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva. “Agora, vamos combater o ódio que tentam destilar com esperança no futuro e amor ao povo brasileiro”, afirmou a candidata. Presente ao comício ao qual chegou às 20h40, o presidente Lula disse que em três meses vai entregar a faixa presidencial a Dilma.

Mesmo em se tratando de um evento fora da agenda presidencial, cuidados com a segurança de Lula foram tomados. Por exemplo, seis detectores de metais foram instalados e todos os participantes do ato tiveram que passar por um deles.

À tarde, em Brasília, Dilma reforçou a estratégia definida pelo governo e pelo comando da campanha de, na reta final, transferir à imprensa o foco de atenção às denúncias de tráfico de influência na Casa Civil e de quebra de sigilo de pessoas ligadas ao PSDB. “Chegaram [a coligação PSDB-DEM-PPS] a entrar no TSE para tentar impugnar a minha candidatura. Para mim, o ódio é como uma droga. A pessoa entra no ódio e não sai dele nunca mais”.

A candidata, no entanto, não quis dar apoio explícito ao ato que o PT e as centrais sindicais promovem hoje em São Paulo contra a imprensa e o que chamam de “golpe midiático”. Declarou que a imprensa está no direito de fazer as críticas que achar necessárias e classificou como “exagero” falar em golpe promovido pela mídia. Brincou que, se eleita presidente, “os jornalistas poderão reclamar e criticar o dia inteiro”. Mas alertou. “Se eu achar que está errado, ou é uma injustiça, eu vou falar: meus jovenzinhos, isso não é bem assim”.

A candidata do PT também buscou desvencilhar-se de relações pessoais com a ex-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, demitida após várias denúncias de tráfico de influência. Afirmou ser contra a nomeação de servidores baseada em critérios de parentesco e amizade. “Eu indiquei a ministra Erenice Guerra porque ela é uma militante histórica do PT do Distrito Federal e uma advogada competente, especialmente no setor elétrico.”

14/09/2010 - 13:26h Dilma nas pesquisas


Parabéns e obrigado ao Alê por nos proporcionar esta ferramenta. Como veem, o Brasil inteiro já é vermelho, com a exceção do Acre. Se você quiser saber como vão os números do Ibope para as corridas ao Senado, é só procurar aqui.

31/08/2010 - 09:00h Executivos veem continuidade com Dilma

VALOR

Os empresários presentes ao evento de lançamento da décima edição do Anuário Valor 1000 acreditam que um eventual governo de Dilma Rousseff, líder nas pesquisas de opinião para a presidência da República com 24 pontos à frente do candidato José Serra, do PSDB, pela última pesquisa Ibope, terá a marca da continuidade. Eles não temem problemas de governabilidade entre outras razões porque avaliam que os partidos que apoiam a candidatura de Dilma também elegerão bancadas expressivas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

Hudson Calefe, presidente da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), é um dos que estima que, eleita, Dilma não enfrentará problemas de governabilidade. “Existe a possibilidade de se fazer uma grande bancada no Congresso, com renovação na Câmara e no Senado favorável à Dilma”, aposta o executivo. Para Francisco Schmitt, diretor de relações com investidores da Grendene, “imaginar que um candidato com as vantagens indicadas pelas pesquisas não tenha liderança é uma fantasia”. Ele acredita “que um eventual governo Dilma será uma continuidade do governo Lula”.

A mesma opinião é compartilhada por Gilberto Colombo, presidente da Usina Colombo, que não acredita em paralisia de um possível governo Dilma para tocar reformas. “Acredito em um continuísmo das políticas implementadas pelo governo Lula, principalmente no que tange às obras do PAC e aos sistemas de apoio às famílias carentes, como o Bolsa Família”, diz Colombo. Vanderlei Micheletto, da Mili Papel e Celulose, espera que o candidato vencedor, qualquer que seja, não intervenha na economia. “No caso dos atuais programas, acredito que serão mantidos os que têm efeito sobre distribuição de renda e crescimento das classes C e D”, diz ele.

Para o presidente da Votorantim Cimentos, Walter Schalka, “o Brasil já adquiriu maturidade institucional de tal grandeza que já não se admite colocar os interesses pessoais, políticos ou partidários acima dos interesses da nação”. Fausto Costa, diretor da Chocolates Garoto, diz que “as reformas serão fundamentais para qualquer um dos eleitos. Eles terão de trabalhar com suas bases para que elas sejam discutidas com seriedade para avançar no Congresso”.

Caso a candidata apoiada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva vença as eleições, Valentino Rizzioli, vice-presidente do Grupo Fiat e presidente da CNH, acredita que ela dará continuidade aos projetos de infraestrutura e sociais do atual governo. “Os grandes projetos do país estão acima de interesses partidários, pois são indispensáveis para que a economia continue em crescimento. Seria um suicídio paralisá-los, pois em muitos ela teve participação e outros estão dando certo”. Ao seu ver, a candidata deveria concentrar mais investimentos na educação.

O presidente da Cielo, Rômulo Dias, está diz otimista com a capacidade política da atual candidata do PT. “Ela terá todo o suporte do PT e de seus aliados. Não acredito em paralisia”, afirmou, referindo-se a um eventual governo Dilma.

Fernando Pinheiro, diretor de assuntos corporativos da Souza Cruz, acredita que, quem quer que seja o substituto do presidente Lula, terá boas condições de governabilidade e saberá dar continuidade aos avanços obtidos nos últimos 15 anos nas áreas econômica e social. “Nenhum dos três candidatos que disputam a eleição terá dificuldade para governar, porque não é um caminho personalista”, pondera Pinheiro.

Outro empresário que não acredita em rupturas é Maurício Vasconcellos, presidente da concessionária Autoban, do grupo CCR. “O Brasil já está no rumo. Continuamos no caminho do desenvolvimento, só precisamos avançar mais”, afirma Vasconcellos.

O presidente da BIC Amazônia, Horácio , Horácio Bolseiro, a credita que Dilma saberá costurar a base política sem interferência do presidente Lula. “Se o presidente Lula acredita que vai estar por trás do governo Dilma, está cometendo um erro. ” Para Bolseiro, todos os programas sociais serão mantidos pela candidata Dilma.

27/08/2010 - 08:01h Um emprego contra a divisão

ColunistaMaria Cristina Fernandes – VALOR

Ascensão de Dilma nas capitais desenha curva inversa à do desemprego e derruba tese da divisão do país

Caiu por terra uma das últimas pilastras do discurso da oposição, a de que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia dividido o país entre pobres e ricos, nortistas e sulistas. Fernando Henrique Cardoso já havia sido eleito e reeleito pela maioria, mas foi com Lula que o óbvio, na tradução tucana, virou divisionismo. Até porque a retórica lulista sempre o fomentou.

Se Dilma Rousseff efetivamente confirmar o último Datafolha e vencer José Serra em São Paulo, no Rio Grande do Sul e no Paraná, terá alcançado um feito de que Lula não foi capaz em 2006. Além de estar à frente em todas as regiões do país, a candidata também já teria arrebanhado os eleitores que passaram pela universidade e ganham mais de dez salários mínimos, o que também é um ponto fora da curva das duas eleições de Lula.

Foto Destaque

A numeralha das pesquisas desnorteia as teses que perfilam como principal legado lulista a redenção do subproletariado em detrimento da classe média politizada que projetou o PT em sua origem.

Os arautos daquilo que, à esquerda e à direita, já foi chamado de bonapartismo lulista, partem do pressuposto de que esse subproletariado é o principal beneficiário da estabilidade e da promoção do mercado interno. E que a classe média original do PT teria sido frustrada pela ortodoxia econômica. Estariam dadas, assim, as bases ao ressurgimento do populismo contra as elites e pela divisão do país.

O Brasil real já vinha se encarregando de desmontar as bases dessa nova teoria do lulismo. A campanha eleitoral apenas escancarou o fato de que na prática a teoria é outra.

As desigualdades sociais e regionais permanecem imensas, mas o acesso da maioria no mercado é fato. E esse ingresso não foi feito em detrimento do Centro-Sul.

Se fosse preciso resumir em um número as razões para o avanço de Dilma no maior colégio eleitoral do país, este seria o do desemprego divulgado ontem pelo IBGE.

Na campanha eleitoral de 2002, 13 em cada 100 paulistas que procuravam trabalho davam com os burros n’água. Hoje essa fatia é de apenas 7%. Rio, Porto Alegre e Belo Horizonte tiveram uma redução no desemprego ainda mais acentuada e, em todas essas regiões metropolitanas, a oferta de trabalho aumentou mais do que em Salvador e no Recife. A ascensão de Dilma nessas capitais desenha uma curva inversa à do desemprego.

O discurso da divisão do país desmilingue-se junto com a polarização entre PT e PSDB. É no Centro-Sul que os tucanos apostam suas fichas de sobrevivência política.

O PSDB tem chances de eleger governador em Goiás, Pará, Amapá, Roraima e Piauí, mas é nos seus três nomes do Centro-Sul, Geraldo Alckmin (SP), Beto Richa (PR) e Antonio Anastasia (MG), que se concentram as chances de se manter na proeminência como partido de oposição.

Em dezembro do ano passado, Aécio Neves anunciou em carta sua desistência de disputar a Presidência pelo PSDB. Nela, preconizava um discurso para seu partido: “Devemos estar preparados para responder à autoritária armadilha do confronto plebiscitário e ao discurso que perigosamente tenta dividir o país ao meio, entre bons e maus, entre ricos e pobres. Nossa tarefa não é dividir, é aproximar. E só aproximaremos os brasileiros uns dos outros através da diminuição das diferenças que nos separam”.

A divisão, como queria Aécio, está com os dias contados, mas os louros não são do PSDB. E esse é maior drama do partido. A principal alternativa com que os tucanos contam para permanecer no jogo depois do furacão de outubro também está a cata de um discurso.

O eleitor já assistiu muitas carreiras públicas serem construídas e consumidas pela fama da televisão. Um porta-voz de tragédia virou ministro e governador, arrumou emprego numa empresa e hoje vive de lobby. Um repórter virou senador, ministro e agora quer ser governador. Seu último feito de campanha foi pedir a prisão de um blogueiro. Uma apresentadora elegeu-se vereadora, tentou ser prefeita e acabou arrumando emprego no governo do adversário que a derrotou.

Eleja-se ou não, é improvável que Tiririca se dê tão bem na política. Elegendo-se, tende a ser tão inócuo quanto Enéas ou Clodovil. Se chegam ao Congresso é porque o voto é universal e o eleitor é livre. É em disputa para reitoria que se candidatam luminares. E nem sempre são os eleitos.

Aloizio Mercadante disse ontem que não quer se misturar a Tiririca. O PR, partido pelo qual o compositor de Florentina, disputa vaga na Câmara dos Deputados está na aliança de Mercadante ao governo de São Paulo. O candidato petista quer seu nome fora do horário eleitoral de candidatos a deputado que não tenham propostas ‘construtivas’. Melhor do que está o horário dos proporcionais pode ficar.

O presidente da República fez esta semana um discurso emocionado em Campo Grande. Disse que sua eleição derrotou o preconceito. Sua candidata disparou em São Paulo, mas Mercadante custa a segui-la. Talvez pela dificuldade de se misturar com a maioria.

Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras

E-mail mcristina.fernandes@valor.com.br

13/08/2010 - 09:02h Uma mídia irritada com a informação

Máquina de ministérios é usada para rebater críticas de Serra

Sucessão. Menos de três horas após a entrevista do candidato tucano ao Jornal Nacional, da TV Globo, o governo reagiu às declarações do presidenciável por meio de nota divulgada pela pasta da Saúde; o Ministério dos Transportes também se manifestou

Lígia Formenti, Rui Nogueira BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo


Carona.
Dilma com Ideli Salvati em Florianópolis: reação crítica de que não se governa ‘na garupa’


O governo usou a máquina dos Ministérios da Saúde e dos Transportes para reagir às declarações do candidato tucano à Presidência, José Serra, ao Jornal Nacional da TV Globo, na quarta-feira. A mobilização para contestar dados citados pelo tucano pôs órgãos públicos na campanha, numa operação para ajudar a candidata governista, Dilma Rousseff (PT).

Ao falar no Jornal Nacional sobre a situação da saúde, Serra, que foi ministro do setor, no governo Fernando Henrique Cardoso, apontou queda do número de cirurgias eletivas, bem como dos mutirões. Disse também que “muita prevenção que se fazia acabou ficando para trás”.

Na mesma noite, às 22h36, menos de duas horas depois da participação do tucano no telejornal da Globo, o Ministério da Saúde distribuiu nota oficial para contestar seus dados. A nota foi ainda replicada quatro vezes – depois da primeira divulgação, foi reeditada às 22h42 e às 22h50, de quarta, e às 10h28 de ontem.

Na nota oficial, o ministério afirmou que a informação do tucano não era verdadeira. Sustentou que os mutirões não terminaram, mas foram substituídos pela Política Nacional de Cirurgias Eletivas, criada em 2004. Além das cirurgias para catarata, varizes, próstata e retinoplastia – atendidas no formato criado na gestão Serra -, outros 86 procedimentos teriam sido contemplados na estratégia.

Com a mudança, o número de cirurgias eletivas – que podem ser programadas – teria saltado de 1,5 milhão para 2 milhões, de acordo com a nota divulgada pelo ministério. Mas um relatório do próprio ministério mostra que o programa criado pelo governo Lula para substituir os mutirões da saúde não atingiu o objetivo esperado. No documento, de março, fica claro que efetivamente houve queda nos resultados, como Serra apontara.

O trabalho analisa 17 tipos de cirurgias feitas ao longo da década e mostra que em 2002, quando termina gestão Serra, foram feitos 484.887 procedimentos. Em 2009, esse número caiu para 457.816. A nota do ministério informa que o número de cirurgias de catarata atualmente é maior. No período de sete anos, porém, o aumento foi de apenas 3%: de 309.981 para 319.796 cirurgias.

O ministério afirmou que a resposta rápida às críticas do tucano é reflexo da responsabilidade de zelar pela correta informação. Por meio da assessoria, informou ser seu dever corrigir informações erradas, algo que, de acordo com ministério, é feito de forma rotineira.

Transportes. O Ministério dos Transportes foi outra pasta mobilizada para contestar as críticas de Serra ao desempenho do governo federal em relação ao estado das rodovias sob sua responsabilidade. No documento, o ministério desfia dados sobre suas estradas e aponta a aplicação dos recursos da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), o imposto sobre combustíveis.

No Jornal Nacional, o candidato do PSDB declarara que as concessões do governo federal não estão funcionando. “A Régis Bittencourt continua sendo a Rodovia da Morte e a Fernão Dias está fechada”, afirmou o tucano.

Segundo o Ministério dos Transportes, dos 400 quilômetros da Régis Bittencourt (BR-116), que liga São Paulo a Curitiba, apenas 30 quilômetros, no trecho da Serra do Cafezal (SP), não foram duplicados. O órgão atribui o atraso na obra às “dificuldades para obtenção do licenciamento ambiental”, mas afirma que a duplicação desse trecho estará concluída em 2012.

Quanto à Fernão Dias (BR-381), que liga São Paulo a Belo Horizonte, o Ministério dos Transportes afirma que ela “não está fechada”. Estaria apenas com “desvio de tráfego” em um único ponto de seus 560 quilômetros, “provocado pelo deslizamento de encosta, em consequência de fortes chuvas”. Acrescenta ainda que o tráfego foi liberado em junho.

Investimentos. O ministério também respondeu à acusação de que apenas uma parcela mínima dos recursos arrecadados com a Cide foi aplicada. Segundo o órgão, o valor correto da arrecadação, de 2003 a junho de 2010, foi de R$ 54 bilhões. Serra afirmou que teria sido R$ 65 bilhões. Desse total, a cota da União corresponderia a R$ 41,9 bilhões – o restante foi transferido a Estados e Municípios. O Ministério dos Transportes enfatiza que apenas os investimentos em rodovias no período 2003-2010, independentemente da Cide, somam R$ 34,5 bilhões. / COLABOROU ANDREA JUBÉ VIANNA
Petista diz que tucano teme ligação com FHC

A candidata à Presidência do PT, Dilma Rousseff, cumpriu agenda ontem em Florianópolis. Na Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), a petista respondeu à provocação de seu principal adversário, o tucano José Serra, feita na noite de quarta-feira durante entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo. O tucano havia dito que “não há presidente que possa governar na garupa” – numa crítica indireta à sua rival que tem o total apoio de Lula na campanha presidencial.
Ontem, Dilma rebateu, afirmando que Serra tem medo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Meu adversário morre de medo do Lula na minha campanha por tudo que o governo federal trouxe para o povo brasileiro. Ele não pode atrelar sua imagem à do governo FHC”, rechaçou. / JULIO CASTRO, ESPECIAL PARA O ESTADO

12/08/2010 - 09:00h Merval Pereira se defende

Ontem questionei aqui no blog as inverdades de Merval Pereira, jornalista do Globo, sobre o questionamento que fez da Dilma, acerca do investimento em saneamento feito pelo governo federal na favela da Rocinha, no Rio. Ele acuso Dilma de afirmar inverdades no JN. Ver As inverdades de Merval Pereira.

Hoje o jornalista se sentiu obrigado de se explicar, pois os jornais – incluso O Globo – tinham indicado que este investimento era de R$ 80 milhões. Ele tinha acusado de Dilma de falar inverdades e pretendido que não tinha investimento algum em saneamento na Rocinha.

Mas em vez de reconhecer seu erro, pedir desculpas aos leitores e à candidata, Merval insiste em afirmar que o investimento não foi em saneamento.

Mais embaixo, reproduzo as explicações de Merval. Elas são surpreendentes.

Na favela não tem saneamento, não tem água e esgoto canalizado. O governo federal faz uma grande intervenção urbana, constrói creche, uma UPA de atendimento médico, um complexo esportivo, 500 apartamentos para os moradores etc. Para isso coloca rede de esgoto e água. As 500 famílias passam a dispor do que não tinham antes em matéria de saneamento básico, os moradores do bairro ganham piscina e acesso a saúde e as crianças escolas. O total do investimento é da ordem de R$ 270 milhões, dos quais R$80 milhões concernem especificamente o saneamento.

Para Merval isso não conta como saneamento. Ele exclama, “se isso fosse considerado projeto de saneamento, qualquer edifício construído em qualquer lugar no Rio de Janeiro seria contabilizado como uma “obra de saneamento”.

Pois é, qualquer edifício construído regularmente comporta uma obra de saneamento, mas nas favelas geralmente não. Qualquer edifício construído regularmente na cidade se conecta diretamente na rede existente. Mas nessa favela essa rede inexiste, o governo federal interveio e fez a rede de água e esgoto, que qualquer edifício tem a sua disposição onde o saneamento básico existe. Na favela não existia.

Como Dilma fez a afirmação para comparar o que hoje se faz e que o governo FHC fez de forma muito insuficiente; Merval poderia ter um pingo de razão se afirmasse que pelos critérios utilizados por Dilma a comparação com os investimentos do governo anterior estariam errados. Mas ele não contesta esses números. Dilma diz, e ninguém contestou, que em todo o Brasil FHC investiu em saneamento o equivalente ao investimento que estava sendo feito pelo governo Lula só na Rocinha. Foram R$ 300 milhões diz Dilma. Dilma errou pois em saneamento “só” foram R$ 80 milhões. Se ela tivesse dito que o investimento tucano em saneamento em todo o Brasil era o equivalente ao que o governo atual investe só nas favelas do Rio, teria sido mais conforme com os dados, porque tem obras de saneamento no Complexo do Alemão e em outra favelas. O conteúdo da fala da Dilma teria sido o mesmo. O atual governo fez pelo saneamento no país o que o governo FHC nem esquiçou. Foram pelo menos seis vezes a mais o montante do investimento em saneamento do governo Lula.

Se procurasse informar com honestidade, Merval deveria ir procurar o conjunto dos dados e fazer um levantamento apurado para comparar e eventualmente criticar. Não o faz.

Ele tampouco quer comparar ou olhar no retrovisor. Ele deve estar mais preocupado com o futuro…

Só que parece se tratar do futuro eleitoral do candidato tucano.

LF


Merval Pereira

(…)

Na coluna de terça-feira, comentando a entrevista da candidata oficial, Dilma Rousseff, ao “Jornal Nacional”, critiquei o fato de ela ter anunciado investimentos de R$ 270 milhões em saneamento na Rocinha, afirmando que não existiam projetos de saneamento no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) daquela favela carioca.

Ontem, O GLOBO publicou uma reportagem em que afirma que os investimentos em saneamento na Rocinha foram de R$ 80 milhões e, portanto, tanto eu quanto a candidata petista estaríamos errados.

A aparente contradição entre meu comentário e a informação do GLOBO é explicada pela conceituação do que seja saneamento.

Em termos técnicos, existem dois tipos de “saneamento”: o básico — água e esgoto — e o ambiental — água, esgoto, drenagem e lixo.

Nenhum dos dois foi aplicado na comunidade da Rocinha, cujo PAC é um projeto urbanístico que consta da construção de um complexo esportivo; um hospital tipo UPA; um centro de convivência; uma creche; construção de moradias para 500 famílias e a abertura da Rua 4, visando à passagem de carros, ambulâncias, etc, como alternativa à Estrada da Gávea, única via que corta a Rocinha.

Haverá também um plano inclinado na área conhecida como Roupa Suja. E urbanização, com pracinha e plantio de árvores, na Via Ápia.

É claro que nestas áreas onde houve a construção de edifícios, apartamentos e vila esportiva foram abertas redes de água e esgoto.

Seria simplesmente impossível o Estado fazer essas obras sem esse tipo de saneamento “básico”.

Mas, se isso fosse considerado projeto de saneamento, qualquer edifício construído em qualquer lugar no Rio de Janeiro seria contabilizado como uma “obra de saneamento”.

Além do mais, as obras do PAC não afetam nem 3% do território da Rocinha, que continua tendo os problemas estruturais de sempre e seríssimos: esgoto a céu aberto, sem política nenhuma de gestão do lixo e a maioria das áreas sujeitas a inundação.

Quando chove na Rocinha, entra água em 90% das moradias.

A sujeira desce pelo canal que termina em São Conrado e chega tudo até o mar.

(coluna de Merval Pereira no jornal O Globo 12/8/2010)

Projeto de saneamento do governo federal é o de Sepetiba, esse sim, mexe com a rede estrutural de uma área imensa, fazendo rede de água, esgoto, drenagem e lixo.