03/09/2008 - 12:31h O CEU e a verdade

Em 26 de junho, dois meses atrás, postei aqui no blog (Com os demo-tucanos na prefeitura o CEU fica lá acima, mesmo!) um levantamento mostrando que os 13 CEU’s que Kassab construiu eram menores, com menos piscinas, menos vagas nos teatros, que os 21 CEU’s que Marta realizou na cidade. Mostrei que os CEU’s construidos por Kassab eram, além do que, mais caros. Não só mais caros que os CEU’s que Marta fez. OS CEU’s feitos por Kassab eram incluso mais caros que o preço pelo qual tinham sido licitados no final da gestão de Marta. Kassab pagou de 8% a 54% a mais do preço estipulado na licitação, mesmo mudando o projeto para menor, com menos equipamentos.

A mídia recusou-se a tratar do assunto para não contradizer a campanha demo-tucana. Resultado desta verdadeira “omertá”, onde a mídia finge não ver o interesse no assunto e Kassab finge acreditar no que proclama, hoje em entrevista ao jornal O Globo, Kassab afirmou:


“Todos os CEUs tiveram descontos expressivos de 5%, 4%. Não vou dizer que é irregularidade. Seria leviano.” (Gilberto Kassab, entrevista ao jornal O Globo hoje - 3/9/2008)

Pois bem, a declaração é uma inverdade e os números da própria Prefeitura desmentem a afirmação do candidato demo.

Veja os dados extraidos do site da prefeitura - da Secretaria Municipal de Infra-estrutura Urbana e Obras

As cifras da primeira coluna são os valores previstos na construção desses CEU’s, no fim da gestão Marta Suplicy, seguidos na outra coluna pelos valores pagos pela atual gestão e por último o percentual a mais pago por cada um dos CEU’s.

Vila Rubi R$ 25.000.000 R$ 29.214.443,61 +16,9%
Vila Jaçana (tremembé) R$ 25.000.000 R$ 27.072.436,62 + 8,3%
Água Azul R$ 25.000.000 R$ 31.444.763,14 + 25,8%
Azul da cor do mar R$ 25.000.000 R$ 29.507.944,10 + 18%
Quinta do Sol R$ 20.800.000 R$ 23.144.938,29 + 11,3%
Lajeado R$ 20,400.000 R$ 26.129.122,01 + 28,1%
Guarapiranga R$ 21.700.000 R$ 26.849.571,61 + 23%
Vila do Sol R$ 20.900.000 R$ 28.918.401,07 + 38,4%
Feitiço da Vila R$ 25.000.000 R$ 38.498.811,31 + 54%


 

No post de junho, reproduzido a seguir, manifestei minha credulidade que a mídia trataria do assunto. Hoje fica evidente que não o fará.  

Luis Favre

CEU Vila Rubi inaugurado por Serra e Kassabhttp://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/46/CEUvilarubi.jpg/200px-CEUvilarubi.jpg

Existe hoje um consenso entre os principais candidatos à Prefeitura de São Paulo em favor do desenvolvimento do CEU (Centro Educacional Unificado) na educação municipal de São Paulo.

Em 2004 o DEM e o PSDB eram contrários aos CEU’s. Quando Serra e Kassab assumiram a prefeitura em 2005 suspenderam a expansão dos novos CEU’s já previstos e licitados. Finalmente em novembro 2005 a prefeitura decidiu retomar a construção das unidades planejadas na gestão de Marta Suplicy.

A Folha de São Paulo em artigo sobre a decisão de Serra e Kassab, de retomar os CEU’s, lembrava: ” O projeto dos CEUs centralizou as discussões na campanha eleitoral entre Serra e Marta. Enquanto a petista entregou 21 unidades durante seu primeiro mandato e prometia mais 24 caso fosse reeleita, Serra rebatia que os CEUs consumiam 40% dos gastos de custeio da educação, abrigando 5% dos alunos da rede.” (FSP 26/11/2005). Afirmavam também os demo-tucanos que primeiro construiriam as vagas em creches e só depois, se sobrasse dinheiro fariam os CEU’s. As vagas em creche continuam aguardando, mas pelo menos retomaram os CEUs e, mesmo inacabados, inauguraram vários.

A retomada dos CEU’s foi uma boa decisão, mesmo se acompanhada de uma reformulação dos projetos, mais “feios” na nova versão e com menos equipamentos, justificados pelos demo-tucanos para reduzir os custos dessas unidades, denominadas anteriormente “obras faraônicas”.

“Os novos CEUs serão horizontais e não terão elevadores. “Decidimos substituir por rampas de acesso, pois a manutenção é muito cara e nunca encontrei todos os elevadores funcionando quando visitei os CEUs”, disse Serra.
De acordo com a Secretaria da Educação, as cinco novas unidades manterão o padrão dos construídos na gestão passada, com duas quadras esportivas abertas e uma coberta, teatro, biblioteca, pista de skate e Telecentro (sala com computadores conectados à internet). O número de piscinas será menor: de três para duas.” (FSP idem anterior)
.
Cada vez que este tema volta a pauta os demo-tucanos fazem questão de afirmar que com eles os CEU’s ficariam mais baratos e preencheriam o mesmo objetivo.

Na sua coluna o jornalista Gilberto Dimenstein comentava na época sobre a decisão de Kassab de retomar os CEU’s: ” A construção de CEUs (Centros Educacionais Unificados) é uma bandeira da gestão de Marta Suplicy (PT) que o atual governo, após a posse de José Serra (PSDB), abandonou -com críticas ao projeto, especialmente ao preço de cada unidade, perto de R$ 20 milhões- e que Kassab retomou no ano passado.

O prefeito, que tenta se viabilizar como candidato à reeleição em 2008, aposta na educação como uma de suas bandeiras. A construção de CEUs tem um motivo político, mais até do que educacional: ter base para comparar a sua gestão à de Marta, sua provável e mais forte adversária.”

Os 21 CEU’s construidos durante a gestão Marta Suplicy, inaugurados entre 2003 e 2004 tiveram um custo entre R$17 e R$20 milhões de reais. Até hoje o jornal O Estado de São Paulo considera esses investimentos um absurdo só justificado pelo objetivo eleitoreiro.

Pois bem, os CEU’s “faraônicos” de Marta, na versão menos “luxuosa” e mais ponderada dos bons administradores demo-tucanos, passaram por um processo de aumento do custo que exige explicações convincentes para a opinião pública. TENHO CERTEZA QUE A MÍDIA COBRARÁ COMO SE DEVE ESSAS EXPLICAÇÕES.

No dia 7 de junho Kassab inaugurou o CEU (Centro Educacional Unificado Feitiço da Vila). O custo deste CEU segundo release enviado pela própria prefeitura foi de R$36,9 milhões.

Olhando mais de perto a partir desta informação, só publicada no jornal Diário de São Paulo, descobri, nos CEU’s já inaugurados mesmo muitos deles inacabados, os valores da tabela acima.

 

24/08/2008 - 13:25h Wishful thinking

bola-cristal.jpg

Wishful thinking é uma expressão inglesa que por vezes se utiliza na língua portuguesa devido a ser de difícil tradução, e que significa tomar os desejos por realidades e tomar decisões, ou seguir raciocínios, baseados nesses desejos em vez de em factos ou na racionalidade. Muitos estudos provaram que, se todas as outras condições se mantiverem iguais, os sujeitos irão prever que os resultados positivos são mais prováveis do que os resultados negativos.“(wikipédia).

Como sempre quando se trata de torcida, a discussão vira completamente subjetiva. Os dados pouco contam, cada um pega o que convém e conclui o que deseja.

A nota de Gilberto Dimenstein na Folha online revela mais sobre a edição da pesquisa feita pelo jornal, assim como dos seus desejos subjacentes, que de qualquer relação com a realidade.

Até os dados utilizados sonegam o que atrapalha. Por exemplo, Marta Suplicy tinha “no final de sua gestão” 48% de ótimo e bom, e não 40, como diz Dimenstein. 8 pontos não é nada, não é nada, mas…

Em 2004, na primeira pesquisa Datafolha após o inicio do programa eleitoral gratuito na TV e rádio (28/8/2004), Marta tinha 34% de intenção de voto, José Serra 30% e Maluf 16%, igual a Kassab hoje (14%).

Só que hoje Marta está com 41% e Alckmin com 24%. Não é nada, não é nada… mas é muito diferente de 2004.

Com relação ao futuro, não tenho bola de cristal. Mas mesmo olhando nas estrelas, prefiro estar seguro que meus pés estão no chão. LF

Kassab já ganhou?

por Gilberto Dimenstein - Folha online

A mais recente pesquisa Datafolha indica que Gilberto Kassab ainda tem muito chão para superar Alckmin e muitíssimo mais para se aproximar de Marta. Mas a leitura da pesquisa indica que, se não houver alguma catástrofe, Kassab pode não vencer a eleição, mas já ganhou.

Ganhou porque ele levou, sem fazer força, a prefeitura. Teve de substituir um prefeito com forte imagem. Era um total desconhecido, seus índices de ótimo e bom não passavam de 10%. Agora, subiram para 40% –mesmo patamar que Marta Suplicy tinha no final da sua gestão.

Por causa do horário eleitoral ( e da qualidade de sua propaganda), a avaliação de Kassab tende a subir ainda mais –o que, por enquanto, é uma boa notícia para o PT, que prefere no segundo turno brigar com o prefeito do que com Alckmin.

Não estou aqui julgando se administração dele é boa, mas apenas dizendo que ter chegado até esse patamar de aprovação, é uma vitória e tanto. Se não houver um monumental escândalo contra sua candidatura, ele pode até perder a eleição, nem mesmo chegar ao segundo turno, mas já ganhou.

23/07/2008 - 19:18h Campanha suja em lista

Alertado por Rafael, leitor deste blog, reproduzo a seguir a nota de Gilberto Dimenstein. A nota de Eliane Cantanhêde e meus comentários já foram publicados aqui. LF

Ficha suja está suja


Não há o menor problema na divulgação da lista de processos que envolvem os candidatos, acionados pelo Ministério Público. Muito pelo contrário: o eleitor tem o direito de saber sobre a vida dos candidatos, a começar de suas pendências jurídicas. É ótimo para a transparência política e, mais ainda, para o cuidado com os recursos públicos. O problema é que, como foi colocada (e a mídia tem uma dose de culpa), a ficha suja nasce suja.

Quando se fala em ficha suja a suposição óbvia é de que quem está ali já está culpado. Ou seja, está sujo. E, claro, isso não é necessariamente verdade. É como se todos aqueles políticos fossem criminosos –e, pior, tivessem cometidos crimes semelhantes, na visão do cidadão. A visão geral é a de que todo político é ladrão, ainda mais se forem colocados numa lista feita por juízes.

Na prática é como se o indiciamento já fosse a sentença final –é, enfim, como se já tivessem sido condenados sem julgamento final. Duvido que qualquer magistrado, por mais desequilibrado, defenda a idéia de que alguém pode ser condenado sem julgamento. Fosse assim, nem haveria necessidade de juízes.

Do jeito como está colocado, um bom serviço à democracia –a divulgação da vida do candidato– mais pode confundir do que esclarecer, colocando num mesmo saco gente séria e larápios.

Gilberto Dimenstein, 48, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.E-mail: palavradoleitor@uol.com.br

22/07/2008 - 12:38h Nossa! quanto bla, bla, bla…

A imagem “http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/05/alckmin_pensativo.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

“Vamos incluir no nosso programa de governo uma forte descentralização, fortalecendo as subprefeituras, instalando conselhos de representantes, trabalhando os 96 distritos”( O Estado de São Paulo)

A frase não é, como você pensa, tirada do programa do PT. Ela foi pronunciada ontem por Alckmin para manifestar sua concordância com uma aspiração que Marta Suplicy começou a implementar em São Paulo durante sua administração: a descentralização e a participação popular.

Os organizadores do ato, onde Alckmin “incorporou” uma das realizações de Marta, prometem realizar uma campanha publicitária contra o “bla, bla, bla” de alguns candidatos.

Gilberto Dimenstein exulta de entusiasmo: “A campanha publicitária vai bater na tecla do fim da conversa fiada –ou seja, contra o blablablá. Os indicadores serão divulgados para que se popularizem meios de medir o desempenho do poder público. Nunca se fez nada parecido, em esfera local, no país. É reflexo do amadurecimento da democracia, do aprendizado da articulação comunitária e do cansaço com o caos paulistano –um caos que foi provocado pela conversa fiada dos políticos e, vamos reconhecer, baixa participação da comunidade.”

Precisamente, na cara dos representantes da ONG Nossa São Paulo e na frente da mídia, com a maior desenvoltura, o “gerentão” nos proporcionou um magnífico bla, bla, bla sobre os conselhos de representantes, as subprefeituras e a descentralização contra a qual seu partido lutou quando Marta era prefeita, que nunca implementou no governo estadual e que, no comando da prefeitura, procurou contornar, tanto na discussão da revisão do plano diretor, como passando por cima do conselho de representantes na saúde (para citar apenas dois exemplos).

Não teve nenhum jornalista que confrontasse o cinismo do autor da frase e que questionasse a contradição entre o bla, bla, bla é a prática do PSDB e do ex-governador. Ou seja a mídia continuará seu bla, bla, bla sobre a conversa fiada dos políticos e passará sob silêncio a desenvoltura do tucano.

De sorte que a combinação dois dois dará um interminável bla, bla, bla…

Luis Favre

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