06/05/2009 - 19:41h Quem será o primeiro a sair da crise?

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Gilles Lapouge* – O Estado SP

A crise econômica vai evaporar como uma bolha de sabão, uma gripe suína? Ninguém acredita nisso e, no entanto, já está se começando a delinear um cenário de “saída da crise”. Na Europa, quem vai se recuperar primeiro? Como sempre, os prognósticos são dominados pela rivalidade entre os grandes países europeus.

Entre França, Itália, Inglaterra ou Alemanha, qual país será o mais dinâmico? Qual sairá mais estropiado, caolho, surdo ou capenga? Dois países se fiscalizam: França e Alemanha, os “amigos íntimos” que, na realidade, não param de se vigiar, às vezes até tentando colocar um pouco de veneno na sopa do outro. Até agora é a França que ganha as apostas. Ela deixaria a zona de risco daqui a um ano. Os outros estariam aos empurrões para ocupar o segundo lugar.

Foi Nicolas Sarkozy que pintou esse cenário, que considera justo, pois a França tem a chance de ter um presidente mais inteligente do que os outros presidentes europeus. Portanto, é normal que saia do pesadelo mais rápido do que os outros. E, como é uma boa menina, “ainda ajudaria os vizinhos a sair do buraco”.

O problema é que os especialistas da União Europeia não parecem ter compreendido muito bem esse raciocínio brilhante de Sarkozy. Seus prognósticos são diferentes. Para eles, será a Alemanha que vai sair primeiro da crise. No início de 2010, a França ainda estará em recessão (contração de 0,2% no Produto Interno Bruto), enquanto Alemanha, Inglaterra e Itália já estariam mostrando algum crescimento (de 0,1% a 0,3%).

Que humilhação: até a Itália deverá ter um desempenho melhor do que o da França! Que desgraça! A superioridade da Alemanha é explicada: o país dispõe de uma estrutura industrial mais forte e formada por muitas pequenas e médias empresas muito competentes. Mas, o pior de tudo, é que a França está tragicamente endividada.

E, depois de Sarkozy, a dívida explodiu. Antes mesmo da crise, ela já era profunda. E hoje se subvenciona a toda força. Os bancos são socorridos, como também as montadoras, com bilhões de euros. Entre 2008 e 2009, o déficit público francês dobrou, chegando a 100 bilhões.

No fim de 2008, a dívida pública francesa se elevou para 68% do Produto Interno Bruto, representando uma dívida de 52 mil para cada francês. O serviço da dívida absorve quase a soma total do imposto de renda. O governo, sem dúvida, será obrigado a aumentar a receita, o que significará aumentar impostos e, sobretudo, o valor das contribuições sociais. Não existe meio melhor para frear ou mesmo impedir o crescimento.

Moral da história: o importante não é ser mais inteligente do que todo o mundo (ou dizer isso), é preciso também ser responsável.

*Gilles Lapouge é correspondente em Paris

25/11/2008 - 15:28h La France en récession en 2009, selon l’OCDE


AFP/PHILIPPE HUGUEN – “Le repli de l’activité se répercute rapidement sur le marché du travail, puisque les pertes nettes d’emplois au second semestre 2008 devraient faire grimper le taux de chômage aux alentours de 7,5 % d’ici à la fin de l’année”, indique l’OCDE.

 

 

Le Monde

La crise financière internationale devrait plonger la France dans la récession en 2009, avec un recul du PIB de 0,4 % et un taux de chômage à 8,2 % de la population active, creusant nettement déficit public et dette, selon les perspectives économiques de l’Organisation pour la coopération et le développement économiques (OCDE) publiées mardi 25 novembre. Selon l’OCDE, la croissance française serait de seulement 0,9 % en 2008 ; le PIB reculerait ensuite de 0,4 %, avant de se redresser fortement en 2010 (+1,5 %). Le gouvernement français table, pour sa part, sur une croissance comprise entre 0,2 et 0,5 % en 2009, et de 2,0 % en 2010. Ce “repli marqué de l’activité en 2008 et 2009 devrait entamer sensiblement les recettes budgétaires, notamment les rentrées d’impôts sur les bénéfices”, tandis que “la montée du chômage exerce des pressions à la hausse sur les dépenses sociales”, analyse l’OCDE.

“Le repli de l’activité se répercute rapidement sur le marché du travail, puisque les pertes nettes d’emplois au second semestre 2008 devraient faire grimper le taux de chômage aux alentours de 7,5 % d’ici à la fin de l’année, précise l’OCDE. Jusqu’à présent, la montée du chômage a principalement touché les jeunes et les actifs embauchés par l’intermédiaire d’agences de travail temporaire, mais elle va probablement prendre un caractère plus généralisé dans un avenir proche.” Dans ce contexte d’incertitudes, les ménages devraient augmenter leur taux d’épargne malgré des gains de revenu disponible limités, ajoute l’OCDE. Sur le plan extérieur, l’OCDE s’attend à ce que l’économie française continue à perdre des parts de marché à l’exportation.

Le déficit public (Etat, Sécurité sociale et collectivités locales) devrait passer de 2,9 % du PIB cette année à 3,7 % l’an prochain, puis à 3,9 % en 2010, bien au-delà de la limite de 3 % autorisée par la Commission européenne. Dans le même temps, la dette publique devrait dépasser 70 % du PIB d’ici à 2010, alors que le pacte de stabilité européen préconise un taux de 60 % au plus. L’objectif du gouvernement français est de ramener le déficit public à 2,7 % du PIB en 2010, après l’avoir laissé se creuser à 3,1 % en 2009 en raison de l’impact de la crise sur les finances publiques.