04/06/2009 - 11:51h Aposta na produção faz entrada de dólar dobrar

 Investimento produtivo atingiu US$ 2,75 bilhões em mai

Entrada de dólar dobra em um mês

Fabio Graner, Celia Froufe e Fernando Nakagawa – O Estado SP

O fluxo de dólares para o Brasil mais do que dobrou em maio, saltando 119% na comparação com abril. Dados divulgados ontem pelo Banco Central mostram que US$ 3,13 bilhões ingressaram no País no mês passado, o melhor resultado desde abril de 2008, antes do agravamento da crise, em setembro.

Essa forte recuperação foi puxada pela entrada de um grande volume de investimentos diretos na produção e na bolsa. Segundo o presidente do BC, Henrique Meirelles, o ingresso de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) somou US$ 2,75 bilhões no mês passado.

Outros US$ 2,5 bilhões ingressaram no País para aplicações na bolsa, disse ele, em depoimento na Câmara. Esses investimentos mantiveram uma tendência de recuperação já delineada em abril, quando o volume de IED já havia somado US$ 3,4 bilhões, bem acima da média mensal de US$ 1,7 bilhão do primeiro trimestre.

O forte ingresso de capital externo permitiu também que a chamada conta financeira registrasse entrada líquida de US$ 1,54 bilhão em maio. Nessa conta, além do investimento produtivo e na bolsa, são computadas também as aplicações no mercado financeiro e em títulos públicos. Foi a primeira vez desde março de 2008 que essa movimentação de investidores e empresas ficou no azul.

Apesar dos números positivos da conta financeira, o segmento comercial perdeu força, segundo o BC. Em maio, as operações de câmbio ligadas ao comércio exterior foram responsáveis pela entrada de US$ 1,551 bilhão. O resultado é 68,5% menor que o de abril. Chama a atenção o aumento de 21% na conta paga pelas importações e a queda de 10,2% na receita obtida com as exportações.

Os dados sobre investimentos em bolsa divulgados pelo BC diferem da informação, publicada ontem pelo Estado, de que estrangeiros aplicaram R$ 6,08 bilhões na Bovespa em maio. É que os números do BC se referem à entrada de dólares no Brasil. Ao trazer recursos, o estrangeiro faz um contrato de câmbio para converter o dinheiro em reais e deve informar à autoridade monetária a destinação dos recursos. É essa informação, em dólares, que o BC divulga periodicamente.

Já os números da BM&F Bovespa se referem à compra de ações por estrangeiros. Essa operação, porém, não precisa ser feita com dinheiro que acabou de entrar no País. Tal informação, em reais, refere-se ao dinheiro recém-trocado por estrangeiros, mas também ao recurso “velho” que já estava no Brasil, em outros mercados, como a renda fixa.

Para Meirelles, os ingressos no IED e na bolsa revelam um “elemento extremamente positivo”, que é a volta do capital investidor. O superintendente do banco Baniff, Rodrigo Trotta, concorda. “Os dólares que têm entrado buscam as ações brasileiras e também se destinam à atividade produtiva, na forma de investimento direto.”

Produção recebe US$ 2,75 bi em maio

Investimento Estrangeiro Direto foi mais que o dobro do IED de maio de 2008, antes do agravamento da crise

 

Renée Pereira – O Estado SP

 


Os bons ventos que voltaram a rondar o mercado acionário brasileiro também atingiram o setor produtivo em maio. Dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC) mostram que o Brasil recebeu US$ 2,75 bilhões de investimento direto estrangeiro (IED) no período – mais que o dobro do valor absorvido pelo País em maio de 2008, quando entrou no mercado interno US$ 1,3 bilhão. No ano, entretanto, o ingresso de capital está 17% inferior ao verificado no ano passado: US$ 11,2 bilhões ante US$ 13,98 bilhões.

Apesar da queda, economistas comemoraram o resultado de maio. Na avaliação deles, o ambiente internacional no início de 2008 era muito mais positivo comparado ao cenário atual. “Diante desse quadro mais adverso, a expectativa de receber US$ 25 bilhões de recursos estrangeiros este ano é um número bastante positivo”, destaca o economista Antonio Corrêa de Lacerda, professor da PUC-SP. Isso significa que haverá um recuo em torno de 40% em relação aos US$ 43 bilhões ingressados em 2008.

De qualquer forma, ponderam os economistas, em outras épocas essa queda seria muito maior, como ocorreu em 2002, quando o País recebeu apenas US$ 10 bilhões, afirmou Lacerda. Naquela época, entretanto, havia um temor do mercado internacional em relação à administração de Luiz Inácio Lula da Silva. Hoje a situação do País é completamente diferente, embora a crise mundial seja a pior dos últimos tempos.

O bom humor dos investidores com o Brasil está fundamentado nas boas perspectivas da economia interna, diferentemente do que ocorre com os países desenvolvidos. “O resultado de investimento estrangeiro mostra como é importante ter uma economia com boas expectativas de crescimento”, analisa o professor da Unicamp, Júlio Gomes de Almeida, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

Na opinião dele, a entrada de capital estrangeiro e a recuperação dos níveis de emprego são as duas grandes novidades desse período de crise. “Podemos dizer que nossa economia não demitiu tanto quanto as outras no mundo. Isso faz muita diferença.” Almeida afirma, entretanto, que é preciso desconcentrar o investimento direto estrangeiro. No mês passado, por exemplo, boa parte do dinheiro foi investida nos setores de metalurgia e automotivo. “Acredito que ainda sejam fruto de decisões passadas.”

A continuidade de dinheiro estrangeiro no Brasil, embora em níveis menores em comparação com o ano passado, representa confiança no País, destaca o economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Freitas Thadeu. Ele comenta que a volta da liquidez no mundo beneficia o Brasil, já que as taxas de retornos são bastante elevadas, em torno de 15%, enquanto na média mundial não passa de 10%.

Por outro lado, diz ele, o fluxo de recurso estrangeiro significa pressão sobre o dólar, que neste ano já recuou 15,93% até ontem. “Isso exigirá a adoção de novas medidas do Banco Central”, destacou Thadeu. Mesma opinião tem Lacerda: “Valorizar o câmbio neste momento de crise é suicídio”.

Eles lembram que, além do investimento direto, os estrangeiros também voltaram com força à bolsa brasileira, o que tem pressionado as cotações do dólar. Ontem a moeda americana fechou o dia em R$ 1,963. “Os investidores voltaram a apostar no Brasil. Mesmo com a redução da Selic, as taxas de juro real continuam altas”, diz o professor da PUC.

08/05/2009 - 11:09h Para os investidores o Brasil é um porto seguro

Tesouro capta mais US$ 750 mi no exterior

Oferta era de US$ 500 milhões, mas demanda foi maior

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Renata Veríssimo e Fabio Graner – O Estado SP

Aproveitando o maior apetite dos investidores internacionais pelo risco, o Tesouro Nacional realizou ontem mais uma emissão de títulos de dívida externa com vencimento em 2019. Foi a segunda venda desses papéis brasileiros no ano. A oferta inicial de títulos foi de US$ 500 milhões, mas, diante da demanda “muitas vezes” maior que a oferta, o Tesouro colocou no total US$ 750 milhões.

Além do volume acima do inicialmente projetado, o Tesouro vai pagar menos juros para os investidores que compraram os papéis. A taxa de retorno dos títulos ficou em 5,80% ao ano, ante 6,127% anuais da emissão realizada em janeiro. Naquele mês, o mercado teve um período de relativa euforia em decorrência da posse do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o Tesouro aproveitou a oportunidade para acessar o mercado externo, em uma operação que na ocasião foi considerada um sucesso pelo governo.

A venda de ontem teve um spread (diferença em relação ao papel americano de prazo semelhante) de 2,52 pontos porcentuais, ante 3,70 pontos porcentuais da emissão do mesmo título em janeiro. Essa diferença a menor, na avaliação do Tesouro, decorre da combinação de maior taxa dos títulos americanos com o menor juro pago pelo Brasil.

Segundo o Tesouro, o objetivo da reabertura do Global 2019 foi melhorar a estrutura da dívida externa, aproveitando as melhores condições do mercado. “A emissão teve caráter eminentemente qualitativo”, informou uma fonte. O Tesouro considera que um volume mínimo adequado para um papel ter liquidez no mercado é de US$ 2 bilhões. O Global 2019 conta, com a emissão de ontem, com um total de US$ 1,75 bilhão, o que indica que uma nova reabertura pode acontecer no futuro.

O Tesouro também divulgou que já tem a maior parte dos dólares necessários para o pagamento dos vencimentos da dívida externa este ano. Segundo o Plano Anual de Financiamento (PAF), o montante a vencer em 2009 é de R$ 16,1 bilhões.

O órgão destacou ainda que o Brasil tem conseguido colocar seus papéis no mercado com custo menor do que o de outros países emergentes.

Lembrou que a Colômbia emitiu US$ 1 bilhão em abril em papéis de 10 anos com a taxa de retorno (Yield) de 7,375% ao ano. Segundo outra fonte, os fundamentos econômicos do País deram flexibilidade para que o governo acesse o mercado somente nos melhores momentos, sem ter de captar recursos a qualquer custo.

O Tesouro anunciou ainda a possibilidade de emitir adicionalmente até US$ 37,5 milhões do Global 2019 no mercado asiático. Essa decisão seria tomada na noite de ontem e anunciada hoje.

NÚMEROS

US$ 500 milhões foi a oferta inicial de títulos da dívida pública externa feita pelo Tesouro Nacional para captação no mercado externo.

US$ 750 milhões foi quanto o Tesouro acabou emitindo, em razão da grande demanda.

5,8% é a taxa de juros que será paga pelo Brasil no vencimento dos títulos, em 2019

6,127% é a taxa de retorno da operação anterior

27/04/2009 - 11:49h Reforçar a estabilidade regional é essencial para integração sul-americana e para o Brasil

Lula marca data para o real sul-americano

Sergio Leo – VALOR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já marcou data para anunciar seus planos ambiciosos para o uso do real nas transações da América do Sul. Esses planos avançam além da campanha feita por ele para estender aos sócios sul-americanos o mecanismo de comércio em moeda local, já lançado com a Argentina – embora sem muito sucesso até agora, como noticiaram Raquel Landim e Janes Rocha, em reportagem do Valor, na semana passada. Na próxima reunião da Unasul, que agrega os países da região, ainda neste semestre, Lula quer apresentar aos parceiros uma proposta que pode ampliar o uso do real nas relações entre os vizinhos.

O mecanismo ainda não está pronto, e passa por discussões na equipe econômica, onde, jura-se no Palácio do Planalto, já existe concordância do reticente Banco Central. Sem dar detalhes da proposta, os assessores de Lula descrevem uma proposta que se assemelha à linha de swap em dólares aberta pelos EUA ao Brasil e outros países, no ano passado, pela qual os beneficiados por trocar no Federal Reserve suas moedas por dólares, até um limite e por um tempo limitado, que se esgota nesta semana. Mas terá diferenças, ao incorporar mecanismos de compensação de moedas.

Os países sul-americanos serão autorizados a sacar, do BC, uma quantia em reais, que poderão usar para o comércio com o Brasil ou até repassar a outros países no continente (que, por sua vez, poderiam usar a moeda para pagar compromissos no mercado brasileiro). Falta ainda, segundo um graduado assessor de Lula, definir o total que será posto à disposição dos vizinhos. Lula quer que seja uma quantia significativa.

O mecanismo em elaboração difere do sistema de pagamentos em moeda local já adotado com a Argentina porque ele permite o uso do real em outros pagamentos, além de operações comerciais. E permite também aos países beneficiados usar os reais adquiridos para transações com outros países. Além da óbvia vantagem para o Brasil, por permitir a maior circulação da moeda brasileira entre os países do continente, o novo sistema, segundo se argumenta no Planalto, ajudaria aos outros governos da América do Sul a reduzir sua dependência de dólares em transações internacionais na região – em um período de escassez de moeda americana no continente.

O Brasil tem superávits no comércio com todas as nações da América do Sul, à exceção da Bolívia. Os bolivianos tem déficits no comércio com os outros países, e um enorme superávit com o Brasil, graças à venda de gás ao mercado brasileiro. A cessão de dólares aos vizinhos permitira a esses países reduzir seus problemas de balanço de pagamentos em dólar, inclusive na Bolívia, que poderia usar os reais para comprar produtos de outros países andinos, ou da Argentina, por exemplo. Esses são os argumentos que Lula levará à reunião da Unasul, em junho.

Lula conversou sobre o assunto, na semana passada, em Buenos Aires com a presidente da Argentina, Cristina Kirchner. Foi um dos principais assuntos levados por ele para a conversa privada com a presidente. O tema também foi abordado ligeiramente durante a reunião dos ministros com os chefes de Estado.

A ampliação do uso do real é um desdobramento natural da série de iniciativas que vem sendo tomada na relação bilateral, na tentativa de, progressivamente, permitir à Argentina menor dependência do dólar, já que o país, desde a decretação da restruturação unilateral de sua dívida, em 2005, tem acesso muito limitado ao mercado de capitais internacional. O Brasil, na visita, ampliou, de US$ 120 milhões para US$ 1,5 bilhão o valor das operações que podem ser firmadas sob amparo do Convênio de Crédito Recíproco (o CCR, espécie de mecanismo de compensação em moedas locais acoplado a um seguro de exportação). Firmou acordo, ainda, para que compromissos como compra e venda de energia elétrica e pagamentos previdenciários possam ser realizados em moeda local, real ou peso.

Não é a única iniciativa no continente, de redução da dependência em relação ao dólar para transações com vizinhos. Atento aos movimentos brasileiros, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, reuniu seus associados na Alternativa Bolivariana das Américas (Alba), pequenos países centro-americanos e do Caribe, além da Bolívia, e com Equador e Paraguai firmou um acordo para um mecanismo de compensação regional a que denominaram “sucre”, embrião, segundo o venezuelano, de uma futura moeda regional.

Como muitos dos anúncios de Chávez, o “sucre” tem muito de intenção e pouco de realidade, por enquanto, já que iniciativas de livre trânsito cambial na Venezuela esbarram no rígido controle de pagamentos internacionais feitos pelo governo. Chávez, no fim de semana, recebeu o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, e como outros governantes do continente, mostrou interesse no mecanismo de comércio em moeda local entre Brasil e Argentina. A conversa não foi além de perguntas interessadas do venezuelano. Não se sabe como compatibilizar o mecanismo com o controle cambial imposto no país.

A iniciativa brasileira de expandir a circulação do real no continente pode ser interpretada por dois ângulos. Um deles, se adotada a retórica com que o venezuelano Chávez cerca medidas do gênero, pode ser vista como uma medida antiamericana – o que não é – destinada a botar a colherzinha do Brasil na sopa da desconstrução dos Estados Unidos como emissor da moeda de troca mundial.

Outra interpretação, mais do agrado do governo brasileiro, é a de que a crise financeira e de confiança nos mercados mundiais ameaça fortemente as contas externas dos países da região, com quem o Brasil tem uma parcela substancial de seu comércio. Se quiser reduzir as fontes de pressão sobre as políticas comerciais dos parceiros sul-americanos e minimizar seus efeitos sobre as vendas de produtos brasileiros na região, o governo brasileiro tem de buscar mecanismos criativos e menos dependentes do fluxo de dólares para esses países. Lula mandou seus técnicos encontrarem esses mecanismos e conta tê-los em mãos, até junho.

Sergio Leo é repórter especial e escreve às segundas-feiras

E-mail: sergio.leo@valor.com.br

03/03/2009 - 09:50h Aumento das exportações em fevereiro e queda das importações: balança comercial tem superávit

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Importação cai e balança fecha mês com superávit

Arnaldo Galvão, de Brasília – VALOR

A forte queda nas importações levou a balança comercial a um superávit de US$ 1,76 bilhão em fevereiro. De acordo com o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, o mês passado foi marcado pelo aumento das médias diárias das exportações em relação a janeiro, queda acentuada das importações e tendência de maior participação dos países em desenvolvimento – principalmente da Ásia, que saiu de 15,5% (fevereiro de 2008) para 21,5% – nos destinos das exportações brasileiras.

Para Barral, depois de um janeiro muito ruim para a balança comercial, fevereiro foi melhor, apesar do cenário de crise e do menor número de dias úteis. O saldo de US$ 1,76 bilhão é resultado de vendas de US$ 9,58 bilhões e compras de US$ 7,82 bilhões. A comparação com fevereiro de 2008, por meio das médias diárias, revela quedas de 20,9% nas exportações e 30,9% nas importações. Levando em conta os dois primeiros meses do ano, as diminuições são de 21,9% (exportação) e 21,6% (importação).

A desvalorização do real e o menor ritmo de crescimento da economia reduziram as importações. Por outro lado, a crise mundial diminui a demanda por produtos brasileiros. Segundo o governo, a queda das importações em fevereiro também foi marcada pela retração dos preços do petróleo e derivados. Esse movimento foi responsável por uma redução de US$ 461 milhões nas compras do mês em relação a fevereiro de 2008.

O vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, afirma que os números da balança em fevereiro mostram uma velocidade maior dos impactos da crise. Ele explica que o ritmo de queda das importações (30,9%) era esperado para março. “Atualmente, isso é mais provocado pelo câmbio que pela demanda, mas esses dois efeitos tendem a ter pesos iguais”, diz.

No lado das importações, as médias diárias de fevereiro mostram que todas as categorias de produtos tiveram reduções em relação a fevereiro de 2008. As maiores foram de petróleo (44%), matérias-primas e intermediários (34,3%), bens de capital (16,7%), bens de consumo duráveis (9,9%), automóveis (8,8%) e não duráveis (5,4%).

Na análise da quantidade importada, a queda foi de 42,9% em relação a fevereiro de 2008. A categoria mais afetada foi a de matérias-primas e intermediárias (47,7%). A maior redução, 85,4%, foi no segmento de matérias-primas para agricultura. Combustíveis perderam 40% em quantidade. As demais quedas ocorreram em maquinaria industrial (0,3%), bens de consumo duráveis (7,6%), não duráveis (12,9%), produtos alimentícios primários (41,7%) e produtos minerais (41,2%).

A perspectiva da balança comercial é “turbulenta”, segundo o dirigente da AEB. Para ele, as exportações continuam fracas e os países emergentes vão reduzir importações por falta de divisas. Quanto aos principais parceiros comerciais do Brasil, o cenário previsto por Castro também é desanimador. Em 2009, ele acredita que vai haver déficit com os EUA, pela primeira vez desde 1999, o que revela “a fraqueza da pauta de exportações com o maior mercado do mundo”. O saldo negativo com a China vai permanecer e o superávit com a Argentina vai diminuir.

Barral detalhou os números do comércio com China e EUA em fevereiro. Nas importações, o comércio com os EUA teve, na comparação com o mesmo mês de 2008, aumentos de 3,4% no valor e 6,2% nos preços, mas queda média de 7,1% nas quantidades. As maiores diminuições de quantidade foram em químicos orgânicos (53,4%), plásticos (40%), químicos diversos (32,1%), eletroeletrônicos (14,5%), máquinas e equipamentos (7,2%) e instrumentos óticos (2,2%).

Com relação às importações da China, fevereiro teve, em média, quedas de 12,4% no valor e 37,9% na quantidade, mas aumento de 34,3% nos preços. Os maiores aumentos de quantidade foram para têxteis (80,6%), ferro fundido (11,6%), calçados (9,6%) e químicos orgânicos (4%). As maiores quedas foram para combustíveis minerais (40,5%), máquinas/equipamentos (38,4%), siderúrgicos (28,3%), instrumentos óticos (22,5%), eletroeletrônicos (20%) e automóveis (12,4%).

17/02/2009 - 09:46h Balança comercial brasileira reverte déficit de janeiro

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Renata Veríssimo – O Estado SP

Os números melhores da balança comercial brasileira em fevereiro reverteram o déficit de US$ 524 milhões de janeiro. O superávit acumulado no ano até a segunda semana deste mês é de US$ 172 milhões, resultado de exportações de US$ 14,88 milhões e importações de US$ 14,71 bilhões.

Somente na segunda semana de fevereiro, a balança teve saldo positivo de U$ 225 milhões. As exportações somaram US$ 2,36 bilhões e as importações, US$ 2,14 bilhões, segundo os dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento. O superávit em fevereiro é de US$ 696 milhões. As exportações somam neste mês US$ 5,1 bilhões e as importações, US$ 4,4 bilhões.

Apesar da melhora do saldo, exportações e importações continuam a cair ante 2008. A média diária das vendas externas nas duas primeiras semanas de fevereiro caiu 24,3% em relação à média diária de fevereiro de 2008. Nas importações, a retração foi de 30%. A redução nas vendas externas de produtos manufaturados este mês foi de 29,4%, semimanufaturados encolheram 25,2% e produtos básicos caíram 10,9%.

24/07/2008 - 09:10h Crise será longa, mas sem colapso

Paul KrugmanA imagem “http://www.valoronline.com.br/images/edicoes/ed_0002056/imagens/foto_24pri-capa-a1.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

A atual crise financeira dos Estados Unidos e da Europa não deve levar a um colapso na economia global, mas o mundo pode se preparar para alguns anos de desaceleração no ritmo de crescimento. O professor Paul Krugman, da Universidade de Princeton, considera que a ação agressiva e pró-ativa dos bancos centrais foi providencial e deve evitar uma catástrofe econômica semelhante à registrada nos anos 30. Essa avaliação é compartilhada por analistas brasileiros como o professor Luiz Gonzaga Belluzzo, da Unicamp, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho. Os três economistas participaram ontem, em São Paulo, do Fórum CPFL Energia, evento que contou com o apoio do Valor e teve como tema “Crise Financeira Internacional e Crescimento da Economia Brasileira”.

Sobre o Brasil, a opinião dominante é de que o novo cenário internacional traz pressões inflacionárias e alguma desaceleração da atividade econômica, mas não a ponto de causar transtornos mais sérios. Krugman lembra que, no meio da crise, o país tem se beneficiado da alta dos preços das commodities, por ser um grande exportador de produtos primários. Com a perspectiva de alguma queda das commodities, ele acha possível que haja uma desvalorização do câmbio.


Luciano Coutinho, residente do BNDES e  Luiz Gonzaga Belluzzo, Pres. do conselho da TV Brasil

Horizonte de incertezas


Por Sergio Lamucci e Cristiane Perini Lucchesi – VALOR

A crise financeira dos Estados Unidos e da Europa que se seguiu ao estouro da bolha imobiliária americana não deve levar a um colapso na economia global, mas o mundo pode se preparar para alguns anos de desaceleração no ritmo de crescimento. Esse é o diagnóstico feito pelo professor Paul Krugman, da Universidade de Princeton, para quem a ação agressiva e pró-ativa dos bancos centrais – como o Federal Reserve, dos Estados Unidos, o Banco da Inglaterra e, em menor grau, o Banco Central Europeu – foi providencial e deve evitar uma catástrofe econômica semelhante à registrada nos anos 30. A avaliação de que os efeitos da crise não serão muito agudos, porém prolongados, é compartilhada por analistas brasileiros como o professor Luiz Gonzaga Belluzzo, da Unicamp, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho.

Quanto ao Brasil, a opinião dominante é de que o novo cenário internacional traz pressões inflacionárias e alguma desaceleração da atividade econômica, mas não a ponto de causar transtornos mais sérios. No meio da crise, o país tem se beneficiado da alta dos preços das commodities, por ser um grande exportador de produtos primários, como nota Krugman. O economista americano participou ontem do Fórum CPFL Energia, realizado em São Paulo. O evento, que contou com o apoio do Valor, teve como tema “Crise Financeira Internacional e Crescimento da Economia Brasileira”.

Ao comentar as origens da crise americana atual, Krugman destacou uma mudança na economia global que teve início depois da crise asiática de 1997. Após a turbulência que acometeu a região naquele ano, muitos países asiáticos adotaram uma estratégia baseada no atrelamento de suas moedas ao dólar, formal ou informalmente, e na acumulação agressiva de reservas internacionais.

O excedente dos superávits comerciais dos asiáticos passou a ser aplicado principalmente na compra de títulos públicos do Tesouro dos EUA. Esse arranjo, pelo qual os países da Ásia passaram a financiar os déficits americanos, ficou conhecido como Bretton Woods II, definição cunhada pelos economistas Michael Dooley, David Folkerts-Landau e Peter Garber. As conferências de Bretton Woods aconteceram em 1944 e determinaram um sistema de câmbio fixo global, usando como base a paridade entre o dólar e o ouro. Esse sistema acabou nos anos 70.

No Bretton Woods II, “países que eram importadores de capital se tornaram exportadores de capital”, disse Krugman. Esse mecanismo ajudou a financiar as bolhas especulativas na economia americana, diz ele, lembrando que os preços dos imóveis nos EUA cresceram 70%, em termos reais, entre 2000 e 2006.

A bolha então estourou, primeiramente com a crise do subprime (as hipotecas de alto risco), que atingiu os mercados internacionais a partir de meados do ano passado. “De agosto de 2007 para cá, nós já tivemos quatro ondas sucessivas da crise. A mais recente foi a da Fannie Mae e da Freddie Mac”, apontou Krugman, em referência às dificuldades enfrentadas pelas gigantes do financiamento imobiliário americano.

Dado o tamanho do problema, seria factível pensar num cenário parecido com o colapso financeiro dos anos 30, disse ele. A grande diferença é que os bancos centrais agiram agressivamente para evitar o pior. Com essa atuação, Krugman acredita que um colapso financeiro como o ocorrido nos anos 30 é muito pouco provável, embora não completamente implausível. “Mas, há seis meses eu tinha mais dúvidas sobre isso”, afirmou ele. Krugman não negou a existência do chamado “risco moral” – moral hazard -, de bancos não-regulamentados receberem garantias governamentais iguais aos regulamentados. “Há o risco de estarem jogando com o dinheiro público”, afirmou. Atuação das autoridades monetárias não deve impedir, também, que os EUA cresçam alguns anos abaixo do seu potencial, advertiu Krugman, que vê o seu país em recessão. “O crescimento só não tem sido mais baixo por causa do dólar fraco, que tem feito aumentar as exportações.”

Belluzzo concordou com a avaliação de Krugman, apostando que a crise não “será aguda, mas será prolongada”. Para Belluzzo, já está em curso um “credit crunch”, ou seja, uma violenta contração do crédito. “Isso gera problemas graves para a economia real”, afirmou ele, para quem também é provável que a economia americana cresça algum tempo abaixo do potencial. Coutinho, por sua vez, enfatizou que os problemas financeiros nos EUA deverão demorar bastante para ser digeridos. Quem previu em maio o fim da crise mostrou-se totalmente precipitado, observou ele.

Krugman considera crucial o papel do câmbio desvalorizado nos EUA para explicar os efeitos globais da atual crise, num mundo em que países importantes como a China tem suas moedas em alguma medida atrelada ao dólar. Além do aumento dos preços das commodities em dólar, Krugman disse que, dado o arranjo de Bretton Woods II, os “EUA estão de fato exportando inflação para o mundo”, com o dólar fraco e os juros baixos. Nos Estados Unidos, que enfrentam uma crise financeira e uma desaceleração da atividade econômica, essa combinação não é inflacionária nem expansionista. Nos países que de algum modo atrelam sua moeda à divisa americana, a situação é diferente, como por exemplo na China.

Ele lembrou que os cortes de juros do Fed têm afetado o crédito imobiliário americano, que continua com alta de taxas para o cliente final. No entanto, tem promovido uma aceleração forte de crescimento nas economias dos países emergentes. Para ele, a economia da China está superaquecida e será necessário desacelerar o ritmo de crescimento. Uma das estratégias para combater a inflação nesses países será por meio da valorização de suas moedas, acredita Krugman. Com isso, a China, um dos principais motores da economia global nos últimos anos, deverá crescer a um ritmo um pouco menor daqui para frente, o que, segundo ele, poderá levar a alguma queda dos preços de commodities, mas não a um tombo abrupto. Esse crescimento menor na China, na sua visão, não é positivo para o Brasil, que pode ter seu ritmo de expansão econômica reduzido.

Krugman foi cuidadoso ao falar do impacto da crise ao Brasil. Disse que a situação é mais complicada de se analisar, porque o país não faz parte do Bretton Woods II, tendo em seu lugar um câmbio flutuante que já se valorizou bastante em termos reais nos últimos anos. Com a perspectiva de alguma queda das commodities, ele acha possível que haja uma desvalorização do câmbio. Quanto à orientação das políticas no Brasil, disse que poderia afirmar que “elas não são obviamente estúpidas”.

Também presente no evento, o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros discordou da avaliação de Krugman sobre o papel da China. Para ele, o economista americano vê o país asiático como um personagem passivo, o que não seria condizente com a importância chinesa para a economia global. Para Mendonça de Barros, a China é, de fato, um dado novo no equilíbrio global, que mudou profundamente o panorama econômico do mundo. “O Brasil, por exemplo, foi um dos principais beneficiários do surgimento da China”, disse ele, referindo-se ao fato de o país asiático demandar fortemente os produtos exportados pelo país.

O ex-ministro avalia ainda que a China terá um papel crucial inclusive para “viabilizar a solução do problema econômico americano”. Mendonça de Barros destacou a importância cada vez maior do consumo na economia chinesa, compensando em parte a desaceleração na economia americana. Mendonça de Barros ressaltou a flexibilidade da economia dos EUA, que sempre mostra uma capacidade de adaptação a situações complicadas. “Eu aprendi que não se deve apostar contra o capitalismo americano, porque você acaba perdendo dinheiro.”

Para Luciano Coutinho, a economia brasileira tem condições favoráveis como nunca no pós-guerra para enfrentar a crise. “O colchão de reservas e a estabilidade e crescimento econômico vão permitir a digestão melhor dos problemas financeiros internacionais”, disse. Para ele, a alta de juros básicos é necessária neste momento e vai promover uma desaceleração “desejável” no crédito no Brasil. Na sua visão, “não há risco de o crédito desabar, ter uma parada abrupta”.

27/06/2008 - 13:46h Turismo com vento em popa no Rio de Janeiro

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Mais incentivo ao turismo
Convênios para estradas e centros de convenções

O ministro do Turismo, Luiz Barretto, e o governador Sérgio Cabral assinam hoje no Palácio da Guanabara dois convênios no valor total de R$ 25,3 milhões. Parte dos recursos será destinada à elaboração de estudos de viabilidade técnica da construção de centros de convenções em municípios fluminenses. A maior parcela (R$ 25 milhões) será para a construção de estradas na região de Visconde de Mauá e da estrada-parque Paraty-Cunha. Os recursos para estudos e obras têm origem no Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur).

Em abril o governo do estado apresentou carta-consulta no valor de US$ 187 milhões, sendo US$ 112 milhões para serem financiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o restante (US$ 75 milhões) como contrapartida do estado. O pedido de crédito do Rio foi aprovado pela Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex) no início deste mês.

Cinco mil quartos para receber
Indústria hoteleira deve investir R$ 1 bi no Rio e em Niterói nos próximos 5 anos

Isabela Bastos – O Globo

Investimentos privados da ordem de R$ 1 bilhão serão aplicados, nos próximos cinco anos, na construção e reestruturação de pelo menos 18 hotéis na cidade do Rio e em Niterói. Dos empreendimentos licenciados, em processo de análise ou já em andamento, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio (ABIHRJ), nove ficam na Barra da Tijuca, cinco em Copacabana, um no Recreio dos Bandeirantes, um no Centro da cidade e dois em Niterói. Os empreendimentos devem agregar pelo menos mais cinco mil novos quartos à rede hoteleira, que já conta hoje com 38 mil unidades no estado, sendo 28 mil na capital.
O detalhamento dos investimentos do setor deverá constar do dossiê de candidatura do Rio às Olimpíadas de 2016, que será entregue ao Comitê Olímpico Internacional (COI) até 12 de fevereiro de 2009.
Apesar de a enxurrada de novos hotéis ter no horizonte distante as olimpíadas e a Copa de 2014 no Brasil, é no curto prazo que reside a maior motivação do setor. Segundo o presidente da ABIH-RJ, Alfredo Lopes, o boom hoteleiro se deve mais à demanda crescente provocada pelo desenvolvimento econômico do estado, que já responde por 60% da ocupação dos quartos.
De acordo com Lopes, a criação de pólos de desenvolvimento econômico — como o metal-mecânico de Resende, o siderúrgico de Itaguaí, o petroquímico de Itaboraí e o petrolífero de Macaé — vem atraindo para o Rio grandes empresas e, conseqüentemente, eventos de negócios que geram procura por hotéis.
Dados da ABIH-RJ mostram que o número de quartos no estado vem crescendo na razão de duas mil unidades por ano, sendo a metade na cidade do Rio.

— As Olimpíadas e a Copa são eventos temporários, e ninguém constrói quartos se a estrutura não se sustentar depois que tudo passar.

O COB (Comitê Olímpico Brasileiro) estimou a necessidade para 2016 em 39 mil quartos. Se com mil quartos ao ano no Rio não chegarmos lá, chegaremos muito perto. E o que faltar podemos suprir com a contratação de transatlânticos que seriam fundeados na orla — disse Lopes.

Maioria deverá ser de quatro estrelas

A maioria dos novos empreendimentos deverá ser de quatro estrelas, porte médio da hotelaria fluminense. O foco na Barra, diz o presidente da ABIH-RJ, é resultado da carência de espaços de grandes dimensões — capazes de abrigar empreendimentos de 300 a 400 unidades, padrão internacional para que os hotéis sejam viáveis economicamente — em outros trechos da orla.

— No mundo inteiro, os hotéis têm que ter um número elevado de quartos. A economia do turismo receptivo se desenvolve junto ao mar.

E a Barra é o único lugar com espaços ainda generosos para essa função — explicou Lopes.
Dos nove hotéis previstos para a Barra, segundo a lista da associação, seis ficam à beira-mar, na Avenida Lúcio Costa. Três deles nos números 5.210, 5.400 e 5.700, nas imediações do Condomínio Golden Green; outro no número 34.087, já perto do Recreio; um outro na Área de Proteção Ambiental (APA) de Marapendi; e um sexto que não teve a sua numeração divulgada. As outras áreas são a Avenida do Pepê 56; a Rua José Silva de Azevedo Neto 200, na entrada da Península; e a Rua Franco Zampari 100.
De acordo com a Secretaria municipal de Urbanismo (SMU), dos 16 empreendimentos do Rio, sete estão com o processo de licenciamento em fase de análise, sete já receberam licença — três já estão em construção — e um deverá ser licenciado até fevereiro de 2010. Um dos empreendimentos da lista da ABIH para a Rua Aires Saldanha 54, em Copacabana, não foi identificado pela SMU.
se concretizar da forma esperada pela ABIH. Isto porque a lista de hotéis previa inicialmente 19 empreendimentos e já teve baixa: um hotel da Brascan, num endereço na Barra não divulgado. Segundo a SMU, a empresa tem um licenciamento para hotel aprovado no Centro Metropolitano, na Avenida Abelardo Bueno, com 796 unidades. Mas a empresa informou ontem, através de sua assessoria, que desistiu de construir um hotel no local.
Outro fator que deverá criar empecilho aos planos do setor é a polêmica legislação urbanística da APA de Marapendi. Os parâmetros na área estão sub judice desde 2005, quando a legislação foi modificada pela Câmara dos Vereadores.
Naquele ano, a aprovação de um projeto de lei abriu precedente para a construção de centros de convenções, prédios comerciais e residenciais e hotéis com até cinco andares no local — onde só eram permitidos prédios de até três andares.
O projeto modificou ainda de 15% para 30% o percentual máximo de ocupação dos terrenos edificáveis.
Vetado pelo prefeito Cesar Maia na ocasião, o projeto teve esse veto cassado pela Câmara. Cesar entrou então com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra a lei. Segundo o prefeito, a Adin já foi julgada e a prefeitura perdeu parcialmente a causa, em relação ao chamado Lote 27, que fica na divisa da Barra com a APA. Enquanto a questão não se resolve, os processos estão parados.

— Estamos discutindo o alcance dessa decisão e entendemos que cabe uma indenização à prefeitura por impacto urbano. Espero que até o fim de julho tenhamos resolvido esta questão — disse Cesar.

Ainda em 2005, a APA chegou a ser tombada pela Alerj, mas o governador Sérgio Cabral acabou vetando o tombamento no ano passado, medida mantida pelos deputados.
Na semana passada, o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Alerj, deputado André do PV, anunciou a criação de um grupo de trabalho para acompanhar os licenciamentos na APA.
Outra sombra sobre os projetos pode ser a própria Lei do Sombreamento, de 2000, que condiciona a aprovação de empreendimentos imobiliários a estudo prévio da Secretaria municipal de Meio Ambiente.
Apesar de os empreendimentos na orla da Barra poderem explorar um gabarito de até 15 pavimentos, fora cobertura e pavimento de acesso e serviços, esse parâmetro pode diminuir caso o estudo do sombreamento comprove que o empreendimento lançaria sombra sobre a areia e o calçadão da praia, o que é proibido por lei.

— No Pepê há um prédio que foi construído em forma de pirâmide por conta da Lei do Sombreamento.

Essa lei se sobrepõe ao gabarito da área — explica o advogado especialista em direito ambiental Rogério Zouein.

27/05/2008 - 09:44h Turismo e política industrial

NEGÓCIOS & cia

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Flávia Oliveira – O Globo

Fora da política industrial

O turismo ficou fora do programa de política industrial recém-lançado pelo governo federal. A ministra Marta Suplicy, às vésperas de deixar a pasta para concorrer à prefeitura de São Paulo, garante que é questão de tempo. O conjunto de medidas pró-setor produtivo passará por uma revisão em dois meses, diz. Nela, a indústria turística será contemplada. Marta conta que, pouco antes de a política industrial ser lançada, apresentou aos ministros Guido Mantega (Fazenda) e Miguel Jorge (Desenvolvimento) um projeto propondo desoneração tributária aos parques temáticos. Os empresários do setor, contudo, lamentam a exclusão e reivindicam um plano de redução tributária e estímulo às atividades exportadoras, o segmento receptivo.
Em 2007, o déficit da conta turismo cresceu 125%, somando US$ 3,25 bilhões, apesar de os gastos de estrangeiros no país terem chegado a US$ 4,9 bilhões, segundo pesquisa da FGV para a Embratur. A ministra e representantes da Abav (agentes de viagem) e da ABIH (hoteleiros) falaram a “Negócios&Cia” sobre o tema.

MARTA SUPLICY, ministra do Turismo: “Apresentei um projeto para desoneração de parques temáticos no país aos ministros Guido Mantega e Miguel Jorge poucas semanas atrás. Não há como renovar brinquedos e repor peças com os altos custos atuais. O Brasil tem imenso potencial para desenvolver o setor de parques temáticos e aquáticos, mas falta capital de giro para isso. O projeto será analisado. Há outros setores produtivos do país que, assim como o turismo, não foram incluídos na política industrial e que serão apreciados em dois meses. Existe a questão do câmbio, mas eu aprendi a não dar murro em ponta de faca. Não vai se mexer no câmbio para melhorar o desempenho do turismo. É preciso encontrar outros caminhos para garantir o crescimento do setor. É o que estamos fazendo com o Orçamento.”

CARLOS ALBERTO FERREIRA
, presidente da Abav: “Fomos pegos de surpresa pela não inclusão (do turismo) no plano. Com a criação do Ministério do Turismo pelo governo Lula, em 2003, confiamos que o setor havia ganho espaço definitivo na agenda nacional. De um lado, é preciso reconhecer que pode ter havido uma certa falta de articulação dos agentes de viagens para cobrar medidas de estímulo ao turismo. Mas é também fundamental que o governo trabalhe para garantir condições ao crescimento do setor. Nesse sentido, um projeto de desoneração tributária e incentivo à exportação é fundamental. Com a valorização do real, o Brasil virou um destino muito caro no exterior. E os brasileiros saem cada vez mais do país.
Para atrair estrangeiros, além de preço competitivo, precisamos de melhor infraestrutura aeroportuária.”

ALEXANDRE SAMPAIO
, diretor Financeiro da ABIH: “A hotelaria é geradora de divisas e grande empregadora no país.
Mas vem acumulando perdas com a queda do dólar. Ano passado, essas perdas garfaram 23% do faturamento dos hotéis brasileiros. Não esperamos que o governo anuncie um pacote cambial. Por isso, estamos num grande esforço para fazer com que o turismo receptivo seja reconhecido como grupo exportador. Há dois anos discutimos o assunto dentro da formulação da Lei do Turismo (que será tema de audiência pública hoje, na Câmara). O governo rejeita esse pleito. Diárias e pacotes para o mercado internacional são cotados em moeda estrangeira e têm preços defasados. Os grandes destinos de exportação, como Rio, Foz do Iguaçu e o Nordeste, estão perdendo competitividade para outros, internacionais.”

12/05/2008 - 09:54h Ficou mais difícil conter a inflação

Ilustração Orlando
Ficou mais dificil domar a fera da inflação

RIBAMAR OLIVEIRA – O ESTADO DE SÃO PAULO

Nos últimos cinco anos, o controle da inflação foi facilitado pela queda forte e contínua da cotação do dólar no mercado interno, o que permitiu a importação de mercadorias mais baratas. A cotação do dólar, que quase chegou aos R$ 4 ao final de 2002, atingiu R$ 1,65 no dia 2 deste mês. Por essa razão, o trabalho do Banco Central (BC) ficou mais fácil durante esse período. A situação agora é bem diferente. O BC não pode mais contar com essa ajuda.

A avaliação da área técnica do governo é que a cotação do dólar atingiu o seu “piso”. Se ela cair mais, argumentam os técnicos, afetará de forma perigosa as contas externas do País. O real ainda mais valorizado tornará as exportações brasileiras menos competitivas e as importações mais atraentes, o que reduzirá o superávit comercial.

De janeiro a abril deste ano, o superávit da balança comercial brasileira (exportações menos importações) alcançou US$ 4,58 bilhões, o que representou uma queda de 64,5% em relação ao registrado no mesmo período do ano passado, segundo os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

A conta que melhor expressa a situação externa de um país é a de transações correntes. Ela é o resultado da balança comercial, da balança de serviços e rendas (que registra o pagamento de juros, as remessas de lucros, entre outros itens) e as transferências unilaterais (aquelas remessas de pessoas físicas para o exterior ou recebimentos).

Nos três primeiros meses deste ano, a conta de transações correntes do Brasil registrou um déficit de US$ 10,757 bilhões, um recorde para o período. Para se ter uma idéia do que isso significa, a previsão do BC para todo o ano era de um déficit de apenas US$ 12 bilhões. As contas externas brasileiras estão se deteriorando numa rapidez maior do que se previa no final do ano passado.

Com a queda das exportações e do superávit, as expectativas do mercado em torno de uma piora das contas externas deveriam elevar a cotação do dólar e desvalorizar o real, com impacto negativo sobre a inflação interna. Essa seria a reação natural do mercado se o sistema de câmbio flutuante funcionasse de forma perfeita, no curto prazo.

O problema é que o efeito da deterioração das contas externas brasileiras sobre o câmbio poderá ser mais do que compensado pelo ingresso de capitais estrangeiros no Brasil. Esse ingresso certamente será estimulado pelo recente ciclo de elevação da taxa de juro iniciado pelo Banco Central e pela promoção do Brasil ao grau de investimento pela agência Standard & Poor’s.

Todos no governo temem uma possível “enxurrada” de dólares no Brasil. Se ela realmente ocorrer, o piso para a cotação do dólar será apenas um desejo das autoridades. Para sustentar o piso, o governo teria que comprar muito mais dólares no mercado interno do que vem fazendo.

Mas o Banco Central não pode ter esse papel, se a intenção for manter o sistema de câmbio flutuante, como parece ser. O BC trabalha com uma meta de inflação e não uma meta para a taxa de câmbio. No atual quadro institucional, seria um anátema que a autoridade monetária lutasse para sustentar um patamar para a cotação do dólar.

Nada impede, no entanto, que o Tesouro Nacional desempenhe o papel. É neste contexto que se dá a discussão dentro do governo sobre a criação de um fundo soberano brasileiro. A idéia é que o fundo, administrado pelo Tesouro, seja constituído por dólares comprados no mercado interno. Com as compras, o Tesouro ajudará a sustentar o piso da cotação, indispensável para evitar a deterioração mais grave das contas externas.

A questão é saber como serão feitas as compras de divisas que alimentarão o fundo soberano. Se para comprar os dólares o Tesouro utilizar a sua receita tributária, a decisão implicará elevação do superávit primário. Se o caminho for a emissão de títulos públicos no mercado para obter os recursos necessários para a aquisição dos dólares, o mecanismo resultará em elevação do endividamento, o que significará custo fiscal expressivo.

O governo quer atuar também em outra frente para evitar a deterioração das contas externas. O presidente Lula lançará hoje a sua política industrial, que prevê um forte estímulo às exportações. O problema é que o efeito desse pacote de estímulo sobre as vendas externas só ocorrerá em dois ou três anos, reconhecem os técnicos oficiais.

O cenário torna-se ainda mais preocupante por causa daquilo que parece ser o terceiro choque do petróleo – a cotação do produto ultrapassou US$ 120 o barril no mercado internacional, na semana passada, e há sinas de que a cotação poderá chegar a US$ 150 o barril até o fim deste ano. O choque do petróleo coloca mais lenha na fogueira da inflação, que estava sendo fomentada pela elevação dos preços dos alimentos e dos insumos metálicos, como o aço.

Para derrubar essa inflação sem a ajuda do câmbio, o BC terá que elevar muito os juros para reduzir a demanda, o que, de novo, estimulará o ingresso de recursos no País e a queda do dólar. O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto só vê uma saída para essa armadilha: cortar a demanda do governo, com a elevação do superávit primário. Para ele, o ideal é que o superávit suba dos atuais 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB) para 4,8% do PIB.

29/04/2008 - 19:39h Gerando emprego e renda

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Entrada de divisas com turismo ultrapassa US$ 1,6 BI no primeiro trimestre

Brasília (28/04) – De acordo com dados divulgados hoje (28) pelo Banco Central (BC), US$ 518 milhões ingressaram na economia do país no último mês por meio do gasto de turistas estrangeiros. O valor, 19,44% superior aos US$ 434 milhões registrados em marco de 2007, rende ao mês o posto de melhor março de todos os tempos e o de segundo melhor mês de toda a série histórica, iniciada em 1969. Março fica atrás apenas de janeiro deste ano (US$ 595 milhões).

Com o último resultado, o acumulado do ano chega a US$ 1,608 bilhão – sendo esta a primeira vez em que a barreira de um bilhão e meio de dólares é ultrapassada logo no primeiro trimestre do ano.

O desempenho do trimestre é 20,72% maior que o mesmo período de 2007 (US$ 1,332 bilhão) e já se aproxima das receitas geradas em todo o ano de 2001 (quando os estrangeiros desembolsaram US$ 1,731 bilhão no Brasil) e também de 2002 (US$ 1,998 bilhão).

Para a ministra do Turismo, Marta Suplicy, o volume de recursos alcançados no primeiro trimestre deste ano demonstra a força da atividade turística: “Os dados confirmam a consistência do trabalho de promoção internacional do país, desenvolvido pela Embratur [Instituto Brasileiro de Turismo] junto aos esforços da iniciativa privada. Temos trabalhado para fazer do turismo um dos principais itens da nossa pauta de exportações. Na pauta de serviços, turismo figura no primeiro lugar da lista, com 24% das exportações”, avaliou.

A presidente da Embratur, Jeanine Pires, reforça que o turismo é um dos grandes setores indutores da economia nacional. “Se fizermos o exercício de comparar o setor com os principais bens exportados pelo Brasil, o turismo fica na quarta posição, à frente dos automóveis. Na pauta de serviços, é seguido por transportes [19,2%] e serviços prestados às empresas [12%].”

Recorde de 2007 – Números do BC divulgados em janeiro também atestaram que o ano passado foi o melhor da história do turismo brasileiro em relação ao ingresso de divisas por meio do gasto de turistas estrangeiros. O Brasil fechou o ano com US$ 4,953 bilhões recebidos com a atividade, valor que superou em 14,75% os US$ 4,316 bilhões registrados em 2006 – até então a melhor marca da série histórica.

Fonte Min Tur 

29/04/2008 - 18:06h Cresce o ingresso de divisas deixadas pelos turistas estrangeiros no Brasil

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A queda acentuada do dólar e o fato do Real estar muito valorizado tem como uma das suas conseqüências a queda no turismo em direção ao Brasil. Lógico, não?

Mas a melhora na oferta do turismo brasileiro faz que esta lógica se manifesta só parcialmente e a eventual queda no número global de turistas estrangeiros é compensada pelo aumento das suas despesas no país.

Isto explica o aumento de 20,7% no dinheiro que os turistas estrangeiros deixaram no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo periodo de 2007.

No primeiro trimestre, esses estrangeiros deixaram US$ 1,608 bilhão no país. Uma boa notícia para setor do turismo e para o emprego e a renda nesse setor.

“As despesas continuam crescendo, mas as receitas crescem também”, diz o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, referindo-se às despesas feitas por turistas estrangeiros em viagem ao Brasil.

Para Lopes, o crescimento dos gastos desses visitantes estrangeiros reflete uma melhora na infra-estrutura do turismo no Brasil, já que, em tese, a forte valorização do real ocorrida nos últimos anos torna as viagens ao país mais caras.

Graças a esse movimento, o efeito que as despesas de turistas brasileiros no exterior têm sobre as contas externas é reduzido, pois é compensado, em parte, pela receita proporcionada pela chegada de viajantes estrangeiros no Brasil. LF

Fonte Folha de São Paulo

16/04/2008 - 17:42h Brasil se consolida entre os TOP 10 em eventos

Brasil se consolida entre os TOP 10 em eventos A ICCA (International Congress and Conference Association) mais importante entidade mundial do setor, acaba de divulgar o ranking dos países que mais receberam eventos internacionais em 2007. O Brasil se mantém entre os dez primeiros: com 209 eventos, ficou em oitavo lugar.

Em seu anúncio, a ICCA destaca que “o Brasil, primeiro país latino-americano a figurar entre os top 10 em 2006, está consolidando sua posição, ao conquistar o oitavo lugar em 2007”.

Para a ministra do Turismo, Marta Suplicy, o Brasil figurar como único pais latino-americano, entre os principais destinos de eventos internacionais do mundo, no ranking de 2007, confirma o acerto da política do Ministério do Turismo, por meio da Embratur, que vem trabalhando de modo planejado e com foco em mercados prioritários, para atrair cada vez mais eventos.

“Vemos hoje o Brasil à frente de países historicamente muito fortes, como Áustria, Holanda, Bélgica e Austrália nesse ranking da ICCA. Algo extremamente significativo, pois o turismo de negócios acontece em cenário mundial altamente competitivo e movimenta grandes somas. Estar entre os dez primeiros significa que somos capazes de atrair eventos, numa estratégia bem desenvolvida que alia conhecimento de mercado e marketing eficiente. Somos reconhecidamente competitivos, e isso nos projeta, credencia para conquistarmos mais eventos. Planejamos nossas ações a partir de diretrizes do Plano Aquarela, que tem prioridades eleitas. Vamos continuar agindo assim, para ficar entre os países que são a elite do turismo de eventos”, disse a ministra.

Jeanine Pires, presidente da Embratur, explica que o Brasil consolidou-se entre os 10 países mais destacados no ranking da ICCA contando com dois eventos a mais do que o verificado em 2006. “Tivemos 207 eventos, em 2006, e fomos para 209, ano passado. A disputa na primeira divisão dos destinos de eventos internacionais é sempre muito acirrada. Há mobilidade de posições, e um evento a mais pode significar uma posição à frente, no ranking, mas, o que importa é estar no pelotão de frente. Por isso, nossa posição entre os 10 primeiros no mundo é uma grande conquista, algo a comemorar e que devemos trabalhar para permanecer e avançar”.

Os dez primeiros países, de acordo com a ICCA, no turismo de negócios são, pela ordem: Estados Unidos, Alemanha, Espanha, Reino Unido, França, Itália, Japão, Brasil, Áustria e Canadá.

O ranking da ICCA

O ranking da ICCA inclui eventos organizados por associações internacionais que acontecem regularmente e em pelo menos três países diferentes. Em 2007, a ICCA registrou a realização de 6.500 eventos, 800 a mais do que em 2006. Em parte, o resultado reflete o fortalecimento do mercado, mas também demonstra que mais países começam a ter política para captação de eventos e registram as realizações na maior entidade do setor.

O ranking divulgado hoje é uma prévia do relatório completo, que sai em julho.

Entrada de divisas e reforço na imagem

A Embratur conta desde 2003 com um programa de apoio a captação e promoção de eventos internacionais. O objetivo principal do programa é não só captar o evento para que se realize no Brasil, mas aproveitar a visita do turista de eventos para oferecer roteiros e serviços alternativos, de forma que ele permaneça um ou dois dias a mais no pais.

No último dia 14, a ministra do turismo, Marta Suplicy, divulgou os resultados parciais de uma pesquisa encomendada pela Embratur à Fundação Getúlio Vargas para medir o impacto econômico dos eventos internacionais nas cidades. Apenas seis eventos trouxeram 8,5 milhões de dólares em divisas, entre setembro de 2007 e janeiro deste ano.

Os dados preliminares indicam também que o publico desses eventos tem altíssimo grau de escolaridade e um gasto médio diário que supera 312 dólares. Os efeitos positivos se ampliam para depois da viagem, com reforço na imagem positiva do país, como destino com boa infra-estrutura e serviços de qualidade. Os dados da FGV apontam que 85% dos entrevistados afirmam que a imagem em relação à cidade do evento melhorou após a viagem.

Fonte MinTur.

24/03/2008 - 21:05h Turistas estrangeiros gastam mais de US$ 1bilhão até fevereiro no Brasil

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Brasília (24/03) – De acordo com dados divulgados hoje, dia 24, pelo Banco Central (BC), US$ 495 milhões ingressaram na economia do País no último mês por meio do gasto de turistas estrangeiros. O valor, 19,69% superior aos US$ 414 milhões registrados em fevereiro de 2007, rende ao mês o posto de melhor fevereiro da história e de segundo melhor mês de toda a série histórica, iniciada em 1969, atrás apenas de janeiro deste ano (US$ 595 milhões).

“No ano passado já havíamos quebrado um recorde e agora temos outro. Isso significa que o nosso trabalho de divulgação do Brasil no exterior está tendo sucesso. Estamos conseguindo que o turista estrangeiro fique mais tempo e gaste mais em nosso país”, comemorou de Pequim, onde se encontra em visita oficial, a ministra do Turismo, Marta Suplicy.

Com o último resultado, o acumulado do ano chega a US$ 1,090 bilhão – sendo esta a primeira vez em que a barreira de um bilhão de dólares é ultrapassada logo no primeiro bimestre do ano. O desempenho é 21,34% maior que o mesmo período de 2007 (US$ 898 milhões) e já supera em mais da metade a receita gerada em todo o ano de 2001 (quando os estrangeiros desembolsaram US$ 1,731 bilhão no Brasil) e 2002 (US$ 1,998 bilhão).

Para a presidente da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo), Jeanine Pires, o volume de recursos alcançados no último mês demonstra a força da atividade turística: “É um desempenho excepcional para um mês de menos dias e confirma a consistência dos últimos resultados alcançados. Reflete um panorama de crescimento contínuo e consolidado”, avaliou.

A presidente destaca que janeiro e fevereiro são meses de grande fluxo de turistas estrangeiros no Brasil, principalmente de sul-americanos – como os argentinos e chilenos que visitam o Sul do País – e europeus.

Recorde de 2007 – Números do BC divulgados em janeiro também atestaram que o ano passado foi o melhor da história do turismo brasileiro em relação ao ingresso de divisas por meio do gasto de turistas estrangeiros. O Brasil fechou o ano com US$ 4,953 bilhões recebidos com a atividade, valor que superou em 14,75% os US$ 4,316 bilhões registrados em 2006 – até então a melhor marca da série histórica. Fonte MinTur.

12/03/2008 - 13:11h Tesouro faz coro com BC e destaca vulnerabilidade externa menor

O jornal VALOR publica artigo sobre documento do Tesouro Nacional sobre dívida e vulnerabilidade externa do Brasil. Acrescentei ao artigo do VALOR os dois quadros iniciais que constam do documento do Tesouro. O Tesouro, apoiado em consistentes dados da economia do país, mostra o que escrevemos neste blog sobre o significado do fim da dívida externa anunciado pelo Banco Central.

Arnaldo Galvão, de Brasília – VALOR

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Seguindo os passos do Banco Central (BC), o Tesouro divulgou documento que ressalta a redução da vulnerabilidade externa do país. Os principais avanços, de acordo com essa análise, são a relação entre dívida externa e Produto Interno Bruto (PIB), que chegou a 14,9% em janeiro, o fluxo de investimentos estrangeiros que alcançou patamar recorde e o fato de o mercado de capitais do Brasil ser o maior entre os dos países emergentes se for considerado o valor em mercado. Em 21 de fevereiro, o BC já tinha divulgado relatório exaltando que, pela primeira vez, o Brasil é credor externo líquido porque seus ativos em moeda estrangeira são maiores que os respectivos passivos.

O gerente adjunto de Relacionamento Institucional da Dívida Pública do Tesouro, André Proite, informou que o documento divulgado ontem já estava concluído desde a semana passada, mas aguardava a aprovação do secretário Arno Augustin. Portanto, segundo suas explicações, a divulgação não teve relação com as notícias, também publicadas ontem, sobre as preocupações do governo quanto à valorização do real. O Valor publicou que estão sendo preparadas medidas nesse sentido. “Foi uma infeliz coincidência, mera casualidade”, garantiu.

Na visão de Proite, o documento do Tesouro procurou aproveitar o momento para ressaltar a importância de alguns indicadores relevantes para as agências de classificação de risco que não tinham sido devidamente abordados pelo BC. De acordo com essa interpretação, é muito otimista a comparação dos indicadores do Brasil com os de países que já têm o grau de investimento.

 

 

A redução da vulnerabilidade, segundo o Tesouro, veio com a redução da dívida externa pública e privada, com o dinamismo do setor exportador que permitiu expressivos superávits comerciais, o que colaborou para a entrada de divisas, e com o acúmulo de reservas internacionais que reduziu a volatilidade cambial. Apesar desses progressos, o peso do câmbio valorizado sobre as exportações e as projeções de maiores déficits em transações correntes assustam o governo. Tanto que está sendo preparado um pacote cambial.

A dívida externa total passou de US$ 214,9 bilhões, em 2003, para US$ 196,2 bilhões, em janeiro de 2008. A dívida de longo e médio prazos teve redução maior, passando de US$ 194,7 bilhões (2003) para US$ 158,1 bilhões (2008). O crescimento do PIB e a forte valorização cambial também fizeram com que a relação entre dívida externa e PIB tivesse queda de 41,8% (dezembro de 2002) para 14,9% (janeiro de 2008).

A “robustez” do setor exportador, para o Tesouro, é clara. A conta de juros da dívida externa brasileira alcançou, em 2007, 9,5% da receita das exportações. Em 2001, eram 28%. E a proporção da dívida externa em relação às exportações tem caído desde 1999. Naquele ano, a dívida era quase cinco vezes maior que as receitas de exportações, mas foi de 1,2 vezes em dezembro do ano passado.

Mesmo tendo que carregar uma moeda valorizada, o dinamismo do setor exportador pode ser comprovado, segundo o Tesouro, pela diversificação dos produtos embarcados e pela maior variação dos destinos. O destaque, para o governo, foi a redução relativa das exportações aos EUA, principal de destino dos produtos, quando comparado com os outros parceiros. Por outro lado, o país não é “estritamente dependente” do comércio de commodities, cujas cotações internacionais subiram e também contribuíram fortemente para a entrada de divisas.

Além do “excelente” desempenho exportador, o Tesouro ressalta o recente aumento das outras fontes de recursos da conta corrente, como serviços, rendas e transferências unilaterais. A soma dessas fontes é chamada receitas de conta corrente ou CAR (current account receipts) que é, segundo o documento, indicador mais amplo de solvência externa.

Considerando apenas o setor público, o Brasil passou a ter posição credora desde janeiro de 2007, quando a dívida externa dessa esfera era de US$ 88,7 bilhões com reservas de US$ 91,1 bilhões. Entre 2002 e janeiro de 2008, as reservas internacionais aumentaram 574%, indo de R$ 27,8 bilhões para R$ 180,3 bilhões. De acordo com o documento, o acúmulo de reservas também é relevante para analisar o valor mensal das importações. No Brasil, as reservas cobriam, em 2001, seis meses de importação. Mas em 2007, elas eram equivalentes a 18 meses de importação. Isso considerando também uma entrada de bens muito superior – US$ 120,6 bilhões em 2007 – contra US$ 55,6 bilhões em 2001.

O informe do Tesouro também destaca o aumento da participação de não residentes na dívida interna, mas o governo estuda acabar com a isenção do Imposto de Renda sobre esses ganhos de capital para barrar parte da entrada de dólares.

O documento ainda procura demonstrar que o país está muito próximo de ter investimentos recomendados pelas agências de risco. A dívida externa líquida brasileira era, em 2004, próxima a 117% das receitas de conta corrente (CAR), nível muito acima da mediana dos países com nota BBB (21%). Como o Brasil tornou-se credor externo líquido, a previsão para este ano é a de relação negativa (6,5%) entre dívida externa líquida e CAR. Esse patamar é melhor que a mediana dos países BBB (12%).

07/03/2008 - 10:04h Contrariando os abutres

Direto da Fonte

Sonia Racy, sonia.racy@grupoestado.com.br

Abutre preto em extinção

Abutre preto
Abutre preto

Bienvenidos

A crise aérea não assustou os turistas estrangeiros. Segundo a Embratur, em 2007 o País recebeu 5,025 milhões de visitantes – foram 5,018 milhões em 2006.

Mas eles gastaram 14% mais: US$ 4,9 bilhões. E a ocupação de hotéis em São Paulo foi 12% maior, diz a SPTuris.

Leia a integra da coluna de Sonia Racy no jornal O Estado de São Paulo

25/02/2008 - 15:59h Turistas gastam mais dólares no Brasil, novo recorde é de US$ 600 milhões só em janeiro

rio_cristo.jpgResultado chega perto dos US$ 600 milhões e é o melhor mês da série histórica; aumento na oferta de vôos é um dos motivos do crescimento

Brasília (25/02) – Segundo dados do Banco Central, divulgados hoje (25), janeiro registrou recorde mensal na entrada de dólares com gastos de turistas estrangeiros. Os US$ 595 milhões registrados no primeiro mês do ano representam um aumento de 26,87% em relação ao mês anterior (dezembro) e de 22,74% em relação a janeiro de 2007, quando os visitantes internacionais deixaram US$ 484 milhões no País – até então a melhor marca da série histórica iniciada em 1969.

A ministra do Turismo, Marta Suplicy, comemorou os resultados: “Começamos o ano com um número extremamente favorável, que só confirma o acerto da execução da política de turismo internacional. A expectativa da Embratur era passar dos US$ 500 milhões em janeiro, mas os números superaram as nossas melhores previsões”.
Em parte, a ministra atribui o resultado à retomada na oferta de vôos. “Só em janeiro tivemos um crescimento de 13,56% no número de assentos. Isso se somou ao incremento das ações de promoção do Brasil no exterior, nos últimos anos”, afirmou Marta Suplicy.

Em dezembro de 2007, com o ingresso de US$ 469 milhões, o Brasil chegou a US$ 4,953 bilhões em entrada de divisas por meio do turismo no ano passado, superando em 14,76% os US$ 4,316 bilhões registrados em 2006, considerado até então o melhor ano. Fonte Ministério de Turismo.

20/02/2008 - 15:39h Brazil ‘celebrating record year for tourism’

Brazil 'celebrating record year for tourism'Brazil experienced a record year for tourism-related earnings in 2007, it has been revealed.

Statistics published by the Brazilian Central Bank show that visitors to the nation generated around £2.47 billion in revenue in 2007 – with December alone accounting for almost £235 million of the year’s total.

The figure is a 14.76 per cent increase on the amount of money tourists in the country generated in 2006.

Marta Suplicy, Brazil’s minister for tourism, said: “This is great news to celebrate, stressing the importance of tourism – now the fifth item on the exports agenda – to the Brazilian economy.”

Jeanine Pires, president of the Brazilian institute for tourism, added that the data shows that “when visitors now come to Brazil they stay longer and spend more than ever before”.

Those visiting the country from the UK do not need to obtain a visa to enter the country for tourism purposes as long as their visit is less than 90 days in duration.

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28/01/2008 - 17:50h Gasto de turistas estrangeiros no País é o maior da história

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Entrada de recursos por meio do turismo no Brasil soma US$ 4,953 bilhões no ano passado e bate recorde

Agência Estado

SÃO PAULO – O ano de 2007 foi o melhor da história do turismo brasileiro em relação ao gasto de estrangeiros que visitam o País. Segundo números divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira, 28, o Brasil atingiu US$ 4,953 bilhões em entrada de divisas por meio do turismo no ano passado. O valor supera em 14,76% os US$ 4,316 bilhões registrados em 2006 – até então a melhor marca da série histórica iniciada em 1969.Os números mostram ainda que o desempenho de dezembro – de US$ 469 milhões – é recorde para este mês e o segundo melhor de todos os meses, ficando atrás apenas de janeiro de 2007 – quando os gastos de estrangeiros no Brasil chegaram a U$ 484 milhões. O cálculo do BC inclui trocas cambiais oficiais e gastos em cartões de crédito internacional.

O setor de turismo fica atrás apenas de minério de ferro, petróleo bruto, soja em grão e automóveis. “Os dados do BC confirmam que o Brasil passa a receber um turista que permanece mais tempo no País e gasta mais por onde passa”, avaliou a presidente da Embratur, Jeanine Pires. “No geral, o visitante desembolsa US$ 91,74 por dia em uma estada média de 18,19 dias”, disse.

28/01/2008 - 14:14h 2007 foi o melhor ano da história do turismo no Brasil



TURISTAS ESTRANGEIROS GASTARAM MAIS NO BRASIL EM 2007

Números do Banco Central (BC), divulgados nesta segunda-feira (28), confirmaram a estimativa de que 2007 seria o melhor ano da história do turismo brasileiro em relação ao gasto de estrangeiros que visitam o país

Com o ingresso de US$ 469 milhões em dezembro, o Brasil chegou a US$ 4,953 bilhões em entrada de divisas por meio do turismo no ano passado. O valor supera em 14,76% os US$ 4,316 bilhões registrados em 2006 – até então a melhor marca da série histórica iniciada em 1969.

Os números mostram ainda que o desempenho de dezembro de 2007 é recorde para este mês e o segundo melhor de todos os meses, ficando atrás apenas de janeiro de 2007 – quando os gastos de estrangeiros no Brasil chegaram a U$ 484 milhões.

Para a ministra do Turismo Marta Suplicy os dados demonstram a crescente importância da atividade turística para a economia do País: “Esta é uma ótima notícia para se começar o ano e evidencia o peso do turismo na balança comercial brasileira, atualmente o quinto item da pauta de exportações”. O setor fica atrás apenas de minério de ferro, petróleo bruto, soja em grão e automóveis.

“Os dados do BC confirmam que o Brasil passa a receber um turista que permanece mais tempo no País e gasta mais por onde passa”, avalia a presidente da Embratur Jeanine Pires. “No geral, o visitante desembolsa US$ 91,74 por dia em uma estada média de 18,19 dias. Dois anos atrás, gastava e ficava menos que isso”, explica.

Na comparação entre dezembro de 2007 e o mesmo mês de 2006 (US$ 400 milhões), o incremento também foi expressivo: 17,15%. O cálculo do BC inclui trocas cambiais oficiais e gastos em cartões de crédito internacional.
Assessoria de Comunicação da EMBRATUR
(61) 3429-7836
ascom@embratur.gov.br
28/01/2008

29/11/2007 - 06:07h Turismo bate recorde: "outubro é o melhor da história"

Quase US$ 1 bilhão no exterior

Cláudia Dantas – JB

Nunca os brasileiros gastaram tanto no exterior como agora. Só em outubro, as compras fora do país somaram US$ 915 milhões. De janeiro a outubro, o volume foi US$ 6,6 bilhões. No mesmo período do ano passado, as despesas chegaram a US$ 4,7 bilhões. Os turistas estrangeiros, por outro lado, deixaram no Brasil US$ 4 bilhões. No mesmo período do ano passado, foram US$ 3,5 bilhões.

Os números demonstram um forte aquecimento nas vendas de pacotes internacionais, impulsionadas pela queda do dólar. De acordo com a Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav-RJ), a procura por destinos internacionais registrou alta de 15% em relação ao ano passado. Os cruzeiros marítimos são a grande revelação: mantêm alta de 30% por cinco anos seguidos.

O presidente da Abav, Luiz Strauss, confirma que o dólar baixo abriu caminho para a boa fase do turismo e sustenta que ainda há vagas nas operadoras, principalmente para destinos domésticos.

- Os cruzeiros já esgotaram, mas quem ainda planeja viajar no final do ano deve se apressar e optar por pacotes domésticos. Ainda há vagas. Já nas rotas internacionais mais procuradas é mais difícil confirmar a passagem de avião – disse Strauss.

As companhias aéreas também apostam no aquecimento do mercado e criam promoções especiais para o fim de ano e a temporada de férias. A Gol oferece até 31 de dezembro passagens a preços promocionais para 51 destinos em todo o Brasil. A compra é feita pelo site da companhia, o cliente combina preços promocionais com trechos e estes podem sair a R$ 0,50 ou R$ 50.

Já a TAM abriu ontem três vôos diretos de Congonhas para Ilhéus, Porto Seguro e Salvador e Cuiabá.

Para José Francisco Salles, diretor de estudos e pesquisas da Embratur, a oferta das empresas aéreas beneficiou bastante o turismo nacional, que se recupera da perda de assentos depois da saída da Varig no ano passado.

- Perdemos 1,4 milhão de assentos com a saída da Varig e isto pesou nos resultados de julho de 2006 a julho de 2007 – apontou. – Mas os números deste ano são a grande virada, pretendemos fechar o ano com 50 milhões de desembarques nacionais – estima.

O especialista acredita ser uma retomada do público viajante, pois desde de 2003 não se registrava um resultado de mais de dois dígitos. O mês de outubro, por sua vez, bateu recorde.

- É o melhor da história, obteve um crescimento de 27,8% em relação ao ano passado – revelou. (Com agências)