25/10/2009 - 15:41h Poema dos olhos da amada, Soneto do amor total e Gostoso demais

Poema Dos Olhos Da Amada

Composição – Vinicius de Moraes / Paulo Soledade

Oh, minha amada
Que os olhos teus

São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe nos breus

Oh, minha amada
Que olhos os teus

Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus

Oh, minha amada
Que olhos os teus

Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas eras
Nos olhos teus

Ah, minha amada
De olhos ateus

Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus


Soneto do amor total

Vinicius de Moraes

Amo-te tanto, meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude

Caetano Veloso – Poema Dos Olhos Da Amada, com Maria Bethânia recitando o Soneto Do Amor Total no encerramento.

Trecho Extraído do Belíssimo Documentário VINICIUS

Direção – Miguel Faria Jr.

Distribuição Paramount

Gostoso Demais
Maria Bethânia
Composição: Nando Cordel / Dominguinhos
No Intermezzo a versão de Ivete Sangalo. Aqui a de Maria Bethânia.

Gostoso Demais
Maria Bethânia
Composição: Nando Cordel / Dominguinhos

Tô com saudade de tu, meu desejo
Tô com saudade do beijo e do mel
Do teu olhar carinhoso
Do teu abraço gostoso
De passear no teu céu

É tão difícil ficar sem você
O teu amor é gostoso demais
Teu cheiro me dá prazer
Quando estou com você
Estou nos braços da paz

Pensamento viaja
E vai buscar meu bem-querer
Não posso ser feliz, assim
Tem do de mim
O que é q eu posso fazer

05/06/2009 - 16:19h Guido Magnone, o artista do alpinismo

Clique na imagem para ler o artigo de Liberation, em francês

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Nouvelle Observateur
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04/06/2009 - 16:11h Chicken a la carte

“Chicken a la carte” foi considerada a curta metragem mais popular no Festival em Berlim em Fevereiro de 2006. Eleonora R.

19/05/2009 - 15:34h Le baladeur

Un documentaire de 52’
de Marina Paugam & Jean Michel Rodrigo

http://www.tvmountain.com/hwdvideos/thumbs/8hg05e8at5x4f.jpgChampion national de natation et de water-polo, Guido Magnone est surtout le vainqueur, en 1952, de la face ouest des Drus, réputée pour être LA montagne impossible.

Il entre aussitôt dans la légende des “grands”, cette poignée d’explorateurs qui vont conquérir le toit du monde au cours des années cinquante.

http://mountainsoftravelphotos.com/ReferenceImagesF/Jannu%20First%20Ascent%20-%20On%20The%20Jannu%20Summit%20April%2027,%201962.jpg
Guido Magnone na ascenção do Jannu

 

 

 

http://www.patagoniamountain.com.ar/images/fotofitzroy21952.jpg
Guido Magnone recebe do General Perón a maior condecoração do esporte argentino por ter vencido o Fitz Roy

Fitzroy, Makalu, Tour de Mustagh, Chacraraju, Jannu, Guido ne se contente pas d’atteindre les sommets les plus insensés, il filme, avec force et talent, le corps à corps des alpinistes avec la paroi. Puis il écrit.

Guido est un conteur qui aime entraîner les autres dans l’aventure.

A l’heure de raccrocher les crampons, Maurice Herzog, son ami devenu ministre, lui demande de fonder et de diriger l’UCPA. Pendant dix ans, Guido consacrera toute son énergie à faire découvrir aux jeunes les plaisirs des sports de nature.

Aujourd’hui, à 92 ans, Guido est revenu à ses premières amours, les Beaux-Arts, la sculpture… et poursuit son ascension.

Inexorablement.

www.mecanosprod.com


Fitz Roy, na Patagonia Argentina

10/05/2009 - 15:26h Vila El Salvador

Um bairro pobre de Lima é o cenário escolhido por dois realizadores franceses para percorrer a história dos esquecidos pela história. Para os leitores de Paris deste blog, um documentário a ver absolutamente. LF

http://www.projectperu.org.uk/Images/villaelsalvador20041.jpg

“Villa El Salvador, les bâtisseurs du désert”

Un documentaire de 52’
En présence des réalisateurs Marina Paugam & Jean Michel Rodrigo
Ce film retrace l’histoire de centaines de milliers de paysans, d’ouvriers, de sans toit, de sans droit, de sans voix du Pérou qui ont eu l’outrecuidance de croire qu’il était possible de construire une cité idéale, libre et fraternelle sur un bout de désert de sable. L’utopie est devenue réalité malgré des obstacles gigantesques: le manque d’argent, le chômage généralisé, la violence des autorités, une guérilla haineuse…
C’est l’histoire d’un rêve commun ou plutôt de la conjugaison de rêves : l’eau, l’électricité, des cuisines collectives, des écoles pour les enfants, des universités, des adultes qui travaillent dans leurs propres entreprises… et des Anciens
qui font du Taichi!

www.mecanosprod.com
Quand l’Utopie a droit de cité…
Entrée libre dans la limite des places disponibles.
RÉSERVATION INDISPENSABLE au 01 42 38 23 99 ou
à casasantafeparis@yahoo.fr
avec l’ appui de La Casa de Santa Fé à Paris et France Amérique Latine Paris (FAL)

03/03/2009 - 19:19h I Clowns

“I Clowns” de Federico Fellini
Poème exquis numéro 60

20/02/2009 - 22:04h É de doer!

Assisti agora pouco, na TV a cabo, ao documentário “Sicko” de Michael Moore, sobre o sistema de saúde dos Estados-Unidos. Impossível de desgrudar da TV. Vale a pena assistir e refletir sobre o assunto. O sistema americano é posto a nu e comparado com os sistemas existentes em Inglaterra, França e incluso Cuba. O resultado é um violento manifesto contra o neoliberalismo em matéria de saúde pública. No vídeo a seguir, legendado, uma parte do documentário que concerne a França. Um conselho, assistam!

01/02/2009 - 13:01h ”Do exílio ninguém regressa”

O argentino Tomás Eloy Martínez tenta com Purgatório recuperar o que o desterro lhe tirou

http://felixjtapia.org/blog/wp-content/uploads/2008/02/tomaseloymartinez3.jpg

 

Soledad Gallego-Diaz, EL PAÍS – O Estado SP

 


O purgatório, segundo a doutrina da Igreja Católica, é o processo de purificação necessário antes de se entrar no reino dos céus e passa pela dor de não desfrutar a presença de Deus, a ausência, a perda do bem extraordinário que é a contemplação do amor e do ente querido. Purgatorio é, nesse sentido, o melhor título possível para o mais recente romance do escritor argentino Tomás Eloy Martínez (Tucumán, 1934): a história de uma perda e de um exílio. Sua personagem, Emilia Dupuy, procura, durante 30 anos, seu marido detido pelos militares argentinos e desaparecido. Um dia ela o encontra num pub dos Estados Unidos: o tempo não passou para ele. “Quando você volta ao lar do qual partiu, pensa que fechou o círculo, mas percebe que sua viagem foi só de ida. Do exílio ninguém regressa”, escreve o narrador da história. Mas Emilia não acredita nele.

Seu romance é uma história terrível de perda.

Pensei muito na dor das pessoas que perderam alguém, mas, sobretudo, na dor maiúscula que significa não ver esse alguém morto. A constatação da morte é, pelo menos, uma forma de consolo. O limbo ou o purgatório de não saber o que foi feito do ser amado, onde ele está, se está morto, ou se está perguntando por você em outro lugar, é desesperador. De fato, já se fala disso na tragédia grega, quando Antígona não consegue enterrar seu irmão.

Durante a época da ditadura militar desapareceram cerca de 30 mil argentinos. Esse sentimento de perda, que é tão opressivo no romance, acomete qualquer argentino de sua geração?

Em meu caso, fui expulso de meu país pouco antes da ditadura. A motivação que me levou a escrever este livro é, precisamente, a interrupção de uma vida pelo exílio. Há dez anos de minha vida que se foram para sempre e que são irrecuperáveis. Pensei em recuperá-los mediante a escrita. A privação dos afetos é terrível. Por alguma razão, os gregos já pensavam no exílio como um castigo equivalente à morte. Eles o arrancam de seus afetos, de seus filhos, de sua vida profissional. Eles o obrigam a ser outro. E nessa “alteridade” você se perde.

Chama a atenção que suas duas personagens, Emilia e Simón, sejam precisamente cartógrafos.

Não sei bem por que, mas me preocupa há algum tempo a ideia do mapa e da semelhança entre o mapa e o romance. A escrita do romance e a realização dos mapas são, ambas, invenções da realidade, imaginações. No princípio, os seres humanos, quando não sabiam em que terra estavam pisando, imaginavam o mundo e lhe punham nomes a seu critério.

Mas, ao mesmo tempo, os mapas existem para que as pessoas não se percam, para que alguém não desapareça.

Exatamente.

A personagem de Emilia está perdida, mas encontra Simón pela formidável intensidade de seu amor. O amor é o único sentimento capaz de desencadear tanta força?

É sobretudo a ansiedade de recuperar o amor que não se viveu, que nos converte em outro ser. Como eu digo, o impulso inicial que me moveu a escrever este livro foi tratar de recuperar, mediante a escrita e a imaginação, o que o exílio me tirou. A escrita e a imaginação têm um poder maiúsculo, um poder que tratei de medir com a escrita deste romance. A ideia original era narrar a vida cotidiana dos argentinos, não os campos de concentração, não os tormentos, não as mortes horrendas, e sim a mediocridade da vida cotidiana. Sobretudo, algo que me perturbava, estando fora por tanto tempo, como não se reage, como se olha para outro lado? As ditaduras não são possíveis sem uma cumplicidade coletiva; uma certa forma de resignação ou de cumplicidade coletiva. A fonte dessa cumplicidade, acredito, é a ignorância. O grande recurso dos autoritarismos é obrigá-lo a ignorar, a que só saiba o que eles querem que saiba.

A primeira coisa que as autoridades israelenses fizeram antes de invadir Gaza foi impedir a presença de jornalistas.

Sim. E outra coisa importante. Aqui, se você denunciava o que via, o regime o denegria imediatamente como “antiargentino” e como tal o condenava. Agora, se você publica fora de Israel alguma coisa sobre o que sucede em Israel, podem muito bem chamá-lo de antissemita. Quando Israel levantou o muro, que me pareceu contrário a toda tradição da perseguição aos judeus, publiquei um artigo em La Nación, dizendo que era uma barbaridade, uma forma lenta de morte, e você não imagina a quantidade de vozes que se ergueram aqui para me acusar de antissemita.

Uma personagem que me parece interessante é a de Dupuy, o pai de Emilia. Ele não é um homem que está louco, mas que é, basicamente, um sem-vergonha.

Isso mesmo. Um canalha. Ele tem um ideal de extrema direita, militar, a ideia de construir um país sobre a ideia de “Deus, Pátria e Lar”, a espada e a Igreja, a união das armas com a fé e tudo isso misturado com a corrupção que afeta os pressupostamente incorruptíveis e se revela avassaladora. É esse também o tema de outro romance meu, O Voo da Rainha. Neste caso, é um jornalista incorruptível, que, em seu empenho em lutar contra a corrupção, se corrompe.

É tão fácil se corromper?

Se você não tem uma estrutura moral muito sólida e a corrupção não o repugna por princípio ou por vergonha, então, sim, suponho que a corrupção é uma tentação muito importante. Ela assume formas às vezes imprevisíveis. Aqui se veem infinitas formas de corrupção, inclusive você pode se converter em um corrupto sem ter consciência disso. A corrupção não é somente corrupção do dinheiro. A corrupção no jornalismo, por exemplo, é a sedução do poder, fazê-lo acreditar que você pode derrubar um ministro ou ter alguma influência maior.

Um episódio curioso no romance é o momento em que Dupuy pai visita Orson Welles para lhe propor que faça um documentário sobre os campeonatos mundiais de futebol. Cheguei a acreditar que fosse uma história possível.

Assim se criam as personagens. Conheci Orson Welles tal como Dupuy o conhece, na última tourada de Antonio Bievenida, em Toledo. Eu era um jornalista e ele estava muito envolvido na cerimônia de apartar os touros, opinando como se fosse um especialista. Eu me contive e não lhe perguntei sobre o Quixote, que ele havia deixado pelo meio. Admiro muito Welles, para mim ele é eticamente muito valioso. Pareceu-me que se o episódio não tivesse verossimilhança não poderia ter força e pus-me a estudar Welles, de modo que quando Dupuy o visita, eu sabia onde ele estava, o que fazia. Descobri que nessa época Orson Welles emprestou sua voz a um filme que se chama Genocídio, e me pareceu interessante devolver-lhe a homenagem.

Com relação à personagem de Emilia, às vezes é desesperador o tempo que ela demora para se dar conta do que se passou com seu marido, apesar das muitas pessoas que lhe contam.

Ela o explica num dado momento: “Se Simón está morto, então meu pai é um assassino e minha mãe, uma cúmplice.” E sobre a morte de seu marido, que já seria uma carga suficiente para ela, pois é a esperança que a mantém viva, teria que somar a culpa por esses antepassados assombrosos. Emilia é um reflexo, ou uma metáfora, embora a palavra me pareça um pouco presunçosa, da sociedade argentina em geral, à qual estão ocorrendo as coisas diante de seus olhos e ela não os vê. Prefere esperar que ocorram milagres. Mas Emilia não espera passivamente, porque procura de todos os modos.

A história de amor, que é tão importante no romance, seria possível pensá-la igual se a desaparecida fosse ela e Simón quem a procura?

Creio que o gênero masculino não tem, em geral, a mesma força passional e a mesma tenacidade que as mulheres têm. Por algum motivo, são As Mães da Plaza de Mayo e não Os Pais da Plaza de Mayo. Embora os maridos acompanhem o símbolo da busca e da espera, foram as mulheres que bateram de frente com a ditadura.

Seu romance tem muitas leituras possíveis: é uma história de amor, mas também um romance político, mas também um romance metafísico… É um romance sem medo.

Sem medo das consequências. Caminhar sobre uma corda bamba sem cair. Nesses temas a gente pensa qual é o limite e até onde posso avançar, e quanto mais livre você se sente, mais seguro se sente e melhor avança. De todos os meus livros, este foi o que escrevi mais rapidamente, me deixando levar.

O senhor acredita que algo que existiu um dia existe para sempre?

Um ser que existiu persiste por intermédio da memória. Por isso, o livro insiste em que a identidade de cada um de nós está nas recordações. Não só nas recordações que se tem, mas nas recordações que se deixa. Por isso o céu e o inferno são suas boas e suas más ações, aquilo que você deixou e o que permanece na memória dos outros.

TRADUÇÃO DE CELSO MAURO PACIORNIK

FLUÊNCIA NARRATIVA E BASES HISTÓRICAS MARCAM SUA FICÇÃO

CONTRA O PODER: A experiência com a ditadura militar argentina resultou em marca na militância e na ficção de Tomás Eloy Martínez, nascido na província de Tucumán, em 1934. Formado em literatura e especializado em Jorge Luis Borges, Eloy Martínez atuou como repórter na Argentina e na França, tendo iniciado a carreira jornalística como crítico de cinema. Durante o seu exílio, ele ajudou a fundar periódicos importantes como El Diario (Venezuela) e Siglo 21 (México). Ele criou o suplemento literário Primer Plano para o jornal Página/12, de Buenos Aires. Desde 1995, ele dirige o Programa de Estudos Latino-americanos da Rutgers University, em Nova Jersey. Marcados pela fluência narrativa e tramados em bases históricas, seus romances abordam, de modo geral, os efeitos do exercício do poder, visto sob um olhar cético, por vezes cáustico. Cinco de seus livros estão em catálogo: O Voo da Rainha (Objetiva), O Cantor de Tango, A Mão do Amo, O Romance de Perón, Santa Evita (todos Companhia das Letras).

10/01/2009 - 18:14h Hip Hop, La Habana y el Bronx

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Un argentino que nació en San Martín de los Andes que ahora vive en México y que estudió cine en La Habana es el encargado de enlazar dos mundos aparentemente antagónicos a través de un ritmo musical, el Hip Hop. Lo hace a través de un documental, Havanayork, que comenzó a rodar con vaguedad y ansia en 2001 en La Habana y que continuó, luego de mucha fatiga, dos años después en Nueva York.

El Bronx se cruza con las calles tumultuosas de Centro Habana; la Plaza de la Revolución con la Estatua de la Libertad, mulatos de aquí y de allá prestan sus voces en dos lenguas que parecen traducidas sin leerse, dos mundos que generan sus propios márgenes de protesta y descontento. Allí donde las fronteras se borran y hermanan con la palabra “revolución” declinada: de qué manera.

Estoy hablando de la obra de Luciano Larobina, el director que sumó empeño y talento para este documental que conocerá el mundo en el próximo Festival de Cine de Tribeca, ese capricho inventado por Robert de Niro.

Así me contó Luciano la gesta de su película de la que me entero mientras yo misma transito las calles de La Habana, luego de dar mis clases de verano en la escuela de cine (la EICTV) donde él y yo estudiamos con algunos años de distancia.

-¿Cómo llega esta idea de cruce musical entre La Habana y Nueva York?

La idea llegó como un pretexto que me permitió filmar en La Habana y releerla con nuevos ojos después de ocho años de no visitarla. Yo viví en la Cuba de 1993 a 1995 y esta idea surgió hacia finales del 2001. El Hip Hop nació en esta ciudad en 1995 con temas de un grupo llamado “Los Reyes de la Calle” y todo eso coincidió con el final del ciclo de mis estudios en Cuba, así que esa historia fue algo que no me tocó vivir y me generaba una curiosidad muy grande saber qué pasó, cómo nació y de dónde vino el Hip Hop. La premisa era simple: quedarme en La Habana el mayor tiempo posible para retratar y comprender el Hip Hop de la Isla con todas sus raíces para crear un puente que lo conecte con su lugar de origen en Nueva York.


¿Por qué tanto empeño con esta idea?

Me sonaba muy seductora la idea de un país como Cuba que enarbola la “Revolución” desde hace 50 años y un género musical que en su origen fue una voz “revolucionaria” que habló desde los márgenes de Nueva York soñando con la emancipación de la marginación. Aunque el documental es más musical que político, los antagonismos de ambos países crean conflictos y dilemas muy interesantes que pueden ser puntos de partida parte la realización de un documental que los haga “dialogar”.


¿De qué modo pudiste producir en un país y otro? ¿Encontraste trabas en tu trabajo?

La primera etapa de producción fue financiada con mis recursos porque sentía una necesidad visceral de documentar La Habana y aún no tenía claro qué estaba haciendo realmente, pero sabía que necesitaba filmar todo lo posible sobre el movimiento en las calles, las casas, los clubes y otros lugares. De manera que viajé ligero y con el equipo técnico mínimo. Casi siempre fuimos dos personas las que filmamos y grabamos todo, eso nos permitió meternos casi hasta la cocina sin ser realmente invasivos, tratábamos de ser livianos, Me tocó filmar en Cuba justo antes de las nuevas leyes que son mucho más estrictas sobre las cámaras y las filmaciones en la calle, así que puedo decir que fui totalmente libre de meterme en todos lados y filmar todo lo que me diera la gana, hasta logramos filmar en la Plaza de la Revolución que es un lugar muy custodiado y vigilado por la seguridad del estado. La única dificultad que tuve en Cuba es que cuando terminé de filmar en La Habana no pude viajar de regreso porque mi visa había expirado hacía más de un mes, entonces presencié con angustia como despegaba mi vuelo mientras agentes de la seguridad del estado y policías me escoltaban en una patrulla a una comisaría. Después de charlar con el jefe a cargo de la comisaría y pasar por un ligero interrogatorio me dieron la luz verde para regresar a México y me escoltaron nuevamente hasta el aeropuerto al otro día.

En México organicé lo grabado y filmado, me puse a escribir y aterricé las cosas con más elegancia, concursé por una y la conseguí y así pude seguir trabajando.


¿Cómo fue esa segunda etapa, la de New York?

Fue un poco más complicada porque la embajada de los Estados Unidos en México me negó el visado en dos ocasiones y tenía mucho miedo de pedir la visa por tercera vez y que me la negaran porque eso implicaba no poder viajar a Nueva York en 5 años… así se estancó la producción durante dos años y comencé a pensar cómo darle la vuelta a la historia. Una amiga me llamó un día y me dijo que el embajador adjunto de la Embajada estaría en una fiesta, así que me puse las pilas y llegué a la fiesta a conocerlo con la firme determinación de conseguir mi visado y el fue la llave maestra para ello, redactó una carta de recomendación que presenté en la Embajada y eso funcionó como magia, los oficiales hicieron el trámite como robots y salí del lugar con luz verde y sonrisa en el alma. Para la suerte del proyecto en paralelo lo propusieron para concursar por la beca Rockefeller de Nueva York y nos ganamos el apoyo justo antes de viajar a los Estados Unidos. Así que después de dos años de espera y sufrimientos nos bendijo la sincronía y llegamos a Nueva York en el marco del festejo de los 20 años del nacimiento del Hip Hop. Logramos contactar a los “pioneros” y “fundadores” del inicio de todo el movimiento, entrevistamos a los Fantasics Aleems, míticos gemelos guitarristas de Jimmy Hendrix, grabamos al DJ Tony Tone que tocaba con los famosos Cold Crush Brothers, protagonista del primer documental de Hip Hop llamado “Wild Style”, entrevistamos a Umar y Abiodun de la agrupación The Last Poets, considerados los verdaderos padrinos del Hip Hop, herederos de las luchas civiles de los Black Panthers y activistas políticos que iniciaron en los 70’s la crítica política y la voz consciente usando como herramienta la poesía “spoken word” y la música, estuvimos con Dani Hoch que es un reconocido activista del Hip Hop contemporáneo, asistimos a la fiesta de Zulu Nation y conocimos a Afrika Bamabata y muchos pioneros de los barrios del Bronx que festejaban 20 años de resistencia y contra cultura. Nos bendijo el buen timming y logramos entrevistar a la gente correcta justo a tiempo.

En Nueva York no pedimos permiso para filmar porque no usamos nunca trípodes y siempre viajamos ligeros, únicamente en una ocasión un oficial me preguntó mientras entrevistaba en Central Station a un sacerdote musulmán Hip Hopero muy llamativo si tenía permiso para hacerlo, mi reacción instantánea fue decir “Of course”!!! y eso nos salvó de tener un problema mayor, usamos los recursos de las Becas para terminar de filmar en Nueva York y regresamos a México con mucho material para editar y trabajar.

Países con gobiernos enemigos, pero con músicos y ciudadanos afines. ¿Cuáles son las afinidades que encontraste?

Hay muchas afinidades y contrastes, siento que son dos ciudades que están prohibidas entre sí por sus gobiernos y sus sistemas, pero en lo profundo siento que se desean… Son dos puertos cosmopolitas llenos de magnetismo musical y si soy honesto creo que hay muchas más diferencias que afinidades.

En Cuba la gente tiene mucho tiempo libre y eso les da chance de “dialogar” consigo mismos de una manera muy profunda, entonces te encuentras en La Habana personajes únicos y originales que no se parecen a nadie; en Nueva York la gente no tiene casi tiempo para nada, el valor del tiempo está muy relacionado con el dinero y la gente tiene una gran presión para poder vivir y salir adelante, en cambio en Cuba casi nadie tiene dinero y no existe esa gran presión de tener que pensar en cubrir la renta, comprar la comida básica, pagar la educación y la salud; en Nueva York todo está saturado de publicidad y hay muchos “modelos” que la gente usa para pertenecer a tal o cual grupo, ese “modelo” permite que la gente use códigos de vestimenta para reconocerse y juntarse, mientras que en Cuba es tan cara la ropa que se valora muchísimo un pantalón o unos buenos zapatos, en la Isla solo hay unos cuantos carteles con publicidad y mensajes políticos de tanto en tanto y no hay un concepto claro de mercado.

En Nueva York existen miles de celulares encendidos en todos lados y los ciudadanos pueden tener acceso a Internet si pagan el servicio, Cuba es otro mundo, el Internet es algo que aún está filtrado y protegido por razones políticas y económicas y poca gente puede tener acceso total al servicio, en Nueva York se respira una especie de “concentrada distracción” que no se detiene, cada cual vive en su canal, escuchando su iPod o sumergido en los jueguitos que le ofrece su servicio celular mientras que en Cuba existe una “distracción concentrada” y hay muchas menos “distracciones”, hay muy pocos canales de televisión, en uno solo se habla de béisbol y deportes y en los otros hay noticias, películas nocturnas y política, las relaciones sociales son muy distintas por estos motivos y ambos modelos generan patologías y singularidades totalmente distintas.

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¿Qué significan para vos estas las fronteras geopolíticas en ese mundo que pintas sin fronteras?

Las fronteras para mi significan control, guerra, comercio, sueños, límites, divisiones… Pero la música es tan fuerte y poderosa que nunca ha respetado ninguna frontera, la siento como un factor que erosiona todo mapa geopolítico con su canto lleno de magia, historia, cultura, ritmo y armonía. Para mi es uno de esos “genes culturales” que hacen mutar la dirección y el pulso de las sociedades, ayudando a barrer las barreras que se levantan para contener lo que nos contiene y nos da identidad.

La música es una especie de DNA todopoderoso que viaja en espiral y se alimenta de todos en todas latitudes, así que el mundo que pinto sin fronteras hace alusión a ese mundo musical… Es complicado realmente entender las fronteras, porque inclusive dentro de Cuba hay fronteras que separan a los distintos tipos de Cubanos, de igual forma que hay muchas fronteras en los Estados Unidos y en cada uno de nuestros países que nos dividen, inclusive hay fronteras dentro de las familia y los individuos. No se realmente que significan las fronteras, son quizás como grandes diques para contener toda la energía potencial que humanamente podemos compartir, pero existen tantas regulaciones y divisiones haciéndonos pensar que somos de tal o cual lugar que al final nos olvidamos que todos somos humanos y formamos parte de la tierra, la tierra no nos pertenece, somos tan solo una especie más un poco más depredadora que todas las demás.

04/09/2008 - 16:32h O alemão que fotografou o apocalipse

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Thomas Hoepker, autor da mais polêmica foto registrada no 11 de setembro, vem ao Brasil para inaugurar a sua exposição

Antonio Gonçalves Filho – O Estado de São Paulo

A mais polêmica foto da tragédia do 11 de setembro de 2001, quando terroristas colocaram abaixo as torres gêmeas, em Nova York, não mostra o choque dos aviões contra os prédios do World Trade Center nem as vítimas do atentado. Registra uma cena idílica de verão. Nela, cinco jovens conversam tranqüilamente em algum lugar de Williamsburg, no cais do Brooklyn, em meio a ciprestes e flores, enquanto uma nuvem negra de fumaça cobre os prédios de Manhattan. Seria uma montagem forjada em fotoshop? Um comentário irônico sobre a alienação da juventude americana? Uma crítica à incapacidade do homem contemporâneo de se comover com o drama alheio? Nenhuma das anteriores. É, ou deveria apenas ser, um instantâneo do fotógrafo alemão Thomas Hoepker, ex-presidente da agência Magnum (de 2003 a 2006) que, a convite da Galeria de Babel, abre esta semana, em São Paulo, uma exposição com sua série histórica sobre Cassius Clay, feita na época (1966) em que o pugilista se converteu ao islamismo.

Hoepker, que concedeu por telefone uma entrevista exclusiva ao Estado, vai ter sua foto do 11 de setembro leiloada no sábado pela Bolsa de Arte (preço estimado entre R$ 14 e R$ 18 mil) e exibida também no 2º Circuito de Fotografia I-Contemporâneo (leia texto na página 7), a partir do dia 10, no Shopping Iguatemi. Antes, no sábado, Hoepker abre sua individual na Galeria de Babel, onde mostra a série de Muhammad Ali, nome que Cassius Clay adotou após se tornar muçulmano. É um trabalho de referência na história do fotojornalismo. Em raras ocasiões a comunhão entre fotógrafo e celebridade chegou a tal grau de intimidade, permitindo revelar aspectos da vida particular do boxeador.

Fotojornalista é como Hoepker se define, mesmo sendo valorizado como artista no circuito internacional. Entrar nesse mercado, diz, foi apenas circunstancial. Com a redução no orçamento das revistas impressas, conseqüência da concorrência da internet, fotógrafos realizam cada vez menos trabalhos por encomenda de editoras, que garantiram a Hoepker fotografar séries históricas transformadas em livros, entre eles o impressionante Return of the Maya (Dewi Lewis Publishing, 160 páginas, 1998). A publicação registra a vida dos descendentes dos maias após a longa guerra civil da Guatemala, que acabou em 1996 e deixou um rastro de 150 mil mortes nos 36 anos do conflito, encerrado com o acordo entre o presidente Arzu e guerrilheiros.

“Esse foi um trabalho para a revista Stern, que me mandou para a Guatemala fazer uma reportagem turística sobre os costumes locais”, conta Hoepker. Ele acabou subvertendo a pauta, envolvendo-se com o sofrimento dos maias. “Após 500 anos de opressão cultural, pela primeira vez esse povo pôde praticar seus rituais religiosos e resgatar antigos costumes de seus ancestrais”, lembra o fotojornalista, que visitou o país quatro vezes, registrando, de 1990 a 1997, como os descendentes dos maias recuperaram os corpos de seus mortos no confronto com o governo guatemalteco e a maneira como conduziram os ritos fúnebres em cavernas, ravinas e cachoeiras.

Para a mesma Stern ele realizou, em 1975, outra impressionante série sobre a vida cotidiana em Berlim Oriental, quando a cidade alemã ainda era dividida pelo muro. Hoepker, um alemão de 72 anos nascido em Munique, atravessou a cortina de ferro como assistente técnico da revista, registrando imagens de dissidentes políticos como Wolf Bierman e Robert Havemann, além do retrato inquietante de um comerciante exibindo um ganso em plena época do Natal, uma raridade gastronômica na triste Berlim Oriental. “Comparando com o tempo em que lá vivi, a reunificação fez bem para os alemães do Leste, a despeito da nostalgia de alguns representantes do antigo regime, que não enxergam com bons olhos as mudanças na Alemanha”, observa.

Por essa época as fotos de Hoepker já eram distribuídas pela Magnum e seus documentários exibidos pela televisão alemã, chamando a atenção de editores americanos. Todos conheciam a série de Muhammad Ali, feita para a Stern em 1966, época em que negros eram discriminados em locais públicos nos EUA. O punho de Cassius Clay, exibido na foto desta página, era visto então como um protesto contra a opressão. “Foi uma leitura equivocada da foto, que é de fato ambígua, mas nem tanto como a do 11 de setembro”, esclarece Hoepker, dizendo que pretendeu apenas destacar o punho de um campeão.

No caso da foto maior desta página, a da tragédia das torres gêmeas, foi justamente seu caráter indeterminado que fez Hoepker mantê-la escondida por três anos, até que um amigo seu da Alemanha resolveu incluí-la numa retrospectiva dedicada ao fotógrafo. Quando publicada nos EUA, ele foi acusado de banalização do terror. Hoepker defendeu-se, dizendo que não pretendia, de modo algum, ser desrespeitoso com a memória dos mortos na tragédia. “Tanto que, ao selecionar as fotos da Magnum para um livro, retive a minha, por considerar que sua publicação poderia distorcer a realidade tal como a percebemos naquele dia.”

A imagem foi registrada por acaso. Retido em seu carro no Brooklyn, sem poder atravessar a ponte, ele viu um grupo de jovens conversando no cais de Williambsurg e tirou três fotos. “Não pensei em nada naquele momento, nem mesmo em fazer uma crítica à alienação dos garotos, como denunciaram posteriormente dois deles”, admite o fotógrafo. “De qualquer modo, acho que é da natureza humana se habituar com o horror”, diz o fotógrafo, um dos últimos da escola humanista de Cartier-Bresson e Elliott Erwitt, suas duas maiores referências.

Serviço

Thomas Hoepker. Galeria de Babel e Paparazzi Galeria. Av. Pedroso de Moraes, 100, tel. 3816-5520. Visitação: 24 h. Até 8/11. Abertura domingo, 15 h

18/08/2008 - 18:42h Chet Baker

No INTERMEZZO, na coluna acima a direita, esta semana Chet Baker e My funny Valentine. Aqui uma apresentação de Chet Baker, no documentário de Bruce Weber
chetbaker_claxton.jpg
William Claxton, Chet Baker (Piano), Hollywood, 1954


My funny valentine
Sweet comic valentine
You make me smile with my heart
Your looks are laughable
Unphotographable
Yet youre my favourite work of art (…)

17/08/2008 - 14:12h Chet Baker – Let’s Get Lost

No INTERMEZZO, na coluna acima a direita, esta semana Chet Baker e My funny Valentine. Aqui uma apresentação de Chet Baker, no documentário de Bruce Weber

Documentário realizado por Bruce Weber