22/05/2009 - 18:06h Em MG, Alencar chora e diz que espera ajuda de Deus

PAULO PEIXOTO da Agência Folha, em Belo Horizonte

http://www.gospelprime.com.br/wp-content/uploads/2009/01/jose-alencar-vice-presidente.jpgLutando desde 1997 contra o câncer, o vice-presidente da República, José Alencar, 77, afirmou ontem, em Belo Horizonte, que a sua cura depende de Deus e que, por isso, não pode planejar disputar outra eleição para o Senado.

“Eu estou aguardando primeiro que Deus me cure, porque, se eu não estiver curado, não posso levar nenhuma proposta ao eleitor. Não seria honesto. Se eu não estiver em condição de saúde, não terei como exercer um mandato.”

Como presidente em exercício, Alencar foi ontem ao campus da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) visitar as instalações da Comissão Nacional de Energia Nuclear e ser homenageado com o título de “Patrono da Carreira da Ciência e Tecnologia”.

Na chegada, foi recebido por cerca de 300 funcionários com balões brancos. Emocionado, desceu do carro e caminhou cerca de 150 metros por uma rua íngreme, de paralelepípedo, cumprimentando os servidores, que o aplaudiam.

Alencar chorou algumas vezes durante os discursos de agradecimento por ele ter ajudado a aprovar o plano de carreira do Ministério da Ciência e Tecnologia. Recebeu placa e poemas. Não leu em voz alta para “não chorar mais”.

Dilma

Sobre a saúde da ministra Dilma Rousseff, potencial candidata do governo em 2010 à Presidência, Alencar disse que ela está curada. A chefe da Casa Civil faz tratamento contra um câncer linfático.

“O caso dela é muito diferente. Ela está curada. Esse problema que houve agora foi efeito colateral da quimioterapia”, disse ele, que afirmou ser “quase um oncologista”, devido às muitas cirurgias que fez para a retirada de tumores.

A última foi em janeiro, quando foram retirados um tumor principal e outros oito menores na região do abdome. Há dez dias, novo exame detectou a recorrência do câncer.

Alencar disse que fisicamente está bem, que não tem sintomas porque os órgãos vitais estão preservados.

“Mas o câncer está aí. Estamos agora lutando por um medicamento novo que foi desenvolvido, mas ainda não está à venda. Lutando para que o laboratório ceda, para que nós façamos um tratamento que é adequado para o meu caso.”

“Hoje [ontem] para mim é um momento de muita emoção”, disse ao discursar. Alencar acrescentou que foi a emoção que o levou a subir a rua a pé para agradecer, embora não pudesse, por causa da cirurgia.

Terceiro mandato

Alencar disse que não se pode falar em terceiro mandato para o presidente Lula se isso não está previsto na Constituição. Mas repetiu o que vem dizendo desde que a ideia surgiu de aliados do governo. “Se houver uma pergunta ao povo brasileiro, o povo vai dizer que gostaria que o Lula ficasse mais tempo no poder.”

Ele, porém, não quis dizer se acha que deve haver essa consulta. “Isso eu não acho e nem posso falar isso, porque sou vice-presidente da República.”

20/05/2009 - 15:07h Dilma sai de hospital e está bem

Dilma chama de mau gosto misturar doença com política e diz que usa “peruquinha básica”

WANDERLEY PREITE SOBRINHO colaboração para a Folha Online

A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) deixou hoje o hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde estava internada desde as 3h de ontem após passar sentir fortes dores nas pernas numa reação ao tratamento quimioterápico contra um câncer linfático.

Questionada sobre o uso político da doença, Dilma foi enfática: “Acho de muito mau gosto misturar uma doença que é hoje curável com questões políticas, e acho que a própria população vai entender que isso não é adequado”.

Dilma admitiu que a quimioterapia já lhe custou os cabelos. “Estou usando uma peruquinha básica, como vocês podem notar”.

A ministra reclamou do uso da peruca e disse que vai tirá-la assim que o cabelo crescer um pouco. “É uma coisa que eu espero, logo que ele começar a crescer e estiver em uma altura mais ou menos do tamanho dos masculinos [e fez um gesto com os dedos polegar e indicador], eu possa tirar a peruca. Porque é muito chato peruca.”

Dilma disse que ainda não sabe quando retornará a Brasília para retomar suas atividades ministeriais. Ele recebeu recomendação para descansar em São Paulo.

A ministra admitiu que terá de cancelar parte de sua agenda de compromissos. “Vou cancelar a agenda do final de semana.”

Na saída do hospital, Dilma agradeceu a solidariedade que recebeu. “Quero agradecer à quantidade de solidariedade que venho recebendo ontem e hoje. Agradeço a todos que estão rezando.”

Dilma deu entrada às 3h de ontem no hospital após passar a segunda-feira com fortes dores nas pernas. No Sírio-Libanês, Dilma foi diagnosticada com miopatia, uma inflamação muscular. Ela foi medicada com analgésicos.

Compromissos

De acordo com o blog do Josias, Dilma terá de atenuar o ritmo de trabalho na pasta e a reduzir compromissos públicos.

Ela cancelou a presença num debate promovido pela Associação Brasileira de Rádio e Televisão, que aconteceria hoje. Também cancelou uma apresentação sobre o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) em Fortaleza amanhã. Não vai mais na abertura de um congresso da CUT em São Paulo, na sexta.

De acordo com o blog, Dilma foi aconselhada a evitar um encontro com militantes do PT no sábado. Diz que talvez ela compareça a um almoço organizado por Marta Suplicy com celebridades.

O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), negou ontem que Dilma tivesse que reduzir seu ritmo de trabalho para tratar o câncer linfático. Segundo Mercadante, a única restrição ao trabalho de Dilma se dará após as sessões de quimioterapia.

“Não tem redução de ritmo de trabalho. Haverá um cuidado maior após sessões de quimioterapia. A quimioterapia dela é preventiva, não é para combater a doença que estaria se alastrando”, disse Mercadante.

Essa foi a mesma avaliação da líder do governo no Congresso, Ideli Salvatti (PT-SC). “Não há afastamento. O que avaliamos é que tem que haver uma preocupação especial com a agenda da ministra nos momentos posteriores às sessões de quimioterapia”, disse ontem.

18/05/2009 - 22:44h Blog de Noblat: Dilma está sendo levada para o Hospital Sírio Libanês

Enviado por Ricardo Noblat -18.5.2009| 22h05m

Em primeira mão

Dilma está sendo levada para o Hospital Sírio Libanês

A ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, está voando neste momento em um jatinho da AMIL de Brasília para São Paulo. Ao chegar, irá direto para o Hospital Sírio Libanês onde a aguardam os médicos que cuidam dela desde a descoberta há mais de 30 dias de um nódulo linfático debaixo da axila do braço esquerdo. O nódulo foi retirado.

Pela manhã, Dilma estava bem e trabalhou normalmente no Centro Cultural Banco do Brasil, onde funciona o governo por causa da reforma do Palácio do Planalto. Recebeu em audiência o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Começou a sentir dores em uma das pernas pouco antes do meio-dia. E a dor só fez aumentar até o fim da tarde – apesar de por orientação dos médicos paulistas ela ter ido a um hospital de Brasília tomar remédios diretamente na veia. Auxiliares da ministra temem que ela tenha tido uma trombose.

Na semana passada, a ministra se submeteu à segunda de uma bateria inicial de seis sessões de quimioterapia.

Atualização das 22h23m – Em torno das 16h, Dilma saiu Centro Cultural Banco do Brasil às pressas dentro de um Peugeot sem placa oficial. Foi a um hospital tomar a injeção prescrita pelos médicos paulistas. Mais tarde, em contacto com eles, queixou-se de que a dor se tornara “lancinante”. Foi quando os médicos decidiram que ela deveria embarcar para São Paulo.

02/05/2009 - 09:45h Doença de Dilma é ‘último desafio de Lula’, diz ‘El País’

BBC – O Globo

O diário espanhol El País compara os problemas enfrentados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seus dois mandatos com “as tentações de Cristo no deserto” e afirma que o câncer linfático recém-descoberto pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, é o seu mais recente desafio.

O artigo, publicado nesta sexta-feira na versão online do jornal, diz que Lula já passou incólume por três “tentações” – a crise do mensalão, a pressão por um terceiro mandato e a crise econômica mundial.

“(Lula) não sucumbiu a nenhuma delas”, afirma o texto do correspondente Juan Arias. “Com Cristo, o demônio se conformou com as três tentações do deserto. A Lula, ele não deixa em paz”, afirma.

O artigo observa que Lula havia escolhido Dilma como sua candidata a sucedê-lo na Presidência para as eleições do ano que vem, mas que o anúncio feito pela ministra no último fim de semana , de que passará por um tratamento quimioterápico para tratar um linfoma, trouxe um novo dilema para o presidente.

“Que fazer? O mundo político está em ebulição. O governo não tem neste momento uma proposta factível para derrotar os possíveis candidatos da oposição, sobretudo o governador de São Paulo, José Serra”, diz o texto.

“Lula tem duas opções: nomear outro candidato ou manter a candidatura de Dilma, como fez num primeiro momento, afirmando que o Brasil precisa de uma mulher como ela, que soube sair incólume das torturas durante a ditadura militar e que superará agora a nova prova do câncer”, observa.
‘Lince político’

O artigo relata que Lula pediu recentemente que o povo brasileiro reze pela ministra e que voltou a levá-la para inaugurações de obras, levando o governo a ser acusado de “instrumentalizar a enfermidade da ministra, pouco popular, para fortalecer sua candidatura, sobretudo entre os mais pobres”.

“Lula, que é um lince político, já se adiantou a dizer que ‘não se brinca com essas coisas’. É o que pede a oposição”, comenta o texto, que questiona: “É definitiva a decisão de Lula?”.

“Lula não pode errar. É possível que organize alguma pesquisa para uso exclusivo do governo para saber se o fator doença de sua ministra lhe dará ou tirará votos. Depois decidirá’, diz o artigo.

“Até agora, seu instinto de animal político nunca o enganou. E este é o temor da oposição: que volte a acertar”, conclui o jornal.

Lula da Silva

El último desafío de Lula

JUAN ARIAS – EL PAÍS

Lula es un hombre de suerte. Suele salir indemne de todos los escollos como los faquires caminan sobre el fuego sin quemarse. En sus casi dos mandatos de Gobierno, el ex tornero pasó por tres pruebas graves. Alguien las ha llamado las tres tentaciones de Cristo en el desierto. No sucumbió a ninguna de ellas. La primera, la del gran escándalo de corrupción del 2005, cuando su Gobierno sobornó a un centenar de diputados para que aprobasen las leyes de reforma, Lula, sin estudios, la resolvió según los cánones de la antropología clásica. La jauría de la opinión pública pedía sangre, y él les dio una víctima sacrifical, su mejor ministro, el poderoso José Dirceu. Con su sacrificio y el de la cúpula de su partido, el Partido de los Trabajadores (PT), volvió la paz tanto al Gobierno como a la oposición. Salió sano y salvo.

Se le eligió en 2006 en un segundo mandato y hasta creció su popularidad. La segunda tentación le llegó cuando gente cercana, visto su gran índice de consenso popular, le pedía que convocara un referéndum para cambiar la Constitución y poder reelegirse por tercera vez. La tentación no era pequeña. Sabía que habría ganado el referéndum. Venció la tentación a favor de la democracia. Declaró que lo mejor para la democracia era el relevo en el poder. Prefirió su fama de estadista mundial, que ya había conquistado. Acertó y su popularidad volvió a dispararse.

La tercera prueba le llegó de sopetón, cuando la economía del país iba viento en popa: la crisis financiera mundial. Lula fue rápido, primero calmó los ánimos diciendo que no iba a ser nada. Cuando la crisis llegó, supo hábilmente situar las culpas en los poderosos “blancos de ojos azules”. La masa le creyó, y para él ha sido suficiente que Brasil sufra la crisis “menos que otros países de América Latina”.

Con Cristo, el demonio se conformó con las tres tentaciones del desierto. A Lula no le deja en paz. Tras haber escogido a Dilma Rousseff, su jefa de Gabinete y ex ministra de Energía, como candidata para disputar las presidenciales en el año que viene para sustituirlo en la jefatura de la República, de nuevo la tentación: Rousseff, una ex guerrillera torturada durante la dictadura militar, acaba de ser operada de cáncer linfático y ha confirmado que tendrá que someterse durante cuatro meses a una dura quimioterapia. ¿Qué hacer? El mundo político está en ebullición. El Gobierno no tiene a estas horas una propuesta creíble para derrotar a los posibles candidatos de la oposición, sobre todo al gobernador de São Paulo, José Serra.

Rousseff, como acababa de escribir Le Monde, era la sustituta perfecta de Lula: “Después de un metalúrgico, una mujer” al frente de Brasil, escribió el diario de París. Lula la presentó como la “madre del PAC [el Plan de Aceleración Económica]“, gestionado por ella, un billonario proyecto de obras de infraestructuras en todo el país. Rousseff aparece como la gran gestora del Gobierno, una mujer con carácter a la que temen muchos ministros.

Lula tiene dos opciones: nombrar a otro candidato o mantener la candidatura de Rousseff, como lo ha hecho en un primer momento, afirmando que Brasil necesita de una mujer como ella, que supo salir indemne de las torturas durante la dictadura militar y que superará ahora la nueva prueba del cáncer. Y pidió a la gente que rece por ella y ha vuelto a llevarla a todas las inauguraciones de obras. El Gobierno está siendo acusado de instrumentalizar la enfermedad de la jefa del Gabinete, poco popular, para afianzar su candidatura, sobre todo entre los más pobres. Lula, que es un lince político, se ha adelantado a decir que “no se juega con estas cosas”. Es lo que pide la oposición. ¿Es definitiva la decisión de Lula? Rousseff dijo ayer que el presidente la está sosteniendo como un padre. Lula no puede errar. Es posible que organice algún sondeo para uso exclusivo del Gobierno para saber si el factor enfermedad de su ex ministra le dará o quitará votos. Después decidirá. Hasta ahora, su instinto de animal político nunca le ha engañado. Y éste es el temor de la oposición: que vuelva de nuevo a acertar.

29/04/2009 - 11:14h Porcos no espaço, gente lunática

 

VINICIUS TORRES FREIRE – FOLHA SP

“Gripes” novas no mundo têm matado menos gente que a dengue no Brasil, mas pessoas correm às farmácias

HÁ GENTE à procura de pacotes de remédios para gripe em São Paulo. Ainda não começou a temporada de gripe paulista, coisa muito comum nos invernos desta cidade de ar sujo, de gente estressada, estafada e espremida em ônibus e metrôs hiperlotados.
Mas basta um passeio por 14 farmácias da zona oeste e do centro da cidade para ouvir relatos de atendentes e farmacêuticos sobre o aumento maluco do número de pessoas a pedir antivirais, gel para limpar mãos, sabonetes antissépticos, remédios para sintomas de gripe e máscaras para proteger o rosto. Isso em lugares como a avenida Paulista, no Pacaembu e em Higienópolis (onde mora gente rica e, supunha-se, mais informada), em Santa Cecília, Campos Elíseos e no Centro Velho. Numa farmácia da avenida Angélica, no centro de Higienópolis, um homem de máscara comprou três caixas de antiviral, gastando o equivalente a um salário mínimo. Tomar antiviral sem estrita recomendação médica é um estrita idiotice. As pessoas estão doidas.
O México, epicentro da doença, rebaixou ontem de 22 para 7 o número de pessoas que, segundo exames, foram mortas pelo vírus dito “suíno”, que por ora parece ser “agressivo” apenas no México, se tanto. Nos EUA, mais da metade dos casos ocorreu entre colegiais que viajaram pelo México.
Em 2008, 585.769 pessoas tiveram dengue no Brasil. Nesse ano, apenas a dengue hemorrágica matou 223 pessoas no país. Quase tantas quanto as mortas por outra sensação gripal que não decolou, a aviária (desde 2003, no mundo inteiro).
A cidade de São Paulo não é das mais afetadas pela dengue. Nuns anos têm 500 casos, noutros 800. Noutros anos, uma dúzia. Mas já houve microssurtos até no rico Pacaembu e na região da rua Oscar Freire, onde uma bolsa pode custar o preço de um carro e as pessoas andam em carros que custam um apartamento. Porém não houve comandos de erradicação de potinhos de água parada nem um surto de vendas de raquetes elétricas para matar mosquitos. Lembram-se das raquetes elétricas? Viraram moda no verão de 2008, quando o Rio teve uma epidemia violenta, os hospitais desceram a um nível ainda pior de colapso e as Forças Armadas armaram barracas na rua para atender doentes.
Parece, pois, que estamos dispostos a morrer de doenças conhecidas e razoavelmente evitáveis, desde que enraizadas nas nossas miséria e ignorância. Dengue, malária, disenterias que matam milhares devido a condições sanitárias indecentes, atropelamento, facada, tiro -morrer disso, tudo bem. É coisa nossa. Mas um vírus por ora apenas midiático leva multidões às farmácias.
Será mais um caso de doença como metáfora? O mundo quer se distrair dos perigos mais evidentes e imediatos que produziu, como crises financeiras e fome?
Cientistas dizem que, a cada 30 ou 40 anos, há um surto global de gripe. Os últimos ocorreram nos anos 50 e 60. Segundo essa teoria, digamos, do ciclo gripal, estaríamos perto de ter uma irrupção da doença. Mas, segundo os cientistas da área, ainda não sabemos nada sobre a letalidade do vírus, sua origem, velocidade de espraiamento do mal etc. O vírus é por ora apenas “informacional”.

vinit@uol.com.br

28/04/2009 - 09:59h Governo e Ministério da Saúde já estão de prontidão para enfrentar eventual surto de gripe no Brasil

Plano prevê 50 hospitais de referência

Além de mobilizar as unidades em todo o País, governo implantou telefone tira-dúvidas

Fernanda Aranda e Felipe Oda – Jornal da Tarde (JT)

O Brasil colocou em prática ontem um pacote de ação para evitar que o vírus da gripe suína se espalhe em território nacional. Em São Paulo também foi criado um plano de emergência para conter os casos, já que o Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, é apontado como um dos locais de risco de entrada da infecção no País.

Todas as secretarias de Estado da Saúde foram acionadas e 50 hospitais públicos do País estão escalados para serem referência de atendimento em caso de suspeita de contágio. O governo federal vai comprar 100 mil máscaras para seus agentes, além de distribuir 1 milhão de folhetos explicativos sobre o vírus. O Ministério da Saúde também colocou em funcionamento um serviço telefônico para tirar dúvidas da população (0800-61 1997).

Em São Paulo, a Secretaria de Saúde acionou 8 unidades, que ficarão de prontidão, três delas na capital: Hospital das Clínicas, Instituto Emílio Ribas e Hospital São Paulo. No total, são150 leitos de isolamento, dos quais 60 possuem pressão negativa para evitar risco de disseminação. O Centro de Vigilância Epidemiológica de SP encaminhou instrução aos 645 municípios sobre como identificar e tratar casos suspeitos.

“Estamos mobilizando os cerca de 100 mil médicos do Estado, das redes pública e particular, para que notifiquem imediatamente qualquer caso de pacientes com problemas respiratórios agudos, que cheguem principalmente do México e dos EUA”, afirmou o secretário estadual da Saúde de São Paulo, Luiz Roberto Barradas.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Infraero anunciaram o reinício do Plano de Contingência à Influenza em 10 aeroportos brasileiros, o mesmo utilizado em 2006 durante a epidemia da gripe aviária. Segundo o governo, 7 mil pessoas desembarcam diariamente nos aeroportos do País vindos de voos procedentes dos Estados Unidos e do México. Ontem, em Cumbica e no Galeão, no Rio de Janeiro, avisos sonoros davam informações aos passageiros.

Entre as orientações está a de que as tripulações dos voos vindos das áreas de contágio deverão avisar a torre de controle dos aeroportos sobre a eventual existência de passageiros com sintomas da doença. Em caso de suspeita, ambulâncias encaminham o paciente para um dos hospitais referência. Além da pessoa com sinais da gripe, todos os demais tripulantes e passageiros deverão ser monitorados, por telefone, por dez dias. A Anvisa se reúne hoje com o sindicato e as companhias aéreas para acertar detalhes da ação.

No domingo, a principal reclamação de quem chegava aos aeroportos do País era a falta de informação e mobilização dos agentes brasileiros. A falha foi reconhecida pela Anvisa, que justificou o atraso devido aos problemas na impressão de folhetos informativos.

AS AÇÕES

O governo distribuirá 1 milhão de panfletos informativos

Compra de 100 mil máscaras cirúrgicas descartáveis para agentes de saúde e população

50 hospitais de referência no País receberão os casos de suspeita de contaminação do vírus

Na capital, esses hospitais são: Hospital das Clínicas, Emílio Ribas e Hospital São Paulo

Envio de mensagens sonoras às companhias aéreas e aeroportos para que elas sejam reproduzidas nos voos e nos saguões

Monitoramento por telefone, por até 10 dias, de passageiros que estiveram em um voo com algum suspeito de contágio

Utilizar as informações da Declaração de Bagagem Acompanhada (DBA) para eventual busca de contatos em caso de suspeita

Estabelecer um acordo de colaboração com as companhias aéreas, que deverão informar sobre passageiros com sintomas

As tripulações deverão orientar os passageiros sobre a doença e solicitar que as pessoas com sintomas se identifiquem

Dúvidas sobre a gripe suína poderão ser esclarecidas pelo telefone 0800-61 1997

Informações também estão disponíveis no site: www.anvisa.gov.br/hotsite/influenza/index.htm


HISTÓRIA

SEM ALARDE

Autor de uma série de estudos sobre saúde pública e as epidemias do século 20, o sociólogo e historiador Claudio Bertolli Filho, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), combate o estado de pânico e lembra dos avanços da medicina nos últimos cem anos. “Sempre que se fala em gripe fica a ideia de que uma tragédia vai acontecer, milhões serão contaminados e milhares morrerão. Esse é um discurso muito comum e que de tempos em tempos reaparece. O que se desconsidera nesse discurso é a evolução da saúde”, diz
o especialista

GRIPE ESPANHOLA

Segundo ele, existe a hipótese de que a gripe espanhola (que arruinou o mundo em 1918) tenha surgido em um quartel no Texas, antes da 1º Guerra Mundial, que ficava ao lado de uma criação de porcos

MUTAÇÃO

Bertolli Filho diz ainda que o vírus gripal é um dos que mais muda com o decorrer do tempo. Especula-se que, em média, a cada 80 ou 90 anos, uma mutação cause a elevação do grau de letalidade dos vírus. Quando isso ocorre, corresponde a cerca de 1% a 1,5% de mortes do universo de contaminados

28/04/2009 - 09:39h Espirito de porco

Panico sobre gripe serve à especulação na bolsa, venda de remédios, xenofobia contra imigrantes e queda no consumo de carne de porco. Aqui no Brasil seguramente para atacar o presidente Lula, como já aparece em algumas cartas de leitores nos jornais. É o que se chama espirito de porco.
Leia a seguir a interessante entrevista publicada hoje no jornal O Estado de São Paulo com um historiador que reposiciona no seu contexto histórico o alarmismo midiático atual. LF

Clique na imagem da entrevista do jornal O Estado SP para ampliar e ler

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28/04/2009 - 08:39h Entenda a gripe suína

Gripe surgiu em criações de porcos e reúne genes de vírus que podem atingir suínos, aves e humanos. Saiba o que ela é e como se prevenir

Fonte O Estado SP