30/10/2009 - 15:23h Remédio para colesterol pode combater gripe, diz estudo

AE-AP – Agencia Estado

MILWAUKEE – Pode haver um novo tratamento para a gripe suína que já está nas prateleiras das farmácias: as estatinas, remédios vendidos comercialmente com nomes como Lipitor e Zocor, usadas para diminuir os níveis de colesterol. Pesquisadores divulgaram hoje um estudo mostrando que pessoas que usam esses medicamentos e foram hospitalizadas por causa da gripe sazonal tinham duas vezes mais chances de sobreviver do que as que não tomavam esse tipo de remédio.

Isso não prova que as estatinas são a cura para a gripe, já que mais estudos ainda são realizados para verificar se essas drogas podem ser um bom tratamento. O estudo sobre as estatinas, apresentado hoje durante um congresso médico, envolveu 2.800 pessoas pesquisadas entre 2007 e 2008.

“O estudo é muito promissor”, disse a coordenadora, Ann Thomas, da Divisão de Saúde Pública do Oregon. A estatinas são conhecidas também por reduzirem a maioria dos problemas causados pela gripe, independentemente se for a sazonal ou a causada pelo vírus A H1N1, são as inflamações, uma reação exagerada do sistema imunológico enquanto luta contra o vírus.

Estudos prévios também descobriram que as estatinas podem ajudar as pessoas a superar a pneumonia e sérias infecções bacterianas do sistema sanguíneo. A nova pesquisa, patrocinada pelos Centros de Prevenção e Controle de Doenças, é o maior já feito nos Estados Unidos que analisa o efeito das estatinas contra gripe.

O tratamento é uma questão muito importante para a gripe suína, já que a vacina está demorando para chegar ao público em geral. Remédios contra a gripe como o Tamiflu têm sido reservados apenas para os pacientes mais graves. As estatinas são baratas, relativamente seguras e estão entre os remédios mais utilizados em todo o mundo.

02/10/2009 - 09:33h Kassab, as mulheres do Campo Limpo precisam ser tratadas com mais respeito.

Editorial do jornal AGORA

Descaso no Campo Limpo

A mamografia é o exame que detecta o câncer de mama, o tumor que mais mata as brasileiras. Recomenda-se que as mulheres entre 50 e 69 anos façam a mamografia a cada dois anos. Daí se vê como é um procedimento importantíssimo para a saúde da população.

É alarmante, portanto, que o Hospital Municipal do Campo Limpo, o maior da zona sul de São Paulo, esteja há três meses com o mamógrafo quebrado. De acordo com funcionários e pacientes, o aparelho deixou de funcionar no começo de julho e não há previsão para o conserto. Já a Secretaria Municipal de Saúde diz que o novo mamógrafo deve ser instalado até o fim do ano.

Mas o descaso com a saúde no Campo Limpo não para por aí. As mulheres que procuram o hospital para a mamografia são encaminhadas para a UBS (Unidade Básica de Saúde) Vila das Belezas. É só dor de cabeça: na UBS, depois de agendado o exame, a demora para o atendimento chega a três horas.

O hospital é gerido pela secretaria, mas os exames estão sob responsabilidade da OSS (Organização Social de Saúde) Fidi. Não dá para entender por que o aparelho ainda não foi trocado. O diagnóstico precoce do câncer de mama facilita a sua cura. As mulheres do Campo Limpo precisam ser tratadas com mais respeito.

28/09/2009 - 14:51h Uso do narguilé equivale a consumo de até 100 cigarros

Natália Fernandjes
Narguilé
Muito popular entre os jovens, o narguilé será a responsável pelo aumento do número de dependentes de nicotina nos próximos anos


Da Redação Repórter Diário

Considerado por muitos como sendo algo inofensivo, o narguilé protagoniza uma séria discussão: segundo pesquisa do Inca (Instituto do Câncer) o instrumento se tornou a forma mais frequente de consumo de tabaco entre os jovens, depois do cigarro. Além disso, a jarra de vidro contendo uma mangueira com uma pipeta na ponta será a responsável pelo aumento do número de dependentes de nicotina nos próximos anos, segundo o coordenador do ambulatório de combate ao tabagismo da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Adriano César Guazzelli.

Conforme explica o especialista, o narguilé é um inalador de tabaco queimado como o charuto, o cachimbo e o cigarro, por isso, causa dependência tanto quanto estes produtos. “A fumaça mais suave permite com que as pessoas inalem uma quantidade maior de toxinas sem perceber”, destaca.

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), a fumaça gerada pelo instrumento contém inúmeras toxinas que podem causar câncer de pulmão e doenças cardíacas, por exemplo. Em uma sessão de cerca de uma hora do produto a quantidade de fumaça inalada corresponde a mesma de quem fuma 100 cigarros comuns. “Mesmo que o consumo seja ocasional, a intensidade desse consumo é muito superior do que a do cigarro comum”, indica Guazelli.

Para o administrador Jeferson Martinez, a diversão deve ser utilizada com precaução. “Acho que deve fazer mal sim, principalmente por não ter um filtro como o cigarro”, exemplifica. Martinez diz ter conhecido o narguilé há cerca de três anos e gostado da novidade, no entanto, acredita que utilizar o produto uma vez por mês é ideal para evitar problemas com a saúde.

Estatísticas
O cachimbo d’água, tradicional em países do Oriente Médio, aos poucos ganhou força no Brasil. Pesquisa do Inca sobre o tabagismo entre os jovens indica que 6% dos universitários fizeram uso de outros produtos de tabaco nos últimos 30 dias, destes, os mais consumidos são os cigarros de Bali (50%) e o narguilé (20%).

Um estudo britânico vai além ao constatar que as pessoas que fumam narguilé podem sofrer com os altos níveis de monóxido de carbono (CO). Os pesquisadores acreditam que uma sessão do produto (dez miligramas de tabaco durante 30 minutos) resulta em níveis de monóxido de carbono quatro ou cinco vezes mais altos do que um cigarro comum. (Colaborou Natália Fernandjes)

21/09/2009 - 19:12h A ciência do travesseiro

newyorktimes_folha

http://versus.blogs.sapo.pt/arquivo/quinta%20feira.jpg

LENTE

Ao usar uma faixa especial na cabeça para dormir, relatou David Pogue no “New York Times”, um relógio marcará o tempo que você passa nos vários estágios do sono: leve, profundo ou de movimento rápido dos olhos (MRE). Depois, você pode enviar os dados para um site na web e obter uma nota da qualidade do seu sono.
“É realmente incrível, até um pouco assustador, ver todos esses dados sobre uma parte da sua existência da qual você nada sabia até agora”, escreveu Pogue.
Talvez você saiba pouco sobre o que acontece enquanto está dormindo, além de alguns sonhos bizarros. Mas os cientistas fizeram várias descobertas recentes sobre o terço das nossas vidas que passamos descansando, ou pelo menos tentando descansar.
Cerca de 5% das pessoas podem despertar totalmente descansadas, sem despertador, depois de um sono curto, escreveu Tara Parker-Pope no “Times”. Ying-Hui Fu, professora de neurologia na Universidade da Califórnia em San Francisco, e seus colegas encontraram uma mutação de um gene ligado aos ritmos circadianos em duas pessoas, mãe e filha, que naturalmente dormiam pouco -seis horas por noite. A mutação, a primeira já descoberta que se relaciona à duração do sono, poderá ser uma chave para a compreensão dos distúrbios do sono.
“Sabemos que o sono é necessário para a vida, mas conhecemos muito pouco sobre ele”, disse Fu. “Conforme aprendermos mais sobre o mecanismo do sono e seus caminhos, poderemos compreender melhor o que causa os problemas de sono.”
Se você fica virando na cama à noite, o aconselhamento on-line pode ajudar. Estudos nos EUA e no Canadá demonstraram que a terapia comportamental cognitiva baseada na web pode reduzir a insônia, escreveu Amanda Schaffer no “Times”.
“Eu gostei do fato de ser pela internet”, disse uma participante do estudo, Kelly Lawrence, 51, do Canadá, “porque quando você não dorme não quer se levantar e ter de ir a uma consulta”.
Se nada disso funcionar, faça como Albert Einstein, Winston Churchill ou Thomas Edison faziam: tire um cochilo. Um novo estudo mostra que os cochilos ajudam a solucionar problemas, escreveu Nicholas Bakalar no “Times”. Os participantes do estudo fizeram dois testes de associação de palavras. Os que tiraram um cochilo entre os testes que englobava sono MRE -o tipo que inclui sonhos- se saíram 40% melhor no segundo teste do que no primeiro.
“Os sonhos são engraçados”, disse a professora de psiquiatria Sara Mednick, que conduziu o estudo. “Eles incorporam ideias estranhas que você jamais teria acordado. No sono MRE, torna-se mais provável que as ideias se juntem em uma solução.”
Algumas perguntas sobre o sono ainda não foram respondidas. Por exemplo, por que as girafas dormem cinco horas por dia enquanto os morcegos dormem 20? Uma teoria, como escreveu Benedict Carey no “Times”, é que, para otimizar seu tempo, os animais dormem nas horas em que é mais arriscado encontrar comida. O morcego, por exemplo, se alimenta de insetos que saem à noite, e dormir durante o dia o mantém escondido de predadores com visão melhor.
Um corolário dessa teoria é que estamos mais despertos quando estamos inclinados a ser mais produtivos, segundo Carey. A incapacidade de dormir às 22h, portanto, talvez não seja sinal de um distúrbio. “Se o sono evoluiu como o administrador do tempo, então estar ‘ligado’ às 2h da manhã pode significar que existe um trabalho valioso a ser feito”, escreveu.
Envie comentários para nytweekly@nytimes.com

19/09/2009 - 16:31h A maldita dor nas costas


Felipe Rau/AE – REABILITAÇÃO E EXERCÍCIO – Ana Claudia, em uma sessão de Pilates com a professora Cristina Vênere

 

Difícil encontrar alguém que  já não teve de dor nas costas. As causas são muitas, mas há como prevenir

 

Bia Fugulin - especial para o Suplemento Feminino- O Estado SP

 

Atenção ao carregar bolsa muito pesada, abaixar-se sem flexionar os joelhos e ganhar peso, ficando com uma massa corpórea acima do indicado. Esses, entre outros maus hábitos, são os grandes causadores da familiar dor nas costas. Junto com ela, surge, na grande maioria dos casos, a má postura. E o ciclo vicioso está formado. Dor nas costas que gera a má postura, e má postura que reforça a dor nas costas.

Prova disso é que, nos consultórios de ortopedia, a queixa número um são dores nas costas. A maioria é derivada de lesões musculares, causadas por movimentos anormais, traumas ou esforços excessivos. Entre as mais comuns, estão: cervicalgia, escoliose, ciática e lombalgia.

A cervicalgia acomete mais as mulheres, e apresenta um quadro doloroso, que pode ter como causa desde uma noite mal dormida até uma séria lesão no pescoço. Geralmente, resulta de uma contração do músculo do pescoço, e o incômodo ou dor permanece por cerca de uma semana. A postura fica comprometida, visto que a pessoa acaba desviando a posição da cabeça para o lado mais dolorido.

A escoliose é o desvio lateral da coluna vertebral. Pode ser congênita, surgir por ocasião de doenças neurológicas e musculares – ou mesmo devido a fraturas – e até como consequência do hábito de carregar bolsas ou sacolas pesadas, entre outros fatores. Costuma causar dor quando o grau de curvatura da coluna se torna importante, pelo fato de sobrecarregar outras regiões, devido à postura inadequada.

Já a ciática é uma dor bastante comum, originada pela compressão ou irritação das raízes nervosas do nervo ciático, que é o maior do corpo. Estende-se da coluna lombar, passa pela região pélvica, nádega, quadril, parte posterior da coxa, atrás do joelho, seguindo em pequenos ramos na parte de trás da panturilha até o pé. A dor é bem característica: não se limita às costas, dando fisgadas na parte de trás da perna. Muito incômoda. No geral, costuma melhorar com o tempo. No entanto, há casos em que é necessário fazer cirurgia.

Lombalgia é o termo para designar dores que atingem a região da coluna lombar, área que fica próxima à bacia. Estudos sinalizam que metade dos pacientes que passam por um episódio de lombalgia sofrerá mais uma crise em um ano, caso não sejam tratados adequadamente. Pode aparecer de repente ou lentamente. Entre as várias razões para o seu aparecimento, estão a protusão discal e a hérnia de disco. De acordo com o doutor Rogério Vidal de Lima, médico ortopedista e traumatologista especializado em doenças da coluna, a mulher acaba sendo bastante acometida por esse problema, devido à jornada de trabalho intensa, sem interrupção.

Soraya Martins é um caso clássico. Ela tem 28 anos, é arquiteta, mas, no momento, se dedica à casa e aos filhos. Começou a sentir uma dor lombar que irradiava para a perna, panturrilha, descendo até a canela. Isso a incomodava muito. “Quando eu me sentava, já sentia a fisgada”, comenta ela, que, por conta dessa dor, interrompeu a prática de ginástica localizada e musculação. Foi ao médico e teve o diagnóstico de protusão discal. Caso não fosse tratado e devidamente cuidado, poderia virar uma hérnia de disco.

Mas o que é a tão temida hérnia de disco? É quando há a passagem do núcleo do disco intervertebral, que acaba comprimindo estruturas com muitos nervos. Esta compressão pode causar dor local ou irradiada, entre outros sintomas. Aparece normalmente em pessoas com mais de 40 anos, porque é mais ou menos a partir dessa idade que começam a surtir efeitos as lesões de coluna, especialmente no disco intervetebral, provocadas durante toda a vida por meio de pequenos traumas – na maioria das vezes, decorrentes de erros de postura e movimento. Já a protusão discal é a fase que precede a hérnia.

TRATAMENTOS

Como a maior parte dos problemas de coluna é decorrente de maus hábitos, o primeiro passo é corrigir esses costumes. A Reeducação Postural Global, mais conhecida como RPG, tem sido bastante útil. Seu princípio considera que os músculos são interligados, formando cadeias musculares. Por isso, ao se alongar um segmento que está tenso, encurta-se outro, gerando compensações posturais. O método trabalha com posturas que conseguem estirar simultaneamente vários músculos.

A fisioterapeuta Cristina Vênere costuma recorrer ao RPG e ao Pilates para tratar os pacientes que chegam com orientação médica. O primeiro é indicado para melhora da postura e alívio de dores. “Os desvios posturais, como escoliose, hiperlordose, lombalgias e cervicalgias, respondem muito bem ao tratamento”, diz Cristina. Ela conta que, por meio das chamadas posturas globais, os músculos se reequilibram e a dor some.

ENCURTAMENTO MUSCULAR – Luciana Vilardi recorre ao alongamento para prevenir possíveis dores

O Pilates, ou contrologia, é um método de reabilitação e de condicionamento físico que trabalha a pessoa de modo integral, ou seja, respiração, flexibilidade, força, equilíbrio e controle corporal. “Não considera um músculo isoladamente, como na musculação, mas sim reproduz o movimento do dia a dia durante a aula”, diz ela. São mais de 500 exercícios entre aparelhos e solo, em aulas únicas e diferenciadas. Por ser um método que fortalece a musculatura profunda abdominal, responsável pela estabilização da coluna, garante sucesso nas lombalgias. “O Pilates reensina o corpo a sempre manter a coluna estabilizada durante a execução de suas atividades funcionais e, por trabalhar de forma controlada com a mobilização da coluna, ela fica mais flexível e livre de dores”, complementa.

Luciana Vilardi Vieira de Souza, de 30 anos, faz Pilates há um ano. Ela teve a pior de suas crises há dois anos, quando jogava squash. Da quadra, foi direto para o hospital, totalmente travada. O diagnóstico: encurtamento no músculo. “Depois que comecei o Pilates, nunca mais tive dor”, diz ela. Ela é advogada e seu trabalho exige que fique o dia todo sentada, diante do computador. “Quando percebo que estou começando a sentir dor, procuro fazer um alongamento na minha sala mesmo.”

Ana Claudia de Melo, 40 anos, representa outro caso de lombalgia que melhorou com a prática do Pilates. “Tenho hiperlordose, que piorou muito depois da minha gravidez de gêmeos”, conta. A dor não chegou a interromper as suas atividades diárias, mas causava muito desconforto na hora de dormir.

Tanto o RPG como o Pilates podem ser praticados por pessoas de qualquer idade, e o tempo de tratamento vai depender do tipo de lesão e do objetivo desejado. Além dessas práticas, o ortopedista Rogério Vidal de Lima recomenda a prática frequente de atividade física, para melhorar a performance muscular e o condicionamento físico. Outro ponto importante, que serve para todas as pessoas, é a atenção às atividades corriqueiras, como se sentar, dormir, andar, carregar peso, etc.

INIMIGOS DA COLUNA

linkGanho de peso.

linkPostura inadequada durante as atividades físicas.

linkUso de calçados inapropriados, como tênis errado para o tipo da pisada.

linkSedentarismo.

linkErgonomia inadequada, no trabalho (mesa e cadeira) e em casa (cozinha, colchão, sofá).

linkBolsas e mochilas muito pesadas.

linkDificuldade auditiva ou visual, pois a pessoa se entorta para ouvir ou ver melhor.

linkColchão e travesseiro inadequados.

linkUso de notebook no colo, mal acomodada na cama, etc.

linkSofás, poltronas e cadeiras com espuma gasta, pois provocam afundamento.

linkBanco de carro fundo, embreagem ou pedais muito duros.

linkMovimentos repetitivos ou posturas que se mantêm por longos períodos, assim como a sobrecarga da região lombar.

09/09/2009 - 17:27h 75% dos tumores de cabeça e pescoço são descobertos tarde

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Estudo avaliou mais de 16 mil registros no Estado de São Paulo de tumores em locais como lábio, língua e laringe

Maioria dos casos acontece nas mucosas da cavidade oral, laringe e esôfago; estágio avançado da doença leva a cirurgias mutiladoras

GABRIELA CUPANI – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Três em cada quatro tumores de cabeça e pescoço são descobertos em estágio avançado, quando as chances de cura são menores e os tratamentos, mais agressivos. O dado é de um estudo sobre o perfil epidemiológico desses cânceres no Estado de São Paulo, feito pelo Hospital A.C. Camargo.
Para chegar ao resultado, os autores analisaram o registro de mais de 16 mil pacientes entre os anos de 2000 e 2006, diagnosticados com tumores de lábio, cavidade oral, faringe, amígdala e glândulas salivares, entre outros. Trata-se de um dos poucos levantamentos que detalharam as prevalências de cada um dos tumores englobados no grupo considerado câncer de cabeça e pescoço.
Segundo o trabalho, 75% dos casos foram diagnosticados em estágio avançado e isso não se alterou ao longo dos anos. No mesmo período, os casos de câncer de nasofaringe tiveram o maior aumento proporcional.
Os pacientes diagnosticados eram, na maioria, homens com mais de 60 anos e baixo nível de escolaridade. “Falta conhecimento dos sintomas”, afirma o cirurgião Luiz Paulo Kowalski, diretor do departamento de cirurgia de cabeça e pescoço e otorrinolaringologia do Hospital A.C. Camargo e um dos líderes desse trabalho.
“Nos Estados Unidos, a situação é inversa: 70% dos casos são descobertos em estágio inicial”, conta o cirurgião de cabeça e pescoço Sérgio Samir Arap, do Hospital das Clínicas de São Paulo e gerente-médico do centro cirúrgico do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
“A maioria desses tumores acontece nas mucosas da cavidade oral, laringe e esôfago”, diz Arap. “Mas faltam profissionais capacitados para identificar esses tumores precocemente e encaminhar os casos para um serviço especializado”, completa o cirurgião.
Estima-se que os cânceres de boca e orofaringe sejam os tipos mais frequentes dessa categoria, somando aproximadamente 390 mil novos casos a cada ano no Brasil. Segundo o artigo, o Brasil se destaca como um dos países com maior incidência desses tumores, devido à exposição aos fatores de risco.
Os tumores de cabeça e pescoço são relacionados a exposição excessiva ao sol (que causa a doença na pele e nos lábios), tabagismo e consumo abusivo de álcool. Estudos recentes associam o aumento de casos à infecção pelo vírus HPV, mesmo em pessoas assintomáticas.

Inflamação na gengiva
Uma pesquisa recente da Universidade de Buffalo (EUA) revelou que a periodontite (inflamação crônica da gengiva) também está relacionada ao aumento do risco desses tumores. A doença leva à perda progressiva de ossos e do tecido que sustenta os dentes e foi associada a cânceres de cavidade oral, orofaringe e laringe.
Para prevenir as lesões, além de uma boa higiene oral, recomenda-se adotar uma dieta saudável. “Comer vegetais amarelos, ricos em vitamina A, frutas cítricas e folhas verdes diminui o risco”, diz Kowalski.
Além disso, pessoas com mais de 40 anos, com más condições dentárias, fumantes e portadores de próteses mal ajustadas devem passar por um exame visual da boca, que pode ser feito por dentista, uma vez por ano para identificar lesões.
“No entanto, as campanhas têm sido pouco eficazes no controle do surgimento de novos casos e no diagnóstico precoce”, observa Kowalski.
Diagnosticados precocemente, esses tumores têm grande chance de cura, que chega a 95%, com cirurgias mais simples. Já nos casos avançados, o tempo de operação pode ser dez vezes maior, as cirurgias são mais mutiladoras e há necessidade de reabilitação.

SINAIS SERVEM DE ALERTA

Feridas que crescem ou não cicatrizam, rouquidão ou dor de garganta por mais de duas semanas, sangramentos e gânglios endurecidos devem chamar a atenção.

07/09/2009 - 17:30h Novo tipo de colesterol provoca mais risco cardíaco do que LDL

newyorktimes_folha.gif Oxicolesterol é gerado quando alimentos ricos em gorduras são aquecidos

CLÁUDIA COLLUCCI
DA REPORTAGEM LOCAL

Um novo tipo de colesterol, o oxicolesterol, pode representar um risco cardiovascular ainda maior do que o LDL (colesterol “ruim”) no aumento do colesterol total no sangue e na formação de placas de gordura nas artérias, revela um dos primeiros estudos sobre o tema, apresentado no congresso da Sociedade Americana de Química, no fim do mês passado.
No organismo, o oxicolesterol é fabricado por meio de reações entre as gorduras e o oxigênio, processo conhecido como oxidação. Quando alimentos ricos em gorduras são aquecidos a altas temperaturas, a oxidação também ocorre. O uso de gordura trans ou óleo vegetal parcialmente hidrogenado em alimentos processados também gera oxicolesterol.
O novo estudo mediu os efeitos de uma dieta rica em oxicolesterol em camundongos. Nos animais alimentados com altas quantidades dessa gordura, o nível de colesterol no sangue subiu 22% a mais. Também foram observados maiores depósitos de gordura nas paredes das artérias.
Para o coordenador do estudo, Zhen-Yu Chen, o mais importante são os efeitos do oxicolesterol na função arterial: ele reduz a elasticidade das artérias e afeta a capacidade de transportar mais sangue, o que aumenta o risco de coágulos.
O cardiologista e nutrólogo Daniel Magnoni, do HCor (Hospital do Coração), explica que o colesterol oxidado é aquele que mais provoca doenças. “Tem gente com colesterol alto, LDL alto e que não tem doenças. Já outras pessoas têm LDL normal, mas têm doenças. Talvez seja em razão dessa oxidação”, explica.
Não se sabe se as estatinas, medicamentos mais usados para reduzir o colesterol, reduzem as taxas de oxicolesterol. A recomendação é investir em dietas antioxidantes, com frutas, vegetais e cereais integrais.

07/09/2009 - 11:52h Cientistas anunciam maior avanço contra Alzheimer dos últimos 15 anos

da Efe, em Londres – Folha Online

Dois grupos de cientistas, um do Reino Unido e outro da França, deram um grande passo nas pesquisas sobre o mal de Alzheimer, ao identificar três novos genes relacionados à doença, o que pode reduzir em até 20% seus índices de incidência.

À frente da equipe de pesquisa sobre o tema no Reino Unido, Julie Williams, professora da Universidade de Cardiff, afirmou que se trata “do maior avanço conseguido na pesquisa sobre Alzheimer nos últimos 15 anos”. O estudo foi divulgado pela revista “Nature Genetics”.

Os pesquisadores asseguraram que se as atividades dos genes descobertos forem neutralizadas, poderiam prevenir, em uma área como a do Reino Unido (com uma população de 61 milhões de pessoas), 100 mil novos casos por ano do variante mais comum do mal de Alzheimer, sofrido em idade mais avançada.

Genes

A identificação destes três genes é a primeira desde 1993, ano no qual uma forma mutante de um gene chamado APOE foi responsabilizada por 25% dos casos diagnosticados da doença.

Dois destes três novos genes, denominados clusterina (ou CLU) e PICALM, foram identificados pela equipe britânica, e o terceiro, denominado receptor complementar 1 (ou CR1), pela equipe francesa.

O gene clusterina é conhecido por sua variada propriedade protetora do cérebro e, da mesma forma que o APOE, ajuda o cérebro a se desfazer dos amilóides, uma proteína potencialmente destrutiva.

A novidade é que, segundo o estudo, estes genes também ajudam a reduzir as inflamações que danificam o cérebro, causadas por uma excessiva resposta do sistema imunológico, função que compartilha com o CR1.

Os cientistas acreditam que a inflamação cerebral pode ter um papel muito mais importante no desenvolvimento do mal de Alzheimer e que poder interagir com estes genes abre as portas para tratamentos novos e mais eficazes.

O mal de Alzheimer, para o qual não há um tratamento eficaz, é uma doença neurodegenerativa que se manifesta através de uma deterioração cognitiva e de transtorno de conduta, devido à morte dos neurônios e de uma atrofia cerebral.

20/08/2009 - 15:21h Exame detecta endometriose sem cirurgia

Método criado por pesquisadores australianos e belgas foi testado em 99 mulheres; outros estudos são necessários

Novo procedimento colhe fragmentos do endométrio no exame ginecológico, sem anestesia, e depois analisa a presença de fibras nervosas

http://www.gineco.com.br/images/endometriose.jpg

FERNANDA BASSETTE E JULLIANE SILVEIRA – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Pesquisadores australianos e belgas desenvolveram um novo procedimento para diagnosticar endometriose precocemente e de maneira menos invasiva, sem a necessidade de laparoscopia. Para isso, fizeram um estudo randomizado e duplo-cego com 99 mulheres. Os resultados foram publicados anteontem na revista científica “Human Reproduction”.
Hoje a cirurgia é considerada a única maneira efetiva de diagnosticar precocemente a doença. A outra opção -o ultrassom- identifica apenas os casos mais avançados. Estima-se que de 30% a 40% das operações não confirmem o diagnóstico, o que mostra que as mulheres estão se submetendo ao procedimento desnecessariamente. Por isso, médicos do mundo todo tentam encontrar uma forma menos invasiva de fazer o diagnóstico.
A nova técnica foi apresentada no congresso internacional de endometriose, na Austrália. Consiste em colher pequenos fragmentos do endométrio (tecido que reveste o útero) durante um exame ginecológico convencional, no consultório, sem a necessidade de anestesia (apenas tomando um analgésico oral). Em seguida, analisa-se o material à procura de fibras nervosas no tecido.
Segundo o professor Moamar Al-Jefout, um dos autores do estudo, é possível fazer o diagnóstico com precisão em praticamente 100% dos casos. Segundo ele, as 64 mulheres que tiveram a doença confirmada pela cirurgia também tiveram o teste positivo para a presença das fibras nervosas.
Além disso, 29 das 35 mulheres que não confirmaram a doença pela cirurgia também não tinham fibras nervosas no tecido. “A presença das fibras nervosas pode estar envolvida no aparecimento da dor. A gente acredita que elas possam estar envolvidas no fenômeno”, afirmou Al-Jefout à Folha.
O ginecologista Carlos Alberto Petta, professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), afirma que o estudo abre novas perspectivas para que seja possível diagnosticar precocemente a doença.
“É muito frequente fazermos cirurgias e descobrirmos que a mulher não tinha endometriose. A vantagem dessa nova técnica é que, se comprovada sua eficácia, ela acaba com as cirurgias desnecessárias. A gente conseguiria triar melhor as pacientes”, afirma Petta.
Para o ginecologista Maurício Abrão, responsável pelo Setor de Endometriose da Clínica Ginecológica do Hospital das Clínicas de São Paulo, o procedimento é uma tentativa interessante para o diagnóstico de uma doença que requer um exame invasivo. Ele considera, no entanto, a amostra pequena para que seja possível tornar o método uma rotina. “Quando se fala de endometriose no Brasil, fala-se de mais de 6 milhões de mulheres. Será que cem casos refletem essa quantidade?”.
Para a ginecologista Ivete de Ávila, presidente da Comissão de Endometriose da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), o trabalho é inovador, mas tem outro fator que precisa ser levado em conta.
“É um procedimento simples, mas com custo alto. Não adianta termos um método de coleta simples, mas com uma análise laboratorial que exige um microscópio ultramoderno e reagentes caríssimos”, diz.

Ultrassom
A ultrassonografia especializada tem se mostrado uma alternativa menos invasiva para apontar focos de crescimento de tecido fora do endométrio.
De acordo com Abrão, o médico ultrassonografista treinado para identificar a endometriose é capaz de detectar o problema no ovário e a forma mais profunda da doença (que infiltra bexiga, ligamentos, intestino, entre outros órgãos).
O ultrassom também auxilia o médico a prever o que encontrará na cirurgia. “A vantagem é ir para o procedimento [laparoscopia] com uma informação prévia”, defende Abrão.
Segundo Petta, no entanto, a desvantagem do ultrassom é que, normalmente, só se consegue visualizar casos avançados. E, quando a endometriose é diagnosticada tardiamente, é mais difícil de tratar, ocorre maior dificuldade para engravidar e há risco de ser necessária a retirada do útero.

Doença frequente

A endometriose é uma doença ginecológica crônica, em que parte do endométrio se estabelece fora do útero, provocando cólicas intensas, dor durante a relação sexual e infertilidade. A doença atinge entre 10% e 15% das mulheres em idade fértil.
O tratamento da endometriose é cirúrgico (para retirada dos nódulos e cistos). Não há cura, apenas controle clínico, com medicamentos para diminuir a dor. A doença pode voltar a se manifestar.

DOENÇA DEMORA ATÉ 12 ANOS PARA SER DESCOBERTA

Segundo o professor Carlos Alberto Petta, os primeiros sintomas da endometriose costumam aparecer na adolescência e, nesses casos, a mulher chega a demorar até 12 anos para receber o diagnóstico correto e definitivo da doença; em média, a demora é de até sete anos.

28/07/2009 - 15:54h De médicos e gripes

JANIO DE FREITAS – FOLHA SP

http://images.ig.com.br/publicador/ultimosegundo/116/116/15/3656414.gripe_suina_mundo_254_398.jpg

Provavelmente é a 1ª vez que o país se vê ante situação crítica de saúde sem sucumbir à falta de medicamento

MÉDICOS ENVOLVIDOS no combate direto à gripe A, dita suína, começam a fazer críticas públicas ao jornalismo que se ocupa do problema. Além de reconhecer a razão dos médicos, é preciso admitir também que estão sendo vítimas de uma injustiça. As providências médicas e o trabalho psicológico-informativo feitos no Brasil a partir do Ministério da Saúde, desde os primeiros sinais externos de uma gripe incomum, têm sido sucessos na sua competência e, a despeito das más influências do contravapor sensacionalista, nos seus efeitos.
Ressalta logo, nesse quadro, ser provavelmente a primeira vez que o Brasil se vê ante uma situação crítica de saúde pública sem sucumbir, em pouco tempo, à falta de medicamento específico e à distribuição caótica do estoque insuficiente. É a máquina pública em ação, no entanto, a máquina dada como inútil e que, apenas recebe comando competente, comprova seu papel insubstituível e comprova-se capaz de exercê-lo.
Não fomos postos diante de um problema secundário, mas do risco de sermos invadidos por uma epidemia depressa elevada, por sua rapidez mundial, a pandemia. Risco agravado pela vizinhança com Uruguai, atual recordista relativo em número de vítimas, e Argentina, que ultrapassou o México e nem sabe ao certo, ou não diz, a quanto somam os seus vitimados; e ainda a proximidade com o Chile, outro país de números muito altos. Consideradas as ameaças geográficas de contaminação e a concentração demográfica dos Estados brasileiros mais expostos a ela, no Sul e no Sudeste, nem caberia dar nome de epidemia ao que ocorre no Brasil. Ainda mais se comparadas as mortes provocadas pela gripe comum em 2008 (Folha de sábado) e nos iguais meses deste ano, pela gripe A: só em julho, e só na cidade de São Paulo, 629 mortes em 2008, e, em todo o Brasil, 45 mortes provocadas até ontem pela gripe A.
Mas cinco mortes mais, ou cem doentes sob tratamento em UTI no Rio Grande do Sul, levam a um noticiário de espaço, de tempo e de termos alarmistas. A queixa médica é correta: não adianta que o ministro José Gomes Temporão fale aos meios de comunicação todos os dias, desde o primeiro momento do problema, dando informações claras e calmas contra o alarmismo, e sobre as condutas convenientes na população. E, como Temporão, à vista do alarmismo tantos outros médicos se ocupem com esclarecimentos e orientação acalmante. Não adianta: hospitais e demais centros de atendimento já são levados ao tumulto e à incapacidade de dar vazão à procura tão aflita quanto equivocada. Há um relato médico de que mais de metade dos atendidos nem a gripe comum tinham, quando muito passavam por um resfriado ou uma dor de garganta.
Na fase inicial da ação contra a gripe A, houve uma tentativa política de aproveitar o problema contra o ministro Temporão, que não ocupa o cargo como ponta de lança, ou “laranja”, de nenhum grupo político. Chegou a haver a publicação de que “o corpo técnico da saúde não gostou da recomendação do ministro José Temporão para que os brasileiros evitem viagens à Argentina, devido ao risco da gripe suína”. Os “técnicos” do Ministério da Saúde preocupados com as perdas do turismo na Argentina – a mediocridade de lobismo político não tem cura.
Não é demais repetir o dado do Ministério da Saúde: a gripe comum provocou 70.142 mortes registradas no Brasil em 2008. Ou 192 por dia. As mortes pela gripe A não são menos deploráveis, mas seu número é um atestado de êxito do que foi feito para enfrentá-la aqui.

03/06/2009 - 15:42h Autismo é o preço da inteligência


Descobridor da estrutura do DNA diz que genes da alta cognição se relacionam com doença mental

James Watson admite que hipótese é “especulativa”, mas um outro grupo de pesquisa propôs mecanismo para explicar possível elo

Odd Andersen – 20.maio.2005/France Presse
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Biólogo norte-americano James Watson, descobridor do DNA, no Museu de Ciências de Londres

 

CLAUDIO ANGELO ENVIADO ESPECIAL A COLD SPRING HARBOR (EUA) – FOLHA SP

James Watson, descobridor da estrutura do DNA, pai da biologia molecular e polemista profissional, tem uma nova teoria para explicar a suposta genética da inteligência. Os genes que predisporiam algumas pessoas a habilidades intelectuais elevadas seriam os mesmos que disparam doenças como autismo e esquizofrenia.

Coincidentemente, é essa a hipótese que um grupo de pesquisadores da Universidade do Colorado está desenvolvendo. Os dados foram apresentados na semana passada nos Estados Unidos, logo depois de Watson ter delineado suas ideias.

“Isso é muito especulativo. Não posso provar”, admitiu à Folha o biólogo, de 81 anos. Mas a inteligência, continuou, é rara porque casais inteligentes têm probabilidade mais alta de terem filhos com problemas. “E esses genes tendem a ser eliminados pela seleção natural.”

Watson apresentou sua tese durante o 74º Simpósio de Cold Spring Harbor sobre Biologia Quantitativa, organizado pelo laboratório do qual ele era chanceler -até ser demovido do posto no fim de 2007 por ter feito comentários racistas.

Longe de se retratar pelo episódio, Watson ainda sugeriu, durante sua apresentação, que outro motivo pelo qual a inteligência é rara é que “as pessoas inteligentes pagam por dizerem a verdade. Sei disso por experiência pessoal”.

Autorreferência

O cientista começou a desenvolver sua hipótese depois de ter sido o primeiro ser humano a ter o genoma sequenciado.
“Fiquei assustado, descobri que tinha mutações em três genes ligados ao reparo do DNA”.

Esses genes, como o BRCA 1 e o BRCA2, entram em ação para corrigir danos causados durante a replicação do DNA ou por uma agressão do ambiente, como radiação. Mutações neles estão ligadas ao câncer.

“Pessoas com essas mutações tendem a ter filhos especiais”, disse. Watson tem um filho esquizofrênico.

Os mutantes são mais inteligentes que a média e têm menos filhos -e, de acordo com Watson, têm problemas para se relacionar com as outras pessoas. Veja os cientistas.

Supostamente, os genes da inteligência seriam eliminados pela seleção natural. “Mas por que eles não somem e a humanidade não fica mais estúpida?”

Elementar, afirma Watson. As sociedades que têm indivíduos com alta cognição, como Einstein e Darwin, se beneficiam. O processo evitaria o expurgo da inteligência -e da esquizofrenia- do “pool” genético dessas populações.

Faca de dois gumes

Menos especulativa é a ligação entre cognição e doenças mentais feita pelo grupo de James Sikela (Universidade do Colorado). Ele e seus colegas descobriram uma correlação entre o alto número de cópias de um gene numa certa região do DNA humano e o desenvolvimento do cérebro. Essa região, dizem outros estudos, estaria também implicada com autismo e esquizofrenia.

Os pesquisadores identificaram que uma região instável do genoma chamada 1q21.1 concentrava um número alto de cópias de um gene chamado DUF1220. “A relação de causa e efeito não está provada, mas nós relatamos uma correlação” entre o aumento do número de cópias desse gene na linhagem humana e o aumento do cérebro, disse Sikela à Folha.

Essa instabilidade é “uma faca de dois gumes”. “Ela teria permitido mais cópias do DUF1220 e, portanto, teria sido retida na evolução. Por outro lado, essa instabilidade não é precisa, e pode gerar um embaralhamento deletério de sequências. É por isso que os vários estudos recentes que têm relacionado variação no número de cópias na região 1q21.1 no autismo e na esquizofrenia chamaram nossa atenção: isso se encaixa na ideia de que os indivíduos com essas doenças são o preço que a nossa espécie paga pelo mecanismo que permitiu e permite a geração de mais cópias da DUF1220.”

Sikela disse que Watson não sabia de seus dados e que o mecanismo sugerido por ele é diferente. “Mas, em teoria, outras regiões do genoma poderiam se encaixar no modelo.”

25/05/2009 - 15:36h Saúde de amantes da carne vermelha paga preço alto

Saúde e boa forma

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Ensaio
jane brody

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Houve um tempo em que a carne era um luxo para a maioria das pessoas, ou, pelo menos, era algo especial: preparar um assado para o almoço de domingo ou pedir um filé num restaurante. Mas isso mudou. A quantidade média de carne consumida por pessoa dobrou nos últimos 40 anos, segundo agência de alimentos e agricultura da ONU. Boa parte desse crescimento do consumo se dá em países em desenvolvimento, como Índia e China.
Um novo estudo feito com mais de 500 mil americanos forneceu as evidências mais claras até agora de que o gosto pela carne vermelha vem cobrando um preço alto da saúde e limitando a longevidade. O estudo constatou que, quando outras condições são iguais, os homens e mulheres que consomem a maior quantidade de carne tendem a morrer antes das pessoas que consomem muito menos, especialmente de duas das maiores causas de morte no país -doenças cardíacas e câncer.
Os resultados do estudo foram divulgados em março no periódico “The Archives of Internal Medicine”. Dirigido por Rashmi Sinha, epidemiologista nutricional do Centro de Câncer dos EUA, envolveu 322.263 homens e 223.390 mulheres de 50 a 71 anos. Cada participante completou questionários detalhados sobre sua dieta e outros hábitos, incluindo o tabagismo, prática de exercícios, consumo de álcool, escolaridade, uso de suplementos, peso e histórico familiar de câncer.
Durante os dez anos do estudo, 47.976 homens e 23.276 mulheres morreram, e os pesquisadores registraram o momento e as causas de cada morte. O consumo de carne vermelha (bovina, suína e de carneiro) dos participantes variou do mínimo de menos de 28 gramas por dia para o máximo de 113 gramas por dia, e o consumo de carnes processadas (presunto, bacon, salsichas) variou de no máximo uma vez por semana para a média de 42 gramas diárias.
O aumento de risco de mortalidade vinculado aos níveis mais altos de consumo de carne foi descrito como “modesto”, variando entre cerca de 20% e quase 40%. Mas, extrapolados a todos os americanos na faixa etária estudada, as descobertas sugerem que, ao longo de uma década, as mortes de 1 milhão de homens e de ao redor de 500 mil mulheres poderiam ser evitadas simplesmente pelo consumo de menos carne vermelha e processada, segundo estimativas redigidas por Barry Popkin, que escreveu um editorial acompanhando o artigo.
Para prevenir as mortes prematuras relacionadas ao consumo de carnes vermelhas e processadas, Popkin sugeriu que as pessoas consumam um hambúrguer só 1 ou 2 vezes por semana, um bife pequeno uma vez por semana e um cachorro-quente a cada 45 dias.
Em contrapartida, no estudo, os maiores consumidores de carne branca, como aves e peixes, apresentaram uma pequena vantagem em termos de sobrevivência. Aqueles que consumiram a maior quantidade de frutas e verduras também tenderam a viver mais.
Estudos como esse levantam a questão de se a carne é de fato um risco à saúde ou se outros fatores associados ao seu consumo são culpados pela elevação do risco de morte. Escolher proteínas de outras fontes que não a carne também tem sido vinculado a índices mais baixos de câncer. Quando a carne é cozida, grelhada ou assada, carcinógenos podem formar-se em sua superfície. E as carnes processadas, como salsichas, linguiças e salames, geralmente contêm nitrosaminas, embora hoje existam produtos livres desses carcinógenos.
Os dados de 1 milhão de participantes no teste Investigação Prospectiva Europeia sobre Câncer e Nutrição revelaram que os participantes que consumiram menos peixe tiveram risco maior de desenvolver câncer do cólon do que os que consumiram mais de 50 gramas de peixe por dia.
Enquanto uma dieta rica em carnes vermelhas foi vinculada a um risco maior de câncer de próstata, num estudo realizado com 35.534 homens, os participantes que consumiram peixe pelo menos três vezes por semana apresentaram metade do risco de câncer de próstata avançado que os homens que raramente comeram peixe.
Outro estudo, no qual mais de 19.500 mulheres consumiram uma dieta com baixo teor de gordura, constatou após oito anos uma redução de 40% no risco de câncer de ovário entre elas, comparadas a 29 mil mulheres com dieta normal.

24/05/2009 - 15:24h Se espirrar, saúde

Cientistas correm para desenvolver uma vacina universal contra a gripe, mas esbarram na “criatividade” do vírus

Kirill Sirotyuk – 13.mai.09/France Presse
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Funcionária de laboratório segura amostra de vírus de gripe suína para produção de vacina em São Petersburgo, Rússia

 

ANDREW POLLACK DO “NEW YORK TIMES” – FOLHA SP

Duas injeções de vacina contra sarampo durante a infância protegem uma pessoa pela vida toda. Quatro doses de vacina contra poliomielite também. Mas vacinas contra a gripe precisam ser tomadas todos os anos. E, mesmo assim, fornecem proteção incompleta.
A razão é que o vírus influenza sofre mutações muito mais rapidamente do que outros vírus. Uma pessoa que desenvolve imunidade a uma linhagem do vírus não está protegida de uma linhagem diferente.
Isso promete ser um dos principais problemas à medida que o mundo se prepara para uma possível pandemia de gripe suína no segundo semestre. É impossível saber quantas pessoas podem morrer antes de uma vacina adequada a essa linhagem ser manufaturada.
Mas cientistas e fabricantes de vacina estão trabalhando duro em uma vacina “universal” contra a gripe, que poderia proteger contra todas as linhagens da doença.
“A “universal” mudaria complemente a maneira com que a vacinação contra a gripe seria feita”, diz Sarah Gilbert, especialista em vacinas da Universidade de Oxford (Reino Unido). “Quanto mais cedo tivermos uma vacina universal, melhor, porque poderemos parar de nos preocupar sobre quando será a próxima pandemia.”
Uma vacina assim acabaria com os chutes que ocorrem hoje todo início de ano quando cientistas decidem quais linhagens devem ser incluídas na vacina sazonal para o inverno seguinte. Se o chute está errado, a vacina é menos eficaz.
E isso também tornaria a imunização viável em países que hoje não têm como bancar programas anuais. A gripe sazonal contribui para a morte 500 mil pessoas todos os anos.
Infelizmente, a vacina universal não estará pronta a tempo de combater a pandemia da nova gripe suína. As vacinas mais avançadas passaram apenas por pequenos testes.
Na verdade, as vacinas universais desenvolvidas até agora não previnem as infecções totalmente. Elas só limitam a gravidade e a dispersão da doença. Alguns especialistas dizem que isso basta, mas outros têm dúvidas.
“Isso não vai substituir a vacina sazonal de gripe”, disse Robert Belshe, do centro de desenvolvimento de vacinas da Universidade de Saint Louis.
Alguns pesquisadores dizem que reforço da vacina ainda seria necessário a cada dez anos. Também não está claro se ela seria capaz de proporcionar proteção contra todas as cepas, incluindo as de origem animal.
Quando alguém é vacinado ou infectado, o sistema imunológico cria anticorpos que atacam principalmente uma proteína na superfície do vírus chamada hemaglutinina. Mas essa proteína é a parte que muda mais rápido no vírus, então os anticorpos de uma cepa podem não reconhecer outra.
Uma vacina universal teria de estimular um ataque do sistema imunológico a uma parte do vírus influenza que não varia de cepa para cepa.

Escondidas

O problema é que a maioria das proteínas que não variam muito estão no interior do vírus, fora do alcance de anticorpos. Mas há uma proteína interna, chamada M2, que desponta um pouco. Esse pedaço externo não é um grande alvo para anticorpos, mas é o foco da pesquisa de vacina universal.
“O truque é que você precisa ter um sistema que produzirá uma resposta imunológica robusta contra esse nadinha de proteína”, disse Alan Shaw, presidente da VaxInnate, empresa que tenta desenvolver uma vacina universal que combine a parte externa da M2 com uma proteína bacteriana que estimule o sistema imune.
A VaxInnate, a Merck e a Acambis, de propriedade da Sanofi-Aventis, fizeram cada uma delas um pequeno teste das suas vacinas de M2 em voluntários saudáveis. As pessoas vacinadas produzem anticorpos contra a M2. Mas estes não evitam totalmente a infecção. Será preciso fazer testes muito mais amplos para ver se essas vacinas realmente amenizam a doença durante uma temporada de gripe real.
Outra questão é que a proteína M2 dos vírus animais pode ser um pouco diferente da dos vírus humanos. Isso levanta questões sobre o quão bem uma vacina de M2 funcionaria contra a nova gripe suína.
Neste ano, duas equipes de pesquisadores relataram ao mesmo tempo que poderia haver uma outra região não-variante do vírus. Ela está no “palito” da proteína hemaglutinina, que tem forma de pirulito.
Um dos grupos mostrou que anticorpos isolados a partir de sangue humano que se ligaram a essa parte da proteína protegiam camundongos contra muitas cepas de gripe, incluindo a gripe espanhola de 1918.
Mas especialistas dizem que será muito difícil isolar essa parte da proteína para fabricar uma vacina, ou fabricá-la por meio de engenharia genética.
Uma alternativa poderia ser a utilização dos próprios anticorpos como medicamento, apesar de anticorpos serem caros para fazer e consumirem muito tempo para serem administrados aos pacientes.
As nucleoproteínas do vírus podem ser um alvo potencial para futuras vacinas. Porém, anticorpos não podem chegar até essa proteína para evitar a infecção. Então, a ideia é estimular outros soldados do sistema imunológico, as células T, para que eles rapidamente matem as células infectadas antes que elas façam novos vírus.
Finalmente, os melhores resultados poderão surgir da combinação de técnicas. A Dynavax, empresa de biotecnologia da Califórnia, espera iniciar um teste em 2010 com uma vacina desenhada para estimular anticorpos contra M2 e células T contra nucleoproteínas.

21/05/2009 - 10:27h Entre capitais, SP lidera em mortes ligadas à poluição

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Fernanda Aranda – Jornal da Tarde

Os custos da poluição, pela primeira vez, foram mapeados fora das fronteiras de São Paulo. Estudo obtido pela reportagem mostra que são R$ 14 gastos por segundo (R$ 459,2 milhões anuais) para tratar sequelas respiratórias e cardiovasculares de vítimas do excesso de partícula fina – poluente da fumaça do óleo diesel . O valor é dispensado por unidades de saúde de saúde de 6 regiões metropolitanas do País.

A mesma pesquisa, produzida pelo Laboratório de Poluição da USP e seis universidades federais, mostra que além dos paulistas, também respiram ar reprovado pelos padrões seguros da Organização Mundial de Saúde (OMS), as regiões do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Recife. Mas é na capital paulista que se concentram as mortes relacionadas à poluição.

Segundo o estudo, a cidade com a maior frota de veículos do Brasil também tem liderança na categoria “prejuízos”. São Paulo concentra 61% das mortes ligadas à poluição, apesar de responder por 57% da quantidade de carros que existe nos locais estudados.

Estudos feitos em São Paulo já mostraram que a poluição está associada tanto a doenças respiratórias – com asma, bronquite e sinusite – quanto ao sistema cardiovascular, atingindo ainda as funções metabólicas (diabetes, pressão alta) e chegando até ao sistema reprodutivo,com associação à infertilidade. A reportagem teve acesso ao estudo na ação civil pública que o Ministério Público de SP move contra a Petrobrás e 13 montadoras de veículos pedindo indenização para vítimas da poluição. Segundo o promotor do Meio Ambiente do MP, José Isamel Lutti, o valor indenizatório terá “como parâmetro” esta pesquisa.

11/05/2009 - 15:00h Cintura e risco cardíaco

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Um novo e abrangente estudo trouxe mais evidências que apontam que uma circunferência abdominal grande, mesmo em pessoas de peso normal, eleva de forma significativa o risco de doenças cardíacas.

Pesquisadores avaliaram 80.360 homens e mulheres suecos de 45 a 83 anos entre 1997 e 2004. Durante esse período, 1.100 dessas pessoas foram hospitalizadas ou morreram em decorrência de doenças cardíacas.

A pesquisa mediu a circunferência da cintura, a proporção entre cintura e quadris, cintura e altura e IMC (índice de massa corporal), a proporção entre peso e altura. Mas só a circunferência da cintura previu o risco de doenças cardíacas independentemente das outras medições. O IMC previu males cardíacos entre mulheres apenas quando estas tinham circunferência de cintura grande.

O estudo, publicado em abril no periódico “Circulation: Heart Failure”, constatou que um aumento de 10 cm na circunferência da cintura é associado a um aumento de 15% no risco de doenças cardíacas, tanto para pessoas de peso normal, com IMC de 25, quando para obesos, com IMC superior a 30.

NICHOLAS BAKALAR

27/04/2009 - 14:31h Bactérias proliferam após uso de antibióticos

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Clostridium difficile

TARA PARKER-POPE

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A C. difficile criou imunidade a drogas e ficou mais perigosa

No início deste ano, Harold e Freda Mitchell, de Mississipi (EUA), tiveram uma séria doença no estômago. A princípio os médicos não sabiam o que estava errado, mas os sintomas gastrointestinais se tornaram tão graves que Freda, 66, ficou hospitalizada por duas semanas.
Um médico local reconheceu sinais da Clostridium difficile, uma bactéria contagiosa e potencialmente mortal. Embora a doença seja difícil de identificar, autoridades estimam que nos EUA a bactéria cause 350 mil infecções por ano somente em hospitais, com dezenas de milhares de outras ocorrendo em lares de idosos. Enquanto a maioria dos casos é encontrada em ambientes hospitalares, 20% ou mais podem ocorrer na comunidade. A doença mata de 15 mil a 20 mil pessoas anualmente.
“É a pior coisa que já tive de superar na vida”, disse Freda Mitchell, ainda enfraquecida pela doença. “Eu realmente pensei que fosse morrer.”
O mais assustador da C. difficile é que muitas vezes ela é estimulada pelos antibióticos. As drogas eliminam a doença-alvo, mas também matam grande parte das bactérias saudáveis que vivem no aparelho digestivo. Se uma pessoa entra em contato com a C. difficile ou já a tem, o distúrbio das bactérias benéficas cria uma oportunidade para que bactérias nocivas floresçam.
Especialistas em saúde pública vêm alertando há anos sobre o uso excessivo de antibióticos e o surgimento de “supermicróbios” -bactérias que criaram imunidade a diversos antibióticos.
“Aconselhamos aos consumidores que tenham certeza de que um antibiótico é necessário”, disse Dale N. Gerding, especialista em doenças infecciosas na Universidade Loyola, em Chicago. “Há muitos bons motivos para tomar um antibiótico, mas sinusite ou bronquite acabam sendo tratadas com remédios mesmo que possam desaparecer sozinhas.”
O tratamento típico da C. difficile é outra bateria de antibióticos, geralmente da droga vancomicina. Mas a situação pode rapidamente se tornar trágica. Os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA registraram vários casos de mulheres grávidas e no pós-parto que desenvolveram infecções de C. difficile potencialmente fatais após serem tratadas de pequenas infecções. Em alguns casos, uma infecção de C. difficile requer uma cirurgia de emergência para retirar o cólon do paciente.
Médicos dizem que muitos relatam surtos regulares de diarreia mesmo depois que a infecção se foi. Cerca de 20% dos pacientes com infecção sofrem recaída. No caso da família Mitchell, o marido havia tomado antibióticos para outro problema de saúde, e o tratamento aparentemente levou à infecção de C. difficile. Freda provavelmente contraiu a doença de seu marido. Médicos dizem que a doença dela é incomum porque a maioria das pessoas é protegida por sua própria flora bacteriana e não seria vulnerável à C. difficile se não tivesse tomado antibióticos.
O risco de contrair a bactéria fora de um hospital continua baixo, cerca de 7 casos por 100 mil pessoas, segundo estudos. O índice de infecção por C. difficile entre pacientes de hospital dobrou entre 2001 e 2005, segundo um relatório de abril de 2008 do CDC. O aumento de casos em todo o mundo está ligado ao crescimento do uso de todos os antibióticos, especialmente a droga chamada fluoroquinolones, que se popularizou em 2001.
A C. difficile também está mais mortal. Anos atrás, o índice de mortalidade de uma infecção pela bactéria variava de 1% a 2%. Mas hoje vários estudos estimam que o índice de mortes é de 6%. O motivo é o surgimento de uma variedade ultravirulenta que emite níveis mais altos de toxinas.
Pacientes e visitantes de hospitais devem lavar as mãos, e os visitantes deve evitar sentar-se no leito de um paciente ou usar o banheiro dele. Os pacientes devem relatar sintomas de diarreia grave ao médico.
“Até cerca de 2002 essa era uma doença muito branda e pouco mortal”, disse Perry Hookman, gastroenterologista e professor de medicina na Universidade de Miami. “Mas, nos últimos anos, os micróbios se tornaram hipervirulentos, mais severos, e viraram uma ameaça global.”

26/04/2009 - 09:16h Força Dilma

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Apenas começavam a circular as informações sobre o câncer da ministra Dilma Rousseff, que a especulação sobre sua candidatura ganhou a página dos jornais.

Em 1980, às vésperas de ser eleito presidente da França, François Miterrand foi diagnosticado de um câncer. Apenas empossado começaria seu tratamento e durante 14 anos governou sem que a maioria dos cidadãos de seu país soubessem da doença do seu presidente. Diferentemente do tumor da Dilma, o câncer do presidente francês podia ser retardado, mas era incurável.

Mas enquanto na França a doença do presidente era ocultada aos seus cidadãos, aqui a transparência foi total mostrando que se pode lidar, sim, com a ação política e ao mesmo tempo enfrentar o tratamento de uma doença séria. José Alencar que o diga, ele que com sua coragem e força de viver, serve de guia aos que diariamente enfrentam desafios semelhantes.

Neste momento, tenho certeza que milhares de brasileiros torcem, junto com Dilma, para ela se recuperar rapidamente. Eu torço com eles pela saúde de nossa companheira. LF

14/04/2009 - 15:32h Enxaguante favorece câncer de boca

Estudos ligam versão com álcool a tumor oral; consumo do produto cresceu 190% de 2002 a 2007

Não essencial à higiene oral, produto é indicado para pessoas com alto índice de cárie e doenças de gengiva e após cirurgias na boca

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JULLIANE SILVEIRA – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O uso de enxaguatórios bucais no Brasil cresceu 2.277% de 1992 a 2007, mostra um levantamento realizado pelo cirurgião-dentista Marco Antônio Manfredini, pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo), baseado em informações da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos. De 2002 a 2007, o aumento foi de 190%.
Para Manfredini, o incentivo ao consumo indiscriminado de enxaguatórios deve ser criticado. “Observamos um grande investimento na indução ao uso do produto. E é importante dizer que, ao contrário da pasta, da escova e do fio dental, o colutório não tem indicação universal. É preciso concentrar a utilização para casos específicos.”
Além de não ser essencial à saúde oral, o uso frequente de enxaguatórios bucais com álcool aumenta os riscos de câncer de boca e da faringe. Uma revisão científica publicada no fim de 2008 na revista da Academia Dental Australiana compilou estudos do mundo todo que encontraram essa relação. De acordo com os pesquisadores, há evidências suficientes para aceitar a ideia de que enxaguatórios bucais com álcool contribuem para aumentar a taxa de câncer oral.
Grande parte dos produtos comercializados no Brasil contém álcool. Um estudo brasileiro realizado com 309 pacientes e publicado no ano passado na “Revista de Saúde Pública” também encontrou a mesma associação. “Algumas marcas chegam a ter 26% de álcool, e há pessoas que usam todos os dias. Hoje existem produtos no mercado sem álcool, que devem ser os escolhidos”, diz o oncologista Luiz Paulo Kowalski, diretor do Departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital A. C. Camargo e um dos autores do trabalho. De acordo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), fabricantes são obrigados a informar na embalagem a presença de álcool na composição.
O álcool presente nos enxaguantes contribui para o aumento das taxas de câncer oral de forma similar às bebidas alcoólicas -e sabe-se que o álcool é o segundo fator de risco para a doença, depois do tabagismo, aumentando de cinco a nove vezes os riscos. “Brinco que a pessoa bebe sem usufruir da parte boa da bebida. O produto tem álcool não porque é um antisséptico, mas porque é um veículo muito eficiente, industrialmente conveniente e muito barato. Por isso as versões sem álcool tendem a ser mais caras”, explica o dentista Alberto Consolaro, professor de patologia da Faculdade de Odontologia de Bauru da USP.
O álcool não é um agente causador de câncer isoladamente, mas uma enzima do organismo o transforma em acetaldeído, substância que pode alterar as células da boca e causar tumores na região. “O problema é usar diariamente o produto, pois o dano constante não dá tempo de as células se repararem. O uso de enxaguatórios bucais [com álcool] precisa ser mais estudado, mas é algo parecido com o que ocorre com o cigarro: quanto mais exposição, maior o risco”, diz Kowalski.
Por isso, dentistas recomendam o uso do produto sem álcool, seja manipulado, seja de marca. “O produto é um bom auxiliar na limpeza da boca, mas não deve conter álcool. As pessoas acham que um enxágue que queima a boca é melhor, mas produto bom não precisa dar essa sensação. A substância antisséptica não é o álcool”, diz Consolaro.

Indicações
Dentistas recomendam o uso de enxaguatórios após cirurgias, raspagem de dente, casos de alta incidência de cárie, doenças da gengiva e para pessoas que não têm coordenação motora para realizar uma boa escovação. Para o restante da população, o uso é opcional, apesar de boa parte da publicidade desse tipo de produto sugerir que ele combate mau hálito. “Do ponto de vista da higiene bucal, não é necessário. Quem tem boa higiene bucal geralmente não tem halitose -e, se tiver, não será o enxaguatório que vai resolver o problema”, afirma Manfredini.
Especialistas ouvidos pela Folha criticam a falta de controle desse tipo de produto por parte da vigilância sanitária. Os enxaguatórios são registrados como cosméticos na Anvisa, e fabricantes de produtos que não contêm flúor, ação antiplaca nem antisséptica não são obrigados a registrá-los -somente notificá-los à agência.

18/03/2009 - 18:15h Comentários do papa sobre camisinha são ‘ameaça’, diz França

Na África, Bento 16 disse que uso de preservativos pode prejudicar no combate à Aids.

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“A camisinha é a vida” cartaz na frente da igreja do Sacré-Cœur em Paris – França

BBC Brasil

– A França condenou nesta quarta-feira as declarações do papa Bento 16 rejeitando o uso de preservativos na luta contra a Aids, qualificando-as como “uma ameaça”.

“Enquanto não cabe a nós julgar a doutrina da Igreja, consideramos que tais comentários são uma ameaça às políticas de saúde pública e a obrigação de proteger a vida humana”, disse o porta-voz do ministro das Relações Exteriores francês, Eric Chevalier.

O papa Bento 16 disse na terça-feira, em visita a Camarões, que o uso de preservativos pode agravar o problema da Aids.

Ele chamou a doença de “uma tragédia que não pode ser combatida apenas com dinheiro ou a distribuição de preservativos, os quais podem, inclusive, aumentar o problema.”

Leia mais na BBC Brasil: Papa rejeita preservativos como solução para a Aids na África

A solução, segundo Bento 16, se encontra “em um despertar espiritual e humano” e “amizade com os que sofrem”.

O pontífice defende a fidelidade e a abstinência como formas de combater a doença.

No entanto, as declarações causaram espanto em alguns ativistas que dizem que o uso de preservativos é um dos únicos métodos comprovadamente eficazes de combate à doença.

“A oposição dele aos preservativos indica que dogmas religiosos são mais importantes para ele do que as vidas dos africanos”, afirma Rebecca Hodes, da ONG sul-africana de combate à Aids Treatment Action Campaign.

Se calcula que cerca de 22 milhões de pessoas são infectadas com o vírus do HIV na África ao sul do Deserto do Saara, segundo dados da ONU de 2007.

O total representa dois terços de todos os infectados do mundo.

05/03/2009 - 16:40h Balanço parcial indica queda de 40% em casos de dengue no país

Saúde

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O Globo

BRASÍLIA – Os casos de dengue tiveram queda de 40,53% nas seis primeiras semanas do ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. O primeiro balanço parcial, divulgado nesta quarta-feira pelo Ministério da Saúde, mostra que foram notificados 42.956 casos de dengue entre 1º de janeiro e 13 de fevereiro deste ano, contra 72.234 no mesmo período de 2008. Embora os dados sejam positivos, o Ministério da Saúde reforça a necessidade de garantir a continuidade das ações e a mobilização contra a doença.

- O fato de termos redução das notificações indica que o combate à dengue deve ser mantido o ano inteiro. Governos federal, estaduais e municipais, em parceria com a população, devem manter-se mobilizados contra a doença – afirmou o secretário de Vigilância em Saúde, Gerson Penna.

” Os dados são positivos, porém, preliminares. Precisamos ter cautela e não dar trégua ao mosquito “

- Os dados são positivos, porém, preliminares. Precisamos ter cautela e não dar trégua ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, uma vez que estamos, neste momento, no período do ano de maior ocorrência de casos no país – reforçou o secretário-adjunto de Vigilância em Saúde, Fabiano Pimenta.

O número de casos de dengue caiu em 20 estados e no Distrito Federal. Em seis unidades da federação, houve um aumento de notificações em relação ao mesmo período do ano passado. Esses estados estão em alerta. São eles: Acre, Amapá, Roraima, Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo.

Embora o Rio de Janeiro tenha registrado queda de 89,79% dos casos de dengue em 2009 em relação a 2008, o estado e municípios fluminenses também estão em alerta contra a doença porque há grande complexidade na região metropolitana da capital, como alta densidade populacional e condições climáticas muito favoráveis à multiplicação do mosquito transmissor da dengue.