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	<title>Blog do Favre &#187; dólar</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Brasil se torna 4º maior credor dos EUA</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Nov 2009 13:47:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Brasil se torna 4º maior credor dos EUA 
Investimento brasileiro em títulos americanos alcançou em setembro US$ 145 bilhões, o seu maior nível em 12 meses
Aumento das reservas e  busca por aplicações mais  seguras incentivam compra;  China, Japão e Reino Unido  são maiores credores dos EUA
 

 EDUARDO CUCOLO &#8211; FOLHA [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: large;"><strong>Brasil se torna 4º maior credor dos EUA </strong></span></p>
<p><strong>Investimento brasileiro em títulos americanos alcançou em setembro US$ 145 bilhões, o seu maior nível em 12 meses</p>
<p>Aumento das reservas e  busca por aplicações mais  seguras incentivam compra;  China, Japão e Reino Unido  são maiores credores dos EUA</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong> </strong><img class="aligncenter" src="http://www.otempo.com.br/otempo/fotos/20090409/fotoavulsa_08042009200003.jpg" alt="http://www.otempo.com.br/otempo/fotos/20090409/fotoavulsa_08042009200003.jpg" /></p>
<p style="text-align: center;">
<h2><strong> <span style="background-color: #ffff99;">EDUARDO CUCOLO &#8211; FOLHA SP</span></strong></h2>
<p><strong></strong><br />
<span> DA SUCURSAL DE BRASÍLIA </span></p>
<p>O aumento no fluxo de dólares para o Brasil tem ajudado o  país a reforçar a sua posição como um dos maiores credores  do governo norte-americano.<br />
De acordo com o Tesouro dos  EUA, o investimento do governo brasileiro em títulos do país  alcançou em setembro o maior  nível em 12 meses. São US$ 145  bilhões que estão hoje financiando a dívida do país, o equivalente a quase dois terços das  reservas internacionais. Esse  valor coloca o Brasil como o  quarto maior credor dos EUA,  atrás apenas de China, Japão e  Reino Unido.<br />
No final do ano passado, o governo brasileiro havia reduzido  a aplicação nesses títulos, que  ficaram muito valorizados durante a fase mais aguda da crise,  quando investidores buscaram  proteção naquele que é considerado o investimento mais seguro do mundo.<br />
Ao vender esses papéis, e embolsar algum lucro, o país migrou para outras aplicações,  também consideradas seguras,  mas que pagavam juros maiores. É o caso de papéis de organismos multilaterais, como o  KfW (o BNDES alemão) e o BIS  (o BC dos bancos centrais).<br />
Apesar do aumento em termos absolutos, percentualmente, o país ainda está distante do recorde alcançado em junho de 2008. Na época, o Brasil aplicava 80% das suas reservas em títulos dos EUA. O governo buscava, naquele momento, tirar o dinheiro dos bancos internacionais, que já enfrentavam problemas de solvência.<br />
Uma das explicações para esse aumento nas compras é o  crescimento das reservas internacionais, que estão hoje no patamar recorde de US$ 235 bilhões. As reservas funcionam  como uma garantia para o país  em momentos de crise. Graças  a esse dinheiro, o Brasil deixou  de ser um devedor e é hoje credor em moeda estrangeira.<br />
Além dos papéis dos EUA, o  BC -que administra as reservas internacionais- mantém  esse dinheiro aplicado em bancos estrangeiros e em ativos como o ouro. Há ainda os recursos que estão no FMI -hoje o  país é credor do Fundo em mais  de US$ 5 bilhões.<br />
Ao contrário do Brasil, outros grandes credores mantiveram, e até aumentaram, essas  aplicações em papéis dos EUA  no momento mais agudo da crise. O Reino Unido, por exemplo, mais que dobrou sua participação nos últimos 12 meses.  Ultrapassou a posição brasileira em março deste ano, quando  o Brasil chegou a ficar atrás da  Rússia também. O Japão também aumenta gradativamente  suas aplicações.<br />
A China, maior credor dos  EUA, tem mantido o seu nível  de investimento estável nos últimos meses. O país asiático  possui hoje cerca de US$ 800  bilhões nos papéis, o que representa quase 25% da dívida americana em títulos nas mãos de  países estrangeiros.</p>
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		<title>EUA decaem, mas China ainda não é páreo</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 16:15:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
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		<description><![CDATA[Nova ordem: Analistas creem na emergência de um mundo multipolar, mas não na débâcle total americana


John Plender, Financial Times &#8211; VALOR
Com o presidente Barack Obama iniciando uma viagem por capitais asiáticas, a suposição corrente no Ocidente é de que ele vai se encontrar com líderes de países tidos como parceiros inferiores aos EUA. Mas, a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Nova ordem: Analistas creem na emergência de um mundo multipolar, mas não na débâcle total americana</strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="cursor: -moz-zoom-out;" src="http://www.galizacig.com/avantar/files/images/20080723_sonho-americano.JPG" alt="http://www.galizacig.com/avantar/files/images/20080723_sonho-americano.JPG" width="555" height="443" /></p>
<p style="text-align: center;">
<h2><span style="background-color: #ffff99;">John Plender, Financial Times &#8211; VALOR</span></h2>
<p>Com o presidente Barack Obama iniciando uma viagem por capitais asiáticas, a suposição corrente no Ocidente é de que ele vai se encontrar com líderes de países tidos como parceiros inferiores aos EUA. Mas, a realidade é mais complexa. Em meio aos escombros da crise financeira, a posição dos EUA de superpotência e líder da economia mundial parece cada vez mais ameaçada.</p>
<p>Em especial, quando ele chegar a Pequim, no domingo, nada conseguirá disfarçar o fato de que Obama estará fazendo uma visita ao maior credor de seu país.</p>
<p>Aqueles que ficam satisfeitos com o desconforto dos EUA observam que esse colosso econômico global carrega o maior endividamento internacional do mundo e vem sendo abalado por uma moeda em desvalorização. É consenso geral que a China é a principal beneficiária de uma débâcle financeira e uma séria desafiante à hegemonia dos EUA.</p>
<p>Como o poder econômico frequentemente anda de mãos dadas com o poderio militar, essa mudança no poder econômico, juntamente com a fraqueza recente do dólar, vem sendo proclamada como um prenúncio do declínio americano. Esse clima é descrito de maneira primorosa por Fareed Zakaria em seu mais recente livro de sucesso, &#8220;The Post-American World And The Rise Of The Rest&#8221; (&#8221;O Mundo Pós-Americano&#8221;, Companhia das Letras). Assim veio a referência de Obama, em seu discurso de posse, de &#8220;um enfraquecimento da confiança em nosso país; um temor incômodo de que o declínio da América é inevitável, de que a próxima geração terá que reduzir suas esperanças&#8221;.</p>
<p>Paul Volcker, ex-presidente do Federal Reserve (Fed) e conselheiro do presidente, declarou em uma entrevista recente à PBS, a rede de televisão pública dos EUA, que a ascensão dos mercados emergentes é &#8220;simbólica da menor posição dominante relativa dos EUA, não só na economia, mas também na liderança intelectual e de outras formas&#8221;.</p>
<p>Os bancos centrais dos países em desenvolvimento estão esfregando sal nas feridas do gigante enfermo. O Reserve Bank da Índia juntou-se, na semana passada, aos bancos centrais de China, Rússia, México e Filipinas na decisão de aumentar suas reservas em ouro, em detrimento dos títulos denominados em dólar. Um verdadeiro coro de formuladores de políticas de países que estão com superávit em conta corrente declarou que a posição do dólar como moeda de reserva é insustentável.</p>
<p>A essa altura, é importante lembrar que já estivemos aí antes. No fim da década de 80, Paul Kennedy, da Yale University, chocou o mundo com sua afirmação, em &#8220;The Rise And Fall Of The Great Powers&#8221; (&#8221;Ascensão e Queda das Grandes Potências&#8221;, Ed. Campus), de que &#8220;a única resposta à questão cada vez mais discutida da capacidade dos EUA de preservar ou não sua atual posição é &#8216;não&#8217;&#8221;.</p>
<p>Esse veredito pessimista surgiu na época do crash do mercado de ações, em 1987, quando houve uma preocupação contínua com os déficits gêmeos dos EUA e os déficits em conta corrente. O país havia se tornado um devedor internacional pela primeira vez e dependia crescentemente da entrada de capital europeu e japonês. Um Japão extremamente confiante estava em ascensão. O sentimento de decadência chegou perto da histeria nos EUA quando empresas japonesas compraram o Rockefeller Center, em Nova York, a Columbia Pictures, em Hollywood, e o campo de golfe de Pebble Beach, na Califórnia. &#8220;Quem é o dono da América?&#8221;, exigiu saber a ABC News.</p>
<p>De certa forma, a tese do professor Kennedy estava certa. Com a China, a Índia e os outros mercados emergentes alcançando o mundo desenvolvido, os EUA deverão sofrer um declínio econômico relativo, na forma de uma parcela menor do PIB mundial, mesmo com o país crescendo mais do que a maioria das grandes economias desenvolvidas e ainda sendo a maior economia do mundo em termos absolutos.</p>
<p>A globalização e a liberalização doméstica estão dando a esses países em desenvolvimento a chance de obter uma participação no PIB mundial proporcional ao seu tamanho na história. O desempenho econômico da China antes de 1978 era, afinal de contas, uma aberração vista a partir de uma perspectiva de séculos.</p>
<p>Em um estudo sobre as maiores economias, Angus Maddison, da Universidade de Groningen, calcula que a a participação da China no PIB mundial em 1820, antes de a Revolução Industrial na Europa ganhar força, era de mais de 30%, o que é bem mais do que a participação atual dos EUA. Assim, um retorno a algo mais normal pode estar a caminho.</p>
<p>Mas a tese de Kennedy parecia errada ao sugerir que os EUA talvez tivessem ampliado demais o seu império, ao ponto de não conseguirem mais administrá-lo, como aconteceu com a Espanha no século XVII e o Reino Unido no século XX. O caso mais óbvio de incapacidade de administração da década de 80 foi na verdade a União Soviética, que entrou em colapso, enquanto os EUA foram bem-sucedidos logo depois no restabelecimento de seu equilíbrio orçamentário, durante o governo Clinton, sem um recuo integral em seus compromissos internacionais.</p>
<p>Enquanto isso, o desafio econômico japonês perdeu o passo com o estouro das bolhas imobiliária e acionária, e o país se viu ameaçado pela deflação. O pânico da mídia americana com a invasão japonesa se mostrou um indicador perfeito, ainda que involuntário, de um ponto de virada.</p>
<p>A questão agora é se a tese da incapacidade de administração do império estava errada ou era simplesmente prematura. Mesmo assim, prever os períodos de ascensão e queda de nações e economias é uma coisa notoriamente difícil. Charles Kindleberger, o falecido historiador econômico, foi um dos muitos que acreditavam que a vitalidade nacional se movimentava em um ciclo de vida. Entre as causas internas do declínio identificadas por ele, estavam o aumento do consumo, a queda da poupança, a resistência à tributação, a desigualdade, a corrupção, grandes endividamentos e as finanças se tornarem mais dominantes na economia do que a indústria.</p>
<p>Mesmo que isso bata com as atuais circunstâncias, é preciso observar que muitas dessas coisas também estavam presentes nos EUA em 1929, quando a crise financeira coincidiu com a longa transição da hegemonia econômica do Reino Unido para os EUA. Quando Kindleberger escreveu &#8220;World Economic Primacy 1500-1990&#8243;, em 1996, ele acreditava que os EUA estavam decaindo. Mas ele não tinha ideia de qual país provavelmente surgiria como a próxima potência econômica mundial, e tinha a China apenas como &#8220;azarão&#8221; para o posto.</p>
<p>O argumento mais poderoso de apoio à hipótese da decadência envolve o que o professor Kennedy chamava de &#8220;tarefa antiga de relacionar as intenções nacionais às finalidades nacionais&#8221;. Como há uma correlação significativa de longo prazo entre a capacidade produtiva e a capacidade de aumentar as receitas, e o poderio militar, muita coisa depende da sustentabilidade da política fiscal. Aqui, os prognósticos não são bons para os EUA.</p>
<p>Sob as pressões gêmeas da crise financeira e do problema de longo prazo do envelhecimento dos &#8220;baby boomers&#8221;, as projeções oficiais apontam para déficits orçamentários numa escala sem precedentes. O Peterson Institute for International Economics, de Washington, estima que, depois de chegar perto de US$ 1,5 trilhão no ano fiscal corrente &#8211; mais de três vezes o recorde anterior -, o déficit provavelmente ficará perto de US$ 1 trilhão ao ano até 2020 ou além.</p>
<p>Da perspectiva do fluxo de recursos que entra na economia, a contrapartida desses déficits será em grande parte encontrada na conta corrente do balanço de pagamentos. Aqui, o instituto calcula que o déficit em conta corrente poderá subir de um recorde anterior de 6% do PIB para surpreendentes 15% ou mais até 2030, o equivalente a mais de US$ 5 trilhões por ano. Ele avalia que a dívida externa subirá dos atuais US$ 3,5 trilhões para até US$ 50 trilhões, ou 140% do PIB, no mesmo período.</p>
<p>Esses números representam um desafio assustador para o governo Obama e uma ameaça evidente ao dólar, uma vez que há um volume muito grande de reservas em dólares em mãos estrangeiras. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que, do fim de 2000 até metade de 2009, as reservas internacionais subiram de US$ 1,9 trilhão para US$ 6,8 trilhões, dos quais US$ 2,3 trilhões estão sendo mantidos pela China. Mais de 60% dessas reservas estão em dólares.</p>
<p>A retórica chinesa recente, que inclui um pedido para a substituição do dólar como principal moeda de reserva do mundo por direitos especiais de saque (uma unidade contábil usada pelo FMI no trato com seus membros), sugere uma perda preocupante de confiança nas políticas monetária e fiscal dos EUA. Ao mesmo tempo, Fred Bergsten, diretor do Peterson Institute, afirma que agora é interesse dos EUA reduzir o papel do dólar e encorajar um fluxo maior de reservas para o euro, o yuan e os direitos especiais de saque (SDR, na sigla em inglês).</p>
<p>Mesmo assim, a ameaça ao dólar pode estar sendo exagerada. A China está sacudindo as barras da gaiola que ela mesma fez, uma vez que as reservas são uma consequência da intervenção colossal para impedir a valorização de sua moeda. Na verdade, ela está presa ao equivalente econômico da aniquilação mútua descrita pelos teóricos da guerra nuclear durante Guerra Fria. Com as exportações chegando a dois quintos do PIB, convém à China ter os EUA como tomador e gastador de último instância na economia mundial. E ela não pode abandonar o dólar sem reduzir o valor de suas próprias reservas em dólar.</p>
<p>Quanto ao potencial da moeda chinesa de desafiar o papel do dólar de moeda de reserva, isso poderá existir no longuíssimo prazo, mas na ausência de mercados financeiros desenvolvidos e um compromisso muito mais forte de internacionalização do yuan, isso continua sendo muito remoto.</p>
<p>Na verdade, o elemento mais fraco do ponto de vista do declínio dos EUA pode ser as atuais estimativas elevadas da força do desafio chinês. Elas foram elegantemente apontados em um ensaio recente sobre assuntos externos de Josef Joffe, editor adjunto do jornal alemão &#8220;Die Zeit&#8221;. A China, diz ele, é um lugar onde o resto do mundo essencialmente aluga trabalhadores e espaço de trabalho a preços muito baixos e taxas de câmbio distorcidas. Sua dependência das exportações, além de ser um calcanhar-de-aquiles econômico, tem consequências políticas. Estas incluem 70 mil casos de distúrbio social todos os anos, que não são computados nas previsões lineares de crescimento de que os banqueiros de investimento tanto gostam.</p>
<p>A demografia da China não ajuda: Joffe afirma que a população vai crescer antes de começar a enriquecer. Pelos números do Goldman Sachs, a China terá em 2050 superado os EUA, com um PIB de US$ 45 trilhões, contra os US$ 35 trilhões dos EUA. A idade média nos EUA será, então, a menor entre todas as grandes potências mundiais com exceção da Índia. Na verdade, a população economicamente ativa dos EUA terá crescido cerca de 30%, enquanto que na China haverá queda de 3%.</p>
<p>Junto com a dependência das exportações, isso representa um grande desafio para as autoridades chinesas, num país que é muito pobre. Enquanto isso, os EUA ainda possuem um sistema de ensino superior e de pesquisas sem paralelos. E, em 2008, seu orçamento militar foi de US$ 607 bilhões, representando quase metade dos gastos militares totais no mundo. O orçamento militar da China, frequentemente alardeada como a próxima superpotência, é de menos de um sétimo disso.</p>
<p>Ninguém pode negar as conquistas extraordinárias da China na mais acelerada revolução industrial da história humana. Estamos claramente nos movimentando para um mundo multipolar e um sistema de reserva multimoedas, no qual o poder dos EUA será mais restrito. Mesmo assim, os EUA continuam sendo de longe a mais flexível das grandes economias. A história não se move sobre trilhos &#8211; exceto para os marxistas. Se as autoridades dos EUA se mostrarem à altura do desafio fiscal e se os americanos passarem e poupar mais, há todas as chances do país escapar de um declínio significativo e continuar sendo a principal economia e potência militar do mundo por muito tempo ainda.</p>
<p>Isso é um &#8220;se&#8221; enorme. Mas, para o prazer de muitos, a próxima geração de americanos não vai reduzir suas esperanças e ambições no curto prazo.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.danielsansao.com.br/motocontinuo/arquivos/images/xian.jpg" alt="http://www.danielsansao.com.br/motocontinuo/arquivos/images/xian.jpg" /></p>
<p><strong><em>Retranca</em></strong><br />
<span style="font-size: xx-large;"><strong><br />
China já viveu uma decadência como império</strong></span></p>
<p><span style="font-size: xx-large;"><strong><br />
</strong></span></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Financial Times &#8211; VALOR</span></h2>
<p>A teoria da expansão excessiva dos impérios, lançada por Paul Kennedy em &#8220;The Rise And Fall of The Great Powers&#8221;, afirma que, se uma proporção grande demais dos recursos do Estado é desviada da criação de riqueza para os gastos militares, o poder nacional vai se enfraquecer no longo prazo. A questão é se um determinado Estado pode conseguir um equilíbrio razoável entre as necessidades básicas de defesa e os recursos econômicos.</p>
<p>A tarefa fica ainda mais difícil quando uma nação está sofrendo um declínio econômico relativo. O professor Kennedy afirmava também que os EUA não conseguiriam preservar sua posição relativa porque &#8220;simplesmente a nenhuma sociedade é conferido o direito de continuar permanentemente à frente das outras, uma vez que isso implicaria num congelamento dos padrões diferenciados das taxas de crescimento, dos desenvolvimentos tecnológico e militar, que existem desde tempos imemoriais&#8221;.</p>
<p>Ele concluiu que era dever dos estadistas americanos reconhecer essa ampla tendência e administrar o país, de modo que a corrosão relativa da supremacia ocorresse lentamente e tranquilamente, em vez de implementar políticas vantajosas no curto prazo, mas que seriam prejudiciais no longo prazo.</p>
<p>Isso carrega um reflexo notável da observação feita por Robert Temple Armstrong, o ilustre servidor público britânico, que disse na década de 70 que &#8220;o negócio do serviço civil é a administração ordeira do declínio&#8221;.</p>
<p>A China, embora vista por muitos como a principal beneficiária da potencial exaustão dos EUA, já passou por uma experiência própria de declínio. Até a meta de milênio anterior, ela era tecnologicamente mais avançada que a Europa, com uma agricultura mais eficiente, e a classe dos mandarins não tinha rivais em seu profissionalismo. Mesmo depois que o Ocidente a superou, economica e tecnologicamente, entre os séculos XVI e XVIII, a economia da China ainda era a maior do mundo quando a revolução industrial começou.</p>
<p>No entanto, entre 1820 e 1952, quando a Europa experimentou taxas de crescimento econômico sem precedentes na história, a produtividade per capita da China caiu, enquanto sua participação no PIB mundial despencou de um terço para um vigésimo. A renda per capital caiu de um nível igual ao mundial, para um quarto de média mundial no período*.</p>
<p>Esse desempenho terrível tem sido atribuído a várias causas, incluindo a intervenção colonial estrangeira, distúrbios internos e a inflexibilidade da burocracia diante dos desafios apresentados pelo renascimento do Ocidente.</p>
<p><strong>Todos os números foram extraídos de &#8220;Chinese Economic Performance In The Long Run&#8221;, de Angus Maddison </strong></p>
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		</item>
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		<title>País cresce a 9% ao ano no 3º trimestre</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Nov 2009 13:19:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Consultorias atribuem taxa chinesa à recomposição de estoques e dizem que ritmo de crescimento vai cair




Márcia de Chiara &#8211; O Estado SP
A economia brasileira cresceu no terceiro trimestre deste ano em ritmo chinês, com taxa anualizada do Produto Interno Bruto (PIB) beirando 9%, apontam as projeções de várias consultorias independentes. O número oficial do desempenho [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><br />
Consultorias atribuem taxa chinesa à recomposição de estoques e dizem que ritmo de crescimento vai cair</strong></p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.acemprol.com/download/file.php?id=9524" alt="http://www.acemprol.com/download/file.php?id=9524" /></p>
<p style="text-align: center;">
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Márcia de Chiara &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>A economia brasileira cresceu no terceiro trimestre deste ano em ritmo chinês, com taxa anualizada do Produto Interno Bruto (PIB) beirando 9%, apontam as projeções de várias consultorias independentes. O número oficial do desempenho do PIB do terceiro trimestre, medido pelo IBGE, será conhecido em 10 de dezembro. Para este trimestre, no entanto, a perspectiva é de arrefecimento do crescimento para uma taxa anualizada em torno de 6%.</p>
<p>&#8220;A taxa marginal de crescimento de 2,1% do PIB do terceiro trimestre que, anualizada, corresponde a 8,7%, não deve se repetir no quarto trimestre&#8221;, prevê o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges. Segundo ele, o PIB do terceiro trimestre foi &#8220;inflado&#8221; pelo ajuste dos estoques.</p>
<p>Após a brusca freada na produção industrial no fim de 2008, os empresários da indústria não acreditavam numa recuperação tão rápida e cortaram a oferta. Passaram dois trimestres enxugando estoques. Mas, a partir do segundo trimestre, a economia começou a reagir.</p>
<p>No terceiro trimestre, diz Borges, a produção foi fortemente acelerada para recompor os estoques que eram, em alguns setores, insuficientes para atender à demanda. &#8220;Houve problemas de abastecimento nos eletrodomésticos da linha branca e nos carros, ambos setores que tiveram corte de impostos para incentivar as vendas&#8221;, lembra.</p>
<p>Fábio Silveira, sócio da RC Consultores, também projeta desaceleração de crescimento do PIB de 9% anualizado no terceiro trimestre para algo em torno de 6% neste trimestre. Ele atribui esse movimento à recomposição dos estoques queimados no primeiro semestre. Maurício Molon, economista-chefe do Banco Santander, acrescenta outro fator que está contribuindo para diminuir o ritmo de crescimento do PIB neste trimestre: o aumento das importações, favorecidas pelo dólar baixo. &#8220;O setor externo vai roubar o crescimento da economia.&#8221;</p>
<p>Além do aumento das importações, Bernardo Wjuniski, economista da Tendências Consultoria Integrada, acrescenta que a exportação ainda levará algum tempo para se recuperar plenamente. Esse é mais um fator que tira o ímpeto do crescimento nos próximos meses, já que a arrancada no terceiro trimestre resultou de um ajuste de estoques para cima, puxado pelo mercado interno.</p>
<p>Para 2010, as projeções das consultorias para o crescimento do PIB vão de 3,7% a 5,6%, sem pressões inflacionárias. &#8220;A inflação corrente é baixa e há ociosidade na indústria&#8221;, diz Silveira. Wjuniski acredita que o cenário é benigno para a inflação em 2010 e as pressões de preços podem ocorrer em 2011. Nas suas previsões, a produção industrial deve fechar 2009 com queda de 8% e crescer 8,7% em 2010.</p>
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		<title>&#8220;Há entusiasmo incontido no câmbio&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 11:57:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Regulador: Henrique Meirelles diz ver excesso de euforia também na bolsa, mas não necessariamente uma bolha




Peter MacDiarmid/Getty Images

 O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirma que o crescimento de 8% do PIB é insustentável e deve se estabilizar em patamar mais baixo




Sergio Lamucci e Cristiano Romero, de Londres &#8211; VALOR
O ritmo de crescimento da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Regulador: Henrique Meirelles diz ver excesso de euforia também na bolsa, mas não necessariamente uma bolha<br />
</strong></p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><em>Peter MacDiarmid/Getty Images<br />
</em></span><img src="http://www.valoronline.com.br/imagens/impresso/ed_0002380/imagens/foto09fin-meidrelles-c8.jpg" border="0" alt="Foto Destaque" /><br />
<span style="font-size: x-small;"><em> O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirma que o crescimento de 8% do PIB é insustentável e deve se estabilizar em patamar mais baixo</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><em><br />
</em></span></p>
<p><em><br />
</em></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Sergio Lamucci e Cristiano Romero, de Londres &#8211; VALOR</span></h2>
<p>O ritmo de crescimento da economia brasileira exibido no segundo e no terceiro trimestres, na casa de 8% em termos anualizados, é &#8220;insustentável&#8221;, devendo arrefecer no próximo ano, avalia o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles. Segundo ele, as previsões do mercado apontam para uma expansão entre 4,5% e 5% em 2010, o que sugere estabilização da taxa anualizada num número menor que os 7,8% observados no segundo trimestre e os cerca de 8% esperados para o terceiro.</p>
<p>&#8220;É normal que esse processo se estabilize num ritmo menor e mais sustentável&#8221;, disse Meirelles em entrevista exclusiva ao Valor na sexta-feira. No fim de semana, ele participou da reunião do G-20 financeiro, em Edimburgo, na Escócia.</p>
<p>O presidente do BC ressaltou a importância da recuperação do investimento, que deve fechar 2009 com retração superior a dois dígitos. &#8220;Não há dúvida de que é muito importante a retomada dos investimentos, que os empresários se antecipem à demanda futura, não esperando que o uso da capacidade atinja o limite&#8221;, afirmou ele.</p>
<p>O presidente do BC acredita, no entanto, que os investimentos serão feitos. Ele observou, mencionando previsão do BNDES, que a formação bruta de capital fixo (medida do que se investe na construção civil e em máquinas e equipamentos) deve avançar com força em 2010, ajudando a impulsionar o PIB.</p>
<p>Meirelles foi cauteloso ao falar da formação de bolhas de ativos no Brasil e no exterior. Disse que existe, no mercado brasileiro, &#8220;excesso de euforia&#8221; na bolsa e no mercado de câmbio. Ele não crê, porém, que esteja se formando uma bolha especulativa no segmento de commodities e acha que uma perturbação dos mercados, lá fora, dependerá principalmente da ação do Federal Reserve (o BC dos Estados Unidos) nos próximos meses e da implementação, ou não, das medidas prudenciais que estão sendo recomendadas pelo G-20 após a recente crise mundial.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Robert Shiller (autor do livro &#8220;Exuberância Irracional&#8221;) diz que há uma nova bolha no mundo, o eco da bolha anterior. Como o sr. avalia esse fenômeno?</em></p>
<p align="justify"><strong>Henrique Meirelles: </strong> O Federal Reserve, numa escala maior, e alguns outros bancos centrais, em escala menor, estão em meio a uma política expansionista, visando combater a crise. Essa política tem um componente quantitativo &#8211; a compra de títulos, a compra de crédito etc &#8211; que aumenta o tamanho do balanço do Fed e dos outros BCs, e também uma taxa básica em algumas situações muito próxima de zero. Dentro de um processo de alta liquidez, é esperado que aconteça alguma distorção na formação de preços de ativos. Isso pode levar à supervalorização de alguns ativos. A questão é saber se o Fed e os outros BCs, mas principalmente o Fed, vão começar a fazer um processo de saída dessas medidas a tempo de não permitir o prosseguimento da sobrevalorização de ativos, o que, aí sim, poderia ter consequências para a economia.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Que tipo de bolha temos neste momento?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Há três tipos de bolhas, com componentes concomitantes e similares, mas com algumas características diferentes. A primeira, e que é a mais perigosa e que causa mais prejuízos, é a bolha de crédito. Um exemplo clássico disso foi a bolha no mercado imobiliário e do mercado de crédito nos Estados Unidos. Toda a sociedade americana estava superalavancada. O segundo tipo são as bolhas que surgem e são corrigidas a tempo. Isto é, se o processo que conduziu à bolha, como uma expansão monetária, é corrigido a tempo, há um processo de correção. Os prejuízos ficam para os investidores.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>É uma bolha de ativos?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Ambas são bolhas de ativos, mas uma não é relacionada a uma bolha de crédito e não tem uma duração muito prolongada. O terceiro tipo de bolha é um intermediário. Não é uma bolha de crédito, mas é resultado de uma expansão monetária um pouco maior do que seria desejável. Esta causa um pouco mais de prejuízo, apesar de não ser tão grave como a bolha de crédito. No presente momento, há um risco, porque não se sabe até que ponto as novas regras prudenciais, em desenvolvimento pelo Conselho de Estabilidade Financeira por recomendação do G-20, para serem implementadas pelo Comitê da Basileia, serão aplicadas por todos os países relevantes a tempo, principalmente pelos EUA, e até que ponto isso poderia prevenir uma bolha de crédito, a mais grave. Existe esse risco, mas não quer dizer que vá acontecer.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Onde está o risco?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> A situação dos EUA é um pouco mais complicada porque eles têm mais de um regulador e mais de um supervisor. Não é apenas dizer que o Fed tem que fazer isso ou aquilo. As bolhas que não são as de crédito vão depender do quão cedo o Fed vai retirar seus mecanismos de estímulo. Acredito que os alertas dos BCs são úteis. Não apenas as autoridades monetárias e prudenciais dos diversos países devem saber dos riscos, mas também e principalmente os investidores. São eles que conduzem à formação de bolhas.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Shiller diz que há uma bolha no mercado de commodities. Além disso, a bolsa brasileira teve valorização em dólar superior a 130% este ano. Que riscos o Brasil corre?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Bolhas de crédito no Brasil não existiram e não serão permitidas por este Banco Central; 95% da regulamentação que será proposta pela Basileia já está aplicada e implementada no Brasil. Essa primeira incerteza quanto à implementação de novas regras prudenciais não existe no Brasil. O que vier a faltar será implementado imediatamente. Em relação às commodities, uma das coisas mais difíceis da análise econômica é definir quando existe ou não uma bolha. Este foi o grande problema dos últimos anos. É por isso que a regra prudencial é importante no caso do crédito, porque você define claramente normas para prevenir a bolha, e no crédito você tem critérios mais quantitativos.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Por que no caso das commodities é mais difícil enxergar uma bolha?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Definir o preço adequado para commodities, num mundo em transformação como este, com a incorporação da massa de consumidores asiáticos no mercado e com a alta demanda, é difícil. Não dá para saber se os preços já estão acima de um nível mais sustentável ou não. Antes da crise, o petróleo chegou a atingir quase o dobro do preço atual. É difícil afirmar o quanto disso é resultado de movimento especulativo e o quanto é simplesmente um aumento da demanda. O Fed está afirmando que não vai permitir um surto inflacionário nos EUA. Mas, como existe incerteza, alguns investidores estão procurando diversificar suas aplicações. Isso significa euro, commodities, outras formas de ativos, moedas de economias sólidas. Uma parte disso de fato está ocorrendo, mas é difícil e um pouco prematuro dizer que existe uma bolha de commodities. A bolha você só conhece se e quando ela estoura.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Uma alta das bolsas muito forte, e não apenas no Brasil, num intervalo tão pequeno, não caracteriza de algum modo uma bolha?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Pode caracterizar ou não. É normal que tenhamos em momentos de saída de crise movimentos de valorização muito acentuados. Nós tivemos isso na década de 30 e em outras saídas de crise. Muitas vezes, isso é prematuro. O mercado, tentando antecipar uma recuperação, move-se um pouco antes da hora e às vezes há movimentos de correção. O mercado internacional está tentando se situar a esse respeito e isso explica a volatilidade. O que temos alertado, e diversos bancos centrais estão fazendo isso, bem como outras autoridades econômicas brasileiras, é sobre sinais de possíveis componentes de euforia.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Por exemplo?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Movimentos de investidores que caracterizam pouca análise, um certo comportamento de manada. O alerta contra a euforia é importante, contra aquilo que se chamou no passado de &#8220;exuberância irracional&#8221;, para que se evite que se chegue na bolha. Mas isso não quer dizer que já esteja num patamar de bolha.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O excesso de euforia no Brasil está restrito ao mercado acionário?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Está ocorrendo um pouco também no mercado de câmbio. Quando converso com investidores do mundo todo, começo a ver um clima de entusiasmo incontido.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O senhor viu isso no seminário Financial Times/Valor?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Não vi no seminário nenhum sinal de exuberância irracional. As manifestações me pareceram muito sólidas. Principalmente porque foram feitas por investidores de longo prazo no Brasil. São empresas que estão no país há décadas e estão dizendo que acreditam no seu futuro. Isto é extremamente saudável.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Mas o que preocupa, então?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Os movimentos que possam levar a distorções de preços, gerar correção. É um alerta que o BC fez há vários meses e que outros bancos centrais estão fazendo. Uma preocupação global.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Depois das crises, os BCs passaram a olhar não apenas os índices de preços, mas também a inflação de ativos. O BC brasileiro também está fazendo isso?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Estamos falando de diversos tipos de ativos. Uns são ativos cujo componente preço é diretamente relacionado a um crédito concedido para comprar esses ativos. Nesse caso, há muita confusão quando se fala, por exemplo, da crise japonesa dos anos 80 e 90.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Por quê?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Um dos grandes impulsos do mercado acionário japonês foi a compra de ações pelos bancos, financiada por depósitos, como aconteceu nos EUA na década de 20. Apesar de ter ocorrido no mercado de ações, aquela bolha foi muito impulsionada pelo crédito, o que é diferente de simplesmente o investidor, com dinheiro real, apostar o seu capital. Isso é diferente de o banco comprar ação ou financiar diretamente o especulador.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Essa dinâmica se repetiu nos EUA na recente crise?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Sim. O sistema financeiro americano financiou a bolha imobiliária, como uma bolha de crédito. Adotaram-se critérios de concessão de crédito excessivamente liberais. Isto, o BC brasileiro monitora com rigor.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Como?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> O componente preço se torna importante na medida em que ele passa a ser relevante como garantia do crédito. Ou seja, o BC olha prudencialmente o mercado de crédito. Não pode estar tentando controlar os preços da economia. O BC olha o crédito e o componente preço na garantia do crédito. Nos EUA, os bancos financiaram fortemente os ativos, os preços ficaram inflacionados, os valores dos empréstimos também inflaram, as garantias caíram de preço radicalmente e os bancos quebraram.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O senhor disse que a apreciação do câmbio tem um componente de euforia. Deve-se tentar conter esse movimento?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> O sobrepreço ou o movimento especulativo, qualquer que seja ele, leva a uma correção. Cedo ou tarde. No caso do câmbio no Brasil, isso vai ficar claro ao longo do tempo através dos números de conta corrente, investimento estrangeiro direto. Quando a economia estiver em pleno processo de consolidação de uma recuperação já ocorrida, caso tenha havido sobrepreço, como muitos analistas dizem que há, então, teremos um processo de correção.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O que o BC pretende fazer?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> O que o BC faz são intervenções, visando evitar distorções na formação de preços.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Por exemplo?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Excesso ou falta momentânea de liquidez pode gerar distorções de preços importantes. Um exemplo ocorreu no fim do ano passado. Por razões diversas, principalmente nos mercados futuros, por causa do problema dos derivativos, faltou liquidez e isso levou a uma sobredesvalorização do real. Claramente, houve uma distorção grande na formação de preço, então, o BC entrou vendendo reservas e dólares no mercado futuro. Neste ano, configurou-se em alguns momentos um problema de liquidez por excesso de entrada de recursos. Houve um dia em que o BC comprou bilhões de dólares, o que significa que o BC também interveio naquele momento para evitar uma distorção na formação de preço. Isto se conjuga com a política do BC de tirar partido dessa mudança de liquidez em dólares, que tem prevalecido na economia brasileira nos últimos anos, para acumular reservas e reforçar a capacidade de resistência do país a crises.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>É justificável continuar acumulando reservas?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Sim. A crise mostrou que mais reservas é melhor do que menos. Num quadro de excesso de liquidez em dólar, no momento em que o Fed fizer a saída do processo (de estímulo monetário), teremos talvez uma certa reversão, e aí será muito importante termos reservas para evitar crises de liquidez. Então, é altamente conveniente acumular reservas.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O Brasil cresceu 7,8% no segundo trimestre e, agora, há analistas prevendo alta anualizada de mais de 8% no terceiro. Esse crescimento é sustentável?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Estamos falando de duas previsões. Da previsão de crescimento, a taxas anualizadas, do terceiro trimestre, e das previsões de crescimento para 2010. Se olharmos as duas, com o mercado prevendo algo entre 4,5% e 5% para o ano que vem e essa previsão de 8% para o terceiro trimestre, então, não é sustentável. As previsões estão dizendo que não. Essa taxa anualizada deve se estabilizar num número menor; 4,5% a 5% é diferente de 8%, o que é normal na medida em que o Brasil saiu da crise rapidamente e entrou em processo de recuperação. É normal que esse processo se estabilize num ritmo menor e mais sustentável.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Apesar desse crescimento, os investimentos não estão voltando aos níveis pré-crise. Não estão atrasados?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Não há dúvida de que é muito importante a retomada dos investimentos, que os empresários se antecipem à demanda futura, não esperando que o uso da capacidade atinja o limite. Os investimentos estão sendo retirados das gavetas. A previsão do BNDES é que a Formação Bruta de Capital Fixo do ano que vem deve crescer muito e ser, inclusive, um dos impulsos ao crescimento. É um alerta válido aos empresários: &#8220;corram e não fiquem atrasados&#8221;.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Os empresários não estariam ressabiados, preocupados com a possibilidade de uma nova recessão mundial?</em></p>
<p align="justify"><strong> Meirelles: </strong> Não acredito. Os índices de confiança empresarial da FGV mostram recordes históricos, inclusive, com algo muito importante que é o fato de o índice de confiança estar acima da média histórica em todos os setores. Isso é que determina investimento. Apesar de existir uma preocupação com o cenário externo, a dúvida está muito mais relacionada a quem é dependente de exportação. As indústrias que podem direcionar a produção para o mercado doméstico estão mais otimistas.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O aquecimento do mercado de trabalho tem sido um impulso mais forte do que a ocupação de capacidade ociosa na indústria?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Vamos aguardar porque são vários fenômenos. Um deles é que a empregabilidade aumentou numa parte do setor industrial, mas não atingiu ainda o mesmo nível em que estava no ano passado. Uma boa parte dessa redução do desemprego se deu na construção civil, que tem nível salarial médio menor. E o crescimento desse setor tende a se estabilizar conforme o índice de construção entre no ritmo do estímulo. Estamos num momento de avaliação.</p>
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		<title>&#8221;Não deixem mercado ditar o câmbio&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 11:22:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ganhador do Nobel em 2001, Spence defende controle de capital e fala do novo documento da Comissão do Crescimento
 

Fernando Dantas &#8211; O Estado SP
Para Michael Spence, Prêmio Nobel de Economia, o Brasil não deveria deixar os mercados, &#8220;como o seu histórico recente de fazer tudo errado&#8221;, determinar livremente o valor do real. Ele defende [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Ganhador do Nobel em 2001, Spence defende controle de capital e fala do novo documento da Comissão do Crescimento</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.pbase.com/forumweb/africa07&amp;page=18"> <img class="display aligncenter" src="http://k43.pbase.com/g6/73/577473/2/80550895.vDVyL4WL.jpg" border="0" alt="Michael Spence.JPG" width="554" height="370" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Fernando Dantas &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>Para Michael Spence, Prêmio Nobel de Economia, o Brasil não deveria deixar os mercados, &#8220;como o seu histórico recente de fazer tudo errado&#8221;, determinar livremente o valor do real. Ele defende mecanismos de controle de entradas de capital para evitar a sobrevalorização cambial.</p>
<p>Spence, que ganhou seu Nobel em 2001, junto com Joseph Stiglitz e George Akerlof, está à frente da chamada Comissão do Crescimento (Growth Commission), um painel de economistas do mundo todo (incluindo o brasileiro Edmar Bacha) que elaborou um relatório de recomendações para países emergentes sobre como obter o crescimento rápido e sustentado por longos períodos. O relatório foi divulgado em junho de 2008, logo antes da crise, e foi visto como uma versão flexibilizada do Consenso de Washington, combinando crença nos mercados com maior destaque ao papel do Estado.</p>
<p>Agora, a Comissão acaba de divulgar um novo documento, que atualiza o relatório à luz das lições da crise global. O novo relatório recomenda que os países emergentes garantam parte do mercado financeiro para as instituições nacionais, e que sejam restritivos em relação aos produtos financeiros complexos que deflagraram a crise no mundo desenvolvido. A seguir, a entrevista:</p>
<p><strong>Como o sr. vê a questão da sobrevalorização cambial em alguns países, como o Brasil, na saída da crise?</strong></p>
<p>Todos os países em desenvolvimento que tiveram alto crescimento, sustentado por um longo período, administraram as suas moedas em alguma medida. Especialmente num ambiente volátil como o atual, faz todo o sentido fazer algum julgamento sobre quais são os níveis razoáveis. É claro que se pode exagerar, mas não acho que a coisa mais sensata a se fazer seja apenas ficar sentado e deixar os mercados de capitais, com o seu histórico recente de fazer tudo errado, valorizarem a sua moeda. Há várias formas de se intervir: pode-se tributar os fluxos de capital, com taxas que caiam se o dinheiro permanecer algum tempo, e pode-se aumentar as reservas e investir no exterior, invertendo o fluxo de capitais, como a China faz.</p>
<p><strong>E o que há de ruim na valorização?</strong></p>
<p>Basicamente, reduz-se o crescimento. No caso brasileiro, acho que um dos maiores desafios é manter os recentes avanços no mercado de trabalho para pessoas que são pobres. Uma boa parte do crescimento dos países em desenvolvimento deriva de empregar em melhores postos de trabalho pessoas que estão em atividades de produtividade muito baixa. Num país com a renda do Brasil, boa parte disso se dá em setores que atendem o mercado doméstico, mas o setor exportador ainda é suficientemente importante para que se deva tomar cuidado com oscilações muito fortes da moeda. Porque, se os investidores tiverem a sensação de que o câmbio é muito volátil, adiciona-se mais um risco e se desincentiva o investimento.</p>
<p><strong>Quais são as novas recomendações para o setor financeiro dos países emergentes?</strong></p>
<p>Em primeiro lugar, apesar de ser bom que um país tenha instituições estrangeiras no seu setor financeiro, o que se viu nessa crise é que essas instituições basicamente obedecem ao governo e ao banco central dos seus próprios países. Assim, se tiverem uma presença grande demais num determinado país, elas não atuarão como parceiras do governo local, da mesma forma que as instituições nacionais o farão, na hora em que o país implementa sua estratégia para lidar com a crise. A segunda recomendação é que nós realmente não conhecemos aqueles ativos complexos que levaram à crise nos países ricos, e que deve-se ir devagar com eles. Uma fator positivo dos países em desenvolvimento nessa crise é que a presença desses ativos complicados era quase nenhuma, desprezível. Foi uma coisa boa que eu manteria.</p>
<p><strong>O sr. teme que a crise leve à rejeição do modelo de crescimento baseado na abertura para os mercados globais, defendido nos relatórios da Comissão do Crescimento?</strong></p>
<p>Bem, a nossa visão foi de que houve uma enorme falha nos sistemas financeiros dos países avançados. De fato, ela poderia ser interpretada como uma falha mais ampla dos mercados e do capitalismo, e nos preocupamos com isso. Mas eu não acho que, entre os maiores e mais bem-sucedidos países em desenvolvimento, vá haver uma grande mudança na orientação da política econômica. Esses países hoje têm um entendimento bem profundo sobre a importância do dinamismo do setor privado para puxar o crescimento, e sobre o papel do governo de garantir um ambiente estável para que aquilo ocorra. Eu suspeito que, se houver erros desse tipo, é mais provável que eles aconteçam em países pobres, nos quais o modelo de crescimento não está muito bem estabelecido ainda e onde a política e a economia política são menos estáveis.</p>
<p><strong>Por que esses países são mais vulneráveis?</strong></p>
<p>Porque eles realmente não têm os mecanismos de defesa e as vantagens que países como o Brasil têm, como um governo que pode gastar mais dinheiro, esquemas de redistribuição de renda, um banco central altamente competente, um setor privado vibrante. Eu acho que Brasil, China e Índia terão uma recuperação muito boa, mas estou mais preocupado com alguns dos países menores e mais pobres.</p>
<p><strong>Qual o risco de um retorno do protecionismo no mundo pós-crise?</strong></p>
<p>É uma reação compreensível. Quando você diz aos cidadãos de um país que vai haver um grande déficit público, e que os filhos deles vão pagar no futuro por isso, as pessoas podem até concordar, mas desde que os benefícios do impulso fiscal retornem para o próprio país, e não se transformem em importações. Um dos grandes desafios pós-crise, portanto, é o de evitar que isso aconteça. O G-20, que se tornou uma grande voz de coordenação de políticas econômicas, posicionou-se contra o protecionismo, o que é muito bom. Outro problema é que os países vão disputar &#8220;market-share&#8221; (parcelas de mercado) nessa saída da crise. Há um déficit muito grande na demanda agregada global, porque o consumidor americano está poupando mais, por causa das finanças familiares deterioradas. Assim, as estratégias de crescimento de todo mundo não podem dar resultado ao mesmo tempo. Nesse jogo de ganhar market-share, Brasil, China e Índia devem se dar muito bem. Mas outros países, menos bem sucedidos, podem apelar para o protecionismo. Dessa forma, recuperar a demanda agregada global também evita o protecionismo.</p>
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		<title>Quanto maior a bolha atual, maior será o inevitável estouro</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Nov 2009 13:09:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Para o economista Nouriel Roubini, juros negativos nos EUA e dólar fraco geram &#8220;mãe&#8221; de todos os &#8220;carry trades&#8221; e bolha global cujo estouro é inevitável
NOURIEL ROUBINI DO &#8220;FINANCIAL TIMES&#8221; &#8211; FOLHA SP
Desde março vem ocorrendo um aumento maciço em ativos de alto risco de todo tipo -participações, preços do petróleo, energia e commodities-, um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><br />
Para o economista Nouriel Roubini, juros negativos nos EUA e dólar fraco geram &#8220;mãe&#8221; de todos os &#8220;carry trades&#8221; e bolha global cujo estouro é inevitável</strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">NOURIEL ROUBINI DO &#8220;FINANCIAL TIMES&#8221; &#8211; FOLHA SP</span></h2>
<p>Desde março vem ocorrendo um aumento maciço em ativos de alto risco de todo tipo -participações, preços do petróleo, energia e commodities-, um estreitamento dos &#8220;spreads&#8221; de alta rentabilidade e alta classificação e um aumento maior ainda nas classes de ativos de mercados emergentes (suas ações, obrigações e moedas).<br />
Ao mesmo tempo, o dólar caiu muito, enquanto a rentabilidade dos títulos governamentais tem aumentado ligeiramente, mas se mantido baixa e estável.<br />
Essa recuperação dos ativos de alto risco é movida em parte por melhores condições econômicas fundamentais. Evitamos uma quase depressão e um derretimento do setor financeiro com um estímulo monetário e fiscal maciço e pacotes de socorro aos bancos. Quer a recuperação tenha formato de V, conforme a visão consensual, ou tenha formato de U e seja anêmica, como eu argumento, os preços dos ativos deveriam estar subindo gradualmente.<br />
Contudo, ao mesmo tempo em que as economias americana e global iniciaram uma recuperação modesta, desde março os preços dos ativos vêm subindo vertiginosamente, numa alta grande e sincronizada. Em 2008, quando o dólar subia, os preços dos ativos estavam em queda forte, mas, desde março, eles têm recuperação acentuada, enquanto o dólar cai. Os preços dos ativos de alto risco vêm subindo demais, cedo demais e rápido demais em comparação com os fundamentos.<br />
O que está por trás dessa alta maciça? Com certeza, foi ajudada pela onda de liquidez advinda de juros a quase zero e flexibilização quantitativa das condições monetárias. Mas um fator mais importante que alimenta a bolha de ativos é a fraqueza do dólar americano, movida pela &#8220;mãe&#8221; de todos os &#8220;carry trades&#8221; [operação em que o investidor pega empréstimos com juros muito baixos, como os dos EUA hoje, e aplica em outros ativos]. O dólar virou a principal moeda a financiar os &#8220;carry trades&#8221;, na medida em que o Fed [BC dos EUA] vem segurando os juros. Os investidores que estão vendendo o dólar a descoberto para comprar ativos de rentabilidade maior e outros ativos globais em base altamente alavancada não estão só contraindo empréstimos a juros zero em termos do dólar -estão contraindo empréstimos a juros muito negativos, que podem chegar a 10% ou 20% negativos ao ano-, na medida em que a queda do dólar leva a ganhos maciços de capital sobre posições do dólar.<br />
Resumindo: negociantes estão contraindo empréstimos a juros negativos de 20% para investir em base altamente alavancada em uma massa de ativos globais de alto risco que estão subindo devido ao excesso de liquidez e a um &#8220;carry trade&#8221; maciço. Cada investidor que joga esse jogo de alto risco fica parecendo um gênio -mesmo que só navegue numa bolha imensa-, já que os retornos totais têm estado na faixa entre 50% e 70% desde março.<br />
A consciência que as pessoas têm do valor em risco de seus portfólios deveria ter aumentado devido à correlação crescente dos riscos entre classes diferentes de ativos, todos movidos por essa política monetária comum e pelo &#8220;carry trade&#8221;. Na prática, virou uma grande negociação comum -você compra o dólar para adquirir qualquer ativo de alto risco.<br />
Ao mesmo tempo, porém, o risco percebido das classes individuais de ativos vem declinando, na medida em que a volatilidade diminuiu graças à política do Fed de comprar tudo que está à vista. Assim, o efeito conjunto da política de taxa zero sobre fundos do próprio Fed, flexibilização quantitativa das condições monetárias e aquisição maciça de instrumentos de dívida de longo prazo está aparentemente fazendo o mundo ser seguro -por enquanto- para o maior de todos os &#8220;carry trades&#8221; e a maior de todas as bolhas de ativos globais altamente alavancados.<br />
Ao mesmo tempo em que essa política alimenta a bolha global, também alimenta uma nova bolha de ativos americanos. Dinheiro fácil, facilitação do crédito e fluxo maciço de capitais para os EUA por meio de um acúmulo de reservas em divisas estrangeiras em outros países tornam os deficit fiscais dos EUA mais fáceis de financiar e alimentam a bolha americana de participações e crédito.<br />
Finalmente, um dólar fraco é bom para as participações acionárias americanas, já que pode gerar crescimento maior e elevar os lucros de multinacionais.<br />
A política americana insensata que alimenta esses &#8220;carry trades&#8221; obriga outros países a adotar a mesma política monetária. Políticas de juros a quase zero e flexibilização quantitativa já eram seguidas no Reino Unido, na zona do euro, no Japão, na Suécia e em outras economias avançadas, mas a debilidade do dólar vem agravando essa flexibilização monetária global. Ásia e América Latina, preocupadas com a fraqueza do dólar, estão intervindo agressivamente para impedir a valorização excessiva de suas moedas. Isso segura os juros de curto prazo em níveis inferiores aos desejáveis. É possível que os BCs também sejam forçados a reduzir os juros.<br />
Preocupados com o dinheiro quente que vem inflando suas moedas, algumas autoridades, como as do Brasil, vêm impondo controles aos fluxos de capital entrantes. Mas a bolha do &#8220;carry trade&#8221; vai se agravar: se as moedas estrangeiras se valorizarem mais, o custo negativo dos empréstimos do &#8220;carry trade&#8221; ficará ainda maior. Se intervenções ou operações no mercado aberto controlarem a valorização das moedas, a flexibilização monetária doméstica decorrente alimentará a bolha nessas economias. Assim, a bolha perfeitamente correlacionada de todas as classes de ativos globais cresce diariamente.<br />
Mas essa bolha vai estourar um dia, levando ao maior estouro coordenado de ativos já visto: se fatores puderem levar o dólar a reverter sua queda e a se valorizar repentinamente -como em inversões anteriores-, o &#8220;carry trade&#8221; alavancado terá de ser encerrado de uma hora para a outra, à medida que os investidores cobrem suas transações a descoberto com dólar. Haverá um estouro da boiada, com o fechamento de posições de alto risco e alavancagem longa em todas as classes de ativos financiadas por transações em dólar a descoberto gerando colapso coordenado de todos esses ativos de alto risco -ações, commodities, ativos de emergentes e instrumentos de crédito.<br />
Por que esses &#8220;carry trades&#8221; desabarão? Para começar, o dólar não pode cair a zero, e em algum momento se estabilizará; quando isso acontecer, o custo de empréstimos em dólar repentinamente se tornará zero, em lugar de altamente negativo, e o risco de uma inversão no dólar levará muitos investidores a cobrirem suas transações a descoberto. Em segundo lugar, o Fed não poderá suprimir a volatilidade para sempre. Em terceiro, se o crescimento americano surpreender positivamente, os mercados podem começar a esperar que um arrocho do Fed chegue mais cedo, não mais tarde. Em quarto, pode haver fuga do risco movida pelo medo de um repique recessivo ou risco geopolítico, como um choque EUA/Israel-Irã.<br />
Esse processo pode não ocorrer por algum tempo, já que o dinheiro fácil e a liquidez global excessiva ainda poderão elevar os ativos por algum tempo.<br />
Mas, quanto mais se prolongarem e quanto mais crescer a bolha, maior o crash. O Fed e outros responsáveis pela política econômica parecem não ter consciência da bolha monstro que criam. Quanto mais tempo permanecerem cegos, mais dolorosa será a queda.</p>
<p><strong>NOURIEL ROUBINI é professor da Universidade de Nova York e presidente da RGE Monitor.</strong></p>
<p><em>Tradução de CLARA ALLAIN</em></p>
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		<title>Indústria elogia medidas para ajudar exportador</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Oct 2009 11:36:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
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		<description><![CDATA[Conjuntura: Crédito barato e fim do prazo para uso de PIS e Cofins agradam


Ruy Baron/Valor

 Castro, da AEB, elogiou as medidas para ajudar os exportadores: &#8220;De grão em grão, a galinha enche o papo&#8221;



Sergio Lamucci, Ana Paula Grabois e Danilo Fariello, de São Paulo, Rio e Brasília &#8211; VALOR
Representantes da indústria elogiaram a intenção do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><strong>Conjuntura: Crédito barato e fim do prazo para uso de PIS e Cofins agradam</strong></p>
<p style="text-align: left;"><strong><br />
</strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: xx-small;"><em>Ruy Baron/Valor<br />
</em></span><img src="http://www.valoronline.com.br/imagens/impresso/ed_0002375/imagens/foto30bra-josde-a4.jpg" border="0" alt="Foto Destaque" /><br />
<span style="font-size: xx-small;"><em> Castro, da AEB, elogiou as medidas para ajudar os exportadores: &#8220;De grão em grão, a galinha enche o papo&#8221;</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: xx-small;"><em><br />
</em></span></p>
<p style="text-align: left;">
<h2 style="text-align: left;"><span style="background-color: #ffff99;">Sergio Lamucci, Ana Paula Grabois e Danilo Fariello, de São Paulo, Rio e Brasília &#8211; VALOR</span></h2>
<p style="text-align: left;">Representantes da indústria elogiaram a intenção do governo de elevar o montante de empréstimos aos exportadores a juros subsidiados e de pôr fim ao prazo para que as empresas usem os seus créditos de PIS e de Cofins obtidos na aquisição de máquinas e equipamentos, como adiantou ontem ao Valor o ministro da Fazenda, Guido Mantega. A avaliação é de que as medidas ajudam a melhorar a competitividade das companhias exportadoras, indicando que a administração federal está de fato empenhada em resolver as dificuldades de quem vende ao exterior &#8211; na semana passada, o governo passou a taxar em 2% o dinheiro estrangeiro que vem para a renda fixa ou para a Bolsa.</p>
<p style="text-align: left;">&#8220;Essas medidas são música para os ouvidos do exportador&#8221;, disse Roberto Giannetti da Fonseca, diretor-titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Segundo ele, depois de muito tempo sem tomar iniciativas para proteger as empresas que vendem ao exterior, o governo dá sinais de ter &#8220;acordado&#8221; para os problemas das empresas exportadoras, que tem sofrido com a forte valorização do câmbio e a fraca demanda externa. Giannetti elogia especialmente a ideia de acabar com o prazo para a utilização dos créditos de PIS e de Cofins, que, para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, pode injetar R$ 6,5 bilhões por ano na economia.</p>
<p style="text-align: left;">&#8220;As ideias são um bom sinal&#8221;, afirmou ele, que tem defendido a taxação do capital estrangeiro em renda fixa e ações, embora prefira uma alíquota mais alta que os 2%. Gianetti apontou também o risco de que se consolide uma trajetória deficitária na balança comercial brasileira. Na semana passada, o saldo já foi negativo em US$ 74 milhões.</p>
<p style="text-align: left;">O vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, também recebeu de forma positiva as medidas do governo para compensar a perda de competitividade dos exportadores. &#8220;São medidas bem-vindas. É de grão em grão que a galinha enche o papo. Não é apenas uma medida de taxar operações financeiras com IOF. O governo está buscando um conjunto de alternativas, mas não se pode garantir que dará resultado.&#8221;</p>
<p style="text-align: left;">Sobre a intenção do governo de diminuir o prazo de 12 meses para o uso dos créditos de PIS e Cofins na compra de máquinas e equipamentos, o vice-presidente da AEB se diz &#8220;altamente favorável&#8221;, pois pode estimular o investimento. &#8220;É menos capital imobilizado e reduz o custo do investimento.&#8221; Ele prevê, no entanto, que a redução do prazo vai ajudar apenas a incrementar o investimento de exportadores que produzem também para o mercado interno.</p>
<p style="text-align: left;">&#8220;Nas exportações de manufaturados, isso não surte efeito porque o câmbio tem afetado muito o setor. O investimento não vai responder&#8221;, argumentou. Sobre a ideia do BNDES de diminuir os juros ao exportador, ele enxerga efeito de recuperação da rentabilidade do segmento, mas que será &#8220;insuficiente para compensar as perdas de competitividade por conta do câmbio&#8221;.</p>
<p style="text-align: left;">Em relação à nova atuação do Banco Central, o vice-presidente da AEB avalia como uma mudança acertada de prumo. O BC, que antes tirava do mercado volume de dólares acima do excedente do fluxo cambial, passou a comprar menos que o superávit. &#8220;Não bastava o BC comprar excedente, porque ele corria atrás do mercado. Como teoria, a estratégia está correta, a ideia é que o mercado corra atrás do BC. Vamos ver se, na prática, funciona&#8221;, afirmou.</p>
<p style="text-align: left;">Para o gerente-executivo de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flavio Castelo Branco, incentivos às exportações são muito bem-vindos. &#8220;A agenda de exportações tem de ser prioritária.&#8221; Segundo ele, na sondagem trimestral do setor divulgada ontem pela CNI, todos os elementos são positivos, exceto as expectativas quando às exportações e os investimentos relacionados a elas. &#8220;Se as empresas não esperarem crescimento nas exportações, não tem porque elas investirem.&#8221; Castelo Branco espera que o governo não deixe de agir para conter a valorização do real, que prejudica as exportações. Mas, se o câmbio flutuante impede o controle mais preciso da taxa, é fundamental que o governo atue em outras frentes para aumentar a competitividade dos produtos brasileiros no exterior, disse ele, citando a possibilidade de desoneração de exportações ou de estímulos específicos a quem atua no setor.</p>
<p style="text-align: left;">O fim do prazo para uso dos créditos de PIS e Cofins obtidos pelas empresas com a compra de máquinas e equipamentos é fundamental para os exportadores, diz ele. &#8220;Se eles não são usados, viram custo maior na cadeia do exportador.&#8221; Para o economista da CNI, o uso desses créditos poderia ser ainda mais flexível, como a permissão para as empresas quitarem débitos com a Previdência Social.</p>
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		<title>Falta de asfalto para obras é &#8220;bom problema&#8221;, diz Lula</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 12:56:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
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		<description><![CDATA[Para ele, oferta de material não atendeu à demanda porque país &#8220;ficou 25 anos sem crescer&#8221;
&#8220;Tenho que de certa forma ficar feliz porque, quando vejo que falta asfalto, é porque (&#8230;) existe demanda maior do que a oferta&#8221;, disse


ITALO NOGUEIRA DA SUCURSAL DO RIO &#8211; FOLHA SP
A falta de asfalto que prejudica o andamento de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" style="cursor: -moz-zoom-in;" src="http://www.elpais.com/recorte/20071126elpepiint_2/LCO340/Ies/presidente_brasileno_Luiz_Inazio_Lula_da_Silva.jpg" alt="http://www.elpais.com/recorte/20071126elpepiint_2/LCO340/Ies/presidente_brasileno_Luiz_Inazio_Lula_da_Silva.jpg" width="274" height="373" /><strong>Para ele, oferta de material não atendeu à demanda porque país &#8220;ficou 25 anos sem crescer&#8221;</strong></p>
<p><strong>&#8220;Tenho que de certa forma ficar feliz porque, quando vejo que falta asfalto, é porque (&#8230;) existe demanda maior do que a oferta&#8221;, disse</strong></p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">ITALO NOGUEIRA DA SUCURSAL DO RIO &#8211; FOLHA SP</span></h2>
<p>A falta de asfalto que prejudica o andamento de obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) é um &#8220;bom problema&#8221;, afirmou ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para ele, a oferta do material não atendeu ao crescimento da demanda &#8220;porque o Brasil ficou 25 anos sem crescer&#8221;.<br />
&#8220;Na medida em que o Brasil começou a crescer de forma muito forte, a gente começa a sentir falta. Isso é um problema, mas é o chamado bom problema&#8221;, afirmou o presidente.<br />
A Folha revelou anteontem que a crise de abastecimento de asfalto provocou atraso em obras de rodovias federais no Nordeste, sendo duas incluídas no PAC.<br />
A única produtora de asfalto do país é a Petrobras. A estatal culpou distribuidoras pela falta do produto na região. Lula afirmou que não procura &#8220;culpados&#8221; pelo problema.<br />
&#8220;Em vez de ficar procurando culpados, tenho que de certa forma ficar feliz porque, quando vejo que falta asfalto, é porque (&#8230;) existe uma demanda maior do que a oferta.&#8221;<br />
Ele disse ter ouvido queixas sobre a falta de outras matérias-primas, como cimento, tijolo e telha, e de profissionais, como engenheiros e azulejistas.<br />
&#8220;Essa demanda forte que está acontecendo vai exigir que o Brasil dê um salto de qualidade na produção das coisas necessárias para construir estradas, ferrovias, viadutos e casas.&#8221;<br />
Lula afirmou, em entrevista coletiva, que o país deve fechar o ano com um saldo de 1,1 milhão de empregos formais criados. Ele não disse se o governo vai manter a redução no IPI para eletrodomésticos.<br />
&#8220;Se a economia crescer como nós prevemos no ano que vem, teremos mais facilidade para discutir se mantém ou não IPI.&#8221; O presidente afirmou que a decisão caberá ao ministro Guido Mantega (Fazenda).<br />
O presidente disse ainda que o Banco Central vai &#8220;comprar tantos [dólares] quanto os dólares que aparecerem no mercado&#8221;, a fim de controlar a queda da cotação da moeda.<br />
Ele afirmou que o governo ainda não encontrou um valor ideal para a divisa. &#8220;O dólar fraco ou forte demais não presta.&#8221;</p>
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		<title>FMI deveria ajudar o Brasil a enfrentar fluxo de capitais</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Oct 2009 13:25:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
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Mundo precisa de uma abordagem menos doutrinária sobre capital estrangeiro, e discutir o IOF sobre remessas sinalizaria que o Fundo pode facilitar essa mudança
ARVIND SUBRAMANIAN E JOHN WILLIAMSON DO &#8220;FINANCIAL TIMES&#8221; &#8211; FOLHA SP
A ação brasileira ao impor um tributo sobre certas formas de fluxo de capital estrangeiro, a fim de controlar a alta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://2.bp.blogspot.com/_xcRgmIBw_U0/SssrNa2rErI/AAAAAAAACpQ/6elvFEJTvO4/s400/brasil-FMI.gif" alt="http://2.bp.blogspot.com/_xcRgmIBw_U0/SssrNa2rErI/AAAAAAAACpQ/6elvFEJTvO4/s400/brasil-FMI.gif" /><strong> </strong></p>
<p><strong>Mundo precisa de uma abordagem menos doutrinária sobre capital estrangeiro, e discutir o IOF sobre remessas sinalizaria que o Fundo pode facilitar essa mudança</strong></p>
<p><span style="background-color: #ffff99;">ARVIND SUBRAMANIAN E JOHN WILLIAMSON DO &#8220;FINANCIAL TIMES&#8221; &#8211; FOLHA SP</span></p>
<p>A ação brasileira ao impor um tributo sobre certas formas de fluxo de capital estrangeiro, a fim de controlar a alta da moeda do país, tem grande importância, prática e simbólica.<br />
O valor simbólico está no fato de que a decisão sinaliza o fim da era em que os mercados emergentes viviam enamorados dos financiamentos estrangeiros e na expressão de uma disposição de agir para moderar fluxos de capital externo. Em termos práticos, a importância está na ampliação do arsenal de que os países podem dispor para moderar o superaquecimento de suas economias. O caso serve como boa ilustração do tipo de medida que as autoridades econômicas podem usar para deter um superaquecimento incipiente nos preços dos ativos.<br />
A resposta do FMI (Fundo Monetário Internacional) à medida foi cálida ou até ligeiramente negativa. Um importante dirigente da instituição afirmou que &#8220;esse tipo de imposto oferece alguma margem de manobra, mas nem tanto, e por isso os governos não deveriam se sentir tentados a postergar ajustes mais fundamentais. Em segundo lugar, implementar esse tipo de taxa é muito complexo, porque ela precisa ser aplicada a todos os possíveis instrumentos financeiros&#8221;; ele acrescentou que esse tipo de imposto se havia provado &#8220;poroso&#8221; em diversos países.<br />
A resposta é decepcionante não porque esteja errada, mas porque reflete que a abordagem intelectual do FMI quanto à globalização das finanças continua a mesma. Essa abordagem sempre envolveu desaprovação implícita a esse tipo de medida, por meio de apelos aos países para que tomem medidas complementares (melhor governança empresarial, reforço de regulamentações financeiras etc.), a fim de preservar influxos estrangeiros, que o FMI vê como sacrossantos.<br />
Para os países de mercado emergente, o problema vem sendo o de que nem sempre é fácil implementar medidas como essas em curto prazo, de modo que a questão prática premente do que fazer quanto aos influxos excessivos persiste, e não há muita orientação do FMI quanto a respostas.<br />
Taxas sobre os fluxos de capital têm seus problemas, mas isso não é argumento contra elas. Nenhuma pessoa sensata acredita que taxas não devam ser impostas porque podem ser, e serão, sonegadas. Em lugar disso, seria necessário procurar as melhores maneiras de ordenar essas medidas (a base deveria ser o preço ou a quantidade?<br />
Que espécie de influxo deve ser visado preferencialmente, para títulos de dívida ou de capital? Qual é a duração mais efetiva para essas limitações? Quando elas devem ser retiradas?), de modo a que os benefícios sejam maximizados, e os riscos, minimizados.<br />
Em lugar de continuar recebendo medidas como essa com um banho de água fria, o FMI deveria considerar que elas oferecem uma oportunidade intelectual. Deveria continuar a apoiar os países em sua busca de fluxos de capital mais abertos, como objetivo estrutural, de longo prazo. Mas também é preciso que reconheça que surtos de alta no fluxo de capitais podem representar um sério desafio macroeconômico, capaz de requerer resposta cíclica diferenciada.<br />
Para os mercados emergentes, o arsenal de medidas de política econômica contra crises futuras precisa abarcar medidas de restrição em forma contracíclica do crescimento de crédito e do endividamento, especialmente as altas no influxo de capital. O motivo mais importante para que o FMI leve a sério a medida tomada pelo Brasil se refere a ideologia e narrativa.<br />
Se a crise mundial deriva, em parte, de um sistema de crenças que elevava de maneira indevida o status das finanças, o FMI contribuiu, de forma explícita ou implícita, para que fosse santificado o capital estrangeiro. Isso impôs um custo pesado, e subestimado, aos países de mercado emergente: caso tomassem medidas de restrição ao fluxo de capital, corriam o risco de ser vistos como avessos ao livre mercado e imprudentes em suas políticas econômicas.<br />
Ao reconhecer que, em certos casos, limitações sensatas aos fluxos podem ser uma resposta de política econômica pragmática e razoável, o Fundo eliminaria o estigma de aversão ao livre mercado que ações como as empreendidas pelo Brasil correm o risco de sofrer.<br />
De fato, o medo desse estigma fica evidente na recente medida brasileira: as magnitudes são pequenas, e o Brasil vem se esforçando por enfatizar a natureza temporária das limitações e as duas coisas fazem com que o mercado leve a medida menos a sério, o que prejudica sua eficiência.<br />
Caso o estigma não existisse, o imposto sobre o fluxo poderia ter sido definido de forma melhor e aplicado com mais confiança, a fim de garantir sua efetividade. O mundo precisa de uma abordagem menos doutrinária quanto aos influxos de capital estrangeiro. Ajudar o Brasil em sua decisão, em lugar de divulgar uma resposta negativa, sinalizaria que o FMI está desempenhando papel construtivo para facilitar essa mudança.<br />
<strong><br />
ARVIND SUBRAMANIAN e JOHN WILLIAMSON são pesquisadores sênior do Instituto Peterson de Economia Internacional.</strong></p>
<p><em>Tradução de PAULO MIGLIACCI</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>FMI apoia taxação de estrangeiro no país</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Oct 2009 11:47:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Diretor diz que é preciso usar instrumentos de proteção contra excesso de entrada de recursos e ataca política cambial da China
FMI recomenda ainda que o Brasil comece a retirar os estímulos fiscais dados no auge da crise global, a fim de evitar o superaquecimento


DENYSE GODOY &#8211; FOLHA SP
DA REPORTAGEM LOCAL
Em um primeiro momento relutante ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Diretor diz que é preciso usar instrumentos de proteção contra excesso de entrada de recursos e ataca política cambial da China</strong></p>
<p><strong>FMI recomenda ainda que o Brasil comece a retirar os estímulos fiscais dados no auge da crise global, a fim de evitar o superaquecimento</strong></p>
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<h2><span style="background-color: #ffff99;">DENYSE GODOY &#8211; FOLHA SP</span></h2>
<p>DA REPORTAGEM LOCAL</p>
<p>Em um primeiro momento relutante ao avaliar a decisão do governo brasileiro de taxar os investimentos estrangeiros em renda fixa e na Bolsa de Valores, ontem o FMI (Fundo Monetário Internacional) deu o seu respaldo à medida.<br />
&#8220;Estamos diante de um problema pragmático, não de um problema ideológico. Vivemos em um mundo que não é o ideal. Então, quando os outros não agem de acordo com as regras, tampouco eu posso me comportar de maneira ortodoxa. Tenho que usar instrumentos heterodoxos, defender-me de alguma forma. E é assim&#8221;, disse, em São Paulo, Nicolás Eyzaguirre, diretor do Departamento para o Hemisfério Ocidental do Fundo.<br />
Quando fala em nações que não obedecem às normas, ele se refere à China, que tem política de controle da taxa cambial que impede a flutuação do yuan.<br />
Eyzaguirre emprega a primeira pessoa para colocar qual é, na sua visão, a maneira mais apropriada de agir neste momento porque ele próprio já teve que enfrentar o &#8220;monstro dos fluxos excessivos de capital&#8221; quando era ministro da Fazenda do Chile, de 2000 a 2006. &#8220;Então, a minha preocupação de amigo é que o Brasil se assegure de lançar mão de ferramentas as mais eficientes possíveis, que abarquem toda forma de entrada de recursos no país&#8221;, afirmou, explicando que até operações de comércio exterior muitas vezes podem ser utilizadas para disfarçar ingressos. Os chamados investimentos diretos -aqueles feitos em estruturas produtivas- não devem estar sujeitos a tal controle, ressalvou o economista.<br />
Por conta dos desequilíbrios que este início de pós-crise apresenta, o Brasil precisa administrar a situação vantajosa em que se encontra, diz Eyzaguirre. Como os outros emergentes que fizeram de uma política anticíclica a sua principal estratégia para combater os efeitos da crise, o país tem que começar a retirar os estímulos fiscais concedidos. Aí se encaixam os descontos de IPI para automóveis, eletrodomésticos e material de construção.<br />
Se isso não for feito, alerta o Fundo, o esforço do governo vai se somar aos esperados aumentos do consumo e dos investimentos dos empresários locais, levando a um superaquecimento da atividade.<br />
Retirar os incentivos, portanto, também ajudaria indiretamente a impedir valorizações excessivas do real porque adiaria o momento de o BC voltar a elevar a taxa básica de juros.<br />
Enquanto isso, as nações mais industrializadas enfrentarão retomada &#8220;lenta e penosa&#8221; e não devem pensar em suspender logo os pacotes de socorro à economia que criaram, disse Eyzaguirre. A América Central, que depende do turismo dos americanos e das remessas feitas a partir dos EUA por seus cidadãos que lá residem, sofrerá por consequência.</p>
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