11/06/2009 - 12:09h ”Autoridades brasileiras mostraram liderança”

Strauss-Kahn elogia engajamento do País em reforçar os recursos do FMI

http://www.topnews.in/files/Dominique-Strauss-Kahn.jpg

Patrícia Campos Mello, WASHINGTON – O Estado SP

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, comemorou ontem a “liderança” do Brasil na decisão de comprar até US$ 10 bilhões em títulos emitidos pelo Fundo, como forma de capitalizar a instituição. “Com esse anúncio, o Brasil se junta a outros países no cumprimento dos compromissos assumidos pelas nações do G-20 na cúpula em Londres, em abril”, disse Strauss-Kahn.

Os países do G-20 (das 20 maiores economias mundiais) haviam se comprometido em injetar até US$ 500 bilhões no Fundo Monetário Internacional para a instituição conseguir ajudar outros países a sair da crise financeira.

O Brasil, com a Rússia e a China, propuseram a ideia de comprar títulos emitidos pelo Fundo como forma de injetar recursos na instituição.

Esses países não queriam colaborar da forma tradicional enquanto não houvesse uma reforma mais profunda na instituição, dando mais poder aos emergentes.

A China prometeu comprar até US$ 50 bilhões em títulos e a Rússia, US$ 10 bilhões. Espera-se que a Índia anuncie em breve sua compra de títulos do Fundo (ler matéria abaixo).

“As autoridades brasileiras mostraram liderança e engajamento no processo de reforma do Fundo Monetário Internacional e expansão dos recursos do Fundo, e eu fico feliz porque o Brasil está mostrando forte apoio ao sistema financeiro e econômico internacional. O Brasil mais uma vez reafirma seu forte papel de liderança entre as economias emergentes”, disse Strauss-Kahn. Segundo o diretor-gerente do Fundo, os títulos devem ser emitidos “o mais rapidamente possível”.

RESERVAS

Os títulos são vistos por alguns países, como China e Rússia, como uma maneira de diversificar suas reservas internacionais, excessivamente concentradas em dólares e títulos do Tesouro americano.

O banco central chinês já demonstrou preocupação em relação a isso e propôs que os Direitos Especiais de Saque do Fundo venham a se tornar a moeda de reserva mundial.

O Banco Central do Brasil vai decidir que ativos de suas reservas irá vender para comprar os títulos do FMI.

Os títulos do Fundo irão ter rendimento semelhante ao dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e serão denominados na moeda do Fundo, os Direitos Especiais de Saque, que variam de acordo com uma cesta de moedas.

27/04/2009 - 10:51h Traduzir as palavras em atos: aumentar o poder de voto do Brasil e dos Brics no FMI é adequar a instituição a nova realidade

”Influência do Brasil é maior que seu poder de voto”

 

http://ndn1.newsweek.com/media/69/dominique-strauss-kahn-YR32-wide-horizontal.jpg
Dominique Strauss-Kahn, diretor-gerente do FMI

Patrícia Campos Mello, WASHIGNTON – O Estado SP

 


O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, afirmou ontem que a influência do Brasil no Fundo já aumentou muito, independentemente da reforma da estrutura de votos na instituição. “Na última reforma de cotas, os votos do Brasil passaram de 1,4% para 1,8%, o que não muda muita coisa”, disse. “Mas o Brasil está se tornando um dos países mais importantes da economia mundial. A importância do que o Brasil diz na cena internacional e o papel desempenhado pelo presidente Lula são mais relevantes do que os votos que o País tem no Fundo”, afirmou ele em entrevista de encerramento da reunião.

Strauss-Kahn reforçou que a reforma nas cotas é importante, pois é necessário que o Fundo reflita a nova realidade econômica mundial. “Mas China, Brasil e Índia não estão esperando nova mudança nas cotas para serem ouvidos pelo conselho do Fundo e do Banco Mundial.”

O comitê de desenvolvimento determinou que uma nova mudança na estrutura de votos da instituição será concluída até janeiro de 2011. Em abril de 2008, foi concluída uma reforma nas cotas, o Brasil passou de 1,4% dos votos para 1,8%.

A mudança ainda não foi aplicada porque depende de aprovação legislativa de alguns países. Mas o Fundo precisa ser recapitalizado e os países emergentes argumentam que a mudança foi insignificante, então haverá uma segunda reforma nas cotas até janeiro de 2011.

A crise financeira foi classificada como “um desastre humano e de desenvolvimento” no comunicado divulgado ao fim da reunião do comitê de desenvolvimento do Fundo. Strauss Kahn, Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, e Agustín Carstens, presidente do comitê, exortaram os países a liberar rapidamente os recursos prometidos para o Fundo.

Os líderes do G-20 decidiram, em Londres, no dia 2, elevar de US$ 250 bilhões para US$ 750 bilhões o total disponível para empréstimos. Mas, até agora, poucos países deram dinheiro para o Fundo, entre eles o Japão, que liberou US$ 100 bilhões. O Congresso dos EUA está adiando a liberação de US$ 100 bilhões. O Brasil apresentou exigências para dar os recursos prometidos. “Exortamos a todos os doadores que acelerem a liberação dos recursos e aumentem o montante que se dispõem a dar para o Fundo”, disse o comunicado.

16/12/2008 - 10:27h FMI vê risco de crise global prolongada e distúrbios sociais em vários países

http://media.economist.com/images/na/2008w50/Greece_Top.jpg

Jamil Chade – O Estado SP

A economia global pode cair em uma crise prolongada, espalhando tensões sociais, se os governos não expandirem e implementarem os pacotes de estímulo prometidos, afirmou o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn ontem. O crescimento está desacelerando na China, à medida que a economia global sofre uma queda sem precedentes de produção e ruma para uma recessão, elevando os riscos de mais distúrbios civis como os vistos na Grécia, acrescentou.

Sem urgência por parte dos governos, o início da recuperação econômica global no fim de 2009 e início de 2010 pode ser adiada. “Muito ainda precisa ser feito e, se esse trabalho não funcionar, será difícil evitar uma longa crise.”

Ele prevê protestos violentos se espalhando se o sistema financeiro não for reorganizado para beneficiar a todos e não apenas a elite. Strauss-Kahn pede que 2% do PIB mundial sejam usados em pacotes para relançar a economia do planeta, cerca de US$ 1,2 trilhão. “2009 será um ano muito difícil e os dados que iremos divulgar em janeiro serão provavelmente piores que os atuais”, disse. “A possibilidade de uma recessão global está mesmo diante de nós.”

No dia 6 de novembro, o FMI previu que os países ricos sofreriam uma queda de 0,3% em seu PIB em 2009, a primeira contração simultânea de todas as economias desenvolvidas desde 1945. Já o mundial cresceria apenas 2,2%. Para o Brasil, a taxa de crescimento de 3% prevista para 2009 deve ser revista.

Ele antecipou projeções globais que devem ser anunciadas em janeiro sobre a China, país deve crescer apenas 5% em 2009. Pelos cálculos do Banco Mundial, só para gerar postos de trabalho para o número crescente de pessoas que deixam o campo para trabalhar nas cidades, a China precisa crescer 5%.

No relatório atual do FMI, a China teria uma alta de 8,5% de seu PIB em 2009, já abaixo da média da última década. Em 2008, o país irá crescer 9,7%.

ESTÍMULO

Para o FMI, embora incertezas limitem a eficácia de algumas medidas de política fiscal, os pacotes que governos em todo o mundo estão adotando podem ter impacto positivo, mas precisam ser mantidos por alguns meses. “Precisamos de apoio e mecanismos de estímulo que sejam grandes e diversificados e que possam ser utilizados por um ou dois trimestres”, pediu Strauss-Kahn.

10/10/2008 - 07:51h Procura-se uma solução global e abrangente


http://cache.daylife.com/imageserve/03v0d7H4yl4uv/610x.jpg

Dominique Strauss-Kahn * – O Estado de São Paulo

Há algumas semanas, publiquei um apelo por uma solução de medidas abrangentes que englobassem os problemas centrais do setor financeiro (a falta de liquidez nos mercados, as dúvidas acerca do valor dos ativos problemáticos e uma clara falta de capital) e os mercados financeiros de todo o mundo (e não apenas alguns centros de circulação monetária). Apesar de terem sido tomadas muitas medidas desde então, elas não foram abrangentes nem globais. De fato, as abordagens feitas foram tão variadas e inconsistentes, especialmente em relação às garantias dos depósitos, que estão intensificando os problemas para outros países. Não é surpresa alguma o fato de os mercados não terem recuperado a confiança.

Qual é o problema subjacente? Em resumo, as instituições financeiras detêm um grande volume de títulos cujo valor é duvidoso e está diminuindo, os quais implicam em imensas perdas para elas. Há também o potencial de perdas adicionais decorrentes da garantia do valor dos ativos feita por meio de trocas de garantias contra calotes e outros instrumentos derivativos negociados em mercados menos transparentes e mais irregulares. Mas, mesmo que um banco saiba que o seu balanço patrimonial está intacto, ele não pode se certificar de que a sua contraparte esteja limpa (ou de alguma maneira exposta a uma terceira parte problemática). Nesse ambiente febril de falta de confiança e escassez de capital, os instrumentos comuns de administração macroeconômica se descobrem ineficazes, e uma estratégia que aposta principalmente na provisão de liquidez por parte dos bancos centrais – apesar de crucial – não será suficiente.

O que mais precisa ser feito? Eu destacaria cinco conjuntos de medidas.

Em primeiro lugar, como concluíram alguns governos, a fragilidade da confiança pública chegou agora em um ponto em que se torna inevitável algum tipo de garantia pública explícita sobre os passivos do sistema financeiro. Isso significa não apenas os depósitos em bancos comerciais, mas, provavelmente, também os depósitos interbancários e do mercado monetário, de modo que nesses mercados-chave a atividade possa recomeçar. É claro que tal medida teria de ser temporária e incluir salvaguardas contra os riscos que acompanham tais garantias, como uma maior supervisão e limites sobre as taxas cobradas em cima dos depósitos.

Em segundo lugar, o Estado precisa eliminar os ativos problemáticos e obrigar as instituições financeiras a reconhecer suas perdas. A compra de ativos deve ser feita de maneira transparente e a um preço de mercado justo.

Os motivos para tanto não são moralistas, apesar de isso ser imperativo, mas pragmáticos. Se os preços forem inflados, então os bancos terão de arcar com as perdas que recaírem sobre os contribuintes – no caso dos Estados Unidos, os bancos teriam de emitir ações para o governo, diluindo assim a participação patrimonial dos outros acionistas. Mas as perdas postergadas para o futuro impedem o fluxo de novo capital particular em direção aos cofres dos bancos. Para atrair tal capital, é melhor pagar um preço menor agora, reconhecer as perdas e dar aos bancos alguma boa notícia no caso de as perdas imaginadas serem, afinal, menores do que se supunha.

Em terceiro lugar, o dinheiro particular é escasso no ambiente atual e o reconhecimento das perdas por si só pode não ser suficiente para induzir a uma injeção de novo capital particular. Uma estratégia que funcionou em crises anteriores é equilibrar as infusões de novo capital particular com quantidade equivalente de capital estatal, o que impõe um teste de mercado para o uso de fundos públicos.

Em quarto lugar, tornou-se urgente um alto grau de cooperação internacional. Infelizmente, as medidas recentes foram tomadas tendo em mente o interesse nacional e não se fez o bastante para evitar conseqüências não intencionais do tipo “transforme-seu-vizinho-em-mendigo”, que apenas exacerbam os problemas para os outros. Se um país oferece com credibilidade uma garantia abrangente (a Irlanda, por exemplo), os investidores podem sair de países que não fizerem a mesma oferta (a Grã-Bretanha, por exemplo). Se o procedimento de compra de ativos for muito diferente, as instituições procurarão o comprador mais generoso. As instituições financeiras agora abrangem muitos países e planos de resgate críveis precisam apresentar consistência entre as muitas jurisdições dentro das quais as mesmas operariam.

Ainda mais fundamental, e olhando para além da crise atual, tornou-se claro que a comunidade internacional precisa trabalhar no sentido de fechar as muitas lacunas na arquitetura regulatória global que permitiram às instituições financeiras minimizar o capital ao mesmo tempo em que concentravam o risco.

Em quinto lugar, agora está se tornando claro que os países de mercados emergentes provavelmente serão atingidos com força pela turbulência financeira, apesar de seus fundamentos serem hoje mais sólidos e de suas robustas estruturas para a formulação de medidas. A não ser que uma súbita interrupção no fluxo de capital obrigue esses países a paralisar seu progresso ou, pior, derrube os seus sistemas financeiros, alguma forma de financiamento rápido e de grandes proporções deve ser mantida a postos.

Não pode haver dúvida de que o Fundo Monetário Internacional (FMI) esteja preparado para empregar seus procedimentos de emergência e flexibilização para aprovar com rapidez programas de alto acesso ao financiamento, com base numa condicionalidade de mínima resistência que se concentre nas prioridades de resposta à crise.

Apesar de a situação parecer sombria agora, estou convencido de que há uma maneira de escapar do nosso apuro coletivo. O truque é fazer com que os formuladores de medidas de todo o mundo remem na mesma direção.

*O autor é diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional