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	<title>Blog do Favre &#187; dor</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Exame detecta endometriose sem cirurgia</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Aug 2009 18:21:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Método criado por pesquisadores australianos e belgas foi testado em 99 mulheres; outros estudos são necessários
Novo procedimento colhe fragmentos do endométrio no exame ginecológico, sem anestesia, e depois analisa a presença de fibras nervosas

FERNANDA BASSETTE E JULLIANE SILVEIRA &#8211; FOLHA SP
DA REPORTAGEM LOCAL
Pesquisadores australianos e belgas desenvolveram um novo procedimento para diagnosticar endometriose precocemente e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Método criado por pesquisadores australianos e belgas foi testado em 99 mulheres; outros estudos são necessários</strong></p>
<p><strong>Novo procedimento colhe fragmentos do endométrio no exame ginecológico, sem anestesia, e depois analisa a presença de fibras nervosas</strong></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.gineco.com.br/images/endometriose.jpg" style="cursor: -moz-zoom-out" alt="http://www.gineco.com.br/images/endometriose.jpg" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">FERNANDA BASSETTE E JULLIANE SILVEIRA &#8211; FOLHA SP</p>
<p>DA REPORTAGEM LOCAL</p>
<p>Pesquisadores australianos e belgas desenvolveram um novo procedimento para diagnosticar endometriose precocemente e de maneira menos invasiva, sem a necessidade de laparoscopia. Para isso, fizeram um estudo randomizado e duplo-cego com 99 mulheres. Os resultados foram publicados anteontem na revista científica &#8220;Human Reproduction&#8221;.<br />
Hoje a cirurgia é considerada a única maneira efetiva de diagnosticar precocemente a doença. A outra opção -o ultrassom- identifica apenas os casos mais avançados. Estima-se que de 30% a 40% das operações não confirmem o diagnóstico, o que mostra que as mulheres estão se submetendo ao procedimento desnecessariamente. Por isso, médicos do mundo todo tentam encontrar uma forma menos invasiva de fazer o diagnóstico.<br />
A nova técnica foi apresentada no congresso internacional de endometriose, na Austrália. Consiste em colher pequenos fragmentos do endométrio (tecido que reveste o útero) durante um exame ginecológico convencional, no consultório, sem a necessidade de anestesia (apenas tomando um analgésico oral). Em seguida, analisa-se o material à procura de fibras nervosas no tecido.<br />
Segundo o professor Moamar Al-Jefout, um dos autores do estudo, é possível fazer o diagnóstico com precisão em praticamente 100% dos casos. Segundo ele, as 64 mulheres que tiveram a doença confirmada pela cirurgia também tiveram o teste positivo para a presença das fibras nervosas.<br />
Além disso, 29 das 35 mulheres que não confirmaram a doença pela cirurgia também não tinham fibras nervosas no tecido. &#8220;A presença das fibras nervosas pode estar envolvida no aparecimento da dor. A gente acredita que elas possam estar envolvidas no fenômeno&#8221;, afirmou Al-Jefout à Folha.<br />
O ginecologista Carlos Alberto Petta, professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), afirma que o estudo abre novas perspectivas para que seja possível diagnosticar precocemente a doença.<br />
&#8220;É muito frequente fazermos cirurgias e descobrirmos que a mulher não tinha endometriose. A vantagem dessa nova técnica é que, se comprovada sua eficácia, ela acaba com as cirurgias desnecessárias. A gente conseguiria triar melhor as pacientes&#8221;, afirma Petta.<br />
Para o ginecologista Maurício Abrão, responsável pelo Setor de Endometriose da Clínica Ginecológica do Hospital das Clínicas de São Paulo, o procedimento é uma tentativa interessante para o diagnóstico de uma doença que requer um exame invasivo. Ele considera, no entanto, a amostra pequena para que seja possível tornar o método uma rotina. &#8220;Quando se fala de endometriose no Brasil, fala-se de mais de 6 milhões de mulheres. Será que cem casos refletem essa quantidade?&#8221;.<br />
Para a ginecologista Ivete de Ávila, presidente da Comissão de Endometriose da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), o trabalho é inovador, mas tem outro fator que precisa ser levado em conta.<br />
&#8220;É um procedimento simples, mas com custo alto. Não adianta termos um método de coleta simples, mas com uma análise laboratorial que exige um microscópio ultramoderno e reagentes caríssimos&#8221;, diz.</p>
<p><strong>Ultrassom</strong><br />
A ultrassonografia especializada tem se mostrado uma alternativa menos invasiva para apontar focos de crescimento de tecido fora do endométrio.<br />
De acordo com Abrão, o médico ultrassonografista treinado para identificar a endometriose é capaz de detectar o problema no ovário e a forma mais profunda da doença (que infiltra bexiga, ligamentos, intestino, entre outros órgãos).<br />
O ultrassom também auxilia o médico a prever o que encontrará na cirurgia. &#8220;A vantagem é ir para o procedimento [laparoscopia] com uma informação prévia&#8221;, defende Abrão.<br />
Segundo Petta, no entanto, a desvantagem do ultrassom é que, normalmente, só se consegue visualizar casos avançados. E, quando a endometriose é diagnosticada tardiamente, é mais difícil de tratar, ocorre maior dificuldade para engravidar e há risco de ser necessária a retirada do útero.<br />
<strong><br />
Doença frequente</strong><br />
A endometriose é uma doença ginecológica crônica, em que parte do endométrio se estabelece fora do útero, provocando cólicas intensas, dor durante a relação sexual e infertilidade. A doença atinge entre 10% e 15% das mulheres em idade fértil.<br />
O tratamento da endometriose é cirúrgico (para retirada dos nódulos e cistos). Não há cura, apenas controle clínico, com medicamentos para diminuir a dor. A doença pode voltar a se manifestar.</p>
<p><strong><font size="+1" color="#000080"><font size="5">DOENÇA  DEMORA ATÉ 12  ANOS PARA SER  DESCOBERTA</font><br />
</font></strong><br />
Segundo o professor  Carlos Alberto Petta,  os primeiros sintomas  da endometriose  costumam aparecer  na adolescência e,  nesses casos, a mulher  chega a demorar até  12 anos para receber o  diagnóstico correto e  definitivo da doença;  em média, a demora é  de até sete anos.</p>
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		<title>Amor e dor</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Jun 2009 19:32:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ &#8220;Papai, se os passageiros [do voo AF 447] estão todos mortos, por que estão tirando os corpos do mar?&#8221; A pergunta foi feita por meu filho David, de sete anos, ao bater o olho numa das manchetes do jornal. Como eu não sabia a resposta, embrenhei-me em frenética pesquisa. As fontes ordinárias (enciclopédias, google [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> &#8220;Papai, se os passageiros [do voo AF 447] estão todos mortos, por que estão tirando os corpos do mar?&#8221; A pergunta foi feita por meu filho David, de sete anos, ao bater o olho numa das manchetes do jornal. Como eu não sabia a resposta, embrenhei-me em frenética pesquisa. As fontes ordinárias (enciclopédias, google scholar etc.) mal abordavam a questão. Decidi, então, lançar mão de um recurso extremo: fui à Amazon e, em meu Kindle, adquiri e baixei o livro &#8220;The Nature of Grief&#8221; (a natureza do luto), de John Archer, professor de psicologia da Universidade de Lancashire. Bem, vocês já podem adivinhar qual foi meu programa no fim de semana&#8230;</p>
<p>A pergunta de David é boa porque revela a pouca racionalidade por trás de alguns aspectos da operação de busca. Todos os nossos conhecimentos de física e medicina nos asseguram, para além de qualquer dúvida razoável, que nenhum dos ocupantes do Airbus pode ter sobrevivido à queda da aeronave. Eles estão irremediavelmente mortos. Não precisamos de cadáveres para prová-lo e, espero, nem para expedir os certificados legais necessários. Ainda assim, sempre que tragédias desse tipo acontecem, dedicamos enorme parte de nossas energias e recursos à localização, resgate e identificação dos corpos.</p>
<p>É verdade que o estado dos cadáveres, ao lado de partes da fuselagem, é um dos elementos a ser analisado na investigação do acidente, que tem como meta a prevenção de novos desastres &#8211;uma atitude definitivamente racional. Mas o zelo para com a recuperação dos corpos é um fenômeno que se verifica mesmo em situações em que as causas da tragédia já são conhecidas e nada há a investigar, como o 11 de Setembro.</p>
<p>Essa preocupação com os restos mortais pode assumir contornos surrealistas. Na última troca de &#8220;prisioneiros&#8221; entre Israel e a milícia libanesa Hizbullah, em julho do ano passado, o Estado judeu libertou cinco membros do grupo xiita e devolveu os cadáveres de 199 combatentes libaneses e palestinos como contrapartida pelo retorno dos corpos de dois soldados. Não há teoria dos jogos que justifique a racionalidade desses números. A única explicação reside no enorme peso que o Exército israelense dispensa aos restos mortais de seus homens.</p>
<p>E não são apenas os israelenses. É a humanidade como um todo. Não se trata de mero acaso que a Ilíada, a peça fundadora da literatura ocidental, possa ser descrita como uma história de lutos: o ciclotímico herói grego Aquiles, para vingar-se da morte de seu amigo (para alguns amante) Pátroclo, derrota em combate o troiano Heitor e lhe desfigura o corpo; tomado pelo horror diante dessa atitude, Príamo, rei de Tróia e pai de Heitor, encontra coma ajuda do deus Hermes uma forma de encontrar-se com Aquiles e, juntos, eles choram suas respectivas perdas. O épico termina na celebração de jogos fúnebres em honra a Heitor.</p>
<p>Homero não é um caso isolado. O luto é um tema constante na obra de Shakespeare (Hamlet, Romeu e Julieta), Dostoiévski (Irmãos Karamázov) e milhares de outros autores de diversos calibres.</p>
<p>Não há dúvida, portanto, de que se trata de um sentimento forte. Nem ao menos pestanejamos antes de enviar para buscas no meio do Atlântico seis belonaves da Marinha do Brasil e 12 aviões. Os franceses mandaram para a área duas embarcações e dois aeroplanos militares. Um submarino nuclear já deve ter chegado ao local. Os norte-americanos também estão ajudando.</p>
<p>É o caso, portanto, de perguntar de onde vem tal sentimento. É mais ou menos isso a que se propõe Archer em seu &#8220;The Nature of Grief&#8221;, uma ampla revisão sobre o tema, com abordagens psicológicas, etnográficas, etológicas e evolucionistas.</p>
<p>Embora outros animais, particularmente aves e mamíferos sociais, também demonstrem pesar quando algum parente morre, parece haver uma diferença fundamental entre o luto humano e o de diferentes espécies. Até onde sabemos, nossos vizinhos cladísticos não têm lá muita consciência da morte como algo definitivo e irrevogável. Neles, a angústia provocada pelo óbito não é muito diversa daquela engendrada por uma separação temporária. O luto animal seria como o de crianças até a faixa dos sete a nove anos, para as quais a morte ainda é um estado reversível, como pintada nos desenhos animados.</p>
<p>Essa consciência da situação especial da morte parece ter surgido tarde no desenvolvimento do Homo sapiens. Enquanto a inumação (o tratamento especial dado aos despojos mortais de parentes) é um universal humano, nada parecido jamais foi observado entre primatas. O máximo que nossos primos peludos fazem é seguir cuidando do cadáver por algumas horas, dias no máximo, até abandoná-lo em algum canto da floresta. Tal diferença permite datar a prática do sepultamento (sugestiva de um luto mais sofisticado) em algum momento posterior à marca de 5 milhões de anos atrás, quando nos separamos dos chimpanzés, nossos parentes mais próximos.</p>
<p>Qual seria a utilidade das emoções ligadas ao luto? Afinal, se ela evoluiu conosco, deve haver alguma razão para isso. Alguns autores de fato apostam numa presumida utilidade do luto. Não há muita dúvida de que ele pode ajudar a solidificar os laços entre os membros da espécie. Essa, entretanto, parece uma explicação improvável. A seleção natural dificilmente atua no nível da espécie. Ela normalmente o faz na esfera dos genes e dos indivíduos (na maioria das situações, esses dois níveis coincidem).</p>
<p>Assim, se o luto é um fenômeno que prejudica o indivíduo &#8211;e ele o faz, na forma de depressão que resulta em apatia, desatenção e baixa imunológica, entre outras condições indesejáveis&#8211;, por mais útil que ele possa ser para a espécie, não teria sido preservado ao longo de sucessivas gerações. Ao contrário, indivíduos mais propensos a exacerbar esse sentimento teriam maiores chances de morrer sem passar os genes do pesar para seus descendentes.</p>
<p>Soam mais verossímeis, portanto, as explicações que colocam o luto como um sentimento mal adaptado, uma espécie de dano colateral. Mais interessante ainda, ele seria o efeito indesejável do amor &#8211;este sim uma emoção &#8220;útil&#8221; para genes, indivíduos e espécies. Sofremos o pesar com a morte porque amamos. É a certeza de que a angústia da separação é permanente que nos leva às raias do desespero.</p>
<p>Outras espécies, como gralhas e gansos, põem-se a chamar pelo companheiro(a) quando ele(a) morre (quem o assegura é o grande cientista Konrad Lorenz, fundador da etologia). Não sabem que a morte é para sempre. E, de toda maneira, sair gritando é um comportamento útil nas muitas situações em que o animal não morreu, mas apenas se afastou por um motivo qualquer do amado(a). Algo semelhante a essa herança biológica, somada à consciência da mortalidade, é que produz o nosso luto &#8211;além, suspeito, de outros efeitos colaterais como a superstição e a religião.</p>
<p>Isto posto, resta-nos agora tentar entender por que damos tanta importância à recuperação do cadáver. Receio que aqui não possamos muito mais do que especular. Estudos empíricos mostram que mortes violentas e inesperadas, em que o corpo é desfigurado ou em que não é encontrado, ou que pareçam especialmente difíceis de &#8220;explicar&#8221; tendem a produzir lutos mais difíceis. Ao que parece, essa era uma situação mais ou menos comum em nosso passado evolutivo, em especial para representantes do sexo masculino, que saíam para caçar e frequentemente não retornavam. Nestes casos, encontrar o corpo era senha necessária para certificar-se da morte e seguir com a vida, contraindo novo matrimônio ou seja lá o que se fazia naqueles tempos. A quase certeza pode ser mais torturante que a certeza, especialmente quando parte de nós (e a parte mais forte, a dos sentimentos) se recusa a acreditar na perda &#8211;por menos razoável que seja essa possibilidade.</p>
<p>Não é uma conclusão brilhante, mas pelo menos me permite rejeitar a mais cruel hipótese levantada pelo David: &#8220;Já sei, é para os corpos não apodrecerem e envenenarem os peixes&#8221;.</p>
<div align="left"><img src="http://f.i.uol.com.br/folha/colunas/images/0726964.jpg" width="50" align="left" height="50" /></div>
<p><strong>Hélio Schwartsman</strong>, 42, é editorialista da <strong>Folha</strong>. Bacharel em filosofia, publicou &#8220;Aquilae Titicans &#8211; O Segredo de Avicena &#8211; Uma Aventura no Afeganistão&#8221; em 2001. Escreve para a <strong>Folha Online</strong> às quintas.</p>
<p><strong>E-mail: </strong><a href="mailto:helio@folhasp.com.br">helio@folhasp.com.br</a></p>
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		<title>de sonho, medo e felicidade</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Mar 2009 18:16:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Maioridade
Marisa Cauduro/Folha Imagem

O músico Jurandir Bueno, 62, com sua namorada, Sônia Arakaki, 62, bailarina
O velho-novo
Em um de seus poemas, Paulo Leminski fazia uma pergunta reveladora: &#8220;Que podia um velho fazer / nos idos de 1916,/ a não ser pegar pneumonia, / deixar tudo para os filhos / e virar fotografia?&#8221;.
No Brasil do ínicio do século [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font size="5"><strong><font color="green">Maior</font>idade</strong></font></p>
<div align="center"><em><font size="1">Marisa Cauduro/Folha Imagem</font></em><br />
<em><img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/es1503200901.jpg" border="0" /></em><br />
<em>O músico Jurandir Bueno, 62, com sua namorada, Sônia Arakaki, 62, bailarina</em></div>
<p><font size="5"><strong>O velho-novo</strong></font></p>
<p>Em um de seus poemas, Paulo Leminski fazia uma pergunta reveladora: &#8220;Que podia um velho fazer / nos idos de 1916,/ a não ser pegar pneumonia, / deixar tudo para os filhos / e virar fotografia?&#8221;.<br />
No Brasil do ínicio do século passado, os tais velhos eram muito mais moços; a expectativa de vida ao nascer era de 34 anos. Em 2007, último dado disponível no IBGE, havia saltado para 72,6 anos. Longevidade, anticoncepcional, liberação sexual, divórcio e avanços da medicina tornaram obsoleto aquele velho precoce. Mudou tudo, inclusive os termos. Em vez do sexagenário aposentado (alguém recolhido a seu aposento), expressões mais fiéis, como terceira e quarta idades, que indicam uma sequência natural e mais vida pela frente.<br />
Há um velho-novo nas ruas, e a <strong>Folha</strong> foi a campo, em pesquisa nacional inédita, para responder quem ele é, como vive e o que pensa.</p>
<p><strong><font size="+1" color="#000080">Sensibilidade</font></strong></p>
<p><font size="5"><strong><br />
</strong></font>  <strong>Saúde e casa própria são as aspirações mais citadas; violência é o grande medo; maioria se diz feliz, mas acha que os outros não são (nem os jovens)</strong></p>
<p align="center"><font size="1">Rafael Andrade/Folha Imagem</font><br />
<img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/es1503200904.jpg" border="0" /><br />
<font size="1"><em>Pescador desde 1955, Fernando Barros, o Maricá, completa 80 anos em abril, mas quer continuar pescando até os cem, &#8220;se Deus permitir&#8221;</em></font></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>MÁRIO MAGALHÃES &#8211; FOLHA SP</strong></p>
<p><font size="-1">EM SÃO PAULO E NO RIO</font></p>
<p>Até onde mergulha a memória de Fernando Barros, o mar já engolfou dois companheiros seus, da colônia de  pescadores do posto 6, no cantinho direito da praia de Copacabana.<br />
Por pouco ele não fez companhia a bagres e badejos embaixo d’água. &#8220;Durante um temporal, com muito vento, eu fui parar lá em Niterói&#8221;, recorda. &#8220;A canoa virou duas vezes, desvirou e veio embora.&#8221;<br />
De susto em susto, ele não se assusta mais. Nem no mar, nem na terra. &#8220;Não tenho medo de morrer, de ficar doente, de nada. Se ali é um perigo, eu digo: vou passar é ali.&#8221;<br />
Com uma dupla de colegas, ele embarca antes das 6h em uma canoa movida a motor e volta cinco horas depois. De domingo a domingo. Está nessa lida desde 1959. Sua função é puxar, no braço, as redes e linhas que outrora capturavam 150 kg, 200 kg de pescado e que hoje só emergem com pouco mais de uma dúzia de exemplares.<br />
Numa quinta-feira ensolarada de fevereiro, ele pescou a sorte grande: atracou na areia com seis peixes-enxada, seis tamboris, quatro linguados, três pargos brancos e uma arraia. No mês que vem, Barros, conhecido na praia como Maricá, completa 80 anos.<br />
De cada três brasileiros com 60 anos ou mais, dois (67%) se comportam como Maricá e dizem não temer a própria morte. Em contraste com os jovens, somente 11% identificam sua morte como o maior medo –são 23% entre os que têm de 16 a 25 anos, segundo outra pesquisa, entre jovens, realizada no ano passado.<br />
&#8220;Na hora em que a morte chega não há opção&#8221;, diz a dona-de-casa Maria Dulce dos Santos Silva, 62, moradora do bairro de Ermelino Matarazzo, na zona leste de São Paulo. &#8220;Da morte Eu tenho medo é da vida&#8221;, emenda o metalúrgico aposentado Paulo Pecoraro, 64, colega de Maria Dulce em aulas de violão oferecidas pelo governo do Estado.<br />
&#8220;Tenho medo de violência e de ficar doente, na dependência de outras pessoas, a coisa mais triste que existe&#8221;, conta Paulo. Temores associados à violência constituem o maior medo (25%) declarado pelos idosos do país. Seguem os medos com problemas de saúde (18%) e a morte -17%, incluindo a de parentes. Declaram não ter medo 22%.<br />
O comerciante aposentado Szaja Frank, 89, polonês radicado no Brasil desde 1948, foi vítima de assalto em sua loja poucos anos atrás. Seu medo maior &#8220;Ser assaltado.&#8221; Sua mulher, a dona-de-casa brasileira Brana Rubinsky Frank, 81, teme as enfermidades: &#8220;A gente vai dormir bem e tem medo de acordar com dor&#8221;.<br />
Em uma manifestação de longevidade do amor, são quase 60 anos de casamento, Brana passou a despertar de  madrugada para confirmar que o coração do marido batia -como pais costumam fazer com bebês. &#8220;Eu ficava  tocando nele para ver se ele se mexia.&#8221;<br />
Brana diz que a mania já passou, mas Frank revela que nem tanto. &#8220;Hoje eu fico deitado, e ela vem ver se eu estou dormindo.&#8221; Encontrando-os no passeio diário na praça Buenos Aires, em Higienópolis, reduto de classe média para cima, a preocupação soa exagerada. Soldado do exército soviético na guerra (1939-45), Frank ostenta boa forma.<br />
Em outra praça, a &#8220;do Forró&#8221;, no bairro proletário São Miguel Paulista (zona leste de São Paulo), o segurança aposentado João Raimundo da Silva, 69, constata: &#8220;Quando eu era jovem não tinha nada. Hoje também não tenho nada&#8221;.<br />
O tom de conformidade não lhe roubou os sonhos. Nenhum supera o de &#8220;ter uma casa&#8221;. Ele mora de favor com  uma família, ganha o mínimo, poupa R$ 200 por mês e ignora quanto custa uma casa.<br />
Sonhos associados à moradia são os principais dos brasileiros mais velhos (19%), ao lado de ter saúde ou recuperá-la (18%) e à frente dos anseios ligados à família (12%) -11% não cultivam sonhos. Conforme o Datafolha, a aspiração de possuir uma casa própria é a número um para 10% dos idosos e 10% dos jovens.<br />
Em outro banco da &#8220;praça do Forró&#8221;, o vaqueiro aposentado Jaime Benigno Ribeiro, 69, amaldiçoa o infarto que o apeou da vida mais saudável. Ainda assim, como 2% das pessoas da sua faixa etária, seu sonho supremo é arrumar trabalho. &#8220;O negócio era uma fazenda para eu tirar leite.&#8221;<br />
Sem saúde, com dinheiro escasso e viúvo duas vezes, Ribeiro desencantou-se: &#8220;Não tenho felicidade, não&#8221;. Ele forma a minoria: meros 2% dos velhos se dizem infelizes -20% afirmam-se mais ou menos felizes, e 78%, felizes.<br />
Indagados sobre a felicidade alheia, contudo, sustentam que apenas 32% dos idosos brasileiros são felizes. Isso é, infelizes são os outros.<br />
De volta da pescaria, Maricá relaciona sua felicidade à saúde. &#8220;Comigo é o contrário: se ficar parado uma semana, sinto o corpo todo dolorido.&#8221; Descarta pendurar os anzóis: &#8220;Se Deus permitir, sigo até os cem anos pescando. É tempo brabo, é temporal, é mar brabo, e a gente vai embora&#8221;.</p>
<p>o sonho da casa própria é bem maior entre elas <strong>12%</strong></p>
<p>entre os homens, não passa de <strong>7%</strong></p>
<p>quando a pergunta é sobre bens materiais, a situação se inverte: <strong>12%</strong> eles x <strong>5%</strong> elas</p>
<p><strong>28%</strong>  é o índice dos que sonham com saúde na faixa acima dos 75</p>
<p><strong>34%</strong> das mulheres têm medo da morte, contra <strong>30%</strong> dos homens</p>
<p><strong>67%</strong> dos separados se dizem felizes, abaixo da média geral, de <strong>78%</strong></p>
<p><strong><font size="+1" color="#000080">Intimidade</font></strong></p>
<p><font size="5"><strong>sexygenários</strong></font></p>
<p><strong>47% fazem sexo regularmente e, destes, 91% dizem nunca ter usado remédio para disfunção erétil</strong></p>
<p><strong>PAULO SAMPAIO</strong><br />
<font size="-1">DA REPORTAGEM LOCAL</font></p>
<p>Do bolso do microempresário Nélson Oliveira, 66, não sai um tostão para comprar Viagra. E ele garante que, desde que se casou, há 48 anos, transa diariamente com a mulher. Ao lado, Néia, 65, só confirma. &#8220;É sim, é sim.&#8221;<br />
Quando o assunto é desempenho sexual, com frequência se apela a uma testemunha –ainda mais quando quem  fala é alguém do sexo masculino e de terceira idade.<br />
Feitas as contas, Oliveira teve com a mulher 17.540 relações nesses quase 50 anos, pontual como um relógio cuco e sem ajuda química.<br />
Esse índice de &#8220;abstenção zero&#8221; pode gerar polêmica, mas, a julgar pelo Datafolha, a vida sexual após os 60 é mais movimentada do que prega a maledicência popular, que costuma enxergar na terceira idade o fim do erotismo.<br />
Quase metade dos idosos ouvidos na pesquisa declara ter relações sexuais –um quarto deles, uma vez ou mais por semana. Mesmo na faixa dos maiores de 75, 24% se revelaram sexualmente ativos.<br />
Os mais afoitos podem dizer que, com o advento das drogas para disfunção erétil, agora é fácil. Só que 88% dos homens entrevistados dizem nunca ter usado remédio, embora até admitam alguma mudança no desempenho.<br />
Exemplo: o músico Jurandir Bueno, 62, retratado na capa deste caderno com a namorada, a bailarina Sônia Arakaki, 62, jura que nunca tomou nada e que vai transar até o fim da vida; confia no próprio corpo, diz. Só faz uma ressalva: &#8220;O processo é demorado&#8221;. &#8220;Gosto de conhecer bem a pessoa, preciso estar envolvido. Não sou uma máquina!&#8221;<br />
Jurandir &#8220;pesquisou&#8221; a bailarina durante quatro meses, até irem para a cama. &#8220;Eu também não estava com  pressa. Com a idade, as coisas ficam mais tranquilas&#8221;, conta Sônia, que foi casada durante 20 anos e tem três filhos.</p>
<p><strong>Reféns do machismo</strong><br />
Em qualquer faixa etária, é previsível uma dose de exagero ou, digamos, de inverdades sobre o desempenho  sexual, afirma o geriatra Wilson Jacob Filho, colunista da <strong>Folha</strong>. Ainda mais quando mexe com alguns tabus da masculinidade. &#8220;O que se espera deles é que se mantenham viris, e os que não são suficientemente esclarecidos associam a dificuldade sexual à incompetência, e não a doenças como diabetes, hipertensão, depressão ou problemas na próstata.&#8221;<br />
Jacob dá um exemplo de como a imagem é fundamental. &#8220;Quando o HC tinha o Laboratório da Impotência, atendia dez pessoas. Mudaram o nome para Laboratório da Disfunção Erétil, e o número de pacientes foi para uns 10 mil&#8221;, conta, rindo.<br />
Na pesquisa Datafolha, a diferença de visão do sexo entre homens e mulheres revela um dado paradoxal: 74% dos homens afirmam ter vida sexual ativa, enquanto 76% das mulheres dizem exatamente o contrário. Considerando que o índice de casados de terceira idade é 47%, com quem eles transam?<br />
Existem várias possibilidades, dizem os especialistas: sozinho (masturbação), com companhias eventuais ou usando outras formas de atingir o orgasmo, sem penetração peniana.<br />
E as esposas &#8220;Muitas mulheres consideram sua missão sexual cumprida depois da procriação e acabam  consentindo tacitamente que o marido se mantenha ativo&#8221;, diz Dorli Kamkhagi, da USP.<br />
Embora faça questão de sexo, a cabeleireira Sônia Maria Gonçalves, 63, casada três vezes, três filhos, conta que, com a menopausa, dispensou temporariamente os &#8220;serviços&#8221; do segundo marido.<br />
&#8220;Acabou a euforia. Ele foi o homem que mais me ensinou coisas, mas mesmo assim eu não queria saber de sexo. Até disse: ‘Pode procurar outra, que comigo não rola’.&#8221;<br />
Há seis meses, Sônia descobriu um câncer de mama e retirou o seio direito, mas diz que isso não atrapalhou em nada o relacionamento entre ela e o atual marido, que tem 54 anos. &#8220;No começo fiquei constrangida, mas ele disse que isso era bobagem e pediu para ver o curativo.&#8221;<br />
A palavra-chave é compreensão, define o empresário Wanderlei Marques, 62, casado há 32 anos. &#8220;Quando você é recém-casado, toda hora é hora. É aquela loucura. Mas, como a gente faz muitas vezes, a qualidade fica pra depois.&#8221;<br />
Ele conta que, em todos esses anos, o período sexual mais difícil foi quando nasceu o primeiro filho. &#8220;A mãe, ali, é só da criança. Se você estiver com vontade, vai continuar.&#8221;<br />
Wanderlei não se incomoda em dizer que usa remédio. &#8220;Não adianta dizer que a disposição sexual não cai com a idade. Por sorte, a medicina está a nosso favor.&#8221;<br />
E manda seu último recado: &#8220;Não existe Viagra pra mulher. Então, se você toma o comprimido, mas ela está fria, não adianta nada&#8221;.</p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/es1503200909.gif" /></div>
<p><strong>Leia a integra da pesquisa no caderno especial da Folha de São Paulo </strong></p>
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		<title>Cientistas tentam decifrar o complexo caminho das lágrimas</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Feb 2009 21:23:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[







Por BENEDICT CAREY
Elas são consideradas um alívio, um tônico psicológico e, para muitos, a visão de algo mais profundo: a linguagem gestual do coração, a transpiração emocional vinda do poço de uma humanidade comum.
As lágrimas lubrificam o amor e as canções de amor, os casamentos e os funerais, os rituais públicos e a dor privada, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/cientistas-tentam-decifrar-o-complexo-caminho-das-lagrimas/9673/" rel="attachment wp-att-9673" title="lagrima_descendocruz.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/02/lagrima_descendocruz.jpg" alt="lagrima_descendocruz.jpg" /></a></div>
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<div style="text-align: center"><img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/images/newyorktimes.gif" hspace="10" /></div>
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<div style="text-align: center"></div>
<p style="background-color: #ffff99">Por BENEDICT CAREY</p>
<p>Elas são consideradas um alívio, um tônico psicológico e, para muitos, a visão de algo mais profundo: a linguagem gestual do coração, a transpiração emocional vinda do poço de uma humanidade comum.<br />
As lágrimas lubrificam o amor e as canções de amor, os casamentos e os funerais, os rituais públicos e a dor privada, e talvez nenhum estudo científico possa algum dia capturar todos os seus muitos significados.<br />
&#8220;Choro quando estou feliz, choro quando estou triste e talvez chore quando estou compartilhando algo que é de grande significado para mim&#8221;, disse Nancy Reiley, 62, que trabalha em um albergue feminino na Flórida. &#8220;E por alguma razão às vezes eu choro quando estou numa situação de falar em público. Não tem nada a ver com me sentir triste ou vulnerável. Não há motivo que eu possa imaginar pelo qual isso aconteça, mas acontece.&#8221;<br />
Agora, alguns pesquisadores dizem que a sabedoria popular sobre o choro -que o associa a uma saudável catarse- é incompleta e enganadora. Um &#8220;bom choro&#8221; habitualmente permite que a pessoa recupere parte do equilíbrio mental após uma perda. Mas nem sempre, e não para todos, argumenta um artigo na atual edição da revista &#8220;Current Directions in Psychological Science&#8221;. Depositar tamanha expectativa sobre um ataque de pranto possivelmente predisporá algumas pessoas a uma confusão emocional posterior.<br />
Esse apelo por uma visão mais nuançada do choro deriva em parte de uma crítica a estudos prévios. Ao longo dos anos, os psicólogos confirmaram muitas observações corriqueiras a respeito do choro. Ele é contagioso. As mulheres o liberam mais facilmente que os homens, por razões muito provavelmente bioquímicas e também culturais. E a experiência física reflete a psicológica: a frequência cardíaca e a respiração disparam durante a tempestade e se amenizam quando o céu se abre.<br />
Questionadas sobre episódios de choro, a maioria das pessoas, previsivelmente, insiste que chorar é permitido para absorver um golpe, para se sentir melhor ou mesmo para pensar mais claramente sobre algo ou alguém que se perdeu.<br />
Pelo menos é assim que as pessoas lembram -e aí está o problema, segundo Jonathan Rottenberg, psicólogo da Universidade do Sul da Flórida e coautor do estudo. &#8220;Muitos dados apoiando o saber convencional se baseiam na rememoração e se contaminam da crença das pessoas sobre o que o choro deveria fazer&#8221;, disse.<br />
Em um estudo publicado na edição de dezembro da revista &#8220;The Journal of Social and Clinical Psychology&#8221;, Rottenberg e dois colegas, Lauren Bylsma (Universidade do Sul da Flórida) e Ad Vingerhoets (Universidade de Tilburg, Holanda), pediram a 5.096 pessoas de 35 países que detalhassem as circunstâncias do seu choro mais recente. Cerca de 70% disseram que as reações dos demais à crise foram positivas e reconfortantes. Mas cerca de 16% citaram reações ruins, que obviamente em geral lhes fizeram se sentir piores.<br />
Como a função social mais óbvia do choro é atrair apoio e empatia, o impacto emocional das lágrimas depende parcialmente de quem está ao redor e do que essas pessoas fazem. O estudo descobriu que chorar com uma só outra pessoa presente tem mais chance de produzir um efeito catártico do que fazê-lo diante de um grupo. &#8220;Quase todas as emoções são, em algum nível, dirigidas para os outros, então a resposta deles será muito importante&#8221;, disse o psicólogo James Gross, da Universidade Stanford, na Califórnia.<br />
A experiência de chorar também varia de pessoa para pessoa, e algumas são mais propensas à catarse. Em estudos de laboratório, psicólogos induziam ao choro mostrando aos participantes clipes com cenas de filmes muito tristes. Cerca 40% das mulheres choravam; pouquíssimos homens o faziam. Esse tipo de estudo, embora não passe de uma simulação, sugere que as pessoas com sintomas de depressão e ansiedade não se comovem tanto nem se recuperam tão rápido quanto a maioria. Nas pesquisas, elas se mostram menos propensas a relatar benefícios psicológicos do choro.<br />
Em seu livro &#8220;Seeing Through Tears: Crying and Attachment&#8221; (&#8221;Vendo através das lágrimas: choro e ligação&#8221;), a terapeuta e professora Judith Kay Nelson argumenta que a experiência de chorar está arraigada na primeira infância e na relação da pessoa com seu cuidador, em geral mãe ou pai. Filhos de pais atentos, que apaziguavam o choro quando necessário, tendiam quando adultos a encontrarem mais consolo no choro.<br />
&#8220;Chorar, para uma criança, é uma forma de chamar o cuidador, manter a proximidade e usar o cuidador para regular o humor ou a agitação negativa&#8221;, disse Nelson.<br />
Quem cresce inseguro sobre se e quando esse consolo virá pode, quando adulto, ficar preso àquilo que ela chama de choro de protesto -o berro impotente da criança para que alguém conserte o problema ou desfaça a perda.<br />
&#8220;Você não pode elaborar a dor se está preso ao choro de protesto, que diz respeito apenas a consertar, consertar a perda&#8221;, afirmou Nelson. &#8220;E na terapia -assim como nas relações íntimas- o choro de protesto é muito difícil de consolar, porque você não consegue fazer nada direito, não consegue desfazer a perda. Por outro lado, o choro triste, que é um apelo por um conforto de alguém que se ama, é um caminho para a proximidade e a cura.&#8221;</p>
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		<title>30 anos de dor de cabeça</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Feb 2009 15:40:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Walacir Cheriegate teve enxaqueca por 30 anos, dez deles todos os  dias, até descobrir que os analgésicos que usava pioravam o problema 
 


Daniela Dacorso/Folha Imagem

&#160;


Walacir Cheriegate, 66
     
FLÁVIA MANTOVANI &#8211; FOLHA SP
  DA REPORTAGEM LOCAL 
Por pelo menos 30 anos, o  militar reformado Walacir  Cheriegate, 66, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/images/saude.gif" hspace="10" /></p>
<p><font size="5"><strong><br />
</strong></font></p>
<p><strong>Walacir Cheriegate teve enxaqueca por 30 anos, dez deles todos os  dias, até descobrir que os analgésicos que usava pioravam o problema </strong></p>
<p><!--Fotografia/Auto/Inicio--> <!--FOTO--></p>
<table width="350">
<tr>
<td><font size="-2">Daniela Dacorso/Folha Imagem</font><br />
<img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/h1502200901.jpg" border="0" /></td>
<td valign="bottom">&nbsp;</td>
</tr>
</table>
<p><font size="-1"><em>Walacir Cheriegate, 66</em></font></p>
<p><!--/FOTO--> <!--Fotografia/Auto/Final-->   <strong> <span style="background-color: #ffff99"></span></strong></p>
<p><strong style="background-color: #ffff99">FLÁVIA MANTOVANI &#8211; FOLHA SP</strong></p>
<p><font size="-1">  DA REPORTAGEM LOCAL </font></p>
<p>Por pelo menos 30 anos, o  militar reformado Walacir  Cheriegate, 66, sentiu-se &#8220;como se tivesse dois estiletes  pontiagudos entre os olhos, na  altura da pálpebra&#8221;. As dores de  cabeça, no início esporádicas,  foram aumentando de frequência até que se tornaram diárias.<br />
Durante dez anos ele viveu  assim, com dor 28 dias por mês,  em média. &#8220;Tomava até seis  analgésicos diariamente. Em  qualquer roupa, bolsa ou paletó, tinha um comprimido.  Quando abria uma farmácia  nova, eu ia ver se tinha chegado  algum remédio forte&#8221;, conta.<br />
Procurou &#8220;todos os especialistas que podem existir&#8221;. Foram no mínimo 20 profissionais, entre neurologistas, acupunturistas e massoterapeutas, entre outros. &#8220;Busquei até aconselhamento espiritual. Eu corria atrás de tudo o que existia, mas a dor era constante.&#8221;<br />
Ele chegou a torcer para que  algum exame acusasse uma  doença. &#8220;Uma vez fiz uma ressonância magnética e pensei:  &#8220;Se Deus quiser, vão encontrar  um problema no meu cérebro&#8221;.  Ficava torcendo para dar positivo e eu descobrir o que era.&#8221;<br />
Walacir diz que a disciplina  militar o ajudou a tocar a vida  mesmo quanto tinha as dores  fortes. &#8220;Somos preparados para  o combate. Se eu for chamado  para uma missão, tenho que ir  independentemente de como  estiver. Nunca deixei de dirigir  uma reunião, mesmo com a cabeça latejando. Eu dizia que a  vida tinha que continuar&#8221;, diz.<br />
Mas, quando estava em casa e  a dor vinha, trancava-se num  quarto escuro, tomava pelo menos dois analgésicos e colocava  gelo na cabeça. &#8220;Quando o desespero era grande&#8221;, ia ao pronto-atendimento do hospital para tomar remédio na veia.<br />
Walacir brinca que sua mulher, com quem é casado há 37  anos, é &#8220;uma santa&#8221; por ter passado por tudo isso ao seu lado.</p>
<p><strong>Diagnóstico</strong><br />
Foi com a bolsa cheia de exames que ele chegou ao consultório de um neurologista que  fez um diagnóstico que surpreendeu Walacir: ele sofria de  uma enxaqueca que havia se  tornado diária justamente por  causa dos analgésicos que tomava para aliviar a dor.<br />
Não foram os exames que  acusaram o problema, já que,  nesse caso, eles servem apenas  para descartar outras doenças,  como um possível tumor.<br />
O diagnóstico da enxaqueca é  todo clínico, baseado nos sintomas que cada paciente tem e  nos exames feitos pelo médico  no consultório.<br />
Segundo o neurologista  Abouch Krymchantowski, que  atendeu Walacir, tomar analgésicos duas ou três vezes por semana por de um a três meses é  suficiente para que quem já  tem enxaqueca -doença neurovascular que afeta de 12% a  15% da população- passe a ter  crises diárias ou quase diárias.<br />
Isso acontece porque quem tem enxaqueca tem uma disfunção no chamado sistema antinociceptivo, ou sistema antidor. &#8220;É ele que produz endorfinas, nossos analgésicos endógenos. Com o uso regular de analgésicos, o cérebro interpreta, burramente, que não precisa produzir esses analgésicos endógenos, e aí vem a dor&#8221;, explica o neurologista, que é coordenador técnico do Ambulatório de Cefaleias Crônicas do Instituto de Neurologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).<br />
O recomendado, em casos  como o de Walacir, é tomar remédios preventivos, que ajudam a reduzir a frequência e a  intensidade das dores.<br />
Já os analgésicos usados nas  crises têm que ser suspensos  temporariamente, algo que não  é fácil, pois, além da dor, o paciente pode experimentar sintomas da abstinência do remédio -como suor frio, tremores,  insônia ou náuseas.<br />
&#8220;Os primeiros dez dias [de  tratamento] foram os piores da  minha vida. Foi duro porque eu  tinha que continuar trabalhando, mas o organismo foi reagindo&#8221;, lembra Walacir.<br />
O sacrifício valeu a pena.  Com a ajuda do remédio preventivo e a &#8220;desintoxicação&#8221;  dos analgésicos, ele disse que  &#8220;voltou a viver&#8221;. &#8220;Ressuscitei  para a vida. Há cinco anos nunca mais tive uma dor que passasse da leve&#8221;, comemora.</p>
<p><strong><span style="background-color: #ffff99"></span></strong></p>
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		<title>Dor nas costas é a mais forte e grave para brasileiros, diz estudo</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Nov 2008 16:28:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Para 69% dos entrevistados, dor na coluna é considerada problema crônico
FOLHA SP 
A dor na coluna pode ser considerada a verdadeira vilã na vida dos brasileiros: é descrita como a mais forte, a que mais incomoda e a mais grave para a saúde. As conclusões são da pesquisa &#8220;Dor no Brasil&#8221;, realizada em parceria entre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/dor-nas-costas-e-a-mais-forte-e-grave-para-brasileiros-diz-estudo/8555/" rel="attachment wp-att-8555" title="costas_danca.jpg"></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/11/costas_danca.jpg" alt="costas_danca.jpg" width="551" height="475" /></div>
<p></a></p>
<p><strong>Para 69% dos entrevistados, dor na coluna é considerada problema crônico</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>FOLHA SP </strong></p>
<p>A dor na coluna pode ser considerada a verdadeira vilã na vida dos brasileiros: é descrita como a mais forte, a que mais incomoda e a mais grave para a saúde. As conclusões são da pesquisa &#8220;Dor no Brasil&#8221;, realizada em parceria entre a Pfizer e o Ibope com 1.400 pessoas de nove capitais do país.</p>
<p>Entre os entrevistados, 69% consideram a dor na coluna ou nas costas uma dor crônica, pois sofrem do problema há mais de um ano. No entanto, apesar de ser a mais incômoda, a dor na coluna ficou em segundo lugar no ranking das dores mais comuns na vida das pessoas. A primeira posição foi ocupada pela dor de cabeça.</p>
<p>A pesquisa constatou ainda alto índice de automedicação. Quando sentem uma dor reincidente, 64% dos entrevistados procuram resolver o problema sozinhos, geralmente por meio de remédios. Mas, quando a dor é desconhecida, 66% dos brasileiros procuram ajuda médica.</p>
<p>Para a anestesiologista Rioko Sakata, chefe do Ambulatório da Dor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), os resultados da pesquisa não surpreendem, pois não existem muitas clínicas especializadas em dor. Além disso, a dor nas costas é bastante freqüente na população.</p>
<p>De acordo com a médica, a dor na coluna geralmente é provocada por maus hábitos, como manter uma postura inadequada, carregar muito peso e passar boa parte do tempo sentado sem fazer alongamento, e também pelo sedentarismo. A artrose, doença degenerativa, também causa dor na coluna.</p>
<p>&#8220;Esta é uma dor freqüente, mas está longe de ser a mais intensa e a mais grave. Existem dores muito piores, como as de lesões na medula, por exemplo&#8221;, afirma a médica.</p>
<p>Sakata acrescenta ainda que a automedicação não é recomendada e pode trazer prejuízos para a saúde. &#8220;Se alguém tomar um remédio por conta, poderá esconder outros problemas e mascarar os sintomas de alguma doença que pode ser mais grave&#8221;, diz.</p>
<p>De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde, 85% da população vai viver ao menos um episódio de dor nas costas ao longo da vida.</p>
<p>Um estudo realizado por pesquisadores autralianos e publicado recentemente no &#8220;British Medical Journal&#8221; mostrou que a recuperação das lombalgias (dores lombares) é muito mais longa do que o previsto pelas atuais orientações médicas.</p>
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		<title>Inca: toque retal não é indicado como prevenção</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Nov 2008 19:15:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Instituto também desaconselha teste do PSA para próstata
Roberta Jansen &#8211; O GLOBO
A notícia é boa para os homens no Dia Nacional de Combate ao Câncer de Próstata: o exame de toque retal e de dosagem de PSA não são recomendados pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) como uma forma eficaz de reduzir a mortalidade causada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://www.cirurgiaendocrina.com.br/imagens/toque.gif" alt="http://www.cirurgiaendocrina.com.br/imagens/toque.gif" /></div>
<p><font size="4"><strong>Instituto também desaconselha teste do PSA para próstata</strong></font></p>
<p style="background-color: #ffff99">Roberta Jansen &#8211; O GLOBO</p>
<p>A notícia é boa para os homens no Dia Nacional de Combate ao Câncer de Próstata: o exame de toque retal e de dosagem de PSA não são recomendados pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) como uma forma eficaz de reduzir a mortalidade causada pelos tumores malignos. Ou seja, o instituto desaconselha que os exames sejam feitos periodicamente por homens que não apresentem sintomas.</p>
<p>A idéia de que os exames preventivos seriam eficazes na redução da mortalidade é bastante difundida e recomendada, inclusive, pela Sociedade Brasileira de Urologia. Mas o Inca, referência para os tratamentos e políticas públicas de câncer no país, garante que não há base científica para tal recomendação. A mesma posição é adotada pela Organização Mundial de Saúde (OMS).</p>
<p>— Acho que essa idéia foi construída por analogia com os cânceres em que o rastreamento leva à redução da mortalidade, como o de mama e colo de útero — afirmou a gerente da Divisão de Gestão da Rede Oncológica do Inca, Ana Ramalho. — Mas não existem evidências científicas de que o rastreamento para o câncer de próstata reduza a mortalidade causada pela doença. Estudos feitos desde a criação do teste do PSA vem mostrando que a mortalidade é a mesma.</p>
<p>Muitos tumores não evoluem para câncer</p>
<p>Isso ocorre, segundo a especialista, porque os tumores de próstata apresentam uma característica específica: embora sejam relativamente freqüentes em homens acima dos 50 anos, em boa parte dos casos não se desenvolvem.</p>
<p>— Mas no momento em que um tumor é descoberto num exame, tem que se tomar uma atitude porque não há como saber quais vão evoluir e quais não vão — explica Ana Ramalho. — Então, ocorre o que chamamos de sobretratamento em boa parte dos casos, estamos tratando algo que nunca ameaçaria a saúde daquela pessoa, que nunca se transformaria em doença.</p>
<p>Para as pessoas que quiserem fazer os exames, a recomendação do Inca é que o médico as informe sobre os benefícios e os riscos de tal decisão, já que o tratamento pode envolver radioterapia e cirurgia.</p>
<p>— As duas complicações mais freqüentes do tratamento são a incontinência urinária e a impotência sexual — lembrou a especialista.</p>
<p>O Inca recomenda a adoção de hábitos saudáveis na prevenção do câncer (não fumar, praticar exercícios físicos e ter uma alimentação balanceada) e a procura por um especialista se forem detectados sintomas como sangue na urina, necessidade freqüente de urinar, jato urinário fraco e dor ou queimação ao urinar.</p>
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		<title>Da boca para dentro</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Sep 2008 17:30:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Novas pesquisas relacionam boa saúde oral à prevenção de várias doenças
Antônio Marinho* &#8211; O GLOBO
Imagine despejar todos os dias a maior parte de seu lixo no manancial de um rio. Com o tempo, lagos e fontes que recebem seu fluxo serão poluídos e podem morrer. É mais ou menos isso que ocorre ao negligenciarmos a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://cogitare.forumenfermagem.org/wp-content/uploads/2008/06/dentist.gif" alt="A imagem “http://cogitare.forumenfermagem.org/wp-content/uploads/2008/06/dentist.gif” contém erros e não pode ser exibida." /></div>
<p><img src="http://oglobo.globo.com/fotos/2008/06/30/30_CHB_viv_sorriso.jpg" alt="http://oglobo.globo.com/fotos/2008/06/30/30_CHB_viv_sorriso.jpg" align="left" /></p>
<p><font size="4"><strong>Novas pesquisas relacionam boa saúde oral à prevenção de várias doenças</strong></font></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Antônio Marinho* &#8211; O GLOBO</strong></p>
<p>Imagine despejar todos os dias a maior parte de seu lixo no manancial de um rio. Com o tempo, lagos e fontes que recebem seu fluxo serão poluídos e podem morrer. É mais ou menos isso que ocorre ao negligenciarmos a higiene bucal. O acúmulo de bactérias em estruturas que envolvem os dentes causa inflamações e aumenta o risco de infecções em todo o corpo. Agora, novos estudos confirmam que cuidar da saúde oral protege contra infarto e derrame. Há quem afirme que a prevenção vai além. Pessoas que escovam mal os dentes e raramente visitam o dentista correm maior risco de cânceres, demência e até de parto prematuro.<br />
O problema começa com o acúmulo de bactérias ao redor dos dentes, formando placas que atacam as gengivas e outras estruturas.<br />
Aos poucos, os germes invadem tecidos e produzem substâncias tóxicas que inflamam as gengivas (gengivite), e alguns chegam à corrente sangüínea. Daí pegam carona para o coração e outros órgãos. Em casos graves (periodontites), os tecidos de suporte são afetados — com destruição de colágeno e de ligamentos — , responsáveis por manter os dentes nos ossos. De 7% a 15% da população mundial sofrem desse mal.</p>
<p>— Mais pesquisas sugerem associação entre infecções orais e doenças sistêmicas — diz a dentista americana Sally Cram.<br />
Um exemplo é o estudo da Universidade de Bristol, de Howard Jenkinson. Na reunião da Sociedade Geral de Microbiologia, ele disse que centenas de cepas de bactérias vivem na boca e algumas entram no sangue. Isso pode causar problema cardíaco, mesmo em saudáveis. Elas produzem agrupamento de plaquetas, formando escudo contra o sistema imunológico e antibióticos.<br />
<strong><br />
Sem tratamento, risco de parto prematuro aumenta</strong></p>
<p>Maurizio Tonetti, chefe da Divisão de Periodontologia da Universidade de Connecticut, investigou se um tratamento para anular a produção de bactérias e toxinas da boca seria benéfico em pacientes com aterosclerose.<br />
Os resultados foram animadores. Em artigo na revista “New England Journal of Medicine”, ele mostrou que indivíduos submetidos por seis meses a intenso tratamento de doença das gengivas não apenas se livraram desse mal, mas melhoraram a função do endotélio (a camada interna dos vasos).<br />
E pesquisa na Grã-Bretanha, com 366 gestantes, publicada no “Journal of Periodontology”, indicou que o tratamento de infecção de tecidos da gengiva reduziu o índice de nascimentos prematuros em 84%. Segundo os autores, essa doença eleva a produção de prostaglandina, substância que pode induzir ao parto. As grávidas que receberam cuidados dentários antes da 35ª semana tiveram menor chance de dar à luz antes da hora. Em outro trabalho, na revista “The Lancet Oncology”, autores associaram doenças das gengivas a maior chance de tumores de pulmão, fígado, rim e pâncreas, além de Alzheimer.<br />
Porém não souberam explicar essa relação.</p>
<p>— Dados apontam risco adicional de até 2,8 para infarto em pessoas com periodontites.</p>
<p>Já encontraram traços de bactérias das gengivas em placa ateromatosa retirada em cirurgias. A forte resposta imune estimulada por periodontites parece ser o principal mecanismo na relação com doenças sistêmicas, como diabetes, artrite, a doença pulmonar obstrutiva crônica, úlceras, pneumonias, além de indução a parto prematuro e problema cardiovascular — diz Luciano Oliveira, doutorando em periodontia pela Uerj e membro da Sociedade Brasileira de Diabetes.<br />
Mau hálito, retração e sangramento gengival podem ser os primeiros sinais, explica a dentista Cristiane Vivacqua. Ela diz que pessoas com gengivas doentes são duas vezes mais susceptíveis a queixas cardíacas.</p>
<p>— Doença periodontal pode piorar males cardíacos já existentes. Às vezes é necessária a profilaxia antes de tratamentos dentários, como uso de antibióticos. Isso é avaliado pelo dentista e médico — alerta.<br />
Já a dentista Flávia Rabello de Mattos, especialista em implantes, lembra que diabetes, síndrome de Down, doença de Crohn e Aids favorecem a periodontite: — Habitualmente, doença da gengiva não causa dor, até que dentes se afrouxem ao mastigar ou se forme abcesso. Em fumantes, sinais iniciais são mascarados e eles só percebem o problema quando a perda óssea é grave. Sem tratamento, a perda óssea poderá ser de 1mm/ano.</p>
<p>* Com ‘The Washington Post’ e agências de notícias Existem cerca de 700 cepas de diferentes bactérias (como estafilococo e estreptococo) em uma boca saudável, metade ainda não classificada. Em agosto foi descoberta uma nova espécie, Prevotella histicola, que pode estar relacionada a cáries e doenças da gengiva. Se as bactérias entrarem na corrente sangüínea, podem causar problemas cardíacos e até derrame, mesmo que a pessoa esteja em boa forma física.</p>
<p>Há cerca de cem milhões de bactérias em cada mililítro de saliva. Vírus, fungos e protozoários também vivem na boca. Segundo cientistas, microorganismos procedentes de gengivas infectadas interagem com as plaquetas (elas participam do processo de coagulação, evitando hemorragias) provocando a inflamação das artérias, levando a seu estreitamento.</p>
<p>As bactérias também se unem aos depósitos de gorduras presentes nas artérias, o que pode facilitar a formação de coágulos. Outra explicação é que, ao se movimentar pelo corpo por meio do sangue, a bactéria estimula o sistema imunológico, causando inflamações que entopem as artérias.</p>
<p>Estudos americanos dizem que doenças das gengivas e outras infecções na boca estão associadas à maior incidência de câncer de pulmão, de sangue e de rim, além de pancreatites.<br />
<font size="5"><strong><br />
Exame da saliva ajuda a prevenir perda de dentes</strong></font></p>
<p><strong><br />
Alteração no fluido pode ser sinal de doença, mas dentistas ignoram avaliação</strong></p>
<p>Prestar atenção na saliva ajuda a melhorar a qualidade de vida já que o fluido pode revelar alterações no organismo. No entanto, estudo coordenado pela dentista Denise Falcão, do Departamento de Odontologia da Universidade de Brasília (UnB), diz que apenas 7% dos dentistas costumam fazer o exame, que é simples. E pelo menos 69% dos profissionais entrevistados disseram não ter assistido à aula sobre saliva em cursos de especialização e/ou mestrado.<br />
A saliva desempenha funções no equilíbrio da orofaringe. A falta desse fluido torna o pH bucal ácido e favorece a cárie.<br />
Além disso, a saliva contém uma substância que estimula a cicatrização da mucosa bucal e do esôfago. Portanto, sua deficiência predispõe a esofagites e aftas.</p>
<p>— Em outro estudo na UnB, vimos que a pessoa com saliva viscosa tem mais chances de sofrer mau hálito. Verificamos que portadores de doença periodontal costumam apresentar pH alcalino e saliva viscosa — disse Denise. — Não há como estabelecer relação de causa/efeito, mas as alterações dos padrões da saliva são indicadores de riscos para doenças.<br />
Ela cita, por exemplo, a doença autoimune síndrome de Sjögren, que se caracteriza pela redução de saliva e lágrimas, entre outros sintomas. Geralmente é diagnosticada após anos, o que compromete muito a saúde. Entretanto, se o exame da saliva fosse feito rotineiramente, a doença seria detectada precocemente.</p>
<p>— Outro exemplo é que a saliva muito fluida e/ou a falta de saliva pode ser uma das causas de ardência bucal, situação muito comum principalmente nas mulheres na pós-menopausa, e isso costuma causa depressão. Mudança na coloração pode indicar descamação excessiva da mucosa, inflamações e infecções — alerta Denise.<br />
Até mesmo o sono é ruim quando há pouca saliva. Isso porque a pessoa tende a se levantar com freqüência para beber água.<br />
Outros problemas são a maior chance de ter aftas e outras lesões em mucosa da boca; menor fixação de restaurações dentárias, alteração de paladar e até dificuldade para falar. Segundo Denise, o teste — mostra a quantidade, a cor, a viscosidade e o pH — dura 30 minutos e deve ser feito uma vez ao ano, ou a critério do dentista. A coleta e a seqüência de avaliação deverá ser repetida em um outro dia e no mesmo horário para verificar a média dos valores.</p>
<p>— Carregada de imunoglobulinas ou anticorpos, a saliva tem participação decisiva em algumas doenças — diz o dentista Luciano Oliveira. — Embora seja um bom método auxiliar de diagnóstico, é pouco difundido em consultórios.<br />
A dentista Flávia Rabello afirma que o aumento da produção de saliva, quando necessário, poderá ser conseguido com técnicas para estimulação e uso de medicamentos.<br />
Há ainda a possibilidade de receitar substitutos desse fluido.<br />
Outro estudo na UnB investiga a possibilidade de usar células-tronco na regeneração de tecidos com infecções bacterianas.<br />
E cientistas do King’s College, de Londres, tentam produzir dentes a partir de células-tronco e realizaram pesquisas em camundongos. As células seriam programadas para se transformar em dentes e depois transplantadas para a mandíbula.</p>
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		<title>Coluna: estudo afirma que técnica de Alexander é eficaz para tratar dor nas costas</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Aug 2008 18:41:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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 EFE &#8211; O Globo

LONDRES &#8211; A dor nas costas crônica, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, pode ser controlada pela técnica de Alexander. O método de reeducação postural, criado no século XIX, é precursor de outras práticas modernas como o RPG. A conclusão do estudo das universidades Southampton e Bristol, na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://www.companyzdance.co.nz/images/tg/alexander.jpg" alt="http://www.companyzdance.co.nz/images/tg/alexander.jpg" /></div>
<p style="background-color: #ffff99"><strong> EFE &#8211; O Globo</strong></p>
<p><img src="http://www.gotosee.co.uk/GTS_IMAGE_LIBRARY/New/alexander-technique-spine.jpg" alt="http://www.gotosee.co.uk/GTS_IMAGE_LIBRARY/New/alexander-technique-spine.jpg" align="left" /></p>
<p>LONDRES &#8211; A dor nas costas crônica, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, pode ser controlada pela técnica de Alexander. O método de reeducação postural, criado no século XIX, é precursor de outras práticas modernas como o RPG. A conclusão do estudo das universidades Southampton e Bristol, na Inglaterra, com mais de 500 pacientes foi publicada na última edição da revista &#8220;British Medical Journal&#8221;.</p>
<p>A técnica foi desenvolvida pelo ator australiano Frederick Alexander para tentar tratar seu próprio ronco, problema atribuído à tensão a que estavam submetidos seus órgãos vocais e o sistema neuromuscular. A técnica de Alexander ajuda a alinhar a cabeça, o pescoço e os músculos dorsais. Os praticantes afirmam que, além de melhorar a dor, o método alivia a tensão e o estresse.</p>
<p>Os pacientes que participaram do estudo disseram sentir menos dores que no começo do tratamento e asseguravam que sua qualidade de vida havia melhorado e que poderiam fazer coisas que antes a dor não lhes permitia.</p>
<p>Os voluntários foram divididos em grupos. Alguns receberam massagens corporais, outros foram submetidos a sessões de Alexander e um terceiro grupo participou de um programa de caminhadas diárias de meia hora. Algumas pessoas associaram os tratamentos.</p>
<p>As massagens apenas aliviaram as dores durante os três primeiros meses, mas seus efeitos não perduraram. Apenas aqueles que seguiram a reeducação postural apresentaram uma melhora geral. Os pacientes que conjugaram exercício físico a seis sessões da técnica tiveram experimentaram quase o mesmo benefício do qual se beneficiaram aqueles que fizeram 12 sessões. Os pacientes que combinaram a técnica de Alexander com exercício físico diário melhoraram entre 40% e 45%, segundo o professor Paul Little, da faculdade de Medicina da Universidade de Southampton.</p>
<p><img src="http://www.carolinechalk.co.uk/images/before_after_alexander_technique_lessons.jpg" alt="http://www.carolinechalk.co.uk/images/before_after_alexander_technique_lessons.jpg" align="left" /></p>
<p><strong>Certo e errado<br />
Cuidados simples com a postura ajudam a manter a saúde da coluna e previnem dores</strong></p>
<p>Maria Vianna, especial para O Globo Online</p>
<p>RIO &#8211; Aquela dor nas costas não vai embora mesmo com descanso e remédios? O problema pode estar em como você cumpre suas tarefas no dia-a-dia. De acordo com estatísticas da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 80% dos adultos sentem dores na coluna, em especial na cervical e na lombar, pelo menos uma vez na vida. E está enganado quem pensa que os piores vilões são o computador e a cadeira do trabalho. Lavar pratos, passar a roupa, se vestir, usar salto alto, carregar sacolas pesadas e até ler deitado podem afetar a saúde das articulações. (<a href="http://oglobo.globo.com/vivermelhor/mat/2008/08/20/estudo_afirma_que_tecnica_de_alexander_eficaz_para_tratar_dor_nas_costas-547844710.asp">Clique aqui para ver imagens de como preservar seu corpo nas tarefas do cotidiano</a>).</p>
<p>- Nosso corpo é feito para lidar com o movimento. As dores costumam aparecer quando nos viciamos em certas posições ou gestos e alguns músculos deixam de ser usados. Quando a musculatura fica muito tempo sem ser solicitada ela acaba se atrofiando, e isso causa uma série de problemas &#8211; explica a terapeuta corporal Carla Folly.</p>
<p>Para o fisioterapeuta Francisco Miguel Pinto, coordenador da Escola de Postura Brasil, a modernidade e a vaidade são os principais inimigos da boa postura.</p>
<p>- Por causa da ansiedade e da falta de tempo, acabamos fazendo tudo rápido e sem dar a atenção adequada ao corpo. No caso das mulheres, a situação piora porque a elegância e a estética acabam falando mais alto que o conforto. Temos que lembrar que nosso corpo funciona como uma máquina, mas nossas &#8216;peças&#8217; não são substituíveis &#8211; diz o especialista.<br />
Pequenas mudanças fazem uma grande diferença</p>
<p>Se mudar a forma de fazer as coisas é praticamente impossível, alguns exercícios podem ajudar a deixar o corpo menos suscetível a dores.</p>
<p>- Recomendo a meus pacientes que façam um alongamento diário e que, no fim do dia, deitem por alguns minutos de costas para o chão. Isso ajuda a alongar a coluna e relaxa a musculatura do corpo. No caso das mulheres, que usam salto diariamente, indico uma massagem na sola do pé com bolinhas de frescobol. Cerca de 10 minutos pisando na bolinha já traz um alívio e ajuda a descomprimir as articulações dos dedos, do calcanhar e do tornozelo &#8211; ensina Carla.</p>
<p>Outra dica para sentir menos dor é observar como você costuma se movimentar e tentar agir de maneira diferente, mesmo que no começo a tarefa fique mais complicada.</p>
<p>- Se você passa o dia sentado, tente levantar de hora em hora. Se você é destro, use mais a mão esquerda para escovar os dentes, abrir torneiras e pentear o cabelo. E sempre tente manter os dois pés no chão. Apoiar o peso do corpo em apenas uma das pernas é um vício comum que acaba comprometendo as articulações do joelho, do quadril e da lombar &#8211; indica a terapeuta.<br />
Evite se medicar por conta própria</p>
<p>Se a dor não melhorar após alguns dias, a solução é procurar um médico. Só o especialista pode indicar o melhor tratamento para o caso.</p>
<p>- Muitas vezes as pessoas passam a tomar analgésicos quase que diariamente sem a recomendação do médico. Isso acaba encobrindo um problema que pode se tornar mais sério se não for tratado no início. Não adianta ficar esperando a dor passar &#8211; alerta o fisioterapeuta.</p>
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		<title>A tragédia argentina vista por um adolescente</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/08/a-tragedia-argentina-vista-por-um-adolescente/</link>
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		<pubDate>Sat, 09 Aug 2008 18:44:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Com História do Pranto, Alan Pauls faz seu exercício estilístico mais radical, cruzando o íntimo e o político numa só dimensão
Antonio Gonçalves Filho &#8211; O Estado de São Paulo
 
Mais Nietzsche do que Schopenhauer. A teoria do escritor argentino Alan Pauls sobre o problema da dor aponta para o primeiro filósofo não tanto por identificação [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Com História do Pranto, Alan Pauls faz seu exercício estilístico mais radical, cruzando o íntimo e o político numa só dimensão</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">Antonio Gonçalves Filho &#8211; O Estado de São Paulo</p>
<p> <a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/08/a-tragedia-argentina-vista-por-um-adolescente/6622/" rel="attachment wp-att-6622" title="livros.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/08/livros.jpg" alt="livros.jpg" align="left" /></a></p>
<p>Mais Nietzsche do que Schopenhauer. A teoria do escritor argentino Alan Pauls sobre o problema da dor aponta para o primeiro filósofo não tanto por identificação com os ideais pagãos de uma Europa pré-cristã, que fizeram da filosofia de Nietzsche um manual de sobrevivência na selva das cidades. A uma certa altura de seu novo livro, A História do Pranto, Pauls diz que a dor que o protagonista sente &#8220;é sua educação e sua fé&#8221;. A dor, continua o autor, &#8220;o torna crente&#8221;. Como em Nietzsche, ela obriga o sofredor a se tornar mais forte. E, no caso, o sofredor é um adolescente de 13 anos, filho de pais divorciados, que acompanha a tragédia política da América Latina nos anos 1970, tentando inutilmente derramar uma lágrima pelas vítimas de ditaduras.</p>
<p>Dito assim, o livro de Alan Pauls pode parecer uma novela política lacrimosa. Não é lacrimosa e nem mesmo uma novela. A despeito de sugerir um gênero, ao incorporar o subtítulo Um Testemunho à História do Pranto, o talentoso autor de O Passado guia seus leitores por uma trilha enganosa, recheando esse &#8220;testemunho&#8221; de aforismos, à maneira de Nietzsche, e criando com esses o desejo de interpretar, não de conhecer, a história desse adolescente introspectivo e fixado na imagem do Super-Homem &#8211; outra pista que conduz o leitor à estrada principal, ou seja, ao sentido moral da crítica de Nietzsche à metafísica. Nada de platonismo pós-moderno. Pauls dá nome às ditaduras e faz da memória do menino sem nome um registro da história tenebrosa de uma Argentina afogada em sangue.</p>
<p>É bem verdade que o elogio do Super-Homem e a teoria da vontade de potência de Nietzsche acabaram servindo ao nacional-socialismo alemão &#8211; não por sua culpa, evidentemente, ele que considerava o nacionalismo uma neurose. Porém, no caso da admiração que o adolescente de Pauls sente pelo Super-Homem dos quadrinhos, trata-se inversamente de investigar a posição de fragilidade, de vulnerabilidade desse ser, acossado por um dilema moral e desgarrado da comunidade que pretende proteger. Mais uma vez recorrendo &#8211; deliberadamente ou não &#8211; a Nietzsche, Pauls adota uma narrativa marcada pelo tempo cíclico e pela alternância entre criação e destruição. Quando o leitor pensa que localizou no adolescente traços autobiográficos do autor, plasmado no narrador, ele desaparece como desapareceram milhares de crianças durante a ditadura argentina.</p>
<p>Críticos ciosos de uma revisão política do período ou de um ensaio antropológico sobre o modelo neoliberal que engendrou seres incapazes de se emocionar, como o garoto de Alan Pauls, vão se decepcionar com História do Pranto, mas não o leitor que anda atrás de um autor capaz de renovar a linguagem literária com uma escritura mais digressiva que a do chileno Bolaño, para citar um nome caro ao argentino.</p>
<p>As palavras surgem em cascata na narrativa desse garoto prodígio &#8220;que considera as lágrimas uma espécie de moeda, um instrumento de troca com o qual compra ou paga coisas&#8221;, um desses monstros que assombram as platéias de televisão respondendo a perguntas impossíveis em programas de auditório. Isso explica a sintaxe ornamental e a sofisticação barthesiana de Pauls, às voltas com a consciência de si, que se desdobra no outro e rememora a história coletiva por meio de lembranças pessoais. Esse exercício proustiano, intimista, que se choca com a tumultuada história argentina, é menos uma biografia &#8211; ou autobiografia &#8211; que um projeto mais ambicioso de atar numa única história todos os seus títulos anteriores (especialmente O Passado), a história da nostalgia da tragédia que têm os argentinos e deu origem ao tango.</p>
<p>O adolescente de História do Pranto não consegue evitar a lembrança da cena que comoveu seu pai até as lágrimas, a do show &#8220;mítico&#8221; de um cantor de protesto que reencontra os fãs após seis anos de exílio, chamado ironicamente de &#8220;Bondade Humana&#8221; pelo autor dessas memórias que a ninguém e a todos pertencem. Em outra ocasião, mais histórica, a da derrubada de Allende, vista pela TV, o protagonista tenta até chorar, ao ver seu amigo revolucionário desabar diante da invasão do Palácio de La Moneda pelos brucutus do general Pinochet, em 1973. Tempo perdido: não consegue verter uma só lágrima.</p>
<p>Numa entrevista, Pauls argumentou que, na origem do livro, está esse desejo de fundir o político e o íntimo num único registro em que ambas dimensões sejam indistinguíveis. Encontrou a saída nas memórias de um adolescente, um ser ainda em formação, um arauto além do bem e do mal que anuncia a urgência de ultrapassar os valores argentinos, dos quais o choro parece o mais evidente.</p>
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