14/07/2008 - 12:35h Esculachou, perdeu

Ricardo Noblat - O Globo

“Quem vive de picaretagem um dia cai”.

(Lula, ao comentar o prende e solta do banqueiro Daniel Dantas semana passada)

dantas2.jpgEm setembro de 2002, ao ser preso na Favela da Grota, no Rio de Janeiro, o traficante de drogas Elias Maluco, assassino do jornalista Tim Lopes, da TV Globo, suplicou a um policial: “Perdi, chefia. Mas não me esculacha”. O banqueiro Daniel Dantas, dono do Grupo Opportunity, perdeu porque abusou de atropelar as leis e de esculachar o Estado.

Lembram de Ricardo Sérgio de Oliveira, diretor da área internacional do Banco do Brasil no governo FHC e arrecadador de recursos para campanhas do PSDB? Ele saiu do banco depois de ter admitido em conversa grampeada pela Polícia Federal que agira no “limite da irresponsabilidade” durante o processo de privatização do sistema de telefonia do país. O que o governo menos desejava na época era a revelação de qualquer indício ou prova capaz de sugerir que Ricardo Sérgio fosse ligado ao presidente.

Pois bem: em meados de 2002, um alto executivo do Opportunity reuniu-se no Rio com um assessor de FHC. E lhe disse que tinha a gravação de uma conversa entre o presidente e Ricardo Sérgio. O assessor deu o recado a FHC. Que então perguntou: “Você ouviu a gravação?”. Não, ele lera a transcrição da conversa.

Dali a alguns dias, FHC recebeu Dantas para um encontro a sós no Palácio do Alvorada.

E atendeu ao seu pedido de não trocar o presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A CVM “é responsável por regulamentar, desenvolver, controlar e fiscalizar o mercado de valores mobiliários do país”. Para tal fim, exerce, entre outras, as seguintes funções: assegurar o funcionamento eficiente e regular dos mercados de bolsa e de balcão; proteger os titulares de valores mobiliários; evitar ou coibir modalidades de fraude ou manipulação no mercado; e garantir a observância de práticas comerciais eqüitativas no mercado de valores mobiliários.

Os negócios de Dantas passam pela CVM.

Nunca antes na história deste país um magnata como Dantas se atreveu tanto a usar meios ilegais para aumentar sua fortuna e se apropriar do Estado ou de parte dele. Era preciso ter aliados no Congresso? Investiu na eleição de deputados e senadores. Era preciso corromper servidores públicos? Corrompeu vários nos governos FHC e Lula.

Era preciso monitorar concorrentes ou se antecipar a eventuais decisões da Justiça contrárias aos seus interesses? Pagou caro para espionar sócios, desafetos e até juízes.

Faltaram a Dantas paciência e talento para fazer a transição política do governo FHC para o de Lula. E a poucos meses da eleição presidencial de 2006 ele cometeu seu mais grave erro: divulgou um falso dossiê sobre contas secretas que Lula e auxiliares teriam no exterior. Imaginou esculachar o governo com a vã esperança de recuperar o status que teve no governo passado. É possível que jamais venha a ser condenado por crimes financeiros, mas sim pela reles tentativa de subornar um delegado da Polícia Federal.

22/05/2008 - 12:51h Mensagem a Dilma

VALDO CRUZ

http://diariodonordeste.globo.com/imagem.asp?Imagem=271394

BRASÍLIA - Dilma Rousseff, a chefe da Casa Civil e nome preferido de Lula para sucedê-lo, não gostou nada do que andou lendo nos últimos dias. Mais precisamente uma entrevista do colega Tarso Genro ao jornal “Zero Hora”, publicada no último domingo.

Nela, o ministro da Justiça dá declarações que, na visão de aliados de Dilma, revelam uma articulação contra a candidatura presidencial da gerente do PAC. Além de mostrar que grupos do PT não estariam satisfeitos com a forma como Lula vem conduzindo sua sucessão. Dilma largou na frente na preferência do presidente e deixou para trás o próprio Tarso e o ministro Patrus Ananias. Pelo menos por enquanto.

Em resumo, Tarso diz que o candidato petista à sucessão de Lula tem de ter “profundo vínculo partidário” com o PT. Questionado se Dilma terá de criar tal vínculo, responde que “esse é um enigma ainda não proposto para nós”.

Na entrevista, o ministro revela ainda que foi criado um grupo de 10 a 12 dirigentes para discutir o papel do PT num tempo sem Lula na Presidência. E que, pós-eleição municipal, esse grupo tratará do candidato do partido em 2010.

Vista como uma conspiração contra Dilma por seus aliados, a fala de Tarso ganha outra leitura entre os amigos do ministro. Primeiro, lembram que ele se expôs publicamente na defesa da ministra no episódio do dossiê contra os tucanos.

Segundo, o objetivo de Tarso teria sido enviar uma mensagem a Dilma, um recado para ela se aproximar mais do PT. Em outras palavras, tudo bem, ela é a preferida de Lula, mas precisa construir sua candidatura com o partido. Amigos de Tarso ressalvam apenas que ele exagerou um pouco na dose, mas acertou no conteúdo.

O fato é que o estilo independente de Dilma, sem militância partidária, não agrada a muita gente no PT. Vai que ela ganha e fica livre para montar o governo que desejar. Em suma, a disputa pelo ponto futuro petista esquentou.

12/05/2008 - 11:05h Tática radical do DEM começa a assustar tucanos

Atitude de aliado no depoimento de Dilma foi vista como de “franco atirador” com “vocação de partido nanico”

Christiane Samarco - O Estado de São Paulo

Tucanos questionam a “vocação de nanicos” e querem distancia dos demos, que radicalizam contra Lula

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Apesar de PSDB e DEM sustentarem uma parceria na oposição ao governo Lula, a luz amarela acendeu nas hostes tucanas depois da intervenção do líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), durante o depoimento da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) na Comissão de Infra-Estrutura da Casa, na quarta-feira. Os tucanos viram ali um sinal claro de que o DEM tende a radicalizar o enfrentamento com o governo, o que faria do aliado um “franco atirador” com “vocação de partido nanico”.

No Senado, Agripino lembrou que Dilma contara ter mentido, sob tortura, durante a ditadura militar e tentou fazer um paralelo com suas declarações sobre o dossiê dos gastos do ex-presidente FHC. Ela retrucou que se orgulhava de ter mentido naquelas circunstâncias para não provocar a morte de companheiros. E disse que não era possível comparar a ditadura com a democracia.

Lider do PSDB, José Anibal enviou abraço solidário a Dilma Roussef

Um deputado tucano que naquela noite pegou carona de volta para casa com o líder na Câmara, José Aníbal (SP) testemunhou um desabafo dele à ministra. “Fazer referência à tortura e tentar criar similitude é incabível”, disse Aníbal. Quando Dilma atendeu, ele foi direto ao ponto: “Estou telefonando para deixar o meu abraço solidário e dizer que achei que a senhora teve uma postura muito firme no depoimento.” Ao desligar, justificou-se ao carona: “Somos amigos. Sei o que ela passou quando estava na clandestinidade.”

No mesmo tom indignado de Aníbal, um senador da direção do PSDB avalia que, nestes termos, a aliança com o DEM não terá viabilidade e não levará a lugar algum. Setores do tucanato acham que o DEM monta uma agenda incompatível com o projeto de poder em torno dos governadores José Serra (SP) ou Aécio Neves (MG). Os presidenciáveis tucanos, cada um a seu jeito, recusam-se a atacar o presidente e preferem contornar sua popularidade falando no pós-Lula.

Enquanto líderes do DEM sustentam que não há diferença ideológica entre os dois partidos, tucanos insistem nas diferenças e revelam cansaço com a parceria.

AFINAR MAIS

O novo líder da minoria de oposição no Senado, Mário Couto (PSDB-PA), admite que é preciso “afinar mais os discursos e as ações”. Diz que falta conversa e articulação, mas defende a aliança entre os dois partidos. “Se nos dividirmos, ficaremos mais fracos”, preocupa-se.

O que mais incomoda segmentos da cúpula tucana é a aliança em São Paulo. A insatisfação passa pela eleição presidencial e por queixas de tucanos de Norte a Sul contra a hegemonia paulista. Para o senador Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB, o que está no centro da insatisfação é a velha prática de restringir decisões importantes a um grupo de meia dúzia de tucanos ilustres. “O sentimento real não é contra a hegemonia de São Paulo, é a favor da democracia interna e participação ampla nas decisões. Quando alguém fala em prévias, todo mundo apóia.”

11/05/2008 - 13:31h A DEMOCRACIA DOS MAIA É COISA FAMILIAR

Elio Gaspari - O Globo e Folha de S.P.

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É injusto atribuir o comportamento do senador José Agripino Maia durante o depoimento da ministra Dilma Rousseff a um erro, escorregão ou ingenuidade. Quando ele fez sua tortuosa pergunta, lia um texto.

Ele acha que o atual governo pode ser comparado à ditadura porque tem dificuldade de entender que possa ser democrático um governo presidido por um ex-operário (por pouco tempo).

Pior, o homem nomeou para a chefia da Casa Civil uma ex-militante de uma organização que lutava pela “constituição do Estado Socialista Proletário e sua manutenção pelos trabalhadores em armas”.

Pudera. A democracia do doutor funciona de outro jeito. Seu pai, Tarcisio Maia, irmão do senador João Agripino (1914-1983), governou o Rio Grande do Norte de 1975 a 1979 sem precisar de votos. Foi sucedido pelo sobrinho Lavoisier Maia, que nomeou o primo José Agripino para a Prefeitura de Natal. Novamente, transações sem votos.

Lavoisier Maia- José Agripino Maia- 1982

Em 1982, o atual líder do DEM elegeu-se governador na primeira eleição direta e cinco anos depois foi para o Senado. Seu filho Felipe é deputado federal. Já que o senador citou a entrevista de Dilma Rousseff a Luiz Maklouf Carvalho, poderia perder um tempinho lendo outros depoimentos no livro “Mulheres que Foram à Luta Armada”.

Quem quiser saber mais sobre o senador pode procurar a reportagem de Leo Arcoverde e Raquel Souza, publicada em abril pela revista “Caros Amigos”. É um pouco sangüínea, mas compensa. Basta passar no Google: “O dossiê Agripino na Caros Amigos”.

11/05/2008 - 09:51h ‘Aécio não é obcecado pela idéia de ser candidato como Serra’

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Vera Rosa - O Estado de São Paulo

Disposto a selar uma aliança com o PSDB do governador Aécio Neves para a eleição, o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), desistiu de brigar com a Executiva Nacional do PT, que vetou a coligação. Trocou a luva de boxe pelo tom conciliador e garantiu que a parceria com Aécio, criticado um dia sim e outro também pelo PT, não tem impacto na sucessão do presidente Lula, em 2010.

“Aécio não é obcecado pela idéia de ser candidato a presidente, como José Serra”, diz Pimentel, referindo-se ao governador de São Paulo. Com fala mansa e discurso sob medida para convencer a cúpula do PT a voltar atrás na decisão de proibir o casamento com os tucanos em Belo Horizonte, ele não desiste. “Não podemos transformar a política num eterno Fla-Flu, numa disputa do bem contra o mal”, insiste. “Aécio é um adversário político, mas não é um inimigo.”

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Ex-guerrilheiro que militou em organizações de esquerda com Dilma Rousseff, hoje ministra da Casa Civil, o prefeito defende a amiga de juventude do escândalo do dossiê com gastos do governo FHC: “Com todo respeito à oposição, o dossiê é um episódio secundário.”
Para arrepio dos que o consideram o mais tucano dos petistas, Pimentel diz que Dilma - a favorita de Lula na corrida ao Planalto - é tão qualificada para ser presidente quanto Aécio e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). Não falta a ela jogo de cintura política? “Eu acho que Dilma tem treinado com aquele bambolê que o PMDB deu para ela de presente”, diverte-se. E, mesmo com todas as divergências no PT, Pimentel jura que não fará as malas para deixá-lo. “Se eu sair do PT, é só para ir para casa”, garante.

Por que o sr. defende uma coligação do PT com o PSDB para a Prefeitura de Belo Horizonte?

Precisávamos buscar uma solução eleitoral que contemplasse aquilo que a cidade quer. Belo Horizonte quer esse modelo de governança, de gestão compartilhada, que tem obtido resultados excepcionais porque criamos um clima político-administrativo de bom entendimento com os governos estadual e federal. As pesquisas indicam que até 85% da população vê com absoluta naturalidade uma candidatura que ponha na mesma campanha o prefeito e o governador. Não acha isso nenhuma aberração.

A Executiva do PT diz que a gestão Aécio é comprometida com políticas distintas das que estão no ideário petista e no programa de governo. Em que o sr. diverge disso?

Eu respeito a posição da Executiva, mas não concordo.O governador Aécio Neves é um adversário político nosso, mas não é um inimigo. Não temos nenhuma grande divergência de fundo. Estou mencionando Aécio, e não o PSDB. Eu acho que o PSDB é, sim, em âmbito nacional, um adversário incontornável do PT. E daqui até 2010 isso não vai mudar.

Qual é a saída para o impasse na eleição em Belo Horizonte?

Agora é o momento de decantação das paixões. Reconhecemos que a Executiva Nacional tem obrigação de acomodar num grande eixo de políticas todas as realidades do Brasil, o que não é tarefa fácil e merece o nosso respeito. Mas é preciso haver alguma flexibilização, tanto da nossa parte quanto da parte dos nossos companheiros da Executiva. Nós também não vamos recorrer à Justiça de nenhuma decisão. É um episódio que devemos superar sem que haja vencidos nem vencedores.

Para a aliança em Belo Horizonte vingar é preciso que o PSB apóie a candidatura da ministra do Turismo, Marta Suplicy, em São Paulo?

Eu quero crer que há interesse do PSB em abrir com o PT um campo de entendimento que contemple várias cidades. Isso pode incluir São Paulo, Belo Horizonte, Rio, Natal, Manaus.pimentel.jpg

O presidente Lula vai ajudar?

Ele já tem problemas demais. Eu vi com muita alegria as declarações que ele deu, dizendo que vê com naturalidade o que estamos fazendo em Minas. Por dever de lealdade, sempre dei ciência ao presidente de todos os meus movimentos. Mas nunca usei o nome dele para endossar nada.

Se o sr. for derrotado, vai sair do PT? Integrantes do PSB disseram que será bem recebido se sua situação ficar insustentável no PT.

Eu não tenho para onde ir se eu sair do PT. Sou militante do PT desde a fundação do partido e sempre busquei resolver as questões pela via do entendimento. Se eu sair do PT é só para ir para casa. Tenho respeito pelo PSB, mas não cogito deixar o meu partido.

A aliança em Belo Horizonte não fortalece a candidatura de Aécio para a Presidência em 2010, como alega o PT?

Em primeiro lugar, 2010 está muito longe e não devemos trabalhar com essas ilações. É um erro porque sequer sabemos se o governador Aécio vai ser candidato a presidente ou não. É uma superestimação do papel que esse episódio tem. Aécio é um homem público qualificado para ser presidente da República. É capaz, honrado, um bom gestor. Mas está num partido adversário, o que significa que, se for candidato, nós não poderemos marchar juntos. Serei fiel ao meu partido.

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A coligação em Minas poderia ser eficaz para se contrapor à candidatura de Serra ao Planalto?

O governador Aécio nunca mencionou que essa construção nossa faça parte de uma grande estratégia para fortalecê-lo ou enfraquecer Serra. Não quero cometer inconfidências, mas percebo que Aécio trabalha a questão da candidatura num diapasão um pouco diferente de Serra.

Por quê?

Ele não vê essa candidatura como uma coisa inevitável. Não vai forçar o destino. O governador Aécio não é obcecado pela idéia de ser candidato a presidente, como o governador Serra. Acho que Serra, com quem também tenho boas relações, trabalha com mais determinação. Tem uma boa obsessão. Ele, sim, está determinado a ser candidato a presidente e trabalha 24 horas por dia para isso. São posturas diferentes.

No PT, os comentários são de que o sr. atropelou o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, ao fechar acordo com Aécio que pressupõe o apoio tucano à sua candidatura ao governo de Minas. Em troca, o sr. seria cabo eleitoral de Aécio para a Presidência ou para o Senado…

Não atropelei ninguém, muito menos Patrus, que é meu amigo dileto. Patrus seria o nosso candidato natural a prefeito se esse tivesse sido o seu desejo. E não foi. Por isso começamos a construir esse outro caminho, que é a candidatura do Márcio Lacerda, do PSB, com um vice do PT, o deputado Roberto Carvalho.

Mas o senhor é candidato a governador de Minas…

Está cedo para a gente dizer isso. Se na ocasião houver um conjunto de forças organizadas em torno dessa idéia, não vou ser hipócrita de dizer que não aceito. Mas não existe acordo com o governador Aécio. Existe, sim, um entendimento comum sobre como conduzir a administração pública. Nós achamos que a política é para construir convergências e não para aprofundar divergências. Mas é um entendimento pragmático. O PT vai ter candidato à Presidência em 2010, e eu certamente estarei na campanha desse candidato.

E se Aécio for para o PMDB, um partido da base aliada?

Acho isso muito difícil. Hoje nós temos quatro nomes colocados no cenário: a ministra Dilma Rousseff, do PT, o ex-ministro Ciro Gomes, do PSB, e os governadores Aécio Neves e José Serra, do PSDB.

Dilma saiu do depoimento no Senado fortalecida, mas o caso do dossiê não que pode prejudicar a candidatura dela mais à frente?

Não acho que haja dano maior. Esse assunto está sendo esclarecido de maneira adequada.Com todo respeito à oposição, esse é um episódio secundário, que não mereceria tanta dedicação dos parlamentares.

Mas o sr. não acha grave terem sido usados dados de gastos do governo FHC para municiar aliados na disputa na CPI dos Cartões?

É grave, mas não é suficientemente grave para paralisar a vida política em torno de um tema desses, porque nós temos instituições que funcionam, como a Polícia Federal. Eu não quero ser juiz moral de ninguém, mas, fosse eu um senador que tivesse recebido material sigiloso, teria imediatamente procurado a ministra, entregue os documentos a ela e pedido que abrisse investigação para saber quem vazou.

O sr. acha que o senador Álvaro Dias deveria agir assim? O PT, na oposição, nunca fez isso.

É o que eu faria fosse eu um senador. Felizmente eu não sou. Sou apenas prefeito e o senador sabe o que faz.

dilma.jpgNão falta jogo de cintura à ministra para ser candidata?

Acho que Dilma tem treinado com aquele bambolê que o PMDB deu para ela de presente (risos). Isso é um aprendizado. Eu também era um técnico quando fui para o governo do Patrus, como secretário da Fazenda. A vida vai ensinando. Temos sorte de ter uma pessoa qualificada como ela para ser candidata a presidente. Se vai ser mesmo ou não é outra história. Se for, fará bonito.

Desde quando o sr. a conhece?

Fomos companheiros de militância em 1968, 1969. Primeiro numa organização menor, em Minas, chamada Colina. Depois formou-se a VAR-Palmares. Passei alguns meses como militante da VAR e a Dilma também. Depois eu saí, fui para a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária). Ela continuou na VAR. E depois fomos presos. Sou amigo da ministra desde essa época, ainda na luta contra a ditadura. Dilma talvez seja o melhor quadro que minha geração política produziu.

Ainda é possível uma aproximação entre o PT e o PSDB mais adiante, no plano nacional?

Nem no longo prazo consigo vislumbrar uma confluência entre PT e PSDB. Os dois têm identidades e características muito definidas e caminham paralelamente. Então, não vão se encontrar. Agora, tem de haver um território em que os homens públicos do PSDB e do PT conversem sobre uma agenda de temas para o Brasil.

Que pontos teria essa agenda?

Podemos trabalhar juntos na questão da reforma tributária. Não vejo por que a gente precise ter uma divergência com o PSDB nesse aspecto. Também acho que não há dificuldade em estabelecer identidades em torno da reforma política.

O PT é seu maior adversário?

É uma maldade dizer isso. O PT é minha casa. Às vezes você também tem incompreensões dentro de casa. Já me disseram que sou o mais tucano dos petistas. Não é verdade. Nem eu quero ser tucano nem estou querendo convencer nenhum tucano a virar petista. Mas não podemos transformar a política num eterno Fla-Flu, numa disputa do bem contra o mal. Tenho uma frase que eu mesmo cunhei e gosto muito: a política é o território onde a virtude paga tributo ao interesse para construir o bem comum. Em todos os partidos existem homens de bem, corretos, honestos.

O senhor é favorável a um terceiro mandato para o presidente Lula?

Não. Ele também não quer. A reeleição foi uma coisa boa. O ciclo hoje é de oito anos, dá estabilidade ao sistema político e ao horizonte econômico de investimento. Mais do que isso seria uma violência.

Quem é: Fernando Pimentel

Um dos fundadores do PT, elegeu-se prefeito de Belo Horizonte em 2004.

Foi secretário de Fazenda de Patrus Ananias (1993 a 1996).

Economista, chegou a ser sondado em 2006 para ocupar o Ministério da Fazenda na vaga de Antonio Palocci.

28/04/2008 - 18:24h CNT/Sensus: Aprovação do governo ultrapassa índice de 2003. Maioria aprova nova candidatura de Lula

Pesquisa

O Globo

 

Rodrigo Vizeu - O Globo OnlineBRASÍLIA - Pesquisa do Instituto Sensus divulgada nesta segunda-feira pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) mostra que maioria aprova uma mudança na Constituição para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva possa se candidatar a mais uma reeleição. O levantamento indica também um novo recorde de aprovação do governo Lula.


Segundo a pesquisa, 50,4% da população se dizem a favor de uma proposta que permitisse um terceiro mandato. O número de contrários à idéia é de 45,4%. Não souberam ou não responderam 4,3% dos entrevistados. Em entrevista concedida aos jornais do grupo Diários Associados e publicada no domingo o presidente voltou a condenar a idéia do terceiro mandato, dizendo que é “obsceno para a democracia”.

A consolidação da aprovação tem como principal fator o desempenho da economia


Caso existisse a possibilidade um terceiro mandato, 51,1% dariam a vitória ao presidente Lula, enquanto 35,7% prefeririam o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Em uma simulação de votos válidos, a vitória de Lula sobre Serra (58,8% contra 41,2%) seria menos ampla do que foi em 2002 (61,3% contra 38,7%) e em 2006, contra Geraldo Alckmin (60,8% a 39,2%).

Aprovação do governo sobe cinco pontos em relação a fevereiro

O governo do presidente Lula alcançou 57,5% de aprovação em abril, segundo a CNT/Sensus. A aprovação do governo Lula é cinco pontos acima do resultado de fevereiro, quando se registrou 52,7% de avaliação positiva, e mais alto mesmo que o antigo recorde de aprovação: 56,6%, em janeiro de 2003, mês da posse de Lula. Em relação a fevereiro de 2008, o índice de avaliação negativa caiu de 13,7% para 11,3% e o de regular foi de 32,5% a 29,6%.

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A opinião positiva da população sobre o desempenho pessoal do presidente Lula também subiu, de 66,8% em fevereiro para 69,3% em abril. A desaprovação caiu de 28,6% para 26,1%.

- A consolidação da aprovação tem como principal fator o desempenho da economia, a geração de empregos. Há também os programas sociais. Ressaltamos ainda a boa e fácil comunicação do presidente, sintetizada na sigla PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Existe uma sensação de um governo eficiente. Existe a sensação de que o crescimento está ocorrendo por causa dessas obras - analisou o presidente da CNT, Clésio Andrade.

Serra lidera pesquisa de intenção de voto para 2010

A pesquisa também perguntou sobre as intenções de voto dos entrevistados para as eleições presidenciais de 2010. O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), estaria em primeiro lugar com 36,4%, em um dos cenários criados pela pesquisa. O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) teria 16,9% dos votos, contra 11,7% da ex-senadora Heloísa Helena (PSOL) e 6,2% da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT).

Em uma hipótese em que o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, seria o candidato tucano, Ciro lideraria com 23,5% das intenções de votos, contra 17,5% de Heloísa Helena, 16,4% de Aécio e 7% de Dilma. Caso o PSDB lançasse o ex-governador paulista Geraldo Alckmin, Ciro continuaria na liderança, com 23,2%, contra 17,2% de Alckmin, 16,3% de Heloísa Helena e 7,6% de Dilma.

Em um último cenário, a CNT/Sensus trocou a candidata petista Dilma pelo ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), gestor do Bolsa Família. Neste caso, Serra seria o líder, com 34,2%, seguido de Ciro (17,8%), Heloísa (14,1%) e Patrus (3,8%).

No caso de um segundo turno, a CNT indicou os seguintes cenários: Serra venceria Dilma por 53,2% a 13,6%, Aécio derrotaria a ministra por 32,1% e 18,3%, Serra ficaria com 55,1% contra 8,2% de Patrus e Serra superaria Ciro por 43,7% contra 25,5%.

Dossiê: 51,2% têm conhecimento e 17,4% citam Dilma

A sondagem mostrou que 51,2% da população têm acompanhado ou ao menos ouviu falar do episódio do dossiê com gastos sobre o governo Fernando Henrique Cardoso. 36,4% desconhecem o caso. Dos que estão a par das denúncias, a maioria (21,1%) acredita que a principal responsabilidade da elaboração e divulgação do dossiê é de membros da CPI mista do Cartão Corporativo. A ministra Dilma é citada por 17,4% dos entrevistados. Em seguida aparecem assessores da ministra (13,1%), a instituição Casa Civil (9%) e a Secretaria-Geral da Presidência da República (8,3%).

O levantamento apontou que 57,9% dos entrevistados têm acompanhado ou ouviram falar dos trabalhos da CPI do Cartão. No entanto, 58,1% não acreditam que a comissão vai analisar de forma isenta as denúncias. A maior parte das pessoas (57,8%) defende que o Congresso apure as denúncias de mau uso do cartão tanto no governo do PT quando no do PSDB. 12,7% querem investigação apenas das contas petistas e 6,1% só na gestão tucana. Outros 12,2% são contra que o Congresso investigue as denúncias.

Mas é óbvio que a visibilidade dela (Dilma) influencia. Quem está do lado do presidente Lula e acredita que ele não fez nada, também vai achar que ela não fez nada


Chamou atenção que, em meio à crise do dossiê da Casa Civil sobre gastos do governo FH, a ministra Dilma Rousseff tenha melhorado seus índices em todos os cenários na pesquisa de intenção de voto. Apesar de o maior deles terem sido dentro da margem de erro da pesquisa, Dilma se destacou na hipótese de segundo turno com Aécio Neves, saltando de 14,5% em fevereiro para 18,3% em abril, e no embate com Serra, indo de 9,2% a 13,6%.

- Está na margem de erro, não é possível falar em crescimento. Mas é óbvio que a visibilidade dela influencia. Quem está do lado do presidente Lula e acredita que ele não fez nada, também vai achar que ela não fez nada - afirmou o presidente da CNT, Clésio Andrade.

No caso da pesquisa espontânea, em que não é apresentado aos entrevistados uma lista de candidatos, o presidente Lula lidera com 29,4%. Serra tem 5%, seguido de Aécio (2,9%), Alckmin (2,4%), Heloísa (1,7%) e Ciro (1,5%). Somadas, as demais citações chegam a 3%.

O pesquisador do Instituto Sensus Ricardo Guedes ressalta para o alto índice de pessoas que não souberam responder a pergunta, algo esperado a mais de dois anos da eleição, chegando a 44,5% no caso da pesquisa espontânea e 11,2% no cenário com Serra, Ciro, Heloísa e Dilma.

Dengue: para 43,2%, responsabilidade é da sociedade

Para 43,2% dos entrevistados, o surto de dengue é culpa da falta de atuação de toda a sociedade. A responsabilidade apenas dos moradores é apontada por 32,7% da população, seguido de prefeituras (7,7%), Ministério da Saúde (7,6%) e governos estaduais (4,3%). Para 2,8%, a situação não tem culpados, já que os fatores que levaram ao aumento de casos doença seriam naturais.

Caso Isabella é de conhecimento de 98,2%A pesquisa indica ainda que 98,2% da população brasileira tem conhecimento do assassinato da menina Isabella Nardoni, ocorrido no final de março. Apenas 1,2% afirmaram desconhecer o episódio, contra 0,7% que não soube ou não quis responder. Segundo Ricardo Guedes, pesquisador do Instituto Sensus, esse foi o maior índice de conhecimento sobre algum assunto já registrado na série de pesquisas CNT/Sensus, iniciada em 1998.

Para 71,8% dos entrevistados, a mídia tem acompanhado o caso de forma adequada e com competência. Outros 24,3% acreditam que a cobertura noticiosa tem sido feita de forma inadequada ou incompetente.

A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre 21 e 25 de abril e entrevistou 2.000 pessoas em 136 municípios de 24 estados do país, em todas as cinco regiões. A margem de erro é de três pontos percentuais.

18/04/2008 - 06:44h Dilma, uma boa adversária

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anda eufórico. Razões não lhe faltam. Popularidade alta, governo bem avaliado, oposição buscando rumo. E, de quebra, está conseguindo emplacar a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) como pré-candidata à sua sucessão, quando ela parecia abatida pelo caso do dossiê com dados sigilosos de gastos da gestão Fernando Henrique Cardoso.

Pesquisas de intenção de voto que circulam entre governistas e oposicionistas mostram que Dilma saiu da sombra e tem conseguido um lugar ao sol entre os presidenciáveis. Quanto mais a oposição tenta responsabilizá-la pelo dossiê, mais ela é defendida publicamente por Lula. As imagens estão coladas. Como o presidente nega sistematicamente a pretensão ao terceiro mandato, seu eleitor começa a enxergar na ministra uma alternativa.

Não só o eleitor. A própria Dilma, surpresa com seu crescimento em pesquisas de intenção de voto, cada vez mais age como candidata e já participa de conversas com pessoas próximas sobre o assunto.

Tem feito consultas ao marqueteiro João Santana. E, a amigos, lamenta sua dificuldade para abraçar quem se aproxima e se lançar no corpo-a-corpo de campanha.

A oposição também começa a se preparar para enfrentar a ministra em 2010. Até então vista como “bode na sala”, inviável pela falta de carisma e jogo de cintura, Dilma agora já é tratada na cúpula tucana como potencial opositora na campanha eleitoral - seja de José Serra, seja de Aécio Neves. Seus pontos fracos têm sido analisados. Para os tucanos, a ministra não é má adversária. Não tem empatia, tem discurso técnico e se exalta, quando confrontada.

“Nossos candidatos são melhores. Ela é uma pessoa pouco democrática, claramente autoritária. e o povo não gosta disso”, afirma o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). Ele está certo de que Dilma é a opção de Lula - até pela falta de outras dentro do PT. Essa não é a avaliação do presidente do Democratas, deputado Rodrigo Maia (RJ). Ele diz não acreditar na candidatura de Dilma.

Para ele, o PT não lançará alguém que, como a ministra, não tem história no partido. Além disso, acha que Dilma não está livre de envolvimento no caso do dossiê anti-FHC. Prevê que fatos novos podem atingi-la, tirando-a definitivamente do páreo. No Senado, a oposição continua mantendo a mira em Dilma. Por enquanto, o tiro tem saído pela culatra. Mas a busca é por digitais que a comprometam com o dossiê. Senadores do PSDB conseguiram aprovar a convocação da ministra pela Comissão de Infra-Estrutura para falar sobre o episódio. Governistas tentam anular a convocação.

Ainda falta conquistar o PMDB

O casamento da filha de Dilma, hoje, em Porto Alegre, vai ser transformado em demonstração de força da ministra. Lula estará presente, assim como oito ministros e outras autoridades e aliados. Até o senador José Sarney (PMDB-AP), que enfrentou queda-de-braço com Dilma na nomeação de ocupantes de cargos no setor elétrico, irá ao casamento. A senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), líder do governo, também.

Se começa a ser vista como pré-candidata por ela própria, pelo eleitor e pela oposição, Dilma, por outro lado, ainda enfrenta resistências no PT e desconfiança no PMDB, partido com tal capilaridade nacional e poder congressual que torna-se imprescindível a qualquer governo.

Formalmente, o presidente do partido, deputado Michel Temer (SP), mantém o discurso da candidatura própria. Mas o partido não tem nomes. A preferência é por uma aliança com o governador Aécio Neves - caso ele viabilize sua candidatura no PSDB ou mude para o PMDB, sonho não abandonado por dirigentes da legenda.

Os pemedebistas não têm simpatia por uma candidatura de Dilma, que sentou em cima de indicações do partido para o setor elétrico. Ela também não faz afagos ao partido. Com a maior bancada da Câmara e do Senado, sete governadores, 1.300 prefeitos e mais de 8 mil vereadores, o PMDB assiste de camarote à definição do cenário eleitoral. Nada está previamente descartado. Se Dilma se impuser, Aécio não sair candidato e nenhum pemedebista conseguir se viabilizar, o partido vai com a ministra mesmo.

Situação difícil é a do PT. Dilma não é uma opção natural do partido para a sucessão de Lula. Mas, por enquanto, nenhum outro postulante aparece como alternativa a ela. O partido avalia quem mantém 25% do eleitorado nacional - o percentual não é desprezível, mas é insuficiente. A cúpula anda no “fio da navalha”, segundo definição de um dirigente do partido, para manter a aliança com o PMDB e com o chamado bloquinho (PSB/PDT/PCdoB/PMN/PRB) em 2010.

O primeiro teste acontecerá nas definições das alianças para as eleições municipais de outubro, principalmente nas cidades de maior visibilidade. O bloquinho tem buscado se distanciar do PT, planejando lançar candidaturas próprias. O segundo teste será na escolha do próximo presidente da Câmara dos Deputados, em 2009. O PT tem compromisso público com o presidente do PMDB. Mas há movimentação no bloquinho para apoiar Ciro Nogueira (PP-PI).

Se esse cenário de disputa se confirmar, a cúpula do PT defende a opção por Temer. “Há uma lei no Brasil: ninguém governa sem o PMDB”, define uma liderança petista. O PT precisará agir com habilidade para não se isolar.

Publicamente, os dirigentes partidários dizem ser precipitado falar em 2010. Mas todos só agem pensando nisso. A fase atual é de movimentação das peças em torno de Dilma. Para chegar até 2010, no entanto, ela precisará ser mais do que a preferida de Lula. Precisará de fôlego e jogo de cintura. Saindo forte do episódio dossiê, terá de neutralizar resistências do PT e seduzir o PMDB.

Raquel Ulhôa é repórter de Política em Brasília - VALOR

13/04/2008 - 09:53h Dilma apanha, apanha, mas cresce

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Jornal do Brasil - Leandro Mazzini - Informe JB

O PSDB levou um grande susto esta semana. Os grão-tucanos descobriram que a chefe da Casa Civil e presidenciável Dilma Rousseff, de tão grudada no presidente Lula, conseguiu atrair para ela uma peculiaridade até então reservada ao chefe. Pesquisas comprovam – e a oposição não entende – que, quanto mais Lula é criticado, mais sobe sua popularidade. Qual não foi o susto da cúpula do PSDB quando uma pesquisa encomendada chegou há pouco às mãos do presidente da legenda, Sérgio Guerra, e do governador de São Paulo, José Serra.

Os números mostram uma ascensão surpreendente da ministra Dilma depois que surgiu o escândalo do dossiê sobre gastos da gestão FH. Ou seja, o PSDB mirou no que viu como alvo certo para uma queda brusca e derrubou o que não esperava: a própria estratégia de fustigar Lula e Dilma. O governador Serra mostrou os dados a amigos. “Quanto mais apanha, mais cresce”, revela o consenso desalentador.

A candidata mais apagada da coalizão para 2010 não caiu, por enquanto – nem deverá cair, se depender do chefe. Mas poderá se gabar, a partir de hoje, de que o PSDB fez a ela o bem que o PMDB, irritado com seu poder no Planalto, nunca pensou: lançar Dilma candidata.

13/04/2008 - 09:17h Rio Grande do Sul: Base de Yeda tenta fazer dossiê contra o PT

Na última quinta-feira, membros da base do governo Yeda Crusius (PSDB) receberam ordem de vasculhar tudo quanto possível a respeito das gestões petistas no Rio Grande do Sul. No Grupo Hospitalar Conceição, por exemplo, um diretor técnico, que é do PMDB, se encerrou em sua sala e solicitou a alguns assessores de sua confiança que trouxessem processos da gestão anterior. Ou seja, no meio de uma crise de contaminação hospitalar, o diretor técnico, responsável direto pelo atendimento dos hospitais, encerrou-se dentro de sua sala examinando processos da gestão anterior (petista), para ver se encontrava falhas.
Há relatos de que o mesmo está acontecendo em outros locais, além do GHC. É sintomático. O desespero começa a bater em círculos importantes do governo.
Fonte RS URGENTE

10/04/2008 - 03:57h Um encontro de duas crises

VALOR

jose-serra.jpg O encontro durou quase duas horas, no gabinete do Palácio dos Bandeirantes, e apenas em sua reta final contou com a participação do secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira Filho, e da Comunicação Social, Bruno Caetano. A conversa do governador de São Paulo, José Serra, com o de Sergipe, Marcelo Déda foi um raro diálogo público do tucano com um petista com pauta estritamente política, desde sua posse. Serra já encontrou-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e da Previdência Social, Luiz Marinho, e até com a ministra do Turismo, Marta Suplicy, mas tratavam-se de encontros institucionais, entre o governador e uma autoridade do governo federal, para tratar de temas específicos, em que as questões políticas estão presentes, mas não vão para o primeiro plano.

Serra procura a interlocução petista em um momento delicado para si mesmo e para o partido que polariza com os tucanos. O PT se angustia com o emparedamento da sua maior aposta presidencial para 2010, a ministra Dilma Rousseff e o relançamento da tese do terceiro mandato demonstra mais a falta de alternativas do que a existência de uma. A ofensiva sobre Dilma não só a atinge como opção futura como compromete o presente. “Esta tática de desgaste, este denuncismo, termina por pautar o Congresso; e lidar com ela virou a agenda do governo. Reprime a ação administrativa e inviabiliza o PAC”, queixa-se Déda. Dentro do PSDB, a crise se alastra.

Enquanto Serra trocava idéias com Déda na tarde de terça-feira, Alckmin procurava sacramentar sua candidatura à Prefeitura de São Paulo com a direção nacional da sigla, à revelia do governador. É a primeira vez na história do PSDB que um líder regional é atropelado deste modo na escolha do candidato a prefeito da capital de seu Estado.

Também dilacerado por brigas internas, o PT há muito tempo já procurou mapear o território inimigo: é corrente na direção do partido o diagnóstico de que Serra e o rival Aécio Neves, governador de Minas, jogam juntos na moderação, enquanto o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso comanda a radicalização contra Lula.


Para Serra e PT, ambiente de guerra é nocivo

Integrante de uma minoria no PT - a que apoiou a candidatura derrotada do deputado José Eduardo Cardozo à presidência da sigla - Déda não comenta sobre as guerrilhas petistas intra-muros. Mas vê na divisão tucana o grande obstáculo para uma aproximação institucional entre os dois partidos. “O PSDB é uma orquestra à procura de um maestro”, comenta. O sergipano avaliza a aliança do PT com o PSDB para tentar reeleger Edvaldo Nogueira (PCdoB) como prefeito de Aracaju e apóia a iniciativa do prefeito de Belo Horizonte, o petista Fernando Pimentel, de pactuar sua sucessão com Aécio Neves. E pára por aí. Ressalta que estes acordos nada projetam para 2010, a não ser regionalmente.

É nesta confluência de crises que nasce assunto para longas conversas de tucanos com oposicionistas. Presidenciáveis do PSDB, tanto Serra quanto Aécio não querem vestir o figurino anti-Lula em 2010 e prefeririam um partido com menos cheiro de sangue e pólvora. Sob o desafio de ter que mostrar que sobreviverá ao pós-Lula, o PT tenta se credenciar como herdeiro de sua administração. Por isso a opção preferencial por um ministro do governo como seu candidato à Presidência, seja Dilma Rousseff ou Patrus Ananias; que só se tornariam uma carta para negociação com os aliados se saírem dos traço nas pesquisas, em função de um hipotético sucesso administrativo do segundo mandato.

Serra reagiu de modo suave em 2006 ao ser alvo da desastrada iniciativa de dirigentes do PT paulista de desestabilizá-lo com um dossiê. Já governador, tentou impedir que o governo federal fosse derrotado na emenda constitucional que prorrogava a CPMF. Tem cobrado nos últimos tempos reciprocidade nas boas maneiras.

Os dissabores na eleição municipal de São Paulo não o imobilizaram. A movimentação de Serra para sair do isolamento começou há algumas semanas e o projeto de substituição tributária - o mecanismo pelo qual São Paulo recolhe o ICMS devido a Estados consumidores das mercadorias paulistas - é um dos instrumentos de aproximação.

Sob o pretexto destes acordos, Serra já esteve com governadores perfeitamente ajustados com o Planalto, como o do Ceará, Cid Gomes (PSB), a do Rio Grande do Norte, Wilma Maia (PSB), e do Mato Grosso, Blairo Maggi (PR). A celebração da Semana Santa de Nova Jerusalém, em Brejo da Madre de Deus (PE), foi a ocasião para uma conversa reservada com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). E a abertura de uma exposição de artistas plásticos nordestinos no Palácio dos Bandeirantes lastreou o encontro já em abril com o governador de Alagoas, o também tucano Teotônio Vilella Filho.

É uma agenda para tentar dividir com o governador mineiro Aécio Neves a condição de aglutinador político, uma área onde Serra está em clara desvantagem em relação ao rival: Déda já esteve quatro vezes com Aécio de maneira pública, em audiências individuais. Com Serra, debutou na terça-feira.

César Felício é repórter de Política

09/04/2008 - 13:35h O valor das coisas

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Estou postando o artigo bem humorado do jornalista Luiz Weis sobre a mais nova denúncia sobre os gastos da presidência. Eu não dedicaria uma linha a este tema, mas não consegui resistir a reproduzir a ironia do autor. A publicação com destaque destes dados sobre as despesas no avião presidencial, contrasta com a discrição dada as massagens, restaurantes e notas de dois hotéis em cidades distintas no mesmo dia do ministro neo-tucano (PPS aqui é sinônimo) Raul Jungmann (PE), um dos que mais arvorou o dedo em riste para defender a Ética (assim com maiúscula). LF

Apertem os cintos: come-se e bebe-se no Aerolula!

Postado por Luiz Weis em 9/4/2008 às 8:35:36 AM

Tem toda a razão o ex-presidente Fernando Henrique ao se queixar ontem ao stringer do Estado em Lisboa, Jair Rattner, da divulgação seletiva dos gastos palacianos.

“O fato grave é ter havido um dossiê discriminando gastos, apresentando alguns e deixando de fora outros”, disse. “Todos os gastos que estão lá são gastos normais do governo, com comprovantes”.

Só faltou ele combinar com o deputado Vic Peres Franco, do DEM paranese, que repassou ao mesmo jornal um documento da CPI dos Cartões com as despesas dos dois aviões que servem ao presidente Lula, numa viagem a Nova York em setembro do ano passado, com quatro governadores e dois ministros, entre outros convidados.

E só faltou uma foto mostrando o ar de felicidade do editor que digitou o título “US$ 5.926, em comes e bebes, a bordo do Aerolula”.

“Na viagem de volta”, consta do texto - fazendo lembrar os factóides que o jornalista Carlos Brickmann publica toda semana no Observatório da Imprensa, com a observação irônica de que não é possível viver sem conhecê-los -, “foram servidas duas refeições por pessoa: almoço e lanche leve”.

Que coisa extraordinária! Espanta que não tenha sido a manchete do dia.

O texto é caridoso com o leitor – mas nem tanto. Informa que constavam do cardápio entradas com porco, peixe e carne bovina. E que o prato principal foram frutos do mar. Mas assim, nada mais? Porco, peixe, carne bovina e frutos do mar à moda de quem? Com quais ingredientes?…

Feitas as contas, na seleta cabine presidencial, os “comes e bebes” destacados pelo Estadão custaram o equivalente a US$ 125 por boca. Na segunda classe, US$ 59,74. Que esbórnia!

O ponto a que quero chegar é óbvio. A questão do aprovisionamento das despensas terrestres e aéreas do atual presidente e do antecessor, tratada pelos políticos e a mídia como se dela dependessem os pilares da República e da democracia, é, afinal, o que essa matéria e as planilhas vazadas do dossiê deixam claro: uma ridicularia.

P.S. O valor das coisas

A Folha enterrou a informação no quarto dos cinco parágrafos de uma matéria. O Estado deu a notícia num boxe. O Globo, com um título de duas colunas. Já o Valor abriu com o assunto a seção política da edição de hoje, sob um título de cinco colunas e duas linhas:

“Lula diz que rompe com PT se o partido insistir em 3º mandato”.

Dar aos fatos o valor que merecem, a partir de critérios estritamente jornalísticos, é mesmo um dos maiores desafios da imprensa.

07/04/2008 - 15:39h Neles!

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O objetivo da Ministra Dilma Roussef não é o que a imagem mostra.
Mas eu adorei.
É isso mesmo!
Para os que montam dossiê, o vazam e depois posam de virgens escandalizadas.

05/04/2008 - 05:36h Jornal reconhece Lula como defensor da liberdade de informação, incluso para a Radiobrás

A intenção do Estadão não é essa. Mas o artigo sobre o livro de Eugenio Bucci relatando sua experiência à frente da Radiobrás reconhece uma verdade que os jornais durante estes anos todos procuraram ocultar: foi o governo de Lula e o PT que deram independência a Agência estatal, que foi durante anos chapa-branca dos governos.

Não lembro de nenhum artigo do Estadão, nem de nenhum outro jornal, que tenha atacado durante os 8 anos de governo tucano o fato da agencia ser um instrumento de propaganda do governo. Não lembro que tenham feito nenhuma campanha para que fosse outorgada uma real liberdade de informação para Radiobrás durante esses anos todos.

Agora, o artigo do Estadão, indiretamente é verdade, reconhece que Lula garantiu o trabalho para reformar com maior autonomia e independência, a agencia estatal. Que o trabalho do seu diretor, Eugenio Bucci do PT, teve o respaldo não só de Lula, mas do próprio Luiz Gushiken.

O relato das reações deste ou aquele outro ministro sobre o noticiário adverso corrobora que o apego a liberdade de informação do presidente Lula sobe resistir a pressões naturais de pessoas incomodadas pelo noticiário. Todo o dia os responsáveis das redações recebem esse tipo de queixas. Alguns políticos, particularmente um que tem problemas para dormir de noite, são conhecidos por essa prática quase quotidiana e não raramente pedem a cabeça dos jornalistas.

A diferença talvez seja essa: Lula nunca cedeu às pressões, já vários editores e patrões de grandes veículos de comunicação fizeram “limpeza” ideológica por exigência de homens do poder… que não eram do PT.

Luis Favre

A seguir o artigo do jornal O Estado de São Paulo

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Livro revela pressões de Lula, Dirceu e Berzoini sobre Radiobrás

Eugênio Bucci sofreu bombardeio ao combater governismo na estatal, mas terminou respaldado pelo presidente

Daniel Bramatti - O Estado de São Paulo

No dia 15 de junho de 2004, o então todo-poderoso ministro José Dirceu mandou um bilhete para seu colega Luiz Gushiken para se queixar de que a Radiobrás, empresa de comunicação do governo, havia se transformado em um órgão de “oposição”. Um ano depois, também por escrito, o mesmo Gushiken recebeu de Ricardo Berzoini, então ministro da Previdência, uma reclamação semelhante: na cobertura de uma paralisação de servidores federais, a estatal estaria fazendo “propaganda” de um movimento “puxado pelo PSTU e PFL”.

Em dezembro de 2005, o próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou - não pela primeira vez - sua contrariedade com a Agência Brasil, órgão oficial cujas chamadas estariam “piores que as manchetes dos jornais que mais criticam o governo”.

O alvo das pressões era o presidente da Radiobrás, Eugênio Bucci, que desde 2003 se dedicava a uma tarefa tão complexa quanto inusitada: combater, nas entranhas de uma empresa do próprio governo, o chamado jornalismo chapa-branca - governista, de tom bajulatório e promocional - e promover, em vez disso, o apartidarismo e a impessoalidade na produção do noticiário. Para Bucci, a Radiobrás deveria atender não às autoridades, mas aos cidadãos e ao seu direito à informação.

Apoiada por Gushiken, a iniciativa foi bombardeada por outras estrelas da cúpula do PT e por pelo menos um dos especialistas em comunicação do partido, que assessorava o próprio Lula. Era vista, no mínimo, como “ingênua” por petistas que viam a prática de jornalismo crítico como um reforço para o arsenal dos adversários.

Mas Bucci manteve o rumo. Diferentemente de muitos de seus detratores, permaneceu no cargo durante todo o tempo que quis - quatro anos e meio - e indicou o sucessor. Ele relata as resistências que encontrou e os avanços que pôde promover no livro Em Brasília, 19 horas (Editora Record), que chega às livrarias nos próximos dias e tem como subtítulo A guerra entre a chapa-branca e o direito à informação no primeiro governo Lula.

O ex-presidente da Radiobrás afirma que Lula dava apoio ao seu projeto ao manifestar, em repetidas ocasiões, que o que é verdade tem de ser publicado. “Nunca o presidente pediu que a Radiobrás deixasse de dar alguma notícia, nem sugeriu que direcionássemos o noticiário para proteger as autoridades.” Mas o próprio livro mostra que o petista reclamava de notícias verdadeiras que incomodavam o governo.

“Pô, Eugênio, como é que a Radiobrás foi dar aquela declaração do Nilmário? (…) As pessoas vêm reclamar comigo, me perguntam se não tem ninguém lá de confiança que olhe isso.” Foi assim que Lula reagiu, no final de 2003, a uma dessas notícias incômodas.

O presidente se referia a uma entrevista de Nilmário Miranda, então secretário de Direitos Humanos, na qual ele atribuía o aumento do trabalho infantil no início da gestão Lula ao ajuste econômico promovido pelo governo. Publicadas pela Agência Brasil, as declarações logo repercutiram. “Ponderei que, se a Radiobrás tivesse de manter em seus quadros equipes para avaliar a pertinência da fala de ministros, uma sandice ganharia institucionalidade”, relata o autor no livro.

Por ignorar o lobby pela instalação de um “filtro governista” na estatal, Bucci poderia ter caído em desgraça, mas manteve seu prestígio no Planalto. Em setembro de 2004, foi convidado a escrever o discurso que Lula leria em um evento da Associação Nacional de Jornais. Com uma enfática defesa da liberdade de imprensa, o discurso repercutiu positivamente, na avaliação do governo. No dia seguinte, o presidente telefonou a Bucci para agradecer.

No livro, o ex-presidente da Radiobrás dá uma possível explicação para sua sobrevivência, apesar de ter vivido “sob fogo cerrado do governo” - título de um dos capítulos da obra. “Tenho absoluta consciência de que, se me mantive no cargo até 2006, devo isso à constância do presidente, que não cedeu a pressões que tinham por objetivo me destituir e quebrar a coluna vertebral da minha gestão. No fim das contas, não descarto a hipótese de o Café com o presidente, epicentro da ambigüidade em que tive de navegar, ter ajudado na sustentação que acabei por merecer.”

O Café com o presidente é um programa semanal de rádio produzido pela Radiobrás e veiculado em diversas emissoras. Seu conteúdo costuma repercutir em jornais e TVs. Lula é entrevistado no programa, mas a pauta é previamente discutida - só fala o que quer, quando quer.

“O prestígio (junto ao Planalto) gerado pelo Café não decorria dos seus alegados méritos jornalísticos, mas dos seus efeitos propagandísticos. Com isso, ele valorizou a Radiobrás, mas, ao mesmo tempo, contribuiu para que ela fosse vista como parte da máquina de propaganda do governo”, reconhece Bucci no capítulo intitulado O cafezinho da ambigüidade.

Para implantar seu projeto, Bucci não enfrentou apenas pressões políticas. Foi preciso mudar os padrões de apuração e redação de notícias e convencer os funcionários de que sua função não era servir as autoridades - um processo nada simples, já que, “aos olhos da direita e da esquerda, era assim porque sempre tinha sido assim”. Nas palavras de Bucci, o governismo era uma “cultura ancestral tão pesada quanto um continente”. Na semana passada, uma das manchetes no site da Agência Brasil era Líder do PSDB quer explicações de Dilma sobre autoria do dossiê. Ou seja, a agência de notícias do governo chama de dossiê o que o próprio governo nega ser dossiê - sinal de que algo mudou na “cultura ancestral”.

04/04/2008 - 04:34h Ensaio sobre a cegueira tucana

VALOR 

A trapalhada do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que vazou como crime dossiê que acusa a ex-primeira dama Ruth Cardoso de comprar lixa de unha, é apenas mais um sintoma do desnorteamento que acometeu o PSDB. Nessa terra de cegos em que se transformou o partido, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), seria rei ainda que tivesse um só olho. É o único tucano hoje capaz de olhar para o céu de brigadeiro lulista e divisar uma chance de produzir notícia positiva relacionada ao PSDB.

O Congresso é o palco por excelência das trombadas do PSDB. Num surto, o senador Arthur Virgílio (AM) chegou a subir à tribuna do Senado para denunciar o transporte clandestino de armas brasileiras à Venezuela em vôo da TAM, a partir de uma nota de internet.

As obstruções que lidera no Senado não chegam a durar 24 horas. Em compensação, tem sido capaz de fazer escola de oratória trepidantes, com seguidores como o senador Mão Santa (PMDB-PI) que arrumou esta semana o apelido de ‘galinha cacarejadora’ para a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Foi o bastante para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva exercitar sua competente retórica de vitimização da ministra.

A cegueira tucana também faz vítimas a rodo no Executivo. O fracasso do leilão da Cesp corre o risco de privar o partido de uma de suas mais caras bandeiras, a de que o governo petista vai bem porque não enfrentou crise internacional como a asiática (1997).

Não há como condenar o governador de São Paulo, José Serra (PSDB) por ter atribuído o fracasso no leilão à “pior crise econômica mundial desde o pós-guerra”, nem tampouco por sua recusa em vender a empresa na bacia das almas, mas ainda carece de melhor explicação a razão por que o Palácio do Bandeirantes rejeitou a Cemig nos consórcios que se candidataram à compra.

Tivesse aceito a estatal mineira, Serra não apenas abriria espaço à participação da companhia de saneamento paulista, a Sabesp, em consórcios semelhantes Brasil afora, como romperia, magnânimo, um isolamento que se lhe tenta impor, juntando-se ao inimigo que tem sido mais ágil na articulação política.

Aécio já tinha dado provas dessa agilidade ao passar flanando sobre os escombros do valerioduto mineiro, mas ficou difícil não reconhecê-lo depois que ele foi capaz de posar de magistrado na disputa de Belo Horizonte, quando não dispõe de um único candidato competitivo. A proclamada aliança com o PT em apoio a um nome do PSB à Prefeitura de BH ainda não saiu, mas o governador já ganhou tudo o que quis com a farofa em torno do tema.

Enquanto o prefeito Fernando Pimentel (PT) enfrenta a inquisição petista, Aécio já conta os pontos. Ganhou, junto ao condestável do PT mineiro - o ministro Patrus Ananias - interlocução como o próprio Pimentel nunca teve, e assentou imagem de conciliador. Aferrou-se ao discurso de que é a encarnação do pós-lulismo de tal maneira que fez submergir a percepção de que não há nada mais anti-petista do que a reforma da máquina pública mineira.

Só Aécio vincula PSDB à notícia positiva

Sairá vitorioso, ainda que a aliança não vingue, pela iniciativa de se aproximar do PT. Já Serra, que, ao contrário de Aécio, dispõe de dois candidatos competitivos, terá que se esforçar muito para não sair como perdedor de uma guerra fratricida, ainda que o cenário convirja para uma improvável conciliação entre o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB).

As razões do eleitor

E leitor sempre tem razão. Nas eleições municipais, suas razões movem-se, prioritariamente, pela capacidade do candidato de arregimentar recursos para sua cidade. Como estas têm, na média, menos de um quarto de sua receita total oriunda de arrecadação própria, não se pode acusar o voto de faltar com racionalidade. Nas duas últimas eleições municipais, esta capacidade sobrepujou até mesmo o julgamento do eleitor sobre a competência administrativa do candidato.

A conclusão está em artigo dos pesquisadores Maurício Bugarin (Ibmec SP) e Ivan Ferreira (BC) publicado no último número da Revista Brasileira de Economia (”Transferências Voluntárias e Ciclo Político-Orçamentário no Federalismo Fiscal Brasileiro”).

Eles analisaram o comportamento das transferências voluntárias para municípios em que os prefeitos pertenciam à mesma coligação de seus governadores ou do presidente. A amostra de que se utilizam em seu estudo econométrico, restrita àqueles que prestam informações de seu orçamento ao Tesouro, é de 2090 municípios, um pouco mais de um terço do total do país.

A transferência voluntária não tem o mesmo caráter das obrigatórias, destinadas a amenizar desigualdades regionais. Ao serem criadas, foram definidas como repasse de recursos para obras ou serviços de interesse comum entre União, Estados e Municípios. Acabaram tão marcadamente associadas à desigualdade de oportunidades entre candidatos que, há dez anos, a Justiça a proíbe nos três meses que antecedem as eleições.

Isso não impediu que essas transferências obtivessem carimbo político. De posse de seus dados, Bugarin assegura que o eleitor vê no apoio do governador e do presidente ao candidato compensação mais do que suficiente para eventuais deficiências administrativas, o que o leva a advogar por mais critérios técnicos às transferências voluntárias.

O transplante do estudo à disputa eleitoral de outubro levaria a crer, por exemplo, que o deputado estadual Alessandro Molon (PT), a despeito de ter alcançado 1% na última pesquisa, já poderia se considerar eleito prefeito do Rio por ter sido lançado pelo governador Sérgio Cabral (PMDB) e pertencer ao partido de Lula.

Mas Bugarin adverte que o peso das transferências voluntárias na decisão do voto é inversamente proporcional à renda do município. Não se arrisca a reduzir a complexidade das grandes capitais à barganha das transferências.

Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras

mcristina.fernandes@valor.com.br

03/04/2008 - 17:15h Dilma and the goat

From The Economist print edition

The pros and cons of Lula’s top aide

AP The mother of growth acceleration

AS POLITICAL branding goes, “Mother of the PAC” (Programme for Accelerated Growth) is not the snappiest. For Dilma Rousseff, though, this title just might provide a route to Brazil’s highest office in 2010. She is “head of the civil household”, or chief of staff for President Luiz Inácio Lula da Silva. In recent weeks she has been touring the country with Lula, standing next to building projects and looking bountiful. But now she is taking cover from a convoluted political affair involving ministers’ use of their corporate credit cards.

When introduced by the previous government, ministerial credit cards were designed to cut down on paperwork for spending on small items and to increase openness. In February it became clear that some current ministers had been having too much fun with them. The champion spender, the minister for racial equality, Matilde Ribeiro, lost her job and Congress set up an inquiry into their abuse.

The government decided that attack was the best form of defence. It said that spending by ministers in the previous government would be examined too, to show that they had been just as bad. Somehow the bills for the credit card in the name of Fernando Henrique Cardoso, Lula’s predecessor, found their way into the press. They did not reveal anything spectacular, but there were some groceries and other small personal items that should not have been there. The information probably came from Ms Rousseff’s office. She denies leaking it, and has phoned Mr Cardoso’s wife to apologise for the mishap.

Mrs Cardoso was apparently very nice about it, but her husband’s party will not be so forgiving. Ms Rousseff’s predecessor, José Dirceu, was forced out, accused of orchestrating bribes to members of Congress to keep Lula’s legislative coalition together. Though the charges against Ms Rousseff are far less serious, the opposition will try to exploit them. Attacking Lula, who gets more popular every time pollsters ask about him, has not worked well. Attacking his most powerful minister, and the nearest thing he has to an anointed successor, is much easier.

Since the accusation against her is indirect, Ms Rousseff is likely to survive. She has an interesting past (she was once a Trotskyist, holds a doctorate and, like many of Brazil’s senior politicians, was blacklisted by the military government of 1964-85). She is impressive up close, mixing personal charm with firmness and an evident grasp of technical detail. But she is not yet a viable candidate for the 2010 presidential election. She is little known outside politically attentive circles.

Indeed, some think that Lula is pushing Ms Rousseff now only to switch his affections later. “You know the story about the man who puts a goat in your living room and then offers to negotiate with you to remove it?” asks Bolívar Lamounier, a political consultant, somewhat ungallantly. Ms Rousseff will need to become mother to a lot more of the government’s spending if she is to become the negotiator.