04/06/2008 - 15:50h Conversa de mestres

Violoncelista Antonio Meneses e o pianista Menahem Pressler lançam álbum com as sonatas de Beethoven e as tocam ao vivo no festival Folle Journée, que começa hoje no Rio

João Luiz Sampaio - O Estado de São Paulo

E o violoncelo jamais foi o mesmo. ‘Antes das sonatas de Beethoven, não existia nada igual escrito para o instrumento’, diz o violoncelista Antonio Meneses. Não por acaso, elas são presença constante no repertório dos artistas, que no palco ou no estúdio se dedicam a uma vida inteira de interpretações. E o músico pernambucano não foge à regra. Acaba de gravar as cinco sonatas ao lado do pianista Menahem Pressler (lançamento nacional pelo selo Clássicos) e, no sábado e domingo, as interpreta no Rio, parte da programação do festival Folle Journée, que começa hoje e até o fim de semana ocupa 7 palcos da cidade com 48 concertos.

‘Mozart escreveu sonatas para violino, Bocherini e Vivaldi escreveram peças para violoncelo, mas não há nada que se equipare à importância que Beethoven dá ao instrumento’, diz Meneses. ‘A intensidade dessas peças não é o único aspecto a ser considerado. Ao longo delas, escritas durante enorme período da vida do compositor, fica clara a maneira como ele ganha familiaridade com o violoncelo, dando voz cada vez mais pessoal a ele’, completa Pressler. As sonatas não servem apenas para evidenciar o gênio de Beethoven - podem também revelar o talento de dois intérpretes e, mais importante, a maneira como dialogam sobre o palco. E aí, não dá para duvidar - Meneses vive o melhor momento de sua carreira.

No seu caminho até aqui, Pressler foi figura fundamental. O pianista americano é um dos criadores do Trio Beaux-Arts, que completou recentemente 50 anos de atividade. Sem abrir mão da carreira de solista - no fim de semana ele atuou em concertos da Sinfônica Brasileira, no Rio -, ele dedicou a vida artística a explorar as sutilezas da música de câmara, na qual o objetivo a ser alcançado é a união honesta e direta de artistas diferentes em torno de uma meta musical comum. Nos anos 90, a formação original do Beaux-Arts se desfez e Pressler saiu em busca de substitutos. Encontrou Meneses e, mais tarde, o violinista Daniel Hope. Além da atuação no trio, que está encerrando suas atividades, Pressler e o brasileiro têm viajado o mundo tocando em duo. O pianista se refere a Meneses como um intérprete sensível, ‘um grande músico’. E o violoncelista dá a medida da influência do mestre ao falar sobre como sua interpretação das sonatas mudou ao longo dos anos. ‘Quando aprendi essas peças, pode-se dizer que as aprendi como violoncelista, do ponto de vista do violoncelo. Interpretando-as com o Menahem, a visão é mais ampla, passei a ver as sonatas como música de câmara. A técnica, claro, é fundamental para atingir objetivos musicais. Mas com Pressler o que acontece é uma conversa entre instrumentos e o verdadeiro objetivo é mostrar ao público a partitura na sua totalidade, como uma só voz e não como duas vozes separadas’, diz.

E o que diz essa voz? Pressler propõe uma leitura interessante, segundo a qual é preciso pensar o que motivava Beethoven a compor. ‘Beethoven compreendia o sofrimento do homem. Era um humanista, acreditava na igualdade entre todos e na possibilidade de diálogo e entendimento. Quando ouvimos suas sinfonias, em especial as do fim de sua carreira, como a Nona, o vemos falando com a humanidade como um todo - é como se sua música construísse um grande edifício de um novo mundo e convidasse as pessoas a habitá-lo. Nas sonatas, no entanto, ele não fala com as massas. Aqui, seu interlocutor é o indivíduo. Ele reproduz uma enorme gama de emoções nessa partitura, sem jamais deixar surgir uma oposição entre clareza e sensibilidade e perder de foco sua mensagem de diálogo.’ Na conversa do Estado com Meneses, surge a interpretação de Pressler. Ele concorda? ‘Nunca falamos disso mas, desde já, não vejo a hora de chegar ao Rio para discutir essa idéia com ele.’

Nas sonatas, a revelação de um gênio

Para Pressler e Meneses, elas mostram papel de Beethoven na história ocidental

João Luiz Sampaio - OESP

As sonatas para violoncelo foram escritas ao longo de 20 anos. Dessa forma, acompanham a trajetória de Beethoven - e a evolução do seu poder criativo. ‘As duas primeiras sonatas são do início da sua carreira, o violoncelo ainda tem uma participação tímida. Já na terceira sonata, no entanto, que faz parte do chamado período médio do compositor, já está presente o diálogo entre os dois instrumentos, o que vai desaguar na última sonata, em que se pode dizer que ele atinge uma certa perfeição na atribuição de vozes aos instrumentos’, diz Meneses.

Pressler lembra que essa evolução não é apenas da utilização do violoncelo ou mesmo do compositor - faz parte também da história da música ocidental. ‘Essa evolução representa o caminho que começa no classicismo de Haydn e Mozart e termina no início do romantismo. Perceber isso é começar a entender a proporção do gênio e da importância de Beethoven’, diz o pianista.

Sobre as apresentações no Rio, Meneses chama atenção para as diferenças entre a gravação e o concerto ao vivo. ‘Gravar uma obra tem pouco a ver com a execução ao vivo. Mas, depois de gravá-la e estudar nossa própria interpretação nos mínimos detalhes, escolhendo versões e decidindo refazer passagens, você ganha uma familiaridade muito grande com ela. Então, quando você volta ao palco, se sente cada vez mais íntimo daquela obra’, afirma.

A boa nova é que, depois das sonatas, Meneses já tem uma série de projetos preparados. Está na Europa terminando de gravar em DVD as sonatas de Vivaldi; depois dos concertos no Rio, vem a São Paulo, onde grava com a Sinfônica do Estado o concerto de Dvorak; no segundo semestre, grava, também para DVD, as suítes de Bach. E, ainda este ano, lança novo disco, desta vez com a pianista Celina Svrinsk, gravado em março. ‘Nós escolhemos uma seleção de obras da primeira metade do século 20. Entre os brasileiros, tocamos Villa-Lobos e Camargo Guarnieri; e, entre os europeus, Nadia Boulanger e Bohuslav Martinu. A idéia não era fazer um disco dedicado a um só autor, como eu tenho feito, mas, sim, gravar um programa que poderia ser feito no palco, em um recital. Mas há um ponto em comum entre esses autores e é a presença de Paris, cidade que foi importante para a formação de Villa, Guarnieri e Martinu e na qual Nadia Boulanger trabalhou toda a sua carreira como professora e incentivadora.’

Festival promove 48 concertos de hoje a domingo

João Luiz Sampaio - O Estado de São Paulo

FESTA: Criada nos anos 90 em Nantes, na França, a Folle Journée surgiu com a proposta de celebrar a música e levá-la a um novo público. Seu formato é simples de descrever, difícil de colocar em prática: uma série de concertos curtos e com ingressos a preços baixos espalhados por diversos palcos da cidade, de preferência próximos uns dos outros, guiados por um tema que proponha às platéias relações entre compositores e/ou obras. O festival, idealizado por René Martin, chegou ao Rio no ano passado, por intermédio da produtora brasileira Helena Floresta. Agora, em sua segunda edição, já ganhou mais dois dias e um número maior de concertos - serão 48, ao todo, de hoje até domingo. O tema deste ano é Beethoven. Quais os destaques da programação? É difícil escolher. Mas, além de seleções das sinfonias e dos concertos para piano, seria interessante acompanhar as séries integrais que serão apresentadas - as dos quartetos de cordas, dos trios com piano, as 32 sonatas para piano, as dez sonatas para violino e as cinco sonatas para violoncelo. É uma opção, até pela raridade que é ouvir integrais por aqui. A outra opção pode ser seguir os artistas preferidos - e a lista de intérpretes é especial: além de Meneses e Pressler, estarão presentes nomes como Alexander Kniazev (violoncelo), Andrei Korobeinikov , Abdel Raman el Bacha, Eduardo Monteiro e Boris Berezovsky (piano), Dmitri Mahkti n e Daniel Guedes (violino), Mauricio Freire (flauta), Phillipe Doyle (trompa), entre outros. Entre os conjuntos, estão a Orquestra da Sociedade Bachiana Brasileira (Ricardo Rocha , maestro), a Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro (Silvio Viegas), a Orquestra Sinfônica Nacional (Ligia Amadio ), a OSB Jovem (Marcos Arakaki), o Quarteto Ysaÿe , o Quinteto Villa-Lobos e o Trio Wanderer. A programação completa da Folle Journée e a lista de palcos em que será realizada podem ser encontradas no site www.riofollejourne.com/2008.

Artistas imprimem olhar original sobre as obras

Pianista e violoncelista conseguem a façanha de se impor perante as versões disponíveis das sonatas

Crítica João Marcos Coelho - O Estado de São Paulo

Quando o violoncelo entoa sozinho, de maneira extremamente doce, o primeiro tema do ‘Allegro ma non tanto’ da Sonata Opus 69, em lá maior, parece o início de uma fuga, que no entanto aborta; em seguida, entra o piano, que retoma a frase de modo denso, tocando em oitavas e dá a deixa para a cadência do violoncelo, que fecha este curtíssimo episódio de abertura. Pronto. Beethoven decretava aqui o início de um gênero, o da sonata para violoncelo e piano. Pela primeira vez na história da música, o instrumento de cordas de timbre mais eloqüente e afim à voz humana adquiria status igual ao do piano. Corria o ano de 1808.

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Ouça entrevista de Meneses som

Pouco mais de dez anos antes, ele brincara com a forma ao oferecer as duas sonatas, opus 5, para o rei-violoncelista da Prússia, Frederico Guilherme II. Este mantinha em sua corte o violoncelista Jean-Pierre Duport, que encantou Beethoven por seu cantabile e sonoridade tanto nos agudos como nos graves e trocou muitas figurinhas com o compositor sobre as possibilidades técnicas do instrumento, o que certamente contribuiu para a incrivelmente nova sonata opus 69 de anos mais tarde.

Em 1815/16, as duas sonatas finais - opus 102 - desempenharam um papel de experimentação tão importante quanto os últimos quartetos e as sonatas para piano na construção do estilo mais radical do compositor. Michel Frey, mestre de capela de Mannheim, escreveu, quando ouviu Czerny e Linke tocando uma das sonatas do opus 102: ‘É tão original que ninguém pode compreendê-la na primeira audição’.

Os sábios dedos de Menahem Pressler, curtidos em mais de meio século de prática de música de câmara, unem-se à maturidade plena de Antonio Meneses como violoncelista, conquistada na última década de convivência no Beaux Arts Trio, para nos levar, de modo encantador, por este fascinante passeio musical em direção ao novo, que transformou o status do violoncelo.

Este ciclo é um dos mais gravados da história do disco. Vale, portanto, lembrar as mais famosas e recentes. Entre as primeiras estão as de Rostropovich/Richter, Fournier/Gulda e Fournier/Kempff. E, entre os registros recentes, estão o holandês Pieter Wispelwey com Dejan Lazic e os húngaros Miklós Perpenyi e András Schiff.

Forte concorrência, como se vê. Mas me arrisco a dizer que nenhum deles exibe a intimidade que esbanjam Meneses e Pressler. Não há excessos nem arroubos (como em Rostropovich/Richter ou Perényi/Schiff) ou parcimônia excessiva (uma das causas do quase-desequilíbrio da maravilhosa versão Fournier/Gulda). Talvez a performance de Fournier com Kempff seja a única a comungar a mesma visão global que possuem Meneses e Pressler.

Para ficar somente nas gravações recentes, a calma precisa dos dois contrasta com a dos demais. Não há vontade nem necessidade de apressar demais os andamentos. Perényi e Wispelwey soam sempre mais acelerados. No opus 69, por exemplo, a sonata ganha uma virtuosidade excessiva, que jamais foi a meta de Beethoven. Em vez disso, Meneses e Pressler ocupam-se da lapidação das frases, costuram com carinho a dinâmica e a agógica. É só por isso - como se fosse pouco - que esta gravação impõe-se. Tem identidade. Imprime marcas originais. Fazer isso em Beethoven é quase sobre-humano. Mas Meneses e Pressler conseguiram a façanha.

05/03/2008 - 15:32h West Side Story, no DVD gravado por Leonard Bernstein

Partitura para não seguir regras, como seu compositor

DVD com gravação feita nos anos 1980 por Leonard Bernstein oferece olhar sobre o processo criativo do maestro americano

João Luiz Sampaio - O Estado de São Paulo

Bernstein / Carreras / Te Kanawa - Bernstein Conducts West Side Story / Te Kanawa, Carreras CD O compositor e maestro Leonard Bernstein (1918-1990) fez uma gravação de West Side Story - e apenas décadas após escrever o musical, em meados dos anos 80. Reuniu um elenco estelar - a soprano Kiri Te Kanawa e o tenor José Carreras, queridinhos do cenário operístico da época, a meio-soprano Tatiana Trotyanos, grande nome da ópera americana, e um jovem revelação, o barítono Kurt Ollman. O registro histórico tem face dupla: de um lado, o CD; de outro, o making-of das gravações. Ambos fazem parte de uma edição especial lançada no final do ano passado pelo selo alemão Deutsche Grammophon para marcar os 50 anos da estréia do musical (há também edições individuais dos dois produtos, todas elas importadas).

Não há muito a dizer sobre as vozes, além de ressaltar o modo especial como se combinam na recriação dessa música - Bernstein conta que, quando escrevia o musical, ouviu diversas vezes de Jerome Robbins e Stephen Sondheim que não escrevesse uma ópera; seu prazer secreto, revela, foi criar linhas de canto que se prestassem também à impostação lírica para, um dia, gravar o musical com cantores de ópera. O mais interessante, porém, é o DVD com o making-of da gravação, com curiosidades e lances para deixar qualquer melômano feliz: Bernstein se desentende com Carreras que, por sua vez, se aborrece e deixa o estúdio xingando algo em espanhol; reclama dos produtores, demonstra seu nervosismo quando um dos microfones falha e ele é obrigado a refazer um dos takes das Danças Sinfônicas; elogia Kiri, irritando as colegas; e por aí vai.

Dos momentos curiosos o que sobra, porém, é a própria personalidade de Bernstein. O gênio difícil sempre foi componente importante da imagem que o maestro e compositor vendeu ao mundo musical. Mais do que isso. Os auto-elogios, as auto-referências, as mudanças de humor - e a percepção de que todos esses elementos sugeriam uma mística em torno de si mesmo - mostram uma personalidade forte, e hábil, que escorregou para a música e permitiu ao compositor ser uma voz dissonante entre as escolas e tendências que pautaram a produção musical do século 20. Se Bernstein seguiu alguma escola, foi nela reitor, professor e aluno rebelde. E, nesse contexto, West Side Story, na apropriação que faz da cultura americana, na mistura de gêneros e na qualidade da escrita, seria a nota dez que garantiria ao artista formar-se como o grande nome da música americana do período.

03/11/2007 - 18:32h IPTV: internet está mais perto da TV do futuro do que a TV digital, dizem especialistas

Divulgação / AppleTV, uma das caras que a televisão sobre internet (IPTV) ganha no mercado

Agnes Dantas, O Globo Online RIO - O cenário ideal para a televisão do futuro seria um telespectador livre para assistir a programação que quiser na hora em que decidir e em qualquer lugar - de preferência também no celular -, sem uma grade fixa a seguir e com direito a interagir com outros usuários que tenham gostos em comum. E mais: como acontece no YouTube, o telespectador também pode ser produtor de conteúdo audiovisual. ( Leia mais: sob influência da Web 2.0, TV do futuro deverá ter conteúdo definido pelo espectador )

Diante deste cenário, especialistas defendem: o Brasil está mais perto de alcançar este modelo de televisão do futuro pela chamada TV sobre internet - IPTV - e pelas ofertas de vídeos sob demanda (on demand) do que pela TV digital. ( Leia mais: dez questões mais comuns sobre TV digital ), já que o sinal de internet pode chegar na TV, no computador e até no celular.

- Os vídeos que o espectador encomenda hoje pelo pay-per-view da TV a cabo ou via satélite estão amarrados a uma grade fixa. Se você perder dez minutos, já era. E não dá para parar, nem voltar, nem retomar depois. Isso não é TV do futuro - afirmou Alan Sawyer, co-fundador da consultoria de tecnologias Two Solitudes, um dos especialistas que estiveram no congresso “TV 2.0″, em São Paulo.

Contam a favor da internet o aumento constante no volume de acessos em banda larga no Brasil - já passa dos seis milhões de usuários - e o fato de o país manter a liderança em tempo gasto por mês com a internet - à frente de nove países, entre eles Estados Unidos e Japão. Já a TV digital, argumentam especialistas, inicia as transmissões em dezembro apenas em São Paulo e somente para quem comprar novos televisores ou conversores de sinal - sem a garantia de sinal de TV digital em outros estados antes de meados de 2008. E mobilidade? Ainda são poucos e caros os protótipos de celulares capazes de captar sinais de TV digital.

 

Os vídeos que o espectador encomenda hoje pelo pay-per-view estão amarrados a uma grade fixa. Se perder dez minutos, já era. Isso não é TV do futuro (Alan Sawyer, da Two Solitudes)


- Quando a gente fala em televisão pela internet (IPTV), estamos falando em entregar conteúdo televisivo através da estrutura que já existe na casa das pessoas, que é a rede de banda larga instalada. Os operadores precisam melhorar a qualidade da banda existente, é verdade, mas já estamos na casa deste usuário. Não estamos reinventando a roda - destacou Carlos Watanabe, da Brasil Telecom, que há um ano começou os testes com o serviço de IPTV, “Videon” , que já vende na tela do televisor vídeos sob demanda em Brasília.

Em defesa da IPTV, Watanabe cita um exemplo: no estado do Paraná, uma das áreas cobertas pela operadora, as empresas de cabo e satélite cobrem pouco mais de 20 cidades. A rede de padrão de até 8Mbps de velocidade da BrT atinge pouco mais de 200 municípios.

Já a gigante Warner Bros repete no Brasil a mesma estratégia internacional: usa o computador como canal de distribuição de conteúdo em vídeo (home video). O país é o único da América Latina em que é possível encomendar mais de 50 títulos em vídeo, inclusive lançamentos, via download para o computador com pagamento em reais. Desde julho a marca tem parceria com o portal Eonde ( www.eonde.com.br), conta Carlos Canhestro, diretor de operações Home Video da Warner Bros Brasil. O executivo anuncia novos planos e diz que a chegada da TV digital está confundindo o telespectador.

- Ainda nos primeiros três meses de 2008 devem ser lançados outros dois ou três portais como este de download legal de vídeos no Brasil. É o que eu acredito. Já a chegada da TV digital e dos DVDs de alta definição (HD DVD e Blu-Ray) agora em dezembro vão deixar o usuário muito confuso. O consumidor nem sabe o que vai comprar. Não é o melhor momento para definir uma estratégia agora. Toda a tecnologia precisa de um tempo de maturação, não adianta nada esta ansiedade toda. Já em 2008 vai ser diferente - afirma, com ar de suspense.

O celular também se transforma em um canal viável para a televisão sobre internet. A Claro acumula há dois meses experiência no assunto com o VídeoMaker, que oferece para download vídeos produzidos por usuários - que são remunerados por isso -, e que já possui IPTV com vídeos em streaming de emissoras como CNN e de canais como o Cartoon.

Na opinião de Galileu Vieira, gerente de novas tecnologias da Microsoft, tanto o computador quanto os celulares e os serviços que levam conteúdos da internet para a televisão têm chances de servir de central de ofertas para conteúdos de mais qualidade e interativos. O executivo citou o Windows Media Center, plataforma que chegou ao Brasil com o Windows Vista, em janeiro deste ano, e que é capaz de transformar o computador em uma central de entretenimento que distribui conteúdo digital (vídeos, músicas, fotologs, textos etc) para todos os equipamentos eletrônicos de uma casa via rede IP. E citou o exemplo do console de videogames da Microsoft, Xbox 360, que nos Estados Unidos será o terminal oficial de IPTV da operadora AT&T, por ser capaz de acessar a internet em alta velocidade, de gravar conteúdos e de realizar chamadas de VoIP, como o Skype.

- Por exemplo, nos Estados Unidos os usuários do Xbox Live (serviço online) usam o console para acessar conteúdo de TV sob demanda, ao mesmo tempo em que conversam com os amigos via VoIP, integrado com o Messenger (bate-papo). Pela internet podem comprar episódios de minisséries, alugar filmes e baixar jogos ou conteúdo televisivo em alta definição para assistir na TV plugada ao Xbox. Isso é TV do futuro - descreveu o especialista.

Vieira não confirmou se a Microsoft tem planos de oferecer Xbox Live no Brasil, mas lembrou que, caso haja planos, “ainda estamos dentro do prazo porque, em geral, este anúncio acontece de 12 a 14 meses após o lançamento oficial do console em um país”: o Xbox 360 foi oficialmente lançado pela Microsoft em dezembro de 2006.